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UTILIZAÇÃO DE PRODUTOS DE SOJA NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL PARTE I. VALOR NUTRICIONAL p. 6 G. Fondevila, L. Cámara J. L. Archs & G.G. Mateos


PROGRAMA S.I.M. Saúde Intestinal Máxima

PROBIÓTICOS E SIMBIÓTICOS QUE ATUAM NO EQUILÍBRIO DA MICROBIOTA INTESTINAL DAS AVES E SUÍNOS E ESTIMULAM O SISTEMA IMUNE, ALIADOS A PRODUTOS ESTRATÉGICOS QUE PROMOVEM MAIOR CONFORTO E QUALIDADE DO AMBIENTE PRODUTIVO

PERFORMANCE E SAÚDE ANIMAL

AMBIENTE E BEM-ESTAR ANIMAL

Manipulação da microbiota intestinal

Redução da umidade da cama, redução de odores e auxílio no controle de microrganismos e insetos

PRODUTOS

// GVF-PELLETS // GVF-MIX RF // GVF-AQUA

PRODUTOS

// BIOEFITECH // CEKASOL GREEN

// SIMBIUM AVES DIVITA // CINERMAX CLEAN EGG // SIMBIUM SUÍNOS // CINERMAX SUIS

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CONTEÚDOS 6

Utilização de produtos de soja na alimentação animal G. Fondevila L. Cámara J. L. Archs G. G. Mateos

16

Como fica a qualidade nas fábricas de alimentos para animais em tempos de COVID-19? Dione Carina Francisco Med. Vet., Mestre em Agronegócios, Especialista em Controle de Qualidade, Auditora Líder HACCP

Departamento de Produção Agrária, UP Madri

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1 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020


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20

Biosseguridade O que é e sua importância

Eduardo Miotto Ternus Consultor Técnico Suínos - VETANCO Brasil

26

Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno David Solà-Oriol Serviços de Nutrição e Bem-estar Animal –SNiBA– Departamento de Ciência Animal dos Alimentos, UAB

2 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020

Fibra alimentar desde o parto

34 até o desmame – benefícios às porcas e aos leitões Equipe BIOSEN


nutrinewsbrasil.com 42

As Vantagens em Usar Aditivos para Aproveitar Melhor a Fibra Dietética dos Alimentos Alexandre Barbosa de Brito

Médico Veterinário, PhD em Nutrição Animal

48

Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II

Fernando Bacha Baz1 María Jesús Villamide Díaz2 NACOOP ETSIAAB - Universidade Politécnica de Madri

1

2

54

Entrevista com Ariovaldo Zani Diretor de Insumos do Departamento do Agronegócio da FIESP, diretor do CBNA e CEO do Sindirações

Predictable performance SMn-P-AP-15.07-EN • Avalone The information provided in this document is at the best of our knowledge, true and accurate. However, products must only be used in compliance with local laws and regulations and we cannot guarantee freedom of use for every intended application or country.

• Apoiar as defesas naturais dos animais • Reduzir a pressão por patógenos no trato digestivo • Estimular a função intestinal • Melhorar a resistência das aves ao estresse calórico

phileo-lesaffre.com vendas@phileo.lesaffre.com


QUAIS SÃO OS IMPACTOS DA COVID-19 NA CADEIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL DO BRASIL? Apesar da pandemia e seus impactos na economia, as exportações do agronegócio brasileiro não foram afetadas negativamente. Ao contrário, segundo dados da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) as vendas externas do agronegócio em março de 2020 foram de US$ 9,29 bilhões, 13,3% a mais do que março de 2019, com destaque para a carne bovina, a principal proteína animal exportada pelo Brasil, com vendas externas de US$ 637,81 milhões em março de 2020. Entretanto, mesmo com um bom desempenho, as incertezas do ambiente atual vividas pelos agentes econômicos – no Brasil e no mundo - levam a tensões que geram desequilíbrios no mercado, afetando a conduta e o desempenho das empresas e demandando ajustes em toda a cadeia produtiva. As consequências vão sendo conhecidas no dia a dia, à medida em que a crise vai evoluindo. E nesse cenário de incertezas, para nós, da nutriNews Brasil, que somos a primeira mídia especializada em nutrição animal do país, a

pergunta que não quer calar é: como isso tudo afeta a alimentação animal no país? De acordo com o Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal), a desvalorização em torno de 35% da nossa moeda (Real) inflacionou o preço do milho, da soja e outros itens como vitaminas, enzimas e aditivos que o Brasil importa. Por outro lado, a desvalorização do câmbio nos últimos 12 meses favoreceu a cadeia produtiva exportadora. Mesmo assim, essa importante entidade do setor ainda acredita que será possível manter um nível aceitável de produção e escoamento. Seguimos com as incertezas do setor no Brasil e no mundo. E buscando contribuir cada vez mais para reflexão e o debate sobre nutrição animal e também, nesse momento, os impactos da COVID-19, apresentamos a vocês a primeira edição da nutriNews Brasil 2020. Boa leitura e saúde a todos leitores! Equipe nutriNews Brasil

EDITOR GRUPO DE COMUNICAÇÃO AGRINEWS S.L. PUBLICIDADE Simone Dias +55 (11) 98585-2436 nutrinewsbrasil@grupoagrinews.com Anna Fernández Oller +34 609 14 50 18 af@agrinews.es DIREÇÃO TÉCNICA José Ignacio Barragán (aves) David Solà-Oriol (suinos) Fernando Bacha (ruminantes) REDAÇÃO Priscila Beck Simone Dias María de los Angeles Gutiérrez Osmayra Cabrera Daniela Morales COLABORADORES Luiz Felipe Caron Paloma García Rebollar Chad Paulk Antônio Mário Penz Junior Steeve Leeson José Ignacio Barragán Fernando Bacha Baz ADMINISTRAÇÃO Anna López Mercè Soler info@grupoagrinews.com www.nutrinewsbrasil.com GRATUITA PARA FABRICANTES DE ALIMENTOS, EMPRESAS DE PREMIX E NUTRICIONISTAS Depósito Legal Nutrinews B-17990-2015

A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagens: Noun Project / Freepik/Dreamstime

5 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020


UTILIZAÇÃO DE

PRODUTOS DE SOJA

NA

ALIMENTAÇÃO PARTE I

ANIMAL

VALOR NUTRICIONAL matérias primas

G. Fondevila, L. Cámara, J. L. Archs & G. G. Mateos Departamento de Produção Agrária, UP Madri

A farinha de soja é a principal fonte de proteína e aminoácidos (AA) na formulação de alimentos balanceados para o gado em nível mundial, especialmente no caso de animais monogástricos.

6 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal


Outros parâmetros, tais como conteúdo de açúcares, FND, perfil de AA e A soja é uma fonte vegetal de

variáveis como o conteúdo de inibidores

qualidade, com uma composição

de tripsina (IT), reações de Maillard e

química menos variável que outras

solubilidade em KOH raramente são

fontes proteicas, o que favorece altos

analisados. Todos estes parâmetros são de interesse,

No entanto, devido a seu alto nível

já que nos permitem avaliar corretamente

de utilização, especialmente em

o valor nutricional da soja. Estas variáveis,

dietas para avicultura, a falta de

no entanto, estão sujeitas a importantes

uniformidade desta matéria prima é

variações em função de:

muito mais relevante que das outras matérias primas presentes na fórmula. Em muitas situações práticas, o controle de qualidade das farinhas de soja e seus derivados se resume a analisar seu conteúdo em umidade, fibra bruta, proteína bruta (PB) e atividade ureásica.

matérias primas

níveis de inclusão na ração balanceada.

Genótipo da semente Tipo de solo e condições ambientais durante a fase de crescimento (Westgate et al., 2000) Características do processamento (Grieshop et al., 2003)

Analisar apenas o conteúdo da soja em umidade, fibra bruta, proteína bruta (PB) e atividade ureásica não é

Tempo de armazenamento (Serrano et al., 2013)

suficiente para determinar seu valor

Presença de fatores

nutricional com precisão.

antinutricionais (Karr-Lilienthal et al., 2004; Frikha et al. 2012) País de origem do grão (Ravindran et al., 2014; García Rebollar et al., 2014 y 2016).

7 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal


O objetivo do presente trabalho será exposto em três partes: A farinha de soja supõe o maior custo de todas as matérias primas que entram

1

em uma fábrica de ração balanceada.

Identificar os principais fatores que afetam o perfil e a qualidade nutricional das farinhas de soja.

2

É preciso melhorar os métodos utilizados hoje para o controle de qualidade, porém

Definir e avaliar as diferentes metodologias que permitem sua avaliação e determinar possíveis

a maioria dos programas de controle de

melhorias no controle de qualidade

qualidade da soja são voltados a determinar

a serem adotadas pela indústria de

seu valor proteico, com escassa incidência

fabricação de rações balanceadas.

sobre o valor energético, o que reduz seu

3

valor prático.

Descrever os diferentes fatores de variação na composição e qualidade

matérias primas

da soja. Edições nutriNews Brasil 2020

Valor Nutricional da Soja Que produtos de soja existem no mercado? No mercado pode-se encontrar diferentes produtos derivados do grão da soja crua em função do tipo e nível de processamento (Figura 1).

Figura 1. Produtos de soja existentes no mercado e método de processamento.

Grão

Solvente

Farinha de soja 48% PB

Farelo de soja

Farinha de soja (44% PB)

Pressão

Concentrado proteína (65% PB)

Farinha fermentada (54% PB)

Óleo de soja

Farinha enzimática (55% PB)

8 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal

Aquecimento

Cozida

Torrada

FFSB Grão soja Full-Fat

Extrudida


Processamento com solventes O grão inteiro com 36% de PB (Figura 2) é descascado para reduzir os custos do processo e restos da

Posteriormente extrai-se o

semente.

óleo do grão com solventes, obtendo-se a farinha de soja

Uma vez preparada, submete-se

(48% PB).

ao aquecimento térmico para reduzir o conteúdo de fatores

Muitas vezes adiciona-se parte

antinutricionais.

do farelo separado no início do processo, dando origem à

6%

36% Açúcares

12%

PB

FND Figura 2. Composição química do grão da soja segundo FEDNA (2017)

12% Fibra solúvel

5%

Cinzas Óleo

10%

19%

Umidade Hidratos de carbono ≈ 30%

Deve-se considerar que, neste caso, o farelo que contém certas quantidades de inibidores de tripsina (IT), não foi processado.

9 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal

matérias primas

farinha de soja (44% PB).


Processamento por aquecimento Em certos países, tais como Argentina, a gordura não é extraída do grão via solventes, mas por processos de pressão acompanhados de temperaturas elevadas. Neste caso, o produto que se obtém é a soja expeller, cujo conteúdo em PB está em torno de 40-44% e o de gordura em torno de 8-11%. Deve-se considerar que este processo de obtenção

matérias primas

do óleo por pressão é normalmente realizado em fábricas de pequeno porte, nem sempre com boas instalações. Daí, que o poduto será menos uniforme e precisará de um programa sério de controle de qualidade.

EXPELLER DE SOJA

10 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal

GRÃO DE SOJA


A partir do grão processado e desengordurado, pode-se gerar produtos de valor agregado a partir de:

1

Eliminação dos fatores antigênicos

2 Desativação dos inibidores de Tripsina 3 Redução dos oligossacarídeos: Por fermentação, ou processamento enzimático (farinha de soja fermentada: <55% PB) Por extração alcoólica (concentrado proteico de soja: >65% PB).

Funil matérias primas

Degomado Triturador 1º pressão

1º pressão Expeller

2º 2º 2º pressão pressão pressão Expeller

Resfriador

ÓLEO DE SOJA

11 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal


Composição proximal e valor nutricional da farinha de soja A composição química da farinha de soja é menos variável que a de outros ingredientes proteicos habituais nas rações comerciais para monogástricos. No entanto, devido a seu alto nível de inclusão em rações balanceadas, precisa-se

O conteúdo de PB das farinhas de soja

um alto grau de uniformidade.

normalmente varia em função do tipo de grão e da inclusão, ou não, do farelo após o

É comum encontrar diferenças

processo de extração do óleo.

matérias primas

consideráveis quanto ao conteúdo de determinados nutrientes tais como PB,

Níveis de PB lógicos oscilam entre 43 e 45%,

AA e fibra neutro detergente (FND) em

para a farinha de soja padrão e 46,7 e 48,5%

rações balanceadas comerciais.

para a farinha de alta proteína.

