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Conservar, Conservar, educar educar ee investigar investigar

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JANEIRO 2019

PEGADAS Da Benedita ao Cáucaso, pedalar para salvar o Leopardo-da-pérsia ENTREVISTA Cuca Roseta conta-nos as muitas memórias que tem do Jardim Zoológico EM DESTAQUE Lídia Colaço, uma paixão para a vida

Macaco -de-nariz-branco

Voltar a ter uma vida própria fotografia joel sartore

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national g eog r aphic photo ark


sumário 5. breves

Pequenas notícias sobre o reino animal.

10. pegadas

Da Benedita ao Cáucaso, pedalar para salvar o Leopardo-da-pérsia.

14. visita guiada

Contamos-lhe tudo sobre a vida dos Macacos-de-nariz-branco.

18. entrevista

Cuca Roseta conta-nos as muitas memórias que tem do Jardim Zoológico.

22. palavra de bicho

Especialmente para os mais pequenos, reunimos informações muito interessantes sobre os Macacos-de-nariz-branco.

24. desafio do padrinho Lidl associa-se ao Jardim Zoológico para dar ensinamentos úteis aos mais novos.

26. em destaque

Lídia Colaço, veio apenas de visita e ficou com uma paixão para a vida.

28. o  pinião de mestre

Conheça melhor Eduardo Rêgo, a voz que todos os fins-de-semana entra nas nossas casas.

29. ideias com natureza Dicas e sugestões para ficar a par das novidades e fazer programas únicos.


Onde há Natureza, há futuro Francisco Naharro Pires Presidente

“todos podemos contribuir para despertar sensibilidades e mudar mentalidades”

Como sabemos, a grande maioria das espécies animais e vegetais sofrem grandes ameaças que constituem um verdadeiro perigo para a sua sobrevivência e, consequentemente, a do Homem. Porque sem eles não há vida na Terra. Mas podemos reverter esta situação e evitar a extinção de muitas espécies . O Jardim Zoológico está envolvido em diversos projectos que contribuem para a conservação da Natureza e estamos sempre atentos ao que outras instituições e pessoas promovem nesse sentido. Nesta revista, conheça a história de uma jovem portuguesa que, em defesa do Leopardo-da-pérsia, projecto de que o Jardim Zoológico é pioneiro e coordenador, percorreu de bicicleta mais de 8000 km. Esta é uma aventura que nos mostra que todos podemos contribuir para despertar sensibilidades e mudar mentalidades no que toca à conservação da Natureza. Em 2018, o Jardim Zoológico uniu-se novamente a outros zoos europeus para participar em mais uma campanha lançada pela EAZA (Associação Europeia de Zoos e Aquários). A campanha Silent Forest tem como foco as aves e, em particular, as aves de canto do Sudeste Asiático, tendo como objectivo principal consciencializar os milhões de visitantes dos zoos de toda a Europa para a eminente extinção destas aves. Em 2018, o Jardim Zoológico celebrou o nascimento de um Mainá-do-bali, uma das espécies de aves de canto, que se encontra classificada como “Criticamente em Perigo” na Natureza. Assistimos também ao nascimento de três crias muito importantes: um Panda-vermelho, espécie classificada como “Em Perigo”, e dois Órixes-de-cimitarra. Esta última encontra-se extinta na Natureza há mais de 20 anos, existindo apenas em reservas e zoos, tendo este nascimento representado um marco significativo na luta contra a extinção desta espécie. São todos estes projectos que nos fazem seguir em frente, sempre com a esperança de estarmos a contribuir para um mundo melhor. Aproveite também para conhecer alguns dos nossos animais, iniciativas, patrocinadores e pessoas que, connosco, trabalham, investigam e sensibilizam o mundo para a importância da conservação. A todos — funcionários, visitantes, voluntários, parceiros e amigos — um Muito obrigado! Bem hajam!

FICHA TÉCNICA

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JA N EIRO 2019

Jardim Zoológico coordenação Ser viço de Marketing do J a r d i m Z o o l ó g i c o g e s tão d e p r oj e to S e r v i ço d e M a r ke t i n g d o J a r d i m Zoológico design Ser viço de Marketing do Jardim Zoológico redação e edição de textos Rita Sousa Rêgo tiragem 2 000 exemplares propriedade


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TEATRO

Jardim Zoológico inspira musical infantil

Sabia que... A LGUM AS CU R IOSIDA DES SOBR E A NIM A IS DO JA R DIM ZOOLÓGICO

CAMELO As suas bossas reservam gordura e não água? TARTARUGA-AFEGÃ Pode só estar ativa 3 meses por ano? DRAGÃO-DE-KOMODO É o maior lagarto do Mundo? KOALA Quanto mais escuro for o nariz, mais jovem ele é? Fruto de uma parceria entre o Jardim Zoológico e a produtora Plano 6, estreou dia 14 de outubro no Teatro Tivoli BBVA em Lisboa, o musical “ZOO”. Entre música e dança, a peça visa sensibilizar e informar para a conservação das espécies. Numa visita guiada ao Jardim Zoológico e aos animais que lá vivem, mostra que, em determinados momentos, a vida na Natureza não é a mais segura, e revela a importância do Jardim Zoológico. Um programa perfeito para famílias com filhos de todas as idades.

Ainda pode ver esta peça no Teatro Tivoli BBVA , em Lisboa, de 08 de janeiro a 2 de fevereiro de 2019. Para quem é do norte, pode ver a peça no Auditório Exponor, no Porto, de 11 a 23 de fevereiro de 2019.

SAGUINS Na família é o pai quem mais cuida das crias? TIGRE-DA-SIBÉRIA É o maior de todos os felinos, incluindo o leão? CATATUAS O pai também incuba os ovos das crias do casal? LEÃO-AFRICANO Os leões têm um tufo de pelos na ponta da cauda para comunicar? ANFÍBIOS Conhecem-se mais de 7000 espécies de anfíbios?


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| breves | EXTI NÇÃO

a esperança canta mais alto no zoo

CONSERVAÇÃO

Nasce cria de espécie extinta na Natureza Em 2018 nasceram duas crias de Órix-de-cimitarra, uma espécie considerada Extinta na Natureza há mais de 20 anos segundo a UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Em setembro passado nasceu uma cria de Mainá-do-bali no Jardim Zoológico, onde esta espécie, natural da Indonésia, existe desde os anos 80. Os seus pais, um macho da Dinamarca e uma fêmea da Alemanha, vivem no Zoo desde Julho e este nascimento representa um grande sucesso no âmbito da campanha Silent Forest da Associação Europeia de Zoos e Aquários, EAZA (saiba mais na página 7 desta revista). A pequena ave vive com os seus pais e está de boa saúde, a alimentar-se bem e pronta para encantar os visitantes com o seu canto. Esta é a única espécie da campanha Silent Forest que vive no Jardim Zoológico e se encontra “Criticamente em Perigo” segundo a classificação internacional das espécies ameaçadas. Nem por acaso, o nome deste jovem Mainá-do-bali é Harapan que, em Indonésio, significa esperança.

