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manauspramim.com.br | edição 04 mar.2014

Manaus pra Mim em Revista

VIAGENS Anamã da Samaúma MANAUS Casas de música MPB e rock`n roll ENTREVISTA O flautista da taberna


Manaus pra Mim

sumário

em Revista

14 VIAGENS Anamã das cores e da Samaúma Surpreendente, Anamã guarda uma arquitetura típica da Amazônia de várzea e é marcada pela Samaúma que está no coração da cidade.

19 Manaus 06

ENTREVISTA O flautista da taberna que foi descoberto por Manaus pra Mim e agora é sucesso na cidade.

Encontre os melhores lugares para ouvir música MPB e rock and roll.

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HISTÓRIA DE VIDA Conheça o senhor Wilson, um dos gravadores mais antigos de Manaus.

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EXPEDIENTE TEXTOS E EDIÇÃO Paula Quintão FOTOGRAFIAS Leonardo Blasch FALE CONOSCO revista@manauspramim.com.br ANÚNCIOS revista@manauspramim.com.br

EXPLORANDO Esse mês fomos até o Bosque da Ciência viver um momento light em meio ao urbano de Manaus.


do leitor

Compartilhar saberes e percepções é a melhor forma de construirmos juntos essa Manaus de muitos olhares. Escreva para revista@manauspramim.com.br ou deixe seu comentário no blog ‘Manaus pra Mim’ ou em nossa fanpage.

Comentários em

ManausPraMim.com.br

‘ ‘

Muito emocionante poder te reencontrar Paula Quintão e poder te agradecer pessoalmente e te mostrar o quanto ANJO, foi e está sendo em minha vida!!! Meu muito obrigado por tudo. De Carlos Alexandre, para ‘O flautista da taberna’.

Fim de semana incrível, vivenciando a imponência da samaúma resistindo ao crescimento do município ao seu redor, a sensibilidade e inocência de crianças com uma vida tão livre. Momentos que ficaram marcados pela doce visão de Paula Quintão. Adorei a descrição…parabéns! De Mara Freire, para o post ‘Olhares em cliques dos pequenos de Anamã’.

Os posts destaques do mês em facebook.com/ManausPraMim

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editorial

Tudo muda

o tempo todo O Amazonas, entrecortado por rios, conhece na prática essa filosofia "estamos sempre em movimento" ou "tudo muda o tempo todo no mundo". As cheias e as vazantes marcam os ritmos do Amazonas e de seu povo, marcam os muros e as casas, criam a dança das plantações de várzea, movem pessoas. Nessa edição temos o prazer de contar um pouco do que vimos em Anamã, esse município de casas coloridas, que tem uma Samaúma bem no meio da cidade e que encara os tempos de cheia com tanta receptividade que nos serve de lição sobre o quanto podemos nos adaptar aos caminhos da vida. Anamã vive a mudança constante provocada pelas águas. Você também vai conhecer o senhor Wilson, que está há 50 anos na mesma profissão e ainda encontra a cada dia novos desafios e aprende um pouco mais. Até para ele tudo muda o tempo todo. Senhor Wilson vive a mudança constante em suas técnicas. A entrevista do mês é com o Carlos Alexandre, o flautista que Manaus pra Mim descobriu numa desinteressada taberna do bairro Aleixo e que hoje faz o maior

sucesso na mídia e apresentando-se em eventos. O flautista da taberna vive a mudança a cada dia vendo seu negócio prosperar e seus caminhos se abrirem. São histórias lindas e em movimento que nos fazem perceber que tudo está em constante mudança, em constante processo de transformação. Assim como essas histórias, também Manaus pra Mim sente os ótimos ventos da mudança a cada dia. De um blog despretensioso a um portal de olhares únicos para Manaus, crescemos a cada dia e comemoramos cada novo fã que chega à fanpage (em menos de 4 meses completaremos nossos 10 mil fãs), a revista tem um público cada vez maior (a 3ª edição foi visualizada por 10x mais pessoas que a 1ª edição). Todos motivos de muita comemoração. Que as mudanças sempre venham para o bem. Sinta essa vibração em nossas páginas, seja sempre bem-vindo. Você faz parte dessa história. Paula Quintão. Fundadora e Editora Manaus pra Mim paula@manauspramim.com.br

