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Foto: AEN

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ANO IX- NÚMERO 62 – CURITIBA, DEZEMBRO DE 2018

LEIA NESTA EDIÇÃO Natal Solidário: uma carta cheia de esperança e boas intenções - Página 3 Mapa aponta 4,5 mil áreas de possíveis conflitos socioambientais - Página 4 Ética, identidade jornalística e combate à “photoshopada” no fotojornalismo - Página 10

Conteúdo exclusivo

Jornal Laboratório - Curso de jornalismo do Centro Uninter


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Opinião

MARCO

ZERO

N.º 62 – Dezembro de 2018

Boa leitura e boas festas!

Próxima parada: Praça Tiradentes Beatriz

VASCONCELOS

É

lá de cima do prédio João Prosdócimo, do terceiro ou quarto andar, que todos os dias paro para dar uma olhada no marco zero de Curitiba. A conhecida e histórica Praça Tiradentes. Lá do alto, tudo parece calmo e tranquilo. Tanto em dias ensolarados quanto nos chuvosos, tem gente caminhando, passarinhos cantarolando, jovens conversando, e as badaladas do sino evidenciando o passar das horas. Da sacada do prédio só dá para ver os pontos coloridos circulando pela área verde da “Cidade Ecológica”. Os ônibus amarelo, branco, cinza, e o verde da linha de turismo - trazem o tom e a movimentação central. Vem gente de todo lado: Mercês, Cabral, CIC, Sitio Cercado e Portão. Do norte e

do sul desembarca o povão. É um barato ficar olhando e imaginando o destino de cada um. Vão ao trabalho, estudo ou compromissos. Sem contar os diversos caminhões, barulhentos e grandes, que abastecem as lojas e dão vida à praça. Completando com charme o coração da capital paranaense, avista-se os canteiros de flores, recheados de cores e gêneros de diferentes famílias florais. Dia desses, resolvi dar uma volta e ver como era o passeio lá embaixo. Conclusão? Bela decepção! Mal entrei na praça e já fui “atropelada” pela multidão que desce das duas dezenas de pontos de ônibus, de minuto a minuto, com a típica cara de curitibano. Não desanimei, continuei adiante para poder ver de perto a antiga e célebre Vila Nossa Senhora da Luz

Passo 1 Use o QR-Code ao lado para ser encaminhado à área do aplicativo no Google Play

J

á pensou em assistir a uma entrevista nas páginas de um jornal impresso, em vídeo? Ou quem sabe conferir um mapa em terceira dimensão, ou ainda interagir com elementos gráficos que saem das páginas? O que há poucos anos seria um sonho, agora é possível e está nas suas mãos. Isso mesmo! Venha com o Marco Zero na onda

Passo 2 da Realidade Aumentada, uma tecnologia que permite a interação entre elementos reais e virtuais. Para entrar nesta viagem, é fácil e rápido. Siga as instruções e participe da experiência da notícia interativa. Nesta primeira versão, o recurso pelo aplicativo do Marco Zero está disponível apenas para aparelhos com sistema operacional Android.

Confira se o seu celular e a versão do seu Android são compatíveis. Depois, clique em instalar.

Passo 3 Com o APP aberto, aponte a câmera do seu celular para a página do MZ quando tiver a imagem ao lado

dos Pinhais. De baixo para cima a praça não tem tanta graça! A gente vê tudo e um pouco mais: não demorou muito para sentir um cutucão no ombro e escutar um “Tem um real pra me dar, tia?” Recordando a velha almoeda onde os povoadores pioneiros de Curitiba elegeram suas primeiras autoridades públicas, é possível perceber situações que antes não existiam: pessoas dormindo nos bancos ou embaixo das marquises, outras pedindo comida, lixo jogado no chão, e até mesmo necessidades fisiológicas, depreciando o lugar. É uma cena desoladora! Hora ou outra você escuta: Quantos gramas você vai querer hoje? Me espera ali naquele ponto que eu já te entrego. É frustrante encontrar uma realidade tão distorcida daquela

imagem bucólica que me deixava tão encantada com o marco zero de Curitiba. No ponto onde teve início a “Cidade Sorriso”, hoje vemos a tristeza de jovens perdidos, envolvidos no consumo de drogas. Tem até crianças que devem ter lá seus 12 ou 13 anos, carregando consigo substâncias ilícitas. De vez em quando ouve-se alguém gritando, um e outro se batendo a troco de nada: efeito do “paraíso artificial”. Nessa cena toda, paraíso não se vê! A realidade é totalmente o oposto: furtos e roubos que acontecem frequentemente e transformam a vida num desgosto. Realidades que se contrapõem, a do alto do prédio, através do vidro da janela; e da altura da rua, no ombro a ombro com as pessoas. Qual realidade que você quer?

EXPEDIENTE

Acompanhar o poder público não é algo que se faz de dois em dois anos nas eleições. Saiba que o dever de um cidadão é constante. Por isso, esta edição do jornal Marco Zero faz um apelo e um desafio: que tal ficar de olho nos governos federal e estadual e acompanhar os gastos, as decisões e tudo o que eles farão nos próximos anos? E olha que não há momento melhor para se fazer este acompanhamento. Isso porque é a partir de janeiro que se iniciam as novas gestões no Governo Federal e aqui no executivo paranaense. Mas não é só aí, começa também a legislatura na Câmara Federal e a gestão de oito anos de dois senadores. Além disso, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), palco da legislação no estado, também terá um novo grupo de 54 deputados para os próximos quatro anos. Nesta edição debatemos um pouco sobre a importância de acompanha o poder público. Também mostramos como isso pode ser feito tanto com a transparência ativa – aquela em que o governo divulga seus atos por força de lei de forma automaticamente- quanto por transparência passiva – aquela pelo qual o governo divulga seus atos após solicitado pelo cidadão pela Lei de Acesso à informação. Que tal se animar com o conteúdo e já lançar mão de pedidos de informação? Por isso trouxemos aqui qr-code para os principais canais de transparência para que você possa fazer seu papel. Nesta que é a última edição do ano, temos ainda as histórias de solidariedade de quem pegou uma das cartinhas da campanha dos Correios de Natal para apadrinhar crianças carentes. Entre os pedidos, coca-cola, pedaços de pizza e até melancia.

Foto: Divulgação

Ao Leitor

O jornal Marco Zero é uma publicação feita pelos alunos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Internacional Uninter

Coordenador do Curso: Guilherme Carvalho Professor responsável: Alexsandro Ribeiro Diagramação: Equipe Marco Zero Projeto Gráfico: Equipe Marco Zero Uninter - Campus Tiradentes Rua Saldanha Marinho 131, CEP 80410-150 |Centro- Curitiba PR E-mail - alexsandro.r@uninter.com Telefones 2102-3377 e 2102-3380.


