Jornal de Abrantes - janeiro 2023

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uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt Grupo PUBLICIDADE PUBLICIDADE (de 1 de jane ro a 28 de fevereiro) PROMOÇÕES DE -20% A -50% Proteja-se do frio Térmicas PUBLICIDADE a ¶ 122 ANOS Pág. 27 ENTREVISTA JOSÉ MARTINHO GASPAR OS 20 ANOS DO CEHLA E O NÚMERO 40 DA ZAHARA Págs. 3 e 4 VILA DE REI PSD DENUNCIA ATROPELOS E INOPERÂNCIA DO SNS NO DIREITO AOS CUIDADOS DE SAÚDE Pág. 10 ABRANTES VEDAÇÃO TÉCNICA É SOLUÇÃO PROVISÓRIA PARA BARREIRAS RUA DO LICEU Pág. 12 / JORNAL DE ABRANTES j VILA NOVA DA BARQUINHA Proteção Civil instala comando sub-regional em Praia do Ribatejo / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas JANEIRO 2023 / Edição n.º 5623 Mensal / ANO 122 / DISTRIBUIÇÃO GRATUITA 2023? Págs. 13 a 15 O futuro já aí está e é hora de olhar em frente e tentar perceber o que nos poderá trazer 2023. O Jornal de Abrantes ouviu os autarcas dos concelhos da sua área de abrangência, bem como entidades dos diversos setores.

A ABRIR /

Entramos em mais um ano com os votos renovados de saúde, paz e muitos momentos de felicidade. Quando o ano passado, por esta altura, agradecíamos pelo abrandamento da pandemia e o regresso das nossas vidas à quase normalidade, eis que o ano nos “presenteia” com o regresso da guerra ao continente europeu. O que se previa, segundo os entendidos, que fosse um acontecimento rápido, revelou ao mundo como um povo pode ser resiliente perante a adversidade.

O povo ucraniano mostrou-nos, na maior das tragédias, que permanecendo unidos em volta de um objetivoneste caso, tão somente, a sua liberdade - conseguem fazer frente a um mal maior. As esperanças para 2023 são de que esta situação ignóbil termine rápido e que a Ucrânia possa ser reconstruida para que os sobreviventes possam também tentar reconstruir as suas vidas.

Mas 2023 não se afigura um ano fácil. Como habitualmente, em Portugal o ano começa com o aumento dos preços em bens essenciais. A inflação parece querer dar sinais de abrandar mas os especialistas já vaticinam que, ainda durante este ano, uma boa parte dos países da União Europeia vai entrar em recessão.

Da China, nunca fazemos ideia do que virá. Com a pandemia em ascensão, agora que a variante Ómicron dá cartas por lá, é torcer para que não surjam novas variantes da variante e que não se volte a espalhar. Mas essa parte também depende de nós, convém não nos esquecermos de que isto ainda não terminou. A nível nacional e politicamente falando... não falamos. Aguardemos para ver no que vai dar. Até porque parece ser essa também a estratégia do Presidente da República. Que os políticos se possam orientar para que o país também fique um bocadinho mais cuidado. Mas aí temos mesmo que esperar e, tal como S. Tomé, “ver para crer”.

Por cá, fomos ouvir o que os autarcas dos seis concelhos da área de abrangência do Jornal de Abrantes, bem como entidades dos diversos setores, perspetivam para este ano. Todos reconhecem que o ano não vai ser fácil mas também se mostram confiantes em que, mais uma vez, iremos conseguir ultrapassar os obstáculos.

Apesar dos desafios que o novo ano promete trazer, vamos fazer para que se torne mais leve. Que cada um de nós cumpra a sua parte sendo mais consciente, mais fraterno, mais solidário.

Acima de tudo, desejo saúde.

ja EDITORIAL / FOTO OBSERVADOR /

BEBÉ DO ANO NA MATERNIDADE DE ABRANTES É A NAYARA

Foi às 14:27 do primeiro dia do ano que na maternidade de Abrantes, do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) se fez a festa com o nascimento do primeiro bebé do ano. Com 3,240 kg e 40 semanas e cinco dias de gestação, veio ao mundo, de parto natural, a Nayara. De acordo com o CHMT a menina está de ótima saúde, tal como a sua mãe, Fabiana Conceição, e a família recebeu com imensa alegria este presente de ano novo. Ainda de acordo com a unidade hospitalar os pais residem na zona da Amadora e a gravidez foi seguida num centro de saúde de Lisboa.

O CHMT saudou a bebé na sua página da rede social Facebook e terminou a publicação com a seguinte frase: “mas, porque os bebés não escolhem local e hora para nascer, simplesmente decidem nascer quando acham que é tempo disso, foi no Médio Tejo que a pequena Nayara decidiu nascer. É com emoção que os profissionais de saúde dão as boas-vindas a esta princesa e desejamos as maiores felicidades para o resto da vida, esperando que a felicidade a acompanhe sempre de mãos dadas.”

É, seguramente, uma das modalidades mais recentes no panorama desportivo mundial e na última semana do ano pode ser conhecida e praticada em Abrantes.

Em 2014 Gábor Borsányi, antigo futebolista profissional e Viktor Huszár, cientista computacional, ambos húngaros, “inventaram” uma modalidade que mistura o ténis de mesa com o futebol. Pode jogar-se em singles ou duplas, usa uma mesa semelhante ao ténis de mesa, uma bola n.º 5 (do futebol) mas mais leve e cada jogo tem três sets’s, sendo que cada set tem 12 pontos possíveis.

E naquilo que se pode verificar no jogo é que, tal como o futebol, não se pode jogar com as mãos e cada jogador, dependendo de singles ou pares, só pode dar um certo número de toques na bola e com determinadas partes do corpo. “É uma modalidade divertida, mas que é muito mental, pela atenção que tem de se colocar na sua prática e, acima de tudo, apela ao desenvolvimento da motricidade fina”, é assim que Filipe Rodrigues explicou o que é o teqball.

/ Filipe Rodrigues

Ao longo na última semana de dezembro quem quis pode experimentar ou conhecer melhor este “ténis de mesa jogado com uma bola e com as regras do futebol, entre outras”. A semana do teqball aconteceu no Tagusvalley, nos antigos pavilhões da Quimigal numa iniciativa do Centro Popular de Cultura e Desportos de Sentieiras, que contou com o apoio do Município de Abrantes.

Nesta altura Abrantes tem dez atletas

federados, sendo que o próprio Filipe, que se apaixonou ao primeiro olhar para esta modalidade, integra o top 16 da Federação de Teqball Portugal. E acrescentou que há em Abrantes uma jovem que é árbitro e que que já esteve fora do país como juiz de uma competição.

Filipe Rodrigues quer divulgar este desporto que pode ser praticado por qualquer idade ou género e que houve uma adesão muito grande dentro do “público” escolar do agrupamento N.º 1 de Abrantes.

“Eu fui assistir a uma demonstração a convite do Nuno Gomes, assessor da área do desporto do Município de Abrantes. E gostei logo do que vi. Depois experimentei uma prova na areia, no Aquapolis. E comecei a praticar e entrei no circuito nacional”, explica o ex-jogador de futebol.

Por outro lado, acredita que a modalidade possa chegar a modalidade olímpica em 2028 e aí pode ter a entrada de clubes de outra dimensão.

Para já acredita que pode ser uma das modalidades de maior expansão nos próximos anos.

Jerónimo Belo Jorge

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2 JORNAL DE ABRANTES /
Janeiro 2023 Membro de:
/ Patrícia Seixas / DIRETORA
Bem-vindo 2023!
Feliz Ano Novo!

Zahara: “Uma enorme responsabilidade” e “um orgulho brutal”

// A revista de História Local, Zahara, atingiu a marca das 40 edições numa periodicidade semestral ininterrupta. Dedicada à História, Arqueologia, Etnografia e ciências afins, nasceu em 2003, é da responsabilidade do CEHLA - Palha de Abrantes e direciona-se para os concelhos de Abrantes, Constância, Gavião, Mação, Sardoal, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha. Sob a direção de José Martinho Gaspar, foi sobre a Zahara e a atividade do CEHLA que falámos.

Há 20 anos, o que vos levou a criarem o CEHLA - Centro de Estudos de História Local de Abrantes? Que necessidade sentiram haver na região?

Abrantes, há que dizê-lo, tem um interessante percurso cívico na defesa da sua História e do seu Património. Se pensarmos naquele que foi o Museu Regional D. Lopo de Almeida, criado em 1921, se atentarmos na ação de investigadores como Diogo Oleiro ou Maria Amélia Horta Pereira, percebemos claramente que a valorização do passado é uma marca que vem de longe. Uma monografia como a “Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes”, de Manuel António Morato e João Valentim da Fonseca Mota, é um legado fundamental em termos de abordagem do passado abrantino. Nos anos 80, existiu uma associação de defesa do Património, denominada ADEPRA, com uma ação interessantíssima, nomeadamente com a publicação dos seus Cadernos, que revelou entusiasmo e saber fazer neste domínio.

Também no pós-25 de Abril, a forma como alguns entusiastas, com o apoio do então presidente da Câmara, José “Bioucas”, salvaram um rico espólio documental e criaram condições para a fundação do Arquivo Histórico Municipal, é revelador da dinâmica e interesse em torno destes temas. E chegámos ao início do século XXI com múltiplas publicações locais neste domínio, entre as quais relevo as de Eduardo Campos, muitas delas, como os trabalhos ao nível da toponímia, imprensa e cronologias, constituem ferramentas que não deixam indiferente quem se interessa por estas temáticas. Em termos de desafio para este

projeto que viria a ser o CEHLA, ele terá vindo de conversas entre o Alves Jana e o Eduardo Campos e da integração, subsequente, de quem quis fazer parte. Todavia, desde muito cedo, a perspetiva foi a de maior abrangência territorial, não contemplando apenas o concelho de Abrantes, mas também Constância, Gavião, Mação, Sardoal, Vila de Rei e, mais tarde, Vila Nova da Barquinha. Só assim fazia e faz sentido, do nosso ponto de vista.

Começaram com quatro (José Martinho Gaspar, Eduardo Campos, Alves Jana e Carlos Vieira Dias) a quem se foram juntando muitos mais, tudo personalidades ligadas à História. Como se deu este processo? As pessoas aderiram rapidamente ou foi gradual?

Na realidade, como já disse, começaram dois e depois, logo nas primeiras reuniões, muitos outros se juntaram. Recordo-me que nessas reuniões que fizemos na Casa Carneiro, ao longo de 2002, participaram, para além de Alves Jana e Eduardo Campos, eu próprio, Candeias da Silva, Teresa Aparício, Carlos Grácio, Carlos Vieira Dias, Luís Pombo, Francisco Valente, Ana Paula Agudo, Ana Paredes Cardoso, Maria João Rosa e Armando Borges, então presidente da Direção da Palha de Abrantes.

O quarteto referido diz respeito àqueles que, em novembro de 2002, estiveram na conferência de imprensa, realizada na extinta livraria Contracapa, no Centro Coordenador de Transportes a apresentar o projeto. Já tínhamos definido o que queríamos fazer e demo-lo a conhecer ao público e, ao mesmo tempo, aproveitámos para convidar para colaboração,

nomeadamente na revista. E aquilo que pensámos, desde logo, e contámos nessa conferência de imprensa, foi a realização de uma edição de Jornadas de História Local, anualmente, a publicação de uma revista, semestralmente, e a concretização de “Passeios com História” pela região.

Entretanto, como conhecíamos algumas pessoas que se interessavam e trabalhavam estas temáticas nos concelhos que nos

propúnhamos abranger, chamámo-los e tudo foi alastrando com naturalidade num processo de mancha de óleo. Apesar de haver um núcleo que participa mais assiduamente nas reuniões, os membros do CEHLA, pela forma contínua como, durante 20 anos, participaram no projeto, são muitos mais. O que seria o CEHLA sem José António Correia Pais, Mário Jorge Sousa, Paulo Sousa, João Jerónimo, Rui Moleiro, António Matias Coelho, Jaime Marques da Silva, António Manuel Martins Silva, Fernando Freire, Luiz Oosterbeek, Sara Cura e o Museu de Mação? E que ninguém se sinta melindrado, porque no editorial do n.º 40 da “Zahara” identifico as centenas que fazem parte.

Hoje em dia, há colaboradores ligados a outras áreas, não só à História. Foram aparecendo porquê?

Esse foi um objetivo que se definiu desde o arranque e será aquilo que mais contribuiu para esta longevidade. O CEHLA é um projeto que olha para o passado, mais longínquo ou mais recente, mas nunca teve intenção de se manter exclusivamente no domínio da investigação histórica

3 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES
ENTREVISTA /
Entrevista por Patrícia Seixas
“Quis, desde sempre, que este não fosse um projeto editorial fugaz, mas sim consistente”
/ Apresentação da revista em agosto de 2022 / José Martinho Gaspar na apresentação da revista Zahara, número 2

mais académica. Sem comprometer o rigor, no CEHLA abordam-se temáticas da Antiguidade, da Idade Média ou Moderna, mas também aspetos etnográficos mais recentes, do século XX, usam-se os documentos que estão nos arquivos, mas as pessoas também são os arquivos. Deste modo ganhou-se muito, conseguiu-se um público, face à diversidade de abordagens, de temáticas e de tempos. Por outro lado, mesmo os não “encartados” na escrita da História, sentiram que aquilo que tinham para contar cabia aqui.

E entretanto, como surgiu a Zahara?

A ideia de ter uma revista surgiu desde muito cedo. Escolheu-se o título “Zahara” pois pensou-se que tendo uma ligação a Abrantes, onde estamos sediados, é também lendário e simbólico para todo este território, que esteve ocupado pelos muçulmanos e se libertou no século XII, num processo conjunto, que fez parte da construção de um país. Fiquei com a incumbência de coordenar a revista, isto é, de ser o seu diretor. Foi uma enorme responsabilidade, mas foi também um projeto que me deu um gozo brutal, que constituiu uma aprendizagem incrível, não apenas do mundo da edição, mas sobretudo do contacto com gente boa, altruísta, disponível para trabalhar para a comunidade, naquele que se assume também como um voluntariado social, por vezes com pouca visibilidade. Para além dos colaboradores, que publicaram imagens e textos, deixo uma palavra para o Paulo Passos, autor do design inicial do miolo da revista, para o Pedro Falcão, que concebeu a capa quase até ao n.º 30, e para o Nuno Mil-Homens que paginou a publicação nos primeiros anos.

A mim, competiu-me coordenar este projeto, enquanto elo de ligação entre todos os envolvidos, vendo-me obrigado a aprender a fazer muitas coisas que nunca equacionara. Foi muito gratificante. Quis, desde sempre, que este não fosse um projeto editorial fugaz, mas sim consistente. A maneira como o pensámos, a capacidade que tivemos para envolver, tudo isso contribuiu para essa consistência, mas a responsabilidade, o “vestir a camisola”, determinou que chegássemos aqui. Em várias ocasiões foi necessário um “forcing” de que poucos se aperceberam, algumas vezes peguei no meu carro enquanto decorriam as Jornadas de História Local e fui à gráfica buscar 50 exemplares, porque quando me comprometo as coisas acontecem.

No que à “Zahara” diz respeito, devemos ter uma palavra de

gratidão para a Teresa Aparício, não apenas enquanto colaboradora, mas também como divulgadora e distribuidora, pois se não tivermos leitores não faz sentido publicar uma revista.

E a parceria com a Palha de Abrantes?

O CEHLA nasceu na Palha de Abrantes. Se temos uma associação que trabalha no domínio da cultura, regionalmente, integrarmo-nos nela surge com naturalidade, pois liberta-nos de trabalho administrativo. Sempre trabalhámos autonomamente, ainda que num diálogo constante com a Palha de Abrantes e a sua direção. Recentemente, quando comemorámos os 20 anos, fizémo-lo conjuntamente com o Espalhafitas, um projeto da Palha de Abrantes para o cinema, também com duas décadas de existência, que tem uma excelente produção em termos de documentários, mas não só… tudo isto encaixa e faz sentido. Temos gente local, que trabalha por vezes com auxílio externo, garantindo qualidade, a produzir sobre o que é nosso. O caminho só pode ser por aqui, de outro modo ficamo-nos pelos “fogachos” que apenas darão mais umas notícias…

São 40 edições de Zahara, milhares de páginas de história local dos sete concelhos. A revista tem um público fiel ou nota que há mais interesse dependendo dos textos e dos concelhos que lá vêm representados?

Tirando dois ou três números temáticos, apenas temos possibi -

lidade de ter este tipo de revista, que publica aquilo que recebe. Obviamente que quem escreve já percebeu claramente que género de publicação somos. Depois é importante que, em termos de paginação se consiga algum equilíbrio e se possa captar a atenção do leitor. Obviamente que não estamos consolidados do mesmo modo em todos os concelhos que temos como alvo, pois de alguns nem sempre temos trabalhos, logo torna-se difícil fidelizar o público, enquanto noutros, por trabalharem de forma mais consistente as questões da História e do Património, é mais fácil encontrar espaços para distribuir a “Zahara” e temos mais leitores.

20 anos de CEHLA, 40 edições de Zahara. Qual é o sentimento que fica quando olha hoje para

trás e vê todo o trabalho que já foi produzido?

Já o disse, um orgulho brutal. Apesar de, a título individual, ter publicados livros na área da História, este projeto, com a sua dimensão e consistência, numa junção de tantas e tão boas vontades, provoca-me uma realização pessoal indescritível. Uma revista de História Local/Regional, nascida no seio de uma associação, com uma periodicidade semestral nunca interrompida é um projeto único a nível nacional.

Ainda que contemos com o apoio das autoridades locais, não posso deixar de lamentar o facto de ficarmos com revistas em armazém cada vez que sai um novo número. Não consigo aceitar e entristece-me que uma revista com esta qualidade e com um valor de capa irrisório, publique 500 exemplares e fique com 100 ou 200 em casa. Trabalhamos para sete concelhos, onde vivem mais de 100 mil habitantes, onde há centenas de escolas, de juntas de freguesia, de associações, dezenas de bibliotecas públicas, muitas dessas entidades e pessoas que as lideram não perceberam a riqueza que é ter esta revista. Custa-me dizê-lo, mas um dia muitos chorarão a morte da “Zahara”, ainda que nada por ela façam enquanto está viva. Perdoem-me o desabafo, mas há quem não mereça o que temos feito...

Afirmou que “tem sido um trabalho para as pessoas, para as atuais e para as vindouras, feito por uma infinidade de pessoas”. É esse o objetivo final? Deixar o

registo do que foi para podermos perceber o que poderá vir a ser?

À medida que os anos passaram que as questões ligadas ao Património Imaterial foram ganhando expressão, percebemos que estávamos a fazer um trabalho, também de registo, que de outro modo se teria perdido. Quantos trabalhos saíram na “Zahara” que hoje já não seriam viáveis, porque quem deu o testemunho já não está entre nós? Esta não é a nossa única função, mas urge que este movimento de recolha se alargue, também com registos audiovisuais, cada dia que passa é tempo que se está a perder se ficarmos de braços cruzados.

Realizaram já 19 edições de Jornadas de História Local. Que balanço se pode fazer de um evento que “arrasta” as pessoas de um território a relembrar as suas memórias?

As Jornadas têm sido um importante momento de partilha e de encontro. O balanço é, obviamente, muito positivo. Em 2022 tivemos uma edição mais descentralizada, pelos concelhos que integram o projeto. Talvez o caminho deva ir por aí, aumentar o número de sessões, sem pensar em eventos de um dia inteiro, e fazê-las chegar aos vários concelhos, contribuindo para a construção deste diálogo.

Aqui chegados, também houve muitos Passeios com História. Como tem corrido esta iniciativa?

Esta é uma componente do projeto que arrancou com grande dinâmica. Porém, devido à pandemia, foi a ação do CEHLA que mais força perdeu. É uma valência que não podemos perder, pois o contacto direto com as realidades, o conhecimento das mesmas, é determinante para percebermos a sua importância. Só se ama o que se conhece.

Até onde pode ir o vosso trabalho no CEHLA? Há algum objetivo maior no futuro?

O CEHLA atinge o fim de um ciclo, quase todos aqueles que estão mais envolvidos são os mesmos de há 20 anos. É necessária uma renovação de pessoas, porque aqueles que têm estado mais ligados a tudo isto precisam de quem os auxilie. É fundamental que o projeto possa definitivamente impor-se no mundo do digital, para chegar a um público mais abrangente e, sobretudo, para captar gente mais jovem. Urge que o CEHLA assuma uma componente audiovisual, com uma base de dados de registo efetuada e disponibilizada em novos suportes.

