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manauspramim.com.br | edição 02 jan.2014

Manaus pra Mim em Revista

VIAGENS São Gabriel da Cachoeira MANAUS Aeroclube EXPLORANDO Caverna do Maroaga


Manaus pra Mim

sumário

em Revista

23 VIAGENS DE AVENTURA São Gabriel da Cachoeira é um desses locais em que a simplicidade encanta e a energia é tanta que fica difícil não rever a nossa vida.

EXPLORANDO 12 A Caverna do Maroaga e a trilha de aventura que pode ser feitas com crianças

08 ENTREVISTA Jurandir Toledo e o SUP no Amazonas.

23 Manaus EXPEDIENTE TEXTOS E EDIÇÃO Paula Quintão FOTOGRAFIAS Leonardo Blasch FALE CONOSCO revista@manauspramim.com.br

Aeroclube do Amazonas, a segunda maior área de paraquedismo do país.

HISTÓRIA DE VIDA 17 Dona Conceição e a arte de viver num mundo em que o ritmo é outro. DE COMER 26 X-caboquinho, o imperdível.


do leitor Compartilhar saberes e percepções é a melhor forma de construirmos juntos essa Manaus de muitos olhares. Escreva para revista@manauspramim.com.br ou deixe seu comentário no blog ‘Manaus pra Mim’.

Parabéns!! Muito boa essa visão de nossa cidade por uma pessoa que não nasceu aqui, mas que abraçou todos os desafios e belezas que essa cidade proporciona, é um belo exemplo a ser seguido por muitos que chegam aqui de costas para a cidade, que apenas reclamam em vez de aproveitar e conhecer os encantos e belezas que só Manaus pode oferecer… De Thiago Hoyos, para Manaus pra Mim em Revista.

Parabéns pelas matérias sobre Manaus!! Você a descreve de um modo tão fácil, descrevendo as mais simples particularidades, que já posso dizer que conheço um pouco dela. Tornei-me sua leitora assídua! Sobre Iranduba, me ajudou muito a entender um pouco dela, já que em poucos meses ela irá fazer parte da minha vida! O Fábio tem projetos lá e estarei com ele! Obrigada! Beijos! De Sandra Espindola, para o post ‘Para ver Iranduba se desenvolver’.

Seria possível você colocar a receita da broa de manaus?

De Elane, em 06/12, para o post ‘O que comer em Manaus: Broa’

Manaus pra Mim RESPONDE Elane, essa receita é simplesmente a receita mais difícil de encontrar. Preciso lançar uma campanha pública: “quem tem receita da broa de Manaus?!”. Quando conseguir vou postar no blog! Beijos! Paula Quintão.

Que saudade dessa feira, fica meu forte abraço a todos os feirantes, e a dona Graça, filha da dona Lourdes. De Fininho, em 02/12, para o post ‘Feira da Panair com a maninha’

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editorial

Quem vem

para ficar em Manaus

M

anaus. Há quem deteste a cidade. Há quem ame e não queira ficar sem. Minha sugestão é sempre que você venha e veja com seus próprios olhos, sinta com sua pele, cheire com seu nariz e deixe a cidade criar sua história única com você. Manaus acolhe a cada ano milhares de novos habitantes que vieram para morar. Alguns vêm para ficar um mês e ficam 20 anos. Outros vêm para arriscar a vida e se encontram fazendo ótimos negócios. Outros vêm visitar, como eu, se apaixonam e fazem de tudo para viver a experiência de morar na terra do sol. Viver em Manaus, eu diria, é entrar num ciclo de descobertas. A cada dia uma nova surpresa, seja observando as pessoas e sua espontaneidade, seja encontrando novos lugares e novas formas de enxergar a vida. Um dos posts para o blog Manaus pra Mim que fiz recentemente foi sobre um flautista que encontrei quando visitava uma taberna recém inaugurada no meu bairro. O atendente era o próprio dono do negócio e enquanto eu comprava ele

sacou uma flauta e colocou-se a tocar lindamente algumas músicas clássicas. Sinto, quando me deparo com situações como essa, que não viveria nada parecido em outros lugares. Manaus tem esse “quê” de espontaneidade que faz do dia a dia uma intensa descoberta. Nessa edição você conhecerá um pouco mais de Manaus, do Amazonas e da Amazônia. Visitará a Caverna do Maroaga e as trilhas que levam até ela, que inclusive fizemos com o pequeno explorador Henrique, de 9 anos. Você poderá

