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MagImob_071

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Construção Ambiente Turismo

71

MAI/JUN 2025 €10

Transição para energias limpas Transition to clean energies


NOVO LANÇAMENTO

ENTRE A ALMA, A CALMA E O MAR A 10 minutos de Lisboa e das praias da Costa da Caparica O Almar Beach é um empreendimento com óptima localização e excelentes acessibilidades. Os apartamentos exclusivos e de qualidade superior têm áreas amplas e um design moderno e arrojado que oferece todas as comodidades para o seu conforto - varandas privativas, cozinhas equipadas, suítes, estacionamento, espaços verdes envolventes e muito mais. Um projeto assinado pela Saraiva + Associados, um atelier de arquitetura e design premiado internacionalmente. T1 a T4 Duplex a partir de €262.000, junto ao Parque da Paz em Almada

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Todos os apartamentos são equipados com o novo Citroën AMI 100% elétrico.


1 Editorial

Guerra e Paz War and Peace

Carla Celestino Directora Director

“Pandemia Trump” é uma expressão que considero muito peculiar, usada pelos especialistas habituados a opinar, para definir o caos que a política das taxas alfandegárias está a criar, e poderá ainda mais agravar, a economia (e não só) mundial. Isto depois de, ainda há pouco tempo, nos termos reerguido da pandemia mundial de Covid-19. Esta expressão está a ter ecos em todo o mundo. Quem esteve, este ano, no MIPIM, em Cannes, feira mais para ser visto do que para fazer negócios, percebeu as preocupações que iam nos corredores. De Draghi a Sadiq Khan, intervenientes nas conferências deste certame, os líderes já não conseguem esconder o impacto que as tensões comerciais estão a ter na Europa. Nesses mesmos corredores, quem era português sentiu-se orgulhoso. Quando o tópico era a descarbonização, sustentabilidade ou economia circular, éramos sempre parabenizados porque, diziam-nos, nos últimos anos, demos em Portugal grandes passos nestas matérias. Mas um apagão veio-nos fazer questionar esta rede que nos une energeticamente. Será que tudo é verde no nosso País? Não é porventura um “mar de rosas”, mas foi onde o rio Ave se cruza com o oceano que fomos descobrir o Grande Vencedor do Prémio Nacional do Imobiliário – Melhor Empreendimento do Ano 2025: The Lince Santa Clara Historic Hotel. O local ideal para fazer off, nem que seja por um fim-de-semana, porque na segunda-feira, as guerrinhas dos Masters of the Universe vão continuar a estar lá. É nestas alturas que me vem à cabeça as palavras do cardeal português Dom José Tolentino de Mendonça: “Dá-nos, Senhor, depois de todos os nossos cansaços, um verdadeiro tempo de paz.”

“Trump Pandemic” is an expression that I find very strange, used by specialists accustomed to give opinions to define the chaos that the policy of tariffs is creating, and could have more dire consequences on the world’s economy. (and not only). And this is hot on the heels of the global Covid-19 pandemic from which we’ve just got back on our feet. This expression is having echoes across the world. Whoever was at MIPIM this year in Cannes - a fair more for being seen that striking deals - understood the concerns that were being voiced through the aisles. From Mário Draghi to Sadiq Khan, both conference speakers at the fair, could not hide the impact that trade tensions are having on Europe. But regarding real estate, more liquidity, deals - and larger ones at that – beckon, say deal makers. In these same aisles, anyone Portuguese felt a sense of pride. When the topic was decarbonisation, sustainability, and the circular economy, we were always congratulated because, they told us, in recent years Portugal had made great strides on such matters. But a general power cut made us question this network that unites our energy supply. Is everything really so green in Portugal? As it happens it’s not all “a bed of roses” but it was where the River Ave crossed with the ocean that we went to discover the Grand Winner of the Portuguese Real Estate Awards - Best Development of the Year 2025: The Lince Santa Clara Historic Hotel. It was the perfect place to switch off, even if only for a weekend since on the Monday the wars of Masters of the Universe will continue there. And it’s at times like these that the words of the Portuguese cardinal Dom José Tolentino de Mendonça spring to mind. “Give us, Lord, after all of our trials, a real time of peace.”


Ficha técnica Datasheet

Índice

Propriedade Property Palavras Aliadas Sociedade Unipessoal, Lda. NIPC – 510 653 901

Summary

34 56 Metro Quadrado Lá fora Square Meter SIL 2025

Abroad MIPIM 2025

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Consultan em expansão Consultan in expansion

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Opinião Opinion Capa Cover: Nemo1963 on istockphoto

4 Grande Tema

Lead Story Transição energética Energy Transition

16 Grande Entrevista

Miguel Marques dos Santos

Sócio da VdA I Sócio Responsável da Área de Imobiliário & Urbanismo Partner VdA I Partner Responsible for the Real Estate & Urbanism Area

Uma nova oportunidade A fresh opportunity

44 Fio-de-Prumo

Plumb Line Batlleiroig The Big Interview Melhor Empreendimento Arquitectura do Ano Best Development of the Year Azimute The Lince Santa Clara Coordinates Historic Hotel Guimarães Capital Verde Green Capital

Opinião Opinion

Reino Unido / United Kingdom Menos capital, mais controlo Less capital, greater control

64 Paparazzi

Obrigada Papa Francisco Thank-you Pope Francis!

Prémio Nacional do Imobiliário 2025

Winners of the Portugal Real Estate Award 2025

26 Fotoreportagem

Photo Report O melhor dos “Óscares” do Imobiliário Real Estate ‘Oscars’ highlights

52 Ventos do Norte

North Winds Habitação optimizada e a preços mais acessíveis Enhanced housing at affordable prices

Rua Paulo Reis Gil nº 39, 3º Esq. 2745-195 Queluz Telm. / Mobile: (+351) 96 237 00 08 geral@palavrasaliadas.pt www.magazineimobiliario.com Fundador da Magazine Imobiliário Founder of Magazine Imobiliário Joaquim Pereira de Almeida Directora Director Carla Celestino Sede de Redacção / Editor Rua Paulo Reis Gil nº 39, 3º Esq. 2745-195 Queluz Colaboradora Permanente Permanent Contributor Elisabete Soares Colaboradora Contributor Bruna Margalho Fotografia Photography Anabela Loureiro Tradução Translation Chris Graeme Grafismo Graphics Luís Silva Contabilidade Accounting Nasceconta

48

22 Vencedores do

Administração Anabela Loureiro

Periocidade Frequency Bimestral Tiragem Number printed 3.000 exemplares

Errata Na edição 70, na ficha técnica do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a concurso ao PNI2025, foi omitido: Arquitecto I Architect: Kengo Kuma / Arquitecto Paisagista I Landscape Architect: Vladimir Djurovic. Também no finalista Torel Quinta da Vacaria – o Projecto de Interiores deve ser atribuído ao Studio Alstofi by Joana Alstofi. Do mesmo modo, os nomes dos jovens líderes do imobiliário correctos são: António Velho da Palma e David Porfírio Antunes. Pelos lapsos pedimos as nossas sinceras desculpas.

Impressão Printing Jorge Fernandes, Lda. Rua Qta. de Marcarenhas, 2820 Charneca da Caparica Depósito Legal Legal Deposit 363718/13 SSN – 2183-0517 ERC – 126397 Estatuto editorial disponível em: Editorial policy available at: www.magazineimobiliario.com


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victoria-seguros.pt VICTORIA - Seguros, S.A. (NIPC 506 333 027) e VICTORIA - Seguros de Vida, S.A. (NIPC 502 821 060) En�dades legalmente autorizadas para a exploração de seguros dos Ramos «Não Vida» e «Vida» em Portugal, registadas junto da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões de Portugal, sob os códigos 1160 e 1096, respe�vamente. Capital Social EUR 34.850.000 e EUR 8.500.000, respe�vamente. Av. da Liberdade, 200 - 1250 -147 Lisboa - Portugal. Telf. 21 313 41 00 (Custo de uma chamada para a rede fixa nacional) - Dias úteis das 08h30 às 18h30 Não dispensa a consulta da informação pré-contratual e contratual legalmente exigida.


Grande Tema 4 Grande Tema

Lead Story

Foto Photo: Lukas S na Unsplash

Lead Story

Transição energética Energy Transition

O tsunami verde europeu The European green tsunami


Grande Tema

Quando escrevo este artigo estou sentada à beira-mar. Olho de soslaio para trás e vejo a passar veículos eléctricos, autocarros a biodiesel, muitas bicicletas e pessoas a caminhar ou a correr. Dou por mim a questionar: a “onda verde” lançada por Ursula von der Leyen é um verdadeiro maremoto que já ninguém consegue parar, ou antes está a perder força e poderá “morrer na praia”? While writing this article I am sat by the seaside. I glance behind and see electric vehicles, biodiesel buses, lots of bicycles, and people walking and jogging by. I ask myself: “is the ‘green wave’ launched by Ursula von der Leyen really a tidal wave that no one can now stop, or rather is it losing power to ‘die on the beach’. Texto Text: Carla Celestino

5 Foto Photo: Nicholas Doherty na Unsplash

Lead Story

O mar tem este efeito em nós. Faz-nos recuar no tempo, para momentos marcados por incertezas, ameaças, crises, alterações climáticas…, o seu ar gélido aperta-nos o peito, mas dá-nos também alento, porque depois da tempestade vem sempre a bonança. Quando começámos a ter dias tórridos com termómetros a bater recordes e a seca a bater-nos à porta, ou dias que se assemelhavam a dilúvios bíblicos, foi quando compreendemos, porque sentimos na pele a dura realidade, que as alterações climáticas estavam a afectar drasticamente o nosso planeta. Portugal, à beira-mar plantado, é um dos países mais vulneráveis da Europa. Foi também nesta altura que se percebeu, finalmente, que a eterna luta entre economia versus ambiente não é antagónica e tem de ser cúmplice. E, neste ponto, confesso, olhei para Ursula von der Leyen, quando chegou à presidência da Comissão Europeia, com um “brilhozinho nos olhos”, isto porque ela teve a coragem, ou ousadia, de colocar as alterações climáticas no topo da agenda não só do Parlamento Europeu, dos Estados-membros ou das empresas, mas também chamou a si todos os cidadãos nesta luta quixoteana. O Pacto Ecológico Europeu traçou a ambição de transformar a Europa num continente “net zero” (neutro em carbono) até 2050. O problema foi que, de lá para cá, muito aconteceu, ao ponto de pensarmos que a “onde verde europeia” pode-se afundar. Desde logo a pandemia derivada de Covid-19 e o conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia, a guerra na faixa de Gaza e, mais recentemente, o choque económico

desencadeado pelo agravamento das taxas aduaneiras aplicadas por Donald Trump. Todos estes eventos, e outros mais, afectam directamente as políticas verdes europeias. A manta de retalhos de que é constituída a União Europeia (UE) tem diferentes realidades, e por isso, há quem olhe para as metas exigidas pela Comissão Europeia como “guide lines” para um Continente mais verde, mais competitivo, seguro e justo; mas também há quem considere que são exageradas, fora da realidade e que até promovem o “bulling verde”, pois no final, quem paga sempre o preço das mudanças, para o bem, ou para o mal, são os cidadãos com os seus impostos. Eu, que olho apenas para o mar, cujo ecossistema já sofre drasticamente com as alterações climáticas, encaro a transição energética como uma grande oportunidade.

A toda a energia

Não preciso munir-me de uma folha de excel ou de dados estatísticos para corroborar uma realidade que já todos nós sabemos: estar dependente energeticamente de países instáveis e déspotas é um perigo e pode servir de moeda de chantagem e fazer reféns energéticos; importar energia e subsidiar combustíveis fósseis tem um custo demasiado elevado para a economia; e as fontes de energia renováveis permitem gerar poupanças consideráveis. Se é um não crente neste cenário, então deixo os números oficiais da Agência Internacional de Energia: subsidiar a quota de combustíveis fósseis custa sete biliões de dólares por ano à economia mundial; já o investimento na tran-


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Grande Tema

Lead Story

Temperatura Temperature

Foto Photo: Romain C on commons.wikimedia.org/121691648

sição energética pode gerar uma poupança no valor de 12 biliões de dólares em todo o mundo e fazer baixar o preço da energia seja produzida através de energia fotovoltaica solar, eólica terrestre ou offshore. Por cá, em Fevereiro de 2025, segundo os dados da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), as fontes renováveis representaram 81,2% da electricidade gerada em Portugal Continental, tendo a energia hídrica gerado 47,6%. A associação avançou também que o nosso País foi o terceiro país europeu com maior incorporação renovável na geração de electricidade com 79,9%, logo atrás da Noruega com 96,6% e da Dinamarca com 81,3%. Na altura, em comunicado, o presidente executivo da APREN, Pedro Amaral Jorge, referiu que “a produção de electricidade renovável em Portugal evitou, nos primeiros dois meses do ano, gastos de mais de 200 milhões de euros em importações de gás natural e mais de 300 milhões de euros em electricidade importada”. Os números falam por si. Mas depois veio o apagão do dia 28 de Abril que deixou a Península Ibérica e parte da França às escuras e fez-nos questionar sobre esta corrente energética que nos une. Há planos de crise para estas situações, claro. Mas não podemos deixar de questionar que um país como o nosso, que pode ser autossustentável em termos energéticos, se viu privado de fornecer electricidade aos consumidores e está tão dependente da energia de Espanha. Questionou-se também por que razão apenas a central hidroeléctrica de Castelo de Bode e a central a

gás da Tapada do Outeiro serem as duas únicas no País a deterem o black start, ou seja, o sistema arranque autónomo. Não deixa de ser irónico que Portugal tenha ficado às escuras nas vésperas do dia em que o País, segundo a Global Footprint Network, esgotou os seus recursos naturais disponíveis para 2025.

