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ano Xx • nº 250 setembro de 2013

clientela preferencial

marco histórico

O Guia da Farmácia completa 250 edições. Veja a importância da publicação para o mercado CAPA 250_ok.indd 1

Atualmente, os idosos somam 23,5 milhões dos brasileiros, mais que o dobro do registrado há duas décadas. É importante que esse público se sinta participante e incluído no processo de restabelecimento ou manutenção do estado de saúde 22/08/13 11:36


editorial

Marco histórico Com a intenção de acompanhar de perto e relatar os principais acontecimentos do setor, o Guia da Farmácia completa 250 edições. A produção de conteúdo customizado e relevante é o diferencial desses 20 anos de história, já que a intenção não é apenas desenvolver mas também integrar diversas mídias para alcançar os resultados almejados e gerar os melhores relacionamentos possíveis entre todos os elos da cadeia. Uma das preocupações que acompanham a publicação ao longo de toda a sua história é a de se posicionar como uma ferramenta capaz de promover o desenvolvimento e incentivar a profissionalização das farmácias e drogarias. Acredito que produzir uma revista com informação de qualidade seja o caminho certo para o sucesso e me orgulho de fazer parte de 72 edições de um veículo que é líder de mercado e referência profissional para milhares de farmacêuticos e farmacistas. Isso me motiva a preparar sempre as melhores pautas e apurar o que há de mais moderno e inovador. O grande objetivo é que cada um de vocês, leitores, possa abrir a revista e aproveitar todas as

DIRETORIA Gustavo Godoy, Marcial Guimarães e Vinícius Dall’Ovo EDITORA-chefe Lígia Favoretto (ligia@contento.com.br) assistente de redação Flávia Corbó EDITORa de arte Larissa Lapa Assistentes de arte Junior B. Santos e Rodrigo Novellino DEPARTAMENTO COMERCIAL executivas de contas Jucélia Rezende (jucelia@contento.com.br) Luciana Bataglia (luciana@contento.com.br) 4

oportunidades para o seu negócio. Pois é, envelhecer é um processo natural da vida, das empresas, das publicações. Envelhecer traz maturidade, maturidade essa que nos permite atuar com segurança, o que nos confere credibilidade. Aliás, esse é o grande tema desta edição. O Brasil enfrenta um rápido e progressivo processo de envelhecimento. Quando se fala da população acima dos 60 anos, as mulheres representam a maioria, sendo 55,5% do total de indivíduos. A repórter Flávia Corbó preparou com maestria um especial que apresenta o panorama do envelhecimento da população, que se mostra atenta, ativa e carente, fatores que exigem atendimento personalizado e preferencial. Outro grande destaque fica por conta de uma pesquisa do Datafolha/ICTQ - Pós-Graduação para Farmacêuticos, que aponta que 20% dos brasileiros compram medicamentos controlados sem receita médica. Acompanhe os resultados na íntegra. Boa leitura. Lígia Favoretto Editora-chefe

assistentes do Comercial Juliana Guimarães e Mariana Batista Pereira DEPARTAMENTO DE assinaturas Morgana Rodrigues coordenador DE CIRCULAÇÃO Cláudio Ricieri DEPARTAMENTO FINANCEIRO Fabíola Rocha e Cláudia Simplício ASSESSORIA TÉCNICA E LISTA DE PREÇOS Kátia Garcia e Antônio Gambeta Marketing e Projetos Luciana Bandeira

capa Felipe Mariano

> www.guiadafarmacia.com.br Guia da Farmácia é uma publicação mensal da Contento. Rua Leonardo Nunes, 198, Vila Clementino, São Paulo (SP), CEP 04039-010. Tel.: (11) 5082 2200. E-mail: contento@contento.com.br Os artigos publicados e assinados não refletem necessariamente a opinião da editora. O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade única e exclusiva das empresas anunciantes.

analista de marketing Lyvia Peixoto

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Colaboradores da edição Revisão Helder Profeta Textos Adriana Bruno, Kathlen Ramos, Marcelo de Valécio, Raquel Sena e Rodrigo Rodrigues Colunistas Alex Macedo, Gustavo Semblano, Luiz Fernando Sambugaro, Silvia Osso e Rodrigo Furtado Cabral IMPRESSÃO Abril Gráfica

Uma das preocupações que acompanham a publicação ao longo de toda a sua história é a de se posicionar como uma ferramenta capaz de promover o desenvolvimento e incentivar a profissionalização das farmácias e drogarias

foto: arquivos contento

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sumário #250 setembro 2013

64 40 > debate A polêmica sobre a permissão para que farmacêuticos prescrevam medicamentos ganhou fôlego e foi colocada em discussão pública pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF)

46 > desafios A falsificação e irregularidades nos processos de fabricação dos medicamentos provocam perigos e os prejuízos incalculáveis à população e ao setor farmacêutico

64 > desempenho Mudança no currículo acadêmico devolveu o papel de agente de saúde aos farmacêuticos e ainda ampliou o leque de possibilidade de atuação profissional

78 > pesquisa Aproximadamente 20% dos brasileiros compram medicamentos controlados sem receita, acompanhe a pesquisa do Datafolha/ICTQ–Pós-Graduação para Farmacêuticos na íntegra

104 > especial idosos CAPA

O Guia da Farmácia traz uma série de reportagens sobre o envelhecimento da população e como essa mudança no perfil do brasileiro impacta o setor da saúde

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e mais 08 12 18 28 38 56 72 86 98

> guia on-line > entrevista > Antena Ligada > Atualizando > guia da farmácia responde > ponto de venda > tendência > dispensação > case

Caderno Saúde 154 162 165 174

> coração > artigo > hipertensão > imunidade

180 186 194 202 210 214 222 226

> pele > categoria > atendimento > comportamento > atualidade > mercado > sempre em dia > serviços

colunas 36 > Consultor Jurídico Gustavo Semblano 92 > tecnologia Luiz Fernando Sambugaro 95 > Varejo Silvia Osso 152 > cenário Rodrigo Furtado Cabral

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gu ia on- l i ne www.guiadafarmacia.com.br Informações exclusivas na internet

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Este selo nos artigos da revista indica conteúdo extra. Acesse o Portal e confira

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Acesse o Portal e confira as informações complementares do conteúdo editorial da revista, além de textos exclusivos a cada edição.

conteúdo extra no portal (a partir do dia 15 de cada mês) Você sabia? A incontinência urinária é frequentemente associada ao envelhecimento, mas o problema também pode atingir jovens adultos, principalmente se forem atletas

Vitaminas essenciais Diversos especialistas afirmam que a dieta mediterrânea é a maneira mais eficiente de ter uma alimentação rica em nutrientes

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Memória em dia Muito se fala sobre manter a forma física, mas exercitar a mente também é importante para ter um envelhecimento saudável

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o que rola nas redes sociais

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sua opinião é muito importante para nós Para fazer elogios, críticas ou dar sugestões ao Guia da Farmácia, escreva para a redação: Rua Leonardo Nunes, 198, Vila Clementino, São Paulo (SP), CEP 04039-010 ou ligia@contento.com.br. Queremos saber o que você pensa!

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fortaleza é a capital com maior incidência de automedicação anvisa proíbe venda de lotes de 91 medicamentos

Situação polêmica

A fraude na indicação de medicamentos existe porque os médicos aceitam. São os primeiros a cobrar propinas dos laboratórios. Parana Franciso, em resposta à nota “Funcionários de farmacêutica GSK são acusados em esquema”, publicada no Portal do Guia da Farmácia, no dia 29 de julho

Dúvida trabalhista

descarte legal de medicamentos no sul

Quando um farmacêutico acumula dois cargos na mesma empresa, ou seja, é responsável pela filial, provisoriamente, até retorno da licença-maternidade da farmacêutica responsável pela matriz, como fica o salário recebido por esse profissional? Ele receberá dois salários? Carolina, em resposta ao artigo “Funcionamento legal”, do consultor jurídico Gustavo Semblano, da edição 245 A dúvida da leitora foi solucionada diretamente pelo consultor Gustavo Semblano, autor do artigo.

Realidade brasileira medicamento de última geração será produzido no paraná

Infelizmente, esta é a realidade fora dos grandes centros. A fiscalização efetiva e a venda responsável ainda estão longe de existir na maioria do País. Erro do governo, do farmacêutico e também do consumidor. Rafael Possi, em resposta à nota “Fortaleza é a capital com maior incidência de automedicação”, publicada no Portal do Guia da Farmácia, no dia 31 de agosto

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Entrevista - União Química

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Estratégia diferenciada

A União Química enfrenta a concorrência com medicamentos de preços acessíveis, além de investimento contínuo em modernização e novas descobertas

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Por lígia favoretto

Fernando de Castro Marques é CEO da União Química Farmacêutica, empresa de capital 100% nacional, que, em 2012, completou 76 anos de existência. O executivo é também o atual presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), estando à frente da gestão 2012/2014, e integra o Corpo Diretivo do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAAC), no qual ocupa o cargo de vice-presidente desde 1998. Natural de Belo Horizonte (MG), mudou com seus pais para São Paulo em 1960, quando tinha 5 anos. Na época, seu pai, João Marques de Paulo, acabara de vender sua parte na sociedade de um laboratório em Minas Gerais e estava iniciando as atividades de um novo laboratório em São Paulo, já considerado na época o maior centro produtor de medicamentos do Brasil. Após adquirir duas empresas farmacêuticas, a trajetória dos Castro Marques em laboratórios foi inter-

rompida por uma doença em família, o que motivou uma mudança para Uberlândia (MG). Logo após a aquisição, o executivo, então com 17 anos, começou a trabalhar na empresa da família. O início de sua carreira profissional coincidiu com o forte crescimento das atividades da indústria farmacêutica no Brasil e quando, em 1979, a empresa foi transformada em S/A, ele assumiu a presidência da União Química Farmacêutica Nacional. Marques tinha apenas 25 anos. Sob a sua liderança, as atividades da União Química prosseguiram em ritmo intenso, marcadas pela diversificação dos negócios e dos mercados e, principalmente, pelo crescimento acentuado da organização, que hoje está posicionada entre as dez maiores da indústria farmacêutica do País. Ele revelou, em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, sobre a estratégia de investimento em Pesquisa & Desenvolvimento da empresa, além de falar sobre a atuação do laboratório junto a Bionovis. 2013 setembro guia da farmácia

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Entrevista - União Química

Guia da Farmácia • Qual a segredo do sucesso da União Química para se manter entre as dez maiores empresas da indústria farmacêutica brasileira? Fernando de Castro Marques • O segredo principal é a empresa ter uma filosofia de produzir medicamentos de qualidade a preços competitivos. Nós temos diversas linhas de produção, investimos continuamente na modernização e no desenvolvimento tecnológico das nossas unidades fabris e respeitamos normas nacionais e internacionais de produção de medicamentos. Guia • Fazer uso de capital 100% nacional é uma opção da União Química? Quais as vantagens e de que forma isso a faz ser diferente da concorrência? Marques • A União Química é uma empresa familiar que tem tido um bom desenvolvimento ao longo desses últimos anos atuando na saúde humana e na saúde animal. Nossa empresa não se diferencia da concorrência, nós enfrentamos a concorrência. Principalmente as multinacionais, já que a maioria delas não produz medicamentos no Brasil, ao contrário da União Química, que tem capital 100% nacional e produção também. As empresas geralmente importam produtos de suas matrizes e filiais no exterior, pois enxergam o Brasil apenas como mercado, já que a produção aqui tem um custo muito elevado. Guia • Como vocês conseguem driblar esses custos e manter estudos de patentes que demoram tantos anos para começarem a ser comercializadas? Marques • Temos três patentes em fase pré-clínica, são mais de 15 anos de estudos e ainda temos mais três pela frente, pelo menos. Uma delas será para o tratamento de câncer, melanoma, estamos estudando a saliva do carrapato como ação antitumoral. A outra patente é voltada ao tratamento da tuberculose, a terceira é uma molécula estudada para doenças degenerativas. Há mais de 40 anos que não é lançado nenhum novo produto para essa doença. Não dá para ficar copiando produto para o resto da vida, é preciso traçar um plano estratégico para sobreviver. Nem as pessoas nem os profissionais de saúde têm ideia da importância que essas descobertas podem trazer para a saúde brasileira e mundial. 14

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Guia • Como ser inovadora apesar dos seus 75 anos de atuação? De que forma a União Química capitaliza as necessidades da população brasileira? Marques • Nossa filosofia é: saúde ao alcance de todos. Mesmo com mais de 75 anos de atuação, a companhia tem perfil inovador e o compromisso com a melhoria contínua de processos. Para isso, investimos continuamente em Pesquisa & Desenvolvimento, área que conta com mais de 80 profissionais, focados em ações que envolvem geração de conhecimento e adaptação das tecnologias existentes. Guia • Em 2011, a União Química lançou 23 novos produtos e novas apresentações, que representaram incremento de 6% no faturamento da companhia. Quais os números de 2012 e o que o mercado pode esperar para os próximos anos? Marques • A União Química encerrou 2012 com lucro líquido de R$ 31,729 milhões, o que representa aumento de 10,8% em relação ao mesmo período de 2011. A receita bruta foi de R$ 571,438 milhões, um aumento de 20,53% em relação a 2011, quando atingiu R$ 474,091 milhões.

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Entrevista - União Química

‘‘Nós temos uma relação histórica com o varejo farmacêutico de quase oito décadas no mercado. Em todos esses anos, conseguimos estabelecer uma proximidade com nossos consumidores, por meio dos produtos’’ Para 2013, a meta da empresa é aumentar em 26% seu faturamento bruto e lançar 40 novos produtos entre as diversas divisões de negócios. Nossa estratégia é aumentar as vendas em todas as áreas, mas principalmente na Genom, linha dos medicamentos de prescrição médica. Os produtos dessa área contemplam três linhas: oftalmologia, ginecologia, e sistema nervoso central e dor. Parte desse crescimento está ligado às parcerias com importantes laboratórios multinacionais. Guia • Quais as áreas da saúde hoje que precisam urgentemente de novas soluções medicamentosas e como a União Química atua para suprir essa demanda? Marques • A União Química oferece produtos modernos a preços mais acessíveis. Para isso, também atuamos em todas as áreas: hospitalar, farma e animais de reprodução. Em todo nosso tempo de atuação, a empresa passou por várias transformações, efetuando diversas aquisições de empresas, marcas e linhas de produtos, assim como estabeleceu parcerias importantes no Brasil e no exterior. Guia • Qual a importância do varejo farmacêutico para a União Química e como a empresa se relaciona com ele? Marques • Nós temos uma relação histórica com o varejo farmacêutico de quase oito décadas no mercado. Em todos esses anos, conseguimos estabelecer uma proximidade com nossos consumidores, por meio dos produtos. Guia • Por que o mercado farmacêutico torna-se cada vez mais interessante e por que continuar investindo nele? 16

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Marques • Porque, ao contrário do que muitos pensam, medicamento é qualidade de vida, é prevenção. Com a melhoria do poder aquisitivo da população nos últimos anos, as pessoas passaram a ter condições de recorrer a medicamentos e investir mais em saúde. Guia • Há muita curiosidade do mercado em cima da Bionovis. Por que a União Química decidiu participar da iniciativa? Marques • Desde o início decidimos participar da iniciativa junto com as empresas Aché, EMS e Hypermarcas, por ser um projeto arrojado, de tecnologia de ponta. A Bionovis permitirá que o Brasil ocupe um espaço importante não só no mercado interno mas também no externo. A iniciativa tem como principal objetivo a pesquisa, desenvolvimento, produção, distribuição e comercialização de produtos biotecnológicos, com investimentos previstos de R$ 500 milhões para os próximos cinco anos e obrigação de não concorrência dos acionistas com relação ao negócio. Guia • Qual a fase atual do projeto? Marques • A empresa é independente e tem algumas parcerias internacionais já assinadas. Além da primeira unidade que será no Rio de Janeiro (RJ), também deve ter mais de uma unidade fabril a curto prazo. Guia • A partir de quando a população poderá ter acesso, de fato, aos produtos Bionovis? Marques • A previsão é de que a população tenha acesso aos produtos no segundo semestre de 2014. Guia • O que a Bionovis muda no cenário brasileiro e o que a joint-venture muda para a União Química? Marques • A Bionovis é a primeira grande empresa brasileira a entrar no mercado dos chamados medicamentos biotecnológicos (aqueles usados no tratamento de doenças complexas como o câncer e Alzheimer). Entre os dez produtos mais vendidos no mundo, cinco são desse tipo. Feitos a partir de células vivas, os biotecnológicos são considerados o futuro da indústria farmacêutica. Representam um mercado de US$ 160 bilhões no mundo e de R$ 10 bilhões no Brasil. E para União Química é uma satisfação participar de um projeto tão grandioso e crescer junto com o mercado fabril.

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ANTENA LIGADA

Brasil

em alta

O bom momento vivido pelo mercado farmacêutico do País impulsiona o investimento de empresas estrangeiras interessadas em usufruir dos benefícios de um setor aquecido categoria do momento

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) mostra que, no primeiro semestre deste ano, a categoria de higiene e beleza registrou alta de 17% nas vendas, em relação ao ano passado. Já os medicamentos tiveram aumento de 12% no período. Hoje, a venda desses produtos representa 30% do faturamento das farmácias. • www.abrafarma.com.br 18

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Mercado atrativo

A CVS Caremark, maior rede de drogarias dos Estados Unidos e que também comanda o grupo brasileiro Onofre, planeja acelerar a abertura de farmácias no Brasil em 2014. Rumor de que, em seguida, a companhia deva desembarcar no mercado europeu. A empresa anunciou lucro líquido de US$ 1,12 bilhão no segundo trimestre, aumento de 16% na comparação com o mesmo período do ano passado. • www.cvscaremark.com • www.onofre.com.br fotos: shutterstock/divulgação

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Programa de treinamento Desde o mês de julho, profissionais de todo o Brasil podem participar de um programa de treinamento a distância, on-line e gratuito, desenvolvido para os profissionais de compras da farmácia. A Libbs Farmacêutica, em parceria com a Contento, empresa especializada em conteúdo para o varejo farmacêutico, oferece o programa Compra Certa Libbs, cuidadosamente elaborado por consultores especializados no setor e totalmente focado nas necessidades do dia a dia do profissional de compras da farmácia. • www.compracertalibbs.com.br Guia de Farmácia.pdf 1 27/05/2013 10:15:54 • www.contento.com.br Guia de Farmácia.pdf 1 27/05/2013 10:15:54

Estudo sobre o setor

O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma) e a Associação Brasileira da Indústria Farmoquímica (Abiquifi) lançaram o estudo Ampliando a Inserção Internacional dos Setores Farmoquímico e Farmacêutico Brasileiros: Alternativas Estratégicas, elaborado pelos economistas Virgínia Eickhoff Haag e Hélio Henkin. O lançamento da obra contou com o apoio da Apex-Brasil. • www.sindusfarma.org.br • www.abiquif.org.br • www.apexbrasil.com.br

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PREFIXO PREFIXO ANVISA ANVISA PREFIXO Medicamentos 1 1 Medicamentos PRODUTOS ANVISA Cosméticos 2 2 Cosméticos 1 Medicamentos Saneantes 3 3 Saneantes 2 Cosméticos 4,56ou 6 Alimentos 4,5 ou Alimentos 3 Saneantes Produtos Produtos para para SaúdeSaúde1 ou 18 ou 8 4,5 ou 6 Alimentos 1 ou 8 Produtos para Saúde

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DISPONÍVEIS NASNAS PRINCIPAIS REDES DE FARMÁCIAS, DISPONÍVEIS PRINCIPAIS REDES DE FARMÁCIAS, DROGARIAS E LOJAS DE PRODUTOS NATURAIS. DROGARIAS E LOJAS DE PRODUTOS NATURAIS. DISPONÍVEIS NAS PRINCIPAIS REDES DE FARMÁCIAS, Gestantes, nutrizes e crianças até 3DE (três) anos, anos, somente devemdevem consumir Gestantes, nutrizes crianças até 3PRODUTOS (três) somente consumir DROGARIAS E eLOJAS NATURAIS. estes estes produtos sob orientação do nutricionista ou médico. Consumir os os produtos sob orientação do nutricionista ou médico. Consumir Gestantes, nutrizes econforme crianças 3diária (três)diária anos,constante somente consumir produtos conforme a ingestão constante na embalagem. produtos aatéingestão nadevem embalagem. estes produtos sob orientação do CONTÉM nutricionista ou médico. Consumir os NÃO NÃO CONTÉM GLÚTEN GLÚTEN produtos conforme a ingestão diária constante na embalagem. * Óleo* Óleo de Prímula Reg. M.S. ÔmegaÔmega 3 Reg.3 M.S. 6.2002.0005.001-5; ÓleoNÃO deÓleo AlhoCONTÉM Alho Odor e 500mg GLÚTEN de Prímula Reg. Nº M.S.6.2002.0009.001-7; Nº 6.2002.0009.001-7; Reg. Nº M.S. Nº 6.2002.0005.001-5; de1500mg, Alho 1500mg, AlhoLess Odor1000mg Less 1000mg e 500mg Reg. Reg. M.S. M.S. Nº 6.2002.0007.001-6; Gelatina Reg. M.S. Licopeno Reg. M.S. 6.2002.0016.001-5. Todos Todos os outros produtos são são Nº 6.2002.0007.001-6; Gelatina Reg. Nº M.S.6.2002.0006.001-0; Nº 6.2002.0006.001-0; Licopeno Reg.Nº M.S. Nº 6.2002.0016.001-5. os outros produtos isentosisentos daÔmega obrigatoriedade de registro conforme (RDC nº 27/2010). * Óleo de Prímula Reg. M.S. Nº 6.2002.0009.001-7; 3 Reg. M.S. Nºde6.2002.0005.001-5; Óleo Alho 1500mg, Alho Odor Less 1000mg e 500mg da obrigatoriedade registro conforme (RDC nºde27/2010). Reg. M.S. Nº 6.2002.0007.001-6; Gelatina Reg. M.S. Nº 6.2002.0006.001-0; Licopeno Reg. M.S. Nº 6.2002.0016.001-5. Todos os outros produtos são isentos da obrigatoriedade de registro conforme (RDC nº 27/2010).

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Logística reversa

O Comitê Orientador para Implantação dos Sistemas de Logística Reversa (Cori) aprovou o edital para elaboração de acordo setorial para implantação de sistema de logística reversa de resíduos de medicamentos. O documento, discutido e elaborado com a participação da indústria e dos ministérios-membros do Cori – Meio Ambiente, Saúde, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Agricultura e Abastecimento e Fazenda – receberá sugestões por um período de 120 dias. O edital estabelece algumas metas a serem cumpridas. • www.mma.gov.br

Vacina democrática

A Novartis anunciou que a Agência de Administração de Alimentos e Drogas dos EUA (o FDA) aprovou a vacina meningocócica ACWY, internacionalmente conhecida como Menveo, para crianças a partir de 2 meses de idade. Menveo já estava disponível nos EUA para uso em adolescentes e adultos (de 11 a 55 anos de idade) desde fevereiro de 2010 e para crianças (de 2 a 10 anos de idade) desde janeiro de 2011. No Brasil, a vacina está disponível desde 2011 para adolescentes a partir de 11 anos. Recentemente, ganhou nova indicação para crianças de dois anos. • www.novartis.com.br 20

Orientação on-line A Sandoz, segunda maior fabricante mundial de medicamentos genéricos e empresa do grupo suíço Novartis, acaba de lançar um aplicativo para Interações Medicamentosas em Neurologia e Psiquiatria. Tendo como objetivo ser um material complementar de consulta, exclusivo para especialistas do segmento da saúde, quando dois medicamentos são administrados, concomitantemente, a um paciente. A ferramenta pode ser acessada gratuitamente pelo computador ou ser baixada nos sistemas Android e iOS. • www.guiainteracoessandoz.com.br

Em queda A fabricante de medicamentos Sanofi anunciou que o lucro líquido caiu mais de 50% no segundo trimestre, passando de 1,15 bilhão de euros para 444 milhões de euros. A causa foram as perdas de patentes americanas do medicamento de tratamento de câncer Eloxatin e do anticoagulante Plavix, além do enfraquecimento das vendas no Brasil. A queda foi acima do esperado, pois a companhia havia anunciado uma previsão de declínio de até 5% do lucro em 2013. • www.sanofi.com.br

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ANTENA LIGADA

Bons resultados A companhia farmacêutica e química alemã Bayer divulgou que o lucro líquido subiu 75% no segundo trimestre, para 841 milhões de euros, ante os 481 milhões de euros do trimestre anterior. As vendas da empresa aumentaram 1,9% para 10,36 bilhões de euros. A empresa disse que prevê um aumento das vendas neste trimestre entre 40 e 41 bilhões de euros. • www.bayer.com.br

Novo comando

A presidente Dilma Rousseff nomeou dois novos diretores da Agência nacional de VigiIância Santária (Anvisa), Renato Alencar Porto e Ivo Bucaresky. Eles ocuparão duas das cinco diretorias da Agência e têm mandato de três anos. Renato Alencar Porto é servidor da Anvisa desde 2005. Ivo Bucaresky deixou o cargo atual que ocupa de secretário-executivo da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). • http:// portal.anvisa.gov.br

Tecnologia avançada

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) vai produzir o medicamento biológico Bevacizumabe, de última geração para o combate ao câncer e a degeneração macular (perda de visão) relativa à idade. O produto usa o princípio ativo do Avastin, da Roche, cuja patente expirou em 2012. A produção do medicamento no Paraná foi concretizada durante viagem de uma missão do Tecpar à Rússia, com o propósito de acertar os detalhes do acordo de cooperação firmado entre o instituto e a Biocad Brazil. • www.tecpar.br

Acúmulo de vantagens O Smiles anuncia parceria com a DPSP S.A. – detentora das marcas Drogaria São Paulo e Pacheco – duas das principais redes farmacêuticas do Brasil, com cerca de 800 lojas em todo o País. A acordo tem como finalidade permitir que consumidores acumulem milhas nas compras efetuadas nas lojas das duas redes. À exceção de medicamentos (devido à restrição da Agência Nacional de Vigilância Sanitária), todas as compras de produtos serão válidas para conversão em milhas. • www.smiles.com.br • www.drogariaspacheco.com.br • www.drogariasaopaulo.com.br

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ANTENA LIGADA

Parceria produtiva

A empresa farmacêutica EMS venceu o processo de licitação para firmar uma parceria público-privada (PPP) com a Fundação para o Remédio Popular (Furp) de Américo Brasiliense. Com o acordo, a Furp projeta, dentro de dois anos, aumentar em 740% sua produção, partindo das atuais 150 milhões para 1,26 bilhão de unidades fabricadas por ano. A parceria deverá ampliar, também, o número de títulos de medicamentos produzidos na unidade de Américo Braziliense. Estima-se que passe de 70 para 166 — um aumento de 140%. • www.ems.com.br • www.furp.sp.gov.br

novo anexo

Com uma área total de 1 milhão de metros quadrados e 107 mil metros quadrados de área construída, a sede do Laboratório Teuto/Pfizer, em Anápolis (GO), deve sofrer mudancas. Entre os projetos está a construção do anexo, no setor de sólidos, que abrigará novas máquinas e o almoxarifado da área. A expansão é consequência do investimento de R$ 80 milhões nos últimos dois anos, que deve gerar novas oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional. • www.teuto.com.br

Crescimento expressivo

As vendas da Boiron no Brasil aumentaram 55% no primeiro semestre de 2013. Durante o mesmo período, o laboratório registrou um crescimento de 14,2% nas atividades mundiais do grupo, com faturamento de 276 milhões de euros. A Boiron é líder mundial em medicamentos homeopáticos e está presente em mais de 80 países. Em 2012, teve um crescimento global de 8,2%, sendo que na filial brasileira esse crescimento foi de 70% (maior percentual no grupo). • www.boiron.com.br 24

varejo em alta O volume de farmácias em operação no Brasil aumentou 7,5% e atingiu 4.858 pontos de venda. Houve ainda expansão de 12,6% no número de farmacêuticos contratados no primeiro semestre de 2013 sobre 2012, segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). O varejo de farmácias vendeu R$ 13,5 bilhões em medicamentos e não medicamentos no primeiro semestre, com alta de 12% sobre o mesmo intervalo de 2012. • www.abrafarma.com.br

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ANTENA LIGADA

Combate ao diabetes

A Eli Lilly anuncia o lançamento do programa Parceria Lilly de Doenças Não Comunicáveis, uma iniciativa global da companhia, que visa fortalecer as práticas e políticas de tratamento, aumentar o envolvimento dos pacientes com o controle do diabetes e com adequação do tratamento no Brasil. No Brasil, a Lilly investirá mais de US$ 3 milhões até 2016. • www.lilly.com.br

Mantendo a liderança

Segundo o ranking do IMS Health, de janeiro a junho de 2013, o fitoterápico Seakalm comprimidos (Passiflora Incarnata 260 mg) continua aumentando suas vendas frente aos concorrentes e se consolida como líder absoluto de mercado. Os números mostram um crescimento em relação ao 2º colocado. Hoje o produto representa em unidades comercializadas cerca de 25% das vendas na categoria de calmantes herbais. • www.imshealth.com

Destaque internacional

As Farmácias Pague Menos apareceram na 48ª colocação entre as maiores empregadoras da América Latina, segundo o ranking das 500 maiores empresas do continente divulgado pelo instituto AméricaEconomia Intelligence, referente ao ano de 2012. Em 2013, a rede já contabiliza mais de 300 mil horas-aulas de treinamento profissional. Como resultado, 3% dos funcionários atuam na empresa desde sua fundação, em 1981, e 15% trabalham há mais de dez anos. • www.paguemenos.com.br • www.americaeconomia.com 26

Números no varejo A Raia Drogasil registrou queda de 18,4% no lucro líquido de abril a junho, para R$ 40,3 milhões, como efeito do aumento das despesas operacionais, que subiram 13,1% e alcançaram R$ 327,7 milhões, e da alta de quase 30% em amortização e depreciação, que somaram R$ 39 milhões. A receita líquida subiu 16,4%, para R$ 1,54 bilhão de abril a junho. • www.raiadrogasil.com.br

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atualizando

Mercado

variado

A indústria farmacêutica chega ao segundo semestre com lançamentos nas mais diferentes frentes. Entre as novidades estão medicamentos para doenças crônicas, analgésicos e nutracêuticos

Alcachofra Natulab

Chega ao mercado farmacêutico mais uma novidade. Trata-se de Profergan, um agente antialérgico e antipruriginoso que possui a Prometazina como princípio ativo na concentração de 20 mg/g. O medicamento é de uso externo e está indicado no tratamento dos sintomas locais de alergias (especialmente em picadas de insetos) e nas irritações da pele de diversas origens.

Para auxiliar na prevenção de problemas no fígado, o Grupo Natulab acaba de lançar o fitoterápico Alcachofra Natulab (Cynara scolymus), com apresentação de 350 mg em 30 cápsulas. Ele facilita a digestão e alivia o desconforto abdominal, gases e náuseas resultantes de deficiência na produção e eliminação da bile (líquido que atua na digestão de gorduras e na absorção de substâncias nutritivas da dieta ao passarem pelo intestino).

MS 1.0370.0321.025-6 www.teuto.com.br

MS 1.3841.0056 www.natulab.com.br

Profergan Teuto

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atualizando

Ekson Aché

O Aché lança no segundo semestre Ekson, medicamento de primeira opção para tratamento da doença de Parkinson. O produto é constituído pela associação levodopa e benserazida (200/50 mg), que oferece maior eficácia na redução dos sintomas da doença frente a outros antiparkisonianos do mercado. O medicamento atua aumentando os níveis de dopamina no cérebro e ajuda o paciente a realizar movimentos, melhorando o tremor e a rigidez, típicos da doença de Parkinson. MS 1.0573.0443 www.ache.com.br

Preserv Gel Lubrificante Íntimo Preserv

Por ser formulado à base de água, o Preserv Gel Lubrificante Íntimo possui composição semelhante à lubrificação natural. O produto é indicado para os casos em que há falta de lubrificação íntima (secura vaginal) ou quando se deseja uma lubrificação adicional. Isso porque ele ajuda a eliminar a irritação e ardência nas relações sexuais e não danifica o látex dos preservativos. MS 1.0163.770016 www.preserv.com.br 30

Rabeprazol Sódico Sandoz

Chega ao mercado o primeiro genérico da molécula rabeprazol sódico. O tratamento é indicado para a cicatrização e prevenção de recidiva de úlcera pépticas e do refluxo gastroesofágico. O produto pode ser encontrado nas apresentações de 10 mg e 20 mg com 14 comprimidos, além da versão de 20 mg com 28 comprimidos. MS 1.0047.0523 www.sandoz.com.br

DK2Cal União Química

Chega ao mercado DK2Cal, uma associação de colecalciferol (vit D), menaquinona (vit K2) e carbonato de cálcio. O medicamento atua no metabolismo ósseo ajudando a desenvolver e manter os ossos maduros sadios, também inibindo a calcificação dos vasos sanguíneos, sendo um grande aliado na formulação que está voltada para casos de osteopenia e osteoporose. MS Produto isento de registro de acordo com a RDC 27/10 www.uniaoquimica.com.br

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FreeStyle Lite Abbott

Com uma nova tecnologia embutida, o medidor de glicose FreeStyle Lite da Abbott se destaca por usar a menor amostra de sangue por teste do mercado, que causa menos dor para os usuários. Além disso, não precisa de codificação. O dispositivo é pequeno e permite a aplicação da segunda gota dentro de 60 segundos, evitando a perda de tiras de teste, o que também significa economia. Possui visor com luz de fundo, que também está localizada na entrada da tira de teste, permitindo o monitoramento a qualquer hora do dia. MS 80146501734 www.abbott.com.br

Espinheira Santa Natulab

O Grupo Natulab lançou recentemente a Espinheira Santa Natulab (Maytenus Ilicifolia), fitoterápico indicado no tratamento de úlceras, má digestão e gastrite. Com apresentação de 380 mg em 45 cápsulas, o medicamento possui um conjunto de substâncias ativas que compõem um fitocomplexo. Esses compostos promovem um efeito protetor da mucosa gástrica, por meio da redução de secreção de ácido no estômago. MS 1.3841.0053.001-5 www.natulab.com.br

Colágeno Hidrolisado Follium Teuto

A família Follium acaba de ganhar mais um integrante. Trata-se do Colágeno Hidrolisado Follium, uma mistura para preparo de bebida à base de colágeno hidrolisado enriquecida com vitaminas, com sabor tangerina. O produto é ideal para quem quer cuidar da pele, cabelo, unhas e articulações com saúde e praticidade. Está disponível no mercado na apresentação de caixa com 30 sachês de 10 g cada. MS Produto isento de registro de acordo com a RDC 27/10 www.teuto.com.br

Novalgina Efervescente Sanofi

Está disponível para as farmácias de todo o País mais uma novidade: Novalgina Efervescente (dipirona mono-hidratada), indicada no controle da febre e da dor. Trata-se da primeira dipirona efervescente do mercado. Com sabor limão e sem açúcar, o produto chega para completar a família Novalgina, presente no mercado há 90 anos. MS 1.1300.0058 www.sanofi.com.br 2013 setembro guia da farmácia

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atualizando

calcium magnesium with zinc sundown naturals

Para auxiliar na prevenção da perda de vitaminas e nutrientes ocorrida após os 30 anos, a Sundown Naturals apresenta o Calcium Magnesium with Zinc. Os minerais como o cálcio, o magnésio e o zinco atuam no organismo em perfeita harmonia: o cálcio é responsável pela reposição da estrutura óssea, o magnésio melhora a circulação dos elementos minerais no corpo e o zinco mantém a integridade muscular. MS produto isento de registro de acordo com a RDC/10 www.sundownvitaminas.com.br

neblock torrent

Chega ao mercado um medicamento anti-hipertensivo. É o Neblock (nebivolol), um betabloqueador de terceira geração, cujo maior diferencial é o seu mecanismo duplo de ação: a cardiosseletividade e a indução à produção do óxido nítrico endotelial. MS 1.0525.0056.005-4 www.torrent.com.br

cerazette

souvenaid

msd

danone

A MSD está disponibilizando ao mercado nova apresentação do anticoncepcional Cerazette (desogestrel 75 mcg). O produto chega 20% mais barato, contendo três blísteres da embalagem convencional com 28 drágeas. A versão mais econômica é suficiente para uso durante três ciclos. Cerazette contém apenas um tipo de hormônio, a progesterona, e apresenta eficácia elevada de 99% contra gravidez não planejada.

A Divisão de Nutrição Especializada da Danone traz para o Brasil o Souvenaid, um composto nutricional que atua sinergicamente na reconstituição da membrana neural e na manutenção das sinapses (conexão entre as células do cérebro) em pacientes com doença de Alzheimer (DA) leve. Com eficácia clinicamente comprovada, o Souvenaid é indicado para auxiliar o tratamento de pacientes na fase inicial dessa doença.

