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13 a 18 FEV 2017

FESTIVAL LITERÁRIO DE LONDRINA Publicação do Festival Literário de Londrina Ano 06 - Nº 06 Fevereiro 2017


O QUEIMAR SEM FIM DA BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA A humanidade tem destas coisas. Num segundo de bobeira, numa inútil guerra qualquer, alguém resolve riscar um palito e queimar séculos, milênios de conhecimento então sob a guarda de uma Biblioteca (biblion: livro, theké: grande caixa). O desprezo pelos livros proporcionam belos - o fogo parece despertar as crianças que habitam os adultos - e tristes espetáculos. Como empilhar livros no meio da rua e seu crepitar ser visto, admirado por centenas, milhares de pessoas. E o quê dizer do dissimulado queimar? Por que não encontro livro do(a) fulano(a)? Ah, tá queimado(a). As “editoronas” não publicam. Só as “editorinhas”, tocadas por pessoas que amam livros. Esta minoria que teima em remar contra a correnteza. Esta gente que se desdobra pra manter no ar eventos como o Festival Literário de Londrina, Londrix, há 13 anos na estrada e ainda considerado irrelevante. Vá se entender esta gente... Seguimos em frente. Amor é pra ser vivido. E vivemos nosso caso de amor com os livros. Como agência de namoro e casamentos, aproximamos leitores e livros, autores. Editoras. Linguagens. Estéticas. Cantamos e dançamos, celebramos a Literatura. Neste momento que o projeto não foi aprovado pelo Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). A “Vakinha” virtual, financiamento colaborativo, é a saída que nos restou para realizar o Londrix 2017. Você que tem sensibilidade, que se interessa pela vida poetizada, romanceada, revelada em crônicas e contos, acesse a página www. vakinha.com.br/vaquinha/colabore-com-o-londrix. Ajude-nos a jogar água no crepitar sem fim da Biblioteca de Alexandria. Faça o Londrix acontecer!

FESTIVAL LITERÁRIO DE LONDRINA


“Sociedade Poética”, devaneio em construção Houve um tempo, que vai longe, em que a fruição da literatura em suas mais variadas linguagens, era privilégio de poucos. Só a classe dominante tinha acesso à produção literária. Os livros eram escassos e de circulação restrita. O caminhar literário, apesar de todo o avanço tecnológico, segue pedregoso e esburacado, ora poei-

rento, ora barrento. Deste modo, as periferias, locais de concentração da classe trabalhadora, continuam distantes da produção literária. Pavimentar este caminho, através de encontros focados na leitura, primeiro passo para o manifestar-se da escrita, é o que fazemos através do projeto “Sociedade Poética”.

VI MOSTRA LONDRIX

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A PALAVRA EM OUTRAS PLATAFORMAS Inscrições até XX de fevereiro no site www.londrixfestivalliterario.com.br


ÍNDICE Editorial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 Sociedade Poética . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 Assalto Literário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 Encantamentos Poéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 Poesia In Concert . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 Sarau: Prosa, Poesia e Outras Delícias . . . . . . . . . . . 9 Sarauzinho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Um Dedo de Prosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Memória Londrina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 A Carne do Corpo, a Carne da Palavra . . . . . . . . . . . 13 Cozinha Londrix . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Fantasmas do Presente, Silêncios do Passado . . . . . . 15 Aula Show com Enzo Minarelli . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Nos Labirintos de Eros: Poesia e Sedução . . . . . . . . 17 Leituras Musicais de Yuxin, Alma . . . . . . . . . . . . . . 18 Poesia Biossonora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Café com Poesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Café com Elas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Café com Prosa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .22 Café com Slam . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .23 Eu Aprovo o Londrix . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 O Último Porco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 Mostra Vídeo Poema . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Coração de Benjamin . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 Vila Cultural Cemitério de Automóveis . . . . . . . . . . . 31 Programação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .32

DIREÇÃO: Christine Vianna ASSESSORIA PEDAGÓGICA: Áurea Palhano CURADORIA: Frederico Fernandes e Marcos Losnak PRODUÇÃO: Luciana Guedes, Sergio Mello ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Leandra Azevedo PRODUÇÃO DA FEIRA: Beatriz Vianna Boselli

ASSESSORIA DE IMPRENSA/ EDIÇÃO REVISTA: Mário Fragoso DESIGNER: Marco Tavares FOTOGRAFIA: Fofaun PATROCÍNIO DO FESTIVAL LITERÁRIO DE LONDRINA: MINISTÉRIO DA CULTURA/ BIBLIOTECA NACIONAL APOIO: UEL / MUSEU HISTÓRICO DE LONDRINA

PARCERIA: CULTURAL/ RPC TV TIRAGEM: 5.000 exemplares AGRADECIMENTOS: Denise Gentil e Rodrigo Garcia Lopes que em 2005 ajudaram a idealizar o Londrix com Christine Vianna e Marcos Losnak. Ao jornalista Bernardo Pellegrini por ter colaborado na discussão desta revista. À Cláudia Silva e Marcelo Santos Martins Araújo


ATENÇÃO, ISTO É UM ASSAALTÔÔ!!! LITERÁRIO...

Projeto de incentivo à leitura vai de encontro à população, em ambientes privados e públicos, faz leituras de poemas, declamações, distribui livros e ganha prêmio do Ministério da Cultura.

Ocorrências registradas “Caracas, ser assaltada bem no dia que comprei o celular que vinha namorando há tanto tempo...” Foi o receio relatado por uma jovem, que estava no finado “Bar do Jota” jogando sinuca, na noite em que foi perpetrado um “Assalto Literário” no local. Segundo ela, assim que ouviu a voz de assalto, entrou debaixo da mesa de sinuca pra tentar salvar o objeto do desejo recém-adquirido. Apesar do susto, a estudante garantiu ter gostado da ideia e do livro que recebeu de presente. E ainda convidou pra uma cerveja. Cenas como estas são corriqueiras nos “Assaltos Literários”. Primeiro o estranhamento e o susto, depois o sorriso. Muitos, que não recebem os livros, procuram os assaltantes para pedir um presente literário.

A quadrilha reuniu-se pela primeira vez em 2010. De lá pra cá foram 70 “Assaltos Literários”, com mais de 30 facínoras da leitura e da declamação tomando preciosos minutos da vida das pessoas. Em troca, poesia ao vivo e a cores e livros à mancheia. E algum susto, pra chamar a atenção, claro.

SERVIÇO

Mais eficientes do que o bando de Jesse James, Bonnie and Clyde & outros bandidos do cinema americano, ao invés de serem condenados, os “assaltantes” receberam do Ministério da Cultura o prêmio “Todos por um Brasil de Leitores”. E prometem seguir em frente e distribuir mais 7 mil livros, como fez até aqui.

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O grande assalto, um dos primeiros, foi no Terminal Urbano Rodoviário Central de Londrina. Passam pelo local, diariamente, mais de 150 mil pessoas. No sábado em que o “Assalto Literário” foi praticado, por volta do meio-dia, o Terminal estava abarrotado. Uma emissora de tevê local gravou toda a movimentação, desde a voz de assalto em meio a multidão, até o final no interior de um coletivo que deixava o Terminal em direção a um bairro. Há quem diga que esta interferência literária, no caos urbano da metrópole em formação, seja menos que uma gota d’água no oceano. Não importa. Ver as pessoas, em geral trabalhadoras, folheando os livros. Comentando entre elas, tá de bom tamanho.”

mario fragoso, jornalistator.

12 FEV | DOMINGO | 11 HORAS | Feira dos Cinco Conjuntos 13 FEV | SEGUNDA | 11 HORAS | Calçadão Cambé 15 FEV | QUARTA | 9H30 | Prefeitura de Ibiporã


Encantamentos Poéticos na Terceira Idade No tempo de nossos avós, vivia-se pouco e mal. Com os avanços da medicina e da indústria farmacêutica, passamos a viver mais. O desafio, agora, é atribuir qualidade ao tempo extra de expectativa de vida. Esta é a proposta do projeto “Encantamentos Poéticos na Terceira Idade”, isto é, um olhar para além das atividades físicas. Exercitar o cérebro e a memória é o objetivo.

Foi com esta ideia na cabeça que as professoras, Áurea Palhano e Christine Vianna, entusiastas da literatura, colocaram o bloco na rua em 2012, isto é, convidaram idosos a prosear, ler, memorar, falar como faziam seus pais e avós nas longínquas infâncias do Brasil caboclo, rural.

Fios que se rompem e se (re)cosem em colchas de retalhos de memórias coletivas, conscientes e inconscientes. Tecer sem fim. Sem arremate. Feito Mario Quintana, “Das Utopias” – “Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!” LEITURA – O poeta gaúcho, não é citado ao acaso. É presença recorrente nas rodas de conversa-criação. Senta-se, pacientemente, ao lado de Lia Luft, Cecília Meireles e outros autores e autoras, em cujas obras a velhice que os faz um todo especial é tratada de forma romântica, poética.

SERVIÇO

Exercitando a memória oral compartilhada, as cartas trocadas ao longo da vida – muitas vezes lidas por terceiros -, fragmentos esparsos de lembranças vividas, ouvidas e, muitas, imaginadas; aos poucos, as teias de aranha do esquecimento são rompidas e novas histórias são verbalizadas. Escritas.

Assim, paulofreireanamente, de repente, a poesia, a prosa poética vem a ser. Apresenta-se e encanta porque encantada. Porque poesia. Porque vida. E a vida segue, só que relatada de outra forma. Outro conteúdo. Os envelhecidos e abarrotados neurônios, acreditamos, agradecem.

INÍCIO EM MARÇO DE 2017

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POESIA IN CONCERT

Letra e voz na cena cultural londrinense Com as facilidades disponibilizadas pela Internet, que permite contato com linguagens múltiplas e planetárias, a poesia e a música deram-se as mãos e seguem bailando desde então. Na primeira edição, Mário Bortolotto, Rodrigo Garcia Lopes, Maurício Arruda Mendonça e Sílvio Demétrio.

