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Abril de 2019 | 15ª Edição

Grand’olhar

JORNAL DO AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE GRÂNDOLA Colaboração|Maria Coelho, Carolina Batista, Diogo Domingues, João Silva, Miguel Rito e João Parreira Professores e alunos do Agrupamento Revisão|Professoras Esperança Calado e Sara Moura Edição|Biblioteca Escolar do Agrupamento de Grândola


Editorial O Grand'Olhar faz-se com a colaboração de todos. Procura a diversidade dos temas, aliados à atualidade e à pertinência do momento. As aulas estão a acabar para mais uma interrupção letiva. Desejamos a todos umas boas férias da Páscoa.

Índice Editorial ...………………...………………………………………………………………………….….3 Destaques .……………..……….….....…….….........……...……........……...…….………………….4 Escritas ……………………..….......……...….........……...…….………….…………...….………..…7 Cartas de Amor....…..………...…….......……...…….….......……...…….…………………..….....11 Animália...………...…..………...…….......……...…….….......……...…….…………………..….....13 Jovens Repórteres Para o Ambiente ...…...…….….......……...…….………………..….....14 Passa o Tempo ………....…………….….….......……........……...…….………..…….…………..15 Sugestões Relevantes.…………….….…….....……........……...…….………..…….…………..16


Destaques CHÁ COM LETRAS No passado dia 27 de fevereiro, pelas 19h30, teve lugar mais uma edição do “Chá com Letras”, tendo como tema “Carnaval na eira, Páscoa na lareira…” e que contou com a presença de mais de uma vintena de participantes, entre os quais alunos do ensino básico e secundário, candidatos do processo RVCC, docentes e encarregados de educação. Relacionados com o tema, foram partilhados alguns textos, uns originais e outros de escritores conhecidos, bem como curiosidades e costumes de vários países relacionados com a comemoração do Carnaval. No início e no final da sessão os presentes foram brindados com momentos musicais bastante apreciados. No final, antes do habitual convívio, o júri procedeu à escolha das chávenas mais originais.

MIÚDOS A VOTOS As eleições do Concurso Miúdos a Votos já se reali-

zaram e os alunos do 1º e 2º ciclo tiveram a oportunidade de votar no livro que consideram mais “fixe”, durante todo o dia 15, nas mesas de voto colocadas para esse fim. No 1º ciclo, o livro “O Tubarão na Banheira” ficou no topo das preferências e no 2º ciclo o livro que teve mais votos foi “Harry Potter e a Câmara dos Segredos”. Na E.B.1 de Grândola o livro vencedor foi o “Cuquedo”.

DIA MUNDIAL DA POESIA No dia 21 de março comemorou-se o Dia Mundial da Poesia com a leitura de poemas e uma exposição de trabalhos. Este foi o resultado da sensibilização aos alunos para a importância da poesia, num esforço conjunto dos professores que se envolveram e da biblioteca escolar.


Destaques DIA MUNDIAL DA ÁRVORE Dia 21 de março foi o dia Mundial da Árvore e para o comemorar, as turmas do 3º ano da E.B.1 de Grândola receberam a visita da engenheira agrónoma Rita, nos dias 11 e 13 de março, para nos falar sobre o sobreiro. O sobreiro é uma árvore autóctone de Portugal. A parte mais importante que se tira desta árvore é a cortiça. A cortiça tem muitas utilidades, mas o fabrico de rolhas é a principal. Nós gostámos muito da apresentação porque aprendemos muitas coisas sobre o sobreiro, que é uma árvore que predomina na nossa região. Ficámos a saber que existe um sobreiro, em Águas de Moura, com 234 anos, que tem um tronco tão grande, que são necessários cinco adultos, de mãos dadas, para abraçar o seu tronco. Este sobreiro é conhecido como o “Assobiador” e venceu o concurso da Árvore Europeia do ano 2018. Foi uma sessão muito interessante!

