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Construção Ambiente Turismo

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MAI/JUN 2018 €10

Prémio Nacional do Imobiliário 2018

A hora dos vencedores 2018 National Real Estate Awards

Winners’Spotlight


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29 MAI/JUN 2018

Editorial

Que triunfe a ponderação! May thoughtfulness triumph!

Joaquim Pereira de Almeida Director Director

As políticas de habitação sempre foram o ‘calcanhar de Aquiles’ dos Governos e dos Estados. Aqui ou na China, ao longo de décadas e décadas. Em Portugal o acesso a uma Habitação condigna é um direito constitucional. Não é, portanto, matéria com que se possa brincar. Há hora a que escrevo estas linhas está quase a começar uma sessão do Conselho de Ministros que deverá aprovar um ‘pacote’ de medidas sobre este tema. A Imprensa, as associações, as forças políticas, os agentes económicos têm especulado imenso sobre o que parece vir aí. Diria mesmo que está instalado um clima de histeria. Por uma razão: mais uma vez os jogos políticos estão a sobrepor-se aos verdadeiros interesses nacionais. Toda a gente sabe que o Governo da Troika fez uma lei de arrendamento urbano que, se por um lado, fez relançar a reabilitação urbana, por outro trata os inquilinos ‘abaixo de cão’. Toda a gente sabe que o PC e o Bloco de Esquerda não entendem nada do mercado imobiliário e a sua única preocupação é satisfazer os respectivos eleitorados. E pronto, lá ficam o Centeno e o Costa com a ‘batata quente na mão’. Temo que a temperatura alta do tema lhes tire algum discernimento, ou seja, é indispensável que o bom senso impere para não pôr em risco o mercado imobiliário e creio que isso é possível mesmo corrigindo os excessos da direita sem escrúpulos. Que triunfe a ponderação!

Housing policies have always been governments’ and states’ ‘Achilles heel’ – both here or in China, from one decade to the next. In Portugal, access to proper housing is a constitutional right. It is not, therefore, a topic to play around with. As I write these lines, a meeting of the Council of Ministers is about to begin, during which a package of measures on this issue might get approved. The press, professional associations, political forces, and economic agents have been speculating a great deal about what appears to be coming. I would hazard to say that a climate of hysteria has set in. And it has done so for a single reason: political games are, yet again, superimposing themselves over true national interests. Everyone knows that the Troika Government made an urban leasing law that, while it might have revitalised urban rehabilitation, treats tenants like dirt. Everyone knows that the Portuguese Communist Party and the Left Block understand nothing about the real estate market, and their only concern is satisfying their constituencies. And there you go: Centeno and Costa have ended up with the problem squarely in their laps. I fear that the fever pitch regarding this subject will be what inspires their insight. In other words, it is imperative that common sense prevail so as not to jeopardize the real estate market, and I believe this is possible even while unscrupulously correcting the excesses of the right. May prudence and thoughtfulness triumph!


Summary

Índice Director Joaquim Pereira de Almeida Editora Carla Celestino Colaboradora Permanente Elisabete Soares Fotografia Anabela Loureiro Tradução Frank Miller

Grande Tema Lead Story

Prémio Nacional do Imobiliário 2018

National Real Estate Awards 2018 Foto Photo: Fernando Guerra

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Metro Quadrado

Square Meter JPS Group Dream Living

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10º Aniversário REÚNIA

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ERA Portugal M3F

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Ficha técnica

Propriedade Palavras Aliadas Sociedade Unipessoal, Lda. NIPC – 510 653 901 Av. Duque D’Ávila, 28 – 2.º, Sala 207 1000–141 Lisboa Telf.: (+351) 21 134 10 06 Telm.: (+351) 91 061 61 62 geral@palavrasaliadas.pt www.magazineimobiliario. com

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Grafismo Rodrigues Silva Contabilidade Nasceconta Periocidade Bimestral Tiragem 3.000 exemplares Impressão Jorge Fernandes, Lda. Rua Qta. de Marcarenhas, 2820 Charneca da Caparica Depósito Legal 363718/13 SSN – 2183-0517 ERC – 126397 Estatuto editorial disponível na página de internet www. magazineimobiliario.com

Opinião Opinion Cuatrecasas, Gonçalves Pereira Nuno Sá Carvalho

34

Opinião Opinion Millennium bcp José Araújo

36

50

Coordinates Barlavento do Algarve

Tourism Mobile Homes

40

56

Azimute

Ventos do Norte

North winds Hotel Infante Sagres

42

Opinião Opinion Elisabete Soares

44

Do Mundo

International MIPIM 2018

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Opinião Opinion Reino Unido United Kingdom

Sol e Lua

Prémio Nacional do Imobiliário 2018

National Real Estate Awards 2018


UMA OPORTUNIDADE NA MADEIRA CONDOMÍNIO SÃO LUCAS – FUNCHAL Localizado em São Martinho, no Funchal, o Condomínio São Lucas está implantado num lote de terreno com 4.140m2 composto por blocos habitacionais com 7 pisos acima do solo e 5 pisos abaixo. Trata-se de um edifício com construção por finalizar, com bom enquadramento paisagístico e bons acessos.

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Capa 4 29 MAI/JUN 2018

Prémio Nacional do Imobiliário 2018

Sempre a subir 2018 National Real Estate Awards

Always climbing


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29 MAI/JUN 2018

Os designados ‘Óscares’ do Imobiliário são, desde há largos anos, uma referência neste sector a nível nacional mas quer parecer que, desde que a Magazine Imobiliário assumiu a sua organização, de ano para ano, a qualidade dos finalistas e vencedores supera sempre as melhores expectativas. The so-called ‘Oscars’ of Real Estate have been a national point of reference in this field for many years, but, year after year since Magazine Imobiliário first organised the competition, the contest’s finalists and winners always go above and beyond our expectations.

Texto Text: Carla Celestino

A edição de 2018 do Prémio Nacional do Imobiliário decorreu no Vila Galé Cascais Hotel, no dia 3 de Abril, numa cerimónia que reuniu 200 convidados entre os quais as mais elevadas personalidades do mundo imobiliário. Com a casa cheia, onde se evidenciaram individualidades, empresas, gabinetes e associações do sector, e num ambiente onde reinou a boa disposição, foi-se delineando, categoria a categoria, os grandes vencedores da noite. Faça-se, no entanto, a ressalva para o facto de todos os Finalistas terem sido, desde logo, vencedores, pois só os melhores dos melhores chegaram ao final do concurso e, diga-se, foram muitos os empreendimentos que tiveram de ficaram pelo caminho… Saliente-se também que o Júri composto por Paulo Silva (Savills Aguirre Newman), Almeida Guerra (Rockbuilding), João Paciência (arquitecto), Juan Antequera (Vilamoura World) e Eduardo Abreu (neoturis) não tiveram a vida nada facilitada, uma vez que imperou em todos a originalidade dos empreendimentos, a funcionalidade e tecnologias avançadas e as reais preocupações ambientais. Mas a decisão final foi sagrada. Quando da sala saiu ‘fumo branco’ ficou a saber-se quem eram os vencedores nas Categorias de Comércio, Escritórios, Habitação, Equipamentos Colectivos e Turismo, bem como da Reabilitação Urbana e, acima de tudo, do ‘Melhor Empreendimento do Ano’. Na Gala dos ‘Óscares’ do Imobiliário imperou o ‘fair play’ e as surpresas da noite foram sempre aplaudidas. O Museu de Arte Contemporânea foi o grande vencedor ao arrecadar o título de ‘Melhor Empreendimento do Ano 2018’, cujo prémio foi recebido pela neta do arquitecto autor deste projecto – Álvaro Siza Vieira, e que arrecadou também o prémio na Categoria de Equipamentos Colectivos. Como Mariana Schou afirmou: “O meu avô é uma pessoa de poucas palavras, pelo que só tenho a dizer: Muito Obrigada a todos!” Para saber o que têm de tão especial todos estes empreendimentos vencedores deixamos-lhe uma pequena imagem e convidamos a visitar os mesmos in loco porque uma visita local vale mais do que mil palavras. The 2018 National Real Estate Awards Gala was held at the Vila Galé Cascais Hotel on 3 April and was a festive occasion that gathered together some 200 guests, including some of the biggest names in the real estate world. The house was completely full with individuals, businesses, offices, and associations from the sector, and, in an environment where geniality reigned, the evening’s big winners were announced category by category. Let it be known, however, that all the Finalists have been winners from the very beginning, since only the

best of the best could get to the end of the competition. Let it also be said that there were a number of projects that had to be left behind… We would further like to highlight that the lives of the Jury, which was composed of Paulo Silva (Savills Aguirre Newman), Almeida Guerra (Rockbuilding), João Paciência (architect), Juan Antequera (Vilamoura World), and Eduardo Abreu (neoturis), were not made easy, thanks to the originality found in every single project, their advanced technologies and functionalities, and the true concern they held for the environment. But the final decision was hallowed. When the ‘white smoke’ left the room, it was revealed who the winners were in the Shopping Centre, Office, Housing, Community Development Project, and Tourism Categories, as well as the winner of the Urban Rehabilitation Award and, most importantly, the winner of the “Best Development of the Year” Award. The notion of ‘fair play’ prevailed during the Real Estate ‘Oscars’ Gala, and the evening’s surprises always received applause. The grand title of  “Best Development of 2018” was awarded to Nadir Afonso Museum of Contemporary Art, whose designing architect was Álvaro Siza Vieira. Siza Vieira’s granddaughter was there to accept the award on behalf of the Museum, which also took home the top award in the Community Development Project Category. As Mariana Schou said, “My grandfather is a man of few words, so I just have this to say: thank you so much, everyone!” To find out what is so special about all these winning projects, this edition of Magazine Imobiliário features a small picture of each winner, and we invite you to visit them in person because a visit in person to each of these buildings is worth even more than a thousand words.


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29 MAI/JUN 2018

Vencedor Melhor Empreendimento do Ano 2018

Prémio Categoria Equipamentos Colectivos Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso Prémio Categoria Equipamentos Colectivos Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso Este projecto foi da responsabilidade da Câmara Municipal de Chaves, teve como mentor o atelier de Álvaro Siza Vieira e foi edificado pela empresa Edinorte/Europa Ar-Lindo. Localizado na cidade de Chaves, na margem direita do rio Tâmega, teve como propósito homenagear e reunir o espólio do pintor, arquitecto e filósofo flaviense Nadir Afonso. DR Fotos: Fernando Guerra Best Development of 2018 Award Winner Community Development Project Category Winner Nadir Afonso Museum of Contemporary Art The City Council of Chaves was responsible for this project, which was designed by Álvaro Siza Vieira’s architecture studio and built by construction company Edinorte / Europa Ar-Lindo. Located on the northern bank of the Tâmega River in the city of Chaves, the museum was built to honour Flavian painter, architect, and philosopher Nadir Afonso, gathering his entire estate under one roof.


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29 MAI/JUN 2018

Prémio Categoria Comércio

Mar Shopping Algarve Promovido pela Ikea Centres Portugal, foi uma obra concebida pela CPU Architects International / BDP e construída pela San Jose Construtora. Este é o segundo centro comercial da IKEA Centres no nosso País e integra 110 lojas, uma área de lazer ao ar livre com 8.000 m2 e 3.500 lugares de estacionamento. Este centro comercial integra ainda algumas das mais inovadoras soluções digitais do momento que asseguram em simultâneo o uso eficiente de energia e a sustentabilidade do projecto. Shopping Centre Category Winner Mar Shopping Algarve Developed by Ikea Centres Portugal, this project was designed by CPU Architects International / BDP and constructed by San Jose Construction Company. This is the second shopping centre for IKEA Centres Portugal and is comprised of 110 stores, an outdoor leisure area with 8,000 m² of space, and 3,500 parking spaces. MAR Shopping Algarve also features some of the most innovative digital solutions available today, which ensure the project’s sustainability by using energy efficiently.


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29 MAI/JUN 2018

Prémio Categoria Escritórios

Prémio Reabilitação Urbana Sede Vieira de Almeida Associados A Fidelidade Property Europe foi a entidade promotora deste empreendimento que contou com o projecto de arquitectura da OpenBook Architecture / PMC Arquitectos e de construção da HCI. No eixo Praça do Comércio/Santos-o-Velho surge este edifício de características industriais e cuja filosofia de intervenção teve por base a manutenção do exterior criando um efeito de surpresa com uma intervenção contemporânea no interior. Aliás, o núcleo central de grande valor histórico assume-se como o elemento central da intervenção. DR Fotos: Dora Miller Office Category Winner Urban Rehabilitation Award Winner New Head Office of Vieira de Almeida & Associates Fidelidade Property Europe was the developer for this project, while OpenBook Architecture / PMC Architects designed its architecture and HCI constructed it. Located in the Praça do Comércio/Santos-o-Velho area, this project consists of a building whose characteristics are quintessentially industrial. The philosophy behind its renovation sought to maintain the building’s exterior, surprising those who enter it with a more contemporary approach inside. In fact, the central nucleus, which is of great historical value, has become a central element of the renovation.


