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Divulgação

Artista mineiro é o novo colaborador do jornal

Uma previsão do Museu do Amanhã

Alberto José Lôbo Ferreira Lima, mais conhecido como Berzé, estreia nesta edição como o novo quadrinista da Folha da Rua Larga. Ele mora no distrito de Bichinho, de Prados (MG) e possui um traço original e inventivo.

da rua larga O prefeito Eduardo Paes, juntamente com representantes da folha Fundação Roberto Marinho e da Cdurp, inaugurou no canteiro de obras do Museu do Amanhã uma sala de visitação com diversas ferramentas interativas. Aberta ao público, a sala fornece uma prévia do que será o futuro museu. cultura e cidadania - página C1

cultura e cidadania - página C3

folha da rua larga RIO DE JANEIRO | JULHO – AGOSTO DE 2014

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Nº 46 ANO VII

Porto de Memórias: espetáculo teatral itinerante revive momentos marcantes da história da região

comércio

Uma festa de gastronomia no Porto

Luis R. Cancel

Uma parceria do Polo Região Portuária com o SindRio, o projeto À Moda do Porto teve o objetivo de fortalecer o circuito gastronômico e de compras, e incluiu palestras sobre história da culinária e criação de novos pratos pelos chefs da região. página 3

história

Uma praça com os encantos do Rio Antigo A bucólica Praça da Harmonia, que ainda tem coreto e paisagem urbanística à moda antiga, e que foi palco de eventos históricos como a Revolta da Vacina, é o tema da seção Baú da Rua Larga, assinada pelo pesquisador Aloysio Clemente Breves. página 4

gastronomia

Baroa Gastrobar: o encontro do sabor com o prazer página 14 Carolina Monteiro

Cena de A pedra fundamental, apresentado dia 27/06, na Pedra do Sal cultura e cidadania I páginas C4 e C5 Divulgação

cidade

Nova central de produção técnica do Theatro Municipal está sendo construída em armazém da Avenida Rodrigues Alves Além de abrigar o acervo do Museu do Theatro, a nova central se chamará Fábrica de Espetáculos e vai formar mão de obra especializada em artes cênicas, por meio de convênio com a Accademia Teatro Alla Scala, de Milão. página 13

Uma versão remasterizada do desenho Yellow Submarine será uma das atrações do Anima Mundi 2014. Neste ano, na 22ª edição do festival, o Centro Cultural Light também exibirá filmes de animação para crianças e adultos. Confira a programação. página 16


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julho – agosto de 2014

livre opinião Uma ONG à procura de uma sede Acabei de assumir a presidência da Casa do Artista Plástico Afro-Brasileiro (Capa), uma ONG criada há 21 anos por meu pai, o pintor angolano Filipe Salvador, já falecido, por minha mãe, Anna Davies, primeira jornalista negra da TV Globo e diversos outros talentos das artes plásticas. Entre seus associados, temos artistas como os pintores sambistas Nelson Sargento, Wanderley Caramba, Sérgio Vidal, Heitor dos Prazeres Filho, além de Galvão Preto, Iracy Carise, VanDivulgação

Henrique Pontual, Fotógrafo e designer

Lancei no final de junho, em Moscou, o livro que eu produzi sobre jovens que estudam na Escola de Teatro Bolshoi do Brasil, que fica

toem e os fotógrafos Walter Firmo e Januário Garcia, para mencionar apenas alguns. Durante muito tempo, lutamos para conquistar uma sede permanente, e nunca conseguimos. Mas nem por isso os artistas da Capa deixaram de fazer e acontecer. Durante sua trajetória, os associados conseguiram criar eventos como “Arte Afro-Brasileira”, na Casa de Rui Barbosa, em 1994, “Salão Nacional Zumbi”, no MAM-Rio, em 1995, “Pintando o 7 pra valer”, no Museu Nacional de Belas

Divulgação

Artes, em 1997, “Dez artistas nota 10”, no Centro Cultural José Bonifácio, em 2005, e “Pintores Sambistas”, na Cidade do Samba, em 2007. Os dirigentes da Capa foram abrigados por um bom tempo no Centro Cultural José Bonifácio e no Instituto Pretos Novos, na Gamboa, bem como no Centro Cultural Cartola, na Mangueira. Agora estamos determinados a conseguir uma sede definitiva e acreditamos que a Capa deve se radicar na Região Portuária, pois ela é o berço da cul-

Kyesse Freedom, Presidente da Capa

tura afro-brasileira no Rio de Janeiro e no país. Para tanto, pedimos o apoio das ONGs, órgãos públicos, empresas e instituições de fomento locais.

a realização de um Ciclo de Encontros. O aplicativo será personalizado para a Região Portuária e pode ser utilizado nas plataformas iOS (iPhone, iPad e iPod Touch) e Android. O roteiro dos dois tipos de passeio começará sempre no Centro Cultural Light, na Avenida Marechal Floriano, 168. É uma forma prazerosa

No ano que vem, será inaugurado no antigo prédio da Companhia Brasileira de Armazenamento (Cibrazem), na Avenida Rodrigues Alves 435, o AquaRio, novo centro de pesquisa de animais marinhos do Rio. O centro será o maior da América do Sul, com 4,5 milhões de litros de água. Existe a promessa de ampliação desse volume para 5,8 milhões de litros, pelo que o AquaRio passará a ser o maior da América Latina. O projeto prevê que oito mil animais de 350 espécies diferentes ocupem inicialmente 28 tanques. Em construção, o AquaRio será mais uma opção de lazer para moradores, visitantes e turistas e ficará no passeio público que ligará a Praça XV ao Armazém 8 do Cais do Porto. Exposição na igreja

único centro de formação de bailarinos fora de Moscou, e mantém 255 crianças e adolescentes nos cursos técnicos de dança clássica e dança contemporânea. Quase todos os alunos (201) são oriundos de outros estados e até de outros países, como Argentina e Paraguai. No Nordeste, pude testemunhar como a escolha dessas crianças pela arte reflete positivamente nas suas comunidades de origem. Os

Um passeio pela história do Rio O projeto Animando a Rua Larga foi criado para acompanhar a revitalização da Região Portuária. Realizado pelo Instituto Cultural Cidade Viva (ICCV), com patrocínio da Light pela Lei do ICMS/RJ e apoio da Folha da Rua Larga, o projeto prevê a criação de um aplicativo, promoção de visitas guiadas por pontos históricos da nossa região e

Vem aí o AquaRio

A importância social da dança em Joinville, Santa Catarina. O livro se chama Escola Bolshoi: arte e cidadania, e foi editado pela empresa de empreendimentos culturais KBMK. Atuei como fotógrafo, documentando as aulas, os ensaios e as apresentações de dança. Mas fui além e visitei 40 municípios do Nordeste, que são as cidades de origem desses jovens, para fotografar também as casas onde viviam e seus familiares. A escola de Joinville é o

farol

de conhecer um pouco mais da história da cidade do Rio de Janeiro. As inscrições para os passeios devem ser feitas no ICCV, por telefone (22333690). Serão realizados cinco Encontros para debater assuntos ligados ao processo de revitalização da região da Rua Larga e da Zona Portuária. Eu recomendo.

irmãos que não estão na escola, mas que têm o irmão bailarino como referência, começam a estudar e a fazer cursos profissionalizantes. Sei que na Região Portuária do Rio de Janeiro existem muitas ONGs que estão profissionalizando jovens de baixa renda para o mundo das artes. Tenho certeza de que os resultados positivos também se refletem nos núcleos familiares e nas comunidades desses jovens.

A Igreja de São Francisco da Prainha, que está sendo restaurada com recursos do programa Porto Maravilha Cultural, vai abrir as portas do canteiro de obras para que os cariocas possam acompanhar de perto as intervenções que estão sendo feitas. No local, será montada uma exposição sobre a igreja e os moradores poderão participar colaborando com a entrega de fotos, material de arquivos pessoais e objetos. No futuro, esse material servirá para compor um livro sobre o restauro e a história de um dos templos católicos mais antigos do Rio de Janeiro. As contribuições podem ser entregues na sede da Cdurp – Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária (Rua Sacadura Cabral, 133, Saúde), no horário das 9 às 18h.