Na Tabela 1 é apresentada a análise proximal

No conteúdo em AA da farinha é variável,

para a farinha de soja (47% PB) segundo

com níveis que oscilam entre 2,7% e 3,0%

diferentes fontes.

para o caso da Lys total (FEDNA, 2010).

Tabela 1. Composição proximal da farinha de soja (47% PB) segundo diferentes fontes.

Umidade

Japão (2009)

NRC (2012)

Rússia (2014)

CVB (2016)

Evonik (2016)

Brasil (2017)

INRA (2018)

Fedna (2018)

11,0

10,0

11,0

11,3

12,0

11,0

12,0

12,0

FND

11,6

8,2

12,1

8,6

10,7

14,2

11,4

9,2

PB

47,0

47,7

47,0

46,8

46,6

47,0

47,0

47,0

EE

1,6

1,5

1,4

1,6

2,1

2,2

1,6

1,8

Cinzas

6,4

6,3

6,3

6,4

6,6

5,8

6,2

6,2

77,6

73,7

77,8

74,7

77,0

80,2

78,2

76,2

12 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal


Considerações …

Tabela 2. Composição proximal (% MS) da farinha de soja em função do país de origem do grão (Garcia Rebollar et al, 2016).

Um problema a se considerar em situações práticas é que a maioria das fábricas de ração balanceada estima que a proporção, ou perfil em AA da farinha de soja é constante.

Argentina (n = 170)

Brasil (n = 165)

EUA (n = 180)

Proteína bruta, %

51,7

53,2

53,2

FND, %

10,2

11,8

9,0

Lys, % PB

6,11

6,07

6,17

Sacarose, %

7,76

6,43

8,43

Por isso, ao modificar o nível de proteína na matriz, costuma mudar proporcionalmente o conteúdo de todos os AA, o que implica erros e, consequentemente, maiores custos produtivos. Diversos trabalhos demonstram que o conteúdo em AA essenciais não é proporcional ao nível de PB e que o conteúdo

Oligossacarídeos, % EMAn, kcal/kg2

7,0

6,8

7,5

2.576

2.605

2.622

em AA das sojas depende não só de seu 515 amostras

conteúdo proteico, mas também do país de

1

origem do grão.

2

matérias primas

Calculado segundo a equação do WPSA (1989)

A disponibilidade dos AA da soja se correlaciona negativamente com a presença de fatores antinutricionais, em particular, dos IT e reações de Maillard.

A vantagem em PB das farinhas procedentes do Brasil / Paraguai se perde, em parte, quando se avalia seu perfil em AA, já que estas farinhas contém menos Lys, Met, Thr e outros AA essenciais por unidade de proteína que as argentinas, ou norte-americanas.

As farinhas de soja recebidas na Europa costumam proceder dos EUA, Brasil / Paraguai ou ainda

Assim, a vantagem do maior nível proteico perde-se em parte, já que os animais não necessitam proteína, mas AA digeríveis.

da Argentina. No laboratório, a Proteína Bruta é calculada multiplicando-se o conteúdo de N da farinha Em geral, os grãos do Brasil / Paraguai

por um fator estabelecido de 6,25.

contém mais PB que os dos EUA, que por sua vez contém mais que os da Argentina, sempre que não se adiciona farelo ao produto recém elaborado (Tabela 2).

A inclusão de um nível reduzido de ureia permite elevar o nível proteico teórico de forma surpreendente. Deve-se considerar que a ureia não é tóxica em animais monogástricos, porém, seu nível nutricional para estas espécies é nulo.

13 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal


matérias primas

Valor energético das farinhas de soja

Outros valores – Umidade, FND e EE

O cálculo do valor energético das farinhas de

A farinha de soja contém cerca de 12% de

soja é importante para uma boa estimativa de

umidade, 7-13% de FND e 1,7% de extrato

seu valor nutricional. No entanto, não há uma

etéreo, enquanto as cinzas supõem 6%,

metodologia definida para sua avaliação nos

aproximandamente.

diversos produtos de soja.

Estes valores dependem,

Na prática, a energia metabolizável (EMAn;

fundamentalmente, da composição química

aves) é determinada a partir de equações

do grão original, sua genética, porém,

de predição com base no possível aporte

também e, talvez em maior proporção,

energético de seus princípios imediatos.

da região geográfica onde foi plantada a

O principal incoveniente deste

semente.

método está no fato de não se

Neste aspecto, possivelmente a latitude,

considerar nem a possível variação

relacionada com as horas de luz durante

na digestibilidade da proteína,

o crescimento e amadurecimento da

nem o conteúdo de açúcar que

semente, sejam chave na hora de entender a

normalmente supera 8-9% (García

composição do grão.

Rebollar et al., 2016), nem a presença de fatores antinutricionais. Todos estes parâmetros são variáveis, em função não só do processamento da soja, como também da origem do grão.

14 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal


Os grãos do Brasil e Paraguai, óleo e proteína, porém menos açúcares (sacarose e oligossacarídeos) que os grãos da Argentina e EUA.. No caso das farinhas brasileiras, assim com as da Índia, destacam-se por seu maior conteúdo de FND para um nível

A farinha de soja é, apesar de seu preço, a

matérias primas

próximos ao Equador, contém mais

fonte proteica preferida para alimentação de espécies monogástricas. Devido a seus altos níveis de uso, é preciso controlar os diversos parâmetros nutricionais, especialmente, aqueles

padrão de PB.

relacionados com o perfil aminoacídico, a

Os níveis de P e Fe variam em função

açúcares e energia.

digestibilidade dos AA e o conteúdo em

da acidez e das características do solo, assim como da fertilização e condições de crescimento do grão (FEDNA, 2010). Os valores de Fe são maiores para as sojas do Brasil e os de

A planta de processamento, o tipo de solo e a conservação, assim como a origem do grão (latitude) são parâmetros que afetam seu valor nutricional.

P, ligeiramente maiores para as sojas dos EUA.

Utilização de produtos de soja na alimentação animal

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15 nutriNews Brasil 1er trimestre 2020 | Utilização de produtos de soja na alimentação animal


COMO FICA A QUALIDADE NAS FÁBRICAS DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS EM TEMPOS DE COVID-19? nutrição

Dione Carina Francisco Med. Vet., Mestre em Agronegócios, Especialista em Controle de Qualidade, Auditora Líder HACCP

E

m meio à crise da pandemia que vivenciamos em função do COVID-19 ficou ainda mais claro que empresas que investiram em programas de qualidade e, principalmente, na cultura da qualidade estão conseguindo reagir mais rapidamente às mudanças impostas pela atual situação e tomaram decisões que garantiram a produção sem perder o quesito qualidade. Essas empresas, muitas delas por meio do acionamento dos seus comitês de gerenciamento de crise garantiram, além da continuidade da produção, a saúde dos seus colaboradores ao instituírem ainda mais ações de prevenção, as quais estão intimamente ligadas aos procedimentos de higiene e saúde dos trabalhadores. Sabemos que toda crise é disruptiva e nestes momentos é de esperar que alguns agentes econômicos tirem proveito da situação de maneira fraudulenta por exemplo.

Diante da incerteza do abastecimento de matérias-primas e insumos para a fabricação de alimentos para animais aqueles que não tiverem ferramentas de qualidade sólidas poderão comprar gato por lebre. No cenário atual torna-se cada vez mais clara a importância das fábricas de alimentação animal para a manutenção da cadeia de produção de alimentos e a contribuição para a saúde dos animais e em última instancia a saúde humana. Devido a isso, a continuidade ou o investimento em qualidade não pode ser ignorado, caso contrário, teremos prejuízos não só diretamente, considerando as operações que ocorrem nas fábricas, mas também indiretos, com reflexo em toda a cadeia de produção. Não podemos esquecer que os perigos que ocorrem em alimentos para animais continuam tendo impacto na saúde humana; embora não tenhamos até o momento relacionado a transmissão direta da COVID-19, precisamos continuar nos preocupando com outros patógenos ou contaminantes que podem ocorrer em alimentos para animais.

16 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Como fica a qualidade nas fábricas de alimentos para animais em tempos de COVID-19?


Conforme a FAO vários incidentes críticos tiveram impacto na saúde animal e humana, impactando também na comercialização de rações e de alimentos; dentre eles destaca-se: A BSE Dioxinas Micotoxinas Contaminações por E. coli O157:H7

Podemos incluir ainda o perigo da Salmonella sp que muitas vezes está presente em fábricas de ração e premix.

Para diminuir o risco desses eventos foram criados vários protocolos de qualidade que podem ser usados pelas empresas, e a escolha de qual implantar deve ser baseado em mercado de atuação, exigências de clientes, exigências legais, posicionamento da empresa frente a concorrentes e produtos fabricados (ração ou premix).

É importante salientar que as normas de qualidade que são exigência legal precisam ser implantadas e os demais protocolos são de adesão voluntária, como HACCP, ISO 22.000, FSCC 22.000, FAMI-QS, GMP +, dentre outros. O que há em comum em todos esses protocolos é o seu caráter preventivo com relação a inocuidade dos produtos, no qual analisamos o risco desde as matériasprimas até o consumo dos produtos e que todas são baseadas no Codex Alimentarius², o qual desenvolve padrões e códigos de práticas com o intuito de tornar a produção de alimentos segura em qualquer país do mundo que seja signatário.

Se pensarmos apenas e unicamente no quesito inocuidade dos produtos que são colocados no mercado consumidor o investimento em qualidade já se pagaria, porque estaríamos agindo na prevenção de doenças importantes, como destacado anteriormente, mas qualidade vai muito além de inocuidade, é uma ferramenta de gestão do negócio, com requisitos específicos como os constantes na ISO 22000, FSSC 22.000 e FAMI-QS.

nutrição

Desenvolvimento de resistência antimicrobiana

Para atingirmos o objetivo inocuidade usamos programas de pré-requisitos que nos auxiliam também a economizar recursos, como é o caso da gestão de fornecedores, a qual leva a uma melhor negociação, melhora da qualidade e diminuição de riscos.

A gestão ou qualificação de fornecedores é um ponto extremamente sensível para as empresas, porque quando não elaborada e implantada da forma correta, acarreta em prejuízos tanto para a qualidade quanto para a produção; empresas que investem em qualificação dos seus fornecedores tem garantias de que receberão apenas o que foi contratado, caso contrário, se não existirem regras claras sobre compra, devolução e troca de produtos, acabam por ter que utilizar uma matéria-prima ou insumo com qualidade menor, o que leva a diminuição da qualidade dos produtos fabricados e tem reflexo negativo no consumidor.

17 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Como fica a qualidade nas fábricas de alimentos para animais em tempos de COVID-19?


A geração de dados da qualidade também auxilia no retorno dos investimentos, a medida que, nos permite fazer uma análise da situação de toda a operação e nos anteciparmos com relação aos investimentos futuros e nos mostra quais pontos são frágeis, gerando economia de recursos ao utilizarmos os mesmos da maneira correta, em situações realmente necessárias.

Muitas empresas negligenciam a análise dos dados coletados e perdem a oportunidade de ter uma melhoria contínua, o que se espera de todo programa de qualidade, haja vista que qualidade não é algo estático, mas está em constante modificação, para que possamos melhorar nos pontos nos quais a organização não está tão bem.

nutrição

As normas de qualidade também levam à diminuição de retrabalho e de produtos não-conformes, o que significa diminuição de custos e um melhor atendimento aos clientes.

