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REVISTA

REVISTA H

VOLUNTARIADO

SER SOLIDÁRIO PODE AJUDAR NA SUA CARREIRA sex shop

você já entrou em um? conheça ele por dentro viagem

ushuaia e seus encantos em uma aventura sobre duas rodas ENSAIO

as mulheres de man ray moda

COMO COMBATER OS TABUS DA MODA MASCULINA

E MAIS:

eNTREVISTA COM ZICO| MOTOCLUBES | bODY MODIFICATION |

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MÚSICA ENTRETENIMENTO CINEMA

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REVISTA H

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REVISTA H

EDITORIAL

EXPEDIENTE Editor de Texto: Vitor Soares Editor de Arte: João Paulo Monteiro Reportagem: Ana Navarrete Caio Casagrande Diego Melo Fernando Trindade João Paulo Monteiro Juliana Prado Juliana Santos Mariana Mansano Matheus Orlando Nathalia Boni Paula Alves Renan Kalil Vitor Soares

Foto de capa: Letícia Mendonça Modelo: Paula Reis

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evistas masculinas sempre tiveram o mesmo perfil por anos: fotos eróticas de mulheres. Mas nos últimos tempos, as empresas editoriais perceberam o enorme potencial que estavam desperdiçando e resolveram mudar o perfil do homem. Esse novo homem com H gosta de se impor como pessoa, não quer ser taxado do que não é: ele sabe bem o que quer. Já tem na cabeça o que quer no trabalho e na sua vida, aprendeu a lidar consigo mesmo após ritos inicias de construção de caráter e masculinidade. Ele batalha pelo seu espaço, mas ainda tenta aproveitar a vida com consciência e saúde. Saber ser sério, mas também tenta aproveitar a vida com diversão. É uma revista para o Homem. Mas não queremos excluir a visão feminina, já que temos seis mulheres dentro da nossa equipe (quase metade!). Buscamos uma visão plural para a pergunta: “o que é ser Homem?”, sem prisões preconceituosas. A revista traz várias facetas desse novo Homem: moda, tecnologia, saúde, entretenimento, mercado, viagem, alimentação, cultura, sexo e automóveis. Nossa revista dialoga com o homem consciente de si. Edição Novembro Uma viagem de moto pela América Latina. Quem não gostaria de fazer? Fernando Trindade e Juliana Prado nos contam a história de quem já realizou essa aventura. O poder dos brinquedos eróticos, um mundo diverso e que ainda é visto com muito preconceito. Mariana Mansano entra nesse univer-

so e explica como ele funciona. De Coração: homem que já conquistaram seu espaço no mercado de trabalho e fazem trabalhos voluntários. Vitor Soares e Juliana Santos trazem tudo sobre voluntariado. Um ensaio fotográfico com releituras do polêmicio Man Ray, por Juliana Prado. Como funciona o mundo das cervejas? Caio Casagrande nos conta a história da cervejaria Othomania, e Nathália Boni conta sobre a constante polêmica entre publicidade e cerveja. Para os apaixonados pela velocidade, duas reportagens: Diego Melo explica o novo frisson em cima dos utilitários, e Paula Alves e Diego Melo contam a experiência de um clube de motociclistas. Existem pessoas que utilizam o corpo como expressão artística através da tatuagem. O repórter João Paulo Monteiro conta a história dos amantes da body art. O retorno de Narciso: homens que se preocupam com vaidade, as mulheres também opinam sobre o assunto, além de dicas de cosméticos por Ana Navarrete. A repórter Paula Alves nos dá dicas simples de como o homem moderno pode se vestir para diferentes ocasiões. O novo homem precisa estar atento a tudo o que acontece no mundo da tecnologia, e Renan Kalil dá um panorama geral sobre os assuntos mais importantes. E ainda temos uma seleção de opiniões e crônicas pelos comentaristas da revista. Equipe Revista H

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Divugação/Assoc. Pró Brasil

SUMÁRIO DEZEMBRO 2011

REVISTA H

6 CERVEJA

Conheça o funcionamento da cervejaria Othomania.

8 MOTO CLUBES

Apesar da cara de poucos amgos, motociclistas caem na estrada apenas para diversão.

18 SEX SHOP

Para atrair novo público, lojas se reinventam e contam com mais opções para todos os gostos.

41 TECNOLOGIA

Público brasileiro já está absorvendo a grande variedade de tablets do mercado.

14 TRABALHO VOLUNTÁRIO 42 ESTÉTICA

Além da satisfação pessoal em ajudar o próximo, várias empresas perceberam que o voluntariado pode ajudar na sua carreira.

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Conforto aliado a potência gera crescimento de utilitários no país.

Nova geração de homens prezam pela vaidade, se cuidam, e até mesmo usam produtos de beleza.

32 VIAGEM

38 EXPRESSÃO

17 mil quilômetros sobre duas rodas pela América do Sul.

20 MÚSICA

Body Modification ganha adeptos e se firma como uma nova forma de arte dentro da cultura.

Os 10 maiores álbuns de Rock de todos os tempos!

10 ENTREVISTA

Ex-craque do Flamengo e da Seleção brasileira, hoje técnico do Iraque, fala sobre sua carreira, conquistas e vida.

23 ENSAIO

36 MODA Mitos e verdades da moda para o Homem.

O Surrealismo de Man Ray em um ensaio com Mariana Torres. 5


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A arte de fazer cerveja Microcervejaria Othomania inaugura seguimento no oeste paulista

Sabor inovador no oeste paulista

por Caio Casagrande

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o Brasil existem várias cervejarias espalhadas principalmente nas regiões sul e sudeste. No Centro-Oeste paulista, na cidade de Pompéia a micro-cervejaria Othomania é quem traz o sabor. A micro-cervejaria foi inaugurada em 03 de setembro de 2009 pela família Patrocínio realizando um antigo desejo de produzir a própria cerveja. Para aprender as técnicas de fabricação, a cervejeira Stela Patrocínio fez um estágio na cervejaria Devassa no Rio de Janeiro. Após alguns anos de estudo, a receita mais próxima da tradição cervejeira mundial estava pronta, possibilitando a abertura de sua própria cervejaria. As cervejas Othomania são ser-

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vidas diretamente do tanque de maturação, portanto não passam por processos de filtração ou pasteurização. “Devido a esse processo caseiro de fabricação, a cerveja é muito mais consistente do que a vendida em larga escala. O sabor fica muito mais apurado”, destaca Stela Patrocínio. As cervejas fabricadas pela Othomania são chamadas de “Chope natural”. Por serem desta forma, possuem certa quantidade de levedura ainda viva, rica em vitaminas do complexo B, que ajudam a prevenir a famosa ressaca do dia seguinte. Instalada junto ao Bar Othomania, a cervejaria serve os chopes: Pilsen, Weiss e Brown Ale. Pilsen é uma cerveja clara, leve e de baixa fermen-

tação. O Weiss é um chope claro, leve e de alta fermentação, a famosa cerveja de trigo. O Brown Ale é cerveja escura de alta fermentação do tipo English Brown Ale. A microcervejaria leva esse nome em homenagem à antiga denominação da cidade. Naquela época, as cidades por passava a linha de trem da Alta Paulista eram nomeadas seguinda a ordem alfabética, portanto Pompéia era conhecida como Othomania. Segundo Estela Patrocínio, a Microcervejaria Othomania não tem pretensões de virar uma grande exportadora e sim “manter viva a cultura cervejeira no prazer de fazer e apreciar as melhores receitas artesanais”.


OPINIÃO

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Da água para a cerveja Campanha da Devassa modifica imagem de santinha da cantora Sandy por Nathalia Boni

enquanto a cantora criou valor para a cerveja”, explica o designer e especialista em branding, Luiz Carlos Santos. “Ela tem um problema de identidade, e tentou tirar proveito da marca, já que sua imagem não acompanhou seu amadurecimento e ficou igual a que tinha anos atrás. Além disso, ela precisava aparecer na mídia, e isso foi ótimo para ela”, completa Luiz. “Afinal, as marcas funcionam como espelhos e constroem identidades. As pessoas famosas acabam se tornando referenciais”, explica. A garota que cresceu aos olhos do público como moça de família tornou-se, repentina-

mente, símbolo de uma bebida pela qual não sentia atração até pouco tempo atrás - a cantora chegou a afirmar que preferia “bebidas mais docinhas” -, e cujo nome é um tanto quanto ousado e pejorativo. Não por coincidência, na mesma época da veiculação da campanha da Devassa, a ex-morena concedeu uma polêmica entrevista à uma famosa revista masculina, na qual afirmava fazer (e gostar!) sexo anal. Luiz Carlos acredita que a assessoria de imprensa da marca pode ter colaborado com o conteúdo da entrevista e assim, ter promovido ainda mais a Devassa. “Foi caso pensado, uma grande ação publicitária. Além do mais, a Devassa é anunciante da Playboy”, comenta o designer a respeito da publicação em questão. Essa nova Sandy só mostra ainda mais o poder das marcas sobre a imagem, seja de quem as divulga ou até de seus consumidores. A imagem que a cantora levou mais de duas décadas para construir acabou se dissolvendo em poucos dias. Há quem diga, no entanto, que no fundo ela continua a mesma e apenas mascara sua identidade perante a marca. O fato é que, independente de suas atitudes reais, a Sandy não é e talvez nunca mais será a mesma, pelo menos aos olhos do público.