EXPOSIÇÃO ALUSIVA AO “DIA INTERNACIONAL DA MULHER” No passado dia 8 de março, no âmbito da atividade “A Biblioteca celebra…”, a Biblioteca Escolar da ESAIC, comemorou o “Dia Internacional da Mulher”, com uma pequena exposição alusiva ao tema. A exposição procurou recordar conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, independentemente das suas diferenças nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, económicas ou políticas; por outro lado, também pretendeu chamar a atenção para a necessi-

dade de uma mudança nas relações sociais estabelecidas entre mulheres e homens, dada a continuidade de situações de desigualdade em função do género.

ISABEL ALÇADA NA BIBLIOTECA ESCOLAR DA EB1 A Biblioteca Escolar da E.B.1 de Grândola recebeu a agradável visita da escritora Isabel Alçada, no dia 15 de março, que encantou os

alunos do 2.º ano com as aventuras e desventuras da "Bruxa Cartuxa" e dos "Primos". A autora sensibilizou os alunos para a importância de proteger a natureza com o livro "Há fogo na floresta". No âmbito deste encontro, os alunos realizaram alguns trabalhos, que complementaram a atividade.


Destaques PASSEIO PEDESTRE No dia 22 de março, algumas turmas da E.B.1 de Grândola, participaram no Passeio Pedestre Anual. Fomos celebrar o Dia da Árvore, aprender a observar a fauna e a flora e conhecer melhor o nosso concelho. Partimos no autocarro às 9 horas e fomos até ao ponto de partida em Vale Poço. Seguimos o itinerário, sempre atentos aos sinais que orientavam o percurso, durante o qual tivemos que encontrar balizas que tinham perguntas ou imagens para respondermos. Chegámos por volta do meio-dia e meia, alegres e cansados… mas valeu a pena!

SESSÃO DE SENSIBILIZAÇÃO “VIOLÊNCIA NO NAMORO” No passado dia 14 de março, as turmas de 9.º ano e do 2.º ano do CEF-ADM, participaram em sessões de sensibilização sobre a Violência no Namoro. Esta atividade, organizada pela equipa da Biblioteca Escolar, em parceria com a C.P.C.J. de Grândola, foi dinamizada por elementos do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) e permitiu aos alunos uma reflexão sobre o tema.

Texto coletivo-Turma do 2º/3ºD

OPINIÃO Entre os dias 28 de janeiro e 8 de fevereiro, no âmbito da atividade “A Biblioteca celebra…” foi organizada a exposição “ Chamem -nos por este nome…” para assinalar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Na minha opinião, esta exposição na Biblioteca escolar, foi muito interessante, porque nos mostrou uma catástrofe extremamente triste, onde morreram milhões de pessoas, essencialmente judeus. Nesta exposição, podemos encontrar imagens de algumas vítimas do Holocausto e ainda livros, artigos e filmes sobre esse acontecimento. É importante conhecer estes factos, porque é sempre bom saber o que se passou para que não se volte a repetir uma tragédia com esta dimensão. Assim, com esta exposição todos os alunos conseguiram ficar mais sensibilizados para o drama que foi o Holocausto. Por: Rodrigo Brotas 9ºF

OLIMPÍADAS PORTUGUESAS DA BIOLOGIA JÚNIOR 2019 Ficaram apurados para a 2.ª Eliminatória das Olimpíadas Portuguesas da Biologia Júnior 2019 - os alunos:  Diogo Monteiro, Patrícia Maria Guica e Pedro Silva. Esta eliminatória decorreu no passado dia 20 de março, quarta-feira, pelas 14h e 30 min na Escola Secundária António Inácio da Cruz. Aguardamos pelos resultados.

OLIMPÍADAS PORTUGUESAS GEOLOGIA 2019

DA

Sábado, dia 30 de março, decorreu a fase regional das Olimpíadas Portuguesas da Geologia 2019, em Faro. As alunas apuradas foram a Ana Carolina Vieira, Inês Pereira e Maria Carolina Santos. A professora Ofélia Valério acompanhou -as.


