Jornal de Abrantes - novembro 2022

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/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas NOVEMBRO 2022 / Edição n.º 5621 Mensal / ANO 122

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BOMBEIROS MUNICIPAIS EXISTEM HÁ 69 ANOS MAS AINDA NÃO SÃO CONSIDERADOS “IGUAIS” Págs.16 e 17 MAÇÂO

PARQUE DE CAMPISMO E PRAIA FLUVIAL PASSAMPág.A 8GESTÃO PRIVADA VILA DE REI

MUNICÍPIO CRIA CARTÃO PARA DESCONTOS NAPág.FATURA DA ÁGUA 18

Médio Tejo: o futuro, os projetos e os desafios

Fundo de Transição Justa com quatro candidaturas de 50 ME Pág. 6

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Anabela Freitas, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, em grande entrevista ao Jornal de Abrantes. Págs. 3, 4 e 5

ABRANTES

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uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

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/ JORNAL DE ABRANTES

122 ANOS

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SARDOAL


A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

/ Patrícia Seixas / DIRETORA

O país ainda não saiu da situação de seca mas com as chuvas das últimas semanas, já se respira um pouco melhor e as reservas de água subiram um pouco por todo o lado. Vamos ver o que nos espera ainda o inverno mas continuam as preocupações com os gastos desnecessários e agora agravados com a crise energética. Não vão ser tempos fáceis, acho que já todos nos apercebemos. Mas a esperança num mundo melhor e em paz tem que ser cultivada e praticada em cada ato nosso. Começa sempre por nós, acreditem. Nesta edição damos início a uma parceria que acreditamos ser valiosa ao nível da literacia na saúde. Chama-se “Saber Saúde” e tem como objetivo ter “cidadãos mais bem informados e capazes de estar mais conscientes sobre um grande número de questões (não só doenças, mas sobre o funcionamento dos próprios serviços de saúde - quantos de nós não nos sentimos completamente perdidos a entrar num hospital...)” Lembram-se da “novela” em que se viu envolvida a União de Freguesias de Alvega e Concavada? Pois é, parece que as coisas podem agora normalizar e o Executivo eleito nas eleições intercalares pode governar a freguesia. No entanto, o quórum que permite esse funcionamento está no limite. Vamos esperar que o mandato possa ser cumprido e que haja, finalmente, “sossego” naquele órgão governativo. E por falar em sossego, ainda não é definitivo que as verbas para o Fundo de Transição Justa abarquem empresas não PME. Ou seja, há candidaturas que até já foram aprovadas mas que correm agora o risco de não ter os apoios anunciados. Nesta altura, seria um rude golpe para o concelho de Abrantes e para a região do Médio Tejo. Na grande entrevista que publicamos nesta edição, a presidente a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Anabela Freitas, fala em mudanças de regras a meio do jogo e, apesar de já ter havido conversações em Bruxelas, o tema ainda não viu luz verde. Aguardamos por boas notícias. Sabia que há um jovem abrantino que assinou um contrato com a editora Warner Music Portugal? A canção “Pôr do Sol ao Luar” já roda nas rádios um pouco por todo o país e o nome de Nelson Bonito começa a ser conhecido no mundo da música. A apresentação ocorreu no dia 21 de outubro na nossa Antena Livre, com o lançamento a nível nacional do novo tema. Desejamos ao Nelson Bonito muitos sucessos pessoais e profissionais. Ainda na música, o Carlão passou por Abrantes. Esteve na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, no âmbito da “Semana da Igualdade” e do “Dia Municipal da Igualdade” em paralelo com o “Dia da Biblioteca Escolar”. O cantor tem agora, com a empresa Betweien, o projeto “Livres e Iguais”, um Projeto de Promoção de Interculturalismo. Falou aos alunos sobre racismo, segregação étnica e refugiados. Temas cada vez mais importantes e que importa fazer os nossos jovens perceberem o que é uma vida em sociedade e em respeito com todos. Estamos em novembro, boas leituras e, já agora, bom S. Martinho.

ja / JORNAL DE ABRANTES

Seria uma normal noite de sexta-feira em Abrantes. Havia noite de fados no Mercado e a cidade estava animada. Sem que nada o fizesse esperar, a noite de dia 30 de setembro reservava uma animação ainda maior. Numa reunião com os jovens do Interact, nos cafés e nos fados, desfilou pela cidade nem mais, nem menos, que o próprio

Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa andou pela cidade, tirou fotografias com todos os que pediram e falou com quem foi encontrando pelas ruas. Apesar de ter sido uma passagem informal, Marcelo cidadão não se dissocia de Marcelo Presidente e conta quem por lá esteve que foi uma honra partilhar aqueles momentos com o Chefe de Estado.

PERFIL / / Naturalidade / Residência : Nasci e vivo em Abrantes. / Qual é o seu maior medo? Ficar aquém das minhas capacidades.

/ Nelson Bonito

/ Que pessoa viva mais admira? Em relação a figuras célebres, admiro bastante o Cristiano Ronaldo, por ter vindo do nada e ter conquistado tudo, com muito esforço e dedicação. É um verdadeiro vencedor, com todo o mérito. / Onde e quando foi mais feliz? Neste momento estou a viver a fase mais feliz da minha vida, em que o meu sonho de fazer uma carreira no mundo da música se está a tornar realidade. / Que talento mais gostaria de ter? Gostaria de saber fazer acrobacias.

/ Se pudesse mudar uma característica em si, o que seria? Não seria tão perfeccionista e auto-crítico.

identifica? Pelas razões óbvias, a figura histórica com que mais me identifico é Jesus Cristo.

/ Se soubesse que morria amanhã, o que faria hoje? Pode ser clichê, mas o que eu faria hoje, era aproveitar o tempo com quem mais amo.

/ Quem são os seus heróis da vida real? Os meus heróis da vida real são o meu núcleo familiar.

/ O que mais valoriza nos seus amigos? Valorizo que estejam comigo nos bons e maus momentos. / Quem são os seus artistas favoritos? Tenho muitos, em Portugal por exemplo, admiro bastante o Rui Veloso e as letras do Carlos Tê. / Quem é o seu herói da ficção? Harry Potter, porque acompanhou a minha infância.

/ Onde gostaria mais de viver? Já fui a França duas vezes e gostei bastante, era um país onde me via facilmente a viver. / Se fosse presidente de Câmara, o que faria? Imagino que ser presidente da Câmara não é uma tarefa nada fácil. O que eu tentaria fazer, era solucionar o máximo possível os problemas da população.

/ Com que figura histórica mais se

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em jornaldeabrantes.sapo.pt RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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ENTREVISTA /

O Médio Tejo tem de se afirmar como território // Anabela Freitas assumiu a presidência da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, quando a então presidente Maria do Céu Antunes seguiu para o Governo. A 28 de fevereiro de 2019 assumiu a presidência, tendo sido reconduzida em 26 de outubro de 2021. // Na sua equipa tem como vice-presidentes os autarcas de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e de Mação, Vasco Estrela, numa estrutura que tem um território com 11 concelhos do distrito de Santarém e dois de Castelo Branco. // A Comunidade tem um orçamento para 2022 de 11 milhões de euros, mas a sua ação ganha cada vez mais preponderância, porque é um território que ganha escala e que pode, juntamente com a Lezíria do Tejo e o Oeste, avançar para uma unidade territorial de nível II na União Europeia. Nesta entrevista, descomplexada, Anabela Freitas fala de fundos comunitários, desafios, do Tejo, do futuro aeroporto entre outros temas atuais Entrevista por Jerónimo Belo Jorge

As CIM têm cada vez mais uma preponderância na definição de políticas e de ações estruturantes no seu território. O Médio Tejo tem a particularidade de ter 11 territórios de Santarém e dois de Castelo Branco. Este fator acrescenta mais complicações técnicas para os serviços na definição das suas estratégias?

Começo por explicar o que são as CIM. As pessoas sabem que existem, mas não têm, por vezes, a noção da quantidade de competências que as CIM têm e, cada vez mais, que afetam a vida dos cidadãos deste território. Em relação à pergunta, é uma dificuldade imensa, porque o nosso país tem uma organização administrativa com o Estado central e com os serviços desconcentrados, depois há casos em que se reportam a distritos, depois ainda temos outra coisa que se chama as grandes regiões, as NUT II. Nós pertencemos, para efeitos de financiamento à região Centro, para efeitos de Ordenamento do Território à Região de Lisboa....

... isto é, aprovam estratégias para Lisboa e Vale do Tejo, mas vão buscar dinheiro (fundos comunitários) à região Centro...

... em relação ao Médio Tejo,

temos 11 concelhos do distrito de Santarém que em tudo o que se relaciona com administração desconcentrada do Estado é Lisboa e depois temos outros dois para a administração desconcentrada do Estado no Centro. Dou-lhe um exemplo muito concreto: saúde, que é um assunto muito em dia. Para articularmos uma política de saúde, seja investimentos, reabilitação de centros de saúde, temos de articular com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e com a Administração Regional de Saúde do Centro. Apesar de ambas serem administrações regionais de saúde, as estratégias, as velocidades de implementação e até mesmo a opinião sobre o território é completamente diferente. Se juntarmos o facto de aprovarmos a estratégia de Lisboa e Vale do Tejo, mas depois irmos buscar dinheiro ao Centro, temos de estar também alinhados com a estratégia da região onde vamos buscar os fundos. Temos de estar alinhados com o Centro (CCDR), mas não contamos nada para o Centro. Mas somos sempre convidados para estar presentes nas reuniões, mesmo sem direito de voto. E depois discutimos a estratégia de Lisboa, com a qual não temos nada a ver. Deixe-me dar outro exemplo.

Quando avançou o programa de redução tarifária, inicialmente o Médio Tejo ficou de fora. O apoio ia só até a Azambuja porque Lisboa não entendia quais eram os nossos problemas. Foi uma guerra imensa. Quando falamos em mobilidade em Lisboa, os problemas são completamente diferentes por isso “perdemos” muito tempo a ir a Lisboa porque tem de haver muita justificação. Depois ainda há uma visão, nalguns serviços desconcentrados do Estado, que nós somos província. Já me disseram: “eu quando ia, há 30 anos, à província, gostava muito daquilo e gostava que ficasse assim.” Desculpem, mas nós temos os mesmos direitos à qualidade de vida que os cidadãos de Lisboa também têm, de forma diferente. É difícil fazer perceber que nós crescemos de outra forma (numa comparação com Lisboa).

Este caldeirão resolve-se com a criação de uma NUT II?

O que está em cima da mesa, e que vamos ter oportunidade de testar no próximo Quadro Comunitário de Apoio, é ser uma sub-região dentro da região de Lisboa e Vale do Tejo. Ou seja, deixar toda a Área Metropolitana de um lado, e nos outros territórios (Médio Tejo, Le-

zíria e Oeste) criar políticas públicas, financiamentos (deixaríamos de ir a Coimbra) para resolver os problemas destas três sub-regiões.

Neste quadro, a CIMT começa a definir trabalho tendo em vista esse futuro, ou está a gerir de acordo com a atualidade?

Aquilo que vai acontecer já no 2030, a CIM do Médio Tejo vai ter instrumentos de financiamento tal como havia no 2020, mas vamos ter instrumentos específicos para políticas que estamos a definir, e

temos estado a trabalhar nisso, as três sub-regiões, numa coisa que se chama Intervenção territorial Integrada de Base Funcional. Ou seja, há projetos comuns às três sub-regiões que vão ter um instrumento financeiro específico. Isto permite testar se é possível criar ou não a sub-região. Também sei que o Governo e a União Europeia também queiram testar isto, que é algo de inovador em Portugal. Apesar de estarmos a testar este modelo, não podemos ficar prejudicados neste novo Quadro Comunitário de Apoio, por isso continuamos a ter acesso aos fundos como se não estivéssemos a fazer este teste.

Está a correr bem esta adaptação?

Está a correr bem. Estamos já a começar a fechar processos para podermos candidatar quando abrirem os procedimentos.

Aeródromo de Tancos: “o que está em cima da mesa são dois voos por hora”

Fundo para a Transição Justa (FTJ), Portugal 2020 e 2030 e PRR. O que é que está em cima da secretária nestas matérias...

… são três gavetas diferentes. No PRR, no âmbito das CIM só saiu um aviso, o que acho ridículo. Candidatámo-nos para a criação de espaços de teletrabalho para trabalhadores da administração

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ENTREVISTA / pública. Estamos a falar de 127 mil euros para três espaços, ou seja, 40 mil euros para cada um. Isto é de quem não tem a noção do custo das obras na atualidade. Depois há outros avisos para os municípios em que a Comunidade pode dar apoio técnico. Vamos ao FTJ que esse sim, preocupa-nos muito. Houve um encerramento de uma Central no nosso território e o que estava em cima da mesa era uma compensação de 90 milhões de euros. Depois, a meio do processo, surge uma ideia peregrina de dividir os 90 milhões em 45 para o nosso território e 45 para aquele território do litoral, “extremamente deprimido”, para dividir pelas vidreiras e cerâmicas. Tomámos posições públicas contra este apoio, não que estejamos contra apoios para as vidreiras e cerâmicas. Mas existem outros apoios. Fomos a Bruxelas e sabemos que o processo foi travado em Bruxelas. O que é certo é que houve abertura de processo para intenções de candidaturas e teve uma resposta interessante. E houve já um primeiro aviso de candidaturas e o fundo de 45 milhões está quase esgotado e que tem 14 candidaturas. Ainda não abriram aviso para todas, ainda não abriu aviso de candidatura para a área de inovação. Abrindo esse aviso, de acordo com as intenções apresentadas, vamos ultrapassar largamente esse valor dos 45 milhões. O argumento que nos dizem é que somos um território que tem vindo a perder população, o que é verdade, e que os 45 milhões chegam. As candidaturas dizem outra coisa. E mostram ainda outra coisa: quando abrem candidaturas direcionadas para determinados territórios, as empresas até estão interessadas. Quando abrem para o nível nacional, o litoral absorve-as. Mas esta é a verdadeira coesão, quando abrem candidaturas específicas para territórios deprimidos. É outro argumento que cai por terra. Agora vêm com outro argumento (17 de outubro) e que é não aprovar candidaturas de empresas que não sejam PME*. Quando abriu o aviso, isso não constava das condições. Não podemos mudar as regras a meio do jogo. E se queremos investimentos nestes montantes, não é uma PME que tem “arcaboiço” para um investimento de 11 ou 12 milhões. O facto de estarmos numa terra de ninguém também dificulta muito as negociações. O Centro diz-nos “vocês vêm aqui buscar o dinheiro, mas eu não conto com vocês nos votos para implementar as nossas políticas”, ou seja, isso dificulta-nos muito. Portugal 2020. A CIM, nas oito do Centro, estamos em terceiro lugar na taxa de execução. E durante um ano, no PEDIME, os municípios estiveram a adiantar os

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quais são as 13/14 linhas de financiamento do 2030 e os municípios já responderam (à CIM) quais os projetos que têm prontos a poder ser candidatados. Queremos ter, em negociação com a CCDR, ter ali na ordem dos 125 a 150 milhões de euros para execução do programa. Já temos as prioridades de cada um dos municípios e estamos a preparar um documento que servirá de base para a negociação. Temos um projeto de ciclovias entre os municípios, tudo o que é mobilidade, serviços online, sapadores florestais que estão no âmbito da CIM. No âmbito da transferência de competências da Proteção Civil, queremos assumir algumas dessas competências para adquirir equipamentos que sejam necessários na região e que não são necessários a todas as corporações. Temos trabalho feito com o comando distrital.

As CIM têm muito trabalho no território, mas o cidadão tem conhecimento do que fazem as comunidades ou ainda não?

pagamentos um ano. Num projeto de bicicletas também tivemos um atraso na execução. Mas podíamos ter executado mais se nos tivessem aprovado as candidaturas.

E no Portugal 2030 o que é que está a sair da gaveta?

Ainda vamos negociar. Há uma alteração muito grande. Temos estado a fazer pressão numa matéria que é a renovação das condutas de água, que vai passar a ser gerido pelas CIM. Não faz sentido falarmos em eficiência de gestão da água, seca, quando temos na base condutas com 40 ou 50 anos. O saneamento é importante, mas a renovação das condutas da água é tão ou mais importante que o saneamento. Estamos a fazer pressão junto do Ministério do Ambiente para esta questão, mais do que construir novas estradas. Uma coisa que também reivindicamos é no financiamento para Património Cultural. No 2020 só era considerado património nacional. E nós temos nas nossas vilas e aldeias património cultural muito importante, mas que não é património nacional. Era muito importante haver financiamento para essa área, sendo património de interesse municipal. Já sabemos

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Castelo de Bode: “obviamente que a prioridade será sempre o abastecimento público” CCDR’s: “O facto de estarmos numa terra de ninguém também dificulta muito as negociações” Emprego: “Temos de ter uma política de trabalho da região e não de 13 territórios”

Acho que ainda não. Repare, o distrito de Santarém tem duas comunidades e uma vai ao Centro e outra ao Alentejo. E leva muitos anos a perceber isto. Podemos ter uma política regional de habitação. E de mobilidade, que por acaso vai mais adiantada. Temos de ter uma política de trabalho da região e não de Abrantes, Tomar ou Sardoal. Neste momento há 13 mercados de trabalhos segmentados. Temos de criar um. Até porque temos muito vincada a área logística. Temos o maior “porto seco” do país Riachos/ Entroncamento e, portanto, a logística é muito importante para nós. Mas para isso precisamos de mobilidade, de uma região, porque não é só o Entroncamento ou Torres Novas que vão fornecer aqueles postos de trabalho ao porto seco. Isto demora muito tempo a trabalhar.

A mobilidade é um dos processos mais adiantados. Há o Link, o Transporte a Pedido e, recentemente, os transportes públicos do Médio Tejo foram adjudicados, em pacote, para toda a região...

... Sem dúvida. Um cidadão que resida em Tomar, mas que tenha oportunidade de trabalho em Sardoal tem de ter possibilidade de se deslocar para o Sardoal. E são questões fundamentais e que devem ser trabalhadas em território e não concelho a concelho.

O Tejo atravessa uma parte do território da comunidade. Que olhar é que têm na CIM para o rio, a seca, a estabilidade dos caudais?

É e continua a ser uma preocupação e estamos empenhados em encontrar uma solução. A mi-

nha opinião pessoal é que não faz sentido falarmos na revisão da Convenção de Albufeira quando os espanhóis se estão a revoltar e não querem cumprir o acordado. É uma matéria que neste momento não temos posição de força. Coisa diferente é a nossa posição, e no final de setembro com a Lezíria e a Beira Interior, fomos ao Ministério do Ambiente dizer qual. É fundamental a construção de uma nova barragem para armazenamento de água e que pode servir também para ir regularizando os caudais do Tejo. É uma posição conjunta e estamos disponíveis para colaborar na discussão pública. Falo no projeto do rio Ocreza.

O Castelo de Bode, na sua plenitude deveria ser olhado de outra forma? É eletricidade, abastecimento de água a um terço dos portugueses, é âncora no turismo para este território...

... E ainda por cima, para alguns, é quase o único ponto de atração. E acrescentaria uma outra coisa e que tem a ver com o abastecimento dos aviões para o combate aos incêndios florestais. É em ano de seca como este que precisamos de ter aqui um ponto de abastecimento de água, porque somos um território com muitos incêndios. A barragem tem uma concessão e que é para produção de eletricidade. E o que pode estar em cima da mesa é um circuito fechado para a produção de eletricidade. Não sei qual o custo, mas é preferível fazer um investimento destes, a um dia destes não termos água para beber, nem para produção de eletricidade. Apesar de tudo, ao nível de turismo o Médio Tejo esteve muito bem, a níveis de 2019, e nesse ano até houve Festa dos Templários que pode ter tido influência nos números desse ano. Há uma conciliação a ser feita. Mas se me perguntarem qual a prioridade entre produção de eletricidade, turismo ou abastecimento de água, obviamente que a prioridade será sempre o abastecimento público.

