Jornal de Abrantes - novembro 2022

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uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt Grupo PUBLICIDADE PUBLICIDADE PUBLICIDADE a ¶ 122 ANOS Pág. 6 SARDOAL BOMBEIROS MUNICIPAIS EXISTEM HÁ 69 ANOS MAS AINDA NÃO SÃO CONSIDERADOS “IGUAIS” Págs.16 e 17 VILA DE REI MUNICÍPIO CRIA CARTÃO PARA DESCONTOS NA FATURA DA ÁGUA Pág. 18 MAÇÂO PARQUE DE CAMPISMO E PRAIA FLUVIAL PASSAM A GESTÃO PRIVADA Pág. 8 / JORNAL DE ABRANTES j ABRANTES Fundo de Transição Justa com quatro candidaturas de 50 ME / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas NOVEMBRO 2022 / Edição n.º 5621 Mensal / ANO 122 / DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Médio Tejo: o futuro,os projetos e os desafios Anabela Freitas, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, em grande entrevista ao Jornal de Abrantes. Págs. 3, 4 e 5

O país ainda não saiu da situação de seca mas com as chuvas das últimas semanas, já se respira um pouco melhor e as reservas de água subiram um pouco por todo o lado. Vamos ver o que nos espera ainda o inverno mas continuam as preocupações com os gastos desnecessários e agora agravados com a crise energética. Não vão ser tempos fáceis, acho que já todos nos apercebemos. Mas a esperança num mundo melhor e em paz tem que ser cultivada e praticada em cada ato nosso. Começa sempre por nós, acreditem.

Nesta edição damos início a uma parceria que acreditamos ser valiosa ao nível da literacia na saúde. Chama-se “Saber Saúde” e tem como objetivo ter “cidadãos mais bem informados e capazes de estar mais conscientes sobre um grande número de questões (não só doenças, mas sobre o funcionamento dos próprios serviços de saúde - quantos de nós não nos sentimos completamente perdidos a entrar num hospital...)”

Lembram-se da “novela” em que se viu envolvida a União de Freguesias de Alvega e Concavada? Pois é, parece que as coisas podem agora normalizar e o Executivo eleito nas eleições intercalares pode governar a freguesia. No entanto, o quórum que permite esse funcionamento está no limite. Vamos esperar que o mandato possa ser cumprido e que haja, finalmente, “sossego” naquele órgão governativo.

E por falar em sossego, ainda não é definitivo que as verbas para o Fundo de Transição Justa abarquem empresas não PME. Ou seja, há candidaturas que até já foram aprovadas mas que correm agora o risco de não ter os apoios anunciados. Nesta altura, seria um rude golpe para o concelho de Abrantes e para a região do Médio Tejo. Na grande entrevista que publicamos nesta edição, a presidente a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Anabela Freitas, fala em mudanças de regras a meio do jogo e, apesar de já ter havido conversações em Bruxelas, o tema ainda não viu luz verde. Aguardamos por boas notícias.

Sabia que há um jovem abrantino que assinou um contrato com a editora Warner Music Portugal? A canção “Pôr do Sol ao Luar” já roda nas rádios um pouco por todo o país e o nome de Nelson Bonito começa a ser conhecido no mundo da música. A apresentação ocorreu no dia 21 de outubro na nossa Antena Livre, com o lançamento a nível nacional do novo tema. Desejamos ao Nelson Bonito muitos sucessos pessoais e profissionais.

Ainda na música, o Carlão passou por Abrantes. Esteve na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, no âmbito da “Semana da Igualdade” e do “Dia Municipal da Igualdade” em paralelo com o “Dia da Biblioteca Escolar”. O cantor tem agora, com a empresa Betweien, o projeto “Livres e Iguais”, um Projeto de Promoção de Interculturalismo. Falou aos alunos sobre racismo, segregação étnica e refugiados. Temas cada vez mais importantes e que importa fazer os nossos jovens perceberem o que é uma vida em sociedade e em respeito com todos. Estamos em novembro, boas leituras e, já agora, bom S. Martinho.

/ Naturalidade / Residência : Nasci e vivo em Abrantes.

/ Qual é o seu maior medo? Ficar aquém das minhas capacidades.

/ Que pessoa viva mais admira? Em relação a guras célebres, admiro bastante o Cristiano Ronaldo, por ter vindo do nada e ter conquistado tudo, com muito esforço e dedicação. É um verdadeiro vencedor, com todo o mérito.

/ Onde e quando foi mais feliz? Neste momento estou a viver a fase mais feliz da minha vida, em que o meu sonho de fazer uma carreira no mundo da música se está a tornar realidade.

/ Que talento mais gostaria de ter? Gostaria de saber fazer acrobacias.

/ Se pudesse mudar uma característica em si, o que seria? Não seria tão perfeccionista e auto-crítico.

/ Se soubesse que morria amanhã, o que faria hoje?

Pode ser clichê, mas o que eu faria hoje, era aproveitar o tempo com quem mais amo.

/ O que mais valoriza nos seus amigos?

Valorizo que estejam comigo nos bons e maus momentos.

/ Quem são os seus artistas favoritos?

Tenho muitos, em Portugal por exemplo, admiro bastante o Rui Veloso e as letras do Carlos Tê.

/ Quem é o seu herói da cção? Harry Potter, porque acompanhou a minha infância.

/ Com que gura histórica mais se

identi ca?

Pelas razões óbvias, a gura histórica com que mais me identi co é Jesus Cristo.

/ Quem são os seus heróis da vida real?

Os meus heróis da vida real são o meu núcleo familiar.

/ Onde gostaria mais de viver?

Já fui a França duas vezes e gostei bastante, era um país onde me via facilmente a viver.

/ Se fosse presidente de Câmara, o que faria?

Imagino que ser presidente da Câmara não é uma tarefa nada fácil. O que eu tentaria fazer, era solucionar o máximo possível os problemas da população.

2 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em jornaldeabrantes.sapo.pt RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de: ja EDITORIAL / PERFIL
/ / Patrícia Seixas / DIRETORA / Nelson Bonito
A ABRIR /
Seria uma normal noite de sexta-feira em Abrantes. Havia noite de fados no Mercado e a cidade estava animada. Sem que nada o zesse esperar, a noite de dia 30 de setembro reservava uma animação ainda maior. Numa reunião com os jovens do Interact, nos cafés e nos fados, des lou pela cidade nem mais, nem menos, que o próprio

O Médio Tejo tem de se afirmar como território

// Anabela Freitas assumiu a presidência da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, quando a então presidente Maria do Céu Antunes seguiu para o Governo. A 28 de fevereiro de 2019 assumiu a presidência, tendo sido reconduzida em 26 de outubro de 2021.

// Na sua equipa tem como vice-presidentes os autarcas de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e de Mação, Vasco Estrela, numa estrutura que tem um território com 11 concelhos do distrito de Santarém e dois de Castelo Branco.

// A Comunidade tem um orçamento para 2022 de 11 milhões de euros, mas a sua ação ganha cada vez mais preponderância, porque é um território que ganha escala e que pode, juntamente com a Lezíria do Tejo e o Oeste, avançar para uma unidade territorial de nível II na União Europeia. Nesta entrevista, descomplexada, Anabela Freitas fala de fundos comunitários, desafios, do Tejo, do futuro aeroporto entre outros temas atuais

As CIM têm cada vez mais uma preponderância na definição de políticas e de ações estruturantes no seu território. O Médio Tejo tem a particularidade de ter 11 territórios de Santarém e dois de Castelo Branco. Este fator acrescenta mais complicações técnicas para os serviços na definição das suas estratégias?

Começo por explicar o que são as CIM. As pessoas sabem que exis tem, mas não têm, por vezes, a noção da quantidade de competências que as CIM têm e, cada vez mais, que afetam a vida dos cidadãos des te território.

Em relação à pergunta, é uma dificuldade imensa, porque o nosso país tem uma organização adminis trativa com o Estado central e com os serviços desconcentrados, de pois há casos em que se reportam a distritos, depois ainda temos outra coisa que se chama as grandes regiões, as NUT II. Nós pertencemos, para efeitos de financiamento à região Centro, para efeitos de Or denamento do Território à Região de Lisboa....

... isto é, aprovam estratégias para Lisboa e Vale do Tejo, mas vão buscar dinheiro (fundos co munitários) à região Centro...

... em relação ao Médio Tejo,

temos 11 concelhos do distrito de Santarém que em tudo o que se relaciona com administração des concentrada do Estado é Lisboa e depois temos outros dois para a administração desconcentrada do Estado no Centro. Dou-lhe um exemplo muito concreto: saúde, que é um assunto muito em dia. Para articularmos uma política de saúde, seja investimentos, reabili tação de centros de saúde, temos de articular com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e com a Administração Regional de Saúde do Centro. Apesar de ambas serem administrações regionais de saúde, as estratégias, as velocidades de implementação e até mesmo a opinião sobre o território é completamente diferente. Se juntarmos o facto de aprovarmos a estratégia de Lisboa e Vale do Tejo, mas depois irmos buscar dinheiro ao Centro, temos de estar também alinhados com a estratégia da re gião onde vamos buscar os fundos.

Temos de estar alinhados com o Centro (CCDR), mas não contamos nada para o Centro. Mas somos sempre convidados para estar presentes nas reuniões, mesmo sem direito de voto. E depois discutimos a estratégia de Lisboa, com a qual não temos nada a ver.

Deixe-me dar outro exemplo.

Quando avançou o programa de redução tarifária, inicialmente o Médio Tejo ficou de fora. O apoio ia só até a Azambuja porque Lis boa não entendia quais eram os nossos problemas. Foi uma guerra imensa. Quando falamos em mo bilidade em Lisboa, os problemas são completamente diferentes por isso “perdemos” muito tempo a ir a Lisboa porque tem de haver muita justificação.

Depois ainda há uma visão, nalguns serviços desconcentrados do Estado, que nós somos província. Já me disseram: “eu quando ia, há 30 anos, à província, gostava muito daquilo e gostava que ficasse assim.” Desculpem, mas nós temos os mesmos direitos à qualidade de vida que os cidadãos de Lisboa também têm, de forma diferente. É difícil fazer perceber que nós crescemos de outra forma (numa comparação com Lisboa).

Este caldeirão resolve-se com a criação de uma NUT II?

O que está em cima da mesa, e que vamos ter oportunidade de tes tar no próximo Quadro Comunitário de Apoio, é ser uma sub-região dentro da região de Lisboa e Vale do Tejo. Ou seja, deixar toda a Área Metropolitana de um lado, e nos outros territórios (Médio Tejo, Le-

zíria e Oeste) criar políticas públicas, financiamentos (deixaríamos de ir a Coimbra) para resolver os problemas destas três sub-regiões.

Neste quadro, a CIMT começa a definir trabalho tendo em vista esse futuro, ou está a gerir de acordo com a atualidade?

Aquilo que vai acontecer já no 2030, a CIM do Médio Tejo vai ter instrumentos de financiamento tal como havia no 2020, mas vamos ter instrumentos específicos para políticas que estamos a definir, e

temos estado a trabalhar nisso, as três sub-regiões, numa coisa que se chama Intervenção territorial Integrada de Base Funcional. Ou seja, há projetos comuns às três sub-regiões que vão ter um instrumento financeiro específico. Isto permite testar se é possível criar ou não a sub-região. Também sei que o Governo e a União Europeia tam bém queiram testar isto, que é algo de inovador em Portugal. Apesar de estarmos a testar este modelo, não podemos ficar prejudicados neste novo Quadro Comunitário de Apoio, por isso continuamos a ter acesso aos fundos como se não estivéssemos a fazer este teste.

Está a correr bem esta adapta ção?

Está a correr bem. Estamos já a começar a fechar processos para podermos candidatar quando abri rem os procedimentos.

Fundo para a Transição Justa (FTJ), Portugal 2020 e 2030 e PRR. O que é que está em cima da secretária nestas matérias... … são três gavetas diferentes. No PRR, no âmbito das CIM só saiu um aviso, o que acho ridículo. Candidatámo-nos para a criação de espaços de teletrabalho para trabalhadores da administração

3Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES
ENTREVISTA /
Entrevista por Jerónimo Belo Jorge
Aeródromo de Tancos: “o que está em cima da mesa são dois voos por hora”

pública. Estamos a falar de 127 mil euros para três espaços, ou seja, 40 mil euros para cada um. Isto é de quem não tem a noção do custo das obras na atualidade. Depois há outros avisos para os municípios em que a Comunidade pode dar apoio técnico.

Vamos ao FTJ que esse sim, preocupa-nos muito. Houve um encerramento de uma Central no nosso território e o que estava em cima da mesa era uma com pensação de 90 milhões de euros. Depois, a meio do processo, surge uma ideia peregrina de dividir os 90 milhões em 45 para o nosso território e 45 para aquele território do litoral, “extremamente depri mido”, para dividir pelas vidreiras e cerâmicas. Tomámos posições públicas contra este apoio, não que estejamos contra apoios para as vidreiras e cerâmicas. Mas existem outros apoios. Fomos a Bruxelas e sabemos que o processo foi tra vado em Bruxelas. O que é certo é que houve abertura de processo para intenções de candidaturas e teve uma resposta interessante. E houve já um primeiro aviso de can didaturas e o fundo de 45 milhões está quase esgotado e que tem 14 candidaturas. Ainda não abriram aviso para todas, ainda não abriu aviso de candidatura para a área de inovação. Abrindo esse aviso, de acordo com as intenções apre sentadas, vamos ultrapassar lar gamente esse valor dos 45 milhões. O argumento que nos dizem é que somos um território que tem vindo a perder população, o que é verdade, e que os 45 milhões chegam. As candidaturas dizem outra coisa. E mostram ainda outra coisa: quando abrem candidaturas direcionadas para determinados territórios, as empresas até estão interessadas. Quando abrem para o nível nacional, o litoral absorve-as. Mas esta é a verdadeira coesão, quando abrem candidaturas específicas para ter ritórios deprimidos. É outro ar gumento que cai por terra. Agora vêm com outro argumento (17 de outubro) e que é não aprovar candi daturas de empresas que não sejam PME*. Quando abriu o aviso, isso não constava das condições. Não podemos mudar as regras a meio do jogo. E se queremos investimen tos nestes montantes, não é uma PME que tem “arcaboiço” para um investimento de 11 ou 12 milhões.

O facto de estarmos numa ter ra de ninguém também dificulta muito as negociações. O Centro diz-nos “vocês vêm aqui buscar o dinheiro, mas eu não conto com vocês nos votos para implementar as nossas políticas”, ou seja, isso dificulta-nos muito.

Portugal 2020. A CIM, nas oito do Centro, estamos em terceiro lugar na taxa de execução. E du rante um ano, no PEDIME, os municípios estiveram a adiantar os

pagamentos um ano. Num projeto de bicicletas também tivemos um atraso na execução. Mas podíamos ter executado mais se nos tivessem aprovado as candidaturas.

E no Portugal 2030 o que é que está a sair da gaveta?

Ainda vamos negociar. Há uma alteração muito grande. Temos estado a fazer pressão numa matéria que é a renovação das condutas de água, que vai passar a ser ge rido pelas CIM. Não faz sentido falarmos em eficiência de gestão da água, seca, quando temos na base condutas com 40 ou 50 anos. O saneamento é importante, mas a renovação das condutas da água é tão ou mais importante que o saneamento. Estamos a fazer pressão junto do Ministério do Ambien te para esta questão, mais do que construir novas estradas.

Uma coisa que também reivin dicamos é no financiamento para Património Cultural. No 2020 só era considerado património na cional. E nós temos nas nossas vi las e aldeias património cultural muito importante, mas que não é património nacional. Era muito importante haver financiamento para essa área, sendo património de interesse municipal. Já sabemos

quais são as 13/14 linhas de finan ciamento do 2030 e os municípios já responderam (à CIM) quais os projetos que têm prontos a poder ser candidatados. Queremos ter, em negociação com a CCDR, ter ali na ordem dos 125 a 150 milhões de euros para execução do programa. Já temos as prioridades de cada um dos municípios e estamos a preparar um documento que servirá de base para a negociação.

Temos um projeto de ciclo vias entre os municípios, tudo o que é mobilidade, serviços onli ne, sapadores florestais que estão no âmbito da CIM. No âmbito da transferência de competências da Proteção Civil, queremos assumir algumas dessas competências para adquirir equipamentos que sejam necessários na região e que não são necessários a todas as corporações. Temos trabalho feito com o coman do distrital.

As CIM têm muito trabalho no território, mas o cidadão tem conhecimento do que fazem as comunidades ou ainda não?

Acho que ainda não. Repare, o distrito de Santarém tem duas comunidades e uma vai ao Centro e outra ao Alentejo. E leva muitos anos a perceber isto. Podemos ter uma política regional de habitação. E de mobilidade, que por acaso vai mais adiantada. Temos de ter uma política de trabalho da região e não de Abrantes, Tomar ou Sardoal. Neste momento há 13 mercados de trabalhos segmentados. Temos de criar um. Até porque temos muito vincada a área logística. Temos o maior “porto seco” do país Riachos/ Entroncamento e, portanto, a logís tica é muito importante para nós. Mas para isso precisamos de mobi lidade, de uma região, porque não é só o Entroncamento ou Torres Novas que vão fornecer aqueles pos tos de trabalho ao porto seco. Isto demora muito tempo a trabalhar.

A mobilidade é um dos processos mais adiantados. Há o Link, o Transporte a Pedido e, recente mente, os transportes públicos do Médio Tejo foram adjudica dos, em pacote, para toda a re gião...

... Sem dúvida. Um cidadão que resida em Tomar, mas que tenha oportunidade de trabalho em Sar doal tem de ter possibilidade de se deslocar para o Sardoal. E são questões fundamentais e que de vem ser trabalhadas em território e não concelho a concelho.

O Tejo atravessa uma parte do território da comunidade. Que olhar é que têm na CIM para o rio, a seca, a estabilidade dos caudais?

É e continua a ser uma preo cupação e estamos empenhados em encontrar uma solução. A mi

nha opinião pessoal é que não faz sentido falarmos na revisão da Convenção de Albufeira quando os espanhóis se estão a revoltar e não querem cumprir o acor dado. É uma matéria que neste momento não temos posição de força. Coisa diferente é a nossa posição, e no final de setembro com a Lezíria e a Beira Interior, fomos ao Ministério do Ambiente dizer qual. É fundamental a cons trução de uma nova barragem para armazenamento de água e que pode servir também para ir regularizando os caudais do Tejo. É uma posição conjunta e estamos disponíveis para colaborar na dis cussão pública. Falo no projeto do rio Ocreza.

O Castelo de Bode, na sua pleni tude deveria ser olhado de outra forma? É eletricidade, abasteci mento de água a um terço dos portugueses, é âncora no turismo para este território...

... E ainda por cima, para al guns, é quase o único ponto de atração. E acrescentaria uma ou tra coisa e que tem a ver com o abastecimento dos aviões para o combate aos incêndios florestais. É em ano de seca como este que precisamos de ter aqui um ponto de abastecimento de água, porque somos um território com muitos incêndios. A barragem tem uma concessão e que é para produção de eletricidade. E o que pode estar em cima da mesa é um circuito fechado para a produção de eletri cidade. Não sei qual o custo, mas é preferível fazer um investimento destes, a um dia destes não ter mos água para beber, nem para produção de eletricidade.

Apesar de tudo, ao nível de tu rismo o Médio Tejo esteve muito bem, a níveis de 2019, e nesse ano até houve Festa dos Templários que pode ter tido influência nos números desse ano. Há uma conciliação a ser feita. Mas se me perguntarem qual a prioridade entre produção de eletricidade, turismo ou abas tecimento de água, obviamente que a prioridade será sempre o abastecimento público.

Castelo de Bode, Fátima e Con vento de Cristo são as grandes âncoras de turismo na região. Como é que podem alavancar o turismo no território?

