Projeto Empreendedor Estúdio de Aprendizagem em Design
Projeto entregue à disciplina Projeto VIII, 8º semestre, como parte dos requisitos exigidos para obtenção do grau de Bacharel em Design pela ESPM São Paulo.
Dedicamos este trabalho a todos os profissionais da educação que, com empenho, generosidade e escuta atenta, se dedicam diariamente à troca de saberes. Estendemos nossa gratidão a todos que percorrem essa trajetória de aprendizado no campo do design, independentemente de sua origem ou percurso, contribuindo para moldar, direta ou indiretamente, os caminhos, questionamentos e descobertas que tornam essa área tão viva, diversa e transformadora.
Agradecemos especialmente a todos os alunos, professores, profissionais, familiares e amigos que contribuíram com a Maré, acreditando nas ideias que propusemos e oferecendo apoio ao longo do caminho. Em especial, expressamos gratidão à Profa. Dra. Vilma Vilarinho, por suas orientações
generosas e pela escuta cuidadosa durante a primeira etapa do projeto; ao Prof. Dr. Danilo Correa da Costa Cid, por confiar em nossa proposta e nos acompanhar com sensibilidade e precisão na segunda fase; ao Prof. Me. Marcelo Pliger e à Profa. Me. Gisela Schulzinger, pelas contribuições valiosas na banca avaliadora.
Também agradecemos a todos os colegas entrevistados — profissionais, educadores e estudantes de diferentes regiões do Brasil —, cujos relatos e experiências foram fundamentais para expandir nossa compreensão sobre os desafios, potências e caminhos possíveis para a educação em design. Este projeto é igualmente fruto da colaboração com aqueles que nos acolheram em oficinas, eventos, trocas espontâneas,
grupos de escuta e espaços de experimentação. A todos que nos abriram portas, toparam conversar, compartilharam trajetórias e se envolveram de alguma forma com a construção da Maré, nosso mais sincero obrigado.
Acreditamos que o designer é, antes de tudo, um estudioso do mundo. Como disse Paulo Freire, “a tarefa mais importante de uma pessoa que vem ao mundo é criar algo.” Inspirados por esse pensamento, esperamos que este trabalho reflita, a força coletiva que impulsiona o conhecimento a seguir em movimento.
agradecimentos
resumo
O presente projeto propõe a criação de um estúdio de aprendizado em design, com caráter empreendedor, voltado à oferta de experiências que complementem a formação de estudantes da área. A iniciativa surge como resposta às exigências de um mundo cada vez mais complexo, propondo formas de aprendizado que estimulem a autonomia, o pensamento crítico e o desenvolvimento do discurso em design. O estúdio busca se posicionar no mercado como um agente que valoriza o aprendizado contínuo e a cultura do design e da inovação, mobilizando uma comunidade ativa em torno desses valores. Para sua estruturação, foram adotadas metodologias de inovação e Design Thinking, com foco nas temáticas de educação, cultura e coletividade. A pesquisa parte da compreensão do mundo sob as lentes das teorias da complexidade e do cenário VUCA, aplicando o pensamento sistêmico como base para a construção de uma proposta integrada ao ecossistema educacional e criativo. O desenvolvimento do projeto incluiu pesquisa de campo e entrevistas com profissionais da área, possibilitando um entendimento aprofundado das demandas do público-alvo. A partir dessas informações, foi elaborado um modelo Canvas que destaca a proposta de valor do estúdio: experiências significativas de aprendizado ancoradas no design como ferramenta de transformação. O projeto apresenta, assim, um modelo de atuação capaz de gerar impacto positivo na economia criativa, estimulando o fazer coletivo e contribuindo para uma nova forma de ensinar, praticar e perceber o design na sociedade contemporânea.
Palavras-chave: Design, Educação em Design, Modelo de negócio, Inovação, Experiências de Aprendizagem, Economia Criativa, Complexidade.
abstract
This project proposes the creation of a learning studio focused on design, with an entrepreneurial vision, dedicated to offering experiences that complement the education of design students. The initiative emerges as a response to the challenges of an increasingly complex world, suggesting learning methods that foster autonomy, critical thinking, and the development of design discourse. With an innovative perspective, the studio aims to position itself in the market as a platform that values lifelong learning and the culture of design and innovation, engaging an active community around these principles. To structure the project, innovation and Design Thinking methodologies were applied, with an emphasis on education, culture, and collective practices. The research is grounded in an understanding of the world through the lens of complexity theory and the VUCA framework, applying systems thinking as the foundation for a proposal that operates in synergy with the educational and creative ecosystem. The development process included field research and interviews with design professionals, enabling a deeper understanding of the target audience’s needs. Based on these insights, a Business Model Canvas was developed, highlighting the studio’s core value: meaningful learning experiences anchored in design as a tool for transformation. The project thus presents an action model capable of generating a positive impact on the creative economy, encouraging collective practices and contributing to new ways of teaching, practicing, and understanding design in contemporary society.
69. comparação e conclusão 63. benchmarking benchmarking
72. análise swot
74. cinco forças de porter diagnóstico e inserção no mercado
SUMÁRIO (06)
77. design: diferencial modelo de negócio
78. golden circle
79. modelo canvas
80. proposta de valor
83. segmento de clientes
88. atividades-chave
95. recursos-chave
99. parcerias estratégicas
100. canais e relações
101. estrutura de custos
101. fontes de receita
103. mix de marketing
107. estrutura operacional viabilidade financeira
107. investimentos iniciais (2025)
108. plano de marketing
108. custos fixos e variáveis
109. cálculos de viabilidade
109. conclusão
conceituação
arquétipo
posicionamento
Somos
Não somos
120. identidade final marca e identidade
123. identidade institucional guia da marca
124. logos e assinaturas
125. família de ícones
126. paleta tipográfica
129. paleta de cores
131. família de texturas
132. arquitetura da identidade
133. direção de arte
113. processo criativo
134. ciclo 1
136. ciclo 2
138. ciclo 3
140. ciclo 4
SUMÁRIO (10)
142. redes sociais presença da marca
143. linkedin
144. instagram
145. outros canais
146. comunidade no whatsapp
147. plataforma
147. estratégia e objetivos
148. arquitetura da informação
149. wireframes
151. protótipo
170. estrutura operacional estratégia de comunicação
170. funil de vendas
172. gestão de redes sociais
173. estratégia de lançamento
(11)
176. próximos passos
156. presença física (12)
156. introdução
157. papelaria
158. certificado de conclusão
159. lojinha maré
160. o guia de (sobre)vivência do design
165 . caixa envio do guia
168. outros pontos de presença física
177. considerações finais
178. refêrencias bibliográficas
181. apêndice
182. apêndice A: mapa de entrega de valor
183. apêndice B: forms 2024-2
186. apêndice C: forms 2025-1
192. apêndice D: grupos focais
210. apêndice E: entrevistas
263. apêndice F: viabilidade financeira
Este Projeto de Graduação em Design (PGD) nasce da profunda valorização do design e de seu ensino, aliado à compreensão de que os processos educacionais precisam se adaptar e se expandir para acompanhar as transformações do mundo contemporâneo. Diante de contextos cada vez mais complexos, propõe-se a criação de um estúdio de aprendizado em design com caráter empreendedor, voltado à oferta de experiências formativas mais colaborativas, contextualizadas e alinhadas às dinâmicas reais do mundo e do mercado, incentivando o pensamento crítico e a criação de soluções sustentáveis. A proposta busca, também, fomentar uma comunidade de aprendizado baseada em um olhar sistêmico e integrativo, conectando pessoas, instituições e territórios em torno de experiências significativas de ensino e prática do design.
Para isso, o projeto estrutura-se a partir de uma imersão teórica sobre temas como design, cultura, educação, teorias da complexidade e inovação. Em paralelo, foi realizada uma imersão de mercado com o objetivo de compreender, de forma sistêmica, os agentes, fluxos e dinâmicas que compõem o ecossistema educacional do design. A pesquisa de campo, composta por entrevistas qualitativas e levantamento quantitativo com profissionais, professores e alunos, permitiu mapear dores, desejos e oportunidades de atuação junto a estudantes e profissionais da área.
Com base nesses dados, foram definidos os principais direcionamentos estratégicos, por meio da aplicação da metodologia do Duplo Diamante e do uso de ferramentas como o modelo de negócios Canvas, análise SWOT, Golden Circle, criação de personas e mapa de empatia. Esses instrumentos possibilitam o alinhamento entre os achados da pesquisa e a proposta de valor do projeto, culminando no desenho operacional do estúdio, detalhando suas atividades, recursos, canais e estrutura necessária para seu pleno funcionamento.
A proposta articula espaços físicos e digitais, reconhecendo os potenciais pedagógicos das experiências cotidianas e das conexões humanas como parte essencial do processo de aprendizado. Por fim, a identidade do estúdio e sua expressão visual, estratégica e verbal foram desenvolvidas a partir de caminhos criativos que traduzem seus propósitos e valores, resultando na construção da identidade visual, estruturação dos ciclos e organização de um manual pertinente à atuação em design. Trata-se, portanto, de uma proposta empreendedora consistente, que visa contribuir ativamente para novas formas de ensinar, aprender e vivenciar o design em um mundo em constante transformação.
OBJETIVO
O projeto tem como objetivo propor um modelo de negócio educacional voltado para o campo do design, estruturado a partir de uma abordagem sistêmica e integrativa, capaz de responder aos desafios contemporâneos de um mundo complexo, volátil e em constante transformação. A proposta visa contribuir para a formação de profissionais mais preparados, autônomos e críticos, que compreendam o design não apenas como prática técnica, mas como ferramenta de transformação social, cultural e ambiental. Para isso, o projeto parte de uma imersão teórica e prática que articula educação, coletividade e inovação, conectando os princípios do design participativo com metodologias de aprendizagem ativa. Ao reconhecer as limitações dos modelos tradicionais de ensino, a proposta busca expandir as possibilidades formativas por meio de experiências colaborativas e significativas que integrem saberes diversos, repertórios culturais e práticas situadas nos territórios onde os alunos estão inseridos.
Com base em uma ampla pesquisa de campo — que envolveu a aplicação de formulários quantitativos e entrevistas qualitativas com estudantes, professores e profissionais do setor —, foram identificadas lacunas formativas, desejos de transformação e oportunidades de atuação estratégica.
Esses achados subsidiaram a estruturação de um serviço educacional complementar, que se propõe a oferecer vivências de aprendizado por meio de um estúdio de design que conecta ambientes físicos e digitais, fomenta redes de troca e promove ciclos contínuos de experimentação e prática coletiva. A construção da proposta se deu por meio da metodologia do Duplo Diamante e de ferramentas como o Modelo de Negócio Canvas, análise SWOT e desenvolvimento de personas, permitindo o alinhamento entre as necessidades reais do público-alvo e as soluções desenvolvidas. Ao fomentar a autonomia, a transdisciplinaridade e o engajamento comunitário, o projeto busca ampliar o acesso à formação em design e fortalecer esse campo como espaço de pertencimento, desenvolvimento crítico e criação conjunta de futuros.
METODOLOGIA
01 - Estrutura para Inovação a partir do Double Diamond Fonte: Elaboração própria, adaptado de Design Council, 2024.
Framework for innovation (2019) Nova versão proposta pelo Design Council
Figura
O Duplo Diamante é uma metodologia desenvolvida pelo British Design Council em 2004. Desde então, vem sendo amplamente utilizada em projetos de design e inovação (DESIGN COUNCIL, 2024). Considerando sua aplicabilidade e reconhecimento em diversas áreas, essa metodologia foi adotada como base para a elaboração deste projeto, mais especificamente em sua estrutura adaptada do “framework para inovação” (DESIGN COUNCIL, 2024), por sua capacidade de equilibrar o pensamento divergente e convergente, facilitando a criação de soluções inovadoras e eficazes para os desafios identificados durante a pesquisa.
Essa estrutura, evidenciada na Figura 01, mantém a base padrão do Duplo Diamante estruturada em quatro etapas distintas: descoberta/imersão, definição, desenvolvimento e entrega. Cada etapa desempenhou um papel no processo de design: a imersão oferece uma base sólida de conhecimento; a ideação estimula a geração de soluções criativas; o desenvolvimento refina as ideias selecionadas; e a implementação transforma os conceitos em realidade.
A diferença nessa estrutura para inovação, portanto, é a evidência de que o método não segue um caminho linear, como ilustrado pelas setas no diagrama. Identificar problemas pode demandar o retorno a etapas anteriores, assim como criar e testar ideias desde os primeiros estágios é parte integrante da fase de descoberta. Essa flexibilidade promove uma mentali-
dade aberta à inovação, superando a visão linear e reconhecendo que, “em um mundo em constante mudança e digital, nenhuma ideia está realmente finalizada” (DESIGN COUNCIL, 2024).
Sendo assim, a etapa de imersão correspondeu ao primeiro momento de divergência do processo, em que foi ampliado o olhar sobre o problema por meio de uma investigação abrangente. No contexto deste projeto, a imersão ocorreu inicialmente por meio do levantamento teórico reunido nos temas contextualizadores, que ofereceram uma base conceitual sólida para compreender os desafios do campo abordado. Essa etapa também envolveu a realização de pesquisas quantitativas (com a aplicação de dois formulários online) e qualitativas (com a realização de grupos focais com alunos e entrevistas com professores e profissionais da área), que permitiram captar percepções, comportamentos e necessidades do público-alvo. Além disso, foi conduzido um mapeamento do mercado no qual o projeto está inserido, buscando identificar tendências, oportunidades e lacunas que pudessem orientar as próximas fases do desenvolvimento.
A etapa de definição representou o momento de convergência em que os dados coletados na fase de imersão foram organizados e interpretados para delimitar com clareza o desafio central do projeto. Para isso, foram aplicadas ferramentas estratégicas oriundas do marketing e da administração. A análise PESTEL foi utilizada para
mapear os fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ecológicos e legais que influenciam o contexto externo do projeto (AGUILAR, 1967). O benchmarking foi adotado como método de observação e comparação com iniciativas semelhantes, permitindo identificar boas práticas e lacunas a serem exploradas (CAMP, 1989). A matriz SWOT proporcionou uma análise dos ambientes interno e externo, destacando forças, fraquezas, oportunidades e ameaças relevantes à proposta (KOTLER & KELLER, 2016). Por fim, o modelo das Cinco Forças de Porter contribuiu para a avaliação da atratividade e competitividade do setor, considerando aspectos como rivalidade entre concorrentes, ameaça de novos entrantes, produtos substitutos e o poder de barganha de fornecedores e clientes (PORTER, 1979). Essas ferramentas forneceram a base para a tomada de decisões estratégicas e para o direcionamento das próximas fases do projeto.
Na etapa de desenvolvimento, correspondente à fase de divergência do segundo diamante, o projeto avançou para a geração de soluções, explorando possibilidades que atendessem aos desafios definidos anteriormente. Foram utilizadas diferentes ferramentas que ajudaram a estruturar a proposta de maneira centrada no usuário e orientada ao valor. A construção de personas e mapas de empatia permitiu representar perfis fictícios baseados nos dados coletados, facilitando a compreensão das necessidades, dores e desejos do público-alvo (COOPER, 1999; GRAY et al., 2010). O
mapa de entrega de valor foi empregado para identificar como o projeto poderia gerar impacto positivo nas diferentes etapas da experiência (OSTERWALDER et al., 2014). A jornada do usuário possibilitou visualizar o percurso completo dos usuários em contato com a solução, identificando pontos de contato e oportunidades de melhoria (KALBACH, 2016). O modelo Canvas, proposto por Osterwalder e Pigneur (2010), auxiliou na estruturação do modelo de negócio de forma visual e integrada. Também foi utilizado o Golden Circle, de Simon Sinek (2009), que ajudou a alinhar o propósito, os meios e as entregas do projeto. Por fim, o Mix de Marketing expandido, conhecido como 8Ps, estruturado a partir da ampliação dos 4Ps de McCarthy (1960) por Coutinho e Adolpho (2011), orientou o planejamento estratégico das ações de comunicação e posicionamento da proposta no mercado.
A adoção do framework para inovação do Double Diamond permitiu a condução do projeto de forma processual e flexível, possibilitando retornos a etapas anteriores em momentos estratégicos. Essa característica viabilizou revisões pontuais de hipóteses, reinterpretação de dados e ajustes no direcionamento do projeto sempre que surgiram novos elementos relevantes. Dessa forma, o modelo operou como uma estrutura cíclica, permitindo o aprofundamento progressivo das decisões e a adaptação contínua às complexidades identificadas ao longo do percurso.
imersão (01)
No contexto deste projeto, a fase de imersão se iniciou com a dimensão teórica da pesquisa, que foi conduzida com foco nos principais conceitos que embasam este trabalho, aprofundando os temas fundamentais para a compreensão do papel do design na contemporaneidade. Foram selecionados tópicos como cultura, identidade, complexidade, inovação, educação e práticas coletivas, que constituem a base para a análise crítica desenvolvida ao longo do projeto. Esses temas estão abordados na próxima seção, organizados de forma a construir uma leitura expandida do campo do design e suas relações com o contexto social, cultural e ambiental do Brasil.
TEMAS CONTEXTUALIZADORES
cultura, design e identidade brasileira
O design está presente em praticamente tudo que compõe a esfera do artificial, indo além do que geralmente se imagina. Quase todos os objetos e interfaces do cotidiano são resultado de processos de design, aplicáveis a diversos segmentos. Esse pensamento é reforçado por Meggs (2009), que destaca o design como atividade essencial para a construção da cultura visual contemporânea, mediando a comunicação entre forma, função e significado em diferentes aspectos da vida cotidiana.
Cabe ao designer, portanto, explorar esses múltiplos universos. O desafio se encontra no pensar e fazer: na criação de condições e estruturas para o desenvolvimento de ideias e pensamentos, que consideram a relação entre as partes de um todo e seus desdobramentos. A atividade de design não se restringe à forma, envolvendo também funcionalidade, contexto e inter-relações. Conforme aponta Dougherty (2011), o design é uma disciplina que integra lógica, imaginação, pensamento sistêmico e intuição para explorar possibilidades e criar resultados desejáveis e sustentáveis que beneficiem tanto o usuário quanto o contexto onde se inserem. O processo criativo e estratégico de resolução de problemas é aplicável a diversas áreas, como design gráfico, de produto, de interiores, de moda, digital, experiência do usuário, entre muitas outras. Ele combina princípios estéticos, funcionais e ergonômicos para criar soluções inovadoras e centradas naquele que futuramente utilizará suas criações (o usuário), além de abranger aspectos como pesquisa de mercado, prototipagem, testes de usabilidade e sustentabilidade.
Pode-se afirmar, portanto, que o ecossistema do design é um ambiente complexo, interconectado e interdependente, que reúne várias disciplinas, metodologias e práticas, como se pode observar na Figura 01, que destaca um pequeno exemplo das inúmeras disciplinas que compõem apenas a área de Design de Interação. Ele engloba diferentes tipos de design, como gráfico, industrial, de interação e de serviços, além de ferramentas, tecnologias, processos e stakeholders envolvidos na criação e implementação de soluções. Esse exemplo busca exaltar o quanto, tanto em um nível micro quanto macro, esse ecossistema é dinâmico e evolui constantemente em resposta às mudanças tecnológicas, sociais e culturais do mundo.
Esse caráter multifacetado pode ser compreendido à luz do conceito de complexidade, introduzido no campo do design por autores como Rafael Cardoso. Em Design para um mundo complexo o autor afirma:
“A complexidade vem se tornando tema cada vez mais estudado, principalmente nas áreas de informática e computação, teoria da informação e dos sistemas. [...] Por “complexidade”, entende-se aqui um sistema composto de muitos elementos, camadas e estruturas, cujas inter-relações condicionam e redefinem continuamente o funcionamento do todo.” (CARDOSO, 2016. págs. 19 e 20)
Sob essa perspectiva, a função do design frente à complexidade não se limita ao papel tradicional de identificar e resolver problemas. Ela se amplia para uma atuação analítica, que visa compreender contextos complexos e atuar de forma sensível, estratégica e de longo prazo, um tema aprofundado em seção específica deste trabalho.
Ao longo dos anos, a trajetória do design evidencia seu papel como agente de transformação cultural, que se molda e é moldado pela sociedade. A partir das filosofias e métodos apresentados por Jones (2014), e exemplificado na Figura 02, o design emerge como uma prática que transcende a técnica, enriquecendo a experiência cultural coletiva e assumindo a responsabilidade de criar soluções que considerem a complexidade das relações humanas, suas relações com artefatos ao seu redor, as tarefas que executam em sociedade e a interação com fatores ambientais.
Para este trabalho, a evolução do design foi considerada a partir de três perspectivas principais: as ondas do design, o design em contextos complexos e o design como cultura. As ondas do design representam marcos conceituais e históricos: a primeira está centrada na estética e na funcionalidade; a segunda, na profissionalização da prática; a terceira, na abordagem centrada no usuário; e a quarta, mais recente, posiciona o design como agente de transformação social e cultural. Essa sequência está sintetizada na Figura 02.
A primeira geração, de base racional, surge nos anos 1960 com foco na padronização e sistematização dos processos, influenciada pelas ciências exatas, pesquisa operacional e cibernética. A segunda geração, nos anos 1970, adota uma abordagem pragmática, com métodos customizados para contextos específicos e maior atenção aos problemas complexos. Já a terceira geração, nos anos 1980, é marcada por uma virada fenomenológica: ganha força o design centrado no usuário, a participação de stakeholders e a ação reflexiva. A quarta geração, mais recente, emerge a partir dos anos 2000 com uma perspectiva gerativa, empática e transdisciplinar, destacando o design como prática orientada para serviços, experiências e transformação social. Essa evolução progressiva reflete a crescente complexidade dos problemas enfrentados pelo design e a necessidade de abordagens mais integrativas e humanas.
Ao observar essa trajetória no contexto brasileiro, nota-se como o design local também é atravessado por essas transições, mas carrega singularidades relacionadas à sua construção histórica, territorial e cultural. Há uma relação mútua entre design e práticas culturais: o design opera como mediador de sentidos, refletindo e ao mesmo tempo moldando valores, símbolos e crenças sociais. Como aponta Cardoso (2016), o design não apenas responde a demandas funcionais, mas também participa ativamente da produção simbólica, ao estabelecer códigos visuais, materiais e relacionais que constituem parte
essencial da cultura de uma sociedade. Nesse sentido, o design influencia comportamentos, modos de vida e formas de percepção do mundo.
Nesse cenário, torna-se fundamental refletir sobre a diferença entre espaços e lugares. Enquanto o espaço pode ser entendido como uma realidade física e geográfica, o lugar, segundo Milton Santos (1996), é o espaço apropriado, carregado de significado humano, afetivo e cultural. É no lugar que ocorrem as vivências, os encontros e as construções simbólicas que fortalecem os vínculos identitários. O design, portanto, pode ser entendido como uma ferramenta fundamental para a ressignificação dos espaços e sua transformação em lugares de pertencimento, ao criar conexões sensíveis entre pessoas, objetos e territórios. Em um país tão diverso quanto o Brasil, essa prática é ainda mais significativa, pois permite valorizar as singularidades locais, aproximar comunidades e fortalecer laços culturais e simbólicos.
USER EXPERIENCE DESIGN
CONTENT (TEXT, VIDEO, SOUND)
INFORMATION ARCHITECTURE ARCHITECTURE
INDUSTRIAL DESIGN
HUMAN FACTORS
VISUAL DESIGN INTERACTION DESIGN
HUMAN-COMPUTER INTERACTION
Figura 02 - Ecossistema do Design UX Fonte: DA SILVA LORENÇON, 2021.
Figura 03 - Ondas de pensamento sobre design
Fonte: Jones, 2014, tradução própria.
filosofias compatíveis, gerações diferentes
primeira segunda terceira quarta geração
filosofia
Além de sua dimensão funcional, o design é compreendido como prática social e cultural, que se insere em contextos históricos e territoriais específicos. Margolin e Buchanan (1996) argumentam que o design deve ser orientado ao contexto, ou seja, sensível às condições sociais, culturais e ambientais onde atua. Essa perspectiva amplia o escopo da prática projetual, valorizando a leitura crítica e a resposta situada aos desafios do cotidiano. Nessa direção, Manzini (2015) reforça o papel do design social como catalisador de mudanças culturais sustentáveis, promovendo interações colaborativas e soluções enraizadas nos territórios. Tais abordagens reforçam a ideia de um design comprometido com a transformação e com a criação de valor coletivo, especialmente em cenários marcados pela complexidade e desigualdade.
Assim, o designer é responsável por entender o contexto em que atua, criando soluções que não apenas resolvam problemas, mas também enriquecem nossa experiência cultural coletiva. Esse compromisso é ainda mais evidente quando considerada a quarta e atual geração de pensamento que se consolida a partir dos anos 2000, onde o design se transforma em uma prática generativa, empática e transdisciplinar, profundamente humana e colaborativa. Guiada por influências da complexidade e da ecologia socioambiental, essa geração busca não apenas solucionar problemas, mas também gerar um impacto positivo e duradouro ao seu redor, considerando suas criações e transformações em relação com os outros elementos do ambiente no qual estão inseridas.
métodos
Racional anos 1960
Pragmático anos 1970
Fenomenológico anos 1980 Generativo anos 2000
autores e tendências
Movimento do artesanal para métodos padronizados
Instrumental, Método centrado ao contexto
influências de sistemas
Simon, Fuller Ciência do Design Planejamento
Rittel, Jones
Problemas complexos
Pesquisa em dsg e métodos focados em stakeholders, Cognição em dsg, Centrado no usuário
Evolução Don Norman
Dsg centrado no usuário & Design participativo
Ação reflexiva
Gerativo, empático e transdisciplinar, Centrado no humano
Ciências, OR (Pesquisa Operacional)
Cibernética
Sistemas naturais
Dinâmica dos sistemas
Engenharia de sistemas
Dinâmica dos sistemas
Sistemas sociais Sistemas suaves
Dubberly, Sanders
Design generativo
Design de serviços Design sistêmico
Complexidade Socioecológico Dialógico
comunidade e design coletivo
O design coletivo representa uma abordagem que valoriza a colaboração, a escuta ativa e a participação comunitária em todo o processo criativo. Essa perspectiva amplia o campo tradicional do design ao incorporar vozes diversas desde a concepção até a implementação de soluções, contribuindo para projetos mais alinhados às realidades locais e mais sensíveis aos repertórios culturais dos envolvidos. Ao reconhecer a comunidade como protagonista e não apenas como destinatária, essa abordagem reposiciona o design como um processo relacional e horizontal.
Como aponta Victor Papanek (1971), “um design verdadeiramente eficaz precisa considerar não apenas as necessidades do usuário, mas também as dinâmicas sociais e culturais nas quais está inserido”. Essa premissa, que permanece atual, se desdobra em práticas que envolvem escuta territorial, mediação de conflitos e construção conjunta de objetivos. Cardoso (2016) reforça a necessidade de um pensamento sistêmico e colaborativo para enfrentar os desafios complexos do nosso tempo, defendendo que o design deve atuar como ferramenta de transformação social e cultural.
Na prática, o design coletivo se manifesta por meio de oficinas participativas, laboratórios abertos, rodas de co-criação e processos de prototipagem colaborativa. Esses formatos são especialmente relevantes em contextos de vulnerabilidade social, onde há demandas urgentes por soluções que não apenas respondam a problemas, mas também fortaleçam o tecido comunitário. Segundo Manzini (2015), o design social encontra potência justamente nesses espaços compartilhados, em que os saberes locais são valorizados e ativados como ferramentas de mudança.
Nessa lógica, o papel do designer também se transforma. Mais do que um especialista técnico, o profissional passa a atuar como facilitador de processos coletivos. Sanders e Stappers (2008) apontam essa mudança como uma virada paradigmática no campo do design, marcada por uma descentralização da autoria e pelo fortalecimento de práticas distribuídas de criação. Fuad-Luke (2009) reforça essa ideia ao descrever o design coletivo como um caminho para democratizar a criatividade e fomentar futuros mais resilientes, éticos e inclusivos.
A mediação dessas práticas é frequentemente ampliada pelas tecnologias digitais, que possibilitam novas formas de colaboração à distância e em rede. Plataformas abertas, ferramentas de prototipagem digital e redes sociais se tornam aliadas na articulação de comunidades diversas em torno de propósitos comuns. Bjögvinsson, Ehn e Hillgren (2012) ressaltam como essas tecnologias criam novos territórios de ação para o design participativo, promovendo articulações entre saberes locais e globais, e multiplicando os impactos de iniciativas com base territorial.
Contudo, o design coletivo não se restringe ao uso de ferramentas ou à adoção de métodos participativos. Ele implica um compromisso ético e político com a escuta, a reciprocidade e a construção de vínculos duradouros com os contextos nos quais se atua. Projetos guiados por essa abordagem demandam tempo, cuidado e presença — o que contrasta com lógicas imediatistas e produtivistas que ainda predominam em grande parte do mercado. Por isso, muitas iniciativas de design coletivo nascem fora dos circuitos tradicionais, em espaços autônomos, comunitários ou ativistas.
Essa dimensão ética também se manifesta na forma como o design coletivo lida com a autoria e o reconhecimento. Ao valorizar contribuições múltiplas, ele desafia modelos hierárquicos e promove uma cultura de valorização dos saberes populares, indígenas, periféricos e não hegemônicos. Nesse sentido, torna-se uma prática estratégica para a descolonização do design, permitindo que múltiplas narrativas e modos de viver sejam incorporados aos processos projetuais — o que é especialmente relevante no contexto brasileiro.
Assim, o design coletivo se consolida como uma metodologia contemporânea essencial, sobretudo em projetos com impacto cultural, educacional ou territorial. Ao reunir repertórios diversos e promover a inteligência coletiva, ele oferece caminhos viáveis para enfrentar os desafios da atualidade de forma sensível, inovadora e conectada ao real. Mais do que uma técnica, trata-se de uma postura política, que reconhece no comum e no compartilhado uma fonte potente de criação, pertencimento e transformação.
aprendizagem: contínua e criativa
Ao se elaborar um projeto sobre educação em design, é imprescindível não trazer para a discussão: abordagens educacionais, e sobre este conteúdo, este trabalho se fundamenta em alguns conteúdos, como base para compreender a emergência do aprendizado, entendido como um esforço conjunto entre estudantes e educadores, que tem como um mapa de percurso um projeto pedagógico, um projeto de design. Esta seção apresenta um panorama de abordagens contemporâneas sobre aprendizagem e criatividade, articulando fundamentos pedagógicos com desafios específicos da formação em design no Brasil e no mundo. Como fio condutor para o desenvolvimento dessa visão, se utilizou como bibliografia referencial o livro Design for how people learn de Julie Dirken (2012).
O livro aborda em sua visão sobre a educação, uma ótica de projeto educacional baseado em etapas de sua elaboração, compreendendo-a como uma jornada e utilizando o pensamento de processo projetual para desenhar o ato de ensinar e aprender. É sob essa ótica que o projeto se desenvolve e foram analisados os dados de pesquisas quantitativas e qualitativas, realizadas com estudantes e educadores ligados ao campo do Design.
Dirken também aborda as diferentes teorias sobre formas de aprendizado, dentre elas a teoria de inteligências múltiplas proposta pelo professor Howard Gardner em seu
Figura 04 - HDI em comparação de 1990 a 2023
Fonte: Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP), 2023.
livro Intelligence Reframed: Multiple Intelligences for the 21st Century (Inteligências Múltiplas), que argumenta a existência de sete tipos diferentes de inteligência: lógico-matemática, linguística, interpessoal, intrapessoal, corporal, espacial e musical, cada uma dessas com suas características próprias e técnicas de estudo adequadas.
O livro também apresenta o conceito de gaps de aprendizado, sob os quais, através da análise dos estudantes, se diagnostica e se planeja de acordo. Entre estes se observam os gaps de Informação, referente a falta de conhecimentos teóricos do assunto abordado, de Habilidade, referente à falta de práticas, de Motivação, baseando-se nas diferentes maneiras e finalidades pelas quais se toma ação, e por fim de Ambiente, referente à falta de um espaço, no sentido estrutural, um contexto no qual o aprendizado não está presentemente ocorrendo, compreendendo que todos os outros gaps estão preenchidos e que o único obstáculo restante é um ambiente não conducente ao aprendizado.
Ainda sob a temática da educação destaca-se a importância do desenvolvimento de habilidades criativas, cuja relevância pode ser observada em sua presença no "Relatório sobre o Futuro dos
Empregos 2023" do Fórum Econômico Mundial, onde se encontra em segundo lugar dentre as habilidades-chave para os trabalhos no futuro (pág. 38), e em primeiro dentre as habilidades que crescem em importância (pág. 39), com 78,2% das organizações pesquisadas para o desenvolvimento do relatório ressaltando sua importância. Essas habilidades podem ser metrificadas na educação pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) através do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), medidas essas cujo resultados referentes ao período de 2022 podem ser encontrados no PISA Results (Volume III): Creative Minds, Creative Schools, volume voltado exclusivamente para analisar a criatividade dentro das escolas.
Sobre o Brasil, a OCDE nota uma pontuação média de 23 de 60 em habilidades criativas nos alunos brasileiros, uma pontuação significativamente abaixo da média mundial, observando e comparando as lacunas de performance entre os alunos que ranquearam entre os melhores 25% e os piores 25%, o país demonstrou resultados piores, com pontuações menores e gaps maiores, do que México e Colômbia, países de um contexto geográfico e socioeconômico similar (pág. 6) com IDH comparativo entre eles de 0,786 no Brasil, 0,788 na Colômbia é de 0,789 no México de acordo com dados do próprio Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP). Os países têm um desenvolvimento muito similar seja em aspectos estruturais como sociais e isso resulta em índices próximos, como pode ser evidenciado no gráfico.
Já no campo do Design, a educação contém especificidades referentes em parte à sua história síncrona com a evolução dos processos industriais. Há modelos muito associados à educação de design que podem ser observados ao longo do tempo com mais proeminência, mas que sobrevivem até hoje, desde aprendizados tradicionais que traçam sua origem nos períodos mais iniciais da industrialização, até os modelos mais específicos à área criativa como a simulação da atividade profissional, na forma da realização de projetos mercadológicos, relação com clientes reais, uso de metodologias de mercado, entre outros, como a prática é mais observada nos ambientes acadêmicos formais hoje em dia, ou até a abstração da forma como na Bauhaus.
Tendo isso em vista, observa-se o debate desse histórico como um debate sobre o Design como uma profissão em si e em relação às transformações sociais, como evidenciado no texto Education of an Adolescent Profession por Katherine McCoy, presente na coletânea The Education of a Graphic Designer, compilada por Steven Heller.
De certa forma a história da profissão do design, é traçada por seus projetos educacionais, do surgimento de escolas voltadas ao ensino do desenho industrial na Inglaterra em meados do século XIX, o surgimento da Bauhaus, no período entre-guerras, voltada à busca de uma prática otimizada, a Escola de Ulm, durante
o pós-guerra, visando uma consolidação de um Estilo Internacional de Design mas também de um currículo padronizado para o mundo, sua chegada nas Américas, em específico no Brasil em 1951 com a inauguração do IAC (Instituto de Arte Contemporânea), destacando a comunicação visual e o design gráfico.
Como levanta Rafael Cardoso em Design para um mundo complexo, os debates acerca do desenvolvimento da área ocorrem majoritariamente em ambientes acadêmicos, porém o autor também faz um questionamento referente à difusão destas discussões no Brasil, pois comparado aos outros projetos citados, provenientes em sua maioria da Europa, onde esses surgiram para institucionalizar e organizar uma atividade já praticada, pode se argumentar que no Brasil o processo foi contrário, tendo o ensino formal do Design não como consequência de sua atividade mas como o ponto de partida.
Cardoso argumenta que justamente isso traz ao contexto nacional uma série de discussões específicas quanto à regulamentação do exercício da profissão e da qualidade do ensino no campo, assim como a nacional em geral. Nesse mérito, o autor levanta o aprendizado e o ensino como coisas separadas e muitas vezes complementares porém diferentes, um exemplo trazido por Cardoso é dos rótulos, argumentando que para o designer se localizar no mundo ele primeiro deve abandonar os rótulos profissionais que geralmente
são trazidos juntos das graduações e se ver como primeiro de tudo um estudante, argumentando que "o design tende ao infinito - ou seja, a dialogar em algum nível com quase todos os outros campos do conhecimento" (CARDOSO, 2016) é sob esse pensamento que ele introduz, após seu livro, o conceito de um designer pensante, que se oponha a um pensamento que esse argumenta que "gera uma atitude projetiva superficial", para ele, o valor está em uma abordagem mais científica, utilizando as metodologias do Design como ferramentas projetuais em diversas áreas, se beneficiando do pensamento sistêmico que guia o campo.
O autor que muito inspirou Rafael Cardoso, Victor Papanek, menciona em Design para o mundo real (1971), a dicotomia entre este e o mundo da sala de aula, que para uma profissão tão conectada às necessidades de básicas do homem, tal como é o Design, se demonstra como um problema das limitações impostas aos estudos neste campo pelo ambiente tradicional da sala de aula, representativo do ensino superior formal.
Essa passagem de Papanek, foi destacada como introdução sob o tema do estado da educação em design em Changing Design Education for the 21st Century (2020) de Donald Norman e Michael W. Meyer, para contextualizar a educação do design em uma escala mais profunda. A partir de seus questionamentos frente a atual conjuntura da educação de design,
Donald Norman e Karel Vrendenburg, vice-presidente global de UX Research na IBM, se uniram para criar a iniciativa The Future of Design Education, voltada a endereçar falhas do sistema educacional na educação do design, contando com o apoio do The World Design Organization (Conselho Internacional das Organizações de Design Industrial) para criar um comitê de designers veteranos e educadores para guiar o projeto. A instituição busca promover mudanças e reflexões na base curricular dos programas de bacharelado e mestrado das faculdades de mais alto nível na área, abordando a problemática (mesma que a do presente projeto) pela frente do ensino formal superior. Além disso, também contam com o esforço de grandes mentes na área escrevendo sobre e fundamentando em um âmbito acadêmico os desafios e soluções para enfrentá-los.
A questão levantada é como os meios mais formais do ensino de Design acabam por ser muito auto-orientados e prezam mais pela continuidade de uma tradição ideológica e teórica do Design ao invés de cumprir um papel mais pedagógico (CARDOSO, 2016), isso acaba reproduzindo pensamentos já consolidados ao invés de formar pensadores autônomos com repertório satisfatório para articular o Design como atores desenvolvedores de soluções adequadas em mundo complexo.
tecnologia, inovação e sustentabilidade
A inovação e a sustentabilidade são, também, temas fundamentais no contexto deste projeto, especialmente quando é considerada a sustentabilidade do negócio em termos econômicos e de engajamento dos usuários. A proposta deste trabalho, visa criar uma solução inovadora que não apenas atenda às necessidades atuais do mercado de educação em design, mas também contribua com o desenvolvimento de bases sólidas para um crescimento sustentável a longo prazo.
Do ponto de vista econômico, o projeto busca desenvolver um modelo de negócio que seja financeiramente viável e capaz de se adaptar às mudanças do mercado. Isso inclui a criação de fontes de receita diversificadas e a otimização de recursos para também garantir a longevidade do empreendimento.
Em termos de uso e engajamento, o foco está em criar uma plataforma que não apenas atraia usuários, mas também os retenha, proporcionando valor contínuo e significativo. Isso envolve a criação de conteúdos relevantes, a implementação de metodologias de ensino eficazes e a constante atualização de ofertas para atender às demandas em evolução do setor de design. Neste sentido, ser um serviço com abertura para o novo de modo ágil, será fundamental.
A inovação se manifesta na abordagem integrada de aprendizagem, que combina elementos de educação formal, complementar e individual, criando um ecossistema educacional abrangente. Esta abordagem inovadora visa não apenas ensinar habilidades técnicas, mas também cultivar uma mentalidade criativa e adaptável, essencial para o sucesso no campo do design. A sustentabilidade, neste contexto, vai além do aspecto ambiental,
englobando a sustentabilidade social e econômica. O projeto visa criar um impacto positivo duradouro na comunidade de design, promovendo o crescimento profissional e pessoal dos usuários, e contribuindo para o desenvolvimento do setor e universo criativo como um todo.
Sobre o aspecto tecnológico o projeto busca abordar uma visão ferramental da tecnologia contemporânea, não abandonado a importância da materialidade do ensino mas abrindo a possibilidade de mesclagem entre o digital e o físico se utilizando de várias ferramentas e características do digital em seu benefício. Se orienta ao redor disso o tópico de Experiência do Usuário ou UX Design (User Experience), teoria colocada em prática majoritariamente pensando na interação entre usuários e plataformas digitais neste contexto. Dentre os teóricos da área está James Garrett, que elaborou uma metodologia de construção de plataformas digitais e webpages com
a experiência em mente, este framework não só serve para auxiliar os designers que estão projetando esses produtos digitais a se organizar, como também serve como uma maneira de certificar que a experiência projetada comunica a estratégia e os objetivos do projeto através de sua navegação, permitindo com que se projete não apenas o produto como também a experiência. Essas teorias mencionadas não só se relacionam intimamente com o meio digital, como também representam muito do que há de mais moderno no mercado de design, possibilitando, através de sua utilização, projetar algo que consiga comunicar e concretizar informações na mente dos usuários ao navegar por plataformas. É justamente essa característica do digital que pode ser utilizada como uma força para se desenvolver projetos no contexto atual.
o movimento e o mundo complexo
Dentre os temas abordados neste projeto, destaca-se a complexidade como eixo estruturante da proposta. A compreensão do mundo contemporâneo sob essa perspectiva se fundamenta nas contribuições de Edgar Morin e na leitura crítica desenvolvida por Rafael Cardoso em Design para um mundo complexo (2016). A abordagem de Morin propõe a interconexão entre saberes, a rejeição da simplificação e a valorização de um pensamento que reconhece a incerteza, a instabilidade e a multiplicidade dos fenômenos.
Nesse contexto, também se insere o conceito de mundo VUCA — sigla para Volatile, Uncertain, Complex, Ambiguous —, originado no ambiente militar dos Estados Unidos no final do século XX, logo após a Guerra Fria. Embora concebido inicialmente para orientar lideranças estratégicas, o conceito foi rapidamente apropriado por outras áreas, incluindo o design, para descrever um mundo em transformação acelerada, marcado por incertezas e instabilidades sistêmicas.
Cardoso articula essas ideias a partir da influência do geógrafo David Harvey e sua noção de condição pós-moderna, caracterizada por uma perturbação das estruturas de significado anteriormente
estáveis. Para Cardoso, esse novo cenário, impulsionado pelo fim da Guerra Fria e pela popularização da internet, desestabilizou os fundamentos sobre os quais o design se constituiu como disciplina ao longo dos séculos XIX e XX. Além disso, a crescente atenção às questões ambientais e sociais introduziu novas variáveis ao processo criativo, tornando o campo ainda mais complexo e interdependente. O autor se inspira, inclusive, na obra Design for the Real World de Victor Papanek, que já denunciava o esvaziamento ético do design moderno, especialmente no que se refere à ênfase excessiva em estética e funcionalidade. Para Papanek, o design deveria atender às necessidades humanas reais, o que implicava reconsiderar sua função social. Cardoso retoma essa crítica, ampliando-a para o contexto da era digital e da informação, onde a prática do design passa a lidar com sistemas instáveis, redes globais e ambientes em constante mutação.
Essa mesma preocupação é retomada por Donald Norman e Michael W. Meyer em Changing Design Education for the 21st Century, ao apontarem os desafios da educação em design em um cenário de fronteiras cada vez mais fluídas entre artefatos, processos, estruturas e contextos. Norman destaca a urgência de trans -
formar o ensino formal para torná-lo mais adaptável, reflexivo e capaz de formar profissionais aptos a lidar com problemas sistêmicos.
Diante disso, compreender a complexidade torna-se essencial não apenas como conteúdo, mas como forma de pensar e projetar. Trata-se de reconhecer que soluções relevantes para o presente e o futuro só podem emergir de abordagens que integrem múltiplas dimensões técnicas, culturais, sociais e ambientais, e que acolham a incerteza como parte do processo. Como afirma Edgar Morin (2000, p. 13), “a inteligência complexa é aquela que é capaz de ligar, contextualizar, globalizar, ao mesmo tempo respeitando a diversidade, a singularidade e a contradição.”
Essa articulação de múltiplas camadas de conhecimento também dialoga com a noção de transdisciplinaridade proposta por Ubiratan D’Ambrosio, que defende a superação dos limites entre os campos do saber. Para ele, a complexidade do mundo exige uma abordagem que considere a diversidade cultural, os saberes cotidianos e as múltiplas formas de expressão humana. D’Ambrosio (1993) entende a transdisciplinaridade como fundamental para a construção de uma educação mais inclusiva
e significativa, capaz de integrar ciência, arte, cultura e vida. Essa perspectiva está presente na proposta final deste projeto, que busca abordar o design de maneira expandida, abrindo-se ao diálogo com outras linguagens e práticas culturais, como a música, o cinema e a literatura, e valorizando as especificidades dos contextos onde o aprendizado acontece.
Nesse sentido, a noção de currículo vivo, proposta por Junqueira Filho (2017), aprofunda esse olhar ao conceber o currículo não como um roteiro fechado, mas como uma construção contínua e relacional. O autor argumenta que o currículo se constitui nas experiências, afetos e interações cotidianas entre educadores, aprendizes e territórios, sendo atravessado por subjetividades, conflitos e negociações constantes. Essa visão reforça a ideia de que os processos formativos devem estar abertos ao inesperado e ao contexto, alinhando-se à complexidade como forma de viver, ensinar e aprender. Ao integrar essa abordagem, o projeto reconhece que pensar a educação em design no século XXI requer não apenas novos conteúdos, mas novas formas de escuta, presença e construção coletiva do conhecimento.
PESQUISA QUANTITATIVA
forms 2024-2
A primeira pesquisa quantitativa se deu como a continuação da etapa de imersão da metodologia do Duplo Diamante, com o objetivo de mapear as dinâmicas de aprendizado em design e gerar subsídios para o embasamento do projeto. Os dados foram coletados por meio de um formulário online, disponibilizado entre os dias 16 de setembro e 16 de outubro de 2024, totalizando 95 respostas.
O desenvolvimento da pesquisa partiu da definição de objetivos, hipóteses e perfis a serem analisados. O foco principal foi compreender como diferentes públicos percebem e vivenciam o processo de aprendizado em design. Os participantes foram classificados em quatro categorias: não designers, estudantes de design, professores da área e profissionais atuantes no mercado.
Com a consolidação das respostas, os dados foram organizados em quatro grandes frentes: perfil dos participantes, análise segmentada por atuação, expectativas em relação à formação e dinâmicas de aprendizado formais e informais. Essa estrutura permitiu uma leitura abrangente e orientou a construção posterior do ecossistema de aprendizagem da Maré. Destaca-se que as perguntas e respostas da pesquisa estão disponíveis integralmente no apêndice A.
perfil dos participantes
Figura 05 – Compilação de respostas do formulário
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Após a análise dos resultados, observou-se que o formulário alcançou majoritariamente pessoas em momentos de transição de carreira, como a passagem do ensino médio para a graduação, da graduação para o mercado de trabalho ou o ingresso em cursos de especialização e pós-graduação. A faixa etária
Estudantes
Freelancers
Estagiários
CLTs/Profissionais
Professores/Educadores
Desocupados
Sócios/Empresários
predominante foi de 18 a 22 anos, com uma distribuição de gênero equilibrada: 47 homens, 46 mulheres e 2 pessoas que optaram por não informar. A maioria dos participantes cursava ou havia concluído recentemente o ensino superior. Como a pesquisa circulou principalmente em grupos de WhatsApp ligados à instituição de ensino dos formuladores deste projeto, houve uma concentração de respostas provenientes da rede privada. Ainda assim, destaca-se o esforço para diversificar os perfis de respondentes, incluindo, por exemplo, professores da USP e profissionais de design atuantes em outros estados. Mais detalhes sobre esse recorte podem ser encontrados no apêndice A deste trabalho.
expectativas em relação à formação
Uma das perguntas abertas mais relevantes da pesquisa foi: “Você sente que as disciplinas do curso te prepararam adequadamente para o mercado? Em poucas palavras, conta pra gente por quê?”. As respostas revelaram uma maioria relativamente satisfeita com a formação recebida, mas também trouxeram à tona contradições e lacunas que merecem atenção.
Entre os que se consideraram bem preparados, destacaram-se como fatores positivos a ênfase prática ao longo do curso e a diversidade da matriz curricular.
Não os cursos que fiz, incluindo faculdade, cursos online, workshops etc todos parecem focar muito em ferramentas e conceitos, não no mercado eu aprendi mais trabalhando do que em qualquer curso que fiz.
Não. O curso prepara para ser um artista em que tudo é belo e não há erros. Quando, na verdade, pensar design é encontrar soluções viáveis.
Ainda assim, mesmo dentro desse grupo, surgiram comentários sobre a sensação de uma formação ampla, porém rasa. Já entre os participantes mais críticos, a principal queixa foi a distância entre o conteúdo teórico abordado em sala e as exigências práticas enfrentadas no mercado de trabalho.
Outros pontos sensíveis recorrentes foram os sentimentos de insegurança e desamparo vividos no início da graduação, atribuídos à introdução simultânea de múltiplos conteúdos sem uma base progressiva. Temas como gestão de projetos, precificação, autonomia profissional e a dificuldade de conciliar o tempo acadêmico com o ritmo de produção do mercado também apareceram com frequência nas respostas.
Não. Eu deveria ter tido mais atividades práticas e simulação de situações reais.
Não. O curso foi raso, sem profundidade em temas sensíveis e de realidade de mercado.
Figura 06 – Conjunto de respostas de pessoas que sentem que o curso não prepara adequadamente
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
análise de palavras
A partir das respostas abertas, foram elaboradas nuvens de palavras que ilustram as percepções de três grupos distintos: participantes que se sentem preparados, parcialmente preparados e não preparados para o mercado.
Nas respostas positivas, as palavras mais recorrentes foram “curso”, “mercado” e “design”. Entre os parcialmente satisfeitos, termos como “sinto”, “curso” e “aluno” aparecem com destaque. Já entre os insatisfeitos, a recorrência de “mercado”, “curso” e “design” também é expressiva, o que indica uma preocupação persistente com a desconexão entre formação e prática profissional.
Figura 07 – Nuvem de palavras das respostas de pessoas que sentem que o curso não prepara adequadamente
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2024.
Acredito que de modo geral, sim, e bastante, sinto que tenho uma boa base para desempenhar profissionalmente e consigo enxergar com clareza passos de evolução e melhoria acadêmica e profissionalmente. Contudo, acho valido uma abordagem cada vez mais multidisciplinar no curso, e também se vê necessário certa flexibilidade e/ou adaptabilidade, sinto que cada aluno se encaixa de uma maneira e encontra seu próprio caminho diante das diversas disciplinas e atividades curriculares dispostas (obrigatórias ou não), mas cabe a instituição e a educação permitir que os alunos consigam trilhar esses próprios caminhos (não pode ser algo extremamente fixo e dentro da caixa exatamente do mesmo formato para todos).
“ “ “ “ “ “
Acredito que prepara melhor nossa experiência ao final do curso, sinto que no começo/metade ainda havia questões em aberto a serem esclarecidas, o que geravam dúvidas e desamparo. Atualmente, sinto que a instituição nos prepara muito para a experiência CLT, mas ainda é deficiente no preparo para freelance.
Sim e não. Porque devem ser sintonizadas com tendências e modos de fazer, com a profissão em si, mais que com o mercado. Preparar para o mercado é reducionista, pois o mercado muda rápido.
Figura 08 – Conjunto de respostas de pessoas que sentem que o curso prepara parcialmente
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
Figura 09 – Nuvem de palavras das respostas de pessoas que sentem que o curso prepara parcialmente
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2024.
Sim, acredito que as disciplinas e os professores são adequados para preparar o aluno para o mercado de trabalho.
“ “ “ “ “ “ “ “
Sim. O curso abrange diversas áreas do design e sinto que isso faz com que eu entenda o fundamental do design para aplicar para quaisquer outras áreas depois.
As disciplinas da ESPM tem total foco em te preparar para o trabalho, tendo professores que atuam / atuaram na área, exemplos reais de trabalho, e apoio ao aluno na busca de emprego e estagio.
Sim. A presencial do marketing é de ferramentas contribuem para um diferenciação no mercado. Além disso, por ter um contato com marcas externas, entender como o design funciona na prática se torna bem mais palpável.
Figura 10 – Conjunto de respostas de pessoas que sentem que o curso os prepara adequadamente
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
Figura 11 – Nuvem de palavras das respostas de pessoas que sentem que o curso os prepara adequadamente
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2024.
Qual modalidade você prefere para cursos?
sim, frequentemente (24)
não, mas gostaria (14)
não, mas já cogitei (6)
nunca tinha pensado nisso (2)
não entendi (1)
sim, ocasionalmente (47)
você participa de atividades extracurriculares?
Figura 13 – Você participa de atividades extracurriculares relacionadas ao design?
Fonte: Elaboração própria com base em dados do Google Forms, 2024.
estatísticas sobre atividades extracurriculares
A pesquisa revelou que a maioria dos participantes participa de atividades extracurriculares relacionadas ao design, ainda que de forma esporádica. Esse dado reforça a pertinência da proposta deste projeto, ao indicar que grande parte dos respondentes busca, por conta própria, experiências e conteúdos complementares à formação acadêmica. A existência dessa demanda por aprendizados fora do espaço institucional evidencia o potencial de iniciativas como a Maré, que se propõem a atuar justamente nesse espaço expandido da formação em design.
Figura 12 – Qual modalidade você prefere para cursos/workshops/palestras?
Fonte: Elaboração própria com base em dados do Google Forms, 2025.
nunca (7)
fiz um curso uma vez (12) ocasionamente, quando tenho tempo/dinheiro (32)
com pouca frequência (21)
frequentemente (20)
com muita frequência (2)
com que frequência você consome?
Figura 14 – Com que frequência você consome ou já consumiu cursos/workshops de design?
Fonte: Elaboração própria com base em dados do Google Forms, 2024.
Apesar do interesse, o tempo disponível e o custo financeiro foram citados como barreiras. Entre os cursos mais consumidos, prevaleceram os práticos e de curta duração, especialmente nas áreas de branding, design de produto e caligrafia. Plataformas como Domestika, EBAC e Brandster foram amplamente mencionadas.
O material didático mais utilizado é o livro (77,7%), seguido por tutoriais online (69,1%). As áreas de maior interesse incluem design gráfico, artes visuais e design digital. Embora o ensino online tenha se popularizado, o formato presencial ainda é o preferido por 30% dos participantes, seguido pelo híbrido (24,5%) e pelo online (20,2%).
análise profissional
Entre os profissionais CLT participantes da pesquisa, predominam cargos de nível pleno (4 entre 15 pessoas) ou sênior (3 entre 15 pessoas). Apesar das avaliações positivas sobre o desenvolvimento interno nas empresas, 84,6% das pessoas nessa categoria manifestaram intenção de buscar novas oportunidades, impulsionados principalmente pela busca por melhores salários e por ambientes que valorizem o design de maneira mais estratégica.
Já para os freelancers, os maiores desafios apontados foram a instabilidade financeira e a gestão de tempo. Muitos indicaram o desejo de atuar em projetos mais estratégicos, menos operacionais, apontando para uma aspiração de crescimento qualitativo na carreira.
conclusões do formulário 2024.2
A análise quantitativa realizada por meio do formulário permitiu identificar padrões e percepções relevantes sobre os percursos formativos em design, complementando as demais etapas de escuta do projeto. Entre os principais achados, destaca-se a definição do público-alvo da proposta: jovens adultos em momentos de transição, como a passagem do ensino médio para a graduação, a conclusão da universidade e a entrada no mercado de trabalho, ou ainda a busca por especialização e reposicionamento profissional.
Esse perfil foi recorrente nas respostas e se manifesta tanto nas questões objetivas quanto nas respostas abertas, indicando uma fase marcada por inseguranças, experimentações e reconfigurações de trajetória.
A centralidade desse público orientou decisões posteriores no desenho do ecossistema de aprendizagem em design no qual a Maré está inserida, sobretudo no que diz respeito à linguagem, formatos e estratégias de acolhimento.
Além disso, os dados reforçaram a percepção de que a formação tradicional, ainda que valorizada por sua estrutura e diversidade, não supre integralmente as demandas contemporâneas dos estudantes e profissionais. A busca por experiências extracurriculares, a valorização da prática e os relatos de distanciamento entre teoria e mercado reforçam a pertinência de iniciativas que atuem de maneira complementar, flexível e situada no campo expandido da educação em design.
PESQUISA QUANTITATIVA
forms 2025-1
A segunda fase da aplicação do formulário ocorreu no primeiro semestre de 2025, com o objetivo de validar e aprofundar os achados da etapa inicial da pesquisa. Disponibilizado por meio da plataforma Google Forms entre os dias 1º e 30 de abril, o questionário obteve um total de 268 respostas. Um dos principais objetivos desta nova etapa foi ampliar a base de dados para além do recorte anterior, que havia se concentrado majoritariamente em São Paulo e em estudantes da rede privada. Ao mesmo tempo, buscou-se refinar o público-alvo da pesquisa: jovens em fase de conclusão do curso de design ou que estão nos primeiros anos de atuação profissional. Novamente, a pesquisa está disponível integralmente no apêndice B.
A definição desse perfil permitiu a elaboração de um conjunto de perguntas mais direcionadas, alinhadas aos interesses, desafios e expectativas desse público.
A estruturação estratégica do questionário buscou levantar dados não apenas descritivos, mas capazes de oferecer insumos concretos para orientar o desenvolvimento do projeto com maior clareza, profundidade e assertividade. Com isso, a segunda fase da pesquisa representou um avanço metodológico importante, consolidando-se como ferramenta decisiva para embasar o diagnóstico e as decisões futuras da iniciativa. O conjunto completo de perguntas e respectivas respostas encontra-se disponível nos apêndices deste trabalho, garantindo transparência e detalhamento metodológico.
Para alcançar esse público de forma mais abrangente, foram utilizadas diferentes estratégias de divulgação. Destaca-se, entre elas, a mobilização de grupos de WhatsApp voltados à atuação profissional no campo do design, inicialmente localizados nas regiões de
São Paulo e Brasília. A partir de interações individuais com membros desses grupos, a pesquisa passou a circular de forma orgânica por outras redes e estados, ampliando significativamente seu alcance e diversidade geográfica.
Outra frente importante foi a abordagem direta a alunos e recém-formados por meio do Instagram, com base na observação de que diversos perfis institucionais de faculdades costumam divulgar os trabalhos de conclusão de curso dos últimos anos. A partir dessa prática, foi possível identificar e contatar jovens designers formados em instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O envio de mensagens personalizadas, apresentando os objetivos da pesquisa, resultou não apenas em respostas individuais, mas também em colaborações espontâneas para a divulgação do formulário em outras redes e regiões do país.
Outro fator decisivo para o crescimento do número de respostas e da diversidade de respondentes foi a participação da pesquisa no evento Dia Mundial da Criatividade, realizado entre os dias 21 e 23 de abril, na região da Vila Mariana, em São Paulo. O evento contou com mais de 2.000 participantes e reuniu estudantes, professores e profissionais das mais diversas áreas
criativas, incluindo o design. Por meio da atuação como voluntária na produção do evento, foi possível divulgar ativamente o formulário ao longo dos três dias, sobretudo entre estudantes de cursos técnicos, organizadores, participantes de oficinas e profissionais formados em instituições públicas. Essa ação ampliou o recorte da pesquisa, garantindo uma amostra mais plural, representativa e coerente com os objetivos da Maré.
dados demográficos
A composição demográfica dos participantes atingiu o perfil-alvo definido para esta etapa da pesquisa: jovens em fase final da graduação ou nos primeiros anos de atuação profissional. As faixas etárias predominantes foram de 19 a 22 anos (56%) e de 23 a 26 anos (33%), confirmando a aproximação com esse público. Quanto à identidade de gênero, a maioria dos respondentes se identificou como feminina (55%), seguida pelo público masculino (29%) e por pessoas não-binárias (1%).
Geograficamente, a pesquisa teve participantes da região Sudeste (36%) e CentroOeste (31%). As regiões Sul (11%), Nordeste (8%) e Norte (4%) tiveram um avanço em relação à etapa anterior, que possuía um viés mais localizado. Também foi registrada a participação de respondentes com diferentes níveis de acesso à educação: aproximadamente metade cursou ou cursa
Qual a sua faixa etária?
design em instituições públicas, enquanto a outra metade veio da rede privada, além de uma parcela que se formou por meio de cursos técnicos ou de forma autodidata. Os dados atualizados confirmam a forte concentração de interesse em áreas como design gráfico, UI/UX, motion design e direção de arte, o que já havia sido identificado na primeira fase da pesquisa. No entanto, nesta nova amostra, observou-se também um aumento na relevância de campos como ilustração, branding e design de embalagens, o que reforça a tendência de os jovens profissionais buscarem atuações mais visuais, criativas e alinhadas com o mercado digital. Esse panorama reafirma a importância de ampliar a exposição dos estudantes a diferentes possibilidades de atuação dentro do campo do design, especialmente aquelas que envolvem pensamento sistêmico e inovação.
Em qual região do Brasil você mora?
Figura 15 – Qual a sua faixa etária?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
Figura 16 – Em qual região do Brasil você mora?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
dados relacionados ao mercado de design
Em relação aos objetivos profissionais, a maioria dos respondentes demonstrou interesse em conquistar um emprego fixo ou trabalhar como freelancer, refletindo a busca por estabilidade financeira aliada à flexibilidade de atuação. A novidade nesta fase foi a identificação de um grupo mais consciente sobre a possibilidade de conciliar empregos fixos com projetos autônomos, o que aponta para uma maior maturidade na compreensão das dinâmicas do mercado. Ainda que poucos tenham mencionado a intenção de empreender ou abrir um estúdio próprio, esse dado reforça o que já havia sido notado anteriormente: muitos jovens veem o design como uma profissão viável, mas ainda dependem de referências, estrutura e segurança para tomar decisões mais fundamentadas em suas trajetórias.
A aplicação do novo formulário permite validar diversas preocupações que haviam surgido durante o grupo focal realizado com estudantes da ESPM no final de 2024. Na ocasião, os participantes relataram inquietações e inseguranças recorrentes em relação à transição entre a formação acadêmica e o mercado de trabalho. Com a análise das respostas da nova etapa, observou-se que essas percepções se confirmam de forma ampla: os principais desafios mencionados foram a precificação dos serviços, a falta de experiência prática, a gestão de tempo, o bloqueio criativo e a dificuldade em obter reconhecimento ou oportunidades profissionais. A recorrência desses temas evidencia um descompasso entre o que é ensinado nas instituições de ensino e as exigências concretas da atuação profissional.
Além dos aspectos técnicos, os dados também revelam desafios emocionais significativos, como ansiedade diante dos prazos, insegurança sobre a própria produção e sensação de esgotamento criativo. Esses achados reforçam a ideia de que o desenvolvimento profissional no campo do design envolve não apenas capacitação técnica, mas também apoio psicológico, orientação estratégica e criação de espaços de acolhimento para jovens profissionais em início de carreira.
quais são suas áreas de maior interesse
Figura 17 – Dentro do design, quais são as suas áreas de maior interesse?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
*Opções inseridas manualmente
Uma parte significativa do questionário foi direcionada à investigação sobre complementação do aprendizado no campo do design. Essas perguntas buscaram compreender como os jovens profissionais e estudantes têm buscado se qualificar além da graduação e quais formatos, conteúdos e abordagens consideram mais relevantes nesse processo. As respostas coletadas foram fundamentais para embasar os próximos passos na criação do negócio e da marca, permitindo desenhar uma proposta alinhada às reais necessidades de quem está em início de carreira.
o que você está buscando no início da carreira?
Figura 18 – O que você está buscando no início da carreira?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
Ao explorar temas como formatos de curso, investimentos financeiros, preferências de conteúdo, saúde mental e relação com tendências, a pesquisa oferece uma base sólida para o desenvolvimento de experiências de aprendizagem mais eficazes e acolhedoras.
No que diz respeito aos investimentos em aprendizado, destaca-se que a maioria dos respondentes demonstrou estar disposta a investir em cursos, desde que apresentem bom custo-benefício. Apenas uma pequena parcela afirmou optar exclusivamente por formações gratuitas ou muito acessíveis, o que indica uma abertura relevante e a valori-
quais são as suas dificuldades atuando com design no momento?
Figura 19 – Quais são as suas dificuldades atuando com design no momento?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
zação que o público-alvo dá para o consumo de soluções educacionais pagas, desde que haja clareza de valor agregado. Essa disposição revela um público consciente, seletivo e atento à relação entre qualidade, aplicabilidade e preço.
Sobre o formato preferido de cursos, os dados revelam uma preferência por cursos de curta duração, especialmente workshops intensivos e objetivos. Ainda assim, uma parte dos respondentes também demonstrou interesse por formações de média duração, desde que bem estruturadas e aprofundadas. Sobre o formato preferido de cursos,
o que mais te preocupa em relação a sua carreira no futuro?
Figura 20 – O que mais te preocupa em relação a sua carreira no futuro?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
*Opções inseridas manualmente
a maior parte dos respondentes afirmou que não têm preferência, e que a resposta depende do curso, o que demonstra uma postura flexível e pragmática em relação à forma como o conteúdo é oferecido. Essa resposta sugere que o público valoriza mais a qualidade, a relevância e a aplicabilidade do conteúdo do que o formato em si, seja ele presencial, online ao vivo, gravado ou híbrido. Ainda assim, dentro das opções específicas, o formato online gravado e o presencial ficaram respectivamente em segundo e terceiro lugar, indicando que tanto a interação direta quanto a autonomia no ritmo de estudo são aspectos considerados importantes. Esse comportamento reforça a necessidade de pensar em propostas educacionais adaptáveis, capazes de combinar
como você está buscando complementar sua formação atualmente?
Figura 21 – Como você está buscando complementar sua formação atualmente?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
diferentes formatos conforme o objetivo e o tipo de conteúdo, oferecendo experiências alinhadas às expectativas e rotinas diversas do público.
Um dado especialmente importante diz respeito ao quanto os participantes estariam dispostos a pagar por cursos de design. A maioria apontou como teto um valor entre R$100 e R$300, mas uma parcela significativa mencionou aceitar pagar até R$600 ou mais, desde que o curso fosse diferenciado e agregasse valor real à sua formação. Isso indica que existe potencial para diferentes faixas de precificação, desde que associadas à clareza de entrega, certificação, reconhecimento no mercado e possibilidade de uso prático no portfólio.
No ponto de vista emocional, a pesquisa
qual valor você está disposto a investir no seu desenvolvimento em design?
Figura 22 – Qual valor você está disposto a investir no seu desenvolvimento em design?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
também trouxe à tona questões relacionadas à motivação e autoconfiança, revelando um panorama emocional sensível. Muitos participantes relataram insegurança em relação à própria produção, ansiedade com prazos e sensação de sobrecarga, enquanto poucos se descreveram como plenamente confiantes em sua trajetória. Isso evidencia a importância de integrar aspectos de acolhimento emocional, orientação de carreira e construção de autoconfiança às propostas formativas — não apenas técnicas, mas também humanas.
Em relação às tendências e inovações, a maioria do público afirmou gostar de acompanhar novidades, mas com um olhar crítico: filtra o que faz sentido e evita seguir modismos sem propósito.
Apesar disso, surgiram também senti-
como você está buscando complementar sua formação atualmente?
Figura 23 – Como você está buscando complementar sua formação atualmente?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
mentos de pressão para acompanhar tendências ou dificuldade de manter-se atualizado, sobretudo frente ao avanço de tecnologias como a inteligência artificial. Isso reforça a ideia de que é preciso oferecer não apenas conteúdo atualizado, mas também curadoria, contexto e aplicabilidade prática, ajudando o público a navegar com segurança pelas transformações do mercado.
Por fim, as respostas abertas enriqueceram qualitativamente a pesquisa, revelando desejos e lacunas de aprendizado que nem sempre aparecem nos formatos fechados. Entre os temas mais citados, destacam-se o interesse em negociação, precificação, design estratégico, divulgação profissional e motion design.
Muitos relataram o desejo de se posicionar
como você se sente em relação às tendências no design?
Figura 24 – Como você se sente em relação às tendências no design?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
Existe algo que você gostaria de aprender ou melhorar para se sentir mais confiante na sua trajetória com design?
Mercado e valor
“queria entender melhor como cobrar pelos meus trabalhos”
“precificação é um assunto que sempre me deixa inseguro”
“tenho medo de cobrar caro e perder o cliente”
Posicionamento e visibilidade
“formas de posicionar minha marca em meio ao boom de IA”
“como divulgar meu trabalho com o público e com as empresas”
“não sei como divulgar meu trabalho do jeito certo”
“como posso usar o design pra gerar impacto e não só vender”
Início de carreira
“ter confiança nas minhas decisões de projeto”
“queria um caminho mais claro pra quem tá começando sozinho”
“estou sempre sobrecarregado e me sinto perdido pra desenrolar os jobs”
“queria dicas práticas de como escolher uma especialização”
melhor frente ao mercado, compreender as exigências da área e criar com mais segurança. Essas falas trazem um panorama mais subjetivo e profundo das necessidades do público, oferecendo insights valiosos para direcionar com mais relevância e precisão o desenvolvimento da marca e de seus respectivos produtos educacionais. Além disso, chama atenção o volume expressivo de respostas que mencionam barreiras estruturais para acessar oportunidades de formação, como falta de tempo, recursos financeiros limitados e sobrecarga de atividades. Esses fatores apontam para a importância de formatos mais acessíveis, flexíveis e acolhedores, que respeitem o ritmo de cada pessoa e suas condições reais de vida.
o que você mais valoriza na hora de escolher uma experiência de aprendizado?
Figura 25 – O que você mais valoriza na hora de escolher uma experiência de aprendizado?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
*Opções inseridas manualmente
Prática aplicada
“preciso de dicas de onde achar briefing pra praticar”
“gostaria de aprender mais sobre composição”
“tenho dificuldade em validar se meu trabalho está bom o suficiente”
“sinto falta de uma orientação mais prática sobre design editorial”
Atualização e repertório
“queria aprender a acompanhar tendências sem virar modinha”
“queria saber usar IA no meu processo, mas de um jeito que faça sentido”
“queria aprender mais sobre curadoria de conteúdo visual”
Figura 26 – Existe algo que você gostaria de aprender ou melhorar para se sentir mais confiante na sua trajetória com design?
Fonte: Elaboração própria com base em respostas abertas no Google Forms, 2025.
conclusões das pesquisas quantitativas
A pesquisa quantitativa permitiu consolidar uma compreensão mais ampla sobre as percepções, dificuldades e expectativas de diferentes perfis de participantes em relação à formação em design. Os dados revelam que uma parcela significativa do público está situada em momentos de transição, como o ingresso no ensino superior, a passagem para o mercado de trabalho ou a busca por requalificação profissional. Essa definição de público-alvo, composto por jovens adultos em fases de redefinição de percurso, constitui um dos principais achados da etapa, influenciando diretamente o posicionamento e as estratégias do projeto.
A análise das respostas abertas complementa e aprofunda as tendências apontadas nas questões fechadas, revelando nuances importantes das motivações, barreiras e interesses do público. Os depoimentos espontâneos reforçam a recorrência de temas como precificação, divulgação profissional, design estratégico, motion design e negociação, indicando lacunas na formação tradicional e áreas nas quais há maior interesse por capacitação complementar. Além do conteúdo, os participantes expressaram preocupação com o contexto em que esse aprendizado se dá, revelando a necessidade de ambientes que favoreçam
a autonomia, promovam a confiança na própria trajetória e contribuam para o desenvolvimento de uma postura mais segura diante das exigências do mercado.
Também foram recorrentes os relatos de dificuldades estruturais que comprometem o engajamento em iniciativas formativas, especialmente a falta de tempo, recursos financeiros e sobrecarga associada à conciliação entre estudos, trabalho e demandas pessoais. Esses fatores reiteram a importância de soluções educativas que considerem as condições reais de vida do público-alvo, oferecendo formatos mais acessíveis, modulares e adaptáveis. Ao evidenciar essas questões, a pesquisa sugere que o sucesso de uma proposta formativa em design não depende apenas da qualidade do conteúdo, mas também da sua capacidade de se integrar de forma coerente e responsiva à rotina e às limitações dos participantes. Tais achados reforçam a relevância de um desenho pedagógico que alie conteúdo aplicado, suporte contínuo e sensibilidade às múltiplas realidades que compõem o ecossistema do aprendizado em design.
Dentre os principais desafios mencionados estão a precificação de serviços, o sentimento de insegurança quanto à atuação no mercado, bloqueios criativos e a busca por reconhecimento profissional. Ao mesmo tempo, a pesquisa evidenciou uma valorização consistente da prática como componente fundamental do aprendizado. Cursos de curta duração, voltados à aplicação direta e à construção de portfólio, foram amplamente mencionados como os mais relevantes. A preferência por atividades extracurriculares e a busca por experiências formativas fora do espaço institucional também reforçam a demanda por percursos mais autônomos, flexíveis e conectados com o cotidiano profissional.
A dimensão emocional do processo formativo também se destacou, com diversos participantes relatando sentimentos de ansiedade, sobrecarga e desorientação. Esses dados indicam que a oferta de suporte, acolhimento e estrutura comunitária pode exercer papel central no fortalecimento das trajetórias criativas. Além disso, foi possível observar que a preferência por formatos de ensino não está atrelada a uma modalidade única (presencial, híbrida ou online), mas sim à capacidade de adaptação dos formatos às necessidades específicas de cada proposta formativa.
Por fim, os dados quantitativos revelaram o valor da curadoria como fator diferencial. Em um cenário de excesso de informação e diversidade de possibilidades, os respondentes demonstraram interesse por estruturas que ofereçam orientação segura, conteúdos relevantes e aplicabilidade prática. Com base nesses dados, consolidam-se diretrizes que orientam o desenvolvimento do projeto, com foco em experiências formativas centradas na prática, no suporte comunitário e na construção de repertório cultural relevante para os desafios contemporâneos do campo do design.
PESQUISA QUALITATIVA
Os temas apresentados até aqui compõem a base conceitual que sustenta este projeto. Cada um deles contribuiu para a construção de uma visão ampliada do design, compreendido como prática cultural, estratégica e colaborativa. Essa fundamentação teórica não apenas orientou o desenvolvimento da proposta, como também serviu de referência para a estruturação das etapas de pesquisa.
A seguir, são apresentadas as investigações quantitativas e qualitativas realizadas com estudantes, profissionais e educadores da área, que permitiram mapear percepções, necessidades e oportunidades em torno do aprendizado em design no contexto contemporâneo. A fim de aprofundar o entendimento sobre formatos inovadores de educação complementar em design,
foram conduzidas entrevistas com dois professores (Gisela Schulzinger e Guilherme Umeda) e seis profissionais que lideram projetos reconhecidos por suas abordagens alternativas ao ensino tradicional: Rodrigo Lins (Platô), Rodrigo Saiani (Plau), Henrique Nardi (Tipocracia), Cláudia de Castro Lima (Mesa School), Daniel Padilha (The Ugly Lab) e Carolina Sá (LAJE). Cada uma dessas iniciativas atua com propostas singulares, mas convergentes no propósito de transformar a forma como o design é apreendido, vivenciado e compartilhado no Brasil.
A seleção dos entrevistados partiu de critérios como a atuação complementar ao ensino formal, a construção de comunidades ativas, a produção de conteúdo autoral, a inovação metodológica e a diversidade de formatos educacionais — presen-
ciais, online ou híbridos. As entrevistas foram realizadas de forma semi-estruturada, com roteiros flexíveis que permitiram explorar as especificidades de cada projeto e gerar insights relevantes sobre os desafios e potencialidades do setor.
Ao longo dos encontros, identificaram-se temas recorrentes como a valorização da prática como eixo central do ensino, o protagonismo dos estudantes, o papel estratégico da comunidade e a curadoria de experiências e educadores. Destacaram-se também diferenças fundamentais entre os projetos, como o foco presencial do Platô, o modelo phygital da LAJE e o forte investimento da Plau em conteúdos digitais. O Tipocracia e a Mesa School, por sua vez, apresentaram abordagens mais descentralizadas e metodológicas,
reforçando a multiplicidade de formatos possíveis dentro da educação criativa.
A análise conjunta dessas experiências permitiu não apenas identificar tendências e boas práticas, mas também mapear lacunas e oportunidades estratégicas para o desenvolvimento de novas propostas educacionais em design, como é o caso do estúdio Maré. Para mais detalhes, todas as entrevistas podem ser encontradas na íntegra nos Apêndices A e B.
grupo focal com alunos
Complementando os dados obtidos na etapa quantitativa, a fase qualitativa da pesquisa contou com a realização de dois grupos focais com estudantes de design, com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre seus hábitos de estudo, percepções em relação à formação acadêmica e expectativas profissionais. As principais contribuições dessas conversas estão transcritas no Apêndice C. Os grupos ocorreram em 15 de outubro de 2024, em dois encontros distintos com estudantes do curso de Design da ESPM: o primeiro reuniu quatro alunas do sétimo semestre; o segundo, cinco alunos do quarto semestre.
As discussões revelaram padrões significativos no comportamento dos estudantes, como a preferência por plataformas de
aprendizado mais acessíveis e dinâmicas, entre elas YouTube, Pinterest, Reddit e TikTok, em detrimento do uso de livros teóricos, muitas vezes evitados por razões financeiras ou falta de identificação com formatos tradicionais. Essa escolha evidencia uma busca por formas alternativas de aprendizado, baseadas em experiências visuais, troca de referências e descobertas orgânicas, muitas vezes situadas fora da estrutura formal da sala de aula.
Outros temas recorrentes foram a existência de uma cultura competitiva no ambiente acadêmico, o cansaço gerado pela sobrecarga de entregas, as dificuldades no trabalho em grupo e um sentimento generalizado de ansiedade em relação ao futuro profissional. Os relatos também expuseram lacunas na formação prática
para uma atuação autônoma: precificação, gestão de tempo, organização de projetos e tomada de decisão aparecem como pontos frágeis da formação atual. Muitos estudantes relataram insegurança ao falar sobre suas competências, além de uma dificuldade em se posicionar profissionalmente e compreender de forma integrada o papel do design.
Ao mesmo tempo, ficou clara a valorização da autonomia criativa e o desejo por uma formação mais equilibrada entre prática e reflexão, entre técnica e pensamento crítico.
A ausência de uma visão mais profunda e articulada sobre o que é design, e sobre como o curso se posiciona frente a essa complexidade, foi apontada como um fator que contribui para a sensação de fragmentação. A formação atual, ainda que
rica em experiências, foi percebida como excessivamente orientada às demandas do mercado, em detrimento da construção de uma base conceitual sólida.
Esse conjunto de insights reforça a pertinência da Maré como uma proposta de ambiente formativo que atua na interseção entre prática e reflexão, técnica e repertório, criando espaços seguros para experimentação, desenvolvimento de autonomia e fortalecimento do senso crítico. A Maré nasce como resposta a essas lacunas, propondo experiências de aprendizado mais conectadas ao cotidiano dos estudantes, à realidade do design brasileiro e às potências formativas que emergem da colaboração, da diversidade e da vivência coletiva.
Gisela Schulzinger
Gisela é uma profissional com trajetória híbrida entre o universo dos negócios e a criação. Sua formação e atuação transitam entre o marketing, o branding e o design, articulando pensamento estratégico com sensibilidade criativa. Iniciou sua carreira no campo da pós-graduação e, desde 2009, leciona na graduação em Design da ESPM. Com o tempo, passou a ser convidada para palestras e atividades fora do ambiente acadêmico, o que fortaleceu seu vínculo com o ensino e expandiu sua atuação. Atualmente, Gisela integra o NDE (Núcleo Docente Estruturante) e participa ativamente da construção pedagógica do curso, com foco na formação de um egresso crítico e conectado às demandas reais do mercado.
A fala de Gisela revela uma visão profunda e realista sobre os desafios do ensino em design, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Ela destaca as diferenças significativas entre esses dois níveis, sobretudo em relação à profundidade, tempo de dedicação e perfil dos alunos. Enquanto a pós é marcada por objetividade e foco, a graduação se apresenta como um percurso, repleto de viradas e descobertas. No entanto, ela aponta um grande desafio: o descompasso entre as expectativas dos alunos e o ritmo real do processo de aprendizagem. A impaciência, a ansiedade e o imediatismo impactam negativamente o engajamento, que já é desafiado pelas limitações das metodologias expositivas. Para ela, o ponto de virada está em apostar na co-responsabilidade entre docentes
e discentes, na clareza de propósito e na construção de vínculos, elementos que favorecem experiências mais conectadas, engajadas e transformadoras.
As reflexões de Gisela trazem contribuições preciosas para o projeto Maré. Em especial, reforçam a importância de criar percursos formativos que articulem clareza de proposta, envolvimento emocional e vínculo entre participantes. Um dos pontos mais relevantes destacados por ela é a existência de uma lacuna entre o fim da graduação e o início de uma atuação profissional mais definida, um período de transição marcado por expectativas altas e inseguranças. Esse intervalo, muitas vezes negligenciado, representa uma oportunidade estratégica para a Maré atuar como ponte, oferecendo
“tem um período que é um novo aprendizado que não é na faculdade. não é que a faculdade não ensinou, é que não é lá que aprende mesmo.”
informações que ajudem a transformar esse “vácuo” em terreno fértil de descoberta e direcionamento. A ideia de calibrar expectativas, promover momentos de encontro e experimentar formatos mais relacionais e sensoriais aponta caminhos possíveis para um modelo educacional mais vivo e significativo. A Maré pode se beneficiar dessa escuta ativa ao propor experiências que acolham a diversidade de ritmos e desejos dos aprendizes, valorizando a coautoria e a construção conjunta do saber. Mais do que ensinar conteúdos, trata-se de criar contextos onde o design é vivido como travessia, descoberta e potência de transformação.
Guilherme Umeda
Guilherme Mirage Umeda é formado pela USP e ESPM em comunicação e administração. Atualmente professor no curso de Design da ESPM, sua trajetória com o ensino começou quase por acaso. Foi convidado para dar aulas de marketing, e, com o tempo, foi se aproximando cada vez mais do curso até fazer dele sua principal área de atuação. Além das disciplinas de marketing, passou a lecionar também semiótica, o que intensificou seu interesse pelo design como exercício de linguagem. Gui destaca que sua formação se deu muito por meio da comunidade acadêmica, de oficinas realizadas no campus e também por caminhos autodidatas, em um processo de aprendizado contínuo e não linear.
Em sua fala, Gui ressalta que os desafios do ensino vão muito além da sala de aula. A vida institucional, os compromissos administrativos e a sobrecarga de agenda dificultam tanto o acesso aos espaços criativos quanto o aprofundamento nas práticas pedagógicas.
Ainda assim, acredita que manter os alunos interessados faz parte do papel de quem escolheu ensinar. Em um cenário repleto de distrações e baixa atenção, o professor precisa reconhecer que a construção da relação com os estudantes é central no processo educativo. Para ele, ambientes de aprendizagem devem abrir espaço para o erro, a tentativa e a experimentação, pois é nesse movimento que se encontram profundidade e autonomia.
Além disso, destaca que uma formação voltada apenas para demandas técnicas do mercado de entrada compromete a capacidade de pensamento crítico e desenvolvimento futuro dos designers. As contribuições de Gui oferecem direcionamentos importantes para o projeto Maré. A valorização da comunidade como eixo formativo, o incentivo à autonomia e a abertura ao erro como parte legítima do processo de aprendizagem são princípios que reforçam a proposta da plataforma.
“a essência da educação está na relação. a pessoa que se forma de forma excessivamente técnica vai ter mais dificuldade de crescer dali pra frente.”
Ao compreender que não há garantias nem fórmulas prontas na educação, a Maré pode cultivar experiências baseadas na relação, na escuta e na adaptação. Gui também aponta para um cuidado necessário com o tipo de formação oferecida: é preciso preparar profissionais que não apenas operem ferramentas, mas que saibam pensar, articular ideias e criar mesmo em contextos adversos. Isso implica em desenhar percursos que combinem repertório, liberdade e rigor, promovendo um aprendizado mais profundo, situado e transformador.
Rodrigo Lins
Platô Estúdio
Rodrigo Lins é um dos fundadores do Platô, estúdio e espaço independente localizado em São Paulo, criado para ser um ponto de encontro entre profissionais do design e áreas criativas. Inicialmente pensado como um estúdio colaborativo, o Platô evoluiu para a oferta de cursos, oficinas e eventos, preservando uma filosofia baseada no ensino prático, na troca entre pares e em uma curadoria criteriosa de educadores. A proposta valoriza uma abordagem artesanal e relacional da aprendizagem, oferecendo experiências formativas nas áreas de design, tipografia, ilustração e gestão criativa. Na entrevista, Rodrigo compartilhou que a ideia de iniciar os cursos surgiu de maneira espontânea: “começamos convidando amigos para dar aulas experimentais, e
vimos que havia um espaço real para isso”. A resposta positiva do público impulsionou o desenvolvimento de uma programação contínua. Apesar da adaptação parcial ao online durante a pandemia, o estúdio manteve o foco nas experiências presenciais, priorizando cursos que realmente se justificassem fisicamente.
Entre os principais diferenciais do Platô, destacam-se o limite reduzido de participantes por turma — “preferimos cursos pequenos, de no máximo 20 pessoas, para garantir a atenção e a troca” — e o cuidado em estabelecer relações horizontais entre professores e estudantes. Além disso, Rodrigo enfatizou a importância da criação de eventos colaborativos, como o
Platô Tipus e o Platô Tarô, que fortalecem uma comunidade ativa e conectada entre designers, ilustradores e arquitetos. O Platô também se diferencia por operar em um espaço físico próprio, característica pouco comum entre os projetos analisados, o que possibilita uma relação direta entre o ambiente, a marca e a experiência educacional.
A entrevista com Rodrigo Lins foi especialmente relevante para a definição da proposta da Maré, pois evidenciou a importância de ambientes formativos que conciliam autonomia, troca entre pares e articulação entre prática e reflexão. O relato sobre a construção orgânica do Platô, centrada em escuta ativa e na experimen-
“a gente precisa criar redes, não adianta ficar só no discurso. criar ambientes de criação sem um cliente. eu acho que esse, pelo menos do nosso lado, é o que a gente mais gosta de fazer”
tação como método, reforça o potencial de modelos alternativos de ensino em design, fora do eixo institucional tradicional. Ao valorizar o vínculo entre educadores e participantes, a criação coletiva de repertório e a abertura para conteúdos ainda não institucionalizados, Rodrigo oferece subsídios concretos para o desenho da Maré como um espaço de formação sensível às demandas contemporâneas do campo, conectado com a realidade profissional e comprometido com processos de aprendizado mais colaborativos, afetivos e situados.
Rodrigo Saiani
Plau
Rodrigo Saiani é fundador da Plau, estúdio de design especializado em branding e tipografia. Reconhecida nacional e internacionalmente, a Plau desenvolve fontes tipográficas, sistemas de identidade visual e projetos autorais que integram técnica, expressão e cultura visual. Em paralelo à atuação profissional no mercado, a Plau construiu um ecossistema educacional robusto, composto por iniciativas como o curso Brandcooker, a publicação digital Entrelinha e a frente Plau Ensino.
Na entrevista, Rodrigo explicou que a educação sempre foi um pilar central da Plau, nascida do desejo genuíno de compartilhar conhecimento e ampliar o interesse pela tipografia no país. “Queríamos inspirar
as pessoas a se apaixonarem pela tipografia tanto quanto nós”, afirmou. A estratégia educacional da Plau contempla múltiplos formatos e níveis de aprofundamento, combinando cursos próprios, publicações gratuitas e formações em plataformas como a Domestika. Rodrigo destacou ainda a adoção consciente da estratégia de long tail: uma estrutura que equilibra a oferta de produtos de alto valor agregado com uma diversidade de conteúdos acessíveis, ampliando a abrangência da marca e atraindo diferentes perfis de público. A construção da comunidade também foi apontada como um dos pilares do projeto, exemplificada pelo Brandcooker, que vai além de um curso e se configura como um espaço contínuo de troca, desenvolvi-
mento e networking. A forte presença nas redes sociais, o cuidado na curadoria dos educadores e a coerência entre o conteúdo e a identidade visual do estúdio, com destaque para o uso das próprias tipografias da Plau, consolidam a marca como uma das principais referências no ensino de design de letras no Brasil. Além de sua atuação educativa, Rodrigo reforçou que esse investimento estratégico também fortaleceu a autoridade da marca no mercado e contribuiu para democratizar o acesso à cultura tipográfica no país.
Posteriormente, destaca-se como a troca de experiências ocorreu de forma genuinamente mútua. No perfil da Plau no Instagram, Saiani aproveitou a oportuni-
“a gente tenta trazer esse assunto para o dia a dia para que as pessoas se sintam interessadas e querendo entender.”
dade para compartilhar suas próprias reflexões obtidas durante a entrevista, sobre tipografia, ensino, processos criativos e a importância da construção de uma comunidade em torno do design. Ao transformar a participação em um momento de diálogo aberto com seu público, Saiani não apenas ampliou o alcance da iniciativa, mas também reforçou o papel do design como uma prática colaborativa e relacional. Isso demonstra como as ações educativas podem ultrapassar os limites do espaço institucional, ganhando vida nas redes sociais como ferramentas de troca, inspiração e fortalecimento de vínculos profissionais e afetivos dentro da área.
Henrique Nardi
Tipocracia
Henrique Nardi é designer gráfico, professor e fundador do projeto Tipocracia, criado em 2003 com o objetivo de disseminar a cultura tipográfica no Brasil. Através de workshops itinerantes, palestras e doações de livros para universidades públicas, o projeto atua na formação de uma comunidade tipográfica nacional e na valorização do ensino da tipografia de base.
Na entrevista, Henrique relatou que o Tipocracia começou como um curso introdutório e, com o tempo, tornou-se um projeto de alcance nacional. “Era sobre plantar sementes de tipografia pelo Brasil”, explicou. A proposta ganhou força a partir da mobilização de redes locais e da participação em eventos como o Encontro Nacional dos
Estudantes de Design (ENED), consolidando-se como um projeto descentralizado, democrático e acessível. Um dos grandes trunfos do Tipocracia é sua capacidade de articular formação técnica com ativação cultural, fomentando não apenas o domínio da tipografia, mas também a autonomia criativa e crítica dos participantes. O caráter itinerante e a prática da doação de acervos para bibliotecas públicas posicionam o Tipocracia como um projeto de impacto social e educacional profundo.
Com uma metodologia flexível, moldada pelas necessidades de cada público e contexto, o Tipocracia nunca seguiu uma estrutura pedagógica rígida. Em vez disso, sua atuação foi pautada pela democra-
tização do conhecimento e pela escuta ativa dos participantes. Henrique adaptava cada oficina de acordo com o ambiente, o nível dos participantes e os interesses locais, construindo uma abordagem educativa viva, responsiva e situada. Sem depender de uma grande estrutura operacional, ele viajava com livros doados por editoras, que eram deixados como acervo em bibliotecas públicas por onde passava.
A entrevista com Henrique Nardi contribuiu de forma significativa para a definição da proposta da Maré ao evidenciar como é possível estruturar um projeto educacional relevante mesmo sem grandes recursos, desde que haja propósito, escuta e conexão genuína com as pessoas. Sua trajetória
“o que a gente gostaria de ter aprendido na graduação virou base do que a gente começou a ensinar. era uma coisa de espalhar a sementinha dos livros pelas instituições de ensino.”
inspira a Maré a cultivar uma abordagem descentralizada, acessível e sensível aos contextos locais, reforçando o valor de experiências presenciais, do contato direto com diferentes realidades e da construção de redes de troca. A prática de adaptar conteúdos às demandas dos participantes, somada à valorização da autoria e à mobilização de uma comunidade em torno de um tema específico, reafirma a importância de uma educação em design que ultrapasse os muros institucionais e atue como ferramenta de transformação cultural e social.
Cláudia Lima
Mesa School
Cláudia de Castro Lima é integrante da equipe fundadora da Mesa School, braço educacional da Mesa Company, organização brasileira voltada à resolução colaborativa de problemas complexos através de sua metodologia própria: o método Mesa. A proposta da escola é ensinar esse processo a partir de experiências práticas, intensivas e centradas no trabalho em equipe.
Na entrevista, Cláudia detalhou como o método é estruturado em cinco dias intensivos, com foco em brainstorm, prototipação e entrega de soluções concretas.
“O método é agnóstico: ele pode ser aplicado para qualquer problema, seja na Melissa criando uma linha de sneakers, ou em startups de tecnologia”, pontuou.
A abordagem prática da Mesa School se afasta do modelo tradicional de ensino, valorizando o fazer como principal mecanismo de aprendizagem. A escola aposta em produtos educacionais como o Mesescu — um guia para condução autônoma de projetos — e formações corporativas presenciais. Embora possua menor presença nas redes sociais em comparação a outros projetos entrevistados, a Mesa adota uma comunicação visual minimalista e limpa, reforçando o foco no conteúdo e na aplicabilidade do método. O projeto se destaca por integrar inovação metodológica com escalabilidade de impacto, funcionando como referência em educação aplicada a contextos empresariais e criativos.
A entrevista com Cláudia contribuiu diretamente para a estruturação da Maré ao destacar a importância do ambiente como parte essencial da experiência formativa. Ao relatar como detalhes como cadeiras confortáveis, ausência de celulares e atenção aos rituais impactam o rendimento e o engajamento dos participantes, Cláudia evidencia que o espaço de aprendizagem vai além do conteúdo: ele precisa ser cuidadosamente escolhido para acolher, estimular e facilitar a troca. Essa visão reforça a proposta da Maré de criar experiências imersivas em espaços físicos preparados para promover presença, conforto e conexão — elementos que favorecem o pensamento coletivo , o aprendizado relevante e a criação com sentido.
“o ambiente importa. a experiência é feita dos pequenos detalhes: o lugar, a cadeira, a caneta. tudo afeta a forma como a gente aprende e cria.”
Outro ponto relevante é a ênfase no fazer como ferramenta de pensamento. A Mesa se apoia na prototipação como meio de tomada de decisão e validação de ideias, destacando que “ideação é só 10% do processo, o resto é construção coletiva”. Essa perspectiva sustenta a proposta da Maré de integrar teoria e prática de forma fluida, onde o aprendizado emerge do processo e não apenas do conteúdo. A materialização das ideias, os rituais de trabalho e a atenção aos detalhes da experiência revelam uma abordagem que compreende a aprendizagem como algo sensível, situado e colaborativo — pilares também presentes na concepção da Maré como ecossistema de ensino em design.
Daniel Padilha
The Ugly Lab
Daniel Padilha é designer, estrategista e fundador do The Ugly Lab, laboratório de criatividade que desenvolve ferramentas práticas para o ensino de branding, estratégia e design. A proposta central do projeto é o conceito “learn by doing”, oferecendo produtos físicos, cursos e experiências imersivas que estimulam o aprendizado ativo e a autonomia do participante.
Durante a entrevista, Daniel compartilhou que o laboratório nasceu da vontade de tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico, criativo e aplicável. “Eu queria que as pessoas aprendessem fazendo, experimentando, criando suas próprias soluções”, afirmou. O Ugly Lab se diferencia
por oferecer produtos que funcionam como ferramentas criativas, como cards, kits e guias, em vez de depender exclusivamente de cursos tradicionais. O projeto também integra uma comunidade ativa em torno de seus temas e aposta fortemente em conteúdos visuais bem estruturados, com uma identidade jovem, descolada e coerente com sua proposta de experimentação e principalmente a quebra de padrões com disrupção. A segmentação de públicos e o foco no design como prática viva posicionam o The Ugly Lab como uma alternativa inovadora e lúdica dentro do campo educacional criativo, focando em um nicho que, conforme ele destaca, era pouco explorado no Brasil até até então.
A entrevista com Daniel Padilha foi essencial para fortalecer a visão da Maré como um projeto que une educação, design e experimentação prática. Ao enfatizar que o aprendizado acontece no fazer, Daniel confirma a relevância de criar experiências que convoquem o participante a agir, testar, errar e refinar. A proposta do Ugly Lab de oferecer ferramentas físicas como disparadores criativos, em vez de apenas conteúdos expositivos, inspirou diretamente a criação dos objetos editoriais e kits simbólicos pensados na Maré. Essa abordagem contribui para a construção de um ecossistema em que os materiais não apenas transmitem conhecimento, mas provocam ação e ampliam repertórios.
“o ambiente importa. a experiência é feita dos pequenos detalhes: o lugar, a cadeira, a caneta. tudo afeta a forma como a gente aprende e cria.”
Além disso, a fala de Daniel destacou a importância de cultivar comunidades ativas ao redor do aprendizado, algo que também orienta as decisões da Maré. A escolha por uma linguagem acessível, visualmente estimulante e centrada na prática cotidiana do design reforça a ideia de que a educação não precisa ser engessada para ser profunda. Essa combinação entre leveza, clareza e aplicabilidade ajudou a refinar o posicionamento da Maré como um espaço de aprendizado contínuo, onde o estudante tem papel de autor, e não apenas de receptor.
Carolina Sá
LAJE
Carolina Sá é responsável pela LAJE, plataforma educacional em branding e inovação do Estúdio Ana Couto. A LAJE atua como uma extensão da agência, oferecendo cursos, imersões e conteúdos gratuitos voltados à prática do branding no contexto real do mercado, com uma proposta formativa premium.
Na entrevista, Carolina destacou que a missão da LAJE é ensinar o branding como ele é vivido no cotidiano do estúdio, partindo de casos reais e desafios estratégicos. “Não ensinamos só teoria — é sobre aplicar o branding como ele acontece na prática”, comentou. A LAJE trabalha com um modelo de assinatura (membership), que favorece a fidelização dos alunos e a criação de
uma comunidade em torno da marca. A experiência oferecida é cuidadosamente desenhada, unindo know-how de mercado, conteúdos exclusivos e uma identidade visual impactante e sofisticada — baseada em contrastes gráficos, tipografias expressivas e recursos visuais alinhados à estética da Ana Couto. As estratégias de comunicação incluem forte presença nas redes sociais e a oferta de experiências abertas ao público, o que amplia o alcance da plataforma e reforça seu posicionamento como referência em branding no Brasil. A LAJE se diferencia por integrar excelência técnica com comunicação de alto impacto, traduzindo a linguagem das marcas em experiências formativas relevantes e desejáveis.
