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LONA Laboratório da Notícia - issuu.com/lonaup Edição 1004 | Especial – Eleições 2018

eleicoes2018.redeteia.com #JornalismoUP

Ideologias e Influências


LONA

EXPEDIENTE Presidência da Divisão de Ensino do Grupo Positivo Paulo Cunha

Reitoria José Pio Martins

Pró-reitoria Acadêmica Carlos Longo

Direção da Área de Ciências Sociais e Humanas Aplicadas Roberto Di Benedetto Coordenação dos curso de Jornalismo e Fotografia Maria Zaclis Veiga Ferreira

Professores-orientadores Hendryo André Felipe Harmata Marinho Katia Brembatti Editores-chefes Lucas Vasconcelos Fernanda Scholze

Equipe de reportagem Amanda Kawassaki, Fernando Souza, Giullia Buch, Hellen Barbosa, Larissa Biscaia, Livia Mie, Lucas Vasconcelos, Maria Vitória Guimarães e Marcella Stelle.

O lona é o jornal-laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Positivo. O veículo integra a Rede Teia de Jornalismo. Acompanhe o curso de jornalismo pelas redes sociais. Caso tenha dúvidas sobre o curso, entre em contato.

https://eleicoes2018.redeteia.com facebook.com/RedeTeia youtube.com/TelaUN1 www.mixcloud.com/RedeTeia/

Editorial

O

LONA preparou em 2018 edições especiais sobre o tema eleições, trazendo reportagens que falam sobre as influências e ideologias; saúde; segurança; educação; hereditarismo e o contexto de produção e circulação das fake news dentro do âmbito político. Também conta com perfil dos eleitores e candidatos; acompanhamento das eleições e contará ainda com uma edição especial que pretende repercutir os resultados do pleito que escolherá governadores de 26 estados e do Distrito Federal, além de deputados estaduais, fede -rais e distritais, senadores, governadores e, claro, presidente da República. Cada edição do LONA publicada durante esta semana decisiva para o rumo do país nos próximos anos visa aprofundar os principais temas relacionados à temática. As edições, produzidas pelos alunos do curso de Jornalismo da Universidade Positivo, têm como objetivo fazer com que os leitores compreendam e lembrem o quão importante é o papel do eleitor, mas sem resumir essa ideia exclusivamente

aos anos eleitorais. Além disso, como missão da equipe que assumiu o desafio de tornar o jornal útil ao processo eleitoral, buscou-se também responder a dúvidas relacionadas ao mundo político. Nesta edição, com o tema Influências e Ideologias, são trazidas reportagens que abordam e explicam as diversas formas de ideais, princípios e valores disseminados na sociedade no âmbito político. Esta edição trabalha com temas que destacam as diferenças entre votos brancos e nulos, sobre as bancadas dentro do Congresso, especialmente da Câmara de Deputados, além das convicções e concepções dentro da política em pleito eleitoral. Com ele, se o objetivo for atingido, o leitor poderá compreender mais sobre esse universo, refletir sobre o momento complexo pelo qual passa o Brasil politicamente e, enfim, compreender a importância de votar conscientemente no próximo domingo. Em um momento no qual há uma grande polarização política no país, instigada especialmente pela descrença nas instituições – inclusive, o jornalismo –, a equipe do LONA busca reiterar o compromisso social do jornalismo para o esclarecimento. Boa leitura!

jornalismo@up.edu.br

O que esperar da série especial de edições do LONA sobre as eleições As edições especiais do LONA sobre as eleições 2018 integram um conjunto de iniciativas do curso de Jornalismo da UP que visam debater a importância de uma cobertura jornalística responsável, envolvida com a veracidade dos fatos e, claro, comprometida, em um período eleitoral tão turbulento, para auxiliar no esclarecimento dos eleitores. Essas ações foram iniciadas já no início de agosto durante o MeetCom, nossa semana acadêmica, que teve como foco a discussão sobre comunicação e política. Na ocasião, os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda organizaram sabatinas com candidatos ao governo do Estado. Foi uma experiência muito rica para todos. Ao mesmo tempo, relizamos uma atitude pioneira no Brasil: a checagem em tempo real do debate ao governo do Paraná, com o projeto A Sábia. Além disso, lançamos um site especial para as eleições, vinculamos disciplinas de todos os períodos do curso nele e, além disso, estamos preparando uma grande cobertura para o dia 7 de outubro. O que podemos esperar? Trabalho, suor e muito aprendizado. Hendryo André, professor do curso de Jornalismo da UP

Hey! Como foi participar do LONA? “Foi uma experiência muito legal, porque a gente sabe que faz uma matéria não só para o professor avaliar. Quando descobrimos que mais pessoas vão ler, nos sentimentos mais motivados e o texto fica melhor”. Marcella Stelle “Um LONA sobre eleições é uma proposta bastante interessante. Não abordamos clichês que envolvem o período eleitoral, mas debatemos a política como pautas distintas que enriquecem o todo” Maria Claúdia Batista “É incrível poder ter a experiência de escrever para o jornal do curso, feito por e para as pessoas do curso! Dá uma sensação de como será a experiência de escrever para veículos profissionais.” Giullia Buch


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Curitiba, 2 de outubro de 2018

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Fake news propagação de boatos influencia opiniões e altera contextos

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Movimentos estudantis contribuem para formação política de estudantes

9 Esquerda x direita

polarização dos partidos divide famílias

11 Redes Sociais,

aliadas ou inimigas das eleições

Agenda1

No próximo domingo (7), a Rede Teia de Jornalismo fará a tradicional cobertura das eleições. Os trabalhos iniciam antes de as seções eleitorais abrirem. Nossos repórteres, do primeiro ao quarto ano, estarão espalhados por Curitiba, Região Metropolitana e outras regiões para trazer, em primeira mão, as principais informações do dia da eleição. A cobertura acontecerá pela Rádio Teia, pelo hotsite especial criado para as eleições, pela TV Teia. Além disso, no domingo à noite, você terá uma edição especial do LONA com toda a repercussão do pleito. Vem com a gente!