N.º 62 – Dezembro de 2018

MARCO

Cotidiano

ZERO

3 Foto: Ivone Souza

Uma carta cheia de esperança Ivone

SOUZA

De melancia à fatia de pizza. Estes são alguns dos pedidos de crianças nas cartas à campanha Papai Noel dos Correios

Cartinhas entregues por crianças têm pedidos que vão de bonecas da moda a abraços e alimentos

Q

uerido Papai Noel, na minha casa não tem melancia. Como meus pais não podem comprar, gostaria muito de ganhar uma de Natal. O pedido inusitado de uma menina de 8 anos, foi colocado na cartinha entregue para o projeto “Papai Noel dos Correios” e chamou a atenção dos funcionários. A coordenadora do projeto, Alessandra Hataqueiama Ricardo, conta o quanto ficou surpresa com o pedido. “Melancia é uma fruta grande, que não é tão cara e os pais não tiveram condições de comprar, mesmo dando para a família toda comer. Isso me chocou muito pois é uma realidade que não estamos acostumados a ver”. O pedido nada tradicional, mas com muito sentimento, emocionou tanto que foi uma das primeiras cartinhas a ser adotada. Pedidos como este vêm de crianças que desde cedo enfrentam uma vida difícil. Para a coordenadora, pedidos assim refleA campanha começou com os funcionários dos Correios vendo as cartinhas que chegavam das crianças das periferias, acreditando que chegariam até o Papai Noel e assim receberiam um presente. Os funcionários perceberam que os pedidos feitos eram muito simples de serem atendidos. Começaram, então, presenteando essas crianças. De lá pra cá, a campanha só cresce. A campanha acontece em todo Brasil, e a adoção é feita da mesma maneira: as cartas que são enviadas pelas crianças são lidas e selecionadas. Logo após, são disponibilizadas na casa do Papai Noel. Os presentes dos padrinhos são recebidos nos pontos divulgados pelos Correios. As entregas são feitas pelos funcionários e voluntários que trabalham no projeto.

tem o verdadeiro espirito natalino. O objetivo da campanha Papai Noel dos Correios é atender aos pedidos de presentes de crianças que se encontram em vulnerabilidade social. Porém, existem alguns casos de crianças que não se encaixam nesses critérios, e mesmo assim, enviam as cartas. “O papai Noel é para todas as crianças, mas o Papai Noel dos Correios é focado em atender as mais carentes”, diz Alessandra. As cartas chegam nos correios de duas maneiras: pelas escolas municipais indicadas pela secretaria de educação por atender as crianças mais carentes, e por crianças que deixam as cartinhas diretamente na casa do Papai Noel. No Paranà, neste ano somam mais de 15 mil cartinhas, das quais “padrinhos” podem pegar e ajudar uma criança que muitas das vezes só terão esse presente de Natal.

Alan Jarletti Goncalves de Oliveira e Alessandra Cardoso Ramos apadrinharam uma criança pela primeira vez e garantem que vale a pena. “Nós sempre queríamos pegar uma dessas cartinhas, mas nunca dava certo e neste ano tivemos a oportunidade, e esperamos que a façamos muito feliz”. A idade máxima para enviar cartas é de10 anos. Mas engana-se quem pensa que as cartinhas são escritas apenas por crianças. Muitas vezes adultos sem condições financeiras também levam seus pedidos. Nesses casos, a cartinha é oferecida diretamente aos padrinhos que vão até o local para buscar as cartas das crianças. Olivia Maria Goncalves Paiva se sensibilizou com uma dessas cartas. Era um pedido que parecia simples. “Ela pediu uma ceia de natal e uma roupa para passar o fim de ano”. Olívia afirma que esses pedidos simples mexem com

ela e acredita que poder ajudar é uma maneira de retribuir o que tem. “Minha família é muito abençoada e eu não poderia deixar de tentar de alguma forma agradecer a Deus. Só tenho a agradecer por ter condições de poder contribuir”. Voluntária há sete anos no projeto, Eliane Nunes Werner lembra que quando foi buscar uma cartinha no Correio pela primeira vez ficou encantada com o trabalho realizado no local. A partir daí decidiu que queria ir além de apadrinhar uma criança. Por isso, voluntariou-se no ano seguinte. Ela conta que, ao longo do trabalho, muitas cartas emocionantes já foram lidas, como a de uma garotinha que pediu um quadro negro para ensinar os pais a ler e escrever. Um outro pediu uma fatia de pizza. Contudo, a carta de um menino que pediu uma Coca-Cola mexeu com ela de maneira especial. “Foi tão emocionante quando

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ele pegou a bebida, eu havia levado outros presentes, mas ele não ligou, ele foi direto na bebida e tomou, mesmo estando quente, eu cheguei a chorar quando vi aquela cena”. Estórias emocionantes como estas deixam em evidencia a desigualdade econômica que existe no Brasil. Em meio a isso, são várias as crianças que na véspera de Natal sonham com um presente, que nem sempre é um eletrônico caro ou um brinquedo, mas algo que temos na mesa de café da manhã ou ainda em nosso guarda-roupas. Foto: Ivone Souza

Campanha

“Foi tão emocionante quando ele pegou a bebida. Eu havia levado outros presentes, mas ele não ligou. Foi direto na bebida e tomou, mesmo quente. Chorei diante daquela cena”, diz Eliane

Alan Oliveira e Alessandra Ramos: primeiro de muitos natais de solidariedade


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Ecologia

MARCO

ZERO Foto: Marco Zero

Uma “cara”para os dez anos do Marco Zero Criado pela Agência Gratifa, do curso de Publicidade e Propaganda da Uninter, GUSTAVO o selo será usado durante o ano de comemoração de uma década do jornal

N.º 62 – Dezembro de 2018 Com isso o selo tem uma “pegada” mais moderna, sem perder a essência de um jornal. Para o coodenador do curso de Jornalismo do Uninter, Guilherme Carvalho, o selo é um marco que demonstra para a comunidade acadêmica e sociedade em geral a longevidade do projeto, um dos poucos a ter um tempo substancial de produção em Curitiba. Isso demonstra a importância e a solidez do jornal laboratório. Para Carvalho, isso mostra que o jornal tem uma proposta editorial que vai ao encontro das necessidades de um produto produzido por estudantes. Além disso, ter passa-

A evolução gráfica e tecnológica do jornal ao longo de uma década foram motivadores para a inspiração do selo comemorativo do Marco Zero do por vários estudantes, professores e coordenadores de curso e ter mantido o nome e a mesma linha editorial mostra o fôlego e capacidade que o projeto tem.

