Revista nutriNews Brasil | 1° Trimestre 2021

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NÍVEIS DE MICROMINERAIS E VITAMINAS NA INDÚSTRIA SUINÍCOLA BRASILEIRA

p. 6 Dr. Danyel Bueno Dalto e Prof. Dr. Caio Abércio da Silva

p. 93

TABELA Microminerais Edição exclusiva Brasil


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CONTEÚDOS 6

Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira? Dr. Danyel Bueno Dalto1 e Prof. Dr. Caio Abércio da Silva2 Agriculture and Agri-Food Canada, Sherbrooke, Quebec, Canadá 2 Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil 1

18

Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura

Túlio Leite Reis1, Flávio Medeiros Vieites2 1Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) 2 Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

29

Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche Gabriel Augusto M. e Costa; Izabel Cristina Tavares; Ludmilla Neves F. Freire; Ygor Henrique de Paula; Vinícius Cantarelli Universidade Federal de Lavras (UFLA), ASIH-NESUI

Utilização de gérmen de

38 milho na dieta de aves

Renata Rodrigues Gomes, Carla Daniela S. Leite, Raphael Rodrigues dos Santos, Itallo da Silva Faria, Carlos Henrique R. Rocha, José Henrique Stringhini Universidade Federal de Goiás (UFG), Departamento de Zootecnia, Escola de Veterinária e Zootecnia

1 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021


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48

Importância dos microminerais na avicultura

64

Márcia Gabrielle L. Cândido

Igor Lima Bretas1, Fernanda Helena M. Chizzotti1 e Domingos Sarvio M. Valente2

Doutora em Construções Rurais e Ambiência – DEA/UFV. Redatora nutriNews Brasil

56

1Universidade Federal de Viçosa (UFV), Departamento de Zootecnia, Viçosa, Minas Gerais, Brasil 2 Universidade Federal de Viçosa (UFV), Departamento de Engenharia Agrícola, Viçosa, Minas Gerais, Brasil

Microminerais no desenvolvimento e na produção de bovinos Nhayandra Christina Dias e Silva1, Raphaela Aparecida T. do Prado, Thailson Fernando Faustino1, Adauton Vilela de Rezende1 1Universidade José do Rosário Vellano – UNIFENAS, Programa de Pós Graduação em Ciência Animal.

2 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021

Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial

74

Zinco multi-amino quelatado melhora a conversão alimentar de frangos

Verônica Lisboa, Juliana Bueno, Carlos Ronchi, Luciano Roppa e Victor Nehmi Yessinergy


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80

Estratégias para a otimização de uso de microminerais em dietas de suínos Alexandre Barbosa de Brito

93 Tabela de Microminerais 2021 Edição Brasil

Médico Veterinário, PhD Nutrição Animal

86

Período de transição de vacas leiteiras Ricardo Pereira Manzano Médico Veterinário. Consultor Técnico - Biochem Brasil Nutrição Animal

Cuidando dos animais naturalmente Trabalhando sempre com a melhoria da microbiota e transferência de imunidade, a Phileo traz soluções e programas para melhorar a saúde dos leitões através da nutrição da matriz. Nossos probióticos aumentam a viabilidade de leitões e sua saúde intestinal desde o nascimento até o desmame, assim como o tamanho e homogeneidade da leitegada. Atuando com a natureza, cuidando dos animais.

98

Absorção de zinco no trato gastrointestinal Andreas M. Grabrucker1 e Leonardo Linares2 Departamento de Ciências Biológicas, Bernal Institute, Universidade de Limerick, Limerick (Irlanda) 2 Zinpro Corporation, Eden Prairie, Minnesota, EUA 1



Na

MICROMINERAIS EM FOCO

Fe A

Zn

B12

B

Os microminerais, também conhecidos como minerais traço ou oligoelementos, são assim denominados pela sua baixa necessidade no organismo, em relação a outros nutrientes. Como exemplos desses microminerais podem ser citados o ferro, cobre, manganês, selênio, iodo e zinco.

E agora, o que esperar do ano de 2021?

Apesar do organismo necessitar de uma pequena quantidade de microminerais, quando comparados a inclusão de macrominerais, a sua falta ou deficiência gera grandes prejuízos em termos de desenvolvimento e desempenho. A deficiência dos microminerais pode levar a perdas produtivas, reprodutivas, maior susceptibilidade a doenças e crescimento deficiente, dentre outros. Em aves, a deficiência de zinco pode levar, por exemplo a anormalidade de pernas e dedos; em suínos, a deficiência desse mesmo micromineral pode causar crescimento retardado e paraqueratose; já em ruminantes, a deficiência de zinco é associada a pododermatite.

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária, que projeta o faturamento do setor primário (dentro da porteira) deve atingir novo recorde em 2021, de R$ 1,173 trilhão, uma alta de 15,8% quando comparado ao resultado de 2020 (R$ 1,013 trilhão), segundo estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) feita com base em dados de fevereiro. Porém, apesar do cenário otimista os produtores precisam de cautela, os custos da alimentação animal sofreram considerável alta nos últimos meses. A nutrição, um dos pilares da produção animal, representa grande parte dos custos de produção, sem uma nutrição adequada e ajustada para cada categoria e fase da vida dos animais não se tem um desempenho satisfatório e a altura da genética disponível. No delineamento de uma alimentação adequada mesmo os menores ingredientes, em termos de volume, devem ser contabilizados e impactam no desempenho e até mesmo na saúde dos animais. Um dos ingredientes que são incluídos em menor volume, proporcionalmente, são os microminerais.

AGRINEWS LLC

E

O ano de 2020 foi atípico, a COVID-19 foi a pauta principal e afetou o planejamento das pessoas, empresas e Estados. Porém, o setor agropecuário, mesmo com todas as mudanças infligidas pela pandemia, não parou e continuou a fornecer alimento de qualidade para o Brasil e o mundo.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que em 2021 a produção brasileira de carne de frango poderá alcançar até 14,5 milhões de toneladas em 2021, número que superaria em 5,5% os números totais previstos para 2020. No setor de ovos é esperado um aumento em 5% na produção.

EDITOR

Além disso, é importante destacar, que uma alimentação adequada não somente evita a deficiência de qualquer nutriente, mas também não suplementa em excesso. Devido a importância dos microminerais na nutrição animal, a nutriNews Brasil trouxe na primeira edição do ano a Tabela de Microminerais versão 2021, além de artigos sobre os microminerais na produção de aves, suínos e ruminantes. Boa leitura! Equipe nutriNews Brasil

PUBLICIDADE Simone Dias +55 (11) 98585-2436 nutrinewsbrasil@grupoagrinews.com DIREÇÃO TÉCNICA José Ignacio Barragán (aves) David Solà-Oriol (suínos) Fernando Bacha (ruminantes) COORDENAÇÃO TÉCNICA Marcia Gabrielle L. Cândido REDAÇÃO Simone Dias Osmayra Cabrera Márcia Gabrielle L. Cândido Victoria Yasmin Domingues COLABORADORES Caio Abércio da Silva Igor Lima Bretas José Henrique Stringhini Nhayandra Christina Dias e Silva Renata Rodrigues Gomes Túlio Leite Reis Vinícius Cantarelli ADMINISTRAÇÃO Inés Navarro contabilidad@grupoagrinews.com

nutribr@grupoagrinews.com https://nutrinewsbrasil.com

GRATUITA PARA FABRICANTES DE ALIMENTOS, EMPRESAS DE PREMIX E NUTRICIONISTAS Depósito Legal Nutrinews B-17990-2015 Preço da subscrição de USD 30,00

5

A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagen: Dreamstime nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021


QUAIS SÃO OS NÍVEIS DE MICROMINERAIS E VITAMINAS UTILIZADOS EM RAÇÕES COMERCIAIS PARA MATRIZES NA INDÚSTRIA SUINÍCOLA BRASILEIRA? Dr. Danyel Bueno Dalto1 e Prof. Dr. Caio Abércio da Silva2

formulação

1 Agriculture and Agri-Food Canada, Sherbrooke, Quebec, Canadá 2 Universidade Estadual de Londrina, Londrina, Paraná, Brasil

INTRODUÇÃO Reconhecidamente, as vitaminas exercem muitas funções, auxiliando no metabolismo de outros nutrientes, na utilização da energia e da proteína, e na promoção dos índices reprodutivos, do desempenho e da saúde animal (HERNANDEZ et al., 2012). Neste cenário, a suplementação vitamínica nas rações, baseado no retrospecto de trabalhos científicos e experiências comerciais, visa atender as demandas da espécie, que são

Assim, as exigências estabelecidas

muito dinâmicas.

pelas tabelas clássicas de nutrição (ROSTAGNO et al., 2011; 2017; NRC, 2012, FEDNA, 2013) buscam indicar níveis adequados de requerimento e preservar uma relação de custo-benefício otimizada (HERNANDEZ et al., 2012).

6 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


Estas mesmas premissas valem para os níveis de minerais traços, cuja maioria das pesquisas voltadas para a determinação destas exigências foram realizadas nas décadas de 40 e 50 e dirigidas para evitar quadros de deficiência

Embora atualmente hajam iniciativas comerciais de suplementação de algumas vitaminas e minerais traços sob níveis mais elevados, visando atender as diferentes demandas que as matrizes suínas modernas detêm, não se conhece, todavia, o que exatamente as empresas têm efetivamente praticado no Brasil.

No entanto, esta limitação de informações não é exclusiva de nossa suinocultura. São poucos os levantamentos em nível mundial que tratam desta questão. Com exceção, dois estudos realizados nos Estados Unidos (Coelho and Cousins, 1997; Flohr et al., 2016) indicaram grandes variações

formulação

(GAUDRÉ; QUINIOU, 2009).

no uso de minerais traços e vitaminas entre produtores de suínos, corroborando com a limitação de dados sobre as exigências nutricionais destes nutrientes para a matriz suína contemporânea.

Assim, objetivou-se com este estudo identificar os níveis de minerais traços e de vitaminas utilizados comercialmente nas rações de matrizes no Brasil, servindo este como uma fonte suplementar de informação que poderá auxiliar nutricionistas e pesquisadores nas ações em prol da melhora dos aspectos técnicos e econômicos no segmento.

7 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


Este levantamento foi realizado entre os meses de Junho e Dezembro de 2019 junto a: empresas produtoras de premix/núcleo (n = 15) para suínos com atuação nas diversas regiões do Brasil e

cobalto (Co)

tiamina (vitB1)

cobre (Cu)

riboflavina (vitB2)

às principais cooperativas/agroindústrias (n = 15) do setor suinícola brasileiro.

cromo (Cr)

niacina (vitB3)

ferro (Fe)

ácido pantoténico (vitB5)

Os dados coletados compreenderam os níveis mínimos de garantia de:

formulação

Dentro de cada fase foram avaliados os seguintes microminerais e vitaminas:

iodo (I)

microminerais

manganês (Mn)

vitaminas dos produtos de linha de empresas de premixes/núcleos

selênio (Se)

juntamente com sua indicação de uso, e os níveis de microminerais e vitaminas das rações finais utilizadas por algumas cooperativas e integrações. Cada empresa participante também informou a fase na qual o produto (premix/núcleo e/ou ração) era indicado, compreendendo a idade do animal ou sua faixa de peso ou a categoria atendida. As fases de produção corresponderam às praticadas comumente no país, compreendendo: leitoas de reposição gestação lactação macho reprodutor

zinco (Zn)

piridoxina (vitB6) biotina (vitB7) ácido fólico (vitB9)

vitamina A (vitA)

cobalamina (vitB12)

vitamina D (vitD)

colina

vitamina E (vitE)

ácido ascórbico (vitC)

vitamina K (vitK)

Os dados foram compilados e submetidos a análises estatísticas descritivas. Para cada fase de produção foram calculadas taxas entre as médias dos níveis de suplementação de microminerais e vitaminas obtidos no presente estudo e os valores registrados nas Tabelas Brasileiras de Suínos e Aves (TBSA; Rostagno et al., 2017) para as fases correspondentes; e também a relação destes com os valores obtidos no levantamento realizado junto à indústria suinícola americana (USA; Flohr et al., 2016), estabelecendo um processo comparativo com estas referências.

8 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


VALORES DE VITAMINAS E MICROMINERAIS PARA LEITOAS DE REPOSIÇÃO E PORCAS EM GESTAÇÃO Os níveis de suplementação de rações para leitoas de reposição (Tabela 1) foram fornecidos por 10 empresas e para porcas gestantes (Tabela 2) por 29 empresas. Tabela 1 - Média, coeficiente de variação (CV), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), proporção em relação a valores de referência brasileiro (Taxa TBSA) e proporção em relação à valores norteamericanos (Taxa US) das concentrações de microminerais e vitaminas adicionadas às rações de leitoas de reposição. N1

Média

CV

Min

25%

Mediana

75%

Max

Taxa Taxa TBSA2 US3

Vitaminas lipossolúveis Vitamina A, IU/Kg

10

10272,57 36,33

3680,00 7131,25

9999,95

14437,50 15000,00

1,3

1,1

Vitamina D, IU/Kg

10

1914,75

28,70

1000,00 1685,00

1999,99

2136,87

2900,00

1,6

1,2

Vitamina E, IU/Kg

10

71,34

42,73

29,75

50,00

60,00

98,85

119,40

1,6

1,1

Vitamina K, mg/Kg

10

6,55

201,25

1,50

2,00

2,24

3,25

44,00

3,3

2,0

Tiamina, mg/Kg

10

1,75

40,15

1,00

1,26

1,50

2,33

3,14

1,7

0,8

Riboflavina, mg/Kg

10

6,47

31,37

3,50

4,87

6,04

8,70

9,00

1,6

0,9

Niacina, mg/Kg

10

32,56

22,62

19,69

28,00

33,19

40,00

40,00

1,3

0,8

Ác.pantoténico, mg/Kg

10

20,01

29,62

14,44

16,00

19,99

20,63

35,20

1,3

0,8

Piridoxina, mg/Kg

10

2,91

34,58

1,00

2,22

3,00

3,75

4,40

1,9

0,9

Biotina, mg/Kg

10

0,53

80,25

0,10

0,34

0,40

0,64

1,30

2,1

1,8

Folato, mg/Kg

10

1,97

67,06

0,50

0,60

1,85

3,50

3,50

2,0

1,2

Vitamina B12, mg/Kg

10

27,70

22,44

18,00

19,92

29,83

31,25

35,00

1,4

0,9

Colina, mg/Kg

6

242,68

52,78

100,00

134,62

205,00

399,93

400,00

NA

0,4

Vitamina C, mg/Kg

0

-

-

-

-

-

-

-

NA

NA

Cobalto, mg/Kg

3

0,32

64,96

0,20

NR

NR

NR

0,56

NA

0,8

Cobre, mg/Kg

10

59,82

93,30

10,00

18,75

39,60

99,75

170,00

5,0

2,6

Cromo, mg/Kg

2

0,19

7,37

0,18

NR

NR

NR

0,20

NA

0,9

Ferro, mg/Kg

10

97,75

6,23

87,50

91,50

100,00

100,01

108,00

1,2

1,0

Iodo, mg/Kg

10

1,06

16,43

0,87

1,00

1,00

1,10

1,52

1,1

2,1

Manganês, mg/Kg

10

53,45

25,77

40,00

40,43

50,00

62,51

80,00

13,4

1,4

Selênio, mg/Kg

10

0,37

18,09

0,30

0,30

0,38

0,40

0,52

1,0

1,3

Zinco, mg/Kg

10

118,54

20,91

87,50

100,00

119,85

127,05

170,00

1,1

1,0

formulação

Vitaminas hidrossolúveis

Microminerais

1 N representa o número de rações (não de empresas) avaliadas neste estudo. Os valores podem ser superiores ao número de empresas participantes pois algumas empresas apresentaram mais de uma ração por fase. 2 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção dos valores de requerimento indicados por Rostagno et al. (2017). 3 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção das médias dos níveis de suplementação obtidos por Flohr et al. (2016) nos Estados Unidos. NR = não realizado; percentil 25%, mediana e percentil 75% não têm significado com n ≤ 2. NA = não aplicável; Flohr et al. (2016) e/ou Rostagno et al. (2017) não apresentam valores para este nutriente.

9 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


Tabela 2 - Média, coeficiente de variação (CV), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), proporção em relação a valores de referência brasileiro (Taxa TBSA) e proporção em relação à valores norteamericanos (Taxa US) das concentrações de microminerais e vitaminas adicionadas às rações de gestação.

N1

Média

CV

Min

25%

Mediana

75%

Max

Taxa Taxa TBSA2 US3

Vitaminas lipossolúveis Vitamina A, IU/Kg

40

10486,81 28,80

1000,00 8850,00

10578,75

12375,00 15000,00

1,3

1,0

Vitamina D, IU/Kg

40

2154,30

84,20

200,00

1230,00

2000,00

2362,50

12480,00

1,8

1,2

Vitamina E, IU/Kg

40

60,70

69,96

6,50

30,11

50,00

71,88

223,88

1,3

0,9

Vitamina K, mg/Kg

40

2,52

58,63

0,25

1,62

2,26

2,95

8,00

1,3

0,7

Tiamina, mg/Kg

40

1,72

48,78

0,15

1,04

1,50

2,34

4,00

1,7

0,8

Riboflavina, mg/Kg

40

5,45

43,95

0,50

4,00

4,80

7,50

12,00

1,4

0,7

Niacina, mg/Kg

40

28,33

44,89

3,00

19,03

25,58

37,50

60,00

1,1

0,6

Ác.pantoténico, mg/Kg

40

17,76

53,07

2,00

12,25

15,50

20,00

50,00

1,1

0,7

Piridoxina, mg/Kg

40

2,51

57,01

0,30

1,50

2,03

3,50

6,00

1,7

0,7

Biotina, mg/Kg

40

0,38

83,28

0,04

0,15

0,30

0,42

1,30

1,5

1,3

Folato, mg/Kg

40

2,21

68,92

0,21

1,16

1,68

3,38

7,50

2,2

1,3

Vitamina B12, mg/Kg

40

26,44

41,75

9,90

19,35

24,35

30,00

60,00

1,3

0,8

Colina, mg/Kg

29

359,90

94,35

2,86

150,00

300,00

400,00

1700,00

NA

0,6

Vitamina C, mg/Kg

2

132,26

72,43

64,53

NR

NR

NR

200,00

NA

0,5

Cobalto, mg/Kg

12

0,36

56,84

0,09

0,20

0,33

0,59

0,60

NA

0,9

Cobre, mg/Kg

40

64,25

117,63

5,00

12,06

20,00

107,87

250,00

5,4

4,0

Cromo, mg/Kg

9

0,25

53,18

0,18

0,20

0,20

0,25

0,60

NA

1,3

Ferro, mg/Kg

40

86,91

38,15

10,00

71,00

99,97

100,00

164,00

1,1

0,9

Iodo, mg/Kg

39

1,01

39,19

0,10

0,82

1,00

1,20

2,00

1,0

1,9

Manganês, mg/Kg

40

48,41

37,85

5,00

36,00

46,00

60,00

84,91

12,1

1,3

Selênio, mg/Kg

40

0,35

32,15

0,04

0,30

0,32

0,40

0,70

1,0

1,2

Zinco, mg/Kg

40

110,77

27,44

12,00

100,00

103,20

120,00

195,00

1,0

0,9

formulação

Vitaminas hidrossolúveis

Microminerais

1 N representa o número de rações (não de empresas) avaliadas neste estudo. Os valores podem ser superiores ao número de empresas participantes pois algumas empresas apresentaram mais de uma ração por fase. 2 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção dos valores de requerimento indicados por Rostagno et al. (2017). 3 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção das médias dos níveis de suplementação obtidos por Flohr et al. (2016) nos Estados Unidos. NR = não realizado; percentil 25%, mediana e percentil 75% não têm significado com n ≤ 2. NA = não aplicável; Flohr et al. (2016) e/ou Rostagno et al. (2017) não apresentam valores para este nutriente.

10 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


Os níveis de microminerais variaram entre 1,0 e 13,4 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,8 e 4,0 vezes os valores referenciados pela USA.

Quando comparados à USA, os níveis de Cu, Mn e I foram marcadamente superiores para leitoas de reposição e apenas os níveis de Cu e I para porcas gestantes. Com exceção do Cu (93,0-117,6%), Cr (53,2%; apenas gestação) e Co (56,8-65,0%), poucas amplitudes de variação (entre 6,2 e 39,2%) foram observadas para microminerais entre as empresas.

Os níveis de vitaminas lipossolúveis representaram entre 1,3 e 3,3 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,7 e 2,0 vezes os valores obtidos por USA. Os níveis de vitD e vitE (apenas para leitoas de reposição) foram muito superiores aos valores da TBSA, enquanto os níveis de vitK (apenas para fêmeas em gestação) foram marcadamente inferiores aos valores da USA. Pouca amplitude de variação foi observada para as vitaminas desse grupo (entre 28,7 e 42,7%) nas rações para leitoas de reposição.

Os níveis de vitaminas hidrossolúveis representaram entre 1,1 e 2,2 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,4 e 1,8 vezes os valores de referência da USA. Exceto pela vitB3, vitB5 e vitB12 (apenas gestação), os presentes níveis foram muito superiores aos recomendados pela TBSA.

Exceto pela vitA (28,8%), grandes amplitudes de variação foram observadas nas rações de gestação (entre 58,6 e 84,2%).

Enquanto os níveis de vitB3 foram particularmente superiores e os de colina marcadamente inferiores à USA nas rações para leitoas de reposição, para porcas gestantes os níveis de vitB2, vitB3, vitB5, vitB6, vitC e colina foram sensivelmente inferiores aos valores da USA. Para as rações de leitoas de reposição, exceto pela vitB7 (80,3%), vitB9 (67,1%) e colina (52,8%), poucas amplitudes de variação foram observadas para as demais vitaminas desse grupo (entre 22,4 e 40,2%). Em relação às rações de gestação, exceto pela vitB1 (48,8%), vitB2 (44,0%), vitB3 (44,9%) e vitB12 (41,8%), grandes amplitudes de variação foram observadas (entre 53,1 e 94,4%) entre as empresas.

11 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?

formulação

Comparados à TBSA, os níveis de Cu e Mn foram largamente superiores nas duas fases.


