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Jornal daABI ANO 43 - EDIÇÃO ESPECIAL DE ANlVERSÁRlO

(N" 253) - MAlO I JUNHO DE 1996

Umdiaem--$0,40

o jornalismo investigativo precisa driblar a indústria de denúncias. Repórteres do DIA e o chefe de Polícia Civil, Hélio Luz, comentam a delicada relação entre policiais e repórteres.

Preço deste exemplar na capital e no interior

Página9 [",- ,

Presidente: Ary Carvalho

Rio de Janeiro, maio I junho de 1996 •

Ano 45

N2 ABI.

Editor-chefe: Eucimar de Oliveira

o NOVO DIA

Voando baixo sobre o Rio

• Uma guinada ética e qualitativa.

---------------Página

Página4

Com seis edições regionais, O DIA chega mais perto do leitor.

o papel

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do jornal muna democracia

o prefeito

Cesar Maia investe na interação com o eleitor carioca e o governador Marccllo Alencar aposta firme na fusão do estado.

EM DEBATE

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• Os pecados dos jornais.

Entrando na era digital Página7

Texto e imagens totalmente digitalizados

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Páginas.!.6 ~ 17

são o próximo desafio.

Páginas.0 e 18


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JORNAL DA ABI

MAIO / JUNHO 1996

• EmJO anos, as redações mudaram demais. O que persiste é a curiosidade do jornalista

Da linotipo ao computador Barbosa Lima Sobrinho

que mais me impressionou na ida ao jornal O DIA foi a recordação de uma visita que eu tinha feito no início da minha vida corno jornalista à sala de linotipos do Jornal do Brasil. Naquela época a sala de redação era apenas algumas mesas com uns poucos jornalistas, ao passo que as linotipos estavam tornando um grande espaço em todo o andar em que eram colocadas. Qualquer pessoa que chegava era logo levada a visitar as linotipos, que era o que de mais moderno havia. Eu comecei no Jornal do Brasil em 1921 corno redator do Senado. Depois, com o afastamento de um colega

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gravura, para as notícias que tinham elaborado. Bem diferente de agora, quando as fotografias já estão até dentro dos computadores. Basta dizer que o jornal não tinha biblioteca, não tinha realmente informação dos acontecimentos passados, de modo que o jornalista tinha que se defrontar com os acontecimentos corno se fosse o único verificado na sua vida, porque tudo o que tivesse acontecido antes não ficava registrado, não organizavam um serviço amplo de informação. Era um trabalho dificil para o jornalista, que tinha de certa maneira que procurar reunir impressões do momento. Portanto, o que me impressionou mais não foi exata-

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"Naquele tempo nem se usava máquina ainda, escrevia-se à mão a reportagem que seria publicada no dia seguinte"

DIA está muito bem instalado, modernizado, é um jornal que atende a todas as exigências da vida moderna" Navisitaao DIA, em 24 de abril,juntoà paginadorada capa dojornal

meu, que fazia a reportagem da Câmara dos Deputados, eu fui promovido, porque achava-se que a mudança do Senado para a Câmara era urna promoção para o jornalista. E fui para Câmara dos Deputados para acompanhar os debates e, com o relacionamento com os deputados, colher informações para redigir a seção Coisas da Política, tradicional do Jornal do Brasil. Eu virei editor do Jornal do Brasil em torno de 1924 ou 1925, quando comecei a escrever os artigos de fundo. Não havia bem essa categoria de editor, mas havia a categoria de jornalista de artigo de fundo. O artigo de fundo, aliás, erà escrito por um grande jornalista que era também um grande médico, que deixou obras notáveis, e eu me sentia de certa maneira acanhado de substituir o Dr. Nuno de Andrade. Ele tinha li-

vros publicados sobre a guerra do Japão com a Rússia, sob o pseudônimo de Felício Terra. Nesse livro, ele revelava os episódios da Guerra do Japão, que havia acompanhado no início do século e, com a imaginação que tinha, fez alguns contos que ficaram marcados na minha memória através de todo esse período decorrido entre 1920 e os dias atuais, quer dizer, 70 anos de diferença. Até hoje me lembro bem destes contos. Naquele tempo o jornalista chegava e sentava-se à mesa para escrever. Nem se usava máquina ainda, escrevia-se à mão o que seria publicado no dia seguinte. E havia jornalistas que não tinham facilidade de escrever e ditavam a reportagem aos companheiros, que iam registrando o que ouviam e o que lhes era revelado. Havia também jornalistas que trabalhavam em casa. Eu cito

mente a distância de aparência corno exemplo Otto Prazeres, que era o redator da Câmara, . entre as salas antigas de redação com algumas mesas e a que já trazia feito todo o seu ampla sala repleta de computrabalho, com os comentários tadores. O que mais me imdo que tinha observado na Câpressionou é a diferença formara dos Deputados. midável que vai de um comA gente ia se reunindo ali, putador a urna máquina de lilendojornais, ouvindo as notínotipo. Porque a máquina de cias que vinham pelo telefone, linotipo registra quase que que naquela ocasião já funciopassivamente, enquanto o nava regularmente. No dia secomputador desperta um guinte o jornal trazia as imgrande mundo de impressões pressões que a gente tinha na que inspira também o próprio véspera. Praticamente não hajornalista a realizar o seu travia organização. Corno editor balho, recordando ao profiseu procurei organizar um sersional muitas coisas que o asviço de retratos. Quando se sunto inspira e de certa maneiprecisava de um retrato para ra provoca. ilustrar uma determinada notíA diferença que há entre o cia, não havia nada organizajornalismo de hoje e o jornado e recorria-se a um compalismo de ontem é exatamente nheiro que tinha alguma coisa, a diferença que há entre urna que era o Giangirulo. Então sala com computadores e uma procurei organizar um serviço sala de linotipos. A visita ao fotográfico, com o respectivo noticiário, para que se pudesse jornal O DIA me deu essa impressão. Achei que está muito servir a todos os jornalistas bem instalado, modernizado, que precisassem de alguma

, , A máquina de linotipo registra quase que passivamente, enquanto o computador inspira o jornalista' , é um jornal que atende a todas as exigências da vida moderna. Eu acho que a única coisa que não mudou foi a curiosidade do jornalista, que está sempre vivendo à procura de novidades, à procura de notícias para atender as seções que estão a seu serviço. De modo que, se há alguma mudança, é apenas na adaptação a esse novo regime, que procura valorizar realmente as fotografias e as gravuras que podem servir para tornar o jornal cada vez mais agradável aos seus leitores. Foi essa impressão que a visita ao DIA me deixou, com a presença da sua sala de computadores, porque eles se estendiam ao correr de todo um andar como as linotipos antigas, que ocupavam também o espaço de todo um andar. E essa impressão ficou de tal maneira fixada na memória, que eu comecei a pensar nas novas responsabilidades da vida do jornalista quando tem que atender às exigências desse mundo totalmente modernizado. Quando penso que a sala de redação do Jornal do Brasil antigamente tinha apenas quatro jornalistas em duas ou três mesas e vejo hoje a quantidade de jornalistas presentes, ajudados pelas máquinas que estão ao seu serviço, é que posso verificar a distância enorme entre o jornalismo de 70 anos atrás e o jornalismo atual, do qual O DIA é um reflexo e ao mesmo tempo comprovação do seu desenvolvimento. Barbosa Lima Sobrinho, 99 anos, é presidente da ABI


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JORNAL DA ABI

MAIO / JUNHO 1996

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Pelo interesse público HISTORICO undado em 5 de junho de 1951, O DIA é, entre os jornais brasile,iros, um Jovem as vésperas dos 45 anos. Em 1983, foi comprado pelo jornalista Ary Carvalho e, quatro anos depois, entrou numa era de transformações permanentes. Mas mudar um jornal não é simples. Especialmente no caso do DIA, que só é vendido em bancas, circula apenas no Estado do Rio e há anos está entre os três mais vendidos do país. Resumindo: O DIA sempre teve intensa relação afetiva com seus leitores. Em julho de 1987, o jornal passou por uma reformulação editorial, que incluiu mudança das manchetes e preocupação social com o servidor público, o pequeno investidore o aposentado. Com isso, ganhou credibilidade e uma legião de novos leitores. Para ser impresso em cores - a partir de 5 de julho de 1992 -, a redação ganhou computadores, um departamento de arte e foi construído um dos mais modernos parques gráficos do mundo. Os investimentos somaram 35 milhões de dólares. O resultado surgiu logo. O DIA tornou-se tão ágil que é o único do Brasil com seis edições diárias regionais. Desde o início deste ano, o jornal se dedica à instalação de um banco de imagens. O DIA é também um laboratório. Que o digam os estudantes universitários e de segundo grau que diariamente visitam a redação. O empenho dos seus profissionais resultou, de 1988até agora, em oito premiações importantes, entre elas o Prêmio Esso de Melhor Contribuição à Imprensa, Veículo do Ano (1993), Top de Marketing 95 e o Maiofiej, da Society of Newspaper Design.