Médio Tejo ninguém associa, pelo que as portas de entrada eram Fátima e Tomar. Por isso fizemos o programa Stay Over Fátima/Tomar, durou um ano, mas houve municípios que não beneficiaram desta ação. Se calhar temos de envolver os operadores privados para poderem criar pacotes em que os turistas fiquem mais tempo na região, mas serem os próprios operadores a levá-los aos territórios, temos pinhal, museus e outras ofertas.

4 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 ENTREVISTA /
Castelo de Bode: “obviamente que a prioridade será sempre o abastecimento público”
CCDR’s: “O facto de estarmos numa terra de ninguém também dificulta muito as negociações”
Emprego: “Temos de ter uma política de trabalho da região e não de 13 territórios”

Aeroporto ou aeroportos. A CIM envolveu-se na ideia de voos civis em Tancos e agora surge aqui ao lado a ideia de que pode “ater rar” o aeroporto internacional de Lisboa…

Vamos começar por Santarém. É óbvio que um aeroporto junto à nossa zona, à nossa região, vem alavancar o desenvolvimento, permite a criação de postos de traba lho, atrai empresas, para além de melhorar as vias de comunicação. E nesta matéria parte dos nossos municípios até têm boas vias de co municação, mas poderá melhorar ainda mais. Temos de estar agrada dos e Deus queira que venha para a nossa região.

Ao mesmo tempo, temos a ques tão de Tancos. Dissemos, desde o início, que Tancos não concorria com os aeroportos nacionais, Al cochete e Montijo, que era o que se falava na altura. Objetivamen te, temos um possível problema no território. Ou seja, temos uma infraestrutura militar que se tem vindo a deteriorar porque não tem tido investimento. Ponto 1: a pre sença militar no nosso território é histórica e nós queremos manter a presença militar. Mas se se pu der aproveitar aquela infraestru tura com investimento privado, dissemos desde o início que não queríamos investimento público,

para termos aqui uma utilização mista, era o ideal. Primeiro passo que demos foi com o Ministério da Defesa que não se opõe a esta utilização mista. E a partir daí foi começar a fazer estudos.

Mesmo que o aeroporto inter nacional venha para Santarém, e isso foi dito aqui pelos promoto res do aeroporto de Santarém, são complementares porque corremos em pistas diferentes. Não houve qualquer tipo de incompatibiliza ção entre as estruturas. Para per cebermos a ordem de grandeza, para Tancos, o que está em cima da mesa, são dois voos por hora. E

há privados interessados em fazer o investimento global, sabendo que há períodos do ano em que pode não haver voos civis, porque este continuará a ter também voos militares.

Para finalizar, qual o grande desafio para os próximos meses para o território do Médio Tejo?

O grande desafio, são dois, ambos estão relacionados com dinhei ro. O que temos aqui mais urgente é o Fundo para a Transição Justa. Temos de ter aqui investimento que compense, recompense, du plamente recompense o encerra mento da Central do Pego e é um desafio para “amanhã”. Temos de ter marcação cerrada. Segundo desafio é a negociação que vamos começar para o próximo ciclo de financiamento, o Portugal 2030. É importante fazer perceber que nós temos especificidades diferentes da CIM de Leiria e, para determinadas linhas, precisamos de ter aqui um olhar diferente para a nossa região. Vai ser um processo duro, longo e está em cima da mesa.

E os aumentos dos custos com energia não são um desafio?

Nas questões da energia, dos 13 municípios, não estamos todos na mesma situação. Há municí pios com a maioria dos contratos

no mercado regulado, portanto, o impacto do aumento das tarifas de energia foi inferior.

Onde estamos numa forma transversal e idêntica, é em rela ção ao gás. Por isso a CIM, tal como alguns municípios só por si, está a trabalhar numa coisa que se chama Comunidades de Energias Reno váveis. Há municípios que estão a avançar sozinhos porque pela dimensão e pelos consumos podem comportar mais do que uma Co munidade de Energias Renováveis, mas na CIM já lancei o debate para podermos avançar com um estudo para que depois cada município possa tomar a sua decisão e que passará por termos uma Comuni dade de Energias Renováveis no Médio Tejo. E é mais uma coisa que contribui para nos afirmar mos como região. Há aqui uma discussão: só edifícios públicos ou também para os privados. Eu de fendo que devemos envolver aqui também as empresas por forma a podermos ter um custo de energia mais baixo para as empresas.

*Entrevista realizada a 17 de ou tubro. A limitação das candidaturas ao Fundo de Transição Justa ape nas para PME terá sido ultrapassa da depois de intervenções da CCDR Centro e da própria Comunidade Intermunicipal.

5Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES PUBLICIDADE ENTREVISTA /
Portugal 2030: “É importante fazer perceber que nós temos especificidades diferentes da CIM de Leiria e precisamos de ter aqui um olhar diferente”

Fundo de Transição Justa conta com quatro candidaturas de 50ME no concelho

// São quatro as candidaturas para o concelho de Abrantes no âmbito do Fundo de Transição Justa. A informação foi avançada pelo presidente da Câmara de Abrantes no período antes da Ordem do Dia na reunião de dia 6 de outubro.

Num investimento elegível de “apro ximadamente 50 milhões de euros”, as empresas que concorreram são uma PME (Pequena Média empresa) e três não PME’s, informou Manuel Jorge Valamatos que disse “depositar aqui grandes expetativas” e desejou que “este processo possa ser célere.

Já no que diz respeito à região do Médio Tejo “há um investimento elegí vel de 234 milhões de euros”. Segundo o autarca, “há uma manifestação de interesse já objetivada com candidatu ras de grande relevância em termos de investimento para a região”.

À margem da reunião do Executivo, aos jornalistas, Manuel Jorge Valama tos reiterou a “enorme expetativa de vermos concretizados estes investimen tos no nosso concelho, com a criação de muitas dezenas de postos de trabalho e uma valorização imensa para a nossa economia local e regional”. As “grandes expetativas” estendem-se ao “novo Aviso que agora saiu e destas empresas que manifestaram a intenção da sua candi datura em tempo oportuno”.

Quanto às quatro candidaturas que dizem respeito ao concelho de Abrantes, “são de quatro empresas diferentes”, quer na área da metalomecânica, quer na produção e transformação de carnes e outras na área da energia, como con firmou Manuel Jorge Valamatos. “São quatro investimentos muito robustos e muito interessantes para a nossa eco nomia local e regional”, disse.

O autarca adiantou ainda que “es tes quatro grandes investimentos (...) estão agora numa fase de análise por diferentes entidades e cremos acreditar que vão ser apoiados e, fundamental mente, que vão ser operacionalizados e tornar-se uma realidade nos próximos tempos”.

O presidente da Câmara de Abrantes disse também “esperar que os novos avisos possam vir a encaixar um con junto de outras intenções que já foram manifestadas e que tudo isto arraste um nível de investimento muito signi ficativo para o nosso concelho e para a nossa região”.

No que se refere a outras intenções manifestadas mas que não foram consi deradas nos Avisos publicados até ago ra, o presidente da Câmara de Abrantes

explicou que “em sede de manifestação de intenção houve um conjunto de em presas, sobretudo na área da tecno logia e da ciência que manifestaram essa vontade de fazer investimento em Abrantes”. No entanto, “este Aviso não se dirigiu para essas empresas mas va mos esperar que o próximo aviso possa encaixar esses possíveis investimentos que também entendemos de grande oportunidade e de mais valia para o concelho e para a região”.

Bruxelas assustou autarcas com eventuais alterações das regras

A notícia foi conhecida a 17 de outubro. A União Europeia poderia dar uma machadada no Fundo para a Transição Justa no Médio Tejo com a introdução de uma norma que, a ser aplicada, viria a impedir as empresas que não são PME, ou seja, empresas de grande dimensão, de serem consideradas no concurso em andamento.

Esta norma poderia ser introdu zida quando já estão em análise no IAPMEI e no AICEP os 14 projetos que se candidataram ao aviso em causa, num programa que tem uma dotação financeira de 45 milhões de euros.

A notícia avançada pela rádio An tena Livre dava conta ainda que o processo estava e está a ser gerido com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, entidade que geriu o lan çamento do aviso e recebeu todas as candidaturas que foram apresen tadas.

Anabela Freitas, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, lamentou esta situação e considera-a muito preocupante (ver entrevista nas páginas 3 a 5 desta edição).

A presidente da CIMT disse ao Jor nal de Abrantes que “quando abriu a intenção, isso não estava no aviso. Eu não posso estar a dizer a uma empresa que não seja uma não PME [e muitas das candidaturas apresenta das são de empresas não PME] que a meio do jogo mudamos as regras.” E acrescentou que “estamos a falar de investimentos de milhões.”

Manuel Jorge Valamatos, presi dente da Câmara de Abrantes, ficou

estupefacto quando foi confrontado com esta “possível limitação” e acrescentou que das quatro candidaturas para o concelho de Abrantes, três são não PME e, por isso, poderiam ficar fora do processo. Diz estar otimista e revelou ter esperança que esta “limi tação” não aconteça.

O Jornal de Abrantes sabe que os alarmes soaram tanto na CCDR Centro como na CIM Médio Tejo, pelo que na semana de 16 a 21 de outubro decor reram um conjunto de reuniões em Portugal e em Bruxelas no sentido de explicar a Bruxelas a injustiça desta medida, tanto mais que nem estava considerada nos pressupostos para as pré-candidaturas ou no aviso de candidatura.

Em resposta a questões colocadas pelo Jornal de Abrantes, a CCDR Centro confirmou que o Aviso N.º 03/ SI/2022 - Apoio à diversificação eco nómica para uma Transição Justa no Médio Tejo, “encerrou no dia 16 de setembro com a submissão de 14 candidaturas, que totalizam um in vestimento elegível de 134,5 milhões de euros e apoio FEDER solicitado de 46,1 milhões de euros”. Acrescenta ainda a entidade que “neste momen to, as candidaturas foram encami nhadas para análise dos Organismos Intermédios ( IAPMEI e AICEP).

Já acerca das dificuldades colo cadas por Bruxelas no acesso de em presas não PME a este programa, a CCDR Centro apenas confirma que a negociação com Bruxelas está a decor rer. Fonte bem colocada acrescentou, entretanto, que a negociação está bem encaminhada, mas ainda não há, ofi cialmente, via aberta para que as empresas não PME sejam consideradas neste programa de ajuda ao território derivado do encerramento da central a carvão do Pego.

AGRADECIMENTO CHMT

Venho expressar o meu agradecimento a todos os que me acompanharam durante os dias de internamen to no Hospital de Abrantes.

A todos os que trabalham na UOM - Unidade de Observação Médica e no serviço de Medicina 1 - A, o meu muito obrigada.

O trato, o carinho e os cuidados que me dispensaram, revelam equipas de pro ssionais de excelência com um grau elevado de humanismo e pro ssionalismo.

6 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 REGIÃO /
/ Ponto de Injeção na Rede na Central do Pego

Abrantes

Câmara aprova apoio a novo Lar de Vale das Mós no valor de 60 mil euros

O presidente da Câmara de Abrantes explicou que se trata de um investimento privado, “na ordem dos três milhões de eu ros” e que vai criar entre 25 a 30 postos de trabalho. Manuel Jorge Valamatos adiantou que a nova infraestrutura “vai dar resposta a muitos idosos de forma quali ficada”.

O novo Lar terá capacidade para 56 utentes.

À margem da reunião de Câ mara, o presidente do Município explicou que, “no âmbito do Pro grama PARES, um programa de apoio às residências para idosos”, houve instituições do concelho que viram as suas candidaturas aprovadas e, para quatro IPSS, o apoio supera os dois milhões de euros. Foram realizadas reuniões entre a Câmara e as instituições “para perceber de que forma é que podíamos apoiar a concretização destes objetivos, nesta altura tão difícil para estas organizações”.

No entanto, “noutro programa de financiamento, surge esta Asso ciação de Vale das Mós, que tam bém viu a sua candidatura apro vada por Fundos Comunitários”.

Na sequência de várias reuniões realizadas entre a Autarquia e a Associação Social “A Mós e a Água, “chegámos a um entendimento de 60 mil euros, neste caso par ticular, para apoiar a compra de todo o equipamento da cozinha e da lavandaria. Esta é a forma que entendemos que era importante dar um apoio, nesta altura mui to difícil para as nossa IPSS. Um apoio que se torna importante na quele que é o trabalho, no fundo, da comunidade civil, em torno de objetivos de melhoria das condi ções para os nossos idosos”.

A ERPI que vai nascer em Vale

das Mós ultrapassa os três mi lhões de euros de investimento, “é uma unidade completamente nova, ao exemplo daquilo que vai acontecer também em Tramagal”.

Manuel Jorge Valamatos con firmou que “o nosso concelho, ao exemplo daquilo que acontece no país, precisa deste incremento de valorização das respostas para os nossos idosos”.

O protocolo entre a Câmara Municipal de Abrantes e a Asso ciação Social “A Mó e a Água” foi assinado no dia 25 de outubro.

De referir que a Câmara de Abrantes já tinha assinado este ano um protocolo igual com o Centro Paroquial de Rossio ao Sul do Tejo.

Em fevereiro deste ano Manuel Jorge Valamatos já tinha anun ciado que havia “um conjunto de IPSS que nós sabemos que têm intenção de apresentar projetos no âmbito do PRR. No entanto, no âmbito do PARES, um programa do Governo, houve quatro insti tuições que viram os seus projetos aprovados”.

Essas instituições são o Centro Social e Paroquial de Nossa Se nhora da Oliveira, em Tramagal, “que vai, de facto, construir um novo Lar, de raiz”, o Centro Social Paroquial de Rossio ao Sul do Tejo “que está já em obras de requali ficação de toda a sua infraestru tura e valorização do espaço”, o Centro Solidariedade Social do Souto “também com um trabalho extraordinário de requalificação e valorização do edifício” e também a ACATIM – Associação Comuni tária de Apoio à Terceira Idade de Mouriscas, “que viu um projeto aprovado no âmbito da eficiência energética e da melhoria das suas instalações”.

Em Rossio ao Sul do Tejo, Sou to e Mouriscas trata-se “de valori zar o que já existe e melhoria das condições estruturais e organiza tivas que têm, mantendo postos de trabalho e criar dinâmicas de apoio aos nossos idosos, que é o que temos que apoiar e nos preo cupa. Temos que estar ao lado destas instituições que estão a fazer um grande investimento e estamos a falar de mais de dois milhões de euros nestas quatro instituições”.

7Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO /
// O Executivo Municipal de Abrantes aprovou, no dia 6 de outubro, por unanimidade, um apoio de 60 mil euros à Associação Social a Mó e a Água, de Vale das Mós. Em causa está a construção de uma nova ERPI - Estrutura Residencial para Pessoas Idosas que está a ser edificada de raiz naquela freguesia.
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/ Nova ERPI está a ser construída em Vale das Mós e contou com o apoio da Câmara de Abrantes

Parque de Campismo e praia fluvial vão para concessão

De acordo com a informação avançada em reunião do executivo municipal o processo terá de ser remetido e aprovado em Assem bleia Municipal para que o pro cesso esteja em condições de ser publicitado no início do ano.

Vasco Marques, vereador da Câ mara Municipal de Mação, apre sentou a proposta, e explicou aos jornalistas, os motivos pelos quais o parque vai passar para gestão privada.

De acordo com a informação disponibilizada o parque de cam pismo tem tido sempre uma gestão municipal, mas apresenta prejuízos financeiros anuais consecutivos. E este é, basicamente, o motivo pela mudança de estratégia.

Vasco Marques explicou ainda que já houve uma tentativa de con cessionar a gestão, no início deste ano, mas que o tempo da mesma, na altura, não seria atrativo para os potenciais interessados.

Agora chegou-se à conclusão que o período de concessão por períodos de três anos, no máximo de 9 anos (três contratos de três anos cada) é mais viável até para eventuais investimentos dos con

cessionários em qualquer uma das infraestruturas.

Ainda de acordo com a infor mação avançada pelo vereador, apesar de a exploração ter prejuízo, os números de utilizadores têm vindo a subir, já desde a pande mia. E este ano, até setembro, os números são ainda mais animadores segundo o autarca que revelou que está concessão vem juntar-se aos investimentos que o município tem feito na freguesia de Ortiga. E lembrou o núcleo museológico, a que se juntam os passadiços das lagoas do Tejo, a ligação entre o parque e estes passadiços e ainda a pista de pesca desportiva, localizada na margem sul, mas que está ou voltou a estar utilizável.

Se todo o processo correr den tro da normalidade a proposta de concessão será votada na próxima assembleia municipal para que o concurso seja lançado no início de 2023 por forma a que a concessão possa estar concluída por alturas da Páscoa. Vasco Marques apontou essa expectativa de ter o processo fechado muito antes de se iniciar a época balnear.

O parque de campismo de Orti-

ga fica localizado perto da praia flu vial, na Barragem de Belver. É um espaço que pode acolher campistas ou caravanistas, tendo zonas para tendas e outras para caravanas e roulottes. E como está aberto todo o ano, o parque tem clientes que fazem o aluguer todos os espaços de forma permanente, podendo usufruir em qualquer altura, não apenas no período de verão.

Com este modelo de concessão o vereador acredita que há investidores interessados neste concurso, tanto mais que a autarquia pre tende com a operação manter o parque aberto 365 dias do ano e com parâmetros de qualidade se melhantes aos que são prestados agora, com gestão municipal.

Recorde-se que em março des te ano já esteve em discussão na Assembleia Municipal de Mação uma proposta de abertura de pro cedimento para concessão da ex ploração da Albufeira e Parque de Campismo de Ortiga. Nessa altura a proposta apresentada executi vo municipal, tinha sido aprovada pela maioria social democrata, com 8 votos contra da bancada do PS. Na mesma reunião a oposição não

se mostrou convencida pela expli cação da autarquia.

Na mesma reunião o presidente da Câmara afirmou que a proposta apresentada, naquela altura, era concessionar um espaço público a um privado ou associação. E afir mou que a inspiração para esta proposta tinha sido no modelo de concessão do parque de campismo aplicado pelo município de Cons tância.

Agora a proposta à diferente e foi baseada em opiniões de priva dos e potenciais investidores, já que com a concessão por períodos de três anos, com duas renovações por igual período, ou seja, 9 anos no total, poderá permitir ao vencedor da concessão a amortização de investimentos que sejam necessários. O objetivo é manter, pelo menos, os mesmos parâmetros de qualidade do serviço já prestado.

O roteiro do campista apresen ta este parque da seguinte forma: ”Parque de Campismo está classi ficado com três estrelas e dispõe de várias facilidades para os seus utentes, desde pagamentos por MB, Wi-Fi gratuito, zona para tendas e caravanas que proporcionam som

bra para cerca de 42 alvéolos e li gação elétrica (10 Amp), Teepees, blocos sanitários adaptados para pessoas com mobilidade reduzi da e água quente gratuita, sala de convívio equipada, minibiblioteca, televisão, máquina do café e arca congeladora, minimercearia, má quina de lavar roupa, lava-loiças com água quente gratuita, grelhadores comuns, estacionamento gra tuito, restaurante e bar a cerca de 200 metros, no exterior.

A 500 metros do Apeadeiro da Barragem de Belver (linha da Beira Baixa) e a 100 metros da Praia Fluvial de Ortiga que proporciona faci lidades para o desenvolvimento de atividades em grupo ou individuais, em contacto direto com a natureza, tais como, canoagem, gaivotas a pedais, slide, rappel, escalada, e pesca desportiva. A praia dispõe de um parque de merendas com grelhadores comuns e uma rampa de acesso a barcos, motas de água, e similares. Nas proximidades, tem também a possibilidade de explorar os percursos pedestres existentes desfrutando de paisagens que es tamos certos serão do seu agrado.”