VALORES DE VITAMINAS E MICROMINERAIS PARA PORCAS LACTANTES Os níveis de microminerais variaram entre 1,0 e 12,4 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,8 e 3,4 vezes os valores obtidos por USA (Tabela 3). Comparados à TBSA, os níveis de Cu e Mn foram largamente superiores, enquanto os níveis de Cu e I foram marcadamente superiores à USA. Com exceção do Cu (136,0%) e Co (59,8%), poucas amplitudes de variação (entre 26,8 e 41,9%) foram observadas para microminerais entre as empresas. Tabela 3 - Média, coeficiente de variação (CV), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), proporção em relação a valores de referência brasileiro (Taxa TBSA) e proporção em relação à valores norteamericanos (Taxa US) das concentrações de microminerais e vitaminas adicionadas às rações de lactação. N1

Média

CV

Min

25%

Mediana

75%

Max

Taxa Taxa TBSA2 US3

Vitaminas lipossolúveis Vitamina A, IU/Kg

40

10930,42 29,71

1000,00 9245,00

11000,00

13814,25 15750,00

1,4

1,1

Vitamina D, IU/Kg

40

1947,84

36,19

200,00

1365,00

2000,00

2455,33

3900,00

1,6

1,1

Vitamina E, IU/Kg

40

59,52

58,24

6,50

33,83

52,50

73,75

174,13

1,3

0,8

Vitamina K, mg/Kg

40

2,44

47,83

0,25

1,88

2,30

2,96

5,00

1,2

0,7

Tiamina, mg/Kg

40

1,84

52,16

0,15

1,00

1,50

2,46

4,00

1,8

0,8

Riboflavina, mg/Kg

40

5,49

37,19

0,50

4,23

5,00

6,75

10,00

1,4

0,7

Niacina, mg/Kg

40

29,19

41,04

3,00

22,17

30,00

36,88

60,00

1,2

0,6

Ác.pantoténico, mg/Kg

40

17,63

42,57

2,00

14,00

16,00

20,00

35,00

1,1

0,6

Piridoxina, mg/Kg

40

2,52

52,37

0,30

1,50

2,23

3,44

6,00

1,7

0,7

Biotina, mg/Kg

40

0,36

85,78

0,04

0,15

0,28

0,40

1,30

1,4

1,2

Folato, mg/Kg

40

2,16

66,13

0,24

1,28

1,68

3,00

7,50

2,2

1,3

Vitamina B12, mg/Kg

40

26,27

34,66

12,00

20,00

24,82

30,00

50,00

1,3

0,7

Colina, mg/Kg

29

408,87

96,55

2,86

194,00

312,00

490,00

1700,00

NA

0,8

Vitamina C, mg/Kg

0

-

-

-

-

-

-

-

NA

NA

Cobalto, mg/Kg

11

0,33

59,81

0,09

0,20

0,20

0,50

0,60

NA

0,8

Cobre, mg/Kg

40

54,07

135,95

6,67

10,09

15,00

58,79

250,00

4,5

3,4

formulação

Vitaminas hidrossolúveis

Microminerais

Cromo, mg/Kg

11

0,23

39,83

0,18

0,20

0,20

0,20

0,50

NA

1,2

Ferro, mg/Kg

40

83,57

35,79

10,00

68,34

95,00

100,00

150,00

1,0

0,8

Iodo, mg/Kg

39

0,98

38,56

0,10

0,71

1,00

1,18

2,04

1,0

1,8

Manganês, mg/Kg

40

49,57

41,39

5,00

36,00

46,00

68,34

99,06

12,4

1,3

Selênio, mg/Kg

39

0,36

26,78

0,04

0,30

0,38

0,40

0,60

1,0

1,2

Zinco, mg/Kg

39

109,99

27,54

12,00

100,00

102,74

120,00

220,00

1,0

0,9

1 N representa o número de rações (não de empresas) avaliadas neste estudo. Os valores podem ser superiores ao número de empresas participantes pois algumas empresas apresentaram mais de uma ração por fase. 2 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção dos valores de requerimento indicados por Rostagno et al. (2017). 3 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção das médias dos níveis de suplementação obtidos por Flohr et al. (2016) nos Estados Unidos. NA = não aplicável; Flohr et al. (2016) e/ou Rostagno et al. (2017) não apresentam valores para este nutriente.

12 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


Os níveis de vitaminas lipossolúveis representaram entre 1,2 e 1,6 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,7 e 1,1 vezes os valores obtidos pela USA. Os níveis de vitA e vitD foram largamente superiores aos valores da TBSA, enquanto os níveis de vitK foram marcadamente inferiores aos valores da USA. Exceto pela vitE (58,2%), poucas amplitudes de variação entre as empresas foram observadas para as vitaminas desse grupo (entre 29,7 e 47,8%).

Os níveis de vitaminas hidrossolúveis representaram entre 1,1 e 2,2 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,6 e 1,3 vezes os valores obtidos por USA. Exceto pela vitB3, vitB5 e vitB12, os presentes níveis foram muito superiores aos recomendados pela TBSA, enquanto os níveis de vitB2, vitB3, vitB5, vitB6 e vitB12 foram marcadamente inferiores aos valores da USA.

formulação

Exceto pela vitB2 (37,2%), vitB3 (41,0%), vitB5 (42,6%) e vitB12 (34,7%), grandes amplitudes de variação entre as empresas foram observadas para as demais vitaminas desse grupo (entre 52,2 e 96,6%).

VALORES DE VITAMINAS E MICROMINERAIS PARA MACHOS REPRODUTORES

Os níveis de microminerais (Tabela 4) variaram entre 1,0 e 11,8 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,6 e 2,2 vezes os valores obtidos por USA. Comparados à TBSA, os níveis de Cu e Mn foram largamente superiores. Quando comparados aos níveis da USA, Cu e I foram marcadamente superiores e Co foi inferior. Com exceção do Cu (140,2%) e Co (73,1%), pouca amplitude de variação (entre 28,2 e 45,4%) foi observada para microminerais entre as empresas.

13 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


Tabela 4 - Média, coeficiente de variação (CV), valor mínimo (Min), percentil 25% (25%), mediana, percentil 75% (75%), valor máximo (Max), proporção em relação a valores de referência brasileiro (Taxa TBSA) e proporção em relação à valores norteamericanos (Taxa US) das concentrações de microminerais e vitaminas adicionadas às rações de machos reprodutores. N1

Média

CV

Min

25%

Mediana

75%

Max

Taxa Taxa TBSA2 US3

Vitaminas lipossolúveis Vitamina A, IU/Kg

30

11255,90 28,51

1000,00 10000,00

11000,00

13505,25 18000,00

1,4

1,0

Vitamina D, IU/Kg

30

2042,18

41,61

200,00

1425,00

2000,00

2612,85

4680,00

1,7

2,4

Vitamina E, IU/Kg

30

90,47

81,62

6,50

50,00

60,94

119,40

358,00

2,0

1,2

Vitamina K, mg/Kg

30

2,77

62,44

0,25

1,41

2,50

4,00

8,00

1,4

0,8

Tiamina, mg/Kg

30

1,78

54,78

0,15

1,00

1,53

2,20

4,80

1,8

0,9

Riboflavina, mg/Kg

30

6,05

43,86

0,50

4,45

5,25

8,00

12,00

1,5

0,7

Niacina, mg/Kg

30

31,96

43,79

3,00

25,00

30,00

40,00

72,00

1,3

0,7

Ác.pantoténico, mg/Kg

30

20,07

49,69

2,00

14,00

19,25

22,50

50,00

1,3

0,7

Piridoxina, mg/Kg

30

2,91

53,22

0,30

1,85

3,00

3,56

7,20

1,9

0,9

Biotina, mg/Kg

30

0,43

71,37

0,04

0,24

0,36

0,52

1,30

1,7

1,3

Folato, mg/Kg

30

2,67

60,95

0,40

1,48

2,50

3,58

7,50

2,7

1,5

Vitamina B12, mg/Kg

30

30,41

38,60

9,90

20,08

30,00

35,00

60,00

1,5

0,7

Colina, mg/Kg

20

433,31

59,06

2,86

301,12

400,00

571,25

1000,00

NA

0,6

Vitamina C, mg/Kg

7

183,39

68,41

29,20

64,53

200,00

300,00

315,00

NA

0,7

Cobalto, mg/Kg

10

0,23

73,13

0,08

0,09

0,15

0,41

0,50

NA

0,6

Cobre, mg/Kg

30

42,80

140,21

5,00

10,03

15,94

36,26

250,00

3,6

2,2

Cromo, mg/Kg

7

0,24

45,40

0,10

0,20

0,20

0,30

0,45

NA

1,1

Ferro, mg/Kg

30

93,47

35,79

10,00

78,13

100,00

100,00

164,00

1,2

0,9

Iodo, mg/Kg

29

0,99

41,78

0,10

0,70

1,00

1,12

2,00

1,0

1,6

Manganês, mg/Kg

30

47,38

37,59

5,00

40,00

50,00

60,00

76,26

11,8

1,1

Selênio, mg/Kg

30

0,37

36,97

0,04

0,30

0,40

0,43

0,70

1,0

1,2

Zinco, mg/Kg

30

111,82

28,19

12,00

100,00

112,00

123,75

195,00

1,0

0,8

formulação

Vitaminas hidrossolúveis

Microminerais

1 N representa o número de rações (não de empresas) avaliadas neste estudo. Os valores podem ser superiores ao número de empresas participantes pois algumas empresas apresentaram mais de uma ração por fase. 2 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção dos valores de requerimento indicados por Rostagno et al. (2017). 3 Esses valores representam as médias dos níveis de suplementação como uma proporção das médias dos níveis de suplementação obtidos por Flohr et al. (2016) nos Estados Unidos. NA = não aplicável; Flohr et al. (2016) não apresentam valores para este nutriente.

14 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


Os níveis de vitaminas lipossolúveis representaram entre 1,4 e 2,0 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,8 e 2,4 vezes os valores obtidos por USA. Os níveis de todas as vitaminas lipossolúveis foram largamente superiores aos valores da TBSA, enquanto apenas os níveis de vitD foram superiores aos valores USA. Pouca amplitude de variação entre as empresas foi observada para vitA (28,5%) e vitD (41,6%), enquanto variações importantes foram observadas para a vitE (81,6%) e vitK (62,4%).

formulação

Os níveis de vitaminas hidrossolúveis representaram entre 1,3 e 2,7 vezes os valores indicados pela TBSA e entre 0,6 e 1,5 vezes os valores obtidos pela USA. Exceto pela vitB3 e vitB5, os presentes níveis foram muito superiores aos recomendados pela TBSA. Os níveis de vitB2, vitB3, vitB5, vitB12, vitC e colina foram marcadamente inferiores aos valores USA, enquanto os níveis de vitB9 foram superiores. Exceto pela vitB2 (43,9%), vitB3 (43,8%), vitB5 (49,7%) e vitB12 (38,6%), grande amplitude de variação entre as empresas foram observadas para as demais vitaminas desse grupo (entre 53,2 e 71,4%).

CONCLUSÕES Os níveis de microminerais utilizados pela indústria brasileira são, de modo geral, mais elevados em relação aos níveis utilizados na América do Norte. Para as vitaminas (lipossolúveis e hidrossolúveis) os níveis praticados pela indústria brasileira são muito superiores às recomendações da TBSA, mas, para as vitaminas hidrossolúveis, esses mostram-se largamente inferiores aos utilizados pela indústria suinícola americana.

15 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?


As amplitudes dos níveis de microminerais e vitaminas praticadas pelas empresas no Brasil, podem indicar uma postura de precaução ou segurança diante de possíveis variações quantitativas e/ou qualitativas destes elementos até a efetiva alimentação dos animais. Paralelamente, esta decisão pode caracterizar uma tentativa de se adiantar às demandas possivelmente aumentadas das genéticas modernas, sem, contudo, representar uma decisão com uma sustentação

formulação

científica em algumas situações.

Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?

Pode-se concluir que as referências nutricionais não são plenamente seguidas, sugerindo a necessidade de mais pesquisas para a determinação mais precisa destas exigências. *O artigo na íntegra pode ser acessado pelo link: https://doi.org/10.1093/tas/txaa195

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16 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Quais são os níveis de microminerais e vitaminas utilizados em rações comerciais para matrizes na indústria suinícola brasileira?



ADITIVOS EQUILIBRADORES DA MICROBIOTA INTESTINAL NA AVICULTURA aditivos

Túlio Leite Reis1; Flávio Medeiros Vieites2 1Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). 2Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

E

m virtude da alta exigência nutricional, fruto da excelente produtividade tanto da galinha poedeira, quanto do frango de corte atual, esses animais necessitam de um trato digestório capaz de digerir e absorver com grande eficiência. O epitélio intestinal atua também como uma barreira natural contra microrganismos patogênicos e substâncias tóxicas que estão presentes no lúmen intestinal.

Sendo que, a população microbiana intestinal constitui um dos mais complexos ecossistemas da natureza, resultado de uma série de relações entre os microrganismos, o ambiente e o hospedeiro (AJUWON, 2015), a esse conjunto de indivíduos e associações, chamamos de microbioma.

18 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura


Segundo Macari et al. (2002) a capacidade absortiva do intestino é diretamente proporcional ao tamanho das vilosidades do mesmo, estas vilosidades se constituem de dobramentos da mucosa em direção a luz do órgão, aumentando em centenas de vezes sua área de contato (Figura 1). O lúmen intestinal é revestido com uma única camada de células que passam por uma renovação rápida e contínua (SHIRAZI-BEECHEY et al., 2011). Essas células estão localizadas próximas à base das criptas do órgão e se diferenciam em vários tipos celulares que compõem o lúmen, cada uma contendo diferentes funções:

Os enterócitos compõem a maior parte da superfície luminal do intestino, conectados uns aos outros com junções estreitas e com uma superfície apical consistindo de microvilosidades compactadas, denominadas “borda em escova” (MASSEY-HARROCHE, 2000).

enterócitos fornecem a função absortiva do intestino;

aditivos

células caliciformes secretam muco;

células enteroendócrinas reagem conforme o conteúdo intestinal, liberando peptídeos que controlam as funções gastrointestinais;

Figura 1 - Lâmina histológica de duodeno Fonte: Acervo pessoal do autor

células de Paneth são secretoras de antimicrobianos, enzimas digestivas e fatores de crescimento (CHENG e LEBLOND, 1974; REHFELD, 2004).

19 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura


O vilo é a unidade funcional do intestino, existindo uma alta correlação positiva entre o tamanho da vilosidade e as taxas de absorção dos nutrientes. Já a profundidade da cripta é um indicador importante de saúde do trato gastrointestinal, uma vez que, quando o intestino é lesionado pela ação de microrganismos patogênicos há intensificação do turnover celular na cripta da vilosidade, provocando um aumento da sua profundidade.

aditivos

Esse processo gera redução da relação entre o tamanho do vilo/profundidade da cripta, uma vez que o vilo irá diminuir seu tamanho, em resposta à lesão, enquanto a cripta aumentará sua profundidade, visando realizar a reparação das células do vilo, promovendo menor volume digestivo e das atividades de digestão e absorção (VISEK, 1978; FURLAN et al., 2004).

Portanto, a manutenção da integridade intestinal é de suma importância para a manutenção da sanidade da ave e das altas taxas produtivas. Na ocorrência de um processo infeccioso, microrganismos patogênicos degradam a mucosa intestinal, aumentando a quantidade de nutrientes necessários para o seu reparo e reduzindo a eficácia da absorção. Segundo Goddeeris (2002) o trato gastrointestinal já necessita naturalmente de um grande aporte de nutrientes para sua manutenção e renovação celular (cerca de 23% a 36% do total de energia e 23% a 38% de toda a proteína em frangos de corte).

Ocorrendo um processo infeccioso, microrganismos patogênicos degradam a mucosa, aumentando ainda mais a quantidade de nutrientes gastos para seu reparo, além disso, um epitélio lesado reduz a eficácia da absorção.

Obled et al. (2002) apontam que nutrientes (principalmente os aminoácidos: treonina, triptofano e glutamina) são desviados de processos fisiológicos importantes para atuarem na síntese de mecanismos de defesa, deixando de serem utilizados para formação de produtos (carne e ovos).

MICROBIOTA INTESTINAL É comprovado que a presença de bactérias intestinais benéficas aumentam o desenvolvimento das criptas, a migração dos enterócitos e o comprimento das vilosidades no intestino delgado (XU e GORDON, 2003). Por outro lado, microrganismos patogênicos provocam efeito contrário, causam distúrbios no microbioma normal e no epitélio intestinal, alterando a permeabilidade dessa barreira natural facilitando a invasão de outros patógenos e de substâncias prejudiciais, que propiciarão alteração do metabolismo, e da capacidade de digerir e absorver nutrientes, culminando em processos inflamatórios crônicos (OLIVEIRA et al., 2000; PELICANO et al., 2005).

A colonização do trato gastrointestinal (TGI) por microrganismos se dá, já nos primeiros momentos após a eclosão do ovo, sendo que a partir do 4o dia existe um aumento na população microbiana que tende a se estabilizar na segunda semana de vida de acordo com as condições do ambiente de criação das aves (CANALLI et al, 1996; MAIORKA et al., 2001).

20 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura


Segundo Saullu (2007), esta população é bastante variável também entre os órgãos do TGI (Figura 2), no papo (inglúvio) predominam Lactobacillus e Bifidobacterium, que produzem ácido lático e acético, reduzindo o pH e impedindo o crescimento de bactérias patogênicas. No proventrículo e na moela existe uma quantidade menor de microrganismos devido à baixa resistência ao pH extremante ácido desses órgãos (em torno de pH 2,5 no proventrículo e 3,5 na moela). Nos intestinos também ocorre colonização, sendo que a maior concentração de microrganismos se encontra no ceco (intestino grosso).

Existem cerca de 109 a 1014 bactérias/g de intestino das aves, a quantidade de células que constituem a microbiota intestinal é maior que o total de células que a própria ave possui provindas dos seus ossos, penas, bico, órgãos, sistemas, etc. Só esse grau de magnitude já demonstra a importância do microbioma para a saúde e homeostase da ave. Essa população microbiana é composta principalmente por bactérias aeróbias facultativas (cerca de 90%), que são principalmente Bacillus, Bifidobacterium, Lactobacillus, (FULLER e COLE, 1989; MACARI e MAIORKA, 2000). O restante (cerca de 10%) consistem de Escherichia coli, Proteus spp., Clostridium spp., Staphylococcus spp., Blastomyces spp., Pseudomonas spp., entre outras, que em condições normais vivem em equilíbrio dentro do TGI (SAVAGE et al., 1997).

A microbiota pode viver tanto aderida ao epitélio, quanto em vida livre na luz intestinal e sua população é bastante dinâmica, podendo ser alterada por inúmeros fatores, como: dieta do hospedeiro, presença de O2, temperatura, pH, peristaltismo, produção de ácidos graxos voláteis (ácidos acético, butírico e propiônico), presença de antibióticos, entre outros (SAVAGE et al., 1997).

aditivos

É importante salientar que existe também grande variação de indivíduos dentro dos próprios órgãos, e quanto maior a variabilidade de espécies microbianas, maior a possibilidade de estabilização do microbioma, impactando na manutenção da saúde intestinal, visto que, os mesmos vivem em mutualismo dependendo de vitaminas, nutrientes e metabólitos, produzidos por diferentes espécies.

Lactobacillus, Enterococcus e Clostridium

Figura 2 - Órgãos do trato gastrointestinal e gêneros bacterianos predominantes FONTE: Adaptado de https://slideplayer.fr/ slide/504006/

Duodeno

Bico

Jejuno

Cólon

Cloaca

Pâncreas Proventrículo Papo Lactobacillus Bifidobacterium

Moela Lactobacillus Bifidobacterium

Íleo Lactobacillus Enterococcus Clostridium Turicibacter

nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura

Cecos Clostridium Enterococcus Bacillus Ruminococus

21


aditivos

Por esses motivos se adicionam nas dietas de aves de produção aditivos que tenham a capacidade de promover maior saúde intestinal, através da modulação do microbioma intestinal, promovendo assim melhor desempenho, saúde, e qualidade de carne e ovos produzidos. Esses aditivos são chamados de aditivos zootécnicos equilibradores da microbiota intestinal (Compêndio brasileiro de nutrição animal, 2017).

ANTIBIÓTICOS Existe uma ampla quantidade e variedade de aditivos que atuam promovendo maior saúde do trato gastrointestinal, e os mais comuns e utilizados na avicultura são os antibióticos melhoradores de desempenho, cujo seu início de uso na produção animal data da década de 1940 (NIEWOLD, 2007). Antibióticos como melhoradores do desempenho são substâncias administradas em produtos destinados à alimentação animal com a finalidade de melhorar a taxa de crescimento e/ou eficiência da conversão alimentar (Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal, 2017). Os antibióticos atuam no lúmen intestinal (não sendo absorvidos), inibindo microrganismos responsáveis por infecções subclínicas e reduzindo inflamações no epitélio intestinal, através da diminuição do número de bactérias patogênicas, bem como sua adesão à mucosa intestinal (SOARES, 1996).

O uso desse aditivo permitiu a realização de criações em grandes densidades, aumentando a produtividade e melhorando as taxas de ganho de peso em 4 a 8% e a conversão alimentar de 2 a 5% (AJUWON, 2015).

No entanto, a utilização indiscriminada pode exercer pressão de seleção em colônias bacterianas, permitindo o aparecimento de indivíduos cada vez mais resistentes aos antibióticos (SCHNEIDER et al. 2011). Essa probabilidade provocou o banimento dessas substâncias pela União Europeia no ano de 2006, e restrições a muitos princípios ativos utilizados em países, grandes produtores de frangos e ovos, como Brasil e Estados Unidos. A resistência microbiana ocorre quando as bactérias encontram maneiras de sobreviver aos antimicrobianos presentes no seu meio, modo este, que pode ser através de: menor absorção do antibiótico pela membrana da bactéria, minimizando ou impedindo totalmente o efeito; metabolizando o antibiótico em produtos não nocivos ou transformando-o em um produto com o qual a bactéria possa coexistir (EDENS, 2003).

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Uma séria discussão deve ser levantada quando se trata da proibição de antibióticos como melhoradores de desempenho, visto que, o banimento dessas drogas em alguns casos não diminuiu a resistência microbiana e resultados observados em alguns países não se repetiram em outros, os casos de infecções provocadas pelos mesmos aumentaram, gerando piora na saúde e desempenho animal, e houve aumento do uso dos antibióticos com finalidade terapêutica (CASEWELL et al., 2003; CARDINAL et al., 2019).

Psicobiótico Ácido gamma-aminobutírico (GABA) acetilcolina, catecolaminas, serotonina e glutamato Intestino

Cérebro

Antibióticos administrados como terapêuticos não apenas matam as bactérias patogênicas alvo, mas também destroem a microbiota geral do hospedeiro, que às vezes resulta em desequilíbrio bacteriano levando a diarreia e infecção secundária, que possuem tratamento difícil (SULAKVELIDZE et al., 2001).

