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ISSN 1984-3577

S達o Paulo, v. 6, n. 3, Out. 2013


 2013 Intertox Periódico científico de acesso aberto, quadrimestral e arbitrado meses: (2) fevereiro, (6) junho e (10) outubro. Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida desde que citada a fonte. As opiniões e informações veiculadas nos artigos são de inteira e exclusiva responsabilidade dos respectivos autores, não representando posturas oficiais da empresa Intertox Ltda. Seções Artigo Original; Artigo de Atualização; Comunicação Breve; Ensaio; Nota de Atualização e Revisão Idiomas de Publicação Português e Inglês Contribuições devem ser enviadas para <m.flynn@intertox.com.br>. Disponível em: <http:// revinter.intertox.com.br>. Normalização e Produção Website Henry Douglas Capa Henry Douglas Projeto Gráfico Henry Douglas RevInter – Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade. / InterTox uma empresa do conhecimento. – v. 5, n. 2, (jun. 2012).- São Paulo: Intertox. 2012. Quadrimestral ISSN: 1984-3577 1. Ciências Toxicológicas. 2. Risco Químico. 3. Sustentabilidade Socioambiental. I. InterTox uma empresa do conhecimento. Biblioteca InterTox II. Título.

1. Ciências Toxicológicas. 2. Risco Químico. 3. Sustentabilidade Socioambiental. I. InterTox uma empresa do conhecimento. Biblioteca InterTox II. Título. Rua Turiassú, 390 - cj. 95 - Perdizes - 05005-000 - São Paulo - SP – Brasil Tel.: 55 11 3872-8970

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Expediente Editor(a) Maurea Nicoletti Flynn Doutora em Oceanografia (USP) Com Especialização Ecologia Comitê Científico (2011-2013) Irene Videira Lima Doutora em Toxicologia (USP), Perita Criminal Toxicologista do IML-SP por 22 anos. Marcus E. M. da Matta Doutor em Ciência pela Faculdade de Medicina USP. Especialista em Gestão Ambiental (USP). Engenheiro Ambiental e Turismólogo. Moysés Chasin Farmacêutico-bioquímico pela UNESP-SP especializado em Laboratório de Análises Clínicas e Toxicológicas e de Saúde Pública. Ex-Perito Criminal Toxicologista de classe especial e Diretor no Serviço Técnico de Toxicologia Forense do Instituto Médico Legal da SSP/São Paulo. Diretor executivo da InterTox desde 1999. Ricardo Baroud Farmacêutico-Bioquímico Toxicólogo, Editor Científico da PLURAIS Revista Multidisciplinar da UNEB e da TECBAHIA Revista Baiana de Tecnologia.

Conselho Editorial Científico (2011-2013) Alice A. da Matta Chasin Doutora em Toxicologia (USP) Eduardo Athayde Coordenador no Brasil do WWI - World Watch Institute Eustáquio Linhares Borges Mestre em Toxicologia (USP), ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Toxicologia, exProfessor Adjunto de Toxicologia da UFBA. Fausto Antonio de Azevedo Mestre em Toxicologia USP, ex-Diretor Geral do Centro de Recursos Ambientais do CRA-BA, ex-Presidente do CEPED-BA, ex-Subsecretário do Planejamento, Ciência e Tecnologia do Estado da Bahia. Isarita Martins Doutora e Mestre em Toxicologia e Análises Toxicológicas (USP), Pós-doutorado em Química Analítica (UNICAMP), FarmacêuticaBioquímica Universidade Federal de Alfenas MG. João S. Furtado Doutor em Ciências (USP), Pós-doutorado (Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill, NC, EUA). José Armando-Jr Doutor em Ciências (Biologia Vegetal) (USP), Mestre (UNICAMP), Biólogo (USF). Sylvio de Queiroz Mattoso Doutor em Engenharia (USP), ex-Presidente do CEPED-BA.

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Sumário TOXICOLOGIA Aspectos toxicológicos da exposição ocupacional a parafina em ciências morfológicas

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Eficiência do kit PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 para a triagem de transformadores quanto ao conteúdo de PCB

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ECOLOGIA DO ESTRESSE / ECOTOXICOLOGIA Aplicação da Teoria das Alometrias na elucidação e quantificação da capacidade das plantas em remover formaldeído de ambientes fechados. 30 Metodologia para obtenção de dados e seleção de métodos para quantificação de emissões e transferências RETP 47 SOCIEDADE Alimentos industrializados versus saúde do consumidor

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SUSTENTABILIDADE Ciência da “Administração Verde”

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Artigo Original Aspectos toxicológicos da exposição ocupacional a parafina em ciências morfológicas. Helson Freitas da Silveira Departamento

de

Morfologia

da

Faculdade

de

Medicina

da

Universidade Federal do Ceará da Universidade Federal do Ceará.

Gilberto Santos Cerqueira Departamento

de

Morfologia

da

Faculdade

de

Medicina

da

Universidade Federal do Ceará da Universidade Federal do Ceará. Instituto de Teologia Aplicada de Sobral e Faculdade Integrada da Grande Fortaleza.

Howard Lopes Ribeiro Júnior Universidade

da

Integração

Internacional

da

Lusofonia

Afro-

Brasileira.

Fabíola Ferreira da Silva Departamento de Morfologia da Universidade Federal da Paraíba.

Rivelilson Mendes Freitas Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Piauí.

Ariel Gustavo Scafuri Departamento

de

Morfologia

da

Faculdade

de

Medicina

da

Universidade Federal do Ceará da Universidade Federal do Ceará. SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original Resumo A parafina é um derivado do petróleo de alta pureza, que causa exposição ocupacional entre os trabalhadores da área de ciências morfológicas. O objetivo desse trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica sobre a exposição ocupacional a parafina em trabalhadores dessa área. Foi realizado um estudo de revisão bibliográfica através das bases de dados do SciELO, LILACS, Bireme, Science direct e google acadêmico, na qual foram selecionados estudos clássicos e recentes relevantes para a discussão do tema abordado. Verificou-se que trabalhos sobre a exposição ocupacional a parafina são escassos, porém esse hidrocarboneto causa irritação nasal, prurido ocular e uma dermatose ocupacional a elaioconiose, pouco relatada na literatura, principalmente na nacional. Constata-se a necessidade de elaboração de campanhas preventivas para minimizar e exposição do trabalhador da área de ciências morfológicas. Palavras-chave:

Anatomia. Inalantes. Exposição ocupacional. Morfologia.

Parafina Abstract Paraffin is a petroleum-derived with high purity, causing occupational exposure among workers in the morphological science area. The aim of this study was to review the literature on occupational exposure to paraffin workers in this field. We conducted a literature review through the databases SciELO, LILACS, Bireme, Science direct and Google scholar, in which were selected classical and recent studies relevant to the subject discussion. It was found that papers on occupational exposure to paraffin are scarce, however this hydrocarbon cause nasal irritation, SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original itching eye and acne occupational elaioconiose, rarely reported in the literature, mainly in Brazilian literature. The need for development of preventive campaigns to minimize worker exposure and area of morphological sciences was remarked. Keywords: Anatomy. Inhalants. Occupational exposure. Morphology. Paraffin. Introdução A exposição ocupacional por produtos químicos é entendida como a possibilidade do contato de produtos químicos com tecidos como pele, mucosa, sangue e fluidos orgânicos no ambiente de trabalho, e as formas de exposição incluem inoculação nasal, por intermédio de vapores durante a exposição e o contato direto com pele e/ ou mucosas (GOMES et al., 2007). No Brasil, as condições de trabalho e os riscos a que estão expostos os operários dos diversos ramos produtivos ainda são tratados pelos patrões e pelo próprio Estado como segredo empresarial. Muitas vezes, as reivindicações relacionadas com a segurança no trabalho são punidas com a demissão pura e simples de trabalhadores, sem que se tenham mecanismos eficientes de contraposição a tais desmandos (FACCHINI et al., 1991). A parafina é um hidrocarboneto de cadeias longas, com ponto de fusão elevado, podendo ser misturado a outros, de cadeias mais curtas e menor ponto de fusão, a exemplo da vaselina sólida (HYDROCARBON, 1973). Essa mistura origina um produto com ponto de fusão e com consistência intermediários (JACOMINO et al., 2000).

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original A parafina é usada em processamento de laminas histológica, na produção de velas inseticidas, em pranchas de surf e como combustível. Muitos profissionais e estudantes da área biomédica como são os técnicos em histologia, técnicos de patologia, anatomistas, técnicos de embalsamamento e de laboratório de Anatomia, estudantes de ciências da saúde, professores, pesquisadores e monitores que trabalham com processamento de tecido e laminas histológicas estão exposto de forma aguda e crônica a parafina e não há nenhuma políticas para prevenção e tratamento de indivíduos expostos. Baseado nessas premissas o objetivo desse trabalho foi realizar uma revisão bibliográfica sobre a exposição ocupacional a parafina em trabalhadores da área de ciências morfológicas.

Metodologia Foi realizada uma revisão sistemática de literatura embasada em artigos científicos. A revisão bibliográfica tem por objetivo fazer uma pesquisa com base em documentos já elaborados (SANTOS, 2003). Segundo Sampaio & Mancine (2007), uma revisão sistemática, assim como outros tipos de estudo de revisão, é uma forma de pesquisa que utiliza como fonte de dados a literatura sobre determinado tema. Esse tipo de investigação disponibiliza um resumo das evidências relacionadas a uma estratégia de intervenção específica, mediante a aplicação de métodos explícitos e sistematizados de busca, apreciação crítica e síntese da informação selecionada.

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original Segundo

Lakatos

e Marconi

(1999) a

pesquisa

bibliográfica

trata-se

do

levantamento, seleção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que está sendo pesquisados em livros, enciclopédias, revistas, jornais, folhetos, boletins, monografias, teses, dissertações e material cartográfico. Pretende-se, assim, colocar o pesquisador em contato direto com todo material já escrito sobre o mesmo. Esse estudo de revisão bibliográfica possui base descritiva e foi realizada no período de janeiro de 2013 a setembro de 2013 com o levantamento de dados pesquisados na literatura com o objetivo de selecionar estudos clássicos e recentes relevantes para a discussão do tema abordado encontrados em bibliotecas virtuais e base de dados como Scientific eletronic Library online (SciELO) e Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Science Direct. Durante o processo de revisão foi utilizado os mesmo critérios de Bizerra et al., 2013. Para iniciar a busca dos resumos, foram acessados os sites e, por meio da Terminologia em Saúde, consultada os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), identificando os seguintes descritores: Parafina e exposição ocupacional a parafina, sendo considerados apenas os artigos que possuíam esse descritor no seu resumo ou abstract. Além dos critérios de inclusão supracitados foram incluídos apenas os artigos entre ano de 1990 a 2013. A análise dos dados foi pautada nos aspectos de exposição ocupacional a parafina e foram verificadas as concordâncias e discrepâncias a respeito de cada tópico da análise. Após a identificação das idéias definidas de cada autor, foi feita uma

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original analise critica da literatura e os resultados foram descritos textualmente e realizadas reflexões que a temática possibilitou.

Resultados e Discussão A parafina é um derivado do petróleo descoberto por Carl Reichenbach. Conhecida por sua alta pureza, excelente brilho e odor reduzido, também pode ser usada como combustível. Possui propriedades termoplásticas e de repelência à água e é usada amplamente para a proteção de diversas aplicações, como em embalagens de papelão para a indústria alimentícia e revestimento de queijos e frutas. Por suas propriedades de combustível, é a matéria prima essencial na fabricação de velas. Outras aplicações comuns à parafina incluem cosméticos, giz de cera, adesivos termofusíveis (hot melt), papel carbono, tintas, pinturas etc. A exposição ocupacional a parafina no trabalho é considerada um dermatoses ocupacional. As Dermatoses Ocupacionais compreendem as alterações da pele, mucosas e anexos direta ou indiretamente causadas, mantidas ou agravadas pelo trabalho. São determinadas pela interação de dois grupos de fatores: predisponentes ou causas indiretas, como idade, sexo, etnia, antecedentes mórbidos e doenças concomitantes, fatores ambientais como o clima (temperatura, umidade), hábitos e facilidades de higiene e causas diretas constituídas pelos agentes biológicos, físicos, químicos ou mecânicos presentes no trabalho que atuariam diretamente sobre o tegumento produzindo ou agravando uma dermatose pré-existente (ALCHORNE et al., 2010; BRASIL, 2006). Dentre as dermatoses ocupacionais está a elaioconiose uma dermatite causada pela exposição ocupacional aos hidrocarbonetos dentre eles a parafina. A elaioconiose é uma erupção acneiforme que ocorre nas áreas expostas de trabalhadores susceptíveis, como mecânicos da reparação de automóveis,

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original trabalhadores de laboratório de histologia e anatomia patológica e indústria metalúrgica, que utilizam óleos de corte (BRASIL, 2006; VALGAS et al., 2011). Também conhecida por dermatite folicular ou acne por óleos pesados derivados do petróleo, esta afecção da pele teve sua incidência reduzida com a difusão e a adoção dos cuidados de higiene pessoal pelos trabalhadores, limpeza das roupas após o trabalho e o uso de equipamentos de proteção individual. É de tratamento difícil e prolongado, exigindo longos períodos de afastamento do trabalho para a sua remissão. O diagnóstico baseia-se na morfologia, na localização das lesões e na história de exposição ocupacional a óleos e graxas. A elaioconiose é uma condição clínica pouco observada nos consultórios de dermatologia, porém representa parcela importante das doenças ocupacionais cutâneas. Sua prevalência é imprecisa, uma vez que as maiorias dos casos não chegam às estatísticas e sequer ao conhecimento dos dermatologistas. Muitos são automedicados, enquanto outros são recebidos pelo médico do trabalho da própria empresa. Podem ocorrer em qualquer fase da vida profissional e afeta principalmente mecânicos (BOPP, MULLER, 1979). Dessa forma podemos observar na tabela abaixo o resumo das principais manifestações clínicas de exposição a parafina nos órgãos e sistema (tabela 1).. Tabela. 2. Efeitos da exposição a parafina em órgãos e sistema Sistema

Manifestações clínicas

Sistema nervoso

Dor de cabeça, náuseas, tonteiras e efeitos anestesiantes, efeitos narcóticos

Sistema digestório

Mal estar abdominal, dor abdominal

Sistema Respiratório

Irritação nasal, tosse, Prurido ocular

Sistema tegumentar

Irritação por hipersensibilidade da pele, queimadura e Dermatite acneiforme

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original A exposição aguda a parafina pode ser sufocante e causar lesões da pele importante no trabalhador. Calafiori; Alchorne, (1982) observou que o maior número de casos exposição correspondeu a lesões de acne (elaioconiose) em atividade, abrangendo 65,3% dos expostos. Assim a tabela 2 abaixo demonstra os primeiros socorros em trabalhadores expostos a parafina. Tabela 3. Primeiros socorros para exposição a parafina Órgãos

Atividade

Ingestão

Não provocar vômito. Se a vítima estiver consciente, lavar a sua boca com água limpa em abundância. Procurar assistência médica imediatamente, levando o rótulo do produto sempre que possível

Contato com olhos

Lavar os olhos com água em abundância, por pelo menos 20 minutos, mantendo as pálpebras separadas. Usar de preferência um lavador de olhos. Procurar assistência médica imediatamente, levando o rótulo do produto sempre que possível.