Castelo de Bode, Fátima e Convento de Cristo são as grandes âncoras de turismo na região. Como é que podem alavancar o turismo no território?

Médio Tejo ninguém associa, pelo que as portas de entrada eram Fátima e Tomar. Por isso fizemos o programa Stay Over Fátima/Tomar, durou um ano, mas houve municípios que não beneficiaram desta ação. Se calhar temos de envolver os operadores privados para poderem criar pacotes em que os turistas fiquem mais tempo na região, mas serem os próprios operadores a levá-los aos territórios, temos pinhal, museus e outras ofertas.


ENTREVISTA / Aeroporto ou aeroportos. A CIM envolveu-se na ideia de voos civis em Tancos e agora surge aqui ao lado a ideia de que pode “aterrar” o aeroporto internacional de Lisboa…

Vamos começar por Santarém. É óbvio que um aeroporto junto à nossa zona, à nossa região, vem alavancar o desenvolvimento, permite a criação de postos de trabalho, atrai empresas, para além de melhorar as vias de comunicação. E nesta matéria parte dos nossos municípios até têm boas vias de comunicação, mas poderá melhorar ainda mais. Temos de estar agradados e Deus queira que venha para a nossa região. Ao mesmo tempo, temos a questão de Tancos. Dissemos, desde o início, que Tancos não concorria com os aeroportos nacionais, Alcochete e Montijo, que era o que se falava na altura. Objetivamente, temos um possível problema no território. Ou seja, temos uma infraestrutura militar que se tem vindo a deteriorar porque não tem tido investimento. Ponto 1: a presença militar no nosso território é histórica e nós queremos manter a presença militar. Mas se se puder aproveitar aquela infraestrutura com investimento privado, dissemos desde o início que não queríamos investimento público,

há privados interessados em fazer o investimento global, sabendo que há períodos do ano em que pode não haver voos civis, porque este continuará a ter também voos militares.

Para finalizar, qual o grande desafio para os próximos meses para o território do Médio Tejo?

para termos aqui uma utilização mista, era o ideal. Primeiro passo que demos foi com o Ministério da Defesa que não se opõe a esta utilização mista. E a partir daí foi começar a fazer estudos. Mesmo que o aeroporto internacional venha para Santarém, e isso foi dito aqui pelos promotores do aeroporto de Santarém, são complementares porque corremos em pistas diferentes. Não houve qualquer tipo de incompatibilização entre as estruturas. Para percebermos a ordem de grandeza, para Tancos, o que está em cima da mesa, são dois voos por hora. E

Portugal 2030: “É importante fazer perceber que nós temos especificidades diferentes da CIM de Leiria e precisamos de ter aqui um olhar diferente”

O grande desafio, são dois, ambos estão relacionados com dinheiro. O que temos aqui mais urgente é o Fundo para a Transição Justa. Temos de ter aqui investimento que compense, recompense, duplamente recompense o encerramento da Central do Pego e é um desafio para “amanhã”. Temos de ter marcação cerrada. Segundo desafio é a negociação que vamos começar para o próximo ciclo de financiamento, o Portugal 2030. É importante fazer perceber que nós temos especificidades diferentes da CIM de Leiria e, para determinadas linhas, precisamos de ter aqui um olhar diferente para a nossa região. Vai ser um processo duro, longo e está em cima da mesa.

E os aumentos dos custos com energia não são um desafio?

Nas questões da energia, dos 13 municípios, não estamos todos na mesma situação. Há municípios com a maioria dos contratos

no mercado regulado, portanto, o impacto do aumento das tarifas de energia foi inferior. Onde estamos numa forma transversal e idêntica, é em relação ao gás. Por isso a CIM, tal como alguns municípios só por si, está a trabalhar numa coisa que se chama Comunidades de Energias Renováveis. Há municípios que estão a avançar sozinhos porque pela dimensão e pelos consumos podem comportar mais do que uma Comunidade de Energias Renováveis, mas na CIM já lancei o debate para podermos avançar com um estudo para que depois cada município possa tomar a sua decisão e que passará por termos uma Comunidade de Energias Renováveis no Médio Tejo. E é mais uma coisa que contribui para nos afirmarmos como região. Há aqui uma discussão: só edifícios públicos ou também para os privados. Eu defendo que devemos envolver aqui também as empresas por forma a podermos ter um custo de energia mais baixo para as empresas. *Entrevista realizada a 17 de outubro. A limitação das candidaturas ao Fundo de Transição Justa apenas para PME terá sido ultrapassada depois de intervenções da CCDR Centro e da própria Comunidade Intermunicipal. PUBLICIDADE

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REGIÃO /

Fundo de Transição Justa conta com quatro candidaturas de 50ME no concelho // São quatro as candidaturas para o concelho de Abrantes no âmbito do Fundo de Transição Justa. A informação foi avançada pelo presidente da Câmara de Abrantes no período antes da Ordem do Dia na reunião de dia 6 de outubro. Num investimento elegível de “aproximadamente 50 milhões de euros”, as empresas que concorreram são uma PME (Pequena Média empresa) e três não PME’s, informou Manuel Jorge Valamatos que disse “depositar aqui grandes expetativas” e desejou que “este processo possa ser célere. Já no que diz respeito à região do Médio Tejo “há um investimento elegível de 234 milhões de euros”. Segundo o autarca, “há uma manifestação de interesse já objetivada com candidaturas de grande relevância em termos de investimento para a região”. À margem da reunião do Executivo, aos jornalistas, Manuel Jorge Valamatos reiterou a “enorme expetativa de vermos concretizados estes investimentos no nosso concelho, com a criação de muitas dezenas de postos de trabalho e uma valorização imensa para a nossa economia local e regional”. As “grandes expetativas” estendem-se ao “novo Aviso que agora saiu e destas empresas que manifestaram a intenção da sua candidatura em tempo oportuno”. Quanto às quatro candidaturas que dizem respeito ao concelho de Abrantes, “são de quatro empresas diferentes”, quer na área da metalomecânica, quer na produção e transformação de carnes e outras na área da energia, como confirmou Manuel Jorge Valamatos. “São quatro investimentos muito robustos e muito interessantes para a nossa economia local e regional”, disse. O autarca adiantou ainda que “estes quatro grandes investimentos (...) estão agora numa fase de análise por diferentes entidades e cremos acreditar que vão ser apoiados e, fundamentalmente, que vão ser operacionalizados e tornar-se uma realidade nos próximos tempos”. O presidente da Câmara de Abrantes disse também “esperar que os novos avisos possam vir a encaixar um conjunto de outras intenções que já foram manifestadas e que tudo isto arraste um nível de investimento muito significativo para o nosso concelho e para a nossa região”. No que se refere a outras intenções manifestadas mas que não foram consideradas nos Avisos publicados até agora, o presidente da Câmara de Abrantes

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explicou que “em sede de manifestação de intenção houve um conjunto de empresas, sobretudo na área da tecnologia e da ciência que manifestaram essa vontade de fazer investimento em Abrantes”. No entanto, “este Aviso não se dirigiu para essas empresas mas vamos esperar que o próximo aviso possa encaixar esses possíveis investimentos que também entendemos de grande oportunidade e de mais valia para o concelho e para a região”.

Bruxelas assustou autarcas com eventuais alterações das regras

A notícia foi conhecida a 17 de outubro. A União Europeia poderia dar uma machadada no Fundo para a Transição Justa no Médio Tejo com a introdução de uma norma que, a ser aplicada, viria a impedir as empresas que não são PME, ou seja, empresas de grande dimensão, de serem consideradas no concurso em andamento. Esta norma poderia ser introduzida quando já estão em análise no IAPMEI e no AICEP os 14 projetos que se candidataram ao aviso em causa, num programa que tem uma dotação financeira de 45 milhões de euros. A notícia avançada pela rádio Antena Livre dava conta ainda que o processo estava e está a ser gerido com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, entidade que geriu o lançamento do aviso e recebeu todas as candidaturas que foram apresentadas. Anabela Freitas, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, lamentou esta situação e considera-a muito preocupante (ver entrevista nas páginas 3 a 5 desta edição). A presidente da CIMT disse ao Jornal de Abrantes que “quando abriu a intenção, isso não estava no aviso. Eu não posso estar a dizer a uma empresa que não seja uma não PME [e muitas das candidaturas apresentadas são de empresas não PME] que a meio do jogo mudamos as regras.” E acrescentou que “estamos a falar de investimentos de milhões.” Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, ficou

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022

/ Ponto de Injeção na Rede na Central do Pego estupefacto quando foi confrontado com esta “possível limitação” e acrescentou que das quatro candidaturas para o concelho de Abrantes, três são não PME e, por isso, poderiam ficar fora do processo. Diz estar otimista e revelou ter esperança que esta “limitação” não aconteça. O Jornal de Abrantes sabe que os alarmes soaram tanto na CCDR Centro como na CIM Médio Tejo, pelo que na semana de 16 a 21 de outubro decorreram um conjunto de reuniões em Portugal e em Bruxelas no sentido de explicar a Bruxelas a injustiça desta medida, tanto mais que nem estava considerada nos pressupostos para as pré-candidaturas ou no aviso de candidatura. Em resposta a questões colocadas pelo Jornal de Abrantes, a CCDR Centro confirmou que o Aviso N.º 03/ SI/2022 - Apoio à diversificação económica para uma Transição Justa no Médio Tejo, “encerrou no dia 16 de setembro com a submissão de 14 candidaturas, que totalizam um investimento elegível de 134,5 milhões de euros e apoio FEDER solicitado de 46,1 milhões de euros”. Acrescenta ainda a entidade que “neste momento, as candidaturas foram encaminhadas para análise dos Organismos Intermédios ( IAPMEI e AICEP). Já acerca das dificuldades colocadas por Bruxelas no acesso de empresas não PME a este programa, a CCDR Centro apenas confirma que a negociação com Bruxelas está a decorrer. Fonte bem colocada acrescentou, entretanto, que a negociação está bem encaminhada, mas ainda não há, oficialmente, via aberta para que as empresas não PME sejam consideradas neste programa de ajuda ao território derivado do encerramento da central a carvão do Pego. Patrícia Seixas e Jerónimo Belo Jorge

AGRADECIMENTO CHMT Venho expressar o meu agradecimento a todos os que me acompanharam durante os dias de internamento no Hospital de Abrantes. A todos os que trabalham na UOM - Unidade de Observação Médica e no serviço de Medicina 1 - A, o meu muito obrigada. O trato, o carinho e os cuidados que me dispensaram, revelam equipas de profissionais de excelência com um grau elevado de humanismo e profissionalismo. José Seixas Carlos


REGIÃO / Abrantes

Câmara aprova apoio a novo Lar de Vale das Mós no valor de 60 mil euros // O Executivo Municipal de Abrantes aprovou, no dia 6 de outubro, por unanimidade, um apoio de 60 mil euros à Associação Social a Mó e a Água, de Vale das Mós. Em causa está a construção de uma nova ERPI - Estrutura Residencial para Pessoas Idosas que está a ser edificada de raiz naquela freguesia.

/ Nova ERPI está a ser construída em Vale das Mós e contou com o apoio da Câmara de Abrantes das Mós ultrapassa os três milhões de euros de investimento, “é uma unidade completamente nova, ao exemplo daquilo que vai acontecer também em Tramagal”. Manuel Jorge Valamatos confirmou que “o nosso concelho, ao exemplo daquilo que acontece no país, precisa deste incremento de valorização das respostas para os nossos idosos”. O protocolo entre a Câmara Municipal de Abrantes e a Associação Social “A Mó e a Água” foi assinado no dia 25 de outubro.

De referir que a Câmara de Abrantes já tinha assinado este ano um protocolo igual com o Centro Paroquial de Rossio ao Sul do Tejo. Em fevereiro deste ano Manuel Jorge Valamatos já tinha anunciado que havia “um conjunto de IPSS que nós sabemos que têm intenção de apresentar projetos no âmbito do PRR. No entanto, no âmbito do PARES, um programa do Governo, houve quatro instituições que viram os seus projetos aprovados”. Essas instituições são o Centro Social e Paroquial de Nossa Senhora da Oliveira, em Tramagal, “que vai, de facto, construir um novo Lar, de raiz”, o Centro Social Paroquial de Rossio ao Sul do Tejo “que está já em obras de requalificação de toda a sua infraestrutura e valorização do espaço”, o Centro Solidariedade Social do Souto “também com um trabalho extraordinário de requalificação e valorização do edifício” e também a ACATIM – Associação Comunitária de Apoio à Terceira Idade de Mouriscas, “que viu um projeto aprovado no âmbito da eficiência energética e da melhoria das suas instalações”. Em Rossio ao Sul do Tejo, Souto e Mouriscas trata-se “de valorizar o que já existe e melhoria das condições estruturais e organizativas que têm, mantendo postos de trabalho e criar dinâmicas de apoio aos nossos idosos, que é o que temos que apoiar e nos preocupa. Temos que estar ao lado destas instituições que estão a fazer um grande investimento e estamos a falar de mais de dois milhões de euros nestas quatro instituições”. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

O presidente da Câmara de Abrantes explicou que se trata de um investimento privado, “na ordem dos três milhões de euros” e que vai criar entre 25 a 30 postos de trabalho. Manuel Jorge Valamatos adiantou que a nova infraestrutura “vai dar resposta a muitos idosos de forma qualificada”. O novo Lar terá capacidade para 56 utentes. À margem da reunião de Câmara, o presidente do Município explicou que, “no âmbito do Programa PARES, um programa de apoio às residências para idosos”, houve instituições do concelho que viram as suas candidaturas aprovadas e, para quatro IPSS, o apoio supera os dois milhões de euros. Foram realizadas reuniões entre a Câmara e as instituições “para perceber de que forma é que podíamos apoiar a concretização destes objetivos, nesta altura tão difícil para estas organizações”. No entanto, “noutro programa de financiamento, surge esta Associação de Vale das Mós, que também viu a sua candidatura aprovada por Fundos Comunitários”. Na sequência de várias reuniões realizadas entre a Autarquia e a Associação Social “A Mós e a Água, “chegámos a um entendimento de 60 mil euros, neste caso particular, para apoiar a compra de todo o equipamento da cozinha e da lavandaria. Esta é a forma que entendemos que era importante dar um apoio, nesta altura muito difícil para as nossa IPSS. Um apoio que se torna importante naquele que é o trabalho, no fundo, da comunidade civil, em torno de objetivos de melhoria das condições para os nossos idosos”. A ERPI que vai nascer em Vale

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REGIÃO / Mação

Parque de Campismo e praia fluvial vão para concessão // Localizado perto da Barragem de Belver, o Parque de Campismo de Ortiga vai passar a ter uma gestão privada. A câmara Municipal de Mação vai lançar um concurso público, no início do próximo ano, para concessionar o Parque de Campismo. E a concessão engloba também a Praia Fluvial de Ortiga e ainda o bar da Praia Fluvial De acordo com a informação avançada em reunião do executivo municipal o processo terá de ser remetido e aprovado em Assembleia Municipal para que o processo esteja em condições de ser publicitado no início do ano. Vasco Marques, vereador da Câmara Municipal de Mação, apresentou a proposta, e explicou aos jornalistas, os motivos pelos quais o parque vai passar para gestão privada. De acordo com a informação disponibilizada o parque de campismo tem tido sempre uma gestão municipal, mas apresenta prejuízos financeiros anuais consecutivos. E este é, basicamente, o motivo pela mudança de estratégia. Vasco Marques explicou ainda que já houve uma tentativa de concessionar a gestão, no início deste ano, mas que o tempo da mesma, na altura, não seria atrativo para os potenciais interessados. Agora chegou-se à conclusão que o período de concessão por períodos de três anos, no máximo de 9 anos (três contratos de três anos cada) é mais viável até para eventuais investimentos dos con-

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cessionários em qualquer uma das infraestruturas. Ainda de acordo com a informação avançada pelo vereador, apesar de a exploração ter prejuízo, os números de utilizadores têm vindo a subir, já desde a pandemia. E este ano, até setembro, os números são ainda mais animadores segundo o autarca que revelou que está concessão vem juntar-se aos investimentos que o município tem feito na freguesia de Ortiga. E lembrou o núcleo museológico, a que se juntam os passadiços das lagoas do Tejo, a ligação entre o parque e estes passadiços e ainda a pista de pesca desportiva, localizada na margem sul, mas que está ou voltou a estar utilizável. Se todo o processo correr dentro da normalidade a proposta de concessão será votada na próxima assembleia municipal para que o concurso seja lançado no início de 2023 por forma a que a concessão possa estar concluída por alturas da Páscoa. Vasco Marques apontou essa expectativa de ter o processo fechado muito antes de se iniciar a época balnear. O parque de campismo de Orti-

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ga fica localizado perto da praia fluvial, na Barragem de Belver. É um espaço que pode acolher campistas ou caravanistas, tendo zonas para tendas e outras para caravanas e roulottes. E como está aberto todo o ano, o parque tem clientes que fazem o aluguer todos os espaços de forma permanente, podendo usufruir em qualquer altura, não apenas no período de verão. Com este modelo de concessão o vereador acredita que há investidores interessados neste concurso, tanto mais que a autarquia pretende com a operação manter o parque aberto 365 dias do ano e com parâmetros de qualidade semelhantes aos que são prestados agora, com gestão municipal. Recorde-se que em março deste ano já esteve em discussão na Assembleia Municipal de Mação uma proposta de abertura de procedimento para concessão da exploração da Albufeira e Parque de Campismo de Ortiga. Nessa altura a proposta apresentada executivo municipal, tinha sido aprovada pela maioria social democrata, com 8 votos contra da bancada do PS. Na mesma reunião a oposição não

se mostrou convencida pela explicação da autarquia. Na mesma reunião o presidente da Câmara afirmou que a proposta apresentada, naquela altura, era concessionar um espaço público a um privado ou associação. E afirmou que a inspiração para esta proposta tinha sido no modelo de concessão do parque de campismo aplicado pelo município de Constância. Agora a proposta à diferente e foi baseada em opiniões de privados e potenciais investidores, já que com a concessão por períodos de três anos, com duas renovações por igual período, ou seja, 9 anos no total, poderá permitir ao vencedor da concessão a amortização de investimentos que sejam necessários. O objetivo é manter, pelo menos, os mesmos parâmetros de qualidade do serviço já prestado. O roteiro do campista apresenta este parque da seguinte forma: ”Parque de Campismo está classificado com três estrelas e dispõe de várias facilidades para os seus utentes, desde pagamentos por MB, Wi-Fi gratuito, zona para tendas e caravanas que proporcionam som-

bra para cerca de 42 alvéolos e ligação elétrica (10 Amp), Teepees, blocos sanitários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida e água quente gratuita, sala de convívio equipada, minibiblioteca, televisão, máquina do café e arca congeladora, minimercearia, máquina de lavar roupa, lava-loiças com água quente gratuita, grelhadores comuns, estacionamento gratuito, restaurante e bar a cerca de 200 metros, no exterior. A 500 metros do Apeadeiro da Barragem de Belver (linha da Beira Baixa) e a 100 metros da Praia Fluvial de Ortiga que proporciona facilidades para o desenvolvimento de atividades em grupo ou individuais, em contacto direto com a natureza, tais como, canoagem, gaivotas a pedais, slide, rappel, escalada, e pesca desportiva. A praia dispõe de um parque de merendas com grelhadores comuns e uma rampa de acesso a barcos, motas de água, e similares. Nas proximidades, tem também a possibilidade de explorar os percursos pedestres existentes desfrutando de paisagens que estamos certos serão do seu agrado.” Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO /Constância

Autarquia quer saber posição do Turismo de Portugal sobre o Hotel da Vila A Câmara Municipal de Constância aprovou, por unanimidade, a caducidade do alvará para a construção do Hotel de Constância, cuja empresa promotora era a Vila Poema – Sociedade Exploração e Gestão Hoteleira, Lda. O presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Oliveira, explicou que esta caducidade é um processo administrativo que tem de ser feito. Indicou ainda que não houve, por parte da empresa promotora, o passo para renovação do alvará. A informação do autarca foi avançada em reunião do executivo municipal realizada no início de outubro. Em declarações aos jornalistas, no final da reunião, Sérgio Oliveira, vincou que este é um procedimento administrativo que teria de ser feito. “Notificámos o requerente, que no período de audiência prévia não se manifestou e daí a proposta de declarar de forma executiva aquele licenciamento” explicou o autarca que

“Até final de outubro não havia qualquer resposta do Turismo de Portugal”

/ As obras do hotel, à entrada de Constância, estão paradas decisões do Turismo de Portugal acrescentou que esta decisão pode vir a ser revertida no futuro. Caso este ou outro promotor que possa mostrar interesse em concluir as obras pode sempre requerer “o averbamento do alvará e a renovação do respetivo alvará”.

