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abel gance : eu acuso ( j ’accuse 1918)

EU ACUSO INSTITUTO MOREIRA SALLES • CINEMA • JUNHO DE 2013

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CINEMA PARA VER EM CASA : CLAUDE LANZMANN | O CINEMA IMPOSSÍVEL

“Em fevereiro, no Festival de Berlim, Claude Lanzmann recebeu um prêmio especial pelo conjunto da obra. Agora, em maio, no Festival de Cannes, lançou um novo filme feito a partir de uma entrevista filmada em Roma em 1975 durante a realização de Shoah, mas não incluída no filme. O último dos injustos (Le Dernier des injustes), longo depoimento de Benjamin Murmelstein, último presidente do Conselho Judeu do gueto de Theresienstadt, discute “uma questão ao mesmo tempo lateral e central na gênese e no desenvolvimento da solução final”. Prossegue e acrescenta um novo dado à documentação contida em Shoah. Foi preciso “lidar com a impossibilidade, até mesmo dos próprios sobreviventes, de contar essa história; a impossibilidade de falar, dificuldade que pode ser vista ao longo do filme”. Realizar Shoah, para o diretor, foi “trazer à luz, a impossibilidade de nomear”. Quando tomou a decisão de enrentar esse projeto, diz Lanzmann, “um amigo querido que agora está morto, Gershom Scholem, de Jerusalém – um grande cabalista –, disse: ‘É impossível fazer esse filme’. Ele acreditava mesmo, em certa medida, que o filme não deveria ser feito. E na verdade, sim, era impossível e altamente improvável produzi-lo e obter êxito em sua realização”. Para vencer essa impossibilidade, “Lanzmann concebeu um filme que se estende muito além do retrato de uma testemunha ocular”, observa a professora e crítica Gertrude Koch em A transformação estética da imagem do inimaginável. “Ele diz que as pessoas em seu filme representam papéis; representam o que haviam passado em suas vidas, le vecu. Mas isso implica algo além de ‘se lembrar’. Lembrar pode significar, ‘Ah, sim, eu me lembro, era um dia quente, eu estava em tal e tal situação’ etc. Tal declaração da memória não necessariamente contém alguma coisa ou revela algo sobre como foi a minha experiência de tal situação. Por esse motivo, Lanzmann precisou insistir que as pessoas em seu filme não narrassem memórias, mas re-experimentassem situações”.

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Para demonstrar o que isso significou, Getrude toma como exemplo o depoimento de Jan Karski. “Em uma longa sequência do filme, o polonês Jan Karski, diz que nunca havia falado sobre sua experiência no gueto de Varsóvia. Como lembrança, isso é questionável – historiadores sabem que Karski falara de sua visita ao gueto, e que ele chegara a publicar um relato a respeito. Mas o que está expresso nessa formulação é o sentimento de que


existe uma dificuldade em falar sobre o que ele passou – o choque que sentiu no gueto, que o deixou sem fala diante do que se podia ver então por lá”. Em fevereiro último, o Festival de Berlin promoveu uma projeção especial de Shoah e entregou a Lanzman um prêmio especial pelo conjunto de sua obra. Há poucos dias, no final de maio, o diretor lançou no Festival de Cannes seu mais recente documentário, Le dernier des injustes (O último dos injustos). O ensaio de Gertrude Koch, A transformação estética da imagem do inimaginável, encontra-se no livreto que acompanha a caixa com os quatro dvds de Shoah e mais um quinto com O relatório Karski, filme finalizado em 2010 com materiais filmados no final da década de 1970 durante a realização de Shoah. Sobre o novo filme de Claude Lanzmann, O último dos injustos, ver www.blogdoims.com.br/ims/roma-conversa-aberta

Shoah, de Claude Lanzmann, primeiro título da coleção dvd

do

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CINEMA PARA VER EM CASA : BERNARDO BERTOLUCCI | NECESSARIAMENTE SONHAR

No prólogo de La Luna – aponta T. Jefferson Kline no livreto que acompanha o dvd do filme de Bernardo Bertolucci – “Caterina é vista lambendo mel derramado sobre a pele de seu bebê na varanda ensolarada de uma villa mediterrânea. O marido de Caterina, Giuseppe chega para destruir essa “lua de mel” de mãe e filho, criando o que Bertolucci chamou de um “mielodrama” para todos os envolvidos. Caterina e Giuseppe lançam-se a uma dança caótica, Giuseppe agitando um peixe morto e uma faca de cozinha enquanto seu corpo ginga ao ofuscante sol do mediterrâneo – uma parafernália que não pode deixar de ter um impacto devastador (ainda que simbólico) sobre a criança. Na verdade, o menino fica histérico diante dessa dança, que Bertolucci define como “uma bárbara dança de guerra” e que é uma versão tenuemente disfarçada da cena primária. Bertolucci chamou La Luna de uma “dança de incongruência, dança de incoerência, dança de confusão”, o que sugere fortemente que o primeiro embaraço causado pela dança, no prólogo, é uma metáfora do filme inteiro enquanto incesto e cena primária”.

O primeiro impulso para realizar este filme, o diretor explicou em entrevista feita para o lançamento em Paris, foi uma recordação pessoal reproduzida numa das imagens do prólogo. Numa tarde de verão, ainda um bebê, sentado numa cesta presa ao guidom da bicicleta, ele viu o rosto de sua mãe e a lua no céu por trás dela. Não importa saber se ele conta algo que realmente ocorreu ou se um dia fantasiou esta imagem, se (cinematograficamente) montou um plano (a lembrança do rosto da mãe) com outro (a lua cheia no céu) e outro ainda meio fora de foco que viveu ou viu (uma criança numa cesta com a mãe numa bicicleta). Isto é, a afirmação não é para ser vista em termos de uma fala verdadeira ou mentirosa, mas como uma encenação feita para encaminhar o espectador à verdade do filme. Bertolucci, muito possivelmente, conversou com o repórter assim como conversa com o espectador por intermédio de uma imagem de cinema. Fala por imagens, encena. E ao mesmo tempo explica o mecanismo de sua encenação.

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O que importa não é a imagem em si, mas o princípio de composição, pois o filme como um todo parte de imagens retidas na memória. Algumas, do mundo real em que o realizador se encontra; com maior frequência, do mundo imaginário em que o realizador vive, saem do cinema. De repente, Marilyn na tela – os adolescentes, iluminados por uma luz avermelhada, conversam sobre sexo. De repente, na saída do cinema, o Jean-Paul Bel-


mondo de Acossado ( Joe imita as caretas de Michel Poiccard). De repente, Franco Citti, intérprete de Accattone (primeira experiência de Bertolucci com o cinema como assistente de Pasolini). De repente, imagens de seus filmes anteriores: A estratégia da aranha (a lua cheia, o Rigoletto de Verdi, o vendedor de presunto), Último Tango em Paris (a goma de mascar na grade do balcão da janela), Novecento (a fazenda e a lembrança do pão fresco. Kline lembra uma declaração de Bertolucci – “Se não vejo filmes, não sinto desejo algum de fazer filmes. Antes de fazer um filme, vou ver filmes. Alguém que sonha, enquanto está sonhando, deseja que o sonho continue”. E conclui: “O que emerge nesse filme é uma notável relação com o cinema, individualmente diferente de qualquer outro de seus filmes anteriores e, no entanto, sintetizando de algum modo todos eles”. O ensaio de Jefferson Kline, “...Necessariamente sonhar”: Projeção e proteção onírica em La Luna – está no livreto que acompanha o dvd de La Luna.

