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Unidos contra o Terrorismo Kofi Annan Secretário -Geral das Nações Unidas Os terroristas que atacaram os Estados Unidos a 11 de Setembro tinham como objectivo uma nação mas feriram o mundo inteiro. Muito poucas vezes, talvez mesmo nunca, o mundo esteve tão unido como nesse dia terrível. Foi uma unidade nascida do horror, do medo, da indignação e da profunda solidariedade com o povo dos Estados Unidos. Essa unidade também se deveu ao facto de no World Trade Centre trabalharem homens e mulheres de todas as crenças e de mais de sessenta nações. Tratou-se verdadeiramente de um ataque a toda a humanidade e toda a humanidade tem interesse em derrotar as forças que estão por detrás dele. Quando os Estados Unidos decidirem as medidas que irão tomar em defesa dos seus cidadãos e quando todo o mundo compreender bem as repercussões mundiais desta calamidade, a unidade de 11 de Setembro será invocada e posta à prova. Expressei ao Presidente George W. Bush e ao Presidente da Câmara Rudolph Giuliani – e aos nova-iorquinos, nos serviços religiosos celebrados em igrejas, sinagogas e mesquitas – a total solidariedade das Nações Unidas com os Estados Unidos e o seu povo, nesta hora de dor. Em menos de quarenta e oito horas, o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral junta ram-se a mim para condenar os ataques e votaram no sentido de apoiar as medidas que se venham a adoptar contra os responsáveis e contra os Estados que os ajudam, apoiam ou protegem. Que ninguém ponha em dúvida essa solidariedade. Também ninguém deve duvidar de que o mundo inteiro está determinado a lutar contra este flagelo, durante todo o tempo que seja necessário. Na realidade, a resposta mundial mais eloquente que foi dada até agora aos ataques da semana passada foi o compromisso, assumido pelos Estados de todas as crenças e todas as regiões, de actuarem com firmeza contra o terrorismo. Num momento como este, o mundo define-se não só afirmando-se a favor de algo mas também contra algo. As Nações Unidas – e a comunidade internacional – devem ter a coragem de reconhecer que, tal como há objectivos comuns, há inimigos comuns. Para os derrotar, todas as nações de boa vontade devem juntar as suas forças num esforço conjunto que abranja todos os aspectos do sistema mundial aberto e livre que os autores das atrocidades da semana passada tão perversamente exploraram. As Nações Unidas estão numa posição inigualável para promover esse esforço. Constituem o fórum necessário para formar uma coligação universal e podem fornecer um enquadramento jurídico às medida s que têm de ser tomadas para erradicar o terrorismo, nomeadamente a extradição e julgamento dos perpetradores bem como a eliminação do branqueamento de capitais. É preciso que estas convenções sejam plenamente aplicadas. No entanto, para esta resposta é essencial que a unidade mundial de 11 de Setembro se fortaleça e não se quebre. Se bem que o mundo deva reconhecer que há inimigos comuns a todas as sociedades, deve compreender igualmente que esses inimigos não se definem nunca pela sua origem religiosa ou nacional. Nenhum povo, nenhuma região e nenhuma religião devem ser condenados, atacados ou visados devido aos actos inqualificáveis de uns indivíduos. Como disse o Presidente da Câmara Rudolph Giuliani, “é exactamente contra isso que lutamos aqui.” Ele e o Presidente George W. Bush demonstraram uma admirável liderança, ao condenarem os ataques aos muçulmanos nos Estados Unidos, e outros dirigentes fizeram o mesmo. Agir de outro modo e

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permitir que as divisões entre as sociedades e no seio delas sejam exacerbadas por esses actos seria trabalhar a favor dos terroristas e ninguém pode desejar tal resultado. Hoje, o terrorismo ameaça todas as sociedades e todos os povos e, no momento em que o mundo toma medidas contra os seus autores, foi-nos recordada a todos a necessidade de enfrentar toda a série de condições que permitem o crescimento desse ódio e dessa depravação. Temos de opor-nos à violência, ao fanatismo e ao ódio. As Nações Unidas devem prosseguir o seu trabalho, ao mesmo tempo que combatemos os males do nosso tempo – o conflito, a ignorância, a pobreza e a doença. Ao fazê -lo, não estaremos a acabar com todas as fontes de ódio e todos os actos de violência – haverá sempre quem odeie e mate, mesmo que estas injustiças sejam corrigidas. Mas, se o mundo conseguir demonstrar que continuará a andar para a frente, que perseverará para criar uma comunidade internacional mais forte, mais justa, mais generosa e mais autêntica, superando todas as diferenças de religião e raça, o terrorismo terá fracassado. (The New York Times, 21 de Setembro de 2001; Público, 22 de Setembro de 2001)

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http://www.unric.org/html/portuguese/peace/terrorismo/20010925SG  

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