Índice PRODUTOS Tratores ................................................... 5 a 9 Plantio .................................................... 10 e 11 Colheita ................................................. 12 e 13 Irrigação ............................................... 14 e 15 Pulverização ................................................ 16 Leite ............................................................. 20 Agricultura de precisão ............................ 21 Implementos ................................................ 22 LEIA TAMBÉM Capa – China: planejamento e infraestrutura ...... 17 a 19 A evolução da agricultura nacional ...................... 26 e 27 A força da pesquisa brasileira ................................ 23 a 25 Os 90 anos da Imasa ................................................. 28 e 29 A mecanização na agricultura familiar ................ 30 e 31 Agrobrasília não para de crescer ........................... 32 e 33 Mapa de feira de máquinas .............................................34 Anunciantes que viabilizaram esta edição Agrimec, Gráfica Odisséia, Imasa, Lavrale, Metalúrgica Marini, Radar China, Senar-RS e Tecnoma
Expediente Guia das Máquinas é uma publicação da PLZ Editora.
Direção e edição Itamar Pelizzaro - Jornalista E-mail: itamar@guiadasmaquinas.com Fone: (51) 8200-1313 Comercial PLZ Editora Ltda Rua Dom Pedro II, 1.240, cj 508 Porto Alegre - RS E-mail: contato@guiadasmaquinas.com Fone: (51) 3594-1902 Planejamento gráfico Pedro Dreher Impressão Gráfica Odisséia Tiragem 5.000 exemplares Colaboraram: Camila Gonzaga, Emília Moura, Fernanda Reis, Fernando Ribeiro, Jaques Hickman, Laiz Santos, Marcelo Scapini, Marina Celinski, Nelson Moreira, Ragde Paz, Tereza Consiglio
www.guiadasmaquinas.com
Guia das Máquinas Expointer 2011 | 5
LUIZ ÁVILA - DIVULGAÇÃO
A maior vitrina do Brasil A principal vitrina das indústrias de máquinas e implementos agrícolas está aberta. Na Expoointer 2012, a maior feira multisetorial da América Latina, novamente os visitantes encontrarão um show de tecnologia em todas as áreas ligadas ao setor industrial. A vedete da feira de máquinas este ano são as empresas que produzem equipamentos para irrigação. O Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do
Sul (Simers), organizador do espaço de maquinários, destinou uma área nova para as empresas que fornecem esses sistemas. O leitor verá que já é possível gerenciar a distribuição de água pela propriedade por meio do computador ou mesmo do celular, desde que esteja conectado à internet. Nos estandes, máquinas de
alta potência e uma série de itens de conforto e tecnologia que tornam o trabalho rural menos penoso e mais produtivo. Entre os novos modelos de grandes tratores, a linha Steiger, da Case IH, será lançada com dois modelos, de 450cv e 550cv cavalos de potência nominal, chegando a 502cv e 614cv com o gerenciamento eletrônico do motor. Os dois modelos são equipados com sistema de gerenciamento automático de potência, capaz de proporcionar mais 62 cv em situações extremas como declividade e alta demanda de fluxo hidráulico.
Guia das Máquinas Expointer 2012 | 5
Tratores
Formiga do futuro A Valtra traz pela primeira vez ao Brasil o Ants, conceito que prevê máquinas operando com menor tempo, maior desempenho e capacidade produtiva. A sigla Ants faz referência à série atual de modelos mundiais. Em inglês, quer dizer formiga, inseto que inspira seu design. No conceito, a máquina é constituída por dois ou mais módulos independentes, que trabalham de forma integrada em atividades distintas. O trator foi projetado para desempenhar grande parte das operações agrícolas necessárias ao processo produtivo, desde o preparo do solo ao transbordo do produto colhido. Segundo a empresa, a partir da unidade geradora de potência é possível acoplar implementos para a colheita de grãos, forragem, pulverização e até de componentes para atividade florestal.
S293: itens de conforto e tecnologia e gerenciamento inteligente
6 | Guia das Máquinas Expointer 2011
Conceitos na Seguindo as tendências do Ants, a Valtra lança uma linha de tratores que já está disponível ao mercado agrícola brasileiro, a nova Série S. Com itens avançados que refletem as tecnologias do conceito futurístico, a série herdou o conhecimento e o design da marca e a tecnologia AGCO. Os tratores S293 e S353 trazem o motor eletrônico AGCO Sisu Power ISU 84 WI – 4V, TR 2, com baixa emissão de gases poluentes. Associado ao sistema de gerenciamento inteligente, busca equilibrar potência e torque. De acor-
FOTOS DIVULGAÇÃO
Um que vale por quatro O maior trator em operação na América Latina vai impressionar os visitantes do estande da New Holland na Expointer. O gigante T9.560 é direcionado para áreas de cultivo de larga escala, com capacidade de substituir até quatro tratores de média potência. A oferta deste equipamento para o mercado brasileiro mostra a disposição da marca em levar ao campo uma ampla gama de variáveis de potência, de acordo com a necessidade dos produtores. Com sistema EPM, ou Gerenciamento da Potência do Motor, o T9 alcança até 50cv adicionais de potência, garantindo desempenho durante aplicações exigentes, mas sem perder força. Por exemplo, o T9.560, que tem potência nominal de 507cv, pode desenvolver potência de até 557cv, de acordo com a necessidade da operação. A máquina sai de fábrica com sistema de piloto automático integrado. O sistema utiliza a tecnologia DGPS e também conta com os opcionais OmniStar e RTK para garantir precisão ainda maior durante as operações. Em um único monitor, o operador pode configurar todos os sistemas de orientação de piloto automático, além de controlar as informações de operação do trator.
tos na prática
New Holland T9.560 pode desenvolver até 557cv de potência
do com a força exercida na transmissão, pode economizar até 16% de combustível, segundo a companhia. Outro ponto em comum dos modelos da Série S com o Ants é o ajuste das bitolas, que funciona como o sistema de pneus do conceito, ajustados conforme a necessidade de aplicação e a suspensão do eixo. Na máquina do futuro, os pneus são expansíveis para diminuir a compactação do solo. Na cabine, itens de conforto e sistema fácil de usar de programação do sistema hidráulico. Faz parte ainda da Série S a suspensão pneumática para o assento giratório, que ajusta a posição do operador de acordo com a declividade do campo. O assento tem no apoio de braço o controle das programações que podem ser memorizadas. Guia das Máquinas Expointer 2011 | 7
Tratores
Os novos MF 8600 adotam transmissão continuamente variável (CVT), imaginada por Leonardo da Vinci há mais de 500 anos
Ideia renascentista na lavoura Idealizada por Leonardo da Vinci há mais de 500 anos, a transmissão continuamente variável (CVT) agora chega às lavouras. Os novos tratores MF 8600, da Massey Ferguson, são os primeiros no Brasil a serem equipados com a transmissão CVT, conceito também adotado nos carros mais modernos vendidos no mercado. Os
Agritech 1250 tem motores de 30 e 50cv
8 | Guia das Máquinas Expointer 2011
tratores contam com piloto automático de série e função DTM, que melhorara o desempenho do trabalho, gerando economia de combustível. Com essa máquina, há ainda a possibilidade de o operador realizar até 30 funções com apenas um toque de botão. Além disso, as máquinas da série MF8600 têm outras características diferenciais, como vazão de controle remoto de 175 litros/min, suspensão de eixo dianteiro e capacidade de levante hidráulico de 12 toneladas. Disponível em duas potências, 320 e 370cv.