Manaus pra Mim em Revista é uma publicação gratuita e de livre circulação produzida pelo blog ‘Manaus pra Mim’ com o objetivo de entregar, para os quatro cantos do Brasil e do mundo, um pouco mais da essência de Manaus, do Amazonas e da Amazônia. Sejam todos bem-vindos. Os criadores e os anunciantes dessa publicação acreditam na difusão da cultura e do conhecimento.


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entrevista

Carlos oAlexandre, flautista da taberna Textos de Paula Quintão Fotos de Leonardo Blasch

F

oi numa manhã desinteressada de Sábado que resolvi conhecer a nova taberna do bairro Aleixo. Lá, numa feliz surpresa, conheci o flautista Carlos Alexandre, que é dono da taberna e durante a nossa compra, criando um momento mágico e inesperado, sacou sua flauta e se colocou a tocar espontaneamente a clássica «como é grande o meu amor por você». Linda. Sim, meu mundo ficou muito melhor naquele momento e agradeci por estar em Manaus, a própria terra da espontaneidade. Era impossível não achar aquele momento mágico, e foi impossível não traduzir o meu encantamento com a sensibilidade do lugar e do flautista em um post do meu blog. Ganhei a manhã e publiquei a matéria no blog com as fotos que o Leonardo tirou. «O flautista da taberna». Dias depois volto à taberna e tenho a oportunidade de ouvir as histórias mais incríveis que aconteceram com o Alexandre graças à publicação do post. A mídia de Manaus descobriu seu trabalho, valorizou sua arte e hoje ele é contratado para muitos eventos e sua taberna está bombando. Na entrevista dessa edição você vai conhecer um pouco mais desse flautista que tem o coração enorme e quer fazer do mundo um lugar melhor.


entrevista Manaus pra Mim: Qual foi sua principal motivação para começar a tocar flauta? Alexandre responde: Estava no exército em 2004 em Cristalina Goiás, era recruta e ganhava R$187 reais. Chegou uma mulher dizendo que queria fazer um casamento mas que precisaria de um flautista. Eu sabia tocar flauta doce, tocava trombone, mas não era um flautista profissional. O casamento era dali a 40 dias e eu me desafiei a aprender até aquele dia. Um amigo tecladista me ajudou com os primeiros acordes. A primeira música que toquei na flauta foi uma Ave Maria, dali para frente não parei mais. Manaus pra Mim: Quando está tocando, qual é sua principal sensação? Alexandre responde: Sempre fico emocionado quando estou tocando, entro num mundo só meu. Mesmo estando entre muitas pessoas, como num casamento de um amigo, eu comecei a tocar a flauta e entrei num mundo só meu. A flauta é mesmo meu refúgio.

Fico mesmo emocionado quando estou tocando, entro num mundo só meu. (...) A flauta é mesmo meu refúgio.

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entrevista Manaus pra Mim: E como teve ideia de montar uma taberna? Alexandre responde: Em qualquer lugar que vou, levo a flauta. Quando montei o negócio um dos sócios me disse "Alexandre, esquece música, música é só mesmo para diversão, não é seu negócio". Eu fiquei muito triste, decepcionado, mas eu esperei dois meses depois de abrir o negócio e no dia do músico eu levantei 5h30 da manhã e me dei de presente uma coleção de músicos. Onde seria o depósito, eu coloquei várias miniaturas dos músicos decorando a taberna e fiz questão de manter as decorações. Cada pessoa que chegava eu perguntava se gostavam e tocava minha música. As pessoas começaram a se encantar e gostar, e eu decidi associar de vez a música com a taberna porque até meus sócios perceberam que ao fazer música eu encantava as pessoas. Manaus pra Mim. A cidade está receptiva ao seu negócio? Alexandre responde: A cidade está muito receptiva ao meu negócio, é muito emocionante. Depois que o Manaus pra Mim fez a primeira matéria sobre meu trabalho, com palavras tão encantadores, as pessoas ficaram encantadas e eu tive a oportunidade de aparecer em outras reportagens e mais pessoas conhecerem meu trabalho.