Mário Margutti

O Polo Região Portuária é uma entidade criada para congregar os comerciantes locais com vistas a dinamizar o comércio local e proporcionar mais qualidade no atendimento à clientela. As reuniões dos membros do Polo acontecem a cada 15 dias, sempre às 18h30, e são itinerantes, para que todos entrem em contato com os associados. A agenda para as próximas reuniões é a seguinte: agosto, dias 13 (Avenida Marechal Floriano, 38, sala 1001) e 27 (no mesmo endereço); setembro, dia 11 (Avenida Venezuela, 82, 4° andar – Instituto Nacional de Tecnologia).

Carlos Alberto Lima de Barros, Auxiliar administrativo

Reuniões do Polo Região Portuária

da redação I redacao@folhadarualarga.com.br Curta a Folha da Rua Larga no Facebook!

Onde encontrar o jornal A Folha da Rua Larga é de distribuição gratuita e pode ser encontrada com mais facilidade nos seguintes endereços:

folha da rua larga Conselho editorial - Alberto Silva, Fernando Portella,

Projeto gráfico - Henrique Pontual

Francis Miszputen, Maria Eugênia Duque Estrada,

e Adriana Lins

Mozart Vitor Serra, Roberta Abreu, Sacha Leite,

Diagramação - Suzy Terra

Teresa Serra e Teresa Speridião

Revisão ortográfica - Raquel Terra

Direção executiva - Fernando Portella

Produção gráfica - Suzy Terra

Editor e jornalista responsável - Mário Margutti

Produtora Executiva - Roberta Abreu

Colaboradores - Alberto José Lôbo Ferreira Lima,

Impressão - Maví Artes Gráficas Ltda.

Aloysio Clemente Breves, Ana Carolina Portella,

Contato comercial - Márcia Souza

Carolina Monteiro, Fernando Portella, Roberta

Tiragem desta edição: 10.000 exemplares

Abreu e Teresa Speridião

Anúncios - comercial@folhadarualarga.com.br

Redação do jornal Rua São Bento, 9 - 1º andar - Centro Rio de Janeiro RJ - CEP 20090-010 - Tel.: (21) 2233-3690 www.folhadarualarga.com.br redacao@folhadarualarga.com.br

• Biblioteca Estação Leitura – Estação Central do Metrô Rio • Colégio Pedro II – Avenida Marechal Floriano, 80 • Tetto Habitação – Avenida Marechal Floriano, 96 • Bandolim de Ouro – Avenida Marechal Floriano, 120 • Sapataria Souza – Avenida Marechal Floriano, 121 • Principado Louças - Avenida Marechal Floriano, 153 • Restaurante Velho Sonho – Avenida Marechal Floriano, 163 • Cedim (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher) – Rua Camerino, 51 • Multicoisas – Rua São Bento, 26 • Restaurante Málaga – Rua Miguel Couto, 121 • Centro Cultural Ação da Cidadania – Avenida Barão de Tefé, 75 • Bar Imaculada – Ladeira João Homem, 7 – Morro da Conceição • Subprefeitura do Centro – Rua da Constituição, 34


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comércio

Lab Sabor: o começo da festa gastronômica do Porto Maravilha Evento vai reunir 20 empreendedores da Região Portuária Divulgação

O Polo Região Portuária, entidade que reúne os comerciantes da Zona do Porto do Rio de Janeiro, concorreu ao edital de patrocínios da Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária) e ganhou os recursos financeiros para realizar o projeto À Moda do Porto – Festa de Gastronomia, Cultura e Conhecimento. O festival congrega um seleto número de restaurantes, cafés, bares e bistrôs que oferecem ao público o melhor da culinária da região, contando ainda com a participação de lojas e casas comerciais, que ofertam produtos diferenciados para os consumidores. De acordo com Maria Eugênia Duque Estrada,

presidente do Polo, “o grande diferencial do evento é o investimento na evolução profissional dos empreendedores locais, por meio da realização de cursos e treinamentos sobre qualidade do atendimento, criatividade gastronômica, comunicação e cultura”. O festival está programado para acontecer de 16 a 25 de outubro, mas no mês de setembro já ocorrerão alguns eventos preparatórios. Um deles é o Lab Sabor, para o qual serão convidados os chefs de cozinha e os donos de restaurantes da região que queiram participar do evento. Como o festival é temático (será eleito um tema a cada ano), os participantes serão estimulados a criar pratos a

O projeto é um dos vencedores do Prêmio Porto Maravilha Cultural e mostrará como era a culinária do Rio no tempo da República

partir do tema proposto. O tema inaugural é a “Cozinha da República Velha”, uma vez que esse foi o período da história brasileira em que houve a primeira grande intervenção no Porto do Rio de Janeiro. Entre as mudanças que

modernizaram a cidade, podemos mencionar a abertura da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) pelo prefeito Pereira Passos, indo da Praça Mauá até a Avenida Beira Mar. A nova avenida deu origem a novas ruas, como a Mayrink Veiga, e estabeleceu uma ligação entre o centro comercial e o Porto do Rio de Janeiro, que também foi remodelado por Pereira Passos e inaugurado em 1910. Assim criava-se “a cidade do futuro”, que começava a se firmar como vanguarda da nação. No período da reforma, a população também ficou entusiasmada com a instalação, nas cercanias do Porto, da empresa canadense Light, que colocou os bondes em circulação e ofertou energia para a cidade, que assim ingressava definitivamente na modernidade. O Lab Sabor será constituído por três encontros: • 8 de setembro – “A mesa da República”: pitadas de história do Brasil e memórias do Porto. Um historiador irá traçar o perfil dos alimentos que foram servidos na região do Porto ao longo dos tempos. Essa oficina possibilitará resgatar receitas, sabores e negócios que marcaram a identidade sociocultural da região. • 15 de setembro – “À moda do Porto, temperando o hoje”: oficina de culinária, com troca de informações entre chefs locais e convidados do evento.

Divulgação

O chef David Jobert, do Atelier Du Cuisinier, fez palestra sobre “Temperos do Porto”, em 22 de julho

• 22 de setembro – “À moda do Porto, qual é a nossa cara?”: pretende provocar os chefs de cozinha par que eles criem novos pratos em seus cardápios a partir dos referenciais históricos da gastronomia dos séculos XVII e XIX. Todos os encontros acontecem no auditório da Cdurp, na Rua Sacadura Cabral, 133, das 17h às 19h. De acordo com Maria Eugênia, o festival À Moda do Porto “pretende demonstrar a força e a vitalidade dos empreendedores que há muito tempo acreditam e fazem da Região Portuária um lugar privilegiado para se conhecer e se divertir no Centro Histórico do Rio de Janeiro”. Nessa perspectiva, o evento se integra ao projeto de revitalização da Região Portuária, que tem tudo para ser o coração do turismo da Cidade Maravilhosa nas próximas décadas, quando estiverem prontos o Museu do Amanhã e o AquaRio, que irão se somar aos atrativos atuais do Museu de Arte do Rio, o Morro da Conceição, a Pedra do Sal, a exposição ArtRio e o Sítio Arqueológico do Valongo, para mencionar apenas alguns. Em outubro, do dia 17 ao 25, será realizada outra parte do festival: o Circuito Gastronômico e do Comércio de Rua. Essa será a ocasião para oferecer ao público os novos pratos criados pelos chefs, inspira-

dos pelo tema da República Velha. Ao mesmo tempo, serão ofertados kits e ações promocionais vinculadas ao comércio de rua local. Todos os empreendedores participantes serão sinalizados como integrantes do circuito e serão previamente treinados para incentivar os moradores, turistas e visitantes a degustarem os novos pratos e consumirem os produtos vendidos na rua. O ponto alto desse circuito será a oferta promocional ao público de um mix de produtos e utensílios para casa e cozinha. Outras atrações: Estação Sabores, no dia 24 de outubro, com a realização de oficinas gastronômicas, com preparação e degustação de pratos, além de bate-papos com escritores e artistas, marcando a dimensão cultural da festa portuária; e Caminhos do Porto, de 18 a 25 de outubro, com roteiros guiados por pontos turísticos e empresas tradicionais da região, os visitantes serão recebidos por empresários ou funcionários que falarão de forma sucinta sobre as histórias e curiosidades dessas empresas. Só associados do Polo podem participar do festival.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


