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Editorial Editora-Chefe Bia Cardin Editora-Assistente Neli Sousa Editor de resenhas Hugo O. Colaboradores nesta edição Eduardo Paixão Aires, Vitor Nunes, Artur Dias, Jôder Filho, Hugo O., Adriano Reis Revisão Bia Cardin, Neli Sousa, Design e Webdesign Neli Sousa Fotográfos (as) nesta edição: Hugo O, Neli Sousa, Bia Cardin Edição de Fotos Bia Cardin, Neli sousa Contatos: contato@heavyrama.com heavyrama@gmail.com heavyrama@hotmail.com

The Metal! (Tenacious D) Eis a última edição da Revista Heavyrama neste ano de 2010. Para nós foi um ano de crescimento e de aprendizado com as bandas, os organizadores e o público. Infelizmente, no mês de novembro sofremos um baque com o ocorrido no Sangre Fest (no qual cobrimos) que reflete bem a situação do nosso atual cenário, não somente em Goiânia, mas em boa parte do Brasil. Muitos viram o desabafo do vocalista da Shaman, Thiago Bianchi, então não é necessário inserir mais discurso a respeito (aos que não viram, leiam). Desejamos que o ano que vem seja de apoio para as bandas nacionais, no nosso caso especialmente às goianas, temos muito material valioso, gente que trabalha com profissionalismo e se aprimora a cada dia para nos representar com excelência nas cidades afora. Vamos comprar o material das bandas daqui, comparecer aos shows, usar camisas de bandas nacionais, agora é a hora! Também sairemos de férias, então não haverá edição em janeiro e ainda estamos prevendo qual a melhor data para o lançamento da nossa quinta edição, mas vocês serão avisados. Nesse meio tempo também haverá mudanças no nosso site, fiquem atentos. Um excelente ano novo à todos, que 2011 seja o ano da verdadeira união! Metal sempre!


Sumário Agenda Indicações de Blogs

04

04

Deadly Curse 06 Dark Ages 14 Sangre Fest 18 Entrevista -

Guilherme Aguiar

24

In The Shadows 30 Porão Caos 32 Entrevista - Fellipe

CDC 36

R.I.P. - Magnificência

40

Pré-Natal Metal 44 Keeper of Keys

48

Entrevista - Isabella

Negrini

50

O Réquiem - 2ª Edição

54

Artigo - Vader e Ragnarok em Goiânia

58

A Hora do Pesadelo

60

Resenha - Art

62

of Khaos

Resenha - Gräfenstein Resenha - Spallah Resenha -

63

64

Ravok 65

Conto - As Flores de Alice

66

Making Of 68


Agenda | Indicações

Agenda 23|12 - Rock do Noel (Vaca Brava) 30|12 - Moon Patrol - A festa (Old Studio) 19|01 - Blaze Bayley (Bolshoi Pub) 20|01 - Matanza (Bolshoi Pub) 30|03 - Iron Maiden (Em Brasília) 05|04 - Ozzy Osbourne (Em Brasília)

Indicações de Filmes Headbanger’s Journey

Heavy Metal do Horror - Trick or Treat

Global Metal

Detroit Rock city

Ruído das Minas - A origem do Metal em Belo

Heavy Metal Louder Than Life

Horizonte Born to Lose - The Last Rock and Roll Movie The Wall - Pink Floyd Rockstar

4 - Heavyrama

Tenacious D - Uma dupla infernal


Deadly Curse Texto : Hugo O. / Fotos: Neli Sousa

http://www.myspace.com/deadlycurse

A

banda de Death Metal Melódico Deadly Curse, que prepara seu segundo álbum, ainda sem nome , e uma turnê pelas regiões Norte e Nordeste do país , é considerada pelo público goianiense um dos grupos que se destacam na cena underground. Qualidade técnica, criatividade e sintonia entre os integrantes (Vocal: Thiago An6 - Heavyrama

drade, Guitarra solo: Maciel Paiva, Guitarra base: Kellerman Paulo, Baixo: Artur Dias, Bateria: Victor “Spidom” Gomes) são as principais características da Deadly Curse, que apareceu em 2010 com um rosto próprio e formação consolidada para enfrentar as plateias. Com uma proposta inicial de fazer um Thrash


Deadly Curse

Metal oitentista e influenciada por bandas como Arch Enemy, In Flames e Soilwork – além das influências individuais dos integrantes, formação que se consolidou somente após a entrada de Spidom, Artur e Maciel – a Deadly Curse experimentou várias características , o que causa difilculdade na definição de seu estilo, embora se convencione

rotular seu som como Death Melódico. O crescimento da banda, desde a demo Deadly Curse, é perceptível aos mais leigos, sendo que as trocas de integrantes e experiência em apresentações são fundamentais para que os indivíduos tenham desempenho favorável no estrado. Embora tenha passado por vários moldes e estilos, com os integrantes que não se firmaram no grupo, Kellerman afirma que a proposta ainda é a mesma da inicial. “Estamos mais maduros e mais conscientes, as nossas letras narram os mesmos temas só que com uma dinâmica melhor. Com a entrada do Artur Dias e Maciel de Paiva houve um impacto muito grande tanto sonora quanto lírica”. Kellerman diz ainda que com esse amadurecimento o maior impacto foi na parte instrumental, pois, segundo ele, os integrantes estão sempre ouvindo trabalhos novos, o que influi e colabora na criatividade e na arte final. “isso [novos sons] vai se agregando ao nosso som intuitivamente. Muitos falam que mudamos de uma banda Thrash para uma banda de Death metal melódico, cada qual com sua opinião”. As dificuldades que os integrantes passam são os mesmo da maioria das bandas entrevistadas pela Heavyrama: tempo e dinheiro. Segundo Thiago, esses são os dois fatores principais, porém, todos trabalham, estudam e namoram, o que interfere tanto na banda quando nos indivíduos que a compõem. “Às vezes acaba acontecendo de alguém levar um problema de fora pra dentro do grupo e, claro, isso se torna algo desconfortável, embora é algo que não controlamos, é inerente à rotina estressante de cada um. Infelizmente não podemos viver do nosso trabalho, da nossa música”, lamenta. Heavyrama - 7


Deadly Curse

Em entrevista à Heavyrama, a Deadly Curse faz uma breve retrospectiva sobre sua história, considerações sobre o cenário Metal de Goiânia e revela suas perspectivas para o ano de 2011. 8 - Heavyrama


Deadly Curse

HEAVYRAMA - Como e quando surgiu a banda?

HEAVYRAMA - Quem são os compositores principais da banda?

KELLERMAN - A banda surgiu em agosto de 2005 (Na verdade a ideia desse projeto já vinha ecoando há muito tempo, mas só se concretizou nesta data). No início éramos somente três: eu(Kellerman), Igmar Junior e André Luis. Gostávamos muito de metal 80, então resolvemos fazer um som seme-lhante, mas sempre fomos bastante ecléticos, ainda mais com a entrada de Thiago Andrade no vocal e Luan Ataídes na guitarra, no fim acabou se tornando outra coisa que até hoje eu não sei bem definir o que é. HEAVYRAMA - Quais são suas principais influências? MACIEL - Como banda no geral é difícil encontrar um ponto em comum, uma unanimidade. Cada integrante veio de uma vertente diferente do Metal e as influências variam muito. Mas creio que as bandas de Gotemburgo influenciam bastante nosso som, bandas como Arch Enemy, In Flames, Soilwork. Mas é errado comentar somente estas bandas, há várias outras bandas que nos influenciam. HEAVYRAMA - Quantos trabalhos lançados vocês produziram? KELLERMAN - Lançamos um demo em 2007 autointitulado contendo 4 músicas e em 2009 lançamos nosso Debut intitulado “Renegade”. Participamos também de algumas coletâneas produzidas por fãs, infelizmente não me recordo o nome de nenhum desses trabalhos.

MACIEL - O principal compositor é o Kellerman, ele montou a banda e compôs a maioria das músicas do Renegade. Atualmente eu e o Artur estamos levando nossas ideias, durante os ensaios todos opinam sobre algo que deve ser mudado. Um bom exemplo foi a “Enchantment of Pain”. A música foi feita pelo Artur, escrevi a letra, mas ela mudou bastante em relação a primeira versão, durante as gravações do Renegade ainda estávamos mexendo nela. HEAVYRAMA - Deadly Curse é atualmente um expoente da música extrema em Goiânia. Como era no início, o que mudou? THIAGO - O início é sempre complicado, porém, mais divertido. Começamos com uma ideia na cabeça e hoje ela é totalmente diferente. Há cinco anos, Goiânia tinha um público bom, com shows rolando frequentemente. Então digamos que começamos numa época boa que ajudou a banda a se desenvolver bem. HEAVYRAMA - Quais são as principais dificuldades de vocês em relação à banda? THIAGO - Os dois fatores principais são tempo e dinheiro. Fora isso, todos trabalham, estudam, namoram e isso influencia diretamente no contexto geral da banda e de cada membro. Às vezes Heavyrama - 9


Deadly Curse

Kellerman

Maciel

acaba acontecendo de alguém levar um problema

que não compensa ir a eventos pagar 10,00 para

de fora para dentro do grupo, e claro, isso se torna

ver algumas bandas (algumas ruins) e pagar caro

algo desconfortável, porém não pode ser evitado

pela cerveja. Por outro lado os organizadores não

devido à rotina estressante de cada um. Infeliz-

podem investir numa estrutura melhor e baratear a

mente não podemos viver do nosso trabalho, da

comida e bebida vendida dentro do evento, porque

nossa música.

ele sabe que não vai ter público para cobrir o gasto. Então reclamar de estrutura de evento e de público

HEAVYRAMA - Qual é sua opinião sobre a

que não vai em evento e quando vai não entra, é

produção de evento aqui, o que deve melhorar e

fácil. Na atual situação de decadência que se en-

como isso deve ser feito?

contra a nossa cena, não adianta nada ficar apontando ou procurando culpados, cabe a cada um

MACIEL - Hoje vejo toda esta questão de eventos

tentar fazer a sua parte para que os eventos não

como um ciclo vicioso. O público não vai por achar

acabem. Tem uma galera aí tentando botar circuito

10 - Heavyrama


Deadly Curse

Victor

Artur

Thiago

de Metal para frente aqui em Goiânia. Um bom

HEAVYRAMA - Quais são suas expectativas para

exemplo foi o Under Metal e o lançamento do selo

o próximo ano?

Sangre. Apesar do ocorrido, é uma iniciativa que merece total apoio, agora mais ainda. Enquanto

THIAGO - Estamos com planos de fazer uma turnê

só alguns fizerem e outros ficarem em casa vendo

pelo Brasil em julho e começar a gravar o nosso

vídeo no Youtube e falando merda no Orkut, essa

novo álbum no final do ano. Creio eu que será o

cena não vai pra frente. E vale para as bandas tam-

ano decisivo na vida da banda, ao mesmo tempo

bém, elas tem que se profissionalizar inclusive por

em que estamos ansiosos, bate o medo de não ser

uma questão de respeito ao próprio trabalho e ao

o que esperamos. Mas temos que passar por isso

público que vai em show e não quer ver cinco car-

para ver o verdadeiro poder da banda.

as chapados fazendo barulho, o público quer ver uma banda de verdade tocando com qualidade e

ARTUR - Pretendemos fazer um relançamento do

que respeite o dinheiro que foi pago pelo ingresso.

“Renegade”, conseguir fazer ele prensado, já esHeavyrama - 11


Deadly Curse

tamos trabalhando pra isso e conversando com o

HEAVYRAMA - Nesses anos todos de existência,

nosso selo que é a Two Beers para que a gente

vocês se arrependem de alguma coisa?

consiga viabilizar isso no ano que vem. Acreditamos que o o relançamento prensado vai abrir mais

THIAGO - Da minha parte não e acho que do

portas pra gente e para os nossos projetos futuros.

resto da galera também não. Tudo que eu fiz sempre foi em função da banda, já briguei de-

HEAVYRAMA - O relançamento de “Renegade

mais em nome da Deadly Curse. Até hoje ainda

“conterá músicas adicionais?

brigo, eu sou o cara enjoado do grupo. Então não

ARTUR - Sim, terá uma faixa nova, já estamos to-

aceito pessoas querer pisar no nome ou em al-

cando-a nos shows e o pessoal já a conhece, é a

guém da banda.

música “The Unbeliever” que é inédita para quem nunca viu um show, mas tirando isso é o mesmo

HEAVYRAMA - Qual sua opinião sobre o aconteci-

material que gravamos anteriormente.

mento do dia 14/11 no lançamento do selo Sangre?

12 - Heavyrama


Deadly Curse

THIAGO - Acho lamentável, foi mais um ponto negativo para o cenário goiano. Não sei o que aconteceu ao fundo, cada um conta uma história diferente. Então prefiro nem opinar nessa questão. HEAVYRAMA - Tem alguma mensagem para seu público?

THIAGO - Primeiramente obrigado a vocês da Heavyrama pelo espaço. Obrigado a todas as pes-

Passa o Trono A banda Deadly Curse indica: Ressonância Mórfica http://www.myspace.com/ressonanciamorfica Hypnotica http://www.myspace.com/hypnoticabr

Alltorment http://www.myspace.com/alltorment

soas que gostam do nosso trabalho, que acompanham a banda em shows, aqueles que compraram o Renegade. Vamos voltar com muitas novidades

A Última Theoria http://www.myspace.com/aultimatheoria

para 2011, aguardem!!!! Heavyrama - 13


Dark Ages Texto : Eduardo Aires / Fotos: Bia Cardin

Death, Thrash ou Heavy?

A proposta da Dark Ages é tocar metal pesado, sem seguir uma vertente” diz Thiago Lourenço, vocalista, guitarrista e um dos fundadores da banda goianiense. Tudo começou em 2002, quando seu projeto chamado Sentence of Death não deu certo, então resolveu montar uma nova banda, para isso chamou Rodolfo Guimarães para a guitarra, Henrique Arantes para o baixo e Ronnie Stuart para a bateria. Com esta formação fizeram shows de 2002 à 14 - Heavyrama

2003, em seguida várias mudanças aconteceram na Dark Ages. Entre as figuras que já passaram por lá, nas guitarras, estão, Ramon Freitas, Gabriel Caldeira, Icaro V8, Danillo Pitaluga, Maycon Dias e Renato Reis, até chegar no atual Tony Carvalho. No baixo Wilton Spook e Felipe Borges, substituídos pela atual baixista Laysson Mesquita. No vocal passou Erick José - atualmente Thiago Lourenço - na bateria também apenas uma mudança, saiu Ronnie Stuart e logo Diego ‘Cabaço’ assumiu as baquetas.