Um projeto que reverencia, brinda e homenageia a literatura. A ideia é mergulhar a poesia na música, ou viceversa, saboreando diversos caminhos

FOTO: ANDERSON CRAVEIRO

Fora da província Londrina, naquele momento, só o “Marião” Bortolotto era conhecido por sua arte dramatúrgica. Em seguida, cada qual, a seu tempo e gênero ou estilo, ganhou projeção nacional. Internacional. Saltou muros, rompeu fronteiras e seguiu adiante escrevendo, cantando.

A caminhada, pode-se dizer tem sido longa, árdua e pedregosa, tanto quanto prazerosa. Começou em 1993, quando poetas e músicos londrinenses encontraram a picada aberta, nos anos 1970-80, por Arrigo Barnabé e Itamar Assunção, expoentes da chamada “Vanguarda Paulistana” daquele atribulado tempo de transição democrática.

VOANDO – Os anos 1990 se foram, vieram os 2000, 2010, e o Poesia in Concert, a cada edição, todas especiais, conquista novas almas poéticas. As quais se unem, física ou espiritualmente, aos “véinhos” Marcos Losnak, Rogério Ivano, Toni Hara e Jacqueline Sasano, que fizeram os zines e os cartazes da estreia. As responsabilidades familiares e profissionais provocaram baixas. Saudades que os eventos no Festival Literário de Londrina revivem. Por isso, escreveu o professor Frederico Fernandes, curador do Londrix - “O tsunami ainda está longe de parar. Como afirmava um dos cartazes do Poesia in Concert: “Palavra cantada é palavra voando!”

PS – O texto acima foi levemente inspirado no ensaio escrito pelo professor Frederico Fernandes. O texto original será disponibilizado na página do Londrix

SERVIÇO

13 FEV | SEGUNDA | 18 HORAS | Concha Acústica

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Augusto Silva e Duda Victor | Benditos Energúmenos Maurício Arruda Mendonça & Hermano Pellegrini Rodrigo Garcia Lopes & Eduardo Batistella | Orifício dos Deuses | Saco de Ratos


VAI, SOLTE A VOZ, LIBERTE O QUE LHE VAI PELA ALMA! Este é um dos propósitos do “Sarau”, abrir espaço pra quem tem apreço pela poesia. Como na noite em que todos participaram da leitura de “Navio Negreiro” de Castro Alves, mais de 40 vozes alternadas, em coro, denúncia da infâmia da escravidão, clamor de liberdade.. no susto e no improviso.

O “Sarau: prosa, poesia e outras delícias” é um evento tradicional realizado mensalmente desde 2008. O projeto fomenta o hábito da leitura, mostrando obras de referência mundiais, autores consagrados e, principalmente, autores locais, visando a formação de um público leitor mais atuante e crítico. Trata-se, sobretudo, de um espaço-tempo que possibilita o diálogo a respeito da produção artística e discute as vertentes da ação criativa contemporânea. O “Sarau” propicia o encontro entre escritores, intelectuais e comunidade em geral, com a participação interativa do público.

SERVIÇO

Em algumas reuniões lírico-literárias, deixamos sobre as mesas livros dos poetas que lemos – Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa(s), Walt Whitman, Lawrence Ferlinghetti, Manoel Bandeira,

Augusto dos Anjos, Paulo Leminski, Gregório de Matos e Guerra, Homero, Shakespeare, Neruda... NATIVOS – De corpo presente ou nas leituras, os londrinenses Augusto Silva, Célia Musilli, Edra Moraes, Karen Debértolis, Márcio Américo, Mário Bortolotto, Mário Romangnolli, Maurício Arruda Mendonça, Marcos Losnak, Nelson Capucho, Rodrigo Garcia Lopes, Samantha Abreu... Londrinenses de outras plagas -. Janderson José da Cunha, Vagner Xavier... Paulista, como Ademir Assunção, o “Pinduca”... Por estas prosas e poesias e outras delícias literárias, em 2016 o “Sarau” recebeu a Bolsa Circulação Literária/Sarau do Ministério da Cultura. Evoé!

Christine Vianna, atriz, produtora, editora e apaixonada pela literatura.

15 FEV | QUARTA | 21 HORAS Vila Cultural Cemitério de Automóveis

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Sarauzinho é diminutivo só no nome

Ator e palhaço formado pela experiência prática junto ao mestre Ricardo Queirollo, o saudoso “Picolino”, que vivenciou e me ensinou, através da oralidade, a arte do circo e do palhaço, participar de um projeto tão consequente como o Sarauzinho, é muito gratificante. Aqui, a arte da contação de histórias e estórias baseada na tradição da oralidade, mesclada com a arte circense, é levada ao público infantil. Esta atividade me enche os olhos e alimenta a alma enquanto artista diante da real importância do Sarauzinho. O projeto criado por Christine Vianna, produtora, atriz e diretora do Londrix e da Vila Cultural Cemitério de Automóveis, oportuniza às novas gerações o contato com linguagens tão antigas e ricas que

Projeto do Festival Literário de Londrina, Londrix, visita escolas e recebe estudantes do ensino fundamental ao longo do ano. É a poesia sendo conhecida de forma lúdica.

propiciam descobertas através do universo lúdico das crianças. DIVERSÃO – Processo de comunicação direta entre o emissor e o receptor, potencializando o desenvolvimento das funções cognitivas e despertando a reflexão sobre a vida real através da experiência com o imaginário, entendo que o Sarauzinho cumpre uma função social. O Sarauzinho, projeto de extensão do Londrix de extrema importância para a formação de qualquer criança, sendo a oralidade e a relação lúdica com as histórias um dos caminhos para a formação de novos leitores, além de tudo é muito prazeroso de se fazer.

Sergio Mello Ator, produtor e diretor

14 FEV | TERÇA | 15 HORAS | Museu Histórico de Londrina

SARAUZINHO com os palhaços CARABINA & LELECA + Contação de história “DESVENDÉRIO” com MORGANA

16 FEV | QUINTA | 15 HORAS | Museu Histórico de Londrina SERVIÇO

Palhaço Mequetrefe e contação de história com Gilza Santos

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18 FEV | SÁBADO | 10 HORAS | Museu Histórico de Londrina Palhaços Carabina e Leleca e contação de história “Tempo de Prosa” com Luciana Guedes


Um Dedo de Prosa nas Escolas De todas as edições em que participei deste projeto, nenhuma me trouxe tanta vivência e experiência como a versão 2016. Isto porque em anos anteriores as visitas ocorreram apenas em Londrina. Ano passado, fizemos um tour literário e viajamos mais de 3, 7 mil quilômetros, precioso tempo de convívio e de atualização em termos de leituras, autores, sensações e experiências literárias, coisa rara entre escritores hoje em dia. O escritor, a pessoa, é sempre mais impactante do que a figura quase mitológica, cujos nomes são importantes no ensino de literatura, mas são esquecidos pelos alunos no final do ano. Portanto, ter um escritor ao vivo na escola é uma experiência singular, capaz de romper o preconceito e, inclusive, instigar alguns para o ofício da escrita, da docência. Onde proseamos, conhecemos alunos apaixonados pela arte de escrever. Vimos esboços de bons roteiros e fomos questionados sobre a criação de personagens ou a escrita de poesia. O lado não tão bom da coisa foi a percepção da dificuldade

que eles têm quanto à leitura - e o que dizer então da escrita? -, pois em muitas cidades o acesso à cultura, de um modo geral, é extremamente básico e incipiente. A sede de livros que notamos, foi saciada com a distribuição de obras, principalmente da produção literária londrinense. Vi nos olhos encantados daquela molecada o efeito de um livro e de um autógrafo. A realização do cerimonial literário, visto que não há muito contato entre os autores e os seus leitores, a não ser neste momento mágico, o da instituição da dedicatória e da assinatura, é um prazer mútuo entre o escritor e o leitor.

Herman Schmitz Escritor e proseador

15 FEV | QUARTA | 15 HORAS | Museu Histórico de Londrina SERVIÇO

Com Marco Fabiani

16 FEV | QUINTA | 15 HORAS | Museu Histórico de Londrina Com Samantha Abreu

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Memória londrina revisitada por quem a viveu Ator, dramaturgo, iluminador, cenógrafo, sonoplasta, cronista, escritor, poeta, blogueiro, compositor, cantor, entre outros talentos, Mário Bortolotto, que atualmente vive em São Paulo-SP, encontra o antigo parceiro de poesia e noitadas Augusto Silva, professor e poeta que foi-se embora pra Umuarama, sem nem mesmo ser amigo do rei. Ou do prefeito.

ampliou os horizontes e se aventura onde seja possível compartilhar seus escritos. Já o professor de Língua Portuguesa e Literatura, Augusto Silva, com muitos anos de docência na Rede Pública do Estado do Paraná na mala, livros e mais livros de poesia publicados, lidos e reverenciados, deu um tempo a Londrina e foi pro Oeste do estado, onde segue criando a poesia visceral que o tornou conhecido. De vez em quando, deixa o “exílio” e dá uns voos rasantes em Sampa, Londrina, Curitiba... Desta vez, comanda uma Oficina de Textos Criativos no Londrix, toma um copo d’água e troca de ambiente. Vai bater papo com o amigo Mario Bortolotto. A ideia é que os dois, que viveram a efervescência cultural de Londrina anos 1990 e depois seguiram seus caminhos, compartilhem a memória daquele momento que ainda ecoa na Metrópole do Norte do Paraná. Apareça pra tomar um porre de teatro, música, poesia e literatura. Vida.

Eis, pois, Mário Bortolotto. E tudo está dito. Do Jardim do Sol a Paris, de Londrina a Sampa, via Curitiba, e de lá pro Brasil inteiro. Muita ralação. Os alojamentos e a comida dos festivais, a bebida barata e as madrugadas estreladas permeiam a escrita do Londrinense. Difícil é defini-lo. Enquadrá-lo em alguma classificação popular, literária ou acadêmica.

