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N.º2 0 MARÇ /2013 O PORT /ABRIL UGAL | €4 ,80

Conveniência: o paradigma

do momento


20 2013

Os Bens de Grande Consumo arrancaram o ano de 2013 com uma dinâmica de crescimento há muito não vista, superando os registos apurados nos últimos períodos homólogos, base de comparação necessária para perceber a evolução deste complexo mercado. Mas mais do que superar os últimos registos anuais, o destaque vai, necessariamente, para o facto de que, pela primeira vez em muito tempo, as Marcas de Fabricante se encontram a aumentar vendas num rácio superior às Marcas de Distribuição + Primeiro Preço. Registo que se torna ainda mais relevante quando não se verificaram particulares alterações de mercado, antes pelo contrário, com o agudizar da fragilidade do poder de compra dos portugueses e a falta de rumo político e social do país. Mas o tempo não pára e a indústria tem feito um evidente esforço para tentar contrariar a recessão, sem poder negligenciar a exportação, cuja percentagem de faturação nas contas das empresas continuará a aumentar. Com um número interessante de novos produtos que têm entrado nos lineares, muito por ação das grandes multinacionais que ainda conseguem ter poder negocial para entrar em linha, ainda que com evidentes custos nas propagadas promoções que mais do que não beneficiam o consumidor. E é de realçar que a quebra de vendas, que tem assolado este mercado ao longo dos últimos meses, tem levado a uma maior frequência de algumas marcas estrela nas campanhas televisivas e folhetos promocionais, numa evidente tentativa de elevar as necessárias vendas. É que os objetivos impostos, regra geral de fora, não se compadecem, qual Troika, com a quebra progressiva do consumo, sendo necessário, reinventar, repensar, inovar, mas, acima de tudo, vender. Novos formatos de consumo, novos produtos e novos conceitos de venda, o ano de 2013, ao fechar o primeiro trimestre, tem-se revelado bastante interessante, com a conveniência, ou a proximidade?, a ditar regras, com novos espaços a proliferar pela Europa, ainda com resultados questionáveis, com grande parte das vendas das cadeias que já o implementaram a derivar da ação direta das MDD+PP. Mas o formatos “drive”, em destaque nesta edição, são, igualmente, um espaço para a presença de um maior número de produtores locais e marcas de menor dimensão, constituindo um lugar renovado para a diferenciação num mundo globalizado. Um bom tema de reflexão, seria como a proximidade e os formatos a si associados poderiam ajudar a introduzir novos fornecedores nas extensas cadeias de abastecimento da distribuição moderna. Uma palavra para a eleição de Pedro Pimentel enquanto diretor-geral da Centromarca. O rosto da ANIL “mudou de vida” e promete seguir o programa estabelecido pela associação, com o habitual rigor na abordagem e visão, estou em crer que a associação, e as marcas nela representada, em muito têm a ganhar com a nomeação do antigo presidente da ANIL. Uma palavra também para salutar a continuidade de Luís Reis ao leme da APED, numa direção com algumas mudanças, e que seguramente irá continuar a defender os interesses do setor. Associação que, todavia, viu a representatividade do setor não-alimentar ficar mais pobre com a saída da Staples de associada do organismo e da respetiva direção. Cisão que terá ocorrido ainda em finais de 2012, ano difícil para o setor não-alimentar em Portugal. Uma palavra final para todas as empresas que irão estar presentes na Alimentaria&Horexpo Lisboa 2013. A todas elas votos plenos de bons negócios e que a presença no maior certame do género que se realiza em Portugal seja somente mais uma etapa rumo ao sucesso.


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06

IAARSÇO/ABRIL C Í OT 3 | M

N º20/201 n.

LOJAS SMARTLASE DA MARKEM-IMAJE A nova geração de codificadores laser CO2 SmartLase pode satisfazer todas as aplicações do setor agroalimentar ou bebidas. “A partir de 300 produtos por minuto e seja qual for o tamanho e a matéria da embalagem, temos uma solução a propor, explica Stéphane Valette, chefe de produto laser. Para o papel-cartão, os modelos standard C150 e C350. As versões L são mais recomendadas para as embalagens flexíveis, e as versões S para as garrafas em PET. “Em seguida analisamos o desempenho pretendido. Associando a cadência da linha e a complexidade do código, recomendamos uma versão 10 W, ou uma versão 30 W capaz de fazer tão bem como uma 50-60 W”. A nova gama pode marcar até 100 mil produtos por hora com uma ótima qualidade de impressão graças a uma tecnologia inovadora patenteada: um desempenho 30% acima dos padrões do mercado. Polivalentes e modulares, os codificadores SmartLase oferecem um índice de disponibilidade até 99,9%.

DARTY ABANDONA O MERCADO ESPANHOL A Darty está de saída do mercado espanhol. As 45 lojas deverão fechar até 30 de junho e a liquidação de stocks começará já na próxima semana, avança a Electromarket. A empresa, presente neste mercado desde 2007, após a compra da madrilena Menaje del Hogar, por 135 milhões de euros, suspendeu todas as encomendas aos fornecedores e a receção de mercadorias. Terão fracassado assim as tentativas para vender os ativos em Espanha, apontando-se, inclusivamente, a Worten como uma das potenciais compradoras. A Darty pretendia fechar com urgência um acordo para a venda do seu negócio em Espanha antes do final de abril e teria feito uma proposta à Worten para a venda das suas lojas. A urgência da medida impunha-se como tentativa para assegurar a continuidade do negócio, mesmo que nas mãos de um concorrente, e para tentar evitar ter de aceitar a oferta de fundos de investimento, como a Oaktree ou Anchorage. Já em novembro, a Darty tinha trespassado o seu negócio em Itália ao grupo DPS e equacionado a venda das operações em Espanha, Eslováquia e República Checa. Para a Darty, Espanha representa menos de 5% da sua faturação global, no valor de quatro mil milhões de euros. Os números do último ano refletem perdas de 36 milhões de euros, 50% mais que no exercício anterior.

SCHLECKER COMPRADAS PELO DIA PODEM DENOMINAR-SE BONTÉ Ainda não é a denominação definitiva mas no organismo espanhol responsável pelo registo de marcas e patentes foi registada a designação Bonté, a qual deverá

ser eleita pelo Grupo DIA para a rede Schlecker no mercado ibérico. O registo é, no momento, apenas preventivo. Segundo a Distribuición Actualidad, a inscrição foi registada no passado dia 14 de fevereiro e está em linha com a reconversão e reintegração da insígnia alemã na estrutura do DIA. Integração esta que, segundo Ricardo Currás, CEO do grupo espanhol, está a decorrer de forma acelerada, tendo já sido concluído o processo de unificação dos sistemas de gestão de informação e recursos humanos. Daqui para a frente, inicia-se uma nova fase de negociação com os fornecedores e revisão das estratégias comerciais. A insígnia Bonté tem por objetivo ser o “melhor especialista de saúde e beleza”. O novo modelo começará a ser testado no final do ano, para se consolidar em 2014.

NESPRESSO COM NOVA EDIÇÃO LIMITADA A Nespresso inspirou-se na cultura e tradição de café italianos para desenvolver uma edição limitada de Grand Crus. Trieste e Nápoles são as duas cidades que servem de fonte de inspiração à nova Limited Edition Nespresso Trieste e Napoli. O Grand Cru Nespresso Trieste Limited Edition é o reflexo da rica e variada experiência cultural que a cidade de Trieste oferece. Esta mistura de grãos Arábica é caracterizada por uma textura arredondada, com notas de chocolate e avelãs frescas, com uma finalização de notas frutadas. Napoli Limited Edition é inspirada no café intenso que se bebe em Nápoles e consiste numa mistura de grãos Arábica com um ligeiro toque de Robusta. Vigorosa e assertiva, com um corpo denso, caracteriza-se por notas fumadas e por um aroma que remete para folhas secas de chá preto. Estes dois cafés Limited Edition estão disponíveis por um período limitado, nas Boutiques e Clube Nespresso com um PVP de 4,25 euros por “sleeve”.

Correção de informação Na edição N.º 19-2013, referente aos meses de janeiro/fevereiro, da revista Grande Consumo no tema alusivo ao mercado de laticínios em Portugal foi prestada uma informação errada aos nossos leitores. Nomeadamente, um quadro contendo dados de mercado que, devido um erro de natureza técnica, fez com que A Vaca que Ri, marca do universo da Fromagerie Bel em Portugal, não surgisse no Top 5 das marcas de indústria em valor na categoria queijos. Aos leitores, à empresa e a todos os possíveis interessados, a Grande Consumo e a Nielsen apresentam as suas desculpas pela veiculação de uma informação imprecisa.


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IL ABR ISE ÇO/ L MAR Á | AN 013 2 20/ n.º

Os Bens de Grande Consumo (BGC) aumentaram faturação em 2,3% entre 28 de janeiro e 24 de fevereiro. As marcas de fabricantes (+2,6%) crescem agora acima das

marcas da distribuição (+1,9%) numa inversão de performance que já havia dado sinais no período anterior, onde as marcas de indústria se encontravam a crescer ao mesmo ritmo das MDD.

Marcas de indústria TEXTO Duarte Cunha

crescem acima das

MDD+PP Após terem entrado em em 2013 em terreno positivo ao aumentar vendas em valor numa razão de 3% - um indicador bem mais positivo do que registado em período homólogo de 2012 onde se encontrava a crescer abaixo de 1% -, os Bens de Grande Consumo prosseguem nesta dinâmica positiva ao aumentar faturação em 2,3% no período entre 28 de janeiro e 24 de fevereiro. Período de tempo

na categoria, com as MDD+PP a evoluírem num registo próximo de 2,7% em valor, um cenário não visto há já algum tempo. Por sua vez, as Bebidas (+0,5%) estão menos dinâmicas no período analisado face ao impulso de vendas associado ao fim de ano onde as marcas de fabricante (+8,6%) conseguiram crescer acima das MDD+PP (+3,5%) -, ainda assim sem deixar de apurar um crescimento positivo das marcas de fabricantes (+1,6%), enquanto as MDD+PP perdem vendas (-3,6%). A Higiene recupera vendas após vários períodos de decréscimo ao subir vendas em valor abaixo de 2% (1,7%), com as marcas de fabricante (+2,2%) a conseguirem crescer mais do que as MDD+PP que não atingiram o um por cento de crescimento no período em causa. A Higiene Pessoal (0%) é a única categoria onde os Fabricantes perdem vendas (-0,3%) enquanto que as MDD crescem (0,8%). Um arranque de ano interessante o mercado de bens de grande consumo. BGC na Europa Ao analisar a evolução dos BGC na Europa e mediante dos dados disponibilizados pela Nielsen relativamente ao último trimestre de 2012, cabe dizer que os bens de grande consumo voltaram a perder faturação pelo quarto trimestre consecutivo, ainda que com perdas de volumes ligeiras nos últimos nove meses, algo que não se verificava

onde as marcas de fabricante não só repetiram como melhoram, o excelente desempenho apurado na quadrisemana anterior ao crescer, agora, acima das MDD+PP, ao apurar uma subida das vendas em valor de +2,6% face aos 1,9% das marcas das insígnias. Recorde-se que no culminar das quatro semanas anteriores existia uma quase paridade no ritmo de crescimento das marcas de fabricante (+2,9%) e as marcas de distribuição e primeiro preço (+3,3%) no mercado global de BGC, com as marcas de indústria a apresentarem uma dinâmica não vista há muitos meses e que se torna particularmente significativa ao não se registarem alterações profundas de mercado. Mas os motivos de interesse desta análise não se ficam por aqui, com a Alimentação a apresentar um desempenho bastante positivo em comparação ao período homólogo, ao aumentar vendas em valor numa razão de 3,2%, onde as marcas de fabricante voltam a apresentar uma dinâmica de crescimento interessante, ao ganhar vendas em 3,7%


Pela Europa fora, cabe dizer que houve uma acentuada desaceleração nas vendas de BGC em França no último semestre de 2012, com a Alemanha a voltar a ter perdas de volume e com o Reino Unido a não ser exceção, mesmo com o abrandamento da inflação. Realidade, aliás, partilhada por Espanha, Itália e Grécia, onde a redução ou o desaparecimento da inflação não foram suficientes para contrariar a perda de volumes ou de faturação. Por último, não deixa de ser curioso o facto de Portugal ter evoluído 15pp no Índice de Desenvolvimento desde 2006, figurando agora a par da Dinamarca e um ponto atrás da Áustria neste Growth Report referente ao último trimestre de 2012.

desde 2007. A inflação que se regista nos BGC na maior parte dos países europeus e o clima de incerteza económica vigente na Europa a contribuir para a quebra dos volumes transacionados. Grécia, Itália, Irlanda, País Baixos, Hungria, Portugal, Áustria, Reino Unido, Alemanha e República Checa são os países europeus que apresentam perdas nos volumes transacionados, onde o aumento de preços foi generalizado, ainda que em Portugal a subida da receita não tenha ido além dos 0,8% em 2012. No que concerne ao mercado nacional, cabe dizer que a Alimentação e Bebidas foram as categorias que mais contribuíram para o aumento da inflação no país, em 2012, com o IVA a ter um impacto decisivo nos PVP e volumes.


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A TIARCÇO/ABRIL S Í OG 3 | M

L º20/201 n.

O Decreto-Lei 198/2012 irá implementar, a partir de 1 de maio de 2013, profundas alterações no que ao Regime de Bens em Circulação diz respeito. Medidas que, contudo, não reúnem consenso junto dos diversos operadores do mercado, que apontam diversas falhas ao diploma e questionam a viabilidade de algumas das operações que passam a ser obrigatórias.

Transporte de mercadorias com novas regras em maio TEXTO Duarte Cunha FOTOS D. R.

“A partir de maio, com o Decreto-Lei 198/2012 e com a regulamentação conhecida até ao momento, ninguém pode garantir que os bens continuarão a circular normalmente como até aqui”, aponta a direção da Associação Portuguesa de Operadores Logísticos (APOL). Na base desta declaração está o citado diploma mas, sobretudo, a profundidade das alterações por si trazidas em tão breve trecho que apresenta-se quase como impossível que não venham a afetar as operações de abastecimento, com uma sobrecarga incompreensível de burocracia, custos e tempo. “Para já, não são sequer conhecidas todas as regras necessárias para executar o que o decreto-lei exige, nem os respetivos meios informáticos (sistemas de informação) estão disponíveis. A

disponibilização destes elementos poderá confirmar ou dissipar as nossas preocupações mas os operadores logísticos, como conhecedores profundos da cadeia, veem com grande preocupação esta nova exigência do ponto de vista da eficiência global do processo”, acrescenta a mesma fonte. A comunicação prévia e, acrescidamente, a obrigação de receção de um código oriundo da Autoridade Tributária A(T) são os pontos de maior bloqueio que se complexificam quando analisamos cada uma das etapas do processo (devoluções, recusas, correções de quantidades). A AT através do sistema informático entra assim como parte integrante do processo logístico do dia-a-dia. “Se hoje o cumprimento de tempos entre o momento de encomenda e de entrega é já muito apertado, esta nova realidade, introduzindo um novo ator no processo, torna-o ainda mais tenso, admitindo uma realidade em que todos os sistemas funcionam bem e comunicam com normas standardizadas, com recurso às mais modernas tecnologias, nomeadamente de telecomunicações, o que não é a realidade de muitas pequenas e médias empresas produtoras fora das grandes cidades”, acrescenta a direção da Associação Portuguesa de Operadores Logísticos (APOL) A direcção da APOL considera ainda que as autoridades deverão dedicar com os agentes económicos algum tempo mais para, entendendo de modo mais aprofundado a complexidade operacional, encontrar a melhor forma de perseguir os mesmos objetivos, mas com uma solução efetivamente viável e eficiente. “A comunicação a posteriori é uma solução; tal como a criação de uma numeração nacional standardizada para os documentos de transporte evitaria o transtorno de uma devolução de código, que é um ponto de potencial bloqueio e custo para a normalidade do processo. Para o que o adiamento da entrada em vigor das alterações previstas, seria a solução mais adequada de modo a permitir que as perspetivas dos intervenientes implicados no sistema logístico nacional possam ser ouvidas e sopesadas no processo de decisão e conformação legislativa/regulamentar”, conclui.


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O ÇÃ/ABRIL A L ÇO

S | MAR GI E 0 L 0/2 13 º2 n.

TEXTO Alexandre Paulo FOTOS D. R.

O que muda com o novo CIMI?


