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Cinema do IMS Paulista, agosto de 2025

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Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros (Îmi este indiferent daca în istorie vom intra ca barbari), de Radu Jude

destaques de agosto

O trauma da Segunda Guerra Mundial é o ponto de contato entre os dois artistas apresentados este mês na Sessão Mutual Films. O influente cineasta austro-americano Josef von Sternberg produziu e filmou Anatahan no Japão, a partir das memórias de um grupo de soldados japoneses naufragados que não viram o fim da guerra. O artista e cineasta experimental japonês Keiichi Tanaami partiu das memórias de infância de seu país em chamas, sob o filtro da psicodelia dos anos 1960, para criar uma extensa obra de filmes de animação altamente estilizados.

O proeminente cineasta Radu Jude retorna ao mesmo período para refletir sobre a participação da Romênia, seu país natal, no Holocausto de 1941. Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros é também um tratado sobre possibilidades e limites de um cinema político.

Uma das mulheres pioneiras na direção de filmes nos EUA, Ida Lupino teve também uma vasta carreira como diretora de televisão. No último mês da retrospectiva dedicada a Lupino, serão exibidos episódios que filmou para as séries televisivas O paladino do Oeste (Have Gun – Will Travel), Além da imaginação (The Twilight Zone) e A feiticeira (Bewitched).

Junto à exposição em cartaz Paiter Suruí, Gente de Verdade: um projeto do Coletivo Lakapoy, o Cinema do IMS Paulista discute a ampla produção cinematográfica das mulheres indígenas no Brasil.

Ainda este mês, no Cinema do IMS, o cinema brasileiro se debruça sobre o samba de Moacyr Luz, a maior ocupação artística da América Latina, a história secreta da mulher-gorila, a vida de um médico cubano no Brasil, a fauna de diferentes biomas, um futuro distópico para a população idosa e a construção de um lar: tijolo por tijolo.

[imagem da capa]

Good-By Elvis and USA [Adeus Elvis e EUA], de Keiichi Tanaami

Além da imaginação: As máscaras (The Twilight Zone: The Masks), de Ida Lupino
Thiago & Ísis e os biomas do Brasil, de João Amorim
O último azul, de Gabriel Mascaro

filmes de agosto

Em cartaz

Cloud – Nuvem de vingança (Kuraudo)

Kiyoshi Kurosawa | DCP

Iracema, uma transa amazônica

Jorge Bodanzky e Orlando Senna | DCP, restauração 4K

Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade

Tarsilla Alves | DCP

Neirud

Fernanda Faya | DCP

O deserto de Akin

Bernard Lessa | DCP

O último azul

Gabriel Mascaro | DCP

Ouvidor

Matias Borgström | DCP

Tijolo por tijolo

Victória Álvares e Quentin Delaroche

Yõg ãtak: Meu pai, Kaiowá

Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna | DCP

Dirigidos por Ida Lupino

Sessão infantil

Thiago & Ísis e os biomas do Brasil

João Amorim | DCP

O paladino do Oeste: Dama armada (Have Gun – Will Travel: Lady with a Gun)

Ida Lupino | Arquivo digital

Além da imaginação: As máscaras (The Twilight Zone: The Masks)

Ida Lupino | Arquivo digital

A feiticeira: A magia das coisas

simples (Bewitched: A Is for Aardvark)

Ida Lupino | Arquivo digital

Sessão especial

Exposição Paiter Suruí,

Gente de Verdade: um

projeto do coletivo Lakapoy

Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros (Îmi este indiferent daca în istorie vom intra ca barbari)

Radu Jude | DCP

Sawana, rainha das formigas

Suyani Terena | Arquivo digital

Sessão

Mutual Films

Memórias inventadas: Filmes de Josef von Sternberg e Keiichi Tanaami

Programa 1: Anatahan

Programa 2: Curtas de Keiichi Tanaami

Crayon Angel [Anjo de giz de cera]

Keiichi Tanaami | DCP

Anatahan

Josef von Sternberg | DCP, restauração

2K

O romance de Lena (fragmento)

(The Case of Lena Smith (fragment))

Josef von Sternberg | DCP, cópia

restaurada

SHE [ELA]

Keiichi Tanaami | DCP

Sweet Friday [Doce sexta-feira]

Keiichi Tanaami | DCP

Good-By Elvis and USA

[Adeus Elvis e EUA]

Keiichi Tanaami | DCP

Artificial Paradise [Paraíso artificial]

Keiichi Tanaami | DCP

Breathing of the Wind (animation correspondence) [Respiração do vento (correspondência por animação)]

Keiichi Tanaami + Nobuhiro Aihara | DCP

Memories Hidden in Darkness –

Dreams of Various Shades [Memórias escondidas na escuridão – Sonhos de vários tons]

Keiichi Tanaami | DCP

A Gaze in Summer – 1942 [Um olhar no verão – 1942]

Keiichi Tanaami | DCP

Shunga

Keiichi Tanaami | DCP

The Laughing Spider [A aranha que ri]

Keiichi Tanaami | DCP

É possível assistir a alguns dos filmes em cartaz no Cinema do IMS com recursos de acessibilidade em Libras, legendas descritivas e audiodescrição. Para retirar o equipamento com recursos, consulte a bilheteria do IMS Paulista. Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo telefone (11) 2842-9120 ou pelo e-mail imspaulista@ims.com.br.

18:20 Ouvidor (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

6

16:30 Iracema, uma transa amazônica (90')

18:20 Ouvidor (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

12

16:00 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

18:00 Iracema, uma transa amazônica (90')

20:00 O deserto de Akin (78')

13

14:00 Ouvidor (75')

15:40 Iracema, uma transa amazônica (90')

17:30 O deserto de Akin (78')

19:10 Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros (140')

7

16:00 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

18:00 Iracema, uma transa amazônica (90')

20:00 O deserto de Akin (78')

14

15:00 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:50 O deserto de Akin (78')

18:30 Neirud (72')

20:00 Tijolo por tijolo (103')

19

15:15 Ouvidor (75')

16:50 O deserto de Akin (78')

18:30 Neirud (72')

20:00 Tijolo por tijolo (103')

26

16:30 Neirud (72')

18:00 Tijolo por tijolo (103')

20:00 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95')

20

15:15 Ouvidor (75')

16:50 O deserto de Akin (78')

18:30 Neirud (72')

20:00 Tijolo por tijolo (103')

27

15:00 Tijolo por tijolo (103')

17:30 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95')

19:30 dirigidos por ida lupino

O paladino do Oeste + Além da imaginação + A feiticeira (75')

21

15:30 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95') sessão mutual films

18:00 Anatahan (95')

20:10 Curtas de Keiichi Tanaami (70'), sessões apresentadas por Aaron Cutler e Mariana Shellard

28

16:00 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95')

18:00 Tijolo por tijolo (103')

20:00 O último azul (86')

1

14:40 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:30 Iracema, uma transa amazônica (90')

18:20 Ouvidor (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

21:45 Cloud – Nuvem de vingança (123')

8

14:40 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:30 Iracema, uma transa amazônica (90')

18:20 Ouvidor (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

21:45 Cloud – Nuvem de vingança (123')

15

15:00 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:50 O deserto de Akin (78')

18:30 Neirud (72')

20:00 Tijolo por tijolo (103')

22:00 Yõg ãtak: Meu pai, Kaiowá (93')

22

14:50 O deserto de Akin (78')

16:30 Neirud (72')

18:00 Tijolo por tijolo (103')

20:00 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95')

21:50 Cloud – Nuvem de vingança (123')

2

14:40 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:30 Iracema, uma transa amazônica (90')

18:20 Ouvidor (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

21:45 Cloud – Nuvem de vingança (123')

9

14:40 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:30 Iracema, uma transa amazônica (90')

18:20 dirigidos por ida lupino O paladino do Oeste + Além da imaginação + A feiticeira (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

21:45 Cloud – Nuvem de vingança (123')

16

15:00 Mulheres indígenas em cena: O audiovisual que floresce e resiste. Exibição e conversa com Lahayda Mamani Poma, Txai Suruí, Natália Tupi e Cholitas da Babilônia

18:00 Yõg ãtak: Meu pai, Kaiowá (93')

19:50 Tijolo por tijolo (103')

21:50 Cloud – Nuvem de vingança (123')

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14:45 Tijolo por tijolo (103')

16:45 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95')

18:45 Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros (140')

21:50 Cloud – Nuvem de vingança (123')

3

14:40 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:30 Iracema, uma transa amazônica (90')

18:20 Ouvidor (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

10

14:40 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:30 Iracema, uma transa amazônica (90')

18:20 Ouvidor (75')

20:00 O deserto de Akin (78')

17

15:00 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:50 O deserto de Akin (78')

18:30 Neirud (72')

20:00 Tijolo por tijolo (103')

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14:30 Thiago & Ísis e os biomas do Brasil (90')

16:30 Neirud (72')

18:00 Tijolo por tijolo (103')

20:00 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95')

29

16:00 Moacyr Luz, o embaixador dessa cidade (95')

18:00 Tijolo por tijolo (103')

20:00 O último azul (86')

22:00 Yõg ãtak: Meu pai, Kaiowá (93')

30 sessão mutual films

19:00 Anatahan (95')

21:00 Curtas de Keiichi Tanaami (70')

Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas em ims.com.br.

