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05 JULAGO AGOSET SET2013 2013 ## #05 05///JUL JUL AGO SET 2013

ATHOS ATHOS BULCÃO BULCÃO AA OBRA OBRA DO DO ARTISTA ARTISTA SEGUE VIVA SEGUE VIVA

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UMA REPÓRTER EM EM ASCENSÃO ASCENSÃO ASCENSÃO

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Editora-chefe Editora-chefe Editora-chefe Editora-chefe Paula Santana Santana PaulaPaula Paula Santana Santana Coordenadora Coordenadora Coordenadora Coordenadora Marcella Oliveira Marcella Oliveira Marcella Marcella Oliveira Oliveira Reportagem Reportagem Reportagem Reportagem Marina Macêdo, Marcella Oliveira ee Raquel Raquel Jones Jones Marina Macêdo, Marcella Oliveira Marina Marina Macêdo, Macêdo, Marcella Marcella Oliveira Oliveira e Raquel e Raquel JonesJones Editora de arte Projeto gráfico Projeto Projeto gráfico gráfico Chica Magalhães Magalhães ChicaChica Chica Magalhães Magalhães Assistente de arte Edição de arte Edição Edição de arte deFarias arte Vanessa TAB Marketing Editorial TAB Marketing TAB Marketing Editorial Editorial Editor de fotografia de EditorEditor Editor de fotografia de fotografia fotografia Celso Junior Junior Celso Celso Celso JuniorJunior Assistente de fotografia Assistente de Assistente Assistente de fotografia de fotografia fotografia Davidyson Oliveira Davidyson Oliveira Nay Reis Nay Reis Fotografia Produção de ee imagem Produção Produção deJunior, moda de moda moda e imagem imagem Celso José Pedro Monteiro e Pablo Valadares Fabrício Viana Fabrício Fabrício VianaViana Produção dedemoda e imagem Assistente Assistente Assistente deViana Produção de produção Produção Fabrício Karine Moreira Lima KarineKarine Moreira Moreira Lima Lima Assistente de produção Colaboradores Colaboradores Colaboradores Karine Moreira Lima Ana LuizaFurtado, Favato, André Campos, André Schiliró, Andressa Andressa Furtado, BrunoBruno Stuckert, Stuckert, EdgardEdgard Cesar,Cesar, Felipe Felipe Bruno Pimentel, Freddy Charlson, GianUccello, Marco Uccello, Menezes, Menezes, Fernanda Fernanda Ferreira, Ferreira, Gian Marco Gian Marco Uccello, Marcio Marcio Colaboradores Henrique Gendre, Igo Estrela, José Pedro Monteiro, Vieira,Ana Vieira, Marcus Marcus Barozzi, Barozzi, Maurício Maurício Lima, Lima, Pablo Pablo Valadares, Valadares, Luiza Favato, André Schiriló, Bruno Pimentel, Cleuci Oliveira, Marcio Vieira, Pablo Valadares, Patrícia Sarah Patrícia Patrícia Justino, Justino, Sarah Sarah Campo Campo Dall´Orto Dall´Orto eMarcio Ueslei e Justino, Ueslei Marcelino Marcelino Fred Sartori, Gian Marco Uccello, Vieira, Mauricio Lima, Campo Dall´Orto e Yan Acioli Patrícia Justino, Rui Faquini e Yan Acioli Revisão Revisão JorgeRevisão Jorge Avelino Avelino de Souza de Souza Revisão Jorge Avelino de Souza Jorge Avelino de Souza Marketing Marketing e Relacionamento e Relacionamento Marketing e relacionamento Guilherme Guilherme Siqueira Siqueira Marketing e Relacionamento Guilherme Siqueira Guilherme Siqueira Comercial Comercial e Administrativo e Administrativo e administrativo RafaelComercial Rafael BadraBadra Comercial e Rafael BadraAdministrativo Rafael Badra Assistente Assistente Comercial Comercial institucional DiegoRelação Diego BadraBadra Assistente Comercial Murillo de Aragão Diego Badra Contato Contato Publicitário Publicitário Contato publicitário Adriana Adriana Chaves Chaves Consultora de Vendas Adriana Chaves e Diego Badra Adriana Chaves Tiragem Tiragem 30 milTiragem 30exemplares mil exemplares Tiragem 30 mil exemplares 30 mil exemplares Circulação Circulação e Distribuição e Distribuição e distribuição BADF Circulação BADF Express Express Circulação e BADF ExpressDistribuição BADF Express Impressão Impressão e Acabamento e Acabamento Impressão e acabamento Gráfica Gráfica Coronário Coronário Impressão e Acabamento Gráfica Coronário Gráfica Coronário

