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p. 6 Guilherme Cunha Malafaia Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

OS DESAFIOS ESTRATÉGICOS PARA A CADEIA PRODUTIVA DA CARNE BOVINA EM 2040 nutrinewsbrasil.com


PROGRAMA S.I.M. Saúde Intestinal Máxima

PROBIÓTICOS E SIMBIÓTICOS QUE ATUAM NO EQUILÍBRIO DA MICROBIOTA INTESTINAL DAS AVES E SUÍNOS E ESTIMULAM O SISTEMA IMUNE, ALIADOS A PRODUTOS ESTRATÉGICOS QUE PROMOVEM MAIOR CONFORTO E QUALIDADE DO AMBIENTE PRODUTIVO

PERFORMANCE E SAÚDE ANIMAL

AMBIENTE E BEM-ESTAR ANIMAL

Manipulação da microbiota intestinal

Redução da umidade da cama, redução de odores e auxílio no controle de microrganismos e insetos

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21/07/2020 16:39


CONTEÚDOS 6

Os desafios estratégicos para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040 Guilherme Cunha Malafaia Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

11

Utilização de derivados de soja na alimentação animal Parte II – Controle de Qualidade

20

Desmame de suínos: existe idade ideal? Jamil Elias Ghiggi Faccin Setor de Suínos, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS. Diretor de conteúdo do Grupo Academia Suína.

Pré & Probióticos 32 Tabela 2020 – Edição Brasil

G. Fondevila, L. Cámara, J. L. Archs & G. G. Mateos Departamento de Produção Agrária, UP Madri

nutrinewsbrasil.com

1 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020


CONTEÚDOS 40

A Eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal Parte I Luciano Cabral, Thainá Cabral, Bárbara Mota Neta, Laura Barbosa de Carvalho Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT

50

Qualidade do milho na ração de aves José Henrique Stringhini, Deibity Alves Cordeiro, Carla Daniela Suguimoto Leite, Laura Alves Duarte, Lucas Brito de Castro, Imar Crisógno Fernandes Filho Departamento de Zootecnia – Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás (UFG)

2 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020


nutrinewsbrasil.com

60

Alfa-Monoglicerídeos: para uma maior efetividade em aves e suínos Ellen Damen

Mestre em Ciência Animal com especialização em Saúde e Fisiologia Animal – Wageningen University & Research

Ciência da vida melhorando o cuidado com os animais Os probióticos e frações de levedura da Phileo modulam a microbiota e o sistema imunológico auxiliando na otimização da eficiência alimentar, maximizando o desempenho de crescimento e mitigando os efeitos multifatoriais do estresse nos animais. Atuando com a natureza, cuidando dos animais

66

Saúde Intestinal e pigmentação do frango de corte Luis Pantoja1, Óscar González2 Corporate Brand Manager. Unidade de Avicultura HIPRA, Espanha 2 Chefe de serviços técnicos de Avicultura, HIPRA México 1


É A HORA DE UMA MUDANÇA DE CULTURA.

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SETOR SEGUE COM

OTIMISMO APESAR DAS INCERTEZAS ECONÔMICAS NO BRASIL E NO MUNDO A projeção de crescimento da suinocultura, pecuária e avicultura, no Brasil, continuam apontando para patamares surpreendentes. Ao olharmos para esses números nem parece que atravessamos uma das maiores crises da história. “O empenho setorial para a manutenção do abastecimento permitiu manter a produção e as exportações em bons níveis de crescimento. Apesar dos impactos da pandemia, que restringiu este potencial, os indicadores apontam um horizonte positivo para a avicultura e a suinocultura do Brasil”, celebra Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Frangos A produção brasileira de carne de frango deverá crescer entre 3% e 4% em 2020, alcançando o total de 13,7 milhões de toneladas neste ano, projeta a entidade. As exportações do setor também devem crescer em patamares equivalentes, entre 3% e 5%, alcançando até 4,45 milhões de toneladas, prevê a associação. Suínos Em carne suína, a produção prevista para o ano é 4% a 6,5% maior em relação a 2019, alcançando até 4,25 milhões de toneladas, segundo as projeções da associação. Quarto maior produtor e exportador, responsável por 8% de todas as exportações mundiais e embarques para mais de 70 países, o setor de suínos é o motor econômico de dezenas de municípios no interior do Brasil.

Pecuária As exportações brasileiras de carne bovina encerraram o mês de janeiro com alta no comparativo com o mesmo período do ano passado. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), o volume exportado no primeiro mês do ano foi de 135.375 toneladas, crescimento 9,84% em relação a janeiro de 2019. Com aumento no faturamento, que cresceu 37,9%, somando US$ 633,25 milhões. Bons ventos para o setor de alimentação animal Com todo esse cenário promissor, o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) tem expectativa é de que até o final de 2020 a produção de alimentação animal salte de 19 milhões de toneladas (montante do final do primeiro trimestre 2020) para mais de 80 milhões de toneladas, representando um crescimento de até 4 %, se comparado às estimativas de 2019. São por esses motivos que nós, da nutriNews Brasil, seguimos otimistas em nosso nobre ofício de contribuir para a reflexão e o debate sobre nutrição e alimentação animal no Brasil, com informação de qualidade, pesquisas respeitadas e parceiros que fazem a diferença. É com muito orgulho que fazemos chegar até vocês mais uma edição da nutriNews Brasil. Boa leitura e saúde a todos leitores!

EDITOR GRUPO DE COMUNICAÇÃO AGRINEWS S.L.

PUBLICIDADE Simone Dias +55 (11) 98585-2436 nutrinewsbrasil@grupoagrinews.com Anna Fernández Oller +34 609 14 50 18 af@agrinews.es DIREÇÃO TÉCNICA José Ignacio Barragán (aves) David Solà-Oriol (suínos) Fernando Bacha (ruminantes) COORDENAÇÃO TÉCNICA Simone Dias REDAÇÃO Simone Dias Priscila Beck Maria de los Angeles Gutiérrez Osmayra Cabrera Daniela Morales COLABORADORES Carlos De Blas (UPM) Gonzalo Glez. Mateos (UPM) Xavier Mora (Consultor) Alfred Blanch (Consultor) Alba Cerisuelo (CITA-IVIA) Carlos Fernández (UPV) ADMINISTRAÇÃO Anna López Mercè Soler

nutrinewsbrasil@grupoagrinews.com www.nutrinewsbrasil.com

GRATUITA PARA FABRICANTES DE ALIMENTOS, EMPRESAS DE PREMIX E NUTRICIONISTAS Depósito Legal Nutrinews B-17990-2015

Equipe nutriNews Brasil

A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagen: Dreamstime

5 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020


OS

DESAFIOS

ESTRATÉGICOS PARA A

CADEIA PRODUTIVA

DA CARNE BOVINA EM 2040

pesquisa

Guilherme Cunha Malafaia Pesquisador da Embrapa Gado de Corte

Nas últimas quatro décadas a cadeia produtiva da carne bovina sofreu uma modernização revolucionária, sustentada por avanços tecnológicos dos sistemas de produção e na organização da cadeia, com claro reflexo na produtividade, na qualidade da carne e, consequentemente, no aumento da competitividade.

6 nutriNews Brasil 2° Trimestre 2020 | Os desafios estratégicos para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040


Cabe contextualizar que esta evolução esteve sempre calçada em ativos estratégicos encontradas no país, tais como:

Condições climáticas favoráveis Disponibilidade de terras a preços baixos Oferta abundante de mão de obra Tecnologia de produção adaptada às condições do país

Entretanto, percebe-se que na última década houve um movimento crescente de deterioração desses ativos, decorrente de uma forte pressão de custos, que por sua vez deriva de um grande aumento da remuneração e da escassez do fator de produção mão-de-obra, importante valorização das terras e crescentes restrições socioambientais.

pesquisa

Entre outros, o que determinou, de certa forma, a alavancagem da competitividade deste setor.

Esta nova realidade induz as organizações aos desafios de desenvolverem novos processos, métodos, sistemas, produtos e serviços que contribuam para promoção da eficiência e competitividade da mencionada cadeia, com preservação do meio ambiente, reduzindo as desigualdades sociais e econômicas.

Estes desafios são de grande complexidade e demandarão uma enorme capacidade de adaptação.

7 nutriNews Brasil 2° Trimestre 2020 | Os desafios estratégicos para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040


Considerando essas constantes transformações e com o objetivo de subsidiar a definição de agendas estratégicas publicas e privadas, o Centro de Inteligência da Carne Bovina (CICARNE) da Embrapa Gado de Corte, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), realizou um amplo e complexo estudo sobre o futuro da cadeia produtiva da carne bovina no Brasil para os próximos vinte anos.

pesquisa

O estudo contempla os resultados do monitoramento do ambiente externo, apresentando informações estratégicas de um conjunto de sinais e tendências que impactarão na referida cadeia, consolidando dez megatendências, conforme figura abaixo.

Fonte: CICARNE / Embrapa Gado de Corte (2020). 8 nutriNews Brasil 2° Trimestre 2020 | Os desafios estratégicos para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040


Constatou-se que movimentos importantes transformarão o setor nos próximos vinte anos. Para manter sua posição de liderança no cenário mundial – e mesmo para ampliá-la alguns desafios serão enfrentados por toda a cadeia de produção de carne.

O mercado consumidor se movimentará em duas direções.

1 2

A primeira, mais óbvia, será a do crescimento, oriundo de novos mercados, em especial na Ásia.

A inovação digital será uma das duas maiores forças disruptivas para o mercado nas próximas duas décadas e servirá de força catalisadora no processo de transformação da cadeia, injetando gestão e inteligência na atividade.

Esta aproximará o elo produtor do consumidor e terá papel central na certificação, rastreabilidade e qualidade do produto carne.

E a segunda, será a sofisticação: cortes diferenciados e produtos de origem denominada irão abrir novas oportunidades de geração de valor ao mercado.

9 nutriNews Brasil 2° Trimestre 2020 | Os desafios estratégicos para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040

pesquisa

Entende-se por megatendências um conjunto de vetores de transformação fortemente interligados e que deverão impactar a referida cadeia produtiva no futuro.

O maior grau de exigência do consumidor será um grande gatilho transformador da atividade. A concorrência com outras fontes de proteína também forçará toda a cadeia a produzir melhor. O bem-estar animal será mandatório, da cria ao abate, por questões econômicas.


pesquisa

A busca por soluções sustentáveis será brutal, transformando a indústria de insumos. Soluções biológicas irão ocupar espaço importante no manejo. A biotecnologia impactará desde o manejo na propriedade até a qualidade do produto final que chegará na mesa dos consumidores. Junto com o digital, a biotecnologia será a grande mola propulsora de transformações.

O impacto social será muito relevante - muitos pecuaristas não conseguirão se adaptar e deixarão a atividade. A escala será um pilar importante no contexto produtivo.

Haverá importante apagão de mão de obra, o qual será necessário formar e reter profissionais qualificados na pecuária e isso será um dos maiores desafios para todo o setor.

A aposta é de muito desenvolvimento e sucesso para os bons gestores. Produziremos mais carne em menos área, liberando terras para a agricultura e silvicultura. Ocuparemos espaço no cenário internacional, exportando desde genética a produtos altamente especializados e de elevado valor agregado. Seremos uma pecuária altamente tecnificada, profissional, competitiva e uma referência global não só pelo gigantismo, mas também por sua tecnologia e qualidade. Por fim, cabe mencionar que os estudos de futuros apresentam alto grau de incerteza e complexidade, não sendo possível saber o que de fato vai ocorrer, principalmente quando se trabalha com horizontes temporais distantes. Tendências podem ser alteradas e eventos podem, de forma inusitada, surgir e mudar de forma substancial tudo aquilo que foi desenhado. Entretanto, é importante sempre olhar para o futuro com o objetivo de subsidiar decisões no presente. Os desafios estratégicos para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040

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10 nutriNews Brasil 2° Trimestre 2020 | Os desafios estratégicos para a cadeia produtiva da carne bovina em 2040


UTILIZAÇÃO DE

DERIVADOS DE SOJA

ALIMENTAÇÃO PARTE II ANIMAL CONTROLE DE QUALIDADE G. Fondevila, L. Cámara, J. L. Archs & G. G. Mateos Departamento de Produção Agrária, UP Madri

matérias primas

NA

Os grãos da soja contém quantidades variáveis de fatores antinutricionais (FAN), entre os quais destacam-se os inibidores de tripsina (IT), por seu efeito negativo sobre a atividade da tripsina e quimotripsina sobre a digestibilidade dos aminoácidos (AA).

11 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


Os fatores antitrípsicos são termolábeis, razão pela qual seu conteúdo e atividade são reduzidos após o correto processamento térmico. Portanto, o processamento adequado do grão aumenta a digestibilidade dos AA e melhora notavelmente o valor nutricional da farinha de soja (FS) correspondente.

matérias primas

Devemos considerar que o excesso de calor reduz a presença de IT, porém aumenta as reações de Maillard, com a conseguinte redução da digestibilidade da proteína, especialmente da Lys e Cys

A farinha de soja com valores de IT

(Fontaine et al., 2007; González-Vega et al., 2011).

inferiores a 1-2 mg/g poderia ser um

O aquecimento insuficiente deixaria sem ativar uma grande parte dos IT presentes.

indicativo de produtos superaquecidos, se a incidência de reações de Maillard for alta. As técnicas existentes para a

Para conhecer a qualidade real da

determinação e quantificação

proteína das FS não basta analisar

tanto dos IT, como das reações

o nível de IT presente, mas também

de Maillard são complicadas

determinar a quantidade de Lys que

e custosas e, por isso, é

permanece ativa ao final do processo

fundamental utilizar corretamente

de aquecimento.

os métodos disponíveis no laboratório para quantificar os compostos resultantes destas reações.

12 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


Métodos para o controle de qualidade da proteína da farinha de soja

Teste de urease Os grãos da soja contém quantidades variáveis de urease, enzima termolábil

Em nível comercial, existem inúmeros

cuja destruição por tratamento

métodos para o controle da qualidade da

térmico segue, “grosso modo”, uma

proteína da FS.

dinâmica similar à dos IT (Balloun, 1980;

Entre eles, os mais utilizados pela indústria

Waldroup et al., 1985).

são: Este teste mede o aumento do Teste de urease

pH resultante da produção de

Solubilidade em KOH (KOH)

amoníaco, a partir da ureia na

índice de dispersão da proteína (PDI)

presença da enzima urease, presente nas farinhas não processadas, ou inadequadamente processadas. O

matérias primas

método mede indiretamente o grau de processamento térmico que foi aplicado a uma Farinha de Soja e, portanto, o grau de destruição dos fatores antinutritivos.