Contato com pele

Retirar imediatamente roupas e sapatos contaminados. Lavar a pele com água em abundância, por pelo menos 20 minutos, preferencialmente sob chuveiro de emergência. Procurar assistência médica imediatamente, levando o rótulo do produto, sempre que possível.

Inalação

Remover a vítima para local arejado. Se a vítima não estiver respirando, aplicar respiração artificial. Se a vítima estiver respirando, mas com dificuldade, administrar oxigênio a uma vazão de 10 a 15 litros / minuto. Procurar assistência médica imediatamente, levando o rótulo do produto sempre que possível.

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original Remoção da pele

Em caso do contato do produto aquecido com a pele e/ou com os olhos, lave com água fria e remova o produto solidificado com o uso de óleo vegetal ou mineral.

Considerações Finais Constatou-se que a exposição ocupacional a parafina em trabalhadores de ciências morfológicas é uma realidade, porém como as lesões causadas pela parafina são subnotificadas há uma lacuna na literatura sobre estudos com essa temática, apesar de inúmeros trabalhadores nos laboratório de histologia e patologia serem expostos diariamente em seu ambiente de trabalho. É claro que o uso de equipamento de proteção individual reduz a exposição à parafina, mas o cumprimento entre a maioria dos trabalhadores usuários final de parafina profissionalmente expostos parece não ocorre de forma adequada. Mais pesquisas são necessárias sobre exposição ocupacional a parafina, bem como e elaboração de políticas públicas para prevenção dessa exposição com intuito de reduzir a exposição e compreender as razões para a baixa adesão ao uso de equipamento de proteção individual dentro dos laboratórios de morfologia. Bibliografia

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original ALCHORNE, Alice de Oliveira de Avelar; ALCHORNE, Maurício Mota de Avelar; SILVA, Marzia Macedo. Dermatoses Ocupacionais. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro , v. 85, n. 2, Apr. 2010.

BIZERRA, RFC; SANTOS, AAP; SILVA RC; MONTEIRO, EKR; DOURADO, KMO; SANTOS, JÁ; CERQUEIRA, GS et al., Câncer de mama: prevenção e detecção precoce na atenção básica. Lecturas, Educación física y Deportes Buenos Aires Año 17 - N° 176 – Enero de 2013. http://www.efdeportes.com/efd176/cancer-demama-prevencao-e-deteccao-precoce.htm

BRASIL. Ministério da Saúde. [Internet]. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações programáticas Estratégicas. Dermatoses ocupacionais. Brasília: Ministério da Saúde; 2006. 92 p. [Acesso 28 abr. 2011]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_dermatoses.pdf

BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Comissão de Ética em Pesquisa em Seres Humanos. Resolução nº 196, de 10 de outubro de 1996. Diretrizes e Normas Regulamentadoras Envolvendo Seres Humanos Brasília (DF), 1996.

CALAFIORI, JOSÉ ROBERTO; ALCHORNE, ALICE O. A; Gomes, Jorge da Rocha. Dermatoses ocupacionais produzidas por óleo anticorrosivos. Rev. bras. saúde ocup;10(37):60-3, 1982.

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original FACCHINI, Luiz A.; WEIDERPASS, Elisabete; TOMASI, Elaine. Modelo operário e percepção de riscos ocupacionais e ambientais: o uso exemplar de estudo descritivo.Rev. Saúde Pública, São Paulo , v. 25, n. 5, out. 1991 .

GOMES GP, PINHO DL M, RODRIGUES CM. Perfil dos acidentes de trabalho no hospital universitário de Brasília. Rev. Brasileira Enferm. 2007 Mai-Jun; 60(3):2914.

JACOMINO, Angelo Pedro et al . Processos de proteção dos garfos na enxertia da mangueira. Sci. agric., Piracicaba , v. 57, n. 1, mar. 2000 .

LAKATOS, EM e MARCONI, MA. Metodologia do trabalho científico. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999.

VALGAS, Nanashara et al . Elaioconiose: relato de caso. An. Bras. Dermatol., Rio de Janeiro , v. 86, n. 4, supl. 1, ago. 2011 . SAMPAIO RF E MANCINI MC. Estudos de revisão sistemática: um guia para síntese criteriosa da evidência científica. Rev. bras. fisioter., São Carlos, v. 11, n. 1, p. 83-89, jan./fev. 2007

SANTOS, Izequias Estevam. Textos selecionados de métodos e técnicas de pesquisa científica. 3 ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2002. 296 p. SAMPAIO, S.A.P. & RIVITTI, E.A. Dermatologia. São Paulo, Artes Médicas, 1998. p. 435-52.

SILVEIRA, Helson Freitas da; CERQUEIRA, Gilberto Santos; JÚNIOR, Howard Lopes Ribeiro; SILVA, Fabíola Ferreira da; FREITAS, Rivelilson Mendes; SCAFURI, Ariel Gustavo. ASPECTOS TOXICOLÓGICOS DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A PARAFINA EM CIÊNCIAS MORFOLÓGICAS, SP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 6-16, Out. 2013.

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Artigo Original Eficiência do kit PCB 50 PPM CLORN-OIL 50 para a triagem de transformadores quanto ao conteúdo de PCB. Maurea Nicoletti Flynn Bióloga pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ. Doutor e Mestre em Oceanografia pela USP. Pós-doutor em Ecologia Aquática pela USP. Professor Orientador do curso de Pós Graduação em Tecnologia Ambiental FT UNICAMP. Estudos Especiais Intertox Email: m.flynn@intertox.com.br

Camila Emilia Figueira Engenheira Química pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Mestre em Engenharia Química pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Doutoranda em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo USP. Consultora Intertox.

Mirielle da Cruz Castilho Engenheira Ambiental pela UNESP. Especialização em Projetos Sustentáveis, Mudanças Climáticas e Mercado de Carbono pela Universidade Federal do Paraná e cursando Gestão de Controles Ambientais pelo SENAI Tecnologia Ambiental. Consultora Intertox..

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original Maurício Gardinali Junior Engenheiro Ambiental Universidade Federal de Itajubá – UNIFEI, mestrando em Geociências pela Universidade de São Paulo.

Marcus Emmanuel Mamana da Matta Engenheiro Ambiental pela Escola Superior de Química Oswaldo Cruz. Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo USP, Especialista em Gestão Ambiental pela Faculdade de Saúde Pública USP. Diretor da Intertox.

Resumo As

bifenilas

policloradas

(PCB)

foram

amplamente

importadas

e

comercializadosno Brasil até o uso ser proibido, em 1981, pela Portaria Interministerial nº 019/1981. Suas características, como alta estabilidade e baixas inflamabilidade e condutividade, as consagraram como o isolante dielétrico líquido mais usado em transformadores e outros equipamentos elétricos. O Brasil ratificou a Convenção de Estocolmo em 24 de fevereiro de 2004, pelo Decreto nº 5.472, de 20 de junho de 2005, assumindo os compromissos internacionais de retirar o PCB de uso até 2025 e de promover sua completa destruição até 2028.O objetivo deste trabalho foide testar a eficiênciado Kit PCB 50 ppm CLOR-N-OIL 50 (EPA SW0846 Método 9079) para a triagem de equipamento não PCB dos PCB (fluidos contendo menos de 50 ppm de PCBs são considerados não PCBs). De um total de 99 amostras foram obtidos 19 resultados falso positivos, já esperados, e 7 resultados falso negativos.As sete amostras cujos resultados foram FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original considerados falso negativos (7% do universo estudado) devem ser mais bem investigados quanto a outras variáveis envolvidas. Palavras-chave: PCB; teste de triagem Kit PCB 50 ppm CLOR-N-OIL 50 Abstract The polychlorinated biphenyls (PCBs) were widely imported and marketed in Brazil until 1981 when its use was banned in Brazil. Their characteristics such as high stability and low flammability and conductivity, consecrated the PCBs as the most used dielectric insulator in transformers and other electrical equipment. Brazil ratified the Stockholm Convention in 2004, assuming the international commitment to remove PCBs from use till 2025 and to promote its complete destruction in 2028. The aim of this study was to test the50 ppm PCB Kit CLOR-N50 OIL (EPA Method 9079 SW0846) efficiency on the screening of PCB and nonPCB dielectric fluids. A total of 99 samples were tested, 19false positive results were obtained, as expected, and 7 unexpected false negative results. Those 7 samples should be better investigated. Key-words: PCB; screening test Kit PCB 50 ppm CLOR-N-OIL 50

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original Introdução A contaminação ambiental por poluentes orgânicos persistentes (POP) é um problema mundial de grande importância para a manutenção da saúde ambiental e, por conseguinte, do homem. Dentre estes, as bifenilas policloradas (PCB) foram amplamente importadas e comercializadosno Brasil até o uso ser proibido, em 1981, pela Portaria Interministerial nº 019/1981. Suas características, como alta estabilidade e baixas inflamabilidade e condutividade, as consagraram como o isolante dielétrico líquido mais usado em transformadores e outros equipamentos elétricos O Brasil ratificou a Convenção de Estocolmo em 24 de fevereiro de 2004, pelo Decreto nº 5.472, de 20 de junho de 2005, assumindo os compromissos internacionais de retirar o PCB de uso até 2025 e de promover sua completa destruição até 2028.Para que os compromissos assumidos na Convenção de Estocolmo sejam atendidos, se faz necessária a realização do inventário nacional de PCB. O inventário nacional visa identificar a existência de PCB em diferentes contextos, como em áreas contaminadas, resíduos armazenados que aguardam destinação final e em uso principalmente em equipamentos elétricos onde também se teve a contaminação cruzada durante os processos de manutenção e complementação do fluido dielétrico de transformadores. Este último traz um desafio técnico e economico grande para a verficação de todos os equipamentos em uso nos prazos da Convenção, assim no primeiro momento essa investigação deve FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original utiizar-se de amostragem estatítica, mas ainda sim os elevados custos de testes analísiticos de PCB emm óleo e a própria disponibilidade de laboratórios nacionais acreditos para tal medição, faz com que a abordagem utilizando testes preliminares de detecção de cloro no óleo seja uma alternativa para minimização de amostras a serem comprovadas em laboratório. O objetivo deste trabalho foi testara eficiência do Kit PCB 50 ppm CLOR-NOIL 50 (EPA SW0846 Método 9079) para a triagem de equipamento não PCB dos PCB(fluidos contendo menos de 50 ppm de PCBs são considerados não PCBs), que devem então ter suas concentrações testadas analiticamente, mais caros e demorados. Metodologia Aplicação do método: Método usado para a determinação da concentração de PCBs em fluidos isolantes de transformadores em nível pré-determinado de 50 µg/g (nível de ação). Em 10 minutos o teste indica por colorimetria se a concentração de PCB ultrapassa o nível de ação diminuindo o numero de testes analíticos em laboratório.

Principio químico do método: A amostra de fluido a ser testada reage com uma mistura de sódio metálico, naftaleno e diglime em temperatura ambiente, de modo que todos os halogenetos orgânicos são convertidos aos seus respectivos halogenetos sódicos.Todos os

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original halogenetos presentes são extraídos em solução buffer e uma quantidade prédefinida de nitrato de mercúrio é adicionada, seguida da adição do indicador difenilcarbazona. A cor da solução ao final do teste indica se a amostra apresenta concentração de PCBs acima ou abaixo do nível estabelecido. A coloração amarela indica uma concentração de PCBs maior do que 50 ppm, enquanto a coloração azulvioleta indica concentração menor do que 50 ppm. Os kits são calibrados através do uso como padrão do Aroclor 1242, que fornece uma indicação conservadora devido ao baixo conteúdo de cloro quando comparado a outros fluidos usados em equipamentos elétricos.

Interferências ao método: Presença de água na amostra em quantidades maiores que 2% interferem na leitura, pois afetam a reação com o sódio. Níveis altos de enxofre (4%) introduzem erro que resultam em leituras falsopositivas. A amostra apresentará um forte cheiro de enxofre após a reação com o sódio. Qualquer contaminação por átomo de cloro será quantificada como proveniente de PCB, resultando em leitura falso-positiva.

