Jornal de Abrantes - dezembro 2022

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uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt Grupo PUBLICIDADE PUBLICIDADE *de 1 a 31 dezembro desconto* lingerie PUBLICIDADE a ¶ 122 ANOS Pág. 12 ENTREVISTA PADRE ANTÓNIO CASTANHEIRA “NÃO TENHO QUALQUER SUSPEITA DE ABUSO SEXUAL ... SE TIVESSE DENUNCIAVA.” Págs. 3 e 4 SARDOAL COUVE DE OLHO DE VALHASCOS JUNTOUSE AO AZEITE NOVO Pág. 10 ABRANTES ESCOLA BÁSICA TERÁ NOME DE MARIA DE LOURDES PINTASILGO Pág. 12 / JORNAL DE ABRANTES j ABRANTES Mestre de Judo Fernando Correia homenageado em torneio / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas DEZEMBRO 2022 / Edição n.º 5622 Mensal / ANO 122 / DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Municípios reduzem iluminação de Natal Págs. 16 e 17 O JA deseja Boas Festas a todos os seus leitores! Com a crise energética na ordem do dia e o Governo a apelar à poupança, a maioria dos municípios portugueses vai reduzir de novo ao mínimo os gastos com iluminações natalícias devido à austeridade.

Chega aquela altura do ano em que devemos olhar para trás e fazer uma retrospetiva do ano que agora termina.

Apesar de continuarmos em pandemia, 2022 já nos permitiu ter uma vida relativamente normal e voltámos ao convívio da nossa família e dos nossos amigos. Os festivais e as festas de verão encheram como nunca e a vida parece querer seguir o seu caminho. No entanto, continua-se a falar muito de saúde mental e dos danos causados por dois anos de pandemia, com isolamentos e muitas medidas restritivas.

Se sonhámos que “tudo iria ficar bem” e tivemos esperança que a humanidade se tornasse, de facto, mais “humana”, esses desejos parecem ter caído por terra com o passar do tempo.

Não, não nos tornámos pessoas melhores e até há quem diga que o efeito foi exatamente o contrário. Faz-nos refletir, não é? Pois que reflitamos. Este ano também vimos a guerra regressar à Europa, num cenário impensável para a grande maioria. Está aí o inverno e os agressores apostam em deixar morrer milhares de pessoas ao frio e à fome. Situação que as gerações mais novas só leram em livros. Será que o mundo vai mesmo permitir que a brutalidade volte a acontecer perante os nossos olhos?

Agora que chega a época das luzes, do brilho e, novamente, das festas, não a conseguiremos viver na plenitude perante um mundo de injustiças e onde milhões não têm sequer a oportunidade de sorrir. Por falar em luzes, é certo que este ano o brilho não vai ser assim tanto. A palavra de ordem é contenção e o exemplo vai ser dado pelos Municípios, com redução das luzes de Natal, bem como os períodos em que estas vão estar ligadas. Menos cor, menos brilho mas que o calor esteja dentro de todos nós. Com a esperança de que, findo mais um ano, eu possa escrever diferente e que a vida me permita continuar a acreditar num futuro mais risonho para a humanidade.

Vamos lá enfrentar de frente mais estas adversidades com um sorriso no rosto e acreditar num amanhã mais promissor.

Voltamos em 2022. Até lá, Boas Festas para todos e sejam felizes!

A 1 de novembro, abriu portas o espaço "Concelho de Abrantes", na Rua Nossa Senhora da Conceição, em Abrantes. É um projeto de casal, que tem o rosto de Luís Fernandes, e que pretende aliar a gastronomia aos produtos típicos da região. Mas pretende ser mais do que um bar ou restaurante,

assumindo-se como espaço cultural que tem livros, pode ter exposições de pintura ou escultura e música ou karaoke. Luís Fernandes diz que é um ponto turístico de Abrantes que pretende receber clientes e potenciar as ofertas turísticas de todo o concelho de Abrantes.

/ Residência: Rossio ao Sul Tejo / Abrantes

Qual é o seu maior medo? O meu maior medo é perder a

Que pessoa viva mais admira? São duas pessoas, pois não consigo escolher um: são sem dúvida nenhuma os meus pais.

/ Se soubesse que morria amanhã, o que faria hoje?

Espero que quando esse dia chegar, não que nada por fazer que desejasse ter feito.

/ O que mais valoriza nos seus amigos?

A sua sinceridade acima de tudo.

/ Quem são os seus artistas favoritos?

/ Quem são os seus heróis da vida real?

/ Renato Valério, 43

/ Contabilista Certi cado

Onde e quando foi mais feliz? Num passado muito recente fui muito feliz, sabendo que a felicidade, assim como a vida, têm os seus momentos de altos e baixos. Espero que num futuro próximo consiga saborear novamente o doce sabor da felicidade.

/ Que talento mais gostaria de ter? Talento musical. Infelizmente não tenho nenhum.

/ Se pudesse mudar uma característica em si, o que seria? Gostava de ser um pouco menos teimoso (risos).

Tenho bastantes, em diversas áreas, seria difícil enumerá-los todos. Mas posso numerar alguns na música: Metallica; Muse; Nirvana. Mas na verdade gosto de todo o tipo de música desde a clássica à mais popular desde que tenha qualidade.

/ Quem é o seu herói da cção? Quando era miúdo gostava muito do Super-Homem, neste momento não tenho nenhum preferido.

/ Com que gura história mais se identi ca?

Marquês de Pombal, um visionário, que ajudou a reconstruir Lisboa, e o modo como as cidades mudaram daí para diante.

Os meus pais e a geração deles que conseguiram ultrapassar tremendas di culdades numa geração marcada por guerra, recessão económica, falta de liberdade, e falta de meios e poucas oportunidades, e mesmo assim seguiram a sua vida com uma resiliência tremenda que proporcionaram oportunidades as gerações seguintes.

/ Onde gostaria mais de viver? Onde houvesse mar perto seria sempre ótimo, mas adoro viver em Abrantes.

/ Se fosse presidente de Câmara, o que faria?

Não sei se conseguiria, mas seriam medidas no sentido de atrair e reter os habitantes que o concelho tem vindo a perder nos últimos anos.

Gostaria que os Mourões em Rossio ao Sul do Tejo tivessem um destaque e um tratamento diferente a nivel histórico e turístico.

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2 JORNAL DE ABRANTES /
Dezembro 2022
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EDITORIAL
FOTO OBSERVADOR /
Naturalidade / Patrícia Seixas / DIRETORA
A ABRIR /

Os valores da Fé não se podem perder

// Nasceu a 15 de dezembro de 1963, entrou no seminário aos 10 anos e foi ordenado a 26 de novembro de 1989. É o pároco das Paróquias de São Vicente e São João, concelho e Arciprestado de Abrantes, membro do Colégio dos Consultores e do Conselho Presbiteral, diretor do Seminário de Alcains, ecónomo Diocesano, ecónomo do Seminário Diocesano e Capelão do Hospital de Abrantes.

// O padre António Castanheira tomou posse como pároco São Vicente e São João Batista em Abrantes no dia 15 de outubro 2021, paróquias nas quais exercia como administrador paroquial desde 15 de outubro de 2019.

// Numa conversa em torno das paróquias fala da sua chegada no meio de um turbilhão entre o antecessor e a Diocese, fala dos abusos sexuais na Igreja, sobre a pobreza em Abrantes e, naturalmente, sobre as Jornadas Mundiais da Juventude.

Começamos pela época em que estamos. Como é que se vive hoje o Advento do Natal?

O Advento é este espaço que a liturgia da Igreja nos propor ciona de nos refocarmos naquilo que é essencial na nossa vida. E para os que têm a Fé que Jesus é o Salvador recentrar nesse grande mistério que é a sua reencarna ção, que é a sua fraternidade para connosco. Em cada ano temos esta oportunidade que nos é dada para nos focarmos no sentido da nossa vida, de forma humana e espiritual, agarrando os grandes valores humanos e do Divino.

Temos muitas imagens no fes tejo do Natal. Temos, no âmbito na Igreja, a coroa de Natal e o presépio ou a sociedade mais consumista está a substituir es ses valores?

A sociedade tem sempre ele mentos inovadores que no seu percurso têm desvios. O presépio, com origens em S. Francisco de Assis, pela simplicidade de co locar junto do Jesus a realidade humana expressa em figuras mais típicas, do pastor, a lavadeira, dos reis que o visitam. Mas é a centra lidade de Jesus Cristo. As pessoas foram desligando, nalguns casos, de exercitar esta dimensão do so brenatural e do espiritual. Tem havido uma grande preocupação

da Igreja para que isso não desa pareça e o Papa Francisco fez essa evocação há dois anos. A coroa do Advento, pela proximidade do olhar...

... não é meramente um elemen to decorativo?

Essa pode ser uma tentação desviante. Nas Igrejas colocam-se em sítios inapropriados. A coroa do Advento é uma ajuda, não é o centro. E mesmo o pinheiro de Natal que tem o sentido dos ou tros, da generosidade, das ofer tas agora passou para as praças públicas e para grandes eventos. Mas é sempre os valores criados no seio da Igreja que depois to mam outros caminhos quase des caracterizando-se como elemento de Fé, do Divino.

A Igreja em Abrantes tem no seio do Centro Social Interparo quial um conjunto de valências: idosos, crianças, apoio domici liário, toxicodependentes... Ser administrador dessas institui ções é quase como “gerir uma empresa”?

A dimensão é muito empresa rial pela sua largueza, pela dimen são das valências, pela quantidade dos seus trabalhadores, que são de facto muito. Requer uma exi gência muito grande. É governado por uma direção de 5 elementos,

cada um com a sua missão, não é uma instituição governada por mim. Tenho este cuidado que há de ser governado de comum acor do e torna-se mais leve porque é governada por uma direção. Mes mo os diretores técnicos, cada um sabe o que tem de fazer.

Quantas pessoas e que orça mento tem Centro?

As valências são 8, quase 9, porque vai abrir brevemente a unidade de cuidados continuados. Tem uma dimensão de 115 funcio nários e tem uma folha salarial mensal é de cerca dos 75 80 mil euros. Depois acresce ainda os prestadores de serviços, nomea damente médicos e técnicos.

Assusta-o a escalada de preços e o aumento de despesa?

Não me assusta, preocupa-me muito. Não sou uma pessoa que se assuste, mas estou muito preo cupado com a escalada de preços. E vamos ter alteração do salário mínimo de 705 para 765 euros.

É um aumento que não é muito para as pessoas, mas depois os rendimentos, quer da Segurança Social, quer dos utentes, que o Centro tem cria aqui um equilí brio tão equilibrado que à mínima “constipação” na instituição põe em causa a sustentabilidade de toda a estrutura. Neste nosso caso

toda a direção é gratuita.

Conheço outros colegas de ou tras instituições que vivem apa vorados, se a instituição não tiver um bom pé-de-meia torna-se tudo muito mais complexo.

Há pobreza em Abrantes? Ou melhor, há muita pobreza em Abrantes?

A minha perceção, de quem está aqui a viver há 3 anos, temos a pobreza que nos bate à porta, a que olhamos e a que olhamos e não nos bate à porta. Temos as pessoas que nos batem à porta, principalmente no lar, e que não têm condição de ter a dignidade nestas fases da sua vida. E não podemos receber todas as pessoas que nos batem à porta e mesmo a Segurança Social não tem respos ta para todos esses casos. A outra pobreza é das pessoas que vivem nas suas casas e, neste caso, che gam através da Cáritas que pro cura ajudar como pode e com o que tem. Para espanto o meu não tem chegado uma avalanche de gente como se calhar se pensaria. A Cáritas é que é a expressão da Igreja na caridade.

Há outra pobreza que se vê e que não tem expressão nestes pontos, que são os vícios. Sejam o alcoolismo, drogas e outros vícios que são igualmente empobreci mentos. Dou-lhe um exemplo. Na

3 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES
ENTREVISTA /
Entrevista por Jerónimo Belo Jorge
”... o pinheiro de Natal que tem o sentido da generosidade agora passou para as praças públicas e para grandes eventos”
“O Centro Social tem uma dimensão de 115 funcionários e uma folha salarial mensal de cerca de 80 mil euros”

casa da Paróquia de S. João vivem dois homens, solitários, cada um com espaço pouco digno, mas o que a Igreja pode oferecer, e que são apoiados pela Santa Casa da Misericórdia e pelo Centro Social de Alferrarede...

...e a chamada pobreza enca potada?

Tenho pontualmente algumas notas de pessoas que vivem as sim, mais escondidas pela sua condição.

Jornadas Mundiais da Juven tude. Constituem um evento ímpar na Igreja Católica. Como é que estão a ser vividas local mente estas ações de prepara ção?

Esta jornada será antecedida, nos dias anteriores, com ativi dades nas dioceses, no que cha mamos pré-jornadas e em que jovens do mundo inteiro vêm para dioceses limítrofes antes das JMV em Lisboa. Houve uma expectativa inicial muito grande, depois todas as dúvidas sobre a organização. Depois arrancou, vieram os símbolos, que passa ram por nós, foi empolgante e muitos jovens aderiram. As jor nadas não são apenas para os jo vens Católicos, são para todos os jovens. Na nossa Diocese temos muitas coisas organizadas e no Arciprestado (Abrantes, Constân cia, Sardoal e Mação) dispusemo -nos a receber naquele período dois mil jovens.

Receber e ocupar?

E viver com eles. O desafio do Papa é fazermos “caminho em comum”. E já sabemos que va mos ter uma Diocese francesa com 600 jovens, uma outra da Noruega com outros 200 jovens. O sacerdote que os acompanha já veio à nossa paróquia. A ideia mais rica disto tudo é as famílias de Abrantes poderem inscrever-se para receber estes jovens. É tudo muito simples, pedimos que rece bam dois rapazes ou duas rapari gas e que permitam que durmam debaixo de telha e que tenham um duche e um pequeno-almoço.

Quanto aos nossos jovens es tamos a preparar as inscrições, são 235 euros. E como é um valor elevado estamos a fazer um con junto de ações para angariar ver bas para ajudar a diminuir este valor. Há uma coisa que quero ter muito cuidado. Quem não ti ver mesmo possibilidades vamos tentar fazer com que possam ir às jornadas com pagamento de um valor residual, mas não de forma gratuita.

Os jovens vêm à Igreja ou estão mais “desprendidos” da Fé ou dos valores principais da Igreja Católica?

Os jovens estão a ligar-se cada vez mais a grandes valores, a va lores da Fé. Mas numa sociedade com outros valores e com contra valores, muitas vezes torna difícil que assumam com clareza a sua autenticidade.

Como é que olha para todos es tes casos reportados de abusos sexuais na Instituição Igreja?

A minha leitura, que só pode ser local, pontualmente sim, per cebo que há pessoas muito inco modadas, outras não expressam esse incómodo. Mas é uma ferida enorme dentro da Igreja e essa ferida só se pode resolver, não se pode calar. O que sinto que nos atos de culto de participação na Igreja não encontrei incómodos de maior. Mas a mim, incomoda -me e estou surpreso pela dimen são já, que é muita. Eu fui para o seminário aos 10 anos, não tenho notícia no meu tempo de seminá rio de casos de abusos. E estive no seminário dos 10 aos 25 anos e passei por Gavião, Alcains, Por talegre, Almada, Olivais, voltei a Portalegre e Alcains como forma dor de seminário, e desde 2004 como Ecónomo do seminário. É para mim uma tranquilidade

enorme, que como aluno ou como padre, não ter qualquer suspeita de abuso de caráter sexual no ambiente de seminário.

Na outra experiência, em am biente de paróquias, não tenho a mais pequena suspeita. E ficarei muito surpreso se existir alguma situação. E se desconfiar de algu ma situação vai imediatamente para a comissão de investigação. Mas é preciso ter muito cuidado com falsas denúncias, pois pode espatifar uma vida a uma pessoa. Os abusadores nunca pagarão pelo mal que fizeram e as pes soas que foram abusadas nunca terão a paz que deveriam ter por dignidade humana.

Mas tenho medo que seja fei ta a extrapolação dos números, como aconteceu em França, se se pensar que há muito mais casos do que os reportados.

Chegou a Abrantes num tur bilhão que não tinha nada a ver consigo. Era uma questão de diocese. Foi difícil, pessoal mente, o início do serviço pas toral?

Foram tempos de cautela e de recato que as pessoas todas me merecem. Naturalmente esta va preparado, sabia de algumas coisas e da dificuldade de rela ção, do ajuntamento de pessoas à volta da ideia. Mas tenho uma missão e vim com disposição in terior da mesma, com a alegria interior que tenho e que muitas vezes não é notada. Mas vim com a esperança de cumprir a missão que a Igreja me pede pelo tempo que pedir.

Veio da Beira, região com tradi ção muito forte da Igreja. Que mudanças notou, na comuni dade, nas pessoas, na vivência da Fé...

... é notada pelas circunstân cias do tempo. Cheguei com as circunstâncias que referiu, até março só houve a festividade do Natal e depois veio a pandemia, depois a guerra. Mesmo as cele brações mais típicas desta zona ainda as não vivi. Tive algumas expressões desse cariz, como a Senhora da Luz. Percebo que a Beira terá uma expressão di ferente. Percebo que Abrantes, estas duas, comunidades são ur banas e não terão a expressão que tem as aldeias. O ambiente da cidade é muito mais diluído, mas também tem a expressão de autenticidade maior da vida das pessoas. Na aldeia é tudo mais medido pelos olhos da vizinhan ça. Por exemplo, nas aldeias nos espaços de culto os homens ficam de um lado, as mulheres de outro e as crianças no outro. Na cidade o ambiente é que são as famílias que ficam juntos. São leituras diferentes.

A Igreja de S. Vicente teve obras de recuperação, mas S. João tem problemas?

A Igreja de S. Vicente foi recu perada uma parte, o seu volume geral no exterior e cobertura. No interior apenas dois dos altares laterais. Foi feito o levantamento para se prosseguir, mas como dependente da Direção-Geral do Património Cultural, há aqui um conjunto de procedimentos. Não me preocupa tanto S. Vicente por que teve uma intervenção recen te e está mais controlada a sua degradação. A Igreja de S. João sim, preocupa-me, pois tem uma dimensão cultural e histórica, E até do ponto de vista da Fé e do culto é mais acolhedora do que a de S. Vicente, e necessita de gran de conservação. Até por forma a preservar os valores culturais que tem, pois, está classificada como monumento nacional, não apenas e só em relação ao espa ço de culto. Juntamente com a Câmara tenho tido reuniões no sentido de se poder avançar com a sua requalificação. A Câmara tem feito levantamentos, mas não tem sido descurada.