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ANO 2 – Nº 5 – JUL AGO SET 2013

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UM FORTE DENTRO DA CAPITAL A vida no Setor Militar Urbano

112

SORRIA, MEU BEM, SORRIA O conceituado dentista Claudio Pinho

30

CHEIO DE SWING O charme e a história do Clube de Golfe

116

UMA MEXIDINHA NÃO DÓI Homens em busca de cirurgia plástica

38

A TURMA DA PETECA O esporte que é uma diversão

118

INSISTE E PERSISTE A incômoda dor nas costas

44

VOO SOBRE AS ÁGUAS Aventuras do flyboard no Lago Paranoá

122

A PELE AGRADECE O conceito orgânico nas maquiagens

50

À TODA PROVA Uma entrevista com Marcio Fortes

148

SEMPRE EM FRENTE A tecnologia e o design da Ford

68

ÔÔÔÔ ÔÔÔ ÔÔÔ ROCK IN RIO A 13ª edição do festival

152

MIAMI, A NOVA MORADA A cidade queridinha dos brasilienses

74

DIREITO AND ROLL Histórias do ex-roqueiro Paulo César Cascão

78

DIGITALIZE POR GIAN MARCO UCCELLO As novidades do mundo da música

80

ARTE QUE MIGRA Exposições temporárias do marchand Marcus Vieira

82

ARTE POR MAURICIO LIMA Uma homenagem a Enrico Bianco

86

NO MUNDO DE TEREZA A porcelana da artista Tereza Penna

90

A VIDA EM PAR Curiosidades sobre irmãos gêmeos

108

ORTOPEDIA DE GRIFE Hospital Home se consagra em Brasília

Caftan IF para Fato Vestimenta Rivieras com diamantes para Grifith


# 05 / JUL AGO SET 2013

156

SAFÁRI NO ÁRTICO Um passeio pelo Polo Norte

160

OS VINHEDOS DE VIENA Produção de vinhos na Áustria

ATHOS BULCÃO

LÁ EM BELÉM DO PARÁ O destino mais amado do Norte brasileiro

POLIANA ABRITTA

168

UMA QUADRA GOURMET As delícias das 412 e 413 Norte

SETOR MILITAR

172

À MESA POR MARCIO VIEIRA Dicas de gastronomia

190

GAROTA LAGO SUL A modelo Larissa Borges visita a Capital

200

CACÁ DE SOUZA, UM EMBAIXADOR O representante de Valentino pelo mundo

210

À LUZ DO DIA A joalheria da alta-costura

204

CLUBE DAS GOIANAS A elegância da empresária Flavia Teles

212

RESORT COLLECTION A passarela da temporada europeia

206

ENTRE NÓS As dicas valiosas de Patrícia Justino

216

SONHANDO… O outono da haute couture francesa

238

PARA SEMPRE ATHOS BULCÃO O artista plástico que deu cor a Brasília

248

EMPAREDADOS Projeto contempla Athos Bulcão

254

POLIANA ABRITTA A jornalista estampa a capa da edição

256

O SÉRGIO É UMA PARADA O arquiteto comenta Brasília

262

OS MELHORES (MAIS AMADOS) DO MUNDO A jornada do grupo teatral da cidade

268

O ÚLTIMO DRIVE-IN O cinema a céu aberto no centro de Brasília

276

UMA NOITE NO TEATRO A atriz brasiliense Gabrielle Lopez

164

A OBRA DO ARTISTA SEGUE VIVA

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UMA REPÓRTER EM ASCENSÃO

UM FORTE NA CAPITAL

Poliana Abritta estampa o projeto Habitathos, fotografado por Celso Junior e com pintura de Ana Siqueira