Com estes nascimentos, existem agora seis Órixes-de-cimitarra no Jardim Zoológico, que participa no Programa Europeu de Reprodução da Espécie (EEP). Além disso, através do seu Fundo de Conservação, apoia financeiramente alguns projetos de reintrodução da espécie em parques naturais do Norte de África. Segundo o Eng.º José Dias Ferreira, Curador de Mamíferos do Jardim Zoológico, “o nascimento de mais um exemplar desta espécie representa um momento muito especial para o Zoo, uma vez que estes animais travam uma grande batalha contra a sua extinção. A caça, a seca e a desertificação das zonas áridas do Norte de África contribuem em larga medida para este facto. É um orgulho podermos cooperar na sua reprodução e conservação”. Atualmente, a espécie vive em jardins zoológicos e áreas protegidas vedadas, nomeadamente na Tunísia, Senegal e Marrocos, sob cuidados humanos e sob programas de reintrodução a longo

prazo. Está também incluída no apêndice I da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção). Neste apêndice constam as espécies cujo tráfico ilegal representa uma das suas principais ameaças, podendo levar a estatutos de conservação mais graves. Diariamente, o Jardim Zoológico trabalha no sentido de proporcionar as condições ideais para garantir o bem-estar dos seus animais e a reprodução das espécies. A longo prazo pode traduzir-se na reintrodução nos seus habitats naturais.

O Órix-de-cimitarra pode chegar aos 200 kg na fase adulta e os seus cornos, que podem atingir 1,20m de comprimento, fazem lembrar uma cimitarra, a espada tradicional de alguns povos do Médio Oriente. Cada fêmea desta espécie pode dar vida a apenas uma

cria por ano, que é amamentada até aos 4 meses, altura em que se torna praticamente independente da progenitora. É ruminante, alimenta-se, maioritariamente, de herbáceas e pode passar longos períodos sem beber água.


CA M PA N H A

Vamos devolver o canto das aves às florestas Nos fins de semana de agosto e setembro de 2018, o Jardim Zoológico desafiou os seus visitantes para workshops inéditos, no âmbito da campanha de conservação Silent Forest , lançada pela EAZA (Associação Europeia de Zoos e Aquários). No Jardim Zoológico a campanha intitulada "Quebra o silêncio, pelas aves de canto" tem como objetivo chamar a atenção, em particular, para as aves de canto do Sudeste Asiático, que correm o risco de desaparecer dada a sua captura excessiva. Segundo dados das Nações Unidas e da Interpol, o tráfico de animais selvagens é o 4.º negócio ilegal mais lucrativo do mundo, e as aves são o seu principal alvo de transação. As aves de canto têm sofrido não só de captura excessiva para o comércio de aves exóticas, mas também para a participação em competições de canto, para a utilização na medicina tradicional e até como alimento.

A nível mundial, a Indonésia é o local com maior número de espécies endémicas e cerca de 850 espécies diferentes de aves, reconhecida como um hotspot de biodiversidade, sendo o habitat natural de um grande número de espécies de aves ameaçadas de extinção. O Jardim Zoológico juntou-se a esta campanha e propôs aos seus visitantes “voarem” por diversas atividades educativas. Através de workshops aprenderam a construir binóculos em material reciclado, a fazer origamis, observaram aves e ainda conheceram a sua anatomia e algumas das suas características, através de um programa em 3D. Com estas e outras surpresas, os visitantes puderam saber mais sobre aves e, certamente, ganharam ainda mais respeito pela Natureza.

NASCIM ENTO

TEMOS UM NOVO PANDA-VERMELHO NO JARDIM ZOOLÓGICO A “Arca-de-Noé” lisboeta não para de crescer. Depois do pequeno Órix-de-cimitarra, e das recentes crias de Macaco-de-brazza e Macaco-capuchinho-de-peito-amarelo, o Jardim Zoológico viu nascer a 11 de junho uma nova cria: um Panda-vermelho (Ailurus fulgens). Esta espécie está classificada como “Em Peri-

go”, pela UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza). A reprodução do Panda-vermelho é bastante complexa e, por isso, deve ser bem celebrada. Os machos e as fêmeas encontram-se apenas para acasalar num espaço de tempo limitado e compreendido entre janeiro a março.

A fêmea só está recetiva uma vez por ano, durante um curto período de 12 a 36 horas, em que a ovulação é induzida pela cópula. Quatro a cinco meses depois, nasce 1 a 4 crias, que crescem sob a

inteira responsabilidade da sua progenitora. Não perca a oportunidade de con hecer o e xót ico Panda-vermelho.

O M U N D O E M O C I O N A N T E D A N AT U R E Z A

| breves | 7


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Conservar 1. Manter em bom estado. 2. Manter no estado atual. 3. Guardar. 4. Preservar. 5. Continuar a ter. 6. Reter (na memĂłria). 7. NĂŁo perder. 8. NĂŁo desistir. Palavras relacionadas: reter, manter, permanecer, mantimento, memorizar, reservar, vivificar.

entre patas e barbatanas

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10 | p e g a d a s |

... a respeitar a Natureza Na sua missão de proteger as espécies e sensibilizar o público para a importância da sua preservação, o Jardim Zoológico associa-se a vários projetos em todo o mundo.

D A B E N E D I TA A O C Á U C A S O

Quando a consciência dá (muita) pedalada Não são apenas os jardins zoológicos e os centros de recuperação que podem salvar os animais da extinção. Neste artigo contamos-lhe a aventura de Tânia Serrazina que, com cinco amigos, percorreu de bicicleta os mais de 8000 km que ligam a Benedita, em Portugal a Yerevan, na Arménia. O objetivo? Atrair as atenções para a urgência de salvar o Leopardo-da-pérsia. E conseguiram!


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L

icenciada em biologia, Tânia Serrazina foi selecionada para um serviço de voluntariado no Yerevan Zoo (Arménia), onde trabalhou durante um ano e teve contacto com a realidade do Leopardo-da-pérsia, cuja sobrevivência está em sério risco. Tânia quis fazer alguma coisa. Já tinha descido o rio Danúbio de bicicleta e considera que esta é a melhor forma de conhecer países, pessoas e culturas. Foi a partir daí que delineou a ideia: pedalar desde a sua casa, na Benedita, perto de Alcobaça, até ao Yerevan Zoo. A direção deste Zoo acolheu imediatamente a ideia pois, para viabilizar o seu projeto de reintrodução do Leopardo-da-pérsia, concorria a um subsídio cuja atribuição dependia de uma votação online. A viagem da jovem bióloga poderia trazer

| a saber |

A viagem no mapa

muitos votos e assim ganhava um propósito bem definido: tudo pela sobrevivência do Leopardo-da-pérsia. A VIAGEM DE UMA VIDA O primeiro passo foi viabilizar o projeto. Assim, antes de partir, Tânia trabalhou em Portugal durante cerca de um ano e meio para conseguir o montante indispensável. Começou por querer viajar sozinha, mas um primo quis acompanhá-la até à Alemanha e dois dos seus amigos também quiseram entrar na pedalada pelo Leopardo-da-pérsia. O entusiasmo espalhou-se e, da Benedita, acabaram por partir cerca de 30 pessoas, a maioria para os acompanhar até Espanha. “Partimos na semana do Carnaval e por isso muitos amigos e familiares puderam sair connosco”, recorda Tânia.