explorando

Bosque da Ciência um refúgio em meio ao urbano Texto e fotos de Paula Quintão

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explorando

M

anaus guarda alguns espaços muito especiais, um deles é o Bosque da Ciência. Você pode caminhar entre as árvores, respirar ar puro, viver momentos de silêncio, ver alguns animais e organizar um belo piquenique para as crianças. Foi assim que conheci o Bosque. Minha amiga Angélica organizou para uma manhã de domingo o melhor piquenique que fiz em Manaus: cada um levou algumas delícias e ficamos na beira do lago vendo as crianças animadas procurarem as tartarugas que ficam nadando. Depois fomos visitar a casa de madeira, que agora já está pronta e na época estava em construção, ver os jacarés, caminhar entre as árvores, tomar sorvete e dividi-lo com alguns micos mais animados e peludinhos que conheço. Um dos meus passeios favoritos pelo parque é para meditar. Fico horas entre as árvores ouvindo a natureza e o som dos pássaros. Mesmo havendo sempre um movimento no Bosque nunca me deparei com um público muito grande e isso garante a paz do lugar. O Bosque é parte do INPA, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, e tem muitas atrações. A visitação tem entrada de R$5,00 e crianças menores de 10 anos e idosos com mais de 60 não pagam. De terça à sexta abre às 9h e fecha às 12h, nos finais de semana abre às 9h e fecha às 16h..

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explorando

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VIAGENS DE AVENTURA

SÃO VIAGENS DE TRANSFORMAÇÃO


viagens

Anamã,

a cidade das cores e da samaúma Texto Paula Quintão Fotos Leonardo Blasch Numa viagem que ficou para nossas histórias, saímos de Manaus rumo a Anamã na manhã do sábado dia 1º de fevereiro numa expedição que envolvia a equipe da Amazon Tree Climbing, Amaral Augusto do blog «O último rio» e uma companheira de viagem dessas que vieram ao mundo para somar, Sergimara Freire. A missão: vermos de perto a Samaúma que está no coração de Anamã e pode ser um dos mais poderosos atrativos turísticos daquela cidade.


viagens Para chegar a Anamã é preciso percorrer os 89km que ligam Manaus a Manacapuru e chegando no porto de Manacapuru pegar uma lancha e duas horas depois ancorar em Anamã. Assim fizemos. Chegar a Anamã foi uma dessas surpresas boas que a vida nos reserva. Anamã é uma cidade dessas que você olha e tem vontade de cuidar. Tem cada casa de madeira mais linda, toda pintada, toda decorada com cores e formas que atraem os olhos. Sei que se a cidade investisse um pouco mais em seu turismo seria possível atrair muitas pessoas até lá que voltariam felizes para suas casas. A Samaúma está fincada no coração da cidade e a sensação é que todas as construções foram feitas em seu entorno. A cidade fica muitos meses debaixo da água quando é tempo de cheia. Nas casas é possível ver a marca da cheia dos anos que ficaram para a história em recorde de cheia. Nesses períodos, entre as casas não há ruas, mas caminhos de águas que são percorridos por canoas e lanchas. Aquelas casas que ainda não são de palafita elevadas do chão estão fazendo essa adaptação. E eu nem sabia que isso era possível. Há um sistema em que elevam a casa de madeira e fazem a nova estrutura para sustentá-la. Quem vai para Anamã está buscando paz e quietude, mas precisa de estrutura para isso: hotéis, pousadas, restaurantes, serviços turísticos e opções de roteiro para fazer durante sua estadia. E foi isso o que fomos fazer em nossa visita: pensar em estratégias para criar um bom roteiro turístico envolvendo a Samaúma, gerar mais visitação na cidade e com isso produzir mais renda.

