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Notícias do Mar

Economia do Mar

Texto Antero dos Santos

Arrastão do alto mar

Em Risco Fundos Comunitários por Falta de Fiscalização às Pescas Portugal importa dois terços do peixe que precisa para comer. A pesca artesanal, que é responsável por 80% de tudo o que é pescado, afirma que poderia pescar mais peixe se fiscalizassem e retirassem dos melhores pesqueiros do país as milhares de redes de emalhar de fundo da pesca industrial ilegalmente fundeadas.

A

pesca artesanal queixa-se que se defronta com pouco espaço para lançar os seus aparelhos de anzóis na nossa plataforma continental a qual está inundada por redes de emalhar de fundo que estão permanentemente fundeadas e dali não saem há anos e por Lei só podiam lá estar 24 horas. Estão ali para capturar lagostas atraídas pelos peixes que entretanto morrem e vão apodrecendo. Apenas se aproveita algum peixe que entrou na última maré antes da rede ser levantada. Por causa desta ilegalidade não ser fiscalizada, perdem-se milhares de to2

neladas de peixes que são deitados fora e podiam ser pescados pelos pescadores artesanais. Se não houvesse esta ilegalidade, Portugal não teria de importar tantas toneladas de peixe. Para se fiscalizarem as pescas e estas redes de emalhar de fundo que estão a largas milhas da costa existem as lanchas da Marinha. Porém, os marinheiros das lanchas da Armada, como não são agentes de polícia, quando encontram algum barco de pesca em contravenção, não passam multas nem apreendem quaisquer redes e limitam-se a levantar o auto de notícia. As lanchas da Marinha

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Plataforma continental portuguesa, a mais rica do mundo

navegam milhares milhas todos os meses e gastam centenas de milhar de euros

em combustível sem qualquer efeito prático. Os pescadores artesanais

Lancha Portuguesa Hidra P1154

A Costa Vicentina tem redes permanentes no fundo

dizem que a Marinha apenas finge que fiscaliza, pois continuam no fundo ilegalmente as redes de emalhar da pesca industrial. Por causa da Marinha a fiscalização das pescas é um problema complexo para o Governo A fiscalização das pescas é um problema complexo para a Secretaria do Estado do Mar, em virtude da Marinha com as suas lanchas não actuar como entidade fiscalizadora no que diz respeito às pescas, porque as suas guarnições não são unidades policiais mas sim militares. Sobre a dificuldade da

fiscalização, o Secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu diz que “A fiscalização constituiu uma obrigação de várias entidades tendo, todas elas, obrigações de intervenção nos diversos domínios da actividade da pesca. Dada a complexidade técnica envolvida, aliada à dimensão e diversidade das obrigações que impendem sobre as entidades fiscalizadoras, não é possível manter uma fiscalização permanente e focada exclusivamente numa determinada arte ou zona.” Para além da DGRM, a fiscalização das pescas cabe à Polícia Marítima e à GNR. A Marinha apenas pode funcionar como veículo dos agentes policiais.

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Notícias do Mar

Lancha Portuguesa Orion - P1156

A Polícia Marítima apenas tem nas Capitanias pequenas lanchas ou embarcações semirrígidas, a maioria apreendida

aos contrabandistas da droga. Uma delas, com 15 metros de comprimento, foi preparada pelo estaleiro Sopramar de Lagos e equipada

com uma pequena cabina, dois aladores e uma grua. Esta embarcação que se encontra destacada em Matosinhos é a única que tem

meios para levantar redes do fundo. No que respeita à Marinha, dizem os pescadores que os marinheiros nada

Lancha Portuguesa Dragão P1151

Lancha Portuguesa Centauro P1155 4

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percebem do que andam a fazer. Houve uma ocorrência entre um pescador de Sines e uma lancha da Marinha que demonstrou bem o desconhecimento que os militares tinham para este tipo missão. O facto passou-se ao largo da Carrapateira, na Costa Vicentina, quando os marinheiros de uma lancha da Armada abordaram um barco de pesca que estava a levantar as redes. Ao verem uma abrótea que estava na rede, foi dada ordem para deitar fora o peixe, porque tal espécie não podia ser pescada. Como o mestre do barco de pesca se recusou a tal, porque é uma espécie que pode pescar, o comandante da unidade naval, como apenas lhe podia levantar o auto de notícia, obrigou o barco de pesca seguir para Sines, para lhe ser feito o respectivo processo de contra-ordenação na Capitania porque só esta o podia fazer. No fim, como o pescador tinha razão, acabou por ficar com a abrótea mas também com um enorme prejuízo de um dia de pesca perdido. Perguntámos ao Chefe do Estado-Maior da Armada porque acontecem estas situações e este respondeu que ” Perante a constatação que uma embarcação de pesca se encontra a infringir as normas legais que regulam a actividade da pesca, deve ser levantado pelo comandante da unidade naval o respectivo auto de notícia e consoante os actos que se revelem adequados à situação, serem aplicadas as necessárias medidas cautelares por determinação da Autoridade Marítima Local, entidade competente para o ulterior desenvolvimento processual.” Portanto o CEMA confir-

Arrastão com dois sacos

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Arrastão pela popa

mou, que as lanchas da Marinha em operação de fiscalização, apenas tomam nota da ocorrência e entregam o assunto à Capitania que estiver mais perto. E como não podem sequer apreender e levantar as redes porque nem têm aladores, as lanchas de fiscalização voltam para o porto. Nem sequer fiscalizam à noite, normalmente no período de maior intensidade da faina de pesca. Devido a este grave abandono de fiscalização em que se encontra a nossa plataforma continental, a mais rica do mundo, fomentou-se o negócio dos “Terrenos” com as redes de emalhar de fundo da pesca industrial. Como as redes estão permanentemente fundeadas,

Arrastão das grandes profundidades 6

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constituem um elevado valor, pois são consideradas como um “Terreno” que é transaccionado juntamente com o barco e a respectiva Licença. Sobre esta ilegalidade absurda, o director-geral da Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), Miguel Sequeira, disse-nos na conferência “O Futuro da Pesca” que decorreu durante a Semana Azul, “Conhecemos esse assunto mas isto é um problema complicado de fiscalização que não conseguimos resolver”. Entretanto, Miguel Sequeira, durante a terceira conferência dedicada ao “Sistema de Autoridade Marítima” falando sobre o mesmo assunto disse, “A atribuição de fundos comunitários para actividades marítimas em Portugal vai depender da sua capacidade de fiscalização, inspecção e monitorização nesse domínio”. O Governo confirma que o assunto é complicado e não se faz fiscalização nas pescas e mais grave ainda, estão em risco os “fundos comunitários”, por causa disso.

Santo António. Têm 27 metros de comprimento e atingem a velocidade de 28 nós com 2 motores a diesel MTU de 3.486 HP. Quanto à autonomia, conseguem 1.350 milhas a 15 nós e 200 milhas à velocidade máxima de 28 nós.Estão ainda equipadas com um semirrígido que transporta num pequeno poço a popa. A guarnição destas lanchas é constituída por um oficial, um sargento e seis praças, mas tem ainda a

Pesca de arrasto com dois sacos

possibilidade de alojamento adicional para mais um oficial, um sargento e duas

praças. Estas lanchas que têm a capacidade de navegar a

Como fiscalizar as pescas com a Marinha A Marinha tem no activo cinco lanchas de fiscalização rápida da classe Argos, destinadas, para além de outras missões, à fiscalização da pesca até à distância de 50 milhas da costa. Portanto com capacidade para navegar em toda a plataforma continental que na parte mais larga tem cerca de 40 milhas. As lanchas da classe Argos foram projectadas pelo Arsenal do Alfeite e construídas em fibra de vidro em conjunto com os Estaleiros da Conafi de Vila Real de 2015 Agosto 344

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Boia de rede de emalhar de fundo

toda a velocidade com condições de mau estado de mar “Força 5”, têm participado em inúmeras missões e exercícios importantes da Marinha. Apenas a fiscalização das pescas não está mencionada no seu historial. Pelas suas característi-

cas são as lanchas ideais para fiscalizarem a pesca, mas para que essa missão seja eficiente, têm que incluir, nem que seja apenas um elemento da Polícia Marítima ou da GNR que apliquem a sua autoridade policial, apreendam as redes ilegais e passem as contra-

ordenações necessárias aos mestres das embarcações infractoras. No entanto, para que esta fiscalização às pescas seja real, os elementos policiais que vão a bordo têm que estar permanentes na lancha ou serem da guarnição, não podem continuar a

ser utilizados só de vez em quando. Quanto ao equipamento, as lanchas apenas necessitam de estar equipadas com aladores e uma grua. Só assim qualquer rede pode ser levantada e depois transportada apreendida para o porto mais próximo, à ordem da respectiva Capitania. A Lei diz que estas redes não podem estar caladas mais de 24 horas. Assim, durante o dia as lanchas da Marinha, podem identificar as bóias das redes de emalhar de fundo, para saberem a quem pertencem. Depois para descobrir as redes que estão há mais de 24 horas no fundo, basta a lancha sair durante a noite e confirmar quais os barcos iluminados que estão à pesca, porque ninguém pesca às escuras. Quem manda na Marinha é o Ministro da Defesa Nacional Se cabe ao Ministério da Defesa Nacional a autoridade sobre a Marinha, deve ser este Ministério que tem afinal a competência para

Lancha francesa de fiscalização 8

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Navio espanhol de fiscalização das pescas

indicar como quer que actuem as lanchas de fiscalização rápida na fiscalização das pescas e como devem ser constituídas as suas guarnições, para passarem a ser eficientes nas suas missões. Já foi utilizada uma lancha da Marinha com agentes da ASAE para fiscalizar um arrastão espanhol, acontecimento filmado e transmitido na TV. É evidente que a Marinha, tal como estão a actuar as suas lanchas, como entidade fiscalizadora das pescas é completamente ineficaz e causa custos elevados. Perante esta situação de reduzida eficiência na fiscalização das pescas, endereçámos ao Ministro da Defesa Nacional as se-

guintes perguntas: 1- Porque razão as lanchas da classe Argos ou outras unidades navais da Marinha, quando  se encontram  em missão, não incluem sempre agentes da Polícia Marítima, ou de outra autoridade com Poder de Autoridade Marítima competente em razão da matéria e do espaço, visando a fiscalização da pesca? 2-  Que autoridade competente pode determinar que as unidades navais tenham embarcados agentes da Polícia Marítima ou de outra autoridade com Poder de Autoridade Marítima competente em razão da matéria e do espaço, visando a fiscalização da pesca?

3- São as unidades navais com missão atribuída de vigilância das pescas adequadas para esse efeito sem estarem conve-

nientemente equipadas com pessoal com autoridade competente para o exercício da autoridade de fiscalização e para a ope-

Rede de emalhar de fundo a recuperar 2015 Agosto 344

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Notícias do Mar

Navio de fiscalização das pescas de Angola

ração de equipamentos, com equipamentos e espaço de faina e guarda de material apreendido? 4- Dada a grave situação em que se encontra a capacidade de fiscalização nacional em relação às pescas no espaço de soberania e jurisdição nacional, não deviam ser encontradas soluções adequadas conformes com a Constituição da República

e a lei no âmbito do exercício da autoridade do Estado no mar e no que concerne a navios de Estado civis ou militares adequadamente equipados em pessoal e material para o fim em vista? Aguardámos duas semanas pelas respostas. E disseram-nos sempre que o assunto estava em apreciação. Agora houve um despa-

cho do Ministro da Defesa Nacional, para a lancha da Polícia Marítima, cabinado de 15 metros ser desmobilizado da missão de fiscalizar as pescas, retirados os aladores e a grua e enviada numa operação da Agência Frontex, para a Grécia no último trimestre do ano, para recuperar imigrantes. O que é grave nesta decisão são os gastos desnecessários para desmontar o

equipamento desta lancha e retirá-la das operações de fiscalizar as pescas. Com tudo o que se está a passar, chegamos à conclusão que o Governo não tem qualquer interesse pelas pescas nem pela sua fiscalização, mesmo sabendo que a atribuição de fundos comunitários para actividades marítimas em Portugal vai depender muito da sua capacidade de fiscalização.

Navio de fiscalização das pescas dos USA 10

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Notícias do Mar

Notícias da Marina de Lagos

Marina de Lagos

distinguida com as 5 Âncoras de Ouro

A Marina de Lagos obteve recentemente a classificação máxima de 5 Âncoras de Ouro, atribuída pela The Yacht Harbour Association que volta a atribuir esta classificação após mais uma avaliação exaustiva das suas instalações, colaboradores e serviços.

