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Night Huntress, 04.

Destined for an Early Grave Jeaniene Frost Seus sonhos mortais a deixaram em grande perigo… Desde que a meio-vampira Cat Crawfield e seu amante vampiro Bones se conheceram, há seis anos, eles lutaram contra os vampiros criminosos, lutaram contra um mestre vampiro vingativo, e prometeram sua devoção com uma ligação de sangue. Agora é hora de umas férias. Mas as suas esperanças por uma viagem perfeita a Paris são arrasadas quando Cat acorda uma noite em terror. Ela está tendo visões de um vampiro chamado Gregor que é mais poderoso que Bones e tem ligações com o passado dela que nem Cat sabia. Gregor acredita que Cat é dele e ele não vai parar até que a tenha. Assim que começa a batalha entre o vampiro que assombra seus pesadelos e o que tem seu coração, só Cat pode quebrar a posse que Gregor tem sobre ela. Ela vai precisar de todo poder que ela conseguir convocar a fim de derrubar o pior sugador de sangue que ela já encarou… até se conseguir esse poder resultar em uma morte prematura.

Créditos:

Equipe Night Huntress de Tradução. Night Huntress [Oficial]


CAPÍTULO UM. Se ele me pegar, estou morta. Eu corri o mais rápido que pude, me lançando ao redor das árvores, raízes emaranhadas e rochas na floresta. O monstro rosnou enquanto me perseguia, o som mais próximo do que antes. Eu não era capaz de correr mais do que isso. O monstro estava ganhando velocidade, enquanto eu estava ficando cansada. A floresta diminuiu a minha frente para revelar um vampiro loiro em uma colina ao longe. Eu o reconheci imediatamente. A esperança surgiu dentro de mim. Se eu pudesse chegar até ele, eu estaria bem. Ele me amava. Ele me protegeria do monstro. No entanto, eu ainda estava muito longe. O nevoeiro subia a colina para cercar o vampiro, fazendo ele parecer quase fantasmagórico. Eu gritei o nome dele enquanto os passos do monstro chegavam ainda mais perto. Apavorada, eu disparei para frente, evitando por pouco o aperto das mãos ossudas que me puxavam para baixo em direção ao túmulo. Com um esforço renovado, eu corri em direção ao vampiro. Ele me incentivou, rosnando em adivertência para o monstro, que não parava de me perseguir. "Deixe-me em paz," eu gritei, enquanto era agarrada por trás por um aperto cruel. "Não!" "Kitten!" O berro não veio do vampiro a minha frente, veio do monstro que lutava para me levar para a terra. Eu joguei minha cabeça em direção ao vampiro a distância, mas suas feições ficaram borradas, e o nevoeiro o cobriu. Logo antes dele desaparecer, eu ouvi a sua voz. "Ele não é seu marido, Catherine." Um duro chacualhão fez evaporar o fim do sonho, e eu acordei para encontrar Bones, meu amante vampiro, pairando sobre mim. "O que é isso? Você está ferida? " Uma pergunta estranha, você poderia pensar, uma vez que tinha sido apenas um pesadelo. Mas com o poder certo e magia, às vezes pesadelos podem se tornar armas. Um tempo atrás, eu quase fui morta por um. Desta vez foi diferente, no entanto. Não importa o quanto isso parecia real, tinha sido apenas um sonho. "Eu ficarei bem se você parar de me chacualhar."


Bones deixou cair as mãos e deixou escapar um ruído de alívio. "Você não acordava, e você estava se debatendo na cama. Isso trouxe de volta lembranças podres." "Eu estou bem. Isso foi um... sonho estranho." Havia algo sobre o vampiro nele que me incomodou. Como eu deveria saber quem ele era. Isso não fazia sentido, no entanto, desde que ele era apenas uma invenção da minha imaginação. "Estranho eu não poder capturar nada dos seus sonhos," Bones continuou. "Normalmente, seus sonhos são como música de fundo para mim." Bones era um vampiro mestre, mais poderoso do que a maioria dos vampiros que eu já conheci. Um de seus dons era a capacidade de ler as mentes humanas. Mesmo eu sendo meio-humana, meio-vampira, existia o suficiente de humanidade em mim para que Bones pudesse ouvir os meus pensamentos a não ser que eu trabalhasse para bloqueá-los. Ainda assim, isso era novidade para mim. "Você pode ouvir meus sonhos? Deus, você deve nunca ter tranquilidade. Eu atiraria na minha própria cabeça se eu fosse você." O que não faria muito à ele, na verdade. Apenas prata no coração ou a decapitação era letal para um vampiro. Receber um tiro na cabeça poderia se encarregar de mim de uma forma permanente, mas em Bones apenas daria uma dor de cabeça desagradável. Ele acomodou-se novamente no travesseiro. "Não se preocupe, amor. Eu disse que é como música de fundo, então é bastante reconfortante. Quanto ao silêncio, aqui fora nessa água, é o mais tranquilo que eu já experimentei, sem estar em um meio processo de murchamento." Eu me deitei, um calafrio me atravessou com a menção de seu quase-encontro com a morte. O cabelo do Bones tinha ficado branco do quão próximo ele ficou de morrer, mas agora estava de volta ao seu normal, um profundo castanho. "É por isso que estamos à deriva em um barco no Atlântico? Assim você poderia ter alguma paz e silêncio?" "Eu queria algum tempo sozinho com você, Kitten. Nós tivemos muito pouco disso ultimamente." Um eufemismo. Mesmo eu parando o meu trabalho de conduzir uma seção secreta da Segurança Interna que caçava vampiros e ghouls criminosos, a vida não tinha sido maçante.


Primeiro nós tivemos que lidar com nossas perdas da guerra com outro vampiro mestre no ano passado. Vários amigos de Bones e o marido da Denise, minha melhor amiga, Randy, tinha sido assassinado. Em seguida, houve meses de caçada aos autores remanescentes da guerra, então eles não poderiam viver para conspirar contra nós num outro dia. Então treinar o meu substituto, para que meu tio Don tivesse alguém para jogar de isca, quando seus agentes fossem atrás dos inconvenientes membros da sociedade dos mortos-vivos. A maioria dos vampiros e ghouls não matavam quando se alimentavam, mas havia quem matava por diversão. Ou estupidez. Meu tio garantia que os vampiros e ghouls se comportassem, e que os cidadãos não tivessem conhecimento que eles existiam. Então, quando Bones me disse que estávamos indo fazer uma viagem de barco, eu assumi que devia haver alguma investigativa-e-destrutiva razão por trás disso. Ir a algum lugar apenas para relaxar não tinha me ocorrido, bem, nunca em nosso relacionamento. "Este é um final de semana de descanso?" Eu não pude afastar o descrédito da minha voz. Ele traçou o seu dedo no meu lábio inferior. "Estas são as nossas férias, Kitten." Eu ainda estava pasma com aquela noção. "E o meu gato?" Eu ajustei comida para ele por cerca de um par de dias, mas não para uma longa viagem. "Não se preocupe. Já mandei alguém à nossa casa para cuidar dele. Podemos ir para qualquer lugar do mundo e tomar o nosso tempo para chegar lá. Então me diga, para onde iremos?" "París." Eu me surpreendi dizendo aquilo. Eu nunca tive um desejo ardente de visitar lá antes, mas por alguma razão, eu tinha agora. Talvez fosse porque París era suposto ser a cidade dos amantes, embora apenas olhar para o Bones era geralmente o suficiente para me colocar em um clima romântico. Ele deve ter pêgo o meu pensamento, porque ele sorriu, tornando o seu rosto mais deslumbrante, em minha opinião. Contra o pano de fundo dos lençóis azuis marilhos, sua pele quase brilhava com uma delicada palidez de alabastro que era muito perfeita para ser humana. Os lençóis estavam emaranhados por cima do seu estômago, dando-me uma visão ininterrupta do seu magro e firme abdômem, e do seu duro e musculoso peito. Olhos castanhos escuros começaram a se tingir com esmeralda, e presas espreitaram sob a curva da sua boca, deixando-me saber que eu não era a única sentindo tudo aquecer de repente.


"Paris, então," ele sussurrou, e atirou os lençóis para fora. --"... nós chegaremos em breve. Sim, ela está muito bem, Mencheres. Fé, você me ligou quase todos os dias… bem, eu te verei na doca." Bones desligou e balançou a cabeça. "Ou o meu avô está escondendo alguma coisa, ou ele desenvolveu uma obsessão doentia com todas as suas atividades." Eu me estiquei na rede no convés. "Deixe-me falar com ele da próxima vez. Eu vou lhe fizer que as coisas nunca esitveram melhores." As últimas três semanas tinham sido realmente maravilhosas. Se eu precisava de férias, Bones precisava ainda mais. Como Mestre de uma grande linha e coMestre de uma ainda maior, Bones estava sempre vigiado, julgado, desafiado, ou ocupado protegendo seu povo. Toda aquela responsabilidade tinha cobrado o seu preço. Apenas nos últimos dias ele tinha relaxado o suficiente para dormir mais do que suas habituais poucas horas. Havia apenas uma mancha negra neste cruzeiro de prazer, mas eu manti isso para mim. Por que estragar nossos dias de folga, dizendo ao Bones que eu tive mais daqueles bobos sonhos sem sentido? Desta vez, eles passaram despercebidos por ele. Acho que eu não estava mais chutando durante o sono. Eu não conseguia me lembrar muito deles quando eu acordava. Tudo que eu sabia era que eles eram sobre o mesmo vampiro loiro sem rosto do primeiro sonho. Aquele que me chamou pelo meu nome real, Catherine, e terminava com a mesma enigmática advertência – ele não é seu marido. De acordo com as leis humanas, Bones não era meu marido. Estávamos ligados pelo sangue e casados no estilo vampírico, entretanto, e os mortosvivos não se divorciam. Eles não estavam brincando sobre toda a coisa "até que a morte os separe". Talvez meus sonhos representassem um desejo subconsciente de ter um casamento tradicional. A última vez que tentamos isso, nossos planos foram demolidos por uma guerra com uma vampira que pensava que liberar magia negra mortal era um jogo justo. Mencheres nos encontrou na doca. Mesmo Bones o chamando de avô, desde que Mencheres era o antepassado do vampiro que transformou o Bones, ele parecia tão jovem quanto Bones. Eles provavelmente foram semelhantes em idade humana, quando foram transformados em vampiros. Mencheres também era bonito de uma forma exótica, com um porte real, características egípcias, e longos cabelos negros soprando na brisa.


Mas o que realmente me chamou a atenção foi como Mencheres estava flanqueado por oito vampiros Mestres. Mesmo antes de eu pisar fora do barco, eu podia sentir seu poder combinado, crepitando o ar como eletricidade estática. Certamente, Mencheres geralmente circulava com uma comitiva, mas estes pareciam guardas, não seguidores mortos-vivos. Bones foi até o Mencheres e lhe deu um breve abraço. "Olá, avô. Eles não podem ser todos para exibição," ele acenou para os vampiros aguardando "então eu espero que haja problemas." Mencheres assentiu. "Devemos partir. Este navio é anúncio o suficiente da sua presença." Reaper estava pintado em letras escarletes em toda a lateral do barco. Aquilo era em homenagem ao meu apelido, a Red Reaper, que eu ganhei pela cor do meu cabelo e minha alta contagem de corpos mortos-vivos. Mencheres não falou comigo além de um curto e polido ―Olá‖ enquanto trotávamos do cais para uma van preta à espera. Havia outra van idêntica em que seis dos guardas entraram. Quando partirmos, aquela van nos seguiu a uma distância próxima. "Conte-me sobre seus sonhos, Cat," Mencheres disse logo que estávamos a caminho. Eu fiquei boquiaberta com ele. "Como você sabe sobre isso?" Bones também parecia surpreso. "Eu não mencionei isso, Kitten". Mencheres ignorado ambas nossas perguntas. "O que estava em seu sonho? Seja muito específica." "Eles são estranhos," eu comecei, vendo as sobrancelhas do Bones subirem com o plural. "Eles são todos com o vampiro mesmo. Durante os sonhos, eu sei quem ele é. Posso até me ouvir dizendo o nome dele, mas quando eu acordo, eu não me lembro dele." Se eu não soubesse melhor, eu teria dito que Mencheres pareceu alarmado. Claro, eu não era especialista nele. Mencheres tinha mais de quatro mil anos e era um gênio em esconder suas emoções, mas sua boca pode ter endurecido uma fração de segundo. Ou talvez isso fosse apenas um truque de luz. "Quantos desses sonhos você já teve?" Bones perguntou. Ele não estava feliz. A forma como os seus lábios se comprimiram não foi um acidente de luz. "Quatro, e não comece. Você teria navegado para a fortaleza mais próxima se eu lhe dissesse sobre eles, então você teria pairado sobre mim dia e noite. Nós


estávamos tendo uma viagem realmente boa, então eu não os mencionei. Não é grande coisa." Ele bufou. "Não é grande coisa, ela diz. Bem, amor, vamos descobrir que coisa realmente é. Com sorte, isto não vai resultar na perda da sua vida imprudente." Então ele se virou para o Mencheres. "Você sabia que algo estava errado. Por que diabos você não me disse de uma vez?" Mencheres se inclinou para frente. "A vida da Cat não está em perigo. No entanto, há uma… situação. Eu esperava que essa conversa nunca viesse a ser necessária." "Você poderia simplesmente colocar pra fora, sem enrolação, dessa vez?" Mencheres era famoso por fazer rodeios com o assunto. Acho que sendo tão velho quanto ele era, ele tinha aprendido uma quantia obscena de paciência. "Você já ouviu falar de um vampiro chamado Gregor?" Dor atirou pela minha cabeça por um instante, então aquilo se foi tão rápido, que eu realmente olhei em volta para ver se mais alguém foi afetado. Mencheres me encarava como se ele estivesse tentando sondar a parte de trás do meu cérebro. Ao meu lado, Bones soltou uma maldição. "Eu conheço alguns Gregors, mas há apenas um que é chamado de Dreamsnatcher* maldito." Seu punho bateu, quebrando o descanço de braço. "Isso é o que você considera padrões aceitáveis de segurança para minha esposa?" *Dream = sonho / snatcher = raptor = raptor em sonhos. "Eu não sou sua esposa." Bones lançou um olhar incrédulo na minha direção, ao mesmo tempo em que a minha mão voou para minha boca. De onde diabos saiu isso? "O que você acabou de dizer?" Bones perguntou, incredulamente. Atordoada, eu gaguejei. "Eu… eu quis dizer… nos meus sonhos, a única coisa que me lembro é esse vampiro me dizendo "ele não é seu marido." E eu sei que ele quer dizer você, Bones. Então é isso o que eu quis dizer." Bones parecia como se tivesse sido esfaqueado por mim, e Mencheres tinha aquela fria e oculta expressão no rosto. Não dando nada. "Você sabe, parece que sempre que as coisas estão indo muito bem entre nós, você vem para foder tudo!" Eu estourei com o Mencheres.


"Você escolheu vir para París, de todos os lugares," Mencheres respondeu. "E daí? Você tem alguma coisa contra os franceses?" Eu senti uma onda de raiva irracional em relação a ele. Dentro de mim, um grito se formava. Porque você não pode simplesmente nos deixar em paz! Então eu afastei aquilo. O que havia de errado comigo? Eu estava tendo um caso louco de TPM ou algo assim? Mencheres esfregou a testa. Aquelas feições delicadamente moldadas estavam em perfil quando ele desviou o olhar. "Paris é uma cidade bonita. Aprecie. Veja todos os locais. Mas não vá à qualquer lugar desacompanhada, e se você sonhar com o Gregor novamente, Cat, não deixe ele colocar as mãos em você. Se você o ver em seus sonhos, corra." "Hum, de jeito nenhum que você vai escapar com essa porcaria vaga de ‗tenha um bom dia‘," eu disse. "Quem é Gregor, por que eu estou sonhando com ele, e por que ele é chamado de Dreamsnatcher?" "Mais importante, porque ele apareceu agora para procurá-la?" A voz do Bones era fria como gelo. "Gregor não foi visto ou ouvido em mais de uma década. Eu pensei que ele pudesse estar morto." "Ele não está morto," Mencheres disse um pouco severamente. "Como eu, Gregor tem visões do futuro. Ele pretendeu alterar o futuro com base em uma dessas visões. Quando eu descobri sobre isso, eu o aprisionei, como castigo." "E o que ele quer com a minha esposa?" Bones enfatizou as palavras enquanto arqueava uma sobrancelha para mim, como se me desafiasse a discutir. Eu não discuti. "Ele viu Cat em uma de suas visões e decidiu que tinha que tê-la," Mencheres declarou em um tom morto. "Então ele descobriu que ela estaria ligada à você, pelo sangue. Na época do décimo sexto aniversário da Cat, Gregor pretendia encontrá-la e levá-la embora. Seu plano era muito simples: Se Cat nunca te conhecesse, então ela seria dele, e não sua." "Maldito invasor bastardo," Bones soltou, ao mesmo tempo em que o meu queixo caiu. "Eu vou parabenizá-lo por sua inteligência… enquanto eu estiver rasgando prata através do seu coração." "Não subestime o Gregor", Mencheres disse. "Ele conseguiu escapar da minha prisão há um mês, e eu ainda não sei como. Gregor parece estar mais interessado na Cat do que em conseguir vingança contra mim. Ela é a única


pessoa que eu conheço a quem Gregor contactou através de sonhos, desde que ele fugiu." Por que esses vampiros loucos continuam tentando me colecionar? Eu sendo uma dos únicos mestiços conhecidos tem sido mais uma dor do que valido a pena. Gregor não foi o primeiro vampiro que pensou que seria legal me manter como uma espécie de brinquedo exótico, mas ele ganhou pontos por inventar o plano mais original para conseguir. "E você aprisionou o Gregor por uma dúzia de anos apenas para impedi-lo de alterar o meu futuro com Bones?" Eu perguntei, meu ceticismo óbvio. "Por quê? Você não fez muito para parar o antepassado do Bones, Ian, quando ele tentou a mesma coisa." Os olhos cor de aço do Mencheres se moveram de mim para o Bones. "Havia mais em jogo," ele disse, finalmente. "Se você nunca conhecesse o Bones, ele poderia ter permanecido sob o domínio do Ian por mais tempo, não assumindo o Magistério de sua própria linha, e então, não sendo co-Mestre da minha quando eu precisava dele. Eu não pude arriscar isso." Então isso não foi sobre preservar o amor verdadeiro, afinal. Típico. Vampiros raramente faziam alguma coisa com motivos puramente altruístas. "O que acontece se Gregor me tocar, em meus sonhos?" Eu perguntei, seguindo em frente. "E então?" Bones me respondeu, e a intensidade queimando em seu olhar poderia ter queimado o meu rosto. "Se Gregor te tocar, em seus sonhos, quando você acordar, você vai estar onde quer que ele esteja. É por isso que ele é chamado de Dreamsnatcher. Ele pode roubar pessoas em seus sonhos."


CAPÍTULO DOIS. Eu aurgumentei, claro. Ambos os homens me deram olhares que me diziam o quão estúpido era discutir sobre algo que eles conheciam como um fato. A habilidade do Gregor normalmente só funcionava com humanos, visto que vampiros e ghouls tinha um controle de mente sobrenatural que impedia tais seqüestros subconscientes. Mas, desde que eu era uma mestiça, era possível que o truque do Gregor funcionaria em mim, também. Espere até eu dizer ao meu tio que havia um vampiro que poderia fazer isso. Ele se cagaria. "Gregor vai tentar te coagir em seus sonhos," Mencheres alertou. "Você faria bem em ignorar tudo o que ele disser e se acordar tão rapidamente quanto for possível." "Você pode apostar sua bunda nisso," eu murmurei. "A propósito, qual é o significado de París? Você disse que nós escolhemos vir para París, como se isso fosse significante." "Gregor é francês," foi a resposta do Mencheres. "Você escolheu visitar o que tem sido a casa dele por quase nove séculos. Duvido que seja uma coincidência." Eu me arrepiei. "O que você está insinuando?" "O óbvio," Bones disse, quase arrancando meu braço enquanto caminhávamos até um pitoresco chalé parcialmente ocultado por videiras grudadas nele. "Gregor te disse para vir aqui." Fomos recebidos por um adorável casal francês, ambos vampiros, que nos encontraram na entrada com palavras de boas vindas que eu não entendi. Bones falou com eles na mesma língua, seu sotaque soando tão autêntico quanto o deles. "Você não me disse que sabia francês," eu murmurei. "Você não me disse que você teve vários sonhos," ele disparou de volta em Inglês. Ele ainda estava irritado. Eu suspirei. Pelo menos nós tivemos um par de semanas pacíficas entre nós. Apresentações em Inglês foram feitas. Sonya e seu marido, Noel, eram os nossos anfitriões para a nossa estadia em París. "Vocês são casados?" Eu perguntei em surpresa, e então corei. "Eu não queria parecer tão chocada, eu só…"


"Vocês são o primeiro par de vampiros unidos que ela conheceu, mes amis*," Bones facilmente completou "Acho que ela estava começando a acreditar que tinha o monopólio sobre o status." *Meus amigos. Ambos riram, e o momento embaraçoso passou. Sonya nunca piscou para a meia dúzia de vampiros que assumiu posição ao redor do perímetro da sua casa. Eles nos mostraram o nosso quarto, com vista para os jardins ao redor. Sonya era uma horticultora. Seus jardins poderiam ter sido usados como um modelo para o Éden. "Diligência e paciência, ma chérie," ela disse, quando eu a elogiei. "Todas as coisas podem se beneficiar da aplicação adequada de ambos." Ela observou o Bones de uma forma significativa depois que disse isso, deixando-me saber que ela não tinha perdido o seu comentário seco anterior. "Minha querida Sonya, eu vou tentar me lembrar disso," ele respondeu secamente. "Vocês desejam se refrescar e se instalar, é claro. Cat, há fruta, queijo e vinho gelado. Bones, devo mandar alguém para você agora, ou depois?" "Depois. Primeiro eu preciso falar com a minha esposa." Novamente, seu tom tinha uma nota de desafio quando ele disse essas duas palavras. Sonya e Noel partiram. Antes dos passos deles desaparecerem, Bones começou. "Maldição, Kitten, eu acreditava que nós já tinhamos passado disso, ainda assim, mais uma vez que você decidiu o que eu posso ou não suportar, sem discutir isso comigo." Parte do meu remorso desapareceu, com o seu tom acusador. "Eu pensei que não era nada, por isso eu não lhe disse." "Nada? Esse é um bom jeito de descrever as tentativas de um vampiro famoso de te roubar direito da nossa cama." "Eu não sabia que era isso o que estava acontecendo!" "Você sabia que algo estava errado, mas você escondeu isso de mim. Eu pensei que você tinha aprendido, seis anos atrás, que esconder coisas de mim é um erro."


Isso foi um golpe baixo. Vários meses depois de nos conhecermos, o meu status desumano foi descoberto quando eu fui presa por matar o governador de Ohio. Eu não sabia que Don, o agente do FBI que me interrogou, era o irmão do meu pai vampiro ordinário, que só engravidou a minha mãe, porque fez sexo com ela logo após ser transformado. Eu também não tinha conhecimento de que o Don sabia, desde o meu nascimento, que eu era uma mestiça. Eu apenas pensei que Don fosse um agente de alto posto do FBI que sabia sobre vampiros – e que mataria o Bones se eu não aceitasse a sua oferta para me juntar à sua secreta equipe de elite. Então eu enganei o Bones e fui embora com Don, acreditando que era a única forma de salvar a vida dele. Bones não aceitou muito bem ter sido deixado pra trás. Levou mais de quatro anos, mas ele me achou, e então ele me mostrou o quão errada eu estava, pensando que era impossível para nós ficarmos juntos. Eu ainda sentia uma culpa horrível pelo que eu tinha feito, e ele tinha acabado de enfiar um ferro quente em uma ferida antiga. "Quanto tempo você vai me punir por isso? Se o seu último comentário for um indicador, eu acho que terei isso atirado em mim por anos." Um pouco da raiva saiu do rosto dele. Ele passou uma mão pelo cabelo, me dando um frustrado, mas menos acusador, olhar. "Você tem alguma idéia do que eu teria passado, acordar e descobrir que desapareceu sem deixar vestígios? Isso teria me deixado louco, Kitten." Eu respirei fundo e expire lentamente. Se eu pensasse que o Bones poderia desaparecer do meu lado, durante o seu sono, levado por um vampiro estranho, para fins desconhecidos, eu perderia todo o aspecto de racionalidade, também. Recompanha-se, Cat. Agora não é hora de ficar analisando seus pontos de vista. "Vamos tentar superar isso, ok? Eu devia ter lhe contado sobre os sonhos. Se eles acontecerem novamente, eu vou te dizer logo que eu acordar. Palavra de escoteiro." Ele veio até mim, agarrando meus ombros. "Eu não suportaria te perder assim, kitten." Eu cobri as mãos dele com as minhas. "Você não vai. Eu prometo." --O Palais Garnier Ópera era extravagante em cada detalhe, com uma antiga arquitetura do velho mundo, que só surgiu no mundo antigo. Sonya e Noel vieram conosco, assim como a nossa comitiva de proteção. Bones não queria correr riscos de o Gregor aparecer para estragar a diversão.


Esta era a minha primeira ópera. Normalmente eu não chegava a usar um vestido bonito, sem alguém para matar, mas a menos que a ópera seja muito mais ilustrativa do que o folheto detalhava, isso não aconteceria esta noite. Bones recebeu tantos olhares admirados em nosso caminho para a entrada VIP, que a minha mão apertou a dele. Certamente, ele parecia espetacular em seu smoking preto, com um cachecol de seda branca envolta do seu pescoço, mas as mulheres tinham que encará-lo? Na maioria das vezes, eu me beliscava por causa da sua beleza deslumbrante, não acreditando muito que alguém tão impressionante pudesse pertencer a mim. Às vezes, porém, os olhares lascivos jogados em seu caminho me faziam desejar que ele não fosse essa maldita festa para os olhos. "Eles não estão me encarando, pet," Bones murmurou. "Eles estão olhando para você. Assim como eu." Eu sorri para o olhar faminto que ele me deu. "É apenas o vestido," eu provoquei. "A forma como ele drapeja faz meus quadris e seios parecem maiores." O vestido de tafetá vermillion tinha tiras extras em meu peito, escondendo o corpete que sustentava o vestido sem alças. Em então aquelas tiras se reuniam no meu quadril, antes de se espalhar em um rabo de peixe por trás da longa e estreita saia. Esta era a coisa mais glamurosa que eu já usei. Bones deu uma risada baixa. "Eu não posso parar de me perguntar como eu vou te pegar enquanto você está nele. Neste momento eu decidi por trás, embora isso possa mudar até o fim da ópera." "Por que nós vamos a isto se você vai estar apenas me molestando mentalmente e não assistindo a apresentação?" "Porque essa é a graça," ele respondeu com um sorriso malicioso. "Vou aproveitar imaginando todas as coisas que eu vou fazer com você uma vez que estejamos a sós." Então ele ficou mais sério, e a diversão deixou seus olhos. "Na verdade, eu pensei que nós veríamos a ópera, teríamos uma ceia tardia, e então esticaríamos nossas pernas explorando a cidade. Embora nós tenhamos nossa escolta nos seguindo, eles não precisam estar amarrados nas nossas costas, eu suspeito. Você gostaria disso?" Meu queixo caiu. Andar por aí sem armadura corporal completa e uma equipe altamente armada ao meu lado? Apenas passear, como pessoas normais? "Oui, sí, qualquer idioma que tenha a palavra sim. Por favor, me diga que você não está a ponto de dizer ‗psique*‘."


*É quando alguém prega uma peça em alguém, como a brincadeira que fazemos no dia primeiro de abril. Ex: _Ganhei na loteria // _Sério? // _Primeiro de abril!!! ¬¬ "Eu não estou. A apresentação está prestes a começar, vamos encontrar nossos lugares." "Ok." "Você está muito maleável, não?" Aquele tom dissimulado estava de volta em sua voz. "Eu vou aproveitar isso mais tarde." --Quando a cortina desceu no intervalo, eu sabia de três coisas: Eu amava a ópera, eu queria uma bebida, e eu tinha que fazer xixi. "Eu vou com você," Bones anunciou, quando eu expressei a minha necessidade de um banheiro. Eu revirei meus olhos. "Eles têm regras sobre isso." "Eu tenho que renovar meu batom, Cat, você se importa se eu te acompanhar?" Sonya perguntou. "Bones, você poderia trazer um pouco de champanhe, eu adoraria uma taça também. É logo após os banheiros, assim você não terá problema em nos encontrar." A tradução era óbvia. Bones estaria perto no caso de haver problemas de qualquer tipo, seja afastar pretendentes iludidos ou mortos-vivos assassinos fãs de ópera, e eu teria uma guarda-costas. Ele acenou. "Eu posso te escoltar. Isso não é ser superprotetor. É apenas gentil." "Claro." Meus lábios tremeram. "Tudo o que você disser." Havia uma longa fila no banheiro feminino. Bones deixou escapar um bufo divertiu quando viu o meu olhar especulativo na entrada vazia do banheiro masculino. "Eles têm regras sobre isso," ele zombou. "Eu sei que todas essas garotas não estão esperando para esvaziar as suas bexigas, elas deviam ter uma sala de maquiagem separada, assim o resto de nós pode fazer xixi," eu resmunguei, e então me virei para a Sonya, me desculpando. "Hum, eu não quis dizer você. Apenas ignore tudo que eu digo, é o melhor pra nós duas."


Ela riu. "Eu sei o que você quis dizer, chérie. Muitas vezes eu mesma pensei a mesma coisa, desde que as latrinas têm sido de nenhuma utilidade para mim por um longo tempo." "Traga-me algum licor, Bones, rápido, para eu me distrair." Ele beijou minha mão. "Eu te encontro aqui." Quando ele caminhou para longe, eu não fui a única que apreciou a visão dele saindo. "Mmm hmmm". A baixa exalação veio de uma morena mais para cima na fila. Eu arqueei uma sobrancelha para ela e toquei meu anel de noivado para efeito. "Tem dona, querida." Ela era humana, ou eu a teria derrubado no segundo olhar prolongado que ela deu ao Bones, antes de dar de ombros para mim. "Nada dura para sempre." Meus dentes rangeram. "Exceto a morte." Sonya disse algo em francês que fez a boca da mulher se contorcer com mau humor antes que ela se virasse com uma última observação. "Se você não aguenta que seu homem seja admirado, você faria melhor em mantê-lo em casa." Com seu pesado sotaque francês, seu H era quase silencioso. Você não pode matá-la só porque ela é uma vagabunda, eu me lembrei. Mesmo se você pudesse ter seu corpo discretamente eliminado… "Ele fode ainda melhor do que parece," eu me conformei em dizer. Várias cabeças se viraram. Eu não me importei, eu estava irritada. "E aquele rosto lindo vai ser preso entre as minhas pernas tão logo chegarmos em casa, não se preocupe." Da multidão no bar, eu ouvi Bones rir. Sonya gargalhou. A mulher me deu um olhar venenoso e saiu da fila. "Bon, uma pessoa a menos na nossa frente, nós vamos terminar antes que ele conseguia as nossas bebidas," Sonya observou, quando ela parou de rir. "Uma já foi." Olhei para a fila de mulheres, a maioria que sorriu ou evitou meu olhar devido àquela pequena cena. "Cerca de uma dúzia mais para ir."


Dez minutos depois, quando entramos no banheiro, eu estava tentando não bater os pés, em impaciência. Isso foi tudo que eu pude fazer para esperar a minha vez e não fazer a Sonya usar o controle de mente vampírico para fazer as outras mulheres saírem do meu caminho, aquilo não teria sido justo. Quando eu saí, Sonya estava colocando seu batom de volta em seu pequeno estojo. Eu me juntei a ela no espelho, para lavar minhas mãos. "Mundo pequeno," alguém disse à minha direita. Eu me virei, notando uma loira bonita olhando para mim. "Desculpe?" "Você não se lembra de mim?" Ela balançou a cabeça. "Foi há um tempo atrás. Eu não tinha certeza que era você, até você acabar com aquela mulher, mas a sua coloração se destaca. Além disso, você estava nervosa na primeira vez que nos encontramos, também." Pelo seu sotaque, ela era americana. E eu nunca a tinha visto antes em minha vida. "Eu sinto muito, você pegou a pessoa errada." Afinal, eu era boa em reconhecer pessoas. Habilidades de memória meio-vampira, e ela veio com meu antigo emprego. "Foi no Ritz, no Place Vendôme, lembra?" Eu continuei balançou a cabeça. Ela suspirou. "Não é grande coisa. Sinto muito não ter dado certo com o outro cara, mas você parece ter se dado melhor, bom para você." "Huh?" Agora eu estava me perguntando se ela era louca. Sonya se aproximou de mim. A menina tocou de leve o pó em seu nariz antes de guardar o seu compacto na sua bolsa. "Você parecia muito jovem para se casar, de qualquer forma, então eu não te culpo…" "Huh?" Com incredulidade aberta. Ela suspirou. "Não importa. É bom te ver de novo." Ela saiu do banheiro. Sonya começou a agarrá-la quando eu murmurei, "Não se incomode. Ela só pegou a pessoa errada." Dor explodiu pela minha cabeça, como se pequenas agulhas estivessem espetando meu cérebro. Eu esfreguei minhas têmporas. "Você está bem, chérie?" Sonya perguntou.


"Tudo bem. Ela tinha a pessoa errada," eu repeti. "Afinal, esta é a minha primeira viagem à París." ___ Nós caminhamos ao longo da Rue de Clichy com o nosso guarda-costas arrastando vários passos atrás de nós. Eu optei contra um jantar completo e apenas comi um croissant e um cappuccino, em um dos muitos cafés charmosos ao longo das ruas. Sonya e Noel não se juntaram a nós, escolhendo dos deixar ter nossa quase privacidade. E de fato parecia íntimo, apesar da escolta e das centenas de transeuntes. Nós éramos apenas outro casal, um dos inúmeros, passeando à meia-noite pelas ruas de París. Bones narrava ao longo do caminho sobre edifícios e estruturas ainda de pé… e quais estiveram antes. Ele me fazia rir com as histórias sobre ele, seu melhor amigo Spade, e seu criador, Ian. Eu posso apenas imaginar o inferno que aqueles três devem ter causado. Paramos no final de uma das ruas mais longas, onde os edifícios eram particularmente próximos. Bones gritou algo em francês, e depois me levou mais fundo para o beco. "O que você acabou de dizer?" Ele sorriu. "Você prefere não saber." E então cobriu minha boca em um beijo profundo e me moldou à ele. Eu engasguei quando senti as mãos dele levantar o meu vestido. "Você está louco? Há meia dúzia de vampiros por perto…" "Nenhum dentro de vista," ele me interrompeu com uma risada. "Conforme as instruções." "Eles podem ouvir, Bones," eu continuei contestando, com o rosto virado para o edifício, quando ele me virou de costas. Ele continuou a rir. "Então lembre-se de dizer coisas lisonjeiras." Bones tinha um braço em volta da minha cintura, me prendendo próxima a ele. Contorcer-me apenas levantou mais meu vestido quando as mãos dele o ergueram. Então a súbita penetração das suas presas em meu pescoço me fez congelar. Um ruído baixo de prazer veio dele. "Ah, Kitten, você ama isso quase tanto quanto eu. Mergulhe em mim, amor, enquanto eu faço o mesmo."


O sangue me deixando e se derramando dentro dele dava a sensação de ser substituido por fogo doce. Bones estava certo, eu amava quando ele me mordia. Minha pele estava quente, meu coração acelerado – e então eu estava me esfregando contra ele e reclamando da sua demora em abrir suas calças. "Bones," eu consegui dizer. "Sim…" O edifício bateu no meu rosto com tanta força que eu senti minha face fraturando. E então o tiroteio começou. Aquilo veio em distintas rajadas sobre nós, em todos os lados… todos os lugares exceto o edifício no qual eu estava esmagada. Bones tinha me pressionado no tijolo. Seu corpo cobrindo o meu, e ele estava debruçado sobre mim, estremecendo enquanto socava a parede na minha frente. Tentando fazer uma porta onde não existia. Foi quando eu percebi porque ele estava tremendo. Ele estava sendo metralhado com balas. Parecia que nossos guardas estavam levando um tratamento ainda pior. Pelos espaços intermitentes sem o Bones se chacoalhar, eles devem ter formado um perímetro em torno dos nossos corpos agachados. Quando uma rajada concentrada de tiros terminou com um grito cortado, eu comecei a lutar em pânico. Era muito pior do que eu pensava. Quem quer que fossem, eles estavam disparando balas de prata. "Nós temos que correr, Deus, isso vai te matar!" Eu gritei, tentando me desenrolar da bola em que Bones tinha me prendido. Com a força dele me restringindo, eu estava me debatendo inutilmente, como uma tartaruga de cabeça para baixo. "Se nós corrermos, eles podem te derrubar," ele rosnou, quase inaudível sobre a confusão de tiros. "Um deles terá chamado reforços. Vamos esperar. Mencheres virá." "Você estará morto até lá," eu rebati. Era difícil matar um vampiro a tiros, mesmo com balas de prata, porque demorava demais para rasgar o coração. Bones tinha me ensinado isso. Nenhum vamp vai sentar e posar para você… Suas palavras há mais de seis anos atrás, rejeitando o uso de armas de fogo como armas eficazes. No entanto, Bones poderia muito bem estar sentado quieto e posando para eles. Reforços chegariam tarde demais. Ele tinha que saber disso, assim como eu sabia. Pela primeira vez, ele estava mentindo para mim. A estrutura do edifício cedeu onde seu punho trabalhava. As pessoas dentro gritaram. Com tempo, Bones poderia rasgar pela estrutura, e nós teríamos um


abrigo das rajadas impiedosas. Mas esmagando aquilo com uma mão enquanto era crivado de balas? Bones já estava se movendo mais devagar, seus socos tendo uma característica quase bêbada. Deus, ele vai morrer debruçado sobre mim, aqui nesta rua. Algo selvagem cresceu dentro de mim. Não havia nem mesmo um comando claro que meu cérebro deu ao meu corpo. Tudo o que eu sabia era que o Bones tinha que se afastar dessas balas por tempo suficiente para se curar. Com esse objetivo em mente, eu consegui manobrar ao redor dele, em seguida, me atirei para cima com os meus braços fechados ao redor dele. Nós fizemos isso até o topo do prédio de cinco andares no qual estávamos espremidos. Assim que atingimos o teto, eu rolei com ele, mas estranhamente, nenhuma bala passou zunindo à nossa volta. Eu não me incomodei em refletir o porquê de os atiradores não estarem nos atacando no momento. Não quando eu senti Bones cair dos meus braços. Medo me alimentou, me mandou pular para o telhado do edifício vizinho com ele. E então para o próximo e o próximo, nem mesmo tomando um tempo para me surpreender com o que eu tinha acabado de fazer. Quando o restante do tiroteio soou muito fraco, eu parei. Com o que eu tinha que fazer, eu ia cair como uma pedra, mas Bones precisava de sangue. Um monte disso. Nós não estávamos sendo perseguidos por qualquer assassino voador. Talvez nossos guardas os estivessem segurando por agora, mas isso pode não durar. Eu agarrei a cabeça curvada do Bones e cortei o meu pulso nas suas presas, deixando o meu sangue verter na boca dele. Por um congelante, petrificante segundo, nada aconteceu. Ele não engoliu, abriu os olhos, ou fez qualquer coisa além de deixar que o líquido vermelho jorrasse para a sua boca. Frenética, eu usei a minha outra mão para trabalhar a mandíbula dele, forçando o sangue a descer em sua garganta. Lágrimas nublaram meus olhos, porque ele tinha uma massa buracos cheios de prata por todo o seu corpo, até mesmo em seu rosto. Oh Deus, por favor, não o deixe morrer… Finalmente ele engoliu. Seus olhos não abriram, mas havia uma sucção no meu pulso que não estava lá antes. Aquela sucção cresceu, puxando o sangue das minhas veias, e o alívio que me invadiu, adormeceu a vertigem que seguiu. Hipnotizada, eu assisti os furos no Bones começarem a inchar, e então os círculos gastos de prata foram expelidos do seu corpo. Aquilo me fez sorrir mesmo quando as bordas da minha visão ficaram nebulosas e desapareceram bem quando o Bones abria os olhos.


CAPÍTULO TRÊS. ―… Acordando agora...‖ ―... Partirá logo, ele vai chegar amanhã…‖ Os trechos da conversa flutuaram acima de mim. Eu estava aquecida. Bem, tudo exceto meu braço. Algo suave e fresco roçou minha testa. ―Você está acordada, Kitten?‖ Aquilo me fez arregalar os olhos, afastando a letargia. Eu tentei me sentar, mas um aperto firme me impediu. ―Não se mova, amor, dê ao sangue alguns minutos para circular.‖ Sangue? Com algumas piscadas, Bones entrou em foco. Ele ainda tinha manchas vermelhas por ele todo, mas seu olhar era firme. Aquilo me acalmou e eu voltei para o meu lugar, que aparentemente, era envolta em seu colo. Dois sacos vazios de plasma, uma agulha hipodérmica*, e um cateter** estavam ao lado dele. *Agulha comum de procedimentos médicos. **Tubo que possibilita a drenagem ou injeção de fluidos ou o acesso a instrumentos cirúrgicos no corpo humano. ―Onde nós estamos?‖ ―Em uma Van a caminho de Londres,‖ ele respondeu. ―Você se lembra do ataque?‖ ―Eu me lembro de ter visto sair prata o suficiente de você para financiar os planos de faculdade de alguém,‖ eu respondi, espiando em volta para encontrar Mencheres e outros quatro vampiros conosco. ―Você poderia ter morrido. Nunca faça aquilo outra vez.‖ Um sopro de riso escapou dele. ―Isso é brilhante, vindo da mulher que esvaziou quase todo seu sangue em mim.‖ ―Tinha prata demais em você para se curar sozinho. O que eu deveria fazer? Sentar e assistir você morrer?‖ ―E aqueles pistoleiros poderiam ter explodido sua cabeça,‖ foi sua resposta indiferente. ―Quem eram eles? Eles escaparam?‖ Toquei minha bochecha. Sem dor. Não tinha sido apenas sangue humano que Bones tinha me dado. Eu posso até me curar mais rápido que a maioria das


pessoas, mas só o sangue de vampiro poderia emendar ossos quebrados nessa rapidez. ―Desculpe-me, amor,‖ Bones murmurou. daquela maneira idiota para te proteger.‖

―Quase te matei, te esmagando

―Quantos morreram?‖ ―Três dos seis foram assassinados.‖ Havia mais do que auto-culpa e tristeza em sua voz, no entanto. Eu não poderia identificar o que. ―Ghouls nos atacaram, e eles estavam malditamente bem armados, como você sabe. Logo depois que você partiu comigo, cerca de oito outros vampiros juntaram-se à luta.‖ ―Pelo menos a ajuda veio.‖ Sorri para Mencheres. ―Obrigada.‖ Bones torceu a boca. ―Não foram os homens de Mencheres que foram nos ajudar. Nossos salvadores provavelmente teriam me atacado se Mencheres não tivesse finalmente chegado com apoio. Talvez o sangue novo não tivesse atingido meu cérebro ainda, porque eu não entendi. ―Se eles não eram seu povo, de quem eles eram?‖ "Nós estávamos sendo seguidos por dois grupos de pessoas," Bones resumiu. "Aqueles ghouls, e os homens de Gregor, eu suspeito. Ele deve ter se cansado de tentar chegar a você através dos sonhos e decidiu por uma forma mais física de sequestro.‖ Não passou despercebido por mim que Mencheres não tinha dito uma palavra. "Qual é a sua opinião sobre isso?" Ele olhou para mim. ―Quando chegarmos no Spade, vamos estar em um ambiente melhor para continuar essa conversa.‖ ―Agora.‖ Uma palavra de Bones, dita com a resolução de mil. ―Crispin-― ―E agora você me chama pelo meu nome humano, como se eu ainda fosse aquele rapaz,‖ Bones interrompeu. ―Eu sou igual a você sob nossa aliança, então você vai me dizer tudo o que você sabe sobre Gregor.‖ Bones estava desafiando o Mencheres a começar uma guerra civil dentro de suas fileiras caso recusasse. Eu não esperava que o Bones fosse desenhar uma linha na areia daquela forma e praticamente mijar nela, e pela expressão de Mencheres, ele também não.


Então Mencheres deu um pequeno sorriso. ―Tudo bem. Eu te disse que prendi Gregor por causa do plano de interferir com o futuro da Cat, para que ela nunca te conhecesse você. O que eu não disse foi que Gregor já havia levado Cat embora com ele antes que eu o capturasse.‖ Eu dei um pulo. ―Eu nunca conheci Gregor antes em minha vida!‖ ―Que você se lembre,‖ Mencheres respondeu. ―Você sente dores de cabeça quando você ouve sobre Gregor, certo? Esses são os golpes da sua memória reprimida. Você esteve com Gregor por semanas antes de nós encontrarmos vocês dois em París. Até então, ele conseguiu encantar você e confundi-la com mentiras. Eu sabia que tinha que alterar suas lembranças para concertar as coisas, razão pela qual você não tem nenhuma memória do seu tempo com ele.‖ ―Isso não pode... mas ele não pode...‖ Lá estavam as marteladas no meu crânio.Ele não é o seu marido… Lamento não ter dado certo com aquele outro cara… foi no Ritz, na Place Vendôme... ―Mas controle mental de vampiro não funciona comigo,‖ eu finalmente explodi. ―Eu sou uma mestiça; isso nunca funcionou em mim!‖ ―É por isso que eu era o único que poderia fazê-lo,‖ Mencheres disse calmamente. ―Isso tomou todo o meu poder e mais um feitiço para apagar aquele tempo da sua mente. Um vampiro inferior não conseguiria.‖ Bones parecia abalado também. ―Partir de la femme de mon maître*,‖ ele murmurou. ―Foi isso que um dos vampiros de Gregor gritou comigo antes dele correr. Então é por isso que Gregor é tão obcecado por ela.‖ *Liberte a esposa do meu chefe. Mencheres ficou em silêncio. Bones olhou para ele, depois para mim. ―Eu não me importo,‖ ele disse, finalmente. ―Gregor pode enfiar suas reivindicações diretamente em seu traseiro.‖ Eu ainda não estava convencida. ―Mas eu odiava vampiros antes de Bones. Eu nunca teria partido com um por semanas.‖ ―Você odiava por causa da influência de sua mãe,‖ Mencheres disse. ―Gregor cuidou dela primeiro, obrigando-a a dizer que ele era um amigo dela, que iria proteger você.‖ Bones rosnou. ―O quão longe as palavras de reivindicação do Gregor se estendem?‖ Mencheres o considerou. ―Você ainda não me perguntou se isso aconteceu.‖


Eu me senti como se eles estivessem falando outra língua. ―O quê?‖ ―Não importa. Ele só vai consegui-la por cima do meu cadáver, murcho e seco.‖ ―O quê?!‖ Agora eu soquei o Bones para dar ênfase. ―A reivindicação de Gregor,‖ Bones disse friamente. ―Agora que está livre, ele está dizendo às pessoas que em algum momento durante essas semanas que estiveram juntos, ele se casou com você.‖ Ao contrário da crença popular, houve algumas vezes na minha vida que eu fiquei sem palavras. Aos dezesseis anos, quando minha mãe me disse que todas as minhas esquisitices eram devidas ao meu pai ser um vampiro, foi uma. Ver Bones novamente após quatro anos de ausência, foi outra. Esta superou as duas, no entanto. Por vários momentos paralisantes, eu não conseguia cobrir minha mente com negação o suficiente. Eu não era a única com olhos arregalados. Mesmo no meu estado, eu observei os outros vampiros na van usando expressões de surpresa que rapidamente ficaram em branco depois do olhar maligno que o Bones lhes deu. Mencheres continuou com o seu mesmo inflexível olhar, e finalmente eu expressei o primeiro pensamento coerente que veio à minha mente. ―Não.‖ Só dizer isso já me fez sentir melhor, então eu repeti, mais alto. ―Não, não é verdade.‖ ―Mesmo se for, não vai durar depois da morte dele,‖ Bones prometeu. Fiz um gesto para Mencheres. ―Você estava lá, certo? Diga-lhe que isso não aconteceu!‖ Mencheres encolheu os ombros. ―Eu não vi uma cerimônia de união de sangue. Gregor alegou que ocorreu logo antes de eu chegar. Alguns dos seus homens disseram que haviam presenciado, mas eles poderiam ter mentido, e a honestidade de Gregor não é sem falhas.‖ ―Mas o que eu disse?‖ De repente eu estava com medo. Teria eu de alguma forma me unido a um vampiro desconhecido? Eu não poderia, certo? Os olhos de Mencheres olhavam fixados nos os meus. ―Você estava histérica. Gregor havia manipulado suas emoções, e ele estava sendo levado a um castigo desconhecido. Você teria dito qualquer coisa, verdadeira ou não, para evitar isso.‖ Em outras palavras...


―Bones tem declarado sua posição sobre este assunto.‖ Mencheres lançou seu olhar em torno da van. ―Como seu co-líder eu o apoio. Alguém tem uma opinião diferente?‖ Houve negações instantâneas. ―Então isso está resolvido. Gregor tem uma alegação sem fundamento, e ele será ignorado. Cat não pode confirmar a ligação por ela mesma, e ela é a única pessoa que poderia saber se isso ocorreu. Bones?‖ Um repentino sorriso forçado atravessou o rosto dele, mas era tão frio quanto o que eu sentia por dentro. ―Vamos ver quanto tempo alguém vai durar se disser que a minha esposa não é minha esposa.‖ ―Como você quiser.‖ Mencheres era imperturbável sobre a potencial diminuição do seu povo. ―Vamos chegar ao Spade antes do amanhecer. Eu, ao menos, estou cansando.‖ Isso fez dois de nós. Mas eu duvidava que eu pudesse dormir. Descobrir que mais de um mês da minha vida foi arrancado da minha memória fez eu me sentir violada. Encarei o Mencheres. Não é à toa que eu sempre tive um problema com você. Em algum nível subconsciente, os meus instintos devem ter se lembrado dele me manipular contra minha vontade, mesmo se a memória exata desse evento foi perdida. Ou não foi? ―Porque você não pode só olhar dentro da minha mente e ver o que aconteceu por você mesmo? Você apagou minha memória, você não pode trazê-la de volta?‖ ―Eu a enterrei além do meu alcance, de modo a ter certeza de que ficou esquecida.‖ Ótimo. Se o Mega-Mestre Mencheres não poderia alcançá-la, então ela deve estar realmente perdida. ―Eu não me ligo para o que Gregor ou qualquer um acredita,‖ Bones disse em um tom mais suave para mim. ―Tudo que eu me importo é sobre o que você pensa, Kitten.‖ O que eu penso? Que eu estava mais ferrada do que eu acreditava antes. Tendo um mês da minha vida removido à força, a respeito de um estranho que eu posso ou não ter casado? Inferno, onde eu começo? ―Eu queria que as pessoas nos deixassem em paz,‖ eu disse. ―Você se lembra quando éramos só nos dois em uma grande caverna escura? Quem diria que aquele foi o tempo mais simples de nossas vidas?‖


CAPÍTULO QUATRO. Barão Charles DeMortimer, que rebatizou a si mesmo como Spade, para nunca se esquecer de como ele uma vez tinha sido prisioneiro de colônia penal, conhecido unicamente pela ferramenta a ele atribuída, tinha uma casa maravilhosa. Sua casa estava em uma extensa propriedade com um gramado imaculado e rodeada por altas cercas vivas. Com sua arquitetura estilo século XVIII, parecia que ela foi construída, enquanto Spade ainda era humano. No interior, havia longos e grandes corredores. Ornamentados com emadeiramento ao longo das paredes. Tetos pintados. Lustres de cristal. Tapeçarias costuradas a mão e mobiliário antigo. Uma lareira onde você poderia realizar uma reunião dentro. "Onde está a rainha?" Eu murmurei irreverentemente depois que um porteiro nos deixou entrar. "Não é o seu gosto, amor?" Bones perguntou com um olhar compreensivo. Nem de longe. Eu fui criada na zona rural de Ohio, onde a minha melhor roupa teria sido um pano de prato, em comparação com o tecido do sofá pelo qual nós acabamos de passar. "Tudo é tão perfeito. Eu sinto como se eu estivesse profanando algo, se eu me sentar sobre ele.‖ "Então talvez eu devesse repensar o seu dormitório, ver se temos algo mais confortável nos estábulos," uma voz provocou. Spade apareceu, com seu cabelo escuro, despenteado como se tivesse estado recentemente na cama. Dei outro fora*. "Sua casa é encantadora," eu disse. "Não se preocupe comigo. Vou me acostumar, quando os porcos voarem." *No inglês seria: Open mouth, insert foot – Que é uma expressão usada quando alguém fala uma bobagem, dá um fora com alguém. Tipo, eu viro para alguém e falo que não gosto de argentinos, e a pessoa fala algo tipo, meu marido é argentino. Spade abraçou Bones e Mencheres, dando boas-vindas antes de tomar minha mão e, estranhamente, beijá-la. Ele não era geralmente assim formal. "Porcos não voam". Sua boca se contorceu. "Embora eu tenha sido informado de que você encontrou asas esta noite, mais cedo." A maneira como ele disse me fez auto-consciente. "Eu não voei. Eu apenas pulei muito alto. Eu nem sei como fiz isso." Bones me deu um olhar que eu não conseguia interpretar. Spade abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Mencheres levantou a mão.


"Agora não." Spade bateu nas costas de Bones. "Toda a razão. Está próximo do amanhecer. Eu vou lhe mostrar o seu quarto. Você está pálido, Crispin, então estou mandando alguém para você." "Se eu estou pálido, tem pouco a ver com a falta de sangue," Bones disse em um tom sombrio. "Quando eu me recuperei, ela havia drenado a maioria do sangue dela para dentro de mim. Se Mencheres não tivesse chegado com as bolsas de plasma, ela poderia ter mudado mesmo antes de estar preparada." Seguimos Spade escadas a cima. "O dela não é apenas sangue humano, como tem sido mais do que comprovado, por isso ainda estou enviando alguém." "Eu tenho outras coisas em minha mente do que a alimentação" Spade não tinha ouvido falar ainda sobre a cereja no sundae da nossa noite. Ele só sabia sobre o ataque de ghoul. A porta abriu-se em um espaçoso quarto com peças de mobiliário de época, uma cama de dossel onde a Cinderela poderia ter dormido depois que o príncipe a levou embora e, naturalmente, outra grande lareira. Um olhar sobre a parede que delimitava o banheiro mostrou que era feita inteiramente de vitral pintado à mão. Mais uma vez eu estava surpresa com o desconforto quanto a tocar em qualquer coisa. Mesmo os cobertores de seda na cama pareciam muito bonitos para dormir debaixo. Bones não tinha nenhum dos meus receios. Ele se livrou da jaqueta para revelar a camisa crivada de balas e as calças que ele ainda usava, tirou os sapatos, e despencou em uma cadeira próxima. "Você parece um pedaço de queijo suíço," Spade comentou. "Estou exausto, mas você precisa ser informado sobre uma coisa." Spade inclinou a cabeça. "O quê?" Em algumas breves e sucintas frases, Bones descreveu a revelação daquelas semanas quando eu tinha dezesseis anos… e a alegação do Gregor sobre eu ser sua esposa, não do Bones. Spade não disse nada por um minuto. As sobrancelhas dele se aproximaram até que, finalmente, ele deixou sair um assobio baixo. "Caramba Crispin." "Sinto muito."


Eu murmurei, enquanto desviava o olhar do Bones em suas roupas arruinadas, cravejadas de balas. Tudo por causa de você, minha consciência zombou. "Não se atreva a pedir desculpas," Bones de repente. "Você não pediu para nascer do jeito que é, e você não pediu para Gregor te perseguir tão brutalmente. Você não deve desculpas a ninguém." Eu não acreditava nisso, mas não discuti. Isso tomaria mais energia do que qualquer um dos dois tinha. Em vez disso, escondi meus pensamentos atrás de uma barreira, coisa que tinha aperfeiçoado nesse último ano. ―Spade está certo, mais sangue poderia fazer bem para você. Eu vou tomar um banho, e você pode beber de qualquer open bar*.‖ *Tradução ao pé da letra é bar aberto, mas todo mundo sabe o que é um open bar. Spade acenou em aprovação. ―Então está resolvido. Alguns itens que devem caber em você já foram colocados aqui, Cat, e para você Crispin. Mecheres, eu vou lhe mostrar seu quarto, e depois nós iremos arrumar o resto dos relógios atrasados.‖ --A morte me perseguia. Mantendo uma busca incansável através das ruas estreitas e vielas apertadas pelas quais eu corria. Com cada respiração ofegante, eu gritei por socorro, mas eu sabia com terrível certeza de que não havia como escapar. Havia algo de familiar sobre essas ruas, mesmo desertas como estavam. Para onde todos tinham ido? Por que ninguém poderia me ajudar? E a neblina… maldita neblina. Tinha me feito tropeçar nos objetos escondidos e parecia agarrar-se aos meus pés quando eu corria através dela. "Por aqui…" Eu conhecia aquela voz. Eu me virei em sua direção, dobrando os meus esforços para correr em direção ao de som. Atrás de mim, a morte murmurou maldições, mantendo o ritmo. De vez em quando, arranhando minhas costas, me fazendo gritar de medo e dor. "Só um pouco mais longe." A voz me encorajou até a uma figura envolta nas sombras que apareceu no final do beco. Assim que a vi, a morte caiu, tropeçando alguns passos para trás. Com cada passo dado, separando-me do mal que me perseguia, alívio espalhou-se através de mim. Não se preocupe, eu estou quase lá…


As sombras escorreram do homem. Feições se solidificando, revelando sobrancelhas grossas sobre olhos verdes-cinzentos, um nariz empinado aristocrático, lábios carnudos e cabelos louro-cinzentos. Uma cicatriz correndo em zigue-zague partir de sua sobrancelha até sua têmpora, e os cabelos na altura dos ombros sopravam na brisa. ―Venha para mim, chérie.‖ Um aviso de advertência disparou na minha mente. De repente, a paisagem da cidade vazia em torno de nós desapareceu. Não havia nada além de nós dois e o limbo por todos os lados. "Quem é você?‖ Isso não parece certo. Parte de mim queria atirar-me para frente, mas a outra parte foi se encolhendo para trás. "Você me conhece, Catherine.‖ Aquela voz. Familiar, mas totalmente desconhecido. Catherine. Ninguém mais me chamava assim... "Gregor". Assim que seu nome saiu da minha boca, minha confusão foi quebrada. Este deve ser ele, e isso significava que eu estava sonhando. E se eu estava sonhando… Parei um pouco perto das suas mãos estendidas e recuei. Filho da puta, eu quase corri direto para os seus braços. Seu rosto se contorceu em frustração, então ele deu um passo em minha direção. "Vinde a mim, minha esposa." "De jeito nenhum. Eu sei o que você está tentando fazer, Dreamsnatcher." Minha voz era minha outra vez. Dura. Com cada palavra eu recuei, mentalmente me obrigando a acordar. Abra os olhos, Cat! Acorda, acorda! "Você sabe apenas o que eles disseram para você." Seu sotaque era Francês, sem surpresa, e as palavras estavam ressonando. Mesmo sonhando, eu tinha noção de seu poder. Ah, merda, você não é uma alucinaçãozinha fraca, não é? Fique parada, Cat. Este cachorro morde. "Eu sei o suficiente.‖ Ele gargalhou em desafio. ―Você sabe, chérie? Eles te disseram que me roubaram de suas memórias porque esse era o único jeito que eles poderiam


manter você afastada de mim? Eles te disseram que arrancaram você gritando dos meus braços, implorando que você não queria ir? Ele continuou se aproximando, mas continuei recuando. Típico - neste sonho, eu não estava armada. Alguma coisa parecida. ―Mas eu não sou sua esposa.‖ Gregor se aproximou. Ele era um homem alto, quase dois metros, e havia uma beleza cruel em seus traços, que foi ampliada quando ele sorriu. "Você não gostaria de saber por si mesma, em vez de lhe ser dito no que acreditar?" Eu considerei-o com mais do que suspeita. "Desculpe, amigo, o lixo já foi levado para fora da minha mente. Mencheres não pode erguer a tampa novamente para ver o que está dentro, e é apenas a sua palavra que diz que nós somos casados". "Eles não podem lhe dar de volta as suas memórias." Gregor estendeu as mãos. "Eu posso." Gregor irá tentar coagir você em seus sonhos. A advertência do Mecheres tocou em minha mente. Ele não estava errado. ―Mentiroso.‖ Eu me virei, correndo na direção oposta, apenas para Gregor aparece diante de mim como se tivesse sido magicamente transportado. "Eu não estou mentindo." Meu olhar checou ao redor, mas só havia nevoeiro inútil e pálido. Eu tinha que acordar. Se esse cara coloca a mão em mim, eu poderia me encontrar acordando em uma carga de problemas. "Olhe, Gregor, eu sei que Mencheres te trancou por um longo tempo, e você está chateado sobre isso, mas vamos ser razoáveis. Eu tenho uma ligação de sangue com o homem que eu amo, e há muitos peixes no mar. Vamos dizer adeus, então você pode ir encontrar outra garota para raptar de seus sonhos." Sua cabeça dourada balançou tristemente. "Essa não é você falando. Você não quer ser uma assassina, passar a vida inteira olhando por cima do ombro. Eu posso levá-la de volta, Catherine. Você tinha uma escolha antes. Você me escolheu. Pegue minha mão. Vou devolver o que você perdeu." "Não." Eu ouvi um barulho atrás de mim, como um rosnado baixo. Medo fez cócegas pela minha coluna. A morte havia vindo para mim novamente.


Gregor apertou as mãos, como se ele ouvisse isso também. "Agora, Catherine, você tem que vir para mim agora!" Os grunhidos eram mais altos. A morte estava atrás de mim, Gregor em frente a mim, e eu tinha que ir para um deles. Porque eu não podia acordar? O que me despertou a última vez? Eu estava correndo, também, perseguida por um monstro… Virei-me, ignorando os gritos do Gregor, e corri direto para a figura horrenda da morte. Ou isso iria funcionar ou – Um tapa ardeu em meu rosto, depois outro. Eu estava sendo sacudida tão forte, que meu dentes deveriam estar chacoalhando. Bones estava falando comigo, tão absorto me sacudindo que levou três gritos meus para chamar sua atenção. ―Pare com isso!‖ ―Kitten?‖ Ele agarrou meu rosto, olhos brilhantes verdes e selvagens. Eu bati nas mãos dele, tremendo, e percebi que estava molhada. E fria. E dolorida. E com um público. "O que você estava fazendo comigo?" Eu estava no chão, Bones estava ao meu lado, e pelo tapete encharcado, vários itens próximos, e os espectadores preocupados, eu estive fora por um tempo. Um olhar para baixo me disse o que eu já suspeitava. Eu ainda estava nua assim como eu estava quando adormeci. ―Deus, Bones, porque nós apenas não convidamos todos na próxima vez que fizermos sexo, dessa forma eles podem parar de ver as coisas aos poucos!‖ Spade, pelo menos, não estava nu como da outra vez em que eu tinha acordado de um pesadelo com um público. Próximo a ele estava Mecheres e uma mulher humana desconhecida. "Maldição, se eu nunca passar por isso novamente, será muito em breve," Bones rosnou, passando uma mão cansada pelos cabelos. "Esse não era como os outros, Mencheres. O que significa isso?" Bones estava totalmente despreocupado sobre estar nu. Vampiros não tinha noção de modéstia. Eu agarrei a coberta mais próxima, que era a colcha, e puxei para a mão dele. "Encontre uma calça para você e um roupão para mim. O que…?"


Apenas o ato de mover fez a dor arquear minhas costas, então se intensificar em um constante latejamento. Minha boca tinha gosto de sangue, também, e minha cabeça latejava. Mencheres se ajoelhou ao meu lado. ―Você se lembra de alguma coisa sobre o sonho, Cat?" Roupas. Agora, eu pensei para Bones. Ele murmurou: "Quem se importa?" Mas arrancou um par de calças e foi buscar um robe para mim. "Aqui," Bones disse, cortando a mão antes de lançá-la com rapidez sobre minha boca. "Engula." Eu chupei a ferida, ingerindo o sangue dele, e senti um alívio imediato das dores no meu corpo. Então me sentei na cama, onde a visão do chão, onde eu estive deitada me fez soltar um suspiro. "Que diabos você estava fazendo comigo?" "Tentando acordá-la," Bones respondeu secamente. "Eu cortei você, joguei água em você, bati em você, e acendi um isqueiro em suas pernas. Para referência futura, qual desses você acha que funcionou?" "Bom Deus," eu assobiei. "Não admira que eu pensei que você fosse a morte encarnada em meu sonho, e isso me fez correr na direção do Gregor, em primeiro lugar!" "Então você se lembra do sonho," Mencheres declarou. "Isso é um mau presságio." O medo daquilo tornou a minha resposta mordaz. "Ei, senhor Caminha Como um Egípcio, que tal, por uma vez, você largar as coisas formais e falar como se você vivesse no século XXI?" "A merda vai respingar, comece a pirar, mano," Mencheres respondeu imediatamente. Eu olhei pra ele, então comecei a rir, o que era altamente inapropriado considerando a advertência muito grave que ele tinha acabado de transmitir. "Eu não acho nada engraçado nisso," Bones murmurou. "Ah, eu também não, mas isso ainda é hilário," eu me controlei. "Sinto muito sobre o tapete, Spade. Sangue, queimaduras, água… talvez você deveria ter nos colocado no estábulo.‖ "Como eu estava dizendo," Mencheres continuou, "Isto é um mau presságio."


Ele me deu um olhar que me desafiava a comentar. Eu não fiz, meus lábios ainda se contraindo. "Você se lembra do sonho, e não estava sendo sensível aos estímulos externos, o que significa que Gregor está por perto. Você precisa partir imediatamente." Bones lançou um olhar ao Spade. "Você disse a alguém que nós estávamos vindo?" Spade balançou a cabeça. "Droga, Crispin, eu mal tinha notado a mim mesmo. Você é o meu melhor amigo e minha casa não é tão longe de onde você estava. Poderia ser apenas uma suposição lógica." "É possível." Bones não parecia convencido. "Ou talvez não estivéssemos sendo tão cuidadoso quanto nós pensamos e fomos seguidos." "Eu vou trazer o carro de volta, companheiro." "Três deles." Bones lançou um olhar calculado para mim. "Todos viajando em diferentes direções, com um humano e pelo menos dois vampiros em cada um. Deixe quem quer esteja vigiando descobrir em qual deles ela está.‖ "Você vai precisar de mais do que uma fuga para corrigir isso." A parte sarcástica de mim teve uma idéia. Deixe Gregor passar algum tempo comigo, isso vai curá-lo de me querer em sua vida. Problema me segue como um mau cheiro. Mas eu apenas sorri entusiasmo falso. "Spade, amei sua casa. Mencheres… clássico. Bones. "O relógio mostrava nove horas da manhã. Eu só tinha duas horas de sono, mas nem fodendo eu ficaria de olhos fechados de novo. "Pronta quando você estiver." "Agora mesmo, amor." Ele jogou algumas roupas para mim, puxando a camisa sobre a cabeça dele, sem mesmo olhar para ela. "Tão logo você se vestir."


CAPÍTULO CINCO. O avião pousou bruscamente. Isso não me incomodava, mas eu vi Bones comprimir os lábios numa linha fina. Ele não gostava de voar. Se ele pudesse ter enfrentado a distância, acho que ele teria tentado me convencer a voar livremente pelos céus. De forma que eu estaria agarrada ao seu peito com ele como meu próprio avião privado. Ainda assim, todos tinham limites. Embarcamos apenas três horas depois que saímos de casa do Spade. Meu tio Don puxou alguns fios depois que eu liguei para ele e informei que tínhamos que voltar para os Estados Unidos imediatamente, assim no voo lotado de Londres para Orlando, de repente tinha mais quatro assentos. Ter um membro da família com altas conexões no governo era útil às vezes. Mencheres e Spade permaneceram em Londres, mas dois vampiros chamados Hopscotch e Band-Aid vieram junto com a gente. Para matar o tempo, eu perguntei-lhes como tinham escolhido seus apelidos. Hopscotch*, um aborígene que conhecia Bones por mais de 200 anos, disse que tinha sido o jogo favorito de seu filho adotivo. Band-Aid sorriu e disse que havia escolhido o nome dele porque ele era indolor. Eu não pressionei para obter mais detalhes com ele sobre isso. *Hopscotch – Amarelinha Fomos os primeiros a sair do avião, guiados para fora pelos comissários de bordo. O avião não tinha sido sequer conectado ao terminal ainda. Em vez disso, nós descemos uma das altas escadas de transporte normalmente reservadas para os trabalhadores em serviço. Uma limusine estava estacionada nas proximidades, e a janela desceu para revelar o meu tio. Eu não tinha visto ele por um par de meses. Quando seu rosto enrugado transformou-se em um sorriso, impressionou-me o quanto eu sentia falta dele. "Eu pensei que eu ia surpreendê-la." Bones lançou um olhar atento ao redor antes de me conduzir ao veículo. BandAid e Hopscotch circularam, farejando o ar como cães de caça enquanto nós mergulhávamos para dentro. Em seguida, eles seguiram atrás de nós e tomaram os lugares opostos. Num impulso, eu abracei o Don, assustando nós dois. Quando eu o deixei ir, eu ouvi uma voz familiar da frente. ―Querida, não tem beijo para seu hombre?" "Juan?" Eu ri. "Don deu a você a tarefa de ser chofer?"


"Eu dirigiria um trator para vê-la." Ele sorriu, virando-se. "Eu senti falta do seu sorriso, seu rosto, seu traseiro delicioso…" "Dirige, companheiro," Bones o interrompeu. "Estamos com pressa." Don olhou para trás, devida a brutalidade do Bones. Normalmente Bones e Juan eram muito camaradas, toda a hierarquia deixada de lado, já que Bones tinha transformado Juan em vampiro ano passado e, portanto, Juan estava embaixo da linha do Bones. Juan também parecia surpreso com o comentário grosso do Bones, já que ele sempre flertou comigo – e com qualquer mulher dentro de uma centena de metros – mas Juan não disse nada. Com um último sorriso rápido para mim, ele dirigiu. "Eu te pedi para ter um carro seguro esperando por nós de uma maneira discreta." Bones começou para meu tio. "Em vez disso, você estaciona uma limusine em frente ao avião. O que você estava pensando?" Don levantou sua sobrancelha. "Espere dois minutos, em seguida, veja se você deve criticar." "Nós dois estamos apenas cansados," eu disse, então pensei para o Bones, ninguém sabe que estamos de volta nos Estados Unidos. Pare de morder a cabeça das pessoas. Mas eu apertei a mão dele ao mesmo tempo, prometendo silenciosamente para ele que nós dois nos sentiríamos melhores quando partíssemos. "Estou um pouco irritado, Don, me perdoe por latir para você," Bones disse, enrolando os dedos em torno dos meus em reconhecimento. "Você, também, Juan, mas me faça um favor. Mantenha os seus elogios ao mínimo. Eu tenho receio que seja um assunto delicado no momento. "Bueno, pero el cual es problema?" "Inglês," eu lembrei ao Juan. "Ele quer saber qual é o problema, amor." Bones se inclinou para trás e tocou meu quadril. "Cinto de segurança. Tudo que eu não preciso é que você seja ferida em um acidente de carro." Prendi a fivela no lugar. "Feliz?" Uma limusine preta passou zunindo por nós. Em seguida, outra. E mais outra. Eu olhei para fora, pela parte de trás janela com espanto, ao ver uma linha de pelo menos uma dúzia de limusines todas na estrada de saída por onde seguimos viagem.


"O elenco do novo filme da Miramax só teve agora autorização para sair do aeroporto." Don deu uma última e satisfeita ajustada na sobrancelha. "Pobres pessoas, eles foram detidos pela segurança. Eles têm esperado por horas." Bones começou a sorrir. "Aranha velha esperta, você não é?" "Eu tive prática escondendo ela, se você recorda." Um bufo sarcástico veio do Bones. "Sim, lembro-me bem." ―Bonita performance," eu disse. Uma irritante disputa entre eles era a última coisa que precisávamos. Bones deu um aperto em meus dedos. "Não se preocupe, eu deixei no passado minha raiva com ele. Na verdade, ele pode ser útil. Então me diga meu velho, algum dos seus cientistas malucos tem uma pílula que impede alguém de sonhar?" Don ouvia com fascínio mórbido enquanto eu descrevia o que estava acontecendo com Gregor, meu passado em potencial com ele, e porque ele era chamado de Dreamsnatcher. Quando eu terminei de responder todas as suas perguntas, duas horas se passaram, e meu tio quase parecia doente. "Juan, vire na próxima saída, temos outro transporte esperando por nós no posto Shell," Bones o instruiu. "Kitten, você só tem alguns minutos antes de nós estarmos fora novamente." "Vou ver o que posso fazer sobre as pílulas para a Cat," Don disse uma vez que ele tinha se recuperado. "Eu deveria ser capaz de fazer algo que pudesse ajudar." Juan saiu da interestadual e estacionou em frente ao posto de gasolina na primeira à direita, que era um Shell. "Ah, aqui estamos nós. Juan, Vaya Con Dios, e Don"- Bones estendeu a mão "toma conta de si mesmo." Don apertou a mão do Bones. "Eu vou ter essas pílulas pesquisadas imediatamente." Eu dei ao meu tio um abraço de adeus, apesar de nós não termos grandes demonstrações de afeto um para o outro. Afinal, quem sabia quando eu ia vê-lo novamente? Além de minha mãe, Don era toda a família que eu tinha. "Obrigado pela carona, Don. Isso deve ter bagunçado com o seu cronograma." "Meus compromissos poderiam esperar até mais tarde." Don apertou meu ombro. "Tenha cuidado, Cat."


