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manauspramim.com.br | edição 03 fev.2014

Manaus pra Mim em Revista

VIAGENS Rio Preto da Eva MANAUS Feira de Orgânicos EXPLORANDO Ruínas de Paricatuba


Manaus pra Mim

sumário

em Revista

17 VIAGENS Rio Preto da Eva A diversidade dos municípios do Amazonas demonstra o quanto as culturas podem variar bastante de um lugar para o outro e criar outros ritmos e modos de vida.

ALBUM DE FOTOS 25

Especial Paricatuba por Suamy Beydoun

21 MANAUS Feira de Orgânicos da Maceió

DE COMER 24

Que tal uma pupunha?

EXPLORANDO 12 Ruínas de Paricatuba, em Iranduba, um ponto turístico bem interessante e pouco explorado no Amazonas.

EXPEDIENTE TEXTOS E EDIÇÃO Paula Quintão FOTOGRAFIAS Leonardo Blasch FALE CONOSCO revista@manauspramim.com.br


do leitor

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Comentários em

ManausPraMim.com.br

‘ ‘

Gostei muito do seu blog, sou fanático por Manaus, e, agora admirador do seu trabalho. Prometo ler e ficar ligado nas publicações. Beijos. :D De Ramon Dias, para Manaus pra Mim

Muito bom Paula, gostei do seu post. Moro e nasci em Manaus, mas toda a família do meu pai é de Iranduba e quando criança sempre íamos passar o fim de semana no sitio dos meus avos que moravam lá, pois já estão no céu. Porem ainda temos raízes de parentes por la. Faço faculdade de farmácia e estou no quarto ano do curso, prestes a terminar. Com planos de ser a farmacêutica de Iranduba, pretendo trabalhar lá com o intuito de contribuir no desenvolvimento da cidade com visão na assistência da saúde da população. Gosto de Iranduba, pois me lembro de quando era criança, bjos De Tatyane Braga, para o post ‘Para ver Iranduba se desenvolver’.

Os posts destaques do mês em facebook.com/ManausPraMim

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editorial

O turismo inexplorado C

omeçar o ano com o pé direito é a melhor das providências para ficarmos cheios de boas energias e perspectivas. De malas prontas, fomos para o Chile viver um ano novo imersos em uma cultura diferente. E sempre observo o quanto o turismo é bem explorado em alguns lugares. No Chile estivemos em cidades que são bem pequenas e que conseguem ter uma malha de hotéis, restaurantes e serviços para atender muito bem o turista e fazer dinheiro com o visitante. São Pedro do Atacama, cidade fincada no meio do deserto, abriga anualmente milhares de visitantes de todo o mundo. Há hotéis de luxo até pousadas muito simples, mas todas com uma rusticidade muito típica e muito coerente com a própria cidade. Restaurantes bem preparados para servir muito bem, várias agências de viagem pelas ruas com opções diversificadas de roteiros turísticos. O deserto foi surpreendente. Acontece que para surpreender houve todo um preparo do local pensando no turismo. Alguém teve o trabalho de explorar o deserto e encontrar pontos bem localizados que seriam apreciados pelo turista, criar roteiros turísticos viáveis para

que esses pontos fossem visitados. formular custos, tempos, formas de guiamento. E a cidade, mesmo tão pequena e distante, tornou-se um ponto forte no turismo chileno. Vejo as cidades ao redor de Manaus e sei que há muito mais atrativos turísticos a oferecer do que hoje. Enxergo um potencial turístico imenso no Amazonas e ainda não vejo ele sendo explorado. Que os bons ventos venham com mais investimentos privados e incentivos governamentais para que o Estado crie frentes fortalecidas na área turística. Nessa edição você conhecerá pelos meus olhos e pelos olhos dos fotógrafos Leonardo Blasch e Suamy Beydoun as ruínas de Paricatuba, que estão a pouco mais de 40 minutos de Manaus e são bem inexploradas. Conversamos um pouco sobre turismo com Magno Souza, responsável pela agência Roraima Adventures, que hoje é uma referência nacional em viagens para o Monte Roraima. Seja bem-vindo a tudo que está guardado nessa terceira edição. Paula Quintão. Fundadora e Editora Manaus pra Mim paula@manauspramim.com.br