31

19:00 O último azul (86')

Memórias inventadas: Filmes de Josef von Sternberg e Keiichi Tanaami

Aaron Cutler e Mariana Shellard

Quando pensei sobre isso, me dei conta, “claro que não poderia ter acontecido”. Eu tenho muitas memórias como essa. Eu acho que essas memórias inventadas são mais vívidas do que as reais.

- O artista visual e cineasta Keiichi Tanaami, em uma entrevista realizada em 2022 para o New York Times 1

Mas quando as pedrinhas foram jogadas no lago de Hollywood, fizeram ondulações que chegaram a margens distantes. Apesar de eu ter esquecido o meu trabalho, ele foi lembrado por outros, e quando o Japão foi alcançado, eu fui recebido como um velho amigo.

- O cineasta Josef von Sternberg, em seu livro de memórias Fun in a Chinese Laundry [Brincando numa lavanderia chinesa], de 1965.2

1. O artigo em inglês “Keiichi Tanaami Remembers Everything”, de 2022, pode ser lido através do link tinyurl.com/tanaamismf. Uma entrevista em vídeo com Tanaami foi realizada no mesmo ano pela equipe do Japan House São Paulo, na ocasião da exposição WAVE – Novas correntes nas artes gráficas japonesas, e pode ser encontrada aqui: tinyurl.com/tanaamismf2.

2. O livro de Sternberg é inédito no Brasil.

Josef von Sternberg visitou o Japão pela primeira vez em 1936, mesmo ano em que Keiichi Tanaami nasceu. A carreira uma vez incandescente do cineasta austro-americano estava naquele momento em baixa. Sua fase mais brilhante em Hollywood havia ocorrido na Paramount Pictures entre 1927 e 1932, primeiro com uma série de filmes silenciosos que expandiu as possibilidades da linguagem cinematográfica no final da era silenciosa, depois, com uma série de filmes intoxicantes e muitas vezes surrealistas, realizados em parceria com a atriz alemã Marlene Dietrich, culminando em uma visão sensual e intrigante do Oriente com O expresso de Xangai (Shanghai Express, 1932). Mas, após os sucessos de crítica e bilheteria dos três primeiros filmes americanos da dupla (mais O anjo azul/Der blaue Engel, realizado na República de Weimar em 1930 para o estúdio UFA), o cineasta e sua atriz favorita entraram em declínio, com mais três filmes que receberam críticas negativas e acumularam prejuízos na bilheteria. A parceria foi encerrada pela própria Paramount, e Sternberg foi levado a trabalhar na Columbia Pictures com uma adaptação para o cinema, designada a ele, do livro de Dostoévski Crime e castigo (Crime and Punishment, 1935).

Sternberg era conhecido em Hollywood como um faz-tudo que exigia controle

Crayon Angel
[Anjo de giz de cera], de Keiichi Tanaami

sobre todos os aspectos das suas produções, inclusive o jogo delicado entre luz e sombra que marcou a iluminação dos seus filmes. A experiência de trabalhar sem autonomia criativa foi tão desagradável que ele passou a se dedicar a outras empreitadas, como a escrita e a organização da sua coleção de arte, que chegou a ser uma das maiores de arte moderna nos Estados Unidos. Ele construiu uma casa em um local afastado (inclusive para guardar as obras), porém se deu conta de que a distância não era suficiente, e então abandonou o projeto e embarcou em uma viagem para a Ásia.

Nascido Jonas Sternberg, em Viena, em 1894, de uma família ortodoxa judaica e economicamente desfavorecida, ele foi morar em Nova York com seus pais, primeiro aos 10 anos e depois definitivamente com 14 anos. Nos Estados Unidos, descobriu uma habilidade técnica que desenvolveu ao abandonar os estudos escolares. Começou a trabalhar com o cinema nos estúdios de Fort Lee, no estado vizinho de Nova Jersey (um dos centros originais da indústria cinematográfica do país), como um reparador de películas danificadas. Isso lhe deu oportunidades para estudar a imagem cinematográfica minuciosamente antes de assumir outros trabalhos na indústria. Ganhou o nome de “Von Sternberg” nos créditos de

Por direito divino (By Divine Right, 1924), filme dirigido por Roy William Neill no qual trabalhou como assistente, e resolveu manter o ar de nobreza que o nome lhe trouxe.

Desde a juventude, ele tomou como sua principal referência artística as artes visuais e valorizou a pintura e a escultura acima da literatura e do teatro. E, ao admirar as artes clássicas europeias, Sternberg inevitavelmente compartilhou a fascinação que os artistas europeus da sua época tinham com as culturas e artes orientais, como, por exemplo, a noção do ukiyo (“mundo flutuante”) expressa na pintura japonesa do período Edo (1603-1867).

Sternberg apresentou um olhar ocidental sobre o Oriente desde o começo do seu cinema. Seu primeiro filme como diretor, o longa-metragem independente Caçadores de salvação (The Salvation Hunters, 1925), é uma história de amor e solidariedade entre personagens marginais que foi filmada na área reservada para barcos de pesca japoneses em Los Angeles. Em um momento do filme, o herói se depara com um cartaz em japonês (um anúncio para um encontro de pescadores) e tenta imaginar nele possibilidades de trabalho. O público japonês, inclusive a crítica, consistentemente olhou para o cinema de Sternberg com admiração. Por exemplo, seu último filme silencioso,

O romance de Lena (The Case of Lena Smith, 1929) – uma recriação de suas memórias de infância em Viena, por meio de um melodrama sobre o destino trágico da protagonista do título – foi tão bem recebido no Japão que o crítico Masaru Takada fez uma lista de todos os planos do filme ao longo de duas edições da revista Eiga Orai [Movimentos de filmes].

Não foi surpreendente que Sternberg tenha sido recebido no Japão como um mestre do cinema, com grande entusiasmo vindo da juventude japonesa e respeito de críticos e outros cineastas que mostraram a ele um conhecimento profundo de seus filmes. Na cidade de Quioto, Sternberg encontrou um amigo, o cineasta alemão Arnold Fanck, que estava lá para filmar uma coprodução alemã-japonesa chamada A filha do samurai (Die Tochter des Samurai/ Atarashiki Tsuchi, 1937). O produtor desse filme, Nagamasa Kawakita, empenhou-se em mudar as visões equivocadas que as culturas tinham uma da outra, primeiro trabalhando na distribuição (de filmes europeus no Japão e de filmes japoneses na Alemanha) e depois na produção de filmes com artistas europeus no Japão.

Sternberg acompanhou as filmagens de A filha do samurai e vislumbrou como seria realizar um filme em uma situação ideal,

onde ele pudesse assumir controle total da produção, escolha dos atores, criação dos cenários, direção e edição. Começou uma conversa com Kawakita a respeito das possibilidades de uma colaboração, porém seus planos foram interrompidos pela chegada da Segunda Guerra Sino-Japonesa e, depois, da Guerra do Pacífico.

Sternberg saiu do Japão logo após Keiichi Tanaami ter nascido em uma família de comerciantes de tecidos em Tóquio. Tanaami viveu os anos da guerra de forma palpável, passando por uma série de experiências que marcou seu imaginário pela vida inteira, a maioria acompanhada pelos sons dos bombardeiros. Uma delas foi presenciar um galo com a cabeça em chamas, gritando e correndo durante um ataque aéreo. Outra foi ver os peixinhos dourados em um aquário de vidro na casa dos seus avós maternos, iluminados pelos bombardeios. Também conta de uma mulher arremessada no ar após ser baleada por um piloto. Ao falar da mulher para sua mãe, o jovem Keiichi foi acusado de mentir, pois ela nunca teria deixado ele sozinho durante um ataque aéreo.