5 Foro privilegiado

entra em conflito com a Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2018

7 De pai pra filho, as escavadoras e a bíblia: conheça as bancadas da Câmara

10 CRESCE

Em 2018, previsão de votos brancos e nulos

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fact-checking Debate ao governo dá início ao núcleo de checagem

Agenda 2

Nesta terça-feira (2), o Nú cleo de Fact-Checking A Sábia fará a cobertura em tempo real do debate da RPC-TV. Acompanhe pelas nossas redes. Mais informações na págin a 12.


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LONA - Edição 1004

Influências e Ideologias

Fake news: propagação de boatos influencia opiniões e altera contextos Mesmo com a onda de notícias de veracidade duvidosa circulando nas redes sociais, menos da metade dos brasileiros checa as informações que consome Fernando Souza e Thiago Cavasini

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FONTE: Conselho Nacional de Justiça

propagação das fake news (as notícias falsas, em inglês) vem ganhando repercussão nos últimos anosnas redes sociais. Segundo uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), apenas 36,5% dos brasileiros checa a veracidade das informações que consomem, enquanto 68,2% pelo menos já ouviu falar do termo fake news. Desse grupo, 49% utilizam a internet todos os dias. O êxito na propagação dessas notícias, geralmente oriundas de fontes duvidosas, se dá pelo princípio de atingir um grande número de pessoas em pouco tempo. O professor das áreas de Comunicação e Design da Universidade Positivo André Tezza explica que “pessoas que dependem demais da aprovação do olhar dos outros, do olhar da comunidade particular em que convivem, estão mais suscetíveis a acreditar naquilo que não desestabiliza suas amizades e relações sociais”.

Influência nas eleições Na a última campanha presidencial dos Estados Unidos, um grupo de garotos de Veles, na Macedônia, inundou a internet de notícias falsas. Ao perceber que o público que votava no candidato Donald Trump era mais propenso a disseminar esse tipo de conteúdo, o grupo passou a produzir notícias favoráveis ao republicano. Apesar de envolver figuras relevantes da mídia, essas notícias costumam ter como principal objetivo a monetização das propagandas localizadas no site utilizado para propagar as notícias, de acordo com Tezza. Em momento próximo das eleições, a preocupação quanto à reputação de alguns candidatos é reforçada. Esses boatos, pela confusão que causam nos eleitores, podem tanto beneficiar os candidatos quanto prejudicá-los. Apesar disso, nem sempre são os eleitores que propagam esses conteúdos. Os chamados bots ou contas automatizadas são robôs que trabalham exclu-

sivamente na função de criar uma falsa sensação de apoio a um candidato, por exemplo. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) concluiu um levantamento em que aponta que esses robôs foram responsáveis por 10% do engajamento no debate de conteúdo políticos nas redes sociais em 2014. As eleições naquele ano foram muito acirradas, com uma estreita margem de votos a favor da ex-presidente Dilma Rousseff. Isso mostra a importância dessa ferramenta na propagação de fatos inverídicos que, de uma maneira ou de outra, acabam convencendo o eleitor com facilidade. Por isso, muitas pessoas acreditam que em 2018, na chamada era da pósverdade, a massificação desse tipo de método pode influenciar ainda mais nas eleições. Como identificar uma fake news O principal perigo dessas notícias falsas está na sua propagação: pelos próprios leitores. Os fatos apresentados podem parecer elaborados e fundamentados, e até quem já tem conhecimento sobre o assunto está suscetível a compartilhá-los. Por conta disso, o Conselho Nacional de Justiça publicou em sua página do Facebook algumas maneiras de identificar informações que são possíveis boatos. Dentre as dicas estão: ler a notícia inteira, checar quem as publicou e pesquisar a mesma informação em outras fontes, mais conhecidas e confiáveis. O próprio Conselho abriu um procedimento para investigar a desembargadora Marília Castro Neves, que usou o Facebook para difamar a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em 14 de março de 2018. Para Tezza, a melhor forma de diminuir a distribuição em massa desses fatos é fortalecer o bom jornalismo e instituições democráticas. Dessa forma, “as fake news perderiam sua força e poderiam ser desmentidas de maneira mais rápida”, explica. Além disso, ele acredita que com as recentes parcerias que as redes sociais têm feito com jornais on-line irão contribuir para a desmistificação dessas informações inverídicas, ao dar mais espaço para o jornalismo genuíno.