A

renovação da distinção das 5 Âncoras de Ouro da TYHA é resultado de uma classificação excelente num vasto um conjunto de avaliações, com critérios exigentes, que incluem uma rigorosa auditoria à marina, acções de

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cliente-mistério e apreciações de clientes. A classificação máxima representa assim a qualidade das instalações e comprova a excelência do serviço prestado ao cliente. A Marina de Lagos encontra-se também a concurso para “Marina of the Year”.

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Promovida pela mesma entidade, a votação é aberta a todos os nautas até 30 de Novembro de 2015 em Marina of the Year Awards. Ponto de partida e chegada há 600 anos

Este ano celebram-se precisamente os 600 anos do início dos Descobrimentos, e desde então a cidade de Lagos tem assumido um papel primordial na náutica atlântica. À época, Lagos foi fundamental na odisseia dos Descobrimentos, como ponto de escala obrigatório para quase todos os navios. Actualmente, beneficia da sua localização estratégica para paragem nas rotas


Notícias do Mar

internacionais ao longo do mediterrâneo, Cabo Verde e Caraíbas. A Marina de Lagos tem sido ponto de chegada de regatas como a ARC Europe (Caraíbas-Lagos), a ARC Portugal (Reino Unido-Lagos) ou a Regata dos

Portos dos Descobrimentos, com partida de Palos de La Frontera. Inserida num complexo imobiliário e turístico criado e gerido pelo Grupo MSF, que inclui o Marina Club Lagos Resort (hotel

de 4 estrelas e apartamentos turísticos), a Marina de Lagos detém também a classificação máxima de 5 estrelas atribuída pelo International Marine Certification Institute (IMCI), o Euromarina Anchor Award e à Bandeira Azul da

Europa, que certificam a sua excepcional qualidade aos níveis de serviço náutico, segurança, protecção ambiental, higiene, disponibilidade de equipamentos de lazer, alimentação e serviços e apresentação, entre outros.

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Náutica

Teste Riamar 550 Open com motor Mercury 80 EFI

Texto Antero dos Santos Fotografia Riamar

Boa Prova de Mar a um Barco Pescador

Riamar 550 Open

Testámos no passado dia 11 de Junho no mar em Aveiro um modelo Riamar 550 Open equipado com um motor Mercury 80, numa saída em que mostrou ter boas características como barco pescador.

A

Riamar, fabricante de embarcações em PRFV (poliéster reforçado com fibra de vidro) há 50 anos, agora com estaleiros em Ílhavo, a 1 Km da Ria de Aveiro, tem a produção dirigida a duas linhas, uma de recreio e outra profissional. A gama de recreio é constituída por oito modelos desde os 3,80 aos 6,22 metros de comprimento. Quanto à gama profissional, constrói barcos a partir dos 3,20 até 7,18 metros 14

de comprimento. Nos processos de construção a Riamar utiliza o poliuretano em PVC em vez da madeira nos reforços estruturais do casco, garantindo assim mais robustez e durabilidade. O Riamar 550 Open estava equipado para um pescador. O Riamar 550 Open é um barco com uma forma elegante onde se acentuam as linhas curvas do casco e arredondadas da consola. Foi desenvolvido para

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ser personalizado ao gosto dos pescadores ou servir como barco familiar, com uma pequena cabina onde duas pessoas podem pernoitar. O casco em branco e azul marinho, reforça a estética do barco. O modelo que testámos, tem como proprietário um pescador da Aveiro. O barco portanto já tinha tudo o que um pescador precisa. Neste barco destacam-se três zonas equipadas para oferecer uma boa utilização. Ao centro o posto de condução

com um banco individual giratório e regulável para o piloto e uma consola que tem uma cabina no interior. Atrás o poço convertível em barco de passeio ou de pesca. À frente com um banco na consola e assentos à proa, convertíveis em solário ou para receber pescadores. Conforme o tipo de pesca que se pratique, ao corrico, ao fundo ou à deriva, e também o estado do mar, o número de pescadores varia. Sem embaraçarem as linhas, com o barco fundeado podem estar dois de


Náutica

Consola de condução com a porta para a cabina um porta-canas. Ao meio do poço encontrase um grande porão onde se guarda o depósito de combus-

cada lado. Para os pescadores, está no poço a maior satisfação. Na popa encontra-se um banco de cada lado. Neste foi colocado um viveiro para isco vivo dentro do banco de bombordo, com amortecedor hidráulico na tampa, para permanecer aberta permanentemente. Dentro do outro banco podem-se guardar os iscos mortos. Para guardar o peixe que se pesca existem dois compartimentos com tampa no piso, onde cabem açafates. Na borda de cada lado está

tível e palamenta. À frente da consola há assentos para se sentarem três pessoas. Se forem pescadores,

O Riamar 550 Open tem o casco com características marinheiras 2015 Agosto 344

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Náutica

Motor Mercury 80 EFI A Mercury desenvolveu três novos motores a 4 tempos com o mesmo bloco, 80/100/115, com base na plataforma de concepção Verado. O Motor Mercury 80 EFI a 4 tempos, caracteriza-se por incorporar as últimas inovações tecnológicas da Mercury, que lhe permite uma elevada combinação de potência e força com inigualável poupança de combustível. Este motor fora de borda Mercury tem um bloco com 1732 cm3 de cilindrada, quatro cilindros, oito válvulas e dupla árvore de cames à cabeça. Caracteriza-se por proporcionar alta potência e elevado binário. A nova geração Mercury a 4 tempos foi desenvolvida segundo a mesma arquitectura dos populares e fiáveis Mercury 150 EFI, assegurando arranque a frio, estabilidade de funcionamento e elevada durabilidade, qualquer que fossem as condições de navegação. Com a injecção electrónica de combustível garante arranque instantâneo e um desempenho com excelente nível de continuidade e sempre fiável. A transmissão de design hidrodinâmico é totalmente inovadora, com uma elevada relação de caixa de 2.33:1 que melhora a eficiência, reduz o consumo e aumenta as RPM O motor é compatível com SmartCraft que integra todas as funções do barco e do motor, fornecendo todas as informações, para maior segurança. Como a carcaça superior do motor está insonarizada, o seu escape é silencioso e foram instaladas diversas partes do motor, de modo a reduzir vibrações e diminuir o ruído da admissão, o motor funciona de forma notavelmente muito silenciosa e suave. Com um alternador de 50 amperes, o mais potente nesta classe de motores, permite a montagem de múltiplos aparelhos. Sem manutenção de válvulas, é algo Inovador também neste motor que o torna mais simples de manter, com apenas a mudança de filtros de óleo e de combustível e através do sistema de lavagem do motor com água doce.

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A cabina há espaço para dois pescarem. Se for para apanhar sol, podese montar um solário. Sob o assento da proa existe também um porão para arrumar palamenta, bóias ou equipamentos. Junto da proa encontra-se o porão para o ferro e a roldana para o cabo de fundear. A cabina tem a entrada na consola e dentro dispõe de uma cama em V. Junto à entrada com o pé direito de 1,20 m, dá para se estar sentado. A cama

tem o comprimento de 1,80 m e de largura tem 1,00 m. A cabina tem prateleiras e bolsas de arrumação. A circulação do poço para a proa é fácil porque a passagem é larga e tem o apoio de um elegante varandim em aço inox. No poço, junto aos bancos da popa estão fixadas pegas em aço inox na borda, de forma a não prender as linhas de pesca a correr. A escada de banho fica a estibordo.

Banco na consola


Náutica

Viveiro de isco vivo Os cunhos de amarração de popa ficam bem atrás, não provocando facilmente prisões às linhas. Outro pormenor interessante, o proprietário do barco mandou instalar um chuveiro de água doce, não à popa mas à

frente, para melhor lavar o barco no fim de cada jornada de pesca e a água sair pelos autoescoantes. Desempenho marinheiro fora da barra de Aveiro

Compartimento para guardar o peixe O vento era ligeiro e o mar fora da barra de Aveiro tinha uma ligeira agitação, com as condições óptimas para testar o barco e os seus limites. Fizemos o teste com duas pessoas a bordo. Por segurança fizemos os

testes de aceleração e de velocidade máxima a favor do mar. O arranque foi quase instantâneo, pois em apenas 1,58 segundos já planávamos, sem dúvida graças ao elevado binário do motor e à facilidade do casco à popa sair da água. Pe-

O Riamar 550 Open é um barco seguro, muito estável e fez boas performances com o Mercury 80 EFI 2015 Agosto 344

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Náutica

O Riamar 550 Open tem uma forma elegante las mesmas razões, no teste de aceleração até às 5.000 rpm, atingimos os 25 nós em 8,56 segundos. Em velocidade máxima, atingimos os 31 nós às 6.000 rpm,

O Riamar 550 Open tem características polivalentes para o recreio e a pesca 18

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Náutica

Chuveiro de água doce à frente para lavagem

Porão no poço

uma performance que consideramos muito boa para este conjunto. No teste de velocidade mínima a planar os 12 nós às 3.000 rpm que fizemos, indicam-nos que a característica do casco agarra bastante o barco à água. O tipo de casco com um V evolutivo, uma proa com um design deflector e acentuadas formas de estabilidade lateral, davam-nos a indicação que o barco teria um comportamento adequado no mar, aquilo que chamamos um desempenho marinheiro. E de facto foi o que comprovámos, a navegar contra a mareta do vento a 18 nós com comodidade, com o casco a cortar a água sem bater. Muito provavelmente haverá dias em que o proprietário do barco sai para os pesqueiros a

Banco à proa 2015 Agosto 344

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Náutica

O casco tem um V evolutivo e acentuada forma de estabilidade lateral 25 nós. Neste dia não. O mar é que manda. Testámos em seguida o barco a navegar a favor do mar. Com as condições que estavam, o Riamar 550 Open desceu a ondulação à velocidade de 20/22 nós sempre direito, sem guinar nem travar na água. Com o barco embalado e numa velocidade económica de cruzeiro, a navegar a favor da água às 4.000 rpm mantivemos a velocidade de 20 nós, uma performance muito boa no mar. Graças às características do casco, o Riamar 550 Open curva bem agarrado à água e em virtude da sua boa estabilidade pouco adorna. Também o casco deflecte

bem a água para fora e não salpicou para o interior, deixando no final o convés seco. Queremos concluir que o Riamar 550 Open que testámos, estava completamente equipado para a pesca e teve um bom comportamento de barco pescador. É uma embarcação segura e estável quando está parado, uma das qualidades que os pescadores gostam. Para o mercado dos passeios familiares tem ainda uma mesa de piquenique para a frente da consola e muitos outros opcionais. Salientamos que o conjunto com o Mercury 80 EFI mostrou um desempenho com excelente aceleração e boas performances.

Porão à proa 20

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Características Técnicas Comprimento

5,49 m

Boca

2,28 m

Pontal

1,24 m

Calado

0,27 m

Peso sem motor

600 Kg

Lotação

6

Potência aconselhada

60 HP

Potência máxima

150 HP

Motor do teste

Mercury 80 EFI

Preço barco/motor Mercury 60 EFI

Preço base: 21.505 e + IVA

Preço barco/motor Mercury 80 EFI

Preço base: 22.270 e +IVA

Performances Tempo para planar

1,58 seg.

Aceleração às 5.000 rpm

25 nós em 8,56 seg.

Velocidade máxima

31 nós às 6.000 rpm

Velocidade cruzeiro

20 nós às 4.000 rpm

Velocidade mínima a planar

12 nós às 3.000 rpm

3.500 rpm

16 nós

4.000 rpm

20 nós

4.500 rpm

22,5 nós

5.000 rpm

25 nós

5.500 rpm

29 nós

6.000 rpm

31 nós

Estaleiro: Nautav Riamar Ilhavo rua 4 B 3830-527 Gafanha da Encarnação Telm: 915719726 - 917843554


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Notícias do Mar

Projecto Minouw

Portugal

Poderá Comer Mais Peixe e Importar Menos

Peixe capturado em arrasto para rejeitar Um novo projecto europeu de investigação e inovação que arrancou em parceria com o CCMAR, Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, tem como objectivo reduzir gradualmente as rejeições das pescas na Europa.