Manaus pra Mim em Revista é uma publicação gratuita e de livre circulação produzida pelo blog ‘Manaus pra Mim’ com o objetivo de entregar, para os quatro cantos do Brasil e do mundo, um pouco mais da essência de Manaus, do Amazonas e da Amazônia. Sejam todos bem-vindos. Os criadores e os anunciantes dessa publicação acreditam na difusão da cultura e do conhecimento.


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pense

Nem é questão de ter o pôr do sol

mais bonito do Brasil, é questão de ter o pôr do sol mais bonito do Brasil todos-os-dias. Se for assim, Manaus não tem concorrência. Paula Quintão Foto Leonardo Blasch


entrevista

Magno Souza e a fórmula para fazer do turismo um sucesso Fotos do arquivo pessoal de Magno Souza

D

esde que estive no Monte Roraima em julho de 2011 o Estado de Roraima se tornou minha ‘menina dos olhos’. Apesar de o acesso ao Monte acontecer via Venezuela, todo o transfer para a viagem se inicia em Boa Vista, Roraima, e não há como passar despercebido o potencial turístico daquele Estado e as tantas possibilidades de viagens de aventura que estão disponíveis. Nessa edição de Manaus pra Mim conversamos com Magno Souza, grande amigo desde os tempos de Monte Roraima, que conta um pouco sobre como o turismo pode ser favorecido mesmo quando não há grandes investimentos na área.


entrevista

Manaus pra Mim: Como foi iniciar atividades de turismo em Roraima?

Magno em uma de suas primeiras viagens ao Monte Roraima em 1994

Magno Souza: Foi um desafio, principalmente por entender que a região não tem vocação turística. O fato de ter atrativos não coloca o lugar como destino. Porém, sempre acreditei muito no “feeling” que tenho e me deixei levar e os resultados foram chegando aos poucos. Meu primeiro roteiro foi o Monte Roraima, que atualmente é o ícone do turismo no Estado. Enquanto muitos me desanimavam, inclusive algumas pessoas mais próximas, eu mantive o rumo, pois não era possível que um lugar tão enigmático e ímpar não pudesse ser atraente. E aos poucos vi as coisas se consolidarem. Manaus pra Mim: Quando iniciou as atividades de turismo o Estado já estava estruturado para que elas acontecessem? Magno Souza: O Estado nunca teve estrutura turística. O que há hoje é um conjunto de boas intenções, mas é muito pouco para querer fazer parte do cenário nacional. O pouco que acontece hoje no Estado é resultado de alguns empreendedores que acreditam nas atividades.

Eu mantive o rumo, pois não era possível que um lugar tão enigmático e ímpar não pudesse ser atraente. E aos poucos vi as coisas se consolidarem.


entrevista Manaus pra Mim: Para que o turismo aconteça é preciso que esteja integrado com as esferas social e política? Magno Souza: Evidentemente que seria perfeito se houvesse uma integração de fato na implementação das condições para que as coisas se concretizassem, porém, infelizmente, isso não acontece. O que existem são muitos projetos, muitos planos maravilhosos, muita propaganda institucional, mas de fato mesmo, só quem faz alguma coisa são alguns abnegados empreendedores, e geralmente com seus próprios recursos e esforços. Manaus pra Mim: Na busca de um roteiro de aventura, qual é a expectativa do público? Magno Souza: Todas as pessoas que querem viajar, seja qual for o roteiro, querem viver uma experiência. E quando o desejo é de uma viagem na natureza, o sonho é de voltar à infância, de reviver as brincadeiras de crianças, de lidar com a água, com a Terra, com as plantas, de correr alguns riscos naturais (mas claro que agora com segurança, ou seja, com riscos calculados). Então

Magno e Lena, marido e esposa, os dois são responsáveis pela Roraima Adventures

quando somos procurados, entendemos que teremos que fazer esses sonhos acontecerem, e assim nos preparamos para oferecer uma experiência inesquecível para essa pessoa. Ao formatar nossos roteiros nos preocupamos em transformar o atrativo numa vivência profunda de emoções, de boas surpresas, de realizações pessoais, de superações, na certeza que o viajante sentirá vontade de voltar à nossa região.