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Eucimar de Oliveira conceito do jornalismo praticado em O DIA desde o início de sua reforma editorial pode ser entendido apenas pela mudança da ordem de três palavras de uma simples frase. De um jornal que já foi e como tantos hoje são feitos apenas para o interesse do público, demos uma guinada ética, qualitativa e capitalizamos o nosso quadro de pessoal em favor do interesse público e, ao lado disso, conciliamos nossas reportagens, denúncias, críticas, entretenimento e permanente vigilância junto às ventosas do poder político com as aspirações dos leitores. Hoje, nada sai em nossas páginas sem que haja um questionamento anterior. A quem isso pode interessar, como poderá influir favoravelmente na vida da sociedade ou mesmo num conjunto menor de cidadãos. Queremos umjornal útil, necessário no cotidiano. Desejamos e trabalhamos para que os nossos milhares de leitores, logo ao despertar, tenham três vontades: café, pão e O DIA. E como fazer isso? Afinal, nem tudo que é necessário é igualmente agradá-

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vel, como enfrentar engarrafamentos ou utilizar-se da maioria dos serviços do Estado, por exemplo. Para chegar ao estágio atual, O DIA primeiro procurou entender o coração e a mente do público leitor de jornal. Trabalhamos obstinadamente em pesquisas, trouxemos a redação para uma posição de ponta, e, principalmente, acreditamos que dos dois capitais de que uma empresa dispõe, só um realmente pode fazer diferença: o capital humano. O tecnológico está disponível para todos. E foi com o talento dos novos profissionais agregados, a manutenção de outros e na formação, interna, de um novo grupo, com um inovador e arrojado programa de estágio, que obtivemos um jornal profundamente identificado com sua região, incisivo quando preciso, freqüentemente temo e finamente bem-humorado na maioria das vezes. Alguns dos nossos editores aqui começaram suas carreiras sofrendo o surrado trote: "Passe na oficina e pegue a calandra, fulano". Hoje são jornalistas cobiçados pelo mercado, mas que nesta redação depos itaram seus corações e daqui tiram a recompensa de suas competências. O resultado desse pequeno apanhado de nossas intenções, por certo é motivo de orgulho profissional e empresarial. Poucas vezes, tão poucos ousaram tanto e tiveram tanto sucesso com o consentimento e adesão de novos leitores. Se os números-da realidade econômica mentem, os nossos, jamais. Há três anos, segundo os Estudos Marplan, somos os líderes de leitores em todos os dias da semana. Comparados com o jornal G ou jornal.B; Bom dia, então: Todos os dias. Euclmar de Oliveira é editor-chefe do DIA


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JORNAL DA AB!

MAIO I JU HO 1996

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TEXTO

E HUMOR

Operação cotidiana

o criar o espaço da charge na primeira página, em fevereiro de 1995, O DIA realizou mais uma etapa de sua modernização, levando a seu público cativo o que só os grandes jornais têm condições de oferecer. Além da sátira da política nacional, sinto que ao fazer prioritariamente charges sobre os problemas do Rio de Janeirocomo a falta de segurança e os seqüestros -, ajudo a reforçar a carioquice do jornal e me sinto recompensado por participar ativamente da política regional, pressionando o poder público, denunciando e mostrando que o jornalismo sério faz uso, às vezes, de uma grande dose de bomhwnor.

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Para onde evoluir?

Claudia Reis m 1992, as paginadoras eletrônicas aterrissaram na redação do DIA. Pareciam seres alienígenas. Sem qualquer fobia cibernética, os editores se adaptaram de maneira espantosa ao E.T.. Em poucas semanas, aprenderam os comandos e sabiam manejar o mouse com bastante dignidade. Só não poderíamos suspeitar, no início, que a alta tecnologia produziria efeitos colaterais danosos à qualidade do jornal. Não é difícil imaginar por que. A pré-impressão, antes uma seção superpovoada de gráficos, compositores e revisores, repentinamente ficou deserta. Apenas uma equipe de gráficos permaneceu, a serviço do OPI (a máquina que cospe os filmes que vão para a gráfica). A revisão desapareceu. Os editores foram transformados em Robocops: além de todas as funções originais, passaram a desenhar suas páginas, cortar fotos e até a importar anúncios! E o computador estava longe de ser perfeito: nosso sistema, de inconfundível sotaque americano, nem sempre conseguia, por exemplo, separar sílabas. Juntou-se a isso a filosofia de trabalho que tentávamos implantar no DIA. Como queríamos que todos os nossos repórteres fossem criativos, excelentes apuradores e com tex-

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to irrepreensível, praticamente extinguimos os redatores. Depois de muitos pecados, nos demos conta de que, infelizmente, não é assim a maioria dos profissionais que as faculdades de Jornalismo despejam no mercado. E os (quase) perfeitos não estão imunes a eventuais escorregões em texto e conteúdo - um acidente de trabalho provocado pela pressa e tensão próprias do fechamento de um jornal diário. Como um time inteligente que sabe a hora de voltar ao meio-de-campo para armar seu gol, recuamos para dar um passo à frente. Surgiu, em setembro do ano passado, uma nova editoria. Oficialmente, é a Editoria Executiva. Para os íntimos, ganhou um nome mais simpático: filtro. A função básica do filtro é manter a limpeza dos textos publicados no DIA. Uma única vírgula fora do lugar é pecado registrado em um relatório diário. Mas sua função primordial é cuidar da qualidade de conteúdo das reportagens e do estilo dos textos. Por isso, o editor do filtro é responsável também pela reunião de pauta com todos os editores. Os redatores - ou velas - do filtro são chatos, céticos, muito detalhistas e têm liberdade para virar um texto pelo avesso. Em grandes coberturas, costuram reportagens, checam informações conflitantes e eliminam as desagradáveis repetições. No dia-a-dia, apimentam o molho que cada repórter pode dar a sua reportagem. E estão sempre de olho nos possíveis desvios éticos que, em uma cochilada, possamos cometer. a resultado é que os editores ficaram mais livres, leves e soltos para ... editar. O jornal está mais limpo e agradável. A redação evoluiu. E o leitor agradece. Claudia Reis é editora-executiva

Malucos são os outros

José Luiz Alcântara ove anos depois, não consigo deixar de rir quando lembro da frase que eu mais ouvi na época: "Estão ficando malucos, não vai dar em nada." Os malucos eram os profissionais que deixaram seus empregos para trabalhar no DIA e o que não ia

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dar em nada era o projeto de renovação do jornal. ove anos depois, ficou provado que os malucos estavam certos e que o projeto, que não ia dar em nada, deu num jornal criativo, que inova a cada dia e que tem um público cada vez maior e fiel. Nove anos depois, muitos dos que falavam em loucura - e não eram poucos - estão por aí copiando O DIA nos jornais em que trabalham. Nove anos depois, vemos na redação do DIA o renascimento de uma cultura há muito varrida das reportagens na maioria dos jornalões do país: a valorização do personagem, do drama, do humor, da vida como ela é. Nove anos depois, confesso que muitas vezes pensei que algumas coisas não iam dar certo. Me lembro das dificuldades dos primeiros tempos, a resistência interna por parte daqueles que preferiam o esquema antigo: o jornalismo sem compromisso com o leitor, sensacionalista e conivente com o poder público.

do DIA

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Nove anos depois, vemos que valeu a pena o duro caminho percorrido. Vemos que o espírito de equipe sempre prevaleceu na redação do DIA. Que as dificuldades - e bota dificuldade nisso - sempre foram superadas pelo entusiasmo da equipe da redação. Vale lembrar: quando o projeto de segmentação do jornal foi lançado, voltei a ouvir falar em loucura. Hoje, temos seis edições diárias - Norte, Sul, Serrana, Metropolitana, Niterói e Baixada - com primeiras páginas diferentes, noticiá-, rio e fotos de cada região. Nove anos depois, ficamos satisfeitos em saber que - mesmo depois de tudo que foi feito - há ainda muita coisa pela frente. Tomara que continuem chamando de malucos os que participaram - ou os que ainda vão participar - do projeto permanente de mudança no DIA. José Luiz Alcântara é chefe de redação do DIA


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Onde bate o coração dojornal or estas páginas passam os dramas, a emoção, a ação, o imprevisível. O coração se chama Geral. Metade Cidade, metade Polícia. O Rio de Janeiro. Contado do particular para o geral. O engarrafamento que parou a Avenida Brasil do ponto de vista de quem pode perder o emprego ou o médico. A investigação sobre um personagem capaz de mudar o rumo do julgamento de uma chacina que chocou o mundo. Na Polícia, não houve maior desafio do que continuar a publicar fatos policiais enquanto o jornal tentava se livrar do estigma de que se suas páginas fossem torcidas, saía sangue. Saiu o presunto da primeira página,

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O temporal destrói um condomínio em Mangaratiba. Em vez da traçédiacausada-mais-uma-

entraram os bastidores da ação policial numa cidade violenta que não pode ignorar esta sua face. A apuração rigorosa da notícia contada nos seus detalhes. Seja na prisão do traficante Vê, seja na incrível história da mulher que levou 20 tiros e não morreu. Quem qui er conhecer a história do Rio, nos dias de hoje, tem que ler O DIA. E quando a instituição polícia erra, não perdemos a visão crítica. É a vez da denúncia. O pelotão de extermínio da PM que identificamos na Baixada valeu o Prêmio Wladimir Herzog de 1993. Ou a história dos mais de 100 desaparecidos pelas mãos dos que deveriam ser agentes da lei. Um dia deixa-

ram suas casas, receberam voz de prisão e nunca mais foram encontrados. Um exemplo de com quantos Carelis (funcionário da Fiocruz que sumiu depois de uma operação da Divisão Anti-Seqüestro numa favela da Zona' orte) também se faz a banda podre da nossa polícia. Outra mudança foi o bom humor. Por que o noticiário policial tem que ser necessariamente pesado, trágico? Os títulos e os textos passaram a encarnar um pouco mais o estilo do carioca, que não deixa escapar um comentário irreverente diante da maioria das situações. O leitor lê o Rio de um jeito que é todo seu. Policia e Cidade no DIA são separados. Ao contrário

do que acontece na maioria dos concorrentes. Cidade, para nós, é o serviço, as histórias, a política local e seus representantes em Brasília, os dramas, o folclore. A chuva que cai e desabriga, o prefeito que entra num açougue, pede um sorvete e vira notícia. Como foi feita a mágica? Sem mágica. O ponto de partida é a notícia criteriosamente apurada. O impacto vem pelo que o fato contém. Nada de sensacionalismo ou apelação, sempre em defesa dos interesses da comunidade e sem aborrecer o leitor. Ele tem que ficar do nosso lado. Sérgio Costa é editor de Polícia do DIA

DEPOIMENTOS "É tarefa de quem tem um mandato popular acordar pela manhã e ler os principais jornais da cidade". Vereador Fernando William - PDT

vez-pela-chuva,

vamos direto para dentro da casa da família mais atingida e reconstru ímos o momento em que, naquele local, o mundo literalmente desabou em meio a uma festa

Crise na segurança. A violência assusta os cariocas. Os jornais fazem campanha pela volta do Exército às ruas. A policia tenta dar uma resposta. intensifica as batidas em toda a cidade. Como noticiar? Blitz, documentos. A manchete que poderia ser careta se torna carioca, bem-hurnorada, crítica da tentativa desesperada da PM de dar um pouco de ordem ao caos