P

ortugal é a seguir à Islândia, que consome 91Kg per capita, o país europeu que

come mais peixe, com 57,2 quilos. Na UE, o consumo é em média de 21,5 quilos por pessoa, menos de metade dos

portugueses. Em 2013 as principais espécies pescadas em Portugal foram a sardinha cerca de 60 mil

Peixe rejeitado que deu a uma praia 22

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ton., cavala 20 mil ton., carapau 19 mil ton., peixe-espada preto três a quatro mil ton., cavala 2.500 ton., pescada 2.000 ton. e outras espécies como polvo, raia, congro e faneca. O grave problema é que apenas pescámos 144.654 toneladas e consumimos mais de 572 mil toneladas. Felizmente a nossa plataforma continental é também extremamente rica e variada com outras espécies de peixes. Porém, a utilização intensiva de artes de pesca como o arrasto e as redes de emalhar de fundo, tem destruído os fundos e os pesqueiros e apresentam uma percentagem extremamente elevada de rejeições. Segundo a Comissão Europeia, conforme as artes de pesca utilizadas, é prática corrente os pescadores deitarem fora


Notícias do Mar

passou a sua quota para uma determinada espécie. Para evitar a captura dos juvenis, facto que impede o peixe de se tornar adulto, a CE acabou por legislar no sentido dos pescadores serem obrigados a deitar ao mar todo o peixe que não tinha medida. Porém, depois de um acordo na EU surgiu uma nova política das pescas, onde a sustentabilidade é o ponto central da nova política comum, são proibidas as rejeições e deve-se fazer ajustamento das frotas Desde o início de Janeiro todo o peixe terá de ser trazido para terra. Quanto às quotas haverá alguma flexibilização, para que parte dos peixes de valor comercial pescado em excesso, possa ser vendido, de modo a desincentivar as rejeições.

para o mar entre 10% a 60% do que pescam. Esta grave situação de desperdício acontece porque o peixe capturado não é comerciável, é demasiado pequeno e não apresenta o tamanho regulamentar ou o pescador já ultra-

Assim nasceu o projecto Minouw As rejeições da pesca ainda são hoje em dia um problema na indústria pesqueira. As espécies sem valor económico e os juvenis de espécies comerciais, que vêm nas redes de pesca, são muitas vezes devolvidas ao mar já sem vida, o que representa um desperdício de recursos naturais. O projecto Minouw prevê uma série de actividades que procuram desenvolver tecnologias e procedimentos de pesca que ajudem a maximizar a quantidade de pescado indesejado que escapa vivo às redes ou que sobrevive depois de ser descartado e devolvido ao mar. Este projecto tem como objectivo avaliar a melhor forma de utilizar a fracção de pesca rejeitada

Peixe pescado em excesso acaba por ir para farinha

A missão do CCMAR

P

ara sabermos mais sobre que trabalhos vão ser desenvolvidos por Portugal, contactámos Andreia Pinto do CCMAR com algumas questões. Que tipo de trabalhos vai desenvolver o CCMAR? Vai participar/desenvolver trabalhos de: - tecnologia das pescas: novas artes e modificações de artes para mitigar a pescas acessória (by-catch) - pesca selectiva - avaliação de artes alternativas (por exemplo armadilhas para crustáceos em vez de arrasto) - modelação (para avaliar os impactos das novas medidas e do “discards ban”) - mapeamento de habitats e de zonas/fundos com elevados níveis de pesca acessória - valorização de bens e serviços do ecosistema - estudos bioeconómicos - estudos sobre a utilização de capturas não desejadas - formação (para os stakeholders, nomeadamente os pescadores e armadores) - divulgação Dos 18 casos em estudo, os que parecem ser mais importantes para Portugal? Casos de estudo da responsabilidade do CCMAR: - Arrasto de crustáceos (Algarve) - Cerco - pequenos pelágicos (Algarve)  - Redes de tresmalho e armadilhas (Algarve)  - Ganchorra  (Algarve) Porque não estão incluídos no Projecto Minouw as redes de emalhar de fundo da pesca industrial? Há muitas artes de pesca, e seria de todo impossível estudar todas elas com toda a profundidade que desejamos. Por isso, e no enquadramento do projecto MINOUW escolhemos artes de interesse para mais do que um dos 15 parceiros do projecto. que é trazida para terra e minimizar o impacto das capturas acessórias, incentivando a adopção de novas tecnologias de pesca mais selectivas e novas práticas que reduzam a mortalidade pré e pós captura, nomeadamente em espécies marinhas mais sensíveis, e o impacto desta mortalidade nos respectivos habitats. Numa primeira abordagem o projecto Minouw pretende de-

senvolver e demonstrar soluções técnicas/tecnológicas e sócioeconómicas que possibilitem e incentivem os pescadores a evitar a pesca de espécies indesejadas. As soluções para esta questão serão desenvolvidas com base numa análise de casos de estudo de vários tipos de pesca praticados na Europa, usando uma abordagem pluridisciplinar

Pesca de cerco industrial 2015 Agosto 344

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Notícias do Mar

O resultado de um arrasto para apanhar camarão que pretende juntar desde aquacultores a consumidores, pescadores locais, frotas pesqueiras e armadores, investigadores e empresários do ramo, em busca de soluções práticas, capazes tecnologicamente, ambientalmente responsáveis e economicamente viáveis. O projecto engloba sete grupos/áreas de trabalho e baseiase no desenvolvimento de soluções de acordo com 18 casos de estudo, que representam

Saco de peixe dum arrastão 24

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as três mais importantes frotas pesqueiras da Europa: arrasto de profundidade, cerco e pesca artesanal. O consórcio responsável pelo projecto integra 15 beneficiários e quatro entidades de 10 países Este projecto está integrado no quadro Horizonte 2020 e inclui organizações e instituições de diversas ordens. O CCMAR - Centro de Ciências do Mar - é o único parceiro e beneficiário nacional

Pesca artesanal de cerco à sardinha


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Náutica

Teste Capelli Tempest 750 White Carbon com Honda BF250 VTEC

Texto e Fotografia Antero dos Santos

Personalizado para Marítima Turística

Um novo modelo Capelli, desenvolvido para servir as actividades marítimoturísticas, foi-nos apresentado para testar no passado dia 23 de Junho em Portimão, o Tempest 750 Wnite Carbon equipado com o motor fora de borda Honda BF250 VTEC.

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ara este teste tivemos o convite da Grow, o importador e representante dos motores fora de borda Honda para 26

Portugal e da PortiNauta, importador do estaleiro italiano Capelli. A linha Work dos Capelli Tempest tem seis modelos dos 4,30 aos 8,79 metros de

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comprimento, dos quais o 900 e o 750 estão concebidos para as viagens de observação aos golfinhos e baleias ou para servir de apoio às escolas de mergulho.

O Tempest 750 White Carbon que testámos tem os flutuadores construídos em Neoprene/hypalon Orca 1670 dtx, na cor cinza e branco atrás, dando um to-


Náutica

em aço inox para prender as 12 garrafas de mergulho. O piloto dispõe de um encosto para a condução de pé que lhe permite de um modo fácil e confortável o acesso aos comandos. A consola de condução é individual e tem um pára-brisas alto em acrílico fumado, protegido por um corrimão em aço inox. O painel de instrumentos está bem visível e leva uma bússola em cima. Ao lado dos comandos fica o quadro eléctrico. A consola tem uma porta estanque com um compartimento dentro. Atrás e de cada lado do encosto, encontra-se um banco dentro do qual existe um compartimento com tampa, onde se podem guardar sacos ou equipamentos. Junto à proa existe um pequeno solário com almofada sob o qual fica um enorme porão para arrumar palamenta e o porão para o ferro. Para prender o cabo de fundear, na proa está colado

Posto de condução

Capelli Tempest 750 White Carbon

que do clássico design italiano. A ideia foi dar mais elegância aos flutuadores e de facto ficaram visualmente mais atraentes do que construídos com a mesma cor. A consola de condução está recuada para aumentar o espaço à frente e colocarem-se até 6 bancos jockey duplos ou fixar uma armação

O casco é em V profundo e largo atrás 2015 Agosto 344

27


Náutica

Capelli Tempest 750 tem dimensões adequadas para marítimo-turística

um cunho de amarração em borracha. O barco tem um depósito de combustível incorporado

com a capacidade de 315 litros. Na popa está montado um arco de luzes em aço inox.

Espaço desimpedido para equipar com bancos jockey ou armação para 12 garrafas de mergulho 28

2015 Agosto 344

Equipamento Standard: Bússola, Consola de condução, Bomba de enchimento, Pagaias, Encosto de

condução de pé, Painel eléctrico, Pára-brisas, Bomba de fundo, Depósito de combustível de 315 litros, Direcção

Junto ao encosto estão dois bancos


Náutica

Atrás a condução está numa boa posição

hidráulica. Opcionais: Almofada solário de proa, Kit bancos popa, Bancos jockey duplos, banco jockey individual, suporte de 12 garrafas, Arco de luzes inox, Escada de banhos, “Soft Top” disponível com consola especial. No teste resposta com altas performances O Capelli Tempest 750 que testámos, vem preparado para receber equipamento para operar como embarcação para actividades marítimo-turísticas. Tal cmo 2015 Agosto 344

29


Náutica

A maior potência com o motor Honda BF250 VTEC

O

Honda BF250 VTEC é o motor mais potente da marca japonesa, pioneira dos motores fora de borda a 4 tempos. Tem um bloco motor com 3.583 cm3 de cilindrada, é um motor V6 de 60 graus com 24 válvulas, (SOHC), que apresenta o novo conceito de estilo da Honda, com um design estético, de aspecto esguio, devido ao desenho da admissão directa das entradas de ar no capot. A partir deste motor foi lançada uma nova geração de motores fora de borda Honda, agora com a nova cor Prata Aquamarine e novos gráficos. O Honda BF250 VTEC responde perfeitamente ao conceito de produto e de objectivos, criado para alargar a gama de alta potência através da incorporação de tecnologias exclusivas Honda, sobejamente comprovadas. Quanto ao desempenho, conseguiu-se um arranque soberbo, elevada potência durante todo o regime de ro tação e excelente manobrabilidade. Isto deve-se por incorporar o sistema VTEC, que varia electronicamente a elevação e duração da abertura das válvulas da admissão, para obter as maiores performances a baixa e a alta rotação. Quanto ao arranque, deve-se também ao sistema BLAST, binário aumentado a baixa rotação, para obter acelerações rápidas principalmente no arranque, para as embarcações planarem mais rapidamente. O motor tem o sistema PGM-FI, a injecção programada de combustível, que reduz o consumo e aumenta igualmente a performance no arranque. No que respeita à eficiência de combustível, com o sistema ECOmo, o BF250 VTEC consegue baixos consumos em velocidades de cruzeiro em rotações entre as 3.000 rpm e 4.500 rpm . Também uma relação de transmissão baixa, 2.0 e uma caixa de engrenagens hidrodinâmica, marca uma importante característica deste motor. O esforço de engrenagem foi ainda mais reduzido graças à introdução do novo sistema de Controlo e Redução da Carga de Engrenagem. Em virtude das suas características, o Honda BF250 VTEC está dirigido ao mercado do cruzeiro para embarcações semi-rígidas de passeio, barcos “day-cruiser”, pesca offshore, e também semi-rígidos de velocidade. Para o mercado profissional, o Honda BF250 VTEC destina-se a equipar embarcações de vigilância e patrulha costeira e barcos de apoio a regatas O BF250 VTEC tem a ligação NMEA 2000 que permite visualizar em dispositivos compatíveis diversas informações sobre o funcionamento do motor. Como características muito relevantes, o Honda BF250 VTEC é um motor muito equilibrado e silencioso, com um consumo muito reduzido. O Honda BF250 VTEC tem 3 anos de garantia.