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história baú da rua larga

Prata preta, pão francês e Filhos de Talma: harmonia na praça Eventos históricos marcantes agitaram o logradouro bucólico da Região Portuária Divulgação

O orixá dança coberto de palha no terreiro. Suas marcas estão escondidas. Ele é o senhor dos segredos da morte, das pragas e doenças. É Omulú ou Obaluaiê, o deus africano que pode espalhar a varíola ou atenuar seus efeitos. O Rio de Janeiro é assolado pela epidemia de varíola em 1904. Pereira Passos, o alcaide reformador, e o médico sanitarista Oswaldo Cruz decidem aplicar a vacina. Estamos diante de um conflito! A Revolta da Vacina! Resistência à medicação salvadora e práticas religiosas em choque. Mostrar partes íntimas de homens e mulheres para os médicos e aplicadores da vacina? Esse procedimento estava fora de cogitação. Surge um líder nos arredores da Praça da Harmonia, na Saúde: Horácio José da Silva, conhecido como Prata Preta. Jovem, forte, alto e exímio capoeirista. Estivador, o guerreiro africano era difícil de ser batido numa luta ou controlado. Em novembro de 1904, barricadas e bandeiras vermelhas foram montadas na praça e a luta se alastrou pelas ruas do Centro do Rio, durando mais de quatro dias. Bondes foram derrubados e ataques foram promovidos por aquele povo

A Praça da Harmonia, com seu bucólico coreto, é uma das poucas a manter a atmosfera do Rio Antigo Reprodução

Numa charge da época, o capoeirista Prata Preta foi retratado como um espantalho

negro, descalço, armado de paus, pedras, navalhas, garruchas velhas, ancorado principalmente na crença inabalável em suas entida-

des protetoras. Diz o ponto: “Meu pai Oxalá é o rei, venha nos valer, o velho Omulú Atotô Obaluaê!”. Prata Preta foi espanca-

do pela polícia. Após muita luta, foi preso e, segundo alguns, deportado para o Acre. Passos e Cruz contiveram a revolta e, graças à vacina, dizimaram a peste da varíola. Hoje, Prata Preta é lembrado em blocos de carnaval e festas juninas que ocorrem na bucólica Praça da Harmonia. Com a comemoração dos 100 anos da Revolta da Vacina, o Bloco Prata Preta, ostentando as cores vermelho, branco e azul em homenagem aos Filhos de Talma e à Vizinha Faladeira, desfilou pelas ruas da Saúde entoando a marchinha de carnaval: “O Prata Preta voltou a circular / Voltou a circular num cordão cheio de alegria / Nas ruas da Gamboa, na Praça da Harmonia”. Ali mesmo, muito perto, está a Sociedade Dramática Particular Filhos de Talma, fundada em 1879, que há mais de 130 anos promove bailes e reuniões sociais. Situada na Rua do Propósito, entre os números 18 e 20, o prédio deteriorado foi interditado em 2012. O nome da sociedade é uma homenagem ao ator francês François-Joseph Talma (1763-1826), um dos preferidos de Napoleão. A boa notícia é que a operação urbana Porto Maravilha fornecerá os recursos necessá-

rios para a reconstrução da sede. A histórica sociedade esteve sempre presente nas artes e na cultura popular, e também foi palco da assembleia que fez nascer o Club de Regatas Vasco da Gama, em agosto de 1898. A praça nos remete às cidades interioranas: é fresca e prazerosa para a modorra do fim de tarde. Revitalizada, a região do Porto recebe novas instalações de inúmeros projetos e o restauro de imóveis históricos. A novíssima Via Binário irá cortar a região e, com a retirada do viaduto da Perimetral, a brisa do mar avançará e vai arejar a região. O pão nosso de cada dia nasce na Gamboa da Saúde. Toneladas de trigo uruguaio, argentino e americano passam pelo túnel subterrâneo com destino às máquinas do Moinho Fluminense. O grande conjunto de prédios de arquitetura inglesa construídos pelo arquiteto Antônio Januzzi, em 1877, com fachadas neoclássicas e vitorianas, tijolos, pedras e óleo de baleia, produz a farinha de trigo para o comércio carioca desde que o Decreto de 25 de agosto de 1887, assinado pela princesa Isabel, autorizou o funcionamento da empresa. Até 2016, o trigo e as máquinas deixarão

o local. Os prédios tombados pelo município foram vendidos pela Bunge, proprietária do moinho. Shoppings, escritórios e espaços culturais vão ocupar os prédios e silos da fábrica. É o renascimento da área portuária. O Moinho Fluminense foi símbolo de resistência na Revolta da Armada em 1893, acolhendo Rui Barbosa, que se refugiou no local por conta da sua amizade com Gianelli, um dos fundadores da fábrica. Também serviu de anteparo para as barricadas montadas na Revolta da Vacina em 1904. O prefácio do livro O porto e a cidade – Rio de Janeiro entre 1565 e 1910, de Paulo Knauss (UFF-RJ), é um belo retrato da diversidade da vida portuária: “Houve um tempo de naus e um tempo de cargueiros, um tempo de escravos e um tempo de trabalhadores livres; um tempo de muita força humana e um tempo de máquinas”. Acrescento: um tempo de modernidade e vida nova para os centenários espaços de Santo Cristo, Gamboa, Saúde, Praça Mauá, Providência, Livramento e Morro da Conceição.

aloysio clemente breves soubreves@yahoo.com.br


cultura e cidadania julho – agosto de 2014

Divulgação

• Os livros vão ao encontro do povo: Cristina Oldemburg,

presidente do Instituto Oldemburg, fez uma parceria com a Prefeitura do Rio e o Metrô para instalar na Estação Central uma acolhedora biblioteca, que oferece aos usuários em trânsito empréstimos gratuitos e trocas de livros, além de exposições de fotografias vinculadas a obras literárias. página C8

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

Edição Especial

Museu do Amanhã começa a se tornar realidade no Píer Mauá Cariocas podem ter uma prévia do Museu em sala com ferramentas interativas Divulgação

Desde fevereiro, já está aberta à visitação pública uma sala especial dedicada ao Museu do Amanhã, no Píer Mauá, no canteiro de obras onde a instituição museológica já está sendo construída. A entrada é franca e funciona de terça a domingo das 10h às 17h. A sala tem 80 metros quadrados e oferece aos visitantes vídeos e ferramentas interativas que fornecem uma prévia do que será o Museu, com seus 15 mil metros quadrados de área expositiva. O curador do museu, o físico Luiz Alberto Oliveira, declarou em entrevista à imprensa que a sala “é um aperitivo da estrutura narrativa do que será o Museu do Amanhã”, uma entidade de “ciência aplicada, de exploração de possibilidades de futuro”. Nada menos que 13 temas são explorados nos dispositivos interativos e nos vídeos, todos eles vinculados a cinco grandes tendências futuras do nosso planeta: mudanças climáticas, aumento da população mundial e da longevidade humana, aumento do número e da qualidade de artefatos mais próximos das pessoas, alteração drástica da biodiversidade e expansão muito rápida do conhecimento. A sala de visitação apresenta também uma maquete do edifício do Museu, projeto do arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava, que adquiriu renome mundial por suas formas arrojadas e seus sólidos conhecimentos tecnológicos. Seus projetos mais recentes são, além do Museu do Amanhã, um arranha-céu em Nova Iorque, com-