Jill Clayburgh: La Luna, de Bernardo Bertolucci, é o segundo título da coleção dvd

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CINEMA PARA VER EM CASA : ROBERT ALTMAN | UM CASAMENTO IMPOSSÍVEL

“Qual é o tema – e a justificativa – do filme”, pergunta-se Jonathan Rosenbaum. “É difícil dizer com precisão, mas ele parece empoleirado em algum lugar entre casamentos em geral (outra abstração) e um casamento em particular, isto é, noiva sulista nouveau-riche casa com noivo da arraigada aristocracia do Meio-Oeste, uma cerimônia católica seguida por uma recepção e uma festa na propriedade rural da família do noivo”.

O diretor “literalmente levou a mesa de mixagem para o set de fil­magem, associando-a aos microfones de lapela e com isso controlando e modulando o timbre das vozes, uma a uma” – observa Hernani Heffner – tornando assim ainda mais sofisticado os seus habituais diálogos, com múltiplas personagens falando ao mesmo tempo e complicando a inteligibilidade das falas isoladas; literalmente levou a mesa de mixagem para o set e liberou a câmera para transitar livremente em meio a algaravia do mundo”.

As duas análises, a de Rosenbaum e a de Heffner, estão no livreto que acompanha o dvd de Cerimônia de casamento. São dois pontos de partida para uma conversa com o dono de uma filmografia construída como uma  intromissão subversiva na tradição narrativa de Hollywood: Robert Altman. Como ele mesmo disse, em 1978, pouco depois da estreia de Cerimônia de casamento, no cinema o melhor é não planejar muito. “Trabalho com o desconhecido e o inseguro, com um impulso que costumo chamar de “quociente de medo”. Maior o medo, maiores as possibilidades de chegar a um bom filme. Crio um evento. Como disse certa vez, convido os amigos para construir um castelo de areia numa praia de ventos fortes e de ondas bem grandes. E documento a construção. Em Cerimônia de casamento, por exemplo, eu disse apenas: uma festa de casamento. Vamos usar duas câmeras e disparar 500 mil pés de filme em torno de 48 personagens numa festa de casamento. Façamos isso e vamos ver o que acontece”.

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Uma espécie de casamento entre a tradição do cinema norte-americano e uma recusa dessa tradição, os filmes de Altman são um quase impossível casamento da ordem com a desordem narrativa; da concentração com a dispersão; da improvisação com o planejamento. Ao lado da noiva, mas incapaz de manter o foco na cerimônia, o noivo mantém um pé no altar e outro na porta da igreja, com vontade de estar ao mesmo tempo nos dois lugares. Estamos em Hollywood e simultaneamente fora de Hollywood: a câmera não vê a cena daquele ângulo central, privilegiado, nem conse-


gue impedir que um gesto secundário salte a primeiro plano e desvie a atenção. No cinema de Altman nem a ação se volta especialmente para a câmera, nem a câmera parece voltada especialmente para a ação central. Perde-se em anotações na aparência irrelevantes, desvia o olhar para um gesto e logo o abandona em busca de outro. Começa a ouvir algo e em seguida estica o ouvido para um qualquer pedaço de conversa. Atropela as falas, corta o sentido dos diálogos – ou sugere um outro possível significado para o discurso por meio de um sem número de palavras cruzadas.   Como este gesto narrativo se impõe como organizador do processo narrativo, talvez seja possível dizer que o cinema de Altman todo o tempo convida a mover o olhar simultaneamente do centro da cena, para o que esta fora do centro e até mesmo para o que não está na cena mas faz parte dela, fora de quadro.

Cerimônia de casamento,

de Robert Altman, terceiro título da coleção dvd

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CINEMA PARA VER EM CASA : VLADIMIR CARVALHO | NECESSARIAMENTE DOCUMENTAR

“O povo humilde tinha medo de falar do massacre durante a construção; muita gente foi presa durante a ditadura, muita gente torturada, e eles ouviam falar nisso e pensavam que isso tinha alguma coisa a ver com o que se passou no tempo do massacre. Demorou muito para poder gravar. Só em 1988, 1989, algumas pessoas começaram a concordar em ser entrevistadas”.

Conterrâneos velhos de guerra, numa certa medida, conta Vladimir Carvalho, começou a ser feito muito antes dele encontrar quem aceitasse ser entrevistado sobre o massacre. Começou com uma investigação em que ele não sabia exatamente o quê investigava. Entre 1970 e 1971, na periferia de Brasília, “conversando com as pessoas e filmando alguma coisa que eu não sabia ainda o que era” ele iuviu as primeiras referências ao massacre (...) algumas pessoas na Invasão do iapi – (uma favela na ponta da Asa Sul e que foi retirada depois) me falaram disso, então eu disse: Bom, este filme só pode ser feito a partir disto”.

Ele filmou então muita coisa. “Ceilândia se implantando... depois, aquelas erosões, verdadeiras ruas que foram abatidas, acabaram. A erosão comeu o leito das ruas na Ceilândia”. E desse modo foi montando “a ótica do vencido, a visão de quem foi desmobilizado na época em que terminou a construção”. Ele se lembra de ter encontrado “ex-pedreiros da construção de volta ao campo para trabalhar. Com a construção de Brasília houve uma mobilização muito grande, a construção funcionou como uma válvula de escape para a tensão e injustiça social do Nordeste. Muita gente saiu do campo para ir trabalhar lá e isso esfriou um pouco as tensões do Nordeste. Coincidentemente quando Brasília é inaugurada e há desmobilização, o que acontece? A volta para o campo, o recomeço das tensões. Alguns ficaram em Brasília, o que criou o problema da periferia: foram rechaçados para a periferia e criaram este anel que se criou em torno da capital”. O documentário sobre a construção da capital concentra todas essas questões.

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“Já tinha a informação do massacre. Um ex-aluno meu conhecia um senhor chamado Luís Perseghini, que tinha vivido em Brasília e sabia do massacre, não tinha participado mas sabia de tudo. Era camponês, foi ser trabalhador na construção civil e voltou a ser camponês na desmobilização. Filmei muito na chácara dele, juntei tudo e veio esse filme. E fiz um filme só sobre o massacre, só sobre Perseghini (chama-se Perseghini), um curta-metragem feito em 16mm”.