30

2015 Agosto 344

Porões à proa sob o solário

estava com o espaço desimpedido, pesa 950 Kg e pode transportar 24 pessoas, com a carga cerca de 1.500 Kg. Mas para viagens aos golfinhos com os bancos jockey ou saídas com grupos de mergulhadores, o peso da carga passa para metade. Segundo o estaleiro, a potência máxima para este barco é de 250 HP. Deste

modo o motor montado, o Honda BF250 VTEC, está perfeitamente indicado para responder às necessidades de carga que se meter no barco. Como fizemos o teste com o barco vazio e apenas com duas pessoas a bordo, atingimos facilmente elevadas performances que nos permitiram tirar conclusões


Nรกutica

O Honda BF250 VTEC equipava o Tempest 750

O Tempest 750 a curvar com a maior seguranรงa 2015 Agosto 344

31


Náutica

O Tempest 750 atingiu altas performances

com interesse. Logo no arranque sentimos a falta de peso à frente, mesmo assim planámos em 2,38 segundos. Com o peso equilibrado, o arranque seria sempre menos que os 2 segundos. Consideramos

Encosto de condução em pé painel de instrumentos 32

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também que a facilidade de planar foi devido ao poder do motor Honda com o sistema BLAST. Não conseguimos testar a aceleração às 5.000 rpm, porque o motor atingiu rápido esta rotação com o barco

A consola de condução está montada atrása


Náutica

a fazer já 44,2 nós. Devido à falta de peso do barco à frente e com a água um pouco agitada, acabámos por ficar com esta velocidade como máxima. Com o barco todo equipado e o motor em rotação entre as 5.800 e as 6.000 rpm a velocidade do conjunto será de 46/48 nós. Verificámos que o barco no mínimo de velocidadea planar manteve-se à velocidade de 10,2 nós, indicador do bom apoio dos flutuadores atrás na água. Neste motor o sistema ECOmo actua entre as 3.000 rpm e as 4.500 rpm. Deste modo verificámos que no mínimo do sistema, às 3.000 rpm, o barco navegava a 22 nós e às 3.500 rpm a velocidade de cruzeiro era de 27 nós. Com o barco carregado nas viagens aos golfinhos o Tempest 750 deverá fazer 20 nós às 3.500 rpm e 26 às 4.000, que são sempre excelentes velocidades económicas. Devemos reforçar que a posição do piloto em pé encostado ao encosto, fica numa boa posição de condução e como a direcção é hidráulica, as manobras são feitas sem fazer qualquer esforço. Como o Tempest 750 tem o casco especial Capelli com o V profundo e bastante largo atrás, corta a água

O Tempest 750 White Carbon equipado com seis bancos duplos jockey

sem bater, curva sempre muito agarrado à água sem deslizar e fica apenas ligeiramente adornado. Em conclusão podemos acentuar que o Capelli Tempest 750 White Carbon com o comprimento acima dos 7 metros tem boas dimensões e o casco adequado para operar no mar, como barco em marítimo-turística para transportar pequenos grupos de turistas ou apoiar mergulhadores. O motor Honda 250 VTEC tem um desempenho muito silencioso e calmo, circunstância que é muito importante para a missão de transportar turistas.

Compartimento sob os bancos da popa

Características Técnicas Comprimento

7,48 m

Boca

2,97 m

Diâmetro máximo flutuadores

0,65 m

Peso

950Kg

Lotação

24

Depósito de combustível

315 L

Material dos flutuadores

Neoprene/Hypalon Orca 1670 dtex

Certificação CE

B

Potência máxima

250 HP

Motor

Honda BF250 VTEC

Preço barco/motor

A partir de 47.175 e + IVA

Performances Tempo para planar

2,38 seg.

Velocidade máxima

44,2 nós às 5.000 rpm

Velocidade de cruzeiro

22 nós às 3.000 rpm

Velocidade mínima a planar

10,2 nós às 2.200 rpm

2.500 rpm

12 nós

3.000 rpm

22 nós

3.500 rpm

27 nós

4.000 rpm

31,2 ós

4.500 rpm

35,9

5000 rpm

44,2 nós Distribuidor e Importador GROW Produtos de Força Portugal Rua Fontes Pereira de Melo, 16 Abrunheira, 2714 – 506 Sintra Telefone: 219 155 300 geral@grow.com.pt www.honda.pt Porti Nauta Grupo Angel Pilot Telm: 91 799 98 70 - info@angelpilot.com Parchal – Lagoa www.angelpilot.com

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Electrónica

Notícias Nautiradar

Fotografia: Rick Tomlinson

Missão Cumprida

Os sistemas eléctricos da Mastervolt foram um sucessso a bordo dos veleiros Open 65

I

mplementados nos veleiros da Volvo Ocean Race, os sistemas eléctricos da Mastervolt, tiveram um desempenho irrepreensível durante 250 000 milhas náuticas percorridas pela totalidade da frota gerando 7400kWh de energia.

Os dados fornecidos aos técnicos da Mastervolt, pelos responsáveis das equipas envolvidas na Volvo Ocean Race e pela monitorização, vão tornar possível a criação de sistemas cada vez mais perfeitos no que diz respeito à autonomia ao nível da eletricida-

missão cumprida 34

2015 Agosto 344

de a bordo. Alguns dos dados recolhidos impressionam As tripulações tiveram formação prévia e um serviço remoto de diagnóstico esteve disponível 24h/7 dias por semana , o apoio raramente foi pedido. No final desta prova cada um dos 7 Open 65 participantes tinha navegado 40 000 milhas náuticas, a frota combinada fez a distância equivalente a uma viagem da Terra à Lua. A elevada eficiência do sistema e a leveza das baterias minimizaram consideravelmente os consumo de combustível e água. Com um único ciclo de carga de 59 m a cada 24 horas, o motor Volvo D2/75cv faz girar um par de alternadores Mastervolt. Esta energia canalizada para duas baterias de Iões de Lítio da segunda geração. O desempenho deste sistema foi crucial dado que não existiam alternativas de carga provenientes de fontes renováveis. A máxima eficiência Quando finalmente chegaram a Gotemburgo, depois de 9 intensas etapas, cada alternador da

Masterlvolt girou 88,2 milhões de vezes durante 21 000 minutos de funcionamento, o que gerou algo como 88 400 amp e que esgotou as baterias de iões de Lítio Ultra 275 vezes. A energia total gerada por cada veleiro foi de 1100 kWh. Esta energia permitiu ligar todas as luzes, permitiu efetuar todas as comunicações por satélite, o fornecimento de água potável para todos os membros das 7 tripulações, mas também permitiu o funcionamento do radar e até mudar a posição da quilha deslizante - operação que requer energia considerável, bem como fornecer a energia para carregar todos os iPods, telefones e câmaras de filmar. Desempenho sem falhas É difícil imaginar ambiente mais hostil para um sistema elétrico. A vibração constante, as batidas, os salpicos de água salgada, a condensação permanente. Cada componente manteve-se firme e o sistema pediu apenas alguns ajustes pontuais nomeadamente uma ligação mais fraca que teve que ser substituída e um sensor que teve que ser reposto. Foi intenção deliberada da Mastervolt a criação dum sistema que fosse muito simples de operar e de baixa manu-


Electrónica

Utilização dos dados Todos os dados recolhidos vão permitir à Mastervolt criar uma próxima geração de alternadores ainda mais eficientes. Os ciclos de carga de 59 minutos atingidos com estes sistemas vão permitir ser aplicados na navegação comercial e de lazer embora não seja necessário tanto rigor e fique ainda muita energia para consumir quando pensamos numa utilização de todos os dias. De acordo com Dominique de Beer, chefe de Equipa da Mastervolt: “Esta regata testa homens e máquinas de forma impressionante. Tivemos muito orgulho nesta participação e é a nossa missão criar sistemas que façam o melhor uso de todos os amperes disponíveis. O nosso

Fotografia: Roman

tenção. Sabendo que a principal preocupação das tripulações era velejar criaram um sistema que não exigisse estar a carregar em botões ou uma atenção constante ou interferisse demasiado com a vida dos tripulantes a bordo. Por exemplo os alarmes sonoros foram colocados baixo para não incomodar os tripulantes quando em descanso.

banco de testes para estes sistemas foram os Oceanos onde estes 9 barcos navegaram. Os dados que registámos são preciosos e vão permitir desen-

volver e aperfeiçoar aplicações tanto para o segmento profissional como de lazer . Quanto ao segmento de desporto já temos provas dadas. Se os nossos sis-

temas aguentaram a Volvo Ocean Race, aguentam tudo”. Para informações adicionais contacte o importador: Nautiradar

Lifedge Apresenta Novo Cabo USB para Equipamento Apple

A

Lifedge apresenta um novo cabo USB vocacionado para carregar e sincronizar o seu equipamento Apple. A marca Lifedge é mundialmente reconhecida por conceber e produzir capas protetoras e à prova de água vocacionadas para os equipamentos Apple, designadamente para os iPhone, iPad e iPod. A Lifedge apresenta agora ao mercado, e com a aprovação da Apple, o cabo USB mais robusto do mundo - 100% à prova de água, em borracha e com garantia de vida. Seja no seu barco, na praia, na montanha ou no deserto, onde quer que se encontre este cabo vai resistir a tudo - água, destroços, pó, abrasão. Os terminais em metal têm um tratamento especial anticorrosão, patenteado da marca.

Compatível com todos os modelos de bolsas Lifedge, este cabo permite carregar os equipamentos mesmo quando fora das capas. O fabrico em Epoxy faz com que o revestimento dos cabos seja estanque e e a água não passa para o interior. Este cabo USB tem 2 m de comprimento e é fornecido com um suporte para arrumação muito leve e que flutua. Disponível já em Agosto e preço de lançamento: e39,00 c/iva Para mais informações contacte o importador: Nautiradar

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Náutica

Notícias Touron

Novos Quicksilver Activ 755 Open e Activ 755 Sundeck

Potência, Design e Versatilidade, Tudo em Um A Quicksilver tem o prazer de apresentar os novos Activ 755 Open e Activ 755 Sundeck, os últimos modelos incorporados no segmento dos 7 metros.

Quicksilver Activ 755 Open

C

om um design moderno, grande potência e de utilização simples, a nova gama Activ 755 oferece uma série de características que a coloca na linha da frente, com um preço muito competitivo Conta com zona para dinette, tanto no interior como exterior, várias configurações de assentos e solário, posto de comando ergonómico e motorização fora de borda até 300 CV. Para além do atraente design e de rendimento superior, os Activ 755 Open e Sundeck partilham o elevado nível de segurança de todas as embarcações Quicksilver. Disponíveis nas configurações Open e Sundeck, as características da gama Activ 755 incluem: - Múltiplas configurações de deck para descansar, navegar e tomar refeições para um total de 5 pessoas, assim como para praticar deportos aquáticos, dis-

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ponibilizando um acesso muito simples e fácil pela popa. - Possibilidade de várias motorizações Mercury fora de borda, de 150 CV a 300 CV. - Cozinha opcional na cabina (separada no modelo Sundeck ou integrada no assento-encosto no modelo Open). - Assento individual do piloto e consola totalmente redesenhados, esta última preparada para instalar um monitor de 7” para sonda GPS, indicadores, sistema de áudio com 4 altifalantes e sistema Vessel View Mercury opcional. - Muitas opções de arrumação nas arcas de popa, bem como grande espaço de arrumação na cabina e no poço da âncora de proa. - O Activ 755 Open permite configurar facilmente a proa para dinette, com assentos, ou para solário. - O Activ 755 Sundeck dispõe dum grande solário de proa e a possibilidade de escolher entre mesa/dinnete na cabina

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ou no deck. Ambos os modelos estão disponíveis com edição SMART, com equipamento opcional que inclui bimini-top, molinete, mesa de cabina, sistema de áudio, assentos abatíveis no deck, zona ampla do motor, mesa na proa e solário (modelo Open) e Pack Interior Cabina (modelo Sundeck). A edição SMART inclui as opções mais procuradas pelos nossos clientes num pack com preço deveras competitivo e

com reduzido prazo de entrega. Fedra Generini, Directora de Marketing da Quicksilver afirmou: “estamos maravilhados com o lançamento desta nova gama que foi desenvolvida tendo em vista a procura dos nossos clientes, sobretudo no que se refere a navegação e diversão no segmento dos 7 metros. A gama Activ 755 conta com as características excepcionais e o estilo que distinguem a Quicksilver”.

Características Técnicas Activ 755 Open

Activ 755 Sundeck

Comprimento

7,23 m

7,23 m

Boca

2,55 m

2,55 m

Peso

1.540 Kg

1.590 Kg

Depósitocombustível

280 L

280 L

Depósito de água

80 L

80 L

Lotação

8

8

Coluna de motor

XL

XL

Categoria CE

C

C

Potência máxima

300 HP

300 HP


Náutica

Novos Quicksilver Activ 455 e Activ 505 Cabin Grande Valor Acrescentado e Equipamento Completo A Quicksilver tem o prazer de anunciar o novo design da sua gama de embarcações cabinadas com a apresentação dos novos Activ 455 e Activ 505 Cabin.

S

ão duas embarcações de iniciação na náutica, mas com um nível de equipamento muito completo. O preço económico, o design moderno, a segurança, a comodidade e a elevada funcionabilidade são atributos que não passam despercebidos a ninguém. Ambos os modelos contam com espaço para que 4 ou 5 pessoas disfrutem da navegação e dos deportos aquáticos durante o dia, bem como com suficiente equipamento na cabina para que 2 pessoas passem a noite a bordo. O novo design traduz-se tanto na estética como na funcionalidade destas embarcações com imagem renovada, nova configuração da popa, com acesso melhorado,

posto de comando com assentos e consola ergonómicos e grande espaço disponível para instrumentação. Nas características do Activ 455 Cabin e do Activ 505 Cabin destacam-se: - Nova imagem interior e exterior com estilo renovado. - Nova zona de popa que acrescenta mais funcionalidade e estética mais apelativa. - Desnível na popa e assento central giratório para maior segurança. - Desnível integrado na zona do motor para acesso mais fácil. - Novo design do posto de comando. - Conforto extra na cabina com novas camas e WC portátil. - Porta de correr da cabina semitransparente que permite a

entrada de luz natural. - Janelas laterais maiores que permitem mais luz natural. - Piso anti-deslizante mais aderente nas zonas de passagem no deck. - Com potência máxima de 60 CV para o 455 Cabin e de 100 CV para o 505 Cabin.