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29 MAI/JUN 2018

Prémio Categoria Habitação Sant’Ana à Lapa

A Absolutfavorite foi a empresa promotora deste empreendimento residencial, a construtora foi a Cilviria e o traçado do arquitecto Luís Rebelo de Andrade que, aliás, tem vindo a apresentar diferentes obras a concurso no Prémio Nacional do Imobiliário nos últimos anos. Composto por dois edifícios situado entre a Rua de Sant’Ana à Lapa e a Travessa do Combro, em Lisboa, a solução arquitectónica e construtiva encontrada traduziu-se na recuperação do edifício pombalino e reconstrução completa do outro edifício de características modernas. Os últimos pisos do edifício, virados para Sul, têm uma relação privilegiada com o rio Tejo. Housing Category Winner Sant’Ana à Lapa Absolutfavorite was this residential project’s developer, and the construction company involved in building it was Cilviria. Its layout is the work of architect Luís Rebelo de Andrade, who, in fact, has had a number of other projects compete in the National Real Estate Awards in recent years. Composed of two buildings situated between Lisbon’s Rua de Sant’Ana à Lapa and Travessa do Combro, the companies’ architectural and construction solution entailed restoring the traditional building and completely redoing the other building with modern characteristics. The building’s uppermost floors face southward and give occupants a privileged view of the Tagus River.


10 29 MAI/JUN 2018

Prémio Turismo

Corpo Santo Lisbon Historical Hotel Promovido pela Greatcreation, esta unidade hoteleira nasceu do traço do atelier NLA Nuno Leónidas Arquitectos e toda a obra ficou a cargo da Tecniarte. O hotel emerge no interior de três edifícios pombalinos do século XVIII e a sua reabilitação visou a manutenção e conservação de todos os elementos. Os edifícios foram erigidos em zona de aterro e sobre a Muralha Fernandina, pelo que se valorizou não só estes vestígios históricos da cidade de Lisboa. Por isso mesmo, este hotel de cinco estrelas, com 77 quartos, integra a designação de ‘Hotel Histórico’. Tourism Category Winner Corpo Santo Lisbon Historical Hotel Developed by Greatcreation, this hotel unit was designed by architecture studio NLA Nuno Leónidas Architects, and Tecniarte was in charge of all the construction work. This hotel has opened in three typical Lisbon-style buildings that date from the 18th century, and the restoration sought to maintain and conserve the buildings’ original architectural elements. These buildings were erected on an embankment and atop the Fernandina Wall, so it was more than just historic vestiges of the city of Lisbon that were preserved. For this very reason, this five-star, 77-room hotel has been dubbed a “Historical Hotel.”


11 29 MAI/JUN 2018

Prémio Sotheby’s – Habitação

Liberdade 203

A promotora AVENUE é mentora deste projecto residencial de luxo, cujo projecto de arquitectura pertence a Frederico Valsassina e a obra à empresa HCI. Este é, sem sobra de dúvida, um dos projectos de reabilitação urbana de maior dimensão em Lisboa, já que conta com 12.300m2 acima do solo e 4.600m2 abaixo, e correspondeu a um planeamento ambicioso de dois anos e meio que soube superar todos os desafios técnicos na fase de intervenção. Da reabilitação de um quarteirão, constituído por quatro edifícios, resultam nove lojas e 44 apartamentos de tipologias T1 ao T4 duplex. As vistas estendem-se sobre a Avenida da Liberdade, Marquês de Pombal, Parque Eduardo VII, Castelo e Rio Tejo. Winner of the Sotheby’s Housing Award Liberdade 203 AVENUE was the developer for this luxury residential project, which bears the signatures of architect Frederico Valsassina and construction company HCI. With a total area of 12,300 m² above ground and 4,600 m² below, Liberdade 203 is undoubtedly one of Lisbon’s largest urban rehabilitation projects and was completed at an ambitious rate of 2.5 years, during which the teams involved knew how to overcome the technical challenges encountered during the project. The project entailed rehabilitating a block of four buildings, and the intervention resulted in nine stores and 44 apartments, which range from one-bedroom units to four-bedroom duplexes and feature magnificent views of Lisbon’s Avenida da Liberdade, Marquês de Pombal Square, Eduardo VII Park, São Jorge Castle, and the Tagus River.


12 29 MAI/JUN 2018

Prémio ADENE – Eficiência Energética

Townhouses – Belas Clube de Campo/Lisbon Green Valley O Belas Clube de Campo – Colonade é o mentor das Townhouses que se inserem na nova fase Lisbon Green Valley do projecto imobiliário Belas Clube de Campo. O projecto foi de autoria de Capinha Lopes Consulting e a edificação foi desenvolvida pela Casais – Engenharia e Construção. Tratam-se de casas ‘ecosmart’ que possuem um sistema de domótica evolutivo que permite o controlo das funções principais em dispositivos móveis. Destacam-se igualmente por serem casas altamente eficientes do ponto de vista energético e obtiveram a certificação máxima A++, atribuída pelo Sistema LiderA que considerou este empreendimento como um verdadeiro caso de liderança e inovação ao nível da sustentabilidade do edificado e dos espaços verdes exteriores e que considerou também como as casas mais sustentáveis de Portugal. Winner of the ADENE Award for Energy Efficiency The Townhouses at Belas Country Club/Lisbon Green Valley Belas Country Club – Colonade was the developer for these Townhouses, which are part of the newest phase of development at Belas Country Club’s Lisbon Green Valley real estate project. The Townhouses were designed by Capinha Lopes Consulting, and construction was the charge of Casais – Engineering and Construction. These are ‘ecosmart’ home which feature a revolutionary home automation system whose main functions can be controlled via owners’ mobile devices. Also of note is the fact that the houses are very energy efficient and were even given the maximum energy rating of A++ by Sistema LiderA, which considered this venture to be a true case of leadership and innovation in the field of sustainability, both in terms of the buildings themselves and the project’s outdoor green spaces. Sistema LiderA also deemed the homes to be the most sustainable in Portugal.


Metro Quadrado 14 29 MAI/JUN 2018

JPS Group

Sonho tornado realidade A Dream come true


15 29 MAI/JUN 2018

Dream Living é a nova aposta residencial da JPS Group no mercado imobiliário português. Localizado em Oeiras, nasce a pensar nas famílias que procuram luxo e qualidade a escassos minutos do centro de Lisboa, a poucos passos do local de trabalho e com todas as comodidades dentro da sua zona de conforto. Dream Living is the JPS Group’s newest residential project for Portugal’s real estate market. Located in Oeiras, it has been designed with families in mind, especially those who seek luxury and quality a stone’s throw from the centre of Lisbon, main work locales, and all kinds of modern amenities.

Localizado no concelho de Oeiras, em Carnaxide, o Dream Living potencia, segundo a JPS Group, a “fusão entre dois mundos – o residencial e o empresarial”; sem, no entanto, descurar questões essenciais a todos os lares modernos - conforto, lazer e segurança. Composto por apartamentos em condomínio privado, foi concebido com o intuito de fazer os seus ocupantes sentirem-se em casa. Projectado com os mais altos padrões de qualidade e excelência, todos os acabamentos foram pensados ao pormenor para um maior conforto e comodidade. O design arquitectónico contemporâneo, as linhas direitas e as cores sóbrias são algumas das características destes apartamentos inseridos num empreendimento que prioriza a privacidade e a segurança. Mais do que satisfazer as maiores exigências dos seus futuros moradores, o conceito que esteve na base deste empreendimento pretendeu, desde a primeira hora, satisfazer o sonho de qualquer família: Morar a poucos passos do local de trabalho, bancos ou escolas e perto de zonas comerciais e de lazer. O objectivo primordial foi, pois, “encurtar a distância entre a residência e o local de trabalho, e juntar a esta mais-valia uma mão cheia de serviços”, esclarece a empresa. Acrescentando que “um dia-a-dia onde se gasta menos tempo em deslocações permite aproveitar melhor todos os minutos e proporciona uma maior qualidade de vida”.

Vida urbana versus negócios Implantado num concelho que já foi apelidado de Silicon Valley português, com várias áreas empresariais que alojam algumas das maiores empresas do País, este projecto não esqueceu a componente empresarial característica desta zona. Por isso mesmo, a JPS Group salienta que o Dream Living “está estrategicamente localizado de forma a aliar a vida urbana aos negócios, tendo sido pensado para aquelas pessoas que passa várias horas no escritório e que, ao residirem neste espaço, já não precisam de se preocupar com o tempo a mais que passaram a trabalhar, pois como está a uma curta distância do lar, poupa o tempo que gastaria no trânsito”. Além disso, “o concelho de Oeiras oferece um cenário verdejante e extremamente tranquilo que apela à produtividade”. Este empreendimento de luxo encerra, assim, um novo conceito de empreendimento que pretende inovar o mercado imobiliário, a preços bastante competitivos e que tem a capacidade de atenuar as consequências naturais e menos positivas de viver numa grande metrópole. Com tipologias que vão do T1 ao T5, os apartamentos destinam-se não só a grandes famílias como também a jovens que ambicionam viver e trabalhar num só lugar, conseguindo desta forma aproveitar melhor o tempo pós-laboral.


16 29 MAI/JUN 2018

Desfrutar do tempo livre

out neglecting issues essential to all modern homes such as comfort, leisure, and security. Dream Living is composed of apartments in a private condominium and was designed with the intention of making its occupants feel at home. The project has been constructed with the highest standards of quality and excellence, and every detail has been meticulously thought out so as to add to the occupants’ comfort and convenience. Its contemporary architecture, straight lines, and sober colours are some of the characteristics of these apartments, which have been built in a development that prioritises privacy and security. Even beyond satisfying its future residents’ greatest of demands, the concept underpinning this endeavour has always been to make the dream of any family come true: to live only a few steps from their workplaces, banks, schools, shopping centres, and favourite leisure areas. The primary objective was, therefore, to “shorten the distance between the location of the residence and work locales, in addition to being located in an area full of services,” the JPS Group says. It added that “a day-to-day life where you spend less time commuting makes it easier to enjoy every minute and provides a better quality of life.”

Além de se situar a dois passos dos maiores parques empresariais do distrito de Lisboa, o Dream Living dispõe também de áreas destinadas a comércio, com pequenas lojas, serviços e restauração. A JPS Group explica que “estas zonas, implantadas dentro do empreendimento são, contudo, pensadas de forma a não interferir com o seu bem-estar e descanso. Áreas ideais para conviver em família, socialmente ou mesmo em contexto laboral, sem a necessidade de recorrer a um meio de transporte para se deslocar”. Mas se os serviços são essenciais, o lazer é indispensável. E, por isso, foi idealizado a pensar também no tempo livre. “O empreendimento encontra-se estrategicamente implantado para que se possa usufruir ao máximo dos espaços verdes, destinados a jardins para longos passeios em família ou com os amigos. Além disso, fazem ainda parte deste empreendimento piscinas exclusivas para os moradores e um complexo reservado a uma zona de bem-estar, com um ginásio, área de beleza, SPA e uma clínica. A pensar nos mais novos, o condomínio oferece ainda um parque infantil”. Dream Living, a mais recente novidade da JPS Group, revela uma elegante, sofisticada e arrojada harmonia entre o edificado, os negócios, o lazer e o ambiente permitindo a este empreendimento residencial de luxo diferenciar-se e dar resposta às necessidades do actual mercado imobiliário nacional.

Urban v. Business Life

Located in Carnaxide in the municipality of Oeiras, Dream Living “fuses two worlds – residential and business,” according to the JPS Group, with-

The project is situated in an area that, given the fact that some of Portugal’s largest companies are housed there, has been dubbed Portugal’s Silicon Valley and has not neglected the area’s


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business-related element. For this reason specifically, the JPS Group highlights that Dream Living “is strategically located to combine urban life with business and has been designed for those who spend several hours in the office and who, by residing in this space, will no longer need worry about spending extra time working, since they work just a short distance from home and save time that they would otherwise spend in traffic.” In addition, “the county of Oeiras offers an extremely tranquil, verdant setting that fosters productivity.” This luxury endeavour also includes a new concept that seeks to promote innovation in the real estate market at very competitive prices and that has the ability to mitigate the natural, less positive consequences of living in a large metropolis. With units ranging from one to five bedrooms, the apartments are designed not only for large families but also for young people who aspire to live and work in one place, thus making better use of their time after work.

Enjoying their free time In addition to being within walking distance of the largest business parks in the district of Lisbon, Dream Living also has areas designed for small shops, services, and restaurants. The JPS Group explains, “These areas, although deployed as part of the project, are however designed in such a way that they do not interfere with occupants’ well-being or disturb their rest. The space is ideal for living together as a family,


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for living socially, or to simply be close to work without needing to use some sort of transportation to get around.” But, if services are essential, leisure is indispensable. For that reason, thinking about residents’ free time was also a major factor in designing the project. “This community has been developed strategically so that residents can make the most of the surrounding green spaces and gardens, which can be used for long walks with family or friends. Dream Living also includes exclusive pools for residents, as well as a wellness complex with a gym, beauty area, spa, and clinic. The community has even kept the little ones in mind and features a playground just for them.” Dream Living is the JPS Group’s latest project, and it strikes a bold, elegant, sophisticated balance between business, leisure, the environment, and architecture, allowing this luxury residential development to stand out in its own right and to meet the needs of Portugal’s current real estate market.


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Metro Quadrado 20 29 MAI/JUN 2018

REรšNIA

Fรณrmula sรณlida Solid Formula


21 29 MAI/JUN 2018

A REÚNIA celebra 10 anos de actividade pautada por muitos desafios, crescimento e criatividade em encontrar as soluções ideais para os seus clientes. Estão de ‘pedra e cal’ no mercado imobiliário mas sempre prontos a aventurarem-se em novos caminhos: O projecto MaeLand é o melhor exemplo. REÚNIA is celebrating its 10th anniversary this year, and those 10 years have been marked by growth, various challenges, and creativity while searching for ideal solutions for its clients. They are now a formidable institution in the real estate market and are always ready to venture along new paths. One of the best examples of this is the company’s MaeLand project.