8 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022
REGIÃO / Mação
// Localizado perto da Barragem de Belver, o Parque de Campismo de Ortiga vai passar a ter uma gestão privada. A câmara Municipal de Mação vai lançar um concurso público, no início do próximo ano, para concessionar o Parque de Campismo. E a concessão engloba também a Praia Fluvial de Ortiga e ainda o bar da Praia Fluvial

Autarquia quer saber posição do Turismo de Portugal sobre o Hotel da Vila

A Câmara Municipal de Cons tância aprovou, por unanimida de, a caducidade do alvará para a construção do Hotel de Constância, cuja empresa promotora era a Vila Poema – Sociedade Exploração e Gestão Hoteleira, Lda.

O presidente da Câmara Munici pal de Constância, Sérgio Oliveira, explicou que esta caducidade é um processo administrativo que tem de ser feito. Indicou ainda que não houve, por parte da empresa pro motora, o passo para renovação do alvará.

A informação do autarca foi avançada em reunião do executivo municipal realizada no início de outubro.

Em declarações aos jornalis tas, no final da reunião, Sérgio Oliveira, vincou que este é um procedimento administrativo que teria de ser feito. “Notificámos o requerente, que no período de au diência prévia não se manifestou e daí a proposta de declarar de forma executiva aquele licencia mento” explicou o autarca que

acrescentou que esta decisão pode vir a ser revertida no futuro. Caso este ou outro promotor que possa mostrar interesse em concluir as obras pode sempre requerer “o averbamento do alvará e a reno vação do respetivo alvará”.

Ainda de acordo com a informa ção avançada por Sérgio Oliveira, há no processo uma outra entidade que tem um papel fundamental em todo este processo. Trata-se do Turismo de Portugal que apoiou financeiramente este projeto.

Neste o presidente revelou que já questionou o Turismo de Portugal sobre a situação do empreendimento. É que nada poderá ser feito ali sem a concordância do Turismo de Portugal.

E depois acrescentou ainda que até poderá ser o Turismo de Portugal a avançar com a obra do hotel, como, disse Sérgio Oliveira, já aconteceu noutros casos.

No entanto, o Turismo de Portu gal ainda não respondeu à Câmara de Constância o que leva Sérgio Oliveira a dizer que no final deste mês poderá insistir nos pedidos de esclarecimento junto daquela entidade.

Sérgio Oliveira indicou que o Turismo de Portugal tem um “fundo próprio para concluir as obras e depois colocariam em arrendamen to pelo período de 10 anos e opção de compra para quem quisesse comprar no final do investimento.”

Lembre-se que quando foi apre sentado, o Villa Tejo Nature & Spa Hotel, unidade distribuída por 2, 5 hectares de área, previa a construção de 28 quartos duplos, 10 suites, 5 suítes premium com jacuzzi na varanda, SPA com piscina interior, jacuzzi, banho turco, sala de rela xamento e massagem com duche, restaurante, bar e auditório. No exterior estava previsto a existên cia de áreas verdes de utilização comum, percursos pedestres, e de btt, zonas de estacionamento, uma esplanada panorâmica e uma pisci na exterior para adultos e crianças.

A nova unidade hoteleira iria gerar, de acordo com indicação dos promotores, em setembro de 2018, 30 postos de trabalhos diretos e 42 durante a época alta.

9Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO /Constância PUBLICIDADE af Imprensa Abrantes Campanha armações 257x140mm.indd 1 13/09/2022 18:53
/ As obras do hotel, à entrada de Constância, estão paradas decisões do Turismo de Portugal
“Até final de outubro não havia qualquer resposta do Turismo de Portugal”

Oliveira do Mouchão e espartaria em livro, quadro e filme

A SIFAMECA, em Mouriscas, foi transformada para receber a apresentação do documentário “Esparteiros, A Arte de Entrela çar”, do livro “Oliveira do Mouchão, Monumento Vivo”, e da pintura a azeite da Oliveira mais antiga da Península Ibérica.

Esta apresentação vem atrasada porque a pandemia a isso obrigou, mas o lançamento tinha de ser feito e tinha de acontecer no local onde a espartaria ainda é a vida de uma fábrica.

A nave da SIFAMECA foi arru mada para criar a plateia para os convidados, mas manteve a ma quinaria, matéria-prima e produto acabado em redor da cerimónia para que os convidados pudessem apreciar como é trabalhado o cairo. Sim, porque o esparto, comprado em Espanha ou Marrocos, deixou de ser a matéria-prima na década de 60 e foi substituído por corda de cairo, importado da Índia.

O Livro

Francisco Lopes, autor do livro “Oliveira do Mouchão, Monumento Vivo”, começou por revelar a “esco lha de Paulo Alves para fazer este trabalho. O Paulo faz ilustração científica.”

Depois deixou algumas infor mações para que a plateia pudes se perceber que para além da sua formação tem uma paixão, de anos, pelas árvores. “As árvores são a base da vida na terra e tenho uma grande paixão pelas árvores”, dis se acrescentado que a Oliveira do Mouchão é, só por si, com 3350 anos um monumento muito mais importante do que qualquer outro monumento construído. E muito mais antiga. E há, de acordo com Francisco Lopes, uma outra abor

dagem, é que na história e ao longo dos tempos podemos olhar para a vida em que os animais mudam consoante as necessidades de caça, ou do clima ou para procurarem melhores locais de vida. As árvores ficam e não mudam. E resistem ao passar dos anos, às intempéries e por aí fora.

O autor do livro é do Pego, mas revelou o amor pelas Mouriscas: “Eu amo as Mouriscas, vinha para aqui quando era criança. Os meus pais vinham para a agricultura e eu vinha com eles, passávamos o rio na Barca do Pego e andava por aqui todos os dias”.

Francisco Lopes evocou a Oli veira do Mouchão como patrimó nio que pode ser ligado a outro que existe aqui à volta. Património construído, como a fábrica de ca pachos [SIFAMECA]. O canal de Alfanzira, no Tejo. A Anta do Rio Frio, que sendo concelho de Mação agora, outrora era desta região que

não tinha divisões administrati vas ou territoriais. As azenhas das ribeiras. A Senhora da Guia, em Concavada. “Foram estas as razões que me levaram a este livro”, disse o autor.

O Quadro

Há um livro, mas há também uma tela, um quadro pintado por Massimo Esposito que mostra a Oliveira do Mouchão não sua pleni tude. A árvore frondosa e imponen te, com um tronco que releva muita vida, muitos anos, e de onde escorre muito azeite. Foi desta forma que o pintor italiano, radicado em Abrantes há 26 anos, começou este projeto que a Câmara de Abrantes lhe propôs: pintura de várias árvores com azeite. A pandemia veio e bloqueou tudo, mas este está feito e pode agora ser adquirido, em cópia serigrafada.

Massimo Esposito disse que apurou a técnica de pintura em

azeite há dez anos. E confirmou que foram precisas muitas horas para pintar. “Utilizei o azeite com pigmentos. Cada folha, e são mui tas, tem várias tonalidades, por isso foi um trabalho de muitas horas”, disse o pintor que revelou, quando fez a pintura, tentou fazer as con tas a quantos quilos de azeitona terá produzido esta árvore. “Tinha que mostrar a grande generosidade (através do azeite que escorre do tronco) desta árvore. Demorou tempo, mas foi um trabalho muito agradável.”

O Filme

À parte da Oliveira do Mouchão, mas sempre com ligação ao azeite, ou à sua extração, a SIFAMECA resultou, na década de 60, de uma união de grande parte das oficinas que existiam na aldeia para produção de ceiras e capachos, através do esparto.

A SIFAMECA chegou a ter 70 trabalhadores e uma produção 100 mil capachos por ano, para além de muitas carpetes. Os tempos mu daram, as tecnologias também e a arte de entrelaçar cordas de cairo (ou nylon) tem hoje três trabalha dores. E corre o risco de se perder.

Foi nesse sentido que o programa Tradições, da Fundação EDP, apoiou em 2018 um conjunto de trabalhos no sentido de guardar as memórias da espartaria. Pri meiro com um livro e agora com um documentário realizado por Miguel Dinis.

E foi o próprio que agradecei a possibilidade de realizar um documento que fica para todo o sempre a mostrar esta arte de entrelaçar.

Miguel Dinis explicou que co nhecia os capachos, como produto da região, mas com contacto que

Bemposta já tem área de descanso para autocaravanistas

A obra foi simples, mas impor tante para a terra, para o concelho e para a Estrada Nacional e, assim como a inauguração, realizada no sábado, dia 29 de outubro.

Há, ao logo dos mais de 700 km da Nacional 2, áreas de descanso ou paragem para caravanas, mas algu mas estão distantes ou no centro de vilas e cidades e esta, em Bemposta, fica à beira da mítica estrada nacio nal. “É uma obra simples, mas mui to importante. Outros locais do país podiam pôr os olhos nesta obra.”

A afirmação é do ex-presidente da Associação Nacional de Autocara

vanistas, Manuel Bragança, que foi convidado para esta inauguração.

Manuel João Alves, presidente da Junta de Freguesia de Bempos ta, era um autarca satisfeito por ter esta obra concluída e disponi bilizada, pois os caravanistas já po dem parar na nova área. E vincou a presença do atual presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Ma nuel Jorge Valamatos, que ainda como vereador iniciou o caminho da realização de contratos interad ministrativos com as freguesias. E este parque foi feito precisamente com recurso a essa plataforma de

teve com a produção foi quando co meçou a preparar o documentário.

“Os verdadeiros protagonistas são aqueles que aparecem no do cumentário, as pessoas que fazem parte deste projeto”, disse o rea lizador acrescentando que o Eva risto Valente, a Maria Albertina, o Raúl Grilo ou o Armando Ferreira, contaram na primeira pessoa as histórias que vão ficar na história desde documentário.

“Há no concelho mais profissões em risco real de desapareceram, e nunca é demais fazer com que isso não aconteça”, realçou Miguel Dinis que assinou o seu primeiro documentário.

Manuel Jorge Valamatos, pre sidente da Câmara Municipal de Abrantes, evocou o trabalho ex traordinário desenvolvido através de uma parceria com a Fundação EDP.

Depois deixou a nota de que esta apresentação tem dois anos de atraso, mas que por causa da pandemia, não foi possível fazer este trabalho.

O autarca vincou que “continua mos a preservar e a reforçar este sentido da nossa identidade”, tendo deixado anda uma palavra para a SIFAMECA, através do tenente coronel Abílio, de saudação pelo esforço que faz a manter este traba lho, ou seja, a arte de entrelaçar o cairo e, com isso, fazer os capachos e os tapetes e carpetes.

No final, porque se falou de azei te, oliveiras e ruralidade, foi feita uma prova de azeite novo, acaba do de sair do lagar, com azeitonas também da safra deste ano e não faltaram as famosas passas fritas das Mouriscas.

transferência de competências.

Aquele espaço estava em terra batida, era um espaço destinado a equipamento público, quando ali foi desenhada uma urbanização.

Manuel João Alves referiu que o parque tem seis espaços para auto caravanas, um para autocarro e cer ca de uma dúzia para automóveis. Teve um custo de cerca de 30 mil euros. E todo o espaço envolvente tem muitos motivos relacionados com a ruralidade da aldeia.

O presidente da Junta de Fre guesia tem uma expetativa muito grande de, muito em breve, conse

guir ter naquele parque um posto de carregamento para automóveis elétricos.

Manuel Jorge Valamatos desta cou a importância deste parque para a freguesia de Bemposta e para a Rota da Estrada Nacional n.º 2. Disse ainda que os contratos interadminis trativos servem para isto mesmo, para melhoramentos nas freguesias. E se em Bemposta este acordo visou o turismo, porque têm a Nacional 2 ao lado, noutras freguesias terão outras atrações que poderão ter pro jetos com apoio municipal.

10 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 REGIÃO / Abrantes
/ Luís Filipe Dias, Manuel João Alves, Manuel Bragança e Manuel Jorge Valamatos

Mestre José Pimenta em exposição no MIAA

// As duas salas de exposições temporárias do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) de Abrantes inauguraram no sábado passado as exposições “Rio”, do mestre José Pimenta, e “As Minhas Arqueologias”, de Heitor Figueiredo. São exposições de pintura e escultura que vão ficar disponíveis para visita até 26 de fevereiro do próximo ano.

No dia 14 de setembro, o Município de Vila de Rei recebeu o parecer favorável da candidatura ao PDR2020 - Operação8.1.3 - Prevenção da floresta contra agentes bióticos e abióticos, tendo como objetivo a instalação de mosaicos de gestão de com bustível no território noroeste do conce lho de Vila de Rei, “porta de entrada” da maioria dos grandes incêndios registados no território.

Dado que a mencionada área sofre fre quentemente com fenómenos decorrentes dos chamados incêndios de importação, foi entendido pelo Município de Vila de Rei, com o apoio da Secretaria de Estado das

Florestas e do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, que esta área deveria ser alvo de uma gestão que garan tisse o efeito tampão da progressão destes incêndios. Tendo em conta que o Municí pio de Vila de Rei está a implementar no terreno três AIGP - Áreas Integradas de Gestão da Paisagem, com objetivos concre tos de melhoria da gestão florestal e do seu ordenamento, estes Mosaicos e Parcelas de Gestão de Combustíveis reforçam essa estratégia de gestão, com claros benefícios em matéria de Defesa da Floresta Contra Incêndios.

A instalação destes Mosaicos de Parcelas de Gestão de Combustível na área mencio nada, caracterizada pela presença de um povoamento de Pinheiro Bravo com inte resse para gestão futura e de preservação do seu património genético, terão como objetivos claros: aumentar a resiliência aos incêndios rurais, condicionar o comporta mento e a propagação dum incêndio na pai sagem, minimizar o impacto dos incêndios e restabelecer o potencial produtivo.

As ações a implementar no terreno ca racterizam-se, de acordo com a informação

/ O artista natural do Souto e a residir em Rio de Moinhos emocionou-se ao falar da sua obra

do Município, por operações de desbaste, desramação, podas de formação (medro nheiro e sobreiro), silvicultura preventiva, remoção do material lenhoso cortado e transporte a carregadouros posteriormente definidos na área de intervenção e Des troçar/estilhar o restante com diâmetro inferior a 3 cm.

O montante aprovado para as inter venções em questão é de 531 483.22 eu ros, comparticipado pelo PDR2020 a 90%, suportando o Município o restante valor, assim como o correspondente IVA.

11Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES CULTURA /
/ Mestre José Pimenta

Todas as operadoras apresentam valores acima dos 97% de cobertura de rede

// No âmbito do Estudo de Aferição da Qualidade de Serviço das Redes Móveis na ótica do utilizador, entre os dias 21 e 23 de junho, foi realizada uma campanha de testes e medições para avaliar o desempenho dos serviços de comunicações eletrónicas terrestres e verificar os níveis de cobertura dos operadores MEO, NOS e Vodafone no concelho de Abrantes.

Os dados das operadoras no concelho de Abrantes foram apresentados no dia 14 de outu bro pela ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, e o estudo incluiu a cobertura de rede, as chamadas de voz e a utilização de dados móveis de internet.

Apesar do concelho apre sentar algumas zonas conside radas negras, ou seja, com má cobertura de rede, o concelho de Abrantes, não tendo a cober tura ideal, também não é dos concelhos com mais problemas, como confirmou João Cadete de Matos, presidente da ANACOM.

Segundo o estudo da ANA COM, no concelho de Abrantes é a operadora Vodafone que regis ta melhores resultados, sendo que ao nível da existência de rede, A MEO regista 98,8%, a NOS 97,5% e a Vodafone cobre 99,1% do concelho.

É em algumas localidades da União de Freguesias de S. Mi guel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, freguesia de Bem posta, União de Freguesias de S. Facundo e Vale das Mós, Fre guesia de Carvalhal e Freguesia de Fontes que a qualidade de cobertura da rede dos operado res é pior.

O raio-x de todos os lugares de todas as freguesias do conce lho foi feito por Vítor Rabuge, diretor-geral de Supervisão da ANACOM, cuja equipa esteve no terreno a fazer o estudo da qualidade de serviço da rede móvel mas também a verifica ção das obrigações de cobertu ra. O presidente da entidade, João Cadete de Matos, afirmou, no entanto, que até ao final do próximo ano, praticamente todo o território terá cobertura. Isto porque o Leilão do 5G também impôs obrigações de cobertura.

A questão do chamado roa ming nacional continua a ter a resistência dos operadores em Portugal mas, após as condições impostas no leilão do 5G, Cade te de Matos acredita que esta é uma luta que vai ser ganha pelos consumidores.

Apesar das boas notícias, há ainda uma questão a resolver com as operadoras no mercado nacional: os processos de fide lização de clientes. A Lei está

feita e impõe limites aos valores de rescisão, resta agora regula mentar para que entre em vigor.

Mas para um melhor serviço, o futuro parece apontar para… o satélite. João Cadete Matos explicou a possibilidade de co bertura das zonas brancas, sem cobertura de qualquer rede e que pode assentar na internet via satélite, do qual o caso mais conhecido é a constelação Star link..

A finalizar a sessão que teve lugar no Edifício Pirâmide, o presidente da Câmara de Abran

tes disse que viu confirmado o que ouve dos presidentes de Junta. Manuel Jorge Valamatos pediu ao presidente da ANA COM para que pressionem o que for possível para equilibrar as igualdades no território.

De referir que para este es tudo, a equipa da ANACOM per correu cerca de 700 quilómetros no concelho de Abrantes, tendo sido realizadas 1484 chamadas de voz, 1455 testes de velocidade da ligação à internet e 120.737 registos de sinal rádio.

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO

Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540

EXTRATO DE JUSTIFICAÇÃO

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas CENTO E DEZOITO e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número DEZOITO – A, MARIA DE LOURDES DE OLIVEIRA DIAS MARTINS, NIF 120.834.200 e marido MANUEL MARTINS FRANCISCO, NIF 149.968.825, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia e concelho de Vila de Rei, onde residem habitualmente na Rua do Funchal, número 30, freguesia de Casal de Cambra, concelho de Sintra, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, dos seguintes imó veis, todos sitos na freguesia e concelho de Vila de Rei e omissos na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei: UM - Prédio rústico, composto de terra de pinhal, mato e sobreiros, sito em Vale Marmeleiro, com a área total de cinco mil e seiscentos metros quadrados, a confrontar do norte com Ribeiro, do sul com Ramiro Mendes da Silva, do nascente com Maria de Lurdes e Outro e do poente com José Maria Luís, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 15248, com o valor patrimonial tributário de 231,44 euros; DOIS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e vinha, sito em Pedregal, com a área total de quinhentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com José de Oliveira Dias, do sul com Maria José de O. Dias Martins, do nascente com Manuel Henriques António e do poente com Luís António, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 13921, com o valor patrimonial tributário de 38,21 euros; TRÊS - Prédio rústico, composto de terra de cultura arvense de regadio e pinhal, sito em Gueirão, com a área total de três mil e cem metros quadrados, a confrontar do norte com Raul de Oliveira Pedro, do sul e do poente com José Luís Martins e outro e do nascente com Ribeiro, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14989, com o valor patrimonial tributário de 217,48 euros; QUATRO - Prédio rústico, composto de terra de olival, cultura arvense de regadio, pinhal e mato, sito em Várzea da Besta, com a área total de oito mil e cem metros quadrados, a confrontar do norte com Pedro António Martins, do sul com Ribeiro, do nascente com Maria José de Oliveira e do poente com Rafael Pereira, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 13951, com o valor patrimonial tributário de 400,52 euros. Que desconhecem a proveniência dos artigos, em virtude de não terem obtido qualquer informação nesse sentido, apesar das buscas efetuadas. Que os imóveis acima identificados foram adquiridos pelos justifican tes por doação meramente verbal que deles lhes fizeram os pais da justificante mulher, Joaquim Dias e Lucília de Oliveira, ela já falecida, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram no lugar de Eira Velha, freguesia e concelho de Vila de Rei, feita em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e noventa e nove e, portanto, há mais de vinte anos, ao tempo os justificantes já no estado de casados entre si no indicado regime de bens. Que desde que as mesmas doações foram efetuadas até esta data, sempre eles justificantes usufruíram dos citados imóveis, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisas exclusivamente suas, adquiridas de anteriores proprietários, cultivando-os, limpando-lhes o mato, pagando as respetivas contribuições e deles retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre os ditos imóveis o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de proprieda de perfeita.