"Eu prometo". Hopscotch e Band-Aid foram os primeiros a sair do carro. Eles fizeram uma leitura rápida do perímetro da estação de gás, depois indicaram com o polegar para cima que parecia limpo. Bones passou para um SUV marrom, trocando uma saudação com o motorista. Deve ser o nosso novo carona. Eu saí e fui ao redor para o lado do motorista da limusine. "Nenhum abraço, amigo?" Juan colocou o veículo no estacionamento, mas manteve o motor ligado, saindo para me dar um abraço de urso sem a sua habitual pegada na bunda. "Hombre está de mau humor," ele murmurou. "Ele simplesmente não dormiu. Nós vamos ficar bem." "Kitten". Bones bateu em seu pé. "Muito ao ar livre aqui. Não vamos demorar." "Certo." Dei à Juan um último sorriso. "Fique longe de problemas." "Você também, querida." Fui em direção a porta marcada MULHERES no exterior do posto de gasolina, dando ao Bones de uma instrução mental de que ele não tinha necessidade de vigiar fora do banheiro. O interior era bruto, em uma palavra, mas eu não tive muita escolha. Se eu realmente nunca mais quisesse a graça de um banheiro público novamente, eu me transformaria em vampira. Desde que eu tinha escolhido permanecer meio-humana, não havia ninguém além de mim a culpar pelos inconvenientes que isso envolve. --Até o momento em que atravessamos a ponte de mais de trinta e cinco quilômetros levando à Nova Orleans, era noite outra vez. Eu nunca estive aqui antes, pois não tinha sido necessário durante o meu período com Don. The Big Easy* pode não estar abaixo do crime, mas, surpreendentemente, eles pareciam ser causados por humanos, mas por vampiros criminosos ou ghouls. *É um apelido da cidade, dado pelos músicos, devida a facilidade de se encontrar emprego nela. Bones recusou-se a tirar um cochilo durante a viagem de cinco horas de Tallahassee para New Orleans. Meu palpite era que ele tinha medo que eu cochilasse, se ele não estivesse me observando como um falcão. Hopscotch dirigia, com Band-Aid no banco do passageiro. Enquanto atravessávamos a ponte, eu finalmente perguntei por que estávamos fazendo uma visita à famosa cidade.


"Eu preciso falar com a Rainha de Orleans," Bones respondeu. "Ela seria uma poderosa aliada para ter ao nosso lado, se as coisas se agravarem com Gregor, mas ela não gosta de chamadas telefônicas quando alguém está pedindo sua ajuda." "Outra rainha?" A Europa teve menos realeza que morto-vivo. Ele me lançou um olhar de soslaio. "A Rainha de Nova Orleans é Marie Laveau, embora ela atenda pelo nome Majestic* agora. Marie é um dos ghouls mais poderoso do país. Os rumores de vodu? Eles não eram boatos, pet." *Majestade. Eu não gostei do som disso. A última rainha eu conheci com poderes místicos tinha matado quase todos nós. As mulheres eram mais assustador do que os homens, na minha opinião. "É seguro encontra-la, mesmo envolvida nas artes das trevas e tudo mais?" "Marie mantém uma norma de comportamento muito rigorosa. Se ela concedelhe uma visita, você tem passagem segura, durante e, a partir dessa visita. Ela pode dizer que ela vai massacrar você na primeira oportunidade que ela tiver, mas depois, ela vai deixar você sair ileso. Então, naturalmente, é uma idéia bem agradável continuar caminhando." "Ela pode ser uma anfitriã educada, mas e quanto a todas as outras pessoas sem pulso na cidade? Você sabe, 'Oops, Majestic, eu ofendi alguns turistas?" Bones deu um suspiro amargo. "Não há 'oops' com Marie. Se ela estiver do nosso lado, ninguém ousará atacar dentro do bairro. Mesmo Gregor." "Estamos instalados em um hotel?" "Tenho uma casa aqui, mas eu raramente uso. Uma velha amiga mora lá, mantém as coisas arrumadas. Não sei quanto tempo vamos ficar, visto que o meu encontro com Marie não foi programado ainda. Marie prefere ter pessoas aqui caso ela decida vir vê-los." As ruas se tornaram estreitas. No momento em que nos aproximamos do French Quarter*, que era todo de mão única. Tijolo e pedra substituíram estuque** e gesso, fazendo a cidade parecer de época em um instante. No entanto, a característica mais marcante não tinha nada a ver com a arquitetura. *Bairro central da cidade de Nova Orleans. **Estuque =mistura de: cal fina, mármore em pó fino, gesso, areia e água com cola


"Bones." Minha cabeça movimentando-se rapidamente pelo espanto. "Meu Deus, olhem para eles…" Seus lábios se curvaram. "Impressionantes, não são? Não inicie uma conversa com qualquer um deles, eles vão falar até o seu ouvido sangrar." Os fantasmas estavam por toda parte. Pairando sobre os telhados, passeando pelas calçadas, sentados nos bancos ao lado (ou em cima de) turistas inconscientes. Quando paramos no sinal vermelho, o nosso carro estava ao lado de um grupo de pessoas em uma excursão, ironicamente sobre a história assombrada de New Orleans. Eu assisti como três espíritos discutiram sobre os erros na narração do guia. Um dos fantasmas estava tão furioso, que ele continuou voando através o guia turístico, fazendo com que o homem arrotasse mais e mais. Pobre bastardo, provavelmente pensou que ele tinha indigestão. O que ele tinha era um fantasma irritado em seu intestino. Eu tinha visto fantasmas, mas nunca com tal magnitude. De alguma forma, com a vibe que o lugar dava, visível até mesmo através do carro, eles pareciam pertencer aqui. "É lindo," eu disse finalmente. "Eu amo isso." Isso fez Bones sorrir, aliviando a tensão em seu rosto. "Ah, Kitten, pensei que você gostaria." O SUV parou em um cruzamento após a parte mais movimentada do bairro. Bones saltou e veio para o meu lado do veículo, segurando a porta aberta. "Aqui estamos nós." Filas do que parecia ser casas de cidade pontilhavam a rua, mas poucos tinham portas na frente. "É a forma como foram projetadas," Bones respondeu às minhas perguntas mentais, quando Band-Aid se afastou, e Hopscotch ficou conosco. "As famílias Crioulas* as acham pretenciosas. Você entra pelo lado." *Criolo, diz-se de indivíduo de raça branca nascido nas terras de além-mar; indivíduo do sul dos E.U.A. descendente dos colonos franceses. Ele passou por um portão na entrada de um beco estreito e abriu uma porta ao longo a parede. Segui Bones para dentro, impressionada com a riqueza do interior em comparação com o exterior um pouco sujo. "Liza," Bones chamou. "Nós estamos aqui." Virei-me, com um educado sorriso no rosto, para ver uma menina descendo a escada.


"É um prazer conhecê-la, chère*," ela me cumprimentou com uma voz ligeiramente acentuada. *Querida. "Hum…" Eu estendi minha mão, tropeçando em minha resposta. Liza era um ghoul, então ela provavelmente tinha meias mais velhas do que eu, mas bom Deus, ela parecia ter em torno de quatorze anos humanos. A mão dela era fina e delicada, como o resto dela. Liza tinha cinquenta e dois anos, se eu quisesse arredondar para cima, e tinha que pesar não mais do que 40 kilos. Cabelos pretos que pareciam pesados demais para ela, balançavam quando ela se aproximou de Bones "Mon cher…" Um olhar para seu rosto, quando ela olhou para ele, era tudo que eu precisava para confirmar a minha suspeita de sua relação anterior. Você é um porco, Bones. Eu sempre suspeitei, mas esta é a prova absoluta. Bones a abraçou. Liza praticamente desapareceu em seus braços, mas eu peguei um vislumbre de seu rosto. Um sorriso beatífico iluminou suas feições. Ela era bonita, eu percebi. Eu não tinha capturado à primeira vista. Ele a liberou, e ela recuou, voltando sua atenção para mim. "Eu tenho comida preparada para você, Cat, e café. Foi o meu palpite que você preferiria cafeína?‖ "Sim, e muito." Se eu não estivesse tão cansada, eu já teria pressionado o Bones. Ela nem sequer parecia velha o suficiente para ver um filme com a classificação de 18 anos. "Obrigado." Eu reprimi um desejo de dizer a Liza para sentar-se, antes de o arcondicionado a derrubar. Em vez da habitual e instantânea antipatia que eu sentia por todas as mulheres que tinham dormido com o Bones, eu tive uma sensação estranha de proteção sobre Liza, por mais absurdo que fosse. Um, ela estava morta, então ela não precisa da minha proteção. Dois, a julgar pelos discretos lampejos de seu olhar para o Bones, ela estava apaixonada por ele. Pedófilo! "Liza, você poderia informa à Cat quantos anos você tinha quando foi transformada?" Bones perguntou, dando-me um olhar aguçado. "Estou prestes a ser agredido por causa de uma suposição errada.‖ Ela riu, um conjunto tímido de sons. "Eu tinha dezessete anos. Eu acho que se eu tivesse sido humana, eu teria sido referida como um "início tardio."


"Ah." Pelo menos não era um crime nos tempos atuais, e pela vibe da Liza, isso teria sido legal quando ela estava viva. "Por que você não esperou mais para se transformar, então?" Algo no rosto de Liza ficou nebuloso. "Eu não podia. Eu tinha sido envenenada e já estava morta. Eu só estou aqui agora, porque eu tinha bebido sangue de vampiro no mesmo dia. Minha família me transportou de casa para o enterro. Depois que meu corpo chegou, Bones quebrou minha sepultura e levantou-me como um ghoul." "Oh!" Agora eu me sentia ainda mais como uma cadela. "Desculpe. Quem quer que seja, eu espero que ele sofra o inferno." Ela sorriu de uma maneira triste. "Foi acidental. Um médico me deu o veneno, pensando que ele estava me tratando. A Medicina percorreu um longo caminho desde 1831." "Falando da medicina, devemos ligar para o Don. Talvez ele tenha algo para mim." "Você está doente?" Liza pareceu surpresa. "Ela não está," Bones afirmou. "O boato da reivindicação de Gregor não chegou aqui ainda?" Liza lançou um olhar rápido para mim. "Sim". "Certo, então." Bones parecia ainda mais cansado. "Significa que Marie teria ouvido falar dele também." Ele caminhou para um telefone e começou a discar. Depois de um segundo, ele começou a falar numa língua que não parecia francês, mas perto. Crioulo, talvez? Claro, isso significava que eu não entendia uma maldita palavra. "Ele está dizendo quem ele é, e que ele deseja uma conferência com Majestic," Liza traduziu, adivinhando a minha frustração. "Ele está dizendo que ele quer com toda a pressa ... eles o colocaram em espera, eu acho... " Fez sentido, Bones não estava falando. Seus dedos tamborilaram na perna enquanto os segundos passavam, e então ele começou novamente. "Sim… sim… Ele está concordando em esperar por uma chamada de volta." Bones desligou. "Não há necessidade de me repetir. Agora você pode ligar para o seu tio, amor. Faz do seu celular, eu não quero ocupar essa linha." Ele foi quase grosso. Eu me lembrei que ele estava sofrendo de fatiga e irritação em consequência da mudança de fusos horários após voos muito longos, falta de sono, e não pequena quantidade de stress. Enquanto Bones fornecia informações a Liza sobre os dados relativos a Gregor, eu disquei para


o Don. Até o momento que eu desliguei, Don havia me dado instruções sobre a dosagem de um medicamento e prometeu que seria enviado imediatamente para mim. "Don fez uma coisa para mim," eu disse logo que desliguei. "É supostamente para golpear minha consciência e me enviar diretamente para o sono profundo, pulando o REM*. Mas isso só dura cerca de sete horas, então você tem que conter os efeitos, dando-me sangue para me acordar. Dessa forma eu não entro no sono REM, quando o efeito passar." *REM = Fase do sono em que o sonho acontece. Uma expressão de alívio tomou conta do Bones. "Me faz feliz que eu não matei esse sujeito quando nos encontramos, como eu queria. Essa é uma excelente notícia, Kitten. Eu não acho que eu poderia suportar deixá-la cair no sono, imaginando você desaparecer da minha vista, mesmo enquanto eu te seguro." A emoção em seu tom dissolveu minha inicial irritação com ele. Se a situação fosse o inverso, e fosse Bones que poderia desaparecer, yeah, eu estaria cuspindo pregos, também. "Eu não vou desaparecer." Fui até ele, envolvendo meus braços ao seu redor. Então o telefone da Liza tocou.


CAPÍTULO SEIS. Eu vaguei pela casa, impressionada com o seu tamanho. Tinha um belo interior, sacadas de ferro forjado, e três níveis. As paredes foram pintadas em tons fortes, com acabamento em gesso branco nas quinas. Todos os banheiros que eu vi eram de mármore. Resumindo, ela era rica e de bom gosto, sem me fazer ter medo de me sentar em uma cadeira do século dezoito. Pedaços da influência do Bones eram vistos entre os toques femininos. Uma coleção de facas de prata. Sofás que acomodavam ao invés de apertar. Claro, eu tinha tempo para notar aquelas coisas. Ele partiu para ver Marie sem mim. Seu anúncio de que estava indo sozinho me causou uma explosiva e lívida objeção que fez a Liza correr da sala. Bones aceitou a minha raiva em silêncio, esperando até eu terminar para então, sem rodeios, se recusar a me levar. Ele disse que minha presença poderia destrair a Marie de ouvi-lo, ou alguma merda assim. Eu não acreditei nele nem por um segundo. Bones estava apenas tentando me proteger novamente. Se eu não fosse, não importando as suas declarações de "passagem segura," então isto significa que o seu encontro com ela era perigoso. Ainda assim, se chegasse ao ponto de lutarem com ele quando ele fosse partir, ou o deixarem ir, com promessas de vingança. Eu escolho a última. Então, depois que eu vaguei pela casa, eu tomei um banho em uma banheira com pés. Em seguida eu coloquei um roupão de renda e comecei a vagar pela casa novamente, procurando uma máquina de lavar e secador. Eu não tinha roupa limpa para vestir, e nada da Liza caberia em mim. Era muito cedo para comprar algo novo, também. A única coisa que ainda estava aberta depois das três da manhã era os bares. Quando Bones voltou, estava quase amanhecendo. Ele entrou pela porta, parando quando viu Liza e eu. Nós estávamos no chão, e eu estava trançando os cabelos dela. Enquanto ele esteve fora, eu puxei conversa com a Liza. Ela parecia realmente ser uma pessoa agradável, e eu gostei dela com uma rapidez surpreendente. Eu dei ao Bones um único e fulminante olhar mesmo enquanto eu me derretia de alívio por ele estar seguro, então eu retomei a minha atenção para o cabelo da Liza. "Seu cabelo está lindo. Tão volumoso. Você deveria deixá-lo crescer até que você tropece nele." "Eu vejo que vocês duas estão ficando íntimas," Bones disse com uma fraca surpresa. "Você não vai me perguntar como foi, Kitten?"


"Você entrou e subiu um degrau por vez," eu respondi. "E você não latiu para eu entrar no carro, então eu presumo que Majestic não lhe disse que os nossos traseiros são troféus para a temporada de caça. Estou errada?" Seu lábio se curvou. "Ainda irritada comigo, eu vejo. Então você deve gostar disso: Marie quer te conhecer, e ela se recusa a me deixar estar presente quando ela fizer." Eu ri com uma afiada e orgulhosa gargalhada. "Deus, Bones, você deve ter discutido totalmente exasperado. Inferno, eu já gosto dela." "Pensei que você imaginaria isso." A expressão dele me disse que ele não achava nada daquilo engraçado. "Eu devo te deixar ai trançando e ir para a cama? Você parece achar a companhia da Liza melhor que a minha." "É realmente chato quando você tem que sentar e brincar com os polegares enquanto a pessoa que você ama sai em perigo, não é?" eu disse, não me sentindo nem um pouco culpada. "Eu não gostei da idéia de deixar você para trás", ele disparou de volta. "Ainda assim você está quase gargalhando com a sua chance de fazer o mesmo comigo." A cabeça da Liza girou para frente e para trás entre nós dois. Desde que eu ainda tinha três de suas tranças em minhas mãos, no entanto, aquilo tornou seu movimento difícil. "Você não se importou com como eu me sentia, contanto que eu ficasse para trás," eu me exaltei, a tensão dos últimos dias me alcançando. "Então yeah, eu estou desfrutando o retorno. Acho que isso me torna superficial." "Isso te torna uma moleca rancorosa," Bones rosnou, caminhando para frente até estar sobre mim. "O que você diria sobre isso?" Eu larguei as tranças da Liza e me levantei. Então as luvas estavam fora, huh? "É preciso um para reconhecer o outro. Qual é o problema? Você está furioso por ter passeado por lá, balançando seu pau na Marie e a relembrando sobre os velhos tempos, mas não conseguiu os resultados que queria?" "Para sua informação, eu nunca transei com a Marie." Bones inclusive me cutucou no peito, enquanto falava. Liza saiu do caminho. Eu dei um olhar incrédulo para baixo no dedo dele, ainda pressionado no meu peito. "Tire isso de mim ou eu vou bater isso para fora." Sua sobrancelha se arqueeou em desafio aberto. "Dê seu melhor tiro, amor."


Você pediu por isso. Meu punho acertou a mandíbula dele. Bones abaixou antes que eu pudesse acertar o outro, verde queimou nos olhos dele. "Isso é tudo que você tem? Está longe de ser bom o suficiente." E ele me espetou no peito novamente. Oh, agora é, querido! Eu agarrei o pulso dele e puxei, chutando a sua canela ao mesmo tempo para tirá-lo de equilíbrio. Ele era muito rápido, entretanto, pulando sobre o movimento da minha perna, e usando meu ímpeto contra mim. Um leve empurrão nas costas me esparramou no sofá. Liza soltou um berro horrorizado. "Por favor, vocês dois, parem!" Eu a ignorei. Bones fez o mesmo. Minha pulsação acelerou na expectativa enquanto eu me levantava. A oportunidade de liberar alguma energia com uma boa briga parecia ótima para mim. A julgar pelo brilho verde nos olhos dele, ele estava disposto, também. Mas só para ter certeza… "Certo de que quer jogar duro?" Eu perguntei, mantendo minha mente em branco sobre as minhas intenções. Seu sorriso era presunçoso, provocante e sexy enquanto ele me deixava me ajeitar. "Por que não? Eu estou ganhando." Eu sorri de volta. Então eu golpeei meu punho no estômago dele. Aproveite cada golpe baixo, Bones tinha me ensinado, quando ele me treinou anos atrás. Quem disse que eu não prestei atenção? Mas em vez de se dobrar, como eu esperava, ele me arremessou para cima sobre os seus ombros. Meu corpo rachou contra o teto, tirando o meu fôlego. Eu tive uma fração de segundo para chutar o acabamento de gesso, antes que ele voasse para mim, e batesse no espaço vazio ao invés. Eu rolei quando eu atingi o chão, batendo sobre a mesa de café da sala na minha luta para fugir. Ele estava em mim no momento seguinte. Um sorriso malicioso encontrou o meu olhar quando Bones pressionou todo o seu peso para baixo, para me segurar. O topo do meu roupão tinha aberto, deixando meus seios nus se esfregando contra a camisa dele enquanto eu me contorcia sob ele. Ele olhou para baixo, traçando a parte interna do lábio com a língua. "Se rende agora?" ele perguntou. Meu coração martelava com excitação, mesmo enquanto eu queria golpear aquele sorriso do rosto dele. Ele havia deixado meus braços livres, o que foi um erro.


"Ainda não." Eu me estiquei para trás e agarrei a primeira coisa com a qual as minhas mãos fizeram contato. Então eu arremessei sobre a minha cabeça, nele. O mármore da mesa de café se partiu em pedaços grandes, quando ele atingiu o Bones. Aquilo acertou a cabeça dele, atordoando-o, o que eu aproveitei. Eu tinha me mechido para fora dele e estava a ponto de cantar vitória – quando eu senti duplos apertos de ferro em meus tornozelos. Eu tentei me torcer para fora, mas ele segurou, enquanto sacudia os restos de mesa de cima dele. A única coisa ao alcance era a bandeja de peltre*. Eu a agarrei e a balancei como uma arma. *Um tipo de metal, uma liga, na verdade, feita principalmente de estanho, cobre e chumbo. Se parece com prata. "Vou usar isso agora!" eu o adverti. Ainda segurando meus tornozelos, Bones piscou para mim. Olhei em volta, vendo Liza num canto afastado, com a mão enfiada em sua boca, horrorizada. Hopscotch e Band-Aid permaneciam perto da porta, sem saber o que fazer. De repente, eu comecei a rir. A boca do Bones se contraiu. Os olhos da Liza ficaram irritados quando ele soltou uma risada. Aquele riso cresceu como o meu, até que ele soltou meus tornozelos e nós estávamos rindo juntos, incontrolavelmente. Bones sacudiu o resto do mármore de sua cabeça, ainda rindo. "Maldito inferno, Kitten. Nunca pensei em ser golpeado pela minha própria mobília. Você sabe que eu vi malditas estrelas quando aquilo rachou na minha cabeça?" Eu me ajoelhei ao lado dele, correndo meus dedos pelo seu cabelo para tirar os últimos cacos da mesa. Seus olhos estavam brilhando verde, e a risada morreu na minha garganta quando ele me puxou para me beijar. A boca dele estava dura, exigindo uma resposta. A adrenalina dentro de mim mudou para outra coisa enquanto eu o agarrava de volta com urgência igual. Eu tive tempo de ouvir a porta fechar por trás da partida apressada dos nossos três espectadores antes do corpo dele achatar o meu. "Nós não brigamos um com o outro em um bom tempo," Bones murmurou enquanto sua boca deslizava pela minha garganta. "Eu tinha esquecido o quanto eu gosto disso." Sua mão acariciava minha coxa, sem restrições, enquanto eu ainda não usava nada por baixo do roupão. Um som primitivo saiu de mim quando seus dedos me acariciaram entre as pernas.


"Parece que você gostou disso, também," ele sussurrou. Eu puxei a camisa dele, ignorando os pedaços da mesa por toda a parte, e deslizei as minhas pernas em volta dele. "Eu preciso de você". Eu não estava apenas falando sobre o quanto eu o queria. Eu odiei a distância entre nós nos últimos dias. Agora, eu estava desesperada para me sentir perto dele. Acreditar que tudo ia dar certo, não importa o quão loucas as coisas fiquem. Ele me empurrou contra o sofá, enquanto arrancava as suas calças. Eu gemi com o dilúvio de sensações que a sua primeira investida causou, mordendo seu ombro para não gritar o quão bom aquilo era. Bones pressionou a minha cabeça mais perto enquanto ele se movia mais fundo dentro de mim. "Mais forte," ele disse com um gemido. Eu afundei meus dentes nele, engolindo o seu sangue quando eu rompi sua pele. A pequena ferida se curou assim que eu me afastei para beijá-lo. A boca dele cobriu a minha, roubando minha respiração com a intensidade do seu beijo. "Eu amo quando você me morde," Bones rosnou assim que eu me afastei para buscar ar. Eu o segurei mais apertado, minhas unhas escavando em suas costas. "Mostre-me o quanto." Um riso baixo escapou dele. Ele começou a se mover mais rápido. "Eu pretendo." ___ Bones me acordou com sonhos* e café, e nós permanecemos na cama por um tempo depois. O antigo mau humor entre nós tinha ido embora, pelo menos por enquanto. *Aquele doce que parece um pão recheado de creme. Já que o meu encontro com a Marie era esta noite, nós ainda estávamos em sua lista de hóspedes, então nós ainda tinhámos passagem segura pela cidade. Para tirar proveito disso, nós passeamos pelo French Quarter. Eu não precisei de uma jaqueta com o clima quente de agosto, mas eu coloquei filtro solar. Bones me levou da Bourbon Street para a Jackson Square, em seguida, para a Catedral de Saint Louis, que parecia muito semelhantes a algumas igrejas que


eu notei em París. Depois disso, nós paramos na loja Lafitte's Blacksmith, um dos mais antigos edifícios no Quarter. Enquanto bebericava um gin e tônica em uma das mesas lá fora, eu olhei para cima e encontrei um fantasma de repente de pé ao nosso lado. "Cai fora, companheiro," Bones disse a ele. "Como eu estava dizendo, amor, durante o Grande Incêndio…" "É injusto que só os loucos se importem o suficiente para falar com você quando você está morto," o fantasma murmurou. "Nenhum vampiro ou ghoul vai se quer lhe oferecer um bom dia." Bones fez um barulho irritado. "Certo então, bom dia, agora vai embora." "Ela vai se perguntar com quem você está falando," o fantasma sorriu maliciosamente na minha direção. "Achando que você é louco, ela vai…" "Eu posso ver você," eu interrompi. Se alguém parcialmente transparente podia parecer perplexo, ele pareceu. Olhos que poderiam ser azuis se estreitaram. "Você não parece louca," ele acusou. "Você quer dizer psíquica? Eu sou muitas coisas, mas não isso. Não é um pouco rude, porém, aparecer do nada e começar a tagarelar quando nós estávamos tendo uma conversa? Você nem sequer disse 'me desculpe'." "Kitten, eu te avisei sobre falar com eles." Bones suspirou. "Eu não pensei que você falaria comigo," o fantasma respondeu, começando a sorrir. "Os mortos-vivos," ele acenou para o Bones "simplesmente nos ignoram. Eles estão entre os poucos que podem nos ver, mas eles nem se importam!" Ele falou com um tom tão apaixonado, que eu teria lhe afagado se ele fosse sólido. Em vez disso, eu lhe dei um sorriso simpático. "Qual é o seu nome? Eu sou a Cat." Ele se curvou, sua cabeça atravessando a mesa. "Eu sou Fabian du Brac. Nascido em 1877, morto em 1922. " Bones se recostou em sua cadeira. "Fabian, esplêndido te conhecer. Agora, com sua licença, nós estamos bastante ocupados." "Você é o Bones," o fantasma disse. "Eu já te vi antes. Você sempre está ocupado demais para falar conosco." "Maldição, com certeza estou, fantasma intrometido."


"Bones." Eu puxei o braço dele. "Ele sabe quem você é!" "Kitten, o que tem isso…" A voz dele desapareceu quando o que eu estava gritando mentalmente penetrou. Então ele voltou sua total atenção ao Fabian e sorriu. "Ora, companheiro, eu acho que você está certo. Às vezes eu preciso ser lembrado das minhas maneiras, sim. Nascido em 1877, você disse? Eu me lembro de 1877. Os tempos eram melhores naquela época, não eram?" Bones estava certo sobre fantasmas serem tagarelas. Fabian tagarelou entusiasmadamente sobre dias passados, a porcaria da cultura moderna, presidentes favoritos, e as mudanças em Louisiana. Ele era como uma enciclopédia ambulante. Era impressionante o quanto de infomações um fantasma poderia guardar. Como, por exemplo, o recente fluxo de ghouls de fora da cidade em Nova Orleans. Seus encontros secretos. O nome do Gregor continuava aparecendo, juntamente com rumores sobre uma ameaça para a espécie dos ghouls. "Gregor e ghouls, hein?" Bones cutucou. "O que mais eles disseram?" Fabian lhe deu um olhar perspicaz. "Eu não quero mais ser esquecido." "Claro que não," Bones concordou. "Eu tenho uma ótima memória, eu vou me lembrar de você para sempre." "Não é isso o que ele quis dizer." Essa foi uma das poucas vezes que eu tinha falado na conversa deles. Inferno, eu não podia trocar contos sobre a vida no antigo século vinte, a tristeza de ver os automóveis substituirem os cavalos, ou como o ar cheirava antes dos combustíveis fósseis. Mas essa parte eu entendi. "Fabian quer companhia," eu disse. "Ele é solitário. Isso é o que você quer dizer, não é?" "Sim." Talvez fosse o reflexo da luz solar, mas poderia ter havido lágrimas nos olhos do fantasma. "Eu quero uma casa. Oh, eu sei que não posso mais ter uma família real, mas eu quero pertencer a alguém novamente." Algumas coisas nunca mudam. A necessidade de companheirismo transcende a mortalidade ou imortalidade. Bones tinha uma expressão resignada no rosto. "Acolhendo desabrigados, Kitten? Não sem regras primeiro. Qualquer desvio delas, Fabian, resultará em um exorcismo imediato pelos caça-fantasmas mais qualificados que eu encontrar, compreende?


"Estou ouvindo". Fabian tentava parecer indiferente, mas ele estava quase tremendo de emoção. "Primeiro, você não vai dar qualquer informação sobre mim, minha esposa, ou o meu povo para qualquer um vivo, morto, morto-vivo, ou qualquer outro tipo. Entendeu?" Fabiano acenou. "Concordo." "A privacidade deve ser respeitada da mesma maneira como se você fosse um menino de verdade, companheiro. Se você pensa que ser um fantasma permite voyeurismo, você está enganado." Um bufar indignado. "Eu vou desculpar a sua ignorância sobre o meu caráter baseado na libertinagem atual, que é tão comum entre as pessoas modernas." "Isso é um sim?" Eu perguntei com um riso. "Sim." "Certo." Bones estralou os dedos. "E, por último, nada de se exibir por ai sobre as suas acomodações. Eu não quero ser perseguido em todos os lugares por espíritos necessitados. Nem uma maldita palavra, entendeu?" "Inevitavelmente." "Então nós temos um acordo, Fabian du Brac". O fantasma sorriu um dos sorrisos mais feliz que eu já vi. Bones se levantou da cadeira. Eu fiz o mesmo, tomando um último gole do meu copo. "Tudo bem, Fabian, você é um dos meus agora. Não posso dizer que é o melhor acordo que você poderia desejar, mas eu prometo que se você honrar nosso acordo, você não sentirá falta de um lar novamente." Nós deixamos o pátio e voltamos para a casa, o fantasma caminhando atrás de nós com uma mão no meu ombro.


CAPÍTULO SETE. Bones me disse para usar botas. A princípio eu pensei que fosse para guardar armas, mas nada, além dos meus pés, entrava nas minhas botas de couro novas. Minha roupa nova consistia de um par de calças azul meia-noite e uma blusa branca. Eu não usava joias exceto pelo meu anel de noivado. Liza queria arrumar meu cabelo, mas eu recusei. Isso não era uma festa. Era um confronto educado. Nós saímos da casa a pé depois que a nossa escolta chegou. O nome dele era Jacques, e ele era um ghoul. Jacques tinha a pele escura como piche, e um poder suave, porém ressoante, emanava dele. Depois disso, Jacques me mostraria o caminho. Eu não estava armada, e minha falta de armas me fez sentir como se não estivesse totalmente vestida. Eu sentia falta das minhas facas. Elas eram familiares e me confortavam. Acho que isso me rotula como uma esquisitona. Bones andava lado a lado comigo, de mãos dadas. Pela confiança dos seus passos ele sabia onde estávamos indo. Jacques não conversou durante o caminho. Eu também não falei, não querendo dizer alguma coisa que o ghoul pudesse usar contra mim mais tarde. Como quando se é preso, eu tinha o direito de permanecer em silêncio. Claro, qualquer coisa que eu quisesse dizer a Bones, eu podia apenas pensar. Em tempos assim, a habilidade de ler mentes dele vinha a calhar. Fabian flutuava a cerca de trinta metros de distância, voando pra dentro e pra fora dos edifícios como se ele estivesse cuidando de seus próprios negócios fantasmagóricos. Jacques nem uma vez olhou na direção dele. Era incrível como os fantasmas são ignorados por aqueles que podiam vê-los. Porém, o velho preconceito entre os mortos-vivos e os fantasmas estava funcionando como vantagem para nós. Não foi permitido que Bones me acompanhasse o caminho todo até meu encontro, mas Fabian não estava vinculado a qualquer acordo desse tipo. Liza ficou espantada quando o trouxemos pra casa conosco. Também não havia ocorrido a ela fazer amizade com um fantasma. Paramos nos portões do Cemitério de Saint Louis Número Um. Bones soltou minha mão. Dei uma olhada dentro do cemitério trancado e minha sobrancelha arqueou. ―Aqui?‖ ―É a entrada para a câmara de Marie,‖ Bones respondeu, como se estivéssemos esperando na porta da frente de uma casa. ―É aqui que eu te deixo, Kitten.‖ Ótimo. Em um cemitério. Que acalentador. ―Então eu vou encontrá-la dentro do cemitério?‖


―Não exatamente.‖ Bones falou em um tom ao mesmo tempo irônico e compreensivo. ―Debaixo dele.‖ Jacques virou uma chave na fechadura do portão e gesticulou para mim. ―Por aqui, Reaper.‖ Se Marie Laveau queria perturbar alguém com sua versão de boas vindas,* entrar em um cemitério, guiada por um ghoul arrepiante, enquanto os portões eram trancados atrás de mim, definitivamente era o caminho certo. *Aqui ela usou a expressão home-court advantage , que é usada quando o time da casa recebe o adversário em seu próprio campo ou quadra. ―Tudo bem então. Depois de você, Jacques.‖ ___ A cripta de Marie Laveau era uma das maiores no cemitério. Ela era alta, provavelmente dois metros, mais larga na base e mais estreita em direção ao topo. Havia escrita vodu grafitada do lado, na forma de ―X‘s‖ pretos. Flores secas e frescas colocadas na frente da cripta, onde uma inscrição esculpida indicava o nome da lendária rainha do vodu. Eu tive apenas poucos segundos para notar todas essas coisas antes que Jacques apontasse para a lama na frente da lápide e dissesse algo em Crioulo. Em seguida o chão começou a descamar. Pelo rangido, algo eletrônico controlava o movimento. Dentro da pequena área cercada ao redor da lápide, apareceu um buraco em forma de quadrado. Lá dentro havia ruído de pingos, o que me fez pensar como alguma coisa poderia estar no subsolo em Nova Orleans sem estar inundado. Jacques não compartilhou da minha preocupação. Ele simplesmente pulou para dentro da abertura escura e repetiu o comando anterior. ―Por aqui, Reaper.‖ Eu olhei para a completa escuridão do buraco para ver um brilho dos olhos dele me observando. Ele estava a uns seis metros abaixo. Com um dar de ombros mental, eu me abracei e pulei, sentindo um pequeno borrifo de água quando eu alcancei o chão. Jacques estendeu a mão para me firmar, mas eu o afastei. Não havia necessidade de bancar a fêmea indefesa. A abertura acima de nós começou a se fechar com o mesmo rangido baixo de antes, para aumentar o mistério. Quase três centímetros de água cobria o chão do que parecia ser um túnel. Não haviam luzes e, nenhum lugar para ir, a não ser em frente. Enquanto eu andava, fazendo a água borrifar, atrás de Jacques na escuridão, eu percebi porque Bones insistiu com as botas. Elas mantinham afastada qualquer coisa


mole e desagradável em que eu pisasse. O ar era úmido e tinha um cheiro de mofo. Quando eu estiquei a mão, a parede também era molhada. Mesmo assim, eu continuei seguindo em frente, grata por minha visão não humana não deixar com que eu ficasse completamente cega na escuridão. ―Eu achei que não se podia construir coisas no subsolo em Nova Orleans,‖ eu falei. ―Isso não inunda?‖ Jacques olhou para mim de relance enquanto continuava andando. ―Está sempre inundado. A menos que você seja convidado a vir aqui embaixo, as águas são lançadas no túnel.‖ Bem. Marie aparentemente usava afogamento como meio de intimidação. Esse era um jeito de controlar turistas intrometidos. ―Isso só funcionaria em pessoas que precisam respirar. E quanto ao resto da população?‖ Jacques não respondeu. Provavelmente sua cota verbal havia sido excedida. Depois de uns trinta metros, nós chegamos a uma porta de metal. Ela se abriu, com dobradiças bem lubrificadas, para revelar um patamar iluminado atrás dela. Jacques se moveu para o lado para me deixar passar, então tocou meu braço enquanto eu passava por ele. ―Olhe.‖ Houve uma lufada de ar. De repente o túnel pelo qual tínhamos acabado de passar foi engolfado por lâminas salientes. Elas vinham das paredes, por todos os lados, como se tivéssemos acabado de entrar na boca do demônio. Alguns passos pra trás e eu teria sido cortada a juliana*. *Nome usado na culinária para quando algo é cortado em tirinhas. ―Muito bom,‖ eu disse. Eu podia apreciar uma boa armadilha tanto quanto a pessoa na minha frente. ―Deve ter custado uma fortuna, toda aquela prata.‖ ―Elas não são de prata.‖ A voz da mulher veio do topo da escada em minha frente. Macia como manteiga. Como creme brûlée para os ouvidos. ―São lâminas de aço,‖ ela prosseguiu. ―Eu não iria querer intrusos mortos-vivos mortos. Eu os iria querer vivos e que fossem trazidos a mim.‖ Do mesmo jeito que eu pulei nesse buraco de coelho antes, eu me abracei. Então eu subi as escadas para encontrar a rainha do vodu. Assim como relatado em sua lápide a cerca de sessenta e cinco metros de distância, Marie Laveau morreu em 1881. Além disso, do fato de ela ser um ghoul e sua reputação com vodu era tudo que eu sabia. Bones não quis entrar em detalhes em seu próprio terreno, por assim dizer. A cautela dele falou muito


sobre a pessoa que ficava mais nítida a cada passo que eu dava. Pelo que eu ouvi sobre Marie, eu meio que esperava que ela estivesse sentada em um trono, usando turbante, com uma galinha sem cabeça em uma mão e um crânio enrugado na outra. O que eu vi me fez piscar. Marie estava sentada em uma cadeira super estofada, possivelmente uma LaZ-Boy*, inclinada sobre nada mais ameaçador do que um tricô. Ela usava um vestido preto com um xale branco jogado sobre os ombros. Nos pés saltos nada práticos que poderiam ser Prada. Com o cabelo preto, na altura dos ombros, ondulados ao redor de feições levemente pintadas, eu tive um flashback esquisito com uma cena de um filme. Ela podia estar inclinada sobre biscoitos, dizendo, ―Cheiram bem, não cheiram?‖ enquanto eu quebrava um vaso que não estava lá realmente. *É a marca de um fabricante de mobílias situado em Monroe, Michigan. Um dos líderes mundiais do mercado mobiliário residencial. ―Oráculo?‖ Saiu da minha boca antes que eu pudesse segurar. Não é de se admirar que Bones queria vir comigo. Eu a irritei antes mesmo de me apresentar. Olhos cor de avelã que eram alertas demais me sondaram das botas até a sobrancelha. O tricô se mexeu quando um dedo longo apontou para mim. ―Bingo.‖ Aquele sotaque amanteigado novamente, Crioulo Sulista e doce. Se ouvidos pudessem digerir calorias verbais, meu traseiro teria ficado gordo só de ouvi-la. E com aquela única palavra, ela tinha acabado de recitar a parte seguinte do filme Matrix, o qual eu havia citado. ―Grande filme, não foi?‖ Eu não me mexi para sentar porque eu não havia sido convidada. ―Um dos meus favoritos. O primeiro filme, de qualquer maneira. Não liguei para os outros dois.‖ Aqueles olhos penetrantes se fixaram em mim. ―Você acha que você é A Escolhida? A futura líder de todos nós?‖ ―Não.‖ Eu avancei e estendi a mão. ―Sou apenas Cat. Prazer em te conhecer.‖ Marie apertou minha mão. Os dedos apertando os meus por um instante, mas não de forma dolorosa. Ela me soltou, com uma inclinada de cabeça ela indicou o assento próximo ao dela. ―Sente-se, por favor.‖ ―Obrigada.‖


O cômodo pequeno era desprovido de decoração. As paredes eram de concreto, secas pelo menos, e as únicas coisas lá eram nossas duas cadeiras. Me lembrava uma cela de prisão. Fria e sem vida. ―Eu devo pular e dizer toda a merda de Gregor ou você quer bater papo primeiro?‖ Gracejos sem sentido não pareciam ser uma forma produtiva de aproveitar o tempo. Além disso, se eu soubesse usar de conversa fiada, eu não teria irritado o grande número de pessoas que já irritei. Certos talentos estavam além de mim. Ok, muitos talentos. ―O que você quer?‖ Marie perguntou. Sua franqueza me fez sorrir. ―Você não dormiu com Bones, e você não vai direto ao ponto. Se você não estivesse considerando apoiar Gregor contra o Bones, eu gostaria de você tremendamente.‖ Ela deu de ombros, retomando seu tricô. ―Eu gostar das pessoas ou não, não tem nada a ver com matá-las. É necessário, ou não é.‖ Aquilo me fez soltar um gemido. ―Você fala como Vlad.‖ Uma agulha de tricô parou. ―Outro motivo para querer saber de você. Vlad o Empalador não faz amigos facilmente. Nem o Dreamsnatcher costuma se encantar com alguém. Você tem uma lista de conquistas impressionantes, Reaper.‖ Minha sobrancelha arqueou. ―Quando você conquista alguma coisa, significa que você lutou por ela. Eu não conheço Gregor, Vlad é só um amigo e Bones é o único homem de quem eu gosto, falando de forma dominante.‖ Ela emitiu uma risada rouca. ―Ou você é uma atriz muito boa... ou muito ingênua. Gregor quer você de volta, e ele está reunindo apoio pela reinvindicação de uma ligação de sangue com você. Vlad Tepesh te chama de amiga. E Bones, que era notório por sua promiscuidade, se casou com você e começou duas guerras por sua causa.‖ ―Duas? Eu só tenho conhecimento de uma.‖ ―Gregor está, de forma compreensível, furioso por Mencheres o aprisioná-lo por mais de uma década, mas ele ofereceu não retaliar se você voltasse para ele. Bones se recusou, e como seu co-regente, isso significa que ele falou por Mencheres também. Tecnicamente, isso os faz estar em guerra com Gregor.‖ Ótimo. Bones esqueceu de mencionar isso. ―Se Gregor não estivesse invadindo meus sonhos, eu não o reconheceria nem se eu batesse nele com meu carro,‖ foi minha resposta. ―Eu me lembro de


cortar a mão e jurar pelo meu sangue que Bones era meu marido, em frente a centenas de testemunhas. Onde estão as testemunhas de Gregor? Ou evidência? Se ele realmente tivesse se dado ao trabalho de se casar comigo, você acharia que ele teria guardado uma lembrança.‖ ―Você poderia descobrir a verdade por você mesma,‖ Marie relatou. ―Eu me pergunto por que você não o fez.‖ Eu me sentei mais ereta. ―Mencheres me disse que minhas memórias não podem ser retomadas.‖ ―Ele disse? Com essas exatas palavras?‖ Minhas unhas tamborilaram contra a borda da cadeira. ―Algo do tipo.‖ ―Mencheres não pode devolver suas memórias, mas Gregor pode,‖ Marie pronunciou categoricamente. ―Mencheres sabe disso. Bones também.‖ Eu não disse nada por um minuto. Ela me encarou, absorvendo minha reação, então sorriu. ―Você não sabia. Que interessante.‖ ―Isso não quer dizer nada,‖ Eu disse, encobrindo minha surpresa óbvia. ―Eu não conheço Gregor, mas ele não parece ser o tipo que viria devolver minhas memórias e então partiria com um aceno alegre quando fosse provado que ele está errado.‖ ―E se fosse provado ele não estar errado?‖ Cuidado. Muito cuidado. ―Como eu disse, por que todas as reinvindicações dele dependem de minhas lembranças? Poderia, facilmente, ser uma estratégia para me pegar, então seria algo do tipo que o homem mais rápido vença.‖ Marie legou o tricô. Acho que isso significava que nós iríamos falar a sério. ―Nesse momento, eu acredito que você não saiba realmente se você se ligou a Gregor. Se isso for provado, entretanto, que você é esposa dele ao invés de Bones, eu vou me aliar a Gregor de acordo com nossas leis. Essa é minha resposta a esse assunto.‖ ―Antes você me perguntou o que eu queria, Marie. Eu quero ir para casa com Bones e ser deixada em paz por todo mundo por uns dez anos. Eu não me lembro de Gregor, mas mesmo que eu lembrasse, não mudaria o que eu sinto por Bones. Se é uma briga que Gregor ou você querem ao tentar me forçar a estar com ele, vocês vão conseguir.‖ O rosto de Marie tinha uma qualidade não usual em relação a idade. Ela poderia ter tido vinte anos quando foi transformada em um ghoul. Ou cinqüenta.


―Eu fui casada uma vez,‖ ela observou. ―O nome dele era Jacques. Uma noite, Jacques me bateu e eu sabia que ele gostava disso. Na manhã seguinte eu deu a ele um tônico envenenado, então eu o enterrei debaixo da minha varanda. Agora, toda vez que eu tenho um amante, eu o chamo de Jacques, para me lembrar de que se eu tiver que fazer isso, eu o matarei.‖ Marie inclinou a cabeça e me deu um olhar desafiador. ―Aceita um refresco?‖ Não depois daquela história. Mas se ela pensou que eu fosse enfiar meu rabo no meio das pernas, ela estava errada. ―Adoraria.‖ Manda ver, Rainha do Vodu. ―Jacques!‖ O ghoul apareceu. ―Meu amor?‖ Eu reprimi um pigarreio com dificuldade, sabendo o motivo por trás do nome dele. É, é melhor você puxar o saco, camarada. Aposto que você nunca esquece um aniversário, hum? ―Traga vinho para mim, Jacques, e eu creio que estamos familiarizados com as preferências da nossa convidada?‖ Ele voltou rapidamente. O copo com líquido vermelho ele entregou a Marie com uma reverência, e o arredondado cheio com um líquido claro foi para mim. Eu o ergui em saudação a minha anfitriã e dei um longo gole. Gin e tônica, nenhuma surpresa até ai. Marie me observou, tomando apenas um golinho de seu copo. Quando eu terminei, eu o estendi para Jacques, que estava por perto. ―Estava ótimo. Vou tomar mais um.‖ Marie baixou sua bebida e gesticulou com a mão para Jacques, que pegou meu copo e saiu. ―Sua linhagem não a faz imune a todas as coisas, Reaper.‖ ―Não, não faz. Porém, pelo que eu ouvi, você tem um protocolo em relação a matar pessoas, então nesse caso, vou tomar um barril do que quer que você esteja servindo. E meu nome é Cat.‖ ―Você tem alguma intenção em se tornar um ghoul?‖ Marie me perguntou. A pergunta foi tão inesperada que eu parei antes de responder. ―Não, por quê?‖ Marie me lançou outro olhar sinistro. ―Você vive com um vampiro. Sua vida está frequentemente em perigo, e você é mais fraca como uma mestiça, porém você ainda não escolheu se transformar em uma vampira. Eu ouvi que é porque


você quer combinar suas habilidades de mestiça com o poder de um ghoul, sendo o primeiro híbrido vampiro-ghoul.‖ O que tem no negócio que ela está bebendo? Eu me perguntei. ―Esse pensamento nunca passou pela minha cabeça,‖ eu disse. ―Um vampiro não pode se transformar em um ghoul. Somente um humano pode. Então ninguém, exceto você, como uma mestiça, poderia combinar toda a força de um vampiro sem a aversão deles a prata. Você teria poderes ilimitados. Mas você nunca pensou nisso?‖ Desafio aberto nas palavras dela. Eu lembrei de Fabian dizendo que havia um fluxo recente de ghouls em Nova Orleans, sussurrando sobre uma possível nova ameaça a espécie deles. Era isso? As pessoas realmente acreditavam que eu faria tal coisa por um desejo retorcido de poder? ―Depois que meu pai cortou minha garganta, Bones me disse que teria me trazido de volta como um ghoul, se eu morresse antes do sangue dele me curar. Essa foi a única vez que eu pensei sobre ser um ghoul. Se algum dia eu escolher fazer a travessia, Majestic, será para ser uma vampira. Então você pode dizer a quem quer que esteja espalhando o boato de que eu estou procurando ser uma aberração maior do que já sou.‖ Jacques voltou com outro copo cheio, mas Marie fez novamente aquele gesto autoritário com os dedos. ―Nossa convidada está partindo.‖ Eu me levantei, minha mente passando por uma lista de reprimendas. Boa, Cat. A irritou em dez minutos. Aposto que você vai ser aquela que vai estar saltando pela escada, gritando, ―Para o carro! Rápido!‖ ―É sempre bom conhecer uma figura histórica famosa,‖ eu disse. Marie também se levantou. Ela era alta, provavelmente 1,75, e com aqueles saltos, mais de 1,82 m. Sua imagem era escultural e ela irradiava uma estranha combinação de ameaça e dignidade. ―Você não é o que eu pensei que seria.‖ Ela estendeu a mão, macia como café cremoso. Eu a apertei e lutei para não chacoalhar a minha mão depois para me livrar do entorpecimento do poder dela. ―Nem você. Eu tinha tanta certeza sobre a galinha sem cabeça.‖ Por que não dizer isso? Quando alguém queria te matar, você não podia deixar a pessoa mais nervosa.


Ela sorriu. ―De todas as coisas que você poderia me dizer primeiro, citar uma cena do meu filme favorito foi o que eu menos esperava. Vá em paz, Cat.‖ Jacques segurou a porta do túnel aberta pra mim. Aquelas facas longas e curvas deslizaram de volta para seus lugares com um chiado. Captei um brilho nebuloso no fim do túnel. Fabian de sentinela. Ele sumiu antes de Jacques dar um passo atrás de mim. Meu acompanhante não falou o resto do caminho. Quando nós chegamos na porta da cripta, a cobertura superior gemeu enquanto se abria. Jacques colocou as mãos para me ajudar a subir, mas eu o afastei. ―Não se incomode, obrigada. Eu faço sozinha.‖ Uma rápida curvada dos joelhos e um momento de concentração e eu varri o espaço de seis metros. Com minha crescente habilidade para saltos, pelo menos eu estava me tornando mais como meu apelido felino. Se eu perdesse minha pulsação, eu poderia fazer muito mais do que pular alto. Bones estava esperando no portão do cemitério. Quando ele sorriu, se inclinando para as barras enquanto a tranca se abria, de repente eu não me importava com nada exceto o formato da boca dele. Aquela curva macia, lábios rosa pálido. O maxilar forte e as maçãs do rosto profundamente marcadas. Olhos castanho escuro absorvendo o que estava em volta. As mãos dele se fecharam sobre as minhas quando o portão se abriu, vibrando com poder nada menor do que de Marie, mas ele não fazia eu me sentir dormente. Eu me sentia segura. ―Nós poderíamos levar alguns sonhos para viagem,‖ eu comecei. Ele apertou minhas mãos. ―Não se preocupe, eu suspeitava que vocês duas não se entenderiam. As malas estão prontas. Liza está esperando com o carro.‖ O tráfego zumbia em um borrão de luzes vermelhas e brancas enquanto nós nos aproximávamos do Quarter. Essa era uma cidade que acordava ao invés de dormir depois da meia-noite. Jacques ficou pra trás, aparentemente não interessado em nos seguir de volta para a casa do Bones. ―Qual foi a última coisa que Marie disse pra você?‖ Bones perguntou, antes mesmo que eu pudesse questioná-lo sobre isso. ―Vá em paz‘ Isso tem algum significado oculto?‖ Bones parou enquanto estávamos no meio da rua. Buzinaram pra gente. Ele expressou sua opinião para o motorista com o dedo, então me puxou para o outro lado.


―Tem certeza que ela disse isso?‖ ―Não sou surda.‖ Será que aquilo era muito ruim? O sorriso dele se transformou em uma gargalhada. ―O que você disse exatamente pra ela, amor? Conheço Marie há uns cem anos, e tudo que eu consegui foi um ‗Seja protegido em sua jornada,‘ o que é uma boa maneira de dizer ‗Cuide do seu traseiro, colega!‘ ‗Vá em paz‘ significa que ela está te apoiando. Você só esteve lá trinta minutos. Que diabos vocês conversaram?‖ O alívio tomou conta de mim. ―Filmes. Bebidas. Galinhas sem cabeça. Você sabe, coisas de garotas.‖ As sobrancelhas dele se levantaram. ―Realmente?‖ Nós dobramos a esquina. Mais quatro quarteirões até a casa dele. ―Uma boa coisa pra nós, ela é fã de Matrix…‖ Minha voz falhou e eu congelei no meio do caminho. Bones também parou, olhando pra mim com preocupação antes de ele ficar totalmente rígido. Ele deve tê-lo sentido, embora eu mal pudesse ver o homem três quarteirões a frente. Eu não o reconheceria se batesse nele com meu carro... Mas eu reconheci o Gregor. De relance. E eu não estava sonhando.


CAPÍTULO OITO. Os olhos de Gregor pareciam queimar nos meus. Mesmo eu não podendo ver a sua cor de longe, eu sabia que era um verde acinzentado. Seu cabelo dourado tinha fios mais escuros, dando-lhe uma cor loura acinzentada. Isso era como se Gregor houvesse sido muito brilhante e alguém tivesse borrifado um tom abaixo do dele. " Hopscotch, Band‐Aid. Para mim, imediatamente." Bones não levantou a sua voz, então os dois vampiros não deveriam estar longe. Eles saíram da multidão, ocupando as suas posições, um de cada lado de nós. Bones sacudiu a cabeça em direção àquela figura imóvel e murmurou uma maldição em voz baixa. "Ele está quase à porta da minha casa, desgraçado desprezível. Será que ele acha que ia tocar a maldita campainha pra você?" Sua mão apertou a minha. Eu dei um pequeno resmungo. Bones afrouxou o aperto, mas não muito. Mesmo com a distância, eu vi os olhos de Gregor se estreitarem, brilhar em verde, então ele começou a caminhar em nossa direção. Bones me soltou. Ele rolou a cabeça ao redor de seus ombros e estalou os dedos, enquanto avançava com um propósito mortal. Eu o teria seguido, mas Hopscotch e Band‐Aid me agarraram. "Bones!" Ele me ignorou e continuou andando. Assim como fez Gregor. É claro que isso nem tinha passado pela sua mente. Eu estava presa a um medo doentio mesmo enquanto eu lutava com os dois homens que me seguravam. Eles obtiveram uma boa aderência quando eu não estava prestando atenção. Quando Bones e Gregor estavam a menos de seis metros um do outro, Jacques se colocou entre eles, levantando seus braços. "Vocês dois, parem." Eles o ignoraram. Jacques provavelmente teria sido empurrado para o lado, mas então outra voz chicoteou pelo ar. "Você não deve lutar na minha área!" Bones parou. Gregor desacelerou, parando a pouca distância dos braços que Jacques ainda mantinha estendido. Marie não caminhou tanto quanto deslizou. Bones deu a ela o que só poderia ser descrito como um olhar frustrado. "Pelo amor de Deus, Majestic, se você não quer que nós briguemos, então por que você disse a ele que nós estávamos aqui?"


Enquanto eles estavam concentrados no drama, eu consegui dar uma cotovelada no olho do Band-Aid antes de deslizar sob Hopscotch e me libertar. "Não façam isso de novo," eu os adverti enquanto me lançava para longe. "Eu não lhe disse," Marie respondeu. "Nem ninguém do meu povo." Um lampejo de arrogância passou pelo rosto do Gregor. Em pessoa, ele era ainda mais imponente do que nos meus sonhos. Havia algo sobre ele que me enervava, mesmo ele olhando para mim sem hostilidade. Na verdade, havia uma saudade em sua expressão que me fez parar onde estava. Pequenas alfinetadas de dor começaram a explodir no meu cérebro. ...Eu sou de uma fazenda também. No sul da França, mas não haviam cerejas para ser encontrados lá... Minhas mãos voaram para minhas têmporas. As narinas de Gregor se alargaram. Ele segurou por um tempo, provocando, uma respiração audível. "Catherine." "Tire os olhos da minha esposa." Bones rosnou isso com uma fúria mal contida. O poder fervilhando pra fora dele me impressionou até mesmo a vários metros de distância. Gregor soltou um grunhido igualmente venenoso e deu um único passo a frente. "É para a minha esposa que eu estou olhando." Quando Gregor desenrolou seu poder como um pavão exibindo suas penas magníficas, eu engoli. Gregor parecia forte nos meus sonhos, mas isso deve ter sido a versão diluída. Com a energia derramando-se dele em ondas cada vez mais crescentes, ele poderia ter suprido as necessidades de energia elétrica do French Quarter. Ah, merda. Ele é pelo menos tão forte como Bones, se não mais forte... Freios chiaram por perto, mas nenhum dos homens tirou os olhos do outro. Eu olhei e vi Liza abaixar a janela de uma van. Seus olhos se arregalaram, e ela fez um gesto rápido com a mão. "Por favor, Cat, entre." "Não sem o Bones." Eu disse isso a Gregor, assim como para ela. Não importa que a memória da voz de Gregor havia cortado através do meu subconsciente como uma faca. Não importa que por uma fração de segundo, quando o seu olhar me perfurou, eu senti uma ponta de saudade. Acordada, ou dormindo, eu pertencia ao Bones, e a mais ninguém. "Você vê? Ela fez sua escolha."


Bones disse isso com abundante ódio em cada sílaba. Mesmo de costas para mim, eu podia imaginar o seu meio sorriso zombador. A julgar pela expressão pálida de Gregor, eu estava certa. "Patife desprezível, sua escolha foi apagada por Mencheres. Ele a arrastou de mim aos gritos, apenas uma hora depois da nossa ligação!" "Eu não dou a mínima se Mencheres a arrancou do seu golpe, galinho de briga," Bones rosnou. "Vai sonhar um pouco, desgraçado!" Marie não ia ser capaz de evitar a briga por muito mais tempo. Fora o perigo mortal para Bones, havia também muitos espectadores. As pessoas iriam se machucar ou morrer se os dois continuassem com isso. Com o canto do meu olho, eu vi Fabian correr para dentro da van. "Bones." Eu fiz minha voz calma. Não assuste o animal raivoso. "Se ele sabe que estamos aqui, os outros sabem também. Nós precisamos partir." "Você só está em perigo por causa da sua arrogância cega," disse Gregor. "Venha comigo, Catherine. Eu vou mantê-la segura." "Bastardo insolente," cuspiu Bones. "Eu não dou nada por um homem que tenta roubar a esposa de outro, antes mesmo deles se conhecerem." "Bones, vá embora." Embora Marie não levantasse a sua voz, seu tom era perigoso. "Gregor, você vai ficar aqui até o próximo amanhecer. Você veio para a minha cidade sem convite para provocar violência. Não importa a nossa história, você sabe bem." "Marie" "Você está no meu Quarter." Ela cortou Gregor. "Você de todas as pessoas sabe bem disso." Gregor movimentou suas mãos. Por um segundo, pensei que ele poderia bater em Marie. Não faça isso, camarada. Ela irá enterrar você sob sua varanda em um piscar de olhos! "Como você quiser," Gregor disse firmemente. Bones inclinou sua cabeça sem se virar. "Entre na van, Kitten. Hopscotch, Band-Aid, vocês também. Majestic, eu espero que as muitas divagações ignorantes de Gregor não influenciem o seu julgamento no futuro." Eu subi no interior do veículo, evitando aquele fumegante olhar verde. "E adeus para você, Dreamsnatcher," Bones continuou enquanto entrava na van. "Espero que tenha aproveitado esta noite, porque é a última que você a verá."


"Catherine." Mesmo sem olhar para Gregor, senti seu olhar. "Suas memórias estão no meu sangue. Elas estão esperando por você, ma bien Aimée*, e eu vou manter meu juramento…" *Minha amada. A porta batendo cortou o resto da declaração de Gregor. Assim Liza saiu da rua estreita como um Tony Stewart* bêbado. Eu fechei os olhos para não ficar tentada a olhar para trás. * Tony Stewart: Piloto de corrida de automóveis como a Nascar. "Como você acha que ele nos encontrou?‖ Eu perguntei não muito tempo depois. Verdade seja dita, eu não sentia vontade de falar depois de ver Gregor. Nem Bones, pelo seu silêncio sombrio. O sol já estava alto. Liza ainda dirigia. Ghouls não eram tão sensíveis ao cansaço da manhã como os vampiros eram. Hopscotch e Band-Aid dormiam, óculos escuros fixados sobre seus olhos. Neste novo SUV, pelo menos havia mais espaço do que nos dois últimos carros. No caso de nós estarmos sendo seguidos, mudamos de veículos três vezes. Bones encarou os outros condutores desconhecidos em submissão, enquanto nós entramos no carro. Isso foi feito rapidamente, o perseguidor teria que estar bem na nossa cola pra ver isso. Não havia nenhum sinal de Gregor ainda, e estávamos quase em Fort Worth*. *Sexta maior cidade do Texas. Bones fez um barulho irritante. "A menos que uma das pessoas de Marie estivesse indo pelas suas costas – e isso é improvável - ou um dos meus fez, seria uma perda." Seus dedos tamborilavam em sua perna. "Talvez Don tenha um dedo nisso. Qual é o nome que ele usou para ter esses comprimidos entregues em minha casa, Kitten?" "Kathleen Smith." Eu zombei da ideia de que meu tio seria tão estúpido a ponto de usar meu nome real. "E se você analisar o espaço de tempo, tem apenas um dia que eu lhe disse onde estávamos, isso não se encaixa. Sabemos que Gregor estava em Paris e Londres quando nós estávamos lá, então ele teria que ter partido logo depois de nós para estar aqui. Isso exclui Don." Bones olhou para mim. "Você está certa. Apenas Charles sabia onde estávamos abrigados quando deixamos sua casa. Eu não acho que ele correu e anunciou isso. Marie soube só depois que chegamos. Isso deixa algumas pessoas que poderiam ter informado Gregor, e eles estão todos neste carro." Isso despertou Band-Aid e Hopscotch. Liza deu um olhar ampliado para o espelho retrovisor. Eu fiquei tensa, querendo saber se um dos dois vampiros atacariam abruptamente.


Nada disso. Eles olharam para trás para Bones, e ele encontrou os seus olhares, sua expressão fria e contraída. Sem dizer nada, eu sabia que ele estava pensando na possibilidade de matá-los. "Senhor," Band-Aid começou. "Guarde isso." Resumidamente. "Depois de Rattler, eu não confio em ninguém, além de três pessoas, e você não é um deles. Ainda assim, não precisa se apressar. Nenhum de vocês vai sair da minha vista até que cheguemos, e então vocês vão ser isolados. Se Gregor ainda nos encontrar nós saberemos que não foram vocês." Cada um deles tinha um olhar ligeiramente atordoado no rosto. Hopscotch se recuperou mais rapidamente e assentiu. "Eu não te traí. Agradeço a oportunidade de provar isso." "Assim como eu." Band-Aid apoiou, dando um olhar furtivo para Liza. "Tudo o que você precisa que eu faça," ela disse, baixinho. "Não vou te forçar." Bones quase suspirou. "Ainda assim eu tenho que perguntar, Liza". Ela sorriu de forma tão triste, que me magoou ver aquilo. "Você vai se sentir mais seguro. É uma coisa tão pequena para fazer por você." Era uma droga olhar desconfiadamente para as pessoas a sua volta. Grande caverna escura. Estava soando cada vez melhor. "Eu sei que apenas acabei de conhecê-la, mas de alguma forma, eu não acho que foi a Marie," eu disse. Bones levantou uma sobrancelha. "Por que não?" "Bem… ela me contou uma história estranha sobre envenenar seu marido. No começo eu pensava que era só para me assustar, mas isso foi depois que ela disse que se eu fosse casada com Gregor, ela o apoiaria, desde que os vampiros não podem se divorciar." "Sério?" Bones pensou sobre aquilo. "Isso é interessante. Oh, todo mundo sabe que Marie matou seu marido, quando ela era humana. O que eu nunca ouvi falar antes é como ela fez isso." "Eu pensei que ela bateu nele com um machado," foi a resposta da Liza. "Essa é a história que me contaram." "Interessante," Bones repetiu. "Por que você acha que isso a fez simpatizar com o nosso lado, amor? Parece que ela declarou a quen apoiaria." Eu preferia não dizer.


Eu me mexi no banco, querendo ter calado a boca antes. "Você está me bloqueando." Seus olhos brilharam verde. Sim, eu o estava mantendo fora da minha mente com toda a armadura mental que eu poderia sustentar. Boca enorme. Por que você não pode simplesmente ficar quieta? Aquilo não foi direcionado para ele, eu estava me repreendendo. Havia algumas coisas que eu queria falar em privado com o Bones após encontrar Majestic. Isto não era considerado privado nos padrões de ninguém. "Nós concordamos em não fazer isso," Bones continuou. "Ocultar qualquer conhecimento ou especulação. Seja o que for, Kitten, me diga." Eu tomei uma respiração profunda. Ele não ia gostar disso. "Marie me disse que Gregor poderia devolver as minhas memórias, e que você e o Mencheres sabiam disso. Ela se perguntava por que você não queria que eu me lembrasse do que aconteceu. Lá atrás, na rua, ela teve a oportunidade de exigir que eu pegasse as minhas memórias de volta. Nós estávamos em seu terreno, em menor número, ela poderia ter insistido. Mas ela nos deixou ir. Eu acho que ela fez isso… porque ela acredita que eu estou ligada ao Gregor, e ela sabe que teria que apoia-lo se isso fosse comprovado." Bones ficou absolutamente imóvel. Seu olhar se intensificou até que eu senti como se estivesse sendo atingida com lasers de esmeralda. "Você quer se lembrar do seu tempo com ele?" Tomei outro fôlego, maior que o primeiro. "Incomoda-me haver mais de um mês da minha vida sobre o qual eu não sei. Você deveria ter me dito, Bones. Você prometeu que não esconderia coisas de mim mais, também, mas eu tive que descobrir isso pela Marie." "Eu não te disse, porque eu não tinha certeza. Em todo o caso, eu não ia deixar aquele patife imundo colocar as mãos em você, ter sua boca sobre ele…" "Você está falando sério?" Eu interrompi. "Onde em tudo isso você pensou que eu ia beijá-lo?" Bones me lançou um olhar severo. "O poder de abrir a sua mente está no sangue do Gregor, como ele disse. Você teria que mordê-lo." "Eu não sabia como isso funcionava."


"Certo, mas você faria se pudesse," Bones disse aquilo com tal acusação que eu apertei as minhas mãos para evitar sacudi-lo. "Se alguém arrancasse mais de um mês de memória da sua vida, você gostaria de saber o que tinha ali, também." Falado sem gritar. Bom para mim. "Não, eu não gostaria." Seu tom não era calmo. Era quase um rosnado. "Se alguém tirasse da minha memória um acontecimento que poderia desmanchar o nosso casamento, eu não gostaria de me lembrar disso sob qualquer circunstância, mas talvez o nosso casamento signifique mais para mim do que para você." Lá se foi o meu momento Zen de chi* tranquilo. Raiva cega, corredor de cinco! *Energia vital. "A única pessoa que poderia desmanchar o nosso casamento é você. Digamos que eu descubra que eu me casei com o Gregor. Será que o pensamento de que poderia haver uma chance para você ser solteiro novamente soe muito tentador para você?" "Você é a única que admitiu estar procurando uma falha," Bones respondeu com fúria igual. "Encantada por ter visto o Gregor? Se perguntando se você poderia ter preferido transar com ele do que comigo? É isso o que você quer se lembrar?" Eu estava tão insultada, que aquilo me deixou irada. "Você perdeu sua cabeça!" Eu o empurrei, mas ele não se mexeu. "Eu sangrei na minha primeira vez com o Danny, entendeu? Ou você precisa que eu desenhe?" Sob circunstâncias normais, eu nunca diria algo tão pessoal com uma platéia, mas a raiva é engraçada. Ela faz você inconsciente a todo o resto. Bones aproximou seu rosto bem perto do meu. "Aquele imbecil poderia ter transado com você a noite toda, e ainda assim você teria sangrado com o Danny, depois. Tudo o que o Mencheres teria que fazer era te dar o sangue dele, uma vez que a encontrasse. Cura todas as feridas, certo? Se eles te tomaram do Gregor logo após a primeira vez que ele te levou para a cama, você teria uma simples ferida que poderia ter sido curada." "Isso é…‖ Eu estava tão horrorizada com a idéia, que eu não pude começar a responder. "Isso é besteira!" eu finalmente me controlei.


"Sério?" Bones se inclinou para mais perto. "Acontece que eu sei muito bem, porque eu fiz isso." A maneira suave com a qual ele disse as palavras, as tornarou ainda mais enfáticas. Fúria, negação e ciúme soltaram as minhas palavras mais rápido do que eu poderia pensar. "Dane-se por ser um prostituto sem escrúpulos." Bones não tirava os olhos de mim, e sua resposta não foi mais alta. "É com isso que você se casou, Kitten. Um prostituto sem escrúpulos. Mas se você recorda, eu nunca fingi ser outra coisa." Sim, eu sabia que ele tinha sido um gigolo quando ele era humano, mas não é isso que doi. Se apenas a sua libertinagem tivesse parado uma vez que ele não precisava do dinheiro para sobreviver, eu pensei amargamente. Mas não. Depois que ele se tornou um vampiro, ele fez isso para se divertir, como ele acabou de me lembrar. Eu não queria que ele soubesse o quanto o seu passado ainda tinha o poder de me machucar, então eu puxei meus escudos mentais em torno de mim. Eles eram a minha única defesa para mantê-lo longe. Então eu olhei para fora da janela. Eu não podia suportar a visão do seu lindo rosto no momento. Bones me soltou e se sentou. Nós não falamos o resto da viagem.


CAPÍTULO NOVE. ―Yee-Haw!‖ O grito me fez sacudir a cabeça. Um bar com um rodeio interno. Não, eu não estava brincando. Tinha até um touro vivo, bufando. Por um preço tarifado, comprovação de experiência prévia, várias concessões assinadas e uma completa falta de bom senso, qualquer um poderia montá-lo também. Bones e eu ainda mal nos falávamos. Eu disse a ele sobre o boato de eu estar querendo me transformar em um ghoul, mas além disso nós não conversamos muito. Nada mais estava acontecendo também, que poderia ter sido mútuo. Quando chegamos ao motel Fort Worth depois de um dia dirigindo em linha reta, eu engoli as pílulas que Don tinha enviado para mim e desmaiei. O momento mais íntimo que tive com Bones foi quando ele me acordou com seu pulso na minha boca. Eu tinha engolido o seu sangue, declarado que eu precisava tomar banho, e foi isso. Ele estava vestido e esperando por mim quando eu saí, friamente imparcial com nada além de negócios para discutir. O muro invisível entre nós era pior do que uma luta, em minha opinião. Bones tinha um encontro com um contato ghoul neste bar. Ele não gostou do boato ghoul por aí sobre mim, e queria o quão sério aquilo estava sendo levado. Spade foi nos encontrar no bar também, desde que Hopscotch, BandAid e Liza estavam sendo colocados em quarentena. Fabian provou ser útil checando primeiro o bar, certificando-se que aquilo não era uma armadilha do ghoul. Somente duas coisas me animaram no meu atual estado de espírito deprimido. Minha melhor amiga Denise morava no Texas agora, então ela viria hoje à noite. A outra coisa nesta noite era que Cooper, amigo e membro da minha antiga equipe, estava vindo também. Spade estava trazendo os dois. Quando eles entraram no bar, eu estava tão feliz em vê-los que eu quase atropelei as pessoas que passavam no meu caminho. Denise devolveu meu abraço, embora com menos entusiasmo, e Cooper ficou um pouco surpreso com o meu abraço feroz. Spade entrou atrás deles. Ele lançou um olhar de avaliação em Bones e em mim enquanto dizia olá. Sem dúvida mentalmente pesando em nosso atrito. "Eu digo, Crispin, você pareceria melhor se estivesse sendo pregado dentro de uma caixa de madeira," ele comentou. Seu olhar moveu-se pelo bar com um leve desagrado. "Sem dúvida, esta música miserável é a culpada. Eu não sei por que os cantores de country sentem a necessidade de colocar depressão em uma melodia." Denise sorriu. "Eu acho este lugar ótimo. Aquilo é um touro?"