Vladimir lembra que na verdade fez três filmes sobre o mesmo tema: “antes de Conterrâneos velhos de guerra, além do Perseghini fiz também um documentário com as imagens filmadas em 1959 pelo designer norte-americano Eugene Feldman. Não são subprodutos, mas três filmes diferentes, cada um deles com uma personalidade própria. Feldman, por exemplo: é incrível, eu me identifiquei muito com a ótica do Feldman. Era uma coisa de faroeste americano, ele tinha se sensibilizado porque viu que aquilo era realmente uma marcha para o oeste. Filmou todo mundo cavando a terra, erguendo aqueles prédios colossais de Brasília e tudo o mais. Achei que faltava alguma coisa ao material, e então entrevistei o Perseghini, um operário, um trabalhador, e o Athos Bulcão, que era da equipe do Oscar Niemeyer, um pintor. Cruzei os dois depoimentos e veio Brasília segundo Feldman. Eu tinha que apreender alguma coisa aí, foi um fanatismo, era necessário documentar toda essa coisa do massacre de Brasília... Conterrâneos velhos de guerra,

de Vladimir Carvalho, quarto título da coleção dvd

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CINEMA PARA VER NA WEB : FELIPE BRAGANÇA | Cultura fragmentada, mapas e sobreposição de visualidades

Quando uma idéia/vontade cinematográfica deixa de se bastar enquanto um único filme e passa a pedir mais e novas faces estéticas? Fora a questão de mercado e consumo em diferente plataformas, quê caminhos conceituais me levaram a aventurar para além do ritual cinematográfico mais tradicional e me arriscar em uma série de web e projeto transmídia? Essas são as perguntas que aqui tento responder – ainda no meio do furacão. Enfim, vamos começar do começo: Sou cineasta de formação e aos 32 anos vivo aquele limbo de quem não é nem um garboso exemplar da geração internet do século 21, nem um límpido representante do século 20.

O meu primeiro curta-metragem, em 2002, montei em moviola 16mm em uma sala da universidade e carreguei as cópias debaixo do braço para festivais e mostras. O terceiro, em 2005, já montei em final cut no quarto de casa e podia mandar para festivais em dvds ou fitas hd. Hoje, um pequeno curta pode ser colocado em hd na web e baixado do outro lado do mundo para exibição imediata. Sobre o processo de conceituação do projeto transmídia Claun

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Se o espanto inicial é o da rapidez de processo de produção e transporte das imagens, o que começa a se mostrar evidente é que também novas formas de narrar e organizar nossas imaginações vão se tornando possíveis dentro dessas dinâmicas e acúmulos narrativos.

Minha história com o projeto Claun, sobre o qual escrevo aqui a convite do ims, começou em 2010, logo após as exibições de A alegria em Cannes: Entre os que elogiavam e os que viam fragilidades no filme, parecia haver uma coisa em comum: a impressão de que o filme muito mais propunha a instalação de um universo do que exatamente narrava uma trajetória dentro dele. Que o mais consistente ali em nosso trabalho era o encontro com o imaginário e atmosfera fantástica daqueles personagens do que a fruição por uma trama ali determinada. Tateando essas impressões, comecei a ir adiante: talvez o que eu estava desenvolvendo com a Marina Meliande passasse justamente por ser mesmo mais uma cartografia visual, mágica e simbólica do Rio de Janeiro do que uma “crônica contemporânea” da cidade. A apresentação de um universo e suas várias possibilidades de encenação sem que necessariamente chegássemos a um arco dramático definitivo, começou a me aparecer como meu gesto mais natural como o realizador de cinema que eu começo a ser, o que nos levou ao formato fragmentado e coletivo visto em Desassossego (2011). Ainda com isso na cabeça, enquanto


lançávamos o filme-coletivo em Rotterdam 2011, comecei então a bisbilhotar os esboços tanto de A fuga da mulher gorila, nosso primeiro longa, quanto de A alegria, investigando se haveria material no entorno dos filmes que pudesse seguir se desdobrando para além da “Trilogia Coração no Fogo” – em um formato episódico, talvez? Apesar do entusiasmo inicial, alguma coisa na incompletude daquelas narrativas parecia me pedir para permanecerem daquele jeito: intocadas, em falta. E desisti daquele atalho. Foi então que em Janeiro de 2011 comecei a esboçar o que viria a ser o projeto transmídia Claun: Era antigo (desde os tempos da faculdade e misturando minhas memórias infantis nas ruas da Baixada) o meu desejo de investigar o universo dos bate-bolas cariocas – construindo em torno deles algum tipo de narrativa épica e mítica a partir da forma como eles misturavam religião, carnaval e cultura pop em suas referências e gestos.

Os três capítulos de Claun foram exibidos no último Festival de Rotterdam em mostra especial de séries de tv e web de realizadores como os japoneses Hirokazu Kore-Eda e Kioshi Kurosawa.

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Ao começar a mover essas peças na minha cabeça em uma tarde em viagem pela Via Dutra a caminho de Queimados-RJ, para visitar a família, me veio a impressão de que ao invés de querer narrar algo cujo ciclo ritualístico fosse o da sala de cinema tradicional (onde sentamos por cerca de 2 horas e saímos com algo pronto e determinado para digerir), eu queria ampliar a construção do sentido do inacabado, do infinito das ruas da cidade e de sua eterna transformação e também a sua circulação pelas telas, casas e espaços da cidade. “Cinema para lan houses”, eu brincava com os amigos. Indo um pouco além do que testamos em A alegria nesse sentido, eu queria partir para uma cosmologia carioca tão cheia de camadas e rituais quanto as turmas e grupos de bate-bolas da “vida real” me convidavam a testemunhar em sua rotina mágica. Quanto mais eu pensava, mais se ampliava esse tabuleiro amplo de imaginação.

Não foi um salto conceitual dos mais difíceis: estava na base mesmo da cultura dos grupos de bate-bolas (cultura em rede dos subúrbios cariocas, baseada no entremear de ruas, linhas de trem, contatos, amizades e circulações por todas as direções) a gênese de um projeto transmídia e multifacetado. Se a Zona Sul carioca me soava como uma linha reta a costurar mar e montanha, a Zona Norte e Zona Oeste cariocas me convidavam para esse exercício multidirecional de visualidades cuja tênue trilha a seguir eram os trilhos do trem.

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Comecei a tentar mapear essa mitologia intrinsecamente carioca em encontros com diversos líderes dos mascarados da “vida real”, e fui buscando mapear as camadas de suas referências mais silenciosas: fábulas européias, mitologia Africana e indígena, animés japoneses e personagens dos quadrinhos norte-americanos. Como as cores, retalhos e referências da cultura dos mascarados, eu fui percebendo que personagens, tramas e conexões narrativas poderiam ir e vir, se desdobrar, se detalhar e se copiar, como em um jogo de samplers, fragmentos e imitações. Um oceano simbólico se abria. Era preciso, a partir dali, um farol – um personagem que nos guiasse: Foi aí que, revendo alguns filmes do realismo fantástico tcheco dos anos 1960 e seriados japoneses dos anos 1980, tive a intuição de uma personagem feminina de traços infantis, na faixa dos 13 anos que, como em um romance de formação clássico, pudesse me ajudar a iluminar os primeiros passos dessa tarefa de investigação. Nascia a personagem “Ayana” que no rosto mesmo iria simbolizar o enigma desse universo: através


de um tapa-olho que esconderia parte de sua face quase infantil (o limbo da pré-adolescência também combinava com a ideia de desdobramento de universo em expansão).