Viver em Manaus, eu diria, é entrar num ciclo de descobertas.

conhecer um pouco mais sobre a movimentação semanal que há no aeroclube de Manaus, a segunda maior área de salto do Brasil. Aproveite. Paula Quintão. Fundadora e Editora Manaus pra Mim paula@manauspramim.com.br

Manaus pra Mim em Revista é uma publicação gratuita e de livre circulação produzida pelo blog ‘Manaus pra Mim’ com o objetivo de entregar, para os quatro cantos do Brasil e do mundo, um pouco mais da essência de Manaus, do Amazonas e da Amazônia. Sejam todos bem-vindos. Os criadores e os anunciantes dessa publicação acreditam na difusão da cultura e do conhecimento.


A ATC é pioneira em escalada em árvore recreativa no Brasil e apresenta a Amazônia aos visitantes a partir da copa das grandes árvores com passeios que associam essa atividade aos atrativos naturais mais procurados em Manaus. Para nós a floresta em pé é uma dádiva.

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pense O

é a melhor maneira pôr do sol da natureza nos dizer que ciclos se

encerram e que o amanhã virá com um novo amanhecer. O amanhã é seu novo despertar, sua nova oportunidade de fazer tudo muito melhor. Paula Quintão foto Leonardo Blasch


entrevista

Jurandir Toledo, e a nova cultura do Stand Up Paddle em Manaus Fotos do arquivo pessoal Jurandir Toledo

O

Stand Up Paddle Boarding, ou SUP, surgiu no Havaí na década de 1960 e desde lá vem sendo aperfeiçoado e alcançando um número de adeptos cada vez maior. O esporte é uma variação do surf e o objetivo é remar de pé sobre a prancha. Quando praticado nas águas dos rios amazônicos ganha um caráter de diversão e relaxamento como em nenhum outro lugar. Nessa entrevista conversamos com Jurandir Toledo, instrutor de Stand Up Paddle e responsável pela empresa Amazon SUP.


entrevista Manaus pra Mim: O SUP possibilita o contato com que aspectos do Amazonas? Jurandir Toledo: Principalmente com a sua natureza exuberante. Podemos vivenciar o contato mais próximo com suas florestas, igapós, animais dos rios e das florestas, tudo através das remadas de SUP pelos inúmeros roteiros que os rios amazônicos nos ofertam. Manaus pra Mim: Quais as principais dificuldades do esporte? Jurandir Toledo: Penso que a falta de conhecimento sobre o esporte, pois todos acreditam ser muito difícil se equilibrar nas pranchas para remar, o que não é verdade. Manaus pra Mim: Como é fazer SUP nas águas dos rios? Jurandir Toledo: Com certeza usar os rios para o SUP é tornar o esporte muito mais tranquilo que no mar. Nos rios temos menos ondulações e as águas são mais lisas, o que propicia remadas fáceis e prazerosas. Assim o SUP se torna uma atividade relaxante. Manaus pra Mim: O que as pessoas mais gostam durante a experiência do SUP? Jurandir Toledo: Sempre me dizem que as remadas recarregam as energias, trazem paz e sensação de bem estar tanto físico quanto mental. Outros gostam para se reunir com os familiares, amigos e fazer novas amizades.

Sempre me dizem que as remadas recarregam as energias, trazem paz e sensação de bem estar tanto físico quanto mental.

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entrevista Manaus pra Mim: Por que fazer SUP? Jurandir Toledo: Essa é uma atividade única para você combater o estresse, entrar em contato com a natureza, fortalecer seus músculos, queimar calorias, exercitar seu sistema cardiovascular, cuidar da sua saúde mental e do seu bem estar. Se nunca fez SUP, meu convite é para que experimente e se permita encantar. Manaus pra Mim: E como serão as expedições que pretende montar futuramente? Jurandir Toledo: Pretendemos levar nossos remadores e iniciantes a novos lugares e roteiros para as remadas, para isso estamos adquirindo para 2014 equipamentos específicos para essas aventuras do SUP no Amazonas. Gostaria de agradecer a oportunidade e, dizer que o SUP não é uma moda passageira, já é considerado no Brasil e no mundo um estilo de vida.


