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Escola Secundária D. Inês de Castro – Alcobaça Ano Letivo 2011/2012 Curso de Educação e Formação de Adultos – EFA (ReAct) – NS CULTURA, LÍNGUA e COMUNICAÇÃO [CLC] UFCD 7 - Fundamentos da Cultura Língua e Comunicação

Proposta de Trabalho nº8

Os sistemas de Comunicação na expressão do pensamento crítico, na construção da relação entre a opinião pessoal e a opinião pública. Cultura da globalização e Cultura de preservação de identidades.


Texto A Influência da comunicação social Vivemos numa atualidade em que a televisão aposta muito em novelas e desenhos animados violentos. Será isto uma boa influência? Vejamos: as novelas retratam a vida do público ou tentam criar uma imagem do dia-a-dia de cada. (…) No meu ponto de vista as pessoas por vezes esquecem-se que aquilo é ficção e que a vida é a realidade. Algumas ficam preocupadas com o que aconteceu na novela e esquecem-se dos problemas do dia-a-dia. Outras seguem a novela como exemplo e não se preocupam se desrespeitam os pais, os educadores e outros indivíduos. Isto é considerado normal, pelo menos na novela. A título de exemplo, saiu um artigo no Correio da Manhã que abordava esta questão da falta de civismo, visível desde os mais novos. Podia ler-se no artigo que uma criança por volta dos 13 anos colocou uma câmara de filmar nos balneários femininos, tendo essa ideia sido retirada de uma novela que é transmitida no horário nobre da televisão. Por outro lado, a televisão tem um efeito preponderante na educação, como é o caso dos documentários, debates, etc., que desenvolvem uma cultura melhor, uma melhor argumentação, um aprofundamento de novas linguagens e uma visão do mundo que não está ao alcance de todos os indivíduos, podendo contribuir para mudanças de atitude e de respeito pela diversidade. A publicidade feita a ajudas humanitárias também tem uma grande importância, porque mostra às pessoas os problemas a que a humanidade está sujeita, como é o caso de doenças incuráveis como a SIDA ou o cancro, ou também problemas derivados à escassez de rendimentos por parte de algumas famílias, o que leva à fome ou a algumas limitações. A televisão é muito utilizada para efeitos de marketing, influenciando o público a comprar determinados produtos. Na altura do Natal são imensas as publicidades feitas a todo o tipo de brinquedos, para que as crianças peçam aos seus pais aquela boneca que viram na televisão ou aquele carro e para não falar na quantidade de propaganda feita aos telemóveis. O que é um absurdo, leva a que as pessoas queiram comprar um telemóvel topo de gama porque tem mais funcionalidades, ou porque é mais bonito, ou porque cabe no bolso. De facto é impressionante como a televisão influencia o consumismo da população. (…)


Texto B A idade dos media pode acabar? Publicado em 2009-10-22 no JN

PAQUETE DE OLIVEIRA, SOCIÓLOGOE PROFESSOR DO ISCTE

Recentemente, num colóquio realizado na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Braga sobre temáticas de comunicação tive uma intervenção em que sustentava esta tese: A Idade Média acabou. Também a "Idade dos média" pode acabar. Ora, alguns dos temas versados nestes últimos dias, primeiro no seminário organizado pela Universidade do Minho e com o apoio da RTP, a propósito da celebração dos 50 anos do "Telejornal", e depois, na Conferência Anual, promovida pela ERC, sobre "A Comunicação Social num contexto de crise e de mudança de paradigma", dão-me alguma oportunidade para retomar algumas das ideias desta hipótese de tese: "A Idade dos média pode acabar". Quando digo a "idade dos média", prefiguro aquele período que se foi formando desde a segunda metade do século XIX, com o surgimento da Imprensa empresarial, reunindo depois a rádio como grande média nos anos 30 do século XX e a televisão a partir do final da Segunda Guerra Mundial. Constituiu-se assim aquele sistema "dos meios de comunicação de massa". Hoje, com a proliferação de múltiplos e diferentes "dispositivos tecnológicos" está criado um novo sistema informacional. Esses "revolucionários" suportes tecnológicos (a Internet e seus derivados, como o Messenger e os e-mails, os blogues, o Twiter, o Facebook, etc. e, por outro lado, os telemóveis, os "sms", os "ipods" os "iphones", etc.) formam uma constelação de "meios/média" cada vez mais articulados que vem alterar o paradigma comunicacional. Deste modo, transitou-se do "sistema de comunicação de massa" para o sistema de "comunicação em rede". De um sistema de média centrado numa circulação informativa de um "emissor configurado" ( o jornal, a rádio, a televisão) para um "recetor indistinto" (os diversos e diferentes públicos) passou-se para um sistema cuja produção e circulação de informação é descentrada, quase infinita, e não regulada. De certa maneira, cumpre-se a utopia de Bertold Bretch, cada cidadão pode ser, a um só tempo, emissor e transmissor de informação. Esta "revolução" está a provocar um tsunami no "mundo organizado" do tradicional sistema mediático. E com alguns efeitos que exigem ser reconfigurados, tais como: uma perda evidente de audiências e de influência no espaço público, uma tendente queda da legitimação social de quem está instituído para dar e garantir a informação mais exata, uma profunda interrogação no papel profissional do jornalista e da função social do jornalismo, e da própria continuidade dos "média tradicionais". Da sua "morte" ou seu futuro. Estamos perante uma miríade de problemas que a mudança do paradigma comunicacional veio trazer e que requer a reinvenção de processos organizacionais e profissionais. (…) Adaptado


Texto C A globalização e a diversidade cultural Nos últimos anos, o assunto globalização já foi discutido e analisado sob vários ângulos. É inegável então, que não seja apenas um fenómeno económico, vindo a abranger também a cultura e a política. Essa última tem sua dimensão refletida no estabelecimento de instituições como a Organização Mundial de Comércio. Mas como vem sendo refletida a diversidade cultural no mundo?