Essas imagens eventualmente entraram  em filmes fabulados por Tanaami, como em Crayon Angel (1975), no caso do galo, e em A Gaze in Summer – 1942 (2002), no

da mulher.3 Desde cedo, ele viveu entre a realidade e a ficção. Tanaami assistia até 500 filmes por ano quando jovem, a maioria deles norte-americanos, com atrizes cujas imagens ele usou em obras de colagem décadas depois. Desenvolveu um gosto pelos filmes de animação de Walt Disney e dos irmãos Max Fleischer e Dave Fleischer, principalmente o longa-metragem No mundo da carochinha (Mr. Bug Goes to Town, 1941), que impressionou Tanaami por seu uso de sombras. Também era fascinado pelo mundo dos mangás (principalmente os desenhados por Osamu Tezuka) e as equivalentes histórias em quadrinhos norte-americanas, que encontrava em sebos graças aos soldados, que as levaram para o Japão durante a Segunda Guerra Mundial e a subsequente ocupação norte-americana do país (1945-1952). Um tio querido de Tanaami deixou com sua família uma vasta coleção de revistas, cartões-postais e outros artefatos da cultura pop norte-americana depois de sua morte como soldado na guerra. O cinema de Tanaami (a maior parte feito em animação) ficou marcado por diversas

3. Os filmes de Tanaami têm dois nomes oficiais –um em japonês e um em inglês. Foi escolhido usar os nomes em inglês para as exibições no IMS Paulista sob a orientação da galeria NANZUKA, detentora das obras.

imagens que remetem às suas experiências de guerra, desde corpos feridos até representações distorcidas do rato Mickey e de Betty Boop. O último longa-metragem realizado por Sternberg também surgiu a partir da guerra e acabou levando-o de volta ao Japão. Em 1951, o cineasta, passando por mais uma frustração em Hollywood (desta vez com o estúdio RKO e seu produtor Howard Hughes), leu uma breve notícia sobre um grupo de soldados japoneses que naufragou nas ilhas Marianas antes do fim da guerra e que se recusava a render-se ou até mesmo reconhecer que a guerra havia acabado. Durante os sete anos que ficaram na ilha de Anatahan, eles também criaram uma espécie de guerra entre si em torno da única mulher no grupo. Sternberg viu na história um reflexo da condição humana. Para a produção do filme, Sternberg fez uma parceria com Kawakita e mais dois produtores japoneses. Porém, Anatahan foi, em boa parte, autofinanciado, com a venda de diversas obras da coleção de arte do cineasta por valores abaixo do mercado. Ele escalou uma série de atores desconhecidos (alguns não profissionais, outros com treinamento no teatro kabuki) e se comunicou com eles através de dois intérpretes e de um fluxograma onde a arca emocional de cada personagem foi mapeada visualmente.

O único integrante não japonês da equipe do filme atuou como diretor, roteirista (se baseando em um livro de memórias escrito por um dos soldados), cinegrafista (com o jovem operador de câmera Kōzō Okazaki) e narrador. Sternberg também assumiu a autoria da construção do paraíso artificial que serviu como o único set de Anatahan –uma recriação da ilha e sua selva frondosa, toda prateada, feita em um enorme galpão em Quioto.

Uma das características mais marcantes do cinema de Sternberg sempre foi sua capacidade de elaborar universos artificiais em paralelo ao mundo real. Muitas vezes, a coexistência de diferentes realidades em seus filmes funcionava como uma metáfora para a forma com que a mente humana processa o mundo. É assim em Anatahan. Enquanto os atores (falando em sua língua japonesa nativa) encenam os conflitos entre os soldados em algo que lembra o momento presente, a narração de Sternberg (em inglês) assume a perspectiva de um deles e descreve no pretérito perfeito as experiências na ilha pela qual “nós” passamos. Assim, o espectador é convidado a testemunhar a estranha pungência das situações de um comandante (Shiro Amikura) que fica no topo da ilha aguardando um inimigo que nunca chegará, do grupo que canta o hino

Sweet Friday [Doce sexta-feira], de Keiichi Tanaami

nacional de um império que não mais existe e da mulher (Akemi Negishi), sozinha em um ambiente masculino, cada vez mais isolada pela violência que os homens cometem em nome dela. À sua maneira, a solidão que a personagem Keiko carrega representa não apenas a memória de um Japão em luto, mas também de todos os lugares impactados por guerras.

Anatahan (que também foi lançado com o nome A saga de Anatahan/The Saga of Anatahan) estreou um ano após o fim da ocupação norte-americana no Japão, em um momento em que o Ocidente estava de olho no cinema japonês. No meio de filmes aclamados como Contos da lua vaga (Ugetsu Monogotari, 1953), de Kenji Mizoguchi, Era uma vez em Tóquio (Tōkyō Monogatari, 1953), de Yasujiro Ozu, e Portal do inferno (Jigokumon, 1953), de Teinosuke Kinugasa, a produção japonesa de Sternberg ficou perdida, tanto no público japonês (que tinha cansado de ouvir histórias sobre Anatahan) quanto no norte-americano (que estranhou a escolha de Sternberg de não legendar as falas dos atores). Anatahan foi o último filme que Sternberg dirigiu. Nos anos subsequentes, lecionou cinema na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), tendo entre seus alunos cineastas da vanguarda norte-americana, como Curtis Harrington e

Gregory Markopoulos. Morreu de um ataque cardíaco em 1969, e foi apenas com o relançamento de Anatahan na década de 1970 que o trabalho que Sternberg uma vez chamou de “meu melhor filme e meu filme mais malsucedido” passou a ser valorizado. Sternberg fez sua avaliação de Anatahan na última obra artística que lançou, uma autobiografia literária chamada Fun in a Chinese Laundry, cujo título veio de um filme de Thomas Edison que foi lançado em 1894 (o ano em que Sternberg nasceu). O livro foi publicado em 1965, no mesmo ano em que Keiichi Tanaami estreou seu primeiro filme, a animação Marionettes in Masks (1965), na edição inaugural do Festival de Animação de Sogetsu. Tanaami havia abandonado seu sonho de ser um artista de mangá, sob a pressão dos seus pais, e se formou na Universidade de Artes de Musashino, com uma especialização em design. Inicialmente, começou a trabalhar em uma agência de publicidade, porém logo se demitiu para trabalhar com mais liberdade como designer gráfico freelance e editor de arte de revistas. Tanaami se envolveu com as atividades de colegas artistas japoneses quando começou a fazer suas próprias exposições. Algumas de suas inspirações iniciais vieram do Centro de Arte Sogetsu, em Tóquio, um espaço multidisciplinar para arte

experimental do pós-guerra que era operado pelo cineasta Hiroshi Teshigahara (conhecido pelo clássico da Nova Onda Japonesa A mulher da areia/Suna no onna, de 1964). Lá, Tanaami viu happenings de Yoko Ono, acompanhou visitas de compositores e pintores do exterior e assistiu a filmes experimentais dos Estados Unidos e do próprio Japão – muitas vezes em sessões vazias, o que também ocorria nos seus próprios filmes.

As obras de Tanaami – tanto no cinema quanto nas artes visuais, que incluíram as capas japonesas de discos de bandas estrangerias, como The Monkees e Jefferson Airplane – eram radicalmente coloridas e psicodélicas, nunca foram abstratas. Ele compartilhou a tendência da pop art de reconfigurar imagens bem conhecidas com ironia e senso de humor ácido. Também deixou clara uma sensibilidade política, em obras como a série de cartazes em serigrafia NO MORE WAR [Guerra nunca mais] (1967), com foco em figuras humanas que parecem agonizar conforme protestam contra várias guerras.

As viagens que Tanaami fez para Nova York entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970 foram transformadoras. Conheceu Andy Warhol e sua Fábrica e estudou a agilidade do artista em transitar entre modos alternativos e

comerciais. Fez uma imersão no cinema de vanguarda de artistas como Kenneth Anger, Jack Smith e Jonas Mekas e trabalhos de expanded cinema de Stan VanDerBeek. E, talvez ainda mais crucial, descobriu a facilidade com a qual era possível obter revistas pornográficas nos Estados Unidos, inclusive nas bancas de jornais e nos supermercados. Algumas das publicações, como das histórias em quadrinhos de Robert Crumb, misturavam obscenidades com comentários sociais. Tanaami chegou a entender o próprio capitalismo norte-americano como um grande gesto pornográfico que, há algumas décadas, se estabelecera no Japão.

Ele utilizou diversas dessas imagens de mulheres nuas nos curtas-metragens que foi comissionado a fazer no Japão para o programa de animação adulta 11 PM [23 horas] (horário que passava na televisão). Os organizadores precisavam de conteúdo com urgência e, assim, não tinham tempo para avaliar o que recebiam, proporcionando maior liberdade de expressão para Tanaami, que a exerceu em obras sardônicas como Commercial War (1971), Good-By Marilyn (1971), e Good-By Elvis and USA (1971). Nesses filmes, Tanaami ironizou a tendência de consumo japonesa pós-guerra, com imagens grotescas de pessoas correndo

atrás de mercadorias modernas, muitas vezes ao som de uma música pop (norte-americana ou japonesa).

Em 1972, Tanaami começou a exibir seus filmes em sessões no Tenjō Sajiki-kan, um teatro dirigido pelo teatrólogo japonês de vanguarda Shūji Terayama, que também fez filmes experimentais e politicamente engajados. Enquanto a programação do Centro de Arte Sogetsu era voltada para uma apreciação geral das artes, as atividades no Tenjō Sajiki-kan se direcionaram para quem se considerava parte da cena japonesa underground. Lá, Tanaami exibiu filmes ao lado de artistas como Takahiko Iiumura e Toshio Matsumoto. Embora alguns dos cineastas tenham feito longas-metragens que entraram no circuito como parte da Nuberu Bagu [Nova Onda Japonesa], a maioria fazia curtas-metragens sem chances de distribuição e focados em explosivas dissecações de dimensões formais.