Máquina familiar Entre as novidades da Agritech, montadora de Indaiatuba (SP), estão os tratores da nova linha 1.200, com potências de 30 e 50cv. Os modelos 1235 e 1250 contemplam motorização mais moderna dentro da plataforma de transmissão tradicional da Linha 1000, leve, com melhor performance, baixo consumo de combustível, baixa emissão de poluentes e apto para rodar com biodiesel B5. De acordo com a empresa, a nova linha apresenta custo acessível, com foco no atendimento das necessidades do pequeno produtor rural. O produto pode ser adquirido por meio de financiamento no programa Mais Alimentos, do governo federal.
Série especial dos 50 anos da Agrale vem pintada na cor ouro
Linha dourada para marcar história Para festejar seus 50 anos, a Agrale está lançando uma série especial, com pintura exclusiva na cor ouro, simbolizando a trajetória da empresa. Para a Expointer, outro destaque são os modelos 5000. De acordo com a AGrale, são tratores ágeis, versáteis e que se adaptam aos mais diversos tipos de aplicações em terrenos e culturas. Com modelos na faixa média de potência (entre 65 e 85cv), a durabilidade, o baixo consumo de combustível e o escalonamento de marchas são os diferenciais da linha. Dentro desta linha incluem-se também os tratores Compact 5065 e 5075.4, indicados para culturas em áreas com espaçamentos reduzidos, como cafezais, parreiras e pomares.
Linha 5000 abrange modelos de faixa média de potência
Modelo para uva
Tramontini 1640 SC é o mais compacto da categoria
A Tramontini ampliou seu portfólio com mais um modelo para café e uva. O supercompacto 1640SC chega com uma série de itens para proporcionar maior produtividade e economia nas operações. Segundo a empresa, oriunda de Venâncio Aires, o 1640 é o mais compacto da categoria 40cv. Conforme a empresa, o modelo oferece baixo centro de gravidade, grande estabilidade e segurança em terrenos acidentados, versatilidade de aplicação, alta produtividade, economia operacional e de combustível. O 1640 foi projetado com dimensões adequadas ao uso nas lavouras de uva. O modelo se soma a um catálogo que cresce a cada ano. Em 2011, a empresa gaúcha lançou o modelo de 80cv, para ser comercializado pelo programa Mais Alimentos, e tratores de 32cv e 50cv. Guia das Máquinas Expointer 2011 | 9
Plantum DuoFlex tem de 10 a 24 linhas, com opção de distribuição pneumática de sementes
Plantio
As consagradas A Imasa comparece à feira com seu estande recheado de modelos consagrados por produtores de todo o Brasil. A Plantum DuoFlex é uma plantadeira adubadeira com sistema pantográfico, específica para culturas de grãos grossos. Tem espaçamento a partir de 45cm e sistema de chassi flexível, com movimentos independentes. A Plantum DuoFlex está disponível em tamanhos de 10 linhas de 45cm a 24 linhas de 50cm, com opção de distribuição pneumática de sementes. Já os modelos Saga Múltipla 1223 e 1529 são máquinas de grande porte, projetadas para o plantio direto de todas as culturas, de verão e de inverno. São equipadas com transportador longitudinal hidráulico e dispõem de até 15 linhas para as culturas de verão e de 29 linhas para as culturas de inverno. Os equipamentos têm sistema de distribuição de adubo de rosca sem fim, da semente com rotor para inverno e pipoqueira para verão.
Saga Múltipla 1529
Para grãos finos Nova semeadora da Kuhn do Brasil, a NEO, de 13 e 17 linhas, promete ser um avanço para o plantio de grãos finos, como arroz e trigo, por exemplo. Desenvolvida e fabricada em Passo Fundo, o equipamento tem design da caixa variadora de metal que dá ao produtor a decisão de quanto utilizar de semente e de adubo. O fluxo contínuo impede sobras de adubo na caixa. A NEO não utiliza caixa de engrenagem na transmissão. O operador apenas regula a dosagem, por meio de um manipulo na caixa variadora, que permite permitir varianções de de 0,5 kg a 1.000 kg de semente e adubo por hectare. A NEO pode ser configurada com linhas pantográficas e pneus estreitos para o cultivo da canola, por exemplo, ou com linhas pivotadas e pneus largos para o arroz. 10 | Guia das Máquinas Expointer 2012
Modelo SSM, da Semeato, tem linhas pantográficas individuais
FOTOS DIVULGAÇÃO
União estratégica Para atender de pequenos e grandes produtores, a Semeato mostra a versatilidade das suas máquinas múltiplas. Conforme sua configuração, realizam o plantio direto de grãos graúdos e finos. A eficiência dos modelos PD (Personalle Drill), SHM, SSM e SAM está na utilização de linhas pantográficas individuais, com rodas limitadoras de profundidade, que diminuem o revolvimento do solo e acabam melhor o sulco. Já para o plantio de grãos graúdos, os implementos utilizam o sulcador tipo facão guilhotina, para corte das diferentes palhadas, além de prepararem o solo exclusivamente na linha de plantio. A tecnologia da Semeato também está presente em parceria com a New Holland, que entra no mercado de semeadoras.
A Valtra apresenta a semeadora/adu badora Fine, para arroz. O produto tem estrutura reforçada, rodado articulado de atuação instant ânea e sistema fusível de proteção no acionamento dos dosadores de adubo e semente, protegendo a tran smissão e os reservatórios. Destaque ainda para a plataforma traseira e o sistema de raspadores para limpeza de discos e compactadores.
Guia das Máquinas Expointer 2012 | 11
FOTOS DIVULGAÇÃO
Colheita
Aposta nas grandes A New Holland investe no crescente mercado de grandes máquinas e apresenta a CR9080, de 450cv. Com capacidade de tanque graneleiro de 12,3 mil litros, a colheitadeira da classe VIII chega ao Brasil para completar a oferta de máquinas de duplo rotor da marca, já conhecida pela linha CR e
seus outros modelos, que disponibiliza ao todo cinco opções, com faixas de potência de 300cv a 450cv. Além de colocar no mercado a maior colheitadeira de duplo rotor, a New Holland oferece ainda a CR5080. A máquina da classe V tem tanque graneleiro de 7,050 litros e, nas condições ideais, opera com plataformas de 20 e 25 pés. Segundo a empresa, é um equipamento que serve de porta de entrada para os produtores que têm áreas menores e querem deixar de utilizar o sistema convencional de debulha e aderir ao duplo rotor.
Boca grande Um dos principais produtos da Vence Tudo é a plataforma para colheita de milho Bocuda. No mercado desde 1997 e premiada com o Gerdau Melhores da Terra, além de ser acoplável a todos os modelos de colheitadeiras, a Bocuda tem a maior opção de espaçamentos (45 a 90 cm), trabalhando com módulos de mudança dos espaçamentos. O chassi pode ser de 3,24 a 11,8 metros, com a possibilidade de montagem de 3 a 24 linhas. Com isso, a plataforma atende com agilidade às necessidades dos produtores que têm máquinas pequenas, médias e grandes. 12 | Guia das Máquinas Expointer 2012
Modelo versátil Lançamento para a cultura orizícola, a MFF32 SR é a nova colheitadeira classe IV da Massey Ferguson. Segundo a empresa, o modelo pode ser considerado o mais versátil do mercado, pois está habilitado também para a cultura de soja, milho e trigo. Equipada com sistema híbrido de processamento, a máquina conta com dois rotores para separação do cereal, substituindo o convencional sacapalha e aumentando a capacidade de colheita da máquina. A redução de perdas totais da colheita chegaria a até 40%, conforme a companhia. Menor e mais leve, devido a um novo formato de capô traseiro, a colheitadeira tem o trabalho facilitado em terrenos como os do arroz irrigado. O lançamento estará disponível para todas as versões 4x2 e 4x4, com rodagem dianteira simples ou dupla, podendo vir equipado de fábrica com o sistema de agricultura de precisão.