Cidade vista do alto da samaúma, abaixo o pôr do sol no rio Solimões e por último a bela noite de Anamã

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viagens Escalada na Samaúma, um roteiro sem igual Na grande manhã do evento de escalada da Samaúma a população se reuniu em torno da árvore para ver os primeiros preparativos logo cedo. Cordas lançadas na árvore, câmeras para filmagem e fotografia, guias uniformizados. A curiosidade era geral. Crianças e mais crianças sentadas ao entorno da árvore olhando para seu topo e imaginando como seria possível chegar lá em cima. A equipe da Amazon Tree Climbing mobilizando toda a população para que enxergassem o quanto aquela árvore era especial. A escalada na Samaúma é feita por equipamentos que lembram uma atividade de rapel, podemos chamar tecnicamente de ascensão em árvore. Não é um equipamento que exige muita força, exige jeito. Suas mãos e suas pernas precisam fazer um movimento contínuo e coordenado e assim, pouco a pouco, você se eleva até que enfim chega ao topo da árvore. Chegar ao topo é simbolismo de uma verdadeira vitória e quem consegue alcançar os galhos mais altos da Samaúma se sente extremamente recompensado. Não só pela beleza que a vista lá de cima, mas pela sensação de total completude de dever cumprido. Ver todas aquelas pessoas ao redor da árvore foi como celebrar a vitória da natureza e dos serviços que ela presta a todos nós. Crianças, adultos, bebês, mães, todos envolvidos numa vibração tão intensa que mal podíamos ter dimensão de como aquele evento mudará para sempre a relação dos moradores de Anamã com a Samaúma.

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viagens

Hidemberg Barroso, o morador de Anamã que escalou a Samaúma Manaus pra Mim: O que você sentiu ao escalar a samaúma e chegar em seu topo? Hidemberg responde: Foi uma sensação incrível junto com muita emoção porque lembrei da minha infância. Costumava passar pelo toco dela muitas vezes pegando frutas alheias do sítio dos outros. Passou um filme na minha cabeça quando eu estava em pé em seu topo. Manaus pra Mim: Depois daquela manhã de tanto movimento em torno da samaúma a população da cidade olhará a árvore de outra maneira? Hidemberg responde: Com toda certeza o povo passou a ter uma visão muito melhor do nosso símbolo. A repercussão foi grande. Tenho respondido com muita frequência sobre a escalda. Muita gente tem perguntado sobre a próxima escalada. As pessoas passaram a ter mais respeito por ela.


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manaus

Há sinais de música ‘inteligente’ em Manaus? Texto de Jefferson Ortiz Matias

A

resposta a essa singela pergunta, que pode muito bem parecer uma brincadeira, é uma das coisas que mais atormenta o manauara ávido por uma boa, saudável e qualificada diversão. Para aqueles que, como eu, cresceram ouvindo músicas (boas) de sua geração e ainda contando com as músicas (melhores ainda) do repertório de seus pais, sempre foi difícil encontrar lugares onde se possa desfrutar desse vício milenar de escutar canções de qualidade executadas, de preferência, ao vivo. Não pretendo aqui indicar lugares onde é possível ouvir “leke-lekes”, “tchêtche-rês”, “Luans” e afins, esses a gente nem precisa apontar, pois parecem que “brotam” em todos os cantos da cidade. Não, queridos amigos. Minha missão aqui é tão somente dividir experiências com aqueles que, como eu, saem pela cidade procurando locais onde se possa sentar (ou ficar em pé mesmo) e desfrutar daquilo que a MPB, o rock and roll e o bom gosto musical em geral têm a oferecer. Com isso, fomos House 22, no Vieiralves