No dia 8 de dezembro de t 994 morria o maestro Tom Jobim. No dia seguinte, O DIA saía com um caderno especial sobre a vida, a obra e a morte do nosso maior compositor popular. Um trabalho conjunto de repórteres de todas as editorias e de todos os editores do jornal, feito em menos do que uma tarde. A vantagem de uma redação compacta, num momento como este, é que toda a equipe pode ser mobilizada com rapidez para o assunto mais importante

"Quando sofremos críticas do jornal O DIA, nós, parlamentares, nos obrigamos a fazer uma reavaliação de conduta, porque a cobrança da população tem efeito imediato. Trata-se de um veiculo de comunicação de maior influência na população L.._-"c..._.J menos privilegiada e sua linguagem de fácil entendimento consegue atender a todos aqueles que querem informações precisas sobre os fatos que acontecem não só na capital como no interior do estado". Deputado estadual Paulo Meio, líder do partido do governo, PSDB, lia Assembléia Legislativa do Rio "O DIA tem uma linha investigativa mais profunda e vai além dos demais jornais que abordam temas policiais. Traz, inclusive, novos elementos para o investigador e, não raro, contribui para que sejam corrigidas algumas distorções, comuns no curso de uma investigação. Além disso, aborda os assuntos de uma maneira objetiva e concisa, ideal para aqueles que não têm muito tempo para ler". Coronel Valmir Alves Brum, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar "O DIA é responsável por grande parcela da formação da opinião pública na cidade. E preciso estar sempre atento à linha editorial que esse veículo adota. De mais a mais, o jornal informa muito-bem, com síntese, sem deixar escapar os acontecimentos e fatos principais da cidade, do país e do mundo". Vereador Otávio Leite, líder do PSDB na Câmara Municipal


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Não se briga com li notícia - ela ganha A/berto D/nes

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uando os manuais de redação' não haviam se convertido na coleção de decretos inquestionáveis, a cultura das redações - muito mais rica - compunhase do acervo de experiências dos profissionais mais velhos destilado através de preceitos, citações e um bom contrapeso anedótico. Um destes axiomas de grande atualidade dizia: "Não se briga com a notícia". Queria dizer que o jornalista não devia controlar a informação sob nenhum pretexto, fosse de tempo, espaço ou teor. A notícia chegada à redação deveria ser publicada logo, sem delongas ou manipulações. Compromisso jornalístico em apenas seis singelas palavnnhas. Brigar com a notícia significava deixar a matéria para a edição de domingo, encaminhá-Ia à direção, convertê-Ia num editorial inodoro ou abafar no pé de página o que mereceria manchete. Brigava-se com a notícia tanto como agora, por cautela como por injunções empresariais.

Mas nas cogitações das chefias não entravam as determinações do marketing ou da estratégia porque era o jornal ista o encarregado de detectar as oportunidades de vender mais ou impor-se aos concorrentes. Samuel Wainer, que inventou tanta coisa em matéria de jornalismo, foi o precursor do que hoje se chama perfil do leitor. Graças à sua sensibilidade e faro armou na Última Hora uma receita de primeira página que atendia ao seu projeto jornalístico-político. Jornal popular, segundo ele, não deveria insistir em manchetes sobre distantes questões internacionais ou incompreensíveis jogadas políticas. Povo compra jornal para ver as suas reivindicações, as suas lutas sindicais, o noticiário sobre a cidade, futebol, polícia, tudo temperado com humor, mulher bonita e música popular. Mas Wainer era taxativo: isto não valia para uma ameaça de crise internacional ou um confronto político sério quando, então, a receita deveria ser recolhida. Samuel Wainer jamais brigaria com a notícia. O DIA (do Rio) é uma história de sucesso graças ao trabalho da sua equipe

de jornalistas, aproveitando as brechas do mercado. Está evidente a receita waineriana (sem a indispensável releitura contemporãnea) de que o jornalista (em geral, oriundo da classe média) não tem o direito de enfiar num jornal popular as suas preocupações elitistas. Povo não quer saber de manobras do PFL e mesmo o PT só lhe interessa no período eleitoral, quando personalizado numa determinada figura. Entende-se, portanto, que nesta visão de jornalismo popular (bastante defasada dos avanços da sociedade brasileira), o cotidiano da política não mereça o destaque principal. Mas o massacre de 20 manifestantes do Movimento dos Sem Terra no Pará não é fofoca política. É violação da Constituição e do Código Penal, ruptura social, violência contra o ser humano. Jogar o assunto no limbo da primeira página (como aconteceu na edição do DIA em 19 de abril) é brigar com a notícia. Como sempre, a notícia levou a melhor. Alberto Dines é jornalista

Não se briga com o leitor - ojornal perde Ruth de Aquino m jornal - seja ele popular, de elite, regional ou nacional tem algumas obrigações. Não é só dar notícia. Tem que informar com precisão e qualidade. Esbanjar humor e charme. Cultivar o leitor. Eleger bandeiras com razoável coerência. Ser útiL Escrever com verve, fotografar com brilho e editar com originalidade. Se o jornal cumprir boa parte disso, pelo menos ele não estará sendo chato uma crítica freqüente dos jovens e de muitos adultos esclarecidos, que no café da manhã se enfastiam com uma imprensa coalhada de assuntos remotos e burocráticos, escritos em economês e politiquês, e ilustrados por bonecos de arquivo. Qualquer jornal, para qualquer perfil de leitor, pode cair nessa armadilha. Rotular um jornal pode empobrecê10. Aliás, o rótulo - um recurso tingido de preconceito que os jornalistas usam para simplificar o raciocínio - costuma se virar contra o feiticeiro. Os ingleses, com seu humor pythoniano, chamam a imprensa de elite de impopular. Se popularidade é sinônimo de aceitação, os jornais de elite ingleses vão mal das pernas: juntos, os cinco broadsheets só vendem 15% da circulação nacionalos outros 85% são dominados pelos ta-

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blóides. Onde está a sintonia com o leitor? E olha que o povo lá tem mais escolaridade e mais renda que o nosso. Fala inglês desde criancinha mas também prefere ler sobre suas reivindicações, suas lutas sindicais, a cidade, o futebol, a polícia, tudo temperado com sexo em Westminster e fofocas da Família ReaL Os profissionais mais velhos têm aprendido muito nas redações renovadas e no burburinho em volta das bancas de jornais. Têm aprendido a arquivar a nostalgia e a não se virar apenas para o umbigo de uma. minoria. Em todos os mundos - Primeiro, Segundo e Terceiro -, o cruzamento perigoso na esquina da casa do leitor vende mais 40 que mortos na Bósnia ou em Beirute. E por isso que os jornais com altas tiragens e boa saúde financeira são os que têm descido do pedestal para saber o que seu leitor quer. Às vezes, como acontece em qualquer boa família, O DIA comete erros. Na manhã de 19 de abril- um dia após o vergonhoso massacre dos sem-terra no Pará -, os editores do DIA perceberam que o destaque não tinha sido apropriado e imediatamente pautaram a equipe para se recuperar nas edições seguintes. Quem acompanha O DIA viu: no dia 20, demos metade da primeira página ao assunto, com duas fotos e a charge do Ique. No dia 22, demos foto e chamada. E, uma semana depois, publicamos no domingo matéria especial de uma página sobre o drama dos sem-terra no Esta-

do do Rio: com mapas e fotos, mostramos que não é preciso ir ao Norte do país para expor a ferida da reforma agrária - há 300 mil hectares Improdutivos no estado, área equivalente a três municípios do Rio. Não é filosofia do DIA ignorar ou subestimar os grandes acontecimentos nacionais - só a chatura nacional é barrada na Rua do Riachuelo. Um jornal regional não é um jornal provinciano. Assinamos agências nacionais. Quando interessa, mandamos repórteres a São Paulo e Brasília. Temos correspondentes em Los Angeles e Londres. Na mesma linha, demos na edição de 9 de maio três fotos na primeira página mostrando urna execução bárbara na guerra civil da Libéria. .' Mas O DIA pretende, Sim, tratar a população do Estado do Rio com uma afeição diferenciada. E por ISSO que vem levando seu regionalismo a extremos que obrigam a concorrência a se mexer. Com seis edições regionais (Norte, Sul, Serrana, Baixada, Niterói e Metropolitana), O DIA aposta de peito aberto num axioma que não está nos manuais de redação mas na realidade do mercado: a promoção de carne boa e barata perto de casa dá mais ibope do que qualquer vaca pirada na Inglaterra.

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Ruth de Aquino é editora de Projetos Especiais do DIA

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UM DIA NO DIA

Nunca de mãos vazias VeraAraújo postar no assunto que interessa ao leitor não é das tarefas mais fáceis numa redação. Se mobilizássemos equipes para tudo o que nos chega, certamente o jornal sairia no dia seguinte com matérias monótonas, portanto, pouco atraentes. E na checagem de uma informação - da forma mais rápida possível, pois no jornalismo não se pode perder tempo - que O DIA tenta acertar na abordagem dos assuntos. O importante é saber o que o leitor gostaria de ler ao acordar. Denúncias e queixas chegam ao DIA por diferentes meios: rádios sintonizados nas faixas da polícia, telefonemas para a redação, pessoas que nos visitam e flagrantes das equipes de reportagem. Ao investir num assunto, também conta a experiência da chefia de reportagem na rua. a Geral do DIA, o coordenador tem que ser capaz de repassar ao repórter a sua vivência em coberturas de política, polícia e cidade. E o jornal tem o dever de informar bem sobre o que influi na vida do

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leitor, no Rio de Janeiro. Muitas vezes, a pauta que o repórter recebe não rende ou então cai (não é publicada), mas ele volta à redação com outra história ainda melhor. Recentemente, aconteceu um caso destes com a repórter Fernanda Portugal e o fotógrafo Marcelo Sayão. Em 24 de abril, eles receberam a missão de descobrir onde teriam ido parar os corpos de dois meninos de rua assassinados em Laranjeiras. Naquele dia, o jornal já havia noticiado a execução dos garotos, mas a reportagem ganhava importância por causa do julgamento dos acusados da chacina da Candelária, na semana seguinte. Chegando ao local, a equipe constatou que eles não haviam desaparecido. Mas não voltou de mãos vazias. Trouxe a reportagem do descaso das polícias Civil e Militar, que não se preocuparam em periciar e retirar os corpos. Nessa hora, conta o esforço da repórter e do fotógrafo, que não quiseram chegar à redação dizendo: "Mais um 'F (nada feito), chefe".