Tanaami participou no grupo com filmes como Why (1975), no qual uma única imagem de uma luta do boxeador norte-americano Muhammad Ali (conhecido por sua recusa de servir na Guerra do Vietnã) é apresentada através de uma série de filtros, técnicas de refotografia e truques de luz. O filme Artificial Paradise (1975) toma como ponto de partida um cartão-postal com uma imagem do pôr

do sol em uma praia, que Tanaami apresenta de diversos formas e ângulos ao lado de imagens de revistas de mulheres seminuas. No mesmo ano em que fez Artificial Paradise, Tanaami assumiu a posição de diretor artístico da edição japonesa da revista Playboy, e trouxe para o trabalho sua sensibilidade autoconsciente costumeira.

Trabalhou intensamente em diversos campos até 1981, quando subitamente contraiu uma tuberculose potencialmente fatal. Durante sua internação de quatro meses, Tanaami passou por uma série de sonhos e alucinações intensas, muitas vezes remetendo às feridas ainda não curadas de sua infância. Ao sair do hospital, ele entendeu que tinha que sair da rotina urbana e trabalhar menos. Isso resultou, entre outras escolhas, em um hiato na sua produção cinematográfica.

Voltou a fazer filmes somente na década de 2000, quando estava trabalhando como professor na Universidade de Artes e Design em Quioto. Um dos seus colegas de trabalho na faculdade foi o também animador experimental Nobuhiro Aihara, que nasceu na província de Kanagawa em 1944. A amizade entre Tanaami e Aihara levou a uma parceria em que eles desenvolveram uma correspondência por desenhos, os quais deixavam na mesa do escritório um do outro. Isso resultou

na criação de mais de 20 filmes, a maioria com menos de cinco minutos de duração. Neles, um fundo branco serve como campo de diálogo entre os traços suaves e abertos do budista Aihara e as linhas mais agitadas de Tanaami. Os que têm a assinatura de Tanaami como autor principal muitas vezes remetem às suas memórias, de forma literal, com imagens breves e sugestivas de aviões, ou mais ambígua e perturbadora, por exemplo, com figuras sombrias e semi-humanas correndo na tela em Memories Hidden in Darkness – Dreams of Various Shades (2001).

No mesmo momento de sua entrada na Universidade em Quioto, Tanaami começou uma série de desenhos chamada The Trip to Stir Memories, na qual fez uma catalogação de suas memórias como registros artísticos. Continuou a usar as memórias como pontos de referência em seus filmes após a morte de Aihara em 2011. A última fase do cinema de Tanaami consiste em trabalhos de animação feitos em vídeo, como Red Colored Bridge (2012) e The Laughing Spider (2016), que revisitam imagens de filmes anteriores, adaptando-os a uma nova época e estética, até mais vulgar e artificial do que quando ele começou a fazer filmes. Tanaami também passou a fazer um esforço em seu trabalho para incorporar referências a outros

movimentos artísticos que admirava, como uma forma de se situar na história da arte –como pontes e jardins que remetem a obras do período Edo (recorrentes nos vídeos) e à pintura Mãe e filho (Mère et enfant, 1901), de Pablo Picasso, a partir da qual Tanaami fez mais de 400 reproduções durante a pandemia de covid-19.

Por anos, Tanaami foi mais conhecido como designer gráfico do que como artista.

A fase mais prolífica e bem recebida de sua produção artística começou somente a partir dos seus 70 anos, graças, em boa parte, ao investimento da galeria japonesa NANZUKA em seu trabalho, a partir de 2005. As primeiras digitalizações em alta resolução dos seus filmes foram feitas em 2010, e um projeto de inventário e preservação dos materiais fílmicos em seu estúdio foi lançado pela organização Collaborative Cataloguing Japan (CCJ) em 2018. A primeira exposição abrangente do seu trabalho artístico, Keiichi Tanaami: Adventures in Memory, abriu no Centro Nacional de Arte em Tóquio em 2024. Tanaami participou ativamente na criação da exposição, que apresentou 60 anos de trabalho, e na qual seus filmes foram projetados em um espaço que também contou com instalações e enormes pinturas coloridas de flores, esqueletos, animais, astros de Hollywood e aviões caça.

Tanaami adoeceu em junho do mesmo ano. Ele faleceu aos 88 anos, cercado por parentes e amigos. A data de sua partida, dia 9 de agosto, foi significativa por pelo menos dois motivos. Foi o dia após a abertura da exposição do artista no Centro Nacional de Arte, que virou uma celebração à sua memória. E, também, foi o dia do lançamento da bomba atômica sobre Nagasaki em 1945, três dias após o lançamento sobre Hiroshima e um ano após o naufrágio dos soldados na ilha de Anatahan. Quando receberam a notícia das bombas – como muitos –, eles não conseguiram acreditar.

A Sessão Mutual Films de agosto de 2025 é dedicada às memórias dos cineastas japoneses recém-falecidos Kō Nakajima (1941-2025), Masahiro Shinoda (1931-2025), Tomonari Nishikawa (1969-2025) e Yōji Kuri (19282024). E, também, às memórias do cineasta franco-austríaco Marcel Ophüls (1927-2025), da atriz filipina Nora Aunor (1953-2025), das vozes da vanguarda norte-americana Florence Jacobs (1941-2025) e P. Adams Sitney (19442025) e dos músicos pop e experimentais norte-americanos Brian Wilson (1942-2025) e Sly Stone (1943-2025).

Cloud – Nuvem de vingança

Kuraudo

Kiyoshi Kurosawa | Japão | 2024, 123’, DCP (O2 Play)

Buscando lucro rápido, um jovem revende online diversos produtos baratos por preços elevados, o que acaba gerando insatisfação entre seus clientes. Conforme o descontentamento cresce, alguns clientes decidem se vingar, levando-o a enfrentar uma série de eventos misteriosos e ameaçadores que colocam sua vida em risco.

“A inspiração para este projeto não surgiu a partir de um tema específico, mas do meu desejo de longa data de criar um filme de ação. A ação é um gênero profundamente enraizado na história do cinema, mas realizar um ambientado no Japão contemporâneo apresenta desafios únicos, tanto logísticos quanto financeiros”, declara Kurosawa em entrevista ao portal The Hollywood Reporter. “Um desafio significativo que impus a mim mesmo foi me afastar dos protagonistas típicos dos filmes de ação japoneses – frequentemente membros da Yakuza, policiais ou das forças

de defesa – e, em vez disso, focar em pessoas comuns. São indivíduos sem qualquer ligação com a violência em seu cotidiano, mas que se veem subitamente lançados em uma situação de vida ou morte, em que a sobrevivência exige medidas extremas. Isso exigiu criar uma história que colocasse de forma convincente pessoas comuns em circunstâncias extraordinárias – matar ou morrer. Levá-las até esse ponto foi o maior desafio narrativo.”

Sobre o trabalho de revendedor online que escolheu para seu protagonista, o diretor comenta: “Para mim, essa ocupação simboliza o capitalismo contemporâneo – em que, se você não tem talentos excepcionais ou riqueza, a revenda é uma forma de se virar dentro do sistema. É interessante porque, quando você pensa bem, essa operação em pequena escala espelha o que grandes corporações fazem em larga escala: comprar barato, vender caro – mas com menos consciência das linhas éticas que podem estar sendo ultrapassadas. Essa ocupação me pareceu uma metáfora poderosa para os tempos em que vivemos.”

[Íntegra da entrevista, em inglês: tinyurl.com/ cloudimskk]

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Iracema, uma transa amazônica

Jorge Bodanzky e Orlando Senna | Brasil, França, Alemanha | 1975, 90’, DCP (Gullane+), restauração 4K

Em contraste com a propaganda oficial da ditadura militar, que alardeava um país em expansão com a construção da rodovia Transamazônica, o filme de Jorge Bodanzky e Orlando Senna aponta para os problemas que a estrada traria para a região: desmatamento, queimadas, trabalho escravizado, prostituição infantil. Em uma obra que mistura documentário e ficção, uma pequena equipe de cinema vai à Amazônia rodar um filme com imensa liberdade formal. Um fio de enredo: um caminhoneiro, Tião Brasil Grande, interpretado por Paulo Cesar Pereio, encontra Iracema, e juntos percorrem parte da região amazônica, então zona de segurança nacional sob rígido controle militar, contracenando com moradores e interagindo com outros intérpretes.

“A primeira semente de Iracema germinou num posto de gasolina à margem da rodovia Belém-Brasília, em 1968”, relembra Bodanzky na biografia Jorge Bodanzky – O homem com a câmera, escrita por Carlos Alberto Mattos. “Enquanto esperava que o repórter da revista Realidade apurasse alguma coisa, fiquei dois dias observando a movimentação de caminhoneiros e prostitutas em torno do posto. A estrada ainda era de terra e as ‘Iracemas’ e ‘Tiões’ estavam todos ali.”