posto por 12 casarões em forma de cubos, e a ponte estaiada da Linha 4 do Metrô Rio. O projeto do Museu é ecológico e prevê a utilização de recursos naturais do local, como a captação de energia solar e o uso da água da Baía de Guanabara na climatização do interior do museu, com posterior reaproveitamento no espelho d’água que complementa a obra. O museu foi planejado para surpreender os visitantes. Na entrada, haverá um portal cósmico de 360 graus. Luiz Alberto Oliveira explica o funcionamento desse portal: “É um ovo negro de grandes dimen- Depois de pronto, o Museu do Amanhã terá arquitetura ousada e sustentável sões. O chão desaparece, Clarice Tenório Barreto de instalações e ambientes o teto desaparece e você é multimídia. arremessado a escalas do Antropoceno: Este mouniverso que estamos demento do percurso será desabituados a experimentar dicado a pensar o hoje, suas com a vista desarmada”. A características e seus sintopartir daí, as pessoas podemas: a expansão planetária, rão “explorar as dimensões o crescimento das cidades, astronômicas, moleculares o aumento do consumo, a e a complexidade na vida explosão do conhecimento, na terra”. Além da exposia transformação dos amção permanente,  o museu  bientes naturais. Grandes promoverá exposições de Com entrada gratuita, a sala de visitação do Museu do Amanhã telas vão exibir notícias arte que dialogarão com a tem equipe de educadores selecionadas de canais de ciência e a proposta futurista do museu. um grande mosaico, anteci- sensorial, que parte do va- TV e de sites de observação pam as questões principais zio, passa pelo aparecimen- sobre temas concernentes O percurso museológico do museu. Uma delas: “O to da matéria, do espaço e às ações do homem sobre o amanhã não é uma data, do tempo e chega ao surgi- planeta. Amanhã: Na quarta área As obras começam a se não é um lugar. O amanhã mento do homem e do pendo percurso central do Muconsolidar: em junho, foi é uma construção”. Em se- samento. Contexto: Exploração seu, o Amanhã surge como instalada a primeira estru- guida, na entrada, vídeos tura metálica da fachada exibirão depoimentos de dos fatores e dos fenômenos um entrelaçamento das cinco lateral do prédio. Quando o cientistas, artistas e pesso- naturais do planeta, para tendências acima referidas. museu estiver pronto, den- as comuns sobre o amanhã que o visitante compreen- O ambiente conduzirá a uma tro da nave central, o con- e telas mostrarão inventos da como eles influenciam reflexão sobre a forma como teúdo será dividido em qua- que, em suas épocas, abri- as mudanças climáticas e vivemos. Nossas ações são tro grandes áreas: Cosmos, ram caminhos para o futuro. os ciclos da vida. A orga- sustentáveis? Em projeções, Contexto, Antropoceno e Cosmos: É a porta de en- nização dos ecossistemas, instalações e jogos interatiAmanhã. Antes mesmo de trada para a jornada propos- a estrutura do DNA, a for- vos, o visitante poderá meentrar no prédio, no pátio, ta pelo Museu do Amanhã. mação da biodiversidade e dir o impacto das escolhas o visitante irá se deparar Nesse espaço, o público vai o processo evolutivo do cé- humanas sobre o clima, os com frases que, compondo vivenciar uma experiência rebro também serão temas ecossistemas e as sociedades.

O museu é considerado pela prefeitura um dos mais importantes elementos do plano de revitalização da Zona Portuária. Orçado inicialmente em R$ 130 milhões, o projeto já teve seu custo elevado para R$ 215 milhões, que serão financiados com a venda dos certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da prefeitura e executados pela Concessionária Novo Rio. O museu é uma parceria da Prefeitura do Rio e da Fundação Roberto Marinho, com patrocínio do Banco Santander, que investirá R$ 65 milhões nas obras. O projeto conta também com o apoio do governo do estado e do governo federal e a previsão é que o museu seja inaugurado no dia 1º de março de 2015, quando a cidade do Rio de Janeiro completará 450 anos.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


C2 Edição Especial

julho – agosto de 2014

cultura e cidadania boca no trombone

Cliques Rua Larga Divulgação

Nem digo-me Sentado num canto da Rua Acre, maltrapilho de roupas doadas, sujo, barbado, o mendigo vasculha o bolso interno do seu casaco. As pessoas passam... Alguma coisa está para acontecer! Eles não querem vê-lo. Ele não quer ser visto. Embrulhado num papel de pão, retira um sanduíche de queijo. Olha prum lado, olha pro outro, com muito cuidado para não ser roubado. Mete a mão em outro bolso e retira uma garrafa que ainda tem um palmo de leite. Escondido entre as barbas, ele olha naturalmente o mundo de passagem. Dá uma primeira mordida, saboreando o sabor do seu almoço. Come devagar, não tem pressa, enquanto todos se apressam sem conseguir degustar suas vidas. Algo deve acontecer! Um cachorro velho se aproxima com olhar pedinte. Os dois fixam seus olhos. Ele parte um pedaço de pão, molha no leite e dá para o animal, que, feliz, senta-se ao seu lado e com as duas patinhas protege e saboreia aquele instante. O mendigo mete a mão por dentro da roupa e retira um cordão de nylon no qual está preso um crucifixo de madeira. Beija a cruz e a repõe no esconderijo do seu coração. Olha pros lados para constatar que ninguém o viu. Termina de comer, dá para o cachorro seu último pedaço de pão. Faz um cafuné na cabeça do animal e sorri, limpando a boca com a manga do casaco. As pessoas passam apressadas vestindo suas coleiras de crachás. No seu lado direito descansa um saco de linhaça cheio de latinhas vazias. Ele ajeita o seu tesouro, faz barulho, o cachorro levanta a cabeça, abre os olhos e volta a deitá-la sobre as patas. Do lado esquerdo repousa seu chapéu com duas notas de dois reais e algumas moedinhas, sugerindo esmola. Ele não pede, apenas observa. Alguma coisa está para acontecer! Coloca a mão no bolso novamente e retira uma guimba de cigarro, ajeita-a para ficar esticada, volta a mão no bolso e retira uma caixa de fósforo grande: Fiat Lux. Pega um fósforo, risca, acende o cigarro e traga como se estivesse saboreando o mundo ao seu redor. Brinca com a fumaça. Este é seu reino: a rua. Alguma coisa vai acontecer! Uma senhora envergada de sacolas passa, para, retira uma carteira da bolsa e dá dois reais para o mendigo que agradece e diz: “Deus lhe pague”. A senhora retribui: “Deus lhe acompanhe!”. Ela vai embora e ele fica olhando a sua caminhada no meio dos passantes, que olham pra ele, refletem, comparam: “Coitado, tem gente pior do que eu!”. Ou pensam: “Não posso fazer nada!”. O mendigo apenas observa a corrida das pernas, cada qual para o seu destino de hora marcada. Retira do bolso um relógio que não funciona mais e marca sete horas. Pensa: “O tempo parou”. Não acontece nada. fernando portella cottaportella@globo.com

Retrato de “Seu Elias”, morador do Morro da Providência que teve seu imóvel demolido no processo de revitalização da comunidade. A obra é do grafiteiro português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils. Divulgação

“Dona Ana”, outra moradora do Morro da Providência que perdeu a casa e também teve sua efígie imortalizada pelo grafiteiro português Vhils. A intervenção do artista no Morro durou um mês, no ano de 2012, com grande apoio da comunidade.


cultura e cidadania C3 Edição Especial

julho – agosto de 2014

Um novo talento da arte do desenho Desenhista mineiro é o mais novo colaborador do jornal Mário Margutti

A partir desta edição, a Folha da Rua Larga vai publicar tiras do desenhista Berzé, que vive na comunidade de Vitoriano Veloso, distrito da cidade mineira de Prados. O lugarejo é mais conhecido como Bichinho, faz parte do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes e da Estrada Real, e também fica perto da histórica cidade de Tiradentes, com vista para a imponente Serra de São José. Em Bichinho, em meio a casas antigas, encontram-se belas e boas pousadas, restaurantes, casas de aluguel, lojas de artesanatos, oficinas e deliciosos doces caseiros. Os moradores de Bichinho produzem vários tipos de

Berzé no seu ateliê em Bichinho (MG)

artesanato, em materiais como papiê machê, lata, madeira, cipó, esculturas em pedra, objetos decorativos e utensílios em ferro, bem como tecidos e fios têxteis, entre outros. Berzé é o apelido de Alberto José Lôbo Ferreira Lima, que nasceu em Jeceaba (MG), em 27 de agosto de 1950. Desenha desde pequeno. Começou nas paredes de sua casa, com apoio da mãe (por incrível que pareça). Foi para Belo Horizonte com 10 irmãos, a mãe e o pai, que morreu logo depois. Arrimo de família aos 18 anos, trabalhou como office-boy e auxiliar de escritório, sempre praticando desenho paralela-

mente. “Acabei virando desenhista mesmo”, conta ele. E logo passou a desenhar para os chamados “movimentos populares”, principalmente sindicatos. Hoje, com 63 anos, tornou-se uma mistura de desenhista de história em quadrinhos, cartunista e pintor na aldeiazinha de Bichinho. Usa sem preconceitos qualquer tipo de material para suas artes gráficas e plásticas. Abaixo, uma amostra da beleza de seu traço, numa tira com um toque de humor surrealista.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br Berzé