Vera comanda a hora de pique na redação. Os repórteres voltam da rua no máximo em torno das 18h. Começa a correria do fechamento das seis edições diárias

Vera Araújo é chefe de reportagem do DIA

Da pauta à edição, uma reportagem em 24 de abril

Fernanda Portugal ,

s vésperas do julgamento dOS acusados da chacina da Candelária, parecia confiança demais na impunidade para ser verdade. Mas aconteceu. a madrugada de uma terçafeira de abril, exterminadores usaram armas de caça - escopetas calibre 12 - para estourar as cabeças de dois meninos de rua numa estrada de Laranjeiras, acesso à Favela Dona Marta. Os corpos foram achados à tarde por moradores. A noite, repórteres de jornais, rádios e TVs correram ao local do crime. Entrei na cobertura na quarta-feira, dia 24. Às 10h, com a informação de que um dos corpos sumira, subi a Estrada Novo Mundo com o fotógrafo Marcelo Sayão e o motorista Marcelo. Constatamos que os dois meninos ainda estavam no matagal.

A

Foi justamente a aparente falta de um fato novo que fez surgir a reportagem. O lead era o descaso da Polícia Militar - que deve guardar locais de crime não periciados - e da Polícia Civil- que deveria ter feito a perícia na véspera, providenciado a retirada dos corpos e iniciado as investigações. Como cidadã, eu não podia deixar o sentimento de revolta me dominar, pois perderia a atenção à apuração dos fatos. Como repórter, não podia encarar aquilo com frieza, sob pena de redigir um texto tão burocrático quanto um boletim de delegacia. Passamos mais de três horas na estrada. O silêncio era quebrado pelos protestos da artista plástica Yvonne Bezerra de Mello, protetora dos meninos das ruas do Rio. A PM só apareceu depois das IIh. A Polícia Civil, às 14h. Fomos, então, à delegacia do Catete. Mas o delegado Carlos AIberto de Oliveira não sabia mais do que os repórteres. Retomamos à redação às 16h. Combinei com o editor de Polícia o tamanho do texto, além da abordagem. Na ausência de dados que pudessem dar mais tempero à reportagem, a solução foi enfocar o descaso das forças de segurança. Fernanda do DIA

Portugal

é repórter

Marcelo Sayão dia-a-dia às vezes endurece a gente de tal maneira que até as experiências mais chocantes acabam passando meio despercebidas e só vão doer mais tarde, na hora do descanso. E o caso, por exemplo, de uma matéria para a qual fui escalado, no dia 24 de abril. Quando cheguei ao jornal pela manhã, o Eurico Dantas, coordenador da fotografia, me passou a pauta: os corpos de dois menores mortos num dos acessos do Morro Dona Marta, em Botafogo, assassinados na noite anterior, haviam desaparecido misteriosamente. Saímos pouco depois das 8h, eu, a repórter Fernanda Portugal e o motorista Marcelo. Lá, soubemos que os corpos não haviam sumido, apenas estavam numa área difícil para os carros chegarem. Tínhamos, portanto, que ir a pé. Até aí nada, só um pouco de suor a mais. O problema maior para a equipe é que o clima no morro não era dos melhores, com o boato de que a polícia faria uma operação para caçar os bandidos que haviam atirado numa patrulha designada para guardar os corpos. e Chegamos ao lugar poéeo antes das 10h. A cena não era bonita. Os dois garotos tinham os rostos desfigurados por tiros de escopeta calibre 12.

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Num dos acessos ao Morro Dona Marta, em Botafogo, Sayão fez mais um

flagrante da violência

Marcelo Sayão é fotógrafo.do

DIA


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JORNAL DA ABI

MAIO I JUNHO 1996

Confiar desconfiando, sempre Marcelo Auler O caso da Candelária guarda um intrigante mistério. Durante três anos um soldado da PM ficou preso sem estar envolvido no crime. O erro só agora veio a público, em reportagens de Octavio Guedes, no DIA. Fica uma questão: por que a imprensa demorou tanto a descobrir isso? A resposta é óbvia. Faltou investigação dos repórteres, que se contentaram com o jornalismo declaratório. Sequer levantavam-se dúvidas sobre o que era dito por cabeças coroadas da polícia e do governo. E não foi por falta de conhecimento que não se investigou. A imprensa brasileira, em especial a carioca, sabe investigar. São muitos os exemplos de bons trabalhos: Caso Collor & Pc. a bomba no Riocentro, a morte do ex-deputado Rubens Paiva, as fraudes no INSS. Na década de 70, quando era hábito transformar casos policiais em novelas rodriguianas, resvalava-se até na falta de ética, com

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Às vezes, a pressa é dos próprios jornais, que trabalham com equipes reduzidas. Mas é muito comum também a ansiedade do jornalista levá-lo a publicar o seu primeiro levantamento, que geralmente não será o mais completo nem o mais correto. O outro ponto básico é a desconfiança. Ela precisa existir mesmo em relação às melhores fontes. É sempre mais fácil acreditar em tudo o que se ouve. Só que corremos o risco de - se não por má-fé, por falha de memória da fonte - nos transformarmos em corrente de pensamento desastroso. Por isso, é preciso checar tudo o que ouve. A desconfiança toma-se ainda mais imprescindível à medida em que hoje existe uma espécie de indústria de denúncias. Assessores de imprensa são contratados por empresas apenas para derrubar concorrentes com informações em off repassadas às redações. Uma recente reportagem que levou à suspensão de uma concorrência pública foi toda vazada pelo assessor de uma das empresas envolvidas. Não acho que se devam desprezar tais informações. Pelo contrário. Mas é preciso trabalhá-Ias com desconfiança, pois há sempre interesses maiores em jogo. Neste tipo de caso, mais do que nunca, deve-se levar em conta que as aparências enganam. Não só enganam como podem resultar muna grande barriga.

jornalistas passando-se por policiais. Relembre-se o famoso Caso Lou. Em alguns momentos, a imprensa pautou o trabalho das autoridades, porque estava na frente. O que parece existir hoje é uma grande preguiça aliada a uma irresponsável pressa. No jornalismo investigativo não se pode abrir mão da paciência e de uma grande dose de desconfiança. Sem isto, publica-se o que depois não se prova. E pior: são cometidas injustiças, muitas vezes irreparáveis. Só com paciência é possível juntar as pe-

"Deve-se checar tudo. Existe uma indústria de denúncias" ças do quebra-cabeça, algumas aparentemente menores. mas que depois ganham importância no conjunto. Na recente reportagem sobre a vida do traficante Ernaldo Pinto Medeiros, o Vê, gastei dois meses para percorrer cartórios e delegacias colhendo dados. Um caso insignificante - o roubo de um cordão de ouro - acabou me levando a wn antigo levantamento social da família dele.

O ESTANDE DE TIRO

Marcelo Auler é repórter

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do DIA

.

.Tem gente que ainda não confessou sua participação na matança da Candelária. Na madrugada de 23 dejulho de 1993, quando os quatro PMs estacionaram o Chevette bege perto da catedral e partiram para a chacina, só tiveram que apertar o gatilho. Alguém já tinha se encarregado de deixar 50 crianças e adolescentes desprezados dormindo na calçada.

Octavio Guedes Estavam todos ali, arrumadinhos para levar os tiros. Alguns, anestesiados pela cola, não tinham sequer condições de reagir a um berro. Quem melhor definiu a cena foi o primeiro perito a chegar ao local. Dos traços de seu bloquinho de anotações, surgiu uma imagem vigorosa: as vítimas, dormindo lado a lado, sugeriam a cena de patinhos de estandes de tiro em parque de diversão. Era só completar o serviço. Era só atirar. As confissões revelam que o comandante-em-chefe da matança foi um exPM conhecido por nome de filme de terror: Sexta-Feira 13. Mas, como não existe Sexta-Feira 13 sem uma QuintaFeira 12 por trás, proponho a realização de uma eleição direta. Vamos escolher quem foi o Quinta-Feira 12, o personagem que o locutor esportivo definiria como "o homem que deixou o assassino na cara do gol" ..

Não faltam os que votariam de olhos fechados nas ONGs, acusadas de lucrar com a permanência dos menores na rua. Mas prefiro votar no atual prefeito e também no atual governador. Não como cidadãos, mas como representantes de wn poder público omisso e incompetente. Como um antecedeu o outro na Prefeitura do Rio - poder responsável pela guarda da infância desprezada - podemos aproveitar e criar o título de Quarta-Feira 11. Um deu seqüência ao trabalho do outro: não foram além de medidas tirnidas para evitar que na madrugada de 23 de julho, 50 crianças dormissem feito patinhos de estande de tiro na Candelária. Com o agravante de que o grupo político ao qual pertencem comanda o Rio de Janeiro desde 82. Eles chegaram ao poder três anos antes de ter nascido Pimpolho, chacinado aos 8 anos na Candelária. Pimpolho nasceu e morreu sob o signo de poder destes homens. Que ninguém se engane. Com homens públicos como Quarta-Feira 11 e Quinta-Feira-l2, e bandidos dispostos a apertaro gatilho como Sexta-Feira 13, o filme não vai ter fim. Ele continua sendo exibido, na Candelária mais perto de sua casa. Octavio Guedes

é repórter

do DIA

o PM

INOCENTADO

Toda~!melhansa é mera conv!niência o

• A PM procurava um policial conhecido

como Pelé, apontado como um dos matadores da Candelária. Como não o encontrou, mandou o soldado Cláudio Luiz dos Santos para a sessão de reconhecimento. Por ser negro, ele passou a ser o Pelé. O repórter Octavio Guedes percebeu o erro e mudou as investigações a partirde 31 de março