A entrevista com Carolina Sá foi essencial para consolidar decisões estratégicas da Maré no que diz respeito à combinação entre comunidade e continuidade. Ao compartilhar a lógica de recorrência adotada na LAJE, com um portfólio que acompanha o crescimento dos alunos ao longo do tempo, Carolina reforçou a importância de criar um ecossistema educacional que vá além de cursos pontuais. A ideia de manter o vínculo com o público por meio de produtos complementares e encontros periódicos ajudou a fundamentar a proposta da Maré como um estúdio de formação cíclica, capaz de acompanhar diferentes estágios da trajetória de quem aprende, levando em consideração até mesmo os seus diferentes contextos.
“a gente está ao lado dessa pessoa conforme ela vai crescendo. eu acho importante porque conecta. é importante porque humaniza.”
Além disso, a fala de Carolina evidenciou a potência do design enquanto diferencial competitivo na construção de experiências educacionais. Ao destacar a importância do posicionamento visual da LAJE e sua coerência com os valores da Ana Couto, ela ressaltou o papel do design não apenas como conteúdo a ser ensinado, mas como linguagem que molda a percepção da qualidade e do valor da experiência. Essa abordagem inspirou a Maré a tratar a comunicação como parte do próprio processo pedagógico, traduzindo seus princípios em formatos, formas e símbolos que expressem, de maneira viva, sua proposta de valor.
intersecções e aprendizados das entrevistas
A análise entre grupos focais com alunos, entrevistas com professores e profissionais da área evidenciou convergências significativas em torno de valores, lacunas e direções desejadas para o futuro da educação em design. Um dos principais pontos de intersecção é a necessidade de complemento aos modelos tradicionais de ensino, percebidos como distantes da realidade do mercado, pouco conectados à prática e à diversidade de perfis dos estudantes. Essa insatisfação aparece tanto no discurso dos alunos, que relatam experiências engessadas e desmotivadoras, quanto nas falas de professores e profissionais, que reconhecem a urgência de reconfigurar métodos e formatos.
Outro eixo recorrente diz respeito à importância da aprendizagem ativa e situada. Há consenso sobre a potência do "fazer" como mediador do conhecimento, seja em oficinas, projetos reais ou experiências imersivas, como uma estratégia capaz
de gerar autonomia, repertório e apropriação crítica. Alunos manifestaram desejo por experiências que extrapolam a sala de aula, enquanto profissionais destacaram a relevância de vivências que se aproximem das dinâmicas do mercado. Professores, por sua vez, apontaram os limites institucionais para a implementação dessas práticas, mas também o esforço em construir pontes possíveis.
A dimensão relacional também se destacou como elemento transversal. A construção de redes, comunidades e espaços de troca aparece como valor central para todos os grupos. Os alunos demonstraram interesse por ambientes horizontalizados e acolhedores; os professores, por práticas colaborativas entre docentes e discentes; e os profissionais, por ecossistemas de aprendizagem que ultrapassem a lógica do conteúdo e valorizem o vínculo entre pessoas, projetos e propósitos.
Por fim, as entrevistas apontaram um deslocamento do foco exclusivo em competências técnicas para uma formação mais integrada, que considere aspectos subjetivos, sociais e culturais. Essa visão ampliada da formação em design, embora ainda em processo de consolidação nas instituições, já orienta as práticas de algumas escolas independentes e projetos inovadores, sugerindo caminhos para modelos mais responsivos às complexidades contemporâneas da área.
Sendo assim, conclui-se que análise das entrevistas permitiu a identificação de diretrizes recorrentes que informam o desenvolvimento da proposta da Maré como estúdio de aprendizagem em design. As falas de professores, estudantes e profissionais da área evidenciaram a recorrência de três eixos centrais: a valorização da prática como mediadora do processo de ensino-aprendizagem, o papel da comunidade como espaço de troca e construção coletiva, e a dimensão cultural como componente estruturante da formação em design.
A recorrência desses elementos nas diferentes fontes consultadas sustenta a formulação de uma proposta educativa que prioriza a integração entre teoria e prática, o fortalecimento de redes colaborativas e a contextualização das experiências formativas. Essas diretrizes foram incorporadas às etapas seguintes do projeto, orientando decisões relacionadas à estrutura metodológica, aos formatos de atuação e ao posicionamento do negócio no campo da educação em design.
desenvolvimento do ecossistema de aprendizado em design
A partir dos dados obtidos nas pesquisas quantitativas e qualitativas, foi possível mapear as principais formas de formação no campo do design e identificar padrões entre os relatos de estudantes e profissionais. Esse mapeamento deu origem ao que chamamos neste projeto de ecossistema de aprendizado em design, estruturado em quatro grandes núcleos: educação formal, formação complementar, aprendizado individual e aprendizado corporativo.
Cada um desses núcleos apresenta características e contribuições específicas, compondo um panorama diverso e multifacetado da trajetória formativa no campo do design contemporâneo, condizente com diversas trajetórias de aprendizado. A análise desse ecossistema não se limitou à organização tipológica das modalidades, mas também buscou identificar tensões, entregas e lacunas recorrentes, com o intuito de propor caminhos mais responsivos para o futuro da educação em design.
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Figura 26 – Ecossistema de Aprendizado em Design
ecossistema de aprendizado em design + maré
Com base na leitura crítica do ecossistema e nos achados da dinâmica de ideação, a Maré se posiciona como um agente integrador e complementar às formas de aprendizado já existentes. Sua proposta se conecta às esferas do ensino formal, da formação complementar e da prática profissional de forma orgânica, fluída e colaborativa.
Ao articular repertório técnico, experiências práticas, produção cultural e contato direto com o mercado, a Maré se estabelece como um espaço de aprendizagem híbrido e vivo, capaz de gerar valor para estudantes em formação, profissionais em transição e instituições parceiras.
Em vez de competir com as modalidades atuais, a Maré atua em sinergia com elas, preenchendo lacunas, potencializando entregas e reconfigurando a experiência de aprender design no Brasil, com foco em inclusão, comunidade e transformação.
27 – Ecossistema de Aprendizado em Design + Maré Fonte: Elaboração própria, 2025.
Figura
dinâmica de ideação
Para chegar a esse resultado, foi necessário compreender com maior profundidade as entregas, falhas e oportunidades dentro do ecossistema de aprendizado em design. Para alcançar esse objetivo, foi realizada uma dinâmica de ideação com base em escutas da pesquisa qualitativa. A partir de frases extraídas de entrevistas e questionários, os dados foram organizados em um mapeamento visual participativo com uso de post-its categorizados por cor: verde para entregas percebidas, amarelo para entregas parciais e vermelho para falhas evidentes. Cada post-it foi alocado dentro de um dos quatro núcleos do ecossistema, permitindo a visualização de padrões e tensões como insegurança prática, falta de acompanhamento, ausência de experiências reais e carência de oportunidades fora dos grandes centros.
A atividade foi inspirada em abordagens do Design Centrado no Usuário, especialmente nos métodos disponibilizados pelo Design Kit (IDEO.ORG, 2024), que propõem ferramentas práticas para estruturar processos participativos com foco nas necessidades reais dos usuários, evidenciando lacunas que podem ser exploradas por soluções educacionais mais integradoras, como é o caso da Maré. A dinâmica também funcionou como uma ferramenta de cocriação de valor, permitindo que os próprios aprendizes participassem ativamente da construção da solução proposta.
28 – Dinâmica de ideação Fonte: Elaboração própria, 2025.
Figura
Essa seção tem como objetivo apresentar a análise estratégica do contexto em que a Maré está inserida, considerando tanto fatores externos amplos quanto elementos internos e próximos ao seu campo de atuação. A compreensão desses ambientes é essencial para fundamentar as decisões do projeto, identificar oportunidades e antecipar riscos em um cenário dinâmico e competitivo. A abordagem está dividida em duas partes principais: o macroambiente, explorado por meio da metodologia PESTEL, e o microambiente, que examina o setor, os públicos, os concorrentes, os canais de distribuição e os stakeholders envolvidos. Ao reunir essas análises, busca-se construir uma visão holística que sustente a proposta da Maré como uma iniciativa educativa inovadora, enraizada na realidade e com potencial de impacto sustentável.
ambientes do marketing
análise pestel
Inserida em um cenário de intensas transformações e incertezas, a Maré precisa estar atenta aos fatores externos que podem impactar sua construção e consolidação no mercado. Em um contexto de rápidas mudanças econômicas, sociais, tecnológicas e ambientais, a análise estratégica torna-se essencial para garantir a adaptação contínua e a sustentabilidade do projeto.
Para isso, foi realizada uma avaliação utilizando a metodologia PESTEL, reconhecida por permitir a identificação de tendências, riscos e oportunidades que influenciam o desenvolvimento de negócios inovadores. Criada por Francis Aguilar em 1967 (MARTINS, 2021), a análise PESTEL é amplamente aplicada para proporcionar uma visão abrangente dos ambientes de atuação, apoiando a tomada de decisões estratégicas. Neste estudo, foram considerados os seis fatores centrais que compõem a sigla — político, econômico, social, tecnológico, ambiental e legal — com o objetivo de antecipar cenários e fortalecer a atuação da Maré de forma proativa, crítica e conectada com as dinâmicas contemporâneas.
Político
- Política Brasil Criativo (2024): cultura e educação como motores de desenvolvimento.
- Formação profissional: qualificação de trabalhadores da cultura e economia criativa.
- Fortalecimento institucional: apoio à estrutura e continuidade de iniciativas do setor.
- Inclusão e acesso: capacitação de grupos diversos com foco no protagonismo social.
- Empreendedorismo e inovação: estímulo a projetos criativos com impacto social.
- Regulação de cursos: novas regras para cursos livres e certificações.
- Riscos políticos: instabilidade pode afetar investimentos e consumo.
Econômico
- PIB global deve crescer 3,2% em 2024, com leve queda prevista nos anos seguintes.
- Inflação alta no Brasil pressiona consumo e afeta demanda por educação.
- Economia criativa emprega 7,4 mi e pode chegar a 8,4 mi até 2030.
- Setor criativo é estratégico para o desenvolvimento do país.
- Instabilidade econômica pode reduzir o poder de compra do público.
- Cresce a demanda por cursos acessíveis e alternativos.
- Oscilações cambiais elevam custos com serviços internacionais.
Figura 29 – Análise PESTEL
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Tecnológico
- Em 2023, 92,5% dos lares brasileiros tinham acesso à internet.
- Brasil é o segundo país com maior tempo de tela.
- Aumentam debates sobre equilíbrio entre vida online e offline.
- Consumidores valorizam experiências personalizadas e emocionais.
- Tecnologias educacionais avançam com formatos híbridos e interativos.
- Acompanhar tendências digitais se torna essencial.
- Automação e IA ganham espaço em suporte e atendimento.
- Plataformas digitais exigem infraestrutura e manutenção constantes.
Ambiental
- Alinhamento com a Agenda 2030 e os ODS da ONU.
- ODS 4: foco em educação inclusiva, acessível e prática.
- ODS 8: incentivo ao trabalho digno e qualificação profissional.
- Alta demanda por soluções e embalagens sustentáveis.
- Cresce o interesse por marcas com práticas ecológicas.
- Consumo consciente guia escolhas de materiais e fornecedores.
- Digitalização reduz a pegada de carbono.
- Casos de ansiedade em jovens superam os de adultos no Brasil.
- Pressões do mercado afetam a saúde mental de jovens e recém-formados.
- Uberização do trabalho criativo gera sobrecarga e instabilidade.
- Autonomia fortalece a autoconfiança e o bem-estar emocional.
- Educação prática e contínua ganha destaque.
- Interesse por trabalho remoto e carreiras flexíveis cresce.
- Aumenta a busca por conteúdos estratégicos além de cursos técnicos.
- Diversidade e inclusão fortalecem comunidades criativas.
Sociocultural Legal
- Lei 9.394/96 define formação inicial, técnica e tecnológica.
- Cursos livres não exigem escolaridade nem carga horária mínima.
- Instituições têm autonomia sobre conteúdo e certificação.
- Certificados de cursos livres seguem regras específicas.
- Direitos autorais impactam conteúdos educacionais e digitais.
- LGPD regula o uso de dados de alunos e clientes.
- Contratação de mentores e colaboradores segue legislação trabalhista.
fatores políticos
O contexto político brasileiro vem demonstrando maior atenção à economia criativa e à educação como pilares estratégicos para o desenvolvimento sustentável. A promulgação da Política Nacional de Economia Criativa — Brasil Criativo, em 2024, sinaliza uma tentativa do governo de reconhecer e estruturar o setor como parte da política de desenvolvimento cultural e econômico. Segundo o Ministério da Cultura (2024), a proposta busca “envolver para desenvolver com sustentabilidade e emancipação”, incentivando a formação de profissionais, o fortalecimento institucional e o acesso à cultura.
Para a Maré, esse cenário é potencialmente favorável, pois institucionaliza parte dos princípios que orientam o projeto. No entanto, o ambiente político nacional é historicamente instável, com mudanças abruptas de diretrizes que podem afetar o apoio a iniciativas de educação complementar. Por isso, será fundamental manter uma postura de monitoramento constante das regulamentações relacionadas a cursos livres, certificações independentes e incentivos à inovação cultural e educacional, garantindo flexibilidade estratégica diante de possíveis mudanças de cenário.
fatores econômicos
O panorama econômico nacional e global permanece instável. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento global moderado de 3,2% até 2025, com tendência de desaceleração nos anos seguintes. No Brasil, o Boletim Focus do Banco Central indica pressões inflacionárias e elevação nas taxas de juros, o que compromete o consumo em setores como a educação continuada. Esse cenário exige que a Maré reforce a percepção de valor de suas ofertas, posicionando seus cursos como investimentos estratégicos para a qualificação profissional em contextos adversos. Por outro lado, a economia criativa no Brasil segue em expansão. Segundo o Observatório Nacional da Indústria (FERNANDES, 2023), ela emprega mais de 7,4 milhões de pessoas e deve chegar a 8,4 milhões até 2030. O crescimento, porém, vem acompanhado da informalidade e da precarização, como aponta levantamento do Nexo Jornal (LEITE, 2024). Isso reforça a importância de capacitações acessíveis e alinhadas à realidade de autônomos, freelancers e pequenos empreendedores — público diretamente conectado à proposta da Maré.
A economia criativa brasileira, por sua vez, tem se consolidado como um dos pilares de crescimento do país. Segundo o Observatório Itaú Cultural (2024), o setor emprega hoje 7,8 milhões de pessoas, o maior número já registrado desde o início da série histórica. Entre 2022 e 2023, o número de empregos
Figura 30 — Evolução do número de empregos na economia criativa (2020–2023).
Fonte: Observatório Itaú Cultural Ministério da Cultura, 2024.
cresceu 4%, o dobro da média nacional no mesmo período — demonstrando a resiliência do setor mesmo diante de instabilidades macroeconômicas.
Em apenas um ano, o número de profissionais especializados na área aumentou 29%, e o de designers atuando em funções transversais teve um crescimento ainda mais expressivo: 57%. Esses dados evidenciam a urgência por formações mais práticas, integradas e alinhadas às transformações do mercado, como a proposta educativa da Maré.
fatores sociais
O público-alvo da Maré é composto majoritariamente por jovens de 18 a 26 anos, que estão em fase de transição entre a formação acadêmica e a inserção no mercado de trabalho. Esse grupo enfrenta desafios significativos relacionados à saúde mental e à estabilidade profissional. Segundo pesquisa da Ipsos de 2024, 65% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos relatam sofrer de ansiedade, sendo a faixa etária mais afetada no país. Além disso, dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) indicam que, em 2023, a taxa de adolescentes atendidos por transtornos de ansiedade atingiu 157 a cada 100 mil, superando pela primeira vez os índices observados entre adultos
No âmbito profissional, embora haja uma redução na taxa de desemprego entre jovens de 14 a 24 anos — que caiu de 25,2% para 14,3% entre 2019 e 2024 — persistem desafios relacionados à qualidade das ocupações (Agência Brasil, 2024). Cerca de 38,5% dos jovens adultos ocupados estão na informalidade, e 67,1% recebem salários abaixo da média nacional (Agência Brasil, 2024). Essa precarização do trabalho, principalmente quando feito o recorte no trabalho criativo, é abordada por Silvio Lorusso (2020) em sua obra Emprecariado, na qual o autor argumenta que as soluções para esses problemas não podem ser individuais, mas sim coletivas, exigindo a construção de redes de apoio e de colaboração entre profissionais criativos. Segundo o autor, a individualização das respons-
abilidades apenas intensifica o esgotamento e o isolamento em um sistema que se sustenta por meio da flexibilidade e da autoexploração.
Nesse contexto, a Maré propõe-se como um estúdio de aprendizagem que vai além da formação técnica, oferecendo um espaço de desenvolvimento profissional, fortalecimento de vínculos e estímulo à construção de trajetórias com propósito e impacto no campo do design. Por meio de experiências práticas, construção de repertório cultural e formação de comunidades colaborativas, a Maré busca apoiar os jovens em sua formação integral, preparando-os para enfrentar um mercado de trabalho desafiador em um contexto complexo.
Vale destacar também que, em nível global, a criatividade também ocupa um lugar central nas competências mais valorizadas. De acordo com o relatório Future of Jobs (2023), publicado pelo World Economic Forum, a criatividade figura em primeiro lugar entre as habilidades de crescimento mais rápido, superando pensamento analítico e alfabetização digital.
Contudo, os dados educacionais no Brasil ainda indicam desafios. Segundo a OCDE (2024), os estudantes brasileiros registraram uma média de 23 em 60 pontos em habilidades criativas, situando-se abaixo da média mundial. Isso reforça a necessidade de propostas pedagógicas inovadoras que aproximem repertório cultural, prática de projeto e interdisciplinaridade — valores centrais da Maré.
fatores tecnológicos
Figura 31 — As 10 competências mais demandadas para o futuro do trabalho.
Fonte: World Economic Forum, Future of Jobs Report 2023
O avanço tecnológico acelerado molda de maneira irreversível a sociedade contemporânea e impõe novos desafios e possibilidades para o setor educacional. No Brasil, 92,5% dos domicílios possuem acesso à internet (PNAD, 2023), e o país figura entre aqueles com maior tempo médio diário de uso de telas, segundo a pesquisa Digital 2023: Global Overview Report. Esse alto grau de conectividade representa uma oportunidade estratégica para a Maré, que poderá ampliar seu alcance e diversificar suas formas de divulgação por meio de conteúdos digitais, plataformas híbridas e formatos personalizáveis.
Além disso, 45% dos usuários de internet no país usam a rede para fins educacionais (Cetic.br, 2023). Essa autonomia digital se traduz em uma demanda crescente por experiências de aprendizagem flexíveis, acessíveis e que respeitem o ritmo e os interesses individuais. Para atender a esse novo perfil de aprendizes, será fundamental não apenas adotar tecnologias educacionais, mas também oferecer curadoria, mediação e suporte humanizado.
Ao mesmo tempo, o avanço de tecnologias como inteligência artificial, automação e machine learning traz novos desafios. O Fórum Econômico Mundial (2023) projeta que 44% das habilidades dos profissionais precisarão ser atualizadas até 2027, exigindo uma formação contínua, adaptável e integrada a contextos de transformação digital. A Maré, portanto, precisará equilibrar inovação e humanização, criando ambientes de aprendizagem tecnicamente atualizados, mas centrados nas pessoas.
fatores ambientais
A emergência climática e a necessidade de práticas sustentáveis têm se consolidado como temas centrais na agenda global, especialmente após a adoção da Agenda 2030 da ONU (2015) e seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Dentro desse marco, iniciativas educacionais inovadoras, como a Maré, desempenham um papel importante no avanço de múltiplos objetivos. O ODS 4, que visa assegurar educação de qualidade inclusiva e equitativa, dialoga diretamente com a proposta da Maré de oferecer formação acessível e prática.
O ODS 8, voltado para o trabalho decente e crescimento econômico, encontra consonância no estímulo à qualificação profissional e à geração de renda. O ODS 9, que promove a inovação e o fortalecimento de infraestrutura, é contemplado pela adoção de metodologias e tecnologias educacionais inovadoras. O ODS 10, que busca reduzir desigualdades, é atendido pela proposta de inclusão de públicos historicamente marginalizados. O ODS 12, relacionado ao consumo e produção responsáveis, poderá ser incorporado nas práticas de gestão e nos conteúdos programáticos do curso. Por fim, o ODS 17 incentiva parcerias estratégicas que a Maré buscará estabelecer para fortalecer sua atuação e ampliar seu impacto. Dessa maneira, a preocupação ambiental e social não será apenas transversal ao projeto, mas constituirá um eixo central na sua construção e operação, reforçando seu compromisso com um futuro mais justo, inclusivo e sustentável.
fatores legais
O marco legal para a atuação da Maré se ancora na Lei nº 9.394/96, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB , que autoriza a oferta de cursos livres e formações continuadas de maneira independente, sem necessidade de reconhecimento formal pelo MEC. O artigo 42 da LDB permite que esses cursos sejam acessíveis independentemente da escolaridade prévia, focando na aquisição de competências específicas e adaptáveis ao mercado de trabalho.
Isso representa uma oportunidade para o modelo proposto pela Maré, que poderá desenvolver experiências de aprendizado e emitir certificados válidos com autonomia.
O projeto também se beneficiará de uma estrutura jurídica que permita parcerias com o setor privado e organizações culturais. Ao se posicionar como uma iniciativa educacional independente, a Maré mantém flexibilidade para inovar, ajustar seus produtos e serviços, e responder com agilidade às transformações do mercado, mantendo o foco em impacto social, cultural e profissional.
conclusão análise pestel
Diante do cenário mapeado, a análise PESTEL evidencia que o ambiente de atuação da Maré é ao mesmo tempo desafiador e repleto de oportunidades. O avanço de políticas públicas para a economia criativa, os novos modelos de trabalho e educação, o crescimento da conectividade digital e a valorização de experiências formativas flexíveis criam um terreno fértil para a proposta do estúdio. Por outro lado, fatores como a instabilidade política, a pressão econômica sobre o consumo, as desigualdades sociais e os efeitos colaterais do avanço tecnológico impõem a necessidade de uma atuação crítica, sensível e estrategicamente adaptável. Com base nesses vetores, a Maré se fortalece como uma iniciativa alinhada às demandas do presente e capaz de construir um futuro mais justo, inovador e plural para a educação em design.
introdução microambiente
A análise do microambiente foi fundamental para compreender os fatores internos e os elementos mais próximos que influenciam diretamente o desenvolvimento e a consolidação de iniciativas no setor de aprendizagem em design e áreas criativas. Este estudo permitiu mapear o cenário em que se inserem os concorrentes, os clientes, os fornecedores, os canais de distribuição e demais agentes que participam da dinâmica do mercado.
Ao investigar o microambiente, tornou-se possível identificar oportunidades estratégicas, avaliar riscos e alinhar a oferta de produtos e serviços às necessidades reais do público-alvo. Essa análise também foi essencial para compreender o comportamento dos consumidores, a estrutura competitiva, as redes de parceria e os caminhos mais eficazes para a distribuição das experiências de aprendizagem.
Nesta seção, serão abordados aspectos-chave que compõem o microambiente, incluindo a caracterização do setor de aprendizagem em design, o perfil e as motivações dos clientes, a estrutura de fornecedores e colaboradores, além dos canais de distribuição mais utilizados. A partir dessa investigação, foi possível construir uma base sólida para o desenvolvimento de estratégias alinhadas às tendências e demandas contemporâneas do mercado.
análise do setor
O setor de design no Brasil apresenta sinais de consolidação e crescimento contínuo. Atualmente, o país conta, por exemplo, com 247 cursos apenas no recorte de design gráfico cadastrados no Ministério da Educação (MEC), segundo dados do Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior (CADASTRO E-MEC, 2024). Esse número, que inclui cursos de bacharelado e tecnológico, evidencia o fortalecimento do design como uma área de interesse consolidado na educação superior. Entretanto, o mesmo dado aponta para um desafio crescente: a necessidade de atualização constante e de diferenciação profissional em um campo cada vez mais competitivo.
Esse cenário é reforçado pela evolução no número de profissionais registrados na área. De acordo com levantamento do Observatório Itaú Cultural (2024), o número de designers gráficos no Brasil saltou de 199.654 para 249.999 em poucos anos. Embora o aumento represente uma expansão do mercado, também acirra a concorrência e torna imperativo o investimento em formação contínua e desenvolvimento de novas habilidades para garantir a relevância no setor. Dentro desse panorama, o design se destaca como uma das áreas de maior crescimento.
Paralelamente, observa-se uma transformação significativa no comportamento dos aprendizes. Desde a pandemia, houve
um crescimento notável na busca por formação complementar, especialmente em ambientes digitais. Segundo dados divulgados pela plataforma PORVIR, em 2022 o YouTube já contava com 130 milhões de inscritos em canais de educação (DE OLIVEIRA, 2022), refletindo o desejo crescente por aprendizado contínuo e autodirigido. Guilherme dos Anjos, diretor de negócios para educação no Google Brasil, destaca para a plataforma PORVIR que o interesse por cursos livres pode alcançar cerca de 28 milhões de pessoas, sinalizando um novo perfil de estudante, mais independente e focado na aplicação prática do conhecimento.
Essa tendência de qualificação ágil e prática impulsiona a demanda por cursos livres, oficinas e programas de capacitação voltados para o mercado de trabalho. A busca por alternativas e complementos à formação tradicional não se restringe apenas ao universo online: surgem também formatos híbridos e presenciais, que oferecem experiências mais práticas e imersivas. Esses ambientes favorecem metodologias de ensino mais ativas e baseadas em projetos reais, combinando práticas de co-criação, resolução de problemas complexos e estímulo ao desenvolvimento profissional dos participantes.
O setor de aprendizagem em design, portanto, configura-se como altamente competitivo e multifacetado. Quando
considerado o ambiente online, plataformas internacionais como Domestika, Udemy e Coursera disputam espaço ao lado de iniciativas nacionais consolidadas, como a EBAC, e de uma diversidade crescente de cursos oferecidos por designers independentes. A diferenciação entre essas ofertas passa por critérios como a flexibilidade de acesso (principalmente através de conteúdos assíncronos), a abordagem prática e técnica dos cursos, e a especialização em nichos de mercado específicos.
Observa-se, ainda, que há uma predominância do formato online, com conteúdos adaptados a diferentes rotinas e perfis de aprendizes. Entretanto, a tendência recente de valorização de experiências presenciais, práticas e comunitárias — por meio de laboratórios, oficinas e estúdios de criação — abre novas possibilidades para o setor, respondendo à necessidade de formação não apenas técnica, mas também vivencial e colaborativa. Essa mudança é especialmente evidente entre jovens adultos da Geração Z, que, apesar de serem nativos digitais, demonstram crescente ceticismo em relação ao excesso de conectividade. De acordo com pesquisa da McCrindle Research, 86% dos jovens adultos estão reduzindo o uso de redes sociais, e 67% reconhecem os impactos negativos dessas plataformas em sua saúde mental, indicando uma busca por conexões humanas mais autênticas e experiências presenciais significativas (ADELAIDENOW, 2024).
Além disso, estudos indicam que experiências de aprendizagem presenciais podem oferecer benefícios adicionais. Por exemplo, uma pesquisa publicada na revista Nature revelou que estudantes universitários que participaram de aulas presenciais obtiveram resultados acadêmicos ligeiramente superiores em comparação aos que participaram de aulas online, destacando a eficácia do aprendizado presencial em certos contextos. (NATURE, 2024).
Essas evidências reforçam a importância de ambientes de aprendizagem que integrem experiências presenciais e colaborativas, especialmente para jovens adultos em busca de desenvolvimento pessoal e profissional.
análise dos clientes
O público interessado em formação na área de design no Brasil é composto majoritariamente por estudantes, jovens profissionais e indivíduos em transição de carreira que buscam ampliar suas competências criativas e técnicas. De acordo com o Censo da Educação Superior de 2022, do INEP, os cursos da área de design registraram um aumento significativo de matrículas nos últimos anos, refletindo o crescente interesse por essa formação (INEP, 2022).
Esse público valoriza a inovação, a autonomia e a capacidade de gerar impacto a partir da prática do design. Segundo pesquisa realizada pela Fundação Telefônica Vivo, os estudantes brasileiros demonstram preferência por modelos de ensino que integrem teoria e prática, permitindo a aplicação imediata dos conhecimentos adquiridos (FUNDAÇÃO TELEFÔNICA VIVO, 2023).
Dentro desse perfil, em dados corroborados pela etapa de pesquisa deste projeto, destacam-se diferentes motivações de busca por aprendizado. Muitos buscam capacitação complementar para se diferenciarem em um mercado saturado, enquanto outros procuram atualizar-se frente às mudanças constantes nas tecnologias, nas ferramentas de criação e nas demandas do setor. A flexibilidade e a praticidade são atributos essenciais para esse público, que valoriza formatos que se adaptem às suas rotinas dinâmicas e ofereçam aprendizado acessível, direto e aplicável.
Outro fator relevante é a crescente valorização de experiências de aprendizagem que vão além do ensino tradicional. Cada vez mais, os clientes demonstram interesse em percursos formativos que estimulem a criatividade, a colaboração e o pensamento crítico. O desejo de aprender fazendo, experimentar novas abordagens e participar de comunidades criativas é uma tendência em expansão, especialmente entre gerações mais jovens, como a Geração Z e os millennials, que buscam conexões mais significativas e experiências mais imersivas.
As preferências desse público também refletem uma valorização crescente por formatos híbridos de ensino, combinando conteúdos online de fácil acesso com momentos presenciais de prática e troca. A busca por cursos, workshops e laboratórios que possibilitem a aplicação prática dos conhecimentos em projetos reais evidencia uma mudança de paradigma no que se entende como formação em design, indo além do domínio de técnicas isoladas para a construção de repertórios críticos e experiências transformadoras.
No contexto do design, esse perfil se traduz em aprendizes que estarão atentos à curadoria dos cursos, à reputação dos educadores e à coerência entre discurso e prática das marcas educacionais. A proposta deve atender a um público que prefere experiências formativas que transmitam propósito, proponham desafios reais e estabeleçam conexões com a comunidade criativa à qual desejam pertencer.
fornecedores e colaboradores
O setor de aprendizagem em design e áreas criativas pode contar com uma rede ampla e diversificada de fornecedores e colaboradores que viabilizam o desenvolvimento e a entrega das experiências educacionais. No âmbito digital, destacam-se fornecedores de infraestrutura técnica formados por empresas especializadas em tecnologia educacional, plataformas de hospedagem de conteúdo, serviços de streaming, ferramentas de gestão de aprendizagem (Learning Management System - LMS) e fornecedores de materiais gráficos e de produção audiovisual. Essas parcerias são fundamentais para garantir a qualidade técnica dos cursos, a experiência do usuário e a eficiência operacional das iniciativas educativas.
No campo da criação de conteúdo, é comum a colaboração com profissionais independentes, como designers gráficos, ilustradores, roteiristas, produtores de vídeo e desenvolvedores web. Esses colaboradores desempenham papéis estratégicos na construção e divulgação de cursos dinâmicos, interativos e esteticamente atrativos, alinhados às expectativas de um público exigente e acostumado a padrões elevados de design e comunicação.
Além disso, o desenvolvimento de experiências de aprendizagem presenciais, como workshops, oficinas e laboratórios de criação, requer uma rede de parceiros que disponibilizam espaços físicos adequados, equipamentos técnicos e apoio logístico. Instituições culturais, espaços de coworking,
hubs de inovação e ateliês independentes surgem como aliados estratégicos para a realização dessas atividades, oferecendo infraestrutura e fomentando a conexão com comunidades criativas locais.
Outro grupo relevante de colaboradores são os facilitadores e instrutores, cuja atuação vai além da simples transmissão de conhecimento. No setor de aprendizagem contemporâneo, espera-se que esses profissionais sejam mediadores de experiências, estimulando a autonomia dos estudantes, a prática coletiva e o pensamento crítico. Assim, a seleção e o desenvolvimento de facilitadores comprometidos com metodologias ativas, práticas colaborativas e abordagens transdisciplinares tornam-se elementos-chave para o sucesso das iniciativas educacionais.
Por fim, observa-se a importância das parcerias estratégicas com marcas, instituições de ensino, organizações e coletivos culturais. Tais colaborações não apenas ampliam o alcance das ações educativas, mas também agregam valor simbólico, legitimidade e relevância às iniciativas, posicionando-as dentro de redes mais amplas de inovação e criação cultural.
canais de distribuição
No setor de aprendizagem em design e áreas criativas, os canais de distribuição têm papel central na forma como os conteúdos e experiências chegam aos públicos-alvo. De modo geral, observa-se uma forte tendência à adoção de canais digitais como principais meios de disseminação de cursos, oficinas e produtos educativos, um fato que é reforçado pelos dados que mostram que o Brasil é um país altamente conectado, onde 92,5% dos domicílios possuem acesso à internet (PNAD, 2023). Nesse ambiente, portanto, plataformas próprias de ensino, marketplaces de cursos online, redes sociais e ferramentas de comunicação direta, como e-mail marketing e aplicativos de mensagens, formam o núcleo dos canais digitais mais utilizados.
As plataformas próprias de ensino e os marketplaces de cursos se destacam pela capacidade de reunir diversos conteúdos em um único ambiente, facilitando a navegação, o acesso sob demanda e a flexibilização da jornada de aprendizado. Essas plataformas oferecem desde cursos asíncronos a programas híbridos, permitindo que os estudantes escolham o formato e o ritmo que melhor se encaixam em suas rotinas.
As redes sociais exercem papel fundamental como vitrines de inspiração, conexão e divulgação de cursos e projetos educacionais. No Brasil, os usuários de internet com 16 anos ou mais passam, em média, 3 horas e 32 minutos por dia conectados às redes sociais, colocando o país entre os cinco maiores consumidores de mídias
sociais do mundo (We Are Social; Meltwater, 2025). Esse cenário revela não apenas o alcance massivo dessas plataformas, mas também sua relevância como espaço de formação, circulação de ideias e promoção de experiências educativas.
Entre os aplicativos mais utilizados no país, destacam-se o TikTok, com uma média de 30 horas e 10 minutos por mês, seguido por WhatsApp (24h14min), YouTube (22h38min) e Instagram (22h27min) (We Are Social; Meltwater, 2024). Plataformas como essas vêm sendo amplamente exploradas por instituições e iniciativas educacionais para estabelecer relações com seus públicos, oferecer conteúdos gratuitos de valor e impulsionar o engajamento. Em muitos casos, funcionam como portas de entrada para percursos formativos mais estruturados, contribuindo para a construção de comunidades de aprendizagem em ambientes digitais que refletem os hábitos de consumo de informação da população brasileira.
Além dos canais digitais, observa-se que, no contexto do projeto, os canais presenciais também podem desempenhar um papel estratégico, especialmente no oferecimento de experiências imersivas e colaborativas. Oficinas práticas, laboratórios de criação, feiras de inovação e participação em eventos culturais presenciais podem ser utilizados como espaços para aproximação com a comunidade criativa e para a realização de atividades que valorizam a troca de saberes, a experimentação e a conexão com o ambiente onde vivem.
A combinação entre canais digitais e presenciais configura um modelo híbrido de distribuição que responde às demandas contemporâneas dos estudantes e profissionais de design. Este modelo busca equilibrar a conveniência e a escala dos ambientes online com a profundidade e a conexão emocional proporcionadas pelas interações presenciais. Tal abordagem amplia o alcance das iniciativas educacionais e enriquece a experiência de aprendizado, adaptando-se a diferentes perfis e necessidades do público.
Essa tendência encontra respaldo em estudos recentes sobre o comportamento do público-alvo compreendido por jovens adultos da Geração Z. De acordo com o relatório 2024/25 Generational Snapshot of Gen Z da Canvas8 (CANVAS8, 2024), embora sejam nativos digitais, jovens dessa geração demonstram crescente interesse por experiências imersivas e comunitárias no mundo físico. O estudo aponta que 62% da Geração Z se sentem mais propensos a consumir produtos e serviços que proporcionem um senso de pertencimento e conexão real, refletindo um desejo de equilíbrio frente ao cansaço digital. Para iniciativas educacionais, isso reforça a importância de pensar formatos que combinam flexibilidade tecnológica com espaços de encontro, troca e vivência compartilhada.
Figura 32 – Tempo gasto nas redes sociais mundialmente
Fonte: Relatório We Are Social, agência Meltwater, 2024.
Figura 33 – Detalhamento das redes sociais mais utilizadas no Brasil
Fonte: Relatório We Are Social, agência Meltwater, 2024.
stakeholders
No contexto do microambiente de marketing, a identificação e análise dos stakeholders permite compreender as relações que estruturam e influenciam o funcionamento do setor. Segundo Kotler e Keller (2012), compreender os atores do microambiente é essencial para que uma organização possa desenvolver estratégias eficazes, adaptar sua proposta de valor e responder às demandas de clientes, parceiros e demais públicos com os quais se relaciona diretamente.
Segundo análises de iniciativas com propostas similares à Maré, detalhada em capítulo específico, conclui-se que os stakeholders no mercado de educação complementar em design são compostos por uma rede diversa de atores, como alunos, instituições de ensino, facilitadores, produtores de conteúdo, parceiros culturais, investidores e plataformas tecnológicas. Cada um desses agentes exerce influência direta ou indireta sobre a forma como experiências educacionais são desenvolvidas, ofertadas e consumidas. Ao mapear os principais grupos e compreender seus interesses e níveis de poder, foi possível desenhar estratégias mais coerentes para inserção da Maré nesse ecossistema.
Baseando-se nas iniciativas com propostas similares, observa-se que os stakeholders do mercado de educação complementar em design possuem demandas específicas que refletem o dinamismo e os valores do setor criativo. Observa-se que os alunos,
por exemplo, buscam experiências práticas, atualizadas, acessíveis e alinhadas aos desafios reais do mercado de trabalho. Já os facilitadores e especialistas possuem diferentes backgrounds formativos, mas em geral observa-se a liberdade para desenvolver propostas autorais. Instituições culturais e educacionais, ao atuarem como parceiras, visam à ampliação de sua atuação, visibilidade e conexão com novos públicos. Investidores e financiadores interessados no setor esperam projetos com impacto social, inovação metodológica e retorno mensurável. Por fim, fornecedores e plataformas de tecnologia buscam relações comerciais transparentes, sustentáveis e recorrentes. Essas necessidades moldam a estrutura operacional e estratégica das iniciativas educacionais que se destacam nesse cenário.
Propostas de parceria claras e alinhamento metodológico
Relatórios de desempenho, dados de impacto e viabilidade
Contratos objetivos, comunicação eficiente e recorrência
abordagem estratégica
Linguagem acessível, conteúdo visual e interativo
Comunicação transparente, escuta ativa e valorização da autoria
Alinhamento de valores, construção de projetos colaborativos
Transparência, indicadores de impacto e planejamento robusto
Eficiência, clareza e gestão de processos
Figura
estratégias de comunicação e engajamento
Para atuar de forma competitiva e relevante no setor, é essencial desenvolver estratégias específicas de comunicação e engajamento com cada grupo de stakeholders. Devido à forte presença na internet, a comunicação com os estudantes será centrada em canais digitais e redes sociais, o que abre espaço para ênfase em linguagem acessível, design atrativo e conteúdo relevante. Facilitadores e colaboradores criativos demandam processos claros de contratação e acompanhamento, além de espaços para cocriação. Instituições parceiras estarão envolvidas por meio de propostas formais, diálogo constante e ações colaborativas, visando ganho mútuo entre as partes. No caso de investidores, a transparência de dados, métricas de impacto e alinhamento de valores são fundamentais para gerar confiança. Já com fornecedores e plataformas tecnológicas, o relacionamento precisa ser eficiente e objetivo, garantindo fluidez nas operações e estabilidade nos processos. A gestão eficaz dessas relações contribuirá diretamente para a sustentabilidade e o crescimento dos projetos no mercado.
conclusão sobre os stakeholders
A análise dos stakeholders no microambiente do mercado de educação complementar em design evidencia a complexidade e a interdependência entre os diversos agentes que compõem esse ecossistema. Como apontam Kotler e Keller (2012), o entendimento profundo dos públicos estratégicos é essencial para a construção de iniciativas sustentáveis e coerentes com o ambiente em que estão inseridas. Compreender suas expectativas, interesses e níveis de influência foi uma etapa crucial para o desenvolvimento de propostas educacionais inovadoras. A clareza nas estratégias de engajamento e comunicação com esses grupos garantirá maior aderência às necessidades do setor, fortalecerá vínculos institucionais e ampliará o potencial de impacto das soluções que emergem nesse cenário em constante transformação.
conclusão dos ambientes de marketing
A análise dos ambientes de marketing, contemplando os contextos macro e microambientais, permitiu a construção de uma compreensão estratégica mais ampla sobre o cenário no qual o estúdio Maré se insere. No macroambiente, fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais revelaram tendências estruturantes que influenciam diretamente a viabilidade e o potencial de crescimento de iniciativas educacionais inovadoras. Destacam-se, por exemplo, o avanço da digitalização, a valorização da criatividade como ativo econômico e cultural, e o fortalecimento de políticas voltadas à economia criativa.
Já o estudo do microambiente aprofundou a compreensão das dinâmicas internas do setor de educação complementar em design, mapeando os principais concorrentes, o perfil dos aprendizes, os formatos predominantes de oferta, os canais de distribuição e os stakeholders envolvidos. Os dados apontam para um mercado em expansão, com projeções como os 28 milhões de interessados em cursos livres no Brasil (Google for Education, 2022), mas também altamente competitivo. Esse contexto exige propostas formativas mais flexíveis, práticas, conectadas à cultura contemporânea e ancoradas em metodologias colaborativas.
A partir dessa leitura contextual, é possível afirmar que a Maré se posiciona de forma estratégica ao propor um estúdio que integra teoria e prática em ciclos culturais e experiências imersivas, ocupando-se de ambientes físicos e digitais. Sua proposta dialoga com as demandas emergentes do setor e se diferencia ao valorizar o protagonismo dos aprendizes, a criação em rede e a atuação situada. A consolidação da Maré no mercado dependerá de sua capacidade de interpretar continuamente esse ecossistema em transformação, adaptando-se com agilidade e mantendo a coerência com seus princípios fundadores de cultura, prática e comunidade.
benchmarking (03)
Conforme sugerem Kotler e Keller (2012), o benchmarking é uma ferramenta estratégica que permite às organizações compararem suas práticas com as de líderes do setor, visando à identificação de padrões de excelência, à redução de riscos e à inovação fundamentada em experiências bem-sucedidas. No contexto deste projeto, optou-se por essa abordagem em vez da análise tradicional de concorrentes diretos e indiretos, uma vez que a proposta da Maré não busca disputar mercado de forma competitiva, mas contribuir para o ecossistema educacional com uma perspectiva própria, sensível e inovadora.
Essa escolha metodológica também se justifica pelo caráter híbrido e transversal do projeto, que se apoia em múltiplas referências culturais, tecnológicas e educacionais. Ao invés de limitar o escopo da análise a agentes que compartilham o mesmo modelo de negócio ou público-alvo, o benchmarking possibilita uma investigação ampliada sobre práticas que inspiram, provocam e expandem a visão sobre o que é possível no campo da aprendizagem em design. Assim, a análise aqui apresentada buscou estudar iniciativas educacionais que oferecem propostas alinhadas às transformações contemporâneas do campo, com o intuito de mapear boas práticas e apoiar a construção da proposta da Maré.
Dentre os critérios utilizados para a seleção, destacam-se: a originalidade na proposta pedagógica; a articulação entre prática e teoria; a presença de comunidades ativas; a utilização de recursos digitais e físicos de forma integrada (modelos híbridos ou phygital ); e o posicionamento estratégico no mercado criativo. A análise considerou não apenas os produtos educacionais oferecidos, como cursos, oficinas, imersões e publicações, mas também as estratégias de comunicação, o design de marca e o modelo de negócios adotado por cada iniciativa.
Dessa forma, ao estudar os projetos selecionados destacados a seguir, buscou-se identificar padrões, singularidades e oportunidades que pudessem embasar decisões para a estruturação da proposta em desenvolvimento. Cada um desses projetos, à sua maneira, contribui com aprendizados valiosos sobre como criar experiências educacionais relevantes, engajadoras e sustentáveis no campo do design. A análise comparativa proposta, portanto, não visa reproduzir modelos existentes, mas sim compreender como diferentes caminhos podem inspirar a construção de um ecossistema de aprendizagem próprio, conectado às necessidades contemporâneas de formação, colaboração e atuação no design.
LAJE PLATÔ
Plataforma educacional da Ana Couto focada em branding, com cursos digitais, imersões e comunidade.
Escola livre de design que promove processos colaborativos, experimentação e pensamento crítico.
PLAU
Estúdio de design especializado em criação de tipografias autorais e workshops sobre linguagem visual.
MESA
SCHOOL
Escola derivada da Mesa Company que ensina resolução de problemas complexos por meio de trabalho coletivo e imersivo.
THE UGLY LAB
Laboratório criativo que oferece ferramentas práticas e lúdicas para aprender branding, estratégia e design.
A Laje se posiciona como a plataforma de ensino da Ana Couto, estúdio de design com ênfase no nicho de Branding, também colocado como foco das experiências de ensino oferecidas pela plataforma. O principal modelo de ensino deste projeto são imersões e cursos ministrados por profissionais de design de alto nível do estúdio Ana Couto, contando também com alguns itens físicos, um modelo chamado por eles de phygital.
Para acesso aos conteúdos eles seguem um modelo de assinaturas de membros, esse modelo de membership aparenta gerar mais fidelização com os usuários e auxilia na comunicação de uma experiência premium. Sua entrega de valor, por se orientar ao redor da experiência de mercado do estúdio, consegue também aplicar os recursos visuais, estratégicos e metodológicos do estúdio, utilizando muito do que é utilizado para desenvolver os cases de sucesso da Ana Couto para ensinar os alunos a experienciar o Branding a partir dessa ótica.
No aspecto de estratégias de mercado e divulgação, a Laje conta com uma forte presença nas redes sociais, como Instagram e Linkedin, com anúncios em ambas as plataformas divulgando seus cursos e imersões.
Uma outra estratégia utilizada pela Laje é a elaboração de experiências gratuitas abertas ao público nos meios digitais, isso permite com que seus conteúdos atinjam mais potenciais usuários da plataforma, assim como reforça sua presença no nicho como uma voz de autoridade no meio do Branding.
Uma coisa que fica evidente através dessas estratégias é que as experiências da Laje são vendidas e comunicadas como premium, um investimento que o usuário pode fazer para enriquecer seus conhecimentos e entregar valor aos diversos público para os quais vendem, entre eles se destacam como divergentes de outros projetos o público de empreendedores e de agências, que auxiliam nesse entendimento de tais experiências serem consideradas um investimento.
Em aspectos de comunicação visual, a marca utiliza de uma linguagem extremamente marcante, com o uso de contrastes e tipografia em pesos maiores. A marca apresenta uma força gráfica no uso de formas gráficas sintetizadas e pontiagudas, aparecendo majoritariamente em cores de alta saturação que se destacam ao lado de fotos. A Laje, por ser proveniente de um estúdio, consegue utilizar os recursos visuais utilizados pela marca Ana Couto para se comunicar.
Figura 35 – Análise Benchmarking LAJE Fonte: Elaboração própria, 2025.
O Platô se posiciona como um estúdio e espaço autônomo, se destacando dentre as propostas analisadas justamente por isso. Sua proposta única opera em conjunção com seus modelos de cursos, principal produto de aprendizado que oferecem, que são elaborados pelos educadores que o estúdio estabelece como parcerias para construir tais materiais. O projeto conta com um espaço físico próprio que usam para aplicar a grande maioria de seus cursos, que ocorrem presencialmente e ocasionalmente online, porém como constatado em entrevista com um dos sócios, o estúdio evita modelos de aula híbridos síncronos, com uma parte de seus atendentes no local e a outra assistindo remotamente, listando como motivo a falta da infraestrutura requerida para operar nesse modelo de forma correta.
Como mencionado acima, o estúdio tem alguns fortes diferenciais que podem ser vistos como estratégias de mercado, entre esses estão a forte relação de colaboratividade e a existência de um espaço físico, que é o maior diferencial dentre todos os modelos estudados. A possibilidade de colaborar com designers de múltiplas áreas também permite com que o projeto expanda o seu segmento de clientes, aportando aqueles que vêm acompanhados dos designers que ministram os cursos e oficinas.
Já sob um aspecto visual, o Platô se destaca pelo seu forte senso de identidade comunicado pela tipografia e paleta de cores utilizada pela marca. Um outro ponto de destaque interessante se dá ao ambiente físico em si, que possibilita a existência de mais um espaço de comunicação da marca além dos espaços digitais, onde habitam a maioria das outras marcas do segmento.
Tendo isso em vista, é importante compreender o Platô Estúdio como um exemplo de disrupção no mercado educacional e permitindo compreender melhor quais são os riscos e oportunidades de operar um modelo mais extraordinário dentro deste segmento. Seus pontos de destaque para o projeto de pesquisa são seu modelo colaborativo, ser um exemplo de proposta generalista e seu pioneirismo no modelo presencial.
Figura 36 – Análise Benchmarking Plato Fonte: Elaboração própria, 2025.
A Plau é um estúdio de design com foco em produtos tipográficos e branding. Dentre suas iniciativas analisadas para o projeto estão a Plau Ensino, o curso e comunidade Brandcooker e sua publicação digital a Entrelinha, que dialogam entre si para apresentar uma visão holística do ensino e da propagação da tipografia, uma visão confirmada como um pensamento estratégico por Rodrigo Saiani, co-fundador da Plau, durante o processo de entrevistas. Mesmo com frentes diversas, ainda há um foco por desenvolver mais profundamente conteúdo em forma de cursos e aulas onlines, não apenas hosteados no site da Plau como também na plataforma de cursos Domestika.
Analisando de maneira mais profunda as estratégias da Plau, se destaca o uso da estratégia de long tail, estratégia de negócios na qual se opta por vender os produtos de maior rendimento financeiro e maior impacto de forma mais limitada porém contando com uma variedade de produtos mais acessíveis que podem ser engajados em múltiplos níveis, isso se percebe pela quantidade limitada de turmas do Brandcooker, seguido da baixa quantidade de cursos que eles oferecem (que no momento de escrita deste projeto são três além dos da Domestika, um sobre Brush Script para marcar, um voltado ao desenvolvimento de fontes no software FontPro e um sobre o uso de tipografia variável em marcas)
e comparado à quantidade massiva de conteúdo publicado através da publicação Entrelinha. Outra estratégia que utilizam, desta vez na comunicação, assim como a Laje, é manter uma forte presença nas redes sociais, em destaque o Instagram, meio no qual postam sobre todos os conteúdos mencionados acima regularmente.
Visualmente as iniciativas estão muito relacionadas à identidade visual do próprio estúdio, utilizando das cores da marca, e obviamente, de tipografias desenvolvidas in house. A marca conta com uma grande variabilidade e diversidade tipográfica, tendo em vista que este é o foco do estúdio. Também é muito utilizado em peças de comunicação dos cursos fotos dos sócios e educadores, que são um grande atrativo a esses cursos por serem designers reconhecíveis e conceituados no segmento. Com essa análise se pode postular sobre a importância de estudar o modelo da Plau como um exemplo excepcional de construção de comunidade e valorização do design com uma proposta de ensino. O estudo de sua proposta pode trazer compreensões mais profundas nestes processos assim como nas oportunidades que esses podem trazer à continuidade e estratégias do projeto.
Figura 37 – Análise Benchmarking Plau Fonte: Elaboração própria, 2025.
A Mesa Company é uma empresa de consultoria baseada em uma metodologia proprietária inovadora de colaboração com profissionais de todas as áreas para compor Mesas e elaborar projetos, seu projeto de ensino então é baseado em propagar e ensinar essa metodologia de consultoria. O projeto foi organizado pela fundadora da Mesa, Barbara Soalheiro.
Sob o aspecto estratégico, as Mesas de consultoria se posicionam como uma experiência mais exclusivas e voltadas à um mercado corporativo contudo seus cursos são um pouco mais acessíveis e permitem com que essa metodologia penetre mais espaços dentro da esfera criativa, tendo então em seu projeto de ensino uma oportunidade de espalhar sua metodologia proprietária. Sobre questão da comunicação, ao menos em comparação com os outros projetos, a Mesa se mostra em defasagem, evidente na ausência de comunicação sobre seu projeto educacional em redes sociais, porém isso também pode ser lido como uma estratégia, já que optam por se posicionar mais como empresa de consultoria e vender esses serviços.
Visualmente falando, a Mesa apresenta uma identidade extremamente limpa e simples, principalmente comparada com os outros projetos, utilizando principalmente cores neutras e grayscale e se apoiando muito em recursos fotográficos.
Em geral, a Mesa apresenta uma boa referência de escopo, demonstrando o quão diversos projetos de ensino em design podem ser e o espaço que podem ocupar dentro de outras propostas. Dentro da visão sistêmica do projeto de pesquisa, a Mesa School não se enquadra tão perfeitamente com o que foi previamente analisado, nem estabelece uma relação muito forte com os outros projetos, contudo é um projeto que extrapola as definições tradicionais do aprendizado complementar e abre oportunidades para olhar para esse mercado sobre uma ótica mais metodológica.
Figura 38 – Análise
Benchmarking Mesa School Fonte: Elaboração própria, 2025.
O The Ugly Lab se posiciona como um laboratório de criatividade, focando seus esforços na produção de produtos, em específico para a proposta deles, denominados como ferramentas de criatividade. Dentro do ecossistema de aprendizado, os produtos do laboratório complementam o processo como uma forma de aprendizado prático, já que suas ferramentas permitem com que usuários aprendam fazendo/criando.
Na esfera estratégica, o laboratório vai além do e-commerce, tendo um projeto que cobre várias frentes centrando os seus produtos, no total somando comunidade, cursos e imersões seguindo as temáticas do nicho de branding. O fato de utilizarem como base seus produtos lúdicos, permite com que a empresa opere no nicho de branding com relativo sucesso apesar da saturação de projetos já estabelecidos no segmento - vide Laje - e assim emergem como uma nova forma de autoridade no tópico. Nas redes fazem publicações referentes aos tópicos que seus produtos cobrem, auxiliando os clientes a utilizarem seus produtos de maneira mais eficaz.
Visualmente, a marca se destaca por uma identidade descolada e jovial, contando com o uso de texturas e ilustrações. Destaca-se também o uso de tipografia e uma arquitetura de marca bem estabelecida que permite com que se crie identidades para cada uma das ferramentas e que estas funcionem bem visualmente com o resto do sistema de identidade.
Estabelecidos os fatos analisados, podemos destacar da pesquisa do The Ugly Lab como esse mercado funciona para propostas baseadas em venda de produtos físicos ao invés dos mais tradicionalmente associados ao segmento educacional, como cursos, palestras e livros. A interatividade de seus produtos permite com que eles transcendam o momento de uso e abrem caminho à possibilidade de aprender em diversos momentos.
Benchmarking The Ugly Lab Fonte: Elaboração própria, 2025.
Figura 39 – Análise
comparação em tabela sobre formato/modelo de negócio
Ao observar os modelos de negócio, é possível perceber como cada projeto encontra uma forma específica de operar dentro do ecossistema do design. A Laje e a Mesa apostam em um posicionamento premium, ancorado em autoridade, exclusividade e metodologia própria, voltados a públicos com maior capacidade de investimento e interesse em desenvolvimento estratégico. Já o Platô e a Plau apresentam propostas mais acessíveis e flexíveis, com foco em cursos e forte presença comunitária, sendo que o Platô ancora seu diferencial no espaço físico e na curadoria coletiva, enquanto a Plau valoriza o conteúdo tipográfico e o engajamento de nicho. O The Ugly Lab, por sua vez, introduz um modelo disruptivo, com foco na venda de ferramentas físicas como meio de aprendizado prático e contínuo. Essa comparação evidencia oportunidades para a Maré estruturar um modelo híbrido, com entregas múltiplas (produtos, cursos, comunidade) e uma identidade visual forte e autoral que sustente seu propósito educativo.
comparação da identidade visual (logo+cores+identidade)
A comparação entre as identidades visuais dos projetos analisados evidencia o papel estratégico da linguagem gráfica como forma de posicionamento e diferenciação no mercado educacional em design. A Laje apresenta uma identidade impactante, com logo anguloso e cores vibrantes que reforçam a autoridade e a energia de sua proposta premium. O Platô, por outro lado, utiliza uma paleta diversa e vibrante que remete à pluralidade de vozes e à dimensão coletiva de sua atuação, com um logo limpo e flexível, alinhado ao caráter colaborativo do projeto. Já a Plau aposta numa estética lúdica e vibrante, com forte presença tipográfica, refletindo sua especialização e domínio autoral sobre o design de letras — inclusive nas próprias composições gráficas.
definição
Figura 40 – comparação em tabela sobre formato/modelo de negócio Fonte: Elaboração própria, 2025.
Em contraste, a Mesa adota uma identidade mais minimalista e institucional. Sua paleta de cores neutras e a tipografia em caixa alta com peso forte comunicam solidez, método e foco corporativo. Por fim, o The Ugly Lab rompe com todas essas convenções e constrói uma linguagem visual provocativa e jovem, com logotipo irregular e expressivo, cores saturadas e uso de texturas — reforçando sua proposta experimental e sua atuação fora do mainstream educacional. Essas variações evidenciam como a escolha de cores, tipografias e composição visual está diretamente ligada ao modo como cada projeto deseja ser percebido: como autoridade, comunidade, método ou ruptura.
plataforma
imersões
plataforma
cursos
plataforma
plataforma
laboratório
cursos consultoria produtos foco
de experiência
escopo e diferencial
autoridade geral espaço
tipografia comunidade
geral método
branding ferramentas
conclusão do benchmarking
A análise comparativa dos projetos apresentados neste benchmarking revela a diversidade de caminhos possíveis para iniciativas de ensino em design, especialmente quando se busca romper com modelos tradicionais e criar experiências mais próximas do mercado, da prática e da cultura contemporânea. Cada projeto analisado — Laje, Platô, Plau, Mesa School e The Ugly Lab — trouxe à tona aspectos valiosos para a consolidação da proposta da Maré, seja por suas estratégias pedagógicas, formatos híbridos de entrega, modelos de negócios inovadores ou identidades visuais fortemente alinhadas à sua filosofia.
Ficou evidente que o sucesso dessas iniciativas está diretamente relacionado à clareza de propósito, coerência na comunicação e capacidade de gerar valor tangível para
públicos específicos, como designers em formação, empreendedores, agências e profissionais do mercado criativo. A criação de comunidades ativas, a valorização da autoria dos educadores e a construção de narrativas visuais marcantes também se mostraram como diferenciais significativos.
Além disso, percebe-se uma tendência de ampliação dos formatos de ensino para além do curso tradicional, incorporando produtos, experiências imersivas, publicações e plataformas digitais como extensões da proposta educativa. O uso de estratégias como membership, long tail, posicionamento premium e fortalecimento da autoridade através de conteúdo gratuito demonstrou-se eficaz para fomentar engajamento, fidelização e relevância no segmento.
A partir desse panorama, o benchmarking contribui não apenas como fonte de inspiração, mas como ferramenta de definição estratégica, reforçando a importância de estruturar o projeto aqui desenvolvido como um ecossistema de aprendizagem plural, híbrido e transdisciplinar, que valoriza a prática, a troca e a preparação do estudante para atuar em um mundo complexo. A análise também revela lacunas ainda pouco exploradas no setor como a mediação entre cultura e mercado e a criação de experiências que conciliam sentimentos de pertencimento e comunidade com desenvolvimento profissional, e posiciona a Maré como uma proposta que pode ocupar esse espaço com autenticidade, relevância e impacto real.
diagnóstico e inserção no mercado (04)
A partir dessas análises de mercado foi possível compreender mais profundamente o contexto no qual o projeto será desenvolvido, trazendo mais insights sobre as necessidades do público-alvo, os desafios e as oportunidades do mercado de educação complementar, em específico, no campo de design. Reunindo então todas as informações até então apresentadas no projeto de pesquisa, foi possível realizar diagnósticos da proposta até então, e a partir desses, elaborar uma base sólida para a proposta de mercado do projeto, para que ela consiga entregar valor tangível ao público e prosperar dentro de um contexto em constante mudança.
ANÁLISE SWOT
A Análise SWOT é uma ferramenta estratégica essencial para mapear as forças e fraquezas internas, bem como as oportunidades e ameaças externas que influenciam o desenvolvimento de um projeto. Segundo Kotler e Keller (2016), trata-se de uma das ferramentas mais eficazes para o diagnóstico situacional de uma organização, pois permite compreender, de forma estruturada, os fatores que podem impulsionar ou comprometer sua atuação no mercado. Ao organizar essas dimensões, a matriz SWOT contribui para a formulação de estratégias mais realistas e alinhadas com o ambiente competitivo, além de favorecer a identificação de vantagens competitivas, pontos de melhoria e tendências que podem ser aproveitadas de forma estratégica.
No contexto da Maré, a aplicação dessa análise permitiu a visão crítica dos diferenciais competitivos, os desafios organizacionais, as tendências de mercado que favorecem a iniciativa e os riscos que exigem monitoramento constante. Destaca-se que a Figura 41 apresenta uma visão geral sumarizada da ferramenta, enquanto o texto a seguir explica melhor cada ponto.
oportunidades
- Crescimento do trabalho remoto e freelance: Designers buscam comunidades e capacitação para se destacarem no mercado autônomo.
- Interesse crescente por comunidades profissionais: Profissionais valorizam redes de apoio e aprendizado contínuo.
- Expansão do aprendizado híbrido (digital + presencial): Combinar essas experiências pode gerar mais engajamento e valor percebido.
- Fomento ao empreendedorismo criativo: Muitos designers querem criar seus próprios negócios e procuram suporte educacional e estratégico.
- Busca por aprendizado contínuo e desenvolvimento de soft skills: O mercado exige habilidades estratégicas além das técnicas.
ameaças
- Dificuldade de monetização e retenção de usuários: Plataformas educacionais gratuitas ou mais acessíveis podem dificultar a conversão de clientes pagantes.
- Desafios na criação de uma comunidade engajada a longo prazo: Manter a participação ativa dos membros exige investimento contínuo em conteúdo e interações.
- Dependência de algoritmos de redes sociais: Mudanças nas plataformas podem impactar o alcance orgânico e a aquisição de novos membros.
- Baixa adesão de empresas e marcas parceiras: A falta de patrocínio e apoio pode dificultar a viabilidade financeira do projeto.
- Desvalorização do design e da educação criativa: O mercado pode priorizar cursos técnicos mais baratos e de curta duração em vez de formações mais estratégicas.
forças
- Metodologia diferenciada: Ensino baseado em experiências práticas, desafios reais e aprendizado colaborativo.
- Rede de especialistas e mentores: Contato direto com profissionais do mercado, ampliando networking e oportunidades.
- Comunidade ativa e engajada: Espaço de troca contínua, suporte mútuo e desenvolvimento profissional coletivo.
- Plataforma integrada: Unindo marketplace, conteúdos exclusivos e experiências presenciais.
- Parcerias estratégicas: Conexões com empresas e marcas, facilitando acesso a oportunidades reais.
- Multiformato de aprendizado: Conteúdos em vídeo, podcast, artigos e eventos ao vivo para atender diferentes perfis de alunos.
- Aprendizado acessível e inclusivo: Modelos híbridos e possibilidade de participação online e presencial.
fraquezas
- Dependência de parcerias estratégicas (sucesso atrelado ao engajamento de empresas, instituições e especialistas).
- Necessidade constante de atualização (rapidez nas mudanças do mercado exige adaptação contínua de conteúdos e metodologia).
- Concorrência com plataformas já consolidadas (dificuldade inicial para competir com grandes players do setor).
- Captação e retenção de alunos (desafio de manter a recorrência e engajamento da comunidade a longo prazo).
- Complexidade na operação logística (gestão de eventos presenciais, produção de materiais físicos e suporte ao marketplace exigem organização eficiente).
- Dependência de tráfego orgânico e pago (alto custo ou tempo necessário para alcançar público relevante e converter vendas).
Figura 41 – Análise SWOT Fonte: Elaboração própria, 2025.
forças
A Maré se posiciona como uma resposta concreta às necessidades identificadas entre estudantes e jovens profissionais de design, oferecendo uma proposta educativa que prioriza experiências práticas, desafios reais e metodologias colaborativas como motores da aprendizagem. Em sintonia com os dados de pesquisa, valoriza a autonomia criativa, o protagonismo do estudante e o desenvolvimento de habilidades aplicáveis de maneira imediata ao mercado.
Um de seus diferenciais centrais é a promoção de trocas entre profissionais de diferentes trajetórias, fomentando conexões intergeracionais e interdisciplinares, em ambientes que vão além dos comumente encontrados na educação formal. A construção de uma comunidade ativa e engajada fortalece o apoio mútuo, estimula a colaboração e impulsiona o desenvolvimento coletivo, estabelecendo um ambiente de aprendizado contínuo, afetivo e dinâmico.
A Maré também aposta em um modelo híbrido e inclusivo, que combina conteúdos digitais (como vídeos, artigos e podcasts) e eventos presenciais, atendendo a diferentes perfis de aprendizes. As parcerias estratégicas com empresas, marcas e instituições culturais agregam valor simbólico e prático ao ecossistema, além de ampliar o alcance da proposta. Soma-se a isso a valorização do repertório cultural e da brasilidade visual nos ambientes em que estão inseridos, aspectos pouco explorados por plataformas concorrentes e que fortalecem o vínculo da Maré com seu contexto local.
fraquezas
Apesar das vantagens competitivas, a Maré enfrenta desafios significativos. A dependência de parcerias estratégicas para a viabilização de experiências, conteúdos e benefícios representa um ponto de atenção, uma vez que a descontinuidade dessas colaborações pode impactar diretamente a proposta de valor oferecida aos usuários.
A necessidade de constante atualização de conteúdos, metodologias e tecnologias demanda investimentos contínuos em inovação e equipe, impondo pressão sobre os recursos humanos e financeiros. A competição com plataformas consolidadas, que já operam com estruturas robustas e autoridade de marca, exige um esforço diferenciado para construir reputação e conquistar a confiança do público.
Além disso, a ausência de um histórico institucional consolidado pode representar uma barreira inicial para a credibilidade do projeto. A captação e retenção de alunos também se colocam como desafios, sobretudo diante de um mercado fragmentado e volátil. A dependência de tráfego pago para conversões e o custo elevado de aquisição de usuários afetam a sustentabilidade financeira no médio e longo prazos. Soma-se a isso a complexidade logística de operar um ecossistema híbrido, com eventos presenciais, curadoria de conteúdo contínua e manutenção de um marketplace ativo.
oportunidades
O cenário atual oferece oportunidades concretas para a Maré. O aumento do trabalho remoto, da informalidade e da atuação freelancer, especialmente entre designers, amplia a demanda por espaços de apoio profissional, trocas comunitárias e aprendizagem contínua. Segundo a McKinsey (2023), 85% das empresas consideram competências comportamentais mais importantes ou tão importantes quanto habilidades técnicas, o que valoriza metodologias educativas que integrem prática e desenvolvimento humano.
A expansão do modelo híbrido de ensino permite atender públicos diversos, conciliando conveniência digital com profundidade experiencial. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por formações que transcendam o aspecto técnico e ajudem os aprendizes a navegar em um mercado complexo, com mais clareza, estratégia e confiança.
A crescente valorização de soft skills e repertório cultural, aliada ao fomento ao empreendedorismo criativo, também representa uma oportunidade. Com a proposta de integrar competências técnicas, pensamento crítico e uma comunidade ativa, a Maré se alinha diretamente às transformações do mercado e aos desejos emergentes de seus usuários. Há, ainda, espaço para inovações como programas de mentoria reversa, laboratórios com empresas e curadorias afetivas que transformem o processo de aprendizagem em uma experiência significativa e transformadora.
ameaças
No entanto, a Maré precisa lidar com ameaças externas relevantes. A presença de plataformas educacionais gratuitas ou de baixo custo impõe dificuldade de conversão e fidelização, exigindo uma entrega de valor percebido claramente superior. A manutenção de uma comunidade ativa demanda produção contínua de conteúdo, eventos e estímulos, o que eleva os custos operacionais e criativos.
A dependência dos algoritmos de redes sociais para aquisição de novos usuários representa um fator de risco, dada a instabilidade dessas plataformas. A baixa adesão de empresas parceiras também pode limitar o potencial de patrocínio e captação de recursos, comprometendo o modelo de negócios. Além disso, a desvalorização de iniciativas criativas e a banalização de cursos rápidos podem enfraquecer a percepção de valor do projeto, dificultando a diferenciação no mercado.
O risco de esvaziamento da comunidade é real caso não haja estímulo contínuo à participação e à sensação de pertencimento. E, por fim, o ambiente competitivo com novas iniciativas surgindo constantemente exige da Maré uma postura de inovação ágil, escuta ativa e constante adaptação para preservar sua relevância.
FORÇAS DE PORTER
O modelo das Cinco Forças, desenvolvido por Michael Porter em 1979, é uma das ferramentas mais consagradas da administração estratégica para compreender a estrutura competitiva de um setor e sua atratividade (PORTER, 1980). A análise se baseia na identificação de cinco forças que influenciam o potencial de lucro e a dinâmica de mercado: o poder de barganha dos fornecedores, o poder de barganha dos clientes, a ameaça de novos entrantes, a ameaça de produtos substitutos e a rivalidade entre os concorrentes existentes. Cada uma dessas forças impacta a intensidade competitiva e, consequentemente, a viabilidade e a rentabilidade de novos projetos no setor analisado. No contexto da Maré, a aplicação dessa metodologia, aliada à base de dados construída até então, permitiu avaliar com mais profundidade o ambiente externo em que a proposta se insere, ajudando a mapear riscos, identificar oportunidades e definir estratégias de diferenciação. A Figura 42 apresenta uma síntese visual da análise das Cinco Forças aplicada à Maré, enquanto os parágrafos a seguir detalham cada uma das dimensões de forma crítica e contextualizada.
ameaça de produtos substitutos intensidade: moderada/alta
Conforme explicitado em tópicos anteriores, existem diversas alternativas no mercado que cumprem funções semelhantes às da Maré, como cursos gratuitos online, tutoriais em redes sociais e experiências de aprendizagem oferecidas por instituições tradicionais mais estabelecidas e conhecidas no mercado. Essa variedade representa uma ameaça constante. No entanto, destaca-se que o excesso de opções pode dificultar a decisão do público, criando um paradoxo da escolha (Schwartz, 2004). A proposta da Maré, portanto, se diferencia ao oferecer experiências práticas, alinhadas à realidade do mercado e da profissão, posicionando-se como um norte confiável em meio às inúmeras incertezas enfrentadas por seu público-alvo, agravadas pela quantidade de opções no mercado.
poder de barganha dos fornecedores intensidade: baixa/moderada
Como a Maré possui presença tanto em ambientes digitais quanto físicos, depende de uma cadeia diversificada de fornecedores, que preveem desde produção de conteúdos digitais até materiais físicos e espaços para eventos presenciais. Essa dependência pode gerar vulnerabilidade, especialmente se não houver alternativas de custo acessível. Por outro lado, a flexibilidade nas escolhas de fornecedores e o modelo de parceria com benefícios mútuos fortalecem a negociação e reduzem a intensidade dessa força, principalmente ao criar vínculos com profissionais e empresas alinhados à proposta do projeto.
poder de barganha dos clientes intensidade: moderada/alta
O público da Maré tem à disposição uma variedade de plataformas de ensino e espaços de aprendizagem, o que amplia seu poder de escolha e, consequentemente, seu poder de barganha. Ainda que a proposta da Maré seja baseada em experiências imersivas, conexão prática com o mercado e estímulo à autonomia, o que oferece um valor percebido superior, é importante considerar que os clientes sempre podem direcionar seus recursos para outras prioridades. Por isso, a fidelização e o engajamento estão diretamente ligados à qualidade da experiência entregue. Quanto mais significativa e envolvente for essa experiência, maior a probabilidade de recorrência, recomendação e percepção de valor, fatores que, embora não eliminem, podem atenuar o poder de barganha dos clientes.
ameaça de novos entrantes intensidade: moderada/alta
O setor da educação digital possui barreiras de entrada relativamente baixas, facilitadas pelo acesso a plataformas que oferecem templates semi-prontos e a produção de conteúdo de forma simplificada. Isso atrai novos projetos continuamente. No entanto, a Maré se fortalece por combinar espaços físicos, cultura de comunidade e proposta prática conectada à realidade profissional. Essa união de frentes (digital, presencial e cultural) torna o modelo mais complexo de ser replicado e cria uma barreira competitiva relevante, especialmente no nicho de aprendizagem em design.
rivalidade entre concorrentes intensidade: média
O mercado de educação criativa é competitivo, com presença de diversas modalidades competindo direta e indiretamente, como cursos livres, coworkings e plataformas de ensino. Porém, o nicho da Maré, voltado ao design imersivo, à experimentação e à construção de comunidade, ainda é menos saturado. O diferencial está na convergência entre espaços digitais e presenciais, conteúdos aplicados à vida real e curadoria de experiências conectadas à cultura e ao mercado. Essa proposta reduz a rivalidade direta e posiciona a plataforma de forma única dentro do setor. Em outro ponto importante, destaca-se a possibilidade de atuar junto a outras iniciativas e plataformas de ensino de forma complementar e não competitiva, o que aumenta a força da proposta e diminui as ameaças decorrentes da rivalidade entre concorrentes.
Figura 42 – Análise
Cinco Forças de Porter
Fonte: Elaboração própria, 2025.
identificação de dores e oportunidades
Com base nas análises de mercado, nas entrevistas e nas pesquisas realizadas ao longo do projeto, foi possível identificar um conjunto claro de dores e oportunidades que orientam a atuação estratégica da Maré. Entre as principais dores diagnosticadas, destacam-se a desconexão entre teoria e prática no ensino formal, barreiras para inserção profissional durante a etapa de transição do ambiente acadêmico para o mercado de trabalho e a sensação de isolamento enfrentada por estudantes e jovens profissionais. Além disso, a insegurança quanto às próprias habilidades, como a dificuldade para precificar seus serviços, a pressão por produtividade imediata e a ausência de apoio estruturado para o desenvolvimento de comunidade e autonomia são fatores recorrentes que limitam o crescimento dos aprendizes.
Em contrapartida, emergem oportunidades relevantes: a demanda crescente por experiências educacionais práticas e colaborativas; o interesse por comunidades de aprendizagem contínua e redes de apoio profissional; a valorização de competências transversais, como criatividade, pensamento crítico e adaptabilidade; e a ampliação do mercado de educação complementar em design, impulsionada pelo contexto de transformação digital e cultural. Essas dores e oportunidades moldam a proposta da Maré, reafirmando a necessidade de oferecer uma iniciativa que una teoria e prática de forma dinâmica, fortaleça a autonomia dos participantes e construa uma rede ativa de apoio, inovação e desenvolvimento.
considerações para inserção no mercado
Diante do cenário mapeado, a inserção da Maré no mercado de educação complementar em design se configura como uma resposta estratégica a necessidades reais e não totalmente atendidas. A proposta se diferencia ao unir repertório cultural, prática aplicada e construção de rede, operando como um estúdio de aprendizagem híbrido, que combina ambientes digitais e físicos para promover experiências imersivas, colaborativas e profissionalizantes.
Dessa forma, a Maré se direciona a um público que busca autonomia, conexão e desenvolvimento real no campo do design, posicionando-se como um complemento às formações tradicionais ao operar em um ecossistema de aprendizado contínuo e colaborativo. Para consolidar sua presença no mercado, será essencial
construir uma identidade forte, estabelecer parcerias estratégicas com marcas e instituições culturais e adotar estratégias de comunicação que valorizem a prática, a comunidade e o desenvolvimento profissional por meio de experiências culturais e interdisciplinares. Conclui-se, assim, que a Maré deve articular repertório, prática e rede para oferecer experiências formativas relevantes e transformadoras, mantendo-se atenta às mudanças do setor e às necessidades emergentes de seu público.
modelo de negócio (05)
Este capítulo apresenta as bases estratégicas que sustentam o negócio. Em destaque, o modelo de negócios Canvas estrutura os principais blocos operacionais da Maré, como segmentos de clientes, canais, recursos, parcerias, fontes de receita e estrutura de custos. A seguir, o Golden Circle contribui para explicitar o propósito do projeto, sua forma de atuação e os valores que entrega. Também é detalhada a proposta de valor, que organiza os pilares da experiência formativa. Por fim, o Mix de Marketing (8Ps) demonstra como a entrega de valor se concretiza na prática, considerando aspectos como produto, preço, promoção, pessoas, processos e outros elementos fundamentais da operação.
DESIGN: DIFERENCIAL E MODELO DE NEGÓCIO
Após mapear o contexto do mercado de educação complementar em design, identificar as principais dores e oportunidades do setor e analisar experiências relevantes por meio de benchmarking, esta seção apresenta a estruturação do projeto Maré como um estúdio de aprendizado em design com caráter empreendedor. A proposta surge como resposta às tensões enfrentadas por estudantes em fase final de graduação e recém-formados, como a dificuldade de aplicar conhecimentos teóricos em contextos reais, a falta de preparo para os desafios do mercado, o sentimento de isolamento profissional e a carência de redes de apoio e orientação prática.
A Maré nasce como um estúdio de aprendizagem que une prática, comunidade e cultura como pilares estruturantes, oferecendo experiências formativas que ampliam a autonomia, a experimentação e o pertencimento. Aqui, será apresentada a consolidação estratégica do projeto enquanto negócio, incluindo os diferenciais do design como linguagem e ferramenta de articulação, além da formulação de sua metodologia autoral.
O design ocupa uma posição central na construção estratégica da Maré, não apenas como campo de atuação, mas como metodologia e abordagem crítica para estruturar o próprio negócio. Desde as etapas iniciais do projeto, foi empregada a metodologia do Duplo Diamante, em especial em sua versão de “framework para inovação”, concebida pelo Design Council UK (2005), para guiar o processo em quatro macro etapas: imersão, definição, desenvolvimento e entrega. Essa estrutura permitiu realizar uma imersão profunda no contexto da educação em design no Brasil, identificar lacunas entre ensino formal e atuação prática, e propor soluções co-criadas com o público-alvo. A metodologia se mostrou especialmente
eficaz para conectar insights de pesquisa à prototipação de soluções centradas no usuário.
Ferramentas complementares como o Golden Circle (Sinek, 2009), o Modelo Canvas de Negócios (Osterwalder e Pigneur, 2010), mapas de empatia, personas e jornadas do usuário foram utilizadas na modelagem do projeto. Essas estratégias metodológicas, associadas ao pensamento de design, revelaram dores e oportunidades frente aos desafios enfrentados por estudantes e jovens profissionais, como a insegurança na tomada de decisões autônomas, dificuldade de aplicar teoria em contextos práticos e sensação de despreparo para atuar em ambientes colaborativos e complexos.
Em resposta a esse diagnóstico, a Maré propõe uma abordagem de aprendizagem que integra cultura, prática e comunidade como eixos formativos. A proposta complementa a educação tradicional, frequentemente baseada na linearidade curricular e na transmissão unidirecional de conhecimento. Inspirada em abordagens como o design social (Manzini, 2015), o design orientado ao contexto (Margolin & Buchanan, 1996) e os estúdios de criação experimental, a Maré valoriza a aprendizagem situada, afetiva e colaborativa.
Esse modelo encontra respaldo na perspectiva da complexidade proposta por Edgar Morin (2000), que entende o conhecimento como um sistema interconectado e em constante transformação, e nas
contribuições de Rafael Cardoso (2008), que vê o design como uma prática cultural atravessada por dinâmicas históricas, sociais e simbólicas. Complementarmente, a abordagem transdisciplinar defendida por Ubiratan D’Ambrosio (2008) reforça a importância de integrar diferentes saberes e práticas na construção de percursos formativos mais significativos e enraizados em contextos diversos.
O diferencial estratégico do projeto está em sua proposta de um ambiente imersivo e transdisciplinar, no qual os participantes atuam como co-autores de suas próprias jornadas formativas. A Maré oferece experiências que mobilizam competências essenciais para o século XXI, conforme apontado pela UNESCO (2015): criatividade, pensamento crítico, adaptabilidade, resolução de problemas e colaboração. Mais do que aprender design, os participantes aprendem a aprender — em rede, em movimento, em diálogo com o mundo.
O design é, portanto, o elemento que articula a pedagogia, a estratégia e a identidade da Maré. Ao se posicionar como um estúdio vivo, conectado aos territórios culturais e aos desafios contemporâneos, a Maré ultrapassa o formato de cursos modulares e propõe uma aprendizagem viva e situada. Nesse sentido, sua missão não se limita a formar designers, mas a formar sujeitos críticos, sensíveis e engajados com a transformação de seus contextos sociais, culturais e ambientais.
golden circle
A estrutura do Golden Circle da Maré foi desenvolvida para traduzir com clareza a essência do projeto e alinhar suas ações às motivações profundas que sustentam sua existência. O modelo foi proposto por Simon Sinek (2009), no livro Start With Why, a partir da observação de que líderes e organizações inspiradoras comunicam de dentro para fora — começando pelo “porquê” (o propósito), depois o “como” (os diferenciais ou processos), e por fim o “o quê” (as entregas concretas). Esse referencial, amplamente adotado em estratégias de branding e liderança, foi escolhido por sua capacidade de estruturar narrativas de forma coerente e significativa. No contexto da Maré, permitiu consolidar a identidade do projeto de maneira sistêmica, articulando visão, ação e entrega com intencionalidade e clareza.
O propósito da Maré é transformar o aprendizado em design em uma experiência viva, prática e culturalmente conectada. A marca existe para formar designers mais conscientes, críticos e preparados para atuar de forma autônoma e criativa diante das complexidades contemporâneas. Essa abordagem se materializa nos ciclos temáticos da Maré, principal formato de atuação do projeto. Acontecendo em quatro ciclos por ano, cada um possui foco em um eixo cultural multidisciplinar distinto, que integram teoria e prática por meio de oficinas, laboratórios de criação e conteúdos editoriais. As atividades ocorrem combinando plataformas digitais, comunidades, encontros presenciais e espaços colaborativos. Dessa forma, os valores da Maré se tornam experiência concreta, e o conhecimento ganha forma na ação, na troca e na aplicação prática.
Por fim, o que a Maré faz se expressa em uma iniciativa de aprendizagem híbrida voltada ao design e à cultura criativa. Seu portfólio inclui uma comunidade ativa de estudantes e profissionais criativos; ciclos temáticos com desafios reais; laboratórios de criação em parceria com marcas; kits físicos e conteúdos digitais; além de guias e publicações autorais que conectam teoria, prática e repertório. A entrega da Maré ultrapassa o ensino convencional, atuando como um ecossistema de formação viva, situado e transdisciplinar.
o que
A Maré é uma plataforma de aprendizagem híbrida voltada ao design, que se estrutura em torno de uma comunidade ativa formada por estudantes, mentores e profissionais do setor. Sua proposta se concretiza por meio de ciclos temáticos que integram conteúdos online e presenciais, articulando teoria e prática em experiências imersivas. Os laboratórios de criação promovem desafios reais em parceria com marcas. Além disso, a Maré oferece guias, kits e materiais didáticos físicos que ampliam a vivência formativa, bem como produtos educacionais que combinam prática, cultura e repertório.
como
A Maré promove experiências práticas e transdisciplinares que unem teoria e prática, repertório cultural e projetos aplicados. Utiliza uma metodologia própria — baseada em Movimento, Autonomia, Rede e Experiência — que propicia a aprendizagem através de ciclos temáticos, oficinas, laboratórios de criação, mentorias e conteúdos editoriais. Tudo isso em um ambiente híbrido, combinando plataformas digitais, encontros presenciais e espaços de construção coletiva.
porque
A Maré existe para transformar o aprendizado em design em uma experiência viva, prática e culturalmente conectada. Seu propósito é formar designers mais conscientes, críticos e preparados para atuar de forma autônoma e criativa em um mundo complexo e em constante transformação. A Maré acredita que o conhecimento não é apenas adquirido, mas construído em comunidade, por meio da experimentação, da troca e da prática situada.
Figura 43 – Golden Circle Fonte: Elaboração própria, 2025.
MODELO CANVAS
O Business Model Canvas é uma ferramenta estratégica desenvolvida por Alexander Osterwalder e Yves Pigneur (2010) que permite a visualização integrada dos principais componentes de um modelo de negócio. Estruturado em nove blocos, o Canvas facilita a compreensão sistêmica das relações entre proposta de valor, segmentos de clientes, canais, relacionamentos, fontes de receita, recursos, atividades-chave, parcerias e estrutura de custos. No projeto da Maré, sua aplicação permitiu organizar de forma clara e coesa todas as áreas essenciais para a consolidação do estúdio como um negócio educacional inovador. Essa abordagem foi fundamental para orientar as decisões de desenvolvimento, lançamento e expansão da Maré no ecossistema da educação criativa.
parceiros estratégicos
Parceiros para Divulgação e Oficinas/ Experiências Presenciais
*fundamentais para alcançar o público, promover eventos e oferecer experiências presenciais
Parceiros para o Operacional *garantem a produção dos materiais necessários para a execução das atividades e comercialização de produtos
- Editoras (livros)
- Gráficas, fornecedores e produção de produtos físicos (papelaria, brindes, guias, etc.)
Parceiros para Ensino e Comunidade
*atuarão na transmissão de conhecimento, ministrando aulas, palestras e interagindo com a comunidade
- Alunos e ex-alunos de design
- Designers com experiência de mercado
- Designers educadores
- Especialistas
- Estúdios de design
segmento de clientes
- Estudantes e Recém-formados em Design (buscam aprendizado prático, networking e oportunidades para construir portfólio)
- Designers Experientes e/ou em Transição de Carreira (profissionais que querem se especializar, mudar de área ou ganhar novas experiências)
- Instituições de Ensino e Cultura (intermediadoras que conectam alunos e profissionais ao mercado e à comunidade criativa)
- Público Geral Interessado em Design (pessoas que apreciam design e desejam consumir conteúdos, produtos e experiências do setor)
atividades chave
Atividades/Experiências Físicas
- Palestras e aulas com especialistas
- Rodas e mesas de conversa
- Laboratório de criação (Workshops experimentais com a possibilidade de desenvolver projetos reais)
Proposta do Laboratório de Criação
- Formatos variados: sessões curtas ou imersão de 2 dias
- Criação de projetos com grandes marcas
- Criação de portfólio
- Projeto pro bono
- Networking
- Dinâmica de recrutamento interno para a marcas
Produção de Produtos Físicos
- Guia de sobrevivência em fascículos
- Produtos resultantes dos labs
- Loja de produtos da Marca Maré
Plataforma e Vendas
- Marketplace
- Venda de experiências presenciais
- Loja de produtos físicos
relações com os clientes
- Interação Direta (WhatsApp, marketplace, site e chatbots para suporte e comunicação)
- Eventos e Imersões (oficinas, palestras e participação em eventos do setor)
- Comunidade e Networking (grupos de discussão, fóruns e eventos para troca de experiências)
- Experiências Práticas (laboratórios, workshops e desafios com marcas e especialistas)
- Conteúdo e Desenvolvimento (blog, newsletter, vídeos, podcasts, mentorias e aulas com profissionais)
- Parcerias e Oportunidades (conexão com empresas, recrutamento e criação de portfólio com projetos reais.)
proposta de valor
A Maré é um estúdio e comunidade voltada ao aprendizado de design e da cultura criativa. Conectando pessoas para vivenciar um design com profundidade e aprender na prática, a Maré busca potencializar os designers em formação, através de ciclos transdisciplinares de experiências memoráveis, produtos físicos e plataforma digital. Acreditamos que possamos criar juntos, da teoria à prática, um design mais forte.
recursos chave
- Plataforma Digital: Marketplace, comunidade, servidor e armazenamento em nuvem.
- Rede de Especialistas: Palestras, mentorias e produção de conteúdo (vídeos, artigos, podcasts).
- Parcerias Estratégicas: Empresas patrocinadoras, contratação de talentos e fornecedores de materiais.
- Infraestrutura Física: Espaços para eventos, equipamentos e serviços terceirizados.
- Comunidade Engajada: Designers e profissionais contribuindo ativamente.
canais
Digitais
- Site (plataforma para compra de experiências, produtos físicos e acesso à comunidade)
- E-mail Marketing e Newsletter (divulgação de oportunidades e conteúdos exclusivos)
- WhatsApp (canal principal da comunidade)
- Instagram, TikTok, YouTube, Spotify (divulgação, conteúdo educativo e tendências)
Presenciais
- Eventos (presença em festivais, feiras e encontros de design
- Instituições de Ensino e Cultura (palestras e workshops)
estrutura de custos
- Infraestrutura digital: hospedagem do site, servidores, ferramentas de automação e gestão da comunidade.
- Conteúdo e marketing: produção de vídeos, podcasts, blog, redes sociais e campanhas de e-mail.
- Operação e logística: aluguel de espaços, transporte, produção de materiais e serviços terceirizados.
- Equipe e colaboradores: remuneração de especialistas, suporte técnico, produção de conteúdo e parcerias estratégicas.
fluxo de receita
- Experiências presenciais: oficinas, palestras, laboratórios e eventos imersivos com especialistas.
- Marketplace e produtos físicos: venda de materiais educacionais, itens personalizados e livros em parceria com editoras.
- Assinaturas e comunidade: planos pagos com acesso a conteúdos exclusivos, mentorias e uma rede premium de designers.
- Parcerias e patrocínios: apoio de empresas para desafios, eventos e projetos colaborativos com marcas.
Figura 44 – Modelo Canvas Fonte: Elaboração própria, 2025.
proposta de valor
A Maré é um estúdio e comunidade voltada ao aprendizado de design e da cultura criativa, que conecta pessoas dispostas a vivenciar o design com profundidade e aprender na prática. Seu foco está em potencializar designers em formação por meio de um programa de carreiras aceleradas, oferecendo experiências transdisciplinares que os aproximam do mercado. Com ciclos de aprendizado que combinam vivências memoráveis e produtos físicos, o projeto cria oportunidades reais para construção de portfólio, networking e desenvolvimento profissional. Essa proposta se apoia em experiências educativas práticas, na conexão com especialistas e marcas, em produtos exclusivos e em uma plataforma que facilita o acesso ao conhecimento e à inserção no mercado. Acreditamos que é possível, juntos, construir um design mais forte, do conceito à aplicação.
Esse posicionamento nasce de uma escuta atenta às principais dores enfrentadas por estudantes e jovens profissionais da área. Entre elas, destacam-se a dificuldade de aplicar a teoria em situações reais, a insegurança diante das exigências do mercado, a falta de orientação prática e a ausência de experiências que permitam desenvolver um portfólio relevante. Além disso, muitos relatam um sentimento de isolamento ao longo da formação, sem acesso a redes de apoio ou espaços de troca. A Maré responde a essas questões com uma abordagem prática, colaborativa e culturalmente conectada, que amplia o repertório e oferece caminhos concretos para a construção de trajetórias profissionais mais seguras e significativas. Para isso, a proposta de valor se resume nos quatro pilares detalhados a seguir.
Figura 45 – Proposta de Valor
Fonte: Elaboração própria, 2025.
estúdio de aprendizado para designers aprender na prática: vivenciando o design do conceito à experiência comunidade como força de troca e impulso cultura, inovação, transdisciplinaridade, experimentação e movimento
“Somos movimento”
“Você não controla a maré, mas pode transformar sua força em impulso.”
A Maré é um estúdio que promove a união entre teoria e prática, formando uma comunidade colaborativa. Prepara profissionais para atuar em um mundo complexo e em constante transformação.
“Fazer design é fazer o pensamento nascer no mundo.”
“De gota em gota fazemos a maré”
“Mar calmo não faz bom marinheiro.”
“Nosso design existe no contexto”
A Maré acredita que o aprendizado é contínuo. Por meio de experiências imersivas e experimentação em grupo, estimula mentes criativas a evoluírem com autonomia, pensamento crítico e prática constante — em cursos e produtos, presenciais e online.
A Maré entende que o design é mais potente quando feito de forma colaborativa. Sua comunidade oferece networking e colaboração entre estudantes e profissionais que buscam aprofundar suas práticas e compartilhar conhecimento.
A Maré acredita que a inovação nasce da interação entre culturas e disciplinas. Sua metodologia se estrutura em repertório, técnica, prática e contexto, incentivando a experimentação. Conecta aprendizado e cultura para formar profissionais preparados para lidar com cenários globais em constante transformação.
A Maré é um estúdio e comunidade voltada ao aprendizado de design e da cultura criativa. Conectando pessoas para vivenciar um design com profundidade e aprender na prática, a Maré busca potencializar os designers em formação, através de ciclos transdisciplinares de experiências memoráveis, produtos físicos e plataforma digital. Acreditamos que possamos criar juntos, da teoria à prática, um design mais forte.
estúdio de aprendizado para designers
A Maré é um estúdio que prepara profissionais para atuar em um mundo complexo e em constante transformação, onde a capacidade de adaptação e inovação é essencial. Essa parte da proposta de valor parte da ideia de que o aprendizado se torna mais significativo quando é aplicado e compartilhado, fortalecendo a autonomia criativa dos participantes. Por isso, adota uma estrutura baseada em ciclos temáticos trimestrais, que permitem abordagens transdisciplinares aliadas ao design, situadas e conectadas com a realidade cultural.
Conforme previamente citado nos temas contextualizadores, a Maré se inspira na teoria do currículo vivo de Junqueira Filho (2017) para propor uma aprendizagem em fluxo contínuo, não-linear, que amplia possibilidades de atuação do design para ambientes além da sala de aula. Esse entendimento dialoga com a noção de lugar de Milton Santos (1996), que compreende o espaço como carregado de sentido humano e cultural, e com Edgar Morin (2000), que defende práticas formativas abertas à instabilidade e capazes de articular diferentes saberes. Nesse sentido, Rafael Cardoso (2016) complementa ao afirmar que o design, em contextos complexos, deve compreender sistemas interdependentes e propor soluções enraizadas em realidades específicas.
Como modelo de operação, a Maré funcionará como um estúdio sem espaço físico próprio, atuando de forma itinerante e em rede. Os cursos e atividades presenciais serão realizados por meio de parcerias com instituições culturais, espaços independentes e locais voltados à educação e à criatividade, alugados conforme a demanda de cada ciclo. No ambiente digital, o estúdio concentra sua comunicação, a construção de comunidade e a comercialização de produtos físicos autorais. A plataforma online também servirá como ponto de contato com o público, canal de divulgação dos ciclos e espaço para compartilhamento de conteúdos, ampliando o alcance da proposta e fortalecendo a presença da marca no ecossistema criativo. Essa estrutura enxuta e colaborativa permite flexibilidade, reduz custos fixos e fortalece o vínculo com os territórios culturais em que a Maré atua.
vivenciando o design do conceito à experiência
Na Maré, vivenciar o design significa atravessar todas as etapas do processo criativo, do pensamento conceitual à entrega final. Para isso, o estúdio oferece um portfólio diversificado de produtos e serviços que combinam repertório, prática e contexto real, detalhados em breve em tópico específico. As atividades formativas incluem palestras, rodas de conversa, oficinas criativas e laboratórios de criação, cada uma com formatos, durações e objetivos específicos, voltados ao desenvolvimento técnico, crítico e profissional. Esses encontros são realizados em parceria com especialistas, ambientes e marcas, e promovem o networking, a troca de experiências e a construção de portfólio.
A Maré também desenvolve produtos próprios, em destaque o Guia de Sobrevivência do Design. Além disso, também conta com kits, templates editáveis e peças gráficas geradas a partir de laboratórios de criação. Esses itens, físicos e digitais, são distribuídos nos ciclos, em oficinas e na loja virtual, funcionando como extensões da experiência formativa e ampliando o acesso ao conteúdo, repertório e prática do design.
Essa abordagem dialoga com Rafael Cardoso (2016), que afirma que o design exige autonomia crítica para ir além da simples reprodução de fórmulas acadêmicas. Donald Norman (2020) reforça a importância de uma formação reflexiva e conectada com os desafios complexos do mundo atual. Já a teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner (1999) destaca a necessidade de respeitar as singularidades cognitivas de cada indivíduo. Desse modo, a Maré se posiciona nesse cruzamento, promovendo protagonismo, escolha e pensamento autônomo como práticas estruturantes do processo formativo.
comunidade como força de troca e impulso
Maré entende que o design se torna mais potente quando é praticado em comunidade. Sua estrutura fomenta o networking e a colaboração entre estudantes e profissionais, criando um ambiente de troca de conhecimentos, experiências e repertórios. Essa rede de apoio e co-criação enriquece não apenas a trajetória individual, mas também impulsiona o desenvolvimento coletivo, fortalecendo a inserção e a atuação dos participantes no mercado. As experiências presenciais promovem a convivência, o contato direto e a construção de vínculos significativos. Ao mesmo tempo, a atuação no ambiente digital, com o uso de plataformas e redes sociais, amplia o alcance da comunidade e estimula trocas contínuas mesmo à distância. Cada interação é encarada como uma oportunidade de crescimento mútuo, onde, de gota em gota, constrói-se uma maré de transformação.
Essa abordagem encontra respaldo em diferentes perspectivas teóricas. Edgar Morin (2000) destaca a importância das conexões para lidar com a complexidade do mundo contemporâneo. Victor Papanek (1971) já criticava o isolamento da formação em design e defendia o engajamento com a realidade social. Autores como Sanders e Stappers (2008) e Fuad-Luke (2009) reforçam o papel do designer como facilitador de processos criativos coletivos. Alinhada a essas visões, a Maré promove a aprendizagem em rede como motor de transformação cultural e profissional, ampliando o papel do design como agente de articulação e mudança.
cultura, experimentação e movimento
Acreditando que a inovação surge da interação entre diferentes culturas e disciplinas, a Maré estrutura seu modelo de aprendizagem com uma abordagem transdisciplinar, conecta o aprendizado à cultura, formando profissionais preparados para atuar em cenários complexos, diversos e em constante transformação. Essa proposta responde a lacunas frequentes relatadas por estudantes e jovens designers, como a dificuldade de entender o papel do design fora de contextos técnicos e a limitação de repertório para lidar com problemas reais e multidimensionais. Parte do princípio de que o design só existe quando está em contexto e em movimento, reconhecendo a importância de uma prática viva, crítica e adaptável. Por isso, aposta em laboratórios, oficinas e vivências como estratégias formativas que integram razão e sensibilidade, ampliando o olhar dos participantes e sua capacidade de resposta diante dos desafios contemporâneos.