SERVIÇO

Marião, como é conhecido pelos que o acompanham desde sempre, feito Paulo Leminski, que dizia ter paixão pela palavra, vive um caso de amor com a escrita. Começou no teatro, onde se mantém ativo e acumula dezenas de espetáculos que seguem sendo encenados aqui, ali e acolá, ganhou prêmios e

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13 FEV | SEGUNDA | 17 HORAS | Museu Histórico de Londrina Mesa “MEMÓRIA LONDRINA” Mário Bortolotto e Augusto Silva


TANTO FAZ SE ABACAXI OU PORNOPOPEIA “Ando escrevendo antes, durante e depois de escrever”. Desta forma autodescreveu seu cotidiano o escritor paulistano Reinaldo Moraes em uma entrevista à revista “Veja”, em 2010, quando participou da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty.

FOTO: LAURA MORAES

O título brinca com os títulos mais conhecidos da obra de Reinaldo Moraes, mas o caso é sério. Ou não. Nunca sabemos ao certo onde a prosa em debate há de nos levar. O escritor, poeta, agitador e DJ Felipe Pauluk é quem vai puxar a prosa com o Reinaldo.

Bacharel em Administração pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e mestre em Urbanismo pela Universidade de Paris, títulos que poderiam lhe render emprego estável, status & outros induzidos sonhos da sociedade consumista, Reinaldo desvencilhou-se das teias de aranhas acadêmicas, dos desígnios do deus mercado e mergulhou fundo na arte de escrever. MALANDRO – O livro de estreia, “Tanto faz”, de 1981, é citado em estudos acadêmicos como ilustrativo no desvendar o modus vivendi do malandro brasileiro. “Abacaxi”, 1985, segunda publicação é uma continuação do primeiro, mas em Nova Iorque e não Paris. Depois, um hiato de quase duas décadas. Em 2009, enfim, “Pornopopeia”, livro considerado pela crítica como o seu melhor. A escrita de Reinaldo vai além da literatura e transa com outras linguagens, como o teatro, o cinema e a televisão. Nesta, pra financiar o leite das crianças e as visitas à boemia paulistana, ajudou a escrever três telenovelas. Trocando em miúdos, sua passagem pelo Londrix 2017 tem tudo pra ser um momento a ser fixado na memória.

SERVIÇO

BATE-PAPO – Pra embalar a conversa com o escritor paulistano, a organização do Londrix escalou o escritor londrinense nascido em Curitiba, Felipe Pauluk. Ele é um dos poetas da hora da cena londrinense. Publica romances, livros de poesia, promove (carna)saraus e pilota pick-ups nas madrugadas. Uma boa conversa.

14 FEV | TERÇA | 20 HORAS | Museu Histórico de Londrina

BATE-PAPO “A CARNE DO CORPO, A CARNE DA PALAVRA: LITERATURA E EROTISMO” Reinaldo Moraes, Felipe Pauluk

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Cozinha Londrix e o fogão da literatura Enquanto amadureciam, um pulou de Engenharia pra Ciências Sociais, presidiu o DCE-UEL, fez mestrado e virou chef e professor. Outra foi ser produtora teatral e estudar os meandros da cozinha no Rio de Janeiro-RJ. Em Londrina, formou-se Nutróloga e virou referência de alimentação saudável. O terceiro, viajou pela América Latina, casou, escreveu livros e cozinhou, muito e bem, pros amigos e familiares. A troca de receitas há de encorpar o caldo do caldeirão da Cozinha Londrix. “O aluno dos cursos de culinária não é estimulado a ler obras literárias e com isso se priva do ingrediente mais importante numa tradição culinária sólida: sua inserção no cotidiano das pessoas, sempre tão bem captada e revelada pelas obras de nossos escritores”, diz o chefe Marcello Sokolowski, professor da Unopar, estudioso da cultura gastronômica e do terroir – pronuncia-se terroar - norte paranaense. A nutricionista Valéria Arruda Mortara convive com a boa literatura desde sempre. Sua tia, Ana Arruda, era esposa do jornalista e escritor Antonio Callado (rip). Quem é de Londrina, certamente se habituou a vê-la nos telejornais e programas de televisão falando sobre bons alimentos, vida saudável. Sua fala tranquila e sem afetações, atitude comum no meio televisivo, nos convida a prestar atenção. Já o escritor Herman Schmitz, com muita poesia e um livro de ficção científica publicados, é conhecido no meio literário de Londrina, não só por seus escritos, mas, também, pelos pratos que cozinha em animados encontros da gastronomia com a literatura. Namoro que vem desde “O Banquete”, do Platão e se tornou união estável há muito.

DISTANTES – A promoção da Cozinha Londrix, tem a ver com o distanciamento dos estudantes das obras literárias, muito pela falta de estímulos citada pelo chef Marcello. “Isto em plena explosão do mercado editorial para obras de gastronomia, aquecido por lançamentos incessantes de livros de receita, a literatura ainda é uma ilustre desconhecida na formação de novos chefs”, lamenta.

Londrix no menu da escola de gastronomia A MENU Escola de Gastronomia – leia-se, Ana Paula Lopes e Pablo Lussich, abre as portas para o Festival Literário de Londrina, o Londrix 2017, e inaugura uma parceria pra lá de saborosa: a Cozinha Londrix. A receita é um desafio: trazer para o fogão a poesia e a música de compositores e poetas londrinenses. Na edição de estreia, quem cria os pratos e pilota o fogão é o chef Marcello Sokolowski, que está na mesa de debates sobre a Cozinha Londrix. No cardápio, versões emprestadas de obras de Arrigo Barnabé (“Omeletes de Clara Crocodilo”) Bernardo Pellegrini e Mauricio Arruda Mendonça (“Pétalas de Setembro”) e, na sobremesa, (“Café Caipira”), de Robinson Borba. Imperdível.

15 FEV | QUARTA | 20 HORAS | Museu Histórico de Londrina SERVIÇO

Mesa “COZINHA LONDRIX” Marcello Sokolowski, Valéria Arruda Mortara e Herman Schmitz

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17 FEV | SEXTA | 19 HORAS | Menu Escola de Gastronomia

Gastronomia com temperos literários com Marcello Sokolowski - R. Raja Gabaglia, 910


Lugar de Jabuti é aqui: Londrina Finalista em vários concursos, desde que estreou na literatura em 2004, aos 23 anos, Julián Fuks romanceia em “Resistência” a vida de uma família, no caso a própria, em meio às ditaduras da América do Sul entre os anos 1960 e 80. Do outro lado da mesa, nada menos do que Sílvio Demétrio, professor universitário e sócio fundador do Poesia in Concert. “Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”, consideração inicial do romance Ana Karenina, de Liev Tolstói, nada tem a ver com Julián Fuks. A não ser, talvez, o fato de seu livro “Resistência”, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Romance em 2016, contar a história de uma família. Encontros e desencontros. Ditos e não ditos. “Argentino” nascido no Brasil, “San Pablo”-SP, filho de pais que deixaram o vizinho país durante as ditaduras que assolaram o chamado Cone Sul a partir dos anos 1960, Julián, vale-se da vivência familiar para construir as personas e o enredo de “Resistência”, que seria intitulado “O irmão possível”, mas teve o título alterado pelo fato de Chico Buarque ter lançado, meses antes, “O irmão alemão”.

SERVIÇO

HISTÓRIA – O sequestro, sim, sequestro, de algo em torno de 500 bebês ao longo da sangrenta ditadura militar argentina, pode ser visto como o respon-

sável pelo livro. “Ao Emi, muito mais que o irmão possível“, dedicatória ao mano adotivo, de repente um dos subtraídos do convívio com os seus e entregues a famílias de militares e civis, remete a tal página sombria da América Latina. Continente a sofrer constantes terremotos políticos, a América pobre, em geral, pouco sabe sobre si mesma. Portanto, visitar um recorte da história recente e as imbricações bélicas, políticas, econômicas e sociais dos regimes ditatoriais abaixo do Rio Grande, tem tudo pra ser interessante. “Fantasmas do presente, silêncios do passado”, sugerem o rumo da prosa... CONTEÚDO - As noites de poesia e música dos anos 1990 - quando Silvio Demétrio fazia o slide ao violão -, acrescidas do labor acadêmico; onde discute Cinema, Metodologias de Análise Visual, Contracultura, Pós-Modernidade, Esquizoanálise, Deleuze & Guattari, Jornalismo Cultural e Capitalismo Tardio, certamente, muito contribuirão com o bate-papo.

16 FEV | QUINTA | 20 HORAS | Museu Histórico de Londrina Mesa “FANTASMAS DO PRESENTE, SILÊNCIOS DO PASSADO” com Julián Fuks, Mediação Sílvio Demétrio

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Londrix abre espaço pra polipoesia “Só o desenvolvimento de novas tecnologias irá marcar o progresso da poesia sonora: meios eletrônicos e computadores são e serão as verdadeiras estrelas.” Escrito em 1987, o Manifesto da Polipoesia, de Enzo Minarelli, já em seu artigo primeiro, não deixa dúvidas sobre a inquietação do poeta. Poder-se-ia dizer, já que o Manifesto é de 1987, que o poeta italiano foi premonitório. Afinal, foi lá pelo final da década de 1980, início dos anos 1990, que a Internet iniciou o processo de popularização e, a partir disso, abriu espaço para a veiculação da produção poética sem a necessidade da impressão. Mais do que isso, a Internet e seus aplicativos abriram infinitas possibilidades no sentido do diálogo entre linguagens variadas. O próprio Londrix, na perspectiva de estar sempre antenado com a produção contemporânea, realiza há cinco edições a Mostra Vídeo Poema.