Conquistar “medalhas” ambientais

Quando se fala em transição energética, não se pode deixar de focar o sector dos transportes que tem um peso considerável a vários níveis. Bem sei que olhei para a estrada e constatei o passar de veículos eléctricos e alguns veículos eléctricos híbridos plug-in (PHEVs) e veículos eléctricos híbridos (HEVs) que, como eu, trouxeram as pessoas para passear à beira-mar na zona do Guincho. Mas em cada três ou quatro desses carros, nas minhas contas de merceeira, havia, pelo menos, 15 a gasóleo ou a gasolina. Há, pois, cada vez mais, automóveis a circular nas estradas e, como consequência, mais emissões gasosas, particularmente de CO₂ e outros gases com efeito de estufa (GEE). Por isso questiono se a grande ambição traçada pela Comissão Europeia para 2035, altura em que a UE permitirá apenas o fabrico de veículos com emissões zero para automóveis e carrinhas, será concretizável? Só o tempo o dirá… Sejam aviões a percorrer o céu ou navios carregados de contentores que navegam nos oceanos, faz-nos querer ser um “Carlos Lopes” ou uma “Rosa Mota” a cruzar metas, a conquistar medalhas ambientais.

O luxo em ascensão em Portugal Luxury on the rise in Portugal

Portugal é o país da Europa com mais projectos de Branded Residences em pipeline para os próximos cinco anos, com a previsão de 15 novos projectos, totalizando mais de 1.200 unidades residenciais, de acordo com a Savills. O segmento está a crescer principalmente em Lisboa e no Algarve, que continuarão a ser os focos principais de investimento. O Algarve terá sete novos projectos, representando mais de 800 unidades, enquanto Lisboa contará com quatro, totalizando 174 unidades. A procura por imóveis de luxo, especialmente por investidores internacionais, está a impulsionar este crescimento, e os resorts são responsáveis por 72% dos projectos em operação, como o Viceroy no Ombria Algarve e o Hyatt Regency Lisbon. Além disso, marcas “non-hotel”, como Karl Lagerfeld e YOO Studio, estão a emergir em Lisboa. Portugal is the European country with the most branded residences projects in the pipeline for the next five years, with 15 new projects on the cards, totalling more than 1,200 residential units according to Savills. The segment is growing, principally in Lisbon and in the Algarve, which continue to be the main foci of investment. The Algarve will have seven new projects, representing over 800 units, while Lisbon will have four totalling 174 units. The demand for luxury properties, especially for international investors, is driving this growth, and resorts are responsible for 72 of the projects in operation, such as the Viceroy at Ombria Algarve and the Hyatt Regency Lisbon. Moreover, non-hotel brands like Karl Lagerfeld and YOO Studio, are emerging in Lisbon.


Leading the way to a greener real estate future.


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Grande Tema

Lead Story

Fora da caixa

Foto Photo: Anatoliycherkas on istockphoto

Out of the box

Um bairro feito de Madeira A neighbourhood made of wood

Nesta “corrida” o Imobiliário, e em particular a Construção, também têm barreiras a superar no horizonte, sobretudo porque são assombrados pelos números de 2021 que davam conta deste sector ser responsável por 36% do consumo global de energia e 37% das emissões globais de CO2, a par dos edifícios emitirem 40% das emissões de GEE. Quem passou pelo Salão Imobiliário de Portugal e pela Tektónica – Feira Internacional da Construção, entre os dias 10 e 12 de Abril de 2025, pode constatar que já há empresas a tentar reduzir a sua pegada carbónica, que estão a apostar na construção offsite, a desenvolver soluções de baixo impacto ambiental, a criar mais espaços verdes, a colocar painéis fotovoltaicos nos telhados, a cumprir com os exigentes requisitos dos certificados ambientais, a reduzir gastos energéticos e hídricos…, a demonstrar, sobretudo, o seu empenho e convicção em manter-se em linha com os critérios de ESG (Environmental, Social and Governance). Recordo também programas como o “Vale Eficiência” e ou “Edifícios Mais Sustentáveis” que incentivaram os proprietários a fazer obras de reabilitação energética nos edifícios e com isso o parque habitacional passou a ser mais eficiente e a ter mais qualidade de vida dentro de portas. Portugal merece, em certa medida, uma medalha de bom comportamento ambiental, até porque o nosso País, a par Áustria e da Suécia, fecharam todas as centrais a carvão nos últimos cinco anos. Com efeito, o encerramento

da Central de Pego, em 2021, foi um passo decisivo na transição energética. Mas ainda lhe falta percorrer um longo caminho até que todos os cidadãos residentes no País tenham acesso aos benefícios das energias limpas ou a casas mais condignas e sustentáveis.

Transição energética justa e inclusiva

Leio com frequência as opiniões dos especialistas em matéria ambiental e, com raras excepções (porque há sempre os do contra), todos são unânimes na urgência em avançar com soluções que promovam a descarbonização, a eficiência energética ou a economia circular. O que eles todos se esquecem é que numa população onde impera a literacia energética e hídrica, bem como a pobreza energética, dificilmente passará de uma “ideologia verde” para acções “100% verdes”. Aliás, poderemos até assistir a “recções verdes” menos positivas. Não esqueçamos que os agricultores são os mais vulneráveis às alterações climáticas, e que são eles que alimentam o mundo. Os mais antigos dizem que “só quando não houver pão, água ou luz é que vamos assistir a uma verdadeira revolução verde”; os mais novos afirmam categoricamente que “estão a mudar hábitos e mentalidades ao adoptar estilos de vida mais sustentáveis.” Qualquer que seja a transição energética deve ser, acima de tudo, mais justa e inclusiva. Há também o reverso da medalha. Portugal tem sido alvo da construção de grandes projec-

Com início previsto para 2025, o Stockholm Wood City será o maior projeto urbano em madeira do mundo, com 250 mil metros quadrados (m²). Situado em Sickla, a Sul de Estocolmo, o projecto integra habitação, escritórios, comércio e restauração, visando criar um bairro vibrante e sustentável. Serão construídos 2.000 apartamentos e 7.000 espaços de trabalho, respondendo à elevada procura imobiliária e encurtando tempos de deslocação. A iniciativa é da promotora Atrium Ljungberg, que destaca o compromisso com a construção ecológica e a participação activa dos futuros utilizadores no desenvolvimento do bairro. A madeira será o principal material de construção, reduzindo a pegada ambiental. O projecto também aposta na energia renovável, materiais circulares e eficiência energética. With work slated to begin in 2025, Stockholm Wood City will be the largest urban project in wood in the world. Located in Sickla, South of Stockholm, the project integrates housing, offices, commerce, and restaurants, with the aim of creating a vibrant and sustainable neighbourhood. Some 2,000 apartments and 7,000 workspaces will be built to meet the real estate demand and shorten travel times. The project is from the developer Atrium Ljungberg who highlights the commitment to ecological construction and the active participation of future users in the development in the neighbourhood. Wood will be the main building material, reducing the environmental footprint. The project also uses renewable energy sources, circular materials, and energy efficiency.


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10 Grande Tema

Em que ficamos?

Lead Story

Foto Photo: American Public Power Association na Unsplash

Where we are now

Construir com IVA ou com dívida?

Build with VAT or credit? O Supremo Tribunal Administrativo (STA) decidiu recentemente que a Autoridade Tributária pode revisar as decisões de IVA reduzido de 6% aplicadas à reabilitação urbana nos últimos quatro anos. A decisão estabelece que, para se beneficiar dessa taxa, as obras precisam cumprir requisitos específicos. Caso contrário, o Fisco poderá pedir o pagamento do IVA retroactivo. Este novo entendimento gera incerteza no sector da construção, afectando especialmente os promotores que beneficiaram da redução fiscal. A situação coloca questões sobre o impacto nos projectos em andamento e pode afectar diversas empresas, podendo até levar ao fecho de várias e consequentemente ao desemprego.

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tos solares. A questão é que a sua implementação levou ao abate de milhares de sobreiros e azinheiras. Além da perda de flora, há também todo um ecossistema de fauna afectado e onde o choque da paisagem afecta também a saúde mental das pessoas que vive nessas regiões. Os promotores destas centrais solares afirmam categoricamente que o dióxido de carbono captado é superior à desflorestação. Será? E quando as empresas exploradoras saírem do País como vão ficar estes espaços? Em Janeiro deste ano Ursula von der Leyen afirmou que as metas ambientais da União Europeia “estão gravadas em pedra”. Mas, eu, “olhando o mar, sonho sem ter de quê.” The sea has this effect on us. It makes us go back in time to moments marked by uncertainties, threats, crises, and climate change..., the chilly air makes us fold our arms close to our chests; but also gives us a breath of optimism because after the storm abundance always follows. When we started having sweltering days with temperatures hitting records, and drought knocking at our door, or days that resemble

biblical floods, that’s when we understood up close the harsh reality that climate change was drastically affecting our planet. Portugal, with its long coastline, is one of the most vulnerable countries in Europe. It was also at this time that we finally understood that the eternal fight between the economy versus the environment is not antagonistic and has to be complicit. And on this point I confess that I looked to Ursula von der Leyen when she took over the presidency of the European Commission with ‘shining eyes’ because she had the courage or nerve to put climate change at the top of the agenda, not just for the European Parliament, the Member-States or companies, but also called on all citizens in this quixotic struggle. The European Ecology Pact outlined the ambition to transform Europe into a ‘net zero’ continent by 2050. The problem is from then to now a lot has happened, to the point that we’re now wondering if the ‘European green wave’ could sink. For a start, the pandemic derived from Covid-19, the armed conflict between Russia and Ukraine, the war in the Gaza Strip, and more recently the economic shock triggered

Portugal’s High Administrative Court (STA) recently decided the tax authorities (Autoridade Tributária) can review its decisions to reduce VAT to 6% applied on refurbishing existing housing that has been in place for the past four years. The decision lays down that to benefit from this reduced tax, works need to comply with specific requirements. If not, the tax man can demand full VAT payments retroactively. This new understanding creates uncertainty in the construction sector, especially affecting developers that benefitted from the reduced tax. The situation poses questions on the impact of projects underway and could affect several companies and could even lead to the closure of various and job losses as a result.

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12 Grande Tema Lead Story

Nevão Snow

by the increases in tariffs applied by Donald Trump. All these events, and others, have directly affected European green policies. The patchwork blanket from which the European Union (EU) is comprised has different realities, which is why there are those who are looking at the targets demanded by the European Commission as guide lines for a greener, more competitive, safer and fairer continent; but there are also those who think they are exaggerated, unrealistic and even constitute ‘green bullying’ because in the end the ones that always pay the price for changes, for good or ill, are the public through their taxes. Me, who is looking only at the sea, whose ecosystem has already suffered drastically from climate change, sees energy transition as a huge opportunity.

At high energy

Foto Photo: CHUTTERSNAP na Unsplash

I don’t need to arm myself with Excel sheets and statistics to corroborate something we all know to be true: being energy dependent on unstable and despotic countries is dangerous and can serve as a blackmailing bargaining chip creating energy hostages; importing energy and subsidising fossil fuels is too high a price to pay for the economy; and renewable energy sources enable considerable savings to be made. If there’s a non-believer for this scenario, well, then I’ll leave some official figures from the International Energy Agency: subsidising the

share of fossil fuels costs the global economy six billion dollars per year; whereas investment in energy transition could make savings of 12 billion dollars worldwide; and lower the price of energy whether produced from solar, wind or offshore energy sources. Here, in February 2025, and according to data from the Portuguese Renewable Energy Association (APREN), renewable sources represent 81.2% of the electricity generated on mainland Portugal, with hydropower generating 47.6%. The association also advanced that Portugal was the third European country with the greatest incorporation of renewables in electricity generation with 79.9%, immediately behind Norway with 96.6% and Denmark with 81.3%. At the time, in a communiqué, the Executive President of APREN, Pedro Amaral Jorge said that the “production of renewable energy in Portugal in the first two months of the year cut expenditure on natural gas imports by more than €200 million and more than €300 million in imported electricity”. The numbers speak for themselves. But then came a power cut on April 28 that left the Iberian Peninsula and part of France in the dark and made us question this energy current that unites us. Of course, there are contingency plans for such crises, but we cannot but question why a country like Portugal, that can be self-sufficient in terms of energy, but on that day couldn’t supply energy to its consumers, was so dependent on energy from Spain. And

Emissões em alta nas empresas portuguesas Emissions high at Portuguese companies

Embora as empresas globais tenham reduzido as emissões de viagens aéreas em 34% entre 2019 e 2023, as empresas portuguesas estão longe de seguir o mesmo caminho. A EDP, por exemplo, viu as suas emissões duplicarem, enquanto a Galp aumentou em 13%. Além disso, nenhuma das 13 empresas portuguesas avaliadas no ranking tem metas claras para reduzir as emissões das suas viagens de trabalho. Para que Portugal melhore o seu desempenho, é urgente que as empresas definam metas claras e implementem alternativas mais sustentáveis, como vídeo-conferências em substituição das viagens aéreas. Although global companies have reduced emissions on air travel by 34% between 2019 and 2023, Portuguese companies are far from following the same path. EDP, for example, saw its emissions double while Galp’s increased by 13%. Moreover, none of the 13 Portuguese companies evaluated in the ranking have very real targets to reduce emissions on their business trips. For Portugal to improve its performance, it is urgent for companies to define clear targets and implement more sustainable alternatives, such as videoconferences replacing air travel. Fonte / Source: ZERO


14 Grande Tema Lead Story

we also must question why the hydroelectric power station at Castelo de Bode and the gasfired power station at Tapada do Outeiro were the only two in Portugal that were able to ‘black start’, meaning automatically kick in to restart the power grid or a portion of it after that widespread outage which left Portugal’s grid without any external power. It is ironic that Portugal was left in the dark on the eve of the day when the country, according to Global Footprint Network, exhausted its available natural resources for 2025.