Dark Ages

O fato de não rolar dinheiro no meio, a dificuldade de se lidar com metal e até a personalidade de Thiago podem ter influenciado nas muitas mudanças de formações, diz o vocalista. Segundo ele, ter banda de metal é uma tarefa um pouco louca, mas “ainda existe um pouco de insanidade em mim para querer continuar”, completa Thiago.

Laysson, baixista, já fez tributo ao Sepultura em 2009, e Soulfly em 2010, ambos no Covernation, e foi convidado a fazer participação com outras bandas no Tattoo Rock Fest e Go Mosh 3, hoje em dia também está na D.D.O, Keeper os Keys e Spirit of the Shadows. Alguns shows como o History Of Metal (2003),

Assim como as inúmeras pessoas que já passaram pelo grupo, os atuais também já tocaram em outras bandas. Tony Carvalho, atual guitarrista, já passou pela Surom, Morus, Metal Warrior, Dyatryb e Gods Of Steel. Diego, baterista, pela Messias e Banda, Darlenia, Agharta, e atualmente também está na Br In Soul e com Julio & Junior.

Miscelania (2003), Brutal Fest, Metal Chaos 2 e 3 (2005) e God of Metal (2009) já fizeram parte da carreira dos músicos. Além disso, já participaram de alguns projetos de tributo, como o Megadeth Cover em parceria com Artur Dias da Deadly Curse. Laysson destaca alguns sons que estão presentes em sua playlist como Sepultura, Metallica, Black Heavyrama - 15


Dark Ages

Tony Diego

Thiago

Laysson

Sabbath, Tool, Karnivool, Textures e bandas novas como Woslom, Scars e Dynahead, além de sempre acompanhar a cena goiana. Já Thiago gosta de escutar bandas antigas e tradicionais, e é fã inveterado de Megadeth. Diego e Tony, são professores de música e sempre ouvem diferentes estilos, mas trazem como influência para a Dark Ages a música erudita, o progressivo e o Black Metal. Atualmente estão começando praticamente do zero, pois o material que possuem está ultrapassado, e a expectativa é que dentro de pouco tempo haja o lançamento de um novo MySpace com quatro músicas. O trabalho atual se resume à 16 - Heavyrama

composição e a pré-produção dos melhores sons a serem escolhidos para a gravação. Segundo o baixista Laysson, a ideia é terminar o material e lançá-lo tanto na internet, que tem sido uma grande vitrine para o underground, quanto em CD. Assim a banda espera fazer novos contatos e aumentar a distribuição através de alguns selos, apesar do vocalista e guitarrista Thiago Lourenço acreditar ser difícil vender produto autoral aqui em Goiânia, pois o público nos shows costuma se preocupar mais com a cerveja. Myspace http://www.myspace.com/bandadarkages


Sangre Fest Texto : Bia Cardin, Hugo O. e Vitor Nunes/ Fotos: Neli Sousa, Hugo O.

Sangre Fest “Nós queremos tocar, nem que seja uma só música”, disse HansFyrst Em entrevista à Heavyrama, integrantes de Ragnarok disseram que é bem provável que não voltem a Goiânia após o lamentável acontecimento do dia 14 de novembro no DCE.

Necropsy Room Necropsy Room foi a primeira banda a se apresentar no evento Sangre Fest. Antes mesmo da galera começar a entrar, os integrantes já estavam marcando o evento com sua presença de palco e suas batidas rápidas. Sua sonoridade é marcada exaltado baixo de Murilo Ramos. Pela metade do show o público aumentou, mas a maioria se manteve do lado de fora dos portões. A banda continuou empolgando aos presentes, e não se importando com certa apatia do público. Eles colocaram as guitarras para gritar em meio aos solos brutais. Necropsy Room fez seu papel preparando a cena para Vader e Ragnarok, mostrando o que sabe fazer de melhor com seu metal rápido e feroz.

Ressonância Mórfica Às 21h50 a Ressonância Mórfica iniciou o show com o instrumental “Mapinguari” e seguiram para 18 - Heavyrama

Necropsy Room “Aleivosia”. O baixo estava um pouco saturado, mas nada que chegasse a incomodar os ouvidos alheios. Não demorou muito para que o vocalista Marcão fizesse apelos ao público morno “Vamos botar pra fuder essa porra”, e seguiram o setlist com os clássicos “Cacofagia”, “Cunnilingus” e com a nova música “Hipopotomonstrosesqpedaliofobia”. Em seguida o show da Ressonância chega em seu ápice com a atormentada “Plutocracia”, nessa, o público finalmente teve uma reação


Sangre Fest

Ressonância Mórfica

Spiritual Carnage

mais calorosa abrindo rodas de hardcore (ainda que pequenas). Assim encerraram o show com “M.N.P.”, e claro, aplaudidos.

que empolgaram o público e saudavam a banda à todo momento. Por fim, o show foi concluído com a faixa “Infernal Lifes” onde o DCE incendiou, os headbangers subiram na grade que os separavam

Spiritual Carnage

da banda enquanto chacoalhavam suas cabeças. Foi uma apresentação regada de brutalidade e um aquecimento apropriado para o que (até então) estava por vir.

A terceira banda goiana da noite, Spiritual Carnage, subiu ao palco e convidaram o público a encher o DCE com a faixa de abertura “Earth and Hate”. Em seguida “Crystal Lord” demonstrou a habilidade do baterista no frenético pedal duplo. Houveram alguns problemas no som durante a execução da música, como a microfonia que persistia e o baixo que estava mais alto do que de costume. “The Immortal Sadness”, “Eternal Darkness” deram continuidade ao ritmo Thrash/Speed

Ragnarok e Vader Enfim, chegara o momento que todos esperavam. Acabara a apresentação de Spiritual Carnage e as pessoas continuaram paradas, como que pregadas ao chão, em frente ao palco. As cortinas espelhadas oscilavam aos tapas de ansiedade, os minutos Heavyrama - 19


Sangre Fest

passavam. Do lado de dentro, nos bastidores, o estrado vazio esperava a entrada de Ragnarok e a chegada de Vader. Vinte, quarenta, sessenta minutos. O show não vai começar? Foi o que passou pela cabeça das pessoas enquanto “Spirit Crusher” de Death as colocava no clima pela segunda vez. Em preto, branco e vermelho os integrantes pintaram suas faces de guerra que só iriam aparecer horas depois de muita confusão. Algo estava fora do esquadro.

gada da Agência, porém estavam impacientes com a demora. Havia três carros da Polícia Militar e um da AMMA, entretanto isso foi somente o início. Os responsáveis diretos pelo evento Pedro Henrique e Guilherme Aguiar estavam tentando uma negociação com os agentes, enquanto mais seis carros, três da polícia e três da AMMA, cercavam o local. De volta aos bastidores, Brigge (guitara), Decepticon (baixo) e baterista Jontho, único remanesPúblico se revolta com o cancelamento do show

Ao conversar com o responsável pela mesa de som obtive um “A AMMA (Agência Municipal do Meio Ambiente)está lá fora, fudeu”. Estava mesmo, mas não quis acreditar que aquela experiência poderia dar errado. Sirenes amarelas e vermelhas voavam pelos muros do DCE e vizinhança. Fora do palco, poucas pessoas sabiam da che20 - Heavyrama

cente da formação original da banda, arrumavam seus instrumentos para tocar. Alguns sons de guitarra e baixo ainda soaram fazendo gritos preencherem o local, porém seria somente aquilo que ouviríamos de Ragnarok. Eles estavam nervosos, notava-se de longe, e descarregavam insultos direcionados a instituição errada, a polícia.


Sangre Fest

Do lado de fora Após obter autorização para sair, fui em direção dos carros e das negociações. Guardas municipais, PMs e agentes da AMMA estavam todos nervosos e desconfiados. Estavam com medo. O coordenador do evento Edy Pereira conversava com o agente responsável Marcus Vinícius Lopes e nada de bom saía de suas bocas:

AMMA interrompe o Sangre Fest Marcus: Se tivesse sido organizado antecipadamente, a polícia teria prazer em garantir a segurança do evento. O fechamento do DCE está certo. Edy: Ontem teve um evento aqui e vocês não apareceram. Agora temos duas bandas internacionais aqui e vocês querem impedi-los de tocar

Marcus: Tá vendo? Vocês têm que fazer um negócio de elite, não dá pra ser bagunçado assim, nós temos que fechar. Eu garanto para o senhor não haverá mais eventos aqui no DCE. Todos queriam falar, demonstrar seus ânimos e manifestar sua indignação, foi assim que Marco Antônio Alves Pereira, dono do bar Woodstock me parou e pediu para que anotasse sua declaração. “Faço parte do meio. Vejo isso como uma grande merda. Eles [AMMA] não conseguem argumentar. Ninguém aqui é vândalo, o pessoal quer se divertir. Então, autoridades, por favor, onde tem diversão em Goiânia? Mostrem-nos!”, disse indignado. Enquanto isso, a conversa entre Edy e Marcus continuava, mas segundo o fiscal já estava decidido. “Vocês tinham que organizar o evento de melhor forma”, enquanto Edy retrucava dizendo que “Vamos amanhecer nesse clima. Vocês não podem entrar e nós não vamos sair. Ficamos, mesmo que para isso tenhamos que dar cerveja para o pessoal que pagou ingresso”, disse transtornado. Porém, em conversa com Edy, ao lado do fiscal Marcus, ele declarou que havia buscado alvará para o evento. “Não buscamos autorização. O local, após locação, passam orientação sobre as burocracias legais. Ontem teve show. A casa deveria orientar. Eles não têm que pagar, deixe o pessoal tomar cerveja de graça, pois pagaram para estar aqui”, confessou. Afinal estava explicado. Seu Edy, com uma quantidade considerável de carnavais nas costas e experiência em organização de eventos não sabia que deveriam consultar a AMMA para obter autorização para difundir Heavyrama - 21


Sangre Fest

“poluição sonora” (Guilherme explica sua versão do fato em exclusiva à Heavyrama na página 24).

De volta ao DCE As sirenes dos carros fizeram o favor de avisar o pessoal do que estava acontecendo, porém ainda tinham expectativa de que desse tudo certo. Mas como sabemos, não deu. O tour-manager da banda polaca Vader, que não se encontrava no local, Vitor Barbosa disse nervoso e em frases um tanto desconexas que o evento começou muito tarde. “Se Vader tivesse entrado mais cedo, não haveria isso. Faltou autorização, faltou organização de tempo. Quem faz evento deveria saber disso. Estou com Vader a turnê toda. Não sei como os caras vão reagir, eles estão afim de tocar. Os ca-ras cumpriram com tudo, cachê, passagens, hotel. Vader quer tocar e a polícia não deixa. Falei pra eles que a polícia teve aqui e está pedindo R$ 5 mil. Para mim isso é culpa do produtor”. Gui-lherme desmentiu essa versão de que os policiais pediram dinheiro e afirmou que os policiais estavam apenas garantindo a segurança dos agentes da AMMA. No pequeno camarim, Ragnarok estava suando enquanto putos diante da situação. Fiz uma micro-entrevista com o pequeno tempo que dispunha para cobrir todos os fatos: Heavyrama: O que acham da situação e o que esperam? HansFyrste: Uma desgraça, fudeu. Mas estamos agradecidos com todos que apareceram. Estamos 22 - Heavyrama

Jontho

aqui para fazer amigos e shows e a polícia fudeu tudo. Estamos com muito ódio. Nós queremos tocar, nem que seja uma só música. O lugar está lotado, o show seria muito bom. Espero que toquemos, que as pessoas apareçam para que façamos alguns cultos e ritos aqui. Decepticon: Espero que a polícia não apareça. Heavyrama: É a primeira vez de vocês no Brasil? Jontho: Sim, essa é nossa primeira vez no Brasil.


Sangre Fest

Heavyrama: O que você está achando? Jontho: Está tudo ótimo, exceto hoje. Esse dia está todo fudido. Heavyrama: Sobre o acontecimento de hoje, vocês voltariam a tocar aqui em Goiânia? Jontho: A princípio, não. Da próxima vez, nós pensamos em tocar talvez em Brasília. Heavyrama: Nunca mais em Goiânia? Decepticon: Não podemos dizer nunca, mas vamos ver... Heavyrama: Estão planejando ou gravando um novo trabalho? Jontho: Sim, ao terminarmos a turnê, vamos voltar para começar as gravações. O álbum deve sair em setembro do ano que vem. Heavyrama: Vocês tem uma mensagem para os fãs brasileiros? Jontho: Sim, gostaríamos que soubessem que queremos tocar, mas a situação tá toda fodida. Vocês são ótimos e espero que um dia a gente possa voltar para fazer um grande show. Heavyrama: A quem vocês imputam a culpa desse acontecimento? Jontho: A desgraça da polícia. Heavyrama: Obrigado, até, quem sabe, a próxima. Jontho: Obrigado você.

Após sair do camarote, o clima era outro. Muito pior, tinha dado tudo errado. A polícia estava entrando, acompanhando os fiscais da AMMA e os organizadores do show. Todos subiram no palco e um dos produtores da Monstro tomou o microfone para dizer que não haveria mais show e que devolveriam o dinheiro dos ingressos e passagens, no caso de quem não era de Goiânia. Enquanto pediam desculpas, palavrões voavam em seus rostos. Policiais filmavam tudo de cima do palco como se quisessem ter uma prova de que somos pessoas violentas, como ouvi um deles dizer ao telefone “aqui está lotado. Tá cheio de metaleiros, são caras perigosos, venham para cá!”, alertava. Depois do discurso, Ragnarok saiu do camarote para que as pessoas vissem que era verdade. Eles estavam lá, prontos para tocar e as pessoas reconheceram isso repedindo em voz alta e coro o nome da banda. Vader, segundo Vitor Barbosa, tinha ido ao DCE para passar o som mais cedo. Ele disse que estava com medo de levá-los ao local e as pessoas ficassem, além de irritadas, agressivas. Assim, enquanto os noruegueses deixavam o local distribuindo autógrafos e lamentações, as filas se formavam. Estava estampado nos rostos a vontade e o desgosto. Todos irritados xingavam, bebiam e fumavam mais que o normal. Ao sair, as pessoas se amontoavam na frente do DCE como que na esperança de ser tudo mentira, esperança de que houvesse show. Esse foi o evento de lançamento do selo e produtora Sangre, um fiasco. Mas eles estão de parabéns por tentarem.