A IMPRENSA AUXILIA Hélio Luz Atualmente

O DIA

é leitura quase obrigatória para todo policial, pois não só publica a informação geral sobre os crimes ocorridos no Estado do Rio, como seu preço é acessível. O compromisso da imprensa é com o leitor, não com a instituição. Mas há necessidade de se operar com ética, porque às vezes surgem notícias deformadas, que são assumidas como verdades por certos jornais, para garantir a sua venda. O DIA não pratica esse tipo de especulação, daí a segurança da informação que o jornal dá. Pela cobertura realizada, O DIA é um dos mais fiéis aos fatos, sem nenhuma leitura prévia para o público. Quando se dedica à investigação criminal, a reportagem, na realidade, mostra à administração que ocorreu uma falha. Ou no tempo, porque a imprensa faz uma descoberta que já deveria ter sido feita pela Polícia, ou na qualidade, porque a investigação desenvolvida não soube preservar as informações obtidas. Mas compete à Polícia, e não à imprensa, ter o controle da informação que pode ser dada sem que isso atrapalhe a investigação. Além disso, como a nossa investigação ainda é precária, a imprensa auxilia. Na atual estrutura da Polícia, o investigador não tem acesso a determinados dados - o jornalista sim. A imprensa fornece informações para quase todos os níveis de investigação, até para os diversos serviços de inteligência. Antes de tudo a imprensa tem que ser livre, porque sedimenta a democracia. E melhor a sociedade correr o risco de sofrer com eventuais falhas na cobertura jornalística do que ter comprometida a transparência da administração pública. Assim, a imprensa cumpre o seu papel, que é, inclusive, o de fiscalizar. Hélio Luz é chefe de Polícia Civil

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JORNAL DA AI

MAIO / JUNHO 1996

Naera digital -

Alexandre

Sassaki

om o novo projeto gráfico, a fotografia ganhou um espaço privilegiado nas páginas do DIA. Assim racionalizou-se o número de saídas dos fotógrafos, permitindo que les trabalhem a foto, investindo mais na ciade e seus personagens. Usamos menos filies, menos revelações e ampliações, e te10S mais tempo para uma melhor edição. Agora, o desafio é descobrir e adaptar noas tecnologias da imagem digital ao fotojoralismo. Se antes falávamos em revelar e mpliar, hoje o verbo que conjugamos com astante intimidade é scancar, que signi fica assar imagens de negativos e papéis para entro dos computadores, transformando rãos em pixels. Nossa meta hoje é eliminar cópia em papel, scaneando todas as fotos a artir do negativo e, em breve, substituir tamém o filme, adotando o disquete do equipalento digital. Toda essa corrida tecnológica é acornpahada de um desenvolvimento constante no rocesso de pré-impressão, ou seja, o tratalento da imagem já digitalizada que será npressa. E nesse laboratório de manipulaão, tratamento e concepção da nova irnaem que o jornal assume outro desafio. Neste estágio, em que a imagem é tratada ara que seja a mais bem impressa possível, rrge o mais sedutor dos avanços tecnológios, um programa chamado photoshop. 'orn ele é possível manipular urna foto, rnuando um fundo, apagando algo indesejado até mesmo colorir os cabelos de uma pesoa. Tudo isso pode ser muito interessante ara quem trabalha com publicidade, mas uando nossa área de atuação é ojomalismo. fotografia tem outro peso e seu caráter dormental deve ser o ponto de referência. As111, cstarnos administrando nossa convivêna com essas novas tccnologias, não dcixano a estética de uma imagem jornalísrica ropelar a ética do jornal.

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Ilexandre Sassaki é editor de 'otografia do DIA

• O beijo de Falabella e Alessandra Negrini, na novela Cara e Coroa, pela câmera irreverente de Miriam Monteiro. À direita no alto, a Operação Rio em ação na Favela Nova Brasilia, no olhar critico de Jorge Marinho. Ao lado, a extrema-unção após um atropelamento no Viaduto São Sebastião, no flagrante jornalistico de Paulo Alvadia. Abaixo, num domingo de Fla-Flu em fevereiro, o balé de Renato Gaúcho, na agilidade de Marcelo Régua

• Acima, no Zoológico de Niterói. o ciúme feroz da leoa. flagr& Carlos Moraes. E. à direita, a lente impiedosa de Antônio C imagem que chocou o Estado do Rio, em fevereiro: menor que rneruna é linchado em Campos oelos irmãos ja vltirna


)AABI

MAIO / JUNHO 1996

.Acima, a bela na moda, por Margareth L1ppel. Túlio comendo grama depois de um gol contra o Santos, na lente oportunista de Marcelo Régua. O camavalesco Ney Lopes (E) emoldurado pela inovação de Jorge Marinho. O prefeito Cesar Maia agüenta o tranco (D) da popularidade, por Mirian Fichtner

)8, flagrado por ttônio Cruz na mor que matou

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JORNAL DA ABI

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MAIO / JUNHO

1996

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Aqui, economes nao tem vez Martha Mendonça Economia do DIA é, antes de tudo, serviço. A idéia é que, ao pegar o jornal, o leitor já comece o dia sabendo como anda seu bolso: o salário vai ter reajuste? Onde estão as melhores ofertas de supermercado? Que loja oferece mais vantagens no pagamento? Qual o aumento do aluguel para o mês? O exemplo perfeito do nosso objetivo pode ser coletado do lançamento do PIano Real, que, por pouco, não fundiu a cabeça do brasileiro. O fenômeno de ter duas moedas em circulação por um período era algo que exigia uma ajuda especial. Enquanto outros jornais se preocupavam mais com a expansão da base monetária e com a âncora cambial, bolamos uma tabela - uma supertabela de página inteira - com a conversão de valores cruzeiro reallreal até R$ !00. Durante os primeiros dias do plano, o que mais víamos nas ruas e nas reportagens de televisão era o consumidor de tabela na mão. A nossa tabela. Era sua arma. Mais tarde, os outros jornais se viram obrigados a publicar tabuadas parecidas. Como o leitor também tem que saber o que pode mudar na sua vida a longo prazo, procuramos acompanhar sempre as propostas de mudanças na área de previdência, trabalho e funcionalismo público, três assuntos tradicionais na Economia do jornal. A Economia também engloba três assuntos importantes: Empregos, Direito do Consumidor e Informática, o primeiro com um suplemento especial aos domingos e os outros com seções semanais. Mais do que tudo, vivemos na mais completa interação com o leitor, através de uma enxurrada de cartas e telefonemas recebidos rodos os dias. A vida real do leitor é nossa matéria-prima.

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Martha Mendonça é editora de Economia:doOIA ""0 !

Luiz Roberto Cunha

• ECONOMIA: a informação direta para o leitor

com utilidade

espaço para boas dicas em doses semanais • EMPREGOS: todos os domingos, as chances de conseguir uma vaga e o cena rio do mercado de trabalho • INFORMÁTICA: diálogo semanal com os micreiros, mas sem esquecer os leigos curiosos • DIREITO DO CONSUMIDOR:

INFORMATi E O micro caiu n sam

Uma das principais características da nossa sociedade moderna é a importância da informação. Outra característica é que nosso diaa-dia é cada vez mais assoberbado por afazeres, sobrando relativamente pouco tempo para que possamos nos informar melhor. Principalmente em relação a assuntos que são fundamentais para nossa sobrevivência diária. Dentre estes assuntos, um dos mais importantes é a economia. As informações econômicas são cada vez mais numerosas e complexas. Assim, a tarefa de escolher quais os temas prioritários num veículo de informação é bastante difícil. O que selecionar? Temas mais gerais (que nós. economistas, chamamos de macroeconômicos)? Ou temas mais específicos? Acho que a prioridade deve ser estabelecida não em função do tema, mas, como 9 DIA faz em suas páginas de economia, em função do consumidor, A prioridade tem que ser o consumidor. Qual o fato que realmente interessa a ele? Como informar, explicar, ajudar o leitor no seu cotidiano, permitindo que ele possa desempenhar melhor seu papel, como peça-chave numa economia de mercado? No mercado, o consumidor deve ser soberano, deve poder exercer seu poder. Mas nós sabemos que esta S0berania só pode existir se os mercados forem mais competitivos, menos sujeitos às imperfeições - como os cartéis, a propaganda enganosa, os maus serviços de governo e muitas outras mazelas que impedem o consumidor de exercer seus poder de mercado. Sabemos também que só através da informação, o consumidor pode se defender melhor. Assim, esta deve ser a prioridade da informação econômica nos veículos de comunicação. Não que os temas macroeconômicos não sejam muito importantes: inflação (que, apesar de estar bastante baixa, ainda preocupa e dá sustos), balanço de pagamentos (as contas do país com o resto do mundo, gerando emprego quando se exporta c aumentando a disponibilidade de produtos a preços competitivos, ajudando a segurar os preços quando se importa); déficit público (a diferença entre o que o governo arrecada e gasta, uma das questões que mais nos afeta, na deficiência dos serviços públicos, nas aposentadorias de cem reais ...). São temas importantes, mas não temos muito controle sobre eles. Devem fazer parte do noticiários pois definem as grandes linhas de evolução da economia. Os temas mais específicos. decorrentes dos macroeconômicos. devem ser. no entanto, priorizados: a explicação qualificada da legislação, as indicações sobre ofertas e condições de emprego e oportunidades de negócios. a informação sobre a evolução e perspectivas da taxa de juros. as comparações de preços de produtos e serviços, as análises sobre a qualidade destes, as dicas sobre pagamentos de impostos e rnuuos outros, que bem explicados facilitam nosso dia-a-dia, devem ter, e têm no DIA. prioridade. Luiz Roberto Cunha é professor do departamento de Economia da PUC do Rio de Janeiro


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MAIO I JUNHO 1996

A torcida sempre tem voz

FUTEBOL E JORNAL: DUAS PAIXÕES Márcio Guedes

Sidney Garambone

msusto agradável todos os dias. A editoria de Esportes do DIA tem a obrigação de surpreender. Enquanto os outros jornais saem com a versão oficial do treinador ou a crônica careta do clássico do Maracanã, nós damos a fofoca que está na boca do povo. O lado pitoresco do grande jogo. O gosto cultural do supercraque. Emoldurando a linha editorial, fotos em cortes inusitados e enquadramentos heterodoxos. A briga diária é para fazer a foto em que ninguém pensou. Fugir dos consórcios fotográficos, que produzem jornais iguais diariamente.