David Kippola, Director de Investigação e Desenvolvimento da Quicksilver, declarou: “Conseguimos colocar estilo e funcionalidade numa embarcação pequena com excelentes características, mantendo os seus valores essenciais.”.

Características Técnicas Activ 455 Cabin

Activ 505 Cabin

Comprimento

4,50 m

5,05m

Boca

2,12 m

2,12 m

Peso

ND

ND

Depósito combustível

25 L

50 L

Coluna do motor

L

L

Lotação

4

5

Potência máxima

60 HP

100 HP

Categoria CE

C

C

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Náutica

Notícias Touron

Novo Quicksilver Captur 810 Arvor é um Barco Pescador Completo Com tudo o que é preciso, o novo Quicksilver Captur 810 Arvor é um barco preparado para se pescar de forma segura, em qualquer altura e em qualquer lugar.

C

onstruído para os amantes da pesca e para os procuram desfrutar de longos períodos de navegação no mar, o novo Captur 810 Arvor da Quicksilver apresenta casco sólido, prático e testado, disposição de deck moderna e actual, cabina maior e um nível de conforto muito mais elevado. O resultado é a melhor combinação para pescar e tirara o máximo proveito da navegação extremamente segura. O Arvor 810 é uma embarcação

preparada para enfrentar, de forma fiável, todo o tipo de condições atmosféricas. Classificada na categoria B, é uma embarcação com excelentes performances tanto em águas costeiras, como em águas interiores, o que é uma grande vantagem para uma embarcação da sua envergadura. O 810 Arvor oferece equipamento completo para garantir jornadas de pesca seguras e divertidas. O novo Arvor 810 foi desenvolvido a pensar nos apaixonados pela pesca, oferecendo as melhores

sensações aos pescadores num design com grande sentido prático: - Deck com grande área na popa, com assentos amovíveis, viveiro, sistema de lavagem de água salgada e módulo de preparação de isco. - Com o sistema de iluminação LED no deck, poderá pescar-se tanto de dia como de noite. - Sistema de marcha lenta com trolling valve integrada, o que a permite manter uma velocidade de corrico extremamente lenta durante horas sem risco de danificar o mo-

Lapso na Apresentação do novo Quicksilver Captur 810 Arvor

No passado nº 343 do Notícias do Mar, apresentámos este novo modelo com fotos do antigo Captur 810 Arvor. Ainda não temos fotos do novo barco a navegar. As nossas maiores desculpas aos leitores e à Touron.

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tor e a transmissão. - Visibilidade de 360ª na cabina e para-brisas de cristal que possibilitam desafogada para pescar e manobrar facilmente. - Motor interior Mercury Diesel que disponibiliza mais espaço para as manobras de pesca e reduz o risco de enrolamentos na hélice. - Posto de comando integrado com direcção hidráulica, instrumentação Smartcraft e GPS opcional para uma navegação segura e precisa. Existe também a opção de segundo posto de comando com electrónica. - Equipamento completo para garantir todo o conforto e segurança. - Cabina cómoda com assento de piloto e copiloto. - Janela lateral de correr e escotilha no teto para entrada de luz natural e ventilação. - Iluminação interior LED e piso em teka que aporta qualidade e estilo. - Cozinha com sistema de água doce, mesa de corte e forno LPG. - Cómoda zona de assentos convertível em dinette para 4 pessoas ou cama para duas pessoas. - Casa de banho opcional com WC marítimo. O 810 Arvor é fornecido de série com equipamento muito completo. Como opcionais está disponível um segundo porto de comando coberto, molinete de popa, pack electrónica, WC marítimo, cobertura, cor do casco e sistema de aquecimento diesel. O Quicksilver Captur 810 Arvor foi apresentado em Março, durante a Feira Internacional de Oslo e em Les Nauticales de La Ciotat, França.


Notícias do Mar

Tagus Vivan

Crónica Carlos Salgado

Que Tejo Temos, e que Tejo Devemos Ter

Como sabem, os Amigos do Tejo fundaram a Tagus Vivan, Confraria do Tejo, com o desígnio de darem continuidade à obra de 25 anos levada a cabo pela AAT, ONG de utilidade pública, em prol do nosso maior rio. O seu desígnio actual é o de observar, avaliar e ponderar para opinar sobre tudo o que diga respeito ao universo do Tejo, dando assim um contributo válido para que haja MAIS TEJO e MAIS FUTURO.

N

o desempenho desse trabalho de observação foram constatando que muito daquilo que as conclusões do II Congresso do Tejo (2006) preconizaram ficou por fazer, e entretanto o estado do Tejo piorou em muitos aspectos. Reconhecem porém que algo foi feito em alguns domínios, não muito, mas aquela luz que se acendeu ao fundo do túnel quando em 2008 foi criada oficialmente a ARH-Tejo, que foi uma janela de esperança, acabou por sumir-se graças à “CRISE”, que tem as costas largas. Na realidade, quanto ao estado do rio propriamente dito, como recurso natural, para além de ter sido desaproveitado desde meados do século passado pelos sucessivos governos, não deixou de ter vindo a ser saqueado descontroladamente por agentes pouco escrupulosos entre os quais ainda hoje

se assiste à captura ilegítima dos recursos piscícolas que são contrabandeados para o estrangeiro. Para além disso o rio traz cada vez menos água, o seu assoreamento é assustador e a sua navegabilidade está cada vez mais em risco. Perante esta situação deplorável, e de outras que estão encobertas, a Tagus Vivan não podia ficar indiferente, pelo que tomou a iniciativa de propor a organização de um novo Congresso do Tejo, o terceiro, dez anos após o congresso anterior, com o envolvimento activo dos parceiros públicos e privados relacionados com o rio e com a sua bacia hidrográfica, para além de especialistas, técnicos e cientistas, bem assim como gestores, investidores e empreendedores das áreas agrícola, industrial e dos serviços, e também do turismo nas suas variadas vertentes, e com a participação das comunidades

ribeirinhas. Tendo como princípio que “… Todo o mundo é feito de mudança, Tomando sempre novas qualidades” (JMBranco), é inadiável que sejam tomadas medidas eficazes que consigam inverter-se as difíceis circunstâncias em que o Tejo se encontra actualmente. Um novo congresso do Tejo, tal como está desenhado, precedido de um Ciclo de Conferências preparatórias cuja intenção é a de fazerem o diagnóstico circunstanciado do rio e de todas as regiões da sua bacia hidrográfica, com valida-

de actual, a realizar ao longo do curso do rio em lugares chave que permitam a participação de uma massa crítica de participantes interessados e idóneos, é absolutamente indispensável. Mas pela qualidade exigível dos temas que devem ser levados a um debate sério neste congresso, a sua preparação não pode deixar de ser bastante ponderada e rigorosa, pelo que é mais sensato que o Ciclo de Conferências preparatórias tenha início após o período de férias e da campanha para as próximas eleições Legislativas.

Para que o Tejo seja Um Rio Despoluído e Navegável Um Território Qualificado e de Referência Um Espaço Atractivo com Qualidade de Vida Uma Região Produtiva e com um Economia Sustentada Um Produto Turístico de Qualidade Uma Alavanca Importante para o Crescimento Económico do País

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Notícias do Mar

Voo do Guarda-Rios

Texto Carlos Salgado

Tem de Ser Potenciado o Lado Económico e o Turístico do Tejo

É premente que a Administração Central encete um conjunto de reformas para o futuro do país, pela evidente necessidade de ser feita uma consistente recuperação económica através de um desenvolvimento sustentado, que passa pela reabilitação e/ou reconversão das principais regiões com maiores potencialidades, entre as quais se encontra e distingue a bacia do Tejo que deve ser tida em conta no próximo ciclo dos fundos comunitários pois ela tem potencialidades bastantes para alavancar o crescimento económico do país.

C

onsiderando que o Tejo é muito mais que o rio, devem

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ser implementados programas de recuperação e valorização do seu universo a favor do desenvolvimento

2015 Agosto 344

sustentável, da inovação, de uma gestão descentralizada, de fórmulas de gestão inteligente, da formação permanente, com a implementação de programas horizontais e verticais bem estruturados e programados, com a participação activa das Comunidades Intermunicipais, dos Municípios e do Poder Central, e também com a indispensável participação activa dos cidadãos. Para além das acções supracitadas, devem ser da competência dos Programas Horizontais, entre outras: A erradicação da poluição urbana, indus-

trial e agrícola, bem assim como da pesca ilegal e de outras formas de delapidação dos recursos naturais que estão a recrudescer; a regularização e a reposição da navegabilidade do rio; a gestão da água, em quantidade e qualidade, controlando rigorosamente o volume dos caudais provenientes do país vizinho e também das barragens nacionais; a recuperação e valorização do património natural e do património cultural, material imaterial; dar mais visibilidade e notoriedade ao rio e à sua bacia hidrográfica, nacional e internacional-


Notícias do Mar

mente, através dos órgãos de comunicação local, regional e nacional; recuperar a qualidade de vida e a auto estima das populações ribeirinhas; encontrar formas e programas de financiamento para as empresas inovadoras que criem mais postos de trabalho, junto da banca e de caixas rurais ou regionais a criar. Os Programas Verticais devem ser dirigidos à agricultura, à indústria e ao Turismo. Relativamente à agricultura deve ser promovido o uso de novas técnicas para os diversos tipos de culturas tradicionais e de outras que devem ser ensaiadas e que tenham probabilidades de sucesso, e sejam mais compatíveis com as características de cada região da bacia hidrográfica, no-

meadamente a agricultura ecológica, a horticultura de regadio, o olival, o vinho, a silvicultura, e também para as culturas cerealíferas e outras para as energias renováveis, de sequeiro extensivo. Também pode ser interessante reactivar o cultivo de variedades agrícolas locais que tenham sido abandonadas e das quais podem ser obtidos produtos de conveniência com qualidade, nomeadamente as hortofrutícolas de paladar e aroma peculiares. No que respeita ao vinho e ao azeite deve apostar-se na qualidade seleccionando as espécies (castas) tradicionais mais produtivas e de melhor qualidade não deixando de ensaiar outras espécies diferentes doutras regiões do país e da bacia peninsular. Apostar também em pequenas adegas de produtores particulares cuja qualidade do vinho corresponda a uma garantia de qualidade da marca Tejo, e é preciso que os vitivinicultores comecem a abandonar a ideia retrógrada de considerar ou tratar o vitivinicultor vizinho como um adversário ou concorrente, porque deve passar a considerá-lo como um parceiro. Não ajuda nada que as Rotas do Vinho continuem a

ser sinalizadas de uma forma minimalista ou sem imaginação, pois como se apresentam actualmente parece que estão a convidar os turistas a adivinharem onde ficam localizadas as adegas. Deve apostar-se também na produção de queijos porque tal como acontece com o vinho, a bacia do Tejo tem variedades de queijos de características peculiares e de grande qualidade, cuja fama deve ser internacionalizada.