Depois temos ainda a Capela de Sant’Ana que é um mimo, mas que precisa urgentemente de in tervenção na cobertura. E no seu espaço interior precisa de muita conservação. E considero que é incapaz e inapta para a função que tem, de velar os mortos. É uma pobreza uma comunidade desta dimensão não ter um espa ço, que não tem que ser Cristão, um sítio para velar os defuntos. O senhor presidente da Câmara ligou-me há dias e disse-me que temos de falar disso, desse espa ço, com urgência.

Depois há a Capela de S. Lou renço, um espaço bonito até pela sua história. Tem uns azulejos bons, tem aquela estrutura e já mandei rever o telhado, mas precisa de ter uma intervenção geral.

Que mensagem deixa à comu nidade Cristã?

Olhando para a vinda do Sal vador, a paz que necessitamos, numa guerra que a todos nos afli ge, Jesus Cristo é a nossa paz. Peço que o Senhor converta os corações dos homens e mulheres do nosso tempo para que vivamos sempre em paz. Paz nas nossas casas, onde nos aflige a violência doméstica, entre marido e espo sa. Paz e diálogo para compreen der diferente sem que a diferença nos trunfe, sem que a diferença nos separe. Paz para que cada um de nós viva os valores de Je sus Cristo e os valores humanos, porque uns sem os outros não existem para quem tem Fé. É o que desejo muito para o nosso coração, para as nossas vidas!

4 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022 ENTREVISTA /
“No apoio social para espanto o meu não tem chegado uma avalanche de gente como se calhar se pensaria”
“Nas JMJ vamos receber em Abrantes 600 jovens franceses e 200 noruegueses”

São Silvestre Solidária regressa ao Campo Militar de Santa Margarida

chip e à t’shirt oficial da prova, é feita com a entrega de donativos. E estes donativos são bens alimentares não perecíveis, material didático e esco lar, tampinhas de plástico e artigos de higiene pessoal e de limpeza, brin quedos roupa e outros.

ção que existe entre a Brigada e a região”, vincou o autarca não es quecendo que esta é também uma “forma de ajudar a nossa loja Social, num ano que será difícil, e já se co meça a notar essa dificuldade.”

Trata-se de uma prova de atletis mo organizada pela Brigada Meca nizada e pela Câmara Municipal de Constância, tendo como parceiros as juntas de freguesia e outras institui ções sociais do concelho. A prova vai acontecer ao longo de toda a tarde do feriado 8 de dezembro no Campo Militar de Santa Margarida.

Este ano a São Silvestre Solidária tem como madrinhas a atleta Rosa Mota, a piloto Elisabete Jacinto e a jornalista Patrícia Matos.

A prova principal tem 8,8 km de distância, sendo o seu ponto de par tida e de chegada o Campo Militar de Santa Margarida. Como nas edi ções anteriores é possível participar também numa Caminhada Solidária Constância - BrigMec, com 7,7 km, para além de crianças e jovens po derem participar em provas noutros escalões: benjamin A (300 m); benja min B (800 m); infantis (1.300m); ini

ciados (2.600 m) e ainda uma prova para jovens dos 16/17 anos (4.100m).

E quanto à caminhada, aberta a todos, tem uma tradição grande e tem a particularidade de levar os

participantes “a passar por cada uma das unidades, onde podem conhecer melhor a Brigada Mecanizada.”

Esta é uma prova solidária em que a inscrição, para ter acesso ao

E depois a comissão organizadora irá fazer reverter os bens doados para a Santa Casa da Misericórdia – Loja Social, Associação Quatro Cantos do Cisne, Associação de De ficientes das Forças Armadas e para a Pipoca Beatriz.

Patrícia Matos, jornalista natural do Tramagal, repete o apoio como ma drinha de uma prova que, recordou, ano após ano tem vindo a crescer e a bater recordes de doações. A jornalista deixou a esperança que este ano seja novamente batido o recorde de doa ções. Até porque, ao que conseguimos saber, no dia 29, terça-feira, já eram mais de 600 participantes inscritos nas várias provas.

Quase a fechar a sua interven ção Patrícia Matos deixou ainda um alerta para um conceito que não é novo, mas está mais presente na sociedade que é o da pobreza envergonhada.

Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância, sublinhou na apresentação da prova que este é mais um ano de associação a esta iniciativa da Brigada Mecanizada. “Nunca podemos esquecer a liga

Já o Brigadeiro-General Sebas tião Macedo, comandante da Briga da Mecanizada, evocou igualmente a importância solidária deste conjunto de “corridas”, numa gran de jornada que “enche” o Campo Militar durante uma tarde inteira.

Quanto à prova em si, tem cinco escalões jovens, a caminhada de convívio e a corrida principal. O Tenente-Coronel Rafael Lopes, da comissão organizadora da prova revelou que o secretariado abre portas às 11 da manhã, do dia 8 de dezembro, a primeira chamada de atletas está prevista para as 14:05, a caminhada terá início às 16:00 e a prova principal começa às 17:00.

E para que a criançada há ati vidades ao longo de toda a tarde no gimnodesportivo para os pais possam fazer a prova sem preocu pações com os petizes. Há ainda a informação que só existem prémios para os três primeiros de cada esca lão e para os três primeiros da geral. “Temos todos os ingredientes para a prova seja um sucesso”, garantiu o responsável pela comissão orga nizadora da S. Silvestre Solidária.

5 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES PUBLICIDADE REGIÃO / Constância
// Correr, conhecer as unidades militares, e as suas capacidades, que integram a Brigada Mecanizada Independente, no Campo Militar de Santa Margarida, e ser solidário com causas sociais do concelho de Constância. É assim a proposta de mais uma, a sétima, São Silvestre Solidária. / Patrícia Matos, Sebastião Macedo, Sérgio Oliveira, Rafael Lopes e ao centro a pipoca Beatriz com a mãe

Programa para reabilitar habitações não está a ter adesão prevista

// O Município de Vila de Rei e o Instituto de Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), celebraram um acordo de colaboração, nomeadamente no que se refere ao programa denominado “1.º Direito – Estratégia Local de Habitação”. Com este acordo, pretende-se melhorar as habitações das pessoas que vivem em condições menos favoráveis e não dispõem de capacidade financeira para aceder a uma solução habitacional adequada. No entanto, a estratégia não está a resultar no concelho de Vila de Rei.

O 1.º Direito - Programa de Apoio ao Aces so à Habitação, visa apoiar a promoção de soluções habitacionais para pessoas que vivem em condições habitacionais indignas e que não dispõem de capacidade financeira para suportar o custo do acesso a uma habi tação adequada.

O Programa assenta numa dinâmica pro mocional predominantemente dirigida à reabilitação do edificado e ao arrendamento. Aposta também em abordagens integradas e participativas que promovam a inclusão social e territorial, mediante a cooperação entre políticas e organismos setoriais, en tre as administrações central, regional e local e entre os setores público, privado e cooperativo.

No entanto, apesar desta apresentação, no terreno a situação parece ser diferente. Apesar de funcionar em alguns municípios mais urbanos, no interior o sentimento de posse e propriedade de bens é encarada de forma diferente. E é isso que se passa em Vila de Rei, onde há dificuldades em implementar o programa. A situação foi confirmada pelo vice-presidente, Paulo César Luís, que explicou que “a forma como as pessoas estão agarradas ao sentimento de propriedade e de posse leva-as a ter muito receio que apoios à reconstrução, sejam estatais, sejam municipais, possam em algum momento pode haver a possibilidade de a propriedade deixar de ser sua”.

“Não é assim”, afirma o autarca que re conhece, no entanto, que “transmitir esta mensagem não tem sido fácil” e compara com o que aconteceu no passado com a constituição das ZIF - Zonas de Intervenção Florestal.

Há ainda a expetativa de que “os poucos que estão a aderir ao programa consigam passar a mensagem e que outras pessoas lhes sigam o gesto e a iniciativa”. Isto por que, muitas das vezes, “a imitação leva a que consigamos implementar um conjunto de medidas e talvez seja por aí a melhor estratégia”.

Em concreto, em Vila de Rei, a dificuldade maior é mesmo junto de quem é proprie tário da habitação que precisa de obras de requalificação e que “é a grande generalida de” visto que “o mercado de arrendamento no concelho de Vila de rei é muito diminuto”. Mas a grande questão prende-se “com a posse do imóvel”, como explica Paulo César Luís. É que, em muitos casos, “apesar das ha bitações serem do próprio, ao verificarmos a titularidade da posse, deparamo-nos com o facto de a casa não estar escriturada há

muitos anos, fruto de heranças de heranças, e para os quais são necessárias escrituras de regularização dos prédios”.

No total, foram identificados em Vila de Rei, oito agregados que não são proprietá rios da edificação onde vivem e 42 que são proprietários da edificação onde vivem e para os quais, no âmbito deste tipo de candidatura, o apoio visa “melhorar significativamente as condições de conforto térmico e energético dos edifícios e ao nível das acessibilidades das edificações”.

ter a candidatura, três destes agregados, bem como os proprietários, acabaram por assinar uma declaração a referir que não estão interessados na apresentação da candidatura nem na venda dos edifícios”.

Assim, “restam-nos dois agregados, aos quais o Município irá apresentar a respeti va candidatura a esta tipologia, tendo em conta que se tratam de dois agregados que habitam em propriedades que pertencem ao Município, nomeadamente numa anti ga Escola Primária que foi convertida em habitação”.

que na ELHVR que estava no grupo do tipo 1 que passou para o tipo 2, pois não era proprietário e passou a ser proprietário do edifício onde vive.

Como estes agregados não entregaram os elementos, o signatário juntamente com a CLDS4G e a Junta de freguesia, “des locaram-se pessoalmente as habitações destes agregados e explicou o conteúdo do programa do 1.º Direito bem como dos elementos necessários para que se pudesse apresentar a candidatura. Importa referir que destes 42 agregados, sete agregados foram institucionalizados ou faleceram, pelo que o número total para este tipo de candidatura passou a ser 35 agregados”.

Destes 35 agregados, “33 agregados re cusaram a apresentação da candidatarem a este programa, tendo para o efeito assinado uma declaração. Ainda se aguarda a entre ga de elementos de dois agregados. Um de les teve de se deslocar para o estrangeiro, por motivos de saúde e o outro aguarda-se a decisão dos familiares”.

Feitas as contas, para ambas as tipolo gias, foram identificados 50 agregados fa miliares, sendo que, de momento, o Muni cípio aguarda a resposta de apenas quatro.

De

50 agregados identi cados, aguarda-se resposta de apenas quatro

No ponto de situação das candidatura ao programa de apoio à realização de obras em habitações, identificadas na Estratégia Local de habitação, em colaboração com o CLDS4G, os serviços de Ação Social e as Juntas de Freguesia, pode ler-se que “para os agregados que não são proprietários da edificação onde vivem, a estratégia da candidatura passa por adquirir os imóveis para nome do município de Vila de Rei, realizar as obras e estabelecer um contrato de arrendamento com os agregados que nele vivem”.

Para esta tipologia, a Estratégia Local de Habitação de Vila de Rei dispõe de oito agregados candidatos, “sendo que destes oito, um já não reside no concelho, outro já alugou outro edifício e um terceiro que adquiriu o edifício onde vive, pelo que sendo proprietário não reúne as condições para esta tipologia, tendo passado para a tipologia seguinte. Ou seja, temos cinco proprietários que reúnem condições para apresentar candidatura”.

Destes cinco agregados, “foram envia dos ofícios no sentido de participarem numa reunião no município de Vila de Rei, reunião realizada no dia 29 de março de 2022.

Destes cinco agregados, apenas apare ceram na reunião dois agregados, tendo um deles dito que não estaria interessado, assinando para o efeito a declaração. Ou seja, passamos a ter quatro agregados familiares, que poderiam beneficiar deste tipo de apoio. Foram contactados pessoal mente mais do que uma vez, com o intuito de procederem à entrega dos elementos necessários para que o município possa vir a apresentar a candidatura, bem como, a identificação dos proprietários, com vista a aquisição dessas habitações por parte do município, para que se pudesse subme

Já para os agregados que são proprie tários dos edifícios onde vivem, para este grupo de agregados, a candidatura é apre sentada individualmente para cada agrega do, com o apoio do Município, e estão em causa os agregados que vivem em condi ções de habitabilidade menos favoráveis. Neste grupo, a Estratégia Local de Habi tação de Vila de Rei (ELHVR), identifica 41 agregados. Estes agregados familiares, foram notificados, em abril de 2022, sendo solicitado a entrega de elementos para a instrução da candidatura.

Estes 41 agregados passaram a ser 42, tendo em conta que houve um agregado

Lembrar que a este acordo, assinado e homologado em 5 de novembro de 2021, corresponde o montante de 555.758,00€, tendo como fontes de financiamento, o IHRU comparticipando um montante de 191.176,00€, um empréstimo bonificado no montante de 277.768,00€ e autofinancia mento na ordem dos 86.814,00€.

6 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022 REGIÃO / Vila de Rei
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S. Pedro abrirá com instalações ampliadas e capacidade para 386 lugares

Cineteatro S. Pedro aguarda visto do Tribunal de Contas

// São respostas a algumas questões levantadas pelo Tribunal de Contas e consequente luz verde que ainda não permitiram que a obra de requalificação do Cineteatro S. Pedro ainda não tivesse início. O empreiteiro está pronto a começar a obra que devolverá a sala à cidade.

Na reunião do Executivo da Câmara de Abrantes, realizada no dia 2 de novembro, o vereador do movimento ALTERNATIVAcom, questionou o presidente acerca do ponto de situação do início das obras no Cineteatro S. Pedro. Vasco Damas relembrou que “na reunião de Câmara de 26 de julho, o sr. Pre sidente afirmou «ser nosso desejo e nossa vontade que no mês de setembro se possam iniciar alguns procedimentos e ações de arranque da empreitada de requalificação do Cineteatro S. Pedro, no sentido de devolver, em 2024, uma renova da e ampliada sala de espetáculos a Abrantes»”. Questionou depois, “tendo em conta que já estamos em novembro, qual o ponto de situação e previsões relativas à empreitada de requalificação do Cineteatro S. Pedro?”

Manuel Jorge Valamatos expli cou que poucos dias antes, a Câ mara tinha recebido um pedido de esclarecimento sobre alguns pontos deste processo por parte do Tribunal de Contas (TC). “Estamos a responder às questões colocadas em termos técnicos”, esclareceu o autarca, que adiantou “estarmos desejosos de começar a empreita da, sendo que o próprio construtor espera que isto se possa fazer rapidamente”. O presidente da Câmara de Abrantes lembrou que há prazos e compromissos a cumprir devido ao financiamento de fundos comunitários e que essa questão lhe “tira o sono, faz com que durma menos e ande sempre inquieto”.

É que “o tempo passa e esta mos a ficar, de facto, com o tempo apertado mas o que é verdade é que temos compromissos e quere-

mos ver se estas respostas agora ao Tribunal de Contas concluem o processo e as obras possam avan çar. É responder rápido e desejar que o Tribunal de Contas se possa pronunciar favoravelmente nos próximos dias”.

Para o autarca, “são processos normais” em que o Tribunal de Contas “faz o seu trabalho”, levantando questões que “no fundo, pro tegem todo o procedimento”.

A obra de requalificação do Ci neteatro S. Pedro já foi adjudicada e o prazo previsto para a execução será de 450 dias. O desejo de Ma nuel Jorge Valamatos é que tudo isto se resolva no menor tempo possível “para que nós possamos também cumprir, por um lado, todos os procedimentos e, por ou tro, os acordos que temos com os fundos comunitários”. No final, o

que o presidente da Câmara quer “é ver o Cineteatro requalificado e que seja capaz de responder àquilo que são as expetativas de uma comunidade”.

O autarca fez ainda questão de referir que “nunca deixámos de ter espetáculos” mas reconheceu que esta é uma sala que faz falta, pela sua “enorme capacidade”.

Para além da requalificação, o Cineteatro S. Pedro vai ver ainda as suas instalações ampliadas.

Desde a compra que a reabi litação do edifício tem estado na ordem do dia e após concursos públicos desertos e alteração dos valores de empreitada, finalmente a obra foi adjudicada à sociedade comercial “João António Gonçalves Engenharia Unipessoal, Lda.” pelo valor de 2.645.000 euros, a que acresce o IVA à taxa legal em vigor.

Que Cineteatro terá Abrantes?

Em junho, o vice-presidente da Câmara de Abrantes, explicava que “os abrantinos, após as obras de res tauro, reabilitação, remodelação e ampliação do Cineteatro São Pedro, irão encontrar um equipamento de excelência que irá criar uma nova di nâmica cultural, social e económica no centro histórico, na cidade e na região, expandindo a oferta cultural a diversos públicos e agentes”.

João Gomes esclareceu que “a obra preserva a essência do edi fício, estando prevista a reorgani zação dos espaços e circulações, incluindo uma ampliação em terre no contíguo, que irá criar novas cir culações de ligação entre todos os espaços do edifício”. Esta obra vai “assegurar a autonomia funcional e garantir a acessibilidade a pessoas com mobilidade condicionada a todos os pisos através de elevador, bem como circuitos independentes de acesso aos diferentes espaços e para cargas e descargas. Este novo corpo albergará ainda instalações técnicas”.

Quanto ao palco, este “será ampliado para possibilitar a realização de espetáculos que anteriormente não eram possíveis de serem rea lizados”.

Já a sala de espetáculos “passará a ter 386 lugares, estando prevista a remodelação da plateia que terá

um novo perfil de inclinação, ca deiras novas e lugares reservados para pessoas com mobilidade condicionada”.

A zona da cafetaria também será remodelada e reequipada, “incluindo a criação de uma zona de esplanada no espaço exterior”.

A sala de espetáculos da cidade está fechada desde 2018 e após um processo longo de negociações, o Município de Abrantes adquiriu o imóvel à Sociedade Iniciativas de Abrantes, Lda.

Escola de Tramagal também aguarda visto do TC

Também a empreitada na Es cola Dr. Octávio Duarte Ferreira, em Tramagal, ainda não arrancou pelos mesmos motivos mas, neste caso, a preocupação do presidente é menor pois trata-se de uma obra com duração mais curta.

“O tempo de obra são seis meses, o que nos preocupa é o calendário. Falamos de remoção de amiantogrande parte da intervenção tem a ver com a remoção das coberturas - e isso tem que ser compatibilizado com períodos de aulas, ou não”, disse o presidente.

O Tribunal de Contas voltou a colocar algumas questões mas, neste caso, “também há uma aprovação da própria Comunidade In termunicipal em termos do investi mento. O Tribunal de Contas exige que a CCDR aprove a candidatura que, no fundo, deu o sinal de financiamento europeu para essa obra. Situação que não acontece com o Cineteatro S. Pedro”.