Guia das Máquinas Expointer 2012 | 13
FOTOS DIVULGAÇÃO
Irrigação
Água pela internet Único fabricante brasileiro de pivôs de irrigação, o Grupo Fockink se faz presente na Expointer com seus tradicionais pivôs centrais e lineares e demonstrará um sistema de automatização da irrigação. A telemetria desenvolvida pela empresa de Panambi é um sistema que envolve sinais de rádio, permitindo controlar os pivôs pelo computador ou por meio de smarthphones e tablets, de qualquer lugar do mundo. Basta uma conexão com a internet. Na Expointer, a empresa demonstrará o sistema em uma maquete. Segundo a Fockink, a ferramenta permite melhor aproveitamento
da mão de obra, reduz o desgaste de veículos, gera economia de combustível, diminuiu riscos de acidentes na lavoura e promove ações corretivas imediatas, que são informadas instantaneamente pelo sistema de alarme. Entre os modelos de pivô, o central fixo dispõe de sistema projetado para operar com torre central fixa, indicado para irrigação em círculos ou em setores. O modelo rebocável tornou a irrigação mecanizada acessível a um número maior de agricultores, pela sua versatilidade e economia. Entre as vantagens, reduz o custo por hectare, pela facilidade de utilização do mesmo equipamento em áreas distintas de cultivo. O pivô linear de duas rodas pode ser aplicado a vários formatos de lavoura, com rendimento máximo em áreas qua-
Automação da irrigação à distancia
dradas ou retangulares. Segundo a companhia, o equipamento alcança 99% de aproveitamento na irrigação das áreas, pois percorre trajetos em linha reta, irrigando uniformemente qualquer cultura. Para áreas de pequeno porte, a Fockink investiu no desenvolvimento do Pivot Júnior, de dimensões reduzidas. O equipamento dá a pequenos e médios produtores os mesmos níveis de produtividade dos pivôs convencionais da marca. Em uma época de estiagens frequentes, é um seguro para garantir pastagens o ano todo e safras rentáveis em todas as culturas. Com 65 anos de atuação, a Fockink tem 12 linhas de produtos para diferentes segmentos do agronegócio.
Telemetria: antena e painel digital 14 | Guia das Máquinas Expointer 2012
Valley Corner A Valmont participa da Expointer com um produto que qualifica de “revolucionário” e, segundo a empresa, tem potencial para maximizar o uso do solo na propriedade rural, irrigando áreas antes inatingíveis. A tecnologia do Valley Corner é dominada desde 1974, possibilitando a irrigação de campos quadrados e com outras formas de maneira eficiente. Conforme a Valmont, o Valley Corner irriga as porções de solo que antes ficavam fora do círculo do pivô, aumentando sua produção total e potencializando a rentabilidade, sem precisar investir em novas áreas.
Direto pelo smartphone A Lindsay América do Sul vai exibir seu sistema de monitoramento de irrigação, o FieldNet. Desenvolvido para oferecer mobilidade e gerenciamento do tempo, a ferramenta controla pivôs de qualquer campo, em qualquer lugar, sendo necessário apenas o acesso à internet. As informações podem ser obtitas em tempo real pelo operador. Para ter acesso ao sistema é necessária a instalação de um rádio transmissor em cada pivô central, fazendo a comunicação com um receptor operando
Acessado por qualquer computador ou em aplicativo para smartphone, sistema oferece acesso a dados e controle do sistema
na fazenda. O equipamento que recebe as informações deve estar conectado à internet. As informações são fornecidas em tempo real pelo portal www.lindsayfieldnet.com. Para facilitar ainda mais a vida do produtor rural, a companhia desenvolveu aplicativos para iPhone e Blackberry, oferecendo acesso e controle total via remoto. Além de permitir acesso remoto a todos os controles do pivô central, o FieldNET fornece relatórios sobre a quantidade de água e de agroquímico aplicados em cada irrigação ou safra e informações sobre as operações realizadas pela máquina. Um dos diferenciais é o serviço de informação, que envia alertas automaticamente caso ocorra algum problema na irrigação. Além de avisar o produtor, simultaneamente o concessionário mais próximo é comunicado para fazer o atendimento. Guia das Máquinas Expointer 2012 | 15
Pulverização Tecnologia gota a gota Depois de levá-lo para as demais torar as condições atmosfériacas, feiras do país, a Jacto exibe o Uniport há uma estação meteorológica 3030 na Expointer. Lançado a p ó s embutida. Projetado para atuar de forseis anos de pesquisas, o pulma mais leve, com um chassi consverizador reúne um contruído em matejunto de soluções de rial de alta resisaplicação, veicular e tência, utiliza juntecnologia embartas parafusadas cada, com controem vez de soldas, le, gestão e inampliando a flexibiliformação da dade de torção e de trooperação. ca de componentes. Entre as inoTem ainda sistema de vações, destavão livre ajustável em ca-se o controle duas posições, aumenbico a bico, que tando o vão em 20 cm, abre e fecha auchegando a até 1,75m. tomaticamente os Outra novidade é a bicos, gerando ecoUniport 3030 linha de bicos plástinomia de produto e cos, que foi ampliada. reduzindo o impacto ambiental. O sistema de telemetria Agora são 53 opções, com maior durabitransmite informações em tempo real lidade, precisão na vazão e distribuição para um banco de dados. Para moni- e formação de gotas.
Seletor de bico automático A Metalfor está apresentado o novo corte de seção por bico e seletor de ponta de bico automático duplo. O sistema tem computador e GPS, informando a posição da máquina e se é necessário fechar um bico ou mais para evitar aplicação dupla. O equipamento também seleciona automaticamente a ponta de bico para se adaptar à aplicação em andamento. O sistema elimina o risco de superdosagem nas áreas já aplicadas. Segundo a empresa, isso elimina o tempo de parada para troca de bico e dosa a gota adequadamente para cada tipo de bico, pois os limites de pressão são selecionados no computador. Isso amplia a vida útil do bico, já que impedirá pressão inadequada.
s
Lavrale para pomares A Lavrale está lançando os pulverizadores de 1.500 e 2.000 litros, voltados para aplicações em pomares de frutas em grandes extensões. Com características diferenciadas dos modelos disponíveis no mercado, os novos pulverizadores apresentam melhor custo-benefício e facilidades de operação. Equipados com o acessório Volute, direcionam a aplicação no topo da planta, evitando o desperdício. Com mais de 40 anos no mercado de implementos, a Lavrale também mostrará na feira toda sua linha de pulverizadores, para diferentes culturas. Voltado para a agricultura familiar em pequenas propriedades, o modelo de 200 litros têm o conceito quatro em um, ou seja, é possível adquirir o pulverizador e os acessórios (barra, turbina, aplicador de herbicida ou enrolador) separadamente, conforme a necessidade. A marca tem ainda opções de 300 e 400 litros.