MS 1.0171.0089.002-4 www.msdonline.com.br

MS 665770093 www.danone.com.br

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consultor jurídico

Transparência nas contas Todos têm o direito de questionar e denunciar irregularidades ao TCU

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Gustavo S e m blano Advogado e consultor jurídico da Associação do Comércio Farmacêutico do Estado do Rio de Janeiro (Ascoferj) e da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), regional Estado do Rio de Janeiro. Atualmente cursa a pós-graduação em direito da farmácia e do medicamento na Faculdade de Direito de Coimbra (Portugal) 36

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A Lei Federal 3.820/60 é a norma que instituiu o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e os Conselhos Regionais de Farmácia (CRFs). No seu artigo 26, a Lei Federal 3.820/60 informa como o CFF aufere suas rendas e, no seu artigo 27, como se dão as rendas dos CRFs. Fundamento – Lei 3.820/60

CFF

25% do valor pago pela expedição de carteira profissional aos inscritos nos CRFs

art. 26, a

CFF

25% do valor das anuidades pagas aos CRFs

art. 26, b

CFF

25% do valor das multas aplicadas pelos CRFs

art. 26, c

CFF

doações ou legados

art. 26, d

CFF

subvenção dos governos ou dos órgãos autárquicos ou dos órgãos paraestatais

art. 26, e

CFF

25% do valor pago pela expedição de certidões pelos CRFs

art. 26, f

CRFs

75% do valor pago pela expedição de carteira profissional aos inscritos nos CRFs

art. 27, a

CRFs

75% do valor das anuidades pagas aos CRFs

art. 27, b

CRFs

75% do valor das multas aplicadas pelos CRFs

art. 27, c

CRFs

doações ou legados

art. 27, d

CRFs

subvenção dos governos ou dos órgãos autárquicos ou dos órgãos paraestatais

art.27, e

CRFs

75% do valor pago pela expedição de certidões pelos CRFs

art. 27, f

CRFs

qualquer renda eventual

art. 27, g

Essas informações são relevantes, pois pouca gente sabe que os valores que transitam pelo CFF e pelos CRFs necessariamente devem ser objeto de fiscalização contábil, financeira orçamentária, operacional e patrimonial pelo Tribunal de Contas da União (TCU), nos termos do artigo 70 da Constituição Federal. Essa ampla fiscalização é exercida quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas. Saliento que nem o CFF nem os CRFs têm a opção de serem ou não submetidos à fiscalização do TCU: a submissão de suas contas é obrigatória, pois são contas públicas. De acordo com a Constituição Federal (art.5º, inciso XXXIV, alínea “a”) todos possuem o direito de fazer pedidos (peticionar) aos Poderes Públicos, seja em defesa de seus direitos, seja contra ilegalidade ou contra abuso de poder. A expressão “Poderes Públicos” abrange, lógica e naturalmente, o CFF e os CRFs. Aliás, o artigo 73-A da Lei Complementar Federal 101/00 permite que qualquer pessoa possa apresentar denúncias sobre eventuais irregularidades ao TCU. Dessa forma, se você tem dúvidas inerentes aos gastos e receitas do CFF e dos CRFs, peticione, requeira, exerça seus direitos. 2013

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Como não errar na contratação de um funcionário? 38

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Seleção assertiva

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Algumas ações são fundamentais para uma contratação com menor índice de erros

Dica de leitura Um livro imprescindível para o gestor que deseja melhorar a administração de recursos humanos na farmácia ou drogaria. Contém temas sobre descrição de cargos, recrutamento e seleção, entre outros. Autora: Silvia OSSO Adquira através da loja virtual Contento: www.lojacontento.com.br

Veja a seguir premissas básicas para uma excelente contratação: a) Pessoas são importantes para o negócio Não há farmácia excelente sem excelentes profissionais. Não há empreendimentos sem pessoas, gestão qualificada sem líderes qualificados. Sendo isso uma verdade, contratações de qualidade tornam-se uma das atividades de grande importância para o sucesso de sua farmácia.  b) Nunca deixe um profissional recém-contratado sozinho Todos os profissionais, por mais experiência que possuam, necessitam ser treinados, acompanhados e direcionados dentro da farmácia. c) A integração do novo funcionário garante mais resultados Uma excelente integração é a certeza de que esse profissional receberá uma visão mais global da empresa, facilitando o entendimento de todos os processos dentro da farmácia. Integração é: • Apresentá-lo para todos da equipe; • Permitir que ele entenda e, se possível, até trabalhe em todos os setores da farmácia (uma semana em cada) antes de ir para seu setor; • Valorize o “sangue nos olhos”, a alegria e a força de vontade do candidato. Se houver dúvidas em relação à contratação do candidato, não efetive a contratação. Aguarde, escolha mais candidatos, entreviste.

m a r c e l o c r i s t i a n r ib eir o

Sócio-diretor da Desenvolva Consultoria e Treinamento www.desenvolvaconsultoria.com.br contato@desenvolvaconsultoria.com.br

d) Entenda que cada área carece de um perfil Cada área dentro da farmácia possui um perfil de qualificação. Não é todo candidato que se encaixa em todas as áreas. e) Contrate por critérios Tenha sempre um script do tipo de profissional (perfil) que busca encontrar. Qual o tipo de funcionário? Quais as qualificações, comportamentos? f) Seleção constante Sua farmácia nunca deve estar com as oportunidades encerradas. Deixe uma placa informando que existem vagas disponíveis. g) Demita funcionários ruins Mostre para sua equipe que sua empresa não tolera mediocridade. Entenda que nenhum funcionário é perfeito, pronto, e você terá que investir tempo e dinheiro para deixá-lo bom. Tenha foco no período de experiência. Experimente o funcionário nesse período, não gostou? DEMITA. h) Contrate pela personalidade e não pela habilidade Habilidade você treinará, personalidade é muito difícil de mudar. i) Comece bem para continuar ainda melhor Tenha uma cartilha de valores em sua empresa para mostrar ao candidato (atrasos, uniforme, regras, horários, escala, números...) 2013 setembro guia da farmácia

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DEBATE

Prescrição ganha força

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Conselho Federal de Farmácia abre consulta pública para apurar sugestões da categoria para um projeto nacional de prescrição farmacêutica de medicamentos, já previsto em lei e ignorado até hoje pela Anvisa

A briga para que os farmacêuticos possam ser autorizados a prescrever medicamentos para os pacientes começou a ganhar fôlego no Brasil depois que o Conselho Federal de Farmácia (CFF) resolveu abrir uma consulta pública sobre o assunto. A proposta estirou ainda mais o cabo de guerra com os diversos conselhos regionais de medicina do País, que são radicalmente contra e prometem ir à Justiça, se necessário, para barrar qualquer ideia nesse sentido. Com o apoio dos diversos conselhos regionais, desde o início de julho, o CFF promove palestras e debates sobre a proposta de prescrição farmacêutica. A pauta deve conduzir os debates do próximo encontro nacional da categoria, no final do mês de agosto (esta edição foi finalizada no dia 19/8). O objetivo do CFF é construir um projeto coletivo entre todos os farmacêuticos do País, pondo em prática uma antiga reivindicação dos profissionais da área. Até agora o CFF já colheu mais de 300 propostas de emenda para a nova resolução de prescrição, que estão

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Por Rodrigo R od ri gue s

sendo compiladas pela equipe da entidade e serão apresentadas de forma conjunta no próximo encontro da entidade. O objetivo da proposta é criar uma lista de medicamentos sob responsabilidade do profissional farmacêutico, que terá autoridade para dispensá-los aos pacientes. A ideia já é prevista na Lei 11.903/2009, que estabelece a criação de uma lista de medicamentos de venda “sob responsabilidade do farmacêutico”. De acordo com essa lei, além das listas de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) e de venda sob prescrição e retenção de receita, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é obrigada a criar uma lista de medicamentos sob responsabilidade do farmacêutico. Apesar de prevista em lei, a Anvisa simplesmente ignora a referida proposta e diz que tudo que diz respeito à Lei 11.903/2009 já foi atendido. No entendimento do órgão, qualquer medicamento que não está previsto na lista que obriga a retenção de receita é um MIP e, portanto, já fora regulamentado no ato da publicação da lei, fotos: shutterstock

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DEBATE

Apesar de prevista em lei, a Anvisa simplesmente ignora a proposta e diz que tudo que a lei 11.903/2009 prevê já foi atendido. No entendimento do órgão, qualquer medicamento que não está previsto na lista que obriga a retenção de receita é um MIP e, portanto, já fora regulamentado no ato da publicação da lei, durante o governo do ex-presidente Lula durante o governo do ex-presidente Lula. O entendimento do CFF, contudo, vai no sentido inverso, assim como o de diversas entidades do setor farmacêutico. De acordo com o projeto do CFF, os farmacêuticos passariam a ter liberação para indicar os medicamentos que não precisam de receita médica, como analgésicos, antigripais e relaxantes musculares. No total, são 35 grupos de medicamentos que seriam autorizados. No próprio balcão, os profissionais fariam uma avaliação do paciente e escolheriam o melhor tratamento. “A intenção do projeto é promover o uso racional do medicamento e com orientação, ao contrário do uso indiscriminado que ocorre hoje, colocando em risco a vida da população. Por mais que se diga que os MIPs têm a compra liberada, esses medicamentos têm efeitos colaterais, às vezes muito graves, mas que a população desconhece”, diz a presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Goiânia, Lorena Bahia. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 50% da população mundial faz o uso dos medicamentos de forma incorreta. O estudo ainda aponta que outros 50% dos casos de intoxicação por medicamentos no mundo são oriundos da venda e prescrição incorreta dos fármacos. A pesquisa da OMS foi feita em mais de 180 países do globo e constatou que apenas 40% dos países têm uma política real de uso racional de medicamentos. Os maiores problemas estão justamente em países em desenvolvimento como o Brasil, Argentina, Uruguai, etc., aponta a entidade. “Existe um vazio assistencial quando se trata da utilização de medicamentos no Brasil que precisa ser corrigido rapidamente, pelo bem dos pacientes brasileiros”, avalia.

Opinião contrária O problema é que os médicos estão radicalmente contra a proposta, que, na visão deles, é inconstitucional porque fere as leis brasileiras que restringem apenas aos profissionais médicos o papel de prescrever medicamentos e tratamentos, com base sempre em exames. “É uma proposta absurda e inconsequente. Não cabe ao farmacêutico fazer acompanhamento clínico. 42

Ele já tem suas funções estabelecidas em lei. Mais absurda ainda é a forma como o Conselho Federal de Farmácia está debatendo isso. Querem apenas baixar uma portaria, sendo que, para validar essa mudança, é preciso que o projeto passe pelo Congresso Nacional. Se só uma norma do conselho profissional resolvesse assuntos dessa natureza, daqui a pouco, nós, médicos, podemos baixar uma resolução autorizando a categoria a fazer cálculo de ponte como um engenheiro”, ironiza o presidente do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego), Salomão Rodrigues. Inimigo ferrenho da proposta do CFF, o presidente do Cremego foi até alvo de críticas das entidades farmacêuticas ao classificar a proposta de prática do “charlatanismo”, durante um debate na TV Anhanguera, filiada da Rede Globo em Goiás, no final de julho. Entidades do setor farmacêutico como a Federação Interestadual dos Farmacêuticos, o Conselho Regional de Farmácia de Goiás e o Sindicato dos Farmacêuticos da região divulgaram uma nota conjunta defendendo a proposta e repudiando a postura de Salomão Rodrigues. “Os farmacêuticos são uma categoria de profissionais de saúde, de nível superior, com compromissos e normas rígidas de conduta a serem cumpridas. Fazem parte da equipe multidisciplinar de saúde, com a missão de zelar pelos pacientes que utilizam os medicamentos prescritos, bem como aqueles isentos de prescrição. Por isso propõem transformar as farmácias em estabelecimentos de saúde efetivamente, com transparência, responsabilidade e exigindo, acima de tudo, respeito”, diz a nota coletiva dos órgãos. Salomão Rodrigues rebate a crítica e diz que trabalhar em equipe não significa que uns podem fazer as funções dos outros. “Reafirmo, essas mudanças estão sendo propostas pelo CFF de forma errada e, se preciso for, as entidades médicas vão procurar a Justiça. Não basta uma norma do conselho para passar por cima das leis brasileiras.

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DEBATE

É uma proposta que necessita de tramitação no Congresso Nacional, no qual tenho certeza que não vai passar nem pela Comissão de Saúde”, avalia o presidente do Cremego. Lorena Bahia, do Sindicato dos Farmacêuticos de Goiânia, diz que é legítimo o debate na categoria para a aprovação da resolução e afirma que cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidir se a resolução do CFF valeria ou não para o País inteiro. “É natural as entidades médicas fazerem pressão, por questões corporativistas que desconheço. O fato é que há uma confusão com a palavra prescrever. Entre os pontos que estamos discutindo está inclusive a necessidade de prescrever ao paciente a busca profissional de um médico, caso avaliemos a necessidade. É uma solução que vai melhorar a vida do paciente acima de tudo a aproximá-los ainda mais dos médicos, procurando ajuda antes das coisas realmente se complicarem”, argumenta Bahia.

Regionalidade destacada Goiás se tornou o foco das discussões do problema no País porque foi o primeiro Estado a iniciar efetivamente as discussões sobre a Lei 11.903/2009. O Estado também tem histórico antigo de polêmicas sobre o assunto. No início de junho, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), vetou uma lei aprovada na Câmara Municipal da cidade que, entre outras coisas, autorizava os farmacêuticos a prescreverem antibióticos para os pacientes. A lei foi considerada inconstitucional pela Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás e o veto ganhou apoio até da presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado, Ernestina Rocha. “Achamos o 44

veto correto porque visava apenas favorecer os negócios de quatro vereadores donos de farmácias. Mas a gente continua achando que o farmacêutico precisa assumir o papel de protagonista nessa discussão e ter mais interação com a classe médica”, disse Rocha. “Nós não queremos substituir o médico ou o dentista. A ideia é atuar em conjunto, encaminhando o paciente para tratamento e análise clínica ao menor sinal de que o uso da medicação não seja solução suficiente para equilibrar a saúde do usuário”, endossa o vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR), Denis Bertolini. “A intenção é ter um controle mais rigoroso da medicação, sem o uso indiscriminado como tem ocorrido agora. Se o Brasil almeja ser um país de primeiro mundo, tem que discutir questões sérias como essa com coragem, seriedade e responsabilidade. Sem corporativismo, seja dos médicos ou da indústria farmacêutica, que também não tem muito interesse que o projeto siga adiante”, completa. O alvoroço registrado em Goiás parece ser só o início de uma discussão que ainda vai dar muito “pano pra manga” a partir do dia 28 de agosto, quando o Congresso do Conselho Federal de Farmácia em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, começa a discutir as propostas apresentadas pelo País inteiro e pode fechar questão de ordem em torno do assunto. “Quem viver verá”, já diria o escritor inglês Willian Shakespeare. Procurado para comentar o assunto, contudo, o Conselho Federal de Farmácia, parte mais interessada do assunto, disse que só vai se pronunciar após o congresso da categoria.

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desafios

Produtos irregulares, um risco à vida

Falsificação, importação ilegal de medicamentos e de insumos, fabricação clandestina e falhas nos processos de produção são as principais irregularidades encontradas no mercado farmacêutico brasileiro Por Marcelo de Valécio

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A exposição da saúde pública a riscos, em alguns casos fatais, é, sem dúvida, o maior dano que irregularidades na cadeia de produção e comercialização de medicamentos pode produzir. De acordo com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), os perigos e os prejuízos resultantes de medicamentos não fabricados de acordo com normas e procedimentos adotados pelos órgãos responsáveis são de dimensões incalculáveis. Medicamentos fabricados sem o devido controle, em vez de curar, podem matar ou, mesmo que o caso extremo não venha a ocorrer, tornam-se ineficazes, o que atrasa e encarece os tratamentos. No Brasil, além do risco à vida, a falsificação e o roubo de cargas de medicamentos são responsáveis por prejuízos que ultrapassam a casa do US$ 1 bilhão apenas em sonegação fiscal. Para se ter ideia da situação, de todas as apreensões realizadas pela Receita Federal no primeiro semestre, a de medicamentos só não foi maior do que a de cigarros, tradicionalmente mais pulverizada. Segundo a Receita, a apreensão de medicamentos aumentou 102,96% em relação ao primeiro semestre do ano passado, alcançando R$ 7,891 milhões.

A apreensão de medicamentos aumentou em relação ao primeiro semestre do ano passado, alcançando

102,96%

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milhões

Outro problema grave é a importação irregular dos insumos para produção de medicamentos. Como o Brasil produz apenas 2% da matéria-prima farmacêutica necessária, a importação é comum no setor. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 48% dos insumos farmacêuticos fornecidos ao Brasil provêm da China, 30% são fabricados na Índia, 7% na Itália e 4% na Alemanha. Contudo, empresas clandestinas se aproveitam desse grande fluxo para trazer ao País insumos irregulares e que não passam pelo crivo da Anvisa. Muitas dessas matérias-primas são de má qualidade ou até proibidas no Brasil. Segundo o último relatório de inspeções

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no brasil, além do risco à vida, a falsificação e o roubo de cargas de medicamentos são responsáveis por prejuízos que ultrapassam a casa do us$ 1 bilhão apenas em sonegação fiscal feitas em fornecedoras internacionais de insumos farmacêuticos realizado pela agência, dos 81 fabricantes estrangeiros que fornecem insumos para medicamentos, 54 foram inspecionados e 30 receberam a certificação de Boas Práticas de Fabricação da Anvisa. Treze deles foram notificados sobre irregularidades, com prazo para regularizar a situação e poder continuar a operar. Já cinco empresas estrangeiras foram proibidas de comercializar quaisquer produtos no País.

Ação criminosa Utilizar insumo proibido ou não aprovado equivale à fabricação de um produto clandestino. Esse tipo de ação pode levar à suspensão do produto, seu recolhimento, aplicação de multa e até mesmo o fechamento da empresa. De forma geral, existem dois tipos de ocorrência de fabricação irregular de medicamentos. Uma delas são as falhas no processo de produção de medicamentos registrados, que resultam em interdições e impedem sua comercialização. Outra situação é a dos produtos clandestinos, que não passam pela Anvisa, o que é considerado crime. A agência revela que não há uma estimativa de quanto esses problemas representam diante do mercado total, mas as fiscalizações pegam diversas irregularidades. Todas as suspensões, interdições e recolhimentos, seja de produtos regulares, ilegais, clandestinos ou com qualquer outra irregularidade feita pela Anvisa podem ser con-

Utilizar insumo proibido ou não aprovado equivale à fabricação de um produto clandestino 48

sultadas no portal da entidade (http://portal.anvisa.gov.br). Do ponto de vista da saúde da população, na visão dos técnicos, a falsificação de medicamentos é das piores situações que pode ocorrer, pois expõe o consumidor a substâncias desconhecidas e o deixa sem o tratamento adequado. A agência afirma que, graças às ações coordenadas com os órgãos policiais e ao ambiente regulatório mais transparente, o problema vem decrescendo. Para o presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, a falsificação também preocupa a indústria farmacêutica, apesar de o tema fugir ao seu controle. “Não temos dados a respeito dos índices de apreensão de produtos, pois a falsificação é uma prática que acontece à margem do processo de fabricação dos medicamentos originais. Trata-se, portanto, de uma questão de responsabilidade da polícia e das autoridades sanitárias, mas que preocupa a todos.” Mussolini revela como ponto positivo o fato de que a fiscalização tem sido efetiva. “Felizmente, no Brasil, a falsificação de medicamentos não atinge as proporções de nações menos desenvolvidas da América do Sul, África e Ásia. Isso porque o País conta com um eficiente sistema de controle fiscal e sanitário, que inibe a entrada de contrafações no mercado regular, especialmente nas grandes cidades.” Segundo o executivo, mesmo antes da criação da Anvisa, em 1999, uma série de medidas importantes havia sido adotada para resguardar a população contra medicamentos falsificados ou que estivessem fora dos padrões de qualidade e segurança. Mussolini revela, porém, um problema na divulgação das apreensões. “Há um aspecto que costuma confundir a opinião pública. É que as estatísticas da Anvisa e da polícia embutem medicamentos de origem ilegal, como os contrabandeados e roubados, na categoria de produtos falsificados. São geralmente pro-

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O setor sempre esteve e continua engajado no esforço para que o problema seja resolvido. é um compromisso de honra. pois, afinal, o negócio da indústria farmacêutica é vender saúde em caixinhas dutos autênticos que, por terem ingressado no mercado por vias irregulares e clandestinas, podem oferecer riscos à saúde da população, diz o presidente do Sindusfarma. Na verdade, no contexto brasileiro, esses dois problemas são bem maiores do que o da 50

falsificação propriamente dita. “Na última década, o Sindusfarma participou de inúmeros encontros nacionais e internacionais sobre o tema. E tem discutido permanentemente com as autoridades brasileiras da área da saúde o aprimoramento das medidas e mecanismos destinados a rastrear os medicamentos legalmente produzidos pelo segmento farmacêutico, prevenindo a falsificação, o roubo de cargas e o contrabando de medicamentos no País. O setor sempre esteve e continua engajado no esforço para que o problema seja resolvido. É um compromisso de honra. Pois, afinal, o negócio da indústria farmacêutica é vender saúde em caixinhas”, completa. “O setor sempre esteve e continua engajado no esforço para que o problema seja resolvido. É um compromisso de honra. Pois, afinal, o negócio da indústria farmacêutica é vender saúde em caixinhas”, completa.

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outro problema grave é a importação irregular dos insumos para produção de medicamentos. como o brasil produz apenas 2% da matéria-prima farmacêutica necessária, a importação é comum no setor Responsabilidade bem definida Quando um medicamento é suspenso, a responsabilidade pelo recolhimento é do laboratório detentor do registro, seja fabricante ou importador, que deve apresentar à Anvisa um mapa de distribuição do produto. Nos pontos de venda, o medicamento deve ser segregado. Já o distribuidor tem a responsabilidade de fornecer ao fabricante todas as informações que possam contribuir para a retirada e localização dos produtos – locais dos estoques, destinatários dos produtos etc. Ao farmacêutico, cabe acompanhar os comunicados da Anvisa sobre a suspensão de medicamentos, publicados no Diário Oficial da União e em periódicos especializados, para a eventual separação dos produtos e devolução ao detentor do registro. Segundo a Anvisa, adicionalmente pode-se acionar a vigilância sanitária local para que outras medidas sejam adotadas, inclusive no sentido de identificar outras farmácias que possam ter adquirido o produto defeituoso. Todos os procedimentos referentes à retirada de medicamentos do mercado são regulamentados pela RDC 55/05. Mas nem toda suspensão de um medicamento por parte da Anvisa implica recolhimento do produto, ressalta Nelson Mussolini. Para ter certeza da suspensão do item, a melhor forma é consultar a agência. Em caso de suspeita, o estabelecimento deve avisar a vigilância sanitária local e as autoridades policiais, pois isso pode ajudar a estabelecer a origem do produto. Acima de tudo, qualquer medicamento identificado como irregular deve ser retirado imediata52

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mente do alcance do consumidor. Caso a farmácia não tome providência, ela está sujeita às penalidades de recolhimento, à multa e ao fechamento. Além disso, segundo a Anvisa, há desdobramentos que podem advir de um inquérito policial, já que o comércio de produtos clandestinos é crime. A Anvisa ressalta, ainda, a importância de a farmácia só adquirir medicamentos de distribuidoras autorizadas pela agência. E o consumidor, como ele pode saber se está adquirindo um produto regular? Que cuidados deve tomar? A Anvisa sugere que o consumidor entre em contato com o laboratório produtor quando tiver suspeita de falsificação, pois a empresa é quem tem as informações sobre o lote do produto que vão permitir identificar se é um caso de falsificação ou não. A vigilância sanitária local também pode ajudar nisso. De acordo com Nelson Mussolini, os processos de controle de qualidade da indústria farmacêutica em todas as etapas de fabricação e os sistemas de farmacovigilância alcançaram alto grau de aperfeiçoamento nas últimas duas décadas. “Toda embalagem de medicamento disponível no mercado brasileiro contém informações e dispositivos de segurança que permitem aferir sua autenticidade. Vêm impressas nas caixas as características do medicamento, o nome do fabricante, o número de registro do produto no Ministério da Saúde e o nome do farmacêutico responsável e seu número de inscrição no Conselho Regional de Farmácia (CRF). São informados também

quando um medicamento é suspenso, a responsabilidade pelo recolhimento é do laboratório detentor do registro, seja fabricante ou importador, que deve apresentar à anvisa um mapa de distribuição do produto

A falsificação também preocupa a indústria farmacêutica, apesar de o tema fugir ao seu controle o número do lote e as datas de fabricação e validade do produto. É bem completo”, diz o presidente do Sindusfarma.

Identificação objetiva Os principais dispositivos de segurança nas embalagens de medicamentos são a tinta reativa (raspadinha), o adesivo ou lacre de segurança e a colagem hot melt que indica a inviolabilidade do produto. A raspadinha é um retângulo branco coberto com uma tinta reativa que, ao ser raspado com uma peça de metal (moeda, anel, chave etc.) expõe a palavra “Qualidade” e a logomarca da empresa fabricante. Todas as embalagens de medicamentos vendidas no Brasil precisam obrigatoriamente dessas identificações, explica Mussolini, que faz uma advertência. “Recomenda-se que os consumidores comprem os medicamentos prescritos pelos médicos e profissionais da saúde apenas em farmácias e drogarias conhecidas. E que, além de prestar atenção às informações e aos dispositivos de segurança já citados, verifiquem se a embalagem não está amassada, rasgada, rasurada ou tem falhas de impressão que possam indicar fraude, má conservação ou adulteração do produto.” Em qualquer caso, diz o executivo, o consumidor pode tirar suas dúvidas entrando em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente da empresa fabricante do medicamento, que estão impressos com destaque nas embalagens dos produtos. 2013 setembro guia da farmácia

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O cliente tem

sempre razão Especialistas são unânimes em afirmar que mais vale um cliente satisfeito do que o estabelecimento conseguir provar que está certo P o r E g l e Le o na r di

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Um conceito que é aplicado para a maioria das situações que envolvem problemas nas relações de consumo é o de que o cliente tem sempre razão. Mas a questão se torna mais complicada na medida em que o varejista entende que, na comercialização de algum produto, ele não praticou ato ilícito ou imoral e que o cliente, de alguma forma, não tem razão. Nesse caso, como a farmácia deve agir? Para o presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Comunitária (SBFC), Amilson Álvares, esse refrão é aplicado apenas por empresas que foto: shutterstock

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Atendimentos efetuados pela fundação Procon Medicamento alopático, homeopático, fitoterápico (manipulado e industrializado) Problemas

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2012

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Não entrega de produto

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97

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Não cumprimento à oferta

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24

Vício do produto/serviço

13

11

9

Preço do produto/serviço

18

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Total

396

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Fontes: Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap)

realmente estão em busca da qualidade total no atendimento. Se um cliente ficou insatisfeito com um produto ou serviço adquirido, a empresa, no mínimo, omitiu alguma informação ou não a repassou da forma correta. Ele ressalta que quando um cliente reclama, e sua exigência é atendida, ele continua a comprar na empresa e conta o que aconteceu para duas ou três pessoas. Caso sua reclamação não seja acatada, segundo pesquisas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), ele conta para 9 a 13 pessoas, e o fato fica em sua lembrança durante muito tempo, com uma percepção negativa da empresa. “Portanto, caso o cliente esteja insatisfeito, avalie quanto custa conquistar uns 13 clientes novos e veja qual prejuízo é maior, porque não

quando um cliente reclama, e sua exigência é atendida, ele continua a comprar na empresa e conta o que aconteceu para duas ou três pessoas. quando a farmácia tiver razão, esqueça que ela tem razão e resolva o problema do cliente, caso contrário ele vai resolver os próximos problemas em outra farmácia 58

se perde apenas um consumidor por causa da insatisfação, geralmente se perde muitos por causa da reclamação de apenas um”, dispara Álvares. Ele faz um alerta: é preciso resolver a questão antes de discutir com o cliente, porque, caso ele se irrite, mesmo tendo seu problema resolvido, a empresa o perderá de qualquer forma. É fundamental ter em mente que o cliente sempre tem razão, e deve-se resolver o problema dele de imediato, desculpando-se e garantindo que o fato não acontecerá novamente. “Quando a farmácia tiver razão, esqueça que ela tem razão e resolva o problema do cliente, caso contrário ele vai resolver os próximos problemas em outra farmácia, e não naquela que acredita ter razão”, polemiza o presidente. É claro que o bom senso deve prevalecer em todos os casos, e o lucro é ponto principal na farmácia, entretanto deve-se avaliar qual prejuízo é maior. “Em caso de inadimplência, que são os maiores conflitos causados nos estabelecimentos comerciais, o cliente tem sempre razão desde que pague suas contas corretamente e que não cause prejuízo para a empresa”, ele fala. O coordenador da Comissão Assessora de Farmácia do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Julio Pedroni, compartilha a mesma opinião de Álvares. Ele acredita que essa máxima de que o cliente sempre tem razão normalmente predomina na relação entre cliente e estabelecimento. “Existem situações, no meu entendimento, que não valem a pena serem discutidas com o cliente, mesmo que a farmácia tenha razão, mas se a discussão for necessária, ela deve ser focada na resolução do problema, e não em quem tem razão”, ressalta o executivo.

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Cartilha do Consumidor MEDICAMENTOS A maioria dos medicamentos ainda é tabelada (Portaria 37/92, MF). As farmácias e drogarias são obrigadas a manter à disposição dos consumidores listas de preços contendo os preços máximos de venda ao consumidor, que poderá sofrer atualização mensal. Como a lista de preços produzida pela Contento e distribuída junto do Guia da Farmácia. Os medicamentos devem, obrigatoriamente, ter registro legal e obedecer aos padrões estabelecidos sobre: • composição • segurança e eficácia • atividade • qualidade e pureza, segundo as normas técnicas existentes, conforme determina a legislação específica sobre medicamentos. Além disso, todos os medicamentos devem trazer na bula ou embalagem: • fórmula de composição • vias de administração (oral, injetável) • indicações • contraindicações • efeitos colaterais e reações adversas • reações e cuidados que devem ser observados • prazo de validade • cuidados de conservação • instruções de uso • modo de ação Se faltar alguma dessas informações, o medicamento pode ser clandestino. Esse tipo de produto representa uma ameaça à saúde e à vida. O consumidor tem também o direito de exigir que o médico escreva a receita de modo legível, isso é, ele precisa entender o que o médico escreveu. MEDICAMENTOS ALTERADOS OU SEM REGISTRO Ao comprar um medicamento e notar alguma mudança na sua cor ou consistência ou verificar que não possui o registro do Ministério da Saúde, o usuário poderá exigir a substituição do produto ou devolução do valor pago no próprio local onde houve a aquisição. Se não for atendido, ele deve procurar um órgão de defesa do consumidor que pode servir de intermediário entre ele e o fornecedor. Pode-se também comunicar o fato à Vigilância Sanitária ou ao Conselho Regional de Farmácia para que fiscalizem o estabelecimento. MEDICAMENTOS SEM RÓTULO OU BULA A falta de informações é muito perigosa, pois assim não se sabe o que está tomando e como deve utilizar o medicamento. Não fornecer informações necessárias é crime (art. 63, CDC). Isso agride os direitos básicos de proteção à vida, saúde, segurança e de não ser corretamente informado (art. 6º, CDC) . Fontes: Cartilha do Consumidor do Procon, Livemax e Senac http://www.procon.al.gov.br/legislacao/cartilhadoconsumidor.pdf

Ele acredita que a postura da empresa deve ser sempre a de resolver a situação que está causando o conflito. Uma pergunta que ele aconselha ao varejista fazer para esses clientes é: o que o senhor acha que devemos fazer para resolver o problema? Se a resposta do cliente for possível de ser atendida, 60

o gestor resolve o caso e o cliente sai satisfeito. “Nunca se deve buscar os culpados para o problema, e sim a solução. No caso da farmácia, entra também a questão legal e sanitária da situação”, diz Pedroni. Ele exemplifica citando o caso de uma receita vencida de medicamento sujeito a controle especial ou o caso de um antimicrobiano. Se a

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Órgãos que atuam na Defesa do Consumidor O Código de Defesa do Consumidor brasileiro prevê uma proteção ao consumidor bastante forte e consistente, baseada em princípios e direitos básicos, que protegem, além da esfera econômica, a esfera da personalidade do consumidor. Dentre os direitos básicos previstos no Código, destaca-se a proteção da vida, saúde e segurança (art. 6º, I), a proteção contra práticas abusivas (art. 6º, IV), a efetiva prevenção e reparação de danos morais (art. 6º, VI), o acesso aos órgãos judiciários e administrativos (art. 6º, VII), bem como a inversão do ônus da prova pelo juiz em alguns casos (art. 6º, VIII). Para a aplicação de todos os direitos e princípios previstos no Código, foi estabelecido um Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), composto por diversos órgãos e entidades, que têm como função a proteção ao consumidor. Cabe ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) coordenar a política do SNDC. Dentre esses órgãos podem-se citar os Procons (estaduais e municipais), ministérios públicos (federal e estaduais), defensorias públicas, entidades civis, entre outros. Cada órgão tem diferentes e específicas atribuições legais e deverá defender os consumidores dentro de suas competências e especialidades. O SNDC foi organizado objetivando reunir o maior número de órgãos de defesa do consumidor possível, os quais pudessem atender aos consumidores o mais proximamente de seu domicílio, buscando uma harmonização das relações de consumo e agindo na prevenção ou repressão das condutas lesivas aos consumidores feitas por fornecedores. Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

receita estiver vencida, não tem como o farmacêutico atender ao cliente. Mas, nesses casos, deve-se tomar cuidado com a maneira de falar com ele.

O que diz a lei “No Código de Defesa do Consumidor, a sua seção II é muito clara sobre os direitos dos consumidores sobre produtos de saúde. Já a Lei 5991/73 dita as obrigações dos estabelecimentos farmacêuticos e, em seu artigo 6, ficam muito claras as responsabilidades do farmacêutico na proteção, prevenção e cuidados da saúde do consumidor”, fala Álvares. Ele complementa dizendo que há também o código de ética farmacêutica, que reza normas no sentido de proteger a saúde e outros fatores que envolvem a profissão farmacêutica e o estabelecimento, além das resoluções editadas pela Anvisa no sentido de proteger o consumidor e regular o segmento. “Portanto, o consumidor está muito bem protegido. Ele precisa apenas de mais informações e saber procurar seus direitos quando se considerar lesado”, ele aconselha. Com relação às maiores insatisfações dos clientes na atualidade, o que Álvares ressalta são os preços de medicamentos e produtos, devido à guerra de descontos praticada pelos concorrentes e as propagandas enganosas ou maliciosas que são divulgadas pelo varejo e levam muitas dúvidas aos consumidores. 62

Pedroni concorda que uma das principais queixas é realmente em relação aos preços: “Não é do conhecimento dos consumidores que os medicamentos são tabelados pelo governo federal com um preço máximo e que as diferenças são por conta dos descontos praticados pelas farmácias.” Ele acrescenta que outro problema que gera conflito é a demora no atendimento, muitas vezes imposta pela burocracia das normas aplicáveis à dispensação de alguns produtos. No quesito atendimento, Álvares defende que todos os estabelecimentos devem qualificar seus atendentes e farmacêuticos para que repassem as informações necessárias aos clientes, e que, ao receber uma reclamação do consumidor, não sintam essa reivindicação como uma ofensa. “Na verdade, esse consumidor está dando uma chance para que a farmácia faça corretamente o que talvez não tenha feito na primeira oportunidade, e com isso esse consumidor pode tornar-se fiel e não procurar outro estabelecimento para comprar seus medicamentos e produtos para saúde”, comenta. Pedroni defende que a relação entre consumidor e empresa requer um cuidado especial para que o cliente não saia insatisfeito. “Muitas vezes um pequeno prejuízo pode não representar nada sobre o que esse cliente pode trazer de lucro com o passar dos anos. Lembrando que existe a legislação sanitária que pode interferir nessa decisão”, conclui o diretor.

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Formação generalista ampliou raio de ação do farmacêutico

Mudança no currículo acadêmico permitiu que o profissional formado tivesse mais possibilidades de trabalho e resgatou seu papel de agente de saúde. Mas, para avançar na carreira, é necessário cursos de aperfeiçoamento Por Marcelo de Valécio

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A profissão de farmacêutico vai muito além do balcão da farmácia. Apesar de absorver boa parte dos profissionais do mercado, sobretudo dos recém-formados, principalmente pela quantidade de farmácias existentes no Brasil (passam de 65 mil estabelecimentos), o varejo é apenas uma das mais de 70 possibilidades de carreira que o profissional pode seguir. Da indústria de medicamentos ao setor de alimentos, passando por laboratório clínico, hospital, banco de órgãos, produção de cosméticos, biologia molecular, radiofarmácia, clínicas de reprodução humana, nutrição, vigilância sanitária, até atuar no controle da qualidade e tratamento de água, com espaço em instituições públicas, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS), e privadas espalhadas pelo País. Apesar do amplo leque de possibilidades, 86% dos profissionais formados têm seu primeiro emprego na farmácia comunitária, segundo levantamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF). São formados todos os anos no Brasil 15 mil profissionais, em mais de 340 cursos de farmácia espalhados pelo País. “Como demonstradas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), as áreas de atuação dos farmacêuticos são inúmeras. As mais prósperas, contudo, são a indústria farmacêutica – na produção de alopáticos, homeopáticos e fitoterápicos –, farmácia hospitalar, análises clínicas, análises toxicológicas e citopatologia, sem falar na farmácia comunitária, que inclui também as drogarias de manipulação”, afirma o coordenador da assessoria técnica do CFF, José Luis Miranda Maldonado. De acordo com o coordenador do curso de farmácia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), professor Paulo R. R. Minarini, os cursos de farmácia no Brasil passaram por uma transformação nos últimos anos com o estabelecimento da formação generalista, a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia, de fevereiro de 2002. “Com a alteração nos currículos, as antigas habilitações que compunham a formação do farmacêutico deixaram de ser praticadas pela maioria das instituições de ensino, tanto públicas quanto privadas. As novas diretrizes aplicadas tiveram por finalidade resgatar o papel de agente de saúde pelo farmacêutico, tornando sua formação mais abrangente, o que

contempla todas as áreas das ciências farmacêuticas”, afirma Minarini.

Nova forma de atuar Além de resgatar alguns aspectos da profissão e ampliar as possibilidades de atuação do farmacêutico, as mudanças curriculares, contudo, lançaram novos desafios ao profissional. “Com as novas diretrizes curriculares, que estabelecem a formação generalista, se faz impetuoso o curso de aperfeiçoamento, considerando a grande gama de atividades que o farmacêutico pode executar”, salienta Maldonado. “Para atender às necessidades de mercado, é indispensável que o profissional tenha foco na sua formação, direcionando o conhecimento para uma área que envolva interação com a sociedade.” Quanto à importância de uma especialização para o farmacêutico, “o profissional mais qualificado e experiente terá sempre vantagem na hora de sua inserção no mercado de trabalho”, faz questão de dizer Minarini. “No entanto, o principal aspecto a ser considerado em todos os casos é o planejamento da carreira profissional, buscando alcançar sempre os objetivos delineados.” As formações latu sensu e stricto sensu direcionam, segundo o coordenador do CFF, o conhecimento profissional para responder, com compromisso social, às necessidades de saúde de uma determinada população. Entendendo que o País precisa de mais mestres e doutores para atender demandas pontuais da Organização Mundial da Saúde (OMS), como o Índice de Desenvolvimento Humano, o Brasil oferece opções de pós-graduação para todos os profissionais de saúde. “Institucionalmente, o CFF está em constante procura de parcerias com a academia e com o próprio Ministério da Educação para inserir os farmacêuticos nessa política, inclusive no recente programa de residência multiprofissional”, afirma Maldonado.

Histórico renovado A atividade farmacêutica é uma das mais antigas da humanidade. Na era moderna, ganhou espaço com a manipulação de remédios pelo boticário, precursor do farmacêutico, que foi aperfeiçoando a arte de fazer medicamentos. Rudimentarmente, 2013 setembro guia da farmácia

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lembra Maldonado, o trabalho era baseado na mistura de ervas e outros insumos que produziam algum tipo de resposta à queixa do paciente. Com o aperfeiçoamento dos métodos de produção, dos utensílios, assim como do próprio ambiente de trabalho, a atividade artesanal ganhou destaque na saúde. Com o advento da industrialização, a tecnologia farmacêutica e a farmacotécnica deram notabilidade à atividade farmacêutica, fazendo com que passasse a ser considerada patrimônio técnico de alguns países. “Em suma, se existem medicamentos é porque existem farmacêuticos”, diz o coordenador do CFF. Atualmente, a metodologia empregada na produção dos medicamentos é imaginada para evitar o mínimo possível de contaminações e erros. Em alguns casos, é utilizada até mesmo tecnologia robótica para eliminar o contato do homem com o medicamento. No Brasil, a tecnologia tomou destaque na profissão farmacêutica a partir da década de 1960, com a instau66

ração de grandes indústrias farmacêuticas transnacionais, revela Paulo Minarini. “Dessa época em diante, o profissional passa a desempenhar um papel fundamental na indústria, atuando em vários setores, como produção, pesquisa e desenvolvimento, controle e garantia da qualidade, registro de medicamentos.” De 1999 para cá, um novo capítulo da trajetória da indústria farmacêutica passa a ser escrito, na opinião do professor da Unifesp, com a sanção da Lei 9.787/99, a chamada Lei dos Genéricos, criando um novo nicho para a atuação destacada do farmacêutico. “Com o advento da tecnologia, foi possível produzir medicamentos de qualidade em larga escala, aumentando o acesso ao produto pela população e a custos menores.” Com todas essas mudanças, o mercado de trabalho para o profissional farmacêutico tem avançado e se alargado. Mas isso depende também da região

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Seja onde for, a atividade farmacêutica está exigindo cada vez mais um profissional qualificado nas demandas clínicas da população. Isso inclui maior compromisso social do profissional, de forma a responder à política nacional de promoção da saúde brasileira em que ele for atuar, pois há áreas mais disputadas. “No entanto, como o âmbito de atuação é abrangente, o profissional recém-formado encontrará diversas oportunidades de emprego, principalmente em farmácias e drogarias”, diz o professor Minarini. Por conta disso, José Luis Miranda Maldonado lembra que é difícil um farmacêutico ficar longe do mercado. “Considerando o grande número de farmácias e drogarias, ainda é possível encontrar, com facilidade, trabalho para todos os farmacêuticos.” Com a implantação do currículo generalista, o profissional ganhou destaque também nas equipes multiprofissionais de saúde, passando a exercer uma função fundamental na promoção da saúde do paciente. “Porém, ainda assim, os melhores salários para um farmacêutico estão em algumas áreas dentro da indústria farmacêutica”, afirma Minarini.