Winning environmental ‘medals’

Foto Photo: Stoonn on istockphoto

When referring to energy transition, you can’t forget to focus on the transport sector that has a considerable influence on several levels. I know that when I looked at the road, I saw electric vehicles and some hybrid plug-in (PHEVs), and hybrid electric vehicles (HEVs) which, like me, brought people to stroll along the sea front in the Guincho area. But for every three out of four of these cars, according to my back-of-the-envelope calculations, at least 15 were petrol or diesel. Indeed, there are increasingly more cars circulating on the roads, and consequently more gas emissions, particularly CO2 and other greenhouse gases (GHGs). Which is why I question whether the grand ambition outlined by the European Commission for 2035, the year when the EU will only allow the production of vehicles with zero emissions for cars and vans, but will it be achievable? Only time will tell... Whether planes flying in the sky or ships load-

ed with containers that navigate the oceans, it makes us want to be Olympic athletes like ‘Carlos Lopes’ or ‘Rosa Mota’ crossing finishing lines and winning environment ‘medals’. In this “race” real estate, and construction in particular, also have hurdles to clear on the horizon, particularly because they are overshadowed by the 2021 numbers that showed that this sector was responsible for 36% of global energy consumption, 37% of global CO2 emissions, while buildings emit 40% of GHG emissions. Those who visited the Portuguese Property Fair (SIL) and the Portugal Construction Fair (Tektónica) between the 10-12 of April, 2025 can attest that there are companies trying to reduce their carbon footprint, that are focusing on off-site construction, developing low environmental impact solutions, creating more green spaces, putting solar panels on roofs, complying with the demanding requirements of environmental certificates, reducing energy and water expenditure...., while their efforts and conviction remain in line with the ESG (Environmental, Social and Governance) criteria. I also recall programmes such as ‘Vale Eficiência’ and ‘More Sustainable Buildings’ that provide incentives to owners to undertake energy rehabilitation works on buildings, and this would make the housing stock become more efficient and provide more quality of life indoors. Portugal even needs a medal for good environmental behaviour but still has a long way to go before all citizens resident in the country have access to decent and sustainable

housing, even more so in the framework of the current housing crisis. Portugal deserves, to a certain extent, a medal for good environmental behaviour, not least because our country, along with Austria and Sweden, have closed all coal-fired power plants in the last five years. Indeed, the closure of the Pego Power Plant in 2021 was a decisive step towards energy transition. But Portugal still has a long way to go until all citizens residing in the country have access to the benefits of clean energy and more decent and sustainable homes.

A fair and inclusive energy transition

I frequently read the opinions of the specialists on matters of the environment, and on rare exceptions (because there are always those against), all are unanimous on the urgency to press ahead with solutions that promote decarbonisation, energy efficiency and the circular economy. What they all forget is that in a population where energy and water literacy reign, as well as energy poverty, it will be hard to go beyond ‘green ideology’ to actions that are “100% green”. Moreover, we could even see less positive “green actions”. And let’s not forget that farmers are the most vulnerable to climate change, and it is they who feed the world. The older people say that “only when there’s no bread, water, or light will we see a truly green revolution”; younger people categorically state that they are changing their habits and mentalities by adopting more sustainable lifestyles. Whatever the case, energy transition should above all be fairer and inclusive. There’s also the other side of the coin. Portugal has been the target of large solar construction projects. The issue is that the construction of these solar farms led to the felling of thousands of cork and holm oaks. In addition to the loss of flora, there is the whole fauna ecosystem affected and where the shock to the landscape also impacts the mental health of the people who live in these regions. The developers of these solar farms categorically state that the carbon dioxide sequestered is greater than the deforestation. Is that likely? And when the exploring companies leave the country, in what state will these spaces be? In January this year, Ursula von der Leyen confirmed that the European Union’s environmental target are “set in stone”. But I, “looking at the sea, dream without having to.”

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Grande Entrevista 16 Grande Tema

Lead Story

The Big Interview

The Lince Santa Clara Historic Hotel

Dupla de sucesso Double the success


Grande Entrevista The Big Interview

Entre o luxo e o conforto, a elegância, o requinte, o bom gosto, o The Lince Santa Clara Historic Hotel é o local ideal para desfrutar de diferentes experiências sensoriais. Ali, cada recanto é um encanto e há sempre um pormenor histórico ou moderno a descobrir. Ali, entramos com o peso do dia-a-dia e saímos revigorados, tranquilos, prontos para tudo. With luxury, comfort, elegance, refinement and good taste, The Lince Santa Clara Historic Hotel is the ideal place to enjoy different experiences of the senses. Here, each corner is charming and there is always a historic or modern detail to discover. Here you enter with the burden of everyday life on your shoulders and leave revitalised, relaxed, and ready for anything.

Texto Text: Carla Celestino

Ao entrarmos no The Lince Santa Clara Historic Hotel deveríamos sentir o peso de séculos de História que se inicia em 1198. As pedras estão lá, as colunas e os arcos em ogiva também, as escadarias. Mas é um sentimento de tranquilidade e conforto que nos invade pelas tonalidades ocres das imponentes paredes, pelo crepitar da lareira, pela vista desafogada onde o rio Ave encontra o oceano em Vila do Conde. Há também uma sensação de bem-estar que nos invade através do acolhimento que nos é dado pelo staff do hotel: jovens, simpáticos, discretos, excelentes profissionais. Na piscina infinita exterior ou na interior, no Aqueduto Wellness & Spa ou até nos quartos, a luz, a madeira, as tapeçarias, as essências holísticas Sisley, fazem-nos perceber que o espírito das Clarissas continua ali a imperar no silêncio e contemplação, reportando-nos para um slow visiting. Já a boa mesa do restaurante Mosteiro é um convite à gula. Todas estes são bons motivos para se deixar seduzir pelo The Lince Santa Clara Historic Hotel e por Vila do Conde, terra de marinheiros e pescadores, calafates e rendilheiras, poetas e pintores. A nossa razão, a que nos levou ao Norte de Portugal, foi esta unidade hoteleira ter triunfado no Prémio Nacional do Imobiliário 2025, na “Categoria Turismo” e “Melhor Empreendimento do Ano”. Quisemos perceber como é dar vida a um edifício tão singular.

História e muitas descobertas

Depois de ter sido alvo de múltiplas interven-

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ções e as obras de manutenção terem parado em 1940, sendo que, desde então, esteve votado ao abandono, o edifício foi alvo de uma profunda e desafiante reabilitação no âmbito do Programa REVIVE e ‘renasceu’ como hotel de cinco estrelas pela mão do atelier Carvalho Araújo. O arquitecto José Manuel Carvalho Araújo recorda que “este hotel só funciona porque teve um modelo programático muito exigente” e que, quando se aborda um projecto patrimonial desta natureza “é sempre um processo de descoberta.” E uma das descobertas peculiares surgiu com a intervenção arqueológica: “Descobrimos um piso oculto, secreto, mas fomos aconselhados a tapá-lo, isto porque nunca se sabe que desafios este tipo de intervenção pode trazer, mas tivemos a ousadia de pô-lo a descoberto.” Esta audácia permitiu que neste piso, que não existia em nenhuma planta, passasse a existir o restaurante Oculto sob a orientação do Chef Vítor Matos com três estrelas Michelin. É daqueles espaços que não vale a pena falar, tem de se deslocar até lá para se perceber a sua peculiaridade onde a pedra secular se entrelaça na perfeição com a modernidade de um restaurante de fine dining. As obras de reabilitação colocaram também em evidência os tectos originais, porque nem todos estavam à vista, e depois de muita insistência do arquitecto em querer perceber o que estava para lá do estuque. Na nossa modéstia opinião, este é um dos seus pontos fortes, dando uma identidade única a esta unidade hoteleira.


18 Grande Entrevista The Big Interview

Com 87 quartos e suites, num total de nove pisos, é curioso de referir que as zonas do spa, estacionamento e staff “são pisos inferiores novos conquistados ao edifício”, explica-nos o arquitecto. Esta conquista de quatro paredes foi igualmente arrojada na adaptação da cobertura, no sótão, onde, como o arquitecto nos diz, “nada existia naquele espaço.” A ocupação com quartos mezzanine e a implementação de soluções inovadoras como janelas que se transformam em varandas, entre outras funcionalidades, permitem, como menciona o arquitecto, “usufruir da comodidade do alojamento e, ao mesmo tempo, respeitar a traça original do edifício.” O hotel é mais que um hotel, e o atelier teve a visão de incorporar um centro interpretativo onde podemos conhecer a história deste edifício antigo, mas que também tem a polivalência de ser transformado em espaço para eventos. Lá fora, os jardins são um convite a dois de-

dos de conversa, a um simples apreciar de um bom copo de vinho da adega do hotel ou a desfrutar de um acontecimento corporativo ao ar livre. O arquitecto Carvalho Araújo remata dizendo que neste projecto “a obra foi acontecendo, o que nos permitiu tirar partido do existente e torná-lo mais interessante. É um espaço que transmite uma ideia de conjunto e de equilíbrio, e que as pessoas, sem se aperceberem, mais que o próprio projecto e desenho, sentem conforto.”

O futuro passa pela expansão

Grandes projectos necessitam de grandes visionários e grandes investimentos. Não deixamos, pois, de admirar, a paciência e persistência de Domingos Correia, CEO do Grupo Arliz, na aposta de uma unidade hoteleira de luxo numa nova geografia. Com um investimento total de 19.500 milhões de euros, Domingos Correia diz-nos que “o facto de determos a construtora permitiu-

Descobrimos um piso oculto, secreto, mas fomos aconselhados a tapá-lo, isto porque nunca se sabe que desafios este tipo de intervenção pode trazer, mas tivemos a ousadia de pô-lo a descoberto. We discovered a secret hidden floor, but we were advised to cover it up, this was because you never know what challenges this type of intervention can bring, but we were bold enough to include the discovery.”


Grande Entrevista The Big Interview

Para fazer este projecto num edifício carismático do Norte e com esta grande escala, foi preciso muita coragem e atrevimento. To do this project in a charismatic building of the North and on this grand scale a lot of courage and daring was required.”

-nos gerir os custos, caso contrário seria uma obra para chegar aos 25 milhões de euros.” E acrescenta que, “para fazer este projecto num edifício carismático do Norte e com esta grande escala, foi preciso muita coragem e atrevimento”, mas, como sublinha, “na vida, como empresários, temos sempre de ser atrevidos.” Dizem que “filho de peixe sabe nadar” e Domingos Correia é bem filho de seu pai, o empresário de prestígio de Braga, Arlindo Correia. Conta-nos que começou a trabalhar aos 16 anos e aos 23 já tinha a sua própria empresa, a Arliz. Hoje, a operar nas áreas da construção, imobiliário e hotelaria e nas latitudes de Portugal continental, arquipélagos e Angola, conta já com quatro empresas e mais de 400 colaboradores. Depois dos hotéis The Lince Azores e The Lince Nordeste, nos Açores, a empresa adquiriu o Ecork Hotel Évora. Em relação à futura unidade de The Lince EcorkHotel, esclarece-nos que era um hotel que “estava abandonado e em processo de

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insolvência, e tivemos de fazer um novo reposicionamento porque o cliente daquele hotel não é o mesmo do centro de Évora, quer fugir para a natureza.” Em Novembro de 2024 encerraram o hotel para reformulação e fazer um upgrade para prime, e a unidade deverá reabrir no final de Março de 2026. “Nos próximos anos vamos lançar novos hotéis da marca The Lince no Porto, Lisboa, Braga e Algarve”, avança. Outra “pérola”, como Domingos Correia lhe chama, é a nova unidade que vai nascer no Nordeste “onde há muito a fazer porque tem muito potencial para ser diferenciador.” Também de autoria do atelier Carvalho Araújo, o arquitecto revela-nos que este hotel “terá um registo diferente do Santa Clara, porque é fora da cidade, é muito procurado por estrangeiros, e vai ter uma aposta num conforto mais rústico e no ambiente, mas que vai também ajudar a reforçar a identidade do Grupo The Lince.” O CEO do Grupo Arliz diz-nos ainda que “a


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minha ideia, no futuro, é expandir a nossa rede de hotéis para capitais” e revela que já visitou Marrocos e alguns países da União Europeia com esse intuito, quer para a marca The Lince, quer para a nova brand Room&Go by Lince, onde já têm uma unidade em Ponta Delgada, nos Açores. Enquanto esperamos pelas novas unidades, sentamo-nos junto à piscina infinita exterior e, tal como o imponente edifício The Lince Santa Clara Historic Hotel, ficamos a contemplar a imensidão da paisagem circundante e a apreciar o silêncio cortado pela suave brisa, num adeus até breve porque este é daqueles hotéis a que nos apetece regressar. On entering The Lince Santa Clara Historic Hotel, we can feel the weight of centuries of history that began in 1198. The stones are there, the columns and the pointed arches too, and the staircases. But it is a feeling of peace and comfort that engulfs us in the waves of ochre tones from the impressive walls, from the crackle of the fireplace, and the uninterrupted view where the River Ave meets the ocean at Vila do Conde. There is also a feeling of well-being that washes over us because of the welcome attention that is given by the hotel staff: young people, pleasant, discreet, and excellent professionals. At the outdoor infinity or indoor pool, in the Aqueduto Wellness & Spa or even in the rooms, the light, the wood, and tapestries, and Sisley essential holistic products lead you to think that the spirit of the Clarissa

nuns of the Order of Santa Clara are still here reigning over the silence and contemplation, inviting you to take your visit slow and easy. And the fine dining at the Mosteiro restaurant gives you carte blanche to indulge. All of these are good reasons to let yourself be seduced by The Lince Santa Clara Historic Hotel and the town of Vila do Conde; land of sailors and fishermen, shipwrights and women who do needlework, poets, and painters. The reason why we went to the North of Portugal was that this hotel triumphed at the Portuguese Real Estate Awards 2025 in the ‘Tourism Category’ and in the category of ‘Best Development of the Year’. We wanted to know how they managed to breathe new life into such a unique building.