Pulverizador para 1.500 litros 16 | Guia das Máquinas Expointer 2011
Reportagem especial
China: nem tão barata, nem tão modesta Jornalista brasileira residente em Beijing, Janaína Câmara Silveira relata como o dragão chinês consegue produzir cada vez melhor, com planejamento e alto investimento em infraestrutura
Guia das Máquinas Expointer 2012 | 17
Esqueça a era dos produtos baratos chineses. Primeiro porque há cada vez mais qualidade aliada ao selo Made in China. Segundo, porque os custos de produção sobem ano a ano. E o peso do trabalho é o principal incremento, não há mais a mão de obra a US$ 100 mensais. Anualmente, os salários sobem 10%, em média, conforme aponta estudo entre empresários chineses e estrangeiros coordenado pela Câmara de Comércio Norte-Americana (AmChan) em Xangai. Hoje, Shenzhen, cidade vizinha a Hong Kong, tem o maior salário mínimo, de US$ 237, graças a um reajuste de 15,9% concedido no início do ano ainda abaixo do piso brasileiro, de pouco mais de US$ 300. Mas, para se ter uma ideia, o governo chinês calcula que neste ano 16 províncias aumentarão os salários mínimos em 19,7%, em média. Qual a mágica, então, para os chineses oferecerem preços sempre menores àqueles praticados no Brasil, provocando a grita dos empresários verde-amarelos e fazendo crescer o temor da desindustrialização brasileira? Planejamento pode ser a chave. No setor de máquinas agrícolas, a pechincha chinesa é, pelo menos, 20% mais barata do que a concorrência brasileira - ainda que o transporte en-
Tudo se produz em clusters planejados pelos governos provinciais ou nacional, garantindo um ecossistema eficiente para a fabricação de uma ampla gama de produtos.
18 | Guia das Máquinas Expointer 2012
tre os dois países e as taxas de nacionalização no Brasil acabem por aumentar os custos. Cálculos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) indicam que hoje apenas 40% das máquinas agrícolas utilizadas no Brasil são feitas no país - em 2004, este índice era de 60%. Os chineses são os principais vilões. O que acontece do outro lado do mundo? Mesmo com custos de mão de obra crescentes, há alguns aspectos a serem considerados. Um deles dá conta das indústrias sistemistas e da cadeia de fornecedores chinesa. Tudo se produz ali - em clusters planejados
pelos governos provinciais ou mesmo nacional, a fim de garantir um ecossistema eficiente para a manufatura da mais ampla gama de produtos. Outra situação é o pesado investimentos governamental em infraestrutura. O que não está na costa chega ao porto por via férrea ou em rodovias amplas - com asfalto novo e três ou quatro pistas em cada mão. A engrenagem garante poupança aos empresários. Por último, como indica estudo recente da consultoria global Booz & Company, a China tem força graças à parcela de empresas classificadas como “inovadoras para o mercado
para produtos que tenham pelo menos 65% de componentes locais -, eles já anunciaram que poderiam montar seus equipamentos com peças produzidas em solo brasileiro, como motores, por exemplo.
O Oriente é Vermelho
médio”. São aquelas companhias desenvolvidas em solo chinês para garantir o abastecimento do mercado interno - muitas com viés estatal - e que, principalmente a partir da década de 1990 ou até 2000, passaram a destinar parcelas robustas ao setor de pesquisa e desenvolvimento. Esquecidas pela concorrência mundo afora, ganharam experiência para competir bem além de suas fronteiras. O estudo traz uma conhecida dos brasileiros, a Sany, que fabrica máquinas pesadas e há poucos anos anunciou investimento no Brasil. Mas existem outras, como a Yto, justamente em máquinas agrícolas.
Bom negócio Não é só de planejamento que vive a indústria chinesa. Há uma cultura voltada ao negócio - e que prioriza o melhor acordo. Um exemplo? A China é afeita à formalização de joint ventures - a John Deere tem cinco plantas no País do Meio, onde opera junto a parceiros locais. A estratégia garante, ao menos, troca de tecnologia. Na hora de atuar em outro país, eles buscam a melhor maneira de não perder a viagem. Em um país como o Brasil, onde a maior parte das compras de máquinas se dá pelo BNDES Finame - que permite financiamento
O Grupo Yto é o maior produtor de máquinas agrícolas da China – e já aportou no Brasil. Batizado assim desde 1997, quando teve as ações listadas na Bolsa de Hong Kong, fato é que a companhia cresceu no solo ainda judiado dos primeiros anos comunistas. A empresa, então First Tractor, foi instalada em Luoyang, cidade da província central de Henan, onde teria sido criado o taoísmo, a bússola e o papel. À beira do Rio Amarelo, foi a sede de 13 dinastias. Sob o poder de Mao Zedong, foi escolhida para abrigar a fábrica de tratores que daria o tom do crescimento econômico baseado nas comunas e na força do camponês. Os primeiros tratores tiveram tecnologia russa e foram batizados de Dongfanghong, ou “O Oriente é Vermelho”. Até hoje, esse é o nome da série, agora desenvolvida localmente para disputar espaço com maquinário de outros países.
JANAÍNA CAMARA DA SILVEIRA, 34 anos, é jornalista e mora na China desde 2007, onde trabalha no Radar China, empresa da qual é sócia-fundadora. Seu negócio contempla consultoria e assessoria em comunicação - numa gama que abrange produção de conteúdo, realização de eventos e inserção de marcas na China -, apoio a negócios e a missões no país asiático (garantindo desde o apoio logístico à busca de parceiros), além de realizar estudos, pesquisas de mercado e análises setoriais. No Brasil, trabalhou no Grupo RBS e foi assessora de imprensa. Guia das Máquinas Expointer 2012 | 19
Leite
Resfriador ecológico O Grupo Fockink está apresentando nesta Expointer uma linha de equipamentos para a produção leiteira, com preocupações ambientais. Os modelos Ecotanque são os mais novos produtos da fabricante de Panambi e estarão expostos pela primeira vez. Os tanques de expansão chegam para atender a uma norma à qual os fabricantes devem se adaptar até 2020. A Fockink desenvolveu o produto seguindo regras de proteção ambiental, utilizando o gás R404A e poliuretano injetado expandido, para isolação térmica. Ambos os componentes são livres de CFC, não agredindo a camada de ozônio. Primeira empresa brasileira a fabricar no Brasil tanques com essas características, a Fockink oferece opções nas dimensões de 300 a 3.000 litros.
20 | Guia das Máquinas Expointer 2011
Ordenha canalizada A Ordemax expõe na feira conjuntos de ordenha com pulsação eletrônica ou pneumática, coletor 400 cc com teteiras importadas e capas em inox. O quadro de comando elétrico tem proteção para os componentes e contra choques.
FOTOS DIVULGAÇÃO
Agricultura de precisão
Novas soluções Único que permite obter repetibilidade com precisão de 3,8cm via satélite, o novo sistema de correção de sinal diferencial RTX é um dos destaques da Geo Agri Tecnologia. A empresa destaca o Sistema Field-Level, para nivelar terrenos com GPS automatizado, sem interação do operador, e o novo piloto automático EZ-Pilot, com desempenho similar a do automático hidráulico. Outra novidade é o sistema de barras de luzes CFX 750, que guia o operador e permite o gerenciamento de várias operaões, do plantio à pulverização, incluindo a vazão dos produtos e seções. Já o modem DCM300 possibilita enviar e receber informações via GPRS e/ou wi-fi.
Curva de nível O destaque da Allcomp será a linha de equipamentos Spectra Precision para curva de nível, composta de transmissor laser (foto acima), receptor e display. O conjunto instalado no trator gera curva de nível em tempo real, indicando no display se o operador deve subir ou descer em relação ao terreno. Com esse conjunto, acrescido de uma caixa de controle e um kit de válvulas, é possível acoplar a uma plaina níveladora para sistematizar o solo com precisão de 0,5 centímetro.