O Decreto-Lei 198/2012 irá implementar, a partir de 1 de maio de 2013, profundas alterações no que ao Regime de Bens em Circulação diz respeito. Medidas que, contudo, não reúnem consenso junto dos diversos operadores do mercado, que apontam diversas falhas ao diploma e questionam a viabilidade de algumas das operações que passam a ser obrigatórias.

Grande Consumo - Que alterações vem trazer a Avaliação Geral dos prédios urbanos? O que muda face à legislação até aqui vigente? Carla Marques - O Decreto-Lei n.º 287/2003, de 12 de novembro, alterado pela Lei nº. 60-A/2011, de 30 de novembro, estabelece o regime aplicável à avaliação geral, a qual tem como objetivo concretizar a reforma do património imobiliário urbano iniciada em 2003. De acordo com a legislação em causa, a avaliação geral incide sobre todos os prédios urbanos que a 1 de dezembro de 2011 não se encontram avaliados segundo as regras do Código de Imposto Municipal sobre Imóveis (CIMI) e em relação aos quais não se tenha iniciado procedimento de avaliação. Isto significa que todos os imóveis que estavam avaliados pelo “antigo” regime de Contribuição Autárquica e de Contribuição Predial passam a ser alvo de uma nova avaliação patrimonial tributária, a qual assenta por ora nas regras comtempladas no CIMI. A avaliação geral visa, essencialmente, uniformizar o valor patrimonial dos imóveis urbanos, de modo a que todos estejam avaliados sob um único método de avaliação, deixando, portanto, de existir métodos distintos subjacentes às avaliações patrimoniais. GC - Que impacto terá a mesma no valor patrimonial dos espaços dedicados ao comércio a retalho? Em que medida estas alterações irão recair sobre estes operadores? CM - A avaliação geral terá impacto de uma forma transversal sobre todas as espécies de prédios urbanos sobre os quais incida, desde os imóveis afectos à habitação, até aos que estão vocacionados para o comércio, indústria, serviços, terrenos para construção e outras atividades. A avaliação geral não se compadece com quaisquer tipo de restrições quanto às espécies de imóveis, ou seja, todos os imóveis que ainda estavam avaliados sob o anterior método de Contribuição Autárquica e de Contribuição Predial são novamente avaliados, mas agora de acordo com as regras do CIMI. Tendencialmente, as novas avaliações patrimoniais irão incrementar o valor patrimonial dos imóveis e, consequentemente, a tributação em sede de IMI. Claro que existem algumas excepções, pois, se por um lado tivemos a oportunidade de verificar casuisticamente que alguns imóveis irão até beneficiar com as novas avaliações, também o regime de salvaguarda previsto no âmbito da avaliação geral poderá atenuar o impacto do aumento do valor patrimonial. O regime de Salvaguarda define uma limitação ao aumento do imposto a liquidar em 2013 e 2014, com base no qual o montante do imposto não pode ser superior ao maior dos seguintes valores: €75 ou um terço da diferença entre o IMI resultante do valor patrimonial tributário fixado na avaliação geral e o IMI devido no ano de 2011 ou, no caso dos prédios isentos, o que seria pago caso não houvesse isenção. De sublinhar que este regime só se aplica ao imposto a pagar nos anos de 2013 e 2014, sendo que a partir daí se considera o montante de imposto que resultar simplesmente da aplicação da respetiva taxa ao valor patrimonial tributário apurado, sem limitações. GC - Existem já rácios do quanto irá influir sobre estes operadores a reavaliação das taxas de IMI? CM - Atendendo à amostra da Alma CG no setor do comércio e distribuição, que abrange espaços de grandes dimensões, não correspondendo portanto à maioria dos imóveis existentes em Portugal, concluímos que existem realidades muito díspares, que

vão desde a manutenção dos valores, até a aumentos na ordem dos 30% face a avaliações precedentes efetuadas sob o regime anterior. GC - Quais são as principais dificuldades que se prendem com esta avaliação dos imóveis urbanos? CM - De um modo lato, dir-se-á que, perante a imposição de se avaliar cerca de 5 milhões de prédios no prazo de cerca de um ano, se esperava que os responsáveis tivessem criado as condições e garantido os meios para que as avaliações fossem efetuadas de forma célere e adequada. No entanto, nem sempre tal veio a verificar-se: a título de exemplo podem-se citar casos em que a documentação necessária para a realização das avaliações, como sejam as plantas de arquitetura, não foram disponibilizadas prontamente aos peritos avaliadores, em virtude de dificuldades de articulação entre as câmaras municipais (responsáveis por fornecer em primeira linha as plantas de arquitetura) e os serviços de finanças locais, a informação desatualizada e as dificuldades de avaliação de imóveis mais complexos geraram também problemas, que por vezes resultaram em valores incorretos.

GC - A redução das taxas de IMI definidas por algumas autarquias é uma realidade? CM - O imposto municipal sobre os imóveis é um imposto cuja receita reverte para os municípios. Acresce que, estes fixam anualmente as taxas de IMI a aplicar, dentro dos limites mínimos e máximos determinados pelo legislador fiscal. De facto, alguns municípios optaram por diminuir as taxas de IMI que têm vindo a aplicar, casos de Lisboa, Mafra e Penafiel. Como tendencialmente os valores patrominiais dos imóveis urbanos aumentam, assim como, no geral a carga fiscal também se tornou bastante expressiva, os municípios tomaram esta medida com o objetivo de aliviarem os sujeitos passivos da fiscalidade vigente. Trata-se portanto, de uma forma de atenuar os efeitos da avaliação geral e do aumento geral da tributação. GC - Esta é uma situação que poderá prejudicar o comércio em Portugal? CM - O aumento de imposto é sempre um custo acrescido com o qual as empresas têm de se deparar e, tanto mais difícil é essa gestão, se considerarmos o contexto de crise que afeta Portugal e a significativa carga fiscal que de forma generalizada se faz sentir. O imposto municipal sobre os imóveis é um imposto direto, real, alheio às condições pessoais e económicas dos sujeitos passivos. De qualquer forma, a tributação do património tem de ser encarada com particular atenção. Tratando-se os imóveis de bens essenciais para a satisfação das necessidades e finalidades básicas das empresas e das famílias, a fiscalidade definida pelo legislador deve ser prudente. Não sendo opção a mudança da propriedade do imóvel, nunca será de excluir uma validação da adequação do montante de imposto liquidado face à realidade patrimonial do contribuinte.


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L BRI O/A LHO ARÇ A M T RE 013 | 2 20/ n.º

A China é uma terra de oportunidades. Com cerca de 1.360 milhões de habitantes (valor previsto

para 2013), conseguir desenvolver a atividade neste país pode permitir compensar as perdas com

que a crise económica sentenciou os mercados mais maduros. Mas desengane-se quem pense que é uma “pêra doce”. Que o diga a Media Markt, que tinha detalhado ambiciosos planos de expansão e que, à semelhança da sua concorrente Best Buy, está de “malas aviadas” e de saída da China.

China:

TEXTO Duarte Cunha FOTOS D. R.

destino de duas faces

Uma terra de oportunidades, a China é-o de facto e os números não mentem. De acordo com dados do Planet Retail, representará, em 2013, um potencial de 1.360 milhões de consumidores. Consumidores estes que deverão gastar, cada um deles, cerca de 1.878 euros. O Produto Interno Bruto do país continua a crescer, esperando-se, este ano, uma subida, em termos reais, de 8,2%. Com o prosperar da economia, as vendas a retalho têm, também elas,

vindo a engordar, tendo aumentado mais de 50% entre 2007 e 2012. Apesar da crise económica e do consequente desacelerar da economia chinesa, em 2012, evoluíram acima da média geral, com uma subida de 14,7%. Devido à imensa dimensão do país, a China é um dos maiores mercados de retalho do mundo, com potencial para se tornar mesmo no maior. Atualmente, considerando as vendas, é o terceiro mercado mundial, posicionando-se atrás dos Estados Unidos da América e do


Japão. Não é por isso de estranhar que, de há algum tempo para cá, a China faça parte da agenda de expansão dos maiores retalhistas mundiais. Veja-se a Galeries Lafayette, que regressa a este mercado, onde entrou em 1997 para encerrar a operação um ano depois, em setembro próximo, com a abertura de uma “flagship store” em Pequim. Desta feita, o grupo francês está bem confiante de que vai ser bem sucedido, prevendo vendas anuais no valor de 50 milhões de euros e a abertura de 16 lojas no espaço de cinco anos. Por sua vez, a IKEA quer também reforçar a sua presença no mercado chinês, com três aberturas por ano. Ativos estes que integram os planos estratégicos da retalhista sueca recentemente anunciados pelo seu CEO, Mikael Ohlsson, e que preconizam a abertura de 20 a 25 lojas por ano de forma a conseguir um crescimento anual de 10%, até 2020, para atingir um volume de negócios entre os 45 e os 50 mil milhões de euros. Em 2013, a expansão do Grupo DIA vai também passar pela China, mercado estratégico, juntamente com os prioritários Espanha, Portugal, Brasil e Argentina. O Grupo Auchan, o Carrefour e a Tesco são outros três grandes retalhistas a apostar e a reforçar a sua presença no país da Grande Muralha. O Grupo Auchan ultrapassou, no final de 2012, a fasquia da meia centena de hipermercados de nome próprio, para além da operação com 208 lojas RT Mart, fruto da colaboração com o Ruentex Group. O Carrefour iniciou 2013 com uma ronda de inaugurações, tendo alcançado os 218 hipermercados, e a Tesco confirmou que vai lançar a sua loja “online” antes de julho, para comercializar bens alimentares e de grande consumo e aproveitar o grande “boom” do comércio eletrónico no país.

muitas dificuldades de expansão, não obstante até ter o músculo financeiro para tal, sobretudo onde existia pressão dos principais operadores locais, nomeadamente a Suning e a GOME. Tamanha pressão que, um ano após a entrada da Media Markt, a Best Buy anunciou que iria fazer o oposto e retirar-se deste mercado. A par da Best Buy e da Media Markt, também a retalhista japonesa de eletrónica de consumo Yamada Denki está a sentir dificuldades no mercado chinês e reviu em baixa os seus planos de expansão. A economia chinesa entrou num ritmo de desenvolvimento mais lento, com muitos consumidores a cortarem nos seus orçamentos, sobretudo nos bens não essenciais. Que lições se poderão retirar, então, do desempenho destes três “players” da área da eletrónica de consumo, bem sucedidos em tantos outros mercados? Em primeiro lugar, destaca o Planet Retail, lá porque um modelo de negócio funciona bem em determinada localização, não quer dizer que o mesmo aconteça na China. Mais do que “culpar” o mercado, há que ter consciência que na China as regras do jogo são distinta. Para o país, a Best Buy levou o modelo norte-americano, na expetativa de se diferenciar da concorrência, mas apenas uma pequena fatia de consumidores de

Reverso da medalha Mas se uns reforçam a sua presença e investimento, outros preparamse para “lançar a toalha ao chão” e abandonar este mercado que, sendo inegavelmente uma terra de oportunidades, é também um “osso muito duro de roer”. Que o diga a Media Markt, que em abril deverá já ter concluído o seu processo de saída do país, encerrando as poucas lojas que tinha, até à data, aberto, após uma fase de testes que demorou dois anos e que teve resultados distintos dos inicialmente previstos. A segunda maior retalhista mundial de eletrónica de consumo entrou na China em 2010, após a assinatura de um acordo de “joint-venture” com a empresa de Taiwan Foxconn Technology Group e que se materializou em apenas sete lojas na região de Xangai, quando inicialmente planeava expandir a sua rede para 100 pontos de venda no período de cinco anos. Entre as razões que motivaram esta retirada do mercado chinês está uma feroz concorrência baseada no preço, sobretudo por parte dos operadores de comércio eletrónico, que estão a dificultar, e muito, a atividade dos outros retalhistas. Segundo dados relativos aos primeiros nove meses de 2012, as sete lojas Media Markt faturaram cerca de 100 milhões de euros, crescendo face ao período homólogo de 2011, mas as perspetivas para o fecho do ano apontam para perdas na ordem dos 40 milhões de euros. Na base destas perdas está também a reação dos demais concorrentes locais, que tomaram medidas proativas, revendo os seus conceitos de loja. Quando a Media Markt chegou à China, a sua concorrente mais direta, a Best Buy, líder mundial do mercado de eletrónica de consumo, também já lá estava, desde 2006, manifestando

maiores rendimentos aderiu. Fatia pequena demais para sustentar o crescimento. A Media Markt, por seu turno, fez algumas adaptações ao modelo europeu, mas não foi suficientemente longe na oferta de produtos baratos e promoções agressivas e frequentes. Na China, mesmo num mercado mais evoluído como Xangai, o preço ainda prevalece sobre todas as outras considerações. O mercado chinês ainda tem potencial para a expansão dos retalhistas internacionais, mas estes exemplos confirmam que é cada vez mais difícil ser-se bem sucedido. Em todos os setores, muitas lojas estão a fechar, ao passo que o comércio eletrónico se posiciona como o canal com maior crescimento em 2013, colocando novos desafios aos restantes retalhistas. Os dias do dinheiro fácil há muito que acabaram, pelo que o Planet Retail considera que mais retalhistas internacionais possam bater em retirada. Na abordagem a este mercado, impera a velha máxima que diz que se deve esperar o melhor e estar preparado para o pior.


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STAA L I BRI V RE ARÇO/

| M 013 ENº2T 0/2 n.

Pedro Pimetel assumiu, em inícios de março, a direção-geral da Centromarca, organismo que apresenta uma agenda ambiciosa de objetivos. Metas que o antigo presidente da ANIL irá procura cumprir numa nova etapa na sua vida profissional.

“Quem é árbitro e jogador no

mesmo jogo tem um poder tremendo”

Grande Consumo - O que o levou a assumir este desafio depois de tantos anos a ser o rosto da ANIL? Pedro Pimentel - Exatamente isso mesmo. Após tantos anos a ser o rosto da ANIL, era tempo de mudar. A vinda para a Centromarca não é exatamente uma mudança radical. É a continuidade de um trabalho de anos feito com outras áreas. Esta área das relações com a distribuição sempre me foi querida e onde sempre tentei fazer algum trabalho. GC - Que diferenças já encontrou entre a ANIL e a Centromarca, além do evidente objeto de cada uma das associações? PP - Muitos dos problemas que as empresas aqui nos trazem são de uma escala diferente. Um dos meus objectivos é fazer da Centromarca uma plataforma de cruzamento de informação com vários setores. Há matérias em que não conseguimos ser especialistas porque não temos os meios, a capacidade e o “know-how” para tal. Mas há quem o tenha. Se cada um de nós, em determinadas áreas, servir de apoio aos restantes, todos temos a ganhar, não só em termos de qualidade da mensagem, como essencialmente em termos de recursos. GC - Quais são os principais objetivos da Centromarca para este ano?

PP - Eu não vim introduzir objetivos, mas cumprir um programa que estava previamente delineado. Esse programa tem três áreas essenciais: uma, onde nos estamos a focar atualmente, tem que ver com as alterações legislativas que se estão a produzir; depois, começar a tentar alguma ideia junto da opinião-pública sobre o que são as desconstruçõ esexplicar ao grande público como se constroem o dos preços que temos nas nossas prateleiras – a elasticidade do preço é muito reduzida, o que significa que a forma como o preço é colocado em termos de prateleira influi hoje, de uma forma brutal, nas opções dos consumidores. O preço é hoje o primeiro fator de opção e é cada vez mais importante que as pessoas reconheçam que os preços de prateleira correspondem muitas vezes a uma hierarquia que é atribuída por quem coloca o produto na prateleira e não porque esses produtos, à entrada dos armazéns dos distribuidores, tenham diferenças substanciais de preço. No fundo, é tentar desmistificar o “mundo encantado” da marca própria. Nada nos move contra a marca do distribuidor, por definição, é uma marca como outra qualquer, mas há dois parâmetros que para nós são fundamentais: um de regras de jogo básicas, que todos deveriam cumprir da mesma maneira, e a forma discriminatória em que as margens comerciais são aplicadas aos produtos, o que influi na escolha do consumidor; uma terceira área de atuação, de cariz mais construtivo, que tem que ver com a questão da marca como valor diferenciador, que é identificada com a propriedade intelectual. Tanto mais importante quando falamos tanto de exportação. Temos de exportar bens com valor e não apenas matéria-prima e capacidade de produção.