Características do método Facilidade e baixo custo, razão pela qual é o mais utilizado pela indústria. Sua principal limitação é que não tem valores negativos. Um valor de zero não nos permite saber se o processamento térmico foi “perfeito”, destruindo todos os fatores antinutritivos do grão, ou se foi excessivo. Os altos valores de urease são indicativos de Farinhas de Soja cruas, ou insuficientemente processadas, enquanto os valores próximos a zero podem ser indicadores de FS bem processadas, ou superaquecidas.

13 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


Solubilidade da proteína em KOH Em seu estado natural, o procedimento mede a redução na solubilidade da fração proteica da FS em KOH como resultado do processamento térmico.

A solubilidade das globulinas, principais proteínas de armazenamento do grão, é alta. Porém, diminui com o processamento térmico. Antes do processamento, a proteína dos grãos é muito solúvel e o valor de

matérias primas

HOH estará acima de 90-95%. O teste de solubilidade em HOH nos permite medir a solubilidade das proteínas da soja em uma solução 0,2% KOH e, assim, determinar indiretamente o grau de desnaturação da fração proteica.

Deve-se considerar que a manipulação das

Em qualquer caso, o índice de KOH

amostras durante sua análise - tamanho e

é menos afetado pelo tempo de

tempo da moagem, agitação, temperatura,

armazenagem que outros métodos, como

pH da solução, tempo etc. - influência no

o PDI, Índice de Dispersão de Proteína

resultado (Whittle e Araba, 1992).

(Serrano et al., 2013).

O método é efetivo para determinar o superaquecimento do grão, ou farinha. Porém, é menos eficaz para detectar grãos insuficientemente processados (AndersonHafeman et al, 1992).

14 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


Índice de dispersão da proteína (PDI) O PDI mede a solubilidade do nitrogênio da amostra de soja em meio aquoso. O método permite determinar, de forma mais precisa, o nível ideal de processamento de um grão, ou FS que o teste de urease e, às vezes, que a solubilidade em KOH, segundo Hsu and Satter (1995), Batal et al. (2000) e Dudley-Cash (2001). Da mesma forma que o indicado para o método da solubilidade em KOH, manipulação e características dos processos da amostra aplicados durante laboratoriais obtidos.

matérias primas

sua análise, podem afetar os resultados Talvez os valores de PDI de uma amostra

Em particular, a duração do período de

individual de FS possam ser possivelmente

armazenagem tende a reduzir muito mais

inferiores, quando analisados no país de

os valores do PDI, que o efeito sobre os

destino, que no país de origem.

valores de KOH e IT (Sueiro et al., 2009a, b; Serrano et al., 2013) (Tabela 1). Tabela 1. Influência da duração do armazenamento da farinha de soja sobre os indicadores de qualidade.

Tempo de armazenamento (semanas)

Método1 0

24

48

80

136

0,03

0,02

0,02

0,02

-

EEM (n=7)

Probabilidade

0,010

NS

Sueiro et al. (2009a) AU KOH

85,1

84,2

81,4

82,9

-

1,15

NS

IDP

20,2a

16,5a,b

14,9b

12,7b

-

1,18

<0,01

AIT

4,6

4,6

4,4

4,4

-

0,40

NS

Serrano et al. (2013) AU

0,03

0,02

0,02

0,02

0,02

0,011

NS

KOH

84,8

84,2

82,2

82,9

80,9

1,08

<0,0012

IDP

19,5

16,5

14,9

12,7

9,8

1,11

<0,052

AIT

2,4

2,4

2,3

2,3

2,3

0,19

NS

1

AU = atividade ureásica (mg N/g); KOH = solubilidade em KOH (%), IDP = índice de dispersão da proteína (%); AIT = atividade de inibidores de tripsina (mg/g MS)

2

Lineal

15 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


Apesar dos diferentes critérios existentes (Lee et al., 2007; de Coca-Sinova et al., 2008), a solubilidade em KOH e, em menor medida, o PDI, estimam melhor a qualidade do processamento da FS, que a atividade ureásica.

Deve-se considerar que as Farinhas de Soja dos EUA apresentam, em média, valores para KOH e PDI 4-5 pontos superiores às FS procedentes do Brasil, ou Argentina (García-Rebollar et al., 2016). Provavelmente, com base nos conhecimentos atuais, seja mais conveniente, ou mais adequado, utilizar FS com valores de urease

matérias primas

próximos, ou iguais a zero e solubilidade em KOH superiores, inclusive, a 85-88%.

Estes valores de KOH são superiores às recomendações atuais da maioria dos autores (Tabela 2).

Na Tabela 2 são

Tabela 2. Valores dos indicadores de qualidade da proteína, normalmente aceitos pela indústria (van Eys, 2012)

detalhados os valores aceitaveis da qualidade

Método

da proteína da soja

Valores aceitos

(solubilidade em KOH,

Solubilidade em KOH, %

75-85

PDI, atividade ureásica

PDI, %

15-30

e IT), segundo Van Eys

Atividade ureásica, mg N/g

0,00-0,10

(2012).

AIT1, mg/g

< 2,2-3,5

AIT= atividade de IT

1

16 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


Sobre os Fatores Anti-Nutricionais Devemos considerar:

Inibidores de Tripsina (IT) Para os IT, os valores se apresentam como unidades de atividade (AIT) e não em unidades (UIT) de IT. Ambas unidades não são equivalentes, relação muito estreita (1 x UIT - 1.9 x AIT).

Os inibidores de Tripsina

Para efeitos práticos, os IT presentes

pâncreas em aves, a fim

no grão pertencem a dois grupos

de compensar a perda de

diferentes: Kunitz e Bowman-Birk. Estes

enzimas. Porém, não ocorre

dois tipos não têm os mesmos efeitos

o mesmo no caso do suíno.

aumentam o tamanho do

matérias primas

porém, estima-se que guardam uma

antinutricionais e, além disso, têm diferente sensibilidade ao calor. Por isso, a redução da quantidade (mg/g) não indica necessariamente uma melhora proporcional da inativação e dos resultados produtivos. Diferentes efeitos dos IT sobre o fisiologismo das diferentes espécies animais.

17 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


Estaquiose

Estaquiose e rafinose Os oligossarídeos (estaquiose e rafinose), hidratos de carbono simples, que não são digeridos pelo animal, mas podem ser fermentados no intestino grosso, são outros FAN de interesse presentes nas FS. O excesso destes oligossacarídeos pode levar a problemas devido ao crescimento desordenado de microorganismos no ceco.

matérias primas

Concentrações moderadas de oligossacarídeos podem fermentar proporcionando um aporte extra de energia (ácidos graxos voláteis), especialmente em suíno adulto. Além disso, os ácidos graxos de cadeia curta, resultantes da fermentação dos oligossacarídeos, reduzem o pH do intestino grosso, o que poderia ser benéfico para a saúde intestinal, especialmente no caso do ácido butírico. De fato, a pequenas concentrações, os oligossacarídeos são considerados prebióticos em substituição do FAN, em determinadas circunstâncias (Grizard e Barthomeuf, 1999; Conway, 2001; Rycroft et al., 2001).

18 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal

Rafionosa


Conclusão Os altos níveis de uso da farinha de soja tornam necessário um exaustivo controle de qualidade. A origem do grão, o tipo de processamento, o tempo e as condições de armazenamento afetam diretamente as características da farinha de soja. Utilizar corretamente os diferentes métodos disponíveis para a detecção de FAN como os IT e as reações de Millard é fundamental para a avaliação adequada do produto. As consequências da presença destes compostos sobre a fisiologia animal, assim como a presença de outros FAN como os oligossacarídeos,

matérias primas

devem ser considerados na formulação prática de alimentos para espécies monogástricas. A solubilidade em KOH, apesar de suas limitações, poderia ser o método de escolha para controlar a qualidade do processamento da Farinha de Soja. De fato, em países desenvolvidos, com uma indústria de processamento de soja bem estabelecida, a determinação dos valores de atividade ureásica tem escasso valor proteico.

utilização de derivados de soja na alimentação animal

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19 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | utilização de derivados de soja na alimentação animal


DESMAME DE SUÍNOS: EXISTE IDADE IDEAL?

leitões

Jamil Elias Ghiggi Faccin Setor de Suínos, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, RS. Diretor de conteúdo do Grupo Academia Suína.

Um assunto recente em discussão é: qual é a melhor idade ao desmame? Contudo, não existe uma mesma resposta para todas as granjas, uma vez que há muitas variáveis a serem analisadas neste contexto.

Um ponto importante a ser considerado é o objetivo de cada sistema de produção, ou seja, o foco é a venda de leitões desmamados ou terminados? A preocupação maior é com a quantidade de animais abatidos por ano ou com uma qualidade específica dos mesmos?

20 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Independente disso, há um movimento entre as agroindústrias em todo o mundo para aumentar a idade ao desmame, partindo dos tradicionais 21 dias. Isto porque há um consenso de que, com esta idade, as linhagens atuais não apresentam desempenho satisfatório na creche, fazendo com que haja uma

Os objetivo desta revisão é elencar os principais pontos que estão relacionados à idade ao desmame e mostrar através de sua grande importância para os sistemas de produção, que nenhuma decisão deve ser tomada se não for baseada em pesquisa.

grande preocupação com os primeiros dias pós-desmame e um gasto maior

Também, em um desmame com idade média de 21 dias é normal que existam

O Desmame Na natureza, o desmame dos

leitegadas com 17 -18 dias neste mesmo lote. Apesar da importância do tema,

leitões ocorre de forma gradual. Em condições naturais, a

é extremamente necessário realizar pesquisas neste assunto antes de adotar

substituição do leite materno pela ingestão de alimento seco

uma nova e mais alta idade de desmame.

inicia a partir da quarta semana, sendo baixa até a quinta semana

Perguntas como: O desempenho em creche e terminação é suficientemente melhor para justificar a mudança deste manejo? Por meio de uma análise financeira, qual a idade que maximiza a margem do sistema? Qual a melhor estratégia para realizar o aumento da idade? Além de vários outros pontos em sanidade/ imunidade do rebanho, nutrição e estrutura das granjas, por exemplo, merecem entrar nessa discussão.

leitões

com nutrição, manejo e mão de obra com o leitão desmamado.

após o parto (Brooks & Tsourgiannis, quarta semana

2003).

Ao atingirem oito semanas de idade, a alimentação sólida constitui grande parte da dieta dos leitões (Jensen, 1995), com a idade ao desmame estendendo-se de oito (Newberry & Wood-Gush, 1985) até dezessete semanas (Jensen & Stangel, 1992). Já em um cenário de suinocultura tecnificada, onde a maior parte das granjas desmamam os leitões com 21 dias de idade, é importante minimizar o crescimento deficiente que os mesmos vivenciam durante o período imediato após este desmame extremamente precoce ao ser comparado com o natural (Mahan & Lepine, 1991).

21 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Por fim, podemos concluir que a idade ao desmame possui relação direta com a maturidade comportamental (Gonyou et al., 1998), fisiológica (Dong e Pluske, 2007),

Leitões mais jovens possuem uma limitada capacidade digestiva e apresentam um menor consumo de ração. Porém, este baixo desempenho após o desmame pode ser encurtado e menos intenso quando leitões são desmamados com uma idade mais

imunológica J.E.G. faccin et al. (Bailey et al., 2004) e, consequentemente com o nível de adaptação aos estresses da fase inicial da creche.

avançada, mesmo que poucos dias a mais

(Colson et al., 2006).

Idade ao desmame e o efeito no desempenho em creche e terminação

leitões

Com o objetivo de reduzir a transmissão vertical de doenças da fêmea para sua leitegada, programas de desmame precoce foram muito praticados entre os anos 80 e 90

(Tang et al, 1999). Esta estratégia, além de produzir animais

Alguns trabalhos indicam que mesmo aumentando a idade ao desmame e, consequentemente, o peso de alojamento na creche, próximo à sétima semana de vida, a diferença de peso se anula e este permanece igual até o abate (Leibbrandt et al. 1975, Dunshea, et al. 2003, Collins et al. 2010).

livres de algumas doenças, otimizava o uso das instalações de maternidade, uma vez

Já um estudo com aproximadamente 2500 leitões que avaliou

que o período de ocupação era reduzido e produzia maior volume leitões/ano (Harris,

o desempenho de creche de leitões com idades médias ao desmame de 15 e 20 dias (Smith et al. 2008), encontrou

2000).

que para cada dia a mais na lactação, dentro da amplitude dos tratamentos, houve um aumento de 6% no peso ao

Porém, ao se avaliar o desempenho zootécnico destes leitões nas fases subsequentes, principalmente nos

desmame e de 3,3% no peso de saída da creche.

primeiros dias de creche, era nítido o déficit em crescimento e a alta taxa de perdas (Patience et al. 2000). Levando em consideração a importância do

Apesar dos autores não encontrarem

tema “idade ao desmame”, muitos estudos comparando, geralmente, duas idades, foram realizados nos últimos anos. No entanto, os

diferenças na mortalidade, houve um efeito positivo em relação ao percentual de animais subdesenvolvidos, que foi significativamente menor em animais desmamados mais tardiamente.

resultadosnem sempre seguem a mesma tendência.