History and many discoveries

After having been subjected to various improvements and maintenance works which ceased in 1940 and had been abandoned since then, the building was subject to a profound and challenging refurbishment as part of the REVIVE Programme and was reborn as a five-star hotel designed by the architects’ studio Carvalho Araújo. The architect José Manuel Carvalho Araújo recalls that “this hotel only came into being because it had a very tight and demanding schedule” and when approaching a heritage project of this nature “it is always a process of discovery.” And one of the peculiar discoveries was made after an archaeological excavation: “We dis-

covered a secret hidden floor, but we were advised to cover it up, this was because you never know what challenges this type of intervention can bring, but we were bold enough to include the discovery.” This audaciousness meant that on this floor, which hadn’t been on any plan, they could put in the three Michelin stars ‘Oculto’ restaurant run by Chef Vítor Matos. And as for those spaces that are not worth talking about, you need to go there to understand their special nature, where the centuries-old masonry interweaves perfectly with the modernity of a fine dining restaurant. The rehabilitation works also displayed the original ceilings since not all of them had been visible, after a lot of insistence from the architect who wanted to know what lay behind the stucco plaster. In our modest opinion, this is one of its strong points, giving a unique identity to this hotel unit. With 87 rooms and suites over a total of nine floors, it is curious to note that the spa, parking, and staff areas “are newly restored lower floors in the building”, the architect explains to us. This restoration of four walls was equally bold in its conversion of the roof and attic spaces where, as the architect told us: “there had been nothing in that space.” This area has had mezzanine rooms put in along with innovative solutions where the windows that have been transformed into verandas, among other features, “enable the accommodation to be comfortable and convenient while at the same time respecting the original outline of the building.” The hotel is more than a hotel, and the studio had the vision to incorporate a museum where you can discover the history of this old building but can also be turned into a multipurpose space for events. Outside the gardens beckon for a chat, a lovely glass of wine from the hotel’s wine cellar or enjoy an open-air corporate event. The architect Carvalho Araújo emphasises this by saying that in this project “as the work went along and discoveries were uncovered, we were able to make the most of what existed and make them more interesting. It is a space that conveys an idea of cohesion and balance, where people, without realising it; and more than because of the design and project; feel comfortable.”

The future involves expansion

Large projects need great visionaries and big


Grande Entrevista The Big Interview

A obra foi acontecendo, o que nos permitiu tirar partido do existente e torná-lo mais interessante. As the work went along, we were able to make the most of what existed and make it more interesting.”

investments. And we cannot but admire the patience and persistence of Domingos Correia of the Arliz Group in investing in a luxury hotel unit in a new place. With a total investment of 19,500 million euros, Domingos Correia tells us that “the fact that we have a building firm enables us to contain costs, and if it wasn’t for that the project would have reached 25 million euros.” And adds that to “do this project in a charismatic building of the north and on this scale, needed a lot of courage and nerve,” but as he stresses, “in life as entrepreneurs, we always have to be bold.” They say that “the son of a fish knows how to swim” and Domingos Correia is certainly a chip off the old block, his father being the wellrespected Braga businessperson, Arlindo Correia. He tells us that he began working at the age of 16 and at 23 already had his own company, Arliz. Today, working in the construction, real estate, and hotel areas and on mainland Portugal, the archipelagos and Angola, he now has four companies and over 400 staff. After the hotels The Lince Azores and the Lince Nordeste, in the Azores, the company acquired the Ecork Hotel in Évora. In relation to the future The Lince Ecork Hotel, he tells us that this was a hotel that had been “abandoned and going through a bankruptcy process, and we had to reposition it because the client of that hotel is not the same one as the one in the centre of Évora and wanted to

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be in the countryside. In November 2024 they closed the hotel for refurbishments and give it an upgrade to prime and the hotel should reopen at the end of March 2026. “In the coming years we’re going to launch new hotels in the Lince brand in Porto, Lisbon, Braga and the Algarve,” he says. Another ‘pearl’ as Domingos Correia calls it, is the new unit that will appear in the north-east “where there is a lot to do because it has a lot of potential to be different.” Also from the Carvalho Araújo studio, the architect tells us that this hotel will have a different flavour to the Santa Clara because it is outside the city and very sought after by foreigners and will focus on a more rustic feel and comfort but will also strengthen the identity of The Lince Group”. The CEO of the Arliz Group also tells us that “my idea in the future is to expand our chain of hotels to capitals” and reveals that he has already visited Morocco and some European Union countries to that end, both for The Lince brand and a new brand Room&Go by Lince where it already has a unit in Ponta Delgada in the Azores. While waiting for the new units, we sit by the outdoor infinity pool and like the imposing building The Lince Santa Clara Historic Hotel, we soak up the immense surrounding landscape and appreciate the silence cut by a soft breeze, in a farewell for now since this is one of those hotels that you feel like coming back to.


Prémio Nacional do Imobiliário 2025

National Real Estate Award 2025

As estrelas dos “Óscares” do Imobiliário The stars of the ‘Oscars’ of real estate


Prémio Nacional do Imobiliário 2025 National Real Estate Award 2025

Numa cerimónia em que a anfitriã surgiu em modo Avatar, onde os convidados foram presenteados com a extraordinária voz do tenor João Mendonza e puderam ser capa de revista, as estrelas da noite foram os Empreendimentos Vencedores que mostraram o melhor do Imobiliário nacional. At a ceremony in which the hostess appeared as an Avatar, where the guests were presented with the extraordinary voice of the tenor João Mendonza, and could be on the front cover of a magazine, the stars of the evening were the Winning Developments that showed the best of national real estate.

Fotos Photos: Joaquim Morgado

A grande festa do Imobiliário contou com 220 convidados, entre Finalistas, personalidades públicas e privadas, amigos e colegas da Magazine Imobiliário. A primeira surpresa da noite foi as boas-vindas dadas pela administradora da Magazine Imobiliário, Anabela Loureiro, em modo de Avatar, abraçando as novas ferramentas tecnológicas ao alcance da comunicação social. A segunda surpresa, que esteve bem ‘fechada a sete chaves’, foi o momento especial de homenagem ao percurso de Hugo Santos Ferreira, presidente da APPII – Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários, a quem foi entregue o Prémio de Reconhecimento pelos 10 anos ao serviço da APPII. Mas a noite era dedicada aos empreendimentos a concurso na 27ª edição do Prémio Nacional do Imobiliário e o Grande Vencedor foi o The Lince Santa Clara Historic Hotel. Foi agraciado não só na Categoria Turismo, como também triunfou como Melhor Empreendimento do Ano, reconhecendo o seu valor patrimonial, a qualidade da reabilitação e o contributo para a dinamização de Vila do Conde. O projecto, promovido pela Slicedays Hotelaria, contou com arquitectura de Carvalho Araújo e construção da Pentapiso. Entre os demais vencedores desta edição encontram-se projectos emblemáticos como o Quarteirão do Rossio, promovido pela JCKL Portugal com arquitectura da Contacto Atlântico e construção a cargo da Alves Ribeiro e HCI, que venceu na Categoria Comércio. O prémio na Categoria Escritórios foi atribuí-

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do ao Oriente Green Campus, promovido pela Multiusos Oriente – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado, com projecto de Saraiva + Associados e Kohn Pedersen Fox e construção da Mota-Engil. Na Categoria Habitação, o destaque foi para o Villa Infante, da Avenue, com projecto de Frederico Valsassina Arquitectos e construção da San José. O Bonjardim, também promovido pela Avenue, venceu o Prémio Habitação Norte, com arquitectura do atelier Promontório e construção da Mota-Engil. No Prémio Habitação Centro, venceu o Turquesa Dafundo, promovido pela VIZTA, com arquitetura do atelier Promontório e construção da UDRA. Já o Prémio Habitação Sul foi atribuído ao Horizon Ocean Gardens, promovido por Cetim / Krest, com projecto de Saraiva + Associados e construção da Omatapalo. E o Prémio Habitação Regiões Autónomas foi para o Savoy Residence | Monumentalis, promovido pela AFA Real Estate, com arquitectura do gabinete RH + Arquitectos e construção da AFAVIAS. O Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, com projecto do arquitecto japonês Kengo Kuma e construção da HCI, venceu na Categoria Empreendimentos Colectivos. O Prémio Projecto de Interiores foi atribuído ao Torel Quinta da Vacaria, da Quinta da Vacaria 1616, ao Studio Astolfi by Joana Astolfi. Na área da Reabilitação, venceu o Museu Aristides de Sousa Mendes, promovido pela Fundação Aristides de Sousa Mendes, com arquitec-


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Prémio Nacional do Imobiliário 2025 National Real Estate Award 2025

tura do atelier Rosmaninho + Azevedo e construção da EDIBEST. A distinção do Prémio de Excelência em Eficiência & Sustentabilidade 2025, numa parceria entre a Magazine Imobiliário e a ADENE – Agência para a energia, foi atribuída ao projecto Sandwoods, da Avenue, com arquitectura do atelier Bernardes Arquitectura e construção da HCI, evidenciando a crescente importância da eficiência energética e da sustentabilidade no sector imobiliário. A edição de 2025 dos Prémios Nacionais do Imobiliário contou com o apoio de várias entidades que contribuíram para a valorização e prestígio da iniciativa. Foi patrocinador oficial a VICTORIA Seguros e banco oficial Santander. Como patrocinadores estiveram a Savills, ERA Portugal, GROHE, AEG, JUNG, LG e APAL. Contou ainda com o apoio institucional da ADENE, APPII, AICCOPN, APEMIP, ASMIP e AHP. O portal oficial CASA YES, audiovisuais Tecnovisão e na comunicação a agência Green Media. The great real estate party had 220 guests, among finalists, public and private personalities, friends and colleagues of Magazine Imobiliário. The first surprise of the night was the welcome

given by the magazine’s director, Anabela Loureiro in the form of an Avatar, embracing new technology tools within the reach of the media. The second surprise that had been kept firmly under wraps, was a special tribute paid to the career of Hugo Santos Ferreira, the president of the Portuguese Association of Real Estate Developers and Investors (APPII) to whom was presented the Recognition Award for his 10 years of service to the APPII. But the night was dedicated to the developments in the competition - the 27th edition of the Portuguese Real Estate Awards and the Grand Winner ‘The Lince Santa Clara Historic Hotel’. It was blessed not only in the Tourism Category, but it also triumphed as the Best Development of the Year, recognising its heritage value, the quality of the refurbishment, and its contribution to the revitalisation of Vila do Conde. The project, developed by Slicedays Hotelaria, was designed by the architect Carvalho Araújo and built by Pentapiso. Among the other winners of this edition were flagship projects like ‘Quarteirão do Rossio’, developed by JCKL Portugal with architecture by Contacto Atlântico and built by Alves Ribeiro and HCI that won in the Commercial Category. The award in the Offices Category was given to

‘Oriente Green Campus’ developed by Multiusos Oriente - Special Closed Real Estate Investment Fund, with a project by Saraiva + Associates associados and Kohn Pederson Fox and built by Mota-Engil. In the Housing Category, the spotlight fell on ‘Villa Infante’ from Avenue with a project by Frederico Valsassina Arquitectos and construction from San José. Bonjardim, also developed by Avenue, won the Housing North Award with architecture from the studio Promontório, and construction by Mota-Engil. The Housing Centre Award was won by ‘Turquesa Dafundo’, developed by VIZTA with architecture from the studio Promontório and construction from UDRA. The Housing South Award was handed to ‘Horizon Ocean Gardens’, developed by Cetim/Krest with a project from Saraiva + Associates with construction by Omatapalo. And the Autonomous Regions Award went to Savoy Residence | Monumentalis developed by AFA Real Estate with architecture from studio RH+ Arquitectos and construction by AFAVIAS. ‘The Calouste Gulbenkian Foundation Centre of Modern Art’ with a project from the Japanese architect Kengo Kuma and construction by HCI won in the Category of Collective Developments. The Interiors Project Award was attributed to ‘Torel Quinta da Vacaria 1616’ from the studio Astolfi by Joana Astolfi. In the area of Refurbishment, the winner was the ‘Aristides de Sousa Mendes Museum’ developed by the Aristides de Sousa Mendes Foundation with architecture from the studio Rosmaninho + Azevedo, and construction from EDIBEST. The Excellence in Efficiency & Sustainability Award 2025 went to the project ‘Sandwoods’ from Avenue, with architecture from the studio Bernardes Arquitectura and construction from HCI, showing the growing importance of energy efficiency and sustainability in the real estate sector. The 2025 edition of the Portuguese Real Estate Awards was supported by various entities that contributed to the success and prestige of the event. VICTORIA Seguros was the official sponsor, and Santander was the official Bank. Other sponsors were Savills, ERA Portugal, GROHE, AEG, JUNG, LG and APAL. The event also received the institutional support of AHP ADENE, APPII, APEMIP, and ASMIP. The official website was CASA YES, audiovisuals were from Tecnovisão, and the media communication was from the agency Green Media.