Essa perspectiva dialoga com diversas referências teóricas. Julie Dirksen (2012) destaca a importância do ambiente e do engajamento emocional para o aprendizado. Já Donald Norman (2020) propõe experiências que rompem com os limites da sala de aula tradicional e se conectam com a realidade. Victor Papanek (1971) defende que o design precisa ser vivido para fazer sentido. Por fim, Ubiratan D’Ambrosio (1993) aponta a transdisciplinaridade como caminho para integrar ciência, cultura e
vida nos processos educativos. A Maré sintetiza esses princípios ao criar experiências sensíveis, imersivas e profundamente conectadas com os contextos e territórios dos aprendizes.
Com um modelo enxuto e flexível, o estúdio opera de forma itinerante e em rede, ativando espaços criativos em parceria com instituições, marcas e coletivos. Os ciclos temáticos organizam a programação em torno de eixos culturais como música, moda, gastronomia e cinema, funcionando como fio condutor das trilhas formativas. As experiências são viabilizadas por formatos diversos, como oficinas, laboratórios, rodas de conversa, imersões e produtos autorais, todos pensados para estimular a experimentação, o pensamento crítico e o desenvolvimento de portfólio.
A atuação híbrida da Maré reforça sua dimensão comunitária. A presença digital permite divulgar conteúdos, ampliar o alcance da rede e fortalecer os vínculos entre participantes, mesmo fora do espaço físico, enquanto os encontros presenciais promovem convivência, escuta e trocas significativas. A comunidade se torna, assim, parte fundamental do processo formativo, funcionando como rede de apoio, campo de colaboração e espaço de construção de repertório.
Por fim, a dimensão experiencial está no centro da proposta: o aprendizado é construído na ação, na sensibilidade e no contexto. Guias, kits, ambientações e outros recursos materiais integram o percurso, tornando o conteúdo mais acessível, prático e conectado à realidade dos participantes. Ao valorizar a diversidade de saberes, a autonomia na aprendizagem e a articulação entre design e cultura, a Maré se posiciona como um agente formador de designers preparados para os desafios do presente e abertos à construção de futuros mais inclusivos, criativos e transformadores.
segmento de clientes
A Maré direciona suas soluções para diversos segmentos de clientes. O primeiro e principal é composto por estudantes e recém-formados em design que se encontram em um momento importante no início de suas carreiras, buscando aprofundamento prático, desenvolvimento de portfólio, networking e inserção no mercado. Esse público foi mapeado com base em escutas realizadas ao longo do projeto, considerando características como faixa etária, interesses, hábitos de consumo de conteúdo, desafios na formação e aspirações profissionais.
Com base nas imersões e pesquisas realizadas ao longo do desenvolvimento do projeto, identificou-se que o público-alvo está concentrado principalmente entre estudantes de design que frequentam instituições de ensino superior mais acessíveis da cidade de São Paulo. Trata-se de indivíduos que, apesar de não terem tido condições de ingressar em faculdades de elite, demonstram alto comprometimento com sua formação, investindo tempo, recursos e energia em cursos complementares, oficinas e programas extracurriculares. Esse perfil revela uma forte motivação em se atualizar, conectar-se com o mercado e ampliar suas possibilidades de atuação profissional por meio de iniciativas formativas práticas e acessíveis.
O segundo segmento abrange designers que se formaram de 1 a 5 anos e se encontram em momentos apropriados para transição,
progressão ou especialização em suas carreiras, necessitando, portanto, de atualização técnica, novas vivências e ampliação de suas redes de contato.
O terceiro segmento amplia as possibilidades de conexão com a marca e contempla instituições de ensino e cultura interessadas em parcerias que complementem suas ofertas formativas com experiências práticas e contextuais. Já o quarto segmento é composto pelo público geral interessado em design, cultura e economia criativa, que busca experiências culturais, desenvolvimento de habilidades criativas e conexões profissionais.
Além desses públicos, a Maré se conecta de forma estratégica com um ecossistema ampliado de especialistas, educadores, coletivos e marcas parceiras. Esses agentes não apenas colaboram na mediação das atividades e no desenvolvimento de conteúdos, mas também ampliam a potência das experiências formativas ao compartilhar vivências, repertórios e desafios reais com os participantes.
Essa rede é fundamental para garantir a relevância, diversidade e aplicabilidade dos percursos de aprendizagem oferecidos.
Todos esses perfis, em diferentes papéis, compartilham o interesse por abordagens práticas, contemporâneas e integradoras no aprendizado e no desenvolvimento de suas trajetórias.
Personas
O uso de personas é uma metodologia amplamente adotada em processos de design centrado no usuário e em estratégias de comunicação e inovação. Segundo Cooper et al. (2014), personas são representações fictícias baseadas em dados reais que ajudam a compreender comportamentos, motivações e necessidades de grupos específicos. Ao humanizar os perfis de usuários, as personas auxiliam na tomada de decisões mais assertivas sobre produtos, serviços, linguagem e canais.
No campo do design educacional, seu uso permite alinhar a proposta formativa aos contextos, repertórios e expectativas dos aprendizes. Dessa forma, a construção de personas da Maré teve como foco o aprofundamento estratégico do seu principal segmento de clientes, orientando decisões sobre linguagem, canais de comunicação, formatos de cursos e experiências oferecidas pelo estúdio.
Com o objetivo de ampliar o impacto da marca e o seu potencial de alcance, as personas foram construídas considerando a possibilidade de dialogar com perfis diversos dentro do público-alvo central da Maré. Um cuidado específico foi direcionado à inclusão de um recorte sociocultural que contempla além de estudantes e formandos de instituições privadas, aqueles frequentemente afastados das oportunidades formativas complementares por barreiras financeiras, geográficas ou de
acesso à informação. Esse olhar busca orientar decisões mais inclusivas e direcionadas na comunicação, na precificação e na construção de conteúdos, contribuindo para a democratização do aprendizado em design e o fortalecimento de trajetórias plurais no campo criativo.
Embora a Maré também se conecte com um raio mais amplo de especialistas, educadores e parceiros institucionais, as personas aqui desenvolvidas refletem os perfis que estarão no centro das trilhas formativas e das estratégias de engajamento. Com isso, o estúdio garante que sua atuação permaneça centrada nas necessidades reais dos designers em início de carreira, promovendo experiências mais alinhadas às suas expectativas, mas ainda atingindo outros públicos de forma complementar.
Amanda Santos tem 21 anos e está no sétimo semestre de Design na Faculdade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Criativa e curiosa, Amanda transita entre diferentes áreas do design com interesse genuíno em ampliar seu repertório. No entanto, ainda lida com inseguranças sobre suas habilidades e sobre o rumo profissional que deseja seguir. Ela equilibra os estudos com estágios e trabalhos pontuais, enfrentando a falta de tempo e os limites financeiros como obstáculos frequentes em sua formação.
Mesmo com esses desafios, Amanda tem um desejo claro de complementar sua graduação com experiências mais práticas e conectadas ao mercado, acreditando que isso será essencial para conquistar melhores oportunidades e se posicionar de forma mais segura na área. Seu foco atual está em fortalecer o portfólio, desenvolver repertório técnico e expressivo, e encontrar um caminho profissional que também faça sentido pessoalmente.
Ela representa um perfil recorrente entre estudantes em transição para o mercado: pessoas com grande potencial, mas que enfrentam dúvidas, pressão por desempenho e dificuldades para acessar espaços formativos de qualidade. Amanda valoriza ambientes de aprendizado que unam técnica, acolhimento e inspiração onde possa experimentar, crescer e se conectar com outras pessoas, sem medo de errar. Busca se desenvolver com autonomia, mas também deseja pertencer a uma comunidade que valorize o processo tanto quanto o resultado.
"tenho vontade de fazer muita coisa, mas me sinto perdida, como se estivesse à deriva no mar de opções"
Figura 46 – Persona Amanda Santos Fonte: Elaboração própria, 2025.
Gabriel Oliveira tem 26 anos e é designer júnior, formado pela ETEC de São Paulo. Atua em uma agência de publicidade e, desde o início da carreira, busca se destacar como um profissional engajado e inovador. Além de crescer profissionalmente, Gabriel compartilha seus conhecimentos e experiências com outros designers, seja por meio de redes sociais ou participando de eventos.
Ele lida com a ansiedade da pressão no ambiente profissional e da necessidade constante de atualização, mas é movido por sua paixão pelo design e seu desejo de inovar e contribuir para a comunidade criativa. Acompanha tendências, participa ativamente de cursos, eventos e discussões sobre a área, mas sente a necessidade de aprimorar suas habilidades de gestão, liderança e domínio de novas tecnologias.
Representa o perfil de profissionais em fase de consolidação: já inserido no mercado, mas ainda buscando segurança, reconhecimento e espaço para evoluir. Gabriel deseja crescer rapidamente na carreira, consolidar sua identidade como designer e se tornar mais estratégico em sua atuação. Procura experiências formativas aplicadas que o ajudem a unir crescimento profissional com propósito — indo além das entregas diárias e se conectando com uma comunidade ativa, colaborativa e inspiradora.
“quero conhecer mais sobre o mundo corporativo e talvez trabalhar em uma grande marca, cada projeto é uma chance de deixar minha marca no mundo”
Figura 47 – Persona Gabriel Oliveira Fonte: Elaboração própria, 2025.
mapa de entrega de valor
O Mapa de Entrega de Valor tem origem no Value Proposition Canvas, desenvolvido por Osterwalder, Pigneur, Bernarda e Smith (2014), que propõe o alinhamento entre a proposta de valor de uma organização e as reais necessidades de seus usuários. A aplicação desse método contribuiu para estruturar com clareza como a Maré pode gerar valor de forma contextualizada, sensível e relevante para seus públicos prioritários. Desse modo, a entrega da Maré foi pensada a partir de uma escuta ativa e atenta às necessidades reais de estudantes, designers em formação, profissionais em início de carreira e especialistas em busca de reinvenção ou expansão profissional. A partir da identificação de tarefas, dores e ganhos, tornou-se evidente a lacuna entre a formação tradicional em design e as exigências práticas, emocionais e sociais da vida profissional contemporânea.
No campo das dores, destacam-se desafios como a insegurança sobre as próprias habilidades, baixa autoestima, solidão no processo criativo, dificuldade de começar ou concluir projetos e ausência de clareza sobre o que é possível construir na carreira. Situações como falta de prática, pouca autoria, cobrança excessiva, incertezas e barreiras estruturais (como localização geográfica) reforçam um cenário de frustração. Para aliviar essas dores, a Maré estrutura serviços como espaços seguros de escuta, apoio para começar, conexões com o mercado e metodologias que ajudam os participantes a dar o primeiro passo com mais confiança e consistência.
As tarefas e expectativas dos participantes envolvem ampliar repertório, desenvolver competências técnicas e criativas, experimentar novas áreas do design e construir um portfólio relevante. Para atender a essas demandas, a Maré oferece experiências formativas híbridas e integradas, que vão de oficinas presenciais a produtos físicos, conteúdos digitais e desafios colaborativos com parceiros do mercado.
Como criadora de ganhos, a Maré oferece experiências que articulam aprendizado prático com inserção real no ecossistema do design. Atividades como labs com desafios reais, kits temáticos, projetos colaborativos, vivências culturais e materiais de apoio são pensados para impulsionar a autoria, expandir o repertório e conectar teoria e prática de forma dinâmica. Além disso, a produção de conteúdos como o Guia de Sobrevivência do Design, a Lojinha Maré com itens exclusivos e os resultados dos laboratórios se transformam em ferramentas de apoio contínuo à trajetória dos participantes.
O mapa serviu como guia estratégico para estruturar um ecossistema coerente e aplicável, composto por cursos, palestras, kits, vivências e canais de troca. Ao integrar repertório, prática e comunidade, a Maré transforma escuta em entrega e posiciona-se como uma iniciativa viva de aprendizagem em design.
Elaboração própria, 2025.
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Figura 48 – Mapa de Entrega de Valor
Fonte:
jornada do usuário
A jornada do usuário foi pensada para oferecer uma experiência progressiva, fluida e coerente com os pilares da proposta, cultura, prática e comunidade. Inspirada nas abordagens de design de serviços propostas por autores como Stickdorn et al. (2011), essa ferramenta foi adaptada e desenvolvida pela equipe do projeto Maré, com base nas escutas e segmentações realizadas ao longo da pesquisa. O primeiro momento desse percurso é a fase de Descoberta, em que o público-alvo entra em contato com a plataforma por meio de redes sociais, site institucional, eventos culturais ou indicações. Nessa etapa inicial, o foco está em despertar o interesse e a curiosidade dos potenciais participantes, incentivando ações simples como seguir os canais oficiais, salvar conteúdos e assinar a newsletter para se manter informado.
Em seguida, ocorre a Primeira Conexão, que marca o início de um vínculo mais ativo com a Maré. Aqui, o usuário começa a se engajar de fato, acessando conteúdos como o Guia de (Sobre)vivência, participando de eventos, palestras e rodas de conversa. Também é nesse momento que se abrem oportunidades de contato com empresas, alunos e ex-alunos da rede, além do ingresso em comunidades e grupos de interesse — o que fortalece o senso de pertencimento e a construção de vínculos com outros participantes.
Na terceira etapa, chamada Imersão e Participação, o envolvimento se intensifica por meio da inscrição em cursos, oficinas e laboratórios. O usuário passa a integrar projetos coletivos ou individuais, publicando trabalhos, recebendo feedbacks e participando ativamente das atividades do estúdio. O reconhecimento das produções, por meio de certificações e apresentações públicas, potencializa o engajamento e a construção de repertório prático, teórico e cultural.
Por fim, a etapa de Autonomia e Expansão representa o amadurecimento da jornada.
Nesse estágio, o participante assume novos papéis como facilitador, lidera projetos autorais, estabelece parcerias com marcas e instituições e consolida seu portfólio. A Maré atua, então, como uma ponte para a atuação no mercado, estimulando o empreendedorismo criativo e fortalecendo trajetórias autônomas no campo do design e da cultura.
jornada do usuário exemplo jornada da Amanda
Descoberta
- Redes sociais
- Site institucional
- Evento na faculdade
- Eventos culturais
- Ads da rua
Primeira Conexão
- Guia de Sobrevivência
- Eventos e Palestras
- Oficinas gratuitas
- Contato com empresas, alunos e ex-alunos
- Entrada em grupos e comunidades
Imersão e Participação
- Inscrição em oficinas ou laboratórios
- Participação em Projetos coletivos e individuais
- Publicação de trabalhos e participação em palestras
Autonomia e Expansão
- Liderança de projetos autorais
- Parcerias com marcas e instituições
- Consolidação de portfólio
49 – Jornada do Usuário Fonte: Elaboração própria, 2025.
Figura
atividades-chave
As atividades-chave da Maré foram organizadas em seis áreas principais que sustentam a operação e garantem a entrega consistente dos ciclos. Cada área reúne funções estratégicas que se articulam ao longo dos três meses de cada ciclo temático, desde a curadoria e criação de conteúdo até a produção, divulgação e finalização das entregas. A atuação inicial, em 2025, será conduzida por um núcleo reduzido, com ações feitas internamente pelos sócios e com apoio pontual de parceiros terceirizados. Esse modelo enxuto e flexível permite testar processos, ajustar fluxos e construir uma base sólida para a expansão futura.
A área de Criação & Conteúdo responde pelo desenvolvimento da identidade visual, guias, kits e materiais editoriais, sendo feita majoritariamente in-house. Audiovisual & Comunicação lida com vídeos, cobertura de eventos e divulgação institucional, iniciando com produção básica e parcerias pontuais. A frente de Tecnologia & Plataforma é completamente terceirizada, com foco em suporte técnico, CRM e integrações digitais. Já a área de Educação e Comunidade é central para a proposta da Maré, com curadoria de ciclos, produção de conteúdo educativo e mediação das experiências — feita pelos sócios com profissionais convidados. As áreas de Produção & Operações e Gestão & Jurídico completam a estrutura, garantindo o funcionamento logístico, financeiro e legal do projeto.
Até 2029, a expectativa é que essas áreas evoluam para um modelo mais robusto e híbrido. A criação deve contar com equipe interna e redatores dedicados; o audiovisual será fortalecido por parcerias fixas e assessoria de imprensa; a educação contará com um núcleo pedagógico estável e rede de profissionais recorrentes; a produção terá logística consolidada com fornecedores estratégicos; e a governança será ampliada com gestão de dados e jurídico externo especializado. Essa visão de longo prazo permite que a Maré se estruture com consistência, garantindo escalabilidade sem abrir mão da qualidade e da coerência com seus valores.
área funções prestadas execução em 2025 evolução esperada até 2030
Criação & Conteúdo
Figura 50 – Atividades-chave
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Audiovisual & Comunicação
Desenvolvimento de identidade visual, guias, kits, embalagens, blog, redes sociais, roteiros, textos e traduções
Gravação e edição de vídeos, motion, cobertura de eventos, divulgação institucional
Tecnologia & Plataforma
Educação & Comunidade
Gestão da plataforma digital, suporte técnico, trilhas e agendamentos, CRM, integrações e melhorias contínuas
Curadoria dos ciclos, produção de conteúdo educativo, mediação de oficinas e eventos, mentoria, rede de ex-alunos e comunidade ativa
Produção & Operações
Gestão & Jurídico
Produção e logística de kits e materiais físicos, montagem, envio, estoque e gestão da lojinha
Planejamento estratégico, contratos, governança, contabilidade, inteligência de dados, atendimento jurídico e suporte administrativofinanceiro
In-house pelos sócios
Produção básica in-house + parceiros terceirizados
Terceirizado
Time criativo interno com designer fixo e redator/ editor contratado
In-house pelos sócios + mentores convidados
Parceria fixa para audiovisual + assessoria de imprensa
Parceria técnica contínua com possíveis integrações internas específicas
Núcleo pedagógico interno + rede de mentores recorrentes + comunidade autogerida
Terceirizado
Consolidação com gráficas, fornecedores e centros logísticos parceiros
In-house pelos sócios + serviços terceirizados
Governança estruturada com núcleos internos + jurídico-contábil externo
sistema de ciclos temáticos
O sistema de ciclos temáticos da Maré organiza suas atividades em módulos trimestrais, com início, meio e fim definidos. Cada ciclo se estrutura em três fases complementares. A primeira, voltada à captação e engajamento, concentra ações abertas ao público, como oficinas introdutórias, rodas de conversa e conteúdos gratuitos. Essas ações funcionam como ponto de entrada para novos participantes e como ferramenta de ativação da comunidade. Em seguida, a fase de atividades formativas reúne os principais produtos e serviços da Maré, como oficinas criativas, laboratórios de criação e experiências imersivas. Por fim, a fase de encerramento e entrega celebra os resultados do ciclo com apresentações públicas, lançamento de projetos autorais, envio de kits e outras ações de visibilidade e conclusão.
Essa estrutura promove uma jornada de aprendizagem integrada, em que os participantes se envolvem com diferentes linguagens e formatos ao longo do ciclo. As atividades são articuladas em torno de três eixos complementares: conteúdo técnico, prática criativa e repertório cultural, permitindo que teoria, criação e contexto se fortaleçam mutuamente em experiências vivas e situadas.
A escolha dos temas de cada ciclo parte de uma curadoria dinâmica, que busca cruzar cultura, design e educação em perspectivas contemporâneas. Os temas
são definidos com base em critérios como relevância social, abertura interpretativa e conexão prática com o campo do design. O processo inclui escutas com a comunidade, observação de tendências e análise do potencial mobilizador de cada proposta. Essa abordagem permite que a Maré mantenha um diálogo constante com os debates atuais, sem se prender a uma fórmula fixa.
Além da curadoria temática, o modelo de ciclos conta com parcerias estratégicas como pilar fundamental. A cada edição, instituições culturais, coletivos, marcas e profissionais convidados colaboram na criação das experiências. Essas parcerias contribuem para ampliar a rede de atuação da Maré, conectar o design a outros campos do conhecimento e viabilizar trocas concretas entre participantes e agentes do ecossistema criativo. Mais do que apoios pontuais, essas colaborações são construídas com base em afinidade de valores e vontade compartilhada de produzir experiências formativas autênticas, acessíveis e transformadoras.
captação e engajamento conteúdos gratuitos, oficinas abertas, ações de comunidade
entregas e encerramento lançamento de produtos autorais, envio de kits, eventos de encerramento
mês 1: captação e engajamento
atividades oficinas criativas, laboratórios e experiências imersivas mês 1
Figura 51 – Sistema de Ciclos Temáticos
Fonte: Elaboração própria, 2025.
- Fase focada em atrair novos participantes e ampliar a comunidade.
- Oferecimento de conteúdos gratuitos e ações abertas ao público, como rodas de conversa, oficinas.
- Criação de vínculos iniciais por meio de práticas acessíveis, promovendo acolhimento e curiosidade.
- Atua como porta de entrada para novos públicos conhecerem a proposta e se engajarem nos ciclos seguintes.
mês 2 – atividades formativas
- Desenvolvimento de experiências mais aprofundadas com foco no aprendizado prático e criativo.
- Realização de oficinas criativas, laboratórios de experimentação e vivências imersivas.
- Encontros mediados por profissionais convidados, promovendo repertório técnico e cultural.
- Estímulo à prática colaborativa e à troca de saberes entre participantes.
mês 3 – entregas e encerramento
- Encerramento com atividades com foco em visibilidade, celebração e finalização do ciclo.
- Apresentações públicas dos projetos desenvolvidos, envio de kits personalizados e do guia de (sobre)vivência.
- Valorização da produção autoral e fortalecimento do vínculo entre comunidade e participantes.
portfólio de produtos e serviços
O eixo central da operação a ser apresentado nos próximos tópicos consiste no desenvolvimento dos ciclos temáticos, que orientam a programação trimestral da Maré. Cada ciclo articula temas culturais com vivências práticas do design, estruturando experiências que mobilizam o conhecimento técnico, a sensibilidade criativa e a construção coletiva.
No ambiente físico estão a realização de oficinas, palestras, laboratórios de criação e eventos culturais em parceria com espaços e instituições diversas. Essas experiências presenciais são fundamentais para promover a troca entre participantes, especialistas e marcas, aproximando teoria, prática e repertório. Em paralelo, a Maré mantém uma frente digital com gestão de conteúdo multiplataforma, atendimento ao público, manutenção da comunidade e operação de uma loja virtual com produtos próprios.
Disciplinar e Repertório
descrição
Publicação com conteúdos práticos e inspiradores sobre cultura, design e repertórios. Produzida em colaboração com a comunidade, reúne exercícios, ferramentas e recursos visuais.
Kits com materiais técnicos e artísticos distribuídos por ciclo, usados nas oficinas e laboratórios. Incluem insumos para desenho, colagem, caligrafia e composição visual.
Templates e arquivos digitais que apoiam a organização da rotina profissional e a entrega de projetos de design. Disponíveis na Lojinha Maré e em oficinas.
Peças autorais produzidas individualmente pelos participantes nas oficinas, como cartazes, zines e impressos. Podem ser exibidas e, quando viável, comercializadas em edições limitadas. formato
Físico + Digital
frequência formato 1 por ciclo (4 por ano)
Conforme necessidade das oficinas
Físico + Digital
Disciplinar e Repertório
descrição estruturas
Online ou Presencial
Coquetel | 30min
Painel | 1h
Perguntas | 30min
Presencial
Coquetel | 30min
Painel | 30min
Perguntas | 1-2h
Encontros com foco no repertório e na trajetória de profissionais convidados. Trazem conteúdo, inspiração e orientação de carreira, com espaço para perguntas e interação.
Encontros horizontais voltados à troca de saberes, vivências e perspectivas entre profissionais e participantes, com mediação crítica e foco em temas atuais.
objetivo
- Ensinar tema específico
- Expansão de repertório
- Networking
- Orientação de carreira
- Pensamento crítico
- Ensino de temas
- Networking
- Orientação de carreira
convidado
- Profissionais experientes do mercado
- Estúdios, coletivos e iniciativas educacionais
- Empresas e projetos parceiros
- Designers em diferentes momentos de carreira
- Educadores, pesquisadores e agentes culturais
Convidados com vivências diversas em design e criatividade
Prático
Presencial
Coquetel | 30min
Briefing | 30min
Criação | 1h-2h
Partilhas | 30min
Prático
Presencial
Coquetel | 30min
52 – Portfólio de Produtos e Serviços
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Briefing | 30min
Criação | 2h-6h
Partilhas | 1h
Atividades práticas de curta duração, com foco em experimentação rápida e criação autoral. Estimulam a criatividade, o repertório e a vivência espontânea.
Imersões criativas de longa duração, com um ou mais dias de atividades intensas. Os participantes desenvolvem projetos autorais ou colaborativos com entrega final concreta.
- Aprendizado prático
- Networking
- Repertório
- Portfólio
- Acelerador de carreira
- Aprendizado prático
- Networking
- Repertório
- Portfólio
- Acelerador de carreira
- Talent hunting (opcional)
- Facilitadores com prática em design, arte e criação visual
- Designers independentes, artistas e makers
- Educadores convidados
- Mentores especializados em design e áreas criativas
- Estúdios, marcas e organizações parceiras
- Profissionais convidados para acompanhamento dos projetos
Contínuo (Loja + Eventos)
Contínuo (Loja + Eventos)
Figura
portfólio de produtos e serviços
O portfólio de produtos e serviços da Maré foi concebido para materializar sua proposta educativa de forma acessível, modular e conectada à realidade dos participantes. Cada entrega foi pensada a partir das escutas realizadas ao longo do projeto e do Mapa de Entrega de Valor, respondendo às dores e expectativas de estudantes, recém-formados e profissionais em transição. A estrutura é orientada pelos ciclos temáticos, que organizam o calendário anual de atividades e articulam repertório cultural, prática criativa e construção de rede.
O portfólio combina publicações físicas e digitais, experiências presenciais e serviços de mediação que integram conteúdo, prática e autoria em um mesmo processo formativo. Entre os produtos, destaca-se o Guia de sobrevivência do design, principal publicação da Maré, lançada a cada ciclo. Ele reúne textos críticos, ferramentas, repertórios visuais e exercícios práticos desenvolvidos em diálogo com a comunidade. Os Kits Temáticos oferecem materiais técnicos e artísticos para acompanhar oficinas e trilhas, enquanto os Templates Editáveis auxiliam na organização da rotina, no plane-
jamento de projetos e no desenvolvimento profissional. Os Resultados dos Labs, por sua vez, transformam-se em peças gráficas, editoriais ou digitais que funcionam tanto como parte do aprendizado quanto como vitrine autoral dos participantes.
Entre os produtos, o Guia de Sobrevivência se destaca como a principal publicação da Maré, sendo lançado a cada ciclo temático. Ele reúne textos críticos, exercícios práticos, ferramentas e repertórios visuais desenvolvidos com a comunidade. Os Materiais de Apoio complementam as oficinas com insumos técnicos e artísticos, enquanto os Produtos Editáveis disponibilizam templates e arquivos úteis à organização da rotina e ao desenvolvimento profissional. Já os Resultados dos Labs materializam as criações desenvolvidas pelos participantes em projetos autorais, funcionando também como vitrine e produto final do processo formativo.
Os serviços da Maré foram desenhados com foco na diversidade de formatos e na potência do encontro. As Palestras (Masterclass) trazem especialistas e referências do mercado para compartilhar trajetórias,
conteúdos e visões estratégicas, sempre com momentos de troca com o público. As Rodas de Conversa promovem um espaço mais horizontal, incentivando o pensamento crítico, a escuta ativa e a participação. Esses momentos são fundamentais para ampliar repertórios, conectar gerações de designers e provocar reflexões sobre o papel do design na sociedade contemporânea.
Por fim, as Oficinas Criativas e os Laboratórios de Criação ocupam o eixo prático do portfólio e aprofundam o compromisso com a educação ativa. As oficinas têm curta duração e foco em experimentação e repertório técnico, estimulando vivências espontâneas. Já os laboratórios são imersões mais longas, com acompanhamento e entregas concretas, voltadas a projetos autorais ou em parceria com organizações. Esse conjunto forma a espinha dorsal da atuação da Maré, fortalecendo o vínculo entre aprendizado, criação e impacto no território.
No campo dos serviços, a Maré oferece formatos variados e adaptáveis aos temas de cada ciclo. As Oficinas Criativas têm curta
duração e foco em experimentação técnica e sensível. Os Laboratórios de Criação são processos mais longos, com acompanhamento de especialistas e entregas concretas, voltadas à realização de projetos próprios ou em parceria com instituições. As Rodas de Conversa promovem trocas horizontais e reflexões coletivas, e as Palestras (Masterclasses) aproximam os participantes de especialistas do mercado, compartilhando trajetórias, repertórios e visões estratégicas.
Ao estruturar esse portfólio de forma integrada e responsiva, a Maré garante coerência entre proposta pedagógica, experiência do usuário e impacto cultural. A diversidade de formatos e acessos reforça o compromisso com uma aprendizagem viva, situada e plural, capaz de gerar pertencimento, repertório e prática real.
calendário 2025-2026
O calendário da Maré para os anos de 2025 e 2026 foi estruturado com base nos quatro primeiros ciclos temáticos, que compõem o ano inicial de atuação do estúdio. Essa definição permite construir uma base sólida de identidade, repertório e metodologia, ao mesmo tempo em que garante um planejamento operacional consistente. Cada ciclo tem duração trimestral e integra momentos distintos de captação, formação e entrega, promovendo uma experiência educacional ritmada ao longo do ano.
O Ciclo 1 marca o lançamento da plataforma com o tema Manifesto Maré, estabelecendo um norte conceitual para os demais. Em seguida, os ciclos de Música, Literatura e Moda são explorados como linguagens culturais com potencial de articulação entre narrativa, expressão e prática, ativando experiências através de oficinas, rodas de conversa, guias editoriais, laboratórios e palestras. Os temas foram escolhidos por seu potencial de mobilizar múltiplas linguagens e conectar o design a questões políticas, sociais, ambientais e culturais contemporâneas.
As escolhas de abordagem dentro de cada área refletem um compromisso com a consciência crítica, a sustentabilidade e o futuro do design — valores que se manifestam nas metodologias adotadas, nas parcerias formadas e nos formatos de entrega. As colaborações com instituições como Spotify, Natura, Pinacoteca, FAAP,
entre outras, ampliam o repertório dos ciclos e contribuem com infraestrutura, convidados, conteúdos e possibilidades de cocriação. Mantemos uma lista ativa de prospecção e seguimos em diálogo com coletivos e instituições interessadas em cocriar experiências educacionais transformadoras junto à Maré.
A partir de 2026, os ciclos poderão incorporar abordagens mais experimentais, sensoriais e tecnológicas, com temas como Cidades e Territórios, Design Universal, Expressão Livre, Sustentabilidade e Tecnologia. Essa abertura estratégica reconhece que o design e o contexto cultural se transformam com rapidez, exigindo sensibilidade, adaptabilidade e escuta ativa. Este calendário é uma proposta-base aberta a ajustes contínuos, conforme a escuta da comunidade, a disponibilidade de parcerias e os aprendizados vividos em cada ciclo.
tema cronograma produtos e serviços abordagem central ciclo 1
Figura 53 – Calendário 2025-2026
Fonte: Elaboração própria, 2025.
ciclo 2
manifesto maré música
- manifesto maré - mercado de design no brasil - propósito e carreira
Out: Lançamento da plataforma, palestra e rodas de conversa
Nov: Oficinas pagas, curso com Tipocracia, laboratório de criação
Dez: Evento de encerramento, partilhas e lançamento do guia
Design sonoro, branding, trilhas, motion com áudio, tipografia rítmica
Parceria: Spotify e Lado C (estúdio de som)
Janeiro-Março 2026
Jan: Roda de escuta, playlists colaborativas
Fev: Oficinas de áudiodesign, laboratório de trilha sonora
Mar: Podcast, zine musical, evento musical
- Guia de (sobre)vivência 1
- Poster (diagrama áreas do design)
- Templates Editáveis
- Roda de Conversa: Narrativas de (sobre)vivência no Design
- Oficina – “Crie seu Sketchbook”
- Laboratório de Criação
- Guia de (sobre)vivência 2
- Palestra (convidado do Spotify)
- Oficina (design de capas de álbum)
- Laboratório (criação de trilha sonora com Lado C Estúdio)
- Resultados da Oficina (posters)
ciclo 3
literatura
ciclo 4
moda
Design gráfico, livro-objeto, zines interativos, escrita visual e narrativa expandida
Parceria: Pinacoteca de São Paulo
Abril-Junho 2026
Abr: Oficina de zine interativo e escrita visual
Mai: Laboratório de design narrativo
Jun: Criação de publicações físicas e digitais
Design de moda sustentável, figurino, upcycling, estamparia manual, moda afetiva
Parceria: FAAP –Design de Moda e Bolovo
Julho-Setembro 2026
Jul: Mapeamento de resíduos têxteis + oficina de reaproveitamento (upcycling)
Ago: Laboratório de criação de figurinos com tecidos reaproveitados
Set: Desfile performático com narrativa, manifesto de moda sustentável
- Guia de (sobre)vivência 3
- Laboratório de Publicações (experimentos com livroobjeto)
- Oficina na Pinacoteca (design e narrativa expandida)
- Rodas de Conversa (design editorial, política e periferia)
- Exposição dos Projetos Independentes
- Guia de (sobre)vivência 4
- Palestra (design de moda e sustentabilidade)
- Rodas de Conversa (moda ética, processos coletivos e produção local)
- Laboratório (criação de peças com tecidos reaproveitados)
- Desfile Manifesto (moda como ativismo)
estrutura do ciclo 1: manifesto maré
O Ciclo 1 da Maré, intitulado Manifesto Maré, tem caráter inaugural e simbólico, funcionando como ponto de partida para a ativação da proposta formativa do estúdio. Este primeiro ciclo marca o lançamento oficial da plataforma e propõe uma imersão coletiva nos fundamentos conceituais, visuais e metodológicos que definem a identidade da Maré. Diferentemente dos demais ciclos, que partem de temas externos relacionados à cultura e às linguagens do design, este ciclo volta-se para o próprio projeto como objeto de estudo, promovendo uma investigação crítica sobre seus princípios, repertórios e modos de operação. O objetivo é convidar a comunidade a compreender, experimentar e cocriar a proposta desde sua origem, favorecendo um processo de apropriação ativa por parte dos participantes.
A estrutura do ciclo foi organizada em três etapas principais: captação e engajamento, atividades formativas e encerramento com entregas. Em outubro de 2025, a fase de captação é iniciada com uma campanha de divulgação em meios digitais e físicos, incluindo mídia paga e materiais impressos em pontos estratégicos. Essa etapa busca apresentar a missão da Maré, gerar visibilidade para a marca e atrair os primeiros participantes da comunidade. No mesmo mês, ocorre o lançamento da plataforma e do primeiro volume do Guia de (sobre) vivência no design, junto a conteúdos
editoriais gratuitos que funcionam como prévias do material. Ainda em outubro, acontece a roda de conversa “Como (sobre) viver no design?”, um encontro presencial com convidados de diferentes trajetórias que compartilham suas experiências no campo do design, promovendo escuta ativa e engajamento inicial com o público.
Em novembro, tem início a etapa formativa do ciclo, com atividades presenciais e online voltadas ao aprofundamento técnico e à experimentação prática. São realizadas masterclasses e oficinas conduzidas por parceiros estratégicos identificados nas entrevistas qualitativas do projeto, como Plau, Platô, Tipocracia e Lote42. Os encontros abordam temas como identidade visual, posicionamento, visual thinking, tipografia e encadernação artesanal, sempre articulados com os valores da Maré e com os desafios contemporâneos da formação em design. Esta fase também inclui momentos internos de curadoria e organização dos materiais produzidos, que servirão de base para a etapa final do ciclo.
O mês de dezembro é dedicado ao encerramento e às entregas. O principal destaque dessa fase é o Laboratório de Criação do Guia de (sobre)vivência, conduzido em parceria com o estúdio Platô, no qual os participantes atuam como coautores na concepção e desenvolvimento de uma nova seção do guia. Além disso, é realizada
a organização e disponibilização de um kit temático com os conteúdos gerados no laboratório, uma sessão online de encerramento com trocas e depoimentos e o envio de pesquisa de satisfação para participantes e colaboradores. Essa estrutura busca consolidar os aprendizados do ciclo, valorizar a participação da comunidade e gerar insumos para o aperfeiçoamento das edições futuras.
O Ciclo 1 foi concebido para ser leve, acessível e progressivo, combinando formatos diversos e níveis complementares de envolvimento. Ao integrar práticas de escuta, repertório e criação coletiva, inaugura não apenas a plataforma, mas também o modo de operar da Maré — uma atuação ancorada na colaboração, na prática situada e na construção de sentido em comunidade. Com isso, o Manifesto Maré se configura como um marco inicial que articula identidade, metodologia e engajamento, abrindo caminho para os ciclos seguintes com consistência e coerência.
Figura 54 – Estrutura do Ciclo 1 Fonte: Elaboração própria, 2025.
estrutura do ciclo 1 - manifesto maré
outubro: captação e engajamento
semana ação formato
#01 Ação de divulgação com mídia paga preparando para o lançamento (Instagram e OOH)
#02 #03
#04
Lançamento da plataforma Maré + Guia de (sobre)vivência do Design 1
Conteúdo editorial gratuito: prévia do Guia de (sobre)vivência (PDF/Instagram)
Divulgação, preview da missão Maré captação de leads
Apresentar o projeto e abrir vendas do guia
Divulgação, captação de leads, ampliação da comunidade
Engajar a comunidade e promover escuta ativa
Masterclass com Rodrigo Saiani (Plau) “Tipo como manifesto: identidade, voz e posicionamento” Presencial
Oficina prática com Ricardo Lins (Plato) “Crie seu sketchbook (diário de bordo)”
Oficina prática com Henrique Nardi ”Curso Introdutório Tipocracia”
Curadoria de materiais, divulgação nas redes sociais e preparação para encerramento
dezembro: encerramento e entregas
ação
Laboratório de Criação: Guia de (sobre)vivência do design
Organização e disponibilização para venda do kit utilizado na aplicação do Laboratório de Criação
Encerramento do ciclo: sessão de partilhas e depoimentos
Envio de pesquisa de satisfação para os participantes (alunos e colaboradores)
objetivo
Repertório crítico e aprofundamento técnico
Estimular autoria e visual thinking para acompanhar os ciclos
Engajar a comunidade com prática acessível
Preparar a transição para o encerramento do ciclo
objetivo
Produzir entrega final autoral (zine com temática de colaborar com próximos tópicos do guia)
Finalização das entregas materiais
Encerrar o ciclo com trocas e reflexões abertas
Coletar feedbacks para melhorias nos próximos ciclos
estrutura do ciclo 2: música
O segundo ciclo da Maré, com início em janeiro de 2026, tem como tema central a Música, abordada a partir de suas conexões com o design sonoro, a criação de trilhas, o motion com áudio e a tipografia rítmica. Mais do que um campo artístico, a música é aqui explorada como linguagem de construção sensível, ritmo narrativo e dispositivo de projeto. O objetivo deste ciclo é ativar a escuta como ferramenta de criação e expandir os modos de representar o som no campo visual, gráfico e editorial, contribuindo para a formação de repertórios multissensoriais no universo do design. A parceria estratégica com a plataforma Spotify fortalece a ponte entre conteúdo, prática e indústria cultural, ampliando o alcance e a relevância das experiências propostas.
A estrutura do ciclo é distribuída ao longo dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2026, mantendo o modelo organizacional em três fases: captação, formação e entrega. Em janeiro, a fase de Captação e Engajamento é iniciada com uma roda de escuta e a criação de playlists colaborativas, estimulando conexões afetivas e narrativas entre os participantes. Essa etapa busca ativar a escuta sensível como ponto de partida para a experimentação criativa. Em fevereiro, durante a fase das Atividades Formativas Pagas, são realizadas oficinas de áudio-design e o laboratório de trilha sonora, combinando práticas sonoras e visuais em projetos autorais. Esses
encontros aprofundam o conteúdo técnico e experimental, promovendo trocas entre especialistas e participantes em ambientes colaborativos.
Em março, a fase de Entrega e Encerramento culmina em um evento performático e multimídia que articula os resultados desenvolvidos ao longo do ciclo. A programação inclui um podcast ao vivo, o lançamento do zine sonoro e uma ocupação com apresentações musicais, projeções visuais e partilhas de processos. Os participantes assumem o protagonismo das criações, colocando em cena suas interpretações gráficas e narrativas sonoras, em um ambiente de celebração e escuta coletiva.
Entre os produtos e serviços ofertados, destacam-se o segundo volume do Guia de (sobre)vivência, com foco em design de som e repertórios visuais-musicais, uma palestra com convidado da equipe do Spotify, e a oficina prática “Design de Capas de Álbum”, em que os participantes desenvolvem cartazes e peças gráficas inspiradas em trilhas. O resultado final da oficina será uma série de pôsteres autorais que conectam linguagem gráfica e narrativa sonora. Assim como no primeiro ciclo, a Maré propõe aqui uma experiência progressiva, acessível e centrada na criação coletiva, utilizando a música como catalisadora de identidade, escuta ativa e expansão criativa no campo do design.
recursos-chave
A operação da Maré foi desenhada para sustentar sua proposta híbrida, colaborativa e em rede, articulando pessoas, plataformas, espaços, tecnologias e ciclos de entrega. Esta seção apresenta os principais elementos que tornam essa operação viável: desde os recursos centrais que garantem a continuidade do projeto (como infraestrutura digital, espaços parceiros e rede de colaboradores), até o desenho organizacional e a estrutura em camadas que orienta as entregas. Também são detalhadas as áreas de atuação da equipe, a distribuição de responsabilidades, a projeção de crescimento e os ciclos operacionais que organizam as atividades ao longo do tempo. Em conjunto, esses tópicos revelam como a Maré equilibra consistência, agilidade e impacto em sua atuação no campo do design e da cultura criativa.
introdução ao desenho operacional
O desenho operacional da Maré parte da articulação entre estratégia, infraestrutura, pessoas e entregas. A operação foi estruturada em camadas interdependentes que garantem a sustentabilidade do projeto em curto, médio e longo prazo. A base é formada pela plataforma digital e pela governança do negócio, elementos que concentram o planejamento, a organização de conteúdos, o agendamento das experiências presenciais, o acompanha-
mento de dados e a definição dos papéis entre os sócios. A partir dessa fundação, emergem as estruturas de apoio técnico, os espaços parceiros, as ferramentas de gestão e a rede de colaboradores que viabilizam as ações da Maré. Essa lógica permite operar de forma descentralizada, mas coordenada, unindo consistência e flexibilidade.
Acima dessa estrutura, estão as camadas de entrega e visibilidade: às experiências educacionais oferecidas ao público (como ciclos, oficinas, laboratórios e produtos físicos) e as estratégias de comunicação e engajamento que garantem o alcance e a conexão com a comunidade. Todo esse sistema é sustentado por uma equipe que cresce de forma progressiva, começando com os sócios fundadores e se ampliando com a entrada de colaboradores internos e externos. As atividades-chave da empresa foram organizadas em áreas específicas — como conteúdo, tecnologia, operações, educação e jurídico — com funções bem definidas, ciclos de entrega claros e parcerias estratégicas que fortalecem a atuação. Assim, a Maré constrói um ecossistema operacional robusto e vivo, que cresce em rede e se adapta às transformações do contexto.
ecossistema operacional da maré
O modelo operacional da Maré foi estruturado em quatro camadas principais que representam os diferentes níveis de sustentação e entrega do projeto. No centro, está a base da Maré, composta pela plataforma digital e pela gestão e governança do projeto. Essa base garante a continuidade das operações e viabiliza as demais camadas. A plataforma é o ambiente onde os conteúdos são organizados, as trilhas de aprendizagem são distribuídas e as experiências presenciais são agendadas. Já a governança envolve o planejamento estratégico, a gestão de dados, os cronogramas dos ciclos e a divisão de papéis entre os sócios, garantindo direção, inteligência e expansão sustentável.
A segunda camada representa o apoio ao funcionamento, com dois pilares: infraestrutura e rede de colaboração. A infraestrutura envolve tanto os recursos físicos (espaços parceiros e logística de kits) quanto ferramentas digitais e canais de suporte à operação (CRM, e-mail marketing, automações). Já a rede de colaboração é formada por parceiros, marcas apoiadoras, instituições culturais e estúdios de criação que atuam de forma ativa na cocriação de atividades, no oferecimento de recursos e na construção conjunta de experiências com os participantes da Maré.
Na terceira camada está a entrega principal ao público, ou seja, as experiências educacionais oferecidas pela Maré. Isso inclui os ciclos temáticos com conteúdos híbridos (online e presenciais), as oficinas e laboratórios, a produção de guias e kits físicos e a articulação da comunidade de aprendizagem. Essa comunidade é composta por estudantes, jovens criativos, ex-alunos que atuam como mediadores e grupos de trocas e apoio entre pares. Todo esse conjunto forma o núcleo da proposta da Maré, promovendo uma educação ativa, prática e colaborativa.
A quarta e última camada abrange as estratégias de comunicação e visibilidade.
A presença nas redes sociais, os canais de comunicação direta (como e-mail marketing), os eventos públicos e as parcerias com veículos de divulgação são fundamentais para captar novos participantes, fortalecer a comunidade e garantir o alcance da proposta. Essas ações são planejadas de forma integrada à operação, garantindo coerência entre comunicação, conteúdo e valores do projeto. Esse ecossistema em camadas permite que a Maré atue com consistência, escalabilidade e impacto, mesmo operando de forma ágil e descentralizada.
Figura 55 – Ecossistema Operacional Fonte: Elaboração própria, 2025.
estrutura e atividades da empresa
A estrutura da Maré foi desenhada para crescer de forma progressiva e sustentável, acompanhando o amadurecimento do estúdio e o aumento das demandas operacionais. Em 2025, o projeto inicia com uma equipe fixa composta pelos três sócios fundadores — responsáveis pelas áreas de criação, comunidade e experiência. As atividades internas concentram-se na produção dos ciclos, no relacionamento com a comunidade e na entrega dos produtos educacionais. Para além da equipe fixa, a operação conta com uma rede de apoio terceirizada por demanda, que abrange colaboradores nas áreas de tecnologia, audiovisual, jurídico, produção e logística.
Nos anos seguintes, a estrutura se expande gradualmente. Em 2028, um profissional freelancer é incorporado à equipe de maneira incremental, auxiliando nas atividades de criação e comunicação e iniciando um processo de testes de para compreender como uma equipe pode ser estruturada a partir disso. Nesse período, a terceirização torna-se mais estratégica e especializada, com parcerias recorrentes com educadores, facilitadores, consultores e técnicos em áreas específicas. Em 2030, a estrutura atingirá maturidade buscando a consolidação não só das parcerias mas também de novos funcionários freelancers na rede para futuramente compor uma equipe fixa. Cada sócio desempenha um papel central e complementar. Fernanda Kuntz lidera a área de Estratégia e Criação,
com foco em posicionamento, identidade visual e desenvolvimento de produtos. Naiara Terra atua na frente de Comunicação e Comunidade, coordenando a gestão de redes, criação de conteúdo, mediação e eventos. Já Tiago Perotti é responsável pela área de Educação e Experiência, cuidando da curadoria pedagógica, da estrutura dos ciclos e do acompanhamento dos participantes. As responsabilidades administrativas e financeiras da empresa são geridas por toda a equipe, contando com a ajuda de um contador para manter a contabilidade da empresa em ordem A divisão de responsabilidades foi definida para garantir especialização nas entregas sem perder a visão integrada do projeto.
A atuação dos sócios também envolve o contato direto com fornecedores e parceiros estratégicos em cada frente. Enquanto Fernanda articula com designers, produtores gráficos e especialistas em branding, Naiara interage com redatores, produtores culturais e profissionais de mídia. Tiago, por sua vez, colabora com educadores e técnicos pedagógicos. Esse modelo híbrido — com núcleo interno enxuto e rede externa qualificada — permite à Maré operar com agilidade, consistência e capacidade de adaptação, valorizando o conhecimento compartilhado e a inteligência coletiva como motores de crescimento.
Figura 56 – Estrutura e Atividades da Empresa Fonte: Elaboração própria, 2025.
estrutura e atividades da empresa
ano equipe fixa (home office) rede de apoio terceirizada (por demanda) rede de apoio terceirizada (por demanda)
3 sócios (Fernanda, Naiara, Tiago)
In-house: design e criação, audiovisual (básico), conteúdo e redação
Terceirizado: plataforma e TI, colaboradores, jurídico e contábil
3 sócios
3 sócios
3 sócios + funcionário freelancer
3 sócios + funcionário freelancer
atividades sócios em 2025
Manutenção da rede terceirizada técnica e educacional
Consolidação de núcleos internos (conteúdo, atendimento, visual) e Parcerias recorrentes com especialistas externos
Maior autonomia operacional e inserção de um designer (freelancer) à equipe interna
Equipe interna consolidada e expansão da comunidade
3 fixos + até 6 parceiros externos
3 fixos + até 6 parceiros externos
3 fixos + até 8 parceiros externos
3 fixos + 1 frelancer + até 10 parceiros externos
3 fixos + 1 freelancer + até 10 parceiros externos
Fernanda Kuntz Naiara Terra Tiago Perotti
estratégia e criação foco: visão, direção criativa e desenvolvimento de produtos
responsabilidades principais:
- Visão e posicionamento estratégico
- Desenvolvimento dos produtos (Guia, kits, identidade visual)
- Direção criativa (editorial e visual)
- Parcerias estratégicas e lançamentos
- Planejamento geral dos ciclos
parceiros/terceiros com quem se comunica:
- Designers gráficos e de produto
- Produtor gráfico (impressão dos guias/kits)
- Motion designer / vídeo institucional
- Fotógrafos e diretores de arte
- Desenvolvedor da identidade visual
- Consultores estratégicos (branding, expansão)
comunicação e comunidade foco: gestão da rede, mediação e canais de relacionamento
responsabilidades principais:
Gestão da comunidade (escuta, trocas, rede de apoio)
Criação de conteúdo para redes/blog
Organização de vivências e eventos
Atendimento leve e mediação
Comunicação direta com participantes
parceiros/terceiros com quem se comunica:
- Redatores / jornalistas freelancers
- Social media e gestor de conteúdo
- Videomaker de eventos e oficinas
- Produtor cultural (vivências externas)
- Designer de posts (se não for o mesmo do núcleo Fernanda)
- Agência de performance (se aplicável para campanhas pontuais)
educação e experiência foco: curadoria pedagógica e suporte à aprendizagem
responsabilidades principais:
- Curadoria pedagógica e estrutura dos ciclos
- Desenvolvimento de conteúdos educacionais
- Relacionamento com mentores e facilitadores
- Acompanhamento das experiências de aprendizagem
- Suporte técnico e atendimento aos alunos
parceiros/terceiros com quem se comunica:
- Educadores convidados e mentores dos ciclos
- Especialistas em conteúdo
- Suporte técnico da plataforma
- Atendimento terceirizado
- Produtor audiovisual educacional
métricas de impacto e qualidade educacional
A Maré adota uma abordagem formativa e sistêmica para a avaliação de impacto e qualidade educacional, alinhada aos seus pilares de educação ativa, aprendizagem situada e construção coletiva do conhecimento. O objetivo das métricas não é apenas quantificar resultados, mas compreender como os ciclos transformam as trajetórias dos participantes, ampliam repertórios e fortalecem comunidades criativas. Para isso, o projeto estrutura indicadores qualitativos e quantitativos que acompanham toda a jornada do ciclo, da captação ao encerramento.
Entre as métricas quantitativas, estão o número de participantes por ciclo, taxas de adesão e retenção, frequência nas atividades, engajamento nos canais de comunicação, número de produtos desenvolvidos (como guias, kits e protótipos), e dados de vendas e acessos à plataforma. Já as métricas qualitativas incluem feedbacks dos participantes e parceiros, relatos de aprendizagem, avaliação da experiência, observação da autonomia e participação nas atividades, além da análise dos resultados gerados nos laboratórios de criação e oficinas.
Esses dados são coletados por meio de formulários, escutas presenciais, registros audiovisuais e acompanhamento direto das jornadas. Além disso, há um cuidado em envolver os próprios participantes nos processos de avaliação — tanto como agentes reflexivos de sua aprendizagem quanto como coautores da melhoria contínua da plataforma. O cruzamento entre os dados operacionais, os indicadores pedagógicos e os relatos da comunidade permite que a Maré tome decisões com base em evidências e mantenha seu compromisso com uma educação crítica, acessível e de qualidade.
tipo de métrica indicadores finalidade quantitativa qualitativa
- Nº de participantes por ciclo
- Taxa de adesão e retenção
- Frequência nas atividades
- Engajamento em redes sociais e newsletters
- Nº de produtos desenvolvidos (guias, kits, protótipos)
- Dados de vendas e acessos
- Tempo médio de navegação na plataforma
- Taxa de conversão de participantes gratuitos para pagantes
- Participação em múltiplos ciclos
- Nº de parcerias e colaborações ativadas
Avaliar alcance, participação e resultados objetivos das ações
Medir engajamento, permanência e expansão do modelo
Figura 57 – Métricas de Impacto e Qualidade Educacional Fonte: Elaboração própria, 2025.
- Feedbacks dos participantes e parceiros
- Relatos de aprendizagem
- Participação nas atividades
- Observação da autonomia e protagonismo
- Qualidade dos resultados gerados nos labs e oficinas
- Diversidade de repertórios e referências culturais ativadas
- Qualidade narrativa dos projetos
Compreender a experiência, o envolvimento e o impacto subjetivo da jornada
Mensurar profundidade e significado das trocas
parcerias estratégicas
As parcerias estratégicas são um dos pilares para a sustentabilidade, a relevância e a expansão da Maré. Foi realizada uma estruturação de parcerias e levantamento inicial de potenciais colaboradores, marcas e instituições a serem contactados para atuar como co-criadores, apoiadores ou facilitadores em diferentes frentes. Essas parcerias viabilizam experiências formativas, fortalecem a rede de aprendizado, ampliam o alcance da plataforma e asseguram entregas qualificadas. Estruturadas de maneira colaborativa, seguem uma lógica horizontal e de cocriação, priorizando vínculos sustentáveis, afinidade de valores e complementaridade de expertise.
O desenho das colaborações se organiza em três frentes principais. A primeira está voltada à programação educativa e comunitária, envolvendo estúdios criativos, especialistas, coletivos e figuras públicas que contribuem com repertório, curadoria e mediação das experiências. Nessa frente, destacam-se perfis de parceiros que têm uma correspondência com o conceito do projeto como a Plau, Mesa, Colírio Design, The Ugly Lab, Tipocracia e designers como Paula Cruz, Gustavo Piqueira e Priscylas Nunes.
A segunda frente é voltada à viabilização física e institucional, com a realização de oficinas e eventos em espaços culturais, escolas, bibliotecas e centros independentes. Aqui, foram mapeadas instituições
como SESC, IED, FAAP, Itaú Cultural e bibliotecas públicas, que podem ceder estrutura ou cocriar ciclos formativos alinhados à proposta da Maré.
A terceira frente abrange apoio técnico e operacional, envolvendo gráficas, fornecedores de kits e brindes, serviços logísticos, suporte jurídico e tecnologias acessíveis. O projeto prevê o uso de ferramentas como Notion, Framer, Airtable e Sympla para gestão de conteúdo, vendas e automações, além de possíveis futuras parcerias com editoras, produtoras e plataformas digitais como YouTube Music e Estúdio Griot, voltadas à criação de conteúdos imersivos.
O mapeamento dessas possibilidades é dinâmico e será continuamente atualizado conforme a escuta da comunidade e o amadurecimento da operação. Esse ecossistema de parcerias permitirá que a Maré atue com consistência e agilidade, mantendo coerência com seus princípios e ampliando sua presença na rede criativa e educacional do país.
área tipo de colaboração possíveis convidados justificativa/afinidade
Design
Gráfico e
Editorial
Oficinas, produção gráfica, identidade visual, zines, cartazes, tipografia
Figura 58 – Parcerias Estratégicas
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Cinema, Música e Fotografia
Oficinas, labs visuais, cobertura, produção de material gráfico e vídeo
Educação e Cultura
Criativa
Curadoria pedagógica, mediação de oficinas e rodas, mentoria
Design experimental e independente, possível parceria com ex-alunos ou troca por visibilidade e rede Produção autoral com estética crítica e periférica; possibilidade de colaboração em coberturas de eventos Alinhamento com o discurso da Maré; rede próxima; possível troca por publicação ou articulação conjunta
Espaços Culturais e Instituições
Apoio institucional, cessão de espaço, cocriação de ciclos
Espaços
Físicos e Estrutura
Jurídico e Contábil
Locais para eventos, oficinas, encontros e mostras
Itaú Cultural, Centro Cultural SP, Belas Artes, IED, SESC, Centro de Pesquisa e Formação do SESC
SESC, Fábricas de Cultura, bibliotecas públicas, escolas públicas, instituições parceiras
Formalização, contratos, contabilidade, ME, proteção de propriedade
Plataforma e Tecnologia
Gestão de site, pagamentos, agendamento, CRM, ambiente digital
Forte valor simbólico e institucional; abertura para projetos com impacto social, educativo ou cultural Apoio institucional ou comunitário; cessão gratuita de espaços ou parceria via contrapartida cultural Soluções com baixo custo, acesso a redes de apoio para empreendedores e trocas via mentoria institucional Ferramentas com planos gratuitos ou acessíveis; foco em autonomia e integração rápida
canais
A distribuição dos produtos e experiências da Maré ocorre por meio de canais híbridos, que combinam estratégias digitais e presenciais para potencializar o alcance, a proximidade e a continuidade do vínculo com os participantes. Esses canais são pensados de forma integrada, acompanhando toda a jornada do usuário, desde a descoberta inicial até a participação nos ciclos e o acompanhamento pós-experiência.
No ambiente digital, o site institucional e o marketplace funcionam como principais pontos de contato e conversão. Ali estão reunidas as informações sobre os ciclos, os produtos físicos, os kits e o portfólio editorial. A newsletter, os grupos de WhatsApp e as redes sociais (Instagram, TikTok, LinkedIn e YouTube) cumprem o papel de relacionamento contínuo, oferecendo
conteúdo, suporte, atualizações e estímulo à comunidade ativa. Essas frentes também funcionam como canais de escuta, compartilhamento de depoimentos e mobilização da rede.
Já no ambiente presencial, a Maré atua por meio de feiras criativas, oficinas, laboratórios e eventos em parceria com espaços culturais e instituições de ensino. Esses encontros permitem a construção de vínculos mais profundos com a comunidade, a entrega de experiências sensoriais e coletivas e a materialização dos produtos e conteúdos desenvolvidos. A integração entre canais digitais e presenciais amplia o acesso, diversifica os pontos de contato e permite que a Maré se conecte com diferentes perfis de participantes.
relações com clientes
O relacionamento com os clientes da Maré é construído de maneira contínua, direta e colaborativa. No ambiente digital, o contato se dá principalmente via WhatsApp, chatbots no marketplace e plataformas de CRM integradas à comunicação via e-mail marketing, possibilitando atendimento personalizado e dinâmico. A realização de eventos e oficinas presenciais fortalece o vínculo humano, permitindo a criação de experiências de troca mais profundas e significativas. A comunidade Maré é estimulada através de fóruns de discussão, grupos de networking e espaços de cocriação, nos quais os participantes não apenas consomem conteúdos, mas também contribuem ativamente para a construção do ecossistema da Maré. Essa lógica de pertencimento e co-autoria é um dos pilares da estratégia de relacionamento, aumentando o engajamento e a retenção de clientes a longo prazo.
estrutura de custos
A estrutura de custos da Maré foi desenhada para garantir uma operação enxuta, escalável e coerente com o modelo de negócio baseado em rede e colaboração. A mesma pode ser consultada na íntegra no Apêndice E. Em resumo, os custos fixos mensais incluem a infraestrutura digital necessária para a gestão do projeto e a entrega das experiências. Isso contempla ferramentas como Google One (armazenamento em nuvem), Adobe Creative Cloud para os três sócios (design e edição), Notion e Figma em planos profissionais, além de serviços de automação e organização interna.
A frente de comunicação e marketing também representa uma parte significativa do investimento, com um plano anual distribuído mensalmente para planejamento, produção de conteúdo e ações de divulgação nas redes. Outros custos fixos incluem honorários contábeis, essenciais para a regularização da empresa, e revisão de texto, garantindo a qualidade editorial das publicações.
Além desses valores mensais, a Maré prevê custos variáveis operacionais ao longo dos ciclos, como aluguel de espaços para oficinas e eventos, transporte, produção e envio de kits, contratação de facilitadores, pagamento de especialistas e fornecedores terceirizados. Esses custos estão detalhados nas projeções financeiras dos ciclos e são ajustados conforme o escopo de cada edição.
Por fim, também estão previstos investimentos estratégicos em inovação e expansão, como melhorias contínuas na plataforma, produção de novos produtos e ampliação da rede de parceiros. Essa estrutura financeira permite que a Maré cresça com responsabilidade, mantendo a coerência entre proposta de valor, qualidade das entregas e sustentabilidade econômica.
custos fixos mensais
Foram estimados os custos operacionais fixos mensais que a empresa teria para operar com base em pesquisas de mercado, além das alíquotas dos impostos referentes a receita do projeto para o regime tributário escolhido, o Nacional Simples.
Entre os principais custos fixos estão as licenças de uso de ferramentas criativas e operacionais, como Adobe Creative Cloud, Figma, Notion e Google One, que garantem a produção de conteúdo e o funcionamento da equipe. Também estão previstos os honorários mensais de contabilidade, serviços de revisão de texto, ferramentas de organização e automação (CRM, e-mail marketing), além de um plano mensal de marketing voltado à produção e divulgação de conteúdos nas redes. Complementarmente, a estrutura contempla uma reserva de capital de giro e custos associados à manutenção da plataforma digital. Esses investimentos mensais sustentam a operação digital e estratégica da Maré, oferecendo previsibilidade e capacidade de planejamento ao longo do tempo.
custos variáveis mensais
Foram estimados também os custos mensais variáveis do projeto, estes sendo referentes majoritariamente a gastos de auxílio ao operacional, entre eles o de plataforma de processamento de pagamento, e também custos voltados à produção de materiais para as experiências e os produtos da loja da Maré. Entre os principais custos variáveis estão os investimentos em desenvolvimento e manutenção da plataforma, aquisição de equipamentos como computadores e recursos técnicos, além da produção de materiais físicos, como kits e guias. Também foram incluídos gastos com serviços logísticos (frete, embalagem e envio de materiais), taxas de plataformas de pagamento e despesas burocráticas com registros e legalizações necessárias à operação.
Além disso, o planejamento financeiro inicial prevê um aporte em capital social e uma reserva de capital de giro, garantindo liquidez e segurança nos primeiros ciclos do projeto. Essa estrutura flexível permite que a Maré execute suas atividades com agilidade e adapte seu modelo de forma estratégica conforme os aprendizados e os resultados obtidos nos primeiros anos de operação.
fontes de receita
A estrutura de receitas da Maré foi definida a partir do portfólio de produtos e serviços desenvolvidos ao longo do planejamento. O modelo prevê múltiplas frentes de monetização, que abrangem a venda de experiências formativas, produtos físicos e digitais, além da captação de recursos por meio de parcerias e apoios institucionais. A definição dessas fontes considera a periodicidade dos ciclos, a estimativa de adesão por atividade e os valores médios praticados no setor. Essa organização permite distribuir as receitas ao longo do ano e garantir previsibilidade para a operação e expansão da plataforma.
estratégia de precificação
Para a proposta de precificação do negócio foram utilizadas referências do mercado de plataformas de ensino, assim como as particularidades do projeto, análise a partir da qual se optou por seguir um modelo de assinatura e membership em diversos pacotes com diferentes níveis de acesso aos produtos ofertados pela proposta. Os pacotes em questão variam em preço, do mais barato a R$70 mensais ou R$770 anuais (pagos em incrementos mensais), ao mais caro, custando R$250 mensais ou R$2.400 anuais (pagos em incrementos mensais). Vale destacar que os diferentes benefícios atrelados a cada pacote de assinatura foram distribuídos pensando em como melhor comunicar valor para os diferentes tipos de consumidor que o projeto pode ter, a fim de consolidar mais conversão de leads em diferentes segmentos do nosso mercado consumidor.
Além dos pacotes de assinatura também há a possibilidade de comprar produtos avulsos, estratégia para trazer mais público experimentador para a plataforma, sem limitar a entrega de valor apenas aos usuários fidelizados.
precificação dos produtos e serviços
As principais fontes de receita vêm da venda de produtos educacionais físicos e digitais, como os Templates e Kits Digitais, o Guia de Sobrevivência do Design e os Kits de Materiais de Apoio que acompanham as tirinhas e são comercializados na loja virtual da Maré ou distribuído nos ciclos. Outra frente relevante são as experiências formativas para Oficinas Criativas, Laboratórios de criação, Masterclasses e Encontros Temáticos. Esses valores foram definidos com base em pesquisas de mercado e na experiência dos sócios com eventos educacionais e culturais, e buscam equilibrar acessibilidade e valorização profissional.
precificação dos planos de assinatura
Já referente aos planos de assinatura foi utilizado como base de elaboração o valor agregado completo de seus benefícios, assim como dados de pesquisa de campo que indicaram do segmento de clientes quantos se enquadrar em cada faixa de preço, com isso foi elaborada uma estrutura de planos de assinatura que visa contemplar não só diferentes agrupamentos de produtos da Maré como também o tipo de consumidor que o consome, de forma a otimizar a conversão e retenção de clientes.
precificação dos produtos
produto
descrição média de preço (R$)
50 templates e kits digitais
95 guia de sobrevivência (impresso + digital)
60 kit/materiais de apoio
250 oficinas criativas
520 laboratórios de criação
Arquivos editáveis, planners e ferramentas práticas
Publicação com conteúdo autoral e curadoria
Papelaria e recursos gráficos físicos
Atividades práticas, presenciais ou online
Figura 59 – Precificação dos Produtos e Assinaturas
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Os planos que a Maré oferece são: O Guia de Sobrevivência, plano exclusivo da publicação do guia que permite ao assinante acesso à comunidade do guia mais seus conteúdos impressos entregues à domicílio e digitais enviados via email; Banhista, o plano básico permitindo acesso aos conteúdos digitais como templates, acesso aos grupos de membros da comunidade e cupons de desconto em produtos da loja e dos parceiros; Navegante, o plano intermediário contém tudo que o básico tem e adiciona à isso o acesso gratuito à uma oficina por ciclo e a possibilidade de confirmar presença em eventos, efetivamente guardando o lugar em mesas de conversa e palestras; Mergulhador se trata do plano mais aprofundado e completo do serviço. contendo tudo do intermediário e acrescentado o acesso à um laboratório e um kit impresso gratuitamente por semestre (dois ciclos); Por fim há também o plano Náufrago, que se trata de uma combinação do plano básico e da assinatura do Guia de Sobrevivência.
100 masterclasses / encontros temáticos
planos de assinatura
75 guia de (sobre)vivência
70 banhista (básico)
Projetos com entregas e orientação contínua
Sessões pontuais com especialistas
90 navegante (intermediário)
250 mergulhador (aprofundado)
140 náugrafo (básico + guia)
Assinatura da publicação Guia de Sobrevivência
Conteúdos digitais + acesso ao grupo da comunidade + descontos em produtos
Tudo do anterior + 1 oficina por ciclo + rsvp para eventos
Tudo do anterior + 1 laboratório e 1 kit por semestre
Tudo do básico + conteúdos do guia
Mix de Marketing (8Ps)
A inclusão do Mix de Marketing expandido (8Ps) neste projeto tem como principal objetivo sistematizar e reforçar as estratégias de entrega de valor já apresentadas nos tópicos anteriores, organizando-as a partir de um referencial consolidado no campo do marketing. A ferramenta, desenvolvida por Marcelo Coutinho e Conrado Adolpho (2011) com base na ampliação do modelo clássico dos 4Ps proposto por Jerome McCarthy (1978), é especialmente adequada a negócios que operam com experiências, comunidades e jornadas formativas, como é o caso da Maré.
Produto
- Plataforma educacional híbrida, combinando cursos online e experiências presenciais.
- Laboratórios de criação com projetos reais.
- Materiais educativos: blog, vídeos, podcasts, guias e newsletters.
- Loja digital com venda de produtos físicos e digitais.
- Comunidade ativa para networking e aprendizado contínuo.
Preço
- Modelos de pagamento flexíveis: cursos avulsos, assinaturas e pacotes de experiências.
- Possibilidade de acesso gratuito a conteúdos introdutórios e eventos abertos.
- Parcerias para oferecer descontos e bolsas para determinados públicos.
- Precificação estratégica para equilibrar acessibilidade e sustentabilidade financeira.
- Preços acessíveis sem abrir mão da qualidade da experiência.
- Eventos e oficinas presenciais em parceria com instituições culturais e educacionais.
- Distribuição de produtos físicos via e-commerce e pontos de venda estratégicos.
Promoção
- Marketing de conteúdo: artigos, vídeos, podcasts e cases de sucesso.
- Comunicação alinhada ao manifesto e aos valores da comunidade.
- Parcerias estratégicas com marcas e influenciadores do setor.
- Divulgação em eventos do setor criativo e educacional.
- Tráfego pago para campanhas segmentadas.
- Programas de indicação e fidelização para engajamento da comunidade.
60 – Mix de Marketing
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Pessoas
- Especialistas e mentores com experiência no mercado.
- Comunidade ativa de designers e criativos.
- Equipe de suporte e atendimento ao cliente via WhatsApp e chatbots.
- Parceiros estratégicos para oferta de cursos, eventos e experiências.
Processos
- Plataforma intuitiva para fácil navegação e compra de cursos e produtos.
- Atendimento rápido e eficiente via WhatsApp, chatbots e e-mail.
- Estrutura logística para eventos e entrega de produtos físicos.
- Produção contínua de conteúdo relevante para engajar a comunidade.
- Feedback contínuo para aprimorar cursos e experiências.
Prova Física
- Certificados de conclusão para validação profissional.
- Depoimentos e cases de sucesso dos alunos.
- Materiais físicos como guias e produtos exclusivos.
- Espaços presenciais bem estruturados para eventos e workshops.
Propósito
- Aprendizado como travessia: contínuo, vivo e em constante transformação.
- Comunidade que aprende junto, cria junto e compartilha caminhos.
- Conhecimento como processo coletivo de experimentação e reinvenção.
- Design conectado à cultura, ao contexto e à prática real.
- Experiências imersivas que aproximam pessoas do mercado e da vida profissional.
Figura
produto
A Maré oferece um portfólio híbrido de experiências educacionais e produtos formativos voltados ao desenvolvimento técnico, crítico e criativo em design. Oficinas, rodas de conversa, laboratórios e eventos são articulados com conteúdos digitais acessíveis pela plataforma online, promovendo aprendizagem situada e prática. Guias, kits, materiais de apoio e templates editáveis complementam esse percurso, ampliando a autonomia e o repertório dos participantes. A comunidade ativa formada ao redor da Maré também é considerada parte do produto, fortalecendo redes de troca, criação coletiva e continuidade do aprendizado.
preço
A estratégia de precificação adotada pela Maré fundamenta-se na conciliação entre acessibilidade e sustentabilidade financeira, princípios essenciais para um projeto que visa ao mesmo tempo democratizar o acesso à formação em design e garantir a viabilidade econômica de suas operações. Nesse sentido, o modelo de precificação contempla múltiplas modalidades, incluindo a oferta de cursos avulsos, pacotes integrados de experiências presenciais e digitais, e planos de assinatura com acesso estendido a conteúdos e benefícios exclusivos. Como parte de seu compromisso com a ampliação do acesso, a Maré disponibiliza conteúdos introdutórios gratuitos e estabelece parcerias estratégicas voltadas à concessão de bolsas e descontos para públicos prioritários, como estudantes da rede pública e jovens em início de carreira. Essa política de inclusão busca reduzir barreiras financeiras sem comprometer a qualidade das entregas pedagógicas, promovendo equidade na participação e diversidade no perfil dos participantes.
A definição dos preços é realizada com base em pesquisas de mercado e projeções de custo, respeitando as particularidades de cada produto ou serviço ofertado. Trata-se, portanto, de uma abordagem criteriosa, orientada não apenas por parâmetros econômicos, mas também por diretrizes pedagógicas e valores institucionais que asseguram a coerência entre proposta formativa, valor percebido e impacto gerado.
praça
A estratégia de distribuição da Maré está estruturada de forma híbrida, combinando canais digitais e presenciais com o objetivo de maximizar o alcance, garantir a acessibilidade e proporcionar experiências qualificadas nos diferentes pontos de contato com o público. Essa configuração multicanal permite que os produtos e serviços sejam disponibilizados de maneira flexível, respeitando a diversidade de perfis e contextos dos participantes. No ambiente digital, o site institucional e o marketplace configuram os principais canais de comercialização de cursos, produtos físicos e conteúdos digitais.
A plataforma concentra também o acesso às trilhas formativas, inscrições em eventos e interação com a comunidade. Complementarmente, as redes sociais cumprem um papel estratégico na divulgação, mobilização da comunidade e fortalecimento da presença da marca no ecossistema criativo e educacional.
No campo presencial, a distribuição ocorre por meio da realização de oficinas, feiras criativas, eventos formativos e parcerias com instituições culturais e educacionais. Essas ações possibilitam não apenas a entrega dos serviços, mas também a criação de experiências imersivas e relacionais que reforçam a proposta de aprendizagem situada e colaborativa. A distribuição de produtos físicos é operacionalizada via e-commerce, com a possibilidade de integração a pontos de venda estratégicos, ampliando o acesso aos materiais produzidos.
promoção
A estratégia de promoção da Maré está centrada na produção de conteúdo relevante e acessível, que fortalece o vínculo com a comunidade e amplia a visibilidade do projeto de forma orgânica e consistente. O foco principal está em materiais gratuitos, como o preview de guias em PDF e postagens em redes sociais, que ajudam a posicionar a Maré como uma iniciativa comprometida com a formação em design de forma aberta, afetiva e culturalmente conectada. Esses conteúdos têm como objetivo apresentar o universo da Maré, seus valores e linguagens, ao mesmo tempo em que mobilizam o público para participar dos ciclos e interagir com os produtos e experiências oferecidas. A comunicação prioriza a escuta ativa e o engajamento genuíno, utilizando redes como Instagram, YouTube e TikTok para estimular a troca entre participantes e aproximar novos públicos.
Além do conteúdo orgânico, são realizadas campanhas pontuais de tráfego pago, principalmente durante a fase de captação dos ciclos, segmentadas por interesses e perfis formativos. A Maré também participa de eventos culturais e feiras criativas como forma de promover a marca presencialmente e ativar redes locais. Programas de indicação e ações colaborativas com especialistas convidados fazem parte das táticas de engajamento e fidelização da comunidade, reforçando a presença da Maré no ecossistema do design e da educação criativa.
pessoas
A equipe é composta inicialmente pelos três sócios fundadores, responsáveis pelas áreas de criação, comunicação e educação. Eles atuam diretamente na curadoria dos ciclos, na mediação com a comunidade e na produção dos produtos e conteúdos. À medida que o projeto cresce, essa estrutura será expandida com a entrada de colaboradores fixos e parceiros especializados, mantendo a coerência com a proposta de operar de forma leve, em rede e com inteligência coletiva.
Além da equipe interna, a rede de convidados e especialistas que participam dos ciclos de facilitadores, palestrantes ou orientadores é essencial para garantir diversidade de repertório e conexão com o mercado. Essas pessoas colaboram com suas trajetórias, saberes e vivências, enriquecendo a proposta com olhares plurais. Também fazem parte desse ecossistema os próprios participantes, que atuam como co-criadores do projeto: compartilham experiências, produzem resultados visíveis e ampliam a rede com seus próprios contatos e referências.
A Maré reconhece esse conjunto de relações como parte ativa da entrega de valor, investindo em um ambiente acolhedor, horizontal e colaborativo. O cuidado com a mediação, o atendimento e a construção de vínculos é tratado como prioridade, pois são esses laços que sustentam a continuidade da comunidade ao longo dos ciclos e fortalecem a legitimidade do projeto no campo da educação em design.
processos
Os processos da Maré foram estruturados para garantir fluidez, clareza e coerência na experiência do participante. A plataforma digital organiza o acesso aos cursos, conteúdos e produtos, com navegação simples e suporte ágil via WhatsApp e e-mail. No presencial, a operação segue fluxos definidos para cada ciclo, desde a curadoria até a entrega de kits e realização dos eventos. A produção de conteúdo é contínua, e os processos de escuta e feedback estão integrados à rotina como ferramenta de melhoria. Essa lógica garante consistência nas entregas sem perder a flexibilidade necessária para adaptar-se a diferentes públicos e contextos.
prova física
Embora a maior parte das interações da Maré ocorra no ambiente digital, elementos físicos são incorporados estrategicamente para reforçar a experiência formativa. Guias impressos, kits criativos e materiais de apoio são enviados aos participantes ao longo dos ciclos, funcionando como extensões táteis do conteúdo. Os espaços utilizados para oficinas e eventos presenciais são escolhidos com cuidado, buscando ambientes acolhedores e propícios à criação. Esses recursos contribuem para fortalecer o vínculo com a marca, gerar pertencimento e qualificar a experiência do usuário.
propósito
O propósito da Maré é ser um estúdio vivo de aprendizagem e transformação. Acreditamos na educação como travessia contínua, em que o conhecimento se constrói na troca, na prática e na experimentação. A Maré entende o design como ferramenta de transformação pessoal e social, conectando cultura, inovação e prática para formar agentes criativos conscientes, capazes de atuar criticamente no presente e imaginar futuros mais justos e plurais. Todas as experiências são desenhadas para aproximar as pessoas da realidade do mercado e da vida profissional, ao mesmo tempo em que cultivam autonomia, espírito crítico e sensibilidade cultural.
viabilidade financeira (06)
A seguir, apresenta-se uma síntese da análise de viabilidade financeira do projeto Maré, considerando os investimentos iniciais, estrutura de capital, projeções de fluxo de caixa e cálculos de retorno. Os dados foram organizados com base em uma simulação de cinco anos de operação, utilizando ferramentas como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Payback, com o objetivo de avaliar a atratividade e a sustentabilidade econômica da iniciativa. A versão completa das planilhas utilizadas nesta análise está disponível nos Apêndices, com o detalhamento dos cálculos e premissas adotadas.
modelo de negócio e estrutura operacional
A formalização da empresa será feita como Microempresa (ME), inscrita no regime tributário Simples Nacional, que é o mais indicado pelo governo para empresas desse porte. A empresa deve ser registrada no mês de julho de 2025 e iniciar suas atividades comerciais a partir do mês de setembro do mesmo ano, utilizando esse período para consolidar aspectos contábeis e estruturais como registro no regime tributário e aprovação de crédito externo, assim consolidação e prospecção de parcerias. Dentre as atividade principais realizadas pela empresa, a grande maioria dessas ocorre por vias digitais, como a venda dos produtos e serviços educacionais, atendimento à comunidade e elaboração de materiais didáticos, com as eventuais experiências presenciais programadas ocorrendo em localizações de terceiros, já que a princípio, o negócio não tem uma infraestrutura física de escritório para realização de tais atividades. A empresa, além dos 3 sócios co-fundadores, contaria também com uma rede de prestadores de serviço externos para lidar com a realização de tarefas pontuais de suporte à entrega de valor da empresa, como contador, auxiliar legal e programador/web developer. Para os fins de produção, como mencionado acima em Atividades-Chave, há uma lógica cíclica para o desenvolvimento de material e sua comercialização, se alinhando aos quarters do ano fiscal respectivo, a fim de simplificar a organização contábil do negócio.
Por fim para representar a viabilidade financeira do projeto foram apresentados cálculos do período estipulado de 5 anos de operação e os respectivos cálculos de Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e do Payback do projeto, representante de quanto tempo projeto leva para começar a gerar lucros. Para esses cálculos a demonstração da viabilidade dentro do período estipulado foi utilizado o demonstrativo contábil de incrementos de fluxo de caixa, focado em mostrar as entradas e saídas de capital no projeto.
investimentos iniciais (2025)
Referente aos investimentos iniciais, foi calculado um valor total de R$30.980,00, contando com os valores que constam na imagem em destaque. Esses investimentos devem provir de uma distribuição de 30% capital social, no valor total de R$9.294,00 divido entre os 3 sócios investidores, e 70% de capital externo, contemplando os outros R$21.686,00, a serem levantados através de financiamentos ou empréstimos, amortizados ao longo de 24 meses, com uma taxa média de juros de 1,75%, valor estimado com informações presentes no site do Banco Nacional . Essa distribuição do investimento é a mais comum para empresas no Brasil, essa distribuição também possibilita com que haja a entrada de capital externo sem gerar uma dívida muito considerável à empresa.
Figura 61 – Tabela de Investimentos Iniciais
Fonte: Elaboração própria, 2025.
categoria
INICIAIS
contador e registro R$ 2.000,00 plano de marketing R$ 5.980,00 capital de giro
R$ 6.000,00 computadores
R$ 6.000,00 despesas burocráticas
R$ 10.000,00
R$ 1.000,00 desenvolvimento da plataforma
TOTAL R$ 30.980,00
plano de marketing
Para garantir a presença contínua e estratégica da Maré no ambiente digital e nos canais de comunicação com seu público, foi projetado um plano de marketing com orçamento anual fixo. A projeção abrange cinco anos de operação e considera os principais investimentos necessários para manter o domínio e a plataforma do site institucional, a gestão profissional das redes sociais e a realização de campanhas promocionais pontuais. Com um custo anual estimado em R$ 5.980,00 — totalizando R$ 29.900,00 no período —, esse planejamento visa promover a visibilidade da marca, fortalecer o relacionamento com a comunidade e apoiar a captação de novos participantes de forma orgânica e estruturada.
custos fixos e variáveis
A estrutura mensal de custos da Maré foi organizada em duas frentes: fixos e variáveis, somando os principais recursos necessários para o funcionamento do estúdio. Os custos fixos mensais, estimados em R$ 2.645,32, contemplam ferramentas essenciais para a operação e produção de conteúdo, como softwares de design e gestão (Adobe, Figma, Notion), serviços de infraestrutura (Google One), revisão textual, honorários contábeis e o rateio mensal do plano de marketing. Já os custos variáveis incluem despesas diretamente ligadas à execução das atividades com o público, como cachês de palestrantes, impressão de materiais, suporte jurídico e técnico, além das parcelas do empréstimo referente ao investimento inicial.
Inv Inicial R$ 30.980,00 Valor inicial -R$ 30.980,00
Período 5
Incremento ano 1 R$ 267,22
Incremento ano 2 R$ 14.349,64
Incremento ano 3 R$ 21.808,40
Incremento ano 4 R$ 24.188,51
Incremento ano 5 R$ 29.239,24
Taxa de desconto 15%
Incremento ano 1 R$ 267,22
Incremento ano 2 R$ 14.349,64
Incremento ano 3 R$ 21.808,40
Incremento ano 4 R$ 24.188,51
Incremento ano 5 R$ 29.239,24
VPL R$ 22.809,06 TIR 35%
cálculos de viabilidade
A partir da estimativa do fluxo de caixados 5 primeiros anos de operação da empresa, foram calculados o Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Payback, ferramentas financeiras que permitem com que se tenha uma compreensão maior da viabilidade a longo prazo do negócio, em específico em empresas pequenas que estão iniciando suas atividades, pois capturam em suas operações como que os investimentos feitos à empresa estão sendo valorizados a partir dos resultados financeiros dela.
O VPL representa a diferença entre os valores dos resultados finais anuais dos fluxos de caixa e o valor do investimento inicial, sob uma taxa de desconto que representa o retorno deste investimento. A partir dessa operação se determinou o Valor Presente Líquido da Maré sendo de R$22.809,06, que torna o projeto relativamente atrativo para investimentos futuros
Figura 62 – Cálculo de Viabilidade Fonte: Elaboração própria, 2025.
Já a TIR, representa a taxa de retorno que o projeto gera sobre o capital aplicado, se a taxa for maior do que a Taxa Mínima de Atividade, que representa a taxa mínima que uma empresa deve receber sobre um investimento para que o projeto seja viável. O cálculo da TIR da Maré resultou em valor de 35%, que é acima da TMA estipulada, que no caso do projeto é representada pela Selic atual de 14,75% ao ano, o que faz com que o projeto seja viável. Quanto ao Payback, isto é, quanto tempo o projeto demora para obter um lucro equivalente ao investimento inicial, efetivamente se pagando, no projeto Maré ocorre entre o segundo e terceiro ano de atividade, algo positivo para uma empresa dessa escala de operação.
conclusão
Levando em consideração os aspectos operacionais da empresa, sua escala e as estimativas de fluxo caixa dos primeiros 5 anos de operação e os cálculos que as sucederam, é possível observar que a empresa tem ótimos resultados financeiros, se demonstrando extremamente viável para seu porte e área de atuação. Os cálculos aqui apresentados também validam a estrutura operacional da empresa e sua proposta de valor detalhadas no tópico A Maré:Estruturando o Negócio. Vale ressaltar que estas estimativas são apenas projeções levando em conta estruturas determinadas no projeto e que todas estas informações estão sujeitas à mudanças no contexto da atividade da empresa no mercado de fato, levando em conta as incertezas do segmento frente à aderência do projeto por parte do público-alvo.
marca e identidade (07)
A construção da identidade da Maré parte da ideia de que design é movimento — um fluxo contínuo de escuta, experimentação e transformação. Esta seção apresenta os fundamentos conceituais e visuais que sustentam a marca: do seu tom de voz próximo e ético à expressão gráfica que se reinventa a cada ciclo, passando pelos arquétipos, valores simbólicos e processos criativos que traduzem sua essência. Mais do que uma estética, a identidade da Maré é uma linguagem viva, moldada pela água e pela coletividade, capaz de conectar forma e sentido em um projeto educacional pulsante, múltiplo e contemporâneo.
conceituação
A identidade da Maré nasce da metáfora de um corpo em movimento: em meio a um cenário instável e acelerado, muitos jovens profissionais se percebem como barcos à deriva, enfrentando as incertezas do mercado e os vazios da formação tradicional. A escolha do nome “Maré” parte justamente desse contexto, invertendo a lógica da vulnerabilidade para propor uma nova postura diante do mundo: em vez de estar à mercê das correntes, o participante é convidado a reconhecer que ele próprio pode ser a própria maré, com ritmo, força e capacidade de transformação para seguir seu próprio caminho.
O movimento, elemento central da marca, representa esse fluxo vital: imprevisível, mas constante; flexível, mas potente. Ela comunica uma visão de conhecimento em movimento, enraizado no tempo, no território e na experiência. A marca Maré, portanto, não se limita a identificar o estúdio, mas assume um papel simbólico dentro da jornada formativa. Em vez de respostas prontas, oferece direção, abertura e estímulo para a construção de caminhos próprios.
Todo o sistema de identidade foi desenhado para dialogar com um público em transição: estudantes e jovens profissionais que buscam autonomia, repertório e pertencimento. A visualidade e a linguagem da Maré operam em diferentes camadas: são acessíveis, mas provocativas; suaves, mas densas. Os elementos visuais não apenas representam, mas também instigam: provocam reflexão, convidam ao mergulho, acompanham em silêncio quem precisa atravessar as marés do próprio percurso.
arquétipo
No campo da construção de marcas, os arquétipos funcionam como estruturas simbólicas que ajudam a estabelecer uma conexão emocional mais profunda com o público. Derivados da teoria junguiana, os arquétipos foram adaptados ao branding por autores como Margaret Mark e Carol S. Pearson (2001), que identificaram doze padrões universais de personalidade capazes de orientar narrativas, posicionamentos e comportamentos de marca. Ao adotar um arquétipo como referência estratégica, uma marca não apenas comunica seus valores com mais clareza, mas também se posiciona de forma mais consistente diante de seus públicos.
No caso da Maré, o arquétipo predominante é o Explorador. Esse arquétipo representa o impulso por descoberta, liberdade e autenticidade — valores diretamente relacionados à proposta pedagógica da plataforma. O Explorador não busca caminhos prontos, mas a possibilidade de traçar percursos próprios, desbravar territórios desconhecidos e expandir horizontes. Ele valoriza a experiência, o movimento e a autonomia como meios de aprendizado e crescimento.
Esse alinhamento se reflete em todas as dimensões da Maré: na organização dos ciclos como travessias formativas; na criação de experiências que incentivam a experimentação, a autoria e o deslocamento simbólico; e na construção de uma comunidade que respeita o ritmo e a singularidade de cada participante. Ser parte da Maré é aceitar o convite para explorar não apenas o campo do design, mas também as possibilidades de si mesmo no mundo.
posicionamento e tom de voz
O tom de voz da Maré é próximo, informal e humano. A marca se comunica como uma amiga que entende as angústias e desejos de quem está começando. Para isso, utiliza expressões em português acessível, com gírias leves e referências que dialogam com a linguagem das redes sociais e da cultura jovem. Não buscamos soar como manuais técnicos ou acadêmicos, e sim como uma presença real, acolhedora e atualizada. Falamos “do nosso jeitinho”, sem perder a clareza nem o compromisso com a transformação.
A Maré zela por uma comunicação ética e respeitosa. Sua linguagem nunca é maliciosa, sarcástica, permissiva ou impaciente. Seu tom de voz é guiado pela escuta, pelo cuidado e pela confiança na potência dos encontros e das trocas, mesmo diante das incertezas. A comunicação busca ser direta sem ser técnica demais, e acolhedora sem soar superficial. Está sempre atenta ao contexto e à escuta, evitando qualquer imposição ou hierarquia. Em vez de instruir de forma rígida, provoca a reflexão e estimula a participação ativa. O informal é usado com propósito, e nunca por descuido. A linguagem se conecta com a cultura contemporânea, fugindo de jargões acadêmicos ou mercadológicos, e valoriza o engajamento com o coletivo, rejeitando narrativas centradas apenas na performance individual.
somos
acessíveis e diretos
acolhedores e empáticos
atentos ao contexto e à escuta
provocadores e reflexivos
somos movimento
ser designer é fazer o pensamento nascer no mundo
informais com propósito
conectados com a cultura contemporânea
engajados com o coletivo
não somos
técnicos demais
superficiais ou condescendentes
impositivos ou hierárquicos
instrutivos demais participativos distantes
informais por descuido
presos a jargões acadêmicos ou do mercado
focados apenas em performance individual
você não pode controlar a maré, mas pode transformar sua força em impulso
de gota em gota fazemos a maré
somos o movimento que nasce do desejo de criar com sentido
nosso movimento conecta o presente e o porvir
nós somos a maré
processo criativo
Para o desenvolvimento dos primeiros caminhos criativos e a consolidação da identidade e expressão visual da marca, foram definidos critérios e palavras-chave que orientassem o processo de criação, alinhando-o às diretrizes estabelecidas para o projeto. Esses elementos guiaram o processo de criação para garantir coesão e profundidade ao desenvolvimento da marca.
Em primeiro lugar, foi destacada a importância da estruturação do projeto dentro do contexto dinâmico de levar e trazer. Foi decidida a necessidade de um conceito visual e verbal que traduzisse a sinergia entre a naturalidade da água com a potência da proposta educacional em design. Assim, o naming e a conceituação visual da marca foram orientados por noções como ritmo, movimento e harmonia, elementos que capturam o fluxo contínuo e o equilíbrio entre as três frentes.
Com essas temáticas em mente, foram explorados e desdobrados caminhos criativos que trouxessem a identidade da marca à vida, buscando traduzir sua essência de forma única, coerente e envolvente. Os Resultados refletem não apenas as diretrizes do projeto, mas também sua capacidade de conectar e ressoar com os públicos nos mais diversos contextos.
O processo de concretização da marca se iniciou com o desejo de traduzir visualmente toda a riqueza conceitual proveni-
ente do universo gráfico relacionado ao mar. Partindo da metáfora da maré como o fluxo constante de criação e transformação, a ideia central do projeto foi explorar como o design pode refletir ciclos, que marcam tanto o tempo quanto os processos criativos e de aprendizado. Maré, propôs a água como símbolo central, exaltando sua força adaptativa e transformadora, em sintonia com os desafios enfrentados por um público que muitas vezes se sente à deriva em meio às incertezas do mundo contemporâneo.
Durante a etapa de pesquisa, foram reunidas referências visuais e conceituais sobre a fluidez da água, os movimentos naturais e a relação entre o artesanal e o digital. A água foi observada não apenas como elemento estético, mas também como a força motriz por trás dos ideais de profundidade, comunidade e potência natural.
Figura 63 – Processo Criativo
Fonte: Elaboração própria, 2025.
A primeira identidade visual proposta, delineada a partir do moodboard apresentado, fundamenta-se na fluidez e na potência simbólica da água como elemento central. As imagens selecionadas evidenciam diferentes estados da matéria líquida, ora turbulenta, ora calma, ora microscópica, estabelecendo uma narrativa visual pautada no movimento, na transformação e na transparência. Elementos como texturas orgânicas, bolhas, distorções ópticas e gestos corporais imersos reforçam a dimensão sensorial da proposta, enquanto tipografias experimentais dialogam com a ideia de um design mais expressivo e contemporâneo. A paleta cromática atravessa tonalidades profundas de azul e verde até pontos de cor vibrante, criando contrastes que remetem tanto
ao ambiente natural quanto ao universo digital. Essa construção busca integrar o comportamento da maré como metáfora visual e conceitual, associando o projeto à ideia de constante adaptação, permeabilidade e presença.
Neste segundo caminho de identidade visual, a proposta se consolida por meio da experimentação tipográfica e da manipulação visual como formas expressivas de comunicar conceitos. A repetição, distorção e borramento das palavras constroem uma atmosfera de constante movimento e transformação, reflexo direto da metáfora da maré enquanto fluxo contínuo. A presença de texturas granuladas, tecidos e superfícies rugosas estabelece um contraste intencional com a tipografia digital, evocando
o encontro entre o tátil e o virtual. A paleta em preto, branco, cinza e o verde vibrante atua como marca de energia, ruptura e vida. Esse conjunto reforça o manifesto da marca como um convite à imersão, à escuta do corpo e à fusão entre indivíduo e coletivo. Aqui, a identidade se afirma como viva, mutante e sensível, onde forma e palavra se fundem para dar corpo a um estúdio de aprendizagem de design que pulsa junto ao seu tempo.
Figura 64 – Caminhos 1 e 2
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Este caminho de identidade visual se conecta ao design por meio da criação de um sistema gráfico modular, em que a tipografia experimental e os ícones derivados dela funcionam como elementos estruturantes de uma linguagem própria. A proposta explora princípios fundamentais do design, como repetição, contraste, composição e ritmo visual, resultando em uma marca de forte presença e adaptabilidade. As referências a texturas líquidas, superfícies pontilhadas e à paisagem urbana revelam um diálogo entre o natural e o construído, propondo um design que é ao mesmo tempo sensível e estratégico, pensado para atuar com coerência em diferentes suportes e contextos.
Nessa etapa do processo, foram conduzidos experimentos fotográficos que buscaram explorar a interação entre a água e elementos visuais impressos digitalmente com estética minimalista. Utilizando uma bandeja de água posicionada sobre impressões gráficas, foi possível observar
como a movimentação do líquido, mesmo que sutil, gerava distorções, reflexos e interferências que alteravam a leitura da imagem original. As ondulações criadas manualmente simulavam o comportamento das marés em pequena escala, produzindo variações ópticas que deslocavam formas, destacavam traços e acrescentavam uma camada de imprevisibilidade ao resultado. Esse experimento foi fundamental para compreender como a água pode atuar como meio ativo de transformação visual, interferindo de forma poética e espontânea sobre o rígido e o estático. Além de fornecer referências visuais para a construção da identidade da marca, a prática reforçou simbolicamente a ideia central do projeto: a maré como força que ressignifica. O impresso, antes fixo e estável, passa a ganhar vida sob a interferência aquática, e é justamente nesse ponto de tensão e fluidez que a Maré encontra sua linguagem.
Dentre os caminhos possíveis para a construção visual da Maré, dois eixos principais se consolidaram como guias conceituais e estéticos. O primeiro deles é o uso de texturas orgânicas, desenvolvidas por meio da técnica de marmorização com água, um processo em que tintas flutuam sobre a superfície aquática e, com movimentos controlados ou espontâneos, formam desenhos únicos que são então transferidos para superfícies sólidas. Essa abordagem permite capturar a fluidez imprevisível da água e a singularidade de cada gesto manual, evocando a ideia de que nenhum traço se repete, assim como cada onda tem seu próprio ritmo e forma.
Em contraponto, a segunda direção incorpora elementos digitais minimalistas, com destaque para linhas vetoriais contínuas que se movimentam de forma harmônica, sugerindo visualmente o vaivém das marés. Esses traçados, apesar de matematicamente precisos, carregam em sua repetição sutil a noção de tempo como
fluxo, de continuidade como experiência. O movimento dessas linhas não só contrapõe, mas também complementa a imprevisibilidade das texturas orgânicas, criando um diálogo entre controle e caos, exatidão e aleatoriedade.
O desafio foi encontrar um ponto de equilíbrio onde a organicidade da água pudesse coexistir com a linguagem da precisão digital. Maré não se ancora em um dos pólos, mas sim no entrelaçamento de ambos: um espaço híbrido e simbiótico em que natureza e tecnologia, intuição e estrutura, convivem em harmonia visual e conceitual.
Figura 65 – Caminhos 3 e 4
Fonte: Elaboração própria, 2025.
identidade visual final
A identidade visual da Maré foi desenvolvida para equilibrar solidez institucional com liberdade criativa, refletindo a proposta de um estúdio que se reinventa a cada ciclo. O sistema gráfico da marca é estruturado em dois níveis principais: uma base fixa que garante unidade e reconhecimento, e uma camada variável que se adapta de acordo com os temas explorados ao longo do ano.
A base institucional é composta por elementos fixos que definem a linguagem visual da Maré em sua comunicação geral. Entre eles estão a tipografia Massima para o logo e a família Motiva Sans para todas as outras comunicações e expressões tipográficas da marca, ambas desenvolvidas pelo estúdio brasileiro Plau e escolhidas como por seus desenhos contemporâneo e expressivo. A diagramação segue um sistema modular que prioriza a clareza e a organização da informação, enquanto a paleta monocromática, composta por preto, branco e tons de cinza, confere neutralidade e elegância às peças institucionais. Essa estrutura é empregada em materiais como o site, apresentações, comunicações gerais e peças de divulgação que não estão vinculadas diretamente a ciclos temáticos.