22 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Além disso, leitões desmamados aos 20 dias tiveram um aumento ao redor de 2,2% no GPMD e 2,4% no CMD para cada dia a mais de idade em comparação com leitões desmamados aos 15 dias. Avaliando aproximadamente 5000 leitões em dois experimentos Main et al., (2004b), comprovou que ao se aumentar a idade ao desmame de 12 até 21,5 dias o desempenho zootécnico é diretamente influenciado maneira positiva. A bibliografia estáde disponível mediante solicitação

Devido ao maior peso ao desmame gerado pela maior idade, os autores demonstram, na fase de creche, melhorias lineares em GPMD, CMD, mortalidade e peso final, e quadráticas para CV de alojamento, CA e CV final. Já na terminação, com o aumento da idade de desmame, houve melhorias lineares de GPMD, peso final e CV ao abate (nesta fase CMD e CA não foram aferidos).

leitões

Por meio de um compilado destes dados, foi possível gerar um modelo que prediz quanto é possível se evoluir em determinados indicadores para cada dia de aumento de idade ao desmame (Tabela 1)

Taxa de alteração linear por dia de aumento de idade ao desmame (12 a 21,5 d) Item Peso alojamento creche kg¹ Peso saída de creche (42 d), kg Peso abate, kg² GPMD desmame - abate, g Mortalidade, desmame - abate,% Peso vendido/desmamado, kg³

Alteração por dia 0,257 0,93 1,35 9,9 -0,47 1,8

Erro Padrão 0,01 0,02 0,08 0,74 0,09 0,12

Tabela 1. Modelo de taxa de aumento linear observado quando idade ao desmame é aumentada de 12 a 21,5 d. Total de 116 baias de 20 e 25 leitões cada. Adaptado de: Main et al. (2004b) ¹Peso obtido através de pesagem 3 dias pós-desmame ²Peso ao abate em um número fixo de dias pós-desmame ³Peso final da baia/nº de leitões desmamados alojados em cada baia de terminação

23 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Duração da lactação e desempenho no parto subsequente A maioria das matrizes apresenta um novo cio fértil entre 25 e 30 dias pós-parto em sistemas com desmame de 21 dias. Isto porque o tempo necessário para a completa involução uterina, por meio de contrações reguladas pela ocitocina na fêmea suína, é de 28-30 dias após o parto (Senger, 2003).

Através deste fato, é pertinente imaginar que fêmeas com desmame mais tardio e, consequentemente, tendo mais tempo

leitões

para a completa preparação do trato uterino para uma próxima gestação, possam produzir mais leitões no parto seguinte.

Em uma análise recente de um banco de dados com mais 400 mil partos de fêmeas de primeiro a sétimo parto e idades de desmame entre 14 e 26 dias, Ketchem et al. (2017) observaram a mesma correlação dos trabalhos citados acima.

Alguns estudos demonstram uma correlação positiva entre duração da lactação e tamanho da leitegada subsequente. Conforme Stein et al. (1996), plantéis que são desmamados mais cedo tendem a apresentar leitegadas menores quando comparados àqueles com desmame tardio.

De acordo com Mabry et al. (1996), há diminuição no número de nascidos vivos por leitegada quando o período de lactação é reduzido Já Gaustad-Aas et al. (2004) mostraram que matrizes desmamadas no período entre 8-21 dias possuem tamanho de leitegada seguinte menor quando comparadas a fêmeas com desmame entre 22-35 dias.

24 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?

Porém, o maior número de nascidos no parto subsequente não é sempre linear à medida que a duração da lactação aumenta.

A Figura 1 mostra que até 21 dias de lactação, há um incremento de aproximadamente de 0,15 leitões/dia na próxima leitegada de uma mesma matriz. Já em idades mais avançadas, partindo de 21 para 26 dias, o desempenho no parto subsequente praticamente não é afetado, acrescendo cerca de 0,05 leitões/dia de aumento da duração da lactação.


Nascidos totais

15,5 15 14,5 14 13,5 13 12,5

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

Duração da lactação, d

Portanto, há um ganho importante em

Além disso, os 0,05 leitões a mais são reduzidos

nascidos totais se partimos de rebanhos que desmamam com menos de 3 semanas,

se levarmos em consideração o percentual de natimortos, mumificados e a maior mortalidade

no entanto, a partir de 21 dias, não se pode contar com um incremento representativo

na maternidade já que os leitões permanecem por mais tempo com a matriz.

leitões

Figura 1. Leitões nascidos totais de acordo com a duração da lactação anterior. Adaptado de Ketchem et al. (2017)

de mais leitões por parto.

Impacto financeiro do aumento da idade ao desmame O aumento da idade de desmame remete ao cálculo financeiro que esta mudança de manejo gera no sistema produtivo como um todo. Isto porque são inúmeras alterações importantes relacionadas a custos e a receitas que esta ação produz.

Com isso, muitos sistemas utilizam como base de cálculo a variável “por leitão desmamado”. Este fato muitas vezes encoraja os sistemas a desmamar leitões com menor idade, mas com maior volume (Main et al., 2004a), principalmente em momentos positivos do mercado. Para uma granja de 4000 matrizes com 800 espaços de maternidade que deseja, por

Atualmente, a maneira mais utilizada para avaliação de custos e receitas assume que todos os leitões desmamados que atinjam um mínimo padrão de qualidade apresentam o mesmo valor.

exemplo, desmamar 18 fêmeas a mais por semana, aumentando o volume de vendas em, aproximadamente, 210 leitões/semana, o impacto seria uma redução de 2 dias na idade ao desmame.

25 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Porém, isto geralmente não se torna tão benéfico para as fases subsequentes, pois para

Sob um contexto norte americano daquela época, a melhoria de desempenho

avaliação de custos e de receitas das fases de creche e terminação, a variável base é o peso e

zootécnico, a redução do período de ocupação das instalações com consequente

a sua relação entre os kg entregues por animal desmamado e quanto tempo é necessário para

maior número de lotes/ano, e ainda uma maior proporção de animais abatidos/

atingir tal peso.

leitões desmamados são variáveis chave para justificar o aumento da idade ao desmame no Em 2004a, Main et al. ao realizarem dois experimentos com idades ao desmame

ponto de vista financeiro.

de 12, 15, 18 e 21 (experimento 1) e 15,5, 18,5 e 21,5 (experimento 2) concluíram

Também, o resultado foi semelhante em cenário de tempo fixo (limitação de espaço

que há um aumento linear no lucro por leitão desmamado à medida que se eleva a idade (Tabela 2).

na terminação) e peso fixo (sem limitação de espaço na terminação).

leitões

Tabela 2. Influência da idade ao desmame nos custos e receitas* (U$) em sistema de produção com peso fixo ao abate (sem limitações de espaços na terminação). Adaptado de: Main et al. (2005). Idade do leitão ao desmame e seu desempenho subsequente Experimento 2 (3.456 cabeças)

Experimento 1 (2.272 cabeças) Variável

Idade ao desmame, d 12

15

18

Probabilidade, P

Idade ao desmame, d

Probabilidade, P

21

Linear Quadrático

15,5

18,5

21,5

Linear Quadrático

5,64

<0,001 <0,001

Peso ao alojamiento da creche, kg1

3,42

4,26

4,89

5,75

<0,001

0,77

4,08

4,78

Peso vendido/desmamado, k2

108,9

111,7

112

115,8

<0,001

0,39

115,5

116,1 117,2

<0,05

0,69

Dias para atingir mesmo peso

137

130

125

118

<0,001

0,95

123

118

113

<0,001

0,91

Mortalidade desmame ao abate, %

9,41

7,9

6,81

3,64

<0,001

0,39

3,93

3,43

2,48

<0,05

0,69

Custo/100 kg vendidos ($)

82,61

81,55

80,74

79,02

<0,001

0,38

80,11

79,53 78,67

<0,001

0,48

Custo/cabeça ($)

99,3

98,03

97,06

97,98

<0,001

0,38

96,29

95,6 94,57

<0,001

0,49

Receita/desmamado ($)

96,02

97,63

98,78 102,14

<0,001

0,39

101,84 102,36 103,36

<0,05

0,69

Custo/desmamado ($)

89,86

90,6

90,35

91,45

<0,05

0,54

92,47

92,28 92,2

<0,49

0,87

Margem líquida/desmamado ($)

6,16

7,47

8,43

10,69

<0,001

0,33

9,37

10,08 11,16

<0,001

0,51

*Variáveis econômicas consideradas no cálculo: Custo do leitão desmamado, custo do espaço de creche, custo de dias de vazio na creche, custo do programa nutricional na creche (4 fases), custo do espaço de terminação, custos com transporte, medicações, suprimentos, impostos e royalties genético, custo de dias de vazio na terminação, custo com ração na terminação, preço de mercado por kg de suíno vivo e variáveis de desempenho (GPMD2, mortalidade e peso de abate almejado); 1Peso obtido ao terceiro dia pós-desmame; 2Peso final de uma baia/total de leitões desmamados em uma baia.

26 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


A expectativa de continuidade linear no lucro/ desmamado para idades superiores às usadas por Main et al. (2005), no entanto, deve ser avaliada com cautela. Nos experimentos 1 e 2 a mortalidade caracterizou-se por uma redução de 6.8% para 3.7% e de 3.4% para 2,5%, respectivamente à medida que a idade ao desmame aumentou de 18

No estudo de Main et al. (2004b), os autores não observaram nenhuma interação entre idades de 15,5, 18,5 e 21,5 dias e dietas simples e complexas (inclusão de plasma spray-dried e maior concentração de lactose).

para 21 dias.

diferenças em mortalidade no período de creche e de terminação. Neste caso, pode-se chegar a um ponto ótimo de margem líquida e de utilização das

semana, este ocorrerá sempre em dias diferentes da semana.

Há ainda um questionamento pertinente: desmamar leitões com maior idade possibilitaria a redução do custo de programas nutricionais para a fase de creche?

ração por kg produzido em até 7% durante a fase de creche.

Entretanto, são necessários mais estudos

instalações antes dos 28 dias. Obviamente, um dos gargalos para se utilizar uma lactação que não tenha uma duração múltipla de 7 (14, 21 ou 28, por exemplo), como a de 25 dias, a não ser que o sistema faça mais de um desmame/

Já Collins et al., (2013), demonstraram que o aumento da idade pode reduzir o custo de

leitões

Em um cenário atual onde já existem empresas com desmames de 4 semanas, ao compararmos leitões desmamados com 25 e 28 dias, não é esperado que haja grandes

que visem simplificar o programa nutricional na fase de creche para idades mais avançadas que as utilizadas no estudo supracitado.

É estimado que para cada dia de aumento de idade ao desmame cerca de 3,5% de celas parideiras a mais devem ser implantadas na maternidade. Também, como citado anteriormente, o aumento da duração da lactação exerce efeito positivo no número de leitões nascidos no parto subsequente.

27 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Outra variável importante que está relacionada à eficiência e à lucratividade de uma granja é a otimização do uso dos espaços de maternidade.

respectivamente e, em ambos, pode-se avançar de 15,5 para 20 – 21 dias de idade ao desmame.

leitões

Neste contexto, a estratégia utilizada para se atingir uma maior idade ao desmame é essencial para que a margem financeira

A grande contribuição para esta maior

através da venda do leitão desmamado mais velho seja maximizada.

renda foi o maior peso, responsável por cerca de 75% desta melhoria. Os demais 25% são atribuídos ao maior número de leitões desmamados, uma vez que o aumento no número de nascidos também foi considerado.

Desta forma, adicionar espaços de lactação, transferir as matrizes para a maternidade 2 dias mais tarde (de 110 para 112 dias de gestação) e reduzir um dia de vazio parece ser a estratégia mais rentável quando comparada a outras três ferramentas: simples adição de celas parideiras ou somente otimizar o uso dos espaços de maternidade ou redução do plantel sem alteração na estrutura da granja (Main et al., 2005; Vier, 2015).

Vale ressaltar que cada sistema de produção precisa avaliar qual seria a melhor idade ao desmame devido à variação nos custos de alimentação, ambiência, custo operacional, estrutura, genética e, principalmente, na taxa de mortalidade e descarte de leitões.

Nestes dois estudos, um norte-americano

Sistemas com pior status sanitário e maiores taxas de perdas entre o desmame ao abate, provavelmente terão melhor desfrute do aumento da idade ao

e um brasileiro, a estratégia acima citada como mais rentável chegou a aumentar U$ 1,42 e R$ 1,08 de lucro/desmamado,

desmame e maior “ponto de corte” quando comparados a sistemas com melhores índices de saúde do rebanho.

28 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Uso de antimicrobianos e a idade ao desmame Segundo a Organização Mundial da Saúde, a resistência a antimicrobianos é uma das maiores ameaças para a saúde global,

Embora a grande maioria dos leitões consigam superar a fase logo após o

segurança de alimentos e desenvolvimento, sendo que a má utilização destes fármacos

desmame e apresentar boa performance

em humanos e animais acelera este processo (Who, 2016).

demonstrado que quanto mais cedo

zootécnica, novas pesquisas têm o leitão é exposto a estresses como os do desmame, mais negativos são os impactos na formação e função da barreira gastrointestinal.

ou alterar drogas as quais os agentes patogênicos alvos são susceptíveis ou tomar medidas para atrasar a resistência bacteriana limitando o seu uso (Who, 2002).

Este fato guia para consequências deletérias mais duradouras na saúde intestinal e na susceptibilidade para doenças durante toda a vida produtiva do

leitões

Nessa perspectiva, há duas maneiras para evitar a resistência bacteriana: desenvolver

suíno (Moeser et al., 2017). Tal afirmação sugere a hipótese de que uma alternativa para redução/ausência

Objetivando evitar os efeitos negativos que a suspensão da utilização de promotores

do uso de antimicrobianos pode ser o aumento da idade de desmame dos

de crescimento pode acarretar sobre a produtividade dos leitões, buscam-se

leitões.

alternativas que possam melhorar as condições de higiene e o status imunológico do rebanho.

29 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?


Em um estudo realizado por Postma et al. (2015), um questionário sobre alternativas para o uso de agentes antimicrobianos foi respondido por 111 especialistas em saúde de suínos provenientes de diversos países europeus. Foi solicitado aos especialistas o ranqueamento (com notas de 0 a 10) de 19 tópicos que poderiam torna-se possíveis alternativas ao uso destes fármacos de acordo com a sua eficácia,

É possível que o aumento da idade de desmame dos leitões seja uma alternativa eficaz para os efeitos negativos que a não utilização de antimicrobianos promotores de crescimento podem causar à produtividade animal. Nessa perspectiva, torna-se necessário estudos que simulem tais pressuposições e que sirvam de suporte para a mudança deste fator para o sistema (Tokach & Vier, 2017).

viabilidade e retorno financeiro.

leitões

O estudo observou que, o manejo do aumento da idade de desmame, apresentou médias de 7,2; 5,9 e 6,4 para eficiência, viabilidade e retorno financeiro, respectivamente.

Considerações Finais Não restam dúvidas que existe uma grande oportunidade de aumento de margem líquida ao se aumentar a idade ao desmame partindo dos tradicionais 21 dias.