A Câmara está então a trabalhar com a CCDR para que possa ter essa aprovação de financiamento até por que a obra da empreitada na Escola Dr. Octávio Duarte Ferreira “é parti lhada entre o Município de Abrantes e o Ministério da Educação”.

“O que queremos, de facto, é que do ponto de vista processual as coisas possam estar definidas e fechadas para que o empreiteiro possa entrar em obra”, concluiu Manuel Jorge Valamatos.

Obras à espera de luz verde por parte do Tribunal de Contas. Quer no caso da escola de Tramagal, quer na empreitada do Cineteatro S. Pedro.

7 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO / Abrantes
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/ O Cineteatro

foRESTER vai ajudar “na tomada de decisão” no combate aos incêndios

// Mação recebeu, no dia 18 de novembro, o workshop final do projeto de investigação científica foRESTER - Rede de sensores combinada com modelação da propagação do fogo integrado num sistema de apoio à decisão para o combate a incêndios florestais.

Nos últimos 20 anos, Portugal foi severamente afetado por gran des incêndios florestais com conse quências bem conhecidas.

O objetivo principal do projeto foRESTER é combinar a experiência de várias instituições da comunidade científica para desenvolver ferramentas sólidas e eficientes capazes de melhorar a tomada de decisões durante o combate a in cêndios florestais.

O workshop do projeto foRESTER teve como objetivo a divulgação dos resultados de investigação científica do projeto à sociedade civil, sendo que a Câmara Municipal de Mação, que tem uma vasta experiência nesta área e onde o sistema MACFire tem sido pioneiro a nível nacional, é o utilizador final deste projeto.

Luís Oliveira, coordenador do Projeto foRESTER, pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Uni versidade Nova de Lisboa, expli cou ao Jornal de Abrantes que o foRESTER tem como objetivo “re unir várias universidades para dar o seu contributo para a melhoria dos sistemas de apoio à decisão no combate a incêndios rurais. Este projeto, quando há uma ignição, com uma gestão correta da infor

mação, permite realocar os meios nos locais corretos para combater o incêndio de uma maneira mais eficiente e mais rápida e impedir a sua evolução”.

O foRESTER desenvolve-se em várias áreas, “desde o uso de senso res ao o uso de dados de sensores” até porque muita desta informação já existe, “tem é que estar acessível”. E é por isso que “desenvolvemos apli cações que permitem levar os dados críticos, de classificação de frente de fogo que já existem em Maçãocomo posicionamento, sensores de oxigénio, sensores de temperatura, sensores de imagem - para permi tir a análise de todos esses dados e obter uma melhor classificação e da evolução da frente de fogo. Saber se há projeções ou não, ajuda em ações de rescaldo, proteção às máquinas de rasto e aos bombeiros com os sensores da qualidade do ar”.

Sistema permite avaliar a evolução do fogo

“Por outro lado”, acrescentou Luís Oliveira, “foi trabalho desenvol vido na área da cartografia porque é importante saber o que é que existe no solo para um melhor aproveita mento dos meios. Saber se é uma

/ Luís Oliveira, coordenador do foRESTER, explica o projeto que tem na Câmara de Mação o utilizador nal

zona ardida, se é uma zona de eu calipto ou de mato... se é uma zona crítica ou uma zona limpa”. Até por que, como confirmou o coordenador do foRESTER, estas são informações que estão em constante mudança. Por isso, “recebemos imagens de satélite de cinco em cinco dias”, com informação atualizada. Os in vestigadores conseguem assim saber

“sempre que há um corte, uma área ardida, a evolução da vegetação... e isso é muito importante”.

Há ainda “há uma vertente que é a parte da simulação de fogo” para que consigam perceber “como vai ser a evolução nas próximas 12 ho ras, 24 horas, 36 horas”.

Por último, importa “fundir esses dados todos em portais de visualiza ção para ter a informação acessível ao utilizador para permitir uma to mada de decisão fácil”.

“Diminuir a incerteza na tomada de decisão é o aspeto fundamental”, disse.

Questionado sobre a razão deste projeto se apresentar em Mação, Luís Oliveira explicou que “Mação é um dos concelhos mais avançados na área, do ponto de vista tecnológi co” e foi “pioneiro”.

A partir daqui, “é de onde pode mos validar todas as nossas meto dologias e depois escalá-las a nível nacional”.

Há “conhecimentos que têm que ser postos ao serviço da sociedade civil”

Por seu lado, António Louro, vi ce-presidente da Câmara de Mação, explicou que “temos que perceber que todos os projetos desta natureza nunca estão concluídos”.

Em que medida é que o foRES TER vai ajudar no combate aos incêndios no concelho, o autarca disse que “vai reforçar as capaci dades técnicas do MACFire e do sistema e vem ajudar-nos a colher mais informação sobre o território, a tratar essa informação para que no momento em que precisarmos

dela no meio de um grande incên dio, termos a oportunidade de ir buscar informação robusta e com qualidade para nos ajudar a tomar decisões mais acertadas”.

“Todos estes projetos tecnológi cos nunca estão completos, preci sam sempre de ter melhoramentos e desenvolvimentos e esta parceria com a Universidade Nova, com o Instituto Superior de Agronomia e a Direção-Geral do Território foi muito importante para reforçar a componente técnica de todo o sistema”.

António Louro confirmou que “foi o projeto foRESTER, que tendo conhecimento do trabalho que era feito em Mação, que veio ter connos co a solicitar o nosso apoio”. Para o autarca, “é com todo o gosto e temos imenso prazer em participar neste projeto porque as Universidades e as entidades oficiais têm conheci mentos que têm que ser postos ao serviço da sociedade civil”.

Os vários intervenientes nos pai néis deixaram rasgados elogios à presidência da Câmara de Mação, bem como aos funcionários da Au tarquia, “pelo trabalho exemplar” que tem sido desenvolvido nesta área, tendo Mário Caetano, sub diretor-Geral da Direção-Geral do Território, afirmado mesmo que os maçaenses “devem sentir-se muito orgulhosos de viver em Mação, que está muito à frente a este nível”.

António Louro fez uma apresen tação sobre o MACFire seguindo-se a participação de vários investigado res do projeto, nomeadamente Luís Oliveira, coordenador do Projeto foRESTER, pela Faculdade de Ciên cias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa; Mário Caetano, sub diretor-Geral da Direção-Geral do Território; Ana Sá, co-coordenadora do Projeto e Investigadora no Insti tuto Superior de Agronomia; André Mora, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universi dade Nova de Lisboa.

8 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022
REGIÃO / Mação
Neste
Natal, ofereça inteligência das nossas coisas.
“Este projeto (...) permite realocar os meios nos locais corretos para combater o incêndio”

Novos Caminhos Literários ou um livro que é um objeto!

Chama-se “(Novos) Caminhos Literários” e não é um livro. Ou seja, é um livro de textos e foto grafias de autores de Abrantes, Constância e Sardoal que preten de, antes, ser um objeto. Confuso? Passamos a explicar.

No âmbito do programa Caminhos Literários “Botto, Camões, Gil Vicen te e outros que por cá passaram” foi desenvolvia a ideia de criar um livro que pretende ser um objeto literário em duas formas, texto e fotografia, do território deste programa.

A explicação, simples, foi feita por Carlos Bernardo do “Meu Es critório é Lá Fora”, empresa que tem desenvolvido este projeto dos Caminhos Literários que foi financiado pela Comunidade intermuni cipal do Médio Tejo.

E pensar o território, em cul tura ou literatura, é pensar sem a divisão administrativa dos “votos” ou dos territórios administrativos porque nesta zona “é mais o que nos une do que o que nos separa”.

Na fotografia o projeto apresen ta “3 artistas, 3 projetos, 3 pensa mentos e três territórios”. No texto são “5 autores, 5 vozes, 5 histórias e 5 percursos”.

Carlos Bernardo apresentou-se como um humanista e referiu que este livro “podia ser mais ou me nos bonito, mas com pessoas fica melhor”.

Depois notou a forma como o projeto Caminhos Literários foi pensado, em jeito de homenagem. Murais, concertos, discussões, faltam ainda os filmes, mas na “es

crita decidimos dar a caneta aos nossos. Mas dar a caneta e outras ferramentas como a fotografia”.

Avançou depois com a expli cação do livro. Foram feitos dois workshop’s, um de escrita com Afonso Reis Cabral e um de foto grafia com Pauliana. Havia, afir mou Carlos Bernardo, seis áreas a ocupar na escrita e fotografia

e acabamos por ter oito partici pantes.

A fotografia tem autoria de Hen rique Silva, João Jerónimo, Filipa Batista e a escrita foi de José Alves Jana, Miguel Reis, Inês Penteado, Maria do Rosário e Francisco Se medo.

A sessão de apresentação des tes “(Novos) Caminhos Literários aconteceu no dia 12 de novembro no Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal.

Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, re feriu-se a este projeto dos “Cami nhos Literários, no seu todo como a criação de um passadiço. Só que um “passadiço em torno da cultura e dos caminhos literários. Um passadiço para o conhecimento, para a cultura destes três concelhos (Sardoal, Abrantes e Constância) e para o que os jovens fazem nestes concelhos.”

Referiu ainda que este é um “um sonho que ambicionamos há muito tempo. É um produto cultural, mas também turístico.”

Miguel Borges indiciou ainda que o “financiamento acaba este ano, mas será um projeto que não

termina aqui.”

Manuel Jorge Valamatos, pre sidente da Câmara Municipal de Abrantes, muito informal, come çou por falar de territórios dando como exemplo “os territórios dos tempos de juventude no Liceu em Abrantes”.

Depois fez a analogia desses tempos à atualidade em que já não existe na mesma escola essa delimitação de “territórios”. Disse Manuel Jorge Valamatos que “a forma como olhamos os territórios e projetamos o futuro é um olhar novo com a projeção do território de uma nova forma.”

E depois indicou que este traba lho [(Novos) Caminhos Literários] tem a ver com isto. “Este trabalho insere se numa forma de promoção cultural com pessoas que fazem coisas. E colocamos as nossas empresas a funcionar.”

O projeto “(Novos) Caminhos Literários” representa um desafio do escritor Afonso Reis Cabral no workshop, pediu que “imagi nassem uma visita de estudo a um local deste território”. E saiu este livro.

Jerónimo Belo Jorge

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/ Manuel Jorge Valamatos e Miguel Borges com Carlos Bernardo, o ideólogo deste livro

A Couve de Olho de Valhascos juntou-se ao azeite novo em Festival

Sobre a Couve de Valhascos, que a geada não estraga, não se sabe por que é que é única nos Valhascos, se pelo clima ou pela qualidade das terras. O que se sabe é que a mesma semente pura noutras regiões do país não “faz” a mesma couve. É por isso que é tão característica e que a população diz que deve ser plantada em junho para poder ser colhida em setembro, para as festas dos Valhas cos, ou se for plantada em setembro, para as festividades do Natal.

Miguel Borges, presidente da Câmara de Sardoal, ainda levantou a possibilidade de ou interesse na certificação, mas será um processo muito complicado por causa da necessidade de haver produtores. E não há muitos produtores. Acres cente-se que os que existem plan tam a Couve dos Valhascos para consumo próprio.

Numa sessão que contou com uma dezena de habitantes, agricul tores que mantêm o cultivo da Couve de Valhascos, as explicações para a Couve de Olho, como chamam pela aldeia, pode ter a ver com a qua lidade “dos terrenos barrentos, a sul da aldeia, em parte estão agora ocupados por Olival.” Depois adianta um outro habitantes que “a nossa couve prefere terrenos barrentos a xistosos.” E um terceiro aventou que “a couve gosta muito de estru me de animais e não de adubos ou fertilizantes artificiais. E hoje o que se usa é o adubos.”

Depois uma outra questão muito abordada tem a ver com a pouca semente pura e as poucas pessoas que têm a semente pura. “E não é a semente que anda a circular nas lojas agrícolas que é a original”, diz um outro participante na sessão, ao mesmo tempo que acrescen ta outro habitante que “se não se segura estas poucas plantas, pode perder-se a couve original.”

E de seguida a discussão provoca da: “Couve Tronchuda de Valhascos ou Couve de Olho de Valhascos?”

As explicações são rápidas, em píricas, mas assentes na sabedoria popular de quem a semeia há uma vida. “A tronchuda tem mais nervo, mais talo e a outra, [a nossa dos Va lhascos] faz mais bola [olho]e é mais doce. E dá flor amarela ou branca.”

Diz ainda outro participante na sessão que “antigamente nos Valhascos depois de arrancar as batatas plantavam-se a Couve de Olho”, e acrescenta, para que não

subsistam dúvidas que “é para comer com bacalhau ou peixe.”

Catarina Lourenço, da Tagus, explicou que tecnicamente, “pelas características genéticas é uma Couve Tronchuda, mas por causa das características desta zona passou a ser chamada Couve de Olho. Se quiserem fazer a proteção de região demarcada de produção façam o registo como Couve de Olho de Valhascos. A proteção de nome pode ser muito importante.”

Este debate ou sessão pública marcou o arranque da segunda edição do Festival da Couve de Valhascos e Azeite Novo. Uma conver sa em torno da produção e coma presença de produtores locais.

Fausto Jesus, o presidente da Associação Cultural e Recreativa (ACDR) de Valhascos abriu o Fes tival 2022 com os agradecimentos por parte da coletividade para realização do evento de dois dias.

Miguel Borges, presidente da Câmara de Sardoal, começou por dizer que esta couve tem uma particularidade, é que “a mesma se mente noutro local do país dá uma couve diferente.”

Numa ligação da agricultura a outras culturas. Miguel Borges apontou aos Caminhos Literários e ao livro “Onde” do José Luís Peixoto que fala da Couve dos Valhascos.

Duarte Batista, o presidente da Junta de Freguesia de Valhascos,

Como é a Couve Valhascos

A Couve de Valhascos deve ser semeada em junho ou plantada em se tembro e outubro para consumir entre setembro e março. O cultivo pode ser feito nos quintais e habitações de Valhascos e nas hortas.

Dizem os habitantes da aldeia que o início de setembro até outubro é a melhor altura para o plantio para ter uma melhor produção. Há mesmo quem diga que deve ser semeada por alturas do Santo António, pois os períodos de plantio ou sementeira têm uma interferência nas propriedades nutricionais da couve.

Com a designação técnica de “Brassica Oleracea”, ou seja da espécie das couves, pertence às variedade da couve tronchuda. A explicação técnica foi feita por Catarina Lourenço “mesmo sob protesto dos agricultores locais que dizem que não é tronchuda por faz um olho, uma bola”.

De acordo com um painel informativo colocado na Associação Cultural e Recreativa de Valhascos os nomes mais comuns apontam a “couve de folhas, couve portuguesa, tronchuda ou couve de Portugal.”

Tecnicamente a Couve de Valhascos aponta para uma leguminosa de clima mediterrâneo e que pertence à família das crucíferas ou brássicas. Na descrição o seu tamanho é caracterizado “como grande e com um peso que pode ir dos 3 aos 5 quilos e um diâmetro inferior a 90 cm com caule grosso e longo, 10 a 12 folhas de pecíolo e folha arredondada elíptica ou reniforme com cicatriz foliar grande. Cor verde a verde clara. Couve muito tenra, adocicada e aromática.”

A flor pode ser amarela ou branca, são hermafroditas, auto férteis e são, na maioria, polinizadas por abelhas. É uma couve comestível desde o pé, folhas e o olho.

deixou a nota que “mais importante do que estarmos aqui a falar é vocês (produtores) é vocês falarem da vossa experiência.”

E deixou a esperança de que a pandemia não seja “um inter regno deste Festival e queremos dar a conhecer a nossa Couve de Valhascos”.

Conceição Pereira, coordena dora da Tagus apresentou os pro gramas geridos pela associação de desenvolvimento local. A Tagus dá apoio aos pequenos agricultores e pequenos negócios.

E nas linhas de apoio do pro grama “Portugal 2020” que está agora a terminar há um programa

com candidaturas abertas até 15 de dezembro que é o “Renovação das Aldeias” que tem candidatu ras abertas até 15 de dezembro e podem ir a concurso juntas de freguesia e associações. Os projetos apontam à valorização do patri mónio e as candidaturas podem ter orçamentos entre os 5 mil e os 200 mil euros com um apoio a 80%.

Quanto ao Futuro, no novo programa Portugal 2030 as apostas são, já se sabe, na preservação e valorização da identidade dos ter ritórios e recursos endógenos; na inovação territorial; no reforço da ligação rural-urbano; no desenvolvimento do micro empreendedoris mo; na valorização do saber fazer e da intergeracionalidade, e nas iniciativas de desenvolvimento ter ritorial e valorização de recursos.

No final o Grupo de Concertinas de Valhascos, em criação, fez uma aparição e interpretou duas mo das, antes de se dar início ao jantar preparado pelo Chef Fernandes. Uma sopa de feijão, uma tiborna de bacalhau em cama de Couve de Valhascos e uma perna de porco as sada à camponeses dos Valhascos.

No domingo, dia 27 de novembro, realizou-se uma caminhada temática “Por ente o Fio de Azeite e a Couve de Valhascos”, um mercado da couve de Valhascos, e um curso de vinhos com o enólogo Fábio Fernandes.

10 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022 REGIÃO / Sardoal
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Mestre Fernando Correia:

“Uma verdadeira inspiração e lição de vida”

O Mestre Fernando Correia, 76 anos, marcou presença na ce rimónia, junto de familiares, num momento em que as emoções ti veram dificuldade em permanecer escondidas.

Pela Associação de Judo do Dis trito de Santarém falou João Correia que destacou a importância que o mestre Correia, como “um dos gran des impulsionadores da modalidade e do desporto em geral na região do Ribatejo”.

“O Mestre Fernando António Dias Correia, fundador do Clube de Judo de Abrantes, foi também fun dador da Associação de Judo de San tarém”, lembrou João Correia que disse ainda que Fernando Correia “difundiu e ensinou Judo em vários clubes desta região, tendo centenas de alunos, alguns dos quais ainda hoje mantêm viva esta modalidade”.

A atividade de Fernando Correia “contribuiu para a modalidade (...) com o seu modelo de divulgador e formador. Com muita paixão pela prática do Judo, deixou o legado que hoje aqui celebramos”.

João Correia contou que “ainda hoje, quando nos cruzamos com muitos amigos do Judo, rapidamen te se recordam e com orgulho afir mam que foram alunos do Mestre Fernando Correia. O Mestre foi se meando os valores do Judo a todos os seus alunos e em todos aqueles que com ele se cruzaram ao longo da vida, tendo assim influenciado a família judoca ribatejana. Por tudo

isso, aqui deixamos o nosso muito obrigado Mestre”.

Manuel Jorge Valamatos, presi dente da Câmara de Abrantes, lem brou que se iniciou na modalidade pelas mãos do Mestre Fernando Cor reia e também “da força que ele tinha quando nos agarrava pelo kimono”.