4 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023 ENTREVISTA /
“não posso deixar de lamentar o facto de ficarmos com revistas em armazém”
“há quem não mereça o que temos feito...”
/ A capa da primeira Zahara / A Zahara número 40

Governo garante apoio aos trabalhadores da Central do Pego até ao fim de 2023

O Ministério do Ambiente e da Ação Climática (MAAC) confirmou no dia 15 de dezembro que, através do Fundo Ambiental, renova, até 31 de dezembro de 2023, o apoio aos trabalhadores da Central do Pego. De acordo com uma informação do Ministério este apoio é concedido no quadro de uma transição justa, num valor máximo de 3,5 milhões de euros, distribuídos por três anos (2021, 2022 e 2023).

O ministério indica ainda que a atribuição da compensação é aplicável “enquanto se mantiverem válidas as condições de elegibilidade do beneficiário, decorrendo o prazo de apresentação das candidaturas ao incentivo desde o dia 9 de dezembro de 2021 até 30 de novembro de 2023.”

Na mesma informação é indicado que o pagamento será efetuado mensalmente para a conta do beneficiário identificada no processo de submissão, e este “receberá a notificação através da plataforma do Fundo Ambiental”, assim que estejam reunidas as condições para

o exercício do direito à compensação, até final de 2023.

Recorde-se que a 27 de novembro o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, tinha indicado a um grupo de trabalhadores da Central do Pego que “todos aqueles que ficarem desempregados irão ter apoio nos

seus vencimentos, de acordo com aquilo que era o vencimento que recebiam na central, e irão ter formação”.

A Central Pego, nomeadamente os dois grupos a carvão, encerrou a sua atividade a 30 de novembro de 2021, com implicações no emprego direto e indireto, junto das

empresas prestadoras de serviços à Central, bem como na dinâmica económica do território onde se insere.

O Fundo Ambiental abriu, em meados de dezembro de 2021, a fase de candidaturas ao mecanismo de compensação para uma transição justa, destinado a mitigar impactos socioeconómicos aos trabalhadores da Central Termoelétrica do Pego, que para se candidatarem ao apoio devem, nomeadamente, frequentar formação.

Além dos 28 trabalhadores que receberam as cartas de despedimento da Tejo Energia, a medida, que implica a adesão ao processo formativo, abrange também os trabalhadores de empresas prestadoras de serviços identificados como estando a trabalhar exclusivamente na central a carvão.

O Ministério dá conta ainda que, aquando o encerramento em 2021, estava em curso o “Procedimento concursal para a atribuição de reserva de capacidade de injeção na rede elétrica de ser -

viço público do Pego” e o “Apoio à diversificação económica para uma Transição Justa no Médio Tejo ‘INOVAÇÃO PRODUTIVA’”. Projetos que segundo o governo “contribuirão para gerar novos empregos no território em apreço, pelo que importava mitigar os impactes socioeconómicos sobre os trabalhadores mais diretamente afetados.”

O governo diz que o “Mecanismo de compensação para uma transição justa” prossegue os objetivos de uma transição justa, nomeadamente na componente social e de proteção dos trabalhadores afetados pela transição para uma economia neutra em carbono.

Nota ainda o Ministério do Ambiente que o projeto vencedor do concurso para o Ponto de Injeção na Rede da Endesa “permitirá absorver parte destes trabalhadores”, pelo que o apoio aos ex-trabalhadores da Central do Pego vai manter-se em 2023.

5 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES PUBLICIDADE REGIÃO / Abrantes

SMA atualizam tarifas da água, RSU e saneamento para 2023

// Na reunião de Câmara de dia 13 de dezembro, foram aprovadas por maioria, com o voto contra do vereador Vasco Damas, eleito pelo Movimento ALTERNATIVAcom, as propostas de atualização do tarifário dos Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) para o ano de 2023.

“A elevada incerteza e as consequências da guerra, sobretudo no mercado energético internacional, com a escalada dos preços da energia, e não se tendo realizado uma atualização tarifária em 2022 a pensar nas famílias e empresas” foram as razões apontadas pelo presidente da Câmara de Abrantes para a “necessidade de proceder à atualização das tarifas da água, resíduos sólidos e urbanos (RSU) e saneamento para o ano de 2023”.

Manuel Jorge Valamatos considerou “esmagadoras” as questões que se prendem com o preço da eletricidade e adiantou que “o orçamento inicial para 2022 era de 430 mil euros e neste momento, para 2023, temos um milhão e 600 mil euros. Um milhão a mais” do que no ano anterior, “para um orçamento de sete milhões de euros” dos Serviços Municipalizados. O autarca observou ainda os preços dos combustíveis, sendo que os SMA “têm oito camiões diariamente na rua, a fazerem centenas de quilómetros”. Nesta área, o aumento é de 70 mil euros. Na fatura de produtos químicos, o aumento é de 40 mil euros. Já no que diz respeito ao aumento dos salários, subsídio de refeição ou novas contratações, o aumento é de 260 mil euros nos Serviços Municipalizados.

Manuel Jorge Valamatos afirmou também que “aos dias de hoje, não somos o concelho que tem a fatura mensal mais elevada, (...) temos taxas médias no que é o Médio Tejo e a região”.

As tarifas

Assim sendo, no que se refere à fatura do Ambiente para 2023, num consumo de 10 m3 de água, os clientes domésticos irão pagar mais 3,36€ por mês e no caso dos clientes não domésticos, num consumo de água de 20 m3, vão pagar mais 15,67€ por mês (valores com IVA incluído). De referir que a maioria dos clientes domésticos dos Serviços Municipalizados de Abrantes consome uma média de 6,3 m3 de água, o que significa que nem todos terão o aumento de 3,36€/mês.

A tarifa relativa ao tratamento dos resíduos sólidos e urbanos também terá uma atualização em 2023, sendo que para um cliente do tipo doméstico, com um con -

sumo de 10 m3 de água, haverá um aumento de mais 0,82€/mês (valor com IVA) de tarifas de RSU e no caso dos clientes não domésticos, com um consumo de água de 20 m3, irão pagar mais 2,56€ por mês (valor com IVA incluído).

Ao nível do saneamento, as tarifas terão um aumento com base no contrato de concessão existente com a Abrantáqua – Serviço de Águas Residuais Urbanas do Município de Abrantes, que se revela de mais 0,80€/mês para um cliente doméstico com um consumo de água de 10 m3 e no caso dos clientes não domésticos, o aumento será de mais 2,34€ por mês (valores com IVA incluído).

Manuel Jorge Valamatos, destacou o investimento superior a 10 milhões de euros que a Abrantáqua realizou ao nível do saneamento no concelho de Abrantes e referiu que 94% da população do concelho de Abrantes é servida por redes fixas de saneamento.

No global da fatura, o aumento em 2023 será de 4,99€/mês (valor com IVA) para um consumo de 10 m3, o que representa um acréscimo de 0,17€ por dia, “mas o consumidor normal não sentirá este aumento, que é inevitável, porque a média mensal dos clientes do tipo doméstico é de 6,3 m3”,

referiu o autarca.

Relativamente aos clientes comércio/indústria, esta atualização de tarifas irá ter um impacto de mais 20,57€/mês para um consumo de 20 m3 de água, o que representa um aumento de 0,69€/ dia (valores com IVA incluído).

“Com uma utilização mais racional da água, podemos minimizar este aumento”, salientou Manuel Jorge Valamatos, apelando à população para que haja uma poupança efetiva da água e se evite o desperdício.

O presidente da Câmara Municipal de Abrantes destacou ainda a existência dos tarifários especiais dirigidos a famílias economicamente mais vulneráveis, nomeadamente o tarifário social para agregados familiares mais carenciados economicamente, em que a redução da fatura é de 42%, e ainda o tarifário para as famílias numerosas em que os agregados familiares constituídos por cinco ou mais elementos têm uma redução de 5% na fatura.

Manuel Jorge Valamatos concluiu referindo que “atendendo ao contexto atual e às perspetivas para 2023, esta atualização das tarifas é indispensável, pois sem a mesma não é possível manter o equilíbrio económico e financeiro

dos SMA e, consequentemente, manter a qualidade e disponibilidade dos serviços prestados e uma capacidade mínima de investimento”, não descartando que “logo que haja condições e normalização dos preços da energia e dos combustíveis, estamos disponíveis para corrigir e atualizar as taxas dos SMA”.

A votação da oposição

Na votação da proposta, o vereador Vasco Damas mostrou-se “sensível aos argumentos” utilizados pelo presidente da Câmara, “nomeadamente em termos do disparar dos preços e da inflação ser neste momento aquilo que é”, mas afirmou que “há também alguns sinais que nos mostram

que pode estar para breve uma retoma, inclusivamente já nos próprios combustíveis”. Assim, relativamente à proposta da maioria socialista para os tarifários, o vereador lembrou que “o ano passado, o aumento proposto foi de 0,10€, este ano é de 3,36€ só na água, o que pressupõe um aumento 33 vezes superior ao ano passado”. Vasco Damas considerou “não haver necessidade de fazer um aumento destes, tão grande, em relação à fatura da água”, lembrando que “este tem sido um assunto que nos tem distanciado desde o início”.

O vereador eleito pelo Movimento ALTERNATIVAcom votou contra a proposta.

Por parte do PSD, o vereador Vítor Moura justificou a sua aprovação da proposta pelo facto de “várias vezes aqui termos destacado quando Abrantes era cimeira no custo da fatura do Ambiente. De facto, não éramos o primeiro classificado na Comunidade Intermunicipal mas éramos o segundo. Agora, apesar deste aumento, que lamentamos, como é evidente, temos que reconhecer que há meia dúzia de municípios (talvez uns sete ou oito) na Comunidade Intermunicipal que já nos ultrapassaram no custo dessa fatura”. Para Vítor Moura, “Abrantes está a aguentar-se em termos da subida exponencial que se está a verificar nesta matéria”.

O vereador social-democrata disse ainda ser “verdade” que, comparativamente com os municípios da nossa região, “a situação está diferente a favor dos abrantinos”. Considerou ainda o aumento dos tarifários como “lamentável, mas talvez inevitável” porque, como afirmou, “compreendemos que nos custos com a energia, sobretudo, a Câmara teria de suportar um enormíssimo défice”. Acrescentou que “quando os Serviços Municipalizados não apresentarem lucros, o orçamento da própria Câmara é que tem que cobrir esse défice”.

Vítor Moura lembrou ainda a “perspetiva do PSD”, que defendeu que “deveria ter sido na devolução do IRS e no atenuar dos custos com o IMI que a Câmara podia e deveria ter atuado. Era o mínimo que deveria ter feito em sede de orçamento para 2023”.

6 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023 REGIÃO / Abrantes
Patrícia Seixas
“Aos dias de hoje, não somos o concelho que tem a fatura mensal mais elevada, (...) temos taxas médias”.
/ A fatura de Ambiente poderá sofrer um aumento de até cinco euros
para os consumidores domésticos

Jorge Rosa agraciado com medalha de ouro da NERSANT

// No dia 13 de dezembro a Nersant organizou um jantar de homenagem a Jorge Rosa que durante 16 anos esteve como presidente e CEO da Mitsubishi Fuso Truck Europe e que desempenha desde 2017 o papel de presidente do Conselho Geral da associação.

A vida profissional de Jorge Rosa, engenheiro de Qualidade que entrou na Metalúrgica Duarte Ferreira em 1980, mistura-se e confunde-se com a Mitsubishi, ex-Tramagauto e atual Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE).

Jorge Rosa deixou o cargo de presidente e CEO da MFTE no final de 2021, função que desempenhava desde 2005. Foi o final de um ciclo que, soube-se esta terça-feira, dia 13 de dezembro, foi preparado pelo próprio CEO da fábrica por forma a fechar um ciclo de liderança nesta unidade.

Jorge Rosa foi agraciado com a Medalha de Ouro da NERSANT, a mais alta distinção da associação, que a recebeu das mãos da Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, do Presidente da Câmara Municipal de Abrantes e representante da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, Manuel Valamatos, do Presidente da AIP, José Eduardo Carvalho e do Presidente da Direção da NERSANT, Domingos Chambel.

Na plateia estavam diversas personalidades ilustres, tais como Nuno Mangas, Presidente do Compete, Maria Salomé Rafael, Administradora da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, do Vale do Tejo, de Coruche e Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, associados NERSANT, outras individualidades e entidades da região.

Comecemos pelo fim. Jorge Rosa, após receber a medalha de ouro subiu ao púlpito para o agradecimento, lembrando o início conturbado da sua passagem pela Metalúrgica Duarte Ferreira e do tempo de crise económica e de “fome” no Tramagal por via de um desmembramento da Metalúrgica. E foi na sequência do desmembramento da MDF, que chegou a ter 2 mil empregados, que nasceram três empresas nos três ramos da gigante. Uma no setor metalúrgico, outra no metalomecânico e outro no setor automóvel. Jorge Rosa ficou a gerir esta última e face a um cenário que poderia ser dramático,

com o fim da produção da Berliet, foi à procura de soluções.

Numa primeira fase com o importador da Mitsubishi em Portugal, depois na Mitsubishi Europa até à integração na casa-mãe. E, mais recentemente, com a integração no grupo alemão Daimler. De uma faturação de 4 milhões de euros a empresa do Tramagal passou a faturar mais de 200 milhões, atingiu este ano a neutralidade carbónica e já produz um modelo Canter cem por cento elétrico.

“Sinto-me orgulhoso? Sim. É um trabalho só meu? Não. É de muitas pessoas.” E depois até brincou com a sua longevidade à frente da fábrica: “por mim passaram vários presidentes de Câmara (de Abrantes), três imperadores (do Japão) e cinco Presidentes da República (de Portugal).

Há quase um ano afastado fisicamente garante, sem problema, que não se afasta mentalmente de uma longa vida a caminho da MFTE. E espera vir a colher algu-

mas uvas dos bacelos plantados à entrada da empresa.

A primeira de várias homenagens em agenda

Domingos Chambel, atual presidente da direção da Nersant, traçou aos convidados a fita do tempo de Jorge Rosa no Tramagal.

Jorge Rosa iniciou a sua carreira na empresa em 1980, no departamento de Qualidade na fábrica do Tramagal, da antiga Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF), tendo exercido várias funções em diferentes setores da empresa, chegando à presidência em 2005, na atual Mitsubishi Fuso Truck Europe, S.A. O empresário e gestor, que esteve sempre dedicado ao desenvolvimento e crescimento, em organizações regionais e nacionais, integra ainda a presidência da Mobinov, a vice-presidência da ACAP, sendo ainda mobilizador do CR INOVE. Em 2017, assumiu o cargo de presidente do Conselho Geral da NERSANT, cargo que exerce até aos dias de hoje.

“Sendo a NERSANT a maior associação regional, focada no crescimento empresarial e no desenvolvimento da região, não poderia deixar de reconhecer o mérito deste empresário e gestor que tanto deu à nossa região e tanto contribuiu para o desenvolvimento regional”, referiu o presidente da direção da NERSANT, no discurso de homena-

gem proferido durante o jantar.

E aos jornalistas Domingos Chambel explicou que esta homenagem é a primeira de uma série que a associação que lidera está a preparar por forma a distinguir as personalidades que têm contribuído para a criação de riqueza e para o combate à desertificação desta região do país.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, também agradeceu a vida dedicada à empresa e, ao fim e ao cabo, ao concelho de Abrantes. O autarca vincou como fundamental na ligação da fábrica ao grupo Daimler. “Até à neutralidade carbónica, conseguida há pouco tempo, Jorge Rosa desempenhou muitos cargos e em muitas funções.

Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura, foi convidada para a homenagem tendo começado por referir: “sinto-me em representação não do governo ou da minha área de agricultura, mas por ter sido presidente de câmara e vereadora e por saberem pela amizade que nutro pelo engenheiro Jorge Rosa.”

De notar que a MFTE tem [em 2021] 600 empregados e uma produção anual de 9 mil unidades. Em 1991 faturava 4 milhões de euros, quando saiu da empresa, Jorge Rosa deixou a Mitsubishi Fuso Truck Europe a faturar mais de 200 milhões de euros.

Jerónimo Belo Jorge

7 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES SOCIEDADE / Economia
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Mais de 90 mil vacinas depois, Centro de Vacinação Covid encerra as portas

Na manhã de dia 27 de dezembro, foi feita uma homenagem a todos os que de alguma forma contribuíram para o sucesso da vacinação na região. O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, a diretora do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, Diana Leira, e a vereadora Raquel Olhicas agradeceram a todos os profissionais que estiveram envolvidos no processo de vacinação contra a Covid-19.

Diana Leiria, diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, agradeceu aos profissionais de saúde que disseram presente numa altura difícil para toda a sociedade.

As primeiras palavras foram de agradecimento à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Abrantes “que nos permitiu estarmos aqui, em quase dois anos de ocupação do espaço e com quem trabalhámos lado a lado, numa verdadeira parceria”.

O apoio da Câmara Municipal “desde o início desta campanha” não foi esquecido, relembrou que “nem sempre foi fácil” pois tem sido uma campanha “marcada por bastantes alterações às normas e que nos obrigou a ter uma flexibilidade muito grande e uma capacidade de adaptação em muito pouco tempo”. Do trabalho da Câmara Municipal, Diana Leiria destacou o transporte das pessoas, a divulgação de informação “ou ajudando-nos aqui com a logística”.

Naturalmente, agradeceu depois “aos meus profissionais, eles sim, são aquelas pessoas que permitiram que a Covid não ceifasse mais vidas ou, pelo menos, reduzisse a mortalidade e as complicações por Covid”.

A equipa que esteve no CVC de Abrantes ao longo deste tempo “conseguiu administrar 90 mil vacinas Covid-19, cerca de 85 mil dadas neste espaço e as restantes na comunidade, designadamente nos lares e em instituições similares”.

A diretora executiva do ACES do Médio Tejo referiu que “neste momento, temos mais de 85% da população completamente vacinada, com esquema vacinal completo” e deu conta que, apesar de uma menor adesão de alguns grupos que foram referenciados pela DGS,

“temos tido em Abrantes uma taxa de vacinação muito superior à média nacional”.

Diana Leira agradeceu ainda à vereadora Raquel Olhicas, enfermeira que iniciou a coordenação do Centro de Vacinação de Abrantes, e à enfermeira Lucinda Ferreira “que fez a continuação deste trabalho e que levaram esta tarefa a bom porto”.

A responsável explicou ainda que a partir do próximo mês de janeiro, a vacinação contra a Covid-19 passa a ser realizada no Centro de Saúde de Alferrarede e nas Unidades de Saúde Familiar Beira Tejo, em Rossio ao Sul do

Tejo, e D. Francisco de Almeida, em Abrantes.

deixámos ninguém para trás”

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, também agradeceu a todos os intervenientes diretos e indiretos envolvidos nesta operação, relembrou os primeiros tempos da pandemia e de como soube que era necessário

erguer o Centro de Vacinação, que contou com o apoio dos Bombeiros locais, do RAME – Regimento de Apoio Militar de Emergência e da Delegação de Abrantes da Cruz Vermelha Portuguesa, bem como o susto que apanhou ao tomar conhecimento de que o Hospital de Abrantes iria ser um hospital de referência Covid. “Todos os profissionais fizeram parte de um trabalho

e todos se devem

orgulhar do que foi feito. Fizemos todos o melhor que podíamos para ajudar as nossas comunidades e o nosso país”, disse.

O autarca falou de “uma história enorme, temporalmente”e fez referência a uma letra de umas das suas cantoras favoritas, Mafalda Veiga, ao afirmar que “quando dói, é devagar”. E disse ter tido essa perceção, numa fase inicial, quando o tempo teimava em não passar. Confessou-se “atrapalhado” quando Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo lhe comunicou que Abrantes seria um dos hospitais de referência para os doentes Covid-19. “Abrantes? Isto vai ser uma loucura”, foi o pensamento no momento. Volvidos dois e olhando para trás, “parece que foi uma brincadeira mas não foi. Foram momentos muito duros e dois anos de grande sofrimento”. E para que ninguém faltasse à vacinação por ausência de transporte, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes recordou que a autarquia disponibilizou a linha direta e gratuita de transporte, que contou com o apoio das Juntas de Freguesia, Bombeiros e Cruz Vermelha, e que fez mais de 5 mil transportes de munícipes desde a sua freguesia até ao Centro de Vacinação. “Não deixámos ninguém para trás”, salientou Manuel Jorge Valamatos.

Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes entregou a todos os profissionais presentes um certificado de reconhecimento onde o Município de Abrantes agradece “toda a dedicação, profissionalismo e inexcedível contributo pelo trabalho realizado no Centro de Vacinação de Abrantes durante a pandemia Covid-19”.

Durante a sua atividade, o CVC de Abrantes esteve muitas vezes aberto aos sábados e domingos para administração de vacinas, inclusive às crianças e jovens. Em julho de 2021, o CVC de Abrantes vacinou cerca de 800 utentes por dia e no fim de semana de 21 e 22 de agosto de 2021, foram vacinados mais de 730 jovens, entre os 12 e os 15 anos de idade, de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Ponte de Sor.

A vacinação passa agora para o Centro de Saúde de Alferrarede e Unidades de Saúde Familiar.

8 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023
REGIÃO / Abrantes
extraordinário // O Centro de Vacinação Covid-19 (CVC) de Abrantes, instalado nos Bombeiros Voluntários de Abrantes, encerrou portas no dia 29 de dezembro. Iniciou funções a 24 de fevereiro de 2021, no Quartel dos Bombeiros de Abrantes, equipado com 4 postos de vacinação, área de recobro, circuito único de entrada e saída de utentes e disponibilizadas cadeiras de rodas para pessoas com mobilidade reduzida.
“Não
“Temos tido em Abrantes uma taxa de vacinação muito superior à média nacional”

Raquel Olhicas: Do Centro de Vacinação Covid para a Câmara

// A enfermeira que teve a responsabilidade de coordenar o processo de vacinação no Centro de Vacinação Covid de Abrantes, Raquel Olhicas, falou-nos desses primeiros tempos. Pelo caminho, alguns momentos difíceis mas assumiu que “vim sem medos, apesar de saber que vínhamos lutar, literalmente, contra um vírus completamente desconhecido, nunca baixámos os braços”.

Raquel Olhicas soube “de imediato” que o mais necessário no momento era “motivar a equipa” até porque “estas guerras não se aprendem nos livros, aprendem-se com a prática e nós não tínhamos prática a lidar com uma situação completamente desconhecida”.

Reconheceu que “uma coisa boa é termos sempre enfermeiros muito motivados e a nossa equipa da Unidade de Cuidados na Comunidade é constituída por pessoas muito jovens e recetivas à aprendizagem de situações novas”.

“Nunca me senti sozinha”, confessou, lembrando o apoio da equipa, da Câmara, dos Bombeiros, da Proteção Civil...

No entanto, lembrou que “o que mais nos custou foi estarmos a recomendar a utilização de práticas adequados e depois vermos lá fora pessoas a prevaricarem e a não cumprirem com essas regras, a serem veículos transmissivos da infeção”.

Dos momentos mais complica-

dos, recordou, foi a administração de uma determinada vacina que “numa tarde, tivemos sete jovens que ficaram sem qualquer reação, caíam literalmente. Isso fez com que nós também ficássemos muito preocupados. Dois jovens tiveram mesmo que ser encaminhados para

o hospital, com alterações ao nível do ritmo cardíaco e outras situações mais graves. Também nós nos equacinámos se vacinávamos ou não pois as pessoas começaram a ficar muito céticas. Felizmente, conseguimos uma taxa de cobertura muito elevada”.

Também os dias em que eram vacinadas 1100 a 1200 pessoas foras momentos complicados para os profissionais de saúde, com filas enormes e dias de muito calor em que a preocupação era manter as pessoas em ambiente fresco e hidratadas.

Para além de todas as entidades envolvidas no processo, Raquel Olhicas também destacou “os bons comportamentos das pessoas” para o sucesso da operação.

Pouco depois, Raquel Olhicas passava para a Câmara Municipal, responsável pelo pelouro da Saúde e pôde olhar de outra forma para

o trabalho que estava ser feito no terreno.

“Lembro-me que estava aqui, precisamente no Gabinete N.º1, quando o presidente da Câmara veio falar comigo e me convidou para o desafio. Eu aceitei imediatamente”, disse.

Raquel Olhicas explicou que pensou na altura que era bom ter “uma visão mais macro de toda a saúde do nosso concelho” pois considera importante “termos conhecimento de fundo sobre as realidades para conseguirmos fazer um trabalho com mérito e um bom desempenho”.

Contudo, apesar de desempenhar o cargo de vereadora, manteve “sempre uma ligação muito íntima com a enfermeira Lucinda Ferreira e ia acompanhando”.

Para Raquel Olhicas, “estar na Câmara é ter uma visão tipo helicóptero, mas estar presente no dia a dia nos problemas que vão aparecendo no quotidiano”.

9 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES
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“Vim sem medos, apesar de saber que vínhamos lutar contra um vírus completamente desconhecido”
/ Raquel Olhicas assumiu o CVC “sem medos”

Emissário de Águas Residuais já está concluído e em funcionamento

A empreitada teve início no mês de agosto, e visou solucionar o problema que existia no emissário, possibilitando o tratamento adequado dos esgotos domésticos na Estação de Tratamento de Águas Residuais Industriais (ETARI) do Caima, localizada na margem sul rio Tejo.

Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância explicou à Antena Livre que “há mais de 20 anos que as águas residuais da vila são tratadas na ETARI do Caima e eram levadas através de um emissário que estava assente no leito do rio, preso a estacaria”.

No entanto, essa solução teve alguns rompimentos do tubo ao longo dos anos. “Penso que logo em 2000 ou 2001 foi a primeira vez que o tubo rompeu e foi reparado. Depois disso, voltou a acontecer mais uma vez e chegou-se a 2016/17 o tubo já não oferecia mesmo condições nenhumas. Em 2017, no mandato da pre-

paliativo”. É que, “cada vez que o caudal do rio tinha alguma instabilidade, o tubo ou soltava-se ou rebentava e tivemos que ir para uma situação definitiva”.

Com um investimento superior a 200 mil euros, “tivemos apoio do Estado Central à volta de 59 mil euros, apoio do Caima de 84 mil euros e o restante foi suportado pelo Orçamento Municipal”.

mento e segurança. “Contamos que esta solução dure os próximos 30 ou 40 anos”, espera o autarca.

/

de ligação das águas residuais domésticas da vila à ETARI do Caima

sidente Júlia Amorim, o emissário foi completamente substituído. Foi colocada estacaria nova e um tubo novo”, explicou o autarca.

Já no primeiro mandato de Sér-

Município reclama atrasos dos serviços dos CTT

Nos últimos meses tem-se verificado um atraso “inexplicável” na entrega da correspondência no concelho de Constância, uma situação que levou a autarquia a manifestar o seu desagrado, junto da Comissão Executiva dos CTT, e a exigir que sejam tomadas medidas para resolver o problema.

Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal, explica que as pessoas “chegam a estar semanas sem receber correspondência e, de repente, recebem dezenas de cartas no mesmo dia”. O autarca adianta que “umas dessas cartas podem não ter importância mas outras têm obrigações a cumprir e são recebidas fora do prazo”. E isso “causa transtornos à vida das pessoas”.

O presidente do Município deu o seu próprio exemplo, quando recebeu a carta para o pagamento do IMI, “duas semanas após o prazo do pagamento”. Sérgio Oliveira reconhece que “felizmente, nós já somos uma geração que funciona mais com o online e não tanto com o correio que recebemos. Já conseguimos ir ao site da Autoridade Tributária e

Aduaneira, retiramos a guia e efetuamos o pagamento mas há um conjunto de população, nomeadamente a mais sénior, que não tem esta literacia digital e que são prejudicados. Não só com obrigações fiscais mas também no caso de consultas médicas que são marcadas e as pessoas recebem as cartas depois de já ter passado a data da consulta

O presidente da Câmara disse que “o que pedimos e exigimos é um

gio Oliveira, “o tubo voltou a romper, pelo menos duas vezes” e foi reparado. Só que, como afirmou o presidente da Câmara, “não tinha sentido estar a aplicar ali mais um

Esta empreitada implicou “a perfuração dirigida sob o leito do rio, com 20 metros de profundidade por onde passa o tubo, foi feita a ligação na margem norte e na margem sul e o sistema de bombagem é idêntico mas garante-nos uma estabilidade completamente diferente”.

Para Sérgio Oliveira esta é “uma solução estruturante” que veio solucionar um problema que denotava um elevado estado de desgaste na tubagem e que não estava a oferecer as melhores condições de funciona-

O novo emissário entrou em funcionamento na passada segunda-feira, 19 de dezembro, mas já tinha sido testado anteriormente. Contudo, “o aumento considerável do caudal do rio na semana passada” levou a um pequeno atraso. “Se o rio sobe muito, como aconteceu na semana passada com o considerável aumento do caudal, o poço de drenagem fica cheio e as bombas têm que ser desligadas. É mesmo um sistema de segurança. Mas foi essa a razão de não ter entrado em funcionamento já na semana passada. Assim que o caudal baixou, e depois de na segunda-feira terem sido feitos uns trabalhos de limpeza junto dos coletores, o emissário foi ligado e está em pleno funcionamento”, explicou Sérgio Oliveira.

Apoio ao associativismo

No âmbito do Programa Municipal de Apoio ao Associativismo 2022/2023, a Câmara Municipal de Constância aprovou, por unanimidade, um total de 4.400 euros em atribuição de apoios.

Foram três as associações do concelho que se candidataram a este Programa tendo o vereador Pedro Pereira esclarecido que “a Casa do Povo de Montalvo não enviou qualquer candidatura” nem apresentou ainda o relatório relativo ao ano transato. Contudo, o vereador esclareceu que “o Programa prevê situações extraordinárias, fora do período de candidatura” pelo que ainda poderá ser possível apreciar um apoio no futuro.

serviço que funcione pois funcionava bem antes da privatização dos CTT... não percebemos as razões para a qualidade do serviço ter decaído desta forma e que está a causar tantos transtornos à população”.

Sérgio Oliveira adianta ainda que “sabendo que isto não é um caso isolado, só do concelho de Constância, mas de vários concelhos no país, pedimos que o Estado, através do contrato que tem com os CTT, exi-

ja que o serviço tenha qualidade e funcione”.

A Câmara Municipal de Constância, manifestou “o seu profundo descontentamento por esta situação”, e enviou um ofício à Comissão Executiva dos CTT a “exigir que sejam tomadas medidas com vista a inverter esta situação”. O ofício foi enviado na última semana do ano e a Câmara Municipal encontra-se a aguardar resposta.

Para já, irão ser apoiadas a Associação Cultural e Desportiva Aldeiense, com 2.200 euros, no âmbito da atividade ligada ao futebol, a Carrapiteiro Bike Team, com 200 euros no apoio à atividade e a Circuito AmploAssociação De Caçadores E Pescadores do Concelho de Constância, com 2.000 euros para o desenvolvimento da atividade regular.

De salientar que o apoio concedido pelo Município será dado após apresentação das respetivas despesas por parte das associações.

10 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023 REGIÃO / Constância
Emissário // O emissário que transporta as águas residuais da vila de Constância para a ETARI do Caima onde é efetuado o seu tratamento há mais de 25 anos entrou em funcionamento no dia 19 de dezembro.

PSD denuncia atropelos e inoperância do SNS no direito aos cuidados de saúde

// O PSD de Vila de Rei deu conta das preocupações que, segundo afirma, “o concelho tem sentido ao longo da sua história no que diz respeito ao direito da sua população no acesso aos cuidados de saúde”. Falta de médicos no concelho, bem como a inexistência de médico dentista alocado à Unidade de Saúde de Vila de Rei são problemas que apontam “para um futuro incerto no que diz respeito ao direito dos vilarregenses aos cuidados de saúde”.

Atropelos e inoperância dos órgãos de decisão do Sistema Nacional de Saúde são algumas acusações dos sociais-democratas.

Paulo César Luís, presidente da concelhia vilarregense, explicou ao Jornal de Abrantes que se se vier a proceder à alteração do Município para uma outra Comunidade Intermunicipal, o que parecia já estar resolvido, volta a dar um passo atrás.

É que, “historicamente, Vila de Rei tem tido lutas antigas mas que, há uns anos a esta parte, estão sanadas. Esperamos nós...”.

Paulo César Luís relembrou que “com a mudança que se avizinha, não se percebe se é agora ou se é depois, de Comunidade Intermunicipal, e se isso tiver efeitos no âmbito da saúde, voltamos a ter o mesmo problema que tivemos antigamente”.

É que Vila de Rei teve “dois tipos de graus de dificuldade de acesso à saúde”. O presidente da concelhia do PSD especificou que “temos hoje uma exceção na lei que permite que os utentes de Vila de Rei obtenham cuidados de saúde primários na Unidade Local de Saúde (ULS) de Castelo Branco, onde estão inseridos, mas também no Centro Hospitalar do Médio Tejo, que é francamente mais perto do que Castelo Branco. Os vilarregenses lutaram por esse regime de exceção durante muitos anos porque cada vez que mudava o Governo, fosse PS ou PSD, havia um problema de assunção dos utentes de Vila de Rei no Centro Hospitalar do Médio Tejo. Isto envolve verbas, envolve rácios, envolve muita coisa”.

Até que, “ao fim de muitos anos e muita luta, essa exceção viu-se consagrada num despacho da ministra Ana Jorge”. Paulo César Luís espera “não ter que voltar a este assunto novamente” mas esta luta ganha agora novos contornos, como afirmou.

Agora há dois mas daqui a um ano pode não haver nenhum

A falta de médicos é um problema que o país todo enfrenta “mas que em Vila de Rei é ainda mais preocupante dadas as características da nossa população, que é extremamente envelhecida.

Vila de Rei tem um índice de longevidade dos maiores do país e o grau dos cuidados médicos que é necessário, é superior a muitos outros locais”.

Até há pouco tempo, o concelho contava com cerca de 900 pessoas sem médico de família e a ULS de Castelo Branco “não estava a conseguir encontrar uma solução viável”. Até que, “por mero acaso”, uma pessoa estrangeira que vive em Vila de Rei, “viu reconhecida a sua qualificação enquanto médica e prontificou-se a dar consultas no concelho de Vila de Rei, onde habita”. A situação ficou então resolvida mas, “em função daquilo que são as características da formação da própria médica, viu-se forçada a receber formação mais específica no âmbito da saúde familiar, o que a leva a sair de Vila de Rei por três anos”. Assim, acrescentou, “o problema que já tínhamos e que se arrastou durante muitos meses, vai continuar no início do próximo ano”.

“À luz do que tem sido o historial nesta matéria”, o PSD de Vila de Rei vem demonstrar a sua preocupação devido à “incapacidade de resposta do Sistema

Nacional de Saúde em dotar o concelho de médicos de família para todos”. No comunicado pode ainda ler-se que “estamos, portanto, muito preocupados com a presente situação em face daquilo que foi o tempo de resposta à anterior carência de médicos de família no concelho, bem como, com a solução encontrada, solução essa que se apresenta mais como um remendo do que como uma solução”.

Se a atual situação já não se afigurava fácil, para piorar, acresce uma outra, “que eu espero sinceramente que já esteja a ser acau -

telada”, afirmou Paulo César Luís. Acontece que os dois únicos médicos que atualmente trabalham no Centro de Saúde de Vila de Rei estão com idades muito próximas da reforma, o que originará” no prazo de pouco mais de um ano” a inexistência de médicos de família no concelho.

“Ficamos sem médicos de família”, proferiu Paulo César Luís que voltou a reafirmar que esperam “que esteja a ser acautelado um caminho”. Porque, como justificou, “se muitas das vezes se encontram soluções para remendar um buraco, outras vezes procuram-se soluções que vão ao encontro das necessidades de concelhos com mais gente. Mas uma vida é uma vida e as gentes de Vila de Rei não se conformam por serem pequenos. Não é pelo facto de sermos pequenos que temos menos ou mais direitos que os outros. Só queremos que toda a gente em Vila de Rei tenha o seu médico de família e que toda a gente consiga aceder a cuidados de saúde em Vila de Rei, com a mesma qualidade que tiveram até aqui”.

Questionado se a ULS de Cas-

telo Branco já tinha dado alguma resposta a estas perguntas, o presidente do PSD de Vila de Rei afirmou que a questão “só ganhou contornos políticos a partir do momento em que as vias normais, através do Executivo Municipal, perderam capacidade de atuação, uma vez que as respostas perante o Executivo têm sido extremamente diminutas”.

Gabinete de Saúde Oral sem médicos-dentista

Outro tema na área da saúde que preocupa os sociais-democratas vilarregenses prende-se com o investimento que foi feito pelo Município no âmbito da Saúde Oral. “O Município gastou e investiu dinheiro num gabinete médico que visa fornecer cuidados de saúde oral à população. Foram abertos os concursos, que ficaram desertos, e usando essa desculpa, não se encontra uma solução para encontrar médicos-dentista para usar aquele espaço. Isto quando existem soluções privadas que já operam em Vila de Rei e muito mais facilmente poderiam fazer as horas que estão destinadas àquele gabinete. Julgamos que, por uma questão ideológica, não são contactados visando cumprir essas horas no Centro de Saúde”, declarou Paulo César Luís.

Para o presidente do PSD de Vila de Rei, “a solução já existe no concelho (...) mas escondem-se atrás do facto de terem aberto um concurso que ficou deserto. Ora, não podemos parar em função do primeiro obstáculo que aparece”.

Paulo César Luís pediu ainda que “todas as organizações, institutos e todos os organismos que mexem com a saúde, têm que ser mais expeditos do que têm sido até aqui. Não podemos continuar meses e meses e meses à espera que se resolva um problema e que continuem 900 pessoas sem médico de família, pois é o que se perspetiva a partir deste mês de janeiro, e dentro de um ano, todas as pessoas do concelho de Vila de Rei”.

“Nós precisamos de soluções e queremos ver que, de facto, os organismos com responsabilidade, estão a trabalhar no sentido de encontrar soluções”, concluiu.

11 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO / Vila de Rei
/ Centro de Saúde de Vila de Rei conta com dois médicos quase a atingir a idade de reforma
Patrícia Seixas
“Uma vida é uma vida e as gentes de Vila de Rei não se conformam por serem pequenos”

Vedação técnica é solução provisória para rua do Liceu

Há duas barreiras na cidade de Abrantes que causam alguma apreensão aos cidadãos pela constante queda de pedras ou aluimentos de terras, nos períodos mais chuvosos. Haverá outros pontos do concelho, mas estes dois, em locais movimentados da cidade causam uma maior preocupação.

Um dos casos é na rua General Humberto Delgado, a meio da rua de acesso à Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. Há muitos anos que de conhece aquela “barreira” com queda de pedras de uma zona de xisto que, de vez em quando, solta uns pedaços. Há dois anos a Proteção Civil Municipal colocou umas barreiras de proteção entre a base do morro e o passeio. Sendo a rua de acesso à escola, para além dos automóveis, há sempre muitos jovens a circular a pé. E mesmo com as barreiras e as pedras caída alguns não ligam e em vez de passar para o outro lado da rua mantêm-se no seu caminho.

A situação é conhecida de há muitos anos de tal forma que um cidadão que por ali deve passar foi colocar um boneco numa das pedras da encosta que alguns moradores logo batizaram como “o espera sentado” pela demora numa resolução dos perigos que apresentam aquele troço de 150 metros.

A Antena Livre contactou o vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes e responsável pelo pelouro das obras municipais para perceber se vai, finalmente, haver solução para este local. E foi feita também a abordagem às barreiras da encosta do Tribunal, na Avenida Francisco Sá Carneiro.

João Gomes acedeu explicar o que é que está a ser feito para solucionar o perigo eminente destes deslizamentos.

Na rua General Humberto Delgado há duas questões a ter em conta. Como é uma propriedade privada têm de ser contactados os proprietários e depois no topo da barreira existem as habitações conhecidas como Bairro do Lazareto que transportam uma resolução definitiva para a Estratégia Local de Habitação, em curso no Município. “Fizemos as notificações aos proprietários para a consolidação das barreiras, mas como não houve nenhuma intervenção, vamos criar uma vedação técnica”, explicou o vereador.

Se a solução definitiva passará pela eventual aquisição daquela

propriedade para resolver o problema das famílias que ali residem e, no seguimento, fazer uma intervenção profunda nas barreiras.

No imediato, já na primeira ou segunda semana do ano, o vereador disse que vai ser colocada uma vedação técnica, com pila -

res e painéis metálicos que possam suportar a queda de pedras e terra para permitir a normal circulação de pessoas no passeio em segurança. Com esta vedação podem, finalmente, ser retiradas as barreiras que a Proteção Civil ali colocou.