Rafael Badra

Guilherme Siqueira

Brasília, D

Paula Santana

por que és tão especial?

izem por aí que na vida não há coincidências, e, sim, sincronias. Tenho tido a oportunidade de ver fatos naturalmente se encaixando em determinadas circunstâncias. Um deles foi a concepção dessa edição. Em mente, eu, Guilherme e Rafael decidimos que não era o momento para um rosto lindo, uma vez que viemos de uma sequência de mulheres estonteantes, como Sabrina Sato, Fernanda Motta e Renata Kuerten. Queríamos o impacto que teve a nossa capa com Romero Britto. Algo que subvertesse o mainstream e deixasse claro que a revista, sobretudo, é um produto de cultura e entretenimento comprometido com Brasília. Foi assim que tudo aconteceu. Há tempos acompanho o trabalho de Valéria Cabral, fiel escudeira de Athos Bulcão, que tenta a todo custo manter a integridade das obras deste grande artista que, diferentemente de muitos outros idealizadores da Capital, elegeu Brasília como morada. A luta, agora, é pela construção de sua fundação. Nesse mesmo tempo, uma jovem brasiliense radicada em Nova York, também amante de Athos, pensou num audacioso projeto: por que Athos Bulcão é só para admirar com os olhos, uma vez que o artista sempre pregou a democratização da arte? Por que não interagir com a obra, sendo, inclusive, parte dela? Surgiu então Habitathos. O projeto ganhou fôlego, dimensão e também a nossa capa.  E não era só isso. Qual a obra que o artista mais amava? Externa, os cubos do Teatro Nacional. Interna, o painel do andar de vidro da Torre de TV. Lá vamos nós... achar alguém de Brasília, que idealizasse Athos e que tivesse identidade com o local. Quem, meu Deus? Daí vem outra sincronia. Numa noite, do nada, sonhei

com ela... amiga antiga e colega de profissão. Pensei: “em algum momento, mando um whatsapp para saber se está tudo bem”. No dia seguinte, a vi, liiiinda, num link para o Jornal Nacional com Brasília ao fundo. Nesse momento, tudo clareou. Era ela, claro, que preenchia todos os requisitos: a repórter de TV Poliana Abritta. Ela topou na hora. Ufa! E o resultado, espero que apreciem, estampa esta quinta edição.  A partir daí, era juntar tudo numa mesma engrenagem. E contar a história da cidade nas páginas da GPS|Brasília é mais que um ofício, é um imenso prazer. Vamos redescobrir o Setor Militar, uma vila com vida própria, que tem três mil habitantes. Também foi uma revelação saber que o último Drive-in do Brasil está aqui. Nossa equipe entrou nas dependências da Sala Villa-Lobos para um ensaio com a atriz Gabrielle Lopez, brasiliense radicada entre Rio de Janeiro e São Paulo. As últimas fotos permitidas antes da esperada reforma do monumento. Também resgatamos de Paris a modelo Larissa Borges, que aos 14 anos deixou Brasília para modelar na Europa. Ela estampa o lifestyle dos frequentadores do Lago Paranoá em seus barcos importantes. E nunca é demais falar dos mais que incríveis, adorados e engraçados Os Melhores do Mundo. Eles se preparam para estrear um longa-metragem em 2015. Diz aí... Brasília pulsa. E a gente ama. Não ama?