O autarca agradeceu ao Mestre Correia “por tudo o que fez pelo Judo em Abrantes” e por ser “uma grande referência para várias gera ções de judocas do nosso concelho”. Destacou “o espírito lutador e per sistente que sempre demonstrou” e “a inspiração para todos aqueles que têm vontade em vencer”.

“Abrantes reconhece o seu tra balho, a sua intervenção na co munidade, o seu empenho, a sua colaboração para com aqueles que sempre ajudou. Obrigado, Mestre”,

concluiu o presidente da Autarquia abrantina.

Falaram ainda o presidente do Clube Desportivo “Os Patos”, Hélder Rodrigues e, pela família, a irmã do Mestre Fernando Correia, que agradeceram o envolvimento das várias entidades nesta homenagem.

Foi com as emoções à flor da pele que, em declarações ao Jornal de Abrantes, Sara Correia falou de “um dia muito especial e importante porque nunca imaginei que o meu pai fosse reconhecido e homenagea do em vida”.

A filha do Mestre Fernando Cor reia contou das coincidências de datas e da importância que lhes dá porque tinha celebrado o seu ani versário “ontem [dia 11 de novem bro], e hoje é ainda mais especial porque isto também foi um presente

para mim. O meu pai abriu o Clube de Judo de Abrantes a 3 de novem bro e o primeiro neto dele, o meu filho, nasceu nesse dia. Portanto, as datas para mim são muito espe ciais”, confessou.

Foi de “coração apertado” que as sistiu à ovação de pé que o Pavilhão do Pego prestou ao seu pai e quis “agradecer, de coração, todo o cari nho que demonstraram com o meu pai. Foi amigo e muitas vezes pai de muitas pessoas. Sempre ajudou os jovens e sempre foi um homem bom. Espero que seja assim que o vejam sempre”, pediu sara Corria.

Biogra a do Mestre Fernando Correia

No comunicado da Associação de Judo do Distrito de Santarém, pode ler-se que, “nascido em 1946, Fernando António Dias Correia es tava destinado a grandes conquistas e grandes feitos.

Sonhador, visionário, lutador, com um enorme espírito solidá rio e dono de uma determinação e resiliências inigualáveis, as quais nunca o fizeram desistir, traçou um caminho de escolhas certas e soube sempre, com a sua visão única, tra balhar para os seus objetivos.

Em consequência do sarampo que teve, acabaria por perder um dos cinco sentidos por volta dos sete anos de idade: a audição.

Numa época em que as nossas escolas não sabiam integrar a dife rença, e em que o mais provável para

Maria de Lourdes Pintasilgo dá nome à nova Escola Básica de Abrantes

// A Câmara Municipal de Abrantes vai atribuir o nome da Maria de Lourdes Pintasilgo (1930 – 2004)

à nova Escola Básica de Abrantes, homenageando “a extraordinária relevância da sua biografia, como abrantina ímpar e cidadã universal”.

Na reunião do Executivo Muni cipal de Abrantes de dia 29 de no vembro, foi aprovada, por unani midade, a proposta de atribuição do nome à nova escola que iniciou a atividade no presente ano-letivo, após obras de requalificação do edifício do antigo Colégio de Fá tima, escola privada com 75 anos de permanência em Abrantes. A proposta foi acompanhada de pa recer positivo do órgão de gestão do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes.

Manuel Jorge Valamatos ex

plicou que “para chegarmos até aqui, desenvolvemos um conjunto de medidas e ações e, por sua vez, fizemos esta proposta de atribui ção do patrono”. Segundo o pre sidente da Câmara, a Fundação “Cuidar o Futuro”, que assume o legado da homenageada, foi con tactada pela Câmara, tendo mani festado “honra” com a iniciativa do Município e “disponibilidade para participar em ações futuras com a autarquia e com a esco la, as quais permitam divulgar o pensamento de ação de Maria de

Lourdes Pintasilgo”.

O autarca esclareceu que “este tem sido um trabalho que temos vindo a desenvolver mesmo antes do início da escola” e que não foi divulgado antes por querer aus cultar outras entidades envolvi das no processo.

Foi a 18 de janeiro de 1930 que nasceu em Abrantes, na antiga Rua do Brasil e dos Oleiros, Ma ria de Lourdes Pintasilgo, mu lher que viria a ser a primeira secretária de Estado, a primeira a assumir uma pasta ministerial, única primeira-ministra, primeira embaixadora e primeira mulher a candidatar-se à Presidência da República. Pintasilgo foi uma das primeiras mulheres a concluir uma licenciatura em Engenha ria Química, foi fundadora, em

alguém surdo era traçar um caminho diferente, o Mestre Fernando Correia construiu a sua história.

Uma história de sucesso onde, em já idade adulta encontrou o Judo. Modalidade pela qual se apaixonaria.

A 3 de novembro de 1969, o Mes tre Fernando António Dias Correia fundou o Judo Clube de Abrantes, um dos clubes fundadores da Asso ciação de Judo do Distrito de San tarém e que funcionou durante 31 anos, até 2000.

Abraçou a modalidade com uma paixão ímpar e fez com que muitos à sua volta se apaixonassem também por ela, impulsionando a criação de diversos clubes na região centro.

Ao longo da sua carreira de judoca, somou várias conquistas, destacando-se dois títulos de Vice -Campeão do Mundo em Campeo natos para Surdos (Campeonatos do Mundo Silencioso, em França – Dunquerque, 1982 – e Japão – Tó quio, 1989).

Da sua vida constam inúmeros feitos para além do Judo, assim como uma carreira de sucesso como Osteopata.

Esteve sempre ligado às Tropas Pára-Quedistas, como instrutor de Judo e Defesa Pessoal, até se refor mar por incapacidade.

Resistiu a diversos obstáculos, fez sempre das adversidades con quistas e continua a ser, para mui tos, uma verdadeira inspiração e lição de vida”.

Portugal, do movimento religioso Graal, militante por diferentes causas cívicas nos planos nacional e internacional -posicionando-se contra a invasão do Iraque em 2003 - e embaixadora de Portugal na Organização das Nações Uni das para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Para o presidente da Câma ra Municipal, “esta é uma justa homenagem a uma mulher hu manista e figura incontornável do panorama cultural, social e político português”. Manuel Jorge Valamatos salienta que este preito contribuirá igualmente para a promoção de uma comunidade es colar, “tendo esta abrantina ilus tre como referência, promotora dos valores éticos e humanitários que sempre a nortearam”.

12 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022
REGIÃO / Abrantes
// A Associação de Judo do Distrito de Santarém (AJDS) organizou, através do Instituto de Formação de Judo e Disciplinas Associadas, e em estreita colaboração com o Município de Abrantes e o Clube Desportivo Os Patos, o Torneio Mestre Fernando António Dias Correia, que teve lugar no 12 de novembro, no Pavilhão Municipal do Pego, e que serviu para prestar homenagem ao Mestre Fernando Correia. / Mestre Fernando Correia agradece, rodeado pela família

Município vai ajudar IPSS no aumento da tarifa da água

// A Câmara de Vila Nova da Barquinha aprovou, por unanimidade, um apoio de mais de 32 mil euros para apoio na aplicação da tarifa não doméstica da água a Instituições Particulares de Solidariedade Social do concelho.

O Executivo Municipal de Vila Nova da Barquinha já tinha apro vado anteriormente o apoio a clien tes domésticos, nomeadamente a famílias com situação de carência. Estas medidas de apoio surgem no seguimento do aumento nas tarifas da água, saneamento e de gestão de resíduos aplicado pela empresa intermunicipal Tejo Am biente. Considera a Autarquia que a atualização das tarifas da Tejo Ambiente resultou num acréscimo considerável no valor das faturas e que as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) desen volvem “atividades de solidariedade social e procuram dar resposta a situações de emergência social, no apoio aos cidadãos mais vul neráveis”. Avança ainda a Câmara de Vila Nova da Barquinha, que “constituem atribuições do Municí pio a promoção e salvaguarda dos interesses próprios das respetivas populações, nomeadamente no do

mínio da ação social”.

Esta decisão e o valor do apoio é da inteira responsabilidade do Município, sendo salvaguardado o controlo dos gastos para que não haja abusos e para que não seja ultrapassado o valor do apoio concedido.

Fernando Freire, presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, explicou que esta medida “vai ter efeitos a agosto de 2022” e pretende “ajudar, com o orçamento muni cipal a suportar os aumentos da respetiva tarifa”. O autarca reco nheceu que “vivemos tempos complicados”, com a subida da água, da luz e do gás e “todas as IPSS têm resultados negativos”. Lembrou o presidente que as IPSS já atraves saram a epidemia de Covid-19, com aumentos substanciais na compra de máscaras e outros materiais e agora, para complicar ainda mais a situação, há o aumento da tarifa da água. “O que nos importa é, de fac-

to, ajudar”, afirmou Fernando Frei re que, no entanto, reforçou que esta é uma “ajuda temporal, com avaliação de seis em seis meses e com uma avaliação anual destas despesas que vão ser suportadas pelo Município”.

Trata-se então “de uma parceria e um dar de mãos” neste apoio às IPSS’s de Vila Nova da Barquinha. A dotação prevista para o apoio é de 17 meses, num valor de 32.704, 95 euros por parte da Câmara Municipal para atenuar o aumento das tarifas da água, saneamento e de gestão de resíduos aplicado pela Tejo Ambiente.

Com este apoio, foram ainda referidos os “perigos de excessos” que possam, vir a ser cometidos mas Fernando Freire garantiu que as utilizações serão controladas pelo Município até porque “da deliberação aprovada, consta esse pormenor”.

Município implementa Regulamento para limpeza de solos urbanos

O Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios estabelece as regras aplicáveis às entidades e aos proprietários visando a defesa da floresta, fauna e flora, dos recur sos endógenos e das pessoas e bens. No entanto, existe um vazio legal e regulamentar no que concerne ao solo urbano. Ora, em Vila Nova da Barquinha o espaço rural con funde-se com o urbano e há muitas pessoas que não fazem as limpezas dos respetivos terrenos, mesmo que confinantes com outras habitações. Isso mesmo foi confirmado pelo pre sidente da Câmara, Fernando Freire, que disse haver “uma lacuna na le gislação porque o legislador, ao tem po, entendeu só intervir em estradas municipais, caminhos municipais, caminhos vicinais, nomeadamente com as chamadas faixas de conten ção de incêndios, esquecendo-se dos agregados urbanos”.

Explicou o autarca que “Vila Nova da Barquinha tem uma caracterís tica sui generis. É muito rural, tem alguns espaços em que a ruralidade se confunde com o espaço urbano e havia muita gente que não tratava dos seus quintais e não tratava dos seus prédios junto das habitações”.

A proposta tem como objetivo proceder à regulamentação das lim

pezas de terrenos inseridos em solo urbano do concelho de Vila Nova da Barquinha, tal como classificados no Plano Diretor Municipal em vi gor, prevenindo ainda a criação de situações de perigo para a saúde pública e salvaguardando o equilí brio urbano e ambiental e o asseio de lugares públicos e confinantes no território do município de Vila Nova da Barquinha.

“Foi para atenuar estas situações, criando inclusivamente sanções, sal vaguardando o procedimento admi nistrativo e a questão da interpela ção e da notificação de limparem o espaço urbano. Não o fazendo”, esta proposta permite agora à Autarquia “aplicar as devidas contraordena ções ou até substituir-se” aos pro prietários.

Esta situação foi “sem dúvida, uma grande preocupação da GNR que, face à lacuna que existia, nos trouxeram um modelo de regula mento e nos sensibilizaram para este problema porque, no fundo, estamos a falar da segurança de todos”.

A proposta do projeto de Regula mento Municipal para Limpeza de Terrenos em solo urbano no conce lho de Vila Nova da Barquinha segue agora para consulta pública.

13 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO /
Vila Nova da Barquinha

Congresso do Desporto reuniu especialistas desportivos

// Numa conjugação de sinergias entre os municípios de Abrantes, Entroncamento, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, realizou-se no fim de semana de 5 e 6 de novembro, nestes quatro concelhos, o Congresso do Desporto que teve como principal objetivo capacitar os agentes desportivos da região do Médio Tejo e que contou com a presença de mais de 40 oradores reconhecidos e de mérito na área de intervenção e no panorama desportivo português.

Com balanço muito positivo, esta foi a primeira edição de uma inicia tiva que se pretende que se repita todos os anos. Foi um evento certi ficado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e pelo Centro de Formação de Associações de Escolas A23, com a atribuição de créditos aos técnicos de desporto e aos professores participantes.

No sábado, dia 5 de novembro, decorreram em simultâneo as sessões em Abrantes, Entroncamento, Torres Novas e Vila Nova da Bar quinha que debateram os temas “Desporto e Justiça”, “Desporto e Movimento Associativo”, “Des porto e Sociedade” e “Desporto, Ética, Saúde e Bem-Estar”, respe tivamente.

Abrantes abordou desporto e justiça

Em Abrantes, no dia 5 de no vembro, a primeira intervenção coube a Rute Soares dedicada ao “Desporto, Utilidade Pública Des portiva e Integridade”, com moderação de Diogo Nabais, que desta cou a importância do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva refe rindo que “quando é atribuído este estatuto, são também atribuídas competências exclusivas, como por exemplo promover e desenvolver uma determinada modalidade em quadros competitivos”. E onde foi também explicado que este Estatu to de Utilidade Pública Desportiva permite o financiamento por parte do Estado.

João Leal Amado e Lúcio Cor reia abordaram o “Desporto e Re lações Laborais”, referindo que “o praticante desportivo é um traba lhador, mas não é um trabalha dor comum, tem especificidades diferentes e por isso tem de ter um regime próprio”. Num painel moderado por Alexandra Coelho, foi ainda defendida a necessida de de se criar um regime jurídico próprio do treinador desportivo “que também não é um trabalhador normal”.

Por sua vez, Paulo Lourenço falou sobre “Desporto e Fiscalidade”, centrando a sua intervenção no tema do mecenato desportivo, “um instrumento do Estado que está ao serviço de associações e clubes”. “É uma forma de financiamento

alternativa e para que os clubes e associações possam chegar a este benefício, devem ter o registo de utilidade pública para que os inves tidores privados possam também beneficiar da majoração fiscal”, esclareceu Paulo Lourenço acres centando que “esta é uma ferra menta muito importante para os clubes e associações locais, é um

complemento aos outros apoios”. Este painel teve a moderação de Pedro Fernandes.

A primeira intervenção da tar de em Abrantes coube a Soraia Quarenta sob o tema “Desporto, Tribunais e Disciplina” onde, com José Sampaio e Nora como mode rador, se falaram das competências do Tribunal Arbitral do Desporto defendendo a necessidade da sua atuação ser mais célere.

Alexandre Mestre fechou os tra balhos de dia 5 em Abrantes, com o tema “Desporto, Constituição e União Europeia”, num debate que teve a moderação de Ana Marques, onde se salientou “o peso que o desporto tem a nível local, nas coletividades e comunidades e tam bém ao nível da União Europeia”. “Desporto é atualmente um direito fundamental consagrado, todo o

cidadão tem direito ao Desporto”, destacou Alexandre Mestre.

Entroncamento ligou desporto às associações

No dia 5, a temática do Entroncamento incidiu sobre “Desporto e Movimento Associativo”, que reuniu durante o dia oradores e moderadores, com apresentações que proporcionaram momentos de debate e de produção de conhecimento.

João Paulo Feijó e João Tomás, no 1º painel abordaram questões sobre Desporto, Longevidade e Qualidade de Vida, um tema que criou muita dinâmica de participa ção entre os presentes. José Araújo e João Careca lançaram a debate o tema Desporto, Financiamento, Gestão e contabilidade Associativa, um tema que exige conhecimentos

técnicos e que ambos abordaram. Seguiu-se a temática Desporto, Voluntariado e Eventos Desportivos que Manuel Castelo e João Morais trouxeram a este congresso e que gerou diversas reflexões. Alan Fer reira e Nuno Pedro abordaram o Marketing no Desporto, um tema que marca a atualidade e, por fim, Pedroso Leal e Fernando Pratas abordaram o movimento associativo, uma apresentação importante pelo envolvimento que gera na sociedade.

Em Torres Novas, no dia 5 de novembro, a Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes recebeu a 1ª edição do Congresso do Desporto que teve como tema central “Des porto e Sociedade”.

O primeiro painel foi compos to pela oradora Diva Cobra, com moderação de Rui Alexandre, que abordaram questões sobre “Des

14 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022 REGIÃO /
“É muito importante começarmos a refletir nestes temas para criar soluções para todos”

porto e Autarquias”. Diva Cobra, destacou a importância das autarquias no desporto nacional refe rindo que “o grande financiador do Desporto em Portugal são as Câmaras Municipais”.

José Couceiro foi o orador do se gundo painel intitulado “Desporto, Família e Integração” no qual refe riu que “é evidente que este triangu lo do Desporto, Família e Integração é um tema decisivo e sabemos bem que se há desporto em Portugal muito o devemos às autarquias, com a influência e o apoio que dão à atividade física, especialmente no início da prática desportiva”. A mo deração deste painel esteve a cargo de Rogério Jorge.

Ao final da manhã houve ainda espaço para abordar o tema “Des porto e Comunicação Social”, num painel que teve como orador João Paulo Narciso e como moderador Nuno Matos.

Durante a tarde, o primeiro painel teve como tema “Desporto, Empreendedorismo e Inovação”, com o orador Alfredo Silva e mode ração de Abel Figueiredo. Alfredo Silva afirmou que “a sociedade está cada vez mais orientada para mudanças rápidas, estando cada vez mais apaixonada pela emergência do “fast” com soluções na ponta dos dedos, e planear o futuro a 5 ou 10 anos será provavelmente uma utopia. Talvez as sociedades mais

prósperas e desenvolvidas serão aquelas onde vai imperar mais ino vação e empreendedorismo e Portugal tem que seguir este caminho, sem utilizar receitas do passado”.

O último painel do Congresso do Desporto abordou o tema “Desporto, Liderança e Intelectualidade” e foi composto pelo orador Paulo Finuras e contou com moderação de João Marques.

Deporto, saúde e bem-estar em Vila Nova da Barquinha

Em Vila Nova da Barquinha, no dia 5, coube a Jorge Heleno, Vice-Presidente da Associação de

Futebol de Santarém, a abertura dos trabalhos com uma importante reflexão sobre “Violência no des porto”, acompanhado por Paulo Fontes, da Autoridade para a Pre venção e Combate à Violência no Desporto. Um painel moderado por Jorge Tormenta, professor e especialista em Andebol.