Durante a implantação dos protocolos são revisados todos os procedimentos das operações e ajustados os mesmos, por isso a diminuição de retrabalho. Como as normas são de caráter preventivo, nenhum perigo ou defeito pode passar de uma etapa para outra sem antes ser corrigido, diminuindo assim os produtos não-conformes, que acarretam reclamações, trocas, descarte de produtos e perda de clientes. A reunião de análise crítica pela direção é um requisito presente em várias normas de certificação, no qual são analisados os indicadores de desempenho da qualidade e se mensura a satisfação dos clientes. Outro ponto de oportunidade de melhoria contínua é a gestão de riscos, ou seja, a empresa deve conhecer e tomar medidas para os riscos que impactam tanto positivamente quanto negativamente e existem diferentes ferramentas que podem ser usadas para gerenciar os riscos.

18

É interessante notar a mudança que ocorre com os colaboradores, os quais, por meio de capacitações e treinamentos tornam-se mais comprometidos com os seus trabalhos ao perceberem a importância de suas atividades para a garantia da saúde dos animais e das pessoas, impactando de forma positiva na produtividade e na diminuição da rotatividade de funcionários. Ao englobar as várias áreas da empresa, como alta direção, compras, recursos humanos, produção, qualidade, vendas, entre outros, as normas tratam da qualidade em um sentido mais amplo, e não apenas na questão inocuidade, o que leva a uma comunicação mais assertiva entre os diferentes departamentos para que o quesito qualidade seja alcançado.

Como já dito, um requisito a ser implantando em tempos de disrupção é o plano de gerenciamento de crises a fim de gerenciar as possíveis crises de maneira efetiva, caso ocorram. O plano de gerenciamento de crises é sempre preventivo e a equipe que participa desse processo deve antecipar o que pode acontecer em termos de disrupção com a organização e agir de forma pró-ativa, para mitigar as consequências da crise. Conforme a ISO 22301 a “organização deve documentar procedimentos para assegurar a continuidade das atividades e gerenciamento do incidente. A organização deve também estabelecer, documentar e implementar procedimentos, bem como possuir uma estrutura de gestão para responder à uma interrupção utilizando pessoal com autoridade, responsabilidade e competência necessária para gerenciar um incidente. A organização, deve ainda, desenvolver um plano de continuidade de negócios para responder à incidentes de interrupção. É importante que a organização faça uma análise pós-crise para aprender com os erros e melhorar os seus procedimentos e esse cenário de pós-crise demandará mais qualidade, maior transparência e um incremento nas relações de parceria entre fornecedores e consumidores. Fontes: 1. http://www.fao.org/feed-safety/background/why-feed-safety/en/ 2. http://www.fao.org/fao-who-codexalimentarius/en/ Como fica a qualidade nas fábricas de alimentos para animais em tempos de COVID-19?

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BIOSSEGURIDADE

O QUE

É

E SUA

IMPORTÂNCIA

biosseguridade

Eduardo Miotto Ternus Consultor Técnico Suínos - VETANCO Brasil

1

INTRODUÇÃO Definida pela OIE (Organização Mundial de Epizootias) como um conjunto de medidas que visam proteger

A Biosseguridade é o pilar mais importante numa cadeia produtiva para manter a saúde dos animais e mitigar riscos de contaminação e disseminação de agentes infecciosos (MORÉS et al., 2017).

uma população de agentes infecciosos transmissíveis e, segundo MAPA (IN44, 2017), Biosseguridade é o conjunto de procedimentos que visam prevenir, diminuir ou controlar de forma direta ou indireta os riscos da ocorrência de enfermidades que possam ter impacto na produtividade destes rebanhos. Qualquer vetor (humanos, roedores, insetos e outros animais, equipamentos, alimento, água, granjas vizinhas, sistema de dejetos, veículos, roupas, calçados, entre outros) que porta matéria orgânica de suínos é potencial transmissor de patógenos (MORÉS et al., 2017).

20 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Biosseguridade - O Que é e sua Importância


A Biosseguridade pode ser dividida

Relacionada à proteção do rebanho

Biosseguridade interna

Biosseguridade externa

em externa e interna.

contra o ingresso de agentes infecciosos, com o dever de reduzir a introdução de doenças endêmicas e impedir a introdução de doenças exóticas no sistema de produção.

Relacionada à prevenção da multiplicação e disseminação de agentes no rebanho, deve reduzir a propagação das doenças e reduzir a pressão de infecção dentro do sistema de produção.

2.1 BIOSSEGURIDADE EXTERNA 2.1.4 Silo de ração

Delimitar a área interna da unidade

Silo deve estar localizado na área

de produção, de forma que impeça

interna e próximo à cerca de

o acesso de pessoas e animais

isolamento, de forma a permitir o

estranhos à exploração com

seu abastecimento pela área externa.

afastamento mínimo de 5 (cinco) metros das instalações, não havendo desta forma outra espécie animal além dos suínos.

2.1.2 Embarcadouro/desembarcadouro Deve estar localizado junto a cerca de isolamento. O mesmo deve possuir portão e/ou forma para permanecer fechado.

2.1.3 Barreira sanitária Deve estar localizada junto à cerca de isolamento e ser composta por, no mínimo: Vestiário Sanitário; Câmara de desinfecção; Sistema de desinfecção de veículos e Escritório.

biosseguridade

2.1.1 Cerca de isolamento

Quando a ração não for estocada em silo, esta deve estar embalada e armazenada em local destinado a este fim.

2.1.5 Composteira A granja deve possuir composteira, ou outro método aprovado pelo serviço veterinário oficial para destinação de suínos mortos, restos placentários e sobras de ração.

2.1.6 Tratamento de dejetos O sistema de tratamento de dejetos deve ser cercado, de forma que evite o acesso de pessoas e animais, e localizado na área externa da cerca de isolamento, conforme legislação pertinente.

21 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Biosseguridade - O Que é e sua Importância


2.2 BIOSSEGURIDADE INTERNA 2.2.1 Acesso de pessoas

2.2.4 Limpeza, desinfecção e vazio sanitário

Banho, troca de roupa e calçados

A limpeza da granja deve ser feita

antes da entrada de pessoas nas

após a saída dos animais, lavando

granjas, sendo proibida a entrada

toda a instalação e equipamentos,

com adornos como relógio, anel,

especialmente o piso, os comedouros

aliança, pulseiras, brincos entre

e os bebedouros. O desinfetante

outros.

utilizado deve ser escolhido seguindo recomendações técnicas em função

2.2.2 Acesso de veículos

dos problemas sanitários ocorridos na região ou em lotes anteriores, e deve

Os veículos utilizados para o

ser aplicado na superfície de toda a

transporte de suínos e ração devem

instalação e equipamentos.

biosseguridade

ser de uso exclusivo e possuir identificação própria.

Após a limpeza e desinfecção das

Os veículos que acessarem a área

instalações, deve-se mantê-las fechadas

interna da cerca de isolamento

para evitar a entrada de pessoas e

devem passar pelo sistema de

animais. O vazio sanitário deve durar de

desinfecção.

2.2.3 Controle de vetores/pragas (roedores, insetos e pássaros)

cinco a sete dias para que seja eficiente.

2.2.5 Vacinação

As granjas devem possuir um programa auditável de prevenção e controle de pragas. A Granja deverá utilizar procedimentos efetivos de combate a roedores e insetos em todas as instalações.

22 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Biosseguridade - O Que é e sua Importância

O protocolo de vacinação deve ser escolhido seguindo recomendações técnicas em função dos problemas sanitários ocorridos na região ou em lotes anteriores suínos visando a redução da prevalência dos principais patógenos.


3 QUANTO CU$TA BIOSSEGURIDADE

O risco sanitário que o problema pode trazer vai depender de sua gravidade, sendo que em se tratando de uma doença exótica, que é o caso da PSA, esta enfermidade com certeza irá fechar as portas aos mercados consumidores (exportação).

biosseguridade

Teremos sérios impactos na eficiência de produção, afetando os indicadores zootécnicos consequentemente no custo final de produção, podendo estes serem tão graves a ponto de inviabilizar economicamente o negócio. Temos ainda um impacto não mensurável sobre as pessoas que estão inseridas no processo, todo problema sanitário irá resultar em mais trabalho para os colaboradores, além de verem todo seu esforço derivar em pouco resultado.

Todo problema sanitário acarreta em algum risco e prejuízos.

Abaixo segue uma tabela com exemplos de quanto custa ter certas doenças inseridas no rebanho. PATÓGENO

CUSTO

REFERÊNCIA

PRRS

US $ 4,67 / leitão US $ 5,60 / leitão

Holtkamp et al. JSHAP 2013 Neumman et al. JAVMA 2005

Influenza

US $ 5,57 / leitão US $ 10,31 / leitão US $ 3,23 / leitão

Haden et al. AASV 2012 Donovan. AASV 2008 Haden et al. AASV 2012

M hyopneumoniae

US $ 0,63 / leitão US $ 2,85 / leitão US $ 4,08 / leitão

Haden et al. AASV 2012 Schwartz. Leman 2013 Thacker et al. Fact Sheet Pork Information Gateway. 2006

PRRS + Mh

US $ 9,69 / leitão

Haden et al. AASV 2012

PRRS + Influenza

US $ 10,41 / leitão

Haden et al. AASV 2012

Influenza + Mh

US $ 10,12 / leitão

Haden et al. AASV 2012

Lawsonia

US $ 2 -7 / leitão US $ 0,5-1 / leitão US $ >110 / matriz

McOrist et al. Vet Rec. 1997 McOrist. Vet J. 2005 Mauch et al. Vet J. 2004

US $ 8,3 / leitão

McKean et al. Fact Sheet Pork Information Gateway. 2012

Disenteria Suína

*Adaptado por Dr. Daniel Linhares - 12º Simpósio internacional de Suinocultura PIC.

23 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Biosseguridade - O Que é e sua Importância


biosseguridade

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Um programa de biosseguridade

Para que se cumpra em sua totalidade

fica definido como um apanhado de

o que cita Sobestiansky, logo para

ações que visam o desenvolvimento

que um programa de biosseguridade

e implementação de um conjunto

tenha êxito é necessário, acima de

de normas e procedimentos,

tudo, que as pessoas envolvidas no

interdependentes e econômicos, que

processo entendam em sua plenitude

visam reduzir os riscos de introdução

o conceito de biosseguridade, estejam

de determinados agentes patogênicos

comprometidas e engajadas no

infecciosos no sistema, bem como limitar

propósito e que tenham ciência do

a expressão dos agentes patogênicos

que cada uma de suas ações pode

infecciosos já existentes no sistema de

trazer como consequência no processo

produção que causam elevadas perdas

produtivo. Uma vez tendo isso,

econômicas/e ou interferem na obtenção

biosseguridade se torna um valor e

de um produto final seguro do ponto de

não mais uma obrigação, desta forma

vista alimentar (Sobestiansky, 2002).