Está conforme.

Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois.

A Notária,

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540

EXTRATO DE JUSTIFICAÇÃO

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas CENTO E CATORZE e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número DEZOITO – A, MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA DIAS MARTINS, NIF 120.834.197 e marido ANTÓNIO ALVES MARTINS, NIF 105.886.068, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia e concelho de Vila de Rei, onde residem habitualmente na Rua Vale Gamito, número 14, Eira Velha, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis, todos sitos na freguesia e concelho de Vila de Rei e omissos na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei: UM - Prédio rústico, composto de terra cultura arvense e oliveiras, sito em Vale da Porta, com a área total de duzentos e noventa metros quadrados, a confrontar do norte com Joaquim Dias Urbano, do sul e do nascente com José de Oliveira Dias e do poente com Herdeiros de Joaquim Nunes Cardiga, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 13961, com o valor patrimonial tributário de 22,48 euros; DOIS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal, mato e sobreiros, sito em Ribeira, com a área total de quatro mil e novecentos metros quadrados, a confrontar do norte com José Eduardo Gaspar Martins, do sul e do poente com Mário Aparício Dias e do nascente com Ribeiro, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14978, com o valor patrimonial tributário de 193,56 euros; TRÊS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e mato, sito em Ribeiro, com a área total de dezoito mil metros quadrados, a confrontar do norte e do poente com Abílio de Oliveira Martins, do sul com António Martins Salgueiro e do nascente com Ribeiro, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14391, com o valor patrimonial tributário de 572,94 euros; QUATRO - Prédio rústico, composto de terra de pinhal, mato, sobreiros e pastagem, sito em Várzeas, com a área total de dez mil e oitocentos metros quadrados, a confrontar do norte com Herdeiros e Francisco Aparício e outro, do sul com Francisco Rodrigues, do nascente com José Maria de Oliveira Dias e do poente com caminho, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14935, com o valor patrimonial tributário de 447,81 euros; CINCO - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e eucaliptal, sito em Covão do Moinho, com a área total de nove mil e seiscentos metros quadrados, a confrontar do norte com João Farinha António, do sul com Américo Pires Dias, do nascente com caminho e do poente com Henrique da Silva, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 14247, com o valor patrimonial tributário de 500,29 euros; SEIS - Prédio rústico, composto de terra de pinhal e vinha, sito em Pedregal, com a área total de quinhentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com Maria de Lurdes O. D. Martins, do sul e do poente com Augusto da Silva Henriques e do nascente com Manuel Henriques António, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo, 13920, com o valor patrimonial tributário de 38,21 euros. Que desconhecem a proveniência dos artigos, em virtude de não terem obtido qualquer informação nesse sentido, apesar das buscas efetuadas. Que os imóveis acima identificados foram adquiridos pelos justificantes por doação meramente verbal que deles lhes fizeram os pais da justificante mulher, Joaquim Dias e Lucília de Oliveira, ela já falecida, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram no lugar de Eira Velha, freguesia e concelho de Vila de Rei, feita em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e noventa e nove e, portanto, há mais de vinte anos, ao tempo os justificantes no estado de casados entre si no indicado regime de bens. Que desde que as mesmas doações foram efetuadas até esta data, sempre eles jus tificantes usufruíram dos citados imóveis, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisas exclusivamente suas, adquiridas de anteriores proprietários, cultivando-os, limpando-lhes o mato, pagando as respetivas contribuições e deles retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre os ditos imóveis o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita.

Está conforme.

Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, vinte e oito de outubro de dois mil e vinte e dois.

A Notária,

12 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022
REGIÃO / Abrantes
Patrícia Seixas / João Matos, presidente da ANACOM, fez a apresentação do estudo
C M Y CM MY CY CMY K Floene_PressRegional_JornalAbrantes_257x310 AFp.pdf 1 18/10/2022 18:02

Nova da Barquinha

Campanha para poupar energia já teve uma diminuição de 21 mil euros

O Conselho de Ministros defi niu, em 27 de setembro, “medidas preventivas que permitam fazer face à atual situação e a eventuais disrupções futuras, tendo sempre em vista a garantia da segurança do abastecimento de energia”, pode ler-se no documento.

No âmbito das recomendações do Conselho de Ministros, a Câ mara Municipal de Vila Nova da Barquinha decidiu igualmente implementar algumas medidas preventivas para a poupança de energia e água, “essencialmente nesta fase conturbada que vivemos em termos internacionais”.

Com as medidas já implementa das para a redução do consumo de energia, o Município de Vila Nova da Barquinha já conseguiu uma diminuição de 21 mil euros. No entanto, não é só na energia que está concentrada a preocupação.

Em curso está uma campanha de sensibilização para a poupança de água, que foi aprovada por unani midade em reunião do Executivo e que visa “uma maior eficiência, me nos desperdício e mais poupança”.

A campanha destina-se à po pulação em geral e vai ser feita através da comunicação social, websites, redes sociais e outros meios próprios do Município.

Fernando Freire, presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, explicou ao Jornal de Abrantes que a Câmara já está “a monitorizar contador a contador” em termos de energia. Esta medida já permi tiu, “nomeadamente no primeiro semestre, uma poupança de muito perto de 21 mil euros em termos de energia”. No entanto, adiantou, “não deixa de ser uma preocupação porque a energia está sempre a au mentar e, de facto, estamos a fazer uma avaliação mensal de contador a contador”.

Para a obtenção destes resultados, a Câmara implementou aceleradores de velocidade nas piscinas, com vista à eficiência energética “toda a iluminação dos campos de futebol passou para leds, nomea damente o Campo de Futebol da Atalaia”.

No que diz respeito à ilumina ção pública “também houve um grande esforço” com a maioria da freguesia de Atalaia a ter já ilu minação em leds. “Há de facto al gumas mitigações de energia que têm repercussões significativas na

fatura”, afirmou o autarca.

Fernando Freire também explicou que a Autarquia está a traba lhar com a Médio Tejo 21, “os nossos assessores na área da eficiência energética, no sentido de “dotar mos as piscinas municipais como Comunidade de Energia Renovável (CER), bem como a Zona Industrial, as escolas do concelho, nomeada mente a D.ª Maria II, aproveitando ainda esta CER para alocar IPSS como a Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova da Barquinha e os Bombeiros Municipais, no sentido de atenuar a fatura energética”.

Mas há uma medida que o presidente já decidiu que iria imple mentar este inverno. Trata-se da proibição do uso de aquecedores por parte dos funcionários da Au tarquia. “Durante o inverno, os fun cionários trazem aquecedores de casa. Há que sensibilizar para que percebam que o problema energéti co vai voltar no final deste ano. Vai ser complicado e, provavelmente, vamos ter horas de corte de ener

gia elétrica. Gostava de estar enganado, era bom sinal. Era sinal de que a situação tinha acalmado em termos internacionais mas tenho algumas reservas relativamente a esta temática. Convém alertar, por isso, para a não utilização de elevadores, no apagar das luzes e do ar condicionado ao final do dia de trabalho”. Para o presidente da Câmara, “há também que sensibi lizar os funcionários”.

Maior vigilância e campanha de sensibilização para poupar água Passando para o âmbito da água, Fernando Freire relembrou que já há um projeto que foi feito para aproveitar fundos comunitá rios e que tem a ver com a requa lificação de todo o sistema de rega dos nove hectares do Barquinha Parque. “Vai ser tudo monitoriza do e recuperado também tendo em vista a eficiência energética”, disse, adiantando que “estamos a fazer o levantamento, contador a

contador, de todos os consumos dos jardins”. É que o Município detetou situações “excessivas” que já foram regularizadas pois “já mandei cortar, até porque estamos a entrar no período de inverno”. O Município procede agora à monitorização des ses consumos “para percebermos a causa dos valores extremamente excessivos” das situações identi ficadas.

“Das duas, uma”, acrescentou o presidente da Câmara, “temos que apurar qual o valor eficiente,

em termos hídricos, dos sistemas de rega para sabermos do que re querem os espaços mas com muita parcimónia. No próximo Orçamen to também já estamos a prever a criação de captações próprias e não da rede pública da água, para atenuarmos a nossa fatura da água e para reforçarmos a eficiência hídrica porque a poupança da água é fundamental nos dias de hoje”.

Quanto à campanha de sensi bilização, nas piscinas, ginásio e outros locais com grande consumo de água, passará “por duches mais rápidos, distribuição de flyers, co locação de autocolantes nos respetivos locais para que se utilize água com regra”.

Fernando Freire mostrou-se consciente de que “isto não vai lá com leis”, tem mesmo que passar pela sensibilização das pessoas para que percebam, de uma vez por todas, que a água é um bem cada vez mais escasso e estas medidas são “do interesse de todos”.

14 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 REGIÃO / Vila
/ Sistema de rega do Barquinha Parque vai ser todo requali cado para uma maior e ciência energética // Com as medidas já implementadas para a redução do consumo de energia, o Município de Vila Nova da Barquinha já conseguiu uma diminuição de 21 mil euros. No entanto, está também em curso uma campanha de sensibilização para a poupança de água, que foi aprovada por unanimidade em reunião do Executivo.
/ Cláudia
Miranda
Município já detetou situações “excessivas” nas regas de jardins públicos

Projeto Fénix renova floresta numa área de 500 hectares

// É um projeto da Altri que, tal como o nome indica, Fénix, pretende renovar a floresta numa área de cerca de 500 hectares que arderam em 2017. E sem custos para os proprietários.

A Altri avançou com um projeto de re cuperação de áreas ardidas no concelho de Vila de Rei, depois dos fogos de 2017 que assolaram todo o centro do país. A ideia é recuperar todo o potencial produtivo destas áreas que não tiveram qualquer intervenção humana depois dos incêndios, ou seja, na maior parte dos casos a madeira ardida continua na floresta que se renovou sem qualquer ordenamento. Esta é uma intervenção, na grande maioria, em áreas de eucalipto, mas que foram sendo abando nadas pelos seus proprietários.

Pedro Morais Barbas, da gestão fundiá ria e abastecimento da Altri, explicou ao Jornal de Abrantes, que este é um projeto da empresa que quer melhorar e valorizar as árvores nos cerca de 500 hectares que estão a ser intervencionados. O objetivo claro é melhorar, sem qualquer custo para os proprietários, os eucaliptos que já têm quatro e cinco anos para que daqui a três possam ser colhidos para a indústria da pasta de papel. E se agora não há custo nem receita para os proprietários, quan do for a altura de os cortar haverá, com toda a certeza, um melhor pagamento aos proprietários.

O responsável da empresa explicou que, neste momento, os proprietários só têm de autorizar a Altri a entrar nos seus terrenos e a fazer a limpeza dos mesmos. A desbas tar as espécies, potenciando os melhores exemplares, e fazendo a limpeza de todas as madeiras ardidas que ainda não foram recolhidas. O proprietário, se assim o en tender, pode recolher toda a matéria que fica no terreno, entre a madeira ardida ou o desbaste da limpeza, porque a empresa não faz qualquer recolha desta biomassa. “Ou é

recolhida pelos proprietários ou fica como matéria morta para dar mais nutrientes aos solos” explicou Pedro Morais Barbas, expli cando de seguida que o objetivo da empresa é melhorar a produção de eucalipto para que as celuloses os possam comprar daqui a três anos. E com esta ação estão a promover o ordenamento florestal diminuindo o risco de ocorrência de incêndios florestais. Sabendo que todo o território que está a ser intervencionado assenta na base do minifúndio e com dificuldades em cadas trar todos os terrenos, os técnicos da Altri têm ajudado os proprietários, sempre que possível, num processo que no início cau sou muita desconfiança ou estranheza por ser tudo gratuito.

“A ideia de ninguém dá nada a nin guém existiu, mas depois os proprietá rios começaram a perceber que não têm custos e que podem vir a ganhar quando venderem os eucaliptos. E desta forma também ficam com os terrenos mais pro tegidos contra os incêndios”, revelou Pe dro Morais Barbas.

O responsável indicou ainda que este é um processo que não tem nada a ver com as Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP). E em Vila de Rei estão duas em formação. Esta é uma intervenção para po tenciar as áreas que já têm eucaliptos que estão a crescer de forma desordenada. A Altri não vai plantar ou replantar qualquer árvore naquele território.

“O que fizemos foi identificar uma área territorial que tenha eucaliptos as cres cer de forma desordenada e que esteja ao abandono depois dos incêndios. E estamos a fazer a limpeza e a potenciar o crescimen to de eucaliptos para que sejam vendidos

daqui a dois ou três anos”, diz o técnico da Altri que confirmou que, neste momento, os proprietários estão muito mais disponí veis para autorizar a entrada nos terrenos. Aliás, todo o trabalho de limpeza é feito de forma manual, a moto-serra. Não entra qualquer maquinaria pesada no meio da floresta.

Depois também ajudou o facto de a empresa ter um espaço físico no mercado municipal também ajuda a colmatar esta estranheza inicial em relação ao projeto. É por isso que se chama Fénix. É uma forma de renascer das cinzas. E o facto, dizem os técnicos da empresa é que grande parte dos territórios não tiveram qualquer interferência humana depois dos fogos de 2017, estando ainda pelas propriedades as madeiras queimadas nesse verão.

Pedro Morais Barbas vincou ainda que não serve de nada termos uma floresta abandonada ou sem ser cuidada. Não ser vem para empresas e os proprietários não têm qualquer receita por terem uma pro priedade. “Aquilo que queremos é melhorar os exemplares para a indústria.”

A Altri é um produtor europeu de refe rência no setor de pasta de papel, sendo um dos mais eficientes produtores da Europa de pasta de eucalipto branqueada.

Atualmente, a Altri tem três fábricas de pasta de papel – a Celbi, a Caima e a Bio tek – com uma capacidade anual nominal superior a 1 milhão de toneladas.

A gestão florestal é uma atividade cen tral da Altri, que tem, em Portugal, sob gestão cerca de 86,3 mil hectares de floresta certificada. A auto suficiência florestal é da ordem dos 20%.

Jerónimo Belo Jorge

Local: Mercado Municipal de Vila De Rei, 1º Piso Horário: Segunda: 14:00h - 17:30h

Quarta e Sexta: 9:30h - 13:00h

CONTACTE-NOS 964 590 697 913 565 870

projetofenix@altri.pt

Objetivos

Promover o potencial produtivo nas zonas fustigadas pelos incêndios, executando de forma

as seguintes operações de manutenção:

Redução de carga de combustível; Eliminação de espécies invasoras; Incremento de rentabilidade; Corte de varas mortas; Seleção de futuras varas; Apoio no processo de cadastro (BUPi) .

Critérios de Elegibilidade e Condições

Localização

15Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES
Limpeza de povoamentos ardidos de eucalipto sem qualquer custo ou compromisso comercial para o proprietário
Recuperação de áreas ardidas
Vila de Rei
gratuita
do povoamento a Sul da Nacional 348 e Oeste da Nacional 2; Povoamento de eucalipto afetado pelo incêndio, com densidade mínima de cepos; Sem qualquer compromisso comercial. 1. 2. 3. A �oresta gerida pela Altri Florestal é certi�cada
/ Pedro Morais Barbas (à esquerda)
é
um dos responsáveis pelo projeto Fénix

69 anos a servir

mas ainda se fala de injustiça nos Bombeiros Municipais

// Os Bombeiros Municipais de Sardoal, fundados em 1 de outubro de 1953, celebraram o seu 69.º aniversário com uma sessão solene no Centro Cultural Gil Vicente onde foram condecorados bombeiros da corporação.

Os anos de pandemia tornaram impossível comemorar a data como habitualmente mas, no dia 22 de ou tubro, os Bombeiros Municipais de Sardoal realizaram uma cerimónia para a celebração do 69.º aniversá rio da corporação.

Perante bombeiros, entidades e familiares, Nuno Morgado, coman dante dos Bombeiros de Sardoal, começou por lembrar os tempos de pandemia e o trabalho dos soldados da paz que nunca viraram as costas, mesmo perante o desconhecido.

“Após estes dois últimos anos e meio de pandemia Covid-19, impor ta reconhecer o trabalho que todos vós, sem exceção, têm prestado à população. Muitas vezes sob pres são da situação pandémica e da sua dificuldade, numa fase inicial, de autêntico desconhecimento sobre esta doença, promovendo receios e ansiedade em todos nós e nas nos sas famílias. Os Bombeiros nunca viraram as costas àquilo que eram as necessidades de todos aqueles que de nós necessitavam. Por esse trabalho, devemos estar eternamen te gratos a todos eles”, disse Nuno Morgado.

Os incêndios florestais deste ano não foram esquecidos pelo coman dante dos Municipais de Sardoal que reconheceu que nem tudo cor reu bem mas que serviu de apren dizagem. Disse que “importa recor dar o esforço despendido, quase

desumano, para conseguir debelar estes incêndios sob condições de propagação extremas, bem paten tes nos danos provocados, tanto a nível ambiental e social, como nos próprios meios de socorro”. Contudo, “não podemos dizer que tudo correu bem”, acrescentou o comandante, adiantando que “tal como no passado, identificámos as nossas oportunidades de melhoria, tanto ao nível do planeamento e organização, como ao nível da for mação”. Nuno Morgado deixou, no entanto, a garantia de que quer a população do concelho de Sardoal, quer a população da região, “podem continuar a contar com este Corpo de Bombeiros e seus operacionais, devidamente capacitados e prepa rados, para os proteger”.

A remodelação das instalações do Quartel, “com mais de trinta anos”, e a ampliação e remodela ção do centro de meios aéreos não foram esquecidas por Nuno Mor gado que relembrou que “temos de tirar da gaveta o projeto da Casa da Proteção Civil Municipal”, cuja recusa no financiamento continua “atravessada na garganta” do co mandante.

de alguns apoios governamentais. Nuno Morgado instou o presidente da Câmara de Sardoal para “que não desista e continue a investir na proteção e socorro da população do concelho e dos seus cidadãos. Pediu ainda que, “em conjunto com outros municípios”, Miguel Bor ges “continue a pressionar a tutela para que reconheça esta tipologia de corpos de bombeiros como verdadeiros parceiros do sistema e que, de uma vez por todas, também passe a subsidiar o seu funciona mento e prontidão”.

Adelino Gomes, presidente da Federação dos Bombeiros do Dis trito de Santarém, elogiou os Bombeiros de Sardoal dizendo que “são daqueles que se destacam neste distrito”. Falou de mais um ano “difícil, que parecia começar mui to calmo mas que depois tivemos todas aquelas situações muito com plicadas no concelho de Ourém, no de Abrantes e aqui no de Sardoal e que nos trouxeram grandes compli cações”. Não foi pior, disse Adelino Gomes, “porque vocês, bombeiros de Sardoal e os do distrito, soube ram por, acima de tudo, o vosso profissionalismo e o vosso discer nimento para podermos resolver as situações tal como o fizemos”.

ao longo dos anos, “sempre muito bem comandados e dirigidos” e “apresentando uma capacidade técnica acima da média na defesa das pessoas, dos seus bens e do ambiente”.

As dificuldades financeiras que os bombeiros enfrentam, as verbas inscritas no Orçamento de Estado e a falta de pagamentos devidos do DECIR deste ano foram abordados pelo secretário da Liga dos Bombei ros. “Foi com surpresa que a Liga pôde verificar, na proposta do Or çamento de Estado para 2023, que as verbas inscritas ficaram muito aquém daquilo que consideráva mos justo e muito abaixo das neces sidades financeiras das entidades detentoras”, observou.

didos e solicitações que lhe foram dirigidos, como não deu qualquer celeridade ao problema, conforme prometido pelo senhor ministro da Administração interna”.