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TAIL VIRS ABR E O R NT | MA Ç /

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GC - Porque aspetos passa a não discriminação das marcas em prateleira? PP - A discriminação cria, em primeiro lugar, dificuldades comerciais. E depois dificuldades de perceção percetíveis. É complicado as pessoas perceberem que um produto que é 40% mais caro na prateleira não é, de facto, 40% mais caro na origem. E também fazer perceber que quem é árbitro e jogador no mesmo jogo tem um poder tremendo. Aí a distribuição usa a sua capacidade enquanto distribuidor, para depois, enquanto fornecedor, ter isso como um privilégio. Logicamente sabemos que esse privilégio existe, mas tem que ter baias e regras. E são essas regras, mais do que outra coisa qualquer, que entendemos terem que ser criadas e implementadas e cumpridas. Temos seguido com muita atenção o que está a passar noutros países e vemos um movimento, em termos europeus, cada vez mais amplo. Esta preocupação das relações entre a produção e a distribuição, não sendo nova em termos de foco da comunicação social, por parte do poder político, era um assunto relativamente “morto”. GC – Ainda que a forma como este mercado se organiza na Europa seja diferente... PP - A forma como a produção e a distribuição se organizam é diferente de país para país, a tensão também é diferente, não tem que ver, apenas, com os níveis de concentração, mas com as práticas associadas a esses níveis de concentração e isso é uma questão com maior acutilância nos países do Sul da Europa. Daí Bruxelas ter dificuldade em criar um espírito único na abordagem destes problemas. Ao existir, da parte de alguns países, um esforço – casos da França, Espanha, Reino Unido, Itália e agora Portugal- obrigou Bruxelas a ter um envolvimento mais ativo. E perceber que a criação de regras diferenciadas de país para país pode, daqui a pouco tempo, funcionar como um obstáculo ao mercado interno europeu. Espanha aprovou, recentemente, em Conselho de Ministros uma lei vocacionada apenas para o alimentar que, entre outros aspetos, tem a questão da discriminação da marca já perfeitamente explícita. O ministro da Agricultura espanhol fez uma intervenção recente em que dizia que achava que o grande ganho que o consumidor ia ter com a nova lei era exatamente o acesso a um cabaz de produtos com um preço muito mais interessante, pela eliminação da discriminação entre marcas. GC - Em Portugal, e ao ter-se verificado esse esforço, não acaba por ser contraditório com outras ações em que o Governo lavou as suas mãos, como a questão da liberalização dos horários? PP - A liberalização dos horários, além de ser uma questão que esteve tantos anos em discussão, levou à demissão de um ministro. Recordeque que Daniel Bessa, ministro da Economia no governo de António Guterres, pediu a demissão por esta questão. Estamos a falar de 14 anos de uma discussão profunda e de uma decisão que foi depois tomada de uma forma abrupta, e diria que um pouco anedótica, surpreendendo mesmos alguns operadores da distribuição. O que é importante reter deste exemplo é a ausência de capacidade do Estado para, naquele momento, quando estava a favorecer uma parte do circuito, não ter usado esse argumento para fazer um “trade-off” com outras questões trazendo algum equilíbrio adicional. Sendo a questão dos horários não absolutamente pacífica – até dentro do seio da distribuição, porque

o impacto dessa deliberação não foi igual em todas as cadeias – de alguma forma, as cadeias mais beneficiadas tiveram, por uma decisão administrativa, um ganho de quota de mercado muito considerável. De uma forma aparentemente simples, introduziu-se um factor de evolução do mercado.

GC – É o que está em cima da mesa, novamente? Introduzir um fator de evolução no mercado? PP - Esta lei que estamos hoje a discutir internamente foi muito participada. Desde novembro de 2011, quando o governo criou a tal célebre PARCA, que se começaram a atingir alguns resultados. Há que realçar o fato do governo produzir legislação em função da informação que lhe foi entregue pelas partes. O que à partida é uma evolução de um certo autismo legislativo que reconhecemos na nossa sociedade. A criação desta PARCA permitiu também que um grande conjunto de entidades – confederações agrícolas, CIP, Centromarca, FIPA, CCP e APED – interiorizassem que tinham que se fazer um esforço comum. Cada uma tem a sua área de interesse bem determinada mas todos procuram contribuir para um trabalho comum. Esse trabalho feito para a PARCA pode dar frutos noutras áreas, pelo espírito de colaboração entre as entidades que foi criado e maior fluidez dos canais de comunicação. Por exemplo, nesta bomba atómica em potência do regime dos bens em circulação, que é um exemplo de autismo legislativo, estamos a tentar criar uma reação conjunta de um amplo espetro da economia. GC - E se não conseguirem alterar essa posição do governo? PP - Tenho alguma dificuldade em perceber o que é que o Estado vai beneficiar com a legislação sobre o transporte de mercadorias que entra em vigor em maio. Partindo do pressuposto que vai beneficiar algo, apesar de ainda não termos conseguido que alguém nos explicasse com clareza o quê, há duas questões técnicas que se colocam: uma primeira é se até 1 de maio estaremos em condições, pela ausência de informação, de avançar; uma segunda é que, mesmo que estejamos em condições, há um número de questões técnicas que se está a multiplicar à ordem de seis e sete por dia e para as


Do ponto de vista do consumidor, a questão da venda com prejuízo é muito complicada, porque aquele tende a pensar que lhe é favorável. Mas é preciso que as pessoas também tenham alguma noção porque motivo este tipo de práticas é penalizado. Algumas declarações que ouvimos no âmbito deste processo, dizendo que a legislação iria impedir as promoções, levantam-me algumas questões. Em primeiro lugar, impedem porquê? Em segundo luhar, tendo em consideração que houve um aumento do quadro penal, quando oiço este tipo de queixas, o que posso extrair é que, aparentemente, para alguns operadores, o fato das coimas serem limitadas fazia com que as práticas se pudessem repetir. Não estava em causa a sua ilegalidade, mas que não era uma ilegalidade custosa. Que a lei não tinha qualquer poder dissuasor. A legislação cria regras, essas regras não têm impedimento algum em termos de esforço promocional, vão ter, sim, no que é que esse esforço promocional é exageradamente aplicado e a forma como entra em incumprimento da lei. GC - Parafraseando: “a distribuição é o bombo da festa em Portugal”? PP - Tendo em conta os esforços que estão a ser feitos a nível nacional e europeu, não estamos todos na autoestrada em sentido contrário. Por isso, a distribuição não é o “bombo da festa” porque precisamos da distribuição. Não passa pela cabeça de ninguém que está neste setor tratar mal os seus clientes. Agora, também não pode deixar tratar-se mal a si mesmo e há aqui um reequilíbrio que é necessário. Quem diz que a distribuição é o “bombo da festa” teve um período demasiado amplo em que as regras foram ditadas de um lado só. E, também parafraseando outra pessoa, “poder não se cede; poder perde-se”. Ainda não conseguimos nada. Nada está publicado, mas qualquer situação em que, face ao desequilíbrio atual, contribua para um certo reequilíbrio, já é encarado pela parte que tem a posição mais confortável como uma perda de poder.

quais não temos resposta. Em primeiro lugar, há um risco de implosão. A 1 de maio pode estar a gerar-se uma situação em que ou cumprimos a lei e ninguém sai de casa ou não cumprimos a lei. Quando estamos a falar de lojas, isto abrange não apenas o ponto de venda, mas toda a entrada e saída de produtos. Se a 1 de maio, do ponto de vista técnico o sistema falha, e há probabilidade para que isso aconteça, o risco de implosão é alto. E depois há situações mais simples: por exemplo, uma devolução de um produto, não está ainda tratada tecnicamente. GC - Falando de maio, maio de 2012 foi um mês quente em termos de atividade promocional. As promoções são mesmo feitas às custas dos fornecedores? E daquilo que é a sua experiência sectorial, existe de facto prática de “dumping” em Portugal? PP - Não tenho qualquer dúvida que, direta ou indiretamente, as promoções são feitas às custas dos fornecedores. Relativamente à prática de “dumping”, diria que quando fazemos promoções com descontos na ordem dos 50% e às vezes mais do que isso, das duas uma: ou o produto está a ser vendido com margens absolutamente incompreensíveis ou se estáamos a fazer “dumping”. Não há duas hipóteses quando se aplica uma taxa de 50%. Ou a margem do produto é superior a 50%, o que para a grande parte do consumo não é possível, ou estamos a falar de “dumping”. A questão, aparentemente, é saber se estamos a falar de venda com prejuízo ou de dumping. A proposta que está na Assembleia da República sobre a venda com prejuízo é mais clara do que a anterior. Temos vários tipos de situação promocional: casos em que a aplicação é imediata e outros em que é diferida, com os cartões e talões. Na nossa opinião, o gerador da venda com prejuízo não é o desconto, mas a sua origem. Com a nova legislação a situação ficou mais clara. Antes havia uma interpretação que não era igual entre a ASAE e a AdC.

GC - A concentração em Portugal preocupa-o? PP - Preocupa e preocupa cada vez mais. A situação atual que se vive no comércio tende a aumentar, ainda mais, os níveis de concentração, não pelo aumento em si das cadeias, mas pela desistência de algumas. Os dois grandes operadores da distribuição têm hoje o mercado interno de tal forma coberto que estão a diversificar os seus negócios, entrando no canal tradicional com as suas próprias mercearias, entrando no canal grossista e começa a sobrar muito pouco espaço, não só para que outros “players”, como também para operadores independentes, possam participar. Para a indústria, colocar os ovos todos no mesmo cesto é arriscado, mas no mercado nacional não há como evitá-lo. Essa situação é preocupante por si mesma, porque as práticas construídas não são aquelas que gostaríamos que fossem e porque a concentração cria uma situação de dependência brutal. Mesmo em condições completamente deploráveis de negociação, nenhuma empresa pode abdicar daqueles dois clientes.

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GC - A política fiscal portuguesa é atrativa para novos investimentos de outras multinacionais? PP - Neste momento não é. Qualquer investimento que neste momento pudesse ser feito no mercado nacional tem um risco elevadíssimo, porque é um mercado absolutamente deprimido. As nossas empresas estão a procurar alternativas de mercado. O mercado interno não dá resposta a uma estrutura que estava montada e que significa emprego, captação de matéria-prima, etc. A entrada de novos operadores dar-se-á numa perspetiva de comprar barato, na expetativa que o valor possa subir quando o ciclo se inverter, e daí retirar alguma vantagem, mas não somos um polo de atração de investimento e os números oficiais falam por si.

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Com a restauração a cair 30% e o retalho alimentar a subir 11%, o paradigma de consumo em Portugal é necessariamente diferente face ao que era a realidade nacional e europeia há escassos anos atrás. O aumento do consumo no lar é apenas uma das expressões de um evidente “back-to-basics” no qual o desemprego e a quebra do PIB tiveram uma importante palavra a dizer. Novas oportunidades surgem, com a conveniência a apresentar-se em primeiro plano, potenciada por novos canais.

Conveniência: o paradigma do

momento

TEXTO Alexandre Paulo FOTOS D. R.

Conveniência que, necessariamente, convida a uma reflexão sobre a necessidade de implementação de novos formatos, uma vez que associados ao desemprego e à menor prosperidade surgem também o aumento do preço dos combustíveis e o envelhecimento generalizado da população, com a mobilidade a ser um aspeto muito decisivo desta imensa variável que é o consumo. Em 2012, a Nielsen, através do Market Track, reportou um aumento das promoções associadas aos Bens de Grande Consumo (BGC), com as marcas de fabricante a aumentarem vendas em 2% graças a este mecanismo comercial, que teve melhores resultados nestas

do que nas Marcas de Distribuição+Primeiro Preço (MDD+PP), que perderam vendas com as promoções. Certo é que, apesar do aumento das vendas por intermédio das promoções, em 2012 os volumes comercializados reduziram 3,6% face ao período homólogo, com um notório aumento da inflação por ação direta de uma onerosa carga fiscal. Em Portugal, Continente e Pingo Doce disputam a liderança do retalho nacional, com um forte presença junto dos “shoppers” seja em termos de comunicação,


21 como em termos promocionais, estendendo, ainda, a Sonae MC e a Jerónimo Martins (também por intermédio do Recheio) a sua ação às lojas de bairro através das insígnias Meu Super e Amanhecer, que vieram trazer uma nova alma a muitas lojas bem localizadas. A conveniência surge, assim, como o paradigma do momento no retalho nacional, com o “value for money” a ser algo muito tido em conta pelos “shoppers” mas onde o factor promoção não é suficiente para incrementar de forma contundente as vendas, entrando nesta equação o factor deslocação, ou necessidade de deslocação (estacionamento + tempo + combustível), assim como a dimensão da própria cesta, sendo evidente um aumento da frequência de visitas às lojas. “Eu raramente vario de loja, mas geralmente procuro sempre pelas promoções” é a opção eleita por 43% dos “shoppers” entrevistados (numa base de mil entrevistas) pelo Nielsen Shopper Trends, o que diz bem da fidelidade dos mesmos às sua insígnias favoritas, destacando ainda como principais argumentos de seleção de loja ideias como “é fácil de ir”, “ambiente de loja agradável”, “tem tudo o que preciso” e “boa relação qualidade-preço”. A mesma fonte revela ainda que 80% dos “shoppers” refere ter feito compras na loja habitual ao longo do último mês e que 44% assume ter ido à loja mais próxima, registando-se uma frequência de compra entre um a quatro itens somente em 47,2% das visitas efetuadas, com apenas 36,1% do gasto a ser gerado por compras acima dos 20 artigos. Ou seja,75% das visitas tem menos de 11 itens e representa 42% dos gastos, segundo o Homescan da Nielsen. 50% dos “shoppers” diz ainda fazer as compras grandes à semana, ou seja, as compras do mês é uma noção que

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praticamente desapareceu do léxico de consumo dos portugueses. Já 69% dos “shoppers” vão às lojas mais do que duas vezes por semana. Conveniência Por tudo isto, os formatos de proximidade e de conveniência apresentam-se como o “driver” de crescimento do retalho organizado, com a pequena compra, o sortido focado, as refeições prontas e os produtos de quarta gama a irem de encontro às necessidades dos consumidores. Em Portugal, a Sonae MC e a Jerónimo Martins há muito que perceberam isso, sendo notória a aposta na reconversão de lojas situadas nos principais centros urbanos portugueses, em vez da construção de novo imobiliário, longe dos consumidores. Pingo Doce, Modelo Continente e Modelo Bonjour, Dia, Minipreço, Amanhecer, Ten to Ten, Spar, Algartalhos, Viva, Loja Cheia Covirán, Intermarché Express e Meu PUB

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Super são apenas alguns dos muitos exemplos da aposta evidente dos “players” instalados em Portugal neste balanço entre a oferta e o preço, a que se junta a conveniência trazida, desde há muito, pelos horários alargados das gasolineiras, com BP, Repsol, Cepsa e Galp a demonstrarem que a conveniência e a disponibilidade são geradoras de valor Fonte: Planet Retail acrescentado. É estimado que em 2022 os formatos de conveniência liderem o mercado retalhista, não obstante a presente, e evidente, hegemonia dos supermercados, num mercado em transformação que mediante a saída de alguns operadores – casos de Carpan, Europa, Polisuper, ACSantos, Ponto Fresco, Lojas GI, Frescos & Comp e Loja Fresca, em Portugal – determinou a entrada de outros, com conceitos mais flexíveis e adaptados e formatos reduzidos com sortido selecionado e dirigido. As lojas até 300 metros quadrados conheceram, assim, um novo dinamismo, com maior potencial de crescimento para os frescos e produtos básicos, onde as refeições prontas têm gerado grande riqueza para os operadores que as disponibilizam. Formatos Conveniência não é só preço, sendo inúmeros os exemplos, mais ou menos locais, que o retalho moderno tem vindo a colocar à disposição do consumidor, tendo em vista simplificar-lhe a vida, sem perder a sua preferência e consequente gasto. Tesco, Auchan, Coles, Carrefour, Albert Heijn, entre outros, são alguns dos operadores internacionais que disponibilizam os conceitos “drive”, a nova forma de “click & collect”, muitas vezes referenciado como “drive & collect”, com este conceito a proporcionar a possibilidade do retalhista preparar as encomendas feitas “online”, com ou sem aplicação de “fee”, e onde o “shopper” recolhe os bens num horário pré-definido por si, num ponto de recolha com estacionamento dedicado. As encomendas podem ser previamente pagas “online” ou no próprio local de recolha (dependendo do operador), com o