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o lugar de Paris Hilton, entrou Sandy Lima. Nova garota-propaganda da cerveja Devassa, a cantora provocou uma repercussão sem precedentes para a marca. A escolha da ex-virginal para ser a musa do camarote da cerveja Devassa no carnaval do Rio de Janeiro deste ano causou surpresa no mercado publicitário. Casada e bem comportada, Sandy está estreando o lado politicamente correto da marca, mostrando que para ser sexy não é preciso ser vulgar. “Por que só as outras mulheres são devassas? Por que não a sua mulher, com quem você é casado?”, questiona Hélio Moreira, diretor da New Growing, empresa de design e consultoria de marca. “Todo homem quer uma mulher devassa e ela não precisa ser uma profissional do sexo para ser sexy”, avalia o publicitário. Sem dúvida, a Devassa conseguiu o queria: promover sua marca. Houve uma ajuda mútua entre a cantora e a campanha, que causou uma mudança de imagem na menina certinha e santa de antigamente. A marca cervejeira, por sua vez, saiu ganhando ainda mais que a Sandy, ao ter seu produto amplamente divulgado e discutido na mídia. “A Devassa ajudou a ver a Sandy com outro rótulo,

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REVISTA H Afranio Jr.

muito além da "cara de mau" Por trás da cara de “poucos amigos”, os Moto Clubes do interior de São Paulo buscam manter as tradições e as amizades sem tirar o pé da estrada. por Diego Melo e Paula Alves

As viagens são frequentes e, muitas vezes, bem longas. Mas, para eles, o que vale é curtir a paixão de estar sobre duas rodas.

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les têm cara de mau, não respeitam as regras da sociedade e arrumam confusão sempre que podem. Esta era a imagem dos membros dos motoclubes na década de 1960, nos Estados Unidos. Devido a alguns incidentes provocados por uma minoria de motoqueiros naquela época turbulenta, criou-se um grande preconceito em torno dos motoclubes e seus membros. Hoje, os motoclubes vão muito além da paixão pelas motos e pelo rock ‘n roll. Valores como amizade, respeito e companheirismo são palavras de ordem. E, daquela imagem antiga e distorcida, só sobrou a cara de mau. Fundado em 2008 em Ma-

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rília, há 450km de São Paulo, o Moto Rock M.C. reúne homens de várias idades e profissões que, cansados da rotina, procuram um lugar para se livrar do stress e da correria do dia-a-dia. “O clube começou com alguns amigos

“ Para

nós, o moto clube é uma filosofia de vida. A amizade que compõe o clube é fundamental na vida de cada membro

que sempre tiveram paixões em comum: motociclismo, cerveja, mulheres e bom e velho rock ‘n roll”, diz Afrânio Jr, fundador e presidente do moto clube. O Moto Rock M.C. engrossa a lista dos mais de 1700 clu-

bes de moto espalhados por todo o Brasil. São grupos sem fins lucrativos, que se mantém através de festas, eventos e encontros motociclísticos ao redor do país. Todos realizados com o intuito de promover a amizade, o respeito e o sentimento de “irmandade” entre os membros e entre outros motoclubes. “Para nós, o moto clube é uma filosofia de vida. A amizade que compõe o clube é fundamental na vida de cada membro”, completa Afrânio. Juntar alguns amigos para viajar de moto nos fins de semana não é - e nem pode ser - considerado como um verdadeiro moto clube. “Para ser chamado de motoclube e ostentar a sigla “MC”, é pre-


REVISTA H Afranio Jr.

Afrânio e dois membros do Moto Rock MC guardam uma lembrança de uma de suas viagens.

ciso ter um grupo de bikers sob um sistema hierárquico, onde o principal objetivo é a formação de uma ‘irmandade’”. Além disso, ter o reconhecimento de outros moto clubes é fundamental. No Brasil, existem várias federações estaduais de moto clubes, sendo as duas mais tradicionais localizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, cada uma com mais de 100 moto clubes filiados. Afranio Jr.

Cena comum em frente a sede do Moto Rock MC: uma fileira de motos de todos os tipos aguardam a hora de cair na estrada.

E não basta ter uma moto para ser membro de um motoclube. Antes de ser aceito, é preciso passar por vários estágios e provar que é merecedor do portar o brasão do motoclube. “Existe muito rigor na escolha dos membros. Até se tornar membro escudado, ou seja, oficial, o indivíduo passar por várias fases probatórias antes de subir na escala hierárquica do clube”, conta Afrânio.

“O que nos interessa é a estrada, e não o destino a que ela nos leva”. Por esse caráter exclusivo, há anos os motoclubes e seus membros povoam o imaginário popular. O estilo de vida livre e aventureiro que muitos levam já influenciou filmes, livros e, é claro, muitas bandas de rock. Além disso, a filosofia “biker” é apontada como uma das principais influências do movimento de contra-cultura do início dos anos 60. Até hoje, “Sem Des-

tino” (1969), filme de Dennis Hopper que conta a história de dois homens que cruzam os Estados Unidos a bordo de duas motos Harley-Davison, é venerado por pessoas de todas as idades. H o j e, o s mo to cl ubes d o B r as i l e d o mu ndo v êm tr ab al h an d o p ar a vencer os p r eco n cei to s q u e ai nda en f r en tam. A l ém d o s eventos p ar a ami g o s e s i mpati zan tes, mu i to s r eal i z am pr o j eto s s o ci ai s e p rocur am aj u d ar a co mu n i d ade onde f i ca s u a s ed e. Existem moto clubes de vários tamanhos, cada qual com seu brasão, cores e lema. Porém, a maioria procura valorizar sentimentos de amizade, respeito e companheirismo. Entre viagens, motos e muito rock ‘n roll, Afrânio Jr afir ma que existe uma paixão em comum a qualquer motoclube: o amor pela liberdade. “O que nos interessa é a estrada, e não o destino que ela nos leva”. 9


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ENTREVISTA

PAPO COM ZICO Ex-craque do Flamengo e da Seleção Brasileira fala sobre futebol, carreira e projetos por Matheus Orlando

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rthur Antunes Coimbra, o Zico, já fez um pouco de tudo no futebol: jogou muita bola pelo Flamengo, arriscou-se na Itália e no Japão. Depois, o Galinho iniciou carreira como treinador, na própria Terra do Sol Nascente, e passou ainda por Turquia, Uzbequistão, Rússia, Grécia e finalmente Iraque, onde está hoje. O craque também já deu seus pitacos como comentarista esportivo e foi até dirigente no Rubro-Negro que o revelou para o mundo, função na qual o sucesso como atleta não se repitiu. “As pressões dentro do clube são enormes e desiguais”, explicou na época em que decidiu deixar a carreira como dirigente do Fla. Atualmente um pouco esquecido pelos brasileiros, no distante Iraque, Zico concedeu entrevista à Revista H por e-mail. Ele falou sobre um pouco de tudo: o começo como jogador, vida, carreira, passado, projetos e paixões. Para não se esquecer nunca do craque que alegrou multidões nos anos 1980, confira: Revista H: Nos tempos de jogador, o Flamengo foi o clube pelo qual mais gostou de atuar? Zico: Desde pequeno sempre fui Flamengo de coração, de ir aos estádios com

o meu pai. Por isso e por tudo que vivi, ter atuado no Flamengo é especial. Mas tenho carinho também pela Udinese, onde adquiri muita experiência como jogador e homem. e pelo Kashima, que tenho uma relação pai e filho, já que quando cheguei ele não existia. Era Sumitomo Metals FC, e depois teve todo aquele crescimento do futebol japonês. Depois de sua experiência na Udinense, da Itália, o que você concluiu sobre as diferenças do futebol europeu e o futebol brasileiro na época? São muitas as diferenças. Acho que o mais importante a ser destacado é que são escolas diferentes de futebol. Na Europa a parte física e tática são sempre muito fortes. O futebol brasileiro e sul-americano, em geral, é mais criativo, de improviso. Costumo dizer que todo jogador que tem a oportunidade de jogar na Europa deve abraçar a chance e não deixar escapar. Quais são seus principais objetivos como técnico da Seleção Iraquiana de futebol? Nunca pensei em ser treinador. Minha primeira experiência foi no Japão, dirigindo a equipe do Kashima meio

por acaso. E não imaginava voltar a dirigir um time de futebol. Acontece que, depois da Copa do Mundo de 2002, recebi o convite da Federação Japonesa e não pude recusar, afinal o país sempre me acolheu com muito carinho. Queria retribuir tudo que fizeram por mim passando a minha experiência para a Seleção e tenho como objetivo principal levar o Japão à Copa do Mundo na Alemanha em 2006. Depois disso, outras oportunidades apareceram, como no Fenerbahçe (Turquia), Bunyodokor (Uzbequistão), CSKA (Rússia), Olympiakos (Grécia) e agora estou finalmente na Seleção do Iraque. Gostaria de levar o time para uma Copa do Mundo, mas sei que é difícil. Então, se eu puder ajudar o futebol a unir um pouco essa nação, que anda muito debilitada pelos últimos acontecimentos, eu já me sentiria um pouco realizado. Você guarda alguma frustração? Frustração é uma palavra forte, acho que acumulei muitas alegrias em minha carreira para dizer que me frustrei com alguma coisa. Mas confesso que lamento não ter disputado as Olimpíadas, uma competição especial e que não tive a chance de jogar. 11


REVISTA H Você ainda pretende exercer alguma profissão ligada ao futebol aqui no Brasil? Neste momento não há como pensar nisso. Tenho muito trabalho para fazer por aqui e não descarto nenhuma possibilidade no futuro. Muitos cronistas e jornalistas esportivos fazem comparações suas com Pelé. Bom, Zico jogador e Zico pessoa são a mesma coisa: eu. Sou o mesmo de sempre. Não gosto de comparações, pois não há como comparar os jogadores, as pessoas. Eu e Pelé somos muito diferentes. Mas o que tenho a dizer é que Pelé é o Rei do futebol, isso não há dúvida. Você concorda com a divisão feita no Flamengo de a.Z. (antes de Zico) e d.Z.