Também o comandante Regio nal de Emergência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo, Elísio Oliveira, agradeceu “a quem dá a vida a salvar os outros”.

O facto de serem Bombeiros Mu nicipais, deixa a corporação de fora

Guilherme Isidro, secretário da Liga dos Bombeiros Portugueses, não poupou elogios aos Municipais de Sardoal de quem disse serem,

O secretário da Liga dos Bom beiros Portugueses reconheceu que “a sobrevivência financeira é um problema transversal a todos” e divulgou ainda o que considerou ser “completamente inadmissível”. Guilherme Isidro assegurou que “ao dia de hoje, já passado o nível IV do DECIR [Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais], o mais gravoso dos incêndios flo restais e mais 120 dias de susten tabilidade de operações, as enti dades detentoras não tenham sido ressarcidas de qualquer valor das verbas que tiveram que assumir”. O comandante afirmou que a “ANEPC não deu qualquer atenção aos pe

Elísio Oliveira falou ainda dos desafios “cada vez maiores e mais complexos” que o futuro prome te trazer, muito devido às altera ções climáticas mas pediu, acima de tudo, que os bombeiros sejam prudentes e zelem pela própria segurança.

“É, de facto, nos bombeiros que as nossas sociedades depositam as mais legítimas expetativas em matéria de proteção e socorro, pelo que a vossa responsabilidade é imensa, cada vez maior”, declarou.

O comandante Regional de Emer gência e Proteção Civil de Lisboa e Vale do Tejo referiu ainda que os Bombeiros de Sardoal “são rostos de proximidade que fazem do Sardoal um lugar mais resiliente perante a adversidade e mais seguro perante a imprevisibilidade”. Elísio Oliveira terminou deixando um apelo aos soldados da paz: “olhem por vós, zelem pela vossa segurança”. Dei

16 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022
REGIÃO / Sardoal
Bombeiros Municipais são “verdadeiros parceiros do sistema”
“Não arrisquem para além do necessário”

xou uma mensagem de incentivo, “mas também de prudência”. “Não arrisquem para além do necessário e não negligenciem nunca as regras de segurança”, pediu.

Já com o crachá de Cidadania e Mérito ao peito (ver caixa), foi um Miguel Borges emocionado que falou a seguir. A paixão que move um bom beiro e os momentos que já foram vivenciados, bem como os anos de pandemia, não foram esquecidos pelo presidente da Câmara. “É nor mal dizer que a pandemia foram dois anos que não contaram para a nossa

vida. Não é verdade. Foram dois anos que contaram e muito para a vossa vida. E se contaram muito para vida de todos nós, foi porque vocês esti veram lá. Os profissionais de saúde tiveram um papel inquestionável em tudo isto, não há dúvidas, mas quem entrou nas casas de habitação sem saber o que é que lá estava, naquilo que era uma grande incógnita nos primeiros tempos, sem saber o que era aquela pandemia, foram vocês. Quem entrou nos lares, muitos deles ilegais, com condições sub-humanas, foram vocês. Foram vocês que esti

veram lá, foram vocês que deram os primeiros carinhos e as primeiras ajudas àquelas pessoas e foram vo cês que as transportaram para os hospitais”, lembrou Miguel Borges.

As críticas ao facto do país não olhar para os bombeiros munici pais de igual modo e as injustiças que se cometem nos financiamentos também foram abordadas por Miguel Borges.

“Orgulhosamente, fazemos parte dos 25 municípios que têm bombeiros no âmbito da Adminis tração Local. Mas não é porque se jamos melhores. Somos diferentes. O que acontece é que há injusti ças enormes e era importante que essas injustiças não existissem”, disse o presidente da Câmara de Sardoal.

Miguel Borges defende que “todos fazem falta e todas as tipolo gias devem existir” e acrescenta que “deve haver um financiamento para os concelhos, de acordo com a tipologia e grau de risco”.

Durante a cerimónia de aniversário, foram ainda distinguidos bombeiros da corporação de Sar doal com a Medalha de Assiduidade Grau Cobre - 5 anos, a Medalha de Assiduidade Grau Prata - 10 anos e a Medalha de Assiduidade Grau Ouro - 15 anos. Também foram atri buídas as Medalhas Dedicação de Grau Ouro - 25 anos e as Medalhas Dedicação e Altruísmo - 30 anos.

Por parte da Liga dos Bombeiros Portugueses, foi atribuído o Crachá de Ouro à bombeira especialista Te resa Duarte, “admitida no Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal a 1 de março de 1982” por mais de 40 anos de serviço e ao sub-chefe do Quadro de Honra Vítor Morais, “admitido no Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal a 1 de abril de 1985”, por mais de 36 anos de serviço.

Foi quase antes do término da cerimónia que o protocolo foi colocado de lado pois Guilherme Isidro, o secretário da Liga dos Bombeiros Portugueses, tinha uma surpresa para anunciar.

Já depois de ter colocado no estandarte dos Bombeiros de Sardoal um crachá que simboliza a resiliência dos bombeiros durante a pandemia, Guilherme Isidro tinha ainda outra proposta de atribuição de Crachá de Cidadania e Mérito. Desta vez, ao presidente Miguel Borges, como reconhecimento da “forma empenhada, competente e eficaz como estes anos desempenhou e continua a desempenhar a função de responsável máximo da entidade detentora do Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal”.

O comandante Guilherme Isidro destacou que “a invulgar dedicação, sentido de dever e compromisso que demonstra para com a causa dos Bombeiros Portugueses, marcam todos os atos que o presidente Miguel Borges tem realizado, em especial na permanente

promoção e capacitação, assim como melhoria e evolução técnica, humana e material do Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal”.

Acresce a este facto, “o valoroso e determinante trabalho desenvolvido como presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil de Santarém, de março de 2019 a dezembro de 2021, em plena pandemia de Covid-19”.

Ressalvou ainda que “a sua capacidade de trabalho, aliada a um profundo conhecimento das missões de proteção e socorro desenvolvidas pelos corpos de bombeiros e demais agentes de proteção civil e entidades com dever de corporação, confirmaram-no como uma voz conhecedora e especializada sobre a direção e gestão ao nível da proteção civil e corpos de bombeiros, em especial do Corpo de Bombeiros Municipais de Sardoal, sendo esta reconhecida pelos seus pares”.

Miguel Borges foi então galardoado com o Crachá de Cidadania e Mérito da Liga dos Bombeiros Portugueses.

17Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO / Sardoal
“Há injustiças enormes e era importante que não existissem”
Miguel Borges recebe Crachá por “invulgar dedicação, sentido de dever e compromisso”

Município cria cartão que permite descontos na fatura da água

A Lei Nacional, com as reco mendações da Entidade Regu ladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), tem por base os princípios do poluidor/pagador (quem gasta mais, paga mais), manifestando, no entanto, “preo cupações de cariz social, na me dida em que prevê tarifas sociais, tarifas para famílias numerosas e tarifas para instituições de solida riedade social”.

É então a entidade reguladora que está “a obrigar” os municípios a procederem a alterações nos ta rifários da água e resíduos sólidos urbanos para que a Lei possa ser cumprida. Cada município tem de cobrar aos seus munícipes os servi ços de ambiente, água, saneamento e resíduos, em valor não inferior a 90% do seu custo efetivo.

É que, se esta prerrogativa não for cumprida, as autarquias são obrigadas a devolver as compar ticipações financeiras que rece beram. Esta é uma das premissas dos concursos públicos para estes segmentos de água e resíduos.

Na sequência de toda a proble mática que tem vindo a público acerca das tarifas que alguns muni cípios da região estão a implementar, fomos conhecer a situação em Vila de Rei, sendo que o município é uma entidade gestora.

O presidente da Câmara come çou por explicar o que já foi feito anteriormente pois em fevereiro deste ano o Município de Vila de Rei, “em deliberação da Assembleia Municipal, aprovámos um aumento da água, do saneamento e dos resíduos sólidos nas tarifas, tanto variáveis como fixas”. Ricardo Ai res esclareceu que “como somos uma entidade gestora, a ERSAR disse que o nosso sistema devia de ter uma sustentabilidade de 90%.

Sendo assim, e como sabíamos que não tínhamos porque estávamos abaixo, aumentámos a água e o saneamento na altura”. Isto por que, “tínhamos a certeza absoluta que até dezembro de 2022, íamos chegar aos tais 90%.

No entanto, as contas alteraram -se porque “entretanto, meteu-se a

guerra e há o aumento da eletri cidade”.

O sistema de abastecimento de água do concelho de Vila de Rei é feito através de uma captação da água da albufeira do Castelo de Bode e “é levada, através de mo tores, para a Urgueira e daí é que é feito por gravidade. Mas até à Urgueira, é a eletricidade que nos faz ir buscar a água” E é aqui que a situação “passa do oito para o oitenta”.

Neste momento, “com as contas que temos, o custo da eletricidade em média tensão e a eletricidade especial vai aumentar 600% aqui no Município. E a baixa tensão vai aumentar 100%”. Diz o presiden te que é tempo “de fazer aqueles cálculos todos para ver em quanto é que vai ficar a água e o sanea mento”. Ricardo Aires relembra que, “não fosse o aumento brutal da eletricidade”, com as contas de fevereiro “iríamos conseguir ter o nosso sistema sustentável, não digo a 90% mas a mais de 80%. Ora com este aumento da energia, isso

é impensável e devemos ficar por uns 50%”.

Assim sendo, “para irmos ao encontro da ERSAR, como somos uma entidade gestora e, como os outros municípios, penso eu que ainda somos autónomos, pensamos que ainda podemos fazer o que devemos no que diz respeito à sustentabilidade do nosso orçamento”.

Quer isto dizer que o presidente da Câmara de Vila de Rei prefere “que os meus munícipes não pa guem tanto de água e saneamento” e que a Câmara “fique com o défice”. “Foi o que fizemos”, admitiu Ricardo Aires.

Esclarecer que na última sessão da Assembleia Municipal, realiza da em setembro, “fizemos novo aumento da água e do saneamen to”. Contudo, “implementámos um cartão que é o H2O, em que todas as pessoas que têm contratos de água no Município, têm, automaticamente, a diminuição do aumento que fizemos em setembro”.

Questionado se esta situação se coaduna com as regras da ER SAR, Ricardo Aires admitiu não saber “se é permitido ou não”. ” O que posso dizer”, garantiu, “é que prefiro ficar com défice. Somos autónomos e sabemos se com o nosso orçamento podemos fazer a obra x ou y. Se não der, não se faz e os meus munícipes têm a água e o saneamento mais baratos”.

Com os descontos implemen tados pelo Município, não irão os munícipes sentir-se “à vontade” para gastar mais água, quando as campanhas vão em sentido con trário? “Não”, afirmou o presidente, explicando que “aumentámos brutalmente o terceiro escalão. Se as pessoas quiserem gastar água, entram no terceiro escalão e vão pagar muito, muito mais”. É esta medida que o autarca garante “acautelar” os excessos.

Para já, é o Cartão H2O que per mite que o preço da fatura da água no concelho de Vila de Rei não seja influenciado pelo aumento “porque o Município decidiu desta maneira. Agora, o problema com a ERSAR... isso depois vamos ver”.

Ricardo Aires espera ainda que o Governo possa “fazer algum paco te financeiro para as autarquias em termos da eletricidade” e, se isso acontecer, “se calhar em janeiro já vamos poder fazer outras coisas”.

18 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022
REGIÃO / Vila de Rei
// As entidades gestoras (nas quais se incluem os municípios) que efetuam a gestão da água e do saneamento em Portugal, estão legalmente obrigadas a equilibrar os encargos de gestão com os proveitos obtidos por via tarifária. O Município de Vila de Rei é uma entidade gestora e implementou um cartão de desconto automático. Fomos perceber como funciona. / Município ca com o dé ce. “Agora, o problema com a ERSAR... isso depois vamos ver” - Ricardo Aires
“Aumentámos brutalmente o terceiro escalão” para acautelar gastos excessivos

Creche Municipal sem propostas de concorrentes

// O Concurso Público para a construção da nova Creche Municipal de Vila de Rei ficou deserto, ou seja, não foi considerada nenhuma proposta.

A razão, a mesma que vem sendo sucessivamente apresentada, “o valor apurado para a realização da empreitada excedia o preço base do procedimento”.

Nos primeiros dias do mês de setembro, foi publicado em Diário da República o Concurso Público do Município de Vila de Rei para a construção da nova Creche Mu nicipal. A empreitada apresenta va um preço base de 694.633,21 euros, com um prazo de execução de onze meses, uma área de im plantação de 772,53 m2, e o pro jeto consta com dois berçários e salas-parque, duas copas de leites, três salas de atividades, refeitório, copa/cozinha, gabinete técnico e zona de direção, serviços técnicos e administrativos.

Na altura, o Município avançava que a nova Creche Municipal “vai permitir acolher um maior número de crianças (um total de 51), res pondendo assim ao aumento da procura pelos serviços municipais da Creche que se tem feito sentir nos últimos anos”.

Em reunião do Executivo Mu nicipal, a 7 de outubro, foi dado conhecimento que, afinal, não hou ve propostas consideradas para a empreitada. Isto porque, como explicou o presidente da Câmara, o valor da construção ultrapassa o valor base apresentado. Para Ricardo Aires, os valores base “são de 2019, ainda antes mesmo da pandemia”.

Contudo, há mais situações a deixar “intrigado” o presidente da Câmara de Vila de Rei. É que a construção da Creche é um dos três investimentos inscritos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e “a parangona do PRR é de que é 100% a fundo perdido e isso é mentira”, afirma Ricardo Aires que acrescenta que “há uma inércia do nosso Governo”.

Relativamente ao Concurso Pú blico da Creche, disse que “o preço padrão que o PRR nos deu foi de 494 mil euros e o Município já colocou a concurso um valor de 700 mil euros. Mesmo assim, ficou

deserto”. O valor base apresentado foi superior porque se percebeu que o valor do PRR “era curto”. “Nós fazemos contas e sabendo como os preços estão... Penso que os valores do PRR são referentes a preços de 2019 e não consigo entender como é que quem está a gerir o PRR continua com es tes custos padrão. Ou então, tem que dizer que o PRR não é a 100% mas sim a 70 ou 50%”, desabafou o autarca.

A este respeito, “já fizemos uma exposição ao Governo de Portu gal onde pedimos uma explicação. Questionamos se querem [nós, autarcas] que ajudemos a que o investimento do PRR fique todo em Portugal - e para isso têm que alterar o custo padrão - ou se em 2026 querem que Portugal tenha

que devolver muito dinheiro da bazuca. Já está tarde, mas mais vale tarde que nunca”.

No concelho de Vila de Rei não é apenas a Creche Municipal que está inserida no PRR. A Câmara tem ainda os projetos da Loja do Ci dadão e a construção de seis fogos para habitação temporária para lançar Concurso Público. Questio nado acerca da viabilidade de levar em frente estes projetos, Ricardo Aires disse que vão avançar com o Concurso Público dos seis fogos, “é a fase três da zona do Vale Galego”, e espera que esse concurso não fique igualmente sem propostas, apesar dos valores serem muito se melhantes aos da Creche. No caso dos seis fogos, o valor é de 585 mil euros. “E mais dia, menos dia, até porque já está aprovado, vamos

lançar a nossa Loja do Cidadão por 700 mil euros”.

“São três projetos que temos, no âmbito do PRR que pensamos ser 100% a fundo perdido e que já sabemos que não vai ser. Que querem que as autarquias invistam com Avisos do PRR, tem que haver aqui uma situação diferente ou os concursos vão continuar a ficar desertos. A Creche Municipal já ficou, ainda por cima é uma obra bastante importante para o con celho, e estávamos todos ansiosos de fazer esta obra no prazo de um ano. Se calhar, já vai demorar mais tempo”, assegurou o autarca.

Advertiu ainda que, provavel mente, “a Creche só com mais 140 mil euros, ou seja, mais 340 mil euros da parte do Município”, que já tinha avançado com mais 200 mil euros acima do valor padrão do PRR, “será uma obra que vai ficar apenas a 50% a fundo perdido. Não sei se tenho condições financeiras para isso”, anunciou.

Para Ricardo Aires “não se percebe que o país queira fazer investimento, e neste caso aumentar investimento público que poderá alavancar um bocadinho as condições no nosso país e não só, tam bém na Europa...”

“Eu não consigo perceber isto”, declarou.

Na análise do Júri nomeado para verificar as propostas para a Creche Municipal, pode ler-se que “os concorrentes apresenta ram todos declaração de não apresentação de proposta, pois o valor apurado para a realização da em preitada excedia o preço base do procedimento, razão pela qual se riam todas as propostas excluídas. (...) Assim, (...) não estão reunidas as condições para que haja adjudicação da empreitada de construção da Creche, tendo em conta que não existem propostas”.

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19Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO / Vila de Rei PUBLICIDADE
“Será uma obra que vai ficar apenas a 50% a fundo perdido. Não sei se tenho condições financeiras para isso”

É assim que Nelson Bonito se define, como homem e como artista. Porque, naturalmente, as duas coisas são uma só.

Para quem ainda não o conhece, Nelson Bonito é um jovem, com muito talento para as canções e o seu sonho é fazer carreira na mú sica.

“Pôr do Sol Ao Luar”, a música nova lançada em exclusivo na Rá dio Antena Livre às 08h20 de 21 de outubro, e para o país duas horas depois. É uma canção composta em co-autoria com Vítor Silva e letra de Nelson Bonito. Vítor Silva produziu esta canção, ele que já produziu, entre muitos outros, os D.AM.A. e também o primeiro álbum de Nuno Ribeiro.

“Pôr Do Sol Ao Luar” é uma can ção que fica facilmente na nossa memória. Uma daquelas músicas que damos por nós a assobiá-la após apenas uma ou duas escutas.

É uma canção que nos trans porta de imediato para momentos felizes, com os amigos, seja onde for. Uma música com luz, sol e ‘bom feeling’ que facilmente nos transporta para as nossas melho res memórias, em família, entre amigos verdadeiros, entre quem mais gostamos.

O vídeo que acompanha este seu single de estreia, que também foi revelado a 21 de outubro, foi realizado por Gonçalo Carvoeiras.

Uma canção que espelha muito os valores do Nelson Bonito;

“Fiel a mim mesmo, defendo aquilo em que acredito e tenho os meus valores bem definidos, como justiça, lealdade, sinceridade e res peito. Sem esquecer a igualdade, coisa que me levou a adotar uma alimentação vegan.”

“Pôr Do Sol Ao Luar” é assim um excelente cartão de visita do Nelson Bonito nesta sua caminhada no mundo da música e que será editado pela Warner Music Por tugal, editora com a qual assinou em 2021.

“Estou muito entusiasmado para iniciar esta nova etapa e fazer parte da família Warner”.

Nelson Bonito tem 27 anos, é na tural de Abrantes, “estudei guitarra clássica e teoria musical, dei aulas de guitarra e já realizei inúmeros

concertos ao vivo com orquestra, com bandas, em duo, a solo, entre outros”, conta-nos o jovem artista.

O seu interesse pela música começou quando o pai lhe comprou um piano de brincar aos quatro anos de idade.

Reparando na admiração do filho pelo brinquedo, os seus pais levaram-no a ter aulas de piano numa loja de música.

O seu fascínio pela música nun ca mais parou de crescer:

“Uma das recordações que te nho, de quando ainda era peque no, é de ir para casa dos meus avós e fazer uma bateria impro visada com tachos e caldeiros de tinta, e por vezes até fazia a minha família e outras pessoas que esti vessem presentes, terem de parar para me ouvir fazer barulho. Na

altura achava que estava a dar um grande show, hoje em dia tenho pena deles”, conta-nos de forma muito animada, soltando uma gargalhada.

Já bem mais tarde pediu ao pai para lhe comprar uma guitarra com a qual foi aprendendo sozinho e depois mais tarde numa outra loja de música.

No secundário, formou uma banda com os amigos e começaram a ensaiar regularmente.