teremos excelência no processo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Circular Nº 130/2007/CGPE/DIPOA - Exportações de carne suína para os estados-membros da União Européia. 2007. Disponível em: www.agricultura.gov.br. DEE, S. A. Biossecurity: a critical review of today’s practices. In: AME¬RICAN ASSOCIATION OF SWINE VETERINARIANS. Iowa, 2003. p. 451-455. DESROSIERS, R. Transmission of swine pathogens: different means, diferents needs. Animal Health Research Reviews, v. 12, n. 1, p. 1–13, 2011. Doi: 10.1017/S1466252310000204. KIM, Y.; YANG, M.; GOYAL, S. M.; CHEERAN, M. C-J.; TORREMO¬RELL. M. Evaluation of biosecurity measures to prevent indirect trans¬mission of porcine epidemic diarrhea virus. Veterinary Research, v. 13, n. 89, p. 1-9, 2017. Doi: 10.1186/s12917-017-1017-4. KICH, JALUSA DEON; MALGARIN, CAROLINA MACIEL. Controle de salmonella na suinocultura. In: Embrapa Suínos e Aves-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: CONGRESSO BRASILEIRO DE VETERINÁRIOS ESPECIALISTAS EM SUÍNOS, 17. 2015, Campinas. Anais... Concórdia: Embrapa Suínos e Aves, 2015. p. 98-107. Volume 1., 2015. LAANEN, M.; PERSOONS, D.; RIBBENS, S.; DE JONG, E.; BCALLENS, B.; STRUBBE, M.; MAES, D.; DEWULF, J. Relationship between biosecurity and production/antimicrobial treatment characteristics in pig her¬ds. The Veterinary Journal, v. 198, p. 508–512, 2013. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO http://www.agricultura.gov. br/noticias/ministerio-intensifica-vigilancia-para-evitar-peste-suina-africana MORÉS, N.; CARON, L.; COLDEBELLA, A.; BORDIN, L. C. Biosseguridade mínima para granjas de suínos que produzem animais para abate. Brasília: Embrapa, novembro 2017. MORÉS, N.; AMARAL, A. L.; VENTURA, L. V.; ZANELLA, J. R. C.; MORI, A.; DAMBRÓS, J. A.; PROVENZANO, G.; BISOLO, I. Disseminação do vírus da doença de Aujeszky, envolvendo o comércio de reprodutores suínos de reposição. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 59, n. 6, p. 1382-1387, 2007. MORÉS, N., & GAVA, D. (2017). Realidade e estratégias para melhoria da biosseguridade nas granjas de suínos que produzem animais para abate no Brasil. In Embrapa Suínos e Aves-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE PRODUÇÃO E SANIDADE DE SUÍNOS, 2., 2017, Jaboticabal. p. 32-38. MORÉS, N.; SILVA, V.S.; BORDIN, L.C. Biossegurança para rebanhos suínos. In: SUINOCULTURA TROPICAL, v1, Parte 14 – Proteção da produção animal, cap. 5. Suínos. p. 1239-1244, 2008. SOBESTIANSKY, J. Sistema intensivo de produção de suínos: programa de biossegurança. No. 636.4 SOBs. 2002.

24 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Biosseguridade - O Que é e sua Importância

Biosseguridade O que é e sua importância

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PALATABILIDADE & APRENDIZAGEM FERRAMENTAS DE MELHORAMENTO PARA A

& PRODUTIVIDADE BEM-ESTAR SUÍNO

A

palatabilidade é um conceito que poderia definir-se como: “o prazer, ou hedonismo que um animal experimenta

ao consumir um determinado alimento, ou líquido”, sendo este poder hedônico capaz de promover um consumo sustentável ao longo do tempo, em busca de uma homeostase que se traduz em bom crescimento e bem-estar do animal.

Definição de palatabilidade

investigación

David Solà-Oriol Serviços de Nutrição e Bem-estar Animal –SNiBA–, Departamento de Ciência Animal dos Alimentos, UAB

A definição de palatabilidade foi evoluindo ao longo do tempo. Já em 1979 Church et al., definiram a palatabilidade como as características, ou condições da dieta que estimulam a resposta seletiva do animal. Esta definição de 1979 Church et al., se baseava na consideração de que a

Uma boa palatabilidade implica em melhor crescimento e bemestar do animal

palatabilidade era uma característica inerente do alimento. Posteriormente, Mathews - 1983 - sugeria mudar o termo palatabilidade descrito anteriormente pelo de preferência, sendo este determinado por uma série de características do alimento, como: Sabor Aroma Aparência Temperatura Textura

26 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


Não obstante, não durou até Forbes - 1986 - quando determinou-se que a palatabilidade não podia ser considerada apenas pelas qualidades do alimento, porque a experiência prévia e o estado metabólico do animal também influenciam.

Ainda que se trate de um conceito

CONTROLE HORMONAL Início do consumo

aparentemente simples, o estudo e compreensão da palatabilidade é complexo,

HEDONISMO Condicionamento

já que inúmeros aspectos influenciam sobre ele –ver Figura 1–: Propriedades organolépticas da dieta Experiência e antecedentes genéticos

EFEITOS POST-INGESTIVOS SISTEMA QUIMIOSENSORIAL

APRENDIZAGEM Experiência

do animal Estado fisiológico Condições ambientais

CONSUMO Bem-estar

Contexto social

Figura 1. Fatores que atuam sobre a definição do termo palatabilidade

Palatabilidade intrínseca Palatabilidade aprendida

Pesquisa

Kissileff –1990– sugeriu o uso de do conceitos: Referente às características do alimento Referente à resposta do animal, baseada em experiências prévias e seu estado metabólico.

Hedonismo e neofobia A grande capacidade sensorial com a qual conta o suíno deveria ser aproveitada para aumentar sua eficiência, em termos de produção, a partir da palatabilidade. Porém, deveríamos considerar dois fatores principais que os animais apresentam ante o novo alimento:

Hedonismo –aceitação– O poder hedônico para uma determinada dieta está condicionado pelas características organolépticas e de composição da mesma, que são percebidas em primeira instância pelo animal através dos sistemas periféricos, principalmente o olfato e o paladar. Após a ingestão, esta sensação pode ser potencializada, ou inibida pelos efeitos post-ingestivos, associados ao alimento.

O objetivo a ser perseguido passa por tentar maximizar o poder hedônico, reduzindo o máximo possível a neofobia, ou rejeição

Neofobia –rejeição– Os sabores e aromas que o animal explora e ingere pela primeira vez são identificados como um desafio, uma incerteza sobre suas consequências, podendo o animal reagir com neofobia, diminuindo ou inibindo seu consumo.

27 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


De maneira geral, os sentidos periféricos atuam como primeira tomada de decisão - preferência inata, ou condicionada - porém, acabam sendo condicionados positiva, ou negativamente, pelas

Ante situações de estresse, os animais apresentam anedonia, uma redição do limiar do prazer e hedonismo.

sistemas internos do organismo.

Um alimento tem que ser aceito na primeira prova - pelos sentidos do paladar e olfato - não devendo provocar rejeição inicial - neofobia.

Condicionamento post-ingestivo negativo Algo percebido inicialmente como bom e,

Estresse associado ao desmame

consequências e informação que chega dos O estresse associado ao desmame pode reduzir a capacidade de percepção de compostos claramente apetecíveis, como o caso do sabor doce em suínos -Figueroa, J. et al.,

2015-, dificultando a adaptação a uma nova dieta, o que mostra que em determinadas situações deveria-se facilitar que o animal fosse capaz de detectar aquilo que pode representar um estímulo positivo, quer seja introduzindo compostos altamente palatáveis, ou ainda ajustando os níveis de inclusão.

portanto consumido, pode ser rejeitado em futuras ocasiões se a experiência após seu

Pesquisa

consumo tenha sido negativa.

Condicionamento post-ingestivo positivo

O que devemos considerar para formular um alimento palatável? Em suínos, cabe destacar uma grande

Um alimento não rejeitado de entrada, porém,

preferência inata por sabores doces -açúcares

inicialmente pouco atrativo, pode ser reforçado

e carboidratos associados a fontes de energia-,

após seu consumo e digestão, o que implicará

umami -L-amino ácidos associados a fontes

um consumo continuado à frente.

de proteína-, sabor salgado -eletrólitos-, e inclusive, os ácidos graxos -Pérez et al., 1995; Rolls,

2009; Wald e Leshen, 2003. Podemos encontrar diferentes artigos científicos que podem parecer contraditórios onde, a curto prazo, um alimento se apresenta pouco apetecível - apresentaria neofobia, uma “baixa palatabilidade intrínseca”. Certas evidências indicam que o suíno tem preferências inatas por aromas, ou alimentos que poderiam ser considerados de alta palatabilidade. Na prática, a utilização de ingredientes palatáveis e digeríveis, junto a estratégias de manejo da alimentação, deveriam ajudar a conseguir um bom consumo de alimento ao longo da vida produtiva do animal. Porém, por sua implicação sobre o consumo, é de grande interesse em etapas críticas da produção como o desmame, ou mudanças bruscas que podem afetar o consumo.

Descreveu-se que os próprios ingredientes que compõem o alimento podem ter uma clara influência sobre o consumo O suíno apresenta uma grande capacidade sensorial, tanto olfativa, como gustativa, sendo capaz de demonstrar preferência inata por um amplo leque de ingredientes quando comparados um a um, com o arroz puído –Solà-

Oriol et al., 2009 y 2011–. Os leitões apresentaram capacidade de distinguir, via oro-sensorial, entre ingredientes e também níveis de inclusão.

28 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


Resultados

Milho, sorgo e arroz integral apresentaram valores de preferência inferiores a 15% nos diferentes níveis de inclusão estudados.

O centeio, a cevada, a mandioca, o trigo e a farinha de bolacha ficaram abaixo, com preferências entre 15 e 30% comparados ao arroz.

A aveia inteira apresentou valores ainda menores. Com o tratamento térmico, a extrusão dos ingredientes implicou também uma melhora da preferência de alguns cereais como o milho e a Avena nuda –Figura 2–.

300 g·kg-1 Avena nuda extrudida Avena nuda Arroz extrudido - grão curto Arroz integral -grão curtoCevada extrudida Milho extrudido Cevada Avena copos -fonte 2Centeio Arroz puído - grão longo Trigo Avena nuda micronizada Trigo extrudido Arroz puído - grão longo - cozido Milho - fonte 2Farinha de biscoito Mandioca Milho - fonte 1Sorgo Aveia - fonte 1Arroz com casca - grão curtoAveia cozida - fonte 3Aveia - fonte 3Aveia - fonte 2-

Pesquisa

Figura 2. Porcentagem de preferência - % de consumo total - dos diferentes cereais oferecidos em escolha dupla junto à dieta de referência. (*) Valores de preferência diferentes do valor neutro - 50%. Adaptado de Solà-Oriol et al., 2009.

0

Estudo

Valores elevados de preferência, observados em aveia variedade Avena nuda, que a 30% de inclusão apresentou uma preferência superior a 60%.

20

40 % de Preferência

Em um estudo apresentado, Solà-Oriol et al., - 2014 descreveram que os resultados podem ser explicados, em parte, por uma correlação positiva entre o conteúdo de amido e matéria orgânica digerível, além do índice de glicemia com a preferência observada por determinados cereais. Cereais muito fibrosos apresentam uma baixa preferência, que poderia ser explicada tanto pela má sensação na boca - textura do alimento - como por uma menor digestibilidade da dieta.

60

80

100

Seabolt et al. –2010– observaram que a inclusão de grãos de destilaria - DDGs - do milho em níveis de inclusão de até 20%, reduzia de forma linear a preferência da dieta independentemente de sua origem e qualidade - alta, ou baixa concentração de proteína. Esta correlação descreve que o consumo de um alimento pode causar reforzo post-ingestivo sobre a aceitação e palatabilidade posterior da dieta.

29 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


No caso das proteínas Destacar que os suínos apresentam maior

A presença de compostos residuais em

preferência pelos ingredientes de origem

alguns ingredientes de origem vegetal, como

animal, ante os de origem vegetal e os

solanoides - farinha de batata -, glucosinolatos

derivados lácteos.

e sinapinas - canola -, ou saponinas - soja -,

Estes resultados podem, em parte, ser explicados pela maior presença de aminoácidos - AAs - livres nos ingredientes de origem animal –Solà-Oriol, et al., 2011–.

podem proporcionar sabores não desejados detectados pelo suíno em nível oro-sensorial, ou no trato gastrointestinal, uma vez ingeridos. Os solanoides, glucosinolatos e sinapinas poderiam agir como um condicionamento post-ingestivo negativo a partir do qual o animal aprenderia a rejeitar um alimento com a presença de fatores antinutritivos.

As fontes de proteína também são produtos muito perecíveis e facilmente oxidáveis com o

Pesquisa

tempo e as condições de armazenamento.

Características físicas do alimento Os leitões também são capazes de aprender

A liberação de compostos secundários

e estabelecer relações entre o consumo

da degradação das proteínas pode

de novos sabores, aromas, tamanhos

determinar a presença de aromas e

de partícula e texturas, assim como as

sabores indesejáveis e agir negativamente

experiências positivas, ou negativas que lhes

sobre sua palatabilidade.

acompanham –Solà-Oriol, D. et al., 2009–.