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BAIRRO

UM FORTE DENTRO DA CAPITAL

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Um pequeno reino com vida própria está instalado no coração de Brasília. É o Setor Militar Urbano, a sede do Exército brasileiro, desenhado por Oscar Niemeyer. Lá dentro, uma comunidade de três mil habitantes


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Por Raquel Jones Fotos Celso Junior

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648. Esse foi o ano em que índios, negros e mestiços travaram uma verdadeira batalha contra os holandeses, no Nordeste do Brasil. Era dia 19 de abril, ou tono em Pernambuco, quando os nativos subiram ao morro dos Guararapes para lutar contra os estrangeiros que dominavam o plantio da cana de açúcar na região. Nascia ali os guardiões da pátria, o Exército Brasileiro. “A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa dor. Po rém, se a Pátria amada for um dia ultrajada, lutaremos sem temor”, cantam os soldados no seu hino de guerra. Assim é o espírito do Exército, lutar com bravura em nome da nação. O que aconteceu no morro dos Guararapes mudou a his tória do Brasil. Hoje, o Exér cito guarda nossas fronteiras, ajuda a construir o nosso País, garante a soberania nacional com hierarquia e disciplina, regras clássicas estabelecidas no meio militar. A instituição possui uma sede que simboliza toda a sua missão. Localizada no Setor

Militar Urbano de Brasília, foi construída no final dos anos de 1960 sob os desenhos de Oscar Niemeyer e instalada numa área de 3,4 milhões de metros quadrados. Essa sede possibilitou uma nova vida para milhares de brasileiros que escolheram a carreira militar. Muitos são requisitados de diversas par tes do País para trabalhar na Capital Federal. Antes de se mudar, fazem o requerimento por unidades habitacionais, chamadas de Próprio Nacio nal Residencial (PNR), para viver com suas famílias. Ao todo, são 4.449 PNR, sendo cerca de 700 somente na Vila Militar e as outras espalhadas na Asa Norte, na Asa Sul e no Cruzeiro.

A Vila A tranquilidade da região é um ponto a favor para quem vive uma vida urbana bas tante agitada. Há 13 anos, o Capitão Sá mudou-se do Rio de Janeiro para a Vila Militar e desde então desfruta do con tato frequente com a natureza


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e com a vizinhança. “Aos finais de semana, o Setor Militar Urbano vira uma pista de corrida, de caminhada, de lazer. Há pouco fluxo de carros na região e a segurança é garantida por militares que rondam as ruas. O lugar é bem frequentado e arborizado”, comenta. A infraestrutura da vila garante mais qualidade de vida aos trabalhadores. São pelo menos três praças para o convívio dos moradores. Nas proximidades, há uma churrasqueira comunitária e quadras poliesportivas. Os oficiais ainda podem frequentar o Clube do Exército, que conta com academia de ginástica, piscinas olímpicas e churrasqueira, além do Clube Pandiá Calógeras. “Para mim, a vila militar é sinônimo de tranquilidade. Aqui, temos padaria, banco, restaurante, lanchonete, barbearia, farmácia e o comércio do Sudoeste e do Cruzeiro à disposição. É um lugar com clima de interior onde as pessoas se conhecem, os vizinhos se frequentam, uma verdadeira família”, relata o Capitão Sá. O Setor Militar foi projeto por Oscar Niemeyer. Acima, o Oratório do Soldado. Abaixo, um dos prédios do Quartel General


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O Sal達o Nobre dos Guararapes conta com quadros do pintor e coronel Estigarribia e um tapete de 12 metros confeccionado por artes達s

Interior do Teatro Pedro Calmon

A Vila Militar tem 700 casas


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Circuito Cultural Além de trabalhadores e moradores, o Setor Militar tem uma parte cultural aberta para a população, que constitui o Quartel General, a Concha Acústica, o Teatro Pedro Calmon, a Praça dos Cristais e o Oratório do Soldado. “Niemeyer, mesmo sendo comunista, criou esses monumentos para os militares. Existem coisas que ultrapassam ideologia. É o amor à nação”, observa o prefeito do Setor Militar Urbano, coronel Ikeda.