MADE TO TOUCH. DESIGNED TO CONTROL. LS 990 EM LATÃO CLÁSSICO. JUNG.PT


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Prémio Nacional do Imobiliário 2025 National Real Estate Award 2025

Vencedor do Melhor Empreendimento do Ano 2025

Vencedor Categoria Comércio

Vencedor Categoria Escritórios

Vencedor Categoria Habitação

Vencedor Prémio Habitação Norte

Vencedor Prémio Habitação Centro

Vencedor Prémio Habitação Sul

Vencedor Prémio Habitação Regiões Autónomas


Prémio Nacional do Imobiliário 2025 National Real Estate Award 2025

Vencedor Categoria Empreendimentos Colectivos

Vencedor Categoria Turismo

Vencedor Prémio Projecto de Interiores

Vencedor Prémio Reabilitação

Vencedor Prémio de Excelência em Eficiência & Sustentabilidade

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SIL 2025

Dinâmico e inovador Dynamic and innovative


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Estas são as duas palavras que melhor definem a edição de 2025 do SIL – Salão Imobiliário de Portugal. These are the two words that best define the 2025 edition of the Portugal Property Fair 2025. (SIL)

Texto Text: Carla Celestino Fotos Photos: Anabela Loureiro

A aposta do SIL num certame de apenas três dias parece ter sido ganha. Já há muito tempo que não se viam corredores repletos de pessoas, sobretudo profissionais, mas também público em geral, desde a abertura das portas. Se não fosse a chuva do terceiro dia a afugentar alguns visitantes, atrever-me-ia a dizer que foi o maior sucesso desde a crise e o evento está a regressar aos grandes e bons tempos áureos desta feira. Um SIL mais focado no público profissional; alguns stands de encher o olho, bonitos, diferentes; agentes focados em divulgar o seu produto e empresa, para lá dos folhetos, concursos, gelados e pipocas; expositores transformados em espaços de comunicação e a revelar tendências; o aumento da presença de PropTechs imobiliárias… O dinamismo da edição de 2025 do SIL é, pois, incontestável. Numa área de 15.000 metros quadrados (m2), houve stands que juntaram no mesmo espaço mediadores e promotores numa parceria com vista à promoção de projectos habitacionais. Houve também o lançamento de novos empreendimentos imobiliários de qualidade com muitas reservas de apartamentos realizadas no local, conforme nos foi avançado por vários expositores. E autarquias à procura de investidores, mostrando as oportunidades que a região tem

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para oferecer em termos imobiliários e hoteleiros. Mas a pouca distância das Eleições Legislativas era inevitável que a política não deixasse de estar em foco nas conferências do SIL, nomeadamente o tema da habitação. Num painel que contou com a presença dos maiores partidos com assento parlamentar – PSD e PS -, o presidente da APPII - Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários, sem rodeios, afirmou que a actual crise habitacional persiste porque “verdadeiramente faltou vontade política para fazer a diferença”. Um dos pontos de discórdia entre PSD e PS neste debate foi relativo ao IVA na reabilitação urbana, depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter decidido passar de 6% para 23%. João Vale e Azevedo, deputado na Comissão de Economia, Obras e Habitação do PSD, admitiu que irá fazer um reforço para que o IVA volte a descer, nomeadamente na construção nova; já Alexandra Leitão, presidente do Grupo Parlamentar do PS, é da opinião que a descida do IVA não pode ser transversal a toda a construção. Destaco ainda uma declaração do presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, que defendeu que a “burocracia excessiva interfere no planeamento da habitação”. Nos licenciamentos urbanos,


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seguramente interfere… Eram esperados mais de 30.000 visitantes neste certame. Ainda sem conhecer os números oficiais, certamente a organização irá anunciar valores próximos ou a superar as expectativas traçadas inicialmente. Mais do que o debate de ideais ou conhecer tendências, o SIL 2025 foi profícuo em networking e negócios, onde a inovação e a IA parecem estar a crescer. E espelha um mercado imobiliário, que não obstante os desafios económicos, fiscais ou burocráticos, continua muito dinâmico. SIL’s wager of having a three-day fair seems to have been won. There hadn’t been corridors so packed with people, particularly professional, but also the public for quite some time, since it opened its turnstiles. If it hadn’t been for the rain on the third day driving away some of the visitors, I would dare say that it was greatest success since the crisis, and the event had returned to the

good and great old golden day of this fair. A SIL more focused on the professional public; some stands to feast the eyes – attractive and different - agents focused on explaining their product and company; and on to the leaflets, competitions, ice-creams and popcorn; stands transformed into communication spaces and informing trends; the increase of the presence of real estate PropTechs...the energy of the 2025 edition of SIL was, indeed, quite undeniable. Over an area of 15,000 square metres (m2), there were stands that congregated in the same space estate, developers in a partnership with a view to marketing housing projects. There was also the launch of new quality real estate developments with many apartments reserved at the fair, as we were told by various exhibitors. The municipal council officials looking for investors, showcasing the opportunities that the region had to offer in terms of property and hotel projects.

A pouca distância das Eleições Legislativas era inevitável que a política não deixasse de estar em foco nas conferências do SIL. In a short time from the General Election it was inevitable that politics would be the focus at the SIL conferences.”


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But in a short time from the General Election it was inevitable that politics would be the focus at the SIL conferences, namely the topic of housing. On a panel that had the presence of the main parliamentary parties - PSD and PS-, the president of the APPII - Portuguese Association of Real Estate Developers and Investors, Hugo Santos Ferreira, and real estate investors got to the point and affirmed that the current housing crisis continues because “there really is a lack of political will to make a difference.” One of the points of disagreement between the PSD and PS in this debate was related to VAT on urban rehabilitation after the Supreme Court of Justice had decided to change it from 6% to 23%. João Vale e Azevedo, an MP on the PSD Economy, Works and Housing Committee, admitted that it would double up on its efforts for VAT to

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be lowered, namely on new construction, while Alexandra Leitão, president of the PS parliamentary group believes that a reduction in VAT cannot be transversal across all construction. I would also highlight a statement from the Mayor of Leiria, Gonçalo Lopes who argued that “excessive bureaucracy interferes in housing planning”. It certainly interferes in urban licencing. Over 30,000 visitors had been expected at this fair and 30,000 came, after the official numbers from the organisation were published. More than a talk shop of ideas or finding out about trends, SIL 2025 was propitious for networking and business, where innovation and AI seem to be growing. It mirrors a real estate market which despite the economic, tax and bureaucratic challenges continues to be very dynamic.


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Imobiliário em expansão

Real estate in expansion

Consultan conquista o Porto em tempo recorde Consultan conquers Porto in record time


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A Consultan está a deixar marca no mercado imobiliário do Norte com uma entrada arrojada no Porto: em apenas três meses, já assegurou 15 empreendimentos, apostando numa equipa local liderada por Celso Diamante. Consultan is leaving its mark on the real estate market in the North with a bold entry into Porto: in just three months it has already secured 15 developments through a local team lead by Celso Diamante.

Texto Text: Bruna Margalho

A Consultan está a expandir a sua operação no Norte de Portugal, com a criação de uma equipa dedicada ao Porto. Sob a liderança de Celso Diamante, director regional da empresa, a equipa conta actualmente com cinco profissionais e já integra 13 empreendimentos contratados, número que deverá crescer para 15 até ao final de Abril. A expansão para a região Norte era uma ambição antiga da Consultan, mas foi concretizada apenas recentemente. A mudança de Celso Diamante para Portugal tornou possível este passo. “Já conhecíamos o Celso do Brasil. Quando ele se mudou para Portugal e entrou no mercado imobiliário, surgiu a oportunidade de o integrar na Consultan, o que nos permitiu estruturar uma nova equipa no Porto”, explicou Guilherme Grossman, CEO da empresa. Com a liderança de Diamante, a equipa conseguiu rapidamente angariar projectos de “muita qualidade e excelência”, com presença em várias zonas do Grande Porto, incluindo Matosinhos, Parque da Cidade, Boavista, Maia, Águas Santas e Gaia. Grossman destaca a importância da proximidade com os promotores: “Estamos sempre muito perto deles, trazendo novas ideias, contactos e um marketing diferenciado.” Sobre o contexto actual do mercado imobiliário na região, Grossman reconhece desafios, mas destaca o espaço para inovação. “Há muito campo para entrar no Porto. Há procura por empresas profissionais, que fa-

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zem um trabalho diferenciado. A nossa empresa é especialista em empreendimentos e traz algo novo ao mercado — ideias, formas de trabalhar o produto e de o comercializar.” A receptividade tem superado as expectativas iniciais. “Estamos há 90 dias a trabalhar no Porto e temos 13 empreendimentos contratados, contratos assinados, campanhas no ar, clientes em vias de assinar. Estamos muito entusiasmados e com um potencial enorme de crescimento”, sublinhou. No terreno, Celso Diamante aposta numa abordagem de proximidade com todos os intervenientes. “O que o promotor hoje procura, o que eu sinto no Porto, é o contacto face to face, é aquela atenção dada pela minha equipa às gestoras de obras, com o engenheiro. Não nos ficamos apenas pela directoria ou pela administração geral.” A curto prazo, a prioridade da Consultan é consolidar a equipa no Porto, com a contratação de novos profissionais experientes, focados no sector dos empreendimentos. A médio prazo, a empresa planeia expandir-se para outras regiões do País, com especial atenção ao Algarve. “Assim que o Porto estiver consolidado, de forma semelhante a Lisboa, temos interesse em expandir para o Algarve. Mas, sempre um passo de cada vez. Só entramos em novos mercados quando estamos totalmente preparados para dar o suporte necessário à operação”, conclui o CEO.


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Estamos há 90 dias a trabalhar no Porto e temos 13 empreendimentos contratados, contratos assinados, campanhas no ar. We have been working in Porto for 90 days and we have 13 developments contracted, and marketing and media campaigns on air”.

Consultan is expanding its operation in the North of Portugal, assembling a team dedicated to Porto. Headed by Celso Diamante, the company’s regional director, the team currently has five professionals who are part of 13 contracted developments, a number that should grow to 15 to the end of April. The expansion to the North region was a longstanding ambition for Consultan but was only achieved recently. Celso Diamante’s move to Portugal has made this step possible. “We had already met Celso from Brazil. When he moved to Portugal and entered the real estate market,

the opportunity arose for him to join Consultan, which enabled us to build a new team in Porto,” explained Guilherme Grossman, the company’s CEO. Under the leadership of Diamante, the team rapidly managed to get “projects of a very high and excellent quality” in various parts of the Greater Porto Area, including Matosinhos, Parque da Cidade, Boavista, Maia, Águas Santas and Gaia. Grossman highlights the importance of a close relationship with the developers: “We’re always very close to them, bringing fresh ideas, contacts and a differentiated market.”

On the current real estate market context in the region, Grossman recognises the challenges but underscores the room for innovation. “There is a lot of space to enter Porto. There’s demand for professional companies that can do projects that stand out from the rest. Our company is a specialist in developments that bring something new to the market - ideas, way of working the product and marketing it.” The way we have been received has exceeded initial expectations. “We have been working in Porto for 90 days and we have 13 developments with contracts signed, media campaigns, and clients almost ready to sign. We are really excited and there is an enormous potential for growth,” he stressed. On the ground, Celso Diamante is focusing on a close working relationship with all the parties involved. “What the developer today seeks, and what I feel in Porto, is the face-to-face contact and that attention that my team gives to site managers, and with the engineer. We do not just deal with the board of directors or the general administration. In the short term, Consultan’s priority is to consolidate the team in Porto, hiring new experienced professionals focused on the developments sector. In the medium term, the company plans to expand to other regions of the country, with special attention to the Algarve. “As soon as Porto is consolidated like we have in Lisbon, we are interested in expanding to the Algarve. But always one step at a time. We only move into new markets when we are totally prepared to provide the necessary support.


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Opinião Opinion

Miguel Marques dos Santos

Uma nova oportunidade A fresh opportunity

Miguel Marques dos Santos Sócio da VdA Sócio Responsável da Área de Imobiliário & Urbanismo Partner VdA Partner Responsible for the Real Estate & Urbanism Area

Quando escrevi o meu último artigo para a Magazine Imobiliário, no fim de Fevereiro, estava longe de imaginar que, passados poucos dias, Portugal e o mundo estariam de pernas para o ar. Portugal sem Governo e a caminho de eleições e o mundo desgovernado e a caminho de uma nova ordem mundial. A queda do Governo e a vertigem alucinada de Donald Trump (cujo pontapé de saída foi aquela infeliz conferência de imprensa com Zelenskyy na Casa Branca) ocorreram logo no início de Março e trouxeram enorme incerteza, interna e externa, a um mundo e a uma economia mundial que, apesar das duas guerras em curso, parecia estar a entrar num caminho de estabilidade e crescimento. Em Portugal, a queda do Governo veio trazer de novo o fantasma da incerteza relacionada com a dificuldade de se criarem maiorias estáveis de governo, e, no mundo, as políticas erráticas de Trump, quer em termos geopolíticos, quer em termos económicos, vieram trazer de novo o fantasma da recessão, e até o fantasma da crise das dívidas soberanas. É difícil imaginar um entorno mais negativo. A verdade é que a nossa história recente tem um exemplo de superação num entorno talvez ainda mais negativo. Uma situação de insolvência eminente do Estado seguida de um programa de ajuda externa de muito difícil execução. E o sucesso foi testemunhado por todos. Esse sucesso deveu-se a um Governo com um líder muito focado, pouco atreito a discussões estéreis, e centrado em implementar políticas públicas que ajudassem a sociedade civil a fazer a sua parte. Assim foi na economia em geral, em que foram criadas políticas públicas que raciona-

lizaram a despesa do Estado e potenciaram a nossa actividade produtiva, em especial a actividade exportadora, com o consequente reequilíbrio da balança externa, e que nos levaram a uma trajetória de equilíbrio das contas públicas e de crescimento. E assim foi no imobiliário, em que foram criadas políticas públicas que fomentaram o investimento e a promoção, potenciando a atração de capital de diversas geografias, estimulando a reabilitação dos nossos centros urbanos, e permitindo a abertura de um novo ciclo de sucesso do mercado imobiliário. No imobiliário, essas políticas públicas centraram-se na reforma da lei do arrendamento urbano, na reforma da lei das obras em prédios arrendados, na reforma da lei da reabilitação urbana, na reformulação do regime dos vistos gold e na reformulação do regime dos residentes não habituais (tudo políticas públicas com um investimento reduzido ou mesmo nulo do Estado e altamente potenciadoras do investimento privado). É verdade que a instabilidade geopolítica nalguns países do norte de África e do Médio Oriente desviaram mercados turísticos para Portugal e que isso também foi importante, mas o facto é que foram aquelas políticas públicas que ajudaram a sociedade civil a fazer a sua parte, potenciando um ciclo de investimento, especialmente estrangeiro, sem precedentes, que transformou as nossas cidades e muito contribuiu para o sucesso económico do país e para o equilíbrio da nossa balança externa. Os problemas agora são outros, com a crise da habitação em destaque, mas a sua resolução necessita também de políticas públicas claras, que potenciem o investimento privado, nomeadamente o investimento estrangeiro, e que ajudem a sociedade civil a