O consumo de dietas desequilibradas na

Recentemente, observou-se que diferenças

composição nutritiva pode ser detectado como

no tamanho da partícula dos alimentos

tal pelo animal, sendo rapidamente traduzido

pós desmame, derivados do desgaste dos

em rejeição ao consumo como reflexo do efeito

martelos no moinho reduzem o consumo

post-ingestivo negativo.

do alimento e o ganho médio diário ao

O consumo de alguns produtos terapêuticos adicionados à alimentação de leitões proporciona sabor ruim, com potencial impacto

longo da transição, comprometendo em mais de 9,5% o PV dos animais ao final da transição –Solà-Oriol, D. et al., 2009.

negativo sobre a palatabilidade da dieta. Uma rejeição inicial pode ser revertida, precisamente por um reflexo post-ingestivo positivo em temos de bem-estar e saúde do leitão, que lhe ajudaria a aprender e perceber como mais atrativo, aquele que inicialmente resultava pouco palatável.

Reyes, D. et al., et al. 2017 observaram correlação entre a preferência por um determinado composto, ou alimento, e os rendimentos produtivos associados, sendo basicamente explicados por uma melhora na eficiência alimentar, relacionando-se diretamente com um reflexo post-ingestivo positivo.

30 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


Que estratégias podemos adotar para melhorar consumo e bem-estar? Aprendizagem materna. Ambiente materno pré-natal, ou pré-desmame Entre as estratégias de aprendizagem, podemos citar a aprendizagem materna, que o animal pode alcançar através da porca durante a gestação e lactação –Mennella et al., 2001–.

Nos suínos, a exposição pré-natal líquido aminiótico - desempenha papel mais importante que o reforço pósnatal - leite - como candidatos para a continuidade do aroma perinatal.

A recompensa, lembrança e a familiaridade

Figueroa et al., 2013 e Blavi et al., 2016 demonstraram que a composição química dos fluidos perinatais - líquido aminiótico e leite são sensíveis às mudanças na dieta e estão presentes no ambiente fetal, ou recém-nascido, concomitantemente com nutrientes –Figura 3.

positiva do ambiente materno pré-natal, ou pré-desmame, são ferramentas altamente poderosas para o recém-nascido nas etapas mais críticas - desmame, mudanças na dieta - da vida do leitão e a transferência materna é crucial para esta aprendizagem, podendo-se observar uma resposta mais consistente com a exposição,

Abundância

Líquido amniótico de porcas C

25.000 20.000 15.000 10.000 5.000 0

18,9

ou condicionamento pré-natal - líquido aminiótico - que durante a lactação –Oostindjer et

Pesquisa

Figura 3. Mudança do perfil de voláteis do líquido aminiótico via suplementação na dieta durante a gestação tardia - 80 a 114 d de gestação, L. Blavi et al., 2016.

al., 2009, Figueroa et al., 2013; Figura 4 e 5.

Líquido amniótico de porcas F Eugenol

Anetol

Cinamaldehido

19,288

19,676

20,065

20,453

20,841 21,229 21,618 Tempo de retenção, min

22,006

22,006

22,394

22,783

Figura 4. Aprendizagem materna. Importância das dietas de gestação e lactação sobre a aprendizagem pré - e pós-natal do leitão (via líquido aminiótico, ou via leite) para aprender e estabelecer relações entre os novos sabores, ou aromas, e as experiências positivas, ou negativas que lhes acompanham.

31 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


Tempo de permanência (seg)

Figura 5. Reconhecimento Reconocimiento materno do delleitão lechónnaa metade mitad de lactación, da lactação, próximo justo antes ao del destete y durante desmame e durante la fase a fasecrítica post-destet crítica pós-desmame, en funciónem de la suplementación função da suplementação de compuestos de exógenos enexógenos compostos la dieta de na ladieta cerda durante da porcaladurante lactación. a lactação.

Aroma maternal

5 4 3 2

Água

a

a

a a

a b b

b

1 0

Aroma controle

Controle

Pré-exposição Dia14

b

Controle

b

b

Pré-exposição

Controle

Dia 21

Pré-exposição Dia 26

Destete

Reyes, D., 2018 –dados não publicados - confirmou que diferentes compostos com efeito benéficos, tanto para a mãe, como para o leitão - por exemplo, sobre o estresse oxidativo -, são transferidos ao líquido aminiótico, ao leite, ou a ambos, porém, dependendo da natureza do composto.

Pesquisa

Aprendizagem por contato social Outra via de aprendizagem, pode vir através do contato social que os leitões recebem através do contato positivo, ou familiaridade com

Alcançar uma boa palatabilidade no alimento é um desafio que exige potencializar seu hedonismo e, ao mesmo tempo, reduzir os possíveis aspectos de neofobia que podem ser apresentados pelo animal, assim como maximizar os efeitos postingestão positivos.

irmãos de lote, ou companheiros de curral, que previamente consumiram, ou conheceram um novo alimento –Figueroa et al., 2013–. O leitão poderia, através destes mecanismos, familiarizar-se de forma prematura com os alimentos que sua mãe, ou irmãos consomem, tornando mais eficiente e menos traumática a

b

Figura 6. Aprendizagem social. preferências por aromas adquiridas através do contato social, efeito da familiaridade modelo e aprendiz. A figura mostra que os leitões podem desenvolver preferências por aromas, através do contato breve com outro leitão, que previamente consumiu esse aroma, sem necessidade de participar, ou observar o consumo do suíno modelo.

adaptação ao novo alimento –Figura 6–.

32 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


Como ampliar a palatabilidade da dieta Aproveitamento das predições inatas, como a adição de edulcorantes, ou similares, sobretudo em idades iniciais para reduzir possíveis efeitos neofóbicos, aumentando o hedonismo e combatendo a anedonia associada ao estresse. Considerar o condicionamento a que foram expostos os animais durante todo seu ciclo, oferecendo aromas, texturas e alimentos que lhes sejam familiares, com o objetivo de minimizar a neofobia nas etapas, ou períodos de mudança de alimentação.

Utilizar cereais e fontes de proteína apetitosas e altamente digeríveis, reduzindo a fração fibrosa - descascado, puído, por exemplo - e com o

Pesquisa

processamento tecnológico - cozedura, extrusão, acondicionamento por vapor e granulação - para favorecer a ingestão devido à sinergia do alimento apetitoso, com efeito post-ingestão positivo.

Melhorar a digestibilidade dos nutrientes por tratamento tecnológico - extrusão, cozimento etc. - evitando, ou minimizando ingredientes com fatores anti-nutritivos. Alguns fatores anti-nutritivos são termolábeis, de modo que o cozimento, ou outro tratamento térmico favorece o aumento da palatabilidade.

Aproveitar o condicionamento e aprendizagem prénatal e materna - exposição, ou familiarização pré-natal - com base na estratégia de compostos da própria dieta materna, ou através da suplementação de novos compostos exógenos, pouco comuns nas dietas para suínos. Alguns dos compostos transferíveis no líquido aminótico e/ou leite são próprios dos ingredientes normalmente utilizados nas dietas para suíno, porém, a

Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno

suplementação pode ajudar a evidenciar e estabelecer

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o efeito desejado como estratégia.

33 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2020 | Palatabilidade & aprendizagem: ferramentas de melhoramento para a produtividade & bem-estar suíno


FIBRA ALIMENTAR

DESDE O PARTO

ATÉ O DESMAME -

BENEFÍCIOS ÀS

fibras

PORCAS E AOS LEITÕES

O

parto bem-sucedido da fêmea

A suplementação de fibra na dieta

suína é caracterizado por um

gestacional revelou efeitos positivos,

parto curto, com expulsão

mas também é obviamente benéfica

completa da placenta, atividade neonatal

quando suplementada pouco antes

e alta ingestão de colostro dos leitões.

do parto até o desmame.

Quaisquer empecilhos durante o parto podem resultar em problemas durante a lactação e levar a subsequentes complicações de fertilidade.

34 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Fibra alimentar desde o parto até o desmame – benefícios às porcas e aos leitões


O ambiente influencia o sucesso do parto A possibilidade de exercer o comportamento materno, como a construção de ninhos, apoiaria a fisiologia da porca durante a primeira

fibras

fase do parto, o período pré-parto. Esse estímulo aumenta a liberação de prolactina e ocitocina, e como resultado, o comportamento de cuidado da porca e de sucção dos leitões (Peltoniemi et al, 2016). Uma ingestão imediata e suficiente de colostro é de extrema importância para o sistema imunológico e o suprimento

A duração do parto é importante para a leitegada e a subsequente fertilidade da porca

de energia do leitão. Nas primeiras 24 horas após o parto, o colostro contém grandes quantidades de anticorpos maternos; leitões alimentados com colostro ad libitum foram capazes de absorver até 450g/kg ao nascer, que é a quantidade duplicada que um leitão pode consumir mais tarde (Devillers et al, 2004). A amamentação regular é necessária para manter a secreção de colostro durante as primeiras 24 horas e além (Theil et al, 2006).

A duração da segunda fase do parto, a expulsão dos leitões, tem um efeito indiscutível no número de leitões nascidos vivos e na sua vitalidade. O parto prolongado está associado a problemas como rendimento reduzido de colostro, placenta retida, desenvolvimento da Síndrome de Disgalactia Pós- Parto (SDP), involução prejudicada do útero e complicações subsequentes da fertilidade (Peltoniemi et al, 2016).

35 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Fibra alimentar desde o parto até o desmame – benefícios às porcas e aos leitões


A febre e a produção insuficiente de colostro e leite são sintomas da SDP, que é uma doença multifatorial. Os fatores de risco são, por exemplo, excesso de peso, constipação e parto prolongado – três fatores que interagem entre si (Martineau et al, 2012). Durante o parto, os músculos uterinos perdem a capacidade de contrair devido à exaustão, levando a um aumento de retenção do útero e placenta. A placenta fornece um meio perfeito para bactérias ascendentes da vagina durante o (prolongado) processo de parto (Peltoniemi et al, 2016). Elas podem se espalhar para diferentes órgãos, por exemplo as glândulas mamárias, ou produzirem endotoxinas que provocam mastite, metrite e agalaxia (MMA).

fibras

Figura 1. Interação entre parto, saúde

O parto prolongado aumenta a incidência de febre nas primeiras 24 horas após o parto (Tummaruk e Sang-Gassanee, 2013); uma conexão com a produção reduzida de colostro é óbvia. SDP não é apenas um problema de saúde da porca a curto prazo que influencia a leitegada, mas também prejudica a fertilidade subsequente. Vale ressaltar que o útero saudável precisa de cerca de três semanas para completa involução. Inflamações ou infecções bacterianas podem estender esse processo. Uma involução completa é uma condição prévia para o próximo parto rápido e saudável (Peltoniemi et al, 2016), caso contrário, a porca sofre de um ciclo vicioso de útero aumentado – parto prolongado – mais natimortos – retenção de placenta – inflamação/infecção – SDP – produção reduzida de colostro e leite – maior perda de leitões e menor peso ao desmame – e novamente, involução incompleta do útero e consequentemente aumento do útero.

uterina e consequências para os leitões

Deficiência energética/ força muscular reduzida

Maior perda de leitões e menor peso ao desame

Parto prolongado Involução incompleta do útero

Produção reduzida de leite e colostro

Útero aumentado

Mais natimortos Retenção de placenta

SDP

Inflamação/ infecção

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Suplementação de fibra desde o parto até o desmame: uma maneira fácil de apoiar a saúde e a fertilidade

No entanto, é necessário voltar a atenção para um suprimento adequado de fibra. Uma fonte de fibra altamente concentrada é vantajosa para obter efeitos fisiológicos máximos com baixas taxas de inclusão.