SERVIÇO

Da Itália, berço da civilização latina, país que tanto contribuiu e contribui com a formação da chamada cultura brasileira, vem Enzo Minarelli com seu Manifesto da Polipoesia.

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PAPA - Não há dúvidas que a participação de Minarelli no Festival Literário de Londrina será um momento ímpar na história do evento. Além de escritor e estudioso da interação da criação poética com as novas tecnologias, com muitos estudos publicados, o também ator cria e interpreta muita poesia sonora. Quem estuda, pesquisa ou tem curiosidade sobre a sonoridade poética contemporânea, num momento ou outro há de se deparar com Minarelli. Numa “googlada” é possível apreciar a obra do italiano. Ele é conhecido nos meios acadêmicos como um dos papas no assunto.

17 FEV | SEXTA | 20 HORAS | Museu Histórico de Londrina AULA-SHOW com Enzo Minarelli, mediação Frederico Fernandes


Nos labirintos de Eros: poesia e sedução O escritor santista Alexandre Marques Rodrigues, foi do conto ao romance num pulo. Seu primeiro livro, de contos, “Parafilias”, foi muito bem acolhido pela crítica e ganhou o Prêmio Sesc de Literatura, em 2014 e foi finalista do Prêmio Oceanos. “Entropia”, seu segundo livro, romance, convida a viagens para o exterior e o interior, do corpo, do sexo, da alma, sentimentos e memórias.

FOTO: SEBASTIÁN MORENO

Psicólogo, embora deixe claro que tal formação influencie menos o que escreve do que a experiência como leitor, não se furta em citar Freud, segundo o qual,” a literatura, muitas vezes, expõe, abre melhor ao entendimento o comportamento humano do que a própria psicologia”. “Ninguém conhece ninguém, ao fim, ninguém entende nada”, segundo um personagem de “Entropia”.

FOTO: IVSON MIRANDA

Alexandre Marques Rodrigues – “Parafilias” e “Entropia”

Esta mesa promete. Une escritores de três estados brasileiros – Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo – e promove o encontro de linguagens próximas, mas cada uma com sua peculiaridade. Seu jeito de ver o mundo e contar pra gente que lê. Vê. Como no caso da ecoperformance de poesia biossonora do mineiro. A conferir. Micheliny Verunschk – “Geografia Íntima do deserto” e “nossa Teresa – vida e morte de uma santa suicida” Como sói acontecer com as regiões áridas, semiáridas ou desérticas, a fronteira destas com outros biomas, como no caso da Caatinga com o Cerrado e a Mata Atlântica, compõe pontos de interseção que, por vezes, confunde o olhar. É o caso da escrita de Micheliny Verunschk. Sua poesia, não raro, observa a crítica, resvala na prosa poética e vice-versa. Vale a pena conferir. Os escritos da pernambucana, poesia ou romance, receberam boas críticas, conquistaram leitorado e concurso. O primeiro livro, de poesia, “Geografia íntima do deserto”, foi finalista do Prêmio Portugal Telecom em 2004. O romance “nossa Teresa – vida e morte de uma santa suicida”, de 2014, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura em 2015.

Djami Sezostre, ecoperformance e poesia biossonora

SERVIÇO

“ZUT”, ecoperformance de poesia biossonora, espetáculo com Djami Sezostre, inspirado no livro de mesmo título escrito pelo poeta-performer. A linguagem e a voz do autor traduzem os sentidos do corpo ao vivo, revelando a vida em estado de poesia, um solo em busca do grau zero ao infinito da emoção, a língua em metamorfose, a poesia em diálogo com a essência da natureza através do ser. “ZUT”, 60 minutos e 2 segundos de Sol.

18 FEV | SÁBADO | 18 HORAS | Museu Histórico de Londrina Mesa “NOS LABIRINTOS DE EROS: POESIA E SEDUÇÃO” Alexandre Marques, Micheliny Verunschk e Djami Sezostre

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A sonoridade amazônica que pouco sabemos

A distância física entre o Norte e o Sul do Brasil, milhares de quilômetros, por certo, muito contribui com o pouco que os sulistas sabemos sobre a Amazônia. Por pouco sabermos, os problemas ambientais e sociológicos – derrubada da floresta, invasão de áreas indígenas -, pouco nos sensibilizam. Assim, o show das irmãs Miranda, Ana e Marlui, no Londrix – “Leituras Musicais de Yuxin, Alma”, será como uma luz a ser acesa na escuridão do desconhecimento. O sofrimento dos índios e seringueiros nas matas, no início do século 20, misturam-se a vozes de animais, ruídos de vegetais, ritmos misteriosos, formando uma paisagem sonora e sonorizadas com o vigor da literatura e do som destas duas irmãs. Numa rara ocasião, Ana e Marlui apresentam-se juntas, para entoar palavras e sons relativos a este trabalho, Ana fazendo a leitura dramatizada de páginas de seu romance indígena e Marlui cantando as canções que compôs e gravou sobre esse tema.

SERVIÇO

Cada qual em sua área específica de criação e inquietação, Ana na Literatura e Marlui na Música, re-

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cebeu inúmeros prêmios. Suas obras são discutidas em vários níveis, aqui e fora do Brasil. São trabalhos meticulosos, sérios. CONTEÚDO – Carente de sapiência sobre a Amazônia, que ninguém mais chama de Hileia Brasileira, o público lítero-musical londrinense certamente há saciar-se com o conteúdo a ser compartilhado. Pena que o espaço desta publicação não seja o desejável. Merecido. Uma “googlada” resolve. Tem muita coisa sobre a Ana e a Marlui no oráculo virtual. Dá pra conhecer o essencial trabalho destas duas brasileiras.

18 FEV | SÁBADO | 21 HORAS | Vila Cultural Cemitério de Automóveis Show: LEITURAS MUSICAIS DE YUXIN, ALMA Com Ana Miranda e Marluí Miranda. R$20,00/R$10,00


Ecoperformance de poesia biossonora FOTO: SEBASTIÁN MORENO

Da imensidão das Minas Gerais, estado que tanta riqueza mineral gerou e continua gerando, pedaço de chão brasileiro com uma sonoridade poético-musical peculiar, é de lá, da terra do pão de queijo, do ai com repoi, da mastumati e da pincomel que nos chega Djami Sezostre.

Os raros filhos deste solo, és mãe gentil, que pouco sabiam de Minas Gerais, após a tragédia ambiental de Mariana, histórica cidade mineira, têm estes nomes gravados na memória. Sabem do chão que viu nascer, engatinhar, dar os primeiros passos e o caminhar resoluto em direção ao Rio de Janeiro-RJ do poeta Carlos Drummond de Andrade, para muitos, a maioria, talvez, o número 1 do Brasil. Durante a transição democrática o Brasil inteiro cantou “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento e Wagner Tiso, canção que fez-se adeus a Tancredo Neves. “... nova aurora a cada dia...” Tempo em que entornamos o “Cálice” (Chico & Gil) proibido pela censura, porre que parece não retroceder. “Mineirão” dos 7 a 1. Brasil de solavancos, tragédias, riso e choro moto-contínuos.

SERVIÇO

Minas que tem serra que subindo parece que desce. Minas de Guimarães Rosa “Grande Sertão: Veredas”, da aldeia Cordisburgo, tão pequena e tão mineira quanto a Itabirito de Drummond. Ambos tão minei-

ros, tão brasileiros quanto universais. Minas sempre no meio do furacão tropical da política partidária brasileira. Minas de JK, presidente bossa-nova cinquenta anos em cinco. ZUT - Minas da inquietação do poeta que se pôs como objetivo dissolver as fronteiras da música e da poesia. O corpo, em relação com objetos, elementos cênicos, palco e plateia. A quarta parede é demolida, o público convidado a se por em cena. “ZUT” é título da ecoperformance de poesia biossonora, do mineiro nascido Wilmar Silva de Andrade e renascido, reinventado, Djami Sezostre. Antes de transmutar-se em ecoperformance, “ZUT” - pronuncia-se zyt -, palavra francesa com ares onomatopeicos, foi livro – 100 poemas. Dentre os tantos que Djami escreveu, muitos vertidos em nove idiomas pelo mundo afora. “Ziguezague e/ o menino da sua mãe/ não sabre zanzar e zanza feito animal/ não sabre grunhir e grunhe feito animal/ não sabre andar e anda feito um cachorro”

17 FEV | SEXTA | 22 HORAS | Vila Cultural Cemitério de Automóveis

Performance “ZUT, ecoperformance de poesia biossonora com Djami Sezostre”

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Café coado e adoçado com poesia Yes, nós temos poesia, poderia ser o ponto de partida para o bate-papo com cinco poetas da Grande Londrina, cidade multicultural que tem em seu DNA demográfico referências anglo-saxônicas herdadas da companhia de capital inglês responsável pela colonização da região, mas, também, a contribuição das quase setenta nacionalidades e a brasilidade vinda de todas as regiões do país pra erigir a Metrópole do Norte do Paraná.

A poesia, segundo nos conta a historiografia oficial do Brasil, faz-se presente desde a pré-infância deste país de dimensões continentais. A poética se manifesta através do Jesuíta José de Anchieta, que desembarcou em Salvador-BA, em 1553, e escrevia poemas nas areias. Não se sabe se em português ou espanhol, sua língua natal. Foi, também, por este tempo, 1557, que foi publicado em Marburgo, Alemanha, “História Verdadeira e Descrição de uma Terra de Selvagens...” (o título original é quilométrico), ou “Duas viagens ao Brasil”, escrito por Hans Staden, marinheiro alemão que naufragou na costa brasileira e foi aprisionado pelos indígenas.