A REÚNIA celebra este ano 10 anos. Qual o balanço que faz da actividade da empresa e de que forma cresceu ao longo dos anos? A REÚNIA foi criada em 2008, por três sócios aproveitando o desafio de um investidor internacional em criar uma equipa autónoma para gerir os seus activos em Portugal. Começamos com uma equipa de cinco pessoas. O primeiro ano foi praticamente dedicado em exclusividade aos projectos desse promotor para o qual sempre fizemos a gestão integral dos seus activos em Portugal. Nesses 10 anos muito se passou e hoje somos 18 pessoas repartidos por três áreas de actividade. Como sente estes 10 anos ao nível do sector imobiliário nacional, quer do mercado de per si, quer da forma como se reflectiu na actividade da empresa? Estes 10 anos foram muito diferentes para todos nós. Durante os anos de crise (que dispensávamos) reconhecemos que a actividade da REÚNIA não foi significativamente afectada. Tentámos adaptar as nossas capacidades ao que era necessário entregar ao cliente. Nos primeiros anos focamo-nos mais em operações de restruturação financeira, de longas negociações com os bancos tentando encontrar as soluções mais adequadas para determinados projectos que tinham sido lançados a contar com outro capital e com outro mercado. Tivemos que ser criativos e encontrar as soluções equilibrando os interesses dos vários intervenientes. Iniciamos também colaborações com clientes importantes que permanecem na REÚNIA (Grupo Lar Sonae, Primark, DB e Habitat). A partir de 2014

com a entrada de novos investidores no mercado Português tivemos oportunidade de crescer a outra velocidade respondendo ao mercado e às oportunidades que nos iam surgindo.

Advisors de confiança Actualmente, em que áreas actuam, que tipo de serviços a empresa presta e qual o perfil dos vossos clientes? Prosseguimos três áreas de actividade: Consultoria e Gestão Imobiliária, Project Management, Engenharia e Construção. O que nos sentimos melhor é na Gestão Integral de Projectos Imobiliários, desde a compra do activo, onde participamos exclusivamente como advisor. Raramente recomendamos o activo, é habitualmente o cliente que nos trás a oportunidade para a estudarmos. A abordagem utilizada é a tradicional do projecto de investimento, onde se incluiu os estudos de viabilidade, best use, viabilidade técnica e urbanística (DD), a definição conceptual do produto imobiliário de acordo com o mercado, a selecção dos intervenientes no projecto: projectistas, comercializadores, bancos, relacionamento com constructoras, clientes, etc. Sempre agindo em nome e em representação do promotor / investidor imobiliário. Esta Gestão Integral do Projecto Imobiliário é matizada em função do protagonismo que o cliente também pretende exercer. Ao nível de gestão imobiliária em que projectos têm estado envolvidos?


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Conseguimos criar um sólido relacionamento de confiança com importantes investidores e promotores que têm os seus investimentos em Portugal e que nos confiam a gestão das suas carteiras e dos seus projectos. Pelas nossas anteriores experiências profissionais (BBV Inmobiliaria, Ferrovial, Grupo Lar, etc.) somos habitualmente referenciados para as empresas espanholas que pretendem ter actividade e realizar projectos em Portugal. Em 2017, apoiamos a entrada e estruturação do plano de negócio no nosso País de um conjunto importante de promotores: Grupo Avintia, Neinor Homes, Promocciones Habitat, Kronos, etc. Agimos também como consultores da Hudson Advisors (Lone Star) no estudo de um conjunto importante de activos do NB. Além disso prosseguimos a tarefa de gestão do portfolio da KRESTLIS, que é um investidor com origem num Family Office Belga e uma das entidades que mais investiu em Lisboa desde o ano de 2015 (tem actualmente nove edifícios e dois projectos em desenvolvimento). Um dos projectos em desenvolvimento será um Hotel da Marriot com 222 quartos. A BPC Holding, é também outro importante cliente da REÚNIA. Tem actualmente uma carteira de 12 projectos residenciais entre as cidades de Lisboa e do Porto. A Camstone, investidor suíço muito activo em Portugal é nosso cliente desde o primeiro dia que entrou no nosso País. As empresas têm vindo a apostar no Project Management, esta é uma área em que estão a crescer? A área de Project Management é também chave em todo o processo de desenvolvimento de um projecto imobiliário. Foi sempre também uma área nuclear na REÚNIA desde a sua fundação, área essa com potencial de crescimento e que tem vindo a acompa-

nhar o mercado. Desenvolvemos projectos de cariz residencial, hoteleiro, escritórios e de retalho onde podemos destacar: carteira de 14 projectos residenciais (reabilitação urbana e construção nova), hotel junto ao Parques das Nações, edifício de escritórios a par com intervenções de project monitoring em quatro centros comerciais em Portugal Continental e Ilha da Madeira. Estamos presentes em Espanha com esta actividade para um cliente internacional na área de retail (Primark).

Construção: o novo desafio Quais as vossas áreas de actuação na vertente de construção? Ao nível do mercado já sente uma aposta renovada na construção nova ou domina ainda a reabilitação? É curiosa a entrada nesta área de Engenharia e Construção que aconteceu a pedido de um cliente. Hoje, tem já uma grande importância no nosso negócio apesar de estar relativamente limitado o seu crescimento por falta de mão-de-obra disponível. A nossa carteira para o ano de 2018 é de cerca de 2M€. O que representa um crescimento significativo nesta área de negócio. Relativamente à questão colocada, não temos limitações na área da construção civil, apesar de como é expectável a maioria das nossas intervenções são na área da reabilitação seguindo o mercado. Já fizemos projectos muito diferentes, naturalmente reabilitação de edifícios, agências bancárias, estações de tratamento de águas residuais, fit-outs e intervenções de manutenção em viadutos. A equipa que coordena esta área tem uma larga experiência e capacidade técnica que lhe permite responder mesmo a projetos com uma complexidade adicional. Mais uma vez a regra da retenção do cliente tem sido a chave do crescimento.

Fale-nos um pouco de ‘MaeLand’, projecto cuja construção vai agora iniciar-se em Maio de 2018? Segundo Rui Meneses Ferreira Partner da REÚNIA, a MaeLand é o corolário das várias actividades que já reuníamos Pretendemos há algum tempo encontrar uma oportunidade para fazer um projecto imobiliário cujo investidor fosse a própria REÚNIA. Foi um debate interno que entre os três sócios, considerando que tendo todas as actividades necessárias para a promoção imobiliária, sabíamos que mais cedo ou mais tarde haveríamos de lançar um projecto nosso. Criamos a MaeLand que pretendemos que possa ser no futuro, um Promotor Imobiliário de pequena dimensão mas com reconhecimento ao nível da arquitectura e qualidade dos projectos que promove, daí a nossa assinatura “Home Design Builders”. O nosso primeiro projecto foi lançado em Troia com um investimento de cerca de 3M€. Estamos muito entusiasmados e as primeiras reacções têm sido muito positivas. Para finalizar pergunto-lhe: Quais as perspectivas da REÚNIA para 2018/2019, quer em termos de empresa, quer em termos de mercado imobiliário? Estamos principalmente focados no cumprimento dos objectivos a que nós obrigamos com os nossos principais clientes, ou seja em prosseguir e terminar os seus projectos em tempo e nos custos pré-definidos. Esta será a nossa principal tarefa para os próximos três anos. A obtenção e confirmação das rentabilidades esperadas é sem dúvida a segurança da sua continuidade no mercado português e esperemos que com o apoio da REÚNIA. Queremos (pelo menos tentamos) estar um passo adiante. Apesar do momento de entusiamo que vivemos, muito alimentado por uma procura estrangeira. Portugal é sem dúvida um dos mais importantes destinos europeus e talvez mundial no início do sec. XXI, mas como sempre algum dia esta procura internacional abrandará. Daí que nos novos projectos, estamos muito mais motivados em apoiar investidores que pretendem promover habitação para a procura interna, sendo este o mercado onde nos queremos focar nos próximos anos. REÚNIA is celebrating its 10th anniversary this year. What do you make of the company’s activities, and how has the business grown over the years? REÚNIA was created in 2008 by three partners who wanted to tackle the challenge an international investor proposed to them which entailed creating an autonomous team to manage their assets in Portugal. At the beginning, we had a team of five people, and our first year was dedicated virtually exclusive-


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MaeLand inicia construção em Maio

Construction on MaeLand set to begin in May Segundo Rui Meneses Ferreira Partner da REÚNIA, a MaeLand é o corolário das várias actividades que já reuníamos Pretendemos há algum tempo encontrar uma oportunidade para fazer um projecto imobiliário cujo investidor fosse a própria REÚNIA. Foi um debate interno que entre os três sócios, considerando que tendo todas as actividades necessárias para a promoção imobiliária, sabíamos que mais cedo ou mais tarde haveríamos de lançar um projecto nosso. Criamos a MaeLand que pretendemos que possa ser no futuro, um Promotor Imobiliário de pequena dimensão mas com reconhecimento ao nível da arquitectura e qualidade dos projectos que promove, daí a nossa assinatura “Home Design Builders”. O nosso primeiro projecto foi lançado em Tróia com um investimento de cerca de 3M€. Estamos muito entusiasmados e as primeiras reacções têm sido muito positivas. According to Rui Meneses Ferreira, a Partner at REÚNIA, the MaeLand project is a corollary to the various activities we run at REÚNIA. For some time now, we have wanted to participate in a real estate project whose investor would be REÚNIA itself. It was an internal debate among the three partners. Given the fact that REÚNIA does work in all the activities necessary to develop and market real estate, all three of us knew that, sooner or later, we would have to launch a project of our own. We created MaeLand with the intention of it eventually becoming a small-scale real estate development company that is known for the architecture and quality of the projects it promotes. Hence, our signature “Home Design Builders.” Our first project was launched in Tróia with an investment of around €3 million EUR. We’re rather enthusiastic about it, and the first reactions have been very positive.

ly to this developer’s projects. In fact, we have always managed all of the assets that that particular client owns in Portugal. Much has happened in the 10 years since then, and, today, we are 18 people divided into three areas of activity. How do you feel about these 10 years in the national real estate sector, both in terms of the market itself and in the way it was reflected in the company’s activities? These 10 years have been very different for all of us. We acknowledge, though, that REÚNIA’s activities were never significantly affected during the crisis years. We have tried to adapt our capabilities to what we have to deliver to customers. In the early years, we focused more on financial restructuring operations, long negotiations with banks trying to find the most appropriate solutions for certain projects that had been launched for other markets using other capital. We have had to be creative and find solutions that balance the interests of a myriad of stakeholders. We also started collaborating with important clients who still rely on our services (e.g., Lar Sonae Group, Primark, DB, and Habitat). Ever since 2014, this new wave of investment that has reached Portugal has given us the opportunity to grow in a very different speed, responding to the market and opportunities that emerge. Trusted advisors At present, which areas are you active in? What kind of services does the company provide, and what are your clients’ profiles? Our company is divided into three areas: Real Estate Management and Consulting; Project Management; and Engineering/Construction. What we feel best doing is Integrated Real Estate Project Management, starting with the purchase of an asset, during which we participate exclusively as an advisor (we rarely recommend an asset; it is typically the client who brings us the opportunity for us to study). We start with a traditional analysis of the investment project, which includes feasibility studies, best-use

studies, and technical and urban viability studies. We then help define the real estate project conceptually in accordance with the market, select project stakeholders (e.g., designers, brokers, banks, construction companies, customers, etc.), and always act on behalf of the real estate developer or investor. The Integrated Project Management service we offer is nuanced in that it allows clients the autonomy they desire. What real estate management projects have you been involved in? We have managed to create solid relationships with important investors and developers who have investments in Portugal and who trust us with the management of their portfolios and projects. Due to our previous professional experiences with such companies as BBV Inmobiliaria, Ferrovial, and Grupo Lar, Spanish companies wishing to operate and carry out projects in Portugal are often referred to us. In 2017, we supported a number of important developers (Grupo Avintia, Neinor Homes, Promocciones Habitat, Kronos, etc.) in entering the Portuguese market and structuring their business plans. Together with their teams, we assembled an overview of the Portuguese market, as well as business development plans. We also acted as consultants to Hudson Advisors (Lone Star) during a study of an important collection of NB assets. In addition, we continue to manage the portfolio of Krestlis, an investor based in a Belgian family office. Krestlis is among the companies that has invested the most in Lisbon since 2015 and currently owns nine large buildings and two plots of land in the city, one of which will be the site of a 222-room Marriot Hotel that is currently under development. With a current portfolio of 12 residential projects distributed among the cities of Lisbon and Porto, BPC Holding is yet another important client of REÚNIA’s. Camstone, a Swiss investor that has been very active in Portugal, has also been our client from the first day it entered the Portuguese market.


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construction, although, as per the norm nowadays, most of what we do in this area is related to rehabilitation projects, in accordance with market demands. We have worked on a very diverse range of projects, from your usual building rehabilitation projects to branches of a bank to wastewater treatment plants and even roadway maintenance endeavours. The team that coordinates these services has a large amount of experience and technical expertise that allows them to work on even the most complex of projects. Again, the rule of retaining customers has been key in our growth.

