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e-newsletter #02 fevereiro 2018

CENTRO RAINHA SANTA ISABEL Afetos no Centro, um Centro de afetos Nas palavras da responsável, Ana Maria Mendes, o Centro de Dia Rainha Santa Isabel (CDRSI) é um «local onde os seus 60 utentes podem conviver ao máximo». Esta valência da SCMA tem como objetivo proporcionar a proximidade, inclusão e convivência. Inaugurado em setembro de 2009 com o nome de 'Centro A Arte dos Avós', sempre ambicionou ser referência para uma franja da população, que ainda possui autonomia e capacidade criativa: os Avós. O desafio dos centros de dia, e deste em especial, é o combate à solidão que muitos enfrentam. Ana Mendes desafia os familiares destes Avós, utentes do CDRSI, a dizer-lhes que «vêm para o convívio e não para o centro de dia».

No centro de dia, há um planeamento muito cuidado, pois a grande exigência é envolver todos os utentes, mesmo aqueles que se encontram mais debilitados. «Tenta-se diversificar ao máximo as atividades para que não fiquem acomodados às mesmas dinâmicas, se bem que nestas idades alguma regularidade em determinadas tarefas lhes confira autoestima e segurança», refere a responsável do CDRSI. Exemplo desta realidade é a atividade de duas senhoras do Centro, a D. Manuela e D. Adelaide, que assumem a tarefa de arrumação das mesas e louças do refeitório, contribuindo para o apoio a todos os utentes. As novas tecnologias e acesso às plataformas digitais permitem encontros peculiares, como naquela tarde, em que Ana Mendes percorreu o Youtube em busca de músicas e cantares de tempos antigos, trazendo memórias e boas recordações, arrancando muitos sorrisos a todos.

As atividades do Centro são muitas e variadas Ginástica, Tai-Chi, Bingo, Jogos de Tabuleiro, Exercícios de Matemática, Jogos de Cartas, Dominó, Pintura e Costura. Esta última estará patente no novo projeto que o Centro vai desenvolver com a Câmara Municipal da Amadora, na decoração de 10 bancos de jardim com padrões executados em crochet. O segredo para a felicidade desta população, segundo Ana Mendes, «é saber estar perto deles, é saber ouvi-los, pois eles também são ótimos ouvintes». E, de facto, é possível ver a felicidade no rosto dos Avós, ao escutar as histórias e as músicas do Sr. Luciano Gomes, exvendedor de peixe no mercado da Venteira, que nos tempos livres organizava passeios e excursões. Com a sua harmónica, cheio de alegria e simpatia, é um verdadeiro entertainer do Centro aos 91 anos. As atividades de convívio são complementadas por tarefas de índole pessoal, como os banhos, as refeições, o corte e tratamento do cabelo e manicure. Existem ainda momentos espirituais, orientados pelo Pe. Matias, missionário da consulata e capelão do Centro, que, neste tempo de Quaresma, celebra todas as 4.ª feiras a Via-Sacra com os utentes.


HISTÓRIAS DE UMA VIDA, numa vida de histórias O Centro tem muitas histórias e nesta visita acompanhámos uma utente especial, a D. Carolina Conceição, originária de Bujões-Vila Real. A vida de D. Carolina, filha mais nova de uma família de 8 irmãos, foi tudo menos fácil. Desde os 8 anos, esteve sempre ligada aos trabalhos da terra. Vida sofrida, acordando «todos os dias às 4h00 da manhã» em Trás-os-Montes, sempre com muito trabalho de sol a sol. Assim passou a juventude até à idade de casar, que curiosamente não estava muito nos seus planos. «Não tinha ideias de me casar.», dizia, mas perante a insistência de umas tias e familiares do futuro marido, acabou por aceitar. Diz que «depois de casada passou para uma vida melhor». Rumou a Vila Seca também no concelho de Vila Real, e teve um filho de seu nome João Manuel. Sempre dedicada à família, trabalhava a terra com o seu marido. Após o falecimento da sua cara metade, entregou-se ao cuidado do cunhado, que tinha ficado doente. Entretanto João Manuel, o filho, casou-se e deu-lhe 2 netos, que via todos os meses, quando estes se deslocavam a Vila Seca. Com o passar do tempo, João perguntava à sua mãe se não era melhor estar com eles em Lisboa. Ao que D. Carolina respondia, «põe-te a mexer, que eu daqui não saio». Esteve até aos 68 anos em Vila Seca e entrou no CDRSI no dia 1 de setembro de 2017. Os primeiros tempos no centro foram difíceis. «Custou muito... Chorei muito...», mas aos poucos começou a ligar-se aos outros utentes, funcionários, voluntários e à responsável. Hoje é uma referência no grupo, pois além de entusiasta na pintura, a atividade de que mais gosta, ajuda «os velhitos» sempre que pode, diz D. Carolina, feliz aos 70 anos.

QUEM É QUEM no CDRSI Coordenadora | Ana Maria Mendes Ajudantes de Centro de Dia | Elsa, Emília e Fátima Ajudantes de Serviços Gerais | Carla e Aida Voluntários | Joana – Taichi+Musicoterapia; Mauro – Aula de Dança; D. Helena – Manicure; D. Antonieta – Manicure e Apoio Refeitório; D. Ângela – Bingo e Apoio Refeitório e Catarina - Animação.

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