Exigências necessárias Seja onde for, a atividade farmacêutica está exigindo cada vez mais um profissional qualificado nas demandas clínicas da população. Isso inclui maior compromisso social do profissional, de forma a responder à política nacional de promoção da saúde. “O topo da carreira é o indivíduo com visibilidade social, aliado à remuneração condizente com a atividade”, avalia Maldonado. Os serviços farmacêuticos são uma resposta à necessidade de um profissional comprometido com a saúde pública, na visão do coordenador da assessoria técnica do CFF. A assistência farmacêutica pode ser compreendida como uma atuação junto às comunidades, identificando os principais problemas de saúde e desenvolvendo atividades para educar a população sobre hábitos saudáveis 68

Saiba mais sobre a profissão • Formação: para ser farmacêutico é preciso ter o curso superior em farmácia bioquímica. Existem mais de 340 cursos espalhados pelo País. É importante conferir no site do Ministério da Educação (MEC) se o curso de determinada instituição está regulamentado. • Atividade: o farmacêutico pesquisa, prepara, testa, distribui e comercializa medicamentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal. Na indústria alimentícia, controla a qualidade das matérias-primas e do produto final. • Atuação: Farmácias, hospitais, clínicas, laboratórios, indústria de medicamentos (uso humano e animal) – de alimentos e cosméticos –, banco de órgãos, biologia molecular, radiofarmácia, clínicas de reprodução humana, farmácia veterinária, nutrição parenteral, análises toxicológicas, vigilância sanitária, controle da qualidade e tratamento de água, banco de sangue, bioquímica clínica, controle de vetores e pragas, farmácia de manipulação e homeopática, fitoterapia, segurança no trabalho, microbiologia clínica, acupuntura, entre outras. • Piso salarial: é definido em cada Estado pela negociação do sindicato dos farmacêuticos com o sindicato patronal. No Estado de São Paulo, o valor é de R$ 2.100 (CRF/SP) para farmácias e drogarias. No Rio de Janeiro, o piso é de R$ 1.900 (Sinfaerj).

que podem prevenir doenças e melhorar a qualidade de vida. Para o professor Minarini, “o farmacêutico desempenha importante papel na saúde pública, principalmente com relação ao uso racional de medicamentos, mudando a perspectiva de serem os produtos apenas mercadorias de consumo”. Quanto à prevenção de doenças, destaca o professor da Unifesp, o farmacêutico atua principalmente elaborando medidas educativas direcionadas aos pacientes, o que propicia maior conhecimento das enfermidades por parte da população. Além disso, é responsabilidade do farmacêutico detectar, resolver e prevenir problemas relacionados à medicação, de forma contínua e sistematizada, colaborando com os demais profissionais do sistema de saúde. O objetivo central desse conjunto de ações é a melhora da qualidade de

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panorama

15mil

profissionais são formados todos os anos no Brasil.

340

cursos de farmácia espalhados pelo País.

86%

dos profissionais formados têm seu primeiro emprego na farmácia comunitária. O varejo farmacêutico é apenas uma das mais de

70

possibilidades de carreira. Passam de

65mil

estabelecimentos varejistas existentes no Brasil.

vida do paciente. “O conceito de assistência farmacêutica, de acordo com a Resolução 338, de 6/5/2004, do Conselho Nacional de Saúde, estabelece ‘um con70

O acompanhamento dos doentes crônicos é outro aspecto fundamental da profissão. Existem estudos que indicam que a assistência aumenta os índices de adesão aos tratamentos junto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual como coletivo, tendo o medicamento como insumo essencial e visando o acesso e seu uso racional’. Trata-se de um importante instrumento destinado à promoção da saúde, sendo o paciente o principal favorecido pelas ações do farmacêutico”, completa Minarini.

Atenção personalizada O acompanhamento dos doentes crônicos é outro aspecto fundamental da profissão. Existem estudos que indicam que a assistência aumenta os índices de adesão aos tratamentos. O farmacêutico interage diretamente com os pacientes que possuem doenças crônicas, prevenindo, descobrindo e solucionando eventuais problemas que tenham relação com os medicamentos. “Esse modelo de prática profissional tem, portanto, objetivo de assegurar resultados concretos da eficácia do tratamento prescrito pelo médico, o que leva a um aumento na qualidade de vida do paciente e maior adesão ao tratamento”, revela Paulo Minarini. Tais ações podem ser comprovadas com estudos científicos publicados em importantes periódicos da área, como, por exemplo, no trabalho publicado por Sandra Mangiapane, em 2005, na revista The Annals of Pharmacotherapy, em que os autores verificaram aumento significativo na adesão ao tratamento da asma em pacientes que receberam acompanhamento farmacoterapêutico durante um ano. “Envolvendo-se com o acompanhamento, o profissional cria uma relação de empatia e confiança farmacêutico/paciente que melhora a adesão ao tratamento e no entendimento de que o medicamento é seguro, eficaz e tem qualidade”, acrescenta José Luis Miranda Maldonado.

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Tendência

Muito mais

do que atendimento A prática da farmácia clínica eleva a qualidade do acompanhamento e o tratamento do portador de doença crônica

O

O conceito e a prática da farmácia clínica não é uma novidade do segmento de saúde. Na verdade, ela nasceu na década de 1960, na Universidade da Califórnia, onde os farmacêuticos hospitalares propuseram um novo posicionamento junto à equipe multiprofissional, não só de provisionamento dos medicamentos prescritos aos pacientes mas também no acompanhamento da resposta terapêutica desejada. “Por ter origem na farmácia hospitalar, é atualmente ainda mais desenvolvida nesse nosocômio (local onde se recebem e se tratam os doentes), embora possa ocorrer em unidades básicas de saúde, home care, ou onde estiverem equipes destinadas aos cuidados dos pacientes e tiver prescrição

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Por Adri a n a Brun o

medicamentosa será possível realizar a atividade de farmacêutico clínico”, explica a vice-coordenadora da Comissão Assessora de Farmácia Clínica do Conselho Regional de Farmácia, de São Paulo (CRF-SP), Dra. Lívia Maria Gonçalves Barbosa. Ela ainda acrescenta que a prática da farmácia clínica se desenvolve em ambiente multiprofissional, compartilhando a responsabilidade sobre a escolha e o monitoramento da farmacoterapia do paciente. “Muitos estudos demonstram a melhoria na qualidade da assistência prestada ao paciente, além de racionalizar os custos envolvidos na terapêutica farmacológica. Vários países da Europa, e especialmente os EUA, contam com o farmacêutico clínico foto: shutterstockck

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Tendência

a prática da farmácia clínica se desenvolve em ambiente multiprofissional, compartilhando a responsabilidade sobre a escolha e o monitoramento da farmacoterapia do paciente. Muitos estudos demonstram a melhoria na qualidade da assistência prestada ao paciente na equipe, como o profissional que acompanha a evolução terapêutica do paciente, apresentando sugestões farmacológicas, monitorando dose, índice terapêutico e riscos com o uso dos medicamentos”, completa. Um dos pontos de forte atuação da farmácia clínica está no estímulo à adesão ao tratamento. “A aceitação ao tratamento medicamentoso é um desafio em países do primeiro mundo e muito mais em países em desenvolvimento, principalmente para o tratamento de doenças crônicas como hipertensão, diabetes, dislipidemias etc. O farmacêutico clínico exerce um papel central na supervisão e controle dos pacientes em uso de polifarmácia, especialmente nos que são idosos, pois, por vezes, apresentam alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas e são justamente aqueles que fazem uso de muitos medicamentos em função da presença de comorbidades (associação de pelo menos duas patologias)”, explica a professora e especialista em farmácia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Dra. Solange Brícola. De acordo com a farmacêutica hospitalar e assistencial, Dra. Vera Lúcia Pivello, a farmácia clínica também é exercida no Brasil, mas de forma pontual e desigual. “Alguns hospitais desenvolvem várias atividades assistenciais e outros não têm nada. A farmácia clínica também deu origem a uma prática que ficou associada ao ambiente ambulatorial e ao das farmácias comunitárias: a Atenção Farmacêutica, que teve origem na própria farmácia clínica. Podemos medir sua importância pelos resultados de sua prática: com o suporte oferecido, aumenta a segurança dos pacientes em relação aos medicamentos que utilizam e, se forem percebidos problemas, podem ser prontamente corrigidos. Por isso, a prática da farmácia clínica envolve toda a equipe hospitalar, e o farmacêutico precisa desenvolver um bom 74

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relacionamento e acesso entre os outros componentes da equipe”, comenta.

Prática traz benefícios Com o envelhecimento da população e a cronicidade das doenças, cada vez mais há pessoas fazendo uso de medicamentos contínuos, o que caracteriza a polimedicação. Além disso, os medicamentos utilizados, muitas vezes, são indicados por diferentes prescritores, o que gera risco de interação medicamentosa. De acordo com a farmacêutica Eliete Bachrany Pinheiro, o paciente acaba adequando a medicação à sua rotina, mas nem sempre o faz da melhor forma, o que acaba prejudicando a saúde. “Nesse ponto, a farmácia clínica propõe um serviço importante. O farmacêutico faz um estudo de informações pessoais sobre o paciente, seu problema de saúde e tratamento e, então, propõe uma rotina adequada, organizada, respeitando os horários e administração, promovendo uma maior segurança ao paciente. Portanto, definimos que o serviço farmacêutico é necessário em farmácias comunitárias, públicas e privadas, como estratégia para a promoção do uso racional de medicamentos, diminuindo a mortalidade, a morbidade e, consequentemente, o aumento da qualidade de vida”, diz. A farmacêutica ainda acrescenta que, nos hospitais onde a farmácia clínica já foi implantada, constata-se a redução no tempo de internação e maior adesão ao tratamento, garantindo melhor qualidade de vida. “Até mesmo o lado financeiro é beneficiado pela prática da farmácia clínica, uma vez que há economia de recursos com o ajuste de perdas, prescrições desnecessárias e internações. Enfim, ocorre uma remodulação no sistema”, avalia.

Atividades desenvolvidas pela farmácia clínica • Estudos da utilização de medicamentos. • Estudos em farmacoeconomia. • Registro e notificação de RAM (Reações Adversas a Medicamentos) e farmacocinética clínica (monitorização terapêutica). • Suporte para terapias específicas (anticoagulantes, antibióticos, nutrições parenterais e outros). • Serviços farmacêuticos em ambientes mais complexos, como UTI, pronto atendimento, centro cirúrgico, transplantes e oncologia.

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Tendência

O tipo de atendimento prestado pelo farmacêutico especializado em farmácia clínica requer capacitação diferenciada, alta especialização e domínio de conhecimentos específicos da fisiopatologia, da farmacoterapia e habilidade em comunicação A farmácia clínica também atua garantindo maior segurança na administração de medicamentos. De acordo com a Dra. Solange Brícola, as estatísticas pelo mau uso dos medicamentos que levam a intoxicações são superiores aos números decorrentes de envenenamento por produtos químicos e lesões por animais peçonhentos. “O uso racional de medicamentos implica na recuperação e promoção da saúde dos pacientes, bem como na prevenção de doenças iatrogênicas decorrentes do uso inadequado dos medicamentos. A conscientização e educação dos pacientes em relação ao uso seguro e eficaz dos medicamentos é uma das principais atividades do farmacêutico clínico, logrando benefício à saúde dos usuários”, diz.

Desafios e conquistas O tipo de atendimento prestado pelo farmacêutico especializado em farmácia clínica requer capacitação diferenciada, alta especialização e domínio de conhecimentos específicos da fisiopatologia, da farmacoterapia e habilidade em comunicação. “A graduação apenas sensibiliza para o assunto e, por vezes, os currículos não apresentam a disciplina clínica. O desenvolvimento da habilidade para avaliar e propor alternativas terapêuticas requer educação permanente”, diz Lívia Barbosa. Uma das grandes barreiras para que a farmácia clínica ocupe lugar de destaque no setor de saúde do País, segundo Vera Pivello, é a postura de muitos gestores que ainda não conseguem enxergar a prática como algo que traga benefícios tanto para o paciente quanto para a empresa. “Mesmo com muitos estudos que comprovem os benefícios e com uma postura imediatista, muitos gestores colocam como obstáculo os custos de implantação dos serviços e até o custo do farmacêutico, não analisando que, a médio prazo, a qualidade do atendimento traz 76

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retorno, inclusive financeiro. No ambiente das farmácias comunitárias, onde situamos a Atenção Farmacêutica, há também inúmeros desafios a serem superados: falta de interesse dos gestores, que não conseguem ver a atividade como geradora de resultados e, portanto, não se interessam por sua implantação; falta de preparo dos farmacêuticos para exercer a prática; falta de local adequado, com privacidade, para o seu exercício; excesso de atribuições burocráticas e comerciais que o farmacêutico deve desempenhar, o que impossibilita sua liberação para a atividade, são alguns dos principais”, relata a farmacêutica. A cultura brasileira ainda é outro desafio, na opinião de Eliete Bachrany. “O brasileiro não tem como hábito o atendimento pelo farmacêutico e, muitas vezes, acaba questionando se esse profissional pode fazer parte do acompanhamento, ajudando nas intervenções. Sabemos que em outros países esse sistema já é feito com excelência e, no Brasil, essa prática vem se implantando gradativamente. Por conta disso, ocorre, por um lado, a falta de qualificação profissional. A boa notícia é que, por outro lado, os cursos de qualificação crescem, oferecendo a esses profissionais todo recurso necessário para o seu desenvolvimento”, analisa. Ainda na opinião da farmacêutica, uma das vitórias do farmacêutico clínico é que a classe médica o vê como parte integrante da equipe, para unir forças e promover qualidade e humanização do tratamento e melhor redistribuição de recursos. “Com esta mentalidade, alguns hospitais já contratam farmacêuticos como consultores”, complementa. O Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo tem, há quatro anos, a atuação da comissão de farmácia clínica com a presença de vários profissionais que estão no exercício da função em hospitais públicos e privados, principalmente com enfoque no ensino. “O Grupo Nacional de Farmácia Clínica (GNFC) é outra iniciativa de profissionais que se reúnem e desenvolvem atividades de ensino e de troca de experiências contando com a presença de diversas instituições. Atualmente, aguardamos o encerramento de uma consulta pública para aprovação da resolução de âmbito de atuação do farmacêutico clínico que foi apresentada ao Conselho Federal de Farmácia, pela regional de São Paulo, para reconhecimento da atividade e suas atribuições”, finaliza Lívia Barbosa.

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pesquisa

Cultura da

automedicação prevalece Hábito da população brasileira acarreta gastos para o sistema público de saúde e pode causar danos irreversíveis

A

Por lígia favoretto

Aproximadamente 20% dos brasileiros compram medicamento controlado sem receita médica. Esse número foi levantado por meio de uma pesquisa do Datafolha/ICTQ – Pós-Graduação para Farmacêuticos sobre hábitos de consumo da população brasileira. Cerca de um em cada dez consumidores de medicamentos de tarja vermelha ou preta declara que já comprou os referidos produtos sem receita médica. O diretor do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade Industrial (ICTQ), Marcus Vinícius Andrade,

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explica que as razões para tal fato são múltiplas. “Dentre elas podemos considerar a ausência e falha na fiscalização por parte dos órgãos competentes, ausência de ética e responsabilidade por parte dos estabelecimentos que praticam essa comercialização ilegal, ausência de campanhas efetivas do Ministério da Saúde no combate ao uso irracional de medicamentos, a falta de estrutura médica hospitalar, principalmente no interior do País e, por fim, a cultura popular de automedicação.” fotos: shutterstock

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A prática de compra e venda de medicamentos em farmácias e drogarias sem orientação de um profissional especializado é de alto risco para qualquer indivíduo, visto que cada organismo responde de forma individualizada e cada substância ingerida reage de forma diferente. O secretário-geral do Conselho Regional de Farmácia de Pernambuco (CRF-PE), Eugênio Muniz, revela que, ao tratar desse assunto na esfera em que o Brasil está inserido, a gravidade é imensurável e os danos atingem um bem tutelado pelo Estado, à vida, conforme art. 5º da CF/88. ‘‘É muito comum, no dia a dia das pessoas, a prática da automedicação, devido a diversos fatores, como agitação da vida moderna e elevada cobrança por parte da sociedade, dificultando a disponibilidade de tempo para buscar um especialista na área, políticas públicas de saúde ineficazes, baixo poder aquisitivo da população em assumir compromisso financeiro de pagar um plano de saúde privado, difícil acesso ao médico e o que considero mais grave: a descrença da população para com o atendimento médico, que em nosso País é tratado como piada, pela falta de profissionalismo de alguns deles, que consideram seus pacientes como mercadoria.” Muniz acredita que todos esses fatores estimulam as pessoas na busca pelo caminho mais fácil, pois a generosidade do marketing, o apelo da indústria farmacêutica, a dificuldade de atendimento médico, a abordagem dos balconistas de farmácias e a não presença dos profissionais farmacêuticos nas drogarias facilitam e garantem o sucesso da automedicação.

Principal prejudicado A Portaria 344/88 aprova o regulamento técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos ao controle especial, os chamados “medicamentos controlados”. Essa portaria busca organizar a logística do mercado farmacêutico para essas drogas. A Lei 11.343, de 23 de agosto de 2006, que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad), prescreve medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para repressão à população não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e dá outras providências. Segundo informa Eugênio Muniz, é possível observar que o consumo sem orientação médica e sem a supervisão de um profissional farmacêutico infringe normas brasileiras e

a agência nacional de vigilância sanitária está desenvolvendo grupos de trabalho para resgatar a cobrança da dispensação desses produtos com apresentação da receita médica, o que certemente iria impactar de forma negativa diretamente as vendas do varejo farmacêutico, gerando desconforto e receio para os empresários desse ramo é considerado crime hediondo, art. 5º, XLIII, da referida lei. Diante do exposto, fica a dúvida: se é proibida a venda de medicamentos tarjados, sem receita médica, por que a prática é comum no Brasil? A norma é clara e a lei deve ser cumprida. Mas o “jeitinho brasileiro” a burlou e, hoje, o consumidor pode comprar qualquer medicamento sujeito à prescrição sem a apresentação da receita. “Isso tudo está diretamente relacionado aos interesses comerciais dos estabelecimentos. Existe um receio de que o maior controle na venda de tarjas vermelhas resultaria na queda no consumo desses medicamentos”, conta Muniz, do CFF-PE. O executivo diz ainda que, considerando que a legislação que trata da prescrição e dispensação de medicamentos sujeitos ao controle especial (Portaria/MS 44/98) prevê sanções à prática sem controle, podemos afirmar que não é possível a dispensação desses medicamentos sem receita. “Caso essa prática seja identificada, é duramente combatida, com previsão de enquadramento penal segundo o artigo 273 do Código Penal, que a classifica como tráfico de drogas e crime hediondo inafiançável. Dados da Polícia Federal apontam que estabelecimentos farmacêuticos sem farmacêutico são foco de venda indiscriminada de medicamentos. Os dados mostram, ainda, que nesses estabelecimentos são cometidos verdadeiros crimes con2013 setembro guia da farmácia

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compra de medicamentos de tarja vermelha ou preta sem receita Aproximadamente um em cada dez consumidores de medicamentos declara que já comprou medicamento de tarja vermelha ou preta sem receita médica. Já comprou

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Fonte: Datafolha/ICTQ – Pós-Graduação para Farmacêuticos

Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), Dr. Pedro Menegasso, a prática pode piorar o quadro de saúde da população, o que gera custos desnecessários para o paciente e para o sistema de saúde, pois a piora do estado de saúde pode ocasionar a necessidade de tratamentos mais complexos e muito mais caros, como, por exemplo, internação. “Essa situação está diretamente relacionada aos interesses comerciais, pois, se todas as farmácias e drogarias observassem a legislação vigente, os pacientes não conseguiriam adquirir esses produtos sem a receita. A comercialização de produtos alheios ao ramo farmacêutico pode, sim, gerar no consumidor a falsa impressão de que a farmácia é um estabelecimento meramente comercial e que o medicamento pode ser tratado como qualquer mercadoria, o que certamente contribuirá para o uso irracional.”

Tendência regional A pesquisa revela que o comércio indiscriminado de medicamentos é maior em Fortaleza (38%) e Goiânia (33%). Em São Paulo, o índice é de 12%; no Rio de Janeiro, 25%; Porto Alegre, 18%; Belo Horizonte, 20%; Curitiba, 24%; Salvador, 25%; Recife, 9%; Campo Grande, 12%; Belém, 24%; e, em Manaus, 16%. Marcus Vinícius, do ICTQ, diz que não há apontamento 80

para uma tendência regional específica que justifique o consumo descontrolado de medicamentos tarja preta em uma determinada região do País. “No Nordeste, por exemplo, temos a capital com o maior consumo ilegal.” A quantidade de farmácias em Fortaleza e Goiânia é superior, comparativamente, aos demais Estados, o que possibilita maior acesso aos medicamentos pela população. Dentre o público consumidor, a pesquisa revela que a classe A é a que mais conseguiu comprar medicamentos sem receita até hoje: 31%. A indústria farmacêutica lança inúmeros produtos e colocam à disposição, tanto do varejo quanto da população, uma enorme diversidade de opções terapêuticas. De acordo com o coordenador da assessoria técnica do Conselho Federal de Farmácia (CFF), José Luis Miranda Maldonado, a diversidade de produtos cedidos atualmente contribui para o problema. “Gostaria de fazer o uso de uma expressão muito clara que trata da ‘selva terapêutica’ para expressar o grande número de medicamentos existentes no mercado brasileiro. No entendimento da Organização Mundial da Saúde (OMS), para tratar de doenças comuns, não se fazem necessários mais do que 400 tipos de medicamentos, em um universo de aproximadamente 14 mil tipos de medicamentos registrados no Brasil. Devido à grande variedade de fabricantes e, consequentemen-

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compra de medicamento de tarja vermelha ou preta sem receita (Estimulada e única, em %)

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Base

Fonte: Datafolha/ICTQ – Pós-Graduação para Farmacêuticos

do à grande variedade de fabricantes e, consequentemente, de marcas, cria-se uma concorrência pela venda das mesmas substâncias em rótulos ou embalagens semelhantes, que podem confundir o consumidor.” Eugênio Muniz, do CRF-PE, discorda. Para ele, a diversidade de produtos comercializados dentro da farmácia não contribui com o consumo ilegal de medicamentos controlados sem receita e prescrição médica. “Acredito que a visão equivocada por parte da população sobre o que é um estabelecimento farmacêutico pode, sim, também contribuir no consumo irracional de medicamentos – infelizmente 84% da população vê nas farmácias um minimercado ou uma loja de conveniência. Além disso, faltam médicos nos hospitais, as filas de espera por consultas são um dos principais motivadores pela busca de produtos sem receita e, quando o paciente chega à farmácia, nem sempre diferencia o farmacêutico do balconista – 54% dos consumidores de medicamentos no Brasil não conseguem identificar o farmacêutico ao entrar em uma farmácia ou drogaria.”

Posicionamento da Anvisa A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está desenvolvendo grupos de trabalho para resgatar a cobrança da dispensação desses produtos com apresentação da receita médica, o que certamente iria impactar de forma 82

negativa diretamente as vendas do varejo farmacêutico, gerando desconforto e receio para os empresários desse ramo, segundo informa Eugênio Muniz, do CRF-PE. “Além de ter efeitos colaterais para as vendas das drogarias e farmácias, temos também que refletir o caráter social dessa medida, atualmente o acesso aos profissionais prescritores não é fácil. Vincular as compras dos medicamentos à prescrição geraria um colapso na saúde da população brasileira. Uma alternativa que está sendo discutida em caráter nacional é a Prescrição Farmacêutica, consulta pública 06/13 do CFF, que regulamenta a prescrição farmacêutica para uma determinada classe terapêutica. Essa alternativa que cresce a cada dia seria bem-vinda, pelo fato de que a população poderia contar com um profissional que, inicialmente, faria uma triagem e direcionaria o paciente para duas vertentes: a da prescrição farmacêutica ou a da busca de um profissional médico.” Muniz ressalta que a Anvisa está revendo um meio de como deve interferir nesse mercado sem causar um dano ao sistema público de saúde e um colapso social de acesso aos medicamentos. “Muitas pessoas torcem diariamente para que o Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) entre em pane total, contudo, acredito que esse sistema a cada dia evolui e fortifica a classe farmacêutica, como ferramenta de controle e garantia de

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compra de medicamento de tarja vermelha ou preta sem receita (Estimulada e única, em %)

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reta, do ponto de vista médico e farmacêutico.” Para ele, o sistema que garante o funcionamento do SNGPC certamente tem e terá sempre pontos de melhoria, contudo, pois possui estrutura tecnológica para suportar toda a demanda estabelecida atualmente e, certamente, terá estrutura para novas demandas que venham a surgir. “O lançamento das receitas também é um ponto relevante para o bom funcionamento dessa ferramenta, que está diretamente ligada ao profissional farmacêutico, que atualmente vive um dilema: prestar Atenção Farmacêutica à população ou fazer a escrituração no SNGPC?” Muniz acredita que esse questionamento leva ou levou muitas pessoas a acharem que o farmacêutico virou um burocrata do medicamento. “Ter esse pensamento é menosprezar o controle de sistema que garante o respeito e o cumprimento às legislações vigentes quanto à prescrição e dispensação, visto que o CFF, dentro de sua competência, permite que outro funcionário, que não seja farmacêutico, possa fazer escrituração das receitas com supervisão do profissional farmacêutico.” Pedro Menegasso, do CRF-SP, é totalmente contrário à obrigatoriedade de lançamentos de todos os medicamentos de venda sob prescrição médica no SNGPC. “Se isso ocorrer, o farmacêutico gastará todo o seu tempo em atividades burocráticas e não terá a possibilidade de se realizar 84

suas funções assistenciais. Entendo que a agência deve procurar outras formas de resolver essa questão.” O presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, considera ser importante uma modernização das normas brasileiras. “O maior problema é que muitos medicamentos que hoje são tarjados deveriam ser isentos de prescrição. Outro aspecto relevante é em relação ao prazo de validade das receitas médicas, nos parece óbvio que medicamentos de uso crônico deveriam ter receitas com prazo de validade diferenciado dos medicamentos para tratamentos de problemas agudos”, diz. Segundo ele, a questão que se deve sempre ter em mente é que todo medicamento deve ser consumido de forma racional e com base na prescrição de profissional da área de saúde. “Na realidade, ninguém faz uso de medicamentos sem que seja necessário. Exemplo disso é o uso de antibióticos. Num primeiro momento houve reflexo nas vendas, mas hoje essa classe de medicamentos tem níveis de crescimento iguais ao restante das outras classes. Portanto, uma exigência de receita para todo os medicamentos tarjados num primeiro momento poderia apresentar uma redução no consumo desses produtos, mas, certamente, passado algum tempo, o mercado voltaria aos níveis de consumo atuais.”

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dispensação

O problema

é sono A Os brasileiros estão dormindo cada vez menos e, de forma geral, tendo descanso de baixa qualidade, o que pode levar ao uso descontrolado de medicamento contra insônia P o r E g l e Le o na r di 86

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As pressões e a competitividade da vida moderna têm feito com que as pessoas durmam cada vez menos. A redução do tempo ou a privação de sono produzem efeitos danosos ao organismo, incluindo prejuízos cognitivos, aumento de irritabilidade e da liberação de cortisol e ACTH (hormônios relacionados com o estresse). Esses fatores acabam impulsionando os consumidores ao uso indiscriminado de medicamentos para dormir, o que pode se tornar um problema crônico. fotos: shutterstock

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AAfamília família

aumentou. aumentou.

Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), uma das funções atribuídas ao sono é a de recuperação do organismo pelo débito energético estabelecido durante a vigília (estado desperto). A distribuição dos estágios de sono durante a noite pode ser alterada por vários fatores, como idade, ritmo, temperatura ambiente, ingestão de drogas ou por determinadas patologias. Mas, normalmente, o sono NREM concentra-se na primeira parte da noite, enquanto o sono REM predomina na segunda parte. Dados da ABS indicam que a insônia se caracteriza pela dificuldade em iniciar o sono ou em se manter dormindo, sendo que o principal prejuízo é o cansaço durante o dia pelas noites maldormidas. Pode ser um quadro passageiro, relacionado com algum fato recente, que geralmente melhora espontaneamente. Se o quadro persistir além de um mês e interferir na qualidade de vida, ele pode tornar-se crônico e é aconselhável buscar tratamento especializado por meio de avaliação médica. A prevalência da insônia na população varia de 30% a 50%. Já a prevalência de insônia crônica é de cerca de 10%. Os fatores de risco para o problema são o sexo feminino, o envelhecimento e a ocorrência de transtornos mentais ou doenças clínicas. A insônia pode estar relacionada com uma causa específica: ansiedade, depressão, estresse, dor muscular ou articular (artrite, por exemplo), uso de medicamentos e ambiente inadequado (muito barulho, calor excessivo, colchão ruim, claridade). Nos casos em que não se relaciona com um fator causal mais evidente, a insônia é tida como primária, aquela sem causa bem definida. O neurologista e médico pesquisador do Hospital Albert Einstein, André Felicio, comenta que os brasileiros estão dormindo cada vez menos e tendo descanso de péssima qualidade, especialmente pela rotina de vida das médias e grandes cidades, além da poluição sonora e estresse que, em conjunto, levam à insônia secundária. “Isso, certamente, pode acarretar alterações do humor, dificuldade para se concentrar, dor de cabeça crônica e sonolência excessiva diurna, que são apenas parte das complicações”, ele revela.

Tratamento O tratamento pode ser medicamentoso (indutores do sono, antidepressivos em pequenas doses). Em alguns casos, porém, a associação de tratamentos tem apresentado melhores resultados. A ABS defende que os tratamentos alternativos ao medicamentoso incluem higiene adequada do sono, psicoterapia e técnicas de relaxamento. Segundo

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dispensação

10 mandamentos para uma boa noite de sono As orientações podem ajudar o paciente da farmácia a ter melhor qualidade do sono, independentemente do problema apresentado. Ele deve:

01

Deitar e levantar em horários regulares todas as noites.

02

Ir para a cama somente quando estiver sonolento, com sono.

03

Não usar a cama para leitura, ver televisão ou se alimentar. A cama deve estar relacionada ao ato de dormir.

04

Evitar permanecer na cama sem dormir. Ficar na cama rolando de um lado para outro gera estresse e piora a insônia.

05

Estabelecer um ritual de relaxamento antes de se deitar, como um banho quente e a diminuição da luminosidade do quarto.

06

Evitar o uso de álcool e de cafeína pelo menos seis horas antes do horário de dormir.

07

Não se alimentar próximo ao horário de dormir.

08

Evitar cochilos durante o dia, eles atrapalham o sono à noite.

09

Procurar se ocupar durante o dia, evitando o ócio.

10

Fazer atividades físicas regularmente, porém evitar exercícios fortes no final do dia.

Fonte: Associação Brasileira do Sono (ABS)

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o farmacêutico deve avaliar o nível de conhecimento a respeito da administração de medicamentos pelo usuário para que a orientação possa ser a mais completa e clara para o uso seguro o Ministério da Saúde, 20% da população já usou ou está usando itens de venda controlada para dormir. Medicamentos indutores do sono benzodiazepínicos são utilizados em excesso no Brasil. Esse tipo de produto deve ser usado com orientação médica e por pouco tempo, uma vez que apresenta rápida tolerância (a dose utilizada deixa de fazer efeito, necessitando doses cada vez maiores) e dependência. Vale ressaltar que a interrupção do uso desses fármacos tem que ser gradual. Como o organismo acostuma facilmente com o medicamento, sua suspensão abrupta pode ocasionar a síndrome de abstinência. Além desses cuidados, a qualidade do sono da pessoa fica alterada com o uso desses medicamentos e ela passa a dormir mais tempo, porém de forma mais superficial, ocorrendo diminuição do sono profundo, que é o que realmente promove o descanso. Por esses motivos, é muito perigoso se automedicar ou usar comprimidos de parentes e amigos sem orientação médica. Felicio explica ainda que a dependência química é uma das piores consequências da automedicação, e isso ocasiona a venda indiscriminada de medicamentos. “O uso abusivo pode promover ainda alterações do humor e da atenção, aumento do risco de quedas em idosos e sonolência excessiva diurna”, complementa o médico, que faz esse alerta principalmente às mulheres, já que elas são mais propensas à insônia e, consequentemente, ao maior consumo de medicamentos para dormir. No entanto, a dependência química não se dá logo na primeira vez que uma pessoa fez

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dispensação

o consumidor deve perguntar ao farmacêutico tudo sobre os produtos no momento da compra. Espera-se que ele apresente suas dúvidas e necessidades para que o farmacêutico possa fazer uma orientação adequada O que tem afetado a qualidade do sono do brasileiro Segundo a professora titular e farmacêutica responsável pela Farmácia Escola da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, as pessoas querem respostas rápidas para todos os males: “Estamos vivendo em uma era digital e globalizada na qual simplesmente tentamos encontrar o mecanismo mais rápido para resolver o problema que nos está incomodando para não perdermos tempo em função da sobrecarga diária de trabalho.” A questão da falta de tempo está sendo cada vez mais sentida nos dias atuais, principalmente com a rotina desgastante e estressante que a população enfrenta. “O nível de tensão ao qual nos submetemos diariamente desencadeia um sinal de alerta e agitação que dificulta o estabelecimento de estratégias para o relaxamento após a rotina de trabalho”, diz Maria Aparecida. As pessoas normalmente querem resoluções imediatas e, então, procuram o medicamento como o agente resolutor mais rápido do problema, considerando que, no dia seguinte, o indivíduo terá novamente uma série de atribuições a serem feitas. As causas para os problemas geralmente não são questionadas e a busca por outros mecanismos de relaxamento demanda certo tempo, então o mais rápido é a utilização de fármacos. “Certamente que em algumas situações o medicamento é o indicado, mas, em uma enormidade de outras situações, outros mecanismos poderiam ser empregados”, finaliza a professora. uso de medicamentos para dormir. “O problema é o uso crônico sem orientação médica, a persistência dos mesmos hábitos de higiene do sono e de estilo de vida. Isso causa dependência”, ressalta Felicio. 90

Informação é fundamental Segundo a professora titular e farmacêutica responsável pela Farmácia Escola da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti, o consumidor deve perguntar ao farmacêutico tudo sobre os produtos no momento da compra. “Espera-se que ele apresente suas dúvidas e necessidades para que o farmacêutico possa fazer uma orientação adequada. Considerando os medicamentos dispensados com prescrição médica, maior cuidado deve ser tomado em relação às possíveis interações e reações adversas que deverão ser esclarecidas junto ao paciente para que ele possa fazer o uso seguro do medicamento”, ela destaca. Contudo, ela defende que o farmacêutico deve avaliar o nível de conhecimento a respeito da administração de medicamentos pelo usuário para que a orientação possa ser a mais completa e clara para o uso seguro. “É necessário que se explique corretamente como deverá ser usado o medicamento, quais as possíveis interações que poderão ocorrer, bem como as reações adversas, e colocar-se à disposição para todos os esclarecimentos que o usuário possa vir a ter antes, durante e após a utilização do produto”, aconselha a especialista. Maria Aparecida é muito enfática no quesito informação ao paciente. Ela defende que o farmacêutico deve avaliar de uma maneira muito sutil se todas as informações que foram passadas ao usuário, ou ao seu cuidador, durante a dispensação foram entendidas corretamente. “Muitas vezes as pessoas ouvem as orientações e, por vergonha, deixam de perguntar o que não entenderam a respeito”, comenta. Por essa razão, ela indica ao farmacêutico que verifique o nível de entendimento que o consumidor tem a respeito das inúmeras informações fornecidas, reforçando as que não foram completamente absorvidas e que são importantes para a eficácia e segurança do usuário.

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Tecnologia

GESTÃO DE NOTAS

e moedas

Com tanto dinheiro vivo em circulação, o varejista deve dedicar muita atenção à administração do numerário em suas lojas

Luiz Fern and o Sambuga ro Diretor de comunicação da Gunnebo Gateway Brasil Site Site: www.gateway-security.com.br

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A gestão de perdas é extremamente relevante para o setor e tem de ser discutida sempre. De fato, pois há um aumento de fluxo de clientes nas “novas” farmácias, mais modernas com variedades na área de conveniência, além dos dermocosméticos com alto valor agregado. Consequentemente, contabiliza-se também um número maior de furtos, os quais reduzem a lucratividade e fazem com que as melhorias das gestões da tesouraria e da segurança sejam o foco para o varejo. Segundo estudos do Banco Central (Diagnósticos dos Sistemas de Pagamento no Varejo do Brasil), são utilizados, basicamente, cinco meios de pagamento: • Moeda manual • Cheque • Transferência de crédito • Débito direto e crédito direto • Cartões de pagamento/débito/crédito/pré-pago e private label Cada um desses meios de pagamentos tem suas normas, procedimentos e custos administrativos, de acordo com o grau de liquidação e risco que os envolve. Portanto, deve ter atenção diferenciada e pode ser uma área de significativa redução de gastos. De acordo com dados da British Retail Consortium, 58% de todas as transações do varejo, nos países da União Europeia, foram pagas com dinheiro vivo em 2011. No Brasil, a facilidade para saques em caixas eletrônicos e a ampliação da quantidade desses equipamentos colocados à

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disposição das pessoas – em 2011, foram mais de 18 mil novos terminais instalados – pode ser uma das razões para justificar tanto dinheiro nas mãos da população. Estudos do Banco Central revelam que, há dois anos, circularam R$ 166 bilhões em notas no País, quase seis vezes mais do que a quantia registrada dez anos antes. Em 2001, foram R$ 29 bilhões. Outro dado do estudo mostra que a circulação de notas de R$ 100 subiu 21,3% de 2010 para 2011. Com tanto dinheiro vivo em circulação, o varejista deve dedicar muita atenção à gestão do numerário em suas lojas, já que a moeda corrente no Brasil ainda é significativa e tem representado mais ou menos 3.5% do PIB. É, sem dúvida, a que precisa de maior atenção, pelos elevados custos relacionados ao risco envolvido, sua manipulação e transporte, desde o POS até o banco. Por isso, o emprego da tecnologia como ferramenta de gestão, além de cofres inteligentes, softwares modernos e integrados, pessoal treinado, complementariedade com bancos e empresas de transporte de valores, padronização e, como consequência, economia de escala melhoram os aspectos de controle, minimizam a manipulação do papel moeda, reduzem os inúmeros relatórios e checagens ponto a ponto e tudo se traduz em eficiência e maior lucratividade, pois cada centavo resultante entra na linha de lucro líquido. Invistam seu tempo no tema, pois haverá, com certeza, ganhos extras. foto: DIVULGAÇãO

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varejo

A primavera

C

Com a chegada da primavera, o tempo começa a esquentar e as pessoas saem mais de casa. A volta do sol mais intenso faz as pessoas se animarem para sair às compras, daí a importância de oferecer satisfação total aos clientes e do valor de firmar a marca de sua empresa. A julgar pelos dados de pesquisas de opinião sobre a percepção dos empresários em relação à qualidade de serviços oferecida, a grande maioria acredita estar proporcionando experiências positivas. Só que, na outra ponta, os clientes afirmam que há muito papo e pouco resultado, muita propaganda e pouca ação. As contínuas transformações ocorridas atualmente pelo uso da internet, revoluções tecnológicas e a facilidade do uso da comunicação interpessoal, sem fronteiras em tempo real, têm impactado no comportamento do cliente e, por consequência, em suas decisões de compra e escolha de empresa. Há alguns que até manifestam sua insatisfação, reclamando nas redes sociais. Enquanto os proprietários utilizam inúmeras propagandas, folhetos e instrumentos disponíveis para a otimização da gestão do consumidor, nada parece contribuir para a mudança da percepção quanto à qualidade de serviços prestados. Os gestores se perdem na operação diária e dão pouca atenção ao que está acontecendo em sua farmácia. Quantos atendem telefonemas de clientes, do call center ou do delivery? Quantos conversam com os clientes sobre sua satisfação ou insatisfação em sua farmácia, seja ela de rede, seja ela independente? Quem está realmente

foto: divulgação

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vem aí

focado em dar atenção ao cliente? Com a chegada da primavera e a saída dos clientes às compras, eles precisam que suas vidas sejam facilitadas nas operações, que devem ser mais simples. Querem que os atendentes estejam realmente disponíveis para atendê-los, ouvindo-os com atenção. Os clientes querem que os atendentes tenham conhecimento sobre o que vendem e saibam orientá-los adequadamente. Ouvir o que o cliente diz é muito importante. Fazer pesquisa de satisfação e procurar corrigir erros e aceitar sugestões, mais ainda. Portanto, quando o cliente manifestar uma crítica, procure os aspectos positivos que ela pode trazer. Se conseguir focar apenas neles, evitando a tendência natural de confrontar o cliente ou esquivar-se do problema, sairá com certeza ganhando: o cliente é ouvido, a empresa consegue retê-lo e o profissional aprende que, com flexibilidade, pode transformar um problema em aprendizado e resultados. Volto a insistir que é preciso investir, e muito, em treinamentos de atendimento e relacionamento com o cliente. Mas não adianta só treinar: é preciso acompanhar habitual e incansavelmente, até que o comportamento desejado se instale. Como a primavera vem aí, invista agora nos treinamentos para sua equipe de forma que ela esteja totalmente preparada para o início da estação. Faça-a entender o quanto ela ganha quando os clientes são bem atendidos. Agindo assim, todos ganham. É hora de virar o jogo imediatamente e partir para a ação.