Seguiu-se a temática do “Des porto escolar e de lazer”, abordada por Pedro Dias, Membro da direção da Federação Portuguesa de Futebol, com moderação de Fernando Pereira, que exerce funções na Coordenação Local do Desporto Escolar da Lezíria e Médio Tejo.

João Pombo, ligado ao mundo do turismo lançou a discussão sobre “Desporto, Ambiente e Turismo”, com Marly Serras, Professora e atual Diretora da Escola Profissio nal de Desenvolvimento Rural de Abrantes a moderar os trabalhos.

À tarde, André Seabra, da Portu gal Football School deu o pontapé de saída no debate sobre “Desporto e Saúde”, acompanhado por Filipa Lopes, professora, atleta e treina dora na moderação.

O primeiro dia de congresso em Vila Nova da Barquinha fechou com chave de ouro, com uma conversa sobre “Desporto e Doping”. Carlos Santos, da Autoridade Antidopa gem de Portugal animou a reflexão, moderada por Rodrigo Morais, ad vogado e consultor nas matérias relacionadas com a antidopagem.

Balanço positivo e promessa de regressar em 2023

Abrantes acolheu no domingo, 6 de novembro, a apresentação das conclusões pelos moderadores de todas as intervenções que se realizaram no dia anterior nos quatro municípios.

Na sessão de encerramento do Congresso do Desporto, que se realizou no auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, estiveram presentes o Presidente do Comité Olímpico de Portugal,

José Manuel Constantino; Rodrigo Cavaleiro, da Autoridade Para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto; Anabela Reis, da Con federação do Desporto de Portugal; José Couceiro, Vice-Presidente da Federação Portuguesa de Futebol; Eduarda Marques, Diretora Regional do Instituto Português do Desporto e Juventude; e o Presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos.

O Congresso do Desporto 2022 contou com várias entidades par ceiras como o Comité Olímpico de Portugal, a Associação Portuguesa de Gestão do Desporto, a Autoridade Anti Dopagem, a Confederação do Desporto, a Associação Portuguesa de Direito Desportivo, o Instituto Português do Desporto e da Juven tude, a Portugal Football School, a Federação Portuguesa de Futebol, a Escola Profissional de Desen volvimento Rural de Abrantes, o Instituto Politécnico de Tomar, o Instituto Politécnico de Santarém, a Singlecode, a PrestigePress, a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, a Associação de Municípios Amigos do Desporto, a Federação Portu guesa de Pessoas com Deficiência e a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto.

Todas as sessões que decorre ram nos quatro municípios estão disponíveis nos canais de Youtube das respetivas autarquias.

15 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES REGIÃO /
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Municípios reduzem iluminação de Natal em ano de contenção energética

// Com a crise energética na ordem do dia e o Governo a apelar à poupança, a maioria dos municípios portugueses vai reduzir de novo ao mínimo os gastos com iluminações natalícias devido à austeridade. Fomos saber como vai ser em Abrantes, Constância, Mação, Sardoal, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha.

Em Abrantes: Luzes sim, Passagem de Ano não Abrantes vai ter iluminação de Natal totalmente em leds mas com uma duração mais curta. Ou seja, encurta-se o período do mês em que a iluminação vai estar ligada, desde 6 de dezembro, bem como a duração diária.

Também a habitual programa ção de Natal e Passagem de Ano na cidade vão sofrer alterações. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câ mara de Abrantes, confirmou que vai manter-se mas, este ano, com menos atividades e a custos mais acessíveis.

O presidente falou dos “aumen tos de 400% no preço da eletricida de de média tensão”, dando como exemplos as escolas ou a estação de captação de água. “Só nos Servi ços Municipalizados tínhamos uma fatura na ordem dos 430 mil euros anuais e a previsão neste momento é de um milhão e 600 mil euros. São valores brutais”, considerou.

Relativamente à iluminação de Natal, pois na iluminação pública “já fizemos a substituição de milha res de luminárias antigas por leds e vamos continuar esse trabalho, com uma gestão digital e simpli ficada”, este ano “vamos ter uma iluminação só com leds”. Manuel Jorge Valamatos afirmou “que não vamos ter lâmpadas de outro tipo para diminuir o consumo” e vai -se ainda “reduzir o tempo em que a iluminação de Natal estará em funcionamento”. Sendo que nos úl timos anos, a iluminação tem ficado ligada toda a noite, este ano vai ser desligada “pela meia-noite e voltará a ligar-se quando ficar de noite”. Também os dias em que haverá luzes natalícias na cidade será este ano reduzido. Contudo, para Ma nuel Jorge Valamatos o importante é a poupança e essa vai ser “sig nificativa”, a verificar-se logo “no modelo e nas técnicas de ilumina ção, somente em leds”. O presidente reconheceu que “porventura, não vamos conseguir reduzir muito os custos da iluminação mas vamos reduzir, seguramente, nos gastos de energia e é nisso que estamos mais concentrados”.

Já no que diz respeito às ativida des natalícias que o Município de Abrantes habitualmente organiza, “vamos ter menos eventos e vamos

ter eventos mais baratos”. Há no en tanto que levar em consideração que “um evento que custava 200 euros o ano passado, este ano custa 250 ou 300 euros porque tudo inflacionou”.

O presidente da Câmara de Abrantes avançou que “vamos ten tar diminuir ou, pelo menos, não aumentar a despesa”.

O que não se vai mesmo realizar será a festa da Passagem de Ano. Manuel Jorge Valamatos deu con ta de que “nesta senda de darmos sinais de que é preciso termos algu ma contenção, decidimos que não vamos realizar a Passagem de Ano”. O autarca explicou que nem é pela montagem do palco ou os artistas a convidar mas pelo facto de ser “inevitável termos que alugar, mais uma vez, uma tenda gigante”. Isso “custa muito dinheiro, para além dos constrangimentos de montagem e desmontagem”.

Este ano, a Câmara Municipal de Abrantes vai apoiar a Associação Co mercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei na organização de um sorteio a realizar no comércio e serviços ade rentes do centro histórico de Abran tes. Os clientes que façam compras no valor igual ou superior a 10 euros nas lojas aderentes do comércio e serviços do centro histórico, entre o dia 6 de dezembro e as 19 horas

do dia 4 de janeiro de 2023, ficam habilitados ao concurso, mediante a entrega de cupões carimbados ou assinados no verso pelos responsá veis da loja.

Em Constância: Haverá “apontamentos muito pequeninos”

“Fizemos sempre e vamos fazer um apontamento de iluminações de Natal nas três freguesias do concelho”, disse Sérgio Oliveira. O presidente da Câmara garantiu assim que Constância, Montalvo e Santa Margarida da Coutada vão ver as luzes natalícias brilhar apesar de, como referiu o autarca, “são

apontamentos muito pequeninos”. No Município de Constância “vamos seguir a recomendação do Governo, com limitação horária da iluminação de Natal”.

Sérgio Oliveira destacou o Mercado de Natal, que se vai realizar nos dias 17 e 18 de dezembro, como “uma forma de apoiarmos o comér cio local e trazer pessoas à vila”. O presidente da Câmara lembra que quer o Mercado de Natal, quer a iluminação natalícia já eram “uma coisa muito pequenina” em anos anteriores e que se trata apenas “de um apontamento para não deixar passar em branco esta quadra festiva”.

“Desse ponto de vista, naquilo que é a gestão orçamental da Câ mara”, a iluminação e a realização do Mercado “não têm um peso mui to significativo”. O que é pesado hoje em dia é a fatura da eletri cidade e é essa a razão “porque vamos seguir a recomendação que saiu do Governo, nomeadamente com o desligar das luzes de Natal à meia-noite”.

O Mercado de Natal pretende dar a conhecer o artesanato, os produtos e doces locais/regionais, antiguidades, entre outros que pos sam ser excelentes ofertas durante a época festiva. Integra ainda um programa de atividades onde se in clui uma parada de Natal, a chegada do Pai Natal, a Casa do Pai Natal, espetáculos, teatro, um concerto e muita animação natalícia.

Em Mação: Importa “dar um sinal daquilo que deve ser a preocupação

de todos”

A Câmara Municipal de Mação vai reduzir “em muito” a ilumina ção de Natal na vila. Apenas “três ou quatro” locais vão receber as habituais iluminações natalícias, “para simbolizar a época”. Locais como “a Igreja Matriz, na torre do relógio, e o edifício da Câmara Municipal” estarão então iluminados mas a redução é “em cerca de 1/4 daquilo que era o investimento ha bitual, só para simbolizar a época”.

Por outro lado, o gesto servirá também “para simbolizar a preo cupação que devemos ter em rela ção aos gastos energéticos”.

No entanto, Vasco Estrela apon tou que “nestas coisas não deve mos ser demagógicos” e explicou que “não era por a Câmara investir mais cinco ou seis mil euros em iluminação de Natal e gastar mais dois ou três mil euros de luz que ficaríamos mais pobres ou mais ri cos. Não é isso que está em causa. É uma questão mais simbólica de redução e dar aqui um sinal da quilo que deve ser a preocupação de todos nós relativamente a esse assunto”. Como já vai haver redu ção de locais iluminados, o período de iluminação natalícia vai perma necer igual a anos anteriores, “até porque as luzes de Natal vão ficar ligadas à iluminação pública”.

Quanto às atividades organiza das pelo Município nesta época,

16 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022 REGIÃO /
/ Barquinha / Pérsio Basso

“vão manter-se iguais aos anos an teriores”, sendo que o Sorteio de Natal não se vai realizar por falta de regulamentação. Já o Concurso de Montras e Presépios também não se vai realizar, apesar da Câ mara “incentivar e dar prémio às pessoas que façam a decoração e os seus presépios”. O prémio será igual para todos e a título de partici pação, sem classificação, pois, como esclareceu Vasco Estrela, “ano após ano, vinham-se verificando alguns mal-estares relativamente a essa matéria” (...) “o que poderia desvir tuar o espírito do Natal”.

Mação vai ter a Aldeia Natal, um espaço encantado para as crianças e suas famílias no Largo dos Combatentes, bem como con certos, bailes e a habitual Expo Venda de Natal. De evidenciar ainda a oferta dos pinheiros junto à Câmara, vindos das habituais limpezas da floresta.

Em Sardoal: Sorteio, concurso e uma fatura de luz que não ultrapassa os 80€

Com a iluminação de Natal a ser propriedade do Município, Sardoal vai voltar a ter as luzes da época a iluminar a vila.

“Todo o sistema de iluminação de Natal é em leds”, especifica o presidente da Câmara. Miguel Borges adiantou, no entanto, que a iluminação vai estar ligada por um período mais reduzido este ano, ou seja, entre as 17:30 e as 00:00.

A Câmara de Sardoal já fez contas à fatura da luz que irá ser gasta com esta iluminação e “terá um custo entre 70 a 80 euros”.

A iluminação de Natal em Sar doal vai acender-se “dia 7 ou 8 e vai permanecer até ao Dia de Reis, como habitualmente”.

Quanto a atividades organizadas pelo Município, “não temos muitas coisas previstas” mas dia 17 terá lugar o Concerto de Natal pela Filarmónica União Sardoalense.

Sardoal volta ainda a realizar o “Sorteio de Natal no Comércio Local” que “pretende envolver os comerciantes e toda a comuni dade no espírito natalício, incen tivando a compra no comércio tradicional, e, por conseguinte, coadjuvar na promoção e fomento da economia local do concelho”.

Esta iniciativa decorrerá até ao dia 31 de dezembro, sendo que que por cada 20 euros em com pras efetuadas, o cliente receberá um cupão de participação até ao limite de 10 cupões por compra.

O que regressa também este ano é o Concurso das Árvores de Natal do Comércio Local.

Em Vila de Rei: A aposta no comércio local e a primeira Passagem de Ano

Já em Vila de Rei, a iluminação natalícia e a sonorização vão re

gressar às ruas da vila.

Paulo César Luís, vice-presiden te da Câmara vilarregense, disse que “o Município procura incen tivar, dentro do que são as suas capacidades, a promoção do co mércio local e o consumo no nosso comércio tradicional”.

Durante a época natalícia e à semelhança de anos anteriores, “apesar das recomendações emi tidas pelo Ministério do Ambiente no que diz respeito às iluminações de Natal e dos edifícios públicos, vamos cumprir, ajustando os relógios da iluminação”.

Paulo César Luís considera que as iluminações natalícias “são um investimento que deve ser realizado até para imbuir, não só o comércio tradicional de outro ambiente, mas também para dar um bocadinho mais de chama em momentos con turbados”.

“O que é certo é que temos vividos sempre de momentos conturbados em momentos conturbados”, desa bafou o vice-presidente.

O Município de Vila de Rei vai este ano voltar a organizar o Sor teio de Natal, bem como os con cursos de presépios e montras natalícias, num investimento de mais de 5.500 euros. Em relação ao Sorteio de Natal, onde os clientes recebem cupões em função do valor das compras efetuadas, “veri ficamos que tem contribuído para um maior afluxo de gente a fazer as suas compras no comércio tra dicional e o retorno daquilo que é a opinião e a expetativa dos comer ciantes, tem sido extremamente positivo”.

A Loja de Produtos Endógenos também irá receber algumas inicia tivas, “numa forma de interação com a população e com as crianças e tam

bém para dinamizar a nossa própria loja de produtos tradicionais”.

Vila de Rei vai este ano “tentar realizar pela primeira vez” uma festa de Passagem de Ano. Anun ciada o ano passado, teve de ser adiada devido ao estado pandé mico. O cartaz, o mesmo que foi anunciado há um ano, conta com a atuação de Augusto Canário & Amigos e espetáculo de fogo de artifício. A partir das 22h30, no Parque de Feiras de Vila de Rei, há ainda espaço para, pela noite dentro, continuar a animação que será da responsabilidade da dupla de DJs vilarregenses, MC Pinkie e DJ Seadas.

As festividades são de entrada livre, com o Município a proceder ainda à oferta de caldo verde e de es pumante, para brindar ao ano novo.

O Parque de Feiras vai ainda re ceber o Mercado de Natal de Vila de Rei, estando aberto ao público nas sextas-feiras, sábados e domingos entre 17 e 31 de dezembro.

Numa organização do CLDS 4G, com o apoio do Município, no Mer cado de Natal vai ter disponíveis tasquinhas, artesanato, cinema ao ar livre, ateliers, Casa do Pai Natal, doçaria tradicional e a exposição de Árvores de Natal, elaboradas pelas Associações do concelho.

Em Vila Nova da Barquinha: “Contenção é a palavra do momento”

A iluminação “vai ser a habitual, ou seja, com a contenção que já vi nha do antecedente”, afirmou o pre sidente da Câmara.

Fernando Freire confirmou que as luzes do Natal irão brilhar na Pra ça da República, na Igreja Matriz de Vila Nova da Barquinha, nas varan das do Centro Cultural e à entrada da vila.

Todo o sistema de iluminação é em leds e propriedade do Município, sendo que as luzes vão estar acesas num período mais curto do que nos anos anteriores. Segundo o presi dente da Câmara, será das 18:30 às 23:30 horas.

Fernando Freire assume que este é um ano de “cortes” e que “conten ção é a palavra do momento”. Como tal, as luzes “são para lembrar o Na tal” mas o Município não tem pro gramada qualquer outra atividade.

Contudo, a equipa do CLDS 4G volta a organizar mais um ano de “Natal com Sopas”, inserido no Mer cado de Natal do concelho, organiza do pela Paróquia de Santo António. Este irá realizar-se no próximo dia 11 de dezembro de 2022, com início pelas 12h00.

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/ JORNAL DE ABRANTES REGIÃO /
Dezembro 2022
Patrícia Seixas / Mação / Constância / Paulo Sousa / Telmo Martins

Mação tem oleões em todas as freguesias

A Câmara Municipal de Mação tem 15 pontos de recolha de óleo alimentar usado, em todo o conce lho, devidamente identificados. A Hardlevel é o operador com quem o Município tem contratado o serviço de gestão deste resíduo. No mês de outubro, no concelho de Mação, fo ram recolhidos 147 Kg.

O Município diz querer “aumen tar este número mês após mês. Pelo ambiente, pelo futuro”, sendo que “esta é uma responsabilidade de to dos”.

Os locais onde existe oleão estão em Ortiga, Penhascoso, Aboboreira, Queixoperra, Carvoeiro, Envendos, Amêndoa, Cardigos, Chaveira, Vales, Mação – Calvário, Mação – Urbaniza ção Horta da Nora, Chão de Codes, Chão de Lopes e S. José das Matas. Todas as freguesias têm um oleão no

azeites, óleos de conservas…

Depois de mudar a sede para Abrantes Endesa abriu o escritório na cidade

A Endesa anunciou no dia 15 de novembro a abertura de um novo escritório em Abrantes que, nesta “fase de arranque”, incorporou os primeiros ex-funcionários da cen tral a carvão do Pego, que encerrou atividade em 2021.

Em comunicado, a Endesa refere que “será precisamente a partir deste novo escritório em Abran tes” que “irá desenvolver o Pro jeto Renovável do Pego, com um investimento de cerca de 600 mi lhões de euros para a instalação de nova capacidade solar (365 MWp) e eólica (264 MW) num esquema de hibridação suportado por uma bateria de armazenamento com capacidade total de 168,6 MW”.

Segundo a empresa, “todos os trabalhadores diretos da central a carvão afetados pelo encerramento

em 2021 serão considerados priori tários para a Endesa na cobertura destes novos postos de trabalho em Abrantes, incluindo os que conti nuam a trabalhar na central em trabalhos de pré-desmantelamento e que podem perder o emprego nos próximos meses”.

“A incorporação destes primei ros trabalhadores representa um passo muito importante no cum primento do nosso compromisso para com as pessoas e para com a região, além de sinalizar o início de uma nova etapa de desenvolvimen to deste importante projeto para o futuro”, refere Pedro Almeida Fernandes, Diretor de Geração da Endesa em Portugal, citado na nota informativa.

Na nota é ainda referido que a empresa “vai criar até 75 novos

empregos diretos em Abrantes até ao arranque do projeto, previsto para 2025”.

Caro Munícipe:

Depois de duas épocas natalícias marcadas por várias restrições, o meu desejo é que todas as famílias se pos sam voltar a reunir para celebrar esta quadra festiva.

Com o espírito abrantino de entreajuda, união e solidariedade, desejo e acredito que nesta época viveremos momentos felizes e especial mente encorajadores para receber um ano de 2023, que se iniciará num contexto de grande incerteza e dificuldade.

Porque a União faz Abrantes, o novo ano é uma oportunidade para aprofundar, forta lecer e relançar a esperança, contando com a energia de todos para superar os próxi mos desafios.

Em nome do Município de Abrantes, e em meu nome pessoal, desejo a todos um Feliz Natal e um excelente Ano de 2023.

Um abraço.