Em toda a sua carreira, já foi criticado algumas vezes, coisa que acontece com todos os jogadores e pessoas envolvidas com o futebol. Você já está acostumado com as críticas ou não? Críticas fazem parte de quem está na vida publica e a gente deve saber ouvi-las. Como jogador eu podia ir para o campo e tentar mudar a situação. Agora como treinador é diferente. Mas acho que minha experiência me ajuda a

saber separar qualquer situação que esteja na minha frente. Quando foi obrigado a parar de jogar futebol por causa das contusões, o que você sentiu? Eu não parei de jogar por causa das contusões e sim porque comecei a perder a alegria do ambiente do dia a dia do futebol.O meu maior medo era ter que abandonar os gramados por causa de uma contusão. Pedia a Deus todas as noites para poder sair do futebol por decisão minha, em plena atividade. Por isso que até hoje, quando dá um probleminha eu vou lá no Dr Neylor Lasmar pra consertar o joelho. Quero continuar jogando as minhas peladas. O futebol é a paixão da minha vida, além de ter sido a minha paixão profissional.

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(depois de Zico)? Por quê? Não concordo. O Clube é sempre maior que qualquer atleta. Sei que ajudei o Flamengo a conquistar muitos títulos. Mas acho importante deixar claro que não jogava sozinho. Tinha companheiros talentosos ao meu lado e que formavam um grupo vencedor.


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ENTRETENIMENTO

OS MACHOS DE VERDADE DO CINEMA ~ por Joao Paulo Monteiro

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Pra começar, uma lista dos mais machos não seria completa sem Chuck Norris. E é em Braddock – O Super Comando, de 1984, que o lutador e ator se mostra um macho completo. No papel do Coronel das Forças Especiais estadunidenses James Braddock, ele luta por aqueles que não podem lutar. Braddock, munido de informações confidenciais e armamentos pesados, forma um exército de um homem só e parte para a

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Coronel James Braddock

boinas verdes. Desrespeitado e humilhado em seu país somente por ser veterano de guerra, Rambo da a volta por cima ao ser enviado novamente ao Vietnã para uma missão suicida, visando resgatar soldados que foram feitos prisioneiros. De forma máscula, Rambo vence uma guerra perdida na vida real, tornando-se praticamente um herói. Pistoleiro Sem Nome Afeganistão, Tailândia, Birmânia... não importa onde, Rambo sempre superou obstáculos, matou muitos inimigos e cumpriu missões. Valentia e dignidade tornaram o personagem ícone masculino dos anos Bom de briga, independente e rá- 80. pido no gatilho, esse é o Pistoleiro Sem Nome. Vivido por Clint Eas- James Bond 007 twood, o anti-herói é um caçador de recompensas e representa o típico cowboy durão estadunidense, sempre armando planos e truques sofisticados para pegar os bandidos. O Pistoleiro Sem Nome é per- O nome dele é Bond. James Bond. sonagem da famosa Trilogia dos Também conhecido pelo código Dólares, do cineasta italiano Sergio 007, o agente secreto do Serviço de Leone e, apesar de sua moral um Inteligência Inglês ensina em qualtanto quanto ambígua e seu jeito quer um dos filmes da série o que é cínico, não há como negar que é ser macho. Só pra ter uma noção do um dos mais machos da história do nível de macheza, James Bond tem a cinema. permissão da Coroa Britânica para matar quem ele precisar. Exímio atiJohn J. Rambo rador e dominante das mais variadas artes marciais. Desde 1962 nas telonas, o agente secreto já foi vivido por Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig. Seu John J. Rambo, interpretado por porte atlético, viril e sedutor, aliado Sylvester Stallone, é veterano do ao seu charme e elegância faz com Vietnã e um ex-membro das Forças que o agente esteja sempre cercado Especiais do Exército dos EUA, os por belas mulheres. Reproduçãoçã

o cinema, nos filmes de ação, o protagonista salva o dia depois de inúmeras cenas cheias de tiros, explosões e combates. Dentre todos esses nossos heróis, a Revista H elegeu os mais machos. Homem de verdade. Não aqueles somente músculos, que dominam artes marciais e manipulam armas como ninguém. Além de acabar com todos os vilões, o homem de verdade tem que saber conquistar uma donzela e lutar pelos seus ideais. A seguir, listamos os homens com H maiúsculo do cinema, levando em conta, além do nível de testosterona, caráter e personalidade.

guerra, ou seja, sozinho, o coronel invade o Vietnã para tentar achar seus companheiros e outros desaparecidos em conflito. No filme, ele atira em todo mundo, quebra a cara de seus inimigos e, entre outras machezas, consegue ainda um tempo para resgatar e conquistas umas gatinhas.

Um herói nacional. Cap. Nascimento estreou nas telonas em 2007, em Tropa de Elite, de José Padilha e, desde então, combate a bandidagem, o crime organizado e a corrupção. Depois de enfrentar o tráfico de drogas, o policial do BOPE percebeu que o buraco era mais embaixo e só viu

sua lista de problemas crescer, com milícias e políticos corruptos. Um homem de verdade. Corajoso, de caráter, combate o mal e ainda tira um tempo para ficar com seu filho adolescente. Capitão Nascimento, o mais macho das telonas, já que, missão dada é missão cumprida.

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Capitão Nascimento

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REVISTA H

Joa~o P aulo M

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De Coração Você sabia que o trabalho voluntário, além da satisfação de ser solidário, pode ajudar na hora de conseguir um emprego? Confira as atividades que vários empresários desenvolvem solidariamente, algumas dicas de como se tornar um voluntário, e como usar essa experiência na hora de entrar para o mercado. por Juliana Santos e Vitor Soares

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empresarial

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ngana-se quem pensa que trabalho voluntário só é feito por quem não tem nada para fazer. É cada vez maior o número de pessoas que conciliam suas rotinas diárias, trabalho e família e colocam na agenda a realização de um trabalho voluntário. Qualquer pessoa pode ser voluntária, independente do grau de escolaridade ou idade. Segundo dados da ONU, mais de 40 milhões de brasileiros desenvolvem algum tipo de trabalho voluntário e não remunerado. O trabalho voluntário pode ajudar até mesmo na carreira profissional: muitas empre-sas já levam em consideração esse fator. Segundo a coordenadora de recursos humanos da empresa RH Assessoria, Lígia Cordeiro, a experiência de trabalho voluntário pode ajudar na busca de qualquer vaga. Na maioria das empresas, o trabalho voluntário já é levado em consideração nos processos seleti-

Arquivo Pessoal

Nome: Emerson Batista Idade: 38 anos Profissão: Analista de Sistemas Trabalho voluntário: Projeto Alegria História: “Somos um grupo de 12 pessoas, e fazemos trabalho voluntário no Hospital Estadual de Bauru. Nos revezamos para que todo dia tenha plantão, e o meu é no sábado. Eu trabalho com música dentro do projeto, estou lá há dois anos e meio. Nós tentamos levar diversão para dentro dos hospitais, não levando ao lado da brincadeira, mas para que os pacientes enxerguem além da doença, entender o que é o ser humano. Queremos que as pessoas vejam além da vida.”

REVISTA H

Emerson, à direita com o violão, participa de projetos voluntários há mais de dez anos, e sabe que as pessoas no hospital precisam de um pouco de alegria.

vos, principalmente nas áreas que envolve contato com o público: “Não é um pré-requisito, mas a pessoa pode ter adquirido uma experiência importante para a vaga”, explica Lígia. O trabalho voluntário, ainda, agrega um conhecimento a mais, além da responsabilidade e do espírito colaborativo de grupo. E ainda, grande parte do contingente das companhias privadas que operam no país já está realizando algum trabalho junto a comunidades carentes, dedicando tempo e esforço de colaboradores a projetos sociais. Uma pesquisa realizada pelo IPEA, mostra que das 782 mil empresas privadas do país, 462 mil (59%) já realizam alguma atividade social. Existem vários tipos de trabalhos voluntários, como aconselhamento, proteção de a-nimais, educação, cultura, entre outros. E todos os voluntários que prestam esses serviços destacam a realização pessoal como forma de compensação pelo esforço.

Voluntariado Online Com o crescimento da internet, o voluntariado começa a ganhar outros contornos. Através de portais e sites de atividades voluntária, qualquer um pode preencher um cadastro e passar a receber possibilidades de trabalho, que podem estar na sua cidade ou em locais distantes. As opções de serviços variam. Divulgação de projetos por e-mail e redes sociais, tradutor de línguas, gerenciamento, organização de dados e arquivos, releases jornalísticos, trabalho de web design, entre muitos outros. Mas para quem procura um trabalho voluntário presencial, a internet também pode ajudar, encontrando lugares a poucos metros da sua casa, que precisam de ajuda. Sites como o www.filantropia.org possuem um cadastro de milhares de entidades espalhadas pelo Brasil, e fazem uma busca na área em que você mora. 15


REVISTA H Luciana Arraes/Voz do Niceia ´

Nome: Nei Rocha Idade: 45 anos Profissão: Empresário Trabalho voluntário: História: “Há anos que eu sou responsável pela festa de brinquedos na comunidade carente do Jardim Nicéia, dentro de Bauru. Como eu tenho a minha loja de produtos com muitos brinquedos, chega no final do ano e eu doo boa parte para a felicidade das crianças. E faço isso sem esperar reconhecimento, apenas pelo prazer de ajudar e retribuir o sucesso profissional que alcancei.”

Crianças do Jardim Nicéia participam de festa apoiada por Nei, que contribui apenas para ver a alegria delas com brinquedos.