VIAGENS DE AVENTURA

SÃO VIAGENS DE TRANSFORMAÇÃO


explorando

Ruínas de Paricatuba

em Iranduba Texto de Paula Quintão Fotos Leonardo Blasch


explorando

V

ocê pode se surpreender com o que há bem próximo de Manaus. Verdadeiros pontos turísticos completamente inexplorados. Um desses pontos são as Ruínas de Paricatuba, em Iranduba, a pouco mais de 40 minutos de Manaus. As ruínas são de um antigo casarão que servia de hospedaria para imigrantes europeus, uma edificação bem grande que depois foi utilizada como cadeia pública, mais tarde como sede da primeira escola técnica do Amazonas e, anos depois, como internato para portadores de hanseníase. Hoje a construção está completamente abandonada e são suas ruínas que chamam atenção. 13 .:. Manaus pra Mim em Revista | Fev. 2014


explorando

As misteriosas ruínas de Paricatuba Já fiz muito turismo para visitar ruínas, fui longe só para ver as de Machu Picchu no Peru que remontam as histórias Incas. Turistas de todo o mundo visitam, todos os anos, centenas de ruínas históricas para se sentirem parte de um mundo em evolução. Elas são sempre um atrativo para os olhos, que se surpreendem com o quanto o tempo pode ser implacável. E bem perto de Manaus estão as ruínas de Paricatuba. A sensação que temos ao visitálas é de que a força da natureza é incrivelmente superior à intervenção do homem. Por dentro da construção são várias árvores, cipós, grama e muita folhagem. O lugar foi abandonado por volta de 1970 e em pouco mais de 40 anos a natureza invadiu completamente a estrutura de alvenaria e hoje marca presença. Há projetos de recuperação do casarão para talvez transformá-lo em um teatro e outros para estimular que a Vila de Paricatuba use o ponto como

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explorando

uma referência turística e crie, nos arredores, atrativos para os visitantes, como restaurantes e venda de artesanatos. Porém, até então, não há nenhum movimento para estímulo do turismo no local. A Vila de Paricatuba que está a 25km de Manaus é também famosa por suas praias de areia branca. Paricatuba é um termo que significa que há grande número de paricás, erva alucinógena utilizada em rituais indígenas. Quer ver algo diferente? Pegue seu carro e vá até as ruínas de Paricatuba. Surpreendente por estar tão perto de Manaus, por demonstrar a força da natureza e por ser um símbolo de como o turismo ainda pode ser melhor explorado no Amazonas. Nessa edição você ainda confere o álbum do fotógrafo Suamy Beydoun que clicou lindos pontos das ruínas, na página25.

Como chegar? AM-070, sentido Iranduba. Siga pela estrada e no km 22 você verá indicações para a "Vila de Paricatuba". É para lá que você vai. São mais 10km de ramal.

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viagens

Rio

Preto

daEva Texto Paula Quintão Fotos por Leonardo Blasch

Há reinante uma curiosidade muito grande sobre os municípios do Amazonas, principalmente sobre os do interior do Estado. Isso porque eles têm modos de vida e ritmos muito diferentes do que estamos acostumados no grande centro. A logística para muitos deles é bem complicada e exige não só horas de transporte, mas dias. Para o amazonense é comum viajar 5 ou 10 dias embarcado para chegar a seus destinos, o que já é uma das características culturais próprias do Amazonas. As diversidades que encontramos no interior atraem olhares do mundo inteiro. As vivências em comunidades indígenas e em comunidades tradicionais sempre chamam atenção da mídia - que costuma inclusive generalizar esse tipo de cultura como a cultura reinante no Estado. Mas as vivências do urbano são também uma aventura à parte para enxergarmos um pouco mais da diversidade amazonense.