Procedimento experimental:

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original O estudo foi conduzido nos laboratórios da AES Eletropaulo com o kit Clor-NOil 50 em 99 amostras de fluido dielétricas previamente testadaspor cromatografia quanto à concentração de PCBs. Cada operador devidamente treinado recebeu amostras aleatoriamente selecionadas com concentrações de PCB não conhecidas pelo operador. Foram anotados como resultados os valores de concentração de PCBs como menor ou maior que o nível de ação (50 ppm).Os testes invalidados devido a erros de procedimento foram registrados como testes incompletos e refeitos. Todos os resultados foram fotografados.

Parâmetros de validação: Para a definição dos parâmetros de validação do kit foi utilizado uma tabela de dupla entrada, relacionando a presença ou não de PCB em concentração maior que o nível de ação (50 ppm) e os resultados obtidos pelo kit, positivo ou negativo para PCB. Assim houve quatro resultados possíveis: 1. Verdadeiro positivo (VP), quando o resultado do teste é positivo para PCB e há contaminação do fluído por PCB, previamente constatado por cromatografia; 2. Falso positivo (FP), quando o resultado do teste é positivo e não há contaminação do fluido por PCB; 3. Verdadeiro negativo (VN), quando o resultado do teste é negativo e não há contaminação do fluido por PCB; 4. Falso negativo (FN), quando o resultado do teste é negativo e há contaminação do fluído por PCB. Após a complementação da tabela foram definidos a sensibilidade, a especificidade, a eficiência e os valores preditivos de resultado positivo e negativo do método. Sendo: Sensibilidade (S) representa a porcentagem de resultados positivos FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original pelo kit em relação ao total de amostras de fluidos contaminadas por PCB, sendo medida por:S = VP/(VP+FN); Especificidade (Es) representa a porcentagem de resultados negativos pelo kit para o total de amostras não contaminadas por PCB, sendo medida por:Es= VN/(VN+FP); Eficiência (Ef) representa a relação entre o somatório dos verdadeiros resultados positivos e verdadeiros resultados negativos com o total de amostras analisadas: Ef= (VP+VN)/(VP+VN+FP+FN); Valor preditivo de um resultado positivo (VPP) se refere à probabilidade de contaminação do fluido por PCB quando o resultado do teste é positivo: VPP= VP/(VP+FP); Valor preditivo de um resultado negativo (VPN) se refere à probabilidade de não contaminação por PCB quando o resultado do teste é negativo: VPN=VN/(VN=FN). Resultados e Discussão As 99 amostras usadas no estudo foram retiradas de transformadores da AES Eletropaulo contendo Aroclor 1242com contaminação por PCB variando de 0 a 189 ppm. Todas as reações realizadas com o kit Clor-N-Oil50, Dexsil ocorreram em tubos de ensaios plásticos selados, e todos os reagentes foram adicionados por meio de ampolas de vidro quebráveis eliminando o risco de manuseio direto. Os resultados obtidos são apresentados na Tabela I, que inclui também os resultados das análises realizadas para cada amostra por cromatografia gasosa. Tabela I – Amostras testadas com o numero de identificação (Id) de cada, o resultado do teste com o kit em menor ou maior que 50 ppm, o resultado do teste de cromatografia gasosa (CG) e os resultados definidos como: VN – Verdadeiro Negativo; VP – Verdadeiro Positivo; FP – Falso Positivo; e FN – Falso Negativo. Id Amostra 14

˂ 50 ppm x

7197 7191

˃50ppm

x X

CG (ppm)

Resultado

0

VN

158 ˂1

Id Amostra

˂ 50 ppm

˃50ppm

CG (ppm)

Resultado

7192

x

46

FP

VP

7228

X

73

VP

VN

7214

X

45

FP

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original 7415 7357

X X

7366 7411

X X

79

VP

7224

X

41

FP

48

VN

7212

X

45

FP

45

FP

7225

X

42

FP

6

VN

4418

X

68

VP

x

82

VP

87

FN

7405

X

189

VP

4488

7398

X

109

VP

4333

x

7400

X

˂1

VN

4494

x

80

VP

7393

X

5

VN

4307

X

82

VP

7390

X

3

VN

4490

X

76

VP

7410

X

6

VN

4293

x

68

VP

7397

X

4

VN

7205

x

47

FP

7392

X

7

VN

7199

˂1

VN

7391

X

29

VN

7202

x

46

FP

23

FP

7200

X

71

VP

47

VN

7206

X

73

VP

90

FN

45

FP

7386 7355

X X

x

7340

X

42

FP

7222

7339

X

46

FP

7203

7322

X

114

VP

7207

x

˂1

VN

7351

X

109

VP

7231

X

˂1

VN

x x

7349

x

128

FN

7201

X

˂1

VN

7356

x

82

FN

7230

X

3

VN

7386

x

23

VN

7215

X

7

VN

7403

x

46

VN

7217

X

32

VN

7389

x

˂1

VN

7213

48

FP

7413

x

6

VN

7232

X

15

VN

7385

x

5

VN

7198

x

1

VN

49

FP

7226

X

8

VN

31

VN

7216

x

˂1

VN

40

FP

7210

x

17

VN

31

FP

27

VN

7353 7347

x x

7359

x

7383

X

33

VN

7211

7384

x

18

VN

7220

x

x X

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original 7402

x

42

FP

7194

X

14

VN

7369

x

69

VP

7209

x

18

VN

7218

x

32

FP

7196

X

20

VN

x

13

VN

7204

x

85

FN

7195

7227

X

13

VN

7229

x

31

FP

7300

X

135

FN

8148

x

83

VP

7387

x

123

VP

7643

x

169

VP

7354

x

87

VP

7636

x

92

VP

7362

x

69

FN

7619

x

159

VP

7193

X

12

VN

7593

x

186

VP

4541

x

73

VP

7556

x

80

VP

7223

X

142

VP

7452

x

210

VP

7406

X

95

VP

7328

x

90

VP

11

VN

7458

x

331

VP

114

VP

7508

x

185

VP

41

VN

7208

x

7221 7219

x x

Foram obtidos 19 resultados falso positivos, já esperados, e 7 resultados falso negativos. Os 19 resultados falso positivos foram encontrados ao nível de contaminação por PCB entre 40 e 49 ppm (Tabela II). O que mostra que o limite de detecção do teste é tal que propicia até que esse valor de corte seja menor que os 50 ppm determinados pelo fabricante o que não configuraria problemas posto torna o teste mais conservador. As sete amostras cujos resultados foram considerados falso negativos (7% do universo estudado) devem ser mais bem investigados quanto a outras variáveis envolvidas. A validação do método cromatográfico deveria ser ensejada para maior entendimento dessa questão.

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original Tabela II – Numero de amostras com resultado: Verdadeiro Positivo (VP), Verdadeiro Negativo (VN), Falso Negativo (FN) e Falso Positivo (FP). RESULTADO TESTE Positivo Negativo

PCB ˃50 ppm VP - 32 FN - 7

PCB˂50 ppm FP - 19 VN - 41

Logo, de um total de 60 amostras com valores de contaminação por PCB menores do que 50 ppm, como obtido por análise de cromatografia (as 41 verdadeiro negativas e as 19 falso positivas), aproximadamente 31% deram resultado falso positivo, dentro da margem esperada para o teste (Tabela III). Tabela III – Proporção de resultados falso positivos e falso negativos esperados para diferentes níveis de concentração de PCB em amostras de óleo. Concentração de PCB Taxa de falsos positivos Taxa de falsos negativos (ppm) 8 ˂3 21 2,8 26 35 45 88 50 1,4 Fonte: DMR-16-02. Method 9079.Screening test method for Polychlorinated biphenyls in transformer oil.

Os valores dos parâmetros calculados para a validação do teste como:a sensibilidade, a especificidade, a eficiência e os valores preditivos de resultados positivam e negativo, estão apresentados na Tabela IV. Tabela IV – Parâmetros de validação do teste calculados. VP: Valores Preditivos. Sensibilidade – S = VP/(VP+FN) = 22/29 = 0,82 Especificidade – Es = VN/(VN+FP) = 0,68

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original Eficiência – Ef = (VP + VN)/(VP + VN + FP + FN) = 0,74 Valor preditivo de resultado positivo – VPP = VP/(VP + FP) = 0,63 Valor preditivo de resultado negativo – VPN = VN/(VN + FN) = 0,85 Parâmetro de validação Sensibilidade Especificidade Eficiência VPPositivo VP Negativo

Resultado % 74 69 70 53 85

Conclusões Deve-se reforçar que a análise de PCBs por qualquer método não é uma ciência exata – a técnica, o operador, o equipamento, todos estes fatores são importantes na confecção do resultado, logo uma limitação deste estudo foi considerar que todas as amostras feitas por cromatografia tiveram resultados acurados. No caso da aplicação do Kit testado, a maior gravidade foi quanto à presença de falsos negativos, o que não era esperado. De qualquer maneira os parâmetros de validação do teste usados apresentaram todos bons valores, sendo o de menor eficácia o Valor Preditivo de Resultados Positivos, como já esperado, já que o teste para manter uma margem de segurança produz um numero maior de falsos positivos no entorno do valor de corte de 50 ppm.

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original Agradecimentos Agradecemos a AES Eletropaulo e aos técnicos do laboratório da unidade Cambuci São Paulo, em especial Alexandre Souza, que viabilizaram a obtenção das amostras, na testagem por meio do kit e por meio da cromatografia gasosa. Sem esta participação o trabalho não poderia ter sido realizado.

FLYNN, Maurea Nicoletti Flynn; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; JUNIOR, Maurício Gardinali; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. EFICIÊNCIADO KIT PCB 50 PPM CLOR-N-OIL 50 PARA A TRIAGEM DE TRANSFORMADORES QUANTO AO CONTEUDO DE PCB. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 17-29, Out. 2013.

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Artigo Original Aplicação da Teoria das Alometrias na elucidação e quantificação da capacidade das plantas em remover formaldeído de ambientes fechados. William Roberto Luiz Silva Pereira Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Publicações científicas em Ecologia Teórica e Aplicada. Especialista em Matemática Aplicada à Biologia (Biomodelagem). Assessor técnico na Bio.Sensu. Email: william_roberto_luiz@hotmail.com.

Resumo A Síndrome do Edifício Doente vem chamando atenção da comunidade científica por gerar um quadro de sintomas que não possui uma causa única definida, porém já é apontado que grandes quantidades de COVs concentradas no ar de ambientes fechados podem estar causando a síndrome. Experimentos já demonstraram que diversas espécies cultivadas de plantas ornamentais possuem a capacidade de remover COVs com velocidades depurativas espécie-específica. Num experimento cuidadosamente elaborado, KIM et al. (2010) revelaram que a capacidade de remover formaldeído não depende apenas da espécie, mas também da PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original área foliar da planta. Ao re-analisar os dados disponibilizados nesse estudo, foi verificado que a área foliar total respeita relações alométricas com a biomassa total da planta, independente da espécie. Verificou-se também uma relação de escala que relacionada a capacidade de remover formaldeído com a área foliar total da planta, e por inferência, chegou-se a

relação alométrica que relaciona a capacidade de

remover formaldeído com a biomassa total. A inserção da teoria das alometrias no entendimento desse fenômeno leva a outras hipóteses e deduções até então não consideradas. Palavras-chave: Alometria, Compostos Orgânicos Voláteis, Fitorremediação, Formaldeído, Relações de Escala, Síndrome do Edifício Doente. Abstract Sick Building Syndrome has been drawing the attention of scientific community by generating a variety of symptoms which don’t have a unique origin. It has been already established otherwise that high quantities of VOCs indoors could induce the syndrome. Experiments have already showed that a great number of plant species are able to sequestered VOCs with specie-specific depurative velocities. However, in a carefully planned experiment, KIM et al. (2010) concluded that the purifying capacity in sequestering formaldehyde is not only specie-dependent, but depends of the leaf area. In re-analyzing data provided by this study, it was verified that total area leaf respects an allometric relationship with total biomass, independently from the species considered. A scaling relationship that relates formaldehyde sequestered with total area leaf, and by inference, an allometric scaling that relates the capacity of sequestering formaldehyde with total biomass. The insertion of Allometric Theory PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original in the understating of the phenomenon lead us to another hypothesis, not considered yet. Key-words: Allometric Relations, Volatile Organic Compounds, Phytorremediation, Formaldehyde, Scaling Relationships, Sick Building Syndrome Introdução É apontado que os funcionários das empresas gastam entre 80-90% do tempo de trabalho em ambientes confinados todo dia e nesses ambientes a poluição do ar pode ser 10 vezes pior que fora. Atualmente os materiais, em particular, são na maioria feitos de colas sintéticas e resinas, enquanto equipamentos elétricos nos escritórios lançam centenas de tipos de compostos orgânicos voláteis (COVs) (CHEN et al., 2010). Eles levam as pessoas a se tornar menos e menos saudáveis, dando origem a “Síndrome do Edifício Doente”, definido pelo Comitê Técnico da Organização Mundial da Saúde por um conjunto de sintomas: dor de cabeça, fadiga, letargia, prurido e ardor nos olhos, irritação de nariz e garganta, anormalidades na pela e falta de concentração. Essa síndrome é na maioria das vezes associada à poluição do ar criada pelos edifícios no ambiente de trabalho. Já é conhecido que alguns compostos orgânicos voláteis, como o formaldeído, entram nas folhas através dos estômatos e das cutículas e é mais rapidamente absorvida pela superfície abaxial e por plantas jovens (KIM et al., 2008 e 2010). Uma vez absorvida pelas folhas, geralmente entram no ciclo de Calvin depois da oxidação enzimática do CO2. Sintetizado, esse COV é retirado do ambiente, metabolizado e incorporado pelas plantas.

PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original As folhas, junto com o caule, correspondem à boa parte da biomassa desenvolvida pela planta (biomassa da parte aérea, shoot mass), e outra parcela é incorporada nas raízes (biomassa radicular, root mass). Uma série de variáveis fisiológicas e ecológicas co-variam com a biomassa da planta (ENQUIST, 2002; NIKLAS, 2004; ENQUIST et al., 2007; PRICE et al., 2007), levando ao surgimento de relações alométricas próprias com coeficientes e expoentes específicos, possibilitando a quantificação e entendimento dos fenômenos relacionados (PEREIRA, 2013). KIM et al. (2010) elaboraram um experimento onde foi injetado numa câmara fechada uma dose inicial de 2 μL/L (dose aproximadamente 12 vezes mais elevada em comparação aos valores encontrados em residências novas na Coréia) de formaldeído para testar a eficiência em remover esse gás para 85 espécies de plantas ornamentais, com mensurações com intervalo de tempo de 1h, durante 5 horas. Todas as espécies retiraram o formaldeído com velocidades diferenciadas. No entanto foi verificado que a capacidade depurativa não dependeu apenas da espécie, mas também da área foliar total da planta contida na câmara. O objetivo desse trabalho é adaptar os resultados do trabalho de KIM et al. (2010) na Teoria das Alometrias e fornecer equações alométricas para quantificar a capacidade de remover formaldeído pelas plantas, não em função da área foliar aplicada na câmara, e sim da área foliar total da espécie no vaso. Metodologia Foram disponibilizados dados (KIM et al., 2010) para a altura da planta (cm/vaso), área total de folhas por vaso (cm2/vaso) e o peso fresco total da planta por vaso PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original (g/vaso) para 85 espécies de plantas ornamentais, com seus respectivos desviospadrões (três amostras de plantas por espécie). As plantas foram agrupadas em cinco categorias (plantas de folhagem lenhosas, com 20 espécies representantes; plantas de folhagem herbáceas, com 20 espécies; plantas nativas da Coréia, 20 espécies; samambaias, 20 espécies; e ervas, 5 espécies). A quantidade de formaldeído removido a partir de uma concentração inicial de 2 injetado na câmara foi monitorado hora em hora durante cinco horas e a quantidade de formaldeído removido foi apresentado em de área foliar através de um método de quantificação próprio (KIM et al., 2008). Uma relação de escala ocorre quando pode ser descrita através de uma lei de potência na forma e uma relação alométrica surge quando uma dada variável é função da biomassa, descrita por . O grau de ajuste aos dados (máximo quando ) é uma das maneiras de determinar o quão ambas as variáveis correlacionam, mas não é o suficiente para certificar que a correlação é realmente é uma alometria, principalmente quando revela valores muito baixos. Nesse estudo consideraremos como hipótese a existência de uma relação alométrica potencial quando . Com isso foram testadas relações alométricas inter-específicas para : 

Altura da planta (

) em função da massa fresca média ( ) →

Área foliar total (

) em função da massa fresca média ( ) →

E relações de escala para: 

Formaldeído removido por espécie (

Formaldeído removido após 5 horas de exposição ( média (

) ao longo do tempo de exposição ( ) → ) em função da área total

)→

PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original ( Nota: os termos ‘massa fresca média’ e ‘biomassa total média’ são equivalentes, porém o primeiro é mais aplicado as ciências horticulturais e o segundo no campo das alometrias).

Resultados Surgiram relações alométricas entre a altura da planta e a área total de folhas, ambas em função da massa fresca total (ou biomassa total) dentro das categorias. Para as relações entre a altura e biomassa total, apenas o grupo das samambaias apresentou (Figura 1) No entanto, para a área total de folhas em função da biomassa, todas as categorias (menos ervas) apresentaram relações alométricas com (Figura 3).

Figura 1. Ajuste de leis de potência ( ) da altura da planta (cm/vaso) em função da massa fresca total da planta (g/vaso) para as cinco categorias de plantas

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Artigo Original ornamentais classificadas por KIM et al. (2010). À direita são descritas as fórmulas com seus respectivos coeficientes de terminação ( ).

Na categoria das plantas de folhagem herbáceas KIM et al. (2010) incluíram a palmeira-areca (Chrysalidocarpus lutescens), porém essa espécie pertence a família Arecaceae e os representantes dessa família são de espécies lenhosas. Tendo isso, foram realizadas novas plotagens excluindo esse dado. Além do mais, isso fez com que a dispersão dos dados fossem melhor visualizadas (Figura 2).

Figura 2. Gráficos da mesma plotagem realizada na figura 1, sem os dados para Chrysalidocarpus lutescens.

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Artigo Original

Figura 3. Ajuste de leis de potência ( ) da área foliar (cm2/vaso) em função da biomassa total da planta (g/vaso) para as cinco categorias de plantas ornamentais classificadas por KIM et al. (2010). À direita são descritas as fórmulas com seus respectivos coeficientes de terminação ( ).

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Artigo Original

Figura 4. Ajuste da lei de potência ( ) da área foliar (cm2/vaso) em função da biomassa total da planta (g/vaso) para as 85 espécies de plantas ornamentais avalizadas por KIM et al. (2010).

Ao considerar todos os dados para as 85 espécies de plantas ornamentais, o ajuste da lei de potência aos dados forneceu uma boa aderência (Figura 4), informando que essa relação não é táxon-específica. Todos os dados disponibilizados para a quantidade de formaldeído removido por espécie ao longo do tempo (total de 5 horas de exposição) respeitaram relações de escala com Foi apresentada uma curva média com os desvios observados e a curva da espécie mais eficiente (samambaia-real-japonesa, Osmunda japonica) e a menos eficiente (dracena-de-faixa, Dracaena deremensis ‘Warneckii) (Figura 5).

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Artigo Original

Figura 5. Monitoramento da quantidade de formaldeído removido (μg/m 3/cm2 de área foliar) ao longo de cinco horas de exposição. As leis de potência são descritas para a espécie mais eficiente em remover formaldeído (Osmunda japonica), a menos eficiente (Dracaena deremensis ‘Warneckii’) e para os valores médios das 85 espécies monitoradas por KIM et al. (2010), com suas respectivas barras de desvio.

Ao relacionar a quantidade de formaldeído removido em função da área foliar total em cada categoria de plantas, todas as relações alométricas revelaram expoentes negativos (Figura 6) e apenas o grupo das samambaias apresentou ( ). No entanto, ao desconsiderar as variações inter-categorias, ou seja, plotando todos os dados para as 85 espécies ao mesmo tempo, surgiu uma relação de escala com e, de fato, o grupo das samambaias contribuiu com o aumento da significância dessa relação (Figura 7). Uma observação visual das curvas ajustadas revela que existe uma tendência da quantidade de formaldeído removido (por cm2 de área foliar x cm3 de volume de confinamento) decair com o aumento da área foliar total, independente da espécie

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Artigo Original ou da categoria considerada (Figura 7). KIM et al. (2010) geraram um gráfico semelhante (figura 4 do artigo) onde também houve um decaimento da quantidade removida de formaldeído, mas em função da área total de folhas confinadas na câmara. Na mesma figura foi apresentado um ajuste linear aos dados, porém a dispersão dos pontos se assemelhou mais a uma lei de potência. O grupo discutiu esse resultado muito brevemente, sem grandes considerações.

Figura 6. Ajuste de leis de potência ( ) da quantidade de formaldeído 3 2 removido (μg/m /cm de área foliar) em função da área foliar total (cm2/vaso) para as cinco categorias de plantas ornamentais classificadas por KIM et al. (2010). Na direita são descritas as fórmulas com seus respectivos coeficientes de terminação ( ).

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Artigo Original

Figura 7. Ajuste de leis de potência ( ) da quantidade de formaldeído 3 2 removido (μg/m /cm de área foliar) em função da área foliar total (cm2/vaso) para as 85 espécies de plantas ornamentais avaliadas por KIM et al. (2010). No centro do gráfico segue a fórmula com seu respectivo coeficiente de terminação ( ).

Discussão Além de ajudar a entender a relação entre diferentes fenômenos, a Teoria das Alometrias permite que sejam realizadas quantificações com relativa facilidade. As leis de potência aplicadas na relação entre a altura da planta e a biomassa total não revelaram ajustes satisfatórios e isso não era esperado, já que tal alometria é reconhecida (PRICE et al., 2007) e teoricamente revela um expoente de 0,25. O aparecimento de relações alométricas significativas entre a área foliar total e a biomassa total (

) em todas as categorias (menos ervas, provavelmente

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Artigo Original pela quantidade pequena de dados) e a relação de escala inter-categorias entre a quantidade de formaldeído removido e a área foliar total ( co-variação interessante.

) guardam uma

Uma variação na biomassa total afeta alometricamente a área foliar total e consequentemente uma mudança na área foliar total afeta alometricamente a quantidade de formaldeído removido pela planta. Com isso pode-se introduzir a relação , que informa que uma alteração na biomassa total irá afetar alometricamente a quantidade de formaldeído removido e isso é condicionado por valores específicos para o expoente. A biomassa vegetal também é função da taxa metabólica basal (ENQUIST et al., 2007; PRICE et al., 2007), descrita pela lei de Rubner (se ) ou Kleiber (se ) (PEREIRA, 2013) ou outro valor para o expoente, regida por .A taxa metabólica é a taxa fundamental responsável pela atividade bioquímica dos organismos em transformar os recursos capturados em energia e alocar em biomassa (ENQUIST et al., 2007). Um leve aumento nos valores do expoente metabólico leva a um aumento da biomassa incorporada, decorrente de uma maior eficiência na atividade metabólica, e conseqüentemente leva a um aumento da área foliar total. A área de superfície fotossintética ( ) co-varia com vários outros tratos vegetais (assimilação de carbono, fotossíntese bruta, taxa de fluxo de seiva no caule, número de folhas e massa de folhas). Essa inter-dependência foi apresentada por ENQUIST et al. (2007) da seguinte forma:

sendo que o valor de é derivado a partir de premissas geométricas das redes vasculares, dinâmicas e biomecânicas. Os parâmetros que controlam o surgimento de são caracterizados por fatores relacionados à estrutura e geometria das redes de distribuição de recursos (sistema vascular das plantas). Esse parâmetro é maximizado quando

e surge quando a rede de ramificação preenche

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Artigo Original todo o volume, a resistência hidrodinâmica é minimizada, os ramos terminais são independentes da massa e as adaptações biomecânicas negam os efeitos da gravidade (ENQUIST et al., 2007). Com isso pode-se afirmar que a área superficial fotossintética é maximizada quando . O mesmo é afirmado para a área foliar total: (ENQUIST, 2002). Os resultados nesse estudo revelaram um expoente de , ou seja, não está maximizado e respeita valores relacionados a geometria Euclidiana (ENQUIST et al., 2007). Supondo que haja um acréscimo de biomassa e da área foliar (condicionado pelo aumento do expoente), isso levaria a um efeito negativo sobre o expoente da alometria que determina a capacidade da planta em remover formaldeído, se a relação alométrica indicados acima.

for verdadeira e co-variar com os dos demais tratos

As samambaias foram as plantas que melhor removeram formaldeído (KIM et al., 2010) e contribuiu definitivamente para o surgimento de com . Esse fato faz com que essa relação alométrica tenha sua existência minimamente confirmada com valor de Pela figura 5 podemos conferir que a média da quantidade de formaldeído removido para as 85 espécies de plantas depois de cinco horas de exposição ficaram concentradas em torno de 1 μg/m3/cm2 de área foliar e essa mesma tendência surgiu no gráfico da figura 6 e 7. Isso confirma que a grande maioria das espécies analisadas atingem um grau de saturação na sua capacidade de remoção em torno de 1 μg/m3/cm2 de área foliar e poucas espécies (principalmente as samambaias) saturam em valores superiores. Ao expor quatro espécies de folhagem em ambiente confinado concentrado de benzeno, tolueno e dos dois gazes misturados por seis horas, YOO et al. (2006) verificaram um efeito deletério desses COVs sobre a taxa fotossintética, responsável pelo metabolismo básico da planta, e em outras variáveis relacionadas (taxa de respiração, condutância estomatal, concentração de CO2 intercelular e taxa de transpiração) indicando haver uma relação entre a habilidade de remover um PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original composto volátil e mudanças fisiológicas indesejáveis nas plantas. Esse resultado confirma a existência da relação alométrica proposta, já que a incorporação de biomassa depende da taxa de fotossíntese, que depende da quantidade de carbono seqüestrado e disponibilizado para realização das reações bioquímicas de incorporação de biomassa. O aumento da concentração de COVs no interior das folhas leva a um efeito supressor na taxa fotossintética e, conseqüentemente, no metabolismo e na incorporação de biomassa na planta. As samambaias possuem xilema e floema, são vasculares, mas pela filogenia das plantas vasculares as samambaias são mais antigas (divisão Pteridophyta) quando comparadas com as plantas que produzem flores (divisão Spermatophyta). Em termos evolutivos, é afirmado que ao longo do tempo houve uma série de incrementos sucessivos na complexicidade do sistema vascular, desde as simples briófitas passando pelas plantas produtoras de esporos, plantas mais complexas produtoras de sementes até angiospermas (PRYER et al., 2004). Uma complexicidade mais inferior no sistema vascular das samambaias pode estar contribuindo para o aumento na eficiência em remover formaldeído, já que isso pode ter um efeito direto no expoente metabólico desse grupo, não maximizado, levando a uma menor capacidade fotossintética e a uma maior capacidade em seqüestrar formaldeído. Outros estudos verificaram que as plantas são capazes de remover COVs: ozônio (PAPINCHAK et al., 2009), benzeno, tolueno, octano, tricloroetileno, α-pineno, (YANG et al., 2009), formaldeído, xileno e amônia (WOLVERTON & WOLVERTON, 1993) e no ar interior de ambientes muito urbanizados é quase certos que todos estão presentes ao mesmo tempo, em maior ou menor concentração, aumentando ainda mais os efeitos fisiológicos deletério nas reações bioquímicas que surtem efeitos metabólicos e fisiológicos nas plantas. Referências bibliográficas

PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original CHEN, H-S et al. Aplying DEA and Taguchi methods in plant selection and optimal layout to increase commerce management environment quality. African Journal of Business Management, v. 4(18), p. 4079-4085, 2010. ENQUIST, B. J. Universal scaling in tree and vascular plant allometry: toward a general quantitative theory linking plant form and function from cells to ecosystems. Tree Physiology, v. 22, p. 1045-1064, 2002. ENQUIST, B. J.; TIFFNEY, B. H. & NIKLAS, K. J. Metabolism scaling and the evolutionary dynamics of plant size, form, and diversity: towards a synthesis of ecology, evolution, and paleontology. Internationa Journal of Plant Science, v. 168(5), p. 729-749, 2007. KIM, K. J. et al. Efficiency of volatile formaldehyde removal by indoor plants: contribution of aerial plant parts versus the root zone. Journal of the American Society of Horticultural Science, vol. 133(4), p. 521-526, 2008. KIM, K. J. et al. Variation in formaldehyde removal efficiency among indoor plant species. Hortscience, v. 45(10), p. 1489-1495, 2010. NIKLAS, K. J. Plant allometry: is there a grand unifying theory? Biological Reviews, v. 79, p. 871-889, 2004. PAPINCHAK, H. L. et al. Effectiveness of houseplants in reducing the indoor air pollutant ozone. HortTechnology, v. 19, p. 286-290, 2009. PEREIRA, W. R. L. S. Alometrias em toda parte. Revinter, v. 6(1), p. 78-101, 2013. PRICE, C. A.; ENQUIST, B. J. & SAVAGE, V. M. A general model for allometric covariation in botanical form and function. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 104(32), p. 13204-13209, 2007. PRYER, K. M. et al. Phylogeny and evolution of ferns (Monilophytes) with a focus on the early Leptosporangiate divergences. American Journal of Botany, v. 91(10), p. 1582-1598, 2004. PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original WOLVETON, B. C. & WOLVERTON, J. D. Plants and soil microorganisms: removal of formaldehyde, xylene, and ammonia from the Indoor Environment. Journal of the Mississippi Academy of Sciences, v. 38(2), p. 11-15, 1993. YANG, D. S. et al. Screening indoor plants for volatile organic pollutant removal efficiency. HortScience, v. 44, p. 1377-1381, 2009. YOO, M. et al. Efficacy of indoor plants for the removal of single and mixed volatile organic pollutants and physiological effects of the volatiles on the plants. Journal of the American Society of Horticultural Science, v. 131(4), 452-458, 2006. ZHOU, J. et al. Purification of formaldehyde-polluted air by indoor plants of Araceae, Agavaceae and Liliaceae. Journal of Food, Agriculture & Environment, v. 9(3&4), 1012-1018, 2011.

PEREIRA, William Roberto Luiz Silva. APLICAÇÃO DA TEORIA DAS ALOMETRIAS NA ELUCIDAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DA CAPACIDADE DAS PLANTAS EM REMOVER FORMALDEÍDO DE AMBIENTES FECHADOS. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 3046, Out. 2013.

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Artigo Original Metodologia para obtenção de dados e seleção de métodos para quantificação de emissões e transferências RETP. Maurea Nicoletti Flynn Bióloga pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ. Doutor e Mestre em Oceanografia pela USP. Pós-doutor em Ecologia Aquática pela USP. Professor Orientador do curso de Pós Graduação em Tecnologia Ambiental FT UNICAMP. Estudos Especiais Intertox Email: m.flynn@intertox.com.br.

Camila Emilia Figueira Engenheira Química pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Mestre em Engenharia Química pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU. Doutoranda em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo USP. Consultora Intertox.

Mirielle da Cruz Castilho Engenheira Ambiental pela UNESP. Especialização em Projetos Sustentáveis, Mudanças Climáticas e Mercado de Carbono pela Universidade Federal do Paraná e cursando Gestão de Controles Ambientais pelo SENAI Tecnologia Ambiental. Consultora Intertox.

Marcus Emmanuel Mamana da Matta Engenheiro Ambiental pela Escola Superior de Química Oswaldo Cruz. Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original São Paulo USP, Especialista em Gestão Ambiental pela Faculdade de Saúde Pública USP. Diretor de Ações Governamentais da Intertox.

Resumo O texto objetiva esclarecer os princípios gerais adotados na produção de dados de emissão e os critérios técnicos, operacionais e econômicos na seleção e aplicação das técnicas de quantificação de emissões para diferentes setores industriais; considera os diversos fatores que influencia a escolha do MQE, que incluem custos, dados disponíveis, qualidade dos dados, habilidade do método na representatividade da emissão; e orienta quanto ao processo de seleção do MQE com a determinação do tipo de fonte de emissão, características da emissão, e dados necessários que estão efetivamente disponíveis em contraposição com os que são necessários, e confiabilidade do método. Palavras-chave: Fontes de emissão de poluentes; Métodos de quantificação de emissões de poluentes. Abstract The text aims to clarify the general principles adopted in the production of emissions data and the technical, operational and economics criteria applied to the selection of emission quantification methods for the different industrial sectors process; considers the various factors that influence the choice of MQE, including costs, available data, data quality, ability of the method on the representativeness of the emission; and guides the selection process of the MQE considering the type of

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original emission source, emission characteristics, required data that are effectively available in contrast to those that are needed, and reliability of the method.

Key-words: Types of pollutant emission sources; Pollutant emission quantification methods. Introdução O RETP, conhecido internacionalmente pela sigla em inglês PRTR - Pollutant Release and Transfer Register, constitui uma ferramenta chave para governantes tomarem decisões relativas ao gerenciamento da poluição e para as comunidades obterem informações sobre a quantidade de substancias químicas poluentes emitidas para o ar, a água e o solo e aquelas transferidas para tratamento ou disposição final dentro ou fora da unidade geradora. O Registro de Emissão e Transferência de Poluentes (RETP) é integrado à declaração anual do Relatório de Atividades Potencialmente Poluidora (RAPP) do Cadastro Técnico Federal do IBAMA. O RETP já está incluído no RAPP desde 2009, porém a partir do ano de 2014 ele será reorganizado em novo formulário obrigatório para as atividades incluídas na lista de Atividades Potencialmente Poluidoras do IBAMA e que tenha atingido os limiares para reportar as substâncias da lista oficial RETP no RAPP. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) tem dado suporte ao desenvolvimento e implantação do sistema RETP nos países membros através da publicação de manuais-guias de orientação e documentos FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original técnicos para fornecer aos governantes e indústrias informações relevantes, atualizações e guia prático para a identificação, seleção e uso de diferentes técnicas de quantificação de substâncias emitidas por diferentes fontes. Este texto foi elaborado tendo por base as orientações contidas no documento Framework for Selecting and Applying PRTR Release Estimation Techniques (OECD, 2005), os documentos já publicados para o RETP Brasil disponíveis www. retp.gov.br e as informações providas por diversos setores industriais, e objetiva esclarecer: I) Princípios gerais adotados na produção de dados de emissão e II) Critérios técnicos, operacionais e econômicos na seleção e aplicação das técnicas de quantificação para diferentes setores industriais. I. Princípios gerais adotados na produção dos dados de emissões Práticas de controle da qualidade devem ser estabelecidas para garantir a confiabilidade dos dados de emissão produzidos, sendo frequentemente necessário o estabelecimento de um programa de produção de dados que irá prover uma descrição detalhada da geração de dados de emissão para cada substância. É essencial:  O conhecimento integral dos processos e atividades da planta e suas contribuições aos valores de emissão, em termos de quantidade e concentração.  A coerência entre os dados do programa de produção e de geração que precisam ser checados periodicamente.  O monitoramento determinado caso a caso, levando em consideração a fonte de emissão e o local de mensuração.

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Artigo Original 1.1

Obtenção dos valores de emissão total por planta industrial

Usualmente, dados disponíveis de monitoramento são coletados como parte do requerimento referente às legislações ambientais ou atendimento a selos ambientais e normatização internacional. Para as substâncias objetos de legislação já estabelecida há algum tempo (por exemplo: SO2, NOX, CO), relações empíricas e fatores de emissão estão disponíveis. O valor de um dado de emissão depende de quão bem este representa as condições reais de emissão, e o quanto é comparável aos resultados de outras plantas industriais do mesmo setor. O valor total de emissão de determinada substância RETP por planta cobre uma vasta gama de emissões liberadas por uma variedade de fontes e condições (Tabela 1). Condição normal de operação na planta se refere à regularidade e características específicas ao tipo de processo em questão, para o qual a emissão varia em uma faixa conhecida de vazão, composição e concentração. As medidas ou dados obtidos para quantificação de emissões devem ser feitos com bom planejamento de modo a fornecer uma visão representativa das principais situações de emissão. Deve-se considerar a cobertura espacial das emissões, pontos de coleta, mensuração ou obtenção de dados escolhidos de modo que representem as verdadeiras emissões mapeadas por processo; e a cobertura temporal das emissões, pontos de coleta, mensuração ou obtenção de dados escolhidos de modo que representem as flutuações em emissões características por processo. Em casos de variação da emissão, os resultados do monitoramento precisam ser tratados estatisticamente. As emissões no período de operações normais de produção não

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Artigo Original incluem emissões durante o start-ups ou desligamento, paradas, manutenção, ou circunstancias

não

previstas

no

gerenciamento

do

processo

que

afeta

consistentemente as emissões e transferências de substâncias; e as emissões excepcionais que podem ocorrer em situações previstas (e.g. reativação e desligamentos rotineiros do processo, durante manutenção ou devido a variações no input ou nas condições do processo) ou imprevistas (mau funcionamento das técnicas de abatimento da poluição ou erro humano). Tabela 1. Tipos de emissão. Tipo de Emissão

Conceituação

Emissões Canalizadas (intencionais)

Emissões de poluentes RETP para o ambiente, canalizadas por qualquer tipo de tubulação, como chaminés ou sistemas de efluente, independentemente da forma ou seção.

Emissões Difusas

Emissões Excepcionais

Emissões difusas surgem do contato direto de poluentes voláteis ou particulados fino com o ambiente em condições normais de operação. Este contato pode ser resultante de características do equipamento (e.g. purificadores, secadores), condições de operação (e.g. transferência de material entre containeres), tipo de operação (e.g. atividades de manutenção) ou por meio de uma liberação gradual para outro meio (e.g. resfriamento de água ou de água residual). Fontes difusas podem ser pontuais, lineares, por área ou volume. As emissões fugitivas são parte das emissões difusas.

Emissões excepcionais são geradas devido a eventos que fogem das operações regulares, tais como inputs variáveis, ou alterações nas condições de processo, reativação ou desligamento de processos, paradas temporárias, incidentes. Podem ocorrer tanto em condições previstas como não previstas.

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original Emissões Fugitivas

Emissões fugitivas resultam da perda gradual do ajuste de peças de equipamentos desenhadas para conter fluidos (gases ou líquido), tipicamente pode ser ocasionada por diferença de pressão e vazamento resultante. Exemplos incluem vazamentos por flanges, bombas ou qualquer outra peça do equipamento e perdas por armazenamento de produtos gasosos ou líquidos.

Emissão Total

Emissão total de uma planta ou unidade declarante é calculada levando em consideração todas as formas de emissão.

1.2

Métodos de Quantificação de Emissão (MQEs) Os métodos de quantificação aceitos pelo Ministério do Meio Ambiente

(MMA) e IBAMA incluem as seguintes categorias: Medida Direta; Balanço de Massa, Cálculo de Engenharia; e Fator de Emissão. Mais informações no Guia do Declarante RETP ano base 2013. As diferentes técnicas de quantificação possuem vantagens e desvantagens que precisam ser levadas em conta quando da avaliação de sua aplicabilidade a casos específicos. A escolha entre os métodos de quantificação das emissões e transferências depende do tipo de emissão, as fontes de emissão, a acurácia requerida e aos custos relativos. 1.3

Seleção do Método de Quantificação de Emissões mais apropriado Há diversos fatores que influencia a escolha do MQE, que incluem custos,

dados disponíveis, qualidade dos dados, habilidade do método na representatividade da emissão. Estes fatos estão representados na Figura 1 para cada um dos métodos.

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original

Figura 1: Relação entre custos e confiabilidade do MQE adaptados de USEPA, 1977 por OECD, 2005.

A seleção do MQE é feita considerando-se cada caso e processo em especifico. A seleção se inicia com a determinação do tipo de fonte de emissão, características da emissão, e dados necessários que estão efetivamente disponíveis em contraposição com os que são necessários. Frequentemente, diferentes métodos são aplicados e analisados por fatores pré-determinados para se avaliar o mais adequado. O método Fator de Emissão será aplicado sempre que possível para obter o teto máximo de emissão e assim avaliar a acurácia dos outros métodos. Primeiros passos no processo de escolha do MQE: 

Determinação do tipo de fonte e características da emissão;

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original  Avaliação dos dados necessários versus dados disponíveis;  Avaliação dos MQEs apropriados; 

Incertezas associadas ao uso dos MQEs escolhidos.

Uma vez determinada o tipo de fonte para cada meio (ar, água e solo), o método de quantificação pode ser selecionado, seguindo-se os passos especificados na figura 2. Para emissões canalizadas, os pontos abaixo são considerados para cada fonte de emissão do processo avaliado: 

Há dados de monitoramento ou medida direta disponível? Os dados disponíveis podem ser usados para uma quantificação confiável usandose uma, ou uma combinação de medida direta de emissão contínua, periódica, ou única.

Há contabilização de materiais que permita uma quantificação por Balanço de Massa?

Há calculado na planta ou publicado em literatura especializada relações empíricas ou físico-químicas aplicáveis à fonte/substância emitida? Há dados do processo suficientes para aplicação das relações empíricas ou físico-químicas?