~ Toleto/Divulgaçao ~ Fundaçao

Nome: Edemilson Arias Pinotti Idade: 52 anos Profissão: Gerente Geral da Fundação Toledo (Prestação de vários tipos de serviços a pessoas carentes) Trabalho voluntário: Fundação Toledo História: “O trabalho voluntário sempre esteve presente na minha vida, pois meus pais já exerciam. Procuro assegurar que este trabalho tenha continuidade sempre envolvendo mais pessoas, pois sem dúvida é o trabalho que lhe melhor remunera. Remunera seu coração, seu espírito e sua alma rejuvenescendo cada vez mais nossa existência.” Edemilson acredita no trabalho voluntário para se sentir útil e valorizado, uma terapia para quem participa e para quem recebe.

Lei do Voluntariado O trabalho voluntário no Brasil é regulado pela Lei Federal nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998. Tendo em vista as variadas formas de trabalho voluntário, a lei pode regularizar a relação entre os voluntários e as entidades, prevenindo problemas e antecipando soluções. A lei parte de um princípio simples, caracterizando trabalho voluntário como atividade não remunerada. Além disso, para que haja voluntariado é preciso: ser uma pessoa física e prestar serviço a qualquer entidade ou instituição sem fins lucrativos. E, ainda, um termo escrito de adesão, com o objetivo do trabalho prestado.

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Para evitar problemas com lei, é necessário que o voluntário seja autônomo na sua participação nos trabalhos da entidade, sem ficar subordinado a um chefe. Ele precisa ter um prazo determinado de dias e horas e de tarefas específicas, dentro das atividades da institui-ção. O serviço prestado precisa ser impessoal, ou seja, que pode ser desenvolvido por qual-quer outra pessoa. Caso a pessoa receba ajuda de custo para realizar o trabalho voluntário, são necessá-rios recibos com a declaração do voluntário ciente de que o valor recebido não caracteriza salário. No entanto, esta prática é pouco recomendável.


MOTOR

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Utilitários esportivos conquistam as ruas brasileiras por Diego Melo

Foto: Divulgação

O que é que o SUV tem?

Tem conforto, potência e beleza, atributos que tem feito o modelo cair na graça dos consumidores brasileiros. Na fotomontagem, o Porsche Cayenne, SUV mais caro do país.

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em crescido no mercado brasileiro de automóveis a procura pelos SUVs (Sport Utility Vehicle, da sigla em inglês), carros que aliam a robustez dos utilitários 4x4 com o espaço interno das station wagons e a elegância dos sedans. Só no mês de agosto, foi registrado um crescimento de 12% nas vendas, ultrapassando a marca de 20 mil unidades por mês, de acordo com dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). E o que atrai tanto os consumidores a este tipo de veículo? “Conforto, potência e status”, afirma Renato Prado, vendedor em uma das lojas do maior shopping de automóveis do interior de São Paulo. “Quem procura um carro desse tipo tem ou já teve um sedan, mas quer mais potência na estrada e um espaço maior para a família, sem deixar de

lado a elegância e o conforto que os sedans possuem”. Por isso, os preços são um pouco salgados para quem ainda prefere a economia dos carros populares. Se você pensa em adquirir um SUV, prepare-se para desembolsar, no mínimo, 53 mil reais para o modelo nacional mais barato, o Chery Tiggo. Se dinheiro não é problema, existem opções de luxo que ultrapassam 500 mil reais, como o Porsche Cayenne Turbo, SUV mais caro do Brasil. O mercado de utilitários esportivos é amplo e atende a todos os gostos (e a quase todos os bolsos). Foram os detalhes que chamaram a atenção dos irmãos empresários Miguel Henrique Moreno, 39, e Aprígio Sergio Moreno, 37. Ambos adquiriram, em 2007, uma Toyota SW4, mas cada um com o seu propósito. “Eu gosto de andar na estrada de terra, pois tenho fazenda em Goiás

e sempre vou pra lá”. Já Miguel sempre foi fã de sedans, mas optou por um SUV pensando no conforto da família. “Como viajo bastante com a família, o espaço interno e o conforto conquistaram minhas duas filhas.” Porém, antes de correr à concessionária mais próxima, fique atento a alguns detalhes que podem fazer diferença no custo-benefício do veículo. Não esqueça de verficar com seu vendedor ou concessionária sobre a disponibilidade de reposição de peças, localicazação das oficinas mecânicas autorizadas, entre outras informações. Outro fator que merece atenção é o valor do seguro. Nos SUVs, desde os modelos de entrada como o Ford EcoSport até os mais luxuosos, como o Audi Q5, o seguro geralmente é alto e pode fazer diferença no investimento final do veículo.

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REVISTA H

por Mariana Mansano

AdvancedCartman/devianart.com

Entramos no mundo dos sex shops para revelar um pouco do mistério por trás dessas lojas. Os homens, por incrível que pareça, procuram os sex toys e as fantasias tanto quanto as mulheres. Donos de lojas eróticas contaram mais segredos para a Revista H.


SEXO

REVISTA H

PRAZER à VENDA Sex shops podem ser um passo para o paraíso

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ue homem gosta de sexo todo mundo sabe. A dois, a três, de preferência com outra mulher! Mas, diferente delas, quando o assunto são os objetos eróticos nem todo homem tem segurança para falar sobre, procurar o produto e até mesmo ir ao sex shop para levar um brinquedinho para a cama. Para alegria das mulheres, isso vem mudando. Prova disso são dois donos de sex shop da região de Bauru. “Os homens vêm sim, eles têm entre 20 e 50 anos e normalmente aparecem acompanhados de uma mulher – não sei se é amante, se é esposa, não sei o que é – mas normalmente eles vêm acompanhados”, diz Antônio, dono de loja erótica há quase 15 anos e autointitulado conselheiro de casais. Já Felipe*, proprietário de uma loja on-line, afirma que as mulheres ainda são maioria, mas os homens procuram sim realizar suas fantasias com os objetos eróticos. “Normalmente eles levam o que gostariam que as esposas usassem, seja produto cosmético, calcinha ou camisinhas especiais”, afirma o proprietário. O que ficou evidente nas minhas visitas aos sex shop é que normalmente os homens levam as mulheres junto quando vão comprar vibradores, e Antônio explica o porquê: “Aqui não faço trocas, né? O produto é íntimo, não posso fazer nada, por isso os homens já vêm acompanhados, assim as mulheres escolhem do tamanho que elas gostam e levam sem erro”. Produtos cosméticos e brinca-

deiras também fazem sucesso entre os machões que resolvem visitar o sex shop. Desodorantes corporais com sabor, gotas de prazer, óleos para massagem, perfumes que atraem as mulheres, dados e cartas com posições sexuais e o mais curioso: as bombas penianas. Segundo Antônio, funciona sim! “Sabe o problema? Na internet não ensinam como se usa. Eu vendo aqui e nunca tive reclamação, quando o homem leva da minha loja, ele tem resultado”. Com promessas quase milagrosas de aumento de comprimento, espessura, volume, curvatura e melhora no desempenho sexual, as bombas são sucesso entre os homens mais inseguros. As formas de desejar e se sentir desejado são diversas, e por isso sempre que possível os enamorados buscam fantasias sexuais para apimentar o namoro. “As fantasias de enfermeira e sadomasoquista são as que mais vendem”, afirma Felipe. Os apetrechos podem e devem servir como forma de conhecer mais a si e o parceiro. Os cinco sentidos também podem ser explorados por produtos eróticos. Com o uso de elementos afrodisíacos, que vão desde perfumes a gel, o casal pode despertar e intensificar as mais gostosas sensações na hora H. O ato sexual melhora a autoestima do homem (e da mulher também!) e reforça laços de intimidade. Uma boa noite de sexo pode mudar o seu dia, a sua produção no trabalho, em geral, sua relação com as pessoas ao redor. É por isso que o mercado erótico vem crescendo cada vez mais. “As

pessoas não têm mais tanto pudor como antigamente - o que é bom. Durante esses 14 anos de experiência, posso dizer: sexo é 80% de uma relação”, afirma Antônio. Mas não se esqueça, os melhores afrodisíacos que você pode usar para satisfazer sua parceira são as massagens, os toques, o carinho. Um ambiente aconchegante, uma meia luz, a sedução. Tudo isso favorece o momento e pode proporcionar uma noite muito mais prazerosa. * O nome do empresário foi trocado por pedido do entrevistado. PARA TODOS OS PÚBLICOS O primeiro Sex Shop do mundo surgiu na Alemanha, em 1962. O local era conhecido como “o instituto para a higiene marital” e comercializava livros, revistas, contraceptivos, produtos estimuladores, lingeries e preparações farmacêuticas. Mas há relatos de que já exisitiam vibradores desde 1860 e anúncio, em jornais do começo do século XX, porém apenas com a revolução sexual dos anos 1960 é que eles se tornaram mais populares. No início da década de 90, com o advento da internet comercial, surgia uma nova categoria de Sex Shop: o virtual, que, até hoje, é muito procurado, devido à privacidade que proporciona e as facilidades de compra. Curiosamente, no início, as Sex Shops eram voltadas para o público masculino, e gradativamente, foram conquistando as mulheres. 19


MÚSICA

REVISTA H

top 10: os maiores álbuns de rock de todos os tempos por Juliana Prado

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ão pense que foi tarefa fácil, mas a Revista H selecionou os 10 melhores discos de rock da história! Uma enquete pelo Facebook nos fez chegar a dez títulos que merecem destaque. Confira a lista:

1 - Dark Side of the Moon Pink Floyd (1973)

Em primeiríssimo lugar está nada mais, nada menos que Pink Floyd! Dark Side of The Moon, a obra prima da banda, foi um marco do rock progressivo. Entre os temas que aparecem nas letras das canções estão o tempo, o dinheiro, guerra, loucura e morte. Quando a crítica classificou o som do Pink Floyd como rock espacial, os caras levaram a sério e fizeram o álbum “Lado Escuro da Lua”, que vendeu 36 milhões de cópias e é o terceiro álbum mais vendidos de todos os tempos no mundo inteiro! Por essas e outras, ele leva o primeiro lugar!