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Sidney Garambone

Mas nada disso vale se o furo e a informação nova não estiverem presentes. Os repórteres são sempre orientados a não acreditarem no marasmo aparente de um clube. Saindo do futebol, os esportes amadores merecem atenção especial, um ângulo diferente, que fuja dos boletins oficiais das federaçôes. E claro, a voz da torcida. Seja qual for o esporte, estamos sempre antenados com o que o torcedor está pensando. Que piada está passeando pelas ruas. Sendo que, várias vezes, o torcedor, famoso ou não, opina de próprio punho na editoria. escrevendo no já consagrado Eu acho que.

é editor de Esportes

do DIA

DEPOIMENTOS "O jornal todo é muito bom. Gosto da cobertura esportiva aos domingos. O que mais me impressiona é a linguagem direta." Carlos Germano, goleiro do Vasco "Do Rio, é o jornal mais objetivo. Colunas como Fale com o Prefeito mostram o compromisso com o povo."Wilsoll Gottardo, zagueiro do Botafogo "Leio todos os dias. Melhorou muito de uns anos para cá. Gosto da maneira equilibrada como as cores são utilizadas.

As fotos sempre são bonitas e o DIA D me atrai pela variedade."Renato Gaúcho, atacante do Fluminense "Gosto muito do jornal, o texto tem um estilo próprio, sintético, claro e objetivo. O DIA tem uma capacidade muito grande de atrair o leitor rapidamente para o assunto principal da semana. A parte policial é muito independente e não bajula o governo." Francisco Horta, comentarista e ex-dirigente de clube

• Capa do caderno esportivo de 30 de abril de 1996 O Flamengo venceu bem na penúltima rodada e se credenciou a decidir a Taça Guanabara com o Vasco no domingo sequtnte. Como o jogo do time de São Januário era às oito horas da none, optamos por antecipar o duelo decisivo, oolocando dois escudos dos finalistas.Em vez de sairmos com um tituloóbvio,como Flamengo pega o Vasco na decisão, pusemos O Duelo, esquentando o jogão.

'Sonho presidir o Fluminense' U(/~,~,,1

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• Contracapa colorida do dia 8 de maio Um exemplo de valorização de uma entrevista polêmica. Pela primeira vez na história do futebol carioca, o presidente da Suderj, responsável pelo Maracanã, veste a camisa do seu time de coração. O tricolorRaul Raposo revelou seu sonho de presidiro Fluminense, sem economizar palavras para criticaros dirigentes dos grandes clubes do Rio.

Minha parxao pelo esporte especificamente por futebol aconteceu em dois momentos bem definidos. No primeiro, nos terrenos baldios que ainda existiam em Copacabana, quando comecei a disputar minhas peladas e o objeto mágico em causa não era sequer uma bola de verdade, mas copinhos de plástico vazios usados, recolhidos das lixeiras da lanchonete Bob 's. Eles eram empilhados, amassados e viravam uma bola maravilhosa. Era uma época em que na mesma pelada se juntavam, democraticamente e sem temores, o filho do dono do Bob's e meninos de rua, que se chamavam então molequinhos. No segundo momento, veio a paixão pelo Botafogo, que começou, em tese, nas fascinantes histórias do grande Heleno de Freitas contadas pelo meu pai, mas se consolidou mesmo em dezembro de 1957 quando, numa inesquecível tarde, Garrincha liquidou o Flu na decisão carioca por 6 a 2 - cinco gols de Paulinho Valentim. Tudo se tornou claro para mim em relação ao futuro quando comecei a escrever amadoristicamente para uma revistinha chamada TVProgramas, comentando programas de TV e, quando aos 20 anos, fundei com Bali Pinheiro Guimarães, Euclides Marinho, Luís Gleiser e outros bravos companheiros um suplemento chamado Jovem, no extinto O Jornal. Foi uma novidade gráfica e uma modesta, mas perigosa, provocação à censura nos idos de 1968. O prazer do futebol e o prazer de escrever conseguiram não tornar o trabalho uma obrigação penosa. Foram 28 anos, até agora, de jornalismo esportivo: reportagem em jornal, apresentação e comentários em TV e o atual colunismo esportivo, que mistura informação e opinião num estilo cada vez mais informal. A paixão por um clube precisa estar sempre em segundo plano em relação à paixão pela verdade e pela ética. Porque, sem isso, não haveria jamais paixão pelo verdadeiro ~ jornalismo e pelo esporte como uma razão de vida. Márcio Guedes é colunista esportivo do DIA,


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JORNAL'DAABI

MAIO I JUNHO 1996

VARIEDADES

Duvido que você adivinhe a capa de amanhã Joaquim Ferreira dos Santos

o mesmo jeito que o samba, a prontidão e outras bossas, segundo caderno também é coisa nossa, Começou em 1955, quando os neoconcretos fizeram a reforma gráfica do Jornal do Brasil e sentiram falta de um espaço em que pudessem pirar mais com seus espaços em branco, Criou-se o Caderno B, A cultura, as amenidades, os modismos, enfim, as famosas variedades ganhavam um lugar próprio, fixo, sem ter que disputar, e sempre perder, vaga no primeiro caderno. O DIA D surgiu em 1987, passsou por uma grande reforma em 1990 e hoje tem uma cara absolutamente particular no ranking dos tais cadernos de variedade. Do ponto de vista gráfico é a grande vitrine onde o jornal pode apresentar suas novas armas: uma impressão de pri-

D

meira, ousadia na paginação, bom gosto na escolha dos assuntos, irreverência no tratamento e qualidade editorial. O D, 40 anos depois do B, tenta tirar o segundo caderno do roteiro previsível do último disco do Caetano, do novo programa de Chico Anysio e da estréia do show de Roberto Carlos. Cabe tudo isso. claro, mas buscase o inesperado de uma capa com os gritos de rap das torcidas ou a surpresa das mulheres da Zona Sul fazendo o elogio erótico do homem da Zona Norte. O melhor elogio é esse: duvido que você saiba a capa do caderno amanhã. Além do D diário, há o Fim de Semana às sextas-feiras, o Casa e Mulher aos sábados e o Televisão aos domingos, todos integrados no mesmo espírito de particularizar o produto e diferenciá-Io dos que já estão no mercado. Do outro lado do balcão, está um leitor em franca melhoria econômica, mais integrado nas novidades do consumo e atento. também via televisão; para as últimas nOIicias. E um leitor cada vez mais qualificado e sem preconceito. Ele quer saber das fofocas do Projac e de Hollywood, das emergentes vestidas de zebra e do pensamento de Dias Gomes, do disco da Robena Miranda e do que a Camille Paglia acha do sexo da Madonna. Não há outra saída: qualidade neles. Joaquim Santos

Ferreira dos

é editor do DIA D

"O caderno cultural do DIA é dinâmico e traz muitas informações sobre a vida da cidade". Dias Gomes, dramaturgo "O jornal não passa a mão na cabeça de ninguém. Sempre leio a programação de TV, a coluna do Fred Suter e as críticas de televisão. A linguagem é clara e os repórteres falam o que a gente sente", Dicrô, sambista "Acho um barato O DIA D, que inova ao pegar um tema atual e explorá-Io por diversos ângulos, ampliando sua repercussão com depoimentos e abordagens insólitas. O jornal está antenado com o que o povo gosta". Herminio Bello de Carvalho, compositor "Circular uma notícia cultural no DIA é garantia de atingir a população do Rio corno um todo. É impressionante sua penetração junto às camadas populares". Helena Severo, secretária municipal de Cultura

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NOVOS PRODUTOS

Agência: um cardápio especial

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Automania: acelerando forte

Gabriel Nogueira

Washington Rope

esquisa recente mostrou que esportes e novelaslTV são os assuntos preferidos dos leitores do DIA. Mas os cariocas não estão sozinhos: estes também são os assuntos prediletos em Manaus, Recife, Porto Alegre, Parintins e em outros cantos do país. Essa linha de noticiário que atraiu os leitores também atrai editores de outras publicações, em busca de uma receita de sucesso. Quando O DIA decidiu criar uma agência de notícias especializada no noticiário de televisão/variedades, esportes e geral, muita gente do mercado não levou a sério. Mas é exatamente este o nosso di ferencial. Em menos de um ano de atuação, jornais como o Correio Braziliense, Zero Hora, Diário Catarinense, Noticias Populares, Bahia Hoje, Amazonas em Tempo, Diário Popular, O Norte, Gazeta do Povo, Jornal de Novo Hamburgo, Jornal do Norte e Diário do Pará se tornaram clientes da Agência O DIA. Distribuir informação especial, com a cara do Rio e de qualidade. Este é o desafio da nova agência.

oeira neles. Após um ano de participação no mercado de revistas automotivas, Automania acelerou fundo e ultrapassou todos os concorrentes do segmento. Hoje, a publicação mensal da Editora O DIA, lançada em maio de 1995, é líder de vendas no Rio de Janeiro - como comprova o IVC -, deixando para trás algumas concorrentes famosas e de longo tempo de publicação como Quatro Rodas (30 anos), Auto Esporte, Motor Show ... A Editora O DIA investiu e acertou ao lançar um produto voltado para quem dirige. Automania é uma revista mão-na-roda. Imprescindível para quem tem carro. Nela, o leitor vai encontrar os mais variados serviços, como os preços de autopeças mais baixos da cidade, avaliações de oficinas, aulas de mecânica, além dos testes e lançamentos da indústria automobilística. Tudo isso, com uma linguagem acessível e por um preço imbatível. Participar deste projeto inédito, tanto no seu formato quanto no seu conteúdo, é mais do que um desafio. Hoje, é uma vitória.

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JORNAL DA ABI

MAIO / JUNHO 1996

Washington Rope é editor da Automanla

Gabrlel Nogueira é editor da Agência de Notfcla. O DIA

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JORNAL DA ABI

MAIO I JUNHO 1996

VOCEE O JUIZ

Dialogando com os cidadãos CesarMaia oS ensina o Aurélio que democracia é o "governo do povo; doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão dos poderes e pelo controle da autoridade". É nisso que penso, todas as semanas, sempre que recebo as dezenas de cupons e cartas enviados pelos leitores do DIA, questionando as ações de governo, criticando decisões tomadas, sugerindo novas opções, pedindo obras, reclamando do excesso delas, pedindo emprego ou, simplesmente, parabenizando o governo. A coluna Pergunte ao Prefeito me dá a oportunidade de dialogar com vários moradores de diferentes bairros ao mesmo tempo. Recebo seus anseios, angústia, queixas e felicitações como se todos estivessem dentro do meu gabinete.