C4 Edição Especial

julho – agosto de 2014

cultura e cidadania

Porto de Memórias: artes cênicas enraizadas na história da Zona Portuária Espetáculo itinerante resgata episódios marcantes da formação sociocultural da região Luis R. Cancel

Entre os eventos culturais mais recentes da Zona Portuária, o projeto Porto de Memórias se destaca por seus vínculos profundos com a região. Trata-se de um espetáculo itinerante, composto por seis encenações temáticas ao ar livre, em lugares associados a fatos históricos que aconteceram no passado da cidade. A primeira encenação, intitulada O triunfo de Leopoldina, foi apresentada no dia 14 de junho, às 18h30min, no Paço Imperial. Retratava a chegada da princesa Leopoldina ao Rio, de um ponto de vista feminino. Ao final, houve show de samba da Imperatriz Leopoldinense. A segunda encenação, Mercado negro, foi apresentada no dia 16 de junho, às 17h, no Cais do Valongo. Mostrou uma visão do desumano comércio de escravos que funcionava no local, reinterpretado com modelos negros. A terceira, O baile dos capoeiras, foi a público no dia 21 de junho, às 17h, na bucólica Praça da Harmonia. Esse espetáculo retratou um confronto entre capoeiristas do Rio e da Bahia recriado numa atmosfera de Romeu e Julieta. Um bloco de carnaval encenou um baile de máscaras em meio ao enredo. A quarta encenação, O almirante negro, aconteceu no Largo de São Francisco da Prainha, às 17h do dia 22 de junho. Dramatizou a célebre Revolta da Chibata, que foi o motim liderado pelo marinheiro negro João Cândido para extinguir os castigos físicos impostos aos marujos da época, no estilo de uma jornada de herói. A quinta encenação aconteceu na histórica Pedra do Sal, berço do samba carioca, no dia 27 de junho, às 17h. Intitulado A pedra fundamental, o espetáculo narrou o nascimento do samba carioca, numa atmosfera que mesclou boemia com religiosidade e teve participação especial de Martinho da Vila. A sexta e última encenação homenageou o cronista João do Rio, pois teve o mesmo nome de seu famoso livro de crônicas A alma encantadora das ruas. O espetáculo aconteceu em frente ao prédio da Light, na Avenida Marechal Floriano, no dia 29 de junho, às 19h. Foi um retrato das transformações da cidade do Rio de Janeiro na aurora da modernidade, inspirado pelas descrições de João do Rio. O encerramento foi abrilhantado com um samba-enredo inédito, composto por Geraldo Carneiro e Francis Hime.

Cena de Mercado negro, no Valongo: a escravidão foi revivida no local histórico onde os negros eram vendidos Luis R. Cancel

A concepção O projeto Porto de Memórias aconteceu graças ao patrocínio da Light e da concessionária Porto Novo. Foi concebido por Sônia Mattos, filósofa e especialista em Turismo Cultural, que percebeu na interpretação de episódios históricos nos locais onde eles ocorreram “uma oportunidade maravilhosa – e rara – de incorporar a memória como algo presente e vivo, aprendendo o passado de olho no presente e no futuro”. Sônia conta que já desenvolveu projetos semelhantes no interior do estado: “Fizemos isso no Vale do Café, com resultados que vão além do turismo, pois a população local se beneficiou muito com essa redescoberta de sua história”. E acrescenta: “O privilégio é termos isso ainda preservado no Centro do Rio de Janeiro, palco de acontecimentos importantes para a história do país, em meio ao patrimônio construído e revivendo a cultura popular dessa região tão esquecida e tão rica”. Ela também destacou a importância da participação de outra dupla de pessoas criativas em Porto de Memórias: “Com o auxílio luxuoso de gênios como Regina Miranda e Geraldo Carneiro, a ideia ganhou um formato artístico extremamente contemporâneo, bem-humorado e de grande força criativa”.

Sônia Mattos faz questão de afirmar que o projeto “não resgata a cultura da Zona Portuária, pois ela existe e é pujante na região”. Seu mérito foi trazer para os cariocas a “chance de redescobrir aspectos muito marcantes de sua própria história que, por razões diversas – dentre elas um projeto urbanístico rodoviarista que ‘isolou’ geograficamente a Zona Portuária – escondeu essa região do olhar e do processo de conservação/fruição dos moradores da cidade como um todo”. No momento em que a Região Portuária passa por uma revitalização, Sônia considera que nada seria mais oportuno do que lembrar aos cariocas de onde veio o seu samba, a sua origem africana, a capoeira, as suas revoltas e a raiz espiritual que nos é tão cara, entre outras coisas. Outro aspecto muito relevante do projeto foi o trabalho com coletivos culturais da região, além de jovens talentos que participam de projetos sociais de grande valor, como o Galpão Aplauso. Assim eles tiveram “a oportunidade de desenvolver suas escolhas artísticas no chão mesmo da região onde vivem, e que é sua herança”, afirma Sônia. Para ela, a ideia de se fazer um espetáculo itinerante deu muito certo: “Essa foi a grande ‘sacada’ do projeto, a de lembrar aos moradores do território a sua memória”. Assim, as locações não foram escolhidas aleatoria-

Cena de O baile dos capoeiras, na Praça da Harmonia: em primeiro plano, Renata Versiars, de Colombina, e Dilo Paulo, de Pierrô

mente. Pelo contrário, elas foram o próprio palco dos acontecimentos narrados, e “também uma forma criativa de convidar moradores e turistas, inclusive de outros bairros do Rio, para desfrutar dessa região que passa por transformações tão grandes, evitando que ela perca suas características essenciais e valorizando as oportunidades culturais e turísticas que tem a oferecer”. A proposta de interagir com os grupos lo-


cultura e cidadania C5 Edição Especial

julho – agosto de 2014

Luis R. Cancel

Cena de A pedra fundamental, na Pedra do Sal: Charles Fernandes, Marina Salomon e Adriana Bonfatti atuaram no berço do samba Fabio Pamplona

jovens atores, músicos, artesãos, quituteiros, dançarinos e cantores podendo profissionalizar seus talentos e viver deles no chão onde nasceram, tendo por matéria-prima sua herança cultural, teremos certamente menos gente nas fileiras do tráfico, mais gente nas escolas, menos menores infratores e mais ‘supratores’, mais gente ganhando a vida com orgulho da sua origem e confiança no futuro”.

O autor e a coreógrafa

Os responsáveis pelo Porto de Memórias (da esq. para a dir.): a idealizadora Sônia Mattos, o produtor Alexei Waichenberg, a coreógrafa Regina Miranda e o autor Geraldo Carneiro

cais e favorecer a interação entre eles valorizou seus talentos e o seu legado, bem como deu oportunidade aos jovens para conquistar posições e mostrar sua arte, assegurando que possam construir suas linguagens no seu espaço, combatendo a tendência à gentrificação que é, em geral, uma estratégia recorrente e equivocada em processos de “modernização” de áreas históricas. Daí a escolha, por exemplo, da capoeira, uma das tradições culturais mais fortes da Zona Portuária e, atualmente, um forte elemento de

socialização para a juventude. Segundo Sônia, a grande mensagem do espetáculo foi esta: “A história que vivemos é a que vale a pena ser contada. Queremos que a comunidade da Zona Portuária e a sociedade carioca se lambuzem com a sua própria identidade, e que tirem partido dessa memória como um ativo social, cultural e até mesmo econômico, fazendo dela um valor a ser preservado, desfrutado e compartilhado”. E complementa: “Se tivermos mais e mais