Até 25% da necessidade energética da porca é derivada da fermentação do intestino grosso. A flora bacteriana do intestino grosso vive da fibra alimentar e produz ácidos graxos voláteis e ácido lático como produtos metabólicos.

Estes metabólitos são reabsorvidos pelo animal e servem como energia adicional, cobrindo essa proporção significativa da demanda energética do animal. A vantagem particular desse processo é que a energia da fermentação está disponível após algumas horas de atraso. A digestão enzimática é concluída no final do intestino delgado e fornece nutrientes dentro de cinco horas após a alimentação. Ao contrário da digestão enzimática, os metabólitos da fermentação do intestino grosso são reabsorvidos continuamente, de modo que essa energia adicional é fornecida por um período de 24 horas (Figura 2).

fibras

As dietas de lactação são altamente concentradas para fornecer à porca energia suficiente para a extrema mudança metabólica que acompanha a parição e a produção de leite.

Figura 2. Reabsorção da digestão enzimática e fermentação (modificado segundo Theil, 2016) Para a fêmea suína, isso significa menos fome, menos estresse e mais energia para o parto.

Reabsorção do intestino delgado: até 5 horas após a alimentação

Fezes Cólon Ceco

Estômago

Íleo

Jejuno Duodeno

As últimas horas antes do parto estão geralmente associadas a redução do apetite, portanto a energia disponível no intestino delgado também é reduzida. Um suprimento adequado de fibra fornece energia para a porca quando a digestão no intestino delgado é concluída e, consequentemente, mesmo durante o parto.

Reabsorção do intestino grosso: 4-24 horas após a alimentação

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A lignocelulose é uma fonte de fibra altamente recomendável feita de madeira fresca. Passa por um extenso processo de fabricação e é moído para um tamanho de partícula de 50-120 micrômetros. Este procedimento torna o produto fisiológico valioso, as pequenas partículas fornecem uma grande superfície para fermentação bacteriana.

fibras

Os produtos modernos de lignocelulose (lignocelulose de 2ª geração) são uma combinação sinérgica de fibras insolúveis fermentáveis e não fermentáveis. As partes não fermentáveis desta lignocelulose estimulam a motilidade intestinal e garantem o peristaltismo ideal.

Isso evita a constipação e ascensão de bactérias patogênicas do intestino grosso, sendo fatores importantes para a profilaxia do MMA e, consequentemente ajuda a proteger da SDP. A fração de fibra fermentável suporta seletivamente bactérias intestinais benéficas.

Além disso, a lignocelulose melhora a transferência de componentes de fibras fermentáveis da dieta para o cólon, onde são metabolizados pelas bactérias intestinais e fornecem energia adicional. A fonte de fibra concentrada evita a diluição de energia ou proteína na dieta de lactação.

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As avaliações provam que a inclusão de 1% de lignocelulose (produto de 2ª geração) antes do parto (inclusão na dieta de lactação; alimentada ao entrar na unidade de parto) até o desmame, revelaram vários efeitos positivos:

Menos constipação Trânsito intestinal otimizado devido a fibras

fibras

não fermentáveis Parto mais rápido Fermentação otimizada, fornece energia constante para o processo de parto Mais leitões nascidos vivos, menos leitões com baixo peso, melhor uniformidade da leitegada – como resultado de um suprimento de energia otimizado pouco antes e no momento do parto Maior produção de leite Devido a uma melhor saúde e uma melhor constituição fisiológica Leitões desmamados cada vez mais pesados Como resultado da saúde otimizada da porca e dos leitões

39 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Fibra alimentar desde o parto até o desmame – benefícios às porcas e aos leitões


Fibra alimentar – sempre vale a pena ficar de olho nela A quintessência é que um suprimento adequado de fibra no momento do parto e

Tabela 1. Teste científico, Holanda, 2012: 1% de lignocelulose (OptiCell®) acelera o parto e melhora a saúde e o desempenho dos leitões

durante a lactação apoia o estado de saúde e o desempenho da porca e dos leitões, além disso, também é uma contribuição para a fertilidade a longo prazo.

Controle 1º Parto – último leitão (min)* Leitões nascidos vivos Leitões natimortos Peso médio de leitões nascidos vivos (g)** Peso médio dos leitões 24 h (g)** Ganho de peso diário até o desame (g/d) Peso ao desmame d 27 (kg)***

OptiCell®

Diferença -18% +2% -36% +10% +8% +1.8% +4%

180 (149-265) 15.2 0.7 1,241 1,326 226 7.5

220 (154-330) 14.9 1.1 1,127 1,219 222 7.2

Figura 3. Avaliação de campo em uma fazenda de porcas comerciais, Coréia 2016: Com a inclusão de 1% de OptiCell® (começando 2 semanas antes do parto até o desmame), as perdas de leitões diminuíram, apesar do estresse térmico.

Referências Devillers, N. et al (2004): Estimation of colostrum intake in the neonatal pig. Journal of Animal Science, 78, 305-313 Martineau, G.P. et al (2012): Mammary system. In J.J. Zimmerman (Ed) Diseases of swine, 10th edn (pp. 270-293). Ames, Iowa, EUA: John Wiley & Sons, Inc. Wiley-Blackwell Peltoniemi O.A.T. et al (2016): Parturition effects on reproductive health in the gilt and sow Theil, P.K. et al (2006): Role of suckling in regulating cell turnover and onset and maintenance of lactation in individual mammary glands of sows. Journal of Animal Science, 84, 1691-1698 Theil, P.K. (2016): https://vet-team. dk/CustomerData/Files/Folders/9kurser/1462_1611-aarsmoede-05uk-feeding. pdfTummaruk P. and Sang-Gassanee, K. (2013): Effect of farrowing duration, parity number and the type of anti-inflammatory drug on postparturient disorders in sows: A clinical study. Tropical Animal Health and Production, 45, 1071-1077

Início da suplementação com OptiCell®

16,0

Perdas de leitões até o desmame em %

fibras

*P=0.41; **) p<0.01; ***) p=0.02

14,0

14,6 13,6

14,1

13,9

13,8 12,6

12,0

10,0

10,0

8,8

8,0 6,0 4,0 2,0 0,0

Jan

Fev

Mar

Abri

Mai

Jun

Início da estação quente Fibra alimentar desde o parto até o desmame – benefícios às porcas e aos leitões

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40 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Fibra alimentar desde o parto até o desmame – benefícios às porcas e aos leitões

Jul

Ago


ESTIMBIÓTICO

AS VANTAGENS EM

USAR ADITIVOS

PARA APROVEITAR MELHOR A FIBRA DIETÉTICA DOS ALIMENTOS

fibras

Alexandre Barbosa de Brito Médico Veterinário, PhD em Nutrição Animal

A

s operações modernas de frangos de corte e suínos sofreram mudanças drásticas nas práticas de

produção nos últimos 50 anos. A seleção genética para altas taxas de crescimento e objetivos reprodutivos, bem como técnicas de manejo aprimoradas e requisitos alimentares, levou a padrões elevados de desempenho em todas as operações pecuárias, em especial para área de monogástricos.

Uma destas áreas que evoluíram muito trata-se da investigação

A expressão “saúde intestinal” se tornou o padrão na literatura científica e nas indústrias de produção animal para descrever o status sanitário dos animais. No entanto, embora as palavras “intestino”, “intestinal” e/ ou “entérico” estejam claramente relacionadas, definir desta forma “saúde” pode ser algo difícil, gerando um real desafio para este conceito.

de estratégias/produtos capazes de incrementar a chamada saúde intestinal dos animais.

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Kogut et al. (2017)

Esses fatos nos levam a considerar a estrutura do intestino, seu funcionamento ideal e como isso pode ser influenciado para melhorar a saúde e a produtividade dos animais.

Uma boa estratégia para ajudar a incrementar estes quatro pilares, refere-se a melhor utilização do padrão de fermentação da Fibra Dietética presente nos alimentos. Definise como Fibra Dietética o volume de polissacarídeos não amiláceos (PNA) + lignina presentes no alimento dos animais, que em dietas tipicamente Sul Americanas (a base de milho e farelo de soja) pode chegar a representar de 10 a 15% do volume total de alimento completo.

Estamos hoje falando muito sobre os mecanismos pelos quais estas xilanases melhoram o valor nutritivo das dietas à base de cereais para aves e suínos. Em dietas contendo uma alta proporção de PNA solúveis As enzimas exógenas reduzem a alta viscosidade da digesta, promovendo a ingestão de alimentos e a eficácia das enzimas digestivas endógenas e levando a uma melhoria na digestibilidade dos nutrientes. Em dietas de baixa viscosidade A ação de enzimas exógenas tem sido atribuída à sua capacidade de degradar as ligações entre as cadeias de fibra, gerando frações de pequeno grau de polimeralização chamadas de xiloligossacarideos (ou XOS), gerando uma rota de desenvolvimento da microbiota intestinal . (Ribeiro et al., 2018).

fibras

Relaciona saúde intestinal a estratégias utilizadas para manter ou incrementar a capacidade do animal em maximizar nutrientes (DIGESTÃO), suportar a integridade do tecido intestinal (BARREIRA FÍSICA), melhorar o balanço microbiano do intestino (MICROFLORA INTESTINAL) e por fim suportar apropriadamente o sistema imune controlando os processos infecciosos (ORGÃO IMUNE).

O

efeito resultante das β1,4-xilanases exógenas seria a geração de

uma gama destes XOS. Tais oligossacarídeos teriam um efeito benéfico na microflora que coloniza a porção distal do trato gastrointestinal (TGI). Assim, os efeitos benéficos resultantes da inclusão de 1,4-xilanases em

Estes PNA solúveis e insolúveis que exibem propriedades anti-nutritivas significativas para os animais. Estes efeitos podem ser reduzidos com o uso de carboidrases, em especial xilanase, devido a elevada participação do complexo de arabinosa e de xilonasa normalmente presente nas dietas sul americanas (cerca de 40 a 50% do total de PNA).

dietas a base de cereais podem resultar em uma modulação mais robusta do microbioma cecal, por gerar uma série de compostos altamente fermentescíveis nos cecos, além da atividade direta nos arabinoxilanos solúveis e viscosos.

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Um exemplo que como a correta utilização desta fibra dietética pode ajudar na manutenção do status sanitário de suínos pode ser visto no trabalho de Jensen & J rgensen (1994), estes autores avaliaram o efeito dietético da fibra sobre a atividade microbiana e volume de gases produzidos no intestino de suínos.

fibras

De acordo com os autores, houve um grande incremento de populações de bactérias anaeróbicas cultiváveis, no último terço do intestino delgado, quando os suínos consumiram dietas com níveis mais elevados de fibra nas dietas (cerca de 80% de extrato de cevada e de ervilha nas dietas). Ainda de acordo com os autores, este ponto indica que se pode modular uma atividade microbiana substancial nessa porção do intestino, trazendo benefícios aos animais: maior número de bactérias degradadoras de fibra, maior concentração de energia (ácido graxos de cadeia curta – AGV) e redução do pH.

Claro que o uso de fibra dietética em demasia igualmente é detrimental para a performance dos animais monogástricos, pois mais que os efeitos em fermentação cecal sejam positivos, as frações de fibra contribuem com apenas 3% da gênese de energia de um cereal.

Porém o uso eficiente das frações de fibra dietética que já são normalmente encontradas em dietas a base de milho e soja são fundamentais, pois seu uso pode explicar cerca de 70% da variação no conteúdo de energia entre diversas fontes de cereais, como demonstrado no trabalho publicado por Gutierrez et al. (2014).

Isto se dá pois ao incrementar o padrão de fermentação, por gerar frações de XOS das cadeias de arabinosa + xilosa, além do efeito direto na redução de viscosidade das frações solúveis. Desta forma, geramos um ambiente intestinal mais saudável no duodeno, jejuno e íleo, o que interfere positivamente com o padrão de digestibilidade de alguns nutrientes (em especial proteína), reduzindo assim sua fermentação cecal, o que é desejável.

