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Guia das Mรกquinas Expodireto 2013 | 5


2 | Guia das Mรกquinas Expodireto 2013


Índice

Anunciantes que tornam possível a distribuição dirigida desta edição:

PRODUTOS

· Tratores · Plantio · Pulverização · Colheita · Implementos · Irrigação ESPECIAL

· Expodireto: negócios e debates · Senar-RS oferece oficinas durante a Expodireto · Os olhos eletrônicos dos Vants · Mais Alimentos internacional - três anos de espera · Simers apoia ida de indústrias gaúchas para a Agrobrasília · A evolução dos rodados duplos

Agrobrasília Gráfica Odisséia Imasa Lavrale Marini Senar-RS

ARTIGOS

· Elmar Luiz Flosss - A nobre função · Bruna Santos - É dia de feira

de produzir alimentos

Expediente Guia das Máquinas é uma publicação da PLZ Editora Ltda. Av. Carlos Gomes, 222, 8º andar Porto Alegre/RS Fone: (51) 3594-1902 Direção e edição Itamar Pelizzaro Jornalista (Mtb 8.476) itamar@guiadasmaquinas.com Fone: (51) 8200-1313

Comercial contato@guiadasmaquinas.com Projeto gráfico e Arte Pedro Dreher Impressão Gráfica Odisséia Tiragem 2.000 exemplares

www.guiadasmaquinas.com

Colaboraram nesta edição Alessandra Farina Bergmann , André Latarini, Camila Gonzaga, Eduardo Marini, Henrique Netzlaf, Lázaro Souza, Liana Merladete, Luiz Fernando Secco, Mariele Felipak, Mariliane Elisa Cassel, Mônica Bidese, Nelson Moreira, Ricardo Martel, Rodrigo Tomba, Thiago Rocha Baltussen. Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 3


DIVULGAÇÃO

Expodireto Cotrijal

Negócios e debates econhecida pelo seu papel na difusão tecnológica, a Expodireto Cotrijal 2013 tem em sua programação uma série de atividades que extrapolam a simples apresentação de equipamentos, insumos e inovações. Um dos pontos marcantes do evento é a discussão de temas relevantes ao agronegócio, como transgenia, biotecnologia, Código Florestal e irrigação, entre outros. Além dos fóruns da soja, do milho e o do leite, este ano o papel da logística no crescimento da produção agrícola brasileira será foco de discussão em audiência pública no dia 8. Na 14ª edição, com o tema “O mundo do agronegócio acontece aqui”, a Expodireto caminha para firmar sua internacionalização, recebendo este ano o maior número de delegações, autoridades, importadores e jornalistas de outros países. Este ano, as roda-

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das de negócios de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, antes centralizadas no Pavilhão Internacional, ocorrerão diretamente nos estandes dos expositores. E as rodadas de grãos (arroz, soja, milho, trigo), carne (gado, suíno, carneiro, frango) e lácteos vão ocorrer em toda a extensão da feira. A Emater-Ascar trabalhará o tema sucessão familiar e agroindústria, com uma encenação teatral mostrando uma propriedade diversificada, com tecnologia e sucessão familiar, em contraponto a uma propriedade com a monocultura da soja e sem a presença dos filhos. No Espaço da Natureza, as energias renováveis eólica e fotovoltaica serão apresentadas. O objetivo é conscientizar e mostrar o funcionamento de alternativas energéticas sustentáveis técnica e economicamente. Serão ins-

talados no parque de exposições aerogeradores (energia eólica) e um sistema fotovoltaico (energia solar), na Casa do Meio Ambiente.

A programação ■ 4 DE MARÇO

9h – Abertura oficial, Auditório Central 14h às 16 – 5º Fórum Nacional do Milho ■ 5 DE MARÇO

9h às 13h – 24º Fórum Nacional da Soja 14h– Fórum Bandeirantes de Ideias ■ 6 DE MARÇO

9h às 12h – 9º Fórum Estadual do Leite 14h – Prêmio Semente de Ouro 2013 ■ 7 DE MARÇO

8h30min às 12h – 6º Fórum Florestal do Rio Grande do Sul ■ 8 DE MARÇO

8h às 12h30min – Fórum Jovem Cooperativista 14h às 17h – Espaço do Senado 17h – encerramento


FOTOS TIAGO FRANCISCO / SENAR -RS

Capacitação rural

Cursos do Senar para dominar a tecnologia educação deve ser prioridade para qualquer nação que queira evoluir e ter justiça social. No campo, aprender a dominar as tecnologias que são aplicadas no manejo das lavouras é cada vez mais essencial e está mais acessível aos produtores que tiverem interesse em conhecer o programa de treinamentos em agricultura de precisão (AP) oferecidos pelo Senar-RS, por meio dos sindicatos rurais. Em sete cursos de até 16 horas cada, técnicos do Senar-RS abordam o conceito da tecnologia e ensinam a utilizar as ferramentas que vão conduzir ao caminho da produção, aliando sustentabilidade e produtividade. Os primeiros cursos do programa de AP foram realizados no final de 2012, na região do Planalto Central, e outros 10

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já estão programados para o início deste ano. O efeito do aprendizado é imediato. Uma semana depois de participar dos eventos, o agricultor Jair Schumann, de Não-Me-Toque, passou a aplicar o conteúdo adquirido no curso, aplicando dessecante na lavoura da propriedade onde trabalha. Conforme Jair, que operava basicamente no GPS do autopropelido, as informações adquiridas o ajudaram a utilizar em detalhes o equipamento. “Passei a dominar outros recursos do equipamento que não usava”, diz, que revisa o conteúdo com um vizinho e colega de curso. Ainda fazem parte da programação outros seis módulos que tratam desde operação de máquinas precisas até gestão da propriedade. Monitoramen-

to de colheita é um dos temas que Jair aguarda com expectativa. “Vou precisar dominar este assunto, já que meu patrão adquiriu um equipamento que mede a produtividade da área colhida”, explicou. O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado brasileiro a implantar o programa de treinamentos do Senar, que ocorrerá também na Bahia, no Paraná, em Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Conforme o superintendente do Senar-RS, Gilmar Tietböhl, além da abordagem técnica nos assuntos relacionados às máquinas, o programa dispõe de temas voltados à gestão da propriedade. “Tão importante como operar os equipamentos é aprimorar o conhecimento em administração rural, liderança e empreendendorismo”, destaca.