VIAGENS DE AVENTURA

SÃO VIAGENS DE TRANSFORMAÇÃO


explorando

Trilha de aventura

para crianรงas

Caverna do Maroaga Texto de Paula Quintรฃo Fotos Leonardo Blasch


explorando

E

star em meio à natureza é sempre uma atividade que traz muito bem estar. Há quem pense que Manaus é cidade floresta, há quem pense que viver em Manaus é estar cercado por árvores. Não, meu caro leitor, Manaus não é cidade floresta. É cidade plantada entre árvores, mas é cidade de concreto, asfalto e cimento como outras tantas. O que podemos comemorar é o fato de estarmos a poucos minutos da floresta e isso sim faz bastante diferença. Talvez num desinteressado domingo de manhã podemos montar uma mochila com os equipamentos que precisamos e sair para uma trilha entre árvores centenárias, folhas secas pelo chão, troncos caídos pelo caminho e grutas que abrigam deliciosas quedas d´água. E foi o que fizemos num domingo desinteressado de dezembro. Para completar a festa ainda levamos o aprendiz de explorador de 9 anos, Henrique Blasch, para a aventura em Presidente Figueiredo, município que fica a aproximadamente de 1 hora de Manaus. Henrique, sua mochila, duas lanternas, um bastão de caminhada, um cantil de água e disposição para caminhar entre a floresta e explorar o que há de mais legal na natureza.

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explorando

É fácil perceber que numa floresta os olhos dizem menos que os ouvidos. Trilha para Maroaga Há muitas cachoeiras e trilhas a serem visitadas nas terras amazônicas. Algumas atividades você pode fazer por conta própria, outras tantas você precisa contratar um guia para garantir sua segurança. Para a Caverna do Maroaga é preciso levar um guia que custa cerca de R$100,00 por uma manhã de guiamento. Esse circuito tem cerca de três quilômetros e é bem agradável. Caminhamos por terrenos acessíveis que não exigem muito do nosso corpo e podemos fazer com toda calma do mundo. Encontramos várias espécies nativas, muitas árvores centenárias e pequenos paraísos pelo caminho que só nos fazem agradecer por estar ali. Num determinado ponto do caminho o guia brinca: “aqui na floresta amazônica temos até árvores que caminham”, e nos mostra a árvore que vai se enraizando em pontos laterais e por isso daqui a uns anos estará fixa em outro lugar. Foi nessa hora que o pequeno Henrique explorador sacou sua máquina fotográfica e começou a fazer seus próprios registros. A floresta é sempre surpreendente. Quando olhamos entre as árvores não é possível perceber que bem diante de nós há uma queda d´água ou um grande paredão que abriga em seu interior uma caverna. É fácil perceber que numa floresta os olhos dizem menos que os ouvidos.

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explorando Explorando a Caverna Os olhos amam ver o novo. E o mundo novo que há dentro de uma caverna é, graças às lanternas, um agrado aos olhos e à mente exploradora. Imagine do um pequeno explorador de 9 anos. Bem em frente à Caverna do Maroaga há o encontro de três águas: uma que escorre por dentro das pedras da floresta em frente à caverna, outra que vem de dentro da caverna e a terceira que vem por cima e forma uma pequena queda d´agua bem na entrada da Maroaga. Logo o guia já nos alerta de que não bebemos nem molhamos as mãos na água que escorre por dentro da caverna porque ela vem toda contaminada pelas fezes dos morcegos. Começamos a caminhar com nossas lanternas e vemos as famílias de morcegos penduradas de cabeça para baixo no teto da caverna. Alguns voam e passam bem perto de nós. Há outros insetos e ninhos no interior da caverna, mas o mais impressionante é mesmo a composição de sua estrutura. Ao tocarmos na parede da Maroaga percebemos que é de pura areia, por isso é fundamental que se mantenha umedecida pelas águas. Um verdadeiro castelo de areia. Apagamos as luzes, fizemos silêncio e imergimos por alguns segundos na completa escuridão que é aquele mundo. Nessa hora, os olhos agradeceram pelo mundo novo apresentado a eles na caverna e na trilha. Um dia estrelado.