Com a saída dos clientes às compras, eles precisam que suas vidas sejam facilitadas nas operações, que devem ser mais simples

s i lv i a os s o Palestrante e consultora especializada em treinamento, desenvolvimento e marketing de varejo. É autora dos livros Atender Bem Dá Lucro, Programa Prático de Marketing para Farmácias e Administração de Recursos Humanos para Farmácias E-mail siosso@uol.com.br

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Alternativa competitiva

Ultrapopular aposta em preço agressivo e modelo de gestão refinado. Marca registrada da Febrafar surge como nova oportunidade de negócio P o r L í g i a Fav o r etto

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Ao observar o crescente movimento de farmácias populares no Brasil, o presidente da Federação Brasileira de Redes de Farmácias Associativistas (Febrafar), Edison Tamascia, propôs uma nova oportunidade de negócios aos integrantes da comunidade. O comentário era de que uma rede popular do Nordeste estava chegando a Minas Gerais. “Diante desse cenário, os associados ficaram preocupados e nós corremos atrás de alternativas de defesa por meio de um novo modelo de negócios, já fotos: divulgação

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As lojas UltraPopular têm comunicação externa e interna padronizadas

que o nível de competitividade dessas farmácias é forte’’, revela o diretor-administrativo das drogarias UltraPopular, Paulo Roberto Oliveira da Costa. O diretor-executivo da Febrafar, José Abud Neto, complementa: “Decidimos criar uma oportunidade de empreender onde ainda não estávamos. Essa foi a grande sugestão do presidente Edison Tamáscia.” Para o desenvolvimento e implantação de uma rede popular, foram feitos vários levantamentos. “Quando definimos que íriamos abrir uma rede de farmácias nesse perfil, há um ano, foi preciso decidir como fazer e o que fazer. Então fizemos uma pesquisa, saímos a campo para visitar essas lojas no Sul do País e em São Paulo. Entramos nos modelos de farmácias já existentes, fizemos compras, quando foi traçado um perfil de atendimento, de preço, de layoutização. Paulo Roberto lembra que a partir dai começou a etapa de criação: ”Já sabíamos como funcionava, faltava apenas determinar como isso seria replicado para a sociedade Febrafar, como transformar tudo isso dentro do associativismo.” O executivo comenta que os mecanismos de funcionamento foram sendo estipulados pouco a pouco. “Identificamos o que as redes tinham de melhor e quais as dificuldades que as redes associativistas apresentavam e traçamos um modelo real. Foram criadas três grandes marcas: Ultrapopular, MaxiPopular e MegaPopular, mas a grande maioria esmagadora é a UltraPopular. Só temos uma Maxi e ainda não utilizamos o logo Mega em nenhum lugar.” Ele ressalta que começaram a trabalhar com um modelo de gestão que destoa um pouco do que as redes tradicionais trabalham. “Procuramos implantar na UltraPopular o que não conseguíamos fazer nas redes associativistas e que era necessário para um negócio popular.” Neto explica que esse modelo é mais puxado para o lado de uma franquia, com mais exigências, mais cobranças no sentido de padronização

e seguimento de regras. “É preciso que os empresários mantenham a unidade do grupo.” Segundo informa Paulo Roberto, essas lojas têm conceito próprio e é imprescindível que todos absorvam esses conceitos UltraPopular. “Definimos a comunicação externa e interna, layout padrão, entre outros aspectos. Trabalhamos com uma forma razoavelmente rigorosa com o cumprimento dessas regras, isso não é somente para garantir a padronização, mas também para garantir a implantação do conceito. Os fornecedores são os mesmos. O fornecedor de mobiliário, por exemplo, é um só, é homologado por nós, não aceitamos outro, para manter o padrão, manter a ordem. O fornecedor já conhece nosso conceito, então engessa alguns pontos e não deixa que ninguém faça diferente.”

Vínculo necessário Num primeiro momento, a UltraPopular é uma marca para as redes associativistas utilizarem, ou seja, é mais uma oportunidade de negócio disponível aos associados. A prioridade é para ese grupo. Mas as portas não se fecham para nenhum interessado. Para abrir uma loja UltraPopular é preciso ter vínculo com a Associação de Farmácias e Drogarias das Redes UltraPopular, MaxiPopular e MegaPopular (Asfapop), necessariamente. Neto conta que esse vínculo é necessário para que o apoio e a parceira que têm com as redes não seja perdido. “Se tem algum empresário interessado em abrir uma UltraPopular não estiver vinculado a uma de nossas redes, avaliamos o território onde está situado e o vinculamos à rede mais próxima, ou seja, ele não precisa 2013 setembro guia da farmácia

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O modelo de gestão da UltraPopular é refinado. Tudo é controlado por meio de softwares homologados pela Febrafar

Resultados apurados Até junho deste ano, a UltraPopular obteve 86% da venda com medicamentos e 14% de nãomedicamento. Do total de medicamentos, 45,13% é de marca, 35,44% de genérico e 19,43% de similar.

Outra grande demanda de procura vem dos próprios associados. Nesses casos, os empresários já têm, automaticamente, o direito de abrir um loja UltraPopular. “A demanda é incrível, vem de todos os lados”, enfatiza Neto. Paulo Roberto diz que a maior demanda é de Minas Gerais. “Hoje, Minas é o Estado que tem o maior número de lojas UltraPopular, de 111 (81 abertas e 35 em fase de montagem), 45 são mineiras e o pessoal vem prioritariamente das redes da Febrafar.”

Vantagem competitiva O motor impulsionador da Febrafar, sem sombra de dúvida é, preço mais baixo. Mas como ser agressivo em preço, qual o segredo do sucesso? Os executivos afirmam que o funcionamento se dá de duas formas: preço e gestão. “Nosso preço é muito competitivo, chega a ser até agressivo. Normalmente é o melhor preço da cidade. Outro fator competitivo é a gestão refinada. Essa farmácia deve ser uma farmácia de custo baixo, ou seja, o nível de gerenciamento é totalmente diferente daquilo que um farmacista tradicional está acostumado a ter ou fazer, por exemplo: a Ultra100

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Num primeiro momento, a Ultrapopular é uma marca para as redes associativistas utilizarem, ou seja, é mais uma oportunidade Popular não presta alguns serviços que uma farmácia tradicional está acostumada a prestar porque são serviços que geram custos.” Com custos operacionais reduzidos, o modelo Ultrapopular consegue oferecer desconto agressivo e o gerenciamento financeiro refinado possibilita que a Febrafar entre dentro da loja, através de softwares homologados para a associação, e acompanhe a compra que a farmácia faz, até a venda realizada ao consumidor. Paulo Roberto destaca que muitas pessoas querem saber como é possível fazer preço tão mais baixo do que a média de mercado e acreditam que o sucesso está na compra do produto, mas, segundo ele, o sucesso não está só na compra. “Nossa compra não é ruim, mas é justamente na administração que conseguimos obter alguns gargalos. Manter os custos mais enxutos compensa o nível de agressividade trabalhado.

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Preço é o mote impulsionador da UltraPopular. Normalmente, a rede oferece as melhores opções da cidade

Essa farmácia deve ser uma farmácia de custo baixo, ou seja, o nível de gerenciamento é totalmente diferente daquilo que um farmacista tradicional está acostumado a ter ou fazer enxutos compensa o nível de agressividade trabalhado. O período de atendimento é mais curto, para ter um farmacêutico só, desta forma, a loja tem produtividade por funcionário maior do que o modelo tradicional, porque em tese você faz a mesma coisa com menos pessoas. A condição comercial também é boa, mas se você tiver a condição comercial boa e não tiver competitividade em preço, o sistema te engole por dentro.”

Mix estratégico As farmácias UltraPopular trabalham com todos os tipos de medicamentos: referencia, genérico e similar. Neto comenta que muitos acham que por ser um modelo popular, somente as linhas de similares são trabalhadas, mas quem pensa dessa forma está enganado. “Vendemos também os medicamentos de marca e somos muito agressivos com eles também, temos parcerias com todos os programas de descontos da indústria farmacêutica. Quando uma farmácia Ultrapopular é aberta, já estamos com todos os programas instalados.” Paulo Roberto complementa dizendo que o diferencial é jus-

tamente não trabalhar só com genérico e similar, é trabalhar genérico, similar e prescrição. Também temos perfumaria, mas ainda não é um case, trabalhamos mais com alto giro. Pretendemos gerenciar perfumaria também, no futuro, mas hoje quem gerencia perfumaria é o proprietário da loja, dentro desse mesmo conceito. A visão do consumidor tem que ser a seguinte: eu sei que vou lá e vou encontrar tudo mais barato do que em qualquer outro lugar.” No que diz respeito a atendimento, Neto lembra que muitos consultores transmitem a falsa ideia de que preço não é o primeiro item visto e percebido pelos consumidores. Segundo ele, o consumidor sempre escolherá uma farmácia pelo preço que ela oferece, da mesma forma que a excluirá pelo mesmo motivo. “Ninguém compra medicamento com a mesma vontade que compra uma roupa nova ou com a mesma vontade que se vai a um bom restaurante. Se em seu bairro o consumidor tiver uma grande rede tradicional e uma UltraPopular, que vende o mesmo produto 20% mais barato, escolherá o mais barato, pelo tipo de produto. Trabalhamos com tipo de produto que é uma commodity, ou seja, tem em todo lugar. Medicamento é o único produto da economia que é tabelado, então é mais fácil o consumidor guardar um desconto do que um preço”, fala Paulo Roberto. O executivo diz ainda que preço só perde para localização em determinados momentos.” 2013 setembro guia da farmácia

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Especial Idosos

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Quem é

o idoso brasileiro? A população DA TERCEIRA IDADE cresce acima da média mundial, por isso merece ser estudada e entendida para que possa receber o apoio e suporte necessário por parte do governo e da sociedade civil P o r F l á v i a C or b ó 104

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Envelhecer faz parte do processo natural de vida. Com o passar dos anos, as pernas ágeis que pulavam de lá pra cá em brincadeiras mil tornam-se mais restritas, ao mesmo tempo em que o equilíbrio e a velocidade também diminuem. A pele lisa e elástica dá lugar às marcas de expressão e rugas, que parecem deixar registrado no rosto cada experiência vivida. Os cabelos, no passado coloridos e rebeldes, tornam-se grisalhos e finos. A independência, conquistada aos fotoS: shutterstock

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Especial Idosos

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idosos no brasil

60 – 69 anos

46,6%

53,4%

70 – 79 anos

42,3%

57,7%

80 – 89 anos

41,4%

58,6%

90 – 99 anos 100 anos ou mais

38,2% 25% Masculino

Dos cerca de

22,3 milhões de

pessoas com 60 anos ou mais no País, as mulheres são maioria absoluta: 55,5% total Já a população em geral, elas participam com um pouco menos: aproximadamente

61,8% 75% Feminino

População a partir de 60 anos

Segundo a distribuição das classes econômicas das classes econômicas, 7 em cada 10 brasileiros com 60 anos ou mais pertencem à Nova Classe Média

44,5%

51,8%

A diferença em favor das mulheres aumenta com o avanço da idade. O que evidencia uma maior sobrevida delas em relação a eles. Enquanto que, nas faixas dos 60 – 69 anos elas são 53,4%, na faixa dos 90 – 99 anos elas representam 2/3 (dois terços) so total.

distribuição por classe econômica

55,5%

Taxa de Fecundidade Total

Grandes Regiões

2000

2010

Brasil

2,38

1,9

Norte

3,16

2,47

Nordeste

2,69

2,06

Sudeste

2,1

1,7

Sul

2,24

1,78

Centro-Oeste

2,25

1,92

17,8% alta renda

massa de renda em

2012

70,4% nova classe média

R$ 173,53 bilhões

R$ 229,77 bilhões

total R$ 402,3 bilhões Soma de todos os rendimentos de pessoas idosas (60 anos ou mais) 11,8% baixa renda

O total dos rendimentos dos idosos brasileiros esse ano deve atingir a cifra de R$ 402, 3 bilhões, superando o PIB do Peru registrado pelo Peru em 2010

Fonte: Data Popular e PNAD/IBGE 106

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0

Infográfico: Larissa Lapa

5,3% 26,3% Dos 22,3 milhões de pessoas idosas (60 anos ou mais) no País, o Sudeste responde por 46,6%. No ranking, o Nordeste aparece logo em seguida com 26,3% do total, bem à frente do Sul, com 15,3%. O Centro Oeste e o Norte contribuíram com 6,5% e 5,3%

6,5% 46,6%

Diferença Relativa 2000/2010 (%)

15,3%

-20,1 -21,8 -23,4 -19 -20,6 -14,5

composição da população, por faixas de idade 1980

2011

2040

70 ou mais 60-69 50-59 40-49

Faixa etária mais produtiva

30-39 20-29 10-19 0-9 Homens

Mulheres

Homens

Mulheres

Homens

Mulheres

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Especial Idosos

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Por que estamos envelhecendo? Veja quais são os fatores que colaboram para um envelhecimento populacional acima da média mundial • Há duas tendências que ocorrem paralelamente e são responsáveis pelo aumento do número de idosos e a diminuição do número de crianças: a queda da taxa de fecundidade (número de filhos por mulher) e o aumento da expectativa de vida. Ou seja, ao mesmo tempo em que nascem cada vez menos brasileiros, a população vive mais tempo. • Na década de 1960, o número de filhos por mulher era de 6,28, mas, a partir de 1970, a taxa começou a cair. Em 2000 já era de 2,38. E, atualmente, está em 1,9, de acordo com o Censo 2010. O número de filhos na área rural influencia para que a diminuição da taxa de fecundidade não seja ainda mais acentuada. Embora tenha diminuído de 3,4 filhos para 2,6, entre 2000 e 2010, é maior do que o verificado nas áreas urbanas (de 2,18 para 1,7). Por isso, a taxa final difere da divulgada recentemente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), de 1,7 filho, que não ouve mães camponesas. • Um dos fatores que influenciou a queda da taxa de fecundidade foi a diminuição do número de filhos entre as mulheres mais jovens nas faixas de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos, que vivem em área urbana. Já nas regiões Norte e Nordeste, a diminuição de filhos por mulher ocorreu, principalmente, devido à inserção de práticas contraceptivas, entre as quais está a esterilização feminina. Mesmo assim, em 2010, o Norte é a única região com taxa de fecundidade acima da de reposição. • O estudo mostra ainda que a proporção de mulheres sem filhos difere de acordo com a escolaridade. Entre mulheres com até sete anos de estudo de 15 a 19 anos, 18,3% tinham filhos, sendo que, do total de mulheres com oito anos ou mais de estudo, na mesma faixa etária, apenas cerca de 7% tinham filhos. • Em um movimento inverso à queda da taxa de fecundidade da mulher brasileira, a esperança de vida ao nascer vem aumentando. Em 1994, ela era estimada em 68,1 anos. Até 2010 esse indicador aumentou 5,3 anos e, entre 2003 e 2010, 2,1 anos; alcançando 73,4 anos em 2010. Já a esperança de vida aos 60 anos foi estimada em 23,1 anos para 2010. • De acordo com investigações do IBGE, esse aumento tem sido acompanhado por uma melhoria das condições de saúde física, cognitiva e mental da população idosa, bem como de sua participação social. Por exemplo, em 2011, 57,2% dos homens de 60 a 64 anos participavam das atividades econômicas.

O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO DA POPULAÇão brasileira é quase generalizado, mas ocorre de maneira mais acelerada em algumas regiões. são paulo é o estado com o maior número de idosos: 5,4 milhões. em seguida, vem minas gerais, com 2,6 milhões, e rio de janeiro, com 2,4 milhões poucos na transição entre adolescência e a vida adulta, vai indo embora, pois tarefas simples tornam-se penosas e a ajuda de terceiros passa a ser inevitável. Assim como ocorre com todas os países, o Brasil também enfrenta um processo de envelhecimento. As crianças com idade até cinco anos, que, em 1991 representavam 11,5% da população, passaram para 9,8% em 2000, até chegarem a 7,6% no Censo 2010, último realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 108

Em um movimento inverso, o número de idosos vem crescendo. Em 1991, os brasileiros com idade acima de 60 anos representavam 4,8% da população, em 2000, 5,8%, e, agora, chegam a 7,4%. Em números absolutos é possível ter uma ideia mais clara da significância dessa faixa etária. Atualmente, os idosos somam 23,5 milhões dos brasileiros, mais que o dobro do registrado há duas décadas, quando contabilizava 10,7 milhões de pessoas, segundo estudos apresentados pela Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad), em 2012. Ao mesmo tempo, o número de crianças de até quatro anos no País caiu de 16,3 milhões, em 2000, para 13,3 milhões, em 2011. Os números são claros. O envelhecimento da população brasileira é real e ocorre acima da média mundial. A consta-

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tação também pode ser provada por meio do índice de envelhecimento utilizado pelo IBGE. O cálculo é feito a partir da relação entre o número de pessoas de 60 anos ou mais para cada cem pessoas menores de 15 anos. Segundo o instituto, o índice no Brasil foi de 51,8 em 2011, em comparação com resultado de 48,2 para o indicador de envelhecimento mundial, referente ao mesmo ano. Isso significa que na última análise havia no País, aproximadamente, uma pessoa de 60 anos ou mais de idade para cada duas pessoas de menos de 15 anos de idade.

Os idosos no Brasil Quando se fala da faixa da população acima dos 60 anos, as mulheres representam a maioria, sendo 55,5% do total de indivíduos, segundo pesquisa realizada pelo Data Popular, com projeções do Pnad/IBGE. Com o avançar da idade, a predominância do sexo feminino torna-se ainda mais evidente, o que mostra que a sobrevida delas ainda é maior, mesmo levando um ritmo de vida cada vez mais semelhante ao do homem. Enquanto na faixa dos 60 a 69 anos, elas representam 53,4%, entre os idosos de 90 a 99 anos, dois terços são mulheres. O processo de envelhecimento da população brasileira é quase generalizado, mas ocorre de maneira mais acelerada em algumas regiões. São Paulo é o Estado com o maior número de idosos: 5,4 milhões. Em seguida, vem Minas Gerais, com 2,6 milhões, e Rio de Janeiro, com 2,4 milhões. Em meio à tendência de crescimento do número de idosos registrada no País, a região Norte segue na contra-

mão. A população do Sudeste envelhece a passos largos, enquanto a nortista está cada vez mais jovem em termos relativos. De acordo com a Pnad, 57,6% da população nortista tem menos de 30 anos. O Estado com o menor percentual de idosos é o Amapá, onde apenas 5,9% dos residentes têm mais de 60 anos, sendo que as crianças de até quatro anos representam 9,1% das pessoas. Engana-se quem imagina que por serem mais frágeis e, às vezes, dependentes, a situação financeira dos idosos seja desfavorável. O total de rendimentos das pessoas com mais de 60 anos somou R$ 402,3 bilhões em 2012, segundo estimativas do instituto de pesquisa Data Popular. Apesar de serem minoria, os homens foram responsáveis pelo ganho de R$ 229 bilhões, contra R$ 172 bilhões das mulheres. Isso pode ser explicado pelo fato de a maioria dos idosos que ainda trabalham ser do sexo masculino. Esse bom rendimento faz com que os idosos apresentem uma situação de renda melhor do que os jovens. De acordo com o levantamento do IBGE, 53,6% das pessoas com menos de 25 anos estão concentrados nas duas menores faixas de renda per capita familiar (menos de um quarto do salário mínimo; e de um quarto a metade de um salário mínimo), ou seja, na base da pirâmide. Já entre os idosos, apenas 11,8% deles se encaixam nas duas faixas mais baixas de renda. A grande maioria – 70,4% – pertence à nova classe média, enquanto 17,8% estão concentrados nas classes A e B. Dos mais de 22 milhões de idosos brasileiros, a maioria vive com alguém da família, mas 2,7 milhões deles moram sozinhos. Entre os independentes, 1,8 milhão é formado por mulheres, enquanto 938 mil são homens. 2013 setembro guia da farmácia

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Com o aumento da qualidade e da expectativa de vida, os idosos se sentem cada vez mais dispostos a se manter ativos no mercado de trabalho Por Flávia Co rbó

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ativa A

A legislação brasileira classifica como idoso todas as pessoas com mais de 60 anos de idade. Mas a melhoria da qualidade de vida e o aumento da expectativa de vida fizeram com que o critério de classificação passasse a ser questionado por especialistas. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por exemplo, acredita que, após dez anos desde a criação do Estatuto do Idoso, é momento de elevar o marco em cinco anos. Em termos práticos, a mudança atingiria apenas alguns aspectos da vida do idoso atualmente.

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A principal delas seria o valor dos planos de saúde, que pela lei atual não pode ser aumentado após os 60 anos. Outros benefícios como meia-entrada em eventos culturais e esportivos e a concessão de assento público e atendimento preferencial também seriam postergados. Mas, de acordo com a demógrafa do Ipea, Ana Amélia Camarano, o maior impacto da mudança seria psicológico e social. “Se você diz a uma pessoas ativa com 60 anos que ela já é idosa, ela passa a se sentir como tal e cria uma dependência social e começa a se comportar como idoso”, acredita. Uma das evidências da capacidade e vitalidade que a população com mais de 60 anos possui atualmente é o número de idosos que ainda são chefe de família – cerca da 15,3 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Desse total, 3,3 milhões ainda estão na ativa no mercado de trabalho, sendo 41% de homens e 12% de mulheres, complementa dados do Ipea. “O número de idosos que trabalham passa por um período de declínio, mas é possível que venha a crescer novamente, porque a população adulta jovem está diminuindo, então terá que haver uma compensação. Quanto menor a entrada de jovens no mercado, mais espaço para os mais experientes”, analisa Ana Amélia. A tendência já foi percebida pela Vagas Tecnologia, empresa especializada em consultoria e informatização

da gestão de processos seletivos. Um levantamento realizado no banco de dados interno revela que 36% dos aposentados inativos receberam pelo menos uma oferta para voltar ao trabalho nos últimos três meses. O levantamento foi feito em novembro e dezembro do ano passado por meio da base de currículos cadastrados no portal de carreira vagas.com.br. Dos 476 respondentes, o estudo segmentou os aposentados em profissionais ativos ou inativos. De acordo com os resultados da amostra, 48% indicaram que estão sem emprego, 5% não pretendem voltar mais ao mercado e 47% continuam trabalhando. Desse total que está sem emprego, 98% querem voltar ao batente. E daqueles que permanecem ativos, 80% querem trocar de emprego em busca de uma remuneração superior à atual. Ainda de acordo com o estudo, os profissionais ativos e inativos também informaram em qual área mais gostariam de atuar. Destacaram-se engenharia civil, mecânica e eletrotécnica, administração de empresas e vendas. Mas o Guia da Farmácia saiu às ruas e constatou que dentro do setor farmacêutico também existem muitos idosos que ainda exercem a profissão e outros que guardam nas lembranças os tempos atrás do balcão.

o número de idosos que trabalham passa por um período de declínio, mas é possível que venha a crescer novamente, porque a população adulta jovem está diminuindo, então terá que haver uma compensação. quanto menor a entrada de jovens no mercado, mais espaço para os mais experientes 2013 setembro guia da farmácia

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apreço à função Enquanto a decisão sobre qual profissão seguir representa uma etapa difícil para muito jovens, Maurílio Favero não teve dificuldades de escolha. Há tempos já havia decidido que queria se formar farmacêutico. Natural de Juiz de Fora, em Minas Gerais, ingressou na universidade federal instalada na cidade e formou-se na carreira dos sonhos em 1980. Apesar do amor pela profissão escolhida, logo no início da carreira Favero sentiu as dificuldades do enxuto mercado mineiro na época. Em busca de novas oportunidades, deixou a mãe e os irmãos e mudou-se para São Paulo. Iniciou a carreira como chefe do laboratório de controle de qualidade do Moinho São Jorge, indústria de alimentos instalada em Santo André, na Grande São Paulo. Apreciava a função e lá permaneceu por 14 anos, até que ingressou na área de varejo farmacêutico. Inicialmente, trabalhou em uma farmácia de manipulação em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Alguns anos depois, tornou-se funcionário da Farmácia Malheiro, pequena rede com quatro lojas em Diadema, na mesma região. Depois de tantos anos de experiência na indústria, foi no contato direto com o público, que Maurílio se realizou. “O povo brasileiro é muito carente de informação na área de medicamento, pratica muito a automedicação, desconhece efeitos colaterais e interação medicamentosa. Não pedem as informações ao médico e têm muita pouca adesão ao tratamento, então é muito importante essa questão da Atenção Farmacêutica”, acredita. Atualmente, a principal função de Maurílio é atuar junto aos médicos, com indicação médica, levando informações sobre literatura e novas medicações. Mas o farmacêutico também faz plantões atrás do balcão, momento em que faz questão de esclarecer as dúvidas dos clientes e prestar um atendimento de qualidade. “Como a concorrência é grande, para se diferenciar a far11 4

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A experiência acumulada ao longo desses anos de profissão é muito importante, mas não basta. Tem que se atualizar sempre. A todo momento, o setor está se modernizando Maurílio Favero, farmacêutico da Farmácia Malheiro

Nome: Maurílio Favero Idade: 62 anos Empresa: Farmácia Malheiro, em Diadema (SP) Cargo: farmacêutico Tempo de profissão: 33 anos Condição profissional: na ativa

mácia tem que prestar mesmo esclarecimento, sem empurrar nenhum medicamento. Vendemos somente aquilo que o médico prescreveu, não trocamos medicamento”, garante. Além de manter essa conduta por questões éticas e pela responsabilidade exigida pela profissão, ele sabe que o bom atendimento é essencial para a vitalidade da loja. “Para fidelizar o consumidor, é preciso ter um bom atendimento, se não o cliente não volta mais”, afirma. A importância deste diferencial foi estudado por Favero nos diversos cursos de atualização que ele faz questão de participar. “A experiência acumulada ao longo desses anos de profissão é muito importante, mas não basta. Tem que se atualizar sempre. A todo momento surgem drogas novas, ativos novos e a indústria está sempre se modernizando”, avalia. Esse interesse por reciclar-se continuamente é um dos sinais de que, aos 62 anos, a energia para o trabalho continua em alta. Há três anos da idade mínima para aposentar-se, Maurílio não pretende parar tão cedo. “Tem muita coisa para ser feita no Brasil na área de saúde. Acho que posso ajudar bastante ainda profissionalmente, levando informações”, explica. Nos planos futuros está o desejo dar palestras voltadas à saúde comunitária, tratando dos efeitos dos medicamentos e sobre questões sociais como alcoolismo, tabagismo e uso de drogas. O encanto com as possibilidade oferecidas pela profissão não se abalou durante os anos, por isso Maurílio não hesita em indicar a carreira aos mais jovens. “A pessoa deve ter bastante força de vontade, o curso não é fácil. Mas eu aconselharia a abraçar a carreira, porque tem mais alegrias que desamores.” 2013 setembro guia da farmácia

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experiência no setor O amor pelo trabalho nasceu cedo para Paulo Pires. Aos 8 anos, começou a trabalhar, quando mudou-se de Andradas, em Minas Gerais, para Americana, no interior paulista, no ano de 1951. Durante a infância e adolescência, fez diversos pequenos serviços como engraxate e mecânico, até que aproveitou a instalação de diversas indústrias têxteis na região para ingressar na área. Paralelamente ao serviço na fábrica, fez um curso técnico em contabilidade, ainda sem saber que este era o início de uma guinada profissional. Tudo começou a mudar quando um conterrâneo da família adquiriu uma farmácia em Americana e o chamou para ser responsável pela administração financeira da loja, no controle de contas a pagar, a receber e pagamento dos funcionários. “No começo, eu não gostava da trabalho, por causa do horário, da necessidade de dar plantões, mas com o tempo comecei a me entrosar”, conta Paulo. Juntamente com um colega de trabalho, decidiu comprar uma farmácia em Campinas, em 1963. Transferiu todo o estoque e estrutura para Americana, onde abriu uma pequena drogaria em uma esquina da cidade. Anos mais tarde, comprou a farmácia do antigo patrão e passou a tocá-la sozinha em 1984. Lá, ele permanece até hoje. “Digo que este imóvel não tem preço, é meu refúgio. Aos domingos não abrimos a farmácia, aí eu fico meio perdido. Sinto falta deste convívio, do relacionamento diário que tenho com o pessoal”, confessa Paulo Pires. Mesmo aos 71 anos de idade, o empresário faz questão de manter-se presente no empreendimento. “Eu venho todo dia, nunca perdi hora para abrir a farmácia, nunca atrasei um boleto de pagamento dos fornecedores nem o salário dos funcionários”, orgulha-se. Hoje, a loja conta com sete funcionários, 11 6

Aos domingos não abrimos a farmácia, aí eu fico meio perdido. Sinto falta do convívio, do relacionamento diário que tenho com o pessoal Paulo Pires, proprietário da Farmácia Santa Catarina

sendo que quatro deles estão lá há mais de 20 anos. “Não são meus parentes, mas sou padrinho de casamento de quase todos”, brinca. Para a família, Paulo deixou uma farmácia adquirida em 1982, que hoje é comandada pela filha, formada em farmácia. A gestão também é tocada pelos outros dois filhos, que se graduaram em administração de empresas. “Pelo tempo que tenho de experiência no setor, eu poderia ter

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Nome: Paulo Pires Idade: 71 anos Empresa: Farmácia Santa Catarina, em Americana (SP) Cargo: proprietário Tempo de profissão: 50 anos Condição profissional: na ativa

outras farmácias, mas optei por ter uma vida com mais liberdade, momentos de lazer e qualidade de vida. Preferi ter uma farmácia bem organizada, que me dê retorno para manter uma vida saudável”, revela. Há 50 anos no mesmo ponto de venda, Paulo Pires orgulha-se do que conquistou. “Nesse meio século, foi possível angariar clientes de longa data. Conseguimos atrair

clientes diferenciados, que frequentam a farmácia desde que abrimos.” Com uma equipe de trabalho experiente e consumidores fiéis, Paulo se sente à vontade para tirar alguns dias de férias junto da esposa. “Enquanto eu estiver com memória boa e disposição, pretendo continuar trabalhando”, garante. 2013 setembro guia da farmácia

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carreira bem vivida O destino do Sr. Quintino Prado Fonseca no varejo farmacêutico começou a ser traçado ainda na adolescência, quando entrou na Faculdade Federal de Alfenas, em Minas Gerais. Diante do interesse do filho pela profissão, o pai de Quintino já planejava utilizar um dos imóveis da família para abrir uma farmácia, em sociedade com um amigo. No entanto, antes dos planos se concretizarem, o futuro sócio faleceu em um acidente automobilístico. Recém-formado e sem parceria para iniciar um negócio, Quintino decidiu deixar Minas Gerais para buscar novas oportunidades no interior de São Paulo. Foi na cidade de Nova Odessa onde adquiriu a primeira farmácia. Lá, comandava cerca de quatro funcionários, atuava junto ao balcão e, inclusive, na manipulação de xaropes, prática comum na época. Além do pontapé inicial na carreira de empresário varejista, Nova Odessa trouxe outras mudanças para a vida do jovem farmacêutico. Foi lá que ele conheceu a esposa Nice, com quem se casou em 1967 e viria a ter três filhos. Cinco anos mais tarde, a família decidiu mudar-se para Jundiaí, também no interior de São Paulo. Apesar da mudança de ares, o desejo de seguir na profissão permanecia o mesmo. Por isso, em 1972, comprou uma farmácia na região, antes tocada por duas sócias. Após permanecerem seis anos na cidade, optaram por uma nova mudança e seguiram para Itatiba, onde também iniciaram um novo negócio no setor do varejo farmacêutico. A partir desse momento, o filho mais velho – Marcelo – começou a demonstrar interesse pela carreira do pai. Ainda jovem, Marcelo tornou-se empreendedor ao lado do pai, que apoiou a empreitada assinando como farmacêutico responsável. Em pouco tempo, a dupla conquistou uma legião de consumidores fiéis. Para o Sr. Quintino, o segredo do sucesso está no bom atendimento: “Sempre passávamos as orientações corretas de medicamento, nos dispúnhamos a medir a pressão dos clientes de forma gratuita, procurávamos facilitar a forma de pagamento dos clientes conhecidos de longa data”, enumera. Orgulhosas do sucesso do pai e do irmão, as duas filhas mais novas, Milena e Maria Stella, não demoraram a se interessar por entrar no ramo. Com a ajuda dos pais, compraram um terreno em Jundiaí e hoje gerenciam, juntas, mas uma loja da família. Há três anos, Quintino decidiu parar de trabalhar, mas 11 8

Nome: Quintino Prado Fonseca Idade: 83 anos Empresa: Drogaria Carlos Gomes, em Jundiaí (SP) Cargo: farmacêutico proprietário Tempo de serviço: mais de 50 anos Condição profissional: aposentado

Até hoje os clientes perguntam de mim, porque sabem que fui honesto no preço e no atendimento Quintino prado fonseca, farmacêutico aposentado da drogaria carlos gomes

ainda faz questão de ser o corresponsável pelo gerenciamento da farmácia das filhas. Inclusive, costuma frequentar a farmácia aos sábados para matar a saudade da profissão. “Fico umas duas horas por lá, conversando, medindo pressão, revendo os clientes que eu conheço”, conta. O histórico de bom atendimento faz com que muitos dos consumidores assíduos sintam falta da presença de Quintino na loja. “Até hoje eles perguntam de mim, porque sabem que fui ho-

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nesto no preço e no atendimento”, afirma. Mesmo um pouco assustado com as diversas mudanças que o setor enfrentou desde que iniciou na profissão, Quintino acredita que o varejo farmacêutico seja um excelente caminho a seguir e ainda mais fácil do que na época em que iniciou. “Os mais jovens estão sendo mais felizes, porque os laboratórios dão muito desconto, então eles conseguem comprar com condições muito favoráveis de pagamento. Com o lucro que eles têm, é possível ir para frente”, acredita. 2013 setembro guia da farmácia

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O número crescente de idosos e a alta incidência de doenças crônicas na terceira idade exigem atendimento especializado e melhorias no setor da saúde P o r F l á v i a C or b ó 120

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A juventude deixou de ser uma fase da vida para tornar-se um objetivo de vida. Com essa frase – replicada de uma pesquisadora da Universidade de Campinas (Unicamp) – a demógrafa do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), Ana Amélia Camarano, define o medo que boa parte dos brasileiros tem de envelhecer. Mas a verdade, doa a quem doer, é que, inevitavelmente, a terceira idade chega para todos. E, principalmente, para aqueles que não culfotoS: felipe mariano

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tivaram hábitos saudáveis na vida adulta, o corpo e a mente cobram um preço alto pelo descuido. Um exemplo clássico das consequências é que a má alimentação e o sedentarismo podem trazer com o avançar da idade é o diabetes. De acordo com a Federação Internacional do Diabetes, aproximadamente 10 milhões de brasileiros são portadores da doença. E 35% dessas pessoas possuem mais de 60 anos. Uma das razões para que o número de idosos diabéticos seja tão é alto é o desconhecimento sobre o estado chamado de pré-diabetes, uma condição de quem está próximo a desenvolver o tipo 2 da doença, mas ainda pode reverter o quadro com a adoção de hábitos mais saudáveis. Os sinais de alerta podem ser detectados por meio de exames clínicos periódicos. Se a taxa de açúcar no sangue variar entre 100 mg/dl e 125 mg/dl, por exemplo, é um indicador de perigo. Hipertensão, triglicérides altos, síndrome dos ovários policísticos e casos da doença na família também causam uma predisposição ao desenvolvimento do diabetes tipo 2. A combinação dessas circustâncias de risco parece ser comum entre os brasileiros, segundo uma pesquisa realizada pelo laboratório Abbott, em parceria com a Sociedade Brasileira de Diabetes. O estudo descobriu que entre a população geral entrevistada, 6 em cada 10 pessoas estão em risco. O dado se torna ainda mais preocupante diante da descoberta de que, enquanto três quartos da população (77%) têm consciência sobre diabetes, apenas 3 em 10 (ou 31%) já ouviram sobre pré-diabetes e conhecem as maneiras de evitar o desenvolvimento da doença.

Males da idade Além do diabetes, o envelhecimento colabora para o surgimento de outros problemas crônicos. “O ser humano fica mais suscestível devido a uma soma de fatores, como queda natural da imunidade, alterações cardiovasculares, perda de fibra musculares do coração, enrijecimento da parede das artérias, que se tornam menos elásticas, e o desenvolvimento de uma resistência à insulina”, explica a professora Dra. da Unicamp, Maria Elena Guariento. As doenças cardiovasculares são o principal mal da terceira idade, tanto no Brasil quanto em outros países mais desenvolvidos economicamente. Segundo o Ministério da Saúde, 37% do número 122

O primeiro passo é treinar os profissionais para o atendimento especializado ao idoso, que deve buscar sempre a preservação da funcionalidade e evitar complicações das doenças crônicas de mortes entre pessoas com mais de 60 anos no Brasil está ligado a acidentes vasculares cerebrais (AVC), infarto e hipertensão arterial. Em seguida, vêm tumores e doenças do aparelho respiratório, por exemplo, pneumonia e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Também é comum, com o avançar da idade, o surgimento de doenças osteoarticulares. Uma delas é a artrose, causada pelo desgaste de uma articulação. Com o envelhecimento, a cartilagem que reveste os ossos nas juntas e que permite aos ossos deslizarem uns sobre os outros sofre desgates e pode quebrar. Como consequência, os ossos se friccionam, causando dor, inchaço e rigidez. Bicos de papagaio ou esporões podem se formar ao redor da articulação e os ligamentos e músculos ao redor da bacia ficam mais fracos e rígidos. Dentre as mulheres que já passaram pela menopausa, a osteoporose também é uma doença de alta incidência. A queda na produção de hormônios pode provocar perda de massa óssea, deixando os ossos ocos, finos e sensíveis a impactos. “Os idosos também tendem a tomar menos sol do que o necessário e isso pode provocar a falta de vitamina D, que também enfraquece os ossos e pode facilitar a ocorrência de quedas”, ressalta o membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), Dr. Renato Fabri. Aliado à perda de massa óssea e muscular, outras condições comuns aos idosos, como dimunição da visão, enrijecimento das articulações, perda de equilíbrio e maior lentidão de reflexos colaboram para o aumento de risco de tombos. Familiares, cuidadores e profissionais que lidam com pessoas nesta faixa etária devem ficar atentos, pois acidentes frequentes podem ser sinal de que algo mais grave. “Muitas vezes, a queda funciona com um marcador de doenças, indica algum problema que está se instalando ou que já está em um estágio mais avançado, como, por exemplo, a demência. Além disso, um indivíduo que sofreu um tombo pode tornar-se mais pre-disposto a desenvolver algum problema de saúde, porque fica mais receoso, começa a limitar seus movimen-

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Como o farmacêutico pode ajudar? Idosos com doenças crônicas devem tomar medicamentos regularmente. Veja formas de colaborar para a adesão ao tratamento: • Ouça o idoso com atenção e paciência. • Informe claramente as informacões sobre a dosagem e horário da medicação. Caso ache necessário, repita as informações. • Use etiquetas ou anotações nas embalagens para facilitar a identificação do tipo de medicamento, horário e dosagem. • Procure vender somente medicamentos prescritos. Caso o idoso peça algo além da lista, cheque o risco de interação medicamentosa. • Passe orientações também aos familiares e cuidadores, quando o idoso for à farmácia acompanhado.