Have businesses been starting to rely on Project Management? Is this an area you are growing in? What projects would you highlight? Project Management is also key throughout the entire process of developing a real estate project and has been a central part of our work at REÚNIA since the company was founded. It is an area with potential for growth and has been following market demands. We develop residential, hotel, office, and retail projects. The following are some of our highlights: a portfolio of 14 residential projects (urban rehabilitation and new construction), the construction of a hotel next to Parque das Nações, an office building, and project monitoring for four shopping centres in mainland Portugal and on the island of Madeira. We are also present in Spain, where we are actively working in this area for an international retail client (Primark).

Construction: the newest challenge What has your activity in the area of construction looked like? In terms of the market itself, do you feel that interest in new construction has been renewed or do rehabilitation projects still dominate? Our work in construction came about by chance when a client asked us for help in this area. Today, it has become rather important to our business, although its growth is relatively limited due to a lack of available skilled labour. Currently, our portfolio for 2018 is worth around €2 million EUR, which, for us, represents a significant amount of growth in this area of our business. With regard to the questions posed, we do not have limitations in the area of civil

Tell us a bit about “MaeLand,” construction for which is set to begin soon in May 2018. According to Rui Meneses Ferreira, a Partner at REÚNIA, the MaeLand project is a corollary to the various activities we run at REÚNIA. For some time now, we have wanted to participate in a real estate project whose investor would be REÚNIA itself. It was an internal debate among the three partners. Given the fact that REÚNIA does work in all the activities necessary to develop and market real estate, all three of us knew that, sooner or later, we would have to launch a project of our own. We created MaeLand with the intention of it eventually becoming a small-scale real estate development company that is known for the architecture and quality of the projects it promotes. Hence, our signature “Home Design Builders.” Our first project was launched in Tróia with an investment of around €3 million EUR. We’re rather enthusiastic about it, and the first reactions have been very positive. What are REÚNIA’s prospects for 2018-19 both in terms of your business and in terms of the overall real estate market? We are primarily focused on meeting the goals we have committed to with our key clients. In other words, we will continue working on our clients’ projects, laser focused on completing their projects on time and on budget. This will be our main task for the next three years. Obtaining the returns they expect is undoubtedly the key to having our clients remain in the Portuguese market and, we hope, clients of REÚNIA. We are always pushing to be one step ahead – even in the face of all the enthusiastic activity that Portugal is currently experiencing, which is being fuelled largely by foreign demand. Portugal is undoubtedly one of the early 21st century’s hottest destinations in Europe and perhaps worldwide, but, as always, this international demand will eventually slow down. This is why we are much more motivated to support investors who plan on developing housing for local customers, which is the market we want to focus on in the coming years.

Visão do mercado Market overview

O estado do crescimento actual (algo eufórico) do mercado imobiliário é muito alimentado por uma procura estrageira que seguramente não durará para sempre. Portugal é, sem dúvida, um dos mais importantes destinos europeus e talvez mundial no início do século XXI, mas como sempre algum dia abrandará. Daí que nos novos projectos estamos muito mais motivados em apoiar investidores que pretendem promover para fazer face à procura interna – casas para portugueses que hoje tem sérias dificuldades em adquirir uma habitação. É este o mercado onde nos queremos focar nos próximos anos. João Garcia Guerreiro Partner da REÚNIA

The current (and somewhat euphoric) state of growth in the real estate market has been heavily fuelled by foreign demand that will surely not last forever. Portugal is undoubtedly one of the early 21st century’s hottest destinations in Europe and perhaps worldwide, but, as always, it will eventually slow down. This is why we are much more motivated to support investors who plan on catering to demand from local clients, that is, investors who plan to build houses for Portuguese customers, who currently have serious difficulties in acquiring housing. This is the market we want to focus on in the coming years. João Garcia Guerreiro Partner of REÚNIA


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CARTA FECHADA | SEALED LETTER Recepção / Abertura 14/03/2018 às 15h em LISBOA Reception until / Bids Opening at 3 pm, March 14th, 2018 in LISBON

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LUXURY RESORT with a Mediterranean Architectural style under construction (38% left to be concluded)

composed by: 93 accommodation units, Hammam/SPA, outdoor swimming pools, 3 restaurants, tea rooms, library, piano bar, chapel, kids club, tennis court/paddle, gardens, lake, 136 parking lots. VALOR DE VENDA | VALUE: Notas: O presente anúncio não dispensa a consulta integral do regulamento de venda e informações complementares, disponíveis no site Avalibérica ou a entregar sempre que solicitado. A venda é efetuada nos termos do disposto no art. 834.º do CPC. Note: the present ad does not exempt the full consultation and knowledge of the sale regulation terms and additional information available on our site or to be delivered when requested. The sale is made in accordance with the provisions of the art. 834 of the CPC (Portuguese civil procedure code).

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Metro Quadrado 26 29 MAI/JUN 2018

ERA – M3F

Três máquinas a vender casas Three house-selling machines


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As agências ERA do franqueado M3F têm conseguido manter, desde há três anos consecutivos, a liderança nacional desta rede de mediação imobiliária. Em entrevista, o franqueado Mário Feliciano explica a chave deste sucesso. For three consecutive years, the ERA branches affiliated with franchisee M3F have managed to keep their positions as national leaders in that real estate agency’s company network. In an interview with Magazine Imobiliário, franchisee Mário Feliciano explains the key to this success.

As agências imobiliárias ERA Expo/Portela, Expo/Olivais e Chiado/Lapa, pertencentes ao franqueado M3F, voltaram, este ano, a ter as três lojas no topo do ranking nacional da ERA Portugal. Como é possível atingir este nível e, sobretudo, mantê-lo? Foi necessário muito ‘querer’ e também muito ‘crer’ de toda a equipa, com elevado foco e alinhamento de todos, para obter estes excelentes resultados. E ainda mais esforço e dedicação para os manter. É o resultado do profissionalismo e da competência da nossa equipa em fornecer um serviço excepcional aos nossos clientes, fazendo mais e melhor todos os dias. É também a consequência da implementação eficaz do sistema de trabalho ERA, um modelo excelente, que permite trabalhar de forma muito organizada e profissional, com verdadeiro espírito de equipa e foco nas necessidades dos clientes, suportado por excelentes ferramentas de marketing e usando a tecnologia como facilitador. Como se costuma dizer: ‘Não é o segredo que é a alma do negócio, mas sim a alma que é o segredo do negócio”.

Isto é, aliás, algo inédito a nível de Portugal, o que vos faz diferenciar das demais agências? Desde logo, todas as agências partilham o mesmo ADN e cultura de trabalho, assente na implementação consistente do modelo ERA, que promove a organização, o rigor e os resultados, sempre com total foco em fornecer um serviço excepcional e na satisfação do cliente. Estes pontos são potenciados pelos líderes das equipas, sendo que todos fizeram o seu percurso na empresa desde ‘a base’, tendo crescido connosco, fazendo parte do nosso crescimento e do nosso sucesso, o que permite que esta cultura passe para toda a organização. A aposta nas pessoas certas sempre foi muito importante para nós, procurando desenvolver e reter os melhores talentos, envolvendo-os no nosso projecto e tentando conciliar a sua ambição de progressão com o crescimento sustentado do nosso projecto. Felizmente temos sido bem-sucedidos neste processo, o que nos permite reter talento, reforçar a cultura e melhorar a performance da organização, enquanto ela cresce com alicerces sólidos.


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Foi necessário muito ‘querer’ e também muito ‘crer’ de toda a equipa, com elevado foco e alinhamento de todos, para obter estes excelentes resultados. It took a lot of ‘wanting’ and a lot of ‘believing’ from the whole team and a great deal of focus and coordination on behalf of everyone to get these outstanding results.

Estes factores permitem potenciar os pontos fortes e criar uma base de trabalho muito sólida, nomeadamente na multiplicação de equipas e na integração de novos elementos. Ao nível das vossas agências, e em termos de comercialização de imóveis, qual o balanço que faz de 2017 e como tem sido já este começo de 2018? 2017 foi um ano de crescimento a todos os níveis, com um volume total de mais de 1.200 transacções mediadas pelas nossas agências. O arranque de 2018 está a acompanhar a dinâmica do mercado, que continua a registar uma elevada procura, reforçando a importância crescente da angariação de imóveis. Actualmente temos mais de 650 imóveis em promoção activa na nossa carteira de imóveis. Os diversos serviços e ferramentas que compõem o sistema de trabalho da ERA permitem-nos trabalhar eficazmente todos os produtos e segmentos nas nossas zonas, desde a obra nova ao imóvel para reabilitação total, permitindo

oferecer as soluções mais adequadas para todos os intervenientes neste mercado, desde o vendedor ao comprador, particular ou institucional. Contudo, o maior volume de transacções continua a registar-se ao nível do produto “usado”, entre particulares, nos segmentos médio e médio-alto. E como tem sido a vossa performance ao nível do arrendamento? O arrendamento faz parte do nosso leque de serviços, ainda que com menor expressão em termos de volume. Temos elementos dedicados a este serviço nas nossas agências com excelentes resultados, nomeadamente na zona do Parque das Nações. Considera que o bom momento que Portugal está a atravessar no imobiliário nacional é um factor determinante para o vosso sucesso? O mercado está realmente numa fase muito dinâmica, devido a vários factores que contribuem

para uma elevada procura, de clientes nacionais e estrangeiros. Esta tendência beneficia todos os players, mas evidencia ainda mais a importância da angariação, um dos pilares do sistema de trabalho da ERA. Nas nossas agências, mantemos um total foco neste aspecto, o que nos permite ter mais de 650 imóveis em promoção activa na nossa carteira de imóveis e beneficiar do fluxo de compradores para assegurar a venda célere, ao melhor preço e de forma eficaz a todos os proprietários que nos confiam a comercialização dos seus imóveis. This year, the three real estate agencies ERA Expo/Portela, ERA Expo/Olivais, and ERA Chiado/Lapa, which all belong to M3F, were again at the top of ERA Portugal’s national rankings. How did you achieve and, above all, maintain this level of performance? It took a lot of ‘wanting’ and a lot of ‘believing’


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2017 foi um ano de crescimento a todos os níveis, com um volume total de mais de 1.200 transacções mediadas pelas nossas agências. With a total of more than 1,200 transactions brokered by our agencies, 2017 was a year of growth at all levels.

from the whole team and a great deal of focus and coordination on behalf of everyone to get these outstanding results – and it’s taken even more effort and dedication to maintain them. These results are a product of our team’s professionalism and competence in providing exceptional service to our customers, doing more and doing better every day. It is also a consequence of effective implementation of ERA’s work system, an excellent model that allows us to work as a true team in a very organised, professional manner. It allows us to focus on our customers’ needs and gives us further support by providing us with excellent marketing tools and using technology as a facilitator. As they say, “It is not the secret that is the soul of a business, but it is a business’s soul that is its secret.” This is, in fact, something unprecedented in Portugal. What makes you different from other agencies?

First and foremost, all our agencies share the same DNA and work culture, which is based on consistently implementing the ERA model. This model promotes organisation, thoroughness, and results, with absolute focus on always providing customers with exceptional service and satisfying their needs. These themes are enhanced by the teams’ leaders, all of whom have climbed their way up from ‘the base.’ They have grown up with us and are part of our continued growth and success, which has allowed this culture to permeate the entire organisation. Relying on the right people has always been very important to us in our quest to develop and retain the best talent, making efforts to involve them in our project and to square their ambition to move up the ranks in their field with sustained growth for our business. Fortunately, we have been rather successful in this process, which has allowed us to retain talent, strengthen our culture, and improve our company’s performance as it grows on solid


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foundations. These factors have made it possible for us to fortify our strengths and create a solid work base, namely in terms of expanding our teams and hiring new associates. In terms of your agencies’ transactions, what was 2017 like for you? And how has the beginning of 2018 been so far? With a total of more than 1,200 transactions brokered by our agencies, 2017 was a year of growth at all levels. The beginning of 2018 has kept up with market dynamics, which continues to see high demand. This reinforces the growing importance of adding new properties to the more than 650 in our real estate portfolio that are already being actively marketed. The various services and tools that make up ERA’s work system allow us to manage all the products and segments in our zones efficiently – from new work on a property to total rehabilitation. We can thus offer the most suitable solutions for any actor in this market, from sellers to buyers, be they individuals or institutions. However, the largest number of transactions continues to be conducted between individuals for ‘used’ products in the medium and mediumhigh segments of the market.

And how has your performance been in terms of leases? Leases are part of our range of services, although they are fewer in number. We have associates dedicated to this service at our agencies, and they have had some excellent results, particularly in the Parque das Nações area. Do you believe that this positive period that Portugal’s national real estate market has been experiencing has been a determining factor in your success? The market really is at a very dynamic stage, thanks to several factors that are contributing to high demand from domestic and foreign customers. This trend benefits all players but further highlights the importance of adding properties to our portfolio, one of the main pillars of the ERA work system. At our agencies, we focus heavily on this, which allows us to have more than 650 properties in our real estate portfolio that are being actively marketed. This further allows us to benefit from a constant flow of buyers, which helps us ensure a fast, efficient sale at the best price for all those who trust us to market their properties.