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Curitiba, 2 de outubro de 2018

FONTE: all-free-download.com

Foro privilegiado entra em conflito com a Lei da Ficha Limpa nas eleições de 2018 Políticos enquadrados na Lei da Ficha Limpa não podem se candidatar, mas foro privilegiado entra no jogo e os protege da lei Giovana Godoi

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ontraditórios, o foro privilegiado e a Lei da Ficha Limpa se cruzam em um caminho imprevisível para as eleições de 2018 no estado do Paraná. Enquanto a Lei da Ficha Limpa busca a idoneidade dos políticos eleitos, o foro privilegiado resguarda a liberdade de réus de processos criminais que ocupam determinados cargos, considerando sua importância para a sociedade. Dentre esses que têm direito à exceção da regra, governadores, senadores e deputados estaduais se incluem no privilégio, dependendo da instância em que se encontra o processo específico. O que se questiona, a partir disso, é o controle que o Poder Legislativo tem sobre o estado, determinando de maneira não generalista e, consequentemente parcial, que político tem ou não o direito de se eleger no Paraná. Nesse caso, a Lei da Ficha Limpa serve para alguns, mas não para todos, assim como o foro privilegiado reserva seus benefícios para determinados políticos em questão. O advogado e professor de direito constitucional da Universidade Positivo (Curitiba), Eduardo Faria Silva, esclarece a situação atual da Lei da Ficha Limpa: “A decisão do Supremo Tribu-

nal Federal de 2017 que retroage os efeitos da lei para data anterior à sua publicação, pode se tornar um dos grandes entraves com relação às candidaturas que serão registradas para as eleições de 2018. O Supremo Tribunal Federal ampliou os efeitos da lei para data anterior à sua aplicação. Com isso, temos candidatos que têm condenação dentro dos marcos da Lei da Ficha Limpa e que estarão impossibilitados, segundo esse entendimento, de participar do processo eleitoral em 2018”. Entende-se que a Lei da Ficha Limpa é a esperança de que muitos votantes não façam a escolha errada nas urnas. A partir disso, entende-se que essa lei e o foro privilegiado entram num embate pouco embasado. Salva-se quem puder. E quem não puder, não só fica impossibilitado de exercer o cargo, mas espera angustiado pela cela. Em um país de raiz corrupta tão intrínseca e fortificada como a do Brasil, o ideal seria definir uma organização legislativa rigorosa que corrigisse esse problema. É difícil solidificar uma lei como a da Ficha Limpa e fazer ela valer como “pente fino” na íntegra enquanto alternativas como o foro privilegiado implantam ainda mais os escândalos de corrupção. Políticos são, na

essência, cidadãos comuns. Espera-se, então, que eles tenham direitos comuns. Com tudo isso, fica difícil acreditar que não há parcialidade nas ações do Poder Legislativo com relação à política. Há de se considerar, por exemplo, quantos processos são arquivados no STF enquanto tantos outros são resolvidos em tempo ágil. Ou seja: o problema não é o tempo que a documentação burocrática demanda, mas sim os juízes que estão lá dentro determinando essas medidas. Com tantas possibilidades de “fuga” da lei, há políticos que, ano após ano, usam desses recursos e ficam impunes por seus crimes. Mas quais políticos, exatamente? Seriam eles protegidos? Os cargos votados nas eleições de 2018 são para deputado federal, deputado estadual, senador, governador, presidente da República. Antes de exercer o seu direito democrático nas urnas, pesquise a ficha de seu candidato; a Lei de Acesso à Informação existe para que possamos ter conhecimento do histórico de quem a sociedade escolhe para ter o seu voto. Use-a e abuse. É importante que o cidadão tenha conhecimento de quais leis estão do seu lado.


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LONA - Edição 1004

Mobilização

Movimentos estudantis contribuem para formação política de estudantes Frentes estudantis surgiram nos anos 1930 e já tiveram presença mais forte na luta por direitos. Mesmo com menor adesão e força, os coletivos ainda atuam na conscientização no meio acadêmico

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s movimentos estudantis organizados ficaram famosos na época da ditadura militar como símbolo de resistência e luta, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), principal organização representante dos estudantes do país. Surgindo logo após a revolução de 1930 como forma de combater o fascismo e pró-nazismo da época. Em 1964, devido à ligação da UNE com o presidente deposto João Goulart, a sede carioca foi metralhada e incendiada. Meses mais tarde, com a criação da Lei Suplicy de Lacerda, a UNE e os coletivos estudantis passaram a atuar na clandestinidade. Mesmo com a repressão, os movimentos estudantis continuaram a promover debates, passeatas e congressos às escondidas. Com o fim da ditadura, após a morte de milhares de estudantes, a UNE teve grande representatividade em movimentos como o Diretas Já! no processo de redemocratização do país. Apesar de focos e motivações diferentes da resistência dos anos 1960 e 1970, até hoje os movimentos estudantis se fazem presentes no âmbito universitário. Um exemplo disso é a Assembleia Geral promovida pelos estudantes da Universidade Federal do Paraná em 24 de maio para discutir a PEC 241, que estipula um teto para gastos públicos com saúde e educação, e a terceirização de profissionais da Universidade. A assembleia foi aberta a todos os alunos sendo promovida, prin-