Quanto à indústria deve apostar-se nas pequenas empresas de transformação, inclusivamente familiares, de produtos agroalimentares provenientes das regiões e sub-regiões e na recuperação de fórmulas dos antepassados, bem assim como procurar utilizar determinados produtos para a produção artesanal de extractos de plantas aromáticas por exemplo, para a pequena cosmética. (continua no próximo jornal)

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Electrónica

Notícias Nautel

Humminbird

Recebe mais um Galardão na ICAST Pela quinta vez, em anos consecutivos, a Humminbird foi mais uma vez galardoada e recebe prémio na maior feira dos Estados Unidos de Pesca desportiva a ICAST

D

esta vez foram as novas HELIX 7 votadas como “Best of Electronics” pelos revendedores e imprensa especializada  A feira ICAST costuma realizar-se em Orlando, na Florida, e a sua edição de 2015 decorreu entre os dias 14 e 17 de Julho. Este ano bateu todos os records de visitantes profissionais. Um dos eventos mais esperados de cada ICAST é a mostra de novos produtos, onde se  premeia a inovação,

HELIX 7 DI 42

HELIX 7 através da competição “Best of Show” . Votado por compradores e imprensa, os produtos ganhadores revelam tendências da indústria, bem à frente de movimentos do  mercado.   E este ano – pelo quinto ano consecutivo – a Humminbird  levou honras superiores na categoria de eletrónica, tendo sido galardoada a sua nova série HELIX 7 .     E foi sempre

HELIX 7 Sonar

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assim nos últimos 5 anos: 2011: Humminbird’s 1158c DI Combo   2012:  360 Imaging™   Sonar em 360 graus, de alta definição para pequenas embarcações com motor fora de borda, que se seguiu à inovação de SideImaging,   hoje um standard replicado   por  quase toda a industria  2013: Bow 360 sonar 360 à proa, para águas interiores

HELIX 7 Sonar GPS

HELIX 7 DI GPS

2014: Humminbird’s OnixR Series - Sistema Multifunções para iates em geral 2015: Humminbird’s Helix 7

HELIX 7 SI GPS


Electrónica

coroada como “Best of Electronics” pelas suas caraterísticas gerais e superior ecrã, na definição e visibilidade ao sol. Os galardões são sempre bem recebidos, mas a Humminbird tem humildemente continuado com seu esforço de criar tecnologias inovadores, como a já referida SideImaging, mas também o AUTOCHART , e o sonar 360 .    Humminbird’s Helix 7 A nova série será introduzida na Europa a partir de Outubro próximo. As Helix7 serão a continuação, com maior ecrã (7”) da HELIX. Esta teve também em Portugal uma procura enorme graças ao empenho da Nautel, a sua presença em feiras como a Nauticampo, Morapesca e outras. Recorde-se que a Humminbird é a única entre as suas mais diretas concorrentes a ter distribuição pu-

Humminbird 1199c ramente portuguesa, assim como o apoio e assistência técnica. Há 25 anos que a Hummin-

Humminbird 360 Imaging Humminbird Bow 360

bird contribui com a Nautel para o conhecimento técnico e independência nos mercados europeus, em Portugal.  A série HELIX 7 será assim a   continuação do enorme sucesso que foi a introdução no mercado no inicio deste ano, das Helix 5. À semelhança destas, existem 5 modelos, com versões combinadas e a tecnologia  patenteada do SideImaging e seus derivados. Em breve se anunciarão mais detalhes.

Humminbi4rd Onix 10 SI 2015 Agosto 344

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Pesca Desportiva

Pesca Embarcada

Texto e Fotografia: José Cossio/Mundo da Pesca

Gorazes Os besugos das profundezas

Os gorazes são peixes que não estão muito difundidos pelo nosso litoral mas que ainda assim são objetivo das saídas de muitos aficionados que não se negam a navegar umas milhas para praticar a sua pesca, a qual se restringe a zonas muito específicas e em que é necessário equipamento apropriado, tanto a nível do material de pesca como a eletrónica. É um peixe famoso e conhecido da população portuguesa, tanto no litoral como no interior, devido ao seu elevado valor gastronómico, mas que poucos pescadores ainda tiveram oportunidade de pescar dada a dificuldade que rodeia a sua pesca.

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2015 Agosto 344


Pesca Desportiva

Já cá estão!

O

s gorazes são uma espécie que poucos pescadores desportivos tiveram oportunidade de capturar. São muitas as dificuldades a ultrapassar (de que falaremos mais à frente) que existem entre este maravilhoso peixe e

o pescador, dificuldades estas que os tornam mais conhecidos pelos preços elevados que atingem em determinadas alturas, mas que passam ao lado dos pescadores desportivos, que é justo dizer que, os que a conseguiram praticar, grupo no qual me incluo, podem afir2015 Agosto 344

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Pesca Desportiva

Os carretos elétricos são indispensáveis nesta pesca mar seguramente que dentro da modalidade de pesca embarcada em barco fundeado, sobretudo a grandes profundidades, é um dos peixes mais interessantes e desportivos de pescar. As suas características biológicas, a dificuldade da zona de pesca em que este peixe se movimenta e a especificidade dos materiais e equipamento necessário para os capturarmos, criam uma série de argumentos mais do que suficientes para que a prática da sua pesca adquira com justiça o adjetivo de desportiva.

Biologicamente... Fazendo uma breve referência à aparência e características biológicas do goraz (Pagellus bogaraveo), podemos dizer que este peixe pertence à enorme família dos esparídeos, tendo um corpo relativamente alto e comprimido, com uma intensa coloração rosada, sobretudo quando saem da água e que é mantida em tons muito vivos nos flancos e que pouco a pouco se vai desvanecendo à medida que caminhamos para a zona da barriga, lugar em que predominam as tonalidades pratea-

Alguma luz artificial Uma das características que não nos pode passar ao lado na hora de fazer os nossos aparelhos, além dos já aconselhados nós “pater noster” e usar e abusar dos destorcedores é o uso de luz artificial. Não devemos esquecer que pescamos em zonas muito profundas em que as conhecidas “barrinhas” de luz química nos podem ajudar a ter melhores resultados dado o tipo de atração que provoca nos gorazes. A pesca começa de noite e já há peixes a sair... 46

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Pesca Desportiva

das. Tem uma cabeça pequena em relação ao seu corpo, mas apesar disso possui olhos muito grandes (característica típica de peixes que vivem a grandes profundidades). A medida do diâmetro dos seus olhos é maior inclusivamente que o comprimento da sua boca, a qual conta com uma cerrada fileira de dentes incisivos, atrás dos quais se escondem alguns molares. Das suas barbatanas destacase o comprimento das pélvicas. Possivelmente aquilo que a priori diferencia o goraz com outras espécies semelhantes é a sua característica mancha escura próxima do opérculo e colocada acima da linha lateral do peixe, de onde advém uma série de pseudónimos para esta espécie, sendo o mais comum de todos o “besugo de pinta”, “pacharros” (quando são mais pequenos). O aspeto mais curioso e interessante refere-se ao seu sexo, já que é uma espécie hermafrodita em que a maioria dos indivíduos são machos e só os exemplares de maior tamanho ou idade se tornam fêmeas. A maturidade sexual não a adquire senão a partir dos 5 anos e reproduzem-se em qualquer altura do ano.

O radar dar-nos-á a tranquilidade e segurança que fazem sempre falta quando se navega ainda de noite, coisa quase obrigatória

quando queremos aproveitar ao máximo esta pesca Aparte destas zonas preferenciais que referimos, podemos afirmar que o goraz sofre uma forte pressão de pesca por par-

te dos pescadores profissionais em toda a costa peninsular, ainda que tenhamos uma grande sorte em ter assegurado a sua

população pelo menos durante mais alguns anos dada a dificuldade que gira em torno da sua pesca, além de que o podemos

Zonas costeiras preferidas A zona do Cantábrico e o Estreito de Gibraltar são zonas preferenciais para praticar a pesca aos gorazes; estes dois locais são excelentes para esta espécie e a sua pesca aqui pode ter uma taxa de sucesso mais elevada. A minha experiência nesta pesca também se resume apenas a águas portuguesas pelo que aquilo que tenho vindo a concluir ao longo do tempo é que devemos procurar um pesqueiro na plataforma (talude) continental para encontrar esta espécie e, nos dias de hoje, posso afirmar que em muitos portos onde nunca se tinha falado ou imaginado capturar este peixe, existem aficionados que armados de paciência saíram para o mar em busca deste peixe e que acabaram por o encontrar. Profissionais sem escrúpulos 2015 Agosto 344

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Pesca Desportiva

iscos mais recorrentes são as “rabadas” de sardinha encontrar em quase todos os locais da quebra continental. Por isso mesmo podemos augurar a esta espécie um futuro menos negro que as demais, e digo menos por uma razão muito simples que é a de já haver lugares - e como exemplo dou o caso do Estreito de Gibraltar -, em que alguns profissionais sem escrúpulos de várias frotas pesqueiras, começam a dizimar aquelas que outrora foram populações saudáveis de gorazes, ao

largarem aparelhos agarrados a chumbadas de 3kg de peso para fazerem face às fortes correntes que ali existem, chumbadas essas que se libertam mediante um engenhoso sistema (falsete) com que são presas as mesmas, aproveitando só o tempo que o aparelho demora a atingir e manter-se no fundo, não ultrapassando no máximo os 5 minutos, mas que no entanto são suficientes para capturar uma grande quantidade de gorazes.

Se queremos enfrentar com garantias uma boa jornada aos gorazes

devemos dispor de material à altura, bastante específico e com se não bastasse muito caro

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Material: ponto-chave desta pesca Se queremos enfrentar com garantias uma boa jornada aos gorazes devemos dispor de material à altura, bastante específico e como se não bastasse muito caro, não só pelo preço do equipamento base, composto por canas, carretos, linhas e demais acessórios relacionados com a pesca, mas também pelo preço do material eletrónico que servirá para nos auxiliar na navegação até pontos afastados da costa como também para sondar o fundo onde iremos pescar. Por isso, vamos separar o complexo material que vamos precisar em duas partes, o material direto, composto por canas, carretos e linhas, e o indireto, em que

entra todo o material eletrónico necessário para navegar: radar, sonda, etc. O material direto Reduz-se principalmente à cana, ao carreto e à linha que vamos usar, em que o carreto tem um maior protagonismo, devendo para o efeito ser elétrico. Trabalham a 12 volts, alimentados normalmente por uma bateria adicional que é colocada nas embarcações onde são montados, para que estes possam ser alimentados sem perigo de descarregar a bateria ou baterias principais que alimentam a embarcação. Estes carretos são tão interessantes como caros, ainda que se pararmos para pensar um bocado, a sua qualidade/preço/ prestações, é excelente.


Pesca Desportiva

Devem ter várias velocidades de recuperação, possibilidade de memorizar fundos, regulação da embraiagem entre outras funções; o seu uso obrigatório apoia-se no facto de termos de pescar esta espécie a profundidades mínimas compreendidas entre os 150 e os 200 metros, pelo que com apenas um par de subidas e descidas da pesca ficaríamos certamente “rebentados”, sendo a tração exercida pelo aparelho, o peso das enormes chumbadas usadas neste tipo de pesca, a ação da corrente (típica destes locais), o peso dos peixes, da cana e do carreto, os grandes responsáveis. No que diz respeito às canas utilizo normalmente canas curtas, ao estilo “stand-up”, entre 18 e 25 libras, também achando que as canas com as mesmas características de força mas de fio interior também poderão ser muito interessantes e cómodas; quanto às linhas não nos resta usar outra que não a multifilamento de superior qualidade,

ponto no qual também se gasta uma boa parte do orçamento destinado a este tipo de pesca a grande profundidade. O uso de monofilamentos obriga a que os tenhamos que renovar em cada época, ou mais do que uma vez por época, devido á deterioração que estas linhas sofrem neste tipo de pesca. A abrasão que a linha sofre ao roçar nos passadores (ou rodízios) é constante e pode dizerse que se somarmos após uma jornada de fundo os metros de linha que se foram roçando e desgastando por cada um dos passadores ou rodízios da nossa cana, poderíamos dizer que são dezenas de quilómetros de linha que se recolhem só num destes carretos; isso somado a todas as jornadas em que saímos leva a uma grande deterioração do monofilamento e é por isso que se recomenda largamente o multifilamento do tipo Spectra. O material indireto O material indireto encontra-se

As chumbadas podem bem ultrapassar 1kg de peso!

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Pesca Desportiva

Se queremos enfrentar com garantias uma boa jornada aos gorazes devemos dispor de material

à altura, bastante específico e como se não bastasse muito caro

composto pela eletrónica de navegação; conta como mais importante o GPS e o sonar, e em ambos reside grande parte da responsabilidade do êxito neste tipo de pesca, o chegar ao sítio exato onde estão os peixes, condição mínima para praticar este ou qualquer outro tipo de pesca. Também não devemos esquecer outros detalhes importantes como o piloto automático, que tornará mais

cómodo o longo período de navegação até aos destinos de pesca, e do radar que nos dará a tranquilidade e segurança que fazem sempre falta quando se navega ainda de noite, coisa quase obrigatória quando queremos aproveitar ao máximo esta pesca. Isco: o primeiro que vier à mão Os gorazes não são peixes

Peixe de voos baixos Habitam preferencialmente os fundos do talude da placa continental e encontram-se em locais até aos 400 metros, no

caso do Mediterrâneo, e de uns surpreendentes 700 metros de profundidade se nos referirmos a pesqueiros no Atlântico. Apenas os indivíduos mais jovens, aqueles que habitualmente não ultrapassam os 14/15 centímetros, se aproximam de zonas próximas à costa com menores profundidades.