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explorando Para ter seu próprio guia Nas principais cidades com circuito turístico do Amazonas há Centros de Atendimento ao Turista. Nesses espaços há guias cadastrados e opções de passeio para que você possa escolher algo “sob medida”. Presidente Figueiredo é uma dessas cidades e encontrar o Centro de Atendimento é bem fácil. Conversar com um guia é a melhor forma de encontrar um bom passeio. Opção é o que não falta. Além de ter um circuito das águas, com muitas cachoeiras para serem visitadas, ainda tem outras tantas atividades como rapel e trilhas.

Dicas para fazer trilhas com uma criança Leve os equipamentos necessários, como lanterna, mochila, bastão de caminhada e o que mais for orientado pelo guia. Leve mais água do que o previsto, pois se a criança tiver muita sede é bom que ela se sinta confortável para se hidratar o quanto quiser. Barrinhas de chocolate e biscoitos são um bom lanche para a hora de descanso. Não tenha horário. Faça a trilha com calma. A pressa inimiga da criança. Deixe que a criança tenha uma relação direta com o guia, assim ela vai sentir a mesma segurança que você tem naquele profissional e na atividade. Use roupas apropriadas para caminhada, de preferência com tênis antiderrapante ou botas impermeáveis. Lembre-se de não usar calçados novos na trilha. Não leve a criança se ela não quiser fazer esse tipo de atividade. Pressão é o que menos incentiva nesses casos.

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história de vida

Dona Conceição,

uma vida em outro ritmo Texto e fotos de Paula Quintão

H

á pessoas que cruzam nossos caminhos para nos fazer refletir. Elas não precisam dizer muita coisa, precisam estar ali com suas vidas e mexem com muito do que há dentro de nós. Foi o que aconteceu quando conheci a Dona Conceição. Com seus mais de 60 anos, essa senhora mineira trazida para o Amazonas há mais de 40 anos mora às margens da BR-174 que liga Manaus a Boa Vista. Encontrei a Dona Conceição pela primeira quando viajei de caminhão guincho até o seu sítio para buscar meu carro capotado. Gentilmente ela e seu marido guardaram meu carro totalmente destruído depois de um acidente. Quando fui buscá-lo, Dona Conceição me abraçava, me beijava e nem acreditava que eu era uma mineira autêntica recém chegada de Minas no Amazonas e ainda sobrevivente a um capotamento. A impressão que eu tinha era que ela me olhava me enxergando como a mulher mais sortuda do mundo. Mesmo diante do meu carro capotado que tanto chamava a atenção, eu não pude deixar de olhar ao redor e vivenciar a vida da Dona Conceição. Ali, naquele sítio, ela tinha

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história de vida uma vida completamente diferente da minha. Vivia outros tempos, outros ritmos. Não há telefonia, não há trânsito, não há movimento a não ser dos carros que passavam na BR ou então das folhas das árvores, dos ventos e nuvens. O pouco movimento faz o tempo passar de outro modo para Dona Conceição - na verdade, o pouco movimento faz o tempo passar de outro modo para qualquer um de nós. Um mesmo pensamento perdura mais, é a sensação que tive. As galinhas ciscam no quintal, dia após dia, e botam alguns ovos que são guardados na cozinha. Para fazer compras no mercado é preciso ir até uma comunidade vizinha e comprar tudo o que será usado durante a semana. A simplicidade da casa só não é maior que o afeto daquela senhora: ganhei tapete de crochê feito por suas mãos, ganhei abacaxi colhido do seu quintal, ganhei ovos da galinha que ciscava, ganhei maçãs compradas no mercado da comunidade vizinha, ganhei mais abraços e mais beijos de “vai com cuidado, minha filha”. Voltei pela estrada pensando se aquela vida era melhor ou pior que a minha e percebi que não há pior ou melhor nesses casos. O que há são vidas diferentes, interesses diferentes, vivências diferentes. Há outros tempos e outras formas de viver. Cada um com seus passos, cada um com seus tempos. E ainda sonho com o dia que viverei em meu sítio observando o movimento das folhas.