Escritas A GOTA DE ÁGUA Era uma vez uma gota de água pequena. A sua mãe era a chuva, a rainhas das alturas e o seu pai era o rio, o mais veloz levava as gotas de água para o pé do seu tio, o maior reservatório do mundo, o seu nome era Oceano. Ela era só uma gotinha de água que andava a descobrir o mundo. Um dia a gotinha de água pediu bolei à sua amiga, a Carolina, ela era só uma nuvem pequena, que transportava gotas de água era fantástica, também ia conhecer o país que a gotinha queria conhecer, era o Líbano, era muito grande e ficava na Ásia ou na África, ela também não sabia onde era. Então, passaram pelo Paquistão, pela China, Vietname, … até que chegaram a um país, que era grande e ficava na Europa e na Ásia, era a Rússia. Até que a gotinha disse: - Não, não, não, não é esse o país! – exclamou a gotinha. - Não?- perguntou a nuvem Carolina. - Não, é grande, não, não é a Rússia, fica na Ásia ou na África- disse a gotinha. - Ah! Já sei onde é esse país, é na Ásia- disse a nuvem. - Então vamos – implorou a gotinha. Andava, andava, até chegarem a um país grande, que não era a Rússia, mas ficava na Ásia. - Pronto, chegamos – disse a nuvem. - Qual é o nome do país? – perguntou a gotinha. - Estamos na China – disse a nuvem. - Não, é para o Líbano!!! – exclamou a gotinha. Então andaram e andaram até que veio a sua mãe, a chuva, e a gotinha caiu e aterrou numa montanha do Líbano.

- Iupi, cheguei! – exclamou de alegria a gotinha. Mas começou a escorregar e foi ter com o seu pai, o rio, e depois com o tio, e depois com a mãe, com o pai, com o tio, sempre assim. - Agora é que eu percebi, isto é a cidade água, e eu aterro em qualquer lado! Exclamou a gotinha. Por: Diogo Domingos 6ºE

O DIA DO ADEUS Quem foi que te criou? Quem com amor te pintou? Deus, que me deu a sorte de te poder abraçar E agora…não quero mais largar Nem a mais bela flor Despertou em mim este amor Quem foi o jardineiro que de ti cuidou? Quem foi o monstro que de ti me afastou? Grande foi a ferida que em mim ficou Olha para mim…perdido estou Se morrerei não sei Mas sem ti eu sofrerei Perdeu-se o amor mais belo Destruiu-se o castelo Que com amor construí E com dor te perdi Doeu dizer-te adeus Doeu ver-te partir Algo em mim se perdeu Foi aí que o sol escureceu Por: Maria Eduarda 11.º C


Escritas HORAS MORTAS

Nunca ninguém o levaria

Aqui estou eu a passar mais umas horas mortas A olhar para os ponteiros de relógio, para ver se voltas Não há nada que me possa animar Nem mesmo quando vou contemplar o mar

E em choque espero o toque Que me há-de deixar são Num rochedo basáltico de São Roque Paciente aguardo pela tua mão

E procuro-me refletido por entre as ondas Só queria que estivesses novamente perto de Que rebentam no que outrora escaldou Mas parece que me falta algo mim Parece que nada sou Sinto muito a falta do teu fiel conselho Queria voltar a ter-te assim Pareço ter um reflexo invisível, porque não Nem que fosse um retrato no espelho me vi ali Não sei o que fazer quando a morte nos bate Sem ti fiquei sem parte de mim E desde que partiste não me reconheci à porta Mas sei que ficaste como uma flor morta Num pensamento circular que não me deixa Sei que estás num bom lugar sair do sítio Junto das estrelas, sei que vais gostar Sou preso à certeza de não saber para onde ir E no meio de tanto sentimento distinto é proOlho para a paisagem pício Como se estivesse contigo Que só parte de mim te queira deixar partir Apenas de passagem Porque apenas é um passatempo antigo Sigo oscilando, como um pêndulo E ondulo consoante este rio de sangue Por: Luísa De Almeida 11ºC Que me deixa refugiado num templo Onde busco motivos para pensar adiante Estou repleto de náuseas A bordo de um barco que flutua sobre o meu afogamento Navego à deriva neste casco de lágrimas Enquanto caio de súbito no meu desalento E é de súbito que me encontro perdido No cume de tudo o que temo Desprovido de qualquer sentido À procura de responder ao meu ermo Pois há um vazio que me preenche Seja ele falta de tudo ou excesso de nada Mas não é esse vazio o que me vence Mas sim o todo que me está em falta Porque esse vazio só me foi deixado Pela parva ideia que em mim persistira De que tudo aquilo que levava a meu lado