Devido a esse fato, vários aditivos alternativos (Figura 3) vêm sendo estudados e já utilizados para a substituir os antimicrobianos, objetivando reduzir o estabelecimento, a propagação e a produção de toxinas pelos microrganismos patogênicos que povoam o TGI, promovendo, portanto, maior saúde e integridade da mucosa do trato gastrointestinal, e permitindo maior digestão e absorção da dieta e seus nutrientes. Figura 3 - Aditivos alternativos aos antimicrobianos melhoradores de desempenho. Fonte: NATARAJ et al., 2020

Farmabióticos Aplicações Farmacêuticas

Síntese de compostos neuroativos

Probióticos

Prebióticos (fibras) Simbióticos

Metabólitos secretados

Componentes biotransformados

Probióticos Componentes associados mortos pelo calor à parede celular

Posbióticos e paraprobióticos

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aditivos

As bactérias podem também transmitir essa resistência adquirida para outras (Quorum sensing). Cortez et al. (2006), estudando a resistência de 29 cepas de Salmonella spp. presentes em águas de escaldamento, evisceração e resfriamento, e nas carcaças, penas e fezes de frangos frente à ação de 12 antimicrobianos de uso comum na avicultura, concluíram que 86,2% das amostras foram resistentes ao aztreonam e à ampicilina, 72,4% à tetraciclina e 55,2% à amoxicilina/ ácido clavulânico e sulfazotrim, atribui-se os resultados ao uso indiscriminado dos antibióticos.


PREBIÓTICOS Segundo o Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (2017), os prebióticos não são digeríveis por bactérias patogênicas e nem pelas aves, sendo digeríveis por algumas bactérias benéficas. Esses produtos têm um efeito benéfico sobre o hospedeiro, estimulando seletivamente o crescimento e atividade de uma ou mais bactérias benéficas do cólon, melhorando a saúde intestinal do seu hospedeiro.

aditivos

As principais fontes de prebióticos são alguns açúcares absorvíveis ou não, fibras, peptídeos, proteínas, álcoois de açúcares e os oligossacarídeos, especialmente os frutoligossacarídeos (FOS), glucoligossacarídeos (GOS) e mananoligossacarídeos (MOS), sendo eles aditivos de rações para animais não ruminantes, mas operando de maneira distinta (MACARI e FURLAN, 2005).

Os GOS servem como substrato para bactérias do gênero Bifidobacterium, entretanto, eles não são absorvíveis por espécies de Clostridium e Salmonella, favorecendo a proliferação de espécies benéficas em detrimento das patogênicas, fenômeno conhecido como exclusão competitiva (IJI e TIVEY, 1998).

De forma semelhante atua o FOS, quando adicionados na ração fornecem carboidratos fermentáveis para as bactérias benéficas como Lactobacilos acidophilus, Bifidobacterium e Enterococcus faecium (SCAPINELLO et al., 2001).

O oligossacarídeo de manose (MOS) opera por um mecanismo mais complexo, sendo este derivado da parede celular interna de leveduras Saccharomyces cerevisae. Para uma bactéria iniciar o processo infeccioso é necessário que ela consiga aderir-se à superfície epitelial. Esta adesão ocorre através de glicoproteínas (lectinas) formando uma estrutura de glicocálix ou fímbrias, o MOS satura os sítios de ligação das bactérias patogênicas impedindo a adesão à mucosa intestinal (Figura 4), livre no lúmen estas são eliminadas através dos movimentos peristálticos junto com as excretas (MACARI e MAIORKA, 2000).

Bactéria

Epitélio intestinal

Bactéria

Epitélio intestinal

Figura 4 - Ligação do MOS à bactéria patogênica impedindo sua ligação à célula intestinal. Fonte: LEMOS et al., 2016

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Resultados benéficos do uso de prebióticos em dietas de frangos de corte são largamente difundidos na literatura científica (ROSEN, 2006; SOHAIL et al., 2012; REHMAN et al. 2020). Em galinhas poedeiras o uso de prebiótico melhorou a produção de ovos, aumentou a atividade da amilase pancreática e diminuiu a concentração de colesterol na gema (CHEN et al., 2005), promoveu maior absorção de minerais, sobretudo de cálcio e fósforo, refletindo em uma melhor casca dos ovos (ŚWIĄTKIEWICZ et al., 2010a) e maior resistência óssea (ŚWIĄTKIEWICZ et al., 2010b), aumentou a contagem de Bifidobacterium spp. cecal e reduziu a de Clostridium perfringens (PINEDA-QUIROGA et al., 2017).

PROBIÓTICOS Probióticos podem ser definidos como microrganismos não patogênicos, sem limitações técnicas para espécie, categoria e idade do animal. Sendo utilizados como reguladores da microbiota intestinal (COMPÊNDIO BRASILEIRO de ALIMENTAÇÃO ANIMAL, 2017). Para ser considerado probiótico, um microrganismo deve preencher aos seguintes requisitos, segundo Fuller e Cole (1989): fazer parte do microbiona intestinal normal; sobreviver e colonizar rapidamente o intestino; ser capaz de aderir ao epitélio intestinal do hospedeiro; sobreviver à ação das enzimas digestivas; ter ação antagonista aos microrganismos patogênicos; não ser tóxico e/ou patogênico; ser cultivável em escala industrial; ser estável e viável na preparação comercial e estimular a imunidade.

Os principais microrganismos utilizados como probióticos são dos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium, Enterococcus, Streptococcus, Bacillus e também leveduras, podendo ser usados separadamente ou em combinações entre eles. Lactobacillus e Bifidobacterium têm sido utilizados mais extensivamente em humanos, enquanto espécies de leveduras, Bacillus, Enterococcus e Saccharomyces têm sido os organismos mais comuns usados na alimentação animal (SALMINEN et al., 1998).

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aditivos

Outra forma de atuação do MOS é através do seu efeito sobre o sistema imunológico, modulando e preparando o sistema imune para o processo infeccioso. Spring e Privulescu (1998) constataram aumento de cerca de 25% de níveis de IgA secretória, quando foi adicionado MOS na ração de frangos de corte, também foi observado aumento na resposta de macrófagos.


(3) Inibe a adesão/translocação bacteriana (1) Bacteriocinas/defensinas secretadas

(4) Reduz o pH luminal

Lúmen

(2) Inibição competitiva

Probióticos

camada de muco Epitélio

(5) ^ camada de muco M cell

Melhora a função de barreira DC

Mucosa

Lâmina própria

Placas de Peyer

aditivos

Linfonodos mesentéricos

Figura 5 - Mecanismos de ação dos probióticos Fonte: NG et al., 2009

Esses aditivos podem atuar de várias formas no intestino (Figura 5), através da exclusão competitiva, pela incorporação de um número maior de indivíduos (CORCIONIVOSCHI et al., 2010); do antagonismo direto, através da produção de ácidos orgânicos e outras substâncias bactericidas, essa acidificação também promove um efeito nutricional, que permite maior absorção de ácidos graxos de cadeia curta e digestão de fibras (CHOCT, 2004); microrganismos probióticos também estimulam o sistema imunológico, por ativação de macrófagos, proliferação de células T, produção de interferon e mucinas (LEEDLE, 2000).

Por todos esses fatores há maior saúde do trato digestório, melhorando a digestão e absorção dos nutrientes e propiciando redução na concentração de amônia nas excretas de frangos de corte e galinhas poedeiras.

Espécies probióticas pertencentes aos gêneros Lactobacillus, Streptococcus, Bacillus, Bifidobacterium, Enterococcus, Aspergillus e Saccharomyces têm um comprovado efeito benéfico sobre o desempenho do frango de corte, podendo substituir os antibióticos avilamicina e colistina nas rações sem perdas de desempenho (ROCHA et al., 2010). Os probióticos em galinhas de postura podem promover: melhoria na digestibilidade ileal da maioria dos aminoácidos essenciais, com a exceção de histidina e fenilalanina, e promovem maiores concentrações séricas de IgA e IgM (ZHANG e KIM, 2014), melhor desempenho e qualidade dos ovos, além de reduzir os níveis de colesterol na gema, devido à maior secreção de sais biliares, sendo esses sintetizados a partir de colesterol no fígado (MIKULSKI et al., 2012).

26 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura


São misturas de probióticos e prebióticos que afetam beneficamente o hospedeiro melhorando a sobrevivência e implantando suplementos vivos no trato gastrointestinal (COMPÊNDIO BRASILEIRO de ALIMENTAÇÃO ANIMAL, 2017). Esses aditivos quando fornecidos de forma conjunta, em um mesmo produto, tem ação sinérgica melhorando o desempenho das aves, sem deixar resíduo nas carcaças.

Segundo Ferket et al. (2002), quando prebióticos e probióticos são administrados juntos ocorre uma manutenção da saúde do trato gastrointestinal, praticamente impossibilitando o estabelecimento de E. coli, Clostridium ou Salmonella. O efeito prebiótico impede a adesão da microbiota patogênica no epitélio intestinal, saturando os sítios de ligação da bactéria, já o probiótico irá impedir que ocorra um processo inflamatório no intestino, melhorando as taxas de absorção e minimizando os gastos energéticos para reposição de células intestinais.

Ashraf et al. (2013) observaram que frangos de corte quando submetidos a estresse térmico (35ºC de temperatura e 75% de umidade relativa), obtiveram maior integridade da mucosa intestinal quando receberam simbióticos na ração. Tang et al. (2017), fornecendo prebiótico, probiótico e simbiótico, para poedeiras semipesadas, observou melhor consumo e a produção de ovos de 20 a 36 semanas de idade.

É importante a seleção correta dos microrganismos escolhidos como probióticos, a dose utilizada, as fontes prebióticas e uma combinação de todos esses aspectos (CHAMBERS e GONG, 2011), assim como a via de administração e o estado sanitário do plantel, visto que no ambiente do trato gastrointestinal, a população existente e as relações entres os indivíduos são extremamente complexas. Cada um desses fatores tem grande importância para a eficácia do simbiótico, fazendo com que existam discrepâncias entre os resultados dos diferentes autores. Outras combinações simbióticas podem ser possíveis à medida que se aprende mais sobre a digestibilidade dos frangos de corte e das galinhas poedeiras, com possibilidade de uso de outros nutrientes com outras funções benéficas para o hospedeiro (RICKE, 2018).

No entanto, alguns problemas também têm sido relacionados ao uso de probióticos, prebióticos e simbióticos, como o aparecimento de bactérias probióticas resistentes à drogas, interferência desses aditivos de forma prejudicial no microbioma do hospedeiro e falta de eficácia dos mesmos. Portanto novos produtos e conceitos têm sido desenvolvidos como os posbióticos e paraprobióticos (ou parabióticos).

27 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura

aditivos

SIMBIÓTICOS


Posbióticos podem ser definidos como produtos bacterianos ou metabólicos de microrganismos que têm atividade biológica no hospedeiro, como enzimas, proteínas secretadas, ácidos graxos de cadeia curta, vitaminas, aminoácidos, peptídeos, ácidos orgânicos.

aditivos

Paraprobióticos são células microbianas não viáveis (integra ou fragmentada) ou extratos celulares brutos que estimulam positivamente a mucosa intestinal e o microbioma.

Ambos têm alta relação benéfica com os microrganismos já presentes na microbiota intestinal benéfica favorecendo sua proliferação e sobrevivência. Por se tratarem de novos aditivos, ambos ainda necessitam de mais pesquisas e definições de recomendações quanto suas dosagens e substratos a serem utilizados para que tenham máxima eficácia (NATARAJ et al., 2020).

CONSIDERAÇÕES FINAIS Não há comprovações científicas de que o uso de antibióticos como aditivo melhorador de desempenho tenha gerado resistência microbiana, no entanto seu uso indiscriminado pode ter contribuído para tal fato. A pesar de sua eficácia comprovada tecnicamente, o estudo de aditivos equilibradores da microbiota intestinal nas rações de frango de corte e galinhas poedeiras tem produzido resultados contrastantes, devido ao baixo desafio das instalações experimentais, diferentes dosagens, produtos e protocolos experimentais. Novos aditivos vêm sendo estudados, no entanto, mais pesquisas são necessárias para validar esses produtos. Regulamentações e registros devem ser estabelecidos visando que uma gama cada vez maior de produtos esteja disponível para utilização na produção avícola, com segurança e efetividade. Cabe ressaltar que somente a substituição dos antibióticos por outros aditivos que desempenham função semelhante, não são certeza de manutenção ou melhoria da saúde intestinal. O uso de aditivos é apenas um dos elementos que contribui para esse fato, devendo a análise ser feita de maneira holística no ambiente produtivo, e fatores como ambiência, condição das instalações, protocolos de biosseguridade, densidade de criação, qualidade nutricional e microbiológica dos ingredientes das dietas, exigências nutricionais, sanidade da matriz, etc., são fatores de igual importância.

Aditivos equilibradores da microbiota intestinal na avicultura

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ÓXIDO DE ZINCO E

USO DE

FIBRA DIETÉTICA PARA LEITÕES EM FASE DE CRECHE óxido de zinco

Gabriel Augusto Martins e Costa Izabel Cristina Tavares Ludmilla Neves Franco Freire Ygor Henrique de Paula Vinícius Cantarelli Universidade Federal de Lavras (UFLA) (ASIH-NESUI)

USO ATUAL DO ÓXIDO DE ZINCO Em função de esforços globais para a redução no uso de antibióticos, novas estratégias têm sido avaliadas, como, por exemplo, ácidos orgânicos, óleos essenciais, probióticos, prebióticos e outros aditivos. Mas queremos neste artigo dar um destaque especial ao uso de óxido de zinco (ZnO), que não é uma tecnologia nova, mas que apresenta mecanismos que impactam positivamente a manutenção da saúde intestinal de animais, principalmente em condições de desafios entéricos, sobretudo na fase de creche.

29 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


Por ter efeito bactericida, o ZnO impacta de forma benéfica à saúde intestinal, apresentando bons resultados na diminuição da diarreia, além de outros mecanismos (ainda não elucidados completamente) que promovem a saúde integral, e contribuem para um bom desempenho produtivo. Sabe-se que os benefícios deste aditivo são perceptíveis apenas com inclusão de altas doses (também conhecida como doses terapêuticas) na dieta, em torno de 2400 a 4000 ppm (Liu et al., 2018). No entanto,

óxido de zinco

a dosagem utilizada atualmente pode contribuir para contaminação ambiental e,

No que se refere a modulação da microbiota,

além disso, para a resistência bacteriana.

acredita-se que o óxido de zinco é capaz de

Em função desses efeitos negativos, o uso

estimular o desenvolvimento de bactérias

de óxido de zinco vem sendo restringido.

benéficas que, por ação competitiva, acabam inibindo a proliferação de microrganismos indesejáveis. Também é perceptível uma redução na

MODO DE AÇÃO Um dos mecanismos de ação do ZnO é exercer uma proteção aos enterócitos, inibindo a adesão e invasão por bactérias patogênicas (Roseli et al., 2003). Além disso, esse aditivo age diretamente na inibição de canais basolaterais condutores de potássio, principalmente no cólon, alterando o transporte de íons na mucosa intestinal e reduzindo a secreção de fluidos. Como resultado, ocorrerá uma desidratação da digesta presente no lúmen, o que acaba por dificultar a proliferação de bactérias patogênicas (Fernandes et al.,2020).

permeabilidade intestinal e melhora da morfologia intestinal, com aumento do tamanho de vilosidades e da relação vilo/ cripta (Liu et al.,2018).

CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL E RESISTÊNCIA BACTERIANA A utilização do óxido de zinco em altas dosagens tem como consequência o aumento da concentração deste mineral nos dejetos dos animais, podendo gerar uma contaminação ambiental quando não recebem um destino adequado, visto que o zinco é um metal pesado com alta capacidade de acúmulo no solo. Outro ponto a ser considerado é que o uso do óxido de zinco nas formulações com altas doses e em períodos prolongados, pode contribuir para a resistência bacteriana.

30 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


PERSPECTIVAS PARA USO DO ÓXIDO DE ZINCO Com base na conclusão de que os benefícios do uso de óxido de zinco na prevenção da diarreia não superam os riscos para o meio ambiente, em 2017, a European Medicines Agency (EMEA) recomendou a restrição no uso de todos os produtos veterinários que tenham o metal como base em suas formulações. E no mesmo ano, a Comissão Europeia adotou esta recomendação, determinando que todos os países membros

NOVAS ALTERNATIVAS Assim como ocorre com os antimicrobianos, não existe entre os pesquisadores expectativa de se encontrar um produto único que substitua a utilização do óxido de zinco em doses terapêuticas. Assim, o que se espera é uma ação conjunta de diferentes princípios. Com base nesta afirmativa, aditivos que apresentam bons resultados como alternativa ao uso dos promotores de crescimento vêm sendo cada vez mais estudados.

da União Europeia cessassem o uso, com prazo máximo de cinco anos.

Portanto, com o intuito de se substituir o uso tradicional do ZnO

(junho de 2022), a maior parte dos produtores do continente europeu já se adequaram, mesmo havendo a preocupação quanto à necessidade do aumento na utilização de antibióticos de modo terapêutico por maior ocorrência de diarreia.

no controle da diarreia pós desmame, existem atualmente duas opções: novas formas de zinco, que devido

óxido de zinco

A pouco mais de um ano da data final

suas características possibilitam o uso em doses muito menores, diminuindo assim, a excreção no ambiente; ou através da combinação de outros aditivos, que atuam em sinergismo de forma bastante eficaz, como ácidos orgânicos, sulfato de cobre e fibras.

No Brasil, restrições deste tipo ainda não estão sendo aplicadas, mas já estão em pautas de discussões e é de se esperar que em um futuro próximo elas sejam implantadas, principalmente para garantirmos uma agenda de exportação no mercado internacional. Por isso, alguns estudos já vêm sendo realizados a fim de contornar os efeitos negativos do uso do óxido de zinco em doses terapêuticas.

Um ponto importante que explica o uso tradicional de ZnO é que no estômago ocorre o processo de ionização ao qual anula sua função e, portanto, é necessário a inclusão em altas doses na ração. Uma alternativa é o próprio zinco, porém encapsulado. Nessa forma, o zinco contém um revestimento lipídico que permite sua passagem pelo estômago sem ser alterado, chegando ao intestino intacto, onde a ação da lipase sobre a cápsula lipídica promove a liberação do zinco para atuar no trato digestório.

31 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


Com base nisso, mesmo em baixas

Diferentes trabalhos demonstram a eficiência

concentrações, o zinco pode ter seu efeito

de uma mistura de ácidos orgânicos (AO)

farmacológico, podendo reduzir a diarreia

contra patógenos intestinais. Isso se dá

por ações antimicrobianas, modulação da

principalmente ao fato dos AO conseguirem

microbiota, proteção de barreira intestinal além

baixar o pH luminal, somado ao efeito anti-

de estimular o sistema imune.

inflamatório de algumas bactérias produtoras de butirato que proliferam com este aditivo.

Kim et al. (2015), verificaram que a inclusão

Importante salientar que devido à interação

de 100 ppm de óxido de zinco encapsulado

do ZnO tradicional com ácidos, ao utilizar uma

tem efeito semelhante à inclusão de 2500

baixa dose de AO combinada com a quantidade

ppm do óxido de zinco convencional sobre

praticada atualmente de ZnO, se percebe uma

o desempenho, diarreia e morfologia

neutralização dos ácidos e ineficácia de seu

intestinal, quando fornecidos a leitões

fornecimento.

desmamados aos 25 dias e desafiados com E. coli K88+. Entretanto, logo após o desmame ocorre uma

óxido de zinco

redução na atividade da lipase, que por se tratar de uma enzima substrato-dependente é liberada em menor quantidade quando o animal deixa de receber o leite materno e sofre os estresses do desmame, e consequentemente, ingerem menor quantidade de lipídeos. Este fato deve ser levado em consideração para os animais recém desmamados que recebem o zinco encapsulado, pois a liberação do ZnO depende da ação enzimática sobre os lipídeos da cápsula.

Por outro lado, o efeito bactericida e bacteriostático previsto para os AO é potencializado quando combinado com formas alternativas de ZnO, podendo então ser incluído em menores concentrações na dieta, representando uma potencial fonte de economia na ração. Uma outra opção a ser considerada é a adição de fibras na dieta em função de desempenharem importante função de modulação de microbiota intestinal, melhora na morfologia intestinal e também maior atividade enzimática, possibilitando o uso de baixas doses do óxido de zinco.

USO DE FIBRAS PARA LEITÕES EM FASE DE CRECHE As fibras dietéticas são amplamente usadas em outras fases da suinocultura, porém sua inclusão em dietas para leitões em fase de creche ainda é baixa. Este aditivo é historicamente considerado como antinutricional, principalmente em função de reduzir a digestibilidade de certos nutrientes e de atuar como limitador de consumo em alguns casos.

32 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


Porém, pesquisas atuais vêm demonstrando os benefícios das fibras para a saúde intestinal, microbiota e sistema imune, contribuindo para a melhora no desempenho e garantia de saúde no momento pós desmame. Podemos definir fibras como carboidratos que são indigestíveis por enzimas endógenas, composta basicamente por polissacarídeos não amiláceos e lignina. Generalizando, a fibra dietética inclui componentes da parede celular vegetal, como a celulose e hemicelulose, e outros estruturais e não estruturais de amidos ß-glucanos, pectina e oligossacarídeos (Jha et al., 2019). Tendo em vista a diversidade de componentes que podem ser classificados como fibra, e que cada fonte de fibra possui uma composição diferente, se torna fundamental no momento da formulação, o conhecimento acerca da quantidade de fibra solúvel e insolúvel presente na fonte utilizada. Visto que esses dois grupos possuem ações diferentes no trato digestório.

É importante ressaltar que os resultados atuais do uso de fibra na fase de creche ainda são relativamente escassos, sendo que a principal justificativa para este fato está relacionada com as variações nas características das fibras, a determinação dos níveis de inclusões e a severidade de desafios encontrados pelos leitões (Qingyun et al., 2020). De qualquer forma, destaca-se que as perspectivas para a inclusão de fibras na dieta de leitões recémdesmamados são promissoras, principalmente em função do atual cenário de redução do uso de antibióticos.

óxido de zinco

resistentes a digestão, como inulina,

Por que fibras insolúveis e solúveis? A fibra dietética é classificada de acordo com sua solubilidade na água, sendo dividida em: solúvel e insolúvel. Cada um desses grupos age de maneira distinta no trato digestório, possuindo diferentes tempos de passagem e taxas de fermentação. Geralmente, os ingredientes fibrosos possuem os dois tipos de fibra, porém a proporção é variável nos diferentes ingredientes.