Ainda de acordo com a informação avançada por Sérgio Oliveira, há no processo uma outra entidade que tem um papel fundamental em todo este processo. Trata-se do Turismo de Portugal que apoiou financeiramente este projeto.

Neste o presidente revelou que já questionou o Turismo de Portugal sobre a situação do empreendimento. É que nada poderá ser feito ali sem a concordância do Turismo de Portugal. E depois acrescentou ainda que até poderá ser o Turismo de Portugal a avançar com a obra do hotel, como, disse Sérgio Oliveira, já aconteceu noutros casos. No entanto, o Turismo de Portugal ainda não respondeu à Câmara de Constância o que leva Sérgio Oliveira a dizer que no final deste mês poderá insistir nos pedidos de esclarecimento junto daquela entidade.

Sérgio Oliveira indicou que o Turismo de Portugal tem um “fundo próprio para concluir as obras e depois colocariam em arrendamento pelo período de 10 anos e opção de compra para quem quisesse comprar no final do investimento.” Lembre-se que quando foi apresentado, o Villa Tejo Nature & Spa Hotel, unidade distribuída por 2, 5 hectares de área, previa a construção de 28 quartos duplos, 10 suites, 5 suítes premium com jacuzzi na varanda, SPA com piscina interior, jacuzzi, banho turco, sala de relaxamento e massagem com duche, restaurante, bar e auditório. No exterior estava previsto a existência de áreas verdes de utilização comum, percursos pedestres, e de btt, zonas de estacionamento, uma esplanada panorâmica e uma piscina exterior para adultos e crianças. A nova unidade hoteleira iria gerar, de acordo com indicação dos promotores, em setembro de 2018, 30 postos de trabalhos diretos e 42 durante a época alta. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

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REGIÃO / Abrantes

Oliveira do Mouchão e espartaria em livro, quadro e filme A SIFAMECA, em Mouriscas, foi transformada para receber a apresentação do documentário “Esparteiros, A Arte de Entrelaçar”, do livro “Oliveira do Mouchão, Monumento Vivo”, e da pintura a azeite da Oliveira mais antiga da Península Ibérica. Esta apresentação vem atrasada porque a pandemia a isso obrigou, mas o lançamento tinha de ser feito e tinha de acontecer no local onde a espartaria ainda é a vida de uma fábrica. A nave da SIFAMECA foi arrumada para criar a plateia para os convidados, mas manteve a maquinaria, matéria-prima e produto acabado em redor da cerimónia para que os convidados pudessem apreciar como é trabalhado o cairo. Sim, porque o esparto, comprado em Espanha ou Marrocos, deixou de ser a matéria-prima na década de 60 e foi substituído por corda de cairo, importado da Índia.

O Livro

Francisco Lopes, autor do livro “Oliveira do Mouchão, Monumento Vivo”, começou por revelar a “escolha de Paulo Alves para fazer este trabalho. O Paulo faz ilustração científica.” Depois deixou algumas informações para que a plateia pudesse perceber que para além da sua formação tem uma paixão, de anos, pelas árvores. “As árvores são a base da vida na terra e tenho uma grande paixão pelas árvores”, disse acrescentado que a Oliveira do Mouchão é, só por si, com 3350 anos um monumento muito mais importante do que qualquer outro monumento construído. E muito mais antiga. E há, de acordo com Francisco Lopes, uma outra abor-

azeite há dez anos. E confirmou que foram precisas muitas horas para pintar. “Utilizei o azeite com pigmentos. Cada folha, e são muitas, tem várias tonalidades, por isso foi um trabalho de muitas horas”, disse o pintor que revelou, quando fez a pintura, tentou fazer as contas a quantos quilos de azeitona terá produzido esta árvore. “Tinha que mostrar a grande generosidade (através do azeite que escorre do tronco) desta árvore. Demorou tempo, mas foi um trabalho muito agradável.”

O Filme

dagem, é que na história e ao longo dos tempos podemos olhar para a vida em que os animais mudam consoante as necessidades de caça, ou do clima ou para procurarem melhores locais de vida. As árvores ficam e não mudam. E resistem ao passar dos anos, às intempéries e por aí fora. O autor do livro é do Pego, mas revelou o amor pelas Mouriscas: “Eu amo as Mouriscas, vinha para aqui quando era criança. Os meus pais vinham para a agricultura e eu vinha com eles, passávamos o rio na Barca do Pego e andava por aqui todos os dias”. Francisco Lopes evocou a Oliveira do Mouchão como património que pode ser ligado a outro que existe aqui à volta. Património construído, como a fábrica de capachos [SIFAMECA]. O canal de Alfanzira, no Tejo. A Anta do Rio Frio, que sendo concelho de Mação agora, outrora era desta região que

não tinha divisões administrativas ou territoriais. As azenhas das ribeiras. A Senhora da Guia, em Concavada. “Foram estas as razões que me levaram a este livro”, disse o autor.

O Quadro

Há um livro, mas há também uma tela, um quadro pintado por Massimo Esposito que mostra a Oliveira do Mouchão não sua plenitude. A árvore frondosa e imponente, com um tronco que releva muita vida, muitos anos, e de onde escorre muito azeite. Foi desta forma que o pintor italiano, radicado em Abrantes há 26 anos, começou este projeto que a Câmara de Abrantes lhe propôs: pintura de várias árvores com azeite. A pandemia veio e bloqueou tudo, mas este está feito e pode agora ser adquirido, em cópia serigrafada. Massimo Esposito disse que apurou a técnica de pintura em

À parte da Oliveira do Mouchão, mas sempre com ligação ao azeite, ou à sua extração, a SIFAMECA resultou, na década de 60, de uma união de grande parte das oficinas que existiam na aldeia para produção de ceiras e capachos, através do esparto. A SIFAMECA chegou a ter 70 trabalhadores e uma produção 100 mil capachos por ano, para além de muitas carpetes. Os tempos mudaram, as tecnologias também e a arte de entrelaçar cordas de cairo (ou nylon) tem hoje três trabalhadores. E corre o risco de se perder. Foi nesse sentido que o programa Tradições, da Fundação EDP, apoiou em 2018 um conjunto de trabalhos no sentido de guardar as memórias da espartaria. Primeiro com um livro e agora com um documentário realizado por Miguel Dinis. E foi o próprio que agradecei a possibilidade de realizar um documento que fica para todo o sempre a mostrar esta arte de entrelaçar. Miguel Dinis explicou que conhecia os capachos, como produto da região, mas com contacto que

teve com a produção foi quando começou a preparar o documentário. “Os verdadeiros protagonistas são aqueles que aparecem no documentário, as pessoas que fazem parte deste projeto”, disse o realizador acrescentando que o Evaristo Valente, a Maria Albertina, o Raúl Grilo ou o Armando Ferreira, contaram na primeira pessoa as histórias que vão ficar na história desde documentário. “Há no concelho mais profissões em risco real de desapareceram, e nunca é demais fazer com que isso não aconteça”, realçou Miguel Dinis que assinou o seu primeiro documentário. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, evocou o trabalho extraordinário desenvolvido através de uma parceria com a Fundação EDP. Depois deixou a nota de que esta apresentação tem dois anos de atraso, mas que por causa da pandemia, não foi possível fazer este trabalho. O autarca vincou que “continuamos a preservar e a reforçar este sentido da nossa identidade”, tendo deixado anda uma palavra para a SIFAMECA, através do tenente coronel Abílio, de saudação pelo esforço que faz a manter este trabalho, ou seja, a arte de entrelaçar o cairo e, com isso, fazer os capachos e os tapetes e carpetes. No final, porque se falou de azeite, oliveiras e ruralidade, foi feita uma prova de azeite novo, acabado de sair do lagar, com azeitonas também da safra deste ano e não faltaram as famosas passas fritas das Mouriscas. Jerónimo Belo Jorge

Bemposta já tem área de descanso para autocaravanistas A obra foi simples, mas importante para a terra, para o concelho e para a Estrada Nacional e, assim como a inauguração, realizada no sábado, dia 29 de outubro. Há, ao logo dos mais de 700 km da Nacional 2, áreas de descanso ou paragem para caravanas, mas algumas estão distantes ou no centro de vilas e cidades e esta, em Bemposta, fica à beira da mítica estrada nacional. “É uma obra simples, mas muito importante. Outros locais do país podiam pôr os olhos nesta obra.” A afirmação é do ex-presidente da Associação Nacional de Autocara-

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vanistas, Manuel Bragança, que foi convidado para esta inauguração. Manuel João Alves, presidente da Junta de Freguesia de Bemposta, era um autarca satisfeito por ter esta obra concluída e disponibilizada, pois os caravanistas já podem parar na nova área. E vincou a presença do atual presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, que ainda como vereador iniciou o caminho da realização de contratos interadministrativos com as freguesias. E este parque foi feito precisamente com recurso a essa plataforma de

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/ Luís Filipe Dias, Manuel João Alves, Manuel Bragança e Manuel Jorge Valamatos

transferência de competências. Aquele espaço estava em terra batida, era um espaço destinado a equipamento público, quando ali foi desenhada uma urbanização. Manuel João Alves referiu que o parque tem seis espaços para autocaravanas, um para autocarro e cerca de uma dúzia para automóveis. Teve um custo de cerca de 30 mil euros. E todo o espaço envolvente tem muitos motivos relacionados com a ruralidade da aldeia. O presidente da Junta de Freguesia tem uma expetativa muito grande de, muito em breve, conse-

guir ter naquele parque um posto de carregamento para automóveis elétricos. Manuel Jorge Valamatos destacou a importância deste parque para a freguesia de Bemposta e para a Rota da Estrada Nacional n.º 2. Disse ainda que os contratos interadministrativos servem para isto mesmo, para melhoramentos nas freguesias. E se em Bemposta este acordo visou o turismo, porque têm a Nacional 2 ao lado, noutras freguesias terão outras atrações que poderão ter projetos com apoio municipal. Jerónimo Belo Jorge


CULTURA /

Mestre José Pimenta em exposição no MIAA // As duas salas de exposições temporárias do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) de Abrantes inauguraram no sábado passado as exposições “Rio”, do mestre José Pimenta, e “As Minhas Arqueologias”, de Heitor Figueiredo. São exposições de pintura e escultura que vão ficar disponíveis para visita até 26 de fevereiro do próximo ano.

No dia 14 de setembro, o Município de Vila de Rei recebeu o parecer favorável da candidatura ao PDR2020 - Operação 8.1.3 - Prevenção da floresta contra agentes bióticos e abióticos, tendo como objetivo a instalação de mosaicos de gestão de combustível no território noroeste do concelho de Vila de Rei, “porta de entrada” da maioria dos grandes incêndios registados no território. Dado que a mencionada área sofre frequentemente com fenómenos decorrentes dos chamados incêndios de importação, foi entendido pelo Município de Vila de Rei, com o apoio da Secretaria de Estado das

Florestas e do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, que esta área deveria ser alvo de uma gestão que garantisse o efeito tampão da progressão destes incêndios. Tendo em conta que o Município de Vila de Rei está a implementar no terreno três AIGP - Áreas Integradas de Gestão da Paisagem, com objetivos concretos de melhoria da gestão florestal e do seu ordenamento, estes Mosaicos e Parcelas de Gestão de Combustíveis reforçam essa estratégia de gestão, com claros benefícios em matéria de Defesa da Floresta Contra Incêndios. A instalação destes Mosaicos de Parcelas de Gestão de Combustível na área mencionada, caracterizada pela presença de um povoamento de Pinheiro Bravo com interesse para gestão futura e de preservação do seu património genético, terão como objetivos claros: aumentar a resiliência aos incêndios rurais, condicionar o comportamento e a propagação dum incêndio na paisagem, minimizar o impacto dos incêndios e restabelecer o potencial produtivo. As ações a implementar no terreno caracterizam-se, de acordo com a informação

/ O artista natural do Souto e a residir em Rio de Moinhos emocionou-se ao falar da sua obra

/ Mestre José Pimenta do Município, por operações de desbaste, desramação, podas de formação (medronheiro e sobreiro), silvicultura preventiva, remoção do material lenhoso cortado e transporte a carregadouros posteriormente definidos na área de intervenção e Destroçar/estilhar o restante com diâmetro inferior a 3 cm. O montante aprovado para as intervenções em questão é de 531 483.22 euros, comparticipado pelo PDR2020 a 90%, suportando o Município o restante valor, assim como o correspondente IVA.

Peregrinação pela Vila

AUTO

DA BARCA DO

INFERNO

GIL VICENTE Direcção José Ramalho

Grupo de Teatro GETAS

Sábado

19nov.22 21h

Praça da República

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REGIÃO / Abrantes

Todas as operadoras apresentam valores acima dos 97% de cobertura de rede // No âmbito do Estudo de Aferição da Qualidade de Serviço das Redes Móveis na ótica do utilizador, entre os dias 21 e 23 de junho, foi realizada uma campanha de testes e medições para avaliar o desempenho dos serviços de comunicações eletrónicas terrestres e verificar os níveis de cobertura dos operadores MEO, NOS e Vodafone no concelho de Abrantes. Os dados das operadoras no concelho de Abrantes foram apresentados no dia 14 de outubro pela ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, e o estudo incluiu a cobertura de rede, as chamadas de voz e a utilização de dados móveis de internet. Apesar do concelho apresentar algumas zonas consideradas negras, ou seja, com má cobertura de rede, o concelho de Abrantes, não tendo a cobertura ideal, também não é dos concelhos com mais problemas, como confirmou João Cadete de Matos, presidente da ANACOM. Segundo o estudo da ANACOM, no concelho de Abrantes é a operadora Vodafone que regista melhores resultados, sendo que ao nível da existência de rede, A MEO regista 98,8%, a NOS 97,5% e a Vodafone cobre 99,1% do concelho. É em algumas localidades da União de Freguesias de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, freguesia de Bemposta, União de Freguesias de S. Facundo e Vale das Mós, Freguesia de Carvalhal e Freguesia de Fontes que a qualidade de cobertura da rede dos operadores é pior. O raio-x de todos os lugares de todas as freguesias do concelho foi feito por Vítor Rabuge, diretor-geral de Supervisão da ANACOM, cuja equipa esteve no terreno a fazer o estudo da qualidade de ser viço da rede móvel mas também a verificação das obrigações de cobertura. O presidente da entidade, João Cadete de Matos, afirmou, no entanto, que até ao final do próximo ano, praticamente todo o território terá cobertura. Isto porque o Leilão do 5G também impôs obrigações de cobertura. A questão do chamado roaming nacional continua a ter a resistência dos operadores em Portugal mas, após as condições impostas no leilão do 5G, Cadete de Matos acredita que esta é uma luta que vai ser ganha pelos consumidores. Apesar das boas notícias, há ainda uma questão a resolver com as operadoras no mercado nacional: os processos de fidelização de clientes. A Lei está

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feita e impõe limites aos valores de rescisão, resta agora regulamentar para que entre em vigor. Mas para um melhor serviço, o futuro parece apontar para… o satélite. João Cadete Matos explicou a possibilidade de cobertura das zonas brancas, sem cobertura de qualquer rede e que pode assentar na internet via satélite, do qual o caso mais conhecido é a constelação Starlink.. A finalizar a sessão que teve lugar no Edifício Pirâmide, o presidente da Câmara de Abran-

tes disse que viu confirmado o que ouve dos presidentes de Junta. Manuel Jorge Valamatos pediu ao presidente da ANACOM para que pressionem o que for possível para equilibrar as igualdades no território. De referir que para este estudo, a equipa da ANACOM percorreu cerca de 700 quilómetros no concelho de Abrantes, tendo sido realizadas 1484 chamadas de voz, 1455 testes de velocidade da ligação à internet e 120.737 registos de sinal rádio. Patrícia Seixas

/ João Matos, presidente da ANACOM, fez a apresentação do estudo

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540

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EXTRATO DE JUSTIFICAÇÃO

EXTRATO DE JUSTIFICAÇÃO

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas CENTO E DEZOITO e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número DEZOITO – A, MARIA DE LOURDES DE OLIVEIRA DIAS MARTINS, NIF 120.834.200 e marido MANUEL MARTINS FRANCISCO, NIF 149.968.825, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia e concelho de Vila de Rei, onde residem habitualmente na Rua do Funchal, número 30, freguesia de Casal de Cambra, concelho de Sintra, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis, todos sitos na freguesia e concelho de Vila de Rei e omissos na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei: UM - Prédio rústico, composto de terra de pinhal, mato e sobreiros, sito em Vale Marmeleiro, com a área total de cinco mil e seiscentos metros quadrados, a confrontar do norte com Ribeiro, do sul com Ramiro Mendes da Silva, do nascente com Maria de Lurdes e Outro e do poente com José Maria Luís, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 15248, com o valor patrimonial tributário de 231,44 euros; DOIS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e vinha, sito em Pedregal, com a área total de quinhentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com José de Oliveira Dias, do sul com Maria José de O. Dias Martins, do nascente com Manuel Henriques António e do poente com Luís António, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 13921, com o valor patrimonial tributário de 38,21 euros; TRÊS - Prédio rústico, composto de terra de cultura arvense de regadio e pinhal, sito em Gueirão, com a área total de três mil e cem metros quadrados, a confrontar do norte com Raul de Oliveira Pedro, do sul e do poente com José Luís Martins e outro e do nascente com Ribeiro, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14989, com o valor patrimonial tributário de 217,48 euros; QUATRO - Prédio rústico, composto de terra de olival, cultura arvense de regadio, pinhal e mato, sito em Várzea da Besta, com a área total de oito mil e cem metros quadrados, a confrontar do norte com Pedro António Martins, do sul com Ribeiro, do nascente com Maria José de Oliveira e do poente com Rafael Pereira, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 13951, com o valor patrimonial tributário de 400,52 euros. Que desconhecem a proveniência dos artigos, em virtude de não terem obtido qualquer informação nesse sentido, apesar das buscas efetuadas. Que os imóveis acima identificados foram adquiridos pelos justificantes por doação meramente verbal que deles lhes fizeram os pais da justificante mulher, Joaquim Dias e Lucília de Oliveira, ela já falecida, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram no lugar de Eira Velha, freguesia e concelho de Vila de Rei, feita em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e noventa e nove e, portanto, há mais de vinte anos, ao tempo os justificantes já no estado de casados entre si no indicado regime de bens. Que desde que as mesmas doações foram efetuadas até esta data, sempre eles justificantes usufruíram dos citados imóveis, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisas exclusivamente suas, adquiridas de anteriores proprietários, cultivando-os, limpando-lhes o mato, pagando as respetivas contribuições e deles retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre os ditos imóveis o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois. A Notária,