A camada variável da identidade visual entra em cena a cada novo ciclo e permite maior experimentação estética, podendo ser digital ou manual, sempre ancorada no conceito central de movimento que
orienta a proposta da Maré como um todo e as associações ao design. Para cada ciclo é desenvolvido um logotipo exclusivo, uma cor de destaque e uma diretriz visual que orienta a escolha de grafismos, texturas, imagens e composições. Essa lógica permite que cada edição tenha uma identidade própria, sem perder a coerência visual do projeto como um todo.
A identidade foi criada pensando em sua versatilidade, adaptando-se com consistência a uma ampla variedade de suportes, tanto físicos quanto digitais. Seja em materiais impressos ou em plataformas digitais e ambientes interativos, a marca preserva sua essência fluida e viva, sempre em movimento. Mais do que um sistema fechado, trata-se de uma linguagem visual em constante construção, aberta a novas interpretações, estudos e estímulos ao longo do tempo. As formas geradas pela combinação entre elementos fixos e dinâmicos são potencialmente infinitas, o que confere frescor e atualidade à comunicação da marca a cada novo ciclo, sem comprometer sua coerência visual.
Trata-se, portanto, de um sistema visual líquido, por sua capacidade de se transformar e se reinventar e conectado, por manter um fio condutor que assegura unidade e reconhecimento. Essa estrutura traduz, de forma simbólica e funcional, os valores de movimento, diversidade e renovação que definem a Maré.
Ciclo 1
No primeiro ciclo, intitulado Manifesto Maré, a identidade visual parte de técnicas analógicas de expansão e fluidez. O logotipo remete ao efeito inkbleed, evocando a ideia de algo que se espalha e reverbera. Já as texturas visuais são baseadas em técnicas de marmorização com água, remetendo à fluidez, mistura e imprevisibilidade que marcam o início do projeto e a criação de sentido coletivo.
Ciclo 3
No terceiro ciclo, com foco em Literatura, a identidade explora o ritmo da leitura e o impacto da palavra. O logotipo apresenta variações tipográficas entre pesos como light e bold, criando contraste e sugerindo pausas e ênfases visuais. As texturas por sua vez são formadas por caracteres em movimento, que se organizam em padrões rítmicos, lembrando ondas, trechos de escrita automática ou visualidades de poesia concreta.
Ciclo 4
No segundo ciclo, cujo tema é Música, a linguagem visual assume ritmo e cadência. O logotipo reage ao som, criando composições visuais inspiradas por ondas de áudio. As texturas exploram linhas digitais, que remetem a partituras e pulsos visuais, evocando tanto a repetição quanto a improvisação, elementos centrais no universo musical e também na aprendizagem experimental.
No quarto ciclo, o tema central é a Moda, entendida não apenas como expressão estética, mas como linguagem que comunica, tensiona e transforma culturas.
A escolha desse campo amplia o escopo da Maré ao conectar o design a dimensões corporais, materiais e simbólicas que se atualizam constantemente no tempo e no espaço. Ao trazer a moda como eixo articulador, este ciclo busca explorar os cruzamentos entre identidade, consumo, produção e sustentabilidade, promovendo discussões sobre tendências, memória, pertencimento e práticas contemporâneas de vestir, criar e narrar com o corpo.
Ciclo 2
guia da marca (08)
O guia da marca da Maré apresenta os fundamentos visuais e conceituais que estruturam a identidade do projeto. Aqui estão reunidas as diretrizes que garantem unidade, clareza e expressividade em todas as manifestações visuais da marca — do logotipo às cores, das tipografias às texturas — consolidando sua presença estética e narrativa em múltiplos territórios.
identidade institucional
A identidade institucional da Maré estabelece a base sólida e permanente do sistema visual do projeto. Ela entra em cena nos contextos em que a marca não está diretamente vinculada aos ciclos temáticos — como site, materiais institucionais, comunicações gerais e apresentações — funcionando como âncora de reconhecimento e continuidade. Sua proposta traduz simbolicamente a água em estado de estabilidade: densa, silenciosa, constante. Uma pausa necessária que contrapõe o fluxo dos ciclos em transformação.
Essa linguagem visual fixa é guiada por uma abordagem modular, com foco na clareza da informação, e adota uma paleta tipográfica que combina a fonte Massima, para títulos e logotipos, com a Motiva Sans, aplicada aos textos corridos e legendas. Ambas são criações do estúdio brasileiro Plau, cuja escolha reflete o alinhamento da Maré com o design autoral nacional. Ao adotar fontes brasileiras contemporâneas, a marca reforça seu compromisso com uma comunicação acessível, sensível e profundamente conectada ao seu território.
Visualmente, a marca institucional simboliza a água em estado de pausa — densa, estável e silenciosa — representando o eixo central da Maré enquanto organização. Em contraste, os ciclos temáticos representam a água em movimento — fluida, ativa, em transformação — expressando o caráter experimental, processual e vivo do estúdio.
massima motiva sans montserrat
logos e assinaturas
O sistema de assinaturas da marca Maré foi desenvolvido para equilibrar síntese e versatilidade. A assinatura preferencial — composta apenas pelo nome “maré” — é a forma mais direta e reconhecível da identidade institucional. Já as variações secundárias, em formatos verticais e horizontais, incluem complementos como “estúdio” e “estúdio de aprendizagem em design”, permitindo maior contextualização conforme o suporte e o grau de formalidade necessário em cada aplicação.
Além das assinaturas formais, a identidade conta com selos gráficos circulares, que funcionam como elementos de apoio e expansão simbólica da linguagem visual. Esses grafismos, construídos a partir da repetição tipográfica, reforçam os conceitos de ritmo, movimento e coletividade. Podem ser utilizados tanto em materiais institucionais quanto nos ciclos temáticos como elementos complementares. Mesmo quando a identidade visual se adapta a novos territórios criativos, as assinaturas institucionais seguem disponíveis como ponto de ancoragem e continuidade gráfica.
A família de ícones foi desenvolvida para garantir coesão visual, clareza e funcionalidade em diferentes contextos de uso. Com traços simples e linguagem contemporânea, os ícones reforçam a identidade visual do projeto e facilitam a navegação intuitiva em interfaces digitais. Embora possam ser aplicados em materiais institucionais e de comunicação, seu uso principal está na plataforma de aprendizagem, onde cumprem um papel fundamental na organização dos conteúdos, sinalização de ações e melhoria da experiência do usuário.
paleta tipográfica
A paleta tipográfica da Maré foi escolhida para refletir os valores de acessibilidade, contemporaneidade e brasilidade. As fontes Massima e Motiva Sans, ambas desenvolvidas pelo estúdio brasileiro Plau, foram adotadas por sua qualidade técnica e por representarem o design nacional com originalidade e versatilidade.
A Massima é utilizada exclusivamente nas assinaturas da marca, sendo responsável pela construção do logotipo com presença sólida e identidade marcante.
massima e motiva sans by
massima maré estúdio
Já a Motiva Sans assume papel central na comunicação: aplicada em títulos, subtítulos, destaques e legendas, ela garante clareza e coesão visual em todos os materiais da Maré.
motiva sans paleta tipográfica
Complementando o sistema, a fonte Montserrat é utilizada exclusivamente para textos corridos, especialmente em materiais editoriais e plataformas digitais, onde sua leitura fluida e familiar contribui para uma experiência acessível e confortável.
montserrat
A paleta tipográfica da Maré foi escolhida para refletir os valores de acessibilidade, contemporaneidade e brasilidade.
As fontes Massima e Motiva Sans, ambas desenvolvidas pelo estúdio brasileiro Plau, foram adotadas por sua qualidade técnica e por representarem o design nacional com originalidade e versatilidade.
paleta cromática
A paleta de cores da Maré foi pensada para articular coerência institucional com variações cíclicas ao longo do ano. O tom ancorar (cinza escuro) representa a base da identidade institucional, sendo utilizado em todos os materiais neutros, informativos ou institucionais, garantindo sobriedade e estabilidade visual. Já as cores vibrantes — mergulhar, pertencer, colaborar e imaginar — são atribuídas aos ciclos temáticos, com a lógica de que a cada ano serão realizados quatro ciclos, cada um associado a uma dessas tonalidades principais. Essa estrutura cromática permite à marca manter uma identidade fluida e dinâmica sem perder unidade.
Para ampliar as possibilidades de aplicação e adaptação em diferentes suportes, cada cor principal possui duas variações complementares: uma versão mais clara e uma mais escura. O uso preferencial deve sempre priorizar a cor principal de cada ciclo, sendo as demais tonalidades utilizadas como apoio em fundos, destaques ou elementos gráficos secundários. Esse sistema modular permite consistência visual, diversidade e reconhecimento imediato dos ciclos, ao mesmo tempo em que reforça o caráter mutável e experimental da identidade da Maré.
Os nomes das cores foram definidos a partir de verbos no infinitivo, como forma de reforçar a ideia de movimento contínuo, criação ativa e transformação — pilares centrais do projeto Maré. Cada tonalidade carrega, assim, não apenas uma função estética, mas também simbólica.
ancorar
R240 G240 B240
C0 M0 Y0 K10
Hex #F0F0F0
mergulhar
R0 G199 B135
C70 M0 Y65 K0
Hex #00C787
pertencer
R255 G89 B31
C0 M80 Y95 K0
Hex #FF591F
colaborar
R227 G41 B84
C5 M100 Y60 K0
Hex #E32954
Hex #7338E0
ancorar
R40 G40 B40
C70 M65 Y65 K70
Hex #282828
flutuar
R240 G240 B240
C0 M0 Y0 K10
Hex #F0F0F0
soprar
R255 G255 B255
C0 M0 Y0 K0
Hex #FFFFFF
submergir
R0 G166 B110
C80 M10 Y75 K0
Hex #00A66E
mergulhar
R0 G199 B135
C70 M0 Y65 K0
Hex #00C787
boiar
R0 G255 B158
C60 M0 Y60 K 0
Hex #00FF9E
transformar
R196 G64 B0
C15 M85 Y100 K10
Hex #C44000
pertencer
R255 G89 B31
C0 M80 Y95 K0
Hex #FF591F
renovar
R 250 G162 B27
C0 M40 Y100 K0
Hex #FAA21B
liderar
R189 G0 B69
C20 M100 Y65 K5
Hex #BD0045
colaborar
R227 G41 B84
C5 M100 Y60 K0
Hex #E32954
integrar
R255 G59 B163
C0 M85 Y0 K0
Hex #FF3BA3
transcender
R28 G71 B245
C85 M70 Y0 K0
Hex #1C47F5
imaginar
R115 G56 B224
C70 M80 Y0 K0
Hex #7338E0
desenhar
R0 G190 B255
C65 M0 Y0 K0
Hex #00BEFF
linguagem fotográfica e efeitos dos vídeos
A linguagem fotográfica da Maré é atravessada pela ideia de matéria viva. Para reforçar esse conceito, as imagens passam por um tratamento com filtro quente, evocando a luz do sol e o calor dos processos manuais. Essa coloração não só aquece visualmente a narrativa, como também cria uma atmosfera sensorial que valoriza o gesto, o toque e a presença do fazer artesanal.
Além disso, algumas imagens recebem um efeito de água sobreposto, criando uma camada translúcida que simula reflexos, ondulações ou texturas líquidas. Esse tratamento dialoga diretamente com a identidade da Maré, remetendo ao fluxo, à travessia e à transformação — elementos simbólicos centrais do projeto.
arquitetura da identidade
A arquitetura da identidade da Maré parte de uma lógica sistêmica que combina unidade e transformação. No centro está o logotipo institucional — apresentado sobre fundo preto — que representa a estrutura essencial da marca. Ele é o ponto de ancoragem visual e simbólica que garante consistência e reconhecimento em todas as comunicações gerais. Alguns elementos são fixos, independentemente do ciclo: o formato básico do logotipo, construído com a tipografia Massima, pode ser distorcido e personalizado, mas não pode ser substituído por outra fonte; a estrutura de layouts e a lógica de diagramação seguem um grid modular contínuo; e a paleta tipográfica da marca, composta pela Massima no logotipo e pela Motiva Sans nos textos corridos, é mantida em todos os contextos. Esses componentes garantem coesão visual e estabilidade institucional, mesmo diante das variações temáticas.
O que se transforma a cada ciclo é o conjunto de elementos que compõem a camada variável da identidade. Isso inclui a paleta de cores — com quatro combinações exclusivas de três cores cada, aplicadas conforme o ciclo — e a direção de arte, que envolve a aplicação de ilustrações, imagens, texturas e elementos gráficos complementares. Apesar da liberdade criativa, todas as versões da identidade devem preservar um princípio fundamental: transmitir, de forma simbólica e visual, a ideia de movimento.
Esse conceito orientador é o elo entre as diferentes edições, reforçando a natureza fluida, viva e processual da Maré como um estúdio de aprendizagem em constante transformação.
Nesse sistema, a marca institucional assume o papel da água em estado de pausa — densa, estável, silenciosa — representando o eixo central da Maré como organização. Já os ciclos temáticos ativam a água em movimento — correnteza, maré, transformação — revelando a capacidade da marca de se deslocar, reagir, se expandir e criar novos sentidos sem romper com sua origem. Os exemplos ao lado ilustram essa dinâmica: expressões visuais únicas que emergem de uma base sólida, sempre em movimento, mas sempre reconhecíveis.
direção de arte da marca
A direção de arte da Maré se reinventa a cada ciclo, mas mantém como princípio constante a ideia de movimento — conceito que atravessa tanto os fluxos visuais quanto os processos formativos da marca. Cada ciclo apresenta uma identidade própria, construída a partir de uma linguagem gráfica em transformação, sem perder sua conexão com a base institucional. Esse movimento visual não é apenas estético: ele simboliza a travessia, o deslocamento e a potência do aprender.
A cada edição, o ciclo é ancorado em um tema cultural que funciona como lente interpretativa do design — como música, literatura, moda, entre outros campos que ampliam a sensibilidade e a expressão criativa dos participantes. Esses temas
não são tratados como inspiração superficial, mas como matéria viva: provocam, tensionam e direcionam tanto os conteúdos quanto as escolhas gráficas e simbólicas do ciclo.
Cada ciclo também é associado a uma cor principal da paleta da Maré — como mergulhar, pulsar, vibrar ou imaginar — que guia toda a atmosfera visual da edição.
A cor, assim como o tema, atua como uma bússola sensorial: cria unidade, facilita o reconhecimento e ativa afetivamente a narrativa do ciclo. Essa combinação entre tema e cor permite que cada nova edição tenha identidade própria, sem romper com o universo gráfico da marca.
As texturas desenvolvidas para os ciclos partem sempre de uma técnica visual conectada ao tema escolhido. No ciclo da música, por exemplo, a direção de arte explora ritmos visuais inspirados em ondas sonoras e composições auditivas; no ciclo da literatura, utiliza repetições tipográficas e pausas gráficas que remetem à poesia concreta; na moda, as texturas são criadas a partir de experimentações com tecidos, tinturas e tramas manuais. Dessa forma, cada ciclo propõe um novo movimento visual, sensorial e simbólico, ancorado em práticas reais e processos artesanais.
/guia
direção
de arte - ciclo 1 logo
No primeiro ciclo, intitulado Manifesto Maré, a identidade visual parte de técnicas analógicas de expansão e fluidez. O logotipo remete ao efeito inkbleed, evocando a ideia de algo que se espalha e reverbera. Já as texturas visuais são baseadas em técnicas de marmorização com água, remetendo à fluidez, mistura e imprevisibilidade que marcam o início do projeto e a criação de sentido coletivo.
textura
A textura desenvolvida para o ciclo manifesto expande o mesmo princípio gráfico que orienta o logotipo: fluidez, dispersão e imprevisibilidade.
Inspirada na técnica da marmorização com tinta sobre água, a composição visual simula rastros que se diluem e se encontram, como vestígios de um movimento em constante transformação. Assim como o efeito inkbleed do logo, a textura representa a ideia de uma identidade que se espalha, contamina o entorno e ganha forma no contato com o coletivo — revelando o sentido da Maré como algo vivo, mutante e em construção.
técnica
A técnica que inspira a criação da textura é a marbling (ou marmorização manual), um processo artesanal de manipulação de tintas sobre a água. A partir do gesto físico de soltar, mover e capturar formas líquidas, essa técnica simboliza o nascimento da identidade da Maré — que emerge do contato direto com o sensível, com o erro, com a matéria. A marmorização permite que cada imagem seja única e irrepetível, assim como cada jornada formativa vivida no estúdio.
/guia
direção de arte - ciclo 2 logo
No segundo ciclo da Maré, dedicado à Música, o logotipo é reinterpretado com base na linguagem sonora. As formas da marca são moduladas como se respondessem a ondas de áudio, criando curvas e distorções que remetem à vibração do som. Essa alteração gráfica traduz visualmente o conceito de ritmo e cadência, fazendo com que a marca pulse e reverbere como uma partitura gráfica em movimento. O logo deste ciclo propõe uma escuta visual, onde design e som se entrelaçam como linguagens complementares.
textura
A textura do ciclo musical explora linhas digitais e repetitivas que evocam a ideia de ondas sonoras, equalizações e batidas. Essas linhas sinuosas e sequenciais criam uma dinâmica visual que remete tanto a partituras quanto a pulsos visuais, operando entre repetição e variação. A composição funciona como uma camada gráfica que amplifica o conceito do ciclo: criar ritmo com liberdade, improvisar dentro de estruturas e experimentar novas frequências criativas. técnica
A técnica que inspira essa direção de arte parte da visualização gráfica do som — como espectrogramas, faixas de áudio, sintetizadores e softwares de mixagem. A lógica sonora é transposta para o campo visual, transformando parâmetros musicais (intensidade, duração, frequência) em elementos de composição gráfica. Assim, o ciclo se torna um laboratório de design rítmico, onde a escuta ativa e a improvisação são motores para criação, aprendizados e trocas.
direção de arte - ciclo 3
No terceiro ciclo da Maré, dedicado à Literatura, o logotipo ganha vida por meio de variações tipográficas que evocam o ritmo da leitura. A alternância entre pesos como light e bold sugere pausas, ênfases e deslocamentos visuais, como se cada letra fosse uma batida ou um respiro entre as palavras. Essa marca gráfica torna-se quase um fragmento poético — instável, articulada por contrastes — remetendo à experiência da leitura como fluxo, decodificação e sensação.
textura
A textura do ciclo literário é composta por caracteres em movimento, que se organizam em padrões visuais inspirados na estrutura de poemas concretos. Letras soltas, repetidas ou deslocadas formam tramas tipográficas que lembram ondas, trechos de escrita automática ou grafismos verbais. Essa construção visual traduz o pensamento escrito como algo que pulsa e se reconfigura, reforçando a materialidade do texto como imagem e gesto.
técnica
A técnica que inspira essa identidade parte da experimentação com poesia concreta e colagens tipográficas. Ao manipular letras como formas visuais, cria-se um espaço gráfico onde o sentido emerge tanto da leitura quanto da composição. O ciclo faz referência a práticas literárias que rompem com a linearidade, explorando o texto como campo expandido — uma paisagem de palavras em fluxo, que atravessa e redesenha o olhar.
/guia
direção
de arte - ciclo 4 logo
No quarto ciclo da Maré, dedicado à Moda, o logotipo incorpora ondulações finas que se sobrepõem à tipografia, remetendo às dobras, costuras e camadas do tecido. Essa manipulação gráfica traduz o movimento do corpo em ação e a natureza cíclica das tendências. As formas sobrepostas sugerem simultaneamente fluidez e estrutura — elementos centrais na construção da moda como linguagem visual e política.
textura
A textura visual desse ciclo é baseada em padrões têxteis artesanais, marcados por repetições orgânicas e interferências acidentais. Os grafismos evocam o tie-dye e o shibori, técnicas que envolvem torções e imersões, criando formas imprevisíveis, quase vivas. Esse tipo de textura reforça a ideia de transformação constante e identidade como dobra — movimento que se imprime sobre o corpo, o tecido e o tempo.
técnica
A técnica que inspira esse ciclo parte do tingimento manual, com destaque para processos de amarração e submersão como o tie-dye e o shibori japonês. Esses métodos artesanais carregam saberes ancestrais e práticas sustentáveis que valorizam o gesto, a repetição e o acaso. Através deles, o ciclo propõe um olhar para a moda como campo expandido de experimentação, memória e expressão individual e coletiva.
presença da marca (09)
A presença da marca Maré se manifesta de forma integrada nos ambientes digitais e físicos, consolidando sua identidade em múltiplos pontos de contato. Esta seção apresenta como o projeto se estrutura para garantir coerência e expressão tanto na plataforma online quanto nas experiências presenciais, evidenciando os caminhos gráficos, estratégicos e editoriais que fortalecem o vínculo com a comunidade e ampliam o alcance da proposta pedagógica. A atuação da Maré no mundo digital e material reflete sua essência fluida e transformadora, sempre conectada ao tempo presente e às pessoas.
PRESENÇA DIGITAL
redes socias linkedin
Acompanhando os elementos que compõem cada ciclo, alguns pontos como a cor de destaque, o logo e a textura serão aplicados em uma base de diagramação fixa, conforme visto ao lado no conjunto de elementos para linkedin, garantindo uma padronização que reconhece a diversidade dos ciclos ao mesmo tempo em que prioriza o reconhecimento da marca.
Figura 66 – Conjunto de elementos para LinkedIn Fonte: Elaboração própria, 2025.
padrão de post
imagem de perfil
banner
instagram
O instagram da Maré também acompanha a lógica, com uma base fixa de diagramação em posts referentes a cursos e experiências presenciais e online, porém ainda sim mantendo a abertura para exploração dentro do ciclo, conforme exemplos da segunda coluna. Além de compor o perfil da Maré, esses posts, poderão ser usados como mídia paga para divulgação em conteúdos patrocinados.
variação de posts entre todos os ciclos
variação de posts dentro de um ciclo
Figura 67 – Conjunto de posts para instagram Fonte: Elaboração própria, 2025.
outros canais
Essa padronização de aplicação permite flexibilidade para uso em outras redes sociais, como por exemplo o YouTube, além de também acompanhar as comunicações institucionais, como assinaturas de e-mail..
Figura 68 – Conjunto de posts para youtube e assinaturas de e-mail
Fonte: Elaboração própria, 2025.
conjunto de posts para YouTube
conjunto de assinaturas de email
comunidade no whatsapp
A presença da Maré no WhatsApp é uma extensão viva do estúdio, onde os participantes podem se conectar, trocar experiências e acompanhar os ciclos em tempo real. A comunidade “marinheiros” organiza-se em grupos temáticos que acolhem dúvidas, compartilhamentos e interações constantes entre participantes e equipe. Com uma linguagem afetuosa e espaços de escuta, o ambiente busca promover acolhimento, protagonismo e colaboração contínua, fortalecendo os vínculos que sustentam a aprendizagem em rede.
Fonte:
Figura 69 – Comunidade no whatssap
Elaboração própria, 2025.
plataforma
A plataforma digital da Maré foi construída com base nos materiais desenvolvidos durante a fase de ideação do projeto, usando como referência outros projetos analisados e estudados na fase de imersão, assim como teorias do Design de Interação e de Experiência, em específico a estratégia proposta por Jesse James Garrett (2011) em seu livro The Elements of User Experience, no qual propõe uma estruturação em 5 camadas, indo do mais abstrato ao mais concreto. Essas camadas estabelecem a base para o desenvolvimento da plataforma digital, sendo estas respectivamente, estratégia, escopo, estrutura, esqueleto e visual.
estratégia e objetivos
Como definido no sistema de design de experiência do usuário proposto por Garrett (2002), a primeira etapa da construção de uma plataforma digital interativa é a de estratégia, que consiste na definição de um objetivo para o site em construção e algumas das medidas que serão utilizadas para atingi-lo não apenas com o conteúdo mas também como elaborar uma plataforma que facilite este processo tornando a experiência mais proveitosa e enriquecedora para o usuário.
Para a plataforma digital da Maré, como já mencionado anteriormente ao longo do desenvolvimento deste projeto de pesquisa, este objetivo é a elaboração de um espaço digital que seja um condutor para promover a união entre teoria e prática do design, formando uma comunidade colaborativa, pensando em propagar um ensino de design mais completo e complexo.
arquitetura da informação
Para construir a estrutura da plataforma foram utilizados os mesmos embasamentos teóricos. Pensando na hierarquia de páginas, foram analisados os exemplos estudados no benchmarking e a partir desses, concluiu-se que a melhor maneira de ordená-las seria através de uma estrutura plana, mais enxuta, tal qual a encontrada nas páginas de todas as plataformas analisadas, pois além da familiaridade também se demonstra como a mais propícia para a disposição de conteúdo de um site do segmento, tendo uma ênfase maior em páginas de conteúdo e de suas navegações locais.
Dentro da estrutura estão propostas um grande número de páginas com ênfase no conteúdo e as separando de forma a melhor comunicar esses conteúdos para um público que ainda está se familiarizando com o projeto e prezando pelo aumento de taxas de conversão de assinaturas.
Já em relação à navegação local, se prezou por uma fluidez de leitura e evitando ao máximo sobrecarregar o usuário com muita informação, para este efeito, foram utilizados elementos como carrosséis de foto e texto, paineis de informação colapsáveis e uma riqueza de imagens com textos simples.
A plataforma deve também contar com auxílio de um sistema de login e de pagamento, dispostos em relação às outras páginas como ‘páginas de apoio’, que na linguagem do design de interação são aquelas que servem para auxiliar a plataforma a contemplar de forma mais simples os seus objetivos.
- abre
- quem somos
- proposta de valor
- parceiros e apoiadores trabalhe conosco
- contato+redes sociais
início/home
- vídeo-manifesto
- proposta de valor
link redes sociais
- destaques ciclos e guia(slideshow)
- destaque comunidade
- lojinha da maré
- contato+redes sociais
ciclos guias planos e assinaturas comunidade perfil
legenda
externas
- abre
- texto descritivo
- ciclo atual
- calendário
- subpágina → ciclos passados
- contato+redes sociais
- abre
- texto descritivo
- call to action ou destaque do guia atual
- outros fascículos (slideshow)
- kits e produtos relacionados
- contato+redes sociais
- overview de planos
- destaque 1
- destaque 2
- destaque 3
- destaque 4
- destaque 5
- contato+redes sociais
- abre + descritivo
- destaques e depoimentos
- contato+redes sociais
páginas externas
- tela de login
- header de perfil
- meus conteúdos
- certificados, histórico de atividades e downloads
- contato+redes sociais
wireframes
Após o desenvolvimento de uma estrutura para as páginas, iniciou-se o processo de tangibilizar esse fluxo de navegação local de página à página e de consolidar a organização da informação dentro dela, para esse efeito, foram elaborados wireframes, protótipos de baixa fidelidade que ao delimitar as formas de elementos nas páginas como caixas, paineis, textos e imagens, criam uma visualização compreensível do que foi definido pela arquitetura de informação.
Cada uma das páginas conta com um estrutura própria de navegação local e hierarquia de conteúdo, utilizando de uma linguagem comum nas dimensões dos elementos, dentre estes padronizados estão visualizações das galerias de produto, os paineis colapsáveis que predominam na página dos ciclos, e paineis de texto e imagem que compõem destaques dos produtos e serviços da plataforma.
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Figura 70 – Wireframes
A estrutura básica de uma página de conteúdo conta com uma barra de navegação fixada no topo da página, que pode ser utilizada pelo usuário para navegar por toda plataforma em poucos cliques, além dessa também há uma barra de footer, incluindo informações de contato e ícones que abrem as páginas das redes sociais do estúdio. Além destes aspectos funcionais, outra característica que se mantém é o fundo escuro com textos brancos, não só seguindo a lógica de outras plataformas observadas no benchmarking, mas também gerando uma navegação menos cansativa aos olhos do usuário.
A homepage da plataforma conta com uma grande maioria da informação essencial do conteúdo, utilizando da hierarquia de informação para conduzir o usuário a um maior entendimento da proposta de valor e da marca, enquanto também auxilia a conduzi-lo para o que procura dentro da plataforma.
A ideia operante para a navegação das páginas é a de conseguir passar o máximo de entendimento e conteúdo sem sobrecarregar o usuário, portanto nas páginas ‘Ciclos’ e ‘Guias’, predominam o uso de paineis que sintetizam as ideias de elaboração desses produtos para promover uma leitura de página mais dinâmica e digerível para o usuário, trazendo em textos uma mistura de informações mais técnicas e frases sintéticas seguindo o tom de voz determinado para a marca. O efeito que se busca obter é esclarecer a lógica do projeto sem
comprometer o despertar da curiosidade do usuário, motivando-o à experimentação com os produtos.
A página ‘Comunidade’ traz um pouco mais de informação acerca da comunidade que é hospedada em aplicações externas à plataforma, no caso o Whatsapp, portanto deve operar em uma lógica similar à da homepage, servindo de vitrine para o serviço e estimulando o usuário a querer conhecer mais para além da plataforma.
Em seguida, a página ‘Planos’ se apresenta como uma página mais técnica, focando mais na informação sendo passada do que na comunicação desta através do sistema de marca. Esta página foi projetada pensando nas Heurísticas de Usabilidade – como definidas pelo Nielsen Norman Group –em específico a heurística de Visibilidade, que preza pela comunicação transparente e continua, oferecendo uma visão geral e comparativa da tabela de preços para que os usuário possam compreender melhor o custo-benefício dos produtos e serviços que a Maré oferece.
Por fim, a página ‘Perfil’ conta também com uma visualização mais técnica, também focando em transparência e visibilidade, para providenciar feedbacks das compras aos usuários, possibilitando eles de acessarem seu histórico de compras, planos assinados e adicionar os eventos e oficinas compradas à suas agendas digitais.
protótipo
Por fim, foi realizada uma prototipagem da homepage da plataforma como um protótipo de fidelidade média para demonstrar a relação visual da marca com toda a construção da plataforma e o diálogo entre as partes estratégica e operacional, e o universo visual do projeto. A homepage nesse caso serve como vitrine para a marca no meio digital e por isso deve utilizar toda a gama do sistema de identidade desenvolvido para a marca. Uma das maneiras na qual a plataforma faz isso é através de sua modificação acompanhando cada ciclo, comunicando assim, por via da aparência da plataforma, a identidade do ciclo atual sendo divulgado pelo estúdio, comunicando dessa forma dentro do contexto digital toda a manifestação física tangível do projeto.
páginas do protótipo home
sobre nós ciclos guia
páginas do protótipo
home
sobre nós
ciclos guia
páginas do protótipo home
sobre nós ciclos guia
páginas do protótipo home
sobre nós ciclos guia
presença física
introdução
A experiência física da Maré se concretiza por meio de encontros, produtos e objetos editoriais que aprofundam o vínculo entre participantes e os temas explorados em cada ciclo. Seu principal desdobramento material é o Guia de (Sobre)vivência do Design, uma publicação periódica lançada ao fim de cada ciclo temático. Esse guia atua como fio condutor das reflexões, repertórios e práticas, conectando os aprendizados vivenciados nas atividades formativas aos materiais que circulam no cotidiano dos participantes.
Além do guia, a Maré promove um conjunto de experiências presenciais e híbridas que integram a dimensão material do projeto. Essas ações envolvem rodas de conversa, masterclasses, oficinas criativas e laboratórios de criação, realizados em formatos diversos e mediadas por convidados especialistas, integrantes da equipe ou parceiros da comunidade. No caso das atividades presenciais, a Maré estabelece parcerias com locais estratégicos da cidade, como centros culturais, ateliês, livrarias e espaços independentes. O objetivo é fomentar a ocupação ativa do território, ampliar o repertório cultural dos participantes e fortalecer a sensação de pertencimento por meio da presença física e do compartilhamento coletivo de experiências.
A seguir, apresentam-se os principais formatos de experiência física promovidos pela Maré.
Os materiais desenvolvidos para mediar as experiências presenciais, como em oficinas ou laboratórios de criação, serão posteriormente disponibilizados na loja da Maré. Essa ação tem como objetivo ampliar o alcance dos aprendizados, permitindo que pessoas de diferentes territórios também possam acessar e adaptar os conteúdos em seus próprios contextos formativos, além de fortalecer a sustentabilidade financeira do projeto por meio da circulação de produtos autorais.
papelaria institucional
certificado de conclusão de curso
m todas as atividades promovidas pela Maré, sejam elas presenciais ou online, é solicitado que os participantes realizem um breve cadastro, etapa essencial para a emissão do certificado de participação. Essa prática tem como objetivo não apenas reconhecer formalmente o envolvimento de cada pessoa nas experiências propostas, mas também manter um registro organizado e acessível dos participantes.
Ao final de cada ciclo, os certificados são enviados de forma digital para o e-mail informado no momento da inscrição, evitando o uso de papel e contribuindo para uma abordagem mais sustentável, alinhada aos valores da iniciativa.
lojinha maré
A lojinha da Maré reúne os kits temáticos, os guias de (sobre) vivência do design e outros materiais que fortalecem os aprendizados vividos nas experiências. Para além dos itens já desenvolvidos, a loja também é uma estratégia para sustentabilidade financeira do projeto, com a criação de novos produtos como bonés, ecobags e artigos inspirados nos temas de cada ciclo. A proposta é que cada objeto carregue um pouco da energia da Maré, ampliando seu alcance e fortalecendo o vínculo com quem compartilha desse movimento.
o guia de (sobre)vivência do design
O guia é uma coleção de fascículos lançados a cada ciclo da Maré, com versões física e digital. Sua proposta é traduzir os conteúdos, experiências e provocações de cada ciclo em uma publicação acessível, autoral e colaborativa. Ao adquirir o guia, o público tem acesso a uma síntese curada do ciclo, com repertórios relevantes, ferramentas práticas e reflexões que fortalecem a autonomia criativa e ajudam a navegar com mais clareza pelos desafios da formação e da atuação profissional no campo do design. Mais do que um material de leitura, o guia se torna uma ferramenta de apoio para quem deseja construir uma trajetória consciente, crítica e conectada ao seu tempo.
O guia possui uma estrutura modular, composta por diferentes seções: textos conceituais, repertórios visuais, ferramentas práticas, contribuições dos leitores e propostas integrativas. Parte do conteúdo é produzida pela equipe Maré, enquanto a outra parte é construída em conjunto com participantes, convidados e parceiros da comunidade.
A publicação busca equilibrar reflexão crítica e aplicabilidade, mesclando linguagem informal com profundidade conceitual. A identidade visual e os elementos gráficos de cada fascículo variam de acordo com o tema do ciclo, mantendo uma base institucional e explorando caminhos gráficos próprios, expresso em seus logos sazonais,
texturas específicas e cor de destaque. Ao final de cada edição, o guia também antecipa os próximos movimentos da Maré, criando uma continuidade entre os ciclos e cultivando uma rede de leitores engajados no processo de aprendizagem.
estrutura e estratégia
Cada volume do Guia de (Sobre)vivência do Design segue uma estrutura editorial fixa e organização modular, permitindo que cada fascículo dialogue com o tema do ciclo correspondente, mantendo ao mesmo tempo uma espinha dorsal comum, com seções que favorecem a continuidade da leitura e a familiaridade do público com a proposta editorial.
A abertura do guia é composta por elementos visuais que representam a marca Maré ao mesmo tempo que destacam as particularidades e o potencial criativo das temáticas em cada ciclo. Após o sumário, a seção “A Maré” apresenta o estúdio de aprendizagem e contextualiza o ciclo. A seguir, o bloco “Manifesto” estabelece o eixo conceitual da edição com o design, definindo a direção de pensamento e linguagem do volume. Logo depois, a seção “Jeitinho Maré” aprofunda o modo de fazer do projeto, valorizando os bastidores, as decisões de processo e a pedagogia que atravessa o ciclo.
A “Bússola Design” traz repertórios e reflexões aplicadas sobre o campo do design, acompanhada de materiais extras como pôsteres e QR codes com conteúdos complementares. Em seguida, a “Seção Integrativa” articula teoria e prática com propostas de atividades, exercícios e provocações. O “Espaço do Leitor” abre margem para a participação ativa do público, reunindo respostas, colaborações e experiências enviadas pela comunidade. Já a “Seção Especial de Templates” oferece ferramentas práticas e editáveis, que ampliam a aplicabilidade dos conteúdos. Por fim, a seção “O que vem por aí” antecipa os próximos passos da Maré, mantendo a conexão com os futuros ciclos.
Essa estrutura busca equilibrar conteúdo conceitual, aplicabilidade prática e abertura à colaboração, promovendo uma experiência de leitura ativa, acessível e expandida. Além disso, a combinação entre itens físicos e digitais amplia o alcance e a dimensão sensorial da proposta editorial.
planejamento dos volumes do Guia O planejamento editorial do Guia de (Sobre) vivência do Design prevê o lançamento de volumes que acompanham os ciclos trimestrais da Maré. Cada volume funciona como uma síntese editorial dos conteúdos, atividades e vivências realizadas. Essa cadência permite consolidar aprendizados de forma acessível e documentar o percurso formativo com profundidade e continuidade.
Os guias serão disponibilizados em formato físico e digital, podendo ser adquiridos via assinatura, compra avulsa no site ou em eventos realizados pela Maré. A distribuição multicanal visa ampliar o acesso e estimular tanto o vínculo com leitores recorrentes quanto a entrada de novos públicos. A proposta é que os guias funcionem como ferramentas de reorganização crítica da prática, atuando como referência para quem está começando ou ressignificando sua trajetória no campo do design.
Além disso, destaca-se a importância do guia na estratégia geral de comunicação da marca, considerando que prévias dos conteúdos serão compartilhadas em formato de pdfs disponibilizadas nas redes sociais com o objetivo de despertar o interesse do público e ampliar o alcance da proposta. Para acessar o material completo, os usuários serão convidados a realizar um cadastro simples, tornando-se leads e integrando-se à comunidade da Maré. Essa ação fortalece o valor do conteúdo, ao mesmo tempo que amplia sua circulação e consolida o guia como ferramenta-chave de engajamento e divulgação.
volume 1 – Manifesto Maré
O primeiro volume do Guia de (Sobre) vivência do Design inaugura a coleção com o tema “Manifesto Maré” e tem como principal objetivo apresentar os fundamentos do estúdio de aprendizagem, seus valores, princípios e proposta pedagógica. A publicação será lançada ao final do Ciclo 1, em dezembro de 2025, e funcionará como uma edição especial com forte carga editorial e simbólica. Entre os temas abordados estão identidade visual, territórios do design, organização da vida profissional, precificação, captação de clientes e sustentabilidade da carreira — sempre orientados pela pergunta central: como (sobre)viver trabalhando com design?
O volume se inicia com capa, papel manteiga, textura visual e sumário, compondo uma abertura sensorial e simbólica. Em seguida, a seção “A Maré” apresenta o estúdio de aprendizagem, seu modo de funcionamento e sua proposta formativa. Na sequência, o “Manifesto” estabelece a direção conceitual do ciclo, propondo reflexões fundadoras sobre a prática do design em contexto brasileiro. A seção “Jeitinho Maré” mergulha nos bastidores da construção do projeto, revelando processos, decisões e princípios que sustentam a metodologia do estúdio.
A seção “Bússola Design” traz repertórios e reflexões sobre o campo do design, com um pôster-diagrama das áreas de atuação, além de conteúdos que abordam temas como autogestão, rotina criativa e organização da vida profissional. Essa seção
é complementada por entrevistas com designers convidados, que compartilham trajetórias diversas e perspectivas sobre os desafios da profissão. Já a “Seção Integrativa” articula teoria e prática, com propostas de exercícios e atividades que ajudam o leitor a pensar e aplicar os conteúdos de forma ativa.
O guia também inclui o “Espaço do Leitor”, onde são reunidas colaborações, respostas e participações da comunidade, valorizando a troca e a construção coletiva. A “Seção Especial de Templates” oferece ferramentas práticas e editáveis, como um modelo de manifesto pessoal, que o leitor pode adaptar à sua própria trajetória. Por fim, a seção “O que vem por aí” antecipa os próximos ciclos da Maré, criando uma continuidade narrativa e mantendo o vínculo com os leitores.
Esse primeiro volume é pensado como um ponto de partida acessível, crítico e inspirador para quem está iniciando ou redesenhando sua atuação no campo do design. Além disso, o guia também cumpre um papel estratégico na comunicação da Maré. Prévias de conteúdo serão divulgadas no Instagram em formatos visuais e interativos. Para acessar os materiais completos, os usuários deverão realizar um cadastro simples, tornando-se leads e integrando-se à comunidade. Essa ação fortalece o valor do conteúdo, amplia sua circulação e posiciona o guia como uma ferramenta-chave de engajamento e divulgação.
o guia de (sobre)vivência do design
Guia de (Sobre)vivência do Design
Ciclo 1 – Manifesto
Ano: 2025
Número de páginas: 52
Formato fechado: A5 (14,8 x 21 cm)
Formato aberto: 29,7 x 21 cm
Encadernação: Capa dura
Lombada: Quadrada
Cantos: Arredondados
Acabamento: Laminação fosca + verniz localizado
Miolo:
Papel: Couchê fosco 120 g/m³ e Offset 120 g/m³
Impressão: 4x4 cores (CMYK), offset digital
Capa:
Papelão rígido (capa dura) revestido com papel couchê 150 g/m² com laminação fosca
exemplos de seções do guia
seção interativa
Esta seção propõe uma imersão prática no tema da precificação, uma das maiores dores apontadas pela comunidade na pesquisa realizada.
espaço do leitor
Na primeira edição, este espaço será dedicado às vozes que ajudaram a formar a Maré: entrevistas com profissionais, professores e estudantes de design. São depoimentos potentes sobre como sobreviver no mercado criativo
seção especial: templates
Aqui o leitor encontrará ferramentas práticas voltadas ao fortalecimento de suas próprias identidades para construção de um posicionamento pessoal forte e impactante. A proposta é auxiliar designers em formação ou transição a se posicionarem com mais clareza no mercado e diante de si mesmos.
caixa de envio dos guias
As caixas de envio da Maré são pensadas como parte da experiência. Cada uma recebe a identidade visual do ciclo ao qual pertence, transformando a embalagem em extensão do conteúdo. Cores, grafismos e texturas acompanham o tema do ciclo e tornam o ato de receber o kit um momento simbólico, que conecta quem participa à narrativa proposta. Mais do que proteção para os itens, as caixas carregam sentidos, convidando ao mergulho antes mesmo da abertura.
rodas de conversa
As rodas de conversa constituem um dos pilares da dimensão comunitária da Maré, promovendo encontros presenciais pautados pela escuta ativa, construção de vínculos e valorização de saberes diversos. Diferentemente de formatos expositivos, as rodas adotam uma lógica dialógica e horizontal, em que os participantes são convidados a compartilhar experiências, inquietações e visões de mundo a partir de temas mobilizadores. Esses encontros são realizados exclusivamente de forma presencial, em espaços que favoreçam o acolhimento e a participação, como bibliotecas, praças, instituições culturais ou ateliês parceiros.
Essa estratégia busca tensionar as fronteiras entre quem ensina e quem aprende, reconhecendo o potencial formativo das trocas informais e do conhecimento situado. A mediação das rodas pode ser realizada por integrantes da rede Maré ou convidados com experiência em facilitação de grupos e condução de processos colaborativos. Além de fortalecer o senso de pertencimento, essas atividades funcionam como espaços de escuta qualificada que retroalimentam os demais formatos do projeto com demandas reais e perspectivas plurais dos participantes.
palestras
As palestras integram a estratégia de ampliação de repertório da Maré, funcionando como dispositivos introdutórios para a problematização de temas transversais ao campo do design e suas interfaces com cultura, sociedade e inovação. Com a presença de profissionais convidados, essas atividades propõem a circulação de ideias, conceitos e experiências que instigam a reflexão crítica e ampliam o horizonte de atuação dos participantes. A realização pode ocorrer tanto presencialmente quanto em formato online ao vivo, favorecendo maior alcance e flexibilidade de participação.
Quando presenciais, as palestras são organizadas em articulação com centros culturais, auditórios universitários e coletivos parceiros, priorizando espaços que promovam o acesso democrático ao conhecimento. A curadoria dos temas e convidados é orientada pela relevância do conteúdo para os ciclos temáticos da plataforma, pela diversidade de trajetórias e pelo alinhamento com os valores institucionais da Maré. Em seu conjunto, essas ações operam como pontos de entrada para os demais formatos formativos, estimulando o engajamento inicial dos públicos e conectando os aprendizados à prática.
oficinas
As oficinas configuram-se como espaços de experimentação técnica e metodológica, voltados ao desenvolvimento de competências práticas por meio de dinâmicas participativas. Combinando abordagem expositiva e atividades mão na massa, são conduzidas por especialistas convidados e articuladas a partir dos eixos temáticos definidos em cada ciclo. As oficinas podem ser realizadas em formato presencial ou online ao vivo, permitindo tanto a imersão em espaços físicos quanto a ampliação do acesso por meio de mediações digitais.
Nos encontros presenciais, prioriza-se a realização em ambientes que favoreçam a colaboração e a troca horizontal entre participantes, como centros de formação, escolas técnicas, coworkings criativos e instituições culturais parceiras. Os materiais produzidos para a mediação dessas atividades, como cadernos de percurso e kits didáticos, também são disponibilizados posteriormente na loja da Maré, ampliando seu potencial de circulação e impacto formativo. Essa estratégia visa não apenas qualificar a experiência educativa, mas fortalecer a sustentabilidade do projeto por meio da geração de conteúdo próprio e replicável.
laboratórios de criação
Os laboratórios de criação são imersões práticas e intensivas voltadas ao desenvolvimento de projetos colaborativos a partir de desafios reais. Acontecem exclusivamente de forma presencial e priorizam ambientes que estimulem a experimentação e o trabalho em equipe, como ateliês compartilhados, galpões culturais, hubs criativos e espaços institucionais parceiros.
A particularidade dessa etapa é que ela é realizada em parceria com marcas, coletivos ou iniciativas que compartilham os valores da Maré e desejam cocriar soluções com impacto simbólico e social. Os desafios propostos são resolvidos em processos de curta duração (1 a 2 dias), conduzidos com base em métodos ágeis e dinâmicas de facilitação que combinam repertório, escuta e prototipação rápida.
Mais do que apenas entregar soluções, os laboratórios visam cultivar um espaço de aprendizagem coletiva, autonomia criativa e conexão com o ecossistema do design independente. São momentos de troca intensa, onde os participantes aprofundam seus repertórios, aplicam seus conhecimentos em contextos reais e fortalecem a potência do design como ferramenta de transformação cultural.
estratégia de comunicação (10)
A estratégia foi desenvolvida para traduzir, de forma clara e sensível, os valores, ciclos e propostas do estúdio em diferentes formatos e plataformas. Mais do que divulgar ações pontuais, essa estratégia busca construir uma narrativa contínua que fortaleça o vínculo com a comunidade, estimule o engajamento e reforce o posicionamento da marca como um projeto vivo, experimental e em constante diálogo com seu tempo.
estratégia de comunicação e divulgação
estratégia de comunicação
A estratégia de comunicação da Maré se estrutura em torno de quatro eixos principais: atração, relacionamento, autoridade e conversão. Esses pilares derivam da metodologia do inbound marketing, desenvolvida por Brian Halligan e Dharmesh Shah (2009), que propõe atrair, engajar e encantar o público de maneira não intrusiva, com base na entrega de valor. Essa lógica orienta a construção de vínculos duradouros com os participantes, por meio de conteúdos relevantes e experiências significativas. A voz da marca é próxima, empática e acessível, adotando uma linguagem direta, atualizada e sintonizada à realidade do público jovem e criativo. Essa diretriz se reflete especialmente nos canais digitais da Maré, que funcionam como espaços vivos de produção de conteúdo autoral, compartilhamento de bastidores, reflexões e convites à participação ativa.
topo do funil > atração (descoberta + interesse)
objetivo: Ampliar a visibilidade da Maré e despertar o interesse de novos públicos de forma leve e alinhada aos valores da marca.
2. colabs: parcerias com criadores e conteúdos co-criados para ampliar o alcance.
3. rodas de conversa: encontros online com temas introdutórios sobre design, cultura e carreira.
4. templates: materiais gratuitos para download (checklists, planners, guias visuais)
meio do funil > engajamento (interesse + desejo)
objetivo: Engajar quem já conhece a Maré, aprofundar vínculos e despertar o desejo de participação ativa.
ações:
1. ciclos temáticos: programação trimestral com tema central e palestra gratuita para apresentar a metodologia.
2. oficinas presenciais: atividades criativas avulsas e acessíveis para experimentação prática.
3. produtos: templates, pôsteres, kits e o Guia de Sobrevivência para ampliar o contato com a marca.
4. comunidade: espaços de troca (WhatsApp/Discord) por tema ou ciclo com participantes e facilitadores.
5. vitrine de projetos: exposição de trabalhos produzidos nas oficinas para valorizar os participantes e mostrar impacto.
fundo do funil > conversão (ação)
objetivo: Converter participantes engajados em membros ativos e recorrentes da comunidade Maré.
ações:
1. assinatura Ciclo Completo: acesso total ao ciclo (online + presencial) com masterclasses, oficinas, rodas e fascículo físico.
2. labs com marcas: projetos reais com empresas parceiras para gerar portfólio e conexão com o mercado.
3. imersões presenciais: vivências intensivas de 2 a 3 dias com práticas guiadas e aprofundamento.
4. fascículos + kits: envio de materiais físicos com conteúdo exclusivo e apoio criativo.
5. benefícios da comunidade: mentorias, descontos, destaques e chamadas abertas para membros ativos.
6. pacotes institucionais: ofertas customizadas para escolas, empresas e coletivos, ampliando o impacto.
pós venda > encantamento + retenção
objetivo: Fortalecer vínculos, gerar fidelização e impulsionar o crescimento orgânico da comunidade.
ações:
1. kits e surpresas: envio de presentes simbólicos feitos em rede ou com parceiros para valorizar e encantar.
2. conteúdos exclusivos: acesso a encontros fechados, bastidores e mentorias para manter o pertencimento ativo.
3. coautoria comunitária: participação em fascículos, playlists, eventos e produtos para incentivar cocriação.
4. destaque de membros: visibilidade para histórias e projetos nas redes e na plataforma, reconhecendo talentos.
5. programa “Maré Convida”: recompensas para quem indicar novas pessoas e fortalecer a rede por afinidade.
6. loja: venda de itens criados por participantes para estender a experiência e gerar receita conjunta.
Complementarmente, a comunicação dos ciclos é desenhada com base nas etapas do Funil de Vendas, conceito amplamente difundido por autores como Kotler e Keller (2012) e adaptado ao contexto formativo da Maré. Essa estrutura organiza as ações de acordo com os diferentes níveis de envolvimento do público: no topo do funil, o objetivo é gerar descoberta e interesse, por meio de redes sociais, rodas de conversa, templates gratuitos e colaborações com criadores; no meio, busca-se aprofundar o vínculo com oficinas introdutórias, ciclos temáticos e produtos acessíveis; no fundo, a comunicação foca na conversão, com laboratórios de criação, benefícios exclusivos e planos de assinatura; por fim, na pós-venda, entram em cena estratégias de retenção e encantamento, como kits simbólicos, eventos de comunidade, programas de indicação e loja colaborativa.
topo do funil: atração
Na primeira fase, correspondente ao topo do funil, o foco é a captação e engajamento.
A estratégia de comunicação se concentra na divulgação orgânica e patrocinada, em meios físicos e também nas redes sociais, com o Instagram como principal canal de atuação. O foco está em apresentar as atrações principais do estúdio e sua missão de forma clara e atrativa, gerar curiosidade e atrair leads por meio de conteúdos destacando produtos disponíveis para compra online e prévias gratuitas de materiais como o Guia de (Sobre)vivencia do Design, além de engajar o público com convites à escuta ativa, como as rodas de conversa com profissionais convidados.
São utilizados teasers visuais, por meio de comunicação física em pequena escala, em locais estratégicos relacionados ao público-alvo, teasers visuais, chamadas diretas para ação, como inscrições e envio de perguntas. A linguagem visual segue o sistema de identidade do ciclo.
meio do funil: engajamento
O meio do funil corresponde às atividades formativas, e a comunicação passa a enfatizar a programação das oficinas e masterclasses, com foco na formação crítica e técnica dos participantes. As ações incluem a produção de conteúdos educativos em formato teaser para apresentar os convidados, a divulgação pontual de cronogramas e formulários de inscrição, além do reforço da ideia de uma comunidade formativa em construção. A abordagem busca valorizar a participação ativa, utilizando depoimentos, registros e materiais gerados durante as oficinas como conteúdos que ampliam o engajamento e a circulação das propostas.
fundo do funil: conversão
No fundo de funil, correspondente ao encerramento e entregas, a comunicação prioriza o fortalecimento da comunidade e visibilidade das experiências conduzidas no ciclo, como os artifícios usados nas oficinas e Laboratório de Criação, a mobilização para os momentos de encerramento coletivo, como a sessão de partilhas e ambiente de conversa online para troca de experiências. Nesta fase, a estratégia incorpora elementos de documentação e celebração, com ênfase na construção de uma narrativa de fechamento que também sinaliza a continuidade do projeto e a abertura para os próximos ciclos da Maré. Além disso, também é desprendido o foco para captação de feedbacks relacionados ao ciclo com o objetivo de garantir melhorias contínuas.
Durante os cinco primeiros ciclos, haverá investimento em mídia paga e campanhas segmentadas, com o objetivo de ampliar a base de participantes, atrair novos públicos e dar visibilidade à proposta pedagógica da Maré. Esse momento será essencial para consolidar a presença da marca e testar diferentes abordagens de comunicação. A partir do sexto ciclo, a estratégia será progressivamente orientada por ações orgânicas, com foco em engajamento de comunidade, recomendações espontâneas e visibilidade por meio de redes de ex-alunos, parceiros e criadores aliados ao projeto.
Essa transição do investimento em aquisição para o fortalecimento da base orgânica reflete a proposta de criar uma rede viva de aprendizagem, onde os próprios participantes se tornam porta-vozes da Maré. O funil de vendas da Maré é, portanto, mais do que um esquema de conversão: é um mapa de relação com o público, articulando jornada, experiências e pertencimento. Ele reforça que a comunicação da Maré não termina na venda, ela começa no primeiro contato e se estende em um ciclo contínuo de troca, criação e comunidade.
Gestão das redes sociais e da comunidade
As redes sociais serão o principal canal de presença e diálogo da Maré com seu público. Nos primeiros ciclos, a gestão desses canais será realizada internamente, com curadoria de conteúdo alinhada à programação temática de cada edição. Os perfis no Instagram, TikTok e LinkedIn funcionarão como vitrines do processo, apresentando bastidores, interações, criações dos participantes e conteúdos autorais. Cada ciclo contará com uma narrativa visual e textual própria, reforçando sua identidade em todos os pontos de contato.
Complementarmente, será estruturada uma plataforma fechada de comunidade (via WhatsApp, Discord ou similar), voltada ao acompanhamento dos participantes ao longo das atividades. Esse espaço permitirá aprofundar as trocas, fortalecer vínculos entre pares e promover o contato direto com a equipe da Maré. A gestão desse ambiente incluirá mediações regulares, desafios criativos, fóruns abertos e momentos de escuta coletiva, transformando o público em uma rede ativa de colaboração, pertencimento e fidelização.
Estratégia de lançamento
O lançamento oficial da Maré está previsto para o segundo semestre de 2025, com a estreia do Ciclo 1 — Manifesto. A campanha será organizada em três momentos principais: pré-lançamento, lançamento e pós-lançamento. Na fase inicial, o objetivo será gerar expectativa por meio de teasers, contagens regressivas, bastidores da criação da marca e convites para eventos gratuitos. Já no lançamento, as ações se concentrarão em vídeos institucionais, divulgação do primeiro Guia de Sobrevivência e eventos híbridos para apresentação pública do projeto.
Na etapa pós-lançamento, o foco se desloca para a manutenção do engajamento e a consolidação da base de participantes. Serão ativadas estratégias de comunicação como newsletters, séries de conteúdos editoriais, depoimentos e divulgação dos resultados dos primeiros ciclos. Todo o processo será guiado por ferramentas de escuta ativa e análise de dados, permitindo ajustes constantes na abordagem, no tom e nos formatos. O lançamento é, portanto, entendido como ponto de partida de um ciclo contínuo de fortalecimento da marca no campo da educação em design.
Dinâmica cíclica e planejamento antecipado
A estratégia de lançamento do Ciclo 1 está organizada em três fases integradas: captação e engajamento (outubro), atividades formativas (novembro) e encerramento com entregas (dezembro). As ações combinam campanhas digitais, eventos presenciais e conteúdos gratuitos, construindo uma jornada de conexão prática e simbólica com os participantes. Ao articular experiências afetivas, colaborativas e criativas, o ciclo busca estabelecer uma comunidade ativa e comprometida com os valores da Maré. Cada etapa foi pensada para gerar aproximação, participação e sentido coletivo, compondo uma narrativa viva da marca.
Ao mesmo tempo, é fundamental que o planejamento do próximo ciclo se inicie ainda durante a execução do atual. Essa lógica em espiral demanda uma organização contínua, na qual produção, articulação de parceiros e desenvolvimento de conteúdos caminham paralelamente à realização das ações em curso. Assim, enquanto o Ciclo 1 acontece entre outubro e dezembro, os bastidores já se voltam para o lançamento do Ciclo 2, previsto para janeiro de 2026. Esse ritmo garante a fluidez da proposta e a evolução constante da Maré como estúdio de aprendizagem em design.
estratégia de lançamento do ciclo 1 - manifesto maré
outubro: captação e engajamento
campanha de divulgação
digital e presencial
duração: 14 dias (01/10-15/10)
materiais
- Mídia Paga (online)
- Banners impressos em faculdades
- Banners impressos prox. a metrô
estratégia
O material estará localizado em pontos estratégicos para o público-alvo e despertar a curiosidade para a proposta da marca e o evento de lançamento
lançamento da plataforma + guia de (sobre)vivência do design (ciclo 1)
online
colaboradores
- Fernanda Kuntz
- Naiara Terra
- Tiago Perotti
data e horário 15/10/2025 às 19h30
- ao vivo no YouTube
- qtd de pessoas: Ilimitada - duração: 1hr
agenda
(10 min) Exibição do vídeo de manifesto e breve apresentação da proposta
(10 min) Apresentação e convite para o ciclo 1
(10 min) Apresentação do guia de (sobre)vivência do design
(10 min) Encerramento com abertura para perguntas e anúncio da promoção de lançamento (15% OFF no site)
conteúdo editorial gratuito (PDF/ Instagram)
digital duração: disponibilizado dia 15/10 e permanecerá até o final desse ciclo em dezembro
conteúdo
Prévia do guia de (sobre)vivência do design
estratégia
Para baixar o conteúdo, o usuário deverá digitar seus dados e após o download será convidado a entrar na comunidade gratuita
após o cadastro poderão ser encaminhadas outras comunicações divulgando os outros eventos do ciclo
roda de conversa: como (sobre)viver no design? presencial
colaboradores
- Auresnede Pires (ESPM)
- Cecilia Arbolave (Lote42)
- Leandro Assis (Jelly)
- Gabriela Namie (Google)
data e horário
25/10/2025 às 11h00
- local: Galeria Metrópole
- capacidade max. de pessoas: 30
- duração: 2 hrs (palestra) e 1 hr (interação)
agenda
(30 min) Momento prévio à abertura, propício para boas vindas, validação do cadastro para emissão de certificado, compras do g(s)d, distribuição no local de um panfleto com a pergunta: “Qual parte de (sobre)viver no design ainda parece nebulosa pra você?”
(1 hr) Palestra expositiva Breves relatos sobre a trajetória de cada designer e seus principais aprendizados
(1 hr) Roda de conversa Após recolher os papeis, os mesmos serão entregues aos palestrantes para facilitar conversas entre todos
(30 min) Encerramento com convite ao resto do ciclo, venda do guia e momento para trocas entre participantes e colaboradores
novembro: atividades formativas
“tipo como manifesto: identidade, voz e posicionamento” palestra presencial
colaboradores
- Rodrigo Saiani (Plau) - ESPM
data e horário 05/11/2025 às 19h30
- local: Auditório Castelo Branco ESPM - capacidade max. de pessoas: 150+ - duração: 1 hrs (palestra) e 30min (interação)
objetivo
Parceria entre Maré, Plau e ESPM através de uma palestra desenvolvida em conjunto com a Plau. Acontecerá na ESPM mas aberta ao público geral por meio de credenciamento agenda (1 hr) Palestra expositiva Abordará conteúdo introdutório voltado para inspirar jovens designers sobre o potencial transformador do design
(30 min) Encerramento com convite ao resto do ciclo, venda do guia e momento para trocas entre participantes e colaboradores
oficina: crie o seu diário de bordo: encadernação artesanal com capa personalizada com a identidade Maré
oficina presencial
colaboradores
- Cecilia Arbolave (Lote42) - SESI Vila Mariana
data e horário
15/11/2025 às 09h00
- local: SESC Vila Mariana - capacidade máx. de pessoas: 15 - duração: 3hrs
objetivo
Parceria entre Maré e Lote42 através de uma oficina de encadernação e personalização de capa com a técnica de marmorização com água que dá vida ao Ciclo 1. Acontecerá no SESC Vila Mariana porém também poderá posteriormente receber inscrições ao público geral via plataforma do SESC.
agenda (30 min) Boas-vindas Abordará conteúdo introdutório sobre encadernação artesanal e associação à personalização da capa e ao uso do diário de bordo como ferramenta de registro em outras experiências da Maré
(2 hrs) Encadernação e Experimentação Prática de encadernação e criação de texturas sobre a água com diferentes tintas e ferramentas. Além da encadernação, Cada participante poderá produzir imagens autorais, capturando rastros e movimentos que simbolizam o nascimento de uma identidade coletiva.
(30 min) Encerramento Troca de percepções sobre o processo e exposição coletiva das peças criadas.
estratégia de lançamento do ciclo 1 - manifesto maré
dezembro: encerramento e entregas
oficina:
”curso introdutório tipocracia”
oficina online (ao vivo)
colaboradores
- Henrique Nardi (Tipocracia)
data e horário
25/11/2025 às 20h00
- local: YouTube
- capacidade max. de pessoas: ilimitada
- duração: 2hrs
objetivo
- parceria entre Maré e Tipocracia através de uma oficina desenvolvida como Live no YouTube.
agenda (15 min) Boas Vindas
Abordará conteúdo introdutório sobre a carreira do Henrique e uma introdução sobre a tipografia como campo do design
(2 hs) Desenvolvimento
Adaptação online da oficina desenvolvida por Henrique no início de sua carreira, focando que pode ser executada com materiais simples e acessíveis (papel + lápis)
(30 min) Encerramento
Compartilhamento de resultados + oportunidade de troca e conexão entre colaboradores e participantes
planejamento e produção do ciclo 2 processo interno contínuo
objetivo
Início da concepção do próximo ciclo temático da Maré, previsto para janeiro de 2026. Essa etapa envolve definição de tema, articulação de parcerias, curadoria de conteúdos, planejamento das ações e produção dos primeiros materiais.
atividades
– Reuniões de equipe para alinhamento conceitual
– Pesquisa e escuta com participantes para orientar o novo ciclo
– Contato com colaboradores e convidados
– Início da produção gráfica e textual dos novos conteúdos
Esse processo ocorre paralelamente às ações de encerramento do Ciclo 1, garantindo continuidade e fluidez entre os ciclos da Maré.
laboratório de criação: guia de (sobre)vivência do design
presencial
colaboradores
- Rodrigo Lins (Platô)
data e horários
06/12/2025 às 09h00-12h00 | 14h-17h
- local: platô estudio
- capacidade max. de pessoas: 15
- duração: 6hrs
objetivo
Parceria entre Maré e Platô através de uma experiência mais aprofundada, crítica e projetual de design para idealizar coletivamente, estruturar e desenvolver uma das seções do guia de (sobre)vivência do design no ciclo 2
agenda
Dia 1
Introdução com a entrega do kit explicando a execução apresentação do desafio, compartilhamento de desafio, divisão de grupos e tarefas, execução d
Dia 2
Após uma curadoria dos materiais produzidos no primeiro dia pelos colaboradores serão apresentadas 3 propostas para votação e escolha da melhor proposta. Após essa etapa será apresentado o método para o desenvolvimento e prototipagem do desafio.
organização e disponibilização para venda do kit utilizado na aplicação do laboratório de criação
processo interno
Seleção de repertórios levantados no Laboratório de Criação a ser incluindo com o material usado: desafio proposto, estrutura do método utilizado, guias de apoio, referências visuais e instruções para replicação da dinâmica em outros contextos.
Após sua disponibilização o kit será divulgado nas redes sociais e na comunidade.
encerramento do ciclo: sessão de partilhas e depoimentos + espiada no próximo ciclo
online (ao vivo)
colaboradores - Fernanda Kuntz - Naiara Terra - Tiago Perotti - Colabores que fizeram parte do ciclo 1 e tiverem a disponibilidade de participar voluntariamente
data e horário: 13/12/2025 às 20h00 - online (YouTube) - capacidade max. de pessoas: ilimitada
- duração: 1hr
agenda (30 min) Boas vindas
Apresentação com curadoria de conteúdos e experiências voltadas (30 min) Abertura para trocas e compartilhamento
envio de certificados e pesquisa de satisfação para participantes (alunos e profissionais colaboradores)
digital
Ao final do ciclo, os certificados de participação serão enviados aos participantes via e-mail cadastrado. Para coletar e analisar feedbacks que irão continuar melhorando a experiência, a pesqusia será compartilhado via comunidade + abordagem individual de participantes.
Após o recebimento das respostas serão elencados os pontos mais importantes a serem incorporados no próximo ciclo.
materiais para o lançamento do ciclo 1 - manifesto maré
Figura 71 – Comunicação Ciclo 1: Externo (acima) e interno (ao lado)
Fonte: Elaboração própria, 2025.
Com a consolidação da proposta conceitual e a realização do primeiro ciclo temático, os próximos passos da Maré concentram-se na continuidade e aprimoramento da metodologia adotada. A estrutura de ciclos será mantida, com melhorias implementadas a partir de avaliações internas e feedbacks dos participantes. A repetição e o refinamento desses ciclos formativos permitirão testar novas abordagens, consolidar processos e ampliar o repertório metodológico da plataforma, respeitando os princípios de flexibilidade, escuta ativa e cocriação.
Em médio prazo, a Maré planeja viabilizar a implantação de um espaço físico próprio, que funcione como ponto de encontro, laboratório de experimentação e centro de produção cultural e editorial.
A presença física permitirá maior regularidade nas ações presenciais, fortalecimento de vínculos com a comunidade local e criação de novas oportunidades de articulação com parceiros institucionais e coletivos culturais. Também está prevista a ampliação da loja como dispositivo de circulação dos conteúdos pedagógicos desenvolvidos internamente, de modo a gerar impacto para além dos encontros e promover a sustentabilidade do projeto. Ao manter o foco na coerência entre propósito, forma e prática, a Maré seguirá em movimento, acompanhando os fluxos do presente e desenhando possibilidades para o futuro da educação em design.
No que diz respeito à consolidação da comunidade, os próximos passos envolvem o fortalecimento dos vínculos entre participantes, colaboradores e parceiros por meio de estratégias de engajamento contínuo e escuta ativa.
Está prevista a criação de canais permanentes de troca, como fóruns, grupos de acompanhamento e ações de mentoria entre pares, que promovam o sentimento de pertencimento e ampliem o impacto das experiências formativas para além dos encontros pontuais. Além disso, a Maré buscará incentivar a participação ativa da comunidade na proposição de temas, curadoria de atividades e cocriação de conteúdos, consolidando um ecossistema colaborativo, horizontal e em constante movimento
Como desdobramento natural do crescimento orgânico da comunidade e do fortalecimento da rede de participantes em âmbito nacional, a Maré também vislumbra a expansão de suas experiências físicas para além do eixo Sul-Sudeste.
A intenção é construir essa ampliação de forma sensível e situada, a partir do mapeamento contínuo de territórios de interesse, da escuta ativa de comunidades locais e do cultivo de parcerias estratégicas em outras regiões do país.
Ao articular presença digital e atuação territorial, a Maré reafirma seu compromisso com a descentralização do acesso ao design e com a construção de vínculos significativos em diferentes contextos socioculturais.
próximos passos
O desenvolvimento da Maré partiu de uma inquietação central: como ressignificar os modos de aprender e ensinar design em um mundo marcado pela complexidade, velocidade e desigualdade de acesso ao conhecimento? A partir dessa provocação, o presente trabalho propôs a estruturação de um estúdio de aprendizado que flui entre educação, cultura e coletividade, ressaltando o movimento contínuo como fundamento para o aprendizado de design significativo. Mais do que ocupar um espaço no mercado, a Maré busca criar novas margens para a formação em design, ampliando horizontes de atuação para estudantes, educadores e profissionais da área.
A proposta construída ao longo deste percurso combinou pesquisa teórica, escuta qualificada e construção estratégica, resultando em uma proposta empreendedora ancorada na diversidade de formatos, na atuação territorializada e na valorização do fazer coletivo. A adoção da metodologia do Duplo Diamante em sua versão voltada à inovação permitiu ampliar a compreensão do problema por meio de pesquisas qualitativas e quantitativas, gerar soluções alinhadas às reais necessidades do público-alvo e refinar a proposta com base em ciclos iterativos.
O compromisso com a entrega de valor não se limita à oferta de produtos e serviços educacionais, mas se manifesta na tentativa de contribuir para uma mudança de cultura: formar designers mais conscientes de seu papel, mais atentos às relações que estabelecem e mais conectados às realidades que os atravessam. Ao propor uma pedagogia situada, a Maré reafirma o design como prática cultural e política, capaz de transformar contextos por meio da criação compartilhada.
Ao retomar os objetivos inicialmente propostos, é possível afirmar que este projeto alcançou suas metas de forma coerente e integrada ao propor um modelo de negócio educacional ancorado em princípios sistêmicos e participativos, capaz de responder aos desafios identificados no embasamento teórico e de gerar valor tanto para os indivíduos quanto para o ecossistema mais amplo do design. Através da articulação entre teoria e prática, escuta e estratégia, produto e experiência, a Maré se apresenta como uma contribuição concreta para a reconfiguração das formas de aprender, ensinar e exercer o design no presente e no futuro.
considerações finais
referências bibliográficas
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apêndices
APÊNDICES
apêndice A
mapa de entrega de valor
apêndice B
transcrição forms 2024-2
formulário: perfil de designers e não designers – pesquisa PGD 2024/2
Introdução
“Oi, tudo bem?
Seja bem-vind@ à nossa pesquisa :)
Somos estudantes de design, e este formulário faz parte do nosso projeto de conclusão de curso.
Estamos desenvolvendo novas formas de ensino e experiências educacionais focadas em design e precisamos da sua ajuda para entender melhor o cenário atual.
Queremos entender melhor quem são os estudantes, professores e profissionais da área para desenvolver cursos e atividades que realmente atendam às suas necessidades!
Perguntas e Respostas
Primeira seção: first things, first ;) conta pra gente, quem é você?
1. Qual a sua idade?
Perfil: Não Designers
6. Qual sua área de atuação ou estudos?
Para isso, sua participação vai ser essencial <3
É rapidinha, leva de 3 a 6 minutos no máximo para responder.
Muito obrigad@ por participar!”
4. Onde você estuda ou já estudou?
7. Qual é a natureza do seu interesse em design?
10. Onde você está estudando/ou estudou?
11. Você sente que as disciplinas do curso te prepararam adequadamente para o mercado?
16. Em uma escala de 1 a 5, o quanto você se sente preparado para o mercado de trabalho?
17. Você pode contar pra gente o porquê?
14. Em uma escala de 1 a 5, o quanto você
15. Em uma escala de 1 a 5, o quanto você se
Perfil: Freelancer na Área de Design
20. Em quais áreas do design você atua como
24. Qual seu maior desafio como autônomo?
Perfil: CLT na Área de Design
22. Como você consegue a maioria dos seus
23. Você busca outras formações
26. Como você avalia o seu desenvolvi-
29. Se pretende sair do seu emprego atual, o que você está à procura no momento?
Perfil: Professor/Profissional da Educação de
32. Quais disciplinas você leciona atualmente?
33. Quão satisfeito você está com o material didático disponível atualmente?
34. Quais são os principais desafios que você enfrenta ao lecionar design?
35. Você está envolvido em outras atividades de design além da docência?
Última Seção: Rotina de Aprendizado
36. Você participa de atividades extracurriculares relacionadas ao design?
37. Se não, o que está te impedindo?
38. Com qual frequência você consome ou já consumiu cursos/workshops de design?
39. Se sim, pode citar qual/alguns que tenha feito?
45. Você permitiria ou gostaria que entras-
40. Assinale quais destes materiais didáticos de design você mais consome:
apêndice C
transcrição forms 2025-1
formulário: perfil de designers, pesquisa PGD 2025.1
Introdução
Oi, tudo bem?
Seja bem-vind@ à nossa pesquisa :)
Somos estudantes de design da ESPM em São Paulo e este formulário faz parte do nosso projeto de conclusão de curso voltado para uma plataforma de aprendizado em design.
Queremos entender melhor quem são os estudantes e jovens profissionais da área para desenvolver cursos e atividades que realmente atendam às suas necessidades!
Para isso, sua participação vai ser essencial.
É rapidinha, leva de 3 a 6 minutos no máximo para responder.
Muito obrigad@ por participar!
perguntas e respostas
primeira seção: conta pra gente, quem é você?
1. Qual a sua faixa etária?
2. Em qual região do Brasil você mora?
3. Com qual gênero você se identifica?
segunda seção: nos conte um pouco sobre a sua formação
4. Qual o seu grau de escolaridade?
5. Em qual tipo de instituição você estuda/estudou?
7. O que você está buscando no início da carreira?
6. Dentro do design, quais são as suas áreas de maior interesse?
8. Quais são as suas dificuldades atuando com design no momento?
9. O que mais te preocupa em relação à sua carreira no futuro?
10. Como você descreveria seu estado emocional atual em relação aos trabalhos/estudos em design?
11. Como você se sente em relação às tendências no design? (em termos de ferramentas, métodos, estéticas, etc.)
13. Você já fez cursos, workshops e outras experiências de aprendizado para complementar sua formação?
terceira seção: como é a sua rotina entre design e aprendizado?
12. Como você está buscando complementar sua formação atualmente? (pode escolher mais de uma opção)
14. Com que frequência você participa de experiências de aprendizado para complementar sua formação?
15. O que você mais valoriza na hora de escolher uma experiência de aprendizado?
16. Qual a sua modalidade preferida para experiências de aprendizado?
17.Qual valor você está disposto a investir no seu desenvolvimento em design?
20. Qual duração seria ideal pra você?
19. No caso de experiências de aprendizado presenciais, em quais dias você poderia participar?
21. Como você se sente em relação ao networking e conexões com outros profissionais?
22. Para fechar, conta pra gente: existe algo que você gostaria de aprender ou melhorar para se sentir mais confiante na sua trajetória com design? (opcional)
Como precificar o meu trabalho de uma maneira efetiva
Formas de posicionar minha marca em meio ao boom de IA recente
Gosto de sempre buscar referências relevantes inovadoras, mas nao sei por onde acompanhar
Difícil explicar, gostaria de aprender mais sobre composição
como divulgar meu trabalho com o público e com as empresas, quais tipos de projetos pessoais posso fazer e quais plataformas posso usar pra ficar atualizada quanto às tendências de design
aprender a começar na área
Motion design e animação 3D
gostaria de saber mais sobre o futuro da profissão considerando a ascensão das inteligências artificiais
Design estratégico, jornada do consumidor, service design, inovação
queria entender melhor como cobrar pelos meus trabalhos
Gostaria de aprender mais sobre o lado empreendedor do design
Como negociar com clientes sem parecer amador
Entender o processo de branding de forma mais estratégica
sempre fico na dúvida se meu portfólio tá bom mesmo
Precificação é um assunto que sempre me deixa inseguro
não sei como divulgar meu trabalho do jeito certo
Entender como o design se conecta com dados e tomada de decisão
não sei muito bem como me posicionar como designer
queria aprender a acompanhar tendência sem virar modinha
Gostaria de melhorar minha organização com prazos e fluxo de trabalho
tenho dificuldade em começar, fico meio travado
curto design estratégico mas nao tive acesso a isso na faculdade
Como usar o design para resolver problemas reais, além da estética
Gostaria de entender como criar narrativas visuais mais consistentes
Saber mais sobre direitos autorais e contratos
queria entender como fazer parte de comunidades de design
Tenho dificuldade em validar se meu trabalho está mesmo “bom o suficiente”
Queria saber como designers se conectam com empresas e clientes fora do eixo RJ-SP
melhorar meu domínio de ferramentas como Figma e After Effects
Sinto falta de prática mais próxima da vida real
Aprender a trabalhar em equipe, principalmente com pessoas de outras áreas
preciso de dicas de onde achar briefing pra praticar
Tenho interesse em design de produto digital, mas não sei por onde começar
como posso usar o design pra gerar impacto e não só vender
queria um caminho mais claro pra quem tá começando sozinho
me sinto perdido em relação a como escolher uma área de especialização
tenho interesse em animação, mas não sei por onde ir
queria saber usar IA no meu processo, mas de um jeito que faça sentido
tenho dúvidas sobre como seguir carreira sendo do interior
Queria aprender mais sobre curadoria de conteúdo visual
Sinto falta de uma orientação mais prática sobre design editorial
Como traduzir um conceito em identidade visual de forma consistente
queria entender como fazer parte de comunidades de design
tenho medo de cobrar caro e perder o cliente
queria estudar teoria do design com mais profundidade, mas não sei por onde começar
sinto que sei as ferramentas, mas me falta segurança criativa
Queria dicas práticas de como trabalhar com clientes pequenos e locais
Como criar um plano de carreira sendo designer e autônomo
queria aprender a fazer pesquisa de usuário com pouco recurso
apêndice D – transcrição dos
grupos focais
grupo focal: gabriela pires, maria carolina, glória cristina, giovanna lemos.
Naiara Terra Boa tarde.
Gabriela Pires Boa tarde.
Naiara Terra
Então, em ordem, vocês podem se apresentar, falando seu nome e idade, como vocês se identificam e o que vocês mais gostam no design.
Gabriela Pires
Então, eu sou a Gabi, tenho 21 anos, tô no sétimo semestre de design, E acho que o que eu mais me identifico no design é essa parte de direção de arte, talvez, que abrange muitas áreas. Então, desde você desenvolver toda a identidade para algo e como isso vai se desdobrar ao longo do projeto. É imenso, assim, acho que, por enquanto, é assim, quando penso em uma coisa mais profissional.
Maria Carolina
Sou Maria Carolina, 21 anos, e eu não sei com o que eu quero trabalhar no geral. Ainda não me encontrei muito nessa coisa de ficar... Quero trabalhar em agência ainda, ver se eu posso, sabe?
Naiara Terra
Então, como vocês já devem saber, o nosso
PGD é sobre educação focada em design, né? Então, vamos falar um pouquinho sobre
isso agora. Por que o design? O que motivou vocês a fazer esse curso, principalmente?
Gabriela Pires
Nossa! Isso inclusive é uma pergunta que fazem muito em processo seletivo também.
Naiara Terra Sério? Olha!
Gabriela Pires
Meu, eu acho que desde pequena eu sempre gostei muito de me mexer com essas coisas, tipo, desenhar, fazer origami, dobradinhas, caderninhos, esses cacarecos, assim, tipo, isso que a gente enxerga hoje, fazer arte, projetar, é, que a gente enxerga como projetar, mas eu sempre gostei muito desses processos mais manuais de desenho. E aí, quando a gente chega no terceiro ano, né, e precisa escolher alguma coisa, geralmente, uma área que mais se aproxima disso é o design, né? Que meio que também é vendido pra gente antes como uma das profissões que a gente vai se aproximar um pouco do desenho. Poder experimentar essas coisas, assim. Admito que quando eu percebi, né? Antes de, tipo assim, ter contato zero com design, eu tinha uma visão muito diferente. Eu tinha, na faculdade também, um choque. De realidade, acho que a partir do segundo semestre, porque o primeiro semestre foi bem, tipo, essa pegada mais analógica, fazer dobradura, desenhar bastante em observação, mas aí, a partir do segundo semestre, acho que a gente teve esse contato maior. Mas, acho que veio disso, assim, desse interesse mais em trabalhar com algo que envolvesse desenho e, de alguma forma, também projetar esses cacarecos ainda por cima. Acho que é isso.
Maria Carolina
Desde pequena também, a minha vó adora mexer com essas coisas, com origami principalmente, então ela inclusive tentou me incentivar muito pra eu ir pra esse lado do origami mas eu não levo jeito.
Naiara Terra Sério?
Maria Carolina
Sim, ela é tipo, muito boa mesmo, ela já fez exposição. Então, ela sempre me incentivou, eu estudei na escola dela, então eu ficava lá o dia inteiro também. A minha escola também sempre foi bem do manual, muitas coisas artísticas e tal. E aí, apesar de tudo isso, eu estava com a cabeça de ir pra área de biologia, ciências e tal. E eu entrei no meu ensino médio, na minha escola já começou aquela ideia de tipo, ai, vamos implementar o meu ensino médio, dividir a sala, jogar o que você quer. Então eu fui pra Biologia e Exatas. Péssima escolha. Fiz o meu ensino médio inteiro nas Exatas, sabe? Nada a ver. E aí eu me formei na pandemia, e aí eu apliquei minha nota do Enem no Sisu, e aí lá apareceu o design. E aí foi que eu pensei “nossa, por que eu nunca pensei em design, né?” E, tipo, eu estava pensando em psicologia, sabe? Nada a ver. Eu mudei muito durante o ensino médio, né? E aí eu falei, “bom, design”. Eu comecei a pesquisar dentro do design e aí eu encontrei aqui e foi meio que assim. Mas eu também, mesma coisa, estava com outra visão. Vim porque eu gostava de desenho e tal. E aí, quando você entra, você fala, “nossa, tá, design é muito mais do que isso e pode ser muito mais impactante, principalmente, né?” Não é só desenhar, arte e tal.
Naiara Terra
Nossa, amei. Legal. Bem diversificado. Ah, mas aí eu fiquei até curiosa. Então como vocês definiriam a visão que vocês tinham antes do design, sobre o que é design?
Maria Carolina Desenhar, ponto final.
Naiara Terra Desenho, é isso.
Maria Carolina Desenhar. Assim, eu não sei o que iam ser esses quatro anos. Mas assim, eu tinha visão do primeiro semestre como o curso inteiro. Eu não via assim, o propósito do tipo, ai, como é que eu vou trabalhar com isso depois? Eu não via assim, trabalhando com isso depois, eu só falava, ai, vou fazer aqui a faculdade, desenhar um pouquinho, vou trabalhar com isso.
Gabriela Pires
Eu acho que a gente fica muito perdido, né? Porque até hoje, depois de três anos de curso, a gente fica tipo, nossa, como que eu explico pra minha família que faz um designer? Porque a gente faz muita coisa, né? A gente pode, tipo, explorar muitas áreas, assim, então… É meio que um mar desconhecido, a gente nunca sabe o que poderia ser, mas eu também tinha muito essa visão, que ia ser uma parada muito... Mais artística. Tanto que quando eu também tava me inscrevendo pro vestibular, eu fiquei muito entre design e arquitetura. Porque a arquitetura também tem isso, só que é uma pegada mais técnica, né? E, enfim... Como eu via arte muito também como um refúgio, quando eu era mais nova, pois eu desenhava bastante, eu optei pelo design também por ter essa visão, achar que podia ser um caminho mais libertador.
Naiara Terra
Ai, nossa, parece que vai um milhão de anos, né? Mas, então, aproveitando, já que teoricamente nós já estamos nessa jornada há alguns anos, né? Como que é, assim, como são os hábitos de estudo de vocês?
Gabriela Pires
Ah, eu queria muito vir aqui e falar assim, nossa, eu leio vários livros de design, mas… Os livros que eu realmente peguei pra ler foram bem poucos, assim, acho que são os mais clássicos de design e os que tinham um pensamento mais amplo, então os que falavam sobre o design meio que como um fenômeno, não necessariamente sobre essas coisas mais técnicas, tipo os livros que a gente pegava na época que a gente tava fazendo a revista, que era sobre editorial, que era aquele negócio mais quadradinho. Eu nunca fui estudar essa parte mais técnica. Eu li alguns poucos livros, tipo, “Design para um Mundo Complexo” e derivados. Acho que quando a gente tá fazendo os projetos também, a gente acaba querendo ou não, às vezes dando uma viajada na maionese, então a gente vai acabar indo atrás de muita coisa, indo atrás de muita referência.
Naiara Terra É, não deixa de ser estudo.
Gabriela Pires
Estudando meio que vendo o que outros designers estão fazendo. Acho que isso também é uma maturidade que a gente vai alcançando mais no final do curso, né? Ver o que os outros designers estão fazendo, ver o que agências estão fazendo e meio que se pautar por isso para se guiar. Vídeos no YouTube. Mas pra tutoriais de coisas técnicas também. Então, acho que a coisa que eu
mais já vi no YouTube foi Motion. Pra fazer esses tutoriais. As palestras e oficinas que a gente tem aqui são bem legais. Principalmente quando eles trazem esses grandes nomes, assim. Tipo o Gustavo Greco, esse pessoal. Eu acho super legal. Principalmente quando é, tipo assim, mais palestra e mais também mostrando o processo deles. Aqueles que a gente teve com o pessoal do Colírio, foi incrível, que eles mostraram todo o processo deles de pesquisa.
Naiara Terra Nossa, sim, incrível, né?
Gabriela Pires E como eles estruturam os projetos, super, super, super legal. Agora que a gente tá fazendo PGD eu acho que a gente tá mais direcionada pra leitura. Então eu arrisco dizer que eu tô lendo mais agora, nesse ano de PGD do que eu li no resto inteiro pra ser honesta. Mas é, eu acho que o que mais me marca mesmo são essas palestras e oficinas que a gente faz, sem contar as aulas e projetos. Por fora, é mais por aí.
Maria Carolina
Eu acho que por conta própria é muito difícil, parece um sacrifício, né? Tipo, “ah, eu vou sentar e vou estudar tal coisa” sabe? Quando a faculdade propõe um negócio, principalmente quando é durante a aula, isso daí meio que não tem como você fugir, mas ao mesmo tempo é muito legal. Então, assim, quando esse acesso é mais fácil eu tenho mais esse interesse, sabe? Mas também, sem tempo... Assim, eu acho que se a gente quer um tempo pra estudar mais a gente consegue. Eu, pelo menos, acho que eu consigo, mas eu não tô afim de me esforçar pra isso, sabe? É realmente algo que pega. Mas é isso que
ela falou, agora que a gente tá mais direcionada ao PGD a gente vai lá, senta e estuda aquilo, entendeu? “Ah, tem aula de não sei o quê, é obrigatório”, a gente faz, entendeu? Mas, por exemplo, eu quero muito aprender mais sobre motion, só que eu não vou atrás de um curso agora, porque eu falo “não, mais pra frente eu vou estudar sobre isso, tipo, eu vou parar quando eu terminar a faculdade” sabe? Porque é tanta coisa ao mesmo tempo que a gente fica maluca, né? Porque a faculdade já tem eletivas e não sei o quê. Então, é mais por aí.
Gabriela Pires É muita coisa. Faltam horas às vezes, né. Não temos, assim, mais de 24 horas.
Naiara Terra Ai, socorro. Sim, entendi. E agora saindo um pouco do assunto, pode ser sobre design, mas pode ser sobre um hobby de vocês também, quando vocês querem aprender algo novo, como vocês procuram mais sobre?
Maria Carolina
Internet. Ah, lembrei até do que eu ia falar agora. Eu falo também desse negócio do YouTube, que sempre que é um tutorial rápido eu vou lá e faço no YouTube mesmo, mas sempre muito direcionado, assim, no que tem que fazer. E também esse contato com o mercado, pelo LinkedIn e Instagram, assim, diariamente, né? A gente acessa e já fica meio informado. Às vezes até ir atrás mesmo, ficar stalkeando, algo assim, mais espontâneo mesmo. Mas, é, quando eu quero aprender alguma coisa, é isso que eu falei, se é um negócio mais direcionado eu penso tipo “ah, vou abrir o YouTube”, normalmente é o YouTube.
Gabriela Pires
É, acho que é mais YouTube. Sempre que eu quero aprender alguma coisa nova, pelo menos aqui dentro da faculdade, eu vou muito pelas letivas. Então, por exemplo, no segundo semestre, eu sempre tive interesse por moda, inclusive, até também pensei em seguir para essa área, mas... Hoje em dia eu vejo mais como “vou testar, talvez, uma pós, algum curso, ver se eu gosto”. Mas no segundo semestre eu fiz uma eletiva de moda porque eu queria saber mais sobre. A maioria das eletivas que eu peguei, tirando algumas que é pra gente ficar mais sossegada, foi por esse interesse em aprender alguma coisa. Tipo, motion também foi assim. A gente teve a eletivo da Mara, que foi de design de superfície. Eu gosto, assim, de ter uma orientação, porque eu acho que na internet a gente tem tudo, mas ao mesmo tempo é tudo muito, muito solto. É aquele negócio, tipo assim, você pode aprender o que você quiser por você mesmo, só que é mais difícil, né? E você encontrar os materiais certos pra se sentar e se entender, diariamente...
Naiara Terra
O fato de você ter alguém junto ali, vai te direcionando, né?
Gabriela Pires
Quando é uma coisa mais simples, mais básica, acho que dá pra procurar um tutorialzinho ou outro na internet, no Instagram, às vezes no TikTok, mas quando é uma coisa mais densa, como sempre procuro, pelo menos dentro da faculdade que a gente tem essa possibilidade, mas imagino que se fosse por fora, eu também procuraria esses cursos, na domestika, tem vários cursinhos.
Naiara Terra
Prosseguindo, a gente que está aqui no sétimo semestre, a gente sabe melhor do que ninguém o quanto é difícil, corrido, muita coisa. Como vocês lidam com a rotina da faculdade?
Maria Carolina
Não sei. Eu nunca fui uma pessoa de faltar muito nas aulas, eu nunca gostei muito, sabe? Então eu tento ao máximo ir em todas as aulas, mas eu confesso que nesses últimos semestres dá uma vontade de ir embora. Tipo, eu realmente estava passando mal esses dias, né? Mas, tipo, mesmo se eu não estivesse passando mal, eu ia vazar dessa aula. Eu falei “não vou ficar pra essa aula”, sabe? Mas assim, a gente paga pra estar nessa aula, né? A gente precisa estar lá. Então é complicado… Eu também, na minha vida inteira, eu sempre gostei de ter meio que uma rotina pra conseguir dormir, sabe? E eu sinto que eu não estou conseguindo ter isso, e isso tá me deixando maluca, mas não é de hoje, tem alguns semestres já. E, sinceramente, eu não sei como que eu lido, eu só olho e falo, cara, como é que faz isso daqui, sabe? Tipo, eu acho que não é nem a rotina da faculdade em si, de vir pra cá, porque é meio que lógico, que eu saio de casa pra ir trabalhar, daqui eu venho direto, ao invés de voltar pra casa, eu depois volto pra casa, isso daí é tranquilo. Mas o negócio é pausar e fazer o que eu tenho pra fazer da faculdade, seja uma atividade de alguma eletiva, ou seja o próprio TCC mesmo, a dificuldade é sentar a bunda na cadeira e escrever. Porque quando eu tenho tempo eu não consigo. Eu olho pra tela e, assim, nada sai, entendeu? E aí, me dando essa desculpa, “não, porque, ah, eu tô cansada e não sei o quê”, mas você vai estar cansada de qualquer jeito, então só faz. E aí, às vezes não sai. Mas é isso, é mais sobre
o que você tem que fazer da faculdade fora do ambiente da faculdade. Porque quando eu tô aqui, eu foco. Tanto que é por isso que a gente tá aqui hoje.
Gabriela Pires
Muito real! Nossa! É que nesse semestre a minha rotina está bem mais tranquila. Porque eu não tô trabalhando. Sei lá. É um respiro, né? Então, nossa, tá sendo muito bom. Acho que fazia tempo que eu não ficava tão bem, tão tranquila, mais calma, sabe? Então esse momento foi muito importante, de dar um respiro. Eu sei que a maioria das pessoas não têm essa oportunidade de parar de estagiar. Mas eu lembro que antes, quando eu trabalhava e fazia faculdade, principalmente no sexto semestre, era um inferno. Eu fiquei completamente esgotada, porque o transporte era uma hora pra ir, uma hora pra voltar. Pra vir para cá para a faculdade era quase duas horas. Então era uma rotina bem exaustiva. Tava dormindo super pouco, e aí chega um momento que a gente tá fazendo as coisas meio no automático, meio apático. Chegou uma hora em que a gente tem que repetir a mesma coisa umas quatro vezes pra fazer certo. Então eu lembro que a minha rotina era bem puxada, eu mal tinha tempo pra fazer as coisas da faculdade. Tive que sair, eu tava fazendo academia de manhã antes de ir pro trabalho, tive que sair porque eu não estava conseguindo dormir direito. Às vezes à noite eu chegava da faculdade 11 da noite e já tocava coisas do portfólio. Tinha todas essas coisas e eu ficava acordada até tarde. Às vezes nem dormia direito, né? Então, a rotina antes estava muito bagunçada. E agora que eu tô tendo essa oportunidade de focar só nas coisas da faculdade, tá bem mais tranquilo. Tive tempo de fazer meus carimbinhos, comprar as minhas coisas, sabe? Tirar esse
tempo meio que pra fazer essas coisas mais terapêuticas. Voltar a fazer projetos também pra mim e não apenas os acadêmicos. Então, agora eu tô bem mais tranquila. Lógico que também é mais difícil conciliar as coisas que eu faço em casa. Muitos dias eu fico em casa, né? E a minha mãe fica em casa, então é o dia inteiro “ai, querida, me ajuda nisso. Ai, querida, pega isso aqui.” Mas, assim, nem se compara com a rotina de antes. Então, é mais difícil mesmo, separar o momento de descansar do momento de sentar e fazer as coisas. Então, é isso. Por enquanto eu tô tranquila. Estou aproveitando esse tempo sem estar atribulada, sabendo que vai voltar a todo vapor essa correria. Eu espero que eu consiga me organizar melhor. Para conseguir ter os momentos para descansar. Para conseguir ainda conciliar com a academia, com coisas da faculdade. E principalmente também pra gente ter menos aula. Eu acho que já dá uma segurada.
Maria Carolina
Nossa, isso é muito bizarro, porque quando a gente tá na faculdade, assim, desde o terceiro semestre essa palhaçada. A gente acaba, tipo, como é que fala? Esqueci a palavra. A gente não dá atenção pra nossa saúde, porque a gente não tem tempo. Então a gente não come bem, a gente não dorme bem, a gente não faz exercício físico. Esse é o básico do básico do básico e tipo, a faculdade ela consome.
Gabriela Pires
Eu acho que eu tô me sentindo tão melhor nesse tempinho que eu parei, porque eu voltei a comer direito, voltei a fazer as coisas, voltei a dormir. Eu não estava dormindo. Então eu acho que é uma coisa que faz toda a diferença.
Naiara Terra Nossa, me identifiquei com os relatos, gente, muito bem. Entendi. E assim, temos a realidade agora do final de curso, mas no começo, o que vocês diriam sobre as dificuldades que vocês têm agora ou já tiveram em relação ao curso de Design? Além do tempo, né?
Gabriela Pires
Eu acho que no começo do curso a nossa dificuldade era mais técnica. Porque tempo a gente tinha de sobra, né? Mas mesmo assim, a gente não estava acostumada com o ritmo de faculdade, então a gente ficava nesse negócio de “nossa, tem muita coisa pra fazer.” Eu nem sabia, né? Mal sabia eu, coitada. “Ai, porque o display…”, nossa. Eu acho que o meu problema era mais técnico porque eu, pelo menos, nunca tinha tido contato com nenhum software digital. Então, quando a gente teve que sentar ali pra mexer no illustrator, photoshop, indesign, eu fiquei muito perdidinha. Então isso era uma coisa que tinha que puxar um pouco, a gente tinha que correr mais atrás. E eu acho que a dificuldade é sempre mais na frente. A gente também está entendendo ainda o que é o design, como funciona. Hoje em dia a gente tem muito claro essas metodologias, né? Mas naquela época...
Naiara Terra
Ah, entendi. Foi se desenvolvendo aos poucos ali, né?
Gabriela Pires
Aí eu acho que com o passar do tempo, a dificuldade maior pra mim era o tempo, os projetos também foram ficando mais complexos, mas eu sinto que as coisas foram meio que caminhando juntas, assim, pra gente florescer, assim, nessa questão de projeto.
Acho que o sexto semestre, assim, foi o que fechou o ciclo, porque a gente teve design de serviço e eu acho que a gente deveria ter feito isso antes. São muitas etapas que a gente tem que levar em consideração com o projeto, né? Então, acho que a gente meio que aprender isso tão tarde, aprender assim, pra gente colocar em prática e descobrir esses mecanismos tão tarde. Talvez tenha sido uma coisa também que acabou prejudicando a gente a longo prazo. Sempre tem aquele ponto do projeto que a gente fica, meu Deus, e agora? Senta aí comigo que não tenho muito direcionamento. Mas é, acho que com o passar do tempo foi mais essa corrida contra o tempo. E o fato de serem muitas coisas, muitos trabalhos ao mesmo tempo. A gente tem que se desdobrar em cinco pra conseguir dar conta de tudo e não conseguir dar o nosso melhor. A gente até dá o nosso melhor em tudo, mas a gente não alcança os resultados que a gente esperava e isso acaba frustrando. Mas, tipo, não parte de ser uma falta de esforço nosso, é só porque são muitas, muitas coisas para administrar e a gente fazer oito coisas ao mesmo tempo e a gente não faz nada direito.
Maria Carolina
Eu concordo também com essa questão de entender como é a dinâmica do começo da faculdade, porque são muitas coisas que a gente não entende na faculdade, tem a teoria, conhecimentos novos, de estudar o que eu gosto, então são muitas coisas diferentes. Sobre isso que ela falou, de ser muitos projetos e da afinidade com os aplicativos, no primeiro semestre eu não sabia nem o que era illustrator. Enquanto quem tem gente, provavelmente você, que já sabia mexer com esses aplicativos. Aquela aula do pássaro era suave pra você, mas eu não sabia nem pra que servia aquela seta preta
e aquela seta branca. Eu fiquei perdidona.
Photoshop eu só conhecia de nome. Nunca tinha aberto também. E principalmente no segundo semestre, que era pra fazer o logo, na teoria, no papel, é desenho, legal. E agora pra vetorizar? Nossa… E era tão fácil, assim, sabe? Fazer a faca do...