Desta forma, não se recomenda a utilização de fontes externas de fibra a uma dieta de animais em produção, salvo algumas fases reprodutivas de aves e suínos.

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De igual maneira, estes XOS formados serão consumidos por bactérias xiloutilizadoras nos cecos de aves e suínos, gerando AGV (acético, propiônico e butírico). Estes ácidos são fontes de energia direta para os animais, o grupo de bactérias que os gera, também produzem alguns fatores importantes de comunicação intestino: Cérebro em aves e suínos, como o peptídeo YY, ou somente PYY. (Taylor et al., 2018; Melo-Duran et al., 2018).

Um exemplo deste conceito foi obtido pelo trabalho publicado por Cho et al., 2019, Este fator determinará uma melhoria de digestibilidade das dietas por incrementar a retenção estomacal dos alimentos.

fibras

Quanto se utiliza XOS obtidos em um grau de polimeralização específico, xilanases exógenas ou uma combinação de ambas estratégias; o que se gera é uma forte ação de estimulação de bactérias degradadoras de fibra nas câmaras de fermentação distal de monogástricos, gerando o chamado efeito Estimbiótico – Estimulação da Flora Cecal Degradadora de Fibra.

Onde se avaliou a suplementação de XOS e xilanase na dieta de suínos desmamados, como uma estratégia para melhorar o desempenho em leitões alimentados com baixa nível de óxido de zinco e sem antibióticos. Um total de 144 suínos machos desmamados aos 28 dias de idade com peso corporal inicial de 7,5 ± 0,7 kg, foram alocados aleatoriamente em seis tratamentos, sendo:

A

Condições sanitárias satisfatórias com menos de 150 ppm de ZnO – CONTROLE; CONTROLE + XOS + Xilanase - CXX. Todos os tratamentos tiveram 6 repetições de 4 suínos/cada.

B

Piores condições sanitárias (sem limpeza/desinfecção da sala anteriormente povoada): CONTROLE, CXX, e por fim CONTROLE com MOS, e com FOS. Todas as dietas foram formuladas com base no milho, trigo e farelo de soja para atender às especificações nutricionais do NRC (2012).

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O ganho médio diário (GPD) e o consumo médio diário de ração foram medidos por 6 semanas. A incidência de diarreia, expressa como proporção de dias com diarréia, igualmente foram avaliadas nos primeiros 14 dias. Os leitões que vivem em condições sanitárias mais precárias reduziram o GPD em 12% (P<0,001) e aumentaram a incidência de diarreia em 33% (P<0,05).

fibras

A suplementação de CXX aumentou o GPD, independentemente da condição da habitação, mas a melhoria foi mais notável em condições insalubres (8% e 15% de melhoria nas condições sanitárias e insalubres, respectivamente; P <0,001). Sob condições insalubres, a suplementação de FOS e MOS não melhorou o ganho diário de peso (P> 0,05), Tabela 01.

Este estudo demonstrou claramente que alojar animais em condições insalubres tem um efeito negativo no crescimento e na pontuação da diarreia. A suplementação de CXX, pode ESTIMULAR o microbiota cecal a utilizar mais as frações de fibra dietética. Isto pode ser uma estratégia viável para reduzir o impacto negativo de altas cargas microbianas nos sistemas de produção comercial.

TABELA 01. Impacto das condições sanitárias e dos tratamentos dietéticos no desempenho (ganho diário de peso – GPD; consumo médio diário de ração - CDR; conversão alimentar – CA) de 21 a 63 dias de idade e a incidência de diarréia (ID) no dia 14 após o desmame. Dados Condições sanitárias.

Dados

Condições sanitárias satisfatórias

Piores condições sanitárias

SEM

CON

CXX

CON

CXX

CM

CF

GPD, g/d

343bc

370a

302dy

348abx

319 cdy

321cdy

3,5

CDR, g/d

508

514

493

490

477

483

11,80

CA, g/g

1,81

1,72

1,85

1,66

1,66

1,69

0,04

ID, %

5,4

4,0

13,4

8,1

7,9

6,5

1,54

Onde: CON (controle); CXX (controle com xilo-oligossacarídeo mais xilanases); CM (controle com manano-oligossacarídeos); CF (controle com frutooligossacarídeos). abcdDiferente (P<0,05) entre todos os tratamentos. xyDiferente (P<0,05) apenas entre todos os tratamentos de baixas condições sanitárias.

Podemos definir como aditivos estimbióticos aqueles capazes de estimular um microbioma a degradar fibras para aumentar a sua fermentabilidade mesmo quanto usadas em doses claramente baixas. Isto permite contribuir de maneira significativa com a produção de AGV (Bedford, 2019).

Desta forma, o conceito prebiótico que até agora foi atribuído à xilanase precisa ser reconsiderado, bem como o espaço possível para uma melhor utilização da fibra na alimentação de monogástricos.

As Vantagens em Usar Aditivos para Aproveitar Melhor a Fibra Dietética dosAlimentos

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“Treinando” o microbioma animal para o aproveitamento da fibra: uma nova perspectiva do modo de ação das enzimas degradantes de fibra

Enzimas degradadoras de fibra (PNAases) têm sido usadas comercialmente por mais de 30 anos. Historicamente, o foco principal sobre as PNAases estava em diminuir os efeitos anti-nutricionais da fibra, mas este vem mudando para os subprodutos da quebra da fibra.

“Nós sabemos que determinados produtos oriundos da quebra de PNA são benéficos e atuam na adaptação da microbiota intestinal, o que pode aumentar o aproveitamento da fibra e o desempenho”. Dr Gemma Gonzalez Ortiz, Gerente de Pesquisas, AB Vista

Quando as enzimas degradam a porção PNA, oligossacarídeos de cadeia curta são produzidos; estes são fermentados por bactérias no intestino, aumentando a produção de ácidos graxos de cadeia curta. Este efeito tem sido chamado de efeito prebiótico, e é considerado como um dos mecanismos de ação das PNAases, que pode ser muito

do que simplesmente melhorar a digestibilidade de fibra e a fermentação de oligossacarídeos produzidos. Quando suplementada via dieta por um longo período, a xilanase tem mostrado aumentar, efetivamente, a capacidade das bactérias do ceco em digerir fibra. Isto sugere que as xilanases causam um efeito de “treinamento” no microbioma cecal, resultando em mudanças adaptativas ao longo do tempo que aumenta a capacidade de degradar fibra (Figura 1). Isto significa que as PNAases estão fazendo muito mais do que se sabia – elas contribuem para o desenvolvimento de uma microbiota mais benéfica e, com isso, melhoram a eficiência na absorção de nutrientes da dieta pelo animal hospedeiro.

Figura 1. Amostras de conteúdo cecal de aves alimentadas com dietas contendo ou não xilanase (Econase XT) foram usadas como inóculo em ensaio de fermentação para monitorar a produção de ácidos graxos voláteis (AGV). O inóculo cecal de aves pré-expostas à xilanase aumentou a produção de butirato em comparação com as aves do grupo controle. 19 17 15

Butirato mM

A busca crescente sobre como as carboidrases agem está abrindo uma nova perspectiva do seu papel nas estratégias nutricionais para melhorar o desempenho.

13 11 9 7 5 Controle Conteúdo cecal aves do controle

C+PNA de trigo Conteúdo cecal – aves com xilanase

“Precisamos olhar para as PNAases como ferramentas para acelerar a habilidade do microbioma intestinal em degradar fibra. Em vez de degradar quantitativamente a fibra da parede celular vegetal, estas enzimas estão, efetivamente, aumentando a capacidade intrínseca do animal em digerir fibras, o que tem implicações significativas na seleção de classes de enzimas PNAases e de dosagens”. Dr Mike Bedford, Diretor de Pesquisas, AB Vista

Para saber mais sobre a pesquisa citada neste artigo e outras pesquisas relacionadas, visite www.abvista.com ou entre em contato com o representante local da AB Vista.


INFLUÊNCIA DA GORDURA DA DIETA NA MICROBIOTA RUMINAL PARTE II Fernando Bacha Baz1 & María Jesús Villamide Díaz2, 1 NACOOP, 2ETSIAAB Universidade Politécnica de Madri

formulação

Nesta segunda parte do trabalho, analisaremos os resultados obtidos pelos pesquisadores nos ensaios in vivo e detalharemos com mais atenção a biohidrogenação das gorduras no rúmen, processo que, como já vimos, é a etapa posterior à lipolise, primeiro processo a que são submetidas as gorduras que entram no rúmen.

ADAPTAÇÃO DETOXIFICANTE BIOHIDROGENAÇÃO Este processo é considerado uma adaptação detoxificante (Kemp et al., 1984), que contribui marginalmente para a eliminação dos equivalentes redutores produzidos pela fermentação ruminal (Lourenço, et al. 2010). A biohidrogenação (BH) compreende várias etapas, dependendo dos AGI, e várias rotas, dependendo da dieta e ambiente ruminal (Griinari et al., 1998).

Os protozoários englobam bactérias e a biohidrogenação pode ocorrer dentro dos protozoários (Jenkins et al., 2008), explicando suas altas concentrações de produtos intermediários (Devillard et al., 2006).

48 nutriNews Brasil 1to trimestre 2020 | Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II


Enzimas das bactérias

Esquema da GORDURAS

ruminais

biohidrogenação

LIPÓLISE

Ácidos graxos insaturados

Ác. Linoleico cis 9, cis-12 C18:2

Ác. Linoleico cis 9, cis-12, cis-15 C18:3 ISOMERASE

ISOMERASE

BIOHIDROGENAÇÃO

cis 9, trans-11 C18:2

cis 9, cis-12, cis-15 C18:3 Vaccénico trans-11 C18:1

HIDROGENASE

HIDROGENASE

HIDROGENASE trans-11, cis-15 C18:2

Ácido graxo saturado Esteárico C18:0

formulação

HIDROGENASE

trans-15 y cis-15 C18:1

ESTUDOS IN VIVO Além dos estudos baseados nos isolamentos selecionados, foram realizados esforços para avaliar in vivo a relação entre bactérias do rúmen e a biohidrogenação adicionando bactérias e medindo seus produtos. Ou, ainda, agregando suplementos dietéticos que, sabe-se, afetam a BH e medindo a abundância de bactérias. Em geral Os estudos in vivo de adição de gordura demonstraram que não há mudanças, ou diminuição nos gêneros de protozoários totais e principais.

Outras observações: Hristov et el., 2012 observaram que o ácido láurico (C12:0) diminuiu fortemente a contagem de protozoários comparado aos ácidos mirístico (C14:0) e esteárico (C18:0). Oldick e Firkins (2000), de maneira mais geral, mostraram que ao aumentar o grau de insaturação diminui a contagem de protozoários, porém enfatizaram que esta mudança pode ser difícil de ser avaliada devido à variação individual, o que explica a inconsistência nos ensaios.

49 nutriNews Brasil 1to trimestre 2020 | Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II


Observações sobre a comunidade arqueal Os estudos com cepas puras de arqueas, adicionando ácidos orgânicos, ou ácidos graxos saturados, apresentaram inibição da produção de metano pelo Methanobrevibacter ruminantium.

formulação

. Lillis et al. (2011) comprovaram que a adição de óleo de soja invivo alterou a contagerm, porém, não a diversidade das arqueas metanogênicas. Eles levantaram a hipótese de que estas mudanças poderiam ser consequência da alteração do perfil de AGV (menos acetato e butirato, que produzem H2, além do propiônico), devido a mudanças na comunidade bacteriana.

Hristov et al. (2012) sugeriram que mudanças na comunidade arqueal poderiam ser uma consequência da diminuição da abundância de protozoários com dietas ricas em gordura. Sobre o ácido linoleico …. Em cultivos puros, o ácido linoleico (AL) pode afetar o crescimento do fungo Neocallimastix frontalis (Maia et al., 2007). Boots et al. (2012) confirmaram in vivo o efeito negativo da adição de AL na ordem Neocallimastix, cuja riqueza e diversidade diminuem com a adição de óleo de soja. O efeito inibitório dos óleos sobre o crescimento bacteriano foi amplamente estudado em cultivos puros in vitro de cepas do rúmen (Maia et al., 2007), focando em bactérias que desempenham papel na fibrólise, amilólise e metabolismo das gorduras.