"Pode apostar que sim." Como se tivesse sido ordenado, o animal bufou de forma infeliz. Ele e eu estávamos em perfeita sintonia. "Oh, eu gostaria de poder montá-lo," ela disse. Foi bom ver Denise sorrindo. Na verdade, recentemente eu não a tinha visto muito, sorrindo ou não. Depois que seu marido Randy foi morto, Denise ficou comigo e com Bones por algumas semanas. Então ela voltou para Virgínia, dizendo que queria ficar longe de tudo que fosse sobrenatural. Eu não podia culpá-la. Foi um ataque sobrenatural que havia matado Randy, porque Denise não ia querer ficar longe destas lembranças? Então, ela mudouse para o Texas há uns dois meses atrás, ressaltando que era a única maneira que poderia manter sua mãe longe de tentar envolvê-la com outros homens. Denise não estava pronta para sair do luto ainda. Eu não podia culpá-la por isso também. "Cooper, companheiro, é bom tê-lo conosco," Bones disse. "Fique com as senhoras, enquanto Charles e eu saímos por um momento. Estou certo de que a Kitten gostaria de saber tudo sobre o que está acontecendo com a sua antiga equipe." Com isso, ele se virou e saiu. Spade foi com ele, deixando nós três em pé nos arredores da arena do touro. Filho da puta. Não que eu não quisesse passar mais tempo com Denise e Cooper, mas era a minha bunda que estava sendo discutida com o tal contato ghoul. Parecia justo que eu estivesse junto para saber dos detalhes. ―... remodelamos a sala de destruição para incluir... você está me ouvindo, comandante?‖ Só então o fluxo do dialogo do Cooper penetrou. "Ah, desculpe, Coop. Preciso de uma bebida," eu disse, indo para o bar mais próximo. Eu pedi um gin, sem tônica, e o bebi antes mesmo de chegar no balcão de madeira. O garçom me deu um olhar enquanto deslizava o copo vazio para ele colocar um refil. "Isso vai sair por $ 9,50, senhora." "Claro," comecei, tocando meu jeans antes de congelar envergonhada. Eu não tinha uma carteira comigo. Não, a única moeda que eu carregava era cerca de 5 quilos de prata sob minha camisa e minha calça. Deus, essa foi à gota d‘água. Espere, garçom, enquanto eu procuro Bones e então posso pegar a minha mesada.


"Aqui, fique com o troco. E despeja mais dois iguais a este." Cooper jogou o dinheiro sobre a mesa. Denise sentou ao meu lado, seus olhos castanhos arregalados. "Cat, você está bem? Parece que você poderia queimar um fusível*." *Blow a fuse -Expressão usada para dizer que a pessoa está muito irritada / ataque de fúria. O garçom encheu os drinks e passou-os. Cooper entregou-me o terceiro depois que engoli o segundo mais rápido que o primeiro. "Eu estou bem." Não adianta articular as várias coisas que estavam erradas. Miséria pode amar companhia, mas Denise já tinha tido o suficiente, sem eu para acumular. "Você não parece bem." Eu não queria entrar no assunto, mas eu não queria dizer isso a ela. Em vez disso, busquei uma distração. "Olhe, o boi lá fora!" Com a atenção de Denise fixa no vaqueiro amador lutando em cima do touro, eu era capaz de evitar a sua atenção. Do outro lado da multidão, vi Bones cutucar Spade, então eles voltaram sua atenção para um homem, alto, muito magro e muito morto, que se aproximava. Deve ser o contato ghoul. Logo os três se misturaram à multidão. Eu suspirei, cobrindo com um sorriso quando Denise virou-se para mim. "Isso é tão legal! Vamos pegar mais bebida, Cat. Talvez você possa saltar na próxima." Eu amaria beber mais álcool, mas desde que Bones e Spade acabaram de sair com o contato, eu não poderia muito bem ir até ele e exigir sua carteira. "Denise, quanto dinheiro você tem aí?" Ela franziu o cenho. "Oh merda, eu deixei minha bolsa no carro do Spade." Cooper tocou de novo em suas calças. "Eu deveria ter trazido meu cartão de crédito. Isto deve durar...‖ ele puxou um maço de notas de vinte e deu-lhe um olhar crítico" ... dez minutos." Bom e velho Coop. Não posso dizer que o homem não sabia o quanto um meio-morto poderia aguentar. "Eu vou te pagar depois," prometi, me sentindo como um parente pobre.


A previsão de Cooper tornou-se errada. Passou quase meia hora antes de seu dinheiro acabar. Claro, eu não contava com os homens nas proximidades se oferecendo para comprar bebidas para Denise e eu. Recusei, mas Denise tomou uma bebida oferecida por um deles, agradecendo os rapazes mas dando um firme "não" a um segundo. A maioria deles tomou isto com uma amigável, falsa decepção, mas um cara grande, com cabelo castanho, bem cabeludo, precisava de um pouco mais de persuasão. "Ah, vamos lá, querida," disse a Denise, "Vamos dançar." Sua mão pousou na perna dela. Minhas sobrancelhas subiram. Cooper começou a se levantar quando eu dei um tapinha na ofensiva pata do homem, pondo-a de lado. "Minha amiga só dança comigo." Denise sorriu. "Desculpe-me." O cara me deu um olhar malvado, desgostoso, e se afastou, seus três amigos no reboque. Muito ruim, Sr. Cabeludo, eu pensei. "Muito bem, comandante," Cooper comentou. "Pare de me chamar assim." Eu não queria parecer tão brusca. Cooper não sabia que o título ficava me lembrando que a minha posição como líder foi perdida para sempre. Agora, sentada em um bar tentando sem sucesso afogar minhas mágoas, me senti inútil. Cooper e eu andamos com Denise até o carro do Spade. Estava destrancado, para minha surpresa. Quando questionei isso, Denise encolheu os ombros e disse que Spade tinha comentado que as trancas apenas mantém pessoas honestas para fora. Sua bolsa ainda estava enfiada debaixo do banco do passageiro, onde ela tinha deixado. Denise tinha acabado de colocá-la em cima do ombro quando um sotaque arrastado atrás de nós a parou. "Vejam só meninos, olha o que encontramos." Eu tinha ouvido a aproximação deles. O cheiro, os passos altos e os batimentos cardíacos óbvios os deixavam longe de estarem camuflados, mas desde que eles eram humanos, eu não tinha ficado preocupada. "Caiam fora, rapazes," eu disse. O Cabeludo do bar não parou. Nem seus dois camaradas, que eram igualmente grandes.


"Estávamos dizendo agora," Cabeludo começou com um insulto, que revelou como ele estava bêbado, "que não era justo estas duas garotas bonitas estarem brincando aqui só com este negro." "Negro?" Cooper repetiu a palavra com um desafio em aberto. Deus, um trio de fanáticos. Tudo o que menos precisávamos. "Eu vou lidar com isso," disse friamente. Estes idiotas não sabiam que eu era a mais perigosa do grupo. Eles mantiveram-se concentrados em Cooper, vendo apenas o macho bem-desenvolvido como ameaça. "Aqui vão alguns conselhos muito bons: Comecem a andar. Estou de mau humor, então saiam daqui antes que vocês me dêem nos nervos." Eu não me preocupei em pegar a prata em minhas roupas. Com seres humanos, não preciso de armas. Spade tinha estacionado no canto mais distante do estacionamento. Estes cabeçudos pensaram que era uma boa oportunidade, mas eles estavam errados. Fui surpreendida, porém, quando Cabeludo puxou uma arma debaixo da camisa. Ele apontou para Cooper. "Você." Havia uma ressonância feia em sua voz. "Você vai se sentar no chão, enquanto nós fazemos bonito com suas garotas." "Cooper." Saiu de mim com um rosnado furioso. Eu não iria arriscar ele ou Denise levarem um tiro. "Faça como ele diz." Cooper tinha seguido minhas ordens por muito tempo. Ele fez um ruído furioso, mas sentou-se como indicado. Com isto, Cabeludo entregou a arma para seu amigo, ele estava satisfeito. "Isso foi realmente muito esperto, ruiva." Ele olhou com maldade. "Agora, você apenas fique ao lado dos meus colegas, enquanto eu e sua amiga vamos para este banco traseiro." Fui direto para os seus amigos, como ele disse. Afinal, um deles tinha a arma. Se eu calmamente os desarmasse, não haveria nenhuma cena desagradável. Cabeludo tinha somente colocado a mão sobre Denise antes de eu sentir uma lufada. Eu tive só um instante antes de perceber quem era, e então houve um baque repugnante. Ou, para ser mais exata, um som de esguicho. Era difícil dizer quem tinha o olhar mais horrorizado em seus rostos - os dois homens que Bones agora tinha pendurados pelos pescoços, ou Denise pelo jeito que ela olhava para os restos da cabeça do Cabeludo. Spade estava perto dela, resmungando algo sujo, então ele chutou a figura contorcida do


Cabeludo, forte o suficiente para tê-lo ricocheteando em seu carro. Spade tinha lançado o homem ao chão tão violentamente, que a cabeça dele parecia uma melancia que caiu de cinco andares. "Denise, você está bem?" Spade perguntou. "Ele está... ele está..." Denise parecia não saber o que dizer. "Realmente, realmente morto," eu completei, aliviada por dois vampiros voando em alta velocidade sobre um estacionamento não ter atraído atenção. "Bones, deixe eles irem, você os está matando." "É esse o ponto," ele respondeu, ainda segurando-os pela garganta. "Eu ia quebrar seus pescoços, mas seria muito rápido." Eles chutaram e arranharam o pulso dele, enquanto suas línguas saíam para fora de suas bocas. Denise parecia que ia vomitar. "Por que você teve que matar ele?" Ela sussurrou para o Spade. "Por causa do que ele pretendia fazer," Spade respondeu, baixo e feroz. "Ninguém merece viver depois disso." Cooper deu ao corpo um olhar impiedoso. "Nós precisamos removê-lo, Comandante." Eu não me incomodei em comentar sobre o título. As primeiras coisas primeiro. "Bones." Ele olhou para mim como se não houvesse dois homens morrendo em suas mãos. Seus membros estavam movendo-se mais devagar agora. Um deles urinou, escurecendo o azul do seu jeans. Claramente, ele não estava apenas tentando assustá-los. "Pelo menos não faça isso aqui." Eu parei. "Aqui é muito público, e você está assustando a Denise. Jogue eles no porta-malas, e vamos brigar sobre isso no caminho de volta. Se você ganhar, você pode estrangulá-los duas vezes." Seus lábios se curvaram. "Eu sei o que você está tentando fazer, amor, mas neste caso, você fez um ponto válido." Ele os soltou, e eles caíram como dois sacos de tijolos. Ruídos ásperos e gorgolejantes vieram deles assim que começaram a respirar novamente. Ouvi a aproximação de algumas pessoas. Eles estavam rindo, cuidando da própria vida - e prestes a tropeçar em uma cena de assassinato confusa e dois homens meio-estrangulados.


"Spade, pegue o nosso carro e tire a Denise daqui," eu disse. "Você pode encontrar-se conosco mais tarde. Cooper, abra o porta-malas, vamos colocá-lo aqui." "Forerunner* Azul, companheiro, do outro lado do estacionamento," Bones direcionou, jogando as chaves para o Spade. Outro conjunto foi passado a ele da mesma maneira. "Te ligo amanhã." *4Runner é um utilitário esportivo de porte médio-grande da Toyota. http://pt.wikipedia.org/wiki/4Runner Spade levou Denise embora, parando apenas para impedir as pessoas que estavam vindo com um flash verde. "Voltem para dentro, vocês ficarão mais tempo," ele os instruiu. Eles acenaram, deram meia-volta, e voltaram para o bar. Pobre gente, provavelmente vão ficar a noite toda. "Cooper, eu não quero que você fique ensangüentado, você não pode usar um olhar-verde em alguém para fazer esquecer sobre isto," disse enquanto erguia o homem morto no porta-malas. "Pegue um dos outros e jogue-o aqui dentro." Cooper obedeceu, pegando o cara mais próximo e empurrando-o para dentro do porta-malas. Bones levantou o homem restante e sacudiu-o. "Se eu ouvir um pio de qualquer um de vocês, eu vou te calar de um jeito permanente. Agora, antes de trancá-lo no porta-malas, onde está seu carro?" "Unngghh," disse o cara que estava em suas mãos. "Unngghh ..." "Você danificou sua traquéia, ele não pode falar," eu avisei. "Realmente." Bones cortou a ponta do seu dedo em uma presa, sorrindo ferozmente na direção do rosto aterrorizado do homem, e enfiou o dedo ensangüentado na boca dele. "Agora, me responda. Suavemente. Ou eu vou arrancar sua língua e perguntar ao outro cara." Mesmo com uma pequena gota de sangue do Bones, o homem podia falar novamente, só que não muito compreensível. "cape ... branca" icape... " "A picape branca com a bandeira confederada perto da dianteira?" Bones perguntou com uma outra sacudida. "É isso?" "... iiimmm ..." "Quem ficou com as chaves?"


Uma tosse destrutiva, então um gemido aflito seguido da resposta dele. "'Kenny… olso..." atou ele... " "No bolso do cara morto?" "Uhuumm." "Kitten, se você puder?" Comecei cavando dentro da calça do corpo. Nada, na frente ou atrás. Então dei um tapinha para baixo nos bolsos da camisa. Bingo. "Aqui." "Cooper, pegue o transporte dele e dirija até a Vigésima Oitava com a Rua Weber. Espere lá, nós vamos pegar você quando estivermos atravessando." "Mantenha o seu celular à mão, caso seja necessário," acrescentei, não comentando sobre a ironia de um homem negro estar dirigindo uma picape com uma bandeira rebelde. "Então está certo, companheiro." Bones jogou o homem no porta-malas e bateu a tampa para baixo. "Cuidado com a cabeça."


CAPÍTULO DEZ. Na placa do parque Candleridge, dizia ter um bom número de trilhas pitorescas e caminhos na natureza, mas não era por isso que nós estávamos lá. Não, nós estávamos lá para enterrar um corpo. Felizmente, apenas um. Fabian flutuava por cima das árvores, após surgir no interior do carro de Spade sem dizer uma palavra. Ele tinha que estar tocando algo para viajar longas distâncias. A exceção era se ele estivesse em uma trilha, o que eu ainda não tinha entendido. Alguma coisa sobre uma corrente de energia invisível que atuava como uma auto-estrada espiritual. Mais tarde, eu iria perguntar mais detalhes para ele sobre isso. Agora, eu estava discutindo com Bones. De novo. "Spade ter agido no calor do momento é uma coisa, mas se você matar estes caras agora, seria a sangue frio, Bones. Eles devem ir para a cadeia, além de ganhar uma lavagem cerebral que os façam marchar em todas as paradas do Take Back the Night*, não mencionando seus direitos civis, tão logo eles sejam soltos. Mas eles têm famílias que não merecem sofrer sobre as suas miseráveis bundas mortas." *Marcha internacional realizada como protesto e ação direta contra o estupro e outras formas de violência sexual. Ela foi criada pelo movimento feminista. "Todo mundo tem alguém que se importe com eles," Bones respondeu sem piedade. "Mesmo os monstros. Não é justo, mas isso não muda a necessidade." "A arma não estava carregada,‖ murmurei, mudando de tática. "Eu chequei. Além disso, não é como se algo pudesse ter acontecido. Eu tinha tudo sob controle." "Este é o maldito ponto?" Irritado, Bones desligou o carro e virou o rosto para mim. "Você não pode ouvir os pensamentos deles. Eu posso. Esta não foi a primeira vez que fizeram tal coisa, e mesmo se você tivesse os pendurado e açoitado até eles pedirem desculpas histéricas, as suas intenções seriam as mesmas. Se eles não fossem humanos, você estaria discutindo comigo sobre matá-los?" Agora ele me tinha. E pelo seu olhar, ele sabia disto também. "Os vampiros e ghouls têm suas próprias regras." Tentei novamente. "Eles sabem o que acontece se eles fizerem uma coisa desta. Estes palhaços não conseguiram uma cópia dessa cartilha. Eles merecem a pena de prisão, sim, mas não a morte."


Bones bufou. "Por que não lhes ocorreu que se eles estavam fazendo algo tão terrível, e que se fossem capturados, eles seriam executados no local? Não é minha culpa que vampiros têm uma forma mais justa de punição para estupradores do que os seres humanos." Coloquei minha cabeça em minhas mãos. Estava dolorida. Entretanto, ela provavelmente doía muito menos do que a do Cabeludo quando bateu no concreto do estacionamento. Logicamente, Bones estava certo. Mas ainda parecia errado. "Obviamente você já fez sua cabeça, então faça seja lá o que você vá fazer. Você é muito forte para eu te impedir." Bones me deu um olhar impenetrável antes de sair do carro e abrir o portamalas. Escutei quando ele fez os dois homens carregarem seu amigo para a floresta. Em seguida, Bones mandou eles cavarem com as mãos. Passaram-se talvez uns quarenta minutos antes que eles tivessem terminado. Então eu ouvi algo como um suspiro resignado. "Isso vai contra meu melhor julgamento, Kitten ... Olhem aqui, vocês dois. Vocês vão para a delegacia mais próxima e farão uma confissão de cada maldito crime que já tenham cometido, excluindo apenas o enterro desta noite. Quando vocês estiverem presos, vão recusar um advogado, e quando estiverem na frente de um juiz, vão se declarar culpados. Vocês vão cumprir todo o tempo de suas penas atrás das grades sabendo que mereceram cada segundo dela. Agora, peguem suas vidas inúteis e vão.‖ Quando Bones voltou para o carro, eu ainda estava enxugando os meus olhos. Ele bateu a porta do carro e soltou um suspiro auto-depreciativo. "Tem sido tão miserável ultimamente que deixando canalhas escaparem de uma punição é o auge do nosso tempo juntos?" As palavras eram petulantes, a expressão em seu rosto não era. Estava preenchida com um desgosto que eu peguei antes que ele mascarasse de volta em compostura. "É porque isso mostra que você ainda se importa, apesar de como as coisas tem sido ruins ultimamente." Havia aquele flash em seu rosto novamente. "Você realmente acha que eu deixei de me importar? Kitten, eu me importo tanto que me destrói." Eu me arremessei pelo carro, trançando meus braços ao seu redor e sentindo o alívio entorpecente do seu abraço como resposta.


"Eu não posso acreditar que estava tão puta antes sobre estar desempregada e sem carteira,‖ eu engasguei, percebendo o absurdo que era comparado com o que realmente importava. "O quê?" "Nada." Eu o beijei, um beijo profundo, explorador, que eliminou o afastamento dos últimos dias. "Quão rápido você pode fazer para voltarmos ao motel?" Seu olhar iluminou com um adorável, faminto verde. "Muito rápido." "Ótimo." Era quase um gemido. "Eu vou ligar para o Cooper e dizer-lhe que vamos vê-lo pela manhã." Bones baixou a janela. "Fabian," ele gritou: "traga seu traseiro fantasmagórico de volta para o carro, estamos indo embora." __ Bones fez um bom tempo de volta para o Red Roof Inn. O pensamento daquele colchão desconfortável com aqueles cobertores finos soou pecaminosamente atraente para mim agora. No entanto, enquanto estávamos esperando em um semáforo há quase dois quilômetros de distância, uma dor cortou dentro do meu crânio. ...entenda que esse homem não conhece limites, e você nunca estará segura... "Gregor," eu respirei, tão baixo que quase não era um som. "Onde?" Bones mexeu a cabeça ao redor. ...garanto a sua proteção, mas você deve confiar em mim, chérie... "Oh, Jesus," eu sussurrei. "Bones... Acho que ele está no hotel!" Bones fez uma volta em U, em seguida pisou fundo no acelerador. Freios guincharam, e outros veículos colidiram pelas freadas, enquanto buzinas soaram. Ele não se incomodou em esperar pelo sinal. "Fabian," Bones disse em uma voz firme, "volte ao hotel para verificar. Nós vamos estar nos portões do parque que acabamos de sair." "Eu vou ser rápido." Fabian prometeu, e desapareceu. Nós nem sequer tivemos que desacelerar. Bones continuou dirigindo, verificando o espelho retrovisor. Depois de vários quilômetros, ele parou em um posto de gasolina.


"Venha, amor, é hora de trocar de carro." Nós saímos. O homem que estava abastecendo o seu Honda ao nosso lado só teve tempo de dizer: "O que…?" Antes do Bones acertá-lo com seu olhar. "Esse é o seu carro agora," ele disse. "E o seu é meu." "Meu carro," repetiu o homem, seus olhos vidrados. "Certo. Vá para casa e limpe-o, está horrivelmente sujo." "Espere até ele ver o porta-malas," murmurei, entrando no veículo do homem. Bones dirigia menos agressivamente neste momento, mas ele ainda estava muito acima do limite de velocidade. Em vez da rota direta para o parque, ele pegou estradas secundárias. Quando chegamos no parque, Bones arrancou para debaixo de uma árvore, desligando o motor e os faróis. No silêncio, minha respiração acelerada soava muito alto. "Você… você pensa…" "Por que você acha que Gregor está no motel?" Ele perguntou isto com tanta indiferença como se ele estivesse perguntando, papel ou plástico? Aquilo não me enganou. As juntas dos seus dedos estavam quase brancas no volante. Como explicar? "Eu tive essas dores agudas na cabeça, e eu pude ouvi-lo, só que ele não estava falando comigo naquela hora. Acho que foram lembranças do que ele tinha dito antes, e a única outra vez que isso aconteceu foi quando ele estava perto, na rua em Nova Orleans." Uma pausa. Então, "O que ele disse?" "Você não pode ouvir?" Isso me surpreendeu. "Não." A suavidade havia deixado a sua voz. "Senão eu não iria perguntar." "Hum, ok. O primeiro foi rápido, apenas um fragmento. Algo sobre não haver uma fazenda de cerejas na França. Desta vez, ele foi me avisar que havia alguém atrás de mim.‖ Bones resmungou. "Isso soa muito como no tempo presente, você não concorda?" "Sim, soa," EU refleti. "Mas de alguma forma, eu ainda acho que era uma lembrança." Fabian apareceu no pára-brisa. A súbita visão dele me fez pular no assento. Ele poderia certamente assustar alguém.


"O vampiro de cabelos amarelos estava lá," ele anunciou. "Ele estava atrás do motel com outros seis. Eu acho que eles não me viram." Bones me encarou. Seu olhar se encheu de algo que eu não sabia dizer o que era. "Sinto muito," ele disse calmamente. "Por quê?" "Isto." Seu punho disparou. ___ Quando meus olhos se abriram, eu vi tudo escuro com um pequeno foco de luz nas bordas. Eu estava sentada, mas não no carro. Soava como se estivesse em um avião. Imediatamente, eu peguei na venda dos meus olhos, porém mãos frias me pararam. "Não, Kitten." Eu me virei na direção de sua voz. "Tire isso de mim." "Não. Pare de se contorcer e me deixe falar." Eu congelei, lembrando. "Você me golpeou." "Sim." Cautela afiou o seu tom. "Você vai ficar parada?" "Depende. Por que você me bateu?" É melhor que ele tenha um maldito motivo muito bom. "Lembra quando eu disse que as únicas pessoas que poderiam informar ao Gregor sobre o nosso paradeiro estavam no carro? Liza, Band-Aid e Hopscotch não sabiam onde estávamos hospedados em Fort Worth, e mesmo que soubessem, não tinham meios para se comunicar. Denise e Spade não sabiam onde estávamos hospedados. Fabian estava conosco o tempo todo, e se de alguma forma ele fosse um traidor, ele poderia ter dito que o Gregor não estava esperando no hotel. Isso deixa apenas eu e você. Eu não disse nada ao Gregor, então isso nos leva… a você.‖ Eu estava atordoada. "Você acha que eu faria algo pelas suas costas com Gregor?" "Não de propósito, mas da mesma forma que Gregor te convenceu a ir até Paris, e comunicou-se com você em seus sonhos, quem pode dizer que ele


não tenha encontrado uma maneira de escutar as escondidas também? É um palpite, Kitten, mas se eu estiver errado, você só perdeu algum tempo acordada." E se ele estava certo... "Qual é o seu plano? Me colocar em coma e esperar para ver se Gregor vai embora?‖ Eu pensei que não havia nada pior do que se sentir impotente, mas ser a responsável em potencial? Isso foi pior. "É claro que não. Mas quando mudarmos de lugar, eu quero que você tome aquelas pílulas e então você irá dormir. Se você não souber onde estamos, mas Gregor ainda for capaz de rastrear você, saberemos que ele não pega através de sua mente enquanto você sonha." Deus, isso é uma droga. Como esperar para ver se um animal foi infectado, eu estaria confinada e em quarentena. "Então por que se preocupou em me acordar? Nós estamos em um avião. Eu posso ouvir os motores. Por que não esperar até que cheguemos para onde estamos indo?" "Você precisa comer e beber, e eu pensei que você gostaria de se refrescar." Mais uma vez eu alcancei a minha venda, e mais uma vez ele me parou. "Deixe aí." "Por quê? Eu já sei que estamos em um avião, mas não posso me localizar pelas nuvens!" "Você não sabe que tipo de avião," Bones respondeu obstinado. "Marca, modelo, espécie; essas coisas poderiam ser usadas para rastrear você. É só por pouco tempo, Kitten.‖ Só por pouco tempo se ele estiver errado. Mas por quanto tempo será se ele estiver certo? "Tudo bem. Qual será o primeiro, a alimentação ou a limpeza? Eu não sei se abro a minha boca ou tiro a roupa." Ele não disse nada por um momento. Então, "me desculpe." "Isso significa que você vai me bater? A última vez que você pediu desculpas, minha cabeça foi amassada.‖ Me agarrei à petulância para evitar crises de choro ao pensar que de alguma forma eu era a pessoa que estava vazando informações para o Gregor. "Será de acordo com a sua preferência, e não, eu não vou bater em você."


Eu gostaria de poder ver seus olhos. Eles iriam me dizer muito mais sobre o que ele estava realmente pensando. Mas tudo que eu tinha era a sua voz, e Bones a estava mantendo cuidadosamente controlada. "Então me mostre o caminho para o banheiro. Até mesmo eu posso dizer que estou fedendo." Não importa por quanto tempo eu estive fora, não foi apenas um rápido cochilo. Minha bexiga estava gritando, e minha boca estava áspera. Encantador. Seus dedos se enroscaram em torno dos meus. "Eu vou lhe mostrar." Sem ter nenhuma outra escolha, exceto tropeçar ao por ai, eu deixei Bones me levar. Eu usei a pia do minúsculo banheiro para lavar meu cabelo. Isso foi interessante fazer enquanto mantinha meus olhos fechados, desde que eu tinha insistido que a venda fosse removida. Bones ficou na porta o tempo inteiro, entregando-me tudo o que eu precisava. Pelos sons, havia outros no avião conosco. Mesmo que nenhum deles fosse espiar, eu me sentia exposta com a porta aberta. Quando tinha terminado, ele me deu roupas novas. Então fui alimentada com uma colher. A cada mordida do que tinha gosto de frango, meu senso de desespero aumentava. Tanto para igualar nosso relacionamento. Eu não poderia ser mais inútil agora. Quando Bones me entregou quatro cápsulas, engoli ansiosamente. Melhor ser nocauteada do que isso. Bones me acordou novamente depois de não sei quanto tempo, e nós repetimos o procedimento. O balanço imperceptível e o fato de estar deitada me disseram que ainda estávamos em um avião, mas poderia ser um diferente. O motor parecia mais rouco. Novamente eu apanhei os comprimidos e mandei para baixo, desta vez recusei a ser alimentada com uma colher. Eu não ia morrer de fome, e me manter hidratada era a única preocupação real. Bones não discutiu. Ele só acariciava minha cabeça enquanto eu esperava que os comprimidos fizessem efeito. A última coisa que ouvi antes que a escuridão chegasse a mim foi: "... pousando em breve, Crispin." Parecia ser o Spade. Ou talvez eu já estivesse sonhando.


CAPÍTULO ONZE. Meus olhos se abriram, ajustando-se à luz brilhante do quarto. Eu ainda estava engolindo o sangue de gosto familiar do Bones quando percebi que era a partir de um copo, não de uma veia. "Se eu tivesse que beber o sangue daquele animal todo dia, eu alegremente passaria fome até a morte." Oh, querido Deus. Por favor, deixe-me estar sonhando! "Mãe?" Ela me deu uma careta de desaprovação antes de colocar o copo em uma mesa próxima. "Você perdeu peso de novo. Aquela criatura não pode te impedir de morrer de fome?" Não, eu não estava sonhando. Era ela em carne e osso. "O que você está fazendo aqui? Onde está o Bones?" Ela levantou a mão. "Ele saiu para algum lugar. E mesmo se eu soubesse para onde, não poderia dizer. Você sabe, no caso do outro vampiro poder descobrir. Devo dizer, Catherine, você tem um gosto lastimável para homens." Jesus, Maria e José. Qualquer um dos três, me ajude. "Podemos pular o habitual jogo de agredir o Bones? Eu não estou de bom humor." "Nem deveria estar," ela disse sem compaixão. Tão típico. "Você se casou com a frigideira, e agora parece que também pode ter casado com o fogo." O que Bones estava pensado, trazendo ela aqui? Claro, fazer minha mãe passar algum tempo comigo. Depois disso, eu estaria implorando para ser drogada. "Não mencione o Gregor, ou eu vou…" Parei, e a boca dela se curvou. "Você vai fazer o quê, Catherine?‖ O que na verdade? Ela era minha mãe. Eu não poderia ameaçar esbofetear, esfaquear, bater, ou até mesmo xingar ela. Eu tentei pensar em algo para assustá-la, para nunca mais mencionar a minha situação com o Dreamsnatcher de novo. "Eu me tornarei uma swinger*," eu disse. Seus olhos esbugalharam-se. Sua criação rígida a fazia ficar desconfortável com estilos de vida alternativos. "Isso mesmo. Trio, quarteto, ou mais. Bones conhece cerca de mil pintos que adorariam pular na cama com a gente. Será bizarro, alcançaremos a nossa excentricidade –"


*Pessoa adepta ao sexo livre, com várias pessoas. Ela bufou, indignada. "Catherine!" Abaixo de nós, ouvi um riso feminino. Um reconhecível e tão inesperado. "Como é que vocês americanos dizem? O banco da frente é meu*." *A expressão original é “I call shotgun” que é usada para reclamar uma posição, nesse caso, ela fala sobre a aventura sexual que a Cat está descrevendo. Ela está dizendo que quer ir junto, que quer ir no banco da frente. Annette, o primeiro vampiro que Bones transformou, riu de novo. Foi uma risada de alguém que não está brincando. Minha mãe saltou em seus pés. O quarto estava aberto e Annette tinha falado alto o suficiente até mesmo para a minha mãe ouvir. "O dia depois de nunca, sua vagabunda voraz inglesa!" Mesmo que eu mentalmente tenha aplaudido o insulto, eu era a única que tinha começado isso. "Mãe, não chame Annette de vagabunda. Não é da sua conta com quantas pessoas ela transou." Ok, então eu não poderia ser totalmente magnânima. O que Bones estava pensando, trazendo ambas para debaixo do mesmo teto comigo? Considerando a secular, antiga relação gráfica com Bones, Annette e eu não nos dávamos muito bem no melhor dos dias. Minha mãe e eu tínhamos muitos problemas, apesar do seu amolecimento recente em relação aos mortos-vivos, um ghoul em particular. "Mãe, é bom vê-la. Agora, eu gostaria de tomar um banho de verdade." Ela se levantou. "Todos na casa sabem que não devem falar onde estamos, então você pode fazer tudo o que quiser, desde que não saia lá fora. Eu trouxe algumas roupas para você. Elas estão no armário. Ah, e não ligue a televisão. Ou o rádio, e não preciso nem dizer, não pode usar o telefone." Com essa informação útil, ela correu para fora. Parei por um segundo, em seguida, balancei minhas pernas para fora da cama. Pelo menos eu poderia tomar banho sem ajuda. Etapas de bebê e tudo mais. Depois que eu estava completamente limpa, arrumada e vestida, desci as escadas, onde poderia ouvir todas as outras vozes. Missão cumprida em não deixar eu saber onde diabos estava. Tudo que eu poderia supor era que a casa era velha, embora modernamente remodelada, e era em um penhasco íngreme. A janela de fora tinha me dito isso. Colinas verdejantes e rochas estendiam-se até onde os olhos podiam ver, e o ar cheirava diferente. Poderia


ser as Montanhas Rochosas do norte, mas de alguma forma, não parecia como na América. Talvez Canadá. Talvez não. Eu decidi que não deveria continuar adivinhando. Isso iria contra o objetivo, afinal. A conversa parou com uma brusquidão quase cômica quando entrei na cozinha. Cinco cabeças viraram com uma falsa indiferença. Além de minha mãe e Annette, o criador do Bones, Ian, estava aqui, junto com Spade e Rodney. "Olá a todos," eu observei. ―É esta a tripulação inteira? Ou há mais de vocês à espreita?‖ "Oh, existem mais," minha mãe começou antes de gritar: "Ai! Quem me chutou?" Um bufo nem um pouco feminino me escapou. "Deve ter sido o Spade. Então, eu não estou nem permitida de conhecer quem está aqui? Por que é que isso importaria?" "Apenas alguns guardas, Cat." Spade respondeu com desdém, olhando a minha mãe com um aviso. "Nada para se preocupar." "Tudo bem." Se eu quisesse saber mais, provavelmente ganharia a venda nos olhos novamente. Ian estava reclinado numa cadeira, pernas cruzadas nos tornozelos. Seus olhos turquesa continham um brilho malandro quando os deslizou até a minha mãe. "Senti sua falta na noite passada, quando cheguei. É encantador vê-la de novo, boneca," disse de um jeito preguiçoso. Rodney deu ao Ian o mesmo olhar de aviso que eu dei, mas por um motivo diferente. Rodney e minha mãe estavam, ah, namorando. Ou pelo menos, foi à última coisa que eu tinha ouvido. Insistir em pensar sobre a vida amorosa da minha mãe me deixava descontente, e não tinha nada a ver com Rodney ser um ghoul. ―Deixe a minha mãe em paz,‖ eu disse ao Ian, encarando-o. Ele sorriu, sem arrependimento. Ian não saberia como sentir remorso nem se a sua pós vida dependesse disso. Embora tenha provado ser um amigo leal a Bones, Ian e eu tivemos uma história sombria. Ele gostava de colecionar os raros e incomuns, sejam eles objetos ou pessoas. Essa tendência levou Ian a tentar chantagear-me uma vez para um relacionamento "amigos com benefícios", antes de saber a minha história inteira com o Bones. Agora Ian não


fazia nenhum movimento inadequado comigo, mas ele parecia ter prazer em encontrar maneiras de me irritar. Por exemplo: Ian lançou um olhar vagaroso na minha mãe, tendo certeza que eu o vi pausar em determinadas partes. Então sorriu. "É verdadeiramente um prazer vê-la novamente, Justina." Tudo que eu podia esperar era que a mesma repugnância para com os vampiros que tinha feito minha infância infernal serviria em minha mãe agora. Minha mãe odiava meu pai, Max, desde que ele a seduziu e depois disse que ela tinha acabado de ter relações sexuais com um demônio mal, tudo porque ele pensou que seria engraçado. Ela tinha engravidado desse encontro e pensou que daria à luz a um bebê meio-demônio - eu. Paguei pelo senso de humor distorcido do meu pai toda a minha vida, até que Bones me mostrou que havia mais nos vampiros do que presas. Minha mãe ainda não estava convencida de que presas não era sinônimo do mal, a julgar pelo olhar que ela deu ao Ian. "Você não tem mais algum lugar que poderia estar?" Ela perguntou a ele, rispidamente. O sorriso do Ian só aumentou. "Certamente. Levante sua saia, e eu vou lhe mostrar." "Chega!" gritei, dando um bote em Ian ao mesmo tempo em que Rodney levantava de sua cadeira e vinha atrás dele também. Ambos estávamos tão cegos pela fúria; tudo que Ian tinha que fazer era deslizar para trás para ver nós dois batendo um no outro ao invés dele. "Ian, é o suficiente," Spade moveu-se rapidamente, dando um passo entre mim e Rodney quando nós dois pulamos para os nossos pés para outra tentativa. "Cat, Rodney - Ian já terminou. Não é?" Spade encarou Ian, que só levantou um ombro em um dar de ombros. "Por enquanto." Eu estava presa dentro de casa com minha mãe, seu namorado puto da vida, a ex-amante de Bones, seu pai excitado e seu melhor amigo reservado. Seja qual for o apetite que eu tinha quando cheguei lá embaixo, tinha ido embora. A única coisa que eu queria fazer era ficar longe de todos eles, mas significava esconder-me no meu quarto, e eu já estava cheia disto também. Talvez houvesse uma coisa que poderia ajudar. Fui para os armários e comecei a fuçar neles com determinação obstinada. "O que você está procurando, Catherine?" Minha mãe perguntou.


"Licor." ___ Eu estava na minha terceira garrafa de Jack Daniel's quando Bones chegou. Era por do sol, os últimos raios tornavam o cabelo dele avermelhado enquanto entrava pela porta. Mesmo um vislumbre da ondulação rígida do seu corpo, causou um aperto da minha mão no uísque. Deus, ele parecia bom, mas eu precisava fechar a tampa da minha mente suja e buscar outras coisas para pensar. Equipamentos agrícolas. Agricultura. A situação da economia. "Caramba, Kitten, é isso que você tem feito durante todo o dia? Bebendo?" O tom crítico que Bones usou apagou o meu ardor momentâneo. Não, não é necessário refletir sobre o próximo déficit nacional! "Sua cor está boa, então quem é você para falar," eu disse para ele. "É por isso que você demorou tanto? Ela tinha um gosto extra saboroso?" Eu estava com ciúmes, tão irracional quanto poderia ser. Bones escolhia mulheres para se alimentar por duas razões: com sua aparência, era pateticamente fácil ficarem a sós com elas, e ele gostava mais do seu sabor. Eu não tinha acreditado que Bones poderia realmente sentir a diferença do sabor entre o sangue masculino e feminino até que ele provou isto para mim. O homem poderia perfeitamente catalogar um banco de sangue inteiro. Uma vez ele tinha comentado que pensava que isto poderia ser um gosto adquirido do estrogênio. "Ela não tinha gosto de uma garrafa de uísque, pode ter certeza," ele disparou de volta, aproximando-se e arqueando uma sobrancelha na minha garrafa quase vazia. "Isso foi tudo o que você ingeriu hoje?" "Com certeza, Crispin," Ian cantou. "Ela está bebendo com o arrebatar de um irlandês!" Não tinha nada pesado nas proximidades para jogar em lan, além do uísque, e eu não ia deixar passar isso. "Me morda, Ian!" Bones tentou pegar a minha garrafa, mas eu já estava prevendo isso. Eu a segurei, e aquilo foi um cabo de guerra. "Largue isso," ele gritou, erguendo minha mão do meu prêmio. "Você precisa de alimentos sólidos, Kitten, e cerca de uns dez litros de água. Caramba, onde está sua mãe? Não é possível a mulher não dar conta de pelo menos ver o que você come?" Se ele estivesse tentando me irritar, ele não poderia ter escolhido um jeito melhor. "Oh, é claro. Tenha alguém para me alimentar, me dar água, e me


manter na coleira. Você sabe com o que deveria ter se casado, Bones? Com uma cadela, então você não teria todos estes problemas irritantes sobre ocasionalmente estar agindo por conta própria." "Isto é tudo o que eu malditamente preciso," ele rosnou, passando a mão pelo cabelo. "Chegar em casa para uma harpia* bêbada, esperando para arrancar a minha cabeça." *Monstro da mitologia grega. Isto não é tudo o que ele precisava? Eu era a única que havia sido perfurada, drogada, reduzida a ser alimentada na boca, tudo por causa de um vampiro louco que tinha me raptado quando eu tinha dezesseis anos e que agora não quis aceitar um não como resposta. "Ser uma 'harpia bêbada' tem sido o ponto alto da minha semana, então me desculpe se não estou esperando por você na porta com um grande X vermelho no meu pescoço para marcar o local onde você pode obter a sua sobremesa." Parte de mim ficou horrorizada com o que eu acabei de dizer. Afinal, eu não estava com raiva do Bones, apenas das circunstâncias. Mas de alguma forma, o meu filtro mental entre o que eu não quis dizer e o que eu disse, estava quebrado. Eu também não podia nem culpar a bebida. Ser meio-vampira significava que eu não poderia ficar bêbada com bebidas normais. "Neste momento eu diria que é o que você precisa," Bones rebateu. "É isso? Devo levá-la para a cama e morder algumas dessas impertinências para fora de você? Mesmo que eu ache melhor açoitar algum juízo em você, ao invés disso, como um vampiro, estou aqui para esta tarefa querendo fazê-la ou não." Minha boca se abriu, e minha mão realmente vibrou com a vontade de esbofeteá-lo. E ao mesmo tempo, eu queria chorar. Isto estava tudo tão errado. Eu estava caindo aos pedaços e fazendo isto sozinha, apesar das inúmeras pessoas ao meu redor. Alguma coisa disso apareceu em meu rosto, ou ele ouviu em meio ao caos girando na minha mente. As feições de Bones perderam a fria indiferença, e ele suspirou. "Kitten..." "Não." Prendi minha respiração, reprimindo um soluço. Não conseguia controlar como eu me sentia ou o que saia da minha boca, então era melhor se eu ficasse sozinha. Rápido, antes que dissesse mais alguma coisa que eu não queria dizer. "Eu estou, hã, cansada."


Subi as escadas, deixando para trás o uísque no sofá. Ele não tinha ajudado. Na verdade, tudo o que tinha feito desde que tinha acordado foi piorar as coisas. Eu sabia que esta situação não era culpa do Bones. Ele só estava fazendo isso para manter todos seguros, inclusive eu. Mas de alguma forma, acabei jogando a minha frustração em cima dele. Pelo menos inconsciente, eu não poderia foder mais ainda as coisas entre nós. Eu fechei a porta atrás de mim. Não havia nenhum copo no quarto, então fechei minhas mãos em concha e usei a água da pia para engolir os comprimidos do Don. A quantidade estava diminuindo. Eu teria que pedir para ele enviar mais para mim, exceto que eu não sabia onde estávamos. Aquela sensação de queda começou logo após, como se o colchão abrisse e eu estivesse sendo sugada para dentro dele. Por uma fração de segundos, senti pânico, buscando algo para agarrar. No entanto tal como eu queria, estava sozinha. Mais tarde, quando senti carne fresca de encontro a minha boca, fiquei aliviada. Então terminei de engolir e soube que não era o Bones, mesmo com os meus olhos fechados e voltando do estado de sonolência. O gosto do sangue era diferente. Spade entrou aos poucos em foco. Ele tirou a mão, mas não se levantou da sua posição sentado na cama. Ainda estava escuro lá fora. Infelizmente, eu não tinha dormido este miserável dia inteiro. "Onde está o Bones?" Eu perguntei. "Ele está lá fora, deve estar de volta em breve." Eu não disse nada, mas a minha angústia pelo quão as coisas tinham se deteriorado, para que Bones não pudesse nem mesmo ter tempo para me acordar, deve ter aparecido no meu rosto. Spade suspirou. "Ele não está acostumado com isto, Cat, e ele está lidando muito mal." "Não está acostumado com o quê?" Ser casado com uma puta psicótica? Minha mente completou. "Medo." Spade baixou a voz. "Crispin sempre se orgulhou do seu controle emocional, mas ele não tem nenhum com você. Ele nunca experimentou antes o medo de perder a pessoa que ele ama para outro. Ah, seu amigo Tate pode irritar o Crispin, mas ele sabe que Tate não é uma ameaça real. Com Gregor é diferente. Ele é mais velho do que Crispin, mais poderoso, e ninguém sabe o quanto você pode ter se importado com ele."


Eu estava com medo que Spade tivesse subestimado a situação. "Eu não acho que essa é a questão. Bones e eu nem sequer podemos ficar perto um do outro sem brigar." "Ambos estão com os ânimos alterados, e com o pouco a fazer além de atacarem um ao outro, mas não perca de vista as prioridades. Não é por ele que você está lutando? " Eu mordi meus lábios. "E se for eu quem está dando a nossa localização? E se tudo o que sei é repetido para o Gregor através do meu sono de alguma forma? Eu estaria colocando todos em perigo apenas por acordar! E eu não pareço ter controle sobre eu mesma." Minha voz falhou. O quarto ficou borrado quando os meus olhos encheram-se. Percebe? Um desastre de trem emocional, tal como eu tinha descrito. "Acho que devo ir até o Don," eu disse por fim, enxugando meus olhos. "Ele tem instalações que não conheço, e são construídas para resistirem a misseis. Eu poderia esperar lá até que as coisas se acalmem. Então não estaria prejudicando todos ao meu redor –" "Você não vai a lugar nenhum." Bones preencheu o batente da porta atrás de Spade. Eu não tinha sequer ouvido ele subir as escadas, ele tinha se movido quase tão silenciosamente quanto o Fabian. Verde brilhava em seus olhos e sua expressão era de pedra. "No caso de você não estar prestando atenção, Kitten, eu vou dizer outra vez. Você não vai a lugar nenhum. Nem até o Don, ou qualquer outra pessoa. Você é minha, então não mencione partir novamente." Esta não era uma declaração "Eu preciso de você aqui comigo." Não, foi o pronunciamento imparcial de "Você é a minha bola com corrente, e é ao meu tornozelo que você está acorrentada!" Bones virou e foi embora depois fazer esta declaração, não se importando em dizer qualquer outra coisa. Spade apertou minha mão antes de deslizar para fora da cama, me olhando quase compassivamente antes de sair. "Vai dar tudo certo." Eu não argumentei, mas não acreditei nele. Bones nem mesmo tinha me dado uma chance para me desculpar por hoje cedo antes de sair. Tudo o que importava para mim – meu relacionamento com Bones, minha independência, estar presente para os meus amigos, prender assassinos – tudo estava em frangalhos. A maioria disto era culpa do Gregor. Parte disso, porém, era minha. Pelo menos eu poderia fazer algo sobre isso.


As coisas mais importantes primeiro. Eu tinha que colocar minhas emoções descontroladamente oscilantes sob controle para que quando eu visse Bones mais tarde, nós pudéssemos falar sobre essas coisas. Concentrei-me em minhas defesas emocionais, fortes barreiras forjadas nos meus tempos de infância, quando minha mãe ainda me rejeitava, depois afiadas e engrossadas ao longo dos anos quando eu deixei Bones. Eles eram tão familiares para mim como a minha pele, e agora, eram as únicas coisas que poderiam me manter inteira. Quando me senti firme o suficiente, comecei a planejar. Começaria com um banho longo e quente, em seguida faria algum treinamento para desabafar. Se eu tivesse sorte, pegaria o Ian para treinar comigo. Rasgar ele soava como um bom começo, e ele estava pronto para uma revanche desde o dia que eu o venci. Bem, Ian, eu pensei, hoje é o seu dia de sorte! E depois disso, eu iria falar com Bones. Tentar rever as coisas entre nós antes que piorasse.


CAPÍTULO DOZE. Ian me olhou com raiva. "Se não fosse tão malditamente perto do amanhecer, eu te faria implorar por misericórdia." Eu estava em cima dele, as minhas pernas em cada lado da sua cintura. Ele poderia ter gostado disso sob outras circunstâncias. Agora, porém, com uma faca enfiada em seu peito, ele tinha outras coisas em sua mente. "Mal perdedor," eu respondi, puxando a lâmina para fora e saltando para os meus pés. "Vamos lá. Outra vez." "Isto é um substituto pobre para sexo." ele resmungou, levantando-se e franzindo para o rasgo em sua camisa. "Você a arruinou." "Eu te disse para apenas tirá-la." Com um encolher de ombros. Ian sorriu para mim. "Ah, mas eu pensei que você só queria aproveitar a mercadoria, boneca." Ele manteve um fluxo constante de comentários e insinuações com o objetivo de me tirar do meu jogo. Eu não levei a sério. Eu sabia que era exatamente como ele funcionava. "Continue falando, garoto bonito. Isso só torna os seus momentos silenciosos melhores." Aquilo arrancou risos enquanto circulávamos um ao outro. Os olhos do Ian brilharam com a expectativa. Ele amava uma luta suja. Esta era uma das suas admiráveis qualidades. "Me acha bonito, não é? Eu sempre soube disso. Infelizmente, Reaper, nós teríamos tido um ótimo momento antes, mas você tinha que se casar com o Crispim. Agora você está fora dos limites para sempre, mas teria sido divertido. Muito divertido." "Você nunca teve uma chance, Ian." Ele desviou da faca que eu atirei nele com outra risada suja. "Péssima mira, querida. Errou-me por um metro. Ainda irritada com o pensamento de quão falcilmente eu poderia ter te levado para a cama, antes de o Crispin voltar para sua vida? Você realmente acha que poderia ter resistido a mim por muito tempo se eu decidisse ter você?" Bastardo arrogante. Eu o ataquei, mas o Ian me evitou no último instante. Tarde demais eu soube que tinha cometido um erro. Seus pés se arrastaram, seus punhos vieram logo após, e eu fui tirada de equilíbrio. Um cotovelo bateu em minhas costas. Aquilo me jogou no chão com ele bem em cima de mim. Ele


puxou meus braços para trás, os dobrando na direção errada, e sua boca colou no meu pescoço. "Uma leve pressão das minhas presas e sua garganta seria rasgada," ele murmurou antes de me liberar. Eu cambaleei, recuando, para encontrá-lo me encarando com triunfo claro. "Temperamento, temperamento," ele disse. "É tanto a sua fraqueza quanto a sua força." Eu lutei para me levantar, movendo-me mais lenta por causa do que deviam ser ossos quebrados na minha caixa toráxica. Meus manguitos rotadores* estavam estirados também. Eles queimavam quase tanto quanto as minhas costelas. "Uma em três, Ian. Eu não seria tão rápida em me gabar." *Conjunto de tendões nos ombros. "Eu sabia que ia te derrubar, eventualmente," ele respondeu. "Todo mundo comete erros, com tempo suficiente." Eu ouvi passos se aproximando, e minha mãe entrou na sala. Ela olhou para os móveis reorganizados acidentalmente, para mim, depois para o Ian. "Catherine, quanto tempo você vai ficar dando pancadas aqui embaixo?" ela perguntou. "Você não vai dizer olá, boneca?" Ian claramente ronronou a pergunta. Eu gesticulei com os lábios, sem som, horríveis ameaças para ele por sobre o ombro dela. Ele apenas sorriu para mim. Ela o ignorou, minha respiração irregular chamando a atenção dela. "Você está bem, Catherine?" Dois poderiam jogar o jogo de insultos sobre ela. Para efeito, eu ofeguei ruidosamente. "Não, eu não estou. Ian quebrou minhas costelas." "Dedo-Duro." Ele sorriu, sabendo o que eu estava fazendo. Ao invés de estar tomada de preocupação, ela bateu o pé. "Você não deveria deixá-lo chegar tão perto. Talvez desde que você deixou o seu trabalho, você esteja perdendo sua vantagem." Filho da puta. Eu inflei pelo insulto. Ian sufocou uma risada.


Então a televisão largada no canto da sala ligou. Eu olhei ao redor em confusão, esperando ver algum recém-chegado com um controle remoto, quando Ian soltou uma maldição. "Porra". "Huh?" Ele agarrou meu braço com uma mão e o da minha mãe com a outra. Meu protesto foi cortado com o seu próximo murmúrio de palavras. "Amanhecer. Por que todo ghoul sente a necessidade de atacar ao amanhecer?" Ian nos empurrou para fora da sala e nos fez subir a escadaria do porão. De todos os cantos da casa, pessoas estavam saindo de seus quartos e as TVs estavam ligadas. Não uma cacofonia, apenas um conjunto de volumes baixos. Ocorreu-me então o que o ligamento sincronizado de televisores era. Um alarme. Um sutil. "Quem está atacando?" "Não posso ficar e conversar sobre isso," Ian deixou o porão, circulando a próxima esquina para quase colidir com o Bones. "Ah Crispin. Sentindo-se alegre, eu creio? Esta promete ser uma manhã ocupada." "Exatamente," Bones disse, pousando uma mão pesada no meu ombro. "Você está vindo comigo, Kitten. Ian, leve a mãe dela para baixo." "Espere." Eu puxei uma das facas na cintura do Bones. Ele estava usando várias. Talvez isso não foi tão inesperado, afinal. "Minhas costelas estão fraturadas e eu tenho alguns ligamentos rompidos. Você vai ter que me dar sangue para que isso não me atrase." Ian soltou um grunhido de provocação. "Eu não vou esperar para ouvir o resto disso." "Nem deve," Bones rebateu. "Kitten, por aqui." Ele ignorou a faca que eu levantei e me levou até o terceiro nível da casa. No princípio eu pensei que ele tinha armas esperando por mim. Ou roupas de proteção, Bones insistia para que eu usasse isso. Mas quando entramos no quarto e ele empurrou um botão invisível no armário, revelando um pequeno quarto que eu não sabia que estava lá, eu entendi. E estava furiosa.


"Você perdeu a cabeça, se você acha que eu vou me esconder nessa caixa." "Eu não tenho tempo para discutir," Bones me cortou, me empurrando para dentro. "Há monitores, um telefone, seu celular, e mais de seus pertences. Estes são ghouls atacando. Com esses rumores que Majestic disse que estão circulando por aí, quem você acha que é o alvo deles? Você, e qualquer e qualquer um que estiver te protegendo. Se você ficar fora de vista, vai melhorar as chances de luta de todos, então pelo amor de Deus, Kitten, fique aqui." Um olhar para os olhos em chamas do Bones me disse que acordada ou apagada, eu ficaria neste abrigo. "Você tem um monitor de frente para esta porta," ele continuou, apertando outro botão em um painel interior. "Se alguém que você não reconhece tentar entrar, você aperta isso. Agora se afaste." Sem esperar que eu obedecesse, ele me empurrou mais para dentro do quarto e golpeou o dispositivo exterior. A porta se fechou com um pesado som tinindo de de fechaduras se pocisionando. Eles diminuiram com uma finalização que era apropriada para o ambiente. Eu estava lacrada. Algo me chamou a atenção nos fundos daquela caixa de sapatos. Monitores. Havia seis deles, todos com diferentes ângulos. Um deles apontava para a frente daquele closet, como Bones tinha dito, mas os outros exibiam o lado de fora. Eu me assustei ao ver o exterior da casa, porque ele falava muito sobre onde estávamos. Não é de se espantar que eu não tinha sido permitida se quer pisar lá fora. Pelo aspecto daquilo, eu estava em um pequeno castelo. Eu não tinha sido capaz de perceber isto apenas pelo interior, considerando o quão moderno ele era. Estava apenas começando a amanhecer. A escassa iluminação do céu tornou mais fácil ver a corrida de atividades lá fora, desde que aparentemente as câmeras não tinham visão noturna. A maioria dos ângulos estava fixada em pontos ao redor do castelo, mas um estava apontado para a inclinação da colina apaixo do jardim. Eu arfei. Havia tantos deles. Mais de uma centena de ghouls marcharam com firmeza letal até o irregular terreno. Eles estavam todos armados. Alguns levavam dispositivos ainda mais mortais que as pistolas ou facas, como lança-foguetes. Quantas pessoas estavam aqui? Bones, Spade, Rodney, Ian… e alguns guardas, Spade tinha dito. Contra tais números, seria um massacre. Por que eles não encheram a planícia de minas? Eu me enfureci. Porque não tem mais pessoas aqui? E por que eles estão fazendo fila na frente da casa como fodidos alvos, em vez de fazer barricadas atrás das paredes!


Um homem marchou para fora das fileiras e se aproximou do castelo. Ele era de estatura mediana, com cabelo castanho com mechas claras e escuras e tinha modos dominantes. Ele estava dizendo alguma coisa, mas os malditos monitores não tinham som. O quarto era muito reforçado para os meus ouvidos, então eu não podia ouvir por mim mesma, também. O que quer que fosse, não pareceu ser bem recebido. Bones apontou um dedo enfático para o homem, e aquele não foi o único indício. O cara cuspiu no chão antes de girar e voltar para os outros. Com ou sem som, ficou claro que as negociações não iriam acontecer. A primeira das metralhadoras começou a atirar. Como um, os vampiros foram para o ar, enquanto Rodney operava uma metralhadora própria. Fiquei aliviada ao ver alguns rostos desconhecidos saindo do castelo e se juntando ao Bones e os outros. Os vampiros desapareceram das telas por alguns segundos, ressurgindo quando eles bombardearam os ghouls como se seus corpos fossem mísseis desumanos. Quando eles voavam para longe em explões de velocidade, ou os ghoul estavam decapitados no chão, ou abismados. Era uma coisa incrível de se ver. Pelo meu cálculo rápido, havia uma dúzia de vampiros protegendo o castelo, e cada um deles atacava com a força de um tornado direcionado. Mas aquilo não parecia ser suficiente. Os ghouls que sobreviveram ao feroz mano-a-mano não ficaram tontos por muito tempo. Se reagruparam e começaram a sua marcha sinistra para frente. Passo por passo, eles estavam cobrindo a distância até o castelo. Seus números foram diminuidos, verdade, mas eles tinham uma óbvia determinação. Bones e os outros podem ser formidáveis, mas matemática é matemática. Não havia o bastante deles. Após cerca de vinte minutos de uma batalha feroz, o porta-voz ghoul disparou uma labareda, iluminando o céu ainda obscuro com uma chama. Eu fiquei tensa, minha mão pressionada contra a tela inflexível como se aquilo pudesse ajudar. Não podia, é claro. E outras forças começaram a emergir da cobertura das colinas mais baixas. Eu gritei, saltando e puxando a porta da minha cela. Ela nem sequer se moveu. Comecei a procurar a alavanca para abrir essa armadilha. Tinha que haver uma. Meu coração estava batendo tão alto, que parecia estar gritando junto comigo. Outra centena de ghouls tinha acabado de surgir do encobrimento da paisagem. Eles atacaram em duas ondas, um plano inteligente e mortal. Escolhendo logo antes do amanhecer, quando os vampiros são mais fracos. Faça-os gastar sua energia no primeiro ataque, exaurindo-os depois. Então, quando eles estiverem estogados, avance para matar. E aqui estava eu,


trancada em um quarto do pânico, absolutamente impotente para fazer qualquer coisa além de assistir. Uma campainha quebrou minha concentração. Com o meu pulso martelando, eu realmente esperei um segundo para ver se era real ou imaginado. Soou novamente, e eu tive que vasculhar os itens esparramados que eu derrubei para encontrar a sua fonte. Debaixo de algumas roupas estava o meu celular. Eu o agarrei, me apegando a esperança de que fosse o Don. Talvez ele pudesse ajudar. Enviar algumas tropas, mesmo que eu não soubesse onde diabos nós estávamos. "Catherine." A voz chegou a mim antes de eu sequer ter tempo para ofegar um olá. Não era meu tio. "Gregor." Eu estava respirando pesadamente, uma combinação das minhas costelas quebradas, o terror sobre perder o Bones, e minha busca inútil por uma saída. "Não tenha medo, minha esposa." Seu tom era tranquilizador, mas tinha um teor de outra coisa. O que, eu não sabia ou me importava. "Eu não tenho tempo para isso…" Pausas foram necessárias para recuperar o meu fôlego. "Tenho que dar o fora daqui…" "Vocês não está em perigo." Isso fez com que uma risada áspera me escapasse. "Rapaz, você está errado." "Eles não vão te fazer mal, Catherine." Agora eu agarrava com força o telefone e reconheci o que havia na voz dele. Confiança. "Aqueles são os seus ghouls, não são?" Eu sussurrei. Na tela, Bones estava reagrupando os vampiros próximos a ele, esquivando-se de tiros a cada segundo. A cena anterior fez sentido para mim agora. Um enviado tinha se aproximado e feito uma exigência que Bones recusou. Não precisa ser um gênio para entender qual era a exigência. É por isso que Bones me colocou sob sete chaves. Ele sabia que eu não sacrificaria a todos se pudesse evitar. "Isso não tem que terminar assim, ma chérie," Gregor disse. "Venha a mim, e eu juro que o meu povo vai partir sem maiores danos ao seu."


"O que você não sabe é que eu estou trancada em um quarto do pânico," eu retruquei. "Mesmo se eu quisesse, eu não posso ir a lugar algum." "Você não tem que se mover de onde você está para vir para mim," ele quase ronronou, "Eu sou o Dreamsnatcher. Eu posso te pegar se você simplesmente dormir.‖ Dormir? Quem poderia dormir em um momento assim? As paredes vibravam pelo bombardeio de tiros, e eu estava a ponto de vomitar por causa do que estava nos monitores. Exceto batendo a minha cabeça contra a parede até desmaiar, eu não via o sono acontecendo. "É mais fácil falar do que fazer." Minha voz foi sumindo, perdendo seu desprezo desesperado. Bones tinha abastecido esse quarto com cuidado. Havia alguns livros, lanches, bebidas, utensílios de escrita, e o mais importante – pílulas. Eu ponderei a decisão, olhando entre o frasco de comprimidos e o cenário desesperado rolando nos monitores. Mencheres disse que o Gregor não queria me machucar. Todas as precausões que o Bones tinha tomado foram para evitar que o Gregor me encontrasse, mas não porque o Gregor queria me matar, e sim porque o Gregor me queria com ele. Pode ser perigoso ir com ele, mas Bones e os meus amigos estavam em muito mais perigo agora do que eu estaria com o Gregor mais tarde. Eu não poderia apenas sentar e esperar um milagre impedir que eles sejam abatidos diante dos meus olhos. "Vou fazer isso, mas não sem condições." Gregor fez um barulho incrédulo. "Talvez você não saiba a gravidade do que está acontecendo." "Eu tenho uma vista panorâmica," eu o corrigi, mordendo meu lábio. "Mas eu ainda tenho condições." Outro som descrente. "Eu não vou te machucar, Catherine." "Isso é bom, mas não é o que eu busco." Deus, a nova força de ghouls estava começando a atirar, convergindo com o restante do primeiro grupo. Eu não tinha muito tempo. "Assim que eu estiver com você, esse ataque pára. Você é responsável por se certificar de que eles parem o ataque e não voltem a atacar. Você quer que eu me lembre do que aconteceu entre nós? Tudo bem, vou me lembrar. Mas se depois que eu me lembrar de tudo, eu ainda quiser voltar para o Bones… você vai me deixar partir, imediatamente, e sem exceção. É uma aposta, Dreamsnatcher, quão confiante você está?"


Eu estava deliberadamente tentanto tirar vantagem da sua arrogância. Não havia nenhuma dúvida em minha mente que não importa o que eu descobrisse, aquilo não mudaria meus sentimentos pelo Bones. Gregor não sabia disto, é claro. Com o meu desafio aberto, ele teria que ser inseguro para não concordar, e ele não me pareceu inseguro. "Eu não te mandaria de volta sem proteção, se vier a isso. Gostaria de vê-la seguramente escoltada," foi a sua resposta cuidadosa e medida. "Sim, eu sou confiante o suficiente para apostar. Seus termos são aceitáveis." Eu não ia deixar que ele medisse as palavras. "Jure pela sua vida, Gregor, porque é isso que eu vou tirar se você estiver mentindo." "Você está me ameaçando?" Ele soou divertido. "Tudo bem. Eu juro pela minha vida." Eu soltei um suspiro profundo. Eu realmente não confiava no Gregor, mas eu tinha que aproveitar a oportunidade. Se eu não fizesse, e todos aqui morressem, eu nunca me perdoaria. Senhor, por favor, deixe o Gregor estar dizendo a verdade, e por favor, por favor, Faça o Bones entender. "Certo. Fique pronto para fazer o seu negócio, porque aqui vou eu." Eu fechei o celular e peguei o frasco de pílulas para dormir que o Bones tinha guardado no caso de eu precisar manter o Gregor fora. O que ele não tinha adivinhado era que eu poderia as usar para deixar o Gregor entrar. Don tinha sido muito específico sobre a dosagem. Quatro comprimidos de uma só vez. Se eu tomasse menos, eles me fariam cair no sono normal. Eu desenrosquei a tampa e coloquei dois na minha boca, as engolindo com uma garrafa de água. Então eu peguei uma caneta que estava perto dos meus livros. As pílulas agiam rapidamente; eu já estava começando a sentir tonturas. Não havia nenhum papel nessa cela, então eu rasguei uma página de um dos livros e rabisquei sobre o pequeno espaço em branco. Eu estou voltando… As palavras ficaram embaçadas antes mesmo de eu ter terminado de escrevêlas. Com o meu último esforço, eu as golpeei com a caneta. Então minha visão escureceu completamente. ___

Eu estava correndo, porém dessa vez, eu não estava sendo perseguida. "Aproxime-se, Catherine." Eu segui a voz e o vi logo a frente. Gregor estava sorrindo um sorriso tranquilo e expectante. Isso me fez diminuir o ritmo nos últimos poucos passos.


"Lembre-se do nosso acordo." Eu avisei, sentindo o seu poder avançar com seus tentáculos invisíveis. O olhar do Gregor cintilou. "Venha a mim." Por um segundo, eu hesitei. Olhei para trás do meu ombro, esperando que o Bones fosse de alguma forma aparecer. Ele não apareceu, é claro. Ele estava lutando por sua vida e as vidas daqueles em torno dele. Bem, pelo menos agora, eu poderia ajudar. Eu cruzei o espaço e deixei o Gregor me envolver em seus braços. Algo que poderia ter sido seus lábios roçou meu pescoço, mas além disso… "Nada está acontecendo." Eu disse aquilo no peito dele, por ele ser tão malditamente alto. Aquela estranha sensação de sonho não cessou, embora o ar em torno de nós parecer se eletrizar. "Eu não entendo," ele murmurou. "De toda a sorte, agora você está tendo problemas de desempenho?" Eu vaiei, ficando cada vez mais agitada sobre o pensamento do que estava acontecendo com o Bones. "Vamos, Gregor. Ligue o seu Raptor de Sonhos." Ele me segurou mais apertado. "Deve ser você," ele sussurrou. "Você está me bloqueando." Merda. Derrubar minhas defesas era quase a coisa mais difícil para eu fazer, especialmente com um estranho que eu não confiava. "Eu estou tentando não fazer." Seus olhos brilhavam. "Seu atraso pode sair caro." Maldito, ele estava certo. Eu tinha que conseguir. Rápido. Eu joguei meus braços em volta do pescoço dele e puxei a sua cabeça para baixo. Quando a boca dele desceu sobre a minha, eu o beijei, levemente surpresa por aquilo parecer familiar. Com a distração dele me beijando com uma áspera fome, eu senti meus escudos balançarem e quebrarem. Vamos lá, Cat. Apenas diminua a pressão e relaxe… Uma dor frenética me inundou, como se eu estivesse sendo puxada de dentro para fora. Em meio ao ruído de fundo e confusão, eu teria gritado, mas eu não tinha uma garganta, uma voz, ou um corpo. Eu senti o terror indescritível de ser arrancada da minha própria pele e atirada no vazio. Foi a pior sensação de queda, na velocidade do som.


Quando aquilo terminou, eu não estava ligada novamente ao meu corpo, eu estava salpicada de volta para ele. A sensação de ser sangue, carne e osso novamente tinha me paralisado pelo som da minha própria pulsação, um ritmo entorpecido que foi a coisa mais doce que eu já tinha ouvido. "Catherine." Só então o resto dos meus sentidos voltou a funcionar. Acho que um transporte molecular irá ferrar o corpo de qualquer azarado o suficiente para experimentálo. Ocorreu-me que eu não estava mais de pé, embora eu ainda estivesse enrolada nos braços do Gregor. Em câmera lenta, minha mente começou a fazer um inventário. Dois braços, duas pernas, checado. Mexer os dedos da mão e do pé, checado. Costelas ainda machucadas, checado. Coração batendo como uma britadeira, certo. Mas algo estava faltando. Grandes mãos deslizaram pelas minhas costas nuas. Gregor, sólido e nada como um sonho, usando um sorriso triunfante no rosto. E assim como eu, aquela era a única coisa que ele usava.


CAPÍTULO TREZE. ―Onde estão minhas roupas?‖ Foi uma exigência furiosa que me rendeu uma careta de reprovação. ―Não rosne assim, Catherine. Eu só posso transportar o que é orgânico.‖ Talvez fosse verdade, mas isso não explicava porque ele também estava ao natural. Eu duvidava que fosse um acidente. Ele me acariciando também não era acidental. ―Tire suas mãos de mim, Gregor, e retire seus homens como você prometeu. Agora.‖ Eu não disse isso no mesmo tom furioso. Não, essa foi uma insistência fria e insípida. Ele me olhou de um jeito que me fez achar que ele ia recusar. Então, com deliberada lentidão, ele se desenroscou de mim. ―Não tente se levantar ainda, você vai precisar de tempo pra se recuperar.‖ Eu estava em uma cama. Oh, claro, como se isso não fosse especificamente ensaiado. ―Eu ficarei bem desde que você mantenha a sua palavra.‖ Ele não respondeu, apenas foi até a porta com passos largos e a abriu com força. Eu tinha pudor instintivo suficiente para cair pesadamente no meu estômago, mas ainda não tinha coordenação nos meus membros. Alguém estava do lado de fora do quarto, e Gregor deu um passo para trás para deixar aquela pessoa entrar. ―Lucius, observe.‖ Lucius, um cara alto e loiro que devia ser Nórdico, observou, tudo bem. Ele percebeu meu olhar fuzilando os dois. ―Eu tenho minha esposa. Ela veio por sua própria vontade, então você pode instruir Simon a retirar suas tropas.‖ ―Eu ainda tenho que saber se sou sua esposa, e eu vim porque você me chantageou,‖ Eu respondi, lançando a ele um olhar que dizia que eu não gostava de sua brincadeira com palavras. ―Assegure-se de detalhar a exata situação dela para Simon reportar,‖ Gregor disse, ignorando o que eu tinha dito. ―E assegure-se de incluir a minha também.‖ Deus do céu, Bones ia ficar louco. Eu senti uma pontada de desconforto. Talvez eu devesse ter pensado mais sobre isso.


―Oui, monsieur.‖ Lucius saiu sem olhar pra trás, e Gregor fechou a porta. Eu não me importava com isso, desde que ele ainda estivesse do lado de dentro. ―Ele vai ligar pra esse tal de Simon? Qual a distância que estamos de lá?‖ Eu perguntei, sendo capaz de agarrar um pedaço do cobertor e me enrolar nele. ―Ele vai ligar.‖ Uma luz brilhava nos olhos dele. ―Mas nós estamos muito longe de Bavária, Catherine.‖ ―Bavária?‖ Nossa, não era a toa que parecia remoto. ―Onde nós estamos agora? Ou eu presumo que você não vai me dizer.‖ Era muito estranho ter uma conversa com um estranho nu. Porém, Gregor não fez tentativa alguma de se cobrir. Eu não estava olhando, mas eu não era cega. Ele tinha a constituição física de um jogador de futebol americano, com um monte de músculos e cicatrizes intermitentes na pele dele. ―Eu vou te dizer. Eu não sou como aquele parasita que te levava pra lá e pra cá enquanto te mantinha vendada e abobada.‖ Essa última frase disse tudo. Afinal de contas, essa tinha sido eu. Eu lancei um olhar calculado para o Gregor. ―Eu posso não estar sonhando com você, mas você ainda está na minha cabeça bisbilhotando. Você deve ter feito um trabalho muito profundo para saber detalhes como esse.‖ Gregor sentou no canto da cama, esticando a mão pra impedir que eu me afastasse. A falta de sincronia nos meus movimentos me assustou. Eu queria pular da cama, mas tudo que eu podia fazer era me contorcer. ―Eu sei o que você sabe,‖ ele disse, passando a mão no meu braço. ―Eu não posso transportar alguém ou invadir a mente dessa pessoa sem o sangue dela estar dentro de mim. Mesmo que tenha sido há muitos anos atrás, seu sangue ainda é parte de mim, Catherine.‖ Outro detalhezinho que ninguém mencionou antes. ―Se você sabe o que eu sei, então você está ciente de que eu amo o Bones,‖ eu respondi. ―Você acha que ama.‖ A mão dele escorregou mais para baixo, para a parte de baixo do cobertor e devagar a enfiou para dentro. Sentir os dedos dele subirem pela minha panturrilha não me alarmou. Me deixou puta. ―Que tipo de pedaço de merda acariciaria uma mulher que não pode se mover pra impedir?‖


A mão dele congelou em minha perna. Eu consegui, com muita dificuldade, rolar para o lado e manter o cobertor sobre mim com a mão trêmula. Pelo menos agora eu estava olhando pra ele ao invés de ter que virar meu pescoço. ―O único motivo por eu ter concordado retirar meus homens em troca de sua submissão é porque Bones te salvou da morte várias vezes,‖ Gregor falou em um tom monótono. ―Mas agora, ele não tem mais passes comigo.‖ ―É isso que você chama não matar ele, minha mãe e meus amigos em uma emboscada suja ao amanhecer? Um passe? Afinal, como você nos encontrou? Dessa vez não foi através de mim.‖ O maxilar de Gregor endureceu. ―Eu te encontrei por causa da estupidez de Bones, e se ele tivesse pego eu e meus homens em uma circunstância similar, ele teria agido com a mesma crueldade.‖ Eu abri minha boca pra responder quando uma batida urgente na porta nos interrompeu. ―Eu disse sem interrupções,‖ Gregor gritou, escancarando a porta. Era Lucius de novo. Ele quase pulou de nervoso. ―Mestre, você deve vir comigo. Eu-eu tenho... notícias.‖ O jeito que os olhos dele continuavam fixos em mim me fez jogar minhas pernas que pareciam de borracha pra fora da cama e tentar levantar. ―O que aconteceu? O sei-lá-quem não recebeu o recado?‖ Eu perguntei, lutando contra a tontura. ―Você precisa que eu vá com você agora?‖ Gregor repetiu, apontando pra mim. ―Essa é a primeira vez que eu passo algum tempo com minha esposa em doze anos. Isso não pode esperar?‖ ―Não, monsieur,‖ Lucius sussurrou, abaixando a cabeça. ―É o Bones?‖ Eu exigi saber, balançando e caindo quando minhas pernas não conseguiram me agüentar. ―Se ele estiver morto, Gregor–‖ ―Aquele porco ainda está vivo?‖ ele interrompeu. ―Responda para que ela não fique histérica.‖ ―Ah, sim, ele está.‖ A mais doce das palavras. ―Se você puder vir por aqui–‖ ―Minha mãe?‖ eu o interrompi, pensando no que mais poderia ter dado tragicamente errado. ―Eu não tenho conhecimento de alguma fatalidade entre seus amigos,‖ Lucius disse, quase torcendo as mãos.