Heavyrama - 23


Entrevista - Guilherme Aguiar Texto : Hugo O. / Foto: Neli Sousa

Entrevista Exclusiva com Guilherme Aguiar “A AMMA estará lá” Organizador de eventos e um dos responsáveis pelo lançamento do selo e produtora Sangre explica o que aconteceu no dia 14 de novembro. HEAVYRAMA - Quantas pessoas estavam na or-

GUILHERME - Sim, têm 20 anos de organização

ganização do Sangre Fest?

de eventos e eu estou começando ainda, é o segundo evento que eu fiz; o primeiro foi o show do

GUILHERME - Seis pessoas. Eu, Cláudio, Pedro

Master, aqui em Goiânia.

– Go Mosh, Léo Bigode – Mostro, Marcos Júnior – Mostro, Razuk – Monstro.

HEAVYRAMA – Qual o planejamento que vocês tinham feito?

HEAVYRAMA – Esse pessoal tem experiência na organização de evento? 24 - Heavyrama

GUILHERME - Eu não tinha nada planejado com


Entrevista - Guilherme Aguiar

a Monstro, só que estava com o show do Vader na

sando o som. Tinha uma missa lá às 19h no do-

mão e não tinha como fazer sozinho; não tinha

mingo, o povo que ia pra igreja passava na frente

capital suficiente e precisava de ajuda. Não era

do DCE, e já tinha uma galera lá fora esperando

igual ao Master, que era mais simples. Aí liguei

o show. Então, só sei sobre essa missa e que não

pro Pedro, já era meu “brother”, curte metal tam-

tinha nenhum evento, estava tudo a nosso favor.

bém; aí ele falou: “Ah, cara, vou ver como que faz”, então beleza, aguardei o retorno. Aí passou

HEAVYRAMA – Edy Pereira se disse coordenador

uns dois dias, ele me ligou e “Rola de fazer sim

do evento, essa informação é correta?

– a gente (Monstro) estamos com um selo aí pra lançar e vamos unir os dois, saca? Joga o show do

GUILHERME - Ele foi contratado pela parte da

Vader, que a gente lança o selo.” Aí, um ajudou o

Monstro, ele é dos responsáveis/donos/sócios

outro ali. Então, esse era o planejamento princi-

da Ambiente, então ele ajudou com a estrutura,

pal do selo, com esse show já seria a estreia. De-

aquelas tendas e grades. Ele e sua esposa sempre

pois, fomos atrás do lugar, o único lugar disponí-

fazem a portaria, lista de convidados, etc.

vel na cidade era o DCE-PUC, porque era época de Goiânia Noise e estava tudo alugado. Tinha o

HEAVYRAMA – Ele disse ter experiência na orga-

Clube Social Feminino, mas era muito caro, pre-

nização de eventos. Gostaria de saber, por que ele

cisava pôr palco, luz e não dava, pois a gente não

não buscou obter o alvará da AMMA?

tinha a grana. Então, o pré-show foi isso, agilizamos uma estrutura massa pro evento, acho que

GUILHERME - Então, todos temos experiência.

superou a expectativa de quem foi no DCE, estava

Não é que não buscamos o alvará, tentamos entrar

totalmente diferente. E fomos atrás de um som

em contato com o Airton – que é o “chefe-mor”

legal, luz, bar, aumentamos a estrutura do DCE,

da AMMA, mas em nenhum lugar em Goiânia se

conversamos com o DCE, apesar dos problemas

consegue alvará para esses shows de rock, que ge-

que eles têm – o lugar é muito limitado – então,

ralmente são os DCE’s, Martim, às vezes, o Circo

esse foi o pré-show, foi o planejamento principal

Lahetô, e a Feira da Estação que fazem. Que eu

que tivemos, e seguimos na risca, deu tudo certo,

saiba - eu não sei nada da Feira da Estação – esses

até lá no dia.

locais não dispõe de alvará para funcionamento; até o Martim Cererê não tem alvará pra esse tipo

HEAVYRAMA – Até o momento que aconteceu o

de evento, mas eu acho que o problema do Mar-

problema da AMMA aparecer lá?

tim Cererê é briguinha de prefeitura e Estado. Os DCE’s não tem condição mesmo. Chegar lá na

GUILHERME - Então, estávamos montados e pas-

AMMA para fazer pedido de alvará para o DCE Heavyrama - 25


Entrevista - Guilherme Aguiar

não vinga, pois é negado na hora, não adianta.

DCE não tem condições. Eu tive essa experiência

E o pessoal dos DCE’s não tem interesse em le-

no Master, fomos eu e o Greco, pedir permissão lá

galizar a situação com AMMA, Corpo de Bombei-

na AMMA, ele falou “Não cara, o Martim Cererê

ros, com tudo. Então, não é negligência de produ-

não tem condições, não abriga esse tipo de even-

tor nenhum aqui em Goiânia, ir atrás de alvará e

to, ainda mais no DCE”. Que o Martim Cererê é

ser negado, que vai ser negado. Mesmo se tivesse

bem maior que o DCE, todo mundo sabe e tal, por

alvará, se tivesse liberado, eles têm o poder de

que o DCE poderia ter essa brecha?

chegar no dia do show por denúncia, e talvez até embargar o show ou prorrogar por mais meia

HEAVYRAMA – Essa mesma fonte disse que no

hora/1 hora, que seja; eles têm esse poder ainda.

contrato estariam explícitos, todos os trâmites a que devem ser feitos pelos organizadores para fa-

HEAVYRAMA – A AMMA tem um histórico de

zer eventos lá no DCE, isso é verdade?

fechar os shows, acabar com os eventos; você acha que isso foi apenas mais uma amostra disso?

GUILHERME - Eles se isentam de qualquer intervenção da AMMA. Eles são um lugar de aluguel,

GUILHERME - Era um evento grande, pelo estilo,

um espaço para você alugar para fazer eventos.

até um evento histórico de Goiânia, aí explodiu

Não tem nada a ver com o evento em si, quem

na minha mão, quase toda semana tem shows nos

tem que ir atrás disso é o organizador; o organi-

DCE’s e tudo, e nunca teve nada. E nunca teve

zador só aluga o espaço. Mesmo só alugando o

alvará e nunca teve AMMA também. Mas, esse

espaço, que é caro pro DCE.

teve, dizem que chegaram lá alegando que foi denúncia de vizinhos, som alto e tal, mas a gente não acredita muito nesta hipótese não. Pode ter

HEAVYRAMA – Segundo o fiscal responsável da

sido boicote, pode ter sido o pessoal da missa de

AMMA no lançamento da Sangre, Marcos Vi-

antes, tem várias hipóteses aí que a gente nunca

nicius, o local é inadequado, não comporta show

vai descobrir.

e não vai acontecer nenhum tipo de evento no DCE. Ele garantiu isso lá na porta pra mim.

HEAVYRAMA – Bom, uma fonte nos disse que para realizar um evento que comportasse até 200

GUILHERME - Então, eu não faço mais evento no

pessoas, não haveria problemas de ser realizado

DCE, porque os padrões dos meus eventos, são

lá no DCE; você tem conhecimento disso?

shows daquele lá, principalmente gringo, saca? Então, não dá para trazer uma banda gringa,

GUILHERME - Não. Não, eles já negam direto; no 26 - Heavyrama

gastar um rolo de dinheiro e fazer no DCE, eu


Entrevista - Guilherme Aguiar

não faço. Mas, eu desejo boa sorte para quem for

ceção às igrejas. Está escrito lá, a Câmara é maio-

fazer, e o próximo vai ser o Adriano, do Under

ria evangélica.

Metal; então, vamos ver se o Marcos Vinicius vai cumprir a palavra dele também.

HEAVYRAMA – Então, se não vai poder ter show no DCE e em nenhum lugar, exceto Martim, onde

HEAVYRAMA – Como você vai fazer? Não vai

serão realizados os shows?

poder fazer show no DCE, a relação com o Martim Cererê também é complicada.

GUILHERME - Meu foco é o Martim, cara, por enquanto, pelas bandas que eu estou em mente de

GUILHERME - Mas o Martim Cererê é mais maleável.

trazer no futuro, o Martim comporta. Até porque eu não tenho grana para trazer um Motörhead,

HEAVYRAMA – Por causa do isolamento acústico?

uma coisa maior assim, teria que ser no Serra Dourada. O meu escape agora é o Martim Cererê,

GUILHERME - É, também, e o vizinho que re-

tanto é que eu lembro direitinho, quando eu fui ti-

clama mudou de lá. E assim, eles fizeram algumas

rar a documentação pro Master, precisava do Cor-

melhorias no Martin: melhoraram o camarim, a

po de Bombeiros, ECAD, AMMA, aí eu e o Greco

acústica, ar condicionado; tentaram de alguma

chegamos lá na Dirce (que é a diretora do Martim)

maneira pequena melhorar o panorama lá.

e falamos que conseguimos tudo, até o Corpo de Bombeiros, que nunca vem, que nunca dá vistoria

HEAVYRAMA – O Circo Lahetô fechou, dizem que

em nada, mas a AMMA faltou. Aí ela falou: “Ah,

não se pode produzir eventos por lá. O motivo se-

já sei”; então, eles tão cientes que a AMMA não

ria a reclamação de uma pessoa só, e que também

libera alvará para o Martim Cererê, mas eles meio

pode ter, às escondidas, uma negociação de com-

que dão cobertura. O Martim por ser do Estado e

pra daquele espaço por parte de uma construtora.

a AMMA do município, da prefeitura , tem esse joguinho, essa briguinha, então é meio que um

GUILHERME - Fiquei sabendo que lá no Circo

acordo ali. O Goiânia Noise funciona sem alvará

Lahetô eles barraram um evento. O Under Metal

já tem anos, mas assim, ninguém precisa ficar sa-

acabou rolando na Feira da Estação, a AMMA

bendo, lógico, pra quê? Mas, o Martim tem essa

não liberou o alvará, mas estava tendo um show

cobertura; “se a AMMA vir, deixa que eu resolvo”.

de uma igreja lá no mesmo local (Circo Lahetô). Então, a nossa Câmara é formada por evangéli-

HEAVYRAMA - Victor Barbosa, tour mana-

cos, cara. Esse cunho religioso tem a ver; é claro,

ger do Vader, falou que pediu para que o show

os lugares não passam de 50 Decibéis, com ex-

começasse mais cedo e que o número de bandas Heavyrama - 27


Entrevista - Guilherme Aguiar

fosse reduzido. Por que a organização não con-

sy. Se o Brujeria vier,se precisar tocar eu toco,

cordou com isso?

mas eu não quero atrapalhar porque é não muito a praia da minha banda. Eu cheguei nessa

GUILHERME - Não é que não concordou, a

conclusão, que tem de direcionar a partir das

gente tinha combinado isso no hotel, horas an-

atrações principais.

tes do show. Você tem de passar o cronograma para eles, o que vai ocorrer, o que vai ser no pós-

HEAVYRAMA - Se pudesse voltar naquele dia e

show e tudo. Então a gente fez o cronograma.

consertar tudo o que você faria?

Começou nove horas com a Necropsy no palco e ia terminar tudo 01h30, no máximo, e tudo tran-

GUILHERME - De produção a gente não errou

quilo. Terminando uma e meia tá massa! Essas

em nada. Não tinha nada que consertar quando

bandas estão diretamente ligadas ao selo , eu e

deu errado. Depois de quase duas horas de ne-

o Pedro baterista da Necropsy , estávamos fazen-

gociação em contato com Deus e o mundo, a

do esforço para trazer os caras, por que a gente

gente fez o que tinha de fazer, tentar argumentar

não pode tocar? E a Ressonância estava nessa,

de todas as maneiras, subir no palco, mostrar a

eles vão fazer algo pelo selo no futuro, já que

cara, atitude e cancelar o show. Ai buscamos a

é o lançamento do selo com essas três bandas a

solução mais sensata que era dividir quem não

princípio, por que não colocar pra tocar? Dentro

era de Goiás e devolver o dinheiro na hora lá.

do cronograma desde que tudo que funcionasse

Levamos muita ré por causa disso. Porque o pes-

legal, beleza, daí aconteceu isso.

soal compra de 30 reais e na hora, “não, paguei 40”. Devolvemos o ingresso pro pessoal de

HEAVYRAMA - Qual sua opinião sobre o aconte-

Goiânia pra ser ressarcido na Hocus Pocus na

cido? E a das bandas?

semana seguinte e assim fizemos e todo dia era uma ré imensa. Foi a decisão mais sensata.

GUILHERME - Sobre as bandas não sei, mas eu

Ouvi gente reclamando “O público foi o mais

tenho as minhas conclusões. Vieram duas bandas

prejudicado”, não foi não, eu era o que mais

de fora, principais, depois desse show acho que

queria ver o Vader de todo mundo lá, tanto é que

vai reduzir bem o número de bandas principais

eu tirei dinheiro do meu bolso para trazer os ca-

e principalmente colocar bandas que tenham a

ras. Pô, dor de cabeça, mas eu trouxe os caras,só

ver com as principais. Se vier um “brutal true”

não rolou por forças maiores e põe maiores ni-

ou Brujeria é o Ressonância. Se vier um Morbid

sso porque a AMMA conseguiu embargar esse,

Angel ou qualquer coisa assim, um Spiritual ou

mas não conseguiu embargar o aniversário do

ou-tra coisa. Lamb of God, coloca um Necrop-

Woodstock, demorou pro Marcão negociar com

28 - Heavyrama


Entrevista - Guilherme Aguiar

os ca-ras. Também chegaram no aniversário do Kuka alegando que não podia fazer rock na rua,

HEAVYRAMA - A AMMA tentou jogar a culpa em

que não sei o quê, que os vizinhos não iam con-

cima da organização do evento, ficou claro isso.

cordar e a AMMA lá enchendo o saco.

Disseram: “isso não pode ser feito de última hora...”.

HEAVYRAMA - E agora, o que será da Sangre?