cipalmente, pelas frentes estudantis autodeclaradas de esquerda que visam a conscientização dos alunos diante os acontecimentos que interferem direta e indiretamente na vida dos acadêmicos. Ainda no âmbito nacional, como forma de criar uma entidade paralela à UNE, o Partido Socialista dos Trabalhadores Unidos (PSTU), fundou a Assembléia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL), sendo uma outra maneira para estudantes que não encontram mais na UNE um ponto de apoio de suas reivindicações, nem um espaço de organização de suas lutas. A atuação das frentes estudantis abrange desde o âmbito nacional até o regional, sendo cada um deles responsável por promover debates e decisões que competem às suas devidas autoridades. O PSTU atua, regionalmente, dentro da UFPR e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) realizando debates sobre temas vigentes e problemas dos cursos, com o intuito de gerar uma mudança dentro do ambiente acadêmico e fora dele. Para a aluna e militante do partido Mandi Coelho Marzall, de 22 anos, é importante a politização dos alunos, “pois a falta de pensamento crítico é interessante para quem está no poder”. Ela defende que a academia é um dos principais espaços para criar pensamento crítico. Existem ainda coletivos com cunho ideológico, contudo sem filiação a nenhum partido como, por exemplo, o coletivo Quebrando Muros e Outros Outubros Virão que promovem debates e discus-

Foto: Arquivo pessoal

Amanda Kawassaki e Larissa Rauen

Vice-presidente da União Acadêmica, Bruno Kaiser (à direita) ressalta importância de propor discussões sobre temas políticos nas universidades sões que englobam a realidade acadêmica e social. Em contrapartida aos movimentos estudantis de esquerda existentes dentro da Universidade Federal do Paraná, foi fundada no início de 2017 a União Acadêmica UFPR Livre. A proposta buscou oferecer aos alunos que não se identificavam com os movimentos estudantis atuais, uma alternativa dentro da universidade. A União Acadêmica conta com conselho de 20 membros, e um quadro apoiador de 60 membros, dos quais seis são mulheres. O vice-presidente da União Acadêmica, Bruno Kaiser, explica que a forma de atuação é organizando eventos dentro da própria Universidade, levantando variados temas, e disseminando seus ideais na página do Facebook. Como objetivo, pretendem fornecer ideias e auxiliar projetos de ativismo estudantil. Para ele, é por meio da política que se realizam transformações econômicas e sociais de um país.

Se os estudantes acabam se ausentando das discussões políticas, ficarão à mercê dos ministérios, e é isso que deve despertar o interesse dos jovens o quanto antes. Para muitos jovens, as eleições de 2018 serão a primeira chance de votar. A partir disso, os coletivos, uniões e frentes estudantis - de todas as ideologias - têm o papel de informar e orientar os participantes, de acordo com a forma de pensamento com que mais se identificam. A politização se trata de um processo de tornar alguém consciente do pensamento e da ação política, seja através de debates e ações cotidianas que visam a emancipação intelectual de cada um. Dentro do meio acadêmico, as frentes estudantis têm voz ativa devido ao histórico de luta, sendo importante para que estudantes tenham sua formação política e moral bem estruturada para construir uma sociedade mais justa e igualitária.


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Curitiba, 2 de outubro de 2018

Mobilização

De pai pra filho, as escavadoras e a bíblia: conheça as bancadas da Câmara Federal Com 513 deputados, de 27 unidades federativas, a Câmara possui pelo menos 11 bancadas bem definidas Lucas Vasconcelos e Lívia Mie

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Câmara Federal conta, hoje, com 11 bancadas que defendem grupos, interesses e ideologias diferentes. Entre elas, está a bancada dos Parentes, que reúne os políticos da casa que contêm vínculos familiares com outros políticos. Ela é a maior dentro do casa, com 238 deputados que se reúnem semanalmente em Brasília para a discussão de projetos. Em seguida vem a das empreiteiras e construtoras (226), a empresarial (208), a agropecuária (207) e a evangélica (197). Apesar da importância em compreender como se formam as relações de poder, muita gente não faz a menor ideia do que sejam essas bancadas. A dona de casa Maria Toaldo, de 54 anos, fala que só conhece a evangélica. “Cada um quer defender seus interesses. Os evangélicos querem defender as leis segundo o mandamento de Deus, o que é o certo”, diz. O estudante de arquitetura e urbanismo, Julio Botega, de 31 anos, conta que, para ele, “as bancadas defendem interesses específicos: rurais, evangélicos, empresariais e sociais. Elas articulam projetos que compartilham de ideais e acho que elas prejudicam ao defender algo de visão individual do seu grupo, esquecendo o restante da população”. Já a advogada Fernanda Barollo, de 26 anos, conta que “as bancadas, inicialmente, eram uma ideia incrível, pois unem os deputados que lutam por objetivos em comum, mas os ideais da bancada perdem o sentido quando o estado laico aceita uma bancada evan-

Esquema produzido pela Pública- Agência de Jornalismo Investigativo do número de deputados em cada bancada e as ligações entre elas. gélica para discutir assuntos que regem um país inteiro, que é laico. As bancadas são necessárias, mas perderam o foco quando começaram a aceitar bancadas religiosas que interferem em todo o direito da sociedade ”.