2 – Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band The Beatles (1967)

Considerado o ápice da carreira dos Beatles, o álbum partiu de uma ideia de Paul McCartney em gravar um disco conceitual em que os próprios Beatles emprestariam seu talento e sua imagem a uma banda fictícia – a banda do Sargento Pimenta. Hoje parece loucura, mas na época foi um grande estouro e vendeu 32 milhões de cópias! A segunda colocação vai para os cabeludinhos de Liverpool!

3 – Back in Black - AC/DC (1980)

Esse álbum é o sétimo de estúdio da banda australiana e o primeiro após a morte do vocalista Bon Scott, substituído por Brian Johnson. Foi lançado em 1980 e, de lá para cá, já vendeu 49 milhões de cópias, garantindo o primeiro lugar na lista dos álbuns de rock mais vendidos de todos os tempos! Entre os grandes hits estão “Hells Bells”, “You Shook Me All Night Long “e “Back in Black”, que dá nome à obra.O álbum foi o maior sucesso de vendas e merece a terceira posição! Imagens: Divulgação

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REVISTA H

4 – Led Zeppelin IV - Led Zeppelin (1971)

Na quarta posição está o álbum IV, da banda britânica Led Zeppelin. O disco voou tão alto que estima-se que tenha vendido cerca de 23 milhões de exemplares só nos Estados Unidos! No mundo todo, esse número chega a espantosos 37 milhões de cópias. Entre as músicas marcantes está “Starway to Heaven”, uma verdadeira obra-prima. Recebe o quarto lugar!

5 – Elvis is Back! – Elvis Presley

O rei do rock não podia deixar de aparecer nesta lista. O álbum “Elvis is back!”, de 1960, foi feito logo após o artista voltar do exército americano. Elvis voltou mais “cantor”, deixando um pouco de lado a influência dançante e usando e abusando de sua voz. O álbum conta com influências do blues e entre os hits estão “Fever”, “Thrill Of Your Love” e “Such a Night”. Quinta posição!

6 – Ramones -

Ramones (1976)

O rock progressivo dominava o mundo com shows virtuosos e longos solos de guitarra, e algo tinha de acontecer para revolucionar a cena. Foi então que surgiram os Ramones, os caras que trouxeram de volta toda a energia do rock’n’roll! O álbum é o primeiro da banda e pode ser considerado o precursor do punk rock! Para ele, o sexto lugar!

7 – Appetite for Destruction – Guns n’ Roses (1987)

Esse energizante álbum marcou a estreia dos aclamados Guns n’ Roses! O disco traz o melhor do verdadeiro hard rock. Foi bem recebido pela crítica e principalmente pelos fãs! Não há quem discorde: os hits lançados neste álbum, como “Welcome to the Jungle” e “Sweet Child O’ Mine” já são parte integrante da história do rock. Para ele reservamos o sétimo lugar!

8 – Are You Experienced - Jimmi Hendrix (1967)

O album de estreia do mestre das guitarras trouxe à tona a psicodelia dos anos 60 e lançou o músico para a fama! O disco teve diferentes versões e foi sucesso em todas elas. Além disso, é considerado por muitos um dos maiores discos de estreia da história do rock. A versão do Reino Unido tem faixas bônus que se tornaram grandes clássicos, como a música “Purple Haze”. Recebe a oitava colocação.

9 – Beggars Banquet - The Rolling Stones (1968)

O sétimo álbum em estúdio da banda marcou o retorno às raízes e à influência do blues e foi um grande sucesso comercial, recebendo disco de platina. Entre os grandes hits está “Sympathy for the Devil” – música que deu nome a um filme que abordava a contracultura dos anos 60 e trazia imagens dos Stones. Para o álbum, a nona colocação.

10 – Nevermind – Nirvana (1991)

Para fechar a lista com chave de ouro, o disco Nevermind não podia faltar. O álbum que revolucionou o grunge e influenciou toda uma geração de roqueiros veio para ficar nas paradas de sucesso e vendeu cerca de 26 milhões de cópias. Famoso pela diversidade sonora e principalmente por sua capa, o sucesso consagrou o Nirvana fica em décima posição!

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REVISTA FEMININA H INVASÃO

CRÔNICA

Ei, homens! prestem atenção!! Começo essa crônica com uma frase de poeta: “Para o homem, o amor é prêmio de bom sexo. Para a mulher, o sexo é brinde de amor verdadeiro. Os dois estão sempre certos”. Fabrício Carpinejar Genial, não? Os deleites do sexo são compartilhados por homem e mulher, mas é inegável como a visão do macho alfa é extremamente oposta à da moça delicada e carinhosa. O momento é o mesmo, mas a degustação é diferente. O homem se atrai pelas curvas, pela carne, pelo corpo. Ele se enrosca por desejo e aprende a amar a feminilidade. A mulher não, a mulher primeiro se apaixona. Ela procura o príncipe encantado, o cara educado, que vai respeitá-la. Só assim ela faz sexo com prazer. E por mais safada que seja, ela irá evitar o sexo de primeira. As mulheres se preocupam com o que o parceiro vai achar se ela não aguentar de tesão e se render ao sexo na primeira noite – e convenhamos, ainda tem muito homem que pensa dessa forma. A

mulher sempre deixará você homem, com aquela pitada de vontade no primeiro encontro. A primeira noite é sagrada. Mesmo que na manhã seguinte as tentações sejam impossíveis de ser ignoradas, durante a noite ela continuará intacta. Mas paradoxalmente quando a mulher gosta de sexo, não há homem que reclame! Mulher que faz sexo com vontade, que mostra (antes, durante e depois) que gosta do que está fazendo, é aquela que vai mesmo segurar um cara. Concordam homens? O homem deseja ainda mais quando é surpreendido, e a resposta é momentânea. Ele também faz o que ela gosta, entra no jogo do sexo e capricha. E nem falemos sobre aquela mulher que foge do convencional, procura fazer coisas diferentes, aquela livre de preconceitos e que não se importa com a celulite ou a gordurinha a mais. Até porque, homem que é homem – e já escutei muito homem falar isso – não se preocupa com esses detalhes. Convoco os homens, maioria dos leitores dessa revista, a admitirem que sexo é bom, seja na primeira noite, seja na segunda ou na terceira. Não julguem a mulher pelo tempo que ela deixou de lhe dar prazer! A mulher de caráter é aquela sincera, que age por si só, que não se prende. E você mulher que talvez esteja lendo essa revista, não tenha medo de gostar de sexo. Mostre que você gosta, faça com prazer. E viva o sexo sem frescura. Mariana Mansano é estudante de jornalismo, um pouco de rock e um pouco de samba.

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REVISTA H

As Mulheres de Man Ray Pintor, fotógrafo e um dos nomes mais conhecidos no mundo do surrealismo

Modelo: Mariana Torres Produção: Ana Navarrete e Juliana Santos Fotos: Juliana Prado 23


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Emmanuel Radnitzky mais conhecido como Man Ray, nasceu na Filadélfia dia 27 de agosto de 1890 e se tornou fotógrafo, pintor e anarquista norte-americano. Começou fazendo fotografias para revistas de moda e retratos de encomenda, para sobreviver. Os retratos de mulheres nuas foram o maior expoente de toda a sua vasta obra. A Revista H, através de um ensaio pra lá de especial, propõe uma releitura de toda essa sensualidade tratada na fotografia de um dos maiores gênios dos anos 20.


REVISTA H

“A busca de liberdade e prazer ocupa toda a minha arte”


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“Eu fotografa o que eu não desejo pintar, são coisas que já tem uma existência” 26


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“O poder criativo e expressivo da pintura encontra-se materialmente na cor e textura dos pigmentos, as possibilidades de invenção e organização, e a placa de massa em que esses elementos entram em jogo”

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“Eu não fotografo a Natureza, eu fotografo a minha fantasia”

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“O original é uma criação motivada pelo desejo. Qualquer reprodução de algo original é baseada na necessidade de motivação. É maravilhoso ser a única espécie que cria formas gratuitas. Criar é divino, reproduzir é humano”

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“Alguns dos mais completos e satisfatórios trabalhos artísticos foram feitos quando os seus autores não tinham a intenção de criar uma obra de arte, mas estavam preocupados em exprimir uma ideia. A natureza não cria obras de Arte. Somos nós e a peculiar faculdade de interpretação da nossa mente humana que vemos ‘Arte’”.

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viagem

Expedição Ushuaia: Uma viagem pela América do Sul sobre duas rodas por Fernando Trindade e Juliana Prado

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á imaginou viajar por toda a América do Sul? Conhecer lugares incríveis, outros povos, outras culturas? E tudo isso em cima de uma motocicleta? Foi o que fez Carlos Fernando Trindade, dentista, 47 anos, morador de Matão, interior de São Paulo. A aventura de percorrer grandes distâncias sobre duas rodas é uma emoção que só pode descrita por quem viveu. Para essa reportagem especial, Fernando nos contou tudo sobre a viagem mais emocionante de sua vida.

Imagens: Arquivo pessoal

Rumo à Terra do Fogo A grande adrenalina estava mesmo no roteiro escolhido: Ushuaia, o tal “fim do mundo”. A cidade localiza-se no sul

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da Argentina e é conhecida como “La ciudad más austral del mundo”, ou A cidade mais austral do mundo. De fato, só há uma pequena localidade chilena mais ao Sul. A Suzuki DL 1000 V-Strom foi sua fiel escudeira nos 17 mil quilômetros que estavam por vir. Na companhia do amigo Morano, também com uma Suzuki, Fernando partia para a aventura, apelidada por eles de “Expedição Ushuaia”. Os caras percorreram Brasil, Chile e Argentina, em 27 dias que com certeza ficaram marcados na memória. O planejamento durou um ano, entre pesquisas, preparação física e, principalmente, muita coragem pra enfrentar todos os quilômetros que estavam por vir!