Quando perguntado sobre suas principais inspirações para estruturar o texto dos seis espetáculos de Porto de Memórias, o escritor e poeta Geraldo Carneiro cita diversas fontes: “A inspiração partiu de cronistas como Machado de Assis (embora o “borogodó” do Rio, para ele, fosse a Rua do Ouvidor), João do Rio e Manuel Antônio de Almeida. E, sobretudo, da capacidade que nossa cidade-esplendor demonstra de renascer das cinzas patrocinadas por seus governantes. Somos uma fênix política e urbanística. Espero que este projeto sirva para criar uma memória mítica da cidade, despojada das mágoas advindas de tantas guerras perdidas pelo povo brasileiro. Na esperança de que, no futuro, o nosso repertório de histórias e de lendas se torne patrimônio de todos”. Por sua vez, a coreógrafa Regina Miranda discorre sobre suas criações para cada

encenação: “Porto de Memórias se compôs de seis espetáculos, que criei especialmente para cada local histórico onde seriam encenados. Embora cada um apresentasse sua especificidade, um pensamento comum norteou a direção e a coreografia: estabelecer um território em que as diferenças pudessem conversar. Creio que o diálogo respeitoso entre as diferenças é um dos desafios atuais desta região em transformação e desejei exemplificar essa possibilidade de convívio na cena. Nela, esse diálogo se dava em vários aspectos e, na coreografia, se apresentou pela inclusão e mescla de linguagens diversas em todos os espetáculos. Por exemplo, em O triunfo de Leopoldina, trabalhei com danças de corte, dança contemporânea, hip hop e balé. Já no Mercado negro, incluí danças afro-brasileiras, dança contemporânea e contato-improvisação. Em cada espetáculo busquei como fazer conversar estilos que usualmente não se apresentam em conjunto, ao mesmo tempo em que, através dessa inclusão, se apresentava a riqueza cultural da região”. Ao falar sobre a experiência de trabalhar com os grupos culturais da Região Portuária, Regina Miranda pontua o espírito cooperativo que perpassou todo o projeto: “Trabalhamos especialmente com o grupo amador da Cia. Aplauso e o Talentos da Vez, ambos do Galpão Aplauso, projeto dirigido por Ivonette Albuquerque há mais de dez anos. Além desses, tivemos a participação do Afoxé Filhos de Gandhi e também convidamos outros grupos da região, como a Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades e a Companhia Ensaio Aberto, que, infelizmente, não puderam participar em função de outros compromissos, mas deram força para o projeto e ajudaram enviando sugestões de artistas da região”. Regina realça a visão de futuro encerrada na proposta: “Trabalhar colaborando no desenvolvimento de jovens talentos, acreditar na arte e na cultura como feixes indispensáveis para a transformação social e apontar a possibilidade de um futuro profissional como artistas para os que assim o desejarem são algumas das missões mais importantes do projeto Rio Cidade Criativa 2010-2020, que criei e que se tornou um parceiro institucional importante para o Porto de Memórias. O trabalho no Galpão Aplauso nos assegurou que este percurso é promissor. Além de ajudar a desenvolver e revelar talentos, nós desenhamos e exploramos mapas sociais mais amplos, estabelecemos relações de confiança artística e pessoal e plantamos sementes de esperança em todos, ao provocarmos a reflexão e engajamento nos processos culturais de transformação da cidade em Cidade Criativa”.

mário margutti mfmargutti@gmail.com


Substituição da Perimetral Aumento da fluidez do trânsito da região com novo sistema de mobilidade urbana Implementação de passeio público Área arborizada de 3.450m de extensão e 215.062m² ligará Aterro do Flamengo à Praça XV Integração de transportes públicos Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em conexão com metrô, trens, barcas, telefé teleférico, BRTs, redes de ônibus convencionais e aeroporto Valorização dos pedestres e ciclistas Implementação de 17 km de ciclovias e ruas exclusivas para pedestres Implementação de novas redes de infraestrutura Sistema de água, saneamento, drenagem, energia, gás natural, telecomunicações, iluminação pública

Mudanças de trânsito

Novos pontos e itinerários de ônibus

Rotas alternativas

Apresentação completa da operação

Recomendações

Página da operação


C8 Edição Especial

julho – agosto de 2014

cultura e cidadania

Biblioteca Estação Leitura: livros ao alcance do povo Projeto do Instituto Oldemburg incentiva a leitura para usuários do Metrô Rio Divulgação

Estrategicamente localizada dentro da Estação Central do Metrô Rio, a acolhedora Biblioteca Estação Leitura facilita o acesso ao livro para os mais de 60 mil usuários que passam por ali diariamente. Pode-se dizer que a biblioteca foi até o povo, ao invés de esperar passivamente pela visita das pessoas. Concebida pelo Instituto Oldemburg em parceria com a Prefeitura do Rio e o próprio Metrô, a biblioteca foi inaugurada no dia 12 de fevereiro deste ano, com o objetivo de proporcionar aos passageiros e transeuntes da estação empréstimos e consultas gratuitas ao acervo, juntamente com eventos culturais relacionados à leitura, tais como exposições, palestras e exibições de vídeo. Nas estantes, estão catalogados 2.481 títulos de livros e, em poucos meses, de funcionamento, a Estação Leitura conta com 942 usuários cadastrados e já realizou 2.468 empréstimos e 444 renovações. Os relatórios elaborados pela equipe mostram que os três usuários individuais mais ativos já levaram para casa, respectivamente, 29, 27 e 21 livros desde que a biblioteca foi aberta ao público. Esses números são excelentes, levando-

A estante onde os usuários do Metrô podem fazer troca de livros

-se em conta que a pesquisa Retratos da leitura no Brasil, que é realizada todos os anos pelo Instituto Pró-Livro, indica uma média nacional de apenas quatro livros por habitante/ano. Um dos segredos da Estação Leitura é a instalação da Galeria Arte e Literatura nos corredores do Metrô, ao lado da Biblioteca. Nessa galeria, exposições de fotografias e textos didáticos contribuem para atrair as pessoas para pegar livros. A primeira exposição ali promovida, Vidas secas, foi composta por fotos de Evandro Teixeira de pessoas que sofrem com a seca nordestina. Juntamente com as

fotos, foram apresentados textos selecionados do livro homônimo do escritor Graciliano Ramos, que também deu resultado: no período da exposição, o livro mais solicitado pelos usuários foi justamente essa obra do escritor alagoano, perfazendo um total de 34 empréstimos. Para Cristina Oldemburg, presidente do Instituto que conduz o projeto, “a Galeria se coloca como um espaço privilegiado na interação entre a Biblioteca Estação Leitura e seus leitores”. Acrescenta ela: “Acredito que o poder e o fascínio das artes plásticas e visuais se constituem num importante instrumento pedagógico

no processo de aproximação entre o indivíduo e a palavra escrita ou a mensagem poética, facilitando a compreensão do texto literário”. Na visão de Cristina, “a integração entre a literatura e as demais artes enriquece a relação das pessoas com o mundo que as cerca e amplia a potencialidade de reflexão crítica e criativa, por isso, meu maior desejo é o de que possamos conquistar com esse novo espaço muitos e novos leitores!” Outra estratégia para atrair mais leitores é o Posto de Trocas, uma estante com livros sobre diversos assuntos que podem ser trocados por outros oferecidos pelos usuários do

Caderno Cultura e Cidadania Realização

Patrocínio

Metrô. “Basta trazer livros em bom estado e fazer a troca, levando para casa todas as obras que a pessoa achar interessante”, esclarece Cristina. Para o ano de 2015, quando a cidade do Rio de Janeiro completará seu 450º aniversário, Cristina já está planejando outras formas de conquistar novos leitores. Uma delas é o projeto Rio de Literatura, que consistirá na instalação de uma TV de plasma na parede frontal da Biblioteca, para exibição de vídeos sobre poesia. Em princípio, serão exibidos os vídeos do programa O palavrão, apresentado pelo jornalista Claufe Rodrigues e exibido no Canal Brasil. Trata-se do primeiro programa televisivo dedicado exclusivamente à poesia e que ficou no ar durante dois anos. Outro projeto para o próximo ano é o Vivências Lúdico-Literárias: a ideia é fazer exposições de fotografias e imagens ligadas a livros identificados com a cidade do Rio de Janeiro e depois distribuir gratuitamente 200 exemplares de cada um desses livros para o público, pelo processo de retirada de senhas uma semana antes do evento. Esse sistema já foi testado com sucesso no

evento que marcou a inauguração da biblioteca, em 12 de fevereiro passado, quando ocorreu uma sessão de autógrafos do minilivro Essa terra, com a presença do autor Antônio Torres, imortal da Academia Brasileira de Letras. Uma semana antes, foram distribuídas as senhas para ganhar o livro. Além dos autógrafos, o escritor ofereceu ao público que compareceu à biblioteca uma fala preciosa, que mesclou sonhos, histórias e muita inspiração. Uma das exposições previstas para o próximo ano já prevê uma parceria com jovens do Morro da Providência, que aprenderam a arte da fotografia no Instituto Favelarte, organização não governamental criada pelo fotógrafo social Maurício Hora, com o objetivo de gerar trabalho e renda para moradores da comunidade. A Biblioteca Estação Leitura tem uma abertura na parede para facilitar a devolução de livros e seu horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