Há Fator de Emissão específico disponível para a planta ou tipo de indústria?

Há outros Fatores de Emissão gerais disponíveis?

Pode a opinião de um especialista ser usada?

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original 

As condições de licenciamento podem ser usadas para se estimar emissões referentes ao pior cenário?

Há um documento referente aos cenários de emissão que pode ser usado para estimar emissões referentes ao pior cenário?

Para emissões difusas, foca-se nas seguintes questões: 

Pode-se usar o Método Balanço de Massa?

Há algum modelo adequado que poderia ser aplicado aos dados disponíveis?

Há alguma relação empírica ou físico-química aplicável a fonte? Há dados do processo suficientes para aplicação das relações empíricas ou físicoquímicas?

Há Fator de Emissão específico disponível para a planta ou tipo de indústria?

Há outros Fatores de Emissão disponíveis?

Pode a opinião de um especialista ser usada?

As condições de licenciamento podem ser usadas para se estimar emissões referentes ao pior cenário?

Há um documento referente aos cenários de emissão que pode ser usado para estimar emissões referentes ao pior cenário?

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original

Figura 2. Passos para a seleção dos MQEs.

Confiabilidade do MQE: A incerteza associada a um método específico depende principalmente da aplicabilidade do método para determinada situação. Medida Direta continua ou periódica das emissões são tipicamente as mais confiáveis, entretanto o Método de Balanço de Massa pode ser igualmente confiável se aplicável em condições bem representativas do processo. Relações empíricas e modelos considerados no método Cálculo de Engenharia, dependendo da situação, podem ser mais ou menos confiáveis do que o Método Fator de Emissão. Os erros de quantificação resultam normalmente da inclusão de dado não representativo ou da falha em contabilizar todas as fontes e processos no cálculo de emissões totais. FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original Principais fontes de erro: 

Variabilidade inerente à atividade de uma fonte;

Variabilidade inerente entre fontes dentro de um mesmo setor;

Dados não representativos referentes à determinada fonte específica;

Falta de dados específicos para a fonte considerada;

Métodos de quantificação inconsistentes ou inadequados;

Falta de calibração adequada ou tendenciosidade nos instrumentos de medida;

Erros de amostragem (incluindo numero ou tamanho de amostra inadequado);

Uso inapropriado de valores default na quantificação;

Erros de cálculo; e

Uso incorreto dos dados (e.g. interpretação errônea dos resultados, omissão de dados de emissão relevantes).

A incerteza na quantificação das emissões pode ser avaliada qualitativamente e quantitativamente. A abordagem mais simples envolve a avaliação qualitativa das fontes de desvios ou erros na quantificação das emissões. Nesta abordagem devem-se listar todas as fontes potenciais de desvios ou erros e descrever a direção, positiva ou negativa, e a ordem de magnitude do desvio.

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original Nos casos em que o erro nos resultados atinge a magnitude do resultado em si, a adequabilidade do método será questionada, conforme diretrizes apresentadas no capitulo II. Em relação à abordagem quantitativa na incerteza da quantificação de emissões, vários métodos estão disponíveis. A USEPA sugere os seguintes Métodos: quantificação por especialista, propagação do erro e simulação direta. Mais detalhes em: USEPA (1996a), Volume II: Chapter 2 Preferred and Alternative Methods for Estimating Air Releases from Boilers Final Report June 1996, Report prepared for Point Sources Committee, Emission Inventory Improvement Program by Eastern Research Group, United States Environmental Protection Agency, Morrisville, North Carolina, USA. http://www.epa.gov/ttn/ chief/eiip/ii02fin.pdf Os princípios listados na seção 1.4 serão seguidos tanto no uso dos métodos de quantificação de Medida Direta quanto nos métodos por Balanço de Massa, Fator de Emissão e Cálculo de Engenharia.

1.4

Cadeia de Produção dos Dados de Emissão e/ou Transferência

A produção e o gerenciamento dos dados para a quantificação das emissões deve seguir 7 passos, assim definidos: i) Determinação do volume do efluente, gás de combustão, ou resíduo, assim como determinação do volume de entrada de, por exemplo, combustível ou matéria prima; FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original ii) Amostragem ou obtenção de dado da concentração ou volume; iii) Pré-tratamento das amostras ou dados obtidos; iv) Tratamento das amostras ou dados obtidos; v) Análise das amostras ou dados obtidos; vi) Processamento dos dados; e vii) Reporte. A cadeia de produção de dados é aplicável a todos os métodos de quantificação desde que o método Medida Direta tenha sido usado para fornecer pelo menos uma das medidas usadas na quantificação da emissão. A maioria dos métodos de quantificação de emissões usa um dado medido de entrada ou saída do processo, ou ainda o valor de algum parâmetro relacionado ao processo. Por exemplo, ao se utilizar algum dos métodos de quantificação como Fator de Emissão, Balanço de Massa ou Cálculo de Engenharia, algum dado de entrada, como por exemplo, combustível ou consumo de matéria prima deve ser medido. Para o uso de alguns fatores de emissão, algum parâmetro da saída do processo pode ser medido, como por exemplo, volume do produto.

I. Seleção e Aplicabilidade dos MQEs. 2.1

Medida Direta/Monitoramento Quando usar? O Método Medida Direta deve ser usado quando se almeja fornecer a

quantificação de emissões mais representativa e confiável possível, sendo o monitoramento continuo mais eficaz que o descontinuo. O Método Medida Direta FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original pode apresentar algumas desvantagens como custo excessivo ou inaplicabilidade para certos poluentes devido a razões técnicas ou sensibilidade de equipamentos em altas e baixas concentrações. Devido ao tempo despendido, aos equipamentos envolvidos e a possibilidade de ocorrer erros na amostragem, armazenamento da amostra e manuseio no laboratório, o método Medida Direta frequentemente requer a aplicação de mais recursos do que o necessário na aplicação dos outros métodos.

Dados necessários Não há dados de entrada que devam ser considerados em Medida Direta, deve-se considerar a padronização e aplicabilidade das medidas feitas para garantir boa qualidade dos resultados. O que considerar? O método de mensuração deve ser adequado para o processo específico, fonte de Emissão e ponto de amostragem ou tomada de medida. O método deve ser sensível à composição e magnitude da Emissão. A confiabilidade das mensurações realizadas é afetada por: 

A acurácia dos volumes calculados de emissões ou resíduos inclui a contabilização de todas as fontes e condições;

A representatividade dos pontos e períodos de coleta deve ser assegurada de maneira que a quantificação de emissões anual seja eficaz; e

O processamento e interpretação corretos dos dados de monitoramento e amostragem são essenciais para sua validade

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Artigo Original 2.2

Fator de Emissão

Quando usar? O Método Fator de Emissão é recomendado quando a relação entre dados do processo e emissão é direta e relativamente simples. A maior limitação associada ao seu uso é que nem todas as fontes são desenhadas para funcionar exatamente da mesma maneira. Ao usar este método se aconselha que uma revisão da literatura e tecnologia mais recentes seja feita e que se compare se as fontes para as quais os fatores de emissão serão aplicados se diferem quanto às características da emissão das fontes para as quais os fatores foram calculados. Deve ser levado em conta que os fatores de emissão são calculados de maneira que precavidamente a quantificação por estes resulta em valores frequentemente maiores do que os realmente emitidos. Quando a informação usada no desenvolvimento do fator de Emissão é baseada em dados de outras nações ou regiões, deve-se estar ciente das possíveis variações locais. Dados necessários Ao aplicar o método Fator de Emissão é necessária a entrada de dados específicos da planta. Na falta destes, valores default podem ser utilizados. Para o cálculo dos fatores de emissão, os seguintes dados de entrada são requeridos:  Fator de emissão, usualmente expresso como peso do poluente dividido por

uma unidade de peso, volume, distancia, ou duração da atividade liberando a emissão do poluente;

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original  Informação da atividade do processo como especificado pelo fator de emissão

relevante, por exemplo, consumo de combustível, matéria prima, taxa de produção, volume de água residual gerado; e  Informação da eficiência de remoção dos equipamentos de redução de poluição

quando se usa um fator de emissão dito “não controlado” (fator que indica a emissão quando não se emprega tecnologia de controle de emissão). O que considerar? Método Fator de Emissão é inerentemente sujeito a grande incerteza já que são baseados em numero limitado de medidas de uma população potencialmente muito grande. A seguinte lista deve ser considerada quando da aplicação de Fator de Emissão: 

Quando se aplica fatores desenvolvidos para fontes de outro país, a incerteza da quantificação pode ser aumentada devido a diferenças na tecnologia usada nos processos, na matéria prima e substâncias químicas, condições de operação e equipamentos de controle de poluição;

Os fatores de emissão em geral não levam em consideração as emissões que ocorrem nos períodos de reativação e desligamento ou interrupções no processo e ou condições anormais de operação;

A acurácia de medidas de atividade do processo como, por exemplo, consume de combustível/matéria prima, produção ou volume de água residual, usados na quantificação podem afetar o resultado final;

As condições de “controle” ou “não controle” de poluição devem ser checadas por cada processo para que se empregue o correto fator de emissão. A eficiência do equipamento de controle de emissão deve ser

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original periodicamente testada, quando instalado. Se não houver testagem da eficiência, os valores indicados pelo fabricante ou publicados na literatura devem ser usados. Deve ser considerada também a deterioração do equipamento ou suas partes (ex. Filtros) e o tempo que o aparelho não funcionando devido à manutenção. 2.3

Balanço de Massa Quando usar? Balanço de Massa é o método mais apropriado nos casos em que se têm

medidas confiáveis obtidas de todos os componentes com exceção de um, ou quando a quantificação das emissões será usada com o propósito de rastrear emissões fugitivas. O uso do Balanço de Massa envolve o exame do processo de forma a identificar se as emissões podem ser quantificadas somente com base no conhecimento dos parâmetros de operação, composição de materiais, uso total do material, e dados disponíveis de monitoramento. Balanços de massa podem ser usados na quantificação de emissões para o ambiente provenientes da planta como um todo, do processo específico, ou de um equipamento em particular. É uma técnica efetiva para quantificar emissões de fontes por evaporação e fontes nas quais as mensurações de níveis baixos, intermitentes ou fugitivos de correntes de exaustão seriam difíceis, custosas ou ineficazes. É particularmente útil para processos como operações de desengraxe por solventes ou revestimento de superfície; e é igualmente aplicável para fontes pontuais ou difusas. Para sistemas complexos, a simplicidade conceitual desta abordagem é complicada pelo grande necessidade de dados adicionais.

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Artigo Original Dados necessários Quando a planta usa Balanço de Massa, a quantificação das emissões é feita pelo conhecimento da quantidade de material que entra em determinado processo, a quantidade que sai por todos os caminhos, e a quantidade retida no próprio produto. Portanto é necessário se levar em conta a entrada de matérias primas e de insumo na planta (ex. compras) e a quantidade exportada da planta como produto e resíduos. O restante é considerado “perda”, ou emissão para o ambiente. O que considerar? Embora o Balanço de Massa seja uma ferramenta valiosa na quantificação de emissões de diversas fontes, seu uso requer que uma medida da substância em questão seja conhecida a cada ponto do processo. O Balanço de Massa não deve ser usado para processos em que a matéria prima reage e forma produto secundário, ou sofre profundas alterações químicas, ou quando as emissões representam uma pequena fração da produtividade. Por exemplo, o uso de Balanço de Massa não é apropriado para o armazenamento de combustível, pois a fração perdida por evaporação é muito pequena relativamente para ser medida por Balanço de Massa. A acurácia e a confiabilidade dos valores de emissão obtidos com o método se relacionam diretamente a qualidade dos dados obtidos e o conhecimento dos diferentes caminhos percorridos pela substância em questão, portanto o uso de um método padrão na mensuração das quantidades diminui a incerteza do valor final. É necessário o conhecimento da quantidade total de material saindo do processo por cada

caminho

diferenciado,

incluindo:

o

produto,

reciclagem,

reutilização,

recuperação, emissões para o ar, efluentes líquidos, emissões para solo, e transferências para outras atividades de gerenciamento de resíduos. FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original 2.4

Cálculo de engenharia Quando usar? Frequentemente as emissões fugitivas de substâncias químicas voláteis só

podem ser quantificadas por suas propriedades físico-químicas. Da mesma maneira, emissões para o solo ou água por atividades de gerenciamento de resíduo. Modelos de Emissão podem ser usados nos casos em que os cálculos são pesados, ou quando um conjunto de parâmetros modifica o padrão de emissões. Por exemplo, o programa TANKS (download gratuito) incorpora diferentes variáveis como cor dos tanques, temperatura e velocidade do vento para obter a quantificação. Diferentes modelos estão disponíveis com o respectivo Manual do Usuário que específico o detalhamento e adequação de uso de cada modelo. Dados necessários As relações consideradas no Cálculo de Engenharia são frequentemente referentes a parâmetros como pressão parcial, temperatura e velocidade do vento. Muitas vezes estes incluem valores intrínsecos como peso molecular, densidade, viscosidade, e fugacidade. Existem programas de computador e planilhas de cálculo disponíveis para auxiliar na aplicação destas relações. Os modelos de emissão disponíveis requerem input data referente a cada variável considerada na relação em que se baseia., por exemplo, pressão parcial, temperatura, concentração, assim como informações sobre as propriedades dos componentes químicos. O que considerar? Pressupostos são sempre considerados para simplificar o processo de quantificação por relação físico-química, o que pode adicionar certa imprecisão a FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original quantificação final. Quando se utiliza um modelo este deve se basear em pressuposto válido, e adequado as condições e usos da planta. 2.5

Resumo dos MQEs Na tabela 2 a aplicabilidade de cada método de quantificação de emissões, os

dados necessários para o seu uso e o que considerar ao aplicá-los é resumidamente apresentado. Tabela 2. Resumo dos métodos de quantificação de emissões e aplicabilidade MQEs Medida Direta

Quando usar?/ Propósito  Deve ser usado

Dados necessários

quando

monitoramento

obrigatoriedade

ambiental obtidos por

investimento

determinação legal.

instalações

se

almeja

fornecer

a

quantificação emissões

de mais

representativa

e

Dados

de

Dados coletados em

operações rotineiras.

confiável possível.

