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OLHAR BRASĂ?LIA material educativo


Vamos olhar para Brasília e pensar um pouco sobre ela? Brasília é a capital de nosso país, mas que imagem você tem dela? Será que seus amigos, pais e avós têm essa mesma visão? Brasília já foi vista, na época de sua construção, como um mito, um ideal de progresso. Essa ideia está bastante vinculada ao momento histórico de sua construção. Alguns fotógrafos retrataram todo esse processo e as pessoas que nele estiveram envolvidas. Por meio dessas imagens podemos refletir sobre como, ao passar dos anos, Brasília foi se modificando, assim como aquilo que ela representa. Nas páginas a seguir, vamos apreciar os registros fotográficos feitos por Marcel Gautherot e Peter Scheier e, com algumas atividades, dedicarnos a diversos olhares sobre a nossa capital.


Brasília como imagem do Brasil Progresso A ideia de se construir a capital no centro de nosso país já existia desde o século 18, mas foi só na década de 1950, no governo JK, que o projeto saiu do papel. Essa decisão, bastante vinculada ao pensamento de desenvolvimento e progresso que se estabeleceu no Brasil no período pós-guerra, envolveu não só a construção da cidade em si, mas também de uma imagem de modernidade para o país, uma imagem de país do futuro. Com isso, projetos arrojados de arquitetura e urbanismo buscavam construir esse ideal, assim como o design e a fotografia estiveram a serviço de toda uma identidade visual moderna para a capital.

“Brasília era de fato um imenso cartaz anunciando ao mundo, em letras garrafais, que o Brasil era capaz de realizar tamanho empreendimento” Heloisa Espada,

em “Cidade-Bandeira“ (texto do catálogo As construções de Brasília)

Marcel Gautherot Esplanada dos Ministérios em construção, c. 1958


Escolhendo um lugar para chamar de capital A localização de uma capital é uma escolha muito importante. Desde o período do Brasil Colônia, essa decisão era tomada de maneira estratégica. A primeira capital do Brasil foi Salvador, fundada em 1549. Foi escolhida pela proteção oferecida pela Baía de Todos os Santos e também por ser considerada um ponto importante do território que pertencia a Portugal. Em 1763, o Rio de Janeiro foi nomeado a nova capital. A transferência ocorreu devido à mudança do eixo de produção econômica do país, já que depois da descoberta e da exploração das minas de ouro em Minas Gerais, o porto do Rio de Janeiro se tornou o principal do Brasil. A importância da cidade fez com que a família real também se mudasse pra lá, sendo a cidade beneficiada por reformas urbanas. Mas por estar transportando coisas de alto valor, o porto começou a sofrer com saques e roubos de carga, tornando a cidade bastante insegura. Buscando um lugar mais protegido que as regiões litorâneas, surgiu nesse período a ideia de construir a capital no centro do país. Essa sugestão foi aprovada por muitas pessoas, o que motivou ações importantes, como a demarcação da área no Planalto Central, conforme a Constituição de 1891. Porém, a criação da nova capital só se concretizou em 1960, quando o presidente Juscelino Kubitschek incluiu no seu plano de metas a construção da nova capital federal.


Brasília como capital A obra da construção de Brasília teve início em fevereiro de 1957. Tudo começou quando, durante um comício, após Juscelino Kubitschek afirmar que cumpriria à risca tudo o que estava escrito na Constituição, um espectador perguntou se ele também iria pôr em prática a transferência da capital federal para o interior do país. JK afirmou que sim e fez de Brasília a meta síntese do seu plano de governo. O projeto veio bem a calhar, pois Juscelino afirmava que o Brasil cresceria 50 anos em 5 durante o seu mandato.