“Tínhamos um roteiro-guia, que não era mostrado aos atores. Explicávamos a situação, dizíamos o que não poderia deixar de ser falado, e os deixávamos à vontade diante da câmera. Edna, por exemplo, tinha uma ideia básica da situação de Iracema na cena, mas não sabia exatamente o que Pereio ia dizer ou perguntar. Tinha que reagir à sua maneira. E ela, muito brincalhona e irônica, geralmente se saía bem das provocações. O momento em que Pereio a expulsa do caminhão é exemplar dessas virtudes da improvisação. [...] Ao lidar com não atores, é complicado cortar para fazer contracampos, closes etc., pois isso retira toda a naturalidade. Faço, então, com que a câmera costure a ação, de certa forma me antecedendo à montagem. O hábito fez dessa a minha maneira de dirigir. Eu quero contar a história com a câmera, vou empurrando minhas personagens com a minha câmera. É como se estivesse roteirizando, decupando, filmando e montando ao mesmo tempo.”

Realizado em 1974 para a ZDF, emissora de TV alemã, Iracema, uma transa amazônica retrata uma viagem da inocência à desintegração, da comunidade indígena mais isolada à periferia das grandes cidades. O filme, que ficou proibido pela censura no Brasil durante seis anos, teve uma boa repercussão de público e crítica internacionalmente desde sua estreia, em fevereiro de 1975, na ZDF. Foi premiado em festivais estrangeiros e convidado para a Semana da Crítica, do Festival de Cannes em 2016. Quando liberado no país, em 1980, foi premiado nas categorias Melhor Filme, Montagem, Atriz e Atriz Coadjuvante no Festival de Brasília.

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Moacyr

Luz, o embaixador

dessa cidade

Tarsilla Alves | Brasil | 2024, 95’, DCP (Bretz Filmes)

Ao lado de parceiros como Aldir Blanc, Moacyr Luz inventou um Rio de Janeiro em sambas e canções. Em sua vida cotidiana, ele criou lugares onde esse Rio inventado se materializa, como o famoso Samba do Trabalhador das segundas-feiras. O documentário acompanha as andanças do artista durante uma semana, desde uma roda de samba no domingo em São Paulo até um sábado de bloco carnavalesco no centro do Rio.

Com participações de amigos e colaboradores ilustres, como Zeca Pagodinho, Maria Bethânia, Fafá de Belém, Teresa Cristina e Jards Macalé, o documentário traz ainda um registro inédito da emoção de sua primeira vitória de samba-enredo na Mangueira e desvenda o processo criativo por trás da canção “Coração do agreste”.

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Neirud

Fernanda Faya | Brasil | 2023, 72’, DCP (Descoloniza)

Neirud morreu sem deixar vestígios de seu passado. Confrontando segredos de família, a cineasta reconstrói a vida de sua enigmática tia, que foi lutadora circense em uma trupe feminina clandestina nos anos 1960, e descobre uma história de amor que transformará o papel de Neirud em sua própria família.

Na coletiva de imprensa da edição de 2023 do Festival Olhar de Cinema, onde Neirud foi premiado como Melhor Longa-Metragem e Melhor Edição, a diretora conta: “Para falar das ausências, de como a gente achou essa estética da escassez e incorporou isso na linguagem do filme, acho importante dizer que, inicialmente, a sensação que a gente tinha era o oposto, era de abundância. Porque meu pai durante muitos anos colecionou muito material da história de circo da família

dele. Então ele tinha muitas caixas de material de arquivo com pôsteres do circo, flyers, fotografias de família. Ele tinha muito registro de tudo. [...] Por isso o filme começou como uma tentativa de dar conta de todos esses registros e contar toda a trajetória do circo, que foi passando de geração em geração através da minha família.”

“Conforme a história se aproximava da Neirud e da Nely, a gente foi percebendo que era o oposto. Era a falta de registro. A gente tentava se aproximar da história da Neirud e não encontrava nenhum material. Não encontrava foto. Tem também essa outra camada do filme, que sou eu investigando essa história e me aproximando e me distanciando da mulher-gorila. Tentando achar as imagens e não achando as imagens. Daí, quando veio o material de VHS em que a gente vê a Neirud pela primeira vez a caráter, e toda a potência e força dela, o filme se comprova. Foi muito emocionante e foi muito estratégico o momento em que a gente quis colocar isso no filme. Como encaixar ele pra que dê pro espectador essa sensação de satisfação, de ter encontrado junto comigo.”

Em 2024, no Queer Lisboa, em Portugal, o filme recebeu também os prêmios de Melhor Longa Documentário pelos júris oficial e popular.

[Depoimento extraído de: tinyurl.com/neirudff]

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

O deserto de Akin

Bernard Lessa | Brasil | 2024, 78’, DCP (Retrato Filmes)

Akin é um dos médicos cubanos trabalhando no Brasil em 2018. Com as eleições, a cooperação entre o Brasil e Cuba chega ao fim. Os médicos são convocados a retornar ao seu país de origem. Akin está em uma encruzilhada: voltar para Cuba ou se estabelecer no Brasil?

Em entrevista a Hermelinda Rita para o programa O Rio em pauta, da Rádio Roquette-Pinto, o diretor Bernard Lessa conta: “Essa ideia surgiu durante a pandemia. Eu lembro naquele momento que na Lombardia, na Itália, a gente estava daqui acompanhando mortes diárias de mil pessoas, e falando: ‘Caramba, o que é isso?’. E todo mundo que podia estava fugindo desse lugar, todo mundo que podia saindo para outro lugar, menos os médicos cubanos, uma brigada médica cubana. E foi a mesma coisa com o vírus ebola na África também. Então aquilo me deixou um

pouco sensibilizado.”

“Então, naquele momento, havia saído uma lei Aldir Blanc também, e aí eu comecei a escrever um projeto justamente para desenvolver esse roteiro, que passava por uma pesquisa – que era uma pesquisa com cubanos residentes no Espírito Santo, com pessoas que haviam sido atendidas pelos médicos cubanos. Isso era em 2020, então havia dois anos da interrupção do programa, mas a memória afetiva e real da presença deles era muito forte ainda. Então essa ideia surgiu desse momento de perceber que, onde estava todo mundo fugindo, eram os médicos cubanos que estavam indo.”

[A entrevista completa está disponível no Spotify: tinyurl.com/akinbl]

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

O último azul

Gabriel Mascaro | Brasil, Chile, Holanda | 2025, 86’, DCP (Vitrine Filmes)

Em entrevista a Nataliia Serebriakova para o portal Dirty Movies, o diretor conta: “Minha bisavó começou a pintar aos 80 anos – do nada. Isso realmente me ensinou como alguém pode redescobrir a vida nessa idade. Aconteceu depois que meu avô faleceu, e esse momento sutil me afetou profundamente. Fez com que eu quisesse explorar o corpo idoso no cinema – como o filme pode abordar essa perspectiva?”

Para maximizar a produtividade econômica, o governo ordena que os idosos se mudem para colônias habitacionais distantes. Tereza, 77, se recusa – em vez disso, embarca em uma jornada pela Amazônia que mudará seu destino para sempre.

Com um elenco que inclui Denise Weinberg e Rodrigo Santoro, o mais recente filme de Gabriel Mascaro foi vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim 2025, na Alemanha, onde também recebeu os prêmios do Júri Ecumênico e do Júri de Leitores do Berliner Morgenpost. No Festival Internacional de Cine en Guadalajara, no México, também recebeu os prêmios de Melhor Filme Iberoamericano de Ficção e o Prêmio Maguey de Melhor Interpretação para Denise Weinberg.

“Raramente vemos protagonistas idosos em papéis centrais no cinema narrativo ou na literatura. Quando comecei a pesquisar referências, me deparei com Ozu. A narrativa dele é incrível, mas seus personagens idosos muitas vezes olham para o passado – para um tempo que já passou, um tempo do qual eles não participam mais. Há uma sensação de deslocamento, como se existissem apenas na memória. O trabalho do Haneke também é brilhante, mas, em seus filmes, a presença da morte é iminente – há sempre um prazo, um limite pairando no ar.”

“Percebi uma lacuna na forma como retratamos corpos idosos no presente. Eu não queria fazer um filme sobre o passado, mas sim sobre um corpo que está vivo, experimentando as contradições do presente, redescobrindo a vida. É interessante como os gêneros tradicionais muitas vezes não permitem isso. Por exemplo, em filmes distópicos, pessoas idosas raramente são protagonistas. A rebelião é vista como algo da juventude. Eu quis quebrar essa tradição – trazer os idosos para dentro do gênero e permitir que eles incorporem a experiência de rebelião contra o sistema.”

“Assim, o filme mistura elementos de fantasia, distopia e até de coming-of-age. Mas por que o coming-of-age deve se limitar aos adolescentes? Existem tão poucos ritos de passagem para os idosos. O que criei no filme é que, ao atingir certa idade, o Estado coloca você em um espaço designado.”