Mas cada momento é uma eternidade E o amanhã ainda me é distante Agora és um ponto de descontinuidade Quando costumavas ser o maximizante Vejo-me ainda obrigado a viver contigo num passado Que por ser tão próximo parece que ainda perdura E assim fico-me por refletir só mais um bocado Sobre o que foi deixado no lado negro da lua. Por: Dinis Contente


Escritas SUAVE Suave o tempo passa Suavemente ele decorre Mesmo que ele nada faça A suavidade em mim escorre Tenho um problema grave Dentro da imaginação O tempo que suave Passou por dentro do meu coração Tempo continua até chegar a hora Desse derradeiro final Penso que a suavidade agora Não passa dum episódio temporal Assim prossigo nesta vida Tempo passa em suavidade Nunca mais chega o momento De acabar esta beldade Se continuar nesta rotina Não passarei dum espantalho Se um dia conduzir numa ravina Derrubarei até o mais alto carvalho Meus amigos não desanimem agora Pois quando ele terminar Uma voz vinda de cima irá exclamar: "Meu caro, é a Hora!"

Quando partirem vão para o mesmo local Branco ou preto é tudo igual! Por: Ana Pratas, n.º 2, 10.º D

LITERATURA Em literatura é assim, Primeiro vem Fernão Lopes, Com as suas crónicas de louvor, Até parece que esteve lá, para relatar. Depois vem Camões, Com a sua lírica, Traz o ideal de mulher na mente, E a sua rima. Depois vem Fernão Mendes Pinto, Que tem muito para nos dizer, Cantou-nos amor e pão, Pois estava na “Peregrinação”. Por fim vem Bocage, Não tenho muito a dizer, Pois ainda não estudei, Mas sonetos devem ser. Por: Laura Miranda, n.º 16, 10.º D

Por: Miguel 12ºB

A DESIGUALDADE SOCIAL A Desigualdade social é um grande mal. Preto ou branco é tudo igual! A dissimetria global é bastante universal. Branco ou preto é tudo igual! Quando falecem vão para o mesmo lugar. Preto ou branco é tudo igual!

No teu olhar me perco E no teu abraço me encontro O teu sorriso traz-me encanto E a tua tristeza desencanto me traz. O teu espírito e a tua essência São de tal forma cativantes Que se tornaram no meu cativeiro Cativeiro ao qual ofereço resistência Sou escrava das tuas vontades E detentora dos meus desejos. Sei que é a ti que eu quero Para atender às minhas necessidades. Por: Marta Bartolomeu 10ºD


Escritas A HISTÓRIA DE ALGUÉM COMO NÓS

Só nos queria torturar

Mal posso acreditar Que a humanidade seja assim Por isso vou-vos contar a minha história Para saberem o meu fim

Nunca soubemos o seu nome Mas Doutor Morte ouvimos chamar Dizia-se ser nosso amigo Que só nos queria salvar

Estava eu em casa relaxada A rezar com os meus pais Até que nos arrombaram a porta E do nada nos trataram como animais

Ingenuamente acreditávamos E tentávamos colaborar Vi gargantas serem cortadas Mas ninguém podia piar Nesse aspeto tive sorte Nada de “mal” me aconteceu Obrigado Dr. Morte Por não ter maltratado mais um judeu