Marcel Gautherot Vista da Esplanada dos Ministérios e do palácio do Congresso Nacional em construção, c. 1958


Marcel Gautherot Palácio do Congresso Nacional em construção, c. 1958


Marcel Gautherot Palácio do Congresso Nacional em construção, c. 1958


Marcel Gautherot Vista aérea da praça dos Três Poderes, c. 1959


Marcel Gautherot Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, ou Catedral de Brasília, em construção, c. 1959


Marcel Gautherot Palácio do Planalto em construção com palácio do Congresso Nacional ao fundo, c. 1959


Marcel Gautherot Esplanada dos MinistĂŠrios, com o palĂĄcio do Congresso Nacional ao fundo, c. 1958


Marcel Gautherot Edifícios dos ministérios em construção, c. 1958


Marcel Gautherot Detalhe da estrutura metĂĄlica dos ministĂŠrios, c. 1958


Alguns

personagens importantes

relacionados à construção de Brasília

Peter Scheier à esquerda

O presidente Juscelino Kubitschek no dia da inauguração de Brasília, 1960 à direita

Trabalhadores, vendo-se ao fundo o palácio do Planalto, 1960


Juscelino Kubitschek

Juscelino Kubitschek de Oliveira nasceu em Diamantina, Minas Gerais, em 1902, e faleceu em Resende, Rio de Janeiro, em 1976. Foi médico, militar e político. Conhecido como JK, foi presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Durante seu mandato, o Brasil cresceu muito economicamente. Foi responsável pela concretização de Brasília como nova capital federal.

Lucio Costa

Lucio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa nasceu na França, em 1902, e faleceu no Rio de Janeiro, com 96 anos. Foi arquiteto, urbanista e professor. É pioneiro da arquitetura moderna no Brasil, mas ficou conhecido no mundo todo pelo projeto do Plano Piloto de Brasília.

Oscar Niemeyer

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho nasceu em 1907, na cidade do Rio de Janeiro. Importante arquiteto e engenheiro brasileiro, foi responsável pelo projeto arquitetônico dos prédios públicos de Brasília e de outras importantes construções pelo Brasil. É um dos pioneiros da arquitetura moderna em nosso país e também uma referência internacional.

Burle Marx

Roberto Burle Marx era artista plástico, mas ficou famoso por outra profissão: a de arquiteto-paisagista. Foi responsável por projetos de paisagismo de lugares como Brasília, o MAM do Rio de Janeiro, os jardins do Aterro do Flamengo e da casa de Walther Moreira Salles, onde atualmente está sediado o Instituto Moreira Salles-RJ, entre outros. Burle Marx nasceu em 1909, em São Paulo, e morreu, depois de projetar mais de 2 mil jardins, em 1994, no Rio de Janeiro.


Candangos

Popularmente, os trabalhadores envolvidos na construção de Brasília eram chamados de candangos. A origem dessa palavra tem caráter pejorativo, mas devido a toda grandiosidade que Brasília representou, o termo adquiriu novos sentidos, sendo usado, às vezes, não para ironizar ou ofender, mas sim para glorificar seus construtores. Os candangos vieram de diversos cantos do Brasil e da América Latina, muitos em busca de melhores condições de vida. Foram cerca de 60 mil trabalhadores exercendo as mais diversas funções.

Marcel Gautherot Cúpula do Senado Federal em construção, c. 1958


Quem é esse

candango? Os candangos, esses personagens anônimos, foram retratados por Marcel Gautherot e Peter Scheier em suas ações do cotidiano, no trabalho e em suas casas. Veja como cada fotógrafo ressaltou um aspecto diferente da vida dessas pessoas em Brasília. Ao observarmos seus retratos, podemos imaginar quem eles foram e criar suas personalidades, percebendo alguns elementos da imagem.

Marcel Gautherot Trabalhadores nas obras do palácio do Congresso Nacional, em fase final da concretagem, c. 1959


Marcel Gautherot Trabalhadores no palåcio do Congresso Nacional em construção, c. 1958


Marcel Gautherot Morador da Sacol창ndia, c. 1959


Marcel Gautherot Mulher e crianças na Sacolândia, c. 1959


Marcel Gautherot Moradia improvisada em acampamento ao redor do lago Paranoรก, c. 1959


Peter Scheier Ă rea comercial da avenida W3, 1960


Peter Scheier Fot贸grafo de rua, 1958


Peter Scheier NĂşcleo Bandeirante, 1958


Peter Scheier NĂşcleo Bandeirante, 1958


Peter Scheier Eixo rodoviĂĄrio Sul, com edifĂ­cio residencial de superquadra ao fundo, 1960