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viagens Um lugar para curtir a cultura local urbana do interior é no município de Rio Preto da Eva, que está a apenas uma hora de Manaus, a 80km de distância pela AM-010, e possui um ritmo de vida completamente diferente do urbano citadino de Manaus. Quer silêncio à noite? Quer achar que 20h da noite já é hora de dormir? Quer amanhecer bem cedo e ser convidado por vários moradores para aproveitar o sol no balneário do Rio Preto? Pois reserve um final de semana e você sentirá que suas 24 horas rendem 36 horas ou mais. A impressão que temos do passar do tempo é completamente diferente. E se a sua escolha é só passar um dia em Rio Preto, você pode sair bem cedo de Manaus e tomar seu café numa das tantas opções de cafés regionais que há no município, comprar coisas na feira de produtos rurais que há logo na entrada da cidade e aproveitar o balneário ao som de forró - o estilo musical mais pedido por ali. Uma opção mais refinada pouco antes de chegar em Rio Preto, a menos de 15 km de distância, é o hotel de luxo Amazônia Golf Resort, muito procurado nos finais de semana como centro de hospedagem. Muitos hóspedes, diz Maria, a funcionária do hotel que nos recebeu, ‘’adoram passar o final de semana aqui e sentir que estão longe de todos os problemas da cidade. Outros vêm durante a semana e se sentem isolados do mundo, completamente descansados’’. A opção mais popular é mesmo tomar seu café em Rio Preto e seguir para o balneário. Só de ficar às margens do rio já é possível se divertir com o

O hotel de luxo que fica na AM-010, Amazônia Golf Resort


viagens clima. Crianças jogam bola, famílias inteiras se reúnem para conversar e comer tira-gostos, adolescentes morrem de rir com as boias e os banhos imprevisíveis de água. Ao redor do balneário há churrasquinhos, restaurantes com comida típica, aluguel de boias e venda de bebidas. A areia está tomada por mesas e guarda-sóis coloridos. E se você esqueceu seu biquine ou seu calção de banho é fácil providenciar um novo nas lojas de moda praia ao redor do balneário com estilo tipicamente amazonense. Viver a experiência de imersão no ritmo e na cultura de municípios do interior do Amazonas é perceber que há outros modos de vida diferentes daquele que há em Manaus que podem ser mais agradáveis e felizes para muitas pessoas, como muitos dos moradores de Rio Preto fazem questão de ressaltar.

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viagens


manaus

Feira de

orgânicos

da Maceió Texto de Paula Quintão Fotos de Leonardo Blasch

O que mais me chamou atenção no custo de vida de Manaus logo que mudei para a "terra do sol" foi o preço das frutas e verduras no supermercado. Sim, eles são muito mais caros que eu estava acostumada. Minha couve-flor, inteira, custava R$1,00 e em Manaus custava R$21,90 o quilo. Minha maça, laranja, alface, meu pé de couve, minha uva e até mesmo minha manga. Tudo mais caro. Acontece que aos poucos fui descobrindo que o melhor dos mundos não é comprar frutas no supermercado e sim nas feiras regionais. Desbravei muitas delas e me encantei com a história de vida dos produtores e dos feirantes, uma verdadeira imersão na cultura local a cada visita. Nas feiras pude observar muitos aspectos da cultura do Amazonas e conhecer muitos produtos típicos amazônicos. Encontramos desde goma para