Do dia para a noite Mudaram a nossa vida! NÓS NÃO PODIAMOS RESISTIR NÃO HAVIA OUTRA SAÍDA… Engaiolados em vagões Levaram-nos para longe dali Para longe da nossa terra, família Um dia triste para mim Demos de caras com um portão Tão brilhante e grandioso Mal podíamos esperar, que aquele palácio Escondia um inferno tenebroso Entramos bastante confusos E guiaram-nos para uma sala Onde estava tudo escuro Mais parecia uma jaula Sem nada perceber Sentaram-me numa cadeira O barulho de uma horrível máquina A cortar a minha linda cabeleira De lágrimas nos olhos Mas ainda sem nenhuma dor sentir Vejo um ferro quente com números Na minha direção a vir Uma dor dos infernos Só me apetecia gritar Dos mais rigorosos invernos Só com um pijama às riscas vou ter de aguentar Dividiam-nos por tamanhos, cores e idades Nunca mais vi quem conhecia Levaram-nos para um barracão Vai ser longa a minha estadia… Noutro dia ao amanhecer Um barulho estranho fez-se ouvir Alguém nos queria ver Talvez uma oportunidade para eu sair! Quando vi entrar um homem De bata branca vestida, e malícia no olhar Ele não queria saber de nós

Mas eu não durei muito tempo O meu fim estava-se a aproximar Noutro dia pela manhã Quando o tal barulho se fez soar Acordaram-nos e meteram-nos em fila Pelos números dos braços nos ordenaram Levaram-nos para uma casa de banho Será que da nossa higiene se lembraram? Disseram que seria um banho rápido Mal podia esperar Água quentinha como em casa No meu corpo vou sentir Sem conhecer ninguém Fomos para o balneário se despir Algo deveras constrangedor Mas que ali, nem se fazia sentir Já debaixo dos chuveiros Com o barulho dos canos a subir apagam-se as luzes… fez-se silêncio…

GRITOS COMEÇAM-SE A OUVIR Maldito banho Maldita dor Maldita a hora Que eu acreditei naquele senhor Não consigo respirar Chegou a minha hora E assim, numa câmara de gás Acabou a minha história… Ambos os poemas por: Ana Gabriela Prezado, Ana Júlia Gomes e Inês Alexandra Gonçalves, 9.º C., no âmbito da disciplina de História, com a docente Lucília Lança.


Cartas de Amor No âmbito da disciplina de Português, os alunos do 10º ano da turma D leram algumas cartas de amor que ficaram na história e o desafio foi criarem as suas respostas. Vamos publicar aqui as cartas redigidas pela Marta Bartolomeu, Ana Pratas, Duarte Parreira, Diana António, Laura Miranda e Mariana Marques. “Eu sabia que seria apenas depois de te teres ido embora que iria perceber a completa extensão da minha felicidade e, alas! o grau da minha perda também. Ainda não a consegui ultrapassar, não se não tivesse à minha frente aquela caixinha pequena com a tua doce fotografia, pensaria que tudo não teria passado de um sonho do qual não quereria acordar. Contudo os meus amigos dizem que é verdade, e eu próprio consigo-me lembrar de detalhes ainda mais charmosos, ainda mais misteriosamente encantadores do que qualquer fantasia sonhadora poderia criar. Tem que ser verdade. Martha é minha, a rapariga doce da qual todos falam com admiração, que apesar de toda a minha resistência cativou o meu coração logo no primeiro encontro, a rapariga que eu receava cortejar e que veio para mim com elevada confiança, que fortaleceu a minha confiança em mim próprio e me deu esperanças e energia para trabalhar, na altura que eu mais precisava. Quando tu voltares, querida rapariga, já terei vencido a timidez e estranheza que até agora me inibiu perante a tua presença. Iremos sentar-nos de novo sozinhos naquele pequeno quarto agradável, vais-te sentar naquela poltrona castanha, eu estarei a teus pés no banquinho redondo, e falaremos do tempo em que não existirá diferença entre noite e dia, onde não existirão intrusos nem despedidas, nem preocupações que nos separem. A tua amorosa fotografia. No início, quando eu tinha o original à minha frente não pensei nada sobre a mesma; mas agora, quanto mais olho para ela mais esta se assemelha ao objecto amado; espero que o rosto pálido se transforme na cor das nossas rosas, e que os braços delicados se desprendam da superfície e prendam a minha mão; mas a imagem preciosa não se move, pare-

ce apenas dizer: «Paciência! Paciência” Eu sou apenas um símbolo, uma sombra no papel; a tua amada irá voltar, e depois podes negligenciarme de novo». Eu gostaria imenso de colocar esta fotografia entre os deuses da minha casa que pairam acima da minha secretária, mas embora eu possa mostrar os rostos severos dos homens que reverencio, quero esconder a face delicada da minha amada só para mim. Vai continuar na tua pequena caixinha e eu não me atrevo a confessar a quantidade de vezes, nestas últimas vintequatro horas, que tranquei a minha porta para poder tirar a fotografia da caixa e refrescar a minha memória.” Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays, 19 de Junho 1882 (excerto)