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A partir do país vizinho seguiu apenas o “núcleo duro”, ao qual se juntou, a partir de Munique, a namorada do primo. A distância totalizou 8810 km, sempre a pedalar ao sabor da paisagem e a um ritmo o menos programado possível, e talvez por isso, segundo Tânia, nenhum dos ciclistas teve lesões. Os estragos nas bicicletas foram os expectáveis: “As bicicletas que levámos estão preparadas para viagem. São resistentes e tudo é muito simples, fácil de arranjar em qualquer parte do mundo”, conta Tânia. Iam comprando mantimentos e cozinhando pelo caminho. Para dormir, faziam campismo selvagem e foi assim que passaram por

15 países: Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Áustria, Eslováquia, Eslovénia, Hungria, Sérvia, Bulgária, Grécia, Turquia, Geórgia e, finalmente, Arménia. ENCONTRAR O AMOR PELO CAMINHO Tânia nunca sentiu o seu projeto ameaçado por ter companhia, mas reconhece que “é diferente, sobretudo no tempo. Se for uma pessoa a ter de parar por alguma razão, é uma coisa. Sendo seis demoramos mais, claro, mas o convívio também ajuda”, explica. E nem sempre eram só os seis: “Íamos encontrando pessoas que pedalavam connosco durante um ou dois dias.

Saiba mais sobre esta viagem, e veja todos os videos em: www.vimeo.com/ dabeneditaaocaucaso www.facebook.com/ dabeneditaaocaucaso

Há muita gente a viajar de bicicleta na Europa.” Na Turquia encontraram o Max, francês e engenheiro mecânico, com a mesma idade de Tânia, que pedalava solitário a caminho da Rússia. Ficou com o grupo durante um mês. Quando se separaram estavam apaixonados e certos de que não era uma ligação qualquer. “Combinámos encontro para daí a três meses no Nepal”, conta Tânia. E reconhece que, além de ajudar a salvar os Leopardos-da-pérsia, também encontrou nesta viagem o amor da sua vida. UMA CHEGADA FELIZ Os seis portugueses foram recebidos na Arménia com todo o entusiasmo. A imprensa e as televisões locais divulgaram o feito, e os votos online a favor do Leopardo-da-pérsia trouxeram mesmo o tão necessário subsídio para a implementação do projeto de reintrodução. Hoje, Tânia e o seu grupo de amigos voltaram a uma vida quase normal, “o meu primo e a namorada

ficaram a viver em Munique, mas sempre que podem vão andar de bicicleta para as montanhas. Os outros dois amigos também têm dado as suas voltas. Já não conseguimos viver sem isso”, revela entre risos, a bióloga que da Arménia seguiu para o Nepal para, com Max, percorrer praticamente o resto do mundo. Do sudoeste asiático à América do Sul, passando por seis meses de trabalho numa vinha biológica na Austrália assegurou a continuidade de uma viagem de quase 80 000 km e mais dois anos. Hoje estão juntos em França, com planos para uma vida cheia de pedalada, que já conta com grandes aventuras e muito esforço a favor do Leopardo-da-pérsia. “Cada um faz o que pode e todos podemos fazer alguma coisa”, diz Tânia. É um recado que fica, talvez um incentivo para que todos nos dediquemos mais a causas como esta. Porque salvando os animais, estamos a salvar o mundo.


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Macaco-de-nariz-branco

Voltar a ter uma vida própria

PESO

m

3 a 4 kg ≤ 77 c

M A C A C O - D E - N A R I Z- B R A N C O

14 | v i s i t a g u i a d a |

≤ 50 cm

DIETA

Omnívora

ATIVIDADE Diurna

HABITAT

Florestas húmidas

REPRODUÇÃO Vivípara

GESTAÇÃO 5 Meses

Nº CRIAS 1


No Jardim Zoológico vivem dois Macacos-de-nariz-branco, Fifi, a fêmea e Tílio, o macho. Foram trazidos de Angola como animais de estimação e depois entregues ao Zoo, porque só assim teriam os cuidados necessários. A sua tratadora contou-nos como foi possível ajudá-los a recuperar os comportamentos e hábitos próprios da sua subespécie.

F

if i e Tílio, os dois Macacos-de-nariz-branco que vivem no Jardim, já não podiam v iver com os donos que os trouxeram de Angola, hábito frequente há alguns anos, entre as pessoas que retornavam das antigas colónias. O seu habitat natural é a f loresta húmida da África Central, onde saltam livremente pelos ramos das árvores e se alimentam sobretudo de fruta. A vida na cidade não é, obviamente, para eles. E por isso, os donos decidiram oferecê-los ao Jardim Zoológico. “Passaram por um período de quarentena e depois vieram para as minhas mãos”, conta Maria da Paz, a tratadora principal da equipa responsável pelos pequenos primatas. PERDER O INTERESSE PELOS HUMANOS Os dois Macacos- denariz-branco precisaram da observação atenta dos tratadores. Tiveram de abdicar do contacto físico a que estavam habituados por viverem com famílias que os haviam adotado como animais de estimação.

”A Fifi gostava muito de pegar nas nossas mãos e brincar com os nossos dedos, era quase a nossa manicure”, brinca Paz. Mas foi preciso, aos poucos, ajudá-la a perder este comportamento para dar lugar a outros hábitos, mais próprios de um animal da sua subespécie. “Eles foram trazidos por famílias diferentes, só se conheceram aqui no Jardim e por isso não sabiam viver com outros”, revela a tratadora. Por isso foram colocados apenas os dois numa das instalações reser vadas a pequenos primatas. Como Fif i e Tí lio não tinham medo das pessoas, aproximavam-se de quem se chegava perto e aceitavam o que os visitantes lhes dessem. “Tínhamos de estar sempre atentos porque há sempre a tendência de os visitantes darem comida ou chegarem perto demais”, conta Paz. E recorda uma vez em que uma senhora passou a vedação para lhes dar comida e deixou que o Tílio agarrasse o seu cabelo. “A senhora estava a rir, mas eu tive de lhe pedir para respeitar o espaço do animal”, continua a tratadora.

| Maria da Paz |

Tudo pelo bem dos animais

Tem 25 anos de Jardim Zoológico e é a tratadora principal da equipa dos pequenos primatas, composta por quatro profissionais. Casada e com uma filha, dedica aos “seus” animais grande parte da sua atenção. Gostava de ter mais tempo para observar cada um dos cerca de 120 macacos de 15 subespécies diferentes que tem ao seu cuidado, mas, como