Mãos na massa! Escolha uma das fotos anteriores e a analise. Repare nas roupas que as pessoas estão usando, no lugar onde elas estão e no que elas estão fazendo. A partir desses elementos, escolha uma das pessoas que aparecem nas fotos e tente criar um perfil para esse personagem. De onde ele veio? Qual o seu nome? É casado? Tem filhos? Vá anotando tudo isso e, além de apenas descrever essa pessoa, crie também uma pequena história para ela. Como ela chegou até ali? Por que foi pra Brasília? Será que ela voltaria para sua terra natal? Experimente fazer essa atividade com amigos e familiares. Criem, individualmente ou em pequenos grupos, perfis de personagens a partir de uma mesma imagem. Ao final, vocês podem comparar as impressões que cada um teve da fotografia analisada. Será que todos imaginaram para a pessoa retratada a mesma profissão, idade e desejos? Compartilhem suas idéias. Se preferirem, criem personagens de pessoas retratadas em fotografias diferentes e depois pensem sobre como eles se relacionavam em Brasília. Eles conviviam diariamente? Ou nunca se viram? Ou será que algum acontecimento permitiu que se conhecessem? Vocês podem ainda fazer uma pesquisa sobre os candangos e encontrar histórias que realmente aconteceram. Busquem relações entre o que foi real e aquilo que imaginaram.


Uma cidade construída,

uma imagem em construção Quando falamos em identidade visual, estamos nos referindo à construção de uma imagem unificada sobre algo, é como dar uma “cara parecida” para coisas que se relacionam. Podemos perceber claramente essa uniformização quando olhamos para uma linha de produtos na prateleira de supermercado: dá para saber quais são de uma mesma marca só de olhar para a embalagem. Essa “cara” está relacionada àquilo que a empresa e sua marca querem transmitir ao consumidor. Da mesma forma, quando se construiu toda uma identidade visual relacionada à construção de Brasília, buscava-se uma “cara” que transmitisse os objetivos da realização desse projeto. O clima de progresso trazido por JK em seu governo presidencial, baseado em um ambicioso plano de metas para promover o desenvolvimento, foi representado por uma imagem modernista, que reflete na arquitetura, no design e na fotografia.

Marcel Gautherot Palácio do Congresso Nacional, c. 1960


O modernismo na arte está relacionado à mudança, à transformação, ao novo e ao inovador, pois nega, supera ou discute aquilo que havia sido feito no passado. Movimentos artísticos criados durante esse período (que compreende a primeira metade do século XX), trouxeram novas percepções e perspectivas sobre a criação artística e, por isso, muitas vezes, chocaram o público com aquilo que consideravam e apresentavam como obra de arte. Em Brasília, a “cara” dos prédios e construções do Planalto Central, assim como todo o seu projeto arquitetônico foi surpreendente. Nunca se vira nada igual. Ao olhar as próximas três imagens, que nos mostram prédios públicos e institucionais das antigas capitais, e compará-las com as seguintes, que retratam Brasília, podemos imaginar que impressão a nova capital causou.


Marc Ferrez Casa da Moeda, Rio de Janeiro, 1890


Marc Ferrez Supremo Tribunal Federal, Rio de Janeiro, 1910


Benjamin Mulock Palácio da Associação Comercial, Salvador, 1860

É claro que a arquitetura se modificou com o passar dos anos, mas o estilo mais clássico era normalmente adotado para prédios oficiais, já que este reforça o aspecto de respeito e imponência. Os objetivos com a construção de Brasília eram outros, por isso seus prédios deveriam ser diferentes.


Marcel Gautherot Praça dos Três Poderes vista do Supremo Tribunal Federal, c. 1959


Marcel Gautherot Palรกcio da Alvorada, com a capela ao fundo, c. 1962


Marcel Gautherot Palรกcio do Congresso Nacional, c. 1964


Marcel Gautherot Palรกcio do Congresso Nacional, c. 1960


Marcel Gautherot BrasĂ­lia Palace Hotel, c. 1958


Marcel Gautherot Museu Hist贸rico de Bras铆lia e Supremo Tribunal Federal ao fundo, c. 1960