E a gente assim, procurando na internet pronto, porque não tava dando. Então, meio que é assim, entender, esses softwares. Porque hoje em dia se a gente fizesse isso nesse semestres a gente faria assim... Em um mês, um trabalho do semestre inteiro.
Gabriela Pires
A gente até brincou que provavelmente a gente faria revista muito fácil, muito tranquilo se a gente pegasse pra fazer de novo, mas naquela época foi o fim do mundo.
Maria Carolina
Essa questão de metodologia também, entender as metodologias, entender como aplicá-las, principalmente em grupo. A revista foi um aprendizado gigantesco, porque era muita coisa e precisava de muita organização também, então acho que é isso. Organização, trabalhar em grupo e entender a técnica mesmo. Tudo ao mesmo tempo, mas em questão de tempo, sinceramente, a gente tinha, a gente reclamava que a gente não tinha, mas comparado hoje em dia, a gente fala, “caramba, evoluímos.”
Naiara Terra Uau, entendi. Faz sentido. E aí, vocês já fizeram algum curso, workshop, assim, fora da ESPM, assim?
Gabriela Pires
Acho que a gente já fez alguns de colagem, não sei, não tenho certeza, mas a gente fez alguma coisa que era mais experimental, assim. Nada tipo curso mesmo.
Maria Carolina Curso não fiz não, mas já fiz esses workshops de um dia, de algumas horas. Já fiz um de... Ai, o que que era? Acho que era tipo carimbo também, só que não era pra fazer, era só pra carimbar. Foi também num de colagem, mas assim, coisa de um dia, assim.
Naiara Terra Mais rápido, né?
Maria Carolina
Isso. Pago e gratuito também, várias coisas diferentes, assim.
Gabriela Pires
Ou em algum lugar onde estava acontecendo alguma oficina, aí você para lá pra dar uma olhada. Ou feirinhas mesmo.
Maria Carolina Ferinhas design e artistas independentes, sabe?
Naiara Terra Boa, boa. E pensando nessas experiências, tem alguma coisa específica que chamou a atenção de vocês? Que foi legal a interação ou o jeito que programaram alguma coisa e tal, ou nada especificamente?
Maria Carolina Então, desses poucos que eu fui, o do carimbo, acho que você chegou mais cedo pra ver, né, não lembro se o cara explicou, mas… Enfim, eu cheguei meio atrasada e também consegui entrar na fila e comecei a carimbar. Não tinha muita expectativa. E aí quando tem a instrução do professor e do profissional, fica mais legal. E também é legal que sejam turmas pequenas, né? Pelo menos o dessa colagem que eu fui, acho que era uma turma de 10 pessoas, se eu não me engano. E foi muito legal. Primeiro ele mostrou o trabalho dele, esqueci o nome
dele, Daniel alguma coisa. E aí ele mostrou o trabalho dele, falou da trajetória dele. E é muito legal escutar que pessoas realmente trabalham com isso e gostam disso. Enfim, o cara fez exposições, ele era muito legal. E aí depois disso a gente saiu na rua, pegando coisas pra colar, foi muito legal.
Naiara Terra Sério? Muito legal.
Maria Carolina Nossa, foi muito legal. E aí depois a gente colou, ele foi instruindo e tudo mais. Então, eu acho que essa dinâmica fica muito monótona, se é um negócio muito... Ah, eu ficar explicando lá, então não sei, né? Quando tem essa interação, eu também perguntava, a gente podia fazer pergunta, né? Mais um tom de conversa mesmo do que... Ah, eu sei, vocês não sabem, sabe? Acho que é isso.
Naiara Terra
Estamos chegando aqui no próximo bloco de mercado de design. Uau. Vocês acompanham tendências da área, assim, do mercado, notícias, essas coisas? Chega em vocês de alguma forma?
Gabriela Pires
Ai, acho que a gente tem que se destacar um pouquinho mais. Principalmente por causa do LinkedIn. Não sei vocês, mas quando caiu o Twitter, eu me agarrei no LinkedIn, assim, como uma rede social de texto. Então eu acabei acompanhando mais as coisas e sempre ouvir falar na timeline, o que os designers estão fazendo.
Naiara Terra
Se tornou o substituto, é importante.
Gabriela Pires
É, exatamente. A gente acaba sabendo, e tanto pra se informar sobre vagas, sobre empresas legais, sobre workshops, sobre essas coisas que estão acontecendo simultâneas e enfim.
Naiara Terra
A principal fonte, então, são as redes sociais.
Gabriela Pires
Acho que aqui a gente não tem nenhuma, nada assim. Acho que o mais próximo é a aula da Gisela, assim, mas é uma coisa mais ampla. Mas sobre o mercado diretamente, tipo, como está rolando no mercado do design. Eu acho que tem a aula da Claudinha, no oitavo semestre, que é o “tópicos avançados II”, acho que a gente vai ter mais esse pelo que eu conversei com o pessoal que tá fazendo. Sobre olhar mais o mercado. Mas por enquanto é muito por conta própria.
Maria Carolina
Também, é muito LinkedIn, Instagram, eu tenho um Instagram em que eu sigo sempre coisa de design e tal, então chega bastante notícia. E também essa questão de impacto social. A Gisela as vezes compartilha uns sites e tal, mas eu confesso que eu não paro assim, nossa, no meio da noite, “nossa, e se eu acessar esse site?” Não sou muito de fuçar assim não, então. é mais um negócio que chega até a mim pelo LinkedIn e tal.
Naiara Terra Organicamente, assim, vai chegando.
Maria Carolina Organicamente. Ah, é isso. Muito bom. O algoritmo tá trabalhando.
Naiara Terra
E aí, a gente fez uma pesquisa no Forms, em que vocês foram todas lindas, maravilhosas e
colaboraram, muito obrigada aliás. Mas aí, no resultado que a gente teve, entre eles, é que a maioria das pessoas disse colecionar livros de design. Como é isso pra vocês? Vocês têm?
Gabriela Pires
Eu gosto bastante. Mas tenho poucos. Livro só de design eu devo ter uns dois, eu acho. Uns dois, três, assim. Porque eles são mais caros. E como a gente tem a biblioteca aqui disponível, geralmente se eu quero algum livro de design eu leio aqui, mas assim, tem vários livros de design que eu desejo, principalmente do Clube do Livro do Design. Eles têm muitos, muitos livros legais, com uma pegada crítica do design, e mais profunda, que eu queria muito poder ler e atualizar.
Naiara Terra Contemporânea, né?
Gabriela Pires
E atual, né? Pra sair um pouquinho também dos clássicos. Não necessariamente ter que acessar online Eu acho legal assim, tipo... Tem um físico ali. Tem o material compiladinho, organizado. Sou meia velha guarda, pra estudar eu ainda sou um pouquinho... sei que preciso me soltar, admito, mas…
Naiara Terra É um perfil, justíssimo.
Gabriela Pires
Pode-se dizer que eu coleciono porque eu queria muito colecionar, espero no futuro poder colecionar, mas não coleciono por enquanto. Mas pretendo.
Maria Carolina
Eu também, eu gosto muito de livros de design físicos, de leitura física. Tipo, eu gosto de riscar livros, entendeu? E aí às vezes eu pego na biblioteca, só que eu não posso riscar, entendeu? E aí eu tenho alguns
que desde o começo do curso eu tenho comprado, eu gosto da ideia de ter minha bibliotecazinha, meus pais odeiam, porque eu tenho muito livro no meu quarto e eu junta um pouco de pó e aí eles querem me matar por causa disso.
Naiara Terra Sério? Ai, que dó.
Maria Carolina
Porque eles são muito, ai, compra um Kindle e tal, mas mesmo assim, não adianta eu falar, ai, mas dói meu olho, porque eu sei que o Kindle tem aquele negócio de luz pra lembrar uma página e tal. Só que eu não consigo, eu gosto de virar a página, eu gosto de ver o quanto eu li, sabe? E também tem todo o projeto gráfico do desenho.
Naiara Terra Nós temos um perfil aqui.
Maria Carolina
Mas realmente, é caro. Livro de design é caro. Eu sempre tento dar prioridade para Estante Virtual e tal. Porque eu não ligo pra um livro estragado, um livro riscado, sabe? Eu adoro, eu não gosto de livro novo. Então… É, eu adoro, eu tenho muitos que eu não li, tenho muitos livros que eu li também, mas muitos não, é exagero, mas eu tenho bastante livros que eu comprei e ainda não li e eu tô tipo, “meu deus, eu quero parar e ler,” mas tá lá, se eu comprei, já tá lá, eu não tenho desculpa, né? Ai, um dia eu vou ler, nunca compro, nunca li, já tá lá, já comprei.
Naiara Terra
Amei. Nessa pesquisa, a gente colocou uma perguntinha lá, que era tipo, “você acha que o seu curso te prepara adequadamente para o mercado”? E aí, para nossa surpresa, a maioria das pessoas respondeu que sim.
Principalmente, talvez, aqui da ESPM, né?
Foi um momento de reflexão, então a gente queria ir além. Era até uma pergunta aberta, para você colocar sua opinião. E aí, caso vocês tenham colocado que sim, vocês acham que o curso aqui, a maneira como ele foi estruturado e como ele é conduzido, ele estimula vocês a querer aprender?
Maria Carolina
Então, eu acho que o curso ele prepara mesmo. Eu realmente não lembro da minha resposta, mas eu acho que sim, falando agora. E, assim, não sei, talvez seja uma autocobrança dizer que “meu deus, eu que não consigo acompanhar”, ou “eu não tô acompanhando o curso como eu gostaria”, porque realmente é muita coisa, os professores passam muita coisa legal, coisa que eu quero absorver, mas eu não consigo, não tenho a capacidade de absorver tudo, não tenho a capacidade de guardar tudo. Eu sou uma pessoa meio confusa. Por exemplo, a Fê, ela tem um notion dela desde o 1º semestre. Queria eu, entendeu? Ah, eu passei do caderno pro fichário, depois eu criei um OneNote, tudo isso ficou tudo espalhado, tem folha solta pela minha casa. Então, assim, eu queria muito poder armazenar tudo, porque, realmente, se eu tivesse a capacidade de guardar tudo o que me apresentaram desde o primeiro semestre, nossa, eu seria uma buda do design, porque tem tanta coisa, tanta coisa legal.
Naiara Terra
Não é por falta de vontade, né? Então você acha que esse ESPM estimula você a aprender, não só pro mercado.
Maria Carolina
Sim, e eu sempre fico muito interessada pelas coisas que passam e tal. Então, eu acho que tem esse estímulo, sim, mas é o que eu disse, não sei se é uma questão minha mas às vezes eu sinto que eu tô muito desorganizada, às vezes eu não consigo acompanhar. Mas sempre que dá, sempre que tem uma palestra, não sei o que, eu tento ver, porque é sempre uma oportunidade.
Gabriela Pires
Eu concordo também, tem muita coisa legal acontecendo aqui na ESPM. E a gente tem um cardápio muito grande de eletivas que a gente pode explorar. Então eu acho que isso por si só já é um incentivo pra você recorrer a outras áreas. Por exemplo, eu, se quiser, posso fazer uma disciplina de jornalismo, uma disciplina de cinema, sabe? Para ter essa experiência, ver se eu gosto e futuramente investir nisso. Então, eu acho que, neste ponto, a ESPM realmente dá esse incentivo, e não só incentiva, mas também meio que te dá os insumos para você conseguir explorar essas áreas, essas coisas. Eu acho que, às vezes, é um pouquinho mal divulgado, digamos assim, porque… Bom, o que interessa pra gente é design, então, o design acaba chegando pra gente mais fácil. Mas, o que os outros cursos estão fazendo a gente não fica sabendo de nada. Às vezes, tinha nos auditórios aqui, o pessoal assistindo filme, era como se fosse uma pessoa no cinema.
Naiara Terra Ah, eu nunca vi.
Gabriela Pires
E isso nunca chegou na gente, sabe? Eu acho que esse diálogo entre os cursos é uma coisa que não rola muito. Então eu acho que é isso que faz falta e o que às vezes também é um empecilho pra gente extrapolar esses limites
de design. A gente fica meio que nessa nossa bolha, assim, e a gente sabe que no design é importante a gente ter outras experiências e conhecer outras áreas. As nossas experiências dentro do curso de Design, conhecendo outras áreas, não foram muito legais. Tipo Finanças… Marketing... O marketing ainda foi mais ou menos. Mas era tipo... Sabe, foram tentativas meio falhas de introduzir essas outras áreas. Não dava vontade de aprender, mas quando tem uma conexão, tipo assim, quando o design é a ponte entre essas outras disciplinas, aí fica mais legal, mais interessante.
Naiara Terra
Perfeito. Agora, então, vamos já para a finalização, caminhando aqui. Onde vocês se vêem daqui a cinco anos?
Gabriela Pires
Nossa! Espero que esteja efetivada, não trabalhando de pejota. Olha, eu acho que pra gente estar no final do curso, a gente meio que acaba pensando mais nisso, tipo, a água tá batendo na bunda. E aí a gente fica meio tipo, meu, o que eu vou fazer agora? Então, eu quero ter feito pós, talvez algumas, daqui há 5 anos eu espero ter feito algumas pós, assim, pra testar algumas áreas, uma que eu realmente goste, sabe? Talvez alguma coisa em branding pra ver se eu gosto dessa área. Eu acho que isso também é fruto do nosso PGD, que tá sendo uma coisa meio ingrata.
A gente tá meio assim “Nossa, branding é só pra vender e enganar as pessoas!” Talvez a gente esteja na fase de negação. Também pelo mercado, assim, porque a gente sabe que isso é uma coisa muito cobrada. Você ter um diferencial, digamos assim, é muito importante. Então eu penso em fazer algumas pós para testar áreas do design, mas com uma direção diferente, porque a gente
vai sair daqui podendo fazer qualquer coisa de design, né?
Naiara Terra Sim, eu entendo.
Gabriela Pires
Mas eu acho que daqui cinco anos dá para talvez pensar no mestrado, não sei. Eu não quero parar de estudar. Eu quero aproveitar essa fase da vida, porque a gente tem mais tempo, né? De estudar, de correr atrás de coisas novas. Correr atrás, sim. Mas, não sei, vai depender muito, acho que, tipo, da área que eu testar e gostar. Não faria outro curso agora, tipo, sair da faculdade para emendar em outra faculdade.
Naiara Terra Ah, entendi.
Gabriela Pires
Acho que eu esperaria um pouco, assim. Trabalhar um pouco. Mas é, espero estar trabalhando em um lugar legal. Hoje, pelo menos eu penso muito em querer trabalhar em uma agência ou em escritório, em coisas maiores, que sejam focadas no design. E não estar numa empresa que não é de design, fazendo a parte de design.
Naiara Terra Ah, ok, ok.
Gabriela Pires
Por enquanto, essa é a visão que eu tenho. E fazer o quinto ano aqui também, né? A gente tem que aproveitar.
Naiara Terra Sim, é verdade.
Gabriela Pires
Acho que é isso, meio que consolidar essa formação e tentar ir trabalhando ao mesmo
tempo, crescendo carreira, crescendo… Enfim. Gosto de complicar a vida.
Naiara Terra Quê isso! Tá contratada, tá?
Maria Carolina
Já eu não sei. Eu quero fazer o quinto ano. Eu penso também em continuar estudando, mas não sei se seria assim já no ano que vem. Talvez mais futuramente, porque eu realmente não sei, eu sou muito indecisa e eu sou muito incerta sobre pensar no futuro. Eu quero ser tudo ao mesmo tempo, sabe? Então eu quero, sei lá, ir para outro país, mas eu também quero ficar aqui.
Naiara Terra
Possibilidades não faltam.
Maria Carolina
É, entendeu? E aí eu fico meio maluca, porque eu realmente não sei responder essa pergunta. Não sei, ao mesmo tempo eu quero continuar no lugar que eu tô trabalhando, não sei se eu vou continuar. Se eu tivesse sorte, eu também não sei se eu quero ficar cinco anos. Se é muito tempo. Então eu não sei, não sei.
Naiara Terra
Eu acho uma resposta válida. Sinta-se acolhida aqui em não saber das coisas.
Gabriela Pires
A gente viver o hoje também, né?
Naiara Terra
Ah, é verdade isso. Considerando que vocês sabem que nosso PGD é educacional de design, se vocês tivessem a chance de dizer para a gente, olha, coloque isso. Se vocês fossem colocar alguma coisa, o que vocês acham importante ter? O que vocês iriam achar legal?
Maria Carolina
Então, eu nunca fiz nenhum curso, assim, na EBAC, na Domestika e tal, mas de pesquisa, assim, eu não sei se vai ser para o Brasil inteiro, qual que é a dimensão que vocês estão pensando, mas uma coisa que eu acho legal é, dependendo, às vezes fazer uma parte dos cursos, uma parte às vezes, presencial, ou uns encontros presenciais, para mostrar o resultado do trabalho, fazer, sabe, alguns debates, assim, meio que criar uma comunidade, além de só ser uma escola e tal, sabe.
Naiara Terra Sim, entendi.
Maria Carolina
Sim. Isso, é legal trazer profissionais da área ou pessoas com nomes importantes, igual a gente falou, que isso é uma coisa que a gente gosta aqui na faculdade, ter contatos no mercado proporcionando esse networking e tal, e aí traz o Gustavo Greco, traz o Fred Guerra.
Naiara Terra Galera atuante mesmo.
Maria Carolina Galera que, assim, sabe o que tá fazendo.
Naiara Terra É, sabe o que tá fazendo.
Gabriela Pires
Uma coisa que eu sinto um pouco de falta, isso durante o curso inteiro, mas acho que isso é uma coisa no design, assim também, que a gente vê muito que os designers estão fazendo lá fora, né? Então a gente acompanha muitos movimentos, as tendências dos designers de lá.
Naiara Terra De lá, né?
Gabriela Pires
Eu sinto um pouco de falta da gente ter o contato com produções brasileiras mesmo. De conhecer mais designers brasileiros, o que eles estão produzindo, coisas assim, que sejam mais culturais, com esse contato mais direto com a nossa cultura e com o nosso país. Então, acho que a gente precisa se valorizar, né? Se a gente não se valorizar, eles não vão valorizar a gente. Não sei exatamente como fazer isso, mas acho que dá um destaque para essas produções nacionais. Talvez, acho que mostrar na mesma proporção, ou talvez até mais do que o material que a gente tem lá fora.
Glória Cristina
Eu acho que a partir do momento que a gente para de olhar para fora com olhares tão novos lá fora, a gente começa a se valorizar aqui dentro. Ao valorizar as artes de brasileiros, a gente também começa a valorizar o nosso trabalho, entendeu?
Gabriela Pires
E às vezes a gente tem uma percepção de que a gente estuda lá fora porque a gente que a gente não tem aqui, mas não tem porque a gente não conhece, sabe? Então a gente tem muita produção muito legal rolando por aí, de design, que a gente não tem contato. Então acho que isso seria um ponto legal.
Maria Carolina
Só complementando com você essa questão do design brasileiro, não só do design brasileiro, mas uma coisa que me deixa espantada, que me deixa assim, incrédula, é que a gente só estuda o design europeu mesmo, uns americanos de vez em quando. E é isso! Agora me fala dois designers negros que você conhece. Não sabe, entendeu? Mas fala, quem falou aqui na faculdade disso? Professores também. E aqui eu tô falando da ESPM também, né? Então é isso, essa diversidade mesmo. Não só por aqui. Até o lado oriental também.
Glória Cristina
Gente, o Brasil tem um estilo tão único, tão único, e a gente não mergulha nisso. Tipo, eu não lembro se foi algum professor ou se eu vi isso na internet, mas estavam falando sobre aquelas tipografias de quem usa barco, eu não lembro se era na Amazônia, eu não sei, mas eles criaram nomes pros barcos, que até hoje eles pintam de um jeito tão bonito, e isso é muito pouco explorado. Pra gente ficar no Bauhaus? Que é tudo reguinha? Ah, pelo amor de Deus.
Naiara Terra
Está certíssima.
Glória Cristina
Tem um museu mais ou menos nessa vibe, que é no Rio de Janeiro. Mas não é centro cultural, eu acho que é o Museu da Favela, que fala muito sobre essa parte histórica do Brasil e dando ênfase que a favela não é só pessoal sem dinheiro, o pessoal também tem a cultura deles. A gente está vendo isso muito na aula da Gisela, né? Como que a gente traz visões novas e inovadoras para as empresas?
Trazendo visões que não estão dentro da nossa bolha. Então não é só simplesmente, ah, eu vou sentar aqui e vou ser inovadora. Tipo, a sua empresa tá fazendo alguma coisa pra você ser inovadora? Você tá trazendo pessoas com visões diferentes da sua?
Naiara Terra
Exato. A nossa visão tem um limite né. Certo. Gente, com isso chegamos ao final. Muito obrigada. Nossa, vocês ajudaram imensamente.
Maria Carolina Espero que tenha ajudado. Boa sorte.
grupo focal:
Flávia, Sofia, Luca, Santiago.
Naiara Terra
Então, pra gente começar eu queria muito saber um pouquinho sobre vocês. Antes disso eu posso me apresentar também, né? Meu nome é Naiara, eu tô no sétimo semestre. Dentro do design eu curto muito motion. Foi algo que eu descobri aqui que, nossa, tô querendo explorar bastante, e sempre gostei muito do design, por isso que eu estou aqui nessa com vocês. E aí, se vocês puderem também se apresentar, a idade de vocês, o nome, as áreas do design que vocês gostam, fiquem à vontade.
Flávia
Eu sou a Flávia. Eu gosto muito de motion e tipografia agora, que começou esse semestre e eu tô gostando bastante. E 3D também que começou agora, tipo assim, tão tendo essas três coisas que eu mais tenho interesse. A minha idade é 19 anos.
Sofia
Sou a Sofia, Ana Sofia. Eu tenho 20 anos, e assim, acho que eu sempre gostei muito de desenhar, de desenho em si, e tudo que engloba esse universo do desenho. Acho que 3D também é uma coisa que eu tô gostando bastante de fazer. Desde a letiva com o Fábio, de sketch, é uma coisa que me interessa bastante. E aí também tô gostando bastante de tipografia, porque também envolve a questão do desenho e tudo mais. Então, tudo que engloba desenho é uma coisa que eu gosto bastante.
Naiara Terra Os trabalhos manuais, assim, né?
Sofia
É, os trabalhos manuais, assim, eu gosto bastante.
Naiara Terra Ah, adorei.
Luca
Meu nome é Luca, eu tenho 20 também.
Acho que as partes que mais me interessam são a parte de editorial, assim, de diagramação de revista. Não só de revista, mas de diagramação em geral. E 3D também eu tenho gostado bastante, assim, eu consigo me virar bem.
Naiara Terra Ah, maravilha. E aí, essa talvez seja uma pergunta que vocês já devem ter se deparado em algum momento, mas se não, vamos descobrir agora juntos. Por que o design?
O que levou vocês a escolher esse curso específico e o que motiva vocês a continuar estudando?
Flávia
Eu acho que por mim, no meu caso também é que eu sou fã do desenho. Eu sempre gostei muito de desenho, mas eu nunca achei que eu era muito criativa pra criar coisas novas. Eu desenhava muito copiando, eu gostava de copiar, não traçar, copiar os desenhos. Então, eu pensei, meu, eu não sou muito criativa pra criar coisas pra artes, e eu sou muito metódica, gosto de seguir, então “aí eu vou pro design” então, porque eu faço logotipo, faço esse tipo de coisa, e talvez se encaixe mais, né, no que eu tenho interesse. Então eu fui mais por esse caminho também, eu gosto de arte.
Sofia
Eu escolhi o design principalmente porque eu precisava fazer alguma coisa com algo que eu gostasse, Porque de primeira meu pai falou, não, você vai fazer direito. Não tem nada a ver comigo.
Naiara Terra Uau, é bem diferente.
Sofia
Só que aí, tipo assim, só que minha mãe, ela é professora de arte, e aí desde pequena ela desenha comigo e tal, então sempre me incentivou. E aí, quando eu passei na ESPM, eles falaram, não, tudo bem, então vai. Beleza, ok, aprovado. Manda ver. Que aí eles realmente falaram, não, ok. E aí eu escolhi o design por conta disso, porque ele abrange boa parte do que eu gosto, e cada vez eu vim descobrindo mais coisas que tem a ver com o que eu gosto, mas não são necessariamente só desenho, entendeu? Descobri coisas que eu consigo fazer no mercado com o design, com as coisas que eu sei.
Luca
É, no meu caso, tipo, eu gostava bastante de desenhar, só que eu não achava que eu ia conseguir desenhar bem o suficiente pra eu levar isso como uma carreira, então eu tinha mais como um hobby. Então eu nem pensava em design como carreira, eu estava indo pra psicologia. Daí, uma amiga minha chegou e falou assim, ah, Luca, por que você não tenta design? Porque tinha isso. Daí que eu fui pesquisar pra saber tudo e falei assim, ah, talvez seja. Eu também tenho essa mesma coisa de gostar de ser muito metódico, assim.
Naiara Terra Ah, nossa, é importante.
Luca
É, porque senão eu começo a enlouquecer. Daí eu falei assim, ah, talvez seja bom. E daí, quando eu entrei, também foi isso de eu comecei a descobrir várias coisas que eu conseguiria, que me agradavam, além de só desenhar também.
Flávia
No meu caso eu cheguei no design através de um teste vocacional com um psicólogo, né, porque eu queria fazer biomedicina. Aí eu fiz no teste e ela me falou, tipo, não, não é isso. Considere o design.
Naiara Terra
Sim. E vocês já tinham uma visão antes do que seria o curso? Ou foi meio que… Ah, desenho!
Flávia
Eu lembro de ver que eu tava entre alguns cursos, tipo Mackenzie tinha também, mas aí eu fui mais pela grade, eu via a grade, eu lia pelo site quem tinha muito mais relação com o mercado mesmo. Em outras faculdades era muito mais para um lado artístico, então eu escolhi a ESPM pelo marketing mesmo.
Naiara Terra
Ah, legal, interessante, já direcionado. Perfeito, legal.
Luca
No meu caso, só fui olhando até que pensei “ah, talvez lá seja um lugar legal.”
Naiara Terra
Tem que confiar.
Luca
Eu lembro que eu olhei e vi que tinha coisa do Pliger. Da Folha. Aí eu pensei “ah, tem coisas legais.”
Sofia
Eu fui mais por indicação da minha amiga, porque ela se formou em design aqui há uns anos. Ela fez designLAB também, a Letícia. E aí ela sempre fez propaganda da ESPM, assim, e aí ela sabia que eu queria, então ela veio me puxando. Ela sempre, quando eu ia pra casa da minha amiga, ela me mostrava, “olha o que a gente fez”. Me interessou muito.
Naiara Terra
Ah, já tem uma referência, então. E você?
Santiago
Meu nome é Santiago, eu gosto de todas as áreas de design um pouco, mas de nenhuma muito. Eu tenho 19 anos. Sexo masculino.
Naiara Terra
Ok, justo. Eu acabei de fazer essa pergunta pra eles, então se aproveita e compartilha com a gente também: Por que o design?
Santiago
Porque parecia divertido de estudar, e eu pensei que se fosse alguma outra coisa, ia ser chato de estudar e eu não ia me formar.
Naiara Terra
Ah, entendi. Eita, ok. Já tinha identificado um perfil ali.
Santiago É, tipo assim, eu nem sei com o que eu quero trabalhar, e eu não sabia também, mas eu pensei que se eu quero fazer a faculdade inteira, eu preciso gostar de fazer a faculdade, então parecia legal a faculdade de design.
Naiara Terra Ó, entendi, entendi. Você já tinha mais ou menos uma visão do que era o design assim.
Santiago
Antes eu pensava muito em design gráfico. Agora acho que isso já evoluiu um pouco.
Naiara Terra
Entrando um pouco mais no nosso tema: como são os hábitos de estudo de vocês aqui? Tem algo que gostariam de destacar? É um tópico sensível.
Sofia
Acho que tem sempre muita pesquisa, principalmente por referência. Não só com o que os professores pedem, mas buscando por conta própria, vendo vídeos, lendo. Às vezes fazendo projetos pessoais que não têm relação direta com a aula. Isso ajuda a ampliar o repertório, principalmente nas questões culturais. Porque no curso mesmo a gente raramente senta pra estudar conteúdos como economia, marketing... são coisas mais culturais.
Luca
A gente precisa ver vídeos. Na maioria das vezes em que realmente aprendo algo novo sobre design, é quando alguma aula me desperta interesse. Aí, em casa, vou pesquisar mais, me aprofundar. Mas, fora isso, não costumo estudar muito diretamente pra faculdade.
Naiara Terra
Você sentar e estudar, de fato, não costuma acontecer?
Santiago Pois é, vamos fazer isso acontecer.
Sofia
Acho que é algo que vai sendo alimentado no dia a dia.
Flávia Sim, com certeza.
Luca
Às vezes você faz algo que fica ruim, e aí vai buscando um jeito de melhorar, de dar
continuidade. Ou então você joga tudo fora e começa de novo.
Sofia
Mas isso também é um movimento, né? A gente corre atrás.
Santiago É verdade.
Naiara Terra
Entendi. Desculpa, você ia falar algo?
Sofia
Só ia comentar que às vezes você vê algo interessante na rua, tira uma foto, guarda pra resgatar depois. São essas pequenas referências do dia a dia.
Naiara Terra Expandindo um pouco: pode ser sobre design ou outro tema de interesse. Quando vocês querem aprender algo novo, onde costumam buscar?
Santiago YouTube, com certeza. Uso o YouTube pra tudo. É exagerado o quanto eu uso.
Naiara Terra
Então você está sempre assistindo alguma coisa por lá.
Santiago
Sim. E dependendo do assunto, também vou no Reddit. Tem sempre gente muito envolvida nos temas, que compartilha boas referências.
Flávia
Eu também uso muito o YouTube, principalmente pra Motion e 3D. É minha principal fonte. Pra referência visual, recorro bastante ao Pinterest, Behance e Dribbble. E também ao TikTok, onde muita gente compartilha vídeos com dicas de sites, referências e até
listas específicas, como de tipografia. Uso bastante isso também.
Sofia
Ah, acho que se é alguma coisa, tipo, do vintage, assim, tem coisas que eu vejo no TikTok, tipo, em sites legais, que eu vou olhando. Tem coisa muito feia também que eu vejo.
Naiara Terra
Não deixa de ser também.
Sofia
Acho que também observamos bastante o que os professores trazem. Sempre estou olhando sites de marcas grandes pra ver o que estão fazendo.
No Instagram eu acabo sendo bastante influenciada. Sigo muitas pessoas da área, e isso vai me levando a outras. Às vezes vejo alguém usando uma ferramenta ou linguagem visual interessante e fico curiosa pra saber o que é. Acabo entrando num ciclo de descobertas e sigo várias contas por causa disso.
Flávia
No Twitter também, embora tenha ficado um tempo afastada da plataforma. Antes eu via muita referência por lá, seguia bastante gente de design. As pessoas postam muito conteúdo e o alcance é bom, então é fácil descobrir coisas novas.
Naiara Terra
Interessante. A gente estava conversando com outras pessoas mais cedo e uma delas comentou que, depois do fim do Twitter, escolheu o LinkedIn como nova rede principal.
Sofia
Nossa, queria ser essa pessoa!
Naiara Terra
Agora que o Twitter voltou, fica mais difícil trocar, né? Achei curioso.
Luca
Eu também uso bastante o YouTube, principalmente pra 3D. Motion eu ainda tô começando, mas tento. Também costumo perguntar pra amigos, tipo, se alguém conhece alguma ferramenta ou referência legal. Acabo reunindo conteúdos de vários lugares diferentes.
Sofia
E filmes, séries, essas coisas também acabam influenciando. A gente vai absorvendo aos poucos.
Luca
Sim, mesmo que de maneira indireta.
Naiara Terra
É algo que fica ali no fundo, às vezes em detalhes bem sutis.
Tiago
O que vocês estão dizendo é bem o que esperávamos ouvir. Já estivemos no lugar de vocês. Na verdade, ainda estamos, de certo modo. Quando se trata de aprender algo prático sobre design, também recorremos ao YouTube, a sites, a referências. Mas ampliando um pouco essa reflexão: vocês acham que consomem mais conteúdo prático do que teórico?
Sofia
Com certeza. Pra mim não faz sentido só olhar se eu não estiver fazendo. Tenho várias pastas com referências que vou salvando. Em algum momento vou usar tudo aquilo. Só faz sentido quando estou realmente colocando a mão na massa. É questão de tempo, mesmo.
Santiago
Se for só sobre design, sim, vejo mais coisa prática. Mas no geral, gosto bastante de conteúdos teóricos. Acabo consumindo mais teoria do que prática no dia a dia.
Luca
Tem conteúdos que explicam os contextos históricos, e isso também alimenta o olhar de design.
Santiago
No meu caso, por exemplo, uso o Pinterest não necessariamente pra um trabalho específico. Eu gosto de ver coisas bonitas, interessantes. Vou salvando e arquivando. Funciona mais como uma base de dados dos meus gostos.
Tiago
Então é como um repertório silencioso, que fica ali guardado na memória?
Santiago
Exato. Quando preciso criar algo, já está internalizado de algum jeito.
Flávia
O semestre de tipografia, por exemplo, me assustou um pouco. A gente não encontra tanto material prático sobre isso. Tem que ir descobrindo por conta própria o que funciona, o que encaixa.
Luca
É difícil encontrar um tutorial que ensine, por exemplo, como desenhar uma boa tipografia do zero.
Flávia
Exatamente. É algo muito específico. Foi um desafio, mas foi bom também.
Sofia
Tem que observar muito.
Flávia
A gente foi entendendo isso ao longo do semestre.
Tiago
É um ponto interessante. Depois podemos explorar mais essa ideia de quando a gente não encontra tutoriais. O que fazemos nesse caso? Mas agora, acho que podemos seguir. E quero que vocês sejam bem sinceros nessa próxima, tá? Não que não tenham sido antes, mas aqui é pra ser sinceridade total, sem medo. Como vocês lidam com a rotina da faculdade? Aliás, vocês sentem que estão lidando com ela? Porque quando eu estava no quarto semestre, no Lab, sinceramente, não estava conseguindo lidar muito bem.
Sofia
Eu tento lidar, mas é complicado. A gente trabalha a semana inteira, tem muita coisa pra fazer. Quando chega o fim de semana, em vez de descansar, precisamos fazer trabalhos. Segunda-feira chega, tenho algo pra entregar na terça de manhã, e acabo virando a madrugada. Se não dormir, paciência. E é isso. Nos intervalos, tento fazer outras coisas que me interessam. Já cheguei num ponto em que, se eu tiver que virar a noite, eu viro.
Flávia
A questão é: que horário sobra? A gente fica o dia inteiro na faculdade. Quando chega em casa, não dá vontade de sentar de novo pra estudar. Então o tempo que resta pra fazer as coisas são os pequenos intervalos entre as aulas.
Tiago
Esses pequenos intervalos acabam virando momentos de produção.
Santiago
É isso. Entre uma aula e outra, a gente tenta resolver o que dá.
Sofia
Às vezes você tá numa aula e precisa entregar um trabalho de outra. Você vai tentando fazer tudo ao mesmo tempo, dividindo a atenção.
Santiago
Ou tá numa disciplina e precisa entregar algo completamente diferente, e vai tocando as duas coisas juntas.
Luca
Aí a gente vai fazendo como dá.
Santiago
Tudo acontece ao mesmo tempo.
Luca
Mesmo assim, tento não me prender tanto. Já perdi até minhas digitais de tanto estresse.
Santiago
No caso dele, o estresse é tanto que o corpo até desliga.
Luca
Quando alguém tem dificuldade, a gente tenta ajudar. Sabemos o quanto pode ser pesado, e isso torna o processo mais suportável.
Naiara Terra
Tem que ser assim. E você, Santiago, ajuda?
Santiago
Ajudo, sim. Eu dou minha opinião, pelo menos. Falar é fácil, minha língua não cansa. Agora, fazer é outra história.
Naiara Terra
Vai no ritmo que dá.
Santiago
Chego em casa e nem encosto em nada, mesmo sabendo que tenho algo pra fazer pro dia seguinte. Acabo deixando pra fazer no dia, antes da aula. Não tenho paciência.
Naiara Terra
Já bateu o limite, né?
Santiago
Totalmente. Sou uma pessoa noturna, semestre passado virava a noite fazendo coisas da revista e até funcionava. Mas aí percebi o quanto dormir é importante. Comecei a priorizar o sono, só que continuo sendo noturno. Então não produzo nem de manhã nem à noite. Resultado? Nada feito.
Flávia
Também sou noturna, mas chega um ponto em que não tem escolha. Você precisa produzir, mesmo que não seja o horário ideal.
Santiago E aí nada sai como deveria.
Luca
A gente acaba fazendo as coisas mais ou menos, escolhendo uma matéria pra se dedicar mais. As outras, vai como der.
Santiago Isso acontece muito.
Flávia
Principalmente com matérias que não nos interessam tanto.
Sofia
Na nossa sala, a gente vai empurrando com a barriga.
Flávia
Totalmente.
Santiago Esse semestre, em algumas disciplinas, tô só me esforçando pra não abandonar.
Naiara Terra
A gente entende. Agora, pensando na trajetória de vocês no curso, quais dificuldades vocês sentem além da questão do tempo?
Sofia
Lidar com críticas e trabalhar com pessoas que pensam muito diferente de mim. Sou bem teimosa. Quando tenho uma ideia na cabeça, não gosto de abrir mão. Trabalhar em grupo acaba sendo um desafio, principalmente quando sinto que alguém quer impor outra direção. Às vezes preciso aceitar que a ideia do professor ou de alguém do grupo também pode funcionar.
Luca
Semana passada, na revista, a gente discutiu bastante sobre ideias e ângulos. Foram dias intensos.
Santiago
Também sou teimoso. Quando tenho uma ideia, acredito muito nela. Fico frustrado quando as pessoas não enxergam o que eu vejo. E aí, mentalmente, acabo cansando e aceito outra solução só pra seguir. Não quer dizer que é o que eu faria, mas deixo passar.
E tem também a questão da crítica ao trabalho finalizado. Gosto de professores que são críticos, isso me ajuda a crescer. Mas quando vejo que meu trabalho ficou abaixo dos outros, ou que não é o melhor, fico incomodado.
Naiara Terra Você sente que precisa se destacar?
Santiago
Sim, quero que meu trabalho seja reconhecido. Quero que gostem dele. Quando não gostam, começo a duvidar de tudo.
Luca
Aí a gente já nem mostra o trabalho direito.
Santiago
Começo a pensar que nem gostei tanto assim do que fiz. Acho que essa é uma dificuldade: aceitar que nem tudo vai sair como eu gostaria. E no design isso pesa, porque é muito subjetivo.
Naiara Terra Não é como matemática, que é certo ou errado.
Santiago
Exato. No design tem um gradiente. Você pode errar de formas diferentes, e a comparação com os outros é inevitável.
Sofia
Não é que você seja ruim, mas às vezes o que você fez ficou estranho. E aí você se sente mal ao se comparar com alguém que fez algo incrível.
Santiago É isso. Fica ali na sua cabeça o tempo todo.
Sofia
Eu costumo ser muito crítica. Fico avaliando tudo o tempo todo.
Santiago Exatamente.
Flávia
Acho que o mais difícil é quando cada um tem uma referência muito diferente. Normalmente, as pessoas com referências parecidas acabam se juntando, mas às vezes você precisa fazer um trabalho com alguém que pensa de outro jeito. E aí vem o estranhamento: como a pessoa não está enxergando o que pra você parece óbvio? Mas a verdade é que ela só tem outra bagagem, outra visão.
Santiago
Essa é a pior parte do trabalho em grupo. Pessoa com cabeça fraca... fala aí.
Naiara Terra É isso que você quer dizer?
Santiago Exatamente.
Flávia
Teve um trabalho de 3D em que precisávamos escolher um ambiente. Achei que minha ideia era bem diferente. Falei pra minha irmã, que faz medicina, e ela achou super criativa. Mas metade da minha sala teve ideias parecidas. A gente compartilha um mesmo repertório. Quando trabalhamos com alguém que não tem essa mesma referência, fica mais complicado.
Naiara Terra É um exercício de convivência, né?
Santiago
Acho que, no geral, tanto com colegas quanto com professores, o mais difícil é quando você tem uma opinião muito firme e percebe que ela não é compartilhada. Às vezes fico pensando “não é possível que você não está entendendo o que eu tô falando”. Mas no fim, você só aceita que pode estar errado.
Tiago
Vocês mencionaram antes a questão da competitividade. Acho que isso também tem a ver com a cultura da ESPM.
Santiago Tipo o ranking?
Tiago
Sim. Mas queria saber de vocês: como essa competitividade aparece no curso de design?
Especialmente nessa exposição pública, de mostrar o trabalho, apresentar em grupo. Vocês acham que essa competitividade é saudável?
Luca
Acho que, em muitos momentos, ela é levada ao extremo.
Santiago
Pra mim, extrapola bastante. Tem vezes que eu fico até com raiva, sinceramente.
Sofia
E também tem a questão do tempo, que pressiona tudo.
Luca
A gente está no mesmo curso, mas às vezes parece que estamos competindo em vez de colaborar.
Santiago
Mas geralmente essa comparação acontece internamente. A gente se compara com os outros o tempo todo. Eu, por exemplo, sei identificar quando algo está bom ou ruim, mas não quer dizer que eu consiga fazer melhor. Isso frustra. Às vezes vejo algo ruim e penso “eu faria melhor”, mas quando vou fazer, sai parecido. E aí percebo que me superestimei.
Flávia
A gente comentou outro dia sobre a diferença entre fazer faculdade e fazer cursos soltos. Na faculdade você começa a entender quando algo é só esteticamente bonito e quando é realmente bem pensado, com conceito por trás. Isso muda o olhar.
Santiago
Se ela se expressou mal, eu traduzo: tem gente que falha feio, sim.
Flávia
Não era isso que eu quis dizer! O que quis dizer é que às vezes a execução está ótima, mas falta profundidade. Ou então a pessoa entendeu algo totalmente diferente.
Tiago
Isso é interessante. Você percebe que na faculdade o critério de qualidade vai além da execução.
Santiago
Às vezes a pessoa entrega algo super bem feito, mas você se pergunta: “o que tem por trás disso?”
Naiara Terra
E vocês já conseguiram fazer algum curso ou workshop de design fora da faculdade?
Luca
É difícil. Mesmo quando a gente quer, não dá tempo.
Sofia
A rotina esgota a gente.
Luca
E quando chegam as férias, que seria o momento livre, a última coisa que você quer é estudar mais.
Sofia
Mas sempre tem alguém que vai além.
Flávia
Tem um amigo nosso que nas férias sempre aprende algo novo.
Santiago
Ele é muito bom. Literalmente voltou das férias dizendo que foi motorista de Uber, e a gente acreditou. Era mentira, mas combina com o estilo dele. Ele realmente é do tipo que aproveita o tempo pra se reinventar.
Naiara Terra Podia ser, né? Mas não tem jeito.
Luca
Nas férias, no máximo, tento fazer algum projeto pessoal, mas geralmente acabo desistindo no meio. Pelo menos começo.
Santiago
Eu sinto que não faz parte do meu perfil. E também acho que a nossa geração não tem muita paciência pra essas coisas.
Sofia
De vez em quando faço algumas coisas pro meu pai, quando ele pede. Mas é só porque ele pede mesmo.
Santiago
Nossa geração prefere ficar em estado vegetativo. Não sei se você já reparou... é só uma visão minha.
Luca
Nos últimos meses, a gente passou por tanto cansaço que agora, quando termina, é como se fosse um tempo necessário de ócio pra conseguir voltar a pensar. Senão, a gente não aguenta.
Flávia
Eu até queria fazer alguns cursos online, mas justamente porque são rápidos e acabam logo.
Sofia
Ah, é?
Flávia
Sim, os cursos curtinhos são os que a gente mais tem chance de fazer. Um curso de dois meses, por exemplo, ninguém vai fazer. A gente não tem tempo pra isso.
Sofia
Pra mim, o que faz diferença além da grade obrigatória são as eletivas. Eu aprendo muito nelas. No semestre passado, fiz três. Uma eu odiei, mas as outras duas foram ótimas. Uma era de sketch e a outra era com o Leopold, sobre logotipo e tipografia. Aprendi bastante.
Naiara Terra
Então, se vocês fossem investir em algum curso, acham que a questão do tempo seria determinante? Teria que ser algo mais direto, objetivo?
Tiago
E pensando além da faculdade: vocês pretendem fazer algum curso depois de formados?
Santiago
Pretendo fazer uma pós, mas mais como forma de conseguir estudar fora do país. Não é que eu queira muito a pós, é só um caminho mais viável do que tentar ir direto pra trabalhar.
Sofia
Eu fui conhecer o IED porque eles têm cursos diferentes dos que temos aqui, e até alguns fora do país. Isso me atrai, porque aqui no Brasil fico um pouco perdida sobre onde posso trabalhar ou até onde posso crescer. Lá fora, sinto que a visão de futuro é mais clara. Mas quero terminar a faculdade primeiro, não quero perder esse tempo com meus amigos.
Santiago
Senão você tranca, volta depois e tem que fazer TCC com outra galera.
Sofia
Exato.
Naiara Terra
Justíssimo. Agora, mudando um pouco o foco: vocês costumam acompanhar tendências ou notícias do mercado de design? Isso chega até vocês?
Sofia
O que chega pra mim vem pelos grupos da faculdade, tipo o Desktop. A Paula, por exemplo, vive mandando coisas nos intervalos.
Tiago
Ela manda mesmo.
Santiago
Ela manda várias oportunidades. E também tenho amigos que já trabalham na área, alguns nem fizeram faculdade aqui. Tem uma amiga minha formada na ESPM com quem converso de vez em quando, ela compartilha novidades, vagas. Mas tudo sempre chega pelo boca a boca, nunca por canais formais.
Flávia
Não sei se você quer dizer tendência no sentido visual, gráfico...
Santiago
Tipo tendências de design mesmo, não só de mercado de trabalho.
Tiago
Exatamente. Porque a gente faz a faculdade com a intenção de trabalhar com isso, mas também tem esse outro lado: o de estar atualizado com o que está acontecendo no campo criativo. Como vocês acompanham isso?
Sofia
Ontem a gente tava conversando com o Leopold e ele mostrou os trabalhos dos alunos do segundo semestre. Eles estavam fazendo identidades visuais bem elaboradas. No nosso segundo semestre, a gente só fez logotipo.
Luca E papelaria.
Sofia
A gente percebe como o mercado está mudando. Já não olham mais tanto pro analógico.
Luca
Agora não é mais display, tem que fazer luminária, objetos diferentes...
Sofia
Fico me sentindo um pouco ultrapassada.
Luca É porque nosso semestre foi justamente o de transição.
Sofia
Pra mim, são os professores que trazem essas atualizações.
Luca
Sim, e as professoras também. A gente já foi a pelo menos três palestras do Gustavo Greco aqui.
Santiago
Eu adoro as palestras do Greco, acho os trabalhos dele incríveis. Mas, sinceramente, não acompanho vídeos sobre tendências no YouTube. Não gosto dessa ideia de que tudo precisa mudar o tempo todo. Quanto mais consumo esse tipo de conteúdo, mais sinto que estou alimentando essa lógica acelerada. Prefiro seguir meu caminho.
Flávia
A gente acaba acompanhando pelo Instagram, Twitter, Pinterest. Com o tempo você vai percebendo o que está em alta. Às vezes vira algo tão replicado que perde o sentido. Cresce, todo mundo usa, e logo depois desaparece.
Naiara Terra
É um ciclo, né?
Sofia
A gente pegou um trabalho de fora, de uma amiga, pra uma empresa de casting de atores. Eles queriam algo com mascote retrô.
Luca
Um mascote mesmo.
Sofia
Mas isso já está saturado. Você abre o Pinterest e vê isso toda hora. Não que seja feio, mas já deu.
Tiago
É uma tendência que já passou.
Sofia
Sim. Às vezes a ideia pode ser legal, mas já foi muito usada.
Santiago
Pra mim, o importante é que o design tenha autenticidade. Aprender as ferramentas é essencial, mas mais do que seguir tendência, é sobre traduzir o que você sabe de forma autêntica.
Luca
É isso. Você pode até usar o que está em alta, mas do seu jeito.
Sofia
Parte do trabalho é saber filtrar. Saber se é uma técnica interessante ou se realmente contribui pra uma mensagem verdadeira no projeto.
Naiara Terra Perfeito. Agora, só pra finalizar esse bloco: na pesquisa quantitativa que fizemos antes, perguntamos sobre o uso de livros de design. Muitos disseram que colecionam. Como isso funciona pra vocês?
Sofia
Tem alguns livros de design que eu gosto de folhear. Por exemplo, na Japan House tem uma biblioteca, e a gente fica lá admirando os livros, observando. E, na verdade, quando vou ao shopping ali perto, atravesso a rua e passo por lá só pra ver os livros. Gosto muito mais de ver do que de ler. Prefiro esse contato visual.
Luca
Quando se trata de título teórico, eu não consigo terminar. Mas, por exemplo, quando a Mari dava aula, a gente ia muito à biblioteca pegar livros de capas de revistas pra analisar.
Sofia
É muito mais uma questão visual do que teórica.
Sofia
Sinto que esse modelo mais tradicional de grid, de estrutura quadrada... claro, é importante, precisamos ter essa base, mas já está um pouco ultrapassado, sabe?
Naiara Terra
Vocês foram buscando outros caminhos, então.
Sofia
Sim. Ainda é importante, mas acho que esse modelo é muito engessado.
Flávia
Teve uma matéria da Marisa que me travou um pouco. Ela falava de um jeito que parecia que ia mudar minha vida, mas tudo o que estava no livro já tinha sido falado em aula. Li, mas não aprendi nada de novo.
Santiago É, era tudo repetido. Se as leituras forem sempre assim, genéricas, e com conteúdo que poderia ser aprendido num vídeo de cinco minutos no YouTube, prefiro ver do que ler.
Luca
Mas, por exemplo, o Leopoldo indicou um livro de páginas de sketch de artistas, mostrando o processo criativo, os estudos. Isso ajudou muito mais do que uma leitura teórica.
Sofia
Exato, a gente aprende muito mais vendo.
Naiara Terra
Tem algo aí sobre a densidade do conteúdo, né?
Santiago Eu também não leio muito, mas gosto de explorar. Eu vou mais na Japan Foundation, que é ali do lado, tem uma livrariazinha com várias revistas da IDEA, que eu adoro. Fico olhando, não entendo nada porque está em japonês, mas gosto muito. Gosto também de livros de artista, artbooks. E, às vezes, entro na pira de pesquisar no Goodreads os livros de design mais bem avaliados. Leio os comentários, baixo ilegalmente, começo a ler... nunca terminei nenhum. Mas os trechos que li foram os que mais me ensinaram. Internalizei mesmo. Toda vez que leio algo assim, penso “nossa, aprendi de verdade”. Só que não mantenho a prática, e acho que por isso não sei tanto quanto gostaria. Sinto que deveria saber mais, considerando que estou há quase dois anos no curso.
Tiago
Off the record: uma dica minha. Também tenho dificuldade pra ler, mas acho que a melhor forma de começar é lendo algo que te agrade. Ler é uma prática, como ir à academia. Você precisa de continuidade. Não adianta querer começar por algo super denso.
Santiago É, senão dá vontade de procurar uma versão resumida. Mas as versões resumidas fazem você esquecer rápido. Quando você se envolve com o texto, mesmo demorando, você absorve melhor.
Tiago
Exato. Tem que ir no seu tempo e praticar.
Luca Às vezes eu leio fora de ordem. Um capítulo agora, outro depois.
Santiago Isso me deixa desconfortável.
Sofia
Esse é meu próximo passo no mundo da leitura.
Santiago
Me dá pavor ver alguém começar pelo final. Ele abre na última página só pra ver o contraste com a primeira.
Luca
Depois eu volto e leio o começo. Às vezes escolho só pelo nome do capítulo.
Tiago
Na mesma pesquisa por forms, muitas pessoas disseram estar satisfeitas com a preparação para o mercado. Mas além disso, vocês sentem que gostam de estudar design por causa do curso? Ou sentem que estão sendo empurrados?
Santiago
Não, definitivamente não é por causa do curso.
Sofia
Parece que algumas coisas são enfiadas à força. Como se dissessem: “aprenda isso!”
Luca
Estava falando com um professor sobre isso. A faculdade não deveria te preparar só pro mercado, mas te ajudar a aprender de verdade.
Sofia
Claro que a gente quer entrar no mercado, mas para isso precisamos de repertório, conhecimento, domínio dos programas. Se a gente chega lá sem saber como fazer as coisas...
Santiago
Sinto que o conteúdo voltado ao mercado é muito superficial. O fundamento precisa ser mais sólido, porque aí não importa o mercado, estaremos preparados. Faculdades que investem em pesquisa, como a USP, te fazem entender as coisas num nível mais profundo, e isso permite criar algo novo. Aqui, como o foco é o mercado, a gente aprende um pouco de tudo, mas de forma dispersa.
Luca
Essa mudança de grade é um exemplo. Agora temos “Materiais e Processos” com o Fábio, que é um bom professor, mas a aula é muito conteudista. E fico me perguntando: por que, como designer, preciso saber a resistência do metal ou da madeira?
Santiago
A grade deveria ser mais equilibrada. Aprender um pouco de cada coisa, mas de maneira integrada.
Flávia
Essa é uma das coisas mais necessárias. Só que o mercado está exigindo muito agora.
Tiago
Mas o que exatamente vocês acham que o mercado está pedindo?
Sofia
Acho que a ESPM é, acima de tudo, uma empresa. Ela observa o que outras faculdades estão fazendo, se movimenta de acordo, mas a preocupação é mais com a imagem externa do que com a experiência de quem está aqui dentro.
Santiago
E eu acho que a ESPM deveria ter uma ideologia própria sobre design. Algo que fizesse sentido e desse coerência ao curso, ao invés de ficar copiando o que o mercado está fazendo.
Sofia
Sim. Se fosse pra fazer GV ou outra faculdade, a gente teria escolhido desde o início. Mas escolhemos a ESPM por acreditar na proposta que ela já tinha. E agora parece que ela está mudando tanto que a gente nem sabe mais qual é essa proposta.
Tiago
Você apontou algo muito real. Quando se muda a grade com frequência, ela perde consistência. E essa consistência deveria garantir uma visão teórica coerente de design. Na minha leitura, a ESPM sempre teve uma visão mais voltada à comunicação, uma escola mais inspirada em Nova York. Se você compara com a Itália ou a Alemanha, lá o design é estudado dentro de faculdades de engenharia. Na França e na USP, dentro da arquitetura. São visões diferentes sobre o papel do design e onde ele se encaixa. E a ESPM, pelo que vocês relataram, parece mesmo estar um pouco sem direção.
Sofia
A gente tá passando por um rebranding.
Santiago
Eu sinto que, no primeiro semestre, o curso deveria apresentar uma visão clara do que é design. O Luciano até comenta que existem várias definições, mas eu acho que a ESPM deveria ter a sua própria. Algo como: “existem muitas interpretações, mas aqui a gente ensina desse jeito”. Isso faria mais sentido.
Naiara Terra
Então vocês diriam que a ESPM está muito focada no conteúdo voltado ao mercado?
Sofia
Sim, mas não que isso não seja importante.
Luca
É, talvez estejam dando importância demais só pra esse lado.
Tiago
E deixando de lado outras dimensões.
Sofia
Isso é algo que parece fazer mais sentido pra cursos como PP ou CB. No nosso, parece que estão tentando aplicar as mesmas estruturas. Estamos sendo moldados por tabela.
Luca
Eles implementaram provas e sistemas em outros cursos e agora estão aplicando aqui também.
Flávia
Tem aula de finanças, marketing... tudo bem, é importante. Mas pedir uma prova de finanças, sem consulta, com o professor vendo sua tela?
Sofia
Qual o sentido de uma prova sobre embalagem?
Santiago
Eu quero ser designer. Não quero ser um robô que faz tudo. Cada função na empresa tem seu papel. Eu só quero fazer design.
Flávia
Acho que isso é reflexo de uma tendência do mercado. E da falta de limites, talvez.
Santiago É, e essa falta de limites acaba virando precarização.
Flávia
É designer, motion, 3D, tudo junto. E a gente só escuta: se vira.
Tiago
É algo que a gente também observa. Enquanto a academia lá fora discute o designer como figura multidisciplinar, o mercado exige um profissional que saiba todas as ferramentas. Querem alguém que resolve tudo, mas sem tempo de pensar o mundo ao redor.
Santiago
E ainda assim, sinto que a ESPM falha em nos tornar realmente bons nas ferramentas. Porque tudo é muito espalhado. A gente aprende um pouco de tudo, mas no fim não aprofunda em nada. Faltam ferramentas consistentes que nos acompanhem do início ao fim do curso.
Luca
Teve uma aula só pra ensinar a apagar o fundo da imagem. Nunca tivemos uma aula completa de Photoshop.
Tiago
Ontem pensamos em uma pergunta que resume bem tudo isso. Se alguém chegasse e dissesse “quero te contratar pra minha empresa, e você vai criar o departamento que quiser, com total autonomia”, vocês saberiam dizer o que querem fazer?
Sofia
Eu acho que não saberia responder. Precisaria de alguém pra me orientar, saber o que a empresa quer que eu resolva. Sozinha, fica demais.
Santiago Perfeito. Eu contrataria ela. Mas a pergunta é essa: você sabe o que quer fazer?
Tiago
Saberia se posicionar?
Santiago
Hoje, não. Depende da empresa. Eu talvez conseguisse pensar em algo se conhecesse a estrutura. Mas no geral, não.
Naiara Terra Então, você teria que chutar.
Santiago
Eu falaria que quero ser diretor de arte. E pediria uma equipe de fotógrafos, designers, algumas coisas específicas.
Tiago
A gente pensou nessa pergunta porque percebe que a faculdade não dá autonomia. Você sai sem saber como continuar aprendendo, sem se sentir funcional. Sem saber o que você quer fazer.
Santiago Lifelong learning.
Tiago
Exato. A ESPM até tem um programa com esse nome, mas na prática, os alunos se formam e acabou. Muitos pegam o diploma e vão direto trabalhar, como se fosse suficiente. Mas não é. Existem cursos técnicos que já te colocam no mercado. O que diferencia uma faculdade deveria ser o pensamento crítico.
As ferramentas pra pensar o design.
Tiago
A dúvida é se a faculdade está cumprindo isso.
Santiago Acho que não.
Sofia
Parece que há um descuido nessa parte.
Santiago
Tenho pensado muito na nossa grade e vejo falhas. Já considerei conversar com a Karol sobre isso.
Flávia
A gente já pensou nisso também. Discutimos esses problemas num almoço outro dia. De certa forma, o curso entrega sim. É diferente a visão de quem fez faculdade e de quem fez só um curso técnico. Mas… Mesmo alguém que fez um curso básico de edição vai se chamar designer. E talvez não tenha a mesma visão que a gente teve aqui dentro.
Sofia
A maior diferença, pra mim, é o contato. Se não fosse a faculdade, eu não teria coragem de trabalhar com design. O diploma me dá confiança. E conhecer outras pessoas que estão passando pelo mesmo também ajuda.
Flávia
Cria uma rede de apoio.
Sofia
Ver que outras pessoas chegaram lá também me dá segurança.
Santiago
Isso é ótimo. Mas acho que falta um lado mais acadêmico. A gente vê as coisas de forma diferente de quem não fez faculdade, mas ainda assim falta firmeza. Não temos uma base sólida. Se alguém me perguntasse algo mais profundo sobre design, eu não saberia responder. A gente só vai vivendo e fazendo o que mandam. E isso não é bom. Se me perguntarem o que é design, eu ainda não saberia dizer o que penso.
Naiara Terra
É uma questão ampla.
Santiago
Sim. Mas o problema é que eu não sei dizer nem o que eu acho. A ESPM, pra mim, está falhando nisso. Não me sinto formado de verdade.
Tiago
Você não sente que a formação está completa.
Santiago
Exatamente. Não consigo dizer com segurança: “eu sou designer”.
Naiara Terra
Vocês acham que todo mundo sente isso?
Flávia
Eu nunca falei sobre isso.
Sofia
É como uma síndrome do impostor.
Flávia
A gente nunca acha que realmente é aquilo que diz ser.
Sofia
A gente não sabe o que está fazendo.
Luca
Estamos sendo treinados pra executar. Se alguém mandar fazer, a gente faz. Mas se pedirem pra montar um estúdio de design, eu não saberia nem por onde começar.
Tiago
Quando a Marize terminou o projeto de revista...
Flávia
Ela perguntou se eu saberia fazer uma revista de novo. E eu disse que não. Teria que começar do zero, não lembro o processo.
Sofia
É o que o Santiago falou. A gente aprende tudo de forma fragmentada.
Tiago
É como se os assuntos fossem sempre blocos separados.
Luca
Cada semestre é um tema isolado. Não há conexão entre eles.
Santiago Deveria haver um olhar mais integrado.
Luca
Você faz revista, depois embalagem, mas nunca teve contato com embalagem antes. E o que fez antes, desaparece.
Flávia Ninguém ensinou. Só falaram “faça sua embalagem agora”. E pronto.
Santiago
A gente viu o que é uma embalagem, mas só isso. E talvez isso seja pessoal, porque eu gosto de sociologia, mas acho que deveríamos sair daqui enxergando o mundo como designers.
Naiara Terra E com confiança pra isso.
Santiago Exatamente. Enfim.
Naiara Terra Nossa, isso era exatamente o que eu estava querendo entender. Anotei até como uma pergunta extra. Mas vocês já responderam.
Naiara Terra Vocês se sentem confiantes com o que aprenderam pra tocar projetos e atuar?
Sofia
Acho que algumas pessoas se sentem mais confiantes, mas eu, sinceramente, não me sinto. Sempre que faço alguma coisa, mostro pros meus amigos e pergunto se tá bom.
E se eles dizem que não tá, eu já travo. Não consigo nem mandar pra vaga de estágio. Tem uma vaga com prazo até dia 30 e eu ainda não enviei porque tenho vergonha do meu portfólio.
Naiara Terra Nossa...
Luca
A gente precisa de confirmação.
Sofia
Exato. A gente precisa que alguém diga “tá bom”.
Santiago
E mais do que pensar “será que vão me contratar?”, eu penso se o que sei pode realmente contribuir com algo. Pra mim isso é importante. Designer resolve problemas. E o que vejo é que estamos sendo preparados pra fazer coisas corporativas que já existem em massa. Já tem um milhão de pessoas fazendo identidade visual. A questão é: qual o nosso diferencial?
Tiago
É uma pressão geracional. Todo mundo dizendo que nossa geração vai mudar o mundo, mas quando entramos na faculdade, afundam a gente em conteúdo. E não é conteúdo pra transformar o mundo.
Santiago
É conteúdo que vai me preparar pra trabalhar numa empresa que está acabando com ele.
Tiago
Exato. Aí você se sente mais à vontade como funcionário do que como alguém com autonomia. E evita correr riscos.
Luca
Às vezes os projetos mais legais surgem de um grupo de amigos que quis experimentar. Mas como fazer isso nesse contexto?
Sofia
Fica tudo cheio de insegurança.
Luca
A gente acaba só aceitando o que está disponível.
Sofia É isso.
Flávia
A conversa tá boa, né?
Tiago
Então acho que a gente só tem mais um bloco de perguntas, mais gerais, de encerramento. Tem uma que vocês até já responderam, mas vou fazer mesmo assim: onde vocês se veem daqui a cinco anos?
Santiago Eu também ajudei nessa.
Sofia
Meu maior medo é depender dos meus pais depois de tudo. Não conseguir fazer nada com o que eu aprendi na faculdade e acabar desperdiçando o investimento deles. Ficar sem grana, sem trabalho, morando com eles, sem perspectiva. Esse é o pior cenário. Mas idealmente, eu me vejo trabalhando com design. Não sei ainda em qual área, e sinceramente não sei se no Brasil.
Santiago Também não me vejo no Brasil. Acredito que até lá eu vou ter dado um jeito de correr atrás do conhecimento que sinto que está faltando. Confio nisso. Quero seguir por um caminho mais acadêmico, descobrir como posso contribuir de forma significativa com o design pro mundo.
Flávia
O pior cenário seria eu depender dos meus pais também.
Sofia
Tenho muita vergonha só de imaginar.
Santiago Prefiro morar com o Luca, sinceramente.
Luca
Morar na NHP, né?
Flávia
Eu sempre tento provar pra minha família que o que faço tem valor. Mostro coisas que crio, tento explicar. Quero que entendam que não estou só “brincando”.
Santiago Olha!
Flávia
Se eu conseguir me manter sozinha, mesmo que só isso, já fico feliz.
Luca
Eu gostaria de trabalhar na equipe de design de uma empresa. Não precisa ser um grande escritório. O suficiente pra viver bem. Tipo: comida na mesa.
Santiago Nem precisa de casa, só comida.
Naiara Terra Não precisa muito.
Santiago
Ou eu vou trabalhar de forma independente ou vou buscar uma empresa em que acredito nos valores. Mas falando sério, se alguém me oferecer um emprego nos próximos dois anos, eu aceito. Só depois dos 25 acho que vou estar em posição de organizar uma carreira que faça sentido pra mim.
Naiara Terra Bom demais.
Tiago
O curioso é que a gente faz essa pergunta e a primeira reação é ansiedade. Ninguém responde com empolgação. É difícil ver o futuro como oportunidade.
Sofia
Pra mim, o futuro é muito nebuloso.
Luca
E tem esse pensamento de que não adianta o esforço, porque o cargo vai pro sobrinho do dono da empresa, não pra gente.
Santiago
Eu não me importo com isso. Mesmo que não haja indícios de que o futuro vai ser ótimo, acredito que vai dar certo. Não fico mais ansioso com isso.
Tiago
Eu também penso assim. Se começo a planejar demais os detalhes, enlouqueço. Melhor ter uma visão geral e confiar no processo.
Santiago
Enquanto eu estiver sorrindo, tá tudo certo.
Tiago
Se vocês pudessem incluir qualquer coisa num projeto educacional de design, o que incluiriam?
Santiago Pergunta difícil.
Flávia
Pra mim, o mais surpreendente foi o quanto o design é manual. Eu achava que ia mexer só no computador, mas tive que desenhar, colar, fazer colagem. E com o tempo percebi a importância disso. No projeto do Zé Lebre, por exemplo, criamos o logo com colagem.
Luca
Agora você corta. Antes não cortava nada.
Flávia
Em um dia já surgiu a ideia geral com esse processo.
Tiago
E em relação ao material didático?
Santiago
Tenho muitos pensamentos sobre isso. Mas acho que precisa de mais consistência. O manual, por exemplo, é importante, mas só aparece no início do curso. Depois é só computador. A gente devia continuar com elementos manuais em todo o percurso. E também acho que falta aprofundamento acadêmico. Ninguém gosta de teoria, nem eu, mas ela é necessária pra fazer a gente pensar. Senão a gente só aprende a fazer, mas continua ignorante.
Luca
Tipo expandir a aula da Cris de filosofia pra além do primeiro semestre.
Sofia
Minha cabeça funcionou com essa aula.
Santiago
A coisa mais importante pra um designer é pensar. Isso vem antes de qualquer entrega.
Flávia
Metodologia também.
Santiago Sim. E acho que falta isso. E falta também uma ideologia clara da ESPM sobre design. Uma direção pra todas as disciplinas.
Sofia Concordo.
Tiago
E o que vocês acham que falta no design no Brasil? No mercado ou na educação?
Santiago Não conheço tão bem outros contextos, mas acho que outros países estão mais na vanguarda.
Luca
Aqui ainda tem gente dizendo que design é só pra “deixar bonito”. Até a faculdade parece ver assim.
Sofia
Lá fora o design é tratado com mais seriedade. Aqui ainda é visto só como um recurso estético.
Luca
Teve professor que mostrava logos feitos por IA dizendo que eram lindos. E aí colaram essas imagens na parede como se fosse design.
Sofia
Se é pra mostrar IA, pelo menos chama alguém da área pra mediar.
Tiago
O Guilherme Umeda passou pra gente um texto de 1964 que falava sobre isso. Que os designers estavam mais preocupados em agradar colegas do que em fazer algo significativo. É uma crítica que segue atual.
Santiago
Vejo isso quando analiso os prêmios internacionais, como o IF Design. Tem países que apostam mais em experimentação e inovação. Aqui, a gente só replica quando vira tendência. E mesmo faculdades de ponta, como a USP, ainda têm foco muito direcionado, muitas vezes mais pra arquitetura.
Tiago
Exato. No Brasil ainda buscamos o produto final, não o processo. Lá fora, há uma cultura de processo. Aqui a gente quer copiar o resultado pronto.
Sofia
Viramos “seguidores de tendência”. E isso cria uma dependência.
Flávia
E tem também essa tentativa de fazer com que qualquer um seja designer. Como se bastasse usar uma ferramenta simples. É a tal “democratização” mal aplicada. Não é bem assim.
Tiago
Democracia não é liberar geral. É dar acesso com responsabilidade. Liberdade com consciência. Saber o que se está fazendo.
Flávia
É como se estivessem tentando economizar.
Pra não contratar um designer, dá um Canva pro primo. “Tem que ser simples pra gente conseguir reproduzir.”
Santiago Isso é horrível.
Flávia
E acabam sendo o próprio time de marketing e design. E acham que é suficiente.
Sofia
A gente sente isso muito aqui. Especialmente com o pessoal de outros cursos. Eles acham que dominam o nosso campo também.
Santiago Acham que desenhar é algo menor.
Tiago
Eu vejo isso também. Estou num processo de pré-incubação e somos os únicos designers. E não é que a galera do design não saiba, é que não tem interesse em empreender ou liderar projetos.
Santiago Falta visão de gestão no design.
Tiago
E do outro lado, também não tem abertura pra entender o que o designer faz. Vira uma troca fria: se você não se interessa pelo meu trabalho, também não vou me interessar pelo seu.
Sofia
A gente tem várias matérias com outros cursos. E muitas vezes vamos mais a fundo, buscamos mais referências. Mas parece que isso não é valorizado.
Santiago
Isso tem a ver com aquela ideia de que o Brasil não é vanguarda. Porque falta cultura de pesquisa, falta vontade de buscar. Sinto isso até em professores. E não é que eu não goste deles, mas dá pra perceber que tudo fica muito igual. A faculdade devia ser um espaço de diferença, não de repetição.
Sofia
É isso que acontece.
Santiago
Aqui tudo vira uma fórmula. O diferente vira exceção. E acho que isso é o oposto do que uma instituição de ensino deveria ser.
Tiago
Deixa o mercado ter as certezas. A faculdade deveria ter as perguntas.
Santiago
Sim. O mercado precisa de resposta, mas a gente precisa de dúvida.
Tiago
A ESPM foca tanto no mercado que perde essa oportunidade de gerar reflexão. Pra encerrar, deixo o espaço aberto. Se quiserem fazer comentários finais, dúvidas, angústias...
Luca
Acho que a gente já desabafou bastante.
Naiara Terra
Estamos juntos.
Tiago
Foi muito bom ter essa conversa com vocês.
Naiara Terra
Sim, vários designers juntos... Olha o que acontece.
Luca
De vez em quando a gente precisa se unir.
Naiara Terra
Adorei. Muito obrigada pela participação de vocês.
apêndice E transcrição das entrevistas
Gisela Schulzinger - ESPM
Fernanda
A primeira pergunta que a gente quer fazer é bem básica: qual o seu nome, de onde é, onde você se formou e como é que você acabou na área de design.
Gisela
Bom, meu nome é Gisela Schulzinger, eu me formei em comunicação com ênfase em marketing na ESPM e eu trabalhei acho que dois anos com comunicação e depois disso eu fui para uma área de planejamento dentro de um escritório de design. E eu me conectei com design nessa situação, daí Depois disso, fui estudar design numa formação, não como formação de novo, mas fiz várias especializações ligadas a design e, principalmente, a design estratégico. Não era design gráfico, apesar de que em todos os escritórios nos quais trabalhei e fui sócia, eu trabalhei sempre aliado com design gráfico. Mas aí eu fui crescendo nessa área, me especializando, me desenvolvendo na área de desenvolvimento estratégico, me envolvendo também com as atividades de mercado, como associações, instituições, outras instituições de ensino, foi aí que eu comecei a dar aula. E aí fui cada vez mais mergulhando nesse mercado e lá se vão quase 30 anos.
Fernanda E aí, beleza. Você entrou no design. E aí, quando você entrou pra branding? Porque você, na ESPM, você ensina mais exclusivamente branding, né? Como você escolheu exatamente a área do design que você atua hoje?
Gisela
Eu sempre fui ligada ao pensamento estratégico, assim. Minha área sempre foi de olhar para negócios, meu interesse sempre foi esse. Mas entender o processo por trás dos negócios, não a coisa em si, nem a área financeira em si e tal, mas o entendimento da estratégia, do pensamento de crescimento desses negócios e tal. E isso sempre era uma área muito restrita ao pessoal de ou comunicação ou de administração. Só que eu sempre fui da área criativa. Então, eu falei, não, não é para esse lado que eu quero ir. Será que não tem um lado ou um desenvolvimento dentro da área de design que junte as duas coisas? Que tenha essa perspectiva criativa sempre e de um olhar sistêmico e todas essas características do design, mas pensando em negócios? E aí, com a própria evolução do design no mundo, o design saiu de um lugar ali que era design de produto e design gráfico, que é o mundo mais conhecido da atuação do design e ele foi entrando para outras áreas, como é hoje. E aí eu me encontrei no branding exatamente porque juntou as duas coisas. Um olhar diferente de marketing, um olhar diferente de administração, mas um olhar criativo e de pensamento sistêmico e de impacto. Enfim, são características do design. Então, quando o design, quando a disciplina ou a abordagem de branding começou a surgir no mundo, isso é mais ou menos relativamente recente, a abordagem de forma oficial. E aí, quando isso apareceu, eu já imediatamente me conectei com isso, porque eu estava num escritório de design e a gente estava sempre olhando para as novas abordagens. Assim como o Design Thinking e tantas outras aí.
Fernanda E aí, quando você começou a dar aula? Porque você estava trabalhando em
agências, em algumas empresas. Quando você começou a lecionar?
Gisela Então, já faz muito tempo. Isso logo que eu comecei, vamos dizer, uns quatro anos depois que eu estava na área de design oficialmente, porque nunca mais eu saí, eu costumava, eu costumava lecionar um conteúdo, e aí me chamavam para dar palestras sobre o assunto, ou às vezes em cliente, ou em eventos de design. E aí isso começou a crescer, mas eu comecei dando palestras e tal. Eu comecei a ser convidada para dar palestras como professor, como convidado, que nem a gente leva na ESPM. convidados e só que aí eu fui gostando, né? Eu fui entendendo melhor a área de educação, o envolvimento, né? E aí eu comecei na área de pós-graduação. Comecei com pós-graduação em cursos de design estratégico e branding, inovação também, design thinking, que aí foi indo várias disciplinas, até um dia em que eu fui convidada para dar aula na graduação. Porque isso que vocês vão falar de design… São dois mundos absolutamente diferentes. O mundo da pós, da educação continuada e o mundo da graduação. E aí, em 2009, eu fui convidada oficialmente para dar aula na ESPM. E aí estou lá até então.
Fernanda
Explica um pouquinho melhor, Gi, como assim é tão diferente a parte da graduação para a pós-graduação? Em que sentido você quer dizer?
Gisela
Assim, primeiro os conteúdos, né? É meio óbvio isso, mas na pós-graduação, as pessoas vêm buscando uma coisa específica. Um tema específico, e ela quer se aprofundar naquele tema. Então, isso já é diferente, porque você já vai focado num tema e não
em todo o conhecimento geral, como é numa graduação. Depois, o público-alvo. As pessoas que vão lá não necessariamente têm uma formação de design ou querem trabalhar com design. Às vezes, tem gente que quer continuar trabalhando, então vai buscar uma especialização. Tem gente que vai buscar conhecimentos de design para agregar à sua área. Isso acontece muito quando a gente está falando de metodologias de inovação, design thinking e mesmo o branding, né? Você adquire conhecimentos que são do design, mas para dar continuidade lá nas suas áreas. E o tempo. O tempo assim, o máximo que a pessoa está disposta ali é gastar um ano e pouco com isso. E assim, normalmente é duas vezes por semana. E é muito, muito, muito prático. É assim, a pessoa quer exemplo, a pessoa quer resposta, a pessoa quer um template pronto que amanhã ela chega no escritório e já faz uso, entendeu? Então é uma dinâmica muito diferente.
Tiago
Então, isso que você está relatando aí é uma coisa interessante porque isso bate com uma das coisas que a gente estava estudando ali na pesquisa, né? Que é essa parte de diferentes modelos de educação que vão cobrir diferentes gaps, né? De informação, de estilo, o que quer que seja, né? E aí uma coisa que a gente encontrou ao longo da nossa pesquisa quantitativa e um pouco quando a gente fez um focus group com os alunos, foi que muitos dos alunos que a gente encontrou ali na metade da graduação não se sentiam preparados ali ou adequados para articular de forma mais complexa o design. Enfim, o que a gente lê disso é que a gente sentiu ali que eles se sentiam inseguros no conhecimento base deles para seguir num aprendizado mais a fundo, para saber até
para onde eles gostariam de seguir. Gente, assim, tipo, até um certo ponto, obviamente, isso é muito normal, o momento transitório ali, de carreira, de estudos. Mas aí até queria perguntar, na sua experiência, se você diria, tanto na sua experiência como uma pessoa que estudou bastante, uma pessoa que lecionou bastante em diferentes ambientes, se você sente que realmente, há ali um desconexo e que vai ter um momento entre a graduação e a pós, que as pessoas realmente ficam equipadas para lidar realmente e ser mais decisivas e um pouco mais de direção?
Ter um pouco mais de visão. Direção. Do que elas vêm, da visão, do aprendizado, o que quer que seja?
Gisela
Então, acontece isso mesmo que você está falando, principalmente porque a graduação, ela é um processo. Então, conforme, assim, principalmente no curso de design, independente de ser da ESPM ou de outras escolas que eu conheço também os outros cursos, ele vem de um crescente, assim. Então, você, o aluno, ao longo do curso, né, de graduação, tô falando, ao longo do curso, ele vai descobrindo novas facetas. Exemplificando novas possibilidades. Exemplificando, no quarto semestre, vocês têm contato com o branding. Isso já é um divisor de águas. Muita gente, quando bate ali, fala, “ih, eu não sabia que eu não precisava ficar o dia inteiro na frente do computador” ou “eu não precisaria ficar o tempo todo aqui desenvolvendo projeto de identidade ou de embalagem. Eu posso pensar em outras possibilidades do design.” Então, ali já acontece um turning point, aí já aparece aquele ponto de interrogação. Será que é isso ou será que, nossa, mas eu gostei disso, será que eu continuo nisso? E aí vai indo. E aí a gente vai chegando mais ao final do curso, e aí essa é a estrutura da graduação,
entende? Porque você vai do básico para o mais específico. Para você passar por todos os temas, por todos os conteúdos. Então, quando chega ali no sétimo semestre, que aí tem contato com outras temáticas, aí nós vamos falar de impacto, sustentabilidade, aí putz, descobri uma nova oportunidade, um novo caminho que eu posso seguir. Mas isso é natural, porque é do processo do aprendizado, quanto mais você vai aprofundando nas temáticas, mais vai abrindo novos interesses. e vai parecendo que você está desconectado, mas não, ao contrário, você só tá incorporando novos conhecimentos e que no final dessa jornada, muito provavelmente, você não vai chegar sabendo o que você quer. Ao contrário, você vai chegar com um “E agora que tem um monte de coisa que eu posso fazer?” É exatamente o contrário, né? Então, eu vejo que o aluno tem expectativa de sair de lá prontinho pra ir para o que vai ser o projeto de vida dele e não, vai acontecer ao contrário. Porque vocês vão sabendo e na graduação é natural que você vá conhecendo outras áreas e quando você chega no fim, você fala, nossa, agora para onde eu vou?
Então, esse gap entre o fim da faculdade e o começo de uma educação continuada, de que você vá escolher qual o caminho que você vai fazer, aí sim, gente, existe um gap gigante, porque dá um vazio. E aí que eu acho que dá uma oportunidade. Eu, inclusive, pensei lá atrás em ter uma startup que endereçasse exatamente esse momento. As dificuldades e soluções para esse momento, que é quando você sai da faculdade, que aí dá um vazio enorme, Porque quando você está na faculdade, você tem acesso a tudo ali, via professor, via faculdade, enfim, tudo que a faculdade oferece. E quando você sai, dá um vazio enorme, porque e agora? Eu tinha tudo ali na palma da mão, que era para falar com o professor, era na biblioteca, era blá, blá, blá. Então, tem tudo isso lá.
Fernanda
Só complementando, eu acho que também é muito relacionado também ao mercado, né? Porque você se vê trabalhando e alguns na pesquisa, muitos falaram que não é que amam o estágio ou o trabalho que estão fazendo, mas estão ali porque estão começando, né? E aí você termina a faculdade e você também não tem um trabalho onde você já tá vendo o que você quer fazer, criar carreira, você fica meio que perdido, porque você não tem mais nem um nem o outro, né? Então é meio que essa pessoa que está bem no meio assim, né?
Gisela
É. Sendo, Fê, que eu acho que tem uma questão aí que também era onde eu iria endereçar a minha startup, que é essa expectativa, entendeu? Assim, já que eu já saí da faculdade, que eu já sei tanto, agora eu já quero ir para o que eu gosto de fazer. E, na real, não vai acontecer isso também. Não vai acontecer isso também, entende? Tem um período que é um novo aprendizado, que é um monte de coisa que você vai ter que aprender que não é na faculdade. E não é que a faculdade não ensinou, é que não é lá que aprende mesmo. Então, eu acho que tem uma oportunidade aí nesse sentido, desse suporte e esse encaminhamento desse conflito que a pessoa passa. Eu sei tanto, só que agora eu quero descobrir que eu quero trabalhar com branding. Só que agora eu quero já sentar na cadeirinha, na janelinha, não é? Não vai acontecer. Começa uma nova fase de aprendizado que é de outros aprendizados e que você vai ter que se submeter, porque você já não é mais estagiário também. Então você perde também essa possibilidade.
Tiago
E até talvez compartilhar um insight aqui que teve na pesquisa, talvez justamente esse gap esteja prejudicando na formação acadêmica, porque a gente viu com os alunos ali no Focus Group, quando a gente falou sobre o mercado, assim, dava pra ver assim, nas reações deles, a gente falou, não, porque a gente perguntou na pesquisa se o curso preparava adequadamente para o mercado, e a maioria das pessoas falou que sim. E eles olharam assim meio de forma, ah, claro, com certeza, é a ESPM, sabe, também, super. Mas aí quando a gente complementou a pergunta perguntando, mas e assim, de resto, assim, né, no geral, você sente que você, o aprender, por aprender, né, aprender além do que você precisa para atender as demandas de mercado de trabalho, você precisa para atender, assim, para pensar o design, você acha que o curso satisfaz? E a gente começou a ver ali na fala deles que talvez essas coisas chegam num ponto onde começa a ser inversamente proporcional e talvez que exista uma falta dessa entrega no mercado, desse ponto de transição ali de tipo, pô, estágio não tá entregando experiência de mercado, então a faculdade tem que entregar e não tem nada que entregue ali algo in between que consiga ser igualmente útil para transferir conhecimento acadêmico para mercado ou mercado para acadêmico e vice-versa.
Fernanda
E para complementar o Tiago, aí entra até uma discussão que seria legal ter com você, Gi, que é em relação à formação da grade e da graduação. Eu sei que você está muito conectada agora em relação à coordenação do curso e como que o curso vai se direcionar, qual o viés que o curso vai ter. E a gente acredita que a escolha da grade da ESPM, ser como é, não é por acaso. Não é que vocês pensem assim… Ai, nossa! Nem sabia que vocês queriam aula de Photoshop. Vocês sabem, mas eu acho que vocês escolhem, em vez de criar um robô que sabe fazer Photoshop, fazer uma pessoa que sabe pensar. E aí, se ela quiser, ela vai atrás de uma ferramenta mais específica, ou algo assim. Então, a gente acredita que seja muito mais uma escolha de metodologia e de caminho sobre você criar pessoas que pensam e pessoas que são muito estratégicas no sentido de não ser uma máquina de criar post do Insta, sabe? Então, acho que é meio isso que o Tiago está falando, de tipo assim... A gente sente que a gente tá saindo da graduação e a gente não está 100% preparado. Mas ao mesmo tempo, quem disse que a graduação está querendo te preparar para X e PTO? Tipo, a gente talvez só queira X, não queira o resto. Então, é uma discussão. O que você acha?
Gisela
Então, sim, é como você falou. Nada, absolutamente nada na grade é aleatório. Sim. Isso... Eu faço parte do NDE, que é um núcleo estratégico do curso, junto com a coordenação e com a diretoria da ESPM, no caso da ESPM, mas todo NDE é assim. Então, a gente discute lá, a gente faz pesquisa de mercado, a própria ESPM oferece algumas pesquisas e informações sobre o mercado, sobre concorrência, a gente também faz a nossa pesquisa,
então a gente está sempre monitorando tudo que está acontecendo e para onde o mercado está indo, para onde o que são as demandas que estão surgindo e principalmente porque a gente também tem professores de mercado, que é o meu caso, ligados a várias instituições e associações que estão direcionando o mercado também. Então, sim, a grade é totalmente pensada no sentido de estar sempre muito atualizada em relação ao que está acontecendo, as demandas de mercado, muito ligada no perfil do egresso que a gente quer construir, que é um pouco o que você falou, é um ser pensante, não é uma máquina de fazer post. Embora em alguns momentos a gente precise ser uma máquina de fazer post também, né? Mas faz parte do processo, né? E eu não digo só porque vocês estão começando. Tem vários momentos da vida em que a gente senta e fala, meu Deus, eu estou nessa altura da minha vida e estou fazendo isso? Que é quase fazer post, né? São outras coisas, mas é tipo isso. E acontece, né? Acontece. Então, a gente se informa e aí a gente se preocupa, né, estrategicamente e se orienta estrategicamente porque a gente sabe que profissional que a gente quer colocar no mercado. E aí toda grade, todo curso, todos os núcleos, todos os professores, perfil de professor. Então, quando sai um professor, entra outro, não é porque a pessoa não é legal, ao contrário, mas é porque são outras skills que a gente está precisando, outro ritmo, outros olhares, para justamente manter o curso fresco, atualizado e dinâmico e tudo mais. Então tem sim que pensar muito e a gente dedica bastante tempo em construir tudo, não só a grade, mas tudo que o curso oferece e principalmente interagir com o resto do que a faculdade oferece também.
Fernanda
E o que você acha que é a maior dificuldade nessas escolhas de direcionamento do curso?
Qual que você acha que está sendo a maior dificuldade?
Gisela
Hoje, na verdade, é mais uma questão interna, de entendimento do que é o design. É muito menos do mercado ou uma dificuldade com os alunos, ao contrário, a gente tem uma receptividade positiva e tal. É mais um desafio, tá? Eu não vou dizer que é a dificuldade, mas o desafio é de construir o branding para dentro, de construir o curso pra dentro da ESPM. Então, hoje a gente tem, vamos dizer assim, dois públicos aí. Os alunos e também as pessoas dos outros cursos, os outros professores para mudar o entendimento que essas pessoas têm de design.
Fernanda
A próxima pergunta aqui também era sobre a maior dificuldade de lecionar. Só para introduzir, a gente recebeu muitas respostas dizendo que a maior dificuldade é o engajamento dos alunos. Eu não sei dizer como é exatamente dar aula em outra sala, porque a nossa sala é muito engajada, pelo menos eu acho. Eu acho que a nossa sala participa muito, quer fazer sempre os projetos e tal. Mas eu acredito que tem uns salas que ninguém tá nem aí pro que o professor tá falando, não tá nem aí pro projeto, não tá nem aí também se não vai passar de semestre. E tá tudo certo. Então como é que é? Como é que tá sendo essa parte de dar a aula mesmo e o engajamento e tudo mais?
Gisela
Então, esse é o maior desafio mesmo, né?
Da gente captar na proporção que a gente quer, porque eu não acho que é zerado, tá? Eu acho que sempre tem algum momento ali de conexão do aluno com o ritmo, né? Mas eu acho que o maior desafio, de fato, é manter o aluno conectado, interessado, E, assim, principalmente entendendo por que aquilo tudo está acontecendo, né? Por que a gente está falando daquilo? E aí eu vejo, assim, eu nem acho que é desinteresse, tá? Eu não acho essa coisa, ah, o aluno não é interessado. Eu acho que o aluno é interessado, é que ele não está todo o tempo interessado. Todo tempo engajado e tal. Então eu não tenho esse tipo de dificuldade. Mas o que eu vejo é essa falta de paciência, essa ansiedade em relação ao tempo das coisas acontecerem também, sabe? Então, assim, eu já não aguento mais essa aula, já quero ir para a próxima, já quero saber a outra coisa, eu não quero ficar na palestra, eu não quero, etc. Então, eu acho que um desafio, fora o engajamento, eu acho que ele acontece, mas eu não generalizo de jeito nenhum. Porque é isso, mesmo dentro de salas que não são tão engajadas, tem uma galera que é engajada. E tem a galera que de fato não tá nem aí pra vida, não é pra aula. E é o momento que a pessoa tá. Eu também entendo que tem horas que não vai rolar. Só que eu acho que é isso, né? É uma coisa de corresponsabilidade. Ó, não tá afim, legal, mas então não dificulta, não faz com que as coisas sejam difíceis pra mim e pra você, né? Eu, professora, e você, aluno. Então, tem isso. Mas a outra coisa que eu estava falando é isso, muita ansiedade, no sentido de não conseguir nem entender porque aquilo está acontecendo, o que está se pretendendo com aquilo. Por exemplo, gente, eu acho que se perde muita oportunidade com as pessoas que a gente traz. E eu não estou falando do curso de design, tá? Eu estou falando da ESPM inteira. O hackathon, as atividades...
É muita coisa, eu concordo, mas… Tem lá oportunidade, sabe? E aí eu vejo, assim, muita ansiedade e acaba não fazendo nada, querendo fazer tudo ao mesmo tempo, sem muita paciência para conduzir o negócio. Ai, tem 200 trabalhos e tal. É a realidade da vida, não estou dizendo que não tem, sabe assim? Mas eu acho que fica essa coisa muito ansiosa de já querer se livrar das coisas e perde muitas oportunidades. Então, esse eu acho um desafio que não é comigo necessariamente. Não é só uma vivência que eu tenho na sala de aula, mas eu vejo do aluno, assim, em geral.
Tiago
Eu diria que vai de aluno para aluno, em casos, mas que no geral, vou usar uma palavra meio informal, mas que o mal dessa geração seria essa impaciência.
Gisela
Eu acho, porque eu acho que é a impaciência, inclusive, que leva ao não engajamento.
Fernanda
E fazendo um comparativo, então, com antes da pandemia, por exemplo, antes do TikTok, antes de um ensino também híbrido, você acha que tinha um pouco mais de engajamento? Você sente que teve uma diferença da geração e do gap da pandemia?
Gisela
Não, eu acho que teve um impacto, sim, da pandemia, mas eu via antes da pandemia gente não engajada e gente ansiosa também, sabe? Eu acho que essa coisa de pandemia realmente foi muito impactante. Então, só intensificou uma coisa que já existia antes.
Tiago
Mas tem a ver com os tempos, né? a rapidez da comunicação, das tendências. A gente é
uma geração que é muito mais voltada ao conteúdo, né? Essa palavra “content” cresceu tanto ultimamente, né? Então em tudo você vê o criador de conteúdo, não necessariamente o cara tem uma coisa ali que tem uma continuidade, é conteúdo, né? Bitesize, né? Então, até que você veja, algo pode ser até percebido é que quem está interessado em aprender quer aprender tudo logo e acaba desengajando quando o ritmo não bate com essa ansiedade.
Gisela É isso, entendeu? Então, o ritmo de uma aula de 1h40 é quase insuportável. E assim, como você quer aprender, como você quer aprofundar? Que nem ler um livro, vai demandar um tempo. Sabe aquela coisa? “Não consigo mais ler um livro. não consigo.” É um nível de ansiedade que eu acho que isso é muito mais desafiador e que leva ao não engajamento e tal. E o modelo de aula também, né, por mais que a gente tenha as metodologias ativas e tal, eu vejo que ainda tem muito do modelo antigo de senta, expõe. Eu mesmo, né, tenho isso. Porque, assim, tem que passar um conteúdo. Não tem jeito. Tem um momento que tem que passar um conteúdo. Mas é de trazer mais dinamismo e tal. Porque, Tiago, eu acho assim, ó... Aconteceram novas tecnologias, novas profissões. Claro que isso traz um nível de angústia gigante. Então, assim, não adianta a gente querer que não seja assim. O nível de informação, de coisas que a gente recebe o tempo todo, e vocês o tempo todo, fora a expectativa da própria idade de ter que fazer, pais, família. Então, cara, não é um contexto, não é um contexto fácil, de fato. Então tem que entender, mas é isso. Então, por exemplo, eu gostaria de ter mais disciplinas que falassem, que não fosse o formato do Life Lab lá, mas que durante o processo, a gente
pudesse dialogar mais. Entendeu? Mas aí, por exemplo, galera, hoje vamos falar dessa coisa que não é a disciplina? “Ai, professora, não. Ai, não tô com paciência hoje pra ficar falando disso…” Entendeu? O próprio aluno também não quer mudar, porque assim, vamos lá, vamos lá, vamos tirando da frente.
Tiago
Sim. Eu até ia te perguntar, mas acho que você já até respondeu, né? Eu ia te perguntar assim, na sua opinião, você acha que um projeto como o nosso, assim, você acha que deveria se adaptar a esse ritmo atual? Ou se deveria combater? E eu acho que, pela sua resposta, eu acho que sua opinião seria nenhum dos dois, né? Tem que passar essa linha no buraco da agulha ali, né? Tipo, entre os dois um pouco.
Gisela
Eu acho que vocês têm que incorporar nesse projeto essa perspectiva. Não é mais o mesmo jovem e jamais será. Porque não é mais o mesmo adulto, não é mais o mesmo idoso.
Tiago
Então, ser mais realistas, menos idealistas. Ter menos expectativas até pra botar em cima dos jovens. Mas a gente sabe que vocês são dessa forma. A gente vai procurar formas de remediar quando precisa e se adaptar quando precisar. Tipo isso, né?
Gisela
É, e chegar num equilíbrio. Porque isso é o que eu faço, tá? Tentar buscar um equilíbrio entre ceder a isso, entender o que está acontecendo no momento, mas, de outro lado, também ter um nível de rigor, cobrança, que também é necessário. Então, é achar o equilíbrio entre essas coisas. A hora que você entende que a história que não é um mimimi,
que é uma coisa que tem que ser levada em consideração e isso vocês tem que incorporar. Então vamos lá. Ah, vamos pensar uma escola que os tempos de aula são diferentes. Será que uma hora e quarenta funciona hoje?
Então, aí pensar em outros formatos que vão contemplar sim uma hora que senta e preste atenção. Não existe outro jeito de passar conteúdo.
Tiago
É ser rigoroso e compreensivo, né? Criar expectativas que dê pra cumprir, mas ter cobranças sobre elas. Assim, é algo que é realista, dá pra cumprir. Mas tem que cumprir, porque a gente tá… tipo, não é nem uma colher de chá. A gente tá, tipo, estendendo a mão, você não vai puxar. Entendeu? Você é quem vai fazer força.
Fernanda
Só complementando, o que eu ia falar, é que eu acho que é legal também essa questão de até conversar diretamente, como se a gente pudesse responder, porque às vezes na educação a gente sente que estão falando por nós, assim, e a gente nem respondeu, sabe assim? Então, eu acho que é legal mesmo essa questão de ser compreensível e até falar mesmo diretamente, assim, com os alunos e com os designers, né? No sentido de, tipo assim, será que vale a pena você procrastinar agora e depois ter que estudar toda essa matéria sozinho? Ou vale a pena prestar atenção na aula e você já entendeu o conteúdo e não precisar depois se matar sozinho? Porque isso acontece muito, né?
Acho que falando pelo nosso grupo mesmo, a gente tem muita coisa, é trabalho, é faculdade, é eletiva, é TCC… A gente nunca tem um tempo onde a gente só pare e preste atenção em uma coisa por vez. A gente tá sempre cuidando de muitas coisas. E aí,
quando tem prova, você tem que estudar tudo que você não prestou atenção durante meses, em um dia, para poder fazer a prova no dia seguinte. E a gente sabe que o conhecimento cai por terra. 20 minutos depois da prova, você já nem lembra mais de nada.
Gisela
Exato. Então, eu acho que a construção da educação e do ensino hoje tem que ser... É isso, incluindo todas essas coisas, senão vai acontecer o que você está falando. E de outro lado, gente, até por falar de jovens, eu acho que tem momentos também que é necessário, e que ajuda, ajuda a esse rigor. Porque se deixar solto, a gente não sabe o que fazer exatamente com a liberdade, entende? Então, o que eu acho é o equilíbrio entre essas duas coisas, que não adianta só um, ou achar que tudo é mimimi, ou só considerar o mimimi, não considerar o rigor. E outra palavrinha mágica que eu consideraria aí nesse desenho de ensino aí que vocês vão propor, é a corresponsabilidade. Então, por exemplo, eu já fiz essa experiência em sala de aula e é engraçado como o aluno recua. Várias vezes, eu fiz em várias situações, tá? Mas como que acontece? Assim, ó... Gente, eu tô vendo que ninguém tá engajando, eu tô vendo que tá todo mundo no celular, tá todo mundo fazendo outra coisa. Não tá rolando. Então, vamos aqui conversar, porque eu não quero fazer terapia, não é terapia. Mas como a gente vai fazer pra rolar? Eu posso parar hoje, parar a aula, que agora a gente para, vocês dão um tempo e eu mudo o assunto, ou vocês me dizem que assuntos que eu posso trazer, porque assim, não tá rolando, nem pra mim, nem pra vocês. As pessoas ficam completamente perdidas. Elas achavam que... Ou elas perguntaram pra mim se eu tava tirando sarro, se eu tava sendo irônica, se eu tava dando uma bronca. Eu falei, não,
eu não tô dando uma bronca, eu tô falando na boa. Claramente, isso aqui não tá funcionando. E aí, o que nós vamos fazer? Porque tô eu aqui e vocês. Como é que nós vamos fazer dar certo pros dois? Não rola, gente. Não tem a menor condição. Entende? Então eu acho que tem uma coisa de co-criar e construir, que também dá um pouco de preguiça, né? Mas vamos dizer que no começo todo mundo faz a lista das suas expectativas, claro que são várias, né? Então, de forma conjunta, pra tentar fazer essa adaptação de acordo com a turma, porque isso muda muito de turma. Entendeu? Então, quando você faz uma coisa dessa que você quer corresponsabilidade, ficou todo mundo mudo. E assim, de diferentes jeitos, né? Ficou todo mundo mudo. As pessoas acharam que eu estava sendo irônica, dando bronca. Até que eu falei, não. Ao contrário. É que eu quero fazer isso funcionar. Não tá funcionando pra mim e eu tô achando isso aqui um saco. Cês também. Porque é um saco eu ficar aqui falando um monte. Cês tudo no celular. Não vai rolar. De boa, tô falando: não vai rolar. Então, assim, sabe? Ter modelos. Um modelo que pensa nisso, como pode ser o momento ali de repactuar o pacto que vai sendo feito, para dar conta, entende? E obviamente que tenha lista. Não vai dar para fazer as coisas? Ah tá, então vamos mudar isso, ah tá, então vamos considerar isso, tá bom, então vamos mudar isso, entendeu?