SERVIÇO

De lá pra cá, muita coisa mudou. O Brasil colônia tornou-se Vice-reino de Portugal, depois conquistou a independência, mas o apreço pelo texto escrito, seja

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em verso ou prosa, segue inalterado. Segue revelando talentos e nos ajudando a apreender, através da literatura, a alma brasileira em construção. SERTÃO – Se será notado ou não, não se sabe, mas o poeta Mario Romangnolli (rip), autor dos primeiros poemas escritos na boca do sertão, onde ajudava a edificar a cidade, certamente há de marcar presença. Tanto a alma de Romangnolli, quanto os presentes, verão na mesa uma significativa amostra do fazer poético de Londrina e Região. Os poetas convidados navegam em mares poéticos diversos. Felipe Pauluk, Janderson Cunha, Ivan Dias, Vinícius Lima e Marrom de Abreu – este lançando seu livro de estreia “Vermelho cala frio”, prometem um bate-papo que há de frequentar a memória dos presentes pela eternidade afora e mais duas semanas de lambujem.

15 FEV | QUARTA | 18 HORAS | Museu Histórico de Londrina CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM POESIA Felipe Pauluk, Ivan Dias, Janderson Cunha, Marrom de Abreu e Vinicius Lima


Café com aroma e sabor femininos

Proibida de se manifestar durante milênios de opressão, a “literatura de autoria feminina” (*) batalha e conquista o merecido espaço junto aos leitores, a crítica e, principalmente, desperta o interesse de editoras. Alvissareira notícia pra quem lê o mundo com os óculos da sensibilidade, atributo natural do ser Mulher e do Homem que não se vê como superior.

Francisca Júlia, Gilka Machado, Auta de Sousa, Narcisa Amália, Carolina Maria de Jesus, Cecília Meireles, Hilda Hilst, Adélia Prado, Tatiana Belinky, Ana Cristina Cesar, Cora Coralina... Se você não conhece os nomes citados, não se preocupe. A poesia escrita por mulheres, por ene razões históricas, ainda é pouco conhecida. Na batalha cotidiana pela conquista da cidadania plena da mulher, movimento que toma corpo e forma no século XX, isto é, ontem, a literatura tem desempenhado um importante papel. Os escritos, até então guardados, escondidos, deixam as gavetas e revelam à humanidade uma poética tão delicada quanto revolucionária e consequente. Menina rebelde, a começar pelo crescer sem freios, Londrina – gentílico das meninas nascidas em Londres, Inglaterra -, em sintonia com as transformações que sacodem o planeta Terra, não ficou de fora. O poetar feminino pé vermelho é prolífico. Gera filhos, digo, poemas e prosa poética que passeiam, com desenvoltura por temas variados.

TRANSGRESSOR – Fiel ao propósito de abrir espaço, transgredir a (des)ordem natural do processo civilizatório, o Londrix é um evento propício à literatura de autoria feminina. Como a quarta edição do “Café com Elas”, que reúne escritoras e poetas a conversar. Poeta ou poetisa?, de repente, pode ser a primeira questão a ser respondida. Com e pra vocês, Manuela Pérgola, Samantha Abreu, Vivian Campos, Beatriz Bajo, Flávia Verceze, Edra Moraes, VI Karina, Lua Lobo e Christine Vianna, poetas e escritoras deste chão vermelho debatem a literatura de autoria feminina, sua representação e lugar, nuances e espaços. As autoras servem o café, dividem momentos de leituras e debates com o público e autografam suas obras.

(*)O texto integral, refletido e escrito pela poeta Samantha Abreu, pode ser conferido na página do Londrix – www.londrixfestivalliterario.com.br

SERVIÇO

16 FEV | QUINTA | 18 HORAS | Museu Histórico de Londrina

CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM ELAS Manuela Pérgola, Samantha Abreu, Vivian Campos, Beatriz Bajo, Edra Moraes Flávia Verceze, Vi Karina, Camila Sousa, Lua Lobo e Christine Vianna.

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Prosa como nos nem tão velhos tempos A literatura que tem Londrina como cenário, memória, traz notícias dos tempos fundadores como de muita conversa. À luz de lampião no barraco de palmito. Nas primeiras casas de peroba rosa. Iluminada com luz elétrica no teatro, na saída do cinema, da missa, da zona, do country club. DNA de prosa, portanto, não há de faltar à Maria Angélica Constantino, ao José Antonio Pedriali e ao Marco Antonio Fabiani, que não é daqui, mas tá com o pé vermelho faz tempo.

Junte numa mesa uma administradora de empresa, um médico e um jornalista, todos escritores. Contos. Romances. Drama. Comédia. Biografias. E o que mais pintar. Qual seria o resultado deste encontro? Pelo perfil proseador dos três, uma conversa como os seguidores do Londrix apreciam. Trajetórias distintas que se entrecruzam na literatura. Fabiani veio de Ribeirão Claro, Norte Pioneiro do Paraná, arrabalde da rota dos tropeiros e fez-se médico em Londrina. Enquanto desvendava os escaninhos da vida e da morte, teve intensa militância no movimento estudantil.

SERVIÇO

Já Pedriali, assim que pegou o canudo de Jornalismo, enveredou pelo altiplano latino-americano a serviço do jornal O Estado de São Paulo. Não por acaso,

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o ouvido, visto e vivido por aquele tempo, é fonte de inspiração para seus escritos, como o romance “Fuga dos Andes”. LONDRINA – O ex-Patrimônio Três Bocas, atual Metrópole do Norte do Paraná, Londrina, é o cenário do romance “Pequena Londres”. Nele, Maria Angélica Constantino relata o romance de Tom e Juliana, as idas e vindas, encontros e desencontros. Que provocam riso e choro. Tudo somado e multiplicado, nada subtraído ou dividido, percebe-se que enredo não há de faltar neste Café com Prosa. Remover as teias de aranha do esquecimento e memorar vidas vividas, ouvidas ou imaginadas é a ideia, sem esquecer que, nem faz tanto tempo assim, Londrina era a Capital Mundial do Café.

17 FEV | SEXTA | 18 HORAS | Museu Histórico de Londrina CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM PROSA Marco Fabiani, José Pedriali e Maria Angélica Constantino


A periferia londrinense ruge em versos Lá onde a cidade acaba, seja aqui, nos USA, em Angola ou Papua, a periferia é o espaço destinado à população de baixa renda. Por ser distante, o que a cidade tem de bom, raramente chega lá. Uma das formas encontradas pelos da vila pra denunciar seus problemas, desde os anos 1970, é a cultura Hip Hop - DJ, MC, Break e Grafitti. Vamos ouvir o que o Hip Hop de Londrina tem a nos dizer.

O poeta francês Charles Baudelaire, foi dos primeiros a perceber um dos grandes acontecimentos da virada do século XIX para o XX. O surgimento das grandes cidades, a metrópole, que cresciam mais e mais por conta da migração, para o meio urbano, da população do meio rural, onde passara uns dois milhões de anos. “Hospital, lupanar, purgatório, inferno, prisão”, desta forma o poeta relata a forma como via a cidade. Pari passu com a industrialização e o estabelecimento do capitalismo, as cidades foram absorvendo os novos cidadãos, mas a acolhida, em geral, não atendia e ainda não atende as necessidades básicas do ser humano. Daí, claro, surgem vozes que se levantam pra denunciar as más condições de vida de parcelas consideráveis da população. Neste contexto de carência, fator impeditivo do pleno exercício da cidadania, lá pelos anos 1970, o Hip Hop se manifesta como um brado em nome dos negros e latinos do South Bronx, subúrbio de Nova Iorque. SLAM – Locais como o South Bronx, vistos como verdadeiros guetos, enfrentavam diversos problemas de ordem social como pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, carência de infraestrutura e de educação, entre outros. O enredo soa familiar ao(à) leitor(a)? Pois é, a familiaridade com os problemas de NY, fez o Hip Hip espalhar-se pelo mundo.

SERVIÇO

Evento que sempre busca inteirar-se das novas linguagens, sonoridades, poéticas e estéticas, o Londrix vai de Slam – batalha de poesia - nesta edição. A galera do MC Leandro Palmerah se encontra pra uma guerra verbal. Corpo, voz, microfone e um poema. Um livro. Provocações. Um rugido da periferia londrinense a ecoar versos.

18 FEV | SÁBADO | 14 HORAS | Museu Histórico de Londrina CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM SLAM Com Leandro Palmerah

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EU APROVO O

LONDRIX

O poeta Ademir Assunção é mais Londrix O Londrix é um dos festivais literários mais bacanas & abertos & espertos que acontecem no Brasil. Já vi e ouvi muita gente que tem muito o que dizer (e diz) por lá: de Braulio Tavares a Mário Bortolotto, de Xico Sá a Adriana Zapparoli, de Fernando Morais a Maria Esther Maciel, de Ricardo Chacal a Maurício Arruda Mendonça. Muita gente. E sempre tem shows de poesia e música que chacoalham os ossos e o cérebro. E tem o trabalho de formação de público feito com a molecada das escolas de Londrina. E este ano os organizadores não conseguiram aprovar o festival no Programa de Incentivo à Cultura da cidade, apesar de estar em sua 13ª. edição e de constar entre os 11 projetos do país selecionados pela Fundação Biblioteca Nacional. A conta não está fechando. Por isso, eles estão precisando de ajuda. Sem choro nem chorumelas, vamos ajudar. Porque iniciativas como a do Londrix fazem enorme diferença - e não vamos esperar para perceber isso somente quando todos os cinemas e teatros virarem Templos do Mercado da Fé. Eis o link para dar uma força ao Londrix e a todos nós: www.vakinha. com.br/vaquinha/colabore-com-o-londrix Ademir assunção, poeta vencedor do Prêmio Jabuti de Poesia em 2015

O trem Londrix viaja pela literatura “Participei do Londrix em novembro de 2016. Foi um prazer voltar à cidade de Londrina, tão receptiva e tão forte culturalmente. Também, conhecer tantas pessoas que lutam por um acontecimento cultural que envolve a literatura em suas expressões mais autênticas. E reencontrar autores e amigos, fazer novos amigos. Conhecer os talentos artísticos de Londrina: atores, poetas, músicos, romancistas, artistas plásticos... Voltei para casa com a mala carregada de livros, discos e catálogos. A palestra foi, por sugestão da Christine Vianna, sobre o meu processo pessoal de escrita, sobre os livros que escrevi; também sobre as preocupações, os dilemas, os deveres meus e dos escritores em geral. O público era eclético, e formado por pessoas de idades diferentes, até mesmo crianças. Demonstravam seu intenso interesse no conhecimento das questões que envolvem a

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literatura. Ali a literatura era tratada não como uma arte inacessível, distante, mas como algo que faz parte da vida de cada um de nós que usamos a palavra como meio de existência. O local era poético e inusitado, ali havia um trem antigo, muito bem preservado, que a população lutou para manter nos trilhos da cidade. Parecia que embarcávamos numa viagem a um reino de contatos humanos, cada vagão uma arte. Impressionou-me a coragem, a alegria e o ímpeto dos organizadores do Londrix para realizar um evento dessa natureza num momento em que tantas cidades estão imobilizadas por uma aclamada crise. Londrina demonstrava que podemos, sim, construir o país em que vivemos.” Ana Miranda, escritora do gênero romance histórico.