Marcel Gautherot Catedral Metropolitana Nossa Sra. Aparecida, c. 1959


Marcel Gautherot Palรกcio do Congresso Nacional, c. 1960


Marcel Gautherot Igreja Nossa Sra. de Fรกtima - Igrejinha, c. 1957


Marcel Gautherot Capela do Palรกcio da Alvorada, c. 1963


Formas de Brasília Pelas imagens que vimos até então, podemos perceber como a arquitetura das construções das antigas capitais apresenta maior rigidez em relação ao desenho arquitetônico dos prédios de Brasília. As formas da nova capital são mais fluidas, nos sugerem movimento. Para realizá-las, foram utilizados materiais e técnicas de construção específicos, como o concreto armado, que possibilita a modelagem de formas. Também foram projetadas várias paredes envidraçadas, permitindo uma iluminação natural e maior integração com o espaço externo. Esse espaço, na verdade, é parte do projeto arquitetônico e, por isso, busca-se amenizar os limites entre o que é “dentro” e o que é “fora”. Por esse motivo que todas as construções “conversam” entre si e possuem uma unidade visual. Além disso, no Brasil, a relação entre arte e arquitetura é fortalecida nos anos 1950 e 1960. Ao olharmos os prédios em Brasília e os compararmos às esculturas da época, poderemos perceber alguns diálogos. Muitas obras de arte ficam espalhadas pelo Planalto Central e, assim, ao observarmos esse conjunto, fica mais fácil pensarmos sobre o assunto.

Marcel Gautherot Escultura O rito dos ritmos, c. 1963


Marcel Gautherot Supremo Tribunal Federal e escultura Os candangos, c. 1960


Marcel Gautherot Supremo Tribunal Federal e escultura O pombal, c. 1961


Marcel Gautherot O meteoro, c. 1967


Uma dessas obras é a escultura O meteoro, feita por Bruno Giorgi em 1967, e que fica no lago do edifício do Ministério das Relações Exteriores.

Marcel Gautherot O meteoro, c. 1967

Reveja as fotografias das páginas anteriores e, focando seu olhar para a arquitetura, analise: É possível percebermos o tamanho das construções? Repare em como a presença de pessoas em algumas imagens nos ajuda a ter uma noção das medidas reais. E que formas podemos reconhecer nos prédios retratados? Considerando essas formas e as da obra de Giorgi, dá para dizer que essas construções parecem verdadeiras esculturas gigantes? Que diferenças estes prédios apresentam dos prédios que convivemos em nosso dia a dia? Eles se assemelham a alguma construção que conhece? Que impressão você tem de Brasília por causa de sua arquitetura?


Os registros fotográficos feitos por Marcel Gautherot nos revelam as formas geométricas presentes na arquitetura desenhada por Oscar Niemeyer. Mas, além das construções, suas fotografias nos mostram uma imagem “arquitetada” e planejada por ele. A composição da imagem fotográfica se dá pela escolha do fotógrafo, por aquilo que ele vê e enquadra no visor no momento em que clica com a máquina. Ou seja, ele define a localização de cada elemento presente na foto. Olhando as fotografias novamente, mas agora pensando em sua composição, analise: De alguma maneira elas dialogam com as formas arquitetônicas que vimos até então? Nelas também está presente a geometrização percebida nos prédios? Como o fotógrafo criou essas formas? O que já existia na paisagem e contribuiu para o aspecto geométrico e o que foi construído pelo enquadramento? Se Gautherot tivesse tirado a foto da página ao lado de um outro ângulo, teríamos essas mesmas formas?


Marcel Gautherot Congresso Nacional, c. 1958


Mãos na massa! Para conseguir visualizar melhor a estrutura geométrica construída na composição das fotos, propomos que se faça um desenho. Você vai precisar de um papel - vegetal e um lápis, ou de uma transparência e de uma caneta permanente. Escolha uma dessas fotos e coloque o papel sobre ela. Contorne apenas as linhas da imagem presentes na arquitetura, como no exemplo da foto abaixo. Você pode optar por contornar todas as formas ou apenas algumas linhas específicas. Depois de pronto, o seu desenho não será a representação da imagem copiada, mas terá apenas algumas das formas presentes nela.

 


A partir disso, você pode criar um outro desenho ou colorir esse que já fez. Se usou o papel - vegetal, pode colorir com lápis de cor, canetinha, giz de cera. Já para a transparência, você pode usar fita adesiva colorida. Cada tira de fita funcionará como se fosse uma pincelada de tinta.

Para colorir usando fita adesiva colorida, recorte pequenas tiras e cole-as lado a lado. Vá cobrindo as formas que definiu a partir de uma das fotografias com as cores que quiser. Sobrepor as tiras ou cortá-las em diferentes tamanhos pode criar efeitos interessantes.