Meu querido Freud, Percebo essa tua angústia e essa tua saudade, sinto exatamente o mesmo. Está saudade que carrego, é me difícil de superar, mas penso que terá sido o melhor para nós. Ainda guardo todos os nossos momentos, em especial o dia do nosso casamento. Se quiseres saber, todos os dias olho para a nossa fotografia, aquela que tenho guardada na caixa que tu me ofereceste. Freud, és o meu rapaz tímido, aquele que se destaca no meio de tanta gente, acho que é isso que me faz ter tanta admiração por ti. Quando eu voltar, iremos sentarmonos de novo, sozinhos, naquele pequeno quarto agradável e iremos matar toda a nossa saudade. Com muito amor Martha Imagem: https://www.pinterest.pt/pin/ 438819557428416887/, consultado a 21 de março 2019


Cartas de Amor sa bem! Há então nessa coisa como uma severidade quase religiosa, uma sacro-santidade que assusta e perturba. Duas almas que se unem para sempre e que, tendo individualidades diferentes, não podem jamais tornar a ter interesses diferentes.” Eça de Queirós, in “Carta a Emília de Resende, 1885”

Imagem:https://feq.pt/2017/06/09/emilia-de-castro -pamplona-a-esposa/, consultado a 21 de março de 2019.

“Bom! Recebo neste instante a sua carta escrita à luz de uma só vela - e tenho de retirar tudo, tudo, tudo o que escrevi! Pois acabou-se! Não retiro. A minha querida dizia no outro dia que devíamos mostrar um ao outro todos os estados de espírito em que tivéssemos estado. Mostro-lhe, assim, que estive hoje, ontem, antes de ontem num estado de impaciência por uma palavra sua, gemendo e queixando-me de «ne voir rien venir». E mostro-lhe assim o desejo de ter todos os dias, ou quase todos, um doce, adorado, apetecido e consolador «petit mot». (...) As pessoas que se estimam nunca deviam se apartar; a culpa tem-na a nossa complicada civilização; o encanto seria que os que se amam se juntassem em tribos, acampando aqui e além, com as suas afeições e a sua bilha de água, and «settling down to be happy, anywhere, under a tree». Cada dia que passa, agora, me aproxima de si. (...) Eu também não realizo bem a situação. Ela não deixa de ser ligeiramente romântica. Separamo-nos amigos, reencontramo-nos noivos. Que profunda, grave, séria diferença! Enquanto a gente se escreve, num tom de alegre felicidade, gracejando por vezes, falando de sentimentos e dando «notícias do coração» - «a coisa» parece apenas uma «flirtation» (...) Mas quando se pen-

Acabo de receber a sua carta, que mata um pouco desta saudade infinita que sinto por si. Era lindo poder ver essas tribos, como você diz, e inclusive participar nelas consigo ao meu lado, compartilhando este sentimento tão bom, o qual lhe chamamos Amor. Infelizmente, essa fantasia nunca se realizará, pois como você sabe, e referiu, a civilização é complicada demais, não consegue ver a simplicidade deste sentimento tão particular do ser humano, por isso resta-nos imaginar e sonhar à noite, enquanto tentamos adormecer! Emília. Nos próximos números iremos publicar as restantes cartas.