A Bancada dos parentes Ela é formada principalmente por aqueles que ocupam posições na elite política, que têm mais incentivos. Após a disputa eleitoral de 2014, a Transparência Brasil divulgou um levantamento

concluindo que 49% dos deputados federais eleitos naquele ano tinham pais, avôs, mães, primos, irmãos ou cônjuges com atuação política, sendo assim, o maior índice das quatro últimas eleições. Segundo um levantamento de 2017


Lívia Mie/LONA

A dona de casa Maria Toaldo apoia a bancada evangélica, a quinta maior dentro da Câmara Federal, composta por quase 40% dos parlamentares

da Revista Congresso em Foco, 59 dos 81 parlamentares no Senado já tiveram ou ainda têm familiares no exercício de mandatos políticos. Esse número representa cerca 73% da Casa. Empreiteiras/construtoras e bancada empresarial Com 226 deputados, a Bancada Empreiteiras e Construtoras é a segunda maior. Dados divulgados pela Operação Lava Jato revelam que mais de 250 deputados eleitos tiveram apoio de empreiteiras investigadas em casos de corrupção, sendo a principal a Odebrecht. A Bancada Empresarial conta com 208 candidatos e teve como maior financiador em 2014 as empresas do grupo JBS que distribuíram cerca de R$ 61,2 milhões para 162 deputados eleitos de 21 partidos diferentes. Bancada agropecuária A bancada agropecuária conta com 207 deputados com uma visão mais conservadora e tem como objetivo a discussão de tributação de produtos agrícolas, a indenização de propriedades quando desapropriadas e a indicação de membros para as comissões permanentes da Câmara dos Deputados.

Bancadas evangélica e “da bala” A bancada evangélica tem 197 deputados cristãos e que compartilham de ideais mais conservadores. Entre as causas defendidas estão: ser contra o aborto, a união LGBTI e são a favor da redução da maioridade penal, pensamento compartilhado com a bancada da bala. A bancada da bala ganhou esse nome devido ao financiamento de indústrias de armas e munições. Atualmente, conta com a participação de 35 deputados, os quais defendem a intervenção militar, o aumento de penas e, principalmente, a revisão do Estatuto do Desarmamento. Segundo dados divulgados pela Pública - Agência de Jornalismo Investigativo, em 2017, dos 35 deputados que compõem o grupo, 15 também fazem parte da bancada evangélica e nenhuma delas tem ligação com a bancada dos direitos humanos. A bancada dos direitos humanos Com 24 deputados, sendo metade do PT, essa bancada é contra a opressão às mulheres, o racismo e a violência estatal e defende os direitos LGBTI, aos índios e populações tradicio-

nais. É a bancada que possui menor vinculação com as outras, não tendo ligação com a Agropecuária, Bala, Evangélica, Mineração e Saúde. Para a votação de projetos, há a união de certas bancadas que compartilham de ideologias semelhantes sobre o aspecto discutido, como acontece nas discussões sobre maioridade penal com a Evangélica e a Bala. Segundo a historiadora, socióloga e doutora em Direito Edna Maria da Silva “precisa-se a contradição dentro das bancadas para que haja um processo democrático. É necessário que elas existam para haver uma discussão dentro desse processo. Mas o problema é quando essas bancadas começam uma disputa de poder de ideais de esquerda e direita e esquecem do povo, assim, atrapalhando o desenvolvimento do país. A política brasileira é uma política individualista, onde cada um joga pra si e não representam a vontade da maioria. As bancadas não devem pensar de maneira individualista e, sim, propagar uma discussão que beneficie a todos os cidadãos do país”. Além das bancadas citadas, também existem a Sindical, Mineração, Saúde e Bola.


Curitiba, 2 de outubro de 2018

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Um passo à esquerda, um passo à direita

Esquerda x direita polarização dos partidos divide famílias Marcella Stelle e Maria Vitória Guimarães

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ode ser comparado ao Fla-Flu ou Atletiba para os amantes de futebol. Quem gosta de novela é como a rivalidade entre Rute e Raquel em Mulheres de Areia. Há sempre uma disputa quando o assunto é eleição, mas esse ano o Brasil viverá algo inédito: uma possibilidade enorme de candidatos à presidente do país com a votação polarizada em dois possíveis candidatos. Mais do que escolhas e/ou ideologias partidárias, o cenário político nacional vive hoje um campo de guerra. Não há possibilidade de meio termo, apenas ser de direita ou esquerda. Assim como no futebol, sua ideologia faz você perder amigos, mesmo que seja com uma piada. Ana Beatriz Peixoto, 46, é psicóloga e artesã. Nascida em Uberlândia, aos doze anos conheceu o universo político. Junto com irmão e amigos, foram cabo eleitoral de Olga Helena da Costa, candidata a vereadora e do candidato ao governo pelo PMDB Tancredo Neves nas eleições de 1982. Olga era professora e amiga da família de Ana, mulher e negra militava pela causa das minorias. Ana, junto com alunos colavam cartazes, panfletavam nas ruas e no dia da eleição fizeram boca de urna. “Saímos no jornal da cidade. Olguinha foi a vereadora mais vota-