Vida longa ao Londrix, diz escritor multilinguagem “Participei do Londrix em 2015, quando fui convidado a falar sobre Literatura Fantástica, juntamente com Herman Schmitz e Cláudia Freitas. O festival mostrou uma amplitude surpreendente de temas e de abordagens, revelando para mim (residente no Rio de Janeiro) escritores paranaenses como Marcos Peres (vencedor do Prêmio Sesc) e obras recentes de outros já solidamente estabelecidos como Rodrigo Garcia Lopes, com seu romance “O Trovador”. Tive também a oportunidade de ver Guilherme Gontijo falando sobre suas traduções do latim, e foi preciso ir a Londrina para ver o carioca Rubens Figueiredo fazer uma palestra brilhante sobre o ofício do escritor e a influência do trabalho de professor sobre suas obras premiadas nacionalmente. O Londrix, na minha memória, é um desses eventos em que quando não estou falando no palco prefiro estar ouvindo na plateia. Muitos eventos literários são eventos turísticos ou sociais, o que também é agradável, mas nós, escritores, temos também a necessidade de escutar o que dizem nossos colegas de outros Estados. São pessoas cujas obras às vezes já lemos, mas nada substitui a experiência de escutar ao vivo (e poder interferir, perguntar, questionar) um autor cujas ideias consideramos importantes. Desejo vida longa ao Londrix, e horizontes assim, sempre largos e reveladores.” Braulio Tavares, escritor, compositor, letrista, poeta e pesquisador de literatura fantástica.


O poeta do “portunhol selvagem” é Londrix na veia “El Londrix 2005 foi uma de las coisas mais legais que aconteceram em minha vida. Sou realmente uma pessoa de bonna sorte. Durante uma semana Londrix foi la playa selvagem onde estavam reunidos mios poetas ídolos de quienes sempre fui fan como Rodrigo Garcia Lopes, Marcos Losnak, Bernardo Pellegrini, Mario Bortolotto, Marcio Américo, Ademir Assunção, Augusto Silva, Maurício Arruda Mendonça, los increíbles poetas de Londrina, los caras que faziam la Revista Kan, los caras que faziam teatro, blues, contos, poemas, que traduziam poetas de outras partes, que injetavam vitamina e vida nova na literatura brasileira e que eu lia extasiado en la fronteira selvagem. Estive também em muy buena companhia de poetas y escritores de otras quebradas como Chacal, Marcelo Montenegro, Joca Reiners Terron, Ademir Demarchi, Antônio Tadeu Wojciechowski. Conheci también el inesquecíble artista Hélios Leites, que melhorou el mundo dentro de la gente com objetos lúdicos y luz própria durante aquela hermosa semana. Lembro de ter sido muy aplaudido depois de ler algunos poemas selvagens. El poema mais aplaudido foi este: Non Non Non Non Non Non Non Non soy un Lobo mau Mas gosto kuando ela mima lambe chupa                                  /besa mama mio pau Nunca esquecerei aquele Londrix 2005. Un acontecimiento que enriqueceu Londrina City, o Paraná, o Brasil, o Mundo. Muchas gracias, arigatô, aguyjevetê! Londrix deveria ser pra siempre, mesmo que el pra siempre non exista.” (Douglas Diegues, verano, 2017)

O poeta megalopolitano é Londrix na cabeça “O LONDRIX é um dos festivais literários mais bacanas que já participei. Talvez seja, inclusive, o que melhor trabalha a ideia de diversidade, no sentido de desdobrar os horizontes da literatura em música, filosofia, artes plásticas, vídeo-arte, quadrinhos, teatro – uma rápida passada no Google revela o incrível painel de artistas que já passaram

por todas as edições do Festival. Mas não é só aí que essa diversidade marca presença. Além dos shows, debates, palestras, oficinas e performances – muitas dessas atividades realizadas na rua, ou seja: em praça pública –, o Londrix tem uma característica marcante e muito, muito séria: a formação de jovens leitores nas escolas de Londrina. E quando digo formação de jovens leitores, me refiro a leitores de livros, claro; mas também a leitores do mundo. (Até porque a formação intelectual, sobretudo em quem tem pouca, ou mesmo nenhuma oportunidade de acesso ao mercado cultural não massivo, é intimamente ligada à criação de laços afetivos, de carinho, de disponibilidade tanto para compartilhar quanto para ouvir o outro.) No entanto, apesar de estar em sua 13ª edição, os organizadores do Festival não conseguiram aprová-lo no Programa de Incentivo à Cultura da cidade. É uma tristeza.” Marcelo Montenegro, 45, é poeta e roteirista de ficção para a TV.

Publicou os livros Garagem Lírica (2012) e Orfanato Portátil (2003).

“Educação e cultura fazem pensar, moldam sensibilidades.” Marcia Tiburi, filósofa e escritora, ao falar do modus operandi do neoliberalismo e pedir ajuda ao Londrix. “Amigos, todos sabemos que o chamado “neoliberalismo” significa Estado para alguns poucos. O fim do Estado vale apenas para a maioria silenciosa e as minorias políticas. A sociedade, a saúde, a educação, a cultura, os direitos fundamentais escorrem pelo ralo do rentismo e da exploração atual vivida em nosso país e em outros lugares eleitos para o grande saque. Todos sabemos que o neoliberalismo é a avareza elevada à razão econômica. A razão econômica é agora razão de Estado. Aí, salve-se quem puder, porque o Estado mesmo está cuidando das finanças de poucos e, como um vampiro, sugando a jugular do povo que segue anestesiado, afinal, assim dói menos... Todas as áreas estão sendo afetadas com a intenção de que desapareçam logo. Educação e cultura fazem pensar, moldam sensibilidades. Melhor que sejam eliminadas antes que as pessoas se dêem conta do que está acontecendo em termos de economia e política. Poucos se dão conta de que há um projeto de devoração do que é público em cena. As populações demoram décadas a pensar. As massas manipuladas não pensam nunca. O objetivo do neoliberalismo é um mundo para poucos. Ou melhor, “tudo” para poucos e, para a maioria, o nada, o grande e interminável nada. Bom, para além do que pode parecer apenas um desabafo, lembram do festival de Londrina? Vamos ajudar a fazer sobreviver o Londrix Festival Literário?  Por favor, doem um valor com amor crítico. 

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Seria muito triste ver algo como o lindo Londrix Festival Literário desaparecer.  Boa sorte Chris Cemitério de Automóveis..”

“No Londrix o patinho feio vira cisne” “Londrina sempre teve bons autores, caras que realmente se destacavam em suas formas de escrever, caras com estilo. O que fazer com estes caras? A literatura na pequena Londres era um patinho feio que caminhava na contramão, insistia, batia cabeça. A literatura sobrevivia de panfletos vendidos em botecos, de ações entre amigos, vaquinhas... a literatura, salvo raras exceções, vivia da caridade. Duas coisas mudaram esta realidade - o Promic e o Londrix. O Promic é o Projeto Municipal de Incentivo a cultura que passou a disponibilizar recursos para a cultura e consequentemente para a literatura e o Londrix ,​ o primeiro festival literário de Londrina. ​Graças a ele,  autores puderam finalmente ver seus livros se tornando realidade, sendo lançados, distribuídos, o livro finalmente chegava aonde o povo estava. O Londrix, criado pela indômita Christine Vianna, sempre foi uma festa da literatura, mais que uma boa plataforma para lançamento de livros, mais que uma excelente vitrine para novos e velhos autores, o Londrix é uma festa, uma celebração, um terreno dionisíaco onde autores, poetas, versadores, líricos e safados podem respirar e beber poesia e prosa de todos os gostos e matizes. No Londrix o patinho feio vira cisne, vira fênix, vira quimera, vira o que ele​ quiser, a literatura não tem limites.” Marcio Américo, poeta, escritor, dramaturgo e comediante.