33 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


MODO DE AÇÃO DAS FIBRAS As fibras insolúveis possuem a capacidade de estimular o peristaltismo e reduzir o tempo de passagem da digesta pelo trato digestório, o que dificulta a proliferação de bactérias patogênicas e diminui a sensação de saciedade, estimulando o consumo. Outro benefício desse tipo de fibra é sua capacidade de absorver água do lúmen intestinal, o que também diminui a proliferação

FONTES DE FIBRAS Um aspecto interessante sobre as fontes de fibras é que podem ser provenientes de diferentes indústrias, como por exemplo, da produção de açúcar, etanol, ou até mesmo de derivados da madeira. Em função de serem subprodutos, geralmente possuem menores preços, contribuindo para a redução do custo total da ração.

de bactérias patogênicas, além de aumentar a consistência fecal. As fibras insolúveis sofrem

Existem também ingredientes que já são

fermentação lenta e, portanto, estão pouco

conhecidos por possuírem uma maior

relacionadas com a produção de ácidos graxos

proporção fibrosa, tais como o trigo e a aveia.

de cadeia curta (Chen et al., 2020).

óxido de zinco

Por outro lado, as fibras solúveis são facilmente fermentáveis no intestino grosso, gerando a produção de ácidos graxos voláteis (AGVs), como acetato, butirato e propionato. Esses compostos servem como substrato para as células intestinais, e assim promovem melhora no crescimento e na função de barreira intestinal que, consequentemente, melhoram a defesa do organismo contra patógenos. A produção dos AGVs também contribui para redução do pH intestinal, o que dificulta a proliferação bacteriana (Qyngun et al., 2020).

Tabela 1. Exemplos de ingredientes e a porcentagem de cada tipo de fibra presente em sua composição. Ingrediente

Tipo de fibra % Solúvel

Insolúvel

Casca de soja1

10

45

Trigo1

2,5

6,8

Farelo de trigo1

2,5

23,8

Farelo de arroz2

1,56

14,54

Aveia grão2

2,9

11,9

As fibras solúveis tornam a digesta mais densa, dificultando a digestão e aumentando o tempo de passagem. Como possíveis consequências destas características, estão à proliferação de bactérias patogênicas e a redução do consumo, devido ao prolongamento da sensação de saciedade (Zhao et al., 2018). Por outro lado, um tempo de passagem muito curto pode prejudicar

Existe também a possibilidade do uso de

a digestão e absorção de certos nutrientes.

da quantidade de fibra solúvel e insolúvel

presente na dieta, além de terem benefícios

Reitera-se que efeitos benéficos e maléficos de cada tipo de fibra dependem muito da fonte utilizada e da quantidade de cada tipo de fibra presente.

Menegat et al., 2019 Rostagno et al., 2017.

1 2

fibras funcionais que substituem em até 100% ingredientes que são fontes de fibras. Estes permitem um controle ainda maior

no que se refere a gestão logística de grãos e melhor segurança, principalmente quanto as micotoxinas.

34 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


RESULTADOS COM USO DE FIBRA

POSSÍVEIS EFEITOS SINÉRGICOS

antibióticos como promotores de crescimento.

Tabela 2 – Exemplos de inclusão de diferentes fontes de fibras na dieta e seus efeitos em diferentes variáveis.

Inclusão na dieta

Tendo em vista que certas fontes de fibras podem causar prejuízos ao processo de digestão, em função de serem de difícil degradação, a adição de enzimas exógenas na ração pode facilitar a digestão e potencializar os efeitos benéficos das fibras. Por outro lado, devido a modulação positiva da microbiota causada pelas fibras dietéticas, estas podem contribuir para uma melhor digestão de outros ingredientes. Por exemplo, Fernandes et al (2020) observaram um efeito sinérgico da adição de fibras funcionais a uma dieta contendo óxido de zinco encapsulado.

Resultado

Observação

Referência

3% de casca de soja

Melhor desempenho que controle e polpa cítrica; redução na contagem de E. Coli no intestino.

CMRD e GPD de 21 a 35 dias, respectivamente, 345,42g e 217,19g. De 21 a 50 dias, 525,10g e 321,35g de CMRD e GPD, respectivamente.

Pascoal et al., 2015

1,5% de celulose purificada

Resultados semelhantes a casca de soja de 21 a 35 dias. No restante do período de creche promoveu melhor desempenho e saúde intestinal.

CMRD e GPD de 21 a 50 dias, respectivamente, 623,96g e 435,94g.

Pascoal et al., 2015

9% de polpa cítrica

Piores resultados no que se refere a desempenho e saúde intestinal, quando comparado com casca de soja e celulose purificada.

Ingrediente possui grande quantidade de fibra solúvel (maior que 30%) e é pouco palatável, justificando os piores resultados.

Pascoal et al., 2015

0,5% inulina + 0,5% de lignocelulose; ou 1% de lignocelulose

Melhores resultados de desempenho, menor incidência de diarreia, melhor função de barreira intestinal que grupos com inclusão de maiores porcentagens de fibra solúvel.

Lignocelulose atua como fibra insolúvel e inulina como fibra solúvel.

Chen et al., 2020

GPD de 28 a 42 dias: 340g.

Zhao et al., 2018

óxido de zinco

Na Tabela 2 estão demonstrado alguns efeitos da adição de diferentes fontes de fibras na dieta. É importante mencionar que em boa parte desses trabalhos não foram utilizados

Maior ganho de peso diário, maiores 5% de farelo de trigo

concentrações de butirato e melhor modulação de microbiota que grupos com casca de soja e controle.

CMRD = consumo médio de ração diário; GPD = ganho de peso diário

35 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


EFEITO DO ÓXIDO DE ZINCO ENCAPSULADO E DA FIBRA DIETÉTICA SOBRE DESEMPENHO E SAÚDE INTESTINAL DE LEITÕES NA FASE DE CRECHE Tendo em vista as demandas e oportunidades relacionadas com uso de óxido de zinco e fibra

óxido de zinco

dietética citadas anteriormente, este trabalho realizado por Fernandes et al. (2020) buscou

As variáveis analisadas foram: desempenho,

avaliar o efeito do óxido de zinco e baixas doses

incidência de diarreia, morfologia de jejuno,

do óxido de zinco encapsulado, com ou sem a

microbiologia fecal, digestibilidade e

adição de fibra dietética, em leitões desmamados

concentração de ácidos graxos voláteis nas

desafiados com Escherichia coli K88+.

fezes.

MATERIAL E MÉTODOS

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Um total de 112 leitões desmamados com 21 dias de

No presente estudo não foram observadas

idade foram divididos em 4 grupos: dieta basal com

diferenças nas contagens microbiológicas

óxido de zinco (ZnO), dieta basal com óxido de

para as espécies analisadas (Escherichia

zinco e fibra dietética (ZnO + FD), dieta basal com

coli, coliformes totais, coliformes não E. coli,

óxido de zinco encapsulado (LZnO), e dieta basal

e Lactobacillus spp.) entre os tratamentos.

com óxido de zinco encapsulado e fibra dietética

Também não houve diferença estatística em

(LZnO + FD). As dosagens utilizadas de cada

relação aos coeficientes de digestibilidade e

aditivo estão exemplificadas na Tabela 3. No 6° e 7°

morfologia de jejuno.

dia do experimento, os animais foram inoculados com cepas de Escherichia Coli K88+.

No que se refere a concentração de ácidos graxos nas fezes, os animais que

Tratamento

21 a 35 dias

36 a 49 dias

ZnO

2500 ppm ZnO

1500 ppm ZnO

2500 ppm ZnO1 1500 ppm ZnO1 8000ppm FD3 6000 ppm FD3

1500 ppm ZnO1 500 ppm LZnO2

1

LZnO

800 ppm LZnO

2

500 ppm LZnO

LZnO + DF

800ppm LZnO2 8000ppm FD3

500ppm LZnO2 6000ppm FD3

2

1

a apresentar maiores concentrações de propionato. Em relação ao desempenho na primeira semana, foi observado que os animais que receberam fibra tiveram um melhor

500 ppm LZnO2

1 - ZnO: óxido de zinco 72%; 2 – LZnO: óxido de zinco encapsulado; 3 - FD: fibra dietética com 100% de fibra solúvel e 75% de fibra fermentável.

receberam fibra tiveram uma tendência

1500 ppm ZnO

1

ZnO + DF

50 a 63 dias

consumo de ração (118g x 93g) e melhor ganho de peso (101g x 74g) do que os animais que não receberam, comprovando um efeito benéfico da fibra em estimular o consumo.

36 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


A Figura 1 demonstra a incidência de diarreia no período. É perceptível que os animais que

Figura 2 – Peso final (kg) dos leitões submetidos aos diferentes tratamentos na fase de creche

receberam o zinco encapsulado apresentaram maior incidência de diarreia. A principal

Peso final (Kg)

justificativa para este fato é a falta de enzimas, principalmente a lipase, capazes de degradar a cápsula deste aditivo, dificultando sua ação no trato digestório posterior.

22 21,5

21,35A

21,36A

21

Como mencionado anteriormente, é natural uma diminuição da lipase no primeiro momento pós desmame, o que pode dificultar o uso do óxido de zinco encapsulado neste período. Por outro lado, a fibra foi capaz de aumentar a atividade enzimática (por proporcionar um efeito de aproximação da enzima e do substrato, também chamado de efeito esponja) e, consequentemente, melhorar a quebra

20,5

20,07AB

20

19,31B

19,5 19 18,5 18 ZnO

ZnO + FD

LZnO

LZnO + FD

de diarreia pelo grupo LZnO + FD, quando comparado ao LZnO. Em relação ao peso final, Figura 2, percebe-se que não houve diferença

óxido de zinco

da cápsula, resultando em menor incidência

CONCLUSÕES

estatística, apenas numérica, entre os grupos

Com isso, podemos concluir que o LZnO

ZnO e LZnO + FD.

sozinho não conseguiu exercer efeitos benéficos para leitões na fase de creche e, a principal

Figura 1. Incidência de diarreia dos 21 aos 63 dias.

justificativa para o pior desempenho do grupo LZnO é a incapacidade de degradação da cápsula do óxido de zinco. Os efeitos benéficos

Incidência de diarreia (%) - de 21 a 63 dias

da fibra sobre a atividade enzimática e melhora de consumo na primeira semana foram capazes

45

de melhorar o desempenho, mesmo com

38,3C

40

uma maior incidência de diarreia. Por fim, o

35

fornecimento de baixos níveis de óxido de zinco

30 25 20

27,2B 18,8A

encapsulado associado à inclusão de fibras dietéticas garantiu o mesmo peso final que o

20,2A

fornecimento de altas doses de ZnO, e também, reduziu a diarreia quando comparado ao LZnO.

15 10

A bibliografia estará disponível mediante solicitação

5 0

ZnO

ZnO + FD

LZnO

LZnO + FD

Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche

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37 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Uso de óxido de zinco e fibra dietética para leitões em fase de creche


UTILIZAÇÃO DE

GÉRMEN DE MILHO NA DIETA DE AVES Renata Rodrigues Gomes, Carla Daniela Suguimoto Leite, Raphael Rodrigues dos Santos, Itallo da Silva Faria, Carlos Henrique Rodrigues Rocha, José Henrique Stringhini

matérias primas

Departamento de Zootecnia Escola de Veterinária e Zootecnia Universidade Federal de Goiás

O

milho é o principal grão utilizado como fonte de energia na formulação de dietas para aves, assim como a soja é a principal fonte de proteína. Com isso, alterações nos preços ou na disponibilidade desses produtos pode levar a alterações nos custos de produção (LOPES et al., 2019). Sendo mundialmente cultivado, o milho apresenta cultivares selecionados para diferentes usos, tanto na alimentação humana como animal, além de outros usos industriais.

38 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


O grão de milho é estruturalmente dividido em três partes bem definidas e que determinam sua composição nutricional (BRITO et al., 2005b): O pericarpo, é a parte fibrosa do grão; O endosperma, fração composta por amido e proteína; O gérmen, composto por proteína e lipídeos. A estrutura do grão de milho e suas partes estão representadas na Figura 1.

Casca Endosperma Farináceo Vítreo

matérias primas

Pericarpo Testa Células tubulares Células cruzadas Mesocarpo Epiderme

Células do endosperma Camada de aleurona

Ponta

Gérmen Plúmula Escutelo Radícula

Figura 1. Estrutura do grão de milho Fonte: PAES (2006).

Além de ser utilizado na alimentação animal, o milho também é usado na alimentação humana, como grão ou na forma de alimentos processados, na indústria farmacêutica e ainda pode ser destinado à produção de biocombustíveis. Esta ampla variedade de usos se deve ao fato de seus grãos serem ricos em amido e óleo

(STAMENKOVIĆ et al., 2020).

39 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


matérias primas

Os resíduos gerados a partir da indústria de alimentação humana que não são apropriados para o consumo das pessoas, ou que por algum motivo estejam caracterizados como inadequados para os padrões alimentícios, poderiam ser descartados. Recentemente, o uso destes coprodutos ganhou grande importância, e estes compostos passaram a ser vistos com grande potencial como ingrediente na formulação de dietas para a alimentação animal

(VOLPATO et al., 2015).

Segundo a INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 81, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2018, coproduto é definido como “o produto destinado à alimentação animal obtido a partir de resíduos sólidos provenientes de indústrias alimentícias”.

As indústrias alimentícias produzem coprodutos que podem ser destinados a alimentação animal, e esses alimentos se caracterizam como fontes alternativas para substituição dos ingredientes convencionais, especialmente milho e farelo de soja, como medida para diminuir o custo da alimentação, que chega a representar até 80% dos custos na produção de aves. Mas, é importante ressaltar que é essencial se levar em consideração a qualidade dos coprodutos que estão sendo incluídos na dieta dos animais, na busca da produção com melhor relação benefício: custo (FERREIRA et al., 2019). Para utilização desses coprodutos na alimentação animal, é necessário avaliar a sua composição química e os valores energéticos, para determinar o seu valor nutricional e identificar o nível de inclusão nas dietas, com a finalidade averiguar o seu potencial de utilização na formulação das dietas (REGINA et al., 2000; LITZ et al., 2014; VOLPATO et al., 2015).

40 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


Dentre os coprodutos de origem da industrialização do milho e que possuem potencial utilização como ingredientes na formulação das dietas animais como substitutos parciais do concentrado energético, podemos citar: farelo de glúten; gérmen de milho integral (Figura 2);

resíduo seco de destilaria com solúveis (Destillers Dried Grains With Solubles DDGS)

(RODRIGUES et al., 2001; SANTOS et al., 2019).

Figura 2. Milho moído (esquerda) e gérmen de milho integral (direita) Fonte: Adaptado de GARCIA (2020).

Dentre os métodos de processamento aos quais o milho é submetido, o processo de moagem úmida fraciona o milho em diversos componentes que compõem o grão como, gérmen, fibra e amido. Esse processo é utilizado antes de realizar a fermentação para ser possível retirar a parte fibrosa (CORRAY, UTTERBACK, PARSONS, 2018), coprodutos que podem ser destinados à alimentação animal.

matérias primas

gérmen de milho desengordurado;

O DDGS é um exemplo de coproduto obtido a partir do processamento do milho, esse ingrediente, quando incluído na dieta das aves, pode contribuir com a melhoria da qualidade dos ovos em poedeiras, além de ser comprovado que as leveduras utilizadas no seu processo produtivo e presentes nesse coproduto colaboram para melhorar a imunidade inata dos animais e a saúde intestinal (SHIN et al., 2016; ALIZADEH et al., 2016b).

O gérmen de milho também é um dos coprodutos extraídos a partir desse processamento e pode ser utilizado na alimentação de monogástricos como gérmen de milho integral ou desengordurado (GIUNCO

et al., 2016; ESPINOSA-PARDO et al., 2020).

41 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


Gérmen de milho O gérmen de milho é obtido pelo processo de moagem úmida ou seca (CORRAY, UTTERBACK, PARSONS, 2018) e corresponde a cerca de 11% do peso do grão. No processo de moagem úmida, a água é utilizada para facilitar o processo de separação das partes do milho, descritas anteriormente na Figura 1, e após a separação, pode ser encaminhado para o processo de secagem, sendo utilizado na sua forma integral, ou então passar pelo processo de refino do óleo, originando os coprodutos óleo de milho e gérmen de milho

matérias primas

desengordurado (Figura 3).

Processo a úmido Tanques de Maceração

Líquor

Separação de germe

Farelo de Germe

Secagem

Refino de óleo Óleo de milho Glúten

Ingredientes para rações

Extração de Fibras

Moinhos

Fermentação e destilação Álcool Combustível Ou para bebidas

Fibras Amido Úmido Conversão e refino de xarope de glicose

Xarope e Frutose de Glicose de Milho

Separação de glutén e do amido Secagem do amido

Amidos Amidos Alimentícios Industriais Maltodextrinas Dextrinas Dextrose

Figura 3. Processo de moagem úmida dos grãos de milho Fonte: Adaptado de ABIMILHO (2008).

42 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


Já no processo de moagem a seco não se utiliza água para realizar esta separação e após o processo de degerminação (Figura 4), tanto pode ser destinado para a retirada do seu óleo, dando origem ao coproduto gérmen de milho desengordurado, como utilizado na sua forma Processo a seco integral (LOPES et al., 2019).

Pré-limpeza Secagem Armazenagem Limpeza Germe

Moagem

Óleo bruto

Extração de oleo

Pré-cozimento

matérias primas

Degerminação

Torta Extrusão

Classificação

Flocagem

Farinhas pré-cozidas

Grits, sêmolas, farinhas, fubás, creme

Flocos de milho pré-cozidos

Peletização Farelo peletizado

Canjica

Refino Óleo refinado

Figura 4. Processo de moagem a seco dos grãos milho Fonte: Adaptado de ABIMILHO (2008).

O gérmen de milho é composto principalmente por lipídeos, proteína e amido, em concentração entre 18% e 41%, 12% e 21% e 6% e 21%, respectivamente. Esses fatores são influenciados pela cultivar genética do milho, clima e método de separação utilizado (NAVARRO et al., 2016). Em análise bromatológica realizada por Lima et al. (2016), o gérmen de milho integral apresentou em sua composição química os valores apresentados na Tabela 1.

Análise bromatológica do gérmen de milho integral Composição química Matéria seca

96,65%

Proteína bruta

11,09%

Extrato etéreo

55,93%

Matéria mineral

1,07%

Fibra bruta

5,20%

Energia bruta

7.410 kcal kg-1

Tabela 1. Análise bromatológica do gérmen de milho integral Fonte: Lima et al. (2016).

43 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


matérias primas

A partir do gérmen integral pode ser realizada a extração do óleo, que é comprovadamente benéfico para a saúde humana, auxiliando na redução de doenças crônicas (SHENDE & SIDHU, 2015). No óleo de gérmen é encontrado principalmente o ácido linolênico, em até 63%, sendo encontrado também os ácidos graxos oleico e palmítico, em até 42% e 17%, respectivamente (STAMENKOVIĆ et al., 2020). É também considerado como característico desse óleo a presença de compostos bioativos, dentre eles os tocoferóis, tocotrienóis e carotenóides (NAVARRO et al., 2016). O gérmen desengordurado é obtido após a extração do óleo, e é utilizado na dieta de galinhas poedeiras em virtude da quantidade de xantofila presente nesse alimento, cuja função é fornecer pigmentação para a gema dos ovos (BRUNELLI et al., 2010).

Resultados encontrados na literatura com a utilização de gérmen de milho na dieta de aves Na literatura, diversos trabalhos avaliaram os níveis de inclusão do gérmen de milho na dieta de aves, com intuito de avaliar qual o nível de inclusão nas dietas considerado ótimo sobre os parâmetros de desempenho e qualidade de carne, em frangos de corte e qualidade de ovos em galinhas poedeiras. Lopes et al. (2019) avaliaram níveis crescentes de gérmen integral de milho (40, 80, 120, 160 e 200 g/kg-1) em dietas de frangos de corte, no período de 1 a 42 dias de idade. De acordo com os resultados obtidos, na fase pré-inicial (1 a 7 dias de idade) foi estimado o nível ótimo de inclusão de aproximadamente 98 g/kg-1 de gérmen de milho integral na dieta. Já na fase de 1 a 21 dias, os melhores resultados de consumo de ração, ganho de peso corporal e conversão alimentar foram observados com a utilização de 118,6 g/ kg-1, 101,0 g/kg-1 e 60 g/kg-1 de gérmen de milho integral, respectivamente. Os autores não encontraram diferenças significativas para conversão alimentar de 1 a 7 dias de idade, assim como não foram encontradas diferenças para consumo de ração de 1 a 35 e 1 a 42 dias de idade (LOPES et al., 2019).

Com relação ao coeficiente de metabolizabilidade aparente da energia bruta, matéria seca e extrato etéreo, Lopes et al. (2019) observaram redução conforme a inclusão de gérmen na dieta aumentou, enquanto o balanço de nitrogênio foi afetado apenas na fase inicial. Os mesmos autores constataram mudanças no rendimento de moela e pró-ventrículo com a inclusão de gérmen de milho integral na dieta de frangos de corte. Os valores obtidos foram de 1,32% para aumento no rendimento médio de moela e 0,28% para aumento de rendimento médio de pró-ventrículo com a inclusão de 167 g/kg-1 e 40 g/kg-1 de gérmen, respectivamente. Apesar dos resultados encontrados na pesquisa, é possível utilizar em baixas quantidades o gérmen de milho integral sem prejudicar os índices produtivos e o metabolismo dos animais (LOPES et al., 2019). Anteriormente, Brito et al. (2005a) avaliaram níveis de substituição do grão de milho por gérmen de milho integral em 0%, 33%, 67% e 100%, em dois experimentos, o primeiro permanecendo de 1 a 7 dias, e no segundo de 8 a 47 dias. O valor nutricional do gérmen de milho utilizado encontra-se na tabela 2 (BRITO et al., 2005a). Valor nutricional do gérmen de milho integral Valor nutricional Energia metabolizável aparente corrigida

3.340 kcal/kg

Proteína bruta

10,90%

Cálcio

0,02%

Fósforo disponível

0,07%

Lisina total

0,41%

Metionina total

0,18%

Metionina + cistina total

0,41%

Triptofano total

0,09%

Treonina total

0,38%

Arginina total

0,62%

Extrato etéreo

9,30%

Fibra bruta

5,40%

Tabela 2. Valor nutricional do gérmen de milho integral Fonte: Brito et al. (2005a).

44 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


matérias primas

De 1 a 7 dias foi observado efeito linear negativo para ganho de peso e de 8 a 21 e 22 a 38 dias foram observados efeito quadrático para ganho de peso e conversão alimentar. Somente no período de 22 a 38 dias foi observado o efeito quadrático para todas as variáveis de desempenho, exceto para mortalidade (BRITO et al., 2005a). A máxima substituição de milho por gérmen de milho integral para o ganho de peso e conversão alimentar, foi de 36,9% e 31,3% respectivamente para a idade de 8 a 21 dias dos frangos de corte. De 22 a 38 dias de idade, a máxima substituição para ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar foi de 36,2%, 56,5% e 59,6% respectivamente. A substituição de 100% do milho grão pelo gérmen de milho integral, apresentou os piores resultados devido ao aumento de extrato etéreo e fibra bruta na dieta (BRITO et al., 2005a). Para as características de rendimento de carcaça foi encontrado efeito linear negativo para porcentagem de gordura, quando comparado ao peso vivo e peso de carcaça, no período de 8 a 47 dias (BRITO et al., 2005a). Os autores concluíram que o gérmen de milho integral não é um bom substituto para a fase pré-inicial para melhorar os resultados de desempenho, sendo eficiente para a idade de 8 a 21 dias com a inclusão de 21,9% e para a idade de 22 a 38 com a inclusão 22,5%. Para a idade de 39 a 47 dias não houve restrição de uso (BRITO et al., 2005a).