Fernanda O tópico de a aula ser online, ser presencial, ser híbrida, você acha que afeta? Porque no online eu vejo que os professores ficam tão sozinhos, dá tanta dó. Porque fica só o professor falando e todas as telas fechadas às vezes. E aí, às vezes, ele até pergunta, tipo… Vocês entenderam? Tá tudo bem? É tipo, triste. Mas como é que é?
Gisela É tipo, muito triste. E sim, impacta muito. Porque aí, eu vou ser bem, o aluno não leva a sério. Não leva a sério. E eu não estou dando uma bronca. Cara, foi uma opção, né? Mas eu vejo que o professor fica absolutamente sozinho, de fato. E o aluno não leva a sério. Tiago
Se é uma aula que você precisa cumprir horário... Beleza, mas se é algo que você é eletiva, você escolheu para aprender, né? E aí você escolheu aquilo e você encaixa aquilo num horário que você tem que saber que você não vai ver, né? Eu tenho experiência pessoal com isso, que eu fui plantonista no cursinho popular, né? E os plantões eram online. E assim, até por uma questão de user experience mesmo, dar aula online ou até ter aula online, falta aquele feedback ali, né? Então você fala, você não consegue ver nem nas caras, das pessoas, se elas estão interessadas ou não, né? Então, é aquele negócio, assim, era angustiante dar aula online, que é todo aquele stress de ter que separar o espaço, se adaptar, montar a aula, pra chegar ali no horário da aula e tá ali falando. E, assim, mesmo que os alunos estivessem em casa, anotando tudo, até se eles estiverem anotando, eles não estão respondendo, não estão mexendo no computador, você não vai ter resposta. Então, parece que você tá falando com a parede. Até se o aluno estiver prestando atenção, você não sabe se você está falando com a parede ou sem a parede, sabe?
Gisela
Tiago, é a pior sensação do mundo. É a pior sensação.
Fernanda
É, mas eu acho que o pior é que até em eventos tipo... Quando é palestra ou quando é algo assim, também tem esse desinteresse.
O que é não é errado, mas assim, a gente espera que quando você vai numa palestra, num workshop, você fique super animado pra estar ali, porque é um momento único. É uma hora que você não vai viver de novo aquela hora, né? Então, eu não consigo pensar em uma solução para isso, mas eu sei que existe esse grande gap também. De interesse mesmo,
Gisela
Mesmo que você escolha, entendeu?
Parece que você está se boicotando, assim. Entendeu? Finjo que eu estou vendo e tal, e é uma pena. Então, eu acho que o híbrido realmente não funciona.
Tiago
Então, talvez, assim, óbvio que não é tão simples quanto falar, né, mas talvez a solução, e aí eu acho que é algo que a gente pode colocar, independente qual seja o modelo que a gente esteja buscando de aprendizado, porque tem ensinos a distância que não são dependentes, né, nessa troca entre professor e aluno, às vezes é com material, que é a distância, mas não é aula online.
Gisela
Ou assíncrono, né?
Tiago
Assíncrona também, que tem um pouco mais de engajamento, né? Não sei. Mas de qualquer forma, eu acho que a palavra talvez seja sinceridade, né? Porque tipo, não dá pra você se enganar. Falando assim, vou fazer essa aula que eu vou aprender, mesmo se eu estiver no carro. Não dá pra você se enganar quando você tá lidando com sinceridade, entendeu? É tipo, a gente sabe, aula online, a gente sabe que não tem esse engajamento. Seja sincero com você mesmo pra não pegar um momento inoportuno, né?
Gisela
Por isso que eu falo de corresponsabilidade, entendeu?
Fernanda
E eu acho que tem uma questão também que a gente pensa assim, ah, a gente tá sobrecarregado, né? Tipo assim, o que me vem na cabeça é tipo assim... Eu, às vezes, eu quero participar de uma palestra, eu quero participar de alguma coisa, mas eu tô tão sobrecarregada que no momento que eu quero estar ali. Eu não posso estar só ali. Eu tenho que estar com a cabeça em outro lugar. Mas ao mesmo tempo, como é que você vai tirar coisas se a gente já não tá dando conta de mostrar tudo? Como é que a gente vai tirar mais coisa? Então, é uma balança muito difícil de fechar.
Gisela
É, mas é que é isso, essa é a vida real, né?
Você tem que fazer opções o tempo todo, 24 horas por dia. E aí, assim, o que eu acho, tá? No momento que você fez a opção, a não ser que seja uma obrigação, que é diferente, esteja lá. Entendeu? Porque eu também tenho 200 coisas... Tem os “nãos” que eu tenho que dizer também, né? Palestra, ah, não vou. Não adianta porque eu vou ficar ansiosa, vou ficar... Então, já não vou. Agora, claro, quando a gente está estudando, nem tudo é uma opção, né? Os professores passam os trabalhos e tal. Mas aí é fazer essa gestão. De qualquer forma, tem sempre a hora em que você está em algum lugar. Então, “Ah, mas é que eu tenho ao mesmo tempo que eu tô na aula, eu tô fazendo o trabalho da outra disciplina.” É, a gente sabe que isso acontece, né? E essa é uma discussão, por exemplo, quando a gente tá falando de carga horária, Fê.
Fernanda
Temos duas últimas perguntas que eu queria fazer. A primeira é em relação ao material que você usa nas aulas, se você sente que eles estão atualizados e como funciona essa questão de preparar a aula, porque é isso que a gente está falando, na verdade. Porque uma das ideias, abrindo aqui para você dos nossos insights, era também preparar materiais. Só que ao mesmo tempo, esses materiais às vezes vão ficando obsoletos, eles ficam atrasados. E essa questão de dar a aula, geralmente você dá essa aula há muito tempo. Então, você pode até atualizar, colocar um case novo ou outro, mas... Essa questão de preparar a aula, como é pra você?
Gisela
Então, isso é absolutamente fundamental. Não só no conteúdo, como na forma. E pra mim, eu não fico feliz com a forma. Porque eu queria estar fazendo de outro jeito. Em termos dos efeitos, dos vídeos, da linguagem mesmo. O próprio layout dos slides e tal. Mas assim, eu vou dando conta de atualizar e atualizar a temática também. Então, isso pra mim não tem nem, assim, absolutamente fundamental. Se o ritmo é por semestre, todo semestre você atualiza o tema. Não é o case, é atualizar o tema.
Fernanda
Certo. É outra questão que eu acho que eu vou trazer até um pouco do nosso lado, assim, Por exemplo, eu adoro branding, eu fiz acho que todas as suas seletivas, fiz todas as aulas, eu acho muito legal. Mas quando eu entrei no estágio, teve um momento que a gente estava discutindo o ano passado, a gente estava numa discussão sobre branding e sobre recolocar a marca no mercado. E aí, eu me vi numa situação que eu acho que muita gente se vê, que a gente colocou até nos nossos insights, que é... eu vi a aula de
branding, eu fiz projeto de branding, eu sei criar uma marca do zero até o último passo no sentido de criar a narrativa, criar o que você vai ter da marca. Mas quando a gente tem que pegar um bolo pronto e refazer ele, trocar a calda e dar um gosto novo de novo, fazer ele ficar mais gostoso, é muito mais difícil e eu sinto que eu nem estou preparada. Então, eu acho que como é que você vê essa questão da prática até mais voltada, que nem você falou para a pós, uma coisa quase que uma ferramenta que você fala assim, “ah, eu estou nesse estado, então eu vou fazer isso.” Como é que funciona essa questão da prática bem voltada para o mercado?
Gisela
Então, você tocou no ponto que é a diferença mesmo. A gente gostaria de dar muito mais prática, por exemplo, no seu caso, as várias possibilidades de um desenvolvimento de branding. Marca que já existe, marca lá. O que acontece? Tem uma coisa do MEC. Que tem também um direcionamento que vem do MEC sobre conteúdo. Por quê? Porque é formativo. Entende? Então, não é um curso de extensão. Então, ele tem que conter determinadas coisas. Tem que ter o tempo e quantidade de um determinado conteúdo. Então, não é tão livre assim. Então, entendeu?
E nos 18 encontros que a gente tem, que é um semestre, não dá absolutamente, senão você não aprofunda. E lá é a formação. Entende? Então, por mais que a gente seja prático, por mais que a gente queira... Você vê que desde o segundo semestre tem projeto, né? É tudo por projeto. Então, vocês passam por vários projetos. E no meu semestre é o manifesto. Acaba precisando, mas isso é uma característica da graduação, que ela é formativa, então ela tem que entrar nos conceitos, nos preceitos e não ficar só na prática, entendeu?
Tiago
Então, foi até uma hipótese que a gente levantou. É uma confirmação de uma hipótese que a gente levantou, que talvez essa dificuldade ali de se atualizar é para manter ali, tem uma demanda do MEC de quanto tempo, em quanto tempo pode atualizar o curso, E também de ser algo que tem que apresentar conteúdos básicos e algo que a gente até discutiu semana passada. Falando assim, tipo, nossa... Quando a Fê trouxe essa dúvida, na hora eu pensei assim, trouxe essa hipótese assim… Talvez a faculdade, o propósito dela é justamente assim. Ela não quer te ensinar necessariamente a boa prática do negócio. Às vezes a ESPM engana a gente. Porque ela tem muita coisa do mercado, da prática, não sei o quê. A gente acaba se enganando de que é isso. Mas, na real, a gente está aprendendo como tudo é, como tudo funciona, para quem sabe conseguir depois, com conhecimento disso aplicado, conseguir aplicar.
Gisela
É, é que assim, os cursos, na maioria das vezes, eu acho que o design é o que mais trabalha a questão projetual. Vocês vão desde o segundo semestre fazendo projetos sem parar. Então, existe uma coisa prática, né? Que, obviamente, não é necessariamente a do mercado, mas, né? Todo mundo sai ali sabendo fazer uma embalagem, uma arte final, blá, blá, blá. Então... Sim, mas o que direciona isso é o que tá colocado, posto pelo MEC. Não em termos de atualização, tá? Você pode atualizar a aula, mas assim, a emenda, as temáticas, isso tudo é registrado no MEC. Entendeu? O que um aluno de graduação precisa entender em branding? Qual é o entendimento? A gente tem que fazer uma emenda toda. Precisa ter uma ideia, gente. Tem curso de como fazer o PEA. Adaptado às regras do MEC. Então, o PEA não é uma
decisão minha só, entende? A gente tem que submeter o PEA. Que é o programa da disciplina. Então, as intenções, objetivos e tudo mais.
Fernanda
E uma última pergunta para fechar é sobre o design no Brasil. Um dos tópicos do nosso PGD é sobre como a gente queria retratar o design brasileiro, porque a gente bebe tanto do design americano e de fora, que quando a gente tem que olhar para dentro, a gente até se perde em dizer o que é o design brasileiro e o que a gente tem para oferecer que o mundo já não conhece. O que você acha sobre isso, Gi?
Gisela
Eu acho que sim, isso é uma temática bastante importante e que a gente não ensina e não existe um espaço para falar disso, mas que deve ser uma coisa contemplada não como só assim, “ah, então agora vamos falar só do design brasileiro.” Eu acho que a gente tem que ser global sempre. A gente tem que estar ligado em tudo, né? Mas eu acho que tem um espaço, sim, de aprofundamento para entender os designers brasileiros, quais são as linguagens, como é que a gente é reconhecido lá fora. E isso a gente pode buscar através de entender como é que são as premiações, quem são os designers. Ver o que eles falam, acompanhar os trabalhos, não só o que ele produz, mas o que ele pensa. E aí é interessante, não com uma coisa assim, sabe? “Ah, vamos ensinar só o design brasileiro.” Não, mas incorporar isso, porque o nosso design é muito global. Não é que a gente bebe na fonte, mas vale estudar e vale incorporar, sim, nesses entendimentos aí que vocês estão fazendo. Mas não como um assunto, assim, separado do resto.
Tiago
Teve um texto, o Meta passou pra gente um texto semana passada, era justamente sobre isso. E ele trazia isso, sabe? Tipo, como você vai aprender o design... Quando a gente fala de design brasileiro, a gente vai muito de caso a caso do design brasileiro, e aí acaba virando isso, algo à parte. A gente falha em entender, em ver o design como os brasileiros veem o design, como é feito no resto do mundo, né? Por exemplo, você vai lá pra Europa, você vai falar assim, ah não, porque tem o design escandinavo, e não é só de visual. Mas é de lógica, é de pensamento, é de como é ensinado, é de com quais áreas ele se relaciona mais. E, obviamente, a gente é muito global no Brasil, mas é interessante a gente ver como que, num projeto educacional, como é um modelo propriamente brasileiro de se pensar o design, né? Foi o que a Vilma falou, né? Parte de um todo do mundo. O Brasil como parte do mundo e não o Brasil como algo à parte.
Gisela
Porque senão a gente vai com aquele pensamento, né? Que bota a gente num lugar que não. A gente tem que ser global, a gente tem que ser sistêmico, a gente tem que estar inserido no mundo.
Fernanda
Então, essa semana a gente tá fechando a pesquisa e a gente tá tentando ouvir um pouquinho mais, principalmente de vocês, os professores e os alunos, pra gente poder entender. Agora, fechando a pesquisa, a gente tá no Double Diamond, a gente abriu, aí a gente tá fechando, sabe? Aí a gente vai abrir de novo. Aí, o que a gente tá pensando, mais ou menos? A gente tá pensando sobre essa plataforma que você acabou de falar, essa ideia dessa startup, foi mais ou menos o que a gente pensou, que é principal-
mente um apoio a esse gap entre alunos da graduação, alunos da pós, alunos que nem são de design e querem ter alguma formação que, por exemplo, compraria um curso da EBAC, por exemplo. A gente pensa nisso, a gente só está tentando decidir entre nós e olhando a pesquisa se vale mais a pena a gente ser uma plataforma tipo um iFood ou um Netflix que junta tudo e cria tipo um painel onde você tem acesso a tudo e você consegue montar, ou se a gente cria uma coisa mais tipo a gente dá aula, sabe? A gente tá ainda pensando assim, mas eu acho que, no geral, o nosso PGD, ele tá muito voltado para entender educação, educação em design, e inovação dentro de design, basicamente. Esses são os três pilares. A gente tá vendo o que a gente pode fazer com isso. Se eu expliquei direito, meninos, me complementem.
Gisela
Não, eu entendi. Eu pus aí o nome de uma plataforma, Saibalá. Não sei se vocês conhecem. Eu já estive nessa plataforma. Hoje eu não tô mais lá porque eu não tenho mais paciência de ficar gravando. Mas é muito legal. É uma plataforma de educação para a economia criativa. Ela não é só pra... Olha aí, tá vendo? E ela tem um pilar de design também. A Saibalá, esse projeto que vocês estão vendo, Eu que fiz o posicionamento, toda a idealização, blá, blá, blá. Reposicionamento deles. E o Gustavo Greco fez a marca. A identidade visual, é. A gente fez junto o projeto. Tá vendo que tem, ó, inovação, brand, tecnologia, design, empreendedorismo.
Tiago
Inclusive, era algo que a gente, quando a gente falando sobre isso com a Vilma, assim, os comentários que eu lembro dela trazendo foi o seguinte. Lá atrás, até quando a gente
começou a falar sobre começar a ter ideias e tal e pensar em projeto educacional, ela falou assim, ó, acho que o projeto de vocês não é nem, ai, educação desconstrutivista e tal, tem que ser algo, tipo, fora já, entendeu?
E a gente tá realmente querendo ir fora da curva total. Tanto no quesito de solução de educação, quanto de solução de educação, tipo, até criativa mesmo, porque o mundo, até vendo no ecossistema que foi assim um negócio que a gente frisou por bastante tempo, e realmente olhando quanto a coisa tem uma tabela gigantesca de coisa e, assim, o que já tem de um monte de EBAC, Domestika essas coisas que são esses cursos modelo flexível mas são cursos tradicionais com um professor com uma palestra com um exercício e tal que talvez não seja o nosso.
Gisela É, gente, porque isso é mais do mesmo, né.
Tiago
E quando a gente fala de plataforma e material, a gente sempre tá vindo de um ponto externo assim, sabe? A gente vai ter um exercício de co-criação com a Vilma nessa semana. Talvez seja ali que a gente defina qual vai ser o nosso caminho. Mas na semana passada, retrasada, a gente teve uma discussão ali e a gente realmente começou a ver ali de uma forma que, tipo, talvez, por exemplo, se a gente vai tratar de conteúdo, a gente vai tratar não necessariamente a gente vai montar conteúdo. A gente vai agrupar conteúdo, a gente vai trazer conteúdo assim, que é disperso, vai dar sentido com as coisas. Se a gente for falar desse tipo... Caraca, eu tô tentando roteirizar a educação. Que vai ser assim, pô, pra pessoa conseguir ela entender o que ela quer. Mais do que pra gente ir lá e falar assim, ó... Você vai fazer um curso de especialização de UX. Então você vai aprender isso, isso, isso, isso. A gente vai ser, tipo...
Então, a gente quer achar esse caminho, onde a gente se encaixa no sistema, né Qual engrenagem tá faltando pra essa máquina se mexer e essa engrenagem ser a gente.
Fernanda
Um ponto importante também, Gi, é sobre como é difícil furar a bolha, não do respeito, mas eu esqueci a palavra que é quando vamos por a ESPM. Eu não sei quantos anos ela tem, mas ela demorou muito tempo pra ter o nome ESPM. A reputação. Tipo, no sentido de tipo assim, não é um curso de design que a gente escolheu só porque eu quero fazer design, a gente escolheu a ESPM. Então, pra gente também ser uma escola que oferece curso e as pessoas já optarem pelo nosso em vez da EBAC, em vez da ESPM, não tem nem como competir. Porque assim, é muito difícil.
Gisela
Sim, mas por exemplo, é que vocês têm que pensar E aí, a gente tem que pôr o branding em prática. Qual é a proposta de valor e deixar ela evidente. Eu lembro que vocês estão falando isso. Lá atrás, teve uma escola que ela fez exatamente o que vocês estão falando, chamada Perestroika. Então, a Perestroika, hoje, ela já evoluiu muito do que ela foi. O que eu tava querendo dizer é que aconteceu exatamente o que você tá falando. De repente, e ela focou, ela não era graduação, mas ela era uma coisa, assim, completamente diferenciada e tal. Com formatos, abordagens diferenciadas. Então, isso que o Tiago tava falando, eu acho bem legal. Por exemplo, ter uma proposta que mistura meio-conteúdo, meio-aula, meio discussões, meio um combinado, uma composição de aprendizado que não é só né que não é curso então a perestroika depois foi chamada de curso e tal mas era uma coisa assim muito diferente na época.
Tiago
Assim e a gente tava entendendo até pela pesquisa assim tipo pelo ecossistema a gente entendeu que tipo falar “ai é um curso ou uma escola” já meio que quebra qualquer proposta de valor que a gente possa ter, porque aí entra nesse debate do “ah como que isso então tem mais nome, tem mais reputação do que a ESPM, do que a EBAC, sabe? Então, realmente, acho que parece até um slogan, uma frase de efeito, mas não é só um curso, mas mais um curso, sabe? Porque curso o povo já tá cheio pra fazer, né?
Gisela
É. É, mas é que assim, ó, tem um desafio pra vocês que é o seguinte, que vocês têm que pensar também. A pessoa, quando vai nisso, ela tem uma expectativa de entrega e de receber. Porque vamos dizer, ah, eu não sou um curso, mas eu também não sou isso, mas eu também não sou aquilo, e daí ficar meio sem uma definição.
Tiago
Tem que ser definido, tem que criar expectativas para serem atendidas, né?
Gisela
Eu entendo que a palavra curso é desgastante e tal, mas assim, é um jeito de eu entender que o que vocês estão propondo é alguma coisa que eu vou receber num determinado jeito de conteúdo e de informação e que eu vou sair de outro jeito, porque senão eu não pago por isso, entendeu? Porque tem muita coisa gratuita também. Então acho que tem que só ver esse cuidado de o que é que essa pessoa está buscando de fato. Talvez o que você teve é mudar o formato mas não o entregável que o entregável é o que você acabou de falar num curso de pós eu saio com uma coisa que eu aplico no dia seguinte. Então se a Fê vai fazer um curso de
branding e ela quer aprender as várias formas de fazer branding. Não tem muito jeito disso não ser um curso. Eu estou usando a palavra curso,mas, agora, como eu vou aprender isso aí é muito diferente. Então tem a própria Laje, da Ana Couto. A laje também é um experimento diferentão também, que tem formatos diferentes de entrega, mas é curso.
Fernanda
Inclusive, o Cid vai ser nosso orientador no próximo semestre, a gente escolheu ele justamente por isso, porque ele trabalha dentro de algo que a gente quer criar, que é algo parecido com isso, assim. E sobre a questão da plataforma, você acha que essa questão do engajamento, porque assim, vamos supor, da mesma forma que o aluno não tem engajamento pela aula, eu não sei se ele vai ter engajamento por uma plataforma que é muito bom, porque a plataforma vai entregar tudo desde cultura, design e educação. Então a gente vai facilitar muito o acesso à informação. Mas você acha que o engajamento ainda assim deve ser revisto? Eu tô pensando até em ter frases que acompanham o branding da marca, sabe? Tipo a Nike que tem tipo, “Just Do It”, no sentido de tipo, ter lemas que carregam a marca de tipo assim... Ou você tá com a gente e você sabe o que você tá fazendo, ou... Sabe?
Gisela
Então, eu acho que isso é uma parte que vocês têm que entender muito as personas. E construir em cima dessas personas. Entender a persona e os formatos. Então, recentemente, eu fiz um curso da perestroika específico, que eu queria uma coisa específica. Esse CRIA aqui, ó. É muito legal. Agora, tinha toda uma linguagem que parecia quase uma aula em quadrinhos. Então, gente, o que eu acho é que vocês
têm que fazer uma pesquisa muito grande da linguagem também. Então, os slides, a linguagem dos slides, os barulhinhos, a forma como ele aparecia aí, né? Enfim, tinha muita pirotecnia de vídeo, de coisas, entendeu? Então apareceu o vídeo atrás e ele pequenininho na frente. Que aí ele apontava o vídeo. Enfim, vários recursos e isso vai fazer uma mega diferença no engajamento.
Naiara
Era assíncrono? Ou ao vivo que estava acontecendo no curso?.
Gisela
Já estava gravado previamente. Já estava gravado e tinha umas partes em que ele ficava mandando mini desafios antes do curso começar. Entendeu? Inclusive, um desafio eu incorporei nas minhas aulas. Arrumação. Então, tá vendo? Infográficos e tal. Então, acho que a coisa do engajamento não é só lá o desafio da aula em si. Mas é esse vínculo, né? É o formato da aula, né? O ritmo de imagens que vão aparecendo. Design, puro design.
Tiago
E também nada impede, além do que tem no digital, porque a gente tá vendo ali que tipo, pra atender as demandas, vai ter que ter muita presença digital. É impossível fazer isso sem ser digital. E foi o que a gente foi percebendo. A princípio a gente queria algo mais material e tal, mas de fato é mais difícil de você atingir as pessoas no sentido de comunicação. Mas no sentido emocional, o material é o que conecta mais. As pessoas se conectam até mais com as coisas do que com uma com a outra no digital. E aí uma coisa que eu fico pensando é assim, a gente não exclui totalmente a possibilidade de ter materiais físicos ainda. Vamos supor que você compre um curso e chegue um Starter
Pack desse curso na sua casa e tal. Tem uma experiência atrelada a isso que vai gerar um vínculo e um embasamento maior. E mesmo se não tivesse dava para ter outras efemeridades e coisas do tipo que, além do design ser algo engajante e refrescante, revigorante, tem esse negócio de talvez criar vínculo através de materialidade das coisas.
Fernanda
Uma ideia que a gente tinha tido era até fazer workshops, palestras, coisas ao vivo de parceria com outras escolas. Então, juntar, ter até um momento networking, assim, onde você conhece outros designers, assim, você cria uma experiência.
Gisela
Dá aquela expectativa, entendeu? Vou conhecer a galera. A perestroika, esse online, fazia isso, né? Assim, o momento que todo mundo ia se encontrar e tal. Eu acho que é isso que é engajamento, gente. Porque a aula em si sempre vai ter aquele desafio da pessoa naquela hora e tal. Mas eu acho que vocês... Tem muita linguagem, a perestroika é uma super referência. Agora, eu lembrando de outras, eu passo pra vocês, tá? Mas a perestroika foi muito disruptiva quando ela surgiu. Mas eu acho que eles ainda hoje mantêm algumas coisas que são muito legais. E tem uma outra escola que vocês olham aí, que é do Tiago Matos, mas eu nem tô lembrando o nome agora, mas... Enfim, também já é bem mais conteúdo, sabe? O Chora PPT, super famoso. Eu nem fiz esse curso, mas... Enfim. E, por exemplo, quando eu fiz o CRIA, eu tinha uma expectativa e eles me entregaram. É isso que eu quero dizer pra vocês. Que era isso. Ele está dizendo, hackeando processo criativo e tal. Eu queria ver novas formas de hackear criatividade, com atividades, com coisas que eu aprendesse com eles e eu pudesse aplicar.
O curso entrega pra caramba, pelo menos o que eu fiz.
Tiago
Tem um até que você conheça, que é o Platô, né? O Platô a gente também ficou vendo bastante. Ele é um mix de coisas ali, é espaço físico, é curso, é oficina, é híbrido, não é híbrido? É um monte de coisa ao mesmo tempo, né?
Gisela Então, porque tem vários jeitos de aprender, entendeu?
Tiago
Eles não te limitam no jeito de aprender, isso a gente acha interessante.
Gisela
É, e não tem só um jeito e tal, mas é aquela coisa, né? É aquilo. Eu, quando compro um curso, eu tenho uma expectativa de entrega. Então isso vocês não podem perder de vista. Não adianta criar em cima disso. Proposta de valor tem que ser clara pra eu saber o que eu comprei, né? Senão não volta, senão não gira.
E ficar meio sem definição também não, né? Então... Acho que é mais sobre o como, não o que.
Fernanda
Muito obrigada, Gi. Foi ótimo. Foi muito importante. Muito mesmo.
Gisela
Tô à disposição. E eu lembrando das outras, eu mando.
Guilherme Umeda - ESPM
Naiara
Então, para fins de registro, a gente já sabe algumas coisas, mas você poderia falar pra gente seu nome, sua origem, informação acadêmica?
Umeda
Guilherme Mirage Umeda. Eu nasci no dia 22 de dezembro de 79. Tenho 44 anos, sou paulistano. O que mais? Tá, minha formação. Sou publicitário formado aqui na ESPM. Me formei também em administração na USP. Tenho mestrado em administração na USP e doutorado em educação lá na USP. E dou aula aqui na SPM desde 2003.
Naiara
E qual a sua relação com a área do design?
Umeda
Na prática, assim, de verdade, o que aconteceu foi o seguinte: eu fui sequestrado pela coordenadora do curso, que foi a criadora aqui do curso de design aqui da ESPM, que é a Ana Lúcia. O curso começou aqui na ESPM um ano depois de eu entrar, começou em 2004. Então, estava começando o curso e quando ele começou e eu dava aula na administração, também dava algumas aulas em comunicação. E aí, conforme as turmas foram foram passando para os semestres seguintes, aqui do design, foi tendo a necessidade de professores de marketing. Porque tinha, naquela época, quatro disciplinas de marketing, inclusive. Marketing 1, 2, 3 e 4. Marketing 4 era dado no sétimo semestre e eu peguei, eu acredito que a segunda, a partir da segunda turma, eu peguei essa disciplina de sétimo semestre. O esquema de PGD funcionava de uma forma diferente, a orientação de PGD é diferente. A Ana concentrava uma grande orientação, ela
fazia uma orientação geralzona para todos os alunos e aí no oitavo semestre, os grupos passavam para os professores orientadores mais específicos. Quando comecei a dar Marketing 4, ela quis juntar comigo. Então, a gente dava uma aula junto, que era a gente fazer uma orientação conjunta, nós dois, com todos os grupos, para depois passar para o oitavo semestre. E, nisso, a gente foi se aproximando muito, fui ficando muito próximo da Ana e, naturalmente, do curso, até que eu fui contratado aqui na ESPM 40 horas, que é tempo integral. E quando você é contratado em tempo integral, você pertence a um curso específico. E aí eu acabei entrando para o curso de design. E aí, conforme a Ana foi me colocando em outras disciplinas, eu fui saindo das disciplinas dos outros cursos que eu dava. Eu dava aula de jornalismo nessa época, na administração, na comunicação, aí eu fui saindo e ficando só concentrado no design. E aí foi um mergulho, né? Eu comecei a me aproximar cada vez mais do campo, eu tenho alguns interesses pessoais e algumas questões de formação que se articulavam um pouco com o design e que eu tinha a possibilidade de oferecer alguma contribuição. Então, por exemplo, eu sou publicitário, a minha formação é de comunicação social, o nome do curso. Então, eu dava aula de semiótica. Aí eu dei a disciplina de semiótica por bastante tempo. Depois, eu passei para comunicação e linguagem. Então, toda essa área tem uma certa afinidade com o campo do design, entendendo o design como um exercício de linguagem mesmo.
Naiara
Então, considerando sua trajetória aqui na ESPM, quais são os maiores desafios que você diria que você tem para lecionar as disciplinas atualmente?
Umeda
Os maiores desafios que eu tenho para lecionar as disciplinas? Difícil dizer... Eu vou dizer que assim, uma das dificuldades que eu tenho encontrado é que a vida institucional, administrativa e organizacional por vezes acaba por se sobrepor às atividades de professor. Eu sinto que, por vezes, a gente fica muito sobrecarregado com funções que não são as funções de sala de aula. E aí isso é uma coisa que dificulta um pouco o nosso exercício dentro de sala.
Naiara
Isso é algo que a gente não pensa tanto assim, tipo, só convive com você aqui, né?
Umeda
Em sala de aula, né? Mas, meu, o nosso trabalho vai muito além, assim, da sala de aula, sabe? Que é uma pena, porque o mais legal é a sala de aula. O mais legal é a sala de aula.
Naiara
E aí, assim, quando a gente fez a pesquisa quantitativa, a gente conseguiu a participação de alguns professores, principalmente aqui da ESPM, também teve do Rio, de Porto Alegre e alguns professores da USP também. E aí a gente perguntou isso também, E aí uma das coisas que eles falaram, a coisa que mais apareceu foi a falta de engajamento e concentração, assim, em sala de aula. E aí, como é isso? Como você se sente em relação a isso? Ou se tem alguma alternativa que você usa para lidar com isso?
Umeda
Ah, claro que isso é difícil. E é claro que os contextos vão tornando a situação cada vez mais complicada, porque quando eu comecei a dar aula, praticamente não existia telefone celular na mão das pessoas. Existia.
Óbvio que existia telefone celular, não é isso, mas não tinha essa onipresença do celular a ponto de a gente naturalizar a utilização do telefone em qualquer circunstância, inclusive dentro de sala de aula. Então eu me lembro muito em 2004, talvez. Eu estava dando uma aula para comunicação e um menino pegou e atendeu o telefone no meio da aula. E aquilo foi super escandaloso, foi uma falta de etiqueta tão absurda que eu fiquei transtornado e eu fui lá e confrontei o menino, e é uma coisa que hoje eu não me imagino fazendo, porque isso muda, mudou o lugar do telefone. Se hoje eu fosse ficar bravo com as pessoas mexendo no telefone celular, eu não ia dar aula. A não ser que se proibisse institucionalmente. Ah, então, institucionalmente não pode mais... São regras. Que tivesse uma regra, mas que pudesse me auxiliar, de certa forma, nisso. Me suportar. Então, claro, a gente está num contexto social de maior dificuldade de concentração, com menor tempo de atenção, com muitos distratores, né? Muitos, né? Focos concorrenciais de atenção, só que… Também não sei... Não foi sempre um desafio pra nós. Sabe? Eu acho que, tudo bem, talvez uma questão de grau, assim, né? Diferente e tal. Mas eu acho que, assim, o professor que é, que tem, vai, não é exatamente a vocação, não é isso que eu quero dizer, mas que tem o gosto, assim, da profissão, ele sempre vai lidar com o desafio da aprendizagem. E os desafios mudam, alguns desafios mudam, outros permanecem e se intensificam. Mas assim, a atuação do professor está justamente em cima desses desafios, né? Porque se fosse fácil, sei lá, assim, nunca foi fácil, nunca foi fácil, né? Eu fico assim me imaginando como estudante, E quando eu era estudante, era uma época muito diferente da de hoje. Mas eu impus desafios aos meus professores. Eu acredito que cada geração tem as suas
categorias. Então, eu vejo alguns professores muito afetados com isso. Alguns professores realmente estão muito incomodados com o que se lê como falta de engajamento, ou como desinteresse, ou como imaturidade, ou como dispersão. E realmente, enche o saco. Mas a gente tem que entender também que isso é parte do nosso papel. É isso que tá no job description do professor, né? Não quer? Vai ser coach, né? Coach só trabalha com a galera motivada.
Naiara
Certo. Interessante! E aí, você está satisfeito com o material que você tem para usar nas aulas? Existe algo que você. Melhoraria?
Umeda
Eu acho que a gente está com um problema de espaço e isso tem apresentado alguma dificuldade, por exemplo, de agendamento de aulas nos laboratórios. Então, apesar da ESPM ter uma estrutura incrível, de vários tipos de ambientes de aprendizagem, inclusive de laboratórios de informática, o número muito grande já de turmas e tal tem provocado dificuldades no sentido de se agendar mesmo a utilização desses espaços. Então, isso é uma coisa que eu tenho tido um pouco de dificuldade. De resto, não, geralmente a escola dá conta das coisas que a gente precisa. E quando não dá, eu compro. Eu sei, não tá certo, mas eu tenho uma certa preguiça de entrar na burocracia. Então, assim, eu lembro que, por exemplo, na minha eletiva, eu uso argila. Eu lembro que nos primeiros semestres que eu dei a eletiva, eu fui solicitar a compra de argila com o reembolso do negócio e tal, mas o negócio assim foi enrolando, enrolando, aí precisava fazer um sei o que, é o relatório de um sei o que, aí eu falei, “não, ó, eu pago”, né? Mas assim, então eu acho que isso é mais uma questão minha, assim, de não querer entrar
nesses, né, nos meandros aí dá burocracia, porque eu já tô meio cansado disso.
Tiago
Mas o que você falou da burocracia é algo que você poderia afirmar, por exemplo, que no caso de uma faculdade, isso é uma grande questão? Se um professor quer trazer um material diferenciado, se ele tem um método diferenciado de aplicar um conteúdo, ele tem que lidar com essa burocracia da instituição. Isso acaba sendo meio que um detrator?
Umeda
É, tem, mas o bom é que, geralmente, na ESPM, a gente não enfrenta esse desafio, a gente não enfrenta problema com isso, se você precisa de um negócio e você vai atrás, geralmente se consegue. Então, assim, realmente, é o que eu estou dizendo, eu acho que esse é um problema mais meu do que propriamente da instituição, mas assim, por exemplo, algum professor precisa de não sei o que, meu, ele vai lá, faz, pede e manda projeto e manda não sei o que. No final de um tempo, assim, consegue-se, né?
O pessoal lá de compras, de almoxarifado e tal, compra, estoca, guarda, distribui, enfim, fazem direitinho. Mas tem um certo planejamento que é necessário, né? Um planejamento, antecedência. Tem que apresentar a proposta. Tem que ter um talento que atualmente não estou tendo. E até por conta daquele primeiro problema que eu falei para vocês. A gente ainda é muito cheio de coisas para fazer. É muito difícil fazer as coisas com antecedência.
Naiara Interessante, isso aí. E aí, agora, focando, a gente fala um pouquinho sobre as suas aulas, a dinâmica que você tem, agora focando um pouquinho mais na sua formação, você participa de cursos, workshops ou outras
experiências para complementar? Tipo, no caso, de design, mais específico.
Tiago
Pode falar de casos, assim, outros, mas, tipo, como a gente tá também medindo o mercado de design, até seria interessante, porque, pensando na pergunta, assim, né, você é um professor que foi sendo puxado pra design, né, e, então, você é uma pessoa que veio de fora, entrou pra dentro, e, tipo, design é pra todo mundo, então, é esse ponto, sabe, como você é uma pessoa de fora, você tem a sua visão do design, como que você complementa isso, né, como que você traz isso aí?
Umeda
Bom, eu acho que a primeira coisa que eu fiz foi me aproximar muito dos professores da área, em todas as ocasiões em que eu podia ir desenvolvendo algum tipo de proximidade das próprias atividades que eles faziam. fiz várias oficinas dos professores direcionadas aos alunos, eu fazia. Aí comecei a ir atrás também de outras coisas por conta dos meus interesses, né? Eu fui atrás de outras coisas, mas sempre um pouco na informalidade, eu não fiz muitos cursos formais, né? Eu comprei muito livro, fiz muita coisa sozinho, muito esforço autodidata em torno dessas questões. Mas com certeza a maior fonte de aprendizado que eu tenho é a convivência com os colegas, atendendo a todo momento com eles. Seja nos trabalhos, nas bancas. Eu faço muita banca. Então, é uma coisa que eu acho que é sempre uma coisa pra eu aprender.
Tiago
De certa forma, é aquele negócio, né? Tipo, o ambiente... no livro que a gente tá lendo, tem os gaps de aprendizado, né? De onde falta, tipo, informação, prática, o que que falta pras pessoas, né? Dá pra perceber que eles
se intercalam, né? Porque se você vai fazendo coisas na prática, você acaba absorvendo algumas informações, no ambiente você pega práticas e informações e motivação, né? Então, acho que é uma soma das coisas no ambiente, seria interessante ver dessa maneira, sabe? Que o ambiente, estar perto de uma comunidade, importa muito.
Naiara
Nossa, totalmente. Então, tipo assim, de curso, o que você fazia, ou era um curso de menor duração, assim, né?
Umeda
Só realmente oficinas, workshops. Nenhum curso mais estruturado.
Naiara
Entendi. Interessante. E aí, você consegue lembrar alguma experiência, assim, que você tem achado bem legal, Que foi diferenciada? Desses cursos, por exemplo, aqui na ESPM, supondo que você tenha feito.
Umeda
Hoje eu sou um dos professores que trabalham na faculdade com a encadernação, né? Sim. Tem alguns. Quem principalmente hoje conduz as atividades de encadernação sou eu, a Mara, e o Mello. Mas eu comecei, a primeira vez que eu fiz, que eu entrei em contato com a encadernação, foi com o Cardinali, que deu uma oficina e eu me encantei muito, tanto com a oficina, com o conteúdo e tal, mas eu gostei muito dessa experiência, de um tipo de conteúdo diferente do que eu estava acostumado a trabalhar. Porque o curso de design tem isso de muito bonito, que é essa questão mais mão na massa, sabe? Acho que é bonito. Então, assim, foi uma oportunidade de aprendizado, tanto desse conteúdo quanto das dinâmicas de aprendizagem, das formas de
ensino, aprendizagem de sala de aula, de interação, acho que foi super marcante. E aí, a partir dessa oficina que eu fiz com ele que eu comecei a mergulhar na encadernação e fui. Foi o Cardinali que me introduziu na arte.
Naiara
Então, nós estamos caminhando já para a conclusão da nossa pesquisa, temos só algumas perguntinhas mais. E aí, eu queria saber qual é a sua visão sobre o mercado, para os designers no Brasil.
Umeda
Mercado de designers? Desculpa aí, galera, mas tá difícil, viu?
Naiara
Tínhamos essa suspeita.
Umeda
Eu acho que, claro, o designer está sofrendo com muitas coisas que várias outras profissões também sofrem. Não é que o designer é particularmente desfavorecido nesse cenário, mas a gente vê um movimento geral no mundo do trabalho de precarização, de automação, de diminuição de necessidade de mão de obra. Então, evidentemente, eu acho que há oportunidades profissionais para o designer, sem dúvidas. Eu acho que é muito interessante você analisar realmente as taxas de empregabilidade da ESPM, você vê que são altas, bem maiores do que seria se esperar na média dos designers, então significa que estamos fazendo direitinho. Mas isso não elimina o fato de que os trabalhos tão difíceis, tão instáveis, por vezes, longe das condições que a gente gostaria que estivessem. Então, é um mercado difícil e é um mercado que, em particular, sofre com o negócio da inteligência artificial. Eu acho que a gente ouve muito falar que a inteligência artificial é só uma ferramenta, é só uma ferramenta, e é, é só uma ferramenta. Mas
não é assim que as pessoas estão pedindo para usar. Tiago
Inclusive, isso que você falou traz um caso a casa bem com uma coisa que a gente ouviu dos alunos. Que eles falaram pra gente, assim, que dava pra ver, assim, era palpável uma ansiedade deles sobre, tipo, o mercado de trabalho, começar a trabalhar e decidir o que queriam. E até uma coisa, assim, tipo, muito do que tá acontecendo é que a ESPM sempre teve esse destaque, tipo, pro mercado, né? A gente tá tendo empregabilidade alta, mas as demandas do mercado tão sendo muito mais para o design como área está se complexificando e expandindo, mas o mercado está pedindo designers que sejam mais aptos praticamente e que não necessariamente sejam mais teoricamente conhecedores. Não pensa muito, só faz, né? E aí é meio contra-intuitivo, porque a ESPM tenta manter a proximidade com o mercado e parece que a gente tá no momento meio perdido, assim, a deriva de tipo, ah, a ESPM quer formar designers bem informados, inteligentes, que estão no mercado, que pensam criticamente, mas precisa dar muito mais, aí dá muito mais aula de tipo, com 1.001 projetos ao mesmo tempo e coisas e tal, porque no mercado é assim, tem que saber fazer no mercado, sabe?
Umeda
É, eu acho que, nossa, aí é uma questão com tantas dimensões, né? Mas assim, vai, só pra mostrar uma das pontas de complexidade. Eu acho que, na verdade, quase todas as profissões, quando você sai da faculdade, a demanda é pelo trabalho braçal. E com o design não é diferente. Então, realmente, o que vão exigir do aluno recém-formado, do egresso, é, “meu, não pensa, faz. É assim, só faça.” Acontece que é o seguinte, as perspectivas de crescimento, de desenvolvimento, as
oportunidades que você vai ter, dependem do seu desenrolar nesse lugar, entende? Então, a pessoa que se forma de uma forma excessivamente técnica e que não tem essa capacidade reflexiva e tal, ela vai ter mais dificuldade de crescer dali pra frente. E que implica necessariamente num desenvolvimento autônomo, na autodidática, no interesse próprio de correr atrás, Eu acho que você reduz as possibilidades que você tem a partir do momento que você responde apenas a essa demanda imediata.
Naiara
E, então, considerando essas dificuldades e complexidades, tem habilidades e competências que você consegue identificar como essenciais?
Umeda
Para mim, a questão do pensamento crítico é absolutamente essencial, inclusive porque sai até da dimensão profissional do designer, especificamente, e entra no nosso lugar no mundo. E que incorpora, ou que inclui, com o nosso trabalho, mas não se limita a ele. Então, acho que, sim, isso é uma coisa importante. Eu acho que aí tem as competências que são consideradas assim, como as competências essenciais para qualquer profissão hoje em dia, que todo mundo fala, que é a resiliência, Resiliência é interessante.
Tiago
Resiliência porque a gente vai ser um pouco abusivo com vocês, tem que saber resistir.
Umeda
Mas é entender que nem sempre a gente vai estar nas melhores situações possíveis e que a gente vai meio que se virando. Isso implica uma certa flexibilidade também, flexibilidade de saber articular as coisas de uma forma que funcionem mesmo em ambientes não
ideais. O que mais, gente? Não sei. Depende muito. Acho que precisa de uma pesquisa de mercado mesmo pra saber.
Tiago
Então, eu vou fazer uma pergunta fora do off-script aqui, improvisada. Na sua visão, qual seria uma dica, um mandamento que você daria para alguém que está querendo, eu vou usar essa palavra porque eu não gosto dela, mas alguém que está querendo empreender no ramo da educação de forma inovadora. O que você diria? Sendo um educador, conhecendo mercados e tal. Algo que você consiga dizer de bate-pronto, sem te dar muito mercado, mas que você acha que seria um insight valioso.
Umeda
Eu acho que tem uma coisa que para mim é muito, muito, muito importante em termos de ambiente e de experiência de aprendizado, que é a abertura para o erro, que é uma coisa que às vezes não se dá muito valor para isso, mas eu acho que ambiente rico de aprendizagem, aquele em que a gente tem o direito de tentar e de errar, sabe? Porque isso implica em mais ousadia, isso implica em mais experimentação, mais profundidade. Porque eu acho que quando a gente tem muito medo de errar, a gente fica sempre na superfície. E eu acho que isso diz respeito a todas as relações que se dão no ambiente de aprendizagem. Então, assim, isso envolve, evidentemente, os estudantes, mas também os professores, sabe? A gente também pode errar, de poder dar uma aula que não deu certo, de tentar uma dinâmica que não funcionou, sabe? Mas faz parte, eu acho que isso é uma coisa que faz parte da natureza do espaço de aprendizagem.
Tiago
Parece clichê, mas o professor aprende a dar aula com o aluno, dando aula. Ninguém consegue sentar numa cadeira e falar assim, assim que se dá aula, assim que se aplica conteúdo. É uma relação dialética e dinâmica que vai mudando.
Umeda
E no limite, assim, você não aprende a dar aula como uma conquista absoluta, assim, sabe? De que você tem a garantia e, portanto, que tudo que você vai fazer vai funcionar, meu. Porque é isso, é relação, né? A essência da educação, ela tá na relação. E essa relação, ela esquiva, às vezes rola, às vezes não. Às vezes você dá a mesma aula para uma turma no primeiro tempo e aí no segundo tempo vai dar a mesma aula para uma outra turma e a coisa acontece de uma forma completamente diferente. Seja porque os alunos são outros, seja porque o professor tá num outro momento, tava com sono no primeiro tempo ou tava cansado no segundo, não sei, né?
Mas assim, não tem fórmula, né? Não tem fórmula, não tem garantias.
Naiara
De uma certa forma torna sempre o único, né.
Umeda
Em marketing se chama de variabilidade, que é uma das características dos serviços.
Tiago
Assim, eu já vou aproveitar que a gente está gravando e eu vou até pedir permissão. Essa frase que você falou eu anotei da seguinte forma, eu estou pedindo permissão para a gente usar isso na apresentação, porque eu achei que isso aí é fantástico. Que não se dá muito valor a isso, em todo ambiente de aprendizagem é onde temos direito de errar.
Eu achei isso fantástico. Que você não falou nem onde a gente pode errar, a gente tem o direito de errar, é um ambiente pra errar, né?
Tem que ter um ambiente seguro de erro, pra erro, né? Esse do direito de errar, a gente.
Naiara
Então, acabamos. Tem alguma outra coisa que você gostaria de acrescentar?
Umeda
Não, boa sorte!
Henrique Nardi - Tipocracia
Tiago Perotti
Primeiro, só por formalidade mesmo, quebrar um pouco o gelo, eu queria que você contasse um pouco de você, quem é
Henrique Nardi, quem é Tipocracia, como que isso tudo começou, quando, enfim.
Henrique Nardi
Sou formado em design e eu leciono também sobre tipografia e design gráfico. Desde a minha formação em design na Anhembi Morumbi e junto com a Anhembi Morumbi eu fiz também o Senai de Artes Gráficas.
Logo depois dessas duas graduações eu montei um projeto chamado Tipocracia e Estado Tipográfico. Era um projeto que tinha como objetivo promover a cultura tipográfica pelo país, através de diferentes atividades.
Ele não nasce com um escopo grande, era um curso introdutório que eu comecei a levar junto com um amigo, Márcio. A gente começou a levar esse curso para algumas escolas, tipo assim, em São Paulo, no Rio de Janeiro, Minas, e a medida que eu percebi o interesse, eu quis levar isso pra frente. O Márcio saiu do projeto no primeiro ano e eu segui tocando ele e levando ele para diferentes regiões.
Inicialmente, ele era mais próximo de São Paulo, mas com o tempo eu fui começando a oferecer ele por várias regiões do país e durante pelo menos 11 anos que foi o período que eu estava indo no Brasil, entre 2003 e 2014. Eu levei o projeto para 17 estados e foram mais de 150 workshops, pelo menos, que eram o carro-chefe do projeto, eram os workshops.
Tiago Perotti
E já pegando esse gancho dos workshops, que tipo de atividades que você realiza, que você participa mais, que você diria que marcam como coisas do projeto Tipocracia?
Henrique Nardi
Olha, o projeto começa com um curso introdutório. Eu carro-chefe do projeto, onde em 8, 9 horas tem uma série de informações sobre Anatomia tipográfica, uso, história, desenho de letra, tecnologias, era um espaço para os alunos perguntarem coisas sobre tipografia. A gente está falando de 2003, uma época onde você não tinha tantos professores de tipografia, havia o crescimento dos cursos de design, estavam sendo lançados os cursos de design, mas vamos dizer assim que a formação de professores em tipografia ou com esse conhecimento não seguia o ritmo dos cursos sendo lançados. Então tem esse curso introdutório que começou a ser feito e logo no início aconteceu uma coisa bem legal que foi eu e o Márcio a gente bateu na porta tipografia e design gráfico e a gente saiu pedindo exemplares dessas revistas e livros para doação. Então, essas editoras doavam para a gente exemplares e a gente começou a viajar e ir para outras instituições com um kit de livros para doação. Então, a gente chegava, eu ia pela primeira vez em Floripa, na UFSC, dava o workshop, dava esse curso E eu fazia uma doação de 10, 12 livros e revistas para a biblioteca. A biblioteca me dava uma carta de doação, confirmando que eu doei aqueles itens e eu ia fazendo isso, coletando essas cartas e fazendo essas doações ao longo do ano. Ao final do ano, voltava pra São Paulo, ia nas editoras e mostrava as cartas provando que eu doei. Eu falei que eu ia doar e pedir mais livros. Eles me davam mais livros e isso era uma coisa de espalhar a sementinha dos livros pelas instituições de ensino. Eu acho que nesse processo, segura-
mente, eu doei mais de 3 mil publicações de diferentes editoras. Cosac Naify, 2AB, Rosari, Tupigrafia.
Então tinha o curso introdutório e a doação de livros. E aí eu comecei a viajar, tinha um formulário online para saber onde estava a demanda. E aí eu comprava minha passagem, via lugar pra ficar e negociava com a instituição de ensino, com os alunos. E ia viajando e levando esse conhecimento de tipografia. Depois dos primeiros quatro, cinco anos, iisso viajando quase todo mês, eu viajava entre março e agosto e lá para setembro eu procurava ir para algum evento internacional de tipografia, um congresso, ia ver museus, ia ver coisas no exterior e trazia essa informação e jogava no projeto. Mastigava e colocava no projeto. Essa foi a, digamos assim, a primeira fase. E aí, depois de uns quatro, cinco anos, eu me dei conta que eu tinha formado uma rede de contatos muito forte. Então, assim, eu conhecia alunos, professores e coordenadores de design pro Brasil inteiro. Em quatro, cinco anos. Então, era muito fácil pra mim passar a mão no telefone e falar com um coordenador em Recife e falar, pô, bora fazer um workshop aí e bora. E já tinha o lugar, já tinha o espaço, já tinham recebido livros. Então, a partir de 2008, eu comecei a agenciar cursos de amigos. Então, tinha um amigo que eu falei, pô, bora montar um curso de fonte lá. Edição de fonte, vamos fazer um curso de caligrafia, vamos fazer um curso de proporção áurea. E aí, esses amigos montavam o curso e eu fazia a produção .Então eu vendo os ingressos, eu consigo passagem, hospedagem, a gente vai. e depois a gente divide os lucros
Naiara Terra Mas isso também nas instituições de ensino?
Henrique Nardi
Nas instituições de ensino ainda. Muita coisa foi nas instituições de ensino. É que a partir de 2008 o projeto cresce porque não só representando cursos de outras pessoas, além dos que eu continuava dando, eu comecei a levar o Tipocracia para empresas. Então eu levei para Editor Abril, levei para Alphagraphics, levei para estúdios de design, E também foi ali por volta de 2008 que começou o Diatipo, que é um evento de tipografia. Eu fazia parte do grupo que organizou a primeira edição. Organizei a segunda com o Luceno Cardinale. E quando eu fui organizar a terceira, eu falei, Cardinali, bora, cara, tô muito pegado aqui, organiza você. E eu segui organizando o Diatipo entre 2008 e 2012, então aqueles cinco anos, ele estava dentro do Tipocracia e eu organizava ele todo final de ano em São Paulo, mas também cheguei a levar o diatipo para Brasília, Recife e Salvador. Aí, junto com isso, começaram a surgir outras oportunidades dentro do fazer exposição, dar palestras. Todas essas andanças com cursos e ampliando as opções de cursos, ela era acompanhada de palestras. Então, eu visitava as escolas, fazia palestra, tinha doação de livros. Então, eu estava imerso em atividades de promoção da tipografia através do Tipocracia. E pra fechar essa parte, essa descrição da história, quando estava chegando 2012, eu comecei a preparar um evento grande de 10 anos do projeto, que é o TPC10. E aí o TPC10 foi um evento de uma semana, que teve 3 dias de conferência, com 21 convidados, sendo 7 internacionais. Teve 3 dos Estados Unidos, 1 do México, 1 da Argentina, 2 da Europa, além de outros brasileiros. E ele aconteceu no Mackenzie, onde foi o Diatipo do ano passado, no auditório do Rui Barbosa. Então, como eu estava muito atribulado com a preparação do TPC-10, eu avisei as pessoas que não iam conseguir fazer o diatipo no fim do ano. E aí teve uma galera que
ficou sabendo e perguntou, a gente pode organizar? Falei, pode e passei a bola. E o diatipo começou a ser organizado por outros grupos. em outras cidades também, coisas independentes, e aí tipo ficou, joguei para o mundo. Depois de realizar, ainda cheguei a realizar uma edição em Brasília, teve o Diatipo X, que eu também estive envolvido nas primeiras edições e segui organizando com a Fernanda Martins durante a pandemia, mas aí teve o TPC-10 e eu tava na época envolvido com a DG Brasil, com a Bienal de Design Gráfico, e pouco depois disso eu vim para os Estados Unidos. E aí quando eu vim para cá o projeto segue existindo online, assim, como grupos de discussão, atividades pontuais, cartazes, um workshop aqui e ali, mas ele não teve, ele seguiu existindo mais assim uma presença online.
Naiara Terra
Ah, entendi. Ah, interessante. Então, lentamente foi caminhando pra isso.
Henrique Nardi
Exato.
Naiara Terra
Nossa, mas muito legal realmente, assim, ver o impacto, assim, que. Isso foi tomando e a importância da divulgação, assim, né? Do boca a boca, né?
Henrique Nardi
É, que tinha uma galera com interesse por tipografia e havia uma demanda por conhecimento e eu fui.
Tiago Perotti
E ainda em cima disso, o que mais motiva o projeto Tipocracia?
Henrique Nardi
O que mais motiva é essa divulgação de
conteúdo tipográfico. Ensinar as pessoas sobre a importância dos tipos, incentivá-las a usar melhores tipos, fazer tipos também e conhecer sobre tipografia como um todo. Acho que essa história, o uso, o que estava ali no carro-chefe, no curso introdutório, é disseminar esse conhecimento, formar uma rede de pessoas que gostam do assunto.
Tiago Perotti
Qual o perfil de quem te acompanha, de quem participa dessa rede de pessoas?
Quem são os cidadãos desse país tipográfico?
Henrique Nardi
Durante o tempo que eu estava fazendo os workshops e tudo mais, eu brincava que eles eram os tipocratas. E aí os tipocratas, eles iam fazendo os cursos, aí a gente oferecia desconto para novos cursos, quem já tivesse feito. Então tinha um valor, um preço cheio e um preço para quem era tipocrata, quem já tinha feito o curso introdutório. E o perfil, a maioria das pessoas eram estudantes, jovens profissionais. O lance de levar o projeto para empresas, editoras, foi uma coisa mais pontual que aconteceu e aí o conteúdo se adaptava às necessidades daquele espaço, daquele grupo, fosse um estúdio de design seja uma editora Abril, tinha ali uma adaptação do conteúdo, mas em geral é isso, a maioria são designers, estudantes ou profissionais e uma pequena porcentagem de pessoas de áreas afins, que têm interesse por letras.
Tiago Perotti
Sensacional. Agora partindo para aquela parte mais de modelo mesmo, metodologias e estratégias.Você utiliza alguma metodologia específica para o que você faz, principalmente para elaborar as oficinas?
Você que está ligado muito aos livros, nas oficinas, nos workshops, como que você
chega nelas?
Henrique Nardi Olha, eu não utilizei uma metodologia específica. O desenvolvimento do curso do Carro-Chefe, ele estava muito pautado no que, na época, eu e o Márcio a gente sentia de carência de coisas que a gente gostava de tipografia, mas a gente pensava, nossa, o que a gente gostaria de ter tido de tipografia na nossa graduação? E aí vinha dessa vontade de trazer essas informações básicas. À medida que o curso vai acontecendo e as turmas vão acontecendo, eu acabei pegando a dinâmica de prestar atenção no que tinha de demanda dos próprios alunos, E isso retroalimentava os workshops, por exemplo, no caso do curso de Auditório. E aí a escolha de outros cursos para expandir o leque de opções, ele estava muito relacionado com qual era a habilidade dos meus amigos, que tinham conhecimento extra que eu não tinha, que eu gostaria de trazer para o projeto e também o que eu sentia que era a necessidade de aprendizado do grupo de tipografia. Quando eu falo grupo de tipografia, não necessariamente do Tipocracia, mas eu falo da comunidade tipográfica. As pessoas que fazem fontes, que estudam, que pesquisam tipografia, são muito próximas, então, sempre teve uma troca muito grande. Tinha um grupo de e-mail, que depois virou grupo de rede social, virou grupo de WhatsApp. Então, todo mundo muito se falando. Então, quando essas pessoas estão ali mostrando o que elas estão desenvolvendo de tipografia, qual é o nível de conhecimento que as pessoas têm, a gente olha e fala, cara, ia ser muito legal se tivesse um workshop de variable fonts, uma tecnologia nova. Então, quando eu montei um determinado Diatipo que foi em Brasília, eu chamei um profissional para palestrar e ele veio e eu sabia que ele sabia aquele conteúdo. Então eu
pedi, você pode me dar uma oficina desse conteúdo? E aí isso gerou atenção da galera que não tinha essa informação e isso contribuiu para a comunidade. Então, ah, poxa, seria legal trazer um cara de caligrafia, pá, e a pessoa veio para dar um workshop. Quando aconteceu o TPC10, teve uma oportunidade muito legal de parceria com a Oficina Tipográfica São Paulo, onde a gente conseguiu fazer um workshop do Nick Sherman. O Nick Sherman é um craque de tipografia e ele fez um workshop de desenho de letras para madeira. Então a gente criou uma dinâmica onde os alunos puderam desenhar as letras no workshop dele na sexta. Na sexta-noite eu passei os arquivos para o cara que cortou as letras e trouxe no sábado de manhã para eles imprimirem. Eu desconheço um workshop que tenha sido feito nesse espaço de tempo com essa possibilidade. Quem fez aquele workshop pôde desenhar um dia e imprimir com sua letra, uma letra, um carácter cortado, que era uma letra cromática, com aquelas cores. Então é esse tipo de coisa. Eu falo assim, tem uma chance de trazer alguém cujo conhecimento ia somar para a comunidade. Quanto a uma estrutura pedagógica, não tinha um livro que eu seguia, uma metodologia. A coisa ia muito no que havia de percepção da demanda, de interesse pelo conteúdo.
Tiago Perotti
E assim, até você falou bastante desse processo muito único seu de ir para os lugares, levar os livros, doar os livros, fazer palestras e tal. E como funciona assim? Tipo, realmente a dúvida é muito maluca. Como funciona isso financeiramente? Qual era a troca que vinha disso? Porque nada é de graça, né então como você bancava isso?
Henrique Nardi
Olha, na época que o projeto começou, Eu
tava fazendo o mestrado. Então, assim, eu tinha aulas no mestrado e tinha recém saído da graduação. Então, assim, eu não tava ainda com uma estrutura assim, ah, estou trabalhando e tal, mas eu tava ainda em fase de estudar.
Então, tava morando com os meus pais, e eu tava fazendo o mestrado. Enquanto eu tava fazendo o mestrado, eu pensei a coisa de uma maneira em que, olha, se eu conseguir fazer com que eu possa me deslocar de São Paulo, ir até a cidade, fazer as atividades, voltar, custear avião, hotel e o que seja, tudo se pagar, beleza, já vai valer a experiência. Aí, no ano seguinte, quando foi 2004, eu fui fazer a nova rodada e falei, bom, tá, agora eu quero conseguir custear com inscrição, com as inscrições dos alunos, custear o meu deslocamento, a minha hospedagem, quando eu não estava na casa de algum amigo, e eu queria ter um pró labore pelas horas de aula. Então, uma coisa que eu vou lucrar de estar ali oferecendo aquele conteúdo durante três noites, um sábado, o que seja. Essa era a meta, e aí eu consegui atingir essa meta. No ano seguinte, quando era 2005, se eu não me engano, aí eu já falei, não, eu quero poder bancar o meu deslocamento, ter o meu pro labore da aula e lucrar, e ter alguma margem de lucro em cima do que era oferecido. E aí isso virou a minha atividade principal, ou seja, chegou um ponto onde eu também estava em São Paulo dando aula na pós-graduação. Aí eu já estava começando a dar aula em São Paulo, então já estava morando sozinho, mas eu estava dando aula, só que as aulas eram assim, pós-graduação, então aula tipo terça e quinta. Aí eu viajava na sexta, ficava o fim de semana fora, em alguma cidade, fazendo atividade sexta, sábado, voltava. Ou então, às vezes, quando era mês que eu não estava dando aula, eu ficava Eu já cheguei
a ficar tipo o mês inteiro fora, tipo assim, eu emendava cidades uma por semana. Então, tipo, chegava numa cidade na segunda-feira. Dava uma palestra segunda-noite na faculdade onde ia acontecer o curso. O curso era terça, quarta e quinta-noite. Aí, essa é uma situação bem específica que aconteceu em Salvador. Eu viajei na segunda, segunda-noite, dei uma palestra na faculdade que ia ser o curso e tinha uma turma lotada Terça, quarta e quinta à noite. Terça, quarta e quinta de tarde tinha uma turma extra já. Então rolava turma extra porque tinha uma demanda. Aí o que eu fiz? Eu encaixei palestras na terça, na quarta e na quinta de manhã em outras instituições só pra promover o projeto. Eu não ia conseguir mais aluno. Já tava cheias. Mas eu marquei e aí cada... Eu marcava de manhã, assim, ó, vou aí, palestra de graça, ó. Vou falar sobre isso. E tinha interesse. Então eu tentava otimizar o tempo, porque eu falei, cara, essa galera que vai assistir minha palestra, daqui a, sei lá, cinco, seis meses eu volto aqui e vai ter gente que vai preencher a lista de e-mail. E eu tinha listas e listas e listas de e-mail. Eu fazia muita coisa por e-mail, né? Não era... a rede social não era tão forte assim na época. Então o modelo era meio esse, assim. Eu tava... Era tudo a partir do interesse das pessoas. Então, eu fazia um formulário e falava, gente, vocês querem ter o Tipocracia onde? Ah, e a gente, os latões de Manaus, três aqui, quatro ali. Aí, de repente, tinha setenta e-mails de Floripa. Setenta! Aí, esses setenta, eu mandava um e-mail indireto para os setenta e falava, gente, estou pensando em ir para aí daqui a três meses, com um curso desse e desse jeito, nesse valor. Quem tem interesse? Aí só os setenta pra me responder. Daqueles setenta, se quinze, vinte me responderam, eu já comprava passagem já. O avião já comprei, já falei com alguém da faculdade
e começava a vender ingressos. Eu nem anunciava o ingresso. Eu só pedia no e-mail. Tá aqui o link, galera. Tá aqui, deposita. Então era uma coisa muito direta de acordo com o que eles me preenchiam de demanda. Falando assim, ó, tem gente aqui interessada em Salvador, Manaus, por aí, é onda.
Naiara Terra
Aí só meio que aproveitando que eu achei muito legal essa questão da escala que tomou. Eu acho que uma coisa que a gente vê bastante é que fica inevitavelmente numa bolha aqui no Rio São Paulo, certas coisas dentro do design. E aí meio que, se você puder compartilhar com mais detalhes, porque, por exemplo, supondo que tem um workshop aí vamos supor que tem uma parte mais interativa, vamos dizer assim, e aí, tipo, isso requer um material muito grande para você? Como é que é?
Henrique Nardi
No curso introdutório, a atividade prática que os alunos faziam era desenho de letras. Então, assim, eram dois lápis com elástico e borracha e papel, assim, era bem simples e quando eu não conseguia levar esse material comigo, que, sei lá, não tinha espaço, não ia despachar, eu comprava na cidade. Eu pedia pra já deixar a faculdade separar esse material, também rolava isso. Quando era um workshop mais específico, tipo, caligrafia com a Andréa Branco, eu fui com a Andréa Branco pra Brasília, Goiânia e Florica. Então, eu já combinava com ela quais são os materiais, a gente fazia um valor extra pras pessoas, ó, esse é o valor pra materiais. E a Andrea levava os materiais. Então, tinha isso também.
Então, eram raras as coisas que tinham grano de demanda de material. Era bem tranquilo de levar ou comprar na cidade.
Tiago Perotti
E aí, assim, tipo, na sua visão, e mais pensando num quesito estratégico, assim, né? Quais são as importâncias e as forças ali de você mobilizar uma comunidade para você é da tipografia, mas no geral, perguntando de maneira generalista, ao redor do design e do aprendizado de design. Qual a importância disso, estratégica, para o design como mercado e para o design como área de conhecimento?
Henrique Nardi
Olha, eu acho que uma coisa que favorece, falando em comunidade, acho que duas coisas. A primeira é em relação a essa, digamos, o que eu considero uma expansão rápida do projeto. A expansão rápida do projeto, ela se deu em grande medida a uma coisa que hoje, infelizmente, não está mais acontecendo, chamada ENEDesign, o Encontro Nacional dos Estudantes de Design. É um evento que foi interrompido pela pandemia e deixou que aconteça eles organizavam a cada ano, desde 1991, o Encontro Nacional de Estudantes em Design, sempre em julho, maioria das vezes em julho, por uma semana. Eu tive a sorte de participar dos ENES em cada ano numa cidade diferente do país. Então, cada estado diferente. Eu tive a oportunidade de participar do ENES durante a minha graduação, por três anos, dos meus quatro anos de graduação, eu fui para os ENES. E você começa a conhecer gente do Brasil inteiro.
E aí, depois que eu me graduei, eu segui frequentando o Enem. Então, quando eu saí da graduação e comecei o Tipocracia, eu continuei indo pro Enem. Porque o Enem era uma maneira de eu promover meu projeto em novas cidades. Eu me oferecia a dar uma palestra, um workshop. E eu conhecia pessoas do Brasil todo.
E quando eu precisei andar com o Tipocracia,
ou seja, ir pela primeira vez pra Brasília, pela primeira vez pra Florianópolis, pela primeira vez pra Salvador, Eu tinha com quem falar, cara, tô querendo ir pra aí, posso ficar no seu sofá? Pode, pô, cola aqui, tem lugar pra você ficar e tal. Então muitas vezes eu não tinha o curso de hospedagem, né, no começo. Isso veio da rede de contatos que eu criei enquanto ainda na faculdade, nesses eventos nacionais. Então isso é uma coisa de comunidade importante.
A segunda coisa é que a tipografia é uma coisa bem mais nichada dentro do design gráfico, dentro do design. Então, você acaba conhecendo as pessoas que praticam, principalmente quem faz fonte. Eu não faço fonte, mas eu tenho um monte de amigos que são type designers. Os type designers brasileiros todos se conhecem. Então, eles também cresceram, tipo, compartilhando coisas, dificuldades, como isso aqui.
Então, tem que ir tudo afora e trazer conhecimento. Tem ambos os eventos, como tipo os latinos e outros, que permitiam trazer pessoas de fora para darem workshops e palestras. Então, é uma comunidade muito, assim, próxima. Então, isso, ou seja, eu não estou trazendo para mim louros de criar uma comunidade tipográfica. A comunidade tipográfica existe, E eu cresci com ela, eu contribuí, mas não criei nada.
Só que a existência da comunidade fazia com que todo mundo se ajudasse. Então tem muito isso, existe uma generosidade, existe um interesse em ajudar as pessoas, em apoiar os projetos, que é bem legal. Não sei se isso é algo que você conseguiria numa estrutura mais ampla que seria esse design gráfico, porque muita coisa é design gráfico. Ou talvez em ilustração. Posso estar falando bobagem. Pode ser que tenha alguém que é da ilustração e fala, cara, tem uma comunidade que tenha esse nível de
envolvimento. Mas tipografia é uma atividade específica o suficiente para existir essa comunidade, que é bem legal.
Naiara Terra
Eu percebi isso como uma força, realmente. Você tem a proposta bem definida e realmente todo mundo que tem esse interesse consegue identificar e se juntar.
Henrique Nardi
E por tabela, a gente fala em tipografia. Mas aí de repente a galera da Caligrafia tem a sua unidade também que está dentro, mas eles vão fazer coisas específicas. Eles vão querer trazer um cara de caligrafia que é bem mais avançado para o que eles estão precisando.
E aí esses grupos vão se formando. Ou a galera que tá ligada em Programação, aí vai e forma um outro núcleo. É até interessante trazer isso e essa visão da alegoria do estado tipográfico.
Tiago Perotti
É interessante porque recentemente a gente vem pesquisando e falando sobre uma visão do criar e do design como uma cultura mesmo. A cultura do design, a cultura do criar. E os criativos, os designers em específico, como um grupo social, né? Se parar pra pensar, pessoas que por pura coincidência, mas não é coincidência pelo fato de estar frequentando os mesmos círculos e ter interesses similares e motivados por motivos similares, acabam frequentando lugares parecidos, conhecendo as mesmas pessoas, lendo os mesmos livros, né? Então, é algo que a gente identifica como existente, enfraquecido um pouco, acho que no geral pelo quão fragmentado a gente vive como sociedade, até pensando, nós somos uma geração mais jovem, estamos acostumados a um mundo onde é meio risível até, eu acho erroneamente, mas é risível pessoas que vão
pra eventos e lugares só pra se conectar com as outras, assim, sabe?
Henrique Nardi
As que vão apenas pra se conectar você considera risível.
Tiago Perotti
Não, não eu considero, né? Mas acho que a geração como um todo, eu acho que existe um certo tabu ali, assim, tipo, querer fazer networking, né?
Eu acho pra fins não profissionais, mas pra, tipo, realmente ter um círculo de pessoas que discutem o mesmo tema, sabe?
Henrique Nardi
E isso é novidade pra mim. Não sabia que existia essa percepção entre os jovens de algo visto como algo risível?
Tiago Perotti
Eu não sei, talvez tenha usado a palavra errada, mas eu sinto um pouco disso, sabe? É meio… Pelo menos na nossa geração, participar desse tipo de evento é algo meio...
A gente é meio inibido com isso, sabe?
Henrique Nardi
Eu acho. Mas essa inibição... Vocês estão com quantos anos?
Tiago Perotti
Eu tenho 21, vou fazer 22. A Naiara, no caso...
Naiara Terra
Eu estou num caso diferente, porque essa é a minha segunda gravação.
Henrique Nardi
Então assim, eu tô colocando aí na conta, pra essa geração sua, o lance do ensino médio na pandemia. Acho que isso pegou. A gente ainda não tem a dimensão do impacto desse período de um ano e meio, dois anos, onde as pessoas tiveram que passar, e é um impacto diferente pra quem que passou por isso no ensino médio, que passou no superior, que passou no ensino fundamental. Então, eu acho que ali tem uma questão que se soma a essa inibição da geração atual. E eu lamento muito, muito, muito que a pandemia tenha acertado em cheio o desenvolvimento dos encontros estudantis. Porque os encontros, eles são assim, digamos assim, para a saúde da profissão, vamos colocar assim, no Brasil. Porque ele gerava o que tem de histórias de estúdios de design que começaram na graduação, pessoas que se conheceram nos encontros. Então, essa coisa do networking durante o período acadêmico é muito, é muito importante. É um desafio para a galera que hoje está representando estudantes. Ainda de volta porque já passou tanto tempo que os estudantes que hoje estão tentando trazer não sabem como era. Não tiveram essa experiência. É uma sinuca de bico.
Tiago Perotti E também é a força da presença do digital, das redes sociais, que eu acho que acabou individualizando muito esse trocar de experiências, né? Falta um pouco dessa troca coletiva porque, realmente, como que você no digital vai ter uma um diálogo equilátero entre pessoas, conversando ao mesmo tempo. Porque é isso, você manda uma mensagem e daqui a algumas horas a pessoa vai ver um comentário no fórum, coisa desse tipo. Então, fica assíncrono a comunicação e eu acho que perde a força de se pensar coletivamente um pouco. Que eu acho que é uma questão da nossa geração. A gente não sabe muito fazer isso.
Quando a gente é estimulado a fazer isso, a gente até fica meio em silêncio, sabe? Tipo,
eu fui num evento dos eventos gratuitos do Diatipo, infelizmente não consegui comprar o ingresso a tempo.
Henrique Nardi
Foi o de agora, de dezembro?
Tiago Perotti
De agora de dezembro, é. E eu senti, tipo, muito mais, assim, fóbia, porque tem gente de todos os lugares, de todas as idades, que já tem comunidades, até no digital, assim, né. Porque, por exemplo, eu participei do grupo do BrandCooker da Plau, assim, eles estavam lá em peso, né. Então, já mudou um pouco. Mas eu sinto, assim, que comparado isso com os eventos que acontecem na faculdade, assim, quando abre o espaço pra perguntas e diálogos, tipo, na faculdade com a galera, tipo, majoritariamente, na nossa idade, é.
Um silêncio, assim, sabe?
E aquela cara desesperada de, tipo, meu Deus, eu sou, tipo, é participação meio compulsória, assim, sou obrigado a participar, sou obrigado a fazer parte da cultura, não posso só, tipo, fazer minha própria coisa, assim, sabe?
Henrique Nardi
Tipo assim, você olha do tipo, por que eu tenho que interagir? Posso não interagir? E eu percebi isso com os meus alunos aqui em Augusta também, porque eu tô com alunos também agora que passaram pelo ensino médio durante a pandemia. Tô usando isso como marco, mas tem outras questões, não é só isso. Mas aí eu passei uma atividade de UX, onde eles precisavam descrever o roteiro, o processo de você pegar comida no McDonald’s, pelo drive-thru e como é que aquele modelo poderia ser aprimorado?
Então, a gente entrou numa hora, num embate, onde tinha uma parte do grupo que falava assim, poxa, uma das coisas que pode melhorar da tecnologia, que seria negativa
de você colocar a tecnologia, porque quando você vai no McDonald’s e você se habitua a comprar, o cara que te atende, ele vai falar, pô, é quase assim que o de sempre, assim, pô, você de novo aqui, tem uma interação, e algumas pessoas falaram que elas sentiam falta dessa interação, e aquilo, e esse momento de pedir, você pode criar vínculos ali, isso é uma coisa legal que tinha uma outra parceira que falava, cara, se tiver como apertar um botão e eu nem interagir com o ser humano, eu prefiro. Então era uma coisa assim de interação fobia, né? Tipo, a pessoa, cara, eu quero criar um aplicativo onde eu escolho o que eu quero, eu aperto e o saquinho vai estar ali pra eu passar de carro e pegar.
E você vê hoje como que tá o McDonald’s, né?
Ou seja, você tem aqueles displays, ou até quando você vai comprar cinema, pipoca e tudo, você tá ali no negócio, apertando, e aí você entra numa fila e você chama no número e pega. Não tem o pedir, ah, quero isso, quero aquilo, então eu fico assim, uau, é?
Naiara Terra
São outros tempos mesmo.
Henrique Nardi
Eu achei estranho, eu morando fora, quando eu tive aí, precisei ir no cinema, fui no cinema, fui comprar um lanche.
Tiago Perotti
Eu acho que é uma questão assim, a gente pergunta isso até, não tá no nosso roteiro de perguntas, mas é até bom a gente ter chegado nesse ponto, porque isso foi um grande dilema desde o começo da elaboração do projeto, que a gente sente, dentro da gente, nossa criança interna, sente a necessidade de ter alguma materialidade. ali nesse projeto. E a gente acha que, tipo, até nessa questão que você falou de
perceber as dores nossas como estudantes, a gente gostaria de ter mais momentos onde a gente possa participar e interagir materialmente com o design, né? E com a maneira de pensar do design. Mas um pouco mais do que isso é entrar nessa dúvida, porque como é um projeto empreendedor, de realmente entender o mercado de uma maneira que, tipo, será que vale a pena seguir a onda ou a gente tá perdendo um aspecto de disruptivo, de propor algo diferente. Algo diferente não necessariamente novo. Talvez é um olhar novo para coisas já pré-estabelecidas. E aí eu acho que é super interessante olhar para esses projetos como o seu, que revolvem ao redor de criar comunidade. Existe a força para isso no digital, mas a gente percebe que a Tipocracia é anterior a essa vida 100% no digital. Então, ele sempre vai ter um pé na vida real.
A gente quer ver o quão factível é isso, porque baseado no que a gente gostaria, o que a gente gostaria é ver as pessoas interagindo, as pessoas ocupando o mundo, os designers ocupando o mundo.
Henrique Nardi
Eu entendo, e eu ia falar aqui da sua dúvida, claro, a segunda parte, ou seja, ter a possibilidade de desenvolver essa interação não seria uma coisa negativa, pelo contrário, eu acho que isso somaria, principalmente considerando que o perfil das pessoas hoje não tem esse hábito, então entraria como um diferencial ponto, enquanto você olha as pessoas Dentro do design gráfico, por exemplo, existe uma saturação do digital. Ao mesmo tempo em que o UX e o UI têm uma grande procura, maior até do que design gráfico, pela natureza da sociedade hoje, mas existe também uma saturação. Então, as pessoas, quando elas vão buscar coisas analógicas e fazer uma oficina de letterpress, fazer uma
coisa de lettering, caligrafia, coisa que você vai usar a sua mão, colagem, etc., isso eu acho que soma tanto para a formação. Eu torço para que hajam espaços para a geração atual, digamos assim, aprender a valorizar esse networking analógico.
Tiago Perotti
Agora eu acho que é o último segmento das perguntas, a gente estava realmente pensando no que poderia ser perguntado a mais, pensando nessa construção de uma visão para o futuro, não só sua como projeto, mas também do design, pensando no nosso projeto também.
Henrique Nardi
Deixa eu perguntar então, assim, só pra eu saber, o que é o projeto de vocês?
Tiago Perotti
Então, a princípio, a gente ainda está redefinindo algumas coisas dentro do objetivo dele. A gente não sabe se vai ter serviços ou produtos, ou os dois e tal. Mas, essencialmente, ele é fundamentado numa lógica de levar e trazer o design para as pessoas. Então, trazer as pessoas para o design e levar o design para as pessoas. O aprender o design. Então, a gente sente que existe uma potência em aprender design, ferramentas de design e pensar como designer, né? E o que a gente pretende fazer é criar uma plataforma, mas não só plataforma digital, mas plataforma real, né? Tipo, uma maneira de atingir as pessoas e de criar comunidade ao redor disso, de forma que a gente consiga manter isso atualizado e fazer o que o ensino internacional não consegue, né?
Quando você falou, eu acho que uma coisa do seu projeto a gente respira muito disso, até o motivo porque o Pliger recomendou você pra gente, foi essa questão de que você complementa, no começo do Tipocracia, você
complementava muito o que tinha no ensino tradicional com o que não tinha. E sempre mantendo atualizado e tal. E um contexto muito forte do nosso projeto é Teoria da Complexidade e o Mundo Complexo. E a gente sente que, com os ciclos do ensino tradicional, não tem como abordar todos esses tópicos e quando muda, por exemplo, vai mudar agora a grade do design na ESPM e a gente, nossa geração, perdeu. A gente pegou a grade de pré-pandemia com pandemia, tipo, adaptações da pandemia, certo? E agora vai vir uma nova grade, completamente diferente.
Então, tipo, é isso. Você se sente meio, tipo, tem um pouco desse FOMO, assim, de tipo, cara, o ensino muda, ele melhora, E na minha vez não foi. Então é manter essa chama viva.
Enquanto as pessoas saem, vão trabalhar, começam a entrar no mundo, nessas ansiedades de ser adulto, de ser profissional.
Henrique Nardi
Eu acho que essa é buscar, que é uma coisa natural do estudante de design, é você falar tá, tá fechando meu ciclo de graduação e tem um mercado.
Quais são os pontes que estão faltando?
Para o mercado, mas são as pontes que a faculdade acabou não construindo ou que eu não consegui desenvolver, ir atrás. Identificar essas pontes e construí-las.
Tiago Perotti
Você definiu exatamente o nosso processo. A gente quebrou a cabeça por meses para chegar nesse ponto de conectar essas duas coisas.
Henrique Nardi
E essas pontes, eu acho que faz muita falta essa troca com pessoas de outros lugares, ou seja, de outras realidades, é sair da bolha. E no meu caso, no caso da minha geração,
eventos estudantis como ENEDesign, encontro regional, entre outros, encontros acadêmicos, eles fazem isso. Para os pesquisadores, são os P&Ds e os eventos, como esse. Para os profissionais, são a Bienal da ADG, são os momentos de você, de celebração, de premiação, onde você faz essas trocas. Isso ajuda muito. Você aprende muito com a realidade do outro.
Tiago Perotti
É uma habilidade inata do ser humano por empatia, né?
Henrique Nardi
Tem isso também. Quem que eu ia falar? Eu ia dar um exemplo. Bom, eu tenho exemplos assim como a ação Whale Design. Eu lembro de conversar com os alunos, eu tinha uma oficina chamada Guerrilha Acadêmica, se não me engano. E aí eu colocava os alunos pra conversar no workshop, nessa oficina, e falava, ó, eu quero que vocês me digam o que tá de errado na sua faculdade. Eu digo, tá no Brasil, né? Manaus, Salvador, Rio Grande do Sul. E eles começavam, ah, na minha faculdade, cara, tem isso e isso de problema. E quando você escuta alunos que não são da sua pole falando de problema, você repensa os seus problemas. Você fala, cara, eu lembro de gente falando, cara, o problema da nossa faculdade é que A gente nunca consegue usar o laboratório de computador, que são poucos, porque o laboratório tá sempre tendo aula. E aí, tipo, a gente quer usar pra jogo, desenvolvimento, e nunca tem vaga no laboratório de computador. Aí tem uma outra pessoa do workshop que fala, cara, na minha faculdade não tem computador. Aí você fala, cara, é outro nível. Não tem computador, então a gente tem que... Aí como que se vira sem computador? Aí você fica, você começa a repensar. E aí na segunda parte do workshop eu falava, tá, o que que vocês
vão fazer pra melhorar? Ninguém tinha uma coisa de proatividade, ó. Agora vira chave. O que vocês vão fazer? O que dá pra fazer?
Tiago Perotti É lógica de projeto, né? Projetual, de design, né? Levantar o problema e pensar como abordar ele. Pô, super interessante.
Henrique Nardi
Olha, eu ia falar que eu falei sobre o Tipocracia muito rapidamente. E isso é uma falha minha. Eu deveria ter um site. Eu deveria ter uma coisa assim bem representada. Eu só jogo as pessoas pro Instagram hoje em dia. Eu deveria ter um... Eu tô falhando de não ter a minha documentação. Entendi, entendi. Mas eu ia falar que eu tenho entrevistas comigo. Ah, legal. E eu lembrei de uma que tá no Spotify. Então se você buscar meu nome no Spotify, você vai encontrar um episódio de um podcast chamado Diagrama, que é do Rogério Neonzo. E ele me entrevistou pra falar sobre o ensino tipográfico no Brasil. E eu falei bastante sobre tipocracia, tem mais conteúdo lá. Além de entrevistas no YouTube. Se você buscar meu nome também, você vai ver que eu tenho coisas que eu falei no Diacrítico, em outros lugares tem palestra.
Naiara Terra Ah, isso, entendi. Nossa, muito legal. É realmente importante, achei importante conhecer realmente sobre esse projeto. E como, por exemplo, começou de um jeito e foi seguindo assim, eu acho que essa segmentação, a oportunidade de trabalhar em complemento com faculdades e tal, eu acho que é interessante.
Henrique Nardi Enfim, eu ia identificando essa demanda.
A demanda por conhecimento sobre tipografia me estimulava muito. Eu falava assim, caramba, tem procura. Eu levava o curso, oferecia o curso numa cidade e pela primeira vez lotou, turma extra, lotou, turma extra, lotou, turma extra. Então eu viajava, fazia duas atividades, dois workshops. Então eu olhava aquilo e falei, gente, isso aqui tem potência aqui .
Tiago Perotti
Então, agora, acho que a última pergunta mais pertinente, mais crucial, né? Se dada a oportunidade, assim, né? Se tivesse a oportunidade de colaborar, contribuir, fazer coisas juntos, você compartilharia seus saberes? Participaria de um projeto como o nosso? Pensando depois quando a gente for realmente exemplificar esse modelo e tal, mas assim, já pra te jogar uma ideia de por onde a gente tá pensando e a gente pensa em fazer material que as pessoas consigam receber em casa, a princípio a gente tá pensando nessa ideia como mais valiosa, né? Material que as pessoas conseguem receber em casa e ter ali uma interação com esse material de uma forma um pouco mais descontraída, né? E encontros ali em espaços que respirem design mesmo, E aí as pessoas conseguem interagir, fazer redes e tal, e moldar a comunidade ao redor disso. E aí a gente pretende ter uma diversidade de produtos ali, de conteúdo, que as pessoas consigam interagir ao longo da vida. A gente sabe como tem muita saturação de conteúdo de design, como usar a plataforma, dicas e tal. Sabe, no Instagram tu sugere mil coisas, Pinterest e tal. E a gente gostaria de propor algo mais com mais objetividade, mais didático, mas que ainda assim tivesse uma descompressão ali daquela pensão de mercado, fazer um bom design. Então é mais de sobre pensar mesmo, uma maneira de
pensar o design, de ver o mundo. E aí, se dada a oportunidade, você participaria de algo assim? Daria uma oficina? Prepararia um material?
Henrique Nardi
Não, sem dúvida.
Acho que rola sim de participar. Claro, se eu estiver em São Paulo é mais fácil. que eu estou em São Paulo, de fazer uma atividade online, mas sem dúvida na hora de contribuir de alguma maneira, uma palestra, alguma atividade criativa.
Tiago Perotti
E assim, só uma mais, se você acha que tem algum modelo de negócio, alguma tendência que você acha que vai ser crucial para o futuro do design? falar no caso específico da tipografia também, mas um modelo de uma tendência de mercado para ensinar tipografia ou para ensinar design, para compartilhar o pensamento de design que você acha que vai ser crucial. Ainda mais considerando a experiência.
Henrique Nardi
O que eu estou observando é que existe uma influência inescapável da tecnologia. E a tecnologia, ela tá fazendo com que as instituições precisem repensar os seus modelos de ensino. Então, hoje você tem internet, hoje você tem conexão de alta velocidade, hoje você tem acesso a câmeras e microfones, hoje você tem como atingir um público mundial em segundos. E você tem hoje a inteligência artificial, que permite que você consiga, a cada vez, num preço cada vez mais acessível, você disponibilizar o seu conteúdo em diferentes idiomas. Então, pra mim, o que vem por aí é você ter um conteúdo de ensino que já venha com muita força de outras regiões do mundo, e que já venha formatada, traduzida e pronta para ser consumida com
qualidade de fora. Então, acho que isso é um desafio. É um desafio, uma oportunidade, porque se você desenvolve uma coisa de qualidade, você também pode formatá-la para que ela seja consumida, que ela seja absorvida por pessoas, por idiomas que você não fala. Então, isso já é possível com legenda, mas a gente tem visto o lance de você criar a voz, você falar em outros idiomas e usar o lip-sync.
Então, quando isso se tornar acessível, eu estou imaginando que você vai ter grandes conglomerados de ensino que vão preparar uma coisa que pode ser customizada para alguns mercados, mas ela vem Você quer aprender esse conteúdo? Eu tenho a pessoa falando em russo, alemão, espanhol, português, inglês, francês. Escolhe. Como é que você vai fomentar conteúdo inovador, digamos assim, se você tem uma concorrência tão forte? Então é isso, e acho que isso é algo a se pensar, é não tirar, por mais que vocês estejam falando de, poxa, a gente quer fazer coisa analógica, a gente quer reconectar, Isso é uma demanda da geração atual que não deve ser ignorada. Ela tem que ser suprida, porque vai virar um diferencial. Mas tem que manter um olho no que a tecnologia vai permitir e o que ela vai trazer também de oportunidades. E o design vai se transformar. A gente já está vendo isso com os templates, com os canva da vida e o UX e o UI também. A transformação vai ser grande. É importante estar antenado e fazer conexões com o exterior. Ou seja, olhar para o que está vindo de fora e procurar não... estar aberto. Porque agora é uma grande... é uma aldeia global. Todo mundo pode se conectar. Tem que aproveitar isso.
É para onde eu estou olhando o que vem por aí.
Mas é interessante pensar sobre isso, porque,
e somado a isso, o fato de que a gente está tendo a mudança da demografia, ou seja, tem menos pessoas nascendo e as pessoas vivendo mais tempo, então isso vai afetar a aposentadoria, o INSS e tudo mais, só que isso vai afetar também que tá vindo aí uma geração menos Se tá vindo menos pessoas, daqui a 5, 10 anos, a gente vai ter uma contração das ofertas de curso. Muito curso vai fechar. Curso que não é bom, que não tem ali, vai suar pra... Então vai ter uma... Essa contração não pode ser ignorada. Acho que vai rolar. Entendeu? Tem que se preparar pra isso.
Tiago Perotti
A maneira como você falou isso até essa Uma das coisas... O evento que eu fui no ano passado foi a mesa redonda sobre tipografia latino-americana.
Henrique Nardi Sim.
Tiago Perotti
Porque eu tava na mesa longe. Você tava na mesa, sim. Eu cheguei a ver, a hora que foi muito louco, assim, porque eu tava olhando meio pra baixo, assim, olhando o que tinha nas mesas, porque tinha chegado meio tarde ali, né? Então eu tava olhando rapidinho pra ir sentar. E olhando pra baixo, eu falei, caraca, é o cartaz do Mello, né? E aí, depois olhando mais de longe pra sentar, eu falei, caraca, Eu reconheço aquele símbolo, era o símbolo da tipocracia, a gente tava olhando isso há semanas atrás, sabe? Mas nessa mesa redonda, eu lembro, não lembro quem foi que falou, acho que foi o Juan, da Monotype, e ele falou da importância de ter uma produção intelectual latino-americana pro nosso mercado e depois, futuramente, pro exterior, né? De a gente ser produtor do material de ensino, das metod-
ologias próprias e tal, porque é uma questão cultural, né? A gente quer fazer design como latino-americanos e aprende como, sei lá, europeus, norte-americanos, né?
E aí eu acho que você falando isso me lembrou disso e pensei assim, talvez é uma oportunidade de entrar nesse mercado de conteúdo, de ensino, em pé de igualdade com o resto do mundo, né?
Henrique Nardi Sim.
Tiago Perotti
Porque não é uma questão de fazer um conteúdo que é traduzível para o inglês e que o americano vai querer consumir. É o fato de que isso não vai custar fortuna.
Henrique Nardi
Também, você tem a possibilidade de diluir os gastos com mais pessoas assistindo, participando. Agora, se você produz um conteúdo que seja específico Ele é um diferencial porque também ele pode gerar interesse longe, porque não se fala sobre isso em outros lugares. Ele pode ter mais pertinência para a gente, mas ele também pode gerar um alcance, porque se você vai fazer um conteúdo que vai contar um curso de design gráfico online, que vai explicar a história da Bauhaus, todo mundo já está falando sobre isso há muito tempo. Certeza que já tem curso online descascando, contando a história de trás pra frente. Agora, se você falar sobre o gráfico amador, a história do gráfico de Aloísio Magalhães e dos pioneiros do design gráfico no Brasil, isso é um conteúdo que vai ter o seu diferencial e isso pode ter interesse.
Eu estou usando esse exemplo, que foi o exemplo da minha graduação. Quando eu estava na minha graduação na Anhembi Morumbi, eu ia me formar em 2001. E o meu
grupo, a gente curtiu a ideia de, vamos fazer um TCC sobre o filme do Kubrick, 2001, onde saía no espaço. Uau, é o ano 2001. Era uma coisa boa, Mas tipo, a gente, cara, vamos falar sobre 2001.
E a gente começou a se preparar pra isso. Só que aí a gente teve uma aula no primeiro semestre com um professor ali de economia, uma coisa assim, pra gestão. E aí a gente levou a ideia pra ele e falou, cara, deve ter um monte de gente que já estudou Kubrick. Vocês deveriam pegar um tema nacional. E aí ele jogou essa assim pra gente, ó.
E aí eu fui com a ideia de a gente falar sobre o gráfico amador. Tinha tido uma exposição na ADG, e aí eu falei, cara, o gráfico amador, esse movimento de impressão que aconteceu no Recife, da onde saiu o Aloísio Magalhães, cara, ninguém fala sobre isso. Era muito raro. E aí a gente entrou nisso, cara, e foi a melhor coisa que a gente fez. Cara, foi uma experiência única, principalmente pelo fato de que a gente conseguiu viajar para o Rio de Janeiro para fazer uma entrevista com o Guilherme Cunha-Lima e a Etna Cunha-Lima, professores e pesquisadores.
O Guilherme faleceu recentemente, há uns dois anos, acho. Mas o Guilherme conseguiu que a gente entrevistasse no Rio de Janeiro o José Loureiro de Melo, que era o único remanescente dos Mãos Sujas, do gráfico amador. Os outros três já tinham morrido, ele era o único vivo. E a gente sentou e passou uma tarde com ele contando as histórias do gráfico, mostrando os livros que o Guilherme colecionava. E aí eu falo, cara, nunca que a gente ia ter esse nível de envolvimento se a gente fosse pesquisar o 2001. A gente não ia conseguir conversar com o Stanley Kubrik, porque ele já tinha morrido. Então, é isso aí. O ganho que a gente teve, e não só de conhecer mais sobre o nosso país, foi foda demais. Então, tem isso, você falar sobre um
assunto que é mais local, ele pode ter uma força grande também, uma relevância maior.
Naiara Terra
Isso é um bom direcionamento para a gente que está nessa fase de definição.
Tiago Perotti
E aí vai lembrando, né. Não, mas é legal porque vai lembrando das coisas, porque tipo, o grande tópico de conversa nesse último dia foi o dia tipo Belém, né.
Henrique Nardi Sim.
Tiago Perotti
E toda essa produção, nortista do design, principalmente vernacular que é vista como... até então era vista como uma coisa exótica, não era um design realizável no mundo do design, nessa concepção do sudeste que tudo tem que ser comercializável e tal.
E aí vira algo interessante pensar o design de perspectivas diferentes, o design como uma força na cultura, o design como uma força na tradição, na preservação das tradições, o design de diferentes maneiras.
Henrique Nardi
E como vocês estão falando no projeto de vocês sobre, vou chamar aqui de design thinking, de ensinar as pessoas a importância de pensar como designers, isso de uma certa maneira é se perguntar qual é a contribuição do design para a sociedade, onde estão ali as oportunidades do design melhorar a vida das pessoas, seja na economia, seja no acesso à informação, na simplificação com visualização de dados, tem muitas maneiras onde o pensar design pode contribuir para a sociedade, documentação, pesquisa, às vezes tem oportunidades de inserção do design, talvez identificar esses locais, essas oportuni-
dades de inserção do pensamento de design, possa ilustrar onde que o projeto teria uma atuação mais forte.
Tiago Perotti
Legal, bom insight pra gente levar adiante. Eu acho que é isso, se tem mais alguma coisa que você gostaria de adicionar, algo que você gostaria de perguntar pra gente?
Henrique Nardi
Não, eu acho que é isso. Tô curioso pra ver aí onde é que vocês vão com essa pesquisa e fiquem à disposição pra contribuir com alguma coisa. E mandem lembranças para o Marcelo.
Tiago Perotti
A gente vai mandar lembranças para ele. Não, mas muito obrigado então por ter esse tempo para falar com a gente. Obrigado a ficar à disposição. A gente com certeza vai querer manter esse contato, essa ponte aí de contato. Porque eu acho que pode trazer mais coisas muito valiosas. Tanto para o projeto, quanto para a vida, assim, né?
Henrique Nardi
Então é isso, pessoal. Obrigado. Boa noite e sucesso. A gente vai se falando.
Rodrigo Lins - Platô Estúdio
Tiago Perotti
Nos conte um pouco sobre o Platô, sobre você, da trajetória do projeto, como começou, quando, etc
Rodrigo Lins
Do Arco, que na época era Arco e agora é o Polar, veio a Flora de Carvalho, que é tipógrafa, veio Helena Cavalheiro, que é... trabalha com tipografia. Então, veio um pessoal um pouco de cada canto, assim, relacionado ou tangenciando áreas do design. E aí, a gente, com essa troca, a gente começou a perceber que tinha um potencial... O que aconteceu?