Preciso reafirmar, por fim, que devo todo esse desejo de imaginação e inspiração política aos bate-bolas da vida real e sua cultura: pois, ao contrário de algumas outras manifestações populares mais domesticadas, eles não andam em linhas reta – não aceitam uma única verdade sócio-cultural e política como o caminho a ser seguido. Como disse Hermano Vianna sobre o projeto Claun no jornal O Globo: a opção pelo projeto transmídia é, de certa forma, em si mesmo, um elogio do caos e da porosidade dessa cultura.

Claun, portanto, se fará nos próximos anos como um mapa simbólico e multi-narrativo, antes de tudo. E, como um mapa, poderá ser explorado para todos os lados e em diversas escalas. Porque Claun não é um filme apenas “lançado” na internet – não se trata apenas de experimentar uma forma de difusão de um filme. Claun é, desde sua gênese, um objeto sujo . mistura de cinema e seriado, de Facebook e hq. Um rosto que se sobrepõe a outro em forma de uma fina rede emaranhada. O próximo passo de Claun, além de buscar financiar mais capítulos da série para tv e web, é desenvolver um livro em quadrinhos que venha ao mundo já em 2014, criando outras camadas para este universo e mostrando desventuras de personagens dos quais apenas vemos camadas iniciais nos capítulos-piloto mostrados em conjunto na tela do ims nos dias 7, 8 e 9 de junho. Além disso, um compêndio de documentações sobre as turmas reais e sua mitologia urbana também deverá ser criado em nosso website em futuro breve.

Claun será exibido no cinema do Instituto Moreira Salles sexta 7 às 19h30 em sessão seguida de debate com o diretor

Ainda me sinto começando, a cada etapa, esse gesto e admiração, narrativa e imaginação. Filme de arte x seriado pop? Sofisticação x clichês? Artesanato x computação gráfica? Esses limites vão ser todos investigados (o professor Hernani Heffner tem o costume de comparar o gesto do cineasta ao de um detetive) em Claun – com toda paciência e dedicação que pudermos. E, como me disse um líder de turma em uma madrugada de carnaval em Marechal Hermes: “Isso aqui é um mundo!” Rio de Janeiro, maio de 2013.

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CINEMA PARA VER NO IMS : A PRODUÇÃO PORTUGUESA CONTEMPORÂNEA SÁBADO 1 14h00 : cinema português contemporâneo: A nossa forma de vida de Pedro Felipes Marques (2011. 91’) Na ponta da Europa, o casamento entre o proletário Armando e a dona de casa, Maria Fernanda, sobrevive há 60 anos. O cotidiano de um país em decadência econômica, um retrato da classe trabalhadora Portuguesa. 16h00 : cinema português contemporâneo: O nome e o N.I.M de Inês de Oliveira (2003, 25’) O exército português recrutou mais uma vez milhares de cidadãos para cumprirem o serviço militar obrigatório. Dá a cada um o Número de Identificação Militar (N.I.M.). Na tropa, ninguém se conhece pelo nome próprio. Nós por cá todos bem de Fernando Lopes (1978. 80’) Atores profissionais e os habitantes de uma aldeia num filme que desmonta os mecanismos convencionais da ficção cinematográfica. A história de uma equipe de filmagem que documenta o dia a dia de uma aldeia. 18h30 : A caverna dos sonhos esquecidos (Cave of Forgotten Dreams) de Werner Herzog (Alemanha, Canadá, França, EUA, Inglaterra. 2010. 90’) Exibição em 3D Dezesseis anos depois da descoberta de uma caverna com pinturas rupestres realizadas há mais de 20.000 anos, o cineasta Werner Herzog conseguiu permissão para registrar em 3D as obras de arte pintadas nas paredes de Chauvet. 20h00 : cinema português contemporâneo: Filme do desassossego de João Botelho (2010. 120’.) Lisboa, hoje. Um quarto de uma casa na Rua dos Douradores. Um homem inventa sonhos e estabelece teorias sobre eles. A matéria dos sonhos torna-se física. Inspirado no Livro do desassossego de Fernando Pessoa.

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Fernando Lopes

DOMINGO 2 14h00 : cinema português contemporâneo: O Barão, de Edgar Pêra (2011. 88’) Inspirado na obra de Branquinho da Fonseca. Nova versão de um filme realizado durante a II Guerra Mundial e proibido pelo regime de Salazar. “Este filme não é uma ilustração da obra de Branquinho da Fonseca”, esclarece o diretor. “Estilizei e depurei o possível em termos de imagem e de som. Há um lado da fábula sempre contemporâneo, com o chefe de família na poltrona, a berrar: Aqui quem manda sou eu. É a descrição dos últimos dias de um tirano, ele é um vampiro reformado”. 15h30 : cinema português contemporâneo: A arca do Eden de Marcelo Félix ( Portugal, 2011. 80’) Uma iniciativa para salvar uma floresta ameaçada de extinção, para recuperar um conhecimento do mundo e restaurar imagens quase perdidas. Uma viagem feita de presente e de memórias: onde relances de histórias esquecidas e precárias visões contemporâneas participam de uma mesma luta contra o tempo. 17h00 : cinema português contemporâneo: Branca de neve de João César Monteiro (2000. 75’) O soluço é a melodia da tagarelice. Um filme sobre personagens que atravessaram a loucura. Se quisermos designar numa palavra o que eles têm de engraçado e terrível, podemos dizer: estão todos curados. O processo da cura é desconhecido, a menos que ousemos debruçarnos sobre Branca de Neve. 18h30 : A caverna dos sonhos esquecidos (Cave of Forgotten Dreams) de Werner Herzog (Alemanha, Canadá, França, EUA, Inglaterra. 2010. 90’) Exibição em 3D 20h00 : cinema português contemporâneo: Alice de Marcos Martins (Portugal, 2005. 102’) Passaram 193 dias desde que Alice foi vista pela última vez. Todos os dias Mário, o seu pai, sai de casa e repete o mesmo percurso que fez no dia em que ela desapareceu. A obsessão leva-o a instalar uma série de câmaras de vídeo que registram o movimento das ruas. Essa procura obstinada ajuda-o a acreditar que Alice vai aparecer. Programa sujeito a alterações. Confira a programação completa do Instituto Moreira Salles em www.ims.com.br ou pelo telefone 3206 2500