O “Espera Sentado”

Ninguém sabe como apareceu colocado numa espécie de pedestal nas barreiras xistosas da rua General Humberto Delgado, mas rapidamente os moradores ou cidadãos que passam diariamente pela rua o batizaram. “Espera Sentado” porque são muitos anos de pedras a cair nesta barreira e são “uns dois anos” de barreiras de segurança colocadas pela Proteção Civil para salvaguardar quem ali passe. E há muitos, principalmente jovens, que circulam a pé rua abaixo ou rua acima.

João Gomes não conhecia esta mascote, mas revelou que percebendo que é uma situação preocupante para as pessoas, há todo um processo administrativo e burocrático junto dos proprietários, mas que antes de uma solução

definitiva há a colocação da vedação técnica para criar as condições de segurança dos cidadãos.

O “Espera Sentado” vai ter de “se

“Esta é uma solução temporária para garantir a segurança das pessoas”, vincou o vereador.

Já sobre a avenida Francisco Sá Carneiro, ou as barreiras da encosta do Tribunal que têm todos os anos, e com as chuvas de inverno, deslizamento de terras e, nalguns

locais, autênticas cascatas de água, João Gomes diz que é diferente. Há uma solução, já apresentada publicamente, mas que ainda não tem programação. A intervenção naquelas barreiras acontecerá quando for lançada a empreitada para a construção de uma grande rotunda no acesso ao Hospital que irá redefinir todas as ligações rodoviárias naquele local, onde se inclui esta avenida.

“Está prevista a construção de um muro ao longo de toda essa avenida para evitar derrocadas ou que as terras venham para a via pública”, explicou o vereador, mas adiantou que ainda não foi lançado e só deverá ser quando existirem condições financeiras ou financiamento. Neste momento, garantiu, os serviços técnicos estão a avaliar a situação por forma a poder encontrar também uma solução provisória, uma vez que ali são situações pontuais, quando há registo de muita chuva.

levantar” no início deste 2023, quando, de acordo com o vereador, o Município avançar com a colocação da vedação de proteção.

Há projeto para a resolução definitiva, mas estamos a avaliar uma solução intermédia e mais rápida. Não passará pela mesma solução da rua General Humberto Delgado, mas “estamos, neste momento, a analisar.”

12 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023
REGIÃO /
Abrantes
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Perspetivando 2023

// O ano 2022 já pertence ao passado, é hora de olhar em frente e tentar perceber o que nos poderá trazer 2023. Para isso, o Jornal de Abrantes ouviu os autarcas dos concelhos da sua área de abrangência, bem como entidades dos diversos setores. O mundo, o país, mas também as expetativas locais foram o mote.

MANUEL JORGE VALAMATOS

Fechamos 2022 e olhamos para um 2023 que se espera complexo. Se as questões da saúde estiveram no centro da nossa atenção no último ano, agora temos as questões relacionadas com a energia, com o preço dos combustíveis, com a inflação em termos gerais. No fundo, com a economia global. São assuntos que nos preocupam imenso e aos quais teremos que estar muito atentos para fazer face às dificuldades que vamos enfrentar.

Ao nível do concelho, a atenção vai estar virada para as nossas empresas, as nossas zonas industriais, o seu crescimento e valorização, e a dinâmica das empresas que para nós é um elemento central. Há ainda questões que se prendem com o encerramento da Central a carvão no Pego e esta oportunidade relativamente às energias

renováveis. Desde logo, este grande investimento da Endesa, resultado de um concurso para o ponto de injeção, e que são cerca de 600 milhões de euros e que vai criar umas dezenas largas de postos de trabalho, também para fazer face aos que perdemos com o encerramento do carvão. E há ainda o Fundo de Transição Justa, mecanismo criado para impulsionar o surgir de novas empresas no nosso concelho e na nossa região. Relembro que há uma candidatura de quatro empresas para cerca de 50 milhões de euros e isso é muito relevante para a nossa economia local. Vamos ainda estar muito atentos ao PRR. Diria que vamos estar preocupados com a implementação de novas empresas e, simultaneamente, com aquelas que já existem e já cá estão.

ADELINO CARDOSO arcipreste de Abrantes

Perspetivo umas melhoras relativamente a 2022. Sei que não vai ser fácil, não se perspetivam tempos de muitas mudanças. Contudo, espero que possa ser um pouco melhor. E uma pessoa de fé deve acreditar nisso mesmo. Mas vamos ter os pés bem assentes no chão e sabemos que as coisas não estão fáceis a nível da conjuntura internacional e mesmo nacional, naquilo que vamos vendo. Também acho que vai ser um ano desafiante, até pela vivência das Jornadas Mundiais da Juventude que se vão realizar em Lisboa e não só. Vão passar pelas nossas dioceses e também aqui, nas nossas comunidades.

E isso, localmente, vai ser um bom desafio ao nível da Igreja. Toda a preparação para o que vai acontecer de 26 a 31 de julho no nosso Arciprestado. Virão centenas, se não milhares de jovens para esta zona, o que será um desafio para o acolhimento e para a vivência na partilha da fé com estes jovens que vêm de outras comunidades e de outros países. É algo que nos deve encher interiormente mas que, ao mesmo tempo, nos deve desafiar a não ficarmos parados, a olhar, e a acolher.

Deixo ainda um desafio aos jovens, que estão um bocadinho acomodados e precisam de se desinstalar do sofá. É preciso sair e partir ao encontro dos outros.

SÉRGIO OLIVEIRA

presidente da Câmara Municipal de Constância

2023 vai ser um ano desafiante, tendo em conta o momento que vivemos. Obviamente, a situação económica e o consequente agravamento no que diz respeito à área social, à qual não é imune a vida das instituições e, neste caso, ao que vai ser a atividade da Câmara Municipal.

Preconizo um ano exigente, desafiante e que no caso de Constância ficará marcadoesperamos nós e estamos a fazer para que isso aconteça - pelo início das obras com vista à instalação da Loja do Cidadão no concelho.

Os outros objetivos passam por dar continuidade a esse conjunto de investimentos e estar atentos a oportunidades que surjam, quer no Quadro Comunitário de Apoio que há-de entrar em vigor, quer no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

FRANCISCO JERÓNIMO

presidente da Associação de Futebol de Santarém (AFS)

O ano de 2022 foi marcado pela recuperação da atividade desportiva. Na AFS voltámos a crescer no número de praticantes. Um trabalho de muitos onde destaco naturalmente os clubes e a força e resiliência dos nossos dirigentes que foi determinante.

Para 2023, em termos globais, gostava que a paz voltasse à Europa para que as nossas vidas pudessem estabilizar. Em termos desportivos nacionais, gostaria que as seleções nacionais garantissem os apuramentos para as grandes competições internacionais, como vem sendo hábito. É decisivo para a projeção do nosso desporto, concretamente do futebol e do futsal. No fundo, é isso que é importante para que sejam criadas melhores condições para uma maior massificação do desporto.

Ao nível da AFS, acredito que 2023 vai ser um ano de grande importância e diria mesmo decisivo para um futebol distrital mais forte. Os projetos que já estão em desenvolvimento vão permitir criar condições para um futebol mais sustentado, com mais atletas. Temos como objetivo próximo chegar aos 10 mil atletas inscritos, mais árbitros, um futebol feminino com mais praticantes e um futsal a crescer de vez.

13 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES SOCIEDADE /

VASCO ESTRELA presidente da Câmara Municipal de Mação

Todos os cenários apontam para que as coisas não corram muito bem mas acho que não vale a pena dramatizar muito esta questão. Temos que ter esperança que as coisas se resolvam. Apesar de haver uma possibilidade de melhores notícias no que se refere à guerra nos próximos meses, por outro lado, e infelizmente, as perspetivas económicas e financeiras parecem não ser as melhores para o país. O governo também está prisioneiro de algumas questões dentro do próprio Governo e, na parte política, há a necessidade de algum agitar de águas.

Em Mação, aprovámos um orçamento e um plano de atividades que não sendo demasiado ambicioso, é suficiente para conseguirmos fazer aquilo que achamos mais necessá-

rio. Obras estruturantes que gostaria de deixar feitas, por necessidade do concelho, nomeadamente a requalificação urbana em Cardigos, que é hoje uma sede de freguesia, a segunda maior do concelho e que está num estado muito degradado. Também a entrada norte da vila de Mação e, ainda neste mandato, gostaria de requalificar parte do núcleo histórico da vila, onde já temos um projeto elaborado e aguardamos possibilidades de financiamento. Também o Núcleo Museológico de Envendos com projeto quase concluído e que também gostaria de iniciar este ano e mais um conjunto de pequenas obras que vão sendo feitas.

Para além da obra material, há muito trabalho a fazer na área social.

LUÍS DAMAS

presidente Associação de Agricultores e Federação de Produtores Florestais

A grande expetativa seria o fim da guerra e que apesar da inflação que as famílias portuguesas tenham um ano de abundância.

Na agricultura esperamos que o PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum) possa dar alguma ajuda aos agricultores, tanto no investimento como na ajuda direta. A pandemia e a guerra veio fazer olhar para agricultura de uma outra forma e que apesar de tudo alguém tem de produzir os bens alimentares. Lembrar que a Comunidade Europeia foi criada para fazer face à fome. Por isso esperamos que os agricultores tenham condições para produzir e para ter ganhos.

Na fileira florestal o grande problema são os incêndios pelo que espero que sejam aplicados os planos que estão na órbita do governo. As Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP) e as respetivas Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP) assim como a outra ferramenta que são os condomínios de aldeia.

Há muitas medidas criadas depois dos incêndios de 2017 e que ainda não chegaram ao terreno. É preciso lembrar que os ciclos da floresta são mais longos do que na agricultura. Esperamos que continue a haver apoios aos produtores florestais porque há bens que a sociedade ainda não para como o oxigénio, a retenção de carbono ou a qualidade da água. São reconhecidos, mas ainda não são pagos. Que olhem para os produtores florestais de outra maneira, pois produzem bens para la da madeira ou da cortiça.

MIGUEL BORGES

presidente da Câmara Municipal de Sardoal

Depois da pandemia e da guerra o 2023 vai ser muito difícil. É muito importante que as Câmaras estejam muito atentas o apoio aos mais carenciados, aos mais necessitados e mesmo aqueles que momentaneamente possam ter necessidades frutos dos tempos que aí vêm.

Há um trabalho na área social muito ativo, voltámos a receber o galardão de “Autarquia Mais Familiarmente Responsável”, mas há um conjunto de situações que são prioritárias no apoio às famílias. Um dos exemplos é a creche municipal, que está a funcionar de forma provisória.

Temos outro tipo de intervenções muito importantes para a população, por exemplo, a requalificação do edifício da Tapada da Torre e outros edifícios. A instalação de um parque empresarial para a fixação de novas empresas, como a consolidação da nossa estratégia na área do turismo, no âmbito da Fé e da Religiosidade, com o Centro de Interpretação

da Semana Santa a funcionar em pleno. E depois as transferências de competências, que assumimos desde o início porque é bom para a população quando os decisores intermédios podem estar mais próximos da população. Continuar a aposta na cultura, mas sempre com o olhar atento às questões sociais.

RUI SERRAS presidente Associação Comercial e Empresarial (ACE)

Há um conjunto de temáticas que vão transitar de ano como a energia, inflação, taxas de juro, a falta de matéria-prima, a falta de mão de obra e, acima de tudo, a imprevisibilidade. Mas haverá oportunidades que têm de ser aproveitadas e rentabilizadas ao máximo. Mas temos de ser positivos e olhar para o copo meio cheio. Vai ser difícil, mas acredito que todos vão estar preparados.

Do ponto de vista da ACE queremos em 2023 fazer um debate amplo com os nossos parceiros sobre o papel da associação no território e perceber as mais-valias que pode gerar. Ou seja, o que é que podemos fazer mais pela região, pela economia e pelos associados. Depois, com o final do quadro comunitário vão terminar os programas de formação que são uma das bases de sustentabilidade para o funcionamento da associação. Por outro lado, estamos envolvidos em vários projetos como os aceleradores digitais, numa parceria com outras associações, e no programa “Bairros Digitais”, numa parceria com a Câmara de Abrantes. São projetos com alguma dimensão, temos muita expetativa porque este tipo de projetos pode trazer uma mais-valia muito grande para a região e para os associados. E vamos continuar a desenvolver ações de apoio aos associados como temos feito ao longo dos anos.

14 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023 SOCIEDADE /

RICARDO AIRES

presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei

Temos de ser positivos, mas temos uma guerra na Europa e uma inflação louca. E depois coisas que não estávamos à espera, como a mudança do Município de Vila de Rei do Médio Tejo para a Beira Baixa e temos dificuldades em perceber como é que vai ser feita essa deslocação. Em modo geral temos de ser assertivos nas nossas ações e a palavra-chave de 2023 vai ser solidariedade. Temos de ter atenção alguns ajustes que possam ter de existir em relação a algumas famílias e idosos que possam ser mais vulneráveis devido à situação internacional e conjuntural. E esperemos que o Governo de Portugal tenha a coragem de tomar certas decisões, podem olhar para Espanha e ver o exemplo da diminuição do IVA nos produtos essenciais. A solidariedade

é aquilo que vai imperar neste ano de 2023.

No concelho vai ser um ano em que temos de dar apoios às nossas famílias, temos a nossa política fiscal no mínimo dos mínimos.

Depois temos quatro obras estruturais para o concelho. Temos a creche, a Loja do Cidadão, são seis fogos para habitação temporária e a conclusão do Centro de Instalação de Empresas e Serviços. São quatro obras importantes para o concelho na educação, serviços e na área social.

ANABELA FREITAS presidente Comunidade Intermunicipal Médio Tejo

É um ano muito exigente na CIMT porque vamos negociar para a região os fundos comunitários. O primeiro semestre vai ser de negociação com a CCDR Centro. Depois temos toda a outra negociação que temos de fazer por causa desta intervenção territorial integrada, com as outras duas comunidades (Lezíria e Oeste) onde queremos alocar verbas dos ministérios do Ambiente e da Agricultura. Depois no âmbito da Comissão Regional do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais há já um conjunto de ações sinalizadas por todos os municípios, que já foram validadas, e que é preciso colocá-las em prática. Considero uma grande vitória termos um bom nível de financiamento que permita apoiar os projetos quer dos Municípios, quer da Comunidade.

Há três que destaco e que é preciso apoio financeiro. Um é na Educação, continuar a desenvolver o PEDIME em todas as escolas dos 13 municípios (incluindo Vila de Rei e Sertã). Outro tem a ver com a harmonização da oferta educativa nos vários concelhos, nos cursos profissionais.

Finalmente, outra preocupação, é um projeto na área da saúde mental, no acompanhamento de famílias, que esperamos que possa ser financiado no próximo Quadro Comunitário de Apoio.

FERNANDO FREIRE presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha

A conjuntura internacional e a inflação, bem como a escalada de preços dos bens essenciais vai ser complexo. Há a conjuntura internacional e tudo o que lhe está inerente incluindo o preço do dinheiro, pois é com ele que se fazem as transações comerciais. É um ano em que temos de olhar muito atentamente para as questões sociais.

No concelho temos de ter atenção à complexidade das questões comerciais e sociais devido à conjuntura, mas gostaríamos e desejaríamos criar riqueza na nossa zona industrial, o que está a acontecer e que estamos a acompanhar passo a passo. É a criação de emprego e a criação de riqueza que queremos continuar em 2023 por forma a podermos ter oferta de emprego.

Por outro lado, outra aposta do município é a qualidade do ensino em Vila Nova da Barquinha. No ano de 2022 aumentamos o número de alunos, foram mais 100, pelo que queremos continuar a manter

DOMINGOS CHAMBEL presidente Nersant

A perspetiva não é muito boa de acordo com os indicadores que temos. Na pandemia tivemos indicadores diferentes do país. Tivemos quebras no Médio Tejo de 21,54%, mas conseguimos ter um aumento de 8,21% na Lezíria. Ou seja, uma queda menor a nível nacional.

Prevejo que neste ano vamos ainda ter a influência dos custos energéticos por causa da guerra não temos a perspetiva que gostaríamos. A inflação é superior a 9%, mesmo que caia para 5,8% não é nada. E depois vai agravar a parte do dinheiro, na parte dos financiamentos com as subidas de taxa de juro e a tendência continua a ser a subida. Temos pela frente um 2023 com indicadores que não são favoráveis ao crescimento da região.

No que diz respeito à Nersant há o objetivo de dotar as duas regiões (Lezíria e Médio Tejo) de instrumentos para a formação profissional, porque tem de haver formação de excelência. E no Médio Tejo queremos criar três escolas com formação de excelência ligadas às empresas em Torres Novas, Tomar e Abrantes.

A outra prioridade é criar três startups.

A de Benavente já temos acordo com o Município, outra no Cartaxo e gostaríamos de ter uma em Ferreira do Zêzere. E temos uma que já funciona em Alcanena. E, claro, o acompanhamento do PRR e do Programa Comunitário Portugal 2030.

a qualidade do ensino no sentido de termos oportunidade de melhorar as ofertas às famílias que se querem instalar, e são muitas. E isso, depois, entronca na regeneração urbana com a recuperação de edifícios e com a aquisição de várias casas na zona de Atalaia, junto à A23 e A13.

15 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES SOCIEDADE /

Entre história, arte e selfies o Presidente da República visitou MIAA, Panteão e Museu MDF

// “Foi muito gratificante, por mim, ficaria mais tempo. Adoro museus. Noutras encarnações fui presidente de uma fundação que tinha um palácio, um museu, uma biblioteca e cinco castelos. Portanto imaginem como eu gosto dessas realidades, mas agora a minha realidade é outra.” Foi desta forma que Marcelo Rebelo de Sousa concluiu a visita ao Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) de Abrantes, na véspera da comemoração do primeiro aniversário.

em vez de entrar para o Museu, traça o azimute e entra Biblioteca dentro.

O Presidente da República chegou com atraso significativo porque foi-se demorando nas visitas anteriores, também elas no concelho de Abrantes. E quando chegou ao Museu tinha, como seria expectável, muitas pessoas à espera. E o S. Pedro até ajudou, porque aquele momento em que Marcelo saiu do Largo 1.º de Maio a pé até ao MIAA não choveu. Uma aberta para a comitiva poder seguir a passada larga do Presidente que cumprimenta pessoas, que dá abraços, que tira fotografias, que distribui sorrisos. Não há outra maneira. É acompanhar e esperar que Marcelo cumpra o sonho de algumas pessoas, abraçar o Presidente.

Ao lado do MIAA está a Biblioteca António Botto. Já se sabe, Marcelo adora livros pelo que,

Quando finalmente entra no Museu encontra o Museólogo Fernando António Batista Pereira que, juntamente com a arqueóloga Filomena Gaspar, iniciam uma visita, demorada, a todas as salas do MIAA. Já se sabe, Marcelo é uma enciclopédia viva e, como tal, ouve todas as explicações, mas os diálogos são constantes com perguntas, trocas de ideias ou até uma espécie de enquadramentos das peças expostas.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que levou de Abrantes, e Tramagal, dos Museus que visitou uma grande satisfação. “Gostei imensíssimo do trabalho museológico da Igreja do Castelo [Panteão dos Almeida], que em si mesmo já era simbólica, mas que ganhou um simbolismo acrescido”, afirmou o Presidente tendo depois feito a

referência ao MIAA “que é muito diversificado, é um Museu que cobre tudo, desde a pré-história até aos nossos dias, que cobre a coleção municipal e coleções privadas excecionais, que cobre peças daqui e peças de todo o mundo.”

Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda o facto de serem museus “muito, muito atuais na

museologia. Há uma arte de pegar nas peças e apresenta-las. E aqui temos do mais avançado que tenho visto em termos de museologia”

O MIAA assinala um ano nesta quinta-feira. Foi inaugurado com a presença das ministras da Cultura, Graça Fonseca, e da Agricultura, Maria do Céu Antunes, e um ano depois recebeu a visita, demorada, de Marcelo Rebelo de Sousa.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, salientou esse facto, de na inauguração não ter sido possível ter o Presidente da República, assim como não foi possível ter a comunidade, pelos condicionamentos da época.

O autarca salientou a satisfação e orgulho de poder receber o Presidente da República no MIAA, mas também no Museu Duarte Ferreira e no Panteão dos Almei -

da, ao fim e ao cabo, nos Museus de Abrantes.

“É uma resposta aquilo que tem sido um grande investimento do Município em relação ao Museu e à rede de museus”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, destacando de seguida que espera que a visita seja impulsionadora na cultura. É que “estamos em vésperas de inaugurar o Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida e, dessa forma, fechar esta constelação de museus que temos em Abrantes e com esperança de podermos ser muito visitados.”