Pouco tempo depois, o seu pai inscreveu-o num conservatório de música, onde estudou guitarra clás sica e teoria musical, tendo chegado a fazer alguns recitais.

Sobre esta experiência expli ca-nos: “É engraçado que nessa altura, tendo essa banda onde tocava coisas mais pesadas, nos

intervalos das aulas do conserva tório não conseguia evitar tocar Nirvana, Metallica, AC/DC… e isso era meio que “proibido” lá dentro, pois a técnica é bastante diferente (jamais se usa palheta no conser vatório), mas rapidamente conta giei os outros alunos, e até mesmo o meu professor acabou por entrar na onda (risos)”.

Entretanto, foi convidado para dar aulas de guitarra acústica, numa loja de música em Abran tes, teve experiência com outras bandas, colaborou com o grupo de cantares da escola e no Orfeão de Abrantes (coro), com os quais fez várias apresentações ao vivo.

Formou ainda um duo que to cava em bares e depois começou a sua caminhada a solo, guitarra e voz. “Cheguei até a ser convidado

para atuar numa transmissão ao vivo da rádio TSF, numa emissão feita perto da minha terra”, conta o músico. “Recebi também convites de artistas da minha zona para par ticipar nos espetáculos deles, e um fora da minha zona com quem tive a oportunidade de cantar e tocar foi o David Antunes”.

Mais tarde foi ainda convidado para cantar numa orquestra, em celebração dos 100 anos da cidade de Abrantes, tendo atuado em vá rias terras vizinhas de Abrantes.

É assim que surge a Warner Music e a oportunidade de lançar as suas próprias canções. Em 2021 assina contrato e começa logo a trabalhar em repertório sendo “Pôr Do Sol Ao Luar” o seu single de estreia, mas com mais propostas musicais já a caminho.

20 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 // ABRANTINO NELSON BONITO ASSINA CONTRATO COM A WARNER MUSIC PORTUGAL
MÚSICA /
“Considero-me uma pessoa otimista, determinado nos meus objetivos e ambicioso, trabalho o dobro do que sonho para que se tornem realidade."

Carlão veio à escola apresentar livro e falar de Racismo, segregação étnica e refugiados

Para assinalar a “Semana da Igualdade” e o “Dia Municipal da Igualdade” em paralelo com o “Dia da Biblioteca Escolar” o Município de Abrantes chamou os alunos dos 7.º e 8.º anos, jun tamente com os alunos PIEF e da Formação Profissional do agrupa mento de escolas n.º 2 de Abran tes para uma conferência sobre esta temática. Mas o que os jovens não sabiam é que a conferência iria ser com o Carlão. E, já todos sentados, quando foi anunciado quem iria ao palco.

O cantor Carlão, filho de pais cabo-verdianos, tem agora com a empresa Betweien o projeto “Li vres e Iguais”, Projeto de Promo ção do Interculturalismo.

Há um livro um que é a base deste projeto. Um livro que conta três histórias. Uma de racismo. Outra de segregação étnica. E uma terceira sobre refugiados. E é um livro com páginas em branco que servem para o leitor, prin cipalmente os jovens, poderem

escrever as suas notas, as suas ideias de como podem mudar o mundo.

E se o livro tem três capítulos, o primeiro aborda o racismo. E Carlão explicou aos alunos que “criou uma personagem que é a Clara, uma miúda negra de um bairro precário que tem um sonho e que é um dia poder apresen tar um programa de televisão de grandes entrevistas.” E Carlão continuou a explicar a vida da Cla ra que “depois do curso superior, apesar de todo o seu valor, per cebeu que não pode concretizar o sonho apenas pela cor da pele.”

O cantor revelou que escreveu a música em 2018, antes de ha ver um pivot da SIC negro e de rastas no cabelo. “Estamos muito longe de ter uma sociedade que dá a mesma igualdade a todos os cidadãos.”

Aos jovens de Abrantes deixou muitas mensagens. Por exemplo: “cada vez mais acredito que não há pessoas totalmente boas como

/ Depois da conversa, Carlão brindou os jovens com a música “Assobia para o lado”

não há pessoas totalmente más. Interessa-me mais perceber por que é que as pes soas têm atitudes más, por exemplo.”

Depois respondeu a uma pergunta sobre o facto de não gostar de ane dotas. E o Carlão respondeu. Disse que ouviu uma vez José Falcão [da SOS Racismo] dizer que não gosta da forma como as anedo tas gozam com o estereótipo de determinados grupos, colocado tudo no mesmo saco e retirando as individualidades. “Na minha vida fui percebendo o porquê destas anedotas que tem a ver, muitas vezes, com discriminações e com estereótipos da sociedade. E são estereótipos que existiam e existem: negro - macaco; loira - burra; cigano - ladrão; alente

jano - preguiçoso. E isto é uma discriminação. Por isso comecei a perceber o porquê do José Falcão não gostar das anedotas.”

A mensagem passou e terá che gado, pelo menos a uma parte dos jovens. Como disse o artista, mui tas vezes os jovens ouvem mais as mensagens das músicas, dos influencer’s do que propriamente dos poderes. Mas será que esta mos mesmo a mudar, ou temos apenas algumas ações e pensa mentos esporádicos sobre a mu dança de mentalidades? Carlão diz que sim, que estamos a fazer o caminho.

E também avisou os jovens que o telemóvel, que todos usam, não é apenas para fazer vídeos ou ti rar fotografias. Também serve para pesquisar e saber coisas. E pediu-lhes para não acreditarem em tudo o que vêm na Internet. Que devem usar o telemóvel para pesquisar e aprender! E fazer di ferente.

21Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES EDUCAÇÃO /

Mouriscas homenageou o professor, cientista e matemático Fernando Dias Agudo

Perante uma plateia repleta de académicos e colegas de Fernan do Roldão Dias Agudo, e muitos amigos da terra, a placa que vai perpetuar a memória do cientis ta matemático, cujo centenário do nascimento está para breve (novembro de 2025), foi descerra da pela filha Maria Isabel Agudo, pelo vereador do pelouro da Cul tura da Câmara de Abrantes, Luís Filipe Dias, e pelo presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, Pedro Matos.

A placa de homenagem a Dias Agudo, que faleceu em 2019, foi colocada na sua casa, no Largo do Espírito Santo, nas Ferrarias, no sábado dia 1 de outubro.

E na sessão, com muitas me mórias do professor, cientista e matemático, foi José Aparício dos Reis, único mourisquense ex-alu no de Fernando Dias Agudo que revelou que a melhor forma de homenagear o professor foi en contrar histórias dele.

E começou com uma primeira, revelando-a na primeira pessoa. Há 61 anos três jovens saíram de Mouriscas para estudar no sexto ano em Santarém, no Liceu Sá da Bandeira. Dois tinham os livros e um (José Aparício dos Reis) só tinha meia-pensão da Gulbenkian. “Como só tinha dinheiro para meia pensão tinha de ir à procu ra de outras soluções. Encontrei o externato Frei Luís de Sousa.”

Aos 15 anos encontra o professor Dias Agudo. Havia um professor que quando soube que “eu era das Mouriscas todas as semanas dizia -me ‘não podes deixar mal o Dias Agudo dos 20’. Isso acicatou-me.”

A segunda nota foi quando o professor Dias Agudo “foi meu professor, um dos melhores do mundo. A faculdade de ciência era tradicionalista e conservadora. Os professores de matemática eram pessoas muito difíceis e que não se davam com ninguém. Mas ele era diferente. Descia o elétrico 20, de Oeiras. Havia uma fila de alunos que esperavam, ordeira mente, e entravam depois dele. Eu era a única aula que assistia, porque já trabalhava.

Em junho chumbei com 5 va lores. Eu sabia e gostava da ma téria. Comprei um livro. Estudei todo o mês de agosto e setembro. Em outubro tive 17. Passei a ser um bom aluno. A partir daí tive sempre 17 e 18 fruto da confiança

do professor.”

“Última história, década de 80. Trabalhava a na CP e descobri uma vaga de professor de análise vetorial. Dava 5 horas de aulas à noite. Andei nisto 20 anos. Fui o legado do professor naquela ca deira.”

Depois a professora doutora Maria do Rosário Grossinho, cujos quatro avós são naturais de Mou riscas, recordou o homenageado,

do ponto de vista do seu lado de pedagogo e cientista.

O professor Dias Agudo escre veu, pelo menos, quatro manuais na área de matemática. Estes foram livros validados para os primeiros anos da licenciatura em matemática. “Esteve na estru tura que hoje é a Fundação para a Ciência e Tecnologia.”

Na homenagem também fo ram convidados a Academia das

Nascido em Mouriscas (Abrantes) em 25 de Novem bro de 1925, Fernando Roldão

Dias Agudo era licenciado em Matemáti ca (Faculdade de Ciências de Lisboa, 1947) e em Engenharia Civil (Institu to Superior Técnico, 1951), e doutor em Ciências Matemáticas (Universi dade de Lisboa, 1955). Foi assisten te, encarregado de curso, professor ou orientador cientí co do Instituto Superior de Agronomia (1948 e 1949), Faculdade de Ciências de Lis boa (1951-1975 e desde 1983), Ins tituto Superior Técnico (1959-1964), Universidade de Lourenço Marques (1970-1972), Universidade Nova de Lisboa (1975-1983), Universidade da Beira Interior (1977-1980 e 19901997) e Instituto Superior de Gestão (1997-1999); investigador visitante da Universidade da Califórnia, em Berkeley (1957 e 1958); diretor da equipa-piloto portuguesa que, no âmbito da OCDE, fez o estudo das necessidades de investigação

Ciências de Lisboa e a Sociedade Portuguesa de Matemática, estru turas das quais Fernando Roldão Dias Agudo fez parte.

João Filipe Queirós, presente em representação da Sociedade Portuguesa de Matemática contou que “acabei por ter uma ligação ao professor Dias Agudo pela pu blicação da obra de Pedro Nunes, o mais brilhante cientista portu guês que viveu no século XVI."

“Nos anos 30 criaram uma comissão para editar a obra de Pedro Nunes. O projeto esteve parado mais de 40 anos. E não fosse o professor Dias Agudo este retomar do projeto nunca teria sido possível.”

As filhas e a esposa estiveram presentes, mas foi Maria Isabel Agudo, que, em representação da família, agradeceu o gesto e a pre sença de todos que se associaram à homenagem. “O meu pai era uma pessoa simples e que gostava da nossa terra. Na quarta classe nas Mouriscas teve um professor distinto e que contribuiu para a sua vida na educação”.

Pedro Matos, presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, numa intervenção breve, vincou que “este largo fica rico com esta placa, para que a nossa juventu de possa ficar conhecer quem foi Fernando Dias Agudo.”

A Câmara de Abrantes esteve representada por Luís Filipe Dias, vereador com a responsabilidade pelo pelouro da Cultura. O au tarca deixou ainda um desafio a Mouriscas, à Academia de Ciên cias de Lisboa e à Sociedade Por tuguesa de Matemática: “Daqui a três anos assinala se o centenário do seu nascimento. Se calhar va leria a pena pensar em assinalar essa data."

22 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022
// Abílio Margarido e Alberto Grossinho foram os dois mourisquenses que organizaram a homenagem pública ao professor Dias Agudo, como era mais conhecido na terra e no meio académico.
SOCIEDADE /
/ Placa descerrada na casa do cientista / Maria Isabel Agudo, Luís Dias e Pedro Matos FERNANDO ROLDÃO DIAS AGUDO // BIOGRAFIA
“Se calhar, valeria a pena pensar em assinalar o centenário do seu nascimento”

O luxo à mesa

O Restaurante Pedagógico abriu as suas portas no dia 28 de outubro, data que marca o arranque de mais um ano letivo para estes alunos no Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação. Os cursos de Cozinha e Pastelaria, desta vez coadjuvados pelos alunos de Turismo e de Animação Socio-Cultural, fizeram com que, mais uma vez, uma normal noite de sexta-feira se tornasse num momento memorável. Para pais, professores, convidados e entidades presentes, a palavra que todos tiveram para com os alunos e os chef’s que os acompanham, foi apenas uma: orgulho. Ficam as imagens e os votos de um excelente ano letivo para todos.

23Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES GALERIA /

SOCIEDADE

“Encosta Viva” encerrou, mas a semente está lançada

As atividades iniciaram-se com a exibição de um documentário sobre a urbanização. Foram inau gurados o novo campo de petan ca, a intervenção de arte urbana pelo artista Francisco Camilo no campo de basquetebol do bairro e outras realizadas pela Escola Antó nio Torrado em bancos e noutros pontos do bairro.

O programa incluiu ainda um mercado de outono, com produ tores agroalimentares e artesãos, para além rastreios cardiovascu lares e de cessação tabágica pela farmácia Sousa Trincão, e várias atividades desportivas, como tor neios de basquetebol e de petanca, zumba e gincana.

Na sessão de encerramento, antes da exibição do documentá rio, Dulce Leitão, coordenadora da Escola António Torrado, evocou aquilo que foi feito no bairro da Encosta da Barata, no qual a escola teve uma participação ativa.

Já Isabel Alves, diretora do agrupamento de escolas Dr. Ma nuel Fernandes, ao qual pertence a Escola António Torrado, referiu que esta escola “é do bairro e faz parte do bairro.” E adiantou que está de portas abertas aos pais dos alunos e aos habitantes do bairro. Indicou ainda que “vamos fazer tudo para manter a encosta viva. E disse em reuniões que a nossa aposta (do agrupamento) era a escola António Torrado. E uma das novidades poderá passar pela instalação de um Centro de Ciên cia Viva que já está em processo de candidatura.” Ao mesmo tempo indicou que a escola já está na capacidade máxima de meninos.

Conceição Pereira, técnica coordenadora da Tagus, faz um balanço do programa, explicando o início, desde a ideias, passando pe las reuniões que foram acertadas as parcerias até à apresentação o projeto. Em 270 candidaturas aprovadas pelo programa Bairros Saudáveis, em todo o continente, o projeto de Abrantes, Encosta Viva, ficou classificado no 11.º lugar.

A Tagus tinha previsto, nas suas atividades, ações na área social e de educação. “Não tínhamos tido ainda verba ou oportunidade de candidaturas para desenvolver um desses programas. Foi agora”, explicou a coordenadora da Tagus.

Conceição Pereira revelou depois que os técnicos ouviram a comunidade e começaram “a fazer reuniões com os condomí nios, a perceber as necessidades, mas também a explicar qual era o

propósito do projeto.” O objetivo final, depois de um conjunto de atividades desenvolvidas ao lon go de quase um ano, “é a criação de uma associação de moradores que possa ser interlocutora junto de outras instituições” justificou ainda a coordenadora da Tagus.

Após revelar as atividades de senvolvidas concluiu a dizer que “agora [Tagus] podemos continuar a trabalhar, mas sem o financia mento público.”

O futuro está agora nas mãos dos moradores

Bruno Tomás, presidente da Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede, destacou as ativida des que foram desenvolvidas ao longo destes dez meses. Disse ain da que as pessoas têm de ter orgu lho no bairro da encosta da barata. São cerca de 550 apartamentos. É um dos maiores do concelho e do médio Tejo.

Objetivo foi cumprido e “não es quecer que nós estamos no campo e não na bancada a ver.”

Insistiu nalguns melhoramen tos feitos pela Junta de Freguesia que tiveram o condão de devolver às pessoas espaços públicos que estavam ao abandono. E notou que essa vai continuar a ser uma

preocupação da autarquia a que presidente, tendo consciência que também é preciso que o cidadão cumpra o seu papel de cidadania, dando como exemplo, a limpeza. “Não há recursos para todos os dias fazer limpeza de toda a fre guesia. Os cidadãos também de veriam ajudar, não deixar o lixo no chão, mas sim no sítio certo.”

Já Luís Filipe Dias, presidente em exercício da Tagus e vereador da Câmara de Abrantes, referiu que há um sentimento do que foi a ideia inicial, com as parcerias, criou-se um mosaico social repre sentativo deste bairro. E notou também que o projeto maior era a criação de uma associação de moradores.

“Vamos continuar com estes parceiros seja através do governo de Portugal ou do governo local”, disse o autarca salientando que “estes parceiros intervêm direta mente no terreno. Estão sediadas neste bairro 30 entidades.”

O vereador deixou a sua expe tativa em modo de certeza: “O que aconteceu no último ano é o lastro daquilo que vai acontecer no pró ximo ano e nos outros.”

Mas não descurou que há muita coisa para fazer. “Acho que todos de mãos dadas têm a sensação que

o governo teve o papel que teve ao apoiar o projeto. Não está cá, mas deveria estar. Todos juntos tive ram o seu papel naquilo que foram as coisas que foram feitas e todas aquelas que ainda vão ser feitas.”

E concluiu a dizer que “o de safio da Tagus é ter mais bairros saudáveis e encostas vivas, porque a encosta é fixe. A Encosta é isto, somos nós.”

O projeto “Encosta Vida” teve por objetivo principal “desenca dear mecanismos de organização que sustentem a criação de uma Associação de Moradores, com todas as vantagens que trará para a comunidade residente e empre sarial”. Da parceria fizeram parte a TAGUS – Associação para o Desen volvimento Integrado do Ribatejo Interior, o Município de Abrantes, a APEAT - Associação de Pais e En carregados de Educação da Escola António Torrado, a Associação dos Escoteiros de Portugal – Grupo 280 de Abrantes, o Corpo Nacional de Escutas – Agrupamento 172 de Abrantes, a Cres.Ser – Associação de Desenvolvimento Pessoal e Co munitário, a Escola Básica António Torrado do Agrupamento de Esco las nº2 de Abrantes e a União de Freguesias de Abrantes (S. Vicente e S. João) e Alferrarede.

A primeira moradora ainda lá vive

Recordando algumas datas da urbanização da Encosta da Barata, é em 1968 que a Câmara Municipal compra os terrenos daquela encosta.

A 31 julho de 1973 são apresentados os primeiros estudos de urba nização dos 13 hectares, da autoria do Arquiteto Duarte Castel-Branco.

Depois foi feito o desafio técnico à Construtora Abrantina. “Era uma empresa de Abrantes a construir em Abrantes”, lembrou Rodolfo Garcia, à altura funcionário da em presa. A partir deste empreendi mento foram feitos muitos outros em vários pontos do país.

Em 1982 foram apresentados os planos para toda a área e em 1984 já havia anúncios de venda de apartamentos T3.

Ana Carmo foi a primeira mo radora no bairro da Encosta da Barata. E ainda lá vive, porque gosta de todo o espaço envolvente aos edifícios. Escolheu o Bloco M fica perto da estrada principal que vai para a cidade.

E à Antena Livre a primeira moradora da Encosta da Barata, onde entrou em 1989, contou a sua opção e porque é que ainda vive neste bairro.

24 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022
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// O projeto “Encosta Viva” encerrou em outubro, com a realização do último conjunto de atividades naquele que é, do ponto de vista estatístico, o bairro com maior densidade populacional do Médio Tejo e um dos maiores do distrito de Santarém. / A “Encosta” ganhou um campo de petanca e um renovado e colorido polidesportivo

Órgãos autárquicos de Alvega e Concavada com legitimidade para funcionar

Para já os órgãos autárquicos na Freguesia de Alvega e Conca vada podem funcionar na norma lidade. É o que releva o parecer da secretaria de Estado da Adminis tração Local e Ordenamento do Território que chegou esta quar ta-feira à Assembleia de Freguesia de Alvega e Concavada.

De acordo com este parecer as renúncias dos eleitos do PS não foram consideradas porque foram enviadas ao presidente da Junta de Freguesia e não ao presidente da Assembleia de Freguesia, como deveria acontecer. O que a Antena Livre sabe é que nas reuniões da Assembleia de Freguesia de Alvega e Concavada tem sido marcada falta aos eleitos do partido socialista.