―Você ouviu o que pediu,‖ Gregor disse, me levantando e colocando de volta na cama. ―Se você não quer se machucar, fique ai. Eu não vou demorar.‖ Dizendo isso, ele saiu. Ouve um som distinto de ferrolho deslizando depois que ele fechou a porta. Ficando sem outras opções produtivas, eu deitei lá e pratiquei mover meus membros. ___ Gregor voltou mais ou menos uma hora mais tarde, vestindo calças, mas sem camisa. Alguma roupa era melhor do que nenhuma. Eu me sentei com a coberta até o queixo e os travesseiros apoiados atrás de mim. Quando o olhar dele encontrou com o meu, algo tremulou em seus traços duros. A boca dele suavizou, mas ele não chegou a sorrir. ―Você me lembra da garota que era. Você não é mais ela, mas agora, parece que é.‖ Foi inacreditavelmente estranho. Ele estava lembrando de alguém que eu costumava ser, e eu não idéia de quem era. Uma Cathernine de dezesseis anos de idade que não odiava vampiros e que foi para Paris com um? Nunca a conheci. ―Não, eu não sou mais ela,‖ eu concordei. ―Já que não há como voltar no tempo, por que nós não nos separamos de uma forma semi-amigável agora?‖ Ele não respondeu. ―Seu corpo também está diferente. Você está quase três centímetros mais alta e você ganhou peso.‖ ―Todo mundo é crítico,‖ eu murmurei. Isso o fez sorrir, enrugando a cicatriz em sua sobrancelha. ―Não foi um insulto, ma femme. Isso aumenta seus seios e suaviza suas coxas.‖ Informação demais na direção totalmente errada. ―Gregor,‖ eu me movi, e soltei o ar forçadamente. O movimento pressionou minhas costelas. No instante seguinte, ele estava sobre mim. ―Você está ferida. Eu achei que fosse só desconforto depois do transporte, mas você está com dor.‖ ―Não é nada.‖ Eu afastei as mãos dele. ―Eu me machuquei lutando com um amigo, estou bem. Onde nós estamos? Você nunca disse.‖ ―Áustria.‖ Ele se sentou sem ser convidado, e eu me afastei, não gostando da proximidade dele. ―E que notícia é essa que Lucius não quer que eu saiba?‖ Minha sobrancelha se arqueou quando perguntei, o desafiando a me dizer.


Ele meio que deu de ombros. ―Ninguém que você estima foi morto ou capturado. Meus homens pararam como foi instruído, e minha promessa é cumprida.‖ ―Não toda a sua promessa.‖ Eu disse de forma afiada. ―Nem toda a sua. É sua vez.‖ Do bolso da calça dele, ele retirou uma pequena faca de prata, complexamente gravada. ―Beba de mim. Aprenda o que foi roubado de você.‖ Agora que chegou a hora de descobrir o que foi arrancado de minha mente, eu fiquei incerta. Era possível eu ter amado o vampiro que estava na minha frente? Eu não podia imaginar isso, mas Gregor parecia ter tanta certeza. E se saber desse pedaço do meu passado mudasse as coisas entre Bones e eu? Eu poderia arriscar isso? Mas por outro lado, eu não tinha escolha. Se Gregor quisesse me forçar a beber seu sangue, nas minhas condições, seria fácil. Além disso, eu me recusei a deixar dúvidas ditarem minhas ações. Eu amava o Bones. Nada que eu lembrasse mudaria isso, não importa o que Gregor pense. Eu não desviei o olhar quando aceitei a faca. Porém, quando eu estiquei a mão até a dele, Gregor me impediu. ―Não. Tome do meu pescoço, como uma vez eu tomei do seu.‖ Eu realmente não queria estar mais perto dele, mas recusar seria irracional. Pelo menos Bones estava errado, eu pensei. Ele jurou que Gregor me faria mordê-lo. Sem hesitar, eu enfiei o punhal na garganta de Gregor e colei minha boca sobre a ferida, sugando. Enquanto eu engolia, eu sentia os braços dele ao redor de mim, mas não registrei a informação completamente. Algo explodiu em meu cérebro. Dessa vez eu não estava caindo; eu estava sendo impulsionada para frente. ___ Eu esperava no andar de baixo, na porta da frente, como Cannelle, governanta de Gregor, tinha me instruído. Ela murmurou algo em francês que eu não entendi completamente, mas não soava amigável. Oh, na frente de Gregor, Cannelle era educada. Mas assim que ele virava as costas, ela era fria e mordaz. Eu não sabia o motivo, mas me deixava triste. Era uma longa distância de casa e eu não tinha visto outra alma além das poucas pessoas nessa casa. Uma amiga teria sido tão bom. Decidi que a entrada da casa de Gregor tinha o desenho mais frio. Tetos altos que não deixavam ver um pedaço do céu. Pinturas severas de imagens que


não sorriam encarando todos que ousavam entrar. Um conjunto de machadinhas entrecruzadas sobre um brasão de armas. Sim, confortável. Se você fosse Adolf Hitler. Gregor passou pela porta logo em seguida. Ele parecia muito majestoso, vestindo um casaco longo e escuro e camisa sobre calças cor de carvão. Mesmo que ele me intimidasse, eu não podia evitar se não ficar ofuscada pelo quão magnífico ele era. Ainda não parecia real que Gregor fosse um vampiro. Eu nem ao menos tinha entrado em acordo sobre ser uma mestiça antes de eu ser levada por um vampiro estranho que – inacreditavelmente – minha mãe parecia confiar. Já que ela não confiava em ninguém, Gregor devia ser especial. ―Você está linda em seu vestido,‖ ele comentou enquanto me olhava. ―Uma adorável jovem ao invés de uma criança perambulando em uma fazenda.‖ Eu me encolhi, mas eu não queria que ele visse que tinha atingido um nervo. ―Graças a Cannelle. Ela tinha tudo arranjado pra mim.‖ ―Eu devo agradecê-la, mais tarde,‖ ele respondeu com um brilho. ―Você não prefere isso ao invés de jeans manchados e galhos em seu cabelo?‖ Eu mal falei nos últimos dois dias, estando muito intimidada por ele e pelas minhas novas circunstâncias, mas aquilo enrijeceu minha espinha. ―Tem sido bom o suficiente para minha vida toda,‖ eu disse. ―Se você tem algum problema de onde eu vim, talvez você devesse me colocar de volta em um avião.‖ Venha pra cima de mim com tudo que você quiser, mas não degrade minha família. Eles não tinham culpa de não serem abastados. Meus avós trabalharam mais duro do que a maioria das pessoas e eles já tinham idade. Gregor estendeu as mãos. ―Eu não quis ofender, chérie. Eu também sou de uma fazenda, no sul da França, mas lá não haviam cerejas para serem encontradas. Viu? Mais uma coisa que temos em comum.‖ Fiquei um pouco amolecida. ―O que mais temos em comum?‖ ―Ah,‖ ele sorriu, suas feições modificando a aparência dura. ―Venha. Você vai descobrir.‖ Gregor e eu andamos pelas ruas de Paris. Ele me levou para as fontes iluminadas na praça, narrando novamente a história delas. Teria sido uma noite de sonhos se eu não tivesse tantas perguntas que ele não respondia e continuava mudando o assunto. ―Por que estou aqui com você?‖ acabei despejando em crescente frustração por não saber por que eu tinha sido tirada de Ohio com tanta pressa. ―Quero


dizer, minha mãe disse que eu tinha que ir com você porque algum vampiro mal estava atrás de mim, mas ninguém disse quem.‖ Estávemos quase na Torre Eiffel. Era de tirar o fôlego, mas nem todo o cenário do mundo podia me distrair de descobrir o que ia acontecer com meu futuro. Gregor indicou um banco próximo e nós sentamos. A temperatura tinha caído desde que o Sol se pôs, e ele tirou o casaco e me deu. O simples gesto me tocou e me fez ficar tímida novamente. Era o jeito que um cara agiria em um encontro, ou era como eu imaginava. Gregor também sentou bem perto de mim. Conscientemente, me preocupei com meu hálito, ou se havia algo em meus dentes. ―O que você é, Catherine,‖ ele começou, ―é muito raro. Há vampiros nesse mundo assim como humanos e ghouls, mas só houve um outro mestiço conhecido em toda a história, e isso foi há séculos atrás. Por ser única, há aqueles que a explorariam. Um homem em particular tentaria te usar.‖ ―Quem?‖ eu arfei, me sentindo tão sozinha ao saber que não havia ninguém como eu. ―E por que?‖ ―O nome dele é Bones.‖ Gregor quase cuspiu as palavras. ―Ele vai te forçar a se tornar uma matadora como ele. Te transformar em uma prostituta para ludibriar suas vítimas. Matar suas família para que você não tenha ninguém, exceto ele, para te proteger. E você vai precisar de proteção, Catherine. Depois das atrocidades que ele fará você cometer, você estará em perigo para o resto da sua vida.‖ ―Não!‖ Foi um grito em negação ao destino que ele tinha acabado de prever. Ouvir que eu me tornaria um monstro que faria minha família ser morta me fez querer correr, mas Gregor colocou um braço ao redor dos meus ombros, me mantendo onde eu estava. ―Foi por isso que eu vim, ma chérie. Ele não vai te encontrar aqui. Em breve eu vou ligar você a mim, então ninguém pode te levar. Se você fizer o que eu digo, você nunca mais vai sofrer.‖ ―Minha família? Minha mãe? Eles ficarão a salvo?‖ Eu estava tremendo ao pensar na morte deles. ―Enquanto você estiver comigo, eles estão salvos.‖ Ele parecia tão confiante. Por isso que minha mãe me enviou pra cá, eu pensei estupidamente. Se eu não partisse, todos eles seriam mortos.


Ele tocou de leve minha bochecha. ―Você deve prestar atenção em mim, de qualquer forma, oui? Se não, eu não posso te proteger disso.‖ ―Ok.‖ Eu respirei fundo. ―Eu vou fazer o que você diz.‖ ―Bom.‖ O verde deixou os olhos dele, e o sorriso estava relaxado. ―É para o melhor. Agora, venha pra mim.‖ Ele abriu os braços e eu hesitei. Ele queria um abraço? ―Um,‖ eu me inquietei. ―O que–‖ ―Você ainda questiona?‖ ele interrompeu, o olhar se estreitando. ―Não, não.‖ Imediatamente coloquei meus braços ao redor dele, meu coração começando a bater mais rápido. Essa não era uma posição com a qual eu estava acostumada. ―Melhor.‖ Foi quase um murmúrio. Gregor apertou o abraço até eu corar. ―Vamos retornar para casa agora. Você deve estar cansada.‖ ―Bem,‖ eu comecei, ―Um pouco – huh?‖ Ele nos impulsionou para cima. Meu grito de medo se dissolveu em um suspiro de admiração quando olhei pra baixo. Oh, uau. Não era a toa que eles a chamavam de Cidade das Luzes. Gregor voou sobre os prédios, alto demais para serem vistos de baixo. Era indescritível sentir o vento assobiando em mim e o poder irradiando dele enquanto eu olhava para a pintura estonteante. Meu coração não estava batendo, estava disparado. Se isso é um sonho, eu pensei, eu não quero acordar. Cedo demais, ele pousou na construção cinza que era a casa dele. Eu tive que me segurar por mais um segundo enquanto eu recuperava o equilíbrio, ainda alarmada com a experiência. Voar. Se isso era um privilégio de vampiros, ser uma mestiça não podia ser de tudo ruim. ―Você gostou disso,‖ ele obviamente percebeu, sorrindo. ―Viu? Tudo que você tem a fazer é confiar em mim.‖ ―Eu não sei o que dizer.‖ Falei sem fôlego. Ele me soltou, mas ainda estava bem perto. ―Obrigada.‖ Ele sorriu intensamente. Meu estômago começou a vibrar. Ninguém tinha sorrido pra mim como Gregor. ―De nada, Catherine.‖


CAPÍTULO QUATORZE. As três semanas seguintes passaram com uma rapidez incrível. Além do corriqueiro jeito esnobe de Cannelle e o fato de eu me preocupar com minha família, eu tinha que admitir que eu nunca estive mais feliz. Era maravilhoso ter Gregor por perto – desde que eu não discutisse com ele ou o desafiasse com diferenças de opinião. Eu aprendi isso rápido. Quem era eu, uma adolescente, para discutir com um vampiro de mil anos de idade que possuía poderes e conhecimentos que eu nem poderia imaginar? Era a fala favorita de Gregor quando ele estava irritado. Era uma boa fala também. Eu não tinha muito com o que contradizer. Mas quando Gregor estava de bom humor, era divino. Ele ouvia por horas enquanto eu falava sobre minhas inseguranças quando estava crescendo. Ele me encorajava a mostrar meus traços não humanos, algo que eu tentava esconder o máximo possível quando estava por perto da minha mãe. Então ele me comprou roupas, sapatos e jóias, afastando meus protestos dizendo que belas garotas deveriam ter belas coisas. Nenhum cara tinha me chamado de bela antes. De fato, ninguém tinha prestado atenção em mim do jeito que Gregor fez. Eu deixei de ser uma paria solitária para me sentir muito favorecida e especial quase que de um dia para o outro. Aqui estava esse homem atraente, suave e carismático passando seu tempo comigo, e mesmo que eu soubesse que era estúpido, eu estava ficando mais encantada com Gregor a cada dia. Porém Gregor não agia de outra forma se não protetoramente. Todo dia eu tentava me dissuadir da minha atração constrangedora. Gregor não é apenas uns mil anos mais velho pra você, provavelmente ele tem umas dez namoradas. Cannelle não tinha como ser mais óbvia no quanto ela o queria, mas ele não dedicava tempo durante o dia para ela mesmo que ela fosse uma linda mulher. Então que chance você tem? Nenhuma, é isso. Eu me convenci a parar de adorar Gregor secretamente quando ele me levou para ver O Paciente Inglês. Após um curso intensivo, meu francês era bom o suficiente para que eu não precisasse ler todas as legendas pra saber o que estava acontecendo, e haviam certas partes que não precisavam de tradução. O nome da heroína era Catherine. Ouvir meu nome sussurrado durante as partes eróticas do filme foi como um holofote nas minhas fantasias escondidas. Eu estava bem ciente do joelho de Gregor arranhando o meu, o braço dele descansando na divisória e o quanto ele era grande na cadeira. Eu comecei a ficar ruborizada e pulei do assento com uma desculpa apressada sobre banheiro.


Eu não fui ao banheiro. No corredor, eu fui agarrada e rodopiada, pressionada contra o corpo de Gregor. Minha boca se abriu com surpresa apenas para que ele colocasse a dele sobre a minha, me espantando com a língua sendo introduzida. Ele agarrou meu cabelo, segurou minha cabeça e me beijou. Eu me senti sendo consumida, assustada e bem, tudo ao mesmo tempo. Eu não podia me mover do jeito que ele me segurava, e eu não podia respirar de tão forte que ele me beijava. Finalmente, minhas mãos oscilando devem ter sido notadas, porque ele me soltou. Eu quase cai, agradecida pela parede estar lá pra evitar a queda. Meu coração deve ter batido alto o suficiente pra fazer a cabeça dele doer. ―Seu primeiro beijo?‖ Gregor perguntou, lançando um olhar rude para um casal que parou para ficarem nos observando admirados. Eu não queria admitir, mas ele parecia sempre saber quando eu mentia. ―Sim.‖ Que patético. Eu tinha 16 anos; metade dos meus colegas de sala já tinham feito sexo. Um sorriso se curvou nos lábios dele. ―Era a resposta que eu queria. Você leva jeito.‖ Ele colocou os braços ao meu redor, me prendendo contra a parede. ―Eu me pergunto se você também levará jeito para os outros prazeres que vou te mostrar.‖ Eu o encarei, pensando que eu devia ter entendido mal. Era uma mudança e tanto do jeito que Gregor normalmente agia perto de mim, eu não consegui me segurar. ―Você está dizendo que quer, hum, fazer sexo comigo?‖ Ele respondeu ao meu sussurro aturdido me puxando com força em direção a ele. ―Por que você acha que está aqui? Eu venho esperando você se ajustar ao seu novo lar e eu tenho sido paciente, oui? No entando, minha paciência está se esgotando. Você é minha, Catherine, e eu a terei em breve. Muito em breve.‖ Eu estava sem palavras. Claro, eu estava loucamente atraída por Gregor, mas eu não estava preparada para pular na cama com ele. Temporariamente, eu sorri. ―Você está brincando, certo?‖ Na hora eu soube que havia cometido um erro. As sobrancelhas dele se juntaram, esticando a cicatriz e seu rosto ficou sombrio. ―Você zomba de mim? Eu te ofereço o que Cannelle mataria para ter, no entanto você faz gracejos. Talvez eu devesse perder meu tempo com uma mulher ao invés de com uma criança tola.‖


Lágrimas apareceram nos meus olhos. Eu não precisava olhar ao redor pra saber que as pessoas estavam olhando enquanto passavam apressadas por nós no corredor. ―Sinto muito, eu não quis dizer–‖ Eu comecei. ―Não, você não quis dizer,‖ ele me cortou, com a voz cheia de desprezo. ―Você não quis dizer porque você não pensa. Venha, Catherine. Você esteve fora o suficiente por essa noite.‖ Com isso, ele me puxou bruscamente pelo braço e me levou pra fora do cinema. Eu mantive minha cabeça baixa para que as novas pessoas por quem nós passávamos não pudessem ver que eu estava chorando. __ Gregor não falou comigo por dois dias. Eu liguei para minha mãe apenas para ser repreendida por insultar um homem tão maravilhoso. Eu não sabia a sorte que tinha por ele ter me levado? Eu não me importava que ele tivesse meus melhores interesses no coração? Eu não mencionei para ela que meu coração parecia um pouco ao norte de onde ele tinha manifestado interesse. Talvez eu estivesse realmente sendo ingrata. Afinal de contas, Gregor tinha feito tanto por mim. Sem ele, eu e minha família estaríamos em um perigo terrível. E ele era um homem maduro – muito maduro. Eu não podia esperar que alguém tão velho como Gregor fosse querer apenas dar as mãos se ele estivesse interessado em mim. Devidamente arrependida, eu esperei até o terceiro dia para falar com ele. Eu tinha um plano; eu só não tinha idéia se ia funcionar. Primeiro, eu coloquei um pouco de maquiagem. Gregor parecia preferir que eu usasse. Então eu arrumei meu cabelo. Em seguida o traje. Calças eram minhas favoritas, mas Gregor as odiava. Eu olhei minhas roupas novas enquanto colocava lenha na fogueira dentro da minha cabeça. Está vendo todas essas coisas bonitas? Ele as comprou pra você. Olhe para esse quarto. É quase tão grande quanto a casa inteira dos seus avós. Ninguém nunca te tratou tão bem. Claro, Gregor tem mudanças de humor, mas você é uma aberração mestiça. Quem é você pra jogar pedras? Eu escolhi um vestido branco sem mangas e trabalhei em um monte de desculpas. Então eu escovei os dentes uma última vez e fui em direção a porta dele. Porém, do lado de fora da porta, eu pare. E se ele já tivesse decidido me mandar de volta pra casa? Deus, como eu podia ter sido tão idiota? ―Entre, eu posso ouvir você,‖ ele gritou.


Oh, droga. Agora ou nunca. Eu entrei no quarto dele, e o interior quase me fez esquecer meu proprósito. Uau. Que antiquado e bárbaro. A cama era o dobro do tamanho da king size no meu quarto. Os quatro cantos curvados eram troncos de árvores polidas e torcidas. Eram esculpidas várias formas entralaçadas e todas elas se encontravam no topo proporcionando um dossel de madeira esculpida. A cama toda parecia que era de uma árvore gigante induzida por esteróides. Eu nunca tinha visto algo como aquilo, eu corei quando estudei algumas formas mais claramente. Eram figuras pegas em combate e outras coisas. ―Tem mais de quatrocentos anos, modelada igual a cama de Ulisses* e construída pra mim por um carpinteiro que cultivava árvores para curvar e entrelaçar do jeito que ele escolhesse,‖ Gregor respondeu minha admiração silenciosa. ―É magnífica, non?‖ *Rei grego que lutou na guerra de Tróia – Mitologia Grega. ―Sim.‖ Eu passei meu olhar que estava pregado a cama para ele. Ele estava em uma mesa, no computador. Ele minimizou a tela e se virou, com os braços cruzados. Esperando. ―Sinto muito pela outra noite,‖ eu comecei. ―Eu desenvolvi uma grande atração por você, mas eu pensei que era boba pois, pois você não poderia estar realmente interessado em mim. Então, quando você me beijou e me disse... bem, você sabe o que disse, fiquei tão encantada que pensei... não pode ser real, porque eu nunca poderia ter tanta sorte.‖ Ao formar minhas desculpas mentalmente, eu achei que ficaria melhor se eu expressasse minha atração, não importando o quanto embaraçoso fosse. E era verdade. Eu não sabia porque Gregor me queria quando haviam toneladas de mulheres lindas e deslumbrantes que ficariam felizes em tê-lo. Se não fosse por seu temperamento, eu acho que ele seria perfeito. ―Venha mais perto.‖ Dei um suspiro de alívio por ele não soar mais bravo e fui na direção dele, parando a alguns centímetros de distância. ―Mais perto.‖ Eu avancei até meus joelhos esbarrarem nas pernas dele. ―Mais perto.‖ Esse foi um comando feito de forma rouca, enquanto os olhos dele começaram a mudar. O cinza deu caminho a redemoinhos cor de esmeralda.


Eu coloquei as mãos nos ombros dele, começando a tremer. Suas pernas se abriram e eu fiquei entre elas. ―Me beije.‖ Nervosa com isso, mas com medo de recusar, eu coloquei os lábios nos dele, me perguntando se ao menos eu estava fazendo direito. A boca dele se abriu e suas mãos criaram vida. Elas me pressionaram contra ele enquanto sua língua se aprofundava por entre meus lábios fechados. De repente, eu estava deitada sobre ele, a cadeira se inclinando para trás e Gregor me beijando como se minha boca possuísse tesouros escondidos. Eu gostei de beijar Gregor, apesar de ter sido avassalador. O que me fez resmungar em protesto foi ele me erguendo com uma mão poderosa e então o colchão contra minhas costas. ―Gregor, espere.‖ Engasguei quando a boca dele se moveu para minha garganta. O ar frio caiu sobre minhas pernas, com meu vestido sendo erguido. Pare! Eu queria me desculpar e ficar de bem – talvez dar alguns beijos – mas isso não era o que eu pretendia. ―O que você disse?‖ Ele quase gritou a pergunta, parando enquanto baixava o zíper do meu vestido. Eu estava tremendo pela visão das presas aparecendo de sua boca. Eu só tinha visto suas pressas uma vez antes, na varanda dos meus avós na noite em que nos conhecemos e ele provou que era um vampiro. Suas presas me assustaram, mas também me deram uma idéia. ―Eu quero que você me morda,‖ eu improvisei, meu coração batendo forte pelo medo daquilo também, mas eu precisava de uma alternativa e rápido. Uma alternativa como essa não iria fazê-lo entrar em uma avalanche de acusações. Gregor olhou fixo para mim. Então sorriu. ―Oui. Hoje a noite, o sangue do seu corpo, e amanhã, o sangue de sua inocência.‖ Oh Deus. O que eu tinha acabado de fazer? Gregor se sentou e me puxou com ele. Sua mão afastou meu cabelo para o lado enquanto ele puxava a gola do meu vestido. Tudo dentro de mim ficou tenso. O quanto seria ruim?


―Você está com medo,‖ ele murmurou. A língua circulando minha garganta me fez pular pra trás. Ele me segurou mais firme, como ferro. ―Isso vai adoçar o seu gosto.‖ Eu comecei a dizer alguma coisa – e então só o que saiu foi um grito. As presas se cravaram em mim e eu, literalmente, senti meu sangue explodindo para fora da minha pele. Gregor sugava, provocando dor em mim, mas encobrindo a dor, teve o calor que irrompeu em mim. Ele sugava com mais força, aumentando a tontura que se apossou de mim, e eu me entreguei a escuridão que esperava por mim.


CAPÍTULO QUINZE. "Você está acordada." Meus olhos piscaram abrindo para ver Cannelle inclinada sobre mim. Ela se endireitou e apontou para uma bandeja ali perto. "Aqui. Comida e uma pílula de ferro. Você vai precisar dos dois. Você tem apenas algumas horas até o por do sol." "O quê?" Aquilo me fez sentar na mesma hora. Um cattle prod* teria tido o mesmo efeito. Mesmo registrando as suas palavras, tontura tomou conta de mim. Cannelle observou sem nenhuma simpatia. *Cattle prod: é uma espécie de garfo e na ponta dá um pequeno choque para fazer o animal se mover. "Ele bebeu muito de você," ela disse, antes de murmurar algo sob sua respiração em francês. Embora ainda não fosse uma perita, eu peguei as palavras para "magra" e "cabra." "O que foi, Cannelle?" Eu perguntei, longe de estar em um bom humor. "Você não sabe que é indelicado insultar alguém em uma língua diferente assim eles não podem dar uma resposta?" Ela pôs a bandeja em cima da cama, fazendo o chá entornar um pouco com a sua falta de cuidado. "Eu disse que eu não sei porque ele se alimentaria tanto de uma cabrinha magricela," ela resumiu sem rodeios. "Agora, eu sugiro que você coma. Gregor não vai ficar feliz se você estiver incapaz de fazer mais do que ficar sangrando embaixo dele." Eu empalideci com essa viva analogia, presa entre o medo e a falta de ideia de como me livrar disso. Gregor não era do tipo que aceitava um "Eu mudei de ideia" facilmente. E isso me deixava com a outra alternativa: Simplesmente passar por isso. Talvez essa fosse a melhor opção, deixando minha ansiedade de lado. Gregor não iria ficar bravo, eu não seria levada para longe, e de acordo com ele, eu não deveria ter nenhuma preocupação com gravidez ou doenças. Sim, eu teria preferido esperar mais, muito mais, antes de dar esse passo, mas aparentemente, meu tempo tinha acabado. "Cannelle." Eu baixei minha voz, fazendo sinal para ela se aproximar. Ela chegou mais perto, sua expressão zombadora. "Eu estava pensando se você poderia me dizer, ah, o que esperar."


Eu não tinha mais ninguém para perguntar. O que eu poderia fazer, ligar para minha mãe e perguntar? Dificilmente. Eu nunca tive amigas, e as coisas que eu ouvia na escola não iriam ajudar agora. Claro, eu sabia o que entrava aonde. Mas detalhes sobre sexo com um vampiro? Nope. "O que esperar?" ela repetiu. Eu fiz sinal para ela manter a voz baixa, mas ela ignorou. "Espere ser fodida, sua idiotinha!" Mesmo no meu constrangimento mais extremo, eu tive um clique. "Gregor me disse que você esteve com ele por sessenta anos. Disse que ele te dá sangue para te manter jovem, mas você está esperando pela grande promoção, não está? Você quer ser um vampiro, e me odeia porque sabe que se eu pedisse a ele, ele me transformaria em um. E ele não ofereceu o mesmo a você." Seus olhos azuis da cor do céu se estreitaram. Ela se inclinou com um terrível pequeno sorriso nos seus lábios. "Você quer saber o que você pode esperar da sua primeira vez?" Agora sua voz era suave. Quase inaudível. "Muita dor. Bon appétit." Ela foi embora. Eu olhei para a bandeja de comida sem a mais leve pontada de fome antes de empurrá-la para longe. A batida veio duas horas mais tarde. Não tinha sido na porta do meu quarto, onde eu tinha ficado olhando o relógio como um preso esperando pela sentença. Foi na porta da frente da casa; Gregor a abriu enquanto eu espiava lá embaixo. Nós não recebíamos nenhuma visita. O fato de que nada menos do que seis pessoas entraram me fizeram descer o caminho todo até o hall. Eles estavam conversando em francês em uma velocidade que o fez ininteligível para mim. "Merde!" Gregor xingou, e então se seguiu um fio de outras palavras que poderiam ter sidos palavrões também. "Hoje a noite? Se ele pensa em roubar ela, ele realmente me subestimou. Catherine. Venha aqui!" Eu fui, imaginando em quanto problema eu estaria por ter ficado escutando. Para o meu alívio, Gregor não parecia ligar para o que eu estava fazendo. Ele abriu o armário e me entregou um sobretudo. "Coloque isso. Nós estamos partindo." "Agora?" eu perguntei. Uma parte de mim estava cantarolando com a minha folga inesperada. "O que aconteceu?" "Eu te direi no caminho," ele respondeu, pegando meu braço e quase me puxando para o lado de fora. "Nós não temos tempo a perder."


Mais dois vampiros estavam esperando com a porta de trás de uma Mercedes preta aberta. Nós entramos e imediatamente partimos em disparada. A velocidade me jogou para trás. Eu nem sequer tive tempo de colocar o cinto de segurança. Ok, então estávamos com muita pressa. "O que aconteceu?" Eu perguntei de novo. Gregor olhou para mim por um longo momento. Aquilo me assustou. Parecia que ele estava chegando a uma conclusão sobre alguma coisa. "Catherine," ele disse, "você foi descoberta. Mesmo agora enquanto conversamos, os aliados de Bones estão procurando você pela cidade. Se eles te encontrarem, te transformarão no monstro que eu te descrevi." Eu estava arrasada. "Oh, por favor, não deixe que isso aconteça! Eu não quero ser uma assassina. Eu não quero me - me tornar algum tipo de prostituta." Por uma fração de segundo, eu quase teria jurado que ele parecia triunfante. Mas então sua testa se franziu e ele sacudiu a cabeça. "Há apenas um jeito de prevenir isso, ma chérie. Você deve se vincular a mim. É a única coisa que não pode ser desfeita." "Claro, me vincule." O que quer que seja que isso signifique. "Vincule o que quiser a mim, só não me deixe com aqueles monstros!" "Lucius, para o Ritz," ele latiu. O carro deu uma guinada que fez a minha vida passar ante os meus olhos, e então ele se endireitou. "Diga aos outros para encontrar lá também. Eu não vou me vincular no banco traseiro de um carro fedorento." Então ele se virou para mim. "Catherine, se você se vincular, estará protegida pelo resto dos seus dias. Se não, então eu não posso salvar você ou a sua família. Portanto, quando a hora chegar, não hesite." Isso soou ameaçador. Me ocorreu que ele deveria especificar o que "vincular" significava. "Er, o que eu tenho que fazer?" Ele pegou a minha mão, desenhando com o dedo na minha palma. "Você se corta aqui," ele delineou simplesmente, "então aperte a minha mão e se declare minha. Eu corto minha mão e faço o mesmo." "Só isso?" Eu estava com medo de que isso implicasse em eu virando uma vampira. "Jesus, me dê uma faca, vamos fazer isso!" Ele sorriu e manteve minha mão na dele. "Deve haver testemunhas, e Lucius não é o suficiente. Além disso, este não é o lugar apropriado para a nossa


primeira união, e eu mal posso esperar para te reivindicar uma vez que você for minha." Não havia necessidade de tradução para essa afirmação. Bem, considerando a alternativa, eu pagaria esse preço. "Então isso é como um... noivado vampírico, já que estamos dizendo que pertencemos um ao outro?" Eu não consegui olhar para ele enquanto perguntava. Tudo estava se movendo tão rápido. Gregor parou, parecendo escolher as suas palavras. "Não há esse estado entre os vampiros. Se você quer fazer uma analogia humana, então seria considerado um casamento." Casamento? Eu tive senso o suficiente para não dizer isso em voz alta, Mas eu não sou velha o suficiente! Nós estamos falando sobre regras dos nãovivos, não sobre as regras humanas. "Mas não é como se nós fossemos assinar papeis ou eu mudar meu nome, certo?" Com uma risada nervosa. "É só uma coisa dos vampiros?" Lucius olhou para nós. Gregor vociferou alguma coisa e ele desviou sua atenção de volta à estrada. Então Gregor sorriu. "Exatamente. Na sua religião ou costumes, não tem nenhum significado." "Oh." Agora eu só estava preocupada em conseguir ficar longe do demônio nos perseguindo e em perder minha virgindade. "Ok, então." Dois do pessoal de Gregor nos levou para dentro do opulento hotel. Gregor estava com seis dos vampiros que tinham entrado com a gente, e eu fui enviada para procurar a loja de vestidos ali perto. Gregor estava falando muito baixo e eles estavam parados juntos um do outro. Com todo o barulho de fundo, eu não conseguia ouvir uma palavra. Eu peguei o vestido na minha frente. Era de um sedoso azul-pavão, com pérolas pendendo do seu lado. Próxima a mim, uma jovem loira também estava olhando os vestidos, só que ela estava muito mais entusiasmada. Ela tirou alguns fora dos seus cabides enquanto segurava uma e outra das peças selecionadas antes de descartá-las "Sempre que você está com pressa, não consegue achar alguma coisa para vestir," ela comentou em inglês. Olhei ao redor. "Você está falando comigo?‖ Ela riu. "Claro. Eu não falo francês, e eu ouvi aquele cara que estava com você falando para você ficar aqui em inglês. Eu sou americana também. Está a muito tempo na França?"


Ela parecia inofensiva, mas eu sabia que Gregor não iria querer que eu ficasse conversando com um estranho. Eu não deveria chamar atenção. "Não muito," eu respondi, fingindo examinar um vestido no outro corredor. Ela me seguiu. "Hey, este laranja fica horrível com a minha pele?" Eu estudei o vestido. "Sim," eu disse com sinceridade. "Foi o que eu imaginei!" Ela lançou um olhar acusador para a assistente de vendas. "Os franceses odeiam os americanos. Ela me disse para usar esse saco de lixo e me cobrou mil dólares por isso." Do canto do meu olho, eu vi Gregor andando na minha direção. Ele não parecia feliz. "Eu tenho que ir. Meu noivo está chegando. Estamos ah, atrasados para o jantar de ensaio." Ela ficou de boca aberta. "Vai se casar? Você parece tão jovem!" Comecei a me mover em direção a ele, falando rapidamente, "Óleo de Olay*. É como a fonte da juventude." *Óleo de Olay: é um cosmético. "Venha, Catherine," Gregor dirigiu-se a mim com um aceno impaciente de mão, dando à menina uma careta irritada. Eu me apressei atrás dele, ouvindo ela murmurar. ―Maldito francês mal educado,‖ enquanto nós nos dirigíamos aos elevadores com nossos guardas. Nosso quarto era no último andar. Assim que nós entramos, os guardas fecharam todas as cortinas, tapando a incrível vista do horizonte de Paris. Através da porta aberta à nossa frente, eu vi um quarto e estremeci. Fim da linha, minha mente zombou de mim. ―Me dê a faca,‖ Gregor pediu, sem perder tempo. Uma pequena faca de prata, gravada com algum tipo de desenho ao longo do punho, foi passada a ele. Gregor deslizou a faca na sua palma sem hesitação e levantou sua mão. ―Pelo meu sangue, ela é minha mulher. Catherine.‖ Ele me deu a faca. ―Faça como eu fiz. Repita minhas palavras.‖ Por um segundo, eu hesitei. Sete pares de olhos estavam me estudando. A boca de Gregor apertou ameaçadoramente. Eu me dei uma sacudida mentalmente e cortei o interior da minha palma, antes dele explodir.


―Pelo meu sangue, eu sou sua mulher,‖ repeti, aliviada e assustada quando o rosto de Gregor relaxou. Ele apertou a minha mão, e o formigamento quando o seu sangue encontrou o meu ferimento me assustou. Os seis homens deixaram escapar uma alta exclamação. Eles abraçaram Gregor e beijaram a sua bochecha antes de repetirem o mesmo gesto comigo. Ele estava sorrindo também, sua mão ainda envolta da minha, o início de esmeraldas aparecendo em seus olhos. ―Já basta, mes amis,‖ ele os cortou. ―Etienne, Marcel, Lucius, espalhem a notícia de nossa união. François e Tomas, procurem na recepção por alguma atividade. Bernard, você fica neste andar.‖ Com isso, eles partiram. Gregor se voltou a mim. Eu comecei a me afastar. ―M –minha mão,‖ eu gaguejei. ―Eu deveria enfaixá-la -" ―Não precisa,‖ ele me interrompeu. ―Está curada, Catherine, e você não vai me enrolar.‖ A maneira faminta com que ele falou me fez congelar. Então ele tirou os seus sapatos fora e removeu sua camisa. Gregor nunca parou de vir em minha direção, mesmo enquanto ele saia de sua calça, e ela caia no chão, deixando-o nu. Gregor era grande e musculoso dos pés a cabeça. Ele estava também completamente ereto, e a visão disso teria me assustado se ele não tivesse me agarrado. Ele me levantou, caminhando para dentro do quarto e me prendendo em baixo do seu corpo na cama. Eu tentei me contorcer para trás, mas ele me parou. ―Não se contorça tanto, chérie,‖ ele repreendeu, abrindo os botões do meu vestido. ―Você sabe que você é minha agora, porque você está resistindo?‖ ―Nós poderíamos, ah, esperar um pouquinho?‖ ―Esperar?‖ ele repetiu, como se ele nunca estivesse ouvido a palavra antes. ―Você pensa em me negar minha noite de núpcias?‖ Ele pareceu como se fosse ficar zangado a qualquer secundo. ―Eu estou realmente nervosa,‖ eu admiti. Sua mão acariciou meu lado enquanto uma coxa descansava em cima das minhas pernas. Seu corpo me fazia parecer uma anã. Deus, ele era tão grande. ―É natural ficar nervosa em sua primeira vez, ma femme. Apenas relaxe.‖


Com sua força, era como se eu não tivesse uma escolha. Eu assenti, fechando os meus olhos e tentando me fazer relaxar. Gregor me beijou novamente, abrindo mais botões do meu vestido. Logo eu senti ele o puxando para baixo até que estivesse completamente fora. ―Linda,‖ ele sussurrou, traçando uma mão do meu estômago até cobrir o meu seio. Eu estremeci, nunca tendo me sentido tão vulnerável. Gregor de repente rosnou uma maldição e ficou de pé. Eu pisquei antes de rolar para longe com um grito. Vindo através da porta aberta do quarto estavam dois homens. Um tinha poder irradiando dele em tão grande quantidade, parecia que estava se chocando comigo. ―Sua criança estúpida,‖ disse o alto, de aspecto estrangeiro. Por um momento, eu pensei que ele estivesse falando comigo. Mas ele encarou o Gregor como se eu nem estivesse no quarto. ―Mencheres.‖ A voz de Gregor era desafiante. ―Você está atrasado.‖ O vampiro balançou sua cabeça enquanto eu corria para me cobrir. ―Gregor, você interferiu onde não devia.‖ ―Você faz isso o tempo todo.‖ Gregor latiu. ―Eu uso as minhas visões para parar a morte, não para tentar e ganhar mais poder. Você sabia que isso era errado, uma vez que você não teria se esforçado tanto para escondê-lo.‖ ―Você a quer pela mesma razão que eu quero, mas ela é minha agora. Eu me vinculei a ela.‖ Gregor me arrancou de minha posição agachada e me empurrou para frente. ―Olhe a mancha de sangue na sua mão. Sua garganta também leva a minha marca.‖ O outro vampiro foi para o banheiro e voltou segurando um robe. Ele o entregou para mim com suas primeiras palavras desde que entrou no quarto. ―Aqui, coloque isso.‖ Ainda de sutiã e calcinha, eu estava feliz por ter algo para me cobrir, mas Gregor arremessou o robe para o outro lado do quarto. ―Ela vai ficar como ela está para encarar o homem que iria sacrificá-la para ser sua assassina, prostituindo-a!‖ Eu imaginei que eles eram associados do vampiro que me caçava, mas tendo isso confirmado me fez sentir pior.


―Não faça isso,‖ eu disse ardorosamente. ―Eu quero ficar com Gregor. Por que vocês apenas não nos deixam em paz!‖ Eu apertei o braço de Gregor, encarando as duas faces inflexíveis na nossa frente. Gregor deu a eles um olhar triunfante. ―Pelos seus próprios lábios, ela anunciou suas intenções. Ela é minha mulher agora, e não há nada que você possa fazer para mudar-" Eu fui lançada para trás pela explosão de poder, aterrissando na cama. Por um confuso minuto, eu pensei que isso tinha sido destinado a mim. Então a visão de Gregor preso em algum campo invisível revelou que isso era direcionado a ele. Seus braços se moveram como se tivesse um peso sobrenatural preso a eles, como um movimento em câmera-lenta. Finalmente, ele congelou. ―O que você fez com ele?‖ eu sussurrei em horror. Mencheres tinha uma mão levantada em direção ao Gregor. Eu não conseguia ver o túnel de energia emergindo dela, mas eu podia senti-lo. Era como um raio em seu estado mais natural. Gregor mal podia falar. ―Você será punido por sua interferência,‖ Mancheres disse. ―Ela retornará para casa dela. Você falhou, Gregor. Ela nunca foi destinada a ser sua.‖ ―Isso é um montão de, de merda,‖ eu xinguei. ―Eu não vou me transformar em uma puta homicida, e se eu algum dia me encontrar com esse assassino, Bones, eu vou matar ele–ou a mim mesma. Eu preferiria estar morta do que ser um brinquedo de algum psicótico chupador de sangue!‖ Com uma súbita inspiração, eu corri para o outro quarto. Ambos os homens me assistindo quase com curiosidade. Isso mudou quando eu agarrei a pequena faca de prata que Gregor usou mais cedo e a segurei em minha garganta. ―Se um de vocês se mexer, eu vou abrir minha jugular,‖ eu prometi. Eles trocaram um olhar entre eles. Eu escavei a faca ameaçadoramente no meu pescoço. Eu não estava blefando. Ele vai matar sua família, então você não terá ninguém além dele pra proteger você, Gregor havia dito sobre esse Bones. Não se eu pudesse evitar isso. E então meu braço sentiu como se fosse dinamitado com nitrogênio líquido. Então em minhas pernas e o outro braço. As únicas coisas que eu ainda controlava eram meu pescoço, cabeça, e torso. Isso me deixou perplexa. Eu podia respirar. Eu podia falar. Nada mais. Mencheres andou em direção a mim, e eu cuspi nele, incapaz de fazer mais em minha defesa. Ele pegou a faca do meu paralisado aperto.


―Você vê?‖ ele disse ao Gregor. ―Você pode tirá-la da casa dela, envenenar a sua cabeça com mentiras, convencê-la de que você é o seu salvador, tentar controlá-la completamente… e ainda ela é a mesma por dentro. O que ela faz quando se sente ameaçada? Ela pega uma faca. Essa é a minha prova, Gregor. As suas são tão vazias como as suas intenções.‖ ―Eu odeio você,‖ eu cuspi. ―Você pode me levar pra casa, mas eu sei a verdade. Minha mãe sabe. Nós vamos fugir de você e do Bones.‖ O rosto de Mencheres estava pensativo. ―Eu acredito em você.‖ ―Você… não pode…‖ Gregor forçou para as palavras saírem. Mencheres deu a ele um olhar inquisitivo e moveu seus dedos. Era como se alguém ligasse as cordas vocais de Gregor de volta. ―Você não pode manipular a mente dela,‖ ele anunciou, as palavras correram com selvagem triunfo. ―Eu tentei, mas seu laço de sangue faz isso impossível. Ela não vai me esquecer, não importa como.‖ Manipular a minha mente? Gregor tentou fazer isso? Mencheres fez um som que era quase um tssk. ―Apenas porque você não sabe como fazer algo não significa que isso não pode ser feito.‖ Ele se virou para o Gregor, outro toque de seus dedos cortando o grito de raiva de Gregor ao meio. Então Mencheres me considerou a próxima, como se eu fosse um projeto que precisasse ser terminado. ―Sai de perto de mim,‖ eu sussurrei. Aqueles olhos cor de carvão me encararam. Por um momento, eu pensei ter visto compaixão. Então ele veio para frente. Eu estava apavorada. O que ele iria fazer comigo? Ele iria me levar ao vampiro que acabaria matando a minha família? Ele iria matar o Gregor, também? Havia algo que eu pudesse fazer para parar isso? Eu encarei Gregor, falando minhas últimas palavras antes daquelas mãos frias me envolverem ao redor da minha testa. ―Se eu for embora, eu vou voltar pra você. Se você for embora, me prometa que você irá voltar pra mim, também.‖ Então eu caí e não vi mais nada.


CAPÍTULO DEZESSEIS. Seus olhos foram a primeira coisa que tive consciência, verde acinzentado e queimando em esmeralda. A próxima coisa foi o seu rosto, confuso, mas discernível, ficando mais claro a cada segundo. Finalmente, seu corpo, e me segurando em seus braços tão firmemente como se eu nunca tivesse saído deles. Nos momentos fragmentados de retorno a consciência, nem sequer parecia que era eu. "Gregor," eu respirei, tonta com a avalanche de memórias. "Sim, chérie," ele sussurrou. "Nós estamos juntos novamente." Sua boca selou a minha. Alívio me inundou, e eu passei meus braços em torno dele, beijando-o de volta. Mesmo quando ele me segurou mais apertado e eu tremia com a memória daqueles últimos momentos horríveis, quando eu pensei que Gregor estava prestes a ser morto, o resto da minha vida se encaixava. Bones. As emoções que eu sentia por Gregor foram enterradas sob uma avalanche. Minhas memórias de Gregor foram exterminadas do meu coração, na verdade, somente Bones possuía todo esse espaço. Afastei-me, cortando o beijo de Gregor. "Não." Seu corpo inteiro parou. "Não?" Eu empurrei seu ombro com firmeza. "Não." As sobrancelhas dele se aproximaram, a cicatriz esticada em advertência, e as palavras seguintes foram um descrente rugir. "Você me recusa?" Minha primeira reação foi a recuar pela sua raiva. Gregor tomou isso como um sinal de rendição e me empurrou de volta para os travesseiros. Eu estava sentada quando toda essa viagem nostálgica começou, mas ele tirou a coberta de mim em algum momento colocou-se convenientemente em cima de mim. Ele começou a me beijar de novo quando eu ataquei. Eu poderia me preocupar com ele, mas isso não ia acontecer. Pena que Gregor havia esquecido que eu ainda tinha uma faca. "Deixe-me lhe dizer algo que você deve ter perdido nestes últimos cem anos não significa não. Eu sugiro que você não tente nenhum movimento vigoroso, Gregor."


A faca de prata, a mesma que eu agora conhecia e tinha sido usada para nos vincular, estava cravada em suas costas. Minha mão estava envolta ao cabo tão firmemente como se ele fizesse parte de mim. De maneira nenhuma eu iria trair o Bones com o Gregor, não importa os resquícios de sentimentos que eu ainda poderia ter por ele. A faca não tinha perfurado o coração do Gregor, mas a lâmina estava perto. Ele deve ter sentido isso, porque ele congelou. "Ma femme, por que você me machuca desse jeito?" Ele disse num tom muito mais suave. "Se você realmente não quer fazer amor, é claro que não irei forçá-la." "É claro?" Eu repeti com um bufar. "Você achou que eu só me lembrei de algumas partes? A lâmina fica." "Você foi desnecessariamente hesitante com seus medos de garota, qualquer homem teria agido da mesma maneira," ele começou a bravejar. "Mentira. Você não fez o que qualquer homem faria. Você fez o que quis fazer, como sempre. Eu não quero te machucar, Gregor, mas eu não confio em você o suficiente para tirar esta faca, então aqui está o acordo. Eu me lembro de tudo, exatamente como você queria que eu me lembrasse... e agora eu quero partir." Gregor parecia chocado. "Para você voltar para aquele assassino?" Ele cuspiu. "Você quer voltar para o Bones, o cão que transformou você nessa... nessa Red Reaper?" Ele lançou o nome para mim como se fosse o pior insulto. Longe de ser insultada, eu ri. "Bones não fez nada comigo. Eu tinha matado dezesseis vampiros antes de nos conhecermos. Bones apenas me fez melhor no que faço, e ele nunca me fez sua meretriz, também. Você está bem mais próximo de um garoto de programa do que eu, com quantas pessoas você já dormiu?‖ Ele me deu um olhar indignado. "Eu sou um homem. É diferente." "Isso resume bem o porquê nós dois nunca daríamos certo, independentemente de Bones," eu murmurei. "Chame o Lucius, traga ele aqui. Apesar do fato de que isso resolveria um monte de problemas, eu não quero te matar, Gregor. Mas se você tentar alguma coisa, eu vou fazer o que vem naturalmente, e ambos sabemos o que é." Eu devia ter matado Gregor logo que afundei a faca em suas costas. Obter as minhas memórias de volta provou que ele mentiu pra mim, me manipulou, e me enganou me forçando a me ligar a ele. Além disso, ele era uma ameaça para


Bones e eu, uma vez que Gregor não receberia uma rejeição muito bem. Entretanto, um, eu não estava em nenhuma condição de lutar contra as pessoas de Gregor se eu matasse ele - e eu estava apostando que Gregor tinha mais do que Lucius aqui. Dois, nós fazermos um acordo que não envolvesse eu matando ele no final. E três, o remanescente de adolescente apaixonada em mim, não podia suportar o pensamento de matar Gregor, mesmo que o adulto em mim soubesse que ele tinha que morrer. Ainda assim, isso não quer dizer que eu estava tirando a faca. Se Gregor tentasse um duplo movimento, eu a usaria. Gregor olhou para mim. Eu não pisquei. Esta não era a Catherine que ele conhecia. Eu era a Cat, e ele não me conheceu antes. "Lucius," ele chamou finalmente. "Vinde a mim imediatamente!" Após alguns segundos, a porta se abriu. Lucius parou quando viu Gregor nu em cima de mim e uma faca cravada em suas costas. "Mestre?" Ele começou. "O que-?" "Ouça, Lucius." Eu não tirei os olhos de Gregor, vendo o outro vampiro apenas com a minha visão periférica. "Você está indo pegar um telefone e trazê-lo aqui. Agora mesmo. Tenha alguma outra ideia, e você é o próximo a morrer, velho amigo. Entendeu isso? " "Monsieur?" "Faça isso," Gregor disse suavemente. Ele recuperou a compostura. "Afinal, eu fiz uma promessa a minha esposa." Meus lábios se curvaram à essa ênfase, mas isso era um irritante protesto pra mais tarde. "Fico feliz em saber que você vai manter sua palavra. Com sorte, você vai ter essa lâmina fora de você em poucas horas." "Horas?" Sua testa enrugou em incredulidade. "Você disse que estamos na Áustria," eu respondi, pensando. "Se ele concordar em vir, ele vai levar algumas horas para chegar aqui. Depois que ele chegar, eu vou arrancar a faca." "Você vai ligar para o Bones?" Gregor perguntou isso com um brilho nos olhos que me lembrou o quão perigoso ele era. Aposto que você estava pensando que era apenas isso o que eu faria, e você tem a armadilha de toda uma vida esperando por ele. "Você verá," eu disse. "Mas não. É outra pessoa."


___ Vlad Tepesh não conteve o riso quando entrou na sala. Aquilo veio dele em uma gargalhada que o fez encostar brevemente no batente da porta para se apoiar. "Agora valeu a pena a viagem." Ele riu, rosa começando a brilhar em seus olhos."Como vai, Gregor? Esqueceu-se da sua educação, não foi? Se eu soubesse que você estava equilibrado em um estado tão precário, eu poderia ter demorado ainda... mais" Eu havia puxado um lençol entre nós e feito o Gregor erguer seus quadris, mas o resto dele ficou onde estava então eu mantive aquela faca perto do seu coração. Isso deixou Gregor com a bunda de fora enquanto seu rosto ficou no mesmo nível do meu. Eu não estava tentando ser engraçada. Apenas prática. "Obrigado por ter vindo, Vlad. Meu braço estava ficando cansado." Eu tinha conhecido o Vlad apenas no ano passado durante aquela guerra terrível, mas ele era alguém em quem eu confiava. Ele salvou minha vida, de fato, e embora eu não o tenha visto ultimamente, eu estava certa em achar que ele viria se eu lhe pedisse. Além disso, ao fazer um resumo mental de vampiros da Europa Oriental que eram fortes e temidos o suficiente para que Gregor não tentasse uma reviravolta, Vlad era o único nome na lista. A reputação sangrenta do Drácula não foi apenas feita durante seus dias como o infame príncipe da Valáquia. "Ok, Gregor, vou puxar a faca para fora gentil e devagar. Uma vez que eu faça isso, você sai de cima de mim. Sem truques." Gregor olhou Vlad, que sorriu para ele de uma forma predatória. Então Gregor assentiu. Eu suspirei de alívio e comecei a puxar a faca. Uma vez que a prata estava fora de suas costas, Gregor se levantou da cama. Ele ficou em cima de mim por um instante, sua expressão dizendo que ele ainda não acreditava no que tinha acontecido. "Eu vou deixar você ir, porque eu prometi, mas você ainda está ligada a mim, Catherine. Você pode ter alguns dias para esclarecer as coisas, mas depois, você deve retornar para mim." "Roupas," Eu pedi a Vlad sem responder. Francamente, eu não sei que inferno fazer sobre estar ligada a Gregor. Era óbvio que ele não iria desistir só porque eu sempre escolheria Bones, mesmo com a minha memória de volta. Gregor realmente pensava que em mais alguns dias eu tomaria consciência e voltaria a ele? Deus, ele realmente não me conheceu.


"Outra coisa que faz esta viagem valer a pena," Vlad comentou, Me entregando um vestido longo. Sentei-me e o coloquei sem qualquer falsa modéstia. Vlad não foi malicioso, mas ele era um macho de sangue vermelho. Eu não levei isso para o lado pessoal. "Você já viu isso antes, então eu tenho certeza que você não está lutando contra um rubor." "Quando ele viu seus seios?" Gregor assobiou. "Quando uma horda de zumbis comeu a maior parte do meu braço e todo o meu sutiã se foi," eu repreendi. Gregor soltou um grunhido. "Isso é para o que você está retornando? Como você quer viver? Pense, Catherine! " "Será que ela não te disse?" Vlad rugiu. "Ela não gosta de ser chamada por esse nome." Parei na porta ao lado de Vlad. "Adeus, Gregor. Não venha atrás de mim, pessoalmente ou em meus sonhos." Algo enrijeceu no rosto de Gregor. Isso quer dizer alto e claro que não acabou, e Gregor ainda estaria atrás de mim. Por quê? Eu me perguntava. Era apenas o seu orgulho recusando-se a aceitar que eu tivesse escolhido outra pessoa? Vlad sorriu, esfregando as mãos. Fagulhas em cascata saiam delas em um aviso primitivo. "Você não está pensando em tentar nos parar, não é?" Ele perguntou suavemente. Vlad pode queimar alguém até as cinzas com apenas o seu toque, até mesmo um vampiro poderoso como Gregor. Assim, a maioria das pessoas não queria o Drácula começando a brincar com seus fósforos. "Eu não vou fazer isso," disse Gregor, olhando para mim. "Eu vou te mostrar o que é o Bones. Então você irá implorar o meu perdão." "Adeus," eu repeti. Isso resumia as coisas. Saímos da grande casa com quatro capangas de Vlad nos acompanhando. Ninguém tentou nos deter. Eles estão com medo de você? Eu lhe perguntei. Ou é Gregor caindo em si? Assim como Bones e Mencheres, Vlad podia ler mentes. "Ambos e Nenhum," ele respondeu, seu cabelo castanho escuro balançando com seus passos. "Gregor está no caminho errado. Ele precisa deixar seus ghouls para trás."


"Hein?" Alto desta vez. Vlad me deu um sorriso sarcástico. "Você tem impulsionado Bones de uma forma rara. Foi inteligente de sua parte não trazê-lo aqui. Ele teria perdido a cabeça completamente se ele tivesse visto Gregor nu em cima de você. Supostamente, Bones já irá sofrer as consequências do que ele fez." "Você me disse ao telefone que Bones estava bem, que você falou com Spade, e todos eles estavam bem!" Eu explodi. Vlad me levou para o avião de pequeno porte que nos esperava, e os seus homens subiram depois de nós. Nós taxiamos em um campo de grama antes de decolar. Gregor havia escolhido um local remoto também. "Pelo que entendi depois de falar com Spade, Bones tinha mantido você em um quarto do pânico durante o ataque?" Ele perguntou, continuando depois de eu concordar. "E em algum ponto, Gregor ligou e se ofereceu para parar o ataque se você fosse a ele?" Outro aceno de cabeça. "Cat, isso foi um truque. Bones não estava em menor número, e por que você não sabia disso, eu não tenho ideia. Bones tinha mais de uma centena dos mais sórdidos mercenários mortos-vivos escondidos debaixo daquela casa, apenas esperando as tropas de Gregor pegar sua arrogância e correr. Quando você chegou a Gregor, Bones já tinha ganhado a luta." Minha mente ficou paralisada. Esta é a tripulação inteira? Ou há mais escondido na floresta? Eu perguntei. E a resposta da minha mãe, instantaneamente incitou, Oh, há mais... "Merda," eu murmurei. Nenhum de nós disse nada por um minuto, depois Vlad pegou seu telefone celular. "Eu a tenho," anunciou. "Ela está bem, e estamos no ar." "É o Bones?" O meu estômago se agitou com nervosismo. Ele vai ficar tão chateado comigo. "É o Spade," Vlad respondeu com o bocal coberto. E depois, "Sim... eu sei... não, nós temos combustível... Ela quer falar com Bones... um... hmm, totalmente. Estaremos lá em três horas. " Ele desligou, e eu pisquei. "Ele não está lá?"


Vlad dobrou seu telefone e o colocou de volta em seu casaco. O olhar que ele me deu estava cheio de ironia. "Spade sentiu que não seria uma boa ideia você falar com ele. Ele provavelmente vai passar as próximas três horas tentando acalmar o Bones." "Ele está realmente com raiva, eu sei, mas parecia que todos eles iriam ser mortos. O que eu deveria fazer?" "Ambos fizeram suas escolhas," Vlad observou. "Quaisquer que sejam as consequências, está feito. Realmente, Bones me surpreendeu com esse esforço todo. Eu não achava que ele era tão inteligente, mas ele mostrou seu melhor potencial nos últimos dois anos." "Como?" Eu estava me sentindo mal enquanto pensava sobre o confronto inevitável. "Primeiro de tudo, usando mercenários." Vlad sorriu maliciosamente. "Muito audaz, mas suponho que ele conhecia a maioria deles de seus dias de assassino. Se ele tivesse buscado uma centena dos mais fortes membros da sua linhagem, Gregor teria ouvido falar sobre isso e cheirado uma armadilha. Mas assassinos pagos, prestam contas para quem? Quem percebe quando uma porção deles sai do radar? "Bones sempre foi inteligente," eu murmurei. "Sua inteligência era apenas camuflada sob uma montanha de vaginas." Vlad riu, antes ele estava sério. "Talvez, mas agora ele está exibindo sua brutalidade também. Ele cortou uma cabeça por hora dos ghouls de Gregor desde que você se foi, prometendo decapitar muitos deles a menos que ele tivesse você de volta." "O quê?" Aquilo me prendeu em minha cadeira. Era de conhecimento, os mortos-vivos não jogavam pelas regras normais de um noivado, mas eles eram muito consistentes quando se tratava de prisioneiros de batalha. Esses eram tomados como reféns e negociados ou barganhados mais tarde. Oh, as coisas poderiam ser criativas quando se trata de extrair informações, mas desde que nenhum dano permanente poderia ser feito para os mortos-vivos, exceto trauma mental, isso era apenas a lei. Bones insensivelmente abatendo seus prisioneiros? Eu fiquei chocada. Vlad não ficou. Ele olhou levemente intrigado. "Como eu disse, forma rara, razão pela qual Gregor deixou você ir sem confusão. Se ele não tivesse, ele teria aborrecimentos na próxima vez que ele alistasse outras pessoas para lutar por ele. Mas chega disso. Você não parece bem."


Eu deixei escapar um riso amargo. "Você acha? Meu marido não pode vir ao telefone porque ele está muito ocupado cortando cabeças, e aqui está o final da piada! Ele não é realmente meu-" "Não diga isso." Vlad me cortou. Sua expressão se tornou muito séria. "Conhecer e admitir são duas coisas diferentes. Gregor ainda quer o seu reconhecimento público como prova. Não dê a ele." "Onde você está nisso?" Eu perguntei calmamente. Isso era mais do que colocá-lo na mira, mas eu não podia evitar. Eu sabia que Vlad não hesitaria em me dar a sua verdadeira posição, não importa qual fosse. Ele me observou. Vlad Tepesh não era um clássico homem bonito como alguns dos pedaços de mau caminho que tinham sido os Dráculas dos filmes. Seu rosto era oval, lábios finos, com olhos profundos, uma testa mais larga, e uma barba rala. Ele era magro, também, e ele de pé chegava a mais de 1,80m de altura. Mas nenhum desses atores tiveram a presença de Vlad. O que talvez tivesse lhe faltado em perfeição de traços ele tinha em magnetismo puro. Por último ele pegou minha mão. As suas estavam marcadas em vários lugares, assim como eram mais perigosas do que suas presas, desde que elas eram a saída da pirocinese do Vlad, mas Vlad não me assustava. Ele deveria, mas não assustava. "Eu sinto uma conexão com você, como eu já lhe disse. Isso não é amor, isso não é atração, e não vou me sacrificar por você, mas se você precisar de mim, e se for possível eu te ajudar, como hoje, eu virei. Seja de qual for o lado que você me chamar.‖ Eu apertei sua mão uma vez antes de soltá-la. "Obrigada." Ele sentou-se mais confortavelmente em sua cadeira. ―De nada.‖


CAPÍTULO DEZESSETE. Nós não voltamos para a casa na Bavária. Embora, a julgar pelo ar, eu não podia ter certeza de que não estávamos na Bavária, mas este não era o mesmo lugar que eu tinha deixado. Não tendo as minhas pílulas, eu só fechei meus olhos quando nós pousamos, em seguida pegamos um carro o resto do caminho. Mesmo se eu as tivesse, eu decidi não tomar mais as pílulas. Gregor não podia me tirar de um sonho a menos que eu o ajudasse, e eu certamente não faria isso de novo. Além disso, eu queria saber se aquelas pilulas estavam me fazendo mal, porque, como Vlad observou, eu pareço péssima. Eu teria que ligar para o Don e perguntar se havia efeitos colaterais por tomá-las. Spade foi a primeira pessoa que eu vi quando abri os olhos depois que o Vlad me levou para a casa. Ele ficou no hall de entrada com os braços cruzados, usando uma expressão verdadeiramente resignada. "Você não deveria ter partido." "Onde está o Bones?" Eu não ia ter essa conversa com o Spade. Sim, eu merecia isso, mas havia apenas uma pessoa com o direito de me punir. O fato de que o Bones não tinha saído quando ele me ouviu chegar dizia muito. Ele deve estar realmente irritado. Spade olhou à sua esquerda. "Siga a música." Música de piano tocava na direção geral que o Spade indicou. Talvez Bones estivesse ouvindo um CD relaxante. Um que eu só podia esperar que tivesse melhorado o seu temperamento. "Obrigado." Eu caminhei passando as poucas salas próximas em direção ao som. Quando entrei no que parecia ser uma grande biblioteca, vi que a música vinha de um piano, não um CD. Bones estava inclinado sobre ele, de costas para mim, dedos pálidos deslizando habilmente sobre as teclas. "Oi," eu disse, depois de ficar ali de pé por várias batidas de coração sem ele sequer se virar. Ele ia me ignorar, não é? Não se eu pudesse evitar. Eu preferia acabar logo com isso do que prorrogar. "Eu não sabia que você podia tocar," eu tentei de novo, me aproximando. Quando cheguei perto o suficiente para sentir sua vibe, eu parei. Bones parecia tenso o suficiente para explodir, apesar de a música que vinha de suas mãos ser serena. Chopin, talvez. Ou Mozart.


"Por que você está aqui?" Ele perguntou aquilo com uma falsa delicadeza, não perdendo uma nota ou olhando para cima. A pergunta me assustou. "P-porque você está," eu disse, me amaldiçoando por gaguejar como uma adolescente intimidada. Eu havia tido o bastante daquilo. Bones ainda não tinha olhado para cima. "Se você veio dizer adeus, você não precisa se incomodar. Eu não preciso de uma explicação chorosa. Basta sair da mesma forma que você entrou." Um nó subiu pela minha garganta. "Bones, não é isso –" "Não me toque!" Eu estava prestes a passar minha mão pelas costas dele, quando ele bateu meu braço para longe com tanta força, que aquilo me fez virar. Agora Bones estava olhando para mim, e a raiva em seu olhar me paralisou onde eu estava. "Não. Você não pode dar uma volta aqui fedendo a Gregor, e então colocar as suas mãos em mim." Cada palavra foi um calculado e furioso rosnado. "Eu já suportei o bastante de ser subestimado. Você me trata como se eu fosse um humano fraco que não poderia sobreviver sem sua ajuda, mas eu sou um maldito Mestre vampiro." Essa última parte foi gritada. Eu vacilei. Bones flexionou suas mãos, parecendo obter controle sobre si. Então ele falou a próxima parte através dos dentes cerrados. "Se fosse o meu desejo, eu poderia te estraçalhar apenas com as minhas mãos. Sim, você é forte. Você é rápida. Mas não forte o suficiente ou rápida o suficiente para que eu não pudesse te matar se fosse minha intenção. No entanto, apesar disso, você continua a me tratar com o desprezo que você mostrar a um inferior. Eu tenho ignorado isso. Dizendo a mim mesmo que isso não importava, mas não mais. Ontem, você acreditou no Gregor mais do que em mim. Você me deixou para ir até ele, e não há como ignorar isso, por isso eu te pergunto novamente, porque você está aqui?" "Eu estou aqui porque eu amo você e nós somos…" Eu estava prestes a dizer, nós somos casados, mas as palavras me sufocaram. Não, eu tinha provado a mim mesma que nós não éramos, não do jeito que os vampiros se importavam. Bones soltou um suspiro frio. "Eu não vou suportar isso. Eu não vou segurar você em meus braços e me perguntar se eu sou aquele em que você realmente está pensando."


"Bones, você sabe que isso não é verdade!" Eu estava angustiada com aquela acusação. "Eu amo você, você sabe disso. E se você não sabe disso, Deus, você mesmo poderia procurar e ver –" "Somente sombras," ele interrompeu brutalmente. "Vislumbres quando a sua guarda está baixa, quando aquela maldita parede atrás da qual você se esconde não está me bloqueando. Eu tenho sido aberto com você sobre tudo de mim, mesmo o pior de mim, porque eu penso que você não merece menos, mas você não tem a mesma consideração por mim. Não, você reservou aquilo para o Gregor. Você confiou nele o suficiente para deixar tudo apenas pelo que ele disse. Bem, amor, eu me curvo quando sou derrotado, e Gregor já me venceu em grande estilo. Ele é aquele quem você respeita. Ele é quem você confia, portanto se você não está partindo, eu estou." Frio tomou conta de mim, e o nó na minha garganta ficou maior. Isto não era uma briga. Isso era algo muito pior. "Você está me deixando?" Ele se sentou no banco do piano. Quase preguiçosamente, seus dedos sacudindo as chaves. "Eu posso suportar muitas coisas." Sua voz estava áspera pela falta de emoção. Eu recuei daquilo. Por um segundo, eu estava com medo dele. "Muitas coisas," ele continuou. "Eu posso suportar a sua afeição pelo Tate, tanto quanto eu o despreze. Seu repetido ciúme por outras mulheres, mesmo quando eu não lhe dei motivos, porque eu seria do mesmo modo, em seu lugar. Eu posso suportar a sua insistência para participar de situações perigosas que estão muito acima de você, porque novamente, essa também é minha natureza. Todas essas coisas que me corroem, mas por você, eu escolhi as suportar." Agora ele levantou. Aquele tom calmo e apático desapareceu, e sua voz aumentou com cada palavra dita. "Eu também escolhi suportar coisas que você não admitiu, como quando você secretamente se perguntou se o Gregor havia te feito mais feliz do que eu. Eu podia até tolerar o motivo real pelo qual você não queria se transformar, o motivo real pelo qual você se apegou a sua pulsação. Eu poderia suportar saber que, no fundo, há uma parte de você que ainda acredita que todos os vampiros são maus!" Rugindo agora. Eu recuei, nunca tendo visto o Bones assim. Seus olhos estavam verdes elétricos, e a emoção nele o fazia tremer desde os pés.


"Não pense que eu não sei disso. Não pense que eu não sempre soube disso! E eu poderia suportar isso, sim, mesmo conhecendo o outro motivo para a sua hesitação. Debaixo das suas declarações de devoção, acima do seu amor – e eu acredito que você me ame, apesar de tudo isso – você não quer se transformar porque você não acha que nós vamos durar. Você acredita que nós somos apenas temporários, e se tornar um vampiro é uma coisa permanente, não é? Sim, eu sei disso. Eu sei disso desde que te conheci, mas eu tenho sido paciente. Eu disse a mim mesmo que um dia, você não olharia para mim com aqueles olhos cautelosos. Que um dia, você me amaria do mesmo modo que eu te amo…" O piano se esmagou na parede do outro lado da sala. Ele fez um horrivel som de lamento, como se tivesse doido ser destruído. Minha mão apertou a minha boca enquanto o vazio no meu estômago se estendia por todo o meu corpo. "Eu tenho sido um tolo." Sua simples frase me destruiu mais profundamente do que o móvel que ele tinha acabado de demolir. Eu soltei um arfar de dor que ele ignorou. "Mas isso, isso é a única coisa que eu não posso aguentar – sua caminhada para longe de mim. Eu preferia ter morrido do que ter visto aquela nota que você me deixou. Eu teria alegremente me enfiado na minha sepultura do que ver aquele sujo pedaço de papel!" "Eu não caminhei para longe de você. Eu estava tentando ajudar, e eu te disse que estava voltando –" "Nada do que você diz importa." Aquilo me atingiu como um tapa. Ele olhou para mim, sem ternura, amor, ou perdão em seu rosto. Era como se ele fosse uma estátua. Meu coração bateu mais rápido, com medo, medo desesperado de que tudo se despedaçasse. "Bones, espere…" "Não. Isso mudaria alguma coisa? Isso voltaria o relógio para que você não tenha partido? Não vai, portanto, não se incomode. Você só aprende de um modo. Apenas um, e eu deveria ter me lembrado disso. Talvez isso finalmente penetre naquela armadura que você tão implacavelmente lustra." Ele se virou e começou a se afastar. Eu encarei em uma paralisação estúpida antes de correr atrás dele, segurando-o quando ele se aproximava da, agora deserta, entrada principal. "Espere! Deus, vamos falar sobre isso. Nós podemos resolver isso, eu juro. Vvocê não pode simplesmente ir!"


Eu estava tagarelando em angústia, lágrimas escorriam pelo meu rosto. Elas me cegaram, mas eu senti a mão dele enquanto ele a estendeu e tocou suavemente o meu rosto. "Kitten." Sua voz estava grossa com algo que eu não sabia nomear. "Esta é a parte… onde você não tem uma escolha." A porta batendo atrás dele me derrubou.