Ao final, esta prática ficou entre as Top10 ações alternativas para a redução do uso de antimicrobianos na suinocultura.

Diante dos desafios impostos pelas pressões da sociedade e das legislações, em relação ao BEA e à proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, serão necessárias medidas de manejo adequadas para maximizar o desempenho dos leitões sob este novo cenário.

Desmame de suínos: existe idade ideal?

BAIXAR EM PDF

A bibliografia estará disponível mediante solicitação. Artigo publicado no SINSUI 2018 (Simpósio Internacional de Suinocultura) Idade ao desmame dos suínos: qual o ponto de corte? Faccin, JEG, Laskoski, F, Soster, P, Musskopf, M, Magro, M, Mellagi, APG, Ulguim, RR & Bortolozzo, FP.

30 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Desmame de suínos: existe idade ideal?

A idade com que os leitões são desmamados está diretamente relacionada com o nível de adaptação à creche e desempenho zootécnico futuro. Além disso, a maior duração da lactação e a necessidade de menos dias para atingimento do peso de abate faz com que este manejo seja responsável por uma mudança em estrutura física das granjas e planejamento geral da produção. Por fim, ao se admitir que uma maior idade de desmame é uma estratégia vantajosa ao sistema de produção, abrem-se novas perspectivas para pesquisas, por exemplo, em manejo, sanidade, reprodução e nutrição, indicando que esta ação macro pode mudar o cenário da produção global de suínos.


TABELA

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS

2020 EDIÇÃO BRASIL


33

Produzido por:

EMPRESA

Bacillus subtilis 29784

ALTERION NE 50

Vistacell

GVF-PELLETS

GVF-MIX RF

Bacillus subtilis 29784

ALTERION NE

Saccharomyces cerevisiae.

Lactobacillus reuteri, Lactobacillus salivarius, Lactobacillus acidophillus, Lactobacillus delbrueckii, Lactobacillus plantarum, Lactobacillus rhamnosus, Bacillus subtilis, Bacillus licheniformis, Pediococcus acidilactici, Enterococcus faecium.

INGREDIENTES ATIVOS

NOME DO PRODUTO

≥ 108 UFC/grama

≥ 1010 UFC/grama

2x108 UFC/g prod

1x1010 UFC/g prod

CONCENTRAÇÃO (UFC/G PROD.)

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS 2020

Tabela

Misturar de 50 a 150 gramas de GVF – MIX RF por tonelada de ração, de acordo com a fase de criação e/ou idade das aves.

Indicado para uso na ração de frangos de corte, poedeiras e aves reprodutoras em todas as fases.

Bovinos de 1,5 a 3,0 g de produto/animal/dia. Suínos de 0,5 a 1,0 kg de produto/ tonelada de alimento. Galinhas Poedeiras: 0,25 kg de produto/tonelada de alimento. Equinos: 1,0 kg de produto/tonelada de alimento.

Disponibilizar de 0,5 a 2 gramas de GVF-PELLETS para cada pinto em sua primeira alimentação.

500 g/ton de ração preparada.

Produto para incorporação direta em rações de frangos de corte, perus, matrizes e aves de postura comercial.

Indicado para pintos de frangos de corte, poedeiras e aves reprodutoras na sua primeira alimentação.

10 g/ton de ração preparada.

DOSE

Produto para incorporação em premixes que serão utilizados na produção de rações para frangos de corte, perus, matrizes e aves de postura comercial.

TIPO DE USO

PROBIÓTICOS

Produto termo estável, além de possuir alta concentração que promove grandes vantagens sem a necessidade de grandes taxas de inclusão na dieta final. Em ruminantes, Vistacell aumenta a produção de leite e o ganho de peso ao vivo através da função ruminal aprimorada. Para monogástricos, Vistacell estabiliza a microflora intestinal, melhorando a saúde intestinal. Isso aumenta a imunidade dos animais e o desempenho em geral.

GVF-Pellets é um aditivo probiótico na forma de mini pellet destinado ao uso na caixa de transporte dos pintos para colonização precoce de bactérias probióticas antes do alojamento no galpão.

Está disponível em todos os países onde temos representação na LAM.

Brasil

Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela

1 Probiótico resistente à peletização e ao pH gástrico com germinação precisa no intestino das aves. 2 Ação na modulação da microbiota intestinal, inclusive favorecendo o controle de patógenos como E. coli, Clostridium perfringens e Salmonella spp.. 3 Favorece a integridade intestinal e possui ação anti-inflamatória promovendo um maior equilibrio da saúde intestinal, diminuindo disbiose e proporcionando aumento dos ganhos zootécnicos. 4 Produto com compatibilidade comprovada com os principais promotores e anticoccidianos do mercado. 5 Primeiro probiótico do mercado com germinação intestinal comprovada in vivo. Probiótico multicepas associado à oligossacarídeos naturais, indicado para colonização dos cecos das aves, contribuindo para o equilíbrio da microbiota intestinal e dificultando a colonização por salmonelas.

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

INFORMAÇÃO ADICIONAL

2020


34

EMPRESA

Rações peletizadas.

1x10 UFC/g

Sacharomyces cerevisiae sc 47

Actisaf HR

Em ruminantes modula a microbiota ruminal, manutenção do pH, aumento da degradabilidade da fibra, em suínos melhora a saúde intestinal e aumenta a produção de AGV no ceco e colon.

Suínos: Porcas e leitões - a partir de 500 g/t Crescimento e terminação - a partir de 125g/t Bovinos de leite: Vacas lactantes - 1000 a 2000 g/t Vacas secas e novilhas - 500 a 1000g/t Bezerras - 2000 g/t Bovinos de corte: Bezerros - 500 a 1000g/t Novilhos a pasto - 500 a 1000g/t Terminação a pasto - 500 a 1000 g/t Confinamento - 1000 a 2000 g/t Ovinos e caprinos: A partir de 1000 g/t Equinos: De 2000 a 5000 g/t

1,5x10 UFC/g

Procreatin 7

Rações, premix, mistura minerais, suplementos e “on top”.

10

10

Em ruminantes modula a microbiota ruminal, manutenção do pH, aumento da degradabilidade da fibra e atua no estresse térmico, em suínos melhora a saúde intestinal e aumenta a produção de AGV no ceco e colon.

Suínos: Porcas e leitões - a partir de 500 g/t Crescimento e terminação - a partir de 125g/t Bovinos de leite: Vacas lactantes - de 5 a 10 g/animal/dia Vacas secas e novilhas - a partir de 2 g/animal/dia Bezerras - a partir de 1 g/animal/dia Bovinos de corte: Bezerros - a partir de 1 g/animal/dia Novilhos a pasto - a partir de 2 g/animal/dia Confinamento - a partir de 2,5 g/animal/dia Ovinos e caprinos: A partir de 0,2 g/animal/dia Equinos: De 2 a 20g/animal/dia

Sacharomyces cerevisiae CYCN 996

Em ruminantes modula a microbiota ruminal, manutenção do pH, aumento da degradabilidade da fibra, em suínos melhora a saúde intestinal e aumenta a produção de AGV no ceco e colon.

Rações, premix, mistura minerais, suplementos e “on top”.

1x1010 UFC/g

Sacharomyces cerevisiae sc 47

Suínos: Porcas e leitões - a partir de 500 g/t Crescimento e terminação - a partir de 125g/t Bovinos de leite: Vacas lactantes - de 5 a 10 g/animal/dia Vacas secas e novilhas - a partir de 2 g/animal/dia Bezerras - a partir de 1 g/animal/dia Bovinos de corte: Bezerros - a partir de 1 g/animal/dia Novilhos a pasto - a partir de 2 g/animal/dia Terminação a pasto - a partir de 2g/animal/dia Confinamento - a partir de 2,5 g/animal/dia Ovinos e caprinos: a partir de 0,2 g/animal/dia Equinos: De 2 a 20g/animal/dia

Actisaf PWD

INFORMAÇÃO ADICIONAL

TIPO DE USO

PROBIÓTICOS DOSE

CONCENTRAÇÃO (UFC/G PROD.)

INGREDIENTES ATIVOS

NOME DO PRODUTO

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS 2020

Tabela

Brasil, México, Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia, Panamá, Costa Rica e Guatemala

Brasil, Peru, Panamá, Chile, Costa Rica, Argentina, México, Paraguai, Uruguai, Colombia, Equador, Guatemala e Bolívia

Brasil

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

2020


35

EMPRESA

1,6 x 10 por grama e 1,6 x 1010 por grama

2 x 1010 UFC/g

1 x 1010 UFC/g

1 x 109 UFC/g

Bacillus subtilis (DSM5750) + Bacillus licheniformis (DSM 5749)

Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077

Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077

Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077

Probios Guard C

Levucell SC 20

Levucell SC10 ME Titan

Levucell SC Farm

10

1,6 x 1010 por grama e 1,6 x 1010 por grama

Bacillus subtilis (DSM17299) + Bacillus licheniformis (DSM 5749)

Bioplus PSC

Vacas leiteiras, Gado de corte, Novilhas, Ovinos, Caprinos e Cavalos.

Suínos (leitões e porcas)

Suínos, Aves e Peixes

Bovinos de corte e de leite

Probios Precise

Enterococcus faecium min 2,5x109 por grama Saccharomyces cerevisae min 1,0x109 por grama

Enterococcus faecium + Saccharomyces cerevisiae

DOSE

Vacas leiteiras: 10 g/animal/dia; Gado de corte e novilhas: 8 g/animal/dia; Pequenos ruminantes: 4 g/animal/dia; Equinos: 10 g/animal/dia.

Vacas leiteiras: 1,0 g/animal/dia; Gado de corte e novilhas: 0,8 g/animal/dia; Ovinos e caprinos adultos: 0,4 g/animal/dia; Ovinos e caprinos jovens: 0,30 g/animal/dia. Cavalos: 1,0 g/animal/dia.

Vacas leiteiras: 0,5 g/animal/dia; Gado de corte e novilhas: 0,4 g/animal/dia; Ovinos e caprinos adultos: 0,2 g/animal/dia; Ovinos e caprinos jovens: 0,15 g/animal/dia; Cavalos: 0,5 g/animal/dia.

40g por ton de ração

40 g /1000Lt de água

gado de corte: 1g por animal gado de leite: 2g por animal

50g por ton de ração

Frangos de corte, poedeiras e galinhas reprodutoras

3,2 x 1010 por grama

Bacillus licheniformis (CH200)

Gallipro Tect C

50g por ton de ração

Frangos de corte, poedeiras e galinhas reprodutoras

1,6 x 1010 por grama

Bacillus subtilis (CH201)

Gallipro C

40g por ton de ração

1,6 x 1010 por grama e 1,6 x 1010 por grama

Bacillus subtilis (CH201) + Bacillus licheniformis (CH200)

Gallipro MSC

TIPO DE USO

PROBIÓTICOS

Frangos de corte, poedeiras, galinhas reprodutoras e perus

CONCENTRAÇÃO (UFC/G PROD.)

INGREDIENTES ATIVOS

NOME DO PRODUTO

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS 2020

Tabela

Estabiliza o pH do rúmen, reduzindo os riscos de acidose e melhorando a digestibilidade da fibra. Aumenta a produção de leite em vacas, ovelhas e cabras e o ganho de peso em bovinos de corte. Além disso, aumenta a eficiência alimentar em todas as categorais de animais.

“Foco em Sanidade e Performance Leitões: Controle de diarreia e melhor peso ao desmame Porcas: melhor indice corporal após desmame e retorno ao cio mais rapido Sacos de 20kg”

“Aplicação via água, mesmo em condições de alta temperatura ou em presença cloro Balde 1kg e 3kg”

“Prevenção ao Leaky Gut (redução de diarreia) Atuação em Rúmen e Intestino Controle de patógenos desde o cocho Sacos 5kg”

“Controle de clostridiose (enterite necrotica) e gram positivos. Sacos 25 kg”

“Foco em Integridade Intestinal e controle de bactérias gram negativas como Salmoneloses. Sacos 25 Kg.”

“Foco em performance e Sanidade (Gram Positivos e Negativos) Sacos 25kg”

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Brasil

Brasil, países da América Latina, América do Norte, União Européia , Ásia, Oriente Médio e África

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

2020


36

EMPRESA

1x109 UFC/g

2x1010 UFC/g

1x1010 UFC/g

2x1010 UFC/g

1x1010 UFC/g

1x1010 UFC/g

Bacillus toyonensis BCT-7112

Saccharomyces cerevisiae boulardii CNCM I-1079

Saccharomyces cerevisiae boulardii CNCM I-1079

Saccharomyces cerevisiae boulardii CNCM I-1079

Saccharomyces cerevisiae boulardii CNCM I-1079

Pediococcus acidilactici CNCM MA18/5M

Micro-Cell Platinum 109

Proternative 20

Proternative 10 ME Titan

Levucell SB20

Levucell SB 10ME

Bactocell

CONCENTRAÇÃO (UFC/G PROD.)

INGREDIENTES ATIVOS

NOME DO PRODUTO

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS 2020

Tabela

Suínos e Galinhas poedeiras 100 g/t de ração; Salmonídeos 100 a 200 g/t de ração; Frangos, Camarões, Tilápias e outros peixes 100 a 1000 g/t de ração.

Porcas em gestação ou lactação 100 g/ t de ração; Leitões em amamentação e pós-desmame 200 g/ t de ração; Frangos de corte 200 g/ t de ração.

Porcas em gestação ou ctação, Leitões em amamentação e pós-desmame e Frangos de corte Suínos, Frangos, Galinhas poedeiras, Salmonídeos, Camarões, Tilápias e outros Peixes

Porcas em gestação ou lactação 50 g/ t de ração; Leitões em amamentação e pós-desmame 100 g/ t de ração; Frangos de corte 100 g/ t de ração.

Bezerros lactantes 0,4 g/animal/dia ou 400 g/t de ração até o desmame; Novilhos de engorda 1,0 g/animal/dia ou 200 g/t de ração durante 30 dias pós-desmama; Bovinos em confinamento 1,0 g/animal/ dia ou 200 g/t de ração durante os primeiros 45 dias de confinamento.