Luis

Fundado em novembro de 2009, o jornal Marco Zero é uma sala de aula para centenas de estudantes

E

m 2019 o jornal Marco Zero comemora dez anos de existência. Para marcar o ciclo, a partir da primeira edição do ano, todas as capas do periódico contará com um selo alusivo à década do jornal. O selo foi idealizado com variações de cores que o permite ser aplicado em diferentes artes de capa.

O selo foi produzido pelo estudante de publicidade e propaganda e estagiário da agência Grafita, Luís Felipe Mendonça. Segundo o estudante, o projeto foi um desafio que enriquece seu portfólio. “Eu não tinha tanto conhecimento sobre selos. Por isso comecei a buscar algumas referências para ver como eram feitas as artes. Cheguei a fazer algumas

Mapa aponta 4,5 mil áreas de risco de conflito socioambiental Gabriel

MAFRA

S

egundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), mais de 30 mil empreendimentos extrativistas atuam legalmente no Brasil. A maioria deles, localizados no interior do país, mesma região em que estão a maioria das comunidades indígenas, quilombolas e áreas de preservação. A proximidade geográfica causa um conflito de interesses nas regiões, que podem ser o estopim para conflitos socioambientais. A falta de transparência dos órgãos públicos com relação aos possíveis embates e a consequente desinformação fez com que agência de notícias Livre. jor, do Paraná, idealizasse o projeto Latentes. O objetivo é divulgar dados públicos georreferenciados, e deixa-los à disposição da população, de defensores, pesquisadores e jornalistas. O foco é mapear os pontos em que a tensão socioambiental está mais presente. “A ideia é tentar entender, nacionalmente, qual é a dimensão desses conflitos. Isso, claro, a partir de critérios objetivos, pratica-

Agência independente paranaense de notícias cruza dados sobre mineração, assentamento quilombolas e indígenas

versões, mas que mais pareciam ícones. A partir daí fui aperfeiçoando o design até que as propostas ficaram com cara de selo mesmo”. Mendonça buscou inspiração na evolução estética do jornal ao longo dos anos. A ideia é que o selo reflita inclusive a guinada tecnológica das últimas edições, com o qr-code e a realidade aumentada.

O primeiro passo do projeto foi criar uma base de dados com informações das áreas em que a distância entre a exploração e as comunidades tenham uma distância de até 10 km. Foram encontradas 4.536 de conflitos socioambientais latentes, motivo que deu nome ao projeto. A partir disso, foi constatado que 40% das terras indígenas, 46% das áreas quilombolas e 61% das reservas ambientais estão cercadas por áreas de mineração. Lázaro explica que a motivação era entender e saber onde es-

Selo comemorativo será usado em todo o ano de 2019

tão os possíveis conflitos e poder fazer com que essas comunidades tenham maior visibilidade e possam receber ajuda quando necessário. “Nós pensamos em gerar uma lista de pontos a serem verificados a partir de cada ponto de extração, que são mais de 30 mil. Agora podemos verificar caso a caso, para saber se existe ou não algum drama humano, social ou ambiental invisibilizados pela falta de atuação de jornalistas, promotores e fiscais ambientais”. O mapeamento foi realizado

com o apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos. A Fundação Ford, a Fundação Open Society e a Climate Land and Use Alliance financiaram a iniciativa. A primeira etapa foi divulgar a existência da base de dados para que as pessoas pesquisem sobre os mais de quatro mil pontos para descobrir se existe realmente existe algum tipo de tensão ou drama mais claro em determinada região. “Queremos estimular a reflexão e o debate público a respeitos dos conflitos socioambientais”, finaliza Lázaro.

Sobreposição de áreas de possíveis conflitos por municípios brasileiros

mente científicos, isso mesmo sendo projeto jornalístico”, explica José Lázaro Júnior, coordenador do projeto e fundador do Livre.jor. A iniciativa foi pensada após a tragédia de Mariana (MG), em que uma barragem de rejeitos de mineração se rompeu e despejou mais de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos no ecossistema da região, devastando a cidade mineira. Até hoje ninguém foi responsabilizado. Soma-se a isso as declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), de que liberar a região do Vale da Ribeira (SP) para a exploração mineral. A região possui uma das maiores reservas de Mata Atlântica do país, possui uma rica biodiversidade e abriga diversas comunidade quilombolas. Livre.jor


N.º 62 – Dezembro de 2018

MARCO

Um jornalismo fora da curva Alysson

MOURA

Iniciativas independentes nascem todos os meses em todo o país

Em expansão, cenário independente do jornalismo é um espaço para quem quer fugir dos veículos comerciais

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ada vez mais nos ambientes acadêmicos se fala em empreendendorismo. Quando falo nos ambientes acadêmicos, não me refiro somente nos cursos de graduação voltadas ao mercado, como administração, economia e afins. Refiro-me também aos cursos de jornalismo. Uma alternativa apresentada por muitos professores em sala de aula é o jornalismo independente e o alternativo. Entende-se aqui como uma produção própria, diferenciando-se do jornalismo tradicional focado no lucro e na relação entre redação e setor comercial ou publicitário. O es-

Uma característica importante no jornalismo independente é que na maioria das vezes são coletivos de jornalistas, formados por jovens recémformados ou que ainda estão estudando

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á pensou em ficar por dentro das curiosidades e dicas dos profissionais que estão na vanguarda do jornalismo alternativo do Paraná? Nessa onda independente, o podcast Correspondente Alternativo busca apresentar melhor algumas inciativas jornalísticas independentes do Paraná. O podcast é resultado do trabalho de conclusão do curso de jornalismo do aluno Alysson Moura, do Centro Uninter. Nos programas, a conversa é bem dinâmica e nela são pautados assuntos como produções diárias, rotinas, tipos de financiamento, histórico dos sites e assuntos que permeiam os temas.

copo do independente é em atuar em assuntos de relevância social e temas que muitas vezes deixam de ser tratados nos veículos de comunicação de massa. Os jornais independentes também têm autonomia própria com relação ao mercado. Diferente da mídia tradicional, que muitas vezes fica refém de anunciantes e publicidade, o jornalismo alternativo não tem compromisso com interesses de mercado, apenas o leitor. O que tem cada vez mais tornado viáveis tais projetos alternativos na internet é o grau de especialização e iniciativas tecnolígicas como crowndfunding, vaquinha online e editais estabelecidos por fundações e instituições. Aqui em Curitiba existem algumas iniciativas jornalísticas independentes, como o jornal Terra Sem Males. O projeto é formado pelos jornalistas Joka Madruga e Paula Padilha. O portal, afirma Paula, busca dar mais visibilidade à pautas como direitos trabalhistas e direitos humanos. Todo o conteúdo decorre de pautas independentes, sem vínculo com sindicatos. “A gente viabiliza, amplia essas pautas, mas elas são independentes”, afirma Paula. Outra característica importante no jornalismo independente é que na maioria das vezes são formador por coletivos de jornalistas, dentre os quais jovens recém-formados ou que ainda estão estudando. Este é o caso do Redação em Campo, uma iniciativa jornalística independente que abre espaço para estudantes de jornalismo.