13 folha da rua larga

julho – agosto de 2014

cidade morro da conceição Meu caminho eu mesma traço Para finalizar o perfil dos artistas moradores do Morro da Conceição, falo hoje da mais nova artista a se integrar ao Projeto Mauá: Erikka Costa. Educadora, artista e poeta, ela é carioca, formada em Belas Artes pela UFRJ e trabalha com Arte e Educação. Há 13 anos ministra aulas de Educação Artística em duas escolas da rede municipal. Inclusive, vem desenvolvendo há dois anos, em sala de aula, um experimento com mandalas, na Oficina de Eco-Conexão. Antes de vir para o Morro da Conceição, morava em Santa Teresa, e lá já participava de vários movimentos artísticos. Em 2010, mudou-se definitivamente para o número 109 da Rua do Jogo da Bola (Casa Espaço, 109). Com um ar calmo, a jovem artista e poeta, na verdade, é uma agitadora incansável, que participa ativamente de movimentos religiosos, culturais, históricos, artísticos e tudo mais que aparecer no entorno. Além, é claro, de ser amante de música, cinema e fotografia. Em 2011, criou o projeto “Intervenções sonoras e gastronômicas” na pracinha em frente à sua casa-ateliê, utilizando o corpo como eixo da linguagem poética. Assim, atraiu um grande número de artistas com interesses comuns. Tempo depois, com a chegada das obras do Porto Maravilha no Morro, foi dada uma pausa, para tristeza dos frenéticos frequentadores. Vale lembrar que Erikka é a criadora da série SINCRetnicos. Nesse trabalho, ela usou e abusou das formas e cores, transformando elementos simples em objetos belíssimos, usando materiais reaproveitáveis. Erikka já participou dos dois eventos do FIM (Fim de Semana do Livro). No primeiro, lançou Interferências, um livro de poesia artesanal com ilustrações e colagens. No segundo, fez uma performance poética. O sucesso foi tanto que, em breve, irá lançar um vídeo do evento. A performance se chamou “Eu sou o poema-objeto”. Ela escreveu suas poesias no chão, nos móveis, nos objetos, nas paredes e, finalmente, usando seu próprio corpo como suporte das palavras. A inspiração brota da mente, tatua a pele, sai pelos poros e vai além, permitindo a intervenção do outro, deixando que todos escrevam em seu corpo, pensamentos e frases. Enfim, é uma completa simbiose do fazer artístico. Essa bela apresentação artística teve a participação de uma convidada especial, a performer e bailarina Jaqueline Pradié, que abrilhantou o evento com sua dança. Em entrevista, Erikka nunca se esquece de agradecer o apoio incondicional que recebe de Ana Paula Aniceto na cocriação das ideias e eventos que fazem.

Em agosto, Erikka dará uma oficina na Casa Porto, intitulada Construções Poéticas. E a partir de setembro, no mesmo local, fará uma exposição chamada Trajetórias, na qual realizará uma intervenção a cada mês. E assim segue a história de vida de mais uma artista que cria, inventa, constrói sonhos, grandes e pequenos, no seu mundo, neste pequeno Morro chamado Conceição. Agora, aos artistas do Morro: há aproximadamente três anos, tenho ocupado o espaço desta coluna para apresentar aos leitores os artistas moradores do Morro da Conceição, muitos deles pertencentes ao Projeto Mauá. Quero agradecer a todos os artistas que ao longo do tempo colaboraram com a Folha da Rua Larga, possibilitando aos leitores conhecer a diversidade artística e cultural existente no Morro da Conceição. Erikka: Casa Espaço, 109 – Rua Jogo da Bola, 109. Contato: erikkasanta@hotmail.com. teresa speridião Site da Casa Porto: teresa.speridiao@gmail.com www.casaporto.org.br.

Região vai abrigar a Fábrica de Espetáculos do Theatro Municipal A nova central produzirá cenários, adereços, figurinos e produtos técnicos A Região Portuária vai ganhar um importante equipamento cultural: a Fábrica de Espetáculos, que vai produzir cenários e adereços para as produções do Theatro Municipal do Rio. A nova fábrica será instalada no antigo Armazém Paranapanema, que tem 3.500 metros quadrados de terreno e 7.000 metros de área construída, na Avenida Rodrigues Alves, 303/331. A CTP (Central Técnica de Produção), que era localizada em Inhaúma e fazia esse trabalho para o Municipal, será transferida para o novo espaço, assim como todo o acervo da instituição, que ficava no Museu do Theatro, em Botafogo. O acervo, acessível somente a pesquisadores especializados, será finalmente aberto à visitação pública. As peças que reúne são valiosas. Entre elas, podem ser mencionadas: o piano de Chiquinha Gonzaga, partituras originais de Heitor Villa-Lobos, figurinos de Cacilda Becker, bem como cenários e adereços de grandes espetáculos. A antiga Central de Inhaúma deverá ser transformada em algum tipo de instituição que atenda à comunidade local, por enquanto, sem qualquer definição. A proposta da fábrica é formar novos técnicos para as artes cênicas, ensinando através da prática e fazendo com que, além de aprender, os alunos tenham contato com a confecção de peças, óperas e espetáculos. Para descobrir uma instituição estrangeira com qualidade de trabalho suficiente para se tornar uma referência, o cenógrafo Gringo Cardia foi designado para viajar a outros países e fazer uma pesquisa em vários teatros do mundo. Gringo indicou uma entidade italiana, a Accademia Teatro Alla Scala de Milão e, após a assinatura de um convênio, os primeiros 120 professores já estão for-

mados. Também foi firmada uma parceira com a ONG Spetaculu, que fica perto da Rodoviária Novo Rio, e que, liderada por Gringo Cardia, oferece há 12 anos cursos de profissionalização para jovens nas áreas de arte e tecnologia. De acordo com a coordenadora do projeto por parte da Alla Scala de Milão, Dianella Chiodi, o primeiro ciclo de formação já foi concluído, e as pessoas inscritas receberam capacitação em disciplinas como Segurança do Trabalho, Pintura Artística em Telões, Música para Direção de Cena, Software Maya (para animação em 3D), Maquiagem, Efeitos Especiais, Operação de Luz e Produção Teatral. Esses cursos são normalmente

oferecidos na Itália, mas aqui no Rio, Dianella concluiu que há um maior entrosamento entre alunos e professores. Atualmente, os cursos da fábrica estão divididos em três núcleos: Básico, Avançado e de Especialização. No primeiro caso, os cursos são de Cenotécnica, Adereços, Cabelo e Maquiagem, Eletricista Cênico, Sonorização, Fotografia, Vídeo e Edição, Contra-regragem, Camarim e Costura. No Avançado, os cursos são: Cenotécnica II, Serralheria/ Marcenaria, Maquinista, Adereços de Cenário, Cabelo e Maquiagem II, Caracterização e Efeitos Especiais, Alfaiataria, Chapelaria, Corte e Costura II, Sapataria, Iluminação, Sonorização II,

Fotografia de Cena, Vídeo de Espetáculos, Contra-regragem II, Camarim II, Assistência de Produção e Novas Tecnologias II. Já o Núcleo de Especialização ofertará cursos de Cenografia I e II, Escultura I e II, Pintura de Arte I e II, Perucaria, Iluminação II, Novas Tecnologias II, Direção de Cena e Produção Executiva. De frente para o passeio público criado pelas obras do Porto Maravilha, o prédio da Fábrica de Espetáculos será integrado à área de convivência de pedestres, ciclovias e Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