45 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Utilização de gérmen de milho na dieta de aves


matérias primas

Além da utilização com frangos de corte, o gérmen de milho também pode ser utilizado na alimentação de galinhas poedeiras. Brunelli et al. (2010) com o intuito de avaliar níveis crescentes de inclusão de gérmen do milho desengordurado (0, 6, 12, 18, 24 e 30%) em poedeiras, 28 a 44 semanas de idade, observaram efeito linear para o consumo de ração (ave/dia) e efeito quadrático para a conversão alimentar. Também foi observado efeito linear negativo para a pigmentação de gema, em que quanto maior a quantidade de gérmen na ração menor a pigmentação das gemas. Os autores concluíram que o nível ótimo em até 21,2% para a inclusão de gérmen de milho para galinhas poedeiras de 28 a 44 semanas de idade.

Desta forma, o gérmen de milho pode ser considerado como alternativa de substituição parcial do milho em dietas de frangos de corte e galinhas poedeiras, embora não seja recomendado sua utilização na fase préinicial em frangos. No entanto, é extremamente necessário se conhecer as características nutricionais do gérmen que está sendo utilizado como ingrediente na ração pois podem ocorrer variações nos valores nutritivos diferentes, resultado do processamento industrial ou da origem das cultivares de milho utilizadas (SHI et al., 2019). De acordo com a composição nutricional pode-se determinar corretamente o seu nível de inclusão na ração.

Utilização de gérmen de milho na dieta de aves

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Considerações finais O gérmen de milho é um coproduto que pode ser apresentado na forma integral ou desengordurado para ser utilizado na dieta de aves, seja para diminuir o custo de produção da ração ou pelas suas qualidades nutricionais. Para que sua inclusão não afete o desempenho e o metabolismo animal é necessário conhecer sua composição química energética e o nível de inclusão na dieta mais adequado para atender as necessidades nutricionais dos animais.

A bibliografia estará disponível mediante solicitação

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IMPORTÂNCIA DOS MICROMINERAIS NA AVICULTURA Márcia Gabrielle Lima Cândido Veterinária Mestre e Doutora em Construções Rurais e Ambiência Animal - DEA/UFV Redatora nutriNews Brasil

microminerais

Os microminerais são essenciais para o crescimento e diversos processos metabólicos em organismos vivos. Eles atuam principalmente como catalisadores ou constituintes dos sistemas enzimáticos de muitas células e possuem importância reconhecida em processos imunológicos e reprodutivos. A disponibilidade de minerais nas matérias-primas de origem vegetal, bem como de fontes inorgânicas tradicionais, ou seja, óxidos, sulfatos ou carbonatos, é relativamente baixa, enquanto as necessidades de linhas modernas e de alta produção de galinhas poedeiras e frangos de corte para os microminerais são altos.

Deste modo, a suplementação de microminerais é uma questão importante na nutrição avícola moderna (Swiatkiewicz et al., 2014).

A seguir serão expostos com mais detalhes três dos principais

Zn Cu

microminerais suplementados na dieta de aves, zinco, manganês e cobre.

48 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Importância dos microminerais na avicultura

Mn


Zinco (Zn)

O modo de ação do Zn em aves inclui:

O zinco, é um dos microminerais essenciais para organismos vivos.

manutenção do crescimento normal, incluindo o desenvolvimento do

Os principais processos mediados pelo Zn afetam a: Síntese de proteínas

esqueleto e penas, bem como saúde da pele e dos pés; resistência a doenças infecciosas e melhora do sistema imunológico; metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios aumentando a desidrogenase glutâmica, álcool desidrogenase, fosfatase alcalina e polimerase de RNA;

Expressão gênica Síntese de hormônios endócrinos Imunidade e reprodução

habilidade antioxidante; e

microminerais

Proliferação celular

influência na expressão genética.

(Huang et al., 2019).

Além disso, o Zn é um cofator de mais de 200 enzimas funcionando em diversos processos fisiológicos, incluindo imunidade, habilidades antioxidantes e processos epigenéticos (Pierce, 2013).

Em aves poedeiras e reprodutoras, a suplementação dietética de Zn tem efeitos positivos na produção de ovos por regular a secreção de hormônios reprodutivos e a síntese de proteínas durante a formação de ovos (Tabatabaie, et al., 2007).

O Zn também desempenha um importante papel na qualidade da casca do ovo, estando envolvido na síntese da membrana da casca ao afetar a estrutura do epitélio no istmo, e atuando como um cofator da enzima anidrase carbônica (AC) (Innocenti et al., 2004).

A maioria do Zn do ovo está depositado na gema, e aproximadamente 86% do Zn originalmente presente no ovo fertilizado é transferido para os pintos (Richards, 1997).

49 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Importância dos microminerais na avicultura


Entretanto, a suplementação materna de Zn ou injeções in ovo podem Consequentemente, a deficiência de Zn em reprodutoras pode alterar o estado fisiológico dos pintos descendentes influenciando no seu peso corporal, qualidade da carne, status antioxidante e imunidade (Hudson et al., 2004; Hudson et al., 2005; Zhu et al., 2017).

microminerais

Portanto, a deposição de Zn em óvulos maternos é necessária para o crescimento e completo desenvolvimento dos embriões. Ao fornecer dietas suplementadas com Zn para reprodutoras ou via injeção in ovo com Zn, não só houve redução da mortalidade de pintinhos, mas também ocorreu melhora no desempenho póseclosão (Hassan, 2018; Zhu et al., 2017).

eliminar esses efeitos adversos (Sun et al., 2018).

In vitro, a deficiência de Zn afetou negativamente o crescimento e diferenciação do sistema nervoso nas fases iniciais do desenvolvimento embrionário (Iniguez et al., 1978). Embora alguns pesquisadores tenham demonstrado que a deficiência de Zn resultou em pouco ou nenhum efeito na produção de ovos, a eclodibilidade e desempenho da prole pode ser influenciada negativamente. Por esta razão, o requisito ideal de Zn para a produção de ovos, desenvolvimento embrionário e desempenho de pintos provenientes de galinhas reprodutoras ainda não está claro.

Além disso, a suplementação de Zn em reprodutoras aumentou o desenvolvimento músculo esquelético por aumento na síntese de proteínas e inibição da degradação de proteínas na prole (Gao et al., 2014). Deficiência severa de Zn em dietas de galinhas resultam em baixas taxas de eclodibilidade, embriões com desenvolvimento anormal e com baixo desempenho. (Blamberg et al., 1960; Zhu et a., 2017).

50 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Importância dos microminerais na avicultura

As diferenças entre os estudos podem depender de: Diferenças nas fontes e níveis de Zn; Conteúdo de Zn basal nas dietas e período experimental; Diferenças genéticas; Idade e estado fisiológico das aves (Huang et al., 2019).


Virden et al. (2003) observaram que a suplementação de Zn em dietas de galinhas reforçou o status imune da progênie, inclusive quando desafiadas com Escherichia coli. A capacidade do Zn de participar na indução de substâncias antioxidantes, pode resultar na melhora do sistema de defesa ao eliminar o excesso de radicais livres (Powell, 2000).

Em particular, a suplementação de Zn orgânico forneceu maiores efeitos benéficos no sistema imunológico e resposta imune da progênie, em comparação com suplementação de Zn inorgânico; isso pode estar relacionado à maior biodisponibilidade do Zn orgânico (Huang et al., 2009; Huang et al., 2013).

Estudos recentes em galinhas poedeiras demonstraram que a suplementação com fontes orgânicas de Zn resultou em maior desempenho na produção de ovos em comparação com fontes inorgânicas (Idowu et al., 2011; Zhang et al., 2017).

Especialmente para a qualidade da casca do ovo, o uso de suplementação de fonte orgânica aumentou a espessura e resistência da casca em comparação com fontes de Zn inorgânicas.

No entanto, alguns estudos não encontraram diferença na qualidade do ovo ou no desempenho produtivo entre as formas orgânicas e inorgânicas de Zn (Olgun et al., 2017; Tabatabaie et al., 2007).

microminerais

O Zn tem um amplo impacto nos principais mediadores de imunidade, como enzimas, peptídeos tímicos e citocinas, levando a melhora da resposta do sistema imunológico através da ativação da imunidade celular e humoral (Dardenne, 2002).

O zinco também desempenha um papel na morfologia, fisiologia e funções metabólicas do sistema reprodutor masculino. Geralmente, o Zn não está apenas envolvido na esteroidogênese no sistema de reprodução, mas também influencia indiretamente a secreção do hormônio gonadotrófico através da hipófise (Huang et al., 2019).

Para reprodutores machos, a suplementação de dietas com Zn (50-100 mg/kg) melhorou a qualidade do sêmen com um aumento no espermatócrito (5–7%), volume de ejaculação (0,2–0,3 mL), massa e motilidade espermática individual (cerca de 10%), e levou a diminuição da porcentagem de espermatozoides mortos (7%) e anormais (2–7%) (Amem et al., 2011).

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A adição de Zn também é relacionada a proteção da membrana dos espermatozoides contra a peroxidação lipídica, o que aumenta a viabilidade dos espermatozoides (Gallo et al., 2003).

O Zn também foi explorado como um suplemento antioxidante para proteger as aves contra o dano oxidativo de estresse por calor (Sahin et al., 2009). Zhu et al. (2017) descobriram que a suplementação de Zn nas dietas maternas, aliviou o efeito

No entanto, altas concentrações de zinco têm efeitos tóxicos na qualidade do esperma em reprodutores machos (Huang et al., 2019).

negativo do estresse térmico no desempenho de pintos durante o período inicial de vida.

Os principais efeitos do Zn estão ilustrados na Figura 1.

microminerais

Impactos do Zinco em poedeiras

Hormônios reprodutivos

Função imune

Metabolismo de nutrientes

Processos epigenéticos

Habilidade antioxidante

Hormônios gonadotróficos

Imunidade celular e humoral

Síntese proteica e deposição de Zn

Metilação de DNA

Proteção da membrana espermática

Formação de albúmen e casca

Produção de ovos

Muda

Resistência a doenças matriz/progênie

Desenvolvimento de esqueleto e músculos

Qualidade do ovo

Expressão genética

Desenvolvimento embriogênico

Qualidade de sêmen

Figura 1. Impacto benéfico e possível mecanismo de ação da nutrição com Zn em poedeiras. Fonte: Adaptado de Huang et al. (2019)

A deficiência de Zn na dieta das aves tem sido associada a várias manifestações clínicas e bioquímicas, e resulta em crescimento atrofiado, perda de

A deficiência de Zn na dieta em pintinhos em crescimento causa redução nas taxas de crescimento, encurtamento e espessamento dos ossos longos

apetite e aumento da mortalidade, pintos frequentemente nascem com anormalidades esqueléticas e morrem logo após a eclosão (Naz et al., 2016).

e alargamento da articulação do jarrete e desenvolvimento deficiente das penas (Naz et al., 2016).

52 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Importância dos microminerais na avicultura


A necessidade de suplementação dietética de Zn está bem estabelecida e é praticada rotineiramente na indústria de ração para aves. Tradicionalmente, a suplementação de Zn na ração de aves era

Dada a biodisponibilidade aumentada do Zn orgânico, pode ser possível complementar este elemento essencial bem abaixo do nível praticado, resultando em menor excreção de Zn sem o comprometimento do desempenho das aves (Leeson, 2005).

proveniente de fontes inorgânicas, na forma de sulfato de Zn (ZnSO4) e óxido de Zn (ZnO), por razões de custo e disponibilidade.

Manganês (Mn)

No entanto, agora há mais formas que são usadas em rações comerciais, que

O manganês (Mn) é o quinto

normalmente são queladas em pequenas

mineral mais abundante na terra

proteínas e são semelhantes às formas

(Suttle, 2010). Assim como o

minerais encontradas em matérias-primas

Zn, o Mn é um mineral essencial

naturais (Kidd et al., 1996).

para aves, estando envolvido

microminerais

em uma série de atividades, principalmente como constituinte de metaloenzimas. No entanto, diferenças na biodisponibilidade devem ser levadas em consideração no momento da formulação de dietas A eficácia do Zn depende de sua absorção no intestino e biodisponibilidade na corrente sanguínea. Foi bem documentado que a forma orgânica do Zn pode ser melhor absorvida em comparação com a forma inorgânica

O Mn é um componente crucial de enzimas que atuam como antioxidantes, estando envolvido no controle do estresse oxidativo nas mitocôndrias e na formação óssea, como a superóxido dismutase, transferases, hidrolases e ligases (Bottje, 2018; Swiatkiewicz et al., 2014).

(Sahin et al., 2005). Embora atualmente os avicultores rotineiramente adicionam Zn na dieta das aves acima do nível recomendado pelo NRC (Nutrient Requirements of Poultry, 1994) para evitar a possibilidade de sua deficiência, essa prática tem sido vinculada a poluição ambiental

O Mn também tem um papel na ativação da glicosiltransferase, relacionada com a formação de proteoglicanos, sendo, portanto, importante para a formação da casca de ovo. (Keen et al., 2013; Liu et al., 1994).

(Burell et al., 2004).

53 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Importância dos microminerais na avicultura


Cobre (Cu)

Em aves, a deficiência de Mn está associada a distúrbios fisiológicos e estruturais, que incluem mal formação de cartilagens e do esqueleto. Por ser essencial para o desenvolvimento da matriz orgânica do osso, em pintos, a deficiência de Mn causa espessamento e a má formação da articulação tíbio metatársica.

microminerais

Em casos de deficiência na dieta de poedeiras ocorre redução na produção de ovos e aumento na incidência de ovos com cascas fracas (Noetzold et al., 2020).

O cobre (Cu) é um micromineral crucial para as aves, e por não ser armazenado no organismo deve ser suplementado regularmente. Além disso, os ingredientes da ração são comumente deficientes em Cu; portanto, a dieta comercial deve ser suplementada com Cu (Scott et al., 2018).

O Cu pode ser incluído na dieta por diferentes fontes, como: Cloreto de Cu Óxido de Cu Citrato de Cu Sulfato de Cu Cloreto tribásico de Cu

Relatórios sobre suplementação de Mn foram publicados recentemente com frangos de corte (Pacheco et al., 2017) e galinhas poedeiras (Zhang et al., 2017). Para matrizes pesadas as recomendações para o Mn como suplemento são principalmente baseadas nas sugestões, que variam de 70 a 90 mg Mn/kg de ração (Rostagno et al., 2017) a 120 mg de Mn/kg (Cobb-Vantress, 2018). Essas sugestões, no entanto, carecem de pesquisas in vivo de apoio.

É importante destacar que dietas com altos níveis de Ca e P reduzem a absorção de Mn (Spears and Engle, 2011).

54 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Importância dos microminerais na avicultura

No entanto, o sulfato de cobre (CuSO4), por razões econômicas, é a principal fonte de cobre utilizada na aviculura (Pang et al., 2009).


O Cu está envolvido no estimulo do sistema imunológico, no combate a infecções, e na reparação de tecidos lesados ​​(Failla et al., 2003). Também atua no suporte a neutralização de radicais livres que causam lesões celulares (Tapiero et al., 2003). No sistema imune, o Cu é necessário para o desenvolvimento de anticorpos e glóbulos brancos. O Cu também é importante componente de sistemas enzimáticos envolvidos no metabolismo do ferro e formação de células vermelhas (Scott et al., 2018).

Deficiência de suplementação de Cu na dieta pode causar distúrbios na reprodução e desenvolvimento espermático, alta mortalidade de embriões, redução na pigmentação das penas, crescimento lento e redução no peso corporal de pintos. Além disso, pode resultar em fraqueza muscular, anemia, alterações ósseas, síntese defeituosa do tecido conjuntivo, mielinização de tecidos nervosos prejudicada e defeitos neurológicos, metabolismo lipídico alterado e mau funcionamento cardíaco (MroczekSosnowska et al., 2013).

Kim et al. (2011) avaliaram a eficácia potencial de altas doses de Cu orgânico (100ppm, Cu-metionina ou proteinato de Cu) na dieta como substitutos de antibióticos na alimentação de frangos de corte. Os resultados deste experimento mostraram que a suplementação da dieta com ambas as fontes de Cu orgânico melhorou o desempenho dos frangos. A melhora foi comparável àquela resultante da suplementação com antibiótico (avilamicina), outro resultado observado foi o aumento nas populações de lactobacilos e redução da E. coli no intestino.

microminerais

Cu é um elemento-chave necessário para o crescimento e desenvolvimento de ossos, tecido conjuntivo, como colágeno e elastina, coração e vários outros órgãos, além de melhorar o desenvolvimento do sistema nervoso por meio da síntese de dopamina (Mroczek-Sosnowska et al., 2013).

Os autores concluíram que os produtos orgânicos de Cu são potenciais substitutos para os antibióticos.

Como pode ser observado, a suplementação de zinco, manganês e cobre é essencial para a avicultura moderna. Porém, ainda são necessárias mais pesquisas para se determinar a dose a ser adicionada na alimentação das aves em suas diferentes fases de produção.

Importância dos microminerais na avicultura

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MICROMINERAIS NO

DESENVOLVIMENTO E NA PRODUÇÃO DE BOVINOS

ruminantes

Nhayandra Christina Dias e Silva1, Raphaela Aparecida Tomaz do Prado, Thailson Fernando Faustino1, Adauton Vilela de Rezende1 1 Universidade José do Rosário Vellano – UNIFENAS, Programa de Pós Graduação em Ciência Animal.

Os minerais são nutrientes indispensáveis no desenvolvimento dos bovinos e exercem papel fundamental nos processos metabólicos ao longo da vida, que vai desde a gestação à sua produção, o que pode refletir diretamente em toda a sua vida produtiva.

Em geral, os minerais são encontrados em quantidades variadas em tecidos e órgãos e são classificados em macro e microminerais (ou elementos traços, como também são conhecidos) em decorrência da quantidade exigida pelo animal. Sendo considerados essenciais, quando alguma função vital exercida pelo mineral no organismo é comprovada. Dessa forma, os macrominerais são aqueles exigidos em maiores quantidades pelo animal, como o cálcio (Ca), fósforo (P), sódio (Na), cloro (Cl), potássio (K), magnésio (Mg) e enxofre (S). Enquanto que os microminerais, são aqueles exigidos em menores quantidades, como o cobalto (Co), cobre (Cu), iodo (I), ferro (Fe), manganês (Mn), selênio (Se) e zinco (Zn).

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Os microminerais exercem grande importância na alimentação dos bovinos, principalmente, porque estão presentes nas células e tecidos corporais, desempenhando funções estruturais, metabólicas, reguladoras e fisiológicas.

Contudo, vale ressaltar que infelizmente, ainda, pouca atenção é dada aos estudos desses nutrientes quando comparada aos estudos sobre carboidratos, proteínas, lipídeos e macrominerais, em virtude da pequena quantidade exigida pelo animal.

No entanto, os microminerais são tão importantes quanto os outros nutrientes, e a carência desses, pode resultar em sérios danos no decorrer da vida dos bovinos, como retardo no crescimento, perda de peso, queda na produção de leite e carne, baixo índice reprodutivo, aborto, fraturas e queda da resistência e elevada taxa de mortalidade, principalmente, devido às deficiências subclínicas, as quais os sintomas não são perceptíveis.

A necessidade da suplementação de microminerais Para que os programas de suplementação mineral dos bovinos sejam eficientes, é importante considerar tanto a composição mineral da dieta a ser fornecida, como também a exigência diária do animal em cada fase de vida.

ruminantes

Sendo assim, após anos de pesquisas, foi verificado que para uma boa produção, a suplementação de microminerais é fundamental. Uma vez que as quantidades exigidas desses micronutrientes pelos animais, por mínimas que sejam, não são encontradas em quantidades suficientes nos alimentos fornecidos na dieta, principalmente para os animais que vivem em condições de pastejo, já que é comprovado que nossos solos são deficientes em vários minerais essenciais.

Atualmente, sabe-se que a simples presença de um micromineral na dieta não garante a sua utilização pelo organismo, pois a sua utilização depende de vários fatores fisiológicos e nutricionais que podem interferir diretamente na absorção, no transporte e no armazenamento, com subsequente aumento da suscetibilidade à deficiência ou até mesmo à toxidade de um ou mais microminerais.

Dessa forma, durante a suplementação, vários quesitos devem ser observados a fim de que a suplementação seja de fato efetiva, uma vez que os microminerais raramente podem ser admitidos como elementos isolados, podendo sofrer influência de outros nutrientes em reações de sinergismo e antagonismo.

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Reconhecimento da deficiência dos microminerais

De forma resumida, os principais quesitos a serem observados são: Quantidade ingerida de energia e proteína: A falta ou excesso de energia e proteína pode interferir no aproveitamento dos microminerais durante a suplementação, como é o caso da restrição de proteína e energia da dieta;

ruminantes

Estado nutricional e fatores genéticos: Doenças e medicamentos podem interagir com os microminerais na maioria das vezes e diminuir sua absorção durante a suplementação. Assim como os fatores genéticos, como por exemplo, bovinos portadores de hemocromatose, onde ocorre aumento de absorção do ferro e acrodermatite enteropática, que é uma desordem genética que leva à deficiência de zinco. Interações - minerais versus minerais: Essas interações entre os microminerais podem ser de sinergismo ou antagonismo. Como exemplo de ação sinérgica, podemos citar a relação entre cobre e o ferro, visto que ambos (juntos) são essenciais na formação da hemoglobina; e como ação antagônica, podemos citar a deficiência ferro, zinco e cobre na dieta, que ocorre principalmente, quando há maior absorção de chumbo pelo animal.

A deficiência de microminerais em bovinos pode resultar em impactos negativos na digestibilidade e absorção de todos os nutrientes fornecidos pela dieta e consequentemente, conforme já mencionado, ocasionar grandes danos no desenvolvimento e na produção dos bovinos, independente do foco ser produção de carne ou leite.