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Sempre que uma carta questiona a validade de alguma intervenção da prefeitura, mando verificar imediatamente, com quem de direito, se esta ação está sendo realizada corretamente. É fundamental que o leitor recebe uma resposta clara, objetiva e precisa sobre a questão levantada. A coluna, por imposições gráficas, não pode publicar todas as perguntas e respostas. Por isso, minha assessoria de comunicação tem a incumbência de enviar explicações a todas as pessoas que enviaram cupons, muitos deles anexados a longas cartas. O contato direto do prefeito com os cidadãos é o melhor modo de "controlar a autoridade", de conhecer as reivindicações básicas dos moradores que são, em essência, os que mais sentem as necessidades primárias de cada bairro, quarteirão ou rua, As cartas dão Ul11aamplitude muito maior ao contato direto do prefeito com os cidadãos. Eu visito as comunidades e fiscalizo o andamento das obras com rigorosa freqüência. Durante a campanha eleitoral ganhei um calo na mão direita, devido aos milhares de apertos de mão dados. E este calo de estimação permanece ao longo desses mais de três anos de govemo. Cesar Maia é prefeito do Rio de Janeiro

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O leitor do DIA, mais do que vez, tem também direito a voz. Desde 1992, uma pesquisa informal por telefone o VocêéoJuiz-ouvesemanalmente a opinião da população sobre assuntos polêmicos, como a ação do Exército nos morros, a pena de morte ou a convocação de Romário para a Olimpíada. A decisão de lagallo de deixar o Baixinho de fora, por exemplo, não teve o apoio do torcedor: 57,46 % das ligações foram para o telefone do sim (a favor da convocação), e 42,54% para o do não. Usando tecnologia dos programas de TV interativa, o Você é o Juiz já registrou até 18 mil chamadas em uma só pesquisa. Mas não é a única forma de participação: a seção Cartas na Mesa é a única na imprensa brasileira a publicar não apenas o texto, mas a foto de quem escreve para o jornal.

Você co hece. Você confia:


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CRESCIMENTO

Fazendo escola no interior Paulo Oliveira

uando as gaivotas feitas de jornal sobrevoaram o Estado do Rio ao som do Bolero, de Ravel, a Editoria do Interior já havia decolado há mais de dois anos. A segmentação começou sem nenhum alarde, a partir da decisão do DIA de se firmar ainda mais como um jornal estadual e oferecer aos leitores as notícias mais importantes de sua região, quase

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sempre desprezadas pelos veículos de grande circulação. Começamos a trabalhar num território inexplorado, com um grande potencial editorial e comercial. As três primeiras edições regionais - Norte, Sul e Serrana - surgiram em agosto de 1993 e hoje apresentam um crescimento médio de vendas de 102%. É numa nova ala da redação, entre a escuta e a sala do rádio, que fazemos as cinco edições regionais - em agosto e setembro de 1995 foram criadas as edições Grande N ilerói e Baixada. É o maior latifúndio do estado, responsável pela venda de 3 milhões, 774 mil e 646 jornais em março (média de 125.821 exemplares diários). Tiragem menor apenas do que a do próprio O DIA e a de O Globo, no Rio de Janeiro. Os 67 repórteres, fotógrafos e fechadores da Editoria do Interior são responsáveis por uma média de 14 páginas

CONSOLIDAR

Marcello Alencar m governo democrático tem o dever de administrar para todos - o que significa, no caso particular do governo do Estado do Rio de Janeiro, interiorizar a administração, assumir e cumprir o compromisso de promover o desenvolvimento, de forma harmôni-

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por dia, equivalente ao caderno principal da edição Metropolitana. Temos os mesmos princípios éticos do jornalismo da capital, mas não enfrentamos três ou quatro concorrentes. Disputamos os leitores com, pelo menos, 150 filiados da associação dos jornais do interior. Mais importante do que vencer esta luta, porém, é saber que O DIA está fazendo escola no interior. No seus rastro, algumas empresas jornalísticas passaram a remunerar melhor seus profissionais, outras modernizaram o parque gráfico para poder competir conosco. E já há o interesse de outro grande jornal do Rio em abrir sucursais no interior. Isto só nos motiva a melhorar ainda mais e a confirmar nosso pioneirismo.

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No mesmo dia, três das seis edições: Baixada, Sul e Niterói. Cada uma com manchete e foto diferentes. Norte, Sul e Serrana, lançadas em 93, aumentaram a venda. em 102% média

Paulo Oliveira é editor de Interior do DIA

A FUSAO

ca, em todas as regiões tlummenses. Governar para todos, no caso tluminense, representa, assim, integrar todas as regiões do estado - levar à prática uma determinação que tem permanecido no papel, como letra morta, promessa esquecida. A interiorização é prioridade do Governo do estado que, desde a posse, há quase um ano e meio, deu a demonstração de cumprir a palavra de ordem divulgada na campanha eleitoral, reatando o debate permanente com as comunidades interioranas, visando ao planejamento integrado. Este diálogo com o interior é o reconhecimento, de parte da autoridade central, de que cabe às comunidades participar diretamente do encaminhamento de soluções dos problemas regionais. Quem recebe a lição, na própria carne, está apto a indicar as saídas mais apropriadas para ven-

INVESTIR EM EDUCAÇAO cer os obstáculos. Faço estas observações sobre a questão fundamental da interiorização no momento em que um grande jornal como O DIA, movido pelas mesmas diretrizes, decidiu segmentar suas edições e se dirigir de modo específico às regiões fluminenses - no esforço de colocar a imprensa em favor da fusão. Governar para todos exercer o poder democraticamente - corresponde a uma convocação à participação, o que inclui a imprensa, em seu papel de informar mais e melhor, sem discriminações. Umjornalismo para todos os fluminenses vai ajudar o estado a conso Iidar a fusão. E é este o papel que as edições regionais do DIA vêm desempenhando. Marcello Alencar é • governador do Estadot do Rio de Janeiro

Magda de Almeida mplantar um programa de uso de jornal em educação,promovendo-o como material didático nas atividades curriculares de primeiro grau; preparar o futuro leitor, fazendo-o perceber o jornal como uma ferramenta de aprendizagem permanente; levar professores e alunos a se descobrirem como agentes transformadores da sociedade. Estes são os pressupostos básicos do programa O DIA na Sala de Aula, implantado em fevereiro e já vencedor nas escolas municipais. Nesta primeira etapa, volta-

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da para escolas do Centro e das zonas Norte e Sul, estão sendo atendidos 12.800 alunos de 320 turmas de 20 escolas escolhidas pela Secretaria Municipal de Educação, parceira do DIA neste programa. O DIA na Sala de Aulajá treinou 520 professores, lançou um concurso de ilustrações e organizou uma feira de Iivros em parceria com várias editoras. Mas a preocupação do DIA não se esgota nas áreas de primeiro e segundo graus. A partir de agosto, numa parceria com a Faculdade da Cidade, o jornal estará executando um audacioso projeto cultural: o . Curso Especial O DIA de Jornalismo. Serão 530 horas de aula (de agosto a dezembro) para os 20 candidatos selecionados. Umjomal antenado com as novas tendências mundiais deve ser o berço para profissionais com o mesmo espírito arrojado. Magda de Almeida é , gerente de Qualidade do DIA


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Novos tempos de parceria

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Desafio das bancas Vietor Chidid DIA é o jornal mais vendido nas bancas do país. Diariamente, cerca de 300 mil compradores, democraticamente, escolhem o nosso jornal para a sua leitura e de sua família. Aos domingos, este número sobe para 600 mil. Nós, da circulação, temos que estar sempre atentos às notícias, principalmente às da primeira página, pois em função delas podemos ter uma oscilação de até 30% nas vendas. É o que ocorre quando há assuntos que sensibilizam o leitor, como mortes de personalidades, tragédias que afetam a vida da cidade e resultados esportivos. Temos como exemplos recentes a morte dos músicos do grupo Mamonas Assassinas, as enchentes de fevereiro no Rio e a Taça Guanabara, conquistada pelo Flamengo. Várias vezes os aumentos de tiragem são decididos no momento em que o jornal já está sendo impresso. Em finais de campeonatos de futebol, fazemos mais de uma tiragem, condicionada ao re-

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Antonio Kriegel tiva e baseada na evolução do . mercado do Rio de Janeiro, onde as áreas de influência do DIA, como Baixada, Zona Oeste, Leopoldina e as classes CID foram responsáveis pelos seus maiores índices de crescimento. Além disso, há a prova irrefutável para qualquer anunciante: o efetivo retorno de vendas em cada anúncio publicado. Hoje, o jornal O DIA é o veículo de maior retorno percentual por real investido em publicidade no mercado do Rio de Janeiro. Graças aos nossos investimentos na área comercial e em marketing, associados à linha editorial do jornal, estamos no caminho correto para consagrar o nosso sucesso editorial com a consolidação definitiva do nosso sucesso comercial. A experiência do DIA mostra

desafio de transformar um sucesso editorial como o novo jornal O DIA em sucesso comercial tem sido o grande foco da nossa estratégia de marketing e relacionamento com nossos clientes, O objetivo é reduzir as barreiras e o gap de imagem entre os leitores e os anunciantes, A forte penetração nas classes C e D e a associação do jornal à imagem residual do antigo O DIA - sensacionalista, com muita violência e política -, criaram uma clara aversão dos anunciantes tradicionais e agências de propaganda que, seja por tradição, preconceito ou desinformação, restringiam o desenvolvimento comercial do novo DIA. A mudança de atitude em relação ao jornal vem sendo grada-

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também que existe uma nova realidade no relacionamento da redação e do comercial, que se firma como uma clara vantagem competitiva. A cooperação, respeito mútuo e profundo conhecimento das necessidades dos principais clientes e leitores possibilitam realizar, de forma competente, projetos comerciais complexos e iniciativas editoriais criativas e ousadas. Eles vão garantir a taxa de inovação necessária para um crescimento consistente e constante, através da satisfação do consumidor final. Acabaram os tempos da relação árida e conflitante, em detrimento de uma parceria estimulante e construtiva. Antonio Kriegel é diretor Comercial do DIA