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas CENTO E CATORZE e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número DEZOITO – A, MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA DIAS MARTINS, NIF 120.834.197 e marido ANTÓNIO ALVES MARTINS, NIF 105.886.068, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia e concelho de Vila de Rei, onde residem habitualmente na Rua Vale Gamito, número 14, Eira Velha, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis, todos sitos na freguesia e concelho de Vila de Rei e omissos na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei: UM - Prédio rústico, composto de terra cultura arvense e oliveiras, sito em Vale da Porta, com a área total de duzentos e noventa metros quadrados, a confrontar do norte com Joaquim Dias Urbano, do sul e do nascente com José de Oliveira Dias e do poente com Herdeiros de Joaquim Nunes Cardiga, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 13961, com o valor patrimonial tributário de 22,48 euros; DOIS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal, mato e sobreiros, sito em Ribeira, com a área total de quatro mil e novecentos metros quadrados, a confrontar do norte com José Eduardo Gaspar Martins, do sul e do poente com Mário Aparício Dias e do nascente com Ribeiro, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14978, com o valor patrimonial tributário de 193,56 euros; TRÊS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e mato, sito em Ribeiro, com a área total de dezoito mil metros quadrados, a confrontar do norte e do poente com Abílio de Oliveira Martins, do sul com António Martins Salgueiro e do nascente com Ribeiro, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14391, com o valor patrimonial tributário de 572,94 euros; QUATRO - Prédio rústico, composto de terra de pinhal, mato, sobreiros e pastagem, sito em Várzeas, com a área total de dez mil e oitocentos metros quadrados, a confrontar do norte com Herdeiros e Francisco Aparício e outro, do sul com Francisco Rodrigues, do nascente com José Maria de Oliveira Dias e do poente com caminho, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14935, com o valor patrimonial tributário de 447,81 euros; CINCO - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e eucaliptal, sito em Covão do Moinho, com a área total de nove mil e seiscentos metros quadrados, a confrontar do norte com João Farinha António, do sul com Américo Pires Dias, do nascente com caminho e do poente com Henrique da Silva, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14247, com o valor patrimonial tributário de 500,29 euros; SEIS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e vinha, sito em Pedregal, com a área total de quinhentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com Maria de Lurdes O. D. Martins, do sul e do poente com Augusto da Silva Henriques e do nascente com Manuel Henriques António, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo, 13920, com o valor patrimonial tributário de 38,21 euros. Que desconhecem a proveniência dos artigos, em virtude de não terem obtido qualquer informação nesse sentido, apesar das buscas efetuadas. Que os imóveis acima identificados foram adquiridos pelos justificantes por doação meramente verbal que deles lhes fizeram os pais da justificante mulher, Joaquim Dias e Lucília de Oliveira, ela já falecida, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram no lugar de Eira Velha, freguesia e concelho de Vila de Rei, feita em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e noventa e nove e, portanto, há mais de vinte anos, ao tempo os justificantes no estado de casados entre si no indicado regime de bens. Que desde que as mesmas doações foram efetuadas até esta data, sempre eles justificantes usufruíram dos citados imóveis, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisas exclusivamente suas, adquiridas de anteriores proprietários, cultivando-os, limpando-lhes o mato, pagando as respetivas contribuições e deles retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre os ditos imóveis o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois. A Notária,


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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Campanha para poupar energia já teve uma diminuição de 21 mil euros // Com as medidas já implementadas para a redução do consumo de energia, o Município de Vila Nova da Barquinha já conseguiu uma diminuição de 21 mil euros. No entanto, está também em curso uma campanha de sensibilização para a poupança de água, que foi aprovada por unanimidade em reunião do Executivo. O Conselho de Ministros definiu, em 27 de setembro, “medidas preventivas que permitam fazer face à atual situação e a eventuais disrupções futuras, tendo sempre em vista a garantia da segurança do abastecimento de energia”, pode ler-se no documento. No âmbito das recomendações do Conselho de Ministros, a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha decidiu igualmente implementar algumas medidas preventivas para a poupança de energia e água, “essencialmente nesta fase conturbada que vivemos em termos internacionais”. Com as medidas já implementadas para a redução do consumo de energia, o Município de Vila Nova da Barquinha já conseguiu uma diminuição de 21 mil euros. No entanto, não é só na energia que está concentrada a preocupação. Em curso está uma campanha de sensibilização para a poupança de água, que foi aprovada por unanimidade em reunião do Executivo e que visa “uma maior eficiência, menos desperdício e mais poupança”. A campanha destina-se à população em geral e vai ser feita através da comunicação social, websites, redes sociais e outros meios próprios do Município. Fernando Freire, presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, explicou ao Jornal de Abrantes que a Câmara já está “a monitorizar contador a contador” em termos de energia. Esta medida já permitiu, “nomeadamente no primeiro semestre, uma poupança de muito perto de 21 mil euros em termos de energia”. No entanto, adiantou, “não deixa de ser uma preocupação porque a energia está sempre a aumentar e, de facto, estamos a fazer uma avaliação mensal de contador a contador”. Para a obtenção destes resultados, a Câmara implementou aceleradores de velocidade nas piscinas, com vista à eficiência energética “toda a iluminação dos campos de futebol passou para leds, nomeadamente o Campo de Futebol da Atalaia”. No que diz respeito à iluminação pública “também houve um grande esforço” com a maioria da freguesia de Atalaia a ter já iluminação em leds. “Há de facto algumas mitigações de energia que têm repercussões significativas na

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/ Cláudia Miranda

/ Sistema de rega do Barquinha Parque vai ser todo requalificado para uma maior eficiência energética fatura”, afirmou o autarca. Fernando Freire também explicou que a Autarquia está a trabalhar com a Médio Tejo 21, “os nossos assessores na área da eficiência energética, no sentido de “dotarmos as piscinas municipais como Comunidade de Energia Renovável (CER), bem como a Zona Industrial, as escolas do concelho, nomeadamente a D.ª Maria II, aproveitando ainda esta CER para alocar IPSS como a Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha e os Bombeiros Municipais, no sentido de atenuar a fatura energética”. Mas há uma medida que o presidente já decidiu que iria implementar este inverno. Trata-se da proibição do uso de aquecedores por parte dos funcionários da Autarquia. “Durante o inverno, os funcionários trazem aquecedores de casa. Há que sensibilizar para que percebam que o problema energético vai voltar no final deste ano. Vai ser complicado e, provavelmente, vamos ter horas de corte de ener-

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022

gia elétrica. Gostava de estar enganado, era bom sinal. Era sinal de que a situação tinha acalmado em termos internacionais mas tenho algumas reservas relativamente a esta temática. Convém alertar, por isso, para a não utilização de elevadores, no apagar das luzes e do ar condicionado ao final do dia de trabalho”. Para o presidente da Câmara, “há também que sensibilizar os funcionários”.

Maior vigilância e campanha de sensibilização para poupar água

Passando para o âmbito da água, Fernando Freire relembrou que já há um projeto que foi feito para aproveitar fundos comunitários e que tem a ver com a requalificação de todo o sistema de rega dos nove hectares do Barquinha Parque. “Vai ser tudo monitorizado e recuperado também tendo em vista a eficiência energética”, disse, adiantando que “estamos a fazer o levantamento, contador a

Município já detetou situações “excessivas” nas regas de jardins públicos

contador, de todos os consumos dos jardins”. É que o Município detetou situações “excessivas” que já foram regularizadas pois “já mandei cortar, até porque estamos a entrar no período de inverno”. O Município procede agora à monitorização desses consumos “para percebermos a causa dos valores extremamente excessivos” das situações identificadas. “Das duas, uma”, acrescentou o presidente da Câmara, “temos que apurar qual o valor eficiente,

em termos hídricos, dos sistemas de rega para sabermos do que requerem os espaços mas com muita parcimónia. No próximo Orçamento também já estamos a prever a criação de captações próprias e não da rede pública da água, para atenuarmos a nossa fatura da água e para reforçarmos a eficiência hídrica porque a poupança da água é fundamental nos dias de hoje”. Quanto à campanha de sensibilização, nas piscinas, ginásio e outros locais com grande consumo de água, passará “por duches mais rápidos, distribuição de flyers, colocação de autocolantes nos respetivos locais para que se utilize água com regra”. Fernando Freire mostrou-se consciente de que “isto não vai lá com leis”, tem mesmo que passar pela sensibilização das pessoas para que percebam, de uma vez por todas, que a água é um bem cada vez mais escasso e estas medidas são “do interesse de todos”. Patrícia Seixas


AMBIENTE / / Pedro Morais Barbas (à esquerda) é um dos responsáveis pelo projeto Fénix

Vila de Rei

Recuperação de áreas ardidas Limpeza de povoamentos ardidos de eucalipto sem qualquer custo ou compromisso comercial para o proprietário

CONTACTE-NOS Local: Mercado Municipal de Vila De Rei, 1º Piso Horário: Segunda: 14:00h - 17:30h Quarta e Sexta: 9:30h - 13:00h

Projeto Fénix renova floresta numa área de 500 hectares

964 590 697 - 913 565 870 projetofenix@altri.pt

// É um projeto da Altri que, tal como o nome indica, Fénix, pretende renovar a floresta numa área de cerca de 500 hectares que arderam em 2017. E sem custos para os proprietários. A Altri avançou com um projeto de recuperação de áreas ardidas no concelho de Vila de Rei, depois dos fogos de 2017 que assolaram todo o centro do país. A ideia é recuperar todo o potencial produtivo destas áreas que não tiveram qualquer intervenção humana depois dos incêndios, ou seja, na maior parte dos casos a madeira ardida continua na floresta que se renovou sem qualquer ordenamento. Esta é uma intervenção, na grande maioria, em áreas de eucalipto, mas que foram sendo abandonadas pelos seus proprietários. Pedro Morais Barbas, da gestão fundiária e abastecimento da Altri, explicou ao Jornal de Abrantes, que este é um projeto da empresa que quer melhorar e valorizar as árvores nos cerca de 500 hectares que estão a ser intervencionados. O objetivo claro é melhorar, sem qualquer custo para os proprietários, os eucaliptos que já têm quatro e cinco anos para que daqui a três possam ser colhidos para a indústria da pasta de papel. E se agora não há custo nem receita para os proprietários, quando for a altura de os cortar haverá, com toda a certeza, um melhor pagamento aos proprietários. O responsável da empresa explicou que, neste momento, os proprietários só têm de autorizar a Altri a entrar nos seus terrenos e a fazer a limpeza dos mesmos. A desbastar as espécies, potenciando os melhores exemplares, e fazendo a limpeza de todas as madeiras ardidas que ainda não foram recolhidas. O proprietário, se assim o entender, pode recolher toda a matéria que fica no terreno, entre a madeira ardida ou o desbaste da limpeza, porque a empresa não faz qualquer recolha desta biomassa. “Ou é

recolhida pelos proprietários ou fica como matéria morta para dar mais nutrientes aos solos” explicou Pedro Morais Barbas, explicando de seguida que o objetivo da empresa é melhorar a produção de eucalipto para que as celuloses os possam comprar daqui a três anos. E com esta ação estão a promover o ordenamento florestal diminuindo o risco de ocorrência de incêndios florestais. Sabendo que todo o território que está a ser intervencionado assenta na base do minifúndio e com dificuldades em cadastrar todos os terrenos, os técnicos da Altri têm ajudado os proprietários, sempre que possível, num processo que no início causou muita desconfiança ou estranheza por ser tudo gratuito. “A ideia de ninguém dá nada a ninguém existiu, mas depois os proprietários começaram a perceber que não têm custos e que podem vir a ganhar quando venderem os eucaliptos. E desta forma também ficam com os terrenos mais protegidos contra os incêndios”, revelou Pedro Morais Barbas. O responsável indicou ainda que este é um processo que não tem nada a ver com as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). E em Vila de Rei estão duas em formação. Esta é uma intervenção para potenciar as áreas que já têm eucaliptos que estão a crescer de forma desordenada. A Altri não vai plantar ou replantar qualquer árvore naquele território. “O que fizemos foi identificar uma área territorial que tenha eucaliptos as crescer de forma desordenada e que esteja ao abandono depois dos incêndios. E estamos a fazer a limpeza e a potenciar o crescimento de eucaliptos para que sejam vendidos

daqui a dois ou três anos”, diz o técnico da Altri que confirmou que, neste momento, os proprietários estão muito mais disponíveis para autorizar a entrada nos terrenos. Aliás, todo o trabalho de limpeza é feito de forma manual, a moto-serra. Não entra qualquer maquinaria pesada no meio da floresta. Depois também ajudou o facto de a empresa ter um espaço físico no mercado municipal também ajuda a colmatar esta estranheza inicial em relação ao projeto. É por isso que se chama Fénix. É uma forma de renascer das cinzas. E o facto, dizem os técnicos da empresa é que grande parte dos territórios não tiveram qualquer interferência humana depois dos fogos de 2017, estando ainda pelas propriedades as madeiras queimadas nesse verão. Pedro Morais Barbas vincou ainda que não serve de nada termos uma floresta abandonada ou sem ser cuidada. Não servem para empresas e os proprietários não têm qualquer receita por terem uma propriedade. “Aquilo que queremos é melhorar os exemplares para a indústria.” A Altri é um produtor europeu de referência no setor de pasta de papel, sendo um dos mais eficientes produtores da Europa de pasta de eucalipto branqueada. Atualmente, a Altri tem três fábricas de pasta de papel – a Celbi, a Caima e a Biotek – com uma capacidade anual nominal superior a 1 milhão de toneladas. A gestão florestal é uma atividade central da Altri, que tem, em Portugal, sob gestão cerca de 86,3 mil hectares de floresta certificada. A auto suficiência florestal é da ordem dos 20%.

Objetivos Promover o potencial produtivo nas zonas fustigadas pelos incêndios, executando de forma gratuita as seguintes operações de manutenção: Redução de carga de combustível; Eliminação de espécies invasoras; Incremento de rentabilidade; Corte de varas mortas; Seleção de futuras varas; Apoio no processo de cadastro (BUPi) .

Critérios de Elegibilidade e Condições 1. Localização do povoamento a Sul da Nacional 348 e Oeste da Nacional 2; 2. Povoamento de eucalipto afetado pelo incêndio, com densidade mínima de cepos; 3. Sem qualquer compromisso comercial. A �oresta gerida pela Altri Florestal é certi�cada

Jerónimo Belo Jorge

Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Sardoal

69 anos a servir mas ainda se fala de injustiça nos Bombeiros Municipais

// Os Bombeiros Municipais de Sardoal, fundados em 1 de outubro de 1953, celebraram o seu 69.º aniversário com uma sessão solene no Centro Cultural Gil Vicente onde foram condecorados bombeiros da corporação. Os anos de pandemia tornaram impossível comemorar a data como habitualmente mas, no dia 22 de outubro, os Bombeiros Municipais de Sardoal realizaram uma cerimónia para a celebração do 69.º aniversário da corporação. Perante bombeiros, entidades e familiares, Nuno Morgado, comandante dos Bombeiros de Sardoal, começou por lembrar os tempos de pandemia e o trabalho dos soldados da paz que nunca viraram as costas, mesmo perante o desconhecido. “Após estes dois últimos anos e meio de pandemia Covid-19, importa reconhecer o trabalho que todos vós, sem exceção, têm prestado à população. Muitas vezes sob pressão da situação pandémica e da sua dificuldade, numa fase inicial, de autêntico desconhecimento sobre esta doença, promovendo receios e ansiedade em todos nós e nas nossas famílias. Os Bombeiros nunca viraram as costas àquilo que eram as necessidades de todos aqueles que de nós necessitavam. Por esse trabalho, devemos estar eternamente gratos a todos eles”, disse Nuno Morgado. Os incêndios florestais deste ano não foram esquecidos pelo comandante dos Municipais de Sardoal que reconheceu que nem tudo correu bem mas que serviu de aprendizagem. Disse que “importa recordar o esforço despendido, quase

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desumano, para conseguir debelar estes incêndios sob condições de propagação extremas, bem patentes nos danos provocados, tanto a nível ambiental e social, como nos próprios meios de socorro”. Contudo, “não podemos dizer que tudo correu bem”, acrescentou o comandante, adiantando que “tal como no passado, identificámos as nossas oportunidades de melhoria, tanto ao nível do planeamento e organização, como ao nível da formação”. Nuno Morgado deixou, no entanto, a garantia de que quer a população do concelho de Sardoal, quer a população da região, “podem continuar a contar com este Corpo de Bombeiros e seus operacionais, devidamente capacitados e preparados, para os proteger”. A remodelação das instalações do Quartel, “com mais de trinta anos”, e a ampliação e remodelação do centro de meios aéreos não foram esquecidas por Nuno Morgado que relembrou que “temos de tirar da gaveta o projeto da Casa da Proteção Civil Municipal”, cuja recusa no financiamento continua “atravessada na garganta” do comandante.

Bombeiros Municipais são “verdadeiros parceiros do sistema”

O facto de serem Bombeiros Municipais, deixa a corporação de fora

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022

de alguns apoios governamentais. Nuno Morgado instou o presidente da Câmara de Sardoal para “que não desista e continue a investir na proteção e socorro da população do concelho e dos seus cidadãos. Pediu ainda que, “em conjunto com outros municípios”, Miguel Borges “continue a pressionar a tutela para que reconheça esta tipologia de corpos de bombeiros como verdadeiros parceiros do sistema e que, de uma vez por todas, também passe a subsidiar o seu funcionamento e prontidão”. Adelino Gomes, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Santarém, elogiou os Bombeiros de Sardoal dizendo que “são daqueles que se destacam neste distrito”. Falou de mais um ano “difícil, que parecia começar muito calmo mas que depois tivemos todas aquelas situações muito complicadas no concelho de Ourém, no de Abrantes e aqui no de Sardoal e que nos trouxeram grandes complicações”. Não foi pior, disse Adelino Gomes, “porque vocês, bombeiros de Sardoal e os do distrito, souberam por, acima de tudo, o vosso profissionalismo e o vosso discernimento para podermos resolver as situações tal como o fizemos”. Guilherme Isidro, secretário da Liga dos Bombeiros Portugueses, não poupou elogios aos Municipais de Sardoal de quem disse serem,

ao longo dos anos, “sempre muito bem comandados e dirigidos” e “apresentando uma capacidade técnica acima da média na defesa das pessoas, dos seus bens e do ambiente”. As dificuldades financeiras que os bombeiros enfrentam, as verbas inscritas no Orçamento de Estado e a falta de pagamentos devidos do DECIR deste ano foram abordados pelo secretário da Liga dos Bombeiros. “Foi com surpresa que a Liga pôde verificar, na proposta do Orçamento de Estado para 2023, que as verbas inscritas ficaram muito aquém daquilo que considerávamos justo e muito abaixo das necessidades financeiras das entidades detentoras”, observou. O secretário da Liga dos Bombeiros Portugueses reconheceu que “a sobrevivência financeira é um problema transversal a todos” e divulgou ainda o que considerou ser “completamente inadmissível”. Guilherme Isidro assegurou que “ao dia de hoje, já passado o nível IV do DECIR [Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais], o mais gravoso dos incêndios florestais e mais 120 dias de sustentabilidade de operações, as entidades detentoras não tenham sido ressarcidas de qualquer valor das verbas que tiveram que assumir”. O comandante afirmou que a “ANEPC não deu qualquer atenção aos pe-

didos e solicitações que lhe foram dirigidos, como não deu qualquer celeridade ao problema, conforme prometido pelo senhor ministro da Administração interna”.