O que considerar? / Importante observar  Não existe a de

em

novas de

monitoramento

e

aquisição

de

equipamentos

de

medição. 

Confiabilidade

das

medições e validação das mesmas. 

O

método

deve

ser

sensível à composição e magnitude da Emissão. Fator de Emissão

Rápido e Fáceis de

usar. 

O Método Fator de

Revisão

de

 Não mostrará melhorias

literatura

na redução das emissões,

especializada.

pois

o

cálculo

envolve

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Artigo Original  Fator de emissão,

fatores de equipamentos,

recomendado quando

usualmente

fluxo

a relação entre dados

em peso do poluente

substância envolvida.

do processo e emissão

dividido

por

uma

 Quando

é

unidade

de

peso,

fatores

Emissão

direta

é

e

expresso

de

insumo

se

e

aplica

desenvolvidos

relativamente

volume, distancia, ou

para fontes de outro país,

simples.

duração da atividade

a

liberando a emissão do

quantificação

usado para se estimar

poluente;

aumentada

emissões fugitivas.

 Informação

É o método mais

incerteza

da

pode devido

ser a

da

diferenças na tecnologia

atividade do processo

usada nos processos, na

como especificado pelo

matéria

fator

substâncias

de

emissão

prima

e

químicas,

por

condições de operação e

exemplo, consumo de

equipamentos de controle

combustível,

de poluição;

relevante,

matéria de

 Os fatores de emissão

produção, volume de

em geral não levam em

água residual gerado;

consideração as emissões

 Informação

que ocorrem nos períodos

prima,

taxa

da

eficiência de remoção

de

dos equipamentos de

desligamento

controle

da

interrupções no processo

quando

se

poluição usa

um

reativação

e ou

e ou condições anormais

fator de emissão dito

de operação;

“não controlado” (fator

 A acurácia de medidas

que indica a emissão

de atividade do processo

quando

como,

não

se

emprega tecnologia de

consume

por

exemplo, de

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original controle de emissão).

combustível/matéria prima,

produção

ou

volume de água residual, usados na quantificação podem afetar o resultado final;

 As

condições

“controle”

ou

controle”

da

de “não

poluição

devem ser checadas por cada processo para que se empregue o correto fator de emissão. A eficiência do

equipamento

de

controle de emissão deve ser

periodicamente

testada,

quando

instalado. Se não houver testagem da eficiência, os valores

indicados

pelo

fabricante ou publicados na literatura devem ser usados.

Deve

considerada

também

deterioração equipamento

ser a do

ou

suas

partes (ex. Filtros) e o tempo que o aparelho não estiver em funcionamento

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original devido

às

manutenções

periódicas. Balanço de Massa

Balanços de massa

 A quantificação das

 Para

podem ser usados na

emissões é feita pelo

complexos, a simplicidade

quantificação

conhecimento

da

conceitual

quantidade

de

abordagem é complicada

material que entra em

pelo grande necessidade

da

determinado processo,

de dados adicionais.

planta como um todo,

a quantidade que sai

 Seu uso requer que

do processo específico,

por todos os caminhos,

uma

ou de um equipamento

e a quantidade retida

substância

em particular.

no próprio produto.

seja

emissões

para

de o

ambiente provenientes

Balanços de massa

sistemas desta

medida em

da questão

conhecida

a

cada

ponto do processo.

podem ser usados na

 O Balanço de Massa

quantificação

não deve ser usado para

emissões

para

de o

ambiente provenientes

processos

em

que

a

matéria prima reage e da

forma

produto

planta como um todo,

secundário,

do processo específico,

profundas

ou de um equipamento

químicas, ou quando as

em particular.

emissões

ou

sofre

alterações representam

uma pequena fração da produtividade.  A

acurácia

e

a

confiabilidade dos valores de emissão obtidos com o método

se

relacionam

FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Artigo Original diretamente a qualidade dos dados obtidos e o conhecimento

dos

diferentes

caminhos

percorridos

pela

substância em questão. Cálculos de Engenharia

 Quando

os

métodos

não

são

pressão

e

um

temperatura

outros

 Parâmetros

como

 Pressupostos

são

parcial,

sempre considerados para

e

simplificar o processo de

velocidade do vento,

quantificação por relação

parâmetros físicos e

peso

físico-química, o que pode

químicos modifica o

densidade,

adicionar

padrão de emissões.

viscosidade,

imprecisão

 São

fugacidade

aplicáveis, conjunto

de

baseadas

em

outros.

molecular,

entre

certa a

quantificação Quando

se

nas

modelo

este

especificações

do

basear

em

equipamento,

como

válido

e

correlações publicadas,

taxa

de

remoção,

eficiência

e

produtividade;

e

baseadas propriedades

condições

final. utiliza

um

deve

se

pressuposto

adequado

as

e

da

usos

planta.

em físicas,

químicas e de reação da substância.

Referência Bibliográfica OECD. 2005. PRTR Series No. 9: Framework for Selecting and Applying PRTR Release Estimation Techniques. FLYNN, Maurea Nicoletti; FIGUEIRA, Camila Emilia; CASTILHO, Mirielle da Cruz; DA MATTA, Marcus Emmanuel Mamana. METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE DADOS E SELEÇÃO DE MÉTODOS PARA QUANTIFICAÇÃO DE EMISSÕES E TRANSFERÊNCIAS RETP. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 47-72, Out. 2013.

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Ensaio Alimentos industrializados versus saúde do consumidor Paulo Garcia de Almeida Mestre em Engenharia de Processos Químicos e Bioquímicos e Doutorando em Química. É Professor do Departamento de Engenharia da UniSEB- Ribeirão Preto, membro da Comissão Técnica de Alimentos do CRQ-IV e Consultor Associado da Intertox. E-mail: p.almeida@intertox.com.br

Não coma isto porque tem muita química! Esta expressão se ouve invariavelmente dos pais, na tentativa de alertar seus filhos quanto ao consumo de alimentos muito coloridos ou com aditivos. Por falta de conhecimento muitas pessoas atribuem uma conotação pejorativa e negativa à Química e neste caso induzindo que alimentos industrializados são aqueles que têm “química” e consequentemente trarão prejuízo à saúde. No entanto, a Química, através de várias substâncias, está presente em absolutamente tudo em nossas vidas: no vestuário, no transporte, nas habitações, no ar que respiramos, nos líquidos que bebemos e até no alimento que nos nutri e sustenta, inclusive nos chamados alimentos naturais (“in natura”) e na nova geração de alimentos orgânicos, que nada mais são do que misturas sinérgicas de substâncias químicas como: proteínas, gorduras, carboidratos, fibras, vitaminas, sais minerais e vários microingredientes funcionais. Afinal a maçã e outras frutas, carnes, ovos, leite, verduras, cereais, legumes são constituídos de substâncias químicas. Com a evolução da sociedade, aumentou a necessidade do abastecimento e fornecimento de alimentos para este enorme contingente de pessoas que habitam nosso planeta. Com a globalização, culturas distantes se aproximaram e trocas de experiências alimentares foram feitas com mais intensidade. Coube a ciência e a tecnologia se aproximar para desenvolverem juntas a produção de alimentos industrializados e permitir, com uma logística adequada, a produção industrial de alimentos e bebidas padronizados e disponíveis o ano inteiro. Deste modo para que os iogurtes possam ter validade de um mês, o leite de quatro meses, a margarina de seis meses e biscoitos e refrigerantes de mais de seis meses, assim como outros alimentos, além de embalagens e temperatura de armazenamento adequada, faz-se necessário o uso de aditivos alimentares, que podem ser identificados visualmente nos dizeres de rotulagem destes produtos. ALMEIDA, Paulo Garcia de. ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS VERSUS SAÚDE DO CONSUMIDOR. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 73-77, Out. 2013.

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Ensaio Podemos observar, por exemplo, que o leite em embalagem asséptica que consumimos, é estabilizado com citrato de sódio ou mono, di e trifosfato de sódio; que o biscoito, além da farinha de trigo, açúcar e gordura possui lecitina de soja, polissorbato 80, antioxidantes, corantes e aromatizantes; que o pão de forma é conservado com propionato de cálcio; que o iogurte é conservado com sorbato de potássio e tem seu aspecto espessado pelas gomas xantana, guar e carragena; que os refrigerantes de maior consumo são acidificados com ácido cítrico ou fosfórico, coloridos com corante caramelo, aromatizados e conservados quimicamente; que a cerveja além da água, cereais e lúpulo possui antioxidante INS 316 (eritorbato de sódio) estabilizante INS 405(alginato de propileno glicol); que a margarina para manter o prazo de validade da mistura água, óleo e sal estável, é estabilizada com mono e diglicerídeos de ácidos graxos, acidulada com acido cítrico, conservada com benzoato de sódio e sorbato de potássio, aromatizada e colorida com urucum ou cúrcuma e adicionada de antioxidantes como EDTA (etilenodiaminotetracético), TBHQ, (butilhidroquinona terciária), BHT (butil hidroxi tolueno). Mas o que são os aditivos? De acordo com a PORTARIA Nº 540 - SVS/MS, de 27 de Outubro de 1997, Aditivo Alimentar é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, transporte ou manipulação de um alimento. Ao agregar-se poderá resultar em que o próprio aditivo ou seus derivados se convertam em um componente de tal alimento. Esta definição não inclui os contaminantes ou substâncias nutritivas que sejam incorporadas ao alimento para manter ou melhorar suas propriedades nutricionais. A identificação dos aditivos na rotulagem é feita através do nome do aditivo por extenso ou como alternativa pelo INS (International Numbering System). O Sistema internacional de Numeração de aditivos alimentares foi elaborado pelo Comitê do Codex, sobre aditivos e contaminantes, para estabelecer um sistema numérico internacional de identificação dos aditivos em alimentos e bebidas industrializados. É importante ressaltar que o uso de aditivos em alimentos é proibido quando houver evidências ou suspeita de que o mesmo não é seguro para consumo humano; interferir sensível e desfavoravelmente no valor nutritivo do alimento; servir para encobrir falhas no processamento e/ou nas técnicas de manipulação; encobrir alteração ou adulteração da matéria-prima ou do produto já elaborado ou induzir o consumidor a erro, engano ou confusão. A Portaria n° 540 classifica os aditivos nas seguintes funções: Agente de Massa; Antiespumante; Antiumectante; Antioxidante; Corante; Conservador; ALMEIDA, Paulo Garcia de. ALIMENTOS INDUSTRIALIZADOS VERSUS SAÚDE DO CONSUMIDOR. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p. 73-77, Out. 2013.

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Ensaio Edulcorante; Espessantes; Geleificante; Estabilizante; Aromatizante; Umectante; Regulador de Acidez; Acidulante; Emulsionante/Emulsificante; Melhorador de Farinha; Realçador de Sabor; Fermento Químico; Glaceante; Agente de Firmeza; Sequestrante; Estabilizante de cor; Espumante. Qual a segurança no consumo de aditivos? O uso de aditivos alimentares justifica-se por razões tecnológicas, sanitárias, nutricionais ou sensoriais desde que sejam utilizados aditivos autorizados em concentrações tais que sua ingestão diária não supere os valores da IDA (ingestão diária aceitável) recomendados e atenda às exigências de pureza estabelecidas pelo FCC (Food Chemical Codex) ou pela FAO-OMS (Organização das Nações Unidas para Agricultura e alimentação-Organização Mundial da Saúde) através do JECFA (Joint FAO/WHO Expert Committee on Food Additives) que é o comitê científico internacional de especialistas em aditivos alimentares. Este comitê, que se reúne desde 1956, periodicamente realiza a avaliação do risco associado ao consumo de aditivos alimentares, contaminantes, toxinas de ocorrência natural e resíduos de medicamentos veterinários em alimentos, assessorando o Codex Alimentarius em suas decisões. Com base em estudos toxicológicos, o JECFA estabelece, quando possível, a IDA dos aditivos. A IDA é quantidade estimada do aditivo alimentar, expressa em miligrama por quilo de peso corpóreo (mg/kg p.c.), que pode ser ingerida diariamente, durante toda a vida, sem oferecer risco apreciável à saúde, à luz dos conhecimentos científicos disponíveis na época da avaliação. Para garantir a segurança alimentar são estabelecidas as especificações de identidade e pureza dos aditivos de modo a possuírem grau alimentício e atender às especificações (físico-químicas) da comissão do Codex ou FCC. Para avaliação toxicológica, existem recomendações gerais de procedimentos e os fatores que a afetam são: toxicidade esperada (pela estrutura química), níveis esperados de exposição (para escolha das doses apropriadas de testes), ocorrência natural e uso em grupos de risco (grávidas, idosos, etc, podendo exigir avaliações periódicas em grupos diferenciados). Os estudos experimentais são feitos em cobaias cujo animal selecionado deva ter metabolismo semelhante ao do homem e apresentar sensibilidade ao desenvolvimento de tumores. A duração do experimento depende da pré-avaliação do produto (rota metabólica provável e outros aspectos químicos) e do objetivo do teste, podendo ser de curta duração (1/10 da vida média do animal) ou de longa duração (realizados durante toda a vida útil do animal). Para determinação da IDA, utiliza-se a seguinte fórmula:

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Ensaio IDA = NOAEL / Fator NOAEL: Nível de dose sem qualquer efeito adverso (mg/kg peso dia). É a maior concentração de um agente encontrado pelo estudo que não provoque qualquer alteração detectável de: morfologia, capacidade funcional, crescimento, desenvolvimento, vida média, etc. Fator: Normalmente, o JECFA adota um fator de segurança igual a 100, supondo que o ser humano é 10 vezes mais sensível que o animal testado e que existe uma diferença máxima de sensibilidade entre as populações humanas de cerca de 10 vezes. Em casos específicos podem ser necessários estudos especiais, como os ensaios genéticos in vitro ou in vivo e o estudo da toxicidade durante a reprodução/gestação. A partir da IDA, os órgãos legisladores podem determinar a tolerância calculada por: Tolerância = (IDA X Peso) / (fator alimento X 1,5 kg) Peso: peso médio do consumidor (60 kg para JECFA, 70 kg para FDA). Fator alimento: % da dieta média diária representada pelos alimentos em questão 1,5 kg: quantidade média de alimentos consumidos em um dia. Cada país tem autonomia e autoridade para legislar sobre a permissão e proibição de aditivos determinando a quantidade máxima de uso e em qual produto específico. Sob o ponto de vista tecnológico, vários são os benefícios do uso de aditivos em alimentos. Em relação à segurança de uso no Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que estabelece em legislações especificas, quais são os aditivos permitidos para cada categoria de alimentos, visando atingir o efeito tecnológico sem causar risco a saúde humana , baseada em princípios da análise de risco , fundamentada e apoiada em referências internacionais como o Codex Alimentarius, União Europeia e complementada pelo FDA (Food and Drug Administration).