Auchan Chronodrive, por exemplo, a solicitar a identificação do comprador para concretizar a entrega dos artigos e o Albert Heijn, da Ahold, a colocar por si as compras diretamente no porta-bagagens da sua viatura. França apresenta-se como o maior dinamizador do conceito “drive” à escala mundial, com cerca de duas mil unidades em funcionamento. Tanto os operadores de lojas físicas como os que somente atuam “online” abriram, recentemente, conceitos “drive”, numa convergência de formatos que tem tido boa aceitação por parte dos consumidores, como são exemplo a operação tailandesa da Casino, com o Big C Supercenter a fazer do “e-commerce” um ponto chave dos seus resultados no segundo semestre de 2012, conquistando terreno à Tesco, ou o site Peapod. com, responsável pelas vendas “online” alimentares da Ahold, que abriu, em parceria com outra insígnia da Ahold, a Stop & Shop, um conceito “drive” em agosto de 2012, cuja particularidade reside na entrega num cacifo no exterior da loja das compras feitas “online”. Para Christian Griem, responsável de “e-commerce” do grupo Rewe, este conceito “é menos bem acolhido do que a entrega no lar. Ter de levantar, por si, os produtos comprados “online” proporciona alguns benefícios evidentes face à entrega no lar, mas requere, ainda assim, alguma adaptação por parte do consumidor”. De acordo com dados do Planet Retail, as compras de mercearias “online” no Reino Unido representam cerca de 3% do total de vendas de base alimentar, com a preferência a recair no “home delivery” devido à migração populacional para fora dos principais centros urbanos. Por oposição à realidade vivida na Alemanha, de elevada densidade em termos de oferta de retalho, os compradores podem encontrar lojas em cada esquina, reduzindo, assim, a necessidade de levantar as compras em localizações específicas. Já os “shoppers” franceses consideram as compras de mercearias um incómodo, particularmente nos grandes formatos, que disponibilizam um sortido muito alargado e são menos propícios à compra rápida e de pequena quantidade. Optam, frequentemente, por comprar “online” mas sem acionar

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a entrega ao domicílio de forma regular, o que encontra explicação nas elevadas taxas cobradas pelos operadores, obrigando, além disso, a uma presença física no lar para rececionar as compras. “O nosso conceito “drive” será responsável, em 2015, por 4,5% das nossas vendas, face aos 1,3% registados em 2011”, considera Michel-Edouard Leclerc, presidente do E.Leclerc. Ou a prova de que os retalhistas de base alimentar franceses têm grandes expectativas relativamente ao desempenho dos seus formatos

“drive”, observando-se, em 2012, um total de duas mil unidades “drive” em funcionamento em França, gerando um “turnover” de dois mil milhões de euros. No Reino Unido, Asda e Tesco apresentam-se como os principais entusiastas do “drive” com 100 e 150 unidades planeadas, respetivamente, com a Sainsbury a não avançar ainda para este conceito. No Natal de 2012, 5% das compras alimentares “online” da Tesco foram recolhidas num “drive”. Na Alemanha, a sua propagação é mais lenta, com Rewe e Metro a apresentarem as suas primeiras propostas em 2011, exemplo que não foi acompanhado pelo restante mercado. A mesma morosidade é registada nos EUA. A seu favor, o “drive” encontra argumentos como a melhor gestão

de tempo por parte do “shopper”, a estabilidade do preço (o mesmo do que na loja), um melhor controlo do orçamento disponível, ao ser mais fácil resistir à compra por impulso, assim como a existência de programas de fidelização dedicados. Por outro lado, a falta de interação social, a oferta reduzida, possível existência de um valor mínimo de compra exigível e as potenciais taxas aplicáveis são barreiras à sua propagação junto de mais consumidores. Também o modelo de recolha a adotar apresenta-se como um dos principais desafios deste formato, com as insígnias a escolherem diferentes abordagens para a sua execução, dividindo-se entre a recolha na loja, num armazém dedicado (ambos contíguos a uma loja), ou, numa perspetiva mais agressiva, numa abordagem “stand-alone”. Nos primeiros dois casos, os retalhistas têm a seu favor o facto do “shopper” não querer passar muito tempo na loja e, com um investimento reduzido, conseguem evitar a perda de clientes, apresentando-se o “drive” como um passo concreto para a implementação de uma estratégia multicanal por parte das lojas físicas. Já o último exemplo, e uma vez que as barreiras físicas não se aplicam neste caso, a rápida expansão da rede joga a seu favor, com um novo formato a apontar para a conquista de quota de mercado a médio/longo prazo, mas exigindo forte investimento. Dependendo da sua organização estrutural, os retalhistas terão que optar por um modelo de negócio específico para o canal “drive”, com a preparação das encomendas nas lojas a ser a solução mais comum, permitindo aos retalhistas realizar um “soft-trial” do conceito. Desafios Enquanto as margens do “drive” permanecerem na dúvida, é nas marcas próprias que os retalhistas têm vindo a apostar, apresentando-se como uma dificuldade crescente as marcas de indústria poderem estar disponíveis “online”, existindo, também na Web, um efeito de substituição das marcas de indústria pelas marcas próprias. A insígnia L’Eco, da Casino, disponibiliza na sua página de encomenda “online” um rácio de poupança na aquisição das MDD+PP face às marcas de fabricante, enquanto na China, o Auchan Drive apresenta na sua “home page” um conjunto

Notas: data as of December 2012; e - estimado; f - forecast/previsão; Fonte: Retailers, Planet Retail


de “links” para as principais marcas de indústria comercializadas, um serviço muito provavelmente pago pelos fornecedores. “Para tornar os “drives” rentáveis, existem alguns critérios que necessitam de ser seguidos: sub-representação de marcas de indústria no cesto médio e sobre-representação das nossas marcas próprias. A “Produits U” representa cerca de 50% dos volumes transacionados no “drive””, sustenta Serge Papin, CEO da Système U. Mas a canibalização dos outros canais apresenta-se (quase) como inevitável, não se figurando, até à data, o “drive” como um conceito impulsionador das vendas nas lojas físicas, antes pelo contrário. Ao competir com as entregas ao domicílio, este canal apresenta vantagens óbvias de redução de custos logísticos associados ao serviço de entrega; para o consumidor esta valia não é tão percetível, com a entrega ao domicílio a beneficiar da redução do parque automóvel, aumento crescente dos combustíveis, em conjunto com o envelhecimento da população. Os pontos de recolha automáticos nas áreas residenciais poderão criar algumas dificuldades aos “drive”. “O que vendemos nos “drive” está em falta nos nossos hipermercados. É simplesmente um canal adicional e o nosso trabalho é, efetivamente, conduzir a operação entre estes diferentes canais”, considera Michel-Edouard Leclerc. Na perspectiva do Planet Retail, enquanto as marcas próprias desempenham um papel capital na rentabilidade do conceito, são as marcas de indústria que poderiam criar maior interesse em seu redor, com a possibilidade de promoções dirigidas a este formato a ser uma eventualidade para aumentar a sua rentabilidade. Além disso, este canal já demonstrou ser uma ferramenta de sucesso para compras frequentes, ao possibilitar a criação de formatos/ embalagens específicas. Por outro lado, a nova legislação poderá limitar a expansão do formato, sobretudo em França, onde o seu desenvolvimento tem ocorrido num hiato legal, assim como poderá

verificar-se algum tipo de reação por parte do comércio tradicional, de modo a tentar não perder vendas também para este canal. Preço O preço será, invariavelmente, uma aspeto decisivo ao futuro deste formato, com o “online” a trazer uma maior transparência e, consequentemente, uma maior agressividade na disputa pela melhor oferta possível, onde os produtos regionais, o “food-service” e o não-alimentar poderiam ajudar a diferenciar a oferta disponível. Em suma, o operador que conseguir a melhor otimização de processos sairá, seguramente, vencedor, com o E.Leclerc a estar

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APA E OC RIL D A A | MARÇ / B M E T 20/2013 n.º

Cinco questões a: Jorge Tavares Moreira Gestor Lojas Non Oil - Repsol Portuguesa, SA Grande Consumo - Ao falar de conveniência e disponibilidade, as gasolineiras surgem como exemplo pragmático da operacionalização destas duas noções. Pode-se considerar que foram as gasolineiras as fundadoras ou as “importadoras” da noção de conveniência em Portugal? Jorge Tavares Moreira - A conveniência surge em Portugal na década de 80, através das gasolineiras, sobre um conceito inicial de “after market”. A escassa oferta, que até então se resumia a acessórios auto e algumas bebidas, alarga-se a artigos de alimentação (bolachas e doces) e a bebidas quentes, essencialmente café. Com a adesão de Portugal à então CEE, a rede viária portuguesa sofreu profundas alterações, o que impulsionou o aparecimento de áreas de serviço mais amplas e com uma oferta de produtos/serviços mais alargada. A verdadeira revolução dá-se então na década de 90, com a “importação” do conceito americano de conveniência, cuja inspiração se centrou na cadeia 7- Eleven. A oferta das categorias de impulso é reforçada e complementada com categorias de destino como o tabaco, a imprensa, a mercearia e o “fast-food”. GC - Que critérios de seleção são aplicados na eleição do sortido disponível nas vossas lojas? JTM - Tendo como missão “ser a opção preferida do cliente” e cientes da limitação do espaço de venda, a seleção do sortido assenta em três pilares: 1. Procura: disponibilização de produtos reconhecidamente líderes, com elevada rotação de vendas, que permitam satisfazer as necessidades dos clientes; 2. Diferenciação e inovação: agilidade na adaptação contínua às necessidades impostas pelos clientes e pelo mercado; 3. Preço: disponibilização de produtos que garantam um “pricing” agressivo. Estes critérios estão intimamente associados à criteriosa seleção de fornecedores que garantam um serviço de excelência a preços competitivos. GC - A conveniência é geradora de valor acrescentado? JTM - Na conjuntura atual, em que o consumo de combustíveis vem diminuindo anualmente e as margens estão completamente esmagadas, é exigido às empresas uma competência elevada em inovação, abertura à mudança e agilidade na adaptação contínua às necessidades impostas pelo mercado. Neste contexto emerge a importância da conveniência enquanto motor de crescimento. O Non-Oil (conveniência e lavagens) já representa uma fatia bastante importante nos resultados das gasolineiras. GC - Os mecanismos de fidelização e as promoções associadas à vossa marca são parte integrante dessa mesma estratégia de aportar valor acrescentado ao cliente? Com que base são definidas as promoções? JTM - Os mecanismos de fidelização e promoções, embora vitais, per si, são peças soltas da estratégia de aportar valor acrescentado ao cliente. Aportar valor acrescentado ao cliente exige ainda serviço de excelência, qualidade e atenção em toda a cadeia de valor, com uma equipa motivada e comprometida com a sociedade e o meio ambiente. Os ciclos promocionais de loja têm a duração de 21 dias. As promoções, centradas em “cut price” agressivo (com PVP´s frequentemente inferiores aos praticados pelas grandes superfícies), abrangem produtos líderes das principais famílias, numa ótica 360.º. Acrescem ações temáticas, como Páscoa, Verão, Natal, Feira dos Vinhos, entre outras, com periodicidade variada. GC - A rede de lojas irá crescer este ano, tendo em conta o contexto macro e microeconómico e social? JTM - Temos previsto consolidar a rede de Lojas Repsol e estamos atentos a todas as oportunidades de mercado.

na vanguarda mediante a implementação de um sistema de automatização de stocks da Kardex Remstar em Vitry-sur-Seine no último outono que lhe permitiu obter ganhos de eficiência, redução de custos laborais e reduzidos ciclos de embalamento e recolha. Neste sistema do Leclerc, dois utilizadores podem transportar até 32 caixas em simultâneo, com os produtos a serem arrumados em seis níveis, onde um monitor indica que produto recolher, respetiva quantidade e localização. Bebidas, frescos e perecíveis são recolhidos manualmente. “As nossas lojas terão que proporcionar razões adicionais para a visita dos nossos clientes, uma vez que estes já terão carregado as malas dos seus carros nos nossos outlets “drive””, considera o presidente do Leclerc. Nesse sentido, a questão que se coloca é como encorajar os “shoppers” a comprar mais nas lojas? A distribuição de vales de desconto afetos a compras na loja, com base nos dados recolhidos do historial de compra “online”, nomeadamente, em categorias que não tenham sido compradas “online”, como, por exemplo, os frescos, ou em produtos nãoalimentares de margens consideráveis, assim como terminais para encomendas de última hora, são algumas das soluções propostas pelo Planet Retail. Por outro lado, à medida que grande parte da oferta alimentar transita para as plataformas “online” a necessidade de redefinir a gama na loja apresenta-se como premente, com a reorganização do espaço existentes a dever ser feita de modo a potenciar uma maior disponibilidade de produtos frescos e os espaços de refeição no interior da loja a serem, igualmente, uma ferramenta diferenciadora. A compra por impulso deverá ser fomentada, assim como a promoção de novos produtos, sem esquecer a criação de áreas dedicadas ao desconto. As parcerias locais e a promoção dos produtos regionais apresentam-se como um importante trunfo, quer para a diferenciação quer para a compra por impulso, com a experiência de compra em loja a ser mais do que nunca decisiva, onde a criação de áreas especializadas reúne grande interesse junto do consumidor. É na conjugação das atividades “online” e “offline” que parte do sucesso futuro do retalho parece residir, sobretudo com a conveniência e o preço a ditarem cartas nos hábitos de consumo modernos. As insígnias alimentares terão que sujeitar-se a um “showrooming” intencional na perspectiva do Planet Retail, onde a experimentação de produtos na loja será uma necessidade para gerar vendas, “on” e “offline”, sempre com o necessário serviço ao cliente, tanto mais importante com o retalho a virar-se para as novas plataformas tecnológicas e com uma necessária diferenciação do sortido da loja face ao “online”. Noções de um futuro muito distante, ou talvez não tanto, onde a conveniência é o paradigma do momento.


Conveniência ou Proximidade?

Arrmando Mateus Managing Partner, nexium Customer Solutions

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O termo “conveniência” está na moda no mundo do retalho e, por isso, são muito comuns os exemplos de cadeias de lojas que abriram os seus “drive-ins” ou uma multitude de lojas de bairro. Mas será que estamos a falar realmente de Conveniência ou estamos a falar verdadeiramente de Proximidade? Para descodificar o significado de cada uma destas noções é fundamental começarmos pelo início e vermos o que cada uma significa. Uma pequena busca nos dicionários de Português revela que o termo “conveniência” encontra-se associado a “adequado”, “vantajoso” ou “útil”, enquanto o termo “proximidade” se encontra associado a “distância”, física, social ou emocional. Assim sendo, qual é verdadeiramente a necessidade que os consumidores e os shoppers sentem: Conveniência ou Proximidade? No papel que assumimos todos os dias de consumidor que pretende adquirir um produto (shopper), queremos que o ato de compra seja facilitado, através de lojas onde podemos adquirir ao melhor preço o melhor produto para cada momento… e já agora com o melhor atendimento. É isso que nos é útil, que nos é conveniente! Muitas vezes estamos dispostos a fazer longos quilómetros ou a esperar mais tempo, apenas porque o valor que retiramos dessa compra é superior. Superior porque naquilo que é a nossa avaliação, nos satisfaz de uma forma superior. A história do retalho é marcada por uma constante transformação, a qual se baseia na necessidade de satisfazer cada vez melhor as necessidades dos clientes e de forma superior à concorrência. No início dos anos 80, os consumidores estavam disponíveis para percorrer longas distâncias para chegar a um hipermercado, já que lhes era conveniente comprar todos os produtos no mesmo local a preços mais acessíveis. Recordo-me da abertura do Continente da Amadora e das “excursões” para fazer compras que eram organizadas de pontos tão distantes como Setúbal ou Santarém. E não foi ainda há tanto tempo que a abertura do Ikea em Alfragide provocava o mesmo. Uma altura em que ser conveniente era permitir aos consumidores o famoso “one stop shop”. Mas a noção de “proximidade” mudou e a mesma passou a medir-se em unidades de tempo, o bem mais escasso na sociedade

moderna. Por isso, é conveniente que os produtos e serviços estejam disponíveis de forma próxima, ou seja, com acesso fácil e rápido. E para isso queremos ter informação disponível, saber onde estão as lojas físicas, se posso comprar os produtos “online” e quanto tempo demoram a chegar, qual o preço que vou pagar em cada uma das opções de compra, quais as promoções disponíveis… mas também quero tudo isto de forma simples, que me poupe tempo e dinheiro, que me torne um “shopper” inteligente aos olhos da sociedade. É isto que se pretende ao falar do famoso “smart shopper”. A aposta das várias cadeias do retalho alimentar em formatos de proximidade não é algo de novo, é apenas mais um passo numa estratégia de ligação estreita com os seus clientes, é somente mais um passo no sentido de entender quais as necessidades dos seus clientes a cada momento e adaptarem-se. No passado foram os hipermercados, depois os supermercados grandes, hoje são os pequenos supermercados de proximidade e no futuro serão talvez o “online” e os “drive-ins”, quem sabe? A única certeza é que é fundamental que o retalho se continue a reinventar a cada dia que passa, adaptando-se e transformando-se. No que aos consumidores e “shoppers” diz respeito, conveniência e proximidade são sinónimos. Mas “valor” e “experiência” também o são, sinónimos e faces de uma mesma verdade e necessidade. Cada consumidor é diferente e, para além disso, um mesmo consumidor assume ao longo do dia e do ano diversos papéis diferentes de “shopper”. Quando vamos de manhã ao café tomar a famosa “bica” queremos um café saboroso a um bom preço e um atendimento simpático; quando vamos ao mesmo local à hora do almoço queremos confiar que o prato que escolhemos é saboroso e fresco; e quando vamos ao final do dia ao mesmo café buscar o pão para levar para casa, o que queremos? É da multitude de necessidades, atitudes e comportamentos que o consumidor manifesta que surge o desafio para as marcas e para os retalhistas, já que o consumidor é um ser complexo que busca tudo, mas ao mesmo tempo procura algo que lhe acrescente valor, que lhe seja útil, que lhe seja próximo e conveniente.