“Não arrisquem para além do necessário”

Também o comandante Regional de Emergência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo, Elísio Oliveira, agradeceu “a quem dá a vida a salvar os outros”. Elísio Oliveira falou ainda dos desafios “cada vez maiores e mais complexos” que o futuro promete trazer, muito devido às alterações climáticas mas pediu, acima de tudo, que os bombeiros sejam prudentes e zelem pela própria segurança. “É, de facto, nos bombeiros que as nossas sociedades depositam as mais legítimas expetativas em matéria de proteção e socorro, pelo que a vossa responsabilidade é imensa, cada vez maior”, declarou. O comandante Regional de Emergência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo referiu ainda que os Bombeiros de Sardoal “são rostos de proximidade que fazem do Sardoal um lugar mais resiliente perante a adversidade e mais seguro perante a imprevisibilidade”. Elísio Oliveira terminou deixando um apelo aos soldados da paz: “olhem por vós, zelem pela vossa segurança”. Dei-


REGIÃO / Sardoal veram lá, foram vocês que deram os primeiros carinhos e as primeiras ajudas àquelas pessoas e foram vocês que as transportaram para os hospitais”, lembrou Miguel Borges.

Miguel Borges recebe Crachá por “invulgar dedicação, sentido de dever e compromisso”

“Há injustiças enormes e era importante que não existissem”

xou uma mensagem de incentivo, “mas também de prudência”. “Não arrisquem para além do necessário e não negligenciem nunca as regras de segurança”, pediu. Já com o crachá de Cidadania e Mérito ao peito (ver caixa), foi um Miguel Borges emocionado que falou a seguir. A paixão que move um bombeiro e os momentos que já foram vivenciados, bem como os anos de pandemia, não foram esquecidos pelo presidente da Câmara. “É normal dizer que a pandemia foram dois anos que não contaram para a nossa

vida. Não é verdade. Foram dois anos que contaram e muito para a vossa vida. E se contaram muito para vida de todos nós, foi porque vocês estiveram lá. Os profissionais de saúde tiveram um papel inquestionável em tudo isto, não há dúvidas, mas quem entrou nas casas de habitação sem saber o que é que lá estava, naquilo que era uma grande incógnita nos primeiros tempos, sem saber o que era aquela pandemia, foram vocês. Quem entrou nos lares, muitos deles ilegais, com condições sub-humanas, foram vocês. Foram vocês que esti-

As críticas ao facto do país não olhar para os bombeiros municipais de igual modo e as injustiças que se cometem nos financiamentos também foram abordadas por Miguel Borges. “Orgulhosamente, fazemos parte dos 25 municípios que têm bombeiros no âmbito da Administração Local. Mas não é porque sejamos melhores. Somos diferentes. O que acontece é que há injustiças enormes e era importante que essas injustiças não existissem”, disse o presidente da Câmara de Sardoal. Miguel Borges defende que “todos fazem falta e todas as tipologias devem existir” e acrescenta que “deve haver um financiamento para os concelhos, de acordo com a tipologia e grau de risco”. Durante a cerimónia de aniversário, foram ainda distinguidos bombeiros da corporação de Sardoal com a Medalha de Assiduidade Grau Cobre - 5 anos, a Medalha de Assiduidade Grau Prata - 10 anos e a Medalha de Assiduidade Grau Ouro - 15 anos. Também foram atribuídas as Medalhas Dedicação de Grau Ouro - 25 anos e as Medalhas Dedicação e Altruísmo - 30 anos. Por parte da Liga dos Bombeiros Portugueses, foi atribuído o Crachá de Ouro à bombeira especialista Teresa Duarte, “admitida no Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal a 1 de março de 1982” por mais de 40 anos de serviço e ao sub-chefe do Quadro de Honra Vítor Morais, “admitido no Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal a 1 de abril de 1985”, por mais de 36 anos de serviço. Patrícia Seixas

Foi quase antes do término da cerimónia que o protocolo foi colocado de lado pois Guilherme Isidro, o secretário da Liga dos Bombeiros Portugueses, tinha uma surpresa para anunciar. Já depois de ter colocado no estandarte dos Bombeiros de Sardoal um crachá que simboliza a resiliência dos bombeiros durante a pandemia, Guilherme Isidro tinha ainda outra proposta de atribuição de Crachá de Cidadania e Mérito. Desta vez, ao presidente Miguel Borges, como reconhecimento da “forma empenhada, competente e eficaz como estes anos desempenhou e continua a desempenhar a função de responsável máximo da entidade detentora do Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal”. O comandante Guilherme Isidro destacou que “a invulgar dedicação, sentido de dever e compromisso que demonstra para com a causa dos Bombeiros Portugueses, marcam todos os atos que o presidente Miguel Borges tem realizado, em especial na permanente

promoção e capacitação, assim como melhoria e evolução técnica, humana e material do Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal”. Acresce a este facto, “o valoroso e determinante trabalho desenvolvido como presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém, de março de 2019 a dezembro de 2021, em plena pandemia de Covid-19”. Ressalvou ainda que “a sua capacidade de trabalho, aliada a um profundo conhecimento das missões de proteção e socorro desenvolvidas pelos corpos de bombeiros e demais agentes de proteção civil e entidades com dever de corporação, confirmaram-no como uma voz conhecedora e especializada sobre a direção e gestão ao nível da proteção civil e corpos de bombeiros, em especial do Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal, sendo esta reconhecida pelos seus pares”. Miguel Borges foi então galardoado com o Crachá de Cidadania e Mérito da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Vila de Rei

Município cria cartão que permite descontos na fatura da água // As entidades gestoras (nas quais se incluem os municípios) que efetuam a gestão da água e do saneamento em Portugal, estão legalmente obrigadas a equilibrar os encargos de gestão com os proveitos obtidos por via tarifária. O Município de Vila de Rei é uma entidade gestora e implementou um cartão de desconto automático. Fomos perceber como funciona.

/ Município fica com o défice. “Agora, o problema com a ERSAR... isso depois vamos ver” - Ricardo Aires A Lei Nacional, com as recomendações da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), tem por base os princípios do poluidor/pagador (quem gasta mais, paga mais), manifestando, no entanto, “preocupações de cariz social, na medida em que prevê tarifas sociais, tarifas para famílias numerosas e tarifas para instituições de solidariedade social”. É então a entidade reguladora que está “a obrigar” os municípios a procederem a alterações nos tarifários da água e resíduos sólidos urbanos para que a Lei possa ser cumprida. Cada município tem de cobrar aos seus munícipes os serviços de ambiente, água, saneamento e resíduos, em valor não inferior a 90% do seu custo efetivo. É que, se esta prerrogativa não for cumprida, as autarquias são obrigadas a devolver as comparticipações financeiras que receberam. Esta é uma das premissas dos concursos públicos para estes segmentos de água e resíduos.

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Na sequência de toda a problemática que tem vindo a público acerca das tarifas que alguns municípios da região estão a implementar, fomos conhecer a situação em Vila de Rei, sendo que o município é uma entidade gestora. O presidente da Câmara começou por explicar o que já foi feito anteriormente pois em fevereiro deste ano o Município de Vila de Rei, “em deliberação da Assembleia Municipal, aprovámos um aumento da água, do saneamento e dos resíduos sólidos nas tarifas, tanto variáveis como fixas”. Ricardo Aires esclareceu que “como somos uma entidade gestora, a ERSAR disse que o nosso sistema devia de ter uma sustentabilidade de 90%. Sendo assim, e como sabíamos que não tínhamos porque estávamos abaixo, aumentámos a água e o saneamento na altura”. Isto porque, “tínhamos a certeza absoluta que até dezembro de 2022, íamos chegar aos tais 90%. No entanto, as contas alteraram-se porque “entretanto, meteu-se a

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“Aumentámos brutalmente o terceiro escalão” para acautelar gastos excessivos

guerra e há o aumento da eletricidade”. O sistema de abastecimento de água do concelho de Vila de Rei é feito através de uma captação da água da albufeira do Castelo de Bode e “é levada, através de motores, para a Urgueira e daí é que é feito por gravidade. Mas até à Urgueira, é a eletricidade que nos faz ir buscar a água” E é aqui que a situação “passa do oito para o oitenta”. Neste momento, “com as contas que temos, o custo da eletricidade em média tensão e a eletricidade especial vai aumentar 600% aqui no Município. E a baixa tensão vai aumentar 100%”. Diz o presidente que é tempo “de fazer aqueles cálculos todos para ver em quanto é que vai ficar a água e o saneamento”. Ricardo Aires relembra que, “não fosse o aumento brutal da eletricidade”, com as contas de fevereiro “iríamos conseguir ter o nosso sistema sustentável, não digo a 90% mas a mais de 80%. Ora com este aumento da energia, isso

é impensável e devemos ficar por uns 50%”. Assim sendo, “para irmos ao encontro da ERSAR, como somos uma entidade gestora e, como os outros municípios, penso eu que ainda somos autónomos, pensamos que ainda podemos fazer o que devemos no que diz respeito à sustentabilidade do nosso orçamento”. Quer isto dizer que o presidente da Câmara de Vila de Rei prefere “que os meus munícipes não paguem tanto de água e saneamento” e que a Câmara “fique com o défice”. “Foi o que fizemos”, admitiu Ricardo Aires. Esclarecer que na última sessão da Assembleia Municipal, realizada em setembro, “fizemos novo aumento da água e do saneamento”. Contudo, “implementámos um cartão que é o H2O, em que todas as pessoas que têm contratos de água no Município, têm, automaticamente, a diminuição do aumento que fizemos em setembro”. Questionado se esta situação se coaduna com as regras da ERSAR, Ricardo Aires admitiu não saber “se é permitido ou não”. ” O que posso dizer”, garantiu, “é que prefiro ficar com défice. Somos autónomos e sabemos se com o nosso orçamento podemos fazer a obra x ou y. Se não der, não se faz e os meus munícipes têm a água e o saneamento mais baratos”. Com os descontos implementados pelo Município, não irão os munícipes sentir-se “à vontade” para gastar mais água, quando as campanhas vão em sentido contrário? “Não”, afirmou o presidente, explicando que “aumentámos brutalmente o terceiro escalão. Se as pessoas quiserem gastar água, entram no terceiro escalão e vão pagar muito, muito mais”. É esta medida que o autarca garante “acautelar” os excessos. Para já, é o Cartão H2O que permite que o preço da fatura da água no concelho de Vila de Rei não seja influenciado pelo aumento “porque o Município decidiu desta maneira. Agora, o problema com a ERSAR... isso depois vamos ver”. Ricardo Aires espera ainda que o Governo possa “fazer algum pacote financeiro para as autarquias em termos da eletricidade” e, se isso acontecer, “se calhar em janeiro já vamos poder fazer outras coisas”. Patrícia Seixas


REGIÃO / Vila de Rei

Creche Municipal sem propostas de concorrentes // O Concurso Público para a construção da nova Creche Municipal de Vila de Rei ficou deserto, ou seja, não foi considerada nenhuma proposta. A razão, a mesma que vem sendo sucessivamente apresentada, “o valor apurado para a realização da empreitada excedia o preço base do procedimento”. Nos primeiros dias do mês de setembro, foi publicado em Diário da República o Concurso Público do Município de Vila de Rei para a construção da nova Creche Municipal. A empreitada apresentava um preço base de 694.633,21 euros, com um prazo de execução de onze meses, uma área de implantação de 772,53 m2, e o projeto consta com dois berçários e salas-parque, duas copas de leites, três salas de atividades, refeitório, copa/cozinha, gabinete técnico e zona de direção, serviços técnicos e administrativos. Na altura, o Município avançava que a nova Creche Municipal “vai permitir acolher um maior número de crianças (um total de 51), respondendo assim ao aumento da procura pelos serviços municipais da Creche que se tem feito sentir nos últimos anos”. Em reunião do Executivo Municipal, a 7 de outubro, foi dado conhecimento que, afinal, não houve propostas consideradas para a empreitada. Isto porque, como explicou o presidente da Câmara, o valor da construção ultrapassa o valor base apresentado. Para Ricardo Aires, os valores base “são de 2019, ainda antes mesmo da pandemia”. Contudo, há mais situações a deixar “intrigado” o presidente da Câmara de Vila de Rei. É que a construção da Creche é um dos três investimentos inscritos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e “a parangona do PRR é de que é 100% a fundo perdido e isso é mentira”, afirma Ricardo Aires que acrescenta que “há uma inércia do nosso Governo”. Relativamente ao Concurso Público da Creche, disse que “o preço padrão que o PRR nos deu foi de 494 mil euros e o Município já colocou a concurso um valor de 700 mil euros. Mesmo assim, ficou

deserto”. O valor base apresentado foi superior porque se percebeu que o valor do PRR “era curto”. “Nós fazemos contas e sabendo como os preços estão... Penso que os valores do PRR são referentes a preços de 2019 e não consigo entender como é que quem está a gerir o PRR continua com estes custos padrão. Ou então, tem que dizer que o PRR não é a 100% mas sim a 70 ou 50%”, desabafou o autarca. A este respeito, “já fizemos uma exposição ao Governo de Portugal onde pedimos uma explicação. Questionamos se querem [nós, autarcas] que ajudemos a que o investimento do PRR fique todo em Portugal - e para isso têm que alterar o custo padrão - ou se em 2026 querem que Portugal tenha

“Será uma obra que vai ficar apenas a 50% a fundo perdido. Não sei se tenho condições financeiras para isso”

que devolver muito dinheiro da bazuca. Já está tarde, mas mais vale tarde que nunca”. No concelho de Vila de Rei não é apenas a Creche Municipal que está inserida no PRR. A Câmara tem ainda os projetos da Loja do Cidadão e a construção de seis fogos para habitação temporária para lançar Concurso Público. Questionado acerca da viabilidade de levar em frente estes projetos, Ricardo Aires disse que vão avançar com o Concurso Público dos seis fogos, “é a fase três da zona do Vale Galego”, e espera que esse concurso não fique igualmente sem propostas, apesar dos valores serem muito semelhantes aos da Creche. No caso dos seis fogos, o valor é de 585 mil euros. “E mais dia, menos dia, até porque já está aprovado, vamos

lançar a nossa Loja do Cidadão por 700 mil euros”. “São três projetos que temos, no âmbito do PRR que pensamos ser 100% a fundo perdido e que já sabemos que não vai ser. Que querem que as autarquias invistam com Avisos do PRR, tem que haver aqui uma situação diferente ou os concursos vão continuar a ficar desertos. A Creche Municipal já ficou, ainda por cima é uma obra bastante importante para o concelho, e estávamos todos ansiosos de fazer esta obra no prazo de um ano. Se calhar, já vai demorar mais tempo”, assegurou o autarca. Advertiu ainda que, provavelmente, “a Creche só com mais 140 mil euros, ou seja, mais 340 mil euros da parte do Município”, que já tinha avançado com mais 200 mil euros acima do valor padrão do PRR, “será uma obra que vai ficar apenas a 50% a fundo perdido. Não sei se tenho condições financeiras para isso”, anunciou. Para Ricardo Aires “não se percebe que o país queira fazer investimento, e neste caso aumentar investimento público que poderá alavancar um bocadinho as condições no nosso país e não só, também na Europa...” “Eu não consigo perceber isto”, declarou. Na análise do Júri nomeado para verificar as propostas para a Creche Municipal, pode ler-se que “os concorrentes apresentaram todos declaração de não apresentação de proposta, pois o valor apurado para a realização da empreitada excedia o preço base do procedimento, razão pela qual seriam todas as propostas excluídas. (...) Assim, (...) não estão reunidas as condições para que haja adjudicação da empreitada de construção da Creche, tendo em conta que não existem propostas”. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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MÚSICA / // ABRANTINO NELSON BONITO ASSINA CONTRATO COM A WARNER MUSIC PORTUGAL

“Considero-me uma pessoa otimista, determinado nos meus objetivos e ambicioso, trabalho o dobro do que sonho para que se tornem realidade." É assim que Nelson Bonito se define, como homem e como artista. Porque, naturalmente, as duas coisas são uma só. Para quem ainda não o conhece, Nelson Bonito é um jovem, com muito talento para as canções e o seu sonho é fazer carreira na música. “Pôr do Sol Ao Luar”, a música nova lançada em exclusivo na Rádio Antena Livre às 08h20 de 21 de outubro, e para o país duas horas depois. É uma canção composta em co-autoria com Vítor Silva e letra de Nelson Bonito. Vítor Silva produziu esta canção, ele que já produziu, entre muitos outros, os D.AM.A. e também o primeiro álbum de Nuno Ribeiro. “Pôr Do Sol Ao Luar” é uma canção que fica facilmente na nossa memória. Uma daquelas músicas que damos por nós a assobiá-la após apenas uma ou duas escutas. É uma canção que nos transporta de imediato para momentos felizes, com os amigos, seja onde for. Uma música com luz, sol e ‘bom feeling’ que facilmente nos transporta para as nossas melhores memórias, em família, entre amigos verdadeiros, entre quem mais gostamos. O vídeo que acompanha este seu single de estreia, que também foi revelado a 21 de outubro, foi realizado por Gonçalo Carvoeiras. Uma canção que espelha muito os valores do Nelson Bonito; “Fiel a mim mesmo, defendo aquilo em que acredito e tenho os meus valores bem definidos, como justiça, lealdade, sinceridade e respeito. Sem esquecer a igualdade, coisa que me levou a adotar uma alimentação vegan.” “Pôr Do Sol Ao Luar” é assim um excelente cartão de visita do Nelson Bonito nesta sua caminhada no mundo da música e que será editado pela Warner Music Portugal, editora com a qual assinou em 2021. “Estou muito entusiasmado para iniciar esta nova etapa e fazer parte da família Warner”. Nelson Bonito tem 27 anos, é natural de Abrantes, “estudei guitarra clássica e teoria musical, dei aulas de guitarra e já realizei inúmeros

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concertos ao vivo com orquestra, com bandas, em duo, a solo, entre outros”, conta-nos o jovem artista. O seu interesse pela música começou quando o pai lhe comprou um piano de brincar aos quatro anos de idade. Reparando na admiração do filho pelo brinquedo, os seus pais levaram-no a ter aulas de piano numa loja de música. O seu fascínio pela música nunca mais parou de crescer: “Uma das recordações que tenho, de quando ainda era pequeno, é de ir para casa dos meus avós e fazer uma bateria improvisada com tachos e caldeiros de tinta, e por vezes até fazia a minha família e outras pessoas que estivessem presentes, terem de parar para me ouvir fazer barulho. Na

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altura achava que estava a dar um grande show, hoje em dia tenho pena deles”, conta-nos de forma muito animada, soltando uma gargalhada. Já bem mais tarde pediu ao pai para lhe comprar uma guitarra com a qual foi aprendendo sozinho e depois mais tarde numa outra loja de música. No secundário, formou uma banda com os amigos e começaram a ensaiar regularmente. Pouco tempo depois, o seu pai inscreveu-o num conservatório de música, onde estudou guitarra clássica e teoria musical, tendo chegado a fazer alguns recitais. Sobre esta experiência explica-nos: “É engraçado que nessa altura, tendo essa banda onde tocava coisas mais pesadas, nos

intervalos das aulas do conservatório não conseguia evitar tocar Nirvana, Metallica, AC/DC… e isso era meio que “proibido” lá dentro, pois a técnica é bastante diferente (jamais se usa palheta no conservatório), mas rapidamente contagiei os outros alunos, e até mesmo o meu professor acabou por entrar na onda (risos)”. Entretanto, foi convidado para dar aulas de guitarra acústica, numa loja de música em Abrantes, teve experiência com outras bandas, colaborou com o grupo de cantares da escola e no Orfeão de Abrantes (coro), com os quais fez várias apresentações ao vivo. Formou ainda um duo que tocava em bares e depois começou a sua caminhada a solo, guitarra e voz. “Cheguei até a ser convidado

para atuar numa transmissão ao vivo da rádio TSF, numa emissão feita perto da minha terra”, conta o músico. “Recebi também convites de artistas da minha zona para participar nos espetáculos deles, e um fora da minha zona com quem tive a oportunidade de cantar e tocar foi o David Antunes”. Mais tarde foi ainda convidado para cantar numa orquestra, em celebração dos 100 anos da cidade de Abrantes, tendo atuado em várias terras vizinhas de Abrantes. É assim que surge a Warner Music e a oportunidade de lançar as suas próprias canções. Em 2021 assina contrato e começa logo a trabalhar em repertório sendo “Pôr Do Sol Ao Luar” o seu single de estreia, mas com mais propostas musicais já a caminho.