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tos, passa mais tempo sentado ou deitado, levando a uma maior perda de massa óssea e muscular e todas as complicações que decorrem disso”, alerta Maria Elena.

Doenças da mente Mesmo diante de tantas complicações crônicas que acometem os idosos, de acordo com Dr. Renato Fabri, a maior queixa recebida nos atendimentos medicos é a respeito de alterações na memória. “Para os leigos, muitas vezes isso já é considerado um sinônimo de Alzheimer, mas nem sempre é assim. O envelhecimento causa naturalmente a perda da memória. E também existem outras doenças que podem causar pequenos lapsos de memória, como hipotireosdismo, anemia ou síndrome de depressão. Por isso, é preciso fazer uma investigação sobre qual é a origem do esquecimento”, relata o geriatra. Quando todas as possíveis causas para a falha de memória são descartadas, pode concluir-se, então, que se trata de consequência do envelhecimento. “É um diagnóstico de exclusão”, explica o Dr. Renato Fabri. Um poderoso antídoto contra as doenças neurológicas é manter-se ativo, por meio de exercícios físicos e o cultivo de amizades. O isolamento social e o ócio são umas das principais causas de depressão entre os idosos. “Com o avançar da idade, o idoso vai perdendo entes, cônjuge e amigos. Pela tristeza e falta de companhia, ele deixa de ter atividades de lazer, o que

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pode gerar depressão”, alerta Fabri. Causas orgânicas também podem provocar um quadro depressivo, como o mal funcionamento da tireoide. O problema é que os sintomas da doença – aumento da sonolência, esquecimento, apatia, prisão de ventre e ressecamento da pele – são, frequentemente, confundidos com comportamentos comuns de idoso, o que dificulta a descoberta do diagnóstico correto.

Infraestrutura Erros no diagnóstico são um incômodo para todos, mas quando se trata de idosos, realizar um tratamento inadequado pode trazer muito prejuízo, já que os gastos com medicamentos são altos. Pessoas com mais de 60 anos gastam 58,1% a mais que a média da população com a manutenção da saúde, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares, relizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente a compra de medicamentos representa 30% do rendimento dos aposentados, de acordo com a Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Grande ABC. Ou seja, um idoso que possui renda média de R$ 1,3 mil, 124

gasta R$ 390 por mês na farmácia. Para os laboratórios farmacêuticos, o número crescente de idosos é uma realidade lucrativa. Afinal, de acordo com o IMS Health, em 2050, cerca de 150 milhões de pessoas terão mais de 50 anos na América Latina. Mas, ao mesmo tempo, para os governos, a perspectiva requer atenção e planejamento. “Hoje, uma pessoa de 70 anos tem a mesma qualidade de vida do que um adulto de 50 há 20 anos. Nós estamos vivendo muito mais. Mas quem vai pagar a conta?”, indaga o diretor comercial de Consultoria e Serviços do IMS Health, Paulo Paiva. Atualmente, 35 milhões de brasileiros utilizam os serviços de saúde privada, sendo que boa parte possuem convênios médicos coorporativos. “Essas pessoas vão se aposentar e grande parte delas vai perder o benefício. A renda também não será a mesma e isso vai dificultar o acesso aos medicamentos. Ou o Sistema Único de Saúde (SUS) se adapta ou teremos uma situação bem difícil pela frente”, alerta Paiva. A necessidade de melhorias no acesso ao atendimento médico, aos hospitais, aos tratamentos e me-

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saúde

Quanto a saúde pesa no bolso do idoso?

Os idosos gastam 58,1% a mais que a média da população com os custos de saúde.

A compra de medicamentos representa 30% do rendimento dos aposentados.

Gastos dos idosos com saúde e cuidados pessoais sofreram aumento de inflação de 2,66%, no segundo trimestre deste ano.

Um idoso com média salarial de R$ 1.300 gasta R$ 390 por mês na farmácia.

Fonte: Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), IBGE e Associação dos Trabalhadores Aposentados e Pensionistas do Grande ABC

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dicamentos é opinião unânime entre os especialistas em saúde. “Nós estamos muito aquém do que seria o ideal. Há ainda uma série de questões que precisa ser mais bem trabalhada. Existem diversas propostas boas, mas que ainda não foram concetrizadas”, garante a Dra. Maria Elena. Para a geriatra, o primeiro passo é treinar os profissionais para o atendimento especializado ao idoso, que deve buscar sempre a preservação da funcionalidade e evitar complicações das doenças crônicas. Hospitais geriátricos, ambulatórios especializados em idosos e políticas públicas de atendimento médico domiciliar, em casos de limitação de deslocamento são outras sugestões dadas pela geriatra. Por enquanto, os Centros de Referência ao Idoso são poucos e concontram-se nos grandes centros urbanos.

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A necessidade de melhorias no acesso ao atendimento médico, aos hospitais, aos tratamentos e medicamentos é opinião unânime entre os especialistas em saúde

“Precisamos também estimular a adoção de um estilo de vida mais saudável. Não só entre os idosos mas também na sociedade em geral. Uma criança que se alimenta mal e começa a ganhar peso tem grandes chances de se tornar um adulto obeso, com todas as complicações que decorrem deste quadro”, avalia a médica. Apesar da distância do cenário ideal, a assistente social de geriatria e colaboradora do Instituto de Desenvolvimento Educacional, Arstístico e Científico (IDEAC), Naira Dutra Lemos, acredita que houve avanços no setor de saúde voltado aos idosos. “Já existe um grupo razoável de profissionais que trabalham com a terceira idade e os cursos oferecidos pelas universidades estão valorizando a importância do atendimento especializado”, afirma. Segundo a profissional, a maior defasagem no suporte ao idoso está entre a população de maneira geral, que tem pouca tolerância com os mais velhos. “É uma questão cultural. Nós demoramos anos para ter uma legislação que mostrasse que existem idosos. Enquanto os membros dessa faixa etária não se tornaram volumosos, ninguém prestou atenção”, opina Naira Dutra.

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Além de manter a saúde física, exercitar a mente também é essencial para um envelhecimento saudável. www.guiadafarmacia.com.br

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Preferencial

sim!

Idosos são uma importante fatia da clientela de qualquer farmácia. Para oferecer bom atendimento, é necessário estar ciente das dificuldades e necessidades dessa faixa etária Por Flávia Corbó

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O processo de envelhecimento da população brasileira é recente se comparado ao Japão e países europeus, que há anos registram uma alta incidência de idosos entre a população. Envelhecer em um País ainda imaturo no trato aos mais velhos pode ser difícil, como foi registrado pela pesquisa Idosos no Brasil , desenvolvida pelo Instituto Data Popular. Após realizar entrevistas com idosos moradores das principais cidades das cinco regiões do País, entre os meses de outubro a dezembro de 2012, foram registradas as queixas mais comuns da população dessa faixa etária: 64% dos enfotos: Felipe mariano

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envelhecimento saudável Dentro das ações que os farmacêuticos podem elaborar e executar pensando na clientela idosa está a adoção de campanhas que estimulem o estilo de vida saudável e a prevenção de doenças. Normalmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os Conselhos Regionais de Farmácia (CRFs), o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e os setores relacionados à saúde dispõem de muito material para informações sobre medicamentos e principais doenças que acometem a terceira idade. “Este material é bastante diversificado, podendo ser usado e proporcionando grande benefício à população atendida”, garante Maria Aparecida Nicoletti, da USP. Na conversa diária e no atendimento, também é interessante estimular a atividade física e, no caso de fumantes, a necessidade de superar o vício. Os cuidados com a alimentação deverão ser recomendados, assim como os exames clínicos necessários rotineiros, além do controle da pressão arterial sendo registrada diariamente.

trevistados reclamaram do mau humor, 55% do egoísmo, 46% do desrespeito e 25% da frieza. A falta de cuidado com a população acima de 60 anos ocorre em diferentes ambientes, em casa, no mercado de trabalho, no transporte público e, inclusive, no atendimento ao consumidor. “Não podemos generalizar sobre a qualidade do atendimento dispensado ao idoso, porque depende da qualificação e sensibilidade do dispensador. Mas, para que a população idosa seja atendida satisfatoriamente, há necessidade de treinamento e entendimento dos dispensadores a respeito das características que normal-

mente a população idosa apresenta, como, por exemplo, dificuldade na audição, visão, entendimento e memória”, afirma a professora titular e farmacêutica responsável pela Farmácia Escola da Universidade de São Paulo (USP), Maria Aparecida Nicoletti. Em todo serviço prestado à população idosa a lei garante atendimento preferencial, mas a exigência ganha ainda mais relevância quando falamos do varejo farmacêutico. De uma maneira geral, pessoas de idade avançada apresentam como característica serem usuários de polifarmácia, já que costumam desenvolver doenças crônicas, além da limitação física. “Não é um público novo para esse mercado, mas, como o número de idosos está aumentando, seria interessante o varejo farmacêutico se preparar para atender aos idosos, que necessitam de atenção e acolhimento ao dispensar os medicamentos”, reforça o coordenador do curso de Farmácia do Centro Universitário São Camilo, Alexsandro Macedo Silva.

O que fazer? Muito pode ser feito pelo idoso no ponto de venda, mas é preciso ter sensibilidade e adequar a linguagem em função das características daquele cidadão especí2013 setembro guia da farmácia

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É importante que o idoso se sinta participante e incluído no processo do restabelecimento ou manutenção da saúde. Há diversos cuidados que devem ser levados em consideração durante o atendimento, por exemplo, dificuldade na audição e na leitura fico. Em função das limitações que a idade impõe, é imprescindível que o dispensador tenha uma conduta que permita ao idoso ser ouvido com calma e para que se sinta acolhido dignamente, independentemente de suas limitações na exposição de seus problemas. “Esse é um grupo essencialmente carente e normalmente desprestigiado pela família e sociedade. Muitas vezes, ele procura um atendimento somente para se sentir ouvido e apresentar importância para alguém, mesmo que por poucos momentos”, lembra Maria Aparecida Nicoletti. Além do trato especial, o estabelecimento deverá cumprir a legislação pertinente destinada ao idoso e dispor de outras iniciativas que façam com que esta parcela da população – importante clientela do varejo farmacêutico – se sinta acolhida e confortável na loja, considerando todas as limitações que surgem com o avançar da idade. Rampas de acesso, bebedouro e assentos de espera são alguns detalhes que podem fazer a diferença no atendimento a pessoas mais velhas. É importante que o idoso se sinta participante e incluído no processo do restabelecimento ou manutenção do estado de saúde. “Há diversos cuidados que devem ser levados em consideração durante o atendimento, por exemplo, dificuldade na audição e na leitura. Por isso, a paciência e o carinho são fundamentais para atendê-los bem”, ressalta Alexsandro Macedo. Maria Nicoletti destaca ainda que a presença do idoso na farmácia é a situação ideal para passar conceitos sobre a orientação da medicina preventiva, que tem sido muito discutida mundialmente porque é uma das maneiras mais efetivas para a melhoria da condição de vida da po130

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medicamento ou mesmo ajuste de dose, ou ainda a prescrição de um número maior ou menor de medicamentos. Também deve ser considerado que o idoso vai apresentando alterações físicas e metabólicas durante o processo de envelhecimento, o que demanda um entendiAtenção farmacêutica mento da condição atual da pessoa e o ajuste da mediComo fazem uso de vários medicamentos, a atencação. Além disso, poderão estar presentes outras enção farmacêutica voltada ao idoso é imprescindível fermidades que demandam maiores cuidados na utilizapara oferecer um atendimento diferenciado, que o ção de medicamentos considerando a segurança da pesfidelize. Na maioria dos casos, o idoso tem dúvidas soa e as possíveis interações decorrentes. O dispensador precisa estar atento às Os medicamentos que devem ser administrados condições físicas e mentais do idoso para durante o dia podem ser identificados com o desenho assegurar que o medicamento seja utilizade um Sol, enquanto os noturnos, com o de uma Lua do adequadamente. Diante de um cliente que apresente dificuldade de audição, sobre o medicamento, não consegue identificá-los, visão, compreensão e memória, o dispensador devedeterminar o horário de administração, entre outros. rá lançar de ferramentas que facilitem o entendimento. “O farmacêutico ou balconista pode, por exemEstabelecer um serviço de atendimento específico a plo, fazer desenhos nas caixas dos medicamentos essa faixa etária fará a diferença. ou identificá-las com cores diferentes para que o “Inicialmente seria interessante verificar qual a última idoso tenha maior facilidade na administração do vez que o indivíduo teve contato com o médico. Muitratamento”, sugere a especialista. tas vezes, as pessoas são portadoras de doenças crôOs medicamentos que devem ser administrados dunicas e, por anos, não se consultam, o que poderá ser rante o dia podem ser identificados com o desenho um grande problema, sem um acompanhamento ou de um Sol, enquanto os noturnos, com o de uma Lua. controle do desempenho dos medicamentos anteriorNo caso de clientes polifármacos, o farmacêutimente prescritos”, destaca Maria Aparecida Nicoletti. co pode elaborar uma planilha simples, que mostre Ou seja, o indivíduo deverá ser esclarecido da necessidade da avaliação médica periódica, porque poderão horários e doses a serem seguidos. Atitudes simples são fundamentais para que o idoso não cometa enocorrer intercorrências com os medicamentos utilizados até então, o que poderá desencadear em mudança de ganos que possam ser danosos à saúde. pulação. “Além disso, esta preocupação traz como consequências a diminuição de gastos públicos decorrentes de internação hospitalar.”

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Mercado

maduro

As características do consumidor de mais de 50 anos sofreram muitas mudanças nos últimos anos. é preciso estar atento ao seus hábitos de consumo e aos interesses da faixa etária Por Flávia Corbó

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“Os 70 anos são os novos 50.” Essa é uma frase utilizada por muitos dos especialistas em gerontologia – campo de estudos que investiga o envelhecimento em diferentes contextos socioculturais – para definir o aumento da qualidade de vida dos idosos na atualidade. Essa mudança de perfil causou reflexos no comportamento dos consumidores maduros, como foi levantado pelo estudo A Melhor Idade – Homescan Brasil , realizado pela Nielsen e cedido com exclusividade ao Guia da Farmácia. “Em linha gerais, o idoso atual tem conhecimento de mercado, sabe quais produtos esfoto: Felipe mariano

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beleza

tão à venda, está conectado por meio de televisão a cabo e internet, conhece como funciona o sistema financeiro e, o mais importante, está chegando à terceira idade com mais renda. Ou seja, é um público mais crítico e mais disponível para o consumo, e tudo isso por muito mais tempo, devido ao aumento da expectativa de vida”, analisa o gerente de Homescan da Nielsen, Jefferson Silva. Mas apesar de terem se tornado consumidores mais antenados e dispostos, certos comportamentos ainda apresentam resquícios de conservadorismo. A principal barreira de diferenciação entre os consumidores jovens e maduros é o comércio virtual. Enquanto que para o primeiro grupo a compra pela internet vem se tornando cada vez mais corriqueira e atrativa, os idosos aindam sentem receio de ingressar no universo on-line . De acordo com a pesquisa, 60% dos membros da terceira idade nunca realizaram compras pela internet e não têm a intenção de realizá-la, porque julgam que o mundo virtual não pertence a eles. De acordo com o analista, a resistência ao canal virtual pode ser explicado por questões culturais. Historicamente, a internet não foi criada visando o público maduro, enquanto que as crianças de hoje já nascem aprendendo a lidar com eletroeletrônicos. Neste gap tecnológico, podem estar escondidas boas oportunidades de mercado. “A expectativa é que o comércio eletrônico cresça cada vez mais. O varejista que queira pensar em uma plataforma para atingir esse público maduro deve pensar em um website que facilite o acesso. Com visual fácil, já que o idoso apresenta dificuldades de leitura, além de uma linguagem simples, de fácil entendimento”, sugere Silva. Ainda que a necessidade de investir em plataformas on-line seja uma tendência mundial que não pode ser ignorada, não é possível descuidar-se do ambiente físico buscado pela maioria dos consumidores maduros, pois eles são numerosos e representam uma importante fatia 134

Atendimento focado Dicas práticas para trabalhar o atendimento a consumidores da terceira idade que chegam ao ponto de venda buscando itens de HPC: • Conhecer os produtos oferecidos no ponto de venda e saber reconhecer os benefícios de cada linha. • Reconhecer claramente os produtos com benefícios específicos para idosos (como linhas anti-idade). • Possuir consultoras de beleza ou profissionais que possam esclarecer dúvidas sobre os produtos. • Realizar sessões de experimentação. Fonte: Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)

do faturamento do varejo. A pesquisa da Nielsen revela que 38% das donas de casa, decisoras e responsáveis pela manutenção do lar, já possuem mais de 50 anos. E esse mesmo público é responsável por 40% dos gastos com bens de consumo não duráveis, como itens de higiene e perfumaria. Mesmo diante da representatividade do consumidor maduro, o analista da Nielsen acredita que o varejo não esteja atendendo a contento esse público. “Esse tipo de consumidor tem conhecimento, poder e tempo para consumir, no entanto, não existe ainda no Brasil um mix de produtos voltados para idosos. O portfólio é limitado, com poucas categorias. E, além disso, o ponto de venda não está preparado para receber esse consumidor, desde à acessibilidade até o posicionamento incorretos de produtos. Produtos como fraldas geriátricas, por exemplo, ou estão em uma prateleira muito alta, ou,em uma muito baixa”, afirma.

No bolso Uma das possíveis explicações para o pouco investimento no mercado maduro é o baixo tíquete médio característico do público com mais de 50 anos. Em média, eles gastam R$ 50,49 a cada compra, valor que se assemelha ao dos consumidores de até 30 anos,

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os principais fatores de escolha do pdv

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12 Bons preços Relação qualidade/preço

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Boas ofertas

8,7

9,2

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Muita variedade de produtos e marcas Rapidez na compra / facilidade para encontrar o que se procura / pouca fila Atenção e simpatia dos funcionários

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Ambiente agradável Facilidade de estacionamento Horário amplo Serviços de entrega a domicílio

Fonte: Estudo A melhor idade– Homescan, da Nielsen

que apresentam tíquete médio de R$ 50,52. A faixa etária entre 31 e 50 é a mais disposta a gastar, deixando R$ 54,27 a cada compra. Mas, apesar de gastarem menos a cada visita no ponto de venda, os idosos apresentam um ciclo de compra muito mais rápido que as demais faixas etárias. Enquanto os jovens fazem compras a cada 4,4 dias e os adultos a cada 4,6 dias, os brasileiros com mais de 50 anos visitam os locais de compra a cada 3,1 dias. Com idas tão frequentes ao ponto de venda, esse público é exigente e faz questão do bom preço. Em uma escala em que nota máxima é 12, os idosos atribuem ao fator preço a importância de 10,4. Logo abaixo, mostram ter também preocupação com a qualidade, com avaliação 9,2. O terceiro item de maior relevância são as boas ofertas, com 8,7. Itens como variedade de sortimento, atendimento rápido e simpatia dos funcionários vêm em seguida. A disposição e interesse em frequentar o PDV deixam a “entrega a domicílio” em último lugar de importância.

“A queda da renda salarial na terceira idade é um fato, mas o interesse por bom preço não está presente somente entre os idosos. Todos os consumidores têm interesse nisso. O varejista tem que entregar um bom produto a preço justo. Mas, mais importante que o preço, é a percepção de valor agregado no produto”, explica Jefferson. O grau de importância desses itens podem sofrer uma divergência dentro do público maduro, dependendo do nível socioeconômico. O maduro tradicional – classe média/baixa – consome sempre as mesmas marcas e considera o preço determinante no momento da compra. Já o maduro bem-sucedido – classe media/alta –, tende a considerar o preço um fator importante, porém não fundamental, ao mesmo tempo que está sempre em busca de ofertas. “Esse idoso com maior poder aquisitivo tem noção de comportamento de mercado, sabe buscar as melhores oportunidades e buscar otimizar as finanças de maneira estratégica, por isso está sempre de olho nas melhores oportunidades”, explica Jefferson. 2013 setembro guia da farmácia

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41% 39% 20%

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39% 41% 20%

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39%

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40%

32%

idade da dona de casa brasileira

7 total

1-Nordeste 2-Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro 3-Grande Rio de Janeiro 4-Grande São Paulo 5-Interior e litoral de São Paulo 6-Sul 7-Centro-Oeste 50 e + 31-50 Até 30

Fonte: Estudo A melhor idade– Homescan, da Nielsen

E a busca por benefícios agregados aos produtos também é um característica desse público, o que justifica o gasto acima da média dos idosos com alguns produtos específicos, como protetor solar, tintura de cabelo e antisséptico bucal. “Uma embalagem de menos de 30 ml de protetor solar custa R$ 30, mas o produto entrega um alto valor agregado, pois oferece saudabilidade”, complementa o analista.

Hábitos de consumo O levantamento da Nielsen também mostra um comportamento organizado e metódico no momento das compras dos idosos. A maioria frequenta o ponto de venda em horários comerciais e de forma planejada. Cerca de 38% prefere realizar as

itens consumidos Veja quais produtos os idosos apresentam um consumo mais intenso que a média da população em geral: • Protetor solar • Tintura de cabelo • Antisséptico bucal • Papel higiênico Fonte: Nielsen 136

compras durante a semana, no período do dia ou à tarde. Outros 34% também deixam essa atividade para os dia úteis, mas durante à noite. Apenas 28% frequenta o PDV aos finais de semana. “No horário comercial, as lojas estão mais vazias, é possível caminhar tranquilamente, os estacionamentos não estão tão cheios, por isso a preferência dos idosos. É nesse momento que o varejista precisa aproveitar para dar mais atenção a esse shopper e realizar alguma promoção referente a um produto de interesse desse público”, orienta o especialista. O planejamento é outra característica desse público, já que 46% fazem questão de levar lista de compras ao ponto de venda, enquanto outros 40%, apesar de não prepararem uma relação, já têm em mente tudo o que desejam adquirir. Entre os consumidores de mais de 50 anos, apenas 9% realizam as compras na base do improviso. Mas, ainda que eles cheguem ao PDV decididos quanto ao que comprar, as novidades nas gôndolas não passam despercebidas. O levantamento realizado pela Nielsen mostra que 24% das donas de casa com mais de 50 anos costumam sentir-se tentadas a comprar novidades que veem, outras 10% compram novidades quando recomendadas. Ao analisar os dados, Jefferson Silva enxerga uma boa oportunidade de inserir novos produtos na lista de compras do idoso. “Assim como para grande parte da população brasileira, lançamento é um

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frequência no ponto de venda Até 30 anos

31-50 anos

51+anos

4,4

4,6

3,1 dias (ciclo rápido!)

Até 30 anos

31-50 anos

51+anos

R$ 50,52

R$ 54,27

R$ 50,49

Ciclo de compra (visita ao PDV a cada X dias)

Tíquete MédiO

Tíquete Médio (R$/ato)

Fonte: Estudo A melhor idade– Homescan, da Nielsen

driver de atração para o shopper . Com exceção dos 30% dos idosos que chegam ao PDV com a lista de compras fechadas, os demais permitem uma possibilidade de inferência”, acredita. Mas para atingir esse público também é preciso ficar de olho nas maneiras mais atrativas de comunicar as novidades de produtos. De acordo com os entrevistados pela Nielsen, 46% acham propaganda essencial para conhecer as marcas, outros 23% utilizam os anúncios para ter mais informações e acesso às novidades de mercado.

Produtos de higiene pessoal se aprimoraram A pele madura precisa de cuidados especiais. No entanto, embora ainda sejam poucos os produtos que atendem às necessidades da pele a partir dos 60 ou 70 anos de idade, por exemplo, a indústria já começa a apresentar alguns cosméticos específicos para essa faixa etária. O canal farma se mostra o mais importante para a compra desses produtos. “Embora tenhamos lojas virtuais para vendas, as farmácias formam o principal canal, representando 70% das vendas. Na maturidade, os clientes têm a necessidade de contato direto com os cosméticos que usam, querem testá-los e discutir o uso com especialistas”, diz o di-

retor da Mature, Flávio Rijo, fornecendo uma dica fundamental para a venda desses produtos. “Nunca coloque os produtos para a maturidade em gôndolas especiais, para a terceira idade, por exemplo, ou trate o cliente como tal. O que se deve trabalhar é o contrário, incluindo essas pessoas no universo da beleza”, alerta Rijo. Portanto, a exposiç��o desses produtos deve ser junto aos demais dermocosméticos da loja ou próximos a alimentos funcionais, que servem como complemento à saúde e beleza. Sempre que possível, a loja deve contar com testers e dermoconsultoras. A idosa de hoje aposta como nunca em cosméticos. Em números: 92% das mulheres na terceira idade consomem cosméticos atualmente. Além disso, 57% costumam comprar frequentemente produtos de maquiagem. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O mercado de cosméticos para essa fatia da população está vivendo um boom, um momento de aquecimento intenso, que deverá perdurar em ascensão por muito tempo, já que a parcela idosa da população brasileira tende a crescer nos próximos anos. A mulher brasileira sempre buscará novas fórmulas com ingredientes diferenciados, próprios para aumentar sua autoestima e para continuar sendo mundialmente reconhecida como sinônimo de beleza. 2013 setembro guia da farmácia

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Reposição

necessária

Com o avançar da idade, a manutenção de uma dieta rica em nutrientes tornase mais complicada, devido a diferentes fatores. Para suprir as vitaminas, pode ser necessário recorrer à suplementação Por Flávia Corbó 138

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Na adolescência, o apetite costuma ser voraz, devido à “fase do crescimento”, como é popularmente conhecida. Já com o avançar da idade, a situação se inverte. Os idosos tendem a ter uma dieta menos variada, levando a uma diminuição na ingestão de determinados minerais e vitaminas. Essa falta de diversidade na alimentação é prejudicial porque o corpo humano produz apenas três dos 25 micronutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo. O restante deve ser ingerido por meio de alimentos balanceados. No entanto, estudos demonstram que aproximadamente um terço da população acima de 65 anos fotos: shutterstock

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Há diversas doenças que surgem por deficiência de vitaminas e minerais. A aterosclerose, por exemplo, está intimamente relacionada ao estresse oxidativo e é um agente provocador de doenças cardiovasculares que, comumente, acometem os idosos, como infarto agudo do miocárdio e Acidentes Vasculares Cerebrais não consegue atingir a quantidade necessária de nutrientes apenas por meio da dieta. Essa queda na qualidade dos hábitos alimentares ocorre devido a uma série de fatores, como maior lentidão no processo digestivo com o passar da idade, perda do apetite e do paladar, além da dificuldade para mastigar os alimentos. “Um exemplo disso é a menor ingestão de carne, importante fonte de zinco, nutriente responsável por dar paladar às pessoas”, detalha a diretora-médica da Pfizer Consumer Healthcare, Patrícia Rangel. Além disso, com o envelhecimento, ocorre uma redução da secreção de ácido pelo estômago, que também interfere na absorção de vitaminas. O uso de alguns medicamentos é outro fator que pode atrapalhar o processo de retenção e pode provocar deficiência vitamínica nos idosos. Ainda segundo a médica responsável pelo Departamento de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação e Assuntos Regulatórios da Marjan Farma, Rita de Cássia Salhani Ferrari, outra questão que tem sido estudada há algum tempo é a relação entre doenças do envelhecimento e o excesso de radicais livres, também chamado estresse oxidativo. “Em um processo normal do organismo, as células necessitam obter energia para seu funcionamento. Essa geração de energia cria radicais livres, que, quando em excesso, provocam danos nas células. Esses radicais são altamente instáveis e podem reagir com outras substâncias, atacando os constituintes da própria célula e até o próprio DNA, causando diversas doenças”, explica. Para que os radicais livres não sejam produzidos em excesso, é preciso neutralizá-los com antioxidantes existentes dentro do organismo. Com 140

Como as vitaminas devem ser expostas no PDV? Os correlatos e não medicamentos representaram R$ 4,3 bilhões em vendas em farmácias no primeiro semestre de 2013, mas, para lucrar, é fundamental trabalhar a categoria nas “áreas quentes” do estabelecimento, onde o consumidor tem a liberdade de experimentar, conhecer novos produtos e compará-los antes de fazer suas compras. Por terem um tíquete médio mais elevado, representam boa parte do faturamento. As vitaminas podem ser posicionadas ao lado de produtos da categoria boa forma, como adoçantes, shakes, granolas, fitoterápicos, mel e suplementos alimentares para academia. E também próximos à categoria de cuidados para a saúde, por exemplo: balanças, medidores de pressão e de glicemia, vaporizadores e inaladores e artigos médico-hospitalares.

o passar dos anos, essas substâncias não são produzidas em quantidade suficiente, por isso surge a necessidade de suplementação vitamínica. “As substâncias de função antioxidante exógena (de fora do organismo) foram desenvolvidas para combater diversas doenças que ocorrem com o processo de envelhecimento e bloquear o efeito danoso dos radicais livres no organismo”, complementa Rita de Cássia.

O perigo da falta de vitaminas Há diversas doenças que surgem por deficiência de vitaminas e minerais. A aterosclerose, por exemplo, está intimamente relacionada ao estresse oxidativo e é um agente provocador de doenças cardiovasculares que, comumente, acometem os idosos, como infarto agudo do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Existe também uma correlação bastante estreita entre nutrição e perda de memória, que, em idosos, pode evoluir para doença de Alzheimer, por exemplo. “Diversos estudos mostram que o ômega 3, consumido por povos com dieta rica, auxilia na proteção de memória e evitam a demência. O mesmo ocorre com o complexo B, que é capaz de restaurar as conexões entre neurônios, chamadas de sinapses, e ajuda a retardar a deterioração das funções cerebrais”, afirma o diretor-médico da Danone Nutrição Especializada, Dr. Claudio Sturion. Outras doenças degenerativas comuns no envelheci-

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Um farmacêutico, diante de um idoso que o procura vitaminas para combater a falta de memória, pode falar sobre os produtos disponíveis e seus benefícios, mas deve orientá-lo a buscar um médico para que tenha uma indicação melhor

Quais são as vitaminas essenciais?

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Saiba como é a dieta mediterrânea, considerada ideal para a longevidade. www.guiadafarmacia.com.br

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A suplementação de vitamina A nessa faixa etária é de suma importância para manter uma visão normal, principalmente a visão noturna e diferenciação das cores. Já uma maior quantidade de vitamina E também é indicada aos idosos, pois está associada a uma ação antioxidante mais eficaz nas membranas biológicas de todas as células do organismo. Além disso, é importante para a manutenção do DNA e ajuda a proteger a gordura dos tecidos contra a oxidação e as células contra os danos causados pelos radicais livres. Suplementação com magnésio, por exemplo, é importan-

te em diversas situações, tais como no auxílio à modulação do humor melhorando positivamente o estado mental dos idosos. Cálcio e vitamina D são essenciais na formação óssea para se evitar osteoporose. Apesar de vitaminas e suplementos serem vendidos sem prescrição médica, é preciso cautela ao administrá-los. “Deve-se individualizar a necessidade, ou seja, estudar caso a caso”, alerta Rita, da Marjan. Mas isso não impede que o farmacêutico oriente os clientes que buscam este tipo de produto. “Toda informação correta e baseada em dados reais pode ser útil. Um farmacêutico, diante de um idoso que o procura vitaminas para combater a falta de memória, pode falar sobre os produtos disponíveis e seus benefícios, mas deve orientá-lo a buscar um médico para que tenha uma indicação melhor”, opina o Dr. Claudio Sturion.

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mento também estão relacionadas à mesma deficiência, como degeneração macular e catarata. O mesmo ocorre na prevenção de doenças crônicas, que mostrou-se mais eficaz com consumo de complexos vitamínicos. Cientistas estrangeiros acompanharam pessoas com ou sem diabetes do tipo 2, durante um ano. Entre os diabéticos que não consumiam multivitamínicos, a incidência de infecções foi 93%. Já uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de Harvard apontou uma redução significativa de 8% em todos os tipos de câncer entre os 14 mil homens, com 50 anos ou mais, participantes do estudo. Excluindo o câncer de próstata, o índice de redução da doença sobe para 12%.

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Pelo menos 10 milhões de brasileiros sofrem de incontinência urinária, o que coloca absorventes e fraldas adultas como produtos importantes a serem explorados pelos varejistas Por Flávia Corbó

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Hipertensão, mal de Alzheimer e envelhecimento da pele são temas ligados à terceira idade debatidos abertamente entre médicos, pacientes e familiares. Mas há outros males que atingem em grande número a população idosa, que são tratados de forma velada, devidos ao tabu e ao preconceito que os envolvem. Dentre os mais de 22 milhões de idosos brasileiros, estima-se que a incontinência urinária atinja de 15% a 20% deles. Quando consi-

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derada a população brasileira em geral, o número de pessoas afetadas chega a 10 milhões, montante semelhante ao número de diabéticos no País. Os dados expressivos se devem ao fato da incontinência urinária não afetar somente os idosos, apesar de eles serem maioria. Obesos, mulheres que já passaram por um parto normal e, inclusive, praticantes de esportes estão entre o grupo com alta incidência. “Pessoas que já têm predisposição a uma fragilidade muscular e fazem movimentos que provoquem um aumento de pressão na bacia estão sujeitas a desenvolver o problema”, relata a fisioterapeuta Regina Lúcia Godoy de Oliveira. fotos: Shutterstock/divulgação

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Outro fator pouco conhecido é que existem diferentes graus de incontinência urinária. Do total de brasileiros afetados, 800 mil sofrem do tipo mais severo do problema, em que não há consciência e controle algum sobre a liberação da urina. Mas outros milhões de pessoas se dividem em casos que variam entre gotejamento e incontinência leve.

Outras causas Por falta de debate do tema, muitas pessoas consideram a incontinência urinária como uma doença, mas, na verdade, trata-se de um sintoma. A falta de controle da bexiga pode ser ocasionada por diferentes fatores entre a população com mais de 60 anos. Entre os idosos, uma das causas é o enfraquecimento do assoalho pélvico (musculatura que sustenta os órgãos internos), que pode ocorrer por conta da idade ou excesso de estresse na região, provocados pelo sobrepeso e inclusive pelo diabetes. Doenças neurológicas também têm como sintoma a incontinência urinária. Mal de Parkinson, de Alzheimer ou fraturas na espinha dorsal podem embaralhar os sinais enviados ao cérebro para controlar o processo de urinar. A incontinência urinária é mais comum entre as mulheres, que representam dois terços das pessoas que sofrem com o problema. Mas quando homens são afetados pela falta de controle, as principais causas são infecção na uretra e problemas ligados à próstata.

Dentro do PDV Devido ao processo de envelhecimento que atravessa a população brasileira, o número de consumidores de produtos para incontinência urinária, como fraldas adultas e absorventes, cresce ano a ano. A categoria movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano, período no qual são comercializados 700 milhões de unidades. “Mais do que um público grande, tratam-se de shoppers extremamente fiéis e que merecem atenção”, ressalta a gerente de Plenitud, marca da Kimberly-Clark, Carolina Gormezano. Além de apresentar um valor agregado que traz um retorno atrativo ao varejista, a venda dessa categoria também pode ser fundamental para estreitar relacionamento com outros públicos. “Dentre os 800 mil brasileiros que sofrem de incontinência urinária severa, a maioria é idoso, que depende do apoio de familiares, amigos ou cônjuge. Então, normalmente, ao redor de uma pessoa que sofre de incontinência urinária, existem

o atendimento deve ser feito de maneira natural, a fim de evitar constrangimento ou preconceito. assim como na venda de uma fralda de bebê, a abordagem deve ser clara e informativa. caso o cliente mostre estar desconfortável com a situação, é importante que a conversa ocorra de maneira discreta cerca de quatro pessoas que lidam diariamente com o tema, seja porque compram os produtos, seja porque são cuidadores. Ou seja, para 1,2 milhão de pessoas no Brasil, o assunto incontinência urinária é diário”, reforça o presidente da SCA – fabricante das fraldas adultas Tena e Biofral, Julio Ribas, para explicar a relevância da categoria no ponto de venda. Mesmo diante de números expressivos, ainda há muita desinformação sobre o tema, o que pode levar o varejista a cometer erros graves no momento de definir a exposição dos produtos. Uma das falhas mais comuns é posicionar a categoria de fraldas adultas ao lado das de uso infantil. De acordo com a Carolina Gormezano, essa prática deve ser evitada para que não haja comparação e o preconceito com a categoria seja minimizado. “O ideal é que os produtos fiquem posicionados na seção de perfumaria, para, além de desmistificá-los, estarem próximos da categoria de absorventes, pois muitas mulheres que têm algum tipo de incontinência acabam recorrendo a esses produtos, seja por resistência à situação, seja por falta de conhecimento/informação”, recomenda. Os produtos devem ser organizados de acordo com o nível de incontinência (leve, moderada e severa). O objetivo é gerar entendimento dos níveis, recomendando produtos adequados a cada situação de consumo, pois a maioria dos shoppers não tem esse conhecimento. O atendimento deve ser feito de maneira natural, a fim de evitar constrangimento ou preconceito. “Assim como na venda de uma fralda de bebê, a abordagem deve ser clara e informativa. Caso o cliente mostre estar desconfortável, é importante que a conversa ocorra de maneira discreta, sem expô-lo às pessoas ao redor, sem perder a naturalidade”, recomenda Regina Lúcia. Julio Ribas lembra que é importante exigir dos fa2013 setembro guia da farmácia

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Opções nas gôndolas Para adultos ativos Plenitud Active Cotton Flex: um produto discreto e confortável com ajuste perfeito ao corpo, como uma roupa íntima de algodão. É comercializado nas versões masculina e feminina com cores diferenciadas.

Tena Lady: desenvolvida para mulheres que têm gotejamentos de urina de frequentes a permanentes. As bordas suaves proporcionam melhor comodidade.

Plenitud Active Unissex: produto com cintura elástica e formato anatômico que proporciona absorção na medida certa e possui um preço mais competitivo.

Tena Men: possui desenho anatômico masculino e oferece grande absorção, proteção durante o dia e sensação de estar seco.

Biofral Maxi Geriatri: absorvente descartável multiúso, indicado para incontinência urinária leve a moderada, processos pós-parto e pós-operatório.