Guia das Máquinas Expointer 2011 | 21
FOTOS DIVULGAÇÃO
Implementos Ensilar sem energia Uma ensiladeira de grãos com energia zero faz parte do maquinário de divisão agrícola da Nogueira. Segundo a empresa, é um avanço tecnológico na técnica de ensilar grãos. O equipamento armazena os grãos secos em silo bolsas de 9 pés de diâmetro e capacidade próxima a 200 toneladas. É mais prática no armazeno, pois elimina o ar. Já a nova enfardadeira da empresa recolhe, prensa, amarra e conta fardos uniformes e compactos de diversos tipos de forrageiras em fardos retangulares com comprimento pré-determinados. Armazenando desta forma, é mantida a propriedade nutritiva, podendo ser usado como complemento alimentar dos animais no inverno e período seco.
Colhedora de uva A New Holland está oferecendo para produtores a única colhedora de uva autopropelida do mundo, a Braud. A máquina, que no Brasil deve atender à demanda por colhedoras de café – já que também pode ser adaptada para esta cultura, colhe também azeitona e laranja. Caracterizada por ser polivalente, no mercado europeu a máquina atua colhendo, pulverizando e fazendo o trato das plantas.
22 | Guia das Máquinas Expointer 2012
Novo modelo da Ipacol com rodas
Família Minimix Com foco em produtos para animais confinados, a Ipacol aumentou a família Minimix - equipamentos distribuidores de silagem destinados à agricultura familiar. O Minimix 1.5 dispõe de rodas e pode ser tracionado por tratores com menor potência, uma funcionalidade solicitada pelos pequenos produtores. Os outros componentes desta linha são Minimix 1.4, autopropelido, e o Minimix 1.5, hidráulico.
Tratador de sementes A Grazmec destaca seu tratador de sementes. Com sistema eletrônico de dosagem e comandos operados por controle remoto, aplica micronutriente, inseticida, fungicida, inoculante e grafite na semente, na mesma operação. A graneleira comporta 400 kg de soja e trata até 60 sacas por hora.
Biotecnologia Claudia Toniazzo, biรณloga, pesquisadora da Embrapa
A forรงa que nasce da pesquisa brasileira SXC.HU
Guia das Mรกquinas Expointer 2012 | 23
ntes de ler sobre o uso da biotecnologia na agricultura, responda a uma simples pergunta: você sabe o que é biotecnologia? Basicamente, é uma ciência que se aplica ao entendimento e à utilização de informações genéticas animais e vegetais. Atualmente, é conhecida como a profissão do futuro e tem tomado proporções de grande importância para a humanidade, tendo seu início marcado pelo desenvolvimento da insulina sintética, em 1982. Nas últimas duas décadas, principalmente, essa ferramenta tecnológica tem sido utilizada não só no desenvolvimento de fármacos, mas também na melhoraria de espécies animais como cavalos de corrida e bovinos de corte. Uma vez retomada sua importância, é importante relembrar o tão polêmico lançamento da soja transgênica, que foi indevidamente julgada durante anos por uma metralhadora de leigos que condenaram mortalmente o uso de GM (geneticamente modificados). Por alguns anos, essa conde-
A
24 | Guia das Máquinas Expointer 2012
nação pareceu mais modismo do que real interesse no assunto. À época, era comum observar várias revistas emitindo opiniões condenando essa tecnologia sem nem sequer introduzir o assunto sobre o que realmente eram os organismos geneticamente modificados, conferindo-lhes ar de suspense de ficção científica. Felizmente, os tempos são outros. A esmagadora maioria dos agricultores já compreende a importância da biotecnologia e faz uso dela em suas propriedades. Isso é perceptível por meio de dados que apontam 2011 como um ano em que 16,7 milhões de produtores rurais cultivaram lavouras com GM, em uma área de 60 milhões de hectares, em 29 países. A razão para as impressionantes taxas de adoção é simples: a biotecnologia proporciona benefícios significativos e tangíveis que permitem o aumento da produção, a tolerância das plantas a doenças e pragas e a redução da necessidade de aplicação de pesticidas. Para demonstrar um pouco dos be-
O tempo médio entre a descoberta de uma nova variedade de cultura e o seu lançamento comercial é de 13 anos, segundo a CropLife International
nefícios da biotecnologia, em 2011 a Abrasem - Associação Brasileira de Sementes e Mudas - fez uma pesquisa prospectando os próximos 10 anos (levando em consideração a disponibilidade tecnológica atual na agricultura brasileira). O resultado foi uma estimativa de que, com o uso da biotecnologia, deixarão de ser utilizados 146 mil toneladas de defensivos agrícolas. Isso é viável porque, com plantas geneticamente modificadas, é possível aumentar a tolerância de cultivares a diversas pragas (fungos, insetos, vírus), podendo assim diminuir significativamente o uso de defensivos agrícolas. Dentre os dados levantados, também foi constatado que, em média, 3,8 milhões de toneladas de gás carbônico (CO²) deixarão de ser emitidas; 3,4 milhões de pessoas poderão ser abastecidas com os 149 bilhões de litros de água que deixarão de ser usados nas lavouras – cabendo mais uma vez citar o desenvolvimento através da biotecnologia de cultivares tolerantes ao estresse hídrico. Neste montante de benefícios, também teremos feito uma economia de combustível suficiente para abastecer 516 mil veículos. Se somados os valores acumulados até 2021, os benefícios poderão chegar a US$ 124 bilhões, sendo que 84% desse valor representa redução de custos e ganho direto para os agricultores. Realmente, esta ciência está mostrando sua importância, porém é imperativo ressaltar que esta área do conhecimento é muito complexa, interdisciplinar e, por requerer anos de es-
tudo e dedicação, acaba por ter poucos profissionais disponíveis no mercado. E não é para menos, para demostrar a complexidade que existe, por exemplo, no desenvolvimento de uma simples variedade de cultura, a CropLife International fez um levantamento apontando que o tempo médio entre a descoberta de uma nova variedade de cultura e o seu lançamento comercial é de 13 anos (soja 16,7 anos; algodão 12,7 anos, milho 12 anos), sendo que para isso são pesquisados em média 6,2 mil genes, envolvendo mais de 4 mil profissionais, entre pesquisadores, agricultores e profissionais de assuntos regulatórios. Este processo todo leva em média 5,5 anos, e seu custo total gira em torno de US$ 136 milhões desde a descoberta até a autorização para o uso comercial de uma nova variedade de cultura. Ainda assim, a biotecnologia vegetal é muito mais precisa, rápida e seletiva que os cruzamentos convencionais, pois permite que os melhoristas selecionem genes específicos que pro-
duzam traços benéficos e passem de um organismo para outro. O desenvolvimento da biotecnologia na área vegetal vem ganhando diferentes focos de interesse no passar dos anos, podendo ser dividido em três fases. A primeira diz respeito à introdução de características agronômicas, na qual obteve-se a tão famosa soja Roundup Ready. A segunda fase visa à produção de culturas de melhor qualidade como o milho com alto teor de óleo e a canola com alto teor de ácido erúcico e glicosinolato. Já a terceira fase da biotecnologia vegetal objetiva o desenvolvimento de alimentos fortificados, utilizando a adição de componentes nutricionais aos alimentos como é o caso do óleo de canola rico em caroteno. Muitas vezes nem nos damos conta de quanta tecnologia genética tem por trás do simples pão que compramos todo dia, de quantos genes foram estudados, pesquisados, revisados e testados para estarmos consumindo o tomate da salada. Enfim, a biotecnolo-
gia já faz parte do nosso dia a dia, talvez muito mais do que possamos imaginar. Quando bem empregada, monitorada e regulamentada, é uma excelente ferramenta que possibilita ganhos impossíveis de mensurar em poucas palavras. Tornar-nos familiarizados com essa ciência ou, ao me-, nos, saber do que se trata, já se torna uma função social.