Bezerros lactantes 0,2 g/animal/dia ou 200 g/t de ração até o desmame; Novilhos de engorda 0,5 g/animal/dia ou 100 g/t de ração durante 30 dias pós-desmama; Bovinos em confinamento 0,5 g/animal/dia ou 100 g/t de ração durante os primeiros 45 dias de confinamento.

1 g/animal/dia ou 200 g/t de ração.

DOSE

Porcas em gestação ou lactação, Leitões em amamentação e pós-desmame e Frangos de corte

Bezerros lactantes, Novilhos de engorda e Bovinos em confinamento

Bovinos de corte

TIPO DE USO

PROBIÓTICOS

Estimula o desenvolvimento da microbiota benéfica por meio da redução do pH intestinal, favorece a maturidade da parede do intestino e aumenta a eficiência digestiva. Em galinhas poedeiras, melhora os resultados de postura e a qualidade dos ovos.

Regula a microbiota intestinal e neutraliza toxinas de patógenos entéricos (C. dificille E.coli). Melhora os rendimentos produtivos em todas as fases de crescimento, desde a etapa de gestação das matrizes até a entrada dos leitões na fase de engorda. Probiótico importante para ser incluído nos programas de redução de medicamentos em rações.

Favorece o equilíbrio da microbiota intestinal benéfica e modula o sistema imune, aumentando a resistência do animal aos fatores de estresse do ambiente. Melhora a ingestão de alimentos e aumenta o ganho médio de peso diário.

Atua na biorregulação da microbiota intestinal, reduzindo a população de bactérias patogênicas. Melhora o ganho de peso e a conversão alimentar em bovinos de corte.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Brasil

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

2020


37

EMPRESA

1x109 UFC/g

2x1010 UFC/g

2,5x109 UFC/g

Bacillus toyonensis BCT-7112

Pediococcus acidilactici CNCM I- 4622

Pediococcus acidilactici + Complexo vitamínico, aminoácidos e eletrólitos

Toyocerin 109

Pedioflora

Pedioflora Vita

CONCENTRAÇÃO (UFC/G PROD.)

INGREDIENTES ATIVOS

NOME DO PRODUTO

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS 2020

Tabela

Suplemento hidrossolúvel para Aves e Suínos

Aves e Suínos

Suínos, Aves e Coelhos

TIPO DE USO

DOSE

Contribui para o equilíbrio da microbiota intestinal e melhora de parâmetros de produtividade e desempenho.

Contribui para o equilíbrio da microbiota intestinal e melhora de parâmetros de produtividade e desempenho. Além disso, repõe as deficiências de vitaminas, aminoácidos e eletrólitos. 200 gramas do produto em 1.000 litros da água de bebida dos animais

Promove deletar maior estabilidade da microbiota intestinal do animal, melhorando o desempenho e o aproveitamento dos nutrientes fornecidos pela ração.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Suínos (todas as fases) e Galinhas Poedeiras e Matrizes 50 g/t de ração ou 25 g/1000 litros de água de bebida dos animais;

SUÍNOS: Inicial (do desmame até 2 meses de idade) 500 a 1000 g/ t de ração; Crescimento (de 2 até 4 meses de idade) 500 a 1000 g/t de ração; Terminação (engorda até abate ) 200 a 1000 g/t de ração; Reprodutoras (gestaçao e lactação) 500 a 2000 g/t de ração; AVES: 200 a 1000 g/t de ração; COELHOS: Engorda 100 a 5000 g/t de ração; Reprodutoras 200 a 1000 g/t de ração.

PROBIÓTICOS

Brasil

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

2020


38

EMPRESA

1 a 2 kg / tonelada de ração

1,0 Kg / tonelada de ração

Indicado como aromatizante destinado aos fabricantes de produtos para alimentação de suínos Aditivo prebiótico destinado a fabricantes de produtos para alimentação de aves e suínos

Aditivo prebiótico destinado a fabricantes de produtos para alimentação de aves e suínos Aditivo Aromatizante destinado aos fabricantes de produtos para alimentação animal de todas as espécies Aditivo prebiótico para uso oral em aves e suínoS

Extrato de Tomilho, Farinha de Alfarroba, Complexo de Cobre e Complexo de Zinco Parede de leveduras (Mananoligossacarídeos e beta glucanos), Formiato de Amônio, Ácido Fórmico, Propionato de Amônio, Ácido Acético, Água, Vermiculita Parede de leveduras (Mananoligossacarídeos e beta glucanos), Formiato de Amônio, Ácido Fórmico, Propionato de Amônio, Ácido Acético, Vermiculita

Lúpulo, Gérmen de Trigo

Produto de fermentação de Bacillus subtilis, Parede de leveduras

Aditivo

Aditivo

Aditivo

Aditivo

Aditivo Prebiótico

DYSANTIC

UNIWALL MOS 25

UNIWALL MOS 50

HERBANOPLEX

GAMAXINE

Suínos: 2 doses de 2 ML por leitão, por via oral com intervalo de 14 dias

1 a 2 kg / tonelada de ração

1,0 - 2,0 Kg / tonelada de ração

De 400 a 800 g/ton

Não requer período de carência

Não requer período de carência

Brasil

Brasil, Argentina, Mexico, Uruguai, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia, Panamá

Brasil

Todas as espécies

Duas cepas de Saccharomyces cerevisiae e uma cepa de Cyberlidnera jadinii

Combinação sinérgica de frações de diferentes cepas de leveduras inativadas

Produto recomendado para inclusão em todos os tipos de alimentos para animais, especialmente em idades mais jovens e fases de maior desafio. Ajuda a equilibrar a microbiota intestinal aderindo a microorganismos flagelados e estimula o sistema imunológico de maneira sinérgica. Solução natural para complementar os programas de redução de medicamentos em ração.

YANG

Brasil,México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia, Panamá , Costa Rica e Guatemala

Redução de patógenos, estresse térmico, manutenção da integridade Intestinal e ativa o sistema imune.

Safmannan

Rações, premix, suplementos.

100 % Parede celular de levedura cepa NCYC L1000

Fração Parietal de Saccharomyces cerevisiae

Avicultura - de 125 a 500g/t Suínos - de 100 a 1000g/t Ruminantes - de 2 a 10 g/animal /dia Pet Food - de 250 a 1000 g/t Aquacultura - de 250 a 2000g/t Equinos - de 5 a 10 g/animal/dia

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

INFORMAÇÃO ADICIONAL

DOSE

CONCENTRAÇÃO (UFC/G PROD.)

INGREDIENTES ATIVOS

TIPO DE USO

PREBIÓTICOS

NOME DO PRODUTO

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS 2020

Tabela

2020


39

Cálcio (mín) 150g/kg, Diatomita (mín) 950g/ kg, Matéria Mineral (máx) 900g/kg, Mananoligosacarídeo MOS (mín) 6,5g/kg, Glucamananos (mín) 16g/kg, Betaglucanas (mín) 9g/kg, Bacillus subtilis (mín) 3,2X107 UFC/g, Lactobacillus acidophillus (mín) 5,5X107 UFC/g, Lactobacillus casei (mín) 3,7X107 UFC/g, Enterococcus faecium (mín) 5,5X107 UFC/g, Lactobacillus lactis (mín) 4X107 UFC/g, Bifidobacterium bifidum (mín) 3,5x107 UFC/g.

Matéria Mineral (máx) 890g/kg, Cálcio (max) 190 g/ Kg, Aditivos probióticos (mín) 1,0X108 UFC/g.

Diatomita, Aditivo Probiótico (Lactobacillus reuteri, Bacillus subtilis, Bacillus lincheniformis, Lactobacillus salivarius, Lactobacillus acidophillus, Lactobacillus delbrueckii, Lactobacillus plantarum, Pediococcus acidilactici, Lactobacillus rhamnosus e Enterococcus faecium).

Diatomita,Aditivo Probiótico (Lactobacillus reuteri, Bacillus subtilis, Bacillus lincheniformis, Lactobacillus salivarius, Lactobacillus acidophillus, Lactobacillus delbrueckii, Lactobacillus plantarum, Pediococcus acidilactici, Lactobacillus rhamnosus e Enterococcus faecium).

Bacillus subtilis e excipientes

SIMBIUM AVES DIVITA

CINERMAX SUIS

CCINERMAX CLEAN EGG

ZYMOSPORE

Bacillus subtilis e excipientes

Lactose (mín) 610 g/kg, Matéria Mineral (máx) 300g/kg, Vitamina A (mín) 65.000 UI/kg, Vitamina D3 (mín) 20.000 UI/kg, Vitamina E (mín) 140UI/kg, Vitamina K3 (mín) 8mg/kg, Aditivos probióticos (mín) 1,0X109 UFC/g.

Diatomita, Parede Celular de Levedura, Bacillus subtilis, Lactobacillus acidophillus, Lactobacillus lactis, Lactobacillus casei, Enterococcus faecium, Bifidobacterium bifidum.

CONCENTRAÇÃO (UFC/G PROD.)

INGREDIENTES ATIVOS

NOME DO PRODUTO

Misturar de 2,5 a 4kg por tonelada de ração.

Adiciona se 200 a 400 g de produto por tonelada de alimento

Indicado para Aves em todas as suas fases e ciclos de produção

Misturar 5kg/ton em ração maternidade e pré inicial, de 2 a 5kg/ton para ração inicial, de 0,5 a 1kg/ton para ração crescimento e terminação, 2kg/ton para ração reprodução e lactação.

Poedeiras e matrizes pesadas: misturar de 1 a 1,5kg/ton nas rações de cria, recria e pré postura e 500g/ton nas rações de produção. Para frangos de corte, misturar 1,5kg na ração pré inicial, 1kg na ração inicial, 750g na ração crescimento e 500g na ração final.

DOSE

Produto indicado para poedeiras em todas as fases.

Produto indicado para suínos em todas as fases.

Produto indicado para frangos de corte, matrizes pesadas e poedeiras em todas as fases.

TIPO DE USO

SIMBIÓTICOS E OUTROS*

* Produtos formulados, que em sua composição contêm aditivos prebióticos e probióticos, além de outros ingredientes.

EMPRESA

PREBIÓTICOS & PROBIÓTICOS 2020

Tabela

Níveis de garantia 5 x 10⁹ UFC

Produto indicado para auxílio no controle de fezes líquidas em poedeiras, principalmente quando há problemas de alta infestação de moscas decorrentes de alta umidade nas fezes.

Produto indicado para auxílio no controle de diarreia em suínos, principalmente nas fases iniciais, reduzindo o uso de antibióticos curativos.

Contém pre e probióticos com vitaminas indicado para a melhoria do desempenho zootécnico das aves. Coloniza o intestino com boas bactérias probióticas, reduzindo a colonização de bactérias patogênicas.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Brasil, Argentina, Mexico, Uruguai, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia, Panamá

Brasil

PAÍSES EM DISTRIBUIÇÃO

2020


A EFICIÊNCIA

DOS BOVINOS DEPENDE DA EFICIÊNCIA DO

MICROBIOMA RUMINAL

PARTE I

Luciano Cabral1, Thainá Pereira da Silva Cabral 2, Bárbara Mota Neta1, Laura Barbosa de Carvalho1 Faculdade de Agronomia e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT 2 Instituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT

microbiota ruminal

1

O Brasil detém o maior rebanho comercial de bovinos do mundo (213,68 milhões de cabeças) e, por isso, é o segundo maior produtor e o maior exportador de carne bovina, desta forma, a pecuária de corte nacional colaborou com 8,5% do PIB do país em 2019 (ABIEC, 2020). A pecuária nacional é baseada no uso de áreas de pastagens (162,53 milhões de ha) formadas por gramíneas tropicais e, com isso, cerca de 86% dos animais abatidos em 2019 foram provenientes de sistemas a pasto (ABIEC, 2020).

Nas últimas duas décadas, houve expressiva intensificação da pecuária, por meio da: Melhoria no manejo do pastejo. Do uso de suplementos em épocas estratégicas. Do semi-confinamento. Terminação intensiva a pasto (TIP) e o uso de confinamento. Culminando com melhoria nos índices zootécnicos (IBGE, 2017)

40 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


Entretanto, ainda se verifica em muitas fazendas pouca adoção de tecnologias no manejo do pastejo, o que tem causado a degradação das pastagens e, como consequência, limitada oferta de forragem de baixo valor nutritivo, o que culmina com baixa produção de arrobas por hectare associado à elevada emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), como o metano.

microbiota ruminal

Isso tem sido relacionado à abertura de novas áreas de florestas e com o desmatamento ilegal, afetando negativamente a imagem da pecuária bovina praticada no Brasil, o qual é considerado o principal país capaz de atender parte da crescente demanda de proteína animal pela população humana em crescimento e com maior poder de compra (Alexandratos e Bruinsma, 2012). A intensificação da pecuária de corte tem sido feita, principalmente, pela adoção de tecnologias que almejam alterar o microbioma ruminal, dada sua importância digestiva, nutricional e para a saúde dos animais (Hungate, 1966).

Portanto, a compreensão do microbioma ruminal é fundamental para o fornecimento de condições necessárias para maximizar os processos de digestão. O microbioma ruminal é formado pela: População de bactérias (1010 a 1011 células/mL de líquido ruminal). Protozoários (104 a 106células/mL de líquido ruminal). Fungos (102 – 104/mL de líquido ruminal) e organismos metanogênicos (milhões de células/mL de líquido ruminal) Além de micoplasmas e bacteriófagos (Hungate, 1966; Stewart et al., 1997; Teixeira, 1991), Sendo que os principais grupos microbianos estão descritos na tabela 1.