Quase no final da sua passagem por Abrantes Marcelo Rebelo de Sousa assinou o livro de honra do MIAA e depois recebeu uma serigrafia de Maria Lucília Moita, o exemplar número 2 de um lote de 200 cópias.

Marcelo Rebelo de Sousa cumpriu numa longa tarde em Abrantes quatro visitas culturais.

16 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023
DESTAQUE /
Marcelo convidou o jovem guitarrista João Vaz para atuar no jantar de Natal da Presidência
Reportagem e fotos de Jerónimo Belo Jorge

O MIAA foi inaugurado a 8 de dezembro de 2021. Representou um investimento global de 6,3 milhões de euros, o montante suportado pelo Município de Abrantes foi de 3,8 milhões de euros.

A Câmara Municipal contou com um apoio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de 2,5 milhões de euros, na obra de requalificação física do convento, cuja empreitada foi de 3,6 milhões de euros, sendo o restante investimento relativo a estudos, elaboração e conceção do projeto, a par de processos de investigação, promoção e divulgação das diversas coleções do acervo.

O MIAA funciona de terça a domingo (10-12:30 e 14:17:30) com encerramento ás segundas-feiras e aos feriados, com exceção do 14 de junho, o feriado municipal de Abrantes. O Município dá ainda nota de que só são admitidas entradas até meia hora antes da hora prevista do encerramento, ou seja, até às 12 e às 17 horas.

Primeiro e fora de agenda, a passagem pela exposição na sede do Tramagal Sport União, do centenário.

Ao que conseguimos apurar o Presidente soube da exposição e como tinha prefacia-do a revista do Centenário do TSU lançada por ocasião da efeméride, a 1 de maio deste ano, quis passar por lá. Até porque ficava em caminho.

Depois passou pelo Museu Metalúrgica Duarte Ferreira que recebeu o prémio Museu do Ano, em 2018, entregue pelo próprio Marcelo Rebelo de Sousa.

O ponto seguinte foi a Igreja de Santa Maria do Castelo, ou o Panteão dos Almeida, em que aprofundou o conhecimento sobre a história de Abrantes.

E para finalizar, a visita ao Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes, na véspera de assinalar o primeiro aniversário. Uma visita demorada e muito participada pelo Presidente que, como ele próprio disse, adora Livros, Museus e Arte.

Ah! E pelo caminho não faltaram dezenas e dezenas de selfies e abraços. Para algumas pessoas

a fotografia ou o abraço a Marcelo era “um sonho” a ser concretizado. E o presidente nunca diz que não. Nem a gravar uma mensagem de apoio a uma associação de estudantes de uma escola.

O Museu Industrial Marcelo Rebelo de Sousa começou por visitar o Museu

Metalúrgica Duarte Ferreira. Conhecia o Museu pelo Prémio conquistado em 2018 [Museu do ano] e conhecia a história do Tramagal e da MDF. E fez questão de demonstrar isso mesmo a cada passou que deu no Museu. Ouviu as explicações de Lígia Marques, sempre muito interventivo. Afinal o Tramagal e a MDF marcaram uma época na indústria do país, mas também uma outra época de crise de emprego e social com a queda da empresa. E esses momentos estão bem documentados.

Marcelo Rebelo de Sousa foi percorrendo espaço a espaço e ouvindo a história da MDF misturada com muitas histórias em torno da vida da família e da comunidade. E uma delas foi a de que numa determinada altura um grupo de trabalhadores entrou na empresa para abrir um cofre para ir em busca de dinheiro e encontrou dinamite.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou o mote para a edição de um livro de investigação. O livro está feito e foi entregue ao Presidente que o folheou imediatamente.

A Igreja que é Panteão dos Almeida

O Presidente da República entrou castelo adentro para ir visitar a Igreja de Santa Maria do Castelo. Entrou e apreciou o trabalho museológico do espaço que viria depois a classificar como muito bom.

Ouviu as explicações de Filomena Gaspar, arqueóloga do Município, que fez a introdução a Abrantes, ao castelo, à fortaleza e a alegadas inspirações para um monumento com uma arquitetura diferente dos outros, da mesma época. Entre as explicações históricas, Presidente e Arqueóloga foram trocando impressões sobre factos da história de Portugal, e de Abrantes. E ficou a saber-se que há indícios, não visíveis, da passagem dos Cavaleiros Templários por Abrantes. E das influências que os muito viajados, à época, Almeida trouxeram para Abrantes.

Daí às explicações sobre os túmulos da família Almeida foi um passo. E também aí o Panteão apresenta várias épocas naquilo que é a arquitetura apresentada.

17 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES // MIAA 1 ano de vida DESTAQUE /
Entre visitas a museus não faltaram dezenas dezenas de selfies com com Presidente

Castro de S. Miguel tem projeto de requalificação

// O Castro de S. Miguel, na freguesia de Amêndoa, é um monumento nacional que há décadas é objeto de diferendos entre os Municípios de Vila de Rei e de Mação, devido a «dúvidas» quanto às fronteiras do território. Há agora um projeto para uma requalificação do espaço, num entendimento entre as duas autarquias.

O Município de Mação deu agora conta de um projeto de requalificação do Castro de S. Miguel e Vasco Estrela explicou que o projeto foi “elaborado pela Câmara de Mação, financiado pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e apresentado à Câmara de Vila de Rei” de onde disse haver “boa vontade no sentido de percebermos o que é que é de um e o que é de outro”. Não é, portanto, “por isto que as coisas não se fazem”.

Questionado na última Assembleia Municipal, Vasco Estrela afirmou que “as questões com Vila de Rei estão relativamente resolvidas”, salientando que “a dificuldade que manifestamente existe, tem a ver com o facto da intervenção prevista - e que a DGPC nos «obrigava» a fazer - implicava entrar em terrenos de mais de 30 pessoas, o que em termos burocráticos era uma situação de difícil gestão”.

Ao Jornal de Abrantes, Vasco Estrela esclareceu que a requalificação do Castro de S. Miguel “era um projeto que estava previsto para ser executado pela Câmara Municipal de Mação, no pacto que tinha sido estabelecido entre a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e a CCDR - Centro e aprovado pelas entidades em causa, nomeadamente a

DGPC - Direção-Geral do Património Cultural”. Voltando à questão de Vila de Rei, o presidente da Câmara de Mação afirmou que o projeto “tinha sido conversado com a Câmara” do concelho vizinho, “uma vez que entendemos que deve haver uma saudável partilha daquele monumento nacional”.

Contudo, alguns obstáculos apresentaram-se neste caminho, “no que diz respeito às propriedades onde a obra vai intervir”. É que, ao contrário do que é normal num património

nacional, o Castro de S. Miguel “está implantado em terrenos privados”, o que representa “uma situação um pouco estranha”.

Perante este facto, a Câmara de Mação viu-se confrontada a tentar consensualizar “com mais de 30 proprietários diferentes, registados, a que acresceria outro tanto ou mais de herdeiros, de partilhas não feitas, de não registos... portanto, um processo burocrático enorme”. Como tanto a Câmara de Mação como a de Vila de Rei tinham outros projetos a

Empresa de cannabis no Alto do Casal deixa caducar licença

Caducou a licença de construção que existia para uma das três empresas de cultivo e extração de cannabis para fins medicinais, neste caso, a que estava prevista para o Alto do Casal, junto à Estrada Nacional 3-12 e que pertencia à STHC - Southern Harvest Corp. Unipessoal, Lda, investimento de capitais canadianos.

“Apesar das nossas insistências para completarem o processo, levantarem a licença e dar início à obra, não o fizeram. Posto isto, a Câmara caducou este projeto”, informou o presidente da Câmara de Mação em reunião do Executivo. Contudo, como explicou Vasco Estrela ao Jornal de Abrantes, “não significa que não haja interessados pois provavelmente até há. Isto se os proprietários ainda estiverem disponíveis para arrendar e/ou ven-

desenvolver, “as coisas não avançaram”. O que não quer dizer, segundo Vasco Estrela, que “até eventualmente sem apoio, não possa haver entendimento entre as duas câmaras para valorizar aquele espaço. Pegando naquele projeto, provavelmente, tornado-o menos ambicioso e onde a carga burocrática possa não ser tão elevada e não haja intervenção em tantas propriedades”.

Vasco Estrela assegurou que “é algo que não caiu mas fazê-lo da forma que estava prevista, dificilmente teremos essa oportunidade”.

O autarca adiantou ainda que no plano de orçamento que a Câmara de Mação aprovou para o próximo ano, “está lá prevista uma verba para esse projeto. Não para o ano de 2023 mas para os anos subsequentes”.

O diferendo com Vila de Rei Mas afinal, está ou não ultrapassada a questão com o Município de Vila de Rei? Vasco Estrela não quis colocar a questão nestes termos pois, como comunicou, “por parte da Câmara de Mação nunca houve qualquer diferendo”. O autarca assegurou que tenta “perceber a posição da Câmara de Vila de Rei e respeito”. Contudo, questionado a que concelho pertence o Castro de S. Miguel, Vasco Estrela preferiu mencionar

que “o país tem normas, tem leis e tem também os limites administrativos bem definidos”, limites esses que a Câmara de Mação “respeita”, e que dizem que o castro de S. Miguel “está dentro dos limites administrativos do concelho de Mação”. Adiantou ainda que “se não está todo, está a esmagadora maioria do Castro”.

Recordar que, em tempos, autarcas vilarregenses levaram o tema aos tribunais, que se declararam incompetentes em razão da matéria e que consideraram que se tratava de um problema político da competência da Assembleia da República.

O projeto do Castro de S. Miguel Essencialmente, o objetivo “era valorizar todo aquele espaço para possibilitar uma melhor visitação”. Previstas estavam algumas instalações em madeira, “que pudessem ser visitadas em pormenor para apreciar todo aquele Castro, que tem uma vista magnífica”.

Melhorar as acessibilidades, criar painéis informativos, material que possibilitasse que os visitantes pudessem estar confortáveis durante um período de tempo. “No fundo, criar condições para visitação que hoje, manifestamente, não tem”, declarou Vasco Estrela.

der, como era o caso. Nesta situação específica, era arrendamento”.

Para já, no que diz respeito a este processo, “em termos administrativos e de licenciamento urbanístico, está caducado, não avançou”.

A aprovação do projeto de construção de uma unidade agro-industrial de cannabis na zona do Alto do Casal, entre Rosmaninhal e Casal de Barba Pouca, mais precisamente junto da EN 3-12, aconteceu a 25 de agosto de 2021.

De referir que o investimento na zona industrial de Ortiga, cujo lançamento da primeira pedra teve lugar no dia 10 de maio de 2021, “já está a funcionar” e dedica-se ao cultivo, armazenamento, embalamento e exportação de produtos à base de cannabis com fins terapêuticos.

A empresa que se está a instalar no Alto da Caldeirinha “está muito próxima de terminar as obras” e muito em breve irá iniciar a produção, extração e embalamento.

18 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023
REGIÃO / Mação
/ Castro de S. Miguel, na freguesia de Amêndoa, em Mação
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Mau tempo destruiu passadiços de Ortiga

Foram inaugurados em fevereiro deste ano (2022) pela presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro, Isabel Damasceno, e constituíram uma atração à beira Tejo. E os passadiços de Ortiga poderiam ser neste mês com o Tejo com um caudal mais elevado ou até para observar ao longe as descargas da Barragem de Belver.

Só que as descargas elevadas da Barragem de Belver do dia 13 de dezembro acabaram por “levar” uma grande parte destes passadiços. Algumas pessoas que estavam por perto da margem assistiram ao momento em que a força das águas levantou as plataformas, não havendo explicação se terão sido troncos que bateram nos pilares de suporte ou apenas a força das águas do rio a destruir troços das estruturas de madeira.

Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, confirmou no dia seguinte, a informação, salientando que as equipas da autarquia já estavam no terreno no sentido de avaliar a extensão dos prejuízos. O presidente da Câmara indicou ainda, na altura, que havia passadiços que foram arrancados e outros que terão seguido com a corrente. Depois do caudal baixar as equipas da autarquia fizeram o resgate das estruturas ou a sua salvaguarda nesses locais antes da remoção para locais mais seguros.

O autarca referiu que se sabia desde o início que uma eventualidade de cheias no rio poderia trazer alguns constrangimentos, mas que o histórico dos últimos

anos não fazia prever uma descarga destas dimensões. Mesmos assim, Vasco Estrela, vinca que as decisões foram tomadas com consciência, pois os passadiços foram colocados num trilho de rocha para se poder observar o rio e a Barragem e conduzir os turistas às lagoas do Tejo.

Na Assembleia Municipal de

Mação de dezembro a deputada socialista Carla Loureiro questionou o presidente da Câmara sobre eventuais responsabilidades da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou da CCDR Centro que emitiram pareceres positivos para a construção dos passadiços.

Vasco Estrela respondeu referindo que essas entidades emi -

Vasco Estrela regressa à direção da Tejo Ambiente

Em meados de novembro de 2020 Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, demitiu-se do cargo que tinha na assembleia geral da Tejo Ambiente, a empresa intermunicipal de gestão do abastecimento público de água, gestão de águas residuais e resíduos sólidos urbanos nos concelhos de Mação, Sardoal, Ourém, Tomar, Barquinha e Ferreira do Zêzere.

Na altura o desagrado prendeu-se, de acordo com o próprio, “com decisões que foram tomadas relativamente a investimentos no concelho de Mação, o protelar desses investimentos e a decisões que estão a tentar que sejam tomadas e que vão contra aquilo que eram os pressupostos que presidiram à nossa adesão”.

Na última Assembleia Munici-

pal de Mação, realizada em meados de dezembro, o deputado socialista Daniel Jana questionou os motivos que levaram o presidente Vasco Estrela a regressar aos corpos sociais da Tejo Ambiente, sem que tenha havido “o conhecimento público desse regresso.”

De acordo com a página da Tejo Ambiente o concelho de administração é presidido por Luís Albuquerque (Ourém), Anabela Freitas (Tomar) e Vasco Estrela (Mação). Já a assembleia geral conta com presidência de Fernando Freire (Vila Nova da Barquinha), Miguel Borges (Sardoal) e Bruno Gomes (Ferreira do Zêzere).

O autarca de Mação explicou, na Assembleia Municipal, que os motivos que levaram à sua demissão foram ultrapassados e que, por

tiram os pareceres, mas que a responsabilidade é do Município que fez a sua construção. Já sobre a reconstrução dos passadiços o autarca referiu que ainda não tinha sido feita uma avaliação, até porque os caudais mantiveram-se elevados durante vários dias.

Já José António Almeida, do PSD, lamentou de forma veemen -

te os ataques que o presidente da Câmara e o cidadão Vasco Estrela foram alvo nas redes sociais depois da destruição dos passadiços.

Vasco Estrela aludiu ainda aos perigos que este tipo de construções turísticas acarretam, dando exemplos dos passadiços de Arouca ou do Alamal que arderam num incêndio, ou os prejuízos causados noutras estruturas da região com a passagem da tempestade Elsa, em 2019, ou até mesmo outros que ficaram submersos naquela semana, sem que tenha havido destruição dos mesmos.

Os passadiços de Ortiga foram inaugurados a 25 de fevereiro, numa cerimónia que contou com a presença da presidente Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro, Isabel Damasceno.

A construção dos passadiços, num percurso ribeirinho com cerca de 1.300 metros integrado nas Rotas das Pesqueiras e Lagoas do Tejo, representou um investimento na ordem dos 300 mil euros, comparticipado por fundos comunitários em 85%.

O percurso, junto ao antigo Bairro dos Pescadores de Ortiga, faz-se ao longo do Tejo, entre passadiços em madeira e trilhos pedestres, e em que o rio é o fio condutor de uma visita com direito a miradouro sobre o curso de água e sobre as mais de 20 pesqueiras tradicionais e de ligação às Lagoas do Tejo, tendo o projeto revitalizado uma zona de forte valor cultural, histórico e patrimonial.

isso, regressou aos órgãos sociais a que tem direito por inerência.

A Tejo Ambiente tem em curso duas empreitadas de peso no concelho de Mação.

Na zona norte do concelho a ligação do sistema de abastecimento público a partir da barragem de Corgas, no concelho de Proença-a-Nova, é uma obra de 1 milhão 156 mil euros de custo e um prazo de execução de 270 dias.

Por outro lado, há uma segunda empreitada de vulto da Tejo Ambiente no concelho de Mação. Trata-se da construção do sistema autónomo em baixa a partir do abastecimento em alta a partir do Castelo de Bode (Abrantes). Trata-se de uma obra com prazo de 300 dias e um volume financeiro de quase 4,7 milhões de euros.

19 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO / Mação
/ Vasco Estrela

Suspeitos de peculato na junta de Santiago de Montalegre em liberdade condicionada

// O ex-secretário da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, no concelho de Sardoal, e um empresário, detidos no dia 14 de dezembro, suspeitos dos crimes de peculato e falsificação, vão aguardar o desenrolar do inquérito em liberdade condicionada.

“Ao antigo secretário foi decretada a proibição de contacto com a presidente e a tesoureira, e de se aproximar da junta” de freguesia de Santiago de Montalegre, no concelho de Sardoal, disse uma fonte da Polícia Judiciária (PJ).

O empresário, por sua vez, fica obrigado a “apresentações, três vezes por semana, às autoridades e proibição de ir à junta”, disse a fonte da PJ, relativamente às medidas de coação decididas pelo juiz de instrução criminal no dia 16 de dezembro.

Os dois homens foram detidos no dia 14 de dezembro por estarem “fortemente indiciados pelos crimes de peculato e de falsificação”, tendo lesado a junta de freguesia de Santiago de Montalegre em valores na ordem dos 135 mil euros, anunciou a Polícia Judiciária.

Em comunicado, a Polícia Judiciária (PJ), através do Departa-

mento de Investigação Criminal de Leiria, revelou que a ação decorreu “no seguimento de denúncia recebida em setembro passado”, efetuada pela presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, e da “investigação entretanto desenvolvida”.

A 14 de dezembro foram cumpridos os mandados de detenção emitidos pelo Ministério Público de Tomar aos dois homens, um dos quais o antigo secretário da junta de freguesia de Santiago de Montalegre e o outro “empresário na região”, existindo entre os dois uma “relação de amizade e profissional,

o que permitiu o conluio para tirar dinheiro da junta que usaram em proveito dos negócios” de ambos.

“A factualidade relatada indicava a apropriação por um dos arguidos, entre 2017 a 2022, no exercício da função de secretário da junta, de valores ainda não cabalmente apurados, superiores a 135 mil euros”, adianta a PJ, na nota.

Ainda segundo a PJ, o antigo secretário da Junta de Freguesia, “fazendo seu o dinheiro público, através de movimentos com cartão bancário, transferências ou por falsificação de cheques da junta, aplicava parte dos valores em be-

nefício de outrem, pessoa das suas relações privilegiadas e coarguido, também detido”.

Em declarações à Lusa, a presidente da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre, Dora Santos, confirmou ter sido ela a fazer a participação da suspeita de desvio de dinheiro.

“Sim, confirmo a presença da Polícia Judiciária nas instalações da Junta de Freguesia, no passado mês de setembro, e fui eu a fazer nesse mês a participação da suspeita de desvios de dinheiro às autoridades”, disse a autarca, eleita pelo PSD.

Ainda segundo Dora Santos, o antigo secretário ainda “propôs devolver o dinheiro”, mas tal “nunca aconteceu”.

Na Assembleia de Freguesia realizada em 3 de outubro, onde se debateu a questão, foi votado

favoravelmente o pedido de renúncia de mandato do secretário, que invocou “razões pessoais”, relatou.

Dora Santos acrescentou ainda que o antigo secretário terá garantido ao executivo da Junta de Freguesia que “iria devolver o dinheiro até ao dia 30 de setembro, o que não aconteceu”, tendo sido “proposta, por ‘e-mail’, nova data de reposição do dinheiro”, até 7 de outubro, “o que também não se verificou”.

A 19 de dezembro, a Comissão Política Concelhia do PS de Sardoal emitiu um comunicado onde dava conta que “perante o conhecimento oficial da existência de novos factos no âmbito da investigação em curso por parte de Polícia Judiciária relativa ao desvio dos meios financeiros da Junta de Freguesia de Santiago de Montalegre por parte do seu Secretário à data, o Partido Socialista de Sardoal, vem recordar que para além de toda a responsabilidade criminal que venha a ser apurada nesta investigação, importa que seja igualmente apurada a responsabilidade relativa ao exercício dos cargos políticos por parte dos restantes elementos do executivo nos mandatos abrangidos pelo período da investigação, designadamente 2017 a 2022”.