Oficinas durante a Expodireto Irrigação, agricultura de precisão, gestão rural, inclusão digital e regulagem de colheitadeira são os temas trabalhados nas oficinas técnicas oferecidas pelo Senar-RS durante a Expodireto. No estande do Sistema Farsul, o Senar promove atividades como os jogos de simulação, nos quais o público pode operar um simulador de aplicação de defensivos agrícolas e ainda ganhar prêmios. O objetivo é aplicar o produto na lavoura obtendo o menor número possível de área de transpasse de aplicação. As técnicas de irrigação são outro tema apresentado, para conscientizar o produtor sobre a importância da correta utilização desses sistemas para potencializar a produção de diversas culturas e obter melhor uso e conservação da água. Em um espaço criado especialmente para demonstrações práticas, instrutores informam sobre

os sistemas de gotejamento, aspersão, microaspersão e pivô central. Também será apresentada uma mini-estação meteorológica produzida nos Estados Unidos, que calcula parâmetros como velocidade do vento, temperatura do ar, irradiação e volume pluviométrico. O equipamento indica ao produtor, no fim do dia, a quantidade de água que deve ser aplicada em cada uma das culturas. O Senar-RS também trabalha na divulgação de cursos de gestão rural, para ampliar a capacidade de visão do produtor sobre seu negócio, transformando métodos informais de tratamento dos sistemas produtivos em conhecimento específico. “Estamos com uma variedade de cursos disponíveis, voltados para o planejamento financeiro, empreendendorismo e para liderança”, detalha o superintendente Gilmar Tietböhl.

Mapa e UFSM terão parceria Aumentar o uso das tecnologias e ferramentas da AP que podem aperfeiçoar o uso dos insumos agrícolas, reduzir os impactos ambientais da produção, aumentar a lucratividade do produtor e melhorar a gestão é um dos desafios do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que firmará convênio com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para oferecer cursos em 2013. Um exemplo bem sucedido é o projeto Aquarius – que incentiva cooperativas e produtores a utilizarem as técnicas da AP. O projeto é uma parceria de UFSM, Cotrijal e prefeitura de Não-MeToque, além de empresas.

Tão importante como operar os equipamentos é aprimorar o conhecimento em administração rural, liderança e empreendendorismo GILMAR TIETBÖHL Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado a implantar este programa de treinamentos Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 7


Tratores FOTOS DIVULGAÇÃO

Transmissão CVT A série MF 8600 da Massey Ferguson é dotada de tecnologia de ponta. Os modelos MF 8670 e MF 8690, de 320cv e 370cv, são os primeiros no Brasil equipados com a transmissão CVT (Dyna-VT), o mesmo conceito que leva conforto e economia de combustível aos carros mais modernos vendidos no mercado. Os tratores contam com piloto automático de série e função DTM, que otimiza o desempenho durante o trabalho. O operador pode realizar até 30 funções com apenas um toque de botão. A série tem diferenciais como vazão de controle remoto de 175 litros/min, suspensão ativa de eixo dianteiro e capacidade de levante hidráulico de 12 toneladas.

Alta potência A linha de tratores é uma das atrações da John Deere. O modelo de maior potência é o 8335R, de 335cv, que pode ser equipado com suspensão dianteira independente, rodados duplos nos dois eixos e luzes de xenon. A transmissão é sequencial, assistida hidraulicamente e sem interromper a transmissão de potência para as rodas.

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Tem a função APS, que seleciona automaticamente a marcha mais econômica para a operação, sem ultrapassar a velocidade máxima definida pelo operador. Com a transmissão PowerShift automática, é possível engatar uma velocidade superior e desacelerar (velocidade mais alta/baixas rotações do motor) para reduzir o consumo de combustível, sem prejudicar o rendimento.


A Agrale apresenta a sua linha completa de tratores na Expodireto. A família 6000 oferece cabine com maior espaço interno, novo desenho, sistema de vedação aprimorado e melhor refrigeração, com saídas de ar que impedem a entrada de poeira. A linha com potências entre 15cv a 30cv têm baixo custo de manutenção e operação. É destinada à agricultura familiar, e seus modelos estão incluídos no programa Mais Alimentos.

90 anos Farmall A Case IH chega à Expodireto celebrando os 90 anos dos tratores Farmall. A linha começou a ser construída em 1923 e foi nacionalizada em 2010, marcando a entrada da indústria no mercado brasileiro de baixa potência, incluindo o modelo de 80cv em programas como o Mais Alimentos. Os Farmall 60, 80 e 95 podem ser utilizados nas mais variadas aplicações e tamanhos de propriedades.

Mexicano versátil Importado do México, o TS6, da New Holland, tem potência versátil para diversas aplicações. É um modelo cabinado, com câmbio 100% sintonizado, que chega para completar a linha de potência-chave (120cv). Entre suas características, a transmissão sincronizada dá mais conforto ao operador em suas operações. Para facilitar o manuseio e ser mais ágil nas manobras, o TS6 opera com reversor hidráulico. Outro diferencial da máquina é o seu eixo passante, que permite a regulagem de bitola, além de poder trabalhar com o pneu duplado. Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 9


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Montana 20cv O Montana Solis 20 é o novo lançamento da fabricante paranaense. Considerado o trator multi-uso da marca, agora na versão 20cv, o Solis 20 tem motor de 3 cilindros, bloqueio no diferencial, tração 4x4 e 4x2 e bitola máxima de 90cm. Com dimensões compactas, foi desenvolvido para diversas culturas. O sistema de marchas à frente e à ré garantem mobilidade em diferentes terrenos.

75cv cabinado Com foco nos pequenos agricultores, a Yanmar Agritech desenvolveu um modelo de trator de 75cv compacto e cabinado. Segundo a empresa, o modelo é destinado às culturas que necessitam de um trator versátil e confortável, especialmente em aplicações como pulverização. A empresa também apresenta na Expodireto sua linha com nova motorização Agritech de 30cv e 50cv. Os novos tratores 1235 e 1250 prometem melhor performance, baixo consumo de combustível, baixa emissão de poluentes e aptidão para rodar com biodiesel B5.

A chegada da LS Tractor A coreana LS Tractor chega ao Brasil com a pretensão de ser a quinta maior fabricante do Brasil em 2017. Para isso, anunciou investimento de cerca de R$ 60 milhões para instalar uma fábrica em Garuva (SC), próximo a Joinville, que deve estar pronta em julho de 2013. A companhia vai fabricar tratores de 25cv a 100cv,

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que representam cerca de 70% do mercado de tratores no Brasil. Anualmente, a marca produz cerca de 50 mil unidades. A empresa informa que investe alto em tecnologia e vai comprovar isso com o lançamento mundial, mas ainda não no Brasil, de um trator híbrido, com motor a diesel e elétrico de 100cv.