41 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


Tabela 1: Principais grupos microbianos no ambiente ruminal

Bactérias Classe

Ordem

Familia

Gênero

Espécies

Bacteroidetes

Bacterioides

Bacteroidales

Prevotellaceae

Prevotella

Prevotella spp. P. Ruminicola P. bryant

Fibrobacteres

Fibrobateria

Fibrobacterales

Fibrobacteraceae

Fibrobacter

F. Succinogenes

Ruminococcaceae

Ruminococcus

R. Albus R. Flavefaciens

Peptostreptococcaceae

Peptostreptococcus

P. anaerobius

Clostridiaceae

Clostridium

C. aminophilum C. sticklandii C. Lochheadii

Eubacteriaceae

Eubacterium

E. Ruminantium

Lachnospiraceae

Butyrivibrio Lachnospira

B. Fibrisolvens L. Multiparus

Selenomonadales

Selenomonadaceae

Anaerovibrio

A. Lipolyticus

Veillonellales

Veillonellaceae Streptococcaceae

Selenomonas Megasphaera Streptococcus

S. ruminantium M. Elsdenii S. Bovis

Lactobacillales

Enterococcaceae Lactobacillaceae

Enterococcus Lactobacillus

E. Faecium Lactobacillus sp.

Gammaproteobacteria

Aeromonadales

Succinivibrionaceae

Succinimonas Ruminobacter

S. Amylolytica R. Amylophilus

Epsilonproteobacteria

Campylobacterales

Helicobacteraceae

Succinivibrio Wolinella

S. Dextrinosolvens W. Succinogenes

microbiota ruminal

Filo

Clostridia

Clostridiales

Firmicutes

Negativicutes

Bacilli

Proteobacteria

42 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


Filo

Classe

Ordem

Familia

Entodiniomorphida

Vestibuliferida

Isotrichidae

Gênero

Espécies

Entodinium Enoploplastron Epidinium Eudiplodinium Metadinium

E. cattanei

Isotricha Dasytricha Oligoisotricha

I. prostoma D. ruminantium

microbiota ruminal

Protozoários

Fungos

Filo

Neocallimastigomycota

Classe

Ordem

Neocallimastigomycetes

Neocallimastigales

Familia

Gênero

Espécies

Neocallimastigaceae

Neocallimastix Piromyces Caecomyces Orpinomyces Anaeromyces Cyllamyces

N. frontalis

43 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


Osmolaridade (250 – 350 mOsm/L), e pelo suprimento de nutrientes contidos nos alimentos consumidos pelo animal (Hungate, 1966). A elevada concentração de microrganismos e sua diversidade no rúmen são permitidas pelas condições proporcionadas pelo animal, as quais incluem: Anaerobiose, controle do ph (varia de 6,0 a 7,0), Temperatura constante (entre 38º a 42º c),

NutriNews_meia pagina_170x120mm_RY Leite_PT.pdf 1 14/07/2020 17:37:51

Desta forma, os microrganismos ruminais exercem papel central na digestão dos polímeros dietéticos, colaborando com cerca de 60-80% da digestão que ocorre no trato digestivo do animal e, desta ação, gera para o animal ácidos graxos voláteis (AGV) e proteína microbiana, que representam a principal fonte de energia e proteína disponível para o animal, respectivamente (Van Soest, 1994).


CELULOSE

PROTEÍNA

AMIDO

GLICOSE

AMINOÁCIDO

GLICOSE

AGV + CO2 + H2

AMÔNIA

METANO

microbiota ruminal

Apesar disso, há eventos que nele ocorrem considerados indesejáveis pelo homem e, desta forma, devem ser controlados, tais como a metanogênese, a proteólise intensa e a excessiva produção de amônia, bem como a produção excessiva de lactato que leva à acidose ruminal (Figura 1).

AGV+LACTATO PROTEÍNA MICROBIANA

Figura 1: Vias de digestão de carboidratos fibrosos (celulose) e não fibrosos (amido) que culminam com a produção de metano e lactato, em animais alimentados com dietas contendo elevada proporção de forragem de baixa qualidade ou dietas de alto concentrado, respectivamente, à esquerda e à direita. Ao centro da figura, aparece o metabolismo de compostos nitrogenados no rúmen, em dietas contendo elevados teores de PB ou PDR e com deficiência de energia, culminando com a produção excessiva de amônia.

45 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


A produção de metano no rúmen causa uma perda de energia bruta da dieta de 6 a 12%, a qual é realizada pelos microrganismos metanogênicos, que usam H2 gerado por outros organismos para reduzirem o CO2 a metano CH4 (Buddle et al., 2011)

microbiota ruminal

Além disso, o metano é considerado um GEE e sua emissão pelos ruminantes representa cerca de 6% da emissão de GGE de origem antrópica. Beuachemin et al. (2009) calculam que uma redução da emissão de metano de 30% equivale a GMD de 80 g e 1 L de leite/vaca/dia, destacando o impacto econômico causado pela metanogênese, por mais importante que ela seja para o ecossistema ruminal.

TECNOLOGIAS Das principais tecnologias usadas para manipular a microbiota ruminal e controlar os eventos indesejáveis descritos anteriormente e para aumentar a eficiência da fermentação ruminal, destacam-se o uso de aditivos tais como os antibióticos, uso de compostos secundários de plantas (óleos essenciais), leveduras e probióticos bacterianos.

Somam-se a esses, outras estratégias nutricionais que o produtor utiliza para otimizar a fermentação ruminal, tais como:

1

O uso de ureia na época seca do ano e adequação da demanda em PDR pela microbiota ruminal com proteína verdadeira.

Igualmente importante, do ponto de vista de impacto econômico, produtivo e ambiental é a excessiva produção de amônia ruminal sob algumas condições dietéticas, realizada por bactérias hiperprodutoras de amônia, o que culminaria com aumento da excreção de N urinário, assim como o acúmulo de lactato produzido por certos organismos, o qual predispõe a acidose ruminal (Nagaraja e Titgemeyer, 2007).

2

Aumento da quantidade de grãos e seu processamento, no sentido de aumentar o suprimento de energia para crescimento microbiano.

3

Melhoria no manejo do pastejo de modo a proporcionar ao animal e sua microbiota ruminal uma forragem de melhor qualidade.

Todas essas estratégias alteram o microbioma ruminal e podem se desdobrar em aumento da produção de AGV e de proteína microbiana, bem como na redução de produção de metano, tendo como resultado final almejado pelo produtor, o aumento de desempenho dos animais, da eficiência produtiva e econômica.

46 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


Entretanto, em função da possibilidade de desenvolvimento de resistência microbiana aos antibióticos usados na alimentação animal e a transmissão desses genes para os microrganismos que causam doenças

ADITIVOS

em humanos, tem aumentado o interesse

de bovinos são os ionóforos (monensina e lasolocida) e não ionóforos (virginiamicina), que embora apresentem mecanismos de ação distintos, em que os primeiros atuam no transporte de cátions pela membrana plasmática das bactérias, enquanto que o

pelo uso de compostos modificadores da fermentação ruminal alternativos aos antibióticos, incluindo os compostos secundários de plantas (CSP), bem como leveduras, ácidos orgânicos e probióticos bacterianos e enzimas como forma de otimizar a fermentação ruminal.

último bloqueia a síntese proteica bacteriana,

Os CPS podem ser classificados como

resultam em efeitos muito parecidos no

terpenoides ou fenilpropanois encontrados

ambiente ruminal, reduzindo, em princípio,

em algumas plantas, sintetizados com

a população de bactérias bactérias gram (+)

o objetivo de protegê-las da ação de

(mais sensíveis) e, com isso, aumentariam

herbívoros, incluindo de microrganismos.

a abundância de bactérias e gram (-) (mais resistentes).

microbiota ruminal

Os antibióticos comumente usados em dietas

Esses compostos podem ter ação bactericida e/ou bacteriostática e, nesse caso, têm se mostrado com potencial de

Como efeitos desejáveis desses antibióticos,

alterar a população microbiana ruminal,

destacam-se a redução da produção de H2

dependendo do composto utilizado e

e metano, controle da proteólise e produção

dose usada, culminando com os seguintes

de amônia ruminal, bem como a prevenção

efeitos: redução da metanogênese, aumento

de distúrbios digestivos (acidose ruminal

da produção de propionato, controle da

e timpanismo) e metabólicos em animais

produção de amônia ruminal (Patra e Yu, 2012)

alimentados com dietas contendo elevado

e da acidose ruminal (Calsamiglia et al., 2007).

teor de concentrado (Nagaraja e Titgemeyer, 2007).

Borchers (1965) foi o primeiro a relatar o potencial benefício dos óleos essenciais na fermentação microbiana do rúmen.

Esses antibióticos moduladores da fermentação ruminal tem sido usados amplamente no Brasil e em outros países, promovendo como resultado aumento do ganho de peso de animais em pastejo, melhora da eficiência alimentar em animais

Terpenóides e fenilpropanóides parecem desenvolver sua ação contra bactérias através da interação com a membrana das células das mesmas (Griffin et al., 1999; Davidson e Naidu,2000; Dorman e Deans, 2000).

e prevenção de distúrbios digestivos em animais confinados (Callaway et al., 2003).

47 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


De acordo com Wallace (1994) o uso de culturas de Scchacaromyces cerevisiae As leveduras, principalmente, representadas pela Saccharomyces cerevisiae têm sido usadas na dieta de ruminantes como microbiota ruminal

probióticos há algumas décadas. No entanto, durante algum tempo pelo uso de cepas desenvolvidas para produção de etanol e não para trabalharem no ambiente semelhante ao rúmen, bem como questões relacionadas à dosagem, geraram

pode melhorar o ganho de peso diário com intensidade de 7-8%, decorrente do aumento do consumo de matéria seca. Também tem sido notado o papel da microbiota ruminal sobre a eficiência de animais (gado de corte e leite) em que se observam distintas comunidades microbianas entre animais mais eficientes e animais menos eficientes (Wallace et al.,

resultados contraditórios.

2017), além de ser identificada menor

Contudo, na última década, houve um

eficientes.

diversidade microbiana nos animais mais

esforço das empresas que trabalham com leveduras para seleção e avaliação de cepas específicas para o ambiente ruminal ou TGI, o que tem permitido melhores e mais

Esses estudos reforçam a ideia de que

consistentes respostas.

o microbioma ruminal não é apenas

Esses fungos unicelulares quando fornecidos aos animais, promovem os seguintes efeitos no ambiente ruminal: estímulo ao crescimento de alguns grupos microbianos importantes, tais como os

importante para os eventos digestivos do animal, mas indicam que sua microbiota pode ter um papel decisivo na eficiência de uso dos nutrientes da dieta para fins produtivos (carne e leite).

fibrolíticos e fermentadores de lactato, culminado com aumento da degradação ruminal da fibra e o controle do pH ruminal (Alzahal et al., 2014), além de atuarem também no consumo de O2 no ambiente ruminal (Newbold et al., 1996; Chaucheyras-Durand, 2008).

48 nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal


Desta forma, alguns autores (Yanez-Ruiz et al., 2015) têm observado que na fase inicial de estabelecimento da microbiota Apesar das estratégias citadas anteriormente proporcionarem melhoria na eficiência no uso dos nutrientes (energia e N) pelos animais, por meio da ação

ruminal (pré-desmame e desmame) haveria maior possibilidade de causar mudanças significativas e provavelmente permanentes na microbiota ruminal.

desses compostos no ambiente ruminal, (mais eficientes) e redução da abundância de organismos menos desejáveis (menos eficientes), a habilidade desses compostos em proporcionar mudanças no microbioma ruminal é moderado e de curta duração,

Com isso, talvez a melhor forma de reduzir a ação negativa de um microrganismo no rúmen, seja prevenindo sua entrada e estabelecimento precocemente nos animais.

não sendo capazes de promover alterações

Portanto, estratégias aplicadas ao

permanentes no microbioma ruminal

animal jovem (bezerro) ou aos animais

(Yanez-Ruiz et al., 2015)

adultos com quem convive (vacas) pode

A razão para esse moderado e limitado efeito a longo prazo dos aditivos e outras

microbiota ruminal

selecionando microrganismos desejáveis

representar uma maneira mais eficaz de melhorar a eficiência no ambiente ruminal.

estratégias de manipulação sobre o microbioma ruminal se deve ao fato da população microbiana ruminal adquirir ou desenvolver mecanismos de resistência à esses compostos com o tempo de exposição aos mesmos, uma vez que uma característica muito importante do microbioma ruminal descrita na literatura reside exatamente na sua resiliência. Pois, em vários estudos em que se introduz um certo aditivo manipulador da fermentação ruminal, se percebe uma mudança imediata na microbiota ruminal, mas esse efeito vai sendo perdido com o tempo de uso do aditivo ou com a suspensão do fornecimento do mesmo. A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma rumina

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A bibliografia estará disponível mediante solicitação. nutriNews Brasil 2o trimestre 2020 | A eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal

49


QUALIDADE DO MILHO NA RAÇÃO DE

AVES

José Henrique Stringhini, Deibity Alves Cordeiro, Carla Daniela Suguimoto Leite, Laura Alves Duarte, Lucas Brito de Castro, Imar Crisógno Fernandes Filho

rações

Departamento de Zootecnia - Escola de Veterinária e Zootecnia da UFG (Universidade Federal de Goiás)

A crescente produção na cadeia avícola demanda diariamente a formulação de rações que atendam às necessidades dos animais, considerando o menor custo, já que a ração representa valores que podem chegar a 70% do custo de produção.

50 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves

O milho é um dos principais ingredientes que compõe a ração das aves, com nível de inclusão em torno de 60%.


Desta forma, a utilização de grãos com

Com relação às variáveis químicas e

grandes variações qualitativas gera a

bromatológicas, os principais parâmetros

necessidade de constantes correções

avaliados são:

financeiramente o processo produtivo. Além disso, é necessário o controle de

Umidade Fibra bruta Proteína bruta

fatores antinutricionais e contaminantes

Extrato etéreo

que podem prejudicar o desenvolvimento

Presença de micotoxinas

das aves e comprometer a qualidade

rações

e inclusões de aditivos, o que impacta

Aflatoxinas e fumonisinas

intestinal. Estas variáveis são influenciadas pela cultivar do milho e pelas práticas desde o plantio até a A qualidade nutricional do

armazenagem dos grãos, que podem

milho é primordial para que se

impactar negativamente em termos

produza uma ração que atenda às

nutricionais.

necessidades das aves.

Em termos de produção, a avaliação da qualidade física dos grãos está relacionada à sua integridade, quanto às condições de conservação, como: Grãos ardidos Grãos Chochos Grãos Carunchados Presença de micotoxinas

Por exemplo, a realização de colheita em condições climáticas desfavoráveis leva à necessidade de secagem, provocando reduções no conteúdo de energia metabolizável, que podem chegar até 300kcal/kg (Carvalho et al., 2004). O incorreto armazenamento dos grãos de milho facilita a infestação de insetos, que se alimentam de amido e parte do gérmen do milho, reduzindo os valores de energia bruta, com menor densidade especifica dos grãos e alterações nos níveis de proteína bruta e fibra bruta (Lopes et al., 1988).