Em outubro de 2007 finalmente chegou o dia: Fernando e Morano pegaram a estrada. Partiram de Matão e foram, em um dia, até Foz do Iguaçu, fronteira entre Brasil e Argentina. No dia seguinte, já pisavam no território dos hermanos, onde passariam por Corrientes, famosa pelo carnaval, e pelas belas Paraná e Santa Fé, cidades ligadas por um túnel e divididas pelo rio Paraná. De lá, partiram para Buenos Aires. Segundo Fernando, além de um povo muito simpático, a Argentina conta com boas estradas muito bem sinalizadas. Após um dia em Buenos Aires, os aventureiros passaram por Bahia Blanca até a Península Valdez, já na Patagônia. Mas o desafio ainda estava começando...

“O Ele


REVISTA H

rumo ao fim do mundo A porta de entrada da Península Valdez é Puerto Madryn, um ‘santuário ecológico no atlântico sul’. Na Península Valdez, Fernando fez um passeio a barco que mostra boa parte da região, famosa pela fauna, onde é possível ver lindas baleias e leões marinhos. A proximidade das embarcações com as baleias francas-austrais (espécie comum na região) chega a assustar, pois elas podem medir até 18 metros e pesar cerca de 80 toneladas. Quando perguntamos sobre a maior dificuldade da viagem,

Fernando não hesitou: Ruta 3, que liga Puerto Madryn a Rio Gallegos. Os fortes ventos de até 80km/h e o frio eram os principais adversários, além de passarem por uma série de acidentes com caminhões, comuns nessa região. Como os ventos eram muito intensos, o pneu traseiro tendia a derrapar, e por isso a velocidade não passava de 40km/h. Vivendo e aprendendo: para enfrentar os fortes ventos, uma saída que encontraram foi andar ao lado dos caminhões, que quebravam a corrente. Para ali-

viar o frio, Fernando contou a tática. “O frio era terrível. Pra aquecer as mãos, nós aproveitávamos o calor dos escapamentos. Descíamos das motos, tirávamos as luvas e colocávamos os dedos dentro do escapamento da moto pra não congelar”. Rio Gallegos foi a última grande cidade que percorreram antes de chegarem ao Chile. Após conhecerem o famoso Estreito de Magalhães, maior passagem natural entre o Oceano Pacífico e o Atlântico, eles retornaram à Argentina. O destino agora era a Terra do Fogo.

“As paisagens vistas da estrada eram lindas, e com certeza deixaram ótimas recordações.”

Fernando

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Destino final

Imagem: Acervo pessoal

Ushuaia é a capital da província da Terra do Fogo e conhecida como ‘A Cidade do Fim do Mundo’. Foi para lá que partiram, e a fria cidade estava cada vez mais próxima. Ushuaia fica às margens do canal de Beagle, e por lá nosso aventureiro permaneceu por três dias. Passou por dias de sol, mas também de muita neve. Entre as boas lembranças, Fernando nos conta a mais saborosa: “Lá, a culinária é fantástica! Cordeiros macios e vinhos muitos bons”. Apesar de ser conhecida como a cidade mais austral do mundo, não era o bastante: segundo um morador do local, havia uma cidade ainda mais perto da Antártida. Lapataia, no Canal de Beagle, ficava um pouco mais ao Sul. “Para chegar lá, precisamos atravessar

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uma enorme balsa que tinha as laterais fechadas. Eram placas de ferro enormes e precisamos atravessar em cima de nossas motos e com capacete. Lá, as ondas eram muito fortes, e na travessia ficamos encharcados. Caminhões enormes ao redor... era pura adrenalina!”. Depois de três dias em Ushuaia, chegou a hora de voltar. O trajeto não era o mesmo, e ainda tinha muito chão até retornarem às terras tupiniquins. A programação os levava ao Glacial Perito Moreno, uma pedra imensa de gelo com a altura de um edifício de cinco andares e 40 quilômetros de extensão. “O Glacial foi uma das coisas mais bonitas que já vi. Ele é todo azul, e o som das geleiras caindo é incrível”, relembrou Fernando, que parecia sonhar com as lembranças.

O caminho de volta era de rípios, pequenos pedregulhos que dificultavam a ação das motos. Os dois ainda passaram por Carretera, Bariloche e Neuquem, na região sul da Patagônia. De Neuquem, retornaram a Buenos Aires e prosseguiram de barco até Montevidéu. O roteiro previa, então, passarem por Chuí e percorrer o caminho de volta pelo Rio Grande do Sul. Depois de tantos desafios, o que fica é a sensação de dever cumprido e as boas recordações.“Já tive oportunidade de ir de moto ao Deserto do Atacama, ao Machu Picchu, no Peru, no Aconcágua... falo com propriedade: nada se compara com a aventura de chegar à Terra do Fogo. A viagem não pode faltar no roteiro dos amantes de moto”, finaliza Fernando.


REVISTA H

DICAS DE QUEM VIVEU •A escolha da moto é uma decisão importante. Não basta que você seja duro na queda: ela também tem que ser! Segundo Fernando, a motocicleta tem que ser grande o suficiente para não sair voando pela Ruta 3! Na escolha, ele priorizou conforto, estabilidade, posição de pilotagem e a possibilidade de utilização de malas e optou pela V Strom;

•Programe a manutenção da moto: troca de óleo e pneus (escolha sempre os grandes centros);

•Embora não seja necessário, é bom levar

•Se a moto não estiver em seu nome, é importante portar uma autorização para utilizá-la;

um passaporte - o documento de identidade pode ser questionado, deve estar em ótimo estado, com foto recente. O passaporte em dia pode facilitar as coisas; •Faça o seguro “Carta Verde” - ele é obrigatório para automóveis em viagem pelo Mercosul; •É sempre bom ter reserva de combustível nos trechos mais longos - não queira ficar sozinho no meio do deserto;

•Tanto Argentinos como Chilenos são muito simpáticos, mas prepare-se para encontrar muitos policiais corruptos no norte da Argentina;

•No Chile, é bom pisar no freio. Quem é pego acima do limite de velocidade tem que fazer um curso para recuperar a carteira de habilitação, que fica apreendida por dias; •Esteja preparado para muito perrengue, frio, cansaço, saudade de casa, e, é claro, para os dias mais emocionantes da sua vida!

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MOda

Mito para se vestir :

por Paula Alves

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roupa ideal que cada situação do nosso diaa-dia pede – seja no ambiente de trabalho, dentro de casa ou em uma festa social – nunca é tema fácil para os homens. Algumas

dificuldades que surgem na hora de usar determinadas peças criaram mitos de moda masculina que são difíceis de serem derrubados. Com a ajuda de Luigi Torres, editor da revista U_mag e dono do

Fernando Germanotta

O mito do terno preto A festa pode ser social, mas isso não significa que você tenha que apelar sempre para o preto! A cartela de cores pode ser muito maior, mas tons sóbrios e cores neutras sempre casam melhor com a ocasião. Se você decidir apostar em cores mais fortes como vermelho, roxo, verde ou azul é preferível que a roupa seja mais fosca. Tons pastel também são ótimos nessas situações; além de mais formal, a cor tira a obviedade da roupa. “A cor não importa muito, mas nada que seja muito luminoso é bem-vindo, além de “agredir” o olhar. A maior ou menor sobriedade depende sempre da situação, por isso é importante prestar atenção aonde você vai e que tipo de festa é aquela. A ocasião sempre dita até que ponto você pode sair da sua área de conforto.” Já no modelo da roupa, Luigi é

Não, ninguém precisa se esconder dentro de casa para poder usar uma bermuda ou um short. Como qualquer outra roupa, tudo depende do local em que você vai usá-lo, mas em situações em que trajes formais não são obrigatórios é possível sim deixar a perna de fora. O que mais conta nessas situações é o tecido. “O jeans, por exemplo, passa descontração para a roupa, então é de bom tom que a parte de cima seja mais clássica e “quebre” a informalidade da roupa.” Shorts florais ou estampados em geral pedem situações mais leves, como férias na praia ou finais de semana no campo. “É preciso muito cuidado na hora de combinar shorts e bermudas com jaquetas, já que o tamanho e o corte da parte de cima podem achatar a silhueta.”

Fernando Germanotta

O mito do short/bermuda

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About Fashion - um dos maiores blogs de moda masculina no Brasil – a H quebra esses mitos e mostra que os homens não só podem como devem sair do óbvio na hora de se vestir!


REVISTA H

todo homem tem o seu Fernando Germanotta

O mito do tênis de academia O tênis de academia não tem esse nome a toa. “Tênis esportivos e/ou com molas só são permitidos mesmo dentro das academias!”. Isso não quer dizer que os outros tênis não devam dar as caras por aí. Se a festa ou o ambiente de trabalho permitir, tênis mais formais e de cores mais sóbrias podem casar muito bem com camisetas e coletes mais clássicos. Para quem trabalha em lugares mais descontraídos, tênis mais descolados e coloridos podem sim ser usados, mas nada que chame demais a atenção, afinal quem deve se sobressair sempre é seu trabalho e não a sua roupa.