Para adultos Semiativos/inativos Fraldas Geriátricas Supersec e Dia & Noite: as únicas do mercado com tecnologia NeutraCare, capaz de neutralizar os odores dez vezes melhor, além de barreiras antivazamento e capacidade de retenção entre oito e dez horas. Além disso, as Toalhas Umedecidas Plenitud são grandes e espessas para a higiene corporal dos idosos. Tena Pants: Roupa íntima descartável e unissex de rápida absorção. Com corpo duplamente absorvente, oferece segurança e camada que evita o regresso da umidade à superfície. Também pode ser utilizada para incontinência fecal. Tena Slip: Fralda descartável que oferece proteção e segurança contra vazamentos para incontinência urinária e fecal. Zona de absorção avançada que distribui melhor a urina obtendo superfície mais seca.

Biofral Dia e Noite: fralda descartável indicada para incontinência urinária e fecal em pessoas acamadas. Desenvolvida para garantir proteção, conforto e segurança, impedindo vazamentos e cuidando da pele.

bricantes o fornecimento de materiais explicativos, como catálogos e brochuras, que auxiliem no processo de informação tanto do vendedor quanto do 146

cliente. “Vale também fazer ações promocionais ligadas a lenços umedecidos, muito utilizados por cuidadores de idosos acamados”, relembra.

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O potencial de crescimento dos produtos utilizados em dentaduras estรก aumentando no Brasil, principalmente pelo maior poder aquisitivo da Classe C p o r E g l e Le o na r di 148

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De acordo com dados da IMS Health, o mercado de fixadores de dentadura no País movimenta 5 milhões de unidades ao ano, o que corresponde a cerca de R$ 134 milhões. Esse segmento quase quintuplicou de tamanho nos últimos anos. “Nos Estados Unidos, o percentual de usuários de dentadura que usam algum tipo de fixador é muito maior que no Brasil. Por isso, nosso potencial de crescimento é muito grande. Temos também o aumento do poder aquisitivo da classe C, que está trazendo novos consumidores à categoria”, ressalta o responsável pela marca Algasiv, da Combe do Brasil, Arthur Teixeira. O executivo explica que há três tipos de fixadores: em pó, em creme e em película. O segmento em pó é grande no Brasil, mas em todo o restante do mundo já está quase banido. “É uma versão que não oferece fixação tão confortável, além de fazer muita sujeira na aplicação e de se esvair com a mastigação e a fala. Porém, segue grande aqui por ser o segmento de menor custo”, ele comenta. A variante em creme tem como vantagem oferecer maior fixação, e no mundo todo é o maior mercado entre os fixadores, mas, como desvantagem, ele pode escorrer pela boca deixando resíduos e textura não agradáveis. Já a versão em película atende o consumidor que procura maior conforto. De acordo com Teixeira, ela protege a gengiva do contato com a dentadura, além disso, por ser uma película, ela não escorre nem se desmancha, durando mais e sendo muito mais limpa. No mundo, esse segmento representa 10% das vendas de fixadores e, no Brasil, ainda tem muito potencial para crescer. Segundo o Estudo de Penetração do Ibope 2012, existem 44 milhões de usuários de prótese e a penetração de produtos para elas (fixadores e limpadores) ainda é muito baixa. Sendo assim, o mercado aposta na grande oportunidade de educação dos benefícios

do uso desses produtos, resultando, assim, em grande potencial de crescimento. Vale lembrar que a maior parte dos usuários de prótese possuem 50 anos ou mais. Grande parte desses usuários sente vergonha do fato, o que causa constrangimento no momento de solicitar o produto para o atendente. Por conta disso, a GSK, fabricante de Corega, aconselha ao ponto de venda manter os itens nas gôndolas de higiene oral, na altura dos olhos. Segundo a área de marketing de Corega, o uso de fixadores oferece conforto, confiança e segurança aos usuários de prótese, mesmo àqueles que acreditam que suas próteses são bem adaptadas. Ultra Corega Creme também ajuda a bloquear a entrada de partículas de alimento que possam causar dor e irritação sob as próteses. Além disso, melhora a retenção, proporcionando redução no deslocamento e aumenta a força da mordida, ajudando os usuários a comer alimentos difíceis. A GSK informa que, além dos fixadores, o segmento de cuidados com as próteses também oferece uma linha de limpadores. Corega Tabs é um

segundo o estudo de penetração do ibope 2012, existem 44 milhões de usuários de prótese e a penetração de produtos para elas (fixadores e limpadores) ainda é muito baixa. sendo assim, o mercado aposta na grande oportunidade de educação dos benefícios do uso desses produtos, resultando, assim, em grande potencial de crescimento 2013 setembro guia da farmácia

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há três tipos de fixadores: em pó, em creme e em película. o segmento em pó é grande no brasil, mas em todo o restante do mundo já está quase banido produto especializado para a limpeza dessas dentaduras. São pastilhas efervescentes que limpam profundamente e eliminam 99,9% das bactérias, sem arranhar o produto, diferente dos cremes dentais comuns, que são abrasivos e podem causar microarranhões onde se acumulam bactérias que causam mau hálito.

Classe C De acordo com o estudo feito pela Euroart 150

Import, importadora do fixador de dentadura Fixodent (P&G), os usuários de próteses concentram-se na classe C, com 28%; classe B, com 23%; e classe A, com 11%. Segundo o gerente de marketing da empresa, Adinan Ribeiro, a marca deverá oferecer lançamentos ao mercado em 2014. Por enquanto, seu portfólio conta com creme fixador de próteses dentárias nas versões com 21 gramas, 39 gramas e 68 gramas. “Fixodent oferece fixação de até 13 horas, não altera o sabor dos alimentos, diminui a irritação e o desconforto da gengiva causados pelo atrito entre a prótese e a mucosa bucal, é clinicamente testado e mata as bactérias que causam o mau hálito”, destaca Ribeiro. Produzido nos Estados Unidos pela P&G, Fixodent é distribuído pela Euroart Import desde 2008, a linha de cremes adesivos para prótese dentária tem crescido sua participação de mercado em mais de 15% a cada ano.

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Distribuição de

medicamentos no Brasil

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Observa-se hoje uma crescente demanda de farmacêuticas estrangeiras em busca de distribuidores locais para comercialização de seus produtos no mercado brasileiro

Rodrigo Furtado Cabral Advogado associado da área de contratos da Trench, Rossi e Watanabe Advogados 152

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O Brasil é hoje um dos maiores mercados de fármacos e medicamentos do mundo e conta com importantes empresas do setor em seu território. A indústria nacional é uma das líderes de vendas e vem aumentando seus investimentos. Observa-se hoje uma crescente demanda de indústrias farmacêuticas estrangeiras em busca de distribuidores locais para comercialização de seus produtos no mercado brasileiro. Porém, há que se considerar as implicações jurídicas a serem observadas tanto pelo fabricante do medicamento quanto pelo distribuidor, que será responsável por colocar de fato o produto no mercado. Nesse aspecto, o distribuidor local será o representante do fabricante estrangeiro e principal responsável, junto às autoridades, para promoção e distribuição do medicamento. Isso, obviamente, dentro do contexto de que, do ponto de vista do Código de Defesa do Consumidor, qualquer entidade que esteja na cadeia de fornecimento (fabricante, distribuidor, representante de vendas, vendedor, dentre outros) é solidariamente responsável pelo produto vendido Todos os medicamentos comercializados no Brasil devem obter seus registros prévios junto à Anvisa por uma empresa brasileira. Assim, se o fabricante estiver fora do País, o distribuidor será o responsável pelo registro e aprovação do medicamento naquele órgão, além de cumprir todos os requisitos de boas práticas de distribuição. O distribuidor ainda deve ser devidamente licenciado pela Anvisa e vigilâncias locais para promover a distribuição e manter suas licenças válidas durante todo o prazo do contrato. O contrato ainda deve prever a necessidade de 2013

aprovação dos materiais de propaganda, de acordo com os regulamentos da Anvisa. Outra questão importante diz respeito à farmacovigilância dos produtos introduzidos no mercado, ou seja, o dever de reportar eventos adversos à autoridade pública. Estando o fabricante fora do País, o distribuidor será responsável pelas atividades de farmacovigilância do medicamento e, nesse ponto, o contrato deve ser o mais específico possível em relação às responsabilidades de cada parte para minimizar falhas nos procedimentos. No Brasil, o detentor do registro deve garantir a rastreabilidade de um medicamento até o ponto de varejo, sendo tal tarefa, em geral, alocada contratualmente para o distribuidor. O distribuidor local ainda será responsável pelas interações com as autoridades governamentais, especialmente a Anvisa. Portanto, o contrato deve prever a forma em que o distribuidor reportará ao fabricante todas as demandas das autoridades locais e as providências tomadas a respeito. O contrato deve prever, ainda, o controle de qualidade e o reporte do distribuidor ao fabricante acerca de eventuais defeitos nos medicamentos tão logo forem identificados. Inclui-se nesse contexto a eventual necessidade de recalls e, em último caso, a retirada do medicamento do mercado, com sua devolução ao fabricante ou destruição pelo distribuidor. Como se observa, o crescimento do mercado de medicamentos e do interesse de fabricantes que desejam comercializar seus produtos no Brasil por meio de distribuidores locais acentuam o debate sobre as questões que envolvem a execução do contrato foto: DIVULGAÇãO

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melhor remédio Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil. A prevenção aliada ao tratamento dos fatores de risco são formas de evitar o agravamento das doenças Por Adri an a Bruno 154

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Acidente vascular encefálico (AVE, anteriormente chamado de acidente vascular cerebral), infarto, arritmias, insuficiência cardíaca, doença obstrutiva da aorta são doenças que estão no rol dos problemas cardiovasculares mais comuns enfrentados pela população brasileira. Eles afetam o coração e as artérias e, nessa lista, o infarto e o acidente vascular encefálico figuram como os mais comuns e se destacam por uma estatística preocupante: são responsáveis por 31% e 30%, respectivamente, das causas de mortes no País. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 17 milhões de pessoas morrem em decorrência de doenças cardiovasculares em todo o mundo, todos os anos. Outro dado importante mostra que a doença cardiovascular (DCV) também é a principal causa de mortes nos Estados Unidos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em 2009, 53% morreram de DCV, enquanto o câncer de mama vitimou 4% das americanas. A Sociedade Brasileira de Cardiologia ainda alerta para o fato de que a incidência de infarto em mulheres tem crescido. “As doenças cardiovasculares sempre atingiram mais homens do que mulheres, isso porque elas contam com certa proteção decorrente da carga hormonal, porém essa realidade vem mudando. Há 50 anos, a cada dez mortes por infarto, nove eram homens e uma era mulher. Hoje, essa proporção mudou e já são seis homens e quatro mulheres. Podemos explicar essa mudança de realidade pela própria mudança na posição da mulher na sociedade. Hoje ela vive mais estressada, bebe mais, fuma, acumula dupla e até tripla jornada, come mal e, com isso, aumentam os fatores de risco para doenças cardiovasculares e cardioencefálicas”, comenta o diretor de promoção da saúde cardiovascular da SBC, o médico Carlos Alberto Machado. Ele ainda destaca que, em 2010, 41.211 mulheres foram vítimas de infarto, enquanto os homens ainda lideraram com 57.534 mortes. Já entre todas as doenças cardiovasculares, o que inclui,

A hipertensão é, disparado, o maior fator de risco para doenças cardiovasculares e, segundo a OMS, afeta 30% da população mundial. o segundo fator é o sedentarismo, seguido pelo tabagismo, diabetes, obesidade e colesterol alto além do infarto, o AVE (derrame), doenças hipertensivas, entre outras, a proporção entre homens e mulheres é quase a mesma. Das 320.074 mortes, 52,43% foram homens e 47,56%, mulheres. Para a maioria das mulheres o infarto é quase assintomático. As mulheres de 45 anos correm 30% mais riscos que os homens da mesma idade de ter um infarto, sem dor no peito. Esse índice cai para 25% na faixa entre 45 e 65 anos, e a diferença só vai desaparecer após os 75 anos, segundo estudo publicado pela Associação Médica Americana. O médico Carlos Alberto Machado afirma ainda que 80% dos derrames ou AVEs poderiam ser evitados com o diagnóstico precoce e tratamento adequado da hipertensão. “O tratamento é medicamentoso e não medicamentoso e deve ser de uso contínuo e só há benefícios. Estudos mostram que 40% dos infartos, 37% dos casos de insuficiência renal e 40% dos casos de insuficiência cardíaca, além dos 80% de derrames, poderiam ser evitados com o diagnóstico precoce e tratamento adequado da hipertensão”, diz.

Fatores de risco A hipertensão é, disparado, o maior fator de risco para doenças cardiovasculares e, segundo a OMS, afeta 30% da população mundial. De acordo com uma escala da própria organização, o segundo fator é o sedentarismo, seguido pelo tabagismo, diabetes, obesidade e colesterol alto.“O fator genético também é uma causa importante de doença cardiovascular, principalmente quan2013 setembro guia da farmácia

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do o histórico vem de parentes em primeiro grau, mas, na maioria dos casos, o estilo de vida desregrado ainda leva ao desenvolvimento dos principais fatores de risco para essas doenças. Estudos mostram que o colesterol elevado aumenta o risco de problemas no coração. Isso porque, quando o LDL entra na parede do vaso sanguíneo, ele sofre oxidação pelos radicais livres, desenvolvendo um processo inflamatório e, posteriormente, formando a placa de colesterol na artéria”, explica o cardiologista da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do Incor, Dr. Bruno Miotto. Ainda segundo ele, a primeira manifestação de uma doença cardiovascular pode ser o infarto. “Muitas vezes a pessoa só descobre que tem o problema, ou seus fatores de risco, quando a consequência aparece. Descobrindo antes, o risco diminui, por isso prevenir é sempre o melhor”, alerta. De acordo com o cardiologista e clínico geral do HCor, Abrão Cury, 50% dos hipertensos não sabem que têm a doença, dos outros 50%, apenas metade inicia o tratamento e, o pior, dessa metade, apenas 12,5% a 15% o fazem de forma contínua e correta. “Esse quadro acaba muitas vezes levando ao que chamo de catástrofe hipertensiva, que é quando o paciente chega ao hospital infartado ou com um AVE. A hipertensão é uma doença silenciosa, que não dá sinais de alerta, mas que leva a complicações cardiovasculares sérias e, por isso, é apontada como principal fator de risco para doenças como o acidente vascular encefálico isquêmico, por exemplo. Mas também devemos destacar o sobrepeso, que hoje é uma epidemia”, diz Cury. O cardiologista acrescenta que o fator hereditário ainda é o mais difícil de ser combatido, pois não há como o indivíduo de livrar de sua carga genética. “Nesses casos, quando já se sabe da predisposição do indivíduo para as doenças, o remédio é se cuidar para reduzir as chances de a doença aparecer e tratar para aumentar as chances de controle”, comenta. 156

50% dos hipertensos não sabem que têm a doença, dos outros 50%, apenas metade inicia o tratamento e, o pior, dessa metade, apenas 12,5% a 15% o fazem de forma contínua e correta Prevenção deve começar na infância A adoção de hábitos de vida saud��veis desde os primeiros anos de vida é um dos fatores que podem reduzir a incidência de doenças cardiovasculares no mundo. Para o médico Abrão Cury, a vida moderna está tornando as crianças cada vez mais predispostas a serem adultos com vários problemas de saúde, entre eles o diabetes, a obesidade e os cardiovasculares. “O obesidade infantil nos países em desenvolvimento já é uma epidemia. A alimentação das crianças, hoje, é muito rica em gorduras, carboidratos e se baseia demais em fast-food , essa é a receita para a iniciação de problemas causados pelo aumento de gorduras no sangue. E quando há preexistência para doenças como diabetes e as cardiovasculares na família, os riscos aumentam. Por isso, a prevenção deve começar na infância com a adoção de dietas alimentares saudáveis, preferencialmente com a alimentação feita em casa, com produtos frescos e não industrializados, além da prática regular de alguma atividade física. Antigamente as crianças jogavam bola nas ruas, hoje colocam os personagens do videogame para jogar e ficam horas sentadas no sofá”, destaca. Quando se fala em praticar exercícios físicos, o médico Carlos Alberto Machado diz que bastam 30 minutos de atividades, acumuladas em cinco dias na semana, para que o organismo já sinta os bene-

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se aumentar a adesão ao tratamento das causas das doenças cardiovasculares ainda é um desafio para os médicos, os farmacêuticos podem ser aliados nesse sentido, e a prática de atenção farmacêutica vem mostrando que esse tipo de acompanhamento pode surtir resultados positivos tanto para a saúde pública quanto para a qualidade de vida do paciente fícios. “Hoje, 80% das pessoas vivem em grandes centros urbanos e o corre-corre do dia a dia e a falta de tempo fazem parte dessa rotina. Portanto, para atingir essa meta de exercícios basta mudar alguns hábitos como descer alguns pontos de ônibus antes, estacionar o carro alguns quarteirões distantes do local desejado, trocar o elevador pela escada e assim por diante. Além, claro, de trocar a alimentação industrializada por alimentos frescos. Essas atitudes simples têm fator atenuante sobre todas as causas ou fatores de risco para doenças cardiovasculares”, recomenda. Além de mudanças de hábitos de vida, o acompanhamento médico também é necessário. “Pessoas com histórico familiar de problemas cardíacos ou cardiovasculares, com sobrepeso, hipertensão ou diabetes devem iniciar o Dr. Bruno Miotto, acompanhamento recardiologista do Incor revela que prevenir gular antes dos 30 é sempre a melhor anos. Para indivíduos solução saudáveis, recomen158

da-se a partir dos 30 e a partir dos resultados das avaliações seguir a orientação médica”, diz Cury. A prevenção aliada ao tratamento médico é, sem dúvida, a melhor e única forma de atenuar os problemas causados pelas doenças cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida, mas, para isso, é preciso que o paciente tenha plena consciência de sua condição e se comprometa a tratá-la. “A baixa adesão ao tratamento ainda é um grande problema. Principalmente entre os pacientes com hipertensão, porque o tratamento se baseia na causa da doença. Esse tipo de paciente está na minoria da meta de tratamento. Só conhecer o problema não adianta, e muitos hipertensos só conhecem, não cuidam e não seguem uma estratégia de tratamento, aumentando os riscos. É sempre bom reforçar que, quando o paciente muda seus hábitos e segue o tratamento, as medidas se tornam mais efetivas”, comenta Bruno Miotto.

O papel do farmacêutico Se aumentar a adesão ao tratamento das causas das doenças cardiovasculares ainda é um desafios para os médicos, os farmacêuticos podem ser aliados nesse sentido, e a prática de Atenção Farmacêutica vem mostrando que esse tipo de acompanhamento pode surtir resultados positivos tanto para a saúde pública quanto para a qualidade de vida do paciente. “A melhor maneira de intervenção do farmacêutico é na prevenção. A medição da pressão arterial, o controle de peso, a orientação nutricional e a avaliação física são estratégias de prevenção dos riscos das doenças cardiovasculares que podem contar com a orientação e os serviços do farmacêutico e de uma equipe multiprofissional. Para os casos onde a doença já está instalada, a orientação farmacêutica é imprescindível para adesão ao tratamento com medicamentos anti-hipertensivos, dislipidemiantes, antianginosos, antiagregantes plaquetários, antiarrítimicos e todo arsenal terapêutico das doenças cardiovasculares”, comenta a diretora do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Santa Catarina e da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), Caroline Junckes da Silva Chaves. Segundo a farmacêutica, a maioria dos pacientes acometidos por doenças cardiovasculares é polimedicados e não raramente confundem-se sobre a finalidade e as posologias de cada medicamento. “O serviço de atenção farmacêutica pode contribuir fortemente

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para o sucesso do tratamento, especialmente dos pacientes polimedicados. O farmacêutico depara-se frequentemente com receitas contendo esquemas terapêuticos para pós-infartados que possuem entre 8 e 12 medicamentos, e a orientação e o acompanhamento são fundamentais para adesão ao tratamento, evitar erros de medicação, identificar possíveis interações medicamentosas, sugerir manejos e colaborar com o clínico na evolução do paciente”, completa. Ela ainda destaca que, apesar de ainda não ter sido aprovado o projeto de lei que muda o conceito legal de farmácia para estabelecimento de saúde, os avanços conquistados por meio da RDC 44/09 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)garantem às farmácias a realização de serviços farmacêuticos e campanhas que podem contribuir muito para a transformação da realidade antes mesmo da aprovação da lei, além disso, podem causar impacto positivo na vida dos pacientes com patologias cardiovasculares. “A realização de campanhas de prevenção pelas farmácias, tais como prevenção da obesidade, da hipertensão, do tabagismo e a prestação de serviços, tais como, a medição de pressão arterial, gli160

A melhor maneira de intervenção do farmacêutico é na prevenção. A medição da pressão arterial, o controle de peso, a orientação nutricional e a avaliação física são estratégias de prevenção dos riscos das doenças cardiovasculares cose periférica e medidas antropométricas são fundamentais para evitar os fatores de risco, identificar os pacientes com doenças silenciosas como a hipertensão e acompanhar a evolução dos pacientes em tratamento, além de colocar o farmacêutico no centro da intervenção, valorizando o seu papel de profissional de saúde”, finaliza.

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Entenda melhor

a pneumonia Conheça os sintomas da enfermidade que representa a principal causa de internação no País

Dr. Al e x M a ce d o Mestre em pneumologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) 162

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A pneumonia é uma infecção nos pulmões causada por bactérias (especialmente a chamada Pneumococo), vírus, fungos e outros micro-organismos infecciosos. Acontece quando os alvéolos, nos quais ocorre a troca gasosa, se enchem de muco e demais líquidos, impedindo que o processo ocorra naturalmente. De acordo com dados do Datasus (Banco de dados do Sistema Único de Saúde), a doença atinge cerca de 2 milhões de brasileiros e entre 15% e 40% dos casos precisam de internação. Esse índice classifica a pneumonia como a primeira causa de internação nos hospitais e a quarta causa de morte no Brasil. A doença pode ser identificada quando o paciente apresenta sintomas como dor no tórax, tosse com secreção, febre alta, falta de ar, calafrios, falta de apetite, entre outros. Muitas vezes, a pneumonia

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é desencadeada a partir de uma gripe ou resfriado, comuns devido às alterações de clima e à concentração de pessoas em locais fechados. É preciso ficar atento aos sintomas, principalmente as pessoas que já possuem problemas respiratórios, que devem ser orientadas a procurar um médico para um diagnóstico correto. Caso a pneumonia seja identificada, é importante iniciar o tratamento o quanto antes, aumentando as chances de não precisar de internação. Algumas dicas simples podem ser seguidas para evitar a doença, como ingerir bastante líquido e se alimentar de maneira adequada. Dessa forma, o sistema de defesa do organismo funciona melhor, dificultando a contração das doenças de inverno. Evitar locais fechados e com muitas pessoas nessa época também é uma boa, pois a falta de ventilação aumenta as chances da transmissão da doença. foto: divulgação

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Hipertensão

Inimiga

silenciosa

Doença mata 9,4 milhões de pessoas todos os anos no mundo. No Brasil, 40% da população acima de 40 anos tem pressão alta P o r M a rc elo de V a léc i o

fotoS: shutterstock

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De acordo com levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS), a hipertensão – ou pressão alta, como é popularmente conhecida – atinge, em média, 40% dos adultos com mais de 25 anos no planeta (dados de 2008), o que representa cerca de 1 bilhão de pessoas. Vale observar que em 1980 foram registrados 600 milhões de casos da doença, demonstrando que em pouco menos de 30 anos houve crescimento de quase 70% na incidência da doença. Além disso, a hipertensão é responsável pela morte de aproximadamente 9,4 milhões de pessoas todos os anos. Estão associados à moléstia 45% dos ataques cardíacos e 51% 2013 setembro guia da farmácia

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Hipertensão

dos derrames cerebrais. As doenças cardiovasculares de forma geral matam anualmente 17 milhões de pessoas em todos os países, sendo que, desse total, perto de 55% dos óbitos estão ligados diretamente a complicações relacionadas à pressão alta. Por esses dados, a OMS considera hipertensão um grave problema de saúde pública global e particularmente alarmante nos países emergentes ou em desenvolvimento, pois aproximadamente 80% das mortes caudadas por problemas cardíacos relacionados à hipertensão ocorreram nessas regiões. A África lidera o ranking dos casos de hipertensão com mortalidade, com 46% das ocorrências, e as Américas registram as menores incidências. Segundo os especialistas da OMS, basicamente dois motivos explicam a situação. Nos países desenvolvidos, com sistemas de saúde bem estruturados, a doença é diagnosticada mais cedo e logo é tratada, deprimindo os índices de mortalidade associados a ela. Já em nações mais pobres, com sistemas de saúde precários, sua detecção ocorre tardiamente e muitas vezes ela nem é tratada. Outro motivo está relacionado à deterioração da qualidade de vida. São crescentes os índices

Fique atento e oriente os pacientes • Não basta tomar medicamentos para resolver o problema de hipertensão. É preciso mudar o estilo de vida para hábitos mais saudáveis de alimentação (dieta rica em frutas, legumes, cereais integrais) e praticar atividade física. • Sal é um mineral importante para o organismo, mas deve ser consumido com moderação. • Não fume e beba com moderação. • Combata o estresse. Procure alternar a rotina com atividades prazerosas e relaxantes. • Não interrompa o uso da medicação nem diminua a dosagem por conta própria. Siga as indicações do médico. • Meça a pressão arterial com regularidade, anote os valores e passe ao médico. Fonte: Dráuzio Varella (http://drausiovarella.com.br)

Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Entre os idosos com mais de 60 anos, esse índice chega próximo de 60%. A maioria das pessoas desenvolve pressão alta depois dos 25 anos, mas não são raros os casos entre crianças e adolescentes, que hoje já representam 3% dos registros da doença. A maioria deles relacionados a maus hábitos de alimentação, à obesidade e sedentarismo. Homens e mulheres são igualmente vítimas da hipertensão, sendo que o índice vem crescendo principalmente no público feminino, uma vez que, historicamente, a doença sempre prevaleceu entre os homens. “Na população brasileira a hipertensão incide em 35% dos homens e 30% das mulheres, o que é semelhante ao índice de outros países. A prevalência aumenta muito com a idade e nos indivíduos de raça negra”, afirma o médico Roberto Raduan, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica – SP e chefe do Serviço de Medicina Interna da Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Em relação ao sexo, a hipertensão começa mais cedo no homem, a partir dos 35 anos. Na mulher, é mais comum a partir da menopausa, aos 45 anos”, acrescenta Roberto Franco, nefrologista, presidente da

As doenças cardiovasculares de forma geral matam anualmente 17 milhões de pessoas em todos os países, sendo que, desse total, perto de 55% dos óbitos estão ligados diretamente a complicações relacionadas à pressão alta de obesidade nos países em desenvolvimento – a ingestão de produtos industrializados e de sal aumentou muito –, além disso, nesses locais a atividade física tem decaído, bem como o acesso a produtos naturais, cada vez mais caros. Até 2025, o número de hipertensos nos países em desenvolvimento deverá crescer 80%, segundo estudo conjunto da Escola de Economia de Londres, do Instituto Karolinska (Suécia) e da Universidade do Estado de Nova York.

REALIDADE BRASILEIRA No Brasil, 40% da população acima de 40 anos (aproximadamente 17 milhões de pessoas) tem hipertensão, segundo estimativa de 2004 do Instituto 168

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Especial saúde

Hipertensão

A hipertensão é responsável pela morte de aproximadamente milhões de pessoas todos os anos

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Sociedade Brasileira de Hipertensão e professor da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unifesp. “Esse é um dos motivos pelos quais há maior incidência nos homens. Porém, a partir dos 60, 70 anos, a curva se inverte e há mais mulheres com a doença. Um pouco porque as mulheres vivem mais, mas também pelo fato de elas estarem mais expostas aos riscos antes mais comuns aos homens, como estresse, má alimentação, sedentarismo”, explica.

Problema comportamental Sal em excesso contribui para a retenção de líquidos, aumentando o volume e a pressão sanguíneos. O sangue bombeado com mais força agride o revestimento dos vasos, provoca pequenas cicatrizes e contribui para o entupimento das artérias. “Com o passar dos anos vai ocorrendo o enrijecimento das artérias, que perdem a elasticidade e pioram a situação”, adverte Roberto Raduan. Roberto Franco concorda: “O brasileiro precisa reduzir o consumo de sal, hoje na casa dos 12 gramas diários, para, ao menos, a metade disso a fim de reduzir o risco de ter pressão alta.” Mas o sal em excesso não é o único fator que desencadeia a hipertensão. Seus fatores de risco mais importantes são estresse, sedentarismo, obesidade, etnia (os negros têm mais propensão), tabagismo e diabetes. “Os fatores genéticos são muito importantes também, assim como a falta de atividade física associada à dieta inadequada, favorecendo o aparecimento da doença”, diz Raduan. Roberto Franco sublinha outros riscos, como a alimentação rica em gordura, que provoca aterosclerose, álcool em excesso, uso de remédios (principalmente anti-inflamatórios) e consumo de drogas ilícitas. “Mas é bom lembrar que o mecanismo de ação da hipertensão é multifatorial, raramente apenas um componente desencadeia a doença”, diz Franco. Um dos grandes problemas da hipertensão é que ela é silenciosa, não dá sinais nem sintomas de que está se 170

instalado no organismo. “O principal sintoma da hipertensão é não ter sintoma”, ironiza Roberto Franco. “A solução é o método preventivo. Medir a pressão, pelo menos, uma vez por ano. Se tem histórico familiar, sobretudo pai e mãe hipertensos, o ideal é consultar um médico e fazer exames.” Roberto Raduan destaca que não apenas a hipertensão mas outras doenças aparecem de maneira insidiosa, sem alertar o paciente. Incluem-se nesse grupo principalmente o diabetes e a dislipidemia (alterações de lípides no sangue) que, associadas à hipertensão, agravam a evolução da doença. “Portanto, é interessante aos 40 anos ou até antes, se tiver antecedentes importantes na família, consultar um clínico e realizar exames gerais”, sugere Raduan. É importante também saber diferenciar um estado passageiro de pressão alta, por exemplo, um evento de estresse que a pessoa tenha passado, da doença. Os valores da pressão arterial, principalmente a máxima, são muito instáveis. Eles se alteram rapidamente em resposta aos hormônios adrenérgicos que são liberados em situações de estresse. “Para alguns, a própria consulta médica é uma situação preocupante, o que faz com que a pressão se eleve e se caracterize a chamada ‘síndrome do avental branco’. Por isso, o diagnóstico de hipertensão deve ser feito com duas ou três medidas, com o paciente confortável e fora de situações estressantes. O Mapa (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é uma ferramenta diagnóstica eficiente para casos limítrofes”, ensina Raduan, que faz uma advertência importante. “Vale ressaltar que o mau diagnóstico, feito de maneira leviana, obriga o paciente a tomar medicações indefinidamente.”

O que é, de fato? A pressão arterial é a tensão exercida pelo sangue dentro dos vasos sanguíneos, a partir da força proveniente dos batimentos cardíacos. Quanto mais sangue for bombeado do coração por minuto, maior será esse valor, que tem duas escalas: máxima (sistólica) e mínima (diastólica). O estreitamento das artérias aumenta a necessidade de o coração bombear com mais força para impulsionar o sangue e recebê-lo de volta. Como consequência, a hipertensão dilata o coração e danifica as artérias. Pressão sistólica está relacionada à força de bombeamento do coração e diastólica, à dos vasos sanguíneos periféricos (abdome, braços e pernas). Os valores de pressão podem variar instantaneamente, dependendo do estado da pessoa no momento – se está em repouso, em ativi-

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Na farmácia Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a orientação farmacêutica deve ser dada por um farmacêutico, por isso é importante que o profissional esteja disponível no horário de funcionamento do estabelecimento, para tirar dúvidas sobre a medicação e serviços prestados. A RDC 44/09 define que as farmácias podem, por exemplo, oferecer medição de pressão arterial. Para isso a farmácia deve atender às determinações sobre o espaço reservado para esse atendimento, que só pode ser oferecido por profissional habilitado. As informações completas sobre o assunto podem ser conferidas no portal da Anvisa: http://anvisa.gov.br.

dade, estressada. O valor considerado normal é quando, em repouso, o máximo atinge até 120 mmHg e o mínimo fica na faixa de 80 mmHg – popularmente conhecido como 12/8. Abaixo de 9/5, a pressão é considerada baixa, mas não é uma doença, apesar de poder causar indisposição, náusea, tontura e até desmaio. Tempos atrás se dizia que é mais perigoso a pressão diastólica mais elevada do que a sistólica, mas isso mudou. “Estudos recentes mostram que a hipertensão sistólica isolada é extremamente prejudicial e deve ser abordada sempre”, acentua Roberto Raduan. Acima de 13,5/8,5 os números já são considerados altos. “São valores que se convencionou classificar como de alerta porque aumentam os riscos de problemas mais graves, como o infarto”, revela Roberto Franco. Mas, para ser considerada hipertensão, os valores devem ser persistentes. “Medindo-se várias vezes, em circunstâncias diferentes, sempre em repouso, a pressão se mantendo elevada é indício do problema”, diz o médico. Evidentemente, os valores da pressão arterial são apenas um dos fatores que devem ser considerados, observa Roberto Raduan. “A visão geral do paciente, levando em conta a idade, a presença de outras enfermidades associadas, duração da doença e a integridade ou fragilidade do indivíduo como um todo é o que deve nortear as metas a serem atingidas e as melhores drogas para atingi-las”, completa.

Com exceção de raros casos de pressão alta em que se consegue identificar uma causa e abordá-la adequadamente, a chamada hipertensão arterial essencial não tem cura, mas tem tratamento, explica Raduan. Isso não significa que todo portador de hipertensão tem de ser tratado com medicamentos. “Se o diagnóstico for feito no início e o paciente fizer correções dietéticas, perder peso e praticar atividade física regular, ele poderá ser mantido sem medicação por longo tempo”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica paulista. “Se um adulto que pesa 100 quilos perder 10 quilos, terá uma diminuição da pressão arterial. A mesma coisa se fizer de 30 a 40 minutos diários de exercícios por semana. Se combinar tudo isso com uma dieta, especialmente a mediterrânea, rica em frutas, verduras, azeite e um pouco de vinho, será melhor ainda”, acrescenta Roberto Franco. Os medicamentos disponíveis para tratar hipertensão agem, em geral, de maneira diversa e em diferentes locais da fisiopatologia da doença. Existem cerca de cinco classes medicamentosas para pressão alta, cada uma com uma ação específica. “Na maioria dos casos se faz uma associação de fármacos para tratar hipertensão, tornando os resultados mais eficazes e os efeitos colaterais, menores”, revela Roberto Franco. “Mas não é preciso tomar vários comprimidos, pois muitos medicamentos juntam fármacos diversos em um mesmo medicamento”, salienta. Um dos efeitos colaterais dos medicamentos para hipertensão mais temidos pelos homens é a possibilidade de causar impotência. “Algumas drogas, principalmente diuréticos, betabloqueadores e antagonistas canais de cálcio podem causar alguma perda de ereção. Mas não se pode afirmar com segurança se foi o medicamento ou a própria pressão elevada a causa da hipertensão. Além disso, com as drogas mais modernas, que combinam vários compostos, as doses de cada fármaco que poderiam causar o problema são menores”, afirma Roberto Franco. Mais grave é o indivíduo não se tratar. A possibilidade de eventos cardiovasculares nos pacientes não tratados é muito alta. Eventos mais comuns são o acidente vascular cerebral agudo e o infarto agudo do miocárdio, doenças que, se não matam, podem comprometer a qualidade de vida de uma maneira permanente. “Fora os eventos agudos, a hipertensão crônica maltratada agride quase todos os órgãos e sistemas, podendo levar à cegueira, insuficiência renal crônica dialítica e amputações”, diz Roberto Raduan. 2013 setembro guia da farmácia

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imunidade

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defesa

Quando o sistema imunológico enfraquece, o corpo fica suscetível a uma série de problemas de saúde, que vão de uma gripe a complicações mais sérias P o r A d r i a n a B r u no 174

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As milhares de células que formam o sistema imunológico são responsáveis por defender o organismo do ataque de vírus e bactérias e manter o corpo funcionando livre de muitas doenças. Quando a imunidade fica mais baixa, ou seja, há uma queda na defesa, existe a suscetibilidade ao aparecimento de problemas como gripes, resfriados, entre outros. Mas o problema da baixa imunidade, ou ainda da imunodeficiência, é mais sério do que se pensa. De acordo com a diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (Asbai), Dra. Ana Paula Moschione Castro, uma série de fatores pode contribuir para o aparefotos: shutterstock/divulgação

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Diagnóstico preciso Quando um paciente da farmácia se queixa de algum dos sintomas listados abaixo, pode ser que esteja com imunodeficiência primária. Oriente-o para que se inicie uma investigação. 1. Duas ou mais pneumonias no último ano. 2. Quatro ou mais episódios novos de otite no último ano. 3. Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses. 4. Abscessos de repetição ou ectima. 5. Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia). 6. Infecções intestinais de repetição, diarreia crônica. 7. Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune. 8. Efeito adverso à vacina do BCG e/ou infecção por microbactéria. 9. Manifestações clínicas sugestivas de síndrome associada à imunodeficiência. 10. História familiar de imunodeficiência. Fonte: Asbai/Fundação Jeffrey Modell (EUA)

cimento do mal, alguns mais graves, outros menos. “As situações que interferem na resposta imunológica incluem desde tumores, quimioterapia, uso prolongado de corticosteroides por via oral ou injetável. Além de doenças como diabetes, insuficiência hepática ou renal. A imunidade também pode ficar comprometida com doenças como a Aids, mas outros vírus também podem interferir no sistema imunológico. Situações como estresse ou exercício físico de alta performance também podem comprometer o sistema imunológico, mas precisam ser mais bem estudadas”, esclarece. Os problemas com a imunidade podem ter origem genética e podem causar desde doenças relativamente leves até outras graves que necessitam de transplante de medula óssea, por exemplo, como explica o imunologista do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor de pesquisa do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert

os problemas com a imunidade podem ter origem genética e podem causar desde doenças relativamente leves até outras graves que necessitam de transplante de medula óssea, por exemplo Einstein, Dr. Luiz Vicente Rizzo. “É importante esclarecer que, do ponto de vista médico, não existe baixa imunidade. De modo geral, o que o leigo chama de baixa imunidade é uma propensão, nem sempre confirmada, à infecções. Há imunodeficiências transitórias e permanentes. E elas podem também ser adquiridas e, neste caso, as causas mais comuns são as medicamentosas, como a quimioterapia, a radioterapia, medicações imunossupressoras, como os corticoides, e as que são usadas nos transplantes, nas doenças autoimunes e nas alergias. Elas também podem ser adquiridas por meio de infecções, mas há outras que causam baixa de imunidade temporária ou permanente. E ainda por fatores comportamentais, a falta de sono, má alimentação e a falta de exercícios levam a sós ou em conjunto a um quadro de baixa imunidade”, diz Rizzo. Os primeiros sinais de que as defesas do organismo estão fragilizadas são infecções de repetição, defeitos de coagulação, de cicatrização e até mesmo alterações neuropsiquiátricas. “Pacientes podem apresentar herpes recorrente, infecções por cândida, quadros de micose de difícil tratamento, além de aspectos mais graves, como reativação da tuberculose”, comenta Ana Paula Moschione Castro, da Asbai.

Problema pode ser genético Má alimentação, poucas horas de sono, falta de exercício ou atividade física e uma vida desregrada podem levar o organismo a enfraquecer, desencadeando um problema de imunidade comportamental, ou seja, causada pelo estilo de vida do indivíduo. A boa notícia é que tudo isso pode ser prevenido com mudanças no estilo de vida e, a critério médico, com medicamentos específicos para cada situação. Já as imunodeficiências genéticas não podem ser prevenidas, e sim tratadas. Elas surgem ainda na infância e são chamadas de imunode2013 setembro guia da farmácia

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Especial saúde

imunidade

Orientação de ponta A farmácia pode e deve atuar como órgão que promove a saúde da população, para isso, promova campanhas em sua loja, produza materiais informativos, como folder ou banner, e divulgue aos clientes quais são os alimentos e vitaminas que ajudam a potencializar o sistema imunológico.

c Vitamina

e Vitamina

Laranja, morango, acerola, kiwi, Pode ser encontrada em castanhas, vegetais verdes-escuros, como amêndoas e nozes. É importante brócolis, espinafre e couve, também incluir essa vitamina na alimentação, pimentão verde e vermelho. Esses especialmente na dos idosos. alimentos, além da vitamina C, ainda possuem antioxidantes.