Entretanto, felizmente, a maioria dos sinais de deficiência de algum micromineral específico, pode ser detectado por alguns comportamentos incomuns, os quais são citados abaixo:

Cobalto Em geral, o cobalto é um micromineral que tem baixa absorção pelos bovinos, contudo, são os animais que mais necessitam desse micromineral, visto que os microrganismos ruminais utilizam esse mineral para a síntese de vitamina B12. A necessidade de cobalto pelos bovinos vai depender da sua exigência nutricional em cada fase que o animal se encontra e o principal efeito clínico de deficiência está relacionado à falta de apetite, acarretando em menor consumo de alimento, perda de peso, queda na produção, menor concentração de vitamina B12. e em casos mais graves, severa anemia. Sua suplementação pode ser realizada por meio de misturas minerais, fornecimento de balas de cobalto ou injeções de vitamina B12.

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Cobre

Os principais sintomas ocasionados pela deficiência de cobre são: anemia e neutropenia provocada pela deficiência prolongada desse microelemento impedindo a síntese de hemoglobina; distúrbios relacionados ao sistema nervoso central que acometem principalmente os bezerros recém nascidos provindos de mães que sofreram deficiência de cobre durante o período gestacional, morte súbita provocada pela fibrose e atrofia do miocárdio; diarreia e perda da coloração da pele e dos pelos; queda na fertilidade; deformidade e enfraquecimento dos ossos longos. Ao iniciar o processo de suplementação de cobre para os bovinos, é necessário observar a ação antagonista de alguns minerais, como o enxofre e o molibdênio, que interferem na biodisponibilidade do mesmo. O cobre pode ser fornecido na suplementação oral na forma de carbonato ou sulfato ou também de forma injetável com compostos à base desse microelemento.

Iodo O iodo é exigido apenas para uma função primordial no organismo dos bovinos, atuar na síntese dos hormônios tiroxina (T4) e triiodotironina (T3) pela glândula tireoide. A falta de iodo pode resultar na redução dos hormônios T3 e T4 e acarretar em comprometimento dos órgãos em alguma fase da vida dos bovinos. O baixo nível de iodo circulante no sangue pode ser proporcionado pelo baixo consumo desse mineral, pela deficiência de selênio ou pelo alto consumo de cálcio na dieta, reduzindo a absorção de iodo no intestino.

ruminantes

Por participar de vários componentes de enzimas, o cobre desempenha diversas funções no organismo dos bovinos, pois está associado à formação da hemoglobina, tecido conjuntivo, tecido ósseo e sistema imunológico.

A deficiência de iodo pode provocar o hipotireoidismo que é evidenciado por fraqueza muscular, redução do crescimento, alterações na pele e pelos e redução na taxa metabólica basal. Além disso, o animal pode apresentar redução da fertilidade, intervalos irregulares entre estro ou até mesmo suspensão do estro, aborto, retenção de placenta e bezerros natimortos ou fracos. Bovinos em pastejo tendem a apresentar deficiência desse elemento pelo fato de os solos apresentarem carência de iodo, por serem solos muitos drenados ou distantes do mar, ou até mesmo pela baixa absorção de iodo pelas plantas forrageiras. A forma mais eficiente de prevenir a deficiência é através da sua suplementação, que é realizada em sua maior parte por via oral, com misturas minerais.

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Ferro A maior concentração de ferro no organismo dos bovinos está associada à molécula de hemoglobina, e por isso, é possível identificar a provável deficiência de ferro no animal por meio dessa molécula.

A deficiência de ferro nos bovinos é rara e acontece em sua maior parte em casos em que o animal sofreu hemorragia severa ou alto grau de parasitismo, ou também em casos de bezerros que tem sua alimentação à base de leite.

ruminantes

A deficiência desse microelemento em bovinos recém-nascidos pode ser resultante da má absorção ou também por conta de falhas na passagem de ferro via placenta. A anemia ferropriva pode ser diagnosticada somente com o auxílio de exame laboratorial, já que os sintomas nos animais podem ser despercebidos.

Em relação aos demais micronutrientes, a suplementação com ferro é a menos importante, visto que as pastagens, principalmente aquelas cultivadas em solos ácidos, apresentam alta concentração desse microelemento.

Por outo lado, a maior preocupação está associada à intoxicação, pois o excesso de ferro pode resultar redução no consumo de alimentos e queda na eficiência alimentar, além da diminuição na taxa de crescimento.

Manganês A função do manganês no organismo é atuar na formação de várias enzimas que participam da manutenção da estrutura óssea, desempenho do sistema nervoso central e também na ativação de enzimas que metabolizam os carboidratos e lipídios. A deficiência de manganês, principalmente na fase gestacional de novilhas, pode acarretar na menor disponibilidade desse elemento no nascimento da cria, resultando em deformação óssea e comprometimento do desenvolvimento dos bezerros, caso a suplementação não seja realizada. Além disso, problemas reprodutivos também podem estar associados à deficiência de manganês, como retardamento do cio e baixa taxa de concepção.

É importante atentar-se à biodisponibilidade deste mineral para os bovinos, uma vez que as plantas forrageiras atendem às necessidades desse micromineral para os ruminantes em geral. Porém, caso seja necessária à sua suplementação, a mesma pode ser fornecida em forma de cloreto, sulfato, carbonato ou óxido, pois têm apresentado bons resultados para bovinos.

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Zinco Selênio

Quando associado à vitamina E, ambos nutrientes atuam como importantes E antioxidantes na defesa de células e tecidos, principalmente na fase de lactação, preservando a saúde do úbere.

O zinco atua como elemento estrutural ou ativador de uma porção de enzimas que estão associadas ao metabolismo do ácido nucleico, proteínas e carboidratos e é indispensável para a formação e funcionamento do sistema imunológico dos bovinos, principalmente na fase inicial de vida. Ao contrário dos outros micronutrientes, o zinco não é armazenado em nenhum órgão, entretanto, sua absorção pode ser beneficiada pelos fosfatos, magnésio e vitamina D; e prejudicada por minerais como cádmio, cálcio, ferro, manganês e selênio.

Animais com deficiência de selênio podem apresentar crescimento retardado, falta de vitalidade, morte súbita provocada pela necrose do miocárdio, mionecrose dos músculos da extremidade (conhecida como doença do músculo branco em bezerro), além de infertilidade, aborto e retenção de placenta em animais adultos. Há a possibilidade de toxicidade de selênio por meio de suplementação com doses altas ou também por meio do consumo de plantas forrageiras que apresentam alto teor desse elemento.

A deficiência de zinco pode resultar na redução no consumo de alimentos, queda de resistência às infecções, dificuldade na cicatrização das lesões da pele, paraqueratose e infertilidade (nas fêmeas pode alterar todas as fases do processo reprodutivo e nos machos pode reduzir a espermatogênese e desenvolvimento testicular).

A intoxicação pode ser caracterizada pela sonolência, enfraquecimento, queda de pelos, crescimento exagerado do casco, cegueira e alcalose metabólica.

Adicionalmente, salivação excessiva, redução no crescimento e pés inchados também podem ser provocados pela deficiência de zinco.

A suplementação de selênio pode ser fornecida via oral por meio de fontes orgânicas e inorgânicas ou por meios alternativos que utilizam injeções, cápsulas ou pellets no rúmen.

ruminantes

O selênio está associado ao cobre e ao zinco na formação e desenvolvimento de órgãos de defesa dos bovinos, no combate ao estresse e também na resposta imunológica.

A suplementação com esse micromineral pode ser realizada com fontes biodisponíveis que incluem sulfato de zinco, óxido de zinco, zinco metionina e proteinato de zinco.

61 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Microminerais no desenvolvimento e na produção de bovinos


Diante do exposto, concluímos que os microminerais exercem uma grande importância na nutrição e na produção dos bovinos ao longo do seu desenvolvimento e de toda sua fase produtiva.

ruminantes

Suas exigências dietéticas variam de acordo com diversos fatores e fase da vida em que o animal se encontra, necessitando haver um constante equilíbrio entre a dieta e a suplementação, para que não haja déficit nem excessos, buscando garantir melhores resultados em sua produção como um todo. Estudos sobre a biodisponibilidade de minerais infelizmente ainda são escassos, entretanto, conhecer os fatores que podem interferir na biodisponibilidade dos microminerais são cruciais para que se possa ter uma definição real e precisa da quantidade de minerais disponíveis para absorção, utilização metabólica e suprimento das exigências nutricionais. A deficiência de microminerais pode resultar em grandes perdas econômicas e por isso, o entendimento da necessidade da suplementação de microminerais é decisivo para maior eficiência produtiva.

Microminerais no desenvolvimento e na produção de bovinos

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62 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Microminerais no desenvolvimento e na produção de bovinos



TOMADA DE DECISÃO NO MANEJO DE PASTAGEM UTILIZANDO DADOS DE SATÉLITES E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL zootecnia de precisão

Igor Lima Bretas1, Fernanda Helena Martins Chizzotti1 e Domingos Sarvio Magalhães Valente2 1Departamento de Zootecnia, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Minas Gerais, Brasil 2Departamento de Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, Minas Gerais, Brasil

64 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial


INTRODUÇÃO Atualmente o Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, com aproximadamente 214 milhões de cabeças, e as pastagens ocupam aproximadamente 150 milhões de hectares (IBGE, 2017). A grande representatividade das pastagens no cenário da pecuária nacional se deve principalmente ao fato do zootecnia de precisão

pasto ser o alimento basal e de mais baixo custo da dieta de animais ruminantes. Em sistemas de produção à pasto, Quando se trata de animais ruminantes, deve-se buscar otimizar o consumo de pasto, explorando a eficiência dos ruminantes na utilização de carboidratos fibrosos (principais constituintes do pasto), como principal forma de minimizar os custos com a alimentação. Isso

os ajustes das taxas de lotação evitam o superpastejo da área, que causam degradação do solo e impactos ambientais, e o subpastejo, que reduzem o valor nutritivo e a eficiência de colheita da forrageira, impactando no desempenho animal e econômico da atividade.

torna o manejo de pastagens fundamental para se produzir com eficiência econômica e de forma sustentável.

Para cálculo das taxas de lotação é necessário que o pecuarista leve em consideração a demanda por parte dos animais (variável de acordo com o número e categoria animal) e a massa de forragem contida na área.

65 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial


As metodologias tradicionais utilizadas para quantificar a massa de pasto se baseiam na:

1

obtenção de amostras do pasto por meio do corte em molduras

zootecnia de precisão

de área conhecida,

2

seguida por secagem da

3

obtendo-se o teor de matéria

amostra,

seca como a razão entre a massa seca e a massa fresca.

Porém, a nível de campo essa forma de monitoramento do pasto se torna trabalhosa, demorada e de custo elevado, seja pela mão-de-obra para amostragem, ou por equipamentos para secagem do material. Além disso, áreas de pastagens frequentemente apresentam grande heterogeneidade de solo, relevo e espécies.

Logo, a quantificação da forragem por corte direto, além de destrutiva, pode não ser representativa da área caso a amostragem não seja criteriosa.

66 do dados de satélites e inteligência artificial nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando


Com o surgimento de novas

O advento da Agricultura Digital

tecnologias para aquisição de dados,

trouxe diversos avanços no

como satélites, drones, robôs, e os

monitoramento de lavouras.

mais diferentes tipos de sensores, tem aumentado a quantidade e a variedade de informações obtidas no campo.

Pesquisas têm demonstrado que a utilização de dados obtidos por sensores a bordo de drones ou satélites podem predizer a altura e a biomassa de diferentes tipos de cultura (Harkel et al. 2019). Diversos outros estudos conduzidos no exterior já demonstraram também ser satélites como ferramenta para

tecnologias, a Inteligência

estimativa da massa e para o

Artificial abre um novo horizonte

manejo de áreas sob pastagens

no uso dessas informações

assim como empregado na

para tomada de decisão na

agricultura.

zootecnia de precisão

possível utilizar imagens de Juntamente com as novas

agricultura. Essa nova forma de fazer agricultura é conhecida como Agricultura Digital.

67 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial


Um estudo recente conduzido no Brasil demonstrou boa acurácia dos índices de vegetação obtidos por sensoriamento remoto na predição da biomassa de pasto e que os mesmos podem ser utilizados no monitoramento de pastagens naturais (Guerini Filho et al. 2020). Vários índices são gerados por meio de operações matemáticas com as informações que chegam dos satélites, algumas dessas informações são, inclusive, invisíveis ao olho humano.

zootecnia de precisão

Estes índices variam de acordo com a condição da vegetação e se correlacionam com os parâmetros biofísicos, como massa, altura, teor de nitrogênio, atividade fotossintética e produtividade. Nesse sentido, foi conduzido um estudo sob a hipótese de que índices de vegetação obtidos por meio de satélites de moderada resolução espacial (Landsat-8 e Sentinel-2), podem predizer com acurácia a massa de forragem em pastos de Brachiaria (syn. Urochloa) no Brasil. Para o estudo, dados de massa de forragem obtidos à campo entre os anos de 2015 e 2019 em quatro diferentes regiões do Brasil foram utilizados para avaliar: a correlação entre diferentes índices de vegetação e massa de forragem real, bem como a acurácia da estimativa da massa de forragem Com base nos índices obtidos por meio de imagens de satélites com o objetivo calibrar uma nova ferramenta para facilitar a tomada de decisão à campo no âmbito do manejo de pastagens.

68 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial


METODOLOGIA

As áreas experimentais que foram utilizadas para levantamento dos dados de campo são formadas predominantemente por espécies do gênero Brachiaria (syn. Urochloa) e foram monitoradas entre o verão de 2015 e o verão de 2019. Para quantificação da massa de forragem à campo, diversos pontos foram selecionados aleatoriamente dentro de cada piquete e toda a forragem contida na área delimitada por uma moldura (0,25 m2) foi cortada rente ao solo e a amostra obtida foi pesada para determinação da massa fresca, e posteriormente secas em estufa para determinação do percentual de matéria seca (MS) na amostra.

Devido à relevante influência das condições meteorológicas sobre o desenvolvimento do pasto, dados de temperatura e precipitação dos locais correspondentes às amostragens também foram obtidos no: Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa (BDMEP) do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e posteriormente combinados aos índices de vegetação obtidos por meio de imagens de satélites para predição da massa de forragem.

zootecnia de precisão

Durante a pesquisa, amostragens de campo para cálculo da massa de forragem foram realizadas em um total de 40 piquetes localizados em Viçosa-MG, Coronel Pacheco-MG, Patrocínio Paulista–SP e Sinop-MT.

Os satélites utilizados para obtenção das imagens foram o Landsat-8, operado pela NASA (National Aeronautics and Space Administration) com resolução espacial de 30m e temporal de 16 dias, e o Sentinel-2, operado pela ESA (European Space Agency) com resolução espacial de 10m e temporal de 5 dias.

Após a obtenção das imagens de satélites de forma gratuita nas respectivas plataformas, foram obtidos dados de reflectância da vegetação em diferentes faixas do espectro eletromagnético e calculado 3 diferentes índices (NDVI, EVI2 e OSAVI).

69 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial


A Figura 1 representa mapas de cada um dos índices obtidos por imagens de satélites em uma das áreas do estudo durante o período seco do ano de 2016. Nota-se que os índices obtidos na maior parte dos piquetes caracterizavam a baixa biomassa de pasto típica dos períodos de estiagem e baixas temperaturas no Brasil.

A escolha dos índices levou em consideração o fato de que o NDVI (Índice de vegetação da diferença normalizada) é o índice mais comumente utilizado para estimar a biomassa de diversas culturas, incluindo pastagens, porém tem perda de sensibilidade em condições de elevada biomassa verde e presença de solo exposto.

zootecnia de precisão

Logo, o EVI2 (Índice de vegetação aprimorado) foi escolhido para minimizar o problema de saturação do índice em condições de alta biomassa, e o OSAVI (Índice de vegetação ajustado ao solo otimizado) escolhido para minimizar a interferência do solo devido à grande heterogeneidade em termos de cobertura do solo nas áreas avaliadas.

Em áreas sob pastagem os referidos índices variam de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1, maior é o vigor da vegetação e indicativo de maior biomassa disponível, ao passo que valores próximos a zero representam áreas de solo totalmente exposto ou com baixa cobertura por vegetação.

Figura 1 - Mapas de índices de vegetação obtidos por satélites caracterizando período de baixa biomassa de pasto (11/07/2016).

0

70 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial

1


Tanto o download, quanto o processamento das imagens foram realizados no software gratuito, QGIS®.

A Figura 2 representa um mapa do índice NDVI obtido através de imagens de satélites em piquetes de uma das outras áreas avaliadas durante o período chuvoso do ano de 2019. É possível perceber a mudança na condição do pasto em diferentes piquetes de acordo com os períodos de ocupação e descanso, e demonstra que esse tipo de mapeamento baseado em imagens de satélites pode indicar o momento de entrada ou saída dos animais em determinados piquetes.

Embora os mapas de índices de vegetação possam ser usados como indicadores da condição do pasto, é necessário transformar essas informações digitais em estimativa quantitativa da massa de forragem da área para ajustes de lotação. Portanto, foi utilizado um algoritmo de Inteligência Artificial para predição da massa natural (fresca) e do percentual de matéria seca do pasto.

zootecnia de precisão

O índice médio calculado para cada piquete foi então utilizado para correlacionar com os dados de massa de forragem obtidos à campo em datas correspondentes à data de aquisição da imagem para posterior predição da massa.

O algoritmo utiliza uma combinação de diferentes índices de vegetação e dados meteorológicos.

Foram encontradas correlações significativas entre os índices de vegetação e a massa natural (MN) ou seca (MS) do pasto (Figura 3).

NDVI EVI2 OSAVI MN MS NDVI

0

1

Figura 2 - Mapas de NDVI obtidos por imagens de satélite em piquetes manejados sob lotação intermitente em diferentes momentos do ciclo de pastejo.

0,5

0,6

EVI2

OSAVI

0,7

0,8

MN

MS

0,9

1

Figura 3 - Mapa de correlações entre índices de vegetação e variáveis do pasto. MN: massa natural; MS: massa seca.

71 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial


zootecnia de precisão

Na Figura 4 são apresentados os resultados da massa natural de forragem medida em campo e predita pelo algoritmo de inteligência artificial em 24 pontos selecionados aleatoriamente entre os piquetes avaliados ao longo dos anos.

Figura 4 - Massa natural de forragem medida à campo e predita através do algoritmo. IA: Inteligência artificial.

Na Figura 5 são apresentados os resultados do percentual de matéria seca medidos em campo e preditos pelo algoritmo de Inteligência artificial em 24 pontos selecionados aleatoriamente entre os piquetes avaliados ao longo dos anos.

Figura 5 - Teor de matéria seca da forragem medido à campo e predito através do algoritmo. IA: Inteligência artificial.

72 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial


Dados de campo

Dados meteorológicos

Dados de satélites Calibração dos modelos Predição

Massa fresca 80

30000

R2=0,85

70

25000 20000 15000 10000

60 50 40 30

zootecnia de precisão

R2=0,85 Mensurado (%)

Mensurada (kg ha -1)

35000

Teor de matéria seca

20 10

5000 5000

10000

15000

20000

25000

30000

10

35000

Estimada (kg ha )

20

30

40

50

60

70

80

Estimado (%)

-1

Figura 6 - Fluxograma de coleta de dados e resultados obtidos. Observa-se boa aproximação entre os valores reais e estimados tanto para predição da massa natural, quanto para predição do teor de matéria seca da forragem. A Figura 6 resume de forma esquemática o processo de obtenção dos dados à campo, calibração do modelo para estimar a massa de forragem e resultados obtidos.

A elevada acurácia de predição da massa fresca e do teor de matéria seca do pasto encontrada no estudo (R² = 0,85) indica ser possível quantificar a massa de forragem em pastos de Brachiaria (syn Urochloa) à baixo custo, de forma rápida e com acurácia suficiente para auxiliar no manejo de pastagens no Brasil.

Mais detalhes do estudo e uma discussão mais ampla do conteúdo podem ser acessados no artigo “Prediction of aboveground biomass and drymatter content in Brachiaria pastures by combining meteorological data and satellite imagery” publicado na revista Grass and Forage Science, disponível em: https://doi.org/10.1111/gfs.12517.

Tomada de decião no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial

BAIXAR EM PDF A bibliografia estará disponível mediante solicitação nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Tomada de decisão no manejo de pastagem utilizando dados de satélites e inteligência artificial

73


ZINCO MULTI-AMINO QUELATADO MELHORA A CONVERSÃO ALIMENTAR DE FRANGOS Verônica Lisboa, Juliana Bueno, Carlos Ronchi, Luciano Roppa e Victor Nehmi da Yessinergy

minerais

Mais importante do que a concentração é o percentual de minerais no sítio de absorção

74 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Zinco Multi-amino Quelatado Melhora a Conversão Alimentar de Frangos


Na sua forma inorgânica, os minerais

Esta força está diretamente relacionada

são absorvidos pelas células do epitélio

com as ligações químicas preferenciais

intestinal, através de um processo lento

entre os minerais e os seus ligantes

e limitado por diversas barreiras, como

aminoácidos e peptídeos. O zinco (Zn),

o antagonismo de absorção com outros

por exemplo, tem preferência em se ligar

minerais, interações com componentes

com histidina e cisteína (Tabela 1).

da dieta e hidroxipolimerização. Por outro lado, os minerais quelatados são mais estáveis

Outra característica do quelato está

e resistem melhor ao processo

nas ligações multi-aminoácidose

digestivo. Assim, se ligados com

com peptídeos que tornam as força

aminoácidos e peptídeos, poderão

das ligações moleculares maiores

ser absorvidos, pelos mecanismos

em comparação com as ligações com

já conhecidos e, também,

mono- aminoácidos.

pelas vias de absorção destas

minerais

moléculas.

Tabela 1. variação nos valores das constantes de estabilidade em função de seus aminoácidos e peptídeos ligantes

Entretanto, nem todo mineral

Quelato

Ks

ZnGli

5,03

ZnGliGli

7,31

ZnCis

9,8

CuGli

8,07

CuGliHisLis

16,44

quelatado possui a mesma taxa de absorção, o que pode ser explicado pela força da ligação entre os minerais e os aminoácidos, conhecida como constante global de estabilidade (Ks). Quanto maior a força da ligação entre os íons metálicos e seus aminoácidos, maior será a Ks e a estabilidade do mineral quelatado.

Fonte: International Union of Pure and Applied Chemistry

75 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Zinco Multi-amino Quelatado Melhora a Conversão Alimentar de Frangos


Associando-se a força de

Hipoteticamente, tendo como

quelação e constante de

referência o maior agente

estabilidade das ligações nos

quelante químico, o EDTA, que

quelatos às concentrações de

possui Ks de 16,5 sendo 100%

minerais presentes em diversas

aproveitado pelo organismo,

matérias-primas, é possível

como se comportariam os demais

estimar a quantidade de Zn

minerais quelatados?

disponível para ser absorvido na forma de quelato no intestino. Na tabela 2 é possível observar que, apesar do Zn Glicinato ter maior conteúdo de zinco, o Zn 22 G3 é o que tem maior quantidade de Zn Org. O que torna o Zn 22 G3 um produto de menor custo por ponto de mineral

minerais

biodisponível.