Segundo Luigi, “Roupas coloridas e estampadas são os maiores mitos da moda masculina. Os grandes vilões que fazem os homens terem medo de ousar nas suas composições.” A regra número um da moda vale aqui também: tudo sempre depende da ocasião, mas roupas coloridas e estampadas devem sim ser usadas, além de serem ótimas para mostrar a bagagem informativa de moda que o homem carrega consigo. Listras e xadrez são as mais usadas quando o homem decide sair do casual, mas Luigi dá uma dica ótima para quem quer ir além dessa dupla. “Liberty, que são aquelas flores bem pequenininhas, são estampas ótimas e pouco comuns na ala masculina. Elas são discretas no visual, e em cores mais suaves são ótimas para ousar sem chamar muita atenção.” Apesar de tantos mitos que aparecem no armário masculino, - e sim, o armário feminino também está cheio deles - o grande vencedor não é nem a roupa, nem o sapato e muito menos o acessório. Pode até parecer estranho, mas a ideia de que o único fator importante para o sucesso de uma roupa é ela já no corpo, combinada e

ajustada, pronta para sair de casa, é o mito número um da moda masculina. O que faz de uma roupa componente essencial para que você se sinta bem consigo mesmo, e mostre isso para os outros, envolve muito mais cuidado e atenção no período de escolha do tecido, da maneira certa de lavar a peça e da forma correta de guardá-la.

Fernando Germanotta

O mito das roupas coloridas ou estampadas

Entender a diferença entre roupas de fibras sintéticas e roupas de fibras naturais, por exemplo, o ajuda a fazer escolhas mais convenientes com o clima da sua cidade, com a durabilidade da peça e até com o cuidado que ela irá exigir de você. Afinal, certeza de conforto, qualidade e bom uso de uma roupa é tendência que nunca sai de moda. 37


REVISTA H COMPORTAMENTO

Arquivo pessoal

O corpo

Body Modification: uma manifestação cultural, artística e de expressão ~ por Joao Paulo Monteiro

Vista como arte para alguns e algo totalmente estranho para outras, a modificação corporal surgiu há milhares de anos, mas não se tem com exatidão de onde e quando. O fato é que a prática está em crescimento e, controvérsias à parte, é uma nova manifestação cultural e artística que vem ganhado mais adeptos dia após dia.

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REVISTA H

como tela

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hifres na testa, pessoas suspensas por fios de aço presos na própria pele, línguas cortadas ao meio, corpos tatuados, entre outros. Visto como uma forma de automutilação e até mesmo algo banal por muitos, a Body Modification consegue atrair cada vez mais adeptos e vem se popularizando dia após dia. “O corpo se tornou um quadro”, afirma o tatuador Edson Werneck, que acredita que modificar o corpo se tornou uma arte. Modificação corporal consiste, basicamente em “qualquer mudança cirúrgica no corpo da pessoa que não tenha uma razão médica. Hoje piercings e tatuagens são comuns, mas existem outras formas também”, explica Edson Werneck. Esta manifestação cultural e artística, porém, não é algo novo. Não se sabe ao certo quando e onde surgiu, mas desde os tempos pré-históricos há registros de Body Modification, seja em rituais de passagem ou por razões religiosas, estéticas ou ideológicas. Alongamento de crânio nos povos Incas e Maias, inserção de agulhas e piercings na Índia, tatuagens na Oceania, escarificações na África, entre outros. Estes costumes tribais foram descobertos pelos navegantes europeus no século XVI, mas, no início - e ainda por mui-

ta gente nos dias de hoje - não era visto como algo normal e seus adeptos eram marginalizados. “Hoje em dia é comum vermos pessoas com tatuagens e piercings em partes visíveis do corpo, a arte corporal está bem difundida e é muito bem aceita, mas é claro que existem áreas onde essa forma de expressão ainda é coibida. No mercado de trabalho, por exemplo, não há uma aceitação positiva quanto a tatuagens visíveis”, garante Ronaldo Sampaio, que atua na prática do Body Piercing há 14 anos. Foi a partir dos anos 1960 que tatuagens e outras modificações corporais começaram a ser aceitas pela sociedade, explica Ronaldo: “em 1960, com o movimento hippie e também com as pessoas se abrindo e dando mais valor para a cultura oriental, e na década de 70 com o movimento punk no Reino Unido”. A professora de Sociologia do Queens College e diretora do Centro de Estudo da Mulher e da Sociedade da Universidade de Nova Iorque, Victoria Pitts-Taylor, coloca a década de 1990 como fundamental para a consolidação desta forma de arte e expressão, pois foi nessa época que coincidiram a explosão de estilos e performances, a ascensão de estúdios especializados e o surgimento de revistas, websites, exposições e livros cele-

brando e debatendo essas práticas. Pedro Marques, 29 anos, é enfermeiro e tem cinco tatuagens discretas em seu corpo, como as palavras “Família” e “Deus”, além de piercings: “Fiz cada tatuagem pensando no significado que teriam para mim. Acho que é uma forma importante de manifestação de pensamentos, filosofia, sentimento, da própria intimidade e do que se quer deixar transparecer. Não acho que minhas tatuagens sejam responsáveis por denegrir minha imagem, meu corpo ou mudar minha índole ou meu caráter. Não me arrependo de tê-las”. David Espirito Santos, 26 anos, é músico, baterista de uma banda de rock, e também não se arrepende de todas suas tatuagens: “Não importa a opinião dos outros, apesar de algumas pessoas, principalmente as mais velhas ainda terem preconceito e chegam até a ter medo quando vê alguém todo tatuado. Cada tatuagem tem sua própria história e seu significado, a primeira que fiz significa proteção para mim”. Modificação corporal já é uma arte consolidada em nossa sociedade e, ainda assim, divide opiniões. O importante é respeitar e aceitar as diferenças, pois cada indivíduo é livre para se expressar e fizer o que quiser com o próprio corpo. 39


REVISTA H

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Outras modificações 2

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Priscilla Davanzo, artista plástica e pesquisadora na área de corpo, performance e artes visuais, acredita que, em muitos casos, a Body Modification não passa de simples exibicionismo: "Os bod-mods não são diferentes de mulheres exageradamente vaidosas, que procuram cirurgiões famosos. Tem quem pague uma fortuna para ser atendido pelos modificadores top de linha quando eles vêm ao Brasil. Nos dois casos, é um sinal de status". Com isso, outras formas surgiram e, entre elas se destacam:

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créditos das fotos: 1- bme.com | çã2- arquivo pessoal

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Pocket: um tipo de piercing ao contrário, onde as pontas ficam dentro da pele e a haste para fora.

Implante transdermal: inserção de aço cirúrgico entre a gordura da pele e o músculo, onde metade do objeto fica para fora, exposto.

Implantes subcutâneos: formação de alto-relevo através de implantes de objetos (silicone, aço, etc.) sob a pele.

Escarificação: desenhos formados com a cicatrização de cortes de bisturi.

Tong Split: dividir a língua em duas partes, bifurcação da língua.

existem várias campanhas pela internet que buscam mostrar que a aparência física não interfere no caráter da pessoa. As jornalistas Lulu Bass e Renatta Sambora escrevem no blog modifique-se.blogspot.com e consideram que o maior desafio dos adeptos da modificação corporal seja “provar” que a modificação não muda caráter nem a fé da pessoa, independente da crença.

Reproduçãoçã

Modifcação corporal sempre foi e continua sendo na atualidade um assunto muito debatido. Por muito tempo foi sinônimo de rebeldia e de adolescentes que queriam ser diferentes. Atualmente, a sociedade está muito mais liberal e já é considerado normal expressar pensamentos, sentimentos e idéias através do corpo. Contra este preconceito aos adeptos da body modification,

Branding: queima e posterior cicatrização da pele devido a aplicação de uma chapa de aço esquentada por um maçarico.


REVISTA H

Tablet para você e para mim Eles não são tão novos quanto você imagina por Renan Kalil

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ssim como o cinema 3D, os tablets não são novidades no mercado tecnológico mundial. Suas histórias se confundem justamente por seus fracassos e pelas suas recentes conquistas de consumidores e admiradores. A nova geração de tablets tem como herança a proposta de inovação do recurso touchscreen, lançado pelo slate computer GridPAD, fabricado pela GRiD Systems Corporation em 1989. Até então, a revolução que muitos acreditam começar agora com o iPad, se iniciou de fato. A proposta pelo novo recurso tecnológico que possibilitava a utilização de canetas para o toque de telas sensíveis veio pelas reclamações de usuários por terem que utilizar o teclado, já que o mouse na década de 1980 não era um equipamento padrão em computadores pessoas. Com a nova geração de tablets, iniciada com o lançamento do iPad pela Apple em janeiro de 2010, inúmeras marcas e modelos com diferentes configurações e recursos começaram a ser lançados no mercado tecnológico. Sistemas operacionais, configurações de hardware, design, tamanho e funcionalidades são alguns pontos que podem fazer diferença na decisão de compra. Na competição, o iPad 2 e o Samsung Galaxy 10.1 são os tablets mais requisitados e procurados no mundo inteiro, ambos já comercializados no Brasil. Para Marcelo Pacheco, gerente da loja da Apple Store, em Campinas-SP, o iPad 2 possui como vantagem a sensibilidade da

tela, alta definição de imagem, autonomia da bateria (chegando facilmente a 10 horas de uso) e o seu design. “Nossos produtos possuem como diferencial a qualidade e o padrão Apple, facilmente comprovados pela marca de três milhões de unidades vendidas em apenas três meses. Muitos nos procuram pelo design mesmo, pela forma de nossos produtos”, afirma Pacheco. Do outro lado da história, nós encontramos o Samsung Galaxy 10.1 (polegadas de tela), lançado em agosto de 2011, com alta definição de vídeos e um sistema operacional diferente. Enquanto o iPad utiliza o sistema Apple iOS 4.3.5, o tablet Galaxy apresenta como vantagem o sistema Honeycomb 3.1 (versão 3.0 do Android que renovou a interação do usuário com o S.O). Sua arquitetura operacional não apresenta tantos empecilhos para seus usuários em relação à customização, conectividade, instalação de aplicativos e de gadgets (utilitários como GPS, players de áudio, comunicação audiovisual, monitoramento de saúde, gerenciadores de tarefas). Técnico eletrônico e graduando em Sistemas de Informação, Renan Leite, afirma já ter testado por três horas seguidas os dois tablets mais famosos do mundo. “As diferenças são mínimas, tanto de hardware, como peso, tamanho, largura de tela e definição de imagem. A grande questão gira em torno dos sistemas operacionais”, referindo-se ao fato do iPad depender de sua biblioteca virtual paga para a aquisição de músicas, jogos e aplicativos.