Abóbora, cenoura, brócolis, espinafre, fígado, melão e mamão ajudam a manter a imunidade sempre em dia.

ic o Ácido fól

co Selênio e zin Estimulam a ação do sistema imunológico, têm poder desintoxicante e anti-inflamatório, atuam na cicatrização de ferimentos e na reparação de tecidos. Podem ser encontrados no ovo caipira, frutos do mar, castanha-do-pará, alho, cebola, cereais integrais, milho e cogumelo.

a Vitamina

Esse nutriente auxilia na formação dos leucócitos, responsáveis pela defesa do nosso organismo, por isso, além de vegetais verdes-escuros, é necessário consumir feijão e fígado.

A grande maioria da população sofre de carência de micronutrientes. O organismo precisa diariamente de quantidades ideais de vitaminas e minerais para manter o equilíbrio nutricional e as funções vitais. A melhor maneira de prevenir o surgimento de qualquer carência nutricional é a adoção de uma alimentação equilibrada (com nutrientes distribuídos nas proporções corretas), diversificada (contento alimentos de todos os grupos) e adequada (na quantidade suficiente para o funcionamento do organismo) e o uso, quando necessário, de suplementos e multivitamínicos. Esse tipo de produto deve ser considerado aliado nessa missão, pois colabora substancialmente para preencher a lacuna existente entre a quantidade de nutrientes ingeridos e as recomendações nutricionais. Por esse motivo, conheça todos os produtos disponíveis no mercado e cheque se o seu sortimento pode atender às necessidades desse grupo de clientes. Ofereça opções de qualidade, com atendimento personalizado e otimize seu tíquete médio. Fonte: Paula Fernandes Castilho, nutricionista da Sabor Integral Consultoria em Nutrição

ficiências primárias. “Quando falamos em imunodeficiência genética, estamos dizendo que há defeitos congênitos no sistema imune, sendo assim, o indivíduo já nasce com o problema. Existem mais de 150 tipos de imunodeficiências congênitas. No total, a incidência estimada desse grupo de doenças é de 1:10.000, similar a outras congênitas conhecidas como hipotireoidismo congênito, fenilcetonúria ou fibrose cística”, explica o professor titular de medicina experimental do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédi176

cas da Universidade de São Paulo (USP), Dr. Antonio Condino Neto. Ele ainda acrescenta que as hipogamaglobulinemias respondem por cerca de 55% dos casos em crianças e adultos. “Resultado de falta de anticorpos, por defeito genético. Pacientes apresentam infecções respiratórias de repetição e diarreia crônica”, diz.

Imunodeficiência e alimentação Os alimentos têm papel fundamental na manutenção da saúde, afinal de contas, é por meio da alimentação

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que se cria defesas contra os agentes externos. “O corpo é constantemente atacado por milhares de micro-organismos, como bactérias, fungos e vírus, incluindo o da gripe, que sempre se manifesta em mudanças bruscas de temperatura. Para protegê-lo de infecções e doenças, contamos com nosso sistema imunológico, uma complexa rede de tecidos, células, órgãos e substâncias que, quando fortes, dão total condição ao organismo de combater esses invasores que podem desenvolver terríveis infecções, caso a imunidade esteja baixa”, diz a nutricionista e diretora da Sabor Integral Consultoria em Nutrição, Paula Fernandes Castilho. De acordo com a especialista, uma dieta rica em açúcar, álcool, gorduras, magreza ou obesidade contribui para a baixa imunidade. “O açúcar interfere na capacidade das células brancas do sangue (defesa) de destruir as bactérias, o álcool interfere em várias respostas imunológicas, as gorduras em excesso reduzem a atividade das células protetoras e prejudicam

para o organismo funcionar adequadamente, precisa de macro e micronutrientes. a alimentação cria defesas contra agentes externos

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a resposta imunológica, as variações extremas de peso estão associadas a um sistema imunológico debilitado, a obesidade aumenta o risco de infecções e as dietas restritas em calorias enfraquecem as defesas. Alguns alimentos são capazes de aumentar a imunidade, criando a defesa do A nutricionista Paula Fernanda Castilho organismo”, explica. diz que o corpo é A alimentação tem papel constantemente importante também nos atacado por milhares de micro-organismos quadros de imunodeficiências genéticas. Para a nutricionista funcional da Clínica Fluyr Saudável, Ana Luiza Nogueira dos Santos, quando se fala em imunidade genética, fala-se de doenças autoimunes, tais como, artrite reumatoide, doença célica, esclerose múltipla, dermatite herpetiforme, dentre outras. “Muitos estudos apontam que o surgimento dessas doenças está relacionado com alguns gatilhos nutricionais, são eles: consumo de glúten, alergênicos alimentares e hipermeabilidade intestinal. Sendo assim, o reparo da mucosa intestinal, bem como a correção de erros alimentares e exclusão de alérgenos alimentares da dieta, resultará numa melhora do quadro clínico”, comenta. Para o organismo funcionar adequadamente, precisa de macro e micronutrientes. Os macronutrientes são carboidratos, proteínas, gorduras e açúcares. Já os micronutrientes, ou seja, as vitaminas e os minerais, são compostos orgânicos e inorgânicos essenciais em pequenas quantidades para controlar os processos metabólicos. As nutricionistas ainda recomendam a ingestão de alimentos fonte de vitamina C, um antioxidante que estimula a resistência, responsável pelo aumento da atividade imunológica do corpo. “Por isso frutas, verduras e legumes devem fazer parte das refeições, assim como o tomate, rico em licopeno – que combate doenças cardiovasculares –, o ômega 3 encontrado principalmente no salmão e no azeite – que ajuda no combate a inflamações – e o gengibre – que possui ação bactericida –, por isso auxilia no combate à baixa imunidade. São fontes de vitaminas ainda o aspargo, beterraba, arroz integral, semente de girassol, soja, gema de ovo, entre muitos outros”, indica Paula Castilho.

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pele

Lesões sutis Toda e qualquer pessoa está suscetível a pequenas agressões de diversas espécies. Saiba quais são as melhores formas de tratamento E prevenção P o r R a q u el Sena 180

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Ninguém está livre de lesionar a pele inesperadamente, seja através de uma pancada, queimadura ou picada de inseto. Não importa como nem a faixa etária, a pele está sempre suscetível a pequenas agressões que ocorrem tanto em ambientes externo quanto dentro de casa. Os insetos, por exemplo, estão por toda parte e nem sempre é possível se proteger deles. Os mosquitos, por exemplo, se alimentam de fotos: shutterstock

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pele

Tipos de queimaduras

hipoderme

derme

epiderme

derme

Queimadura de segundo grau: a lesão atinge as camadas mais profundas da pele (derme). A característica desse tipo de queimadura é a presença de bolhas, inchaço e dor intensa. Como ocorre perda da camada superficial da pele, que protege contra a perda excessiva de água, pode ocorrer também perda de água e de sais minerais e provocar um quadro de desidratação grave. Esse tipo de queimadura pode ser causada pela exposição a vapores, líquidos e sólidos escaldantes.

epiderme

Queimadura de primeiro grau: a lesão atinge apenas a camada mais superficial da pele (epiderme), apresentando vermelhidão local, ardência, inchaço, calor local e dor. Pode ocorrer em pessoas que se expõem ao sol por tempo prolongado e sem proteção. Quando atinge grande parte do corpo é considerada grave.

hipoderme

hipoderme

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epiderme

As queimaduras podem ser classificadas de acordo com o tipo de lesão causada:

Queimaduras de terceiro grau: nesse tipo de queimadura, ocorre lesão de toda a pele, atingindo os tecidos mais profundos, como os músculos. Curiosamente, esse tipo pode não ser doloroso, já que as terminações nervosas que geram a dor são destruídas junto com a pele. A cicatrização geralmente é desorganizada. Normalmente requer a realização de cirurgias, com enxerto de pele retirada de outras regiões do corpo.

Fonte: Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais

néctar de flores, mas precisam do sangue humano para amadurecer seus ovos. E, nesse processo, provocam picadas que coçam, doem e que podem levar ao aparecimento de feridas ou até doenças. “Indivíduos sensibilizados à picada de determinados insetos e outros artrópodes podem desenvolver lesões múltiplas e distantes do local da picada primária por um fenômeno imunológico. Em alguns casos, há evolução para choque anafilático (reação alérgica caracterizada pela diminuição da pressão arterial, taquicardia e distúrbios gerais da circulação sanguínea) com queda da pressão arterial e 182

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broncoespasmo (espasmos nos brônquios que impedem a passagem de ar até os pulmões), causando dificuldade para respirar. Além disso, muitos insetos e aracnídeos possuem toxinas potentes que causam anemia, destruição de partes moles e insuficiência renal”, explica o clínico geral e dermatologista do Hospital Paulistano, Fernando Dantas. O tratamento nesse caso varia de acordo com o invertebrado causador e com os sintomas do paciente. “Aqueles que apresentarem dificuldade para respirar, palidez e estridor (som de respiração anormal, agudo e musical causado por um bloqueio na gar-

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pele

ganta ou na laringe) devem ser imediatamente atendidos pelo serviço médico de emergência”, aconselha o dermatologista. Casos de angiodema – inchaço que ocorre sob a pele – e choque anafilático devem ser tratados com medicamentos específicos, como anti-histamínicos e corticosteroides, por exemplo. Nas situações de intoxicação por picadas de cobra, devem ser utilizados soros específicos para essa situação. Outro problema de grande incidência e comum são as temidas queimaduras. Nesse caso, também é preciso atenção, pois o tratamento dependerá da profundidade da lesão. As queimaduras são divididas em primeiro, segundo e terceiro graus. As de primeiro grau atingem a primeira camada da pele, a epiderme, causando usualmente apenas vermelhidão, embora bolhas traumáticas intraepidérmicas possam ocorrer. As de segundo grau atingem a derme e, por isso, causam ruptura da junção dermoepidérmica com surgimento mais frequente de bolhas. As de terceiro grau são as mais profundas, podendo atingir músculos e ossos, com probabilidade de ocorrer uma necrose. Os sintomas das queimaduras, além da dor intensa, podem provocar queda da pressão arterial devido à perda de líquidos e proteínas. Segundo o clínico do Hospital Paulistano, as queimaduras devem ser tratadas e acompanhadas pelo médico, que saberá como evitar e tratar 184

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complicações, tais como desidratação, infecção e cicatrização sem estética.

Lesão corriqueira Tropeçar, bater o dedinho do pé na quina da cama, prender o dedo na porta, essas são apenas algumas das situações mais corriqueiras no dia a dia do indivíduo e que, muitas vezes, leva a hematomas. Trata-se um trauma dos pequenos vasos sanguíneos que irrigam e drenam a pele, provocando extravasamento de hemácias, ocasionando a cor típica dos hematomas. Como há extravasamento de hemácias dos vasos para a pele e tecido subcutâneo e pelo fato de elas serem compostas por hemoglobina – proteína que contém ferro na sua estrutura molecular –, os hematomas levam dias a semanas para regredirem espontaneamente, uma vez que esse é o tempo que o organismo leva para decompor a hemoglobina. Dessa maneira, a cor inicialmente vermelho-arroxeada torna-se, sequencialmente, amarelada, esverdeada e acastanhada. “Existem no mercado medicamentos específicos para acelerar esse processo, porém, nos casos de hematomas volumosos, a drenagem cirúrgica pode ser realizada”, afirma Dr. Dantas.

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Visão

clara A higienização adequada das lentes de contato evita contaminação por fungos, bactérias e vírus P o r E g l e Le o na r di 186

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De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec), é fundamental cuidar das lentes adequadamente, para não ocorrer infecção ocular (por bactéria, fungos ou vírus) ou conjuntivite alérgica ao muco depositado na lente. Por exemplo, as úlceras de córnea por fungos são graves e, apesar de existirem vários medicamentos usados por via oral ou em forma de colírios, a melhora do quadro é lenta e sempre deixa consequências danosas. A manutenção das lentes de contato é importante para se obter sucesso e a continuidade de seu uso, já que as complicações oculares devido à falta de cuidado dos usuários em relação à manutenção e ao período de troca, em conjunto com a ausência de motivação, estão entre as principais causas da desistência do uso de lentes. Por conta disso, é grande o número de pessoas que as abandonam por causa de problemas que poderiam ser solucionados com tratamentos relativamente simples ou com uma orientação mais adequada. Segundo a Soblec, a utilização de soro fisiológico é condenada e é um excelente exemplo de cuidados impróprios. Outro problema é a adaptação incorreta feita fora dos consultórios

Ao deixar as lentes em uma solução que já está contaminada, ela não será mais eficaz, e, nesse ambiente úmido, a bactéria continuará a crescer. Para tentar impedir que as lentes se contaminem, é preciso deixá-las imersas na solução específica

Passo a passo da limpeza Orientação aos clientes é fundamental para que: • Mantenham sempre o ralo da pia obstruído ao manipular as lentes. • Tenham as mãos sempre limpas e unhas curtas. • Apliquem algumas gotas de solução limpadora sobre a lente. Friccionem suavemente contra a palma da mão por alguns segundos. Para tentar impedir que as lentes se contaminem, deixe-as imersas na solução específica para limpeza, todas as vezes que não estiverem sendo usadas, principalmente à noite. • Manuseiem primeiro sempre a lente direita, abrindo apenas uma tampa do estojo e evitando, assim, a troca das lentes. • Tomem muito cuidado ao manipular as lentes gelatinosas, pois elas podem rasgar, e as lentes rígidas, quebrar. • Saibam que o soro fisiológico e água da torneira não servem para lavar nem para deixar as lentes guardadas, pois não as desinfetam, além de contaminar com bastante facilidade. • Guardem as lentes com a solução de limpeza específica, já que, além de limpálas, a solução mantém a lente gelatinosa conservada, sem ressecá-la. • É muito importante que o líquido que fica no estojo de armazenamento da lente seja trocado todos os dias, para evitar contaminação. • Não inclinem o estojo com as lentes dentro, pois elas podem grudar na tampa e podem rasgar ao abrir o estojo. Fonte: Guy Catlett, gerente de produto da Vision Care

médicos, que pode ser responsável pelo aparecimento de dificuldades que impeçam, temporária ou definitivamente, o uso das lentes. Muitos não sabem que a lente está em contato direto com a córnea e interfere em seu metabolismo e fisiologia. 2013 setembro guia da farmácia

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Atenção à higiene do estojo de lentes O cliente deve saber que: • O estojo de lentes precisa ser limpo tanto quanto as lentes, porque elas passam muito tempo mergulhadas dentro dele. • Depois de colocar as lentes nos olhos, esvazie a solução do estojo. • Lave regularmente (uma vez por semana) o estojo com água corrente e sabão. • Enxágue-o bem e deixe-o secar ao ar com as aberturas voltadas para baixo, sobre um lenço de papel descartável, também coberto por outro lenço de papel (os micróbios não conseguem se multiplicar num ambiente seco). • Substitua-o com frequência – o ideal é a cada três meses. Fonte: Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec)

O mau uso associado à má adaptação, contaminação, doenças oculares prévias e fatores ambientais podem aumentar o número de infecções na córnea por meio da proliferação de micro-organismos, como bactérias, fungos, parasitas e vírus, uma vez que o próprio uso da lente altera o mecanismo de defesa do olho. Além disso, os depósitos (orgânicos, inorgânicos e ambientais) acumulados durante o uso propiciam o desenvolvimento de 188

A manutenção das lentes é importante para se obter sucesso e a continuidade de seu uso, já que a falta de cuidado dos usuários em relação à manutenção e ao período de troca, em conjunto com a ausência de motivação, está entre as principais causas da desistência do uso de lentes reações inflamatórias, infecciosas e imunológicas, além de desconforto e turvação visual. A manutenção correta das lentes é essencial na prevenção de complicações infecciosas, tóxicas e alérgicas, bem como para o conforto do usuário. As soluções multiação vieram para facilitar a vida do paciente no cuidado das lentes, uma vez que limpeza, enxágue e desinfecção são feitos com o mesmo produto. A Soblec defende que o uso correto das soluções multiúso, juntamente com treinamento e educação do paciente e a orientação médica, é fundamental para o sucesso das lentes de contato. Portanto,

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uso correto das soluções multiúso, juntamente com treinamento e educação do paciente e a orientação médica, é fundamental para o sucesso das lentes de contato também é função do médico participar de forma ativa na orientação sobre a manutenção de lentes de seus pacientes, bem como estar atento às eventuais ocorrências que possam estar relacionadas com cuidados inadequados, evitando assim que ele abandone o uso das lentes.

Contaminação “Vale comentar que as lágrimas contêm, naturalmente, proteínas e oleosidade, que aderem nas lentes, por isso aconselha-se limpá-las e higienizar também o estojo que as armazena”, fala o gerente de produto da Vision Care, Guy Catlett. Ele comenta que é muito importante que o líquido que fica no estojo de armazenamento da lente seja trocado todos os dias, para evitar contaminação. Ao deixar as lentes em uma solução que já está contaminada, ela não será mais eficaz, e, nesse ambiente úmido, a bactéria continuará a crescer. “Para tentar impedir que as lentes se contaminem, é preciso deixá-las imersas na solução específica para limpeza, todas as vezes que elas não estiverem sendo usadas.” Ele ressalta que os depósitos podem se tornar meio de nutrição para micro-organismos como fungos e bactérias, que podem causar irritações nos olhos, reações alérgicas e infecções. Existem 190

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A solução deve limpar e desinfetar as lentes de contato, imitar as características da lágrima e manter as propriedades físicas da lente enquanto estiver fora do olho casos de contaminação severa, que levam o usuário a perder a visão. Por isso, todo cuidado é pouco. Catlett comenta que, como essas soluções serão usadas no olho, elas devem ser compatíveis com a química natural do local. A solução deve limpar e desinfetar as lentes de contato, imitar as características da lágrima e manter as propriedades físicas da lente enquanto estiver fora do olho. “Gostaríamos de alertar que o uso do soro fisiológico é um risco enorme, pois ele não é um produto adequado para o cuidado das lentes de contato. Além de não ser formulado para tal, o soro pode rapidamente ser contaminado e repassar micro-organismos para as lentes, colocando em risco a saúde ocular dos usuários”, revela Catlett. O executivo explica que, no produto, a poloxamina remove lipídeos, toda a sujeira e fragmentos que se depositam nas lentes, além de melhorar a umectabilidade. A hydranate remove depósitos de proteínas acumuladas durante o uso da lente. O dymed é responsável pela desinfecção contra fungos e bactérias, exterminando efetivamente os micro-organismos. O ácido bórico, edetatodissódico, borato de sódio e cloreto de sódio equilibram a solução para o uso das lentes com maior conforto. “Essas substâncias têm a função de limpar, enxaguar, desinfetar, lubrificar conservar e desproteinizar as lentes de contato”, diz. Ele destaca que a soluções que contenham hialuronato (lubrificante natural encontrado no olho humano) reduzem a fricção entre a lente e o olho ao envolvê-la em uma camada de hidratação.

Assim ela proporciona mais conforto e mantém ativas as proteínas benéficas da lágrima que têm ação antimicrobiana, potencializando a ação de desinfecção. “O consumidor passa muitas horas em ambientes com ar-condicionado, poluição e chega a utilizar suas lentes por mais de 16 horas. Por isso, ter um produto que proporciona conforto até o último minuto do dia é uma grande vantagem para as pessoas chegarem ao final do dia sem o incômodo de lentes ressecadas”, diz Catlett.

Lubrificantes O responsável pelo setor de lançamentos do Teuto, Thiago Matos, comenta que se não houver a limpeza correta das lentes pode haver também alergia, inflamação, infecção e até lesão da córnea. “Por isso os produtos mais adequados são as soluções multiúso, que atuam por meio de seus agentes de limpeza, que realizam a desinfecção, a remoção de proteínas, conservação e lubrificação das lentes”, fala o especialista. Um importante aliado para quem usa lente de contato são os lubrificantes. Matos comenta que esses produtos proporcionam lubrificação extra (além das soluções multiação), promovendo conforto e nitidez. São utilizados por pessoas que estão em ambientes ou atividades que favorecem o ressecamento das lentes ou que apresentam insuficiência na produção da lágrima. “Porém os lubrificantes não devem conter conservantes químicos que possam prejudicar ou agredir as lentes, diminuindo seu tempo de duração e, às vezes, até impedindo que se usem as lentes de contato novamente”, destaca Matos. O executivo ressalta que a inovação principal dos produtores é chamada de all-in-one, ou seja, os produtos multiação: um único produto, que possui agentes de limpeza para desinfecção, remoção de proteínas, conservante e lubrificante. 2013 setembro guia da farmácia

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Suplementação

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Investir em suplementos alimentares e esportivos é uma opção lucrativa para os varejistas do canal farma P o r r a q u el sena e lí g i a fav or etto

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O mercado de suplementos alimentares está em constante crescimento no Brasil e já representa mais de 40% do mercado da América Latina. Sete milhões e setecentos mil brasileiros estão preocupados em se exercitar. O Brasil já é o segundo país do mundo em número de academias. São mais de 16 mil estabelecimentos (21 vezes mais do que em 2000) e 4,2 milhões de alunos. De acordo com dados da Nutrilatina, a categoria de vitaminas e emagrecedores esfoto: arquivo contento

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Comportamento A busca pelo corpo perfeito está se tornando, por incrível que pareça, a missão de vida de muitas pessoas, seja por vaidade, saúde ou devido ao trabalho. O fato é que a sociedade impôs um padrão ideal de beleza, tanto masculino quanto feminino, no qual as mulheres precisam ser magras, mas com corpo definido, e os homens musculosos. Porém, para conseguir tal feito de forma natural, é necessário, além de praticar atividade física, ter uma alimentação saudável. A tão sonhada boa forma não é conquistada de um dia para o outro, isso requer tempo. Mas muitos jovens e adultos, na ânsia de verem logo no espelho o resultado da malhação, acabam recorrendo aos suplementos alimentares.

sentes em 69,444 PDVs (99%), com 110,9 milhões de unidades vendidas, o que representa R$ 2,561 bilhões. No que diz respeito à comercialização de suplementos nos PDVs, eles correspondem a 8,91 milhões de unidades, cerca de R$ 359,4 milhões. O Sudeste é o maior consumidor de suplementos/ vitaminas, com 48%; Sul, com 11,9%; Centro-Oeste, com 7,6%; Nordeste, com 24,8%; e Norte, com 7,7%. São 122,9 milhões de unidades e R$ 2,920 bilhões em faturamento. Cerca de 7,7 milhões de brasileiros (82%) da classe C acreditam que é importante estar em forma e 4,2 milhões (52%) praticam atividades físicas em uma academia de ginástica. A classe emergente representa mais da metade dos brasileiros que praticam atividades físicas pelo menos uma vez por semana. Na alta renda (A/B) e na nova classe média brasileira, é possível notar uma predominância de mulheres (51%), com a diferença

Essa é uma oportunidade para que todos os profissionais do PDV conheçam sobre a categoria e comportamento do shopper 196

máxima de dois pontos percentuais em relação aos homens (49%). Dos estimados 79 milhões de brasileiros que declaram ter interesse por esportes em geral, mais da metade pertence à nova classe média (54,2%). Entre as pessoas que praticam esportes em equipe, 42% estão na classe C e 44%, na classe D/E. Os produtos são de venda livre e podem ficar expostos no autosserviço. Mais recentemente os suplementos passaram a ser comercializados em farmácias e drogarias, além das lojas especializadas, o que faz com que o consumidor migre para aqueles canais e necessite de orientação personalizada. Essa é uma oportunidade para que todos os profissionais do PDV conheçam sobre o funcionamento da categoria e comportamento do shopper e do usuário dos produtos. Os números representam a importância do negócio e a imensidão que ainda está por ser explorada. Eles são produtos à base de nutrientes importantes para a promoção da saúde e da performance e não só do atleta de alta competição mas também da dos desportistas amadores ou, eventualmente, da de qualquer pessoa em situações especiais. Os suplementos alimentares e/ou esportivos ganham cada vez mais destaque. De acordo com a nutricionista da Midway Labs, Jeanne Nogueira, de modo geral, o princípio ativo desses suplementos são os macronutrientes: carboidratos, proteínas e lipídeos; micronutrientes: vitaminas e minerais; e substâncias termogênicas: cafeína, ginseng, que variam entre os suplementos e suas funções. Atualmente, são divididos da seguinte maneira: Hipercalóricos: compostos por carboidratos e proteínas e fornecem ainda vitaminas e minerais. Ideais para indivíduos com dificuldade no ganho de peso, pois apresentam alto valor energético e proteínas de alto valor biológico. Protéicos: à base de proteínas, nutrientes essenciais para gerar aumento de volume e força muscular. Isso ocorre porque nos exercícios de força, os músculos são danificados e lesionados e durante o descanso são novamente refeitos maiores e mais fortes pela ação dos aminoácidos – unidades formadoras das proteínas.

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Termogênicos: aumentam o gasto energético do organismo, otimizando o metabolismo, de modo que haja uma maior queima calórica ao longo do dia contribuindo para a redução de gordura corporal. Queimadores: nessa categoria enquadram-se óleos como o de Coco e, Cártamo e de L-Carnitina, que estão envolvidos diretamente no metabolismo de gordura, favorecendo a redução de gordura corporal. Shakes: substitutos de refeição, favorecem o emagrecimento pela redução da ingestão total de calorias diárias. Com menor valor calórico, uma dose de shake substitui uma refeição convencio198

nal, porém com o fornecimento de nutrientes de forma equilibrada e nutricionalmente balanceada. De acordo com a nutricionista da Midway, a absorção desses produtos pelo organismo ocorre como se fossem alimentos, só que de forma mais rápida e eficaz, por isso são muito usados para melhorar a recuperação muscular e fornecer energia instantânea. “No caso de vitaminas, fibras, minerais e substâncias termogênicas, são absorvidos da mesma forma que os encontrados nos alimentos, a diferença é que isolamos e deixamos os suplementos bem mais concentrados nessas

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A melhor forma de iniciar o gerenciamento desta categoria é segmentar uma seção como ambiente de bem-estar, ou espaço saúde substâncias do que os alimentos.” Os suplementos alimentares podem proporcionar diversos benefícios à saúde, como ganho de massa muscular, resistência, força, performance , redução de gordura corporal, entre outros, mas, de acordo com a nutricionista da Nutrilatina, Michelle Bueno Serra, é preciso cautela. Os suplementos para ganho de massa devem ser utilizados apenas por praticantes de exercícios físicos regulares ou por indivíduos que estejam com alguma carência nutricional específica, pois é quando ocorre o estímulo para que haja a síntese de proteínas e, consequentemente, o ganho de massa muscular. “Os demais suplementos como os shakes substitutos de refeição e termogênicos/queimadores, de um modo geral, podem ser utilizados por todas as pessoas que não praticam exercícios e que não apresentam problemas de saúde. Porém, a prática de atividades potencializa os resultados para redução de gordura corporal”, afirma.

Gerenciando a categoria A melhor forma de iniciar o gerenciamento desta categoria é segmentar uma seção como ambiente de bem-estar ou espaço saúde. De acordo com o gerente nacional de vendas da Nutrilatina, Marcelo Fernandes, os suplementos podem ser divididos em diversas subcategorias, que, expostos de forma organizada, facilitam a busca dos produtos por parte do consumidor. “Podemos categorizar os suplementos em proteínas, pré-treino, recuperação, hipercalóricos, repositores energéticos, polivitamínicos, termogênicos, emagrecedores, bloqueadores de gordura e precursores hormonais”. Para alavancar ainda mais as vendas, a exposição dos produtos devem estar junto às categorias ligadas à saúde e bem-estar, de forma organizada, e com dupla exposição de produtos de alto giro, como barras energéticas 200

Venda autorizada Existem várias substâncias proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anivsa), pois não há estudos suficientes que comprovem a verdadeira eficácia e segurança do uso de determinados compostos por certo período de tempo. Além disso, mesmo as substâncias de livre comercialização ainda possuem certas restrições. Um exemplo desse caso seria a creatina. A creatina é um composto que não é proibido pela Anvisa, porém sua comercialização só é permitida na forma pura ou associada ao carboidrato, impedindo qualquer outro tipo de associação.

e gel repositor nas gôndolas e checkout. Mas não basta apenas investir na exposição dos produtos no PDV, é importante que o farmacêutico saiba para que serve cada produto, como utilizá-los e como combiná-los da melhor forma possível de acordo com o objetivo almejado pelo indivíduo. Apesar de os consumidores de suplementos conhecerem os produtos, o autosserviço apresenta-se como uma excelente alternativa para acesso aos produtos. Porém, segundo Fernandes, sempre que possível, é recomendável ter um profissional preparado para auxiliar os consumidores, esclarecendo eventuais dúvidas e indicando os produtos ideais para cada situação, deixando o consumidor mais seguro e satisfeito em relação à compra. “A Nutrilatina investe na categoria, por isso oferece equipe de nutricionistas e consultores especializados para ajudar nos treinamentos e orientações técnicas para os balconistas prestarem um bom atendimento”, garante o gerente da companhia. “O balconista também deve orientar o cliente a buscar um acompanhamento nutricional para melhores resultados, principalmente se este apresentar qualquer tipo de patologia, já que nesse caso é imprescindível o acompanhamento médico e nutricional”, conta Jeanne, da Midway.

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Repaginada

no visual Seja para expressar maturidade, seja apenas para mistério e elegância, as consumidoras brasileiras apostam em tinturas e colorações que atendam suas necessidades mais profundas Po r K athlen R a m o s e Lí g i a Fav oretto

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As consumidoras brasileiras gostam de mostrar mudanças no visual de acordo com seu estado de espírito ou quando querem expressar maturidade, liberdade, seriedade ou descontração. E é fato que muitas dessas mudanças começam pela tonalidade dos cabelos. “Elas querem mudar para se expressar livremente, mostrar quem realmente são. De modo geral, os tons de marrom mostram o desejo de ser forte, elegante, autêntica e encantadora; os tons de vermelhos mostram uma mulher mais misteriosa, provocante, envolvente e intensa; já os louros são para mulheres marcantes, ousadas e sensuais”, diz o cabeleireiro, professor e embaixador da Maxton, Marcelo Carrato. Tingir o cabelo deixou de ser um hábito das pessoas que desejam apenas esconder os fios brancos. Hoje, colorir as madeixas é uma questão de personalidade, uma verdadeira transformação que segue tendências do mundo todo. As semanas de moda internacionais, reproduzidas no Brasil, nas fashions weeks, trazem o movimento dessa indústria que é reflexo de atitudes e mudanças comportamentais. Além da moda, as empresas lançam produtos a partir de suas inovações tecnológicas e movimentos do mercado. As mulheres querem ficar mais bonitas e ter uma cor intensa, isso aumenta a autoestima e faz com que elas se tornem cada vez mais dispostas a investir em beleza, sobretudo quando se observa o aumento da renda da população e maior inserção das mulheres no mercado de trabalho. Na categoria tintura, o Brasil ocupa a segunda posição no mundo, sendo forte candidato para ser o primeiro nos próximos anos. Com a demanda maior de diversos tipos de consumidores (dos mais novos aos mais velhos), além de predominância em diferentes classes sociais, o setor tem registrado taxas siginificativas de crescimento. As mulheres também mudam o visual de acordo com a estação. Para farmácias e drogarias, é fundamental ficarem atentas a essas tendências para acertar o mix. “Embora não exista sazonalidade na categoria, vê-se uma leve tendência para os tons mais escuros no inverno.

Na categoria tintura, o brasil ocupa a segunda posição no mundo, sendo forte candidato para ser o primeiro nos próximos anos. com a demanda maior de diversos tipos de consumidores, além de predominância em diferentes classes sociais, o setor tem registrado taxas significativas de crescimento Assim, os castanhos e vermelhos passam a ser os prediletos da nova temporada”, afirma a gerente de Nutrisse, Débora Maciqueira. Para antecipar essas tendências e os desejos da mulher a cada estação, as apostas da indústria são grandes e passam por muita pesquisa. Para atingir o objetivo de encantá-las, as empresas pesquisam ativos dentro e fora do Brasil que estejam em sintonia com as necessidades das brasileiras.

Atendimento personalizado A maioria das brasileiras colore seus fios sem auxílio profissional e, portanto, sem saber como manter a cor ou qual a melhor tintura para os seus objetivos. “De acordo com dados da última pesquisa de hábitos e consumo, 68% das brasileiras pintam os cabelos em casa e 47%, no salão”, diz Débora, da Nutrisse. Portanto, vale a pena entender sobre esse universo para orientar as clientes no ponto de venda. De estação para estação há sempre mudanças nas tendências de cores. É importante auxiliar a consumidora para que ela escolha a tonalidade que melhor combina com seu tipo de pele, ressaltando sua beleza e feminilidade. Para isso 2013 setembro guia da farmácia

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Organização dos lançamentos Segundo a diretora da Only Merchadising, Regina Blessa, o layout bem planejado eleva o valor do tíquete médio em até 30%. Veja a seguir algumas dicas da especialista para que os lançamentos, pertinentes à nova estação, sejam administrados da melhor forma possível. • Dar destaque à exibição dos lançamentos e dos produtos mais procurados na loja. • Posicionar os itens de destaque do lado esquerdo de quem entra na loja. Lembrar que o cliente entra pelo lado direito, mas olhando para o esquerdo. • Colocar lançamentos e tendências nos melhores locais, que são as pontas de gôndola, onde os consumidores são forçados a fazer a curva e se detêm por mais tempo. • Produtos em embalagens grandes devem ficar no fundo da loja, pois podem ser vistos de qualquer ponto. • Usar sobriedade na arrumação das prateleiras. Evitar enfeites brilhantes, laços, papel crepom (o arranjo acaba chamando mais atenção do que o produto). • Promover a experimentação dos lançamentos oferecidos por meio dos testadores. • Cuidar da iluminação no fundo das prateleiras, já que ela pode ofuscar o item (principalmente as embalagens plásticas). • Ao fazer uma pilha, não deixar a mercadoria muito arrumada, porque isso intimida o comprador. • Como a maioria das pessoas é destra, usar os artigos que precisam de impulso à direita do item principal. • As prateleiras devem ser de vidro, e ele deve aparecer o mínimo possível. • Manter na loja folhetos explicativos sobre os lançamentos e as tendências da estação.

é preciso conhecer esse universo e revelar o que há de melhor em cada mulher. A mulher que deseja experimentar o vermelho deve saber que há uma vasta gama de variações da cor, dos intensos aos mais sutis. Por isso, é recomendado conhecer quais tons combinam com o 204

biotipo, cor de pele e até com Cada consumidora a imagem que ela deseja transestá em busca de mitir, já que os cabelos também uma necessidade são fortes ícones de expressão específica da personalidade feminina. O cabelereiro e embaixador de Koleston, da Wella, Julio Crepaldi, comenta que as brasileiras em geral, com tom de pele mais oliva, ganham elegância e luminosidade próxima ao rosto ao adotarem as nuances avermelhadas. Já as mulheres de pele clara ou com sardas, têm nos tons acobreados aliados para criar contraste que ressalta tanto os cabelos quanto o rosto. O profissional salienta que, é preciso informar às consumidoras que, para começar uma coloração de tons avermelhados, não se parte de uma superfície branca. “Há uma concentração de pigmentos escuros no cabelo que podem neutralizar ou acentuar o tom desejado.” Ele acrescenta ainda que é comum a mulher olhar para a foto da embalagem e já se imaginar exatamente com o tom da modelo. Mas é preciso considerar a cor do cabelo atual. “O melhor jeito de evitar isso é usar o comparativo demonstrado na embalagem e fazer o teste da mecha”, orienta. Se necessário, é possível sugerir duas cores para chegar ao tom desejado na transformação. O varejista deve contar com o auxílio das consultoras de beleza da indústria e estar atentos à forma de aplicação presente no folheto explicativo. Muitas consumidoras reconhecem o canal farma sendo um dos pontos de venda em que a categoria tem boa exposição e sortimento. É recomendado que as gôndolas fiquem organizadas por colorações permanentes e semipermanentes e conforme numeração indicativa da nuance. Cada consumidora está em busca de uma necessidade específica, por isso suas necessidades devem ser levadas em consideração na hora do atendimento: Tempo de retoque: para cabelos completamente tingidos, a orientação fica para retocar os fios a cada 30 dias. No entanto, outras técnicas podem durar mais tempo. “No caso de luzes, mechas ou

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com tanta oferta de produtos, os pontos de venda precisam se destacar frente à concorrência, desembolsando menos e agregando valor ao produto. uma alternativa é atrair novos consumidores, principalmente aqueles que não conhecem a categoria de forma plena reflexos, a mulher poderá retocar as madeixas com um intervalo maior, pois esses procedimentos apresentam um efeito mais discreto do que colorir todo o cabelo. A sugestão para o retoque é a cada três meses, para manter os cabelos sempre em dia”, recomenda a diretora de marketing de Biocolor, Daniella Brilha. Reaplicação: uma reclamação comum das mulheres é que, após as lavagens, os fios começam a desbotar, especialmente se o tom escolhido é avermelhado. No entanto, de acordo com a diretora da Biocolor, o que acontece, na verdade, é que cores mais vibrantes, como as vermelhas, perdem a vivacidade. Portanto, é preciso ter alguns cuidados. “Para manter a cor por mais tempo, o ideal é que os primeiros retoques sejam feitos em intervalos menores, ajudando na fixação da tintura. Nos dois primeiros meses, ele deve ser feito a cada 15 dias e, após esses período, mensalmente”, diz, explicando que, na hora de retocar, o cabelo deve ser dividido em quatro partes e a tintura pode ser aplicada somente nas áreas desbotadas. “O ideal é que o retoque seja iniciado pela nuca, onde os fios demoram mais para fixar a cor. Após 25 a 30 minutos, a tintura deve ser aplicada no comprimento do cabelo. Nesse momento, ela deve permanecer nos fios de cinco

a dez minutos, no máximo, e depois enxaguada”, orienta a diretora de marketing da Cless, Daniella Brilha. “Se o retoque for feito num período superior a 40 dias, o ideal é colorir os fios por inteiro, pois o desbotamento será de mais de dois tons”, observa o especialista da Maxton. Manutenção da cor: para manter a cor sempre viva, sem perder a tonalidade com o tempo, o segredo está na nutrição dos fios. “Deve-se usar xampu específico para cabelos coloridos, hidratar frequentemente e usar leave-in com filtro UV diariamente”, orienta a coordenadora técnica da Cless. Ao mudar o tom dos cabelos, também deve-se observar a qualidade das tinturas. “Vale utilizar uma coloração com tecnologia de longa duração capaz de nutrir os fios”, constata. Algumas tinturas já são munidas de kits que incluem um tratamento semanal para mantê-los hidratados até a próxima coloração. Melhor cobertura para os fios brancos: se a intenção é se livrar dos cabelos brancos, o ideal é o uso das cores básicas. É fácil identificá-las nas embalagens, pois são aquelas com numeração que termina com zero. “Se o objetivo é cobrir os brancos, vale aplicar as cores básicas, para que não transpareça nos fios e cubra bem o branco. Agora se quiser usar um tom acinzentado, dourado, 2013 setembro guia da farmácia

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o canal farma é mais atrativo, proporciona conveniência e maior oferta de produtos. representa 68% do volume e 70% em valor da categoria, bastante comodidade, o que proporciona competitividade dentro do canal farma e não entre canais pode, mas sempre sem se esquecer da cor básica, pois é nela que está o pigmento de fixação”, garante o executivo. Mudanças sutis: se o objetivo é mudar um pouco a cor dos cabelos, mas sem usar nada muito definitivo, a melhor escolha fica para os tonalizantes, que saem dos fios com as lavagens. “Eles deixam o tom do cabelo mais homogêneo e têm uma fixação menor do que a tintura permanente”, constata o especialista de Maxton. Outra sugestão é a aplicação de mechas, que exigem um tempo aproximado de 90 dias para retoque, e que agora também podem ser feitas em casa. Esses produtos já vêm acompanhados de escova de aplicação e é possível controlar tanto a quantidade de mechas quanto a intensidade da cor.