Cada monumento, um símbolo. A Concha Acústica lembra a espada usada por oficiais. A concha seria a copa e o obelisco a lâmina da espada. “Essa foi uma homenagem a Duque de Caxias, patrono do Exército”, revela Ikeda. A Concha tem cerca de cem metros de extensão, é feita de concreto e revestida em granito negro. O Teatro Pedro Calmon foi inspirado na cabana de um soldado, remontando assim a vida de um militar no campo de batalha. O nome do teatro é uma homenagem a Pedro

Calmon Moniz de Bittencourt. Ministro da Educação no período de Juscelino Kubitschek, Calmon doou parte dos recursos do ministério para a obra. No interior do teatro, um espetáculo à parte. O local comporta 1,2 mil pessoas e tem um palco de 26 metros de largura por 13 metros de profundidade, nos moldes de um grand teatro. O teto de madeira ganhou formas onduladas para quebrar o eco. As poltronas têm em seu revestimento couro natural, começaram a ser reformadas

após 40 anos de uso. Embaixo do teatro, um túnel de acesso ao QG e à Concha Acústica. A genialidade de Niemeyer está impressa nos pequenos detalhes. O QG do Exército, constituído de dez prédios de quatro andares, lembra os fortes apaches. “As colunas côncavas dos prédios lembram as paliçadas das estruturas militares. Nos filmes americanos de faroeste, elas eram identificadas como fortes apaches. Por isso o nome”, explica Ikeda. Cerca de quatro mil pessoas trabalham nesse espaço. Os blocos são


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organizados por letras de A a J. Já na Praça dos Cristais coube a Roberto Burle Marx impor a sua marca. O paisagista plantou no local o Pau Brasil. Curiosamente, a árvore em extinção no País se adaptou ao Cerrado, apesar de ser originada da Mata Atlântica. Buritis, palmeiras do Cerrado, lírios e camarás também florescem na região de 102 mil metros quadrados. São 56 espécies diferentes, que contornam um imenso lago com quatro mil peixes. No meio das águas, surgem gigantes cristais de concreto, uma homenagem às pedras típicas

do Planalto Central. Muita beleza envolve o Setor Militar Urbano, assim como sua vasta história. Durante o governo José Sarney, a Avenida do Exército sediou a cerimônia do 7 de Setembro. A avenida também chegou a ser pista de pouso de avião, na época da construção de Brasília. No interior do QG, há o Salão Nobre dos Guararapes, que faz referência a grandes acontecimentos do Exército e suas personalidades, por meio de obras de artes. Nas paredes, um dos quadros do pintor e coronel Pedro Paulo Cantalice Estigarribia conta a

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história do general Rondon. “Ele foi uma importante figura na nossa história. Contribuiu para construir o Brasil e fazê-lo um País indissolúvel”, acrescenta o coronel Paulo Campanha. No chão, um tapete de 12 metros de 120 quilos de lã e 35 cores, feito por artesãs, retratam a Batalha dos Guararapes. Se quiser saber mais sobre os generais e os “praças”, no hall de entrada do Teatro Pedro Calmon existem exposições de armas antigas da época da Guerra do Paraguai, além de outros artefatos de guerra. O Setor Cultural do

Exército é público, aberto à visitação. No Oratório do Soldado, missas são celebradas diariamente. O templo é ecumênico – espíritas, católicos ou evangélicos podem realizar suas cerimônias. E assim se mantém o Setor Militar Urbano. Uma pequena cidade dentro da Capital. Com autonomia, identidade, regras e soberania. Um pequeno reino. O sociólogo Roberto Freyre traduziu bem o que representa para o País. “O Exército é a mais lídima e representativa das instituições nacionais; ele é o verdadeiro índice do povo brasileiro.”


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ESPORTE

CHEIO DE

SWING Tombado pela Unesco e local onde transitam pássaros e animais do Cerrado, o Clube de Golfe de Brasília está entre os melhores do mundo e será palco de partidas nas Olimpíadas de 2016

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Por Raquel Jones Fotos Celso Junior