GUILHERME - Se conseguíssemos o alvará, eles iam liberar o local um dia antes do show e, cara,

GUILHERME - Esse ano a gente tirou para

eles liberam um dia antes do show assim como o

planejar, ia dar um lucro fudido aquele show

ECAD e o juizado libera uma hora antes do even-

do Vader, daria pra fazer um site, começar uma

to. Então, como você planeja um show depen-

empresa física, contratar gente e já pensar na

dendo da autorização da AMMA e ainda com um

próxima atração. Tanto que depois que aconte-

dia que eles vão entregar o negócio? Eles cercam

ceu o cancelamento todo mundo desanimou,

a gente de todas as maneiras.

mas depois do apoio da galera de “Vamos fazer show e a grana vai ser toda para Sangre porque

HEAVYRAMA - Se você pudesse dizer algumas

vocês tiveram atitude, tiveram coragem de meter

palavras para o público de Goiânia, o que diria?

a cara e trazer uma atração dessas e tal”, isso impediu que a gente parasse, então estamos

Guilherme Aguiar: Agradecer todo mundo que

com um monte de shows na mão para 2011, não

acreditou, cada um que esteve lá, ao pessoal que

podemos parar, vamos recomeçar do zero, do

ficou zombando depois, obrigado pela força. Mas,

negativo, eu digo não de credibilidade, mas de

principalmente, agradecer, cara. Se a gente não

dinheiro mesmo.

tivesse subido no palco, mostrado quem somos, acho que teria pancada, que teria confusão, por

HEAVYRAMA - Você acha que a credibilidade da

sorte o pessoal entendeu. Alguns se exaltaram um

Sangre não ficou abalada?

pouco mais, mas isso é normal, compreensível. Gostaria de agradecer o pessoal de fora também.

GUILHERME - Não, acho que não, a gente pode

Foram muito pacientes. Agradecer e esperar, dar

até mudar de nome, pode ser zica do nome. o

um tempo até acabar o ano, pois novas atrações

Léo Bigode, o Marco, o Pedro, eu, todo mundo

virão. Estamos bem mais experientes com esque-

nos conhece, tocamos aí direto, o Goiânia Noise

ma de lugar e com a mesma burocracia de sempre.

são eles que fazem e trazem atrações interna-

Pode escrever: não vai ser a última ré que a gente

cionais também. Mas eu posso dizer que no DCE

vai levar por conta de AMMA, tanto em Martin,

nunca mais, não desse porte.

como no Goiânia Arena. A AMMA estará lá. Heavyrama - 29


In The Shadows - ANÁPOLIS Texto : Raphael Fellipe / Fotos cedidas pela banda

http://www.myspace.com/itshadows/

A sombra que prevalece

Bjunior

Carlos Christian

V

ocê é capaz de pensar em Doom Metal sem rotular? Hoje em dia isso é praticamente impossível com tantas variações no estilo, mas se você for capaz de pensar em conceitos ao invés de rótulos, fica muito melhor. É por este caminho que o trabalho da banda In The Shadows deve ser levado, conectando agressividade, melodia e equilíbrio ao Doom Metal 30 - Heavyrama

tradicional, influenciado por bandas como Candlemass, My Dying Bride, Paradise Lost e também pelo Heavy Metal original do Black Sabbath. Formada em meados de 2000 em Anápolis com uma ideia pré-definida do estilo Doom Death Metal, a banda passou por várias formações até se estabilizar. Da formação original ainda per-


In The Shadows - ANÁPOLIS

sistem Bjunior (teclados) e Marilan Ashaverus (guitarra/voz). Em suas músicas a In The Shadows e-xecuta melodias profundas e pesadas, com letras que falam sobre a decadência do ser humano e sua constante luta entre o bem e o mal existentes em seu interior, preenchido por ódio e rancor. Em 2000 a banda gravou seu primeiro registro, uma Demo tape auto intitulada contendo as músicas: Sangrando em Lágrimas, Quando Caio em um Abismo Negro, Pagã Vivacidade, A Lua o Sol e a Terra, Sonhando na Eterna Escuridão, Tristeza. Em 2001 grava mais dois sons: The Fausty Empty Throne e Atrocious Penury e lança

da holandesa After Forever em Brasília, Master em Aracaju, Imago Mortis, Genocídio, Cirhossis e Vulcano em Goiânia, além de ter tocado em outros grandes festivais no Mato Grosso como o Cerimonial da Arte Norturna, Locus Horrendus e Metal Masters em Goiânia. Nestes 10 anos de estrada a banda fez algumas pausas, mas em 2009 retomou as atividades e assinou com o selo inglês Death Toll Records. Assim gravaram o CD ‘Bleeding Tears’ que contém os trabalhos de 2001/02 e teve uma ótima aceitação sendo lançado na Europa. Em 2011 a In The Shadows prepara um novo trabalho de estúdio já com titulo provisório ‘Hear

Marilan Denner

o CD demo ‘The Fausty’. Em 2002, é a vez do EP ‘Nas Sombras’ contendo 5 músicas: Abismo sem Volta, Filho da Dor, Trevas, Quando a Morte Clamar e a regravação de Sonhando na Eterna Escuridão. Com esse material, a In The Shadows alcançou excelente projeção no cenário metal nacional, tendo feito diversos shows por todo o país, destacando a abertura para a ban-

My Silent Cry In His Soul’, agora com todas as músicas em inglês e com uma sonoridade mais obscura e mórbida nas novas músicas: Disgust, Letter to the Angel, De Profundis (The Chorus of Damned) e Night of the Black Moon Charms. A banda segue compondo e deve gravar no ano que entra. O Doom Metal possui sombras e elas são reais no corpo da In The Shadows. Heavyrama - 31


Porão Caos Texto : Bia Cardin / Fotos: Neli Sousa e Bia Cardin

Porão Caos IV M

ês passado foi realizado no DCE-PUC o Porão Caos IV comemorando o aniversário de 20 anos da banda brasiliense Death Slam. Em torno das 18h30 haviam poucas pessoas na porta, o som ambiente estava rolando à espera das bandas e do público. Diferente do que estava originalmente programado, a banda X-Granito foi cancelada. Em torno das 19h50 o número de pessoas aumentou consideravelmente. Às 20h40 o evento finalmente teve início com a abertura da banda Ímpeto de Hardcore;

Ímpeto O vocalista Bacural fez um breve elogio ao Fellipe CDC da banda Death Slam “Os caras devem à ele” e prosseguiu declarando sobre a sonoridade da Ímpeto “Banda ruim, mal-tocada e fora do tempo”. No geral, a Ímpeto beira um HC pesado capaz de animar o público presente. Aos poucos o DCE encheu enquanto o vocalista fazia comentários para descontrair os presentes que até então estavam um tanto tímidos “Vocês podem assoviar para a nossa beleza”. Em meio ao repertório eles executaram uma faixa de no máximo uns 20 segundos e a dedicaram ao Roger Waters (Pink Floyd). Após uma apresentação de aproximadamente 30 minutos, eles deixaram o palco sob aplausos.

32 - Heavyrama

Tirei Zero A segunda banda da noite foi a Tirei Zero, também Hardcore, um pouco mais suja e veloz do que a anterior. Destaque para a performance enérgica do vocalista Pedro e do resto dos rapazes que possuem ótima presença de palco se movimentando Ímpeto


Porão Caos

Tirei Zero

o tempo inteiro. Durante o setlist que continha as faixas “Mate o poder”, “Reject”, “Dia a dia” entre outros, o vocalista insistia em pedir que o pessoal formasse a roda de pogo e finalmente eles a fizeram. Infelizmente, no meio do setlist a corda da guitarra arrebentou, mas conseguiram consertar rapidamente. Por mais que eles parecessem não estar acertando as notas em vários momentos, o clima do Hardcore disfarçava as imperfeições com o ânimo, algo raro de se ver. O vocalista Pedro, saltava do palco para se misturar ao público e os retornos em cima do palco eram descuidadamente empurrados pelos agitadores. No cover da banda Cólera “Quanto vale a liberdade” , Pedro convidou Bacural ao palco para cantarem juntos.

Kaos Klitoriano

Kaos Klitoriano A banda de Hardcore feminino com 17 anos de estrada, Klaos Klitoriano possui público em todo o Brasil. As garotas atraíram mais pessoas para dentro do DCE e incitaram rodas de pogo. O power trio formado por Adriana (Guitarra), Carla (Bateria) e Clerimar (Baixo), deram uma aula de velocidade e foram muito bem recebidas pelos presentes. As músicas eram curtas, mas pareciam ser suficientes para expressar as letras recheadas de ideologia com críticas à igreja e o favorecimento à saúde da mulher, assim elas executam a faixa “Direito ao aborto” seguido por um cover das Mercenárias “ Santa Igreja”. Posteriormente, a vocalista fez um Heavyrama - 33


Porão Caos

Death Slam

Mortúario novo discurso, dessa vez sobre a reforma agrária e assim seguiram o show declarando que se sentiam em casa com a recepção do público. “Eixo da Morte”,“Igualdade Humana“,“Sangue de Cristo“ deram continuidade ao show. Em “Amor livre” houve um pequeno erro de execução, onde elas tiveram que recomeçar . A apresentação foi encerrada com a auto-intitulada “Kaos Klitoriano” e um agradecimento ao organizador do evento (Walkir) pela oportunidade de realizarem o show em solo goianiense.

Death Slam Finalmente a banda homenageada da noite se apresentou. A presença do integrantes é 34 - Heavyrama

um marco nas performances do Death Slam, alicerçado pelo vocal gutural de Fellipe CDC (também aniversariante, completando 50 anos) e pelo som da banda que beira ao grindcore combinando a simplicidade do HC com o peso do Metal. A bateria é reta e veloz e dá ritmo para os pescoços se balançarem, o vocalista agitado percorria todo o palco e fazia agradecimentos pelo frenesi geral “Valeu pra caralho!”. O baixo se destaca em boa parte das músicas e moldam uma energia que é sentida e correspondida; a guitarra expelia uma distorção sórdida sob o urro do vocalista “ Foda-se a música gospel”, e o show prosseguiu com “State’s police”, “ Futuro de Merda”, “Destroy the Vati-


Porão Caos

Mortuário A banda que está na ativa desde 1986 subiu ao palco, com um Metal mais evidente que as anteriores, e com letras cantadas em português. Tocaram “Eu vou pra Bagdá”, bem ritmada, seguida por “Vidro na Cara” composta por uma bateria reta e riffs rápidos, entretanto o cansaço da plateia era evidente e o show não foi tão animado quanto poderia ter sido.”A morte chegou”, “Pinga do garrafão” fizeram parte do setlist. A apresentação da Mortuário durou em torno de meia hora.

Light Years

Light Years can”. Apesar da agitação o vocalista declarou que esperava que desse mais gente no evento e convidou Adriane da Kaos Klitoriano para subir ao palco e comentou que ela já fez parte da história da Death Slam. Entre as músicas explosivas, o baixista espancava o seu instrumento, tanto que o cabo até escapou, e os retornos voltavam a ser empurrados pelo público. Em meio ao show, Bacural (Ímpeto) invadiu o palco e cantou parabéns para a banda acompanhado pelopúblico delirante, depois do momento de descontração, a Death Slam prosseguiu o show com “Revolution” que instituiu o caos, e por fim encerraram com um cover do Black Sabbath, “N.I.B”.

A banda de Anápolis que está na ativa há nove anos fez o show de encerramento que se iniciou às 00h40, com o galpão relativamente vazio. Eles seguem uma linha Heavy/ Thrash oitentista com um Motorhead evidente na sonoridade. Nas músicas em geral, pode-se destacar o baixo e a sincronia entre os integrantes ao emitir riffs pesados que automaticamente agitavam os pescoços alheios. A pegada Old School combinou muito bem com os recursos de vocais limpo e às vezes ‘drivado’ de Bebeto que possui um ótimo alcance. O som estava saturando um pouco, mas as músicas eram perfeitamente audíveis, destaque para a faixa “Feel the Heat Of Fire” e “Seeking refuge” com a presença de um ótimo solo acima do baixo maduro. “ Slave of the system” e “Brothers never die” ficaram responsáveis por encerrar o show. O vocalista Bebeto pediu que o pessoal de Anápolis subisse ao palco e assim eles o fizeram, foi um momento de companheirismo, da melhor maneira para fechar o evento Porão Caos IV, que venha o próximo! Heavyrama - 35


Entrevista - Fellipe CDC Texto : Bia Cardin / Foto: Neli Sousa

www.myspace.com/deathslambr

Entrevista Exclusiva com Fellipe CDC O vocalista da experiente banda Death Slam, Fellipe CDC, fez declarações sobre o show realizado em Goiânia e inseriu comentários sobre a cena underground em Brasília. HEAYRAMA - Qual a sensação de estar comemorando 20 anos de carreira? FELLIPE CDC - Pode parecer uma loucura, mas é uma sensação de vitória, minúscula vitória, é bom frisar, mas uma vitória contra o capitalismo, esse sistema tal vil e doentio que te força a entrar no jogo dele, que te impõe o abandono de sonhos e ideais, que sufoca e destrói a liberdade individual e a coletiva. Somos a mesma banda há 20 anos, não nos deixamos seduzir pelo modismo, pelo chama36 - Heavyrama

do do mercado, não mudamos nossa música, não mudamos nossas roupas e o nosso ódio contra o sistema imposto é cada vez mais crescente. HEAVYRAMA - Nesses 20 anos de banda, você sente que a Death Slam alcançou todos os objetivos desejados? FELLIPE CDC - Não e nem vamos. Tem muito idealismo e, não posso negar, uma dose excessiva de utopia incorporada à alma da banda Death Slam.