CAPÍTULO DEZOITO. Annette deixou a sombra recair sobre a janela. ―Está chovendo. Eu te disse que eu conseguia cheirá-la.‖ Voltei minha atenção para o pote de sorvete na minha frente. Doce de amêndoas e Creme. Estava quase vazio. O próximo que eu iria abrir seria o de chocolate suíço. ―Não tem como enganar você com um boletim meteorológico falso.‖ ―Nós iremos assistir ao filme ao invés de dar um passeio,‖ Annete continuou. ―Eu ouvi que é bom.‖ Bom? Eu não poderia me lembrar o que isso significava. Eu me sentia como se eu fosse uma ferida aberta ambulante. Eu não podia sequer dormir mais do que alguns minutos por vez, não importando o quão exausta eu estava, por que eu tinha medo de que se o Bones voltasse, eu poderia perder um instante com ele. O único descanso na minha atual miséria era que a minha mãe não estava aqui. Ela estava em algum lugar com o Rodney, mas por razões óbvias, eu não sabia onde. ―Crispin precisa de tempo,‖ Spade disse depois daquela terrível mudança. ―Não se desespere atrás dele. Nem eu mesmo sei onde ele está.‖ Então eu estive esperando, imaginando cada coisa terrível que ele disse para mim, e pior, o quanto disso era verdade. Eu não tinha a intenção de manter Bones a distância. Eu não sabia porque eu me fechei. Mas mais que isso, eu desejei com todo o meu coração que eu não tivesse partido naquela manhã com Gregor. E Gregor esteve ocupado. Não contente com todo o seu papel em arruinar o meu relacionamento, Gregor esteve alimentado os rumores que, sem a sua intervenção, eu poderia me transformar em um híbrido de vampiro/ghoul. Foi assim que ele conseguiu acumular o exército de mais de duzentos ghouls que ele reuniu para o ataque na Bavária. Gregor prometeu aos ghouls que uma vez que ele me tivesse, ele me transformaria em vampira. Gregor até tinha culhão para declarar que se o Mencheres não tivessem me roubado e o aprisionado uma dúzia de anos atrás, eu já seria uma vampira e não teria ganhado tanta notoriedade atualmente. Ainda que Gregor tenha me deixado ir com meu pulso intacto. Agora existiam rumores que eu o influenciei também. O que ninguém se importava em ouvir era que Gregor não tinha uma escolha sobre me transformar. A adaga de prata nas suas costas fez a decisão por ele.


Adicionando a esses temores de híbrido vampiro/ghoul estavam os meus grandes saltos em Paris. Quem pensaria que isso seria o responsável por adicionar tanta paranóia. Mas desde que voar era uma habilidade que apenas os Mestres vampiros possuíam, o fato de que eu tinha estado perto de demonstrar isso, mesmo que brevemente, deixou pessoas se perguntando que outros poderes eu poderia estar escondendo. Isso alimentou os medos sobre o que aconteceria se os atributos dos ghouls fossem adicionados ao meu repertório. Eu seria invencível? Imortal? Capaz de saltar altos prédios com um simples pulo e re-rotacionar o giro do globo para voltar no tempo? As teorias começaram a ficar cada vez mais esquisitas e loucas. O pouco que ninguém sabia disso tudo era que eu era um perigo atualmente para qualquer coisa doce. Antes que eu me tornasse uma alcoólatra para um conforto inútil. Agora eu usava o açúcar, mas existia dor demais e nem de perto açúcar o suficiente. ―Quando Spade vai voltar?‖ eu perguntei a Annette. Ele saiu mais cedo com uma declaração vaga sobre negócios. Ninguém me contou nada que poderia ser usado contra mim. Todos nós sabíamos que Gregor ainda estava bisbilhotando minha mente, embora eu quase não dormisse, e ele tivesse sido capaz de aprender quase nada. Eu não sabia onde estávamos. Quantas pessoas estavam com a gente. Que dia era. Na verdade, todas essas coisas não significavam uma merda pra mim. Tudo que eu sabia era isso – fazia cinco dias desde que Bones foi embora. Era como eu media o tempo. Em minutos e segundos desde que eu o tinha visto pela última vez. ―Depois do escurecer,‖ ela respondeu. Fabian veio para o andar de baixo e sentou – como costume - próximo da Annette. O fantasma estava sorrindo para ela de um jeito que só poderia ser chamado de bobalhão. Eu revirei meus olhos. Mesmo fantasmas tinham uma coisa pela Annette, como parecia. Ela provavelmente acharia uma maneira de fazer sexo com ele. Embora ele fosse transparente e tão sólido quanto uma partícula de nuvem, se alguém pudesse fazer isso, essa seria Annette. ―Que homem charmoso,‖ ela observou. ―Fé, Cat, você deve ter começado uma tendência. Quando eu partir, eu me atrevo a dizer que eu vou tentar furtá-lo de você‖ Tomou tanta força de vontade para não perguntar, ―E quão breve será isso?‖ Afinal, eu estive tentando controlar meus pensamentos, as tendências. ―Annette, eu acho que eu vou pular o filme e ler algo. Assista sem mim.‖


Na metade do caminho na escada, eu passei por Vlad. Ele parou, fazendo comentários de que partiria quando as coisas estivessem ajeitadas. Eu apostava que ele não imaginava que ficaria aqui tanto tempo. Eu estava perto do quarto quando ouvi meu celular tocando. O som me fez chocar com a porta, quase mergulhando para atendê-lo. ―Bones?‖ eu perguntei. Um zombar de desprezo encheu meus ouvidos. ―Não, chérie. Ainda esperando que seu amor retorne? Tão divertido.‖ Gregor. Apenas o que eu precisava. ―Como está, querido?‖ sarcasticamente. ―Ainda bisbilhotando nos meus sonhos, eu vejo. Você já terminou de se desculpar com seus ghouls porque eu estou chupando ar ao invés de sangue? Apenas quando você acha que você tem uma pequena mulher encurralada, oops, você esquece que ela tem uma faca.‖ ―Você deveria ter ficado comigo e se poupado da humilhação de ser ainda outro descarte desse prostituto camponês.‖ Ele ronronou. ―Enquanto você se consome por Bones, ele está no cio com outra mulher.‖ ―Mentiroso. Bones pode estar puto comigo, mas ele é um homem melhor que isso. Claro, isso é algo que você não entenderia.‖ Gregor apenas riu. ―Oh, Catherine, logo você verá que está muito enganada. Você realmente acha que ele mudou? Ele viu um jeito de cair fora, e ele o fez.‖ Eu desliguei, me impedindo de pisar com força no telefone apenas pela preocupação de que Bones poderia ligar em seguida, e eu teria quebrado a coisa. Minha respiração estava pesada, como se eu tivesse corrido. Quando Vlad bateu no portal da porta, eu rodopiei e o agarrei pelos ombros. ―Você sabe onde o Bones está? Me diga a verdade!‖ Vlad desviou o olhar para sua camisa, como se fosse dizer, Você se importa? ―Não, Cat. Vai me sacudir em seguida?‖ Eu abaixei minhas mãos, balançando-as em frustração. ―Aquele bastardo está fazendo jogos comigo. Ele sabe do que eu mais tenho medo, e ele está usando isso para me machucar!‖ ―Gregor?‖ Vlad perguntou calmamente. ―Ou Bones?‖ Eu parei de balançar e dei a ele um olhar calculado. ―Eu quero dizer Gregor, mas... você talvez tenha um ponto.‖


Vlad sorriu. ―E o que você vai fazer sobre isso?‖ ―Quando Spade voltar,‖ eu disse severamente, ―Eu vou sacudi-lo.‖ ___ Spade havia acabado de atravessar a porta da frente quando eu o agarrei pela camisa. ―Você contate o Bones e diga a ele que ele atingiu seu objetivo. Eu posso ter estado errada, mas ele está sendo cruel, e eu já tive o suficiente.‖ Spade sacudiu as minhas mãos como se fossem fiapos. ―Você não poderia falar isso sem amaçar a minha camisa?‖ ―Só pra conseguir sua atenção,‖ eu respondi com um sorriso. ―Apenas no caso de você precisar disso.‖ Vlad estava no outro lado do quarto com Fabian e Annette. Todos os três estavam esperando para ver se Spade aceitaria ou recusaria. Eu movi alguns móveis para fora do caminho, apenas no caso de Spade escolher o último. Não precisava quebrar o lugar. ―Cat,‖ Spade começou, ―me dê só alguns dias a mais.‖ ―Resposta errada,‖ eu disse com um sorriso, e bati nele. Talvez fosse o sorriso que o colocou fora de guarda. Sua cabeça foi para o lado com o golpe, então ele me levou a sério. O relaxamento se foi pela sua nova postura, e ele deu um cauteloso passo para trás, suas mãos se flexionando em preparação. ―Não é tão simples, mas eu não posso explicar porque.‖ ―É melhor você achar um jeito.‖ ―Eu preciso de um pouco mais de tempo,‖ ele estalou. Eu parei em uma súbita compreensão e deixei sair uma áspera risada. ―Oh, eu entendi. Você não pode encontrá-lo, não é? Esse é o porque de você estar gemendo e balbuciando. Você não sabe onde ele está!‖ Spade soltou uma maldição. ―Belo show, Reaper! Assim que você dormir, esse fato irá agora ser repetido para o Gregor. Você quer pendurar um maldito alvo em volta do pescoço do Crispin?‖ ―Quanto tempo?‖ eu incitei, o primeiro traço de medo começando a me tomar. ―Você ao menos sabe pra onde ele foi?‖


―Eu não vou te dar mais informação que possa pôr em perigo-‖ ―Sim, você vai,‖ eu disse, ansiedade e raiva nítidos em meu tom. ―Não se preocupe comigo, se eu tiver que ficar acordada até que isso seja resolvido, eu irei. Eu vou quebrar o recorde mundial por ficar sem dormir se eu tiver que quebrar, mas você vai derramar os seus feijões, e você vai fazer isso agora.‖ A boca do Spade se apertou. Esmeraldas brilhando em seus olhos castanhos, e ele me deu um olhar cheio de aço. ―É melhor você estar preparada para manter essa promessa, por que eu vou assegurar que você a mantenha.‖ Os detalhes delineados por Spade me pegaram em uma montanha russa emocional. Sim, ele sabia como contatar Bones quando ele partiu. Antes mesmo de eu retornar com Vlad, Bones laconicamente deu a ele um número para uso em emergência, deixando a sua localização reservada. Dois dias atrás, Spade deixou uma mensagem para descobrir quando ele voltaria. Sua ligação não foi retornada. Desde então, Spade bipou ele, mandou e-mail, e tentou alguns amigos confiáveis também. Ninguém ouviu sobre Bones. ―Eu tenho feito perguntas discretas, assim como hoje quando eu saí, e pensei que ele poderia estar tentando encontrar com Marie‖ Spade terminou. ―Rodney disse que ele falou com Crispin três dias atrás, e ele fez um comentário sobre como estava quente em Nova Orleans. Por que mais ele estaria lá? Eu mandei Rodney para investigar. Isso é tudo o que eu sei.‖ ―Porque você simplesmente não ligou para Liza e a perguntou ao invés de esperar por Rodney chegar lá?‖ ―Eu liguei para Liza.‖ Spade apertou sua mandíbula. ―Ela me disse que Marie ordenou que ela saísse do Bairro uma semana atrás e que foi recusado a ela a permissão para até mesmo se comunicar com alguém de lá. Marie não deu a Liza uma explicação; ela apenas disse que ela avisaria quando pudesse retornar.‖ ―Quando você descobriu isso? Como você pode não ter me contado?‖ ―Crispin deu instruções específicas de que era para manter você longe de qualquer envolvimento,‖ Spade rebateu. ―A última vez que você saiu correndo como o Chicken Little* gritando que o céu estava caindo, isso não se saiu bem, não foi? Eu sugiro paciência dessa vez. Vai ser muito melhor.‖ *Chicken Little é um conto americano. Eu estava para escaldá-lo quando minha consciência me impediu. Ele está certo. Você saiu correndo da última vez, e essas são as consequências. Talvez


Bones apenas não possa se comunicar agora. Deixe eles fazerem do jeito deles. Espere até que Rodney ligue. ―Tudo bem.‖ Eu me sentei. ―Nós vamos esperar a resposta de Rodney.‖ Spade me olhou com cautela, como se estivesse esperando que eu retirasse o que eu disse. ―Eu tenho certeza que ele ligará em breve.‖ ―Breve‖ acabou sendo cinco horas mais tarde. A voz de Rodney era audível para todos mesmo antes de Spade colocá-lo no viva-voz. Ele estava gritando. ―A merda está acontecendo lá, mas eles fecharam todo o Quarter! Majestic apenas está permitindo humanos passarem que não são nem da linhagem de vampiros nem da de ghouls. Eu não sei se Bones está ali.‖ ―Como ela está fazendo isso?‖ Spade pareceu emudecido. Eu estava aturdida. Como Marie poderia fazer uma quarentena em todo o distrito de uma cidade? ―Eles tem ghouls e policiais em todo o distrito do Quarter, supostamente procurando por uma criança raptada. Eles fazem isso muito simples – volte ou você desejará ter voltado. Eu tentei margear o rio, mas está guardado também. Marie não está brincando. Nós temos que tentar algo mais.‖ Annette empalideceu. ―Eles estão usando policiais,‖ eu respirei, minha mente zunindo com idéias. ―Eu poderia pedir para alguns do meu velho time ir e checar. Eles são humanos, e eles têm credenciais altas... mas isso anunciaria nosso envolvimento. Precisa ser outra pessoa.‖ Eu agarrei meu telefone. Isso era um grande favor que poderia acabar sendo uma perda de tempo, mas eu pediria de qualquer forma. Afinal, não deveríamos supor que sempre podemos contar com a nossa família? ―Don,‖ eu disse uma vez que meu tio atendeu. ―Em caso de você estar fazendo compras mais cedo pro meu aniversário, eu tenho o presente perfeito para você. Eu vou colocar Spade no telefone, e então tampar meus ouvidos enquanto ele fala onde estamos. Assim, eu irei pedir para você me mandar um avião diretamente para a travessia de um fantasma para Louisiana. Apenas o deixe em algumas poucas cidades de New Orleans, e ele fará o resto.‖ ―Cat?‖ Don esperou um segundo antes de responder. ―Você tem estado bebendo?‖ Uma frágil risada escapou de mim. ―Eu desejaria.‖ ___


Eu estava esperando novamente. Parecia que isso era tudo que eu poderia fazer ultimamente. Spade fez algumas outras ligações para conhecidos em comum, tentando recolher de uma maneira indireta se eles tinham informação sobre Bones, mas ninguém tinha. Perguntas curtas, ―Você viu Crispin por aí?‖ era um processo meticuloso e frustrante. Portanto, quando um carro estacionou, eu corri para a janela, rezando para que fosse Bones. Não era, e eu não teria ficado mais surpresa de ver quem caminhou para a casa. Tate, o capitão do meu ex-time e meu amigo de longa data, caminhou para dentro do quarto e veio diretamente para mim como se ninguém estivesse ali.―Como você pode não ter me contado nada disso?‖ ele perguntou. Tanto Spade quanto Vlad estavam dando ao Tate um olhar hostil. Tate podia ser meu amigo, mas não era deles. Eu tirei suas mãos de mim antes que ele pudesse ser impalado em seu coração com prata. ―Eu não sabia que Bones estava desparecido, eu pensei que ele só estivesse zangado.‖ Tate fez um barulho de desdenho. ―Não o Crypt Keeper. Eu não dou uma merda por ele. Eu quis dizer você e o vampiro, Don me contou apenas que ele andou perseguindo você por semanas.‖ Oh, Jesus. Tate estava chateado porque eu não tinha contado sobre o Gregor? Como se eu precisasse disso no topo de tudo mais. ―Porque eu dificilmente tenho visto você desde que eu desisti de trabalhar para o Don. Agora, você está aqui para ajudar? Diferente de você, eu me preocupo muito que o Bones esteja desaparecido.‖ ―Ele não está desaparecido,‖ Tate atestou friamente. ―Ele é apenas um idiota.‖ Ele estava sobre seus pés quando disse isso, mas estava encarando do chão um instante depois. Spade o encarava furiosamente por cima. A raiva emanando dele me fez ficar entre eles. ―Você deu a sua opinião.‖ ―Crispin não está aqui para enfrentar os seus insultos, e eu não vou ouvir ninguém o caluniando.‖ Spade respondeu, sua mão em uma faca de prata. ―Seu garoto não está desaparecido,‖ Tate repetiu, ficando sobre seus pés. ―Ele está no French Quarter como você pensou, e se ele está sendo mantido longe contra a sua vontade, ele está aproveitando isso ao máximo.‖ ―O que você está falando?‖


Tate me deu um piedoso, mas duro, olhar, e puxou umas folhas do seu casaco. ―Imagem de satélite. Eu imprimi isso de um computador antes de vir pra cá, então elas estão um pouco borradas, mas não há nenhum erro. Vê a hora da impressão? É 11:32 da noite. Hora central da noite passada. Bones parece bem pra mim.‖ Spade e eu espalhamos as fotos em cima de uma mesa próxima. A primeira foi tirada ao longo da Rua Bourbon. Não muito nítida, mas sim, era o Bones. Ele estava andando no meio da rua. Mesmo com a multidão habitual, ele se destacava. Graças a Deus, foi meu pensamento inicial. Eu passei para a segunda imagem. Bones estava na frente da sua casa, se eu reconheci a estrutura. E havia uma mulher em seus braços. Um baixo rosnar escapou de mim. Eu passei para a próxima página. A terceira imagem me fez gritar uma maldição e quase arremessá-la para o Spade. ―Precisando de algum tempo pra si, huh? Engraçado como parece que ele não está fazendo isso sozinho!‖ A última imagem era somente o rosto parcial de Bones. Ele estava meio pra dentro do portão indo em direção à sua porta. A mesma vadia estava agarrada nele, eu não poderia dizer sobre a roupa dela, e a feição dele estava bloqueada porque ele a estava beijando. ―Ele é um trapaceiro de merda,‖ Tate disse sem emoção. ―Ele não saiu da casa dele desde que essa foto foi tirada, de acordo com o satélite. Eu não preciso dizer a você que logo nós teremos que colocar isso de volta onde isso pertence, Cat. Don está forçando a sua autoridade nisso.‖ ―Filho da puta,‖ eu cuspi. ―Isso não prova nada,‖ Spade disse, se recuperando de seu espanto. ―Nós não sabemos o que está acontecendo, ou quem essa mulher é. Ela pode ser um contato e essas atitudes uma estratégia.‖ ―Oh, há um contato, com certeza!‖ eu queria estudar as fotos e destruí-las ao mesmo tempo. ―Contato pleno, pelo que eu posso ver!‖ ―Malditamente certo,‖ Tate murmurou. ―Quieto,‖ Spade latiu para Tate, suavizando o seu tom quando se virou para mim. ―Crispin não trairia você dessa maneira, não importa o quão enfurecido ele estava. Existe uma explicação para isso. Deixe Fabian ir e descobrir isso.‖


Por debaixo da minha fúria, havia também uma dor penetrante. Eu queria acreditar que tudo isso era um mal entendido. E ainda lá no fundo havia um insinuante, deslizante medo. E se isso não fosse? ―Ok,‖ Me forcei dizer enquanto a minha cabeça começou a latejar. ―Fabian, você vai pra lá e ache Bones. Deixe ele explicar pra você quem é essa galinha. Eu irei esperar para ver o que Bones vai dizer.‖ ―Você está fora da porra da sua mente?‖ Tate estalou. ―Você não deu uma olhada nessas fotos? O que mais você precisa, imagens de vídeo ao vivo?‖ ―Algumas vezes isso não parece correto também,‖ eu gritei de volta. Meu olhos picavam, mas eu não chorei. ―Eu aprendi isso da maneira mais difícil, e eu não vou cometer o mesmo erro duas vezes.‖ Tate apenas me encarou em descrença. Então ele disse, ―Você é uma tola,‖ antes de sair andando em desgosto. ―Eu vou trazer notícias pra você,‖ Fabian prometeu. ―Por favor traga.‖ Eu olhei as fotos novamente. ―Sem importar quais sejam elas.‖


CAPÍTULO DEZENOVE. Juan chegou para pegar Fabian. Pela saudação cautelosa, mas amigável, eu sabia que ele tinha visto as fotos. ―Quanto tempo antes de ele chegar lá?‖ Eu perguntei ao Juan quando ele estava prestes a sair. Ele gaguejou ―Querida, se eu for específico, estarei lhe dizendo muito.‖ ―Aproximadamente,‖ eu retruquei, odiando esse segredo necessário. Mas Gregor havia provado que ainda estava espreitando em meus sonhos. Se de alguma maneira eu adormecesse, nem ferrando eu daria a ele algo útil. ―Dentro de um dia. Contando o tempo de contato e retorno,‖ ele estimou. ―Tudo isso?‖ Eu faria buracos no assoalho marchando. ―Certo.‖ Anos fingindo ser controlada quando eu estava um caco emocional, tinha suas vantagens. ―Cuide do meu fantasma.‖ Juan deu uma olhada cuidada para o seu ombro. Fabian sorriu para mim, sua mão desaparecendo na clavícula do Juan. ―Bom vê-la, querida,‖ Juan disse, ainda dando uma encarada no seu ombro. Eu acenei com um sorriso forçado, precisando não parecer ser a esposa preocupada e rejeitada. Do canto do olho, eu vi Spade esfregando a sua têmpora. Annette estava no marco da porta, quase se inclinando nele. Havia se passado um longe tempo desde que algum de nós dormiu. ―Durmam um pouco, pessoal. Isso não é uma competição de quem consegue ficar mais tempo acordado. Especialmente você, Spade. Você precisa estar afiado quando nós recebermos notícias, então você não tem escolha.‖ Ele concordou. ―Só algumas horas. Isso deve ser o suficiente.‖ ―Se você está preocupado que eu vá adormecer, não se preocupe. Eu posso seguramente dizer que tenho coisas o suficiente na minha mente para me manter alerta.‖ Spade deu ao Tate um olhar acusador. ―Por tudo o que sabemos, essas imagens foram tratadas. O ciúme dele pelo Crispin é sem limites. Não me surpreenderia se no fim das contas, Fabian reportasse que não existe essa mulher.‖ ―Yeah, certo.‖ Tate zombou. ―Eu não faria isso. Antes de tudo, eu sou amigo da Cat. E se o Bones não tem nada a esconder, porque está se escondendo?‖


―Chega, pessoal. Vocês estão fazendo a minha cabeça piorar.‖ Spade deu uma última olhada para o Tate. ―Você verá que está errado logo logo. Eu gostarei de informar ao Crispin o quão desnecessariamente você chateou a Cat na sua fútil busca por tê-la, porque eu penso que no mínimo ele vai te matar por isso.‖ Tate deu de ombros. ―Eu a estou chateando com a verdade porque estarei condenado se me calar enquanto ele a faz de boba.‖ Spade encarou o Tate de uma maneira que me preocupou. Parecia que ele lutava para não matá-lo. ―Você tem muita sorte pelo Crispin ter me feito jurar que jamais te machucaria,‖ Spade esclareceu. ―De outro modo você já estaria sentindo falta da sua cabeça.‖ ―Durma bem.‖ Tate retrucou. ―É melhor que seja a sua última palavra,‖ eu avisei ao Tate. Spade não era nada do tipo que latia e não mordia. Tate não sabia disso? Spade ficou tenso como se não tivesse mais nada a perder. Eu considerei bloqueá-lo, mas então decidi por uma tática diferente. Eu fingi um engasgo e coloquei a mão na cabeça. Spade estava ao meu lado em um piscar de olhos. Seu cavalheirismo era ainda mais intenso do que o seu temperamento. ―O que é isso, Cat?‖ ―Todo esse estresse e falta de sono… Eu me senti um pouco fraca.‖ Com um último olhar ameaçador para o Tate, Spade tocou meu braço. ―Eu vou pegar um pouco de água para você.‖ Ele foi para dentro, e eu virei minha atenção para o Tate. ―Provavelmente eu salvei a sua vida,‖ Eu falei baixinho. Vlad tinha assistido a coisa toda com uma pequena satisfação. Ele sabia que eu estava fingindo, já que ele leu a minha mente. ―Meu jovem, um dia eu suspeito que você terá um terrível acidente,‖ ele disse para o Tate. ―continue provocando as pessoas, e isso acontecerá em breve.‖ Tate revirou os olhos. ―Yeah, yeah, eu sei – você vai me matar de uma forma horrível. Se eu ao menos ganhasse uma moeda a cada vez que eu ouço isso.‖


―Se eu quisesse você morto, você estaria. Você deve memorizar o seu discurso, para quando você irritar alguém ao ponto de o descontrolar, você seja forte o suficiente para ter uma chance de sobreviver.‖ ―Bom concelho,‖ eu acrescentei. ―você deveria escutá-lo.‖ Tate virou o seu olhar para mim. ―Porra, Cat. Eu estaria pulando por causa da minha própria sombra se eu ficasse amedrontado com cada ameaça direcionada a mim. Um dia eu vou morrer. Todos vãos morrer, inclusive a nossa espécie. Eu estaria condenado se eu passasse todo o tempo que eu tenho choramingando como um covarde, puxando sacos para não ter ninguém nervoso comigo. Tudo que eu tenho é como eu vivo. Como vou morrer? É problema de quem me matar.‖ ―Deus,‖ eu murmurei. Ele não escuta. Vlad assobiou. ―Eu me pergunto o que ela viu em você. Você parece tão digno de pena a maior parte do tempo. Ao menos você tem algum semblante de coragem.‖ ―Seu filho da mãe –.‖ Tate começou. Seus pés pegaram fogo, e então suas mãos. O impulso que ele usou para atacar o Vlad foi abruptamente transformado em um estranho sapateado enquanto Tate tentava diminuir suas chamas. Vlad aconselhou. ―Viu? Controle seu temperamento.‖ ―Aham,‖ eu limpei a minha garganta ―Você se importa?‖ O fogo vagarosamente se extinguiu do Tate. Eu balancei a minha cabeça. Fabian não podia voltar rápido o suficiente. Quem imaginaria que eu estaria tão ansiosa para ver um fantasma? ―Posso confiar que você não vai matá-lo, Vlad, enquanto eu entro e não durmo?‖ Eu perguntei. Vlad sorriu. ―Por enquanto, você pode.‖ ___ Juan não voltou. Nem Fabian. Apesar de que não se passaram nem dezoito horas antes de uma notícia. Ela veio em forma de um telefonema. Engraçado como notícias terríveis sempre chegam a mim por telefone. ―Cat.‖ A voz do Juan. Tão logo eu ouvi, eu soube que era ruim. Ele soava tão controlado. Tão forçadamente gentil.


―Eu não quis esperar para te dizer, querida…‖ Vlad estava me encarando. Tate também. Spade quase estava com a cabeça no meu ombro para ouvir a notícia em primeira mão. ―Quando Fabian o encontrou, estava claro que o Bones não estava sendo mantido contra a sua vontade. Ele, ah , indicou que queria que Fabian saísse… você poderia se recompor, amigo?‖ Isso foi presumidamente para o fantasma, já que eu não me alterei, ainda. ―Olha, querida, Fabian disse que o Bones foi bem grosseiro. Disse para ele cair fora, ou algo parecido.‖ Eu respirei fundo. ―Então você está dizendo que ele quis ficar sozinho? Ele – ele disse por quanto tempo? Ele disse alguma coisa sobre mim?‖ Eu não pude evitar; minha voz falhou na última pergunta. Meu coração estava acelerado, e eu me sentia fraca, mas ainda tinha forças nas pernas. ―Sí.‖ Juan soava como se tivesse engolindo algo rançoso. ―Fabian perguntou, ‗como eu posso dizer isso para a sua esposa?‘ e Bones disse…‖ Juan parou. ―Disse o quê?‖ Eu quase gritei. ―Ele disse, ‗eu não tenho esposa.‘‖ Spade tomou o celular dos meus dedos dormentes. ―Isso é uma maldita mentira.‖ ―Olha, eu também não gostei disso,‖ eu ouvi Juan responder. ―Mas ele não está mentindo.‖ Spade não se acalmou. ―Eu conheço aquele homem há duzentos e vinte anos e posso lhe dizer– ‖ ―Deixa para lá, Spade.‖ Ele parou de esbravejar, pelo meu tom calmo, e se virou para mim, surpreso. ―Você não acredita nisso, acredita?‖ Eu acho que eu ri. Inferno se eu pudesse dizer com certeza. ―Eu acho que depois de ver imagens de satélite e ouvir testemunhas oculares, eu vou dizer que sim. Me responda isso – Bones realmente disse que ele estava voltando para mim, ou você presumiu?‖ Spade se ajeitou. ―Ele não precisa escrever para eu saber quais são suas intenções – ‖ Agora eu estava certa quanto a minha risada, e ela foi feia. ―Em outras palavras, não, você presumiu.‖


Aqui Bones havia me declarado que estava acabado, mas eu ainda não tinha digerido isso. Eu havia me agarrado ao fio de esperança que o Spade tinha balançado na minha frente, antes do final amargo. Annette permaneceu no canto distante da sala, esperta. Spade desligou na cara do Juan sem dizer uma palavra. ―Cat, vamos sair daqui,‖ Tate disse. ―Você pode voltar ao Don e a equipe. Você sempre terá um lar aqui. Você não precisa disso.‖ Eu o encarei, a fria realidade intrometendo-se na dor abrasadora. Está certo, aqui não é seu lar. Você não pertence aqui. Você não pertence a nenhum lugar. ―Não.‖ Eu pensei isso, mas eu não era a única que havia dito aquilo. Vlad passou pelo Tate como se ele não estivesse lá. ―Gregor mostrou que ele não a deixará ir, e você não pode protegê-la dele. Você só vai matar os seus soldados e a ela imediatamente. Ela pode vir comigo até decidir o que ela quer fazer.‖ ―Eu duvido que as suas intenções sejam nobres,‖ Spade disse com seus olhos brilhando em verde. ―Se o Bones estivesse preocupado com as minhas intenções, ele estaria aqui para vigiá-las,‖ Vlad respondeu. O protesto do Tate não estava ajudando. O humor estava rapidamente se tornando perigoso. ―Você está cuidando de uma amante abandonada, não da mulher do seu melhor amigo. Porque você não cuida da sua própria vida amorosa, já que você era relaxado nesse aspecto antes.‖ Se era possível para um vampiro ficar pálido, Spade o fez. A referência do Vlad à Giselda, noiva do Spade, que foi assassinada, não me passou despercebida. Rapidamente, antes que as coisas estivessem além do controle, eu fiquei entre o Spade e o Vlad. Não que eu estivesse preocupada que o Vlad fosse se machucar. Eu estava com medo que o Spade o tocasse. Vlad o queimaria até a morte. ―Spade, o que quer que você pense, Bones deixou bem claro que nós terminamos. É minha culpa eu não ter aceitado isso. Tate… eu não posso voltar. Não há volta.‖ Deus, se ao menos tivesse volta. ―Vlad, qual o seu preço? Vampiros sempre têm um, então o que você quer caso eu vá com você antes de entender as coisas?‖ Vlad pareceu considerar a proposta. ―Eu vou me alimentar de você, como um preço justo.‖


―Feito,‖ Ou vendido! Ao vampiro com olhos verdes acobreados. Spade cruzou os braços. ―De jeito nenhum eu vou permitir que você vá com ele.‖ Não torne isso físico, eu enviei ao Vlad, vendo seus lábios se curvarem ao desafio. Spade é meu amigo, mesmo que esteja errado. Sem lanchinho para você, se você tostá-lo. Isso vale para o Tate também, já que parece que ele quer se atirar no nosso caminho. ―Eu estou sentindo cheiro de fumaça?‖ Vlad perguntou, aquele pequeno sorriso que nunca deixa o seu rosto. Com aquilo, chamas começaram a escalar as paredes. Elas pareciam cobras laranjas e vermelhas que magicamente apareceram e cresceram. Spade começou a praguejar e foi até a pia. Preenchendo os recipientes próximos com água, enquanto gritava por auxílio. ―Se você for rápido, você resolverá isso num piscar de olhos,‖ Vlad assegurou a ele, envolvendo os braços ao redor de mim. ―Vamos?‖ Ficar causaria maior estrago. Os três cairiam na porrada, eu sabia, e nem muita intervenção os separaria. Tate já não estava racional. Ele agarrou o ombro do Vlad – e então saiu voando pelo teto. Ambos, pelos barulhos. Escombros caíram entre as chamas. Vlad nem piscou. ―Isso foi um aviso. O próximo não será.‘‘ Dei uma última olhada no buraco no teto e nas paredes queimando, antes de pegar nos braços do Vlad. Ainda tonta pelos últimos quinze minutos. ―Vamos.‖ Entramos em um carro que eu presumi ser do Vlad. Assim que partimos, surgiram quatro distintos kabooms e os veículos na garagem explodiram. ―Assim eles não tentam seguir a gente.‖ Vlad disse em resposta ao meu olhar surpreso. Relampejou através do céu. E foi a última coisa que eu vi antes de fechar meus olhos.


CAPÍTULO VINTE. Existem cinco passos para o processo de luto, ou assim eles dizem. Negação é o primeiro. Eu tinha muito disso desde que me despedi do Spade. Então, a raiva, e oh yeah, eu estava com raiva. Não conseguia até mesmo tirar alguns dias para parar e pensar sobre as coisas, talvez deixar a poeira baixar? Oh não, não você, Bones! De volta à sela, huh, cowboy? Depois a barganha, talvez a mais patética de todos, que me manteve ocupada com o vôo até nosso destino desconhecido. Faça ele voltar. Eu o amo tanto, e ele me amava. Talvez nós ainda possamos resolver as coisas… Ele que se foda! Minha raiva disse. Eu sempre soube que Bones voltaria a seus velhos truques. Um leopardo não pode mudar suas manchas, certo? Não tem uma esposa, huh? Quem precisa de você, afinal? Se o vampiro ao meu lado estava ouvindo a minha esquizofrenia mental, ele não deu nenhum sinal. Vlad assobiava enquanto minhas emoções brincavam de roleta russa. Até o momento que ele anunciou que tínhamos chegado, eu estava num estado de completa depressão. Ou, em outras palavras, o passo número quarto. O carro parou, e eu ouvi pessoas se aproximando. Nenhum deles tinha batimentos cardíacos. Minha porta do carro abriu. Houve um leve puxão na minha mão. ―Mantenha-os fechados mais um momento. Eu vou levar você para dentro.‖ Um minuto de passos cuidadosos depois, e paramos. ―Você pode abrir seus olhos agora, Cat.‖ Eu abri. Estávamos em um longo corredor de algum tipo, muito antigo. Alto, tetos altos. Gótico na própria definição da palavra. Vlad sorriu. ―Fique à vontade, você está em casa, não é isso que eu devo dizer?‖ Eu passei meu olhar ao redor do corredor. ―Eu só fico uns dias para colocar minha cabeça no lugar.‖ E grampear ao mesmo tempo meu coração partido. ―Fique quanto tempo você quiser. Afinal de contas, você me deve. Talvez isso leve mais do que uns dias para ser cobrado.‖ Eu dei a ele um olhar cansado. ―Não aposte nisso.‖ Uma coisa poderia ser dita por ficar com o não coroado Príncipe da Escuridão. Ele não tinha uma equipe preguiçosa e desatenta. Depois que me mostraram


meu quarto por um vampiro chamado Shrapnel, eu perguntei que tipo de bebidas sem plasma eles tinham. Shrapnel não respondeu listando-os da memória—ele me trouxe todo o conteúdo de bebidas da geladeira. Quando eu disse que gostaria de ter descido eu mesma para ver isso, ele me olhou como se eu fosse louca. Bem, ele estava certo sobre isso. Vlad tinha jantado comigo cada noite embora ele não comesse. Ele era pouco encontrado durante o dia, supervisionando seus próprios assuntos, eu achava. Não que eu soubesse com certeza. Passei a maior parte do meu tempo no meu quarto, pensando, meu humor mudando loucamente de raiva do Bones à auto-recriminação. Meu relacionamento tinha sido fadado ao fracasso desde o começo porque Bones foi incapaz de mudar seus modos promíscuos? Ou tudo teria sido bom se eu não tivesse ido embora aquele dia com Gregor? Eu não sabia, e não saber doía. Fui para a sala de jantar às nove. O jantar era servido tarde, por razões óbvias. Vlad já estava sentado. Seu longo cabelo castanho estava penteado e solto, e ele rodava a haste de seu copo de vinho enquanto eu tomava meu lugar habitual perto dele. Eu comecei a encher meu prato das seleções na mesa. Costela de cordeiro com redução de alecrim, aspargos marinados com molho de manga e tenras batatas vermelhas pequenas. Vlad apenas observava, bebendo seu vinho. Convivendo com um vampiro, eu acostumei a ser a única mastigando enquanto alguém apenas observava, então eu não me senti pouco a vontade. Depois de alguns minutos de mastigação silenciosa, eu parei. ―Este cordeiro está realmente bom. Você tem certeza que não quer provar um pouco?‖ ―Eu vou comer em breve.‖ Algo em voz me fez pausar o garfo na próxima mordida. Vlad não soou como se ele estivesse se referindo ao banquete estendido diante dele. ―Você está mencionando isso casualmente, ou me preparando?‖ ―Avaliando a sua reação.‖ Com uma inclinação de sua cabeça. ―Seus olhos não estão tão inchados hoje à noite. E seu jeito está menos oprimido. Isso significa que você finalmente se resignou ao abandono do Bones?‖ Era a primeira vez em quatro dias que ele o tinha mencionado. Pessoalmente, eu poderia ter agüentado deixar isso continuar por mais tempo. ―Não se preocupe, você não vai ter que falar comigo no abismo novamente.‖ ―Estou contente por ouvir isso.‖


Ele se recostou na sua cadeira, girando seu copo novamente. ―Você não entrou em contato com o Spade ou qualquer outra pessoa desde que você tem estado aqui. Você não está curiosa para saber se eles têm falado com ele?‖ Isso me fez pousar meu garfo. Eu não sabia onde ele queria chegar com isso, mas Vlad não fazia nada sem motivo. ―Qual é, camarada? Tentando fazer o meu sangue pulsar? Me amaciando antes de furar? Não, eu não falei com eles, e eu não quero. Eu não preciso de mais detalhes sórdidos.‖ ―Como se ele tem suas mãos em alguém neste exato instante? Apertando-a, beijando-a... segurando-a nua contra ele?‖ Meu prato foi arremessado no outro lado da sala para quebrar contra a parede de pedra. Ao mesmo tempo em que eu fiz isso, eu xinguei eu mesma, Vlad, e principalmente, Bones. ―Você só está vendo quão rápido eu vou perder isso, não é? Me avaliando? Bem, eu sou um pouco impaciente, como você pode perceber, então me dê licença.‖ Eu agarrei o meu guardanapo de linho e fui em direção ao prato quebrado, determinada a limpar a minha própria bagunça, mas Vlad foi mais rápido. Ainda sentado, ele me puxou para ele. ―O que você está fazendo?‖ Eu repreendi. Seu abraço apertou até que ele estava quase me machucando. ―Exigindo meu preço de sangue.‖ Eu tive tempo de enrijecer antes que a boca do Vlad fechasse sobre a minha garganta, e as suas presas a mordessem. Um grito saiu de mim, mas não era de dor. Vlad chupou mais forte, extraindo mais do meu sangue para ele. Calor pulsante se espalhava através de mim com cada puxão de sua boca. Veneno de vampiro. Não prejudicial, mas capaz de produzir uma falsa sensação muito agradável de calor. ―Vlad, isso é o suficiente...‖ ―Não.‖ Rosnou. ―Mais.‖ Ele me puxou mais perto. Agora eu estava meio-arqueada contra ele enquanto aquelas profundas sucções pareciam como fossem diretamente para minha coluna.


Vlad passou suas mãos por meus braços. Eu ofeguei. Elas estavam quentes, tão diferente da temperatura normal de um vampiro. Deve ser da sua pirocinese. Meu sangue não poderia aquecê-las tão rapidamente. Tão rápido quanto ele tinha me agarrado, Vlad me soltou. Eu me apoiei contra a mesa, meus joelhos muito mais fracos que antes. ―Isso deve te dar outra coisa para pensar,‖ ele disse. ―Não, não vai.‖ Isso veio de mim entrecortado. De repente, comecei a chorar. ―Eu ainda o amo, Vlad! Eu o odeio, também, talvez, mas... eu ainda o amo.‖ Seu olhar não vacilou. ―Você vai superar isso.‖ Eu vou? Eu não disse isso alto, não que isso importasse. Vlad ainda podia me ouvir. ―Eu não estou mais com fome,‖ foi o que eu disse, e deixei a sala de jantar. Mais tarde naquela noite, eu tinha acabado de dormir quando a cama mexeu. Meus olhos se abriram em alarme, em seguida um dedo pressionado aos meus lábios. ―Sou só eu. Eu quero conversar.‖ Eu estava acordada agora. As pessoas geralmente não conversavam ao subir na cama, o que descrevia o que Vlad estava fazendo. ―Sério?‖ Com forte sarcasmo. Ele fez um movimento de dispersão. ―Não junte os lençóis, Cat. Eu não tenho a intenção de te violentar.‖ ―De onde eu venho, quando as pessoas querem conversar, elas fazem isso, enquanto estão em pé.‖ Para enfatizar meu ponto, me sentei. Sim, eu estava segurando os lençóis muito bem. ―Isso cheira a coerção na melhor das hipóteses, camarada.‖ Vlad apenas afofou um travesseiro debaixo de sua cabeça e riu. ―Que imagem perfeita de ultraje você está, Reaper, mesmo assim ambos sabemos que eu poderia queimar esses lençóis até as cinzas, se eu quisesse. Vamos lá, tirando a sua rígida educação do meio-oeste, você se importa que eu esteja aqui com você desse jeito?‖ Meu aperto nas roupas de cama afrouxou. Ele tinha vários pontos. Vlad era muito mais forte do que eu, então mesmo se ele não conseguisse tacar fogo


nos lençóis, se ele quisesse forçar o sexo, ele conseguia. E tem mais, bancar a casta quando ele tinha sugado mais de meio litro de mim parecia um pouco hipócrita. ―Tudo bem. Sobre o que você quer conversar?‖ ―Seu futuro.‖ Eu enrijeci. ―Você quer que eu vá embora. Muito bem. Eu vou—‖ ―Você realmente acredita que eu vim aqui para te dizer que eu estou te expulsando?‖ Ele interrompeu. ―Você deve me conhecer melhor do que isso.‖ ―Desculpe. Tem sido, bem, uma semana difícil.‖ ―Sim.‖ Não havia nenhuma falsa piedade em seu tom. ―Sua auto-estima sofreu um duro golpe, e você está muito vulnerável. Se eu tivesse isso em mente, você seria fácil de seduzir.‖ "Cheio de si mesmo, não é?" Eu disse com um suspiro. "Mas você está latindo para a árvore errada, se você pensou que eu estaria procurando por uma transa por compaixão." Seus lábios se curvaram. "Eu já disse a você, meus sentimentos por você não são românticos. Eu estou aqui porque você é uma amiga, e para mim amigos são muito mais difíceis de encontrar do que uma transa." O que eu sentia por ele não tinha nada a ver com atração também, embora Vlad era certamente atraente. Não, eu sentia um estranho tipo de ligação com ele em vez disso. "Estou feliz por você estar aqui," eu disse. E era verdade. Eu não podia lidar com isso estando ao lado de Mencheres, ou Spade, ou qualquer outra pessoa que me tomasse em um piedoso senso de responsabilidade. Vlad apertou minha mão. "Você vai passar por isso, mas antes você deve fazer isso, você tem que enfrentá-lo." Ele. Bones. Eu desviei o olhar. "Eu aprecio a opinião, mas para este assunto, isso é perda de tempo. Eu não vou vê-lo. Eu não quero ver o que ele está fazendo, ou com quem." "Catherine, você está sendo estúpida." Eu endureci com o insulto e o meu nome real. "Como assim, Drac?" Eu repreendi, usando o nome que ele nunca gostou também. "Você não tem realmente que terminar com ele, porque você ainda está perguntando a si mesma se ele realmente se foi. É por isso que você não vai


deixar isso passar. É também por isso que você vai acabar sendo morta, porque você está tão distraída com isso, que você não notou um vampiro no seu quarto até que ele engatinhou na cama com você. Resolva as coisas com Bones, de uma vez por todas. E então vá adiante, seja com ele ou sem ele." "Eu sei que acabou," eu disse com um disfarce em minha voz. "Ele me disse alto e claro que acabou." "E você quer saber se ele realmente quis dizer isso. Você está se perguntando se ele fez isso só para machucá-la, como você o machucou partindo com o seu inimigo durante uma batalha. Você está enlouquecendo querendo saber se ele está esperando para ver se você vai atrás dele assim como todas as vezes que ele foi atrás de você." "Pare de bisbilhotar minha mente!" Ouvir minhas especulações secretas em voz alta era como uma cirurgia sem anestesia. "Isso não é como uma ideia inconcebível," ele continuou calculadamente. "Ele estaria causando seus piores temores assim como você fez com ele. Isso é um castigo justo, na minha opinião. Eu apenas duvido que Bones tenha determinação para fazer isso." "Então porque você está me dizendo para descobrir se você acha que eu apenas vou levar um tiro baixo outra vez?" "Porque se você estiver certa, ele vai bater na minha porta de qualquer maneira. Se não, então você estará arrasada, porém determinada, desde que você está muito mais forte do que você imagina." Eu mastiguei meu lábio inferior. Ariscar ter meu coração pisado novamente apenas para ver se isso era algum estranho tipo de jogo de poder vampírico? E se fosse isso, eu poderia perdoá-lo? Será que eu iria querer? De qualquer maneira, eu saberia, o que eu acho que era melhor do que conduzir a mim mesma a loucura que paira sobre a fina linha do arrependimento. Vlad deve ter lido isso na minha mente, porque ele assentiu. "Na parte da manhã, ligarei para Spade e marcarei seu encontro com Bones. Bones não irá se recusar a vê-la, não importando suas intenções para com você. Então você saberá se isso acabou." Isso era demais para ponderar com uma contagem baixa de ferro e pouco tempo de sono. Eu me deitei com um suspiro, esquecendo a minha consciência de estar em uma cama com ele. Vlad se ajeitou ao meu lado, colocando sua cabeça em meu travesseiro.


"Aham." Limpei a garganta. "Não acabamos de concordar que somos apenas amigos?" "Sexo não é do que eu estou atrás. Faz um longo tempo desde que eu durmo ao lado de uma mulher que significasse algo para mim." "Ah. Está bem." A festa do pijama com Drácula? Levando tudo em conta, por que não? "Ok, mas eu ronco". Ele sorriu. "Eu tenho estado sob o mesmo teto que você por uma semana, então eu já sei disso." Eu dei-lhe um olhar aborrecido, mas depois me estendi na cama, como eu normalmente faço. Vlad colocou seus braços em volta de mim e descansou sua cabeça em meu travesseiro. Eu deveria ter ficado constrangida por estar na cama com ele, especialmente desde que ele estava com o peito nu, e eu só tinha uma longa camisa de dormir sobre a minha roupa íntima, mas eu não estava. Era agradável dormir com alguém novamente, mesmo ele não sendo o alguém de quem eu sentia falta. "Boa noite, Cat," ele disse, embora estivesse quase amanhecendo. Eu bocejei e fechei os olhos. "Boa noite, Vlad." ___ A batida na porta não me acordou. Deve ter sido muito suave e hesitante. Somente quando Vlad disse, "Pode entrar" em um nada-prazerosotom eu acordei. Deus, ele estava certo. Meus reflexos estavam uma merda. Shrapnel enfiou sua cabeça para dentro. Eu mentalmente repreendi Vlad por não me dar a chance de desaparecer no banheiro. Quão incriminador isso parece? "Perdoe-me, Mestre, mas quem está ao telefone diz que é urgente. Posso te dar o telefone?" Ele o segurou próximo ao seu lado, obviamente nervoso. Talvez Vlad fosse mal-humorado quando acordasse. Vlad gesticulou. "Muito bem, traga-o." Shrapnel se moveu como uma lebre, então saiu apressado, fechando a porta atrás dele. "Quem é?" Vlad rangeu ao telefone.


A voz de Spade retumbou em voz alta o suficiente para eu ouvir. "Se você não colocar a Cat na linha desta vez, eu vou te assar vivo em seus malditos fluídos-" Peguei o telefone dele. "O que foi? Eu estou aqui, o que está errado?" Houve um momento forte de silêncio. Tarde demais, eu percebi o que tinha feito. Vlad levantou um ombro, como se dissesse, você está presa agora. "Me disseram que Vlad não podia ser perturbado, porque ele estava na cama." Cada palavra era uma severa acusação. "Que ele estava extremamente indisposto. Malditas bolas de Lúcifer, é por isso que você não tem retornado minhas ligações?" "Eu-eu-eu não..." Bom Deus, eu estava gaga. "Sem dúvida!" "Olha, não mesmo!" Minha raiva veio ao meu resgate. "Se algo está errado, me diga, mas se você está apenas brincando de policial de vaginas, você deve começar com seu melhor amigo. Ele provavelmente está com o nariz em uma exatamente agora." "O traseiro dele está em profundo perigo, se você ainda se importa," foi a resposta gelada de Spade. Isso levou toda a hostilidade pra fora de mim. Spade não era um histérico exagerado. Eu agarrei o telefone como se ele estivesse escorregadio. "O que aconteceu?" Talvez eu soasse como o medo que eu sentia, porque a voz do Spade perdeu um pouco da sua ira. "Fabian, o seu assistente fantasma, esteve em Nova Orleans tentando falar com ele. Do que ele pode deduzir, Crispin será forçado a deixar o Quarter em breve. E Gregor está esperando do lado de fora da cidade." "O que você quer dizer com" forçado a deixar?" Minha voz não conseguiria ser mais estridente. Vlad recuou. "Crispin foi a Nova Orleans para ter um encontro com Marie. Depois disso o lugar foi tomado, pelo o que eu entendi, Marie fechou o Quarter para todos os visitantes mortos-vivos, e Gregor está reunindo muitas forças além de periferia da cidade." Eu dei um pulo e comecei a vasculhar as roupas. Vlad saiu do meu caminho sem se perturbar. "Você está aí? Está a caminho?"


"Nós não podemos, esse é todo o maldito problema! Por sua causa, Gregor tem direitos claros para tomar Crispin sob nossas leis. Nenhum vampiro pode vir em seu auxílio sobre isso." Sentei-me no chão, meus joelhos fracos. Por um segundo, eu não conseguia nem respirar. Então comecei a planejar. "Ele terá que ser retirado de lá pelo ar. Um helicóptero seria melhor. Podemos armá-lo com balas de prata. Nós vamos ter um espaço aéreo para um avião. Você quis dizer que você tem deixado mensagens para mim sobre isso?‖ Eu dei a Vlad um olhar verdadeiramente ameaçador. "Eu tenho deixado mensagens para você me ligar, mas nós só descobrimos essa noite sobre a emboscada de Gregor." Vlad deu de ombros, sem remorso. "Você disse que não queria falar com eles. Esta parte é novidade para mim. Eu teria te falado se eu soubesse." Eu não seria uma cadela com ele. Afinal, me esconder era minha própria culpa, não do Vlad. "Há um problema com seu plano, Cat," Spade disse firmemente. "Caso contrário, já teríamos feito algo semelhante. Ninguém de qualquer linha é permitido na cidade, e isso significa acima dela, também. Isso seria condená-lo à morte por um decreto de Marie, e ela é poderosa demais para deixar isso passar. Eu me arriscaria, mas se um vampiro ou ghoul cruzar a linha para o Quarter, Gregor e seu povo irão segui-lo. Tem que ser humanos sem afiliação vampírica, você entende?" Sim, eu entendi. Agora eu entendo por que Spade estava tão desesperado para falar comigo. "Me dê o seu número. Eu vou te ligar de volta."


CAPÍTULO VINTE E UM. ―Testando três, dois, um... você me escuta, Geri?‖ Tenente Geri Hicks, minha substituta com a equipe de Don, tossiu e murmurou, ―Afirmativo.‖ Ela tinha uma linha de recepção cirurgicamente plantada debaixo da pele, levando minha voz diretamente a seu tímpano. Se eu gritasse, ela sentiria dor. O microfone era menos invasivo localizado em seu colar. ―Qual é a sua localização, Geri?‖ ―Cruzando a Rua St. Ann e indo em direção a Bourbon. O monitor ainda mostra que ele está lá?‖ Eu verifiquei as imagens de satélite do French Quarter no meu laptop emprestado. A turbulência do avião não ajudava, mas eu ainda podia localizar Bones. E a mulher perto dele. ―Afirmativo. Há um pequeno atraso, como você sabe, mas ele deve estar lá. Você fazendo tudo certo?‖ Geri estava nervosa. Eu não podia culpá-la. Ela tinha que trazer Bones sem fazer com que ele ou ela fossem mortos. É, eu teria sido repreendida também. ―Estou bem,‖ Geri disse. ―Entendido. Agora vá pegá-lo.‖ Eu era a única pessoa que Spade conhecia que tinha contatos humanos sem afiliações diretas com mortos-vivos e que podia reunir poder aéreo militar e completo apoio com armas e tecnologia de ponta. Claro, podia ser argumentado que minha velha equipe tinha conexão com Bones, mas nenhum deles estava mais sob seu comando desde que eu me demiti. Eu devia muito a meu tio por isso. Já que ela era humana, Geri não poderia ver Fabian. Ele estava lá, porém, tentando soltar pistas sobre nosso plano enquanto não era notado por qualquer pessoa de Marie. Essa não era uma tarefa fácil. Quando isso estivesse terminado, eu deveria muito a Fabian também. Como se recompensa um fantasma? Esse era um assunto do qual eu iria pensar mais tarde. ―Se aproximando do alvo, ficando em silêncio,‖ Geri sussurrou. Na tela, eu a vi se aproximando de Bones. Ele estava no Pat O‘Brien‘s, na área externa, bebendo o que eu achava que era seu uísque de costume. Seu braço estava pendurado ao redor de uma linda morena, que estava quase colada a ele. Até agora, a mão dela percorria o quadril dele.


Eu apertei os punhos. Cadela, você e eu vamos ter uma maldita longa conversa depois disso. Cannelle não poderia ouvir meu aviso mental, mas Vlad podia. Ele se reclinou na cadeira em frente a mim, a turbulência do jato não o incomodando. Nós estávamos a caminho do ponto de encontro se tudo corresse bem. ―Você realmente não gosta dela.‖ Eu não respondi em voz alta. Isso poderia confundir Geri, já que eu estava usando fones. Não, eu realmente não gosto. ―Eu sei que isso é precipitado,‖ Geri ronronou através do meu fone de ouvido quando o satélite a mostrou alcançando Bones e sua companhia, Cannelle, ―mas depois de ver você dois, lindos seres, eu não posso me decidir com quem eu quero transar primeiro.‖ ―É isso ai garota,‖ eu sussurrei. Deus, estimulando alguém a chegar no homem que eu amava! Eu respirei fundo. O que ele faria? Ele tinha que saber que eu enviaria Geri. Ele iria desmascarar seu disfarce? Ou entrar no jogo e sair de lá? ―Decisão fácil, amor.‖ O colar dela captou cada nuance do sotaque dele. ―Primeiro as damas. Não é verdade, Cinnamon*? *Significa canela em inglês, assim como Cannelle em francês, que é o nome dela. A conhecida risada de Cannelle penetrou bem dentro do meu coração. O encosto para braço do avião perdeu um pedaço. ―Ela parece muito ardente, chéri. Eu estava esperando por uma companhia mais suave, non?‖ Geri não deixou a depreciação de Cannelle fazê-la tropeçar. Ela mergulhou os dedos na bebida de Bonés, em seguida deu um belo show de lamber o álcool deles. ―Eu serei tão gentil quanto um carneirinho, doçura.‖ Geri realmente tinha percorrido um longo caminho desde a pessoa que eu treinei meses atrás. Cannelle pegou o pulso de Geri, colocou a palma da mão em seus lábios e lambeu. ―Veremos.‖


Em seguida Cannelle colocou os braços ao redor de Bones e o beijou. Através do microfone de Geri eu quase pude ouvir Cannelle se esfregar nele, seu gemido silencioso de apreciação e o ruído masculino enquanto ele a apertava para mais perto. Dois minutos inteiros depois, ele levantou a cabeça. Até lá eu quase o queria morto. Vlad me observava sem pena. ―Outra pessoa podia estar fazendo isso.‖ Ele estava certo. Eu insisti em ser a transmissão. Eu não confiava em ninguém mais para algo tão importante, não importa que isso fosse brutal pra mim. ―Faça-o se mover,‖ eu disse para Geri, bem baixo. Geri ficou em pé entre eles. ―Eu não preciso de preliminares,‖ ela disse, sua voz quase um ronronar. ―Nós temos que nos conhecer? Eu só quero transar de um jeito que vocês nem podem imaginar.‖ Bones se soltou de Cannelle para pegar a mão de Geri. ―Odeio manter uma adorável garota esperando. Vamos, Cinnamon. É isso que eu quero essa noite.‖ ―Eu não posso escolher?‖ Eu ouvi o beicinho na voz de Cannelle. Era tudo que eu podia fazer para não gritar. ―Não dessa vez, amor.‖ ―Chéri–― ―Todas as outras foram sua escolha,‖ ele interrompeu, os guiando pela multidão. ―Continue reclamando e eu farei você esperar até que eu tenha acabado para você a ter.‖ ―Bastardo,‖ eu despejei, incapaz de evitar. Todas as outras? Isso não era ótimo!‖ Bones parou em uma calçada. Eu fiquei tensa. Será que ele tinha me escutado pelo fone de ouvido de Geri? Mas em seguida eles estavam andando novamente. Eu soltei o ar. Até agora tudo bem. Bastardo. ―Continue indo em direção a igreja,‖ eu disse para Geri, quase de forma inaudível. Em seguida eu tirei meu fone de ouvido e falei no meu celular.


―Ok, Don, fique de prontidão. Eles estão a caminho. Diga para o Cooper não soltar a escada até ele estar a cinqüenta metros de distância.‖ ―Entendido, Cat.‖ Eu reajustei o fone de ouvido. Geri estava dizendo para Bones que ela queria fazer sexo no telhado da igreja, mas Cannelle estava protestando. ―Non, lá pode ter ratos! Por que não podemos sair daqui por uma noite? Eu te disse que tenho belas amigas em Metairie que eu quero que você conheça.‖ ―Vou te dizer uma coisa, docinho. Nós iremos amanhã. Você vem querendo que eu conheça essas moças há dias, elas devem ser terrivelmente especiais.‖ ―Oui. Très magnifique*.‖ *Muito magníficas. Então Cannelle vem tentando arrastá-lo para fora da cidade, direto para Gregor, eu pensei, com a raiva crescendo. Talvez o passatempo de empalamento de Vlad não fosse tão má idéia. Qual o problema com Bones que não questionou sua insistência? Será que ele estava tão cego pela luxúria? ―Amanhã faremos o que você quer, e essa noite será minha noite,‖ Bones continuou. ―Eu prometo que você verá um novo lado meu.‖ E meu também. Eu realmente estava ansiosa para ver Cannelle pessoalmente novamente. Eu não podia ver mais os três. Ele estavam fora do meu satélite desde que começaram a andar. ―Olhe ao redor, Geri. Você está sendo seguida?‖ ―Você não acha que alguém vai nos pegar subindo no telhado, acha?‖ Geri perguntou, soando envergonhada. Bones a beijou. Eu não podia ver, mas eu podia ouvir. ―De jeito nenhum.‖ Ok. Estava limpo. Deus, eu queria que isso terminasse logo. Com segurança e logo. ―Ah, aqui está a igreja. Agora, minha adorada, olhe pra mim por um momento. Você não precisa se preocupar com meus olhos ou meus dentes, certo? Você não notou nada incomum neles. Você não está com medo, porque você sabe que eu não vou te machucar. Diga.‖ ―Você não vai me machucar,‖ Geri repetiu. ―Eu não estou com medo.‖ Então, é assim que Bones faz em relação ao olhar brilhante e os dentes pontudos quando ele transa com humanos. Eu pensei muito nisso, mas nunca quis perguntar. Eu sabia mais sobre seu passado do que eu queria. Essa cena


era para o benefício de Cannelle, eu adivinhei, já que Bones sabia que Geri conhecia seu segredo. Apenas indo pelos meios normais. Achei que eu ia vomitar. ―Cinnamon, vamos?‖ ―Se devemos, chéri.‖ ―Devemos.‖ Depois de alguns momentos de sons de farfalhar ruidosos, Bones falou novamente. ―Enfim o telhado. Sem ratos, petite, pare de se encolher.‖ Vlad, consiga a ETA do helicóptero. Ele atendeu a diretiva mental e pegou meu celular, apertando rediscagem. ―Eles estão no telhado,‖ ele informou Don brevemente. ―Quanto tempo?...Sim.‖ Ele fechou meu celular. ―Seis minutos.‖ ―Você tem seis minutos Geri. Lembre-se, Bones tem que estar com você e Cannelle quando ele pular, e ela não vai querer ir.‖ ―Venham aqui, minhas queridas. É melhor.‖ A voz de Bones mudou. Se tornou o ronronar voluptoso que costumava me derreter. Ouvi-lo agora só me fez ficar puta. Pior, em seguida vieram suspiros e suaves barulhos de beijos. Então Geri disse, ―Hei, docinho. Maneire um pouco.‖ ―Por que?‖ A voz de Cannelle era agressiva. ―Eu estou pronta para você me agradar.‖ Eu dei uma olhada nas horas. ―Mais dois minutos. Enrole, mas fique de boa, Geri.‖ ―Cinnamon, não seja tão gananciosa. Eu vou adoçá-la para você. Você vai gostar mais pela espera.‖ Eu bati o punho contra minhas pernas, mas não gritei nada. Ao invés disso, eu observei os segundos passarem e tentei escutar com distanciamento clínico por sinais de perigo. Infelizmente, a maioria do que eu ouvia não eram sons de perigo. Faltam trinta segundos. Mesmo que alguém ouvisse sem querer, não poderíamos esperar mais. ―Conte a ele o plano, Geri,‖ eu disse.


―Bones, um helicóptero vai passar sobre a igreja a uns duzentos metros de altura. Ele terá uma escada de correntes pendurada. Quando você a vir chegando, jogue seu traseiro para cima com nós duas e a agarre. Assim que estivermos fora da cidade, você vai pular para dentro de outro avião. Spade estará nele.‖ ―O que é isso?‖ Cannelle sibilou. ―Dez segundos,‖ eu falei como uma lixa. ―Nove, oito, sete...‖ ―Sabe de uma coisa, Cinnamon?‖ Bones perdeu o timbre sedutor de sua voz, e ela se tornou fria como aço. ―Eu estou cheio de você reclamar.‖ ―...um,‖ eu gritei. Em seguida foram apenas os sons do helicóptero antes de eu ouvir um som estridente de metal, uma pancada e as palavras que eu estava esperando de Geri. ―Estamos dentro!‖ O helicóptero tinha hélices especiais silenciosas, o que reduz seu ruído normal. Porém, fez Cooper e os dois co-pilotos inaudíveis. Geri ainda não estava, claro. ―Ela ainda está respirando?‖ Geri perguntou. ―Você bateu nela bem forte.‖ ―Ela vai viver.‖ Houve o som de algo deslizando, então Geri disse bruscamente, ―Tentou enfiar minha cabeça entre suas pernas, hum? Quem está feliz agora, cadela?‖ ―Ela não pode sentir você a chutando,‖ Bones disse, sem crítica em sua voz. ―É, bem, eu posso sentir, e eu estou adorando!‖ Mais sons de pancadas se seguiram. Eu não queria interromper. Cannelle sendo chutada me agradava muito. ―Onde ela está?‖ Bones perguntou. Eu congelei. Geri soltou um último ―oof!‖ que parecia como um gemido ao dar um pontapé para nocautear e respondeu. ―Quando você chegar no avião, você será levado até ela.‖ Bones não disse nada, mas seu silêncio parecia dizer tudo. Não havia necessidade de vê-lo cara a cara, eu pensei desoladamente. Todas as outras foram sua escolha, Bones havia dito para Cannelle. É, era tudo que eu precisava ouvir para saber que tinha terminado. Vampiros podem ser capazes de perdoar traições como uma aceitável forma de vingança, mas eu devo ser


muito humana pra isso. Eu aturaria muita coisa de Bones e consideraria um troco justificado, mas não isso. Eu esperei até Bones ser transferido para o avião de Spade como planejado antes de pendurar meu fone de ouvido. Geri provavelmente estava satisfeita por não ter mais minha voz batendo em seu tímpano. Somente Bones estava fazendo o salto aéreo; Geri e Cannelle iam ficar no helicóptero. O avião de Spade devia encontrar comigo no ponto de encontro em um dos locais de Don, mas agora isso não era necessário. Eu liguei para meu tio. ―Mude o plano de vôo de Bones,‖ eu disse. ―Não me diga para onde, mas não vôe com ele para onde eu estarei.‖ Meu tio não fez perguntas desnecessárias. ―Tudo bem, Cat.‖ Eu desliguei. Vlad esteve me observando o tempo todo. Eu tentei mostrar o que teria sido uma terrível imitação de um sorriso. ―Isso responde tudo.‖ ―Não é como se os antigos hábitos dele não fossem familiares pra você,‖ Vlad respondeu, sem falsa simpatia em sua voz. Não, não eram. Mas eu não esperava ouvir enquanto Bones admitia os numerosos casos. Ou eu esperava? Ele teria dito a mesma coisa na minha casa se eu tivesse encontrado com ele. Deus, pelo menos eu pude evitar isso. Eu queimaria em lágrimas e perderia o pouco de dignidade que eu ainda tinha. Duas horas mais tarde, nós pousamos na base, apesar de eu não saber onde. Do lado de fora, a maioria das instalações militares pareciam a mesma coisa, de qualquer forma, não que eu estivesse olhando. Eu tinha os olhos fechados e a mão no braço de Vlad enquanto eu saia do avião. ―Olá, Comandante,‖ uma voz masculina disse. Eu sorri mesmo com os olhos fechados. ―Cooper, eu diria prazer em te ver, mas me dê um minuto.‖ Ele roncou, o que era sua versão de gargalhada, e logo eu estava dentro da instalação. ―Pode abrir os olhos agora,‖ Cooper disse. Seu rosto familiar foi a primeira coisa que eu vi, pele escura e com o cabelo ainda mais curto do que Tate. Eu lhe dei um breve abraço, que parecia surpreendê-lo, mas ele estava sorrindo quando o soltei. ―Senti sua falta, esquisita,‖ ele disse, com um sorriso.


Eu ri, embora tenha soado rouca. ―Você também, Coop. Quais as novidades?‖ ―O helicóptero de Geri chegou trinta minutos atrás. A prisioneira estava presa e acordada. Ian está aqui. Ele está interrogando a prisioneira.‖ Aquilo me fez sorrir de verdade. Eu fiz Ian voar até aqui porque ele era um bastardo sangue frio–e nesse momento, eu gostava disso nele. ―Você pode ficar aqui ou vir comigo, é com você,‖ eu disse para Vlad. ―Eu vou,‖ ele respondeu, dando a Fabian, que apenas flutuava ao redor, um olhar superficial. O fantasma pairava sobre o chão perto de Cooper, que não podia vê-lo porque era humano. ―Fabian, você foi incrível,‖ eu disse. ―Não importa o que, eu vou cuidar de você. Você sempre terá um lugar pra ficar.‖ ―Obrigado,‖ ele disse, esfregando sua mão através da minha em sua forma de afeição. ―Sinto muito, Cat.‖ Ele não precisava dizer o motivo. Era óbvio. Meu sorriso se tornou frágil. ―Quem disse que ignorância é uma benção era míope, se você me perguntar. Mas o que está feito está feito, e agora eu tenho um relacionamento para renovar.‖ O fantasma pareceu momentaneamente esperançoso. ―Bones?‖ ―Não. A pequena cadela lá dentro, e talvez você não queira me seguir dessa vez. A coisa vai ficar feia.‖ Eu não tive que falar duas vezes. Com um rodopio, Fabian desapareceu. Truque legal. Pena ter que ser um fantasma pra fazer isso. Meu tio esperava por mim mais a frente no corredor. Ele parecia... mal; ―Há algo errado?‖ eu perguntei, instantaneamente preocupada. O vôo de Bones tinha sido seguido, ou atacado, ou pior? ―Não.‖ Ele tossiu. ―Eu só peguei um resfriado.‖ ―Oh.‖ Eu lhe dei um abraço de cumprimento. Me surpreendeu quando ele retribuiu e permaneceu assim. Não éramos uma família que se abraça. Vlad cheirou o ar. ―Um resfriado?‖ Don me soltou e lhe deu um olhar irritado. ―Isso. Não se preocupe. Não sou contagioso para sua espécie.


Ele disse isso bruscamente. Nossa, talvez Don realmente se sentisse uma merda. Meu tio normalmente não era tão grosseiro, mesmo que vampiros não fossem seu grupo favorito de pessoas. Vlad o olhou de cima a baixo e deu de ombros. Don foi direto aos negócios. Era sua característica marcante. ―Eu acabei de vir da cela no andar de baixo. A prisioneira não tem sido muito sociável sobre seu papel nisso.‖ ―Então está na hora de eu ver minha velha amiga.‖


CAPÍTULO VINTE E DOIS. Canelle não parecia ter envelhecido um dia nos 12 anos desde que eu a tinha visto. Na verdade, só seu cabelo castanho-avermelhado estava diferente com seu novo comprimento mais curto. Eu supus que foi de onde ela pegou seu nome. Cannelle. Canela em Francês. Ela sentou em um banco de aço que ocupava uma parede inteira, num lugar que parecia uma caixa. Cannelle não estava presa, visto que Ian e Geri estavam na sala com ela. Mesmo que por algum milagre ela conseguisse passar por eles, havia ainda mais três guardas do lado de fora da porta. Seus olhos eram negros, e sangue escorria da sua boca e da têmpora, mas ela não estava intimidada. Quando entrei, ela piscou, em seguida riu. “Bonjour, Catherine! Já faz um bom tempo. Você finalmente parece como uma mulher. Estou muito surpresa.‖ Senti um sorriso sórdido puxar meus lábios. ―Bonjour pra você mesma, Cannelle. Sim, cresceram peitos, bunda e muito mais. Que diferença doze anos fazem, huh?‖ Ela foi direto ao gargalo. ―Eu tenho que te cumprimentar por seu amante, Bones. Qu’un animal, non?* Neste caso, a sua reputação não foi... graciosa o suficiente.‖ *Que animal, não? Vagabunda. Eu queria rasgar o sorrisinho direto do rosto dela. ―Que pena que ele não parecia impressionado por suas habilidades na cama. Quero dizer, o fato de que você não conseguiu levá-lo a deixar a cidade para um ménage à cinq* não pega bem, não é?‖ *Sugestão de sexo entre 5 pessoas. Ian riu com humor malévolo. ―Oh, vocês duas têm uma história, não é? Você pode querer começar a falar agora, querida. Eu fui gentil com você, mas Cat tem um temperamento perverso. Ela provavelmente vai te matar antes que eu consiga argumentar com ela.‖ ―Ela?‖ Cannelle sacudiu seu dedo com desprezo para mim. ―Ela é uma criança.‖ Cara, ela escolheu a garota errada do jeito errado. ―Me passe a faca, Ian.‖ Ele passou, seus olhos azul-turquesa brilhando. Geri parecia um pouco nervosa. Cannelle nem sequer piscou.