CLAUDIA TONIAZZO, 25 anos, é bióloga, cursando especialização em Biologia da Conservação e mestranda em Agronomia Melhoramento Vegetal - pela Universidade de Passo Fundo. Desenvolve sua pesquisa de mestrado no Laboratório de Biotecnologia da Embrapa Trigo - Passo Fundo. Guia das Máquinas Expointer 2012 | 25
Artigo | Elmar Luiz Floss Dr. em Agronomia, professor e pesquisador
Agricultura brasileira, de G ltimamente, começaram a aparecer ensaios para mostrar a evolução e a importância do agronegócio brasileiro. Celebram-se os 60 anos da morte de Getúlio Vargas e as principais realizações de seu longo governo ditatorial. Pois, em 1930, quando Getúlio Vargas assumiu o poder, a população era predominantemente rural (83%). Produzia alimentos para si e para outros 17% dos habitantes, que viviam nas cidades. O Brasil tinha no café a grande cultura econômica e geradora de divisas. Mas importava alimentos básicos, inclusive seu prato típico, o arroz (da Ásia) e o feijão (do México, da América Central e até mesmo dos Estados Unidos), além de trigo (dos Estados Unidos e do Canadá) e leite (da Europa), dentre outros. Teve que mandar queimar milhões de sacas de café, para melhorar os preços no mercado internacional. E, no final de seu governo, surgiu a ferrugem do café que dizimou os cafezais da Bahia, do Rio de Janeiro e de parte de São Paulo. Além das inúmeras iniciativas na área social, Getúlio Vargas é lembrado pelo início da industrialização no Brasil. Além do populismo, carregava também o forte discurso nacionalista. Mas o Brasil não tinha tecnologia e equipamentos. Na verdade, transferiu indústrias têxteis e mecânicas de sua matriz para o Brasil. Um custo elevadíssimo e o início do histórico endividamento brasileiro. Mas, preocupado com a crescente importação de alimentos, criou inúmeras estações de pesquisa agropecuária pelo Brasil. No RS, a principal missão era desenvolver o cultura do trigo. Depois veio o governo de Juscelino Kubistchek de Oliveira. O mineiro que não se conformava que apenas o café
U
26 | Guia das Máquinas Expointer 2012
sustentasse a economia brasileira. Seu projeto de governo era “avançar 50 anos em cinco”. Investiu na industrialização, mas viu que dependia do desenvolvimento tecnológico. Por isso fomentou universidades e criou o Conselho Nacional de Pesquisa Científica-CNPQ. Forneceu bolsas de pesquisa para que brasileiros fossem fazer pós-graduação no Exterior. Pôs em prática o projeto da transferência da capital federal do Rio Janeiro para o Centro-Oeste, construindo Brasília. O Brasil não poderia continuar sendo
somente litorâneo e dando as costas para seu interior. Certamente, se Brasília não fosse construída, não teríamos tido o desenvolvimento tão pujante do agronegócio no Centro-Oeste brasileiro e até mesmo no Norte e Nordeste. Já se fala que essa é a segunda “Revolução verde” da humanidade. Até a década de 70, a situação da segurança alimentar não se resolveu. Com a industrialização, aumentava cada vez mais a população urbana. Cada vez menos pessoas para produzir alimentos. E o Brasil se tornava
de Getúlio Vargas a Dilma ELMAR LUIZ FLOSS
um dos maiores importadores de alimentos. No final da década de 60, o então ministro da Agricultura, o gaúcho e engenheiro agrônomo Luiz Fernando Cirne Lima, havia sugerido uma reformulação da pesquisa agropecuária brasileira, que era inoperante. Propôs a criação da Embrapa. Mas, infelizmente, poucas semanas depois, desentendeu-se com a área econômica e renunciou ao cargo. Em 1974, o ministro da Agricultura, engenheiro agrônomo Alysson Paulinelli, retomou o projeto e implantou a Embrapa, como instituição pública de coordenação da política nacional de pesquisa agropecuária. Era outro mineiro inconformado com o fato de que praticamente somente o café financiasse as importações de alimentos básicos, em quantidade crescente pelo aumento da população urbana. Ao longo dos anos, milhares de pesquisadores foram treinados no Exterior, para trazer as mais modernas tecnologias agropecuárias ao Brasil. Além da pesquisa na Embrapa, houve desenvolvimento da pesquisa em universidades em função dos cursos de mestrado e doutorado. Grandes empresas privadas de pesquisa foram criadas no Brasil ou vieram do Exterior, especialmente depois que foi aprovada (de forma atrasada) a Lei de Proteção de Cultivares. Hoje, as empre-
DANIELA OLIVEIRA
ELMAR LUIZ FLOSS é professor e pesquisador há 35 anos. Já publicou mais de mil trabalhos acadêmicos e hoje percorre o Brasil ministrando palestras a produtores rurais. É sócioproprietário do Incia - Instituto de Ciências Agronômicas, em Passo Fundo, onde oferece cursos de capacitação e MBA
sas privadas dominam o mercado genético nas grandes culturas, contribuindo significativamente para o aumento do rendimento das culturas, a difusão de tecnologias de manejo e o desenvolvimento de máquinas, equipamentos e insumos. Aliado a outras políticas de crédito rural e infra-estrutura, a produção brasileira de grãos começou a aumentar. Dos anos 1960 até 2012, o agronegócio passou por várias revoluções tecnológicas. Destaque-se o melhoramento genético (criando novos cultivares de maior potencial de rendimento e adaptados às diferentes regiões fisiográficas); a calagem, que transformou solos ácidos em solos altamente produtivos); a implantação do sistema plantio direto (redução da erosão, do gasto de óleo diesel, máquinas e equipamentos e mão de obra, melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas do solo, uma prática verdadeiramente conservacionista); a maior eficiência no controle de pragas, moléstias e plantas daninhas; a utilização de cultivares transgênicos; e, atualmente, a agricultura de precisão (a nanotecnologia eletrônica e biológica na agricultura). Essas “revoluções tecnológicas” garantiram um aumento extraordinário na produção de alimentos, beneficiando produtores e uma po-
pulação urbana de consumidores. Em 2012, apenas 17% da população produz alimentos para si e os demais brasileiros e com crescentes excedentes exportáveis. Em 1980 a produção de grãos era de 51 milhões e, na safra de 2011, chegou a 168 milhões de toneladas, crescimento de 329%. O mesmo aconteceu com a produção de carnes (bovina, suína e de frangos) e de leite. De importador, o Brasil passou a ser um dos maiores exportadores de alimentos de origem vegetal e animal. Enquanto, em 2011, a balança comercial brasileira de produtos industrializados foi US$ 72 bilhões negativa, o agronegócio gerou superávit de US$ 77 bilhões. Essas divisas equilibraram a balança comercial, contribuíram para o controle da inflação e a estabilidade econômica e política. Até a década de 90, cerca de 40% e 50% da renda dos trabalhadores estava comprometida com a compra de alimentos. Com o aumento do poder aquisitivo, em função do bem-sucedido Plano Real, que controlou a inflação, e, a produção abundante a barata de alimentos, o trabalhador hoje não compromete mais que 20% da renda com alimentação. Sobra dinheiro para a aquisição de eletrodomésticos, celular, carro, casa, lazer, etc., o que impulsionou a economia brasileira. Guia das Máquinas Expointer 2012 | 27