[Íntegra da entrevista, em inglês: tinyurl.com/ ultimoazulgm]

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Ouvidor

Matias Borgström | Brasil | 2023, 75’, DCP (Descoloniza)

No centro de São Paulo, 120 artistas latinos vivem e produzem na Ouvidor, a maior ocupação

artística da América Latina. Enquanto resistem a constantes ameaças de despejo, os moradores enfrentam tensões internas devido à entrada da Red Bull como patrocinadora da Bienal de Arte do coletivo.

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Tijolo por tijolo

Victória Álvares e Quentin Delaroche | Brasil | 2025, 103’, DCP (Olhar Filmes)

No Ibura, periferia do Recife, Cris tem a impressão de que tudo está por um fio. Ela e o marido perderam os empregos no início da pandemia de covid e também a casa em que moravam com três crianças, por risco de desabamento. Grávida do quarto filho e em busca de uma laqueadura, ela trabalha como microinfluenciadora digital, enquanto tenta reconstruir a casa e reestruturar a vida.

Em nota disponível no material de imprensa do filme, os diretores comentam que, apesar de terem filmado momentos bastante difíceis na vida desta família, “Tijolo por tijolo é um filme solar. Porque sempre foi importante para nós, na edição, ser fiel à forma como Cris e sua família lidam com a realidade – de maneira pragmática e realista, mas sempre com muito afeto e esperança. Com este filme, pretendemos criar novos imaginários

possíveis de um Brasil real, ainda raramente retratado nas grandes telas. Alicerçados em uma relação de intimidade e confiança, desejamos construir uma obra que retrata a maternidade sem idealizações – uma mulher que não é vítima nem heroína, e que nunca deixa de sonhar. O tipo de mulher que é invisível em nossa sociedade, mas sem a qual o mundo não seria o mesmo.”

[Íntegra do depoimento: tinyurl.com/tijolovaqd]

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Yõg ãtak: Meu pai, Kaiowá

Sueli Maxakali, Isael Maxakali, Roberto Romero e Luisa Lanna | Brasil | 2024, 93’, DCP (Embaúba Filmes)

Direção. No debate do filme no festival, Sueli declarou “A gente assistiu a um filme sobre um deputado que fala ‘Ainda estou aqui’. A gente também fala que nós também estamos aqui. O povo Maxakali, o povo Kaiowá estão aqui. Este filme me marcou.”

A diretora Sueli Maxakali escreveu sobre o filme em texto disponível n.o Blog do Cinema do IMS: tinyurl.com/cartasueli.

[Íntegra do debate: tinyurl.com/yogatakims]

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

A busca de Sueli Maxakali e Maísa Maxakali pelo pai, Luis Kaiowá, de quem foram separadas durante a ditadura militar no Brasil. O filme acompanha a jornada da cineasta para reencontrar o pai, bem como as lutas enfrentadas pelos povos indígenas Tikmũ’ũn e Kaiowá em defesa de seus territórios e modos de vida.

Sueli Maxakali, Isael Maxakali e seus colaboradores frequentes vem construindo uma filmografia que se destaca no cenário brasileiro pela qualidade, solidez e inventividade. Yõg ãtak: Meu pai, Kaiowá teve sua estreia no Festival de Brasília em 2024, onde foi laureado com o prêmio de Melhor

Thiago & Ísis e os biomas do Brasil

João Amorim | Brasil | 2024, 90’, DCP (Descoloniza)

Os irmãos Thiago e Ísis, junto com seu pai, o cineasta João, exploram três biomas brasileiros: Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica. Em cada cenário, eles ajudam um animal em perigo e descobrem a sua importância e os seus mistérios. Com músicas e animações divertidas, o filme apresenta às crianças o tema da preservação ambiental de forma lúdica.

O filme é inspirado nas duas temporadas da série exibida diariamente no Canal Futura, TV Brasil, Canal Educação e disponível na Globoplay.

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros

Îmi este indiferent daca în istorie vom intra ca barbari

Radu Jude | Romênia, República Tcheca, França, Bulgária, Alemanha | 2018, 140’, DCP (Beta Cinema)

“Não me importa que entremos para a história como bárbaros.” Essas palavras, pronunciadas no Conselho de Ministros no verão de 1941, deram início à limpeza étnica na Frente Oriental. Radu Jude – um dos criadores mais expressivos da Europa contemporânea – volta a expor os erros de gerações passadas que ainda assolam a sociedade de forma insidiosa. Desta vez, ele aborda um massacre perpetrado pela Administração Romena – um evento real que uma jovem artista ativista decide reencenar.

Em entrevista ao portal East European Film Bullet, por ocasião do lançamento do longa, o diretor declarou: “Minha intenção era inserir muitas coisas diferentes no filme. Para além do tema principal – a participação dos romenos no Holocausto em 1941 e suas consequências –, trata-se também de uma reflexão sobre o que significa fazer um filme, ou, mais especificamente, fazer a chamada arte política. O escritor W.G. Sebald influenciou meu filme não apenas na estrutura, mas também em outros aspectos. Lembro que Sebald descreveu sua profissão como o duvidoso ofício da escrita. E acho que entendo o que ele quis dizer. De certo modo, fazer um filme é sempre algo muito questionável. Fazer um filme sobre a história é ainda mais questionável. Fazer um filme sobre o Holocausto é dez vezes mais questionável. Quis levantar essa questão porque vejo que a maioria das pessoas envolvidas com teatro político, cinema político, arte social de algum tipo etc., está 100% convencida de que o que faz é útil, importante, que transforma a vida, a sociedade, e assim por diante. Tenho algumas dúvidas quanto a isso – e foi isso que quis destacar com este filme.” O filme de Jude recebeu o prêmio de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary em 2018.

[Íntegra da entrevista, em inglês: tinyurl.com/ barbarosrj]

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Além de ser uma das primeiras mulheres a dirigir filmes em Hollywood, Ida Lupino também foi pioneira ao abordar temas nada convencionais à época, como gravidez fora do casamento, bigamia e os efeitos psicológicos de um estupro. Nos anos em que atuou como diretora, no entanto, não teve seu talento reconhecido, e cada novo trabalho era um desafio para ser concluído.

Apesar de ser a única mulher citada no livro

The American Cinema: Directors and Directions 1929-1968, seu autor, o crítico cinematográfico Andrew Sarris, ao falar da obra de Lupino, cita a atriz Lillian Gish, que, em sua única tentativa de direção, disse: “Dirigir não é trabalho para uma dama”.

Ida Lupino (1918-1995) foi uma atriz, diretora, escritora e produtora britânica que desafiou os padrões de sua época. Ao longo de sua carreira de 48 anos, participou de 59 filmes e dirigiu oito, trabalhando principalmente nos Estados Unidos. Mais conhecida pelo seu trabalho como atriz durante a Era de Ouro de Hollywood, sua obra enquanto diretora ainda é pouco conhecida no Brasil.

Esta retrospectiva se encerra com a exibição de três obras dirigidas por Lupino para a televisão. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Ida Lupino na TV: Além da imaginação; O paladino do Oeste; A feiticeira

A popularização da televisão impactou radicalmente a indústria cinematográfica. A empresa independente de Ida Lupino, The Filmmakers, também foi afetada por essas mudanças. Lupino dirigiu, escreveu e atuou em vários filmes para a televisão, além de mais de 100 episódios em produções televisivas, com temas que iam de westerns, comédias, mistérios, gângsteres a contos sobrenaturais. Este programa reúne episódios de três diferentes séries dirigidos por Lupino em sua versatilidade estética e temática.

O faroeste O paladino do Oeste (Have Gun –Will Travell) foi uma das primeiras séries em que Lupino atuou como diretora. Em Além da imaginação (The Twilight Zone), Lupino foi a única mulher a atuar como diretora em um episódio, que hoje é um de seus trabalhos mais conhecidos. Por fim, um episódio da famosa série de comédia A feiticeira (Bewitched). Todos os três episódios podem ser assistidos independentemente do restante das séries, sem comprometimentos narrativos.

O paladino do Oeste: Dama armada

Have Gun – Will Travel: Lady with a Gun Ida Lupino | EUA | 1960, 26’, Arquivo digital

Paladino, protagonista da série, viaja pelo Velho Oeste trabalhando como pistoleiro de aluguel. Neste episódio, ele parte no encalço de outra pistoleira, que busca vingar o assassinato de seu irmão durante a Guerra Civil.

Este é o episódio de número 30 da terceira temporada, que foi ao ar em 9 de abril de 1960, e pode ser assistido independentemente do restante da série.

Além da imaginação: As máscaras

The Twilight Zone: The Masks Ida Lupino | EUA | 1964, 25’, Arquivo digital

O magnata Jason Foster está morrendo e convida seus herdeiros gananciosos para uma festa de Mardi Gras, o carnaval de Nova Orleans. Os convidados devem usar máscaras encomendadas especialmente para eles – caso contrário, serão excluídos da herança.