A Flora, que é tipógrafa, também tipógrafa, a gente pediu pra ela ensinar a gente aos Glyphs, que era uma vontade grande, a gente encontrou um pessoal que queria ali aprender, ela super topou, e a gente viu que tinha um espaço interessante, tanto na didática dela, como no espaço em si, pra ser esse espaço de troca. E aí a gente começou a fazer... A gente começou com o curso dela, então foi um... Esse curso que ela deu interno foi mais experimental, no sentido de entender como acontece, nada muito burocrático, a gente estava entre amigos e tal. Mas como rolou muito bem, a gente perguntou se ela tinha interesse de abrir uma turma aberta, assim, para o público.
E o Platô sempre teve uma presença considerável na rede social, porque sempre tinha um evento lá, das pessoas que pediam espaço. Tinha muito também, a gente alugava vitrine para alguns expositores. Então, a gente sabia que tinha um público ali que podia ter interesse. E aí, pelo Super, a primeira turma foi muito legal, ia lá presencial e a gente vai começar a entender que isso podia ser uma frente do espaço também porque o espaço ele basicamente se pagava
com o aluguel das mesas. Então a gente entendeu que podia ser um complemento ali de renda.
Aí vista essa possibilidade, a gente foi perguntando para os outros residentes quem tinha interesse, que tema podia abordar.
A gente falou com a Lena, que trabalha com hispografia, e ela já tinha um interesse em compartilhar um pouco os processos dela, até porque é um tema que não tem uma formação específica, não tem uma faculdade de expografia. Tem uma faculdade de arquitetura e você acaba se especializando nisso, era mais pela vivência dela, era uma coisa mais tentativa e erros, não chama formação. Então a gente montou essa turma, também foi super legal, enfim, o retorno foi ótimo. E no meio do caminho teve a pandemia.
E aí a gente... a gente era super radical assim de... não, a gente vai só fazer curso presencial porque... O que vale é a troca, tudo bem que isso se restringe geograficamente, mas, enfim, é mais legal. Online a gente não vai conseguir competir com doméstico e essas coisas, mas com a pandemia a gente se deu meio numa sinuca, assim, porque o espaço tinha que se pagar, os residentes já não eram tantos, porque o pessoal estava trabalhando de casa, então a gente começou a escalar isso para o âmbito online.
Também, muita tentativa e erro de entender o que as pessoas queriam aprender, como os cursos podiam funcionar, como divulgar isso, como fazer as parcerias. E acho que, por um lado, foi o timing que tinha que ser, porque o pessoal estava em casa sem fazer nada. Então, acabou querendo aprender onde estava.
E a gente viu que tava rolando muito bem, assim, a gente começou a sair um pouco da nossa bolha de vamos chamar amigos pra dar aula e vamos contatar colegas, enfim,
pessoas que a gente já atrapalhou antes ou que a gente admirava e que talvez pudesse ter algum interesse em ensinar com a gente. Nossa, é incrível. É, nesse lugar a gente foi super orgânico.
Não teve um mega planejamento de, nossa, a gente precisa fazer... Eu não entendo isso como uma qualidade, mas foi assim que foi.
E aí... Passou a pandemia, a gente já tinha se estabelecido bem nesse lugar do online, mas a gente ainda sentia muita falta de fazer os cursos presenciais, porque também tem uma coisa que tem um nicho que só acontece no presencial. Geralmente são os cursos que a gente mais se anima a fazer, e aí com a... em 2022... em 2022 a gente voltou a dar curso presencial, mas muito mais intenção, assim, a gente sempre priorizou, passou a priorizar o online para o que pudesse online e o presencial tinha que se justificar para ser presencial, meio que inverteu assim na lógica, porque a escalabilidade do online não dá muito para competir e o formato híbrido a gente acha que é muito confuso para fazer, então a gente nem arrisca.
E a gente voltou a dar curso online, curso presencial. A gente tem um curso com a Laura Teixeira, que é uma ilustradora. Então, é um curso que se propõe a... Vamos nos juntar uma vez por semana, sair da tela, produzir na mão, entender o que sai dessa produção também.
Enfim, tem um pouco de tudo assim. E, atualmente, a gente está se reestruturando tanto em questão de espaço, quanto em questão dos sócios, porque a gente era em quatro sócios, mas aí cada um foi tocando para um lado. E o espaço, atualmente a gente está com algumas parcerias para fazer acontecer, mas a gente vai ter nosso espaço próprio, porque na galeria acabou ficando caro demais para a gente continuar só com isso.
Ah, eu acho que é meio isso, assim, dando uma visão geral. Mas se vocês quiserem perguntar alguma coisa específica...
Tiago Perotti
Foi ótimo, foi super... Sabe, capítulo por capítulo, dá pra escrever até a história completa.
Aqui nessa categoria de perguntas, tem também um pouco sobre alguns diferenciais. Tem algumas coisas que a gente acha que você já deu algum caminho aí, né? Que você já meio que respondeu. Tipo, por exemplo, qual o formato? Você já falou, né? Presencial para uns cursos, online para outros, mas híbrido, tipo... Vê se eu entendi certo, né?
Híbrido você diz, tipo, o curso rolando presencialmente, mas gravado e quem quiser ver. Tá, vocês nunca arriscaram isso, né?
Rodrigo Lins Não.
Tiago Perotti É muito complicado mesmo, é. Na faculdade a gente teve que ter…
Rodrigo Lins
Tem uma estrutura que a gente não quer nem pensar em investir, assim. Eu não acho que justifique.
Tiago Perotti
Certo. Mas aí, então, assim, tipo, o que a gente queria saber, assim, para você, né? O que diferencia o Platô de outros projetos similares, assim, né? E até sendo um projeto muito diferente, onde você categorizaria ele?
Mas você fez alguma comparação aí, tipo, de não conseguir competir com o Domestika, nesse sentido de curso, assim, né? Mas...
Pensando no que vocês fazem, o que diferencia vocês de outros projetos próximos?
Rodrigo Lins
Isso, assim, são percepções… de novo, acho que é importante ressaltar isso, que são percepções póstumas. A gente não é parte do lugar. Então, foi o que foi surgindo meio naturalmente. O platô, acho que ele tem uma grande força, isso desde o começo, que é se entender como esse lugar de encontro para designers. Isso já vinha antes até dos cursos, que a gente conseguia fazer mais antes. Atualmente, a gente está sofrendo um pouco, mas queremos voltar a fazer um projeto de fim de ano colaborativo. Então, a gente começou com o Platôtipos, que a gente convidou 85, acho, designers para cada um desenhar uma letra e fazer um alfabeto. Desenhar, não. pegar letras que você tinha feito para algum trabalho que não foi aprovado, enfim, mexer na gaveta do que você tem e fazer um grande alfabeto colaborativo. E o projeto foi muito legal, a gente teve uma super aderência, o pessoal adorou, a gente fez um evento lá no Platô, vendemos o cartaz, vendemos o catálogo, a gente imprimiu tudo em risolá mesmo. Então, acabou sendo meio que um evento de fim de ano dos designers, Foi muito legal ver isso.
No ano seguinte, a gente fez o Platarô, que era um baralho de Tarô também colaborativo, mas aí a gente expandiu um pouco mais esse escopo para ilustradores, artistas, que aí a gente já conseguia abarcar mais gente. Também foi muito legal. E eu acho que é um movimento que a gente fez por sentir falta disso, assim, dos designers enquanto categorias.
Eu acho que existe uma... Uma coisa do designer... É meio um paradoxo, assim, porque o designer, ao mesmo tempo que ele é meio solitário, ele sempre tá trabalhando em colaboração com alguém. Só que a gente… Esse alguém geralmente não é um
designer, né? Geralmente é um... Alguém de outra área, que ele vai precisar dialogar. Então acaba ficando uma coisa meio hermética, meio... O fim nele mesmo.
Então, com esses eventos, a gente conseguia dar uma ventilada nisso, sabe? Trocar com essa gente nova. Então, acho que muito da imagem que a gente construiu com o platô foi dessa vontade de oferecer esse espaço para as pessoas se encontrarem assim. E até algo que a gente, hoje em dia, sente falta de conseguir fazer. com mais constância, o último que a gente fez foi o mascarada, que era… Aí chegou a pandemia, né, então a gente fez um projeto online de filtro de Instagram, cada um, cada convidado fazia a sua máscara. Então, mas aí tiraram nossas máscaras, né, do programa. Legal, assim, foi... É muito divertido. E o pessoal compra muito, assim, a gente não... É isso, a gente não consegue pagar nada.
A gente deixa isso muito claro desde o começo. É um esforço nosso também, porque é um projeto que, se ele se paga, já é muito. O Platarô, a gente conseguiu pagar a impressão e a montagem da exposição. Só que a gente não conseguiu dar um baralho pra cada um que participou, por mais que a gente morresse de vontade de fazer isso. A gente fez o que deu.
Então, eu acho que… Talvez seja uma das maiores forças que a gente tem atualmente, que a gente sente falta também, mas eu acho que outro lugar é entender como a gente faz a curadoria dos cursos. E isso acho que é um reflexo dos contatos que os sócios têm, dos contatos assim de com quem a gente tá trocando, mas também uma visão de sair um pouco do design enquanto negócio, enquanto nossa business é preciso, marcas, tornar a coisa um pouco menos fria, um pouco mais humana, mais calorosa. Então, a gente tem alguns cursos que são
bem técnicos, de Figma, o próprio discografia, em gestão financeira, mas que a gente sempre prioriza profissionais que consigam que não fique uma coisa meio vertical nessa relação de professor e aluno. Então a gente tenta, não é sempre que a gente consegue, mas o que a gente tenta é escolher professores que, de novo, criam um pouco de... Vamos sair um pouco desse negócio de referência e Pinterest, vamos produzir um pouco sem um cliente. Vamos entender como a gente cria essas brechas. E também junto a isso entender como profissionalizar. Essa categoria que é uma categoria um pouco precária. Então o curso de gestão financeira ele foi feito porque a gente começou a conversar com a Michelle que é essa pessoa que começou a ajudar a gente com as nossas finanças e as finanças do estúdio que a gente tinha lá e a gente foi vendo tipo ninguém sabe precificar o seu trabalho ninguém sabe como fazer um estúdio que seja financeiramente saudável e a gente se submete a umas precificações malucas porque a gente acha que se a gente cobrar mais o cliente não vai querer e não é a gente precisa começar a entender que a gente só faz isso justamente porque a gente não tem essa base solidificada. Então, a gente começou esse curso e é um grande, assim, tratamento de choque. Pelo mundo que participa, na hora que ela passa a tabela de classificação, o pessoal fica chocado e fala, eu não vou conseguir cobrar isso. Porque a pessoa precisa cobrar pra viver, basicamente. Então, eu acho que tem Essas duas preocupações principais, que é profissionalizar a categoria do design e de ilustração e de áreas afins, mas é que o nosso foco acaba sem design, e propor espaços de criação sem um cliente. Eu acho que esse, pelo menos do nosso lado, é o que a gente mais gosta de fazer e é onde a gente vê que mais... as
pessoas depois que os cursos acabam. E até porque eu acho que, enfim, de outros, de concorrentes nossos, do Aprender Design, do Freelance School, da própria Domestika, se a pessoa quiser aprender um programa específico, ela vai conseguir muito mais fácil. Então, assim, o acerto muito mais fácil. Então, acho que não teria nem sentido a gente tentar competir nesse lugar, e acho que é um lugar que é nosso atualmente, que a gente acabou construindo e que a gente tá muito feliz onde tá.
Tiago Perotti
Pô, legal. Legal, é bonito. Bem inspirador.
Rodrigo Lins
Gente, vocês tão perguntando, tá? Pode…
Tiago Perotti
Não, relaxa. Você conduz o pensamento de uma maneira que está super condizente com o tipo de coisa que a gente pensava em perguntar a mais. Então a gente não está sentindo nenhuma obrigação de perguntar tanta mais coisa, sabe? Você já está dando até todas as respostas. E a início, você falou um pouco disso, na questão de precificação, de pagar as contas, quais vocês diriam que foram os principais desafios que vocês enfrentaram, o que vocês enfrentam?
Se você precisar, sei lá, nomear três dos principais desafios, quais são eles?
Rodrigo Lins
Eu acho que previsibilidade, talvez seja o maior deles, porque por mais que a gente estruture algo, por mais que a gente, enfim, pesquise com o nosso público, é muito… Tem uns cursos que a gente sabe que vão vender muito bem, mas tem alguns cursos que a gente acha que vão vender super bem e não fecha a turma.
Então, é meio ter um jogo de cintura assim
para saber como lidar nessas horas. O que a gente faz, que eu acho que a gente faz muito sentido atualmente, é a gente meio que divide os riscos para o professor e divide os lucros também. Então, a gente trabalha com uma divisão 50-50. A gente não tem nenhum valor determinado A gente não tem nenhuma quantidade de alunos determinados. A gente tem algumas sugestões a partir de experiências com cursos ou de um mesmo nicho ou com uma carga horária parecida.
E a gente testa. Para a gente é como foi rolando. Então, a gente entende com o professor qual o valor que para ele seria justo ele começar a receber. Então, qual a quantidade mínima de alunos pagantes? E a gente estabelece… Na verdade, é um grande tripé, né? Quantidade de alunos, o valor por aluno e o valor que o professor quer receber. Então, a gente tenta sempre dar um equilibrado nesses três, porque não adianta cobrar caro, não adianta cobrar pouco e não adianta ter pouco aluno. Também não adianta ter muito aluno. Acho que outra coisa que eu ia esquecer de falar, que nos diferencia, talvez, é sempre priorizar turmas pequenas, de no máximo 20, 25 alunos, porque os cursos são muito práticos. Prático no sentido de sempre ter um exercício para fazer. A gente tem um Discord que acontece nas trocas de exercício entre as aulas. Então, o professor, ele precisa conseguir dar atenção pra todo mundo. Então, são muitos, raros os cursos que são só expositivos, que a gente consegue abrir pra muita gente. Então, eu acabo ficando nesse tripé.
E aí, é tentativa real, assim, a gente chega nesse número mínimo de alunos. A gente até fez uma calculadorazinha pra compartilhar com o professor e falar, ó, Com esse número de alunos, a partir desse valor, a gente consegue te repassar isso. E é isso, é
um grande risco, no fim, por isso que é meio imprevisível, porque a gente tem um esforço de comunicação que demanda muito, mas que muitas vezes a gente sente que sempre tem um pouco para melhorar. Então, esse é um dos grandes e acho que comunicar com o nosso público De um jeito... De um jeito horizontal também.
Assim, é a nossa preocupação e é um desafio atual. E a gente tá passando por uma reestruturação da comunicação também. Então, entender o que a gente quer comunicar, o que a gente acha importante. As pessoas saberem dos cursos, até porque... A gente tem um canal principal com elas, o Instagram.
Além de tudo, a gente tem que disputar atenção, tem que saber ser direto ao ponto, mas também conseguindo descrever tudo o que já vai conseguir a partir do curso.
Alguns cursos não têm um resultado tão pautável, tão tátil no final. Então, é entender como traduzir isso, que é um grande desafio também, assim, no fim das contas, porque a gente manda um formulário para os professores preencherem, E aí é meio que uma roleta, assim, depende muito do professor. Tem professor que se empolga muito, vai escrevendo e escreve detalhe e o que o aluno precisa saber e o que ele vai sair sabendo, o que vai explorar. E tem professor que escreve o mínimo.
E aí desse mínimo eu preciso ir desdobrando em conteúdo, fazendo sentido com o que o professor vai oferecer também, não vou sair inventando o que vai acontecer na aula. Mas acho que tem um pouco dessa sacada de conseguir traduzir de uma forma mais que a pessoa consiga perceber melhor, porque, no fim, ela está investindo esperando algum troca, né? Ela está gastando dinheiro que ainda fosse assim. Então, eu acho que, assim, então, por mim, da imprevisibilidade, essa
tradução de como comunicar esses custos, como comunicar os benefícios e o que a gente se pretende com esses custos. E acho que a terceira...
Acho que a terceira é conseguir estar meio sempre com o radar ligado para o que as pessoas demandam uma pesquisa de enquete de Instagram dá algumas respostas, mas não dá todas. Então é meio estar sempre ligado no que, por exemplo, esse curso de Figma a gente fez porque a gente começou a sentir que tinha uma coisa virando ali, que era um sistema que ia muito além de só UI e UX e que podia desdobrar numa coisa. Aí a gente entrou em contato com Um cara que era muito bom, mas que a gente não sabia se dava aula bem. Aí ele deu uma aula pra gente antes da gente conseguir oferecer isso. Então acho que tem essa pesquisa constante de novos cursos.
Porque também não adianta você ficar com uma grade fixa que o seu público cresce, mas tem um limite ali do que você pode fazer. Não dá pra todo mês ter os mesmos cursos. Então essa pesquisa, ela… também demanda, e é uma pesquisa que não é só de assunto, né? É uma pesquisa que tem que saber o que você quer ensinar e tem que saber quem ensina bem. E não é todo mundo que é bom professor, por melhor que seja no assunto. Então, acho que vai se marcar esses três, assim, principalmente.
Tiago Perotti
E aí, eu acho que você falou um pouco assim, mas qual o perfil do estudante que consome o material de vocês, que participa dos cursos?
Rodrigo Lins
São pessoas principalmente de 23 a 32 anos.
A maioria recém-formada ou com pouca experiência.
Acaba tendo uma coisa da Bolha Rio São Paulo não tem jeito mas a gente consegue
cada vez mais acessar outras outras regiões e essa é uma preocupação nossa assim. Até por isso a gente bate o pé para conseguir fazer a política de bolsas para também não ficar essa coisa. Só São Paulo só Rio e vamos entender o que se produz nos outros lugares também.
A maioria é designer, mas tem muito ilustrador também, muito arquiteto. Eu diria que é primeiro designer, segundo ilustrador, terceiro arquiteto. E aí quarto é uma grande variedade de pessoas. E um pouco mais, acho que 55%, se não me engano, de mulheres.
Tiago Perotti
Interessante. Bom, interessante. Obrigado. Bom, e... Assim, uma última pergunta desse categoria, só. Porque eu acho que a gente... Você veio falando de bastante coisa e tal. O que motiva o projeto de vocês? O que mais motiva o projeto de vocês?
Rodrigo Lins
Deixa eu tirar uma resposta pra você aqui. A resposta não romântica é pagar as contas. Mas a gente tem um desejo muito grande de conseguir se estabelecer como esse lugar de encontro, seja físico ou virtual, para as pessoas conseguirem encontrar seus pares, seus semelhantes e entender que tem muita gente passando pela mesma coisa que você está passando. E quanto mais a gente conseguir criar essa rede, mais a gente consegue, além de se ajudar, consegue cobrar, né? Não só cobrar, mas entender o que é o nosso escopo, entender o que você pode entregar, o que você não precisa entregar. Enfim, porque eu acho que, assim, historicamente é uma profissão que vai dando os seus pulos onde precisa. E acho que trocando assim com mais pessoas, vai conseguindo ter mais base pra entender os limites do que a gente precisa e não precisa fazer. Acho que é meio por aí assim.
Naiara Terra
Ah, isso tem sentido.
Tiago Perotti
Legal. Tem sentido.
Rodrigo Lins
Não, é incrível, é incrível.
Tiago Perotti
Porque se fala assim que a motivação não romântica é pagar as contas. Mas eu acho que a promoção que você deu a romântica é tão forte. Que eu acho que o apesar de ter que pagar as contas, vocês seguem essa motivação, né?
Rodrigo Lins
Nós temos as contas sim, é que no dia a dia. Mas a gente procura ter isso meio no horizonte. Legal.
Tiago Perotti
Agora partindo um pouco mais para modelo, as metodologias e estratégias que vocês têm. Pesquisa, enfim, que estratégias vocês usam para manter-se ativa atualizada, sempre relevante assim, né? Tipo, de mercado, de pesquisa. Você mencionou um pouco até do enquetes no Instagram, tá sempre procurando profissionais, pessoas, assuntos pra abordar, mas tem alguma estratégia pra isso assim, sabe?
Rodrigo Lins
Tipo… Eu acho que a principal... é porque assim, atualmente os sócios mais atuantes sou eu, a Júlia e o Ralph, né?
Eu toco todo o operacional do platô, o Ralph e a Júlia são meus fiéis aliados. E eles têm uma prática de design muito do dia-a-dia.
Então, acaba vindo muito deles também de entender o que eles sentem falta, o que podem ser assuntos bons ou podem ser professores bons. A gente, às vezes, não tem
um assunto, mas tem um professor. A gente sabe que a gente quer que ele dê curso com a gente e a gente vai meio que lapidando junto, entendendo se aquilo vai funcionar ou não, enfim.
Então, acho que tem muito num lugar da vivência nossa, enquanto designer, enquanto de soluções que a gente vai precisar para o dia a dia, mas também tem muito dos colegas que a gente vai trabalhando junto. Então, eu acho que talvez seja até algo que a gente fale de conseguir entender do público direto, mas vem muito interno, assim, de interno e de amigos também, né? Porque querendo ou não, a gente acaba tendo muito contato. Já teve professor, indicou outro professor, as coisas vão meio que se puxando, assim. Então, e de novo, hein?
E acho que é importante também inevitavelmente ficar ligado no que tá acontecendo. Assim, isso não tem meio, não tem uma fórmula, é abrir LinkedIn todo dia e entender o que as pessoas estão postando, o que elas estão vendo, o que elas... Isso funciona num lugar, e acho que é importante, mas outro lugar que eu acabei de pensar também é abrir esses espaços que talvez as pessoas não saibam que elas precisam.
E acho que por isso que a gente confia muito nessa nossa experiência e nessa nossa intuição de juntar bons colaboradores. A própria Laura, que é ilustradora, quando ela chegou com o curso pra gente, o curso se chamava Guloseimas Gráficas. E a ideia que ela teve era pegar coisinhas que ela gostava de guardar e procurar um espaço pra desenvolver essas coisinhas. Parando pra pensar de um jeito racional, é um pouco uma loucura, né? Porque a gente quer que as pessoas paguem pra fazer algo que nem a gente sabe o que é no fim das contas.
Mas ela tem muita experiência com o curso, ela já deu muita aula, ela dá aula no MAM, ela
deu aula na EBAC, ela sabe como conduzir diferentes turmas, então a gente botou uma festa que aconteceu e aconteceu. Ela é um bom exemplo de um lugar que talvez as pessoas não sabiam que elas queriam isso. Porque o feedback que a gente sempre recebe desses cursos mais experimentais era, sei lá, o alívio da semana. Poder produzir uma coisa…
Acho que tem esses dois gatos, assim, de entender o que está acontecendo e o que as pessoas talvez precisem. mas entender também o que a gente pode oferecer de novo, de que saia um pouco dessa folha que se propunha a provocar. E o terceiro ponto também é entender, acho que muitos dos nossos cursos eles tentam ensinar o designer como dialogar com outras áreas. Então, a gente tem um curso de programação que a ideia não é você sair programando
A ideia é você entender qual linguagem eles estão falando pra você comunicar o que você precisa. Que eu acho que também é um grande déficit que a gente sente na profissão de conseguir conversar em diferentes línguas e não a nossa visual. Alguns dos cursos também surgem dessa necessidade que a gente sente de conseguir traduzir as coisas. E alguns cursos são só a gente querendo fazer o que a gente quer fazer também. Dá esse direito e vê o que acontece.
Tiago Perotti
Assim, foge um pouco do conteúdo, mas se for esse negócio de dialogar com as outras áreas e tal, Queria saber se é uma percepção que vocês têm que é, se ela é, tipo, consciente, baseada na literatura, assim, ou se é algo que vocês percebem, tipo, porque, assim, por coincidência, eu não sei se é coincidência ou se é consciência isso que eu tô perguntando, na nossa literatura que a gente tá pegando realmente pro TCC, a gente
acaba encontrando vários históricos já, de fato, fazendo esses diálogos entre o design e outras áreas. E quando não isso, falando do designer como um grande prestador de serviço para a maioria do mundo e que a gente teve até agora uma produção de ensino dos designers dialogando com o mundo da indústria, da engenharia, da arquitetura, pensando na Bauhaus e tal. Então, queria saber se isso é algo que vocês tinham que ter essa consciência realmente baseada em saberes ou se é algo que vocês perceberam ali do dia a dia mesmo, sabe?
Rodrigo Lins
É dia a dia 100%, gente.
Assim, no dia a dia sempre assim. O que a gente foi concluindo foi ir organicamente, assim. Agora, como a gente não conseguiu parar pra fazer um grande estudo. Então, acho que é meio dessa... De novo, acho que o nosso ativo mais forte é justamente a nossa vivência enquanto designers atuantes.
Naiara Terra Legal.
Rodrigo Lins
Acho que até é uma área que a gente sente falta de ter um embasamento maior, mas até hoje foi na base da vivência mesmo.
Naiara Terra Ah, legal. Interessante.
Tiago Perotti
Você falou um pouco assim, mas você se sustenta financeiramente baseado nos cursos ou vocês têm outra fonte de renda, mas não é estável de sempre que aparece?
Rodrigo Lins
Cada um é um caso, assim. A minha renda principal vem do Platô, mas eu faço muito frila de fotografia e de design também. Mas
o grosso, assim, o que eu posso comprar é do Platô. O Ralph, ele tem o Polar atualmente. Ele é sócio do Polar.
Então é isso. O Ralph e a Ju, eles acabam mais atuando como conselheiros pra mim, que eu uso e abuso. porque como sócios financeiros, até porque eles não tem o tempo e não tem como fazer isso acontecer. Então, essa dinâmica acabou sendo assim porque eu acabei tendo mais tempo, eles estavam mais focados no estúdio e acabou nisso. Agora, de novo, existe um bom planejamento, existe um bom controle, porque por mais que você faça o esforço, não é sempre que o curso vai fechar ou se fechar, vai ser com pouca gente. Então, você precisa ter uma noção financeira, principalmente, ou bem consolidado, assim, é o que a gente também foi aprendendo até com o curso de gestão que a gente dá e é altas e baixas porque elas acontecem muito, assim, no final de dezembro e janeiro pra gente não acontece e a gente sabe que não vai acontecer e a gente se planeja pensando nisso, então, fim de ano, o pessoal dá uma brincadinha, assim, na procura Mas depois de dezembro, a coisa só volta em fevereiro. E isso foi meio... A gente foi quebrando a cara pra entender isso. Não é algo de bate-ponto, assim, a gente sacou. Mas dá pra viver disso.
Tiago Perotti
E aqui, uma pergunta de resposta mais simples. Se tiver alguma segmentação específica dentro do design que você percebeu maior demanda. Se tiver.
Rodrigo Lins
Eu acho que pode ser uma área ampla. Não é do design diretamente. Acho que a área de ilustração é sempre uma demanda constante. Até porque a gente acaba desdobrando muitos assuntos. Então, a gente tem uma aula de ilustração que pega um ponto de teoria, tem uma aula só de capa de livro, aí tem uma aula só de ilustração vetorial. Então,
é uma área que a gente… E as pessoas estão muito dispostas, as pessoas são muito apaixonadas por essa área.
Então, eu acho que elas sempre vêm com uma esperança de conseguir se profissionalizar nesse lugar, o que é muito bom. Para o design, eu acho que tem dois lugares. Um é UI e UX, cada vez mais. E outros, surpreendentemente, são livros, porque eu acho que design é muito fetichista. Então, todo mundo sabe que não dá dinheiro, mas todo mundo quer aprender mesmo assim. Pensando em algum outro. Eu acho que esses mais burocráticos, o que a gente sente muito é que a formação inicial não conseguiu dar conta disso. Então a gente tem o curso de gestão que é muito importante pra gente. E ter curso de gestão de pessoas e gestão de vida. Que é isso, por mais que você tenha um estúdio pequeno, você vai ter que lidar com outras pessoas e há uma demanda que a gente sente que as pessoas têm. Mas eu ficaria nesses dois, assim. E o UX/UI e de ilustração. Certo.
Tiago Perotti
E acho que agora dá para partir para o próximo segmento, assim, porque nesse acho que você respondeu tudo contando um pouco do estúdio, né? Tipo, a gente pergunta sobre se você tem alguma ferramenta ou plataforma essencial, mas você falou das redes sociais, né? São muito importantes, o Discord de vocês também, que é importante para a comunidade, e as fontes de captação também nas redes, né? Seria a maior. E os planos de inovação e crescimento, vocês vão seguindo e expandindo, né?
Vocês têm parcerias no horizonte, né?
Rodrigo Lins
É, a gente, assim, é que atualmente é um momento muito fora da curva pra gente, porque muita coisa tá se reestruturando. A gente vai mudar de lugar, a gente vai dar uma reestruturada nos sócios, na comu-
nicação, a gente tá com site novo pra sair. Então, tá um pouco num momento de transição.
Mas eu acho que cada vez mais o nosso foco é conseguir focar no planejamento, assim. Porque o que mais dá resultado é quando você faz uma coisa muito bem planejada. E nem sempre dá, assim, nem sempre é uma falta de esforço. É um curso que, nossa, o professor conseguiu uma agenda pro mês que vem, vamos começar a divulgar, vamos... E tem vezes que dá e tem vezes que não. A gente vê os melhores resultados foram nas coisas que a gente conseguiu se planejar mais. Então, para esse começo de ano, a gente fez um primeiro teste de pré-venda para os cursos do primeiro semestre com desconto e teve um resultado super bom. As pessoas, sim, acho que dá mais tempo para as pessoas se planejarem porque, crendo ou não, é um investimento alto e não tem como ser mais baixo.
Sim, a gente já tentou fazer captação, mas é captação de PROAC, enfim, vias públicas.
Mas é um processo que é muito específico e a gente não conseguiu dar conta na hora. Mas os cursos, eles têm que ser caros pra gente conseguir pagar os professores o que eles merecem, assim, minimamente. A gente queria poder dar mais, mas é um grande equilíbrio. Então por ser um investimento alto por mais nossa pode parcelar em 15 vezes. Qualquer um vai conseguir parcelar em 15 vezes que vai ter limite disponível para 15 vezes. Então o nosso esforço atual também é entender como a gente pode abrir mais canais da pessoa conseguir se inscrever. Então a gente está fazendo parcelamento por PIX, que aí a pessoa não precisa gastar o elemento dela. A gente está fazendo parcelamento por boleto, pondo mais opções, mais quantidade de parcelas. E de novo, o nosso programa, isso aqui para a gente é fundamental. Tanto o bolso integral quanto o bolso parcial.
É um programa que a gente tem desde o começo e que a gente vai afinando o trem e acho que tá longe de ser perfeito, mas que a gente consegue pelo menos na escala que a gente pode democratizar um pouco esse acesso.
Tiago Perotti
E aí, o último segmento já, já estamos acabando. Que é mais sobre construir uma visão do futuro. E aí, tipo, seria uma visão de futuro num contexto coletivo, assim, sabe? Tipo, do design, da educação design. E a gente quer saber de vocês e pensando na gente também como um projeto emergente. Primeiro, a gente queria perguntar se existe algum modelo de negócio ou tendência de negócio mesmo da educação de design, do design que você acha que vai ser crucial para o futuro desse segmento, sabe? Então, tipo, que modelo dentro do ensino de design você acha que vai ser crucial para o futuro? Se existe.
Rodrigo Lins
É uma pergunta difícil essa. Eu posso falar do lugar que a gente percebe assim, do que a gente vive. Eu acho que para a gente foi uma grande surpresa quando a gente migrou para o online e descobriu que tinha tanta demanda. Então, eu acho que assim, entender como adaptar os conteúdos para conseguir atingir mais gente. Tanto em questão adaptar de uma coisa que talvez fosse um curso presencial para um curso virtual, como adaptar um conteúdo que talvez seja muito denso numa coisa de estilo palatável.
E tentar ser muito específico, não específico, saber com muita clareza aquilo que você está oferecendo. assim, acho que é muito importante saber o que você tá vendendo pra conseguir vender aquilo. É isso que eu tô entendendo que eu tenho também. E assim, no mais é saber que você vai ter que dar uns pulos grandes, assim, você vai ter que ter um
jogo de cintura pra conseguir contornar os possíveis problemas. Então, acho que a gente teve um curso que era de serigrafia.
E aí a gente pensou em fazer presencial, mas a gente falou, vamos tentar fazer online. E aí a gente fez o curso online, mas a gente montava o material e enviava pra todo mundo. Conseguir fazer com o mesmo material e com tudo que ela fosse precisar. Mas tudo? Sim, não tudo, mas muita coisa você conseguir dar um passo além, ela dá pra acontecer online.
Podendo priorizar o online. É isso, acho que a gente tá mais chato com o que a gente quer oferecer presencial. Tem que se justificar muito pra precisar ser, assim, de modelo de negócio, isso... Não sei. Entendi.
Tiago Perotti Não, mas super... pra gente já traz um insight super interessante porque é um caminho que a gente sinceramente pensa muito em seguir. Que é esse caminho de poder fazer as coisas independente do espaço físico, sabe?
Esse senso de… porque é uma coisa... a gente sente a necessidade de se relacionar com a materialidade do design, eu acho. Acho que todo mundo nesse momento que faz design tá meio sentindo isso, né? Tipo, uma maneira, tipo, sei lá, de curar o... o nosso ser humano interior interagir com coisas mais humanas, né?
Mas também essa força que a internet produziu pra humanidade de estar junto, conectado com tudo que você conseguir, né? E aí uma coisa que a gente pensou, e até tá dentro do nosso… do nome do projeto, por enquanto, a gente pensou muito nesse quesito de levar e trazer, né?
Gente tava pensando era justamente uma forma como a gente poderia estar com as pessoas sem estar com as pessoas, né? Você falando isso já dá pra gente uma sensação
de que isso é um caminho, uma tendência, talvez, das coisas e que quem faz isso...
A gente denominou esse processo do nosso projeto de saber de quem faz direito, né? E a gente julga que vocês fazem isso muito bem. E se vocês estão considerando isso pra gente, é uma potência enorme, né? Que existe nesse caminho, né? De…
Rodrigo Lins
Enfim... Eu ia falar agora... Desculpa, então, mas me lembrou… Eu acho que tem alguns poucos professores, e são os que a gente faz muita questão de, assim, fazer eles ficarem com a gente de qualquer jeito, que são os professores que conseguem se conectar muito com os alunos. Eu acho que tem um público que o professor traz, muito específico, pensando agora, por exemplo, a Paula Cruz, ela já tem uma presença virtual muito grande. Então, quando a gente começou a oferecer os cursos dela, a gente tinha um público muito específico que a gente não estava acessando antes. E a professora, ela consegue criar esse ambiente que as pessoas chegam antes da aula para ficar conversando e ficam até depois para ficar conversando. Que legal. E de novo, acho que uma das coisas que a gente vende é esse espaço das pessoas trocarem. Sim, que eu acho que é uma das coisas que você tem mais falta no fim das contas. De pessoas com interesses parecidos.
Naiara Terra Sim.
Rodrigo Lins
Enfim, até o Discord, ele também meio nesse lugar de “ó, o curso vai acabar, mas vocês têm esse espaço para vocês continuarem trocando.” Enfim, criem, sabe, essa rede lá. A gente tem esse esforço de criar esse espaço, mas essa rede precisa acontecer com essa
interação entre os alunos. Tem cursos que isso não acontece muito, assim. Não é, não é tão bom, mas os cursos que acontecem a gente fica muito feliz.
Naiara Terra Nossa, legal.
Rodrigo Lins
A gente pensa que as pessoas estão, de fato, sabe, criando relações profissionais importantes.
Tiago Perotti Muito bom. Bom, demais. É muito do que a gente gostaria de ter, assim, sabe, esse espaço de troca e as pessoas se sentirem à vontade para levar esse espaço de forma orgânica.
E aí, acho que uma última pergunta, um pouco, assim, cara de pau, mas acho que é uma cara de pau que tem que ser ali dada às vezes, que é assim, se dada a oportunidade, você vê uma possibilidade de compartilhar saberes em um projeto como o nosso, ou de projetos similares, de colaborarem e, né, até prenda essa comunidade maior?
Rodrigo Lins
Gente, eu acho que é isso, a gente tá falando de criar redes, A gente precisa criar eles, não adianta ficar só no discurso. Eu acho que… Mais do que eu vou, não. Acho que precisa acontecer esse movimento. Acho que atualmente tem poucas iniciativas que se pretendem criar esse diálogo. E se elas têm, elas são meio excludentes. Tem o LAD. Acontece, mas aí você vai inscrever um projeto, sei lá, 100 dólares. E aí você tem que viajar para pegar seu prêmio, ouvir as conversas. Tem a Bienal de Aracaju, que é legal, mas também é importante porque ela tira esse centro daqui. Mas eu sinto que a gente só tem a ganhar quando a gente
consegue começar a criar, sabe, esse centro assim.
Tiago Perotti
Eu acho que é por aí. Foi sensacional, assim.
Eu acho que a gente conseguiu aprender muita coisa com você, trocar muita coisa com você. E, bom, foi sensacional o processo de entrevista. Tem alguma coisa que você gostaria de acrescentar?
Algo que você gostaria de falar pra gente?
Rodrigo Lins
Acho que não. Me chame enquanto a senhora apresentar, quero ver só. Com certeza, com certeza.
Tiago Perotti
Eu acho que todo mundo que a gente tá entrevistando vai ser essencial pra gente chegar onde a gente quer chegar no projeto e tá todo mundo convidadíssimo pra assistir a banca, né?
Mas quando for, a gente certamente vai entrar em contato e mandar o convite pra vocês.
Rodrigo Lins
Ah, perfeito. Que legal. Valeu, viu?
Naiara Terra
Muito obrigada, então. Muito obrigado aí pela sua disponibilidade.
Rodrigo Lins
A gente vai se falando aí.
Naiara Terra
Claro, então por aqui. Perfeito. Muito obrigada.
Rodrigo Saiani - Plau
Tiago Perotti
Então, só para te contextualizar, eu sou o Tiago, ela é a Naiara e tem mais um membro do grupo que é a Fernanda, que como está no trabalho não pode entrar com a gente aqui hoje. E o nosso trabalho, esse trabalho que a gente está fazendo, é o trabalho de conclusão. Aqui na ESPM, a gente tem que fazer trabalhos, projetos aplicados, o nosso é da modalidade empreendedora. E aí, a gente tem como tema, assim, um tema de ensino em design, em um contexto complexo. Então, em educação complementar, a gente quer pensar ali como essas soluções de design em um contexto complexo. E, a princípio, estamos pensando em algo que a gente consiga realmente unir as pessoas em comunidade, levar elas para os lugares ou trazer o ensino para elas nos termos delas. Então, acho que se eu dar uma resumida assim, agora a Nai pode começar.
Naiara Terra
A gente tem três categorias de perguntas assim, né? E cada uma demora uns 20, 15 minutos, né? E aí a gente vai te avisando conforme essas categorias mudam, se você quiser tirar uma pausa, pegar uma água, ir ao banheiro. Não, faz um dia minário. A única coisa que eu tenho que alertar é que umas três horas mais.
Rodrigo Saiani
Ou menos eu vou ter que ir pra uma luta, né? Por isso que eu tive que agendar um pouco mais cedo. Eu vou ter a primeira mentoria do FontPro.
Naiara Terra
Que legal, um grande momento. Boa. Ah, então, as categorias de perguntas, primeiro, conhecer um pouco mais sobre vocês, sobre o projeto, né? Depois, ter mais um detalhamento, assim, que eu acho que vai ser interessante pra gente sobre o
mercado, vamos dizer assim, como vocês administram, assim, isso, né? E, por fim, uma visão de futuro aí que você tenha sobre o ensino. E aí você pode começar. Primeiramente, é um prazer
Pode contar um pouquinho pra gente sobre você, como é que foi a sua trajetória com a Cláudia e o que incentivou vocês a buscarem um ensino? Vamos lá.
Rodrigo Saiani
Oi gente, eu sou Rodrigo Saiani, fundador da Plau.
Eu estudei administração antes de fazer design, me formei em administração, estudei de 2000 a 2003 em administração, depois eu tive o privilégio de poder ir para Nova York, na faculty of design, onde eu fiz um curso chamado de Associate in Applied Sciences, como se fosse uma extensão, basicamente uma extensão em especialização em design, Fiz o que eles chamam de Fast Track, que era em dois anos.
Condensei em um, consegui voltar para o Brasil. Na sequência, comecei trabalhando com revista, fazendo editorial, assistente na revista Oi, que era uma revista super legal que tinha da marca Oi, de telefonia. E fiz outras coisas dentro dessa empresa. Basicamente projetos de prospecção de clientes, fazer revistas para clientes que ainda eram especulativas, Cosplay, Itaú, um monte de marca legal.
Na saída dessa empresa, fundei um estúdio com meu irmão, chamado Mirameta, em 2007. E de 2007 a 2003, a gente trabalhou junto, fazendo de tudo, meio sem uma especialização, mas naturalmente indo um pouco mais pro branding. Nisso eu comecei a fazer fontes. Aí lancei minha primeira fonte em 2009, tomando dois anos depois de fundado a Neira Mepo, porque eu lancei a Motiva, que foi a primeira fonte, e fui fazendo um pouco esse processo de umas horas vagas, fazendo fonte, meio que fora do meu expediente de
trabalho da Neira Mepo. Eu e meu irmão, a gente decidiu ir para caminhos diferentes. Em 2013, foi quando eu fundei a Plau, que é o nome da terceira fonte que eu tinha lançado na vida, que era a Motiva, depois a Plau, que eu acho que foi a segunda, e gente, eu tô ficando velho, não me lembro mais. Teve a Guanabara Sans, acho que foi a terceira, foi, Motiva, Plau, e depois Guanabara Sans, eu peguei a segunda que eu fiz e coloquei o nome, porque era curto, simples. E aí, desde então, a gente… Aí, o que que acontecia? Quando eu misturei essa coisa de discografia com branding, quando eu saía dessa sociedade com o meu irmão, eu tinha que… estabelecer melhor o meu serviço, falar o que eu vou fazer. E aí Branding foi o caminho natural. Do Branding veio a tipografia, que já estava na casa, já estava meio que dentro, mas na Anitta mesmo estava fora.
Então assim, a minha irmã pintava e fazia outras coisas fora do expediente e eu fazia fontes. Às vezes isso se misturava no design, porque Palmeiras era uma coisa que respingava no trabalho. Mas enfim, aí eu juntei mais uma tipografia e comecei a comunicar com o autor da minha tipografia. Em 2014, eu entendi que fazer eventos era uma grande forma de prospectar, de estabelecer um nome, de começar a ter um conhecimento e tal. Fiz um evento que era o Behance Portfolio Review.
Foi o primeiro evento que a gente organizou no Rio, que é um negócio antigão. Tinha umas moedinhas, o Guilherme se mandava um kit, você fazia a identidade do evento, chamava os convidados, mas eles te davam uns kits pra você montar um evento desses na tua cidade e tal. Eu montei um desses no Rio e depois eu fiz um workshop. O primeiro workshop que era um workshop tipo os da Copa. A Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Todo mundo no hype do futebol. Aí eu fiz um workshop que era para desenhar a tipografia
das camisetas de gol, das seleções, montei uns casques, um negócio tudo bonitinho. E entendi que isso era um grande momento para a gente, porque não bastava a gente só fazer o que a gente queria fazer. Nessa época a gente ainda nem fazia coisas de type que não fossem auto-iniciadas ou auto-geradas. E daí a gente começou a querer fazer isso. Então, ensinar foi muito natural, assim, como um caminho de abrir o mato e também de compartilhar um pouco do meu conhecimento com outras pessoas que pudessem se interessar. Daí eu entendi que esses três pilares, fazer projetos, fazer fontes de varejo e ensinar seriam três pilares interessantes que meio que levaria um aplauso para mais lugares, faria a gente conseguir também colaborar com outras agências, que é uma parte importante do que a gente faz, né? Acho que a mentalidade dos estúdios naquela época era meio assim, ah, tô com medo de perder o meu projeto com um concorrente. E, como eu fazia fonte, na verdade, eu comecei a enxergar o contrário. Falei, pô, como é que eu posso colar nessas estúdios para que eles usem as minhas fontes?
Quem sabe a gente colabore em projetos. Foi uma mentalidade de somar e não tanto de dividir, de reserva de mercado. E outra coisa que eu aprendi sobre o serviço de design, meu sogro, que era um cara que participava de um software de varejo chamado Links, É... Links não, desculpa, era Quadrant, que foi comprada pela Links e depois foi comprada pela Skoll. E ele me falou assim, ó, cara, se você ficar fazendo serviço, você vai ter uma febre num dia e você não vai poder fazer nada.
Você vai ficar morgada na cama. Mas se você fizer um produto, ele vai, né, sobreviver pra além de você te dar uma lenda diferente e tal. E eu vivei isso até aí porra, assim. Foi quando eu decidi que Fonte era o produto que eu ter feito assim pra fazer isso, que eu gostava
de fazer, eu já tinha naturalmente essa inclinação de desenhar fontes no tempo livre, era meio... eu substituí jogar videogame por fazer fontes.
Então, o meu hobby passou a ser fazer fontes. Aí eu consegui trazer isso de volta pro trabalho. Então, foi esse mais ou menos o pensamento que me levou a construir a Cláudia do jeito que ela é hoje. E, assim, acho que isso dá uma respondida boa nessa primeira etapa da gente.
Naiara Terra
Chegar no comecinho do que a Plau se tornou. Legal, perfeito. Então, sobre essa iniciativa de aprendizado de vocês, você acha que a definição está realmente nessa questão de somar e não dividir?
Rodrigo Saiani Eu acho que é isso, é um pouco inspirar outras pessoas a aprenderem, Eu acho que tem várias frentes aí, né? Você ensinando, você aprende primeiro, porque você tem que estudar mais para poder passar um conteúdo de forma didática, com entusiasmo. Eu acho que a minha vontade era sempre de deixar as pessoas, edificar elas com o que tinha da tipografia, assim. Malucas pelo assunto tanto quanto eu era e sou, né? E aí, os efeitos colaterais são, você se torna um pouco mais autoritário, você se especializa, você passa a ser visto como alguém que entende daquele assunto.
Logo, você é mais consultável. Então, fica sendo uma coisa múltipla de resultados, mas no fundo disso tudo estava uma vontade maluca de desenhar letras. Todas essas coisas que eu tô falando são coisas que eu percebi depois, mas durante o processo eu tava assim, ah, só quero desenhar mais leve, só quero desenhar mais leve, só quero passar isso adiante. A motivação era um pouquinho mais, assim, visceral do que necessariamente racional, assim, ah, tem que fazer isso porque isso aqui... Ah, entendi, legal.
Naiara Terra
E parte realmente desse interesse, né, e dessa vontade de compartilhar. Legal. E aí, considerando todas as frentes, qual que você diria que seria a correlação entre as iniciativas que vocês têm estudando, entre linha, o Plau
Ensina e o Brandcooker?
Rodrigo Saiani
Nossa, ótima pergunta e uma ótima forma de esclarecer tudo isso
Desde muito cedo eu tenho entendido... Bom, vamos lá. A Plau, ela atendia um monte de startups, E essas startups, elas tinham estratégias de crescimento interessantes, né?
Tipo assim, eu fui aprendendo com os meus clientes como eles faziam essas estratégias para crescerem e tal. E nisso, a gente atendeu uma empresa chamada Mandae.
A gente tinha atendido antes, na própria, a gente que era na Nigaleco ainda, uma outra empresa, que era tipo uma empresa dessas que manda uma caixa de roupa para a mãe, E as roupas, você vai recebendo roupas que vão crescendo com o seu filho, sua nova filha.
Naiara Terra Ah, que legal.
Rodrigo Saiani
É, o projeto tem até o Oswaldo Birrenzi, da Plau e da Lira, né? E esse projeto foi o primeiro projeto que a gente fez cliente, depois a gente fez um projeto. E aí ele pensou o seguinte, fazer isso era um problema, mas mandar as roupas pelo correio era uma solução que nenhum marketplace tinha. Então ele pegou essa ideia só de mandar as coisas pelo correio, ou pelo transportador, ele fez a Mandaê. Depois de muito tempo, foi comprada pela Nomex Shop, então ele teve uma saída de sucesso da startup, mas a estratégia de crescimento dele era muito legal, que era totalmente baseada em conteúdo. Então, ao invés de mandar
por conta, fazer banners, publicidade, ele fazia conteúdo para um mercado que era o mercado de pequenos comerciantes online, digitais. Então, como é que você tira uma foto menor? Como é que você faz aquilo? Tipo, uma planilha de coisa para você planejar a sua empresa. Tudo que era lateral ao negócio, aliás, tudo que era central ao negócio, mas era nem lateral ao envio, o envio era o resultado. Se essa pessoa tivesse mais sucesso, ela ia ter Ela ia ter mais envios para fazer, que era o objetivo deles, certo? Então, eles conseguiram estabelecer na mente desses empreendedores que se eles quisessem aprender sobre o mercado de vendas de táxi, eles tinham que ir para o site da Mandaê. E isso era genial, porque as pessoas começaram a acessar esse conteúdo e crescer e se registrar e fazer toda a parte que é comercial mesmo ali. Ou seja, eu aprendi que conteúdo era uma ótima forma de fazer a gente ganhar tentáculos e alcançar outras coisas. Sem contar que eu sempre gostei de escrever, sempre gostei de colocar esse conhecimento, refletir sobre esse conhecimento. Eu li muito sobre design antes de ser designer, então eu tinha essa vontade de também passar um pouco do que eu vivia na escrita. Então, essa graça de conteúdo começou comigo escrevendo os conteúdos, e aí depois, graças a uma sorte, o Valtinho falou, pô, que maneiro, vocês fazem conteúdo sobre tipografia, Quero escrever essa fotografia, não sou designer, sou publicitário, mas eu quero fazer isso. Então, aí o Valtinho meio que entrou, se encaixou nessa posição.
Rodrigo Saiani Então, não mais eu precisava necessariamente escrever tudo. Durante muito tempo a gente escrevia junto. Hoje em dia, domina essa parada, faz tudo muito bem. Então, meio que foi essa a ideia. Veio de aprendizados que eu tive com as startups e foi meio que o jeito
mais desoperante de aprender coisas na blog foi esse pediam pra gente e a gente tentava responder isso meio atrelado à tipografia, atrelado ao jeito que a gente pensava. Então, desde então, meio que virou um desses momentos. No começo era nosso blog, no começo era o Medium, no começo era Instagram. Depois só que a gente começou a dar um nome pra esse show, um nome pra linha, aí esse ano passou a gente Começou o Substack, que no começo era o Substack da Plau, depois passou a ser o Entrelinha. Enfim, essas estratégias a gente ainda tá azeitando muito.
Rodrigo Saiani
A gente realmente não tem total noção do que ainda pode ser. E tá aprendendo com o processo.
Naiara Terra
Uau, legal. Então foi um movimento assim meio que orgânico, né? Legal.
E a gente que tem um pezinho ali na ESPM, na publicidade, assim, consegue identificar bem legal, assim, essa estratégia de trazer os clientes é muito eficaz, muito interessante. E aí, então, passando pra essa questão, assim, mais de como funciona, né, a operação aí de vocês, vocês têm um padrão, assim, vocês conseguem modificar o tipo das pessoas, o perfil que consomem o material de vocês?
Rodrigo Saiani
Vai depender muito de qual pilar que a gente tá falando, né? Se a gente tá falando de educação, a gente vai tá falando de designers mais ou mais novos ou estudantes mesmo, né? Tipo de design, publicidade, às vezes outras áreas, mas pessoas que têm um interesse em se especializar em tipografia ou em logotipo, né? Então, assim, acho que a nossa base, ela é muito determinada por nosso interesse em tipografia e marcas. Então, esses públicos, ora se interessam mais por marcas, mas gostariam de fazer as partes
desse branding de forma mais eficiente, legal, bonita, elevante, etc.
E a galera de typing, mais nerd, ela curte essa ideia de que eles podem fazer a própria fonte, podem também trazer fontes para projetos de branding. Acaba que nesse aspecto é muito esse mercado. Quando a gente fala de venda de fontes, eu acho que ainda é muito esse mercado também. A gente é a primeira venda de fonte de um mercado nacional de pessoas que nunca compraram uma fonte.
Naiara Terra Ah, legal, incrível.
Rodrigo Saiani
Maravilhoso, é. Porque a gente conseguiu, de alguma forma, se conectar com essas pessoas, falando a língua delas, falando uma coisa descomplicada, sem afastar mesmo a pessoa daquele assunto, fora porque a gente fala que o negócio é super complicado. Pelo contrário, a gente tenta trazer esse assunto para o dia-a-dia para que as pessoas se sintam interessadas e querendo entender. E eu vibro muito quando alguém que é fora do eixo natural de que usaria uma fonte, compraria uma fonte, compra.
Rodrigo Saiani
Então, se uma confeiteira compra uma fonte, como já aconteceu, isso é ótimo. se alguém de finanças, compra fonte, que quer fazer uma apresentação melhor. Isso me indica que a bloca tá saindo da bolha, né? Que a gente consegue sair dessa... E se a gente consegue isso, a gente vai pra um negócio chamado long tail, né?
Que é um aprendizado também de software, que é você conseguir lá aquela cauda longa pra você vender. Pouquinho, pouquinho, pouquinho, mas a cauda longa, né? Ao invés de ser só aquela galera que é especializada, né? Você fala com um grupo muito grande, vendas talvez mais pontuais, mas com um grupo maior de pessoas. Então, meio que
essas duas se compensam.
Rodrigo Saiani
Sim. No lado das fontes customizadas, que aí é um serviço super especializado, super, né, boutique da vida, assim, aí a gente tá falando com líderes, pessoas que são líderes em marcas, né, e querem trabalhar a marca, todos os aspectos de uma marca melhor. começando pela tipografia, começando pela logotipo, identidade e tal. Então, você tem ali... Hierarquicamente, numa imprensa, elas vão estar mais acima, elas vão estar conectadas a designers...
Então, times de design, não só agora designers freelancers ou indivíduos, mas times de design, pessoas que... tomam decisões estratégicas dessas empresas. Muito também times de UI e UX, que é uma galera que a gente quer muito se conectar, porque são formadores de opinião de baixo para cima nesse tipo de empresa para fazer uma fonte de produção usada, ter um interesse no assunto, sabem usar e ao mesmo tempo sentem as dores das fontes que eles estão usando e comunicam isso muito bem. Então é meio que por isso, para cada frente tem um perfil diferente. Não à toa a gente fez um logotipo que é variável, ele pode se transformar de acordo com esse perfil.
Naiara Terra
Legal, perfeito, faz todo sentido. E aí sobre a questão mais educacional, você poderia contar um pouquinho para a gente como é que é um pouco o processo, o desenvolvimento, por exemplo, dos cursos, planejamento e implementação.
Rodrigo Saiani
Adoraria ter uma coisa bem estruturada para falar sobre isso.Não tem. O que acontece? A gente tem hoje um pouco mais estruturado um documento que tem todos os assuntos possíveis que a gente tem para falar sobre tipografia. Então, vamos lá, dividindo. Você vai
ter...
Qual é o ideal? Pra você conseguir fazer um curso gravado, que vai funcionar pra um milhão de pessoas, na ferramenta mais popular possível, certo? Então, se eu fizer um curso de desenho de logotipo pra Illustrator, tudo bem, vai ser competitivo com uma série de outras iniciativas educacionais. Domestika, né? Você vai ter um monte de competição. Se você vai para o Glyphs para ensinar a fazer fontes, aí o seu nicho, principalmente no Brasil, começa a ficar muito pequeno. Por quê? A maioria das pessoas usam PC, não usam Mac, Glyphs não tem no PC, tem no Mac. Então, em termos de estrutura, a gente tem que fazer pensando muito nisso. Qual é o funil que a gente tem de pessoas para abordar? E o que a gente quer ensinar também. Então, a gente começou com o Caca (Carlos Mignot) fazendo um curso na Domestika. Claro, antes de tudo isso, a gente começou comigo fazendo um workshop presencial, né? Algumas lá, coisas na pandemia que vieram. Dei curso, fui professor da Miami Arts School, fui professor do Aprender Design lá, desde 2014 eu dava aula na Miami até mais ou menos 2020. Então, essa coisa de educação veio muito também nessas iniciativas que saíram físicas.
E aí, na hora do digital, pensando agora na estrutura que a gente tem de curso, a gente tem o BrandCooker, que é o curso que faz esse balaio mais aberto, que tem um custo mais acessível, e que fala de coisas que são muito amplas. Tipo, vou fazer um logotipo com base nesses princípios que a gente usa para o desenho. Fonte Pro é um curso mais especializado que foi estruturado assim, apesar de que o Fonte Pro é o resumo do que eu ensinava na Miami, do que eu ensinei, o Cacá foi o meu aluno na Miami em Type Design, então ele carregou esse conhecimento para o FontPro E aí, o que acontece?
A gente não tem um time estruturado de
fazer. Então, ele foi lá, fez, gravou, né? Fez toda a parte de gravação no tempo livre dele e montou o curso de Fontpro. Então, ele fez esse movimento todo. Então, a estrutura ainda não é tão profissional, assim. É meio... Ele foi porque ele foi.
Aí, eu tô preparando um outro curso que, por naturezas diferentes, eu tenho um pouco mais de dificuldade de montar uma online. cada um vai no seu ritmo, né? Então, o BrushPop a Mari já tinha preparado em outra ocasião, né? Ela só digitalizou, né? Então, é meio ainda, é… orgânico. Pra não dizer, assim, mambembe, certo? Ainda meio gambiarra, mas cada vez mais a gente tem a coisa mais profissional. E acima disso tudo, eu acho que tem conteúdo que é de qualidade com a linguagem fácil de entender, em português, que é uma carência real de mercado e com entusiasmo, que acho que é o que faz a parada acontecer. Então, é mais ou menos isso. Sempre pensando, assim, nesses públicos que cada um tem uma necessidade.BrandCooker vai ser pra você ser picado pelo bichinho da fotografia. O FontPro já é pra quem já fez outros cursos, já tem mais conhecimento, já começa E aí, tem outros, né? BrushPop talvez seja um pouco mais avançado que o Brandcooker, entre o e o FontPro.
E aí, o que a gente tem que fazer é começar a preencher esses vazios que estão entre eles ou oportunidades em outras frentes, sabe?
Naiara Terra Legal, perfeito. Maravilha. E aí, no caso de quando você realizava workshops, essas coisas mais presenciais, assim, tinha um meio que planejamento de operação? Ou era mais uma questão de...
Rodrigo Saiani Era um planejamento. Geralmente o workshop durava uns dois dias, aí tinha uma agenda do dia, né? Começava com uma teoria, tipografia, ela… Aliás, acho que
qualquer habilidade artística e criativa, eu acho que ela depende de repetição, teoria e prática andando juntos, assim, né? Então, você ouve um pouquinho sobre a teoria, Coloca ela em prática, entende que aquela teoria tem um fundamento, tem um porquê, repete e reflete sobre aquilo que você fez. Faz esse momento que você faz de novo, vocês que têm mais dúvidas, avança um pouquinho naquela teoria, entende que você não sabe tanto quanto você achava que já sabia, e você vai fazendo ciclo até falar, putz, agora entendi, comecei a ficar confortável com esse novo conhecimento, e a partir daí eu consigo atuar em cima, fazer coisas criativas em cima, né?
Então, eu acho que o Fonte Pro, por exemplo, ele é legal porque, né? É isso, assim, ele é um curso que é praticamente você ver o Cacá fazendo uma fonte, né?
Ou ver alguém da placa fazendo uma fonte.
Então, você pega a teoria, vê ele praticando e aí você começa a praticar você mesmo, então, começa a ganhar esse essa ideia. Então, é isso.
Naiara Terra
Não sei se eu lembrei da pergunta, mas acho que Ah, acho que é o sentido.
Então, por exemplo, no caso de um evento presencial de um dia em dois dias, tem o equilíbrio entre esses três momentos, né?
Rodrigo Saiani
Exatamente. Teoria e repetição. É isso, isso. E aí, por exemplo, a gente tinha dois principais cursos, né?
Identitype, que foi um que surgiu das coisas dos arquétipos com… E aí a gente fez cards com as arquetípicas, tinha sorteio, tinha toda uma... Não era só chegar lá e dar uma aula e começar a fazer. A gente fazia tipo uma coisa mais divertida aqui, né? As pessoas traziam tanto a indústria que seria a aviação pra, sei lá, vermes.
Sei lá, alguém viajava e fazia uma conexão maluca naquela história. Ficava um negócio interessante e os resultados ficavam divertidos porque eram inusitados, assim. Então, é bem legal.
Naiara Terra
Ah, bacana. Aí, nesses eventos presenciais, assim, tinha um limite de pessoas participando?
Rodrigo Saiani
Tinha que ter mais ou menos umas 20 pessoas, assim, porque era bem... Tinha que dar total atenção pro Canal 1 digitalmente, assim, então... Melhor ser um número maior. Precisa ficar menos gente.
E o BrandCooker, por exemplo, tem a ver com essa ideia também, de que, online, demonstrando coisa, fazendo você mesmo, ao invés de delegar a responsabilidade para. Quem está fazendo, ele é mais, você consegue fazer para mais gente
Naiara Terra
E aí, bem que nessa questão educacional, a questão financeira de administração, administração. Tem alguma coisa que você acha interessante.
Compartilhar com a gente como é que funciona?
Rodrigo Saiani
Como a gente passa a ser uma empresa que também vende produtos, né? Seja infoprodutos, software, etc. A gente tem uma preocupação muito grande com o autor, com quem produziu aquele conteúdo. Financeiramente, é uma operação baseada em royalties, certo?
Então, quem produziu tem direito a um percentual daquilo. Tem um outro percentual que é dedicado a plau, né? Pra que ela remunere a estrutura. E aí todo mundo sai
ganhando. Então, quem fez um concurso, quem fez uma fonte, tem direito a um percentual dessas vendas, certo? Então, é um modelo que não é nada incomum, as distribuidoras de fontes têm esse modelo, mas é interessante também para cursos, para outras coisas, para outras iniciativas que podem funcionar. Então, é meio que isso. A gente, então, tem diversas origens dessas receitas. Adobe Fonts, MyFonts, Hotmart, tem várias diferentes. E eu, junto com a Aline, que é quem cuida também dessa parte de distribuição dos pagamentos, cuida dos royalties das pessoas. Eu tenho esse lado ainda administrador, então eu tenho que olhar esses planilhos como fez. Eu faço uma parte ainda bem importante de cuidar financeiramente dessa parte. E aí a gente faz essa distribuição também. Aí na parte de serviços, aí é outra roleira, que aí é meio que aplauso. Aí é a empresa normal, né? Receita da qual paga o salário das pessoas, né? Ah, legal. Ah, perfeito.
Tiago Perotti
E uma coisa que você mencionou também na pergunta anterior e tal, um pouco mais relacionada com o que a gente vinha falando antes um pouco, era essa questão dos cursos.
E aí os cursos, em especial o Brandcooker, eles formaram uma comunidade ao redor desses temas, né? De tipografia, de branding, desse conceito de brand typography, que a Plau aborda E aí qual seria a importância disso? Dessa comunidade, de se manter com essa comunidade, sempre engajando. Eu tô no grupo e eu sei que vocês da Pau engajam muito lá no grupo, sempre conversando. Enfim, vejo às vezes até tópicos que são conversados com a galera virando um artigo do Entrelinha, né? Então, qual seria aí?
Rodrigo Saiani
Poxa, é absoluta, total a importância. Tanto é que hoje em dia, até a gente fazer o BrandCooker, eu entendi que um dos pilares era ensinar tipografia. Agora eu sei que um dos pilares não é só ensinar, é construir uma comunidade em volta do assunto. Então, mudei meu discurso a partir do momento que eu aprendi quão importante é o Brandcooker.
Então, o BrandCooker é importante porque a gente mantém um diálogo sempre aberto com quem está testando as teorias, não só as nossas, né? É muita pretensão achar que vai ser unidirecional a história, e o contrário. O negócio é que o quanto que a gente aprende também com outras visões, com outras abordagens, com outros estilos, com outras respostas, né? Então, quando é uma fonte eterna de aprendizado, ela é obviamente uma fonte muito importante de engajamento com, por exemplo, lançamentos, né? Então, a gente lança primeiro por lá as pessoas, a tendência é que as pessoas que estão lá comprem com menos, como a gente chama, né?
Tipo, menos rejeição. Rejeição não, mas é... Como é que chama isso em vendas? É tipo assim, você tá com menos objeções, se chama, né? Você tem menos objeções àquela venda, porque você já conhece quem fez. Teoricamente, o produto é bom, né? Ele é bem cuidado, tem Foi feito com atenção, com carinho e tal. E outra coisa que eu sempre soube é que se alguém conhece alguém que faz tipografia, essa pessoa naturalmente vai piratear menos produtos, vai usar fontes legalmente, vai se preocupar. Então, eu acho que a comunidade tem esse negócio também de mostrar o valor que existe nessa história de construção. E às vezes é até difícil acompanhar o grupo, porque é tanta gente, tantos assuntos, mas é isso que a gente quer.
Então, recentemente começou a acontecer de pessoas que são do grupo fazerem lives fazendo fontes. Então, assim, é como se a gente já tivesse multiplicado o conhecimento de tal forma que agora existem pessoas fazendo a mesma coisa que a gente em outra esfera e maravilhoso. Quanto mais gente, melhor. Então, é meio que... Por aí que eu vejo, assim, de novo, essa história de multiplicar.
Quanto mais gente... Porque esse é um negócio interessante, que eu acho que vale a pena refletir, assim. Quando a gente tem um assunto que é tão difícil de entender ou tão difícil de engajar, que ninguém do nosso externo ao nosso universo entende, né? Tipo, quando a gente pergunta pro nosso tio o que que é, tipo, ele fala, ah, sei lá, é isso, né? Como é que a gente tem que fazer o, o, como é que qualquer pessoa naquele, naquela indústria tem que fazer?
Primeiro, você promove o todo. Você promove primeiro tipografia. Depois, você promove as coisas relacionadas à tipografia. Por fim, você promove o que é diferente no que você faz, certo? Então, como é que o pensamento, o pensamento retrógrado em relação a isso, é?
Eu faço fontes, eu vou proteger meu mercado, então eu só vou falar de mim, só vou mostrar minhas coisas, vou ficar bravo se alguém fizer alguma coisa que não tem a ver comigo e não vou divulgar outras iniciativas que não têm a ver comigo, certo? Isso é um pensamento que não vai ajudar o assunto de tipografia a avançar tanto. Você pode até construir uma marca em torno disso, né? Ah, legal, mas se você fala sobre tipografia mencionando Quem quer que seja, né? Mostrando quem você admira, porque no fim das contas, todos nós temos nossos heróis e heroínas, né?
E pessoas que a gente admira, projetos que a gente admira, coisas que a gente tem inveja
e bava e queria ter feito. Então, quanto mais aberta a gente for a relação a isso, mais o assunto vai avançar, mais gente vai conhecer, mais vai se interessar. Quando a gente tira o assunto do nosso ambiente, não é só a fonte dentro de um computador, é fonte no cinema, é fonte no teatro, é fonte nos quadrinhos, é fonte no videogame, é fonte no... aonde ela vive, né? É ir para o habitat natural daquilo para que as pessoas se interessem, porque.
Elas não se interessam por fotografia, elas se interessam por filmes, se interessam por...
Naiara Terra
Legal, faz sentido. Esse diálogo com outras áreas é super importante.
E essa história de que, primeiro, a gente promove o assunto geral para depois ir para os específicos, né?
Rodrigo Saiani Amém.
Tiago Perotti
Maravilha, maravilha. Eleva o negócio tipográfico como um todo, né? Você faz as coisas por princípio, mais do que por negócio.
Naiara Terra
Porque é uma melhor decisão de negócio.
Rodrigo Saiani
No final das contas, né? E isso é, pra muitos, contraintuitivo. A gente acha que primeiro a gente tem que vender, e depois a gente tem que, sei lá, emocionar.
Tiago Perotti
Então é o contrário.
Rodrigo Saiani
Primeiro você emociona, depois você vende.
Naiara Terra Nossa, total.
Legal. E acho que é um bom gancho para entrar nessa questão da sua visão para o futuro. E a gente aproveitando, a gente fica muito curioso em saber o que você pessoalmente gostaria de ver abordado em um projeto educacional de design. O que você acharia bacana, interessante.
Rodrigo Saiani Ótima pergunta. Bom, eu acho que todo projeto educacional de design hoje tem que considerar muito essas tecnologias novas. Uma coisa que ainda é pouco explorada no design, não no design principalmente, mas é a programação. Acho que a programação é um negócio que eu vejo como sendo um companheiro muito importante do designer daqui pra frente. Eu acho que a inteligência artificial, seja ela pela geração da imagem, que não é tanto como eu uso hoje, mas como companhia criativa, assistência de criação, bate bola, troca. Eu acho que se a gente não tiver aprendendo isso hoje, eu acho que vai fazer falta lá na frente. Eu ouvi outro dia de um cliente, um negócio muito legal, que o Mariano Suacuna falou, que é um realismo otimista.
Alguém que olha para o mercado, para o mercado não, né? No caso da Amazon, você não olha para a vida, né? Vê que ela é dura, mas você tenta ver que talvez ali na frente o negócio vai melhorar. Então, acho que existe uma dureza da vida para o designer atual, que é ter que... E sempre foi assim, tá, gente?
Eu acho que não é só agora, mas é que agora fica tão mais... A explosão é tão grande que eu acho que... E a gente está vivendo isso agora, né? Eu acho que a gente ainda não sabe onde vai lidar, mas a inteligência artificial, ela vai ter várias possibilidades de resultado. Resta saber como cada um vai lidar com aquilo.
Eu acho que sempre vai ter os extremos, né?
Pessoas que vão confiar 100% na inteligência artificial e pessoas que nunca vão confiar na inteligência artificial. E a zona cinzenta no meio disso tudo, né? Eu acho que a tipografia, ela tende a... a sofrer pelos dois lados, né?
Você vai precisar de gente mais especializada para esse público que quer uma mão humana. Você vai ter que saber fazer coisas que vão talvez ser mais ágeis e mais, né?
Toque de caixa, como todo mundo tem que fazer no mercado de design. Desdobramento de marca, desdobramento de sei lá o quê, né? Mas eu acho que se tem uma coisa que eu acho que vai estar potencializada, é a capacidade do ser humano de conectar ideias diferentes, se tiver uma coisa que nenhuma máquina vai conseguir pensar. Eu acho que a mistura de assuntos, você pode pensar, até você vai trocar ideia com a máquina, mas a resposta que a máquina te der, vai te afetar de tal maneira que você vai chegar a umas conclusões totalmente diferentes. Vou dar um exemplo aqui que talvez seja um exemplo de conexão interessante. Pô, a gente tá fazendo uma marca de granola e conversando com o meu time, depois de ter feito um monte de conversa com o cliente, o cliente trouxe pra gente coisas que eram muito pouco diferenciadas, não tinha tanto, sabe, faltava molho assim pra você conseguir. Sim.
Extrair uma estratégia interessante pra marca. E aí, conversando com as pessoas do time, a gente foi provocando um ao outro, como se eu tivesse literalmente falando com cinco diferentes chats de CPTs que interpretam as coisas diferentes.
Naiara Terra E a gente mesmo com o nosso pessoal.
Rodrigo Saiani
E aí, cada um falou uma coisa. E aí, no final das conversas, uma delas conectou uma ideia que veio de um livro, que era um livro dos anos 80, Mas era o título do livro que virou o statement da marca para uma granola, não tem nada a ver com nada.
Rodrigo Saiani
Se você tirar isso de contexto, mandar isso para a máquina, talvez ela jamais soubesse que essa conexão foi feita. Mas o contexto todo, inclusive a participação da máquina para a geração de ideia, eu acho que traz uma coisa a mais. Então assim, eu já uso pra caramba, eu acho que tem muito valor, tem várias questões éticas, morais, etc., como em todos os outros momentos de... computador versus FaceTime, que era você fazer. Pô, tem uma artesania naquilo, tem uma… no final das contas, o computador permaneceu. Acho que é um pouco isso, assim, é conseguir entender até que ponto deixa de ser um ser humano controlando e passa a ser uma muleta pra você. Ah, eu já entendi. Né? Tipo assim, pra você só… Poder ir mais rápido. Fazer coisa meio, tipo... Se livrar, né? Se marcar, ou dane-se e, tipo, ir lá fazer também.
Naiara Terra Sim.
Tiago Perotti
Mas dá mais trabalho do que menos.
Rodrigo Saiani
Isso eu sei. Porque, assim, você tem que entender novas ferramentas, Assim, se você olhar, antes você só precisava assinar um puto com autos. Quando muito, né? Você precisava pagar o Adobe.
Agora você usa o Adobe do sei lá o que. Você precisa de vários serviços laterais. Então, você fica com um cartão de.
Crédito pendurado de serviços indo na conta.
Naiara Terra
Do gratuito ali, que faz com que seja mais custoso, né?
Rodrigo Saiani
Então, parece que vai custar menos. Parece que vai ser mais fácil. Mas, no final das contas, eu acho que vai dar mais trabalho e vai requerer mais coisa. Por outro lado, tem várias facilidades.
Tipo, mockup. É, você vai fazer, montar uma apresentação do zero sem precisar pular recurso. Tem várias coisas aí que se simplificam. E que, de alguma forma, já era possível de você usar. Coisas mais simples assim.
Naiara Terra
Ah, entendi. Essa questão do equilíbrio, né?
Ah, perfeito. Bom, então, uma última coisinha que a gente queria aproveitar para saber, se dado a oportunidade, se você estaria aberto para compartilhar mais dos seus saberes, das suas experiências em um projeto que tivesse essa iniciativa educacional como a.
Rodrigo Saiani Nossa? Sim. Vai rolar. Depende de como, não é assim, mas dentro de, assim, das possibilidades. Coisas que a gente aprende e adora fazer, né?
Rodrigo Saiani
Palestra, workshop, tudo isso presencial, online. A gente faz muitos cursos para empresas, para times criativos que querem melhorar essas ideias psicográficas. Inclusive é um super bom caminho, assim, educacional também. Então, tudo isso a gente tá super alerta.
Tiago Perotti Ah, legal, perfeito.
Naiara Terra
Então ficamos muito felizes com essa conversa, com a oportunidade, viu? E aí tem alguma coisa que você gostaria de compartilhar mais, que seja interessante?
Rodrigo Saiani
Ah, eu queria perguntar pra vocês qual é a visão do futuro de vocês que estão ali se formando, né? Como é que vocês estão sentindo o mercado?
Naiara Terra Para eu aprender uma coisinha ou outra aqui também. Justíssimo, pois é. Nossa, esse trabalho de conclusão de curso é muito interessante nesse sentido, assim, porque a gente chega justamente num público-alvo em um período de transição de muita incerteza, assim. Então, a gente consegue ver tanto na gente, que vai passar por isso daqui a pouco, quanto quem tá vivendo ali na hora, né, Nossa, o mercado se transformando muito rápido, ao mesmo tempo em que você tem muito conhecimento técnico, mas ainda se sente despreparada. A gente vê, tanto conversando com pessoas da área que estão fazendo bem a iniciativa que a gente quer, como é importante essa questão de criar essas pontes entre o mundo acadêmico e a realidade da profissão.
Naiara Terra
Acho que a principal ponte que a gente está encontrando é essa questão realmente. Da troca da comunidade.
Tiago Perotti
Eu acho que também tem uma questão que é essa atenuação das linhas que definem o que é design e o que não é. O design está indo para mais lugares, expandindo. Eu acho que é um bom momento para os designers se encontrarem e definirem suas forças, né?
Uma maneira da gente ainda se manter competitivo no mercado, como um profissional diferenciado, né? Tipo, o que o designer, ele não é publicitário, ele não é, enfim, ele não é Chat GPT, né? Mas também é um momento, assim, de destacar essas maneiras diferentes que são inatas do designer, de ver o mundo, de fazer as coisas, né? Que eu acho que é uma força.
Rodrigo Saiani
Super legal
Tiago Perotti É uma força que a gente gostaria também no nosso projeto capturar, né? Nem querer botar o raio dentro da garrafa, mas é uma coisa que seria muito legal, assim, de poder fazer. A gente, tipo, olha pra vários projetos, como um pouco de curso de vocês, assim, e cada um na sua área consegue fazer um pouco disso, né? Tipo, eu acho que a existência de projetos como o de vocês eleva a tipografia, tanto quanto a tipografia eleva projetos educacionais baseados nela, sabe? Então, é uma coisa que eu acho que é um ciclo de ir se alimentando, né?
Eu acho que é muito importante, eu acho que é um ou as coisas vão ser menos focadas no mercado e mais nas pessoas que participam dele. Até com os avanços tecnológicos, o aspecto humano, a humanidade está ficando cada vez mais importante como um agregador de valor. Rodrigo Saiani Eu acredito que isso é surpreendente. Acho que a partir do momento que você sabe fazer um prompt usando uma lente Canon, sei lá o que, com uma vista de cinema e tal, também aprende mais sobre quem fotografa e, de repente, eu acho que é uma porta de entrada, né? Porque ninguém, no começo de uma carreira, tem dinheiro para contratar um fotógrafo para fazer, ou, não, uma pessoa
fotógrafa para fazer uma foto profissional. Ou você aprende e faz sozinho, né? Como eu me sentia muito no começo da Nira, né?
Porque era assim, eu ilustro, eu faço a type, eu faço sei lá o quê, Eu fotografo e a gente vai se virando. Hoje eu acho que você tem de novo uma companhia ali do lado que pode talvez fazer isso, mas é como fonte. No começo você pirateia, porque você não sabe muito bem de onde vem, pra quem é que faz.
Mas no momento que você conhece um pouco mais sobre o assunto, você valoriza. Você fala, pô, vale a pena pagar. E você começa a ficar saturado de ver as mesmas coisas. Daqui a pouco a gente vai estar saturado das mesmas imagens ou dos mesmos estilos. E aí vai ter um fotógrafo, uma pessoa fotógrafa diferente, que vai trazer um olhar, que vai falar, putz, é isso, é isso. Tipo, eu acho que Rodrigo Maldici, que é um estúdio animal, fotógrafo incrível, fez várias coisas. Pô, a visão que ele tem, nenhum computador vai saber fazer. Você pode até tentar emular o olhar dele para aquilo, mas quando você pega o original, é diferente, né?
E pô, você pode até trocar ideia com outro profissional daquilo, você vai aprender tantas outras coisas que nenhum computador vai te ensinar. Então, acho que como profissionais de design, acho que também a gente tem que perseguir certas experiências. E eu acho que os clientes também têm isso. O cliente não tá só contratando uma máquina, está contratando um conjunto ou um cérebro, um conjunto de cérebros para que ele melhore, para que ele, para que essa entidade aprenda alguma coisa também. Então, acho que é a riqueza dessas conexões humanas, acho que não se perde nada.
Naiara Terra
Legal. Nossa, perfeito. Nossa, é um prazer, viu, Rodrigo, conversar
com você. Foi muito enriquecedor, assim, com certeza vai agregar super no nosso projeto, viu? Maravilha.
Rodrigo Saiani Pô, prazer.
Naiara Terra Isso aí, desculpa por falar.
Rodrigo Saiani
Não, eu só ia falar que acho que o papo foi muito bom e se eu conseguisse compartilhar esse papo com mais gente, seria maravilhoso. Eu sei que talvez, né, tem coisas dos trabalhos e tal, mas... Maravilha. Se vocês quiserem, em algum momento, lançar isso, essa... Esse momento aqui…
Tiago Perotti Ah, que legal, sim.
Naiara Terra Fica à vontade.
Rodrigo Saiani Ah, perfeito, maravilhoso.
Naiara Terra Então, como você acredita que vai ser o final do ano?
Tiago Perotti Vamos ver se a gente consegue fazer alguma coisa.
Naiara Terra Valeu, viu Rodrigo? Então, boa reunião pra vocês daqui a pouco.
Rodrigo Saiani Valeu, obrigadão pela oportunidade aí e sucesso, sorte aí na conclusão, depois manda que eu quero ler.
Rodrigo Saiani Não, deixa comigo. Depois eu mando.
Cláudia Lima - Mesa School
Naiara Terra
Então, primeiro a gente quer saber um pouquinho mais sobre você e sobre a mesa. E depois partir pra essa questão de como funciona o modelo de vocês e o mercado.
E por fim, é uma visão de futuro que você possa compartilhar com a gente. Cada uma planejada por uns 20 minutos. Se você tiver a disponibilidade, a gente pode seguir.
Cláudia Lima
Estou aqui pra vocês. Vamos lá. Maravilha. Vou começar. Você quer que eu te conte um pouquinho?
Naiara Terra Perfeito.
Cláudia Lima
Exatamente. Vocês vão me interrompendo, tá? Olha, eu faço parte do time core da Mesa. A Mesa tem dois tipos de colaboradores, né?
Os que fazem parte do time core, que é o time daqui mesmo, né? Que a gente trabalha pra Mesa. Mas a gente tem uma série de pessoas treinadas que a gente chama de leaders at large.
A gente pegou esse termo emprestado no jornalismo, porque eu sou jornalista, a Bárbara é jornalista fundadora da empresa, então a gente pegou esse termo que são líderes, que são treinados no método, que fazem mesas, mas que eles fazem outras coisas, eles são fazedores, estão por aí, fazendo outras coisas da vida, e quando a gente precisa deles para algum projeto, eles vêm com a gente e lideram uma mesa. Então, eu faço parte do time, faço três anos só, mas eu conheço mesa desde sempre, porque eu, como eu falei pra vocês, eu sou jornalista, a Bárbara, que agora está em Nova Iorque, também é jornalista. A gente
trabalhou juntos atrás na Editora Abril. A revista é super interessante. Aliás, a revista tinha designers, gráficos incríveis. Sou fã.
E a gente trabalhou juntos e a Bárbara foi editora. Depois ela rapidamente virou editora chefe de Capricho. Saiu, foi para o exterior, foi trabalhar na fábrica, que é um grande hub de criativos, que era mantido pela Benetton, que tinha uma revista que chamava Colors. A Bárbara virou editora-chefe dessa Colors, depois voltou para o Brasil e aqui ela decidiu que queria empreender de uma cabeça cheia de ideias lá de fora.
E foi meio na época que tinha aqueles TED Talks, então ela via muito, falava que isso é muito legal, que as pessoas saem muito inspiradas desse tipo de conversa. Mas ela sentia que faltava alguma coisa para de fato as pessoas aprenderem, porque ela achava que não era assim que as pessoas aprendiam.
Ao mesmo tempo, trabalhando em minerações, em agências, ela pegou e falou, cara, o que precisa é que as pessoas precisam trabalhar juntas. Então, esse é o grande cor da mesa, é colocar as pessoas para trabalhar, para criar juntos. Mas ela começou lá atrás, na altura do projeto de educação, ela começou a mesa quase como um projeto de educação.
As pessoas vinham para a mesa, elas pagavam para vir para a mesa para trabalhar com pessoas muito grandes e para aprender trabalhando. Então, era um projeto de educação.
Mas daí foi crescendo, foi mudando, pra usar esse termo dos negócios, acabou pivotando muitas vezes, até que chegou nesse método que a gente hoje é a mesma. Mas que a própria mesa só metodizou, assim, só entendeu como método em 2000 e só se mudou por 17, 18, foi quando A gente fez o Mesa School. O Mesa School é um produto da Mesa Company. Você falou de Mesa School, que é um produto de educação, CLS, é um
produto de Mesa Company, mas a mesa é uma linha grande.
Naiara Terra Como que é?
Cláudia Lima É tão... Eu vou falar de mesa, Mesa School, muitas mesas. Mesa é o nome da empresa, Mesa é o nome do método que a Mesa Company criou e Mesa é o nome do evento que a gente faz para juntar as pessoas e para resolver um problema complexo. Então assim, hoje como o método está estabelecido ele é um método, uma metodologia que foi criada para resolver problemas complexos de outras empresas. As empresas chegam para a gente e são assim as empresas de qualquer segmento, porque ele é um método agnóstico, ele serve para qualquer coisa. Então tem, sei lá, Netflix, Coca-Cola, Unilever, Itaú, não importa o que, a empresa é inegável o que ela tem dentro. O que a gente faz?
Ela chega, as empresas chegam aqui na mesa porque elas têm um desafio de negócio que não tem, elas não têm dentro das estruturas delas, ou elas não têm todo o conhecimento que precisam para resolver esse desafio, porque algumas coisas não tem mesmo, gente, não precisa ter todo o conhecimento, não tem todo o conhecimento do mundo lá dentro, elas não têm o conhecimento para resolver ou elas têm, mas elas não conseguem A empresa é assim, você está com 10 problemas ao mesmo tempo para resolver. Então, ela está agora falando sobre esse problema. Mas daí, as pessoas que estão agora, como estão subindo uma reunião de uma hora, daqui a pouco vão estar resolvendo outro problema. Porque em cada reunião, dá reunião para resolver outro B.O. E vão para outra reunião para resolver outro B.O.
Então, tem que entender, eu falo que falta tempo para a gente trabalhar, né? Porque daí a gente vai em reunião, reunião, reunião. Então, elas não conseguem se juntar para resolver esse problema específico. A empresa chega pra gente e fala, olha, eu tenho um problema e esse problema é este aqui. A gente fala que a gente precisa de muito pouco, pouca conversa para extrair, porque a gente é treinado para extrair o que é esse problema, sabe?
Espremer o suco, chegar no que é esse desafio. Mas a gente bate um papo com os pessoas da empresa, e eu vou te dar um exemplo real que tinha um cara lá no mercado. Eu vou dar dois exemplos para vocês, bem recentes. para vocês entenderem como ele é agnóstico, como ele depende do tipo de problema, rapidamente, como a Melissa, por exemplo. Você conhece a Melissa, que é uma sandália de plástico amada pelas consumidoras há gerações, mas eles queriam entrar no universo de sneakers, de tênis. E claro, cara, a gente quer criar uma Melissa, um tênis Melissa, mas a gente não sabe fazer sandália. E a gente conhece esse mercado e a consumidora nos conhece por causa disso. Então, eles vêm com esse desafio da mesa. A gente tem esse problema. Então, a gente, a partir desse problema, cria, e isso faz parte do médico, o que a gente chama de missão.
A missão do problema é o que a gente vai ter que resolver naquela mesa. Ela não é um briefing. Vocês, eu não sei se já receberam briefings de outras empresas, Páginas e páginas do que tem que ser resolvido.
A Missão de Mesa é um texto simples, com três parágrafos, e eu falo só um jornalista medialista. Três parágrafos. Em que ele fala exatamente como você vai criar. Então, nessa mesa de milícia, por exemplo, a missão de Beatel, como a nossa missão, é fazer com que milícia seja reconhecida também no universo
dos espíritos. Para isso, a gente vai criar e prototipar.
E tem sempre isso na nossa missão. Porque é a partir daí que a gente consegue fazer as pessoas... Consegue, de fato, tirar algo da medida. Então, a gente vai criar e prototipar a nova plataforma de sneakers, incluindo a comunicação, o produto e o go to market. E a gente vai, na sexta-feira, às cinco da tarde, a gente vai apresentar esse resultado para um grupo de convidados.
A estrutura de uma missão é essa, são três parágrafos, uma falando o que a gente quer como uma missão maior, a segunda dizendo exatamente o que a gente tem que fazer, criar um grupo de para o quê, e a terceira, o deadline. sabe, se não tem, se não tiver algum deadline que a gente vai apresentar a resolução, ela nunca fica pronta. Então, eu entendo que a gente fala o que ela quer, fala o que ela quer. A gente cria essa missão e, a partir disso, o que a gente faz? O que tem nessa missão?
Então a gente pega os pedacinhos dela e fala, tá, então a nossa ação é fazer com que a Melissa seja reconhecida, tão reconhecida pelos seus tênis quanto é personagem. Então a gente pega um pedacinho dela e fala, tá, eles querem entrar no universo de tênis, então o que a gente vai, que conhecimento que a gente precisa pra isso? A gente precisa de alguém que entenda muito desse universo de sneakers. Alguém que, primeiro, pode ser uma outra coisa que pode partir daí. A gente precisa de alguém que trabalha numa empresa, que é muito reconhecida pelo produto. um que acabou criando um outro, que foi muito sucesso. Então, a partir disso, eu tô querendo... eu nem sei se eram assim, tá gente? A partir dessa missão, a gente destaca esses pequenos pedaços e vai criando o que a gente chama de pilares de conhecimento.
Então, toda mesa a gente faz três, sete, oito, nove pilares de conhecimento. E daí, a gente, como mesa, faz o quê? desse conhecimento, vai buscar no mercado. Então, entra numa outra parte. Daí a empresa fala, legal, eu quero fazer a mesma coisa. Daí a gente vai pro mercado e busca as pessoas que têm esse conhecimento. Então, alguém que tinha um produto e daí foi reconhecido e criou um outro, teve uma extensão de portfólio lá e foi também reconhecido. Sei lá, daí a gente vai buscar Pessoal, qual que é a besteira? A gente não conseguiu enfrentar ninguém. Mas a gente pega alguém de Lacta que só fazia chocolate e resolveu que um dia fazer Bis. É bolachinha. Então, é muito reconhecido que o chocolate mas entrou no ramo de bolachas. Então vamos lá, vamos atrás da pessoa que fez isso. A gente vai atrás das pessoas que fizeram essas coisas. Para a gente, o que importa muito, por isso que eu te falei que lá atrás, o que a Bárbara pensou foi que a gente tem que trabalhar junto com as pessoas para a gente distrair delas. Então, a gente busca muitas pessoas que fizeram mesmo. A gente sabe que tem isso um monte de importância para milhões de projetos, a teoria, mas a gente busca que a gente que tem ela, mais que o talhado à carta, a gente que fez. A gente traz essa pessoa, como faz esse convite para ela vir trabalhar com a gente, da empresa tal, por cinco dias, para a gente resolver um problema dessa natureza. Da início a gente junta essas pessoas que quisessem ir para, também, a empresa. Não adianta. Diferentemente de outros tipos de consultoria, a gente está encaixado... Ninguém sabe dizer muito bem o que a Mesa é. Uma agência? Não é muito bem uma agência. Uma consultoria? Não é exatamente uma consultoria. A gente está no meio termo aí. Mas é daí o que a gente, diferentemente
de outras consultorias, a gente não vai...
Fácil, a gente cria um relatório, resolve o problema e entrega pra empresa. A gente trabalha com a empresa, então a gente pega essa semana e faz o que eu falei pra vocês, que é o evento mesmo. Chamamos todas as dez pessoas, seis, dez pessoas que a gente curou do mercado, elas se juntam e voltam, sentam numa mesa mesmo. com as pessoas da empresa, que são os tomadores de decisão. Eles têm que estar com a gente, porque senão a gente...
Essa gente que criar pode ser uma grande viagem, né? Pode morrer de fato, ser vendia para aquela empresa. Então, eles estão lá para trabalhar com a gente. E todo mundo trabalha junto nesse método que foi criado, que é o Método Mesa. Depois eu conto para vocês como que é a função do Mesa. Muito legal, eu apresento cada coisa, eu vou mostrar aqui pra vocês um backseer, se vocês quiserem eu mando pra vocês. Mas, daí a gente se junta então, todo mundo trabalha e a gente fica, aplica esse método durante, pode ser de 3 a 5 dias, a mesa clássica tem 5 dias, o método tem 5 etapas, que se a mesa tiver 3 dias a gente condensa, comprime, mas se não é um método de 50% dessas 5 dias. E ao final desse método, o que a gente faz é entregar a solução daquele problema, seja o problema que for, prototipado, seja por último que for. Nessa mesa que eu falei pra vocês, de Melissa e o Inocente, o que saiu foi a plataforma Melissa X, se vocês depois procurarem, é a plataforma de sneakers deles, que tem três produtos, dois ou três produtos, dois ou três tênis, e agora acabou de lançar um tênis, porque a gente descobriu na mesa que era muito importante que tivesse um tênis muito icônico, que trouxesse nesse tênis tudo que a marca quer agora para existir com essa plataforma de sneakers. Então ele é um tênis que custa 1.500 reais, um tênis todo
bacana, mas que ele traduz um pouco do que foi definido para ser essa plataforma e do que essa Então, esse é um exemplo de uma mesa que aconteceu.
Eu vou pegar aqui pra vocês, que tem uma pauta de mesa. Ainda tem um pouquinho verde, ó. Aqui é uma pauta que já existe.
Naiara Terra Ah, que legal.
Cláudia Lima Vou colocar aqui para vocês entenderem mais ou menos tudo o que eu falei. Estou um pouco aqui, mas olha. Esse é um about real. Então, isso aqui é o que eu falei para vocês. A meia é um sistema de trabalho, um método que foi desenhado para resolver esses problemas complexos.
E a gente faz isso porque esse método que a gente criou ajuda a liberar o potencial, ajuda a liberar. O potencial de todas as pessoas que estão lá para processar mais e para executar mais rápido. A gente vai criando esse ambiente aqui para tomar decisões. Exatamente. A gente cria, desenvolve, prototipa soluções para o desafio em até cinco dias.
Aqui, o que eu falei para vocês, a gente acredita em fazer. Vários beliefs nossos aqui. Então, é o ritual mais importante quando a gente precisa que as pessoas tomem decisões. Isso é legal, eu vou dar uma paradinha pra contar pra vocês. Porque, e também como um exemplo, mas assim, quando a gente tá discutindo, sobre, debatendo um problema, você pode falar sobre isso, sei lá, por cinco minutos, cinco horas, cinco dias, cinco meses. O que a gente quer, tem esse momento sempre na mesa de debater, mas o que a gente rapidamente muda, faz um shift é, vamos então fazer, faz um desenho.
E é isso que a gente vai falando, que a gente usa esse termo protótipo, às vezes as pessoas acham que é um protótipo, não. Qualquer coisa desenhada, pautável, que você pode olhar e todo mundo entender o que está falando, para ver se todo mundo está falando a mesma coisa, a gente é um protótipo. Então, a gente vai fazendo. Então, por exemplo, tem uma casa aqui, clássico, que não aconteceu comigo antes, como uma das sócias da mesa, mas que assim, é tão simples, e eu gosto de pensar nele como um bom exemplo, porque eles estavam fazendo uma mesa de iogurte aqui, um iogurte-ovo que ia ser lançado, e todo mundo na mesa tinha concordado que a principal ação desse produto, desse iogurte-ovo, era que ele era muito natural, natural, não é isso que eles vão falar, vão falar sobre o quanto ele é natural, o quanto é um compador. Daí o diretor de arte, que era um cara muito brilhante, de pediátrico, cânia, agências, o Ricano pegou e foi desenhar a embalagem desse iogurte e colocou uma caquinha, uma vaquinha estilizada, mas era uma vaca, assim, branca, preta vaca.
Daí, assim, metade do negócio rachou, assim, metade da mesa falou tipo, ufa, o que eu tô fazendo aí? Não, natural. Não, mas natural é isso, natural é uma coisa cleinha, uma coisa ruim, sem nada, só composto. Então, assim, como materializar ajuda todo mundo a ver que você tá falando as mesmas coisas ou não? E ajuda todo mundo a tomar decisão. Não, não é isso. É pra ser sem vaca. Não é pra lembrar que vem do leite, que vem do canto, nada disso. É pra falar só o que é, sei lá. Então, por isso que a gente fala que fazer é a coisa mais importante pra gente.
Então a gente precisa que as pessoas tomem decisões, porque a partir disso você consegue tomar a decisão, e se aquilo para em pé, você não para. Quando a gente termina uma
mesa, a gente não conta para as pessoas o que ela fez, a gente mostra isso, é muito verdade. Olha isso aqui que eu fiz. Ideação a só 10% de uma mesa.
Como eu falei, a gente tem ideias, tem um momento de ter ideias, tem um momento de brainstorm, tem um momento de virar e cada um vai e fala e tem milhares de ideias e as mais incríveis, mas é só 10% desse tempo que a gente passa junto. Porque o resto do tempo que a gente vai fazer é construir a solução. A gente vai fazer isso, vamos construindo, vamos vendo, vamos tomando decisões a partir disso. E tem esses... Adoro esses statements nossos aqui, mas são coisas que a gente acredita mesmo.
São 318, 320 mesas, eu acho, até hoje, que a gente fez e fez.
Naiara Terra Até que isso então deu certo.
Cláudia Lima Faço para vocês. Maravilhoso. Mas elas provam isso, né?
Ideias poderosas são moldadas conforme a gente vai construir. Aqui tá os 5 dias que eu falei pra vocês. No dia 1, tem um download de informações. Todo mundo chega na mesa sem, não tem pré-trabalho. A gente não chama os especialistas e falam, ah, tá aqui tudo isso, vocês tem que ler, você tem que ler a massa de coisa pra entender sobre a empresa.
Todo mundo vem sem saber, porque a gente sabe que quando tá todo mundo muito cru, todo mundo aprende junto, né? E aprende com a empresa que tá lá, que são as melhores, que são as pessoas que entendem do negócio deles. Então, esse dia 1 é pra isso, pra gente aprender tudo que a gente precisa sobre a empresa, sobre o problema que eles estão passando, sobre a visão de
futuro deles e sobre... Também os especialistas que a gente traz, essa curadoria que a gente faz, os especialistas que a gente coloca na mesa, eles também se apresentam nesse dia 1 e cada um se apresenta de um jeito muito especial, que eu acho que é contando dois projetos que fizeram e o que eles aprenderam fazendo esses projetos. Isso já vai também levando, botando todo mundo lá para pensar em determinado e a gente aqui da mesa faz, quando vai briefa-los, a gente vai fazer essa apresentação, a gente vai orientando, falando, olha, o desafio é mais ou menos esse, o que você já fez que pode responder, que tem a ver? Então, eles fazem uma apresentação muito direcionada. No dia 2, é que eles sabem, a gente abre a nossa missão, é tudo muito ritualístico, porque tem outro dos nossos grandes delitos aqui, que eu falei pra vocês, que é as pessoas não respeitam regras. Elas acham que regras têm que ser quebradas, elas respeitam rituais. Nos rituais, elas acreditam.
Então, o que a gente faz é abrir essa missão, todo mundo junto, entender todo mundo junto o que a gente tá fazendo lá. E aqui, enfim, na parte da tarde, é que a gente sente o brainstorm, sabe? Muitas ideias e tal.
Mas daí, já rapidamente, no dia 3, a gente parte para a tomada de decisão. Então, aqui, imagina que aqui foi um dia que abriram um milhão de ideias excelentes, algumas excelentes, algumas nada a ver, algumas mais ou menos.