Pioneira no Plantio Direto
Imasa completa 90 anos com fôlego de guri e pequena funilaria no interior gaúcho a pioneira na produção de equipamentos para o plantio direto, a Imasa chega aos 90 anos de atividades em 2012 com ímpeto de centroavante que persegue o gol. A menção futebolística se justifica pela história do atual diretorpresidente da Imasa, Jalmar Martel, convocado a ingressar na empresa no mesmo ano em que o Brasil conquistava o Tricampeonato no México. Jalmar era centroavante em jogos de várzea em Ijuí, e a indústria se ressentia de um goleador em seu time. Ali uniram-se a fome com a vontade de comer. O futebol ijuiense perdia um artilheiro, mas a indústria levava para sua linha de produção o entusiasmo de um craque, que começou como auxiliar de escritório e chegou ao posto máximo depois de mais de 40 anos de trabalho. Ele começou como auxiliar de escritório numa época em que a empresa criada por Arthur Fuchs, em 1922, estava lançando a primeira plantadeira-semeadeira com caixa de aço inox. A empresa já se destacava no cenário agrícola pelo pioneirismo na produção de discos, arados e grades e por
D
28 | Guia das Máquinas Expointer 2012
desenvolver o primeiro subsolador do mercado e a primeira cultivadora de discos horizontais. Naqueles tempos, Bruno Fuchs, filho do fundador, pensava e direcionava o futuro da indústria e da própria agricultura. “Seu Bruno falava em plantio direto ainda em 1970. Hoje, quase toda a nossa produção é para o plantio direto”, lembra o presidente. BOAS PERSPECTIVAS
Assim, em 1972, em colaboração com a Cooperativa Tritícola Serrana (Cotrijuí), a secretaria estadual da Agricultura e a Associação Conservacionista de Ijuí, foi promovido o primeiro encontro interestadual para discutir o impacto das práticas mecanizadas. “Ali já havia uma grande preocupação da Imasa com a conservação do solo”, conta Jalmar. O fortalecimento da pesquisa e do desenvolvimento de equipamentos para o plantio direto ocorreu ao mesmo tempo em que Jalmar reforçou seu currículo e sua prática empresarial. Graduando-se em Administração de Empresas pela Unijuí, passou pelo setor de recursos humanos e pelo finan-
ceiro. E, em 1999, o então goleador da várzea deu um chute preciso e adquiriu o controle acionário da empresa. A partir dali, tornou-se o diretor-presidente da empresa, um atleta corporativo que hoje atua em todas as pontas, na defesa da solidez da companhia. Um dos pontos altos da trajetória da indústria foi comemorar os 90 anos de atividades, com uma grande festa no dia 10 de agosto, em Ijuí. A Imasa recebeu aproximadamente 500 pessoas. O churrasco ocorreu às vésperas do embarque de novidades e máquinas consagradas da Imasa para a Expointer, onde Jalmar mostra que está longe de ter se tornado um burocrata corporativo. Como na época de jogador, ele se movimenta com maestria pelo “campo”, conversando com clientes e funcionários, mostrando as novidades e discutindo os assuntos do momento, com otimismo. Assim, quando intimado a dar um palpite sobre esta feira, ele não titubeia: “As perspectivas são muito boas”, destoando de colegas do setor que se queixam da estiagem e da concorrência. É entusiasmo de quem conhece o setor, confia no seu produto e tem fôlego de guri.
QUELI RIETH
Uma empresa inovadora JALMAR MARTEL* Diretor-Presidente
Confraternização em Ijuí: o diretor-presidente Jalmar Martel discursa na festa dos 90 anos da empresa, prestigiado pelos diretores (da esquerda para a direita) Ricardo Martel, Cláudio Liebich, Ângelo Bohrer, Vilson Basso, César Vincensi e Rodrigo Schulz. ITAMAR PELIZZARO
Mais Alimentos na Expointer 2011: a partir da esquerda, o secretário do Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, acompanhado pelo presidente do Simers, Claudio Bier, o governador Tarso Genro e Jalmar Martel
No contexto da indústria nacional, a Imasa sempre teve participação significativa. Fundada em 1922, viveu várias fases da economia brasileira, acompanhou a modernização da indústria e, como fabricante de máquinas e implementos agrícolas, buscou adaptar-se aos novos tempos de globalização e economia aberta. O resultado deste esforço teve a participação de empreendedores, clientes, revendedores, fornecedores, colaboradores. E assim chegou aos 90 anos de sua história. Destacando-se como uma empresa inovadora, contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento do plantio direto, registrando mais de 50 patentes, entre invenções e modelos de utilidade, sempre com a firme intenção de melhorar a tecnologia e, consequentemente, a produtividade no campo de forma sustentável. Hoje, com moderna linha de fabricação de plantadeiras, mantém uma equipe de colaboradores capaz de atender aos anseios do cliente na medida certa, configurando a plantadeira de acordo com o estágio em que se encontra a lavoura do produtor. Por meio de sua rede de revendas, oferece um trabalho personalizado. Pode-se afirmar que a Imasa é uma das únicas empresas que reciclam seus produtos e os devolve ao mercado para serem reutilizados novamente com garantia de fábrica, assegurando a qualidade e a longevidade na utilização dos produtos da nossa marca.
Guia das Máquinas Expointer 2012 | 29
Artigo | Hercilio da Costa Matos Economista, consultor do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers)
N
os últimos anos, o mercado mundial de alimentos tem sofrido profundas alterações: a ampliação do consumo de grande parte da população mundial, que antes não tinha acesso aos alimentos em quantidade e qualidade; desestabilização dos preços do petróleo, em anos recentes, alterando enormemente a matriz energética mundial, fazendo com que a demanda de produtos agrícolas com fins energéticos se ampliasse rapidamente; também a sua oscilação de cotação, repercutindo gravemente nos preços dos insumos da agricultura; de um lado. As secas prolongadas em áreas de forte tradição agrícola, gerando queda na oferta e nos estoques mundiais de alimentos; a especulação de investidores em torno das chamadas commodities agrícolas, dentre outros fatores que vêm impactando na oferta global de alimentos, de outro lado.