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fazer a sua parte. É essencial que o novo Governo compreenda o que está em causa, seja focado na definição e implementação dessas políticas públicas e, sobretudo, não utilize a situação externa como desculpa para deixar de fazer o que tem de fazer. Se os tempos da Troika, com todos os aspectos negativos que tiveram, acabaram por ser uma oportunidade para o sector imobiliário e para o País, não há razão para que os tempos que agora vivemos não constituam também uma oportunidade. When I wrote my last article for Magazine Imobiliário at the end of February, I was far from imagining that within a few days Portugal and the world would be turned upside down. Portugal without a government and on the road to elections, and the world ungoverned and on the way to a new world order. The fall of the government and the hallucinating dizziness of Donald Trump (whose kick in the teeth was that unfortunate conference with Zelenskyy at the White House) began at the beginning of March and brought enormous uncertainty, at home and abroad, to a world and world economy which, despite two ongoing wars, had seemed to be on the path to stability and growth. In Portugal, the fall of the government has brought a new cloud of uncertainty to do with the difficulty creating stable government majorities, and the erratic policies of Trump in the world, both in geopolitical and economic terms, once again bringing the spectre of recession, and even the threat of a sovereign debt crisis. It is difficult to imagine a more pessimistic panorama. The truth is that our recent history has been an example of overcoming a perhaps even more negative panorama. A situation in which the State was facing bankruptcy, followed by an overseas bailout programme which was very difficult to execute. And all witnessed its success. This success was down to a government with a very focused leader, not one prone to pointless discussions, and centred on implementing public policies that helped civil society to play its part. And it was so for the economy in general, in which public policies were created that cut State expenditure and boosted our produc-

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tive activity, especially in exporting, with a consequent rebalancing of the trade balance, and which led us on the road to balanced public accounts and growth. And that went for real estate too, where public policies were created that fostered investment and development, boosting the attraction of capital from various countries, stimulating the regeneration of our urban centres, and enabling the start of a new period of success for the real estate market. In real estate, these public policies were centred around reforming the urban rental law, the law covering works on rented buildings, in repositioning the Golden Visa, and even Non-Habitual Residents regimes (all public policies with reduced or even zero investment from the State, and highly attractive for private investment. It is true that geopolitical instability in some countries in North Africa and the Middle East diverted tourist markets to Portugal and this was also important, but the fact is that these public policies that helped civil society play its part, enabling an unprecedented cycle of investment, especially from overseas, that transformed our cities and contributed to the economic success of the country and balancing our overseas trade deficit. Now the problems are different, with a housing crisis in focus, but solving it also requires clear public policies that boost private investment, particularly overseas investment, and help civil society to do its bit. It is essential that the new government understands what is at stake, is focused on defining these public policies and, above all, does not use the international situation as an excuse not to do what needs to be done. If the Troika time, with all its negative aspects that it had, ended up by being an opportunity for the real estate sector and for the country, there’s no reason why the times we’re going through today cannot also be seen as an opportunity.


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Batlleiroig Arquitectura

A madeira e o futuro da construção sustentável Wood and the future of sustainable construction


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Albert Gil Margalef, CEO da Batlleiroig Arquitectura, explora as inovações tecnológicas e o papel da madeira na construção em grande escala, destacando os desafios urbanos e o impacto ambiental positivo deste material no futuro da construção. Albert Gil Margalef, CEO of Batlleiroig Arquitectura explores technological innovations and the role of wood in largescale construction, highlighting the urban challenges and the positive environmental impact of this material on the future of construction.

Entrevista Interview: Bruna Margalho Fotos Photos: Batlleiroig Arquitectura

Desde a origem, a Batlleiroig tem-se centrado na paisagem e na natureza. Como articula essa visão com a sustentabilidade na arquitectura e no design? Na Batlleiroig, acreditamos que arquitectura, design e sustentabilidade são dimensões de uma mesma ambição: construir um futuro mais equilibrado entre as necessidades humanas e o respeito pelo planeta. A sustentabilidade não é um objectivo adicional, é o ponto de partida. Concebemos a arquitectura como prolongamento da paisagem, reforçando os seus valores ecológicos, culturais e sociais. Essa visão exige inovação constante, mas também um regresso a princípios ancestrais: uso de materiais naturais, adaptação à topografia e respeito pelos ciclos da água e da biodiversidade. Qual é o papel da madeira no projecto Arcaya, em desenvolvimento em Portugal? O Arcaya, em Vilamoura, é um exemplo da nossa visão arquitectónica e paisagística. Concebido como um “Jardim Infinito”, propõe uma forma de viver que recupera a ligação instintiva com a natureza. Aqui, a paisagem é o elemento central. A madeira tem um papel estrutural e simbólico: usada nas estruturas das casas, revestimentos e soluções paisagísticas, contribui para uma menor pegada de carbono e reforça a harmonia com a natureza. Optámos por espécies como o pinho radiata e o larício, garantindo sustentabilidade, resistência, durabilidade e conforto térmico. Quais são as principais vantagens da madeira como material de construção sustentável? A madeira é, provavelmente, o material de construção do futuro – e também do passado. Enquanto recurso natural renovável, tem

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uma pegada ambiental muito inferior à de materiais como o betão ou o aço. Destaca-se pela capacidade de armazenar carbono, sendo uma ferramenta eficaz de descarbonização. Permite processos construtivos mais rápidos e limpos, sobretudo com metodologias off-site e soluções industrializadas. Oferece excelente desempenho térmico e higroscópico (regula a humidade interna), promovendo o conforto e bem-estar. E, do ponto de vista estético e emocional, aproxima-nos da natureza. A construção em madeira está preparada para responder aos desafios das cidades e da construção em grande escala? A construção em madeira já não é uma alternativa. É uma resposta concreta e escalável aos desafios contemporâneos. Com tecnologias como a madeira lamelada colada cruzada e soluções modulares, é possível construir em altura, cumprir exigências técnicas e reduzir tempos de obra. Permite uma construção mais limpa, com menos desperdício, essencial em ambientes urbanos densos. Responde às exigências regulatórias de eficiência energética, circularidade e neutralidade carbónica. A chave está na integração entre tecnologia e design bioclimático, áreas em que a construção em madeira está na linha da frente. Com regulamentação adequada, este tipo de construção pode e deve ocupar um lugar central no desenvolvimento sustentável. Na sua visão, qual será o papel da construção em madeira no futuro da arquitectura europeia e global? Vejo a madeira como um dos grandes protagonistas da arquitectura do futuro, na Europa e a nível global. Não apenas como material de construção, mas como símbolo de uma mu-


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dança de paradigma: mais sensível ao território, mais circular na gestão de recursos e mais centrada no bem-estar humano. Responde às metas ambientais da UE e à procura por edifícios mais saudáveis e respeitadores do planeta. A construção em madeira ajudará a redefinir os valores da arquitectura contemporânea: regeneração em vez de exploração, harmonia em vez de imposição, inteligência ecológica em vez de crescimento insustentável. Since its beginning, Batlleiroig has been focused on the landscape and nature. How do you marry this vision with sustainability in architecture and design? At Batlleiroig we believe that architecture, design, and sustainability are aspects of the same ambition: building a more balanced future between human needs and respect for the planet. Sustainability is not an additional goal; it is a starting point. We see architecture as an extension of the landscape, reinforcing its ecological, cultural, and social values. This vision demands constant innovation, but

also a return to ancestral principles: the use of natural materials, adaptation to the topography and respect for the water and biodiversity cycles. What is the role of wood in the Arcaya project in development in Portugal? Arcaya, in Vilamoura is an example of our architectonic and landscape vision. Designed as an ‘Infinite Garden,’ it offers a way of living that recovers the instinctive link with nature. Here the landscape is a central element. Wood has a structural and symbolic role: used in the structure of houses, coverings, and landscape solutions, it contributes to a lower carbon footprint and reinforces harmony with nature. We opted for species like Monteray pine and larch, ensuring sustainability, resistance, durability, and thermal comfort. What are the main advantages of wood as a sustainable construction material? Wood is probably the construction material of the future - and also the past. As a renew-

able natural resource, it has an environmental footprint that is a lot less than materials such as concrete or steel. It stands out for its capacity to capture carbon and is an effective means of decarbonisation. It enables quicker and cleaner building processes, particularly with off-site methodologies and industrial solutions. It offers an excellent thermal and hydroscopic performance (it regulates internal humidity), promoting comfort and wellbeing. And from the aesthetic and emotional point of view, it brings us closer to nature. Is construction in wood prepared to meet the challenges of cities and large-scale construction? Construction in wood is no longer an alternative. It is a solid solution and scalable for contemporary challenges. With technologies such as cross laminated glued wood and modular solutions you can build at height, meeting technical requirements and reducing the building time. It enables a cleaner construction with less waste, essential in


A construção em madeira ajudará a redefinir os valores da arquitectura contemporânea: regeneração em vez de exploração, harmonia em vez de imposição, inteligência ecológica em vez de crescimento insustentável. Construction in wood will help redefine the values of contemporary architecture: regeneration instead of exploitation, harmony instead of imposition, ecological intelligence instead of unsustainable growth.”

dense urban landscapes. It meets energy efficiency, circularity, and carbon neutrality regulatory requirements. The key is in the integration between technology and bioclimatic design, areas in which wood construction is at the forefront. With adequate regulation, this type of construction can occupy a core position in sustainable development. In your vision, what will be the role of construction in wood in the future of European and global architecture? I see wood as one of the lead protagonists

of architecture of the future, at a European and global level. Not just as a construction material, but as a symbol of a change in paradigm: more aware of the land, more circular in the management of resources, and more focused on human well-being. It meets the EU’s environmental targets and the demand for healthier buildings that respect the planet. Construction in wood will help redefine the values of contemporary architecture: regeneration instead of exploitation, harmony instead of imposition, ecological intelligence instead of unsustainable growth.


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Guimarães - Capital Verde Guimarães - Green Capital

“Liderar pelo exemplo” ‘Leading by example’

Foto Photo: João Rey / Cedidas por fmMAGALHÃES

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Domingos Bragança, presidente da Câmara Municipal de Guimarães, revela-nos que o prémio e a decisão de Guimarães ser a Capital Verde Europeia 2026 “é um símbolo de que o progresso ambiental só é possível com a colaboração e o envolvimento de todos.” The Mayor of Guimarães, Domingos Bragança, tells us that the award itself and the decision to award Guimarães as the European Green Capital 2026 “is a symbol that environmental progress is only possible with the cooperation and involvement of everyone.”

EntrevistaInterview: Carla Celestino

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Guimarães já tinha apresentado a primeira candidatura ao prémio em 2017, mas só em 2026 conseguiu alcançar a “Capital Verde Europeia”. Ser persistente vale a pena quando é em nome do Ambiente? O que significou para si e para o município alcançar esta ‘vitória’? A persistência, a convicção e o foco, são, sem dúvida, condições necessárias quando está em causa a sustentabilidade ambiental, como afirmamos: é um caminho longo que só por si vale a pena ser percorrido, independentemente desta orgulhosa distinção, e não há outro que não o de uma cidade, um só planeta. O reconhecimento como Capital Verde Europeia 2026 reflecte mais de uma década de trabalho contínuo, envolvendo toda a comunidade – escolas, empresas, a academia e os cidadãos – num esforço colectivo para construir um território mais verde, justo e sustentável. Este prémio é um marco de orgulho para o município, mas também uma responsabilidade, motivando-nos a continuar a liderar pelo exemplo. A autarquia está comprometida com a neutralidade climática até 2030. O que está a ser feito nesta matéria? Guimarães assumiu o compromisso de atingir a neutralidade climática até 2030, sendo uma das 100 cidades europeias selecciona-

das para liderar este desafio. Este objectivo é sustentado pelo Plano Estratégico e Ecossistema de Governação Guimarães 2030, que promove uma gestão ambiental integrada, multidisciplinar e participativa, envolvendo a comunidade local, o sector privado, as universidades e a administração municipal. A cidade tem-se destacado por uma abordagem inovadora e pioneira em várias frentes. No âmbito da gestão de resíduos, a estratégia RRRCICLO e o sistema PAYT (Pay-As-You-Throw) incentivam a redução, reutilização e reciclagem, promovendo uma economia circular eficiente. A valorização da biodiversidade também é central na estratégia do município, com iniciativas como o aumento da cobertura arbórea e a criação do Gabinete de Gestão de Arvoredo, que visam melhorar a qualidade do ar e regular o clima. Este compromisso já valeu a distinção de parques da cidade, como o Jardim do Monte Latito e o Parque da Cidade, com os prestigiados Green Flag Awards. A educação ambiental tem sido outro pilar desta trajectória, com o programa PEGADAS a sensibilizar as escolas e a comunidade para práticas mais sustentáveis, e projectos como o Desporto Carbono Zero, que promovem a mobilidade sustentável e a descarbonização. Importa referir também o Bairro C, um projecto-piloto de inovação social em Guimarães, com foco na neutralidade climática.


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Funciona como um “laboratório vivo”, integrando ciência, cultura e criatividade para testar soluções inovadoras.

Foto Photo: Filipe Nobre na Unsplash

A neutralidade climática abrange também o imobiliário? No imobiliário, é de referir que Guimarães está a liderar a construção de uma residência universitária sustentável e inovadora no AvePark. Este projecto ambicioso combina design moderno, tecnologia avançada e materiais ecológicos, como a madeira, para criar um espaço de habitação e convívio para estudantes, investigadores e docentes. Desenvolvido em parceria com o gabinete de arquitectura Pitágoras Group e o consórcio ACE INCONS/LUCIOS, o projecto destaca-se pela qualidade e inovação. Empresas como a Portilame e a Carmo Wood têm o seu envolvimento com o recurso a materiais sustentáveis e de origem local. Parcialmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, o edifício “net-zero” será um exemplo de construção sustentável em Portugal, conciliando desenvolvimento económico, social e ambiental. No sector privado, tem sido referência o novo Hotel B&B, projectado e construído pelo Grupo Casais, o seu projecto “The First Guimarães e MITH”, e a sua construção ino-

vadora e ambientalmente sustentável e modular. A cidade está envolvida em várias iniciativas europeias, nomeadamente com os oceanos, solos e alterações climáticas. Caminhar em conjunto é o trilho certo para se alcançar as metas comunitárias? Sem dúvida, caminhar em conjunto é essencial para alcançar metas tão desafiadoras quanto a neutralidade climática e a sustentabilidade ambiental. Dois exemplos de projectos associados e colaborativos são o do “Guimarães Space Hub” para a monitorização do clima e da nossa pegada ecológica, através da Engenharia Aeroespacial, e da Agenda Be.Neutral, para a nova geração de mobilidade sustentável. A adesão ao Green City Accord e a distinção com o Mission Label, no âmbito da EU Mission: Climate-Neutral and Smart Cities, reforçam o compromisso de Guimarães com as metas do European Green Deal. Este modelo de cooperação inspira outras comunidades e solidifica o papel de Guimarães como uma cidade líder e inovadora na luta global contra as alterações climáticas​. Guimarães had already presented its candidacy for the award in 2017, but it was only in 2026 that it succeeded in becoming ‘European Green Capital’. But is this per-

Este prémio (Capital Verde Europeia 2026) é um marco de orgulho para o município, mas também uma responsabilidade, motivando-nos a continuar a liderar pelo exemplo. We are extremely proud of this award [European Green Capital 2026], but it also carries responsibility, motivating us to continue to lead by example.”