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manaus devidamente apresentados? Ótimo, o prazer é meu. Pois muito bem, a partir daqui, os “leke-lekes”, “tchê-tche-rês”, “Luans”, por favor, sintam-se dispensados da leitura do restante deste texto. Em Manaus, é possível, sim, ouvir boa música. Basta saber onde procurar. Há uma pequena comunidade, é verdade, mas bem fiel, polida e bastante hospitaleira. Vamos começar pelo All Night, um exemplo de lugar em Manaus com banda residente (gosto disso). Já é tradicional o último sábado do mês, com o projeto Overbox (Overload e Jukebox juntas). Rock dos anos 80 e 90, pop atual, clássicos e rock nacional, tudo misturado em três horas ininterruptas de show. Uma verdadeira curtição. Qualidade, excelente repertório e profissionalismo. Nas últimas sextas do mês, é possível também ouvir a Rockaholics, com uma proposta mais voltada pra o rock e heavy metal clássicos, um verdadeiro tributo a tudo aquilo que nos faz aumentar o volume na solidão de nossos carros. Alerta: Não vá se confundir nos dias, pois às quintasfeiras (se não me engano) tem Sertanejo. Mencionei que é o dia que dá mais gente? Pois é. O Porão do Alemão, na estrada de São Jorge, é autodenominado como a maior casa de rock em Manaus. Várias bandas circulam por lá. O público também é fiel e beira o fanatismo algumas vezes. Muito legal que a casa também abriga alguns especiais

(tributos) de vez em quando, sem falar que no ano passado recebeu um super show dos Raimundos e Matanza, e tem em seu currículo até algumas atrações internacionais como Jeff Scott Soto (Journey) e Paul D'ianno (Iron Maiden). Há uma certa crise de identidade no lugar, pois as várias bandas que se apresentam ali têm quase exatamente o mesmo repertório (que deve incluir “Mulher de Fases”, do Raimundos, e “Black”, do Pearl Jam, por exemplo). Se você não tiver problemas com isso, a diversão é garantida. Além do fim de semana, o Porão também desenvolveu público cativo nas quartas (rock) e quintas (reggae). Normal sair de lá às 5 da manhã com as bandas ainda tocando. Mais diversificado (e mais tranquilo) é o não menos tradicional Jack and Blues Snooker Pub, no Vieiralves. O local, como o nome já diz, privilegia o blues, mas acabou mesmo se tornado um ponto de referência para ouvir bandas de rock and roll clássico. Nas sextas, a Band & Donna mistura hits atuais com clássicos variados. Nos sábados, as bandas de rock e blues se revezam, então é normal passarem por ali Paul & Charlie (anos 60), Moondogs (anos 60, 70 e 80), Friends; Sodabilly, Dry Martinis, Michael Kane, The Walrus, Tulipa Negra etc. Os pré-shows são uma atração à parte, com voz e violão de rocks acústicos, contando com caras como Elias Moreira (aquele mesmo do The Voice Brasil), Rafael Marques, Marcel Graça, Casé Mar e Gustav Cervinkas,