“Quanto mais eles contactam com pessoas, menos se interessam pela sua própria vida, digamos assim, e um pelo outro”, conclui. A insta lação dos dois Macacos-de-nariz-branco é, portanto, um pouco mais recolhida e, na parte inferior da vedação, foi colocada uma proteção extra para dificultar o alcance, com as mãos, daquilo que um visitante menos informado lhes possa querer oferecer. Ao explicar-nos esta escolha, Paz aproveita para alertar para o facto de estes animais serem mu ito g u losos. “Se lhes derem, eles comem chupa-chupas, gelados, etc

são muitos animais e há muito trabalho para desenvolver todos os dias, aproveita cada passagem pelas instalações para os ver com a máxima atenção. Sabe o nome de quase todos, que também conhecem a tratadora, e insiste em dizer que “temos de ser profissionais acima de tudo e fazer o que é melhor para os animais”.

o que lhes faz muito mal. E não se deve dar mesmo nada para eles comer e m . Fa z - l h e s s e m p r e mal porque altera os seus horários e ritmos. E também porque podem estar em tratamento, como às vezes acontece”. UMA VIDA DE MACACO Aos poucos Fif i e Tí lio foram ganhando ‘vida de macaco’, ou seja, reaprenderam o prazer de saltar e de fazer as acrobacias próprias de um Cercopithecus, o nome do género a que estes macacos de pequeno porte e cauda comprida pertencem. A importância de

M A C A C O - D E - N A R I Z- B R A N C O

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“Queremos que eles usem as suas aptidões naturais, a curiosidade, o engenho, os sentidos como o tato e o olfato.”, revela Maria da Paz”

lhes devolver os seus comportamentos naturais prende-se com a sua própria saúde e bem-estar, a função primária de um parque zoológ ico e, cer ta mente, o primeiro objetivo de um tratador. Paz explica que a rotina dos Macacos-de-nariz-branco, como a dos outros animais de que cuida, é simples: “Chegamos de

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As suas cores Cada subespécie de Cercopithecus ascanius tem traços que a distingue, sobretudo na face. Conheça os do Macaco-de-nariz-branco! Azul à volta dos olhos A pele azul que apresentam à volta dos olhos é quase como impressões digitais: nenhum tem uma igual ao outro.

Nariz branco Como habita na floresta juntamente com outras subespécies, o seu nariz branco serve para o distinguir e também para comunicar. Nas florestas escuras, ao abanar a cabeça deixa uma imagem residual que é uma forma de comunicação.

Cauda avermelhada Não é propriamente um traço distintivo porque é comum a todos os Cercopithecus ascanius. Mas é mais uma cor que se distingue na floresta onde vivem.

manhã bem cedo e a primeira coisa que se faz, sempre, é verificar se está tudo bem. Tem a ver com o comportamento deles, com a postura, a forma como estão entre eles, a maneira como olham para nós e como reagem connosco”. E que tipo de sinais podem ser esses?, perguntamos. A tratadora responde, segura: “Por exemplo, se for um dia de frio é normal que estejam mais encolhidos e mais juntinhos, afinal são uma fonte de calor um para o outro. Ao contrário, se não estiverem juntinhos, é mau sinal. Pode querer dizer que algo correu mal, e é preciso manter a atenção e continuar à procura de sinais”. A observação é um aspeto essencial do trabalho de um tratador. “Aproveitamos sempre para olhar para eles ‘com olhos de ver’, porque o trabalho é muito e não podemos estar só a observar”, diz-nos Paz enquanto conta que, depois da primeira observação, é altura das limpezas. Nunca tratadores e animais estão no mesmo espaço, mantendo-se estes no interior enquanto a limpeza do exterior é feita e vice-

-versa. Este é o único momento do dia em que os animais têm de ficar recolhidos. De resto, circulam como querem pelos espaços da instalação. Uma vez tudo limpo, é hora da alimentação que pode ser vista como uma autêntica sessão de enriquecimento ambiental. “Variamos muito porque é importante que eles não encontrem sempre tudo igual, torna-se fácil e desinteressante. Queremos que eles usem as suas aptidões naturais, a curiosidade, o engenho, os sentidos como o tato e o olfato, etc.”, revela Maria da Paz. “Como todos os primatas, eles são inteligentes; precisam de muito estímulo”, continua. Por isso os tratadores podem colocar todos os alimentos no mesmo local ou espalhá-los pela instalação, à vista ou escondidos, em pequenos pedaços ou inteiros, variando todos os dias, o que os leva a manterem-se interessados e entretidos. Pelo dia fora, Fifi e Tílio vão brincando pelas estruturas, catam-se um ao outro, um comportamento natural que só adquiriram ao fim de alguns anos no zoo, descansam e observam quem passa. Quando o dia termina, o mais certo é ficarem no espaço interior da instalação para passarem a noite até que, na manhã seguinte, reencontrem o olhar atento dos seus tratadores.


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entre rugidos e piares

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Educar verbo transitivo 1. Dar educação a.2. Criar e adestrar (animais). 3. Cultivar (plantas). verbo pronominal 4. Adquirir os dotes físicos, morais e intelectuais que dá a educação. Palavras relacionadas: educando, educado, educativo, deseducar, educação, bem-educado, desemburrar.


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...Cuca Roseta ... conversas com amigos do Jardim Zoológico

“Guardo muitas memórias do Jardim Zoológico” Chama-se Isabel, é cinturão negro de Taekwondo e licenciada em psicologia. Mas todos lhe chamam Cuca e escolheu o fado para seguir carreira. Nesta entrevista intimista fala-nos da emoção que sente pelo valor que o público estrangeiro lhe atribui, do papel dos fadistas nacionais como embaixadores de Portugal e, claro, do Jardim Zoológico.

S

ó no ano de 2018, Cuca Roseta deu cerca de 98 concertos dentro e fora de Portugal, especialmente na Europa. Festejou a sua Primeira Comunhão no Jardim Zoológico e apesar de visitar outros zoos durante as muitas viagens que faz, é o de Lisboa que elege para ir com os dois filhos. Sensível, forte e determinada, a fadista guarda boas memórias da sua infância, algumas delas passadas no Jardim Zoológico.

Como surgiu a paixão pelo fado? Perdeu-se uma psicóloga? A paixão pelo fado surgiu aos 18 anos. A primeira vez que fui a uma casa de fados, nunca pensei deixar a psicologia. Achei que talvez pudesse ser compatível, mas a vida levou-me tanto tempo para fora, com tantos concertos, que foi impossível trabalhar como psicóloga. A paixão pela música passou a ter prioridade na minha vida. Foi então que percebi que talvez Deus tivesse outros planos para mim: o fado!

Que memórias tem da sua infância e juventude? São memórias muito boas: muitos irmãos, muitos animais, muita música, uma família enorme e animada. Recordo-me do meu avô a tocar piano e da minha avó a ensaiar os teatros da família em que todos cantávamos e dançávamos. Foi uma infância forte e feliz, onde o mundo era cor-de-rosa, e os bons valores uma constante a ensinar à geração mais nova.