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sistence worth it for an environmental cause? What does it mean for you and for the municipality to achieve this ‘victory’? Persistence, conviction and focus are, without a doubt, necessary conditions when environmental sustainability is at issue, as we’ve stated: it’s a long road that is worth taking, regardless of this proud distinction, and there’s no other to take for a city when we’ve only got one planet. Our recognition as European Green Capital 2026 reflects over a decade of work in progress, involving the whole community - schools, companies, the academy and citizens - in a collective effort to build a greener, fairer and more sustainable city. We are extremely proud of this award, but it also carries responsibility, motivating us to continue to lead by example. The municipality is committed to climate neutrality by 2030. What is being done to this end? Guimarães has taken on the commitment to

achieve climate neutrality by 2030 as one of the 100 European cities selected to lead this challenge. This objective is sustained by the Guimarães Strategic and Ecosystem Governance Plan 2030 which promotes integrated, multidisciplinary and participative environmental management, involving the local community, the private sector, universities and municipal administration. The city has stood out for its innovative and pioneering approach in several fronts. When it comes to waste management, the RRRCICLO strategy and PAYT (Pay-As-You-Throw) system encourage reduction, reuse and recycling, promoting an efficient circular economy. Placing a higher value on biodiversity too is central to the municipality’s strategy with initiatives such as increasing tree cover and the creation of a Tree Management Office that aims to improve air quality and regulate the climate. This commitment has already won awards for the city’s parks like the Monte Latito Gardens and the City Park which bagged

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the prestigious Green Flag Awards. Environmental education has been another pillar on this journey with the PEGADAS programme to raise awareness in schools and the community to adopt more sustainable practices, and projects such as Zero Carbon Sport that promotes sustainable mobility and de-carbonisation. It is also important to mention Bairro C, a social innovation pilot project in Guimarães with a focus on climate neutrality. It works as a “living laboratory’ integrating science, culture and creativity to test innovative solutions. Does climate neutrality also include real estate? In real estate it is worth mentioning that Guimarães is leading the construction of an innovative and sustainable university residence in AvePark. This ambitious project combines modern design, advanced technology and ecological materials such as wood to create a space for hou-


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Foto Photo: João Rey / Cedidas por fmMAGALHÃES

Foto Photo: Câmara Municipal de Guimarães - Grupo de Candidatura Vencedora

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In the private sector, the new hotel/B&B ‘The First Guimarães and MITH’ has been a reference, designed and built by Grupo Casais with its innovative, environmentally sustainable and modular construction.

sing and socialising for students, researchers and fellows. Developed in partnership with the architecture studio Pitágoras Group and the consortium ACE INCONS/LUCIOS, the project stands out for its quality and innovation. Companies like Portilame and Carmo Wood

are involved using local sustainable materials. Partially financed by the Recovery and Resilience Plan, the ‘net-zero’ building will be an example of sustainable construction in Portugal bringing economic, environmental and social development together.

The city is involved in various European initiatives, namely, to do with the oceans, soils and climate change. Is walking together the right road to achieve community targets? Without a doubt, going in the same path together is essential to reach such challenging targets regarding climate neutrality and environmental sustainability. Two examples of associated and collaborative projects are: the ‘Guimarães Space Hub’ to monitor climate and our ecological footprint through Aerospace Engineering; and Agenda Be.Neutral, for the new generation of sustainable mobility. Signing up to the Green City Accord and the distinction with the Mission Label as part of ‘EU Mission: Climate-Neutral and Smart Cities’, strengthen Guimarães’ commitment to European Green Deal targets. This model of cooperation inspires other communities and solidifies Guimarães’ role as an innovative city at the forefront of the global struggle against climate change.


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Living evolution

Habitação optimizada e a preços mais acessíveis Enhanced housing at affordable prices

Foto Photo: Kori Cravel

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Grupos Teixeira Duarte e Vitza avançam com projectos em Gaia e Matosinhos que assentam sobretudo na flexibilização de áreas, reduzindo o custo final. Teixeira Duarte and Vitza groups advance with projects in Gaia and Matosinhos that are based particularly on flexible areas, reducing the final cost. Texto Text: Elisabete Soares

O Grupo Teixeira Duarte foi pioneiro na introdução do conceito living evolution com o projecto residencial Kori Douro, já concluído, localizado próximo da Arrábida, em Vila Nova de Gaia. Mais recentemente lançou o Kori Quinta de Cravel, próximo do centro da cidade de Gaia, totalizando 200 apartamentos, cuja aposta passa pela “disrupção na metodologia de concepção, nos layouts dos apartamentos, no desenho das amenities e na escolha da própria localização”, destaca o promotor no site de apresentação do conceito. E apresenta preços que começam nos 220 mil euros. De referir que o layout dos apartamentos foi estudado para “evitar áreas desperdiçadas” e para que a “vivência no seu interior seja agradável”, através da criação de quatro zonas: work, dinner, sleep e social. A flexibilização destas áreas é conseguida, por exemplo, com a cama rebatível e com a mesa e tampos extensíveis. Outros detalhes passam pela colocação de janelas a toda altura que proporcionam a entrada de luz natural; varanda equipada com bancada, lava-loiças e uma horta para produtos biológicos e totalmente integrada com a área interior,

sentindo-se como área privativa do apartamento, mas também a utilização de materiais com cores claras. A Teixeira Duarte está a expandir o conceito à Grande Lisboa, sendo que até 2028 prevê construir em Portugal cerca de 500 fracções. Mais recentemente o Grupo Vizta – promotor presente no mercado nacional desde 2018 como Nexity Portugal – avançou com o primeiro edifício, em Leça da Palmeira, Matosinhos, através do conceito essential living, que “promove a reutilização, permitindo uma redução significativa de custos, beneficiando o preço do imóvel, evitando o desperdício”, e, assim, “beneficiar também o planeta”, destaca na informação enviada. A marca Core by Vizta, “flexível e customizável” coloca os “equipamentos interiores como opcionais” e o “comprador no centro da decisão”, assegurando a qualidade e sustentabilidade da construção através da sua certificação. O Core Leça apresenta 102 apartamentos, de tipologias studio a T3. Segundo a informação do promotor resta vender 31 apartamentos de todas as tipologias, com destaque para 14 unidades T3, a partir de 310.000€.


56 Ventos do Norte Foto Photo: Core Vizta

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The Teixeira Duarte Group was a pioneer in the introduction of the living evolution concept with the Kori Douro residential project which has been completed, located close to Arrábida, in Vila Nova de Gaia. More recently, it launched Kori Quinta de Cravel, close to the centre of Gaia, totalling 200 apartments with a focus on “disruption in the methodology of the concept, in the layouts of the apartments, in the design of the amenities, and in the choice of the actual location”, highlights the developer on the site presenting the concept, and prices currently starting at 220 thousand euros. For example, the layouts of the apartments were studied to “avoid wasted areas” and so that “living inside would be pleasant,” through the creation of four work areas: work, dinner, sleep and social. The flexibility of these areas has been achieved, for example, with folding beds and with extendable table and tops. Other details include ceiling height windows that provide natural light; a veranda with a bench, sinks, and a vegetable garden for biological products, totally integrated with the interior space as a private area of the apart-

ment, but also the use of light-coloured materials. Teixeira Duarte is expanding the concept to Greater Lisbon, and by 2028 expects to build around 500 apartments in Portugal. More recently, the Vizta Group - a developer that has been in the market since 2018 as Nexity Portugal - has advanced with the first building in Leça da Plameira, Matosinhos, through an essential living concept that “promotes recycling, enabling considerable cost reductions, benefitting the price of the property, avoiding waste”, and thereby “also benefitting the planet”, highlights the information sent. The brand Core by Vizta, is “flexible and can be customised” with “optional interior appliances” and puts “the buyer in the centre of decision-making,” assuring the quality and sustainability of construction through its certification. Core Leça has 102 apartments ranging from studio flats to three-bedroom properties. According to the developer’s information, there are only 31 apartments left to sell with a highlight on 14 three-bedroom apartments from €310,000.

O layout dos apartamentos foi estudado para “evitar áreas desperdiçadas” e para que a “vivência no seu interior seja agradável”, através da criação de quatro zonas: work, dinner, sleep e social. The layouts of the apartments were studied to “avoid wasted areas” and so that “living inside would be pleasant,” through the creation of four work areas: work, dinner, sleep and social.”


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Lá 58 fora Lá fora

Abroad

Abroad

Nos corredores do MIPIM

In the corridors of MIPIM

À procura de respostas Looking for answers


Lá fora Abroad

A chuva torrencial marcou todos os dias do MIPIM. O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, no seu discurso, em jeito de brincadeira, até pediu desculpas aos delegados por eles terem “trazido o clima consigo.” Mas dentro de portas, o calor subiu com um sector à procura de soluções para o imobiliário e para a Europa. The torrential rain blighted every day of MIPIM. The Mayor of London, Sadiq Khan even played upon it in his speech to delegates by apologising for “bringing our weather with me”. But inside the temperature rose with a sector hungry for solutions for real estate and Europe.

Texto Text: Elisabete Soares Fotos Photos: Anabela Loureiro

O ex-governador do Banco Central Europeu, Mario Draghi, foi o orador convidado para abrir o MIPIM 2025. Quando questionado sobre possíveis previsões económicas, respondeu que é “uma situação delicada” e “é muito difícil fazer previsões”. Ainda assim, avançou que “vivemos durante 80 anos num mundo multilateral, onde as relações internacionais e comerciais eram regidas por determinados acordos multilaterais, especialmente no comércio. Agora, tudo acabou.” Considerando que a Europa vai seguir “padrões diferentes”, sem se saber bem quais, Draghi não deixou de declarar que as tarifas são “uma nova ferramenta política” e que, ao contrário do que muitos dizem, não será temporária. As questões da Ucrânia e de Gaza tiveram ecos pelos corredores do Palais des Festivals, não só pelo impacto económico, mas também humano. Falou-se igualmente muito da “guerra das tarifas” e da mudança das cadeiras do poder nos países europeus. Foram ainda várias as vozes que nos disseram que definitivamente vai haver um aumento de liquidez para negócios imobiliários de maior escala. Do mesmo modo, os especialistas vaticinam uma recuperação no mercado imobiliário comercial. E, claro, houve uma enorme preocupação com a escassez de oferta de habitação e casas a preços acessíveis que assola não só Portugal, como vários países europeus. Entre cocktails e apresentações de diferentes geografias, começámos a perceber que a

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tónica da edição de 2025 estava centrada em dois temas: a sustentabilidade e a descarbonização do mercado imobiliário, reforçando a importância de envolver as comunidades; e a tecnologia, nomeadamente como a IA pode ser colocada ao serviço do sector, a par dos data centers. Numa feira que sentimos a “meio gás” já há algum tempo, sobretudo após a ausência da Rússia, parece-nos que decaiu ainda mais este ano. Os números, no entanto, continuam a ser impressionantes: mais de 300 stands, a participação de 90 países, 20.000 delegados e quatro triliões de euros em activos geridos por investidores presentes no certame. Numa feira de networking e de “ser visto”, houve países que não passaram despercebidos. Os pavilhões das várias cidades do Reino Unido, nos espaços exteriores, foram alguns deles. Aliás, o clube de futebol Manchester United esteve em Cannes a promover um novo desenvolvimento em torno do estádio Old Trafford. Falámos com alguns ingleses e o tópico destacado foi a expectativa do mercado em relação ao aumento que se vai assistir da construção em habitação, infra-estruturas e desenvolvimento comercial ancorado no novo Projecto de Lei de Planeamento e Infra-estruturas do actual Governo. Também as megas tendas da Arábia Saudita deram nas vistas. Desta vez a conquista às areias do deserto foi para o projecto Mukaab, localizado no distrito de al-Qirawan, em Riade, cujo edifício de uso misto tem a forma de cubo com 400 metros de altura.


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Deixámos para o fim a “cereja no topo do bolo”: Portugal. Os stands de Lisboa e do Greater Porto estiveram ao rubro todos os dias, com apresentações, interessados e curiosos. Mas não podemos deixar de questionar se a conferência que contou com a presença dos autarcas do Porto e de Almada, foi realmente um sucesso. A sala estava completamente lotada, mas os estrangeiros e interessados contavam-se pelos dedos, pelo que questiono se falar de portugueses para portugueses num evento internacional faz sentido. Parabéns à Fidelidade Property que triunfou nos MIPIM Awards 2025, na categoria de “Best New Mega Development”, com o projecto de EntreCampos. O MIPIM regressa ao Palais des Festivals, em Cannes, de 9 a 13 de Março de 2026. The former governor of the European Central Bank, Mario Draghi was the guest speaker to open MIPIM 2025. When asked about possi-

ble economic forecasts he replied that the “situation is difficult” and “it’s all too easy to make forecasts”. Nevertheless, he said “We have lived for 80 years in a multilateral world, where international and commercial relations were governed by specific multilateral agreements, especially in trade. That now has ended.” Believing that Europe will follow “different standards”, without really knowing which, Draghi was quick to declare that tariffs were a “new policy tool” which, despite what many people say, will not be temporary. The question of Ukraine and Gaza echoed around the corridors of the Palais des Festivals, not just because of their economic impact, but also human. The ‘tariff wars’ were also much discussed and the changes in the seats of power in European countries. There were several voices too who told us that there would definitely be an increase in liquidity for large scale real estate projects. In the same way, the specialists reckon that

Os stands de Lisboa e do Greater Porto estiveram ao rubro todos os dias, com apresentações, interessados e curiosos. The Lisbon and Greater Porto stands were packed every day with presentations, interested delegates and the merely curious”.