Tecnologia

ZERO

Fábia Ioscote, jornalista do Redação explica que “o objetivo é dar oportunidade e a web possibilitou novos mercados, a internet é uma ferramenta que está aí para ser utilizada”, conclui. Foto: Arquivo Pessoal

Podcast debate cena alternativa do jornalismo

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Meu jogo, minhas regras Josias

JÚNIOR

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brasileira Nicolle Mehry, do canal “Cherrygum-ms”, criou no começo deste ano o projeto chamado My Game My Name, que busca combater o preconceito e assédio que mulheres sofrem no mundo dos gamers. A ideia é fazer com que homens sintam a pressão e o medo de ser mulher no meio gamer. Seu projeto ganhou notoriedade quando a instituição Wonder Woman Tech, fundada pelo ex-presidente norte-americano Barack Obama, manifestou apoio e convidou Nicolle para uma palestra em Washington, nos Estados Unidos. No vídeo de apresentação, Nicolle mostra diversos relatos sofridos por ela, como: Cala a boca, você é uma menina! Mulheres não

Projeto busca combater o assédio sexual e moral contra as mulheres no ambiente de jogos online podem falar! Seus relatos iam desde como é ter sua paciência destruída e bom humor extinguido até a perda da vontade de jogar. Com índices de assédio em crescimento nesse ambiente, uma universidade nos Estados Unidos realizou um estudo com mais de 300 mulheres gamers, e apontou que todas já sofreram algum tipo de preconceito e/ou assédio. Essa realidade se repete no Brasil, em que, apesar de 53% dos jogadores serem do sexo feminino, as opressões crescem todos os dias. Dentre as medidas usadas por quem é assediada para evitar tal desgaste está ou aposentar os controles ou utilizar nicknames masculinos.

Assédio sexual em games: ele existe e incomoda Jéssica

KUHN

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egundo a psicóloga Antonieta Teixeira dos Santos, uma parte dessas meninas que sofrem assédio preferem não utilizar a identidade feminina nos jogos. “Se pensarmos que ela está impossibilitada de se mostrar como realmente é, isso é danoso”, comenta. Para Antonieta, o machismo pode gerar ansiedade e depressão, acompanhados de outras questões

como distúrbios alimentares, isolamento ou doenças psicossomáticas. As mulheres que permanecem online por pelo menos 22 horas semanais alegam já terem sofrido assédio sexual ou bullying durante um jogo. Porém, trata-se de adolescentes que já passam por essa necessidade de aceitação, ou pessoas que buscam na vida online algum tipo de inclusão. Essas mulheres podem apresentar danos psicológicos, uma vez que não se sentem acolhidas e aceitas no ambiente em que gostariam de estar.

“Lugar de mulher é...” Jennifer

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OLIVEIRA

maior parte dos assédios no meio gamer acontecem pelos chats ou comandos de voz, disponibilizados para ajudar nas estratégias de equipe, durante as partidas. É o caso de Kassylie, que começou a jogar em 2006, pela conta do irmão. Os comentários misóginos e machistas passaram a acontecer quando ela fez a sua própria conta no jogo Counter Strike, com o nickname Blueberry. Hoje em

dia ela joga com um grupo de amigos homens que conheceu nesse meio. Amigos esses que volta e meia chama a atenção, por conta de comentários machistas que eles soltam contra meninas dos times adversários. “Nessa sociedade machista, muitos soltam esses comentários sem nem mesmo perceber o quanto traumático eles podem estar sendo para as meninas. É bem complicado esse preconceito que sofremos apenas por sermos mulheres. Tem cara que erra [a jogada] e só xingam, mas nós somos as “vagabundas e blablabla”, afirma Kassylie.


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Especial

MARCO

ZERO

N.º 62 – Dezembro de 2018 Foto: AEN / Arte: Marco Zero

CONTROLE SOCIAL: de olho no governo Patrícia

LOURENÇO

Eduardo

IGOR

Como usar as ferramentas de transparência pública para fiscalizar a Câmara Federal e os governos federal e estadual que iniciam em 2019

Em quatro anos, o governo paranaense caiu 13 posições no ranking nacional que mede a eficiência e eficácia da transparência nos estados

P

assou o momento de escolher dentre os candidatos aqueles que serão os representantes da população. Mas o nosso dever como cidadãos não acabou aí! Depois das eleições é importante acompanhar os candidatos eleitos para cobrar o cumprimento de suas promessas e para conhecer a destinação dada ao dinheiro público. Para que o cidadão possa exercer o seu papel para além do voto,

contudo, faz-se necessário o acesso à informação, base que sustenta as ações de fiscalização por parte de cada um. Para o jornalista especialista em política e mestrando em Ciência Política, João Frey, a ação cidadã por meio da transparência ajuda a combater os desvios. “Tem gente que diz que a transparência deixa a corrupção mais cara. Se você vive em condições favoráveis à transparência, é mais difícil o sujeito

mal-intencionado roubar. Isso faz que com a fiscalização iniba alguns casos de corrupção. Se sentir-se observado é fundamental para o servidor agir de acordo com a lei”. Para efetivar a transparência, existem uma série de dispositivos legais que asseguram ao cidadão o acesso à informação. A transparência exigida pela lei tem por objetivo permitir um controle mais efetivo das contas públicas pela população, buscando dar ao Imagem: Print do Portal da Transparência

Portal reúne tanto informações da transparência passiva quanto da ativa

cidadão condições melhores para cobrar, exigir e fiscalizar. Porém, o ato de fiscalizar não está presente na rotina de todo cidadão brasileiro, aponta Frey. “Existem os observatórios sociais, instituições da sociedade civil que passam a fiscalizar licitações, compras do governo, esse público faz uso do portal com frequência. Jornalistas também. O portal da transparência está muito difundido nas redações. Mas acredito que o cidadão comum deve entrar de vez em quando apenas, geralmente vinculado a algo pessoal”. O cidadão, no entanto, não está sozinho nesta função. Um órgão que auxilia é o Ministério Público, que dentre as suas funções também atua na fiscalização dos gastos públicos. O mesmo vale para a Controladoria Geral da União (CGU), órgão federal junto ao Ministério da Transparência responsável por encabeçar o movimento pela transparência pública no país, sen-