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manaus dentre outros. Combina perfeitamente com um balde de Heineken. Falei das terças de jazz? Um avanço na civilização amazonense. Uma casa que semanalmente oferece um concerto de jazz? Imagina na Copa! Blue Line, Blues na Floresta, Anísio Melo e Humberto Amorim marcam presença. A casa também promove especiais, como Led Zeppelin, Paul McCartney, Janis Joplin etc. Ufa! Eu disse que era diversificado, não? Mais recentemente, o House 22, também no Vieiralves, iniciou sua jornada abrindo espaço para bandas de rock como Barflys, Fullgás e Oficial 80. O lugar é muito bom para ouvir música, com três ambientes distintos, todos bem servidos de boa qualidade de áudio. Como a casa é extremamente eclética, cabe o aviso: às quartas tem pagode e às sextas tem sertanejo. Ah, mas segunda tem Heraldo Bandeira com a Oficial 80. Agradabilíssima também a varanda em plena Praça 14 que adorna o Old School Bar. Ali é possível ouvir bandas de rock clássico como Sex and Money (que tem um vocal feminino), dentre outras. No Centro da cidade, temos O Chefão, restaurante que também virou referência para bandas de rock. Excelente experiência ouvir grupos, como Garagem S/A (às segundas e sábados), Black Mersey, Mr. Old e Overload degustando um cardápio sofisticado. Quem disse que os outros sentidos não podem também ser agraciados?

Nesse mesmo casamento entre restaurantes e rock and roll, deve-se destacar que algumas casas resolveram, acertadamente, investir em tal segmento. No Zefinha´s Bistrô (Vieiralves), podemos ouvir bandas tocando clássicos, em versões acústicas ou não. O mesmo vale para a Bodega da Vila (Próximo ao Dr. Thomas), Bar da Brahma e, mais recentemente, o Biergarten, na Estrada do Turismo (bem no território do inimigo). Jack´n´Blues, no Vieiralves

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manaus Para quem não dispensa uma boa MPB, a dica continua sendo o sempre eficiente Fino da Bossa, na estrada da Cidade Nova. A casa, inclusive, tem dado muita força aos shows autorais de nossos artistas. Louvável, sempre. Assim, antes que você se sinta desestimulado a sair de casa porque “por aí só se ouve sertanejo”, lembre-se que há, sim, vida e música inteligente em nossa cidade, em locais agradáveis e diversificados. Para relembrar, aprender ou cultuar. Poderia ser melhor? Claro. Mas para isso acontecer, frequentar é sempre o primeiro passo. Assim como construir a própria opinião sobre cada lugar citado aqui, bem como incluir outros nesta lista. E aí, mais estimulado a sair de casa? Nossa, assim você me... ah, deixa pra lá! JEFFERSON ORTIZ MATIAS, é professor universitário nos cursos de Direito da UEA, Ciesa e Ulbra, Agente Técnico-Jurídico no MPE e nada disso tem a ver com o fato de ele gostar de rock. A culpa será sempre dos Beatles, claro.

Zefinha´s Bistrô, no Vieiralves (acima) e All Night, na avenida Efigênio Sales.


de comer

sopa! Texto e fotos por Paula Quintão

Q

uando visitei Manaus pela primeira vez eu não acreditei no que via. Naquele calor escaldante de 40º as pessoas se reuniam em restaurantes de rodízio de sopa! A cena de infância que sempre vem à minha mente é o inverno mineiro ser marcado por sopas no jantar que nos faziam sentir acolhidos e amados. Mas nem no frio dos invernos mineiros há "rodízios de sopa". Pois em Manaus há. Acredite se você não mora em Manaus e vem visitar: as sopas são preferência unânime da população da cidade. E você encontra de todas as variedades em boas casas de rodízio e nas boas padarias, que têm preços que variam entre R$20 a R$30,00. Sopa de macaxeira - ou de mandioca, como chamamos no sudeste, sopa de feijão, sopa de palmito, sopa de milho, sopa de legumes, sopa de carne, sopa de queijo e até sopas doces de maracujá, chocolate e abacaxi eu já tomei. Eu pensava que não aguentaria o calor depois de tomar a sopa, mas uma boa regulação térmica acontece, que os físicos podem explicar melhor, e apesar do calor do prato principal você não fica com mais calor do que estava. Em visita a Manaus uma boa casa de sopas deve ser incluída em seu roteiro turístico.