da”, conta a artesã que diz ter nascido ali sua paixão por esse mundo. Na faculdade de psicologia já em São Paulo descobriu que haviam lados na política, e que ela se encaixava na esquerda. Com 18 começou a namorar seu marido “ele é super ‘coxinha’, todos da família dele eram ‘malufistas’ quando os conheci, mas mesmo assim não deixei de me posicionar. Em 1998, por exemplo, com a Erundina na prefeitura de São Paulo”. Afinal, o que é direita e esquerda? No Brasil, os termos ganharam força na Ditadura Militar, onde quem apoiou o golpe dos militares era considerado da direita, e quem defendia o regime socialista, de esquerda. Hoje essas escolhas vão além. Avanços na legislação em direitos civis e temas como aborto, casamento gay e legalização das drogas são vistas como bandeiras da esquerda, a direita defende a família tradicional. Olívia de Brito, 86 anos diz que educou os filhos com completa liberdade nas escolhas políticas. “Nunca me meti no voto dele, deixei que os meus cinco filhos sempre votassem em quem quisessem a vida inteira”, conta a dona de casa que teve o marido, já falecido, vítima de perseguição nos anos 60. Hoje os filhos têm opiniões diversas quanto as escolhas presiden-

ciais. “Tem filho que votará no Bolsonaro e tem filho que votará no Lula”, conta Olívia que mesmo com a opção do voto facultativo por causa da idade, faz questão de exercer sua cidadania “desde que tirei meu título, voto a cada dois anos. Já deixei de ver familiares porque não queria viagem durante as eleições”. Essa liberdade sobre escolhas políticas não acontece em todas as famílias. Na casa de Maria Nazareth, o posicionamento é a direita e não se aceita outra ideologia. “Somos a favor das mudanças e entendemos as questões das minorias, mas não vejo como certo liberar o aborto ou uso de drogas”, conta a aposentada. Apesar de terem ideias diferentes, na casa de Ana Beatriz o assunto política entre o casal é proibido “apesar do meu marido reconhecer os benefícios do governo PT no Brasil, se falo alguma coisa pode saber que haverá briga”, comenta a psicóloga que tem dois filhos adolescentes. “O mais velho votará pela primeira vez esse ano, ele sabe que pode votar em quem quiser, menos no Bolsonaro”, brinca ela “o mais novo tem treze anos e não vota, mas é bem parecido comigo, então não me preocupo, ele tem valores humanos. O mais velho já é mais capitalista como o pai, isso me ‘preocupa’”. As filhas de Maria Nazareth seguem as ideologias da mãe, mas não sabem o que é direita ou esquerda. Aliás, esse é um dos grandes problemas para essas eleições: a falta de conhecimento político. “Para mim esquerda é PT”, conta Claudia Cortes, 43. Apesar de ser a favor do aborto, casamento gay e outras lutas das minorias características das lutas da chamada esquerda, Claudia continua votando nos mesmos partidos “PT quer tornar o Brasil comunista, olha o exemplo de Cuba”. Diferente de uma partida de futebol ou de uma novela que tem tempo de duração curto e depois vida que segue, as escolhas e ideologias políticas envolvem a mudança da vida em sociedade e por um período de, no mínimo quatro anos. Vale a reflexão sobre o que é democracia, inclusive dentro de casa.


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LONA - Edição 1004

cresce Quando o voto não vale

Em 2018, previsão de votos brancos e nulos

Segundo o Instituto Datafolha, votos brancos e nulos atingiriam 15% em um cenário entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernanda Haddad (PT), os dois primeiros colocados na corrida presidencial. Números tendem a aumentar devido à rejeição dos dois candidatos

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cada ano eleitoral, o número de votos brancos e nulos vem crescendo no Brasil. Nas eleições de 2014, o número de eleitores que abstiveram ou escolheram por votar em branco ou nulo nas eleições presidenciais chegou a 27% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. Essa porcentagem é a maior desde 1998, ano em que esse valor chegou a 36%. Os eleitores enxergam no voto branco ou nulo com uma forma de protesto contra a atual situação política brasileira, mas esquecem de que esses votos são desconsiderados na contagem do percentual total para que um candidato se eleja, o que pode facilitar o processo que torna um político eleito. O voto no Brasil é obrigatório, mas o eleitor, de acordo com a legislação, é livre para não escolher candidato algum. O cidadão é obrigado a comparecer ao local de votação, ou a justificar sua ausência, mas pode optar por votar em branco ou anular o voto. Elisangela Silva da Costa, de 39 anos, defende o voto nulo como forma de protesto. “Anulo meu voto, ninguém merece credibilidade. Seria hora de mudança diferente da política oligárquica, temos poder de mudança pelo voto, pelo menos é o que imagino. Os partidos não têm interesse de divulgar essa opção”, diz. Elisangela é uma entre os muitos brasileiros que anularam ou tornaram seu voto inválido em 2014. Já Vinicius Telles, de 19 anos, defende que “as pessoas não entendem a complexidade e a necessidade de uma atuação cívica na política. Voto é uma obrigação civil e participação na vida pública não é opcional, apesar de muitos acharem. Abster-se do voto é abster da chance