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do a instituição que primeiro promoveu o debate e pressão junto ao legislativo para aprovar, sancionar e regulamentar no Brasil a Lei de Acesso à Informação. Mas não é só o Ministério público e a CGU que têm como poder policiar os gastos. Os Tribunais de Contas e a Câmara de Vereadores tem uma importante função de fiscalizar as transferências públicas, são os chamados órgãos de controle externo, que ficam de olho dos executivos estadual e municipal. Porém, o poder legislativo só assume esse controle quando tem grande comoção social, para po-


N.º 62 – Dezembro de 2018

MARCO

Especial

ZERO

Conheça o fluxo de apresentação e tramitação até a sanção da Lei de Acesso à Informação no Brasil derem iniciar as Comissão Parlamentar de Inquérito (CPIs) e dar sequência nas investigações.

A transparência não é tão transparente. Ou seja, o que era para ser acessível a todos acaba sendo restrito a poucos, quer por conta da forma com é escrito, quer sobre as regras que apresenta, aponta Denise Campos

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Imagem: CGU

Uma legislação para garantir o acesso à informação

O problema é que tais órgãos, que deveriam auxiliar a sociedade, acabam por assumir quase toda a responsabilidade de fiscalização. Ou seja, é importante que o cidadão saiba que não é dever apenas desses órgãos o acompanhamento da gestão da coisa pública. A população também tem o direito e o dever de exigir e cobrar a transparência para assegurar a boa e correta aplicação dos recursos públicos federais. E para exercer esse direito, pode se valer de várias leis, como Foto: Arquivo Pessoal

Denise: fiscaliza o poder público nas horas vagas

a Lei nº 12.527/2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação, que em vigor desde 2012 regulamenta o direito constitucional de qualquer pessoa solicitar e receber dos órgãos e entidades públicas, informações públicas por eles produzidas ou custodiadas. A lei aponta que os pedidos podem ser feitos por mecanismos na internet que possibilitam a qualquer pessoa, física ou jurídica, sem necessidade de apresentar motivo, consultar o recebimento de informações públicas dos órgãos. É fazendo uso desse direito que a auditora e consultora de gestão de riscos corporativos, Denise Campos, acompanha gastos do governo estadual nos portais da transparência e solicita dados para atuar na fiscalização cidadã da máquina pública. Isso tudo nas horas vagas, entre um trabalho e outro. Neste trabalho, Denise faz questionamentos aos quais, dependendo da resposta ou da falta dela, vê-se obrigada a entrar com recursos para obter a informação. O que levou Denise a realizar este estudo é a curiosidade sobre a lisura. “Todos sabem que as compras do governo são no mínimo incoerentes, então passei a pesquisar”. No Brasil, o Índice de Percepção da Corrupção (IPC), ranking calculado pela ONG Transparência Internacional para medir o grau de corrupção e de ação no serviço público nos países, caiu 17 posições de 2016 para cá. O

Com a Lei de Acesso, a publicidade passou a ser a regra e o sigilo a exceção. Dessa forma, as pessoas podem ter acesso a qualquer informação pública produzida ou custodiada pelos órgãos e entidades da Administração Pública

dado acende um um alerta sobre as causas de corrupção no país, que abrangem atos de suborno, nepotismo, tráfico de influências e desvio de verbas públicas em benefícios de favorecimentos privados. Com a Lei de Acesso, a publicidade passou a ser a regra e o sigilo a exceção. Dessa forma, as pessoas podem ter acesso a qualquer informação pública produzida ou custodiada pelos órgãos e entidades da Administração Pública. A Lei de Acesso, entretanto, prevê algumas exceções ao acesso às informações. Entram neste grupo de sigilo aquelas informações cuja divulgação indiscriminada

possa trazer riscos à sociedade ou ao Estado, mas para quem busca as informações também é de extremo

“Tem gente que diz que a transparência deixa a corrupção mais cara. Se há condições favoráveis à transparência, é mais difícil o sujeito malintencionado roubar”, analisa o jornalista João Frey Foto: Arquivo Pessoal

João Frey: jornalistas também percorrem canais de transparência


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Especial

MARCO PMPR/AE

Compra de motos Harley foi quesitonada por Denise no TCE sigilo, até mesmo sem expor os motivos da busca. Desta forma, o órgão pode dialogar com o cidadão para responder a solicitação de maneira adequada. Por mais que a informação esteja aí, não é tão simples assim che-

Governo teve que se explicar ao Tribunal de Contas do Estado por compra de R$ 2,5 milhões em motos da marca Harley Davidson após representação apresentada pela auditora Denise Campos gar nela e entender o conteúdo que está publicado nos portais. “Acho que não dá para cobrarmos de todos esse acesso e busca de fiscalização, já que não é tão acessível para todos. Não podemos colocar todos em um mesmo lugar. Começando pela

Veja como pedir informação pela LAI e leia algumas dicas sobre as plataformas

Foto: CGU

linguagem dos documentos, é fácil dizer que todos precisam ir atrás da informação, se talvez nem todos consigam de fato entender elas”. As práticas de aproximação do estado, como a Transparência Ativa e Transparência Passiva, com a sociedade civil, apontam para aquilo que o autor americano Robert Dahl chamou de “poliarquia”. Para ele a democracia política depende expressamente de algumas condições formais, ou seja, condições básicas para existência de um regime politicamente democrático. Neste, as autoridades são eleitas por meio de eleições livres e justas, o sufrágio é inclusivo e universal, os cidadãos têm o direito de se candidatar aos cargos eletivo, há liberdade de expressão, informação alternativa e liberdade de associação. É necessária também a existência de mecanismos que possibilitem a responsabilização das pessoas que ocupam cargos públicos, sejam eleitos ou não, por seus atos à frente das instituições do Estado, sendo entendida como a prestação de contas dessas mesmas pessoas perante a sociedade. Todavia, os limites desta defini-

Governo do Paraná

O portal do governo paranaense é o principal recurso para solicitar informações para todas as secretarias e até para empresas de economia mista como a Copel e a Sanepar. É fácil solicitar informação pelo site. Porém, há ainda falta de espaços para solicitar recursos. Se um pedido de informação demorou para chegar ou se a resposta não condiz com o solicitado, muitas vezes tem que fazer nova solicitação.