Perfil Naturalidade: Lisboa Ano de Nascimento: 1981 Estado Civil: Casada, tem dois filhos, a Benedita e o Lopo. Profissão: Fadista Hobbies: É fã de trilhos a pé, das idas à praia, todos os dias do ano se possível, dos passeios de bicicleta. Descobriu recentemente a corrida mas, também é apaixonada por artes. Gosta de tocar piano, viola, compor, escrever poesia e, por vezes, pintar. Curiosidades: Mesmo quando viaja pelo mundo, continua a treinar sempre que pode. Todos os dias de manhã, quando acorda, onde quer que esteja, pratica quase duas horas de Ashtanga Yoga. É a sua maneira de começar bem o dia.


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“Todas as pessoas retiram muito de uma ida ao Zoo.”

Que artistas a inspiram? As minhas grandes inspirações são: Nat King Cole, Nina Simone, Louis Armstrong, The Beatles, Chavela Vargas, Édith Piaf, Michael Jackson, Amália Rodrigues, Camané, Jacques Brel e Etta Jones. Procura transmitir o gosto pela música aos seus filhos? Desde pequenina que sou muito musical, e os meus filhos também. Ambos são muito afinados, interessam-se pelos instrumentos musicais e pela música em geral. Acho que qualquer um deles poderá seguir este caminho, se assim o desejar. Acima de tudo, devem fazer o que o coração lhes pedir. Costuma visitar o Jardim Zoológico de Lisboa? Gosto muito, e sempre que possível, levo os meus filhos. É muito interessante e é uma alegria enorme proporcionar-lhes a experiência de verem animais ao vivo. A minha filha adora animais. Para as crianças mais crescidas, a visita acaba por fazê-las interessar-se por outras espécies a que habitualmente não ligavam. Tem alguma memória marcante e curiosa relacionada com o Zoo? Guardo muitas memórias do Jardim Zoológico porque os meus pais levavam-me quando era pequena. Lembro-me de uma vez, em que um macaco roubou uma banana a uma criança, e foi muito engraçado. Todas as pessoas retiram muito de uma ida ao Zoo. No dia da minha Primeira Comunhão, fui com o meu vestido “de princesa” ver a apresentação dos golfinhos e tive a sorte de ser chamada para dar um beijo a um deles. Acabou por se tornar num dia ainda mais especial. O que pensa do trabalho que o Jardim desenvolve? Tem sido um trabalho extraordinário, e é extremamente importante que se continue a tentar melhorar e a proporcionar

o melhor ambiente aos animais que ali se encontram. Conheço alguns zoos de outros países, mas acabo por ir sempre ao de Lisboa por ser mais familiar. Voltando ao fado, de que forma sente que os outros países o apreciam quando dá concertos no estrangeiro? Penso que o fado ficou bastante valorizado em Portugal, depois de ser considerado “Património Imaterial da Humanidade”. Lá fora, é muito apreciado pelas comunidades portuguesas, mas ainda mais pelos estrangeiros, que apesar de não entenderem a língua, emocionam-se e ligam-se à nossa música como se não houvesse diferentes línguas ou culturas. O fado chega a cada vez mais países através de um maior número de fadistas. Somos embaixadores de Portugal com o maior orgulho e felicidade. Vislumbrar o mundo a emocionar-se com a nossa cultura é das sensações mais gratificantes que se pode viver. Para si, o que é o fado? O fado é uma música para mostrar uma beleza interior ou para contar uma história sobre uma emoção que se sentiu, uma experiência que se viveu. É declamar sobre a vida, é pôr a voz à mercê de uma história, é dar a intenção à voz consoante a história que se conta. O fado é esta beleza que vem de dentro, que nos faz chorar ou sorrir, que nos dá arrepios na pele, ou

nos traz a imensa nostalgia de sentir que vale a pena viver, é como uma paragem nesta vida agitada que nos faz refletir. É como uma prece, uma espécie de exame de consciência. Se tivesse de escolher uma palavra para caracterizar o fado, qual seria? Verdade. O facto de, a dado momento, começar a escrever as suas próprias letras e a compor, foi um passo marcante na sua carreira? Acho que tenho a imensa sorte de ser das poucas a fazê-lo: a cantar, compor e escrever. Faço-o desde muito pequena, já escrevia canções e poemas, lancei uma compilação de 80 poemas de uma vida, e tenho a sorte de poder contar a minha própria história, o que torna tudo muito mais genuíno e verdadeiro. O fado pede essa verdade, essa emoção que vem da declamação de poesia, daquilo que vivemos, e dessa forma, conseguimos transmitir essa magia que transforma a vida em palavras, palavras vivas. Quais os projetos a curto e médio prazo? O lançamento de um novo álbum, no ano que vem. E outros projetos mas que ainda são segredo.


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...MACACO-DE-NARIZ-BRANCO

Sabias que...

22 | p a l a v r a d e b i c h o |

Os Macacos-de-nariz-branco vivem entre 25 a 30 anos? Os Macacos-de-nariz-branco têm grandes bochechas que podem armazenar quase tanta comida quanto o seu estômago?

nariz-branco Macacos-de

são mestres em comunicação

Quem os vê pela primeira vez, pode não perceber o que significam as suas cores ou a forma como abanam a cabeça. Mas são atributos decisivos para quem vive nos estratos médio ou inferior das florestas húmidas e escuras da África Central. Conhece melhor este fascinante macaquinho. São pequenos (chegam aos cerca de 50 cm de altura, no máximo), a sua pelagem é escura e, como se espera de um macaco, são muito ágeis. É uma espécie arbórea, que salta de ramo em ramo utilizando as estruturas mais aéreas da vegetação. Agora vamos “ver” com mais pormenor o seu focinho: se repararmos bem, os Macacos-de-nariz-branco, têm um tom azulado à volta dos olhos e manchas de pelo num tom mais claro, bege ou castanho, que sobressaem na pelagem preta da maior parte do seu corpo. E isto não é só por uma questão de beleza. Serve para se reconhecerem uns aos ou-

tros e para facilitar a comunicação no escuro das florestas que habitam. Comunicar no escuro Para trocarem mensagens entre si os Macacos-de-nariz-branco, como quase todos os primatas, usam sistemas complexos que incluem a química, a visão, o som e o tato. Quando estão a uma certa distância e querem comunicar em silêncio, levantar as sobrancelhas, alongar a pele do rosto e balançar a cabeça são algumas das formas que usam para o fazer. Talvez a mais interessante seja o abanar a cabeça: são movimentos curtos e bruscos e, quem vê

pela primeira vez, pode pensar que estão a ter uma “síncope”. Mas dizem os estudiosos que, no escuro ou penumbra da floresta, por causa do branco do nariz e do azul à volta dos olhos, estes movimentos geram uma imagem residual que tem significado entre indivíduos da mesma espécie.