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O Retorno de Conheça a nova geração de homens que prezam pela vaidade e gostam (muito) de se cuidar por Ana Navarrete

Anna Giladi/devianart.com

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ESTÉTICA

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esde o período grecoromano a busca pela boa aparência sempre foi algo que os homens investiam tempo e dinheiro. Prova disso, eram os padrões de beleza que estimulavam os exercícios para um corpo bem definido para os homens, e que valorizavam as curvas e os longos cabelos das mulheres. O tempo passou e os padrões mudaram. Houve certo momento que o padrão masculino era algo mais rústico e ligeiramente malcuidado. Hoje em dia, esse papo de não se cuidar está por fora, e os salões de beleza procuram se adaptar para seduzir esse novo consumidor que, diga-se de passagem, está cada vez mais exigente. Os homens de hoje, se depilam, fazem a unha, pintam o cabelo, passam cremes, preocupam-se muito mais com o que vestem, e fazem mil coisas que antes eram reservadas apenas ao universo feminino. Estes homens, antenados em tudo o que diz respeito à aparência e beleza, são denominados “metrossexuais”, termo que teve origem no final da década de 90 da junção de “metropolitano” e “sexual”, contextualizando o homem moderno que se preocupa com a aparência. Para Edmilson Costa (35), empresário, se cuidar faz com que você fique melhor no físico e no psicológico. “É sempre bom passar um perfume, se cuidar melhor, cortar os cabelos. Sou até a favor de fazer a unha, mas sem passar esmalte. A gente se sente mais limpo e as mulheres também gostam” afirma o empresário. A dona do salão de beleza

Lubelle em Votuporanga, Roseli Inácio (33) afirma que o salão possui agora uma área exclusiva para os clientes. “Há uns três anos, alguns amigos e conhecidos apareciam apenas para cortar o cabelo, agora, brigam com as mulheres para conseguirem horários para fazer as unhas e tirar a sobrancelha. O salão aumentou a procura em mais de 30% e isso fez com que aumentássemos o espaço e o número de profissionais para conseguir atender a todos” afirma a cabeleireira que inaugurou um “Espaço Homem” com massagem e depilação masculina. Outro setor estimulado com o novo perfil de consumidores é a indústria dos cosméticos. Há cinco anos, eles eram obrigados a usar os produtos delas. Hoje, a maioria das grandes empresas de cosméticos já lançou uma linha masculina. E os homens estão muito atentos às novidades. As mulheres são mais fiéis às marcas; os homens gostam de experimentar. E os apelos do marketing estimulam muito, apresentando homens elegantes, cheirosos e irresistíveis nos anúncios. Mas, afinal, o que pensam as mulheres? Eis a dúvida que não quer calar: as mulheres gostam dos homens que se cuidam ou preferem os mais rústicos? A Revista H convidou algumas mulheres, bem diferentes para dizerem o que pensam sobre esse ‘novo homem’. Camila Aude, administradora de empresas de 26 anos, não vê problemas e acha que o homem

tem o direito de se cuidar melhor, desde que não haja exageros. “Não gosto que pinte o cabelo e acho estranho até os que vão fazer massagem”, diz. Contudo, ela revela que aprova outro tipo de vaidade: homem sempre arrumado e cheiroso. Depilação e luzes no cabelo também já passam um pouco dos limites para Beatriz Andrade. “É sempre bom um homem vaidoso, que goste de se vestir bem, arrumar o cabelo, cuidar do corpo”. A auxiliar de auditoria de 20 anos aprova outros tipos de cuidado. “O cara pode passar filtro solar para não envelhecer a pele ou usar antirrugas, sem problemas, assim como fazer uma lipoaspiração ou plástica, se quiser. O resto,é coisa de mulher” declara. A professora Carmem Tavares, de 43 anos, diz que gosta “mais ou menos” de homens vaidosos. “Não curto quando o cara se preocupa com a aparência mais do que eu. Isso me dá a impressão de que eu sou obrigada a cuidar mais de mim”, diz. “Acho horrível quando vejo um cara com luzes, por exemplo. E não gosto muito de depilação. A não ser o Tony Ramos. Ele precisa... caso contrário, não vejo necessidade”, afirma. “Acho ótimo. Ele não vai ser mais ou menos homem por causa disso” conclui. Juliana Mathias dispensa os homens metrossexuais. “A única coisa que eu gosto é de um bom perfume importado, para um jantar chique. De resto, dispenso todas as feminices”. Apesar de admirar os homens vaidosos, Patrícia Reis, 27 anos, endossa Juliana: “Não gosto de homem que disputa o espelho comigo”. 43


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Guia de Compras O que comprar e que preço pagar Se você é desses homens que adoram se cuidar e não abre mão de produtos que fazem a diferença confira abaixo algumas dicas de produtos masculinos que estão no mercado.

A linha de bases da Risqué oferece duas opções: base semibrilho proporciona um aspecto aveludado às unhas, com um brilho discreto, enquanto base fosca não contém brilho. Cada uma custa em média R$ 2,50.

O hidratante firma e combate as rugas e os sinais de fadiga da pele, deixando-a mais lisa e descansada. Promete hidratar por 24 horas. Preço sugerido: R$ 129,90.

Non-Streak Bronzer Autobronzeador Facial R$68,00 Tipos de pele: Todos, Pele com ar bronzeado o ano todo.

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Hidratante labial que não deixa brilho nos lábios e hidrata de forma excelente. R$ 70,00

O poder da ciência a serviço da simplicidade e eficácia nos cuidados da pele. Gel refrescante que minimiza a aparência dos poros e a oleosidade excessiva na pele, deixando-a visivelmente mais refrescada e livre de brilho indesejável.

Facial Fuel Energizing Scrub Skin Buffer for Men, Kiehl’s. Cafeína, vitamina E, caroço de damasco triturado e extrato de castanha permitem que o esfoliante seja aplicado antes da barba para minimizar a formação de pelos encravados e outras irritações. Preço sugerido: R$ 80.

Emulsão leve e rápida absorção, que proporciona excepcional hidratação e conforto para pele. Alivia o ardor provocado pela lâmina de barbear deixando a pele macia e revitalizada. Minimiza a aparência de linhas finas.


esportes

CRÔNICA

UMA JOGADA NOSTÁLGICA T

odo homem que se preze tem que ter chutado bola na rua nos tempos de moleque. E tem que ter sido sem camisa e descalço. No máximo, com Kichute. Senão, não vira adulto, porque jogar bola faz parte do processo de crescimento e amadurecimento. Tem que ter deixado tampa de dedão no asfalto, tem que ter ido embora com os joelhos ralados e tem que ter dado um carrinho no colega, só por causa daquele pisão na jogada anterior. Eu me lembro muito bem de um jogo de futebol na rua que marcou muito toda a garotada do bairro. Foi o rito de passagem de todos aqueles vinte moleques, nós que jogávamos na mesma rua, em todo bendito fim de tarde. Nós começamos a jogar quando tínhamos uns sete, oito anos. O Jorginho ganhou uma bola de capotão do tio dele, e foi aí que começou a tradição. Meu Deus, como era divertido! Chutar, correr, não ligar para os carros e para os pedestres, pular na casa do vizinho chato para recuperar a bola que tinha sido mandada para longe, ouvir a mãe chamar para jantar e depois ouvir a mãe reclamar porque a gente comia todo sujo à mesa. Na hora de dormir, a gente só conseguia pensar na próxima pelada. Na escola, a gente também não prestava atenção nas aulas, porque na verdade queríamos bola. Enfim, voltando àquele jogo que marcou todos nós... Já tínhamos uns 12 ou 13 anos, quando algo inusitado e inédito aconteceu: nós paramos de jogar! Foi

apenas um segundo, um instante, mas que fez toda a diferença nas nossas vidas. Paramos para ver a Letícia, a Camila e a Aninha passarem. Foi isso que aconteceu. As três, da mesma idade que nós, de vestido, de banho tomado e impecáveis naquele típico pôr-do-sol de futebol. Depois que elas passaram, voltamos a jogar, mas nunca mais foi a mesma coisa. Sem perceber, a gente deixou de jogar todos os dias. Trocamos o futebol pelo cinema, pelo sorvete, pela praça aos domingos depois da missa e pela companhia feminina. Até tomávamos banho, passávamos gel e perfume. Claro que não abandonamos completamente o futebol, mas de repente ficamos cheios de frescura. A rua não era mais o nosso palco, mas alugávamos quadra, usávamos chuteira, joelheira, e o mais impressionante: tinha lateral, escanteio e tudo mais, algo inaceitável no bom e velho futebol de rua. Não sei onde a Letícia, a Camila e a Aninha estão hoje, mas imagino que elas não se dão conta que fizeram vinte moleques perceberem que a infância tinha acabado. A gente muda, as coisas são assim mesmo, mas nunca deixarei de sentir saudades daqueles gloriosos anos de futebol na rua no final da tarde. Matheus Orlando é estudante de jornalismo, unespiano e palmeirense.

tinta sobre tela de Ivan Cruz

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