álbum por Leonardo Blasch

o álbum As habitações de Manaus pelo fotógrafo

Leonardo Blasch

D

e todos os olhares possíveis sobre Manaus, o olhar que pousa sobre suas habitações é o que mais surpreende. Manaus é cidade, não é floresta. É emaranhado de casas, ruas, asfaltos e concretos. Mesmo sendo cidade como tantas outras, Manaus revela traços tão únicos que não haveria como reproduzi-los em canto algum do mundo. Casas grandes, casas de palafita, casas em condomínio, prédios altos, casas de frente para a rua, casas com muro, casas de madeira, casas que são mansões, casas que ficam dentro do barco, casas bem cuidadas, casas mal pintadas. Há habitações de todos os tipos e cada uma delas revela o espírito dos moradores dessa cidade: tão espontâneas como seus donos. Um álbum de fotos para você se encantar com o que é único em Manaus.


รกlbum por Leonardo Blasch

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caboquĂŞs ilustrado


história de vida

Senhor Wilson, o eternizador de lembranças Texto e fotos Paula Quintão

F

iquei olhando aquele senhor enquanto ele fazia seu serviço. Sentado ali, em plena avenida Floriano Peixoto, ele e sua mesa pareciam fazer parte daquele espaço há muito e muito tempo. Em cima da mesa os detalhes eram tantos que eu ficava imaginando ele escolhendo aqueles elementos e colocando cada um deles ali. O mais engraçado era a placa "estou ocupado" que fica fixa na mesa. E quando eu comentei sobre ter gostado da placa ela me disse "as pessoas não olham essa placa". Senhor Wilson Bruno, todas as manhãs, chega bem cedo para trabalhar, senta-se em sua mesa que fica de frente para a Floriano Peixoto, uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Ali recebe seus clientes e seus serviços. Gravações em ouro, madeira, alumínio, placas. Escritos em tamanhos grandes, para ocupar toda uma parede, ou escritos bem pequenos para compor uma aliança, com fontes cheias de estilo ou mais simples. Um trabalho desses que exige concentração e doação total ao seu momento presente.

A mesa do senhor Wilson é um ponto clássico da Floriano Peixoto.

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história de vida "Foi meu irmão quem me ensinou: ele me entregou o equipamento e me disse é aqui que liga. A aula não durou uma hora", conta rindo. Depois disso ele investiu em livros e cursos para aprender sobre tipos de fontes, técnicas de gravação e tudo o que era tão necessário para se tornar um gravador de alto nível. Quando eu pergunto há quantos anos está naquele trabalho ele me conta, sorrindo, que são 50 anos. E nessa hora começa a tirar fotos da gaveta e me mostrar o quanto já trabalhou e quão nobres foram seus serviços. O mais inusitado de todos é o trabalho que fez de uma placa que está fixada no topo do Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil. E sua foto da expedição que levou a placa está lá guardada em sua gaveta. "Mas pessoas de todo o mundo já têm minhas gravações, no Japão então tem muitos trabalhos meus". Ficamos mais de 10 minutos morrendo de rir da lista de nomes inusitados que o senhor Wilson já gravou. Você também riria muito com a centena de nomes que ele tem. Para o senhor Wilson esse trabalho não é uma grande fonte de rendas, é mais uma forma de fazer arte. "Quando você faz uma gravação você está dizendo que não quer que aquele momento se apague", sei que é essa a mensagem do senhor Wilson e sei que sua presença, naquela mesa, naquela avenida Floriano Peixoto, não vai mesmo se apagar. Ela é parte de Manaus. Fotos da força aérea que levou a placa gravada pelo senhor Wilson ao topo do pico mais alto do Brasil, o Pico da Neblina.


A 3ª edição de Manaus pra Mim teve 10x mais acessos que a 1ª edição. Manaus pra Mim tem 9 mil fãs no facebook. Acessam mensalmente o blog Manaus pra Mim mais de 3 mil visitantes.

Manaus pra Mim. Manaus pra Nós.


Manauspramimemrevista 04edicao