Densidade específica

51 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves


O número de amostras coletadas dependerá do

A Instrução Normativa n° 60, de 22 de dezembro de 2011, elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, objetivou uniformizar e atualizar a maneira como os grãos de milho são classificados em todo o Brasil.

tamanho da carga, variando entre 3 a 11 pontos. Para fins de classificação das amostragens são considerados quatro tipos: 01, 02, 03 e fora de tipo, de acordo com os limites para as variáveis: presença de grãos ardidos, quebrados e carunchados, de matérias

Para fins de recebimento ou não de determinada carga de milho em uma fábrica de ração, deve-se realizar a coleta de, no mínimo, 2,0 kg por ponto amostrado, de maneira homogênea pelo caminhão e alcançando o terço superior, o meio e o terço inferior da carga.

estranhas e impurezas (Tabela 1). Ainda de acordo com esta normativa, os grãos de milho ideais devem chegar à fábrica de ração fisiologicamente bem desenvolvidos, limpos e secos, apresentando percentual máximo de umidade de 14% (MAPA, 2011).

rações

Tabela 1. Limites máximos de tolerância expressos em percentual (%) Enquadramento Tipo 1 Tipo 2 Tipo 3 Fora de Tipo

Grãos avariados Ardidos Total 1,00 2,00 3,00 5,00

Grãos quebrados

Matérias Estranhas e Impurezas

Carunchados

3,00 4,00 5,00 Maior que 5,00

1,00 1,50 2,00 Maior que 2,00

2,00 3,00 4,00 8,00

6,00 10,00 15,00 20,00

Fonte: Normativa MAPA (2011)

É essencial classificar os grãos antes da recepção na fábrica.

52 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves

No trabalho conduzido por Rodrigues et al. (2018), verificou-se que existe grande variação nas amostras de milho recebidas, conforme apresentado na Tabela 2, e que esses valores devem ser constantemente monitorados. Os autores também constataram que considerar as diferentes classes de grãos de milho resultaram em diferenças importantes nos valores energéticos dos grãos, dados que estão apresentados na Tabela 3, e que podem impactar diretamente a formulação das dietas de aves, tendo em vista as perdas de nutrientes proporcionadas pelo tempo de armazenamento, os cuidados na sua conservação e transporte e a contaminação por insetos e fungos.


Barbarino Jr. (2001) havia proposto equações de correção para grãos de milho conforme sua qualidade física. Com base nessa premissa, Rodrigues et al. (2018) também propuseram duas equações de regressão múltipla, no sentido de realizar a correção dos valores energéticos, e os fatores de correção foram baseados na qualidade física dos grãos de milho, para se estimar o impacto nos teores de energia metabolizável aparente (EMA) e energia metabolizável aparente corrigida (EMAn), com elevados coeficientes de determinação, como segue:

EMA = 3310,06292 - 0,00013085 *densidade - 0,19867 *quebrados - 0,20547 *trincados e fragmentados 0,60084 *mofados e fermentados - 1,88072 *atacados por insetos - 0,22810 *avariados (R2 = 0,994)

EMAn = 3381,18478 - 0,00027 *densidade - 0,27963 *quebrados - 0,28623 *trincados e fragmentados - 0,79110 *mofados e fermentados - 2,06007 *atacados por insetos 0,29799 *avariados - 0,232*umidade (R2 = 0,987)

Característica dos grãos de milho Densidade (kg/m3) Umidade (%) Bons (%) Quebrados (%) Fragmentados (%) Impurezas (%) Quirera (%) Mofados (%) Ardidos (%) Fermentados (%) Carunchados (%) Chochos (%) Danificados (%) Materiais estranhos (%) Avariados (%)

Média

DP

Mínimo

Máximo

767,70 12,75 88,41 4,63 1,95 0,27 0,14 0,00 2,83 0,88

26,00 1,72 3,13 1,36 0,96 0,29 0,29 0,04 1,11 0,57

628,00 10,08 67,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

895,00 16,00 98,12 1,54 10,40 5,56 13,00 2,00 10,05 5,14

0,13 0,16 0,60

0,24 0,18 0,54

0,00 0,00 0,00

6,12 8,00 5,05

0,05 9,23

0,13 2,47

0,00 0,00

4,00 24,39

rações

Tabela 2. Médias, desvios padrão (DP) e valores mínimos e máximos obtidos para 5.055 amostras de milho

Fonte: adaptado de Rodrigues et al. (2018)

53 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves


Tabela 3. Energia metabolizável aparente (EMA) e energia metabolizável aparente corrigida para o balanço de nitrogênio (EMAn) (kcal / kg), relacionada às características físicas do milho Variáveis Físicas

EMA (kcal/kg base natural)

EMAn (kcal/kg base natural)

Grãos quebrados

3.353

3.290

Grãos fragmentados

3.353

3.290

Ardidos e mofados

3.290

3.244

Grãos fermentados

3.334 3.176

3.266 3.122

3.353 3.381

3.290 3.310

Insetos Avariados Bons

rações

Fonte: Rodrigues et al. (2018)

Por consequência de sua classificação dentro das diferentes características propostas acima, os grãos apresentam variação nos valores nutritivos em relação aos normais, especialmente em virtude da presença de insetos, fungos, micotoxinas e de fatores anti-nutricionais.

O armazenamento de milho com teores de umidade acima do considerado ideal (12-13%) propicia a proliferação de fungos

(Mantovani et al., 2015), principalmente dos gêneros Alternaria, Cladosporium, Fusarium, Helmintosporium, Aspergillus e Penicillium

(Puzzi, 1986). O principal problema vinculado a esses microrganismos é a produção de micotoxinas, sendo as principais a zearalenona (F-2) e a ocratoxina e dois tricotecenos: a toxina T-2 e o deoxinivalenol (Ribeiro et al., 2015).

54 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves

Em estudo com amostras oriundas de empresa comercial de ração, localizada no estado de Goiás, Batista (2016) encontrou alta e positiva correlação (0,81) entre a porcentagem de grãos carunchados e a presença de Fumonisina, em ppb (partes por bilhão). O mesmo autor observou correlações moderada e baixa da presença de Fumonisina com o teor de Proteína Bruta (0,63), e também com o teor de Extrato Etéreo (0,36) e com a densidade especifica do grão (0,43). Além da presença das micotoxinas, a presença de fungos pode resultar em perda de peso, redução da relação peso/ volume e alteração da composição bromatológica dos grãos de milho.


Outro fator preocupante se refere à contaminação múltipla dos grãos de milho.

Raj et al. (2020) avaliaram a contaminação de grãos de milho colhidos no Brasil por cromatografia liquida por espectrometria de massa, e os percentuais de grãos sem detecção de micotoxinas foi de 9%, com uma micotoxina, também, foi de 9% e em 82% das amostras analisadas foram identificadas mais que uma micotoxina.

Já na avaliação realizada por Rauber et al. (2013), os autores observaram no fígado, nos rins e no intestino delgado, com impacto na conversão alimentar de frangos de corte em decorrência da presença de Fumonisina na ração. Reforça-se, assim, a necessidade de se avaliar, além das características físicas e dos valores nutricionais e energéticos, a presença desses contaminantes, que podem ser determinantes nos resultados produtivos. A adoção de medidas de mitigação desses efeitos negativos pode ser realizada com adsorventes de

seja feita e a utilização de antifúngicos no processo de armazenamento seja considerada pelos armazenadores e fábricas de ração.

micotoxinas. Para melhorar a precisão das estimativas dos valores nutricionais e da qualidade das dietas, é de suma importância a

rações

É importante que essa identificação

realização de análise física e química do ingrediente, no momento da chegada da matéria prima na fábrica.

Essa contaminação pode ocorrer também nas rações prontas, como verificado por Souza et al. (2008) em milho e rações de frangos em sistemas produtivos. Stringhini et al. (2000) relataram que a presença de micotoxinas na dieta das aves ocasionou alterações metabólicas, fisiológicas e anatomopatológicas nos animais, comprometendo órgãos como o intestino, a moela e o fígado, embora não tenham encontrado alteração no desempenho das aves em decorrência da atuação dessas toxinas.

Além das medidas de qualidade física, como a separação da diferentes frações e classificação dos grãos, como já informado acima, com as análises bromatológicas, é possível obter os teores de: Matéria orgânica (MO) Matéria seca (MS) Extrato etéreo (EE) Proteína bruta (PB) Fibra em detergente neutro (FDN) Fibra em detergente ácido (FDA) Matéria mineral (MM) Cálcio (Ca)

Contudo, os autores observaram

Fósforo (P)

aumento na ocorrência de problemas

Sódio (Na)

locomotores nos frangos.

Potássio (K) Magnésio (Mg)

55 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves


rações

Mas, é possível utilizar metodologias que

Entre as técnicas já desenvolvidas, além da

permitam, de forma simples e rápida,

análise bromatológica tradicional, destaca-se

determinar e/ou predizer a qualidade

o uso da espectroscopia da reflectância na

nutricional dos ingredientes a serem

região do infravermelho próximo (NIRS).

selecionados para composição da dieta, tornando-se uma importante aliada dos nutricionistas que formulam dietas para

A técnica NIRS fundamenta-se no desenvolvimento de modelos de

animais monogástricos.

regressão multivariada, na qual se

Com a estimativa da qualidade nutricional

espectros (variáveis independentes)

do ingrediente, é possível definir os

e a dieta selecionada, a qual irá gerar

nutrientes limitantes da dieta e com isso

os valores de referência (variáveis

corrigir os déficits nutricionais a partir de

dependentes) (Stuth et al., 2003).

outras estratégias, como, por exemplo, a suplementação com aminoácidos sintéticos e enzimas exógenas (Gonçalves et al., 2018).

56 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves

estudam as correlações entre os


Neste tipo de análise, o resultado é obtido rapidamente e não há necessidade do uso reagentes químicos. Ressalta-se que as curvas de estimativa desses valores pelo NIRS devem ser

O controle de micotoxinas e das variáveis que acarretam no seu aparecimento deve ser rigoroso devido ao elevado poder contaminantes, que consequentemente levará a perdas em eficiência

atualizadas constantemente, utilizando os valores

de produtividade na indústria.

nutricionais embasados em dados bromatológicos,

Deve-se observar a correta amostragem para reduzir a variabilidade na detecção de micotoxinas. Conforme sugerido por Mallmann et al. (2018), orienta-se a aumentar o volume e o número de pontos amostrados ou reduzir o tamanho de partícula na moagem para homogeneização.

obtidos com frequência por via úmida. Esse dinamismo da avaliação nutricional é necessário para que se permita a atualização dos dados dos ingredientes. É um processo em constante evolução, e se constitui em uma ferramenta extremamente útil aos nutricionistas e gestores de produção de rações e de aves, no intuito de buscar a

rações

máxima eficiência de produção.

Técnicas de avaliação tradicional têm sido aplicadas na detecção desses compostos, como HPLC e ELISA, que oferecem medidas importantes para a identificação das micotoxinas presentes no milho e outros ingredientes das dietas. A identificação desses compostos em equipamentos NIRS tem sido desenvolvida no sentido de agilizar a identificação desses compostos, o que pode apoiar de forma clara a decisão da utilização dos ingredientes mais adequados para a formulação de rações (Mallmann e Tyska, 2019). Mas, é importante que as técnicas tradicionais sejam mantidas em sistemas de produção, visto que os sistemas NIRS dependem destes dados para a elaboração e atualização das curvas de detecção.

57 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves


Considerações finais

A avaliação da qualidade do milho,

Para melhorar a precisão das estimativas

independente da metodologia empregada,

dos valores nutricionais e da qualidade das

sempre será fundamental na utilização

dietas, é de suma importância a realização

desta matéria prima para ração de aves.

de análise física e química do ingrediente,

rações

no momento da chegada da matéria prima Há grande variabilidade tanto em

na fábrica.

decorrência da seleção genética, quanto

Além das medidas de qualidade física,

de plantio, armazenamento e transporte que alteram as variáveis de qualidade química e física do grão.

como a separação da diferentes frações e classificação dos grãos, como já informado acima, com as análises bromatológicas, é possível obter os teores de: Matéria orgânica

É importante estabelecer procedimentos para se obter grãos de milho que atendam a todos os principais requisitos de qualidade, nunca perdendo de vista, as melhoras nos

(MO) Matéria seca (MS) Extrato etéreo (EE) Proteína bruta (PB) Fibra em detergente neutro (FDN) Fibra em detergente ácido (FDA) Matéria mineral (MM) Cálcio (Ca) Fósforo

procedimentos de colheita, transporte,

(P) Sódio (Na) Potássio (K) Magnésio (Mg).

armazenamento e destinação.

E de posse dessas informações, pode-se

Percebe-se que esses procedimentos vêm sendo fortemente trabalhados e melhorados ao longo dos anos, e isso tem trazido resultados satisfatórios na produção de ração para frangos de corte. O estabelecimento de um programa de

estimar a composição em energia a partir de equações de predição descritas pelas Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos a fração energética de cada insumo, principalmente do milho (Rostagno et al., 2017), e também com as equações propostas por (Rodrigues et al., 2018).

monitoria dos dados físicos, químicos e a identificação das micotoxinas é essencial

Qualidade do milho na ração de aves

para se garantir a qualidade das dietas, o

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rendimento econômico da produção e a saúde dos animais.

58 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Qualidade do milho na ração de aves

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“Treinando” o microbioma animal para o aproveitamento da fibra: uma nova perspectiva do modo de ação das enzimas degradantes de fibra

Enzimas degradadoras de fibra (PNAases) têm sido usadas comercialmente por mais de 30 anos. Historicamente, o foco principal sobre as PNAases estava em diminuir os efeitos anti-nutricionais da fibra, mas este vem mudando para os subprodutos da quebra da fibra.