Atratividade do canal farma Tingir os cabelos não é uma necessidade comum, mas um capricho. A categoria de tinturas tem desembolso alto, dessa forma o canal farma é o preferido para a realização das compras desse produto, enquanto o alimentar é muito utilizado para abastecimento de tíquete alto. O canal farma é mais atrativo, proporciona 208

conveniência e maior oferta de produtos. Representa 68% do volume e 70% em valor da categoria, bastante comodidade, o que proporciona competitividade dentro do canal farma e não entre canais. Com tanta oferta de produtos, os pontos de venda precisam se destacar frente à concorrência, desembolsando menos e agregando valor ao produto. Uma alternativa é atrair novos consumidores, principalmente aqueles que não conhecem a categoria de forma plena, como os das classes mais baixas que estão em ascensão. A população das classes altas perderam importância, já que migra para os salões de cabeleireiro com as cores e marcas já bem definidas, enquanto que a da classe média se destaca, experimentando o produto pela primeira vez, dentro do lar, não tem cor nem marca de preferência. A grande tendência é que o consumidor seja segmentado por região. Os pontos de venda precisam se adequar ao shopper. Pode ser que um consumidor da classe A já conheça o produto, nesse caso não precisa ter uma gama enorme, enquanto que, para a C, que pode não conhecer, é possível trabalhar um sortimento mais amplo. Além disso, trabalhar com atendimento diferenciado gera impacto positivo. Pode ser através das consultoras de beleza ou com ofertas, como as embalagens promocionadas, leve dois pague um. Com a promotora, o produto ganha espaço de exposição siginificativo dentro da loja, assim a relação entre produto de qualidade e desembolso fica mais interessante, o que é, sem sombra de dúvidas, um alavancador de vendas.

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atualidade

Descaso com

doenças infecciosas População brasileira é a que menos se preocupa com a gripe sazonal

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Um novo estudo conduzido pelo Conselho Global de Higiene (Global Hygiene Council) revelou que mais de 75% da população mundial adulta está preocupada com o risco pessoal ou de suas famílias contraírem alguma doença infecciosa. E não é para menos: dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que as doenças infecciosas são responsáveis pela morte de mais de 13 milhões de crianças e jovens adultos por ano. De acordo com o estudo inédito, conce-

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dido com exclusividade ao Guia da Farmácia, o grau de preocupação varia significativamente entre os países, sendo que a Índia apresenta o maior receio (95%), contra apenas 54% na Alemanha, local em que se registrou a menor preocupação. Intitulada Desafio Global de Infecção e realizada com mais de 18 mil adultos em 18 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Malásia, Nigéria, Reino Unido, Rússia e fotos: shutterstock/divulgação

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Sobre o Hygiene Council O Hygiene Council é uma iniciativa que reúne experts mundiais nas áreas de microbiologia, virologia, doenças infecciosas, imunologia e saúde pública para formular recomendações realistas e práticas sobre medidas simples que ajudam a elevar os níveis públicos de higiene em casa e na comunidade e, consequentemente, ajudam a prevenir a propagação de todos os tipos de infecções. O Hygiene Council é apoiado pela Reckitt Benckiser.

Turquia) à pesquisa revelou que a maior preocupação (30%) está relacionada à gripe sazonal, mas há variação entre os países. No Brasil, por exemplo, a gripe sazonal é vista como um receio para apenas 11% dos entrevistados. Para os brasileiros, as doenças infecciosas que mais preocupam são as pandemias de gripe, como a H1N1, apontadas como o principal receio (43%). Já no Reino Unido, as três maiores preocupações estão relacionadas a doenças estomacais (42%), diarreia e vômito (33%) e Staphylococcus aureus resistente à meticilina, doença conhecida pela sigla inglesa MRSA (30%). O presidente do Conselho Global de Higiene e professor de virologia da St. Barts e da London School of Dentistry, John Oxford, comenta que ficou claro que os receios relacionados a doenças infecciosas variam consideravelmente entre a população mundial, dependendo do país em questão. Em alguns lugares, doenças respiratórias como a gripe sazonal e o resfriado comum são as maiores preocupações, enquanto em outros as doenças gastrointestinais, causadas por organismos como E. coli e Salmonella, preocupam mais. “Apesar das diferenças, detectamos um reconhecimento global de que a boa higiene é uma importante maneira de se prevenir e impedir a propagação de doenças infecciosas. Simples hábitos de higiene, como a lavagem de mãos com sabão antes das refeições e após ir ao banheiro, e a desinfecção de superfícies, são essenciais para ajudar a quebrar a corrente da infecção.’’ Ele diz ainda que, tendo em vista que, a influenza ataca regularmente todos os anos e em prati-

É sabido que as doenças infecciosas, incluindo as respiratórias como a influenza e as intoxicações alimentares como a Salmonella, são regularmente transmitidas dentro das casas entre membros da família, seja pelo preparo impróprio de alimentos, seja pela contaminação em superfícies da cozinha que não são higienizadas corretamente camente todos os países. “A gripe sazonal causa doenças severas nos grupos de menores de 2 anos e maiores de 75, além de causar sérios riscos para as pessoas que já tenham problemas de saúde pré-existentes.” O especialista revela que para crianças, doenças infecciosas podem interromper a ida à escola e, portanto, sua atividade cognitiva e outros desenvolvimentos. Elas também representam uma ameaça de longo tempo que deve ser evitada. Para aquelas crianças que já têm um problema na saúde, como a asma, isso pode se tornar um problema ainda maior. Quando perguntados sobre os motivos do receio em relação às doenças infecciosas, 64% dos entrevistados afirmaram que, a longo prazo, elas afetam a saúde de forma crucial. Mais da metade também apontou que a preocupação vem do aumento da resistência antibiótica, pois acreditam que isso está tornando as infecções bacterianas mais difíceis de tratar. No geral, 68% dos adultos pensam que o transporte público é um dos lugares mais propensos a se contrair doenças infecciosas, comparado a apenas 11% que enxergam o risco dentro da própria casa. No Brasil, o índice cai para 6%, fato que preocupa o Dr. Eitan Berezin, chefe do departamento pediátrico de doenças infecciosas do Hospital Universitário da Santa Casa de São Paulo, presidente do comitê da Sociedade Pediátrica Brasileira e membro local do Conselho Global de Higiene: “Muitos brasileiros não sabem como os germes podem ser facilmente transferidos entre as superfícies e acham que não estão correndo riscos em sua própria casa. Sabemos que os germes não apenas são transferidos facilmente da mesma forma que sobrevivem em superfícies por longos períodos, o que proporciona um bom tempo para a contaminação acontecer.” 2013 setembro guia da farmácia

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números da pesquisa O grau de preocupação varia significativamente entre os países, sendo que a Índia apresenta o maior receio (95%), contra apenas 54% na Alemanha, local em que se registrou a menor preocupação.

Em termos de prevenção, 77% dos adultos garantem que suas famílias lavam as mãos com água e sabão após o uso do banheiro e antes de comer. Mais da metade (55%) afirma que também limpa e desinfeta superfícies domésticas regularmente.

No Brasil, 25% das mulheres e 10% dos homens carregam géis antibactericidas para as mãos.

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Mais de 75% da população mundial adulta está preocupada com o risco pessoal ou de suas famílias contraírem alguma doença infecciosa.

No geral, 68% dos adultos pensam que o transporte público é um dos lugares mais propensos a se contrair doenças infecciosas, comparado a apenas 11% que enxergam o risco dentro da própria casa. No Brasil, índice cai para 6%.

As doenças infecciosas são responsáveis pela morte de mais de 13 milhões de crianças e jovens adultos por ano.

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Atitudes preventivas Em termos de prevenção, 77% dos adultos garantem que suas famílias lavam as mãos com água e sabão após o uso do banheiro e antes de comer. Mais da metade (55%) afirma que também limpa John Oxford, do e desinfeta superfícies doConselho Global de mésticas regularmente, Higiene, diz que a higiene é uma boa como pias do banheiro e maneira de prevenir e da cozinha, por exemplo, impedir a propagação demonstrando a consciênde doenças infecciosas cia de que a boa higiene pode prevenir infecções. No Brasil, 25% das mulheres e 10% dos homens carregam géis antibactericidas para as mãos quando saem de casa para ajudar na prevenção de doenças infecciosas – dados laboratoriais mostram que a limpeza das mãos com agentes antibacterianos fornece um benefício ainda maior na redução de doenças do que lavá-las com sabão comum e água. Em contrapartida a esses dados positivos, estudos anteriores do Conselho Global de Higiene como o Dettol Habit Study indicam que, apesar das pessoas reconhecerem a boa higiene como algo importante, na realidade elas nem sempre a praticam corretamente: 83% dos adultos dizem que possuem a intenção de lavar as mãos todas as vezes que vão ao banheiro, mas apenas 68% lavam com água e sabão. “Isso acontece porque os investimentos em campanhas de higiene são mais do que necessários. Eles são essenciais. Por exemplo, para vacinas serem eficientes em uma comunidade, 95-96% das crianças devem ser vacinadas. Para higiene ter um impacto equivalente, as mesmas figuras devem ser alcançadas, e eu sei de pesquisas passadas na Argentina e no México durante a pandemia da influenza em 2009, que numa crise médica essa condição pode ser alcançada. Então eu acredito que ambos os investimentos no Global Hygiene Council e investimentos pelos governos ao redor do mundo estão levando para um maior conhecimento e aplicação dos princípios de higiene. É importante lembrar que a higiene tem uma efetividade muito ampla contra vírus e bactérias, diferentemente de qualquer vacina ou antibiótico.”

Sobre o estudo Desafio Global da Infecção O Desafio Global da Infecção (Global Infection Challenge) foi elaborado para gerar insights a partir dos receios da população mundial acerca das doenças infecciosas que os entrevistados e suas famílias podem contrair em casa e na comunidade. 18.162 adultos foram entrevistados em dezoito países diferentes, via on-line e/ou teleconferência.

As crianças, que por sua vez, foram infectadas no jardim de infância e na escola. Por isso é tão importante que as crianças sejam educadas quando novas para lavar as mãos propriamente com água quente e sabão, que destroem o vírus. Esse ensinamento deve ser igual ao de escovar os dentes depois de uma refeição, por exemplo.

Atitude que muda Devido ao aumento da população global, Oxford acredita que o número de infecções vai crescer de forma estável por causa do aumento na população global e do nosso movimento em regiões do mundo previamente não perturbadas, onde novas bactérias e vírus podem estar localizados. “Exemplos disso, ultimamente incluem a emergência do MERS (Middle Eastern Respiratory Syndrome), um vírus simiar ao SARS, na Arábia Saudita e a influenza H7N9 em Shangai. O que me preocupa mais é a falta de preocupação com que a casa continue a ser uma fonte de infecção, em todas as partes do mundo. O que mais me surpreende é a contínua falta de valorização da ameaça global que os micróbios são. Numa visão global, infecção respiratória e diarreia continuam sendo as duas maiores causas de mortes de crianças no mundo, e ambas podem ser combatidos com higiene.” É sabido que as doenças infecciosas, incluindo as respiratórias como a influenza e as intoxicações alimentares como a Salmonella, são regularmente transmitidas dentro das casas entre membros da família, seja pelo preparo impróprio de alimentos, seja pela contaminação em superfícies da cozinha que não são higienizadas corretamente. Para ajudar a proteger toda a família contra potenciais infecções, é essencial lavar as mãos regularmente com sabão e desinfetar as superfícies que entram em contato com os alimentos. 2013 setembro guia da farmácia

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Mercado mercado

Evolução histórica Produtor de conteúdo customizado há 20 anos, o Guia da Farmácia completa 250 edições com alto nível de satisfação do setor

A

Por Lígia Favoretto

A produção de conteúdo customizado e relevante é o diferencial desses 20 anos de história do Guia da Farmácia. A intenção não é apenas desenvolver mas também fazer a gestão do conteúdo integrando diversas mídias para alcançar os resultados almejados e gerar os melhores relacionamentos possíveis entre todos os elos da cadeia. A publicação criou vínculos com clientes dentro de um mercado volátil, o que possibilitou a evolução do produto e fez com que se tornasse referência de leitura, mas, acima de tudo, referência de aprendizado, pois trata-se de um veículo democrático, palco de discussão de assuntos polêmicos, de que participam, lado a lado, entes públicos e a iniciativa privada. O Guia da Farmácia acompanha e relata de perto os principais marcos do mercado farmacêutico. Épocas de intensa transformação social, marcas que alteram a economia e evolução do País.

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Umas das preocupações que acompanharam o produto ao longo de toda a sua história foi o de se posicionar como uma ferramenta capaz de promover o desenvolvimento e incentivar a profissionalização das farmácias e drogarias. Os diretores da Contento, empresa responsável pela produção do Guia da Farmácia, Gustavo Franco de Godoy, Marcial Guimarães e Vinícius Dall’Ovo, acreditam que informação de qualidade é o caminho para o sucesso e pretendem dar continuidade ao trabalho já desenvolvido, agregando cada vez mais inovação: “Somos líderes de mercado, mas não nos acomodamos, buscar o novo, o inexplorado, novas fontes, pesquisas, dados é o que nos motiva e o que faz com toda a equipe trabalhe dentro de um mesmo propósito.” A redação do Guia da Farmácia foi a campo e apurou o que os principais executivos do setor e formadores de opinião pensam a respeito da revista. Acompanhe: fotos: divulgação

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uma função m te ia c á m r m Fa “O Guia da o farmacêutico, já que te d a ras e merc essencial no ade, leva informações cla ra pa id alta credibil s players, desde notícias s todo ento diretas para matérias sobre treinam té um a indústria a êuticos e farmacistas. É do c e a para os farm balhar com toda a equip a tr 0 e 25 m prazer enor mácia. Parabéns pelas r a F ,5 mil!” Guia da onquistem 2 c e u q e , s e õ ção ediç e Comunica ac diretor da R i, n to r A io r Rogé

este é um farmacêutico, tícias do to en m g se o d ais no “Para nós úne as princip , negócios, re e u q to le p m cado veículo co questões de mer bra de dúvidas, o d n ca ta es d r, seto em som s e novidades. S ferência pelos seus o iç v r se , o tã es g rupo mácia é uma re o Guia da Far ação e atualidades. Para o G mil v 50 ino diferenciais de e possui relacionamento com como u a q Interplayers, rasil, ter o Guia da Farmáci ordial farmácias no B icação focado no setor é prim e há qu un veículo de com ar com este grande público o do. ca lh para comparti ências e perspectivas de mer sso e d n te su de novo, as vista muito ce re a d e ip u eq a te d Desejamos a to Interplayers para manter es contem com a informado.” em b re p m se a universo farm rplayers Arnaldo Sá,

Grupo Inte

“A revista Guia da Farm ác que aborda as questões do ia é uma publicação séria, setor de medicamentos co honestidade e imparcialid m ade. uma fonte segura de infor É, sem sombra de dúvidas, m todos aqueles – fabricant ações, imprescindível para es, di que atuam no setor e, prin stribuidores ou varejistas – cipalm e prosperar. Por esse mot ente, que desejam crescer Andorinha escolhemos es ivo, nós da Distribuidora sa revista como uma das nossas parceiras estratégicas. Es ta parceria que vem se cons mos nos referindo a uma olidand É parte da missão da An o há mais de seis anos. agregar valor aos negócio dorinha contribuir para s de se te nesse sentido que nossa us clientes. E é exatamenpa Distribuímos todos os mes rceria se consubstancia. es mais de 1.5 mil exempl ares do Guia da Farmácia a no Entendemos que, dessa for ssos principais clientes. ma, compromisso de ajudá-los estamos cumprindo com o a prospe extremamente competitivo rar nesse mercado em que atuamos. Outro ponto importante diz respeito ao grande po de penetração dessa revista no mercado farmacêutic r de o. Não há como negar o fato de qu eoG buiu de forma inequívoca uia da Farmácia contriAndorinha em todos os rin para consolidar o nome cõ Temos a convicção de que, es do Estado de São Paulo. se hoje o nome Andorinha já é uma referência no setor de parte, a essa conceituada distribuição, devemos, em revista. Distribuidora An dorinha e Guia da Farmácia : uma parceria de sucesso !” Jorge Bertolino Filho, as sessor da diretoria exec utiva da Andorinha

“Por meio do Guia da Farm ácia podemos nos comunicar de forma rápida e dinâmica com o varejo farm ac todo o País. Podemos observa êutico de r através de suas ações, que, assim como o Te tem um comprometimento uto, o Guia com a evolução contínua do segmento.” Ítalo Melo, diretor de mark eting do Teuto

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mercado

cia, da Farmá ta ia u G o a “Parabéns sua 250ª edição! Es ta cia que comple tem grande relevân ois o publicaçã ado farmacêutico, p as m rc e para o m s cujos temas reflete r, e ia to traz matér es do dia a dia do se o que d a necessid itura, possibilitand as le su são de fácil êuticos, mesmo com sso a e c c a os farm , tenham a s e õ iç u ib tr diversas a formações úteis.” in te d o

“Sem dúvida, o Guia da Farmácia é um a referência para o nosso varejo, não som ente pelo vasto e aprofundado conteúdo especializa do mas principalmente porque contribui para que tod os profissionais do setor mantenham-se os bem atualizados e em plena sintonia com a dinâmica e com o processo evolutivo do mercado.” Edison Tamascia , presidente da Fed eração Brasileira das Redes Associativis tas de Farmácias (Febrafar)

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farmacêutico do

Herbarium

guia da farmácia SETEMBRO 2013

O é cu o obr mp B i ri

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Es Da tudo que tafol excl co , n ha/ usiv de nsuma pre ICTQ o do se farm ido ferê rev nac sobr ácia res, a ncia ela m ion essa s re s re dos facesma ais, p em à gion des

duardo Oliveira,

an ju o XX nh • n od º2 e 2 47 013

“Em um mercado tã farmacêutico, é fund o competitivo e dinâmico como o am comunicação com os ental possuir um meio eficaz de noss revista Guia da Farm os shoppers. Trabalho com a ác vários anos e a consid ia, da editora Contento, há brasileiro, pois conseg ero referência no mercado produtiva e séria, co ue associar, de maneira muito nt respeito e o comprom eúdos técnicos e promocionais. O etim parceiros também sã ento para com os seus leitores e Guia. Parabéns a to o características peculiares do dos os profi publicações dessas in ssionais envolvidos nas críveis 250 edições.” E

s in c so lu

Sérgio Mena Barreto, diretor-executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma)

me de mó cr ria ed ibi lid

“Em suas 250 edições, o Guia da Farmácia acompanhou de perto o crescimento do varejo farmacêutico, que nos últimos anos alcançou excelentes resultados como o do último semestre, quando o faturamento das redes associadas à Abrafarma atingiu a marca de R$ 13,5 bilhões. A publicação é uma importante fonte de informações e um espaço essencial para discussões de temas cotidianos do segmento, bem como representa, por vezes, um olhar para aquilo que nos aguarda pela frente.”

a ju no lh XX o •n de º 20 248 13

en s o, p r e s i d á c i a d o s a g e n e Pedro M gional de Farm P) Re F-S Conselho e São Paulo (CR d o E s ta d

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mercado

“Em nome de todos os associados da Alcon Brasil, gostaríamos de parabenizar a equipe do Guia da Farmácia por sua 250ª edição. Desde o início, a publicação fez um trabalho sério, trazendo conteúdo rico, relevante e confiável. Não à toa, a publicação tornou-se uma das referências em varejo farmacêutico. Para nós, o Guia da Farmácia é uma publicação de leitura obrigatória para nos mantermos atualizados com relação ao mercado. Estamos orgulhosos em fazer parte dessa história. Parabéns e muito sucesso.” Fernando Tonetto, diretor comercial, e Eduardo Luckmann, gerente nacional de vendas da Alcon Brasil

ca vada à ris le l, ia r o it que a de ed “A serieda ofissionais, faz com s bem pr en pelos seus a sempre reportag adas, lh h revista ten m informações deta s leitores o o escritas, c mação para todos a de r re fo trazendo egmento. Nós, da á ão é fácil de seu s , sabemos que n sta oe ção comunica ma publicação com fios são manter u tempo, pois os desa nquisco nto durante ta des. Somente quem razer t n muito gra ilidade é capaz de e no ib d ta cre ter-se firm ições!!!” n a m e s o resultad béns pelas 250 ed til Para da Versá mercado! diretora akata, ica Sandra T nicação Estratég Comu

Guia da “A Unilever deseja ao suas 250 ns por Farmácia os parabé a publicação de edições. O Guia é um nto para as a ta extrema importânci m com este ha al pessoas que trab consumidores. canal quanto para os bem inforto As pessoas ficam mui novidades as madas, encontrando m como si em primeira mão, as assuntos em podem se aprofundar e setor. A st que só o Guia traz de mais 250 sso e Unilever deseja suce mos juntos.” orar edições para comem retora de Bianca Curioni, di nilever g da U customer marketin

“O Guia da dúvida, um dos Farmácia é, sem ve tantes do setor e ículos mais imporcomo uma sólid pode ser classificado a re que preza pela cr ferência jornalística ed de das informa ibilidade e qualidaçõ extrema import es. É um canal de ância atualizados sob para nos manter re tendências do se as novidades e to Logística parab r farma. A Ativa eniz da Farmácia p a e agradece o Guia o conteúdo de qua r toda a dedicação e lidade que oferec e aos profissionais do setor.” Sr. Clóvis A. Gil, CEO da Ativa Logística

“A importância do Guia da Farmácia na divulgação da indústria farmacêutica é incon testável. Uma publicação de alto nív el que aborda de forma transpare nte os problemas do setor, sem deixa r de festejar as conquistas da indústria farmacêutica”. Nelson Mussolini, presidente-executivo do Sindicato da Ind ústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusf arma)

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nal ácia é um ca e m r a F a d “O Guia e informação entr d importante laboratório farmas: o dois público garia. O conteúdo e a ro cêutico e a d azidos a cada edição qualidade tr eriedade com que a s mostram a trata a indústria publicação varejista. Para nós ca e o farmacêuti onaduzzi, o Guia da da Prati-D a contribuição para um Farmácia é to do setor. Parabéns o crescimen es desta publicação.” içõ pelas 250 ed aduzzi Prati-Don

“O Guia da Farmácia tem tal uma importância fundamen na comunicação entre a do indústria e os profissionais ta varejo farmacêutico. A revis z ve da vem proporcionando, ca ante mais, conteúdo atual e relev or.” set no aos leitores que atuam da Alexandre França, CEO Aspen Pharma

“Eu ainda era gere nte revista Guia da F de produtos quando a armácia começou primeira pergun .A ta espaço para mais que me fiz era se havia um do setor, uma vez a revista de trade dentro qu grandes muito be e tínhamos três outras m es das. Hoje, eu vejo tabelecidas e segmentaqu tomou o papel da e a Guia da Farmácia pri porque, acima de ncipal revista do setor farmácia queria tudo, ela escutou o que a eo um meio de comu que a indústria queria, de nicação, para liga r o ponto de venda aos produto re ganhou destaque s. E essa forma de trabalho no oportunidades qu setor, mostrando a todos as e exis de entre ambos. H tem de uma proximidaoj prioridade para qu e, a leitura da revista é treinamentos, curi em saber de novidades, os uma leitura man idades, debates, enfim é d saúde. Recomend atória dentro de setor de o a todos, principa pessoas que traba lmente as lha conteúdo da revist m no campo, que tenham o a que hoje paraben em seu dia a dia. É por isso izo a revista Guia da Farmácia pela edição nú mero 250!!!” Wanderley Cun ha, diretor Healthcare Bra da Omron sil

“Com muita com tornou-se um dos petência e veracidade, o Guia da Far meios mác nosso segmento. C de comunicação mais importantes ia om para o conteúdo diferenci notícias atualizad ad o, di ca s de as gest a publicação, sem sobre produtos, empresas e tendênci ão e dúvida, é a mais pr as do setor, ocurada pelos profi setor farmacêutico ssio . demonstração de su A comemoração de 250 edições é, m nais do ais do que cesso, um atestado de qualidade e cred Deusmar Queiró ibilidade.” s, presiden

uia a revista G r a iz n e b a r “Quero pa que neste mês chega emia, da da Farmác e número 250, a quali a d sua edição alho realizado em cad ra b la a c rma de do tr a certa e a fo volvido, lh o c s e a , o esen ediçã da tema é d com que ca o a revista em minha h sempre ten u computador o Guia e im mesa, e no m já está no favorito, ass o te ia da Farmác il acessar rapidamen s c fica mais fá e atualizar das notícia m site, para mente dirigidas aos cuidadosa nais da saúde. profissio ocês que fazem do todos v ” Parabéns a cia o sucesso que ele é. rmá da Guia da Fa o, diretor

te das Farmácia s Pague Menos

Carvalh Vlademir alderma G

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institucional – abradilan

De olho na

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melhor idade

A melhoria da qualidade de vida da população e o aumento da longevidade criaram um novo e promissor mercado a ser explorado

O

P o r G e r a l do M o ntei r o, di r eto r -ex ec u ti v o da A bradilan

O mercado das pessoas da terceira idade, fase chamada carinhosamente pelos brasileiros de melhor idade, tem crescido substancialmente e tem criado importantes oportunidades de negócio, já que o envelhecimento da população gera demanda extra por produtos mais diferenciados. A ideia da vovó de cabelos brancos que se senta na poltrona de balanço e faz o casaco de tricô para se proteger do frio pode ter sido a realidade dos idosos até poucas décadas atrás, mas o cenário mudou. A expectativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que até 2020 o País ostente 19,1 milhões de pessoas com 65 anos ou mais. Atualmente, 7,5% da população nacional estão nessa faixa etária.

Isso exige produtos personalizados e serviços especializados, como homecare, suporte para as atividades físicas específicas e itens nutricionais que atendam às necessidades da maturidade, por exemplo. Se as empresas enxergarem essa oportunidade, certamente irão ampliar seus negócios e vislumbrar maiores lucros. Acredito que isso se deva à conquista de melhor qualidade de vida dessa população, principalmente por conta da aplicação de políticas públicas (federais, estaduais e municipais) visando melhorias na saúde. O avanço da medicina preditiva (área que estuda a predisposição a determinadas doenças), aliada à medicina preventiva clássica e curativa, também trouxe grandes benefícios aos idosos.

Sem falar que a longevidade aumentou e as mulheres estão tendo cada vez menos filhos, o que lhes dá mais tempo e condições de cuidar de si mesmas e de sua saúde e beleza. Estima-se que até 2020 as mulheres terão expectativa de vida de 79,8 anos e os homens de 72,5 anos. Vivendo mais, esse público acaba trabalhando mais tempo e mantendo sua renda, mesmo durante a aposentadoria. Dessa forma, esses homens e mulheres da melhor idade continuam como uma força de consumo injetando dinheiro na indústria, no varejo e no setor de serviços. Assim, eles investem na sua qualidade de vida, vislumbrando produtos para a saúde, alimentação especial e lazer. Esse é o nicho que deve ser aproveitado pelas empresas.

Empresas sócias colaboradoras da Abradilan 220

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Beleza

completa Cientes da vaidade da mulher brasileira, as indústrias de produtos de higiene, perfumaria e cosméticos investem em lançamentos que tratam desde os fios de cabelo até a pele, unhas e, inclusive, o sorriso

Cabelos escovados

A Condor aumenta seu portfólio de produtos para cabelos e lança a linha profissional Naturale, com cabo ergonômico confeccionado em madeira reflorestada, 30% mais leve, duradoura, com boa resistência a esforços mecânicos, além de ecologicamente sustentável. A linha é composta por três escovas de diferentes tamanhos, ideais para alisar cabelos curtos, médios e longos. Preço sugerido: Tamanho 7711 – R$ 23 Tamanho 7713 – R$ 26 Tamanho 7714 – R$ 31 Na gôndola: cabelos Site: www.condor.ind.br 222

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fios bem tratados

A Vichy identificou a grande procura das mulheres brasileiras por produtos específicos para cabelos danificados e lançou uma linha de dermocosméticos para nutrição e reparação da fibra capilar. Dercos Nutrireparador é um duplo concentrado que nutre e recupera a vitalidade natural dos cabelos. A linha conta com xampu, condicionador e máscara capilar. Preço sugerido: Xampu – R$ 53,90 Condicionador – R$ 57,90 Máscara – R$ 79,90 Na gôndola: cabelos Site: www.vichy.com.br fotos: shutterstock/divulgaçãok

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Pele renovada

Buscando atender cada vez mais às necessidades das consumidoras, a La Roche-Posay renovou a linha Redermic [+] e lança no mercado a linha Redermic Hyalu C, que vem mais completa e com novos benefícios. O produto mantém em sua fórmula a vitamina C e Madecassosside, mas ganha a manose, um açúcar de origem vegetal que ajuda a melhorar a textura, a uniformização da pele e o ácido hialurônico fragmentado, que ajuda a suavizar a pele imadiatamente. Preço sugerido: R$ 167,90 Na gôndola: pele/dermocosméticos Site: www.laroche-posay.com.br

Dentes brancos

Sorriso reforça a categoria de cremes dentais com mais uma novidade: Xtreme White 4D, linha composta por gel dental e escova. O lançamento traz um novo conceito para o mercado, oferecendo limpeza avançada, remoção da placa, além de fortalecer e proteger os dentes. Preço sugerido: Escova – R$ 5,62 Creme dental – R$ 3,05 Na gôndola: oral care Site: www.sorriso.com

Combate à oleosidade Unhas nude

Existem cores de esmalte que nunca saem de moda. O Nude é uma delas, pois transmite uma imagem clean e sofisticada. O esmalte Crem, da Mohda Cosméticos, segue essa linha contemporânea ao mesmo tempo em que proporciona segurança para a consumidora, graças a sua fórmula cremosa totalmente livre de agentes que podem causar alergias e irritações. Preço sugerido: R$ 2,80 Na gôndola: cutelaria/checkout Site: www.mohda.com.br

A Galderma, companhia farmacêutica global dedicada exclusivamente à dermatologia, amplia seu portfólio e lança no mercado brasileiro o Dermotivin Salix Líquido 300 ml, destinado aos cuidados de limpeza facial para pele oleosa com propensão à acne. Sua fórmula contém ácido salicílico, um potente queratolítico que ajuda na desobstrução dos poros e no combate à acne. Além de ser um facilitador da descamação natural da pele, deixando-a livre de células mortas e com o toque mais macio. Preço sugerido: R$ 54 Na gôndola: pele/dermocosméticos Site: www.galderma.com.br 2013 Setembro guia da farmácia

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Fios recuperados

Agressões químicas e externas deixam a fibra capilar enfraquecida. Nessa hora, as madeixas exigem produtos com formulações que potencializem a reconstrução dos fios. A linha OX Proteins Reconstrução Profunda promove a reposição de nutrientes à estrutura do fio, como queratina, aminoácidos, vitaminas e proteínas. Preço sugerido: Shampoo OX Proteins Reconstrução Profunda (240 ml) - R$ 9,90 Condicionador OX Proteins Reconstrução Profunda (240 ml) – R$ 11,90 Creme para Pentear OX Proteins Reconstrução Profunda (250 ml) – pH baixo – R$ 10,99 Creme de Tratamento OX Proteins Reconstrução Profunda (300 g) – R$ 15,99 Na gôndola: cabelos Site: www.flora.com.br

Hidratação no banho

Palmolive Naturals traz ao mercado brasileiro uma linha completa com os benefícios para pele e o cabelo. Composta por sabonetes e produtos para os cabelos, desenvolvidos com ingredientes naturais e fragrâncias especiais, a linha traz a tecnologia do Oil-Complex, que, aliada ao óleo de argan, propicia uma hidratação radiante para o dia a dia. A linha é composta por xampu, condicionador e creme para pentear. Preço sugerido: Xampu – R$ 4,50 Condicionador – R$ 5,60 Sabonete barra 90 g – R$ 0,89 Sabonete líquido – R$ 5,29 Na gôndola: pele/cabelos Site: www.colgate.com.br

Personagens animados

A Baruel acaba de colocar no mercado brasileiro a linha Disney Princesa da Baruel, que reúne xampu, condicionadores, sabonetes líquidos e em barra, além de creme para pentear e colônia. Os produtos possuem fragrâncias inspiradas na personalidade de cada princesa. Os lançamentos são aprovados por dermatologista e oftalmologista e possuem fórmulas suaves adequadas para a delicada pele da criança. Preço sugerido: Xampu – R$ 6 Condicionador – R$ 6,50 Sabonete líquido – R$ 7 Colônia – R$ 9 Na gôndola: infantile/checkout Site: www.baruel.com.br 224

Embalagem charmosa

A famosa personagem infantil Penelope Charmosa passa a estampar as embalagens das hastes flexíveis da Bellacotton. O produto pode ser encontrado em duas versões: nas caixas com 75 unidades, que tem até jogo dos sete erros no verso, ou nos potes Flip Top com 150 unidades. As extremidades das hastes são feitas com algodão 100% natural, puro e macio, ideal para a higienização de crianças e adultos. Preço sugerido: Cartucho com 75 unidades – R$ 1,39 Pote flip top com 150 unidades – R$ 4,39 Na gôndola: infantil/checkout Site: www.bellacotton.com.br

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Pele macia

O Hidrafil Loção Cremosa chega ao mercado com a intenção de oferecer hidratação e proteção à pele do rosto, do corpo e das áreas expostas de raios nocivos do sol. O produto é oil free, tem textura leve e não oleosa e combate o fotoenvelhecimento. Contém em sua formulação o complexo NMF Stiefel, formado por substâncias hidratantes e filtros solares, além do silício orgânico, que protege as fibras elásticas da pele.

Livre de maquiagem

Chega ao mercado o Frex Clean, uma espuma desenvolvida para a higiene diária dos cílios e das pálpebras, que elimina com suavidade as impurezas que se depositam nessa área dos olhos ao longo do dia. Desenvolvido livre de fragrâncias e corantes, o produto é indicado para a remoção da maquiagem da área dos olhos, principalmente os resíduos de lápis de olho, sombras e delineadores que se depositam na raiz dos cílios. Preço sugerido: R$ 49,90 Na gôndola: pele/maquiagens Site: www.allergan.com.br

Proteção aumentada

A Prudence, marca de preservativos da DKY do Brasil, lança a maior camisinha de látex do mercado – a Morangão. O produto é apresentado no tamanho XXG, com 58 mm de diâmetro, além de ser a única nesse segmento com cor, aroma e sabor de verdade. Preço sugerido: R$ 4 Na gôndola: preservativos/checkout Site: www.useprudence.com.br

Preço sugerido: R$ 78,72 Na gôndola: pele/desmocosméticos Site: www.stiefel.com.br

Aroma feminino

Para atender à preferência das brasileiras por fragrâncias florais, Roger&Gallet criou Fleur de Figuier. Para chegar ao aroma exclusivo, a marca buscou inspiração no jardim mediterrâneo de Esterel, localizado no sul da França. Além do perfume, a linha é composta pelo hidratante, sabonete trio e individual e o gel douche, para transformar um simples banho em um delicioso ritual de cuidados. Preço sugerido: Colônia – R$ 114,90 (100 ml) e R$ 59 (30 ml) Sabonete – R$ 48,90 (kit com três) e R$ 24,90 (individual) Hidratante – R$ 64,90 Gel douche – R$ 49,90 Na gôndola: perfumes/frangrâncias Site: www.roger-gallet.com.br

Obs.: Os preços sugeridos são informados pela indústria fabricante de cada produto. 2013 Setembro guia da farmácia

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serviços

A

f

ABBOTT www.abbottbrasil.com.br ABS www.abs-sp.com.br ALANAC www.alanac.org.br Anvisa http://portal.anvisa.gov.br Asbai www.sbai.org.br

b BAUSCH & LOMB www.bausch.com.br BIOCOLOR www.biocolor.com.br

C Centro Universitário São Camilo www.saocamilo-sp.br CFF www.cff.org.br CLESS www.clesscosmeticos.com.br Clínica Fluyr Saudável www.fluyrsaudavel.com.br COMBE DO BRASIL www.combe.com.br CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MINAS GERAIS www.bombeiros.mg.gov.br CREMEGO www.cremego.cfm.org.br CRF-PR www.crf-pr.org.br CRF-SP www.crfsp.org.br

d Danone Nutrição Especializada www.danone.com.br Data Popular www.datapopular.com.br DATaSUS www.datasus.gov.br DROGARIA CARLOS GOMES (11) 4816-2165

e Escola de Economia de Londres www.lse.ac.uk Etco www.etco.org.br EUROART IMPORT www.euroartimport.com.br 226

servicos 250.indd 226

Faculdade de Medicina de Harvard http://hms.harvard.edu Farmácia Escola da USP www.fcf.usp.br FARMÁCIA MALHEIRO www.malheiro.com.br FARMÁCIA SANTA CATARINA (19) 3461-2520 FEBRAFAR www.febrafar.com.br FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DO DIABETES www.idf.org Fundação Jeffrey Modell www.info4pi.org

g Global Hygiene Council www.hygienecouncil.org graac www.graacc.org.br GSK www.gsk.com.br

h HCOR www.hcor.com.br Hospital Israelita Albert Einstein www.einstein.br HOSPITAL PAULISTANO www.hospitalpaulistano.com.br Hospital Universitário da Santa Casa de São Paulo www.santacasasp.org.br

i IBGE www.ibge.gov.br IBOPE www.ibope.com.br ICTQ www.ictq.com.br IDEAC www.ideac.com.br IMS HEALTH www.imshealth.com INCOR www.incor.usp.br Instituto Karolinska www.ki.se Ipea www.ipea.gov.br

k Kimberly-Clark www.kimberly-clark.com.br KOLESTON www.koleston.com.br

l London School of Dentristry www.kcl.ac.uk/dentistry

m Marjan Farma www.marjan.com.br MAXTON www.embelleze.com Midway Labs www.midwaylabs.com.br Ministério da Saúde www.saude.gov.br

n NIELSEN www.nielsen.com Nutrilatina www.nutrilatina.com.br NUTRISSE www.garnier.com.br

o Olympikus www.olympikus.com.br OMS www.opas.org.br

p Pfizer Consumer Healthcare www.pfizer.com P&G www.pg.com/pt_BR PROCON www.procon.sp.gov.br PT www.pt.org.br

s SBC www.cardiol.br SBFC www. sbfc.com.br SBGG www.sbgg.org.br SCA www.biofral.com.br SEBRAE www.sebrae.com.br SINDICATO DOS FARMACÊUTICOS DE GOIÂNIA www.sinfargo.org.br Sindusfarma www.sindusfarma.org.br SINFAERJ www.sinfaerj.org.br SOBLEC www.soblec.com.br Sociedade Brasileira de Clínica Médica www.sbcm.org.br

t Teuto www.teuto.com.br The Annals of Pharmacotherapy www.theannals.com

u ULTRAPOPULAR www.drogariasultrapopular.com.br União Química www.uniaoquimica.com.br UNICAMP www.unicamp.br Unifesp www.unifesp.br Universidade do Estado de Nova York www.suny.edu Universidade Presbiteriana Mackenzie www.mackenzie.br USP www.usp.br

v Vagas Tecnologia www.vagas.com.br Vison Care www.jnjvisioncare.com.br

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Edição 250 - Especial Idosos