Tabela 2. Representação das biodisponibilidades de zinco baseadas nas Ks e quantidade de Zn orgânico.

Amostra

Conc. Zn

Grau de Quelação

Zn Org

Ks Média

Biodisponibilidade (Ks produto/Ks EDTA)

Zn org Biodisponivel

Yes-Minerals Zn

16%

91,9%

14,7%

12,75

77,3%

11,4%

Yes-Mineral Zn 22

22%

91,5%

20,1%

12,75

77,3%

15,6%

Zn Metionina

12%

97,4%

11,7%

8,37

50,7%

5,9%

Zn Glicina

27%

96,3%

26,0%

7,17

43,4%

11,3%

Zn Proteinato

16%

79,3%

12,7%

12,75

77,3%

9,8%

76 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Zinco Multi-amino Quelatado Melhora a Conversão Alimentar de Frangos


A possível explicação científica

Zn

e teórica sobre a atuação efetiva dos minerais YES foi comprovada através dos resultados observados

Zn

por Rostagno et al., 2020 (dados não publicados) avaliando diferentes fontes de Zn na dieta

Zn

de frangos de corte (Tabela 3). Os autores concluíram que o Zn 22 G3 proporcionou significativa melhora de 4% na conversão alimentar com suplementação de 80ppm. Isso corresponde a uma relação benefício:custo de 15:1!

A melhor conversão alimentar observada

Provavelmente o Zn 22

pode ser interpretada como resultado

G3 conseguiu uma tal

de uma maior resistência, pelo Zn 22%,

Zn

e moela, possibilitando sua maior disponibilidade ao epitélio absortivo no

minerais

concentração de zinco

à dissociação no papo, proventrículo

intracelular, que permitiu que as mitocôndrias metabolizassem maior

intestino delgado. Uma linha de tendência

quantidade de glicose,

com os resultados do Zn 22% indica que é

produzindo menos gordura

provável que, em uma suplementação de

e mais proteínas.

100 ppm a melhora seja de 5%.

Tabela 3. Conversão alimentar (kg consumido/Kg ganho).

Fonte de Zinco Nível de (mg/

Sal inorgânico

Mono-aminoácidos quelatos

Proteinato

Multi-aminoácidos quelatos

Kg)

Sulfato (35% Zn)

Metionato (10% Zn)

Glicinato (26% Zn)

Proteinato (16% Zn)

Zn 16% (16% Zn)

Zn 22% (22% Zn)

40 80

1,52 1,51

1,54 1,52

1,51 1,52

1,51 1,51

1,48 1,48

1,50 1,46

Média

1,51ab

1,53b

1,51ab

1,51ab

1,48a

1,47a

100*

1,52

1,51

1,51

1,50

1,48

1,45

ANOVA: Fonte de Zn (P<0,2866); Nível de Zn (P<0,0001); Fonte de Zn*Nível de Zn (P<0,6484). Médias seguidas por letras minúsculas na mesma linha, não diferem pelo teste de Student Newman- Keuls (P <0.05). *tendência com base nos resultados de 40 e 80 ppm Zn

77 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Zinco Multi-amino Quelatado Melhora a Conversão Alimentar de Frangos


O Zn retido no corpo do animal esgota-

Ao associarmos a melhor

se facilmente, ou seja, é utilizado

conversão alimentar e a menor

rapidamente para funções vitais, por

excreção de Zn apresentada

isso sua suplementação é prática

pelas aves que consumiram

comum. Porém, ao considerar as perdas

este mineral como multi-

sofridas pelos minerais inorgânicos,

aminoácido quelato aos três principais indicadores de

o nutricionista opta por realizar

qualidade de um mineral

uma suplementação maior, com

orgânico: grau de quelação,

margem de segurança, o que

estabilidade constante e

pode levar a um alto índice de

biodisponibilidade, é possível

excreção do mineral.

compreender sua importância para o estabelecimento de parâmetros de qualidade deste. Sua sinergia se reflete

Menor excreção de Zn também foi

diretamente no melhor

observada quando as aves receberam

desempenho dos animais,

a fonte multi-amino quelatada, o que pode ser observado na Tabela 4, inclusive

minerais

quando comparado às fontes de Zn

contribuindo para que eles

M

expressem, cada vez mais, seu

Y

máximo potencial genético.

glicinato, metionato e proteinato.

C

CM

MY

CY

CMY

Tabela 4. Zinco excretado (mg/ave) aos 42 dias.

K

Fonte de Zinco Nível de (mg/

Sal inorgânico

Mono-aminoácidos quelatos

Proteinato

Multi-aminoácidos quelatos

Kg)

Sulfato (35% Zn)

Metionato (10% Zn)

Glicinato (26% Zn)

Proteinato (16% Zn)

Zn 16 G2 (16% Zn)

Zn 22 G3 (22% Zn)

40 80

10,3 9,17b

8,8 10,21b

8,4 9,29b

9,6 9,12a

8,02B 8,81cB

8,42A 8,08A

Média

10,3

8,8

8,4

9,6

8,4

8,3

Médias seguidas pelas mesmas letras minúsculas iguais na mesma linha e as letras maiúsculas iguais na mesma coluna não diferem pelo teste de Student Newman – Keuls (p<0.05)

Zinco Multi-amino Quelatado Melhora a Conversão Alimentar de Frangos

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78 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Zinco Multi-amino Quelatado Melhora a Conversão Alimentar de Frangos



ESTRATÉGIAS PARA A OTIMIZAÇÃO DE USO DE MICROMINERAIS EM DIETAS DE SUÍNOS Por Alexandre Barbosa de Brito Médico Veterinário, PhD Nutrição Animal

microminerais

Pesquisas para determinar as necessidades nutricionais da maioria dos micronutrientes para suínos foram realizadas principalmente antes da década de 1990, com ênfase em evitar deficiências nutricionais. As tabelas de referência nutricional representam a base teórica para formulações de rações para suínos, indicando níveis mínimos de requerimentos nutricionais (NRC, 2012), ou valores para melhor custo-benefício em formulações de rações (Rostagno et al., 2017).

Desta forma inicia-se uma excelente revisão do grupo de investigadores da Universidade Estadual de Londrina/Brasil (Dalto & Silva, 2020), sobre uma pesquisa ampla realizada em 15 empresas provedoras de alimentos completos/premixes/núcleos e 15 empresas cooperativas e agroindústrias deste país.

No entanto, considerando os avanços significativos obtidos nas últimas décadas pela indústria de suínos, quanto a prolificidade de matrizes e taxa de crescimento dos animais, pode-se supor que os níveis de referência para alguns minerais e vitaminas podem estar desatualizados.

80 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Estratégias para a Otimização de Uso de Micro-Minerais em dietas de Suínos


De fato, existe uma série de estratégias nutricionais que podem incrementar o aproveitamento de níveis de micronutrientes, como o uso de doses elevadas de fitase para gerar uma ruptura importante do anel de fitato incrementando o aproveitamento de minerais no alimento.

microminerais

De acordo com os investigadores, a suinocultura brasileira agrega margem significativa de segurança para a suplementação de minerais e vitaminas, porém existe uma grande variação marginal entre as empresas, especialmente para vitaminas solúveis em água, o que reflete um conhecimento limitado sobre a disponibilidade destes micronutrientes para a suplementação na nutrição de suínos em suas diversas fases.

Esta estratégia é uma ação comumente praticada em pesquisas de nutrição humana, onde já há algum tempo, adotando ratos como modelo biológico, foi possível determinar que dietas enriquecidas de fitato (por exemplo, produtos a base de trigo) podem interferir significativamente (P<0,05) na absorção de Ca, Se, Zn, Cu entre outros minerais.

Estas ocorrências são ainda maiores quando mais próximo do real requerimento dos animais, as dietas foram formuladas, ou seja, quanto menor for a “margem de segurança” aplicada, maior a importância de uma visão mais ampla de várias estratégias (Saha et al., 1994).

81 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Estratégias para a Otimização de Uso de Micro-Minerais em dietas de Suínos


Sabemos, que por um tema de sustentabilidade ambiental e financeira das empresas, existe uma busca cada vez maior, por dietas com níveis idealmente adequados/otimizados.

microminerais

Sendo assim, existe a necessidade de atentarmos para ações cada vez mais sofisticadas dentro da estrutura de formulação das dietas para os animais de produção. Seguindo este cenário, trabalhamos em uma publicação recentemente quanto a estratégias nutricionais para o aproveitamento de fontes de microminerais (Kim et al., 2018). Neste texto, avaliamos o status do ferro em leitões e impacto da superdosagem de fitase no fisiologia deste nutriente.

Os autores descrevem que há muito tempo se considerava que uma suplementação de ferro injetável dentro de 48-72 h após o nascimento atenderia de forma suficiente a necessidade de ferro para leitões de rápido crescimento (Figura 01 A), sendo que a prevalência de deficiência de ferro, e portanto, a anemia de animais criados em baias, não seria um dos principais problemas nos dias atuais.

No entanto, uma série de pesquisas indicou uma prevalência significativa de deficiência de ferro e anemia em leitões após o desmame em sistemas de produção intensiva, acarretando uma relação negativa entre o status de ferro de leitões e ganho de peso corporal durante as primeiras seis semanas após o nascimento (Figura 01 B). Portanto, trabalhar a homeostase do ferro através da regulação de uma série de ações incluindo possíveis estratégias nutricionais para melhorar a sua capacidade de absorção, seriam etapas fundamentais a serem consideradas. Os autores descrevem que o uso de doses elevadas de fitase gerou um padrão de ruptura elevado do anel de fitato, incrementando a disponibilidade de Fe em pH elevados do TGI (onde ocorre a absorção destes nutrientes), elevando, entre outros cenários, a taxa de hematócrito destes animais (Figura 01 C).

82 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Estratégias para a Otimização de Uso de Micro-Minerais em dietas de Suínos


Figura 01. Crescimento proporcional do peso corporal nas

primeiras 6 semanas após o nascimento entre espécies de mamíferos (A). Proporção de hematócrito em leitões desmamados inoculados com teores tradicionais e alto teor de ferro dextrano (B). Efeito da dose de fitase no estado de ferro de leitões aos 21 dias pós-desmame, medida como proporção de hematócrito (C).

Fonte: Kim et al. (2018)

A 1000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0

Bezerro

Cachorro

Nascimento

B

Gato

6 semanas

150 mg Fe/kg on d3, 40 mg Fe/kg on d21 37.5 mg Fe/kg on d3

40 Hematócrito, %

Cordeiro

35 30 25 20

3

14

21

Em um outro trabalho, publicado por Stewart et al. (2018), avaliou-se a relação do uso de Superdosing de fitase em cachaços (machos reprodutores) em período de produção com relação à melhora na concentração de sêmen e eficiência reprodutiva destes animais.

microminerais

% Peso ao Nascimento

Porco

Para isso, os autores utilizam trinta cachaços (9 a 12 meses de idade, PIC 280) com um programa alimentar de 2,5 kg/d de uma dieta comercial a base de milho e farelo de soja contendo 500 FTU/kg de uma E.coli fitase comercial, formulada para liberar 0,15% de P.disp. e 0,16% de Ca.

28

Dia após o desmame

Hematócrito, %

C

320 ppm ferro dietético 100 ppm ferro dietético

36 34 32 30 28 24 26 22

Os machos foram bloqueados pela idade e aleatoriamente escolhidos para consumir dois tipos de dietas, sendo:

Dieta 1 – Controle ou

Dieta 2 – Superdosing com acréscimo da mesma E.coli fitase para gerar 3.000 FTU/kg. 0 FTU/kg

500 FTU/kg

2500 FTU/kg

Dose de Fitase

83 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Estratégias para a Otimização de Uso de Micro-Minerais em dietas de Suínos


O sêmen foi coletado semanalmente de todos os 30 cachaços durante 12 semanas, sendo avaliados a motilidade e morfologia deste ejaculado.

microminerais

De forma geral a concentração de espermatozoides no ejaculado foi maior nos cachaços que consumiram a Superdosing de fitase (P = 0,03), resultando em uma tendência de mais 3 doses (2,8 bilhões de células/dose) produzidas por ejaculado (P = 0.10) e em um aumento de 13% no volume total de sêmen coletado (P<0,05).

De acordo com os autores, estes resultados foram provenientes, possivelmente, devido a uma melhor utilização do perfil de microminerais usados no turno reprodutivos destes machos.

Estes conceitos são provenientes de uma série de estudos que estamos realizando a nível mundial. Estaremos a disposição sempre para ajudá-los a elucidar estes conceitos em suas estratégias de formulação visando o uso cada vez mais otimizados/sustentáveis destes micronutrientes!

Estratégias para a Otimização de Uso de Micro-Minerais em dietas de Suínos

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84 nutriNews Brasil 1º Trimestre 2021 | Estratégias para a Otimização de Uso de Micro-Minerais em dietas de Suínos


“Treinando” o microbioma animal para o aproveitamento da fibra: uma nova perspectiva do modo de ação das enzimas degradantes de fibra

Enzimas degradadoras de fibra (PNAases) têm sido usadas comercialmente por mais de 30 anos. Historicamente, o foco principal sobre as PNAases estava em diminuir os efeitos anti-nutricionais da fibra, mas este vem mudando para os subprodutos da quebra da fibra.

“Nós sabemos que determinados produtos oriundos da quebra de PNA são benéficos e atuam na adaptação da microbiota intestinal, o que pode aumentar o aproveitamento da fibra e o desempenho”. Dr Gemma Gonzalez Ortiz, Gerente de Pesquisas, AB Vista

Quando as enzimas degradam a porção PNA, oligossacarídeos de cadeia curta são produzidos; estes são fermentados por bactérias no intestino, aumentando a produção de ácidos graxos de cadeia curta. Este efeito tem sido chamado de efeito prebiótico, e é considerado como um dos mecanismos de ação das PNAases, que pode ser muito

do que simplesmente melhorar a digestibilidade de fibra e a fermentação de oligossacarídeos produzidos. Quando suplementada via dieta por um longo período, a xilanase tem mostrado aumentar, efetivamente, a capacidade das bactérias do ceco em digerir fibra. Isto sugere que as xilanases causam um efeito de “treinamento” no microbioma cecal, resultando em mudanças adaptativas ao longo do tempo que aumenta a capacidade de degradar fibra (Figura 1). Isto significa que as PNAases estão fazendo muito mais do que se sabia – elas contribuem para o desenvolvimento de uma microbiota mais benéfica e, com isso, melhoram a eficiência na absorção de nutrientes da dieta pelo animal hospedeiro.

Figura 1. Amostras de conteúdo cecal de aves alimentadas com dietas contendo ou não xilanase (Econase XT) foram usadas como inóculo em ensaio de fermentação para monitorar a produção de ácidos graxos voláteis (AGV). O inóculo cecal de aves pré-expostas à xilanase aumentou a produção de butirato em comparação com as aves do grupo controle. 19 17 15

Butirato mM

A busca crescente sobre como as carboidrases agem está abrindo uma nova perspectiva do seu papel nas estratégias nutricionais para melhorar o desempenho.

13 11 9 7 5 Controle Conteúdo cecal aves do controle

C+PNA de trigo Conteúdo cecal – aves com xilanase

“Precisamos olhar para as PNAases como ferramentas para acelerar a habilidade do microbioma intestinal em degradar fibra. Em vez de degradar quantitativamente a fibra da parede celular vegetal, estas enzimas estão, efetivamente, aumentando a capacidade intrínseca do animal em digerir fibras, o que tem implicações significativas na seleção de classes de enzimas PNAases e de dosagens”. Dr Mike Bedford, Diretor de Pesquisas, AB Vista

Para saber mais sobre a pesquisa citada neste artigo e outras pesquisas relacionadas, visite www.abvista.com ou entre em contato com o representante local da AB Vista.


PERÍODO DE TRANSIÇÃO DE VACAS LEITEIRAS

Transição Enzimas Exógenas

Ricardo Pereira Manzano Médico Veterinário Consultor Técnico Biochem Brasil Nutrição Animal

O

período de transição é a fase mais desafiadora do ciclo produtivo de uma vaca leiteira de alta produção. Esta fase compreende os momentos que antecedem o parto, denominado de pré-parto, com

86 nutriNews Brasil 1ºTrimestre 2021 | Período de transição de vacas leiteiras

duração de 30 a 21 dias antes da data prevista do parto e os primeiros meses da lactação. Nesta fase é que o sucesso da nova lactação e a viabilidade do bezerro e principalmente das bezerras é definido.


Adequações das instalações como espaço de cocho, sombra, ventilação e aspersão; juntamente com agrupamento dos animais (primíparas separadas de multíparas) e limpeza da cama são medidas a serem consideradas para a redução do stress Condições ambientais e de conforto térmico no período pré-parto influenciaram a composição do colostro em estudo conduzido

sócio ambiental, com reflexos no desempenho produtivo futuro da bezerra que vai nascer.

por Nardone et al. (1997), com primíparas. Dahl et al. (2020) alertam que

de stress térmico no período final da gestação não só apresentam riscos à qualidade do colostro, mas apresentam comprometimento do

embora seja considerado com menor importância, o stress térmico altera profundamente a resposta imunológica de vacas e bezerras da fase pré-natal até a lactação.

desenvolvimento da placenta com consequente hipóxia fetal, má nutrição

Segundo estes autores, o stress térmico

dos fetos e eventualmente um retardo no

durante a fase intrauterina de vida das

crescimento fetal (Tao e Dahl, 2013).

bezerras, reduz a transferência de imunidade passiva independente da fonte de colostro,

Monteiro et al. (2014) detectaram que independente da qualidade do colostro,

quando comparado a animais gerados em condições termo-neutras.

o stress térmico das vacas nos últimos 46 dias antes da data prevista do parto afetou negativamente o peso ao nascimento, o peso ao desaleitamento e a transferência de IgG para os bezerros.

A associação do conforto sócio ambiental à nutrição da vaca na fase de pré-parto, é importante para o sucesso do desenvolvimento intrauterino das bezerras que irão nascer e serem as futuras vacas leiteiras da propriedade.

Além das condições de conforto térmico, o protocolo sanitário, a alimentação, as instalações e o manejo dos lotes de vacas no período seco e no pré-parto (3 a 4 semanas antes do parto) podem ser manipulados pelos produtores de forma a propiciar as vacas leiteiras um período de transição mais confortável.

87 nutriNews Brasil 1ºTrimestre 2021 | Período de transição de vacas leiteiras

Transição Enzimas Exógenas

Vacas manejadas em condições


A atenção à nutrição da vacas no período pré-

Além dos ajustes nas condições ambientais

parto é importante, não só para propiciar boas

e sociais, algumas intervenções nutricionais

condições de parto, mas principalmente para

podem ser implementadas com o intuito

o estabelecimento de uma lactação saudável

de otimizar o conforto animal, o consumo

que garanta o máximo de produtividade dos

de matéria seca, o consumo e absorção

animais. É nesse período que as vacas definem

de nutrientes, e a digestibilidade da ração

a produção total de leite de cada lactação.

consumida.

Muitas vezes a alimentação de vacas no préparto é colocada em segundo plano.

Vacas leiteiras de alta produção nesta fase precisam consumir nutrientes suficientes para manutenção do metabolismo basal, desenvolvimento fetal, desenvolvimento do tecido secretor na glândula mamária

Transição

e secreção de colostro de boa qualidade (Abuelo et al. 2019). O uso de aditivos que melhoram a No entanto devido a elevada demanda

digestibilidade de nutrientes fornecedores

nutricional e baixa capacidade de ingestão de

de energia e proteína para a vaca leiteira

matéria seca nesta fase do ciclo produtivo, a

no pré-parto são uma alternativa.

ingestão de muitos nutrientes nem sempre é adequada para atender a demanda metabólica (Abuelo, 2019).

Erasmus et al. (2005) observaram aumento na produção de ácido propiônico no rúmen de vacas leiteiras

O baixo consumo de matéria seca e

suplementadas com cultura de

consequentemente dos diversos nutrientes

leveduras (CL) durante a fase de pré-

pode ser agravado quando os animais na

parto e início da lactação.

fase pré-parto sofrem com stress térmico (Dahl et al. A suplementação com CL para vacas

2017).

da raça Jersey aumentou o consumo de matéria seca diário nos últimos 7 dias do período pré-parto (9,8 vs 7,7 kg) e nos primeiros 42 dias de lactação (13,7 vs 11,9), antecipando o pico de lactação em relação aos animais controle, com reflexos positivos na produção de leite (Dann et al. 2000).

88 nutriNews Brasil 1ºTrimestre 2021 | Período de transição de vacas leiteiras


Estes autores detectaram uma produção de leite 1,6 kg.dia-1 superior para as vacas Jersey suplementadas com CL nos primeiros 42 dias de lactação.

No ciclo produtivo das vacas leiteiras os períodos pré-parto e neonatal são momentos de maior risco de desenvolvimento de stress oxidativo e alta susceptibilidade às doenças tanto para as vacas quanto para os bezerros, ficando a situação agravada pelo stress térmico (Abuelo, et al. 2019; Abuelo, 2019).

de leveduras Nocek et al. (2011)

A causa do stress oxidativo nestes

relataram que a suplementação com

momentos do ciclo produtivo dos bovinos

CL de vacas Holandesas elevou a

leiteiros é a alta produção de substâncias

produção de leite em 1,7 kg de leite

oxidantes ao mesmo tempo que a

(40,9 vs 42,6 kg) nos primeiros 140

capacidade de geração de substâncias

dias de lactação além de aumentar a

antioxidantes está comprometida (Sordillo

produção diária de gordura (1,48 vs

e Aitken, 2009).

Transição

Em outro experimento com cultura

1,55 kg) e proteína (1,17 vs 1,21 kg) por vaca.dia-1.

Animais submetidos ao stress oxidativo tem a capacidade funcional das células do sistema imunológico diminuída,

Além disso Nocek et al. (2011) relataram que ao

aumentando a susceptibilidade dos

adicionar parede celular de levedura (MOS –

animais a doenças (Abuelo, 2019).

mannanoligosacarídeos) a cultura de levedura, além do aumento na produção de leite e de sólidos no leite, foi observada redução na incidência de mastite clínica e redução na contagem de células somáticas no leite produzido. A cultura de leveduras além de exercer uma ação positiva no metabolismo ruminal, também atua positivamente na regulação da temperatura corporal dos animais (Conte et al. 2018). Shwartz et al. (2009) observaram que a suplementação de vacas em lactação com cultura de leveduras reduziu a temperatura retal sob condições de stress térmico às 12:00 e 18:00.