Os perigos da cultura ser considerada como produto Segundo faz questão de lembrar o presidente do Programa Sociedade da Informação do Brasil, Tadao Takahashi, no texto “Diversidade Cultural e Direito à Comunicação”, “o primeiro item de pauta de exportações dos EUA atualmente não é o dos manufaturados, mas de cultura e entretenimento”. Esse fator é positivo para a economia e, ao mesmo tempo, representa uma grande preocupação para as sociedades futuras e as culturas não-centrais. Afinal, a expansão da globalização se deve, principalmente, aos recursos oferecidos pelas tecnologias de informação, em especial à Internet que é produzida e pensada, de forma industrial e massiva, por países considerados potencias, que acabam impondo a sua cultura. O principal fator que reflete isso é a língua. De acordo com os estudos de Takahashi, uma língua deixa de existir a cada duas semanas e a estimativa é de que 90% das línguas existentes tenham desaparecido ao longo do século XXI. Pode-se comparar, então, a diversidade cultural com a diversidade biológica: as duas correm risco de extinção. Porém, assim como o desenvolvimento sustentável - ou seja, a geração atual, tomando cuidado com o consumo e produção de forma a não comprometer a vida das gerações futuras - é uma alternativa para o cuidado com a diversidade biológica, paradoxalmente, as tecnologias de informação também podem colaborar na comunicação e na consequente preservação de culturais regionais, locais. (…) Adaptado


Atividades 1. Procure os significados de paradigma, media e identidade cultural. Os significados das seguintes palavras são: •

Paradigma (do grego parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um

padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico.

Media é qualquer suporte de difusão de informações (rádio, televisão, imprensa

escrita, livro, computador, videocassete, satélite de comunicações etc.) que constitua simultaneamente um meio de expressão capaz de transmitir uma mensagem a um grupo;

meios de comunicação, comunicação de massa.

Identidade cultural é o sentimento de identidade de um grupo ou cultura, ou de um

indivíduo, na medida em que ele é influenciado pela sua pertença a um grupo


2.

Poderão os novos instrumentos de comunicação global acabar com os meios tradicionais de comunicação vigentes ao longo do século XX (Correio, jornal, livros…)?

O século XX trouxe mais novidades: o cinema, o rádio, gravações sonoras de fidelidade crescente, a televisão, o vídeo, o e-mail, o computador, a Internet, e a profissionalização das fontes de informação. Com isto, as pessoas têm mais facilidade de acesso à informação, pois podemos obtê-la em casa, sem as despesas tradicionais, por exemplo, o transporte ou a despesa em livros, jornais, etc. atualmente a Internet tem tudo. Em vez de lermos jornais ou revistas, podemos ir à Internet e ver tudo o que está apresentado em papel.


3. Além da comunicação social, há outros fatores que influenciam mudança social ao longo do tempo. Comente esta afirmação (Pode/deve fazer pesquisa sobre o assunto). Os fatores que, para além da comunicação social, influenciam a mudança social ao longo do tempo são os fatores socioeconómicos, a tecnologia e o desenvolvimento das regiões.


4. Com base nos textos apresentados e nas pesquisas feitas, elabore um texto onde responda à questão: «A cultura de globalização e a preservação de identidades estão em confronto ou em complementaridade?» A cultura de globalização e a preservação de identidades estão em confronto, pois a globalização é uma nova e intensa configuração do globo, a resultante do novo ciclo de expansão do capitalismo não apenas como modo de produção mas como processo civilizacional de alcance mundial. Os mapas culturais já não coincidem com as fronteiras nacionais, fato acelerado pela intensificação das redes de comunicação que atingem os sujeitos de forma direta ou indireta. Grandes conceitos que informavam a construção das identidades culturais, como nação, território, povo, comunidade, entre outros, e que lhe davam substância, perderam vigor em favor de conceitos mais flexíveis, relacionais. As identidades, que eram achadas ou concedidas, passaram a ser construídas. As identidades, que eram definitivas, tornaram-se temporárias. A diversidade cultural que o mundo apresenta hoje, as múltiplas e flutuantes identidades em processo contínuo de construção, a defesa do fragmentário, das parcialidades e das diferenças, trouxeram, para as identidades que se inscrevem numa outra lógica: da lógica da identidade para a lógica da identificação. (continua….)


(Continuação….) O que se impõe hoje, a partir da noção contingente, contextualizada e relacional da identidade, é garantir que a multiplicidade e a diversidade sejam preservadas, que a cultura, como uma longa conversa entre partes distintas, permita que convivam sujeitos dos mais diferentes matizes. Em vez disso, quando a cultura local parece romper-se como consequência da globalização, a afirmação de identidades duras parece funcionar, para muitos sujeitos, como elemento apaziguador que procura deter e solidificar a fluidez característica da época atual. A diversidade cultural e as expressões dessa diversidade devem ser procuradas e garantidas, tendo como norte o fato de que a cultura é sempre dinâmica, móvel. Preservar o diverso antes do impacto avassalador de um mundo globalizado.


Trabalho Realizado por: • Inês Filipa Branco Plácido

proposta de trabalho 8  

comunicação social

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