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Opinião Nuno Sá Carvalho

Aquisição de portfólios de imóveis Acquiring real estate portfolios Nuno Sá Carvalho Sócio responsável pelo departamento de Imobiliário e Construção da Cuatrecasas, Gonçalves Pereira Partner in charge of the Real Estate and Construction department of Cuatrecasas, Gonçalves Pereira

Na actual situação de mercado, regista-se um crescente interesse na aquisição de portfólios imobiliários ou conjuntos de imóveis da mais diversa natureza. Pode tratar-se da aquisição simultânea de vários prédios constituídos em propriedade total, diversas fracções do mesmo edifício ou de várias fracções de diferentes prédios, que, em muitos casos, encontram-se arrendados sob regimes distintos. Nestes negócios, por vezes de grandes dimensões, confluem diversos regimes legais aplicáveis, que originam questões e dificuldades acrescidas. Neste âmbito, um dos temas que merece particular relevância diz respeito aos direitos de preferência, concedidos aos arrendatários com contratos de arrendamento há mais de três anos, na venda ou dação em pagamento do local arrendado. Trata-se de um regime imperativo, pelo que o senhorio deve conceder ao arrendatário prévio conhecimento dos elementos essenciais do projecto de venda, para que este, querendo, possa exercer o seu direito de preferência, nos termos e condições comunicados. Contudo, é necessária a distinção entre os direitos de preferência de arrendatários de prédios constituídos em propriedade total e de prédios constituídos em propriedade horizontal, assim como não será despicienda a qualificação do locado como loja histórica. Por outro lado, a legislação portuguesa prevê ainda a possibilidade de venda do prédio ou fracção sobre que incide a preferência conjuntamente com outros bens por um preço global, que não resulta da mera soma dos preços individuais, mas traduz uma contrapartida única por aquele conjunto de bens. Neste tipo de situações, questiona-se se o ar-

rendatário pode exercer o seu direito de preferência apenas sobre o local arrendado ou se é obrigado a exercê-lo sobre todo o portfólio de imóveis. De acordo com a legislação portuguesa, o vendedor pode exigir que a preferência incida sobre todo o portfólio, se a venda dos imóveis em separado lhe causar um ‘prejuízo apreciável’. Esse prejuízo é aferido essencialmente de acordo com os interesses do vendedor, segundo razões objectivas, atendendo ao negócio concreto e à intenção dos intervenientes. O interesse do comprador assume neste contexto um relevo menos apreciável. Analisando as decisões dos tribunais portugueses, pode dizer-se que, para a aferição do referido prejuízo, é usualmente ponderada a oportunidade de negócio e o menor interesse ou valia dos imóveis em caso de venda individualizada. A resolução destas questões deverá ser tomada em consideração no momento da avaliação do negócio, da negociação entre as partes, bem como na definição da estrutura do negócio e dos respectivos regimes contratuais, o que só torna estas operações imobiliárias ainda mais desafiantes. In the current market, there is increasing interest in acquiring real estate portfolios or sets of various kinds of real estate. This may involve acquiring several assets simultaneous, whether they be the entire property, several sections of the same building, or several units in different buildings, which, in many cases, are leased under different terms. As part of these occasionally large deals, several applicable legal regimes come together, which can give rise to additional questions and further difficulties.


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In this context, one topic that deserves particular attention is the right of pre-emption granted to tenants with lease contracts of more than three years’ duration upon the sale of or payment in kind for the place leased. This regime is not optional, so landlords must give tenants prior notice of a sale plan’s essential terms in order for the latter to be able, if they so desire, to exercise their right of pre-emption under the terms and conditions established. However, it is necessary to distinguish between rights of pre-emption ascribed to tenants of indivisible properties and tenants of buildings subject to horizontal property regimes. In the same vein, the qualification of the object of a lease as a historic store shall also be taken into account. On the other hand, Portuguese legislation also provides for the possibility of selling a building or unit(s) that is protected by a right of pre-emption together with other goods for an overall price that is not the mere sum of the individual prices but represents a single exchange for that set of assets. In such situations, the question

becomes this: is a lessee able to exercise their right of pre-emption only on the leased area or would they be obliged to exercise it over the entire portfolio of properties? Under Portuguese law, sellers may require that pre-emption concern the entire portfolio, if selling the properties separately causes them to incur ‘appreciable damage.’ That damage is, essentially, assessed objectively in accordance with the seller’s interests, while keeping the stakeholders’ specific deal and intentions in mind. Buyers’ interests have less prominence in such instances. After analysing the decisions made by the Portuguese courts, it can be said that the business opportunity and the lowest interest or value of the property(s), in case of individual sale, are typically evaluated in order to gauge the losses mentioned above. Resolving these issues must be taken into consideration when evaluating a deal, negotiating between parties, and when defining a deal’s structure and its respective contractual arrangements, which only makes these real estate operations even more challenging.


34 Opinião 29 MAI/JUN 2018

José Araújo

Construir ou reconstruir, eis a questão! José Araújo Director da Direcção de Negócio Imobiliário do Millennium bcp Director of the Department of Real Estate at Millennium bcp

A indústria da construção tem colocado, ao longo dos tempos, grandes desafios à relação entre o homem e suas formas de organização e o meio ambiente em que se insere, não descurando, ao mesmo tempo, a relação de harmonia entre todos os elementos envolvidos. Poderá esta relação ser considerada um paradigma da construção? Será um modelo ou padrão a seguir no futuro? Claro que sim, atendendo a que a sobrevivência de qualquer sociedade se baseia na harmonia das peças que a compõem. No entanto, essa relação não poderá assentar única e exclusivamente na construção de novos edifícios, residenciais ou outros, enquanto coexistirem construções inacabadas ou para reabilitar. A Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP) referiu em 2017 que a indústria da construção iria manter uma “trajectória positiva em 2018”, e efectivamente, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção na construção em Portugal aumentou 3% já em Janeiro deste ano face a Janeiro de 2017. A banca disponível para financiar a construção, a promoção imobiliária de raiz e compra de terrenos vai contribuir para este aumento. Com os incentivos fiscais e financeiros a manterem-se, a reabilitação urbana vai também continuar a ser uma grande e boa oportunidade. São um conjunto de oportunidades existente por todo o País, onde qualquer activo residencial, escritórios, serviços, bem como espaços industriais receptivos a alguns trabalhos de recuperação ou alteração, são excelentes alternativas para colmatar o gap entre a oferta e a procura actual que, cada vez mais está na origem da evolução crescente dos preços praticados. Construir novo, reabilitar, reconstruir, alterar são os

To build or rebuild? That’s the question!

novos paradigma da construção. O mercado está a normalizar, há já construção para nacionais e o próximo desafio neste sector será a construção de raiz de novos edifícios para serviços/escritórios pois a oferta, nos grandes centros urbanos de grandes e modernas áreas, falta claramente para a procura existente. Há grandes projectos em carteira nas maiores câmaras do País (Lisboa e Porto são bons exemplos) a aguardar por promotores. Promotores pacientes e que percebam que os retornos na construção não são imediatos (como quem procura investir em reabilitações à semelhança do que temos observado ultimamente em Portugal) mas a longo prazo, a 2/5 anos, que tenham estrutura e visão, que acreditem e sejam agentes permanentes do mercado e não simplesmente agentes à procura de oportunidades, que por certo ao primeiro abrandamento, desaparecem para outras paragens. Over the years, the construction industry has challenged the relationship between people, the ways they organise themselves, and the environment they find themselves in – while also attempting to harmonise all the elements involved. Can this relationship be considered the construction paradigm? Will it be a model or pattern to follow in the future? Of course! Especially given the fact that the survival of any society is based on the collective harmony of each of its parts. However, this relationship cannot be expressed solely and exclusively through the construction of new buildings – residential or otherwise – while unfinished buildings or those ready to be rehabilitated also exist. In 2017, the Portuguese Federation of the Construction and Public Works Industry (FEPICOP) said that the construction industry would maintain a “positive trajectory in 2018,” and production in Por-

tugal’s construction industry during January 2018 did, in fact, increase by 3% over January 2017, according to data from the National Statistics Institute (INE). Available cash for financing construction projects; the ramping up of brand new real estate developments; and land purchases are all factors that have contributed to that increase. With fiscal and financial incentives staying in place, urban rehabilitation projects will also continue to be fantastic opportunities. These opportunities exist throughout all of Portugal. Any residential asset, office space, service area, or industrial space signalling that it would welcome some renovation or rehabilitation work is an excellent opportunity to bridge the gap between current supply and demand, which has increasingly been a driver in recent price surges. New construction, rehabilitation, reconstruction, change: these are the new construction paradigms. The market is returning to normalcy. There is ongoing construction for domestic customers, and the next challenge in this sector will be the construction of new buildings for services and offices, as the supply of large, modern areas in large urban centres is clearly not keeping up with the existing demand. There are substantial projects on the horizon in Portugal’s largest towns (Lisbon and Porto are good examples) just waiting for developers. Patient developers who understand that returns on investment in construction are not immediate – like with investments in rehabilitation that have become common in Portugal recently – but happen in the long term, in 2-5 years. Developers with structure and vision. Developers who aren’t merely agents looking for opportunities and who won’t disappear at the first sign of a slowdown. Developers who are permanent agents of the market and truly believe in it.


Azimute 36 29 MAI/JUN 2018


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Algarve 2018


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Desolados Desolate O urbanismo é, pelo menos há cinco décadas, o parente pobre do imobiliário e da construção. Longe vão os tempos de Duarte Pacheco, Pardal Monteiro ou Nuno Teotónio Pereira. Urbanism has been the woebegone relative of real estate and construction for at least five decades. Long gone are the times of Duarte Pacheco, Pardal Monteiro, and Nuno Teotónio Pereira. Texto Text: Joaquim Pereira de Almeida Fotos Photos: Anabela Loureiro

Porque estamos a falar deste assunto agora? Simplesmente por há muitos anos que não íamos para a parte, mais a Este, do Sotavento algarvio. Sucede ali um duplo fenómeno: enquanto os pequenos centros urbanos ganharam qualidade, as zonas mais litorais foram simplesmente “vandalizadas” deste ponto de vista. Quem viu Cabanas de Tavira ou Manta Rota quase que tem uma paragem digestiva. Há ‘séculos’ que se fala do urbanismo no Algarve e muito, muito está por contar. A nossa zona balnear por excelência está quase destruída e não vamos citar nomes para não ferir susceptibilidades. Aliás, toda a gente sabe do que estamos a falar. Só há três locais diferentes no Algarve. A Quinta do Lago, Vilamoura e (por enquanto) a parte mais a Barlavento, muito perto de Sagres. Podem dizer: “Em Espanha é muito pior”, mas com o mal dos outros podemos nós bem. É evidente que o que se passa no Sul sucede um pouco por todo o País. Foi um crime que se cometeu em Portugal, tão grave como o flagelo dos incêndios, agora que nos estamos a aproximar do Verão. Que as más práticas cessem de vez. Fiquem com as imagens do que sobrou. Cancela Velha. Até um dia…

Why are we talking about this now? Well, it’s because we’ve not discussed the eastern part of the Algarve for many years. A double phenomenon is happening there: while the small urban centres have gained quality, the more coastal areas have simply been “vandalized” from this point of view. Anyone who has seen Cabanas de Tavira or Manta Rota has probably almost had a heart attack. Urbanism in the Algarve has been talked about for ‘centuries,’ and much remains to be said. Our coastal zone par excellence has been almost completely destroyed, and it’s not necessary to point fingers and name names. In fact, everyone knows what we are talking about. There are only three different places in the Algarve: Quinta do Lago, Vilamoura, and (for now) the most windward, very close to Sagres. They may say, “It’s much worse in Spain,” but why be interested in Spain’s mistakes when we need to improve our own?” It is clear that what is happening in the South has also been happening throughout the rest of Portugal to some extent. It’s a crime that has been committed in Portugal – one as serious as the wildfire menace, which is especially relevant now that we are summer’s doorstep. May bad practices stop once and for all. Keep the images of what’s left. One of these days...


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Há ‘séculos’ que se fala do urbanismo no Algarve e muito, muito está por contar. Urbanism in the Algarve has been talked about for ‘centuries,’ and much remains to be said.

Não fique só a olhar o mar. Vá ter com quem conhece e sabe há 33 anos. O tempo é precioso. É só “bater à porta” da Futurama!

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Ventos do Norte 40 29 MAI/JUN 2018

Renovação e restauro

Hotel Infante Sagres regressa ao seu esplendor Renovation and restoration

Infante Sagres Hotel returns to its original splendour


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O mais histórico hotel de luxo do Porto reabre completamente renovado. Porto’s most historic luxury hotel is reopening after being completely renovated. Texto Text: Elisabete Soares

Foi o hotel escolhido por várias personalidades ao longo dos tempos, como Dalai Lama, Catherine Deneuve, os reis da Noruega, a banda U2 ou Mário Soares (que ficava sempre na suíte 305, com vista para a Praça Filipa de Lencastre), referindo apenas algumas figuras públicas de um conjunto muito mais vasto, e que figuram no livro de honra que está a ser restaurado, bem como as fotos, para que não se percam as memórias deste hotel. Falamos do Infante Sagres, o mais histórico hotel de luxo da cidade do Porto - o primeiro cinco estrelas da cidade -, que reabre depois de cinco meses de um intensivo processo de restauração e renovação. Com uma localização privilegiada, em plena Baixa portuense, o hotel tem agora 85 quartos, dos quais 10 são luxuosas suítes, e ainda o cosmopolita Vogue Café. Os obreiros desta nova fase do Infante Sagres são o grupo The Fladgate Partnership, que detém o hotel desde 2016, e que levaram a cabo as obras de renovação num edifício cujo interior é desenhado com detalhes preciosos, que carregam um legado de mais de seis décadas. Depois de um intensivo processo de restauração e renovação, o Infante Sagres foi cuidadosamente lapidado para devolver o luxo e sofisticação que sempre lhe foram caraterísticos. Fundado em 1951, o edifício testemunhou a história da cidade e acompanha agora a sua enérgica

revitalização. O principal objectivo neste intenso processo foi recuperar a configuração original do hotel projetado pelo arquitecto Rogério de Azevedo, considerado um dos exemplares pioneiros do modernismo na cidade do Porto. A minuciosa tarefa foi confiada ao arquiteto portuense António Teixeira Lopes, discípulo do autor original, de quem foi aluno. A obra de renovação reuniu várias equipas especializadas em restauro e conservação com a missão de recuperar a traça original do edifício, nomeadamente os tectos e as molduras detalhadas, os majestosos vitrais, os ostentosos lustres e candeeiros e o mobiliário histórico. Os vitrais que iluminam a imponente escadaria que faz a ligação entre os pisos são uma das obras-primas do hotel e, por isso, aquela que também mereceu especial cuidado e atenção. O Infante Sagres foi também alvo de uma profunda intervenção para garantir os mais elevados padrões de modernidade, conforto e luxo. Foram construídos 15 novos quartos. Os quartos estão decorados individualmente com obras de arte originais e detalhes requintados, que completam a experiência. A suíte Royal, tipologia premium do hotel e onde já ficaram hospedados vários artistas e até membros da realeza, é o expoente máximo do luxo e requinte que caracterizam o ‘novo velho’ Infante Sagres.