Nesse sentido, o Partido Socialista de Sardoal informou que iria apresentar “participação formal junto das entidades tutelares, designadamente da IGF - Inspeção Geral de Finanças e da IGAL - Inspeção Geral das Autarquias Locais, dando conta da situação”.

Conferência destaca artes e ofícios nacionais em Sardoal

// A TAGUS - Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior está a preparar, em parceria com os Municípios de Abrantes, Constância e Sardoal, uma conferência sobre temáticas ligadas ao artesanato, durante o dia 13 de janeiro, no Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal.

Esta iniciativa tem como objetivo apresentar o resultado do levantamento histórico das artes e ofícios do Ribatejo Interior, efetuado pelo antropólogo Paulo Lima. E também partilhar outras experiências nacionais em matérias de valorização deste património, num programa rico em projetos diferenciadores e oradores com um vasto conhecimento na temática.

Integrada no projeto AO.RI –Artes e Ofícios do Ribatejo Interior, a manhã da conferência, de dia 13 de janeiro, será dedicada a intervenções relacionadas com a preservação das artes e ofícios tradicionais, o património imaterial e os “saber fazer” como produtos turísticos, entre outras temáticas. Para falar sobre estes assuntos estarão presentes Helena Freitas,

da Universidade de Coimbra, Rita Jerónimo, da Direção Geral do Património Cultural, Filipe Themudo de Barata, da Universidade de Évora, e Pedro Machado, do Turismo do Centro. Ainda pertencente à sessão da manhã, a apresentação de Américo Rodrigues, da Direção Geral das Artes, sobre o programa “Saber Fazer”, que se trata da criação de um repositório, em formato de plataforma digital, com informação sobre materiais naturais, os artesãos, as tecnologias que os transformam e os locais onde se pode obter mais conhecimento sobre as práticas tradicionais.

Já a parte da tarde será ocupada com alguns exemplos de projetos de valorização que têm sido dinamizados à volta do artesanato e dos ofícios tradicionais, como são o caso dos

bonecos de Estremoz, a construção naval em madeira de Vila de Conde, os centros de ofícios tradicionais da ROTA Criativa – Rede de Ofícios Tradicionais e Arte Criativa das Terras de Santa Maria, o CRIAR – Centro em Rede de Inovação do Artesanato Regional para formação e exposição das artes de Odemira e o projeto TASA, que conjuga o design com o artesanato, e o RED BOOK – Lista Vermelha das Atividades Artesanais Algarvias. O CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património também marcará presença nesta iniciativa para informar como é que os artesãos se podem qualificar e reconhecer para desenvolver a sua atividade.

A sessão de abertura da conferência Artes e Ofícios do Ribatejo Interior irá contar com a Comissão

de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) e no encerramento está previsto o Ministério da Coesão Territorial. O evento terminará com uma visita às instalações do espaço partilhado para as artes e ofícios - Art Of.

Esta conferência é de participação gratuita, mas com inscrição obrigatória, que está disponível no sítio na Internet da TAGUS (tagus-ri.pt).

O projeto AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior, apoiado no âmbito do Programa Operacional do Centro (Centro 2020), do Portugal 2020, e cofinanciado pelo FEDER - Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional, pretender valorizar as artes e ofícios tradicionais e complementar a oferta dos produtos turísticos do Médio Tejo.

20 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023
REGIÃO / Sardoal
/ Leques de palha, Sardoal / Junta de Freguesia terá sido lesada em 135 mil euros
"A ação decorreu no seguimento de denúncia recebida em setembro passado"

Visitbarquinha.pt é marca e plataforma de promoção turística

Visitbarquinha é a nova marca turística do concelho de Vila Nova da Barquinha. E se entrarmos na Internet e digitarmos visitbarquinha.pt entramos numa plataforma digital nova que mostra todas as potencialidades turística deste concelho.

A apresentação aconteceu no dia 16 de dezembro e o presidente da Câmara Municipal, Fernando Freire, começou a apresentação a deixar uma nota sobre os dados de afluência turística do Médio Tejo que apontam para números pré-pandemia, ou seja, para voltarmos a 2019 no que à presença de turistas na região diz respeito Fernando Freire que fez questão de frisar que um dos maiores ativos no turismo, perante visitantes de outras nacionalidades, é a “a nossa humanidade”. Disse o presidente da Câmara, que na manhã de sexta-feira tinha estado num encontro do Programa Nacional de Apoio ao Investimento da Diáspora, que a “humanidade dos portugueses” foi uma mensagem recorrente nos discursos como património insubstituível das nossas paragens.

Fernando Freire destacou o muito do património natural ou edificado, ou ainda gastronómico, que está presente nesta plataforma. E não deixou de fazer referência aos investidores privados, como os Sabores do Almourol com os licores ou o “Pirilau do Frade Ambrósio”.

Pérsio Basso, da comunicação da Câmara da Barquinha, apresentou o novo portal que se junta ao portal oficial do Município, a

uma conta de Facebook e duas de Instagram. Visitbarquinha vai ser a marca e imagem do turismo de vila nova da Barquinha, apresentada como “a terra de sorrisos”.

Pérsio Basso explicou a conceção do portal, “de muito talento, mas com gente e empresas do município. É um trabalho de muita gente e que demorou muitos meses a ser produzido.”

Depois fez uma visita guiada ao portal e ao que se pode encontrar

no site e no concelho de Vila Nova da Barquinha

Teresa Nicolau, da empresa “Sabores do Almourol”, foi convidada para apresentar o doce recriado a partir da história do Convento do Loreto, de Frades Franciscanos. Uma recriação que foi muito para lá de juntar farinha moída em mós, uma farinha mais grossa, ou a necessidade de ter ovos de galinhas que andam pelos campos, ou ainda dos marmelos “selvagens” que

existiam em enorme quantidade por estas paragens.

Foram dois anos de pesquisa de Teresa com um chef pasteleira porque “a recriação faz sentido para se fazer como se fazia no tempo dos Frades Capuchos”.

Foi no reinado de D. João V, numa altura de muita riqueza do ouro que vinha do Brasil que, “de 15 em 15 dias, o Frade Ambrósio ia ao Convento de Odivelas como confessor das noviças e levava uma

Visit Barquinha é um portal digital direcionado aos turistas

cesta com os bolos cilíndricos para ofertar.” E, de acordo com Teresa Nicolau, reza a lenda que essas visitas rapidamente ganharam fama dentro dos muros do convento.

Teresa Nicolau frisou que nestas investigações históricas ficou claro que o doce “para ser fiel tinha de ter os ingredientes idênticos aos da época. Farinha ainda moída em mó. Ovos de galinhas criadas ao ar livre. Açúcar de primeira escolha com uma refinação leve. E marmelos de “arbustos selvagens”. E depois ainda há outros ingredientes que “não digo, pertencem ao segredo do Frade Ambrósio.”

Fica ainda a nota que “a massa tinha de ficar moldável, sem partir, e tinha de ir ao forno de lenha.”

Teresa Nicolau espera que esta “nova janela possa trazer mais pessoas a Vila Nova da Barquinha.”

Juntamente com o visitbarquinha.pt houve ainda a estreia de um vídeo promocional, outdoors e folhetos turísticos.

E tudo porque Barquinha é uma terra de sorrisos!

Sistemas de eficiência energética em instalação no Aquagym

O Centro Municipal de Atividade Física Aquagym está mais amigo do ambiente. A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, com o objetivo de reduzir o consumo de energia, diminuir as emissões de CO2 associadas, reduzir os custos de exploração da infraestrutura e melhorar as condições ambientais de temperatura e de humidade, foi a entidade responsável pela intervenção.

Está em curso a empreitada “Eficiência Energética nos Edifícios Públicos - Piscina Municipal – Município Vila Nova da Barquinha”, com a colocação de novas unidades de tratamento de ar (UTA), nas instalações do Centro Municipal de Atividade Física

Aquagym, em Moita do Norte. Os novos equipamentos vão permitir desumidificar o ambiente daquele espaço com maior eficiência e menor custo.

A intervenção caracteriza-se pela substituição de equipamentos por outros de maior eficiência energética, pela introdução de coberturas térmicas nos planos de água das piscinas, pela substituição das luminárias atuais e/ ou instalação de luminárias com tecnologia LED para iluminação e pela instalação de sistema de gestão técnica e de energia. A obra iniciou-se em novembro e tem como objetivo reduzir o consumo de energia, diminuir as emissões de CO2 associadas, reduzir os custos

de exploração da infraestrutura e melhorar as condições ambientais de temperatura e de humidade. Prevê-se a conclusão da execução em janeiro de 2023.

As soluções preconizadas devem motivar um impacto positivo na classe energética dos edifícios (piscina Tejo e piscina Zêzere) em dois níveis, isto é a classe energética final deverá ser B-, face à atual classe energética D.

A obra foi adjudicada por concurso público à empresa JPSR, Lda, pelo valor de 198.465,45€ acrescidos de IVA e será comparticipada a 95% face ao valor elegível aprovado na candidatura pelo Portugal 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

21 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES
/
REGIÃO
Vila Nova da Barquinha
/ Pérsio Basso, Fernando Freire, Paula Pontes e Teresa Nicolau

Governo muda Vila de Rei e Sertã do Médio Tejo para a Beira Baixa

A nova lei foi aprovada com os votos a favor de PS, PCP, BE e Livre e com as abstenções de PSD, Chega, Iniciativa Liberal e PAN, assim como dos deputados socialistas Pedro do Carmo, Norberto Patinho e Capoulas Santos.

A aprovação do diploma ficou concluída em dois dias, já que a proposta do Governo foi discutida na quarta-feira (dia 21 de dezembro) à tarde no plenário da Assembleia da República e votada na generalidade.

No mesmo dia, foi votada artigo a artigo na especialidade e no dia seguinte subiu ao plenário novamente para votação final global, assumindo as votações indiciárias realizadas na especialidade em sede de comissão.

O diploma altera o regime jurídico das autarquias locais, das áreas metropolitanas e das comunidades intermunicipais para a criação de uma nova Comunidade Intermunicipal (CIM) na Península de Setúbal e para que as CIM do Oeste, da Lezíria do Tejo e do Médio Tejo se constituam como Nomenclaturas de Unidade Territorial (NUT) II, para poderem aceder a fundos programas regionais autónomos.

No caso do Médio Tejo, os municípios de Vila de Rei e da Sertã passarão a pertencer à CIM da Beira Baixa, o que tem sido criticado pelos autarcas, que dizem não terem sido devidamente ouvidos neste processo.

Recorde-se que os concelhos de Vila de Rei e da Sertã não foram ouvidos neste processo o que levou Ricardo Aires, presidente da Câmara de Vila de Rei, a dizer na última Assembleia Municipal que o concelho já está a contar para a estatística da Beira. Nesta

mesma reunião o autarca espera que esta mudança não provoque alterações numa série de serviços como a saúde. O presidente da Câmara quer continuar a "caminhar" para o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) e não para Castelo Branco. Estas são, de acordo com Ricardo Aires, as duas áreas que geram mais dúvidas e desconfiança.

Na saúde, Anabela Freitas, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo disse ao Jornal de Abrantes, que o acordo de exceção de Vila de Rei é ao nível de concelho e, como tal, não terá alterações com estas mudan -

ças a uma escala de comunidades intermunicipais.

Na Proteção Civil será diferente uma vez que no dia 28 de dezembro a rádio Antena Livre avançou em primeira-mão que David Lobato e João Pitacas iriam ser a partir de 1 de janeiro, comandante e segundo comandante, respetivamente, do comando sub-regional do Médio Tejo no qual estão integrados 14 corporações de bombeiros. E já tem em conta que a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo tem, desde 1 de janeiro, 11 e não 13 municípios. Desta fora, os Bombeiros de Vila de Rei e Sertã, estão integrados

na Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa.

Há, no entanto, um conjunto de processos, como acesso a fundos comunitários, que devem manter Vila de Rei e Sertã a ir buscar verbas dos fundos estruturais à CIM do Médio Tejo, apesar de já fazerem parte da CIM da Beira Baixa. Outros processos como o transporte a pedido ou a concessão de transportes públicos no Médio Tejo foram desenhados e aplicados para os 13 concelhos. Anabela Freitas revelou que tem de haver um acordo para que os dois concelhos, mesmo que formalmente estejam fora do Médio

Tejo, continuem a integrar estes processos.

Anabela Freitas indicou que esta alteração no Médio Tejo tem a ver com as regiões plano. As CIM da Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Oeste têm todos os concelhos na região-plano de Lisboa e Vale do Tejo e apenas Vila de Rei e Sertã sempre pertenceram à região-plano do centro.

Anabela Freitas disse que está assegurada a integração destes municípios na estratégia do Médio Tejo no Portugal 2030, havendo “um prazo de sete anos para fazer a transição” da Sertã e de Vila de Rei para a CIM da Beira Baixa.

Com estas mudanças, que entraram em vigor a 1 de janeiro, a CIM do Médio Tejo passa a ter 11 concelhos e cerca de 211 mil habitantes, enquanto que a CIM da Beira Baixa sobe de 6 para 8 concelhos e aumenta a população de 80 para quase 100 mil habitantes.

Desta forma Vila de Rei e Sertã juntam-se a Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão.

O Médio Tejo fica com o território de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

Com a criação de uma NUT 2 que juntará a Lezíria, o Médio Tejo (ambos constituídos na esmagadora maioria por municípios do distrito de Santarém) e o Oeste (distritos de Lisboa e Leiria), reivindicação antiga destas sub-regiões, esta questão ficará resolvida.

Segundo Anabela Freitas, a criação da NUT 2 Lezíria/Médio Tejo/Oeste “não mereceu, por parte da Comissão Europeia, grandes questões”, devendo-se a resolução do Conselho de Ministros ao facto de que, para se criar a NUT 2 de Setúbal, esta tem primeiro de se constituir como NUTS 3, sendo que o processo de criação das novas unidades territoriais para fins estatísticos “só fica concluída após aprovação do Eurostat”.

22 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023
REGIÃO /
/ Câmara Municipal de Vila de Rei
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Rua de Angola, nº 35 - 2205-674 Tramagal - Abrantes Tel. 241 890 330 - Fax: 241 890 333 - Tm: 91 499 27 19 geral@abrancop.pt - www.abrancop.pt A ABRANCOP está a recrutar trabalhadores na área da construçao civil Precisa de trabalho? Consulte-nos: 914 992 719 // O parlamento aprovou no dia 22 de dezembro em votação final global o diploma do Governo para que três CIM se constituam como Nomenclaturas de Unidade Territorial (NUT) II.
23 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 2022 • 2022 2022 2022 2022 • 2022 2022 2022 • 2022 2022 2022 • 2022 2022 2022 • 2022 2022 2022 • 2022 2022 2022 2022 • 2022 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 2022 2022 • 2022 2022 2022 • 2022 2022 2022 2022 • 2022 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • 2022 • GALERIA / O ano 2022 em revista

José Luís Peixoto tem livro novo e 62 páginas em pedra em Abrantes, Constância e Sardoal

// 22 lugares literários de Abrantes, 20 Constância e 20 de Sardoal estão disponíveis num livro intitulado “Onde”. E este “Onde” tem 62 páginas, com as letras gravadas em pedra, nesses 62 lugares dos três territórios.

Isto é um caminho literário por terras de Botto, Camões, Gil Vicente e outros (que por cá passaram) aos quais se junta, agora, José Luís Peixoto.

O escritor, natural de Galveias, uma aldeia aqui do lado, do vizinho concelho de Ponte de Sor, até nasceu em Abrantes, no Hospital do Salvador. Peixoto caminhava para Abrantes, para fazer as compras de Natal, quando não havia superfícies comerciais ou estradas (físicas e virtuais) que permitissem chegar em pouco tempo a muito longe.

Apesar dos seus sucessos, em Portugal e fora de portas, nunca o escritor pensou que uma ideia inatingível que uma vez ousou sonhar pudesse, afinal, ser concretizada.

José Luís Peixoto sonhou poder, um dia, ter um livro espalhado por um qualquer território.

E quando recebeu a proposta das três autarquias (Abrantes, Constância e Sardoal) para ajudar a criar um projeto para uma “coisa” que teria o nome de caminhos literários a sua ideia começou a ganhar força. “O texto representou desde logo a reunião de vontades de três concelhos que tinham a vontade de construir alguma coisa. E foram ter comigo.”

Foi nesse momento que o escritor pensou que “aquela” ideia que se podia concretizar: “um livro a céu aberto em que as pessoas tinham de ir aos locais para ler as páginas que estavam espalhadas.” E da ideia começou a pensar nos espaços, a desenhar um fio condutor para ligar, de alguma forma, os espaços de múltiplas naturezas, sendo indicados pelos três municípios.

A verdade é que eram seis dezenas, mas como explicou o vereador da Câmara de Abrantes, Luís Filipe Dias, quando o manuscrito estava quase pronto percebeu-se que das freguesias de Abrantes faltavam duas. Aí foi pedido ao José Luís Peixoto que escrevesse mais duas páginas, sobre Martinchel e Vale das Mós, para que todo o território do concelho de Abrantes tivesse, pelo menos, uma página.

O autor dos livros, em papel e pedra, revelou que depois veio a conceção dos textos que devem ser lidos nos locais. Ou seja,

“complica muito mais escrever um texto sobre um local porque ele irá ser lido nos espaços sobre os quais escrevo.” Nesta busca de motivos para a escrita confessou que começou por apelar às memórias. Às suas: “o primeiro ar que respirei foi de Abrantes. E tenho uma ligação a Abrantes porque das Galveias e de Ponte de Sor vínhamos muito para Abrantes. Depois foi perceber que alguns locais têm ligações entre si.”

E foi com os textos já em construção que José Luís Peixoto se deu conta que este livro poderia deixar de ser a céu aberto, como foi pensado, e podia ir para o papel. “E aconteceu.”

José Luís Peixoto acrescentou ainda que a partir destes textos podem surgir outros trabalhos. E isso já está a acontecer com alunos de artes e teatro da Escola Secundária Solano de Abreu.

Estes caminhos são literários, mas apontam claramente aos caminhos turísticos. “De uma forma superficial, pensamos em alguns aspetos que podem ser perniciosas. Podem favorecer narrativas superficiais de territórios. O turismo é a ambição de viajar e conhecer outras realidades, outros territórios outras culturas. E isto pode ser muito importante para as economias dos lugares.”

José Luís Peixoto gracejou quando disse que é preciso ter ousadia.

Eu que não sou daqui venho aqui meter as minhas palavras. “Eu, que não sou daqui, venho aqui meter as minhas palavras. A minha intenção é a melhor. Espero que estes textos acrescentem alguma coisa, mesmo que se vão dissolvendo no futuro.”

Há aqui, neste livro, uma outra perspetiva para o autor. “As pala -

vras gravadas numa placa de betão dão um peso muito maior e acrescentam mais responsabilidade.”

Mas o escritor fez questão de deixar um alerta aos leitores ou potenciais leitores “não são textos informativos, mas têm informação.”

Há a intenção clara que os textos possam trazer pessoas, que tem a ver com a ideia inicial do projeto.

José Luís Peixoto deixou já um dos seus desafios para 2023. “O meu projeto é criar um roteiro em que eu traga cá pessoas para visitar alguns destes sítios e onde eu vou poder falar sobre esses sítios com essas pessoas.”

Depois, olhando ao turismo, deixou também a nota que este “Onde” potencia duas mãos cheias de roteiros. Temos árvores, o Tejo, edificado, largos... e escrever estes textos “acrescentou-me muito” disse o autor.

24 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023 CULTURA /
// CAMINHOS LITERÁRIOS
“Escrever sobre um lugar, sem ser ficção, a olhar para ele é diferente”

Depois de escrever os textos do livro, que já está traduzido para inglês e castelhano, “a minha relação com Abrantes tornou-se muito maior.”

O escritor deixou ainda uma certeza: “tenho de dar a cara pelos meus livros, daí que trazer um tema para o meu livro é muito importante. E no futuro, certamente, terei personagens de Abrantes nos meus livros.”

O livro “Onde” integra-se no projeto “Caminhos LiteráriosBotto, Camões, Gil Vicente e outros que por cá passaram” que foi e foi financiado a 100 por cento pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. A sua conceção e produção representou “um ano e tal de trabalho.”

O livro “Onde” foi apresentado na quinta-feira (16 de dezembro) em Sardoal, na sexta-feira (17 de dezembro) em Abrantes e no sábado (18 de dezembro) em Constância. Todas as sessões contaram com a presença do autor.