Araticum do Amazonas e Bacaba, muita novidade para uma feira só

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manaus tapioca até corantes naturais para culinária. Entre as minhas preferidas estão o Feirão da Sepror, a Feira do CIGS, a Feira da Panair e a Feira de Orgânicos da Maceió. Quando encontrei a Feira de Orgânicos da Maceió foi realmente uma descoberta feliz. Um dos motivos foi ter encontrado, finalmente, produção orgânica na cidade (até então não conheci outra feira 100% orgânica como essa pretende ser). Um outro motivo de alegria foi o preço das frutas, verduras e legumes. Sim, muito melhor que o preço do supermercado. O produto orgânico não nos ganha pela aparência, nem sempre são os tomates mais lindos nem as maiores couves que você já viu, mas o sabor é bem diferente do que estamos acostumados. São produtos livres de agrotóxico e isso faz toda diferença no sabor de cada um deles, que ficam muito mais gostosos, e na sua tranquilidade de estar fazendo bem à sua saúde deixando-a longe de produtos químicos. Na última vez que visitei a feira conversei com a Dona Celina e ela me contou um pouco sobre como cuidam das plantações orgânicas. Entre as providências necessárias, uma das mais importantes é garantir que o solo fique bem cuidado e fortalecido para que as plantas não tenham que receber nenhum tipo de química. Sua rotina é de passar horas cuidando de suas hortas para ter produtos bem lindos para vender aos sábado. Realmente o

Na foto, Dona Tereza, produtora e sua banca de produtos orgânicos. Feliz porque às 7h30 praticamente todos os produtos já foram vendidos.

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manaus

investimento de tempo surte resultado, porque a banca é cheia de cores e produtos agrícolas variados. Também conversei com a Tereza e a Cléia, que todos os sábados, às 6h, já estão à postos esperando os visitantes da feira. Duas típicas produtoras rurais do Amazonas: cheias de vontade de atendê-lo bem, doces e com olhos de curiosidade sobre você. A feira acontece todos os sábados, na avenida Maceió, dentro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e oficialmente começa às 7h30, mas às 6h já há produtores montando suas bancas e vendendo seus produtos recém colhidos de suas plantações.

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de comer

olha

a pupunha! Texto Paula Quintão Fotos Leonardo Blasch

"Pupunha cozida! Pupunha cozida!", gritava o moço do sinal numa das primeiras vezes que estive em Manaus. Comprei, provei e não gostei. Mas a pupunha estava em tantos lugares e sempre tão carinhosamente tratada que resolvi provar outra vez, e já gostei um pouco mais. Provei outra vez e fiquei apaixonada pela pupunha. Hoje eu amo pupunha. Amo todos os tipos de pupunha, porque há mais de uma qualidade, mas minha preferida é aquela bem amarela. Com essa cor amarelo super forte, ela não passa despercebida. A pupunha realmente marca presença e os cafés regionais adoram servi-la como opção para os amantes da culinária típica manauara. Bem fácil de descascar depois de cozida, a pupunha tem sabor predominante. A fruta é conhecida por fortalecer a imunidade e prevenir de doenças degenerativas, além de ser rica em vitamina A. Não é à toa que está entre as iguarias preferidas dos manauaras. O que acho mais curioso é o fato de já venderem, até mesmo nas feiras de rua, a pupunha cozida. É uma forma de ver o quanto a cultura amazonense é diferente, porque se estivéssemos em Minas cada um levaria para cozinhar em casa mesmo.

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álbum por Suamy Beydoun

o álbum As ruínas de Paricatuba pelo fotógrafo

Suamy Beydoun

F

ormado em comunicação social com habilitação em rádio e TV teve seu primeiro contato com o setor audiovisual aos 19 anos atuando como operador de VT e matrox, Começou como assistente de direção até assumir o cargo de diretor de imagem. Atuou por 12 anos no segmento de educação a distância (EAD) em plataformas de transmissão via satélite e IPTV como diretor de imagem e coordenador de transmissão. Atualmente dedica-se quase que integralmente à fotografia, arte que exerce desde 2005, em especial à fotografia de paisagem, natureza, urbana e ensaios conceituais em retratos tendo suas fotos publicadas em diversos meios de comunicação como internet e impressos. Suamy também presta assessoria em tecnologia de Broadcasting para switch de transmissão New Tek Tricaster. Seu email é suamy1981@hotmail.com