―Você não vai me matar, Catherine. Você banca a mulher durona, mas eu ainda vejo uma menina diante de mim.‖ Ian observou Cannelle com espanto. ―Ela é desequilibrada.‖ ―Não, ela só lembra de quem eu costumava ser. Gregor cometeu esse erro também, no início.‖ Eu sorri para Canelle novamente enquanto girava a faca de uma mão à outra. Seus olhos seguiram o movimento, e pela primeira vez, ela parecia incerta. ―Lembre-se no que aquele grande filho da puta do Gregor não queria que eu me tranformasse? Bem, isso aconteceu. Agora, eu estou com pressa, então aqui está o que eu vou fazer. Eu vou golpear com força essa faca em sua mão, e a única maneira que você vai me parar é falando, então, por favor. Por favor. Não fale.‖ Ela não acreditou em mim. Quando Ian segurou o pulso da Cannelle no banco, forçando sua mão a ficar plana, ela ainda estava me dando aquele olhar eu te desafio. Quando eu segurei a faca sobre a sua mão, dando a ela uma última chance de falar, ela ainda pensava que eu estava blefando. Só depois que eu golpeei com a faca em sua mão entre seu pulso e os dedos, empurrando a faca com uma torção, ela entendeu a coisa. E não conseguia parar de gritar. ―Eu sei que dói,‖ eu comentei. ―Meu pai fez isso com meu pulso no ano passado, e caramba, foi doloroso. Incapacitante, também. Quando eu arranquei a faca, todos os meus tendões estavam rompidos. Eu precisei de sangue de vampiro para curar o estrago. Você vai, também, Cannelle, ou você nunca vai usar essa mão de novo. Então você pode falar, e um pouquinho de sangue de vampiro fará você boa como nova. Ou não fale, e eu incapacito sua mão direita da próxima vez.‖ ―Arrume-a! Arrume-a!‖ ―Você vai nos dizer o que queremos saber?‖ ―Oui!‖ Eu suspirei e puxei a faca. ―Ian?‖ Cannelle ainda estava gritando quando Ian cortou a mão dele e a colocou sobre sua boca. ―Pare de choramingar e engula.‖


Ela engoliu da mão dele. Em segundos, seu sangramento parou e o ferimento em sua mão desapareceu. Geri não conseguia desviar seus olhos longe da mão remendada da Cannelle. Ela estremeceu e esfregou suas mãos como se em reação. Eu estava mais interessada com o rosto de Cannelle. Julgando, em todo caso se ela voltaria em sua palavra. ―Desde que nós temos admitido que eu estou com um humor muito sujo, vamos passar para a fase perguntas-e-respostas. Oh, e se você me fizer usar essa faca de novo... Eu não vou curar qualquer coisa que eu corte. Qual era a sua finalidade no French Quarter com Bones?‖ Cannelle continuou flexionando sua mão enquanto olhava para mim com horror. ―Era para foder com ele, naturalmente, e uma vez que tivesse a certeza de que você ouviu falar da infidelidade dele, eu o levaria para o Gregor. Marie não deixaria que o pessoal do Gregor entrasse no Quarter, embora ela dissesse que Gregor poderia vir.‖ Isso era novidade. Eu tinha pensado que ninguém estava permitido entrar. Ian também estava interessado. ―Se ela concedeu a ele passagem, então por que Gregor não encontrou Crispin dentro do Quarter e lutou com ele lá se ele quisesse matá-lo de fato?‖ A boca de Cannelle se apertou. ―Gregor disse que Bones não era digno de uma luta justa.‖ ―Ou Gregor era só titica de galinha e queria aumentar as chances,‖ eu murmurei. ―Gregor é mais forte,‖ Cannelle sibilou, ―mas por que ele iria permitir que seu adversário morresse com honra, considerando seus crimes?‖ Eu não estava prestes a entrar em uma briga de caráter com Cannelle sobre Gregor. ―Então Gregor tem Maria, a Rainha de Orleans, ao lado dele. Interessante.‖ Cannelle deu de ombros. ―Marie disse que Gregor só poderia emboscar Bones fora de sua cidade, razão pela qual ela não permitiu Gregor vir com a tropa para o Quarter. Marie não quis ajudar a fazer Bones ir embora, tampouco, mas Gregor a criou.‖ ―Ele a forçou?‖ ―Não, você não entendeu. Ele a fez. Foi seu sangue, que a ergueu como um ghoul, e Gregor matou o outro senhor de Marie na noite em que ele a


transformou, então sua lealdade era apenas à ele. Gregor concordou libertar Marie em troca, e Marie queria estar livre de Gregor por mais de cem anos.‖ ―E Bones confiaria em Marie porque ela sempre garante passagem segura em seus encontros.‖ Aquele esperto, babaca trapaceiro. Cannelle realmente sorriu. ―Oui.‖ Minha raiva mudou para gelo. ―Isso é tudo, Cannelle?‖ ―Oui.‖ Virei para Ian. ―Acha que ela tem mais?‖ Ele encontrou meu olhar com a mesma frieza. ―Não, querida. Eu acho que é isso.‖ Eu ainda tinha a faca na minha mão, manchada com sangue de Cannelle. ―Cannelle,‖ eu disse em um tom firme e claro. ―Eu vou matar você. Eu estou te dizendo isso assim você pode ter um momento para orar se você escolher, ou para refletir, que seja. Você atraiu meu marido de volta com plena intenção de levá-lo ao seu massacre, e isso é apenas imperdoável para mim.‖ ―Cat, não,‖ Geri disse. Eu não lhe respondi. Cannelle me deu um olhar cheio de maliciosa desconfiança. ―Mas Bones não é seu marido. Gregor é.‖ ―Semântica. Você está perdendo tempo. Vá direto com Deus. Rápido.‖ ―Eu sou humana,‖ ela sibilou. ―Uma pessoa viva respirando. Você pode me machucar, mas não me matar.‖ Eu ignorei isso, também. ―Marie conseguiu sua liberdade por seu papel nisso. O que Gregor prometeu? Transformá-la em uma vampira?‖ Outro olhar hostil. ―Oui. É meu pagamento por todos os anos que eu tenho servido a ele.‖ ―Você apostou no cavalo errado,‖ eu disse. ―Você não vai ser uma vampira, Cannelle, mas eu vou deixar você morrer como um.‖ Ela se levantou. ―Você não ousaria. Gregor te mataria.‖ Então ela olhou para baixo. A faca de prata estava enterrada em seu peito. Ela até vibrou por alguns segundos com seus últimos batimentos cardíacos restantes. Cannelle observava com espanto o cabo tremer diante de seus olhos vidrados e seus joelhos fraquejaram.


Eu estava sobre ela e senti mais daquela terrível frieza. ―Talvez Gregor vá me matar por isso, Cannelle. Eu estou disposta a correr esse risco.‖ ___ Eu fui ver Don. Ele estava ocupado com seus próprios preparativos para a partida. Eu não sei onde minha antiga unidade estava situada agora, e isso era bom pra mim. Eu não permitiria que Gregor usasse essa informação em seu benefício. Don tampouco. É por isso que toda a nossa divisão foi evacuada depois que eu sai. Vlad estava no escritório de Don. Logo que entrei, ambos pararam de falar. Minha boca se curvou. "Quão óbvios são vocês dois? Vamos, rapazes, qual é o assunto? 'Cat terá um colapso?‘ Ou ‗Dez passos simples para falar com um suicida? Vocês podem parar com isso. Eu estou bem. " Meu tio tossiu. "Não seja tão dramática. Eu estava descobrindo o caminho para manter contato com você desde que você não pode exatamente me enviar um cartão postal, e Vlad estava me informando que você estará com ele." Eu dei a Vlad um olhar que teria sido provocador, se eu não tivesse acabado de passar muitas horas voando sobre o oceano com o estômago vazio, com falta de sono e em geral muito tensa. "Por enquanto." Vlad sorriu, desdenhoso e divertido ao mesmo tempo. "A escolha é sua, Cat. Eu não estou forçando você." Don olhou para trás e para frente entre nós, seus olhos cinzentos se estreitando. Eles eram da mesma cor de fumaça como o meu, e agora, eles estavam brilhando com desconfiança. "Há algo acontecendo com vocês dois que eu deveria saber?" "Não há algo acontecendo com você que ela deveria saber?" Vlad reagiu. Agora era a minha vez de olhar entre eles. "O quê?" Don tossiu e deu um único olhar para Vlad. "Nada." Vlad soltou um grunhido evasivo. "Então isso é tudo que você vai tirar de mim também, Williams." Eu estava prestes a procurar saber o que inferno essas entrelinhas eram quando Don falou.


"Cat, você havia me pedido para descobrir se essas pílulas para dormir tinham algum efeito secundário. Eu chequei com a patologia, e eles disseram que você pode sofrer de depressão, variações de humor, paranóia e fadiga crônica. Você percebeu algum desses sintomas?" Lembrei-me de meus últimos momentos com Bones e não podia evitar dar uma louca gargalhada. "Yeah. Todas elas, e ao mesmo tempo. Esta informação teria sido útil há algumas semanas atrás, mas isso é irrelevante agora." Eu não ia usar essas pílulas novamente. Eu prefiro ser ignorante sobre meu paradeiro do que me sujeitar aos efeitos colaterais que tinham ajudado a me separar de Bones. Don deve ter adivinhado alguns da minha série de pensamentos, porque ele me deu um olhar triste. O momento foi quebrado quando Cooper veio correndo. "B4358 está vindo para o pouso". "O quê?" Meu tio repreendeu. "Eles não tiveram permissão!" Meus olhos se arregalaram. Esses eram os números de comunicação para o avião de Dave. O que estava carregando Bones e Spade. "Eu sei, senhor. A torre ordenou-lhes que não pousassem, mas eles disseram que um inglês pegou o comunicador e disse para desligá-lo ou ele iria bater neles pra valer." Bones. "Nós temos que ir," Eu disse a Vlad. "Agora." "'Corra, Forrest, corra!" Vlad zombou. "Guarde isso, Drac,‖ eu repreendi. "Com ou sem você, eu estou no ar antes que ele desça aquele avião." "Isso será comigo. Williams" - Vlad deu um aceno para o meu tio - "adeus. Poucas pessoas têm a sua determinação para andar seu caminho até o fim para essa conclusão." Eu nem mesmo reservei um momento para dar ao meu tio um abraço. Eu estava no meio do corredor, lançando um "Obrigada, tchau!" Sobre meu ombro. "Esteja segura, Cat," Don falou atrás de mim. Eu tentarei o meu melhor. __


Isso foi tão perto, eu sabia que seria assombrada por isso, e o fantasma a bordo não tinha nada a ver com isso. Cooper tinha abastecido o nosso avião, enquanto eu estava lidando com Cannelle, portanto, o tempo não foi perdido. Vlad caminhou para fora, entrando momentos depois de mim, com Fabian agarrado ao seu ombro. Eu estaria bem se eu não tivesse sido compelida a olhar para fora pela pequena janela do bimotor que decolou com a gente. Nosso avião atingiu os céus justamente quando a porta do Cessna* se abriu, e uma figura muito familiar saiu dele. Por um louco momento de parar o coração, eu senti como se Bones estivesse olhando diretamente para mim. *Tipo de avião. "Por que eu ouço a música de Casablanca tocando na minha cabeça?" Vlad perguntou numa voz irônica. Eu olhei para longe da pista. "Você é uma enciclopédia de cinema, não é?" "E você é o menino que chamou o lobo. Se você disser que acabou, então deixe isso acabar, ou livre-se dessa falsa certeza de que você não acredita em si mesma." Maldito usurpador romeno impiedoso. Por que eu estava em um avião com ele, afinal? Por que eu apenas não sai sozinha, viajar pra uma floresta tropical, e me esconder lá sozinha até que Gregor, os ghouls, e todos os outros se esquecessem de mim completamente assim como Bones se esqueceu? Eu dei mais uma última olhada pela janela. Agora estávamos alto o suficiente que eu não podia ter certeza se ele ainda estava olhando para nós - ou se ele virou sua cabeça, como eu fiz. "Você está certo," eu disse a Vlad. Sua mão se estendeu. As cicatrizes que a cobriam eram testemunho mudo de décadas de batalhas que ele lutou, e isso foi justamente quando ele era humano. Eu entendi isso, minha alegria não era esvaziar mais nada e me odiar por me sentir desse jeito. Quão fraca eu era. Vlad apertou uma vez. "Eu não quero estar sozinho agora também," ele disse, fazendo isso soar muito razoável e não como algo para se envergonhar. Eu suspirei. Certo de novo, companheiro. Isso é dois a dois.


CAPÍTULO VINTE E TRÊS. Água girava ao meu redor. Tudo estava escuro e nebuloso. Onde eu estava? Como eu cheguei aqui? O ar tinha um cheiro terrível, e o líquido no qual eu estava lutando se tornou negro e muito denso para boiar. Um pouco daquilo entrou na minha boca, fazendo-me vomitar. Aquilo não era água, depois de tudo. Era piche. "Socorro!" Meu choro não foi respondido. O piche parecia estar me puxando para baixo. Eu arfei, sufocando, e senti queimar quando um pouco daquele piche entrou em meus pulmões. Eu estava sendo sugada para dentro dele. Me afogando. Um nebuloso pensamento passou pela minha mente. Então é assim que eu vou morrer. Engraçado, eu sempre pensei que seria durante uma luta… "Pegue minha mão," uma voz urgente disse. Cegamente eu estendi a mão, incapaz de ver além do líquido preto em meus olhos – e então o piche hávia sumido, e eu estava em pé na frente do homem de quem eu estava fugindo. "Gregor," eu cuspi, tentando me forçar a acordar. Um sonho, você está apenas presa em um sonho. "Maldição, me deixe em paz!" Gregor pairava sobre mim. Um vento imperceptível soprou seu cabelo lourocinzento, e aqueles olhos verdes esfumaçados estavam brilhando esmeralda. "Você pode ter mandado o seu amante para além do meu alcance dessa vez, mas eu o terei breve o bastante. Qual a sensação, minha esposa, de ser posta de lado? Ah, chérie. Você merece a sua dor." Gregor tinha um firme aperto nos meus braços. Eu podia senti-lo tentar me puxar para fora da minha própria pele, e eu lutei um momento de pânico. Eu havia acabado de arranjar a fuga do Bones, porque eu não tinha esperado que o Gregor estaria esperando que eu fechasse os olhos? Seu poder parecia estar penetrando em mim, lentamente me preenchendo. Eu queria distraí-lo, rápido, de envolver aquela perigosa aura em torno de mim. "Você cometeu um erro enviando a Cannelle. Caso você não tenha ouvido, eu a matei. Ian está enviando o corpo dela para você com um grande laço vermelho. Você terá dificuldade para conseguir recrutas para fazer seu trabalho sujo quando as pessoas ouvirem sobre isso." Gregor assentiu, não parecendo particularmente chateado. "Oui, isso foi inesperado, e isso vai te custar, ma femme. Volte para mim, e talvez eu não faça o preço muito alto."


"Por que você está tão obcecado por eu voltar?" Eu perguntei em frustração. "Nós claramente não somos compatíveis. Você não age como se me amasse. Metade do tempo, eu nem mesmo penso que você goste de mim." Algo brilhou no rosto do Gregor, rápido demais para eu determinar o que era. "Você é minha," ele disse finalmente. "Logo você verá que pertence a mim." Havia mais do que isso, eu simplesmente sabia, mas eu tinha maiores preocupações no momento. O poder do Gregor se flexiou em torno de mim. Eu tentei afastar as mãos dele, mas era como se elas estivessem soldadas em mim. "Eu tenho más notícias para você, então, porque voltar a andar em cascas de ovos em torno de todas as suas variações de humor? Desculpe, Gregor. Você perdeu sua chance comigo quando eu cresci e desenvolvi a auto-estima. Eu nunca vou voltar para você." "Por que você faz isso!" ele gritou, desistindo do seu falso exterior de calma. "Eu te ofereço tudo, e você me despreza como se eu fosse inferior àquele amante prostituto que deixou você!" Sua raiva estava atraindo o seu poder de volta para si mesmo e longe de mim. Eu pressionei minha vantagem. "Porque eu sou mais feliz sendo a rejeitada de um prostituto do que eu jamais seria como sua esposa." Gregor me empurrou para longe dele. Eu caí para trás no poço de piche, até meus ombros naquela gosma preta pegajosa. Ele se elevou sobre mim e sacudiu o punho. "Você é minha querendo ou não, e você pode pensar nisso enquanto continua a se esconder de mim. Eu vou encontrar o Bones de novo quando ele não tiver o seu povo o cercando. É só uma questão de tempo. E então, chérie, ele morrerá." Eu não tive a chance de gritar o meu ódio por ele, porque o piche fechou sobre a minha cabeça no instante seguinte. Eu estava descendo muito rápido, como se eu estivesse sendo despejada, e então… Eu me sentei de uma vez na cama. Os lençóis em volta de mim estavam úmidos, mas não por causa do piche. Eu estava coberta de suor frio. E eu estava mais louca que o inferno. "Eu vou te matar, Gregor," eu rosnei para o quarto vazio. O que quer que restasse da emoção positiva que eu havia tido por ele quando adolescente, havia desaparecido. Se eu tivesse outra chance com uma faca de prata presa


nas costas de Gregor, eu a torceria com um sorriso. Você deveria ter feito antes, minha mente zombou. Nenhuma boa ação fica impune. Vlad entrou no meu quarto sem bater. "Sua raiva tem fervilhado na minha mente pelos últimos cinco minutos." "Eu odeio ele," eu disse, levantando-me da cama para caminhar. Vlad olhou para mim sem piscar. "Eu não tenho nenhum motivo para guerrear com o Gregor, Cat, mas me dói ver você assim." "É tão enlouquecedor," eu continuei. "Bones pode ser capaz de matar o Gregor, se ele o pegar sozinho em uma luta justa, mas Gregor não irá por esse caminho. E eu não sou forte o suficiente para derrubar o Gregor. Eu respiro, sangro, eu não curo instantaneamente – Eu não sou forte o suficiente para ele. Ser meio humana foi ótimo para o meu antigo emprego. Todas essas coisas que eu mencionei, atraiam meus alvos e me faziam uma caçadora mais eficaz. Mas com vampiros realmente velhos, como Gregor, isso apenas me faz… fraca." Vlad não disse nada. Ele não precisava. Nós dois sabíamos que era verdade. "O que você vai fazer sobre isso?" ele perguntou finalmente. Eu parei de caminhar. Essa era a pergunta de um milhão de dólares, não era? ___ Na noite seguinte, Vlad, Maximus, Shrapnel, e eu estávamos no andar de cima, jogando poker. Vlad havia ganhado a noite toda, uma façanha que eu jurava que era por causa da sua habilidade de leitura de mente – embora ele tenha jurado que não as usou em mim – e o fato de que Shrapnel e Maximus estavam provavelmente com medo de derrotar o Vlad, mesmo se pudessem. Era quase meia-noite, quando houve uma batida forte lá em baixo. Os três vampiros saltaram para os seus pés em um borrão de movimento. Chamas já estavam disparando das mãos do Vlad. Vlad não estava esperando ninguém; o que era muito claro a partir da sua reação, então eu entendi o motivo do alarme deles. Quem quer que fosse, tinha conseguido passar a formidável guarda do Vlad, sem ser notado, escolhido bater para nos mostrar que não precisava do elemento surpresa, e tinha feito tudo isso sem o vampiro muito poderoso, que caminhava para fora da sala, perceber se quer que eles estavam aqui. Resumindo, nós estávamos profundamente na merda. Eu segui o Vlad, mas ele se virou com um rosnado. "Fique aqui."


Eu respondi com um rugido mental sobre como ele poderia ir direto para o inferno se ele esperava que eu apenas torcesse as mãos e esperasse, quando algo se movendo do lado de fora da janela chamou minha atenção. Eu apontei. "Olhe." Cerca de três dezenas dos guardas de Vlad estavam elevados, sãos e salvos, contra o claro céu noturno, todos girando em círculos lentos cerca de seis metros fora do chão. Eles estavam abrindo e fechando suas bocas, incapazes de falar, mas, aparentemente tentando. Isso me deu uma boa idéia de quem estava lá embaixo batendo na porta. Apenas um vampiro que eu conhecia podia incobrir seu nível de poder para evitar ser detectado, e girar guardas mortos-vivos emudecidos no ar como vaga-lumes. Vlad também deve ter adivinhado, a julgar pelas chamas lentamente se extinguindo de seus punhos cerrados. "Mencheres," ele murmurou. Eu congelei no corredor, me perguntando se o vampiro mega-Mestre estava sozinho – ou acompanhado. A batida soou outra vez. Agora ela parecia ainda mais ameaçadora do que quando eu pensei que eram as forças inimigas. Vlad fez sinal para Shrapnel e Maximus para baixarem suas armas. "Fique aqui," ele disse para mim novamente, mas com nenhuma da sua veemência anterior. "Eu vou descobrir o que ele quer." "Mencheres," Eu ouvi Vlad dizer momentos depois, para o eco de uma porta se abrindo. "Você é bem-vindo em minha casa e pode entrar. Você" – e aqui o meu coração pulou uma batida, porque o veneno naquela única palavra confirmou minhas suspeitas –"não pode." Um riso respondeu àquela rude saudação. Ouvindo o Bones tão perto me atingiu como um golpe físico. "Tepesh, eu percorri um maldito longo caminho para chegar aqui, e por mais bonitos que os seus pequenos batedores de porta em forma de dragões sejam, eu não pretendo gastar mais tempo aqui fora os admirando." Mencheres, mais diplomático, se dirigiu ao Vlad com a paciência que os pais usam em uma criança teimosa. "Vlad, você sabe que eu não posso permitir que você proíba a entrada do coregente da minha linha. Fazer isso seria insultar-me também, e sei que você não pretende fazer isso."


"Deixe meus homens descerem," Vlad disse com uma tensão em sua voz. "Claro." Mencheres realmente fez aquilo soar como se ele tivesse esquecido dos mais de trinta vampiros no ar. Houve várias pancadas um momento depois. Em outro humor, eu teria achado aquilo engraçado. "Muito bem, entrem." O tom do Vlad estava longe de ser cortês. "Mas você vai abusar da minha hospitalidade, se você se arriscar a pôr se quer um pé nas escadas, e ambos sabemos de quem eu estou falando." Bones riu de novo, só que desta vez, aquilo soou mais perto. Eles devem estar dentro. "Realmente, companheiro, você é como um cão de caça surtando pelas suas migalhas. Cuidado para não se queimar involuntariamente, ou você vai arruinar esta encantadora imitação de tapete persa." "E eu tive o suficiente dos seus comentários sobre a minha casa!" Vlad latiu. Eu praticamente pude cheirar a fumaça que saia dele. "O que você quer, você não tem uma porra de uma chance de conseguir, companheiro." O sotaque londrino exagerado do Vlad apagou o meu choque momentâneo e o transformou em alarme. Bones não perdeu tempo em deixar o Vlad muito louco. Do que ele estava atrás? "Estou aqui pela Cat," Bones respondeu, toda a provocação desaparecida. Algo como uma onda de emoção tomou conta de mim e eu me senti tonta. Tão rápido quanto, eu fechei minha mente, desejando que eu pudesse fazer o mesmo com o meu coração. Isso poderia ser sobre negócios. Eu não me humilharia, deixando o Bones saber como apenas o som de sua voz estava me afetando. Bones havia falado sobre o quão ótimo meus escudos eram em mantê-lo fora. Eu esperava não ter perdido meu toque. "Se ela não quiser te ver, então você desperdiçou seu tempo," Vlad disse, cada palavra era um desafio. Eu ainda estava decidindo se eu queria ou não ver o Bones, quando ele soltou um riso de deboche. "Você não compreendeu, Tepesh. Eu não estou aqui para vê-la. Eu vou levá-la comigo." Meu queixo caiu. Vlad soltou algo como um rosnado. "Eu o fritarei onde você está."


O som inconfundível de facas se atritando me enviou para fora do quarto, empurrando Maximus para o lado com toda a minha força desumana mesmo enquanto o Bones respondia: "Tente." "Pare!" Três cabeças viraram para mim. As mãos do Vlad ainda estavam em chamas, e o Bones tinha duas facas de prata em suas mãos. Mencheres estava a alguns metros, assistindo-os como um juiz silencioso. Eu desci as escadas. Fabian flutuou atrás de mim, entrando e saindo da parede. Um olhar de relance me mostrou o que havia de diferente no Bones desde que eu o tinha visto pela última vez. Seu cabelo estava mais curto, cortado rente à cabeça e enrolando nas pontas. Seus olhos estavam contraídos quando eles encontraram os meus. Destituídos de qualquer emoção. Aquela foi a coisa mais difícil de ver. "O que você acha que está fazendo?" Eu perguntei a ele. "Pegando você," ele respondeu, arqueando uma sobrancelha. Se ele tivesse dito aquilo enquanto oferecia rosas e se desculpava, eu poderia ter me comovido. Mas Bones disse aquilo como se ele estivesse falando sobre um par de sapatos que ele tinha perdido. Eu estreitei meus olhos. "E se eu não quiser ser pega?" Bones olhou para o Vlad, para mim, e deu um sorriso assustador. "Então, como convidada dele, Tepesh se sentirá obrigado pela honra a te defender. Isso significa que ele e eu teremos que lutar, e ele já está bastante irritado. Eu calculo que ele vai tentar me transformar em cinzas imediatamente. Claro, isso se eu não rasgar o coração dele aberto com prata primeiro. Então, se você se recusar a vir comigo, um de nós estará morto nos próximos minutos. Ou, você pode vir e nós dois vamos viver." Vlad soltou uma maldição suja ao mesmo tempo em que eu estourei "Você está falando sério? Você me deixou, lembra? Agora você quer lutar até a morte por mim? Que tipo de jogo é esse?" "Nenhum jogo, amor" Bones respondeu. "Apenas recuperando o que é meu. Você pode querer decidir logo. Vlad parece que está a ponto de explodir." Eu lancei um rápido olhar para o Vlad, que parecia estar a poucos minutos da detonação. "Você entra na minha casa para chantagear a minha amiga?" Vlad rosnou. Aquelas chamas subiram pelos seus braços. "Eu vou –"


"Eu estou partindo." Vlad virou seu olhar para mim. Eu estendi a mão, ignorando as línguas de chamas em seu braço. "Não. Eu não poderia…" Eu esperava que apenas o Vlad ouvisse o resto da frase. Eu não poderia suportar se algo acontecesse com ele. Eu posso estar puta com o Bones. Inferno, eu poderia querer assar ele em algumas chamas eu mesma, mas eu não podia arriscar a sua vida por teimosia. A julgar pela energia rolando do Vlad, ele não atacaria apenas para ferir. Para não mencionar, eu não estava disposta a arriscar a vida do meu amigo; o brilho nos olhos do Bones disse que ele não atacaria apenas para ferir, tampouco. Vlad puxou a barba e deu um olhar arrepiante para o Bones. "Eu não vou esquecer isso." Bones sorriu em insulto declarado. "Eu certamente espero que você não esqueça." As coisas ficariam violentas a qualquer segundo. Eu passei por eles. Esqueça as minhas coisas; estava na hora de ir. "Você vem ou não?" Eu perguntei ao Bones enquanto saía. "Claro," Bones respondeu. Eu não esperei, mas segurei o braço que o Mencheres educadamente me ofereceu e entrei no que eu assumi que fosse o carro deles, Fabian se arrastava atrás de mim. "Amei sua casa," Bones disse para o Vlad em despedida. A resposta que ele recebeu me deixou feliz por ter escolhido partir. Se os dois lutassem, não havia dúvida de quem venceria. Esperei meia hora depois que partímos antes de falar. Bones havia me entregado um par de fones de ouvido assim que entramos no carro. Eu os liguei alto o suficiente para ser perigoso. Maldição se eu soubesse onde estávamos indo com todo aquele barulho. Mas finalmente, eu os tirei, mantendo os meus olhos fechados. "Que diabos você acha que estava fazendo? Vlad poderia ter te queimado em nada mais do que uma mancha no chão dele, se eu não tivesse decidido ir com você." Bones deixou escapar um bufar. "Eu não duvidei das suas ações por um momento. Você nunca foi capaz de recusar bancar a heroína para me salvar."


Bastardo, eu pensei, e esperava que aquilo penetrasse alto e claro. Seja qual for a motivação do Bones em vir hoje à noite, não foi por razões românticas para me ganhar de volta, isso estava claro. Isso era só o territorialismo vampiro? Mesmo que ele não me quisesse, Bones não queria que mais ninguém me tivesse? Era provavelmente isso. Bem, eu não era propriedade de ninguém, como ele e Gregor iriam aprender. "Você vai se arrepender disso," eu me conformei em dizer. Outro bufo. "Eu não duvido disso também, Kitten." Eu não respondi, apenas coloquei meus fones novamente.


CAPÍTULO VINTE E QUATRO. ‗‘Você não pode estar falando sério. ‘‘ Olhei o edifício abandonado com as janelas quebradas, as paredes desmanchando-se e o telhado em ruínas com mais do que um pouco de desânimo. Para piorar a situação, o edifício era cercado por um ferro velho. Um ferro velho mal cheiroso. Até mesmo Fabian parecia que queria fugir. Bones deu de ombros. ―Eu não vejo o problema. É bem seguro.‖ Seu vingativo, manipulador – ―Se importa de ver seu quarto?‖ ele interrompeu minha degradação mental. O olhar em seu rosto dizia que ele estava se divertindo com isso. "Deixe-me adivinhar… é aquele carro despedaçado bem ali,‖ Eu disse, apontando para um velho Buick amassado. "Oh, você não vai ficar aqui fora". Bones respondeu, caminhando em direção ao edifício. "Quasimodo!" ele gritou. Houve um alto barulho de algo rangendo, como faria uma máquina se ela pudesse sentir dor. Então vindo de fora do lado arruinado do edifício, dois vampiros apareceram como se tivessem brotado do chão. "Nós pensamos que você estaria aqui há uma hora atrás," comentou um deles. "Sua comida está fria." Eu estava prestes a dizer a essa pessoa desconhecida que o cheiro tinha matado o meu apetite de qualquer forma, quando uma morena parecia levitar vindo do concreto próximo a ele. ―Catherine.‖ Eu dei ao Bones um olhar prometendo uma terrível vingança. Ele não olhou para mim, mas sua boca se contraiu. "Da próxima vez,‖ disse minha mãe, abandonando um olá, ―ligue para avisar se você vai chegar atrasada." O prédio era uma fachada. A parte que parecia estar desmoronado escondia um elevador completo com falsos blocos de concreto sobre ele. Pelo menos a estrutura abaixo tinha seu próprio sistema de ar condicionado, então o mal cheiro do ferro velho foi drasticamente reduzido no subsolo do lugar. Meu palpite é que era um velho abrigo de bombas. Don utilizou alguns desses nos


Estados Unidos como sua base de operações. Sem desperdícios, sem necessidade e tudo mais. "Bem-vindo ao Castelo do Lixo,‖ minha mãe disse enquanto dava a mim e Fabian um tour pelo lugar. "Eles tiveram que me arrastar até aqui contra minha vontade quando eu vi isso aqui pela primeira vez. Tenho certeza que o seu marido desprezível escolheu isso apenas por vingança." Eu também tinha, mas não pretendia discutir isso. "Bones não é meu marido, como eu tenho certeza que lhe foi dito." Ela me deu um olhar astuto. "Você não acredita nisso." Seis minutos e dez segundos. Esse foi o tempo que levou para eu querer sair correndo daqui gritando. Bones não estava aqui. Ele tinha me dispensado com um comentário de que tinha negócios para tratar em outro lugar. Isso era tudo que eu poderia fazer para não gritar ―Por que você arriscou sua vida me resgatando de Vlad se ainda não consegue ficar perto de mim?‖ Mas isso deixaria claro o quanto eu me importava. Então, eu não disse uma palavra. Assisti Bones sair sem perguntar quando, ou se, ele tinha a intenção de voltar. Eu preferiria apodrecer sob uma enorme pilha de lixo do que admitir o quanto vê-lo novamente doía, isso sem falar sobre vê-lo se afastar de mim. Pode apostar. Após três dias no Castelo do Lixo, eu decidi que era o lugar perfeito para se estar se você quisesse dar uma de louco, porém tinha um tempo limite para fazer isso lá dentro. Estando presa cinqüenta metros abaixo de um lixão em um equivalente a um porão com um apático fantasma e uma mãe sincera demais, todo o tempo pensando no homem que tinha me deixado, estava fadado a trazer minha insanidade mais rápida do que em qualquer outra circunstancia. Eu já tinha experimentado isso antes. Logo, a idéia de bater minha cabeça contra a parede parecia ser uma maneira divertida de passar dez minutos, e eu fantasiava sobre experiências de quase-morte como se isso fosse uma sobremesa de chocolate. Puberdade seria uma sessão de aroma terapia comparado com isto. Apesar do cheiro, eu fui na parte externa e limpei as seções do ferro-velho apenas para ter algo para fazer. Fabian tinha o seu próprio jeito de lidar com a situação. Ele assistia TV indefinidamente. Minha mãe lia ou fazia palavras cruzadas, algumas vezes entre isso soltava comentários sobre como eu não estaria aqui hoje se tivesse escutado ela. Havia alguma dúvida sobre porque eu preferia passar meu tempo perto de um lixo fedorento? Eu estava varrendo a seção na área do monte de despejo, quando ouvi o ronco do automóvel. Mesmo que eu soubesse que não poderia ser um turista


perdido, desde que ficou claro que nós estávamos depois do fim de lugar nenhum, eu não esperei para ver se era amigo ou inimigo antes de subir ao topo do montão de lixo mais próximo. Morte? Não me assusta. Seria como tirar umas férias da Central do Cheiro. "Quem inventou a senha Quasimodo?" Spade murmurou enquanto saía de seu carro. "Olá, Spade", eu gritei, sacudindo e tirando do ancinho os restos das finas tiras de metal e o eixo de um caminhão. Spade olhou fixamente para mim, revolta e descrença competindo em seu belo rosto. "Pelas bolas peludas de Lúcifer. Você se tornou uma Morlock*. *Morlock: são seres monstruosos e repulsivos que vivem no subterrâneo. Ver Spade me olhando tão tranquilo com sua camisa branca, seus sapatos pretos brilhantes e calças frizadas me lembrou que eu estava coberta da cabeça aos pés de sujeira e, provavelmente, cheirava como alguém com um sério problema de gases. "Eu estive enterrada embaixo de um ferro-velho por dias, o que você esperava?" Spade bateu a porta de seu carro. Bastou olhar para ele para eu ter que lutar contra o impulso de saltar dentro dele e dirigir até que eu desmaiasse no volante. "Eu não posso sentar e assistir você e Crispin se afogarem em sua própria teimosia mais. Meu Deus, Cat, apenas morra e termine com isso." Eu pisquei. "Foda-se você também, amigo.‖ "Volte para o seu veículo, você não é esperado,‖ Techno, um dos vampiros que ficava ali disse. Ele tinha vindo do lado do prédio e portava uma Uzi* carregada com balas de prata apontada para Spade. *Uzi: Pistola-metralhadora. ―Eu estou na lista, seu imbecil,‖ Spade ladrou. ―Agora vire-se e volte antes que eu enfie esse brinquedo no seu traseiro.‖ Spade se virou para mim. Eu agarrei um pneu próximo e lancei para ele, sorrindo ao imaginar marcas disso arruinando a perfeição de sua camisa branca. "Não fale com ele desse jeito, ele está fazendo o seu trabalho."


Spade se recuperou do pneu acertando as costas dele e estava na minha frente com a rapidez de um nosferatu. ―Pelo amor de Deus Cat, aceite o destino, pelo o que você está esperando? Por um segundo, eu quis saber se eu tinha realmente perdido. Parecia que Spade estava tentando me insultar até eu me matar. ―Eu fiz algo para te chatear?" Spade virou-se, fechando seus punhos. Techno olhou para mim confuso, como se questionando se eu estava em perigo. "Quer que eu atire nele?" ele perguntou. ―Você quer estimular as coisas? Você quase não é mais humana agora; porque você insiste em se prender em seu último fragmento mortal inútil?‖ ―Não atire,‖ eu disse a Techno, que tinha levantado a Uzi com essa finalidade. ―De verdade, pode ir.‖ "Ele não é..." Techno começou a engasgar. "Não é o que?" Spade perguntou. "Vocês não devem ter dito a ela sobre isso, posso apostar? É por isso que ela está olhando para mim como se eu fosse um maluco, certo? Porque ela não tem a menor idéia do que estou falando." Meu maxilar cerrou. A cara de Techno confirmou tudo. Filho da puta. "São os Ghouls outra vez?" Eu perguntei, praguejando interiormente por estar tão envolvida com meus problemas e não ter suspeitado do silêncio sobre aquele assunto. Agora eu não tinha uma palavra em mente pra discutir sobre o que estava acontecendo. Spade deu a Techno uma última olhada ameaçadora antes de cruzar os braços. "Sim, são os ghouls. Sua retórica está ficando cada vez mais aldaz. Em certas áreas, os vampiros mestres começaram a desaparecer. Pode ser que eles sejam estúpidos e foram pegos por alguém da nossa própria espécie, mas há razão para acreditar que poderia ser algo mais." Eu olhei fixamente para ele. O olhar da cor de tigre de Spade era inflexível. Gregor estava por trás disso, eu percebi. Quanto maior a paranóia sobre eu me tornar uma vampira/ghoul híbrida, mais apoio para a sua causa de me pegar de volta para que pudesse me controlar ele recebeu. "Por que não fui informada?"


Spade revirou os olhos. "Você não consegue adivinhar? Crispin não quer que isso influencie na sua decisão de se transformar em uma vampira.‖ "Ele não se importa comigo," eu murmurei antes que eu pudesse me impedir. "Você é uma idiota." Eu podia sentir meus olhos se tornando verdes com a raiva. "O que disse?" "Idiota", Spade repetiu, falando pausadamente a palavra para dar ênfase. "Por que você acha que ele te tirou de Vlad? Crispin sabia que se ele tivesse que escolher entre você ou pessoal dele, você iria perder. Tepesh pode ser apaixonado por você, mas ele é super protetor com seu povo.‖ Eu tive que desviar o olhar por um momento. Então balancei minha cabeça. "Se Bones se preocupasse comigo, foder com toda Nova Orleans foi uma maneira engraçada de demonstrar isso." Spade me olhava com cinismo. "Se você pensou que Crispin era seu e se você não se importou com suas ações, por que em vez de esperar por ele, depois de Nova Orleans, você foi se jogar em cima de Tepesh?" Meu queixo caiu. "Você ouviu o que acabou de dizer?" "Você não está pensando como um vampiro," Spade murmurou. "Quanto antes você largar sua percepção humana, melhor. Olha, podemos discutir as inadequações de seu raciocínio mais tarde? Se eu tiver que cheirar esse ar rançoso por mais um segundo, começarei a murchar aqui." "Inadequações? Vá se foder!‖ Spade me deu um sorriso largo. "Você deveria se preocupar menos com o que estou dizendo e mais com o que você vai dizer a Crispin para tentar convencêlo a transformá-la em um vampiro." Isso fez o meu coração saltar uma batida. Spade ouviu e bufou. "Tenho sua atenção agora, não é? Crispin é quem tem que fazer isso. Eu certamente não ousaria. Não se engane, ele mataria qualquer um que tentasse transformar você.‖ "Aliás, como você sabe que eu decidi me transformar?" O sarcasmo e a irreverência sumiram de Spade, e ele me deu o olhar mais sério que já tinha dado para mim até agora. "Veja, Reaper. Ambos sabemos que você vem ponderando sobre a sua humanidade há muito tempo. Você só precisava de um empurrão, não é? "


Tantas coisas diferentes passaram pela minha mente. Lembrei de todos os anos da minha infância, escondendo o desenvolvimento das minhas habilidades sobre-humanas só para não chatear minha mãe. Mais tarde, na escola, como eu me sentia deslocada, fingindo ser "normal" quando nada sobre mim era normal. E mais tarde ainda, na minha adolescência e no início da minha caça aos vampiros com vinte anos, será que a minha humanidade era mais como um disfarce de como eu me sentia por dentro? E então, como agora, eu estava frustrada porque era fraca demais para cuidar de Gregor por mim mesma. Sem qualquer elemento surpresa sobre a minha dupla natureza, eu sempre seria muito fraca para combater os muito velhos, os vampiros megamestres – pelo menos, enquanto eu mantivesse minha parte humana é assim que seria. Mas mais do que isso, mesmo se Bones e eu não estivéssemos juntos, a situação com Gregor magicamente desaparecesse, e não houvesse nenhum rumor sobre ghouls, será que eu poderia voltar a viver entre os humanos, fingindo ser igual eles? Não. Eu não podia mais fingir que todas as coisas dentro de mim não estavam lá. Mesmo se eu me afastasse do mundo dos mortos vivos para sempre, eu ainda seria mais vampira do que humana. E já que eu não iria me afastar nem tentar fingir ser humana de novo, então por que eu estava com o coração acelerado enquanto ponderava? Deus, será que Bones estava certo? Tinha sido realmente apenas o meu arraigado preconceito que me deteve a tomar esta decisão antes? Havia um monte de razões para eu mudar. E será que eu tinha pelo menos uma para eu ficar do jeito que estava? "Vou pedir para Bones fazer isso," me ouvi dizer. "Mas ele provavelmente vai dizer não." ___ Spade não tinha fones de ouvido para evitar que eu ouvisse para onde estávamos indo. Não, em vez disso ele me acertou para ter certeza que eu permaneceria adormecida pela maior parte da viagem. Spade era um vampiro mestre, então, quando voltei a mim... Merda, minha cabeça doía. "Você deveria tomar banho imediatamente antes de vê-lo," foi o comentário de Spade assim que eu estava acordada. "Você ainda está com um cheiro terrível. Crispin pode recusar transformar você só porque não vai conseguir chegar perto o suficiente.‖ Mentalmente eu amaldiçoei o Spade de todas as maneiras possíveis. Algo frio passou sobre a minha mão. Sem abrir meus olhos, eu sabia que era Fabian, me dando a sua versão simpática de um tapinha. Ele me acompanharia nesta viagem. Acho que até mesmo um fantasma não podia suportar a vida no


Castelo de Lixo. Pelo menos Fabian nunca comentou nada sobre o meu mau cheiro, uma das vantagens dele não ter um nariz de verdade. "Ah, aí está", disse Spade. "Não espie, Gregor pode tentar conseguir ver um número de caixa postal pelo seu sono." Eu estava tão cansada de ser vendada toda vez que eu ia a algum lugar. Se Bones se recusasse a me transformar, eu sabia aonde eu iria logo em seguida – direto ao Vlad. Eu já havia ligado para ele e perguntado se ele estaria disposto a fazer as honras. Sua resposta tinha sido uma instantâneo sim. Eu não sabia o que em mim tinha inspirado Vlad a ser meu amigo, mas eu estava grata por isso. Após mais um minuto dirigindo, o carro parou. "Fique aqui", Spade disse. "Vou nos anunciar e depois venho te pegar." ―Isso significa que você vai descobrir se ele vai deixar que eu sequer saia deste carro," eu respondi com os olhos ainda fechados. "Não se preocupe com isso. Você vai sair para tomar um banho, mesmo se eu tiver que lutar com Crispin para você ter tempo o suficiente para toma-lo." "Obrigada", eu disse. Spade apenas fechou a porta rindo. Como melhor amigo de Bones, toda sua lealdade era para ele, então Spade não se preocupava com o quão difícil isso era para mim, mesmo sem todos os seus comentários sobre eu ser uma gata fedida*. *Ele zoa o apelido dela, Cat, que é gata, como sabemos. Do lado de fora do carro eu ouvi muitas vozes, presumivelmente dos que estavam na casa. Esforcei-me para encontrar uma em particular. Foi difícil filtrar sobre o barulho, no entanto. Havia muita gente aqui, aonde quer que seja ‗aqui‘. "... Crispin…" A voz de Spade aumentou por um segundo. "... Traz você…?" Bones, o resto da frase desaparecendo. "... Lá fora…" Spade estava dizendo. "... Pra te ver..." Porque todo mundo não calava a boca por um minuto para que eu pudesse ouvir? Eu pensei. "... certamente…" Bones. Isso resolveu a questão. Eu suspirei. "Parece que vamos poder sair do carro afinal, Fabian." "Bom," ele disse de uma vez, e então parou. "Se é isso que você estava esperando, é claro.‖


Na verdade, uma parte de mim esperava que Bones recusasse que eu sequer saísse do carro. No entanto não tive essa sorte para o meu bem-estar emocional. Momentos depois Spade abriu a minha porta. "Vai direto para o chuveiro, ele vai vê-la depois. Eu disse a ele que seria mais interessante para ele esperar." ―Mais um comentário sobre como eu cheiro, e eu vou te esfaquear direto no coração," eu disse, séria. Ele estalou sua língua. "Garota cruel. Venha, segure o meu braço- não tão forte!" Eu apertaria mais com todas as minhas forças. Ouvir Spade uivar me fez sorrir. ―Você terá que pegar minha roupa na mala então eu terei outra coisa para usar mais tarde, ou tomar banho será um desperdício.‖ "Nós estamos dentro," Spade comentou. "Você pode abrir seus olhos." Eu abri. Fabian flutuava na nossa frente enquanto caminhávamos ao longo de um hall de entrada muito bonito. Nem sinal de pilhas de carros esmagados ou lixo à vista. Então, este era o lugar onde Bones estava hospedado, enquanto eu tinha estado presa sob uma montanha de lixo? Você está tão errado, Spade, eu pensei. Bones obviamente não poderia ser preocupar menos comigo. Andamos mais para baixo no corredor. Um vampiro desconhecido deu a nós três um olhar curioso enquanto passávamos. "Que cheiro é esse?", ele quis saber. Fabian desmaterializou-se, mas não antes de eu ver seu sorriso. Spade começou a rir. "Cuide da sua vida" Eu respondi, então me repreendi quando o vampiro empalideceu. Deus, como fui tão rude! "Sinto muito," eu disse. "Por favor, não se importe comigo, eu estive presa num subsolo coberto de lixo." Spade ainda estava se acabando de rir, então eu o acotovelei não tão gentilmente nas costelas. "Podemos superar isso?" "Imediatamente," ele concordou, enxugando o vermelho de seus olhos. "Siga em frente, rapaz," disse ele ao vampiro pasmo.


Eu fui me afastando com toda dignidade que eu poderia ter, o que no caso, era zero.


CAPÍTULO VINTE E CINCO. Após uma hora de vigorosa esfregação, eu não tinha qualquer odor sobrando em mim. Claro, isso provavelmente era porque eu mal tinha alguma pele sobrando, também. Eu lavei meu cabelo não menos do que quatro vezes, também, em seguida o condicionei duas vezes. Qualquer pessoa cujo nariz estivesse ofendido agora simplesmente poderia beijar meu traseiro brilhante e limpo. Spade estava no quarto ligado a este banheiro, relaxando em uma cadeira. Ele apontou para algo deitado em uma cadeira próxima. "Te trouxe algumas roupas. Não sabia se você queria que eu pegasse emprestado um sutiã ou calcinha, também, ou se você ficaria incomodada com isso." Discutindo sobre roupa de baixo com o Spade não estava ajudando o meu humor. "Onde estão minhas roupas?" Seu sorriso se alargou. "Lançadas na fornalha. Eu não deveria ousar trazer a sua mala fedida para dentro da casa do Crispim." Eu tomei uma respiração profunda. "Você não tem nenhum direito de fazer isso," eu consegui dizer em um tom muito calmo. Spade se levantou. "Vamos simplesmente ignorar a questão da moralidade e ir para se você quer ou não que eu roube alguma calcinha para você." "Eu não vou usar a calcinha de alguma garota desconhecida, obrigado. Eu prefiro não usar nada." Spade piscou. "Esse é o espírito. Faça o Crispin mais receptivo a o que quer que você peça, eu suponho." Eu apontei para a porta. "Adeus." Ele apenas riu enquanto saia. Eu desejei estar tão divertida. Eu observei o vestido com temor. Uma vez que eu colocasse isso, não haveria mais enrolação. "Foda-se," eu anunciei em voz alta. Eu apresentaria a minha oferta ao Bones, provavelmente seria recusada, e estaria no meu caminho para a casa do Vlad. Eu fechei o meu ziper, coloquei os sapatos combinando, que estavam um pouco apertados demais, e marchei para fora do quarto de hóspedes. Meu cabelo ainda estava úmido. Eu o sacudi e olhei ao redor, não vendo ninguém. "Olá?" Eu gritei. Nem fodendo eu começaria a espiar pelas portas. Onde estava o Spade? Ou Fabian? "Aqui embaixo."


Era a voz do Bones. Eu lutei com um arrepio, me dando um tapa mental. Se controle. "Eu deveria dizer 'Marco*'?" Eu perguntei, descendo as escadas. *Marco e Polo, uma brincadeira geralmente feita na piscina, onde o pegador é vendado e tem que encontrar os outros participantes. Para ter uma idéia de onde os outros estão, ele grita Marco, e os participantes têm que gritar Polo! Eu ouvi o seu bufo divertiu dentro da sala à esquerda do patamar da escada. "Se você quiser." Entre livremente e por sua própria vontade. Eu ajeitei meus ombros e fiz exatamente isso. Bones sentava em um sofá de couro marrom que era alguns tons mais claro do que seus olhos. As paredes eram da cor de ferrugem, com acabamento em gesso branco, e os pisos eram de carvalho escuro com tapetes grossos. Ele quase combinava com o quarto devido a sua roupa, uma camisa creme que estava desabotoada no pescoço, mangas dobradas para cima, e calças cor de canela. E ele estava tão fodidamente lindo que doía só de olhar para ele. "Eu não estava esperando por você, então eu não tenho nenhum gin," ele disse, enchendo um copo. "Afim de um uísque em vez disso?" "Claro. Obrigada," eu adicionei depois, enrolando na porta. Ele me deu um olhar enquanto enchia outro. "Você não veio até aqui só para abraçar o batente da porta, não é?" Deixada com poucas opções, eu sentei, escolhendo o sofá em frente a ele. Assim que eu fiz aquilo, porém, eu congelei, lembrando da minha falta de calcinha. O vestido estava a poucos centímetros ao norte dos meus joelhos. E se o Bones pensasse que eu estava tentando seduzi-lo? "Er, você se incomoda?" Eu gaguejei, rapidamente me sentando no sofá dele, mas tão longe dele quanto eu pude fugir. Uma sobrancelha subiu. "Nem um pouco." Ele me entregou o uísque. Eu o engoli de uma só vez. "Sedenta, não?" Ele observou, pegando meu copo e o enchendo até o topo. "Você deve estar. De outra forma, pode-se pensar que você precisa de licor para falar comigo." Seu tom seco me disse que eu estava sendo óbvia. Eu peguei o copo, mas só dei um gole desta vez.


Bones se inclinou para trás, me estudando. Eu me senti tão constrangida. Se eu ao menos tivesse uma cobertura de maquiagem, alguns cabelos perfeitamente organizados… e oh yeah. Alguma calcinha. Ele não disse nada. O silêncio se extendeu. De alguma forma, eu não podia me fazer apenas derramar a razão pela qual eu vim. Talvez eu esperasse que ele colhesse aquilo da minha mente, e eu poderia pular toda a parte da conversação. Eu olhei para fora, mas eu podia sentir seus olhos em mim. Bones ainda estava meio reclinado, tragando seu uísque, me observando até eu me contorcer. Se esta era uma técnica de interrogatório, ela estava funcinando. Eu logo derramaria até as minhas tripas só para quebrar a tensão silênciosa. "Ok, então… vamos começar isso." Eu tentei olhar para ele quando eu falei, mas eu não pude. Não era justo que vê-lo fosse tão devastador para mim e ainda assim tão claramente insignificante para ele. "Eu estou, uh, pronta para me tornar uma vampira," eu soltei. Fale sobre uma forma graciosa de abordar o tema. Voltei o meu olhar para o dele por um segundo. Olhos castanhos escuros encontraram os meus antes que eu desviasse o olhar. A tensão me deixou inquieta. Levantei-me, pronta para começar a caminhar de um lado para o outro, quando ele colocou o copo para baixo e sua mão se atirou para me agarrar. Eu puxei para trás ao mesmo tempo, mas seus dedos apertaram. "Sente-se," ele disse em um calmo e duro tom. Exceto se eu apoiasse minhas pernas contra o peito dele e puxasse, eu não receberia meu braço de volta. Frustrada, eu me joguei no sofá. "Eu estou sentada, agora me solte." "Eu não acho que vou," ele respondeu com aquela mesma dura meia-voz. "Eu não estou te machucando, então pare de me encarar com raiva, e se você tentar se afastar mais uma vez, eu vou me jogar em cima de você até nós terminarmos com essa conversa." Aquilo me acalmou. Bones nunca fez ameaças vazias. O pensamento de ficar presa sob ele havia me assustado por vários motivos, e nenhum deles era medo. "Assim está melhor." Seu aperto diminuiu, mas ele não me liberou. "Certo, então, eu tenho algumas perguntas, e você vai respondê-las."


Por que não eu tinha insistido em discutir isso por telefone? Eu gemi mentalmente. "Pergunte. Você me deixou atada. Eu não posso ir a qualquer lugar." Eu queria que ele me libertasse. Eu continei encarando para a mão dele como se eu pudesse fazê-la desaparecer do meu braço. "Você está me bloqueando novamente." Ele disse aquilo casualmente, mas seus olhos se estreitaram. Verde começou a girar no fundo deles, então aquilo queimou de dentro para fora, engolindo o castanho. "Boa tentativa," eu lati, mas eu pensei que já havíamos estabelecido que eu tenho boas defesas." Uh-oh. Eu havia tentado me afastar quando disse aquilo, uma reação instintiva por ele tentar bisbilhotar na minha mente. Em um flash, eu estava achatada no sofá, Bones segurando meus pulsos e enrolando as pernas dele na minha. "Saia de cima de mim," eu exigi. Em vez disso, ele segurou mais forte. Eu fiquei extremamente consciente de que continuar me debatendo apenas erguia ainda mais o meu vestido. Considerando a posição em que eu estava e o fato de que ele já estava bem acima dos meus joelhos, não usar nenhuma roupa íntima estava prestes a se tornar um verdadeiro problema. "Bones." Eu parei de me mover, tentando outra tática. "Por favor, saia de cima de mim." "Por que você quer se tornar uma vampira?" Acho que ele não ia se mover da sua posição. Ele não estava equilibrando o peso dele, também. Ele estava deixando todo ele me segurar para baixo enquanto flexionava contra o meu menor movimento. Eu estava tendo dificuldade tentando não pensar que foram, wow, semanas desde que ele esteve em cima de mim. Além disso, nesta proximidade, era impossível evitar o seu olhar. Eu limpei a minha garganta. "Estou cansada de ser um transmissor ambulante para o Gregor, por exemplo. Se eu for uma vampira completa, Gregor fica bloqueado. Nada mais de fechar os olhos e tampar os meus ouvidos quando eu viajo, não mais ser incomodada enquanto eu durmo." Ele não desviou o olhar. "É essa a única razão?"


Se eu dissesse que sim, esta conversa estava acabada. Bones nunca pensaria que esta era uma razão boa o suficiente. Apenas a verdade era, mesmo que dizer isso fizesse meus olhos se encherem de lágrimas. "Você estava certo." Isso foi um sussurro. "Eu ainda achava que ser um vampiro era de alguma forma mal. Depois de tudo que eu vi, eu ainda era preconceituosa. Que idiota, huh? Você provavelmente está orgulhoso agora que você jogou isso na minha cara. Quem pode te culpar?" Seus dedos não estavam mais mordendo os meus pulsos. Não, eles estavam fazendo algo pior – acariciando eles com pequenos círculos. Seus olhos não tinham voltado totalmente para o castanho ainda. Eu esperava que aquilo fosse apenas raiva restante. "Não, eu não estou orgulhoso por reclamar com você da forma que eu fiz." Sua voz estava muito baixa. "Me levou quinze anos para aceitar o que eu era depois que o Ian me transformou. Não é de admirar você ainda tivesse sentimentos mistos sobre isso." Eu não esperava isso. Eu havia me preparado para ouvir uma ressonante afirmação de que sim, eu tinha sido uma completa estúpida pela minha discriminação. Engoli em seco, piscando para limpar meus olhos das lágrimas. "Ok… então isso significa que você vai me transformar?" "Não tão rápido. A única razão que você listou para querer a transformação é frustar o Gregor." "Você simplesmente não quer a responsabilidade de ser meu criador?" Eu perguntei, ficando frustrada com o interrogatório. "Se for isso, Vlad já concordou em fazer isso." Algo brilhou no olhar dele. "Tenho certeza que ele concordou, mas se alguém te transformar, serei eu. Eu ouso dizer que eu ganhei isso. E se você pensa em fazer isso pelas minhas costas, eu juro agora que eu vou matar quem quer que te crie, não importa quem for." Ele mataria qualquer um que transformasse você, Spade havia dito. Acho que ele estava certo. Malditos vampiros possessivos. "Se você tirar o meu velho preconceito fora do caminho, não há nenhuma razão para eu continuar a fazer parte da humanidade," eu respondi com firmeza. "Como uma mestiça, eu sou mais fácil de matar, e minhas habilidades são limitadas. Como uma vampira completa, meu potencial é o que eu o torno, não o que o meu pulso e respiração o limitam a ser. Além disso, eu jamais poderei voltar a fingir viver uma vida humana normal. Para todos os efeitos, eu já sou uma vampira. Eu apenas ainda não tenho presas."


"Você realmente acredita nisso?" Sua voz estava sedosa, mas seu olhar estava duro. "Sim." Sem hesitação. "Então prove isso. Deixe-me entrar na sua mente para ver por mim mesmo." Oh inferno não. De jeito nenhum eu estava prestes a derrubar o meu escudo mental e me expor assim. Não porque eu estivesse mentindo sobre o que eu disse. Eu estava com muito medo de tudo o que ele ia ver. "Desculpe, Bones, mas você só tem que aceitar a minha palavra para isto." Ele não disse nada por um longo momento. Era tudo que eu podia fazer para não prender a respiração. "Tudo bem, então," ele respondeu finalmente. "Eu farei isso amanhã." Eu quase tinha suspirado de alívio, quando ele falou de novo. "Com uma condição." Típico. "O que é?" "Oh, nada muito grande. Você só tem de partilhar a minha cama esta noite." Eu esperei uma batida, mas ele não seguiu aquilo com a parte final de uma piada. "Você está falando sério?" Eu falei. Ele olhou para mim como se eu fosse estúpida. "Muito." "Isso é porque eu não estou usando calcinha?" Aquilo o fez sorrir. "Não, mas isso não ajuda a sua causa." "Você está sendo ridículo!" Eu o empurrei, mas era como empurrar uma parede de tijolos. "O que é isso, algum tipo de porcaria dominante dos mortos-vivos?" "Eu estou testando a sua determinação," ele disse calmamente. "Você se recusa a me deixar entrar em sua mente para ver se você está fazendo isso só por causa do Gregor ou os ghouls. Se você realmente quer isso pelos seus próprios motivos, então valeria a pena o meu preço. Há sempre um preço com os vampiros, Kitten. Você sabe disso." Ele deu de ombros. "Ou, deixe-me entrar na sua mente para ver por mim mesmo que você quer isso só por você." Despir ou minhas emoções ou o meu corpo. Que escolha. "Estou surpresa que você seja capaz de limpar a agenda do seu quarto em um prazo tão curto," eu disse, esperando o irritar até que ele mudasse de idéia.


Sua sobrancelha se arqueou. "Todos nós fazemos o que devemos." Eu não sabia como eu seria capaz de administrar qualquer das opções. Ambas deixariam cicatrizes no meu coração. "E o fato de que eu absolutamente não quero fazer sexo com você não importa?" Ele virou meu rosto até seus lábios escovarem a minha garganta. "Bem, amor… Eu considero que é o meu trabalho te fazer mudar de idéia." Sua voz estava cheia com promessas de prazer. Eu não pude evitar o arrepio que me percorreu quando ele acariciou minha pele com o nariz. Meu maldito pescoço sensível. Ele estava me traindo mesmo enquanto eu lutava para parecer impassível. Mas o pensamento dele olhando em minha mente, vendo quão profundamente ele ainda estava enterrado dentro de cada pensamento meu, era muito mais assustador do que qualquer outra coisa. Xeque-Mate, Cat. Você perde. Isso não significa que eu ia ser generosa, no entanto. Eu lhe dei um olhar malicioso. "Espero que essa seja a pior foda que você já teve, seu bastardo cruel e manipulador." "Conversa de travesseiro, já?" Ele respondeu com um sorriso leve. "Agora você está apenas tentando me ascender." Eu só queria que eu não tivesse tomado banho antes desta reunião maldida – e onde está uma purulenta infecção por fungos quando eu precisava de uma? "Eu tenho uma condição própria," eu disse. "Eu tomei banho em um quarto de hóspedes vazio. Nós podemos fazer a ação lá dentro." A última coisa que eu precisava era rolar com o Bones em sua cama, considerando que ele poderia ter rolado com outra mulher na noite anterior. Ew. "Tudo o que você preferir." Ele ainda tinha aquela curva em seus lábios. Aparentemente eu não poderia fazê-lo mudar de idéia também. "Podemos até usar esse sofá, se você preferir." A maneira como ele traçou sua língua na parte interna do lábio inferior me disse que ele estava pensando nisso. Aquilo enviou um rubor de calor através de mim mesmo enquanto eu o amaldiçoava. Isso vai ser um truque legal. Manter a minha distância emocional enquanto tenho sexo com ele. "O quarto de hóspedes está bom," eu me controlei. Seus olhos brilhavam. "Certo, então. Vamos?"


Havia muito mais do que uma simples pergunta naquelas palavras. Olhei ao redor na esperança vã de que alguma coisa iria acontecer para atrasar aquilo. Um terremoto. Fogo. Ataque alien. O que for, apenas trága-o! Mas não havia nada além dele, eu, e o acordo que eu acabava de fazer. "Eu acho que sim."


CAPÍTULO VINTE E SEIS. Bones me soltou em um único movimomento ágil, puxando-me para uma posição em pé junto dele. Eu não pude evitar vacilar quando as mãos dele ficaram na minha cintura, e eu não poderia evitar que o meu coração acelerasse a menos que eu colocasse uma bala nele. Ele caminhou muito próximo de mim, uma mão nas minhas costas me impulsionando para frente. Eu não arrastei os pés, mas, oh, eu queria. Passamos por uma pessoa ou duas quando nos dirigimos às escadas, mas eu mantive minha cabeça abaixada, concentrando-me em tudo exceto o que aconteceria quando chegarmos ao quarto. Como eu poderia manter a calma enquanto ficava suada com ele? E se eu gritasse algo horripilante, como "eu te amo"? E se eu tivesse um ataque epiléptico e começasse a babar ou vomitar bem no meio das coisas? Eu havia me trabalhado em um estado de pânico moderado até o momento em que ele me puxou para dentro do mesmo quarto que eu tinha deixado pouco tempo atrás. O roupão que eu tinha usado ainda estava jogado sobre a cadeira. Bones fechou a porta e, em desespero, eu tentei obter um controle sobre as coisas. "Certo." Minha voz estava mais alta do que o habitual. "Você tem algo especial em mente, ou devo começar com o óbvio?" Sua boca se contraiu. "Tentando trocar de lugar comigo? Desculpe, amor, esta é a minha noite. Quando eu quiser um favor de você, e esta for a condição que você definir, então você pode ser tão controladora quanto quiser. Enquanto isso, eu vou assumir a liderança. Agora, arranque esses sapatos. Eles parecem que estão te apertando." Quase furiosamente eu fiz. A cama parecia aumentar de tamanho enquanto as paredes pareciam estar diminuindo, não deixando nada neste quarto exceto a arena macia e em espera. Bones arrancou a camisa. Eu desviei o olhar da maravilhosamente esculpida carne revelada. Minhas unhas escavaram nas minhas palmas. As coisas estavam chegando ao ápice rapidamente. "Vire-se." Eu estava grata e relutante em fazer aquilo. Enquanto isso significava que eu não tinha que olhar para o carpete ao invés dele, eu também me sentia vulnerável. Como se eu não pudesse me defender se eu não visse o que estava por vir.


Dedos frios empurraram o meu cabelo de lado, me fazendo tremer. Um pequeno puxão no meu vestido precedeu o lento e inexorável deslizamento do ziper por todo o caminho até à sua base. Sem aquele suporte, o vestido caiu sobre os meus ombros, deslizando, depois foi sacudido para cair aos meus pés. Um ligeiro assobio veio dele. Absurdamente, eu fechei meus olhos, como se isso me fizesse menos nua. Eu segurei minha respiração, tremendo de novo. "Você está com frio, amor. Vamos te levar para a cama." Sua voz estava mais grossa, seu sotaque mais forte. Eu caminhei a curta distância para a cama, deixando-o puxar as cobertas, e as puxando sobre mim assim que subi na cama. Bones se ajoelhou ao lado da cama, estendendo a mão para tocar o meu cabelo. "Com essas cobertas até o queixo e seus olhos tão grandes, você parece muito jovem." "Eu acho que isso te torna um suposto pedófilo." Ele inclinou a cabeça. "Considerando nossa diferença de idade e todas as coisas que eu pretendo te fazer, realmente torna." Então ele ficou sério. "Kitten, debaixo do seu sarcasmo, indiferença, e absoluta raiva, eu acho que você ainda me quer, de outra forma eu não teria insistido nisto. Eu admito ser um bastardo cruel e manipulador, assim como você disse, mas eu não sou um estuprador. Se você realmente não me quer, eu vou te deixar sozinha, mas amanhã eu ainda vou transformar você como eu prometi." Ele pausou. Soltando o cacho com o qual ele esteve brincando e segurou meu rosto. "Contudo ainda farei o meu melhor para te persuadir. Não tenho absolutamente nenhum receio sobre isso." Oh, não, foi o meu pensamento. Eu sou um caso perdido. Pense sobre o ferro velho. Aquele cheiro. A provocação do Gregor. Qualquer coisa, menos o fato de que ele agora está desabotoando as calças. Havia uma coisa garantida para apagar o meu humor. "Por que você me traiu, Bones?" Ele parou. Seu botão de cima estava aberto, mas o zíper permaneceu. "Você realmente acredita que eu fui infiel?" Um bufo rude veio de mim. "Depois de ver fotos, então o relatório do Fabian, ser relembrada pela Cannelle, e te ouvir admitir isso naquela noite que Geri te tirou de Nova Orleans, yeah. Eu acredito."


O olhar dele parecia que ia furar a parte de trás da minha cabeça. "Você viu fotos de eu entrando na minha casa com as mulheres, mas você não viu o que aconteceu quando a porta se fechou. Eu fui à Nova Orleans sob o pretexto de que eu estava comemorando a minha solteirice, esperando que o Gregor mordesse a isca. Ele o fez. Até enviou Cannelle para lá, como se eu fosse muito estúpido para não sentir o cheiro dele sobre ela. Era fácil beber o sangue dela e convencê-la a reportar ao Gregor que eu estava indefeso na minha devassidão. Quando Fabian me surpreendeu, vários espiões do Gregor estavam ao redor. O que eu devia dizer a ele?" Minha mente girou. "Mas eu ouvi você. Você disse para a Cannelle que ela escolheu todas as mulheres que vocês dois tinham fodido juntos!" "E ela acreditava nisso," Bones respondeu. "Eu a deixei escolher uma nova garota humana a cada noite para levar para a minha casa. Então eu bebia das duas até apagá-las e as fazia acordar nuas e juntas. Era uma simples farsa. Eu sei o que isso devia parecer para você, Kitten, mas você devia ter me deixado explicar o que era, ao invés de ir com o Tepesh." Minhas emoções guerrearam com a minha suspeita. Quero dizer, que mulher, depois de tudo o que eu tinha visto e ouvido, acreditaria que foi tudo uma farsa elaborada, e seu amante havia apenas fingindo uma traição? "Mas você me deixou." Eu não pude afastar a dor da minha voz. "Você disse que estava acabado pra você." Bones suspirou. "Eu fiquei louco quando descobri que você tinha ido para o Gregor. Não sabendo se você escolheria ficar com ele por amor, ou se você seria forçada a ficar – e nenhuma das idéias me deixou racional. Até o momento em que você retornou, eu ainda não tinha obtido controle sobre mim. Uma das razões pelas quais eu parti era porque se eu não partisse, eu teria dito mais coisas que eu lamentaria. Então eu fui para Nova Orleans para acabar com esse problema com o Gregor, pretendendo resolver as coisas com você depois, mas você se adiantou." Novamente, o seu tom insinuou. "Ao resgatar você?" Ele me deu um olhar exasperado. "Você se esqueceu de que eu poderia voar? Gregor sabia disso. Assim como Maria. Ela queria que eu matasse o Gregor, então ela disse ao Gregor que ela pretendia me expulsar do Quarter, sabendo perfeitamente que o Gregor perceberia que ou ele teria que entrar e me pegar ou eu voaria para fora em segurança. Mas você enviou a sua antiga equipe atrás de mim, a qual o Gregor logo teria sido alertado não importa o quão encobertos eles estivessem. Eu sabia que eles teriam se matado se eu resistisse e desse tempo para o Gregor atacar, então eu os deixei me levar. Mas isso arruinou o meu plano."


Bones não disse a outra óbvia palavra: Novamente. Oh merda. Se um buraco aparecesse no chão, eu teria alegremente rastejado para ele. Spade está certo, você é uma idiota. Com I maiúsculo. Minha flagelação mental deve ter penetrado na mente dele, porque ele disse: "Você não é uma idiota. Charles me disse que ele te arrastou para isso, embora ele de todas as pessoas deveria ter sabido mais. Ainda assim, ele teria dito que armar sozinho para o Gregor era muito arriscado, que é porque eu não contei a ele sobre isso." "Você deve me odiar," eu disse com um gemido. "Essa é a segunda vez que eu fodo as coisas pensando que estava ajudando." Sua sobrancelha se arqueou. "Três vezes, na verdade. Você também me deixou para ir com o Don, pensando que você estava me ajudando. Eu pensei que tudo isso mostrava a sua falta de respeito por mim, não me deixando lutar minhas próprias batalhas, mas eu vim a perceber que você não pode evitar. É quem você é. Você nunca se sentará e esperará o desfecho de uma briga envolvendo alguém que você ama antes de se lançar na mistura, não importa o quanto você possa prometer mudar." Suas palavras foram como uma faca no meu coração. É por isso que ele partiu, minha consciência me insultou. Você gostaria de pensar que era só porque assim ele poderia foder por ai, porque então seria culpa dele, não sua. Mas era você. Bones está certo, você nunca vai mudar. E ninguém no seu perfeito juízo iria suportar você. Dizer que eu estava arrependida era inútil. Mais do que inútil – insultante, considerando tudo o que tinha acontecido. Então fiz a única coisa que eu poderia fazer para mostrar o quanto eu queria as coisas fossem diferentes. Eu derrubei os meus escudos, abrindo a minha mente para deixar o Bones ouvir tudo o que eu estava sentindo, me despindo de todas as coisas que eu normalmente usava para racionalizar minhas ações. Ele fechou os olhos. Uma onda passou por ele, como se os meus pensamentos o atingissem como um golpe físico. Uma vez liberados do firme controle que eu mantia neles, tudo parecia explodir para fora de mim, com emoções há muito escondidas borbulando para a superfície. "Kitten," ele murmurou. "Eu apenas queria que você soubesse que eu entendo." O caroço na minha garganta tornou difícil falar. "Você deu o seu melhor, Bones. Eu sou a que destruiu as coisas." Seus olhos se abriram. "Não. Foi a minha insistência em pegar o Gregor sozinho que causou a nossa separação. Eu poderia ter lhe dito que era uma


armadilha antes de te colocar naquele quarto do pânico. Eu poderia ter lhe dito sobre Nova Orleans e te fazer tomar aquelas pílulas, assim o Gregor não poderia descobrir isso nos seus sonhos. Mas eu queria cuidar de tudo sozinho. Meu orgulho e meu ciúme nos separou. Cada erro que você cometeu comigo, Kitten, eu cometi o mesmo com você, mas eu não quero mais falar sobre isto. Eu não quero falar nada." Ele abriu o seu zíper mesmo enquanto eu piscava em choque. "Depois de tudo isso, você ainda quer dormir comigo?" Bones deslizou para fora da calça. Ele não usava nada por baixo dela, como de costume. "Depois de tudo isto, eu ainda te amo." Aquilo me surpreendeu e me calou. Então eu falei as primeiras palavras que me vieram à mente. "Você deve estar louco." Ele riu, macio e provocador. "Foi sua coragem impetuosa que fez eu me apaixonar por você em primeiro lugar. Mesmo que a mesma coisa me deixe louco agora, eu provavelmente não te amaria se você fosse diferente do jeito que você é." Eu queria tanto acreditar que o amor pode conquistar tudo. Que Bones e eu poderíamos fazer as coisas funcionarem baseados somente em sentimentos, mas a vida não era tão fácil. "Se nenhum de nós pode mudar," eu disse, o meu coração se apertando, "cedo ou tarde, nós nos afastaremos outra vez." Ele colocou um joelho em cima da cama. "Você está certa – nós não vamos mudar. Eu sempre vou querer te proteger, e eu vou ficar insanamente irritado quando eu não puder. Você sempre vai pular no fogo por mim, não importa o quanto eu queira que você fique segura à margem. Nós vamos ter que lutar constantemente com nossas próprias naturezas para fazer isso funcionar. Você está disposta a se arriscar?" Quando eu comecei a namorar o Bones há mais de seis anos atrás, eu sabia que um relacionamento com ele quebraria o meu coração. E quebrou, mais de uma vez, e o Bones não oferecia garantias de que não quebraria desta vez, tampouco. No entanto, como naquela época, eu não pude resistir a ele. "Não se arriscar é para covardes," eu sussurrei. Ele se abaixou na cama, todo nervos curvados e carne dura e pálida. Então ele se inclinou para frente, tomando tempo para arrastar a sua boca do meu


estômago até o meu pescoço. Meus mamilos endureceram, necessidade apertou no meu ventre, e eu me arqueei em direção a ele. Sua boca se inclinou sobre a minha enquanto ele me acolhia em seus braços. Sentir o seu corpo nu em cima de mim explodiu o meu controle. Minha pele latejou em todo lugar que sua carne tocava. Eu não podia chegar perto o suficiente dele, e eu chutei as cobertas para longe. Bones me beijou como se estivesse afogando, sua língua sondava a minha, enquanto ele continuava a se esfregar sensualmente contra mim, acariciando-me sem entrar, me tocando em todo lugar e ao mesmo tempo. Eu corri minhas mãos sobre ele também, gemendo na boca dele. Minha necessidade era quase dolorosa quando ele empurrou seus dedos em mim, encontrando o meu lugar mais sensível e o esfregando intensamente. Eu comecei a arranhar as suas costas. Lágrimas escorreram dos meus olhos. O êxtase cresceu a um nível tremendo, lutando contra a minha pele, até eu arrancar a minha boca da dele. "Deus, Bones, sim!" Isso foi um soluço e um grito combinados. Ele respondeu me jogando em cima dele, erguendo-me no mesmo movimento, e enterrando a sua boca entre as minhas pernas. Eu convulsionei imediatamente, os espasmos me sacudindo. Seus braços se apertaram em volta da minha cintura, enquanto ele lambia minha carne e sugava sem presas, como se estivesse bebendo o meu prazer. Eu agarrei a cabeça dele, estremecendo, enquanto as últimas ondas remanescentes passavam por mim. Bones me colocou de volta contra o colchão, sem quebrar o contacto com a sua boca. Eu ainda estava ofegante pelo orgasmo e agora meio-mole sobre os travesseiros. Ele levantou a cabeça, seu olhar prendendo o meu enquanto ele rastejava para cima em minha direção. "Olhe para mim," ele disse, abaixando os quadris entre os meus. Eu olhei, abrindo as minhas coxas e arqueando para encontrar o seu primeiro impulso. Oh Deus, eu tinha esquecido como o Bones me estirava quando eu não estava acostumada com ele. Sua dureza empurrou contra as minhas paredes, enchendo-me tão profundamente, que eu senti lágrimas nos meus olhos. Sim. Sim. Eu preciso de você assim. "Mais forte."