E daí, no dia 3, o que a gente faz é, de todas essas ideias que a gente teve, qual é que a gente vai E, a partir disso, a gente fica trabalhando um pouco nessa ideia de uma forma não linear. Sim. Então, não é que você trabalha até terminar, e depois isso que você está fazendo, depois começa a fazer outra coisa. Não. Cada um vai trabalhando de forma
não linear, num pedaço da solução, e a gente aqui, como liderança de mesa, fica, né, tá lá como um grupo.
É como se fosse uma orquestra cantando. Ah, legal. Mas a gente tá aqui garantindo que o maestro aqui, que tudo possa ser sentido. Entendi. E daí a gente tem aquele deadline que eu falei pra vocês, que é aqui, a apresentação final.
Que é quando a gente apresenta, então fica trabalhando até o último minuto e a gente apresenta o que foi construído para esse grupo aqui de pessoas, né, que é a Fonte do Desenvolvimento Nacional. Um líder que está aqui aplicando o método, um time, que é o time que a gente curou de especialistas, mas também é o time da empresa. Mas também é o time da empresa, então esse time é o time completo. E a missão, que a partir daí a gente tem tudo o que a gente precisa. 336 meses, tá falando aqui, mas eu acho que foram mais já.
Naiara Terra Gente, incrível. Já dá pra ter uma experiência incrível.
Cláudia Lima
E esse é o tipo de... isso, em linhas gerais, é o que é uma mesa, o nosso método. E a partir disso, a gente criou, e daí vocês falam de educação, de Mesa School, é isso. Mesa School é um produto daqui, porque a gente também treina. É um método aberto, a mesa. Então, qualquer pessoa pode aprender como é o método a partir do Mesa School. Legal, incrível. R$756,00, eu acho, são 18 vídeo-aulas. E daí a própria Bárbara vai contando tudo isso que eu contei para vocês em 18 vídeoaulas, mas muito mais assim. Como que a gente extrai, como é que a gente escreve um desafio de mesa?
Como é que a gente tira isso do dono das
pessoas, do cliente, da empresa e trazer um desafio? A partir desse desafio, como é que a gente cria essa missão? A partir dessa missão, como que a gente busca os pilares de conhecimento? Ela vai contando, dissecando todo esse método e daí contando também nas videoaulas o que que acontece no dia 1, como que é estruturado, como é o dia 2 de mesa, como a gente vai fazer tudo. Então, ela é um curso aberto, por isso é um método aberto, por isso que assim, tem gente o que faço, você já ouviu, a gente ouve falar, às vezes chega um cliente e fala, eu já fiz uma mesa, eu já fiz uma mesa, então a gente vai olhar e fala, eu já fiz uma mesa, mas era tipo mesa, quer dizer, é tipo mesa porque a mesa é um método aberto, então as pessoas fazem tipo mesas por aí, mas usando o nosso método.
Naiara Terra Boa, né?
Cláudia Lima Eu vou dar a recepção aqui assim. Esse produto, o Mesa School, é um produto que às vezes as empresas, muitas empresas, tem muita gente que tem, pessoa física, tem muita gente que trabalha em empresa e quer fazer, porque tem deuses da empresa que falam que precisa desse método ajude a resolver aqueles internamente. Mas tem empresas que compram também o pacote para os funcionários, para eles entenderem um pouco mais. diferente de resolver problemas e bem eficiente. Mas ele também faz parte de um outro produto que a mesa tem. A mesa produtora é fazer mesas, mas a gente tem esses dois produtos que vem na mente. Um é o Mesa School e o outro chama Mesa Leadership. E é... A gente fez recentemente, por exemplo, para a Novo Norte, esqueça. Então, a empresa quer... Ela pode fazer parte do que comprar esse treinamento de líderes assim. tendo um
mês curto, então ela oferece meses curtos para os funcionários, para os colaboradores, e daí a gente, como líderes, chega e tem quatro aulas que a gente dá, que podem ser online ou presenciais, se for num website. Então a gente vai e trabalha com eles, para tirar dúvidas, para mostrar como faz mesmo, e para trabalhar o desafio real que eles têm. Então, a gente fez uma labora, eu participei de duas ou três recentemente para investimentos, para fábrica cêutica. E assim, eles tinham desafios reais lá dentro das unidades de negócio. e estavam fazendo off-sites e chamaram a gente pra gente fazer um dia de treinamento aí pra eles, que é bem isso, como é que você extrai um desafio, como é que você entende, como é que você faz a sua equipe toda concordar com esse desafio, e é isso, trabalhar juntos, né? Então, a empresa Descobrir o desafio, transformar aquilo numa missão, e daí transformar essa missão em pilares de conhecimento para dentro da própria equipe descobrir se existem esses conhecimentos e trazê-los para trabalhar. Então, tem esses dois produtos, que são nossos produtos mais educacionais e a mesa que a gente faz, que é essa grande, uma mesa média, A gente fica num projeto umas seis semanas, pelo menos. Porque são quatro semanas de pré-mesa, que é o tempo que a gente precisa para preparar tudo. Não só o evento, né? Então, tem... Ah, isso é importante, não falei para vocês, os dois tipos de liderança, agora é que eu já vou. Então, assim, não só o lugar, né? Que a gente vai fazer, a gente aluga, a gente tira as pessoas do ambiente corporativo, Porque para sair daquele trabalho do dia-a-dia, para brincar, fazer as coisas, a gente vai em casa. Seja lá, já fizemos em galeria de arte, era do período do desafio. Então, tira as pessoas do ambiente, mas a gente tem que preparar esse ambiente de trabalho. Então,
essa semana serve para isso, para comprar paquete.
A gente fica lá o tempo todo, volta da mesa. Então, a gente almoça, janta, as pessoas estão sem celular, a gente fala dos rituais, um dos nossos rituais é chamar ali um alô, que é a gente pega o celular de todo mundo, coloca em saquinhos que tem o nome delas, estão lá numa estação assim, porque É essencial que a gente tenha presença. Não dá pra gente resolver um problema em cinco dias se a pessoa tá lá no WhatsApp, se ela tá resolvendo outras coisas. Então, precisa de um celular. O celular fica no saquinho e a gente trabalha com essa coisa que é importantíssima e cada vez mais difícil, né?
Que é ter presença total no que a gente tá fazendo. Então, se for cinco dias assim, a gente não sequestra elas, porque no horário do almoço elas podem ver o que está acontecendo, no fim do dia, no começo do dia, nos breaks mais longos também. Mas então, assim, essas semanas são necessárias, né, anteriormente, para a gente constituir esse espaço, para a gente chamar o catering, a alimentação, alugar móveis, tudo que a gente precisa, telão, internet, computador, tudo, e também para a gente e atrás das pessoas, porque se a gente quer tirar as pessoas do que elas estão fazendo, e para isso é muito importante elas estarem no mercado, fazendo coisas, a gente precisa primeiro achar a pessoa e depois tirar ela da operação dela e voltar para trabalhar num outro problema que não é o dela. 5 dias. A gente precisa dessas agendas com bastante antecedência para elas conseguirem se organizar.
A gente sempre fala que a experiência são as coisas muito práticas, são as coisas muito sensíveis e na mesa as coisas práticas são as coisas muito sensíveis. Então, se a pessoa está sentada numa cadeira que é horrorosa, dura, porque ela vai ficar cinco dias trabalhando lá, uma cadeira horrorosa, ela não vai render. Então a experiência aí é pra tirar, pra criar uma experiência. Tire todos os atritos, todos os pontos de fricção. Até assim, até a caneta, pensar.
Se você tem aquela caneta que fica fazendo tec, tec, tem hora que tá fazendo assim. Ah! Daí ninguém vai estar se ouvindo, aquilo distrai. Então, a experiência tá lá pra garantir que você não vai ter fome. E também que se você tiver uma dor de cabeça, vai ter lá uma dor de cabeça.
Se acabar a energia, vai ter um girador que vai resolver. Se cair a internet, vai ter um outro link lá que a gente vai estar disponível. Então, são esses dois tipos de lideranças que trabalham com a mesa e os dois são essenciais para chegar no resultado. Sem um dos dois, não chegaria. São essenciais para a gente.
Agora, eu falo também da mesa, que é legal. O nome Mesa vem da mesa mesmo, né?
Lógico, porque a gente sabe que é uma mesa que a gente percebe amigo, que a gente já
A gente remunera, né? Todas as pessoas que vêm para a mesa são remuneradas porque é um trabalho. Esses que a gente traz todos remunerados. E eu ia falar para vocês dos dois tipos de referência que a gente tem na mesa. A gente tem dois tipos de liderança que trabalham com a gente. Então a pessoa é um líder de experiência ou é um líder de solução. Eu sou uma líder de solução, quer dizer que tudo isso que eu falei pra vocês, né gente? Eu vou, ouço do cliente, coloco aqui nos fóruns, crio os pilares de conhecimento, vou atrás, faço a operadoria, e depois durante os cinco dias eu lidero as pessoas no Método, que estão lá todo mundo, pra gente chegar numa solução. O líder de experiência é o que está olhando para a experiência toda. Então, é a pessoa que está lá e a gente tem.
anda com a família, que a gente né, própria ideia, conversa, mas é também uma mesa que a gente trabalha, que a gente ensina contratos, né, então a mesa é esse lugar em que se junta prazer e compromisso, vamos na medida, e é por isso que a gente chama de mesa, porque é pra ser uma experiência assim, a mesa tem que ter comprometimento de todo mundo de chegar no resultado, mas também tem que ser leve, divertido, prazeroso, então é, esse é o… a ideia por trás do nome e o conceito. Nossa, falei para um cacete. Se vocês conseguirem entender, se faz sentido isso que eu conto. Porque é uma coisa às vezes tão... Eu juro que eu, antes de fazer uma mesa mesmo, fazer de verdade, eu sabia mais ou menos o que era. Depois que eu vi, eu falei, tá tudo isso. Só entendi depois que eu vi, assim, no começo. Mas aí, às vezes, isso é um conceito tão, né? E eu não sei se conseguiram entender.
Tiago Perotti Não, entendemos.
Eu acho que conseguimos entender super, assim. E a gente tá aqui pra ouvir, né, e aprender. Então, pode falar muito mesmo, é o ideal. Se a gente estivesse falando mais que você aí, que seria um problema, né?
Cláudia Lima Tá fechado, tá fechado.
Não, mas quando eu falei para vocês que é um método agnóstico, que dá para ser aplicado em qualquer desafio, é justamente por isso, porque o que define é as pessoas que a gente vai chamar. Para andarem em cultura mesmo. Então se é um desafio de cultura empresarial, a empresa está aqui, chegou um CEO novo, e está querendo mudar tudo, não sei lá, estão com um baita problema de cultura organizacional, a gente vai buscar a gente que resolveu isso. Não pode ter uma equipe de RH onde a gente
vai ter filhos que já passaram por isso, vai ter gente que criou um método para fazer isso, não sei lá. Mas daí a gente vai buscar nesse universo.
Quando a gente vai fazer, agora eu vou contar um outro exemplo real que é muito diferente, foi muito diferente para mim, que foi no ano passado chegou para a gente um desafio de dois investidores que investem no universo de SG eles têm um negócio que é de investir mesmo dinheiro mas só em negócios e não só startups e empresas mas especialmente startups que estão olhando para que tem o SG lá como um corpo. E daí eles chegaram logo depois que teve aquelas enchentes lá no Rio Grande do Sul. Eles falaram pra gente, olha, uma das nossas empresas que a gente investe chama Urben. A Urben é uma empresa de madeira engenheirada. A madeira engenheirada é uma madeira trabalhada de forma que ela serve Ela é estrutural, então ela serve como substituição do aço e do concreto em construções. É um mercado muito pequeno ainda aqui no Brasil porque a gente não compra madeira engenheirada e ela é cara justamente por isso tem a ver com a onda, ela é cara porque o mercado é pequeno, e o mercado é pequeno porque ela é cara, são esses, né, precisava desenvolver para o mercado ser maior, então assim, hoje o mercado é muito pequeno porque é só gente que tem muito dinheiro, é só casa de playboy, de rico, na montanha, em Bolsa Alves, que usa uma degenerada, sabe, lá em Tamaulipas. Mas aí eles chegaram e falaram, a gente investe nessa empresa, a gente sabe que Mas tem material que faz sentido, o material vende madeira, madeira vende uma eletroda certificada e a indústria de construção civil é uma das mais poluidoras que existe. Então, sim, isso tudo está acontecendo lá no Rio Grande do Sul. Por causa da emergência climática,
a gente tem um produto que serve, que é uma resposta para isso. E a gente quer, então, fazer uma mesa para a gente construir, para a gente criar uma casa, uma edificação, uma coisa qualquer de madeira engenheirada, que leve madeira engenheirada e que possa ser usado em situações de emergência climática.
Então isso é cada vez mais importante, sabe? É uma coisa muito diferente porque, assim, a gente chamou daí, sei lá, uma pesquisadora, uma mulher da ONU, criou, trabalha com desenho de coisas para a emergência climática, sabe? Uma pessoa que criou banheiros para levar para lugares que... É isso, que alargaram, que teve terremoto ou que qualquer coisa. Ela criou um banheiro que é compatível, a gente trouxe ela para a mesa. Trouxe um arquiteto, que é o cara da Metro, que se chama Martim. A Metro é essa empresa, tem o nome do Paulo Mendes da Rocha. E a Metro é esse escritório gigante, de arquitetura, que fez o MASC agora do lado, o anexo do MASC. Então, o cara veio e me envolveu, porque é uma causa legal, vamos lá. Trouxe uma mulher do CDHU, porque isso era uma coisa que eles queriam, que a gente pudesse estar enquadrada na minha casa, na minha vida.
Porque, geralmente, quem se ferra e quem fica ferrado em situações de emergência climática é a pessoa que está em áreas mais vulneráveis, que está em feria. Então, a história tem que estar encobrada. Eu não erra a minha vida porque pensava no que elas possam, que o governo, o banco, ou sei lá. A gente conhece gente que entendia de linha de crédito, pra isso. Gente que entendia de normas, de CDH1, do que é necessário.
A gente trouxe gente que faz lobby com o governo para entender onde é que o governo podia entrar e isso também eventualmente.
Trouxe gente do Rio Grande do Sul, arquiteto
do Rio Grande do Sul, trabalhando na reconstrução. E daí o que saiu dessa mesa foi... o prédio mesmo, o desenho, a maquete, uma maquete física, o projeto em 3D, tudo renderizado. Mas não só isso.
A gente conseguiu trazer para essa mesa uma mulher que tem uma incorporadora social. Ela falou que ia fazer esse prédio. A gente conseguiu na mesa achar um terreno, que a prefeitura de Porto Alegre falou a gente, eu, dar esse terreno para vocês. Então, a gente já saiu da mesa com um projeto, um terreno, uma pessoa que vai construir o negócio com a marca feita e é o mais legal de tudo é que é o primeiro projeto que leva a madeira engenheirada, que eles conseguiram fazer caber na conta, inclusive para pra não ser, não vai ser mais caro do que qualquer casa de Minha Casa Minha Vida, qualquer projeto feito por um punter que tem, não é aquelas janelinhas assim, sabe? De alumínio que a pessoa não consegue botar a cara não, tem varanda, tem tudo. E é um projeto open source, então ele pode ser usado por qualquer empreiteira, qualquer incorporadora do mundo que queira usar. Nossa, muito legal. Eu gosto de contar histórias, porque tem muitas histórias legais. E mostra até a versatilidade, como a gente consegue. Pra mim foi muito diferente, porque eu fiz uma série já de criar produto, de criar uma bebida. É isso. criar produto, criar desafio, sei lá, solução para desafio de marketing, desafio de brand, desafio de operação e expandir uma farmacêutica. Ela chegou com um desafio de operação, uma multinacional, que com a guerra na Rússia lá, toda a produção dela era, os insumos vinham de lá e daí ferrou, não tinha mais produto aqui, não tinha mais o produto das farmácias do Brasil. A gente criou um modelo de operações diferentes. Assim, tudo cabe no método porque a gente busca as pessoas
que têm experiência com isso, né? Traz elas e faz elas trabalharem aqui pra resolver, pra chegar nessa solução.
E sempre daquele jeito que eu falei pra vocês, criando. Então, ah, como é que vai ser? Nossa, a gente ficou nessa do… A gente não sabia se ia ser uma casa, se ia ser uma escola, o que mais é importante. Todo dia, debatendo, conversando, ligando com as pessoas, vendo o que era mais importante. Entendemos que era um prédio que é uma informação mesmo, que isso ia ser porque precisa de menos área, porque as pessoas não querem também, quando isso acontece, sair de ué, porque é muito fácil. Ah, vamos construir um bairro inteiro, mas dá outro bairro lá longe e daí ele vira um bairro fantástico, porque ninguém quer morar lá, a pessoa não quer sair de onde ela que é vida dela e tá todo o negócio dela, né? Trabalho e morar longe. Então, vira vai pra casa. Então, a gente fica assim, muito tempo pra entender, tomar decisões, mas porque todas as pessoas, todo o conhecimento que a gente precisa falar, os conhecimentos, toda a experiência, toda a habilidade, tá em volta de uma mesa, que a gente fala que tá, a um prazo de distância que a gente busca.
E se não tá, a gente acha daí, alguém lá vai conhecer.
Então a gente fica em traço pra conversar. Isso aconteceu nesse negócio da Urben aí. A gente tava lá num empasse falando com todos, exatamente nesse, vai ser o quê? Vai ser o prédio, vai ser uma casa, vai ser uma escola. Daí a gente achou uma pessoa que trabalha no sindicato de construção lá e estava trabalhando no governo estadual, no governo do Rio Grande do Sul, na reconstrução, botamos ele num telão aqui e sabatinamos ele. Então, foi muito apetitante. Daí entendemos nesse fato que o mais importante era isso. É esse o negócio.
Naiara Terra
Você falando assim, eu achei incrível o quão importante é essa questão prévia, né? Então, de curadoria, de escolher as pessoas, é o que faz, assim, toda a diferença, né?
Cláudia Lima É a alma do... eu falo, se você tem as pessoas certas, não tem como não dar certo, 80% do trabalho é trazer as pessoas e criar esse ambiente para elas se performarem, se sentirem escuras, se sentirem com o tempo, a liberdade, a vontade. É um processo muito sem hierarquia também. Quando a gente está na mesa, a gente traz muitas pessoas que ajudam muito a tangibilizar tudo. Então, basicamente, toda mesa vai ter um copywriter, alguém que escreve, alguém que é redator, vai ter um designer, porque é a pessoa que consegue tirar exatamente, pegar esse conceito super conceitual no campo da ideia, onde o conceito complexo, aterrissar ele numa coisa atual.
E, basicamente, toda a mesa tem esses dois pilares que a gente traz muito justamente para isso, porque eles são essenciais e, como eu falei, totalmente sem hierarquia. Então, é muito legal porque as pessoas da empresa que tem aqui às vezes são muito complicadas, elas são super... Por que você está fazendo isso? Eu fiz uma mesa para um banco, eu fiz uma mesa para um banco há dois anos, um banco brasileiro e um banco que estava lá querendo, super tradicional, tem mais, sei lá, mais de 80 anos de banco, e estava querendo entrar nessa onda de banco digital e começava a ficar, e começou a falar de si mesma, assim, como, ah, uma startup de 80 anos, Daí chega um especialista e fala assim, peraí, por que vocês estão fazendo isso? Por que vocês têm tradição?
O que a pessoa mais quer quando... E era uma especialista em finanças. O que a pessoa mais quer quando ela tem uma escola de
finanças pra periferia. É muito legal olhar esse negócio dela. É de educação, é muito legal olhar. Porque ela usa rap pra... O método dela, usa rap, faz o rap pra fazer pra perto da vida da pessoa, é muito legal. E ela pegou e tipo, falou pro PT do banco, ela assim, você tá louca, você tá falando, você tá agitada, você tá tentando. O que a pessoa mais quer, o que a pessoa pobre da periferia mais quer quando ela tá Quando ela tem o dinheiro dela, é deixar o dinheiro dela numa instituição que vai dar segurança pra ela. Você tá falando que você tá na startup?
Não, você tá numa instituição de 80 anos que tá aqui.
Naiara Terra Muito forte, não? Bem legal.
Cláudia Lima
Então, foi assim, é muito...
Às vezes eles são provocados, porque o cara fica assim, que onda? E a minha solução foi com esse lugar. Vamos voltar, porque a gente sempre foi, nada de… Tem esse problema digital, né? Não, deixa isso pro banco digital, se o cliente quer que o dinheiro dele esteja garantido aí, quando ele for aposentado.
Cláudia Lima
Então isso é muito divertido e acontece muito na mesa, sabe? Ah, sim.
Naiara Terra Você troca.
Cláudia Lima
Tem um monte de pessoas que a gente traz é… você tá louca, né? as pessoas que estão lá, elas que determinam o funcionamento do trabalho. Que a gente vai fazer mesmo a solução que a gente vai chegar. Então, esse trabalho é muito, muito minucioso. Quando a gente está fazendo curadoria, e daí eu falo que eu como jornalista adoro, porque é
muito… Eu penso sempre na curadoria como uma grande reportagem que eu ia fazer, sabe? Quem são as pessoas que eu queria ouvir? Quem são as pessoas que eu queria que tivesse?
E a gente extrai daí delas no papo.
Naiara Terra É uma entrevista, né?
Cláudia Lima
Quero saber tudo, quero entender. A gente vai aprendendo pra caramba sobre o desafio. sobre o negócio que eles vão a gente vai super aprendendo durante a curadoria porque eu não sou especialista. A gente como líder de mesa e eu não tenho a resposta. Eu não sei resolver esse problema não sei criar uma.
Eu sei que tipo de construção vai ser essencial para o Rio Grande do Sul pra você ter de madeira e fazer menos ainda uma construção de madeira. Então o que a gente sabe é só escolher as pessoas é entender o que elas fazem e é criar esse universo aí onde durante cinco dias elas estão trocando gente muito diferente, cada um de um. Isso faz muita diferença para a inovação também, porque se você está falando de uma indústria de bem de consumo, uma cervejaria, às vezes você traz alguém de uma fintech junto, E ela traz um processo, uma coisa que ela viu acontecer lá na Fintech dela e faz todo sentido para a zoologiaria aqui. E nasce um negócio. Se você trouxesse só gente da mesma indústria, às vezes não.
Eles estão fazendo as mesmas coisas. Então, a gente busca também ter essa... trazer gente de outros... de outros segmentos, de outros universos para criar.
Naiara Terra Justamente. Nova visão.
Cláudia Lima
E aí, mais alguma dúvida? Teve coisa que eu não falei e vocês falaram de outras coisas que queriam que eu falasse, que eu acho que é isso, não é possível.
Naiara Terra
Ah, só confirmando então. Gente, a gente tinha uma lista aqui de perguntas, mas você foi seguindo assim tudo assim super organicamente.
Enquanto você estava explicando, eu só fiquei curiosa em saber, você comentou que o processo consta, por exemplo, de uma mesa em seis semanas, aí tem essa parte de quatro semanas que é a curadoria, aí a última supõe que seja a execução, e essa que ficou faltando.
Cláudia Lima
Exatamente, a quinta semana é a mesa é quando a gente organiza todas as entregas e faz esse hand-off, esse novo encontro com o cliente.
Naiara Terra
A conclusão.
Cláudia Lima
Exatamente. E internamente a gente tem nossos processos também, que a gente faz o case, a gente fecha os pagamentos. Mas é essa semana que a gente organiza tudo que a gente criou. Imagina, a gente tá criando lá, fazendo um monte de coisa. A gente trabalha em dry. Daí, nessa semana após, a gente coloca tudo organizadinho, as empregas, o que foi, eu tenho estudantes, organizo todas as coisas que precisam para a gente passar isso para o cliente, para ele fazer a migração para o sistema deles lá e a gente fechar. Até o nosso modelo aqui, a gente não tem Não é um contrafixo com uma empresa, a gente trabalha com projetos.
Tem as dores e derrubes disso, mas... Mas é o jeito que funciona aqui, né? Então a gente daí fecha e passa aqui na nossa face e pula pra outra.
Naiara Terra Perfeito, legal. Bom, muito interessante.
Tiago Perotti
E aí são umas outras perguntinhas, né, que são mais, assim, tipo... É um pouco mais genérico, mas durante o seu tempo cuidando da Mesa, como líder de solução e rede de comunicação, o que foi o seu maior aprendizado nesse período? Eu vou te falar uma que parece.
Cláudia Lima Besta, mas o primeiro de todos é esse que eu trouxe.
Quando um bando de pessoas, quando a gente tem todo o conhecimento que a gente precisa em volta, junto, não tem como não sair uma solução. Então, acho que, assim, um problema complexo pode ser resolvido em um curto espaço de tempo se a gente tem as pessoas certas, sabe? 100% concordas. Isso é, acho que, uma das coisas mais… mais palpáveis da minha experiência. A outra é que, às vezes, a solução de um problema complexo é uma coisa muito simples. Mas é tão difícil, e como é difícil chegar nesse simples, sabe? De energia e de trabalho que é necessário para você chegar no simples, mas às vezes é isso, você fica buscando A outra é que, muitas vezes, isso já aconteceu comigo, inclusive no começo, eu estava buscando a inovação, mas isso é extremamente educador, sabe? E a inovação é um conceito tão complexo e abstrato que, às vezes, Para aquela empresa, uma coisa muito simples é a grande inovação.
Você fazer esse banco que eu falei para vocês. A grande inovação para eles foi portar o que
eles estavam fazendo, a tese deles. Continua fazendo isso, mas faz bem feito. Fazer bem feito. Que já é uma grande inovação.
Tiago Perotti
Ah, muito de boa. É só uma última pergunta. Que tendências e transformações você vê que serão cruciais para a solução desses problemas complexos do futuro e para como as pessoas vão no futuro aprender a pensar como designer para resolver essas questões?.
Cláudia Lima
Difícil essa pergunta. Eu acho que assim, que eu vejo e cada vez mais a gente tá vendo, né, inteligência artificial. Eu acho que isso vai ir pra, pelo menos eu tô pensando nisso agora, até elas se juntarem e me matarem e me aprisionarem e eu ficar lá vivendo com uma renda universal. O que eu acho é que nunca vai ter uma inteligência artificial que faça isso que a gente faz, sabe?
Que é juntar gente pra trocar. Isso eu vejo muito... vai ter. Porque ela tá lá, ela tá acumulando grande conhecimento, mas ela vai te dar uma resposta. Você pode interagir com ela, mas nunca você vai ter essa inteligência coletiva. Só quando você tá com as pessoas que você consegue, de fato, extrair, Uma pessoa fala, às vezes é uma palavra.
Eu vejo isso acontecer pra caramba. Uma palavra que alguém falou, uma experiência que alguém teve, disse. Uma missão, né?
Naiara Terra A outra pessoa aqui já falou.
Cláudia Lima Que legal.
Puts, é um absurdo. A gente pode fazer aquilo e dizer, olha, acho que isso não é rico. E qual foi a outra que você falou? Ah, como fazer as pessoas pensarem assim. Ai, Tiago, eu queria eu saber disso.
Naiara Terra É um desafio, né? Também.
Cláudia Lima
Eu acho que a gente vai precisar de vocês pra sempre, entendeu?
Naiara Terra Justíssimo, entendi.
Cláudia Lima
Bom, mas eu acho que esse ambiente que a gente cria, que a gente constrói... Tá chamando, né? Não, eu tô livre, né? Falando de mim, que eu tô livre. Ah, beleza, mas eu acho que essa rede que a gente cria, que constrói, vamos criar, vamos desenhar alguma coisa para ver se é isso mesmo. Acho que isso já faz as pessoas saírem, porque muitas vezes elas contam.
Você sabe que está me pedindo isso. Eu falo, não sei, desenha. Ah, não, mas eu estou bem. Não, eu quero que você desenhe. Faz o que for, uma estrutura, um organograma, um desenho de pauzinho.
Faz qualquer coisa, porque eu preciso ver para ver se a gente está falando da mesma coisa. Eu acho que essa materialização, assim... Que legal, né? Eu acho que a gente consegue um pouco fazer isso, não é? Mas aplicando isso, não sei se as pessoas vão saber fazer isso, que é bom pra vocês, né? Desafio. Desafio. Exatamente, esse de pegar esses conceitos, essa complexidade toda e traduzir de um jeito muito, né?
Naiara Terra Simples, assim, pra gente.
Cláudia Lima Perfeito, legal. É maravilhoso.
Naiara Terra Muito inspirador. Cláudia, muito obrigada.
Cláudia Lima
Poxa, espero que a gente tenha ajudado.
Daniel Padilha - The Ugly Lab
Tiago
Daniel, pra começar, você pode contar um pouco sobre você e a trajetória do laboratório?
Daniel A primeira pergunta que você trouxe, né? Contar um pouquinho sobre mim e a trajetória do laboratório. Bem, eu sempre empreendi muito cedo, assim, desde novinho. Eu sou formado em comunicação social, com ênfase em design. Então, sou comunicólogo. Mas acabei caindo muito pra parte do design mesmo. Porque naquela época, isso foi em 2003, 2004, né? Naquela época você tinha praticamente cursos de desenho industrial no Mackenzie ou na USP. Mas eu tinha um interesse muito grande de fazer a parte digital, né? E aí tinha dois cursos na época, que era o curso da Anhembi Morumbi e o curso do Unibero, que foi onde eu estudei aqui em São Paulo. O Unibero não existe mais, né? Foi comprado pela Anhanguera, acho que em 2006, 2007. Mas eram os dois principais cursos de design que a gente tinha, no caso, design digital.
Só que naquela época, como eu falei, a Unibero não tinha uma chancela do MEC pra usar e falar que era um curso 100% de design ou de desenho industrial ou de qualquer coisa do gênero assim, né? Então ele estava atrelado a um curso de comunicação. Hoje eu acho que isso foi ótimo. Na época a gente ficava um pouco frustrado, né? Mas hoje eu entendo que foi importante porque eu não tive somente uma linha do design. Eu tive uma linha de entendimento acadêmica, mas da comunicação, do marketing, da publicidade, então foi uma mistura. E isso me ajudou a ter uma visão também mais macro sobre o que poderia ser o trabalho de um
designer. Tipo, eu formado, o que poderia fazer e tal.
Só que quando eu tava na época da facul, eu tava tentando arranjar emprego, não conseguia, né? E eu resolvi montar um escritório, um estúdio de design com o pessoal da faculdade mesmo. E disso saiu a minha primeira empresa, né? Então por isso que eu falei lá no comecinho que eu empreendi muito cedo. Eu tinha 17 anos. Mas bem roots, assim. Então cada um trabalhava na sua casa e tal. E a gente vendia algumas coisas muito relacionadas à produção e materialização. Flyers, logos, sites e outras coisas. Mas foi bem ali no comecinho, né? Quando eu tava bombando a parte digital. E foi bacana.
E aí a gente foi juntando grana, né? A gente foi juntando bastante dinheiro, bastante com muitas aspas. A gente era tudo fudido. E aí a gente juntou, assim, uma grana. E aconteceu um caso especial que a gente fez um projeto para um grupo de faculdade de TCC. Era uma galera de uma outra faculdade que queria materializar, né? Transformar algumas coisas em algo físico. Acho que eles eram de marketing, não lembro exatamente qual era o curso deles. E eles fizeram toda a estratégia e a gente fez a parte visual. Cara, na época a gente cobrou 300 reais pra fazer. Foi uma coisa, tipo, bem ridícula, mas também era tudo estudante, a gente era tudo fodido, então a gente topou. E eles venderam o projeto. E esse projeto... Esse projeto foi aceito, né? Foi aprovado pela empresa, era um projeto real. E parte do dinheiro eles deram pra gente.
Aí essa grana a gente pegou e injetou no escritório. E aí a gente foi pro escritório físico, a gente comprou máquina, a gente começou
a trabalhar todo mundo junto na sala. E isso foi se desenvolvendo durante um passado de tempo. Então, eu tinha um escritório de design, fiquei lá três anos e pouco. E eu tava muito infeliz, porque eu fiquei pensando, o sonho de todo designer é ter o seu escritório, né? Ter o seu negócio, poder empreender, blábláblá. E eu não tava feliz, e provavelmente não tava feliz por conta mesmo da área, né?
E eu comecei a fazer um processo de revisitar as coisas que eu gostava. E eu lembrei que eu curtia muito o branding. Só que o branding que eu tive na faculdade não é o branding propriamente dito. Ele era muito focado na construção de identidade visual, de guides, essas coisas, e branding não é isso. Mas mesmo assim eu comecei a estudar mais sobre isso, fiz um curso de extensão na Belas Artes depois que me formei, pra ver se era isso mesmo que eu queria focar. E foi muito legal, eu fiquei bem apaixonado, tive professores incríveis.
De lá fiz a ponte para o MBA, então fiz o MBA na Rio Branco, que foi a primeira pós-graduação com foco no MBA em Branding, no Brasil, orientado e organizado, coordenado pelo Antônio Roberto, que foi o primeiro cara que trouxe essas coisas para cá. E lá eu fui me enchendo mais desse mundo, conhecendo mais pessoas, experimentando e tal. Eu levei a ideia para o meu estúdio de design. Ao invés de ser um escritório de design, a gente passaria a ser um escritório com foco em gestão. O pessoal topou, foi um puta de um desafio, a gente já estava maior, a gente já tinha outras salas, outras pessoas trabalhando com a gente. E foi assim até 2012, quando eu resolvi sair. Essa segunda empresa, ela chamava Persona, com Y. Mas foi legal, tipo, eu experimentei muito, fiz muitos testes. Então, tudo que eu aprendi no
MBA, eu levava pra lá. E foi bem bacana.
Daniel
Nesse meio tempo, assim, porque eu saí em 2012. Em 2010, eu fui chamado pra dar aula de Branding. Então, eu ainda tava me formando, a galera me chamou pra dar aula. E eu estou professor desde 2010. Então, faz 15 anos que eu dou aula dentro das universidades, sempre nas pós-graduações ou cursos livres, né? E agora não tanto, porque eu tive que diminuir muito o meu ritmo, mas, cara, praticamente até ali 2021, até no meio da pandemia, eu tava dando muita aula, tava bem puxado. E eu fui aprimorando isso, né?
Aí o que acontece? Acho que também equivale um parênteses pra entender como funciona esse processo da minha saída dessa segunda empresa e até virar o The Ugly Lab. Quando eu saí da Persona, eu estava trabalhando sozinho, então eu virei consultor. Então, as empresas me contratavam para resolver problemas ou direcionar algumas coisas dentro dessas marcas, como isso tudo estava organizado.
E aí, no meio desse caos todo, eu fui trabalhando a minha marca pessoal. Então, a minha consultoria era Daniel Padilha, o Brand Strategist, que era o termo que eu usava. Um nome para criar um pouco mais de força. E eu fui criando realmente um pouco mais de presença no mercado. Só que eu sempre tive uma veia mais focada em outras disciplinas acopladas ao branding. Então, eu estudei cool hunting, estudei Design Thinking. Então, eu fui vendo outras disciplinas e fui agrupando isso no que poderia ser um trabalho de construção e gestão.
Então, meio que foi formando na minha mente outras formas de trabalhar com
branding. Porque se eu pegasse exatamente aquilo que eu aprendi no MBA e tentasse aplicar pra todo mundo, não daria certo. Então, através do design thinking, principalmente quando eu comecei a desenhar processos, ferramentas, métodos, eu falei, legal, é legal trabalhar, por exemplo, com atributos de marca, com brand equity, com posicionamento e tal, mas como que eu deixo isso mais fácil? Como eu tiro uma gordura disso? Como eu crio mais valor?
Então, essa minha mentalidade mais maker de desenvolver essas ferramentas foi surgindo e foi ganhando mais forma. E dentro da sala de aula, cara, levar essas coisas é muito legal. Então eu comecei a levar essas ferramentas também pros meus alunos. E a gente foi fazendo uma coisa muito maluca e muitas coisas começaram a surgir.
Só que aí também vale um outro parênteses aqui. Sempre quando o pessoal usava essas ferramentas, tinha lá Daniel Padilha, Daniel Padilha, Daniel Padilha. Cara, eu acho muito escroto isso, sabe? Tipo, você tá numa dinâmica onde eu não estou presente. E tem um material de um terceiro cara, que sou eu ali, que as pessoas estão usando. Então, tava me gerando um incômodo muito grande de meu nome estar em todos os lugares.
E eu falei, cara, não, acho que tem que ter uma certa independência, né? Porque gera um tipo de conflito quando você tá fazendo uma dinâmica e aí você tem uma ferramenta que tem o nome de uma pessoa. Sei lá, isso era muito escroto. Aí eu falei, não, eu acho melhor eu criar uma outra marca que não tem nada a ver comigo, assim, pelo menos na parte verbal, para só endossar essas ferramentas que eu estou desenvolvendo.
E disso saiu o The Ugly Lab. Então o The Ugly Lab, a princípio, surge como uma submarca minha, simplesmente para endossar, para dar uma chancela nas ferramentas e para não ter o meu nome aparecendo nos negócios. Eu queria que fosse um nome à parte. Só que o The Ugly Lab foi dando certo como marca, né?
E eu achei interessante porque eu comecei a entender que cada vez mais os projetos não eram desenvolvidos apenas por mim, eram várias pessoas, né? E são até hoje. Então eu acho muito escroto você colocar o teu nome e levar todo o crédito sendo que tem uma galera trabalhando com você, sabe? Acho muito narcisista. Então o tempo foi passando, eu comecei a fazer mais ferramentas, sempre de forma gratuita, com o selinho do Creative Commons inicialmente, tal, tal, tal.
Até o momento que eu falei assim, não, eu vou começar a comercializar isso, porque o pessoal está gostando, tem uma proposta de valor interessante, ninguém está fazendo isso no mercado brasileiro, então eu vou tentar fazer isso de alguma forma. E ali em 2017, então o The Ugly Lab surge realmente como marca em 2017, mas em 2018 eu comecei a vender a AIMO, que é a primeira ferramenta que a gente fez de atributos.
Envelopado, cara, tipo, ela era produzida num outro rolê, não é o que a gente tem hoje, era um outro parceiro nosso, era realmente um produto de teste, né? E quando eu abri pra vendas, tipo, vendeu 300, assim. Pum! Estourou. Falei, caralho, que legal. Tipo, a galera realmente curte isso que a gente tá fazendo.
Então, de 2018 até 2019, a marca ganhou uma força muito grande. A gente foi desen-
volvendo outras coisas e tal. Ao ponto que eu falei, não quero mais usar o meu nome. Eu não quero mais ter o meu negócio Daniel Padilha, Brand Strategist. Eu vou colocar isso tudo dentro do The Ugly Lab. Aí sim eu parei e falei assim, o The Ugly Lab agora vai ser uma marca que vai englobar um modelo de negócios mais complexo. Então, isso dedicou mais energia e tempo para a gente organizar.
Então, não sei se ficou claro, mas o The Ugly Lab surge principalmente como uma marca de endosso das ferramentas que eu estava fazendo, mas foi uma marca que criou tanta energia e tanto valor no mercado que eu falei, cara, eu sou insignificante, eu não preciso mais aparecer. O foco tem que ser sempre no laboratório, até mesmo porque são várias pessoas que estão com a gente.
Naiara
Você mencionou que muitas outras propostas voltadas à formação de designers focam em cursos, workshops e consultorias.
Por que o The Ugly Lab optou por vender produtos e adotar uma abordagem baseada no “learn by doing”?
Daniel
A primeira parte dessa pergunta que fala sobre os cursos, workshops, consultorias e tal: a gente tem isso. Então, a gente não vende só o produto. O The Ugly Lab tem cinco frentes de negócio. Então, existe uma força ali, uma energia consultiva. As empresas contratam a gente para resolver desafios.
Existe a frente de cursos. As empresas contratam a gente para workshops, para projetos, para dinâmicas e cursos mesmo. Tanto que a gente tem os cursos online, que a gente também se propõe a fazer. Esses são mais esporádicos, mas acontecem. Tem a frente de venda de ferramentas — a gente
também tem uma loja, a gente também tem um e-commerce. A gente produz, faz os estudos, envelopa isso como produto e oferta.
Nós temos uma frente de pesquisa. Então, também são empresas que contratam a gente para fazer pesquisas mais profundas sobre alguma coisa. E por último, a comunidade. Então, a gente tem uma comunidade no Discord com mais de 1.200 pessoas, no WhatsApp com umas 200. E é a comunidade que mantém tudo vivo.
Então, a gente não vende só produtos. A gente tem essas cinco frentes. De tempos em tempos, uma frente bomba mais, outra bomba menos. Às vezes, a gente tem um pico e um foco maior no desenvolvimento de ferramentas. Às vezes, a gente tem um semestre mais voltado para cursos. Então, é isso, sabe? A gente tem esses caminhos de trabalho. A gente não vive somente do desenvolvimento de ferramentas e da venda deles no nosso e-commerce.
E aí, a segunda parte da pergunta, onde vocês falam sobre o “learn by doing”. Learn by Doing é um conceito amplo que, na verdade, eu aprendi em 2010, quando resolvi estudar sobre docência e didática para o ensino superior. Eu tive que fazer um curso de especialização para poder dar aula para jovens adultos e pessoas mais velhas, né? E aí, dentro desse curso, eu entendi o que era pedagogia, que todo mundo sabe, né? Então você dá aula para crianças, ensino e educação para crianças, mas tem um outro termo que é a andragogia, que é a mesma coisa, só que direcionada para adultos.
E o adulto — vamos pensar nas pessoas com mais de 18 anos — ele aprende através do fazer. Não que uma criança não aprenda,
tá? Mas, exclusivamente falando, o adulto aprende botando a mão na massa. E aí eu tive contato com outros cursos. Eu tive curso do pessoal da Ideal, o próprio curso de Stanford que eu fiz de Design Thinking, um monte de coisa. Eu fui juntando as pecinhas, e o próprio Design Thinking fala muito sobre isso. Você faz tudo com foco no ser humano. Se existe o ser humano, existe o fazer. Isso gera impacto.
Então, a ideia é: você vai aprender se você executar aquilo que você está ouvindo, que você está vendo, que você tá, de certa forma, recebendo ali algum tipo de estímulo. Então, na época, fazia muito sentido, porque a maioria dos cursos de Branding, a maioria das dinâmicas das ferramentas, né, elas não eram muito direcionadas para o fazer. Era tudo muito passivo. E aí a ideia era justamente isso, de trazer essa leitura do Aprender Fazendo que a gente aplica em tudo.
Então, por exemplo, se a gente desenvolver uma ferramenta, a gente não vai mandar um puta de um manual gigantesco. Por mais que tenha o guia com muitas coisas escritas, a forma como você vai aplicar... cara, você tem autonomia. Porque você vai aprender a usar fazendo. Fazendo alguma dinâmica, fazendo algum teste, etc.
Só pra concluir essa segunda questão que você trouxe, a nossa abordagem vai por aí porque a gente entende que é dessa forma que os adultos conseguem realmente compreender e aprender aquilo que têm interesse, tá?
Tiago
O que você diria que diferencia o The Ugly Lab de outros projetos e marcas da área?
Daniel
Acho que também é importante entender o que é o laboratório, né? O laboratório é, literalmente, um laboratório de inovação. Então, a gente não é uma agência. A gente não é um escritório de design. A gente não é uma consultoria. A gente se posiciona como um lab.
Então, o que a gente faz? A gente experimenta coisas. A gente testa. A gente não tem a resposta certa. Nós não temos bala de prata. O que a gente faz é experimentar coisas. Então, o que acontece? Há empresas que veem valor na experimentação, outras não. As empresas mais tradicionais, mais conservadoras, elas não vão atrás do laboratório, elas não vêm atrás do laboratório imaginando que a gente vai fazer, sabe, uma entrega comum. Elas não vão aparecer, elas não vão surgir.
Agora, se você tem uma empresa que tem uma ruptura, que tem uma mentalidade um pouquinho mais aberta, aí sim elas acabam nos chamando para resolver alguns desafios, tá?
Então, aqui o que é importante é: qual que é o diferencial que a gente tem, né? Qual é a ruptura que é criada? Eu, particularmente, acho que a gente vê as coisas com uma atenção diferente. E eu já falei isso em outros lugares, a gente também escreve nos textos sobre. Eu, particularmente, tenho uma linha de pesquisa, de estudo, que é baseada em subversão.
Então, eu comecei a estudar sobre dinâmicas de poder, sobre controle. Porque, ao meu ver, tem muito a ver com o processo estratégico, o processo criativo, os modelos de gestão. Então, pra mim, ele está dentro desse recorte das dinâmicas de poder. E quando você vira a chave, é quando você começa a ter uma mentalidade mais subversiva. Ir contra um sistema imposto. Não que as outras empresas não façam isso e tal, mas a gente leva isso em consideração e a gente coloca em tudo. Então, no desenvolvimento da ferramenta, no curso, na consultoria, na comunidade. Então, a gente é orientado à subversão, sabe? A gente é orientado a isso.
Mas não somente, né? A gente também tem o olhar humano, do Design Thinking, do Human Centered Design. A gente tem um braço forte ali de entendimentos de estudos futuros. Então, são várias disciplinas que a gente vai acoplando. E eu acho que essa conta, essa equação que a gente fez, de certa forma, cria uma força distintiva, algum diferencial que a gente acaba encontrando.
E dá pra trazer um outro tópico, que é o pioneirismo. O laboratório foi o primeiro laboratório a vender ferramentas dessa maneira. Não tinha, pelo menos no Brasil, ninguém que fizesse esse movimento. E até hoje não tem. Não tem ninguém com portfólio como a gente tem. E quando eu falo portfólio, é portfólio de produtos, de estudos, de ferramentas.
Você vai ter o cara que vai criar uma ferramenta só, você vai ter o cara que vai criar duas ferramentas, mas um modelo de negócio que é baseado no desenvolvimento desses estudos para criar as ferramentas para facilitar a vida da galera, num volume maior — isso a gente ainda não tem.
Então, dessa forma, a gente acaba até não tendo uma concorrência direta. Óbvio, a gente tem outras frentes de negócio, como eu falei, então sim, a gente vai estar concorrendo com outras consultorias, com outros cursos, outras escolas, com outras empresas de pesquisa — isso vai com certeza existir. Mas esse agrupamento, eu acho que ele é muito particular, ele é muito único e, de certa forma, nos dá essa força.
Então, eu particularmente acho que a gente tem uma força de marca muito grande e essa força de marca ganhou cada vez mais robustez, cada vez mais força, muito por conta da ideia da comunidade que a gente tem. Então eu tento estar muito presente em toda troca. Eu tento estar presente e me fazer útil.
Não gosto muito de estar ali sempre no palco como um influenciador, tanto que eu não tenho esse posicionamento, eu não faço esse tipo de abordagem. Eu sempre tô no backstage, mas eu estou presente na comunidade do laboratório. Tanto que o modelo de negócio, ele se sustenta por conta da comunidade.
Então, as pessoas que veem valor naquilo que a gente faz, que acreditam naquilo que a gente defende também, ou nas nossas provocações, é essa galera que faz tudo isso existir. Então, não é o nosso trabalho de prospecção, nem nada do gênero, tá?
Naiara
Poderia compartilhar com a gente quais foram alguns dos desafios enfrentados ao longo do processo? E quais seriam específicos de atuar com produtos?
Daniel
Cara, a treta a gente tem o tempo todo, né? Você tem treta da gestão do negócio — compreender como é montar uma empresa, como faz para gerir e tal. Você tem a baixa percepção de valor do próprio mercado. Cara, são vários pontos. Não sei se eu consigo listar todos, né? Mas eu acho que, de forma geral, assim, o ponto de atenção é sempre ser humano. Gente.
Gente, eu acho que é o nosso ponto de atenção. Da mesma forma que o nosso olhar tem que ser mais refinado e cuidadoso para as pessoas, a gente também entende que a maioria dos obstáculos e problemas se dão por conta das dinâmicas e das relações entre as pessoas. Então, como eu falei anteriormente, eu comecei a estudar muito sobre dinâmicas de poder e como funciona essa relação de controle e tal. Então, eu sempre vou colocar a culpa nessas dinâmicas.
Então, todos os problemas que a gente possa identificar dentro de um projeto, até para desenvolvimento de alguma ferramenta ou pesquisa, vai empacar por conta dessas dinâmicas, por conta dessas relações. Então, quem tem poder? Quem toma a decisão? Quem coloca os seus valores acima dos outros? E se relacionar com isso é complexo. Você lidar com isso é desgastante. E pode ser da forma macro, como o sistema capitalista e o pensamento neoliberal, como também o que o Foucault chama de microfísica do poder, que são as relações mais íntimas, coisas do dia a dia.
Vou dar um exemplo tosco. Sou professor. Estar numa sala de aula, lá na frente dando aula, já me garante poder. Já me garante uma força que os alunos, naquele momento em especial, talvez não tenham. Então, isso pode estar em relações de pai e filho, de mãe e marido, do casal. Isso pode estar em uma relação de trabalho mesmo, do dia a dia. Então, se o chefe aprova ou desaprova alguma coisa, isso tem a ver com processo, isso tem a ver com machismo, tem a ver com valores e crenças limitantes que ele tem.
Então, desafios que eu vejo, assim, que a gente tem encontrado é: cara, como lidar com isso? Como que a gente lida com essas dinâmicas? Como que a gente lida com tudo isso? Porque realmente é complexo, normalmente faz parte de uma cultura, e você não pode simplesmente chegar dando um chute na porta, né? Tem essas relações.
Então, se eu puder resumir tudo que eu falei em uma palavra que defina o desafio que a gente encontra, é: relações. As relações que nós temos que construir e o que a gente favorece e o que a gente não favorece, tá?
Tiago
E no caso dos produtos especificamente?
Daniel
A mesma coisa. Então se eu tô pensando no desenvolvimento de um produto — no caso de um baralho ou de uma matriz ou de um guia ou qualquer coisa do gênero — cara, essas relações podem favorecer ou não para o desenvolvimento.
Naiara
O que mais motiva o The Ugly Lab hoje?
Daniel
A gente tem uma visão de futuro, né? A gente tem um direcionamento que está muito focado em autonomia. Então, a ideia inicial era: pô, as pessoas vão ter ferramentas, as pessoas vão ter acesso ao conteúdo, informações, elas vão se virar. De certa forma, isso funciona em partes, mas eu vejo que agora, com uma explosão que a gente tem no mercado de formações básicas, de muita coisa mentirosa sendo dita, o pensamento de produtividade, de sucesso… acho que tudo isso nos desmotiva.
Você perguntou o que nos motiva, mas isso nos desmotiva. Mas, ao mesmo tempo, isso dá uma certa força pra gente tentar fazer um caminho diferente. Então, eu particularmente gosto — se eu puder resumir — de uma frase do Tom Kelley, ou do David Kelley, não lembro agora qual dos dois irmãos. Algum deles falou o seguinte: “eu quero só fazer uma coisa legal”, sabe? Não quero fazer uma coisa perfeita, eu quero só tentar. Eu quero fazer umas coisas da hora e tal.
Então, acho que é meio que um pensamento que o laboratório tenta absorver. Eu, particularmente, tento fazer coisas legais. Eu gosto de fazer coisas que me deem prazer. E, paralelamente, talvez essas coisas que eu criei junto com as outras pessoas aqui façam a vida dos outros melhorar de alguma maneira.
A vida, talvez, é muito ampla, né? Mas, pelo menos, a parte profissional a gente consegue entregar um suporte ou um auxílio pra galera conseguir realmente evoluir de alguma maneira. Lembrando que tudo que a gente faz não acaba ali, né? É só um recorte. Então, quando a gente fala de atributos, cara, é um recorte de atributos. Quando a gente fala de valores, é um recorte de valores. Porque
nada é universal. Então, você tem que fazer estudos e tal.
Então, acho que a gente tem muito desse incentivo de fazer a galera estudar mais, pesquisar mais e questionar mais. Eu, particularmente, carrego muito isso também, de você tentar problematizar em cima do que tem rolado, tá?
Então, se eu puder resumir, é isso, né? Fazer as coisas legais. Mas tem uma outra coisa que eu acho também importante, que é uma linha de pesquisa, da mentalidade mesmo que eu tenho fortalecido — isso muito por conta da minha outra especialização, que eu sou psicanalista. Então eu vou mais também para a parte da pesquisa em psicanálise e da análise do contemporâneo, que é a problematização. A gente precisa problematizar em cima das coisas.
Então, se não me engano, vocês estudam na ESPM, certo? Eu dei aula na ESPM de 2014 até 2016, não lembro exatamente o período que foi, mas nos cursos livres junto com outros professores. E de lá até aqui, o que a gente vê é um padrão de importação das coisas. Então, o branding importado, o marketing importado, a publicidade importada. A gente sempre olha muito para a bolha ocidental e europeia e isso, por conta de estudar psicanálise, eu comecei a falar assim: espera aí, vamos problematizar aqui um pouquinho em cima.
Quais são os paradigmas da nossa área? Quem que tá quebrando? Quem que tá criando ruptura? Quem tá reforçando ou perpetuando? Qual que é a herança que a gente tá tentando manter? Porque é uma propagação que, ao meu ver, não é a mais saudável. A gente tem cada vez mais pessoas consumindo e tal.
Inclusive, hoje mesmo, eu postei um print da Carmed. Sabe o balmezinho lá que passa na boca e tal? Na boca, não nos lábios, né?
Uma menina, acho que aparentemente uma professora, que tirou todos os balms da mochilinha da criança, da jovem, da adolescente. Não tem o recorte de idade, mas a gente imagina que é uma pessoa mais nova do que eu, por exemplo. E tinha um monte, né?
E eu postei justamente questionando no sentido de que, cara, você tem uma criança que tem um monte de balm. Tipo, eu não tô falando de 15, eu tô falando tipo de 30, 40 balms. E aí eu fico pensando: cara, o meu trabalho contribui pra essa força consumista?
Então, isso é um pouco um paradoxo. Inclusive, eu tô escrevendo sobre isso. Neste momento eu estou chamando de “paradoxo de Gotham City”, que é o seguinte: a gente, de manhã e à tarde, é Bruce Wayne — então a gente participa do sistema — só que à noite a gente é o Batman, então à noite a gente tenta quebrar a porra toda. É um paradoxo, é complexo, porque você tenta combater uma coisa sendo do sistema.
Então, o outro braço de motivação que eu posso colocar aqui é justamente isso. A gente tentar se distanciar um pouco da vida do Bruce Wayne e ir um pouco mais para a pancadaria com o vestido de morcego, sabe? Acho que é mais por aí.
Tiago
Você poderia compartilhar um pouco sobre como é a metodologia de projeto de vocês no desenvolvimento de produtos? Após a decisão de um tema, quanto tempo leva e quais são as etapas?
Daniel Cara, de forma resumida, a gente trabalha com o Double Diamond. Não sei se vocês utilizam isso no curso, se vocês já estudaram. É uma estrutura que desenha um processo em etapas, que foi criado pelo Conselho Britânico de Design. Você tem uma etapa de investigação, de diagnóstico, de geração de ideias e de validação. Você tem quatro estruturas, quatro tópicos.
E a gente, obviamente, fez algumas adaptações. Vários escritórios no Brasil e no mundo utilizam isso. Inclusive, se alguém tentar falar que é proprietário, não é. Então, eu sempre coloco os créditos pro Conselho de Design. Porque você fala: “ah, criamos aqui um processo e tal.” Não, velho. Tu copiou da galera lá de fora e tá tudo bem. Desde que você fale que você se inspirou e tal, né. Mas tem uma galera que não. Que fala que foi desenvolvido por eles. Eu acho mó bizarro isso.
E essa estrutura, essas etapas, a gente pode chamar de processo. O processo participa de algo maior, que é a metodologia. Então, ao meu ver, a metodologia é a junção de processos, ferramentas, métodos, mentalidades, técnicas — é uma caralhada de coisas.
Então, a metodologia que a gente tem é a metodologia do The Ugly Lab. Porque é como a gente lê o processo, é como a gente lê a ferramenta, é como a gente lê as técnicas, é como a gente lê cada uma dessas etapas.
Então é uma forma de agrupar tudo isso e é uma forma proprietária. Por mais que a gente utilize estruturas de pensamento de outros movimentos e tal, o agrupamento — então a metodologia como um todo — ela é única do laboratório.
Mas voltando ao Double Diamond, que aí é o processo que a gente segue, o framework, ele sempre vai partir de uma etapa investigativa. Só que antes dessa etapa investigativa iniciar, você tem um enquadramento de desafio. E esse enquadramento de desafio se dá por conta de um problema, por conta de um desafio, por conta de uma necessidade.
Então, a gente só cria uma ferramenta se a gente tiver isso desenhado. Se eu sei mapear um obstáculo, se eu sei mapear um desafio, se eu sei mapear uma necessidade. Tudo que a gente desenvolveu que é oferecido comercialmente surgiu por uma necessidade do mercado, uma necessidade nossa em projeto.
Tipo: “poxa, tem que fazer uma dinâmica de atributos, mas quais são os atributos? Não sei. Será que se a gente criar uma ferramenta pra isso é legal?” — Putz, da hora, vamos fazer. “Poxa, vou fazer um projeto que envolve personas, mas como que faz personas?” — Putz, não sei, vamos estudar sobre isso pra criar uma ferramenta para.
Então, é sempre isso: não tenho as ferramentas em mãos. Eu não tenho uma caixa de ferramentas com as coisas que eu preciso, então eu tenho que me virar, eu tenho que criar isso de alguma maneira. E sendo uma dor nossa, interna, provavelmente é uma dor também coletiva. É uma dor das pessoas da nossa área, das pessoas que estão aí atuando no mesmo segmento que a gente. Não sei se fez sentido o que eu quis dizer, mas é basicamente isso.
A gente só cria alguma coisa se a gente tem uma dor, uma necessidade, um problema, uma treta ali pra resolver. Senão a gente não cria, tá? Isso pode se dar internamente ou, como eu falei, pode ser através de uma pesquisa ou quando a gente tá analisando o mercado, né? Tipo: “porra, olha, a galera tá fazendo tal coisa, mas não tem uma ferramenta pra auxiliar.” Vamos criar, então. Então esse é o processo, tá?
Naiara E sobre o tempo? Quanto tempo leva o desenvolvimento?
Daniel Sobre o tempo... não sei, não é fechado. Tem ferramentas que são mais rápidas e outras são mais longas. Por exemplo, a gente lançou agora a pré-venda de três ferramentas. Uma delas é a Emo, que é uma ferramenta de emoções, onde nós mapeamos as emoções básicas, combinadas, sentimentos e mais uma caralhada de coisa. E a gente começou a fazer esse projeto em 2022.
Tem ferramentas que foram desenvolvidas que, cara, levaram uma semana só pra gente fazer. Outras que levaram mais de quatro anos. Então depende. Depende da complexidade, depende do nível de profundidade também — até mesmo porque é tempo intelectual ali, né? Você tá gastando e investindo uma energia muito grande. E isso é foda.
Pessoas envolvidas também dependem. Cada projeto tem uma equipe diferente. Desde a pessoa que vai ilustrar, a pessoa que vai diagramar, a pessoa que tá no projeto junto com a gente fazendo a pesquisa, quem vai escrever textos, quem vai diagramar sei lá o quê. Então, são várias pessoas.
A gente tem um QG hoje no laboratório com 12, mas a gente sempre traz outras pessoas pra desenvolver esses projetos. Não são as mesmas, porque eu não gosto de trabalhar sempre com as mesmas pessoas. Acho que a gente fica burro quando a gente sempre tá com as mesmas pessoas, sabe?
Tiago
Sobre o público: existe alguma segmentação específica dentro do design? E quem consome os materiais do The Ugly Lab?
Daniel Cara, a gente não fez, inicialmente, as ferramentas para designers. A gente não encapsula dessa forma. São pessoas que têm tretas para resolver. O cara pode ter uma empresa e ele talvez tenha uma treta de valor de marca que ele tem que trabalhar, e ele pode ver valor na nossa ferramenta — e aí comprar e usar e tal. E serve ao mesmo tempo para consultoria, para outras coisas.
Então, por mais que muitos designers sejam o nosso público, não foi desenhado dessa maneira. Eu imagino que a gente tenha um público maior de designers por conta das parcerias que nós fizemos. Então, os influenciadores que divulgaram a gente em algum momento, as pessoas que participaram das nossas palestras, dos nossos cursos e tal. Normalmente são pessoas que vêm do design ou que estão em transição de carreira. Tipo, saindo do design e indo pra qualquer outra coisa.
Então, não há uma segmentação. Não há um recorte específico. A gente é bem abrangente nesse sentido, tanto de público quanto de soluções. Por exemplo, a gente fez uma ferramenta de emoções agora. Essa ferramenta pode ser usada por psiquiatras, por psicólogos, psicanalistas, por pessoas
do Recursos Humanos, Gestão de Pessoas e Branding. Não é só para o designer que vai fazer algum projeto ali, sabe?
Então, eu não olho só para o design. Eu olho para as pessoinhas. As pessoinhas têm dores e dificuldades, e a gente tenta trabalhar em cima disso.
Naiara
Quais são as principais fontes de captação de clientes e usuários?
Daniel A gente não faz prospecção. A gente nunca gastou um puto em mídia. A gente vai começar a gastar na semana que vem, por incrível que pareça. Então, desde 2017 a gente nunca fez um patrocinado, a gente nunca fez uma campanha de impulsionamento nas redes sociais, em nada do gênero. A gente basicamente faz através da comunidade.
Então, a comunidade impulsiona muito isso, de alguma maneira. Mas a gente chegou meio que num platô e agora precisa fazer esse tipo de investimento. Então, a partir da semana que vem, isso vai entrar — provavelmente na próxima ou na outra. E a gente vai ver o que vai acontecer, né? Porque a gente ainda tá num eixo muito sul, sudeste. Então, a gente tem muitos clientes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.
Muito por conta da minha presença como professor. Eu dava aula nesses lugares. Fui professor no PUC de Minas, no Rio de Janeiro também, em Santa Catarina — fiquei grande parte do tempo, porque eu dava aula em várias universidades lá — no Rio Grande do Sul também. A gente tem uma certa penetração na região do Centro-Oeste, porque eu também dava aula lá.
Mas a gente, por exemplo, não tem muita penetração no Nordeste. No Norte a gente até tem um pouco, porque eu dava aula também em Manaus e em Belém. Então, eu podia levar isso à sala de aula. E isso gerava conversão de alguma maneira, né? Mas agora a gente tá virando a chave, a gente tá fazendo outras coisas, a gente tá indo pra um caminho mais tradicional de divulgação — o que faz sentido, né? A gente chegou ali no limite disso.
Então, as pessoas falam da gente, as pessoas falam da gente na comunidade, em outras comunidades. Isso vai gerando um tipo de efeito cascata. Mas acho que é muito isso, sabe?
Porque, cara, a gente não posta. Raramente a gente posta. A gente não gera conteúdo. Eu não gero conteúdo. Eu não vou falar. Não vou gravar vídeo. Não vou fazer isso. Tipo, sou completamente contra esse tipo de movimento. Então a gente fica muito no backstage, né?
E aí acho que vai haver aqui um parênteses também importante: por estar no backstage, a gente fica muito num cenário emergente, não muito dominante. Então, existe um processo de percepção de valor que é mais lento. Tipo, as pessoas não sabem quem somos. E tem que fazer todo um trabalhinho, sabe? Ir lá, preparar terreno, pra aí sim, as pessoas descobrirem o que a gente faz.
Tiago
Como o projeto se sustenta financeiramente?
Daniel
Se a gente for falar exclusivamente de desenvolvimento de produtos, que são as ferramentas, a gente tem um modelo de negócio baseado em crowdfunding. Então, nós sempre fizemos campanhas de crowdfunding. A gente propõe uma ideia, essa ideia é comprada, a gente consegue grana e a gente produz. As pessoas conseguem esse material de forma mais barata e a gente produz uma quantidade maior.
O que sobra, a gente vende na loja, e essas pessoas compram pagando mais. Então, se a gente for desenhar uma curva, um gráfico tosqueira, quem banca os nossos projetos são os inovadores e os early adopters. Tipo, a galera que fala: “caralho, isso é muito louco, vou botar minha grana nisso aqui porque eu acredito nesse projeto”, certo? Eles dão a grana pra bancar o desenvolvimento daquilo que a gente tá se propondo.
Agora, a gente só lucra com a galera que descobre a gente depois. Sacou? Então, a gente utiliza basicamente o pensamento de financiamento coletivo para o desenvolvimento das ferramentas.
Porque o nosso site também não fala muito, né? E antes era pior, porque a gente lançou ano passado o site oficial mesmo, né? Antes não tinha nada, cara. Tinha nada, nada, nada. E deu muito certo, não falando nada. Então eu vou muito desse movimento, sabe? Tipo: “a gente tem que seguir o que todo mundo tá fazendo pra bombar, pra dar certo?” Em um certo momento, algumas coisas precisam ser feitas. Em outros momentos, não. Aí é mais por isso.
O que a gente fez agora? Porque isso foi desde 2017. Agora que a gente fez em 2025, a gente está fazendo o nosso primeiro movimento onde a gente faz uma pré-venda, mas não dentro de uma plataforma de crowdfunding. A gente garante a produção.
E é o que tá rolando agora. Então, a gente tá com a pré-venda até o mês que vem, até o final do mês que vem.
Naiara
O que você gosta de ver em projetos de ensino de design não tradicionais?
Daniel Cara, eu acho que a palavra mágica é a não importação, que eu falei anteriormente, né? Então, o design é importado. Eu não lembro agora exatamente se vocês estão 100% no design, se vocês estão fazendo outros módulos, sei lá. Cara, todo mundo fala da porra da Bauhaus, todo mundo fala dos mesmos fundamentos, vai falar da Gestalt, tal, tal, tal. O que é importante, óbvio. A gente tem que aprender e estudar sobre isso.
Mas eu vejo que o ambiente acadêmico tem travado aí. Então, o que eu faço? E o que eu tento fazer é olhar as coisas com uma outra atenção, por um outro prisma. Uma coisa que eu falo em sala de aula, que todo mundo tem que fazer também.
Beleza, você tem a historinha da Bauhaus. Ah, você tem a historinha do branding que veio lá, sei lá de onde. E em outros lugares do mundo, como isso se desenvolveu? Então, uma visão asiática sobre, uma visão do continente africano sobre e, especialmente, uma visão brasileira.
Então, como o design brasileiro se desenvolveu a partir dessa importação europeia?
Tenho estudado bastante sobre decolonialidade. Acho que é importante. Outro dia eu descobri uma palavra mágica que eu achei muito legal, que é: o mundo não é universal. Tipo, as coisas não são universais, mas elas são pluriversais.
Eu achei essa palavra tão foda, cara. No sentido de, tipo: tudo é plural. Tudo é muito subjetivo para cada cultura, para cada região, para cada empresa, para cada pessoinha, cada ser humaninho e tal.
Então, eu particularmente acho que cada vez mais a gente precisa desse tipo de estímulo, desse tipo de problematização. O mercado americano tá fazendo isso. Aí a galera vem aqui no Brasil, as agências, os profissionais fazem igual. Sabe? Tipo, adapta o que tá rolando lá fora e faz aqui.
E eu acho que a gente tem muito potencial para criar uma linha nossa, muito particular de desenvolvimento. Eu não tô falando de linha estética, tá? Não tô falando de cores, de tipografia, não tô falando disso. Eu tô falando de mentalidade mesmo.
Aqui no Brasil a gente tem uma treta muito enorme porque as pessoas não compram o processo. Elas querem o resultado final. E eu acho que a gente tem que focar mais nisso — na pesquisa, na investigação, no diagnóstico, no processo.
E eu sinto que falta muito disso nas universidades. Trazendo essa ótica não-europeia, não-americanizada. Então, é importante que a gente faça esse exercício. De forma geral, é isso, tá?
Tiago
Como você vê o mercado de design nos próximos anos?
Daniel Cara, são cenários, né? São muitos cenários
e são muitas incertezas e variáveis. Estou escrevendo um guia agora sobre isso, que aborda justamente como a gente desenha cenários futuros, cenários possíveis, prováveis e tal.
Então, o exercício é: quais são as incertezas? Essas incertezas são políticas, religiosas, culturais, econômicas. São vários aspectos. Dali você vai conseguir desenhar várias possibilidades.
Então, eu vejo que são futuros. A gente não tem um único caminho linear do que vai acontecer com o design. Vou dar um exemplo tosco, tá? Tava rolando agora a reunião dos elencos com o Trump — não sei se você tava assistindo — mas rolou um bom bate-boca do caralho. O Trump falou uma mão de merda, os elencos bateu boca com ele também, tal, né?
E aí você fala: cara, como isso impacta em tudo que a gente faz? Isso pode impactar, obviamente. Altera economicamente os lugares, a percepção de valor, a relação dos países num mundo que é super globalizado.
Então, você tem aspectos macro, gigantescos, que vão afetar. E tem coisas muito pontuais, que podem ser — sei lá — falar sobre a regulamentação da profissão. Porque há anos o pessoal fala sobre isso, sabe?
Então, eu acho que talvez a resposta que eu possa trazer é que o mercado de design precisa ser mais pluriversal. É aquela palavrinha que eu falei no outro áudio. Entender a subjetividade das pessoas, das culturas.
Veja, isso é algo que me motiva. Gostaria que fosse por esse caminho. Mas, ao mesmo tempo, a gente entende que existe uma força conservadora muito grande. Existe uma força muito grande que vai contra pautas progressistas. Então a gente tem que ficar de olho nesses dois.
Naiara
E para fechar: existe algum modelo de negócio ou tendência que você acredita que será crucial no futuro do segmento?
Daniel
Acho que está escrito errado ali, mas bem… como eu falei, a gente tem vários cenários, tem várias possibilidades. Então, não consigo apostar minhas fichas num modelo de negócio total. Pelo contrário.
Mas eu acho que tem que ter o exercício de não olhar somente para um cenário dominante daquilo que tá acontecendo agora, mas ficar sensível ao que tem acontecido com um sinal mais fraco em outros mercados, em outros lugares, num cenário que a gente chama de emergente.
Então, é uma questão de mentalidade e de visão. Isso a gente não faz sozinho. A gente precisa de pessoas com a gente. Então eu vejo que cada vez mais as coisas podem ser coletivas. Só que a gente tem que enfrentar as forças contrárias que a gente já comentou — e que conecta com o começo dos áudios que eu mandei sobre as dinâmicas de poder.
Então, quem volta a ter poder? Quem volta a controlar as coisas? E como que a gente participa desse sistema, certo? É isso. Tchau.
Carolina Sá - LAJE
Carol Uma pergunta, sobre vocês, qual o objetivo, qual o diferencial que vocês querem que tenham? Para o projeto de vocês?
Fernanda Então, eu acho que a gente estava pensando muito numa visão comunitária, onde não existe um mestre e alguém que está aprendendo, onde são duas pessoas que estão quase no mesmo nível e tendo uma troca muito grande de, tipo, como sobreviver ao mercado de design, ao mundo do design. maneira mais de igual para igual, porque normalmente na faculdade ou, por exemplo, na laje, vocês contratam ou trazem uma pessoa que é super especialista, como a Ana Couto, como o Cid, que tem muitos anos de mercado e muita propriedade no assunto, e eles dão uma aula sobre aquilo, certo? Na nossa proposta, eu acho que seria muito mais um ex-aluno que acabou de se formar e é talvez júnior pleno, com alunos também acabaram de se formar ou estão se formando e aí o degrau não é tão alto e cria uma conexão e uma troca muito mais direta assim, sabe? Então é um principal diferencial, assim, ser uma comunidade, assim.
Carol A Laje tem os dois, né? Vou explicar um pouquinho pra vocês. Se você quiser, eu já posso ir falando. Então, a Laje hoje, ela pulava para a gente com tudo a prioridade de dar a conta. Então, a gente está, nesse momento, fazendo um rebranding para a Laje. Porque eu acho que a Laje está. Com uma ambição muito grande de crescimento. Eu entrei na gestão da laje faz anos, dois anos e meio, eu acho. Eu tô na Ana Couto há sete anos já. Desde que eu entrei na LAJE, a gente basicamente dobrou de tamanho a cada ano.
Então ela tá crescendo muito, tem seu ponto positivo, seu ponto negativo, né? Tem sua dor de crescer, mas é muito legal e de fato a gente tá indo pra um caminho muito legal. Quando a gente fala no futuro, a laje, ela antes, ela era, ela transmitia muitos recursos da B2B. Então, as empresas iam, faziam princípios de trabalho de cultura, iam para empresas que tinham um curso pontual. Sim. Quando saiu a pandemia, principalmente, a gente teve, e era tudo presencial, né? Quando veio a pandemia, principalmente, a gente teve que adaptar, que foi lá quando eu entrei. A gente teve que adaptar o nosso curso de branding-aplicado para o digital. E foi aí que foi meio pulo do gato, porque daí a gente começou a entender que o nosso curso poderia ser digital e que o nosso formato de trabalho poderia ser digital. Então, a gente basicamente migrou para o digital. Essa é a verdade. Hoje, todos os nossos cursos são digitais. A gente tem um único curso presencial que é o CBO, né? Adaptado para o executivo e são dois dias de imersão. Então foi um shift muito importante pra gente. E daí isso mexe com o modelo de negócio, né? A gente também entendeu que tanto o branding aplicado que é o nosso carrochefe, esse curso carro-chefe, né? A gente poderia se instalar e poder apresentar em uma unidade de 150 pessoas. Hoje a gente tem uma turma de 150 pessoas, cada turma. Enfim, foi uma discussão até de ser uma escola com vários cursos de branding, e um relacionamento que eu venho galgando muito anos, eu e o time, é claro, é de a gente ser uma escola, uma forma de educação, na verdade, muito focada em construir valor, em impacto, para diversos públicos. E o que eu estou falando é para a profissional do marketing que acabou de entrar, para o empreendedor, para a agência e para o executivo. Então a gente atende esses
quatro grupos. A gente tem um portfólio de produtos hoje que atende esses quatro grupos de forma mais proposital. Podemos ter produtos que sejam profundos, que sejam potentes, que sejam grandes influenciadores, mas que sejam complementares entre si. E aí está a oportunidade, que é uma forma de entrada, onde a gente fala com funcionários de marketing, mas lá tem redator, tem planner, tem designer, tem empreendedor, tem... E eu, se vocês quiserem participar, inclusive, mega-recomendo, porque realmente é muito especial. Muita troca diária, de tudo, de referência.Tem um encontro presencial a cada bimestre. Tem um encontro online todo mês, onde a própria comunidade sugere temas e daí a própria comunidade traz temas. Você tem que pagar mil reais por ano. E aí você entra, todo mundo além, você já tá atraído na plataforma, entra no grupo do WhatsApp e aí tudo rola.
Fernanda.
E Carol, voltando ao assunto da questão da migração do online digital, do presencial digital, quer dizer, você sente uma questão em relação à necessidade, você não vê mais uma necessidade do presencial, como vocês veem essa questão do presencial?
Carol
Não, eu acho que o presencial tem seu valor, tá? Eu acho que, assim como a gente no CBO, a gente fez esse curso presencial, que é bem importante ser presencial, né? Então é bem, é bem importante ali. Na comunidade, a gente... Eu vou mandar o link aqui da comunidade, se vocês quiserem tem o contato do especialista que vocês podem chamar. Então, na comunidade tem esses encontros a cada dois meses, esses presenciais, onde a gente traz três temas, três convidados, tem roda de conversa, é o máximo. E a gente agora também tá com
um programa chamado Laje Day. Que os alunos mais engajados da comunidade. A gente convida pra ir passar um dia na Ana Couto.E daí, tipo, passa o dia com a gente lá pra troca, entendeu? Então assim, tem diversas ações da comunidade muito legais. Então eu acho que esse misto é muito importante, né, na verdade. Porque assim, gente, também assim, tudo presencial, Já não tem tempo, né? Essa é a verdade. Vocês estão na faculdade, vocês têm muito mais tempo que quem trabalha, mas quem trabalha mesmo, full, tem pouco tempo. Infelizmente, eu adoraria ter muito mais tempo pra fazer essas coisas. Então, eu acho que o online veio também pra isso, pra você poder ser muito prático e, sabe, fazer as coisas conforme você tem tempo.
Fernanda Eu acho que cria também aquela coisa de você pode ir fazer de qualquer lugar, por qualquer, tipo assim, você se conecta de uma maneira mais fácil também. Mas em relação aos alunos, você sente que eles dizem algo sobre isso? Sobre tipo, querer mais presencial ou ter mais engajamento no online, menos pessoas vão para o presencial?
Carol
Não, eu acho que eles gostam do presencial, sim. Eu acho que eles falam que querem ir, e daí assim, mesmo os encontros presenciais, normalmente a gente confirma a presença.
A gente confirma a presença de setenta, cem pessoas, vai quarenta. Esse é tipo, um fato, a gente sempre tem, já sabemos que vai metade das pessoas que falam que vão. Então, tem um pouco isso, assim. Mas eu acho importante. Eu acho importante porque conecta. Eu acho importante porque humaniza. E esse ano, especialmente, a gente tá fazendo mais eventos presenciais do que a gente fazia no passado. A gente fez muito
tempo digital por conta da pandemia. Para a gente foi muito bom e funcionou muito.
Mas eu acho que também que essa volta pro presencial, eu acho que também traz um pouco de conexão de raízes. Eu acho que você faz negócios, você faz mais negócios, querendo ou não, você troca, você vê, etc.
Fernanda
Então, a gente tava muito pensando nisso, sobre a questão de que as pessoas também se conectam mais no presencial, né? Porque elas se conhecem, assim, e tudo mais, né?
Tem mais trocas, assim.
Carol Sim, também. Eu, particularmente, gosto bastante do modelo híbrido. Porque, por exemplo, o presencial, você também tem que pensar no nosso caso, tá? Tem toda a parte operacional, recebidos, convidados, tem custo, espaço, coffee. Então, assim, é mais complexo. Não é tão mais complexo, tipo, O CBO, o nosso curso CBO é muito mais complexo. Então, assim, colocar na balança, mas você tá procurando por quê?
Fernanda
Não, é só que quando a gente tava montando o projeto no semestre passado, principalmente, a gente estava muito focado no presencial, na experiência física presencial, né? E a gente tava justamente nesse dilema entre o online é muito mais prático, a gente não tem tempo, inclusive se eu quisesse participar da minha própria oficina, eu não sei se eu teria tempo por conta do presencial, mas ao mesmo tempo o presencial ele gera trocas com a comunidade que você às vezes não tem, sabe? No online, né? Porque todo mundo entra digital, assim, você só vê o conteúdo, mas você não conhece as pessoas, enfim, não tem essa troca tão direta, né?
Carol
Uma coisa que pode ser legal que a gente até faz aqui, que eu acho que vai ser interessante, por exemplo, não sei se vocês vão fazer por projeto ou por curso, como que vai ser o lance de vocês.
Eu quero entender melhor depois. O que a gente faz, por exemplo, todos os nossos cursos, são super babado, tá? A gente vai lançar um curso agora com o Danilo Cid, que se chama Poder Criativo. Não sei se vocês viram. Babado, babado mesmo. Comprem porque tá muito incrível. Inclusive a gente teve um papo com o Rafael, que é o VP da Coca-Cola Global hoje de manhã. Sério, sério, sério. Você tem que comprar, porque realmente vai ser muito incrível. E daí, por exemplo, a gente vai ter quatro módulos. Nos quatro módulos, a gente vai ter o Danilo como grande maestro, orquestrador lá no rolê. A gente vai ter um professor especialista que vai trazer o conteúdo mais potente. E a gente vai ter esse convidado especial. Então a gente no primeiro módulo é a Ana Couto, o segundo módulo é o Marcello Serpa, não sei se vocês conhecem quem é, ex-presidente da Almap. A gente vai ter o Rafael Abreu, que é o VP da Coca-Cola, e a gente vai ter o Renato Winning, que é o ex-head global da Natura. Tudo muito maravilhoso, mas assim, todos eles têm, o nosso módulo tem essa estrutura, professores, especialistas, convidados. Então, a gente vai dar, a gente pensa que a gente vai gravar esses conteúdos. Todos, né? Então, por trás disso, tem todo esse backstage de como construir conteúdo, como eu deixava tudo perfeito, meu nome, blá blá blá, roteiro, local, agenda de executivo, blá blá blá. Gravou, edição, é vinheta, blá blá blá, estrutura de curso, tudo isso, gente. Plataforma, mas pense que isso daí é um conteúdo 100% compilado, a pessoa entra e faz. Ponto. Daí, no final de cada módulo, a
gente vai ter um espaço que a gente vai de masterclass ao vivo, que é o momento que é onde a gente meio que resume tudo que a gente viu em cada módulo, e é o momento de troca e mentoria. No nosso caso, a gente faz online. Mas vocês, por exemplo, poderão fazer presencial, se vocês quiserem. Porque se vocês querem ter um encontro presencial, pode ser um insight de presente pra você. No final de cada módulo, porque é importante isso de você abrir e fechar, abrir e fechar, abrir e fechar. Porque daí aterrissa. Eu acho que o aprendizado é muito sobre isso. É sobre você sempre manter um ritmo, assim, né? Para você ter uma estrutura. E a estrutura no curso é muito importante também para você manter. Então a gente, por exemplo, aqui tem sempre o takeaway. Então qual é o takeaway? Que é, quais são os principais aprendizados que você teve naquele módulo? Sempre por módulo, porque se for no curso inteiro, você se perde. Então, um módulo, né? Qual é o principal takeaway do módulo. Daí, quando vai para o outro módulo, você faz o recap do módulo anterior. A pessoa vê ali o que aprendeu e segue para o próximo módulo. Daí, segue o takeaway. Daí, assim, dica boa também, que é uma coisa legal. Qualquer dica boa, sempre... Então, assim, enfim. Tem várias referências interessantes, mas eu acho que é legal você explicar e estruturar o de vocês. Algo que seja proprietário de vocês.
Fernanda
Entendi. Como é a metodologia, a estratégia da laje de criação, se você puder compartilhar com a gente? Como vocês pensam desde o começo? Alguém sugeriu um tema lá na comunidade e como vocês trazem isso para a laje?
Carol Então, como nasce? A gente faz bastante pesquisa com os nossos alunos, a gente
ouve muito eles, muito bate-papo, rodas de conversa e tal. Todo final do curso, a gente manda pesquisa, pesquisa, pesquisa, pesquisa tudo, gente. O consumidor quer, ele pede e é fundamental. Especialmente o poder criativo, vou dar um exemplo. Especialmente o poder criativo, assim, a gente tem um branding aplicado, que é nosso carro chefe, é um curso muito 360, abrangente, que fala também de criação, mas ele não é específico em criação, né? Então, os designers sentiam falta de um olhar mais voltado pra criatividade. Então, isso já vinha aparecendo há um tempo. E também é uma provocação nossa, a gente tem o branding aplicado que é um super carro chefe, é um sucesso, e realmente a cada edição a gente sempre melhora. É esse olhar também que vocês têm que ter, gente. Pode ser bom, mas sempre pode melhorar. Isso é fato. Cada edição, ter uma reunião de aprendizado, sempre depois, pra entender o que pode melhorar e ir fazendo essas melhorias constantes. É fundamental para o produto ficar perfeito. E se aperfeiçoar cada vez mais. E daí, foi quando a gente levantava essa estratégia de negócio. Ter um portfólio que seja abrangente, que atinja diversos públicos de uma forma complementar, foi daí que veio a ideia do Poder Criativo, porque muita gente pedia. É sempre muito colocando o cliente no centro. Então, veja o que o cliente precisa para a gente poder criar. Daí a gente fez a pesquisa, rodou pesquisa, normalmente base, CRM, mail marketing. Normalmente é mail marketing que a gente manda, tá? Pega, analisa a pesquisa, vê o que saiu, e meio que define os cursos do ano, tá? Isso normalmente é planejamento estratégico, é o que a gente faz. E daí a gente entendeu que um dos cursos que, meu, há anos a galera pedia, é o Poder Criativo. A gente queria fazer um curso mais robusto. A gente poderia fazer
um curso menor? Poderia, mas a gente quis fazer um curso mais robusto no caso do poder criativo. Daí, beleza. Daí, ok. Decidimos fazer esse curso. Precisamos sentar com os especialistas para poder desenhar o curso. Então, antes disso, a gente precisa fazer um cronograma do produto, do projeto. Então, pensa aqui, cada curso, ele é um projeto aqui dentro. Então, a gente chama de squad. Então, a gente tem um time de squad que trabalha no projeto. Então tem o líder, que no caso é o Danilo, e tem sempre alguém da laje que toca esse fundo, que é essa liderança junto com o Danilo e vai puxando isso ali. O Danilo é o líder especialista do conteúdo e a gente é o líder do rolê todo. Então a gente faz sempre uma reunião de kick-off, essa reunião de start do projeto, onde a gente apresenta o cronograma. Então, olha, tem esse cronograma para a gente colocar esse curso de pé. Então, o que a gente precisa entender? Olha, a gente precisa ter esse tipo de conteúdo, são esses professores, esse tempo de desenvolvimento de conteúdo, de gravação, de edição, de lançamento. Sempre pensando em gordura, gente. A gente sempre tem que pensar em plano A, plano B e plano C. É super importante isso. E lembrando, antes da gente pensar nesse cronograma, a gente tem que pensar um pouco na estrutura deste produto. O que é esse produto? Aí, claro, tem que ter essa reunião com o Danilo, até pra gente poder dimensionar esse cronograma. É um curso de quantas semanas? O que a gente vai entregar? Quem vai estar? Aí a gente vai, tipo, pensando junto, né? Criando junto. Mas não é uma reunião de semana, são algumas. Várias. E daí várias pessoas envolvidas também. Então, é um mega desafio. É um curso que a gente demorou muito mais pra sair do que a gente imaginou. É uma metodologia nova, que a gente nunca fez. A gente também
tá trazendo um olhar novo, ouvindo muita gente do mercado, então eu acho que é isso. Daí tem vários materiais que você tem, a emenda para ler. Aí é isso, tem o cronograma que você precisa ir acompanhando, tipo de produto, time de vendas, aí é isso, marketing. São várias frentes.
Fernanda
E a questão do engajamento? Porque, vamos supor, vocês lançam esse ad, né? Sobre o negócio nas redes sociais e tudo mais, inclusive a gente viu. E aí vocês, às vezes, por exemplo, na live gratuita, tem, sei lá, 100 mil visualizações. Aí você pensa, né? Tipo, nossa, a gente tem 100 mil, mas desses 100 mil, quantos estão engajados para realmente comprar o produto? Como funciona essa questão do engajamento para vocês?
Carol É, então, isso é uma questão importante. Ótima pergunta. Não necessariamente as pessoas que estão ali, elas vão comprar. E isso é bem frequente, porque a gente tem uma cultura de fazer masterclass de conteúdo para a gente abrir conteúdo, ter essa cultura mesmo de compartilhar conteúdo. E tem muita gente que está lá por estar lá, mas eu acho que o ponto é a gente mostrar um pouco do conteúdo sem entregar o ouro, entendeu? E deixar com uma pulguinha atrás da orelha e falar, cara, você vai ver muito mais que isso no curso. E daí mais ainda deixar muito claro quais são os entregáveis do curso. Entendeu? Deixar muito claro para o aluno qual a jornada dele no curso. Entendeu? Qual é a dor que ele vai resolver no curso. Porque muitas vezes o aluno não sabe nem a dor que ele tem. E aí quando ele vê ele fala, “poxa, é pra mim,” sabe? Então, eu acho que é um pouco disso, assim, nosso papel quando a gente também faz esses materiais e até o papel da própria laje é assim, poderia então
ficar super do design, super criativo, como que eu traduzo isso numa proposta para vendas?
Fernanda E sobre essa questão do engajamento também está muito relacionado ao posicionamento da marca da laje e da marca do curso. Porque o curso tem uma identidade, tem uma comunicação, porque tudo isso está dentro da laje. Então, o próprio naming do nome do curso, tipo o poder do criativo, já é um estilo de posicionamento de impacto que a laje tem desde o naming do curso. Como funciona essa questão da estratégia que vocês têm por trás da laje para poder encantar o público mais difícil do mundo, que são designers e são marketeiros e são pessoas que trabalham com isso? Então, o que é mais difícil do que pedir para um médico passar para outro médico? É uma briga meio difícil de você agradar. Como vocês veem essa questão?
Carol
A questão de engajá-los, é isso?
Fernanda
Não. Tipo, como você se posiciona e a estratégia que você tem pra quem... Que estratégia? Porque você tá dando aula pra quem faz aquilo que você tá dando aula. Então é muito difícil, né? Geralmente não é uma pessoa totalmente leiga que tá fazendo aquele curso. É uma pessoa que já tem experiência. Então o posicionamento da laje tem que ser muito certeiro para conseguir acertar, passar segurança e passar essa autoridade.
Carol
Essa é uma ótima palavra. Eu acho que você perguntou meio respondendo, né? E é uma coisa que a própria Ana sempre fala, sabe?
Primeiro, nos nossos cursos a gente não fala nada que não seja proprietário e diferencial. A gente não fala o que o mercado fala. Até estava tendo uma discussão agora sobre o CBO, que é o nosso consultor executivo, que a gente vai para a semana passada do conteúdo que o nosso executivo está trazendo, que é um conteúdo de persona e de jornada. Isso foi tem no mercado. E aí eu falei “vamos tirar”. Daí a Ana falou, “concordo, vamos tirar porque isso não é proprietário”. Então, é um pouco disso, assim, a gente sempre vai na veia do caminho do que é proprietário nosso, o que vai diferenciar da concorrência. E quando a gente se diferencia da concorrência, a gente fala com autoridade sobre o assunto. E quando a gente fala com a autoridade sobre o assunto, a gente ganha atenção. Daí, a gente é referência. Por isso que a Ana Couto e a Laje, a gente é referência. Porque a gente passa um conteúdo muito bom, que de fato é muito profundo, mas a gente tem que escolher muito bem as nossas batalhas, né? Não dá pra querer tudo e falar com todo mundo. Então é um pouco sobre isso.
Fernanda
E sobre aquele carro chefe, vocês disseram que é aquele curso de branding aplicado, que é o principal curso da laje. Mas quais demandas vocês veem na comunidade e assim em geral assim que mais as pessoas procuram assim pode ser dentro ou fora de design. Qual demanda vocês mais veem uma procura, além de branding, que já é o curso principal de vocês.
Carol Tem muito empreendedor, muito empreendedor. Tem muito dono de agência. E é muito legal, porque são pessoas que querem conhecer mais sobre o método, que querem usar o método com outros clientes. E querem
saber não só design, porque o design por si, a ferramenta, isso hoje é meio de praxe, né, hoje isso você tem que saber. Mas eu acho que é mais do que isso, é como você costura isso com a estratégia, como que você usa o design para ter um olhar diferenciado no negócio, né? Até as questões de precificação, né? Essa galera é mais autônoma e tal. Então, eu acho que hoje em dia é menos sobre design só, mas eu acho que o design, ele é muita coisa, né? Eu acho que é como a gente ajuda ele na construção de valor de marcas, para que elas fiquem cada vez mais potentes, mais econômicas, mais relevantes.
Fernanda
E sobre a questão financeira, porque, por exemplo, a gente estava falando sobre o engajamento. Então, às vezes, vocês têm um gasto para poder criar, por exemplo, a live que é gratuita, os encontros, tudo isso tem um gasto para a laje. Como vocês fazem a conta fechar? Vocês precisam deixar um preço alto na comunidade e nos cursos pra conta fechar? Como que vocês fazem? Porque eu não sei se vocês pagam esses convidados, esses especialistas também.
Carol
Então, depende. Por a gente ter um nome, né? E as pessoas, tipo, confiarem muito no nosso trabalho, muita gente, muitos convidados, a grande maioria a gente não paga. Convidados externos. A gente convida e eles vêm, porque é isso, pra eles é credibilidade, e visibilidade. Mas assim, lembrem que isso são 30 anos de construção de marca e de repertório. Então não é do dia pra noite que a gente constrói. Mas, como que a gente fecha a conta? Não sei se vocês conhecem sobre negócio, gestão de negócio. A gente usa muito o DRE, né? Que é, basicamente, é um controle de negócio onde você
coloca, é muito baseado em horas. Então, a gente faz todo o curso, a gente tem horas, a gente mapeia quais são as horas a serem trabalhadas pelos professores, os especialistas, todo o grupo que vai envolver. Então, vou ter custo de viagem, vou ter custo de translado, vou ter custo de atividade, vou ter custo de alimentação. Quantas horas eu vou produzir? Quantas horas a Ana vai ter que usar para produzir o conteúdo? 20 horas. Tá. E assim vai. A gente mapeia todas essas horas e todos esses custos possíveis e coloca numa planilha. Eu faço isso junto com o financeiro, a gente controla, entende e precifica. Daí todo produto tem uma margem. Ele precisa, normalmente, estar em uma margem de 60% para ser uma boa margem para ele ter rentabilidade. E daí, basicamente, dentro desse DRE, é onde a gente entende o preço deste produto. E pra gente chegar no preço desse produto, a gente vai olhar pro mercado. Então fala, cara, eu quero fazer um produto, é isso, uma imersão X, Y, Z, blá, blá, blá. Quanto o mercado tá cobrando? Ah, a Miami Ad School cobra R$7. Aqui, a Fulana cobra R$12, né? Cobra R$30. Quanto que a gente quer cobrar? E daí a gente faz um bait, mas daí a gente coloca no papel, na ponta do lápis, quanto custaria. E daí, daí em cima do valor, dado, né? O mercado existe, a gente entende onde a gente quer se posicionar. Se a gente quer atingir uma galera que é mais premium ou que é uma galera que é menos premium. Entendeu? Então, daí a gente vai sentindo. A gente trabalha por lotes também. Os nossos produtos não são baratos, são produtos de valor agregado, mas assim. É muito do que eu aprendi com a Ana. E eu vou te falar. Você fala que o produto é caro, porque você não viu o valor deste produto. Então, é um pouco sobre isso. Então, assim, toda vez que alguém falar pra vocês, o seu produto é caro, você não tá conseguindo passar o seu valor pra
ela. Entendeu? Então sempre lembre disso, gente. Sempre. E assim, daí você tem que reverter o jogo. Aí é olhar pra dentro e falar “bom, como que eu posso mostrar meu valor pra ele entender que o que ela tá pagando é barato?”
Fernanda
Mas de fato é, porque esse é um mercado que gera muito dinheiro. Então, por exemplo, um dono de agência que vai e compra um curso desse, quanto dinheiro ele não faz aplicando essa metodologia, sabe? Então, assim, é uma questão muito de preço e valor mesmo.
Carol Com certeza. É o que ele vai ter em troca.
Fernanda E sobre essa última questão que você trouxe sobre os donos de agência, enfim, como vocês monitoram o benchmark? Então, os concorrentes principais de vocês, vocês estudam, veem se eles estão usando curso, ficam de olho? Como é essa questão?
Carol
Ah, a gente está sempre de olho, né?
Olhando, tipo, é importante olhar para o mercado, o que está fazendo e o que não está. Todos os anos. A laje é um sistema complexo porque a gente fala muito com o público. E a gente tem diversos produtos. Então, claro que não dá pra gente estar de assim de assim olhando pro mercado, mas sempre que possível a gente tá olhando pra poder pesquisar, fazer referências, fazer insights. E assim, eu sou a louca da referência. Estou sempre mandando para o time, estou mandando para o marketing, estou mandando para o projeto. É sempre importante. E eu acho que a referência não vem só de quem faz o que você faz. A referência vem de outras categorias também.
Com certeza. Isso é muito legal. A gente faz esse cross entre a nossa categoria e outras categorias. E isso, inclusive, gente, está super tendência, né? Tem um cara que vocês devem acompanhar, que eu amo ele, que ele está bombando. Vocês devem conhecer, que é o Rony Meisler. Só que ele vendeu a reserva, né? E agora ele tá, tipo, em um ano sabático focado em conteúdo. Só que o mais legal é que ele traz um conteúdo muito, muito, muito, muito focado em branding com uma estratégia de marca, de negócios. Então, é basicamente um modelo de negócio. E tendências que estão rolando. E ele faz uns vídeos sobre a cidade e tal. Então é legal vocês seguirem, porque traz umas ideias muito inovadoras, né? Então, é um cara que estava construindo um negócio que é um café pelo mundo, porque hoje em dia não é mais a balada, igual vocês pensam, né?
Porque eu era assim. Hoje é café. A galera vai, tipo, balada-café. É muito legal.
Fernanda
Sim, bem legal. E para fechar, então, esse assunto que você trouxe de modelo de negócio. Como vocês enxergam o modelo de negócio da laje? E o que vocês veem assim como crucial para o futuro? No sentido de, ah, o modelo de negócio, ele tem que ser sustentável, ele tem que ser híbrido, ele tem que ser o que, assim, que vocês enxergam, assim?
Carol É difícil, é complexo. Para a Laje, eu vejo a gente como principal, como modelo de negócio, é a gente ter esse portfólio diversificado, que atende diversos públicos, onde a gente está no momento de carreira, a gente acompanha o momento de carreira dessa pessoa. Depois de que ela sai da faculdade, ou ela está na faculdade, ela entra na comunidade, ela faz o branding aplicado,
onde vira especialista, ela faz o poder criativo pra ela poder se especializar ainda mais, ela vai e ela faz um CBO pra ela poder ser um executivo foda e subir na carreira. Então assim, ela tá na nossa comunidade, porque a nossa comunidade é viva e ela tem diversos públicos. Então assim, a gente tá ao lado dessa pessoa conforme ela vai crescendo. E isso já acontece. Essa é a nossa visão de futuro, de business, então é principalmente focar em renovação, né? Focar no lifetime value, né? Que é quanto tempo a gente fica dentro de casa e quantos produtos ele compra. Eu diria isso.
Fernanda
Certo. Uau, perfeito. É isso. Amei, muito obrigada. É muito legal, assim, é isso mesmo que o Cid tava falando sobre a questão do avião, né? Porque você faz tudo isso dar certo e aí ter essa questão de a pessoa voltar, né?
Então, a pessoa compra um curso, ela volta pro segundo, ela volta pro terceiro. É uma questão muito difícil, né? Criar esse vínculo, né?
Carol Faça parte, se inscreva.
Fernanda
Então, a gente fica o tempo todo mandando no grupo. “Olha aí, vai ter live,” a gente manda todos. Tudo de story que vocês postam, a gente tá mandando.
Carol Realmente, assim, é um oxigênio, sabe? Nesse momento de começar a carreira, sabe?
Muita troca, gente. É muito legal. E daí, eu também abro um espaço, de vocês também trazerem feedbacks pra mim, né? Eu amo o feedback. É assim que a gente cresce. Então, se vocês quiserem, estou super aberta, tá?
Fernanda
Muito obrigada, Carol.
Carol
Obrigada a vocês. Foi um prazer. Boa sorte. E a gente se fala.