รกlbum por Suamy Beydoun


รกlbum por Suamy Beydoun


รกlbum por Suamy Beydoun


รกlbum por Suamy Beydoun


Uma

viagem transformadora

ao topo do

Monte Roraima

da escritora de Manaus pra Mim, o primeiro romance autobiogrรกfico lanรงado no Brasil sobre uma viagem de aventura ao topo do Monte.

http://bit.ly/umnovoeu


colunista do mês

O último RIO por Amaral Augusto

O

impacto das gotas nas folhas ecoa longe. Aos poucos vai aumentando até se tornar como um chiado, um barulho alto que se espalha e não deixava ouvir mais nada. Por pelo menos meia hora, o tempo passa assim, feito barulhão sem fim, uma confusão de um som só, misturado entre tantos elementos diferentes. O que muitos chamam de chuva, para a floresta tropical é um milagre, e ele se repete muitas vezes no mesmo dia. Depois de cada pancada, segue-se um silêncio curto. A água que escorreu pelas folhas de enormes árvores, agora é absorvida pelo solo. Como uma esponja ele vai encharcando e transferindo água limpa para canais subterrâneos e nascentes. O que não dá conta escorre pela superfície da mata e abastece rapidamente rios e lagos. Como a chuva, essa sequencia rigorosa de fatos também se repete e é fundamental para a manutenção da vida que conhecemos no planeta. Mas já faz tempo que isso vem mudando. E o pior é que todos observam, alguns discutem, governos deliberam e dia após outro milhares de árvores vêm abaixo. Nascentes são soterradas por grandes condomínios. Rios doentes agonizam com toneladas de lixo e esgoto boiando na superfície. Na segurança de nossas casas acompanhamos entre tantos noticiários de violência urbana, um relato de danos ambientais. Isso parece longe, distante. Como se não olhássemos da janela do carro quando cruzamos pontes sobre rios sujos, respirando o mesmo ar carregado de fuligem dos motores que chamamos desenvolvimento.Esse cenário substitui o regime natural de chuvas tropicais e o resultado é desastroso. No lugar do solo está

o concreto. A cobertura impermeável faz a água escorrer por dutos também de concreto até encontrar grandes canais de concreto que levam tudo para o rio mais próximo, quando se tem sorte, claro. Em muitos casos a água não encontra vazão. Detida pelo lixo, pelas falhas de projetos de engenharia, ela desabriga, destrói e mata. Os mesmos governos que discutem políticas ambientais, agora gastam o dinheiro de impostos em planejamento para evitar desastres naturais. Tudo isso como se a natureza fosse tão previsível. Como se o planeta tivesse um esquema de fácil leitura. Se continuarmos avançando com esse modelo de desenvolvimento, contam os estudiosos mais otimistas que nos próximos quarenta anos não haverá mais a floresta que conhecemos. A terra terá aquecido, os desastres naturais serão tão rotineiros como a chuva tropical. O que hoje, em parte é ficção, será tão real quanto eu e você. Se tivermos sorte, vamos nos deparar com o último rio. Um lugar ainda equilibrado que por acaso escapou de todos nós. Lá a chuva ainda cai limpinha. As nascentes ainda borbulham transparentes. A vida ensina o quanto pode ser simples e equilibrada, despida de todo o desenvolvimento que julgamos ser impossível deixar para trás. Aí vamos ter que tomar mais uma decisão. Espero sinceramente que ela seja melhor! Amaral Augusto é jornalista, apresentador de tv, documentarista e aventureiro. Com muita sensibilidade desenvolveu técnicas próprias de videorreportagem junto às comunidades tradicionais amazônicas.

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Chegar à 3ª edição é uma celebração. Chegar aos 6.500 likes na fanpage em apenas 2 meses é uma alegria imensa. Chegar a mais de 94 mil visitas ao blog é uma conquista.

Manaus pra Mim. Manaus pra Nós.

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Manaus pra Mim em Revista 3ª Edição  

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