CINEMA PARA VER NO IMS : ken loach TERÇA 4 18h30 : A caverna dos sonhos esquecidos (Cave of Forgotten Dreams) de Werner Herzog (Alemanha, Canadá, França, EUA, Inglaterra. 2010. 90’) Exibição em 3D 20h00 : cinema português contemporâneo: Kali, o pequeno vampiro, de Regina Pessoa (2012. 9’) Tal como a lua passa por diferentes fases, também o Kali tem de enfrentar os seus medos e demônios interiores. A cara que mereces, de Miguel Gomes (2004. 108’) “Francisco, comporta-te! Até aos trinta anos tens a cara que Deus te deu, depois tens a cara que mereces”. QUARTA 5 18h30 : A caverna dos sonhos esquecidos (Cave of Forgotten Dreams) de Werner Herzog (Alemanha, Canadá, França, EUA, Inglaterra. 2010. 90’) Exibição em 3D 20h00 : cinema português contemporâneo: O fantasma, de João Pedro Rodrigues (2000. 90’) Sérgio passa os dias entre um quarto alugado num hotel barato o trabalho na coleta do lixo do setor norte de Lisboa. QUINTA 6 14h00 : cinema português contemporâneo: Angst de Graça Castanheira (Portugal, 2010. 53’) Uma reflexão sobre os impasses do desenvolvimento humano, da superpopulação ao risco de esgotamento do espaço disponível para a ocupação do planeta e dos estoques de energia disponíveis para o funcionamento da civilização como a conhecemos. 15h00 : cinema português contemporâneo: É na terra não é na lua, de Gonçalo Tocha (2011. 185’) Um homem-câmara e um homem-som chegam à Ilha do Corvo, um rochedo de 17km2, uma cratera de vulcão e um vilarejo habitado por 440 pessoas. 18h30 : cinema português contemporâneo: O fantasma de João Pedro Rodrigues (2000. 90’) Sérgio passa os dias entre um quarto alugado num hotel barato o trabalho na coleta do lixo do setor norte de Lisboa. 20h00 : cinema português contemporâneo: A vingança de uma mulher de Rita Azevedo Gomes (2011. 100’) Indecifrável, enigmático, Roberto, certa noite, deixa-se tentar por uma mulher que o intriga e lhe lembra alguém...

Ken Loach

SEXTA 7 14h30 : ken loach : Rota irlandesa (Route Irish) (Inglaterra, 2004. 104’) Após se aposentar das forças especiais do Reino Unido, Fergus vai trabalhar em uma firma de segurança privada no Iraque, uma das atividades mais lucrativas do mundo 16h30 : ken loach : A parte dos anjos (Angel‘s Share.) (Inglaterra, 2012. 101’) O cotidiano de um grupo de jovens condenados ao desemprego. Eles roubam garrafas de um raríssimo uísque para vender a um colecionador. O comprador deve pagar um preço especial: conseguir emprego para o ladrão. 19h30 : Claun Claun, os dias aventurosos de Ayana de Felipe Bragança (Brasil, 2013. 69‘) Projeto de aventura, experimentação e narrativa transmídia baseado na mitologia e nos rituais dos bate-bolas e clóvis do carnaval carioca que vai incluir uma web-série, um livro em quadrinhos e outros desdobramentos. O filme-piloto aqui apresentado reune os três primeiros capitulos. Sessão seguida de debate com Felipe Bragança e Helvécio Marins.

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SÁBADO 8 14h30 : Claun Claun, os dias aventurosos de Ayana de Felipe Bragança (Brasil, 2013. 69‘) 16h30: ken loach : A parte dos anjos (Angel‘s Share. Inglaterra,2012. 101’) 18h30 : pré-estreia A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) Sessão seguida de debate com a realizadora.

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CINEMA PARA VER NO IMS : A MEMÓRIA QUE ME CONTAM | uma história que ainda está se fazendo

Há muito venho pensando em fazer um filme que fosse um balanço de geração. Da geração de 68 da qual faço parte e cuja experiência no Brasil é bem diferente do imaginário conhecido e que vem sendo veiculado há 40 anos. É verdade que a América Latina, como o Vietnan, estavam no centro do discurso de 68, a culpa é do Fidel [La faute à Fidel - Julie Gavras, 2006], mas nós conhecemos muito pouco a história daqueles para quem as pedras não foram suficientes para ameaçar ditaduras estabelecidas. Diferente dos personagens do filme Invasões bárbaras [Les invasions barbares, Denys Arcand, 2003], esta geração no Brasil viveu uma situação limite durante a ditadura militar, quando torturas e assassinatos eram práticas institucionais. Diferente também é a sua participação na sociedade brasileira hoje. Entre os sobreviventes, muitos encontram-se no Governo, outros têm uma presença importante no debate intelectual. Num país com problemas sociais ainda gravíssimos, esta geração hoje faz parte da elite. Eu não tenho, no entanto a intenção de fazer um inventário a mais das utopias de 68 ou de fazer um Invasões bárbaras com um molho brasileiro. Longe de trabalhar sobre o crepúsculo de uma civilização, este filme quer falar de uma história que ainda está se fazendo: a história da utopia diante do poder, diante das fragilidades, dúvidas e feridas íntimas daqueles que seus filhos ainda consideram como “heróis”. A memória que me contam vem deste desejo longamente alimentado. Mas durante o desenvolvimento do roteiro, alguns fatos ocorridos no Brasil vieram se sobrepor aos personagens que estávamos desenvolvendo:

A morte, em dezembro de 2007, de Vera Silvia Magalhães, verdadeiro ícone da resistência e da esquerda brasileira; A prisão no Rio de Janeiro de Cesare Battisti, ex-membro de um grupo comunista de luta armada da Itália, ameaçado de extradição. Battisti é o quinto italiano preso nos últimos cinco anos no Brasil, acusado de terrorismo. Os últimos quatro, que viviam no país há cerca de vinte anos, foram soltos pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou suas atividades políticas e não terroristas e lhes deram o direito de asilo.

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A publicação do relatório O direito à memória e à verdade, que relata 400 casos de torturas e violências cometidas durante a ditadura pelo estado brasileiro, iniciativa que provocou mais uma vez o debate sobre a anistia e a impunidade de antigos torturadores. Seguida, em novembro de 2011, da criação da Comissão da Verdade que pretende revelar os atos contra os direitos humanos cometidos durante a ditadura.


Vera Silvia Magalhães, que inspirou a personagem central do filme, Ana, era uma ex-guerrilheira, uma das responsáveis pelo sequestro do embaixador norte-americano no Brasil em 1969, que se tornou um mito da esquerda. Muito torturada, depois da prisão e do exílio, nunca mais voltou a ter uma participação importante na sociedade brasileira. Diversas vezes foi internada em crises psicóticas, quando a experiência da tortura voltava como se nunca a tivesse abandonado. Teve câncer duas vezes. Nestes momentos de internação, todos os amigos da época, ex-companheiros, ex-guerrilheiros, grupo do qual eu participava, se reuniam no hospital. Nos intervalos destas crises, continuava angariando admiradores de diversas idades, atraídos por seu senso de humor apurado, inteligência e capacidade de sedução que ela ainda exercia mesmo estando muito debilitada. Em 2007 foi internada com um enfisema e o corpo já combalido de todas as doenças e dos muitos remédios psiquiátricos. Os amigos achavam que seria mais uma internação. Ela morreu depois de um mês, causando uma grande comoção entre os muitos daqueles que resistiram à ditadura brasileira. Ana, a personagem livremente inspirada em Vera Silvia, vai ser apresentada no filme como uma fantasia dos principais personagens. Para eles, ela aparece jovem, como quando eles a conheceram. No filme, Ana é construída como se fosse um caleidoscópio formado pelas diferentes visões que cada um dos amigos tem dela. A decisão de deixar Ana eternamente jovem partiu da dificuldade que temos em decifrar um mito. Ana ficará na história com a sua beleza. Ela é a síntese de todas as contradições de sua geração. É o passado heróico e as dúvidas do presente, onde a corrupção e a presença da tortura ficaram como uma herança para os pobres do país. Esta culpa velada com que todos convivem por terem sobrevivido se amacia com o tempo e a força da vida cotidiana. Mas a própria existência de Ana, sua rebeldia, sua dor, sua loucura, ajudam também a minorar esta culpa como se fosse possível alguém ser a ponte entre passado e presente, entre os mortos e os vivos.