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muito exigentes. A sua dieta alimentar é muito variada e assenta em crustáceos, minhocas, moluscos, ovos e larvas de outras espécies e inclusivamente pequenos peixes, que ajudam a que não tenhamos muitos problemas na hora de escolher o isco que lhes daremos. Os iscos mais recorrentes são as “rabadas” de sardinha alternados com choco, ainda que pessoalmente já os tenha apanhado com minhoca americana muito grande e posso dizer-vos que os maiores exemplares que apanhei vinham ferrados nos anzóis iscados com estes vermes; o fósforo, e fosforescência emitida, são realmente muito atraentes na escuridão da profundidade onde pesca o nosso aparelho.

Vamos pescar Uma vez no local escolhido, a primeira coisa a fazer é descer a chumbada até ao fundo e fazer um pequeno teste para deixar gravada a profundidade na memória do carreto; depois devemos iscar os nossos anzóis com iscadas variadas. Os aparelhos são simples, bastando para isso fazer o típico nó “pater noster” com linha de 1mm e anzóis 1/0 ou 2/0. O uso de destorcedor é obrigatório já que pescar a estas profundidades e fazer recuperações de tanta linha aumenta a probabilidade de enleios; também se podem utilizar “cross beads” grandes que funcionam muito bem. Apesar dos muitos metros de linha até ao fundo, os toques detetam-se muito bem e nesta altura deveremos fazer a ferragem à mão, se é que se pode falar em ferragem a esta profundidade, havendo alguns carretos que dispõem desta função. Já com os peixes ferrados só teremos de fazer subir o aparelho, com redobrada atenção à embraiagem, para recolher o nosso precioso tesouro...

Após alguns minutos de recuperação, eis que os gorazes chegam à superfície


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Motonáutica

Campeonato Mundial UIM F1h20 14º Grande Prémio de Portugal

Texto e Fotografia Gustavo Bahia

Philippe Chiappe Vence GP de Portugal

Philippe Chiappe mostrou que tem grandes pretenções a ser novamente Campeão Mundial.

O Campeão Mundial Philippe Chiappe venceu o 14º GP de Portugal, realizado sobre as águas do Rio Douro no Porto, sem deixar nenhuma dúvida que procura com firmeza o bi-campeonato.

A

vitória no Porto deixou o piloto do China CTIC Team apenas 1 ponto atrás do piloto americano Shaun

Torrente líder do campeonato com 36 pontos. Tendo largado na segunda posição, Chiappe foi sempre muito consistente desde as primeiras voltas, ata-

cando Sami Selio que liderou a prova desde a largada até conseguir ultrapassar o piloto finlandês e abrir uma boa vantagem.

Na largada após a bandeira amarela, Chiappe não deu chances aos adversários. 52

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Porto uma etapa com sucesso O retorno das provas do Campeonato Mundial UIM de F1H2O a Europa em 2015 tem sido com grande qualidade e sucesso. Primeiro tivemos o GP da França em Evian e agora o GP de Portugal no Porto, os dois muito bem organizados e com grande público. Com isso queremos dizer que o público tem interesse em comparecer, caso os eventos sejam realizados em cidades importantes, com muito boa localização da raia de competição, fácil acesso e infra-estrutura local. A prova dessa opinião é o evento do Porto, onde estiveram distribuídos nas margens do Porto e de Gaia um número muito elevado de pessoas. Alguns meios chegaram a dizer mais de 100 mil pessoas, mas isso em nada surpreende,


Motonáutica

Vista do Paddock no Porto.

O Controle da Prova e das equipas foi montado em Gaia. pois eventos já realizados na Europa (Hungria, Austria, Italia e França), também tiveram um grande público. Entretanto, os tempos mudaram e o facto concreto é que o evento do Porto no seu primeiro ano de realização conseguiu suplantar os 13 anos realizados em Portimão. A organização foi muito boa e o tempo colaborou ao longo do fim-de-semana com sol e calor. As duas mergens (Porto e Gaia) exaltam uma beleza singular como pano de fundo e Rio Douro é um palco ideal para o evento. Existem pontos importantes a melhorar: sim. Mas o primeiro passo foi dado com muita segurança e os organizadores estão de parabéns. Barco novo para Duarte Benavente Duarte Benavente preparou uma surpresa para a etapa do Porto. Apresentou o seu novo barco MOORE, com o qual passa a competir no Campeonato Mundial de F1H2O. Como havíamos já comentado na edição anterior, a expectativa se confirmou. Sem dúvida um passo determinante para melhores resultados no futuro. O barco é

Divulgação da prova em Gaia.

Erik Stark fez um excelente 2º lugar para a nova equipa de Scott Gillman.

Alex Carella foi terceiro e muito competitivo 2015 Agosto 344

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Motonáutica

igual ao do Campeão Mundial Philippe Chiappe e Benavente conta com o apoio do fabricante David Moore, que designou um elemento da fábrica para se juntar a equipa e colaborar para o desenvolvimento do barco. Duarte Benavente teve uma adaptação rápida ao barco novo que tem um comportamento bem diferente do BABA que vinha competindo até então. Conseguiu largar na 10ª posição com o tempo de 50.19.

Filip Roms ficou com o 6º lugar.

Francesco Cantando chegou a ser segundo mas ficou em 4º lugar, depois de muitos erros.

Shaun Torrente com o 5º lugar manteve a liderança no Campeonato. 54

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Thani Al Qamzi retorna ao Team Abu Dhabi Thani Al Qamzi, sempre foi a cara da equipa de Abu Dhabi, desde que Scott Gillman abandonou o volante dos barcos para ser o Chefe da Equipa. Um rosto muito conhecido do circuito de F1H2O, Thani Al Qamzi é o mais experiente piloto dos Emirados Árabes Unidos. Quando no início de 2015 houve a radical mudança de rumo na direção da equipa, o então piloto principal Thani Al Qamzi foi dispensado. O piloto de Abu Dhabi não gostou nada do ocorrido e resolveu optar por parar de competir. Sem dúvida é fácil compreender o desapontamento de um profissional, que sem motivos relevantes é dispensado de uma equipa em que desenvolveu toda sua carreira. Foi preciso algum tempo para convencer Thani Al Qamzi a retornar para a equipa, mas depois da desastrosa atuação de David Del Pin em Evian, os dirigentes do Abu Dhabi Marine International Sports Club (dono da equipa) determinaram a Guido Cappellini a readmissão de Thani Al Qamzi. Para Abu Dhabi, o bom filho a casa torna!!!! Victory Team tem Nadir Bin Hendi O campeonato passa a ter mais um piloto com a chegada de Nadir Bin Hendi ao Victory Team de Dubai. Nadir será o segundo piloto da equipa que tem o americano Shaun Torrente, atual líder do campeonato, como primeiro piloto. Natural de Dubai, Nadir Bin Hendi tem uma experiência larga em competições offshore e será preciso algum tempo para se adaptar as


Motonáutica

provas de circuito inshore. Vai competir com um barco BABA usado e sem possibilidades de lutar por bons resultados. A equipa Victory de Dubai entrou esse ano no campeonato, aproveitando a disponibilidade de Shaun Torrente que ficou desempregado, quando do encerramento repentino da equipa do Qatar onde competia. Venceu a primeira etapa de 2015 em Doha e ainda se mantém na liderança do campeonato, após a etapa do Porto. Treinos liderados por Sami Selio Os treinos cronometrados para definição do grid de largada foram sempre dominados pelo piloto finlandês Sami Selio da equipa Mad Croc Baba Racing, tendo conseguido o tempo de 47.59 e média de 163,40Km/h no “shoot out” conquistando a Pole Position. Philippe Chiappe esteve sempre muito perto buscando uma melhor marca, mas ficou a 16 décimos com 47.75. Alex Carella do Abu Dhabi

Ahmed Al Hameli deu mais 1 ponto ao Team Emirates com o 10º lugar.

No Porto Youssef Al Rubayan só conseguiu ficar em 7º.

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Motonáutica

Christophe Larigot (51) se aproxima para ultrapassar Bartek Marzsalek (18).

Duarte Benavente estreou o novo barco Moore e pode vir a ter bons resultados. 56

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Team ficou com o terceiro melhor tempo (47.92), Erik Stark do Emirates Team com o quarto tempo (48.32), Shaun Torrente do Victory Team Dubai com o quinto tempo (48.50) e Thani Al Qamzi do Abu Dhabi Team com o sexto tempo (50.09). O Campeonato 2015 está mesmo de cara nova, 20 barcos participaram no Porto e nas 3 primeiras posições para largada tivemos 3 barcos diferentes, o BABA (oficial) de Sami Selio, o MOORE (oficial) de Philippe Chiappe e o DAC (oficial) de Alex Carella. Os três fabricantes numa luta ferrenha dentro de 3 décimos. O 7º lugar no grid ficou para o vencedor da etapa de Evian, Youssef Al Rubayan do F1 Atlantic Team que não esteve muito competitivo e preocupado com o desempenho do seu motor, que é preparado por Brendan Power (fornecedor dos motores do ex-Qatar Team e agora para o Team Abu Dhabi). Ahmed Al Hameli teve que suar muito para conseguir o 8º lugar no grid para o seu BABA do Emirates Team. Jonas Andersson também teve dificuldade em colocar o seu MOOLGARD (oficial) na 9ª posição do grid de largada. O novo MOOLGARD é um barco com “design” muito bonito e com enorme potencial técnico e poderá ter ainda bons resultados essa temporada. Duarte Benavente fez o décimo tempo com o seu novo barco MOORE, mas teve muitos problemas de motor. O MOORE é um barco que se adapta bem em qualquer tipo de água e o piloto português se adaptou muito bem, tendo agora que encontrar um solução para ter motores resistentes e rápidos. Francesco Cantando fez o 11º tempo com o seu BLAZE


Motonáutica

Sami Selio virou ao ser ultrapassado por Carella. da Motorglass F1 Team, e, surpreendentemente o piloto chinês Ziwei Xiong o 12º tempo com um MOORE. Bin Hendi mergulha no Douro O piloto do Victory Team, Nadir Bin Hendi conseguiu se fazer notar ao dar um voo espetacular quando faltavem poucos minutos para o termino da primeira fase dos treinos cronometrados. O mais impressionante é que a raia estava já sob o regime de bandeira amarela, quando Bin Hendi surpreendeu acelerando e virando espetacularmente para se refrescar nas águas do Douro. Os danos ao barco foram mínimos e o piloto apenas tomou um susto e o banho gelado. Cedric Deguisne consegue vir ao Porto O piloto francês Cedric Deguisne do Team Maverick conseguiu vir participar da etapa do Porto, mesmo sem a ajuda da H2O Racing, promotor do campeonato mundial da UIM. “Os pilotos independentes tem que pagar uma inscrição cara e não tem nenhuma ajuda de transporte e outras das equipes contratadas para o campeonato. Assim fica muito caro, para conseguirmos continuar participando em 2015, fizemos esse esforço para vir a Portugal, mas aqui provavelmente termina nossa participação em 2015. Se tivessemos um bom patrocinador, talvez poderíamos avaliar nossa participação na China e os Emirados Árabes Unidos”, afirmou Cedric. Foi 14º classificado para largada com 52.89. Marit Stromoy só teve problemas

Duas caras novas no Porto, Thani Al Qamzi (5) e Nadir Bin Hendi (78).

Thani Al Qamzi foi chamado a substituir David Del Pin na equipa de Abu Dhabi. 2015 Agosto 344

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Motonáutica

livres e no primeiro cronometrado, a piloto norueguesa Marit Stromoy não conseguiu fazer uma volta rápida sequer e ficou com o penúltimo lugar para largada.

Engenheiro dando o toque final ao motor de Cedric Deguisne. A única mulher piloto no Campeonato Mundial de F1H2O teve um final de semana para esquecer. Com problemas no barco e no motor nos treinos

Preparação do alinhamento no Pontão com Gaia ao fundo. 58

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Uma prova com grandes disputas Desde a largada a prova no Rio Douro teve grandes disputas. O finlandês Sami Selio saiu na frente e assumiu a liderança logo a primeira volta, seguido por Philippe Chiappe, Alex Carella, Jonas Andersson, Youssef Al Rubayan e Shaun Torrente os seis primeiros a passar. Nas primeiras voltas Selio conseguiu alguma vantagem, mas Chiappe veio aumentando o seu ritmo de corrida que culminou com o ataque directo a posição do líder da prova. O piloto françês da equipa chinesa estava determinado a compensar a quebra na etapa de Evian e ultrapassou Sami Selio, assumindo a liderança da prova. Depois da ultrapassagem Chiappe ainda

O motor vencedor de Philippe Chiappe.