Convide outras pessoas para fazer essa atividade com você! Vocês podem escolher a mesma imagem e ver as formas que cada um prefere criar a partir dela!


Para continuar pensando... A estrutura da imagem revelada na atividade anterior é parte da composição da fotografia que você escolheu utilizar como referência. Ela apresentou uma característica geométrica, porque esta era uma das intenções do fotógrafo, mas é possível compor a partir de diferentes configurações. A composição não é presente somente em fotografias, podemos percebê-la em pinturas, desenhos, esculturas, gravuras, vídeos, publicidades, entre outros. Um cartaz também deve ter sua organização visual pensada por quem o cria, e normalmente quem faz isso é um designer. Desse modo, é possível conduzir o olhar de quem o vê e atingir com mais precisão os objetivos que se tem com ele. Para divulgar Brasília e sua construção, o Brasil participou de uma mostra de arquitetura em 1957, onde foi exibido o Plano Piloto e outros projetos para nossa nova capital. O cartaz desta exposição foi criado pela designer Mary Vieira e sua aparência dialoga com a imagem moderna que se buscava para Brasília.


Você consegue perceber esse diálogo? O que possibilita relacionar esse cartaz à cidade em construção que conhecemos até agora?

Analise o próprio cartaz. O que ele nos mostra? Que elementos o compõem?


Veja a estrutura que ele apresenta. Ela se assemelha à estrutura que você revelou a partir das fotos de Marcel Gautherot no exercício anterior? Em que se parecem? Em que se diferem?


Mais mão na massa! “Brasília era de fato um imenso cartaz anunciando ao mundo, em letras garrafais, que o Brasil era capaz de realizar tamanho empreendimento.”

A frase acima já apareceu neste material nas páginas iniciais, mas ela está aqui novamente para lhe ajudar nesta próxima atividade. Considerando-a, pense um pouco sobre algumas questões importantes para a realização de nossa proposta: Qual a função de um cartaz? Onde vemos este tipo de material? Você já fez um cartaz? Para quê?

Levando em conta suas respostas, faça agora um cartaz de Brasília. Reflita sobre o que pretende anunciar às pessoas sobre a capital de seu país. Lembre-se que o cartaz é uma peça bem objetiva, deve ser direta em relação a seus objetivos e conter poucos elementos para não ficar muito confuso. Faça uma busca na internet para conhecer cartazes famosos e entender melhor sua linguagem. Depois, pegue um papel do tamanho que preferir e reproduza uma das estruturas geométricas que fez no exercício anterior. Escolha cores que dialoguem com as suas intenções e preencha cada uma das formas.


Um dos objetivos desta atividade é conseguir uma composição de formas geométricas. Por isso, quando for selecionar elementos da fotografia para contornar, esqueça os detalhes e privilegie as formas maiores.

Você pode pintar com lápis de cor, canetinha ou mesmo tinta guache. Escolha o material que considera mais legal de trabalhar e que lhe garantirá o melhor resultado quanto ao impacto que seu cartaz pode causar.


Por fim, escreva com letras grandes e grossas o que decidiu dizer sobre Brasília. Pense bem onde vai colocar cada palavra no espaço do cartaz. Para espalhar seu trabalho por aí, você pode xerocá-lo ou escaneá-lo e enviar por e-mail a amigos e postar em sites e redes sociais.

Para facilitar a leitura da mensagem de seu cartaz, é importante que você escreva com letras grandes e legíveis. Se preferir, pode recortar letras de jornais e revistas.


Planejando

uma cidade Como vimos, em 1960 Brasília tornou-se a capital do Brasil. Seu processo de construção foi concluído em pouco mais de três anos, um feito admirável na época, devido a sua grandiosidade. Ao contrário de outras cidades brasileiras, Brasília não surgiu durante a colonização, trata-se de uma cidade planejada, idealizada e projetada. Mas antes de pensar sobre uma cidade planejada seria interessante questionar: o que é uma cidade?