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Qualidade em qualquer ponto do mundo

Peter Dawson Administrador da Garland

É inegável: o setor alimentar nacional vive dias de franca prosperidade além-fronteiras. Parece não haver limites no que toca à exportação dos nossos melhores produtos alimentares, que chegam aos quatro cantos do Mundo. Os casos de sucesso são inúmeros e expressam a multiplicidade de produtos e igual diversidade de mercados aos quais de destinam. Falamos, entre muitos outros exemplos, do transporte de sumo de laranja para os Países Nórdicos, milho para Inglaterra ou vinho para a Suíça. É notório o crescimento no transporte de produtos alimentares a granel de ano para ano. Portugal, por exemplo, exporta cereais, aveia, cevada, arroz, milho, produtos que só no ano passado foram responsáveis por mais de 550 mil toneladas transportadas pela Garland de e para Portugal. Também o vinho e o azeite nacionais, produtos nobres por excelência, marcam pontos no exterior pela sua irrepreensível qualidade. Perante a crescente procura, os parceiros das empresas nacionais deste setor têm de estar à altura dos desafios que se colocam na exportação. Neste momento é imperativo fazer mais e melhor, o que implica ter capacidade de resposta e estar dotado das mais avançadas soluções que permitam dar resposta aos crescentes desafios que se colocam às empresas nacionais. Acima de tudo, são-nos exigidas respostas na logística e transporte de produtos que permitam que estes cheguem ao seu destino, com a mesma qualidade que os distingue da sua concorrência e em irrepreensível estado de conservação. No caso do transporte de grandes volumes a granel a opção recai pelo uso de grandes navios graneleiros, uma área de atividade na qual o grupo Garland conta com uma larga experiência. Uma das grandes apostas da Garland, no setor agroalimentar e uma

alternativa para quem vende volumes mais reduzidos, é o transporte a granel em contentores. Para produtos líquidos a granel os Flexitanks são uma boa opção, uma vez que esta inovadora solução permite transportar entre 10 e 25 mil litros num único contentor. Ideais para produtos como vinho ou azeite são facilmente carregáveis num curto espaço de tempo, e permitem uma poupança de 20% a 30% em relação ao uso de tanque ISO equivalente, especialmente nos casos de transporte para locais onde não existe retorno para ISOtank. Igualmente para produtos sólidos a granel em contentores a Garland dispõe do “bag in the box” que utiliza uma válvula rotativa. Em ambos os casos o saco não é reutilizável, o que garante que não haja contaminação. O transporte rodoviário, uma das principais portas de entrada para os produtos nacionais na Europa, faz com que este continue a ser um dos serviços mais procurados. Como tal, apostámos recentemente em novas rotas de forma a servir destinos como a Suíça, Alemanha ou Países da Escandinávia. Os camiões Garland são devidamente preparados e equipados para a preservação dos produtos delicados como laticínios, chocolates, vinhos ou mesmo frescos, através do controlo de temperatura que cumpre na perfeição a missão “door to door”, sem comprometer o selo de qualidade dos mesmos. Nesta grande montra que é o setor alimentar e que estará agora em exposição na Alimentaria&Horexpo facilmente encontramos múltiplos exemplos de casos de sucesso nacionais. Empresas que, apoiadas por parceiros com soluções de transporte inovadoras e eficientes, ousam atravessar fronteiras e chegar a diferentes mercados. Mas a montra dos produtos nacionais não está apenas aqui. Surge a cada esquina, em qualquer cidade, num qualquer país. Independentemente das coordenadas geográficas, uma coisa é certa: a qualidade é a mesma!


As pessoas são o principal ativo de qualquer nação

António Saraiva Presidente CIP

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O grande desafio para 2013 é devolver a esperança aos portugueses. Não se trata de uma mera figura de retórica: a esperança e a confiança no futuro são fatores fundamentais para o relançamento da economia. O processo de ajustamento em que Portugal está empenhado tem como objetivo colocar a economia numa trajetória de crescimento sustentado, para o que é necessário restaurar a confiança nos agentes económicos, nacionais e internacionais. Confiança relativamente à capacidade do Estado honrar os seus compromissos, mas também confiança na capacidade de gerar mais riqueza para crescer sustentadamente. De facto, a consolidação orçamental é condição prévia para restaurar esta confiança, mas não poderá haver consolidação orçamental se a economia colapsar, como não haverá confiança externa na economia sem perspetivas de crescimento. O imperativo do crescimento, afirmado e reafirmado pela CIP, mantém-se, por isso, atual, sendo necessário compatibilizá-lo com a consolidação orçamental. Continuamos a insistir na urgência de redefinir o papel do Estado e de proceder a uma profunda reforma de toda a Administração Pública e do sector empresarial do Estado: este é um dos grandes desafios do Governo para 2013. Mas reafirmamos que tal reforma precisa de tempo para ser bem preparada e bem implementada. Para além disso, o ritmo de consolidação orçamental, mesmo que pela via “saudável” da redução estrutural da despesa, deverá ser conciliado com algum alívio das pressões sobre a procura interna e possibilitar a introdução de novas e eficientes medidas fomentadoras de uma retoma da economia e de criação de emprego. Tememos que a folga de mais um ano concedida pela troika seja insuficiente, sobretudo face ao prolongamento e aprofundamento da recessão que, só por si,

está a tornar ainda mais difícil o processo de reequilíbrio orçamental. Temos também defendido que só um modelo de crescimento sustentado no aumento das exportações permitirá conceber um futuro sustentável para a indústria portuguesa, com crescimento económico e geração de emprego. Nos últimos dois anos, em condições muito adversas, as empresas exportadoras foram capazes de conquistar ganhos de quotas de mercado e de diversificar as suas vendas, procurando e explorando novos destinos. A resiliência das exportações impediu uma contração ainda mais forte da atividade económica, e constitui um dos poucos fatores de esperança no futuro. Neste domínio, o desafio para este ano será conseguir manter este enorme esforço. A estratégia de Estratégia de Fomento Industrial que o Governo está a ultimar, em conjunto com a implementação das recomendações apresentadas no âmbito do Conselho Estratégico da Internacionalização da Economia, deverá contribuir para criar as condições necessárias para que tal aconteça. A CIP tem defendido que esta estratégia de fomento industrial integre três grandes vertentes inter-relacionadas: • A criação de condições, de financiamento e no domínio da fiscalidade, que permitam o relançamento do investimento empresarial nos setores produtores de bens e serviços transacionáveis; • O estímulo à competitividade e inovação; • Uma estratégia coerente de internacionalização da economia. Numa perspetiva de médio e longo prazo, a qualificação é, também, um eixo essencial desta estratégia, porque as pessoas são o principal ativo de qualquer nação e são elas que vencem os desafios com que nos confrontamos.


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Brasil, íman do retalho internacional TEXTO Duarte Cunha FOTOS D.R.

À pergunta de Carmen Miranda “o que é que a baiana tem?” os maiores retalhistas mundiais até podem nem saber responder, mas sobre os predicados do Brasil não parecem existir dúvidas, com país a fazer parte da agenda de expansão dos maiores “players” internacionais. Carrefour e DIA configuram dois dos mais recentes exemplos de retalhistas internacionais que estão de olhos postos no Brasil. Este mercado sul-americano faz parte de um projeto de expansão do grupo francês, que deverá começar a ser implementado no início de 2014. Um grande mercado, que é já a segunda região mais importante para o Carrefour em termos de vendas e que é, igualmente, uma prioridade para o Grupo DIA.

O que é que o Brasil tem, então? Em primeiro lugar, tem uma população jovem e em crescimento. Os dados do Planet Retail avançam 198 milhões de habitantes em 2013, com o país a avançar a passos largos para a marca dos 200 milhões, que deverá ser atingida dentro de dois anos. Isto significa que o Brasil irá continuar a ser o quinto país mais populoso do mundo, responsável por metade

da população da região da América do Sul. E um país de jovens, onde mais de 60% dos habitantes tem menos de 29 anos. Em termos económicos, o Brasil é igualmente um destino apetecível. Os efeitos da crise económica global foram sentidos de forma moderada, com a economia nacional a encolher uns marginais 0,3% em 2009, para recuperar, logo no ano seguinte, e apresentar um robusto crescimento de 7,5%. Em 2013, continuará a ser a sétima


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economia mundial e a maior da América Latina. O Planet Retail considera, assim, que o panorama de longo prazo para o Brasil é muito positivo, dados os esforços que têm vindo a ser desenvolvidos pelo governo no combate à pobreza, iliteracia e crime, criando condições de vida mais favoráveis para as populações de recursos mais baixos, que serão, no futuro, o principal motor do retalho e do crescimento do consumo. É importante ter em consideração que o país continua mergulhado num mar de desigualdades e, apesar dos centros urbanos, incluindo cidades como São Paulo e o Rio de Janeiro, terem níveis de rendimento que estão acima da média nacional, um quinto da sua população continua a viver em favelas. Não obstante, o Brasil é um mercado em crescimento e onde o consumo tem aumentado consideravelmente. Entre 2003 e 2013,

deverá ter crescido, em termos reais, cerca de 56%. Nestes últimos dois anos, o governo subiu o salário mínimo nacional, o que tem contribuído para o surgimento de uma nova classe média, alimento das vendas a retalho e da modernização do sector. As vendas do retalho de base alimentar, incluindo os seus resultados com produtos não alimentares, representam 44% das vendas a retalho totais. Esta é a taxa mais baixa da América Latina, refletindo os elevados padrões de consumo da sociedade brasileira, cada vez mais afluente e urbanizada. Uma larga proporção do rendimento dos brasileiros é destinada a produtos não essenciais, como a eletrónica de consumo, o entretenimento e o lazer. Estes números também espelham as estratégias seguidas pelos hipermercados no país, com amplas gamas não alimentares. O Planet Retail antecipa que as vendas a retalho no Brasil cresçam cerca de 28% até 2020 e que o consumo global amplie 35%. Com, base neste potencial de crescimento, a maior economia da América Latina temse posicionado como um potente íman para os retalhistas internacionais que procuram, em novas geografias, continuar numa senda de crescimento e mitigar os efeitos da maturidade dos seus mercados de origem. Juntamente com o México, o

Brasil é o país da América Latina com o maior número de retalhistas internacionais em operações no seu território, com quatro “players” a posicionarem--se no top 5 do mercado alimentar. Mesmo durante o complicado período de 2008 e 2009, em que muitos retalhistas refrearam os seus planos de expansão para fazerem face ao pico da crise, o Brasil manteve-se como um mercado estratégico para empresas como o Casino, Carrefour e Walmart. O mercado de retalho brasileiro apresenta, assim, um elevado nível de internacionalização e é dominado por operadores multiformato. Na liderança está o Pão de Açúcar (CBD), que não é mais um “player” local, após o grupo francês Casino ter assumido o controlo em junho de 2012. O Carrefour, com a compra do grossista Atacadão, em abril de 2007, consolidou a sua posição no topo e conseguiu, inclusivamente, a liderança temporária, uma posição que tenta agora reconquistar. As fortes posições do Carrefour e CBD/ Casino devem-se ao facto de serem os únicos operadores com uma presença nacional, não obstante o grosso das suas vendas ser realizado na região de São Paulo. No não alimentar, a CBD continua a aumentar a sua quota de mercado, através da participação na Casas Bahia, operador local e líder do mercado de

eletrónica de consumo que adquiriu em 2010. Na terceira posição, a Walmart, presente no Brasil desde 1994, tem acelerado a sua expansão nos últimos anos. O pontapé de saída foi


dado com a compra dos ativos da Ahold no país, em 2004, e da Marcas Próprias Sonae, em 2005. E os planos de expansão continuam ambiciosos, As vendas de marcas próprias estima-se terem representado 2,6% dos com a Walmart a confirmar, para 2013, ter no Brasil uma das gastos dos consumidores em alimentos, bebidas e tabaco em 2010, prioridades em termos de investimento. participação que deverá subir para 3,8% em 2015 e para 9% em Na quarta posição, os chilenos da Cencosud estão presentes com 2015 no caso dos pequenos operadores. um “portfólio” misto, assente sobretudo em hipers e supermercados. No entanto, todos esses são valores baixos quando comparados Por seu turno, O Boticário é o único operador doméstico a entrar com os níveis ocidentais europeus, devido ao grau, ainda baixo, de para o top 5. concentração no retalho moderno brasileiro, onde a reduzida pressão O formato de retalho mais popular no Brasil é o supermercado, competitiva não tem forçado a rápida expansão da oferta “private segmento onda ainda operam muitos retalhistas independentes, label”. As diferenças de preço entre as marcas próprias e as marcas de mas também disputado pelo líder Casino/CBD, com as cadeias Pão fabricante no Brasil são muito pequenas, ao contrário dos mercados de Açúcar e Extra maduros da Europa e América do Norte. Supermercado, por Os protagonistas do desenvolvimento “private label” - que agora outros “players” tendem a apresentar gamas de produtos diferenciados - até agora internacionais, têm sido os principais “players”, casos da Casino / Pão de Açúcar, como a Walmart Carrefour e Walmart. Problemas de qualidade no início de 1990 (Bompreço, feriram temporariamente a reputação da marca própria em geral, mas Nacional e isso mudou nos últimos anos. No entanto, parece que há um longo Mercadorama), caminho a percorrer para a marca própria antes de ser amplamente C a r r e f o u r aceite pelos brasileiros. (Carrefour Bairro) e Cencosud (G. Barbosa e Perini) e por importantes retalhistas regionais, casos dos Supermercados Futuro Comper, Supermercados BH e DMA Distribuidora. O hipermercado, Em termos das vendas a retalho, o Brasil já é o quarto maior que tem vindo a atrair a preferência de cada vez mais consumidores, mercado mundial, depois dos Estados Unidos da América, da China é dominado pelo Casino/CBD (Extra Hipermercado), Walmart e do Japão. As previsões económicas futuras são de contínuo (Walmart Supercenter, Hiper Bompreço, BIG), Carrefour, Cencosud crescimento, de 4% ao ano, para se posicionar, em 2015, como a quinta maior economia mundial. (Bretas, Hiper G. Barbosa, Prezunic) e Lojas Americanas. Apesar de estar a sofrer um célere processo de concentração, o setor do Quota mercado (%) 20132 014 2015 20162 0172 018 retalho brasileiro continua ainda com Casino 3,37 3,41 3,44 3,48 3,51 3,55 níveis de fragmentação consideráveis, 2,31 2,31 2,32 2,33 2,34 2,37 com os cinco principais retalhistas Carrefour a representarem apenas 20% da Walmart 2,23 2,20 2,20 2,20 2,19 2,20 distribuição moderna no país. No que Cencosud 1,11 1,15 1,17 1,18 1,19 1,21 toca ao consumo de alimentos, bebidas O Boticário 0,87 0,91 0,95 0,99 1,03 1,08 e tabaco, capturam apenas 10%. A este fato está interligada a presença ainda limitada das marcas Para o setor do retalho, o panorama é assim claramente positivo, próprias, que representarão tão somente 3% do consumo destes sendo de esperar mais anúncios de investimento no país. Veja-se, produtos em 2013, e do “discount”, cuja quota não ultrapassa 1%. por exemplo, o Grupo DIA, que vai acelerar, este ano, a sua expansão, Este formato está, porém, em expansão, favorecido pelos preços com 100 novas aberturas que se somam às 81 de 2012. E não competitivos que oferece. A lista de retalhistas ativos inclui o Grupo esqueçamos as ambições da maior retalhista mundial, a Walmart, que já confessou querer ser o retalhista preferido dos brasileiros. DIA, a Walmart (Todo Dia) e o operador regional Econ. Grupos de compras No Brasil, a compra está a tornar-se cada vez mais centralizada. Grupos de supermercados, incluindo um grande número de operadores de supermercados regionais, está a usar o seu poder de compra crescente para ignorar grossistas e negociar diretamente com os fornecedores. A possibilidade de compra pela Internet também foi introduzida pelos principais grupos, permitindo-lhes cada vez mais ter negociações diretas com fornecedores, mesmo comparativamente pequenos. No entanto, é importante ressaltar que não há grandes associações de comerciantes independentes no Top 20 brasileiro. Uma situação muito diferente dos mercados emergentes da Europa Central, entre outros.