A memória que contam de Lúcia Murat, no cinema do Instituto Moreira Salles em pré-estreia no sábado 8 em sessão seguida de debate com a realizadora

Uma questão é comum a todos que se reencontram naquela sala de espera: o que é sobreviver? Que pulsão os levou a optar pela vida? No caso de Irene, essa resposta está no cinema. Meus filmes de alguma maneira sempre trataram da ditadura/violência, do conflito de gerações e do cinema. Em A memória que me contam o cinema é o sonho que me restou possível. Lúcia Murat / maio de 2013

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CINEMA PARA VER NO IMS : A MEMÓRIA QUE ME CONTAM | A BELA QUE DORME DOMINGO 9 14h00 : ken loach : Meu nome é Joe (My Name is Joe) (Inglaterra, 1998. 105’) Na área mais pobre de Glasgow, Joe é o treinador do pior time de futebol de desempregados da Escócia 16h00: Claun, os dias aventurosos de Ayana de Felipe Bragança (Brasil, 2013. 69‘) No início do século 20, no carnaval, grupos de mascarados se reuniam pelos becos da cidade e enfrentavam a ordem pública. Diziam ter o corpo fechado, falar com espíritos e terem poderes sobre-humanos. Eram chamados de “clóvis”, de “clowns” ou  de “bate-bolas”. Sessão com a presença do realiaador

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18h00 : ken loach : A parte dos anjos (Angel‘s Share) (Inglaterra, 2012. 101’) 20h00 : ken loach : À procura de Eric (Looking for Eric) (Inglaterra, 2009. 116’) Eric Bishop sente que sua vida está sendo desperdiçada. Nada dá certo, o que faz com que tenha ilusões com o exjogador de futebol Eric Cantona TERÇA 11 14h00 : ken loach : Meu nome é Joe (My Name is Joe) (Inglaterra, 1998. 105’) 16h00: ken loach : Apenas um beijo (A Foend Kiss) (Inglaterra, 2004. 104’) Um migrante paquistanês e uma professora de música de uma escola católica se apaixonam e são obrigados a enfrentar a incompreensão de católicos e de muçulmanos 18h00 : ken loach : Rota irlandesa (Route Irish) (Inglaterra, 2004. 104’) 20h00 : ken loach : A parte dos anjos (Angel‘s Share.) (Inglaterra, 2012. 101’) QUARTA 12 14h00 : ken loach : Rota irlandesa (Route Irish) (Inglaterra, 2004. 104’) 16h00 : ken loach : Meu nome é Joe (My Name is Joe) (Inglaterra, 1998. 105’) 18h00 : ken loach : À procura de Eric (Looking for Eric) (Inglaterra, 2009. 116’)

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20h00 : ken loach : A parte dos anjos (Angel‘s Share) (Inglaterra, 2012. 101’)

QUINTA 13 14h00 : ken loach : À procura de Eric (Looking for Eric) (Inglaterra, 2009. 116’) 16h00 : ken loach : Rota irlandesa (Route Irish) (Inglaterra, 2004. 104’) 18h00: ken loach : Apenas um beijo (A Foend Kiss) (Inglaterra, 2004. 104’) 20h00: ken loach : A parte dos anjos (Angel‘s Share) (Inglaterra, 2012. 101’) SEXTA 14 14h00, 16h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) Ana está morrendo. Ex-guerrilheira, ela é o último elo de um grupo de amigos que resistiram à ditadura militar no Brasil. Na sala de espera de uma casa de saúde, eles se reencontram. Utopias falidas, terrorismo e liberação sexual sob o ponto de vista de duas gerações, um grupo de exguerrilheiros e seus filhos, são os temas deste filme. Cada um dos personagens na sala de espera traz uma questão que liga os anos 60 a questões atuais. Paolo, refugiado no Brasil, acusado de pertencer a um grupo armado na Itália dos anos 70, traz a discussão do terrorismo para hoje. Por que ele ainda é visto como um bandido e os personagens brasileiros são heróis? O que mais distinguia a realidade da guerrilha no Brasil, que vivia uma ditadura, da Itália dos anos 70? SÁBADO 15 14h00, 16h00, 18h00 e 20h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) DOMINGO 16 14h00, 16h00, 18h00 e 20h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) TERÇA 18 14h00, 16h00, 18h00 e 20h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) QUARTA 19 14h00, 16h00, 18h00 e 20h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’)


A parte dos anjos de Ken Loach

Maya Sansa: A bela que dorme de Marco Bellocchio

Irene Ravache, A memória que me contam de Lúcia Murat

Ken Loach Vida em família (Family Life): o titulo deste filme realizado no começo da década de 1970 indica, como se fosse um trailer, o espaço em que Ken Loach situou uma boa parte dos muitos filmes que fez em seguida: a vida em família (bem precisamente: o dia a dia de uma família de trabalhadores ingleses, irlandeses ou escoceses) está no centro de histórias razoavelmente diferentes entre si como as de Looks and Smiles (1981), Riff-Raff (1990), Chuva de pedras (Raining Stones, 1993), Sombras de um passado (Ladybird Ladybird, 1994), Terra e liberdade (Land and Freedom, 1995), Sweet sixteen (2002), ou a de Ventos de liberdade (The Wind that Shakes the Barley, 2006). Seus filmes mais recentes têm algo semelhante a uma nova edição de um livro revisto e corrigido pelo autor. Meu nome é Joe (My Name is Joe, 1998), Rota irlandesa (Route Irish, 2004), Apenas um beijo (Ae fond kiss, 2005), À procura de Eric (Looking for Eric, 2009) e o recente A parte dos anjos (Angel’s Share, 2012), os títulos reunidos neste pequeno ciclo, pertencem a uma espécie de álbum de família: são ficções inspiradas em procedimentos do documentário e acrescidas de correções, notas de pé de página, e de novos capítulos.

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CINEMA PARA VER NO IMS : EU ACUSO | A RODA QUINTA 20 14h00, 16h00, 18h00 e 20h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) SEXTA 21 14h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) 16h00, 18h00 e 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) “O filme parte de um episódio que provocou um grande debate, sobretudo no mundo católico”, esclarece o diretor. “a história real de Eluana Englaro, uma jovem de 21 anos que após um acidente de carro fica em estágio vegetativo durante 17 anos. Seus pais lutaram para que os aparelhos que a maninham viva fossem desligados e esbarraram na resistência de entidades religiosas. O tribunal acabou decidindo pelo desligamento dos aparelhos. A própria Eluna havia dito que, se algum dia ficasse em estado vegetativo, deveriam deixá-la morrer. Esse debate convulsionou a nação, tentaram uma lei que bloqueasse essa sentença. A partir desses fatos concretos imaginei algumas histórias que de algum modo se relacionassem com esse estado de sono. Personagens que despertam. A filha que acorda e se reconcilia com o pai; o senador que escolhe votar de acordo com a sua consciência. E assim por diante. É um filme sobre o sono, mas também sobre o despertar – metaforicamente falando. Nesse mesmo sentido metafórico, a bela adormecida pode ser vista como uma imagem da Itália”. “O mais recente longa-metragem de Bellocchio é um espelho do dissenso político criado a partir de um fato que figurou nas mídias italianas dos últimos anos, que abalou tanto a esquerda radical quanto a influente igreja da república parlamentar: Eluana Englaro, uma mulher que ficou por 17 anos em estado vegetativo, tornou-se alvo das discussões acerca da legalização da eutanásia” – diz Pedro Henrique Ferreira em www.revistacinetica.com.br.