Peter Scheier Vista aérea da área residencial da asa Sul, com a Esplanada dos Ministérios e a praça dos Três Poderes ao fundo, 1960


A história das cidades do mundo em geral é longa e complexa, sendo que as primeiras cidades teriam surgido entre 15 e cinco mil anos atrás. Algumas delas surgiram, cresceram e se expandiram sem qualquer plano prévio de urbanização. Mas o que é urbanização? E o que compõe uma cidade? O processo de ocupação de uma região vai modificando seu espaço, requerendo toda uma infraestrutura para suprir as necessidades da população. Com ou sem planejamento, a cidade vai adquirindo moradias, mas também meios de obtenção de água, gás, eletricidade, além de serviços de educação, saúde e transporte. Vão surgindo construções destinadas a diversas atividades, como culturais, mercantis, industriais e financeiras. A palavra cidade pode descrever essa área de urbanização, povoada por milhares e, às vezes, milhões de pessoas. O que a compõe é determinado por diversos fatores que influenciaram seu processo de ocupação. São Paulo é, por exemplo, uma cidade conhecida por uma rica gastronomia, com restaurantes de várias culturas, devido à grande imigração ocorrida nos períodos da Primeira e da Segunda Guerra Mundial; e Santos teve muitos investimentos em seu porto por causa do escoamento e da importação da produção de café na província de São Paulo, em meados de 1800. Pensar sobre as características de uma cidade pode nos ajudar a conhecer mais sobre a mesma. Como vários motivos vão determinando seu desenvolvimento, é possível percebermos diferenças infraestruturais entre elas. O fato de uma cidade ser urbanizada de modo planejado ou não é determinante nesse sentido, porque, entre outro motivos, sua configuração e distribuição de serviços ocorrem de maneira organizada.


Mãos na massa! Para refletirmos sobre isso, propomos uma atividade divertida: organize uma pequena cidade pensando em sua urbanização por meio de projetos e usando sua criatividade. Nas páginas 96 e 97 há dois mapas de uma certa região (como nos exemplos abaixo), com ruas e quarteirões pré-determinados. O mapa é o local em que sua cidade será erguida, por isso, se quiser construa o seu a partir desses exemplos. Para ter uma grande base, una folhas A4 ou use folhas no formato A2.

Com a base montada, inicie a ocupação da cidade. Para que ela seja tridimensional, use as matrizes impressas nas página 88 a 95, tire cópias das construções arquitetônicas, monte-as e distribua-as sobre a base. Use quantas referências quiser e, se preferir, crie outras também. Caso deseje uma cidade bidimensional, você pode desenhar e colorir usando lápis preto, lápis de cor, canetinhas, giz de cera, borracha e régua; ou ainda colar papéis coloridos e recortes de revistas sobre um dos mapas.


Se xerocar as matrizes, pode ter quantas cidades quiser e montá-las sobre diferentes mapas. Você pode pintar as “casinhas” antes de montá-las. Assim sua cidade fica mais colorida!

Disponha as casinhas sobre o mapa da forma que considerar mais interessante e depois leia os questionamentos a seguir.


Não se esqueça de pensar no que é necessário para planejar e construir uma cidade: O que ela tem que as florestas não têm? Lembre-se de lugares que você frequenta na cidade onde mora e considera importante existirem na cidade que vai construir. Pense também em um nome para ela. Para organizar o processo de urbanização dessa cidade, seria interessante analisar os seguintes pontos: Foram distribuídos adequadamente pelo mapa os setores necessários, tais como escolas, casas, hospitais, bueiros, lixos etc.? Quantos hospitais, escolas, mercados etc. foram colocados (desenhados, colados e/ou erguidos) em sua cidade? Eles são suficientes para atender determinada população? E como eles foram organizados? Você pensou em colocar setores diferentes próximos ou distantes dos outros por algum motivo específico? Por exemplo: escolas, hospitais, shopping. O que, propositalmente, você preferiu deixar próximo? E o que decidiu distanciar? Quem gerencia e administra a cidade em que vive para resolver os problemas urbanos que acompanham o desenvolvimento de sua expansão? Quais problemas ela apresenta? Há enchentes, falta de serviços ou moradias? Será que a cidade em que você mora foi planejada? Faça essas perguntas também em relação ao projeto que desenvolveu e pense em meios de resolver possíveis transtornos.