Mas mesmo com a renúncia dos eleitos socialistas a Assembleia de Freguesia tem quórum (cinco eleitos) por parte do MIUFAC (Mo vimento Independente da União das Freguesias de Alvega e Con cavada) e pode, por isso, funcionar em pleno.

De acordo com a informação avançada por António Moutinho, presidente da junta de freguesia, estão reunidas condições, de acor do com este despacho do Governo, para que os órgãos autárquicos possam funcionar normalmente.

E quando questionado sobre o facto de o MIUFAC estar no limite das substituições, António Mouti nho confirmou que não pode ter nenhuma saída ou renúncia nos atuais eleitos para que os órgãos autárquicos não caiam e não pro voque a necessidade de eleições intercalares. O atual presidente da Junta de Freguesia de Alvega e Concavada deixou uma palavra de apreço aos elementos que, neste momento, o acompanham, pois só assim é possível manter os órgãos em funcionamento.

Com base neste despacho os eleitos do PS continuam na pleni tude de funções, pois a renúncia não foi considerada, pelo que para a efetivarem terão de repetir o processo, mas com os pedidos a serem endereçados ao presidente da Assembleia de Freguesia.

António Moutinho disse que talvez os eleitos tenham sido mal aconselhados ao longo deste proces so e que poderão ter pensado que a freguesia iria já para eleições. Como não aconteceu diz que vai continuar a governar os destinos da freguesia com ou sem oposição, mas deixando aberta a vontade de poder contar com a oposição na Assembleia de Freguesia.

Seja como for, e de acordo com

a informação que vai ser divul gada em Edital na freguesia, os órgãos autárquicos mantêm-se na plenitude de funções e, não havendo qualquer saída, dos elei tos os órgãos podem funcionar, mesmo sem oposição, até final de mandato.

PS ainda não decidiu se repete renúncia

Se há um parecer do governo, Bruno Tomás, presidente da con celhia do PS em Abrantes, não assu me para já a posição que virá a ser tomada pela estrutura partidária.

Há dois caminhos, ou fazer a renúncia bem instruída, direciona da ao presidente da Assembleia de Freguesia, ou os eleitos continuam a fazer o seu trabalho, como oposição a fiscalizar o trabalho da maioria.

A decisão será conhecida em breve, mas Bruno Tomás garante que o PS não quer eleições anteci padas, quer é estabilidade governa tiva e que foi o MIUFAC, que tem a maioria desde as eleições de março, que provocou a instabilidade na freguesia

A posição do PS será conhecida dentro de dias, depois do secretaria do reunir com os eleitos de Alvega e Concavada para poderem decidir qual dos caminhos irão seguir.

Bruno Tomás vincou que é muito importante que os órgãos autárqui cos funcionem com legitimidade para poderem fazer o trabalho em prol dos fregueses.

O novo líder do PS em Abrantes disse ainda que o despacho da se cretaria de Estado, concorde-se ou não, é Lei, como tal não há outro ca minho. A Assembleia de Freguesia pode funcionar com cinco eleitos, de um total de nove, e a Junta de Freguesia pode funcionar com dois elementos do executivo.

Recorde-se que os membros

eleitos pelo Partido Socialista à As sembleia de Freguesia de Alvega e Concavada apresentaram, a 26 de agosto, a carta de renúncia aos seus mandatos. De acordo com uma in formação avançada pela concelhia socialista a decisão foi tomada por unanimidade teve total solidarie dade e apoio da comissão política concelhia.

Dias depois, a 31 de agosto, e de pois de várias renúncias de eleitos do Movimento Independente da União de Freguesias de Alvega e Concavada (MIUFAC), do pedido de renúncia do secretário da Junta de Freguesia e da renúncia, em bloco, de todos os eleitos pelo partido Socialista acon teceu uma Assembleia de Freguesia que acabou por substituir a mesa da assembleia e aprovar o orçamento apenas com votos dos MIUFAC.

E houve ainda um outro ponto de interesse. Uma proposta de subs tituição do secretário da Junta de Freguesia, Eduardo Jorge. E de in teresse porque a haver substituição a Assembleia ficaria sem quórum e caía, havendo necessidade de reali zação de novas eleições intercala res. Só que a proposta apresentada por António Moutinho, presidente da Junta, foi chumbada pela Assem bleia de Freguesia.

De notar que face a um impas se na criação da Junta de Fre guesia depois das autárquicas de 2021, em março deste ano a freguesia de Alvega e Concavada teve eleições intercalarem em março deste ano.

Neste momento com o conjun to de renúncias do PS, em bloco, e de vários elementos do MIUFAC, a freguesia funciona com o quórum necessário. Se, por qualquer motivo, um eleito renunciar deixa de haver quórum e aí terá de avançar um processo de eleições intercalares.

Bismarck tinha razão

No nal do século XIX predominava, nas economias ocidentais, uma versão do capitalismo assente no “salve-se quem puder” e, fruto do darwinismo económico que vigorava na altura, os mais fortes venciam e os mais fracos eram oprimidos e explorados brutalmente. O chanceler alemão, à época, Otto von Bismarck, percebeu que estas condições estavam a conduzir a uma crescente simpatia pelo socialismo, pelo que isso poderia por em causa a estabilidade interna e, em último caso, o império alemão. Por isso, adotou medidas radicalmente progressivas para a época, de forma a combater o socialismo no seu próprio terreno: criou o primeiro seguro de saúde no trabalho. Mais tarde foi criado o seguro para acidentes de trabalho e invalidez. E, já após a I Guerra Mundial, a Alemanha foi a primeira a criar o subsídio de desemprego. Ideias revolucionárias para época, sem dúvida. Estava criado a protótipo do Estado-social. Após a II Guerra Mundial, no Reino Unido, o Relatório Beveridge claramente recomendou que o cidadão deveria ser protegido “do berço até à campa”. O Estadosocial seria pago pelos impostos recolhidos à economia, seguindo um modelo scal progressivo e assente numa ótica distributiva.

Os períodos economicamente mais prósperos da história recente resultaram claramente de uma estratégia económica e de uma visão política onde primava a proteção dos cidadãos dos excessos da ganância corporativa, combinada com o respeito pela propriedade privada e por um certo liberalismo económico contido e controlado. Nos anos 70, a primeira crise petrolífera levou as sociedades ocidentais a protestaram contra a aparente inação dos governos, a quem acusavam de fazer pouco contra a desgraça social subitamente in igida pelo elevado preço da energia e pelo agravamento do custo de vida. O princípio fundamental do Estado-

social parecia ter sido esquecido. Hoje, não é apenas a crise energética, a guerra na Ucrânia ou a in ação que nos voltam a fazer questionar o modelo económico que temos, os líderes que nos governam ou os impostos que pagamos. A tecnologia, com o seu efeito disruptivo, está a recondicionar o funcionamento da economia e da sociedade e a conduzir ao desaparecimento acelerado de muitos empregos, gerando desigualdade e precariedade social a uma escala cada vez mais preocupante. Optar por melhores formações, mesmo as universitárias, parece não ser o paliativo adequado, já que muitas se mostram inúteis ou inadequadas perante as rápidas mudanças sociais e económicas que a tecnologia produz. No m de contas, há cada vez mais pessoas a carem para trás, sem que os governos mostrem intenções claras de atacar já o problema. Neste novo mundo, por mais que tentem, nem todas as pessoas se conseguirão proteger dos excessos e da ganância dos agentes económicos. Por isso, enquanto preservamos a liberdade económica, talvez o presente e o futuro nos mostrem que um equilíbrio entre um capitalismo mais humano e um socialismo moderado seja necessário. Precisamos voltar a proteger as pessoas e a compreender a importância do regresso do Estado à economia para promover a coesão territorial, o combate à desigualdade, o controlo de recursos e de sectores estratégicos e o reforço da soberania e segurança económicas.

25Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES POLÍTICA /
OPINIÃO /
/ Assembleia e Junta podem trabalhar com cinco e dois elementos, respetivamente

PS de Abrantes elege novos dirigentes

Bruno Tomás é o novo presi dente da comissão concelhia do Partido Socialista em Abrantes. O militante do PS, que já tinha no currículo a liderança da concelhia, apresentou-se a votos com a moção “Juntos Somos Mais Fortes” e re colheu a unanimidade na votação deste sábado, 8 de outubro.

Esta candidatura, apresentada como “centrada nas pessoas e na concretização de objetivos con juntos” anunciava a continuidade do projeto do Partido Socialista de Abrantes e que Bruno Tomás assumiu como um apoio à governança do concelho. Recorde-se que o PS tem a maioria absoluta na Câmara e Assembleia Municipal e assume também maiorias absolutas em 9 das 13 freguesias do concelho. De notar que em Alvega e Concavada tem nesta altura uma situação de indefinição, já que se aguarda uma decisão de instâncias governamen tais sobre a governabilidade daque le território.

Em declarações ao Jornal de Abrantes o novo líder dos socialistas começou por dizer que gosta pouco de unanimismos, mas retira uma mensagem: “é o Partido Socia lista estar junto e unido, não em torno de uma pessoa, mas em volta do projeto do PS que tem muitos anos no concelho. E o objetivo é ajudar a governança a pensar e a tornar este concelho mais com petitivo.”

A eleição foi para a comissão política, um órgão alargado, que vai agora eleger o secretariado, que será o órgão diretivo no par tido no concelho. Bruno Tomás não quis ainda adiantar quem fará parte deste grupo mais restrito, parque só agora é que a Comissão Política vai reunir e aprovar o novo secretariado. Será uma ação que deverá acontecer dentro dos pró ximos dias.

Já sobre as grandes preocupa ções e desafios do momento, Bruno Tomás, é pragmático: a curto prazo a subida do custo de vida e a escalada de preços da energia estão no centro das suas preocupações. Um dos desafios é perceber como é que “podemos todos juntos minimi zar esta escalada”. E referiu que a concelhia tem a obrigação de falar sobre estas questões e ouvir a socie dade para perceber, a nível local, o que é que se pode fazer.

E depois acrescentou que tem de se desmistificar estas questões dos partidos políticos porque “polí tica fazemos todos os dias, indepen dentemente de termos um cartão de um partido ou não.”

O novo líder disse ainda que o partido tem de abrir as suas portas para a comunidade e deve ouvir as

pessoas, em todas as freguesias.

ção com a governabilidade e esta bilidade da freguesia de Alvega e Concavada.

O novo secretariado da con celhia socialista de Abrantes foi eleito por unanimidade a 27 de outubro. O secretariado é o ór gão executivo da estrutura con celhia. Nos próximos dois anos será constituído por Bruno Tomás (presidente da concelhia); Ricar do Aparício; Carla Catarino; João Gomes; João Marques; Sónia Al ves; David Ferreira; Afonso Costa; e Paulo Teixeira.

Bruno Tomás é militante do Partido Socialista, começou o seu percurso político na Juventude Socialista de Abrantes em 2001 onde foi coordenador durante vários anos. Fez ainda parte de diversos Secretariados Concelhios, já foi Presidente Partido Socialista de Abrantes em 2012 e foi membro de várias Comissões Políticas Distri tais. Foi eleito pelas listas do Partido Socialista, para a Assembleia da extinta Freguesia de São Facundo e para a Assembleia Municipal de Abrantes. É o atual presidente de Junta da Freguesia de Abrantes e Alferrarede e o coordenador da delegação distrital de Santarém da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias).

Júlia Augusto assume liderança das Mulheres Socialistas

No mesmo dia os militantes elegeram também, por maioria,

Júlia Augusto como presidente das Mulheres Socialistas - Igualdade e

Júlia Augusto encabeçou a única lista candidata, com 14 mi litantes com a moção “Mobilizar e capacitar. Junt@s”

Esta candidatura, de acordo com a agora líder das mulheres socialistas de Abrantes, “propõe-se reforçar o

A Pinacoteca

Éum dado já adquirido: a biblioteca municipal deve ter, conservar e disponibilizar as obras dos autores do concelho ou que a ele se referem de modo explícito e ainda a coleção dos jornais do concelho. Tem o nome de “fundo local” e exerce uma função social importante. Sem o seu fundo local, a biblioteca está incompleta e não mostra grande interesse nem pelos livros, nem pelos jornais, nem pelo concelho. Repito: este é um dado já adquirido.

O mesmo não se pode dizer no que às obras de artes plásticas diz respeito. Há alguma razão para que o autor de um livro seja mais importante que o autor de um quadro, de uma escultura, de uma tapeçaria?

É importante dizer que – mais ou menos – está já ganha a consciência de que é decisivo mostrar os artistas que estão (no presente!), a criar, a produzir. Não é mau de todo.

Mas falta dar um passo para a frente e para cima: é urgente criar a pinacoteca municipal, isto é, um “serviço” que tenha como função representar (tanto quanto possível) todos os artistas plásticos conhecidos do concelho, conservar uma ou outra obra de cada um deles e dá-las a conhecer.

A Câmara Municipal de Abrantes integrou – e bem – na celebração do centenário da cidade uma exposição sobre “100 anos de artes plásticas em Abrantes”, tal como o fez em relação aos autores de livros.

OPINIÃO /

serviço. Não tem de ser uma “casa” autónoma e independente, como um museu. Mas nada substitui a coleção, a conservação cuidada, o estudo e a divulgação. Num pequeno município, não é fácil ter especialistas que exerçam todas estas funções. Mas há sempre gente que sabe, há pessoas que podem acumular esta função com outras, e sobretudo há o recurso a especialistas do exterior que pontualmente ou de modo sistemático exerçam algumas destas funções.

Estamos habituados a reduzir a riqueza de um concelho à paisagem, aos monumentos e à produção de riqueza meramente económica. Sinal de vistas curtas. A riqueza artística que hoje tem cotação no mercado das visitas turísticas começou por ser riqueza artística de homens e mulheres que, no seu tempo, criaram arte.

E olhar para a história local da produção artística de uma comunidade humana diz dela muito mais do que à partida se pode esperar. A pinacoteca municipal é outra forma de fazer o retrato de uma comunidade humana. A sua inexistência é uma falha importante. Que urge resolver. À dimensão, é caro, de cada comunidade local. Se olharmos à volta, vemos que algo tem sido feito, mas muito continua por fazer. Cada município está num estádio diferente deste trabalho, o que é normal. Vamos olhar para os que estão a fazê-lo melhor?

caminho iniciado pela anterior can didatura, conscientes e confiantes nos desafios e tem por objetivo re forçar a capacitação na participação dos militantes na política, na ação de mobilização das pessoas e imple mentação do projeto político do PS no terreno. Sempre tendo por base um espírito agregador e mobilizador, trabalhar ao nível do nosso concelho, fazendo pequenas diferenças para aquele que é também o desígnio do PS desde a sua génese - um movi mento progressista e fraterno com vista ao aperfeiçoamento da huma nidade.”

Jerónimo Belo Jorge

Não há boa celebração da nossa História se não der conta dos que cultivaram as artes. Não é pensável um país sem museus que conservem, estudem e divulguem os seus artistas que, ao longo dos tempos, foram, também eles, construindo o país. Então, por que razão havemos de admiti-lo relativamente a um concelho?

Mas não basta montar “uma” exposição. É necessário conservar (em boas condições), estudar e dar a conhecer as obras (possíveis) e os artistas que as criaram. O nome talvez não seja muito rigoroso, mas “pinacoteca” refere aqui esse

26 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 POLÍTICA /
A pinacoteca municipal é outra forma de fazer o retrato de uma comunidade humana
/ Júlia Augusto, presidente Mulheres Socialistas / Bruno Tomás, presidente PS Abrantes

Violência na escola diminuiu, mas as agressões são mais graves

/ Debater e prevenir a violência em contexto escolar foi um dos objetivos de uma conferência, uma iniciativa do Correio da Manhã, que decorreu no Edifício Pirâmide, em Abrantes, e que contou com o envolvimento direto da PSP de Abrantes.

“Por uma cultura de paz, contra a violência” é o lema das conferências que pretende envolver toda a comunidade escolar no debate sobre o bullying nas escolas e a separação crescente entre as famílias e a escolas.

Paulo Sargento é o comissário desta campanha que tem a batuta do Correio da Manhã. De acordo com o relatório anual de segu rança interna, nos últimos cinco (2016-2021), no que diz respeito à segurança escolar as ocorrências participadas tem vindo a diminuir, mas 53% têm incidência criminal. Depois ao olhar para o distrito de Santarém verificou-se que este distrito tem menos de metade das ocorrências dos outros distritos com a mesma população.

Paulo Sargento vincou que esta realização de sessões distrito a distrito, com Abrantes pelo meio a fazer sair a campanha da rota prevista, vai culminar em março de 2023 com a edição de um li vro sobre esta temática. E revelou que o comissariado tem uma carta compromisso “Mais Escola Melhor Família.”

Nelson Amaral, responsável na esquadra de Abrantes da PSP pelo programa Escola Segura, disse que o conhecimento da realidade no início de eventuais problemas ou casos vai permitir ter uma melhor solução. Depois esclareceu que é essencial haver um trabalho em rede. Se um problema for resolvido no início de forma muito rápida evita-se o envolvimento da PSP, da CPCJ e do Tribunal de Menores. Nelson Amaral deixou claro que, nos dias correntes, “ver a PSP na escola já é normal.”

Depois acrescentou que os da dos de violência nas escolas em Abrantes apontam a valores resi duais e que o principal problema começa com falta de cidadania e civismo. “Hoje mesmo (sexta-feira, dia 14 de outubro) temos uma si tuação inicial (que não pode explicar) reportada por uma escola. Pen so que será resolvida à nascença.”

Com números concretos a PSP no distrito de Santarém registou, em 2021, 306 ações, sendo que a esquadra de Abrantes assumiu 46.

Nos casos concretos, ações in dividuais ou em diligências em

que foi necessária a intervenção da polícia a esquadra de Abrantes tem um registo de 113 situações, de 346 da divisão policial de Tomar, da qual Abrantes faz parte, e de 800 no comando distrital de Santarém. De acordo com Nelson Amaral nestes números não estão incluídas as ações regulares ou presenças ha bituais nos estabelecimentos de ensino.

Carlos Anjos, presidente Comis são de Proteção de Vítimas Alvo de Crime, ex-agente da Polícia Judiciária, começou por dizer que “há cada vez mais escola e menos família”, face aquilo que é a reali dade dos nossos dias, em que os pais deixam as crianças da escola de manhã e vão buscá-las ao final do dia.

De acordo com ex-agente da PJ “assistimos a uma transferência de competências da família para a escola. A escola tem de fazer deles melhores pessoas, com mais competência, mas também valores.”

Mas os jovens não são o único problema. A diferença de gerações é muito visível nas tecnologias. “Há um problema que os pais são mais infoexcluídos do que os jo vens.” E depois acrescentou que “grande parte que temos nos filhos começou nos pais.” Mas acrescen tou que “conflitos sociais sempre houve. O conflito faz parte da vida. A intolerância é que é cada vez maior.”

Falando da sua juventude, Carlos Anjos disse que “nós tínhamos uma linha vermelha nos disparates que fazíamos. Hoje há agressões como se não houvesse amanhã”, re ferindo-se a situações de violência exagerada que existe nos conflitos que, cada vez mais, são resolvidos com agressões.

Carlos Anjos deixou a ainda a mensagem que a violência doméstica não é um crime de género. “As

pessoas não sabem que uma vida a dois é feita de cedências mutuas. E depois dá em violência doméstica. O conflito existe. Nós temos é que moderar o conflito.”

Na abertura desta conferência, Manuel Jorge Valamatos referiu que as escolas e a família “são essenciais no processo de apren dizagem dos nossos jovens e na sua formação cívica e pessoal, preparando-os para viver em so ciedade”. “São os valores transmi tidos aos nossos jovens que vão permitir que estejam preparados para enfrentar os desafios da so ciedade”, destacou o Presidente da Câmara Municipal de Abrantes acrescentando que “a união tem de ser um elemento fundamental na construção de uma cultura de cidadania, solidariedade e tole rância”.