A

grama é da espécie bermuda, de folhas lineares, finas, lisas e perenes. Está sempre verde e bem cortada. As árvores têm o tronco retorcido, característica do Cerrado. No Clube de Golfe de Brasília, o clima é de interação total com a natureza. Localizada no coração da cidade, às margens do Lago Paranoá, de uma tacada vê-se a Ponte JK. De outra observa-se belos pássaros e árvores que são verdadeiras obras de arte. Em 1957, o então presidente Juscelino Kubitschek pe-

diu ao urbanista Lúcio Costa que reservasse o lugar onde seria praticado o desporto. Em 1964, um grupo de amigos do golfe se uniu e criou a Associação Clube de Golfe de Brasília, realizando o desejo de JK. Foi pelas mãos do inglês Robert Trend Jones que o campo tomou forma. Considerado o papa dos designers, Jones está para o ramo assim como Niemeyer está para a arquitetura. Em Brasília, fez a façanha de desenhar um espaço, onde a bola passa por cima do

lago para chegar ao buraco. É belíssimo”, descreve o diretor de marketing do Clube de Golfe, Hermano Wrobel. A genialidade de Jones tornou o clube de Brasília famoso. Na América Latina, só existem dois campos desenhados por ele. Em Brasília, são 74 hectares de extensão, cinco lagos artificiais e 18 buracos. Na época da construção, a grama veio de avião dos Estados Unidos. O clube se mantém no topo dos campos de golfe brasileiros. Será subsede durante as Olimpíadas de 2016, jun-

tamente com Rio de Janeiro (RJ), Búzios (RJ) e São Paulo (SP). Atualmente, são 287 associados e cerca de 200 funcionários. Os frequentadores são aposentados, empresários, servidores públicos, diplomatas. “Os coreanos são os que mais frequentam, pois não têm um espaço como o que temos aqui lá na Coréia”, conta Wrobel. A estrutura e qualidade do campo são de nível internacional. Há seis anos tem sistema de irrigação controlada por satélite. Assim como o


ESPORTE

Palácio da Alvorada, tem autorização para utilizar a água do Lago Paranoá para o abastecimento. “O Clube de Golfe é semi público. Qualquer pessoa que tem um handicap, classificação de habilidade, paga o green fee (taxa para dar uma volta completa no campo) e pode jogar os 18 buracos”, informa Wrobel. O green fee custa R$ 120 durante a semana e R$ 180 aos finais de semana. O clube disponibiliza um profissional chamado head pro, que avalia

se a pessoa está apta para usar o campo. Quem não tem experiência, pode pagar a escola de iniciação com os professores credenciados. O clube também ministra aulas gratuitas para alunos de sete a 17 anos, que passam por uma avaliação e, de tempos em tempos, promove clínicas de golfe para pessoas que querem conhecer o esporte. O que torna o clube tão especial é a diversidade da fauna e da flora. “De manhã, capivaras podem ser vistas

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às margens do Paranoá. Não faltam pássaros como quero-quero, pica-pau, canário da terra, gavião e sabiá para alegrar os frequentadores. Na vegetação, buritis, coqueiros, pinheiros e até Pau Brasil”, comenta o atual presidente do Clube, Jaber Féries. O lugar é tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O golfe “O fundamental está fora do campo e dentro da mente

O empresário Lázaro Marques treina há três anos e encontrou no esporte o seu maior desafio

e do coração”, costuma dizer o maior golfista da história, o sul-africano Gary Player. Mais que um esporte, o golfe é um jogo em que o principal adversário é você mesmo. O que determina uma boa tacada é o controle e a concentração. Criado na Escócia, nos anos de 1.400, o esporte ainda é considerado de elite, mas está cada vez mais difundido no País. Após uma pausa de 108 anos, volta a participar dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.


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As gêmeas de 13 anos Laura Helena e Luiza Helena estão de olho nas Olimpíadas de 2016

O golfe pode ser praticado individualmente ou em grupos de até quatro pessoas. O principal adversário é o campo. Vence quem completar os 18 buracos com um menor número de tacadas. O atleta escolhe o par do campo, que é a quantidade de tacadas que precisa para acertar o buraco. Num par três, o golfista deveria dar três tacadas para acertar o buraco, por exemplo. É um esporte que não tem idade. De baixo impacto, não há índice de lesões. Não é a força que determina o alvo e sim o swing do jogador, o giro do seu corpo na hora da

tacada. Esse movimento está diretamente ligado à mente. A teoria do golfe parte do princípio de que é preciso uma mente fortalecida. Engana-se quem pensa que Tiger Woods é o melhor jogador por suas habilidades. Existem golfistas com capacidades iguais, a diferença é que Woods sabe como ninguém controlar os nervos em campo.