Este é o episódio 145 da série antológica norte-americana The Twilight Zone (ou episódio 25 da quarta temporada), e foi ao ar originalmente em 20 de março de 1964, na CBS. Como todos os demais, ele apresenta uma história que pode ser assistida independentemente. Um dos mais memoráveis filmes do conjunto, As máscaras é o único episódio da série original dirigido por uma mulher.

A feiticeira: A magia das coisas simples

Bewitched: A Is for Aardvark Ida Lupino | EUA | 1965, 24’, Arquivo digital

Clássica série de comédia americana, A feiticeira aborda a vida de uma bruxa, Samantha, que decide se casar com um homem mortal comum, Darrin, e jura levar a vida de uma típica dona de casa suburbana. Extremamente popular, foi o segundo programa de maior audiência nos Estados Unidos durante sua temporada de estreia, da qual vem este episódio. Nele, Darrin fica de cama por conta de uma torção no tornozelo, e Samantha sugere que seu amado use seus poderes, dando-lhe um gostinho de como é ser feiticeiro.

Este é o episódio 17 da primeira temporada e foi ao ar em 14 de janeiro de 1965. Ele pode ser assistido independentemente do restante da série.

Exposição

Paiter Suruí, Gente de Verdade: um projeto do coletivo Lakapoy

Mulheres indígenas em cena: o audiovisual que floresce e resiste

Exibição e conversa com Lahayda Mamani Poma, Txai Suruí, Natália Tupi e Cholitas da Babilônia

Parte da exposição Paiter Suruí, Gente de Verdade: um projeto do coletivo Lakapoy, a mesa propõe um encontro de perspectivas e experiências de mulheres indígenas que atuam no campo audiovisual, seja na direção, produção, atuação ou curadoria. O debate busca refletir sobre como suas narrativas, seus saberes e suas estéticas vêm expandindo as linguagens do cinema e da produção audiovisual, afirmando territórios de resistência e florescimento cultural. Serão abordados os desafios enfrentados por essas realizadoras para ocupar espaços historicamente excludentes, as estratégias de fortalecimento de suas redes de criação e circulação, além das potências políticas e poéticas que emergem de suas obras. Um convite para escutar, dialogar e reconhecer o papel central das mulheres indígenas na construção de um audiovisual plural, vivo e comprometido com a memória, o presente e o futuro. A mesa conta com a exibição do documentário Sawana, rainha das formigas, de Suyani Terena.

Entrada gratuita. Distribuição de senhas 60 minutos antes da exibição. Limite de uma senha por pessoa. Sujeito à lotação da sala.

Sessão Mutual Films

Memórias inventadas:

Filmes de Josef von Sternberg e Keiichi Tanaami

Sawana, rainha das formigas

Suyani Terena | Brasil | 2023, 30', Arquivo digital (Acervo da artista)

O documentário retrata o ritual de passagem das meninas do povo Nambikwara para a vida adulta, na Terra Indígena Tirecatinga, no município de Sapezal (MT).

A Sessão Mutual Films de agosto de 2025 traz o olhar complexo do influente cineasta austro-americano Josef von Sternberg (1894-1969) – conhecido por suas produções hollywoodianas altamente estilizadas ao lado de alguns filmes independentes – em diálogo com o cinema experimental e de animação do renomado artista e designer gráfico japonês Keiichi Tanaami (1936-2024), tendo como principal ponto de convergência o trauma da Segunda Guerra Mundial. Em Anatahan (1953), seu último e predileto filme (produzido e filmado no Japão), Sternberg recria, a partir das memórias de um dos sobreviventes, a história de um grupo de soldados japoneses que naufragou nas ilhas Marianas, e lá viveu por seis anos após o término da guerra, sem reconhecer a derrota de seu país. A tensão entre os homens exaustos pelo isolamento é alimentada pela presença de uma única mulher, também presa na ilha. Em contraste, as memórias de infância de um Japão em chamas entranhadas à psicodelia dos anos 1960 deram início à extensa obra de animação de Tanaami, da qual serão mostrados dez curtas-metragens realizados entre 1971 e 2016. Animais em chamas, pedaços de corpos nus que se movimentam e se transformam, imagens estroboscópicas e hipercoloridas caracterizam as animações do artista. A sessão também conta com um fragmento de quatro minutos do último

filme silencioso de Sternberg (agora perdido), O romance de Lena (1929), que retrata a Viena pré-guerra de sua infância e conta o drama de uma mulher que perde seu filho duas vezes, primeiro pelas mãos de um Estado moralista que não reconhece seu direito à maternidade e depois pelas mãos funestas da Primeira Guerra Mundial. O programa dos curtas-metragens de Tanaami terá uma apresentação em vídeo de Julian Ross, um pesquisador nipo-britânico com foco no cinema experimental japonês.

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Crayon Angel

[Anjo de giz de cera]

Keiichi Tanaami | Japão | 1975, 3’, DCP (NANZUKA)

Anatahan

Josef von Sternberg | Japão | 1953/1958, 92’, DCP (Kino Lober), restauração 2K

Em 1951, um grupo de soldados pertencente à Marinha Real Japonesa foi resgatado da ilha de Anatahan, no arquipélago das Marianas. Eles estavam entre os últimos militares japoneses a se entregarem após a rendição do Japão aos Estados Unidos, seis anos após o término da Segunda Guerra Mundial e a queda do Japão como um império. O resgate ocorreu com a ajuda de Kazuko Higa, a única mulher a conviver na ilha com os soldados, que voltaram para seu país como heróis. Porém, logo em seguida, a mídia sensacionalista começou a reportar histórias sobre o envolvimento amoroso de Higa com vários dos soldados, que resultou em rivalidades e morte de alguns deles. O cineasta austro-americano Josef von Sternberg –conhecido mundialmente por suas colaborações com a atriz Marlene Dietrich na década de 1930, porém efetivamente afastado de Hollywood na década de 1950 – leu sobre o ocorrido no New York Times e, tendo há muitos anos interesse em realizar um filme no Japão, de imediato entrou em contato com o produtor de cinema Nagamasa Kawakita com a proposta de filmar a história. Eles tomaram como fonte principal Anatahan (1952), de Michiro Maruyama, o livro de memórias de um dos sobreviventes.

“Não era a falta de comida, água ou medicamentos... Não era a selva venenosa que nos rodeava... Como adivinhar que tínhamos trazido nosso inimigo conosco, em nosso próprio corpo, e

que nos atacaria sem que percebêssemos.” O narrador do filme Anatahan (nunca nomeado) assim declara logo que os homens chegam à ilha. A história do filme é a do conflito em torno de Higa, ou Keiko, dando a Anatahan um tom de thriller psicológico com repercussões filosóficas sobre a natureza humana em condições selvagens.

Sternberg teve controle integral da produção, que envolveu, entre outros, a criação da densa floresta da ilha (feita em um estúdio em Quioto) e a seleção de atores – todos desconhecidos ou estreantes, como a atriz Kōzō Okazaki (futura colaboradora de Akira Kurosawa), alguns do teatro kabuki e até um homem que o cineasta conheceu em um restaurante e que faria o papel do sargento líder do grupo. A narração é enunciada em inglês pelo próprio Sternberg, enquanto os atores encenam o drama em japonês sem legendas.

Anatahan estreou no Festival Internacional de Cinema de Veneza, e, anos depois, o cineasta declarou que foi o melhor entre seus filmes. Porém, a sua recepção inicial foi muito insípida, tanto nos Estados Unidos quanto no Japão. Em 1958, Sternberg reeditou Anatahan para incluir algumas cenas de nudez da personagem Keiko (algo impossível em 1953), mas essa nova versão foi lançada apenas em 1976, após a morte do diretor. A partir daí, o filme começou a ganhar a reputação merecida, como uma das principais obras de Sternberg. Ele foi restaurado em 2K em 2017 pela distribuidora norte-americana Kino Lorber a partir dos negativos originais da versão de 1958 (localizados na Biblioteca de Congresso, dos Estados Unidos), mais uma cópia em 35 mm da versão de 1953 localizada na Cinemateca Francesa.

O programa da versão restaurada de Anatahan no IMS Paulista também conta com o curta de animação de Keiichi Tanaami Crayon Angel, a primeira incursão do cineasta experimental japonês nas suas memórias de infância da Segunda Guerra Mundial. O título se refere às imagens de anjos feitas com giz de cera por crianças, que Tanaami lembrou de ter visto no jornal durante os anos de guerra. No filme, imagens de arquivo de bombardeios aéreos e de fotos de família são intercaladas por animações, como a cabeça de uma mulher à beira da morte, um galo com a crista em chamas e comediantes do pré-guerra. A sonoridade minimalista cria uma tensão particular ao misturar o som da sirene que anuncia o bombardeio, uma música do Led Zeppelin e a batida do coração.