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Brasil: o redespertar do gigante

Boris Planer economista chefe Planet Retail, especialista na modernização do retalho nos mercados emergentes Presentemente, os BRICS já não são propriamente o que costumavam ser. As imensas expetativas que recaiam nos mercados emergentes à escala mundial há dez anos diluiram-se numa mescla de crise económica global e insucesso no que a reformas estruturais concerne. De fato, tudo indica que no presente e nos próximos cino anos China será o único mercado deste punhado de países que se apresenta capaz de apresentar desempenho de relevo, enquanto Brasil, Rússia, Índia e África do Sul falharam nas metas de progresso ambicionadas. Contudo, neste leque de quarto mercados de menos desempenho, o Brasil reagiu de forma mais construtiva, contrariando os problemas de forma mais resiliente, alicerçando a base de crescimento para a fase seguinte, de forma sistemática do que os seus pares noutros lados. Na minha perspetiva, o Brasil apresenta-se como a segunda economia mais atrativa à escala mundial, afigurando-se-lhe um futuro auspicioso não obstante os seus desafios presentes. O que torna, então, o Brasil atrativo? Em primeiro lugar, o fato de apresentar o maior rácio de urbanização de todos os BRICS,

complementado pelo crescente nível de educação, forte progresso no combate à pobreza e maior riqueza disponível. Cerca de 90% da população habita numa cintura urbana muito reduzida ao longo da costa do Atlântico, sobretudo nas regiões a sudoeste, espalhando--se ao longo de um número significativo de cidades, das quais 17 alojam mais de um milhão de habitantes. Cerca de 25,7% dos seus habitantes são sub-15, rácio apenas superado pela Índia no Top 10 da economia mundial. Durante demasiado tempo, todavia, a urbanização no Brasil foi equivalente à criação de grandes favelas, no qual estima-se que ainda resida 6% da população. Número que sobe para 20% no caso de São Paulo e para 22% no Rio de Janeiro, com aquilo que era o domínio dos cartéis de droga a evoluir para para um estilo mais sustentável e cooperacional que contrasta com passado de crime, indicador que tem vindo a baixar, sobretudo devido nas zonas urbanas de baixos rendimentos. A isto não será incólume a redução do “gap” social, a subida da instrução média e do salário mínimo (+8% no início de 2013 para 325 dólares). A literacia, sobretudo entre os jovens, registou um incremento de 84% em 1980 para uns expressivos 98% nos dias de hoje, o que radica a emergência de uma nova geração de consumidores que irá usufruir de novos estandartes de consumo e de vida. A emergência de uma nova classe média ao longo das últimas décadas deverá ser encarada com alguma cautela, na medida em que o limiar oficial de classe média continua a ser muito baixo. Por outras palavras, apesar de todo o progresso recente a luta contra a pobreza continuará a figurar nas prioridades governamentais ao longo das próximas décadas. Por outro lado, o Brasil baseou a sua atividade económica nos elevados preços das “commodities” e respetiva exportação, negligenciando, durante demasiado tempo, o tão necessário desenvolvimento

infraestrutural. Situação que teve o devido reflex recentemente, com um crescimento ténue do PIB de 1% em 2012. O governo aceitou esses déficits e encontra-se apostado em reforçar o investimento em vias de comunicação rodo e ferroviárias, a que se juntam os importantes interfaces marítimos e aéreos, num investimento global de 190 biliões de dólares até 2015 e fomentado pela nova legislação, que veio facilitar os investimentos ao abrigo das parcerias públicoprivadas. A nível do retalho, o grande desafio que o Brasil atravessa é a falta de competitividade e os preços altos. Políticas protecionistas têm ajudado a manter as marcas globais de mercado, ou pelo menos tornar o acesso muito difícil, seja em alimentos, medicamentos ou vestuário. Políticas protecionistas que têm ajudado a manter as marcas globais fora do mercado, ou pelo menos tornado o acesso muito difícil nas categorias acima referidas. O preço destas políticas é pago numa base diária pela população, o que inclui, naturalmente, as pessoas de baixos rendimentos que continuam a pagar muito pelos bens alimentares. A pressão para uma maior abertura do país ao mundo exterior é real e apresenta-se cada vez menos provavável que o governo consiga manter esta linha protecionista nos próximos anos. Em suma, o Brasil enfrenta um número considerável de desafios estratégicos, mas as faixas etárias mais jovens apresentam uma instrução superior face às gerações anteriores e usufruem de uma melhor perspetiva futura no que ao desenvolvimento económico concerne. Uma vez que o governo tenha enfrentado os desafios da criação de infraestruturas e continuado a investir em serviços públicos, bem como a reforçar a concorrência, o caminho está definido para o Brasil materializar um salto gigante rumo ao amanhã. Trajeto que poderá demorar um punhado de anos, mas há muitas razões para retalhistas e fornecedores tornarem-se parte dessa história.


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ML GE A BRI A T / OR ARÇO

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Markem-Imaje: n.

há 24 anos o parceiro da indústria nacional

TEXTO Alexandre Paulo FOTOS Sara Matos

Há 24 anos presente em Portugal, a Markem-Imaje apresenta-se como o parceiro de eleição da indústria nacional na codificação e marcação de produtos. Ao conciliar a tecnologia de ponta com o serviço, a MarkemImaje tem vindo a acompanhar as necessidades do mercado e dos clientes, como explica o diretor de operações, Paulo Carracha.


37 Empresa pertencente à multinacional norteamericana Dover Corporation, a Markem-Imaje é um dos líderes mundiais no fornecimento de soluções de rastreabilidade e identificação de produtos. Com mais de 100 anos de experiência, fornece soluções para apoiar a segurança e qualidade dos produtos bem como o cumprimento dos requisitos legais e do retalho. Em Portugal, apresenta-se como o parceiro de eleição da indústria nacional no que à codificação e marcação diz respeito. Necessidade mais ampla em função não só do crescimento da economia como da própria legislação aplicada à transação de bens e mercadorias, o que incrementou as possibilidades de negócio, mas também os desafios inerentes aos procedimentos técnicos. Não só pela natureza de alguns bens/produtos, como pela necessidade de assegurar a autenticidade dos artigos produzidos. Um desafio tão mais significativo quanto mais o mundo se torna global. “Ao nível da contrafação, temos também algumas soluções adaptadas, porque é importante para quem exporta, especialmente para mercados emergentes, assegurar e certificar que o produto é seu. Temos também aplicações peculiares na indústria gráfica, nomeadamente dedicadas a sorteios. São nichos de mercado com mais-valia”, introduz Paulo Carracha, diretor de operações da Markem-Imaje. Mais-valias associadas a uma atitude própria de estar no mercado, ao conciliar a tecnologia de ponta em soluções de identificação e codificação com o serviço, onde a integridade, quer das suas soluções, quer do serviço prestado, são aspetos valorizados pelos clientes, que reconhecem na Markem-Imaje um parceiro que

supera as suas expetativas, tanto no desempenho produtivo, como a nível da política de qualidade e ambiental. “Para além de cumprir com os requisitos dos clientes, queremos superá-los. Queremos ser verdadeiros parceiros dos nossos clientes, hoje e amanhã. Projetamos sempre a nossa atividade a três anos tendo como objetivo a permanência no mercado, fornecendo soluções inovadoras e fiáveis ao menor custo operacional. Por isso, a nossa preocupação em disponibilizar tecnologia atual mas evolutiva de modo a que as empresas encararem os desafios com otimismo e dinâmica tendo sempre o seu parceiro de codificação disponível para apoiar e antecipar necessidades. O nosso respeito pelo investimento

EMI TARG BR R O/A O Ç EP | MA

R 20/2013 dos clientes está sempre presente. Nos próximos n.º três a cinco anos a solução de codificação terá que continuar a responder às necessidades de um mercado cada vez mais exigente”. Uma das soluções financeiras que se adapta ao momento actual do mercado, é o “renting”. Solução muito interessante para determinadas empresas, indo ao encontro de uma necessidade premente das empresas e um pouco no sentido inverso daquilo que é a mentalidade dominante do tecido empresarial português. Em Portugal ainda predomina o conceito de propriedade. Se para algumas áreas de negócio faz sentido, para outras não, existindo, naturalmente, casos onde a marcação não confere nenhuma mais-valia ao produto final. O que se procura é cumprir a legislação aplicável, de modo a poder colocar os produtos no mercado. Há algumas empresas que adaptam esta obrigatoriedade de codificação e lhe adicionam informação para se destacarem da sua concorrência. “Procuramos que o cliente entenda que ele é especialista a produzir o seu produto e nós somos especialistas na codificação. Nós garantimos que o produto fica bem marcado, pelo mais baixo custo operacional e sem variações ao longo do ano. O “renting” tem vindo a crescer desde 2010. No ano passado, 25% do nosso “turnover” em equipamentos foi feito já nesta modalidade. Continuamos ambiciosos e acreditamos que vamos conseguir subir este valor para os 35% nos próximos dois anos. Para tal é necessário manter a informação e acompanhamento junto das empresas, demonstrando a maisvalia de lhe retirar esta atividade, transferindo-a para “outsourcing” e concentrando-a num único parceiro. Nesta área de negócio está disponível a totalidade da gama comercializada em Portugal pela Markem-Imaje”, acrescenta Paulo Carracha. A dinâmica do mercado tem conduzido à introdução de novas propostas de valor, onde são hoje premissas do negócio dimensões como por exemplo, a rastreabilidade, com a Markem-Imaje a procurar ir sempre além da obrigatoriedade de codificação, proporcionando mais-valias reais para uma melhor gestão do negócio e que passa, entre outros aspetos, pela introdução de novos equipamentos no mercado. “O ano passado renovámos toda a gama de soluções de marcação por jato de tinta de pequeno carater para a embalagem primária. Este ano apresentamos a nova gama de codificação por laser. Fomos buscar a mais recente fonte laser de última geração a um produtor mundial. É um produto que oferece mais por menos: não vamos impactar esta evolução no valor final do equipamento. Vamos fornecer mais desempenho a mais baixo custo, em particular no consumo energético”, conclui Paulo Carracha.


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ARABRIL ENT O/ M ARÇ M I AL 013 | 2 20/ n.º

A Europastry Portugal encontra-se a implementar melhorias na fábrica do Carregado, nomeadamente o reforço da linha produtiva que irá reforçar a capacidade instalada em 60%. Para servir o mercado interno e a exportação, levando a toda a rede Europastry o que de melhor existe em pastelaria tradicional portuguesa. E não só.

TEXTO Duarte Cunha FOTOS D. R.

Europastry reforça produção em 60%

O investimento global estimado de 1 milhão de euros irá permitir à Europastry Portugal ser ainda mais competitiva no mercado interno, assim como reforçar capacidade de exportação da fábrica do Carregado, ao desenvolver produtos específicos de pastelaria tradicional portuguesa, reclamando, assim, a responsabilidade de concentrar na fábrica portuguesa

a produção de pastelaria artesanal, dos quais são exemplo, entre outros, os pastéis de natal ultracongelados para a restauração e catering, feitos de acordo com os preceitos da tradição nacional. Produto de sucesso dentro e fora de portas, o pastel de nata é, todavia, somente um dos produtos estrela da Europastry, de elevada procura nos mercados externos e


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n.º20 /2013 | MAR ÇO/AB RI

que tem levado a progressivos investimentos na linha de produção, devido ao seu cariz artesanal. Melhorias que não se ficam por aqui, com a Europastry a reforçar a sua capacidade produtiva total em 60%, fruto de um investimento estimado de 1 milhão/€ e que irá, ainda, conduzir à criação de mais 90 novos postos de trabalho diretos (+25%). Operacional em junho de 2013, esta nova linha de produção irá materializar a vontade da Europastry em disponibilizar uma oferta ainda mais diferenciadora. E que passa pelo reforço da produção de produtos tipicamente portugueses como já referido, assim como ao permitir a entrada em novos segmentos de mercado, dentro e fora de portas. “Mais do que apostar numa nova linha de produção, a Europastry encontra-se a implementar uma filosofia de otimização de recursos e método produtivo que irá permitir uma melhor gestão e controlo de stock’s. Ao mesmo tempo que irá concentrar a produção de pastelaria artesanal a nível ibérico, procurando desenvolver produtos específicos para o mercado português, sem esquecer a sua viabilidade em termos de exportação e comercialização nos mercados externos”, sustenta Filipe Canário, gestor de produto da

Europastry Portugal. Presente no mercado nacional desde 1997, a Europastry Portugal, empresa que comercializas as marcas Frida, Fripan e YaYa Maria, especialista em massas congeladas em todo o sortido de padaria e pastelaria, prepara-se para dar uma nova dimensão à sua oferta, com a introdução de uma nova linha produtiva inteiramente dedicada “aos sabores portugueses”, a nível de pastelaria e sandes pré-embaladas e que vêm dar continuidade ao que tem sido política comercial da empresa. “Estamos a preparar novas soluções para os nossos clientes ao nível daquilo que possa ser pastelaria tradicional portuguesa. É este o objetivo para este ano. Já o havíamos encetado com o tradicional pastel de nata, um dos produtos mais vendidos pela estrutura nacional, mas acreditamos ter atingido um patamar de excelência produtiva que nos permitirá ser ainda mais efetivos nesta pretensão e ainda mais um parceiro de eleição do canal Horeca”, acrescenta. Sem querer descriminar que novos produtos possam estar a ser apresentados a breve trecho, Filipe Canário aponta os preceitos

produtivos associados às marcas da Europastry, não só ao nível das matérias primas utilizadas, como da própria manipulação dos produtos, “em grande parte feita através de trabalho manual, o que lhe confere uma textura própria e uma consistência única. É uma assinatura e o mais aproximado à pastelaria e padaria tradicional que se pode fazer em termos industriais”, considera Filipe Canário. À imagem da recente gama Viennoiserie Caprice, a mais recente linha de pastelaria pré-fermentada de manteiga de alta gama da Europastry, elaborada com matérias-primas cuidadosamente selecionadas. “A Viennoiserie Caprice incorpora um processo produtivo pioneiro e único na Europa, em que só utilizamos ingredientes cuidadosamente escolhidos, desde as farinhas, a manteiga, os ovos e, por último, o chocolate. Estamos a obter um feedback muito positivo dos nossos parceiros, pois não obstante o elevado sabor e recorte do produto, o mesmo é produzido sem a utilização de gorduras parcialmente hidrogenadas, corantes ou aromas artificiais”, conclui. Gama Premium de manteiga que vai de encontro à visão de conveniência, redução de desperdício e total garantia de qualidade oferecida pela empresa. Filosofia produtiva que se estende às restantes gamas e marcas, em breve reforçadas com uma linha produtiva inteiramente dedicada à pastelaria tradicional portuguesa. Ou o reforço da individualidade e da diferenciação num mundo cada vez mais global.


Com 20 anos de experiência no mercado, a Mistolin é um fabricante de referência no mercado, ao disponibilizar uma gama alargada e diversificada de limpeza, tanto para consumo doméstico, como para uma utilização profissional. Com o reforço da atuação na exportação, vertente que já representa 30% da faturação da empresa, a Mistolin procura agora alargar a presença na distribuição moderna nacional, como explica Pedro Ferreira, diretor comercial doméstica da Mistolin.

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TEXTO Duarte Cunha FOTOS D. R.