Plantio

Imasa renova a Saga Plus FOTOS DIEGO PRETTO/DIVULGAÇÃO

e olho em um dos maiores mercados de plantadeiras leves, de 7 a 11 linhas, a Imasa promoveu modificações na Saga Plus. Este modelo atende ao produtor de médio porte, que procura uma máquina leve, montada a partir de 5 até 11 linhas, e que tem atrativos fundamentais para que o equipamento se torne competitivo no ramo. Tendo a consciência de que o produtor rural está cada vez mais exigente e buscando mais tecnologia em seus equipamentos, a Imasa projetou uma Saga Plus pronta para atender a estas demandas. Dentre as principais características da máquina se desta-

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cam as linhas pantográficas com maior articulação e o acionamento do sistema distribuidor de semente por meio de cardan,

eliminando o uso de correntes. O novo sistema de buchas de desgaste proporciona maior área de contato e diminui o desgaste no sistema de articulação das linhas. Os reservatórios em polietileno aumentam a capacidade de adubo em 30 litros por linha. A plantadeira tem possibilidade de montagem com disco de corte de 18’, montagem de rodado duplo e rodas de controle de profundidade articuladas. Essas novidades colocam a nova Saga Plus como uma das mais versáteis e atrativas do mercado. Ainda no ramo das plantadeiras leves, a multiplantadeira lançada em 2012 , na Expodireto, continua atraindo a atenção do produtor rural pela simplicidade e funcionalidade.


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DPS O sistema de distribuição precisa de sementes (DPS) é a novidade da Stara para o mercado de plantio pneumático. O DPS é compacto, de fácil limpeza (sem ferramentas) e está disponível para as plantadoras com acionamento control ou mecânico (cardan ou corrente). É dotado de apenas um disco por cultura, com eliminação de sementes duplas.

Reengenharia na Semeato

Plantadora de hortaliças

A Semeato traz para a Expodireto a semeadora múltipla SSM 27, que passou por um processo de reengenharia para alterar o design dos reservatórios de sementes, aumentando a capacidade de sementes e fertilizantes. A indústria ainda se destaca pelo Vacuum System – sistema para distribuir sementes de soja, milho, algodão, sorgo, feijão, entre outros grãos graúdos, estando disponível para as famílias das máquinas Sol Tower (foto) e Sol TT.

Concebida com foco na precisão de plantio, a plantadora de hortaliças JM2490 Exacta Perfecta é um lançamento da Jumil. O equipamento traz como principais avanços o plantio em linhas duplas, com distribuidores de sementes individuais e um especial para hortaliças.

Macanuda ágil Mais recente lançamento da Vence Tudo, a semeadora autotransportável Macanuda Top promete agilidade e praticidade. Disponível nos modelos mecânicos e pneumáticos de 24, 28, 30 e 36 linhas (espaçamento de 45 cm), a semeadora atende a médias e grandes propriedades. Sua capacidade de sementes pode chegar a 5.110 kg (36 linhas), o que diminui o número de paradas para abastecimento. Para o transporte, sem descer do trator o operador aciona o sistema hidráulico e, em poucos minutos, a máquina está na posição de autotransporte. A configuração tem sistema de disco de corte de 20’,

independente da linha da semente, com giro livre e regulagem de altura. O sistema de regulagem de pressão é de fácil acesso, com molas frontais. O conjunto de disco duplo desencontrado de 15x15’ tem sistema de corte da palha e colocação da semente no sulco de plantio. O sistema de regulagem de semente é pelo Sistema TR - Troca Rápida - com fácil acesso e proporcionando várias combinações. Já os rodados são com oito pneus 14-17.5, dando estabilidade à semeadora e diminuindo o índice de compactação por parte do implemento.

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Pulverização Modelos Lavrale A Lavrale tem uma linha diversificada de pulverizadores para a agricultura familiar, com capacidade de 200/300 e 400 litros. Os equipamentos têm o conceito 4 em 1, pelo qual é possível adquirir o pulverizador e os acessórios (barra, turbina, aplicador de herbicida ou enrolador) separadamente, de acordo com sua necessidade. A empresa também lançou pulverizadores de 1.500 e e 2.000 litros, para aplicações em pomares de frutas em grandes extensões.

Multiple 3200 AB A Metalfor apresenta um novo pulverizador para o mercado brasileiro, o Multiple 3200 AB, que completa a linha das Multiple AB de 2.500 e 3.000 litros. O novo autopropelido está configurado com 32 metros de barra e 3.200 litros de tanque, rodado 12.4x46 e motorização Cummins 6 cilindros. Equipado com controlador de vazão, desligamento automático de seções, piloto automático e câmeras para monitoramento desde a cabina das barras. 14 | Guia das Máquinas Expodireto 2013

Agricultura de precisão

Coletor de dados Um coletor de dados com GPS projetado especificamente para guiar a coleta de informações para a agricultura de precisão (AP) é o lançamento da Falker este ano. Sediada em Porto Alegre, a Falker é uma empresa de tecnologia e inovação para a AP. Com o lançamento do FieldBox - Coletor de Dados e Navegação em Campo, a companhia amplia sua linha de soluções para coleta, organização e uso de informações agronômicas. Segundo a empresa, o FieldBox é o primeiro equipamento projetado pensando na realidade do trabalho de agricultura de precisão em campo. Trata-se de um equipamento robusto, com tela grande e de fácil visualização, que permite um trabalho contínuo. O software é focado na facilidade e na simplicidade de uso, sendo totalmente intuitivo. Realiza as operações necessárias na coleta de campo como criação do contorno de áreas, criação de grade amostral e guia a coleta. A empresa desenvolveu o FieldBox com tecnologia própria.


Vants

Cada palmo deste chão onsiderados essenciais em operações militares recentes dos Estados Unidos, seja para vigiar o esconderijo de Osama Bin Laden no Paquistão ou disparar um míssil contra o comboio no qual viajava o ex-ditador líbio Muamar Kadafi, os veículos aéreos não triplados (Vants) aos poucos ganham espaço como peça importante para a agricultura. Nas lavouras, imagens de alta resolução geradas por câmeras acopladas aos Vants permitem avaliar as culturas, flagrar falhas de plantio, observar a renovação de pomares, analisar a fitotoxicidade, ver os danos causados por ataques de pragas e doenças, observar os pontos de colheitas de grãos e manchas de solo, analisar o desenvolvimento da lavoura ao longo da safra, realizar estimativas de produção e zonas de manejo. Com uma câmera infravermelha é possível verificar qual área necessita de irrigação ou não. O uso de Vants oferece ao produtor informação rápida, prática e precisa. As aeronaves registram fotos da área e pousam automaticamente após a realização do plano de voo. O controle e o monitoramento são feitos por meio de software específico, conforme o modelo do equipamento, e podem ser acompanhados na tela do computador. Com o plano de voo automatizado e as ferramentas de edição, é possível pré-programar o trajeto e alterá-lo durante o voo. Com esta ferramenta, o usuário tem o controle total da posição, da altitude e do comportamento do equipamento, além de acompanhar informações sobre sua cultura. Depois do sobrevoo na propriedade e do pouso, cabe ao produtor rural baixar as múltiplas imagens da câmera instalada na aeronave e visualizá-las na tela do computador.