As ameaças O Macaco-de-nariz-branco é uma espécie considerada “Pouco Preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Mas, ainda assim, a sua sobrevivência depende de ameaças como: ° Captura para o comércio internacional: muitas pessoas

NO M A PA

onde vivem os macacos-de-nariz-branco É nas florestas húmidas, florestas de galeria e florestas pantanosas, tanto das terras baixas como de montanha, que vivem estes macacos africanos. Angola, Camarões, República Democrática do Congo, Quénia, Ruanda, Sudão, Tanzânia, Uganda, Zâmbia e, possivelmente, Burundi são os países por onde se poderão encontrar Macacos-de-nariz-branco. A subespécie que pode ser vista no Jardim Zoológico restringe-se a Angola e República Democrática do Congo.


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MOSTRA O QUE APRENDESTE NESTAS PÁGINAS E MARCA AS PALAVRAS RELACIONADAS COM O MACACO-DE-NARIZ-BRANCO QUE DESCOBRIRES AQUI.

O Macaco-de-narizbranco é uma das cinco subespécies reconhecidas de Cercopithecus ascanius, e pertence à família dos macacos do Velho Mundo, Cercopithecidae. • A coloração do nariz e da pelagem na face são diferentes em todas estas subespécies, mas todas têm pele azul em volta dos olhos e cauda avermelhada. • Quando estão sob cuidados humanos, as atividades de enriquecimento ambiental ajudam-nos a estar ocupados e a assumir comportamentos naturais.

gostam de ter macacos como animais de estimação, o que prejudica a sobrevivência da espécie. Já leste a secção “Visita Guiada” desta revista? Os dois Macacos-de-nariz-branco que vivem no Jardim Zoológico, hoje estão integrados, mas demorou muito tempo até que perdessem os hábitos adquiridos quando viviam com famílias de humanos que os trouxeram de África. ° Caça desportiva ou para consumo: ainda há quem se divirta a destruir a Natureza e a caçar animais selvagens. Seja para exibirem como troféus, seja para alimentação, o Macaco-de-nariz-branco é procurado por pessoas de todo o mundo. ° Destruição do habitat: a desflorestação e as guerras civis provocam a destruição de áreas significativas de floresta, diminuindo o habitat natural da espécie e condicionando a sua sobrevivência. Queres proteger o Macaco-de-nariz-branco? Já sabes que a sobrevivência dos animais é parte essencial da nossa. Porque tanto

nós, humanos, como o Planeta Terra e todo o Universo estamos ligados e dependemos uns dos outros. Que tal: ► Apoiares uma organização de defesa dos animais? Podes fazer donativos ou manter-te informado e ires passando as mensagens que encontras nos sites e outra literatura disponível. ► Recusares animais de estimação que não se adaptam à vida doméstica? Mesmo um cão, que tão bem parece adaptar-se à vida na cidade, precisa de espaço, comida e companhia adequada. ► Cuidares do lixo de tua casa? Reciclar e, principalmente, usar o menos possível materiais poluentes é uma medida que todos queremos tomar, mas ainda falta muito para chegarmos a um ponto inofensivo para o Planeta. Faz a tua parte e nunca desistas. O Planeta, os teus semelhantes e os animais agradecem. E tu vais viver muito melhor.

ESPÉCIE

estes macacos... Podem viver perto de grupos de animais de outras espécies que se alimentam de forma diferente e que assim não competem pelo mesmo alimento, mas todos vigiam mantendo-os mais seguros. São animais omnívoros

alimentando-se sobretudo de frutos. Para equilibrar também comem folhas, flores, bagas e insetos. Para comerem o que necessitam vão apanhando a fruta de árvore em árvore, sem nunca pararem para não

serem identificados pelos predadores. Guardam-na na boca, numas bolsas que que têm de cada lado. Assim, quando chegam a um lugar mais seguro, comem a sua refeição com calma.

l R C J A X C D X l A O C

A T U l T V E l N O T C A

C R O G Y J R I O S G U I R G C A Q M T M A P A D I R O Á F A R C E M T V A N

B K S L Z K A R F R U T A

A L O O N L C U A I S A A

T Ç A S Q Ç A A D C U D Z

A U D O B R C D M A A R F

SOLUÇÕES

CURIOSIDADES

C E R C O P I T H E C U S

CURIOSO CERCOPITHECUS MACACO FRUTA ÁFRICA ACROBATAS CATAR GULOSOS

Pata anterior Pata posterior

JÁ CONHECES OS CAMPOS DE FÉRIAS DO JARDIM ZOOLÓGICO? Estes campos dividem-se nas modalidades de Atelier e ATL. O Atelier dirige-se a crianças entre os 3 e os 5 anos. O ATL é um Campo de Férias para crianças e jovens dos 6 aos 16 anos. Temos sempre uma agenda bem planeada para que passes umas férias inesquecíveis: de Páscoa, verão ou Natal! E existem várias modalidades à escolha: Um turno de 5 dias; um turno de 4 dias; e ainda Dia temático. O horário é das 9h às 18h. Podes consultar o site do Jardim Zoológico em www.zoo.pt para estares sempre atualizado. Não percas a oportunidade. Increve-te já!

S B A S U C O I T Q U O C


O M U N D O E M O C I O N A N T E D A N AT U R E Z A

24 | d e s a f i o d o p a d r i n h o |

DESA FIO DE PA DR I N HO

LIDL

Uma aposta

na saúde das

famílias

O Jardim Zoológico é um local que gera boas memórias e o Lidl quer contribuir para este imaginário, associando-se para dar ensinamentos úteis aos mais novos de forma divertida O que levou o Lidl a patrocinar a Quintinha do Zoo, agora Quintinha do Lidl? Assim como o Jardim Zoológico permite que os mais jovens descubram e aprendam mais sobre animais e plantas, também o Lidl aposta em projetos e atividades que ensinam algo de útil às gerações mais novas. No nosso caso, os ensinamentos passam pela promoção de estilos de vida saudáveis, de forma lúdica e divertida, fácil de compreender e memorizar. A Quintinha do Lidl é um espaço de conhecimento e aprendizagem capaz de gerar momentos inesquecíveis. Esperamos que as crianças saiam da Quintinha com novos conhecimentos, muita vontade de descobrirem ain-

da mais e cheios de curiosidade pelo mundo que as rodeia. Qual a importância de apoiar o Jardim Zoológico? Consideramos muito importante apoiar o Jardim Zoológico. Além de ser uma forma adicional de contactar com as crianças podemos proporcionar-lhes aprendizagens valiosas com a ajuda de uma instituição relevante e reconhecida. Para o Lidl é fundamental contribuir para a educação das crianças. Apostamos fortemente nas comunidades em que nos inserimos e é, por isso, uma honra poder atuar desta forma para criar gerações futuras mais informadas.