Ele gemeu quando começou a se mover delicadamente em mim, mas eu não queria delicadeza. Eu queria o que eu sabia que ele tinha ocultado além da sua preocupação em ser suave. Ele se moveu com mais força e me beijou, seus olhos ainda abertos. Eu não fechei os meus, tampouco. Ver seu rosto, enquanto ele estava dentro de mim me impressionou. Eu agarrei seus cabelos, prendendo o meu olhar no dele, e o beijei até que eu tive que me afastar para respirar. "Eu posso sentir meu gosto na sua boca," eu ofeguei. "Eu quero que você sinta o seu gosto na minha. Quero te sugar, engolir você quando você gozar –" "Pare de falar assim, ou eu vou gozar agora." Suas mãos flexionaram nos meus quadris, segurando-me mais forte. Ele estava perto. Eu podia sentir na forma como ele me segurava e naqueles controlados e suaves impulsos que me devastaram com paixão. Sua proximidade do orgasmo me encheu de propósitos eróticos, me fazendo querer levá-lo acima do limite. Eu me esfreguei contra ele, gritando o quão bom aquilo era. "Mais. Mais forte." Ele liberou sua restrição, deixando-me ofegante pela concentração ofuscante de sensações. Aquilo doeu na mais doce forma, fazendo-me pressionar contra ele mesmo enquanto eu gritava com seus golpes duros e rápidos. Quando ele chegou ao seu clímax, ele me jogou contra a cabeceira da cama e urrou com o êxtase, seu corpo todo tremendo. Eu me agarrei a ele, tremendo também, meu coração batendo rápido o suficiente para explodir. Após de vários segundos, Bones me desgrudou de si mesmo – e da cabeceira da cama – para me deitar de volta cama. "Maldição, Kitten, você está bem?" Se eu ainda não estivesse ofegando, a sua preocupação sobre o meu suposto dano teria me feito rir. "Volte aqui." Eu o puxei para baixo até que ele esteve em cima de mim mais uma vez. Ele equilibrou seu peso, sua mão livre deslizando para a minha cabeça enquanto eu me movia para baixo, para chupar o seu mamilo. Ele tinha gosto de sal, mas aquilo era provavelmente do meu suor. Suas mãos se enrolaram no meu cabelo quando ele me pressionou mais perto, um suspiro profundo vindo da garganta dele. "Eu serei mais gentil dessa vez, mas eu preciso de você novamente agora." Eu o mordi, sentindo-o estremecer. Sim, ele gostava disso. Então eu fiz, e agora eu não conseguia parar de tocá-lo ou provar dele. "Não seja gentil. Adoro quando você perder o controle. Eu quero que você o perca novamente."


Eu deslizei mais abaixo, provando a parte dele que estava salgada com algo diferente de suor. Meus lábios o envolveram, levando-o em minha boca até que ele transbordou, então gemeu enquanto ele trocava de posição para retribuir. Tudo ficou nublado por uma névoa de pele, lábios, línguas e carne dura. Minha necessidade crescia quanto mais ele a alimentava, e ele continuou a alimentando. Depois do que pareceu uma hora, eu espiei por cima do ombro dele para uma luz intrusa no quarto. "Você ascendeu uma lâmpada?" Eu arfei, me perguntando quando ele teria feito isso. Bones esticou o pescoço, piscando também para o novo raio de luz vindo do canto. "Não pode ser," ele murmurou. "O quê?" Eu perguntei quando ele pulou da cama. Mais luz entrou quando o Bones puxou o que agora eu percebi que era uma cortina. Ele virou para mim e levantou sua sobrancelha. "É o sol." Não poderia já ser de manhã. Mas a prova estava lá com aqueles raios amarelos iluminando a frente dele. Bones me encarou antes de fechar as cortinas de uma só vez. "Eu não me importo," ele disse, voltando para a cama. "Agora, então, onde estávamos?"


CAPÍTULO VINTE E SETE. "Prostituta!" O primeiro golpe me jogou para trás antes mesmo de eu notar quem o tinha dado. Outro veio, depois outro. Eu tentei me defender, mas meus braços não se moviam. Nem as minhas pernas. Eu levei um segundo para perceber o porquê. Eles estavam presos ao chão. Gregor se ajoelhou ao meu lado, me batendo sem piedade. "Você vai se arrepender por isso," eu falei assim que ele pausou. "Você me ameaça?" Um soco brutal na minha barriga me dobrou até onde os grampos de metal permitiam. Maldição, quem disse que não se pode sentir dor em sonhos? "Eu sou o seu marido, mesmo que você não mereça me chamar assim, sua puta traidora!" De repente os socos pararam, e o Gregor acariciou a minha bochecha. "Chérie, por que você faz isso? Por que você insiste em me enfurecer? Você sabe que eu tenho que te punir pelo seu adultério, mas me dói fazer isso." Eu consegui rir mesmo através da dor. "Oh certamente. Isso te machuca mais do que a mim, huh? Você é o maior imbecil do mundo, Gregor." "Você vai fazer o que eu digo!" Aquela falsa doçura tinha ido embora. Ele voltou a me espancar a cada palavra. "Você vai voltar pra mim agora mesmo, ou você vai desejar ter voltado." "Vá em frente. Mostre-me tudo o que você tem! Eu fui espancada e torturada antes, mas com você, tudo vai embora assim que eu abrir os meus olhos. Você não me assusta, Gregor." Ele agarrou meu cabelo, o puxando tão forte que eu senti tufos se soltando. "Se você deixar ele te transformar em uma vampira," ele assoviou, "eu vou me assegurar de que você sofra. Você me entende?" Eu o encarei. "Quando eu tinha dezesseis anos, eu costumava me importar com você. Quando eu recuperei a minha memória, uma pequena parte de mim ainda se importava. Agora, no entanto, como Deus é minha testemunha, eu juro que vou te colar no chão. Você me entende?" Ele me bateu tão forte que tudo ficou escuro, mas o temperamento dele era a minha vantagem, pois aquilo me jogou de volta à realidade. Eu ouvi uma voz ansiosa. "Kitten, acorde!"


Bones estava me sacudindo. Minha bochecha doia levemente, e eu sabia que não era dor residual dos punhos do Gregor. Bones esteve fazendo mais do que me sacudindo. "Pare com isso, eu já tive o bastante de ser espancada," eu murmurei, tentando afastar as mãos dele. Ele não me soltou, mas ele parou de me sacudir. "Ele estava te espancando? Você estava gritando em seu sono porque ele estava te golpeando?" Eu me sentei, puxando as cobertas para cima e tentando me livrar dos restos do sonho. As dores fantasma dele estavam se dissipando a cada segundo. "Ele estava irritado." Bones rosnou baixo em sua garganta. Seu corpo inteiro estava tenso. "Você só dormiu cerca de uma hora, mas você deveria ficar acordada? Ou você ainda tem aquelas pílulas? Eu não posso suportar o pensamento dele abusar de você se você cair no sono de novo." "Nada de pílulas." Eu fiz uma careta com a memória de como elas me fizeram sentir. "Gregor nunca vem para mim duas vezes em uma noite – ou dia, eu suponho. Acho que toma muito poder dele para fazer uma primeira tentativa, e ele precisa de tempo para descansar antes da sua próxima. "Ele não vai ter uma próxima," Bones disse com uma voz severa. Não, porque mais tarde esta noite, eu seria transformada em vampira. É por isso que Gregor estava tão irritado. Ele sabia que ele perderia o acesso a mim assim que isso acontecesse. Tchau, tchau, Gregor. Espero que você durma bem. Eu sei que eu vou. Bones beijou o topo da minha cabeça. "Então tente dormir, amor. Em breve isso vai acabar." Não, eu pensei. Não acabará até eu matar o Gregor. E uma vez que eu seja uma vampira, eu estarei um passo mais perto de fazer isso. ___ Quando eu acordei novamente, Bones havia desaparecido. As cortinas ainda estavam fechadas, mas se eu tivesse que adivinhar, eu diria que era bem depois da uma. Minha última manhã como uma meio-humana havia passado. Isto poderia ser o mais cedo que eu acordaria por alguns meses depois que me tornasse uma nova vampira, a menos que todos aqueles anos sendo um mestiça ajudassem a diminuir esse tempo. Agora que o dia tinha chegado, uma pontada de nervosismo correu por mim. E se me transformar não me tornasse mais forte, mas mais fraca, como se eu


estivesse começando do zero? Deus, eu odeio acordar e descobrir que eu sou uma covarde. Além disso, como seria não respirar? Como eu iria lidar com nunca ouvir meu coração bater de novo? Qual o tempo que a minha nova sede de sangue duraria? Alguns dias, uma semana? E qual seria a sensação de não ser mais a rara mestiça, mas apenas ser a simples e velha Cat, a vampira novata? Na verdade, esse pensamento me agradou. Nada incomum para ver aqui, povo. Se afastem. Sim, eu quis isso a minha vida inteira. A porta se abriu, e Spade invadiu o quarto. Eu agarrei o lençol, desde que eu ainda estava nua, e lhe dei um olhar irritado. "Você não sabe como bater?" "Eu ouvi que você estava acordada." Spade respondeu. "Aqui. Trouxe o seu café da manhã, ou eu supunho que seja almoço, considerando a hora." Ele colocou uma bandeja em uma mesa próxima antes de me dar um sorriso perverso. "Eu vejo que você e o Crispin resolveram as suas diferenças. Aliás, vocês manteram a casa inteira acordada na noite passada." Eu fechei os olhos. A essa altura eu deveria ter superado o constrangimento de ter alguém com orelhas de mortos-vivos alegando ter ouvido meus momentos íntimos, mas parecia que isso ainda estava além de mim. "Espero não ter feito você perder o seu sono de beleza, Spade." O ácido na minha voz não o dissuadiu. Ele acenou com a mão. "Nem um pouco. Colocou o Crispin em um humor melhor, eu ouso dizer. Ele tem sido um idiota mal-humorado ultimamente." O que trouxe à tona uma questão que eu estava me perguntando. "Onde está o Bones?" "Buscando o Mencheres. Não posso te dizer onde, naturalmente, apenas no caso de você cochilar antes do grande evento desta noite. Ele vai ficar fora por horas." Oh. Eu entendi, mas eu gostaria de ter visto ele antes que ele partisse. Com o quão ruim as coisas estiveram entre nós, eu estava ávida por mais tempo com o Bones, agora que elas estavam melhores. "Obrigado por me trazer café da manhã," eu disse. "Não se preocupe. Agora eu estou indo buscar o meu próprio café da manhã."


Com Spade fora, eu debati sobre o que fazer comigo mesma pelas próximas horas. Comer e tomar banho só tomariam muito tempo. Talvez eu devesse avisar algumas pessoas sobre o que eu estava prestes a fazer. Eu poderia ligar para a Denise. Mas, novamente, Denise não precisava ser relembrada sobre vampiros em sua vida agora. Depois da morte brutal do Randy, foi demais para a Denise ver o Spade fazendo uma bagunça para fora da cabeça do homem no bar de rodeio. Eu contaria para a Denise, uma vez que estivesse acabado. Dessa forma ela não teria que se preocupar com algo dando errado. Dando-lhe uma coisa a menos para se preocupar soava como o mínimo que eu poderia fazer como sua amiga. Em seguida eu considerei ligar para o meu tio, mas então eu decidi contra isto. As primeiras palavras do Don não seriam meus parabéns, mesmo que fosse algo que ele provavelmente sabia que era inevitável. Eu certamente não ia ligar para a minha mãe. Eu já sabia tudo o que ela diria, e as palavras "não faça isso!" contaria repetidamente. O que era bom era que não importa o quanto ela odiasse isso – e ela odiaria isso até o osso, sem dúvida – isso não significaria o fim do nosso relacionamento. Eu não poderia ter dito o mesmo anos atrás. Eu deveria ligar para o Vlad e lhe dizer que a sua oferta para me criar não era mais necessária. De alguma forma eu não acho que isso o surpreenderia. Mas mesmo quando eu estava prestes a pegar o telefone, eu pensei em outra pessoa com quem eu queria falar. Eu fechei a porta e me ajoelhei ao lado da cama. Oi, Senhor, é Catherine. Faz um tempo, eu sei… ___ Eu ouvi o Bones entrando em casa. Ele perguntou ao Spade onde eu estava, então, seu longo e pesado passo se direcionou para o salão onde eu o encontrei ontem. Eu estava no sofá lendo, não querendo inadvertidamente saber a minha localização assistindo TV e vendo um canal local. Levantei-me quando o Bones entrou, absorvendo a sua aparência. Ele vestia calça preta, uma camisa preta de mangas curtas, e sapatos pretos. Cores escuras pareciam ótimas nele. Elas tornavam sua pele ainda mais incandescente pela comparação. "Muito apropriado," eu disse, para cobrir todas as borboletas no meu estômago. "Você parece o perfeito Anjo da Morte." Ele me encarou por tanto tempo que eu limpei a minha garganta. "Ok, foi uma piada de mau gosto…"


"Você está certa sobre isso, Kitten? Não é tarde demais para mudar de idéia." "Eu quero isso." E eu queria. Eu estava pronta. Bones se aproximou de mim com uma graça lenta e controlada, parando quando ele estava há apenas alguns centímetros de distância. Ele pegou minhas mãos, levando-as aos lábios. Seus olhos nunca deixaram os meus. "Você decide quando. Nós podemos esperar até mais tarde. Não há pressa." Eu estive nervosa por isso o dia todo. Esperar não me faria mais preparada, então nenhum momento seria melhor do que o agora. "Agora. Devemos, ah, vamos a outro lugar para fazer isso?" "Aqui está bom." Olhei ao redor da sala. Ela não parecia segura para mim, considerando os humanos por perto, mas eu não esperava que eu fosse ficar aqui por muito tempo depois… bem, depois de morrer. Gostaria de saber por quanto tempo eu ficaria morta. Se a morte seria como sonhar, ou se eu não estaria consciente de nada até que meus olhos se abrissem novamente. Só há uma maneira de descobrir. "Tudo bem." Eu vi pessoas sendo transformadas quando Bones transformou o Tate e o Juan, então eu sabia o que esperar, mas ver isso e ser aquela com quem estava acontecendo parecia a um mundo de distância. Meu coração começou a martelar. Acho que só iria ajudar neste caso. Os olhos do Bones ficaram verdes, presas se estenderam dos seus dentes. Ele alisou o meu cabelo para trás, me segurando perto dele. Eu fechei os meus olhos quando ele se inclinou para baixo, tocando a sua bochecha na minha. Sua pele estava fresca. Logo eu estaria na mesma temperatura. "É normal ficar nervosa, mas não há nada a temer," Bones sussurrou. "Eu já fiz isso muitas e muitas vezes, e em nenhum momento você irá a lugar algum além do meu alcance." A tranquilização foi útil. Ninguém encara a morte no rosto e apenas lhe dá o dedo, não importa as circunstâncias. "Você está pronta, Kitten?" Aquilo foi perguntado sobre a minha pele enquanto a língua dele sondava o meu pulso. Encontrando o melhor local para morder. "Sim… espere!"


A pressão instantânea das suas presas cessou. Eu tomei uma respiração profunda. "Nada de refeições vivas, mesmo se você achar que a pessoa queira. Me dê bolsas de sangue. Eu não quero acordar com o rosto cheio da artéria de alguém." Bones se afastou para olhar para mim, acariciando a nuca do meu pescoço. "Isso já está resolvido. Não se preocupe. Você vai acordar e eu estarei lá e tudo ficará bem." Eu deslizei meus braços em volta do pescoço dele, feliz por ser ele quem iria me levar para a sepultura e me trazer de volta em vez de qualquer outro. "Bones." "Sim?" "Torne-me uma vampira." Certas coisas eu sabia que eu sempre me lembraria. O olhar em seus olhos quando ele abaixou a cabeça. Aquela lenta e profunda perfuração das suas presas em mim. Sua mão me pressionando mais perto, enquanto a outra se enrolava na minha, apertando nossos dedos juntos. Aquela pressão de sangue derramando na boca dele por uma mordida muito mais profunda do que eu já havia recebido. O rubor de calor correndo por mim. Meu coração, batendo tão rápido no início, então, gradualmente, diminuindo inexoravelmente. Ficando irregular enquanto a vida e que o calor começavam a diminuir em mim. Meus pensamentos se tornaram caóticos. O zumbido não era tão alto agora. Impossível ver muito agora. Engraçado, havia luzes um momento atrás, milhares de minúsculos pontinhos. Bonito. Onde elas foram? Frio. De onde o vento vem? O que foi isso? Algo está me puxando. Onde eu estou agora? Não posso falar. Eu estou me movendo? Não consigo ver. Por que eu não consigo ver? Por que eu não posso me mover? Onde eu estou? Onde eu estou? ONDE EU ESTOU? O quê? Eu mal posso te ouvir… sim! Sim, sou eu, estou aqui! Eu posso te ver agora. Eu estarei ai, estou indo. Esperem, não vão embora. Voltem! Parem, por favor, eu os vejo há tanto tempo. Não, levem-me de volta! Eu preciso vê-los mais uma vez… ___ Eu estava no inferno.


O fogo que me destruiu queimava com uma ferocidade que me disse que as coisas que haviam na terra eram apenas impostores dóceis. Este fogo era impiedoso, e ele estava em toda parte. Queimando-me sem me matar. Atormentando-me com agonia indescritível. Eu não podia gritar, de qualquer forma eu nem sabia mais se eu ainda tinha uma boca. A única coisa na qual eu podia me focar era a dor. Chega, pára, pára, dói, DÓI, DÓI! E então – algo frio me lavou, lentamente extinguindo as chamas. Com todo o desespero dos condenados, eu me estiquei buscando mais daquilo, desde que finalmente a dor começou a diminuir. Mais, oh Deus, ainda dói, por favor me dê mais, mais, oh por favor, eu preciso de mais, um pouco mais… Soou novamente, como uma batida. Luz. Vozes acima daquela lenta batida de tambor. Tantos cheiros diferentes. Eu abri os meus olhos e não vi um lago ardente de fogo, mas simples paredes de concreto. Demorou um segundo para reconhecer as pessoas olhando para mim, então processar aquilo. Tudo certo, eu estava na casa do Bones, e ele me transformou em vampira. Eu não estava no inferno, eu fui transformada em uma vampira, e estava tudo bem, porque a dor se foi. Eu podia ver, ouvir, tocar, cheirar, provar, oh Deus, provar – Algo delicioso estava na minha boca. Ah, sim, aquilo era bom. Tão bom. A última vagarosa parte da realidade se encaixou no lugar. Puta merda, eu tinha alguém em meus braços. Eu não tinha bebido uma bolsa de sangue, mas uma pessoa. Minha boca estava pressionada no seu pescoço e sangue escorria das minhas presas – foda-me, eu tinha presas! – e não havia nenhum pulso sob os meus lábios. "Jesus!" eu gritei, empurrando a pessoa para longe com uma urgência de horror. "Eu disse ao Bones nada de pessoas! Onde ele está?" Eu olhei ao redor procurando o Bones, doente por ele ter me deixado matar alguém, mas a expressão do Spade me parou. Ele parecia quase tonto. "Você acabou de jogar o Crispin no chão." Olhei para baixo. O cadáver que eu joguei para longe de mim se moveu para uma posição sentada e me encarou com descrentes olhos castanhos. Uma bolsa cheia e intacta de sangue estava nas mãos do Bones. Foi quando eu me dei conta do meu segundo problema. "Uh, pessoal…" Eu comecei hesitantemente. "Por que eu ainda tenho um batimento cardíaco?"


CAPÍTULO VINTE E OITO. A batida constante que eu tinha ouvido antes estava vindo do meu próprio peito. Por um segundo, eu estava confusa. Não funcionou? Estas duas novas presas espetando o meu lábio pareciam indicar o contrário, mas por que o meu coração ainda estava batendo? "Vai parar logo ou algo assim?" Eles tinham esquecido de me contar um detalhe importante? Como, "Oh, você vai ouvir alguns tum tuns pelos primeiros minutos, mas depois isso vai parar." E a julgar pelas expressões voltadas para mim, isso não era normal. "A qualquer hora que um de vocês quiser me responder, será ótimo." "Você não quer o sangue?" Spade desabafou. Eu dei ao saco roxo na mão do Bones uma rápida olhada. "Na verdade não." Bones ficou de pé. Ele olhou para mim da forma mais estranha, em seguida, ele rasgou o fundo da bolsa de sangue com os dentes e a segurou para mim. "Beba." "Eu prefiro não." "Basta tomar um gole do saco!" Bones exigiu. Fazendo careta, coloquei minha boca em torno da borda rasgada e tomei um gole em tentativa. Éca! Como uma boca cheia de moedas antigas. Eu cuspi aquilo. "O que você estava me dando antes? Aquilo era excelente, mas isso é uma porcaria." Spade realmente ficou pálido. Bones pegou o saco de volta e o drenou em alguns poderosos goles. "Não há nada errado com ele," ele declarou. Então ele pegou uma faca de suas calças e cortou o meu braço, sem avisar. "Ai! Pra quê isso?" Eu apertei o meu braço machucado, mas quase imediatamente, a dor se transformou em apenas um leve formigamento. Bones puxou minha mão para trás, revelando a pele manchada de vermelho, mas intacta por baixo. Não havia uma ferida mais. Meu antebraço havia curado completamente. Apesar de tudo, eu comecei a rir. "Isso vai me salvar de um mundo de dor em uma luta."


"Você está ciente de que não está respirando?" Bones perguntou. Ele estava certo. Eu não estava – e eu nem tinha notado! Como você pode não notar que você não está mais sugando o ar? Quando você não precisa mais, isso é quando! "O batimento cardíaco dela," Mencheres disse, falando pela primeira vez desde que eu abri meus olhos. "está diminuindo." Olhei para o meu peito, como se isso pudesse me dizer alguma coisa. Sem dúvida, o que começou como um ritmo regular de tum-tum, tum-tuns estava diminuindo para um preguiçoso tum… tum-tum… mas com longos intervalos entre eles. Eu me sentia… bem, isso parecia malditamente estranho, isso sim. Escutando isso, eu deveria estar em pânico ou algo assim. "Isso é uma coisa boa, certo? Talvez ele apenas precisasse de um minuto para perceber que os seus serviços não eram mais necessários." Bones colocou um braço em volta de mim. "Kitten, como você se sente?" "Bem. Muito bem, na verdade. Você sabe, você cheira muito bem. Realmente, realmente, hummmmm." Quando eu voltei a mim, estava com mais daquele gosto maravilhoso na minha boca. Desta vez, porém, eu estava sendo contida, com um braço em volta da minha cintura e outro debaixo do meu pescoço. Desde que eu ainda podia ver o Bones e o Spade, tinha que ser Mencheres quem me segurou. "O que aconteceu?" eu perguntei. "Você me mordeu," Bones disse. "Huh?" Spade acenou em confirmação. Eu fiquei espantada. "Me desculpe, eu nem lembro de ter feito isso…" Então parei, inalando o cheiro perto do braço do Mencheres. Aquele cheiro. Mmmm. A próxima coisa que eu sabia, era que o pulso do Mencheres estava na minha boca e eu o estava agitando de um lado para outro como um tubarão. Quando eu percebi o que eu estava fazendo, eu o cuspi. "Alguém vai me dizer o que diabos está errado comigo?" Mesmo enquanto eu gritava, eu não podia deixar de lamber os lábios. Aquele gosto. Era tão perfeito. Deus, nunca provei nada com sequer metade desse sabor antes! "Você se alimenta de sangue de mortos-vivos."


Mencheres fez o pronunciamento com sua usual calma impenetrável. Bones arqueou uma sobrancelha. Então ele chegou mais perto, tirando sangue do seu pulso com uma presa e balançando aquilo debaixo do meu nariz. "Você quer isto?" Eu me lancei para frente com uma compulsão que eu nem sequer tive tempo para pensar. Mencheres balançou sua mão livre, e uma parede invisível de repente me beijou no rosto. "Fique calma." Eu não tive escolha – eu estava congelado em uma posição agachada, com os meus joelhos flexionados, minhas mãos estendidas, e minha boca aberta em um rosnado predador. O pior era que eu não me importava. "Me dê isso." Eu sabia que era a minha voz, mas eu não reconheci o som selvagem dela. Aquela dor começou a voltar, a terrível que me fazia sentir como se estivesse queimando de dentro para fora. "Mê dê!" Mencheres me libertou. Eu só percebi isso quando o vi de pé ao lado do Bones, que apanhou outro saco vermelho cheio de um refrigerador e rasgou o fundo novamente. Dessa vez, Bones esfregou o sangue diretamente nos meus lábios. "Você quer isto?" ele perguntou, segurando o saco debaixo da minha boca. Eu lambi o sangue dos meus lábios. "Não." Um rosnado irritado. Os três homens trocaram um olhar. Então Bones deixou escapar um suspiro. "Certo, então. Nós vamos tentar isso de outra forma." Ele engoliu o conteúdo do saco. Eu assisti os músculos da sua garganta trabalharem o tempo todo, hipnotizada. Quando ele finalmente chegou mais perto, aquela dor tinha atingido um ponto de ebulição, e eu tinha lágrimas escorrendo pelo meu rosto. "Por favor. Isso queima, isso queima!" Bones colocou o seu pulso contra a minha boca. Mais tarde eu saberia que eu o rasguei violentamente, mas naquele momento, tudo que eu notava era o alívio refrescante da dor. Aquele gosto maravilhoso desceu pela minha garganta. Todo o meu corpo parecia suspirar com um êxtase que parecia muito próximo ao orgásmo.


"Você sabe que isso é inédito," Spade estava dizendo. Sua voz soava longe. Eu ainda estava estremecendo no delicioso êxtase de chupar as últimas poucas gotas do pulso do Bones. "Há uma primeira vez para tudo," Bones respondeu. "Só para mostrar que quando você pensa que sabe tudo, você não sabe. Ouça. O coração dela parou de agora." Isso chamou a minha atenção. Bem, isso e o pulso dele secando, o que talvez contribuísse para que eu percebesse as coisas ao meu redor novamente. "Você acha que ele vai permanecer parado?" Todos eles trocaram olhares. Finalmente, com um encolher de ombros, Bones pegou outra bolsa de sangue do refrigerador e me respondeu antes de beber. "Presumo que vamos descobrir." ___ A pequena sala reforçada do porão era basicamente uma prisão. Sem janelas, apenas uma porta, que estava trancada pelo lado de fora. Uma bi-cama contra a parede oposta. Vários livros, novos e semi-novos. Caneta e papel. E, claro, o refrigerador. Ele estava cheio de sacos de sangue e, para minha surpresa, garrafas de água. Bones explicou que ajudaria a me manter hidratada, enquanto o meu metabolismo continuasse confuso, queimando através de todo o alimento que recebesse do sangue sem deixar nada para me impedir de parecer, bem, seca. Eu tinha que beber água durante a primeira semana aproximadamente. Então me disseram que eu só precisava beber um copo por dia de qualquer tipo de líquido. Gim e tônico cobriu minha lista. O cheiro de sangue estava grosso no ar. O quarto também estava enriquecido com os cheiros do Spade, Bones, Mencheres, e outros que estiveram aqui antes de nós. Eu estava tentando identificar todos os cheiros diferentes, mas era difícil, considerando o meu quadro limitado de referência. Três tentativas depois, aquela fome devastadora me atingiu, e eu desmaie só para me encontrar agarrada ao Bones como uma sanguessuga furiosa. Mencheres havia me libertado da sua camisa de força invisível depois que o Bones afirmou que, enquanto ele continuasse se reabastecendo, não importava quantas vezes eu o drenasse. E desde que eu ficava absolutamente louca a cada vez que aquela necessidade tomava conta de mim, não havia nenhuma razão para outra pessoa ser mastigada. Eu também tinha a nítida impressão de que eles queriam manter a minha dieta incomum em segredo.


"É típico eu não poder se quer fazer isso da maneira normal," eu disse, depois de lamber as últimas gotas do seu pulso novamente. Uma pequena parte de mim se perguntou por que eu não estava envergonhada pelo meu comportamento. Sugar a veia de alguém sem poder evitar era o mesmo que dependência, ainda assim eu não me importava. Talvez porque eu ainda estivesse curtindo a euforia de estar empazinada novamente pelo sangue que o Bones me deu. "Fazer o que, amor? Torne-se uma vampira? Ou morder?" "Eu estou mordendo errado, também?" Bones riu, afastando a minha massa selvagen de cabelo do meu rosto. "Você está mordendo exatamente do jeito que todo novo vampiro morde, que é muito forte e bagunçado, mas completamente normal, e você não pode evitar o que você deseja. Ninguém nunca transformou um mestiço antes. Talvez se tivessem, a mesma coisa teria acontecido, então você apenas estaria comendo o que é suposto que você coma." "Obrigado por isso." Lucidez estava voltando aos poucos, agora que a minha fome foi saciada. "Pensamento rápido da sua parte." "Sim, bem, vem da prática. Vamos lá, Kitten, vamos te limpar." Bones abriu outra garrafa de água e derramou um pouco dela em uma toalha, então limpou o meu queixo e garganta com ela. A toalha ficou vermelha, é claro, e ele fez isso duas vezes mais até que ele ficou satisfeito. Não havia nenhum espelho, então não é como se eu mesma pudesse ter verificado, e eu gostava dele fazendo aquilo, pela simples razão de que ele estava me tocando. Suas mãos eram tão fortes, mas ele me segurou com o máximo de delicadeza. Como se qualquer coisa mais dura do que uma carícia deixaria danos permanentes. Outro perfume encheu o meu nariz. Eu respirei o cheiro aromático, surpresa ao descobrir que estava vindo de mim. Bones inalou também, seus olhos se enchendo de verde. Agora o ar começou a ser temperado com uma intoxicante mistura de almíscar, açúcar queimado, e especiarias – o cheiro do Bones, mais nítido e mais forte. "Você pode cheirar o quanto eu te quero?" A voz dele estava profunda. Ausente daquele tom tranqüilizador que ele usou pelas últimas horas, enquanto eu lutava contra a minha fome incontrolável. Tomei outra respiração profunda, absorvendo a mistura inebriante de aromas circulando juntos. "Sim."


Minha voz estava rouca também. Quase um ronronar baixo enquanto eu sentia as presas, que haviam recuado, começarem a crescer outra vez. Outra fome correu por mim. Embora essa não doesse, ela era tão urgente quanto a anterior. Eu estava sentada no chão – como eu cheguei lá, não me pergunte, eu havia chegado lá com o pulso dele na minha boca – quando a luxúria assumiu. Eu achatei o Bones na cama pequena, colocando minhas pernas em cada lado dos seus quadris. "Espere," ele disse, pegando algo no chão. Eu não queria esperar. Uma onda de pura necessidade me deixou cega para todo o resto. Eu tinha arrancado a minha roupa e rapidamente aberto as calças dele quando eu chorei de frustração com o que eu encontrei quando minha mão apertou em volta dele. Bones deixou escapar um grunhido divertido. "Eu disse para esperar por um motivo. Você me drenou, mas não se preocupe. Há muito sangue aqui." Ele puxou outro saco de sangue para fora do refrigerador, que estava convenientemente perto da cama, só para constar, e bebeu enquanto tirava o resto das suas roupas. Era bom que todo aquele líquido fluísse para um único lugar, porque nos poucos segundos que ele levou para fazer isso, minha necessidade se transformou em uma dor angustiante. Bones não se preocupou com as preliminares. Ele se meteu dentro de mim assim que o saco de sangue estava vazio. Eu gritei e me movi para cima dele. Palavras começaram a vazar da minha boca. Quais eram, eu não tinha idéia, mas eu não podia parar de dizê-las. Bones se sentou, agarrando os meus quadris, chupando os meus seios, mordendo meus mamilos, e me segurando enquanto ele começava a se mover mais rápido. O cheiro do nosso desejo estava por toda parte ao nosso redor, eroticamente maduro e intenso. Eu me sentia drogada por ele, mas ao mesmo tempo, eu nunca me senti tão viva. Como se toda a minha vida antes disso tivesse ocorrido enquanto eu dormia. Cada centímetro da minha pele estava hipersensível, crepitando com paixão, e zumbindo agora com uma tensão interna que eu nunca possuí antes. Aquilo cresceu a cada novo toque, empurrando-me para um pico de prazer que fez tudo a nossa volta desaparecer. Não havia nada exceto este momento, e o orgasmo, se uma palavra tão símples pudesse ser usada para descrever o que estava rasgando através de mim, não se limitando aos meus quadris. Aquilo irrompeu através de mim. "Sim," Bones gemeu, movendo-se rapidamente. "Tão bom, amor. Não falta muito, fique comigo, fique comigo…"


Eu tive um breve momento para me perguntar, onde ele pensa que eu vou? Antes de tudo ficar escuro.


CAPÍTULO VINTE E NOVE. “Você está pronta pra isto?" Eu balancei a cabeça. "Faça." Bones cortou uma longa linha ascendente ao longo do seu antebraço, abrindo suas veias. Aquele delicioso líquido vermelho encheu o corte de uma só vez. Minha boca ficou molhada. Em seguida, Bones sujou de sangue os seus dedos e passou-os a poucos centímetros dos meus lábios. Engoli em seco, lutando contra a minha vontade de agarrar a sua mão e sugar os seus dedos - e em seguida seu antebraço. Então, Bones pressionou aqueles dedos cheios de sangue em minha boca, provocando-me com sua doçura inacreditável. Eu tremia, mas não lambi ou mordi. Você pode fazer isso Cat. Não ceda. Bones me entregou um guardanapo. "Cuspa isso fora, Kitten." Eu fiz, devolvendo aquelas gotas que tinham feito minha boca doer fisicamente de desejo. Se eu ainda pudesse, eu estaria suando por agora. "De novo." Bones repetiu esta tortura mais cinco vezes, me fazendo cuspir o que meu corpo estava uivando para manter, até que na última vez Bones sorriu para mim. "Você conseguiu, amor." "Muito bom, Cat," Spade disse. "Isso é mais do que muito bom." Bones beijou minha testa. "Obter o controle da sede em três dias é extraordinário." "Que horas são?" "Por volta de 12:30hs," Spade respondeu. Menos de seis horas até o amanhecer. Esse era o outro "efeito secundário" da transformação. Quando o sol se levantou, eu apaguei. Não apenas dormir, como eu estava acostumada a minha vida inteira, eu caía do nada. De certa forma, isso pra mim era mais preocupante do que minhas crises de fome. Se acontecesse de eu estar em uma luta quando amanhecesse, eu estaria frita. Eu estava trabalhando em permanecer consciente quando o sol aparecesse. Até agora, eu posso manter meus olhos abertos alguns minutos enquanto meu corpo tinha uma excelente sensação de um trapo.


Isso iria embora com o tempo, mas eu me preocupava sobre quanto tempo. Agora, eu não conseguia nem me mover até a tarde. "Eu quero sair,” eu disse. "Dirigir pra algum lugar, olhar para todos os sinais de rua que eu passar, ler mapas de estrada até que eu fique cega, e pegar qualquer direção além de 18 metros. Ah, mas vou tomar um banho primeiro. Nesse pequeno chuveiro do porão só havia água fria." Mencheres entrou na sala. Assim que vi seu rosto, eu soube que algo estava terrivelmente errado. "É o Gregor, não é?" Eu disse antes que ele pudesse falar. "O que ele fez?" Mencheres colocou suas mãos sobre meus ombros. "Cat, sua mãe desapareceu." "Não!" Isso escapou de mim, junto com um surto repentino de lágrimas. Os braços do Bones se apertaram em volta da minha cintura. "Como? O ferro velho foi atacado?" Ele perguntou. Mencheres balançou a cabeça. "Rodney disse que ela desapareceu de seu quarto. Seu pijama ainda estava em sua cama." Ele a agarrou em seu sono. Oh Deus, Gregor tinha arrastado minha mãe direto de seus sonhos para sequestra-la. "Ele disse que ia me fazer sofrer," eu murmurei, ouvindo o rosnar de Gregor novamente a partir do meu último sonho com ele. "Eu não pensei que ele iria atrás da minha mãe. Como ele poderia se ele nunca bebeu dela?" Minha voz sumiu. Gregor poderia ter bebido. Eu supus que ele apenas usou o poder de seu olhar para compelir a minha mãe a me dizer que ele era um velho amigo na noite em que o conheci. Mas, obviamente, ele tinha tomado seu sangue também. "Eu preciso falar com Gregor," Eu disse de uma vez. "Alguém tem que saber como chegar a ele." Mencheres tirou as mãos dos meus ombros. "Você sabe o que ele quer. Ele vai querer negociar, você por ela." "Então eu vou fazer isso," eu disse. O aperto de Bones em mim transformou-se em aço. "Não, você não vai."


"O que você espera que eu faça? Dar de ombros e só esperar que Gregor a mate? Eu sei que você não gosta dela, Bones, mas ela é minha mãe. Eu não posso abandoná-la!" "Ele não irá simplesmente matá-la, Kitten," Bones respondeu, sua voz dura. "Ela é a única vantagem que ele tem sobre você, já que agora você é uma vampira e ele não pode te raptar em seus sonhos novamente." Medo, raiva e frustração ferveram em mim para formar um odor cruel, como o plástico em chamas. Você pode ir ao Gregor, mas Bones poderia atacar uma vez que eles soubessem onde Gregor está. Não, Gregor vai esperar isso e terá uma armadilha esperando. Se Bones trouxer pessoas o suficiente para sair de uma armadilha, Gregor saberia que você estava mentindo pra ele e provavelmente mataria ela por maldade. "Mencheres!" Eu exclamei, agarrando sua camisa. "Você poderia ir comigo. Você aprisionou Gregor uma vez, você poderia fazer isso de novo! Ou melhor ainda, vamos matá-lo." Ele balançou a cabeça. "Eu o prendi antes, em segredo, para evitar uma guerra entre seus aliados e os meus. Se Gregor desaparecer agora, todos vão saber que Bones ou eu tivemos a mão nisso. Os aliados de Gregor, certamente irão nos atacar em vingança." Eu lancei uma outra alternativa. "Você poderia paralisar Gregor e seus homens com apenas sua mente, tenho visto você fazer isso. Então eu pego minha mãe de volta e podemos escapar." Um pouco dos seus longos cabelos negros se derramaram sobre seus ombros de quão forte eu o balancei, mas o olhar dele era sério - e triste. "Eu não posso fazer isso, Cat." "Por quê?" Eu descuti. "Porque Gregor tem direitos sob sua mãe nas nossas leis," Mencheres disse calmamente. "Atacá-lo para tomar um de seu próprio povo iria trazer mais aliados de Gregor contra nós." "Gregor não tem nenhum direito sob a minha mãe," eu repreendi. Então algo frio me atravessou e não tinha nada a ver com a minha nova temperatura. Sim, ele tinha. Segundo as leis dos vampiros, eu era a mulher de Gregor, o que significa que alguém que pertença a mim era seu, também. E ainda por cima, Gregor tinha mordido a minha mãe, fazendo dela a


sua propriedade sob os termos das leis dos vampiros se ele escolher reclamá-la como tal. Oh, Deus. Nenhum vampiro iria violar suas leis para me ajudar a pegar minha mãe de volta, nem mesmo Vlad. "Se as leis são tão rigorosas, porque eu não fui forçada a voltar para o Gregor?" Eu perguntei amargamente. "Por que eu estou livre, quando ela não está?" "Você não admitiu em público ser sua mulher, só isso. Mesmo assim, alguns vampiros que acreditam em Gregor têm defendido que você deve ser forçada a voltar para ele, Kitten. Mas a maioria considera que não é assunto deles você ter escolhido alguém. Atacar Gregor para recuperar a sua mãe seria assunto deles, no entanto. Você sabe que ela seria considerada sua propriedade de uma forma ou de outra, então roubar sua propriedade abre a possibilidade nas mentes das pessoas que Mencheres e eu poderíamos tentar roubar alguns dos seu povo sem justa causa, também." "Sem causa?" Meu tom era mortal. Bones me deu um olhar. "Causa a seus olhos, não aos nossos." "Eu não posso simplesmente abandoná-la para o Gregor, com leis ou sem leis," eu afirmei. Ele me girou até nós ficarmos face a face. "Kitten, nem eu vou, mas nós temos que esperar. Uma vez que Gregor morrer, sua mãe estará livre. Gregor está esperando você correr para ele com toda a pressa. Ele não estará esperando que você tenha cuidado. Você confiará em mim e vai esperar até o momento certo?" Eu mordi meu lábio. O sangue que encheu minha boca me lembrou que minhas presas estavam pra fora. No meio de tudo, uma onda de fome me varreu. Como eu poderia apenas esperar e ter esperança que Gregor não iria ficar impaciente e me enviar partes da minha mãe como motivação para eu voltar pra ele? E ainda como eu poderia apenas correr para a batalha sem um plano ou um backup? Meu maldito plano de ação, a estratégia de ir com tudo não tem trabalhado por mim ultimamente. Bones tocou minha bochecha. "Eu vou encontrá-lo, amor. E eu vou matálo. Confie em mim." Eu engoli em seco, sentindo uma lágrima deslizar pelo meu rosto e sabendo que seria cor de rosa. "Tudo bem."


Bones me beijou, rápido, mas delicado. Então ele se virou para Mencheres. "Vamos anunciar a sua transformação. Uma reunião formal é melhor, então a sua introdução à sociedade dos vampiros pode ser feita sob uma trégua total, evitando o perigo de um ataque." "Eu concordo," Mencheres disse. "Eu vou preparar isso de uma vez." "Você quer fazer uma festa?" Eu perguntei, não tendo certeza se eu estava ouvindo direito. "Essa é a sua grande ideia?" "Ainda existem ghouls que consideram você uma ameaça à sua espécie," Bones respondeu. "Um em particular, Apollyon, fez o maior barulho sobre você. Mostrar a ele e aos outros que você é uma vampira vai nos livrar desse problema. Isso também irá reunir boa vontade para conosco, com os vampiros na comunidade, vamos precisar disso quando Gregor tiver sua morte infeliz e horrível." Frio e prático. Esses eram os pontos fortes do Bones. Se eu quisesse a minha mãe viva de volta, eles teriam o melhor de mim também. "Bem pensado." Meu sorriso era amargo. "Se eu tivesse ouvido você mais vezes, minha mãe provavelmente não estaria nessa confusão." Bones agarrou meu queixo. "Não se atreva a culpar a si mesma. A quantidade de pessoas que você protegeu em sua muito jovem vida não é nada menos do que extraordinária. Você coloca muita pressão sobre si mesma. Todas as respostas não tem que vir de você, Kitten. Você não está mais sozinha." Sempre, exceto os dois anos em que Bones esteve em minha vida, parecia que eu estava sozinha. Não maravilhar-se com isso era como ter vontade de me destruir. "Ok, nós vamos ter a minha festa de apresentação como morta-viva. Eu até mesmo vou chupar a veia de um ser humano em público se isso ajudar, já que eu suponho que nós ainda estamos mantendo meus hábitos alimentares em segredo." Bones deu de ombros. "Eu não vejo razão para qualquer alarme sobre algo tão trivial, então sim, manteremos isso em segredo. Mas não há necessidade de fazer algo tão dramático. Você é claramente uma vampira completa agora. Isso é tudo que qualquer um precisa ver. "Onde será realizada esta festa de apresentação?"


"Aqui. Nós ficamos nessa casa por tempo suficiente. Nós vamos ter a reunião aqui, e depois partimos para outro lugar mais tarde. E então, em breve, nós vamos encontrar uma maneira de resgatar a sua mãe." Eu estava ansiosa por isso. Agora, retalhar as defesas de Gregor soou mais gratificante do que qualquer outra coisa que eu poderia imaginar. Mas e se eu não puder retalhar suas defesas? Eu poderia estar tão fraca quanto qualquer outro novo vampiro agora. Não houve tempo de testar a minha força física nos últimos dias. Só a minha força mental enquanto eu reestabelecia a fome louca. "Bones. Nós temos que lutar." ___ Para meu profundo alívio, eu descobri que minha força não tinha sido reduzida a de um típico novo vampiro. Na verdade, Bones ficou impressionado na nossa primeira luta quando eu tirei proveito de seu ataque contido e o golpeei. Ele ficou boquiaberto em choque com a faca no seu peito—aço, não de prata—então, jogou a cabeça para trás e riu antes de me envolver num ataque sem regras que me deixou sentindo como se eu tivesse caído de um penhasco—e então, atropelada por um trem. Meu período de recuperação estava muito rápido agora em comparação ao que tinha sido como uma mestiça, mas havia um preço a pagar por essas melhorias. Tudo parecia mais intenso. Isso era ótimo quando se referia a atividades de quarto, mas não quando se referia a lutar. Um osso quebrado ou ferimento a faca podia curar em segundos, mas esses segundos doíam com uma intensidade entorpecente. Bones explicou que isso era porque meu corpo já não ia mais entrar em choque. Não, só ia direito da dor abrasante a cura completa, supondo que eu seria rápida o suficiente para não receber nenhuma lesão nova antes que as antigas curassem. A outra coisa que descobri foi quão diferente era a sensação de ser cortada com a prata ao invés de outro metal. Nunca antes tinha me dado conta de quão forte era a aversão dos vampiros com a prata, ou o quanto meu ser meio-humano tinha me protegido disso. Quando ferida por prata, eu tinha toda a explosão de dor das minhas terminações nervosas entrando em choque, e mais uma adicional agonia ardente que, em comparação, fazia com que uma ferida infligida por aço parecesse a felicidade.


Eu teria que aprender a controlar a minha reação instintiva aos novos níveis intensificadores de dor. Agora, eles me enganaram e me custou tempo. Tempo que eu não podia dar com a batalha iminente para recuperar minha mãe. Quatro dias se passaram sem nenhuma palavra sobre a minha mãe. Eu passei em constante atividade—quando eu não estava imobilizada pelo poder do amanhecer sobre mim. Descobri que quanto mais sangue eu bebia do Bones, mais eu poderia me forçar a ficar acordada quando o sol avançava no horizonte. Eu era capaz de ficar acordada por uma hora depois do amanhecer. Apesar, essa hora consistia em estar num estado de quase paralisia, mas era um progresso, embora não houvesse nenhum medidor para eu comparar meu progresso. Eu não era a única mestiça conhecida no mundo, mas aparentemente, eu era a única que tinha sido transformada em vampiro. Ninguém sabia quanto tempo a fraqueza de um típico novo vampiro ao amanhecer me afetaria. Eu poderia estar fazendo piruetas na alvorada em uma semana—ou isso pode demorar um ano. Na quinta noite foi a minha festa de apresentação. Eu não estava com humor para ficar ali, sorrir, e cumprimentar um grupo de pessoas que talvez estivessem gritando pela minha cabeça recentemente, mas é o que eu estaria fazendo. Se prevenisse mais conflitos entre vampiros e ghouls, e também ajudasse as minhas chances de recuperar minha mãe, eu faria isso nua se precisasse. Uma vez que esta era uma reunião formal de mortos-vivos, haveria comida—de todos os tipos—bebidas, danças e festividades, enquanto aqueles no poder ponderavam ou não abater metade das pessoas ao redor deles. Em outras palavras, como uma festa de formatura do segundo grau. Eu tinha acabado de secar meu cabelo quando eu ouvi a porta bater lá embaixo, em seguida, passos rápidos na escada. Bones estava de volta. Ele tinha ido buscar um vestido para mim, uma vez que por qualquer motivo, ele sentia que nada na casa era bom o suficiente. Ele entrou pela porta com um saco plástico de roupa na mão. “Na hora certa,” eu disse. “Eu estou a ponto de enrolar meu cabelo. Então, vamos ver o vestido.” Bones abriu o zíper da sacola para revelar um vestido longo preto, de alcinha, acinturado, apenas com cristais incrustados no tecido ao redor do corpete. Esses cristais modelariam os meus seios, eu podia dizer isso a


partir do corte, e mesmo na pouca luz do quarto, eles brilhavam e emitiam cores deslumbrantes. “Lindo,” eu disse, depois sorri ironicamente. “No entanto, não é possível usar um sutiã com ele. Tenho certeza que foi acidental de sua parte.” Ele sorriu. “Claro.” Realmente era um belo vestido. Simples, gótico, mas brilhante. Muito apropriado para uma festa de apresentação vampira. “Isso combina muito bem com minhas presas,” eu disse, tentando a irreverência para cobrir meu nervosismo. Mesmo assim, eu podia sentir o cheiro em mim. Era adocicado, como um pêssego maduro demais. Se, em vez disso, ao menos houvesse uma maneira que eu pudesse cobrir minha tensão com um perfume de coragem. Bones beijou meu ombro nu, fácil de fazer desde que eu ainda estava usando apenas uma toalha. “Vai dar tudo certo, Kitten.” Eu sorri, ignorando o aperto concordava. “Claro que vai.”

no

meu

estômago

que

não

___ O último grupo de pessoas que eu recebi tinha sido no funeral do Randy. Estes estavam quase animados. Por exemplo, minha conversa com Bones estava na maioria das vezes limitada à ele dizendo, “Esse é fulano de tal. Fulano de tal, gostaria de apresentar Cat, o mais novo membro da minha linha,” e eu apertaria a mão de alguém que talvez logo me assaria sobre carvões quente. Rodney estava aqui, parecendo tão mal-encarado quanto eu me sentia. Ele se culpava por não acordar minha mãe quando Gregor a perseguiu em seu sono. Eu tentei dizer ao Rodney que não havia nenhuma maneira que ele poderia ter sabido o que estava acontecendo, mas meus consolos caíram em ouvidos surdos. Fabian flutuava por ali como um maître d'* transparente, informando em que momento as bebidas ou hors d’oeuvres** terminavam. Spade e Ian deram seus respeitos formais em fila. Cerca de trinta apresentações depois, Annette era a próxima. Ela usava um vestido sem alças que parecia fluido sobre sua figura voluptuosa. Longas luvas pretas adicionavam um toque de classe à sensualidade do vestido. Ao lado dela, me senti como a Carrot Top travestida***. * O maître d' (abreviação para maître d'hôtel, literalmente 'o mestre do hotel'), ou simplesmente maitre, é a pessoa encarregada de destinar


clientes às mesas, no estabelecimento, seja restaurante, hotel ou navio e dividir a área de jantar em áreas da responsabilidade dos servidores a serviço, as denominadas "praças". ** Entradas *** Famosa Drag Queen. Ela colocou seus braços ao meu redor. Pega de surpresa, eu congelei. Annette me apertou uma vez, e sussurrou, “Você tomou a decisão certa,” e em seguida me soltou com um sorriso. “Você não está encantadora, Cat? Sem dúvida, parece que a morte cai bem em você.” Eu não esperava por uma saudação calorosa dela. “Obrigada,” eu consegui dizer. “Ouvi dizer que era a última moda desta temporada.” Ela riu, sua risada segurando uma corrente pecaminosa. “Eu não ouso ter esperança que a sua exclusividade heterossexual foi enterrada junto com seu pulso?” Agora aí estava a Annette que eu conhecia. Um tubarão voraz disfarçado atrás de uma bela mulher. “Isso não mudou,” eu disse a ela secamente. “Gentil de sua parte perguntar, de qualquer forma.” Seus olhos brilhavam. “Quem não arrisca, não petisca, como eles dizem. Ah, bem, devo seguir em frente. Afinal de contas, muitos sujeitos aterrorizantes estão aqui para assistir você não respirar.” Eu vi uma forma familiar hesitando perto da entrada da frente. Cabelos lisos escuros com pico de sua viúva pronunciado emoldurado um rosto anguloso, enquanto os olhos verdes acobreados encontraram os meus. “Vlad!” A tensão da última hora tinha mostrado seus efeitos em mim, me fazendo tão feliz em ver alguém em quem eu confiava, que eu deixei o meu lugar para cumprimentá-lo. Ele cheirava a canela e fumo, eu pensei quando eu o abracei. Que interessante combinação de aromas. Então eu fiquei ciente que a sala tinha caído em silêncio. Quando eu olhei em volta, todos tinham parado o que estavam fazendo para nos olhar—e o olhar que Bones me deu poderia ter desidratado o vapor. “Kitten,” ele disse. “Você gentilmente retornaria... agora.”


Uh-oh. Acho que eu havia cometido uma gafe saudando um amigo fora de ordem. “Eu tenho que ir fazer isso,” eu murmurei para Vlad. “Obrigado por vir.” “Claro.” Seu sorriso mudou daquele verdadeiro que ele me deu ao seu normal riso sardônico. “Vá cumprimentar seus fãs.” Meus fãs, sem dúvida. Eu nunca tinha me sentido mais julgada ou dissecada em minha vida que eu tinha esta noite. Esqueça a minha falta de batimentos cardíacos ou a respiração; se alguém tivesse forçado a abrir minha boca e pedisse para ver meus dentes, eu não teria ficado surpresa. “Sinto muito,” eu disse ao Bones. Me surpreendeu que ele estivesse rígido, raiva emanando dele como se ele tivesse sido salpicado com querosene. “Perfeitamente,” ele disse, gelo era mais quente do que o seu tom. “Deixe-me apresentá-la a Malcolme Untare. Você vai reconhecê-lo por outro nome. Apollyon.” Eu quase arrebatei minha mão de volta do insípido aperto do homem que eu mal tinha olhado. Este era o ghoul que esteve espalhando a maioria dos rumores sobre mim? Malcolme Untare ou Apollyon, como ele tinha chamado a si mesmo, era da minha altura se eu estivesse descalça. Ele tinha cabelos pretos que qualquer um podia ver que era tingido, e ainda tinha uma longa peça enrolada em volta da cabeça dele, daquela forma que alguns homens faziam para enganar alguém, convencidos de que eles não eram carecas. Eu resisti um súbito forte desejo de arrancar aquela peça e gritar achei! para sua cabeça careca oculta. Já que eu o deixei parado ali depois que eu sai correndo para receber Vlad, de qualquer forma, eu pensei que poderia estar pressionando as coisas. Mas algumas coisas não podiam ser ajudadas. “Como vai você?” Perguntei, dando-lhe um aperto de mão mais-que-firme. Apollyon soltou como se me tocar tivesse sido desagradável. Ele tinha olhos azuis sem graça e aquelas bochechas suaves de bebê que pareciam em desacordo com sua personalidade. De alguma forma eu achava que ele devia estar coberto de verrugas, porque ele me lembrou de um malvado sapo atarracado. “Você é exatamente como eu esperava que você fosse,” ele disse com uma desdenhosa curva dos seus lábios.


Arrumei a minha altura máxima. Nos saltos, eu tinha cinco centímetros a mais que ele. Um babaca como Apollyon odiaria ser olhado de cima por uma mulher. “Me permita responder o elogio.” “Kitten,” Bones falou. Certo, este era para ser supostamente um negócio ‘sem pedras atiradas.’ “Prazer em conhecê-lo, Apollyon, e assegure-se de me reservar uma dança. Eu vou apostar que você calçou seus sapatos de dança.” Vlad não fez nenhuma tentativa de esconder sua risada. Mencheres me deu um daqueles olhares de ‘você-não-está-sendo-prudente,’ e Bones parecia como se quisesse me estrangular. Bem, muito ruim. Apollyon tentou incitar as pessoas a me matar e a outros vampiros, tudo baseado em mentiras e paranóia. Dane-se se eu ia beijar a bunda dele e dizer que tinha gosto de doces. Apollyon passou por mim fedendo com raiva—eu estava ficando boa nesse negócio de cheiro!—e eu fixei outro sorriso falso no meu rosto enquanto eu cumprimentava o próximo simpatizante duvidoso.


CAPÍTULO TRINTA. Foi depois que eu apertei a mão da última pessoa na fila, que o Bones se virou para mim e falou através de uma mandíbula apertada. "Por que você convidou o Tepesh?" Olhei para o Vlad, que estava do outro lado da sala conversando com um vampiro chamado Lincoln. Até onde eu sabia, não era o mesmo homem que havia libertado os escravos, mas por outro lado, ele era realmente alto. "Eu não convidei." Bones me olhou como se estivesse avaliando se eu estava dizendo a verdade. "Pergunte a ele você mesmo, se você não acredita em mim," eu disse, exasperada. "Não que eu me importe de o Vlad estar aqui, mas não me ocorreu convidá-lo, desde que ele não era uma das pessoas gritando pela minha cabeça." "Mantenha a sua voz baixa," Bones assobiou, puxando-me não muito gentilmente para um canto perto da porta da frente. Eu não sabia sobre o que ele estava tão irritado. Foi realmente algo tão sério eu ter saido da fila e dito olá ao Vlad? Malditos vampiros e suas regras complicadas. Embora talvez eu devesse repenssar essa frase, desde que como uma vampira completa, eu estava me insultando agora, também. "Qual é o seu problema?" Eu perguntei, mantendo a minha voz muito baixa. Bones me olhou como se tivessem crescido duas cabeças em mim. "Meu problema, Pet, é você saindo do meu lado para cumprimentar o seu ex-amante como se você tivesse sentido falta dele horrivelmente." Agora foi a minha vez de encarar o Bones como se ele tivesse se transformado em um ser alienígena. "Meu ex-amante? Você enlouqueceu?" Na minha descrença, minha voz não estava tão suave quanto antes. Os dedos do Bones apertaram o meu braço. "Você quer espalhar o nosso assunto na frente de todos? Basta dizer a palavra, então." Eu me obriguei a me acalmar, porque senão, eu ficaria realmente estridente. "O que lhe deu a idéia de que eu tive sexo com o Vlad?" Eu consegui perguntar em um sussurro. Bones levantou uma sobrancelha. "Charles me contando sobre como ele tinha lhe telefonado quando você estava na cama com o Tepesh".


Ah, pelo amor de Deus, isso faz sentido. O telefonema do Spade naquela manhã, quando Vlad dormia no meu quarto. Com tudo o que tinha acontecido, eu tinha me esquecido sobre como aquilo teria parecido. "Você sabe quando você me disse que eu deveria ter perguntado sobre o que aconteceu em Nova Orleans, ao invés de assumir baseada em aparências? Bem, o mesmo para você, Bones. Se você me perguntasse, eu já teria lhe dito que eu nunca transei com o Vlad. Eu nunca sequer o beijei. Nós dormimos juntos, porque nós dois estávamos sozinhos e precisando de um amigo. Nada mais." A julgar pelo seu rosto, Bones estava lutando com as informações. Eu bati meu pé. Se eu posso acreditar que você escolheu garota após garota com a Cannelle e apenas bebia delas para as fazer desmaiar, então é melhor você ser capaz de acreditar em mim sobre o Vlad, eu pensei com um olhar ameaçador. "Tudo bem," ele disse finalmente. "Eu acredito em você, e eu deveria ter perguntado." "Eu não posso acreditar que você pensou que eu dormi com o Vlad, e ainda assim decidiu não mencionar isso." "Oh, eu teria mencionado isso, apenas não até esta situação com a sua mãe ser resolvida." Sua voz estava áspera. "Eu pensei que você fez isso porque você acreditou que eu te abandonei e estive transando com várias mulheres. Eu entendi como isso poderia ter acontecido, mas certo como o inferno que eu não ia deixar isso continuar." Então essa foi a outra razão pela qual o Bones desafiou o Vlad para um duelo mortal na noite que ele me tirou da casa do Empalador. Ele não queria apenas me afastar do Vlad por estar preocupado que o Vlad me sacrificasse, no lugar do seu povo, se os ghouls atacassem. "Você veio me buscar, mesmo pensando que eu estava te traindo?" Bones segurou meu rosto. "Você me tirou de Nova Orleans, mesmo acreditando que eu havia te deixado e te humilhado com várias outras mulheres. Isso é o que os vampiros fazem, Kitten. A gente sempre vem pelo que é nosso, não importa as circunstâncias." Eu estava apenas pensando que eu nunca estive mais feliz em ser uma vampira, quando uma voz seca crepitou no ar. "Tire as suas mãos da minha esposa." Meu corpo todo enrijeceu enquanto eu me virava em descrença. A porta aberta atrás de mim me deu uma visão clara do Gregor invadindo o lugar.


Bones se colocou entre mim e o vampiro se aproximando. Eu senti ao invés de ver Mencheres deslizando sobre nós. "Você não é bem-vindo aqui, Dreamsnatcher," Mencheres disse com uma educação assustadora. "Mencheres." Gregor tinha um sorriso frio nos lábios. "Você pensou que tinha vencido, apagando a memória dela e me aprisionando por todos aqueles anos, mas você falhou. Todo mundo agora sabe que Catherine e eu estamos vinculados, e nossas leis declaram que em qualquer reunião formal, onde um cônjuge estiver, o outro não pode ter sua entrada recusada." Gregor estava certo. Na verdade, por que eu não tinha pensado nisso? Porque o vampiro de vários milhares de anos ao meu lado não pensou nisso? Inferno, onde estava uma das famosas visões do Mencheres quando ela realmente seria útil? "Eu nunca fui chamada por um insulto mais degradante do que de sua esposa" Eu rosnei. "Onde está a minha mãe, Gregor?" Vlad também se aproximou. Entre ele e o Mencheres, se Gregor se atrevesse a atacar, ele seria imobilizado, e então frito até ficar crocante. Isto pode virar uma ótima festa, apesar de tudo. "Sua língua afiada só te garante mais punição," Gregor respondeu enquanto invadia de vez a casa. Inesperadamente, Bones sorriu, correndo a mão pelo meu braço numa carícia lenta. "Não liga para a língua dela, não é? Que estranho. Acho que é uma das minhas partes favoritas." Gregor disparou furiosamente para frente – e então parou. Deu um olhar cauteloso no Mencheres e no Bones. Em seguida soltou uma risada profunda. "Não," ele disse. "Eu não vou lançar o primeiro golpe em uma trégua total. Você e eu teremos o nosso dia, chien*, mas não hoje. Na verdade, eu vim porque eu tenho um presente para Catherine." *Significa cão, ou covarde, em francês. Rodney acotovelou pessoas para fora do seu caminho, olhando para o Gregor com quase tanto ódio quanto eu. Gregor não se importou. Ele sorriu enquanto olhava para trás dele, para a mulher entrando na casa. Ela vestia um vestido vermelho com um casaco de peles branco. Ela tinha uma correia na mão, outro vampiro rastejava atrás dela, preso naquela coleira.


"Você está morta," eu disse, incrédula. A mulher de cabelos castanhos avermelhados riu. "Oui, Catherine! Você deve saber, como foi você quem me matou. Mas você cometeu um erro. Você me alimentou com sangue de vampiro pouco antes de me matar, e então você me mandou de volta para o Gregor com a minha cabeça junto. Merci por isso. Ele não teria sido capaz de me levantar como uma ghoul, se não fosse por isso." Cannelle sorriu falsamente durante todo o tempo em que disse aquilo. Enquanto isso, eu queria me bater. Claro. Cannelle havia engolido um pouco do sangue do Ian pouco antes de eu a esfaquear no coração. Gregor deve ter tomado conhecimento disso, roubando a informação dos meus sonhos, da mesma forma que ele ficou sabendo de inúmeros outros detalhes. Cannelle queria ser uma vampira, mas pelo visto, eu ajudei a fazer dela uma ghoul ao invés. Cannelle chutou o vampiro perto de seus pés. Eu olhei para baixo, vi longos cabelos escuros escondendo um rosto de mulher… e o meu sangue gelou. "Não," eu sussurrei. A cabeça da vampira se ergueu, seu cabelo caiu para os lados – e eu pulei para frente. "Mãe!" Bones me puxou de volta. Eu lutei, desesperada para chegar até ela e horrorizada com o verde ardente envolvendo os seus olhos anteriormente azuis. "Catherine." Sua voz tremeu, tão diferente do seu tom normal e estridente. "Por favor. Mate-me." "Bones me solte!" Ele impiedosamente aumentou o seu aperto e me puxou para traás, ao invés. Ao meu lado, Spade tinha o Rodney em um aperto semelhante enquanto o ghoul lançava maldições para o Gregor. Mencheres marchou para frente e apontou o seu dedo a centímentros do peito do Gregor. "Qual é o significado disso?" Gregor jogou a cabeça para trás e riu. "Este é meu presente para minha esposa. Vê quão misericordioso eu sou? Agora Catherine pode ter sua mãe para sempre com ela… assim que a minha leal Cannelle não precisar mais de uma serva, é isso." Cannelle sorriu e deu um chute no rosto da minha mãe. Ela caiu.


"Eu vou matar você por isso, Gregor!" Uma batida começou em meus ouvidos. No começo eu pensei que eram apenas os golpes dos meus punhos contra o Bones, que estava usando toda a sua força para me segurar. Mas então eu percebi que o barulho não vinha de lá. Ele vinha de dentro de mim. Cannelle arregalou os olhos. Havia murmúrios chocados. Pessoas ao redor começaram a encarar. Apollyon abriu caminho através da multidão, então olhou para mim. "O coração dela está batendo. Que truque é esse?" Eu não sei quem lançou o primeiro soco, mas de repente, todo mundo estava lutando. Apollyon e os ghouls vieram na minha direção, gritando. Bones rosnou, "Leve ela para longe daqui," então me entregou para o Vlad antes de pular na briga. Vlad me segurou em um aperto incrível, recuando. Mencheres começou a lançar o seu poder como uma rede para subjugar a violência, mas havia muitas pessoas mortas-vivas poderosas para congelar a todos. Gritos voaram pelo ar, e então as pessoas, quando as coisas ficaram mais físicas, e, finalmente, havia fogo, quando o Vlad decidiu fazer uma saída. Uma parede de chamas apareceu ao nosso redor, nos protegendo quando ele se elevou em linha reta para cima enquanto me segurava. No instante seguinte, o teto explodiu sobre as nossas cabeças. E então o próximo, e o próximo, até nada, exceto o céu noturno, estar acima de nós. "Maldição, eu não vou deixá-los," eu gritei, quando nós saltamos através do telhado em ruínas. "É o único jeito," Vlad murmurou, apertando-me tão forte que eu teria vomitado se eu ainda pudesse. Boom. Boom. Boom. Meu coração continuou a bater no meu peito. Isso me deixou tonta, a sensação incrivelmente não familiar após apenas uma semana. Uma série de imagens me atormentou enquanto a nossa distância da casa aumentava. Mãe. Oh Deus, Mãe. Transformada em vampira. Sendo arrastada e espancada em uma coleira. Bones se atirando na luta. Gregor rindo de tudo isso. "Mencheres vai resolver as coisas," Vlad disse. Ele teve que gritar para ser ouvido sobre o vento enquanto a nossa velocidade crescia. Estávamos até mesmo deixando um rastro de fogo, como um cometa. "Mas não se você estiver lá com a sua raiva pelo Gregor e seu misterioso batimento cardíaco. Você fica, e isso não vai acabar até que metade das pessoas estejam mortas."


Eu queria me soltar dos braços dele e voltar para a casa, mas a verdade amarga é que o Vlad estava certo. Mais uma vez, todo mundo com quem eu me importava estaria melhor se eu partisse. ___ Quando meus olhos se abriram, eu levei alguns segundos para me orientar. A primeira coisa que eu soube era que eu estava no banco traseiro de um carro. Segundo, não parecia estar se movendo. Terceiro, Eu tinha a minha boca apertada ferozmente na garganta de alguém, e eu sabia, pelo gosto, que não era o Bones. Eu me joguei para trás, para revelar que era o Vlad quem eu tinha acabado de estuprar o pescoço. Sua camisa estava rasgada, e eu o tinha pressionado contra a lateral da porta do carro. Ele se ajeitou para uma posição vertical. "O que foi isso?" ele perguntou calmamente. Amaldiçoei-me por me esquecer de dizer a ele sobre um detalhe muito importante sobre a minha alimentação, embora isso tenha sido a última coisa na minha mente. Depois da nossa saída aérea do que um dia foi uma festa, Vlad sequestrou a primeira pessoa que encontrou, o hipnotizou, e o fez nos levar à estação de trem. Lá, nós embarcamos no primeiro trem disponível. Assim que entramos nele, eu insisti em ligar para o Bones, que não respondeu. Nem Spade ou Mencheres responderam. Vlad dispensou minhas preocupações, dizendo que eles estavam provavelmente muito ocupados para se incomodar em responder os seus telefones. Minhas próximas tentativas de contatá-los foram interrompidas quando o sol nasceu uma hora depois, e eu desmaiei na minha cadeira. Essa era a última coisa que eu me lembrava. "Você tem notícias do Bones?" "Falei com ele algumas horas atrás. Ele deve estar aqui logo." Eu digeri aquilo, notando que meus batimentos cardíacos, o que tinha causado a briga, estavam em silêncio agora. Quão irônico que nós tivemos a festa de apresentação para tranquilizar todas as preocupações dos ghouls. Agora as repercussões da última noite poderão dar ao Apollyon mais combustível para a sua fogueira paranóica. Eu só podia esperar que o Mencheres e o Bones tenham conseguido acalmar as coisas, e que o fato de eu ser uma vampira estranha seja menos ameaçador para os ghouls do que ser uma mestiça. Vlad juntou as bordas rasgadas do seu colarinho e eu voltei a minha atenção para a explicação das minhas ações de agora há pouco.


"Algo estranho aconteceu depois que eu fui transformada. Eu fui direto para qualquer vampiro perto de mim em vez de beber sangue humano. Por alguma razão, sangue de vampiro é o que eu, ah, desejo – e agora você já sabe que às vezes o meu coração ainda bate." Vlad pareceu mais supreso do que eu alguma vez já o vi. "Extraordinário," ele murmurou. Mesmo enquanto ele dizia isso, eu não podia evitar lamber os lábios. O sangue do Vlad tinha um sabor diferente, certamente, mas ainda assim era delicioso. Vlad me assistiu fazer aquilo, e eu parei. Embora eu não estivesse lúcida quando fiz aquilo, eu me senti culpada por mastigar o meu amigo. "Desculpe," eu murmurei. Seu lábio se curvou. "Nunca deixe dizerem que você é previsível, Cat." Eu desejei que eu fosse. Primeiro, eu tinha sido uma aberração como uma mestiça, agora eu era uma ainda maior como vampira. E agora minha mãe era uma vampira, também. Minha mãe, que odiou vampiros desde que descobriu sobre eles. Minha mãe, que me implorou para matá-la ontem à noite. "Você pode querer repensar sua amizade comigo, Vlad, porque eu vou pegar a minha mãe de volta, mesmo se eu tiver que quebrar cada lei dos vampiros para fazer isso." O olhar verde acobreado do Vlad era firme. "Eu não esperaria menos de você." Eu não respondi aquilo, apenas olhei para fora da janela. O sol estava à meia altura no céu. Deve ser por volta do meio-dia. Eu estive inconsciente por horas. Todas as leis dos vampiros àparte, como eu cumpriria a minha promessa de resgatar a minha mãe, considerando que o amanhecer roubava toda a minha força, era a verdadeira questão. Sem mencionar que eu não sabia onde diabos o Gregor havia escondido a minha mãe. Ela poderia estar em qualquer a essa hora. "Cat". Olhei para cima para encontrar o Vlad ainda me encarando. "Eu não posso te ajudar com isso, você sabe disso." Um pequeno e triste sorriso entortou meus lábios. "Sim, eu sei." Eu entendia, mas oh, eu teria gostado de ter o Vlad como backup. "A maior fraqueza do Gregor é o seu orgulho," Vlad afirmou. "Use-o contra ele. Ele cairá por isso toda vez."