Mas entre as principais novidades está o Vogue Café, que coloca a cidade do Porto no roteiro dos famosos espaços com a chancela da Condé Nast International. O conceito desenha-se na simbiose entre o modelo internacional, presente em cidades como Dubai, Moscovo e Kiev, e a envolvência com o hotel e a cidade. O conceito gastronómico tem base internacional, mas homenageia os sabores e aromas da cidade, incluindo ingredientes locais e uma seleção de vinhos nacionais e cocktails com vinho do Porto. No seu conjunto, o projecto significou um investimento de 7,5 milhões de euros. This hotel has been chosen by a number of wellknown personalities throughout the years, its illustrious clientele including the Dalai Lama, Catherine Deneuve, the kings of Norway, the band U2, and Mário Soares (who always stayed in suite 305, which overlooks Filipa de Lencastre Square). These are only some of a much larger group of public figures who appear in the book of honour of this hotel, which is currently being restored and whose photos are being restored as well so that none of the memories made at the hotel are lost. We’re talking, of course, about Infante Sagres, Porto’s most historic luxury hotel. It was the city’s first five-star hotel when it originally opened and is set to open again after five months of intense res-


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toration and renovation. With a fantastic location in downtown Porto, the hotel now has 85 rooms, 10 of which are luxury suites, and also features the cosmopolitan Vogue Café. The Fladgate Partnership is the group behind this new chapter in the life of the Infante Sagres Hotel, which has been owned by the group since 2016. They are the ones who carried out the painstaking renovation of a building whose interior was designed with precious details that have a legacy of more than six decades. After an intensive restoration and renovation process, the Infante Sagres has been carefully polished to return it the gleam of luxury and sophistication it was always known for. Built in 1951, the hotel has borne witness to the city’s history and is now participating in its energetic revitalisation. The main objective in this process was to recover the original design of the hotel, which was designed by architect Rogério de Azevedo, considered to be a pioneer of modernism in Porto. The meticulous task was entrusted to architect Antonio Teixeira Lopes, a student of the building’s original author. The renovation work brought together various teams specialised in restoration and conservation with the mission of recovering the building’s original details, including intricate moulding, majestic stained-glass windows, elaborate chandeliers, and historical furniture. The stained-glass windows that illuminate the imposing staircase connecting the floors are one of the hotel’s masterpieces and, thus, merited special care and attention. The Infante Sagres was renovated with the highest standards of modernity, comfort, and luxury. While fifteen new rooms have been added to the hotel, all of its rooms have been individually decorated with original artwork and exquisite details which complete the experience. The Royal Suite, the hotel’s most premium unit on offer where many artists and even members of royal families have been stayed, is the ultimate manifestation of luxury and refinement characteristic of the ‘new old’ Infante Sagres. A new attraction for the hotel includes its Vogue Café, which has thrust the city of Porto among a collection of famous places with a spot that bears the Condé Nast International seal. The café’s overall concept draws on the symbiosis between the hotel’s surroundings and an international model; similar places can be found in cities such as Dubai, Moscow, and Kyiv. The cuisine is based on international gastronomy but honours flavours and aromas native to Porto, including local ingredients and a selection of Portuguese wines and cocktails featuring Port wine. Altogether, €7.5 million EUR were invested into the project.

Opinião Opinion Elisabete Soares Saraiva Jornalista Journalist

Afinal as lojas históricas podem justificar tudo? Can historic shops really justify everything? Quando, em 2016, o grupo The Fladgate Partnership comprou o Hotel Infante Sagres, herdou também um problema e alguns processos judiciais já a decorrer. Em causa está o processo com a Livraria Moreira da Costa, uma loja centenária e como tal deve ser preservada. Contudo, os proprietários da livraria tomaram uma posição de inflexibilidade, que inviabiliza a construção do spa do hotel na cave e, simultaneamente, querem manter uma situação que é sem dúvida de grande insegurança para prédio e mesmo para os prédios vizinhos. Na verdade, segundo a versão confirmada pela própria proprietária da livraria, em causa está sobretudo a desocupação de uma cave, onde estão depositados milhares de livros, que mesmo que sejam salvaguardadas todas as condições de segurança, não são garantia de coisa nenhuma. Quanto à loja, à face da Rua do Aviz, não é colocada em causa a sua continuidade. Mais caricato é o facto de a autarquia ter licenciado o spa na cave, em Junho de 2017, e só mais tarde, em Dezembro desse mesmo ano, é que a livraria foi classificada pela mesma autarquia. Ou seja, esta situação leva a que, neste momento, haja três processos em curso: dois contra a livraria e um contra a câmara. Por isso a perplexidade do CEO do grupo, Adrian Bridge: “Como é que o projecto (do hotel) está licenciado formalmente e depois há uma nova lei de lojas históricas que passa por cima do nosso licenciamento? É uma lei civil e dentro das leis portuguesas não é possível aplicar uma lei civil retroactivamente”. Será que afinal é possível?

When the Fladgate Partnership bought the Infante Sagres Hotel in 2016, it also inherited a problem and three lawsuits already under way. At stake is the lawsuit with the Moreira da Costa Bookstore, a 100-year-old store which ought to be preserved. However, the owners of the bookstore have taken an inflexible stance, making it impossible to build the hotel’s spa in its basement. The bookstore’s owners also want to maintain a precarious status quo that is undoubtedly hazardous for the building under dispute and for neighbouring buildings as well. In fact, according to the account described by the bookstore’s proprietor, the main issue under dispute is the removal of thousands of books from a basement. Even if all the security measures are put into place and protected, they are no guarantee of anything. There is no question, however, that the shop itself, whose storefront is on Rua do Aviz, will remain in place. Even more ridiculous is the fact that the local authority gave the green light to the basement spa in June 2017 and then only later, in December of that same year, was the bookstore was classified a historic store by the same authority. This situation has led to three simultaneous lawsuits currently under way: two against the bookstore and one against the city council. Hence the perplexity expressed by Adrian Bridge, the group’s CEO: “How is it that the (hotel) project gets formally licenced, and then a new historic store law comes along and supplants our licence? This is a civil law, and, in the Portuguese legal system, it’s not possible to apply a civil law retroactively.” Could it actually be possible after all?


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Do Mundo 44 29 MAI/JUN 2018

MIPIM 2018

Obrigatório! It’s a must!


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Os leitores podem imaginar a dificuldade que é escrever sobre o MIPIM, quando é a vigésima sexta vez que lá vou. “Por que razão não fazes uma pausa?”, perguntarão... A resposta é simples: Neste meio, o certame de Cannes é absolutamente obrigatório. Readers can imagine how difficult it is to write about MIPIM, since this will be twenty-sixth time in attendance. People might ask, “Why don’t you take a break?” The answer is simple: in this business, the event in Cannes is an absolute must.

Texto Text: Joaquim Pereira de Almeida Fotos Photos: Anabela Loureiro

No próximo ano estou a pensar abrir uma empresa de consultoria porque, entre as dezenas de milhares de visitantes, anda muita gente às ‘moscas’. Mas esta não é a melhor ideia. Estou a pensar levar um Tuc Tuc para a cidade francesa porque, não sei se sabem, há dois MIPIM’s diferentes: O que decorre dentro do Palácio dos Festivais e o que inunda toda a cidade. Basta verem as fotos. Do imobiliário, o que dizer? Que é uma pena que as autoridades europeias tenham imposto limites aos pagamentos em dinheiro vivo. Isto porque o MIPIM cheira a dinheiro, muitos têm produtos para ‘oferecer’ e outros nem tanto. O imobiliário mundial vive um novo ciclo muito optimista e isto reflecte-se a todos os níveis. Anda tudo bem-disposto por tudo o que é stand e não é certamente devido ao champanhe, que já não abunda como há vinte anos. As conferências, os prémios, já são o trivial. Quem leva as malas cheias de dinheiro não perde tempo a discutir o ‘sexo dos anjos’. Uma palavra de grande elogio para Rui Coelho, o director da Invest Lisboa, que voltou a colocar Lisboa no mapa do ‘Mundo Imobiliário’, ao contrário de outros capitais europeias, este ano, mais apagadas. Como uma autêntica formiga ele relançou

o nosso País: mais expositores e mais presidentes de câmara numa localização excelente. Para o ano ele tem de ser mais audaz e arriscar mais. Tenho a certeza que sabe como fazê-lo. E pronto. Para o ano lá estaremos outra vez. Quando mais não seja para ver tanta mulher bonita. A Côte D’Azur tem outro encanto… Que o MIPIM mantenha o nível e a organização de sempre! I’m thinking about opening up a consulting firm next year because, among the tens of thousands of visitors, many people wander about aimlessly. But that’s not even my best idea. I’m thinking about taking a Tuc Tuc to Cannes because, I don’t know if you know, there are two different MIPIMs: the one that happens within the confines of the Palais des Festivals and the one that inundates the rest of the city. Just look at the photos. So, what to say about real estate? It’s a shame that the European authorities have imposed limits on cash payments because MIPIM smells of money. Many have products to ‘offer,’ while others…not so much. The real estate sector is experiencing a new, very optimistic period the


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world over; the energy is palpable everywhere. Everyone was in a jovial mood at the stands, and it certainly wasn’t due to champagne, which no longer abounds like it did twenty years ago. The conferences, the prizes are trivial. The people who walk away with suitcases full of money don’t waste time jabbering on about nothing. Now, a word of great praise for Rui Coelho, director of Invest Lisboa. He put Lisbon back on the ‘Real Estate World’ map, in contrast to other European capitals, which have been more subdued this year. Rui has been as busy as a bee getting the limelight cast on our country again: Portugal had more exhibitors and more mayors than ever in an excellent location. He ought to be even bolder and risk even more next year. I’m certain he knows how to do that. There you have it. A year from now, we’ll be there yet again. The Côte D’Azur has such a distinct charm…what a long time to not see such a pretty lady! May MIPIM continue to have the same level of quality and organisation it’s always had!


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Do 48 Mundo 29 MAI/JUN 2018

Reino Unido

O mercado residencial United Kingdom

The Housing Market

Roberto Varandas COS Capital Managing Director – Head of Europe

O mercado residencial sempre foi motivo de muita controvérsia, ateando paixões dos diferentes lados do debate. Desde o início do século XX que a ideia de habitação como um direito universal é um conceito que se inseriu em muitos programas governamentais e de partidos políticos, gerando inúmeras imposições regulatórias no mercado imobiliário. Na década de 1930, como uma das medidas para combater a grande depressão nos EUA, o presidente Roosevelt criou duas agências governamentais, conhecidas como Fannie Mae e Freddie Mac, para apoiar o mercado hipotecário e não apenas para revitalizar o financiamento de novas casas mas para fazer reviver a economia em si. Era a idade de ouro das políticas Keynesianas. Na Europa surgiram várias agências e esquemas governamentais para apoiar o financiamento habitacional. A Alemanha e a Dinamarca, por exemplo, têm canais hipotecários extremamente favoráveis que permitem spreads de financiamento muito baixos, em benefício de quem pede crédito à habitação. Nos últimos anos, surgiram programas semelhantes em alguns mercados emergentes, incluindo no Brasil, China e outros. Como a oferta de habitações cresceu ao longo das décadas, nem sempre em linha com o crescimento populacional, as pressões geraram algumas consequências, não intencionais, geralmente devido às políticas medíocres dos políticos e à tentação irresistível de se intrometer no mercado para obter votos fáceis. Na melhor das hipóteses, o equilíbrio entre a habitação disponível e a respectiva procura é delicado. Essencialmente, aqueles que ainda não têm uma casa querem uma a um preço acessível. Aqueles que já estão expostos ao mercado imobiliário, querem ver o valor do seu active apreciar, o que geralmente acaba por traduzir-se em políticas para limitar a oferta. As tensões entre senhorio e inquilino são semelhantes. Os inquilinos querem arrendamentos de

longo prazo, estáveis, muitas vezes vitalícios, com muito pouca ou nenhuma inflacção e a preços controlados. Os senhorios querem um retorno adequado do seu investimento e a capacidade de ajustar os arrendamentos aos valores de mercado. Devido a uma conjugação de várias políticas de sucesso em Portugal, destinadas a atrair investidores e expatriados, a promoção da reabilitação de imóveis em centros históricos e o fascínio de Portugal como destino turístico, colocou-se novamente o tema do controlo do arrendamento no centro de debate. Os dois principais mercados em Portugal - Lisboa e Porto -, tornaram-se destinos muito interessantes para os turistas e imigrantes afluentes, que surgem procurando um ambiente sem criminalidade, barato e cosmopolita, e com um regime fiscal favorável. Na fase inicial desta combinação de políticas, iniciada em 2012/2013, houve uma admiração geral pela forma como os agentes económicos estavam a reabilitar, renovar e valorizar bairros inteiros das duas principais cidades portuguesas. Não foi o caso durante décadas. Pelo contrário, a habitação na maioria das cidades de Portugal, especialmente nas duas metrópoles, declinou, deteriorou-se e desapareceu. À medida que os preços aumentaram, tanto das rendas como da aquisição, os novos, actuais e esperançosos habitantes de Lisboa e do Porto tiveram maiores difficuldades em aceder ao mercado, levando a protestos contra o “mercado especulativo, fora de controlo” que a habitação nestas duas cidades passou a ter. O que é curioso é ver que a resposta dos políticos, alguns deles impulsionados pela ideologia mas principalmente querendo apaziguar os eleitores, os levou a cometer exactamente os mesmos erros do passado. As propostas foram variadas e incluíram: expropriação de casas vazias; incentivos fiscais de renda para o arrendamento de longa duração; limites locais de uso de casas para o turismo; limitações sobre des-