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“A bela que dorme anota Calac Nogueira na revista www.contracampo.com.br. “não é tanto um filme sobre a eutanásia, mas sobre a Itália. Não temos aqui, portanto, uma ilustração dócil dos pontos-de-vista em torno do assunto, posto que todos os personagens do filme estão equivocados: o desafio de cada um eles é justamente encontrar a própria verdade interior. A atualidade do filme consiste, então, no retrato da histeria que toma conta de um país católico assombrado pelo assunto”.

SÁBADO 22 14h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’)

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16h00 : Eu acuso (J’Accuse) de Abel Gance (França, 1919. 166’) Exibição da cópia restaurada pelo Eye - Museu de Cinema da Holanda e pela Lobster Film da França. No começo, uma imagem formada por muitos soldados que se posicionam de modo formar as letras que compõem o título: J’Accuse. O historiador inglês Kevin Brownlow, que dedicou seu clássico livro sobre a história do cinema mudo – The Parade’s Gone By... 1968 – a Abel Gance, define Eu acuso como “um filme-milagre”, entre outros motivos pela introdução de novas técnicas de filmagem e de montagem. Convocado para a guerra entre 1914 e 1915, Gance voltou à frente de luta em 1918 para filmar soldados reais debaixo de fogo. Partes do filme foram filmadas durante a batalha de St. Mihiel, nas aldeias de Hattonchatel, Seicheprey e Mosec, com o apoio de tropas francesas e norte-americanas. “Eu não queria simplesmente fazer um filme” – disse o diretor na estreia em Paris, poucos meses depois do término da primeira guerra mundial – “queria usar esse novo meio de expressão, o cinema, para mostrar ao mundo a absoluta estupidez da guerra. O significado social de J’Accuse é profundo e acredito que nada conseguirá impedir que ele realize seu propósito”. No cinema desde 1911, como diretor e roteirista desde 1911, Gance foi convocado para a guerra em 1914 e dispensado um ano mais tarde, com tuberculose depois de trabalhar em uma fábrica de gás. A guerra não havia terminado quando ele começou a escrever o roteiro de J’Accuse. Parte dos letreiros usados no filme reproduzem cartas escritas por soldados que estiveram ao lado dele na frente de batalha. Os figurantes vistos no filme são soldados reais. Gance explicou mais tarde que pediu ao exército “para emprestar dois mil soldados que se encontravam em permissão. Esses homens tinham vindo diretamente da frente de batalha, tinham visto tudo, e interpretavam soldados feridos ou mortos conscientes de que provavelmente seriam feridos ou morreriam em poucas semanas ou meses”. 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)


TERÇA 25 14h00 e 18h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) 16h00 e 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) Fernando Lopes

Eu acuso

DOMINGO 23 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) 16h00 : Eu acuso (J’Accuse) de Abel Gance (França, 1919. 166’) “O que impressiona de imediato no filme de Abel Gance é a sua fartura, o seu excesso, seus exageros, suas contradições”– anotou Leon Moussinac no livro Naissance du cinéma, publicado em 1923. “Gance seduz porque mergulha no drama e emociona sem separar o ouro do cascalho. É como se ele estivesse arrancando o próprio coração ou jogando a cabeça para a multidão”. Em 1929, no ensaio Autour du moi et du monde: le cinéma de demain, Gance propõe um balanço da experiência: “Todos nós ja conhecemos o primeiro plano, o surpreendente aparecimento na tela do rosto, da boca, dos olhos de um personagem que parece querer saltar para fora da tela. Quando um diretor se atreveu a usar o closeup, pela primeira vez, de forma sistemática, ao longo de um filme inteiro, foi uma verdadeira revolução no cinema: uma nova forma de expressão psicológica, com uma ressonância extraordinária e uma sutileza vibrante, tinha sido criada. Hoje em dia não prestamos muita atenção a um close-up. O que outrora parecia uma alucinação, hoje é bastante normal. Já aprendemos: o primeiro plano no cinema é o equivalente à máscara na tragédia grega”. Para Kevin Brownlow, “com suas filmes mudos (Eu acuso,1918, A roda, 1923, e Napoleão, 1927) Gance desenvolveu técninas e processos narrativos mais complexos do que qualquer outro realizador até então (...) Ao realizar Eu acuso, no tumulto dos últimos meses da guerra, ele já tinha uma filmografia de cerca de 20 títulos e já em seu primeiro filme (La Digue, 1912) a usou planos médios e primeiros planos, até então incomuns no cinema. Seis anos depois, Eu acuso incorpora e amplia o uso desses recursos técnicos e expressivos”. 20h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’)

QUARTA 26 14h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) 16h00, 18h00 e 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) QUINTA 27 15h00 : A roda (La Roue) de Abel Gance (França, 1923. 273’) Em dezembro de 1919, aos 30 anos de idade, e em seguida ao sucesso de Eu acuso, Gance começou a filmagem dessa “tragédia dos tempos modernos”, de acordo com seu subtítulo. Foram 16 meses de filmagem e quase dois anos de montagem. Blaise Cendrars participou do projeto como assistente de direção, Fernand Leger participou também, e desenhou o cartaz do filme. Arthur Honneger fez a música para acompanhar a projeção – transformada depois no Movimento Sinfônico Pacific 231. Inicialmente La Roue (A roda) iria se chamar La Rose du Rail (A rosa dos trilhos). Foi exibido pela primeira vez em Paris em dezembro de 1922. Seu ator principal, Severin Mars, morrera um ano antes. Em suas primeiras apresentações públicas, durava cerca de oito horas de projeção. Gance fez em seguida versões menos longas até fixar-se na duração definitiva de pouco mais de quatro horas dessa história de dois jovens que cresceram como irmãos desde que a menina, Norma, foi adotada pelo pai do menino Elie depois de um acidente ferroviário. 20h00: A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’) SEXTA 28 14h00 e 18h00 : A memória que me contam de Lúcia Murat (Brasil, 2012, 95’) 16h00 e 20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

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CINEMA PARA VER NO IMS : NANA | A GRANDE ILUSÃO SÁBADO 29 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

DOMINGO 30 14h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

16h00 : Nana (Nana) de Jean Renoir (França, 1926. 150’) Em O filho de Auguste Renoir (O Estado de São Paulo, 14 de junho de 1958) Paulo Emilio Salles Gomes lembra que para o diretor, “a primeira de suas fitas que merece interesse é Nana filmada em 1926 após a impressão profunda causada por Foolish Wives [Esposas ingênuas, 1922] que assistiu dez vezes. A utilização do livro de Zola, a influência de Erich von Stroheim, o abandono da preferência pelas sequências de fantasia do filme anterior [La fille de l’eau, 1925] - como o sonho da heroína no qual o elemento mais importante é um camaleão com asas de dragão -, contribuíram para a voga do adjetivo realista, empregado durante tanto tempo pelos comentadores da obra de Renoir. A expressão, como sua decorrente neorrealista, tem, mesmo a propósito de Stroheim, dos russos ou dos italianos, um sentido provavelmente ainda mais impreciso do que nas outras artes, e no que concerne a Renoir foi fruto de um mal-entendido para o qual contribuíram muitas de suas declarações. No entanto, a leitura de textos por ele escritos e a análise sem preconceito de seus velhos filmes, permite um melhor esclarecimento. Num artigo de 1938 onde resumia sua experiência artística até então, Jean Renoir relata as consequências do coup de foudre de Foolish Wives”.