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Houve um tempo em que alcançar o topo era para privilegiados. Ainda bem que descobrimos que com as ferramentas certas você chega ONDE QUISER. Com boas ferramentas um alpinista chega ao topo da montanha, um paraquedista chega com segurança ao solo, um caminhante percorre muitos quilômetros. O mesmo acontece com sua empresa, seu negócio e sua carreira, A Equipar Consultoria e Treinamento tem as ferramentas que sua empresa, seu negócio e sua carreira precisam para ir além.

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viagens de aventura

Belíssima

São Gabriel da Cachoeira Texto e fotos por Paula Quintão

H

á viagens inesquecíveis que nos fazem enxergar o mundo de outra forma. Minha visita a São Gabriel da Cachoeira, em 2010, foi uma dessas. Naquele pequeno paraíso moldado pela natureza eu pude olhar a simplicidade com outros olhos e perceber que a maior riqueza que temos está em viver com leveza. É a maior lição de São Gabriel da Cachoeira. Com vocês, meus escritos sobre a cidade da Bela Adormecida.

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viagens de aventura

A

beleza de São Gabriel da Cachoeira, Alto Rio Negro, Amazonas, Brasil, está no rio que corta a cidade, no rosto cor de terra de sua população, nas montanhas bem moldadas que contornam a cidade, nas canoas à beira rio dos indígenas que vêm até São Gabriel para buscar mantimentos para suas comunidades. A beleza de São Gabriel da Cachoeira está no sol forte que ilumina a mata, nas casas de madeira, na feira de toda manhã que tem mais gente do que frutas e verduras, no jeito tímido da criança indígena, no trabalho social feito por muitos que não são de São Gabriel, mas que por lá resolveram ficar. Quando eu comentava que visitaria São Gabriel da Cachoeira o que eu mais ouvia era “Olha, lá é longe que só” para me alertarem que eu estava indo para uma terra muito distante. É, São Gabriel da Cachoeira é longe. Para chegar à cidade são quatro dias de barco em tempos em que o rio é navegável. São duas horas de voo. O mapa não deixa mentir. Os relatos sobre as dificuldades para conseguir as coisas em São Gabriel não deixa mentir. São Gabriel é longe que só. Para o comércio local de São Gabriel da Cachoeira tudo é bastante difícil. O transporte exige muito investimento e paciência. A principal dificuldade está em ter acesso a frutas e verdura. Não há nenhuma produção local. Todas as encomendas vêm de Manaus e passam três a quatro dias viajando. Frutas e verduras vêm conservadas em frigorífico e os comerciantes pagam o frete com base no peso a ser transportado. Por exemplo, uma melancia é vendida por R$10,00 em Manaus e em São Gabriel por R$16,00. .:. Manaus pra Mim em Revista | Jan 2014


viagens de aventura Logística é o de menos Acontece que logística é o de menos para o povo da cidade. O que mais nos chama atenção é o modo simples e leve como a vida corre por aquelas ruas e aquelas águas. O desprendimento material é tão grande que a vida fica mais fácil, mais fluida. São Gabriel da Cachoeira tem sua graça. É lugar que não tem comparação. São Gabriel provoca encanto e encanto é laço que transporta para perto quem quer que seja.

Nas fotos, visita a uma comunidade indígena nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira.

O que visitar em São Gabriel Há lindos passeios que fazer pelas terras de São Gabriel, recomendo: · Ver o pôr do sol nas margens do Rio Negro. · Tirar fotos da cadeia de montanhas que forma “A bela adormecida”, cartão postal da cidade. · Fazer uma expedição para o Pico da Neblina, que nesse momento está fechado, mas que em breve voltará a receber agências de turismo autorizadas. · Passear de rabeta ou lancha pelo Rio Negro. · Visitar uma comunidade indígena.