14 folha da rua larga

julho – agosto de 2014

gastronomia Preciosidade gastronômica no coração do Centro Restaurante Baroa agrada aos paladares mais exigentes Carolina Monteiro

O Restaurante Baroa funciona há seis anos na Rua da Quitanda e é dirigido por uma dupla de profissionais: Sr. Carlos e Luiz Carlos. A decoração chama atenção com enormes quadros criados por Toni Varella, diretor de arte e designer que se especializou pela Disney em Eatertainment – mescla de comida (eat) com entretenimento (entertainment) – e concebeu marcas brasileiras importantes, como Joe e Leo´s, Bob´s, Frontera e Galeria Gourmet. É ele, portanto, quem assina a identidade visual do Baroa. O salão comporta 86 pessoas e recentemente ganhou um telão com retroprojetor na parede frontal, abrindo um leque de oportunidades para promover eventos empresariais e comemorações através de mídias audiovisuais. Quando entrou na moda vender a quilo nos restaurantes, ninguém poderia imaginar que em pouco tempo eles se sofisticassem tanto. O Restaurante Baroa é um desses que prima pelo controle absoluto de qualidade e criatividade na arte culinária. A chef de cozinha Lúcia Moraes prepara o cardápio semanalmente (veja no site) e cria pratos diferentes todos os dias, que fazem grande sucesso entre os clientes. Entre uma enorme variedade de saladas, quiches, empadões e suflês individuais, estão também carnes grelhadas, peixes nobres, risoto de carneiro, massas, funghis, camarões empanados e pratos de bacalhau inventados pela criativa chef. Para deleite dos clientes, o Baroa ainda oferece comida japonesa preparada no próprio local por um experiente sushiman: viva o Hot Philadelphia quentinho, crocante por fora e cremoso por dentro! Outra grande qualida-

receitas carol Adoro o inverno! Essa estação do ano nos permite comer melhor, pois temos uma oferta incrível de legumes e frutas nos mercados. Podemos deixar fluir a imaginação para criar pratos diferentes e aconchegantes para nos aquecer nesses dias frios. Uma boa opção são as bruchettas, sanduíches abertos que podem ser servidos como entradinhas chiques, típicas

da Itália. Nesta versão, escolhi figos com gorgonzola e mel em homenagem ao nosso clima europeu do momento, mas podemos variar os recheios. Uma ótima alternativa são tomatinhos com mozarela e manjericão, ou pastinha de ovo com salmão defumado, ou até presunto com picles variados. Escolha a que mais combina com você e bom apetite.

Bruschettas típicas da Itália ACP

O Baroa tem uma decoração moderna e acolhedora, criada por Toni Varella Carolina Monteiro

A carta de vinhos do Baroa foi planejada para harmonizar com requinte ótimos vinhos com as entradas, os pratos principais e as sobremesas Carolina Monteiro

Um delicioso sushi está entre as muitas opções gastronômicas da casa

de do Baroa é servir seus pratos em pequenos recipientes. Por isso a reposição ocorre frequentemente, mantendo o frescor dos alimentos e garantindo pratos novos aos que chegam mais tarde. No Baroa, o cliente pode montar o prato e harmonizar com um belo vinho. Na carta, há espumantes, tintos

e rosés com ótimos preços. Destaque especial para o Cala N1, espanhol que faz o paladar entrar em êxtase nas uvas Tempranillo, Shiraz e Cabernet. Outra opção interessante é o francês Prestige Rosé (o preferido da cantora Madonna). Além de ser um ótimo vinho, vale a pena levar para casa a belíssima garrafa cor de rosa

com casco jateado e tampa de vidro. Ainda tem mais: a surpreendente variedade de sucos naturais de frutas, desintoxicantes, exóticas e cítricas, que são servidos luxuosamente em uma grande taça com haste longa. Diletto é o nome do sorvete cremoso e saboroso. Experimente um e você vai se sentir na Itália. Para selar seu almoço com chave de ouro, peça uma das quatro variedades do café Nespresso, altamente torrado e com corpo denso. Depois de um almoço que podemos chamar de nobre, saia do restaurante com uma ideia fixa: voltar no dia seguinte. Até porque, em breve, o Baroa vai abrir suas portas para um animado happy hour (aguardem!). O Restaurante Baroa fica na Rua da Quitanda, 187, loja A. Horário de funcionamento: de 2ª a 6ª feira, das 11h30min às 15h30min. Telefone: (21) 2253-5810. Visite a página na internet: http://www.baroa.com.br.

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Ingredientes • 8 fatias de pão de fôrma (centeio ou integral) • ½ xícara de queijo gorgonzola esfarelado (120g) • 8 figos partidos pela metade • ½ colher de sopa de mel • 1 colher de chá de tomilho fresco • sal e pimenta a gosto Modo de preparo Torre as fatias de pão de fôrma para que fiquem levemente douradas. Coloque-as em um tabuleiro e ponha uma colher de sopa do queijo gorgonzola em cada uma. Deposite por cima duas metades de figo e salpique folhas de tomilho, sal e pimenta a gosto. Leve ao forno pré-aquecido a 200º C

até que o queijo comece a derreter. Retire do forno e regue com uma colher de chá de mel.

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lazer folha da rua larga

julho – agosto de 2014

Centro Cultural Light recebe a 22ª edição do Anima Mundi Para o público, animações com propostas inovadoras e curtas para crianças Divulgação

O Festival Anima Mundi vai agitar mais uma vez a cidade, ocupando diversas salas de exibição, no período compreendido entre 25 e 31 de julho. Uma das grandes atrações da edição de 2014 será a exibição de uma cópia remasterizada do longa-metragem de animação Yellow Submarine, para a alegria dos beatlemaníacos. O filme foi realizado por meio da técnica do rotoscópio e conquistou as plateias do mundo inteiro com seu humor surrealista e sua linguagem psicodélica. Outra atração será Duet, realizado pelo mestre da animação norte-americano Glenn Keane, que foi especialmente convidado pelo Google para desenvolver uma técnica com novas ferramentas digitais, voltada para dispositivos móveis. O

Cena de História antes de uma história, primeiro longa criado pelo Núcleo de Cinema de Animação de Campinas

projeto se denominou Spotlight Series e quem participou dele encarou o desafio de criar suas animações em telas de telefones celulares. No ano passado, a Light deu apoio cultural ao Anima Mundi e assumiu a tarefa de levar 100 crianças e jovens das comunidades pacificadas de Cidade de Deus, Babilônia e Chapéu Mangueira para participar

do evento. Convidados especiais, os jovens assistiram a filmes de animação e participaram de oficinas de massinha, grafite animado e areia, entre outras. Na ocasião, a gestora social da companhia, Sandra Consoli, afirmou que o trabalho da Light nesse universo vai além do costumeiro: “Relacionamento com as comunidades é mais do que fazer

reformas na rede elétrica e dar dicas sobre uso eficiente da energia. Também é proporcionar atividades culturais para esses moradores, por exemplo, promovendo idas ao teatro e também a eventos como o Anima Mundi”. Um dos destaques da edição 2014 é História antes de uma história, primeiro longa-metragem do Núcleo

de Cinema de Animação de Campinas, que tem 40 anos de existência. A equipe de produção era bem reduzida, apenas 15 pessoas, e o filme demorou 13 anos para ficar pronto. Quase 100 mil desenhos foram criados para que fosse possível chegar ao resultado que os cariocas irão conferir nas telas. Primeiramente eles foram desenhados à mão e,

em seguida, digitalizados. Segundo o diretor do filme, Wilson Lazaretti, a digitalização ajudou a reduzir o trabalho mecânico. A programação do CCL está sintetizada na tabela abaixo e o detalhamento dos filmes que serão exibidos em cada dia e horário está no site do festival (http://www.animamundi. com.br/):

Centro Cultural Light 13:00 15:00 17:00 19:00

Sex 25 Panorama 2 Curtas 9 Curtas 3 Curtas 4

Sáb 26 Infantil 4 Infantil 3 Curtas 2 Curtas 10

Em resumo: diversão garantida para todas as idades. O Centro Cultural Light fica na Avenida Marechal Floriano, 168, Centro.

Dom 27 Infantil 2 Infantil 1 Portifólio 1 Portifólio 2

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Folha da Rua Larga 46ª Edição