EDUCAÇÃO /

Carlão veio à escola apresentar livro e falar de Racismo, segregação étnica e refugiados Para assinalar a “Semana da Igualdade” e o “Dia Municipal da Igualdade” em paralelo com o “Dia da Biblioteca Escolar” o Município de Abrantes chamou os alunos dos 7.º e 8.º anos, juntamente com os alunos PIEF e da Formação Profissional do agrupamento de escolas n.º 2 de Abrantes para uma conferência sobre esta temática. Mas o que os jovens não sabiam é que a conferência iria ser com o Carlão. E, já todos sentados, quando foi anunciado quem iria ao palco. O cantor Carlão, filho de pais cabo-verdianos, tem agora com a empresa Betweien o projeto “Livres e Iguais”, Projeto de Promoção do Interculturalismo. Há um livro um que é a base deste projeto. Um livro que conta três histórias. Uma de racismo. Outra de segregação étnica. E uma terceira sobre refugiados. E é um livro com páginas em branco que servem para o leitor, principalmente os jovens, poderem

escrever as suas notas, as suas ideias de como podem mudar o mundo. E se o livro tem três capítulos, o primeiro aborda o racismo. E Carlão explicou aos alunos que “criou uma personagem que é a Clara, uma miúda negra de um bairro precário que tem um sonho e que é um dia poder apresentar um programa de televisão de grandes entrevistas.” E Carlão continuou a explicar a vida da Clara que “depois do curso superior, apesar de todo o seu valor, percebeu que não pode concretizar o sonho apenas pela cor da pele.” O cantor revelou que escreveu a música em 2018, antes de haver um pivot da SIC negro e de rastas no cabelo. “Estamos muito longe de ter uma sociedade que dá a mesma igualdade a todos os cidadãos.” Aos jovens de Abrantes deixou muitas mensagens. Por exemplo: “cada vez mais acredito que não há pessoas totalmente boas como

/ Depois da conversa, Carlão brindou os jovens com a música “Assobia para o lado” não há pessoas totalmente más. Interessa-me mais perceber porque é que as pessoas têm atitudes más, por exemplo.” Depois respondeu a uma pergunta sobre o facto de não gostar de anedotas. E o Carlão respondeu. Disse que ouviu uma vez José Falcão [da SOS Racismo] dizer que não gosta da forma como as anedotas gozam com o estereótipo de determinados grupos, colocado tudo no mesmo saco e retirando as individualidades. “Na minha vida fui percebendo o porquê destas anedotas que tem a ver, muitas vezes, com discriminações e com estereótipos da sociedade. E são estereótipos que existiam e existem: negro - macaco; loira - burra; cigano - ladrão; alente-

jano - preguiçoso. E isto é uma discriminação. Por isso comecei a perceber o porquê do José Falcão não gostar das anedotas.” A mensagem passou e terá chegado, pelo menos a uma parte dos jovens. Como disse o artista, muitas vezes os jovens ouvem mais as mensagens das músicas, dos influencer’s do que propriamente dos poderes. Mas será que estamos mesmo a mudar, ou temos apenas algumas ações e pensamentos esporádicos sobre a mudança de mentalidades? Carlão diz que sim, que estamos a fazer o caminho. E também avisou os jovens que o telemóvel, que todos usam, não é apenas para fazer vídeos ou tirar fotografias. Também serve para pesquisar e saber coisas. E pediu-lhes para não acreditarem em tudo o que vêm na Internet. Que devem usar o telemóvel para pesquisar e aprender! E fazer diferente. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

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SOCIEDADE /

Mouriscas homenageou o professor, cientista e matemático Fernando Dias Agudo // Abílio Margarido e Alberto Grossinho foram os dois mourisquenses que organizaram a homenagem pública ao professor Dias Agudo, como era mais conhecido na terra e no meio académico. Perante uma plateia repleta de académicos e colegas de Fernando Roldão Dias Agudo, e muitos amigos da terra, a placa que vai perpetuar a memória do cientista matemático, cujo centenário do nascimento está para breve (novembro de 2025), foi descerrada pela filha Maria Isabel Agudo, pelo vereador do pelouro da Cultura da Câmara de Abrantes, Luís Filipe Dias, e pelo presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, Pedro Matos. A placa de homenagem a Dias Agudo, que faleceu em 2019, foi colocada na sua casa, no Largo do Espírito Santo, nas Ferrarias, no sábado dia 1 de outubro. E na sessão, com muitas memórias do professor, cientista e matemático, foi José Aparício dos Reis, único mourisquense ex-aluno de Fernando Dias Agudo que revelou que a melhor forma de homenagear o professor foi encontrar histórias dele. E começou com uma primeira, revelando-a na primeira pessoa. Há 61 anos três jovens saíram de Mouriscas para estudar no sexto ano em Santarém, no Liceu Sá da Bandeira. Dois tinham os livros e um (José Aparício dos Reis) só tinha meia-pensão da Gulbenkian. “Como só tinha dinheiro para meia pensão tinha de ir à procura de outras soluções. Encontrei o externato Frei Luís de Sousa.” Aos 15 anos encontra o professor Dias Agudo. Havia um professor que quando soube que “eu era das Mouriscas todas as semanas dizia-me ‘não podes deixar mal o Dias Agudo dos 20’. Isso acicatou-me.” A segunda nota foi quando o professor Dias Agudo “foi meu professor, um dos melhores do mundo. A faculdade de ciência era tradicionalista e conservadora. Os professores de matemática eram pessoas muito difíceis e que não se davam com ninguém. Mas ele era diferente. Descia o elétrico 20, de Oeiras. Havia uma fila de alunos que esperavam, ordeiramente, e entravam depois dele. Eu era a única aula que assistia, porque já trabalhava. Em junho chumbei com 5 valores. Eu sabia e gostava da matéria. Comprei um livro. Estudei todo o mês de agosto e setembro. Em outubro tive 17. Passei a ser um bom aluno. A partir daí tive sempre 17 e 18 fruto da confiança

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“Se calhar, valeria a pena pensar em assinalar o centenário do seu nascimento”

/ Placa descerrada na casa do cientista

//BIOGRAFIA

/ Maria Isabel Agudo, Luís Dias e Pedro Matos do professor.” “Última história, década de 80. Trabalhava a na CP e descobri uma vaga de professor de análise vetorial. Dava 5 horas de aulas à noite. Andei nisto 20 anos. Fui o legado do professor naquela cadeira.” Depois a professora doutora Maria do Rosário Grossinho, cujos quatro avós são naturais de Mouriscas, recordou o homenageado,

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do ponto de vista do seu lado de pedagogo e cientista. O professor Dias Agudo escreveu, pelo menos, quatro manuais na área de matemática. Estes foram livros validados para os primeiros anos da licenciatura em matemática. “Esteve na estrutura que hoje é a Fundação para a Ciência e Tecnologia.” Na homenagem também foram convidados a Academia das

FERNANDO ROLDÃO DIAS AGUDO Nascido em Mouriscas (Abrantes) em 25 de Novembro de 1925, Fernando Roldão Dias Agudo era licenciado em Matemática (Faculdade de Ciências de Lisboa, 1947) e em Engenharia Civil (Instituto Superior Técnico, 1951), e doutor em Ciências Matemáticas (Universidade de Lisboa, 1955). Foi assistente, encarregado de curso, professor ou orientador científico do Instituto Superior de Agronomia (1948 e 1949), Faculdade de Ciências de Lisboa (1951-1975 e desde 1983), Instituto Superior Técnico (1959-1964), Universidade de Lourenço Marques (1970-1972), Universidade Nova de Lisboa (1975-1983), Universidade da Beira Interior (1977-1980 e 19901997) e Instituto Superior de Gestão (1997-1999); investigador visitante da Universidade da Califórnia, em Berkeley (1957 e 1958); diretor da equipa-piloto portuguesa que, no âmbito da OCDE, fez o estudo das necessidades de investigação

Ciências de Lisboa e a Sociedade Portuguesa de Matemática, estruturas das quais Fernando Roldão Dias Agudo fez parte. João Filipe Queirós, presente em representação da Sociedade Portuguesa de Matemática contou que “acabei por ter uma ligação ao professor Dias Agudo pela publicação da obra de Pedro Nunes, o mais brilhante cientista português que viveu no século XVI." “Nos anos 30 criaram uma comissão para editar a obra de Pedro Nunes. O projeto esteve parado mais de 40 anos. E não fosse o professor Dias Agudo este retomar do projeto nunca teria sido possível.” As filhas e a esposa estiveram presentes, mas foi Maria Isabel Agudo, que, em representação da família, agradeceu o gesto e a presença de todos que se associaram à homenagem. “O meu pai era uma pessoa simples e que gostava da nossa terra. Na quarta classe nas Mouriscas teve um professor distinto e que contribuiu para a sua vida na educação”. Pedro Matos, presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, numa intervenção breve, vincou que “este largo fica rico com esta placa, para que a nossa juventude possa ficar conhecer quem foi Fernando Dias Agudo.” A Câmara de Abrantes esteve representada por Luís Filipe Dias, vereador com a responsabilidade pelo pelouro da Cultura. O autarca deixou ainda um desafio a Mouriscas, à Academia de Ciências de Lisboa e à Sociedade Portuguesa de Matemática: “Daqui a três anos assinala se o centenário do seu nascimento. Se calhar valeria a pena pensar em assinalar essa data." Jerónimo Belo Jorge


GALERIA /

O luxo à mesa

O Restaurante Pedagógico abriu as suas portas no dia 28 de outubro, data que marca o arranque de mais um ano letivo para estes alunos no Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação. Os cursos de Cozinha e Pastelaria, desta vez coadjuvados pelos alunos de Turismo e de Animação Socio-Cultural, fizeram com que, mais uma vez, uma normal noite de sexta-feira se tornasse num momento memorável. Para pais, professores, convidados e entidades presentes, a palavra que todos tiveram para com os alunos e os chef’s que os acompanham, foi apenas uma: orgulho. Ficam as imagens e os votos de um excelente ano letivo para todos.

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SOCIEDADE /

“Encosta Viva” encerrou, mas a semente está lançada // O projeto “Encosta Viva” encerrou em outubro, com a realização do último conjunto de atividades naquele que é, do ponto de vista estatístico, o bairro com maior densidade populacional do Médio Tejo e um dos maiores do distrito de Santarém. As atividades iniciaram-se com a exibição de um documentário sobre a urbanização. Foram inaugurados o novo campo de petanca, a intervenção de arte urbana pelo artista Francisco Camilo no campo de basquetebol do bairro e outras realizadas pela Escola António Torrado em bancos e noutros pontos do bairro. O programa incluiu ainda um mercado de outono, com produtores agroalimentares e artesãos, para além rastreios cardiovasculares e de cessação tabágica pela farmácia Sousa Trincão, e várias atividades desportivas, como torneios de basquetebol e de petanca, zumba e gincana. Na sessão de encerramento, antes da exibição do documentário, Dulce Leitão, coordenadora da Escola António Torrado, evocou aquilo que foi feito no bairro da Encosta da Barata, no qual a escola teve uma participação ativa. Já Isabel Alves, diretora do agrupamento de escolas Dr. Manuel Fernandes, ao qual pertence a Escola António Torrado, referiu que esta escola “é do bairro e faz parte do bairro.” E adiantou que está de portas abertas aos pais dos alunos e aos habitantes do bairro. Indicou ainda que “vamos fazer tudo para manter a encosta viva. E disse em reuniões que a nossa aposta (do agrupamento) era a escola António Torrado. E uma das novidades poderá passar pela instalação de um Centro de Ciência Viva que já está em processo de candidatura.” Ao mesmo tempo indicou que a escola já está na capacidade máxima de meninos. Conceição Pereira, técnica coordenadora da Tagus, faz um balanço do programa, explicando o início, desde a ideias, passando pelas reuniões que foram acertadas as parcerias até à apresentação o projeto. Em 270 candidaturas aprovadas pelo programa Bairros Saudáveis, em todo o continente, o projeto de Abrantes, Encosta Viva, ficou classificado no 11.º lugar. A Tagus tinha previsto, nas suas atividades, ações na área social e de educação. “Não tínhamos tido ainda verba ou oportunidade de candidaturas para desenvolver um desses programas. Foi agora”, explicou a coordenadora da Tagus. Conceição Pereira revelou depois que os técnicos ouviram a comunidade e começaram “a fazer reuniões com os condomínios, a perceber as necessidades, mas também a explicar qual era o

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/ A “Encosta” ganhou um campo de petanca e um renovado e colorido polidesportivo propósito do projeto.” O objetivo final, depois de um conjunto de atividades desenvolvidas ao longo de quase um ano, “é a criação de uma associação de moradores que possa ser interlocutora junto de outras instituições” justificou ainda a coordenadora da Tagus. Após revelar as atividades desenvolvidas concluiu a dizer que “agora [Tagus] podemos continuar a trabalhar, mas sem o financiamento público.”

O futuro está agora nas mãos dos moradores

Bruno Tomás, presidente da Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede, destacou as atividades que foram desenvolvidas ao longo destes dez meses. Disse ainda que as pessoas têm de ter orgulho no bairro da encosta da barata. São cerca de 550 apartamentos. É um dos maiores do concelho e do médio Tejo. Objetivo foi cumprido e “não esquecer que nós estamos no campo e não na bancada a ver.” Insistiu nalguns melhoramentos feitos pela Junta de Freguesia que tiveram o condão de devolver às pessoas espaços públicos que estavam ao abandono. E notou que essa vai continuar a ser uma

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preocupação da autarquia a que presidente, tendo consciência que também é preciso que o cidadão cumpra o seu papel de cidadania, dando como exemplo, a limpeza. “Não há recursos para todos os dias fazer limpeza de toda a freguesia. Os cidadãos também deveriam ajudar, não deixar o lixo no chão, mas sim no sítio certo.” Já Luís Filipe Dias, presidente em exercício da Tagus e vereador da Câmara de Abrantes, referiu que há um sentimento do que foi a ideia inicial, com as parcerias, criou-se um mosaico social representativo deste bairro. E notou também que o projeto maior era a criação de uma associação de moradores. “Vamos continuar com estes parceiros seja através do governo de Portugal ou do governo local”, disse o autarca salientando que “estes parceiros intervêm diretamente no terreno. Estão sediadas neste bairro 30 entidades.” O vereador deixou a sua expetativa em modo de certeza: “O que aconteceu no último ano é o lastro daquilo que vai acontecer no próximo ano e nos outros.” Mas não descurou que há muita coisa para fazer. “Acho que todos de mãos dadas têm a sensação que

o governo teve o papel que teve ao apoiar o projeto. Não está cá, mas deveria estar. Todos juntos tiveram o seu papel naquilo que foram as coisas que foram feitas e todas aquelas que ainda vão ser feitas.” E concluiu a dizer que “o desafio da Tagus é ter mais bairros saudáveis e encostas vivas, porque a encosta é fixe. A Encosta é isto, somos nós.” O projeto “Encosta Vida” teve por objetivo principal “desencadear mecanismos de organização que sustentem a criação de uma Associação de Moradores, com todas as vantagens que trará para a comunidade residente e empresarial”. Da parceria fizeram parte a TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, o Município de Abrantes, a APEAT - Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola António Torrado, a Associação dos Escoteiros de Portugal – Grupo 280 de Abrantes, o Corpo Nacional de Escutas – Agrupamento 172 de Abrantes, a Cres.Ser – Associação de Desenvolvimento Pessoal e Comunitário, a Escola Básica António Torrado do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes e a União de Freguesias de Abrantes (S. Vicente e S. João) e Alferrarede.

A primeira moradora ainda lá vive

Recordando algumas datas da urbanização da Encosta da Barata, é em 1968 que a Câmara Municipal compra os terrenos daquela encosta. A 31 julho de 1973 são apresentados os primeiros estudos de urbanização dos 13 hectares, da autoria do Arquiteto Duarte Castel-Branco. Depois foi feito o desafio técnico à Construtora Abrantina. “Era uma empresa de Abrantes a construir em Abrantes”, lembrou Rodolfo Garcia, à altura funcionário da empresa. A partir deste empreendimento foram feitos muitos outros em vários pontos do país. Em 1982 foram apresentados os planos para toda a área e em 1984 já havia anúncios de venda de apartamentos T3. Ana Carmo foi a primeira moradora no bairro da Encosta da Barata. E ainda lá vive, porque gosta de todo o espaço envolvente aos edifícios. Escolheu o Bloco M fica perto da estrada principal que vai para a cidade. E à Antena Livre a primeira moradora da Encosta da Barata, onde entrou em 1989, contou a sua opção e porque é que ainda vive neste bairro. Jerónimo Belo Jorge


POLÍTICA / Órgãos autárquicos de Alvega e Concavada com legitimidade para funcionar Para já os órgãos autárquicos na Freguesia de Alvega e Concavada podem funcionar na normalidade. É o que releva o parecer da secretaria de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território que chegou esta quarta-feira à Assembleia de Freguesia de Alvega e Concavada. De acordo com este parecer as renúncias dos eleitos do PS não foram consideradas porque foram enviadas ao presidente da Junta de Freguesia e não ao presidente da Assembleia de Freguesia, como deveria acontecer. O que a Antena Livre sabe é que nas reuniões da Assembleia de Freguesia de Alvega e Concavada tem sido marcada falta aos eleitos do partido socialista. Mas mesmo com a renúncia dos eleitos socialistas a Assembleia de Freguesia tem quórum (cinco eleitos) por parte do MIUFAC (Movimento Independente da União das Freguesias de Alvega e Concavada) e pode, por isso, funcionar em pleno. De acordo com a informação avançada por António Moutinho, presidente da junta de freguesia, estão reunidas condições, de acordo com este despacho do Governo, para que os órgãos autárquicos possam funcionar normalmente. E quando questionado sobre o facto de o MIUFAC estar no limite das substituições, António Moutinho confirmou que não pode ter nenhuma saída ou renúncia nos atuais eleitos para que os órgãos autárquicos não caiam e não provoque a necessidade de eleições intercalares. O atual presidente da Junta de Freguesia de Alvega e Concavada deixou uma palavra de apreço aos elementos que, neste momento, o acompanham, pois só assim é possível manter os órgãos em funcionamento. Com base neste despacho os eleitos do PS continuam na plenitude de funções, pois a renúncia não foi considerada, pelo que para a efetivarem terão de repetir o processo, mas com os pedidos a serem endereçados ao presidente da Assembleia de Freguesia. António Moutinho disse que talvez os eleitos tenham sido mal aconselhados ao longo deste processo e que poderão ter pensado que a freguesia iria já para eleições. Como não aconteceu diz que vai continuar a governar os destinos da freguesia com ou sem oposição, mas deixando aberta a vontade de poder contar com a oposição na Assembleia de Freguesia. Seja como for, e de acordo com

OPINIÃO /

Bismarck tinha razão

/ Assembleia e Junta podem trabalhar com cinco e dois elementos, respetivamente a informação que vai ser divulgada em Edital na freguesia, os órgãos autárquicos mantêm-se na plenitude de funções e, não havendo qualquer saída, dos eleitos os órgãos podem funcionar, mesmo sem oposição, até final de mandato.