50 nutriNews Brasil 1to trimestre 2020 | Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II


Os efeitos negativos do AG sobre B. fibrisolvens são: + fortes para ALA que para AL ++ fortes para AG de cadeia longa eicosapentaenóico (EPA: cis-5, cis-8, cis-11, cis-14, cis017-C20:5) e os ácidos docosahexaenoico (DHA; cis-4, cis-7, cis-10, cis-13, cis-16, cis-19-C22:6). De forma similar, ALA aumenta fortemente a fase de latência e diminui a taxa de crescimento de Propionibacterium acnesn (Maia et al., 2016).

EFEITO SOBRE AS BACTÉRIAS IN VIVO Os efeitos dos suplementos de gordura foram pesquisados in vivo, estabelecendo bactérias por espécie a partir de PCR quantitativo (Martin et al., 2016; Vargas-Bello-Perez, et al., 2016) ou, por gênero, utilizando 16S rDNA pirosequenciamento (Zened et al., 2013a; Huws et al., 2014). Nestes últimos encontrou-se efeitos significativos da gordura em bactérias ainda não cultivadas, ou não classificadas.

Estes experimentos basearam-se, principalmente, na adição de óleo, diferentemente da maioria dos estudos sobre cultivos de cepa pura, que utilizaram AG livres. No geral, os efeitos foram menores que os observados com cultivos puros, o que poderia ser reputado ao tipo de gordura adicionada, ou ao fato de que os efeitos na fase de latência não podem ser vistos in vivo. As mudanças na microbiota ruminal devido a uma maior proporção de concentrado são muito mais altas que os efeitos por adição de gorduras. Alguns gêneros também foram afetados de maneira diferente pela adição de óleo em dietas de baixo e alto concentrado, especialmente Acetitomaculum, lachnospira e Prevotella (Zened et al. 2011).

formulação

No geral, estes primeiros estudos sobre AG saturados e monoinsaturados enfatizaram que os efeitos das gorduras sobre as bactérias do rúmen dependem do metabolismo bacteriano, da insaturação dos AG e da configuração geométrica das ligações duplas.

Entre os gêneros de bactérias, ou espécies estudadas em vários experimentos, a Fibrobacter e Ruminococcus foram afetados negativamente na maioria dos casos, porém os efeitos no Butyrivibio e Prevotella foram mais variáveis. Estes últimos gêneros compreendem muitas espécies com funções um pouco diferentes, como rotas metabólicas e sensibilidades a AG em cultivos (Maia et al., 2007).

A diminuição da abundância de um gênero bacteriano in vivo depois de uma mudança na dieta não pode ser interpretada claramente como efeito direto da dieta, porém poderia refletir uma mudança mais global na degradação de nutrientes e nas relações entre os diferentes microorganismos do rúmen.

51 nutriNews Brasil 1to trimestre 2020 | Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II


COMO OS AG INIBEM O CRESCIMENTO BACTERIANO? Existem várias hipóteses para explicar o mecanismo inibidor dos AG no crescimento bacteriano:

formulação

1

Hipótese n 1 A maioria dos lipídeos estão associados com partículas da dieta no rúmen e a cobertura das partículas da dieta poderia prejudicar a aderência, diminuindo a degradação da fibra no rúmen (Devendra e Lewis 1974). No entanto, esta hipótese não é consistente com o aumento no número de bactérias que se unem às partículas na fase sólida do rúmen quando adicionada gordura à dieta (Bauchart et al., 1986).

3

trans

cis

2

Hipótese nº2 Devendra e Lewis (1974) também propuseram que a gordura da dieta poderia diminuir a disponibilidade de íons para as bactérias devido à formação de sais, o que é consistente com os efeitos protetores das substâncias ricas em cálcio sobre a degradação da celulose quando se adiciona óleo à dieta (Brooks et al., 1954). No entanto, não pode explicar todos os efeitos negativos da gordura na dieta.

Hipótese nº3 Devendra e Lewis (1974) também atribuíram a hipótese de que AG poderia exercer toxicidade direta sobre as bactérias do rúmen, o que é consistente com a incorporação de AGI nos cultivos bacterianos (Bauchart et al. al. 1990). Esta toxicidade poderia ser consequência de um impedimento na passagem de nutrientes pela aderência dos AG à parede celular.

Um efeito específico das duplas ligações cis poderia explicar porque a maioria das bactérias bioindicadoras conhecidas produzem trans-C18:1. porém não o reduzem mais a ácido esteárico. O ácido linoleico pode alterar a integridade celular, porém não existe uma relação entre esta alteração e o nível de inibição do crescimento bacteriano em diferentes cepas no rúmen, incluída B. fibrisolvens.

52 nutriNews Brasil 1to trimestre 2020 | Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II


CONCLUSÃO E PERSPECTIVAS A relação entre os lipídeos da dieta e a microbiota do rumen está dominada pela toxicidade dos AGI em muitos microorganismos, especialmente as bactérias fibrolíticas. Sabe-se que o gênero Butyrivibrio está fortemente envolvido no processo de detoxificação.

Muitos estudos recentes sugerem que as as bactérias envolvidas poderiam ser mais

As opções mais adequadas para dar forma

diversas do que se acreditava há várias

à microbiota do rúmen e sua atividade

décadas.

dependem de muitos fatores:

As aplicações práticas envolvem ambos os

formulação

rotas bioquímicas são mais complexas e

Sistema de produção Condições econômicas

lados desta relação. A adição de gordura à dieta dá forma à

Regulações locais, ou especificações

comunidade microbiana do rúmen, modula

No entanto, para aplicar estas diferentes

a função do rúmen e isto fez com que uma

manipulações no campo, deve-se obter

grande quantidade de pesquisas tenham se

novos dados in vivo em diversas condições

dedicado, nos últimos anos, à redução das

dietéticas, com estudos de longo prazo,

emissões de metano, ainda que o modo de

porque a resiliência da microbiota ruminal,

ação não seja compreendido por completo,

ou sua adaptação à degradação de

podendo depender da fonte de gordura (Patra

compostos de plantas, pode alterar os

e Yu 2013).

efeitos no tempo (Weimer 2015).

Existem efeitos colaterais negativos na

Além disso, novas pesquisas aplicadas sobre

eficiência alimentar, como a redução do

o metabolismo ruminal das gorduras exige

consumo de matéria seca (Beauchemin et al., 2009).

conhecer melhor quais microorganismos, mecanismos enzimáticos e interações entre

Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II

os microorganismos e entre a microbiota e o hóspede estão envolvidos.

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53 nutriNews Brasil 1to trimestre 2020 | Influência da gordura da dieta na microbiota ruminal Parte II


entrevista

ENTREVISTA COM...

ARIOVALDO ZANI Diretor de Insumos do Depto. do Agronegócio da FIESP, diretor do CBNA e CEO do Sindirações

54 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Entrevista com Ariovaldo Zani


Em meio à pandemia da COVID-19 o importante é garantir a circulação de mercadoria, os insumos para fabricação e as rações prontas para alimentação dos animais, diz Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.

Como o Sindirações se posiciona nesse momento com seus 150 associados? E quais orientações são passadas em relação às consequências do impacto econômico? Prioritariamente temos alertado para o cuidado com o grupo de risco, ou seja,

entrevista

ARIOVALDO ZANI dispensa apresentações no meio da nutrição animal no Brasil. Há mais de 30 anos atuando no setor, é uma referência na área. Médico veterinário formado pela UNESP (Universidade Estadual Paulista), fez MBA na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), passou pelo mundo corporativo atuando em importantes empresas como Agroceres, Mogiana Alimentos/Guabi e Basf. Atualmente é diretor de Insumos do Departamento do Agronegócio da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), diretor do CBNA (Colégio Brasileiro de Nutrição Animal) e CEO do Sindirações, que reúne 150 empresas e entidades da área em todo Brasil.

cumprem quarentena compulsória todos os colaboradores com mais de 60 anos, portadores de doenças crônicas, gestantes e lactantes, além daqueles que podem realizar suas tarefas remotamente.

Quanto às orientações sobre as consequências de impacto

Quais as medidas para minimizar o impacto da COVID-19 no setor de nutrição animal no país?

econômico, o Sindirações tem se

O cenário repleto de incertezas não permite

de maneira transversal e, então,

planejar sequer a curto prazo. As medidas

sugerir medidas de mitigação às

de curtíssimo prazo adotadas têm focado

autoridades dos Poderes Executivo

na garantia da circulação de mercadorias -

e Legislativo, em nível federal e nos

insumos para fabricação e as rações prontas

Estados da Federação. Dentre elas, a

para alimentação dos animais - frente aos

manutenção do fluxo de caixa, crédito

eventuais bloqueios logísticos municipais,

e financiamento para garantia da

além do esforço para manutenção dos

produção, manutenção do emprego e

processos aduaneiros, como comércio

abastecimento dos consumidores.

integrado às demais entidades representativas do agronegócio com intuito de convergir demandas

exterior de gêneros agropecuários.

55 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Entrevista com Ariovaldo Zani


Você está satisfeito com os esforços do MAPA - Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento - para tentar minimizar o impacto da pandemia? Estamos muito satisfeitos com as intervenções do Ministério da Agricultura e do Ministério da Infraestrutura para garantia do trânsito das mercadorias frente aos bloqueios municipais e também na continuidade do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas pelo nosso setor. Contabilizamos alguns pequenos percalços no início do ano, mas eles foram

entrevista

rapidamente solucionados no Gabinete de

Diante de tantas incertezas e com a alta do dólar e a desvalorização do real a situação para o fabricante de ração ficou difícil. Preço do produto caiu e o preço dos insumos aumentaram. Como equilibrar essa conta? A dica é que o produtor fique antenado às informações disponibilizadas pelas associações representativas que, em conjunto, têm levado às autoridades executivas, legislativas e judiciárias as demandas mais críticas de curto e médio prazo, para

Crise montado pelo Governo Federal.

garantir fluxo de caixa, postergação no

Apesar da pandemia da COVID-19 e seus impactos na economia, as exportações do agronegócio brasileiro não foram afetadas negativamente. Você acha que essa situação vai durar muito tempo?

seguir as recomendações do Ministério da

Sim, porque a China, principalmente, continua abatida pela Peste Suína Africana e demanda proteína animal - carne bovina e suína - para

recolhimento dos impostos, e principalmente Saúde e garantir àqueles colaboradores que continuam atuando, um ambiente de trabalho mais seguro possível.

Você conseguiria nos dizer o que essa diminuição da quantidade de ração produzida poder significar em números?

abastecimento do consumo. E isso vem

A produção de ração seguiu alinhada à

crescendo, mesmo pós pico da pandemia da

estimativa durante o primeiro trimestre de

COVID-19.

2020. A indústria de alimentação animal é modulada pelo desempenho da cadeia

É consenso entre os analistas que a recessão será global, o PIB per capita vai cair e o consumidor será forçado a consumir menos proteína animal. Nesse caso, menos milho e farelo de soja serão necessários e teoricamente os preços, em dólares, devem arrefecer. Não dá para estimar agora se o recuo do preço vai compensar a desvalorização abissal da nossa moeda, o Real. De toda forma, a menor demanda de proteína animal vai redundar em menor quantidade de ração a ser produzida. 56 nutriNews Brasil 1º trimestre 2020 | Entrevista com Ariovaldo Zani

produtiva de proteína animal, ou seja, o alojamento/confinamento de aves, suínos e bovinos e o abate/demanda doméstica e internacional de carne bovina, suína de aves, ovos e leite, é que vai determinar o ritmo durante o ano.

Entrevista com Ariovaldo Zani

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nutriNews Brasil 1 TRIM 2020  

Revista técnica especializada em nutrição e alimentação animal.

nutriNews Brasil 1 TRIM 2020  

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