O Londrix deve ser preservado. Copiado. Marcos Peres, jovem escritor maringaense, chegou e sentou na janelinha. Seu livro de estreia, “O Evangelho segundo Hitler”, venceu o Prêmio SESC de Literatura 2012-2013 e o de São Paulo 2014. Veja o que ele fala do Londrix. “O Brasil é um país que não lê e não há novidade nesta afirmação. Recente pesquisa contendo 30 países, ficou em 27º. Perdeu para a Turquia, Venezuela e Índia. Ah, perdeu também para a Argentina – aquela que recentemente aprovou o ensino de cinema na grade curricular. O fato de “não ler” pode ter muitas explicações. São diversos fatores, que normalmente agem em conjunto. O que mais me chama atenção é que o (não) hábito da leitura tem a ver com a falta de incentivo em casa, um circulo vicioso: os pais não leem porque seus avós não leram. A cultura não entra no mercado - não é consumida -

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porque os leitores/consumidores são escassos. Assim, ou o Estado atua como mecenas, ou o livro/espetáculo/ evento muitas vezes não existirá. É simples: temos um comércio com mais oferta do que procura. Falando-se o português bem claro de Oswald, camarada. Me dá um cigarro. Ponto. Esta abordagem é simplista, mas ilustra bem o que acontece do Oiapoque ao Chuí. Cito um exemplo bem próximo: o Londrix (Festival Literário de Londrina), mantido por guerreiros que tentam, a todo custo, mostrar que a cidade merece palestras e saraus com os autores presentes. Desta forma, o Londrix mostra que Londrina está de olho nas vanguardas e apta a mediar os temas culturais e seus reflexos na sociedade contemporânea. É um trabalho homérico. Ao contrário de eventos similares próximos, o Festival preserva sua independência, com os ônus, muitos, e os bônus, raros, decorrentes de tal condição. Participei em 2015 e foi um grande acontecimento. Conheci a cena cultural de Londrina, fiz amigos, tivemos uma conversa muito produtiva embalada ao som de livros cânones, de tendências contemporâneas na literatura nacional, de aspectos incipientes sobre edição, divulgação, venda e mercado do livro. A experiência foi enriquecedora, mais pela voz dos londrinenses do que pela fala deste autor. E é este o ponto que quero chegar: o Londrix tem uma plateia cativa interessada em literatura. Isso precisa ser frisado. No trabalho de formiguinhas de todos nós, atores do livro, o Londrix dá provas constantes que faz seu quinhão com louvor. É um trabalho que precisa ser preservado. Copiado. Deve perdurar como um caso de amor pela cultura: um exemplo bem sucedido de como cultura e povo estão e estarão sempre interligados.“ Trocaria esta frase final por: um exemplo bem sucedido de como cultura e povo são faces da mesma moeda. Uma não vive sem a outra.

Londrix – patrimônio afetivo de Londrina “O Londrix é um festival que coloca Londrina em sintonia com o que se faz de melhor no Brasil em literatura, música e performance. Unindo os artistas da cidade aos de fora, se torna uma grande celebração comum da arte. O Londrix é mais um patrimônio afetivo de Londrina e merece apoio e vida longa.” Maurício Arruda Mendonça, poeta, escritor, dramaturgo e compositor

Escritor considera o Londrix necessário “Participei três vezes do Londrix, a última delas, em 2014, com Cristovão Tezza, em uma mesa sobre “Os caminhos da literatura paranaense”. Este evento é de


extrema importância para a divulgação da produção literária, do estado e do país, e se tornou uma referência nacional pelo leque de temas abordados e pela maneira de tratar o fenômeno estético. Com a diminuição dos espaços de divulgação de livros em jornais e revistas, os festivais, feiras e encontros literários assumiram um papel fundamental para a manutenção da produção brasileira. É neles, no contado direto com os leitores, que os escritores divulgam não apenas a sua literatura, mas o seu compromisso com a leitura. É necessário que o Londrix continue fazendo de Londrina, do Norte do Paraná e do nosso estado um dos centros da produção contemporânea. “ Miguel Sanches Neto, escritor, professor universitário e crítico literário.

“O Londrix é um dos melhores festivais literários do Brasil” Milton Hatoum, escritor, tradutor e professor.

Compositor-escritor gaúcho é Londrix, tchê! “Poxa, como cresceu! Vejo a formatação e o movimento em torno do Londrix 2017 com a boa surpresa que causam os ex-infantes... Participei em 2006, ainda na segunda edição, e já foi uma beleza conhecer um festival assim, a fomentar criação e cultura de um jeito como deveria ser sempre, Brasil afora. Imagine agora, de saúde perfeito, virando mulher madura e homão feito!” nei Lisboa, cantor, compositor e escritor.

Imprescindível Londrix Londrina curte festivais. Nos tempos da ditadura militar, a cidade já promovia animadíssimos festivais de MPB. Havia ainda o Festival de Teatro, que virou FILO e conquistou respeito nacional e até internacional. Veio depois o Festival de Música, que resiste vigorosamente. O Unicanto – Festival de Corais, os festivais de Dança, de Cinema, de Circo, de Blues e o Demo Sul fazem história e certamente há outros eventos regulares que mereciam estar aqui na minha lista apressada. Mas, apesar de algumas tentativas bem intencionadas, até o ano de 2004 nenhuma mostra ou festival havia conseguido se firmar na área da literatura. Surgiu então o Londrix – Festival Literário de Londrina, capitaneado por Christine Vianna, que experimentou alguns formatos nas edições iniciais e foi se firmando até se tornar um evento imprescindível para o calendário cultural pé vermelho. Quantos escritores maravilhosos

já estiveram na cidade por conta do festival, quantos autores locais e regionais tiveram oportunidade de mostrar seus trabalhos e quantos estudantes puderam conhecer um pouco mais da arte literária com as atividades de extensão do Londrix! Vida longa ao Festival Literário de Londrina! Nelson Capucho – jornalista e escritor

“O Londrix não pode (e não vai) acabar!” “O Festival Londrix foi a maturação de um movimento literário que, desde a virada dos anos 60/70 (com a literatura de Domingos Pellegrini, a música de Arrigo Barnabé e o teatro do Proteu, os festivais organizados por Nitis Jacon, por exemplo, já vinha mostrando a força de Londrina como potência criativa, não meramente uma cidade consumidora de cultura. Tentando reconhecer uma longa história, o Londrix é a cristalização de uma cena literária londrinense rica e vibrante, que ganhou força nos anos 80 com páginas como a longeva “Leitura”, da Folha de Londrina, com o surgimento de jornalistas e poetas talentosos como Nelson Capucho, Ademir Assunção, Miriam Paglia Costa, Nilson Monteiro, entre outros. Principalmente, o Londrix é um projeto que tem raízes nos anos 90 e 2000, com iniciativas e projetos editoriais underground realizados por Marcos Losnak, Cesar Sumyia, recitais poético-musicais como “Poesia in Concert” e “Palavra Cantada é Palavra Voando”, a agitação do movimento universitário na UEL, o surgimento de revistas que ganhariam reconhecimento nacional como Coyote, as canções e iniciativas jornalísticas de Bernardo Pellegrini, o surgimento de editoras como a Atritoart, de Chris Vianna, grupos de teatro como Cemitério de Automóveis e Cia Bombom, além de autores como Maurício Arruda Mendonça, Mario Bortolotto, Karen Debertolis, entre outros. Com a criação do Festival Literário Londrix, em 2005, a cidade pode conhecer melhor seus próprios autores, criar um fórum de debates com autores de outros lugares, consagrados ou não, além de uma série de iniciativas importantes que colocaram a comunidade em contato com o mundo mágico da literatura, palestras, oficinas, shows, e iniciativas como Assalto Literário e Um Dedo de Prosa nas Escolas, o que não é pouca coisa. Neste contexto, importante ressaltar o papel-chave que tem sido a parceria com o Promic, da Secretaria de Cultura. Por isso que digo: O Londrix não pode (e não vai) acabar!” Rodrigo Garcia Lopes, poeta, escritor, tradutor, jornalista e compositor

Post scriptum Os textos de outras pessoas que aprovam o Londrix, que chegaram após o fechamento desta revista, podem ser conferidos no endereço www.londrixfestivalliterario.com.br

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O ÚLTIMO PORCO

Gastronomia e literatura no Londrix Pra que todos estejam bem nutridos e energizados, pra encarar a maratona literária programada pelo Londrix 2017, Festival Literário de Londrina, o evento começa servindo um porco assado, leitura de um conto e confraternização entre os amantes da Literatura em suas mais variadas formas de manifestação.

Em seu livro “Parceiros do Rio Bonito - Estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida”, o sociólogo, escritor e crítico literário Antonio Cândido, dedica generosas páginas ao resgate da dieta alimentar dos primeiros habitantes do vizinho estado, explicando, entre outras coisas, o surgimento do termo “mistura”, que continua presente no vocabulário contemporâneo. O conto “O Último Porco”, escrito por Domingos Pellegrini, escritor londrinense vencedor de dois prêmios Jabuti, um na categoria contos e outro na categoria romance, da mesma forma que o texto do pesquisador paulista, é uma referência antropológica da formação da Metrópole do Norte do Paraná, Londrina, que nos primeiros tempos se chamava Patrimônio Três Bocas.

SERVIÇO

A memória compartilhada pelo escritor, o conto em questão, desperta recordações de aromas, sabores e vivências que compuseram a infância de boa parte

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dos londrinenses. Passo a passo, Pellegrini descreve o preparo do assado, desde o abate, passando pelo temperar, o aquecer o forno de barro no quintal e a sequência de uso do calor. Porco, frango e suspiros. Quando o forno chia avisando que o doce está no ponto. ALTA COZINHA – Amigo de longa data do “Dinho”, como o escritor é chamado pelos mais próximos, o jornalista, ator e também escritor, Apolo Theodoro, assume a incumbência de fazer a leitura, do jeito que lhe é peculiar, do conto que inspirou o encontro da gastronomia com a literatura no Londrix. Não duvide que a leitura será tão apetitosa quanto “O Último Porco”. A garantia de um prato à altura é a assinatura do chef Marcello Sokolowski, professor de Gastronomia na Unopar e pesquisador, já que também é sociológo, da comida que alimentava os primeiros londrinenses. O chef estreia no Londrix batendo as panelas a favor da literatura.