Já Daniel Marques, Comissário da PSP e comandante da Esquadra de Abrantes, destacou a importância do programa “Escola Segura” que realiza policiamento de proximidade em ambiente escolar, numa clara aposta de prevenção.

Daniel Marques referiu que no âmbito da “Escola Segura” já foram realizadas mais de 13.500 ações de prevenção e sensibilização com um objetivo claro de sinalizar e intervir precocemente na violência doméstica e casos de bullying.

Alunos, professores, famílias e técnicos da área social estive ram presentes na conferência que debateu temas como o bullying, tolerância, igualdade e trabalho em articulação entre todos os parceiros sociais, com a moderação do jornalista da CMTV, Nuno Sousa Moreira.

A conferência foi antecedida por um momento musical com os alunos de música da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes.

Jerónimo Belo Jorge

Abrantes

ACâmara Municipal abrantina editou um opúsculo referente às obras lançadas no ano de 2021 em cooperação as juntas de freguesia. O texto de apresentação, eivado de lugares-comuns, redondo, logo redundante no conceito da montanha parir um rato, é a prova provada de o grande desejo de renovação dos patrimónios no bom estilo muitas vozes poucas nozes, a esmagadora maioria das realizações é a sementeira de alcatrão a denunciar ou defeituoso material antecedente ou pouco gasto nas intervenções no passado sem esquecer os microscópicos alinhamentos a corrigirem deficiente planeamento.

Ora, nas colunas deste jornal, tenho publicado textos a clamar (no deserto) contra a degradação do património edificado público e privado apontando exemplos de imóveis em ruínas a rivalizarem com os massacrados pelas bombas russas na Ucrânia.

Os socialistas no poder em Abrantes bem podiam conceber um projecto de apagamento dos aleijões urbanísticos e, aí sim, cooperando com os proprietários dos edifícios degradados de forma a aumentar a oferta de habitações sociais, espaços públicos funcionais (vejam a instalações dos CTT em Rio de Moinhos), criação de uma boa ludoteca-centro de formação digital (a revolução digital está na ordem do dia) sem embargo de outros

Fisabrantes

OPINIÃO

melhoramentos nas várias áreas do conhecimento científico, cultural e técnico.

Continuarei a clamar mesmo quando a voz me dói, pois não sou fadista!

Centro de Fisioterapia Unipessoal, Lda.

Médico Fisiatra Dr. Jorge Manuel B. Monteiro

Fisioterapeuta Teresinha M. M. Gueifão

Terapia da Fala Dr.ª Sara Pereira

Psicóloga Clínica Aconselhamento Ana Lúcia Silvério

Audiologia / aparelhos auditivos Dr.ª Helena Inocêncio

Acordos: C.G.D., SAMS, PSP, SEGUROS, PT - Consultas pela ADSE - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -Telef./Fax 241 372 082

Praceta Arq. Raul Lino, Sala 6, Piso 1 - 2200 ABRANTES

27Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES SOCIEDADE /
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/ Armando Fernandes
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/ Paulo Sargento (em pé) é o comissário desta campanha nacional

Um bolo pode ser uma obra de arte

guir avança o processo criativo, onde desenha os bolos e envia o esboço para os clientes aprovarem. E quando se olha para a exposição vê-se o bolo e o desenho ao lado. E a pergunta tinha de ser feita. Para lá de Chef, Gabriela Pinto também sabe desenhar. Com alguns risos, a chef brasileira responde que sim, que enquanto jovem desenhou muito a carvão e revela que nessa altura nunca pensou que essa veia de artista viria a ajudá-la na vida

Quando são bolos mais complexos passam sempre por um protótipo porque “nem sempre as coisas saem como as idealizo.”

Quanto ao tempo que demora uma encomenda, Gabriela Pinto diz que, depois da primeira reunião, há um período de 15 a 20 dias até ao protótipo que leva cerca de uma semana e, no final, o bolo pode de morar 12 a 15 horas a ser elabora do. E muito importante saber para quantas pessoas de destina o bolo.

Já as expetativas da Chef são grandes porque “sinto que as pessoas aqui estão muito abertas a coisas novas e o facto de ser algo diferente tem mercado. Acho que há mercado para todos”, concluiu a chef que se especializou em cake design.

A “Quintessência” foi uma “ideia que tivemos para a inauguração da Mon Sucré. É uma exposição para inaugurar a Mon Sucré. O espaço já existia, mas era fechado e sur giu a ideia de fazer uma exposição para mostrar o meu trabalho”, ex plicou Gabriela Pinto. Quanto ao nome “Quintessência”, tem muito a ver daquilo que são os elementos de tudo, “então seria um quinto ele mento que representasse a perfeição da natureza.”

DS Auto quer ter 100 stands no país. O segundo abriu em Abrantes

// O grupo empresarial DS começou há 19 anos no ramo dos seguros e consultoria, tendo evoluído depois para a área do crédito. Com o crescimento, no país, a marca DS Soluções entrou na área do imobiliário que juntou aquelas que já faziam parte do portfólio. Agora entrou nos automóveis e abriu stand em Abrantes.

Nesta altura o grupo DS tem cer ca de 400 lojas no país nas várias áreas de negócio que incluem tam bém as viagens, que juntam um total de cerca de 3.500 pessoas nos seus recursos humanos.

De realçar que Abrantes já dispõe de uma loja Decisões e Soluções, a trabalhar no imobiliário, Inter mediação de Crédito, Mediação de Obras, Construção de Imóveis e Me diação de Seguros.

E agora o empresário Paulo Abrantes decidiu avançar em 2023 para o ramo automóvel. A estratégia foi encontrar a pessoa para gerir este ramo que tem como objetivo abrir 100 stands de automóveis usados

no país. O objetivo é criar uma rede que possa ser uma referência no mercado auto de usados.

O empresário explicou que en trou no negócio há algum tempo, “mas houve a necessidade de prepa rar a marca, lançar a marca, prepa rar o layout dos stands e iniciámos o processo de expansão. Depois foi preparar os stands e começar com as inaugurações”, disse revelando que o primeiro foi inaugurado em Turquel, concelho de Alcobaça, no início de outubro e agora o segundo abriu em Abrantes. A confirmou que já tem mais uma dezena de espaços prontos a inaugurar.

Paulo Abrantes revelou que desde a fundação do Grupo DS “sempre tivemos objetivo de ter um serviço de importância para a população. Tratamos de com pra e venda de casas, tratamos de seguros e créditos bancários (...) começamos a trabalhar na área do crédito, a aconselhar famílias. Na altura era consultoria financeira hoje é intermediação de crédito.”

Depois do crédito o grupo de Pau lo Abrantes lançou os seguros e em 2011 a imobiliária. A primeira marca lançada foi a Decisões e Soluções, que tem 100 lojas no país, depois chegou a DS Seguros, com mais 100 lojas, a DS Intermediação de Crédito, com 120 lojas no país, lançámos a DS Private e mais recentemente a DS Travel, para além da DS Auto.

Vítor Hugo Mendes tem uma vida ligada aos automóveis e destacou que agora há aqui, com a entrada nesta rede, uma nova vida “depois de uma vida ligada aos automóveis.”

O empresário abrantino parte para este desafio com o objetivo

claro de “dentro de pouco tempo ser o líder de mercado na venda de usados em Abrantes” e acres centou que a aposta é nos usados “recentes, de vários segmentos.” E naquilo que é a aposta da DS Auto revelou que o stock de automóveis vai começar a crescer até ao final do ano.

Ainda em relação aos objetivos há um primeiro passo “consolidar este investimento”, mas já a olhar para o crescimento. “Logo que este investimento esteja sólido, porque não pensar em mais uma localização, que já paira na nossa cabeça.”

Vítor Hugo Mendes, tem conhe cimento do mercado automóvel, e diz que esta grupo tem condições fantásticas e meios que vão influen ciar o negócio, em si.”

Há um fator que se prevê poder ser a grande mais-valia, quando abri rem mais stands [a previsão aponta a uma centena] “vamos ter uma dis ponibilidade de stock muito grande e com vantagens para o cliente.”

28 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 ECONOMIA /
/ A cozinha é toda em vidro para que qualquer pessoa possa ver o processo criativo. / Chef Gabriela Pinto
/ Stand ca à beira da EN 2

PATRIMÓNIO

Esta rua liga o Largo de S. Vicente ao Largo de Santana e antigamente ainda dentro das muralhas, conduzia às saídas de Abrantes para as zonas norte e poente. Talvez por esse motivo um dos primeiros nomes por que é conhecida seja Rua Adiante com o signi cado de ir para diante, isto é para o exterior da povoação.

Em cartas do século XVIII, aparece denominada, pelo menos a parte poente, por Rua da Esperança o que se deve ao facto de ali se ter situado um convento de freiras clarissas e que tinha como padroeira Nossa Senhora da Esperança. Deste, terminado em 1621, restam alguns vestígios, sendo o mais visível uma bela porta trabalhada em pedra calcária e de linhas clássicas, que ainda hoje podemos admirar. Viveram ali as freiras até 1809, altura em que foram desalojadas por alguns terrenos do convento estarem compreendidos dentro do traçado das obras de forti cação que se iam fazer em Abrantes, tendo as monjas sido transferidas para perto de Vila Franca de Xira.

Em 1831, por determinação régia, foi o edifício cedido à Câmara para aí se instalar um teatro a que depois foi dado o nome de Teatro Taborda, dado que este ilustre actor abrantino estava então no auge da sua fama.

Funcionou o teatro durante cerca de um século e aí se realizaram inúmeras representações teatrais, saraus, bailes, etc.. Foi um local de referência, cultura e convívio para muitos abrantinos que ali passaram horas inesquecíveis.

Na década de quarenta do século XX, acabou por ser encerrado porque o edifício já não oferecia condições de segurança, sendo substituído alguns anos depois pelo Teatro de S. Pedro, inaugurado em 1949.

Em nais do século XX, o edifício do velho convento voltou novamente à posse da igreja e nesse espaço encontra-se hoje um salão, conhecido por Casa da Esperança, onde decorrem actividades religiosas.

Mas quem foi a nal o Actor Taborda? Hoje já é uma gura bastante esquecida, mas no princípio do século XX, foi alguém muito conhecido e estimado não só na nossa cidade, mas no país inteiro.

Francisco Alves da Silva Taborda

nasceu em Abrantes a 8 de Janeiro de 1824, mas cedo, apenas com nove anos, rumou a Lisboa, a cargo do avô que depois o pôs a trabalhar numa tipogra a, situada no Rossio e pertencente a um tal senhor Motta, grande apreciador de teatro e das artes circenses. Possuía também um barracão na Rua Nova da Trindade onde instalou o chamado então teatro do Ginásio e, por estranha ironia do destino, na sua tipogra a trabalhava um rapazito que o destino marcara também para o teatro. O experiente Motta imediatamente detectou o jeito e o interesse que o seu aprendiz tinha por esta arte, pelo que logo pensou em aproveitá-lo, convidando-o a integrar a sua companhia.

Taborda estreou-se com 22 anos, com a peça Os Fabricantes de Moeda Falsa e o sucesso viria pouco depois com a sua participação na ópera cómica Velhice Namorada e depois em Miguel, o Torneiro onde desempenhava o papel principal. Sem nunca ter frequentado o Conservatório, o seu desempenho era natural e intuitivo, mas o seu talento era já então inegável. A sua fama foi crescendo e espalhando-se pelo país de tal modo que chegou à casa real e D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, homem culto e grande mecenas, reconheceu imediatamente as suas qualidades naturais que mereciam ser aperfeiçoadas, pelo que lhe concedeu uma bolsa para ir estudar em Paris.

Fisicamente considerava-se feio e com a cara marcada por sinais que as bexigas lhe deixaram mas nada disto o impediu de ser não só um grande cómico mas sobretudo um espantoso actor em todos os géneros. A sua

simplicidade e simpatia tornavam-no querido pelo público de todas as classes sociais. Numa altura em que a pro ssão de actor não era bem vista nem socialmente valorizada, ele com o seu exemplo de vida muito contribuiu para digni car o teatro e todos os que nele trabalhavam.

Várias vezes veio a Abrantes e em 1885, participou mesmo numa récita a favor dos doentes com cólera, epidemia que então grassava no país. Segundo os jornais da altura, a sala estava deslumbrante e a a uência era tanta que para haver ordem na plateia daí por diante não se admitiriam mais pessoas do que aquelas que a casa acomodasse e para isso iriam começar a numerar os bancos o que se fez com bons resultados.

Famoso, mas sempre humilde e simpático, faleceu a 5 de Março de 1909 e apenas passados dois anos em 1911, já em Abrantes estavam a erigir em sua honra um monumento que foi colocado num espaço situado mesmo em frente do teatro que tinha o seu nome. O busto em bronze, da autoria do escultor Costa Mota, foi assente sobre uma base de pedra, ornamentada com motivos alusivos ao teatro e onde além da data se pode ler: Ao actor Taborda que nasceu modesto abrantino e morreu glorioso lho de Portugal.

Consultas:

- Agudo, Ana Paula, Actor Taborda – o riso com forma de arte e de vida, Revista Zahara nº3, Maio de 2004

- Campos. Eduardo, Toponímia Abrantina, edição Câmara Municipal de Abrantes, 1989

- Jornais da época

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29Novembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES
/ Teresa Aparício
NOMES COM HISTÓRIA / PUBLICIDADE
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Previna quedas e acidentes durante a apanha da azeitona

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) - constituído pelas Unidades Hospitalares de Abran tes, Tomar e Torres Novas - inicia hoje nas páginas do Jornal de Abrantes a rúbrica “Saber Saú de”. Iremos trazer mensalmente aos leitores temas diversos sobre Saúde Pública.

Queremos falar de Saúde, por que é o tema que é a razão da nossa existência. Da prevenção de doenças à sensibilização e alerta sobre patologias comuns, raras e seus sintomas, da promoção da saúde, com conselhos práticos e dicas para uma vida mais saudá vel, bem como a quebra de mitos e preconceitos que perduram.

Não haverá temas proibidos, nestas páginas gentilmente cedi das pela Direção Editorial do Jor nal de Abrantes, a quem deixamos o nosso público agradecimento, pelo incondicional apoio neste projeto de literacia em saúde.

Saímos das portas do Hospi tal para estas páginas, porque acreditamos que o conhecimen to ligado à saúde pode salvar vi das e ajudar a manter a saúde. E porque decorre atualmente a campanha de apanha da azeitona na região do Médio Tejo, tão im portante para tantos dos nossos utentes, abordaremos hoje este tema. Queremos sensibilizá-lo para a necessidade do maior cui dado e da adoção de estratégias de prevenção de quedas e de aci dentes durante esta atividade.

Sabia que todos os anos há de zenas de acidentes e quedas que ocorrem no contexto da apanha da azeitona (manual ou mecani zada) e que originam a necessi dade de atendimento no Serviço de Urgência? Falamos de quedas de árvores (que podem muitas vezes ser fatais), traumatismos graves e acidentes com maqui naria pesada.

A sinistralidade durante a campanha da azeitona pode também ocorrer nas fases do transporte, ou mesmo no pro cessamento da azeitona no lagar. Estes incidentes podem também ocorrer numa fase posterior do cuidado do olival, nas podas. A

tipologia de acidente continua a abranger quedas acidentais, mas também aumenta a possibilidade traumas por objetos cortantes, os quais podem ser da maior gra vidade.

Assim, todo o cuidado é pouco na campanha da azeitona. Evite os acidentes e, sobretudo, as quedas.

As quedas são, de forma glo bal, um problema de saúde pú blica de grandes proporções no nosso país. A região do Médio Tejo não é exceção: trata-se do

acidente mais notificado nos hos pitais nacionais, do qual cerca de 5% resultam em fraturas e 5% a 11% em outros danos graves.

Nos seis primeiros meses do ano, de acordo com os dados re portados pelos Hospitais do SNS ao Projeto EVITA – Epidemiologia e Vigilância dos Traumatismos e Acidentes, do Instituto Nacional de Saúde Pública Ricardo Jor ge –, houve 110.505 episódios de urgência hospitalar originados por quedas, em todo o país (dos

quais 3,36% foram socorridos pelo CHMT).

As quedas ocorrem essencial mente em contexto doméstico, do lar. É por isso que aumentaram in clusive durante a pandemia. Fique também a saber que a frequência de quedas também aumenta sig nificativamente com a idade. Em todo o mundo, 30% das pessoas com 65 anos ou mais caem uma vez a cada ano, e, entre as pessoas com 85 anos ou mais, essa propor ção aumenta para quase 40%. São números preocupantes.

Em 2021, o CHMT acudiu a 8.847 episódios de urgências as sociados a acidentes com quedas. Este número representa mais de dez por cento de todos os episódios de urgência acumulados do ano passado.

Houve, pelo menos, 17 inter namentos reportados por aciden tes com quedas de árvores. Pela sua saúde, exortamos a que, se possível, utilize equipamentos de proteção e, se a sua idade for mais avançada, evite subir a árvores. É preferível utilizar o varejador para ripar a oliveira em segurança - deixando os ramos mais altos por colher - do que colocar em risco a sua saúde ou mesmo a vida.

Será que podemos prevenir o apa recimento do cancro? Será que o come mos diariamente tem impacto nessa prevenção? Respostas a estas perguntas não são fáceis e muitas vezes difíceis de comprovar cientificamente. É claro que nenhum alimento por si só tem proprie dades capazes de prevenir o cancro.

Segundo o relatório “Estado da Saúde na União Europeia (UE) – 2021”, em 2020 foram diagnosticados cerca de 58.000 novos casos de cancro em Portu gal. Na mulher, o cancro da mama, color rectal e pulmão são os mais frequentes. No homem, o cancro da próstata, color rectal e pulmão têm maior incidência. As causas para o seu aparecimento são multifatoriais e envolvem uma sinergia entre fatores genéticas e ambientais. Assim, o nosso corpo não é perfeito e às vezes falha!

Alguns estudos referem que a falta de exercício físico, o excesso de peso e obesidade, os hábitos tabágicos e alcoó licos, bem como a exposição ambiental potenciam o aparecimento do cancro.

De acordo com a “Estratégia Na cional de Luta Contra o Cancro 20212030“, 67,6% da população portuguesa vive com excesso de peso e 28,7% com obesidade. Assim, um dos pilares fun damentais na prevenção do cancro é a alimentação.

Segundo a American Cancer Society (2020), a prevenção do cancro envolve um padrão de alimentação saudável e diversificado, em todas as idades.

Na prevenção do cancro da mama, alimentos ricos em carotenos (ex. cou ve, tomate, cenoura) e alimentos ricos em cálcio (ex. iogurte, feijão, lentilhas, brócolos ou vegetais de folha escura) podem ser utilizados.

Já no homem, ingerir muitos ali mentos ricos em cálcio parece aumentar o risco de cancro da próstata.

No cancro colorretal, a água, cereais integrais ricos em fibras e pobres em açú cares, bem como frutas de peça inteira

e alimentos ricos em cálcio, reduzem o risco de cancro. As carnes processadas e carnes vermelhas em quantidades eleva das aumentam o risco de cancro.

No cancro do Pulmão, sobretudo em fumadores, alimentos ricos em vitamina C parecem reduzir o risco.

Uma alimentação variada e equilibra da, evitando alimentos industrializados (elevado teor de calorias e sal), parece ter um papel positivo na prevenção do cancro.

A dieta mediterrânea, ao contrário da dieta “ocidental”, parece ter um impacto positivo.

Dietas pobres em glúten ou estritamente ve getarianas aparentemente não contribuem para a redução da incidência de cancro.

Se tem um diagnóstico de cancro, as estratégias alimentares a implementar deverão ser diferentes. Informe-se com a sua equipa de saúde.

Cuide de si e seja feliz!

/ Unidade de Saúde Pública do ACES Médio Tejo. Com a co laboração de Rui Miranda Alves, Médico

30 JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2022 SAÚDE /
Prevenção: Diz-me o que comes dir-te-ei que cancro não terás!
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