PS ainda não decidiu se repete renúncia

Se há um parecer do governo, Bruno Tomás, presidente da concelhia do PS em Abrantes, não assume para já a posição que virá a ser tomada pela estrutura partidária. Há dois caminhos, ou fazer a renúncia bem instruída, direcionada ao presidente da Assembleia de Freguesia, ou os eleitos continuam a fazer o seu trabalho, como oposição a fiscalizar o trabalho da maioria. A decisão será conhecida em breve, mas Bruno Tomás garante que o PS não quer eleições antecipadas, quer é estabilidade governativa e que foi o MIUFAC, que tem a maioria desde as eleições de março, que provocou a instabilidade na freguesia A posição do PS será conhecida dentro de dias, depois do secretariado reunir com os eleitos de Alvega e Concavada para poderem decidir qual dos caminhos irão seguir. Bruno Tomás vincou que é muito importante que os órgãos autárquicos funcionem com legitimidade para poderem fazer o trabalho em prol dos fregueses. O novo líder do PS em Abrantes disse ainda que o despacho da secretaria de Estado, concorde-se ou não, é Lei, como tal não há outro caminho. A Assembleia de Freguesia pode funcionar com cinco eleitos, de um total de nove, e a Junta de Freguesia pode funcionar com dois elementos do executivo. Recorde-se que os membros

eleitos pelo Partido Socialista à Assembleia de Freguesia de Alvega e Concavada apresentaram, a 26 de agosto, a carta de renúncia aos seus mandatos. De acordo com uma informação avançada pela concelhia socialista a decisão foi tomada por unanimidade teve total solidariedade e apoio da comissão política concelhia. Dias depois, a 31 de agosto, e depois de várias renúncias de eleitos do Movimento Independente da União de Freguesias de Alvega e Concavada (MIUFAC), do pedido de renúncia do secretário da Junta de Freguesia e da renúncia, em bloco, de todos os eleitos pelo partido Socialista aconteceu uma Assembleia de Freguesia que acabou por substituir a mesa da assembleia e aprovar o orçamento apenas com votos dos MIUFAC. E houve ainda um outro ponto de interesse. Uma proposta de substituição do secretário da Junta de Freguesia, Eduardo Jorge. E de interesse porque a haver substituição a Assembleia ficaria sem quórum e caía, havendo necessidade de realização de novas eleições intercalares. Só que a proposta apresentada por António Moutinho, presidente da Junta, foi chumbada pela Assembleia de Freguesia. De notar que face a um impasse na criação da Junta de Freguesia depois das autárquicas de 2021, em março deste ano a freguesia de Alvega e Concavada teve eleições intercalarem em março deste ano. Neste momento com o conjunto de renúncias do PS, em bloco, e de vários elementos do MIUFAC, a freguesia funciona com o quórum necessário. Se, por qualquer motivo, um eleito renunciar deixa de haver quórum e aí terá de avançar um processo de eleições intercalares. Jerónimo Belo Jorge

N

o final do século XIX predominava, nas economias ocidentais, uma versão do capitalismo assente no “salve-se quem puder” e, fruto do darwinismo económico que vigorava na altura, os mais fortes venciam e os mais fracos eram oprimidos e explorados brutalmente. O chanceler alemão, à época, Otto von Bismarck, percebeu que estas condições estavam a conduzir a uma crescente simpatia pelo socialismo, pelo que isso poderia por em causa a estabilidade interna e, em último caso, o império alemão. Por isso, adotou medidas radicalmente progressivas para a época, de forma a combater o socialismo no seu próprio terreno: criou o primeiro seguro de saúde no trabalho. Mais tarde foi criado o seguro para acidentes de trabalho e invalidez. E, já após a I Guerra Mundial, a Alemanha foi a primeira a criar o subsídio de desemprego. Ideias revolucionárias para época, sem dúvida. Estava criado a protótipo do Estado-social. Após a II Guerra Mundial, no Reino Unido, o Relatório Beveridge claramente recomendou que o cidadão deveria ser protegido “do berço até à campa”. O Estadosocial seria pago pelos impostos recolhidos à economia, seguindo um modelo fiscal progressivo e assente numa ótica distributiva. Os períodos economicamente mais prósperos da história recente resultaram claramente de uma estratégia económica e de uma visão política onde primava a proteção dos cidadãos dos excessos da ganância corporativa, combinada com o respeito pela propriedade privada e por um certo liberalismo económico contido e controlado. Nos anos 70, a primeira crise petrolífera levou as sociedades ocidentais a protestaram contra a aparente inação dos governos, a quem acusavam de fazer pouco contra a desgraça social subitamente infligida pelo elevado preço da energia e pelo agravamento do custo de vida. O princípio fundamental do Estado-

/ Nuno Alves / MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS / nmalves@sapo.pt

social parecia ter sido esquecido. Hoje, não é apenas a crise energética, a guerra na Ucrânia ou a inflação que nos voltam a fazer questionar o modelo económico que temos, os líderes que nos governam ou os impostos que pagamos. A tecnologia, com o seu efeito disruptivo, está a recondicionar o funcionamento da economia e da sociedade e a conduzir ao desaparecimento acelerado de muitos empregos, gerando desigualdade e precariedade social a uma escala cada vez mais preocupante. Optar por melhores formações, mesmo as universitárias, parece não ser o paliativo adequado, já que muitas se mostram inúteis ou inadequadas perante as rápidas mudanças sociais e económicas que a tecnologia produz. No fim de contas, há cada vez mais pessoas a ficarem para trás, sem que os governos mostrem intenções claras de atacar já o problema. Neste novo mundo, por mais que tentem, nem todas as pessoas se conseguirão proteger dos excessos e da ganância dos agentes económicos. Por isso, enquanto preservamos a liberdade económica, talvez o presente e o futuro nos mostrem que um equilíbrio entre um capitalismo mais humano e um socialismo moderado seja necessário. Precisamos voltar a proteger as pessoas e a compreender a importância do regresso do Estado à economia para promover a coesão territorial, o combate à desigualdade, o controlo de recursos e de sectores estratégicos e o reforço da soberania e segurança económicas.

Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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POLÍTICA / PS de Abrantes elege novos dirigentes Bruno Tomás é o novo presidente da comissão concelhia do Partido Socialista em Abrantes. O militante do PS, que já tinha no currículo a liderança da concelhia, apresentou-se a votos com a moção “Juntos Somos Mais Fortes” e recolheu a unanimidade na votação deste sábado, 8 de outubro. Esta candidatura, apresentada como “centrada nas pessoas e na concretização de objetivos conjuntos” anunciava a continuidade do projeto do Partido Socialista de Abrantes e que Bruno Tomás assumiu como um apoio à governança do concelho. Recorde-se que o PS tem a maioria absoluta na Câmara e Assembleia Municipal e assume também maiorias absolutas em 9 das 13 freguesias do concelho. De notar que em Alvega e Concavada tem nesta altura uma situação de indefinição, já que se aguarda uma decisão de instâncias governamentais sobre a governabilidade daquele território. Em declarações ao Jornal de Abrantes o novo líder dos socialistas começou por dizer que gosta pouco de unanimismos, mas retira uma mensagem: “é o Partido Socialista estar junto e unido, não em torno de uma pessoa, mas em volta do projeto do PS que tem muitos anos no concelho. E o objetivo é ajudar a governança a pensar e a tornar este concelho mais competitivo.” A eleição foi para a comissão política, um órgão alargado, que vai agora eleger o secretariado, que será o órgão diretivo no partido no concelho. Bruno Tomás não quis ainda adiantar quem fará parte deste grupo mais restrito, parque só agora é que a Comissão Política vai reunir e aprovar o novo secretariado. Será uma ação que deverá acontecer dentro dos próximos dias. Já sobre as grandes preocupações e desafios do momento, Bruno Tomás, é pragmático: a curto prazo a subida do custo de vida e a escalada de preços da energia estão no centro das suas preocupações. Um dos desafios é perceber como é que “podemos todos juntos minimizar esta escalada”. E referiu que a concelhia tem a obrigação de falar sobre estas questões e ouvir a sociedade para perceber, a nível local, o que é que se pode fazer. E depois acrescentou que tem de se desmistificar estas questões dos partidos políticos porque “política fazemos todos os dias, independentemente de termos um cartão de um partido ou não.” O novo líder disse ainda que o partido tem de abrir as suas portas para a comunidade e deve ouvir as

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OPINIÃO /

A Pinacoteca

É

/ Bruno Tomás, presidente PS Abrantes pessoas, em todas as freguesias. E depois adiantou a preocupação com a governabilidade e estabilidade da freguesia de Alvega e Concavada. O novo secretariado da concelhia socialista de Abrantes foi eleito por unanimidade a 27 de outubro. O secretariado é o órgão executivo da estrutura concelhia. Nos próximos dois anos será constituído por Bruno Tomás (presidente da concelhia); Ricardo Aparício; Carla Catarino; João Gomes; João Marques; Sónia Alves; David Ferreira; Afonso Costa; e Paulo Teixeira. Bruno Tomás é militante do Partido Socialista, começou o seu percurso político na Juventude Socialista de Abrantes em 2001 onde foi coordenador durante vários anos. Fez ainda parte de diversos Secretariados Concelhios, já foi Presidente Partido Socialista de Abrantes em 2012 e foi membro de várias Comissões Políticas Distritais. Foi eleito pelas listas do Partido Socialista, para a Assembleia da extinta Freguesia de São Facundo e para a Assembleia Municipal de Abrantes. É o atual presidente de Junta da Freguesia de Abrantes e Alferrarede e o coordenador da delegação distrital de Santarém da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias).

Júlia Augusto assume liderança das Mulheres Socialistas

No mesmo dia os militantes elegeram também, por maioria,

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022

Júlia Augusto como presidente das Mulheres Socialistas - Igualdade e Direitos (MS-ID). Júlia Augusto encabeçou a única lista candidata, com 14 militantes com a moção “Mobilizar e capacitar. Junt@s” Esta candidatura, de acordo com a agora líder das mulheres socialistas de Abrantes, “propõe-se reforçar o

/ Júlia Augusto, presidente Mulheres Socialistas caminho iniciado pela anterior candidatura, conscientes e confiantes nos desafios e tem por objetivo reforçar a capacitação na participação dos militantes na política, na ação de mobilização das pessoas e implementação do projeto político do PS no terreno. Sempre tendo por base um espírito agregador e mobilizador, trabalhar ao nível do nosso concelho, fazendo pequenas diferenças para aquele que é também o desígnio do PS desde a sua génese - um movimento progressista e fraterno com vista ao aperfeiçoamento da humanidade.” Jerónimo Belo Jorge

um dado já adquirido: a biblioteca municipal deve ter, conservar e disponibilizar as obras dos autores do concelho ou que a ele se referem de modo explícito e ainda a coleção dos jornais do concelho. Tem o nome de “fundo local” e exerce uma função social importante. Sem o seu fundo local, a biblioteca está incompleta e não mostra grande interesse nem pelos livros, nem pelos jornais, nem pelo concelho. Repito: este é um dado já adquirido. O mesmo não se pode dizer no que às obras de artes plásticas diz respeito. Há alguma razão para que o autor de um livro seja mais importante que o autor de um quadro, de uma escultura, de uma tapeçaria? É importante dizer que – mais ou menos – está já ganha a consciência de que é decisivo mostrar os artistas que estão (no presente!), a criar, a produzir. Não é mau de todo. Mas falta dar um passo para a frente e para cima: é urgente criar a pinacoteca municipal, isto é, um “serviço” que tenha como função representar (tanto quanto possível) todos os artistas plásticos conhecidos do concelho, conservar uma ou outra obra de cada um deles e dá-las a conhecer. A Câmara Municipal de Abrantes integrou – e bem – na celebração do centenário da cidade uma exposição sobre “100 anos de artes plásticas em Abrantes”, tal como o fez em relação aos autores de livros. Não há boa celebração da nossa História se não der conta dos que cultivaram as artes. Não é pensável um país sem museus que conservem, estudem e divulguem os seus artistas que, ao longo dos tempos, foram, também eles, construindo o país. Então, por que razão havemos de admiti-lo relativamente a um concelho? Mas não basta montar “uma” exposição. É necessário conservar (em boas condições), estudar e dar a conhecer as obras (possíveis) e os artistas que as criaram. O nome talvez não seja muito rigoroso, mas “pinacoteca” refere aqui esse

/ José Alves Jana / FILÓSOFO

serviço. Não tem de ser uma “casa” autónoma e independente, como um museu. Mas nada substitui a coleção, a conservação cuidada, o estudo e a divulgação. Num pequeno município, não é fácil ter especialistas que exerçam todas estas funções. Mas há sempre gente que sabe, há pessoas que podem acumular esta função com outras, e sobretudo há o recurso a especialistas do exterior que pontualmente ou de modo sistemático exerçam algumas destas funções. Estamos habituados a reduzir a riqueza de um concelho à paisagem, aos monumentos e à produção de riqueza meramente económica. Sinal de vistas curtas. A riqueza artística que hoje tem cotação no mercado das visitas turísticas começou por ser riqueza artística de homens e mulheres que, no seu tempo, criaram arte. E olhar para a história local da produção artística de uma comunidade humana diz dela muito mais do que à partida se pode esperar. A pinacoteca municipal é outra forma de fazer o retrato de uma comunidade humana. A sua inexistência é uma falha importante. Que urge resolver. À dimensão, é caro, de cada comunidade local. Se olharmos à volta, vemos que algo tem sido feito, mas muito continua por fazer. Cada município está num estádio diferente deste trabalho, o que é normal. Vamos olhar para os que estão a fazê-lo melhor?

A pinacoteca municipal é outra forma de fazer o retrato de uma comunidade humana


SOCIEDADE / Violência na escola diminuiu, mas as agressões são mais graves

“Por uma cultura de paz, contra a violência” é o lema das conferências que pretende envolver toda a comunidade escolar no debate sobre o bullying nas escolas e a separação crescente entre as famílias e a escolas. Paulo Sargento é o comissário desta campanha que tem a batuta do Correio da Manhã. De acordo com o relatório anual de segurança interna, nos últimos cinco (2016-2021), no que diz respeito à segurança escolar as ocorrências participadas tem vindo a diminuir, mas 53% têm incidência criminal. Depois ao olhar para o distrito de Santarém verificou-se que este distrito tem menos de metade das ocorrências dos outros distritos com a mesma população. Paulo Sargento vincou que esta realização de sessões distrito a distrito, com Abrantes pelo meio a fazer sair a campanha da rota prevista, vai culminar em março de 2023 com a edição de um livro sobre esta temática. E revelou que o comissariado tem uma carta compromisso “Mais Escola Melhor Família.” Nelson Amaral, responsável na esquadra de Abrantes da PSP pelo programa Escola Segura, disse que o conhecimento da realidade no início de eventuais problemas ou casos vai permitir ter uma melhor solução. Depois esclareceu que é essencial haver um trabalho em rede. Se um problema for resolvido no início de forma muito rápida evita-se o envolvimento da PSP, da CPCJ e do Tribunal de Menores. Nelson Amaral deixou claro que, nos dias correntes, “ver a PSP na escola já é normal.” Depois acrescentou que os dados de violência nas escolas em Abrantes apontam a valores residuais e que o principal problema começa com falta de cidadania e civismo. “Hoje mesmo (sexta-feira, dia 14 de outubro) temos uma situação inicial (que não pode explicar) reportada por uma escola. Penso que será resolvida à nascença.” Com números concretos a PSP no distrito de Santarém registou, em 2021, 306 ações, sendo que a esquadra de Abrantes assumiu 46. Nos casos concretos, ações individuais ou em diligências em

Abrantes

/ Paulo Sargento (em pé) é o comissário desta campanha nacional que foi necessária a intervenção da polícia a esquadra de Abrantes tem um registo de 113 situações, de 346 da divisão policial de Tomar, da qual Abrantes faz parte, e de 800 no comando distrital de Santarém. De acordo com Nelson Amaral nestes números não estão incluídas as ações regulares ou presenças habituais nos estabelecimentos de ensino. Carlos Anjos, presidente Comissão de Proteção de Vítimas Alvo de Crime, ex-agente da Polícia Judiciária, começou por dizer que “há cada vez mais escola e menos família”, face aquilo que é a realidade dos nossos dias, em que os pais deixam as crianças da escola de manhã e vão buscá-las ao final do dia. De acordo com ex-agente da PJ “assistimos a uma transferência de competências da família para a escola. A escola tem de fazer deles melhores pessoas, com mais competência, mas também valores.” Mas os jovens não são o único problema. A diferença de gerações é muito visível nas tecnologias. “Há um problema que os pais são mais infoexcluídos do que os jovens.” E depois acrescentou que “grande parte que temos nos filhos começou nos pais.” Mas acrescentou que “conflitos sociais sempre houve. O conflito faz parte da vida. A intolerância é que é cada vez maior.” Falando da sua juventude, Carlos Anjos disse que “nós tínhamos uma linha vermelha nos disparates que fazíamos. Hoje há agressões como se não houvesse amanhã”, referindo-se a situações de violência exagerada que existe nos conflitos que, cada vez mais, são resolvidos com agressões. Carlos Anjos deixou a ainda a mensagem que a violência doméstica não é um crime de género. “As

pessoas não sabem que uma vida a dois é feita de cedências mutuas. E depois dá em violência doméstica. O conflito existe. Nós temos é que moderar o conflito.” Na abertura desta conferência, Manuel Jorge Valamatos referiu que as escolas e a família “são essenciais no processo de aprendizagem dos nossos jovens e na sua formação cívica e pessoal, preparando-os para viver em sociedade”. “São os valores transmitidos aos nossos jovens que vão permitir que estejam preparados para enfrentar os desafios da sociedade”, destacou o Presidente da Câmara Municipal de Abrantes acrescentando que “a união tem de ser um elemento fundamental na construção de uma cultura de cidadania, solidariedade e tolerância”. Já Daniel Marques, Comissário da PSP e comandante da Esquadra de Abrantes, destacou a importância do programa “Escola Segura” que realiza policiamento de proximidade em ambiente escolar, numa clara aposta de prevenção. Daniel Marques referiu que no âmbito da “Escola Segura” já foram realizadas mais de 13.500 ações de prevenção e sensibilização com um objetivo claro de sinalizar e intervir precocemente na violência doméstica e casos de bullying. Alunos, professores, famílias e técnicos da área social estiveram presentes na conferência que debateu temas como o bullying, tolerância, igualdade e trabalho em articulação entre todos os parceiros sociais, com a moderação do jornalista da CMTV, Nuno Sousa Moreira. A conferência foi antecedida por um momento musical com os alunos de música da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. Jerónimo Belo Jorge

/ Armando Fernandes

A

Câmara Municipal abrantina editou um opúsculo referente às obras lançadas no ano de 2021 em cooperação as juntas de freguesia. O texto de apresentação, eivado de lugares-comuns, redondo, logo redundante no conceito da montanha parir um rato, é a prova provada de o grande desejo de renovação dos patrimónios no bom estilo muitas vozes poucas nozes, a esmagadora maioria das realizações é a sementeira de alcatrão a denunciar ou defeituoso material antecedente ou pouco gasto nas intervenções no passado sem esquecer os microscópicos alinhamentos a corrigirem deficiente planeamento. Ora, nas colunas deste jornal, tenho publicado textos a clamar (no deserto) contra a degradação do património edificado público e privado apontando exemplos de imóveis em ruínas a rivalizarem com os massacrados pelas bombas russas na Ucrânia. Os socialistas no poder em Abrantes bem podiam conceber um projecto de apagamento dos aleijões urbanísticos e, aí sim, cooperando com os proprietários dos edifícios degradados de forma a aumentar a oferta de habitações sociais, espaços públicos funcionais (vejam a instalações dos CTT em Rio de Moinhos), criação de uma boa ludoteca-centro de formação digital (a revolução digital está na ordem do dia) sem embargo de outros

melhoramentos nas várias áreas do conhecimento científico, cultural e técnico. Continuarei a clamar mesmo quando a voz me dói, pois não sou fadista!