Motonáutica

abriu uma vantagem considerável sobre o segundo lugar, deixando Selio as garras do italiano Alex Carella que ganhava algum espaço. O barco BABA nos pareceu muito instável em águas difíceis e tanto o MOORE como os DAC, tem melhor desempenho. Sami Selio acabou por protagonizar o acidente mais espetacular da prova na volta 26, quando era ultrapassado por Alex Carella. Conseguimos captar as imagens do acidente e apesar das reclamações de Sami contra Carella, o italiano fez o que lhe competia na prova. Não houve toque entre os barcos e tivemos o cuidado de verificar o barco de Carella após a prova. Bandeira Amarela muito eficiente no Porto Depois do final triste de Evian sob a bandeira amarela (totalmente desnecessário), a ação de resgate no Porto mostrouse muito eficiente. Apesar da gravidade do acidente de Sami Selio, o resgate foi muito rápido e a corrida voltou a ter a sua re-largada como deve ser. Chiappe não vacila e vence Na largada após a bandeira amarela Philippe Chiappe não deu margem a discussões sobre sua posição, abriu na frente com Carella e Cantando buscando as posições seguintes. Foi mais uma disputa empolgante para o público entre os dois italianos, mas Cantando cometeu erros sucessivos e Carella aproveitou para manter a terceira posição. Erik Stark do Emirates Team aproveitando o duelo entre os italianos, ultrapassa e assume a segunda posição em busca de Chiappe, que já havia conseguido uma boa vantagem. O piloto sueco fez uma corrida impecável conseguindo 15 pontos para somarem aos 12 já conseguidos e ficar empatado no campeonato com Youssef Al Rubayan com 27 pontos. Em quinto terminou Shaun Torrente para marcar 7 pontos e conseguir ainda se manter na liderança do campeonato. Com o BABA que está competindo,

O público esteve presente em massa nas duas margens. muito dificilmente conseguirá lutar pelo campeonato. O americano teve que fazer milagres para se manter na raia do Porto, já que seu barco era muito instável e o motor não apresentava um desempenho similar ao dos líderes da prova. Surpresa foi mesmo o sexto lugar do finlandês Filip Roms da Mad Croc Baba Racing, que tendo largado na 13ª posição conseguiu ir subindo ao longo da prova evitando problemas. Youssef Al Rubayan terminou em 7º lugar, mas não foi competitivo nessa etapa, para não dizer decepcionante. Foi um fim de semana difícil para o F1 Atlantic Team que teve o barco de Duarte Benavente abandonando a prova na volta 23, com quebra do motor. O oitavo lugar ficou com Thani Al Qamzi no seu regresso as corridas.

Em nono ficou o francês Christophe Larigot com um MOORE do EMIC Team que pertence a norueguesa Marit Stromoy. Na décima posição ficou Ahmed Al Hameli do Emirates Team, que teve também que fazer milagres com o seu BABA. Vem a China (Liuzhou) em outubro Fazendo uma análise com base nos 2 últimos anos, a China tem sido um palco propício para os DAC, mas não devemos esquecer que os MOORE tem obtido resultados consistentes nas mãos do atual Campeão Mundial. Mesmo tendo condições mais estáveis do plano de água, não nos parece que seja uma opção para os pilotos que utilizam os BABA. O MOOL-

GARD pode também surpreender com Andersson que é sempre muito rápido e teve problemas no Porto. Vamos esperar que Duarte Benavente consiga ter um motor que faça sentido no conjunto barco/piloto que parece estar bem afinado.

Classificação do Campeonato após 3 etapas

Classificação do GP de Portugal (Porto) 1

1

Philippe Chiappe

FRA

CTIC China Team

36

0:49.68

0:00

20

2

28

Erik Stark

SWE

Emirates Team

36

0:51.02

4.25

15

3

6

Alex Carella

ITA

Team Abu Dhabi

36

0:50.69

5.39

12

4

24

Francesco Cantando

ITA

Motorglass F1 Team

36

0:51.59

13.66

9

5

77

Shaun Torrente

USA

Victory Team

36

0:52.01

15.53

7

6

5

Thani Al Qemzi

UAE

Team Abu Dhabi

34

0:52.59

L1

5

7

12

Filip Roms

FIN

Mad-Croc Baba Racing Team

35

0:52.11

L1

4

8

9

Youssef Al Rubayan

KUW

F1 GC Atlantic Team

35

0:53.08

L1

3

9

51

Christophe Larigot

FRA

Team EMIC

34

0:53.85

L2

2

10

27

Ahmed Al Hameli

UAE

Emirates Team

34

0:53.90

L2

1

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60

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Surf

Campeonato Nacional Projunior de Surf

Fotografia Henrique Casinhas

Tomás Fernandes

Tomás Fernandes e Carol Henrique consagram-se campeões nacionais Projunior

Os vencedores dos nacionais do Projunior, competição destinada aos surfistas de e até 20 anos, foram conhecidos no Festival Ocean Spirit em Santa Cruz, que terminou no passado dia 19 de Julho.

T

omás Fernandes da Ericeira e Carol Henrique de Cascais vencem a etapa e consagram-se também

campeões nacionais nas ondas pequenas mas com boa formação em Santa Cruz. No masculino, destaque para João Kopke, Guilherme Fonse-

ca e Luís Perloiro que foram vencendo todas as baterias com bastante autoridade até à final. Todos procuravam a vitória na etapa rumo ao título nacional. À

Tomás Fernandes 62

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partida para esta prova, Tomás Fernandes seguia na liderança depois da vitória na primeira etapa no Porto, mas o surfista da Ericeira foi sendo surpreendido ao longo das várias fases eliminatórias tendo passado em 2º lugar tanto nos quartosde-final como nas meias-finais, em baterias vencidas por Pedro Coelho e Guilherme Fonseca, respectivamente. A final de 30 minutos arrancou e terminou com Tomás na frente mas este foi sofrendo alguns “ataques “ à sua liderança principalmente pelo Guilherme. No fim, João Kopke ainda conseguiu chegar à segunda posição (12.90 pontos) deixando assim Guilherme em terceiro (11.75 pontos) e Luís Perloiro em quarto lugar (8.50 pontos). O surfista da Ericeira que terminou com 14.25 pontos comentou que “não podia estar mais contente por ter vencido esta etapa e sagrar-me bi-campeão nacional neste que é o meu último ano


Surf

Carol Henrique de Júnior. Vou assim muito motivado para a próxima etapa do circuito mundial, o US Open of Surfing na Califórnia, onde o meu objectivo é manter-me no top 100.” Nas senhoras, a história foi diferente. Mariana Assis, de Cascais, tinha vencido a primeira etapa mas foi surpreendida nas meias-finais por Carol Henrique, também de Cascais, e Inês Bispo, da Costa de Caparica, não tendo conseguido chegar à

final e ficando assim arredada do título nacional. Carol iniciava assim a sua caminhada rumo ao seu primeiro título nacional, não tendo dado qualquer margem às suas adversárias em toda a final. Ficou assim Camilla Kemp na segunda (8 pontos), Mariana Garcia na terceira (6.75 pontos) e Inês Bispo na quarta posição (6.40 pontos). Carol obteve um total de 10.90 pontos e referiu que “estou muito contente por ter conseguido ser campeã nacio-

nal Projunior e quero agradecer todo meu apoio que tenho dos amigos, família e também dos meus patrocinadores. Vou continuar a treinar para crescer mais como surfista!” Termina assim mais um circuito nacional Projunior com toda a normalidade. A Associação Nacional de Surfistas e a Onda Pura – Produção de Eventos endereçam os parabéns a todos os surfistas, em especial aos campeões nacio-

nais Tomás Fernandes e Carol Henrique, desejando muito sucesso para as suas carreiras no Surf. O Projunior 2015 é uma organização da Associação Nacional de Surfistas e da Onda Pura, com o patrocínio da Câmara Municipal do Porto, Câmara Municipal de Torres Vedras, os media partners GO-S. TV, SurfPortugal, ONFIRE, Beachcam, e apoio técnico da Federação Portuguesa de Surf.

Pódio Masculino

Pódio Feminino 2015 Agosto 344

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Vela

Campeonato da Europa de Juniores de Laser Radial

Campeões Coroados em Viana do Castelo

O Campeonato da Europa de Juniores de Laser Radial, organizado pelo Clube de Vela de Viana do Castelo durante os passados dias 20 a 25 de Julho, terminou com a vitória do britânico Jamie Calder e da húngara Maria Erdi no sector feminino.

Largada

Fotografia: Luis Fráguas

V

O inglês Jamie Calder vendedor masculino 64

2015 Agosto 344

iana do castelo brindou os mais de 250 velejadores presentes nos dois primeiros dias com nevoeiro mas, nos dias seguintes com excelentes condições para a prática da vela, com o vento a soprar entre os 14 e 17 e o máximo 22 nós, sempre de Noroeste. Portugal esteve representado neste campeonato por nove velejadores. No sector feminino, em que a classe Radial é olímpica no escalão absoluto, estiveram Carolina João e Federica Franchi. No sector masculino, a equipa nacional estava formada por Tomás Martins, Lourenço Mateus, Henrique Brites, Gustavo Calado, Duarte Correia Teles, Bernardo Loureiro e Diogo Monteiro.


Fotografia: Luis Fráguas

Vela

A Vencedora húngara Maria Erdi na modalidade no Clube de Vela de Lagos. Henrique Brites foi o mais bem classificado dos portugueses, ocupando o 35º lugar. Jamie Calder realçou a dificuldade para conquistar o título: “Estou sem palavras com este título. A frota era de nível mundial. Foi muito difícil mas estou feliz” O encerramento deste europeu de juniores foi com a cerimónia de distribuição de prémios nas instalações do Clube de Vela de Viana do Castelo. Nas finais no sector feminino, o triunfo pertenceu à húngara Maria Erdi que se superiorizou à polaca Magdalena Kwasna e à espanhola Sílvia Morales. A velejadora das ilhas Canárias foi a primeira SUB17. Carolina João foi a melhor portuguesa terminando em 25º lugar. Maria Erdi estava naturalmente feliz com o triunfo: “Contava ficar no pódio mas ganhar é absolutamente fantástico. Trabalhei muito durante o inverno para conseguir este resultado”, refere a húngara O britânico Jamie Calder foi o vencedor no sector masculino, seguido pelo italiano Gianmarco Planchestainer e por Jack Cookson, um inglês que fez toda a sua aprendizagem

Henrique Brites foi o melhor português

À espera que o nevoeiro passe 2015 Agosto 344

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Notícias do Mar

Últimas

Campeonato de Portugal de Cruzeiros ORC Club 2015

Plano B campeão de Portugal

Plano B

O

Plano B, de Nuno Amado, sagrouse Campeão de Portugal de Cruzeiros em ORC Club 2015 que se disputou nos dias 17 a 19 de Julho de, organizado pela Federação Portuguesa de Vela e pelo Clube de Vela Atlântico com o apoio da Fidelidade e da TransAct®LAT. O último dia de prova foi de nervos no campo de regatas de Leixões, pois desde o início este Capeonato esteve

sempre ao rubro com os veleiros a alternarem o comando da prova e barcos diferentes a vencerem as regatas. Duas regatas barlaventosotavento marcaram o final do Campeonato de Portugal de Cruzeiros ORC Club deste ano. Na primeira do dia, venceu o Xekmatt, de José Carlos Prista, que defendia o seu tricampeonato em águas leixonenses. Seguiram-se Plano B, de Nuno Amado, e Super Açor Lusitania Seguros, de Gonçalo Botelho.

Fifty de Rui Ramada Barros liderou no início

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Depois de uma longa espera, o ventou colaborou e permitiu a realização da segunda da jornada. Desta feita o Plano B triunfou, superiorizando-se ao Xekmatt e ao Milaneza, de Rui Amorim Sousa. Na geral e após 5 regatas, Vitória do Plano B seguido do Xekmatt. O Super Açor Lusitania Seguros, de Gonçalo Botelho foi 3º e o Milaneza, de Rui Amorim Sousa, ocupou o 4º lugar. O quinto foi o Fifty, de Rui Ramada Barros, que não pôde

participar no último dia devido a uma avaria. O Wine Deck, de José Carlos Pestana ocupou a 6ª posição, o Suevo, de Tomás Moreira foi 7º classificado e o Marian IV, de Jorge Leitão, quedou-se em oitavo. Em ORC B, triunfo e título de Campeão de Portugal para o Plano B. A segunda posição foi para o Super Açor Lusitania Seguros, ficando o Milaneza na terceira posição. Wine Deck, Suevo e Marian IV, ocuparam os lugares seguintes.

A tripulação do Plano B de Nuno Amado

Notícias do Mar n.º 344  

Jornal Notícias do Mar Online, n.º 344, Agosto de 2015.

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