Entrevista - Fellipe CDC

Creio que ajudamos a plantar algumas sementes dentro da cena underground, pregamos a união entre bangers, punks e hardcores, ajudamos a trazer à tona – dentro do universo metálico regional – temas sócio-políticos, instigamos o “Faça Você Mesmo!”, mas julgo que a nossa luta – para a infelicidade da maioria – está longe do fim. Queremos ajudar, contribuir e a somar muito mais dentro da cena underground que tanto amamos. Temos ainda muitas (os) amigas(os) para conhecer! HEAVYRAMA - Como é a cena de Metal em Brasília? FELLIPE CDC - Um monte de bandas fodas necessitando urgentemente de espaços públicos para mostrarem sua arte. É isso se aplica também ao universo da música hardcore, punk e do rock de uma maneira geral. Ai se tivesse união... HEAVYRAMA - O que você achou do show realizado em Goiânia no Porão Caos IV? FELLIPE CDC - Maravilhoso! Emocionante! Inesquecível! Só temos, só podemos e só devemos agradecer a todos os que lá estiveram, em especial aos nossos irmãos da produtora Insetu’s, às bandas (Tirei Zero, Ímpeto, Kaos Klitoriano, Mortuário e Light Years) que aceitaram o convite de dividir essa noite mágica conosco. Fui uma honra sem tamanho para a Death Slam. Inclusive, abuso do seu espaço para pedir desculpas públicas aos camaradas da Light Years por ter que sair na metade da apresentação deles. Tivemos uns problemas e quase tocamos desfalcados no dia, pois a esposa do Júnior (baixista/vocal) estava ardendo em febre e a companheira do nosso baterista Juliano, que sempre cola conosco no role (inclusive no de Goiânia)

também não estava muito bem de saúde, por isso tivemos que sair pouco antes do término. HEAVYRAMA - Quais são os planos da Death Slam no momento? FELLIPE CDC - Tentar manter os ensaios pelo menos uma vez por semana, mas está difícil para caralho! Trampo, estudo, família e nossas outras bandas estão dificultando esses planos. Estamos cheios de músicas novas, ideias para tentar colocar em prática, etc. A pretensão é, pelo menos, gravar nosso novo disco (“Bombas contra a hipocrisia”) ainda em 2010. Ainda bem que contamos com o patrocínio de um estúdio local chamado ME Estúdio. Em 2011 pretendemos lançar esse trabalho e o nosso DVD gravado em junho de 2007, na cidade do Gama – DF. Inclusive esse DVD foi filmado e produzido por um grande amigo nosso aí de Goiânia, o cineasta Eduardo D’Castro e no dia desse show tivemos o privilégio de ter vários manos de Goiânia na roda de pogo. HEAVYRAMA - Encerrando, quer deixar algum recado para nossos leitores? FELLIPE CDC - Antes de mais nada, muito obrigado e vida longa à revista Heavyrama, a qual agradecemos o espaço. Fora isso, agradecemos a todos os muitos amigos que conquistamos nessa jornada pelo universo da música rápida e pesada. O Rock nos rejuvenesce! Esperamos que as pessoas voltem a apoiar mais às bandas e às produções independentes como antigamente e que as bandas pensem mais coletivamente. Abraços e muito obrigado a todos. Nos vemos nas gigs undergrounds! Heavyrama - 37


Ilustração: Neli Sousa


R . I . P. - M a g n i f i c ê n c i a Texto : Bia Cardin / Fotos cedidas por Rafael Teles e Israel Wolf

A

pesar da Magnificência não ser uma banda tão antiga, resolvemos pegar o embalo da banda R.I.P da edição passada e falar deles, que praticamente surgiram do ventre da Velvet Vex. A banda foi formada em 2002 por Rafael Teles, Arnaldo Bonfim e Eduardo Brito (que tiveram passagem pela banda citada), em conjunto com Gilberto Black, ex-integrante da Spiritual Carnage. Eles começaram no mesmo período que a banda Velvet Vex encerrou as atividades, nesta mesma época eles fizeram diversos ensaios e compuseram músicas, mas ainda não se sentiam preparados o suficiente para realizarem um show com a nova banda, então em 2003 é que eles colocaram os pés no palco. 40 - Heavyrama

Para os vivenciaram a época da Magnificência, se recordam da capacidade desses jovens de atraírem a atenção do público. O guitarrista Rafael Teles, atualmente com 27 anos relembra como era receptividade da trupe headbanger em relação à banda “Não tenho receio em dizer que a Magnificência nunca chegou se apresentar sem que lotasse os teatros do Martin Cererê ou dos DCE´s que eram praticamente os únicos lugares de shows de Heavy Metal em Goiânia. “ A popularidade da banda era evidente, os músicos ainda colhem os frutos do seu trabalho como representantes do Death Metal Melódico naqueles anos “Até hoje de vez em quando ainda me param na rua por me reconheceram daquela época como


R . I . P. - M a g n i f i c ê n c i a

‘o cara do Magnificência’, e muitas vezes são pessoas que eu sequer conheço. As pessoas sempre foram muito carinhosas com a gente e ainda demonstram isso até hoje”, exclama o guitarrista. Após algum tempo de estrada Arnaldo Bonfim deixou a banda e Israel Wolf assumiu o seu cargo. Depois do período de apresentações eles finalmente se prepararam para o lançamento do seu primeiro material, o EP “Harmony Of Sorrow” contendo as faixas: Dark Of The Spirit, Revolution Falls, Dead Beauty Poem, One By One, Voiceless Speech Of The Soul e a auto-intitulada, The Harmony Of Sorrow. Com o material lançado a Magnificência ostentou o título de expoentes do Metal moderno, se

soltando do especulado Old School e Thrash oitentista tão presente nas bandas goianas, segundo a afirmação de Rafael Teles “Algumas pessoas ainda me dizem que a Magnificência foi uma banda visionária, pois em 2004 já flertávamos com sonoridades de agressividade e melodia que foram cair na boca do povo apenas alguns anos depois nos EUA e Europa, e que hoje são conhecidos por Metalcore, Deathcore e Melodic Death Metal. Até hoje não conheço nenhuma banda de nome que tenha feito algo realmente significativo nesse estilo por aqui no Brasil.” Eles estavam focados profissionalmente em amadurecer o seu som, entretanto alguns dos integrantes não estavam tão engajados na proposta, Heavyrama - 41


R . I . P. - M a g n i f i c ê n c i a

o que acabou motivando novamente a mudança de formação do grupo. O baixista Eduardo Brito e o baterista Gilberto Black deixaram a banda para entrada de Henrique Carvalho, ex- baixista da Diemension e Bruno Souza, ex-baterista da Nightsorrow, entretanto Rafael sentia a necessidade de dividir a responsabilidade dos vocais, esse foi o momento para a entrada do também ex-Nightsorrow, Gabriel Torelli “O Rafael eu conheci através do Velvet Vex. O Israel eu conhecia de outra banda chamada Painherit que tive o prazer de assistir em uma apresentação no DCE da UFG, o Henrique conheci através de sua antiga banda chamada Diemension, o Bruno é meu amigo de infância, e o convite para minha entrada no Magnificência partiu inicialmente dele”, afirma Gabriel Torelli. Da mesma maneira Rafael Teles se recorda dos testes para a entrada do novo voca-lista na banda, o frontman que segundo ele, seria a escolha certa para dar continuidade ao objetivo do grupo “ O Gabriel além se ser um cara fantástico, e um excelente vocalista, ele trouxe 6 2- -HH 4 ee a va yv ry ar m am aa

um novo gás à banda, o que realmente foi muito positivo. Logo, estávamos eu e ele revezando nas vocalizações de uma forma bem interessante.” Assim, eles tiveram a oportunidade de fazer show em Anápolis e Brasília, mas não conseguiram alçar voos para estados mais distantes. Se apresentaram no Festival On the Rock II, no All for one - um evento beneficente em pró de Marcelo do Old Stúdio que contou com a participação de bandas como Heaven’s Guardian, Necropsy Room, Dynahead (DF) etc - e também participaram do evento Death & Black Metal em Brasília ao lado do Necropsy Room. A composição das músicas em termos de letra e melodia ficavam ao cargo de Rafael Teles, mas eram lapidadas pelos integrantes restantes, ao contrário do que acontece com muitas bandas o término proeminente da Magnificência não foi devido ao mau relacionamento entre os componentes, de acordo com Gabriel Torelli, o respeito entre os membros sempre foi requisito primordial


R . I . P. - M a g n i f i c ê n c i a

para a boa convivência “O respeito sempre rege nossas relações, afinal, além de banda, somos amigos, e pra mim esse é o maior “barato” em ter uma banda. Fazer o som que você gosta com amigos não tem preço.” A separação da Magnificência foi a consequência de renovações individuais. Rafael adquiriu a fé cristã, esse fator fez com que ele revesse as suas prioridades e naquele momento a Magnificência parecia não se encaixar mais em seus objetivos, porém ele apoiou a continuação da banda “Optei por ter uma conversa franca com os todos os integrantes e até sugeri que continuassem sem mim, mas no fim das contas, acabamos mesmo optando por encerrar as atividades da banda.”, relata. Para uma banda que parecia estar em seu melhor momento, foi algo que poucos esperavam e muitos se entristeceram, especialmente o vocalista Gabriel, recém-chegado no grupo que atribuía total admiração ao grupo “Fiquei bastante chateado, pois além de fazer parte, sempre fui um

grande fã da banda. Fazia questão de ir em todos os shows antes da minha entrada. Nunca passou pela minha cabeça a ideia de que um dia faria parte da Magnificência. Marcava presença porque realmente gostava e acreditava na banda”. Com o rompimento das atividades as 10 músicas que estavam em processo de pré-produção, infelizmente não chegaram a ser gravadas e foram arquivadas. O fim era inevitável, a saída digna do guitarrista fez com que ao menos após o término, os integrantes mantivessem um bom relacionamento prosseguindo com a amizade construída durante o tempo em que estiveram juntos. Depois de sua saída da Magnificência, Rafael integrou-se à banda Arnion e atualmente trabalha em um projeto nomeado Dry Bones Valley junto com Israel Wolf (ex-Magnificência) e com os exintegrantes da Arnion; Carlos Henrique, Leo Araújo e Rogério Paulo. Gabriell Torelli, aos que muitos já sabem, integra uma das bandas mais ativas no cenário atualmente, a Hypnotica e o baixista Henrique já não reside mais no Brasil. Rafael comenta que apesar do bom tempo que passou ao lado da Magnificência, não pensa em reviver o grupo e está apenas focado em seu novo projeto “Estou mais preocupado com o hoje, banda nova, fase nova, postura nova, discurso novo, mas com a mesma pegada que fez da Magnificência e Arnion conhecidas e respeitadas na cena local. Creio que a Dry Bones Valley tem tudo pra provar que quem vive de passado é museu. Ainda há muito a ser dito, e sei que podemos começar de onde a Magnificência parou. Então, logo teremos novidades por aí”. HH ee a va yv ry ar m am a a- -4 3 7


Pré-Natal Metal Texto : Bia Cardin / Fotos: Neli Sousa

Pré-Natal Metal N

o dia 11 desse mês aconteceu o Pré-Natal Metal no DCE- PUC, realizado pelo Under Metal Zine. Inicialmente estavam programadas seis bandas para fazerem parte do evento, Reinforce, Apocalyptichaos, Coral de Espíritos (Brasília), Spiritual Carnage, Scania (Brasília) e a banda Dallas Stars (Pantera Cover) , que faria uma homenagem ao saudoso Dimebag Darrell. Entretanto, a banda Scania não se apresentou, um dos seus integrantes sofreu um acidente provocando o cancelamento do show. O evento também marcaria a lançamento da primeira coletânea virtual do Under Metal Zine, que contém 20 músicas de bandas goianas contando com grandes nomes do cenário goiano como Spiritual Carnage, Necropsy Room, Deadly Curse, Ressonância Mórfica entre outros; e as mesmas foram tocadas antes e nos intervalos dos shows. O festival estava marcado para iniciar às 20h00 e às 20h15 a primeira banda já estava no palco.

Reinforce Após um breve instrumental a Reinforce parte para a primeira música “Your Betrayal”, um cover de Bullet For My Valentine. O som não estava muito bem regulado, a guitarra soava baixa enquanto a bateria cobria os outros instrumentos e o vocal não estava funcionando, assim tiveram que 44 - Heavyrama

interromper a execução da mesma e recomeçar. “Caught to Reality” faixa autoral dos rapazes, tinha uma pegada meio Thrash, com bons laços entre os riffs - destaque para o vocal corretamente dosado entre gutural e drive de Joabe Silva - o som ainda estava meio abafado, mas bem mais perceptível do que no início. Em “Sky in Tears” a melodia soava um pouco mais moderna junto com o uso de voz limpa, todavia , os headbangers pareciam precisar de um bom aquecimento, pois se mantinham atentos ao palco sem se movimentarem. A próxima faixa “Fire Fire Fire” deu conta do recado e esReinforce


Pré-Natal Metal

palhou o fogo necessário para finalmente fazer o público reagir com um bate-cabeça contagiante ao badalar dinâmico das notas nas cordas e da força do bumbo. A última música do setlist “Liberate the Fire”, se mostrou diferente das demais, com um toque de Trivium em sua melodia e pausas na bateria, uma boa composição e uma boa apresentação.

Apocalyptichaos Com um breve intervalo entre uma banda e outra, a Apocalyptichaos, que obtém em sua formação Luiz da Ressonância Mórfica subiu ao palco. “Prelude to december “ uma introdução instrumental, convidou os presentes a darem ouvidos à diferente proposta da banda que destila um Doom Death Metal. A recepção do público foi relativamente morna , entretanto, a banda Apocalyptichaos

fez o seu papel e tocou músicas de sua autoria como “Reborn from my ashes”, “Lies”, “Cry in the dark”, “Never be” e a mais conhecida e que consta na coletânea do Under Metal Zine “Nemesis”, todas belas composições recheadas com denotações sombrias e marcadas pelo excelente vocal gutural de Sandro e com a presença da vocalista Ellen Maris em uma faixa ou outra. O show foi encerrado com o cover de “Phantom of the Opera” com a participação do vocalista da banda Viscerastika, Sílvio e de Nataly Brum, foi uma bela execução instrumental e vocal, com exceção das partes finais da música onde os vocalistas se desencontraram. Em resumo, a apresentação técnica não pecou, mas não conquistou o público, seja pelo estilo diferente, ainda muitos têm que se acostumar.

Coral de Espíritos Eis a banda que muitos esperavam para ver pessoalmente. Novamente o som permaneceu meio embolado, mas fora consertado aos poucos durante a apresentação dos brasilienses. “Reborn Through The Sorrow” abriu a performance com palhetadas que relembravam o ritualístico Black Metal, acompanhados pelo vocal gutural (meio rasgado) e pela ótima qualidade do baterista que fornecia variedade instrumental, enfim uma boa escolha para a abertura do show com uma faixa bem trabalhada demonstrando a capacidade técnica do grupo. “Front Platoon” incitou a primeira roda de pogo da noite e também expôs a habilidade do baixista que corria os dedos nas cordas com uma velocidade impressionante. Os Heavyrama - 45


Pré-Natal Metal

músicos estavam muito bem entrosados. “Tales of the Endless sea”, tinha a mesma energia da banda Death, construída com riffs densos enquanto o baixo traçava uma linha diferente da guitarra, o público finalmente levantou os chifres para saudar a banda que evidenciava uma mistura de estilos. “Quoth the raven, nevermore” seguiu o mesmo dinamismo, com um espaço para o solo de baixo. “Dirty and Human” exprimiu um dedilhado sem distorção na guitarra, com um semblante

Spiritual Carnage O clima no Pré-Natal estava ótimo, as pessoas descontraídas e prontas para receber a banda ve-terana, todavia houve um grande intervalo entre a banda anterior e a Spiritual Carnage, o show começou às 23h50, com receio do público ter esfriado, não foi o que aconteceu. Durante a e-xecução do setlist, se formaram várias rodas de poga e o público estava realmente animado como há tempos não se via em um evento de

Coral de Espíritos

acústico e bem colocado. “All these years” era mais voltada ao Thrash/Speed Metal e novamente estimulou as rodas de hardcore. Assim, eles terminaram com uma despedida calorosa às 22h35 tocando Death, “Symbolic”. A banda saiu do palco agradecida pela recepção, mas reclamaram da iluminação que estava esquentando o palco. 46 - Heavyrama

Metal, os músicos exibiram muita presença de palco e instigaram headbanging coletivos, sendo devidamente saudados pelo público. “Earth and hate”, “Infernal Lifes”, “Crystal Lord” e a famosa “Carcass Reign”, foram algumas das faixas que incrementaram o repertório composto pelo Old School, com levadas de Thrash e Death Metal.