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pejos durante o Inverno ou para maiores de 65 anos ou para pessoas com deficiências; exigências mais altas para despejos devido a obras substanciais; limitação dos preços e dos aumentos dos valores das rendas. Todas essas medidas têm um efeito: limitar e retardar a oferta de imóveis para venda e arrendamento. Também tem o efeito de limitar a manutenção das propriedades existentes, exactamente o que testemunhamos desde os anos 60, onde proprietários, em larga medida, não puderam aumentar o valor das rendas para valores de mercado. A oferta retardada também agrava a crise de preços. Menos imóveis disponíveis comandam preços mais altos e rendas mais altas. Em vez destas medidas que sabemos que estão destinadas a falhar, os políticos poderiam procurar outras medidas para aliviar as pressões no mercado, seja em Lisboa ou em Londres, seja em qualquer mercado, tais como: reduzir as restrições de licenciamento de novos edifícios. As autoridades locais são, muitas vezes pedantes no que toca a esta matéria. Embora exista um equilíbrio que tem de ser obtido em termos de densidade populacional e de construção, a realidade é que muitos processos simples de licenciamento servem o propósito de gerar burocracias desnecessárias, e pior, sujeitas a suborno e corrupção. Reduzir simplesmente a demora nos processos de licenciamente em seis meses significa que a habitação chega ao mercado seis meses mais cedo. Outras medidas passam por promover edifícios residenciais inteiros, dedicados ao arrendamento. Os investidores que promovem ou possuem este tipo de imóveis têm como finalidade única alugar apartamentos, geralmente de baixa e média gama, e estão mais comprometidos com este objectivo do que o proprietário que possui um único imóvel e o arrenda. Melhorar os transportes públicos dentro e fora das cidades para aliviar a procura é vital, uma vez que as famílias procuram alternativas mais distantes, geralmente a preços mais baixos. Para políticos mais interessados na questão das políticas sociais, subsidie o inquilino! Colocar restrições ao proprietário levará à sua retirada do mercado. Reduzir os custos de contexto para a construção, habitações e gestão de imóveis arrendados. Reduzir os impostos. Note-se, por exemplo, que não existem REITs em Portugal. Infelizmente parece que os políticos vão optar, mais uma vez, pelas medidas fáceis, que terão muito pouco efeito sobre a oferta de habitações adicionais, quando são necessárias, e vão minar a confiança dos investidores no mercado por mais cinco ou seis décadas. The housing markets have always been a topic of a great deal of controversy, flaming passions on the

different sides of the debate. Since the beginning of the 20th century, the idea of housing as a universal right is a concept that has crept into many government and politicians’ programs and driven numerous regulatory impositions on the housing market. In the 1930’s, as one of the measures to combat the great depression in the US, president Roosevelt created two government agencies, commonly known as Fannie Mae and Freddie Mac, to support the mortgage market and, not only to revive the financing of new homes, but, to revive the economy itself. It was the golden age of Keynesian policies. In Europe, numerous agencies and government schemes to support housing finance emerged. Germany and Denmark, for example, have extremely favourable mortgage conduits that allow for very low financing spreads, to the benefit of housebuyers. Similar programs have been developed in some of the emerging markets including in Brazil, China and others. As the stock of housing grew over the decades, not always in line with population growth, the pressures have generated some unintended consequences, usually due to poor policies from the politicians and the irresistible temptation to meddle to gain easy votes. The balance between available housing and demand for it has been a delicate one at best. Essentially, those who do not yet have a house want one at an affordable price. Those who have one, want it to appreciate which usually ends up translating into limiting supply. The tensions between landlord and tenant are similar. Tenants want long-term, stable even lifelong leases, with very little or no inflation and controlled prices. Landlords want a suitable return on their investment and the ability to adjust rents to market rates. Due to a combination of successful policies in Portugal, destined to attract investors and expats, promote refurbishment of properties in historic centres and the allure of Portugal as a tourist destination, the topic of rent controls has come back to the forefront. The two main markets in Portugal – Lisbon and Porto, have become very interesting destinations for tourists and affluent immigrants alike, looking for a peaceful, inexpensive, cosmopolitan environment, with a favourable tax regime. In the initial stages of this combination of policies, that started in 2012/2013, there was a general admiration for how the market players were refurbishing, renewing and gentrifying whole neighbourhoods of the two main Portuguese cities. This had not been the case for decades. On the contrary, housing in most cities in Portugal, especially in the two metropolitans, has declined, deteriorated and disappeared.

As prices increased, both of rents and for acquisition, new, existing and hopeful inhabitants of Lisbon and Porto have been priced out of the market, leading to protests against the “out of control, speculative market” the housing in these two cities has become. What is curious to see is the response from the politicians, some of it driven by ideology, but mostly wanting to appease voters, and committing the same exact mistakes of the past. The proposals have been varied and have included: expropriation of empty houses; income tax incentives for long term rentals; local limits on use of houses for tourism; limitations on evictions during the winter or for those over 65 years or for those disabilities; higher thresholds for evictions due to substantial works; rent control and rent stabilisation measures. All of these measures have one effect – limit and slow the supply of housing for sale and for rent. It also has the effect of limiting the upkeep of existing properties, exactly what we witnessed since the 60’s where landlords were unable to increase rents. Slower supply also aggravates the price crunch. Less properties available command higher prices, higher rents. Instead of these tried and tested measures, destined to fail, politicians could pursue other measures to alleviate pressures on the market, be it in Lisbon or London, such as: Reduce planning constraints on new building. Local authorities are many times very precious about new building. While there is a balance to be had regarding population and building density, many planning processes simple serve the purpose of generating unnecessary bureaucracies, subject to bribery and corruption. Simply reducing planning processes by 6 months means housing comes to the market six months earlier. Also promote efficient, purpose built, whole residential for rent buildings. Investors who develop or own this type of property have a unique purpose of renting apartments, usually low and middle range properties and more committed to this objective than the landlord who owns a single property and rents it out. And improve public transportation in and out of the cities to alleviate demand as families seek alternatives further afield, usually at lower prices. If you are focused on supporting social policies, subsidise the tenant. Putting constraints on the landlord will lead to withdrawal. Reduce context costs for building, owning and operating rental properties. Reduce taxes. It is noted that regime, for example, there is no REIT, in Portugal. Unfortunately it seems that the politicians will opt, once again, for the easy measures which will have very little effect on providing additional housing where it is needed and will undermine investors’ confidence in the market for another 5 or 6 decades.


Sol e Lua 50 29 MAI/JUN 2018

Mobile Homes

Negรณcio sobre rodas Business on wheels


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A Safari Spirit é líder nacional de vendas de mobile home e a única empresa com a distinção PME Líder em Portugal nesta área. Com base em Alcobaça, fornecem todo o país com este tipo de equipamentos, contribuindo para o desenvolvimento do turismo e para dinamização do interior. O CEO Joaquim Lourenço, fala do percurso de sucesso da empresa, tece críticas à actual legislação e traça um futuro promissor para este sector em Portugal a nível turístico, ambiental e social. Safari Spirit is a national leader when it comes to mobile home sales and is the only company in this area to have received the PME Leader in Portugal distinction. Although headquartered in Alcobaça, the company provides mobile homes throughout Portugal, thus contributing to the development of Portugal’s tourism industry and stimulating activity in the interior of the country. CEO Joaquim Lourenço talks about the company’s success, lambasts current legislation, and describes a promising future for this sector in Portugal in terms of its environmental, social, and tourism-related impacts.

A Safari Spirit iniciou a sua actividade há cerca de nove anos com a concessão do camping Alvor. E se no início a meta era apenas a gestão deste espaço de campismo, depressa o know-how adquirido em apenas um ano conduziu a um novo patamar com a instalação da primeira mobile home em Alvor. Volvidos oito anos, este camping conta já com 20 mobile homes e mais de 80 Mobile Homes de residentes estrangeiros. A maior curiosidade reside no facto de cada família estrangeira passar em média quatro meses em Portugal e quando se vão embora, no Verão e na Primavera, são os seus filhos que visitam as habitações de férias, aproveitando o investimento dos pais. Por isso mesmo, a empresa considera que o camping Alvor “é uma família, uma mini-aldeia de todas as nacionalidades”. O CEO da empresa, Joaquim Lourenço, recorda esses tempos iniciais de actividade: “Depressa nos apercebemos que em Portugal ninguém comercializava este produto usado ou novo, pelo que entrámos em contacto com várias empresas e escolhemos aquela que representamos”. Desde então, diz, “tem sido um crescimento deveras divertido, pois não foi planeado como um negócio mas sim como uma solução para um problema com que nos deparávamos - a falta de fornecedores para o nosso camping”. Foi neste contexto que a empresa criou o seu site e, desde logo, começaram a ter clientes de todo o País e ilhas, o que culminou com a abertura de um ponto de venda físico em Alcobaça com cerca de

5000m2 de exposição de modelos usados e novos, a par das casas de madeira. Joaquim Lourenço avançou que “há três anos tivemos a oportunidade de gerir outro camping, em Salema Algarve, por isso, desde então, tem sido um corropio. Sendo que tudo isto é feito com empreendorismo puro, sem capitais de milhões nem com um background de suporte financeiro, somente com a nossa energia e a ideia de fazer diferente”. Refira-se que esta empresa dá trabalho directamente a cerca de 30 pessoas e indirectamente a cerca de 50 e foi considerada PME Líder Excelência pelo segundo ano consecutivo e, como diz, “todo o nosso lucro é reinvestido, nunca tiramos dividendos líquidos mas ganhamos experiência e humildemente a capacidade de não desistir, até porque há sempre muita coisa a fazer”.

Os desafios do campismo Homem de fortes e apaixonadas convicções defende que “na área do campismo em Portugal, há muito a fazer”. Na sua opinião pode dividir-se o panorama do campismo em três partes: em 1º lugar o Algarve, em 2º lugar a faixa da costa Alentejana até à região de Peniche e por último o Norte litoral e todo o interior. Tendo esta visão por base, acredita que “o Algarve representa o maior desafio a nível de mudar mentalidades e a necessidade de investimento no sector”. E explica porquê: “Se compararmos a Catalunha que tem 350 campings privados em relação


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verno altere a actual legislação, para que a área do parque de campismo deixe de permitir somente 25% da mesma em alojamento complementar e passe para os 40%; e deixe também de permitir construções em alvenaria e ter somente alojamentos e facilidades amovíveis, cujo impacto é nulo a nível arquitectónico uma vez que o espaço pode sempre ser remodelado para melhor sem a necessidade de obras e sem a perda de tempo. No que se refere ao campismo convencional, de tenda, caravana e auto-caravana, considera que “é e será sempre a opção mais confortável de férias, mais amiga do ambiente, na qual o turista sai da sua zona de conforto (apartamento, etc.) e envereda pela aventura pura e dura de abdicar de luxos e viver em pleno as suas férias sem dogmas mas com muita energia e good vibes”.

O lado social

ao Algarve que somente tem 10 campings privados facilmente constatamos que desde sempre ou os empresários fizeram um mau trabalho a não convencerem o Estado a permitir um mais fácil e célere licenciamento de campings (o tempo normal de espera é de 20 anos, pelo que não se faz um camping novo no Algarve há mais de 35 anos) ou o próprio Estado enveredou pelo lobby dos hotéis e do betão não permitindo a construção daquele que é um negócio eco-friendly, sem impacto ambiental e que é responsável pelo maior número de dormidas a nível hoteleiro em Espanha e França”. Acrescentando a tónica negativa de que “a ideia de que um parque de campismo é só para pobres é um erro crasso e somente possível num Estado que não só faz uma distinção entre o tipo de clientes devido à sua condição financeira, como também é ignorante”. Por isso mesmo sustenta que o campismo em Portugal tem que evoluir para uma legislação semelhante à que existe em Espanha e França. Toda esta realidade que ainda persiste no País foi, no entanto, alterada com o fenómeno das Mobile Homes. Para se ter uma noção deste mercado, fique a saber-se que as Mobile Homes de luxo localizadas em pequenos resorts ao ar livre, com piscinas aquecidas, courts de ténis, spa, a par de um conjunto de comodidades para os clientes mais exigentes e que pode comportar até seis pessoas, podem ser alugadas por 300 euros/noite. “Vendo as coisas por este prisma continua a ser

a solução mais económica, pois um quarto de hotel para um casal em pleno mês de Agosto tem o mesmo custo, a diferença é que numa mobile home o cliente tem a sua privacidade e automonia, enquanto num hotel está sujeito a todo o tipo de regras, desde o horário para o pequeno-almoço, até à incapacidade de cozinhar em família ou de convidar amigos a passarem o dia com eles”, afirma.