Praticantes O empresário brasiliense Lázaro Marques se iniciou no golfe há três anos e encontrou nele o seu maior desafio. “Sempre pratiquei esportes como o esqui aquático, a nata-

ção e o tênis. De todos, o golfe supera as expectativas em nível de desafio. É um jogo individual no qual é preciso trabalhar a mente. Você vai do céu ao inferno numa facilidade incrível, basta uma tacada boa e outra ruim. Há momentos em que o silêncio é ensurdecedor, chega a incomodar. É preciso aprender a conviver com ele para fazer uma boa jogada”, relata Marques. É importante ressaltar que o golfe é um esporte step by step. Muitas vezes não adianta treinar muito para ganhar tempo. Cada etapa tem o seu valor. “Você amadurece com o tempo. Hoje eu tenho a

consciência de que jogar bem requer confiança, firmeza e serenidade. Zero de ansiedade e dez de concentração. Aos poucos, a gente aprende que devemos procurar ser o mais natural possível. Se der uma tacada ruim e ficar pensando nela, você inicia uma cadeia de erros. É a certeza do fracasso. É preciso relaxar”, revela Marques. Os ensinamentos do golfe são lições de vida. As gêmeas de 13 anos Laura Helena e Luiza Helena de Araujo Caetano começaram a praticar o esporte para cultivar a amizade entre elas, há seis anos. “Para mim, o golfe é um momento


ESPORTE

de relaxar e de estar perto da minha irmã. Nós ficamos mais tempo juntas, compartilhamos o jogo”, conta Laura. O que começou como uma brincadeira virou uma proeminente carreira. Atualmente, Luiza ganhou o primeiro lugar em quatro torneios juvenis brasileiros na sua categoria. Laura ficou com a terceira colocação em quase todos os campeonatos que participou. Ambas estão de olho nos Jogos Olímpicos de 2016. “No início, quando nossa mãe nos levou para o golfe, nós achamos chato. Era um esporte diferente, poucas pessoas da nossa idade praticavam. Hoje, nós não conseguimos ficar sem. Para mim, é a oportunidade de estar em contato com a natureza”, afirma Luiza. Quem quiser conhecer o universo do golfe, pode agendar visitas guiadas no local. E além do esporte, o Clube do Golfe também é um espaço de gastronomia. São dois restaurantes: o Le Jardin Du Golf, com cardápios francês, italiano e contemporâneo. E o Oliver, que oferece um menu variado, com destaque para a paella, além de música ao vivo.

Serviço Clube de Golfe de Brasília www.golfebrasilia.com.br SCES Trecho 2 (61) 2191-6512 ou (61) 2191-6500 Horário de funcionamento: terça-feira a domingo, das 7h às 17h

Linguagem do Golfe

Bandeira azul – sinaliza que o buraco está no fim do green Bandeira branca – sinaliza que o buraco está no meio do green Bandeira vermelha – sinaliza que o buraco está no início do green Caddie – quem carrega os tacos e os equipamentos do golfe e te orienta no campo a como realizar a melhor jogada Green – área de grama ao redor do buraco Handicap – medida de desempenho do jogador ou classificação de habilidade Hole in one – jogada na qual o golfista acerta o buraco com apenas uma tacada. No Clube de Golfe de Brasília, quem o faz ganha passagens para os Estados Unidos e uma máquina de café da marca Nespresso Score Card – cartão em que o jogador anota as tacadas. O golfe é um esporte no qual o próprio atleta contabiliza o seu resultado Swing – giro do corpo Tee – a primeira tacada em cada buraco. A mulher bate a tacada um pouco mais a frente do homem por ter menos força Par do campo – medida de quantas tacadas são necessárias para sair do tee até o buraco