Programa 2:

Curtas de Keiichi Tanaami

O romance de Lena (fragmento)

The Case of Lena Smith (fragment)

Josef von Sternberg | EUA | 1929, 5’, DCP (Museu de Cinema da Áustria), cópia restaurada

SHE [ELA]

Keiichi Tanaami | Japão | 1971, 9’, DCP (NANZUKA)

Sweet Friday

[Doce sexta-feira]

Keiichi Tanaami | Japão | 1975, 3’, DCP (NANZUKA)

Good-By Elvis and USA

[Adeus Elvis e EUA]

Keiichi Tanaami | Japão | 1971, 7’, DCP (NANZUKA)

Artificial Paradise

[Paraíso artificial]

Keiichi Tanaami | Japão | 1975, 14’, DCP (NANZUKA)

Breathing of the Wind

(animation correspondence)

[Respiração do vento (correspondência por animação)]

Keiichi Tanaami + Nobuhiro Aihara | Japão | 2001, 3’, DCP (NANZUKA)

Memories Hidden in Darkness –

Dreams of Various Shades

[Memórias escondidas na escuridão –

Sonhos de vários tons]

Keiichi Tanaami | Japão | 2000, 4’, DCP (NANZUKA)

A Gaze in Summer – 1942

[Um olhar no verão – 1942]

Keiichi Tanaami | Japão | 2002, 4’, DCP (NANZUKA)

Shunga

Keiichi Tanaami | Japão | 2009, 5’, DCP (NANZUKA)

The Laughing Spider

[A aranha que ri]

Keiichi Tanaami | Japão | 2016, 8’, DCP (NANZUKA)

O programa de nove curtas-metragens de Keiichi Tanaami compreende animações e filmes experimentais realizados ao longo dos mais de 50 anos de atividade do artista japonês recém-falecido. O programa será precedido por uma apresentação em vídeo feita pelo pesquisador nipo-britânico Julian Ross, que trabalhou com o cinema de Tanaami em diversas ocasiões.

Tanaami tomou o cinema norte-americano como uma forte referência, tanto as manifestações hollywoodianas e pop quanto o Novo Cinema Americano, com suas obras de vanguarda e cinema expandido. Essa primeira inspiração pode ser vista nos curtas de animação humorísticos que fez nos anos 1970 para o programa de televisão adulto japonês 11 PM. O filme Good-By Elvis and USA cria uma imagem anti-heroica de Elvis Presley, misturando desenhos e recortes de revistas com trechos da música “Love Me Tender”, que são alterados com redução de velocidade e tocados de trás para a frente. Já em Sweet Friday, Tanaami retrata de forma bem-humorada sua rotina em seu dia da semana favorito, misturando o cotidiano com toques de fantasia.

A influência do cinema experimental norte-americano pode ser vista nas experiências estruturalistas de Tanaami com cor, luz, superimposições e repetições de imagens. Em SHE, uma mulher (Misao Matsuhashi) nua corre em uma praia deserta, ora com a câmera nas mãos, ora diante da câmera, enquanto a imagem se trans-

forma com uma variedade psicodélica de cores. Em Artificial Paradise, Tanaami trabalha com fotos de paisagens (a partir de um único cartão-postal) que são sobrepostas, rotacionadas, aproximadas e distanciadas, separadas por camadas de cores. Após a década de 1970, Tanaami passou quase 20 anos sem realizar um filme. O intervalo foi encerrado graças à sua parceria com o animador Nobuhiro Aihara (1944-2011), um amigo e colega de trabalho na faculdade de cinema da Universidade de Artes de Quioto. O método de colaboração deles começou com uma correspondência por desenhos. Aihara fazia um desenho e deixava na mesa de Tanaami, que respondia com outro desenho, e eles continuavam até a dinâmica atingir um nível satisfatório para os desenhos serem animados. Dessa parceria, serão apresentadas as correspondências mais literais Breathing of the Wind (animation correspondence) e Memories Hidden in Darkness – Dreams of Various Shades. O filme A Gaze in Summer – 1942 retrata as lembranças de guerra da infância de Tanaami, de forma ao mesmo tempo lírica e sinistra. A aquarelística Shunga, com diversas cenas de casais no coito, foi inspirada em um estilo de arte erótica japonesa que se tornou popular no Período Edo (1603-1867), uma época apreciada por Tanaami.

The Laughing Spider, cujas imagens são também inspiradas na iconografia Edo (além das aranhas do pintor francês Odilon Redon), é uma das últimas animações realizadas por Tanaami. O vídeo (parte de uma série derradeira de trabalhos digitais) segue a estética da sua última década de trabalho, na qual Tanaami recriou imagens e motivos anteriores para a produção de instalações, gravuras, parcerias com marcas de roupa, como Comme des Garçons,

pranchas de surf e a boneca Barbie. No caso de

The Laughing Spider, o artista explora a vulgarização da sociedade japonesa do pós-guerra, levando suas memórias de infância ao extremo da violência que muitas crianças japonesas sofreram.

O programa ainda conta com o único fragmento sobrevivente do último filme silencioso dirigido por Josef von Sternberg, O romance de Lena, que foi inspirado nas memórias de infância do cineasta austro-americano, quando viveu em Viena entre 1894 e 1908 e encontrou o que ele chamou em sua autobiografia de “um paraíso infantil... que nunca mais existiu”. O filme, que se passa um pouco antes da Primeira Guerra Mundial, conta a história de uma camponesa que se envolve com um soldado do Exército Imperial-Real Austríaco e tem um filho ilegítimo dele. Lena Smith (interpretada por Esther Ralston) luta para ficar com seu filho, mas, após conseguir resgatá-lo das mãos do Estado, perde-o pela segunda vez, quando ele é escalado para lutar na guerra. O fragmento em 35 mm de O romance de Lena foi encontrado pelo pesquisador japonês Hiroshi Komatsu em 2003, durante uma viagem à China, e digitalizado pelo Museu de Cinema da Áustria, em parceria com a Universidade de Waseda.

Cinema

Coordenador | Curador

Kleber Mendonça Filho

Supervisora de curadoria e programação

Marcia Vaz

Programador adjunto

Thiago Gallego

Produtora de programação

Quesia do Carmo

Assistente de programação

Lucas Gonçalves de Souza

Projeção

Ana Clara da Costa,

Adriano Brito e Pedro Rehem

Serviço de legendagem eletrônica

Pilha Tradução

Revista de Cinema IMS

Produção de textos e edição

Thiago Gallego e Marcia Vaz

Diagramação

Marcela Souza e Taiane Brito

Revisão

Flávio Cintra do Amaral

Os filmes de agosto

A programação do mês tem apoio do Museu de Cinema da Áustria, da galeria NANZUKA, das distribuidoras Beta Cinema, Bretz Filmes, BV Licenciamento Audiovisual, Descoloniza, Egeda Brasil, Embaúba Filmes, Gullane+, Kino Lorber, O2 Play, Olhar Filmes, Retrato Filmes e Vitrine Filmes.

Agradecemos a Aaron Cutler, Alexander Horwath, Anna Laura Melo, Antonio Gonçalves Junior, Argel Medeiros, Cholitas da Babilônia, Cosima Pourroy, Elaine Vegnaduzzi, George Schmalz, Go Hirasawa, Ibirá Machado, Japan House

São Paulo, Julian Ross, Karen Lima, Kevin Lutz, Lahayda Mamani Poma, Luiz Ernesto Bretz, Mariana Shellard, Miyuki Teruya, Natália Meira, Natália Tupi, Samuel Ferreira, Suyani Terena, Tamara Ganhito, Txai Suruí e Yuki Itaya.

Venda de ingressos

Ingressos à venda pelo site ingresso.com e na bilheteria do centro cultural, a partir das 12h, para sessões do mesmo dia. No ingresso.com, a venda é mensal, e os ingressos são liberados no primeiro dia do mês. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.

Capacidade da sala: 145 lugares.

Meia-entrada

Sessão Mutual Films

Realização: Cinema do IMS

Curadoria e produção: Aaron Cutler e Mariana Shellard

Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem, maiores de 60 anos e titulares do cartão Itaú (crédito ou débito).

Devolução de ingressos

Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site. Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas no site ims.com.br e no Instagram @imoreirasalles. Não é permitido o acesso com mochilas ou bolsas grandes, guarda-chuvas, bebidas ou alimentos. Use nosso guarda-volumes gratuito. Confira as classificações indicativas no site do IMS.

Instituto Moreira Salles
Tijolo por tijolo, de Victória Álvares e Quentin Delaroche

Bewitched: A is for Aardvark), de Ida Lupino

Terça a quinta, domingos e feriados sessões de cinema até as 20h; sextas e sábados, até as 22h.

Visitação, Biblioteca, Balaio IMS Café e Livraria da Travessa

Terça a domingo, inclusive feriados das 10h às 20h. Fechado às segundas. Última admissão: 30 minutos antes do encerramento.

A entrada no IMS Paulista é gratuita.

Avenida Paulista 2424 CEP 01310-300

Bela Vista – São Paulo tel: (11) 2842-9120

imspaulista@ims.com.br ims.com.br /institutomoreirasalles @imoreirasalles @imoreirasalles /imoreirasalles /institutomoreirasalles

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