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Comercializado pela Geo Agri, equipamento da SenseFly dispõe de GPS e piloto automático

Os Vants ou drones representam cerca de

30% da frota militar norte-americana, contra apenas

5% em 2005 segundo dados da consultoria Teal Group. Na área civil, estima-se que o mercado mundial do setor cresça

155% até 2020 chegando a um faturamento de

US$ 55 bilhões


SenseFly cabe em maleta

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No Brasil, a maioria dos Vants disponíveis são importados e ainda não existe regulamentação para seu uso civil. Em escala global, o desenvolvimento destes aparelhos ocorreu mais aceleradamente nos últimos 20 anos. No Brasil, desde o ano 2000 empresas se dedicam a produzi-los. No Rio Grande do Sul, a empresa Skydrones foi criada em 2010, na incubadora tecnológica Unitec, na Unisinos, em São Leopoldo, baseada na percepção de seus sócios. A companhia mantém alianças estratégicas com empresas da Alemanha, da Coréia do Sul, dos Estados Unidos, da Suécia e da China para fornecer tecnologia aviônica e componentes para produzir e comercializar sua atual e futura linha de produtos. Atualmente, a Skydrones presta serviços e treina novos operadores de Vants. Os maiores clientes atuais são empresas de construção, imobiliárias, agências de publicidade e indústrias, mas o Vant para uso agrícola está em fase final de produção. Nesta Expodireto, o modelo Eagle Ray, rebatizado de Zangão, estará exposto no estande da Falker, empresa dedicada ao desenvolvimento de aplicações de tecnologia eletrônica para o mercado agrícola. O gaúcho Zangão tem envergadura de 2,1m, peso de decolagem entre 2,5 a 3,5kg (dependendo da carga), voa de 10 a 30m/s (36 a 100 km/h) e faz seus voos normalmente a 100m de altura, podendo atingir 500m. Seu voo tem duração média de uma hora e pode carregar câmeras comuns ou multispectrais, para gerar fotografias georreferenciadas. Sua autonomia pode facilmente ultrapassar uma hora. Na Expodireto também é possível conhecer os Vants comercializados pela GeoAgri, empresa representante exclusiva de modelos das marcas

O gaúcho Eagle Ray, rebatizado de Zangão, da Skydrones, está exposto no estande da Falker

Gatewing (Trimble) e SenseFly (Swinglet CAM), este último com 80cm de envergadura. O SenseFly é armazenado em uma maleta, sem ser desmontado, e pesa cerca de 500 gramas. O modelo dispõe de GPS e piloto automático embutido, controlado pelo computador, câmera de 12 MP ou câmera adaptada para registrar imagens da área em NDVI. “Uma das grandes vantagens de se

utilizar um Vant é ter a imagem real e, mais importante, atual da área, ao modo que as imagens pela internet muitas vezes são antigas, não estando atualizadas“, diz Matheus Maziero, engenheiro agrônomo da GeoAgri. “Além de visualizar a condição da lavoura de um ângulo diferente, o uso destas imagens em tempo real permite uma melhor tomada de decisão”, complementa. Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 17


Gaúcho propõe regulamentação à Anac DIVULGAÇÃO

O Brasil ainda não dispõe de norma para uso comercial de Vants no espaço aéreo. Em janeiro, o engenheiro de automação Ulf Bogdawa, presidente da SkyDrones Tecnologia Aviônica, encaminhou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) uma proposta para regular seu uso civil e comercial e sugeriu uma classificação que leva em conta a massa máxima de decolagem (MTOM), a autonomia, o teto e distância máxima operacional, a velocidade e a localização da operação (o chamado “envelope operacional”). Segundo Bogdawa, a classificação ou subdivisão já é utilizada em vários países e se faz necessária em face da grande variedade de Vants existentes, separando-os de acordo com a complexidade e os riscos operacionais. Conforme a informações citadas na proposta enviada à Anac, 80% dos Vants civis mundiais pesam menos de 10kg, enquanto a legislação brasileira atual está focada em equipamentos acima de 25kg. A importância e a urgência da criação desta norma vai além da operação segura de Vants, da geração de empregos no Brasil e do domínio da tecnologia. “Trata-se da viabilização de uma indústria de alta tecnologia criada em 2006 e que já investiu mais de

Bogdawa aponta equívoco de prioridade na lei brasileira, que foca em Vants com peso acima de 25kg, enquanto 80% dos veículos têm menos de 10kg

R$ 100 milhões em pesquisa e desenvolvimento”, afirma Bogdawa. Esta indústria foi patrocinada em parte pelo próprio governo brasileiro, que investiu mais de R$ 22 milhões em empresas, por meio de subsídios da Finep/MCT. “Estas empresas contrataram e treinaram recursos humanos, desenvolveram tecnologia importantíssima para a segurança nacional e, agora, são forçadas a dispensar estes

Produzidos no Pampa: o hexacóptero militar Scorpion e o modelo agrícola 18 | Guia das Máquinas Expodireto 2013

recursos humanos, jogar fora tudo que foi pesquisado, pois o resultado de seus desenvolvimentos não pode ser utilizado legalmente no Brasil”, diz. A proposta à Anac também visou a mostrar o equívoco de prioridade da atual legislação brasileira sobre o uso civil dos Vants. A legislação atual está voltada para Vants com peso superior a 25kg, ou seja, do tipo que podem vir a ocupar o espaço aéreo comercial. Para tal, estes Vants são complexos, caríssimos e necessitam de dispositivos de identificação eletrônica (transponders) além de outras medidas de segurança. Bogdawa cita estudo de regulamentação do Canadá segundo o qual os micro e mini Vants na classe dos 10 kg representam 80% dos veículos no mercado civil mundial. O presidente da Skydrones aponta erro e omissão do Brasil, cuja legislação foi praticamente copiada da norte-americana (que tem rica indústria de Vants), resultando em nenhuma chance à indústria nacional na utilização de seus produtos de maneira comercial. “Se não tivermos imediatamente uma legislação clara e em sintonia com a indústria e o mercado, fatalmente seremos “esmagados” pela indústria americana e outras.”