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Ensaio Portanto todo alimento e bebida comercializados no país seguem sua legislação correspondente com o uso dos aditivos limitados à quantidade permitida, garantindo deste modo o efeito tecnológico na indústria e principalmente a saúde do consumidor.

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Opinião Ciência da “Administração Verde” Eduardo Athayde Eduardo Athayde é Bacharel em administração de Empresas e MBA pela Harvard University é membro da equipe internacional de pesquisadores do WWI-Worldwatch Institute e diretor do WWI no Brasil. Membro de conselhos de fundos de investimento privados, focados na sustentabilidade, na Europa e nos Estados Unidos, é palestrante convidado em eventos sobre sustentabilidade em várias partes do mundo, articulista de jornais e revistas no Brasil e no exterior e consultor focado em métricas da sustentabilidade. eduathayde@gmail.com

Informado por este egrégio Conselho Regional de Administração que havia sido escolhido “Administrador Emérito”, honraria para mim tão distante, fui surpreendido pelo inesperado. Recobrado do susto, lisonjeado e honrado, fui tomado de satisfação ao constatar que este Conselho, sensível, está permeado pelos eficientes princípios da sustentabilidade, impulsionando mudanças. Nos primeiros contatos com a ciência da administração, na Universidade Católica do Salvador, recebi os ensinamentos de mestres que ora homenageio em nome dos professores eméritos Ibrahim Uhebe e João Eurico Mata. Com eles aprendi que a arte de administrar envolve um arco de diversas áreas do conhecimento, das ciências humanas e às exatas. Ainda muito novo, no inicio da caminhada, o destino me levou para universidades estrangeiras que influenciaram na minha forma de pensar e de administrar resultados. Formados para planejar, organizar e gerir do dia a dia das empresas caros colegas -, somos desafiados a maximizar resultados das instituições publicas e privadas. Mas como fazer isto de forma inovadora numa economia cada vez mais globalizada - de alta velocidade -, onde redes sociais geram milhares de notícias novas por segundo, instruções normativas digitais implantam ou suspendem normas e bolsas de valores transferem capitais que impulsionam ou desaceleram empresas e economias? O que diriam Frederick Winslow Taylor e Henri Fayol, se fossem apresentados às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), à explosão demográfica e à realidade virtual dos dias atuais? ATHAYDE, Eduardo. CIÊNCIA DA "ADMINISTRAÇÃO VERDE". RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p.78-83, Out. 2013.

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Opinião Prezados colegas, fazendo uma ponte entre os pais da administração que nos meados do Século XIX influenciaram com suas teorias gerais a chamada “Era Progressista”, e a atual “Era das TICs” - fisicamente representada pelos celulares nas mãos de cada um de nós neste plenário -, convido-os, neste Dia do Administrador, para uma reflexão sobre o “Estado do Mundo”, com fatos e dados, matéria prima para transição da gestão tradicional para gestão verde. Antes vista como símbolo do ambientalismo, a gestão verde é adotada em todo o mundo como sinônimo de eficiência na gestão pública e privada, uma nova forma de administrar. Para iniciar, lembro aqui da mensagem do chefe indígena Seatle, adotada pela Assembleia Geral da ONU como manifesto à vida. Ao receber, em 1855, a proposta do presidente americano de compra das suas terras, o cacique, surpreso e sacudido pelo choque cultural, respondeu: “O homem branco pede para comprar a terra, como podemos vender se a terra não pertence aos homens, os homens é que pertencem a terra? Como comprar ou vender o céu, o frescor do vento? Tal ideia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água, como vão comprar de nós?”. A participação ativa na Eco 92, no Rio de Janeiro, onde o conceito do “Desenvolvimento Sustentável” foi oficialmente consagrado, marcou profissionalmente a minha vida. Naquele ano, a população global era de 5.4 bilhões de habitantes e o PIB mundial de 28 trilhões de dólares. 20 anos depois, com 7 bilhões de habitantes e um PIB de 78 trilhões de dólares (US$ 50 tri a mais), a Cúpula da ONU, batizada de Rio+20, voltou a ser realizada no Brasil. Juntos, governos, corporações e sociedade civil fizeram o balanço do planeta, apurando lucros e prejuízos, debatendo o desenvolvimento global. Balanços em curso, observamos que em 1804 a população humana atingiu o primeiro bilhão (os primeiros cursos de administração foram criados em 1881, na Wharton School da Universidade da Pennsylvania, na Philadelphia, Estados Unidos). 130 anos depois, em 1930, chegou a 2 bilhões. Com os avanços da ciência e da tecnologia e a queda da mortalidade infantil, o ritmo acelerou, fomos para 3 bilhões em 1960 (década em que a profissão de administrador foi regulamentada no Brasil - 1965), pulamos para 6 bilhões em 1998 e, em 31 de outubro de 2011, atingimos oficialmente 7 bilhões de habitantes. Em um século acrescentamos 6 bilhões de habitantes ao planeta.

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Opinião Caros colegas, como administrar a população atual, mais da metade urbana, crescendo ao ritmo de 80 milhões de novos habitantes/consumidores por ano? Em 1900, cerca de 150 milhões de pessoas moravam em cidades. Em 2000, eram 2,8 bilhões. Desde 2008, mais da metade da população da Terra vive amontoada em cidades, fazendo dos humanos uma “espécie urbana” - cada vez mais imobilizada. A velocidade dos carros nos grandes centros urbanos hoje é igual a das carruagens puxadas literalmente a “dois cavalos” de força no inicio do Século XX. A internet, que cobria 10% da população global em 2002, pulou para 33% em 2012 (e atingirá 60% em 2020). O Brasil, quinto pais em população do mundo é a sétima maior economia do globo. Com 201 milhões de habitantes – 84% urbanos – , já tem mais de 270 milhões de celulares, dos quais, 70 milhões são terminais com acesso a internet via banda larga. “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia” - Arthur Clark Os gigantescos impactos demográficos, contudo, revelam o tamanho do desafio, dando novos contornos a mercados e evidenciando desigualdades, exigindo visão inovadora na administração das riquezas. Hoje, enquanto comemoramos o “Dia Nacional do Administrador”, 220 mil novos habitantes/consumidores estão sentados conosco à mesa do jantar global. 1/3 desses seres humanos não terá o que comer. Fica aqui uma reflexão: Numa visão global, estamos administrando o que? A serviço de quem? Durante os preparativos para a Rio+20, o Secretário-Geral da ONU, Ban Kimoon, desafiou a comunidade global: “Precisamos de uma revolução. Pensamento revolucionário. Ação revolucionária... É fácil proferir as palavras ‘desenvolvimento sustentável’, mas para que isso aconteça temos que estar preparados para fazer grandes mudanças no estilo de vida, nos modelos econômicos, na organização social e na vida política”. Criado na década de 40 pelo economista britânico Richard Stone, a equação do PIB, focada apenas em valores monetários, não consegue mensurar a nova

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Opinião eficiência das instituições, o valor da inovação, do capital social e do capital natural. Novos indicadores macroeconômicos como o Índice de Progresso Genuíno – IPG, ampliam a equação do PIB para incluir fatores como a vida útil dos produtos, distribuição de renda, exaustão de recursos, poluição, tempo de lazer e trabalho voluntário. Atualizado anualmente, o IPG vem ganhando destaque junto com o conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB) e Índice de Desenvolvimento Humano Sustentável (IDHS). A administração moderna é influenciada por essas novas formas de pensar. A sustentabilidade, ainda abordada apenas pelo viés ambiental, precisa ser entendida na sua dimensão real, envolvendo necessariamente aspectos sociais, culturais, econômicos, financeiros, tecnológicos, estruturais, etc. Quando apenas o viés da preservação ambiental é focado, o desequilíbrio emperra o desenvolvimento. Se tivéssemos que escolher uma palavra como sinônimo de sustentabilidade, “equilíbrio” seria a escolhida. Sustentabilidade é a busca do equilíbrio dinâmico entre os complexos contextos da realidade – seja em uma casa, uma empresa, uma cidade, um país ou no Planeta. A gestão verde abraça o pensamento holístico apurando o olhar para ampliar a percepção dos ativos. “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”, ensina Albert Einstein. Prezados colegas, após este curto passeio pelo Estado do Mundo, limitados pelo tempo, convido-os a conectar com a realidade local da nossa querida Bahia, percebida de fora como berço da civilização do Brasil, maior biopotência global por sediar 16% do biopotencial do planeta. A Bahia é o único estado brasileiro com 5 biomas distintos - Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, bioma costeiro e bioma marinho, com a maior faixa litorânea da chamada Amazônia Azul. Abunda em fontes renováveis de energias solar, eólica, hídrica e maré motriz. É rica em história, tradição, culturas e artes, e sobretudo é rica nas características do seu povo, hospitaleiro, afável e acolhedor. Não posso deixar de destacar aqui a Baía de Todos os Santos, patrimônio natural que confere identidade aos baianos e institui o nome do Estado da Bahia. Somos baianos porque nascidos às margens da baía. A charmosa Cidade do Salvador, ATHAYDE, Eduardo. CIÊNCIA DA "ADMINISTRAÇÃO VERDE". RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p.78-83, Out. 2013.

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Opinião emoldurada pela baía, é seca e molhada. Dos 693 km2 da sua área total, 343 km2 é território seco e 350 km2, é território molhado localizado nas águas da BTS. Políticas públicas baseadas na eficiência da gestão verde lançarão um novo olhar e darão um novo tratamento a esses ativos. E por falar em política, faço aqui um corte para contar-lhes sobre uma bomba que explodiu no meu pensamento: O divórcio entre a política e o poder. Em visita ao Brasil, o renomado sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, afirmou: “vivemos um momento de divórcio entre a política e o poder”. Como é possível o poder divorciar-se da política, ou vice-versa, quando são, por natureza e respectivamente, causa e efeito? O voto que emana do poder do cidadão é válido todos os dias, não apenas quando somos convocados para as eleições. O chavão baiano “sai do chão galera” vai ser sentido nas eleições de 2014, traduzindo indignação, sacudindo eleitores e urnas. Aí sentiremos os efeitos do divórcio entre a política e o poder que nos fala Bauman, mostrando como as redes sociais, começam a resgatar o poder colocando-o de novo nas mãos do povo - todos os dias. Começamos a escrever uma nova história política onde a eficiência na gestão, denominada “gestão verde”, é a nova tendência internacional. Diante do exposto, os colegas podem ter ideia de quanto o Conselho Regional de Administração se arriscou ao outorgar o título de “Administrador Emérito” a um profissional descolado, idealista e sonhador. O mérito que tenho - se é que tenho é o de acreditar no novo, de guardar a convicção de que não temos o direito de roubar a esperança das novas gerações e de incentivar a importância da família como centro das nossas vidas. Encerro agradecendo àqueles a quem tanto devo, afinal, o segredo revelado da sustentabilidade é a construção de inteligência nova em rede. Nada podemos fazer sozinhos. Agradeço: - A Deus por ter me tocado com o aquecedor e inquietante dom da fé. - A Nossa Senhora, por seguir na frente todas as manhãs. - À minha grande família unida – meu maior patrimônio – regada com muito amor. Meus saudosos pais. Minha mulher, meus seis ATHAYDE, Eduardo. CIÊNCIA DA "ADMINISTRAÇÃO VERDE". RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade, v. 6, n. 3, p.78-83, Out. 2013.

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Opinião filhos, meu genro, minhas noras e meus quatro netos. Irmãos, sobrinhos, tios e primos. Juntos, cultivamos o elevado espírito da união. - Aos meus mestres, brasileiros e estrangeiros, que habitando o meu imaginário, descortinam a visão e fermentam a minha amada profissão de administrador. - Aos amigos que me forjam a cada dia. “Sem eles enlouqueceria”, me ensinou Vinicius de Moraes. - Aos poetas, por me ensinarem desde cedo a garimpar a matériaprima da realidade. - Aos colegas Administradores que, comigo, têm o honroso desafio de “ir além”, construindo as redes da “Administração Verde”.

MUITO OBRIGADO! Discurso proferido no Conselho Regional de Administração da Bahia na Cerimônia de entrega do título de “Administrador Emérito - 2013” Centro de Convenções da Bahia, 03 de setembro de 2013

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Toxicologia - Revista Intertox - Revinter - Volume 6 Número 3  

A RevInter Revista InterTox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade é um periódico científico de acesso aberto, quadrimestral e arbitrad...

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