30 | Guia das Máquinas Expointer 2012
ITAMAR PELIZZARO
Por que mecanizar a agricultura familiar
Hercilio: oportunidade para famílias
Esses fatores modificaram a matriz alimentar do mundo, que infelizmente não poderá ser alterada, no curto prazo, para melhor. É uma situação de crise na oferta de alimentos que veio para ficar por bom tempo. No Brasil, graças às vantagens competitivas do País e à tradição de produção agrícola, somadas às medidas de incentivo à produção, tais dificuldades ainda não impactaram de forma mais contundente a vida do brasileiro. Muito embora os primeiros sinais já tenham aparecido desde meados da década passada, na forma de variação dos preços da cesta básica de alimentos. Para a agricultura familiar é a grande oportunidade de se firmar, num horizonte de curto e médio prazos, em razão dos ganhos de produti-
vidade que pode incorporar à produção, graças à distância da chamada fronteira tecnológica produtiva em que se encontra. A intensificação das atividades agrícolas e não agrícolas, no ambiente da agricultura familiar, para fazer face às crescentes demandas de meios para manutenção e reprodução do sistema, tem implicado na ampliação dos graus de dificuldade, tanto na produção quanto na qualidade de vida do agricultor familiar. Isso ocorre em razão do número de tarefas executáveis, muitas vezes concomitantes, e dos meios técnicos em realizá-las. À medida que aumentam o número de tarefas, o dispêndio no esforço e a complexidade em realizá-las, num quadro de produção diversificada, mais importante se torna o recurso dos meios técnicos para sua execução. Isso imprime um diferencial não só na questão de resultado econômico das atividades, mas também no esforço em horas trabalhadas. A perda relativa, mas crescente, na relação de troca (entre os produtos agrícolas familiares e as necessidades de insumos para produção e consumo da família) implica a perda absoluta de qualidade de vida do agricultor familiar. Isso porque cada vez mais se exige um esforço de trabalho adicional para um resultado econômico semelhante ao que se conseguia anteriormente. Assim, a “otimização” do trabalho – ou a produtividade do fator trabalho – passa pela incorporação de nova base técnica, que pode ser inclusive
EDUARDO AIGNER - DIVULGAÇÃO
Arthur Braga de Souza e Marilene Pereira do Nascimento, de Bujari, no Acre, financiaram um motocultivador pelo programa Mais Alimentos
na forma de sistema mecânico, para enfrentamento tanto da penosidade do esforço produtivo quanto do ganho de produção para reduzir essa perda relativa. Esta mitigação deve ser tomada em consideração, além das questões próprias de natureza econômica, técnica, e agronômica, como é usual. Também é preciso levar em conta outros aspectos peculiares da agricultura familiar, como a questão da organização social para produção e a capacidade de gestão compartilhada fora do âmbito da família - âmbito comunitário – quando se trata de dimensão do esforço de trabalho versus resultado econômico. De outra forma, para a agricultura familiar, além da possibilidade de aquisição do equipamento, é importante a capacitação técnica para operá-lo e mantê-lo, além das demais implicações prescritas pelos fabricantes. Também a organização social é fundamental quando se tiver presente a gestão compartilhada dos equipamentos. Isto é, tanto mais equipamento têm necessariamente uma
vida útil pré-estabelecida, que pode ser mais ou menos prolongada em função do seu manejo operacional, dos custos de manutenção, e da intrínseca obsolescência de um dado padrão tecnológico. Além disso, as máquinas e equipamentos agrícolas representam um grande investimento para o agricultor familiar, que - depois da “terra”-
A adequação funcional da tecnologia é importante para reduzir custos de produção e mitigar a penosidade do trabalho.
tende a representar o seu maior bem de capital. Por isso, a adequação funcional da tecnologia ou do produto tecnológico à propriedade é importante para reduzir custos de produção, de um lado, e mitigar a penosidade do trabalho, de outro. Para tanto, é mister prover a agricultura familiar de capacidade de investimento, associada à disponibilidade de tecnologias de produção e gestão adequadas. Assim fazendo, ter-seá então possibilidade concreta de elevar a sua produtividade. Essa tentativa em parte foi buscada no Programa Mais Alimentos, que visou ampliar a oferta dos alimentos no país por meio do aumento da produção e produtividade da agricultura familiar. Sua síntese foi promover e incentivar atividades e culturas fundamentais para o abastecimento interno do país. Neste contexto, a mecanização se tornou a pedra de toque desta estratégia, e a indústria de tratores e máquinas agrícolas passou à condição de parceiro estratégico. Guia das Máquinas Expointer 2012 | 31
Feira no Planalto Central
Agrobrasília bate novo recorde de vendas ma das caçulas do circuito brasileiro de feiras de agronegócio, a Agrobrasília repetiu em 2012 o sucesso de anos anteriores e, mais uma vez, quase dobrou o volume de negócios. Segundo a organização, foram encaminhados contratos da ordem de R$ 400 milhões, crescimento de 88% em relação a 2011. De olho neste mercado, um grupo de fabricantes gaúchos de máquinas e implementos esteve pela primeira vez na exposição do Planalto Central, em um estande coletivo organizado por Simers, Abimaq e governo do Rio Grande do Sul. Sem perder tempo e de olho no futuro, os promotores da Agrobrasília estarão circulando pela Expointer deste ano, apresentando as potencialidades da feira para novos expositores. Com a excelente safra colhida no Centro-Oeste brasileiro e a valorização das commodities, a expectativa para o próximo ano é atrair mais empresas e dar um novo salto nas vendas. Para parte das indústrias gaúchas, as vendas efetuadas naquela região têm compensado as perdas registradas em 2012 em razão da estiagem. Mal fechou o balanço positivo deste ano, o coordenador-geral da Agrobrasília, Ronaldo Triacca, já faz projeções de outro recorde em 2013. “Devido a problemas climáticos que ocasionaram quebras de safra em grandes regiões produtoras, o produtor da região está fechando a venda de soja futura a R$ 57. Além disso, a colheita de milho safrinha está sendo ótima, com vendas a R$ 28 a saca, quando esperava-se R$ 18. Isso cria um quadro de ótimas perspectivas para 2013”, afirma Triacca. “Temos um potencial muito grande a ser explorado. Cada
U
32 | Guia das Máquinas Expointer 2012
Para 2013, a ampliação deve incorporar segmentos ligados à pecuária e a vinda de mais estrangeiros
vez mais os produtores da região estão se concentrando na Agrobrasília e se planejando para fazer suas compras na feira”, explica. O otimismo de Triacca é compartilhado pelo economista Hercílio Matos, consultor do Simers e ex-coordenador nacional do programa Mais Alimentos. Hercílio lembra que a participação com um estande coletivo marcou posição de um conjunto de fabricantes do Rio Grande do Sul em um evento que se constitui na “bola da vez” do agronegócio brasileiro. “Sabemos que mercados não se conquistam da noite para o dia. Mas esse espaço econômico e comercial que se abriu ali vai permitir a emergência de novas oportunidades para a indústria gaúcha”, diz.
Marcas tradicionais como Stara, Mepel, Kuhn, Vence Tudo e Massey Ferguson participam da feira desde o começo
Hercílio lembra que a região do Planalto Central oferece um componente cultural e afetivo que favorece as indústrias do Rio Grande do Sul. “A maioria dos produtores da região são filhos ou netos de gaúchos que migraram para lá nos anos 70”, conta. Uma das indústrias gaúchas participantes deste ano, a Ipacol, de Veranópolis, esteve na Agrobrasília pela segunda vez, em estande próprio. O gerente de vendas, Décio Schwingel, já começa a planejar a volta em 2013, depois de amarrar bons acordos, principalmente com vagões misturadores. “O pós-feira foi interessante, pois encaminhamos negócios para fechamento na semana seguinte. A venda só acontece com trabalho. No pós-feira podemos levar nossos técnicos em visita às fazendas, fazer demonstração de equipamentos e mostrar ao cliente as vantagens de nossos produtos”, relata Décio. Marcas tradicionais como Stara, Mepel, Kuhn, Vence Tudo e Massey Ferguson, entre outras, participam da feira desde as primeiras edições. Firmada como o maior evento de tecnologia e agronegócio do Planalto Central, a Agrobrasília é realizada em uma área de 50 hectares da Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) junto à BR251 km, a 60 quilômetros de Brasília. Naquela região concentram-se altos níveis de tecnologia agrícola e altas médias de produtividade, especialmente de feijão, trigo, soja e milho. Para 2013, o interesse de ampliação deverá incorporar novos segmentos, principalmente ligados à pecuária, e aprofundar o foco comercial com mais compradores, especialmente de novos países estrangeiros.
EDUARDO AIGNER - DIVULGAÇÃO
Crescimento constante Ano
Visitantes
Expositores
Negócios
2008
12.000
100
R$ 50 milhões
2009
25.000
195
R$ 83 milhões
2010
50.000
290
R$ 130 milhões
2011
58.000
310
R$ 212 milhões
2012
77.000
370
R$ 400 milhões
Fonte: Agrobrasília
Mais informações Agrobrasília - Feira de Tecnologias e Negócios Informações: (61) 3339-6516 E-mail: agrobrasilia@agrobrasilia.com.br www.agrobrasilia.com.br
Guia das Máquinas Expointer 2012 | 33