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/ Debater e prevenir a violência em contexto escolar foi um dos objetivos de uma conferência, uma iniciativa do Correio da Manhã, que decorreu no Edifício Pirâmide, em Abrantes, e que contou com o envolvimento direto da PSP de Abrantes.

OPINIÃO /

Fisabrantes

Centro de Fisioterapia Unipessoal, Lda. Terapia da Fala Dr.ª Sara Pereira

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ECONOMIA /

Um bolo pode ser uma obra de arte // Um bolo é um bolo. Mas um bolo de autor pode ser uma obra de arte e ser uma peça única para um momento especial. Um evento, um aniversário ou, principalmente, um casamento. E é isso mesmo que a chef Gabriela Pinto pretende com a Patisserie Mon Sucré que abriu portas em Abrantes. O espaço não é de uma cozinha enorme ou industrial, mas tem tudo o que Gabriela precisa para criar. E depois tem uma coisa que sempre quis: vidro. Ou seja, quem passar na Rua da Indústria, no espaço do Meu Escritório, pode agora ver também a Mon Sucré e, se passar perto dos vidros, pode ver no interior a chef Gabriela Pinto a criar as suas obras de arte, comestíveis. Gabriela Pinto começou por explicar a sua formação nas artes da doçaria, nomeadamente em confeitaria francesa com o foco na criação. “Gosto muito de ir buscar coisas novas, de testar materiais novos. Na exposição há materiais que estão nos bolos que a maioria das pessoas acredita que não são comestíveis, mas são. Tudo nos bolos é comestível.” A chef explicou ainda que a formação de base que teve em gastronomia apontou a cozinha molecular e isso deu-lhe as condições para poder apostar nesta linha de criatividade na confeitaria. A Mon Sucré aponta como foco a criação e produção de bolos, mas para eventos. E o casamento é sempre um dos principais eventos de uma vida. “Este foco é eu conseguir parte de um momento especial na vida de alguém, de conseguir trazer lembranças para que a pessoa se lembre sempre de nós”, revelou a Chef.

/ Chef Gabriela Pinto

/ A cozinha é toda em vidro para que qualquer pessoa possa ver o processo criativo.

DS Auto quer ter 100 stands no país. O segundo abriu em Abrantes // O grupo empresarial DS começou há 19 anos no ramo dos seguros e consultoria, tendo evoluído depois para a área do crédito. Com o crescimento, no país, a marca DS Soluções entrou na área do imobiliário que juntou aquelas que já faziam parte do portfólio. Agora entrou nos automóveis e abriu stand em Abrantes.

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Nesta altura o grupo DS tem cerca de 400 lojas no país nas várias áreas de negócio que incluem também as viagens, que juntam um total de cerca de 3.500 pessoas nos seus recursos humanos. De realçar que Abrantes já dispõe de uma loja Decisões e Soluções, a trabalhar no imobiliário, Intermediação de Crédito, Mediação de Obras, Construção de Imóveis e Mediação de Seguros. E agora o empresário Paulo Abrantes decidiu avançar em 2023 para o ramo automóvel. A estratégia foi encontrar a pessoa para gerir este ramo que tem como objetivo abrir 100 stands de automóveis usados

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022

no país. O objetivo é criar uma rede que possa ser uma referência no mercado auto de usados. O empresário explicou que entrou no negócio há algum tempo, “mas houve a necessidade de preparar a marca, lançar a marca, preparar o layout dos stands e iniciámos o processo de expansão. Depois foi preparar os stands e começar com as inaugurações”, disse revelando que o primeiro foi inaugurado em Turquel, concelho de Alcobaça, no início de outubro e agora o segundo abriu em Abrantes. A confirmou que já tem mais uma dezena de espaços prontos a inaugurar.

/ Stand fica à beira da EN 2

O processo de encomenda de um bolo é simples, mas complexo. Quando chega, por exemplo, um casal de noivos na maioria das vezes já sabe o que quer. “Eu não copio referência nenhuma porque não abro mão da parte criativa do meu trabalho”, vinca Gabriela Pinto ao mesmo tempo que explica que na conversa faz muitas perguntas “porque a ideia é criar um bolo exclusivo que ninguém mais vai ter igual.” Na conversa os noivos passam todas as referências e gostos e “eu pergunto tudo, mesmo algumas coisas que eles até questionam que há perguntas que não têm a ver com o bolo. Pode não parecer, mas no final, tudo tem a ver com o bolo.” Gabriela Pinto explica que a se-

Paulo Abrantes revelou que desde a fundação do Grupo DS “sempre tivemos objetivo de ter um serviço de importância para a população. Tratamos de compra e venda de casas, tratamos de seguros e créditos bancários (...) começamos a trabalhar na área do crédito, a aconselhar famílias. Na altura era consultoria financeira hoje é intermediação de crédito.” Depois do crédito o grupo de Paulo Abrantes lançou os seguros e em 2011 a imobiliária. A primeira marca lançada foi a Decisões e Soluções, que tem 100 lojas no país, depois chegou a DS Seguros, com mais 100 lojas, a DS Intermediação de Crédito, com 120 lojas no país, lançámos a DS Private e mais recentemente a DS Travel, para além da DS Auto. Vítor Hugo Mendes tem uma vida ligada aos automóveis e destacou que agora há aqui, com a entrada nesta rede, uma nova vida “depois de uma vida ligada aos automóveis.” O empresário abrantino parte para este desafio com o objetivo

guir avança o processo criativo, onde desenha os bolos e envia o esboço para os clientes aprovarem. E quando se olha para a exposição vê-se o bolo e o desenho ao lado. E a pergunta tinha de ser feita. Para lá de Chef, Gabriela Pinto também sabe desenhar. Com alguns risos, a chef brasileira responde que sim, que enquanto jovem desenhou muito a carvão e revela que nessa altura nunca pensou que essa veia de artista viria a ajudá-la na vida de confeitaria. Quando são bolos mais complexos passam sempre por um protótipo porque “nem sempre as coisas saem como as idealizo.” Quanto ao tempo que demora uma encomenda, Gabriela Pinto diz que, depois da primeira reunião, há um período de 15 a 20 dias até ao protótipo que leva cerca de uma semana e, no final, o bolo pode demorar 12 a 15 horas a ser elaborado. E muito importante saber para quantas pessoas de destina o bolo. Já as expetativas da Chef são grandes porque “sinto que as pessoas aqui estão muito abertas a coisas novas e o facto de ser algo diferente tem mercado. Acho que há mercado para todos”, concluiu a chef que se especializou em cake design. A “Quintessência” foi uma “ideia que tivemos para a inauguração da Mon Sucré. É uma exposição para inaugurar a Mon Sucré. O espaço já existia, mas era fechado e surgiu a ideia de fazer uma exposição para mostrar o meu trabalho”, explicou Gabriela Pinto. Quanto ao nome “Quintessência”, tem muito a ver daquilo que são os elementos de tudo, “então seria um quinto elemento que representasse a perfeição da natureza.” Jerónimo Belo Jorge

claro de “dentro de pouco tempo ser o líder de mercado na venda de usados em Abrantes” e acrescentou que a aposta é nos usados “recentes, de vários segmentos.” E naquilo que é a aposta da DS Auto revelou que o stock de automóveis vai começar a crescer até ao final do ano. Ainda em relação aos objetivos há um primeiro passo “consolidar este investimento”, mas já a olhar para o crescimento. “Logo que este investimento esteja sólido, porque não pensar em mais uma localização, que já paira na nossa cabeça.” Vítor Hugo Mendes, tem conhecimento do mercado automóvel, e diz que esta grupo tem condições fantásticas e meios que vão influenciar o negócio, em si.” Há um fator que se prevê poder ser a grande mais-valia, quando abrirem mais stands [a previsão aponta a uma centena] “vamos ter uma disponibilidade de stock muito grande e com vantagens para o cliente.” Jerónimo Belo Jorge


PATRIMÓNIO / NOMES COM HISTÓRIA / Grupo

Rua Actor Taborda / Teresa Aparício

através da nossa redação ou por transferência bancária: NIB 0036 0059 99100093265 67

uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt nasceu em Abrantes a 8 de Janeiro de 1824, mas cedo, apenas com nove anos, rumou a Lisboa, a cargo do avô que depois o pôs a trabalhar numa tipografia, situada no Rossio e pertencente a um tal senhor Motta, grande apreciador de teatro e das artes circenses. Possuía também um barracão na Rua Nova da Trindade onde instalou o chamado então teatro do Ginásio e, por estranha ironia do destino, na sua tipografia trabalhava um rapazito que o destino marcara também para o teatro. O experiente Motta imediatamente detectou o jeito e o interesse que o seu aprendiz tinha por esta arte, pelo que logo pensou em aproveitá-lo, convidando-o a integrar a sua companhia. Taborda estreou-se com 22 anos, com a peça Os Fabricantes de Moeda Falsa e o sucesso viria pouco depois com a sua participação na ópera cómica Velhice Namorada e depois em Miguel, o Torneiro onde desempenhava o papel principal. Sem nunca ter frequentado o Conservatório, o seu desempenho era natural e intuitivo, mas o seu talento era já então inegável. A sua fama foi crescendo e espalhando-se pelo país de tal modo que chegou à casa real e D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, homem culto e grande mecenas, reconheceu imediatamente as suas qualidades naturais que mereciam ser aperfeiçoadas, pelo que lhe concedeu uma bolsa para ir estudar em Paris. Fisicamente considerava-se feio e com a cara marcada por sinais que as bexigas lhe deixaram mas nada disto o impediu de ser não só um grande cómico mas sobretudo um espantoso actor em todos os géneros. A sua

simplicidade e simpatia tornavam-no querido pelo público de todas as classes sociais. Numa altura em que a profissão de actor não era bem vista nem socialmente valorizada, ele com o seu exemplo de vida muito contribuiu para dignificar o teatro e todos os que nele trabalhavam. Várias vezes veio a Abrantes e em 1885, participou mesmo numa récita a favor dos doentes com cólera, epidemia que então grassava no país. Segundo os jornais da altura, a sala estava deslumbrante e a afluência era tanta que para haver ordem na plateia daí por diante não se admitiriam mais pessoas do que aquelas que a casa acomodasse e para isso iriam começar a numerar os bancos o que se fez com bons resultados. Famoso, mas sempre humilde e simpático, faleceu a 5 de Março de 1909 e apenas passados dois anos em 1911, já em Abrantes estavam a erigir em sua honra um monumento que foi colocado num espaço situado mesmo em frente do teatro que tinha o seu nome. O busto em bronze, da autoria do escultor Costa Mota, foi assente sobre uma base de pedra, ornamentada com motivos alusivos ao teatro e onde além da data se pode ler: Ao actor Taborda que nasceu modesto abrantino e morreu glorioso filho de Portugal.

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Esta rua liga o Largo de S. Vicente ao Largo de Santana e antigamente ainda dentro das muralhas, conduzia às saídas de Abrantes para as zonas norte e poente. Talvez por esse motivo um dos primeiros nomes por que é conhecida seja Rua Adiante com o significado de ir para diante, isto é para o exterior da povoação. Em cartas do século XVIII, aparece denominada, pelo menos a parte poente, por Rua da Esperança o que se deve ao facto de ali se ter situado um convento de freiras clarissas e que tinha como padroeira Nossa Senhora da Esperança. Deste, terminado em 1621, restam alguns vestígios, sendo o mais visível uma bela porta trabalhada em pedra calcária e de linhas clássicas, que ainda hoje podemos admirar. Viveram ali as freiras até 1809, altura em que foram desalojadas por alguns terrenos do convento estarem compreendidos dentro do traçado das obras de fortificação que se iam fazer em Abrantes, tendo as monjas sido transferidas para perto de Vila Franca de Xira. Em 1831, por determinação régia, foi o edifício cedido à Câmara para aí se instalar um teatro a que depois foi dado o nome de Teatro Taborda, dado que este ilustre actor abrantino estava então no auge da sua fama. Funcionou o teatro durante cerca de um século e aí se realizaram inúmeras representações teatrais, saraus, bailes, etc.. Foi um local de referência, cultura e convívio para muitos abrantinos que ali passaram horas inesquecíveis. Na década de quarenta do século XX, acabou por ser encerrado porque o edifício já não oferecia condições de segurança, sendo substituído alguns anos depois pelo Teatro de S. Pedro, inaugurado em 1949. Em finais do século XX, o edifício do velho convento voltou novamente à posse da igreja e nesse espaço encontra-se hoje um salão, conhecido por Casa da Esperança, onde decorrem actividades religiosas. Mas quem foi afinal o Actor Taborda? Hoje já é uma figura bastante esquecida, mas no princípio do século XX, foi alguém muito conhecido e estimado não só na nossa cidade, mas no país inteiro. Francisco Alves da Silva Taborda

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Consultas: - Agudo, Ana Paula, Actor Taborda – o riso com forma de arte e de vida, Revista Zahara nº3, Maio de 2004 - Campos. Eduardo, Toponímia Abrantina, edição Câmara Municipal de Abrantes, 1989 - Jornais da época

Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE / Previna quedas e acidentes durante a apanha da azeitona

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O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) - constituído pelas Unidades Hospitalares de Abrantes, Tomar e Torres Novas - inicia hoje nas páginas do Jornal de Abrantes a rúbrica “Saber Saúde”. Iremos trazer mensalmente aos leitores temas diversos sobre Saúde Pública. Queremos falar de Saúde, porque é o tema que é a razão da nossa existência. Da prevenção de doenças à sensibilização e alerta sobre patologias comuns, raras e seus sintomas, da promoção da saúde, com conselhos práticos e dicas para uma vida mais saudável, bem como a quebra de mitos e preconceitos que perduram. Não haverá temas proibidos, nestas páginas gentilmente cedidas pela Direção Editorial do Jornal de Abrantes, a quem deixamos o nosso público agradecimento, pelo incondicional apoio neste projeto de literacia em saúde.

Saímos das portas do Hospital para estas páginas, porque acreditamos que o conhecimento ligado à saúde pode salvar vidas e ajudar a manter a saúde. E porque decorre atualmente a campanha de apanha da azeitona na região do Médio Tejo, tão importante para tantos dos nossos utentes, abordaremos hoje este tema. Queremos sensibilizá-lo para a necessidade do maior cuidado e da adoção de estratégias de prevenção de quedas e de acidentes durante esta atividade. Sabia que todos os anos há dezenas de acidentes e quedas que ocorrem no contexto da apanha da azeitona (manual ou mecanizada) e que originam a necessidade de atendimento no Serviço de Urgência? Falamos de quedas de árvores (que podem muitas vezes ser fatais), traumatismos graves e acidentes com maquinaria pesada. A sinistralidade durante a campanha da azeitona pode também ocorrer nas fases do transporte, ou mesmo no processamento da azeitona no lagar. Estes incidentes podem também ocorrer numa fase posterior do cuidado do olival, nas podas. A

tipologia de acidente continua a abranger quedas acidentais, mas também aumenta a possibilidade traumas por objetos cortantes, os quais podem ser da maior gravidade. Assim, todo o cuidado é pouco na campanha da azeitona. Evite os acidentes e, sobretudo, as quedas. As quedas são, de forma global, um problema de saúde pública de grandes proporções no nosso país. A região do Médio Tejo não é exceção: trata-se do

acidente mais notificado nos hospitais nacionais, do qual cerca de 5% resultam em fraturas e 5% a 11% em outros danos graves. Nos seis primeiros meses do ano, de acordo com os dados reportados pelos Hospitais do SNS ao Projeto EVITA – Epidemiologia e Vigilância dos Traumatismos e Acidentes, do Instituto Nacional de Saúde Pública Ricardo Jorge –, houve 110.505 episódios de urgência hospitalar originados por quedas, em todo o país (dos

quais 3,36% foram socorridos pelo CHMT). As quedas ocorrem essencialmente em contexto doméstico, do lar. É por isso que aumentaram inclusive durante a pandemia. Fique também a saber que a frequência de quedas também aumenta significativamente com a idade. Em todo o mundo, 30% das pessoas com 65 anos ou mais caem uma vez a cada ano, e, entre as pessoas com 85 anos ou mais, essa proporção aumenta para quase 40%. São números preocupantes. Em 2021, o CHMT acudiu a 8.847 episódios de urgências associados a acidentes com quedas. Este número representa mais de dez por cento de todos os episódios de urgência acumulados do ano passado. Houve, pelo menos, 17 internamentos reportados por acidentes com quedas de árvores. Pela sua saúde, exortamos a que, se possível, utilize equipamentos de proteção e, se a sua idade for mais avançada, evite subir a árvores. É preferível utilizar o varejador para ripar a oliveira em segurança - deixando os ramos mais altos por colher - do que colocar em risco a sua saúde ou mesmo a vida.

Prevenção: Diz-me o que comes dir-te-ei que cancro não terás! Será que podemos prevenir o aparecimento do cancro? Será que o comemos diariamente tem impacto nessa prevenção? Respostas a estas perguntas não são fáceis e muitas vezes difíceis de comprovar cientificamente. É claro que nenhum alimento por si só tem propriedades capazes de prevenir o cancro. Segundo o relatório “Estado da Saúde na União Europeia (UE) – 2021”, em 2020 foram diagnosticados cerca de 58.000 novos casos de cancro em Portugal. Na mulher, o cancro da mama, colorrectal e pulmão são os mais frequentes. No homem, o cancro da próstata, colorrectal e pulmão têm maior incidência. As causas para o seu aparecimento são multifatoriais e envolvem uma sinergia entre fatores genéticas e ambientais. Assim, o nosso corpo não é perfeito e às vezes falha! Alguns estudos referem que a falta de exercício físico, o excesso de peso e obesidade, os hábitos tabágicos e alcoólicos, bem como a exposição ambiental potenciam o aparecimento do cancro. De acordo com a “Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro 20212030“, 67,6% da população portuguesa vive com excesso de peso e 28,7% com obesidade. Assim, um dos pilares fundamentais na prevenção do cancro é a alimentação.

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022

Segundo a American Cancer Society (2020), a prevenção do cancro envolve um padrão de alimentação saudável e diversificado, em todas as idades. Na prevenção do cancro da mama, alimentos ricos em carotenos (ex. couve, tomate, cenoura) e alimentos ricos em cálcio (ex. iogurte, feijão, lentilhas, brócolos ou vegetais de folha escura) podem ser utilizados. Já no homem, ingerir muitos alimentos ricos em cálcio parece aumentar o risco de cancro da próstata. No cancro colorretal, a água, cereais integrais ricos em fibras e pobres em açúcares, bem como frutas de peça inteira

e alimentos ricos em cálcio, reduzem o risco de cancro. As carnes processadas e carnes vermelhas em quantidades elevadas aumentam o risco de cancro. No cancro do Pulmão, sobretudo em fumadores, alimentos ricos em vitamina C parecem reduzir o risco. Uma alimentação variada e equilibrada, evitando alimentos industrializados (elevado teor de calorias e sal), parece ter um papel positivo na prevenção do cancro. A dieta mediterrânea, ao contrário da dieta “ocidental”, parece ter um impacto positivo. Dietas pobres em glúten ou estritamente vegetarianas aparentemente não contribuem para a redução da incidência de cancro.

Se tem um diagnóstico de cancro, as estratégias alimentares a implementar deverão ser diferentes. Informe-se com a sua equipa de saúde. Cuide de si e seja feliz! / Unidade de Saúde Pública do ACES Médio Tejo. Com a colaboração de Rui Miranda Alves, Médico Instituo Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa)


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