89 nutriNews Brasil 1ºTrimestre 2021 | Período de transição de vacas leiteiras


Desta forma intervenções para conter o stress oxidativo, deveriam ser dirigidas em aumentar o “pool” de substâncias antioxidantes. O fornecimento de níveis mais elevados de nutrientes como as vitaminas lipossolúveis A e E, e os microelementos minerais cobre, ferro, manganês, selênio e zinco, os quais possuem comprovada ação antioxidante, se faz necessária na fase de transição das vacas e na fase inicial de vida das bezerras (Sordillo e Aitken, 2009, Abuelo, et al. 2019).

Rabiee et al. (2010) realizaram uma meta O uso de fontes de microelementos minerais que diminuem a interação com outros minerais e até com outros nutrientes, é uma garantia de

Transição

que estes nutrientes minerais serão absorvidos

análise e observaram que a suplementação de vacas leiteiras em lactação aumentou a produção diária de leite em 0,93 kg.vaca-1, a concentração de sólidos no leite e o desempenho reprodutivo dos animais.

com eficiência e direcionados aos tecidos

Dados publicados por Jacometo

alvo para serem utilizados nos sistemas

et al (2015), demonstraram que a

enzimáticos antioxidantes do organismo

suplementação de vacas leiteiras com

animal.

microelementos minerais orgânicos no período pré-parto apresentou benefícios

O uso de minerais ligados a moléculas

aos bezerros após o nascimento.

orgânicas, mais conhecidos como minerais orgânicos ou quelatos, impedem a interação dos elementos minerais com outros nutrientes e principalmente com outros elementos

Roshanzamir et al.

minerais presentes na dieta,

(2020) detectaram

direcionando os microelementos aos sítios de absorção específicos no intestino delgado, resultando em aumento na eficiência de absorção (Swecker Jr. 2014; Spears, 2014).

que o uso de glicinatos de cobre, manganês e zinco, elevaram as concentrações séricas de imunoglobulina A e Imunoglobulina M no sangue das vacas no primeiro dia e aos 21 dias pós parto, e no sangue dos bezerros aos 3 dias de vida, quando comparado ao tratamento com sulfatos de cobre, manganês e zinco. Este resultado demonstra o efeito positivo do uso dos glicinatos sobre o sistema imunológico dos animais.

90 nutriNews Brasil 1ºTrimestre 2021 | Período de transição de vacas leiteiras


Os autores também observaram que o uso de glicinatos quando comparado ao tratamento controle (sem adição de cobre, manganês e zinco suplementares) aumentou a capacidade total antioxidante (CTO) no sangue das vacas e bezerros. A tabela 01 apresenta um resumo dos resultados obtidos por Roshanzamir et al. (2020).

Tabela 01. Influência de diferentes fontes de cobre, manganês e zinco, na capacidade total antioxidante (CTO), concentrações de imunoglobulina A (IgA) e imunoglobulina M (IgM) em amostras de sangue coletadas de vacas no pós parto (PP) e seus bezerros recém nascidos (Roshanzamir et al., 2020). Parâmetros

Tratamentos Min-Metionina

Valor p

Controle

Sulfatos

Min-Glicina

Vacas, 1 dia PP

1,52b

1,60ab

1,79ab

1,91a

0,045

Vacas, 21 dias PP

1,92b

2,26a

2,27a

2,10ab

0,046

Vacas, 50 dias PP

c

1,61

2,10a

1,98a

1,79

bc

0,032

Bezerros, 3 dias

b

1,57

1,82a

1,99a

1,82a

0,040

Vacas, 1 dia PP

0,74b

0,86ab

1,00a

1,13a

0,036

Vacas, 21 dias PP

0,81b

0,84b

1,23a

1,17a

0,040

Bezerros, 3 dias

0,64

0,76

ab

0,86a

0,89a

0,043

Vacas, 1 dia PP

1,95c

2,17b

2,71a

2,49a

0,035

Vacas, 21 dias PP

2,18

b

2,36

2,94a

3,12a

0,028

Bezerros, 3 dias

1,87c

2,12bc

2,52a

2,31ab

0,031

CTO, µmol Fe2+.L-1

IgA, g.L

b

Transição

-1

IgM, g.L

-1

c

a,b,c Médias acompanhadas da mesma letra minúscula na mesma linha não diferem entre si (p < 0,05). A demanda por sistemas de produção sustentáveis e seguros, direciona o mercado A importância de

para o desenvolvimento de aditivos mais

cuidados específicos

naturais em substituição aos antibióticos. Os pontos discutidos neste texto são

com as vacas no periparto

assuntos atuais que merecem ser

e no início da lactação – mais conhecido como transição - é indiscutível.

explorados por técnicos comprometidos

Atualmente, estudos avançados e inovadores

com o bem-estar animal e a segurança alimentar.

provam que já no final da gestação a nutrição e o conforto sócio ambiental das vacas é determinante

A bibliografia estará disponível mediante solicitação

da viabilidade da futura bezerra e da produção de leite em toda a lactação.

Período de transição de vacas leiteiras

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91 nutriNews Brasil 1ºTrimestre 2021 | Período de transição de vacas leiteiras



TABELA

MICROMINERAIS 2021 EDIÇÃO BRASIL


Fonte orgânica pura

Selisseo 2% Se

minerais orgânicos

ECOTrace®

94

TIPO DE FONTE

NOME DO PRODUTO

Feed Safety for Food Safety®

TIPO DE FONTE

NOME DO PRODUTO

Zn, Mn, Cu e Fe

MICROMINERAIS

Selênio

MICROMINERAIS

MICROMINERAIS 2021

Tabela de produtos

Todas as espécies

ESPÉCIE DESTINADA

Todas as espécies animais

ESPÉCIE DESTINADA

1. Única OH-SeMet do mercado, totalmente disponível para o metabolismo animal; 2. Estabilidade ao armazenamento e condições de processamento térmico da ração; 3. Suporte ao sistema antioxidante e sistema imune; 4. Melhor desempenho produtivo e reprodutivo em condições desafiadoras; 5. Promove a resiliência animal.

LATAM

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

INFORMAÇÃO ADICIONAL

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2021


95

MINTREX® Mn

MINTREX® Cu

MINTREX® Zn

NOME DO PRODUTO

Orgânico Bi-quelatado de Metionina Hidroxianaloga

TIPO DE FONTE

Manganês

Cobre

Zinco

MICROMINERAIS

MICROMINERAIS 2021

Tabela de produtos

Frangos, Suínos, Bovinos e Aquacultura

ESPÉCIE DESTINADA

MINTREX® Mn é um mineral orgânico composto por manganês quelatado a HMTBa, formando uma estrutura molecular de 1:2, respectivamente, altamente absorvível no intestino dos animais

MINTREX® Cu é um mineral orgânico composto por cobre quelatado a HMTBa, formando uma estrutura molecular de 1:2, respectivamente, altamente absorvível no intestino dos animais

MINTREX® Zn é um mineral orgânico composto por zinco quelatado a HMTBa, formando uma estrutura molecular de 1:2, respectivamente, altamente absorvível no intestino dos animais

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Brasil, Argentina, Chile, México, Peru, Colômbia, Equador, Honduras e Panamá

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

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2021


Zinco

Manganês

Cobre

Selênio

Cromo

Ferro

Sais solúveis de zinco quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de manganês quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de cobre quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de selênio quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

sais solúveis de cromo quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Sais solúveis de ferro quelatados com aminoácidos e pequenos peptídeos

Yes - Minerals Zinco

Yes - Minerals Manganês

Yes - Minerals Cobre

Yes - Minerals Selênio

Yes - Minerals Cromo

Yes - Minerals Ferro

96 4

MICROMINERAIS

TIPO DE FONTE

NOME DO PRODUTO

MICROMINERAIS 2021

Tabela de produtos

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, ovinos, cães, gatos, peixes e camarões

Aves, suínos, equinos, bovinos, caprinos

Aves, suínos, equinos, bovinos, caprinos cães, gatos, camarões, peixes

Aves, suínos, bovinos, equinos, caprinos, ovinos, cães, gatos, peixes e camarões

ESPÉCIE DESTINADA

O Yes - Minerals Ferro está disponível nas concentrações de 16 e 22%

O Yes - Minerals Cromo está disponível nas concentrações de 0,1 e 1,0%

O Yes - Minerals selênio está disponível nas concentrações de 0,1, 0,2 e 0,5%

O Yes - Minerals Cobre está disponível nas concentrações de 16 e 22%

O Yes - Minerals Manganês está disponível nas concentrações de 16 e 22%

O Yes - Minerals Zinco está disponível nas concentrações de 16 e 22%

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Mexico, Panama, Paraguai, Peru, Venezuela, Uruguai

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

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2021


Zinco

Manganês

Cobre

Ferro

Selênio

Cromo

Complexo zinco-aminoácido

Complexo manganês-aminoácido

Complexo cobre-aminoácido

Complexo ferro-aminoácido

Complexo zinco-L-selêniometionina

Complexo cromo-metionina

Availa® Zn 120

Availa® Mn 80

Availa® Cu 100

Availa® Fe 100

Availa® Se 1000

Availa® Cr 1000

97

MICROMINERAIS

TIPO DE FONTE

NOME DO PRODUTO

MICROMINERAIS 2021

Tabela de produtos

Todas as espécies

ESPÉCIE DESTINADA

A complexação mineral-aminoácido da Zinpro origina uma molécula única no mercado, sendo estável, solúvel, absorvível e metabolicamente disponível, cumpre todos os requisitos para que o mineral exerça com excelência seu papel na saúde e no desempenho dos animais. Ressaltamos nossa qualidade, já que 100% da produção é analisada para metais pesados, furanos, dioxinas, etc. É importante mencionar que todo este diferencial é comprovado em mais de 270 trabalhos científicos publicados. Somos muito mais que minerais!

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Colombia, Peru, Equador, Bolivia, Venezuela, México e América Central

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

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2021


ABSORÇÃO DE ZINCO NO TRATO GASTROINTESTINAL

publireportagem

Andreas M. Grabrucker, Departamento de Ciências Biológicas, Bernal Institute, Universidade de Limerick, Limerick (Irlanda) e Leonardo Linares, Zinpro Corporation, Eden Prairie, Minnesota (Estados Unidos)

A importância do zinco para os organismos vivos foi reconhecida pela primeira vez em 1869 em pesquisas sobre um fungo (Aspergillus niger). Mais tarde, descobriu-se que o zinco é essencial para o desenvolvimento adequado de plantas, animais e humanos.

98 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


O enterócito Enterócitos são células epiteliais localizadas na superfície das vilosidades do intestino delgado (Figura 1). As membranas celulares dos enterócitos voltadas ao lúmen dobram-se em microvilosidades para aumentar a área de superfície disponível aos processos absortivos.

Por exemplo: No âmbito celular, o zinco

polares, pois sua morfologia tem um lado

tem um papel no controle da

apical - voltado ao lúmen do trato GI -

proliferação, desenvolvimento e

claramente distinto de um lado basal, onde

homeostase das células. Isso não

as funções secretórias são desempenhadas,

só afeta o crescimento em geral,

culminando na liberação de nutrientes para a

mas também o desenvolvimento

corrente sanguínea.

publireportagem

Os enterócitos são chamados de células

neurocomportamental do indivíduo. Além disso, o zinco desempenha um papel importante no sistema imunológico, nos processos curativos de lesões; entre centenas de outros.

Os enterócitos, que compreendem mais de 80% das células epiteliais do intestino delgado, têm uma alta taxa de reposição e renovam-se frequentemente. Essas células, mediam a absorção de zinco e são responsáveis pela absorção de uma variedade de outros nutrientes. 99 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


Absorção As proteínas dos alimentos só podem

Os teores intracelulares de zinco são

ser absorvidas após serem digeridas em

rigorosamente regulados por proteínas

aminoácidos ou di e tripeptídeos por

ligadoras e transportadores de zinco de

enzimas proteolíticas no lúmen do trato

vários tipos, que garantem sua absorção

GI. A membrana plasmática luminal dos

e transporte.

enterócitos contém transportadores de

O zinco da dieta e da maioria dos suplementos é disponibilizado como íons de zinco livres para o trato GI; que são levados por transportadores para dentro dos enterócitos no duodeno e jejuno.

aminoácidos (Figura 1) Quatro tipos de transportadores de aminoácidos, dependentes publireportagem

de sódio, mediam a absorção de aminoácidos básicos, neutros ou ácidos. Na membrana basolateral do enterócito, há mais transportadores que exportam aminoácidos para o sangue (Figura 1). Porém, bem diferente da utilização de íons metálicos (Figura 1), a rota de absorção de aminoácidos é difícil de saturar pois a demanda por este nutriente é alta. E a absorção de aminoácidos é minimamente antagonizada por outros elementos da dieta (Figura 2).

Nos mamíferos, há duas famílias de transportadores de zinco: As proteínas semelhantes a Zrt e Irt (ZIP), Transportador de zinco (ZnT)

Aminoácido

100 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


Há pelo menos 14 tipos de transportadores ZIP e 10 tipos de ZnT diferentes nas células humanas. Os transportadores ZIP e ZnT parecem ter papéis opostos no controle dos teores celulares de zinco. Os ZIP aumentam o teor de zinco intracelular ao promover

No caso de uma alimentação rica em zinco,

absorção (importação) de zinco do

os transportadores podem ser saturados

ambiente extracelular - como o lúmen do trato GI (Figura 1) ou ao mediar a liberação de zinco das reservas intracelulares.

e ter quantidade reduzida na superfície celular, protegendo o corpo de efeitos tóxicos de uma sobrecarga de zinco; apesar da toxicidade ser rara.

Por sua vez, os ZnT mediam o efluxo (exportação) de zinco de dentro das

Uma situação mais comum é a

células para o líquido extracelular ao “sequestrar” zinco para dentro de

baixos teores na dieta.

vesículas intracelulares.

ou, mais provavelmente, por

No lado apical, os transportadores ZIP

antagonistas da sua absorção

absorvem zinco livre para dentro da célula

publireportagem

deficiência de zinco causada por

como o plasma sanguíneo (Figura 1) ou

(Figura 2).

(Figura 1) A absorção de zinco pode ser

O transportador ZIP4, por exemplo, exerce um papel muito importante nesse processo. Mutações no ZIP4 podem causar acrodermatitis enteropathica (AE), um raro distúrbio genético recessivo

afetada por fibras, ácido fítico, ácido fólico, ferro e outros metais bivalentes, como cobre e cálcio; que podem se ligar ao zinco, tornando-o indisponível aos seus transportadores.

em humanos que leva a uma grave deficiência de zinco. Numa alimentação pobre em zinco, a quantidade de ZIP4 na membrana plasmática dos enterócitos aumenta para maximizar a absorção de zinco. Além disso, outros transportadores ZIP, como o ZIP2, podem contribuir para a absorção de zinco.

101 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


Figura 1. O enterócito: Comparação de absorção utilizando a rota de transporte de aminoácido versus a rota de transporte de íon metálico.

Lúmen do trato gastrointestinal Transportador de íons metálicos

Transportador de aminoácidos

ZnT importação

importação Enterócito

exportação

publireportagem

ZnT exportação Vaso sanguíneo

Zinpro® Corp.

Pesquisas recentes mostraram que o zinco de fontes ZPM (Zinpro Performance Minerals®) aciona uma rota alternativa de absorção/transporte, utilizando os transportadores de aminoácidos. As formas inorgânicas e orgânicas de zinco utilizam os transportadores de íons metálicos. No citoplasma de células que absorvem zinco,

No trato GI, o sistema circulatório (Figura 1)

podem ser encontradas proteínas ligadoras

leva o zinco diretamente para o fígado,

de zinco. Uma classe dessas proteínas é a das

onde é liberado na circulação sistêmica e

metalotioneínas.

redistribuído a outros tecidos.

Aqui é importante ser dito que, altas concentrações de metalotioneínas não quer dizer que teremos mais zinco metabolicamente disponível. No lado basal do enterócito, proteínas transportadoras específicas facilitam a liberação de zinco para a circulação sanguínea. O transportador ZnT1 exerce um papel muito importante nesse processo ao transpor zinco

O processo de absorção de zinco por esses transportadores pode ser afetado por outras moléculas, como já citado. (Figura 2). Portanto, a biodisponibilidade do zinco (e de outros microminerais metálicos) sempre tem que ser mensurada considerando outros componentes da dieta. O ácido fítico, encontrado principalmente em plantas, consegue se ligar a minerais e tornar-se fitato.

livre através da membrana basolateral.

102 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


Porém, o conteúdo de ácido fítico pode variar

Além de ter fontes naturais, o ácido

muito entre diferentes plantas e partes, como

fólico é um suplemento nutricional

sementes e folhas.

comum para humanos. Por exemplo, o

Acredita-se que o ácido fólico, que é encontrado principalmente em verduras, afeta a absorção de zinco por meio da formação de um quelato insolúvel.

ácido fólico é comumente receitado para mulheres gestantes para garantir o bom desenvolvimento do bebê.

Figura 2. Quando comparados aos transportadores de íons metálicos, os transportadores de aminoácidos são minimamente antagonizados por outros ingredientes da dieta.

Lúmen do trato gastrointestinal Zn2+ Fe2+/Cu2+/Ca2+ Ácido fítico publireportagem

Ácido fólico Aminoácido Transportador de aminoácidos

Transportador de íons metálicos

Saída de zinco através de ZnT Enterócito

Zinpro® Corp.

O zinco ZPM (Zinpro Performance Minerals®) é também menos vulnerável a antagonistas na dieta, como ferro, cobre, cálcio, ácido fítico e ácido fólico. Isso não acontece com fontes inorgânicas e orgânicas de zinco, por causa de sua forma molecular e da utilização de íons metálicos para a absorção.

Por terem tamanhos e cargas parecidas,

Portanto, outros microminerais,

os metais bivalentes podem competir

principalmente quando combinados com

pelos mesmos transportadores de zinco.

zinco em suplementos com altos teores, podem diminuir a absorção de zinco.

103 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


Utilizando rotas de absorção alternativas

O zinco de fontes ZPM é ligado a diferentes aminoácidos, como glutamato, metionina e lisina, para formar ZnGlu, ZnMet,

Numa dieta típica, a biodisponibilidade do

ZnLys, etc. Utilizados em combinação,

zinco é de somente 20 a 30% e pode diminuir

vários transportadores que transportam

ainda mais na presença de antagonistas

diferentes tipos de aminoácidos podem ser

(Figura 2). Em situações em que há saturação

selecionados.

total de transportadores de zinco, por altas

publireportagem

concentrações de íons de zinco ou de outro metal bivalente no lúmen, é importante oferecer uma fonte de zinco que utilize rotas alternativas de absorção/transporte para evitar a diminuição da sua disponibilidade.

Por ter uma estrutura geral semelhante à dos aminoácidos, o zinco de fontes ZPM é captado por transportadores de aminoácidos, e consequentemente utiliza uma rota de absorção menos saturada.

Os complexos ZPM resistem ao baixo pH do estômago, não se dissociam, e são absorvidos intactos (mineral-aminoácido); conforme demonstrado em diversas publicações científicas.

Nesses estudos, foram detectadas diferenças significativas em relação à suplementação com zinco de outras fontes.

Num estudo, enterócitos humanos foram Além disso, os íons de zinco contidos no complexo de zinco

expostos a suplementação com zinco inorgânico e zinco de fontes ZPM.

ZPM são protegidos contra fatores

A absorção de zinco livre oriundo de

antagonistas na dieta.

fontes inorgânicas foi significativamente prejudicada nas células com mutação genética do transportador de zinco mais importante, ZIP4.

104 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


1 Porém, com zinco de fontes ZPM, teve sua absorção nessas células semelhante à de células com ZIP4 íntegros. Ou seja, o zinco de fontes ZPM pode entrar nas células, independentemente do ZIP4 (clássico transportador) estarem comprometidos Além disso, células simuladoras de

Com esses altos teores de aminoácidos, a

enterócitos expostas a zinco inorgânico

absorção de zinco de fontes ZPM foi menor, por

e altos teores de ácido fítico, ácido fólico,

competir com os aminoácidos pela captação.

cálcio e cobre, tiveram menos absorção

Ao contrário, o zinco inorgânico livre nesses

de zinco, pois estes antagonizaram a

experimentos não teve sua absorção afetada,

absorção de zinco livre.

porque utiliza transportadores ZIP (em vez de

2

A estrutura química do zinco de

Por sua vez, o tratamento dessas células

fontes ZPM possibilita sua liberação

com zinco de fontes ZPM não teve

publireportagem

transportadores de aminoácidos).

(assim que estiver dentro das células ou na circulação sistêmica)

a absorção afetada na presença de

de tal forma que o zinco consegue

antagonistas.

exercer suas funções fisiológicas praticamente independente do sistema de transporte envolvido em

3

sua absorção.

Ademais, experimentos utilizando técnicas de bloqueio de aminoácidos, com altas concentrações de aminoácidos para saturar seus transportadores, confirmaram que o zinco de fontes ZPM utiliza rotas de transportadores de aminoácidos.

Por exemplo, altos teores de zinco livre fornecido por suplemento de zinco inorgânico desencadeia uma resposta homeostática que eleva os teores de ZnT1 para promover a exportação do zinco captado nos enterócitos para a circulação sanguínea. Uma resposta semelhante pode ser observada após o fornecimento de zinco utilizando fontes ZPM.

105 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal


Conclusões Como um micromineral vital e dado que

Além disto, é importante estar atento

não há grandes reservas acessíveis em

ao uso da melhor fonte; conhecer as

momentos de baixa disponibilidade de

diferenças entre elas, desde a qualidade,

zinco, uma suplementação constante

entendendo os processos biológicos, até

faz-se necessária. Mas lembrando que a

as comprovações científicas.

biodisponibilidade do zinco oriundo da dieta sofre diversas interferências, como já mencionado. Os nutricionistas têm um papel importante de definir a melhor estratégia de suplementação. Na publireportagem

maioria das vezes, não é só atender as necessidades de mantença do animal e sim, ter como objetivo a melhora do desempenho, saúde e bem-estar.

Os suplementos de zinco de fontes ZPM conseguem utilizar rotas alternativas de transporte, como os sistemas de absorção de aminoácidos. Por terem demanda significativamente maiores, os aminoácidos têm substancialmente mais transportadores do que qualquer micromineral. Com certeza esta disponibilidade de transportadores influencia a eficiência do transporte. Mesmo não tendo sido discutido neste artigo, um outro fator que parece afetar a eficiência da absorção é o aminoácido

Absorção de zinco no trato gastrointestinal

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Referências bibliográficas mediante solicitação

ao qual o micromineral é ligado, havendo aminoácidos que são absorvidos mais eficientemente que outros. Portanto, uma seleção de zinco de fontes ZPM pode levar a uma alta taxa de absorção por sua diversidade de transportadores. Faça a melhor escolha!

106 nutriNews Brasil 1o Trimestre 2021 | Absorção de zinco no trato gastrointestinal