O Presidente da Câmara de Abrantes Manuel Jorge Valamatos

Abrantes, no distrito de Santarém, apresentou um projeto avaliado em 600 milhões de euros e prometeu a “reciclagem profissional” de mais de 2.000 pessoas.

Recorde-se que em 26 de março, a elétrica anunciou que, através da sua filial Endesa Generación Portu gal, venceu o concurso de transição justa do Pego com um “projeto que combina a hibridização de fontes renováveis e o seu armazenamento naquela que será a maior bateria

desa detalhou que “recebeu um direito de ligação à Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) de 224 lar 365 MWp [megawatts-pico] de energia solar, 264 MW de energia

dor de 500 kW [quilowatts] para a produção de hidrogénio verde”, na região de Abrantes, em projeto que tem entrada em funcionamento

Em Maio, numa entrevista exclusiva ao Jornal de Abrantes, Nuno Ribeiro da Silva disse que “o compromisso é de conclusão deste corpo de investimento, superior a 600 milhões de euros, estar dis ponível e funcional em março de 2025. Este é o compromisso que está assumido. Entretanto, há todo um processo que não passa só pela produção ou entrada em funciona mento destes equipamentos. Nós estamos já a trabalhar há algum tempo. Faz parte deste caminho o termos instalações no concelho de Abrantes que já estão selecio nadas, naturalmente virão a ter que crescer no futuro, à medida que formos incorporando mais pessoas e que formos desenvol vendo, e construindo, toda uma logística na região. Mas o trabalho já começou e cada dia é um dia que temos que aproveitar muito bem, porque o tempo que temos para instalar toda esta infraestrutura, em grosso modo três anos, não é demasiado.”

A ABRANCOP está a recrutar trabalhadores na área da construçao civil

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18 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022 PUBLICIDADE
ECONOMIA /
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Objetivos

Promover o potencial produtivo nas zonas fustigadas pelos incêndios, executando de forma gratuita as seguintes operações de manutenção:

Redução de carga de combustível; Eliminação de espécies invasoras; Incremento de rentabilidade; Corte de varas mortas; Seleção de futuras varas; Apoio no processo de cadastro (BUPi) .

Cerca de 300 militares testaram ca pacidade operacional do apoio militar de emergência em cenário de catástrofe após a passagem de um tornado, com os municípios de Constância e da Barquinha a serem o palco das operações. Às equi pas do exército juntaram-se Bombeiros, GNR, Força Especial de Proteção Civil sob o “chapéu” da Autoridade Nacional de Emergência a Proteção Civil (ANEPC).

O objetivo do exercício “Fénix 22” foi, de acordo com o Coronel Estêvão da Silva, comandante do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME) e por inerência, da UAME (Unidade de Apoio Militar de Emergência), “trei nar valências em conjunto, garantir o aprontamento e a operacionalidade” da UAME no sentido do Exército po der responder aos desafios e apoio às solicitações da Autoridade nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). A UAME é a unidade que tem os meios es palhados por todo o território nacional e que pode atuar no âmbito de operações civis ou militares.

O Fénix 22 contou com a projeção das capacidades que o Exército tem dispo níveis em todo o território e o mesmo decorre no âmbito de um cenário de resposta à ativação do Plano Distrital de Emergência de Santarém, pela Proteção Civil, e que levou a que esses recursos fossem ativados e projetados para o tea tro de operações. O exercício aconteceu na região de Constância e de Vila Nova da Barquinha.

O Coronel Estêvão da Silva explicou que o exército tem 20 módulos de in tervenção, distribuídos pelas diferen tes capacidades. Toda a coordenação dos meios espalhados pelo país é feita em Abrantes, local onde está sediado o RAME, de acordo com a estrutura or gânica e de cadeia de comando dentro do Exército e, neste exercício, foram colocadas à prova as capacidades de unidades militares estacionadas desde a Póvoa de Varzim até Lisboa, nas áreas de comando, controlo e comunicações, apoio sanitário, serviços, engenharia militar, apoio psicológico, operações de rescaldo, vigilância, busca e salvamento, estas últimas a cargo das Operações Especiais de Lamego.

A Antena Livre acompanhou as ope rações na quarta-feira (23 de novembro) em que o treino operacional incidiu sobre busca e salvamento de grande ângulo e o regresso a uma aldeia de cidadãos que tinham sido evacuados no dia anterior, por causa dos caudais de uma linha de água. Foi ainda montada uma unidade de apoio à população e foram criados pequenos incidentes para testar todas as capacidades da Unidade.

O comandante do RAME e da UAME indicou ainda que ao longo destes dias as ações foram acompanhadas pela UME (Unidad Militar de Emergencias) de Espanha.

e fazer chegá-los às diversas unidades empenhadas no terreno.

O Fénix 22 foi totalmente elaborado pelo Exército, mas a ANEPC foi envol vida porque é o “chapéu” de resposta de emergência a qualquer catástrofe que ocorra.

Critérios de Elegibilidade e Condições

Localização do povoamento a Sul da Nacional 348 e Oeste da Nacional 2; Povoamento de eucalipto afetado pelo incêndio, com densidade mínima de cepos; Sem qualquer compromisso comercial.

O posto de comando foi instalado na an tiga escola primária em Praia do Ribatejo, no concelho de Vila Nova da Barquinha, onde vai nascer em janeiro o Comando Subregional do Médio Tejo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. Estêvão da Silva e a sua equipa acompa nharam as diversas ações no terreno “em tempo real”, com os vários módulos de intervenção a atuarem no âmbito de um cenário fictício de catástrofe, na sequência de intempéries que assolaram o país e que se converteram em situações de inunda ções, cheia, derrocadas, cortes de vias por queda de árvores, entre outras situações.

Estêvão da Silva referiu-se à épo ca de incêndios que é onde se mostra mais a atividade militar. “Neste caso, a vantagem deste exercício, para além de ser uma oportunidade de treino para ativação e projeção destes meios para a área de operações, é, acima de tudo, uma oportunidade única para interagir mos com as outras entidades que estão envolvidas nestas situações, nomeada mente a ANEPC”, salientou Estêvão da Silva. E pode indiciar melhorias no tra balho conjunto entre entidades diversas quando surgirem as situações reais.

Uma das unidades que teve mais destaque neste exercício foi a Unidade Geoes pacial que pode alocar conhecimento e opções para uma melhor, e mais rápida, capacidade de decisão e de movimentar operacionais no terreno. O Major Car los Rodrigues coordena esta equipa que munida dos meios informáticos e de uma impressora pode juntar-se a um posto de comando para fornecer cartografia e simulação de cenários para os operacionais. Ou seja, podem alocar informação por via digital ou, em caso de quebra de comunicações móveis, imprimir os mapas

O Comandante Operacional Distrital de Operações de Socorro do Distrito de Santarém (CODIS), David Lobato, des tacou o “apoio fundamental” da UAME “naquilo que são as operações da prote ção civil”, tendo feito notar que “os meios [dos bombeiros] nunca vão chegar para todas as ocorrências”, nomeadamente em cenários mais complexos de situações de socorro e de emergência.

“Este exercício decorre no âmbito de um cenário da passagem de um tornado que provocou cheias, inundações, que da de árvores e estruturas no distrito, em particular nestes dois concelhos, e a falta de meios dos bombeiros levou -nos a solicitar a nível nacional o apoio da UAME com as várias valências que têm e de sustentação logística, com montagem de zonas de apoio à popula ção, alimentação, combustíveis, entre outras, e é isso que estamos a treinar, num exercício conjunto com os diver sos agentes e em prol das populações”, explicou o comandante.

Já sobre a localização do posto de comando, no pátio dos pavilhões que vão receber o Comando Subregional da ANEPC, David Lobato revelou que foi um acaso e não teve a ver com um eventual ensaio para localização desta nova estrutura. Foi porque o exercício aconteceu nos concelhos de Barquinha e Ferreira do Zêzere, mas também disse que permitiu “ensaiar” esta lo calização.

20 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022
SOCIEDADE /
testam em Barquinha e Constância apoio de emergência em cenário
catástrofe Limpeza de povoamentos ardidos de eucalipto sem qualquer custo ou compromisso comercial para o proprietário Recuperação de áreas ardidas CONTACTE-NOS 964 590 697 913 565 870 projetofenix@altri.pt Local: Mercado Municipal de Vila De Rei, 1º Piso Horário: Segunda: 14:00h - 17:30h Quarta e Sexta: 9:30h - 13:00h Vila de Rei
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1. 2. 3. A �oresta gerida pela Altri Florestal é certi�cada
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/ Uma operação de socorro de grande ângulo junta meios do Exército, GNR e Bombeiros

Salários e formação garantidos em 2023 para trabalhadores despedidos da Central a carvão

A tarde era de chuva e de frio mas nem isso afastou os trabalhadores da Central do Pego que se interrogam sobre o seu futuro. No dia 30 de no vembro, cerca de 30 trabalhadores reuniram-se em frente à Câmara de Abrantes onde uma delegação subiu para reunir com o presidente Manuel Jorge Valamatos.

À entrada para a reunião, João Furtado, representante dos traba lhadores, disse ao Jornal de Abrantes que o primeiro objetivo “é garantir que, no próximo ano, irá continuar o programa de transição justa”. Ex plicou que “o primeiro lote de des pedidos já fez um ano de transição e formação e agora este lote quer fazer também essa continuação. O que já está em formação, tem que continuar até haver propostas de emprego, que era o que estava pro metido pela legislação atual”.

Contudo, os trabalhadores que se se encontram em formação, de param-se com outro problema. É

que estes trabalhadores viram a sua carreira contributiva interrompida neste processo, ou seja, não estão a fazer descontos para a Segurança Social.

O Jornal de Abrantes falou com o presidente da Câmara e Manuel Jorge Valamatos confessou que essa era uma situação da qual não tinha informação e que lhe foi co municada na reunião. Adiantou que não é apenas essa situação, há “outra que se prende com a Segurança Social e que fica aquém das expetativas dos trabalhadores”. Esta prende-se com a contagem do tempo de serviço e, garantiu o autarca, “são matérias que eu vou ter que colocar ao Governo e aos ministérios respetivos para conseguirmos desbloquear e ultrapassar essas dificuldades”.

Para já, e foi essa a informação que Manuel Jorge Valamatos tinha para comunicar aos trabalhadores, após confirmada com o ministro

do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, e com o secretário de Estado, é que “através do Fundo Ambiental, o Governo vai garantir que no próximo ano, em 2023, todas as pessoas que já estão em formação continuem no processo de formação e que os seus ordenados (os que rece biam na Central) vão ser mantidos.

Isto abrange os que já estavam nessa situação, bem como aos cerca de 20 que vão sair agora no final do ano.

Portanto, vão ser integrados em for mação e vão continuar a receber os vencimentos que tinham até agora.

Pelo menos, durante o ano de 2023.

Desejar é que, com o tempo, que possam ser absorvidos para iniciar

as suas atividades profissionais, de acordo com o caderno de encargos que a própria Endesa tem, bem como em outras empresas e outras ativida des que possam surgir”.

Presente na reunião estiveram também dirigentes do SIESI - Sindi cato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas. Manuel José confirmou as palavras do presidente da Câmara e referiu que “havia uma preocupa ção por estar a fechar o ano 2022 e não haver ainda uma informação oficial de que este programa iria continuar. É que este é um progra ma de transição para o emprego e, não estando ainda implantados no terreno os projetos que estão previs tos, era fundamental saber o que se iria seguir. Pois a partir do dia 1 de janeiro poderíamos ter cerca de 70 pessoas cuja única solução seria o fundo de desemprego, com os seus rendimentos reduzidos a metade ou menos”.

21 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES PUBLICIDADE
SOCIEDADE / Abrantes
// Programa de formação é para manter e trabalhadores vão continuar a receber o salário em 2023. A garantia foi deixada pelo presidente da Câmara de Abrantes em reunião com representantes dos trabalhadores afetos à Central a Carvão do Pego. Carreira contributiva e contagem do tempo de serviço são temas que irão ser levados ao Governo.

Praça online do Ribatejo Interior agrega 22 produtores de Abrantes, Constância e Sardoal

A Tagus, Associação para o De senvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, lançou, a 9 de novembro, uma plataforma para a promoção e comercialização 'online' dos pro dutos agroalimentares de Abrantes, Constância e Sardoal. Esta platafor ma envolve 22 produtores.

O lançamento desta plataforma contou com a presença da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antu nes, que, tal como todos os presentes no Centro Cultural Gil Vicente, foi convidada por Conceição Pereira, a “pegar no telemóvel e entrar no praca-ri.pt” para espreitar os pro dutos. Conceição Pereira que, no final da cerimónia, sugeriu que os convidados pudessem fazer compras após terem conhecido a plataforma.

A criação da loja online teve um investimento que rondou os 30 mil euros, com apoio a 80% de fundos comunitários, sendo o restante su portado pelos municípios envolvi dos, ou seja, Abrantes, Constância e Sardoal. A ideia surgiu em plena situação pandémica da Covid-19, explicou a responsável pela Tagus, “quando os produtores locais en frentavam dificuldades em escoar a sua produção”, devido aos cons trangimentos causados pela mesma. Conceição Pereira adiantou que foi feita uma experiência que acabou por redundar nesta plataforma que, para já, aponta a vinhos, cervejas artesanais, licores, azeites, queijos, enchidos, mel e outros doces, como compotas, marmeladas, bolachas e figos confitados, mas que no futuro quer apostar nos circuitos de horto -frutícolas e no artesanato.

A está, para já, direcionada para o mercado nacional, mas depois há também a intenção clara de a alar gar a todo o mundo. No arranque a praca.ri.pt tem por objetivo incenti var os produtores na sua atividade, agregando 22 profissionais do setor agroalimentar, e aproximar os pro dutos locais do cliente.

A ministra da Agricultura, que foi presidente da Câmara de Abrantes por isso, conhece bem o território e a Tagus, revelou que este lança mento “significa que as instituições estão atentas às necessidades dos consumidores e que os instrumentos que disponibilizamos [governo] são aproveitados.”

Maria do Céu Antunes disse que quando tomou posse, em 2019, co meçou por propor uma agenda es tratégica para a Agricultura. Mas depois veio a pandemia, uma seca e, agora, uma guerra. E acrescentou que “depois há soluções com conse quência e hoje há esta partilha.”

A governante disse que ma pandemia, houve uma altura quem que “sentei-me com a minha equipa alargada para tentar perceber o que fazer no comércio local e na peque na agricultura. No Alentejo havia agricultores a deitar leite fora. E tínhamos de esperar por Bruxelas, por medidas de apoio. E fizemos uma campanha de promoção dos nossos produtores: alimentar quem nos alimentou.” A titular da pasta da agricultura disse ainda que a pandemia trouxe as feiras eletró nicas. “E uma produtora de Vinhais disse-me este ano que, nesse tem po, num fim de semana vendeu 12 mil euros, o que nunca lhe tinha acontecido.”

Maria do Céu Antunes disse ainda que se inspirou no modelo do projeto “Prove”, desenvolvido neste terri tório pela Tagus para modelar os circuitos curtos, como este que agora está a ser lançado. “Criámos uma série de medidas e pacotes de apoio para os projetos dos circuitos curtos. Estas medidas têm bastante adesão.”

A ex-presidente da Câmara de Abrantes deixou ainda um cumpri mento à “Tagus e à Conceição porque é muito importante ter o espírito dos grupos de ação local para lançar estes projetos. Temos que olhar para estes projetos e mostrar aqueles que são bem feitos.”

A governante deixou ainda a in dicação que o ministério tem outra

que dá a hipótese de contratar nu tricionistas para trabalhar com os agricultores, com os circuitos curtos. E podem ainda aliar-se à diminuição da pegada ecológica. “Precisamos de consciencializar as pessoas que são as suas escolhas [nas compras de alimentos] que vão manter as pes soas a viver nestas regiões e ajudar a melhorar a pegada ecológica.”

Miguel Borges, anfitrião desta sessão, começou por dizer que estes projetos, por mais pequenos que se jam, tem uma importância vital para as localidades e para as economias locais. E deixou a provocação para as pessoas presentes pensarem “e se um dia a Tagus não existisse?” Ou seja, o autarca, quis “mostrar” aquilo que é o trabalho deste grupo de ação local no desenvolvimento de ações no mundo rural, nas economias lo cais e familiares.

Depois dirigiu-se à ministra, numa altura em que se discute muito o futuro e o trabalho destes grupos de ação local.

Miguel Borges deixou ainda uma referência ao espaço “Cá da Terra”, local onde vai ser operacionalizado todo este projeto online.

Fundada em 26 de novembro de 1993 e trabalhando em territórios de baixa densidade populacional nos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal, a Tagus é desde 1995 gesto ra local de Programas de Iniciativa

Comunitária LEADER, lançando uma plataforma digital comercial que “visa contribuir para o desenvolvimento da economia regional”.

A Tagus candidatou-se à ope ração 10.2.1.4 – cadeias curtas e mercados locais, do Programa Nacional de Desenvolvimento Rural (PDR2020), inserida no Portugal 2020 e cofinanciada pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvi mento Rural (FEADER), para per mitir apoiá-los no escoamento das suas produções por 'e-commer ce', fomentando o contacto entre quem produz e quem consome, e tornando os produtos mais aces síveis a qualquer parte do país”, enquadrou.

Um projeto que, depois de apro vado e desenvolvido, tem agora condições para entrar em funciona mento, numa fase em que a Tagus assinala 29 anos de atividade e em que a quadra natalícia que se apro xima é propícia à oferta de produtos locais.

Para a operacionalização da plataforma digital, o projeto prevê, também, a aquisição de embalagens e outros materiais, que permitam escoar estes artigos, e uma estratégia de 'marketing', de modo a fomen tar as vendas e a valorização dos mesmos.

O futuro passa por projetos de escala ao

nível das comunidades intermunicipais

A ministra da Agricultura deixou, para além do lançamento da plata forma, a ideia muito clara que os projetos têm de ganhar escala para melhorar e majorar os apoios.

Maria do Céu Antunes come çou por referir que “concluímos a reforma da PAC (Política Agrícola Comum), a maior dos últimos 30 anos” e aludiu que o futuro faz-se também com os pequenos agricul tores. Por isso é importante criar instrumentos para que tenham aces so a plataformas para escoarem os seus produtos. “Precisamos de uma agricultura bem programada, com gestão eficiente do uso da água e com olhar para quem consome.”

Neste momento, disse Maria do Céu Antunes “estamos a pedir aos grupos de ação local [diversas enti dades de desenvolvimento local si milares à Tagus] para apresentarem as suas estratégias locais. Queremos os agricultores, mas também olhar para o consumidor. Sendo [o apoio do ministério da Agricultura] mono fundo os grupos precisam de ir a outros programas para alavancar os projetos noutras áreas.”