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Rodado Duplo Marini

Engate rápido e mais tração riadora e líder no mercado brasileiro de rodados duplos para tratores, colheitadeiras e de alongadores de eixo para tratores, a Marini tem sido reconhecida cada vez mais pelo seus produtos inovadores. Uma evolução tecnológica importante em relação às duplagens convencionais, o rodado duplo com sistema de engates rápidos é utilizado tanto no preparo do solo quanto no controle com herbicidas (pulverização) e no cultivo. O sistema especial destinado a tratores possibilita que o modelo simples seja equipado com rodados duplos de engate rápido e, assim, acompanhe o agricultor durante todo o seu trabalho

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no campo. No preparo, o sistema proporciona melhor tração e menor compactação de solo, possibilitando que o trator “puxe” implementos maiores como semeadeiras com mais linhas. Para a montagem do equipamento, é feita a fixação dos aros externos na calandra externa, por meio de extensos grampos que dão a possibilidade de unir os pneus/rodas internos com os externos, a chamada duplagem do trator. O rodado duplo é facilmente desplugado do trator, com tempo estimado em aproximadamente 7 minutos cada lado, facilitando o trabalho do agricultor no campo. Mesmo trabalhando sozinho, o produtor consegue montar e desmontar rapidamente sua

duplagem, alternando quando necessita de mais tração ou quando precisa de pneus estreitos. Na pulverização, o sistema permite que o trator trabalhe com rodagem simples para a aplicação de defensivos, assim não passando com o pneu sobre a planta e amassando a produção. No cultivo, o rodado duplo com engates rápidos dá uma opção a mais para o deslocamento de equipamentos e para tracionar implementos maiores. Assim, o trator duplado estará dando maior rendimento ao operador, facilitando os trabalhos no solo com praticidade e segurança. A Marini é uma empresa fundada em 1989, com sede em Passo Fundo. Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 19


JEFERSON CHAGAS / DIVULGAÇÃO

Colheita

Processamento híbrido ma das inovações que a Massey Ferguson mostra na Expodireto é a colheitadeira MF32 SR, que incorpora diferenciais que permitem a colheita de variados tipos de grãos, como milho, soja, trigo e arroz. A exemplo da tradicional MF32, o modelo SR é equipado com sistema híbrido de processamento, que conta com dois rotores para separação do cereal, aumentando a capacidade de colheita.

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A exclusiva versão SR apresenta novo design no capô traseiro. A montagem sobre chassi garante alinhamento dos conjuntos. Em terrenos inclinados, o sistema de limpeza de dupla cascata, em conjunto com divisores altos, evita o transbordo de grãos de uma seção a outra, diminuindo as perdas. Segundo a empresa, a MF32 SR amplia a capacidade de trabalho em até 40%, reduzindo a quase zero os níveis de perdas totais da colheita.

Outro aspecto destacado é o sistema de retrilha realizado pelo batedor traseiro, o qual permite perfeita qualidade de grãos. Outro diferencial é o motor Agco Power 620 DS de 200cv, que confere à máquina a maior potência do mercado. A colheitadeira está disponível para todas as versões 4x2 e 4x4, com rodagem dianteira simples ou dupla, podendo vir equipada de fábrica com o sistema de agricultura de precisão Fieldstar.


FOTOS DIVULGAÇÃO

Para pequenos e médios Um dos destaques da New Holland é a CR5080, a menor colheitadeira de duplo rotor da família CR. A máquina irá atender, principalmente, à demanda de pequenas e médias propriedades, que hoje estão migrando para a tecnologia de rotor, um mercado em crescimento, formado por produtores que buscam mais tecnologia. A CR5080 tem tanque graneleiro de 7,050 litros e opera com plataformas de 20 pés.

Nova plataforma A John Deere destaca a S680, com tanque graneleiro para 14 mil litros e descarga de 135 litros por segundo, tanque de combustível de 1.250 litros e plataforma Hydraflex Draper de 40 pés, com alta flexibilidade da barra de corte e rendimento 10% superior ao sistema convencional. Outros modelos são a 1175, que pode ser financiada pelo Mais Alimentos, o modelo 1470, com sistema de saca-palhas, e ainda dois modelos com a alta produtividade do sistema de rotor, a 9470 STS e a 9670 STS. A novidade é a plataforma flex draper (foto), agora fabricada no Brasil.

Colhedora de forragem A Nogueira está lançando a colhedora de forragens Cat 1200, um implemento para todo tipo de forragem com altura mínima de 1m, sem necessidade de linha de plantio (colhe sem linhas). A empresa destaca como vantagens únicas o fato de o equipamento colher as mais variadas culturas forrageiras sem a necessidade de troca da plataforma de recolhimento. A Cat 1200 permite abertura do carreador apenas articulando a máquina para trás do trator. Tem capacidade para colher até três linhas de culturas forrageiras plantadas com espaçamento de 45cm. O produto tem plataforma articulável, roda de apoio, caixa de troca de corte, rotação do tambor e quebra jato elétrico.

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Implementos

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Tecnologia para o arroz roféu Prata em Agricultura de Escala, na categoria Novidade do Prêmio Gerdau Melhores da Terra, na última Expointer, o Fecha Taipa Arrozeiro FTA 1600, da Agrimec, é um dos destaques da empresa de Santa Maria na Expodireto. O implemento é utilizado em lavouras de arroz irrigado e o primeiro a permitir a construção dos canais de água da plantação, com paredes (taludes) bem formadas, bem como o fechamento de cada gleba plantada em uma única operação. O FTA 1600 substitui o arado e reduz a erosão das paredes do canal, além de permitir uma distribuição mais uniforme da água entre as glebas. O equipamento foi exibido em fevereiro, em dia regional de campo promovido pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), em São Vicente do Sul. Para preparo do solo, a Agrimec aposta no Rolo Faca Arrozeiro, usado a partir da colheita para acamar a planta do arroz, evitando o rebrote e a consequente disseminação do arroz vermelho, bem como para decompor mais rapidamente os restos culturais da planta. É indispensável quando se deseja repetir o plantio na mesma área.

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Enxada rotativa Entre os lançamentos da Lavrale, a Enxada Rotativa Super Forte Encanteiradora tem deslizadores substituíveis no encanteirador (sapata) e regulagem de altura na tampa traseira. É indicada para fazer canteiros para plantio de hortaliças (cenoura, alho, cebola, alface, etc). Os encanteiradores são derivados das enxadas rotativas série L, RL e RSF, fornecidos em montagem original de fábrica. Podem ser convertidos com aquisição do kit próprio.