Pré-Natal Metal

Dallas Stars (Pantera Cover) 00h45, horário de apresentação da Dallas Stars, banda na qual alguns foram no Pré-Natal apenas para presenciá-los ,e logicamente, acumularam pessoas em frente ao palco para vê-los. O guitarrista estava devidamente caracterizado como Dimebag usando um chapéu ‘à la cowboy’ e todos estavam prontos curtir os clássicos de Pantera. “ Walk”, “Cowboys

Spiritual Carnage from hell”, “Revolution is my name” entre outras, destilaram o Thrash da banda oitentista, ao menos assim deveria ser. A banda cover exibiu inúmeros erros de execução em pra-ticamente todas as músicas tocadas, em uma delas eles tiveram que parar para recomeçar; em uma segunda parada a tomada estourou, enfim, parecia não ser o dia para Dimebag Darrell ser homenageado. A microfonia persistia e aos poucos o galpão do DCE se esvaziou, a decepção dos verda-

deiros fãs de Pantera era visível, infelizmente o show não foi tão grandioso quanto prometia. Mas deve-se aqui fazer m ressalvo para o bom vocal de Murilo Pantera. Todavia, a banda precisa fazer mais ensaios, talvez o nervosismo (se houve) pode ter atrapalhado. No fim eles tocaram mais uma música que segundo eles não estava ensaiada, mas pareceu ter saído melhor do que as anteriores.

Dallas Stars O Pré-Natal foi encerrado às 01h45, segundo o organizador Adriano Reis o evento reuniu 265 pessoas, incluindo as bandas, convidados, a equipe de produção do evento e a imprensa. Com exceção de falhas comuns que ocorrem com equipamento de som, o evento seguiu os horários pré-definidos (excluindo o atraso de integrantes de algumas bandas que atrasaram os shows). Enfim, mais uma noite de Metal e uma grande reunião de headbangers para a despedida deste ano de 2010 no DCE-PUC. Heavyrama - 47


Keeper of Keys Texto : Vitor Nunes / Fotos: Neli Sousa

A resistência do Heavy Metal A banda foi formada em meados de 2006 pelos integrantes Cássio, Everton Caetano e Marcony Santiago, a princípio não havia uma proposta séria, o que veio com o passar do tempo. O objetivo tornou-se fazer um som diferente das demais bandas do Heavy Metal, com uma mistura de Heavy e Power Metal, estilos marcados pela capacidade de seus vocalistas obterem notas extremamente altas, inspirados em grupos famosos como Iron Maiden, Helloween e Manowar. 48 - Heavyrama

O nome Keeper of Keys é uma influência direta exercida pelos fãs, Marcony (ex-baterista) e Everton (guitarrista), da banda alemã Helloween, que em meados de 1987 lançou um álbum intitulado “Keeper of the Seven Keys”. A escolha foi feita em eleição quando buscavam um nome com boa sonoridade e de peso para batizar o grupo. Os integrantes possuem várias experiências com outras bandas: The Spirits Of Shadows, D.D.O, Dark Ages e Dawn Tears são algumas das quais já


Keeper of Keys

tocaram ou ainda tocam. Já com seus quatro anos de estrada a banda teve poucas oportunidades para se apresentar, com um total de quatro apresentações. Para a Keeper of Keys o evento considerado mais marcante, foi o realizado no aniversário do Moto Clube Muthantes, que aconteceu no começo do ano em Aparecida. No momento,o grupo se prepara para a gravação de seu primeiro álbum intitulado ‘Warrior of Light’, previsto para ser entregue no final de fevereiro.

Cássio

Layssson

Percalços Como todo e qualquer grupo musical encontra dificuldades em seus caminhos, não foi diferente para Cássio e Everton que passaram e ainda passam por diversas dificuldades junto dos outros integrantes da banda. A escolha do estilo musical foi um dos primeiros, a banda procurava um som que tendia para o Metal Melódico, porém suas influências do Heavy Metal e Progressivo fizeram com que os integrantes optassem por aproximar sua sonoridade desses estilos. Outro problema citado pelo vocalista é a dificuldade em achar instrumentalistas de qualidade em Goiânia para esse ramo da música. Até a atual formação a banda passou por quatro mudanças se consolidando com Cássio no vocal, Everton e Gabriel nas guitarras, Rodrigo na bateria e Laysson no contrabaixo. Ao ser questionado sobre a cena do Metal em Goiânia o vocalista afirma que há uma carência de bandas de Heavy Metal e ressalta que “a principal dificuldade para haver uma melhora na cena goiana é a falta de oportunidade para bandas que tem o estilo tradicional, não só do Heavy Metal, mas no Thrash ou Death”.

Rodrigo

Everton

Gabriel

Heavyrama - 49


Entrevista - Isabella Negrini Texto : Bia Cardin / Fotos cedidas por Bebel

Entrevista Exclusiva com Isabella Negrini A cantora goiana Isabella Negrini (Bebel), 21 anos, que já teve passagem pela banda Volúpia di Baco, nos conta um pouco de sua história e tece comentários sobre seu atual envolvimento com a música. 50 - Heavyrama


Entrevista - Isabella Negrini

HEAVYRAMA - Como surgiu o seu interesse por canto? BEBEL - Nossa, isso começou bem cedo (risos). Tenho um vizinho que é professor de música da UFG e desde cedo o filho dele toca violino. Quando eu tinha mais ou menos uns 5 anos ficava no quintal de casa imitando as notas do violino e outras músicas, e esse professor toda vez cobrava da minha mãe para me colocar para estudar música, só que na época nenhuma escola aceitava criança tão novinha, agora mudou, mas antes estudar música era só a partir dos 8 anos. Comecei a ter aulas com 5 anos, fiz o coral do antigo banco do Beg, depois com 7 anos entrei na escola de música chamada Veiga Valle, e fiquei dos 7 aos 12 anos, nesse período estudei canto popular e piano. Infelizmente tive que dar uma pausa, pois os estudos estavam puxados. Retornei com 14 anos na música e logo entrei no canto lírico e estudo até hoje. Ano passado comecei a estudar violino, mas é um instrumento ingrato para nós canhotos (risos), então agora só me dedico ao canto mesmo. HEAVYRAMA - Qual foi a sua primeira experiência como cantora dentro do Heavy Metal? BEBEL- Minha primeira experiência foi aos 11 anos, conheci o pessoal ainda na época do Mirc. Nós fazíamos covers de bandas que gostávamos, era algo mais para diversão, até porque sempre fui a mais novinha em todas as bandas que tive e o pessoal sempre parava por ter compromisso. Houve a separação da primeira banda porque o guitarrista e o baterista na época tinham acaba-

do de passar no vestibular. Com 13 anos entrei na ex-banda (Volúpia di Baco), foram quase 7 anos e com 15 anos fui cobrir a falta de um vocalista para uma banda de Hard Rock chamada Dark Dolls (DD) e acabei ficando um tempinho, mas na época, estava uma correria e então infelizmente não deu para permanecer na DD, mas eu e os integrantes temos um relacionamento muito bom, somos amigos até hoje, mesmo não havendo banda. Fiz outros trabalhos também, participações, como o vocal da música “Lost” da banda Vougan, fiz um acústico com o Mário Linhares em Brasília, fiz outros trabalhos como a ópera “O milagre das Rosas” que conta a história da rainha Isabel, e mais alguns por aí. HEAVYRAMA - Durante muitos anos você foi a ‘lead singer’ da banda Volúpia di Baco. Como resumiria a experiência que viveu dentro da banda? BEBEL - Olha, tive muitas experiências antes da banda, durante e após, mas o grupo citado na pergunta também foi uma época de aprendizado. Tudo na vida serve de lição. Às vezes precisamos passar por certas coisas, passar por algumas experiências para aprender mais, evoluir e fazer o nosso próprio caminho! Acredito que devemos aproveitar cada momento que temos, seja ele como for com quem for e onde for, em tudo há um aprendizado. HEAVYRAMA - Atualmente, você prossegue cantando em alguma banda? Heavyrama - 51


Entrevista - Isabella Negrini

BEBEL - Na verdade eu nunca paro de cantar(risos), posso não estar no meio “metal”, mas estou em outros. Assim que sai da banda passei no teste do Coro da Orquestra Sinfônica a qual estou até hoje. Participei de alguns concursos de música tanto aqui quanto fora. Tive a oportunidade de conhecer maestros que tem uma história dentro da música, enfim, fiz vários intercâmbios musicais. Gravei alguns comerciais e alguns singles também. Nós temos que aprender a evoluir com as adversidades da vida, e eu sou uma pessoa que nunca fica acomodada, então, se a música é algo que amo nunca vou deixá-la. Amor é um sentimento muito forte 52 - Heavyrama

e intenso, não há dinheiro que pague o prazer de fazer aquilo que gostamos, não há fatos ruins que nos faça parar, porque amor é persistência, dedicação, luta. Filosofias à parte, é isso tudo e mais um pouco o que a música significa para mim, e como eu sempre falei, só vou parar e me calar quando eu morrer, e como Deus é generoso, Ele vai esperar mais um pouquinho (risos). HEAVYRAMA - Posteriormente à sua saída da Volúpia, você participou de um projeto chamado Mohr’s Circle. Qual foi o destino desse projeto? Ainda continua na ativa?


Entrevista - Isabella Negrini

BEBEL - Nessa história do DVD e do CD há um pequeno engano, porque na verdade isso tudo aconteceu quando eu tinha 15 anos, então não foi posteriormente a minha saída da banda. Esse projeto já existia antes de Volúpia. Bom, fui fazer participação em um clipe e souberam que eu cantava então me chamaram para participar de alguns testes e por fim o dono do projeto, chamado Jefferson (mais conhecido

ainda está nos vídeos relacionados do site da emissora, o que nos deixou muito feliz, por um trabalho goiano ser reconhecido dessa forma. Levamos um pouquinho daqui para o pessoal. Recebemos muitos convites depois disso, principalmente para fazer uma turnê, com certeza seria do interesse dos músicos, mas nem eu e nem ninguém que participou do projeto é dono dele, então essas decisões ficaram por conta do

como Jefferson Keen) me chamou para ser a vocalista do primeiro CD. O Jefferson é engenheiro civil, compositor e guitarrista e o nome do projeto se refere a uma matéria estudada no curso de Engenharia Civil. Esse CD foi gravado quando eu tinha 15 anos, e todos os músicos são daqui. Participam dele o Luis Maldonalle na guitarra, Branco na bateria, Sérgio no teclado e Gustavo Vasquez no baixo. Foram alguns meses na produção, gravação e tudo mais. Tudo isso aconteceu no estúdio do Gustavo. Esse projeto não possui só o meu trabalho, aliás, tem CD para todo gosto (risos). Para quem procurar no YouTube vão achar vídeos relacionados a esse projeto cantado em português de estilo diferente, outro mais rock’n’roll, recentemente está sendo gravado um voltado mais para o cenário nacional, músicas mais pop. Enfim, é bem variado e foi uma experiência única para mim. No ano passado, em março mais ou menos gravamos o DVD no Teatro Goiânia, foi outra experiência maravilhosa, aprendi muito e dividi palco com ótimos músicos, só que nesse DVD quem está no baixo é o Rickson. No final do ano passado o DVD foi transmitido na MTV e

fundador da ideia. Quem sabe quando todos os CD’s estiverem prontos ele não aceite né? HEAVYRAMA - Planeja continuar em projetos voltados ao Heavy Metal? BEBEL - Olha gosto muito do que eu faço, muito mesmo, seja onde for, mas não tenho projetos por enquanto, mas quem sabe no futuro né?! HEAVYRAMA - Algum recado final? BEBEL - Quero primeiro parabenizar a equipe por estar dando espaço para músicos goianos mostrarem o trabalho, o que estão fazendo e tudo mais. Esse incentivo e esse espaço é muito importante. Quero agradecer também á todos aqueles que me apoiaram e apóiam, e desejo a todos um ótimo ano novo!

Quem quiser escutar algumas músicas de Mohr’s Circle é só acessar: www.myspace.com/mohrscircle Heavyrama - 53


O Réquiem - 2ª Edição Texto : Bia Cardin / Fotos: Neli Sousa

O Réquiem - 2ª edição A

pós duas mudanças na data da realização da segunda edição do O Réquiem – Vampire Fest, o evento foi realizado no Clube Social Feminino, um local mais espaçoso em relação ao do ano anterior, mas que por outro lado não possui uma acústica boa. O Réquiem que fora marcado para iniciar às 20h30 sofreu atrasos. Na parte interna do local os equipamentos estavam sendo ajustados; a estrutura do palco era mais alta do que o comum e havia apenas uma fonte de iluminação. Enquanto as figuras vampirescas chegavam ao local, o som ambiente era com-

posto por músicas industriais e EBM. O evento foi marcado por extravagâncias: o carimbo da entrada era impresso no pescoço e ao entrar no local o público se deparava com um belo mural de fotos sangrentas tiradas por Poliana Sasi e Aline Rodrigues. No bar, as bebidas servidas em pequenos copos vermehos atendiam ao preço médio da maioria dos eventos.

Hypnotica Às 23h20 teve início o show da banda goiana Hypnotica, no ambiente já haviam dezenas

Mural de Poliana Sasi e Aline Rodrigues 54 - Heavyrama


O Réquiem - 2ª Edição

de fantasiados à temática do evento, entretanto não deram muito atenção à banda que estava se apresentando. O som também não estava ajudando muito, o vocal estava inaudível e o ruído que ecoava embolava as melodias dominantes no Metalcore da Hypnotica. O público se manteve apático e poucos correspondiam ao som deles, foi perceptível que toda aquela confusão sonora também desconcentrou os integrantes que tentavam se encontrar instrumentalmente. Ocorreu um pouco de microfonia como é de praxe, mas quando o vocal foi aumentado, tudo pareceu mais claro. Sobre a sonoridade da banda, a Hypnotica é uma banda relativamente experiente, com melodi-

Hypnotica

as maduras que invocam estilos como Death Metal e Thrash Metal, misturado com elementos mais atuais. No show realizado eles tocaram músicas do antigo trabalho como “The Darkness Inside” e “Awakening”, recheadas com passagens melódicas e afinação sórdida, entretanto ainda não dava para ouvi-los com clareza, até que o Gabriel Torelli anunciou que estavam ocorrendo problemas técnicos e show fora pausado por alguns instantes. Após certa persistência para tentar cativar o público disperso, eles terminaram com dois covers de Pantera “ Domination” e “A New Level”.