“Nós sabemos que determinados produtos oriundos da quebra de PNA são benéficos e atuam na adaptação da microbiota intestinal, o que pode aumentar o aproveitamento da fibra e o desempenho”. Dr Gemma Gonzalez Ortiz, Gerente de Pesquisas, AB Vista

Quando as enzimas degradam a porção PNA, oligossacarídeos de cadeia curta são produzidos; estes são fermentados por bactérias no intestino, aumentando a produção de ácidos graxos de cadeia curta. Este efeito tem sido chamado de efeito prebiótico, e é considerado como um dos mecanismos de ação das PNAases, que pode ser muito

do que simplesmente melhorar a digestibilidade de fibra e a fermentação de oligossacarídeos produzidos. Quando suplementada via dieta por um longo período, a xilanase tem mostrado aumentar, efetivamente, a capacidade das bactérias do ceco em digerir fibra. Isto sugere que as xilanases causam um efeito de “treinamento” no microbioma cecal, resultando em mudanças adaptativas ao longo do tempo que aumenta a capacidade de degradar fibra (Figura 1). Isto significa que as PNAases estão fazendo muito mais do que se sabia – elas contribuem para o desenvolvimento de uma microbiota mais benéfica e, com isso, melhoram a eficiência na absorção de nutrientes da dieta pelo animal hospedeiro.

Figura 1. Amostras de conteúdo cecal de aves alimentadas com dietas contendo ou não xilanase (Econase XT) foram usadas como inóculo em ensaio de fermentação para monitorar a produção de ácidos graxos voláteis (AGV). O inóculo cecal de aves pré-expostas à xilanase aumentou a produção de butirato em comparação com as aves do grupo controle. 19 17 15

Butirato mM

A busca crescente sobre como as carboidrases agem está abrindo uma nova perspectiva do seu papel nas estratégias nutricionais para melhorar o desempenho.

13 11 9 7 5 Controle Conteúdo cecal aves do controle

C+PNA de trigo Conteúdo cecal – aves com xilanase

“Precisamos olhar para as PNAases como ferramentas para acelerar a habilidade do microbioma intestinal em degradar fibra. Em vez de degradar quantitativamente a fibra da parede celular vegetal, estas enzimas estão, efetivamente, aumentando a capacidade intrínseca do animal em digerir fibras, o que tem implicações significativas na seleção de classes de enzimas PNAases e de dosagens”. Dr Mike Bedford, Diretor de Pesquisas, AB Vista

Para saber mais sobre a pesquisa citada neste artigo e outras pesquisas relacionadas, visite www.abvista.com ou entre em contato com o representante local da AB Vista.


ALFA-MONOGLICERÍDEOS: MAIOR EFETIVIDADE AVES E SUÍNOS

PARA UMA EM

monoglicerídeos

Ellen Damen - Mestre em Ciência Animal com especialização em Saúde e Fisiologia Animal - Wageningen University & Research.

O desafio da produção animal moderna é maximizar o desempenho animal de maneira sustentável e dentro das restrições legais. A produção animal máxima começa com a otimização da saúde intestinal. No entanto, com as restrições ao uso de antibióticos, esse é um grande desafio. Somente os produtores que têm um bom controle da saúde intestinal são capazes de serem rentáveis.

60 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Alfa-monoglicerídeos: para uma maior efetividade em aves e suínos


O que podemos fazer? É por isso que o uso de ácidos orgânicos, como ácidos graxos de cadeia curta e média (AGCCs e AGCMs), é uma prática comum em dietas para frangos de corte e leitões. Com o foco global em reduzir o uso de antibióticos, sua aplicação foi aumentada ainda mais.

monoglicerídeos

Está se tornando cada vez mais claro que um intestino saudável é a base para um animal saudável.

Os ácidos orgânicos são explicitamente capazes de diminuir o pH e a capacidade tampão no estômago, matar bactérias, melhorar a digestão e reduzir o risco de diarreia e umidade da cama (Kahn, 2015).

61 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Alfa-monoglicerídeos: para uma maior efetividade em aves e suínos


monoglicerídeos

Desde há algum tempo, o uso de uma forma mais eficaz desses ácidos orgânicos está ganhando popularidade. Ligados especificamente a uma molécula de glicerol, os ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs) e os ácidos graxos de cadeia média (AGCMs) mostram até propriedades antibacterianas mais fortes. Essas novas moléculas, desenvolvidas pela FRA®melco e distribuídas em todo o

Os alfa-monoglicerídeos apresentam propriedades antibacterianas marcantemente mais fortes do que os ácidos graxos livres e ainda com vantagem de que as bactérias alvo não são capazes de gerar resistência.

Brasil pela BIOSEN® AGROINDUSTRIAL, são chamadas de ‘alfa monoglicerídeos’.

62 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Alfa-monoglicerídeos: para uma maior efetividade em aves e suínos


Alfa-monoglicerídeos Os alfa-monoglicerídeos são moléculas

É precisamente a ligação nessa posição que

nas quais um AGCC ou AGCM está ligado

os torna independentes do pH, o que é muito

à primeira posição de uma molécula de

importante para serem eficazes em todo o trato

glicerol (figura 1).

gastrointestinal.

Figura 1. Visão esquemática geral de um α-monoglicerídeo, 1,3-diglicerídeo, triglicerídeo e β-monoglicerídeo (FRAmelco, 2019).

FATTY ACID

1,3-diglicerídeo

FATTY ACID

FATTY ACID

Triglicerídeo (gordura)

FATTY ACID

β-monoglicerídeo

As propriedades antibacterianas

Esses alfa-monoglicerídeos mostram

de uma substância podem ser

efeitos antibacterianos muito

demonstradas através da realização

mais fortes em comparação com

de um teste in vitro de Concentração

os correspondentes ácidos graxos

Inibitória Mínima (CIM ou MIC).

livres, por exemplo, alfa-monobutirina comparado com ácido butírico livre

O MIC é a menor concentração

(Thormar et al., 1987; Hilmarsson et al., 2005), de acordo com a Tabela 1. Tabela 1. Concentração Inibitória Mínima (MIC) de ácido butírico e alfa-monobutirina em bactérias Gram-negativas a pH 4,5 e pH 7. NA = não aplicável (sem efeito). FRAmelco, 2017.

FATTY ACID

monoglicerídeos

FATTY ACID

GLYCEROL

α-monoglicerídeo

GLYCEROL

GLYCEROL

GLYCEROL

FATTY ACID

de uma substância que impede o crescimento de uma bactéria.

pH

S. Typhimurium S. Choleraesuis

E. Coli

Ácido butírico

4.5

2.00%

4.00%

4.00%

Alfa-monobutirina

4.5

0.06%

0.12%

0.12%

Ácido butírico

7

NA

NA

NA

Alfa-monobutirina

7

0.06%

0.12%

0.12%

63 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Alfa-monoglicerídeos: para uma maior efetividade em aves e suínos


Há vários tipos de monoglicerídeos, cada

Por outro lado, os alfa-monoglicerídeos

um com suas próprias características.

dos ácidos graxos de cadeia média

Os alfa-monoglicerídeos dos ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs),

(AGCMs) como alfa-monocaprilina (C8), alfa-monocaprina (C10) e alfa-monolaurina (C12) são mais

como a alfa-monopropionina (C3) e

eficientes contra bactérias Gram-

a alfa-monobutirina (C4), são ativos

positivas. Eles são usados principalmente

principalmente contra bactérias

em misturas devido ao efeito sinérgico

Gram-negativas.

desejado (Batovska et al., 2009; Hanczakowska

et al., 2013; FRAmelco, 2017).

monoglicerídeos

Outras vantagens Os alfa-monoglicerídeos são independentes do pH, seguros para uso e fáceis de manusear. Sua alta eficácia deve-se principalmente ao fato de atuarem em diferentes valores de pH, deste modo, em todo o trato gastrointestinal. Ao contrário dos ácidos orgânicos convencionais, os alfa-monoglicerídeos têm um sabor e cheiro neutros, de modo que a ingestão de alimentos não é afetada. Um benefício adicional do uso de alfa-monoglicerídeos é o fato de os patógenos não desenvolverem resistência contra eles, o que é uma boa notícia para os cuidados de saúde global.

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Alfa-monoglicerídeos: para uma maior efetividade em aves e suínos

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64 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Alfa-monoglicerídeos: para uma maior efetividade em aves e suínos


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SAÚDE INTESTINAL E PIGMENTAÇÃO DO

FRANGO DE CORTE

fibras

Luis Pantoja1, Óscar González2 1Corporate Brand Manager. Unidade de Avicultura HIPRA, Espanha 2Chefe de serviços técnicos de Avicultura, HIPRA México

66 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Saúde intestinal e pigmentação do frango de corte


Essa coloração é obtida com a combinação de xantofilas, que trazem cores amarelas (luteína, zeaxantina e criptoxantina) e, em algumas regiões, vermelhas (capsantina e/ou cantaxantina), para que juntas possam atingir uma tonalidade dourada de aspecto natural.

Filipinas, Peru e certas regiões da Espanha, entre outras, a coloração da pele do frango de corte representa um importante fator na escolha da ave que se compra, já que o consumidor relaciona diretamente as tonalidades amarelas e/ou douradas com a boa qualidade, frescor e saúde do frango. Neste artigo, analisamos o efeito que diferentes fatores podem ter sobre a pigmentação no frango.

A pigmentação é um processo cumulativo, cujo ciclo de coloração dura aproximadamente de 2 a 3 semanas.

Essas substâncias pigmentantes podem ter uma origem natural, estando presentes no milho, na farinha de glúten de milho, alfafa, calêndula, entre outras. Ou também podem ser utilizados pigmentos sintéticos, que colorem

fibras

E

m alguns países, com destaque para o México e outros, como China,

mais rapidamente, mas com um custo mais alto. A mistura dos O custo da matéria-prima para obter essa pigmentação é considerável (representa de 8 a 10% do custo total da dieta), e varia dependendo da intensidade da tonalidade final que se pretende alcançar (muito diferente

diferentes ingredientes pigmentadores depende do mercado ao qual as aves serão destinadas, bem como da disponibilidade e do preço dos pigmentos.

segundo os costumes de cada país). No caso de não alcançar os valores requeridos e/ou apresentar inconformidades, em geral, são aplicadas penalidades econômicas no preço do quilo da carne no momento da comercialização.

67 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Saúde intestinal e pigmentação do frango de corte


fibras

A absorção do pigmento é realizada pelo tecido epitelial ciliado do intestino médio e, para que seja feito de modo adequado, é necessário realizar um processo de hidrólise enzimática das xantofilas que entram com a dieta na forma de ésteres de ácidos graxos. Claro que, para isso, é necessário um estado de saúde muito bom da mucosa intestinal, que deve estar livre de infecções, tais como enterite bacteriana ou lesões de coccidiose aviária.

68 nutriNews Brasil 2º trimestre 2020 | Saúde intestinal e pigmentação do frango de corte

A absorção do pigmento pode ser afetada por muitos fatores, incluindo a coccidiose aviária


Há muitos outros fatores que podem afetar a absorção de pigmentos, como os relacionados com a própria dieta:

Falando especificamente sobre a coccidiose aviária A coccidiose aviária, como já foi dito, é um dos fatores mais importantes que podem de afetar a pigmentação, tendo sido constatado reduções nos níveis de luteína no soro de até 90% como

Concentração Tipo e combinação de xantofilas

consequência da doença.

micotoxinas, etc.

E, mais concretamente, as espécies implicadas são Eimeria acervulina, E. praecox, E. mitis e E. maxima, já que causam descamação e encurtamento

Programas de alimentação

das vilosidades da mucosa intestinal e parasitam as regiões de maior absorção

Fatores tóxicos, como

Instalações (os sistemas Brown out apresentam níveis inferiores de pigmentação) Linhagem genética (algumas delas têm capacidade limitada ou nula de alcançar níveis de

de pigmento no intestino das aves.

Além disso, a Eimeria maxima é o principal fator que predispõe a outra importante doença capaz de afetar a integridade intestinal e a absorção de pigmento: a enterite necrótica produzida pela bactéria Clostridium perfringens

fibras

Interação das xantofilas com outros ingredientes, especialmente os gordurosos

(Williams, 2005).

saturação de pigmento) Sexo (as fêmeas pigmentam melhor do que os machos)

Portanto, é de fundamental importância obter um bom nível de proteção para evitar as lesões e as consequências da coccidiose nos frangos, e assim alcançar os parâmetros desejados ao término da pigmentação. O método mais utilizado para o controle de Eimeria spp. é o uso de medicamentos coccidiostatos no alimento.

Doenças, não só as que diminuem o consumo de alimento (e, portanto, de xantofilas), mas também, como mencionamos anteriormente, as doenças que causam danos entéricos (coccidiose, enterites bacterianas, etc.), uma vez que a absorção de xantofilas está diretamente relacionada com a saúde e integridade intestinal (Ortega et al., 2012).

Contudo, a adição de medicamentos está sendo cada vez mais limitada em todo o mundo por questões de desmedicalização.

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Como principal alternativa, o uso de vacinas vivas atenuadas contra a coccidiose tem demonstrado ser uma opção muito eficaz para a prevenção da coccidiose, tanto no desenvolvimento da imunidade à doença como substituindo das cepas do campo resistentes

Além disso, com o uso consecutivo e prolongado durante anos de um limitado número de princípios ativos anticoccidianos, houve um aumento no surgimento de cepas do parasita resistentes à sua ação; isso faz com que cada vez mais problemas em aves tratadas com substâncias anticoccidianas sejam constatados, apresentando deficiências

aos coccidiostatos (Ronsmans et al., 2015).

em sua pigmentação, consequência de uma coccidiose subclínica e uma subsequente

Gráfico: Pontos de pigmentação na pele (Minolta CR-400)

deterioração da saúde intestinal.

O gráfico ao lado mostra a melhoria no nível de pigmentação que envolveu o uso de uma vacina

Pontos de Pigmentação

Pontos de pigmentação na pele (minolta cr-400)

comparação com o histórico de aves tratadas com coccidiostatos em anos anteriores.

Dias de Vida

fibras

atenuada por precocidade para a coccidiose em frangos, em

18,0 16,0 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0

S/VACINA 6,9 10,1 12,9 15,3

28 35 42 49

HIPRACOX 8,4 11,6 13,3 16,2

Além disso, se forem utilizadas vacinas que incluam essas cepas atenuadas por precocidade, caracterizadas por seu baixo nível de replicação (quase sem lesões micro e macroscópicas), é possível evitar o efeito prejudicial sobre a integridade e a saúde intestinal e, portanto, sobre a absorção de pigmento, que comumente está associada ao uso de vacinas à base de cepas não atenuadas.

Saúde intestinal e pigmentação do frango de corte

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Revista nutriNews Brasil 2 Trimeste  

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