Eu senti o Bones minutos antes de ouvir o carro dele. Visto que ele tinha me transformado, eu estava ligada a ele de uma forma que desafia a lógica. Mesmo agora, eu podia sentir sua impaciência, como uma lixa rangendo pelo meu subconsciente. Eu já estava fora do carro quando o Mercedes preto parou ao lado do Vlad. Bones saiu, puxando-me para ele antes que eu pudesse falar. Ele me deu um forte beijo que teria roubado o meu fôlego se eu ainda tivesse algum. Então ele me colocou de volta, traçando a minha boca enquanto seus olhos ficavam verdes. Eu soube que ele podia provar o sangue do Vlad em mim. Parte de mim queria pedir desculpas, enquanto a outra argumentava que, de todas as pessoas, Bones entenderia. "Bones," eu comecei. "Não se preocupe sobre isso," ele disse, esfregando a minha boca novamente. "Vamos lá. Tepesh." Bones deu ao Vlad um aceno curto. "Até a próxima vez." Vlad se apoiou no seu carro com o seu usual meio sorriso cansado. "De alguma forma eu acho que pode ser mais cedo ou mais tarde."


CAPÍTULO TRINTA E UM. Eu fiquei surpresa ao ouvir que apenas três pessoas foram mortas na noite passada. Visto que era uma reunião formal sob uma trégua total, a maioria dos convidados foram desarmados. Os três que foram mortos eram humanos, que não poderiam sobreviver a uma luta desarmada dos mortos-vivos como os vampiros e ghouls podiam. Quando as consequências de quebrar uma trégua total, ninguém sabia - ou diria - quem iniciou a violência. Mencheres e Bones conseguiram acalmar as pessoas o suficiente para irem embora sem declarar guerra. Gregor foi embora com minha mãe e Cannelle no reboque. Quanto à forma como Apollyon e seus ghouls lidariam com minha sem precedentes pulsação de vampiro... o tempo irá dizer. Eu estava menos preocupada com isso do que eu estava sobre programar um plano para resgatar minha mãe. Eu considerei muitas ideias incluindo dirigir e ir de trem para Bucareste. Don e minha antiga equipe não poderiam me ajudar. Meu tio tinha ligações internacionais, é verdade, mas não do tipo mortovivo. Ele estava tão fora desse enredo quanto eu estava. Eu também me esquivei de chamá-lo porque eu não queria começar aquela, "Então, eu sou um vampiro agora," conversa. Superar os preconceitos de longa data do meu tio era a última coisa da minha lista de afazeres no momento. Nós chegamos ao nosso destino, uma mansão que parecia saída de um romance de terror, após as 3:00 da manhã. Com o amanhecer, em apenas algumas horas, em breve eu estaria em coma novamente. Perder o tempo da manhã era algo que eu pensei estar preparada antes mesmo de ser transformada em um vampiro, mas eu não tinha calculado quão horrível poderiam ser as circunstancias quando isso acontecesse. Agora, cada minuto que eu fico desmaiada parece uma ironia. O que Gregor estava fazendo com a minha mãe? Deus, o que Cannelle estava fazendo com ela? Eu pensei que a pior coisa que Gregor poderia fazer era matar a minha mãe. Eu deveria saber que ele não seria tão misericordioso. Rodney foi ao nosso encontro. O ghoul tinha o mesmo olhar ardente e furioso em seus olhos que eu provavelmente tinha. Num impulso, eu o abracei, sentindo um nó na garganta quando ele me apertou de volta, com força. Bones andaria através do fogo para conseguir minha mãe de volta, se for isso que eu quiser, mas ele faria isso por amor a mim. Não por qualquer afeição por ela. Minha mãe não tem muitos fãs, o que era culpa dela própria, mas agora, isso significa mais pra mim do que eu poderia dizer em saber que alguém se importa com ela, com defeitos e tudo. "Ela é durona," Rodney disse. Sua barba raspou o meu rosto quando ele se inclinou para trás. "Se nós pudermos recuperá-la, ela vai ficar bem. Não importa o que ela é agora ou o que ele fez com ela."


"Ela queria que eu a matasse," eu sussurrei. "Deus, Rodney, ela sempre disse que preferia morrer do que ser uma vampira." "Ela vai conseguir," ele repetiu. Sua voz endureceu. "Sua infância foi dura, mas também não foi fácil pra ela. Justina está em choque e com medo agora, mas ela não é uma desistente. Eu apostaria a minha vida nisso." "Rodney, as leis," Bones começou. "Não precisa falar." O ghoul me soltou para olhar para o Bones. "Se você não conseguir matar o Gregor logo, eu vou atrás dela, com ou sem leis – e com ou sem apoio." "Não seja um tolo, isso seria suicídio," Bones rosnou. Rodney lhe deu um sorriso frio. "Você sempre disse que ninguém vive para sempre." Eu estava dividida entre querer abraçar o Rodney novamente e saber que o Bones estava certo. "Ela vai precisar de você quando nós a recuperarmos," eu disse, escolhendo a lógica ao menos uma vez. "Minha mãe e eu, você sabe que nós não nos entendemos. Você é o único que ela parece ouvir, mas você não pode ajudá-la a lidar com o ser uma vampira, se você estiver morto." Rodney me olhou, depois voltou para a casa sem dizer uma palavra. Eu não tinha idéia se isso significava que ele esperaria, ou se essa era sua maneira de dizer que ele não iria esperar. "Isso não vai durar muito tempo, Kitten," Bones disse, quebrando o silêncio denso. "Gregor está ficando sem truques. Ele vai ser forçado a me procurar logo, porque a cada dia que se passa sem que ele me procure, as pessoas vão questionar por que o Gregor se recusa a encarar o homem que roubou a sua esposa e que o desafiou para um duelo por ela." Aquilo chamou a minha atenção para longe da minha mãe. "Quando você o desafiou para um duelo?" O olhar do Bones estava escuro e firme. "Eu desafei o Gregor publicamente logo que o Mencheres me disse que ele estava invadindo os seus sonhos." Eu sabia que o Bones tinha planejado lutar com o Gregor em Nova Orleans, mas eu não sabia que um desafio oficial tinha sido feito. A constatação de que a qualquer momento o Gregor poderia aceitá-lo, resultando em uma luta de morte entre ele e o Bones, me encheu de medo gélido. "Ele é mais forte do que você." Minha voz era pouco mais que um sussurro.


Bones bufou. "Eu sei disso, amor, mas ele não será o primeiro cara que eu murcho que me excedia em poder. Tudo que eu preciso é um erro do Gregor, e ele é meu." Eu não disse em voz alta o que fez o meu coração doer de pavor. Mas e se o Gregor não cometer um erro? ___ Dois dias se passaram sem nenhuma notícia do Gregor. Rodney e eu revezávamos fazendo furos no carpete por andarmos de um lado para o outro. Bones continuava nos mandando ter paciência. Se Rodney estava como eu, ele detestava essa palavra a essa altura. Uma coisa em que o estresse parecia ser bom era em me forçar a ficar acordada e em movimento após o amanhecer. Eu podia agora até mesmo atravessar a manhã inteira, entretanto eu deveria parecer uma bêbada cambaleando. Além de o estresse ser um motivador, eu também continuei a perceber que quanto mais eu bebia do Bones pela manhã, mais eu podia empurrar os efeitos paralisantes do sol nascendo. Talvez a boa nutrição era realmente a chave para a saúde, para pessoas ou vampiros. Hoje, eu atingi um marco pessoal, conseguindo descer a escadaria de três andares para a cozinha e voltando. Me levou duas horas, algo que durante a tarde, eu faria em segundos, mas eu estava feliz com o progresso, mesmo enquanto desabava, exausta, na cadeira mais próxima. "Amanhã, eu vou lá fora," eu disse. A luz solar direta seria ainda mais difícil para mim, mas eu tinha que me deixar em forma. E rápido. Como eu estava, um humano poderia chutar a minha bunda do amanhecer até o meio-dia. "Você tem alguma idéia do quão extraordinário é você estar até mesmo acordada?" Bones disse, apontando para o Mencheres. "Diga a ela. Eu dormi desde o amanhecer até o anoitecer durante os dois primeiros meses. Foi considerado um progresso admirável eu estar de pé durante o dia no meu terceiro mês. Esta é apenas a sua segunda semana, Kitten." "É sem precedentes," Mencheres concordou. Seu tom me fez olhar para ele. Eu peguei um lampejo de algo em seu rosto que rapidamente mudou para indiferença. Bones deve ter pego o tom do Mencheres, também, porque ele arqueou uma sobrancelha. "Há algo mais que gostaria de adicionar, Avô?"


Um vampiro desconhecido entrou na cozinha, interrompendo qualquer resposta que o Mencheres poderia ter dado. Deve ser outro da equipe do Mencheres, embora ele se curvou para o Bones em vez de o vampiro egípcio. "O que é?" Bones perguntou. "Perdoe-me, mas há alguém no telefone que diz ter uma ligação para você." Minhas sobrancelhas arquearam. As do Bones também. "Há uma ligação para me dizer que eu tenho uma ligação?" Ele perguntou com ceticismo pesado. O vampiro parecia inquieto enquanto segurava um celular. "É meu amigo Lachlan. Ele me ligou para dizer que foi contactado por Chill, um vampiro que ele conhece, que recebeu uma ligação do Nathan, que é um membro da linha de Kyoko, que diz que um vampiro chamado Rollo o contactou porque ele encontrou um fantasma que diz ser seu –" "Fabian!" Eu exclamei, só agora percebendo que eu não o tinha visto desde o fiasco de festa. Bones tomou o celular do vampiro e tudo mudou. ___ Esperamos há mais de três quilômetros de distância da casa escabrosa na Moldávia, onde Gregor mantinha a minha mãe em cativeiro. Rodney estava agachado à minha direita, sobrecarregado com múltiplas perversamente curvadas lâminas de prata. Bones estava curvado à minha esquerda, o seu corpo tão imóvel que ele poderia ter sido esculpido em pedra. Eu tentei imitar aquela mesma imobilidade, mas eu não pude. Eu continuava olhando ao redor, impacientemente. Onde estava o Fabian? Ele deve ter voltado a essa altura. Spade rastejou para fora da moita. Ele tinha ido se certificar de que nenhuma força inimiga estava se escondendo por trás de nós, enquanto esperávamos o relatório do Fabian. Pelo aceno do Spade, éramos os únicos caçando alguém nos arredores daquele campo frio. O vento soprava o cabelo negro do Spade para fora do rosto dele enquanto ele fixava o seu olhar à frente, na mesma direção que o Bones encarava. Depois do que pareceu uma eternidade, um flash nebuloso apareceu nas árvores, e nós vimos o Fabian correr bem acima do solo coberto de geada. "Gregor não está aqui, mas pela forma como a Cannelle está agindo, ele estará de volta em breve," o fantasma disse, quando ele nos alcançou. "Neste momento há cerca de uma dúzia de guardas. Estarão mais com o Gregor, quando ele retornar."


Bones não desviou os olhos do que quer que ele estivesse encarando ao longe. "Então agora é o melhor momento. Fabian, vigie a estrada. Ao primeiro sinal de Gregor ou seus homens, você vem nos avisar." O fantasma assentiu, suas características transparentes adotando uma expressão determinada. ―Eu não vou te decepcionar.‖ Por cerca de doze vezes hoje, eu desejei poder abraçar o Fabian. Nunca esperei estar tão endividada com um fantasma, mas eu devia ao Fabian mais do que eu podia pagar. Depois da festa desastrosa, Fabian teve a presença de espírito para seguir Gregor, assombrando a mala de qualquer veículo que Gregor dirigia ou pegando carona com várias pessoas que passaram a estar perto do Gregor. Fiel ao preconceito dos mortos-vivos, Gregor não pareceu perceber que estava sendo espionado, mesmo se ele ou alguém de seu povo pudesse ter vislumbrado o fantasma. Sempre o orgulho precede a queda. A tarefa mais difícil do Fabian depois de encontrar o esconderijo do Gregor era nos contatar e nos deixar saber sobre isso. Não é como se um fantasma pudesse usar um telefone, e-mail, ou enviar uma carta. Os mesmos fatores que tinham feito a sua espionagem possível, e Fabian tinha tido um inferno de tempo conseguindo um aliado vampiro para ouvir o suficiente para iniciar a série de chamadas que finalmente chegaram ao Bones. Até nós chegarmos, ainda não tínhamos certeza se Gregor ainda estaria nesta casa. Demorou um dia e meio desde o momento que Fabian deixou a vizinhança para o momento em que Bones entregava aquele telefone celular ao membro muito confuso da equipe de Mencheres. Em seguida, várias outras horas para chegar à Moldávia, depois algumas horas de reconhecimento para decidir que isso não era uma armadilha. Não que eu duvidasse da lealdade de Fabian, mas sempre havia a chance de Gregor ter reconhecido o fantasma e somar dois mais dois. Até agora, porém, parecia que aqueles dentro da casa não tinham ideia que eles estavam prestes a ser atacados. Eu dei um olhar preocupado para o céu. Todas aquelas eram boas notícias. A má notícia era, o amanhecer estava apenas cerca de meia hora. Como se ouvindo meu pensamento, Bones encontrou meu olhar. ―Você deveria ficar para trás, Kitten.‖ Meu primeiro instinto foi discutir. veementemente, e com muita grosseria. Era minha mãe presa na casa, então eu obviamente não ia sentar de braços cruzados e só esperar que as coisas corressem bem. Então eu olhei ao redor, os rostos olhando de volta para mim. Todos aqui estavam arriscando suas vidas em nome da minha mãe, e mais, além disso, quebrando as leis dos mortos-vivos, e eu era a única suscetível ao amanhecer. Claro, agora eu poderia ficar acordada e até mesmo andar quando


a luz solar batesse, mas lutar? Não. Nem mesmo se a vida da minha mãe—ou a minha—dependesse disso. ―Eu vou ficar,‖ eu disse, vendo as sobrancelhas do Bones subirem como se essas fossem as últimas palavras que ele esperava ouvir de mim. ―Me dá o detonador. Podemos precisar de distração se o Gregor retornar antes de pegarmos minha mãe com segurança.‖ Spade assentiu, entregando o detonador que ele tinha em sua cintura. Vários pacotes de TNT foram amarrados as árvores, tão perto da casa como nós ousamos plantá-las sem sermos vistos. Numa luta, as explosões não fariam mal a qualquer vampiro ou ghoul, a não ser que eles estivessem ao lado das árvores quando as bombas explodissem, mas elas fariam um barulho infernal. E às vezes, a distração faz toda a diferença entre a vida e a morte—ou a fuga e captura. Bones me deu um rápido beijo forte. ―Eu não vou voltar sem ela,‖ ele prometeu. ―Não diga isso.‖ As palavras saíram da minha boca de uma vez. ―Se algo acontecer, se for muito perigoso para buscá-la agora, você volta pra mim. Nós encontraremos outro jeito.‖ Rodney começou a rastejar no meio do mato. Spade me deu um olhar sombrio e seguiu. Bones acariciou o meu rosto uma vez, em seguida, também, partiu. Então Fabian partiu. Eu fiquei onde estava, não necessitando de binóculos para observar o progresso deles em direção à casa. Haviam quatro guardas do lado de fora e, de acordo com Fabian, pelo menos, mais oito dentro, além da Cannelle. O elemento surpresa seria toda a vantagem que eles tinham, excediam em 4 para 1, e eu duvidava que Gregor tivesse deixado vampiros fracos ou ghouls como guardas. Embora a distância fosse menos que três quilômetros, os três homens levaram mais de dez minutos para rastejar até lá, mal agitando a grama alta em torno deles. Eu estava quase devastada no momento em que eles se aproximaram da casa. Uma mistura de medo, esperança, frustração, e os nervos me fizeram sentir como se eu pudesse saltar para fora da minha própria pele. Os guardas tinham instruções para matar a minha mãe imediatamente se houvesse um ataque? Bones, Spade, ou Rodney conseguiriam chegar até ela a tempo, sem morrerem na operação? Oh Deus, por favor, deixe isso dar certo. Eu não poderia ajudar; comecei a rastejar para mais perto, prometendo a mim mesma ficar só no espaço de 1.600 metros. Só perto o suficiente para ver realmente o que estava acontecendo. A dispersão das árvores contribuía para uma vista distorcida da casa. O terreno estava livre de mato alto cerca de trinta metros da casa, de modo que não havia mais cobertura para Bones, Rodney, e Spade entrarem


furtivamente. Tudo em mim ficou tenso quando vi os três homens levantarem exatamente ao mesmo tempo para atacar a casa. Os gritos de alerta vieram dos quatro guardas, mas eu estava cruelmente agradecida em ver o quão rápido eles foram cortados. Bones derrubou dois, um a certa distância por atirar prata em seu peito, e o outro por uma torção de perto do mesmo metal através do coração do guarda. Spade e Rodney tiveram pouco trabalho com os dois guardas, em seguida, a partir de ângulos diferentes, os três homens entraram na casa. Mais gritos vinham de dentro. Rastejei rapidamente, me mantendo abaixada, mas dentro da visão da casa. Tiros soavam em um aterrorizante som destacado que soava como armas automáticas. Uma voz feminina se elevou num acentuado berro furioso. Cannelle. Relembrando ela chutando minha mãe enquanto segurava uma coleira me fez querer Cannelle morta, quase tanto quanto Gregor. Eu tinha chego a marca de 1.600 metros quando Fabian veio correndo na minha direção, agitando seus braços fantasmagóricos. ―Gregor voltou!‖ ele anunciou. Oh merda. ―Vá dizer ao Bones,‖ eu disse, retirando o detonador do meu cinto. Olhei para o céu, com crescente desespero. Definitivamente, muito perto do amanhecer para me aventurar na luta, mas eu ainda podia pressionar alguns botões. Isso ai eu poderia fazer para ajudar. Fabian desapareceu através da estrutura da casa, não se preocupando em usar uma das janelas quebradas da frente como um ponto de entrada. Eu esperei, contando os segundos num frenesi de tensão até que ele saiu, pairando perto do teto. Parecia que ele apontava para a minha esquerda, que era onde o guincho de pneus tinha vindo. Maldito Gregor por ser um esperto sanguessuga. Ele não ia dirigir rumo a casa e possibilitar um alvo mais fácil. Não, em vez disso, ele iria entre as árvores e arbustos para fazer sua própria emboscada. Acenei para Fabian, com cuidado para ficar abaixado, e o fantasma mergulhou e pareceu desaparecer no chão. Ele surgiu momentos depois exatamente na minha frente, me assustando com a forma como ele estava inesperadamente a centímetros do meu rosto. ―Me diz onde eles estão,‖ eu sussurrei. Fabian desapareceu abaixo da sujeira de novo. Eu esperei, os seguintes segundos como um maçarico nos meus nervos. Então a cabeça fantasmagórica do Fabian surgiu da terra como um esquilo indistinto.


―Eles estão circulando por aí.‖ Sua voz era tão suave, eu mal podia ouvilo. ―Eles estão vindo por este caminho, mas um pouco mais afastado do que você está.‖ Eu sorri assustadoramente. Isso seria colocá-los perto do TNT amarrado às árvores. Vamos lá, Gregor. Me mostre onde você está. Meu desejo se tornou realidade quando ouvi os sons de movimentos sorrateiros nos arbustos nada menos que cinquenta metros de mim. Eu esperei, contando a distância. Vinte metros. Dez. Quase lá. Quase... Eu explodi as cargas exatamente quando Gregor e seus guardas passaram o mais próximo da maioria das árvores carregadas de armamento. As explosões dispararam, uma atrás da outra, dispersando Gregor e os outros com sua confusão sobre o que poderia explodir em seguida. Era também meu sinal bem audível para Bones que eles tinham de sair, agora, tanto se eles tinham a minha mãe ou não. Com os doze guardas que Gregor tinha com ele, seria arriscado nós concluirmos isso vivos. Não podíamos dar ao luxo de esperar mais. Eu olhei com ódio para o céu sempre iluminado. Se fosse uma hora mais cedo, eu poderia lutar! Eu poderia ajudar a resgatar a minha mãe, ou tirar um pouco de guardas, ou só fazer algo, além de me esconder para manter uma situação ruim de se tornar muito pior por ser capturada. Uma janela na casa explodiu, duas formas foram lançadas através dela em direção ao chão. Eu os reconheci e tive um segundo de fria satisfação quando vi Bones, seu braço travado ao redor da garganta de Cannelle, deu um forte giro, arrancando a cabeça da Cannelle. Adieu, vadia, eu pensei, vendo-o empurrar, de lado, seu corpo sem vida. Mas o meu momento de vitória foi passageiro. Gregor gritou uma ordem em francês e todos seus doze guardas correram para o Bones. Eu já estava em pé, esquecendo de permanecer escondida, quando Spade surgiu da casa. Ele arremessou facas de prata na horda de mortos-vivos que tinha descido sobre seu melhor amigo, chamando a atenção deles para ele ao invés de somente sobre Bones. Covarde, eu pensei cruelmente, vendo Gregor ficar onde ele estava perto do canto afastado da casa. O que você vai fazer, Dreamsnatcher? Você vai correr quando tiver uma chance, ou arriscar sua vida para ficar e lutar? A porta da frente foi aberta ao chute. Eu arfei, vendo Rodney sair com minha mãe em seu abraço. Os braços dela estavam ao redor de pescoço dele, e ela estava se mexendo. Ela está viva. Oh, graças a Deus.


Gregor resmungou alguma coisa e sacou uma espada. Rodney parou, girando abruptamente com a minha mãe ainda em seus braços. A espada de Gregor parecia brilhar à luz da madrugada enquanto caminhava em direção a eles. Bones e Spade, cada um, estava lutando com meia dúzia de vampiros. Nenhum deles poderia ajudar Rodney. Corri, puxando as facas de meu cinto enquanto praguejava. Gregor estava longe demais para eu acertálo. Deus, por que eu não conseguia correr mais rápido? Rodney sentou minha mãe, acariciando seu rosto manchado de sangue por um instante, depois virou-se para encarar Gregor. Só restava duas facas em seu cinto, e Gregor era muito mais forte do que ele. ―Gregor,‖ eu gritei. Aquela cabeça louro-acinzentada ergueu quando me viu correndo o mais rápido possível em direção a eles. ―Catherine,‖ eu vi mais do que ouvi Gregor dizer. Nesse momento de distração, Rodney atirou uma de suas facas. Ela atingiu Gregor no peito, mas com a rapidez que Gregor a arrancou, eu sabia que não havia atingido seu coração. Gregor virou para encarar Rodney, sua espada cortando o ar entre eles. Em vez de esquivar, Rodney atacou. Ele disparou em direção ao Gregor com toda a sua força de morto-vivo por trás dele. Gregor cambaleou, mas não caiu. A faca que Rodney levantou para golpear Gregor no peito nunca chegou lá. Gregor agarrou o pulso de Rodney com a mão livre e o lançou brutalmente no chão, usando a própria força de Rodney contra ele. Aquela longa espada brilhou numa linha reta impiedosa. Minha mãe correu para frente. ―Rodney, não!‖ ela gritou. Gregor não ergueu os olhos. Não até que a lâmina arqueou seu caminho até o fim através da garganta de Rodney e apareceu ensanguentada do outro lado. Então Gregor olhou diretamente para mim. E sorriu. Eu não desviei o olhar esmeralda de Gregor. Nem quando ele chutou a cabeça decepada de Rodney para minha mãe, ou quando ele começou a caminhar em minha direção com um calculado passo sem pressa. Como em um sonho, eu parei de correr. Deixei cair as minhas facas e observei Gregor vir. Ouvi o grito do Bones, mas parecia estar muito longe. Um rugido entorpecente começou no meu peito, aquele que eu reconheci como meu coração começando a bater de novo, mas mesmo isso não importava. Tudo que eu conseguia focar era o ódio puro fluindo em minhas veias, surgindo em ondas crescentes, até que parecia que eu explodiria onde eu estava.


Razão pela qual não pareceu incomum para mim quando a grama ao meu redor explodiu em chamas. Através da névoa vermelha que caiu sobre a minha visão, isso fazia todo sentido. A grama não deveria viver para ser capaz de absorver o sangue de Rodney. Tampouco, a casa de Grego que foi usada para torturar e matar minha mãe não deveria existir, também. Na verdade, tudo aqui precisava queimar. Até. A. Última. Coisa. Chamas laranja-e-vermelho corriam pela grama aparada para fustigar as laterais da casa, se entrelaçando para cobrir o telhado num entrelaçado tapete de chamas. Em seguida a grama ao redor do Gregor tornou-se uma arena de fogo, subindo pelas suas pernas. Ver as pernas de Gregor pegando fogo me agradou, mas não era o suficiente. Eu queria ver a pele do Gregor estalar e partir. Vi tudo ao redor dele queimado em cinza ardente. E eu queria isso agora. As árvores perto de mim explodiram, mas eu não afastei o olhar do Gregor. Queime. Queime. Isso era tudo que a minha mente era capaz de pensar. Nada mais parecia real. Nem minha mãe chorando sobre o corpo de Rodney em grandes soluços, ou Gregor gritando enquanto as chamas cobriam todo seu corpo. ―Catherine, pare!‖ Gregor gritou. Uma parte de mim estava confusa. Por que Gregor pensou que era eu a responsável por essa linda chama? Spade devia ter colocado alguns novos explosivos no seu caminho. Ou Bones tinha feito isso. Eu deveria escapar com minha mãe daqui, agora que Gregor estava ocupado em estar pegando fogo. Mas eu não conseguia me mover. Aquelas gloriosas ondas quentes de raiva pulsando por mim tinha me fixado no lugar. Queime. Queime. ―Kitten!‖ A voz do Bones quebrou meu transe. Eu olhei para ele, surpresa por ele parecer estar tingido de vermelho e azul. Assim estava todo o resto. Bones rasgou sua faca no vampiro na frente dele e o jogou ao lado. Com nada obstruindo minha visão dele, eu vi seu rosto apertar com o choque. Seu olhar estava fixo na minha cintura. Eu olhei pra baixo—e ofeguei. Meus braços estavam azuis do cotovelo para baixo, coberto com chamas pulsantes que eu de alguma maneira não conseguia nem sentir. Laranja e escarlate saiam das minhas mãos, queimando tudo no meu caminho, do meu pé por todo o caminho até o telhado da casa. Bones correu para mim, me puxando contra ele, ignorando as chamas que continuaram a brotar de mim.


―Charles, pegue a Justina!‖ ele gritou, em seguida meus pés abruptamente deixaram o chão. Através da névoa vermelho/azul do meu olhar, eu vi Spade agarrar a minha mãe e se lançar no ar. Gregor e a casa ainda queimavam abaixo de nós, mas mesmo agora, eu vi Gregor rolando sobre a parte da terra não incendiada, apagando as antigas chamas, rápido o suficiente para que as novas o consumissem. Assassino, eu pensei, aquela selvageria crescendo em mim de novo. Vermelho encobriu meu olhar, e Gregor gritava, rolando mais rápido enquanto mais chamas irrompiam nele. As nuvens mudaram, permitindo que um raio de luz do sol queimasse o meu rosto. Isso me atingiu como um chute na cabeça, clareando um pouco do vermelho da minha visão. E no mesmo instante, Bones afundou suas presas em meu pescoço, sugando forte. A última coisa que vi foram as flamejantes cores do amanhecer, vendo como as chamas ainda queimavam abaixo de nós na terra.


CAPÍTULO TRINTA E DOIS. Paredes nuas de concreto foi o que eu vi quando meus olhos se abriram, e então uma cabeça escura se curvou sobre a minha. "Tudo bem, Kitten?" O rosto do Bones, listrado com fuligem. Um cheiro forte de fumaça pairava no quarto, na verdade. Imediatamente, eu olhei para as minhas mãos. Elas descansavam sobre o meu estômago, pálidas e inocentes. Talvez eu tenha imaginado o que aconteceu. Eu me sentei tão rápido, que a minha cabeça bateu na do Bones. Mencheres estava em pé há poucos metros de distância, no pequeno quarto que eu reconheci como uma cela para vampiros. "Calma, amor," Bones disse, alisando as mãos pelos meus braços. Eu esperava que eu tivesse desmaiado depois de provocar aquelas detonações e tudo depois daquilo ter sido apenas um sonho terrrível. "Minha mãe? Rodney?" "Ela está segura. Ele se foi." A voz do Bones era uma lixa. A morte do Rodney foi real, o que significa que o incêndio foi real, também. O incêndio. Vindo de mim. Eu não queria acreditar naquilo, mas eu me lembrava – oh, eu me lembrava! – a euforia de deixar todo o meu ódio e raiva explodir de dentro de mim, então vê-lo de alguma forma se transformar em fogo. "Eu sou pirocinética." Eu disse isso em voz alta, observando o rosto do Bones, esperando de alguma forma, que ele oferecesse outra explicação para o que tinha acontecido. Ele não ofereceu. "Parece que sim." "Mas como?" Eu perguntei, jogando minhas pernas para fora do beliche apenas para vê-las falharem como trapos frouxos. Lá se foi a minha ideia de caminhar de um lado para o outro. Meu corpo inteiro estava exausto. "Você me disse que poderes individuais vampiros não surgem por décadas – e eu pensei que eles estavam diretamente relacionados com os poderes do seu criador, também. Mas você não é um piro, Bones, a menos que tenha escondido algo de mim."


"Eu não tenho escondido nada de você, e mesmo se os seus anos humanos foram adicionados à equação, eu nunca vi um vampiro, Mestre ou não, manifestare poderes como você fez tão cedo depois da transformação." Bones parecia frustrado. Eu lancei um olhar sobre o Mencheres, encontrando o outro olhar frio cor de carvão do vampiro. Não havia surpresa e confusão nos olhos do Mencheres – e de repente, eu sabia o porquê. "Bastardo," eu sussurrei. No início o Bones pensou que eu estava falando com ele, mas depois ele seguiu o meu olhar para o vampiro de cabelos escuros, que não tinha falado. "Ele sabia o tempo todo." Minha voz começou a subir, assim como a minha raiva. "Ele sabia que o Gregor não me viu em uma visão e decidiu que ele tinha que me ter porque eu era uma mestiça, ou porque ele estava apaixonado por mim. Ele sabia que o Gregor me viu como uma vampira, iluminando as coisas ao meu redor como uma vela romana*. É por isso que o Gregor me queria, assim ele poderia controlar o poder através de mim. Mas é isso que o Mencheres queria, também. Essa é a outra razão pela qual Mencheres me tirou do Gregor e o prendeu por todos esses anos. Ele queria o meu poder ao lado dele. É disso que se trata!" *Um tipo de fogo de artifícil. Bones não perguntou ao Mencheres se aquilo era verdade. Seus olhos castanhos ficaram verdes, enquanto ele encarava o homem que ele conhecia por mais de 220 anos. "Eu deveria te matar por isso." Aquilo era quase um rosnado. Nada mudou na expressão do Mencheres. Vidro era mais emotivo. "Talvez você deva. Minhas visões do futuro só foram até esta manhã, então eu suponho que estarei morto em breve. Agora que você é co-regente da minha linha, e Cat é o que ela devia ser, o meu povo será protegido quando eu me for." Sua máscara impenetrável caiu, deixando o desafio e a determinação fluir pelas feições do Mencheres. "Sim, eu tomei a Cat do Gregor doze anos atrás para ter o poder dela para o meu povo, em vez do povo dele. Mais do que isso, fui eu quem te deu a dica que lhe enviou para aquele bar em Ohio na noite em que você a conheceu, Bones. Você acha isso muito manipulador? Eu não acho. Milhares de pessoas na minha linha confiam em mim para protegê-las, o que tem que significar mais para mim do que o seu sentimento de traição, neste momento. Se você


sobreviver tanto tempo quanto eu, você vai aprender que ser frio e manipulador é necessário, mesmo com aqueles que você ama." Bones bufou de uma forma tão amarga quanto eu me sentia. "Você alega me amar? É óbvio que eu não sou nada mais do que um peão para você." O olhar escuro do Mencheres não vacilou. "Eu sempre te amei. Como um filho, na verdade." Bones caminhou até o Mencheres. Ele ainda usava a mesma roupa de antes, tornando o Bones coberto de sangue, fuligem e sujeira… e algumas facas de prata restantes. Mencheres não se moveu ou piscou, nem um indício do seu enorme poder sendo liberado, mesmo quando Bones puxou uma faca. "Você está tão certo de si?" Bones disse, traçando a ponta da faca no peito do Mencheres. "Tão convencido de que você poderia me parar antes que eu torcesse essa lâmina através do seu coração?" Eu queria pular e ficar entre eles. Não por preocupação com o Mencheres, mas porque se o Bones atacasse e o Mencheres decidisse se defender, a faca poderia acabar no coração do Bones. Mas as minhas pernas ainda não funcionariam. "Eu poderia te parar, mas eu não vou." A voz do Mencheres estava muito cansada. "Se você tem que fazer isso para vingar o que fiz, então faça. Já vivi mais do que o suficiente desse jeito." "Bones," eu sussurrei, sem saber se eu o estava incitando a largar a faca – ou usá-la. A mão do Bones apertou a faca. Mencheres ainda não se moveu. Eu esperei, sentindo como se eu estivesse segurando a minha respiração, embora eu não respirasse mais. Sua mão se moveu em um flash e a faca se enterrou novamente no cinto dele. "Eu mereci que você me matasse uma vez, Mencheres, mas você me deixou viver. Agora eu estou deixando você viver, por isso estamos quites. Mas minta para mim, ou use ela ou a mim novamente, e isso vai mudar." Bones recuou. Eu pensei ter visto o Mencheres ceder um pouco, em alívio ou em surpresa, eu não tinha certeza. Então Bones sentou ao meu lado, colocando a mão na minha perna ainda inútil. "Chega de segredos. Como ela pode ter esse poder? Ela é muito jovem, e ela não herdou isso de mim, então como é possível?"


Mencheres correu a mão pelos seus longos cabelos escuros antes de responder. "Vampiros bebem sangue humano para absorver a vida dos mortais que os vampiros não têm mais. Ela não bebe sangue mortal, no entanto, porque ela não está realmente morta." Minha boca caiu. Bones não reagiu. "Continue." "O coração dela bate quando suas emoções estão fortes," Mencheres continuou. "Prova da vida que ainda se agarra nela. Devido a esta vida, seu corpo rejeita o sangue humano, já que ela não necessita da vida nele. Mas o que o corpo dela precisa para existir é o poder. Assim como um humano morrendo absorve o poder no sangue vampiro para se transformar, ela, estando perpetuamente à beira da morte, absorve poder morto-vivo a cada vez que ela se alimenta de outros vampiros." Mas eu só tinha me alimentado do Bones – não, espere. Vlad. Eu me alimentei do Vlad, e ele era pirocinético. Seria realmente possível eu absorver o poder do Vlad sobre o fogo ao beber o sangue dele? Tinha que ser. Nada mais poderia explicar os fogos de artifício disparando das minhas mãos, e eu já tinha notado que a cada vez que eu me alimentava do Bones, eu ficava mais forte. Muito mais forte do que qualquer vampiro novo deveria ser. Engoli em seco. "Gregor sabe como eu tenho esse poder?" "As visões do Gregor não são tão fortes ou tão freqüentes quanto as minhas. Tudo o que ele viu foi o seu poder. Ele não sabia sua origem. Ele provavelmente pensou que você precisava de tempo para chegar a este ponto, ou ele teria te transformado em vampira aos dezesseis." Conhecendo o Gregor, eu acreditava nisso. Isso também explicou por que o Gregor não teve medo que eu utilizasse qualquer uma destas habilidades emprestadas nele antes. Ele não achava que eu as conseguiria tão cedo. "Estes poderes são permanentes? Ou eles vão, você sabe, desaparecer, se eu não beber de vampiros com dons especiais mais?" Mencheres desviou o olhar. "Eu não sei," ele disse. "Eu te disse; eu não posso mais ver o futuro. Sobre você… ou qualquer outra pessoa." ___ Como não havia mais nada que pudesse ser feito sobre a minha "condição", que é como eu pensava nisso, eu fui ver a minha mãe. Ela passou por algo pior que o inferno nas últimas duas semanas. Para fazer o meu corpo superar a paralisia, no entanto, eu bebi do Bones, notando com desconforto o quão rapidamente aquilo me fez sentir melhor. Eu estive tão orgulhosa dos meus progressos, mas aparentemente, nenhum dos meus progressos foi realmente


meu. Eu fui de mestiça à basicamente uma sanguessuga de poder morto. Eu me sentia uma fraude como vampira, ou mais precisamente, uma aberração ainda maior. Quando nós não subimos para ver a minha mãe, mas ao invés disso continuamos descendo um corredor estreito sob o porão, fiquei surpresa ao descobrir que ela estava no equivalente a uma cela para vampiros. "Porquê?" eu perguntei. "Ela ainda não superou a sede de sangue humano?" "É para a proteção dela," Bones respondeu em um tom cortado. "Ela já tentou se machucar. Repetidamente." Ah, não. Eu tentei me preparar quando o Bones acenou para o guarda do lado de fora de uma porta de aço, e fomos permitidos entrar. Minha mãe estava sentada no canto do pequeno quarto. Desde a aparência dela, ela não havia tomado banho ou trocado de roupa, também. Seus longos cabelos castanhos estavam manchados de sangue e sujeira, assim como o resto dela. Ela nem sequer olhou para cima para ver quem tinha entrado no quarto. "Mãe," eu disse suavemente. "É a Catherine." Isso a fez levantar a cabeça. Eu arfei ao ver olhos verdes brilhantes fixos em mim e a ponta de presas sob seus lábios enquanto ela falava. "Se você alguma vez me amou, me diga que você está aqui para me matar, porque eu não posso viver assim." Meus punhos cerraram, enquanto a dor queimava o seu caminho até o meu coração. "Eu sinto muito pelo que aconteceu," eu comecei, nunca me sentindo tão indefesa, "mas você pode –" "Posso o quê?" ela gritou. "Viver como uma assassina? Eu matei pessoas, Catherine! Eu rasguei suas gargantas e as assassinei enquanto elas lutavam para fugir. Eu não posso viver com isso!" Foi apenas a minha raiva que me impediu de irromper em lágrimas. Aquele bastardo do Gregor colocou pessoas com a minha mãe depois que ele a transformou, sabendo o que iria acontecer. Nenhum vampiro novo poderia evitar beber alguém até a morte durante a primeira fome louca por sangue. Se o Bones já não estivesse morto, eu mesma o teria matado várias vezes quando o atacava durante a minha própria fome. "Não foi sua culpa," Eu tentei desesperadamente. Ela desviou o olhar com desgosto. "Você não entende."


"Eu entendo." O tom contido do Bones fez a minha mãe olhar para cima. "Eu entendo exatamente," ele continuou. "Ian me transformou contra a minha vontade, me bebendo até morte, enquanto eu tentava lutar com ele para escapar. Então eu acordei em um cemitério com um jovem em meus braços, a garganta do pobre rapaz mastigada, e com o sabor mais maravilhoso na minha boca. Isso aconteceu seis vezes mais até eu controlar a minha fome o suficiente para não matar, e acredite em mim, Justina, eu me odiava mais a cada vez. No entanto, eu sobrevivi, e você também vai." "Eu não quero sobreviver," ela retrucou, se levantando agora. "É minha escolha, e eu me recuso a viver desta maneira!" "Rodney acreditou em você." Minha voz falhou ao lembrar do meu amigo perdido. "Ele disse que se nós pudéssemos te recuperar, você conseguiria superar. Não importa o que tinha acontecido com você." "Rodney está morto," ela respondeu, lágrimas rosas brilharam nos seus olhos. Antes que eu pudesse piscar, Bones levantou a minha mãe pela camisa, seus pés balançando a vários centímetros do chão. "Rodney tinha seis anos quando o encontrei, órfão e faminto nas ruas da Polônia. Eu o criei, amei, e então ajudei a transformá-lo em um ghoul – tudo isso um século antes de você se quer ter nascido. Ele morreu te salvando, então você não vai desrespeitar o sacrifício dele se suicidando. Eu não me importo se você odiar o que você é a cada maldito dia pelo resto da sua vida, você vai viver porque o Rodney merece isso. Você me entendeu?" Bones a sacudiu, e então a soltou. Ela cambaleou quando caiu, mas eu não pude me obrigar a repreender o Bones. A dor na voz dele foi muito crua, muito profunda. A porta se abriu, e Spade entrou. Ele parecia tão cansado quanto eu, seu olhar cor de tigre, normalmente provocador, estava sombrio e duro. "Gregor está vivo, e ele decidiu aceitar o seu desafio. Ele estará aqui amanhã à noite." Eu fechei os meus olhos por um momento. Por que agora? Por que tão logo após este último golpe devastador? Claro, esse era provavelmente o motivo de o Gregor ter feito isso, esperando tirar vantagem da dor do Bones por perder o seu amigo. Ou talvez o ego do Gregor não possa suportar o fato de que em breve, todos saberiam que o Bones tinha roubado a minha mãe dele, além de manter a sua esposa. A maior


fraqueza do Gregor é o seu orgulho, Vlad tinha dito. Talvez o orgulho do Gregor não consiga lidar com os golpes repetidos que tem sofrido. "Amanhã, então," Bones concordou. "Qual é o desafio?" minha mãe perguntou. "Uma luta até a morte," Bones respondeu brevemente. Minha mãe ainda estava caída no chão, mas um olhar diferente cresceu nos seus ardentes olhos tingidos de rosa. Raiva substituiu a sua antiga autoaversão e desespero. "Mate o Gregor. Se você matar, eu vou viver assim, não importa o quanto eu odeie isso," ela rosnou. "Eu vou matá-lo," Bones respondeu no mesmo tom firme. Um espasmo de medo tomou conta de mim. Amanhã à noite, ou o Bones cumpriria aquela promessa – ou ele morreria.


CAPÍTULO TRINTA E TRÊS. Bones ficou na minha frente, vestindo nada mais que um par de calças pretas largas. Tentei engolir o meu pânico, mas não importa o quão agradável eu mantivesse a minha expressão, o cheiro azedo doentio impregnando em mim, me entregava. Ele apertou as minhas mãos. As mãos dele estavam quentes pela sua refeição recente. As minhas eram gelo em comparação. "Talvez eu pudesse ter queimado o Gregor até a morte ontem, com tempo," eu disse, odiando o que viria a seguir. "Por que você me mordeu quando voou com a gente pra longe? Você poderia não precisar fazer isso se você não tivesse sugado tanto sangue de mim." Uma gargalhada irônica veio do Bones. "Realmente, mas não como você está pensando. Você estava me queimando enquanto eu te segurava, Kitten. Era ou te deixar me fritar, ou te morder e esperar que drenar você, combinado com o poder do sol, apagasse as suas chamas, ou te soltar. Ainda criticando a minha escolha?" Eu queimei o Bones, também? "Espero que este poder vá embora," eu disse, realmente desejando aquilo. Ele deu de ombros. "Pode ser. Vampiros só mantêm poder do sangue humano por alguns dias até nós precisarmos nos alimentar novamente para repor a nossa força. O mesmo efeito regressivo pode servir para você, e eu não te imagino mordendo o Tepesh novamente para renovar suas habilidades de fogo." "Nunca mais," eu concordei, estremecendo com o pensamento de queimar o Bones. Quem gostaria de um poder assim, se você não poderia controlá-lo, e ferir aqueles que você ama? Spade entrou sem bater. "Está na hora," ele disse. Seu rosto estava apertado e sem emoção, embora eu soubesse que ele estava tão tenso quanto eu. O olhar castanho escuro do Bones me encontrou. Ele sorriu, mas eu não poderia retribuir aquilo nem se a minha vida dependesse disso. Seu poder correu por mim como uma carícia. Eu podia sentir aquilo retirando o meu medo, entrelaçando no meu subconsciente, ligando-nos ainda mais. "Não se preocupe, amor," ele disse suavemente. "Em breve isso terminará, e Gregor estará morto." Eu acenei, sem confiar em mim para falar. Oh Deus, se eu pudesse trocar de lugar com o Bones, eu trocaria. Em um segundo.


"Eu pediria que você ficasse aqui," Bones continuou, "mas eu suspeito que você recusaria." Eu não pude conter o riso. "Como você diria, certo você está." Eu não poderia me esconder em um quarto, enquanto o Bones lutava com o Gregor em uma disputa de morte, não importa o quê. "Mas não se preocupe comigo. Concentre-se nele. Eu vou ficar bem." "Oh, ele vai ter toda a minha atenção, Kitten," Bones disse em um tom sombrio. "Conte com isso." Eu queria dizer ao Bones que ele não tinha que fazer isso, que nós poderíamos encontrar outra maneira, mas eu sabia o quão inútil isso seria. Não importa o que, Bones não fugiria dessa luta, mesmo que Gregor, de repente, prometesse nos deixar em paz e minha mãe decidisse que ela estava encantada por ser uma vampira. Gregor assassinou o Rodney. Bones estava lutando com o Gregor por mais razões do que eu. Mencheres apareceu na porta, Ian atrás dele. Olhei para os dois vampiros, um moreno e exótico, o outro de cabelos castanho-avermelhados e classicamente bonitão. Ambos eram responsáveis pela existência do Bones, desde que o Mencheres transformou o Ian em vampiro, então Ian transformou o Bones. Tantos eventos nos trouxeram a este momento. Bones se inclinou, beijando-me com o mais leve escovar dos seus lábios. Eu tracei os meus dedos sobre o queixo dele, quando ele levantou a cabeça, lutando contra o desejo de agarrá-lo e me recusar a soltá-lo. O cheiro acre do meu desespero flutuava em torno de mim. Bones segurou os meus ombros, apertando suavemente. "Esta não é a primeira vez que eu enfrentei a morte, Kitten, e eu não pretendo que seja a última. Eu escolhi viver uma vida muito perigosa, mas este é quem eu sou. É quem você é, também, e o mesmo seria verdade mesmo se nós nunca tivéssemos nos encontrado." Eu entendia o que ele estava realmente dizendo. Se eu morrer, não será sua culpa. Sim, era verdade que Bones e eu teríamos vivido vidas igualmente perigosas, mesmo se nunca tivéssemos nos conhecido, mas no final das contas, se ele morresse hoje, seria minha culpa. "Eu te amo." Era tudo que eu poderia dizer agora. Qualquer outra coisa apenas o preocuparia, e ele precisava estar focado em vencer o Gregor. "Eu sei que você ama," ele sussurrou. "E eu amo você. Sempre."


Então ele se virou antes que eu pudesse sequer piscar e saiu. ___ Foi decidido que o duelo aconteceria no gramado de trás do Mencheres. Era sem dúvida grande o suficiente, com seus acres de terra rodeados por árvores altas. Uma área do tamanho de um campo de beisebol foi reservada de tudo, exceto sujeira, como o local onde o Bones e o Gregor se enfrentariam. Eu não entendia porque tanto espaço era necessário, porém essa era a minha primeira experiência com esse tipo de coisa – e com sorte, a minha última. Gregor já estava lá, junto ao seu servo loiro, Lucius. Fiquei surpresa pelo Lucius ainda estar vivo, já que eu tinha concluído que ele fosse um dos vampiros que o Bones, Spade, ou Rodney mataram dentro da casa. A ausência do Lucius ontem era estranha, pois a cada outra vez que eu havia visto o Gregor, Lucius estava com ele. Ainda assim, eu tinha maiores preocupações além de me perguntar por que o Lucius não estava ao lado do Gregor, durante a emboscada anterior. Gregor e Lucius não eram os únicos recém-chegados na casa. Ter um duelo formal era aparentemente um evento. Havia vários vampiros Mestres que eu não reconheci. Aliados do Gregor, Mencheres me disse, além de mais diversos membros da linha do Bones, junto com quatro vampiros que foram introduzidos como Guardiões da Lei. Dentre esses quatro, a fêmea alta e loira crepitava com poder suficiente para me deixar inquieta. Enquanto ela parecia ter apenas dezoito anos, eu a sentia como se ela tivesse cerca de cinco mil anos, e os outros três homens Guardiões da Lei com ela eram mega-Mestres também. Bones, Spade e eu todos quebramos a lei ao tirar a minha mãe do Gregor. Assim como Rodney, claro, mas ele estava além de qualquer julgamento morto-vivo. Talvez o resto de nós ainda tivesse penalidades chegando. Falando de minha mãe, ela estava presente também. Eu pensei que ela fosse evitar chegar a qualquer lugar perto do Gregor, mas ela estava em pé na borda mais distante do gramado, observando o Gregor com os seus olhos iluminados como postes de rua. Qualquer pessoa em um raio de nove metros dela podia cheirar a raiva e o ódio emanando dela. Eu nem quero imaginar o que mais pode ter acontecido com a minha mãe durante o tempo em que o Gregor a teve. Isso me enchia de fúria suficiente para eu me preocupar com as minhas mãos acendendo novamente. Bones me evitou desde que deixou o quarto vinte minutos atrás. Eu entendi por que; ele estava limpando a mente de tudo, exceto a luta iminente. De alguma forma, ele até mesmo se bloqueou da conexão que eu senti entre nós desde que eu acordei como uma vampira. Eu não conseguia sentir nada dele agora.


Era como se uma parede tivesse substituído o atrito dela dentro do meu subconsciente. Eu me senti roubada, como se eu tivesse perdido um membro. Muitas vezes, eu tinha ouvido o Bones falar sobre a conexão que os vampiros sentiam com os seus criadores. Só agora que ela tinha ido embora eu realmente compreendi o quão profundo ela corria. Bones estava no perímetro do campo de batalha, conversando com o Spade. Eu não podia ouvi-los, ou devido ao ruído de fundo de todos os outros, ou porque ele estava mantendo a sua voz muito baixa. O luar refletiu na pele do Bones, linda pele, e seu cabelo escuro pareceu em destaque sob aqueles raios de alabastro. Eu não conseguia parar de olhar para ele, minha ansiedade aumentava a medida em que o tempo diminuia. Bones não podia morrer hoje à noite. Ele simplesmente não podia. O destino não poderia ser tão cruel ao ponto de deixar o Gregor vencer depois de todas as coisas horríveis que ele fez, certo? Eu esperava que não. Do outro lado da fria terra vermelha, eu vi uma familiar cabeça escura se destacando através dos espectadores aguardando. Vlad. Ele olhou para mim, mas então continuou andando na direção oposta. Minhas sobrancelhas se levantaram quando Bones acenou para ele, os dois Guardiões da Lei ao lado do Bones se afastando para deixar o Vlad passar. O cabelo do Vlad obscureu o seu rosto quando ele se inclinou, ouvindo o que quer que o Bones disse. Eu não podia dizer nada pela expressão fechada do Spade, e eu não podia ouvir uma palavra. Frustrada, eu só pude assistir quando o Vlad respondeu, também inaudível, e o Bones acenou uma vez. E então o Vlad se afastou, caminhando dessa vez na minha direção. "O que ele disse?" Foram as minhas primeiras palavras, quando ele me alcançou. Vlad deu de ombros. "O que você pode esperar que ele dissesse." Gelo percorreu a minha coluna. Conhecendo o Bones, ele teria pedido ao Vlad para cuidar de mim se o Gregor o matasse. Mesmo que ele não gostasse do Vlad, isso é exatamente o tipo de coisa que o Bones faria. Ele estava apenas sendo cauteloso, ou ele sabia que não havia nenhuma maneira de ele vencer o Gregor? Deus, Bones entrou nisso sabendo que ia morrer, mas se recusando a desistir, independentemente? Eu estava prestes a correr para o Bones e implorar para cancelarmos a coisa toda, quando a loira alta, Guardiã da Lei, caminhou para o centro da clareira. "O duelo começará agora. Como previamente acordado, ele não terminará até


que um dos combatentes esteja morto. Qualquer um que interferir perde a sua vida." Mencheres apertou a minha mão. "É tarde demais para parar isso," ele disse suavemente, como se tivesse adivinhado o que eu estava prestes a fazer. "Se você interferir agora, você morre." Eu engoli por uma questão de hábito, mas minha boca estava completamente seca. Vlad colocou a mão no meu ombro quando Bones caminhou até a clareira, Spade o seguindo. Gregor fez o mesmo, Lucius ao seu lado. Eu não entendi até que o Spade e o Lucius entregarem uma faca para seus amigos, e então recuarem até a borda do círculo irregular. Portadores de armas, eu percebi. Tanto Spade quanto Lucius carregavam cada um apenas três facas, e agora eles tinham entregado uma delas. Quando aquelas armas se esgotassem, não haveria mais. Eu engoli em seco novamente. A Guardiã da Lei deixou a clareira também. Apenas Gregor e Bones permaneciam nela agora, frente a frente com menos de quatro metros entre eles. Os olhos deles estavam verdes e suas presas expostas, poder emanava deles até que o ar estava carregado e pesado. Eu estava tensa o suficiente para quebrar quando a Guardiã da lei disse, "Comece." Bones e Gregor voaram um para o outro com um borrão de velocidade, se chocando a vários metros do chão. Por um segundo, eu não conseguia distinguir quem era quem no turbilhão louco de pele pálida, já que o Gregor também estava sem camisa. Então eles se separaram, ambos com linhas vermelhas se cicatrizando em seus corpos. Eu agarrei a mão do Mencheres apesar da minha raiva por ele, sentindo o seu aperto forte em resposta. Na minha visão periférica eu vi Annette em pé perto do Ian, seu rosto branco. Ian também parecia sombrio. Outro espasmo de medo brotou em mim. Eles acreditavam que isso terminaria na morte do Bones? Todos sabiam disso, menos eu? Gregor e Bones se encontraram novamente em um frenesi de violência. Desta vez, eu podia ver prata cortando carne, cintilando no luar antes de ficar vermelha quando eles se cortavam. Nenhum deles fez um som, entretanto. Ninguém assistindo fez, também. O silêncio era, de alguma forma, mais carregado do que gritos. Bones rolou para longe de um golpe direcionado ao seu coração, se jogando para trás do Gregor e levantando manchado de sujeira, a alguns metros de distância. Ele lançou a sua faca em seguida, enterrando ela até o cabo no externo do Gregor – mas não antes de o Gregor disparar a sua própria lâmina, que caiu bem no olho do Bones.


Eu sufoquei o meu grito, temendo que o menor ruído fosse uma distração letal para o Bones. Ele arrancou a lâmina sem pausa, contento o ataque do Gregor ao mesmo tempo em que o Gregor tirou a faca do seu peito, e foi até ele com uma velocidade incrível. Se eu não fosse uma vampira, eu teria vomitado pela substância pegajosa e vermelha na faca do Bones, mas ele nunca parou de lutar com o Gregor enquanto o seu olho perdido crescia lentamente. Gregor cambaleou para a esquerda, e então mergulhou, escorregando por baixo do Bones e levantando-se do outro lado tão rápido que eu não tinha percebido o que ele tinha feito, até eu ver o Bones arquear em dor, o cabo da faca enterrado no alto das suas costas. Gregor rosnou um comando para o Lucius, pegando a faca de prata que o Lucius jogou e a enterrando no Bones enquanto o Bones tentava alcançar a faca nas suas costas. Ele não podia fazer isso e segurar o novo ataque do Gregor, contudo. Gregor aumentou a sua velocidade, de alguma forma parecendo ter quatro braços ao invés de dois enquanto ele atacava o Bones, abrindo novos cortes no corpo do Bones mesmo que o Bones não tivesse mais aquela faca de prata brilhando para fora do seu peito. Gregor havia se segurado antes, eu percebi, horror e pânico tomando conta de mim. Ele estava ainda mais rápido do que aparentou. Bones foi forçado para trás, a outra faca ainda cravada entre os seus ombros, enquanto o Gregor atacava. Os únicos sons eram prata em atrito com prata, ou o repugnante som de pedaços de carne o osso sendo partidos – até o lento e estúpido boom começar no meu peito. Mencheres apertou a minha mão tão forte, que foi doloroso, mas eu não conseguia parar a batida do meu coração. A cada novo golpe ou corte, a cada nova mancha vermelha brilhante, parecia aumentar a velocidade do ritmo no meu peito. Murmúrios surgiram na multidão, a maioria vindo dos recémchegados, assim como o ritmo dentro de mim se tornava estável e mais audível. Gregor me olhou – e o Bones se lançou para frente, golpeando o seu crânio no Gregor e cravando a sua faca no Gregor com um golpe brutal para cima que rompeu as suas costelas. Gregor uivou,mas se jogou para trás rápido o suficiente para evitar que a lâmina subisse até o seu peito. Ele chutou os pés do Bones, o derrubando, e saltou em cima dele sem se preocupar com o quanto isso forçou a faca que ainda estava enterrada nas suas costelas. Eu não havia entendido até que o Bones arfou, seu rosto se contorcendo em agonia. A faca em suas costas. Seus pesos combinados fizeram a faca o atravessar inteiro, sua ponta de prata aparecia na frente do peito do Bones, perigosamente perto do seu coração. Quando Bones se recuperou, afastando o Gregor e girando em torno de si para encontrar o seu próximo ataque, eu vi


que a ponta do cabo estava nivelada com as suas costas. Ele jamais conseguiria tirá-la agora, eu pensei, e o estrondo no meu peito ficando cada vez mais forte. Como Bones poderia derrotar o Gregor com prata o queimando por dentro? Quando cada empurrão e golpe forçava a faca ainda mais perto do seu coração? Mas Bones continuou lutando com a velocidade e ferocidade que desafiavam a sua condição. Ele empurrou o Gregor para trás, dando-lhe uma rasteira com um movimento muito rápido para ser acompanhado, e cravando a sua faca profundamente dentro do olho do Gregor, quando o outro vampiro se moveu para proteger o seu coração. Bones pulou para longe do Gregor no instante seguinte, evitando a faca do Gregor que tentou machucá-lo nas costas, e chutou sujeita no rosto do Gregor, cegando ele. Quando o braço do Gregor levantou para se defender, Bones o despedaçou com uma força que deixou metade do membro decepado na sujeira. Eu me livrei do aperto do Mencheres para unir as minhas mãos em uma prece fervorosa para que aquilo fosse o fim do Gregor. Mas ele evitou o próximo golpe para baixo da lâmina do Bones, pulando direto para o ar, pedindo ao Lucius a terceira e última faca. O olho do Gregor deve ter se curado o suficiente para ver o brilho da prata contra o céu noturno quando o Lucius atirou a lâmina, tão alto que o Gregor teve que se esticar para pegá-la. Bones o encontrou no ar assim que o Gregor agarrou a lâmina. A faca que o Bones tinha mirado no peito do Gregor, atingiu o seu estômago ao invés, enquanto o golpe para baixo do Gregor o bloqueava. Bones sacudiu a sua faca de um lado para o outro, espirrando sangue coagulado nele mesmo. Os dois caíram no chão, Bones caiu girando de pé, Gregor caindo numa pilha, pressionando essa ferida lateral nas suas entranhas. Quando Bones atacou o Gregor, e o Dreamsnatcher não fez nada para se proteger, eu senti um momento de euforia triunfante. Mas mesmo quando a faca do Bones descia sobre a desprotegida costa do Gregor, onde o seu coração devia estar, o punho do Gregor atacou, cravando a faca dele profundamente no estômago do Bones. Dor explodiu pelo meu subconsciente quando a parede que o Bones tinha erguido entre nós caiu, e as suas emoções vieram rugindo. Eu senti a agonia da prata dentro das suas costas e no seu intestino. A última ferida queimava muito mais, fazendo-me agarrar com força o meu estômago em reação instintiva. Se isso era apenas uma sombra do que o Bones estava sentindo, então a dor devia estar fervendo como ácido por todo ele. A lâmina do Bones vacilou e deslizou pelas costas do Gregor ao invés de enterrar no coração do seu adversário. Eu assisti, chocada, quando o Bones cambaleou para trás, sua mão indo para a faca ainda cravada no seu ventre.


Ele a arrancou ao mesmo tempo em que o Gregor levantou, seu braço e suas entranhas anteriormente cortadas, se curando. Bones continuou a recuar, seus passos vacilantes. Eu não pude segurar o meu grito quando Gregor puxou a faca da mão do Bones e o chutou com força suficiente para deixar o Bones esparramado de costas. Raiva e angústia correram por mim, tão profundamente misturadas nas minhas emoções que eu não sabia se eram minhas ou do bones. Embora a faca estivesse fora do seu estômago, sua dor não passava. Inacreditavelmente, eu a senti crescer com intensidade paralisante, me atingindo em ondas, até que somente os braços do Vlad em volta dos meus ombros me mantiveram de pé. Algo estava errado. Isso não deveria estar piorando; a lâmina estava fora. Porque ele não conseguia se mover? Levante-se, eu gritei silenciosamente. Levante-se! Boom. Boom. Meu coração trovejou no meu peito quando o Gregor pulou em cima do Bones, que estava sem armas. Turvamemente eu ouvi a Annette gemer, senti a mão do Vlad apertar o meu ombro, mas tudo mais parecia apagar, exceto as duas figuras contra a terra negra. Como que em câmera lenta, eu assisti o Gregor puxar a faca. Vi seus joelhos pressionarem os braços do Bones, o segurando enquanto o Bones tentava o tirar de cima. Assisti a faca iniciar a sua descida em direção ao peito manchado de sangue. Senti o desespero do Bones, amargo como veneno. Vi o olhar do Gregor brilhando em esmeralda direcionado aos espectadores, até ele me encontrar. E então o Gregor sorriu. Foi o mesmo sorriso que ele havia dado logo após matar o Rodney. Satisfeito. Triunfante. Cruel. A lâmina do Gregor tocou o peito do Bones, cortando a sua pele, e o seu sorriso se abriu. Minha visão avermelhou e um único pensamento preencheu todo o meu corpo. Não. Chamas atingiram o Gregor, tão rápido que elas o cobriram antes que o sorriso tivesse tempo de deixar o seu rosto. Eu tive um instante para sorrir de volta – e então a cabeça do Gregor explodiu. Suas mãos ainda seguravam a faca no peito do Bones, mas o seu corpo inclinou para o lado, nada além de chamas restaram onde a sua cabeça esteve. Ao meu lado, Vlad soltou uma maldição surpresa. Foi quando eu percebi que todos os olhos estavam em minha direção e minhas mãos estavam envoltas em fogo azul. ―Ela morre,‖ A Guardiã das Leis disse.


CAPÍTULO TRINTA E QUATRO. Ninguém tentou parar os três Guardiões da lei quando eles avançaram e me agarraram. Para dizer a verdade, eu também não tentei pará-los. Eu estava muito focada em tentar ver o Bones, agora que as pessoas estavam bloquando a minha visão da clareira. Ele não se moveu desde a última vez que eu o vi. A faca do Gregor foi detida a tempo? Ele o antingiu muito profundamente? ―Cat, o que você fez?‖ Vlad rosnou. Ele não conseguia parar de encarar as minhas mãos. As chamas estavam diminuindo, o que eu supunho que os Guardiões apreciavam, desde que eles estavam segurando o meu braço. ―Bones está bem?‖ Eu perguntei, ignorando aquilo. Um estranho tipo de paz tomou conta de mim. Eu não havia lançado aquela bola de fogo mortal na cabeça do Gregor concientemente, mas eu não me arrependia disso. Mesmo se eu não tivesse salvado o Bones a tempo, dessa forma, não demoraria muito até que eu me juntasse a ele, e matando o Gregor significava liberdade para a minha mãe. Havia motivos bem menos valiosos para se morrer. Mencheres parecia tão chocado quanto o Vlad. Ele realmente devia ter perdido as visões do futuro, desde que a sua expressão dizia que ele nunca imaginou que as coisas correriam assim. Minha mãe abriu caminho através das pessoas. Seu olhar ainda estava aceso em verde, e ela socou o primeiro guardião que ela encontrou. ―Tire suas mãos da minha filha!‖ Ela gritou. ―Vlad,‖ eu disse, ―por favor…‖ Seu rosto se fechou, e ele concordou uma vez. Então ele agarrou a minha mãe, abraçando ela contra o seu peito em um aperto que ela nunca seria capaz de quebrar. Eu lhe dei um sorriso de gratidão, sabendo que ele havia concordado em protegê-la por mais do que apenas aquele momento. ―Você é um bom amigo,‖ eu disse. Isso foi tudo o que eu consegui dizer. Um dos guardiões travou o seu braço na minha garganta, sufocando a minha tentativa de me dispedir da minha mãe, e eu fui arrastada em direção à clareira. A Guardiã loira já estava no meio, uma faca prata na sua mão. Rápidos com a condução da punição, não são? Eu pensei, aumentando a minha coragem. Eu não podia me obrigar a olhar para onde as pessoas estavam reunidas em volta do Bones. Se ele estava vivo, eu não queria que ele visse isso. Eu esperava que os Guardiões fossem realmente rápidos e que tudo tivesse acabado antes que o Bones percebesse o que estava acontecendo.


―Pare.‖ Eu reconhecia a voz áspera do Bones, e meu o meu coração saltou. Ele estava vivo. Por favor, faça isso ser rápido, e oh Deus, não o deixe assistir. ―Ela quebrou a lei,‖ a Guardiã loira retrucou. Ela me agarrou, puxando a minha cabeça para trás mesmo enquanto o Bones se movia tentando ver. Eu encontrei o seu olhar, tentando dizer a ele naquele breve instante que eu o amava, e que eu não estava com medo, quando as suas próximas palavras fizeram a Guardiã parar. ―Gregor trapaceou.‖ A Guardiã me soltou tão abruptamente que eu caí. Bones não me olhou novamente. Toda a sua atenção estava voltada para a fêmea que marchava em direção á ele. ―Se você estiver mentindo, vai se juntar a ela na morte.‖ Ela disse. Bones apontou para o seu estômagoo, onde um estranho redemoindo negro estava visível em sua carne mesmo sob as manchas de sangue. ―Prata líquida,‖ Bones disse. Ele puxou a faca do Gregor. ―Em algum lugar aqui tem um dispositivo de injeção. Gregor me envenenou com a última punhalada, para que eu ficasse mais lento e fraco enquanto lutava com ele. Provavelmente contando com que ninguém soubesse o que ele fez, uma vez que eu estivesse murcho.‖ Isso explicava a agonia que eu senti no Bones – foi prata se espalhando pelas suas veias graças àquela única e traiçoeira apunhalada. Eu sabia que a dor foi muito debilitante para ser causada por uma ferida normal. Típico do Gregor trapacear assim, uma vez que ele percebesse que não poderia derrotar o Bones em uma luta justa. A Guardiã tomou a faca, examinando-a cuidadosamente. Ela apertou por todos os ângulos, e quando o seu polegar apertou a potinha do capo, um líquido brilhante escorreu pela lâmina. ―Inteligente,‖ ela murmurou. E então o seu olhar endureceu quando ela olhou para mim. ―Ela não tinha como saber sobre isso. Sua punição é a mesma por ter interferido.‖ ―Eu sabia.‖ A cabeça da Guardiã se virou em direção a mim. ―Eu senti a prata queimando o Bones por dentro,‖ eu continuei. ―Estamos conectados, desde que ele é o meu criador e o meu marido. É como eu soube.‖


Lucius avançou para mim. ―Ele não é o seu marido, Gregor é!‖ Bones arqueou uma sobrancelha em direção ao corpo do Gregor. ―Ela só tem um marido agora, não é?‖ Pela expressão da Guardiã da Leia, minha explicação não foi boa o suficiente. Eu enrijeci. Uma coisa era morrer para salvar o Bones, mas se houvesse uma chance de viver… ―Além disso, Gregor me mostrou uma faca parecida quando eu era adolescente,‖ eu acrescentei. ―Foi há tanto tempo que eu havia me esquecido. Mas quando o Bones começou a agir estranhamente depois de ser apunhalado, e eu pude sentir a sua dor se espalhando mesmo depois de a faca ter sido retirada –― ―Mentirosa,‖ Lucius gritou. ―Gregor nunca teve uma faca assim até eu pegar uma para ele ontem!‖ Os olhos da Guardiã viraram para ele. Muito tarde, Lucius percebeu o que fez. ―Você foi parte da trapaça dele,‖ ela decretou. ―Peguem-no.‖ Dois dos Guardiões pegaram o Lucius enquanto ele tentava fugir. Pelo quão forte eles eram, eu sabia que o Lucius não tinha nenhuma chance de escapar. Então novamente, nem eu tinha. Os olhos verdes inteligentes da Guardiã se voltaram para mim, um olhar suspeito vindo dela. ―Você jura pelo seu sangue que você apenas interferiu no duelo quando percebeu que o Gregor estava trapaceando?‖ ―Sim.‖ Afinal, era na maior parte verdade. Eu sabia que algo estava errado. Apenas não sabia dizer o que era. Então desse ponto de vista, eu não interferi até ter percebido que o Gregor estava trapaceando, além do mais se o Gregor não tivesse trapaceado, não haveria necessidade de eu interferir, porque o Bones eventualmente o mataria. A Guardiã me encarou por um bom tempo, mas eu não hesitei sob o seu olhar. Então ela olhou em volta. Bones a estava encarando duramente, assim como o Mencheres, Spade e Vlad. Desde que havia espaço para uma dúvida razoável, se ela me condenasse, Bones não aceitaria e isso se tornaria um banho de sangue. Ela tinha que saber disso. Mas isso seria um fator na sua decisão? Finalmente, ela deu de ombros. ―Eu não tenho como provar se você está mentindo, e a culpa do Gregor é clara, então você está livre para ir.‖ Bones me agarrou no instante seguinte, me segurando em um abraço que teria tirado todo o ar de mim, se eu tivesse algum. Eu o segurei de volta tão forte


quanto, escutando alguns comentários de indignação e objeção dos aliados do Gregor. Haverá repercussão, eu pensei. Também haveriam repercussões por ter mostrado a tantas pessoas o que eu podia fazer com o fogo, mesmo se eu não soubesse por quanto tempo eu teria esse poder, mas eu deixei essas preocupações de lado para outro dia. ―Nós precisamos tirar a prata de você, Crispin,‖ eu ouvi Spade dizer isso sobre os ombros do Bones. ―Ainda não,‖ Bones respondeu. Eu o empurrei levemente. ―Sim, agora. Você está louco?‖ Ele bufou enquanto me soltava, me olhando intensamente. ―Não, amor. Você está.‖ Bones sabia que eu não interferi somente porque havia percebido que o Gregor estava trapaceando. Haverá repercussões por isso também, eu pensei, mas as coisas mais importantes primeiro. A prata liquida teria que ser arrancada do Bones, eu descobri. Era um horrível processo sangrento que me dava vontade de poder matar o Gregor mais mil vezes. Não era de se admirar que isso fosse ilegal em um duelo. Eu não usaria uma arma tão traiçoeira contra um inimigo. Bones levantou os seus escudos entre nós enquanto o Spade o cortava, mas eu não precisava da nossa conexão sobrenatural para que isso me machucasse também. Lucius foi executado pelos Guardiões da Lei durante esse processo. Quando eles terminaram com o Lucius, a Guardião chefe nos informou que nós devíamos uma restituição financeira pelo roubo de um membro da linha do Gregor – minha mãe. Minha boca abriu pela quantia que ela definiu, mas Bones apenas concordou e disse cuidariam disso. Com o Gregor morto, eu não sabia quem ficaria com o cheque, ou se isso iria para os Guardiões da Lei, mais uma vez. Eu guardei isso para depois. Mencheres se ajoelhou perto de nós na terra ensanguentada. Ele estendeu as mãos para o Bones, que olhou para elas por vários segundos antes de pegálas. ―Você não viu nada disso?‖ Bones perguntou ao Mencheres. O vampiro egípcio tinha o mais fraco sorriso. ―Nem uma pequena parte. Eu descobri que odeio não saber o que vai acontecer.‖ Bones riu. ―Bem-vindo ao jeito que o resto de nós vive.‖ Spade terminou de cavar o resto da prata do Bones e se sentou conosco com um resmungo. ―Caramba, Crispin, espero não ter que fazer isso de novo.‖


Bones riu novamente. ―Eu concordo plenamente, companheiro.‖ ―Podemos sair daqui?‖ Agora que o Bones não tinha mais prata por dentro, o envenenando, eu imaginei que seria uma boa hora para partir. Os aliados do Gregor ainda estavam nos dando olhares hostis, apesar da presença dos Guardiões – e dos aliados do Bones – evitando que eles agissem. Ainda assim, não precisávamos abusar da sorte. Entre o Bones e eu, nós provavelmente gastamos todas as nossas nove vidas naquela noite. ―Excelente ideia, amor,‖ Bones disse, levantando. ―Onde você quer ir?‖ Uma risada irônica me escapou. ―Qualquer lugar exceto Paris, Bones. Qualquer lugar exceto lá.‖

FIM…

A série Night Huntress continua em This

Side of the Grave

– o quinto livro lançado no dia 22/02/11.

Créditos:

Equipe Night Huntress de Tradução. Night Huntress [Oficial]

Destinada à sepultura night huntress #4 jeaniene frost  
Destinada à sepultura night huntress #4 jeaniene frost  
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