Spiritual Carnage Depois de um intervalo extenso, a Spiritual Car-

Spiritual Carnage

Heavyrama - 55


O Réquiem - 2ª Edição

nage atraiu boa parte da plateia com excelente presença de palco; o público parecia estar finalmente mais descontraído e abertos ao Thrash/Death tradicional da banda. O som alto e meio confuso perdurou (talvez questão de acústica), mas o speed técnico da experiente banda foi ovacionado. Em “Infernal Lifes” a bateria dava ritmo à guitarra veloz e ao vocal rasgado de Hemar Messiah, com bons elementos melódicos. As próximas faixas ingressavam no Old School “ The Immortal Sadness” e “Sheltered in Flames” que esquentaram o ambiente ainda mais, assim como a música mais famosa do grupo devido ao videoclipe lançado,“Carcass Reign”, depois da execução de mais uma música, o show teve fim às 01h25.

monótona e sem emoção. Para a surpresa geral, a última música foi um cover do famoso tema de “Phantom of the Opera” com a participação de Nataly Brum, Sílvio (Viscerastika) e Isabella Negrini (ex-Volúpia di Baco), com extrema excelência vocal de todos os participantes, destacando a competente vocalista Apocalyptichaos

Apocalyptichaos Novamente com o intervalo mais prolongado, a última banda goiana da noite, a Apocalyptichaos, se apresentou com riffs sombrios e lentos do Doom Death Metal, e com a excelência da presença do teclado que exilou uma bela introdução aos ouvidos alheios. O vocal grave e rasgado de Sandro, eram o prelúdio da faceta lúgubre das músicas, por vezes cavalgadas na bateria e ressonantes sobre o teclado. Na apresentação da banda, mais pessoas permaneceram em frente ao palco balançando as cabeças no ritmo denso de “Reborn from my ashes”, em seguida Sandro anuncia “ Para os que choram no escuro, ‘Cry in the Dark’”que apresentou quebras de compasso acompanhada pela participação da vocalista da banda Ellen Maris. Em resumo, as músicas são bem trabalhadas e um prato cheio para os apreciadores do estilo, já para os que não são tão fãs, a Apocalyptichaos pode soar um tanto 56 - Heavyrama

Isabella que alcançou a noite mais alta do final da música, concluindo a versão Heavy Metal magnífica, que obteve os merecidos aplausos, até então foi com certeza o ápice da noite.

As performances Depois dos shows das bandas goianas, houve-


O Réquiem - 2ª Edição

ram apresentações performáticas sobre um tapete vermelho colocado no meio do Clube Social. Algo a ser ressaltado, foi a falta de aviso dos organizadores após essas apresentações de que haveria mais um grupo de Brasília para tocar no evento. Na verdade, o aviso foi dado, mas apenas depois de um dos organizadores agradecer a presença de toAcid Reaktion

dos no evento, isso soou como um encerramento. Muitos foram embora sem sequer saber que haveria mais uma atração em seguida, inclusive nossa equipe também ficou confusa se haveria show das outras duas bandas de Brasília que estavam programadas, Acid Reaktion e Project Reinfield, assim tivemos que permanecer no local para saber o que

ainda estava por vir e assim somente às 03h30 da manhã a Acid Reaktion subiu ao palco, eram poucos o que ficaram para ouvi-los.

Acid Reaktion O grupo era formado por três pessoas, um que ficava responsável pelo notebook que rodava o ”playback” da banda e os outros dois cantavam acima desse som, demorou para que ajeitassem tudo, causando a desistência de mais pessoas que deixavam o local. Quando finalmente o show teve início, foi uma agradável surpresa ver a agitação dos integrantes um tanto performáticos com vocais rasgados e guturais, sem camisas e com rastros de tintas pelo corpo. O som explicitamente EBM fez com que os poucos ali restantes dançassem ao som do trio. O ambiente relembrou as boates góticas londrinas. A voz era tipicamente robótica como nos modelos de música industrial e som dos brasilienses recordou bastante a banda Bile (EUA). Após indeterminadas faixas dançantes o show acabou oficialmente às 04h.20 e não houve a apresentação da outra convidada. Infelizmente, o evento não correspondeu às expectativas em relação a sua primeira edição realizada no ano passado. Perguntamos à alguns expectadores as impressões a respeito do Réquiem e alguns apontaram o que poderia ter causado o insucesso do evento, como a escolha do local, o som alto ou o horário extrapolado para o começo dos shows. Enfim, fica um recado para que o próximo Réquiem recupere a mesma energia da primeira edição e convidem às criaturas da noite para demarcarem território mais uma vez. Heavyrama - 57


A r t i g o - Va d e r e R a g n a r o k e m G o i â n i a Foto: Neli Sousa

Artigo: Vader e Ragnarok em Goiânia Por Adriano Reis (Under Metal Zine)

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de novembro de 2010: o dia que entrou para a história de Goiânia. Não pelos shows que Vader e Ragnarok fariam cidade, mas pelo fato da AMMA - Agência Municipal do Meio Ambiente - interromper o Sangre Fest, sem um motivo concreto e aparente, não deixando as bandas se apresentarem no festival. Vendo esse fato, e após muita discussão pela internet, tudo isso me fez pensar, pensar e repensar muita coisa que aconteceu e que acontece no

58 - Heavyrama

cenário underground goianiense. Esta não é a primeira vez que fatos como esse ocorrem em eventos de Heavy Metal na cidade, mas, até onde sei, e me lembro, foi a primeira vez que tomou tamanha proporção. Muito se discutiu a respeito do que realmente aconteceu no DCE-PUC, no dia 14 de novembro. Será que a denúncia partiu de dentro do DCE?! Será que foi denúncia dos fiéis da Igreja Universitária (que fica nas dependências da PUC,


A r t i g o - Va d e r e R a g n a r o k e m G o i â n i a

ao lado do DCE)?! Será que foram denúncias de vizi-nhos?! Será que a AMMA só barrou o evento por quê os organizadores não tiraram o alvará?! Essas foram algumas das questões levantadas na comunidade Goiânia Rock City, a maior comunidade do gênero, de Goiânia, no Orkut. O que será que realmente aconteceu?! Muitas perguntas foram feitas e muitas respostas foram dadas, mas ainda não sabemos ao certo de onde realmente partiu “tal denúncia”. Muitos disseram que tal situação ocorreu porque a organização não tirou alvará na AMMA. Sinceramente?! Com certeza não foi por isso! Então pergunto: por quê apenas esse foi barrado?! Alguma coisa muito estranha ocorreu para que isso acontecesse. Muitos eventos são realizados no DCE durante todo o ano e não creio que aquele episódio foi por culpa da organização. Em relação ao alvará, não vale a pena retirálo na AMMA para realizar eventos no DCE. Por três motivos básicos: primeiro porque 99,9% dos shows que ocorrem lá são pequenos, com pouco ou quase nada de apoios e investimentos por parte de empresas e etc. Segundo, que o preço pago em um alvará, nesses eventos, paga a impressão de panfletos, algo muito valioso para os organizadores. Terceiro, que eles não gostam muito de dar alvará para shows de Heavy Metal, barrando a grande maioria dos que procuram fazer a coisa certa. Digo isso porque já sofri com algo semelhante. Ainda faltam muitos investimentos em cultura, tanto em Goiânia, quanto no restante do estado. Não digo apenas do Heavy Metal, mas nas demais culturas, as quais muitos de nós não frequentam.

Temos uma das cenas rock/metal mais fortes do país, Goiânia é tida como uma “Rock city”, sendo algumas vezes chamada de “Seattle do Brasil”(?!). Eventos e mais eventos surgem a cada ano, um exemplo disso é o próprio Sangre Fest. Temos ainda o GO MOSH, Rock Solidário, Under Metal Fest, Metal Master, Pré-Natal Metal, Natal Metal, O Réquiem, etc, e os mais tradicionais, de grande porte, como: Goiânia Noise Festival, Bananada, Vaca Amarela e Tattoo Rock Fest. Não há um único fim de semana onde não aconteça algum tipo de evento com bandas de rock/metal, festas do estilo (sejam na casa de amigos, pubs, pseudo-pubs ou em boates) e até bares e mais bares do gênero surgiram nos útimos 10 anos como: Woodstock Rock Bar, Julius Bar, Estação Cerrado e o mais antigo e famoso: Vai Tomar no Kuka Bar. Apesar de termos tudo isso, ainda não temos casas de pequeno e médio porte com preços acessíveis para locação e realização de eventos como o próprio Sangre Fest e tantos outros. Sendo assim, muitos produtores acabam apelando pra locais que muitas vezes são alvos de boicotes por parte da AMMA. Alguma coisa precisa ser feita! Existem diversos locais abandonados, na cidade, que podem ser reformados e remodelados para a realização desses eventos. Falta um pouco mais de bom senso dos nossos governantes e de união de quem organiza eventos, para que de repente se faça algum projeto para ser entregue a prefeitura e ao estado e que estes orgãos reformem e cedam esse locais aos organizadores cuidarem e realizarem seus shows. Essa é uma ideia. Pensem nisso! Heavyrama - 59


A Hora do Pesadelo

A Hora do Pesadelo Relato de Bia Cardin, 21 anos, Editora-chefe da Revista Heavyrama Entrei na cena aos 13 anos, praticamente 14, como moradora do Jardim Europa o único local que eu podia ir era o falecido Terra do Nunca (perto do Terminal Bandeiras). Lá tive a oportunidade de conhecer bandas como Desastre, L.S.D (mais tarde faria amizade com a guitarrista Samantha Soares) entre outras que desapareceram com o tempo. Entretanto, hardcore/ punk nunca chegou a ser o meu forte, apesar de eu ter crescido no meio com verdadeiros punks - motivo no qual tenho verdadeiro respeito por essa tribo - o Metal sempre me atraiu mais e minha primeira e verdadeira experiência com o Metal ao vivo e a cores foi o show do Angra em Goiânia em 2005. Eu já tinha ouvido falar de Heaven’s Guardian, mas nunca os tinha visto, Korzus a mesma coisa, o primeiro momento no qual me deparei no show foi a entrada de Carlos Zema no palco, com seus agudos potentes; depois, a brutalidade do Wall of Death no show do Korzus, eu nunca havia presenciado tamanha insanidade em um local só. Esse dia me mudou, me interessei por bandas e aprendi a cantar na “tora”. Umas colegas na época de colégio queriam montar uma banda de Death feminino, então comecei a cantar gutural, que sempre foi o meu forte. Tive uma banda durante um período chamada Dorygnatus, chegamos a fazer um show para a motoclube Virago, era um som um tanto imaturo, mas que buscava originalidade, tínhamos músicas com até 8 minutos! Nossos amigos apelidavam nosso som de “Punk Metal”, mas assim como qualquer primeira banda, não durou muito, apesar de eu considerar ainda hoje a banda mais promissora pela qual eu passei. 60 - Heavyrama

Headbangerando com amigos no Remanescentes

Passei por muitos projetos de variados estilos, de Melódico, de Heavy, de Death e até mesmo de JRock com a banda KAKUMEI, nesse período tive o privilégio de ter aula de canto com Izack Salvatierra (atual vocalista da Heaven’s Guardian), e mesmo que o projeto parecesse prometer, novamente não vingou. Cursando a faculdade de Jornalismo, tive a ideia junto com uma excelente amiga de fazer uma revista que tivesse a ver com Metal, para ver se as pessoas se animavam novamente, pois até os meus amigos mais “True Headbangers” estavam desanimados com a atual situação do nosso cenário e foi assim que surgiu a Heavyrama, um produto da experiência com bandas, com amigos insensatos,e com shows inesquecíveis – enfim, um suspiro de quem viu o que o Metal é capaz de proporcionar, com shows que lotavam e a galera ia à loucura regados com a “Cantina das Trevas”. Amigos vieram e se foram. Mudaram de cidade, cortaram o cabelo e deixaram de andar com a galera (acontece!), e os que permaneceram nos ajudam nessa cruzada de ressuscitar o que há de melhor em Goiânia: O underground!


Resenha - Art of Khaos - DF Texto : Eduardo Aires

Melódico alçado pelo Progressivo Surgida em 2007, da união dos amigos Thiago Damacena, Pedro Ben e Matheus Guerra, a banda Art Of Khaos de Brasília, acaba de lançar neste ano de 2010 seu primeiro album, intitulado The Art Of Khaos. Produzido por Caio Duarte e gravado no Estudio Broadband, especializado em rock e metal, onde por sinal foram gravados os álbuns das bandas Mork e Raiken, resenhadas na terceira edição da revista Heavyrama. Os temas abordados passeiam pelos mais diversos aspectos da condição humana, tais como angústia, medo, remorso, entre outros. Nenhuma música do álbum tem menos de cinco minutos, mas isso não significa que a sensação chata de repetição vem à tona. Musicalmente falando, a cozinha é bem entrosada e ritmada, o que peca na banda são algumas passagens do vocalista, que soa desafinado e dissonante. 62 - Heavyrama

As bases rítmicas são alçadas pelo progressivo, assim como o teclado, fundamental nas músicas da banda, que além dos solos também deixa um clima marcante em alguns instantes. Os solos de guitarra soam melódicos, porém não deixam de lado a técnica, marcando bem o passeio que a banda faz pelo power, melódico e progressivo. São oito faixas que compõe o album, tudo começa com a introdução intitulada ‘Falling into chaos’, que conta com algumas passagens líricas femininas, assim como ‘Time to live’, já em ‘Bur-ning in flames’, o destaque é o baixo. Na ultima música, homônima do álbum, ‘The Art of Khaos’, há uma surpresa, ao perceber que se trata de algo somente instrumental. São mais de nove minutos, a maior faixa do CD, todavia novamente não se tem a sensação de repetição ou de que já deveria ter acabado. No geral a harmonia é muito bem trabalhada, principalmente o instrumental, a criatividade é valorizada pelos integrantes da banda a todo momento nas músicas. Cada instrumento tem o destaque na hora certa, além da presença de diferentes elementos e arranjos que contribuem para a qualidade sonora da banda. Line-up: Hud Andrade – Vocal Pedro Ben – Guitarra Fillipe Pessanha – Baixo Thiago Di’Mascena – Guitarra Daniel Cassini – Bateria Matheus Guerra - Teclado http://www.myspace.com/artofkhaos


Resenha - Gräfenstein - Alemanha Texto: Hugo O.