Essas perguntas e outras, que podem ser feitas por você mesmo(a), são importantes para propor questionamentos críticos e reflexivos. Se quiser, faça a sua cidade com um colega, em grupo, com os pais e até mesmo com os professores, e procure analisá-la atentamente, pensando em cada detalhe. Aprecie e compartilhe com outras pessoas as suas descobertas!


O planejamento de Brasília

Peter Scheier Vista aérea do eixo rodoviário (tesourinhas), 1960


Brasília é constantemente lembrada quando o assunto é cidade planejada. Isso porque além da concepção de uma urbanização organizada, a vontade de construir uma cidade perfeita e utopicamente sem problemas levou Lucio Costa a elaborar um projeto bastante complexo e cheio de inovações. No Plano Piloto para Brasília, ele partiu da forma de um simples gesto, um tanto simbólico: o sinal da cruz que os descobridores fizeram para marcar a posse de terra e o início de uma nova civilização, e que se assemelha a um avião. No eixo principal (“monumental”), encontramos os prédios públicos (do poder e da burocracia). No outro eixo (levemente arqueado para se adaptar à topografia), temos as asas Sul e Norte, que abrigam as residências. E no ponto de interseção dos eixos (“coração de Brasília”), temos a estação rodoviária e os setores comercial e de diversão.

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Construir a cidade a partir de um conceito como esse demandou que os envolvidos para sua realização estivessem em sintonia com a ideia: além dos já apresentados Oscar Niemeyer e Burle Marx, fizeram parte do grupo responsável o engenheiro Joaquim Cardoso e alguns artistas convocados para criar as esculturas públicas. Nessa nova capital, agregadora de ideais e utopias, a monumentalidade foilhe conferida para que fosse única. Mas, além disso, outras características eram exclusivas de Brasília, como o fato de não haver semáforos, para facilitar a circulação dos carros e impedir congestionamentos, além da instalação de um moderno sistema de iluminação com postes e tecnologias diferentes das usadas até então. Os interesses econômicos estiveram muito ligados aos caminhos que conduziram o projeto, pois considerando investimentos na indústria automobilística, privilegiou-se a construção de infraestrutura rodoviária. Entretanto, não lembraram de erguer moradias, mesmo que temporárias, para aqueles que iriam à cidade para construí-la. Por isso, os próprios candangos fizeram precariamente suas casas com restos de materiais de construção e sacos de cimento, montando a chamada Sacolândia.


Marcel Gautherot Moradia nos arredores da cidade - Sacol창ndia, c. 1959


Marcel Gautherot Moradia na Sacol창ndia, c. 1959


A partir dessa contradição, podemos nos questionar se o planejamento de Brasília estava mesmo ligado às necessidades cotidianas da vida urbana. Ao olharmos para ela após 50 de sua construção, podemos perceber muitas mudanças em relação ao projeto original. Em alguns aspectos, o projeto urbanístico e a arquitetura adotada eram bastante distantes da realidade, como as gigantescas janelas transparentes dos prédios públicos - que são muito interessantes esteticamente, mas, na prática, permitem tanto a entrada de luz que atrapalham quem está trabalhando no ambiente em dias de muita claridade.

Peter Scheier Interior do Congresso Nacional, 1960


Peter Scheier Interior do Congresso Nacional, 1960


Peter Scheier Interior do Congresso Nacional, 1960


Robert Polidori Ministério da Educação, 2009

Ao compararmos fotografias feitas em 1960 por Peter Scheier e em 2009 por Robert Polidori, ambas retratando essa transparência da arquitetura, podemos perceber a solução adotada atualmente para amenizar o incômodo causado pela luz.


Mas se olharmos atentamente as imagens de Scheier e as relacionarmos às ideias e ideais que envolveram a construção de Brasília, o que essa transparência poderia representar? E o quê a aparência camuflada que o prédio do Ministério da Educação adquiriu, como vemos na foto de Polidori, pode nos dizer sobre a Brasília atual?

Robert Polidori Rodoviária, Conjunto Nacional e Teatro Nacional, 1998

O desenvolvimento da cidade foi se dando de maneira orgânica, sem o controle e o planejamento anterior, e com isso começam a aparecer (e não param de aumentar) alguns semáforos pelas ruas, e hoje diversas áreas verdes, onde antes era permitido correr e andar livremente estão, cercadas. Nesta foto acima, também feita por Robert Polidori, podemos ver o Teatro Nacional à direita de um centro comercial totalmente iluminado com luzes coloridas e néons. Ela retrata bem como, com o passar do tempo, a paisagem foi se alterando e os prédios do projeto original passaram a conviver com novas construções.