ZERO

ção, assim como a sua possibilidade de aplicação, têm sido alvos de grande debate. Neste sentido o Portal da Transparência, ainda que configure uma importante ferramenta no processo de fiscalização sobre as contas públicas, por sua complexidade burocrática que acompanha o próprio funcionamento do Estado, não é, de fato, compreensível por qualquer cidadão brasileiro.

Questionamento de cidadã faz TCE fiscalizar compra de Motos Harley

Se alguém ainda tem dúvidas de que a fiscalização por parte do cidadão tem efeito, saiba que a auditora Denise Campos é uma prova de que a lei ouve as pessoas. Em uma das suas leituras de atas e de compras do governo estadual, a jovem se deparou com um edital que previa a compra de motos. Mas não eram quaisquer motocicletas. Seriam 30 motocicletas da marca Harley Davidson, modelo Road King Plice, especial para polícia e forças especiais. A compra custaria R$ 2,5 milhões aos cofres do Departamento Estadual de Rodagens (DER), órgão que publicou a licitação. Os veículos seriam destinados ao uso de policiais rodoviários na fiscalização das vías. A compra está em fiscalização por parte do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Isso porque a Denise entrou com representação no órgão de contas questionando a licitação por vários motivos, dentre eles: a necessidade das motos, o valor e motivação para especificar o modelo e marca da moto. Em liminar, o TCE recomendou que o DER se abstivesse de “dar continuidade aos atos de Contratação decorrentes do Pregão”.

Assembleia Legislativa

No portal de transparência da Assembleia Legislativa o pedido de informação é feito no mesmo espaço que solicitações e críticas no setor de ouvidoria. Diferente de outros canais de transparência passiva, no portal não é possível acompanhar o pedido. Ou seja, guarde bem o protocolo que eles enviam para seu e-mail, e marque no calendário os vinte dias que a lei determina para depois cobrar o legislativo paranaense.

N.º 62 – Dezembro de 2018

Paraná menos transparente

O

Paraná está na 16 posição no ranking de transparência pública nos estados. O índice integra o projeto Escala Brasil Transparente, da Controladoria Geral da União. Com nota 7,87 o Paraná fica abaixo da média nacional mensurada pelo projeto, de 7,94. No topo da lista está o estado de Pernambuco, com média de 9,4, seguido do estado do Rio Grande do Sul, com 9,29 pontos. Na outra ponta, amargam o fim da lista os estados do Acre, com 6,37, seguido de Bahia, com 6,03, e do Amapá, com 5,99 pontos. Esta é a quarta avaliação realizada pelo órgão federal nos últimos anos. No entanto, na atual edição, a Controladoria ampliou a metodologia para “contemplar não só a transparência passiva, mas também a transparência ativa”’. Com isso, além de analisar pedidos de informação e atuação

de ouvidorias, a CGU também avaliou aspectos como publicação de receitas e despesas, contratos, estrutura administrativa, dentre outros elementos. Pelos critérios de avaliação o que puxou a nota do Paraná para baixo foi a transparência passiva, que dentre 50 pontos o estado conseguiu atingir apenas 31 pontos. Já na transparência ativa, o estado quase chegou na pontuação máxima, com nota 47,70. O não atendimento aos pedidos de informação ou ainda a falta de indicação de recursos aos pedidos foram alguns dos pontos que prejudicaram a avaliação do governo em relação à transparência passiva. Já na transparência ativa, os pontos não atendidos pelo estado foram, dentre outros, o de fornecimento de base de dados dos municípios e um sistema não compatível com geração de relatórios em várias páginas do portal da transparência.

Paraná no ranking de transparência - 2015/18

Marco Zero

Prefeitura de Curitiba

No portal é possível conferir tanto a transparência passiva quanto ativa. Não à toa, a capital paranaense ocupa o terceiro lugar no ranking de capitais mais transparentes. Os pedidos são fáceis de serem feitos, basta apenas fazer um pequeno cadastro. Logo depois um e-mail com a confirmacão é recebida. No site da prefeitura é possível também entrar com pedido de recurso, o que facilita a vida de quem fiscaliza o poder público.

Governo Federal

Claro que como encabeçadores da lei da informação no país, a Controladoria Geral da União não poderia deixar por menos e ter um site com a melhor tecnologia e facilidade dentre os portais aqui mostrados. No site você encontra os nomes dos órgãos para facilitar o filtro dos pedidos. E também é possível entrar com recurso e conferir no próprio site o conteúdo dos recursos nas três instâncias. Os materiais ficam no site da CGU.


N.º 62 – Dezembro de 2018

MARCO

Cotidiano

ZERO

9 Foto: Adriano Paulo

A infância conectada

O uso da tecnologia PAULO entre os jovens tem se tornado cada vez mais a diversão preferida. Qual é o limite do mundo virtual na infância?

Adriano

Os dispositivos digitais tornaram-se umas das principais diversões das crianças

P

ega-pega, esconde-esconde, amarelinha, caçador, “bater bafo” com figurinhas e vários outros jogos entretinham os jovens durante o tempo ocioso há alguns anos. Não eram apenas formas de gastar tempo, mas também meios de promover socialização e até de compartilhar valores como companheirismo, respeito ao próximo e solidariedade. Hoje, as brincadeiras são outras. Nos últimos tempos as brincadeiras com dispositivos móveis têm se tornado uma das principais formas de diversão das crianças, e até as tradicionais chupetas estão sendo “substituídas” por meios tecnológicos. Muitos consideram que o advento de conteúdos tecnológicos na fase inicial da vida acarretará diversas consequências agravantes para o futuro dos menores, como hipe-

ratividade, tendência à obesidade e até problemas de visão. A sociedade atual é bombardeada por uma diversidade de produtos digitais. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de

Estudo da AVG Technologies aponta que 57% das crianças de até 5 anos sabem usar aplicativos, mas só 14% são capazes de dar um laço nos cordões dos sapatos

Geografia e Estatística (IBGE) até o final de 2016 cerca de 77% tinham celular para uso pessoal e segundo a “MMA Mobile Report 2015”, cada brasileiro tem em média 20 aplicativos por dispositivo. Com uma variedade de conteúdos digitais, o mundo virtual começa a ganhar a atenção das crianças muito mais cedo nessa década. De acordo com pesquisas realizadas pela AVG Technologies, 57% das crianças de até 5 anos sabem usar aplicativos em smartphones. Na outra ponta, apenas 14% são capazes de dar um laço nos cordões dos sapatos. A educadora Carina Rosa demonstra sua insatisfação com o uso de dispositivos móveis na infância, e argumenta os motivos pelos quais os meios tecnológicos podem prejudicar no aprendiza-