“Harmony melting to unformed dimensions”* Caos, solidão e consciência crítica consolidam temas para inspiração do novo álbum de Gräfenstein O novo álbum da banda alemã de Black/Thrash Metal Gräfenstein, Skull Baptism, lançado dia 12 de novembro é o terceiro trabalho completo da horda, que têm mais três demos lançadas. O novo trabalho melhorou tanto na qualidade de gravação e masterização quanto na técnica, em relação aos dois discos anteriores (Silence Endless, de 2005 e Death Born, de 2007), o que transmite sons lapidados aos ouvidos de quem gosta de Black Metal (BM). Em Skull Baptism, a mistura de BM e Thrash extrapola a mescla feita pela banda italiana Necrodeath em 100% Hell. Nas nove canções presentes do disco produzido pelo selo Black Hate, Tremolos (repetição rápida de uma nota ou uma alternância rápida entre duas ou mais notas musicais) e blast

beats se fundem e contrastam com a atmosfera pesada e triste das guitarras, o que incita uma eletricidade melancólica – se é que isso é possível – ao apreciador das músicas. O instrumento de destaque é a guitarra. Seus acordes e palhetadas conduzem a melodia através dos ditames da bateria encorpada e soturna - que como em outras bandas de BM, fica no plano de fundo juntamente com o baixo de Hackebeil. Greifenor e seu gutural rasgado entrecorta a harmonia de uma forma peculiarmente pertencente ao estilo, se assemelhando ao vocal de HansFyrste, da banda norueguesa Ragnarok. As letras impressas como que rabiscadas fortemente sobre o encarte é outra demonstração do quanto os alemães se esforçaram para fazer um trabalho bem feito. Todos os elementos gráficos do encarte inspiram os mesmos sentimentos e aguçam os mesmos sentidos de sofrimento e dor. As letras pregam então a libertação da Psique dos indivíduos por meio da solidão e, consequentemente da evolução do pensamento crítico e filosófico.

Line-up: Greifenor - Vocal/Guitarra Hackebeil - Baixo Ulvernost - Bateria http://www.myspace.com/grafenstein * Harmonia derrete-se em dimensões deformadas (interpretação livre) – trecho retirado da primeira faixa de Skull Baptism, Essence of Chaos. Heavyrama - 63


Resenha - Spallah - SP Texto : Artur Dias

hora certa, fazem do grupo de Guarulhos um achado, num estilo musical que muitas vezes peca pelo uso de fórmulas repetitivas. O destaque do single vai para a faixa-título “Follow”. A gravação contou com a participação especial de Danny Couto, da banda norte-americana Ill Niño na percurssão, o que conferiu uma atmosfera bem brasileira à música. Impossível não associar essa inserção aos trabalhos pioneiros dos irmãos Cavalera em no Sepultura e Soufly. Deveras interessante. Concluindo, o single mostra uma banda bastante peculiar e competente, com potencial

Do progressivo à percurssão A banda paulista Spallah nasceu em Guarulhos em 2007 com um proposta um tanto diferente do

para crescer e se destacar. As diversas influências trazem um som moderno, no bom sentido do termo. Agora é esperar o próximo trabalho do grupo. Vale a pena conferir.

que se costuma encontrar por aí. Formada pelos músicos Rafael (vocal), Bozzo e Junão (guitarras), Vicente (baixo) e Jeff (bateria), o grupo apresentou seu primeiro trabalho gravado em 2010, o single “Follow”. São apenas duas músicas, mas sem dúvida já pode-se perceber que possuem bastante potencial e uma abordagem fora do convencional. Com um som bastante moderno o com uma

Line-up:

mescla de influências, o trabalho da banda é difícil de ser rotulado. É possível perceber que

Rafael - Vocal

eles bebem da fonte do Metalcore, com uma

Bozzo - Guitarra

série de breakdowns e com variações entre vo-

Junão - Guitarra

cais limpos e guturais. Mas o Spallah tem muito

Vicente - Baixo

mais a oferecer. Muitas passagens que lembram

Jeff - Bateria

bandas como a sueca Soilwork e trechos progressivos, com licks de guitarra que entram na 64 - Heavyrama

http://www.myspace.com/spallah


Resenha - Ravok - DF Texto : Artur Dias

sentimento presente em todas as músicas do álbum. Uma das principais características do grupo é a técnica. A presença de bons solos de guitarra, uma bateria consistente e veloz e linhas de teclado que atuam bem tanto na parte harmônica quanto nos solos não passa despercebida nas faixas do álbum, que são curtas e velozes. A influência de bandas de Black/death melódico nórdicas é notória. Na primeira audição já vêm à cabeça grupos como Children of Bodom, Wintersun e Dimmu Borgir. Essa influência, presente constantemente, acaba por tornar a audição de todo o álbum um pouco repetitiva, com poucas variações no vocal ou no ritmo das músicas.

Velocidade e Desespero A banda Ravok é oriunda da cidade de Niterói – RJ e foi fundada em fevereiro de 2005. Após um período de trabalho e consolidação da formação, o grupo lançou seu primeiro álbum no Brasil e na Holanda em 2010. Formada pelos músicos Jack

Deste modo, a banda Ravok apresenta um Death Metal Melódico, com muitas passagens que lembram bandas de Black Metal Sinfônico e com altas dosagens de técnica, velocidade e desespero. Boa pedida para quem gosta do gênero, mas um tanto enjoativo para quem não está habituado. Sem dúvida um excelente trabalho.

Benzell (vocal e teclados), Lucius MacGomery (guitarra), Jason Stark (baixo), Ed Fallman (teclados) e Peccatu (bateria), a banda apresenta um metal extremo, veloz, melódico e com muito sentimento em oito músicas. A primeira faixa, “Reborn in Fire”, se inicia com uma passagem épica, que lembra grandes medalhões do Power Metal como Gamma Ray. Em seguida, blast beats mostram que o grupo caminha em outra direção. O vocal rasgado, em harmonia com o instrumental bastante coeso e com boas linhas melódicas, transmite um clima de desespero,

Line-up: Jack Benzell - Vocal Lucius MacGomery - Guitarra Jason Stark - Baixo Ed Fallman - Teclado Peccatu - Bateria http://www.myspace.com/bandaravok Heavyrama - 65


Conto - As Flores de Alice

As flores de Alice – Parte Três Por Jôder Filho Quando Cássio acordou na manha seguinte já era quase meio dia. Ele se levantou assustado e sentou-se na beira do sofá-cama olhando a bandeja com suco de laranja e algumas bolachas. — É pouco, mas é o que consegui arrumar em cima da hora. – Giovanna saía pela porta da cozinha, já arrumada para sair. – Vou fazer umas compras, por enquanto você fica aqui em casa. Melhor não arriscarmos que te vejam até termos certeza de que não suspeitam de você. Vou passar no laboratório e ver se descubro o que é isto também. – ela disse balançando o frasco do remédio na mão. – Se precisar de qualquer coisa, me ligue. E se a policia aparecer me avise urgentemente! Ela apanhou as chaves no pote em cima da mesinha e saiu trancando a porta atrás de si. Cássio, sentado no sofá-cama ficou sozinho no cômodo. Sozinho. Essa era a única palavra que definia sua vida dali pra frente. Alice se fora e, por mais amigos que tivesse, nunca mais seria o mesmo. Ele planejou uma vida inteira com ela, ensaiou no mínimo umas cinquenta vezes em como a pediria em casamento, tudo em vão. Afastou os pensamentos. Não precisava disso agora. Ajeitou-se e tomou um gole do suco de laranja. Deu uma leve engasgada. O suco estava sem açúcar e ele se esquecera que Giovanna era uma dessas naturebas. Por mais irônico que fosse ela amava Coca–cola. “Vai entender” ele pensou com um sorriso de leve no rosto. Pegou duas bolachas e pôs de uma vez só na boca. Só agora percebia que estava há quase dois dias sem se alimentar direito. Pegou mais duas e caminhou até a área dos fundos. No quintal os dois cães estavam de cara enfiados nas tigelas de ração, alheios a chegada de Cássio. Ficou alguns minutos observando os cães e voltou para a sala. Ligou a TV de Giovanna, mas nada o interessava nos canais. Aquela situação o inco66 - Heavyrama

modava cada vez mais. Queria fazer algo, ocupar sua mente. Era a única maneira de não pensar em Alice. Pensou exatamente no que queria fazer. Giovanna não gostaria nada disso, ele sabia, mas ele precisava. Era seu dever, sua obrigação achar a verdade sobre a morte de seu amor. Se fosse esperar a policia fazer algo, provavelmente morreria sem saber a resposta. Levantou-se decidido e caminhou até a porta. Apanhou as chaves de seu carro no pote ao lado da porta. Saiu trancando a porta atrás de si. Iria atrás de pistas. Iury se remexeu no banco do Vectra negro quando viu Cássio saindo da casa e se dirigindo para a entrada da garagem. Ele estava de saída e Iury tinha que seguilo. “Saco” pensou “mal dormi por causa desse bosta e agora tenho que segui-lo”. As ordens do contratante haviam sido claras. “não o perca de vista em momento algum” ele dissera ao telefone, a voz distorcida graças ao aparelho “quando chegar a hora de matá-lo você receberá minha ligação”. Iury detestava serviços de perseguição. Era um matador, um assassino. E dos bons. Seus serviços não eram baratos e sua propaganda eram seus outros clientes. Eles o indicavam. A alta sociedade de Goiânia, até de Goiás e outros estados o conheciam. Era um caçador, não uma babá. Não gostava de seguir ninguém por mais de dois dias, exceto, é claro, em problemas pessoais, mas esses ele resolvia mais facilmente. O seu negócio era a morte. Tânatos e Hades eram seus deuses e era com eles que ele sabia lidar. Sabia as oferendas perfeitas para eles. Apelidara seu Vectra de Caronte em homenagem ao barqueiro infernal. E Iury, o melhor assassino de Goiânia, algoz de políticos e famosos, agora lidava com um joguinho infantil de “gato e rato”. Não podia deixar de se enfurecer com isso. Tinha treinamento. Tinha equipamento. Tinha experiência e, mais importante de tudo, tinha coragem para terminar qualquer serviço, por


Conto - As Flores de Alice

mais difícil que parecesse. Queria poder colocar suas mãos na garganta de Cássio logo. Queria poder olhar nos olhos do rapaz e sentir o medo que ele exalaria. Depois que matasse Cássio iria atrás do cliente. A quantia oferecida era monstruosa, mas ninguém tratava Iury daquela forma. Ninguém! Descobriria o nome do contratante, arrumaria sua ficha completa e depois iria atrás dele. Se houvesse mais alguém o querendo morto, talvez pudesse oferecer seus serviços. Se não, tornaria a questão pessoal. O som do carro de Cássio acelerando o trouxe de volta à realidade. Ele ligou o seu carro e saiu depois que Cássio já fazia a curva na esquina de cima. Tinha que manter certa distancia para não ser notado. Seguiu o Corsa sedan até a Avenida Goiás e depois entraram na rua 4. O centro da capital era um emaranhado de ruas com nomes desconexos, outras com nomes parecidos e algumas até iguais. Cássio estacionou em frente a um dos muitos sebos que haviam por ali, desceu e entrou na livraria. Iury pôs seu carro do outro lado da rua e decidiu esperar na lanchonete que havia mais a frente. Dali poderia ver o carro e a entrada do sebo. Dez minutos depois Cássio saiu da livraria com uma sacola de plástico cinza em uma das mãos, entrou em seu carro e partiu fazendo a curva na Rua 9 e seguindo até a Paranaíba. Iury o seguia como um falcão. Cássio ainda tentava organizar sua agenda do dia. Comprara dois livros sobre química no sebo e agora se dirigia para a casa de Laura, uma das amigas de Alice. Tinha perguntas a fazer. As duas, curiosamente, se conheceram numa clinica de reabilitação para usuários e viciados. Compartilhavam de histórias semelhantes e tornaram-se grandes amigas. Alice tinha conseguido se livrar desse pesadelo há muito tempo, já Laura não. Ela passou por três ou quatro clinicas, mas nunca conseguia parar. Se Alice tivesse voltado às drogas, e Cássio orava pra que isso não fosse verdade, Laura seria a primeira a saber. Além do mais, se o tal Haxideno fosse de fato alguma droga, Laura também saberia e talvez até pudesse lhe indicar algum lugar onde é vendido ou alguém que estivesse metido nisso.

Traficantes eram uma escória da terra, a imundície da sociedade e uma gente perigosa. Mas, se Cássio queria descobrir a verdade sobre a morte de Alice, e ele desejava isso mais do que tudo, ele teria que se envolver com essa sujeirada toda. Seu celular vibrou no bolso da calça jeans interrompendo suas divagações. — Alô? — Onde é que você está seu maluco? – era Giovanna – Que me matar de susto, é? – ela completou. — Me perdoe. Eu sei que deveria ter deixado algum bilhete, mas minha cabeça tá cheia de coisa pra pensar agora. Desculpa ,sério. — Tudo bem, só que você me deixou preocupada. Onde você está? — Resolvendo umas coisas pendentes. Mas logo eu volto. Não se preocupe, eu fico longe de encrenca. —Só me diz que você não saiu pra bancar o detetive pela cidade. — Não, claro que não. – mentiu – São assuntos pendentes da banda. Eu decidi largar e agora tenho que resolver mais algumas paradas burocráticas aí. —Tudo bem, mas me avise se precisar de algo. Fiz uma cópia da chave pra você e passei em casa pra te entregar, mas como você saiu... Vou deixá-la no aparador pra você, ok? —Tudo bem. Volto a tempo do jantar e deixa que por hoje é por minha conta. Tenho que desligar, até a noite. Cássio continuou seu caminho até a casa de Laura. A casa dela ficava no setor Cidade Jardim. Em dez, no máximo 15 minutos chegaria lá e poderia obter algumas respostas. Assim pensava o rapaz. Seis metros atrás do carro de Cássio, Iury sorria maliciosamente. Sabia pra onde o rapaz estava indo. O cliente tinha razão, o rapaz era inteligente. Tinha que tomar cuidado. Acelerou seu Vectra e ultrapassou o carro de Cássio. Chegaria lá primeiro, e deixaria uma surpresa para o rapaz. Ele não gostava disso, mas bem no fundo o matador podia sentir uma verdade nova se formando em sua mente: aquele jogo de “gato e rato” estava ficando divertido, e ele iria aproveitar ao máximo até o fim. Heavyrama - 67


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Revista Digital do Cenário Metal Goiano

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