E depois acrescentou que o minis tério vai valorizar a fusão de grupos de ação local. ”vamos valorizar pro jetos de âmbito de NUT III [unidades territoriais que são as comunidades intermunicipais]. Temos menos fun dos, mas podemos ganhar escala.”

Maria do Céu Antunes disse que é preciso pensar em projetos com os pequenos agricultores, as comunida des intermunicipais, os municípios, as associações de agricultores e os grupos de ação local. “Precisamos que trabalhem juntos no mosaico de paisagem. Há uma dotação financei ra de 15 milhões de euros”, mas são projetos que têm de ter escala.

E deixou a mensagem “estou dis ponível para vir trabalhar convosco neste território com a equipa de téc nicos do ministério”.

A governante diz ter a cons ciência de que há territórios com desafios enormes. “Temos pouca agricultura e floresta desordenada. E temos pouca agricultura estruturada a não ser a vinha e o vinho”, revelou a ministra aludindo a este território.

Maria do Céu Antunes concluiu a sua intervenção com o provérbio “para educar uma criança é preciso uma aldeia inteira” para dizer que o desenvolvimento faz-se, mas que precisa da agricultura. “É nos mo mentos desafiantes que temos de fazer a diferença.”

22 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022
REGIÃO / Economia
/ A ex-presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, assistiu ao lançamento da nova loja online

As seguintes Juntas de Freguesias do concelho de Abrantes, desejam a todos os seus fregueses

Festas Felizes

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União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede

Valorização do património rural e das coletividades locais tem concurso aberto

// A TAGUS está a receber candidaturas à “Renovação de Aldeias”, até 15 de dezembro.

O concurso tem disponível uma do tação de 115 mil euros, mas que pode vir a ser reforçada, para apoiar, a 80 por centro, projetos enquadrados nes ta operação do PDR2020, a implemen tar nos territórios rurais de Abrantes, Constância e Sardoal para projetos de valorização do património local.

Os objetivos desta linha da Associa ção para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior são a preserva ção, a conservação e a valorização dos patrimónios locais, paisagísticos e ambientais, incluindo o património imaterial cultural e social dos ter ritórios. E a criação ou melhoria de infraestruturas de coletividades locais, onde as populações possam desenvolver atividades culturais e desportivas, bem como processos de empreendedo rismo social de base comunitária, ou seja, desenvolver e implementar solu ções sustentáveis para necessidades das populações rurais sem caráter de resposta social tipificada pelos apoios das áreas governativas da Segurança Social ou da Saúde.

Trata-se do sexto aviso de concurso desta medida, do Programa Nacional de Desenvolvimento Rural, do Portu-

gal 2020, cofinanciada pelo FEADER – Fundo Europeu Agrícola de Desen volvimento Rural. A “Renovação de Aldeias” destina-se a coletividades locais, associações, autarquias, juntas de freguesia e pessoas singulares ou coletivas de direito privado deten toras de património considerado de interesse público. Os investimentos a realizar no Ribatejo Interior, com exceção das freguesias consideradas não rurais, como a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede e a União de Freguesias de Rossio aos Sul do Tejo e São Miguel do Rio Torto, com um custo total elegível entre os 5 mil e os 200 mil euros.

Os projetos que venham a ser aprovados, atualmente, podem con

tar com um apoio de 80 por cento das despesas, associadas à recuperação e beneficiação do património local, paisagístico e ambiental de interesse coletivo e seu apetrechamento, sinalé tica de itinerários paisagísticos, am bientais ou agroturísticos, elaboração e divulgação de material documental do património, incluindo ações de sen sibilização e as de outros investimentos relativos ao património imaterial, como aquisição de trajes, estudos de inventariação do património rural, do “saber-fazer” antigo dos artesãos, das artes tradicionais, da literatura oral e de levantamento de expressões culturais tradicionais, imateriais, in dividuais e coletivas.

A submissão das candidaturas deve ser efetuada através de formu lário eletrónico disponível no sítio do PDR2020 ou do Portugal 2020.

A TAGUS aconselha a consulta prévia deste aviso de concurso, bem como da legislação aplicável, nomeadamente as alterações que a Portaria n.º 187/2021, de 7 de setembro, em http://tagus-ri.pt. A equipa técnica encontra-se disponível para o esclare cimento de dúvidas recorrentes deste concurso, devendo os interessados fazerem agendamento prévio por tele fone 241 106 000 ou pelo email tagus@ tagus-ri.pt.

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO

Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540

EXTRATO DE JUSTIFICAÇÃO

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em trinta e um de outubro de outubro de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas CENTO VINTE E SEIS e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número DEZOI TO – A, MARIA DE JESUS GRAÇA MARÇAL MARQUES, NIF 152.813.314 e marido ADRIANO DE MATOS MARQUES, NIF 144.819.660, casados sob o regime da comu nhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia de Envendos, concelho de Mação, onde residem habitualmente na Rua da Portelinha, número 2, Vale da Gama, Enven dos, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, do seguinte imóvel:_Prédio rústico, composto de horta e oliveiras, sito em Coelheiros, fre guesia de Envendos, concelho de Mação, descrito na Conservatória do Registo Predial de Mação sob o número mil duzentos e cinquenta e seis, da mencionada freguesia de Envendos, inscrito na matriz em nome de Domingos Coelho, sob o artigo 208, secção CM, com o valor patrimonial tributário de 255,30 euros e igual valor atribuído._Que este imóvel se mostra registado a favor de Domingos Coelho e mulher Maria Manuela Marques de Matos, pela apresentação dois, de dez de outubro de mil novecentos e noventa e quatro._Que o mencionado imóvel foi adquirido pelos justificantes, por com pra meramente verbal que deles fizeram àqueles titulares inscritos Domingos Coelho e mulher Maria Manuela Marques de Matos, já falecidos, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram na Rua Arisugawa, número 186, São Paulo, Brasil, feita em data que não conseguem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e noventa e cinco, os justificantes já no estado de casados entre si, no indicado regime de bens._Que em consequência do dito negócio, os justificantes estão na posse e fruição do mencionado prédio, em nome próprio há mais de vinte anos, posse que sempre exerceram pacifica e publicamente, com o conhecimento de toda a gente e sem oposição de ninguém com convicção de serem os legítimos proprietá rios daquele prédio, exercendo sobre ele todos os atos de posse, designadamente, cultivando, limpando-lhe o mato e dele retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades, tudo isto ininterruptamente, sem violência ou oposição de quem quer que seja e à vista de toda a gente.

Esta posse de boa-fé, contínua, pacífica e pública, conduziu à aquisição do direito de propriedade do mencionado prédio por usucapião.

Está conforme.

Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, trinta e um de outubro de dois mil e vinte e dois.

A colaboradora com poderes delegados pela Notária, Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, publicado no sítio da Ordem dos Notários em 01/06/2022

Rute Liliana Rodrigues da Silva, 509/2

REGIÃO /
A “Renovação de Aldeias” destinase a coletividades, associações, autarquias, juntas de freguesia e pessoas singulares ou coletivas

ALTERNATIVAcom assinalou 3 anos com Fórum Democrático em S. Facundo

O movimento independente de Abrantes ALTERNATIVAcom as sinalou no dia 12 de novembro de vida e em simultâneo os 2 anos da associação ABRANTEScom Alterna tiva - Associação para a Democracia e o Desenvolvimento.

Para evocar esta data a antiga escola primária de S. Facundo aco lheu o evento 1.º FÓRUM DEMO CRÁTICO no qual os dirigentes do ALTERNATIVAcom fizeram o balan ço da sua atividade. E convidaram os outros partidos para poderem também apresentar as suas ideias par ao concelho de Abrantes. Por outro lado, foram ainda convidados os presidentes da Junta de Fregue sias eleitos por grupos independen tes, neste caso de Rio de Moinhos (MIFRM) e de Tramagal (MIFT)vão juntar se ao fórum.

Houve ainda um período com 12 intervenções de outros tantos ele mentos do movimento independente antes de o líder Vasco Damas fazer um resumo do Fórum, com a apre sentação das conclusões do mesmo.

De notar que o ALTERNATIVA com convidou os outros partidos para poderem juntar “a sua voz”, mas só o PSD esteve formalmente representado sem querer intervir de forma oficial. Dois elementos do Bloco de Esquerda acompanharam a sessão, embora tenham salientado que se deslocaram a S. Facundo a título pessoal e não partidários.

O movimento apresentou um ví deo com os momentos marcantes da sua vida, com incidência na campa nha eleitoral e em modo de resumo da atividade municipal desenvolvida. O ALTERNATIVAcom apresentou nas reuniões do executivo munici pal, através do seu vereador Vasco Damas, 5 propostas de deliberação e levou a estas 147 assuntos diferentes, com a referência que alguns foram a mais de uma reunião.

Vasco Damas salientou que es tão “satisfeitos e orgulhosos com tanto que fizemos com tão poucas pessoas” e querendo mostrar a evi dência de um grupo unido notou que “todas as semanas temos uma reunião do núcleo mais central para discutir a cidade e o concelho.”

À Antena Livre o líder do movi mento fez um balanço do trabalho, principalmente do último ano, já que marca a presença de eleitos na Câmara e Assembleia Municipal de Abrantes, Freguesias de Martinchel, Abrantes e Alferrarede e S. Facundo e Vale das Mós. Vasco Damas dei xou ainda a indicação que a grande bandeira do ALTERNATIVAcom nos tempos mais próximos vai ser a luta pela abolição de portagens na A23.

Para este fórum o movimento convidou Luís Sousa, professor cate drático, para fazer uma intervenção sobre reforço do papel da oposição em democracia.

Luís De Sousa é investigador au xiliar do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Douto rou-se em Ciências Sociais e Políticas pelo Instituto Universitário Europeu de Florença em julho 2002, com uma tese sobre políticas públicas de com bate à corrupção. É o coordenador responsável da rede de investigação sobre agências anticorrupção (AN CORAGE-NET) e membro fundador e antigo presidente da Transparên cia e Integridade - Associação Cívica (TIAC), representação portuguesa da Transparency International.

Numa palestra sobre democracia e poder local o professor que já pre sidiu à Transparência e Integridade - Associação Cívica deixou claro que “boas instituições, por regra geram democracia de qualidade.” E depois puxando para as autarquias, que é a realidade mais próxima das pessoas, “quando as instituições falham na transparência, na integridade, na

prestação de contas, a parcialidade de ação com empresas, associações etc, se isto for descurado a confiança dos cidadãos nas instituições per de-se.”

O professor fez uma nota sobre um estudo em que está diretamente envolvido. Foram feitos inquéritos aos 308 presidentes das assembleias municipais do país. Ponto prévio não responderam todos. Agora, numa segunda vaga vão alargar a outros eleitos. E neste inquérito a pergunta feita foi sobre direitos de oposição e sobre a democracia local.

E as respostas apontara para que as relações entre “executivos e opo sições são, modo geral, conflituosas. E quando há conflito há problemas com confiança.” E depois acrescen tou que “oposição não é só estar con tra o poder. E poder dar voz a grupos excluídos dos meandros do poder.”

Uma primeira parte do Fórum com a ideia clara de debater a de mocracia, principalmente, nos ór gãos locais e na forma de poder haver uma oposição mais partici pativa.

Jerónimo Belo Jorge

O problema da ascensão do “resto”

Nos últimos anos, “o declínio do Ocidente e a ascensão do resto” ( do inglês “the decline of the West and the rise of the rest”) tornou-se um dos temas mais debatidos dentro das Relações Internacionais. Potencialmente, isto quer dizer que, nos últimos anos, as grandes potências ocidentais têm visto a sua primazia na ordem internacional desa ada pela ascensão de países que conseguiram desenvolver as capacidades militares, o poder económico e a in uência política para questionar e eventualmente rivalizar com a preponderância do Ocidente no contexto internacional. Estamos a falar, de algum tempo para cá, de países como a China, a Índia, a Rússia, o Brasil e, mais recentemente, países como a Austrália, México, Arábia Saudita, Indonésia, África do Sul ou o Irão. Contudo, é um facto que alguns países, como a China, a Índia e a Rússia, estão de volta ao palco das grandes potências e têm assumido uma preponderância internacional que obriga as grandes potências a reequacionarem uma nova projeção do seu poder no mundo. O padrão de ascensão destes países nas últimas décadas é relativamente semelhante: inicialmente fechados ao mundo, estes países iniciam o seu trajeto emergente através de uma abertura gradual que lhes permite voltar a fazer parte da arquitetura internacional e, daí retirar os benefícios políticos e económicos que lhes permitem maximizar as capacidades internas e projetá-las no mundo.

Foi o caso da China quando, em 2001, aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC). Isso permitiu-lhe a entrada de uma vasta quantidade de riqueza que a China tem utilizado para se reerguer nos campos económico, militar e político. A segunda parte deste trajeto ascendente é a que representa um desa o maior: depois de maximizadas as capacidades internas, esses países usam-nas para promover os seus próprios interesses e passam

a rivalizar abertamente com os países ocidentais e a questionarem as regras que sustentam o funcionamento da ordem internacional. É o caso da Rússia ao nível militar, e da China no campo económico e, muito em breve, no campo militar também. A Índia, logo se verá. Há um século atrás, os EUA sucederam ao Reino Unido como a potência dominante. Contudo, foi uma transição pací ca e cooperante que não colocou em causa a estabilidade internacional. Aliás, esta sucessão foi inicialmente apenas económica. O poder militar americano no mundo só foi consolidado após a II Guerra Mundial. Antes disso, os EUA eram um anão militar, com o 18.º maior exército do mundo. Depois disso, a “Pax Americana” trouxe estabilidade e prosperidade relativas ao mundo. Contudo, a atual recon guração da ordem internacional poderá não ser tão pací ca. Hoje, deparamo-nos com potências emergentes que não são mais do que nações governadas por monarquias presidenciais autoritárias, pouco interessadas no respeito pelos princípios que marcaram a ordem internacional até agora: direitos humanos, respeito pelos direitos, liberdades e garantias fundamentais, desenvolvimento económico, cooperação, direito à auto-determinação dos povos e promoção da democracia. E, isso, coloca o futuro no campo da total incerteza e descon ança.

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JORNAL DE ABRANTES POLÍTICA /
Dezembro 2022 /
OPINIÃO /
/ Vasco Damas e Luís Sousa no primeiro Fórum Democrático / António José Carvalho, Rui André, Vasco Damas e Luís Sousa

Tejo Ambiente lança empreitadas de 6 milhões e quer reduzir perdas de água

A Tejo Ambiente está a orga nizar um conjunto de seminários sobre os Fundos Europeus e a Eficiência Hídrica no território. A Tejo Ambiente é a empresa intermuni cipal constituída exclusivamente pelos Municípios de Tomar, Ourém, Mação, Sardoal, Ferreira do Zêzere e Barquinha e que tem como mis são gerir abastecimento de água, redes de águas residuais e recolha de resíduos sólidos urbanos.

No que diz respeito à água, a Tejo Ambiente gere o abastecimen to nos concelhos de Tomar, Fer reira do Zêzere, Mação, Sardoal e Vila Nova da Barquinha e uma das grandes preocupações, em linha com o país, é a redução de perdas.

De acordo com José Santos, administrador da empresa, a média nacional de água não faturada é de 28.7% e na Tejo Ambiente era de 52%. Em 2021 este valor baixou para 46.4%, mas mesmo assim, de acordo com o administrador, são 3 milhões de metros cúbicos por ano que não se faturam, ou seja, quer dizer que há cerca de um milhão de euros a serem perdidos. “A ineficiência tem um custo fenomenal, seja ambiental ou financeiro”, disse o administrador que adiantou que 73% das perdas têm origem real, 25% são aparentes e há, ainda 11% que são fruto de atos ilícitos.

Outra das questões muito falada tem a ver com a viabilidade financeira da Tejo Ambiente e o custo da água para o consumidor. Esse es tudo de viabilidade financeira está definido e aponta como um fator preferencial a diminuição das perdas de água, mas mesmo assim há um outro fator que desequilibra as contas. A Tejo Ambiente compra a água em alta a 60 cêntimos e depois

o custo para o consumidor varia entre os 30 e os 50 cêntimos. Ou seja, contas simples há um défice entre o deve e haver logo à partida. Uma situação que José Santos diz “deveria ter um maior equilíbrio”.

O administrador não comen ta ou avalia os preços em alta, ou baixa, nem discute as razões, uma vez que o preço em alta é definido pela ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos), mas insiste que deveria haver um maior equilíbrio: “se calhar o valor mais alto deveria ser mais baixo e o valor mais baixo deveria ser mais alto.” Mas vincou que o principal trabalho tem de ser na redução das perdas nas redes para poupar ainda mais água, por motivos finan ceiros, mas também por motivos ambientais. Tanto mais que a Tejo Ambiente investiu 2,2 milhões de euros em eficiência hídrica, sendo 1,5 milhões comparticipados pelo Programa Operacional Sustenta bilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR). Este investi mento representou uma poupança direta de meio milhão de metros cúbicos de água.

Neste momento e para fechar os projetos apoiados no âmbito do POSEUR há três empreitadas de dimensão elevada em curso, uma em Ourém e duas em Mação. No concelho de Ourém foi adjudicada na quarta-feira, dia 16 de novem bro, a beneficiação da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Seiça, no valor de 980 mil euros.

Depois o concelho de Mação viu a Tejo Ambiente avançar, dia 2 de novembro, com a adjudicação da empreitada de ligação do sistema a partir da barragem de Corgas, no concelho de Proença-a-Nova. É

uma obra de 1 milhão 156 mil euros de custo e um prazo de execução de 270 dias.

Por outro lado, há uma segunda empreitada de vulto da Tejo Am biente no concelho de Mação que está em fase de análise de propostas. Trata-se da construção do siste ma autónomo em baixa a partir do abastecimento em alta a partir do Castelo de Bode (Abrantes). Trata-se de uma obra com prazo de 300 dias e um volume financeiro de quase 4,7 milhões de euros.

José Santos revelou que nestes casos os prazos é que têm de ser cumpridos, pois como são apoiadas pelo POSEUR têm de estar concluí das até dezembro de 2023.

Uma das questões que foi muito valorizada neste seminário teve a ver com a gestão da rede, quer com a aposta em telegestão por forma a reduzir os problemas, principalmente, com a redução de perdas e com a identificação de roturas, que são outro problema grave, princi palmente em redes que começam a aparentar “problemas com a idade”. E depois é preciso fazer as avalia ções. Se um troço tem uma rotura ou uma dúzia, ou seja, se é preciso reparar a rotura ou substituir as tubagens. E uma das indicações reveladas é que o “tempo de vida das redes” é de 50 anos.

“Sem fundos comunitários não seria possível estender os serviços de abastecimento de água, de sa neamento de águas residuais e de resíduos urbanos, com eficiência e a qualidade imprescindíveis a um bom atendimento da população e do seu bem-estar”, pode ler-se num slide apresentado pela empresa intermunicipal.