Proporção de crianças e adolescentes usuários de internet

Dados:TSE

As crianças nascidas nessa última década, acompanharam a presença forte de dispositivos móveis, computadores e a tradicional televisão do nas instituições de ensino. A educadora também afirma que as crianças têm um acesso maior a meios tecnológicos em suas casas e quando chegam na escola a realidade completamente diferente. “Quando falamos da inserção da tecnologia no universo infantil é preciso uma análise cuidadosa, para que eles não sejam controlados por todos aparatos fascinantes proporcionados por essa era digital”, aponta Carina. As crianças nascidas nessa última década acompanham a presença forte de dispositivos móveis, computadores e a tradicional televisão que também faz parte de um conjunto de meios tecnológicos no qual exerce o poder de prender a atenção dos pequenos. Não existe uma fórmula para retirá-los desse mundo virtual. “Não existe um estudo que diz que isso faz mal pra eles. Eles nasceram nessa era, cheia de conteúdos tecnológicos, eles respiram isso, na educação deveria ter mais a presença de conteúdo digital, o que não pode é a criança ser dominado por isso”, alerta a educadora.

Apps ajudam pais a monitorar filhos na rede Kids Place

A

plicativo gratuito abrangente de controle que restringirá a maneira as crianças usam seus telefones. Possui níveis de bloqueios por navegação.

KuuKla Parental Control

A

lém do bloqueio, o aplicativo também apresenta recurso de gerenciamento de tempo, você pode monitorar a hora da tela.


10

Crítica

MARCO

ZERO Foto: Divulgação

N.º 62 – Dezembro de 2018

O jornalismo não tolera “photoshopada” Patrícia

LOURENÇO

Sobrenatural com uma pitada de psicanálise

O

Roberto

OLIVEIRA

Tensão e reflexão sobre o sentido da vida está entre os debates propostos pelo curta brasileiro

S

e no curta-metragem Luiza, lançado em 2014, o diretor e roteirista gaúcho Pedro Foss abordou a loucura como tema, no ano seguinte, em A Morte & Vida de Ana Belshoff, como o próprio título já sugere, ele preferiu tratar da inquietude humana acerca de sua própria existência, que nunca é exatamente aquela que idealizamos, e faz com que vejamos o ‘filme da nossa vida’ como algo inevitavelmente incompleto. Ana Belshoff é uma nadadora olímpica que acabara de ganhar uma medalha de ouro e está curtindo essa feliz fase de sua vida ao lado do esposo, mas nada de álcool nas comemorações, afinal, Ana não bebe. Vivem no confortável apartamento de número 602 de um condomínio residencial localizado em um bairro nobre do Rio, cuja sacada permite uma vista privilegiada do litoral carioca. Uma vida perfeita. Todavia, a bela jovem começa a perceber algumas coisas estranhas que vão se intensificando à medida que o tempo passa: um lapso de memória aqui, outro acolá, um balconista de lanchonete que a reconhece como sendo sua professora do último semestre, uma moça loira que, de repente, Ana vê circulando à vontade no seu próprio apartamento, como se ela morasse ali, além do misterioso homem alto, sempre vestido de preto, que Ana vê sucessivas vezes no elevador, e que lhe diz palavras enigmáticas, sempre ao som de “Lollipop”, na versão gravada em 1958 pelo quarteto vocal feminino norte-americano The Chordettes. O que, diabos, está acontecendo? Qual é, afinal, a verdade? Bebendo uma vez mais na fonte de grandes obras de suspense e terror norte-americanas, Pedro Foz escreveu um roteiro que consegue, durante os 21 minutos de duração do curta, prender a atenção do expectador, que vai tentando adivinhar os acontecimentos, bem como seus motivos, ao passo que a direção dinâmica do jovem cineasta evoca um

clima de tensão que corrobora para o estabelecimento de uma atmosfera sobrenatural que paira no ar o tempo todo, com direito a alguns sustos e, é claro, uma reviravolta no final, no melhor estilo M. Night Shyamalan. Ao contrário do que aconteceu no já citado (e comentado em crítica anterior) Luiza, protagonizado pela ‘azeda’ Luana Piovani, e primeiro curta desta série intitulada Projeto Delirium, desta vez o elenco está mais convincente, gerando diálogos proferidos com uma maior naturalidade. A diretora de teatro Bia Oliveira faz a mãe de Ana, e Bruno Gissoni, o esposo. Ambos compõem eficientemente o ‘núcleo familiar’ da trama, enquanto que o robusto pai da filha da Xuxa, Luciano Zafir, encarna de forma espantosa o intrigante ‘emissário do elevador’, conferindo a ele um tom ao mesmo tempo sinistro e lúdico. Quanto à protagonista, Carol Castro, além de sua beleza ímpar, ela também exibe de forma magnífica todas as incertezas de Ana, por meio de suas expressões corporais, seus olhares perdidos, seus diálogos desorientados e suas lágrimas que

caem tão espontaneamente de seus olhos diante da impossibilidade de entender a realidade assustadora que se desenrola ao seu redor. Pedro Foss, por que não escalaste Carol também para o primeiro filme? Além de se mostrar outro ótimo curta de terror psicológico, A Morte & Vida de Ana Belshoff ainda propõe uma breve, porém relevante reflexão sobre a vida, como a vivemos, como a imaginamos, o que fazemos dela, o que esperamos dela e... por que não, o que nos aguarda depois dela. Sobrenatural com psicanálise, temas recorrentes na obra de Foss, que se misturam e se completam. Na contramão do atual cinema nacional, que ultimamente tem priorizado comédias e dramas biográficos, o suspense e o terror são gêneros que apresentam enorme potencial para também serem desenvolvidos por aqui, como esses curtas têm comprovado pela qualidade de suas execuções. O que nos leva a imaginar o quão interessante poderia ser o primeiro longa-metragem de terror dirigido por Pedro Foss, e torcer para que um dia ele o faça, e seja bem-sucedido nesta empreitada.

ato de manipular uma fotografia coloca em xeque a credibilidade do fotógrafo e do próprio fotojornalismo, que busca a construção de uma interpretação da realidade. Segundo o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, é da responsabilidade profissional “rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem”. Mas, não é sempre assim que acontece. Com os avanços tecnológicos se tornou mais fácil, rápido e cada vez menos aparente para o leitor esse tipo de intervenção na imagem. Qual seria a diferença entre

O limite entre o tratamento e correções de cores e luz e as manipulações no fotojornalismo tratamento e manipulação de imagens? Quem explica é a professora Sionelly Leite, de Jornalismo: “O fotojornalismo permite apenas o tratamento da fotografia, que nada mais é que fazer ajustes na luz, no enquadramento. Já a manipulação extrai ou soma algum elemento à imagem”. Assim, a manipulação não é permitida no fotojornalismo, pois dessa forma o mesmo acaba por alterar a verdade. Em tempos de disseminação das Fake News o jornalismo íntegro deve ser fiel à imagem, à cor, às palavras e até mesmo ao silêncio.