Peter Scheier Crianças nos arredores de escola local em uma superquadra em construção, 1960


Para saber um pouco mais... Neste material apareceram imagens feitas por diversos fotógrafos, entre eles Marc Ferrez, Benjamin Mulock e Robert Polidori. Mas pudemos conhecer principalmente o trabalho de Marcel Gautherot e Peter Scheier, pois ambos estiveram em Brasília durante sua construção e retrataram, cada a um a seu modo, o que viram por lá nesse momento histórico. Conheça um pouquinho mais desses dois importantes fotógrafos: Marcel Gautherot Nasceu na França, em 1910, e morreu no Rio de Janeiro, em 1966. Decidiu conhecer o Brasil depois de ler o livro Jubiabá, de Jorge Amado. Foi um dos principais fotógrafos da arquitetura moderna brasileira e, contratado por Niemeyer, foi para Brasília registrar a construção da cidade. Peter Scheier Nasceu em 1908 e morreu em 1979 na Alemanha. Veio para o Brasil fugindo da perseguição nazista. Já fazia experiências fotográficas na Alemanha, mas só nas décadas de 1940 e 1950 se consolidou como fotojornalista. Foi para Brasília registrar sua construção por encomenda da revista norte-americana PIX.


Peter Scheier Detalhe de 么nibus, 1960


Fontes de

pesquisa BUENO, Eduardo. História do Brasil. Zero Hora, Porto Alegre, N/C. CAVALCANTI, Lauro (org.). Quando o Brasil era moderno: guia de arquitetura (1928-1960). Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001. ESPADA, Heloisa e BURGI, Sérgio (org.). As construções de Brasília. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2010. NETO, Casimiro. Brasília, a idéia de uma capital: a legislação e o debate parlamentar: 1549-2010. São Paulo: FAAP, 2010. http://www.asconstrucoesdebrasilia.blogspot.com/ (acesso em 20/12/2010) http://www2.correiobraziliense.com.br/50bravoscandangos/ (acesso em 20/12/2010) http://www.infobrasilia.com.br/ (acesso em 21/12/2010) http://houaiss.uol.com.br/ (acesso em 21/12/2010)


MATRIZES atividade “Planejando uma cidade”


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Dicas de montagem: após recortar as construçþes, dobre nas linhas pontilhadas e passe cola somente nas abas.


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AEROPORTO

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POLĂ?CIA

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FarmĂĄcia

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HOSPITAL

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MUSEU

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cola

SuperMercado

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cola

BANCO


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Faculdade

Para montar a árvore é só recortar duas arvorezinhas de tamanhos iguais e uni-las colando seus versos. Dobre na linha pontilhada deixando uma aba para cada lado. Essas abas servirão de apoio para colar a árvore sobre o mapa.


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Se quiser, utilize essas matrizes para criar novas referências de construçþes para sua cidade.

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Para usar este mapa como “base” de sua cidade, faça uma cópia ampliada desta imagem


Para usar este mapa como “base” de sua cidade, faça uma cópia ampliada desta imagem


INSTITUTO MOREIRA SALLES EDUCATIVO - São Paulo Odette Vieira Coordenadora / Centro Cultural Responsável pela área Roseli M. Evangelista Supervisora geral / educadora Luciana Nobre Assistente / educadora Carolina Plumari Educadora Ana Estaregui Educadora EDUCATIVO - Rio de Janeiro Elizabeth Pessoa Coordenadora / Centro Cultural Gabriela da Silva Lima Educadora Maya Dikstein Estagiária EDUCATIVO - Poços de Caldas Vera Regina Magalhães Castellano Coordenadora / Centro Cultural Isabela Magalhães Brasileiro Educadora

Material educativo

Olhar Brasília Conteúdo Equipe EducAtivo IMS-SP Carolina Plumari, Luciana Nobre e Roseli M. Evangelista Projeto Gráfico e Diagramação Luciana Nobre Ilustrações Carolina Plumari Revisão de texto Flávio Cintra do Amaral Colaboração geral Marília Perez Zarattini e Mariana Vitale



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