Triturador O picador triturador de galhos da Lavrale dispõe de bica de saída regulável e direcionável, além de alimentação por rolos “puxadores” autorreguláveis ao diâmetro do material e com variação de velocidade.

Roçadeira deslocável A Roçadeira Deslocável da Lavrale oferece caixa de transmissão direta com giro livre incorporado em banho de óleo. O equipamento tem esqui lateral com regulagem de altura no modelo ER, roda reguladora de altura e deslizadores substituíveis. Possui estrutura reforçada, com engate três pontos e acionamento por tomada de força. As navalhas são em aço carbono com tratamento térmico.


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Irrigação

Água pela internet

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nico fabricante brasileiro de pivôs de irrigação, o Grupo Fockink se faz presente na Expodireto com seus tradicionais pivôs centrais e lineares e demonstrará um sistema de automatização da irrigação. A telemetria desenvolvida pela empresa de Panambi é um sistema que envolve sinais de rádio, permitindo controlar os pivôs pelo computador ou por meio de smarthphones e tablets, de qualquer lugar do mundo. Basta uma conexão com a internet. Na Expodireto a empresa demonstrará o sistema em uma maquete. Segundo a Fockink, a fer-

Automação da irrigação à distancia

ramenta permite melhor aproveitamento da mão de obra, reduz o desgaste de veículos, gera economia de combustível, diminuiu riscos de acidentes na lavoura e promove ações corretivas imediatas, que são informadas instantaneamente pelo sistema de alarme. Entre os modelos de pivô, o central fixo dispõe de sistema projetado para operar com torre central fixa, indicado para irrigação em círculos ou em setores. O modelo rebocável tornou a irrigação mecanizada acessível a um número maior de agricultores, pela sua versatilidade e economia. Entre as vantagens, reduz o custo por hectare, pela facilidade de utilização do mesmo equipamento em áreas distintas de cultivo. O pivô linear de duas rodas pode ser aplicado a vários formatos de la-

voura, com rendimento máximo em áreas quadradas ou retangulares. Segundo a companhia, o equipamento alcança 99% de aproveitamento na irrigação das áreas, pois percorre trajetos em linha reta, irrigando uniformemente qualquer cultura. Para áreas de pequeno porte, a Fockink investiu no desenvolvimento do Pivot Júnior, de dimensões reduzidas. O equipamento dá a pequenos e médios produtores os mesmos níveis de produtividade dos pivôs convencionais da marca. Em uma época de estiagens frequentes, é um seguro para garantir pastagens o ano todo e safras rentáveis em todas as culturas. Com 65 anos de atuação, a Fockink tem 12 linhas de produtos para diferentes segmentos do agronegócio.

Telemetria: antena e painel digital Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 23


Mais Alimentos Internacional

Passados três anos, agora vai? ançada em 2010, a internacionalização do programa Mais Alimentos ainda não saiu do papel. Apesar da complexidade para se firmar um modelo de exportação para países que, por exemplo, têm dificuldade para comprovar capacidade de pagamento, a demora de três anos para a efetivação do programa parece não afetar o humor de entidades do setor em relação ao desempenho do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) na articulação e na efetividade do programa.

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Perguntados sobre o assunto, o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no RS (Simers) e a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos (CSMIA) da Abimaq usam de diplomacia, evitando cobranças ou críticas ao MDA. A revista Guia das Máquinas questionou MDA, Simers e Abimaq sobre o porquê da demora para o início dos embarques e se o atraso está frustrando as expectativas da indústria. Veja abaixo como os representantes se posicionam. FOTOS DIVULGAÇÃO

Celso Casale Presidente da CSMIA/Abimaq

Claudio Bier Presidente do Simers

Marco Antonio Viana Leite coordenador do Mais Alimentos:

Esse tipo de arranjo é, por natureza, difícil e de longa maturação. É preciso lembrar que, além de recursos, são necessárias diversas ações que vão desde como processar a exportação até o serviço de pós-venda no país comprador, passando pelo oferecimento de garantias aos financiamentos. Apesar da demora, nossa expectativa é muito otimista, uma vez que o programa tem grande potencial de gerar novos negócios a médio e longo prazos. É claro que o empresário quer ter resultados o quanto antes, principalmente numa conjuntura em que nossa atividade vem sofrendo com o aumento das importações. Contudo, é preciso enfatizar que todo o processo até agora foi muito bem conduzido pelo MDA e tem tido o estreito e permanente acompanhamento dos fabricantes.

A existência desse projeto é uma grande vitória porque está ampliando as oportunidades de negócios. O Simers entende que o governo brasileiro quer efetivar esse projeto, que gera uma expectativa muito grande. As empresas estão passando pelo cadastramento e, ao perceberem a minúcia dos critérios exigidos, ficam cientes de que será um processo demorado. Para efetivar o Mais Alimentos Internacional é preciso muitos ajustes. O processo de cadastramento, seleção e aceitação é um caminho lento, porque são muitas empresas interessadas. Seguimos em diálogo com a África. Ainda temos um caminho pela frente, mas o interesse entre os governos brasileiro e cubano já foi firmado. Pretendemos exportar para Cuba este ano.

A iniciativa foi lançada em março de 2010. Como ação de apoio complementar, foi aprovada uma linha de crédito na Camex, em novembro daquele ano. Desde então, ocorre um processo de estruturação, de modo a amadurecer um modelo que atenda às exigências dos países cooperantes e garanta segurança aos exportadores. A partir da publicação, em dezembro de 2012, da portaria 112 do MDA, as empresas já estão se cadastrando na modalidade internacional. Cuba, Gana, Zimbábue e Moçambique já têm acordo de cooperação assinado. As negociações com o governo cubano estão avançadas e, ainda no primeiro semestre de 2013, deverão ser concretizados os primeiros embarques. A expectativa é de iniciar as exportações para os países africanos no segundo semestre.