Percepção de um fotojornalista Renan

ALEX

A

lbari Rosa está no ramo há 30 anos e durante a sua carreira teve a comprovação de que uma foto realmente tem o poder de transformar.

Quais as características de um fotojornalista?

A perspicácia é fundamental, deve estar atualizado nas notícias e ter domínio das técnicas fotográficas e do equipamento.

Há ressignificação da verdade na fotografia?

O fotojornalista pode usar um ângulo ou enquadramento favorável ou desfavorável para a mesma cena, dando-lhe um clima amistoso ou hostil com várias possibilidades de interpretações. A fotografia não mente, mas mentirosos fotografam. Cabe cada pessoa fazer a sua interpretação da verdade.

Quais os cuidados que você tem na hora da edição?

Tenho cuidado em não alterar as informações da foto original, tirar ou acrescentas qualquer conteúdo.

Foto: Divulgação

A mentira tem perna curta Samuel

A

Emissário do elevador, personagem carrega a trama de suspense

MAURICIO jr

credibilidade de um jornalista é medida por como ele trata a veracidade. No fotojornalismo não é diferente. Abaixo dois casos de fotógrafos que manipularam as imagens. O fotógrafo Márcio Cabral ganhou o prêmio do concurso de Vida Selvagem de 2017 por uma foto de um tamanduá subindo um formigueiro. Porém, ele perdeu o prêmio sob a suspeita de ter usado um tamanduá empalhado.

A manipulação de imagens é antiética e pode trazer graves consequências aos fotojornalistas Durante a Guerra Civil Americana, em 1863, o fotógrafo Alexander Gardner tirou a foto de um soldado morto caído entre rochas que foi nomeada “O último descanso do atirador”. Anos depois foi descoberto que ele teria arrastado o cadáver de um soldado para criar a fotografia.


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MARCO

Tecnologia

ZERO

@TÁ NA WEB

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Poliana

STEFFANY

Especial

Apps de foto e vídeo

Quem achou que só tinha como ter editores potentes de foto pagando caro e em compuratores está muito enganado. O app VSCO, especializado em fotos de qualidade, ajuda a tratar e divulgar trabalhos fotográficos profissionais de vários autores ao redor do mundo. O aplicativo é usado como forma de aprimoramento das técnicas, educação visual e social e como forma de incentivo a outras pessoas que queiram entrar tam-

Fotos com qualidade bém no meio fotográfico. Outro ponto que deve ser ressaltado é a venda do material desses artistas. No próprio site, na aba store, ensaios completos estão disponíveis a qualquer pessoa e para diferentes objetivos. Desde retratos das modelos até fotos de produtos que podem ser utilizados em campanhas publicitarias ou

Use o QR-Code e acesse o site

para sites e comércio que buscam fotos que combinem com seu produto para a divulgação, podem ser encontrados na galeria.

Use o QR-Code e acesse o site

Está precisando chamar a atenção do seu público através de textos animados em seu site? Seu jornal digital está precisando de uma cara mais moderna?

Para reprodução e edição de vídeos feita por um aplicativo de forma gratuita e sem anúncios, Time Lapse é ideal. Com interfaces interativas, completa e de fácil manuseio, ele não deixa a desejar. Além disso, você consegue adicionar sua música favorita em seus vídeos e existe a classificação, dentro do próprio aplicativo, dos melhores materiais produzidos. Há duas funções o qual ele se baseia: o Photo Lapse e o Video Lapse. No primeiro, com uso ideal para eventos com duração ilimitada, o usuário consegue criar edifícios, mudar formas

Timelapse na palma da mão físicas, modificar cores das flores etc. E no segundo, para eventos com duração até um dia, a edição do céu (diminuir número de nuvens, claridade, pássaros, céu noturno...) pode ser feita e os ruídos durante as gravações podem ser retirados. Com classificações dos usuários em nota máxima, as mais de um milhão de pessoas que baixaram o aplicativo preferem Time Lapse para trabalhem seus vídeos.

Use o QR-Code e acesse o site

Animando textos Ou quer apenas deixar seu tweets mais interativos com textos que prendam seu leitor? O Legend pode te ajudar! Ele consegue criar de forma rápida e fácil textos animados para serem utilizados como você quiser. Animações e a diversificação da rolagem do mouse ou da tela são o que mais chamam a atenção no site e no aplicativo da

Legend. Além disso, as ilustrações e as cores vibrantes também auxiliam para deixar seu texto mais completo, interativo e visualmente mais atrativo. Em relação às cores, o site da Legend mostra que as mais fortes são as que mais prendem as pessoas visualmente. Elas são combinadas com o tipo de rolagem da tela e o tipo de rolagem do texto, ou seja, ao entrar em outra página o texto possui forma e cor independente das páginas anteriores.


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Ensaio fotográfico

MARCO

A cor do invisível Ensaio de

Caroline

PAULINO

Poema de Torquato Neto

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gora não se fala mais toda palavra guarda uma cilada e qualquer gesto é o fim do seu início: Agora não se fala nada e tudo é transparente em cada forma qualquer palavra é um gesto e em sua orla os pássaros de sempre cantam nos hospícios. Você não tem que me dizer

o número de mundo deste mundo não tem que me mostrar a outra face face ao fim de tudo: só tem que me dizer o nome da república do fundo o sim do fim do fim de tudo e o tem do tempo vindo: não tem que me mostrar a outra mesma face ao outro mundo (não se fala. não é permitido: mudar de idéia. é proibido.) não se permite nunca mais olhares tensões de cismas crises e outros tempos. Está vetado qualquer movimento

ZERO

N.º 62 – Dezembro de 2018

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Marco Zero 62  

Acompanhar o poder público não é algo que se faz de dois em dois anos nas eleições. Saiba que o dever de um cidadão é constante. Por isso, e...

Marco Zero 62  

Acompanhar o poder público não é algo que se faz de dois em dois anos nas eleições. Saiba que o dever de um cidadão é constante. Por isso, e...

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