Como o Lidl contacta com as famílias portuguesas? O Lidl tem no consumidor o centro da sua atividade, pelo que o contacto é constante e quase diário, através da televisão, da rádio, dos folhetos e outras publicações bem como na área digital, com foco nas nossas redes sociais, onde privilegiamos o feedback dos nossos clientes. Procuramos impactar os nossos consumidores nestas plataformas através de campanhas direcionadas às famílias portuguesas. Comprovamos, assim, que a nossa oferta lhes permite fazer todas as compras no Lidl, sempre com a garantia da máxima qualidade ao melhor preço.

O eixo da promoção de estilos de vida saudáveis é da máxima importância para o Lidl

Porquê a aposta na promoção de estilos de vida saudáveis? Sentimos como nossa a responsabilidade de incutir bons hábitos de vida e fazemo-lo através de projetos como a Quintinha do Lidl, no Zoo; as campanhas de colecionáveis, que já são um clássico; a Turma Imbatível, com a chancela da Direção-Geral da Saúde, da Direção-Geral da Educação e do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável nas Escolas a alunos do primeiro ciclo; e o Desenho Imbatível, que pede a crianças do primeiro ciclo para desenharem os alimentos base de uma alimentação saudável. Os desenhos vencedores são adaptados e reproduzidos em embalagens de produtos Lidl. Apostamos neste tipo de ação desde 2011 e já impactámos cerca de 65 mil alunos.


entre pintas e riscas

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Investigar (latim investigo, -are) verbo transitivo Proceder à investigação de... Palavras relacionadas: investigação, investigativo, reinvestigar, megainvestigação, meteoronomia, exactificar


LÍDI A COL AÇO, U M A PA IX ÃO PA R A A V IDA

26 | e m d e s t a q u e |

“Apaixonei-me por isto e fiquei” Lídia Colaço veio visitar o Jardim Zoológico com o marido, e apaixonou-se pelo lugar e pelos animais. Candidatou-se a um cargo de tratadora e foi escolhida. Vinte e seis anos depois, faz parte da equipa da nutrição e não se vê a trabalhar noutro sítio. Fui criada no campo. O meu pai tinha muitos animais e sempre gostei muito deles”, conta Lídia Colaço, a nossa entrevistada no 'Em Destaque' desta edição. Talvez por isso se tenha encantado com o Jardim Zoológico desde a primeira visita. “Vim visitar o Jardim com o meu marido, que já cá

trabalhava, e apaixonei-me por isto”, continua. Por sorte havia uma vaga como tratadora e, depois do processo normal de recrutamento, Lídia foi escolhida para a preencher. “Estive um ano nos pequenos primatas, depois passei para os grandes primatas onde fiquei 20 e tal anos. Ao fim desse

tempo todo, embora gostasse muito daquele trabalho, quis mudar e pedi para vir para o Serviço de Nutrição ocupar o lugar de uma colega que se reformou. Eu queria saber mais sobre o Jardim e os animais; o que eles comiam e os hábitos de outras espécies”, revela-nos.

O PRIVILÉGIO DE TRABALHAR NO ZOO Foi assim que Lídia, há cerca de 4 anos, passou a ser uma das três pessoas da cozinha de onde sai a alimentação para quase todos os animais do Jardim Zoológico. O sistema de trabalho é rotativo: numa semana fica nas pesagens; outra no corte e na pre-


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coisas de família Lídia está no Jardim Zoológico há 26 anos. O seu marido é o tratador principal dos felinos e já tem mais de 30 anos de “casa”. A filha mais nova é licenciada em biologia e, sempre que pode, colabora com o Zoo em visitas guiadas e outras atividades.

DIZ-ME O QUE COMES...

Os pequenos primatas, principalmente os lémures, gostam muito de queijo. • Os micos comem desde cenoura, banana e maçã, a queijo e gelatina, onde pomos vitaminas e fruta cortadinha. Também damos todos os dias um bocadinho de arroz, que eles gostam muito. • De vez em quando cozemos batatas para os chimpanzés. Eles adoram. E um ou dois dias por semana comem carne cozida. • Para as aves de rapina, como as águias, partimos fígado, coração, pintos e ratos. • A preparação das carnes para os felinos é feita pelo tratador principal, sempre conforme as indicações da nutricionista.

paração dos alimentos: cozer ovos, carne, batatas ou arroz, preparar gelatina, verificar a qualidade das frutas e legumes; e, na seguinte, prepara os tabuleiros que, devidamente identificados, são depois levados pelos colegas para a instalação de cada animal. As três pessoas da equipa vão trocando de tarefa semana a semana e assim todos fazem tudo sem monotonia. “Também lavamos e desinfetamos todo o material utilizado”, revela-nos. O trabalho é intenso e há sempre muito para fazer. Mas, como diz a própria Lídia, quem corre por gosto não cansa. As indicações da alimentação de cada animal são dadas pela nutricionista responsável, que determina a dieta de cada espécie e a variedade é uma constante. “Não lhes damos sempre a mesma coisa, variamos muito”, diz Lídia. Desta variedade fazem parte os produtos de compra e os que são oferecidos por hipermercados. “Eles oferecem os legumes e as frutas que já não estão em condições de serem vendidos. Nós

equipa do serviço de nutrição “ No nosso departamento somos muito unidos e sempre que alguém precisa, há um colega pronto para ajudar”

escolhemos, deitamos fora as partes menos boas e damos só os pedaços fresquinhos”. O zelo pela qualidade é uma das responsabilidades de Lídia, que gosta muito do seu trabalho e do espaço em que passa a maior parte do seu dia. “Acho que não conseguia trabalhar num escritório, passar o dia entre quatro paredes. Aqui estamos muitas vezes ao ar livre, o Jardim é bonito e ainda temos os animais”. CHIMPANZÉS SÃO FAVORITOS Embora goste de todos os animais, os seus favoritos são os chimpanzés e não passa muitos dias sem os ver. “Eles conhecem-me perfeitamente, principalmente os mais velhos. Basta verem-me a chegar que vêm logo ter comigo, chamam-me e batem no peito para dizer que são amigos. As minhas colegas até ficam admiradas por eles me conhecerem tão bem”, conta a antiga tratadora com alguma emoção. E, mesmo gostando tanto destes animais e de trabalhar com eles, Lídia foi com alegria para a atual função. “Eu quis fazer uma coisa diferente porque acredito que é bom mudar. Não quer dizer que, até à reforma, não possa passar por outro departamento, é sempre bom conhecermos muitas áreas” explica.