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Grande Consumo - Com 20 anos de experiência no mercado a Mistolin tornou-se numa referência. Quais as respostas que têm dado às exigências do mercado? Pedro Ferreira - Somos o fabricante 100% português que apresenta a mais ampla oferta de produtos em MDF – marcas de fabricante -, tanto no que respeita à área de bens de consumo/doméstica, bem como na área profissional. Oferecemos todo o tipo de soluções para higiene e limpeza desde a rotineira limpeza da casa, passando pela lavandaria profissional e limpeza automóvel, até à extremamente exigente e delicada área agroalimentar. Tendo em conta as exigências do consumidor e do atual contexto económico, acreditamos que só com inovação e flexibilidade poderemos manter a nossa competitividade e crescimento. Investimos em inovação e investigação para o desenvolvimento de formulações próprias para o mercado nacional e internacional em parceria com as universidades de Coimbra e Aveiro, bem como no desenvolvimento de novas embalagens. Este investimento valeu-nos a entrada na Rede PME Inovação COTEC e a revalidação do estatuto de PME líder, pelo IAPMEI.

GC - Em que mercados internacionais estão presentes e quanto pesam no volume de negócios? PF - O mercado externo representa cerca de 30% do volume de negócios da Mistolin, sendo que o objetivo para os próximos três anos é incrementar 20% a este valor. Iniciámos em 2011 um importante trabalho no Médio Oriente com parceiros locais e também o processo de internacionalização em Espanha. No “mercado da Saudade”, definido desta forma pela forte presença de comunidades portuguesas - França, Luxemburgo, Bélgica, Suíça, Alemanha, Holanda, EUA e Canadá, estamos presentes tanto no comércio tradicional, como na distribuição moderna, onde registámos um crescimento acentuado em 2012, prevendo um aumento exponencial em 2013. Cabo Verde, Angola e Moçambique são países em que estamos a apostar bastante e que nos dão muito bons indicadores de crescimento. A Europa de Leste, Escandinávia, China, Argélia e Marrocos apresentam-nos boas perspetivas de negócio e reações bastante animadoras relativamente aos nossos produtos mais específicos. Fizemos também a primeira incursão comercial à Polónia que nos deixou excelentes indicadores para este ano.

GC - Por onde passa a estratégia da Mistolin para aumentar quota de mercado? PF - Em 2012, conseguimos crescer no número de referências nos canais de distribuição moderna e reforçar a relação com outras insígnias que nos permitem maior proximidade com os consumidores. Em 2013 aumentaremos a respetiva quota de mercado, que já apresentou um claro crescimento nos primeiros três meses do ano. A nossa prioridade é alargar a presença nos players da distribuição de produtos alimentares, o que nos permitirá alcançar o maior número de pontos de venda. Reparamos que os consumidores estão a voltar ao pequeno comércio de proximidade, o qual se apresenta com novos padrões de exigência, mais competitivo e modernizado. Se os nossos produtos têm uma presença forte no mercado tradicional, faz todo o sentido fazer a ligação entre canais, que cada vez mais se aproximam em qualidade, preço e exigência, sendo que estes três fatores são inevitavelmente associados aos nossos produtos.

GC - Como foi o ano de 2012 e quais as expetativas da Mistolin para este ano? PF - Foi um ano de importantes decisões, desafios e de crescimento, tanto no mercado nacional, como no mercado externo. Destaco o início das relações comerciais com importantes insígnias nacionais e internacionais como metas definidas e alcançadas, que nos permitiram a aproximação a um maior número de

GC - Esta aposta está relacionada com a procura por parte do consumidor português? PF - Apresentamos soluções alternativas às marcas multinacionais que operam no mercado português por garantirmos uma excelente relação preço/qualidade e, sobretudo, por criarmos os produtos a pensar no consumidor/utilizador. Somos cada vez mais reconhecidos como especialistas nas tarefas difíceis e a inquestionável liderança do Tira Gorduras é fator de diferenciação junto dos consumidores, pois já demonstrámos que a mesma qualidade e respetiva garantia estão patentes nos outros produtos que fabricamos e comercializamos. Estes fatores contribuem para um maior interesse pelas nossas marcas, tanto por parte dos canais de distribuição, como pelos consumidores, não esquecendo a forte sensibilização e apelo ao consumo de produtos portugueses levada a cabo nos últimos tempos.

consumidores. Também a consolidação em alguns clientes dedicados ao canal tradicional, que registaram crescimentos acima de 50% comparativamente com 2011. Este será um ano decisivo para a nossa afirmação como fabricante, mas sobretudo como criador de tendências, inovações, conquista de mercados e nichos onde é realçada a diferenciação, a qualidade e até alguma irreverência. Para além de uma unidade industrial, somos uma unidade logística, comercial, criativa e inovadora. Iremos apresentar novidades no que respeita a marcas e produtos. Novas imagens, novas formas de comunicar com o consumidor e com os clientes, 1 novas abordagens comerciais 4 adaptadas às exigências dos TA nossos dias. TREVIS

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ABRIL MARÇO/ 2013 | n.º20/


Limpeza do lar TEXTO Duarte Cunha FOTOS Sara Matos

perde em ambos

os indicadores

Os produtos de limpeza do lar encontramse em perda em volume e valor naquelas que são as suas principais categorias: abrasivos, desengordurantes, lava tudo e multiusos, limpa vidros e lixívias. Cenário pouco animador para as empresas da categoria, não obstante a profusão da oferta, preço competitivo e qualidade apresentada. Argumentos pouco convincentes perante a quebra do consumo.

Não obstante o arranque animador do ano para os BGC como a Nielsen revela ao abrigo dos dados alusivos ao Scantrends (ver peça nesta edição), o facto é que os produtos de limpeza do lar encontram-se a perder em ambos os indicadores, caso dos abrasivos, desengordurantes, lava tudo e multiusos, limpa vidros e lixívias. Esta realidade é partilhada tanto pelas Marcas de Fabricante como pelas Marcas Próprias + Primeiro Preço, com os dados apresentados pela Nielsen a darem conta de um como, sobretudo, pela conveniência e diversidade de utilização, crescimento muito marginal das marcas das insígnias, pelo menos onde as marcas de indústria continuam a merecer a confiança dos quando comparado com o que é o seu desempenho nos universos consumidores, não obstante os 36% de quota de mercado das alimentar e bebidas. De acordo com os dados Nielsen Market Track para o ano móvel MDD+PP. Ajax, CIF e Sonasol são as marcas que compõem o Top 5 nacional em termos de venda em valor, ranking no qual, como se findo na semana 8/2013, a maior categoria deste universo, Lava sabe, não são contempladas as MDD+PP. Tudo e Multiusos, encontrava-se a perder 8% (30 milhões/€) em valor e 6% (36,4 milhões/ kgs) em volume no período CAT. LAVA TUDO E MULTIUSOS analisado, desempenho que serve de barómetro Dimensão e Evolução Anual para as restantes categorias Fabricantes Líderes* englobadas neste segmento %€ em Valor de mercado, uma vez que AJAX FABULO 1º Ano 36%6 4% se trata de um produto de recurso recorrente CIF 2º Milhões Kgs Milhões € por parte das donas de SONASOL 3º MD+PP M.Fabric. casa portuguesas. Não só SONASOL.MAG 4 º pelo seu baixo preço %Var -2% -11% -8% -6% SONASOL.BRI 5º unitário

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CATEGORIA LIXÍVIAS Dimensão e Evolução Anual A mesma lógica de raciocínio %€ pode ser aplicada às Lixívias, artigo de elevada rotação, Ano 45%5 5% baixo preço médio, onde a Milhões Lts Milhões € inovação trazida ao mercado MD+PP M.Fabric. pela indústria ao longo de anos rapidamente foi clonada -5% +1% -10% %Var -6% pelas MDD+PP com o preço a imperar numa categoria Nielsen Market Track (inclui LIDL) Ano Móvel findo a semana 8/2013 tida como indiferenciada para muitos. Prova disso mesmo é Creme e Gel lideram a preferência de compra, num universo que prevalência da Lixívia Tradicional perdeu vendas em valor numa razão de 5% e em volume de cinco (58% de quota) face às restantes vezes mais, mas onde, e apesar do PVP médio mais elevado, a famílias analisadas (Com garantia de eficácia das marcas de indústria continua a merecer Detergente e Perfumadas), assim como a quase paridade de quota confiança dos consumidores portugueses, ao reconhecer-lhe o de mercado entre as MDD+PP (+1%) e as marcas de fabricante valor acrescentado de utilização. Ainda assim a perder vendas em (-10%), num rácio de 45%/55% respetivamente. 27,8 valor em 8% face ao período homólogo do ano passado. milhões/€ de riqueza gerada (-5%), equivalentes a 75,1 milhões A fechar o ranking, e com vendas abaixo dos 10 e 5 milhões de de litros de colocados no mercado (–6%), foi a participação euros, respetivamente, encontram-se os Desengordurantes e os estimada pela Nielsen no período analisado, com uma compra Limpa Vidros, com a primeira categoria a ser uma exceção quase média de 3,4 litros por visita, num gasto também médio de 1,15€ rara a esta regra de perda, ao manter estagnadas as vendas em por visita às grandes superfícies nacionais. volume, ainda que a perder 4% em valor. Por sua vez, os Limpa Abaixo da fasquia dos 20 milhões/€ de riqueza gerada anualmente Vidros perderam 9% em valor e 8% em volume no período surgem os Abrasivos, Desengordurantes e Limpa Vidros, com analisado, num universo onde as marcas de indústria perderam especial realce para os Abrasivos (17 milhões/€, -5%) onde vendas em valor em 16% por oposição à subida de 3% das algumas das principais marcas do mercado de produtos de limpeza MDD+PP. O mais acentuado crescimento de um universo que para o lar disputam a liderança. Casos de CIF, Sonasol, Cilit Bang vem a apresentar tendências de perda e um evidente aproximar e Vitroclean que pela sua especificidade e eficácia de utilização das MDD+PP às marcas de indústria em termos de preponderância continuam a Services_Grande figurar nos cabazes dos 210x148,5mm_AF.pdf portugueses. As referências de venda e presença nos lares dos portugueses. ANUNCIO Costumer Consumo 1 10/18/12 3:59 PM

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44 TICOA ABRIL LOG/2Í01S ARÇ / 3 | M n.º20

Um dos maiores desafios que o retalho

TEXTO Duarte Cunha FOTOS D. R.

multicanal enfrenta é o do controlo da cadeia de abastecimento, desde a receção e preparação das encomendas até à entrega do produto. O comércio electrónico é, desde 2010, um dos principais impulsionadores da absorção logística. A Amazon, que abriu um armazém em San Fernando de Henares, na região de Madrid, e avançou com um grande investimento num centro de distribuição em França, é um dos exemplos da expansão que, segundo alguns especialistas, só agora está a começar.

A logística do

detalhe

O aumento das compras “online” e da sua frequência na Europa está a ter um considerável impacto na procura de espaço logístico. Espera-se um forte aumento da atividade nos próximos anos, segundo o estudo da CBRE “How Active are Retailers in EMEA”, que revela que, antes de 2015, 63% dos retalhistas inquiridos estará plenamente integrado como “player” multicanal. A tendência iniciou-se em 2010, ano em que a consultora estima em 40% o nível de absorção da procura de espaço logístico graças ao desenvolvimento do “e-commerce”. Neste nível, estão situados mercados como o espanhol, britânico, alemão e russo, enquanto nos Países Baixos cresce para os 60%. O último estudo da DBK, filial da Informa D&B, também confirma o crescimento significativo, nos últimos anos, do volume de negócios derivado da prestação de serviços de armazenamento, transporte e distribuição para as vendas “online”. Tendo como base o mercado espanhol, o estudo da empresa do Grupo CESCE revela que, no período de 2010 a 2012, o mercado registou

taxas de crescimento anuais de 7 a 8%, que permitiram alcançar um valor de 855 milhões de euros no ano passado. O estudo da DBK destaca o comportamento do segmento de operações logísticas dirigidas ao consumidor (B2C), que se configurou, em 2012, como o principal motor da atividade, com um crescimento de 17%. Por seu turno, a atividade logística derivada de transações entre empresas (B2B) gerou 540 milhões de euros, crescendo 3%. A DBK prevê que o aumento da penetração da Internet e a transferência do consumo dos canais tradicionais para as lojas “online” vão impulsionar ainda mais o negócio da logística para o comércio eletrónico, que pode crescer, novamente, entre 7 e 8% entre 2013 e 2014. Valores que tendem a aumentar em paralelo com o ritmo das vendas através da Internet. Segundo os últimos dados apresentados pela consultora Forrester, em 2017, os europeus irão gastar mais de 191 mil milhões de euros em compras “online”, 70% acima de 2012, fazendo com que a diferença entre as vendas resultantes do comércio eletrónico e as dos canais tradicionais continue a diminuir. As previsões falam de um crescimento de 11% nos 17 países


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O conceito de cabine basculante num empilhador retráctil foi pioneiro na BT no início dos anos 90 e lançado pela primeira vez como produto em 1993. Integrado na gama BT Reflex aquando do seu primeiro lançamento em 1995, tem sido desde então, uma das principais características da gama de empilhadores retrácteis da Toyota Caetano Portugal e mantém-se exclusivo da marca BT.

Investigação científica

Nos anos 90, a BT Products e o Departamento de Ergonomia Industrial da Universidade de Tecnologia de Linkoping, decidem levar a cabo um projeto científico para ilustrar as razões por trás do desenvolvimento do sistema de cabine basculante. O “Projeto Prodergo” estudou a relação entre a produtividade e a ergonomia nos empilhadores. Centrouse no “sistema de condução” reconhecendo que o processo de trabalho envolve homem e máquina como uma unidade, e focou-se particularmente na medição do stress físico. Outras questões incluíram a medição do tempo duma tarefa completa e a “sensação do operador”- reconhecendo que o facto de o operador ter uma experiência positiva leva a maior confiança, conforto e bem-estar. Foram também considerados os distúrbios osteomusculares, sendo estes, sintomas dum sistema de condução pobre.

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Notavelmente, a perceção da redução de esforço do operador foi ainda maior. O projecto revelou que as taxas subjectivas de percepção de esforço do operador foram significativamente reduzidas em cerca de 52%. O sistema de cabine basculante permite a programação da função “inclinar frente” e “inclinar trás”, definindo a altura dos garfos em que o sistema entra em ação, o que significa que se pode ajustar às preferências de cada operador e assim melhorar a experiência de trabalho. É inevitável que o conceito de cabine basculante seja reconhecido como relevante em aplicações de nível elevado. E o maior testemunho dos benefícios deste sistema é que a maioria das empresas que o usa, volta a especificar o mesmo tipo de equipamento quando renova ou aumenta a sua frota. Estatísticas mostram que os distúrbios e lesões osteomusculares, nos operadores de empilhadores, são predominantes nas regiões do pescoço, ombros e lombar. Estudos indicam que os operadores de empilhadores retrácteis estão particularmente expostos a tensão na região do pescoço colocando-os em risco de desenvolverem problemas de saúde no pescoço e ombros. Parte devido ao facto do pescoço estar num ângulo de rotação superior a mais de 15º durante mais de 80% do tempo de trabalho e num ângulo superior a 45º durante 50% do tempo – face à postura adotada durante as operações diárias. Acrescente-se a isto o efeito da pronunciada inclinação do pescoço para trás durante o manuseamento em altura resultando, estatisticamente, que os operadores de empilhadores são 2,5 vezes mais susceptíveis de sofrer lesões no pescoço, comparado com outras ocupações.

A principal vantagem da cabine basculante é que permite ao operador ver a extremidade dos garfos quando estão elevados. Num retráctil convencional os garfos estariam escondidos pelo mastro, exigindo que o operador movimentasse a cabeça para obter a mesma visibilidade.

Implicações ao nível do negócio

Claro que há riscos financeiros envolvidos, se os operadores de empilhadores estiverem potencialmente expostos a tensões ou lesões, considerados como custos de doença. Contudo, para além destes custos óbvios, a investigação realizada reconheceu as implicações de desempenho no sistema de condução, para os operadores de empilhadores. É provável que um operador que está fisicamente debaixo de esforço seja menos produtivo e mais propenso a erro. A consequência disto tem um efeito adverso na produtividade e um aumento no custo de danos.