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manaus

A hora de

VOAR

sobre Manaus Texto de Paula Quint達o Fotos de Leonardo Blasch


manaus

possível conhecer uma cidade de muitas formas. Caminhando por suas ruas, correndo em suas avenidas, dirigindo para percorrer seus bairros e enfrentar seu trânsito, morando para experimentar sensações mais profundas ou fazendo uma visita turística para colher algumas percepções. São as formas mais clássicas que escolhemos para conhecer lugares. Acontece que há um modo incrível de conhecer Manaus: voando sobre a cidade. Para quem não sabe, e muitos não sabem, Manaus abriga a 2ª maior área de saltos de paraquedismo do Brasil, fazendo mais de 250 lançamentos de paraquedistas pelos céus da cidade todos os finais de semana. É possível fazer saltos duplos e se sentir entregue à imensidão dos céus com a maior segurança e felicidade.

É

Manaus abriga a 2ª maior área de saltos de paraquedismo do Brasil, fazendo mais de 250 lançamentos de paraquedistas pelos céus da cidade todos os finais de semana.

Todos os finais de semana famílias visitam o aeroclube com seus filhos para verem o espetáculo que se forma graças aos velames coloridos que deixam o céu mais lindo. Voando sobre Manaus você enxerga a imensidão do Rio Negro, avista a Arena da Amazônia, percebe os caminhos das ruas que cortam a cidade, percebe quais são as

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manaus

Se for para falar de risco calculado, atravessar a Djalma Batista ou outra avenida movimentada de Manaus é mais arriscado que saltar de paraquedas.

Salto Híbrido sobre Manaus. Ao fundo a Ponte sobre o Rio Negro. Compõem a formação os paraquedistas: Marinho Castro, Marco Alvarenga, Paulista Honorato,Tatu Alcemir, Giulianno Falabella Scotti e Helio Yoshida. Câmera Fly: Waldisio Moreira Junior

áreas de reserva verde, vê as praças da cidade e vai, pouco a pouco, chegando mais e mais perto do solo, até tocar seus pés levemente na pista do aeroclube. Loucura? Atividade de risco? Esqueça essas visões. Em outros países empresas presenteiam seus funcionários com saltos de paraquedas. É uma atividade muito segura, com baixíssimos índices de acidentes graças à tecnologia avançada que usa. Se for para falar de risco calculado, atravessar a Djalma Batista ou outra avenida movimentada da cidade é mais arriscado que saltar de paraquedas. Ainda mais um salto duplo em que os instrutores acumulam mais de 500 saltos, avaliações sobre exigentes e muitos cursos. Acredito tanto na beleza dessa atividade que acho que o salto duplo deveria entrar como currículo obrigatório de vida. Além de ver Manaus do ângulo mais lindo, você vive um processo de autoconhecimento intenso observando suas reações a uma situação totalmente nova para você. Passe um domingo de sol no aeroclube de Manaus e permita-se encantar pelas infinitas possibilidades da vida. Estou falando em vida plena.

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de comer

x-caboquinho, o imperdível Texto Paula Quintão Fotos Leonardo Blasch

P

ense numa comida amada pelos que nascem nessa terra do sol, Manaus. Pense numa coisa simples de fazer, mas que os manauaras amam comer fora de casa. Pensou em quê? Manauaras acertam em dois tempos: x-caboquinho! E quem não é daqui pergunta “o que é isso, meu-deus-do-céu?”. Foi a pergunta que eu me fiz quando me deparei com o cardápio que destacava o x-caboquinho como a preferência da casa. Nome charmoso, o pão francês recheado com queijo e tucumã, e às vezes requintado com banana frita, ganha as ruas, os cafés da manhã, as padarias, as lanchonetes e os restaurantes típicos da cidade. Quer fazer em casa? Compre alguns tucumãs e faça seu próprio xcaboquinho delicioso ou experimente num café.

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de comer Tucumã A base do prato, o tucumã, é uma fruta típica do Amazonas, bem famosa por essas bandas. Super gordurosa, sabor bem predominante, encanta principalmente pela sua cor amarelo escuro. Alguns amam, outros odeiam. Estou na primeira categoria e passo horas achando super divertido descascar tucumã. Tinha a sensação, logo que cheguei e conheci o xcaboquinho, que a função do tucumã era substituir o presunto, e bem acho que com tucumã fica mais gostoso. Não compramos tucumã nos supermercados e sim nas feiras ou nas bancas de rua. Geralmente a dúzia é vendida por R$5,00, mas esse preço varia incrivelmente de um fornecedor para outro, e de acordo com a cara do cliente (minha cara branca faz a dúzia valer R$5,00). Que tal?