Mudanças no horizonte Actualmente existem campings com 150 mobile homes em Portugal, sendo que no Algarve a média é de 70 por camping e na região Centro e Norte varia entre 10 a 30. Mas algo poderá estar a mudar neste panorama… O maior grupo deste sector a nível mundial já entrou em Portugal e irá começar a operar com 900 mobile homes e as perspectivas futuras é que chegue, no futuro, às 3.000 mobile homes. Por isso, Joaquim Lourenço deixa um alerta: “É necessário que o processo de licenciamento seja rápido e expedito pois o sector do campismo em França cresce a 38% ao ano e em Portugal ainda estamos na ordem do 8%”. Na sua opinião, “o futuro do campismo vai ser todo diferente”. “Não vai ser gerido por pessoas individuais ou pequenos grupos de empresários mas sim por fundos de investimento de milhões que podem mudar para melhor o panorama e a performance do turismo em Portugal”. Mas para isso acontecer é determinante que o Go-

Na óptica de Joaquim Lourenço as mobile homes podem muito bem contribuir para uma melhor gestão dos problemas sociais que aparentemente parecem não ter cura devido ao hipotético custo. Desde logo, pode ser uma solução viável para o alojamento social, pois, como explica, “a construção em betão tem custos por apartamento na ordem dos 60mil euros, enquanto cada mobile home pode custar somente entre 10 mil euros a 15mil euros”. Esta solução não é, no entanto, uma quimera, e já há juntas de freguesia que adquiriram Mobile Homes para alojamento social. Basta citar os exemplos da Câmara Municipal de Portimão que, no ano passado, abriu um concurso para aquisição de 22 mobile homes para alojar uma família de etnia cigana; ou da Misericórdia de Albufeira que adquiriu mobile homes também para alojar famílias de etnia cigana que viviam em barracas. As mobile homes podem ser igualmente a solução para o arrendamento para estudantes, lares de terceira idade, alojamento SOS em caso de catástrofe, alojamento para instituições de apoio às vítimas e de apoio a sem-abrigo, alojamento para refugiados e trabalhadores rurais (note-se que na Costa Vicentina há centenas de pessoas a viverem em contentores na apanha dos mirtilos e em armazéns no interior do Alentejo na apanha da azeitona). No fundo, salienta, “há que demonstrar que este tipo de alojamento tem qualidade e pode resolver casos sociais que aparentemente parecem não ter solução”. Safari Spirit began its operations about nine years ago with the leasing of the Alvor campsite. Although its goal at the beginning might have simply been to manage that campsite, the know-how it acquired in just one year quickly took the company to a new level when it installed its first mobile home in Alvor.


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Eight years later, this campsite now has 20 of its own mobile homes and more than 80 belonging to foreign residents. Each foreign family spends an average of four months in Portugal, and the most fascinating part of this enterprise is that, after they leave in the summer and spring, the children visit their parents’ holiday homes, making good use of their parents’ investment. Because of this, the company considers the Alvor campsite to be “a family, a mini-village of all nationalities.” Company CEO Joaquim Lourenço recalls when things were just getting off the ground: “We quickly realised that nobody in Portugal was marketing this product – used or new. So, we got in contact with a number of different companies and chose the one we represent.” Since then, he says, “it’s been a truly fun period of growth because it hadn’t been planned on as part of the business. Rather, it ended up being a solution to a problem that we had run into – a lack of suppliers for our campsite.” It was in this context that the company created its website and immediately began to receive clients from all over Portugal, including from the Azores and Madeira. This culminated in the opening of a physical outlet in Alcobaça with about 5000 m² of exhibition space used for showcasing new and used models, as well as log cabins. Lourenço added, “Three years ago, we had the opportunity to take over the management of another campsite in the Algarvian village of Salema. Since then, we have been a hive of activity. We have accomplished all this through pure entrepreneurship, without millions of euros in capital or background financial support, with just our energy and the idea to do something different.” The company employs about 30 people directly and around another 50 people indirectly and has been considered a PME Leader of Excellence for the second consecutive year. As Lourenço says, “All of our profits are reinvested. We never take out net dividends, but we do humbly gain experience and the ability to not give up because there is always so much to do.”

The challenges of the camping world A man of strong and passionate convictions, Lourenço holds that “there is much to do in the area of camping ​​ in Portugal.” In his opinion, camping in Portugal can be divided into three areas: the Algarve, the coastline that goes from the Alentejo up to Peniche, and the northern coast and the country’s entire interior. Based on this vision, he believes that “the Algarve represents the greatest challenge in changing mind-sets and [makes the case] for the sector’s need for investment.” He explains why: “If we compare Catalonia with its 350 private campsites to the Algarve with its paltry 10, we can easily see

that either entrepreneurs have always done a bad job at persuading the State to institute an easier, faster campsite licensing process (the normal waiting time is 20 years, so not a single new campsite has opened in the Algarve for more than 35 years) or the State itself has gotten so caught up in the hotel and concrete lobbies that it is not allowing these eco-friendly businesses, which have no environmental impact and which are responsible for the largest number of overnight hotel stays in Spain and France, to grow.” Adding to the negative tone, Lourenço states, “The idea that campsites are only for the poor is a gross mischaracterisation that is only possible in a State which not only classifies customers based on their financial background but is also ignorant.” It is for this very reason, he argues, that camping legislation in Portugal has to evolve to become similar to camping legislation in Spain and France. However, this entire reality, which still persists in Portugal, has been altered with the advent of Mobile Homes. To get a sense of this market, some luxury mobile homes, which can hold up to six people and are located in small outdoor resorts with heated pools, tennis courts, spas, and a whole set of other amenities for the most demanding customers, can be rented for upwards of €300 EUR per night. “Seeing things through this prism, [camping] remains the most economical solution, since a hotel room for a couple during the month of August costs

the same. The difference is that, in a mobile home, customers can retain their privacy and autonomy, while customers are subject to all kinds of rules in a hotel, from breakfast time to the inability to cook a family meal or to invite friends to spend the day with them,” he says.

Changes on the horizon Today, campsites with 150 mobile homes can be found in Portugal, though the average per site hovers around 70 in the Algarve and can range between 10-30 in the North and Center. But something may be changing… The world’s largest group in this sector has already entered the Portuguese market and will start operating with 900 mobile homes, with future prospects of reaching as many as 3,000. Because of this, Joaquim Lourenço is alerting the public: “We need the licensing process to be fast and expedited because the camping sector in France is growing 38% a year, while, in Portugal, we are still around 8%.” In his opinion, “the future of camping will be completely different. […] It will not be managed by individuals or small groups of entrepreneurs but by investment funds millions of euros large that can change the landscape and performance of the tourism industry in Portugal for the better.” But, for this to happen, it is crucial for the Government to change the current legislation so that campsite areas can increase the share of it that


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O que são e para quem são as Mobile Homes?

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What are Mobile Homes and who are they for? As mobile homes são caravanas com rodas, não para circular na estrada mas para lhes dar o carácter móvel, de algo não permanente. Existem modelos standard mas também podem ser feitas por medida, ao gosto do cliente. As áreas variam entre os 20m2 e os 200m2, já vêm equipadas com cozinha e wc e basta ter próximo um ponto de electricidade, água e esgotos. Presentemente existem cerca de 10 marcas de mobile homes a serem fabricadas na Europa e cada marca tem em média 10 a 15 modelos, entre T1/T2/T3/T4, sendo que a variação nos modelos prende-se com medidas, materiais aplicados, acabamentos, revestimentos, tamanho e toponímia. Cada quarto pode comportar três a quatro pessoas, sendo a média de duas pessoas. O maior país produtor é a França, onde são fabricadas em média 30 mil mobile homes por ano para todo o mercado europeu. Portugal é o país da Europa com menos mobile homes, ainda assim existem milhares instaladas quer em campings, quer em propriedades particulares. O comprador típico em campings no Algarve é de nacionalidade estrangeira, maioritariamente ingleses, irlandeses, holandeses, alemães, franceses e suecos. Já no Centro Norte é de nacionalidade portuguesa. A justificação desta realidade fica a dever-se aos preços de arrendamento dos lotes que no Algarve é três vezes mais caro que o Centro Norte. Em terrenos privados o cliente português corresponde a 98% das vendas. can be used for complementary accommodation from 25% to 40%. The legislation also needs to be changed so that campsites can stop having to build permanent, brick structures and to be allowed to only have removable accommodation and facilities whose architectural impact is zero, since the space could always be quickly refurbished and improved without needing renovation work that would waste inordinate amounts of time. Lourenço affirms, “[Conventional camping using tents, caravans, camper-vans, and recreation vehicles] is and will always be the most comfortable holiday option, the option that is the most environmentally friendly, and the option that forces tourists to leave their comfort zones (apartment, etc.) and take up the exciting adventure of giving up luxuries and living out their holidays to the fullest without dogmas and with lots of energy and good vibes.”

The social aspect According to Joaquim Lourenço, mobile homes may very well contribute to a better management of social problems that seem to have no cure due to the hypothetical cost. Interestingly, mobile homes could be a viable so-

lution to social housing because, as Lourenço explains, “apartments constructed out of concrete cost around €60,000 EUR each, while each mobile home can cost between just €10,000 EUR to €15,000 EUR.” This solution is not a fantasy either, as there are already civil parishes that have acquired mobile homes for social housing. Some examples include the City Council of Portimão, which opened a tender last year for 22 mobile homes to house a Roma family, and Misericórdia de Albufeira, which also purchased some mobile homes to house Roma families which had been living in huts. Mobile homes may also be a solution for students and nursing homes and can be used by institutions that support victims and the homeless and as emergency accommodation in case of natural disaster. They can even be used as housing for refugees and for some of the hundreds of rural workers who currently live in containers during the blueberry picking season along Vicentine Coast and during the olive harvest season in the Alentejo. To conclude, Lourenço said, “It has to be shown that this type of accommodation is of good quality and that it can solve social cases that, at first glance, seem to have no solution.”

Mobile homes are caravans with wheels that are meant not for constant travel but rather to make the structures mobile and non-permanent. Standard models do exist, but they can also be tailor-made to suit a customer’s requests. They range in area between 20 m² and 200 m² and already come equipped with a kitchen and bathroom. All one needs is a spot with electricity, water, and sewage access points. At present, there are about 10 brands of mobile homes being manufactured in Europe, and each brand produces 10 to 15 models on average with one to four bedrooms. The various models differ mostly in terms of their measurements, the materials used, trims, coatings, size, and toponymy. Each room can accommodate up to three to four people, with an average of two people. France is Europe’s largest producer of mobile homes, manufacturing an average of about 30,000 mobile homes per year for the entire European market. Portugal has the smallest number of mobile homes in Europe, although thousands have been installed on both campsites and private properties. Campsites in the Algarve are full of mobile home buyers who have come from abroad, the majority of whom are originally from England, Ireland, the Netherlands, Germany, France, and Sweden. In the Center and the North of Portugal, though, most mobile home owners are Portuguese. The reason for this is the fact that renting a plot of land costs three times as much in the Algarve as it does in the Center and the North.


Prémio Nacional do Imobiliário 2018

A grande festa do sector 2018 National Real Estate Awards

The sector’s largest party A excelência dos empreendimentos a concurso ao Prémio Nacional do Imobiliário 2018 foi, uma vez mais, a grande vencedora na noite da entrega dos galardões da revista Magazine Imobiliário. A esta, juntou-se o júri de prestígio e 200 ilustres convidados do sector. Fique a conhecer os rostos por detrás dos projectos de maior vulto do País, bem como os momentos mais marcantes de uma festa que já se tornou o ponto mais alto do imobiliário do País. On the night of Magazine Imobiliário’s awards ceremony, the high calibre of excellence that the projects competing in the 2018 National Real Estate Awards demonstrated was once again the biggest highlight. Bearing witness to this were 200 distinguished guests from the sector as well as the competition’s prestigious jury. Featured here are the faces behind the sector’s most important projects in  Portugal, as well as some of the most striking moments from a party that has become Portuguese real estate’s yearly high point. Fotos Photos: Joaquim Morgado


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Joaquim Pereira de Almeida

Paulo Silva

Vencedores

Prémio Portugal Sotheby’s International Realty

Prémio ADENE - Eficiência Energética

Prémio Categoria Reabilitação


Prémio Categoria Centros Comerciais

Prémio Categoria Escritórios

Prémio Categoria Habitação

Prémio Categoria Equipamentos Colectivos

Prémio Categoria Turismo

Melhor Empreendimento do Ano 2018


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Portugal

no centro do Mundo O universo do imobiliário, Portugal da construção, do ambiente in the centre of the world e do turismo, à escala global, The real estate world, a partir de Lisboa. from construction, environment to tourism, on a global scale is, Um noticiário diário em português from Lisbon. e inglês a que não vai escapar nada. A news service in Portuguese Um olhar atento e especializado and English which will cover everything with a fine tooth combe. sobre os mercados. An attentive and specialised A forma mais rápida de estar eye on the markets. por dentro dos assuntos The quickest way to be in the centre of what matters com a credibilidade with the credibility you’d expect da Magazine Imobiliário from Magazine Imobiliário.

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