À rádio Antena Livre, no final da sessão de Abrantes, na qual es-

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// OS LUGARES

1

4

ABRANTES

- Aldeia do Pego (Freguesia de Pego)

2 - Alto de Santo António (União de Freguesias de Abrantes)

3 - Baloiço Panorâmico, Vale das Mós (União das Freguesias de São Facundo e Vale das Mós)

- Biblioteca Municipal António Botto, Abrantes (União de Freguesias de Abrantes)

5 - Cais de Acostagem, Rio de Moinhos (Freguesia de Rio de Moinhos)

6 - Castelo de Abrantes (União de Freguesias de Abrantes)

7 - Fonte dos Touros (União de Freguesias de São Miguel do Rio Torto e Rossio ao sul do Tejo)

CONSTÂNCIA

1 - Praça Alexandre Herculano

2 - Escadinhas do Tem-te Bem

3 - Antiga Torre de Punhete

4 - Réplica da Fonte Nova

5 - Igreja de Nossa Senhora dos Mártires

6 - Borboletário Tropical

7 - Biblioteca Alexandre O'Neill 8 - Escola Adães Bermudes (Montalvo) 9 - Casa onde nasceu Tomaz Vieira da Cruz

10 - Mosteiro de Nossa Senhora da Boa Esperança

11 - Casa-Museu Vasco de Lima Couto 12 - Açude de Santa Margarida da Coutada

tavam dezenas de pessoas a assistir e em fila para receberem um autógrafo do escritor de Galveias, José Luís Peixoto disse que “os diversos lugares tiveram diversas formas de serem integrados neste livro. Os que não conhecia tive de visitar, tive de ler sobre eles, tive de falar com outras pessoas sobre eles, de certa forma tentar captar um pouco da alma desses lugares.”

O escritor revelou que escrever sobre um lugar, sem ser ficção, a olhar para ele é diferente. Existe, no entanto, uma tentativa de perceber o que é que é essencial nesses lugares. Pode ter a ver com história, com algo que esteja ali “gravado.”

E à pergunta sobre qual a sugestão do autor para uma visita, primeiro ao papel e depois aos locais ou em simultâneo, José Luís Peixoto respondeu: “o meu sonho seria que as pessoas tivessem oportunidade de ir com o livro aos lugares, e mesmo que já tivessem lido os textos, que os relessem nos lugares. Até porque os textos foram também escritos com notas dos lugares. E há detalhes nos textos que têm, depois, confirmação nos lugares.”

Jerónimo Belo Jorge

8 - Herdade da Murteira (EPDRA), Mouriscas (Freguesia de Mouriscas)

9 - Jardim António Botto, Concavada (União de Freguesias de Alvega e Concavada)

10 - Jardim Ator Taborda (União de Freguesias de Abrantes)

11 - Jardim do Castelo (União de Freguesias de Abrantes)

12 - Jardim Soares Mendes, Bemposta (Freguesia de Bemposta)

13 – Martinchel (Freguesia de Martinchel)

14 - Miradouro da Aldeia do Mato (União das Freguesias de Aldeia do Mato e Souto)

15 - Miradouro da Penha, Tramagal (Freguesia de Tramagal)

16 - Miradouro de Fontes (Freguesia de Fontes)

17 - Miradouro do Cristo Rei, Matagosa (Freguesia de Carvalhal)

18 - Museu da Metalúrgica Duarte Ferreira, Tramagal (Freguesia de Tramagal)

19 - Oliveira do Mouchão, Mouriscas (Freguesia de Mouriscas)

20 - Outeiro de São Pedro (União de Freguesias de Abrantes)

21 - Parque de São Lourenço (União de Freguesias de Abrantes)

22 - Santuário de Nossa Senhora do Tojo (União das Freguesias de Aldeia do Mato e Souto)

13 - Confluência dos Rios Tejo e Zêzere 14 - Torre do Relógio 15 - Largo Cabral Moncada 16 - Igreja de Nossa Senhora dos Mártires 17 - Museu dos Rios e das Artes Marítimas 18 - Sobreiro de Montalvo 19 - Aldeia da Pereira 20 - Quinta de Santa Bárbara

SARDOAL

1 - Praça da República 2 - Antigo Largo do Ensaio da Música 3 - Igreja de Santa Clara 4 - Fonte Férrea (Sardoal) 5 - Chafariz das Três Bicas (Sardoal) 6 - Caminho de Memórias (Sardoal) 7 - Igreja Matriz 8 - Igreja da Misericórdia 9 - Sobreiro da Dona Maria 10 - Eucalipto Grosso 11 - Valhascos

12 - Roteiro do Vinho ao Pão 13 - Marque de Merendas 14 - Centro Cultural Gil Vicente 15 - Escola Primária de Codes 16 - Convento de Santa Maria da Caridade 17 - Artelinho (Alcaravela) 18 - Moinhos de Entrevinhas 19 - Espaço Cá da Terra 20 - Praia Fluvial da Lapa

O

regresso à normalidade

/

NVivemos hoje tempos que, provavelmente, apenas os mais velhos entre nós ainda conseguirão recordar. Entre a guerra, a pandemia, a inflação, alterações climáticas, guerras comerciais, populismo ou a crise energética e alimentar, o desejo mais provável entre a grande maioria para 2023 é o regresso à normalidade. Contudo, a normalidade poderá não ser bem aquilo que imaginamos.

O conflito, com a guerra em destaque, sempre foi a “normalidade” ao longo da história. Afinal de contas, como referiu o general prussiano Carl von Clausewitz, a guerra “é a continuação da política por outros meios”. E, num passado não muito distante, apenas há algumas décadas atrás, a guerra era o instrumento político pela qual se satisfazia os desejos de bravura, riqueza, prestígio, conquista e honra das elites. Consta, sem certezas, que a grande razão para a conquista portuguesa de Ceuta, em 1415, se prendia com o desejo dos infantes portugueses em serem armados cavaleiros após uma campanha militar a sério. Esta mentalidade foi rompida após a II Guerra Mundial e, em particular, nos últimos trinta anos, onde os princípios subjacentes às relações políticas entre Estados foram alterados ou, pelo menos, reajustados a um novo contexto internacional. Estes tempos de exceção deveram-se a vários fatores.

Após a II Guerra Mundial, os Aliados reconheceram a importância de evitar que um conflito semelhante se voltasse a repetir. Por isso, foram criadas instituições internacionais responsáveis pela manutenção da paz no mundo. Em teoria, os Estados, nas suas relações, passariam a resolver os seus desentendimentos e conflitos através do diálogo, cooperação e dos mecanismos de resolução de conflitos. Assim surgiu a ONU e todas as organizações dentro da sua cúpula, que passaram a trabalhar em todos os domínios da cooperação internacional.

O surgimento das armas nucleares e do seu potencial destrutivo conduziu igualmente a um estado de dissuasão entre as grandes potências. O envolvimento em conflitos locais passou a ser limitado devido ao risco de confronto direto entre potências nucleares. O advento da globalização, a partir dos anos 70 e, de forma inquestionável, após os anos 90, conduziu a um estado de interdependência económica global que se baseava na ideia de que ninguém poderia ter interesse em fazer parte de um conflito armado em grande escala, já que teriam muito mais a perder do que a ganhar. Na prática, a globalização convidava todos a dedicarem-se à criação de riqueza ao invés do conflito. Além disso, com a hegemonia americana consolidada após o fim da Guerra Fria, os EUA tiveram a oportunidade de consolidar esta ordem internacional durante o período a que se chamou de “Pax Americana”. Durante este período, as instituições internacionais adquiriram uma nova relevância, a globalização aprofundou-se e a democracia prevaleceu no mundo. E, para as gerações que nasceram e cresceram neste período, este deveria ser o estado natural das coisas. Contudo, do ponto de vista histórico, este período áureo foi uma exceção e não a regra. E com a ascensão de novos Estados, aliados entre eles, capazes de rivalizarem com os EUA e a União Europeia, a ordem internacional que criou este estado de paz e estabilidade está a ser abalada. E, com este enfraquecimento, o risco de voltarmos ao confronto militar como a continuação da política por outros meios poderá ser bem real.

25 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES CULTURA /
/ Nuno Alves
OPINIÃO /
“O primeiro ar que respirei foi de Abrantes”

ILC entregou certificados da Universidade de Cambridge

O Edifício Pirâmide, em Abrantes, recebeu a cerimónia de entrega de certificados da Universidade de Cambridge pelo ILC – Instituto de Línguas do Centro Lda.

Em comunicado, o ILC fez saber que “mais uma vez, estamos orgulhosos dos nossos alunos que tiveram 100% de aprovação”.

Os certificados foram entregues aos alunos dos níveis B2 –Fist Certificate in English, C1 –Advanced Certificate in English e C2 – Certificate of Proficiency in English.

A direção e professores do Instituto “agradecem a confiança depositada nesta escola que, desde 2001, preparamos alunos contribuindo

para o sucesso do seu futuro”.

A cerimónia contou também com a presença de Lucy Bravo, diretora de Knightsbridge, o maior centro de exames em Portugal, e representante da Universidade de Cambridge. Lucy Bravo prestou esclarecimentos sobre a importância fundamental destes certificados no futuro dos jovens.

Os encarregados de educação

/ 1 - Alunos com certificados de nível B2

/ 2 - Alunos com certificados de nível C1

/ 3 - Alunos com certificados de nível C2

e alunos beneficiaram igualmente da presença de Goreti Coutinho, consultora de educação, com vasta experiência na área do ensino superior, apoiando os alunos nas suas candidaturas em Portugal e estrangeiro. Frisou a importância do certificado nível C1 para todos que pretendam seguir o ensino superior, assim como para o mercado de trabalho.

O Instituto de Línguas do Centro agradeceu ainda a Rita Palácio e Rita Chaves “pelo testemunho da sua experiência no ILC e a importância desta aprendizagem nas suas vidas”, bem como “a presença de todos que tornaram esta celebração tão memorável”.

No momento de iniciar um novo ano, é importante termos as energias renovadas, foi para isso que celebrámos o Advento e o Natal, nas suas diversas significações, religiosas e laicas. Renascer, renovar, recomeçar, relançar… são apenas diversas formas de dizer o mesmo: uma nova esperança, apesar das dificuldades. Que são muitas. E que não devem ser ocultadas. De facto, vivemos numa conjuntura de transformações muito profundas que vão ter múltiplos impactos nas nossas vidas. Este é um tempo de crise.

o pouco que podemos fazer a nível global (e Greta Thunberg já mostrou que podemos muito mais do que pensamos) e sobretudo o muito que podemos fazer a nível local, no mínimo para prevenir o impacto do que vier a acontecer e ainda para contribuir a nível local para o que deva acontecer de modo global. Porque o global também é feito do conjunto de todos os locais.

- Mas o que podemos nós fazer?

Comercial com o número quinhentos milhões duzentos e quarenta e nove mil e setecentos e quarenta e um, declarou que com exclusão de outrem, é dona e legítima possuidora dos seguintes prédios: Prédio rústico composto de dependência agrícola, mato, cultura arvense, oliveiras, com a área de quatro mil seiscentos e quarenta metros quadrados, sito em “Alvarrãs”-Mouriscas, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte, sul e poente com F. Ramada II Imobiliária, S.A e do nascente com Rogério de Jesus Alves e outro, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 4, Secção G, e descrito na Conservatória do Registo Predial de Abrantes sob o número seis mil trezentos e trinta-MOURISCAS, com inscrição de aquisição a favor de Senhorinha de Matos Bento Filipe registada pela apresentação dois mil trezentos e noventa e um, de treze de janeiro de dois mil e vinte e dois; Prédio rústico composto de mato, sobreiros e montado sobro serra, com a área de onze mil duzentos e oitenta metros quadrados, sito em “Vale de Água”, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte com herança de Maria da Luz Santana Serra, do sul e nascente com Renata Sofia Alves Salgueiro e do poente com Hipólito Cordeiro Valente e outros, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 21, Secção AH, e omisso no registo predial; Prédio rústico composto de mato, com a área de treze mil e seiscentos metros quadrados, sito em “Macieira”, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte e nascente com Belarmino da Conceição Mendes e outros, do sul com F. Ramada II, Imobiliária S.A e do poente com Elda Maria Trindade Fernandes Bento e outros, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 44, Secção G, omisso no registo predial; Prédio rústico composto de cultura arvense, figueiras, oliveiras, mato, olival e dependência agrícola, com a área de cinquenta mil e oitenta metros quadrados, sito em “Rio Frio”, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte com Herlander Lopes Leitão e outros, do sul com Augusto Lopes Pissarreira e Maria Teresa, do nascente com Limite do Concelho e do poente com Rogério da Conceição dos Santos, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 54, Secção Q, omisso no registo predial; Prédio rústico composto de oliveiras, pastagem ou pasto, sobreiros, mato, pinhal, com a área de cinco mil quatrocentos e quarenta metros quadrados, sito em “Alvarinhais”, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte com F. Ramada II, Imobiliário, S.A, do sul com Gracinda Lopes e Henrique Dinis, do nascente com Altri Florestal S.A e do poente com Maria da Piedade Lourenço Mota Amantes, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 68, Secção R, omisso no registo predial; Prédio rústico composto de dependência agrícola, mato, olival, cultura arvense, pinhal, oliveiras, figueiras, pastagem ou pasto, vinha, com a área de oitenta mil quatrocentos e quarenta metros quadrados, sito em “Casinhas e Rio Frio”, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte e sul com caminho, do nascente com Limite do Concelho e do poente com Maria Amélia Bento Marques Leitão e outros, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 98, Secção F, omisso no registo predial; Prédio rústico composto de mato, oliveiras, pinhal, citrinos, com a área de onze mil quinhentos e sessenta metros quadrados, sito em “Meeirão”, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte com Ilídio de Matos Serras Alpalhão e outros, do sul com Maria Hortência Branco Chambel Gonçalves, do nascente com Francisco Gonçalves e do poente com Joaquina Lourenço Mota e outros, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 7, Secção V, omisso no registo predial; Prédio rústico composto de mato, pinhal, sobreiros, cultura arvense, figueiras, oliveiras, com a área de dez mil cento e sessenta metros quadrados, sito em “Fonte Santa”, na freguesia de Mouriscas, concelho de Abrantes, a confrontar do norte e poente com Maria Helena Santana Domingos e outros, do sul com herança de Henrique Maia Valente e do nascente com Leonel Maia de Oliveira, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 11, Secção AH, omisso no registo predial; Prédio rústico composto de pinhal, com a área de dezasseis mil quatrocentos e oitenta metros quadrados, sito em “Vale da Arada”, na União das Freguesias de Aldeia do Mato e Souto, concelho de Abrantes, a confrontar do norte e sul com caminho e do nascente e poente com F. Ramada II, Imobiliária S.A, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 9, Secção C, proveniente do artigo rústico 9 Secção C da extinta freguesia de Aldeia do Mato, omisso no registo predial; Prédio rústico composto de pinhal e mato, com a área de trinta mil quinhentos e sessenta metros quadrados, sito em “José Lopes”, na freguesia de Rio de Moinhos, concelho de Abrantes, a confrontar do norte e poente com F. Ramada II, Imobiliária S.A, do sul com caminho e do nascente com Titina da Felicidade Bernardo Tomás Mendes da Silva, inscrito na respetiva matriz sob o artigo 1, Secção X, omisso no registo predial. Que entrou na posse dos prédios da seguinte forma: do artigo 4, secção G, em mil novecentos e oitenta e oito, por compra verbal a Severino Silva Bento, casado, residente em Mouriscas, Abrantes, pai da titular inscrita Senhorinha de Matos Bento Filipe, viúva, residente em Cabrais, Mouriscas, Abrantes; dos artigos 21 Secção AH, 44 Secção H, 7 Secção V e 11 Secção AH, em mil novecentos e noventa e três, por compra verbal a Abílio de Oliveira Ferro e cônjuge Maria Carolina Malheiro Guedes de Vasconcelos Costa Ferro, residentes em Coimbra; dos artigos 54 Secção Q e 68 Secção R, em mil novecentos e oitenta e oito, por compra verbal a Arminda Manuel Ferro Faria de Pina, Cremilda Lopes Ferro, Aurélio Abrantes de Pina e a Abílio António Ferro Faria, com estado civil desconhecido, residentes em Mouriscas, Abrantes; do artigo 98 Secção F, em mil novecentos e oitenta e oito, por compra verbal a Feliz Lourenço Pereira, cujo estado civil é desconhecido, residente em Mouriscas, Abrantes, em cujo nome da herança se encontra inscrito na matriz; do artigo 9 Secção C, em mil novecentos e oitenta e oito, por compra verbal a Luís Pires Pimpão e mulher Conceição Rosa Quinta, residentes na Suíça; do artigo 1 Secção X, em mil novecentos e oitenta e cinco, por compra verbal a João Lopes Bexiga, cujo estado civil se desconhece, residente em Rio de Moinhos, Abrantes. Que não foi, nem lhe é possível agora legalizar a referida compra por título válido, mas o certo é que desde a referida entrada na sua posse, portanto há mais de vinte anos, tem a justificante vindo a possuir o prédio. ESTÁ CONFORME. Oleiros, 28 de dezembro de 2022

A Notária, Andreia Ferreira Brites

Crise climática, crise energética, crise política (no Ocidente, deriva totalitária), crise de valores, crise do humanismo, crise de guerras locais iminentes deriváveis para globais, crise geopolítica, crise económica, crise da transição para o digital, crise do inverno demográfico (em Portugal e na Europa), crise do impacto das migrações, crise da alimentação, crise da inflação, crise de governabilidade (na Europa, mas não só), crise na saúde (epidemias e dificuldades dos sistemas), crise do trabalhoemprego, crise do poder crescente das multinacionais, crise social, crise de dependência do digital, crise das máfias cada vez mais poderosas… e, como é óbvio, imprevisibilidade crescente: ninguém sabe como é que todas estas crises (e outras, imprevisíveis) vão evoluir. Mas certo e seguro é que estas crises não vão dissolver-se e ainda que nós não temos poder para alterar o curso dos acontecimentos a nível do panorama global.

Neste cenário, há três atitudes possíveis. Desistir, fingir e fazer alguma coisa.

Desistir de fazer seja o que for, declarar impotência, deixar-se ir abaixo pelo cano de esgoto do pessimismo, aceitar ser vítima do que vier. Ou fingir que não se passa nada, que tudo se há de resolver, que sempre foi assim e sempre sobrevivemos… mantendo contudo o canto do cisne permanente, o queixume de que estamos no pior dos mundo, a lamúria em que somos campeões. Ou fazer alguma coisa:

Boa pergunta! A primeira coisa é levar a sério a pergunta; a segunda é estudar as boas respostas possíveis; a terceira é organizar um colectivo capaz de fazer o que as pessoas sozinhas não podem conseguir; a quarta é manter o foco no fazer (o que precisa de ser feito); a quinta é manter uma atitude de avaliação continuada para se não andarmos por caminhos errados.

Será importante, neste novo ano, vermos as nossas comunidades ocupadas com estes problemas: os políticos com ideias, propostas e trabalhos concretos, a comunicação social como palco deste cuidado coletivo, as nossas escolas com um esforço acrescido de preparar os mais novos (não para o mundo que foi, mas) para o mundo que aí vem e cada um de nós a fazer a sua parte. Se assim fizermos, não temos de que nos arrepender. “Quem faz o que pode a mais não é obrigado.” Podemos não alcançar os melhores resultados, mas fizemos o que pudemos e o melhor que soubemos. E, por isso, para nós, este terá sido um Ano Feliz. Porque a felicidade é mais uma boa viagem que o lugar onde chegaremos. Feliz 2023.

26 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023 REGIÃO /
OPINIÃO /
Feliz 2023
Podemos não alcançar os melhores resultados, mas fizemos o que pudemos e o melhor que soubemos.
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Cartório Notarial de Oleiros da Notária Andreia Ferreira Brites Praça do Município, n.º 21- Edif. Santa Casa, 1.º, Oleiros ------ CERTIFICO para efeitos de publicação que por escritura de hoje exarada a fls. 66 e seguintes do livro n.º 11 deste Cartório, a sociedade comercial anónima “ALTRI FLORESTAL, S.A.”, com sede na Leirosa, freguesia de Marinha das Ondas, concelho de Figueira da Foz, matriculada na Conservatória do Registo

Proteção Civil instala comando sub-regional em Praia do Ribatejo

O ano 2023 traz com ele a “maior mudança” do sistema de Proteção Civil dos últimos anoscom o fim dos 18 comandos distritais de operações e socorro (CDOS), que vão dar lugar a 23 comandos sub-regionais.