Tucumã, a base do x-caboquinho


รกlbum

Manaus, essa terra de mil caras, cores e jeitos.

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รกlbum

Manaus, a cidade de asfalto plantada no meio da floresta.


รกlbum

Manaus de Ponta Negra, calรงadรฃo e chafariz.

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谩lbum

Manaus, essa terra de rios, praias e p么r do sol.


colunista do mês

Oito problemas (ou oportunidades) de

Manaus

para os próximos anos

por Luiz Eduardo Leal

H

á algum tempo uma pessoa me deu a melhor dica: "Sonhar grande ou pequeno dá o mesmo trabalho". Essa frase me fez pensar e agir de uma maneira diferente. Sempre pensei em uma sociedade onde houvesse participação popular nas decisões dos governos. Eu sei que isso não é novo, mas o atual espaço dado ao que o cidadão tem a falar mostrou-se frágil e precisa de renovação. Vamos aos fatos: 1 - Em uma audiência pública, por exemplo, um governo abre debate para discutir o que ele já decidiu. A voz de uma pessoa não tem representatividade para mudança de uma ação. Porém, se ela for influenciadora de outras pessoas, eles avaliam a quantidade de influência. 2 - Aprovação de projetos está vinculada ao percentual de aceitação da população. Algo como vimos nas manifestações em julho/13. Foram analisados os apenas os problemas com maiores percentuais e foram votados com maior urgência. Diante desses ingredientes, tenho visto que devemos ensinar o governo a governar. Nós, enquanto cidadãos, precisamos de um novo modo de pensar o que queremos do governo, já que o sentimento de representatividade política está com data de validade quase vencida. Não proponho um modelo anárquico. Minha sugestão é fazer algo novo, algo mais colaborativo.

Mas como construir um país mais colaborativo? Como mudar o modelo de governança? Jovens adultos que nasceram em um período mais tranquilo da história do Brasil hoje organizam para fazer trabalho comunitário, ações beneficentes e até mesmo para lutar por uma causa. Muitos têm tentado melhorar suas cidades e são líderes na sua comunidade. Por que não unir todos esses jovens líderes para pensar, no meu caso, em Manaus? Por que não identificar os oito maiores problemas de Manaus baseado na colaboração da população e tentar trabalhar sobre eles o ano todo? Nessa mistura, coloque o maior número possível de líderes jovens engajados de uma cidade para pensarem pequenos projetos e com uma pitada de ensinamento de outras pessoas criarem seus propostas. Teremos a população pautando o governo e não o contrário. Lembra da frase "Sonhar grande ou pequeno, dá o mesmo trabalho"? Então, prefiro sonhar grande. Prefiro sonhar com uma cidade de Manaus com pessoas lutando por melhorias e fazendo algo por isso. Não basta reclamar, precisamos agir. Portanto, faço aqui um convite. Podemos contar contigo? Luiz Eduardo Leal é criador do Trânsito Manaus e Ônibus Manaus. Formado em Educação Física. Apaixonado por pessoas. Contato: http://fb.com/luizeduardoleal

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Por um 2014 incrível nessa Manaus de tantas descobertas.

barco BR-174 Mercado do Porto

Manaus pra Mim trilhas

café da manhã

tapioca

Teatro Amazonas

cachoeira

rabeta

turismo Rio Negro pupunha Copa do Mundo balneário aeroclube espontaneidade manauara Ponte Rio Negro

Arena da Amazônia

Manaus pra Mim

O que há de novo.

O que há de belo. O que há de mais espontâneo. Um 2014 do que há de melhor em Manaus para Nós.

Manaus pra Mim em Revista Segunda Edição  

Manaus pra Mim em Revista

Manaus pra Mim em Revista Segunda Edição  

Manaus pra Mim em Revista

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