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Agrobrasília

Indústrias gaúchas terão apoio para ir ao Cerrado islumbrando a um mercado promissor para seus associados, o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers) pretende repetir em 2013 a ida de indústrias para a 6ª Agrobrasília - Feira Internacional de Tecnologia e Negócios Agropecuários, que ocorrerá de 14 a 16 de maio, no Distrito Federal. O Simers pretende reforçar sua posição no Cerrado por um interesse

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estratégico, ampliando os mercados para as empresas gaúchas. Em 2012, a entidade participou da Agrobrasília em um estande coletivo de 1.340 metros quadrados, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (SDPI) do RS. Oito indústrias aproveitaram a oportunidade e foram expor seus produtos em uma região onde são cultivados mais de 500 mil hectares, abrangendo Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Bahia, com

condições de solo e de clima representativas do Centro-Oeste brasileiro e produtores rurais cada vez mais interessados em tecnologias que aumentem sua produtividade. Para este ano, o Simers está trabalhando para ampliar as vantagens às indústrias. O sindicato está elaborando ações para buscar, em convênio com a ApexBrasil, maior projeção das marcas gaúchas em mercados internacionais considerados alvo para o setor. Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 25


Artigo | Bruna Santos Diretora de Inteligência de Mercado da Ethos

É dia de feira modelo de crescimento econômico que se configurou no Brasil ao longo das últimas duas décadas esteve baseado no avanço acelerado das importações, financiadas pelo fluxo de divisas gerado pela venda de commodities ao exterior a preços inflados. Sendo este um modelo insustentável no longo prazo, urge uma mudança no paradigma de desenvolvimento que fez do Brasil um tradicional exportador de produtos com baixo valor agregado. Dar os primeiros passos no sentido de consolidar mudanças é uma tarefa desafiadora. Ainda mais quando falamos de um país que teve sua inserção externa baseada na exploração de recursos. É como muitos dizem: o Brasil é acostumado a ser comprado, e não a vender.

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Alcançar o desenvolvimento de um setor exportador dinâmico e integrado ao mercado mundial e promover o aumento da competitividade da produção econômica em escala global requer parcimônia e estratégia. É preciso ter em mente que a exportação não é saída para crises, mas sim um fator de desenvolvimento e, como tal, deve fazer parte de projetos estruturais, e não conjunturais. Se mudar requer parcimônia, explorar as oportunidades externas e adquirir experiência e traquejo nos negócios internacionais exige que primeiramente seja feito o “dever de casa”. Os primeiros passos não necessariamente envolvem viajar milhas além-mar. Não raro, a poucos quilôme-

tros da zona de conforto do empresário acostumado aos negócios nacionais está uma feira de negócios que pode representar o ponto da inflexão necessário para integrar seus negócios ao comércio mundial. A participação neste tipo de evento deve ser considerada com uma das principais ferramentas de promoção comercial para qualquer empresa que deseja iniciar ou ampliar vendas para o exterior. O Brasil conta hoje com uma agenda anual de cerca de 200 grandes feiras de negócios, que atraem aproximadamente 54 mil empresas e 5,5 milhões de visitantes, segundo a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe). Estes eventos funcionam como vitrines do setor produtivo nacional. Graças ao foco na geração de


negócios, as feiras brasileiras têm recebido um número crescente de visitantes internacionais. É o que ocorre com a Expodireto Cotrijal, feira que na 14º edição amplia sua área internacional de negócios e cria uma área exclusivamente dedicada às rodadas de negócios. Em 2012, Não-Me-Toque recebeu 71 países, 105 importadores e um volume de negócios de R$ 102,04 milhões. Notícia ótima para quem é do setor e deseja exportar. A escolha de uma feira com capacidade efetiva de negócio é primordial na hora escolher investir em um evento como tal. O volume de negócios e o número de visitantes dizem muito sobre o potencial real de retorno dessa aplicação de recursos. Mas é importante lembrar que os negócios nem sempre se consolidam na primeira participação. Para o fechamento de contratos faz-se necessário o planejamento e o followup junto aos contatos feitos durante a feira. Se esta já possibilitou os primeiros pedidos, deve-se responder com rapidez e entregar no prazo. Assim, feita a “lição de casa”, é hora de planejar com competência a participação em feiras internacionais fora do país, ampliar redes de relacionamento e buscar mercados promissores para sua atividade. Uma vez defi-

nido o mercado, é preciso buscar informações confiáveis acerca do alvo. Tendências de consumo, normas técnicas, níveis de preço, concorrência, legislação, embalagem, aspectos estatísticos e de comércio exterior devem ser apurados com antecedência. A conjuntura internacional é positiva. O empresariado brasileiro precisa ter senso de oportunidade e não perder o trem da história, pois este aponta para um futuro em que os eixos de desenvolvimento econômico estarão voltados para os países emergentes, os conhecidos BRICS, e o fluxo internacional de comércio entre estes atores ainda tem muito para crescer. A questão é se perguntar o que o Brasil quer da China, da Índia, do continente africano? E, a partir destas respostas, planejar, pensar estratégias e alinhar ações, sem nunca deixar de participar de feiras internacionais importantes. Ela garante a experiência para arregimentar e pôr em movimento as pré-condições para a mudança necessária que o Brasil precisa.

BRUNA SANTOS Diretora de Inteligência de Mercado da Ethos Intelligence. Na China desde 2010, Bruna foi sócia-fundadora da empresa Radar China, atuou como analista de mercado da empresa Chinatex Oil and Grains e hoje atua na coleta e análise de informação estratégica para tomadores de decisão. bruna@ethosintelligence.com

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Artigo | Elmar Luiz Floss Dr. em Agronomia, professor e pesquisador

A nobre função de produzir alimentos alimentação é a necessidade número um do ser humano. Nos primórdios da civilização, a população era pequena e essa necessidade era satisfeita com a utilização dos alimentos oferecidos pela natureza, como frutas, sementes, raízes, folhas e os animais silvestres. Meramente extrativa. À medida que a população crescia e os alimentos se esgotavam numa determinada região, os povos tinham de buscar e disputar novas terras. Asssim que homem começou a utilizar técnicas de cultivo, os povos deixaram de ser nômades. O homem decidia colher sementes das

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plantas mais apreciadas, mobilizava o solo e as plantava. Mais adiante, começou a utilizar dejetos animais como fonte de nutrientes para as plantas, o que garantiu que os povos ficassem sendentários. Foi o início da agricultura sedentária. A população crescia demasiadamente, e as técnicas de cultivo eram insuficientes para atender à demanda. Nos séculos XIV e XVI, a fome já era uma grande preocupação em diversos continentes, especialmente no europeu. Iniciou-se, então, a busca de novas terras para colonizá-las e, assim, aumentar a oferta de alimentos.