O fim dos 18 CDOS e a criação de 23 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil estavam previstos na lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que entrou em vigor em abril de 2019. Na altura ficou decidido que a nova estrutura regional e sub-regional entraria em funcionamento de forma faseada, estando já em funções os comandos regionais do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, enquanto os 23 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil, cuja circunscrição territorial corresponde ao território de cada comunidade intermunicipal, iniciam funções em 01 de janeiro. Só que a vaga de mau tempo prevista e que atingiu o norte do país levou ao adiamento para a primeira semana de 2023 a entrada em funcionamento destes comandos.

O distrito de Santarém vai deixar de ter uma estrutura distrital para passar a ter dois comandos sub-regionais com a mesma área territorial das duas comunidades intermunicipais.

A Lezíria do Tejo terá o seu comando sub-regional em Almeirim, nas atuais instalações do CDOS, enquanto que o Médio Tejo acolhe o seu comando sub-regional no concelho de Vila Nova da Barquinha, mais propriamente numa parte da Escola de Praia do Ribatejo. Esta ala da escola estava devoluta e está ainda a sofrer obras de adaptação para adequar os espaços às necessidades

operacionais de uma estrutura da Proteção Civil.

A rádio Antena Livre avançou, em primeira mão, no dia 29 de dezembro, que as estruturas de comando dos novos comandos estavam definidas. David Lobato será o comandante sub-regional e João Pitacas assumirá o cargo de segundo comandante sub-regional da Proteção Civil no Médio Tejo

David Lobato, em abril de 2020, deixou o cargo de comandante dos Bombeiros Municipais do Cartaxo e assumiu funções como segundo comandante do Centro Distrital de Operações e Socorro (CDOS) de Santarém, em substituição de Paulo Ferreira, que, na mesma altura, assumiu o cargo de Coordenador Operacional da Proteção Civil de Abrantes Depois, em dezembro, com a saída de Mário Silvestre, até então CODIS de Santarém, para o comando Nacional da ANEPC assumiu as funções de Comandante Operacional Distrital do Santarém. É licenciado em Segurança e Higiene no Trabalho

João Pitacas, deixou a 26 de maio deste ano o cargo de 2.° Comandante dos Bombeiros Voluntários do Entroncamento para assumir as funções de 2.° Comandante Distrital de Emergência e Proteção Civil de Santarém.

João Pitacas, exerceu funções de Comando entre 2017 e 2022 nos Bombeiros Voluntários do Entroncamento, sendo que foi em 1997 que iniciou as funções de bombeiro no Entroncamento. Nesta corporação chegou a segundo comandante em maio de 2017.

É licenciado em Engenharia Mecânica com uma pós-graduado em Gestão de Emergência e Socorro, mestre em Riscos e Proteção Civil e com formação complementar em

várias áreas ligadas ao sector. João Pitacas foi também formador externo da Escola Nacional de Bombeiros.

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo passou a ser constituída, a 1 de janeiro, por 11 municípios, tem cerca de 115 mil habitantes e uma área de cerca de 2.705 km2.

No que ao socorro diz respeito o novo comando sub-regional tem no terreno 14 corporações de bombeiros. 11 nas sedes de concelho (Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Via Nova da Barquinha) e depois acrescenta Caxarias e Fátima, no concelho de Ourém, e Minde, no concelho de Alcanena.

O comando sub-regional vai ocupar uma parte da Escola de Praia do Ribatejo que está a sofrer obras de adaptação de salas de ensino para a Proteção Civil, com gabinetes para a estrutura de comando, sala de operações, sala de situação e de reuniões, para além de outras funcionalidades para recursos humanos.

De acordo com a secretária de Estado da Proteção Civil, Patrícia Gaspar, aquilo que hoje (30 de dezembro) é feito nos CDOS vai ser “exatamente o mesmo que vai ser feito nos novos comandos sub-regionais”. A diferença é que passa a haver uma camada mais próxima do território, que corresponde aquilo que são as comunidades intermunicipais. Segundo Patrícia Gaspar, as relações de vizinhança e de proximidade com as entidades parceiras e até com outros corpos de bombeiros vão manter-se.

A secretária de Estado afirmou também que a população não vai aperceber-se desta alteração, continuando o socorro a ser prestado “exatamente da mesma forma”.

A ver a banda passar

Odefunto ano de 2022, fecundo defunto ano, opulento em casos e casinhos de índole política, miserável no que tange à estabilidade dos preços das casas, da alimentação e combustíveis, próspero no tocante a manifestações palermas de meninas e meninos ociosos ditos serem estudantes, avarento na segurança de crianças e mulheres revelando crimes hediondos, rico na dissipação dos dinheiros públicos, pobretana relativamente à distribuição de riqueza por todas as classes sociais, extravagante e sumptuoso na aquisição e uso de telemóveis, obscenamente exagerado na coscuvilhice nas redes sociais, raquítico no bom emprego e uso da língua portuguesa, ufa, ufa, na minguada descrição do gastar dos dias do referido defunto.

O desejo (sonho acordado) para 2023? Para lá das gastas palavras do costume ronceiro do bla-bla copiado ano após ano, gostava de ver/vendo o começo da concretizar-se uma verdadeira política de literacia científica, literária no concelho de Abrantes, um surto de realizações tendentes a salvaguardar os patrimónios concelhios naturais a principiar pelo rio Tejo e todas as linhas de água, as oralidades, as espécies vegetais de antanho em risco de apagamento dada a avalanche de produtos alheios vazados nas grandes superfícies, bem como modelares

ensinamentos na esfera da nutrição para miúdos e graúdos. A finalizar: revitalização das filarmónicas e ranchos folclóricos. É pedir muito? E pedir e não ser pobre no pedir!

PS: Louvo a acção Sra. Dra. Teresa Aparício na defesa e divulgação do património abrantimo.

Belo Jorge

Fisabrantes

Centro de Fisioterapia Unipessoal, Lda.

Médico Fisiatra Dr. Jorge Manuel B. Monteiro

Fisioterapeuta Teresinha M. M. Gueifão

Terapia da Fala Dr.ª Sara Pereira

Psicóloga Clínica Aconselhamento Ana Lúcia Silvério

Audiologia / aparelhos auditivos Dr.ª Helena Inocêncio

Acordos: C.G.D., SAMS, PSP, SEGUROS, PT - Consultas pela ADSE - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -Telef./Fax 241 372 082

Praceta Arq. Raul Lino, Sala 6, Piso 1 - 2200 ABRANTES

27 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO / Médio Tejo
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/ Armando Fernandes
OPINIÃO /
/ David Lobato vai assumir o Comando Sub-Regional do Médio Tejo

Escola Básica e Secundária

Dr. Solano de Abreu

Era antiga a aspiração do povo abrantino de ver criada na sua cidade uma Escola Técnica, mas só no ano de 1953, pelo decreto de 7 de Julho, viu esse seu desejo concretizado. As aulas finalmente abriram em 5 de Novembro desse mesmo ano e era então uma escola muito diferente da actual. Denominada Escola Industrial e Comercial de Abrantes (E.I.C.A.), começou a funcionar na Rua Santos e Silva, vulgo Rua Grande nº 6/12, passando depois para o edifício Carneiro, perto do Jardim do Castelo, até que finalmente, em 1959, foi transferida para edifício próprio onde, embora já bastantes modificações, ainda presentemente se encontra. Para a sua construção foi escolhido um local à entrada da cidade onde existira anteriormente uma praça de touros. Após o 25 de Abril e na sequência da extinção dos liceus e escolas técnicas, a E.I.C.A. deu lugar à Escola Secundária nº 1 e assim se manteve até 1993, altura em que o nome foi novamente alterado, passando a partir daí a ter como patrono Solano de Abreu, que em vida residiu no palacete situado a umas centenas de metros de distância, no mesmo lado da avenida das Forças Armadas. Presentemente integra o Agrupamento de Escolas Nº1 de Abrantes, sediado neste mesmo estabelecimento de ensino. O edifício foi, há poucos anos, objecto de uma intervenção importante que o tornou mais confortável e adequado às novas exigências do ensino.

Mas quem foi afinal o patrono desta escola?

Francisco Eduardo Solano de Abreu nasceu em Abrantes, a 19 de Julho de 1883 e faleceu na sua casa de Vale de Rôubão a 27 de Abril de 1941.

Fez os estudos primário e secundário na sua terra natal e seguiu depois para Coimbra onde se licenciou em Direito, ficando conhecido entre os colegas por ser um jovem irrequieto, endinheirado mas também generoso e com muito talento. O bichinho do jornalismo, que o acompanhou durante toda a vida,

começava já então a manifestar-se: chegou a director do Coimbra em Fralda e fez parte do corpo redatorial do jornal académico Porta Férrea. Regressado a Abrantes, funda, em 1884, juntamente com António Apolinário Ferreira, o jornal Correio de Abrantes, onde se manteve até 1886. Afastou-se depois, um pouco descrente com a política partidária local que se reflectia também neste periódico, mas não cruzou os braços e, passado pouco tempo, fundou um outro que pretendia diferente e a que deu o nome de A Nova, a respeito do qual diz: O nosso jornal fará opinião e jamais será eco de opiniões. Colaborou também em outros jornais locais e durante muitos anos fez parte da redação do Jornal de Abrantes, onde escrevia em nome próprio ou com pseudónimos. Além de jornalismo, fez poesia, romances, peças de teatro e foi letrista de revistas, uma das quais, No País da Aletria, com música de Pinto Ribeiro, teve enorme êxito em Abrantes. Mas a sua acção não se ficou pelas letras. Continuando como na juventude a ser uma figura irrequieta, multifacetada e generosa teve uma intervenção cívica notável na cidade, sobretudo nos campos político, cultural e social. No campo político, foi um liberal fervoroso e um anti-clerical convicto, militou no partido progressista e, nas suas listas, chegou a vereador e, em 1908, foi eleito Presidente da Câmara, cargo que assumiu até 1910, altura em que foi afastado, na sequência da implantação da República.

Cada vez mais desiludido com a política partidária, virou-se depois para a intervenção social e associativa. É por várias vezes eleito presidente do Montepio e trabalhou ativamente em muitas outras associações da cidade.

Em 1919, foi eleito provedor da Santa

Casa da Misericórdia, a que na altura estava ligado o Hospital do Salvador e neste cargo se manteve durante quinze anos, desenvolvendo uma ação notável, muitas vezes em colaboração com o Dr. Manuel Fernandes.

A sua índole generosa teve neste cargo múltiplas ocasiões para se manifestar e levou-o a desenvolver uma acção importante em prole dos mais desfavorecidos, que então eram muitos na nossa cidade. Em 1921, criou a Sopa dos Pobres, instituição que tinha como objectivo fornecer alimentação a um sector da população onde a fome grassava e a que depois anexou um internato para raparigas sem apoio familiar.

Para arranjar dinheiro para estas instituições, mandou construir, em terreno anexo à Misericórdia e com dinheiro do seu bolso, um pavilhão que durante muitos anos serviu de cinema e cujas receitas revertiam a favor daquela instituição. Simultaneamente, no seu palacete de Vale de Rôubão, organizava com frequência festas que ficaram famosas, onde reunia a elite local, embora os portões dos jardins também se abrissem à população em geral e assim captava dinheiro dos mais endinheirados que depois aplicava sobretudo no Hospital e Sopa dos Pobres, ajudando deste modo a minorar o sofrimento de muitos. Apesar das suas múltiplas actividades cívicas ainda arranjou tempo para ser um proprietário moderno, pondo em prática técnicas inovadoras na agro-pecuária. Assim construiu na sua quinta um estábulo modelo para bovinos, a respeito do qual os criados diziam rindo que ali até apetecia ser vaca. Com o leite fabricava manteiga de excelente qualidade, cujo sabor ainda hoje é recordado por muitos que na altura eram crianças e hoje já são anciãos.

Bibliografia:

- Campos, Eduardo, Solano de Abreu, Vida e Obra, edição da Escola Solano de Abreu, Abrantes 2002.

- Jornais da época

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29 Janeiro 2023 / JORNAL DE ABRANTES
/
/ Teresa Aparício
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PATRIMÓNIO /

Como funciona a doação de órgãos em Portugal e no CHMT?

no conceito de “doação presumida”. Ou seja, qualquer cidadão, residente em Portugal, é potencial dador de órgãos, no caso de morte cerebral declarada, fruto de acidente ou agudização de uma doença.

ou não colhidos e posteriormente doados para transplantação.

Neste texto vamos explicar-lhe como funciona a doação e transplantação de órgãos no nosso país e também na região do Médio Tejo. É informação relevante para que possa esclarecer as suas dúvidas sobre um tema em que os avanços da medicina são responsáveis por milhares de vidas salvas.

De acordo com os dados do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), no final do primeiro semestre de 2022 havia cerca de 2.200 pessoas à espera de um órgão para transplante. A esmagadora maioria aguardava por um transplante de rim.

Portugal ocupa, no entanto, um lugar de destaque a nível mundial: quarto lugar no mundo em taxas de colheitas e transplantação de órgãos. Melhor só mesmo os Estados Unidos da América, a Espanha e a Estónia.

A legislação portuguesa assenta

Excetuam-se os casos em que os cidadãos recusaram expressamente a autorização de doação dos seus órgãos, registando-se no Registo Nacional de Não Dadores. Há apenas pouco mais de meia centena de não dadores devidamente registados em Portugal.

A colheita em dadores falecidos pode possibilitar até nove órgãos transplantados. Os órgãos que podem ser doados após a morte são os rins, fígado, coração, pâncreas e pulmões.

Podem também ser doados tecidos osteotendinosos (osso, tendão e outras estruturas osteotendinosas), córneas, válvulas cardíacas, segmentos vasculares e pele. Já o dador vivo pode doar um dos rins, parte do seu fígado, ou parte dos pulmões.

Não há limite de idade para poder ser dador de órgãos: é a qualidade e a funcionalidade dos órgãos do doente que faleceu que determinam a possibilidade de serem

Apesar de os órgãos e tecidos serem escassos para responder às necessidades de transplante nacionais, é essencial assegurar que o dador não tem nenhuma doença que possa ser transmitida pelo órgão ou tecido que vai ser transplantado.

Por isso, todos os possíveis dadores são avaliados pelas equipas

médicas. Este processo visa excluir situações como tumores malignos, infeções, ou algumas doenças degenerativas do sistema nervoso.

Os custos de todo o processo de colheita e da terapêutica associada ao transplante são assegurados pelo Serviço Nacional de Saúde. De igual forma, o órgão doado é transplantado gratuitamente.

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) realiza colheitas de

doentes falecidos (em “morte cerebral”) desde 2009. Foi nesse ano que se constituiu a equipa de colheita de órgãos, com a abertura do Serviço de Medicina Intensiva da Instituição, localizado na Unidade Hospitalar de Abrantes.

Em pouco mais de uma década, o CHMT colheu 187 órgãos de 81 dadores, resultados notáveis e acima da média nacional. É um trabalho contínuo que, em 2022, já resultou na colheita de nove órgãos.

É comum existir a dúvida se os familiares da pessoa doente falecida se podem opor à doação de órgãos. A resposta é não, mas os familiares do dador são informados detalhadamente da situação, e são respondidas todas as questões que desejem colocar.

Outra questão muito suscitada é se os familiares têm o direito de saber quem foi o recetor dos órgãos colhidos do corpo do seu ente querido. Ou vice-versa: se o doente que foi transplantado pode saber a identidade de quem foi responsável por salvar a sua vida. A resposta a estas questões também é negativa. O sigilo é total, de forma a proteger a privacidade de todos os envolvidos.

a transmissão de infeções das vias respiratórias”

As infeções respiratórias constituem a forma de doença aguda mais frequente ao longo das nossas vidas. Apesar de na sua maioria, serem autolimitadas, algumas infeções podem ter uma evolução mais grave com necessidade de cuidados diferenciados, conduzindo a sequelas ou mesmo à morte.

A estratégia mais importante no combate às infeções das vias respiratórias é a Prevenção.

Atualmente está em curso a campanha de vacinação com reforço sazonal do outono-inverno 2022-2023, que tem como objetivo maximizar a proteção da população mais vulnerável durante os meses de inverno, diminuindo

a doença grave, a hospitalização e a morte por COVID-19 e por Gripe.

É essencial que todas as pessoas continuem a promover, na sua rotina diária, comportamentos seguros e hábitos de boa higiene adotando medidas de etiqueta respiratória (Cubra o nariz e a boca com lenços de papel ao tossir e espirrar ou se não tiver um lenço de papel, espirre para a dobra do braço/cotovelo e não para a mão), a lavagem e /ou desinfeção das mãos, a limpeza e desinfeção de equipamentos e superfícies e o arejamento e ventilação dos espaços.

A medida mais eficaz para reduzir a exposição a vírus em qualquer contexto é o distanciamento físico, particularmente quando na presença de pessoas mais vulneráveis.

É recomendada a utilização de máscaras sempre que tiver sintomas e se encontrar com outras pessoas e, em espaços com aglomerados de pessoas, sobretudo sem ventilação adequada, em períodos de elevada

incidência de COVID-19, Gripe ou de outros vírus respiratórios em circulação, particularmente no outono-inverno.

Continua a ser obrigatória a sua utilização nos estabelecimentos de serviços de saúde e nas estruturas residenciais ou de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis, pessoas idosas ou pessoas com deficiência, bem como unidades de cuidados continuados integrados da Rede Nacional de Cuidados

Continuados Integrados. Se apresentar sintomatologia respiratória cumpra as recomendações de prevenção e controle da infeção e vigie o desenvolvimento de sintomas e situações que justificam uma atuação especial. Assim nos casos de:

• Dificuldade respiratória;

• Febre ou tosse persistente; Alteração do estado de consciência, expetoração com sangue, incapacidade de se alimentar e hidratar corretamente;

• Vómito persistente ou diarreia grave;

• Pessoas com imunossupressão grave;

• Pessoas com doenças crónicas;

• Recém-Nascidos.

Contacte o SNS24 – 808 24 24 24, ou alternativamente o seu médico, para receber orientação específica sobre a sua situação.

Combata as infeções respiratórias fazendo a sua prevenção!

30 JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2023 SAÚDE /
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DO RIBATEJO INTERIOR 13.JAN.23 CENTRO CULTURAL GIL VICENTE. SARDOAL

09h00 Receção dos participantes

09h30 Sessão de Abertura

Miguel Borges (Presidente da Direção da TAGUS e do Município de Sardoal)

Isabel Damasceno (Centro 2020)

2ª Sessão

Moderador: Pedro Pereira (Município de Constância)

14h00 Bonecos de Estremoz Hugo Guerreiro (Câmara Municipal de Estremoz)

1ª Sessão

Moderador: Luís Dias (Município de Abrantes)

10h00

A preservação das artes e ofícios tradicionais e o desenvolvimento sustentável

Helena Freitas (Universidade de Coimbra)

10h20 Património cultural imaterial

Rita Jerónimo (Direção-Geral do Património Cultural)

10h40 Intervalo

11h00 Programa “Saber Fazer”

Américo Rodrigues (Direção-Geral das Artes)

11h20 Património imaterial e saber-fazer tradicional Filipe Themudo de Barata (Universidade de Évora)

11h40 A salvaguarda dos saberes tradicionais e das atividades artesanais

Suzana Menezes (Direção Regional de Cultura do Centro)

12h00 As artes e ofícios enquanto produtos turísticos

Pedro Machado (Turismo do Centro)

12h30 Almoço livre

14h20 AO.RI – Artes e Ofícios do Ribatejo Interior Conceição Pereira (TAGUS) Paulo Lima (Antropólogo)

15h00 Qualificar e reconhecer os artesãos para desenvolver o artesanato Luís Rocha (CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património)

15h20 A construção naval em madeira Pedro Brochado de Almeida (Câmara Municipal de Vila do Conde)

15h40 Projeto ROTA Criativa - Rede de Ofícios Tradicionais e Arte Criativa Doroteia Sá (ADRITEM - Associação de Desenvolvimento Regional Integrado das Terras de Santa Maria)

16h00 Projeto CRIAR - Centro em Rede de Inovação do Artesanato Regional Paula Lourenço (CACO - Associação de Artesãos do Concelho de Odemira)

16h20 Projeto TASA e RED BOOK – Lista Vermelha das Atividades Artesanais Algarvias Graça Palma (Proactivetur)

16h40 Debate

17h00 Sessão de Encerramento Ana Abrunhosa (Ministério da Coesão Territorial) Visita ao Espaço Partilhado para as Artes e Ofícios – Art Of Tagus’toso de Honra Mais

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informação e inscrições
em tagus-ri.pt