A exclusiva cabina basculante do BT Reflex é direcionada à redução do risco Os cientistas conseguiram apurar que o sistema de cabine basculante reduz a extensão máxima do pescoço em 20%, e isto é o resultado de testes envolvendo empilhamento de mercadorias a apenas 4 e 6 metros de altura. Os resultados para operações envolvendo alturas de elevação maiores seriam ainda mais significativos, dado o tempo necessário para observar as cargas enquanto sobem e descem.

O BT REFLEX tem sido consistentemente líder de vendas em empilhadores retrácteis. Poderá observá-lo e a outros produtos da gama BT no stand da Toyota Caetano Portugal na FIL de 14 a 17 Abril - Feira Alimentaria - Pavilhão 3 Tecnoalimentaria – stand nr. D-420 )


47 A IL BR STMIARC Í ÇO/A G O L 2013 | 0/ n.º2

europeus analisados pela Forrester, com as maiores taxas de crescimento a registarem-se na Europa do Sul, onde o “e-commerce” se transformará numa das principais formas de comércio nos próximos cinco anos. Espelhando este crescimento, o número de empresas dedicadas à prestação de serviços de logística para o comércio eletrónico também tem vindo a aumentar. A maioria deriva dos serviços de entrega de âmbito empresarial, mas o aumento da procura está também a atrair empresas da área industrial e operadores logísticos. De igual modo se tem verificado

uma expansão das redes de pontos de recolha, que permitem reduzir custos e facilitam a entrega para o segmento B2C. Para além da entrega Servir o comércio eletrónico implica, contudo, alterações na organização da cadeia logística, para uma presença que vai além da entrega ao consumidor final. São integrados cada vez mais serviços, muitos deles até há pouco tempo fora da área de atuação, como, por exemplo, o controlo do crédito dos clientes ou o apoio no pós-venda. Neste negócio, a gestão das expetativas e de mais etapas do processo é essencial, tanto para a satisfação do consumidor como para os próprios operadores poderem, assim, reduzir os custos, pois na entrega ao consumidor final as margens são escassas. A tipologia do produto logístico requerido para a venda multicanal está também a mudar a procura dos ativos.

Em muitos países, os consumidores querem a entrega dos produtos no próprio dia ou, no limite, no dia seguinte e, como resultado, tem crescido a procura no “crossdocking”, um tipo de preparação da encomenda sem a colocação da mercadoria em stock, nem operação de “picking”. Desafios à parte, certo é que as compras “online” são cada vez mais importantes no negócio dos operadores logísticos. Na Adicional Logistics, por exemplo, as entregas das compras feitas através da Internet já representam cerca de 40% das receitas geradas e a tendência é para crescer, garante João Carriço, CEO da Adicional, numa entrevista à Associação Portuguesa do Comércio Eletrónico e da Publicidade Interativa (ACEPI). A empresa disponibiliza, via Internet, serviços que permitem aos seus clientes uma gestão completa da sua área de logística. “É possível gerir “stocks” e validades dos produtos, ter uma gestão documental com comprovativos de entrega “online”, agendamentos personalizáveis e também a gestão de incidências e anomalias, o que permite aos nossos clientes seguir o estado das suas encomendas e interagir a qualquer momento”, avança João Carriço. Para os destinatários, há também um serviço de Track and Trace, que permite acompanhar a encomenda até à entrega através da Internet. Na Chronopost, que decidiu apostar no BC2 há dois anos, esta


48 área também está a crescer e já representa 10% do volume de negócios. A expetativa é que, em 2013, o crescimento possa atingir os 25%. A Chronopost tem vindo, assim, a reforçar a sua oferta para clientes de comércio “online”. O Predict é um bom exemplo e recorre ao envio de mensagens SMS para o telemóvel do cliente. O primeiro envio é de uma mensagem interativa, através da qual o destinatário pode alterar a data de entrega do produto (até um ou dois dias úteis) ou escolher uma loja da rede Pick me! onde pode levantar as encomendas no horário que mais lhe for conveniente. Desta forma, é possível minimizar as incidências por ausência do destinatário. “De acordo com um estudo realizado pela Chronopost, 16% dos inquiridos admitiu ter desistido de comprar “online” por não saber da hora de entrega. Com este serviço de valor acrescentado, pretende-se minimizar o insucesso de entregas ao domicílio, por ausência do destinatário, bem como reduzir o tempo que os consumidores terão de aguardar no destino para que a encomenda lhes seja entregue”, explica Olivier Establet, administrador delegado da Chronopost em Portugal. O comércio eletrónico é também um dos focos de maior investimento da MRW. “O “e-commerce” é uma área em constante crescimento e as empresas sabem que este é um mercado onde

devem investir. As pessoas passam cada vez mais tempo na Internet, estando mais predispostas a realizarem as suas compras “online””, nota Jorge Reis, diretor comercial da MRW. A transportadora associou-se à Viamodul e à Amen para a oferta conjunta de uma solução de

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“e-commerce” destinada a PME’s que querem criar um negócio “online”. Este serviço combina as valências das três empresas para disponibilizar a produção de um “website”, o registo de domínio e o serviço de transportes urgentes. As empresas que queiram abrir a sua loja eletrónica têm, assim, um apoio a 360 graus, que lhes permite aproveitar da apetência, cada vez maior, por parte do consumidor em comprar através Internet. Em Portugal, em 2012, o volume gasto em compras com cartões MasterCard e Maestro na Internet cresceu 20% e o número de transações processadas “online” aumentou 26% em relação ao ano anterior. Segundo o estudo Mediascope Europe/ ACEPI 2012, 97% dos utilizadores portugueses recorre à Internet para pesquisar informação sobre os bens que pretende adquirir e 78% faz compras “online”. Os portugueses estão entre os mais utilizadores de redes sociais e fazem em média, no espaço de seis meses, oito compras “online” por pessoa. Os comerciantes percebem esta tendência crescente e adaptam a sua estratégia de retalho de modo a dar resposta a estas necessidades. Um estudo recente da The Economist Intelligence Unit para a MasterCard mostrava que 30% dos comerciantes estão a integrar as experiências de compra “online” e “offline”. Boas notícias para os operadores que têm apostado e investido neste negócio da logística do detalhe.


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Dez razões para visitar a

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Alimentaria & Horexpo 2013

TEXTO Duarte Cunha FOTOS D. R.

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PARA QUEM EXPÕE: Porque devo investir numa presença na Alimentaria & Horexpo? A 12.ª edição da Alimentaria & Horexpo Lisboa conta com a participação de 800 empresas participantes, sendo que 350 o fazem de forma direta e cerca de 450 de forma indireta ou seja, incluída ou representada através da empresa participante direta. Contabilizam-se já mais de 2.000 marcas de um universo de cerca de 30 países. Os compradores internacionais que integram o programa de Hosted Buyers são provenientes de: Alemanha, Angola, Brasil, Bulgária, Cabo Verde, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos América, Estónia, Holanda, Irlanda, Israel, Lituânia, México, Moçambique, Polónia, Reino Unido, Roménia, Rússia e Tunísia. Já confirmaram cerca de 100 compradores internacionais através do programa Hosted Buyers, a que se vão juntar 1200 visitantes estrangeiros. A organização espera a visita de mais de 30 mil participantes.

Que custos tem um expositor numa feira como a Alimentaria? A participação numa feira como a Alimentaria & Horexpo Lisboa 2013 deve ser sempre encarada como um investimento e deverá ser bem preparada para que esse investimento seja rentabilizado ao máximo. Os custos dependem sempre do tipo de investimento que a empresa está preparada para assumir e que passam pelo tamanho e decoração do stand e outro tipo de ações que dependem exclusivamente das empresas participantes. No entanto, é possível participar no evento a partir de 1.500 euros, o que corresponde à solução chave-na-mão de espaço mais stand tipo de 9m2. De que forma potenciar melhor o investimento feito durante o evento? A melhor forma de rentabilizar o investimento realizado num evento desta natureza passa por prepará-lo atempadamente.


51 Nesse sentido, a organização da A&H 2013 disponibiliza um conjunto de ferramentas às empresas que ajudam a potenciar os seus negócios em ambiente de feira. A saber: • catálogo “on-line” onde estão presentes todas as empresas participantes com informação sobre atividade e contatos; • website da Alimentaria&Horexpo Lisboa 2013 onde constam todas as informações necessárias para uma boa preparação (informação sobre eventos paralelos; possibilidade de se inscreverem no programa de “hosted buyers” ou até de solicitarem reuniões personalizadas com outras empresas nacionais ou internacionais); • gabinete de imprensa do salão que pode divulgar as ações e informações das empresas; • ter informação sobre a empresa na brochura da feira + “newsletter” que segue para todos os parceiros, empresas e potenciais visitantes; • além disso é possível fazer demonstrações de produto e ações de degustação, basta para isso que a empresa se inscreva no site da A&H. Um outro aspeto importante de uma feira como a Alimentaria & Horexpo são os eventos paralelos, cujas informações estão igualmente presentes no site: Clube Portugal Exportador; Fórum de Internacionalização do setor alimentar; Espaço Innoval; Jornadas da AHRESP, Congresso de diretores de hotel, congresso do consumidor (Kantar), entre outras manifestações paralelas. É importante não esquecer que no site da Alimentaria&Horexpo Lisboa 2013 está disponível toda a informação necessária para uma boa preparação e que quanto mais cedo as empresas definirem os seus objetivos, mais cedo preparam a sua agenda para tirar o máximo partido de um evento desta natureza que é a quarta feira do sector mais importante em toda a europa. O que não deve faltar nunca num stand de quem quer fazer negócios na Alimentaria? As empresas devem sempre ter em mente que o seu stand deve ser apelativo e de compreensão rápida. Num evento onde estão presentes perto de mil referências de produto é importante conseguir fazer passar a sua mensagem de forma rápida e eficaz. Assim devem ter os seus produtos bem apresentados e a informação sobre a empresa deve ser simples de entender e fácil de encontrar. É importante também convidar a entrar no stand e eventualmente a fazer experimentação do produto em exposição. As trocas de contactos são fundamentais para que os negócios se possam concretizar no pós-feira. Como posso marcar com os meus produtos a experiência de quem se aproxima do meu stand? A Alimentaria&Horexpo Lisboa congrega, num só espaço, toda a oferta do mercado ao nível da distribuição alimentar, juntando os setores da Alimentação, Horexpo e Tecnoalimentar. Assim, o evento conta com a presença de muitas empresas produtoras e distribuidoras de alimentos e bebidas, de equipamentos e decoração para a restauração e hotelaria, tecnologia e maquinaria para a indústria e distribuição alimentar. A Alimentaria&Horexpo ao congregar estas três ofertas feriais consegue atrair os visitantes profissionais tanto do canal de distribuição de alimentos e bebidas como do canal Horeca, da indústria alimentar e das tecnologias de alimentação. Desta forma, a Alimentaria&Horexpo Lisboa facilita a realização de contatos e de operações comerciais e permite às empresas participantes aceder a um maior número de setores da procura e, em sequência, a mais clientes. Este evento é o local certo para conhecer o mercado, perceber novas tendências, ver a concorrência. Razão pela qual todos os dias do evento devem ser encarados como uma possibilidade para atrair novos compradores. É fundamental fornecer o máximo de informação que apresente a empresa e convidar a experimentar o que se apresenta. Este evento é por excelência um local de experimentação.

É possível que venha a ter potenciais parceiros de várias nações e línguas. O que devo acautelar neste sentido – panfletos, cartões de visita, etc.? A Alimentaria&Horexpo Lisboa 2013 aposta em novos compradores, novos mercados. A internacionalização é a palavra de ordem. Assim sendo, serão muitos os compradores/ visitantes estrangeiros. Se o objetivo da empresa for a entrada em novos mercados internacionais é fundamental ter a sua informação em várias línguas, seja panfletos ou cartões de visita e estar preparado para fazer uma pequena apresentação da sua empresa/produto em inglês ou outra que considerar relevante.

PARA QUEM VISITA: Se só se tiver um dia para visitar a feira, qual é o melhor? A Alimentaria&Horexpo Lisboa 2013 decorre de 14 a 17 de abril. Durante os quatro dias em que decorre o evento, as empresas estão preparadas para prestar todos os esclarecimentos necessários. Este salão é um dos mais importantes eventos do setor em todo o mundo, pelo que todos os dias são igualmente importantes para visitar. Se só tiver um dia para visitar o evento, então o melhor será preparar a sua visita e escolher as empresas que pretende contatar antecipadamente. Estudar a planta do evento (presente no site) também é importante para que não perca tempo “perdido”. Se procura as novidades, então recomendamos que inicie a sua visita pelo espaço innoval onde estão a ser apresentadas as mais recentes novidades do sector. É também importante que faça o seu pré-registo antecipadamente por forma a evitar filas e perda de tempo. Que abordagem é a melhor para começar a fazer contatos com perspetiva de negócio? Faço uma visita a todos os stands? Concentro-me nos que mais me interessam? Entrego o cartão? Depende sempre do objetivo que se pretende atingir. De qualquer das formas o primeiro passo deve ser saber quais as empresas que estão presentes no evento e onde. Se pretender marcar reuniões pode fazê-lo antecipadamente ou então dirigir-se primeiro às empresas que mais lhe interessam. Trazer cartões de visita consigo, sempre! E para quem ainda estar a dar os primeiros passos neste mercado em Portugal, que eventos são melhores para aprender o básico? A A&H 2013 é um evento de A a Z, onde está presente todo o setor agroalimentar. É uma feira de excelência que permite uma “formação” intensa já que todas as valências de um evento estão presentes na alimentaria. Quero um espaço para me encontrar com vários potenciais parceiros de negócio. Há algum disponível? Existem vários espaços na feira disponíveis para a realização de reuniões. Pode marcar basta para isso consultar o site da alimentaria ou contatar a organização.

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O mundo do vinho 10 edições

Número 1 - O Gosto do Vinho

São cinco as chaves fundamentais para a educação vínica: o Terroir (ou o Terrunho), a Vinificação, a Visão, o Aroma e o Sabor do vinho. Sobre a chave do Terroir devemos perceber o resultado da aliança entre o solo, a planta, o clima e as práticas culturais de um determinado local e das suas gentes. A chave da Vinificação é a compreensão dos princípios e do modo de elaboração das várias tipologias de vinhos – Tranquilo, Efervescente e Fortificado - nas três cores possíveis - Branco, Rosé e Tinto - abordando também os processos de conservação e envelhecimento. Quanto à chave do Aspeto Visual de um vinho, é importante perceber a formação da cor na uva e na origem do vinho, acompanhando a sua evolução ao longo do envelhecimento. A chave do conhecimento do Aroma é a perceção das grandes famílias aromáticas que concorrem para o nariz de um vinho, bem como o exercício prático regular sobre aromas que derivam da própria uva: os primários; dos aromas dominantes que derivam do processo de transformação do sumo da uva em vinho, ditos fermentativos ou secundários; e dos aromas terciários ou de evolução, provenientes das alterações químicas e bioquímicas durante o estágio e envelhecimento do vinho. Nas minhas tertúlias à volta do vinho, tudo o que transmiti ao leitor até agora é reduzido a referências gerais que servem de mera base (embora importante) de cultura geral. Por favor não desista do vinho se, ao contrário de algum dos seus eloquentes companheiros de prova, não conseguir aperceber-se de um aroma a morango ou a baunilha. Pense no aroma do vinho como um perfume; cada um tem o seu gosto; uns preferem perfumes intensos, outros gostam de aromas quentes; há quem prefira notas frescas e suaves. Tal como um perfume, o aroma do vinho é uma porta de entrada que desejamos abrir, ou não. Mas o segredo do vinho revela-se na nossa boca; enamoro-me com o vinho no nariz mas é através do seu gosto ou sabor que decido se me casarei com ele. Devemos reconhecer os gostos fundamentais – doce, amargo, ácido (o salgado não é essencial para o vinho) e, ainda, as sensações tácteis de causticidade, provocada pelo álcool, e de textura rugosa e corpo, essencialmente provocadas pelos taninos. Qualquer vinho merece, de cada provador, um posicionamento dentro de um triângulo imaginário formado pelo vértice da frescura (da acidez, como no sumo de limão), da doçura (do açúcar e do álcool) e da estrutura, conferida pelos taninos e outros elementos presentes na parte sólida da uva – a película – cujo impacto amargo e texturado sentimos quando comemos diospiros, nozes ou castanhas. Consuma vinho diariamente e com moderação: garanto-lhe que, a partir de agora, o conhecimento que me separa de qualquer leitor se mede, quase exclusivamente, em número de vinhos provados, ou seja, em pontinhos dentro do triângulo essencial de que lhe falei.



Grande Consumo N.º 20-2013