11 FEV | SÁBADO | 21 HORAS | Vila Cultural Cemitério de Automóveis Festa: O ÚLTIMO PORCO Nas panelas o Cheff Marcello Sokolowski - Evento colaborativo. R$20,00/R$10,00


O melhor Vídeo Poema de todos os tempos dos últimos cinco anos

Durante milênios a palavra escrita, impressa, reinou absoluta. A variação por este tempo resumia-se ao teatro, a música e a ópera. Depois veio o rádio e logo em seguida o cinema e a televisão. Na virada do segundo pro terceiro milênio da Era Cristã, a Internet entrou em cena e virou ao avesso o avesso do avesso do labor literário. Atento ao que se faz por aí, aqui e acolá, o Festival Literário de Londrina lançou, há cinco anos, a Mostra Vídeo Poema. Chegando em sua sexta edição, o projeto teve, ao longo dos anos, mais de 500 vídeos inscritos. A cada Mostra, a curadoria do Festival seleciona 12 poemas a serem visibilizados e votados pelos telespectadores. O MELHOR – Nesta edição do Londrix, de 13 a 18 de fevereiro, no Museu Histórico “Pe. Carlos Weiss”, os Vídeos vencedores das edições anteriores serão submetidos ao crivo dos telespectadores da RPC-TV para elegerem o melhor dentre os melhores até aqui eleitos. A votação termina no dia 16 e os vídeos vencedores serão exibidos no dia 17.

SERVIÇO

FOTO: DERRICKCOLLINS VIA VISUALHUNT.COM

Em sua sexta edição, a Mostra Vídeo Poema, promovida pelo Festival Literário de Londrina, revisita os vencedores das edições anteriores para eleger o melhor dentre os melhores

Foi lá pelo fim do Período Neolítico, início da Idade do Bronze, algo em torno de oito, sete mil anos atrás, que o ser humano começou a desenvolver a escrita. De lá pra cá muita coisa mudou. Segue inalterado, no entanto, o desejo de se expressar, comunicar, isto é, tornar comum uma ideia, um desejo, uma inspiração ou informação.

13 A 18 FEV | 21 HORAS | Museu Histórico de Londrina

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“Coração de Benjamin” no pulsar Londrix O professor Marco Antonio Rossi, pós-doc nas palavras afáveis, seja no rádio, nas redes sociais ou nas páginas dos agonizantes jornais, além da sala de aula, é claro, é velho conhecido da Londrina que conversa sobre tudo sem ranger os dentes. O escritor Marco A. Rossi, que ora nos revela o cronista, segue na mesma trilha. Seus escritos valem a pena ser lidos. Provocam raciocínios, pensamentos, memórias... Serenamente... Serena mente...

A bem da verdade, a estreia foi na publicação de livro, pois escrever é com o Marco A. Rossi desde sempre. Quando não escreve, fala. Como fez durante um bom tempo numa emissora de rádio local. Falava sobre tudo, com ênfase na abordagem da política na cidade, no estado, no país e no mundo. Aos poucos, o cronista, pautado pela tradição fundada, entre outros, por Machado de Assis, Lima Barreto e João do Rio, na virada do século XIX pro XX, revelou-se um observador arguto da sociedade contemporânea. Seus textos funcionam como espelho em que o leitor se vê refletido e é compelido a refletir. BENJAMIN – Discípulo confesso de Leandro Konder, filósofo marxista brasileiro que, assim como José Saramago, escritor português Prêmio Nobel de Literatura, viveu e morreu sem perder a fé no socialismo, as crônicas do professor Marco são permeadas com citações que facilitam o entendimento do pensar do autor.

SERVIÇO

A estreia na arte de escrever se deu após o Mestrado em Ciências Sociais-UEL (Universidade Estadual de Londrina), em 2003. A dissertação virou livro – “A travessia do infinito”, que conta a história de Chico Mendes e da luta dos seringueiros do Acre, publicação que recebeu o prêmio Jean Jaurés em 2004.

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“A esperança só nos é dada por consideração àqueles que não têm mais esperança”, por Walter Benjamin, filósofo e sociólogo da Escola de Frankfurt citado logo de cara, esclarece o leitmotiv do cronista. Segundo a prefaciadora do livro, socióloga Ileizi Fiorelli Silva, aquele que tem “coração sociológico, alma literária e uma cabeça poética”.

16 FEV | QUINTA | 19 HORAS | Biblioteca Pública de Londrina Lançamento do livro CORAÇÃO DE BENJAMIN, de Marco A. Rossi


VILA CULTURAL CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS DESDE 2007 FAZENDO ARTE

Texto de Jack Kerouac que poderia ter sido escrito para a Vila Cultural Cemitério de Automóveis, “Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os encrenqueiros. Os que fogem ao padrão. Aqueles que veem as coisas de um jeito diferente. Eles não se adaptam às regras, nem respeitam o status quo. Você pode citá-los ou achá-los desagradáveis, glori cá-los ou desprezá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram adiante a raça humana. E enquanto alguns os veem como loucos, nós os vemos como gênios. Porque as pessoas que são loucas o bastante para pensarem que podem mudar o mundo são as únicas que realmente podem fazê-lo.” Jack Kerouac

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PROGRAMAÇÃO FEIRA DE LIVROS DE 14 A 18 DE FEVEREIRO Todos os dias, a partir das 14 horas Sábado, dia 18, a partir das 10 horas Local: Museu Histórico de Londrina

LANÇAMENTOS E AUTÓGRAFOS Com os autores convidados, todos os dias

11 FEV | SÁBADO 21 HORAS Local: Vila Cultural Cemitério de Automóveis R$20,00/R$10,00 FESTA “O ÚLTIMO PORCO” nas panelas o Cheff Marcello Sokolowski Evento colaborativo

12 FEV | DOMINGO 11 HORAS Local: Feira do 5 conjuntos Assalto Literário

13 FEV | SEGUNDA 11 HORAS Local: Cambé Calçadão Assalto Literário 14 HORAS OFICINA DE TEXTOS CRIATIVOS Com Augusto Silva 17 HORAS Mesa “MEMÓRIA LONDRINA” Mário Bortolotto e Augusto Silva Mediação: Mário Fragoso 18 HORAS Local: Concha Acústica POESIA IN CONCERT Augusto Silva e Duda Victor Benditos Energúmenos Fabio Mungo & Convidados Maurício Arruda Mendonça & Hermano Pellegrini Rodrigo Garcia Lopes & Eduardo Batistella Orifício dos Deuses Saco de Ratos

14 FEV | TERÇA 15 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina Infantil/ SARAUZINHO com os palhaços CARABINA & LELECA + Contação de história “DESVENDÉRIO” com MORGANA

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20 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina BATE-PAPO “A CARNE DO CORPO, A CARNE DA PALAVRA: LITERATURA E EROTISMO” Reinaldo Moraes, Felipe Pauluk

20 horas Local: Museu Histórico de Londrina Mesa “FANTASMAS DO PRESENTE, SILÊNCIOS DO PASSADO” com Julián Fuks, Mediação Silvio Demétrio

15 FEV | QUARTA

17 FEV | SEXTA

9H30 Local: Prefeitura de Ibiporã ASSALTO LITERÁRIO 15 HORAS Local: Museu Histórico UM DEDO DE PROSA com Marco Fabiani 18 HORAS Local: Museu Histórico CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM POESIA Felipe Pauluk, Ivan Frederico, Janderson Cunha, Marrom de Abreu e Vinicius Lima Lançamento do livro “VERMELHO CALA FRIO”, de Marrom de Abreu 20 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina Mesa “COZINHA LONDRIX” Marcello Sokolowski, Valéria Arruda Mortara e Herman Schmitz 21 HORAS Local: Vila Cultural Cemitério de Automóveis Sarau: Prosa Poesia e Outras Delícias (leitura-música-exposiçãoperformance)

18 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM PROSA Marco Fabiani, José Pedriali e Maria Angélica Constantino 19 HORAS Local: Menu Escola de Gastronomia MENU LONDRIX Gastronomia com temperos literários Com Marcello Sokolowski 20 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina AULA SHOW com Enzo Minarelli Mediação Frederico Fernandes 22 HORAS Vila Cultural Cemitério de Automóveis Performance “ZUT, ecoperformance de poesia biossonora com Djami Sezostre”

16 FEV | QUINTA 15 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina UM DEDO DE PROSA Com Samantha Abreu Infantil/SARAUZINHO com Palhaço MEQUETREFE + Contação de história com GILZA SANTOS 18 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM ELAS Manuela Pérgola, Samantha Abreu, Vivian Campos, Beatriz Bajo, Edra Moraes Flávia Verceze, Vi Karina, Camila Sousa, Lua Lobo e Christine Vianna. 19 HORAS Local: Biblioteca Pública de Londrina Lançamento do livro CORAÇÃO DE BENJAMIN, de Marco A. Rossi

18 FEV | SÁBADO 10 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina Infantil/SARAUZINHO com os palhaços CARABINA & LELECA + Contação de história com “TEMPO DE PROSA” com LUCIANA GUEDES) Autógrafos “Balaio de Gato” de Carlos Francovig “Minhas histórias contadas por Bia e amigas” de Ernesto Ferreira de Oliveira 14 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina CAFÉ DAS LETRAS: CAFÉ COM SLAM Com Leandro Palmerah 18 HORAS Local: Museu Histórico de Londrina Mesa “NOS LABIRINTOS DE EROS: POESIA E SEDUÇÃO” Alexandre Marques, Micheliny Verunschk e Djami Sezostre 21 HORAS Local: Vila Cultural Cemitério de Automóveis R$20,00/R$10,00 SHOW: LEITURAS MUSICAIS DE YUXIN, ALMA Com Ana Miranda e Marluí Miranda


PATROCÍNIO:

FEIRA DE LIVROS | DEBATES | PALESTRAS | OFICINAS | SHOWS | ATIVIDADES INFANTIS

PARCERIA:

www.londrixfestivalliterario.com.br www.facebook.com/festivalliterario.londrix

REALIZAÇÃO:

ATRITO ARTE ARTISTAS E PRODUTORES ASSOCIADOS

ESTE PROJETO FOI SELECIONADO PELA BOLSA DE FOMENTO À LITERATURA DO MINISTÉRIO DA CULTURA

Revista Londrix 2017  

Publicação do Festival Literário de Londrina LONDRIX 2016

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