de mudar o cenário político”, avalia. O artigo 224 do Código Eleitoral prevê uma nova eleição se a nulidade dos votos atingir mais da metade do total no país. Porém, a nulidade citada não fala dos votos marcados pelo eleitor na urna eletrônica e sim, sobre de fraude nas eleições, como uma cassação de candidato eleito condenado por compra de votos. Nesse caso, se o candidato cassado obteve mais da metade dos votos, será necessária a realização de novas eleições. Os votos nulos e brancos são descartados e servem apenas como estatística. Apenas os votos válidos são computados. Assim, esse tipo de voto é desconsiderado da contagem final. Em 2014, os votos brancos e nulos somaram 9,64% dos votos totais. Os eleitores que não compareceram às urnas foram 19,39%, o que resulta em uma soma de 27% de pessoas que não tiveram seu voto válido. Os percentuais de votos que não entram nos votos válidos aumentaram nos três casos. No primeiro turno das eleições presidenciais de 2010, 18,12% dos eleitores não votaram. Diferença entre voto branco e nulo De acordo com o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é aquele no qual o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Antes da urna eletrônica, para votar em branco bastava não assinalar a cédula de votação, a deixando em branco. Hoje em dia, para votar em branco é necessário que o eleitor pressione a tecla “branco” na urna e depois, a tecla “confirma”. O TSE considera como voto nulo aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular

o voto. Para votar nulo, o eleitor precisa digitar um número de candidato inexistente, como por exemplo, “00”, e depois a tecla “confirma”. Antigamente, o voto branco era considerado válido e era contabilizado e dado para o candidato vencedor. Ele era considerado como um voto de conformismo, em que o eleitor se mostrava satisfeito com o candidato que vencesse as eleições, enquanto que o voto era desconsiderado. Votos válidos Atualmente, vigora o princípio da maioria absoluta de votos válidos, conforme a Constituição Federal e a Lei das Eleições. Este princípio considera apenas os votos válidos, que são os votos nominais e os de legenda, para os cálculos eleitorais, desconsiderando os votos em branco e os nulos. Essa contagem está descrita na Constituição Federal de 1988: “é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os brancos e os nulos”. O que quer dizer que os votos em branco e os nulos simplesmente são descartados. Assim, mesmo quando mais da metade dos votos forem nulos, não é possível cancelar uma eleição e se torna mais fácil um candidato se eleger, pois ele precisa de um número menor de votos. Como explica a socióloga política Ilda Moraes, “para uma mudança na sociedade é preciso votar consciente. Deixar de votar não irá mudar as coisas, pelo contrário, irá facilitar o processo para que alguém que talvez você não concorde seja eleito. As pessoas precisam entender que o voto é uma forma de manifestação e que nas eleições os candidatos precisam da maioria dos votos contabilizados, os votos nulos e brancos não irão interferir”.


Curitiba, 2 de outubro de 2018

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Na timeline...

Redes Sociais aliadas ou inimigas das eleições 2018

Pesquisa do IBOPE confirma que a internet virou o maior influenciador para eleger um candidato. Giullia Buch, Hellen Barbosa e Maria Claudia Batista

E

m época de eleições, as redes sociais têm se tornado cada vez mais um instrumento de cunho político. Alguns candidatos, até mesmo pelo pouco espaço na mídia tradicional acabam encontrando na internet o lugar que buscam para autopromoção. Uma pesquisa inédita do Ibope revela que 56% dos brasileiros aptos a votar afirmam que as mídias sociais terão algum grau de influência na escolha de seu candidato presidencial na próxima eleição do próximo domngo, e para 36%, as redes terão muita influência. Basta analisar os perfis, como as páginas de candidatos, para perceber que se vê uma nova forma de fazer política. Muitos criam personagens para se aproximar de determinados grupos se aproveitando das bolhas sociais possibilitadas pelas internet. Estes políticos passam a se comunicar de maneira mais efetiva com eleitores que correspondem ao perfil de determinado discurso político. Isso explica o sucesso nas mídias digitais, por exemplo, que se dão muitas vezes por compartilhamentos de mensagens e vídeos que concordam com a opinião de uma parcela da população que quer simplesmente dar visibilidade a sua pauta política. Como propõe o conceito discutido por Teixeira Coelho no livro O que é Indústria Cultural, não importa mais o conteúdo e nem a forma como ele está sendo transmitido, importa apenas o meio. Alguém que segue o candidato líder nas pesquisas eleitorais à presidência Jair Bolsonaro (PSL), por exemplo, não o segue só porque ele corrobora com suas opiniões. Para Christopher Achens e Larry Bartel, no livro Democracia para os realistas: por que eleições não produzem governo responsivo?, o eleitor não vota em ideias, mas em identidades.

Para quem quer construir uma carreira na política é vital permanecer “vivo” na memória do povo. Para o professor de história Karl Weiand, a sociedade assiste a novas formas de se fazer política. “A campanha online consegue abranger um grupo muito maior de pessoas e na teoria com um custo bem mais baixo. A vantagem é que podemos ter acesso a informações sobre os candidatos que antes não tínhamos, mas o grande problema é que hoje assistimos na mídia digital uma grande quantidade de notícias falsas, e isso muitas vezes se torna verdade para muitos que não tem noção alguma de mídia e principalmente de política”, diz. Diferente da candidata Marina Silva (RD), que só costuma aparecer de quatro em quatro anos, Bolsonaro utiliza a política para permanecer vivo, sempre com declarações polêmicas e populares. O que o torna visível nas timelines dos usuários, não é a menção positiva ou negativa, mas simplesmente o fato de estar na mídia, seja por hashtags ou por compartilhamentos. Um usuário que não gosta de um vídeo do candidato X, mas o compartilha, mesmo que criticando, ou mostrando algo falso, acaba colocando ele em evidência. Para o professor de filosofia da Univille-SC e doutor em Ciências Políticas Eduardo Silva, o momento é de opiniões muito fixas, duras e consolidadas. “O que vai ocorrer durante toda a eleição é a busca pelo indeciso, que também está nas redes sociais. Então, ele será o alvo das artimanhas de marketing político”, explica. A mídia deve ter responsabilidade e comprometimento com a população ao divulgar ideias, propostas e movimentos de maneira coerente, já que a imagem do candidato e a forma como ele é retratado, são dois dos sete fatores