Jerónimo Belo Jorge

Perigo de morte!

Andamos todos tão entretidos com os nossos cuidados do dia a dia que não nos damos conta de que há organismos agonizantes à nossa volta. E não são apenas aqueles que estão já em estado de coma por terem perdido tanto a vitalidade como a função. Não, falo de organizações que são decisivas, imprescindíveis, essenciais tanto para a vida comum como para a nossa própria dignidade.

Sem rodeios: falo de como as nossas IPSS estão a ser estranguladas, falo de como algumas estão já em estado de pré-falência, falo de dirigentes (voluntários!) dessas instituições que estão a atravessar momentos pessoais muito difíceis por verem o barco a afundar-se, barco de que eles são capitães por motivos de responsabilidade social e como contributo para a qualidade da nossa vida comum. E parece que nada disto faz ecos fora das respetivas portas.

Imaginemos, então, que fechavam as creches e os centros de dia e os lares que são geridos por IPSS. Quantas pessoas seriam afetadas? Que terramotos familiares e pro ssionais iriam acontecer? Quais os impactos daí resultantes?

Este negócio é típico. O Estado é o único cliente e as IPSS dependem deste cliente único. O Estado estabelece o preço e estabelece também os padrões dos serviços que adquire. Mas não paga de acordo com os padrões que estabelece. E, pior ainda, por vezes paga tarde e a más horas ou mesmo não paga. Pior ainda, se é possível: por vezes relaciona-se com os dirigentes das IPSS como se estes fossem delinquentes, assumindo o papel de juiz autoritário, burocrático e desinteressado pelo que possa acontecer.

Esta é uma novela com contornos pornográ cos a que ninguém parece ligar muita importância. Até ao dia em que… as portas comecem a fechar e, se for tarde demais, algum do património comece a ser vendido para pagamento aos credores.

É absolutamente necessário dizer que o Estado, neste domínio, não

se está a portar como pessoa de bem, está a portar-se sem vergonha. Se fosse uma empresa a portar-se deste modo, haveria uma série de substantivos e adjetivos que lhe deviam ser aplicados. Por ser o Estado, não há nenhum desses substantivos e adjetivos que deva ser evitado.

É claro que o problema é complexo, que há muito que precisa de ser feito, etc. e tal. Mas a verdade elementar é esta: o Estado porta-se como o lobo face ao cordeiro, usa e abusa das pessoas cuja generosidade sustenta um serviço público, torturaas dia a dia e ameaça-nos a todos com o estrangulamento deste setor social da maior importância.

Não dá aqui, neste curto espaço, para dar pormenores, para apresentar preços, para explicar como é que o Estado usa e abusa do seu poder e destas pessoas. Mas os dirigentes das IPSS não habitam em Marte: vivem connosco nas nossas terras, podem com relativa facilidade contar o que se passa, dizer como se sentem. As IPSS não se situam além-mar: estão aí, paredes-meias connosco, aí onde vamos levar as nossas crianças, aí onde tratam ou donde vêm tratar os nossos idosos, aí onde nos vão fazer falta se não forem salvas a tempo.

Este é um problema a que não podemos car indiferentes: cidadãos, organizações de cidadãos, comunicação social, partidos políticos, autoridades públicas e todos os que se sentem responsáveis pela nossa qualidade de vida e pela dignidade das nossas relações.

Se nada for feito, a tempo, seremos todos cúmplices.

26 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022
OPINIÃO /
Se nada for feito, a tempo, seremos todos cúmplices

A Galeria de arte abriu portas no centro histórico

// Já foi uma agência bancária, ao longo de muitos anos, depois uma casa de chá, com bolos e doces, mas agora ganhou nova vida e passou a ser um espaço de arte. Assim mesmo, de forma simples, António Agudo resolveu dar corpo a um gosto pessoal e em vez de ter um espaço fechado e à espera de um qualquer projeto resolveu lançar uma galeria de arte.

A inauguração aconteceu na sexta-feira, dia 18 de novembro, ao final da tarde e juntou os três ar tistas que ali vão mostrar os trabalhos, de pintura, e uma mão-cheia de convidados e amigos do novo galerista de Abrantes.

Esta primeira coletiva tem como mote a galeria “Inunda a Alma”. Mássimo Esposito, o “italiano de Abrantes” é um dos artistas com trabalhos para venda. Ao lado tem os trabalhos do sardoalense Álvaro Mendes. E aos dois junta-se o lis boeta Carlos Santos Marques.

Sendo uma galeria de arte to das as peças expostas estão docu mentadas na folha de sala com o respetivo preço, sendo que a peça de arte mais cara tem o valor de 3500 euros.

António Agudo revelou que A Galeria sai do gosto pela arte “ti nha o espaço não aproveitado e resolvi entrar no mundo da arte.”

Ao mesmo tempo, revela que ob jetivo é apenas para exposição e venda.

O galerista acrescentou que para já tem três artistas, mas es pera difundir a arte com outros artistas, da região e fora da região.

Questionado sobre a rede de espaços de arte em Abrantes, o quAR Tel, o Museu Ibérico de Arqueo logia e Arte (MIAA) e, em breve, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) Charters de Almeida, António Agudo diz que este é mais um

espaço para colocar no roteiro da cidade, que está a apostar na arte.

A Galeria vai estar aberta todos os dias e poderá em breve ter uma cafetaria para fazer com que os visitantes possam apreciar os tra balhos dos três artistas.

Mássimo Esposito é natural de Ferrara e vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo.

Álvaro Mendes nasceu em Sin tra em 1945, mas é no Sardoal que reside. Aliás, foi no Sardoal que expôs em 1991, em nome indivi

dual, e desde aí numa mais parou. A aguarela é a sua praia, estando representado é mais de uma dezena de instituições.

Carlos Santos Marques Nasceu em Lisboa em 1962, tem uma licen ciatura em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Diz que gosta de pintar o que vê e que o lhe proporcione uma boa composição, seja natureza, espaços urbanos, rurais ou interio res, pessoas, animais ou natureza morta. “O tema é, de certa forma, apenas um pretexto para pintar, sem intenção de representar grandes pormenores.”

Os nossos Mortos

No dia 02 de Novembro, celebrou-se o dia de Fiéis Defuntos, efeméride corroída pela pressa de agora, carcomida em virtude da crescente «vergonha» dos vivos ante a morte dos seus fiéis parentes desaparecidos, quantas vezes submersos num apagamento solitário dado terem passado à condição de trastes velhos, mal cheirosos, sem moedas para os netos e notas de banco para os filhos. Muitos filhos evidenciam sinais e gestos de enfado quando lhe lembram o ditado: filho és, pai serás…

O provérbio é cousa antiga, por isso no referente aos entes que devem (deviam) ser queridos na justa medida da reciprocidade, desde a pandemia que aumentou de forma desmesurada a cremação dos mortos deixando de ser fiéis defuntos a demonstrarem e provarem modos de vida quotidiana, períodos de guerra, de tremendas carências e épocas de esplendor como podemos comprovar lendo o clássico Deuses, Túmulos e Sábios.

Os adeptos da cremação dos cadáveres já pensaram na existência de aldeias, vilas e cidades sem cemitérios? Já pensaram no apagamento da memória colectiva dos mortos como tivessem sido atirados para a vala comum à macabra prática nas guerras ora revividas na Ucrânia? Os paladinos da cremação podem argumentar

que, guardam resquícios de cinzas dos progenitores em caixinhas de prata lá em casa. E depois dos seu finamento? Eu conheço as motivações económicas da (in) civilização da queima dos corpos ao longo dos séculos, só de reflectir acerca da banalidade do mal (Hanna Arendt) que foi a monstruosa prática nazi na tentativa de exterminar os judeus, à cremação digo: vá de retro pira funerária. Exactamente!

27 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES
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/ Armando Fernandes
OPINIÃO /
/ António Agudo, Mássimo Espósito, Álvaro Mendes e Carlos Santos Marques

Escola Básica e Secundária D. Miguel de Almeida

Começou a funcionar no ano letivo de 1967/68 e chamava-se então Escola Preparatória D. Miguel de Almeida. A escolaridade obrigatória tinha sido alargada para seis anos, pelo que o governo de então resol veu desligar das escolas técnicas e dos liceus o 2º ciclo, e a criação das escolas preparatórias está precisa mente integrado nesse processo de autonomia do chamado depois ensino básico.

Ficou instalada provisoriamente, até 1975, no velho convento de S. Domingos, na parte onde está hoje o Museu de Arte e Arqueologia de Abrantes (M.I.A.A.) E foi precisamen te nessa altura, (apesar das instala ções exíguas e desconfortáveis e do regime político de então ser adverso a novas experiências) que esta escola teve o seu período de maior brilho, sendo considerada mesmo a nível nacional uma escola modelo.

O seu primeiro director, o escultor Vítor Marques homem com visão de futuro e um corpo docente jovem, empenhado e disponível consegui ram tornar esta escola numa das pedagogicamente mais avançadas do país, dispondo de muitas e varia das actividades extra-curriculares, que muito contribuíram para que os alunos crescessem como pessoas. Teve durante alguns anos um teatro de fantoches, em que os alunos colaboravam em todas as fases do mesmo: criação da peça, confeção dos bonecos, vestuário, enfim na montagem de todo o espectáculo, incluindo a luz e o som. Este grupo deslocou-se a várias escolas do país, sendo sempre muito apreciada a qualidade do trabalho que apre sentava. Além dos fantoches tinha um clube de rádio, com grupos de alunos a responsabilizarem-se pela animação dos intervalos e de outros tempos livres, havia um jornal “A Arca de Noé”, que reflectia a vida da escola e a opinião dos colaboradores sobre diversos assuntos relaciona dos com as suas vivências, tinha um grupo de teatro e até um clube de columbofilia.

A chegada, em 1970, do ministro Vei ga Simão ao Ministério da Educação, responsável pela melhor reforma do

ensino existente até hoje, também muito contribuiu para dar às escolas as condições necessárias de modo a poderem desenvolver atividades que lhes permitissem marcar a diferença.

Esta escola, agora a nível do corpo docente, também teve uma partici pação ativa nas “Jornadas Culturais”, importante evento que se realizou em Abrantes nos anos 1970 e 1971 e que muito contribuiu para abalar o cinzentismo que então marcava a vida político/cultural da cidade. Após o 25 de Abril de 74, Vítor Marques foi substituído na direção, como aconteceu com todos os ou tros diretores dos estabelecimentos de ensino oficial. A escola continuou a desenvolver atividades interes santes como feiras do livro e até dois festivais de poesia infanto-ju venil, onde participaram alunos de todo o país, mas nunca mais teve o brilho que tivera no tempo de Vítor Marques.

Em 1975, transferiu-se para as novas instalações nas Barreiras do Tejo, onde ainda hoje se encontra. Teve ao longo destes cinquenta anos várias denominações e agora integra o Agrupamento de Escolas nº 1 de Abrantes, sediado na Escola Solano de Abreu.

Logo que foi criada foi chamada Escola D. Miguel de Almeida dada a grande ligação da família dos Almei das a Abrantes, a partir do século XV. D. Miguel de Almeida nasceu em

1560 e morreu em 1650, com a bonita idade de noventa anos, o que na altura era raríssimo. Era filho de D. Diogo de Almeida e de D. Leonor Coutinho e sobrinho de D. Francisco de Almeida, 1º vice-rei da Índia. Apesar de já contar oitenta anos, desempenhou papel relevante na preparação e coordenação da fase preparatória da revolução de 1640, que afastou os reis espanhóis e levou D. João IV, até então duque de Bragança, ao trono de Portugal. Desempenhou papel importante na ligação entre Lisboa e Vila Viçosa onde se encontrava o duque, indeci so durante a preparação da conjura e que era preciso convencer rapida mente a tomar uma decisão.

Na manhã de 1 de Dezembro, participou no assalto aos Paços da Ribeira e foi o indicado para disparar o primeiro tiro, sinal combinado para dar início à revolução. Foi também ele que de uma das janelas do Paço gritou a primeira aclamação de D. João IV como rei de Portugal, indo seguidamente comunicar à duquesa de Mântua, representante do rei espanhol, a notícia do novo estado de coisas no país.

D. João IV, reconhecendo o seu importante papel na revolução, nomeou-o vedor da Fazenda, membro do Conselho de Estado e concedeu-lhe o título de 4º conde de Abrantes.

Foi casado com D. Mariana de Castro mas não deixou descendência.

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29 Dezembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES
/
/ Teresa Aparício
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Está doente e não é urgente? Não leve a mal, mas o melhor sítio não é o Hospital

Em teoria, a todas as situações em que a demora de diagnóstico, ou de tratamento, possa trazer grave risco ou prejuízo para o doente.

Sabia que metade dos atendi mentos dos três serviços de Ur gência de adultos do Centro Hos pitalar do Médio Tejo (CHMT) são por problemas de saúde ligeiras e que não precisam de atendimento hospitalar? E que no caso das ur gências pediátricas, seis em cada dez crianças que estão neste mo mento na sala de espera da urgên cia hospitalar do CHMT também não têm critérios de gravidade que levem ao seu encaminhamen to para o hospital?

Estes dados são reais e devem levar-nos a pensar. Esta é uma situação que coloca muita pressão sobre os profissionais de saúde e instituições do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas prejudica sobretudo os doentes que não po dem prescindir de cuidados de saúde inadiáveis.

As Urgências Hospitalares exis tem, então, para dar resposta a que doentes?

É o caso dos traumatismos graves (provocadas por quedas, ou por todo o tipo de acidentes), intoxicações agudas, queimadu ras e afogamentos. Ou também as crises cardíacas ou respiratórias, descompensações de doenças cró nicas, entre tantas outras condi ções súbitas e agudas.

Há ainda situações de saúde de tão extrema gravidade que envolvem a ativação de meios pré-hospitalares e transporte es pecializado até ao Hospital. São as chamadas emergências mé dicas e têm prioridade sobre as demais.

O caráter universal e solidário do SNS não deixa nenhum doente sem resposta. O que quer dizer que não é recusado nenhum aten dimento, por mais ligeira que seja a doença que motivou a ida ao Serviço de Urgência.

Mas essa afluência injustifica da tem já um peso tão grande nas urgências hospitalares que acaba por ter consequências indesejá veis: o aumento dos tempos de

espera para atendimento, poden do em picos de procura obrigar ao encerramento temporário do Serviço de Urgência aos doentes verdadeiramente emergentes, que são aqueles que chegam transpor tados de ambulância. Em alguns hospitais do país já foi anunciada inclusive a suspensão da ativida de cirúrgica programada, para reforçar meios humanos para dar resposta à “avalanche” de “falsas

urgências” hospitalares.

Este inverno pedimos-lhe que faça um esforço para um uso mais adequado das urgências hospita lares. Se está doente, mas não é urgente, pedimos-lhe que procure o serviço de atendimento perma nente do Centro de Saúde da sua área de residência.

Muitos Centros de Saúde têm serviço de atendimento perma nente em horário alargado.

Se está na dúvida em como pro ceder deve ligar gratuitamente para a linha SNS24, através do nú mero: 808 24 24 24. Uma equipa de profissionais de saúde saberá dizer-lhe o que fazer e onde se dirigir.

Com a sua ajuda podemos me lhorar o acesso às urgências e le var mais saúde a quem mais dela precisa. Ajude-nos a passar esta mensagem.

Alterações climáticas, mudança de paradigma

repetir-se no tempo, segundo os especialistas, neste artigo, vamos ter como foco o, ODS 6 - Água Potável e Saneamen to, com ênfase na água para consumo humano.

Sustentável pela Organização das Nações Unidas (ONU). A agenda tem definidos 17 Ob jetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que preten dem ser a visão comum para a Humanidade e um contrato entre os líderes mundiais e os povos, traduzindo-se numa “lista das coisas a fazer em nome dos povos e do planeta”.

A concretização dos 17 ODS até 2030, depende dos compromissos estabelecidos pelos diferentes governos e do envolvimento dos cidadãos. Nesta lógica e pelo facto de termos vivido um ano particu larmente seco, fruto das altera ções climáticas, situação com tendência a prolongar-se e

É fundamental cada um de nós, enquanto cidadão, refletir acerca dos comportamentos que pode alterar para redução do seu consumo, uso eficiente e corrigir os excessos. Na prá tica traduz-se em alterações de padrões comportamentais. Quem ganha? A Humanidade, o Ambiente, constituindo-se como a chave para a sobrevi vência da humanidade. Se não, analise. No planeta, apenas 2,5% de toda a água é doce, só 1/3 deste valor está dispo nível em rios, lagos e aquíferos subterrâneos. De referir que atualmente já se utilizam mais de 50% dos recursos de água doce disponíveis, prevendo-se que até 2025 essa percenta gem suba para 75%. E ainda, cerca de 40% da população do mundo vive em áreas sob stress hídrico, prevendo-se que até 2025 essa percenta

gem possa subir para cerca de 65%, tendo em conta todas as adversidades com que nos defrontamos, seca, pandemias, guerras, uso indevido dos re cursos. Concordamos que a hora da mudança de paradig ma é agora?! O que podemos fazer??

Aplicar aos recursos hídri cos, o princípio dos 5Rs :

Reduzir os consumos, fe char a torneira quando, lava os dentes, barbeia (poupa entre 10 a 30 litros de água). Fechar a torneira do duche durante o ensaboamento (cada 2 mi nutos no banho de torneira aberta gastam-se cerca de 24 litros de água. Descargas de autoclismo apenas quando ne cessário (cada descarga pode gastar entre 10 a 15 litros de água);

Reduzir as perdas e desper dícios, veri car perdas de água nas redes da habitação e/ou equipamentos (torneiras, auto clismos, chuveiros). Aproveitar a água do duche, enquanto está a aquecer, para descargas na sanita, lavagem de chão;

Reutilizar, usar a água de lavagem de legumes, frutas, etc. para regar plantas; Reciclar, águas residuais domésticas resultantes da la vagem da loiça, roupa, banho, com uso a sistemas de pou pança de água para edifícios (são soluções inovadoras que requerem análise caso a caso); Recorrer a origens alter nativas, água da chuva, para rega, higienização espaços exteriores.

Só fará sentido falarmos de desenvolvimento sustentável, se nos basearmos num mode lo de desenvolvimento que permita às gerações presentes satisfazer as suas necessida des, sem que com isso ponham em risco, a possibilidade das gerações futuras virem a satis fazer as suas próprias necessi dades, conforme definição do relatório Brundtland (WCED, 1987). Na prática, cada um de nós é responsabilizado a fazer, a diferença.

Concordamos que a hora da mudança de paradigma é agora?!

30 JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2022 SAÚDE /
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