Lá fora Abroad

there will be a recovery in the commercial real estate market. And, of course, there was immense concern at the lack of housing and affordable homes that blight not only Portugal, but several European countries. Between the drinks parties and different country presentations, we began to get a sense that the 2025 edition centred around two themes: sustainability and the de-carbonisation of the real estate market, hammering home the importance of involving communities; and technology, in particular, how AI can be put to the service of the sector, as well as data centres. At a fair that we feel has been in second gear for some time, particularly after the absence of Russia, it seems to us that it has lost even more momentum this year. Attendee numbers, however, continue to be impressive: over 300 stands, 90 countries taking part, 20,000 delegates and four trillion euros of

assets managed by investors who were at the fair. At a fair where it’s all about networking and “being seen”, there were countries that did not go unnoticed. The United Kingdom with pavillions from its various cities in the outdoor spaces was one of them. Indeed, Manchester United Football Club was in Cannes to showcase its new development around the Old Trafford stadium. We spoke to some British visitors and the topic ‘du jour’ was the market’s expectation regarding the increase in construction in housing, infrastructures and commercial development anchored in the current government’s new bill on Planning and Infrastructure. The huge tents from Saudi Arabia also stood out. This time the latest project for taming the desert sands was Mukaab located in the district of al-Qirawan in Riyad with a mixed-

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use building in the shape of a 400-metres high cube. We leave the icing on the cake to last. Portugal. The Lisbon and Greater Porto stands were packed every day with presentations, interested delegates and the merely curious. But we couldn´t not but ask if the conference that included the presence of Porto and Almada council officials was truly a success? The room was completely packed, but you could count the number of foreigners and overseas investors on your fingers, so I really must question if preaching to the Portuguese converted at an international event really makes sense? Congratulations to Fidelidade Property that triumphed at the MIPIM Awards 2025 in the category of ‘Best New Mega Development’, with the Entrecampos project. MIPIM returns to the Palais des Festivals in Cannes between 9 to 13 of March 2026.


Lá fora Abroad

Reino Unido United Kingdom

Menos capital, mais controlo Less capital, greater control

tante é inferior a metade da média anual dos últimos 13 anos. A Ásia foi a excepção, atraindo mais capital do que no ano anterior, impulsionada por investidores institucionais e family offices. No que toca à aplicação do capital, 2024 trouxe uma recuperação. Em 2023, apenas 16% do capital angariado foi investido, refletindo cautela e desalinhamento entre compradores e vendedores. Em 2024, esta proporção subiu para 40%, sinalizando um ajuste nos preços dos activos e a percepção de que o ano foi uma boa “safra” para investimentos. Roberto Varandas Managing Director Europa Capital Partners / Mitsubishi Estate Co.

O mercado imobiliário global atravessa um momento difícil. Com menos capital disponível e investidores mais exigentes, as dinâmicas de captação e aplicação de recursos estão a ser redesenhadas. Após 25 anos a acompanhar os fluxos de capital no sector, apresento uma análise baseada no relatório Capital Raising Survey 2025, produzido pelas principais associações da indústria – PREA (América do Norte), INREV (Europa) e ANREV (Ásia). Este artigo explora as tendências de angariação de capital, as mudanças na origem dos investimentos, o crescente controlo dos investidores e as implicações para gestores e operadores no mercado.

Panorama do mercado em 2024

Em 2024, o sector imobiliário global registou mais um ano de fraca angariação de capital. Segundo o relatório, os gestores captaram menos recursos do que em 2023, com a Europa a atingir o valor mais baixo desde 2012: apenas 30 mil milhões de euros. Este mon-

Números-chave do relatório:

• Europa: 30 mil milhões de euros captados, o valor mais baixo desde 2012. • Investimento: 40% do capital angariado foi aplicado em 2024, contra 16% em 2023. • Ásia: Única região com aumento na angariação de capital.

Origem do capital: uma nova distribuição

A composição dos investidores no mercado imobiliário mudou significativamente nos últimos anos. Historicamente, os fundos de pensões dominavam, representando cerca de 50% do capital institucional em 2015. Em 2024, esta participação caiu para 32%, devido a factores estruturais, como o envelhecimento dos participantes nos fundos que leva a maior necessidade de liquidez e menos apetite para o risco. Esta redução abriu espaço para outros intervenientes, incluindo: • Bancos e consultoras: Criam veículos de investimento para clientes de retalho e wealth management. • Family offices e grupos económicos: Procuram oportunidades em mercados privados. • Capital asiático e do Médio Oriente: Ganha relevância em detrimento do capital europeu.

Esta redistribuição reflecte uma tendência global de migração de riqueza dos mercados públicos para os privados, e do ocidente para os mercados emergentes, com impacto não só no sector imobiliário, mas também noutras classes de activos.

Controlo dos investidores: o poder nas mãos de quem investe

Os investidores estão a exigir maior controlo sobre os seus investimentos, uma tendência que reflete o actual equilíbrio de forças no mercado. Em vez de fundos discricionários, onde os gestores têm ampla autonomia, as estruturas preferidas incluem: • Joint-ventures: Permitem ao investidor influenciar decisões estratégicas. • Contratos directos de gestão: Facilitam a substituição de gestores ou a venda de activos. • Participação em plataformas operacionais: Investidores entram no capital de empresas que gerem activos como residências para estudantes, co-living ou serviced offices. Um exemplo prático é o crescimento de plataformas de “living”. Investidores institucionais, como fundos soberanos ou seguradoras, contribuem com activos para estas plataformas e participam no seu capital. Quando estas atingem escala e são vendidas – como no caso de operadoras de living adquiridas por grandes grupos imobiliários –, os investidores capturam parte do valor gerado. Esta abordagem combina exposição ao mercado imobiliário com o potencial de ganhos em transacções corporativas.

Implicações para gestores e operadores

A escassez de capital cria um ambiente altamente competitivo, onde apenas as melhores oportunidades atraem investidores. Para se


Lá Fora Abroad

destacarem, gestores de fundos e operadores devem oferecer: • Retornos atractivos: Projectos com risco controlado e potencial de valorização. • Flexibilidade: Estruturas que permitam maior controlo ou saídas estratégicas para os investidores. • Parcerias inovadoras: Como a participação de investidores no capital de gestoras ou plataformas operacionais. Além disso, a ascensão do capital asiático e do Médio Oriente exige que os operadores se adaptem a novas culturas de investimento e prioridades.

Conclusão: adaptar

O mercado imobiliário de 2025 será marcado por menos capital e maiores exigências. Para gestores e operadores, o desafio é evidente: diferenciar-se num ambiente competitivo, oferecendo flexibilidade, transparência e parcerias estratégicas. Quem souber navegar estas mudanças – seja através de estruturas inovadoras, como joint-ventures, ou pela criação de plataformas operacionais – estará bem posicionado para prosperar. No actual contexto, o capital dita as regras, e a adaptação é a chave para o sucesso. The global property market is undergoing a challenging period. With less capital available and more demanding investors, the dynamics of capital raising and allocation are being reshaped. Drawing on 25 years of experience tracking capital flows in the sector, I present an analysis based on the Capital Raising Survey 2025 report, produced by the industry’s leading associations – PREA (North America), INREV (Europe), and ANREV (Asia). This article explores trends in capital raising, shifts in the sources of investment, the increasing control exerted by investors, and the implications for fund managers and operators in the market.

Market overview in 2024

In 2024, the global property sector recorded another year of weak capital raising. According to the report, fund managers secured fewer resources than in 2023, with Europe reaching its lowest level since 2012: just €30 billion. This amount is less than half the annual average over the past 13 years. Asia was the exception, attracting more capital than the previous year, driven by institutional in-

vestors and family offices. Regarding capital deployment, 2024 marked a recovery. In 2023, only 16% of the capital raised was invested, reflecting caution and misalignment between buyers and sellers. In 2024, this proportion rose to 40%, signalling an adjustment in asset prices and the perception that the year was a strong “harvest” for investments.

Key figures from the report:

• Europe: €30 billion raised, the lowest since 2012. • Investment: 40% of raised capital was deployed in 2024, compared to 16% in 2023. • Asia: The only region with an increase in capital raising.

Sources of capital: a new distribution

The composition of investors in the property market has changed significantly in recent years. Historically, pension funds dominated, accounting for around 50% of institutional capital in 2015. By 2024, this share had fallen to 32%, driven by structural factors such as the ageing of pension fund participants, which increases liquidity needs and reduces risk appetite. This decline has created opportunities for other players, including: • Banks and consultancies: These create investment vehicles for retail and wealth management clients. • Family offices and business groups: These seek opportunities in private markets. • Asian and Middle Eastern capital: This is gaining prominence at the expense of European capital. This redistribution reflects a global trend of wealth shifting from public to private markets, impacting not only the property sector but also other asset classes, and from Western to emerging markets.

Investor control: power in the hands of investors

Investors are demanding greater control over their investments, a trend that reflects the current balance of power in the market. Instead of discretionary funds, where managers have broad autonomy, preferred structures include: • Joint ventures: These allow investors to influence strategic decisions.

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• Direct management contracts: These facilitate the replacement of managers or the sale of assets. • Participation in operational platforms: Investors take equity stakes in companies managing assets such as student accommodation, co-living spaces, or serviced offices. A practical example is the rise of living platforms. Institutional investors, such as sovereign wealth funds or insurers, contribute assets to these platforms and demand equity stakes. When these platforms reach scale and are sold – as seen with living and serviced operators acquired by large property groups – investors capture part of the value generated. This approach combines exposure to the property market with the potential for gains from corporate transactions. Implications for managers and operators The scarcity of capital creates a highly competitive environment where only the best opportunities attract investors. To stand out, fund managers and operators must offer: • Attractive returns: Projects with controlled downside risk and potential for appreciation. • Flexibility: Structures that allow greater control or strategic exits for investors. • Innovative partnerships: Such as investor participation in the equity of management firms or operational platforms. • Furthermore, the rise of Asian and Middle Eastern capital requires operators to adapt to new investment cultures and priorities.

Conclusion: adapt

The property market in 2025 will be defined by less capital and higher demands. For managers and operators, the challenge is clear: differentiate in a competitive environment by offering flexibility, transparency, and strategic partnerships. Those who can navigate these changes – whether through innovative structures like joint ventures or by creating operational platforms – will be wellpositioned to thrive. In the current context, capital sets the rules, and adaptation is the key to success.


64 Anabela Loureiro

Obrigada Papa Francisco Thank-you Pope Francis!

aprendido algo com a mensagem do Papa que fez da sua palavra uma arma. Tiro das suas muitas frases uma que me toca especialmente: “Temos de cultivar e cuidar do Jardim onde Deus nos colocou”. Pope Francis remained true to himself right up until the time of his death - he relived in Christ as only he knew. With an unequalled spirituality and goodness, he was a man who knew how to share and transmit lessons of humility, compassion, simplicity, hope, humanity, and love to the world.

He treated all as equals, particularly the poor and marginalised. He respected all without exception: “All, Everyone and Everybody.” He possibly would have respected those who commemorated the 25 April Revolution in Portugal, the day when the public wake ended. Those who would rule the world should have learnt something with the Pope’s message his words being the ultimate weapon. From the many sayings he uttered, there is one that I find extremely touching: “We have to cultivate and tend our garden in which God placed us.” Foto Photo: Anabela Loureiro

Francisco até na morte se manteve igual a ele próprio - reviveu Cristo como só ele soube. Com uma espiritualidade e bondade ímpar, ele foi um Homem que soube partilhar e transmitir ao Planeta lições de humildade, compaixão, simplicidade, esperança, humanidade, amor. Tratou todos por igual, sobretudo os mais desfavorecidos e marginalizados. Respeitou todos sem excepção: “Todos, Todos, Todos.” Possivelmente respeitaria que se celebrasse a liberdade de todos no 25 de Abril em Portugal, dia em que terminava o seu velório público. Os que querem mandar no mundo, deveriam ter


2.ª EDIÇÃO CONFERÊNCIA

GREEN SHAPERS 29.05.25 Edifício Victoria Seguros, Avenida da Liberdade 200, Lisboa

14:30

Boas-vindas por Anabela Loureiro, Administradora da Revista Magazine Imobiliário

14:40

Inovar na transição energética – Portugal e União Europeia Orador especialista: Nelson Lage, Presidente da ADENE – Agência para a Energia

15:00

15:40

Água: Consumo responsável dentro de portas Orador especialista: Daniela Silva, Leader, Project Channel, Commercial Portugal, LIXIL EMENA Momento Grohe de interacção com o público

16:00

Tea & Coffee I Relax & Networking

Smart Real Estate Orador especialista: Nuno Alpendre, Partner da Deloitte

16:30

15:20

Moderador: Maria da Cunha e Menezes, Head of Project and Development Services and Sustainability JLL Portugal

A madeira dita o futuro da construção sustentável Orador especialista: Helder Santos, Administrador da Jular

Painel – Imobiliário Sustentável versus Financiamento Verde

Oradores especialistas: Isabel Santos, Founder & Partner da Greenlab Cristina Melo Antunes, Responsável de Sustentabilidade do Santander Portugal João Duarte Silva, Client Solutions Director I Business Development Director at Arcadis Rui Fragoso, Head of Buildings and Efficiency of Resources at ADENE - Agência para a Energia Espaço para perguntas do público

17:45

Encerramento Osório Tomás, Director Adjunto dos Serviços Centrais da Fundação Calouste Gulbenkian


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