16h00 : Nana (Nana) de Jean Renoir (França, 1926. 150’) A influência de Stroheim, diz Paulo Emílio Salles Gomes, levou Renoir “a ver com outros olhos a vida quotidiana que o cercava: os movimentos de uma lavadeira, de uma mulher que se penteia, ou de um verdureiro diante de sua carrocinha. ‘Refiz – ele escreve – uma espécie de estudo do gesto francês através dos quadros de meu pai e os pintores de sua geração’. O primeiro resultado dessa reflexão metódica baseada na pintura foi Nana. Não causa surpresa que em tantas imagens desse filme Catherine Hessling dê a impressão de ser novamente um modelo de Auguste Renoir” O filme marca “o início da volta do filho pródigo, do retorno dialético de Jean Renoir à sombra augusta do pai”.

20h00: A grande ilusão (La Grande illusion) de Jean Renoir (França, 1938. 114’) Na origem desse filme (produzido no mesmo ano da segunda versão de Eu acuso de Abel Gance), contou o diretor e diversas ocasiões, “a história do capitão Pinsard, que conheci na frente de batalha durante a primeira guerra mundial: um herói, um sujeito que conseguiu fugir sete, oito vezes das prisões alemães”. Na origem, as lembranças da guerra e ainda, muito provavelmente, e ainda, muito provavelmente, uma lembrança cinematográfica, Esposas ingênuas, que levou Renoir a convidar Erich von Stroheim para interpretar o capitão Von Rauffenstein.

20h00 : A bela que dorme (Bella addormentata) de Marco Bellochio (Italia, 2012. 115’)

Catherine Hessling: Nana

Questões ao cinema contemporâneo

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Seminário com Eduardo Nunes, Angel Diez, Geraldo Sarno, Fábio Andrade e Tito Almejeiras em torno do atual momento de ruptura e inovação de linguagem do cinema. Terça 23 a sexta 26 de julho. Inscrições a partir da terça-feira 2 de julho

Erich von Stroheim: A grande ilusão


Ingressos Para Walachai, A parte dos anjos, A bela que dorme e A memória que me contam: Terça, quarta e quinta: R$ 18,00 (inteira) R$ 9,00 (meia) Sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 22,00 (inteira) e R$ 11,00 (meia) Para A caverna dos sonhos esquecidos (sessões em 3D): Terça, quarta e quinta: R$ 25,00 (inteira) R$ 12,50 (meia) Sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 28,00 (inteira) e R$ 14,00 (meia) Para todos os outros programas, de terça a domingo: R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia) Passaporte: R$ 40,00 valido para 10 sessões das mostras Cinema português contemporâneo, Ken Loach, Abel Gance e Jean Renoir. Capacidade da sala: 113 lugares. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala. Ingressos disponíveis também em www.ingresso.com Sessões para escolas e agendamento de cabines pelo telefone (21) 3284 7417. O programa de junho tem apoio da Cinemateca do mam do Rio de Janeiro, da Cinemateca da Embaixada da França, do Instituto Camões e da Rádio Roquette Pinto. O programa conta ainda com a parceria da da Videofilmes e do Espaço Itaú de Cinema. O cinema do Instituto Moreira Salles recebeu o prêmio O Melhor do Rio de Janeiro 2012 / 2013 conferido pela revista Época. As seguintes linhas de ônibus passam em frente ao IMS: 158 – Central-Gávea (via Praça Tiradentes, Flamengo, São Clemente) 170 – Rodoviária-Gávea (via Rio Branco, Largo do Machado, São Clemente) 592 – Leme-São Conrado (via Rio Sul, São Clemente) 593 – Leme-Gávea (via Prudente de Morais, Bartolomeu Mitre) Ônibus executivo Praça Mauá - Gávea

Rua Marquês de São Vicente, 476. Gávea. Telefone: (21) 3206-2500 www.ims.com.br Aberto ao público de terça a domingo das 11h às 20h Acesso a portadores de necessidades especiais. Estacionamento gratuito no local. Café wifi Fundado em 1992, o ims é uma entidade civil sem fins lucrativos que tem por finalidade exclusiva a promoção e o desenvolvimento de programas culturais. Possui um acervo de fotografia, com mais de 550 mil imagens, de música, com cerca de 28 mil gravações, de literatura e de artes plásticas, instalado em reservas técnicas com padrões e tecnologia para a conservação e a restauração. Entre as coleções destacamse as fotografias de Marc Ferrez, Marcel Gautherot e José Medeiros, desenhos de Millor Fernandes, as discotecas de Humberto Franceschi e José Ramos Tinhorão, os arquivos pessoais de Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Elizeth Cardoso e Mário Reis, e as bibliotecas dos escritores Ana Cristina César, Rachel de Queiroz, Otto Lara Rezende e Carlos Drummond de Andrade. No site do IMS está hospedada a Rádio Batuta, um ponto de seleção, análise entretenimento e análise da música popular brasileira. O Instituto edita uma revista quadrimestral de ensaios, Serrote, uma revista semestral de fotografia, Zum. Em outubro de 2012 o Instituto inaugurou uma coleção dvd. Os quatro títulos já editados são: Shoah de Claude Lanzmann, La Luna de Bernardo Bertolucci, Cerimônia de casamento de Robert Altman e Conterrâneos velhos de guerra de Vladimir Carvalho. O próximo lançamento será uma edição especial com três filmes inpirados em Graciliano Ramos – Vidas secas e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, e São Bernardo, de Leon Hirszman. A sede do Instituto no Rio de Janeiro (o ims tem centros culturais em São Paulo e Poços de Caldas) abriga espaços expositivos, sala de cinema, sala de aula, biblioteca, cafeteria, loja de arte e ateliê. Sua programação inclui mostras de artes plásticas e fotografia, ciclos de filmes, espetáculos musicais, palestras e cursos. Superintendente Executivo: Flávio Pinheiro Coordenação do IMS - RJ : Elizabeth Pessoa Coordenadoria de cinema : José Carlos Avellar Produção de cinema e dvd : Gisella Cardoso

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NANA

werner krauss e catherine hessling : nana (1926) de jean renoir


Programação de cinema - Junho 2013