28 | o p i n i ã o d e m e s t r e |

idade

nome Eduardo Rêgo 68 anos profissão Locutor de televisão curiosidade A proximidade com os animais vivos é salutar; dá-nos um sentimento de pertença à grande família de seres vivos

“Precisamos de amorosidade” EDUARDO RÊGO É A VOZ PORTUGUESA DOS DOCUMENTÁRIOS DA BBC E DA NATIONAL GEOGRAPHIC HÁ MAIS DE 30 ANOS, E CONHECE BEM AS AMEAÇAS À SOBREVIVÊNCIA DOS ANIMAIS, DAS PESSOAS E DA PRÓPRIA TERRA. PARA CONGREGAR VONTADES E LIGAR OS MÚLTIPLOS AGENTES QUE PUGNAM PELO EQUILÍBRIO DO PLANETA, FUNDOU E PRESIDE AO LOVING THE PLANET E DÁ-NOS A SUA OPINIÃO DE MESTRE SOBRE OS PARQUES E JARDINS ZOOLÓGICOS

Há um par de séculos, havia uns aventureiros, a que chamavam exploradores, que demandavam o mundo à procura de coisas novas… E estranhas! Um dos nomes que brilham mais no firmamento da paixão pela Natureza é Darwin, que nos ofereceu uma dimensão nunca antes vista da diversidade que povoa o Planeta e da evolução que caracteriza a vida. Se já visitaram o Museu de História Natural, em Londres, estão em condições de avaliar o quão importante foi, e continua a ser, existir esse fabuloso acervo de espécies que os naturalistas trouxeram dos quatro cantos do mundo. Sem o seu contributo, o nosso conhecimento teria estacionado. Os jardins zoológicos são como que afluentes do rio caudaloso que visa a pedagogia da partilha e do convívio dos seres, trazendo quase à nossa porta, animais que jamais teríamos oportunidade de ver ao vivo, porque é ínfima

a percentagem de nós que pode visitar a savana ou outras paragens mais exóticas. Os zoos são agentes promotores de erudição e pesquisa, e, em certa medida, um garante da preservação. O último Rinoceronte-branco saiu do Sudão, aos dois anos, para um zoo da República Checa e, já adulto, regressou à vida selvagem, no Quénia. Este “retiro” certamente salvou-o dos caçadores furtivos e, ao procriar com duas fêmeas, per-

Para a organização não governamental Loving The Planet “É tarde demais para ser pessimista ou para ficar parado! É preciso agir agora, pois a nossa Casa Comum corre perigo de extinção.”

mitiu a sobrevivência da espécie, além do precioso material genético que deixou. Eu gosto do ambiente divertido que o Jardim Zoológico de Lisboa imprime ao espaço, provando que não há forma mais produtiva de assimilar conhecimento do que “aprender com prazer”. Perguntem a uma criança o que sentiu, ao visitar o Zoo. A reação é de euforia pela traquinice dos macacos, pelo gigantismo das girafas, pelo colorido das aves ou pelo respeito que os leões impõem. Por mais belas que sejam as imagens que tenho o gosto de apresentar, em programas de Natureza, não há nada que chegue ao contacto visual e direto com os animais de outros pontos da Terra. Esta proximidade é salutar; dá-nos um sentimento de pertença à grande família de seres vivos. É uma riqueza que prima pela diversidade e que, no entanto, está perigosamente ameaçada. Quando tiver a tentação de criticar o Jardim Zoológico,

*Uma espécie de grande primata, muito semelhante ao Chimpanzé e que, tal como ele, partilha 98,7% do seu ADN com o Homem.

pense na hecatombe ambiental que se anuncia: em 2100 haverá metade das espécies no nosso amado Planeta. Os nossos netos vão ouvir falar delas como personagens de um conto de fadas. Apetece dizer: Pare, escute e olhe. Priorize. Nunca perca essa faculdade, porque só a visão do todo concorre para o equilíbrio. Nos seus critérios de avaliação do lado luz e do lado sombra aplique a grande lição dos bonobos*: amorosidade. Vai ver que tudo ganha cor e sentido. Precisamos desse suplemento de alma como do alimento que damos ao corpo.

Saiba mais em www.lovingtheplanet.org


Ideias com Natureza Um ano em cheio

EX POSIÇÃO

JOEL SARTORE TRAZ A SUA ARCA A LISBOA Cordoaria Nacional, Avenida da Índia, Lisboa Depois do sucesso alcançado no Porto, a Photo Ark, de Joel Sartore, já foi inaugurada em Lisboa onde fica até ao início de maio. Tratase de uma exposição de fotografias de animais

que visa mostrar a beleza e a importância de cada espécie e a necessidade que todos temos de contribuir para a sua conservação. De 28 de nov. a 05 de maio, aberto todos os dias.

Nesta secção fique a par de todas as novidades e dos programas mais interessantes para fazer em Lisboa.

TEATRO

O FEITICEIRO DE OZ NO TIL Teatro Armando Cortez, Estrada da Pontinha, n.7 É uma história clássica, que todos conhecemos e agora o Teatro Infantil de Lisboa - TIL leva-a à cena no Teatro Armando Cortez, em Lisboa, até 26 de Maio. Bilhetes à venda na BOL e na bilheteira do teatro. Marcações para grupos através do 916 993 180 Saiba mais: www.til-tl.com

Caminhe em família e ligue-se à Natureza Aproveite o facto de viver num país em que o inverno tem poucos dias de muito frio e muitas semanas cheias de sol e caminhe com a família pelas serras, praias, vilas históricas ou em trajetos à medida. Existem várias empresas especializadas que pode facilmente consultar pela internet como a Walkhike, a Rotas do Vento ou a Caminhando. É um programa para todas as idades que ajuda a criar laços ainda mais fortes com a Natureza. Saiba mais em:

www.portugalwalkhike.com / www.rotasdovento.pt www.caminhando.pt

OS A NI M A I S D O ZO O PA R TILH A M IDEI A S

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OS A NI M A I S D O ZO O PA R TILH A M IDEI A S

30 | i d e i a s c o m n a t u r e z a | TEATRO

V I V ER A CIDA DE

COMIDA SAUDÁVEL EM CASA? SIM, É POSSÍVEL Mercados de Lisboa, Almada, Amadora e Cascais As frutas e legumes biológicos são mais saborosos, mais puros e conservam melhor as suas propriedades naturais. E para quem pensa que é difícil comprá-los, temos uma boa notícia: já existem vários mercados certificados em Lisboa. O mais recente é o Mercado do Lumiar+bio, que foi remodelado este ano e funciona de terça a sábado entre as 7:00 e as 20:00. Experimente também os da Agrobio, 15 no total, em Lisboa, Almada, Amadora, Cascais e outros concelhos. Saiba mais: www.agrobio.pta

ZOO é uma história de relações fortes. Uma visita guiada pelo coração ao Jardim Zoológico e aos animais que lá vivem. Um hino à conservação, à liberdade, ao conhecimento. Uma história de amor e de amizade que nos embalará a todos num misto de emoções. Um musical inesquecível para todos os que amam os animais e lutam por um mundo melhor.


O Jardim Zoológico agradece a todas as empresas que o apoiam. Fornecedores Oficiais

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Hรก dias que nunca se esquecem. VISITE O JARDIM ZOOLร“GICO

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Revista Jardim Zoológico | Janeiro 2019  

Conservar, educar e investigar. Criámos um meio de comunicar que mostra o melhor do Zoo e reflecte os valores que o sustentam. Boas leitura...

Revista Jardim Zoológico | Janeiro 2019  

Conservar, educar e investigar. Criámos um meio de comunicar que mostra o melhor do Zoo e reflecte os valores que o sustentam. Boas leitura...

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