Uma redação multimídia edição diária, o que implica na necessidade de arquivos que abriguem vários tipos de conteúdo, e os coloque facilmente à disposição da equipe de edição. O banco de imagens que estamos instalando no DIA pode receber, indexar e reproduzir fotos, charges e infográficos de forma digital. Editores passam a escolher o material nos monitores dos computadores dedicados à paginação e a transportá-Io diretamente para as páginas, onde ele é adaptado para a produção do jornal impresso. Eles vão dispor, também on-line, das informações em texto sobre este material, necessárias à edição. Os clientes da Agência O DIA acessarão o banco via Intemet (a rede mundial de computadores) e receberão as imagens de modo semelhante ao dos editores no jornal: vísualizando as thurnbnails (imagens reduzidas para escolha na tela), lendo as informações so-

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s editores de um jornal impresso necessitam de informações que precisam estar arquivadas de maneira facilmente acessável. E as fontes destas informações cada vez mais tendem a deixar a forma tradicional texto-fotografia, chegan·do das maneiras mais diversas, corno em vídeo ou som. Estas informações multimídia também devem estar disponíveis para a I ••

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Victor Chidid é gerente de Circulação do DIA

TECNOLOGIA

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Cláudia Duarte

sultado final dos jogos. Travamos uma batalha diária contra o tempo, elemento vital para chegarmos com pontualidade aos 4.000 pontos de venda do Grande Rio, a todos os municípios do estado e às maiores capitais do país. Com o advento das edições regionais, esta tarefa ficou ainda mais complexa, pois além da edição Metropolitana, distribuímos hoje as edições Serrana, Sul, Norte, Baixada e Grande Niterói. Neste processo, é fundamental a parceria com os jornaleiros, pois são eles, na verdade: que finalizam o nosso trabalho, fazendo com que O DIA chegue às mãos dos nossos leitores.

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bre cada uma e fazendo a escolha - uma vez selecionada, a imagem pode ser transmitida diretamente do nosso arquivo. Devemos também lembrar que a digitalização do conteúdo informativo permite a confecção de um número cada vez maior de produtos, desde uma página da World Wide Web, a um CDROM com telas interativas. A produção de um jornal pode ganhar um número cada vez maior de edições, cujo limite seria um jornal personalizado, adaptado aos interesses de cada pessoa. O planejamento do modo como estes conteúdos chegam ao editor ou mesmo ao leitor constitui um dos desafios da estruturação da produção do jomal impresso neste momento, que cada vez mais depende da eficiência do acesso aos arquivos digitais. Cláudia Duarte é assessora de Tecnologia do DIA

Rodando na madrugada

Aguinaldo Oliveira odia 5 de julho de 1992, iniciamos uma nova era no Departamento de Impressão do jornal O DIA. Evoluímos do processo letter press (impressão direta) para o off-set (impressão indireta). Foi um grande desafio, que só pôde ser superado com espírito de equipe. Esta mudança representa um investimento de aproxirna-

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damente 35 milhões de dólares, distribuídos em equipamentos e construções. Nos anos seguintes, investimos na capacitação técnica dos funcionários que durante a noite e parte da madrugada trabalham para que o jornal chegue às bancas no horário. Hoje temos um padrão de qualidade de nível intemacional no que diz respeito à impressão e pré-impressão. Esta última também víveu um salto tecnológico, passando do pastup para a paginação eletrônica. Todas estas mudanças estão associadas à estratégia de segmentação dojomal: produzimos atualmente seis edições diárias, com mudanças cronometradas durante o processo de impressão. Aguinaldo Oliveira é gerente de Impressão do DIA


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ofascínio das incertezas

Fernando Portella ual é o futuro? Para onde vai a tecnologia? Como fortalecer a cultura do planejamento, assegurando ao mesmo tempo o dinamismo na Era da Comunicação?

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Perguntas como essas levam os executivos de comunicação a reavaliarem sua visão e estratégias. Duas atitudes são essenciais para quem não quiser levar cartão amarelo já no primeiro tempo do jogo: conscientizar-se de que a arena competitiva é, hoje em dia, muito mais complexa e apostar em organizações muito mais flexíveis, algumas virtuais. Uma flexibilidade que não se obterá sozinho: as palavras de ordem são aliança, fusão e aquisição. A News Corporation, de Rupert Murdoch, é o exemplo mais bem acabado de um nodal player que soube criar inúmeras alianças com veículos. Impõe-se a parceria - o desafio é prever quem poderá aliar-se a quem. Temos hoje um modelo de empresa mecanicista, que ficou ultrapassado. Pulamos da Era Industrial para a Era da Comu-

nicação sem nos adaptarmos a uma nova sociedade, muito mais complexa. As empresas com visão de futuro estão formando alianças e parcerias com fornecedores e clientes. Elas são hoje peças das redes ou mesmo redes dentro de outras redes. Cada vez menos se distinguem as fronteiras físicas e financeiras entre elas. Mudanças profundas se impõem e trazem incertezas. A tecnologia atual já viabiliza as informatíon highways (superestradas de informação), que ameaçam sobretudo os intermediários. O que condiciona essa information highway são fatores como regulamentação, atração do mercado, competição entre redes, perfis comportamentais e impulso da tecnologia. São novos mercados e temos que satisfazer novos clientes. O que vai determinar as mudanças

- o avanço da tecnologia ou os anseios dos clientes? Temos opções várias de redes: uma delas começa a virar figurinha fácil em textos de comunicação - a rede interativa. O conteúdo - nó de qualquer serviço de informação - pode variar de cinema a jogos, passando por transações ou informações em tempo real. E os equipamentos disponíveis poderão ser tradicionais ou inteligentes. Estas e outras indefinições só tomam mais fascinante a ebulição que testemunhamos hoje nessa indústria. Diversos setores (telecom, equipamentos de escritório, computadores, eletrônicos de consumo, vendedores de informação, entretenimento, mídia e publicação) convergem para um único campo de atuação alterando profundamente o perfil dos concorrentes. É ai que entra o planejamen-

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to. A indefinição quanto ao timing de muitas dessas mudanças exigirá uma gestão moderna e dinâmica. Os ciclos de desenvolvimento de produtos serão mais curtos e mais arriscados, exigindo estruturas de negócios cada vez mais equilibradas. A chave da adaptação a este cenário é uma gradual mudança de papéis. Não é mais possível especializar-se em forma de informação (voz, texto, imagem, áudio, vídeo, dados). Deve-se partir para especializações por função (coletar dados, armazenar database, criar conteúdo, processar e distribuir informação). Essa nova forma de especialização define, sobretudo, a necessidade de um novo tipo de profissional: o multifuncional. Fernando Porte lia é dlretor-superlntendente do DIA

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Mostre, não conte

A nova cara do DIA

AryMoraes

André Hlppertt

esde as prímeiras mudancas sofridas pelo jornal nesse processo de crescimento e melhoría da qualidade editorial, uma das principais preocupações sempre foi com a sua aparência. Com o advento da cor e com a aquisição de um moderno parque gráfico, com rotativas de última geração, as cores explodiram nas páginas do jornal. Havia a necessidade de que a cor estivesse presente, muito presente. A tipologia utilizada foi trocada por uma mais forte, agressiva. O problema é que o uso desta tipologia, combinado com um certo excesso de cor, davam um ar muito pesado ao jornal. Quando fui chamado para trabalhar no DIA, há pouco mais de um ano, vim com a idéia fixa de que tinhamos que dar uma mexida, uma arrumada geral. Há algum tempo, venho sugerindo certas mudanças alguns ajustes para colocar ordem na casa: Para minha surpresa, o que seria apenas um ajuste se transformaria em toda uma nova reestruturação gráfica do jornal. O desafio de fazer um novo projeto era por demais estimulante, principalmente se levarmos em consideração que a maioria das reformas gráficas feitas aqui nesse nosso Brasil é criada por escritórios de design no exterior. Para mim, o fato de trabalhar no jornal e de conviver diariamente com os problemas e necessidades da redação me ajudou, e muito, a amarrar o conceito final da reforma. Arregacei as mangas e me pus a trabalharno projeto que considerava ideal para um jornal como O DIA-moderno, ágil e Vibrante. O resultado está ai, um misto de alegria e sobriedade, um jornal mais leve e enxuto. O DIA dos meus sonhos.

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ocontexto dos meios de comunicação de massa, durante muitos anos coube ao jornal impresso o monopólio da imagem. Fosse pelo próprio desenho da letra, pela graça da ilustração e, mais tarde, pela fotografia, os jornais foram pioneiros no uso da imagem como recurso informativo. Com o desenvolvimento das técnicas de propaganda e, especialmente, dos meios eletrônicos, que deram outra dimensão à comunicação por imagens, os jornais impressos se viram obrigados a rever o tratamento que lhes conferiam. Designers e diretores de arte, até então comuns nas agências de publicidade e nos estúdios de TV, passaram a freqüentar as redações, desenvolvendo com os jornalistas projetos gráficos que traduzissem um novo produto, mais ágil e interessante. Entre os novos recursos colocados à disposição dos leitores, surge a infografia, a mformação transmitida graficamente através da combinação de textos e imagens. No Brasil, O DIA foi pioneiro na imiJ0rtância conferi da aos infográficos, abrmdo-lhes espaços generosos e criando um departamento com status de editoria. O trabalho logo foi reconhecido pela crítica especializada. O DIA foi premiado nas duas edições do Desktop Publishing (1993/94) e, em fevereiro de 1996, venceu, na categoria infográfico mais inovador, o Malofiej - uma espécie de Oscar da infografia, conferido pelo Capítulo Espanhol da Society ofNewspaper Design e pela Universidade de Navarra. Uma prova do cuidado dispensado aos leitores e à modernização.

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Infos chegam a ocupar uma página em coberturas especiais, como Fórmula Indy, planos econômicos e Copa América.

Ary Moraes é chefe da Infografia do DIA

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jornal em três tempos. Acima,o primeiro número, de 1951.Ao lado, as cores e o visual de 1995. Abaixo, o resultado do novo projeto gráfico, iniciado em abril de 1996

André Hippertt é editor de Arte do DIA

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Jornal da ABI - Um dia em O Dia  

Jornal da ABI - Órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa Ano 43 - Maio / Junho de 1996 Edição Especial de Aniversário (nº 253)

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