Animália por Maria Coelho e Carolina Batista ESTUDANTES DE PORTUGAL E DE mente em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, TODO O MUNDO EM GREVE PELO CLIMA “Não podemos resolver uma crise sem tratá-la como uma crise. Temos de manter os combustíveis fósseis debaixo do solo e temos que nos focar na igualdade. Se as soluções dentro do sistema são tão impossíveis de encontrar, então talvez tenhamos de mudar mesmo o sistema.” – quem o diz é Greta Thunberg, a rapariga sueca de 15 anos, que iniciou sozinha este movimento, tendo já sido nomeada para o Prémio Nobel da Paz. As alterações climáticas são a maior crise alguma vez enfrentada pela civilização humana, com risco de, em onze anos, serem destruídas muitas das bases materiais que permitiram o surgimento da civilização (estabilidade das estações, a disponibilidade de recursos) e a própria existência da espécie humana (dependente da produção agrícola e da produtividade marinha). É um sinal de alarme total.

No passado dia 15 de março realizou-se uma manifestação pelo clima que contou com a participação de vários países, Bélgica, Escócia, Inglaterra, Suécia, Suíça, Alemanha, Nova Zelândia, Austrália, Itália, Canadá, e Portugal que aderiram ao movimento. Em Portugal, a manifestação ocorreu principal-

Leiria, Évora e Faro. Mas as greves continuam a decorrer todas as sextas feiras. Os já costumeiros críticos dizem que os estudantes querem é um pretexto para não ir às aulas, com o intuito de desvalorizar ou mudar o assunto. Rita Vasconcelos, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, também criticou o Presidente da República, referindo que Marcelo Rebelo de Sousa, “não tem poder direto sobre os atos legislativos que saem na Assembleia da República, mas deve pressionar para que se faça alguma coisa”. A aluna acrescenta ainda que os estudantes “não vão parar de reclamar o direito por aquilo que é um planeta sadio”. Os cinco anos mais quentes alguma vez registados à escala global foram os últimos cinco anos. O ano de 2018 voltou a bater o recorde de emissões de gases com efeito de estufa. Quando vimos esta notícia sobre as greves climáticas estudantis, foi uma inspiração. Percebemos que todos nós podemos ter uma voz, agir e fazer a diferença pelo que achamos correto, por aquilo em que acreditamos. Procura no Facebook (greve climática estudantil) e segue para saberes as novidades. A próxima manifestação já está agendada – 24 de maio e o lema é: “Agora que já estás de pé, não te voltes a sentar.” Fontes: https://www.fridaysforfuture.org https://www.publico.pt/2019/02/12/ciencia/ opiniao/greve-clima-onda-justica-climatica-invadeescolas-1861507 https://greveclimaestudantil.wixsite.com/ greveclimaticapt


Jovens Repórteres Para o Ambiente por João Silva, Miguel Rito e João Parreira ÁRVORES DA NOSSA ESCOLA JACA (ARTOCARPUS HETEROPHYLLUS) O nome científico Artocarpus heterophyllus deriva dos vocábulos gregos artos ("pão"), karpos ("fruto"), heteron ("distinto") e phyllus ("folha"), significando, portanto, "frutapão de folhas diferentes". O nome é uma referência às folhas da jaqueira, que são distintas (sem lobos) em relação às da planta da fruta-pão, apesar de ambas as plantas pertencerem ao mesmo gênero: Artocarpus.

CIPRESTE (CUPRESSUS SEMPERVIRENS) Árvore muito característica da paisagem mediterrânica, de porte mediano 20-25 m, pode atingir 30 m de altura. Possui duas formas: a de copa fusiforme com ramos fastigiados e a de copa piramidal com ramos patentes; resinosa com ramagem

densa

de

folha persistente. O tronco ereto, gretado é

de

cor

castanho-

acinzentado.

Os ramos são eretos ou patentes, os raminhos novos mais ou menos tetragonais com inserção irregular no raminho principal. A cor dominante é o verde-escuro. In: https://pt.wikipedia.org/wiki/Artocarpus_heterophyllus


Passa o Tempo... PROBLEMA DO MÊS de março “A CAIXA” A Maria vai decorar uma caixa com 240cm de fita dourada, como podes ver na figura. A caixa, em forma de paralelepípedo, mede 30cm de altura e tem de largura o dobro do comprimento. Quais são as dimensões da caixa?

Podes responder na Biblioteca Escolar da EB D. Jorge Lencastre e participar no concurso.


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Grand'Ollhar abril 2019  

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