Em 1798, ficou famoso o estudo do economista Thomas Robert Malthus sobre a questão da fome no mundo. Segundo ele, o planeta caminhava para uma catástrofe quanto à disponibilidade de alimentos, pois a produção crescia em progressão aritmética, ao passo que a população crescia em forma geométrica. A teoria de Malthus gerou desafios, especialmente aos gestores públicos, pressionados a adotar políticas de segurança alimentar, mas, também, muitas críticas e até mesmo desprezo aos seus estudos. Passaram-se mais de dois séculos, e a grande preocupação da humanidade continua sen-


FOTOS ELMAR LUIZ FLOSS

Até o ano de 2050, a produção de alimentos terá que aumentar 70% em relação à produção de 2010. do a falta de comida ou o acesso a ela. A FAO estima que aproximadamente um bilhão de pessoas passam fome no mundo. Trata-se de uma fome endêmica, ou seja, a ingestão de quantidades não suficientes. Ou, o que é pior, milhões de pessoas com fome epidêmica, pois há má nutrição da mãe gestante e da criança na fase inicial de vida, quando a falta de alimentação adequada deixa sequelas para o resto da vida, especialmente, em relação à formação do sistema nervoso central. Nesse período, a população cresceu demasiadamente, de maneira especial nos países pobres. O planejamento familiar não era aceito, por questões culturais, educativas, ideológicas e religiosas. Na metade do século XX, os especialistas já se perguntavam se a questão primordial era

produzir cada vez mais alimentos, comprometendo o ambiente, ou reduzir a velocidade de crescimento populacional. O que Malthus não imaginava é que o melhoramento genético de culturas a partir das teorias genéticas de Mendel do século XIX, os modernos conhecimentos biotecnológicos do final do século XX e o desenvolvimento de modernas tecnologias de manejo das culturas elevaram de forma significativa a produção de ali-

ELMAR LUIZ FLOSS é professor e pesquisador há 35 anos. Já publicou mais de mil trabalhos acadêmicos e hoje percorre o Brasil ministrando palestras a produtores rurais. É sócio-diretor do Incia - Instituto de Ciências Agronômicas, que oferece cursos de capacitação e MBA. E-mail: elmar@grupofloss.com

mentos no mundo. O problema é a distribuição dos alimentos e o acesso a eles. O crescimento da produção de alimentos é maior nos países desenvolvidos em virtude da maior utilização de tecnologias, justamente onde o crescimento demográfico é menor. Já nos países subdesenvolvidos, o rendimento das culturas é muito baixo, pela resistência à adoção de tecnologias, ao passo que o crescimento demográfico é o mais alto. Segundo recente relatório da FAO, diariamente morrem 25 mil pessoas de fome no mundo, especialmente crianças. Isso é um atentado à dignidade da pessoa humana. Mesmo considerando-se a redução da taxa demográfica que se observa na maioria dos países subdesenvolvidos, até o ano de 2050, a produção de alimentos terá que aumentar 70% em relação à produção de 2010. Nos próximos 65 anos, deverá ocorrer um aumento da produção de alimentos equivalente àquela que o mundo produziu até o momento. Portanto, a segurança alimentar continua sendo o grande desafio da humanidade. Diante desse cenário e considerando-se que apenas o Brasil tem áreas de terras significativas que ainda podem ser incorporadas ao processo agrícola, sem grandes restrições de solo ou clima. Também há necessidade do aumento permanente da produtividade/rendimento das culturas alimentícias. Guia das Máquinas Expodireto 2013 | 29


Qualificação rural

Incia inova com MBA em produção vegetal mundo moderno exige formação continuada dos profissionais vinculados ao agronegócio. Atualmente, o que um aluno aprendeu nos primeiros dois anos da faculdade possivelmente estará obsoleto no dia da formatura. Com o principal objetivo de cooperar para a formação de recursos humanos e a difusão de tecnologias na agricultura, o Instituto de Ciências Agronômicas Professor Elmar Luiz Floss – Instituto Incia, foi criado em 2010 e oferece o MBA Produção Vegetal – Ecofisiologia e Manejo de Culturas de Lavoura. Os cursos MBA (do inglês Master of Business Administration - mestrado profissional) foram criados pela Universidade de Harvard (Estado Unidos), para aliar a gestão técnica e administrativa/financeira. Por isso,

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esses cursos exigem professores que, além da titulação em nível de mestrado e doutorado, devem trazer para sala de aula vivências profissionais. No processo pedagógico, o testemunho é mais importante que a teoria, por melhor que seja. Já existem no Brasil vários bons MBA em Gestão do Agronegócio e na área Animal. O curso de Produção Vegetal – Ecofisiologia e manejo de culturas de lavoura tem carga horária de 480h, superior às 380 horas do curso de especialização, divididos em gestão administrativa e financeira (40%) e gestão técnica (60%), complementada com o Trabalho de Conclusão do Curso (TCC). As aulas são concentradas em um final de semana por mês, na sexta-feira (à noite), no sábado (pela manhã e à tarde) e no domingo (pela manhã), durante 18 meses (18 módulos).

Programa MBA em Produção vegetal - Ecofisiologia e manejo de culturas de lavoura: 1. Análise macro e micro econômica do agronegócio 2. Gestão de pessoas 3. Planejamento estratégico e marketing 4. Análise financeira 5. Projetos agroindustriais 6. Bases fisiológicas do rendimento das culturas 7. Bases genéticas do rendimento das culturas 8. Bases climatológicas do rendimento das culturas 9. Influência das propriedades químicas, físicas e biológicas no rendimento das culturas 10. Nutrição e adubação racional de culturas de lavoura 11. Sistemas de produção agrícola 12. Manejo integrado de plantas daninhas em culturas de lavoura 13. Manejo integrado de moléstias de culturas de lavoura 14. Manejo integrado de pragas de culturas de lavoura. 15. Ecofisiologia e manejo de cereais de inverno 16. Ecofisiologia e manejo de soja e feijão 17. Ecofisiologia e manejo de milho, arroz e sorgo 18. Ecofisiologia e manejo de oleaginosas de inverno (canola, girassol e linho oleaginoso) 19. Apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Informações Internet: www.incia.com.br Rua João de Césaro, 255/sala 3 Bairro Lucas Araújo - Passo Fundo/RS CEP 99070-140 Fone : (54) 3327-0070 E-mail: divulgacao@grupofloss.com

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O mundo agrícola se

encontra aqui. 14 a 18 de maio

A Grande Feira do Cerrado Brasileiro Todos os caminhos do Agronegócio levam à AGROBRASÍLIA 2013. Novidades em tecnologias, representantes de instituições nacionais e internacionais, profissionais do meio e os agricultores que fazem nosso agronegócio ser reconhecido no mundo, reunidos nesse grande evento.

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CO OPA - DF

Guia das Máquinas - Expodireto 2013  
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revista de máquinas agrícolas e agronegócio

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