cognitivos que influenciam na decisão do voto. É o que defende Érika Ronqueti, pós-graduada em Administração de Empresas pela Fundação Instituto Capixaba de Pesquisas em Contabilidade, no artigo O Comportamento do Eleitor na Escolha do Candidato. Já de acordo com Joan Ferrés, no livro Televisão Sublimar, há diversos métodos para manipular o inconsciente humano, desde determinada posição das câmeras para causar uma imagem de soberania do candidato, a repetição de informações – mesmo quando não são totalmente verdadeiras, acabam influenciando o indivíduo – e os anúncios políticos, cada vez de menor tempo, não são mais para expor ideias ou projetos, mas cada vez se assemelham com propagandas de produtos comerciais, criando uma falsa realidade que transmite conforto e segurança ao público.


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LONA - Edição 1004

A Sábia

Debate ao governo do Paraná dá início ao núcleo de fact-checking A Sábia é o primeiro núcleo de fact-checking universitário do país a fazer uma cobertura em tempo real de debates eleitorais, no debate da Band TV. Nesta terça-feira, equipe fará a cobertura em tempo real do debate da Globo Lucas Vasconcelos

Fact-checking Fact-checking é uma checagem de notícias, falas, relatos e depoimentos a partir de dados, registros, pesquisas e fontes oficiais. Ela é feita através do cruzamento de informações. Em um mundo no qual boatos se tornam cada vez mais comuns por meio da internet, o jornalismo busca nesse processo uma solução para trazer ao seu leitor aquilo que mais se aproxima da verdade. Em tempo de eleições, a necessidade do fact-checking é imprescindível, pois através dele as pessoas podem ter conhecimento se o conteúdo das propagandas políticas ou as informações dadas nos debates são verdadeiras ou não. Após a checagem, as informações são classificadas em selos pré-determinados, que irão dizer se a notícia é verda-

Foto: Arquivo LONA

O

primeiro debate televisivo entre os candidatos a governador do Paraná, no canal de TV Band, marcou também a estreia do Núcleo de Fact-Checking do curso de Jornalismo da Universidade Positivo, A Sábia. Durante o debate, 40 alunos fizeram checagens em tempo real do debate pelo Twitter. Para isso, as notícias foram analisadas a partir de dados oficiais e classificadas entre as etiquetas do núcleo. “Foi uma experiência incrível. No começo estava meio confuso, mas aos poucos, tudo foi dando certo”, conta Lívia Mie, uma das alunas que participaram da checagem. Os alunos chegaram às 21h00 para se organizar para o debate que começou às 22h00 e ficaram até 01h00 para transcrever e checar as informações. Os professores Emerson Castro, Hendryo André e Katia Brembatti foram os responsáveis por organizar e guiar a equipe que estava na Rede Teia na primeira experiência com fact-checking em tempo real dentro do curso. Além disso, havia outra equipe nos estúdios da Band TV, coordenada pelo professor Felipe Harmata.

A Sábia é um núcleo de fact-checking que faz checagem de falas e notícias relacionadas aos candidatos ao governo do Paraná. Durante os debates, o núcleo se propõe a fazer checagem em tempo real, verificando os dados ditos por cada um. O núcleo conta com uma equipe de alunos e professores dividida em áreas e candidatos, que compara as informações ditas com dados oficiais. Após a comparação, as informações são classificadas em sete selos, representados por sete animais. Além, do site (http://eleicoes2018.redeteia.com), A Sábia está também presente no Twitter (@EleicoesUP).

deira, falsa ou algo entre isso. A Sábia surgiu da ideia de cobertura e checagem em tempo real dos debates envolvendo os candidatos ao governo do Paraná. O processo Para definir se uma notícia é falsa ou não, ela deve passar por etapas. A Sábia conta com uma equipe de professores e alunos do curso de jornalismo da Universidade Positivo. Para a cobertura dos debates, houve uma criação prévia de um banco de dados, para facilitar assim o caminho até as informações. Esse banco de dados foi dividido em categorias, como saúde, segurança pública, educação e infraestrutura. Durante o debate, havia pessoas res-

ponsáveis apenas em transcrever tudo que era dito e outras separando o que poderia ser ou não checado. Depois, essas informações eram cruzadas com os dados existentes na planilha. Quando não havia nada sobre aquilo na base, os estudantes buscavam informações adicionais. Além disso, havia uma equipe de alunos na Band TV, que entrava em contato com os assessores dos candidatos para debater sobre as informações. Todos os dados usados são dados oficiais, como diários oficiais, índices, pesquisas e levantamentos dos órgãos do governo. Após esse cruzamento, o resultado era checado com o acompanhamento dos professores, classificado de acordo com as etiquetas, para assim serem publicados no Twitter.

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