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HOBBY

Sebastião Gonzales em ação

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A TURMA

DA PETECA Por Marina Macêdo Fotos Celso Junior

“N

É assim que são chamados os atletas brasilienses que ao longo de três décadas treinam, se divertem e competem Brasil afora. A peteca é um dos esportes que tem a cara de Brasília

ão deixe a peteca cair”. O dito popular, que incentiva pessoas a não desanimarem em momentos de dificuldade, refere-se a um esporte querido por muitos brasileiros. Por muito tempo, a peteca foi tratada como recreação, mas a modalidade foi conquistando novos adeptos e, em 1973, em Minas Gerais, começaram a ser desenvolvidas regras, surgindo a Federação Mineira de Peteca (Fempe). Ela foi oficializada como esporte somente em 1986, pelo Conselho Nacional de Desporto. O esporte cresceu e ganhou interessados nos quatro cantos do Brasil. Em especial na Capital, onde espaço, ambiente e atmosfera propícios não faltaram para que a modalidade não só iniciasse, como também despertasse paixões. A novidade desembarcou timidamente no final da década de 70 e logo invadiu os parques e clubes da cidade, lançando exímios petequeiros do Cerrado. Em Brasília, estima-se que haja cerca de 200 atletas. Os clubes credenciados para os treinos oficiais são o Iate Clube, Minas Tênis Clube, Vizinhança, Country Club e As-

bac. São nesses locais onde tudo acontece. Mas os representantes garantem que, apesar da seriedade do esporte, na peteca não existe o posto de profissional. Todos são amadores. Jogam e, sobretudo, se divertem. O engenheiro eletricista José Ferreira, 70 anos, natural de Belo Horizonte, foi um dos primeiros a jogar peteca em Brasília. “Conheci o esporte em minha cidade natal. Quando cheguei na Capital, em 1978, continuei praticando com um grupo de mineiros. E não parei mais”, lembra Ferreira, que treina quatro vezes por semana no Iate Clube. De um total de 24 campeonatos já realizados no Brasil, ele participou de 22 premiações. “Fui medalha de ouro 16 vezes”, diz. Sobre o segredo para chegar tantas vezes ao pódio, Ferreirinha revela o mistério. “A Peteca tem quatro fundamentos básicos. Primeiro, a escolha do parceiro. Segundo, não deixar a peteca cair. Terceiro, não jogá-la na rede ou fora da quadra. Por fim, direcioná-la para o local aonde adversário não chegue a tempo”, conta. Além de quadras de ci-


HOBBY

mento, o esporte é praticado em clima mais descontraído. Como nas quadras de areia do Parque da Cidade Sarah Kubitschek. Onde saem de cena roupas como bermuda, camisa e tênis, e entram, sungas e biquínis. Apesar de a maioria dos praticantes ser homens, não é difícil encontrar mulheres e crianças jogando peteca. Dentro da quadra, o clima é de rivalidade. Mas, fora, se formam grandes amizades. É o que garante o vice-diretor de Peteca do Iate Clube de Brasília, Sebastião Gonzales, 57 anos. “A peteca é um esporte apaixonante e funciona como uma terapia, que proporciona novos relacionamentos e reúne diferentes gerações”, garante. Segundo Gonzales, a Peteca é ainda um esporte acessível, em que não é preciso grandes recursos para sua prática. “É viável para todos os bolsos. Com R$ 10 se compra uma peteca”. Os benefícios são muitos, para mente e corpo. Desenvolve a agilidade, a flexibilidade das articulações, aprimora os reflexos e funciona como um exercício aeróbico. Aos que desejam iniciar a prática, Sebastião revela que bastam dois meses, treinando três vezes por semana, para o novato pegar o ritmo do jogo. “Após esse período, é preciso muita dedicação e treinos para conseguir disputar torneios realizados pelos clubes em datas comemorativas. E, no futuro, até um campeonato regional ou nacional, ambos realizados apenas uma vez ao ano”.

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José Ferreira durante partida

Otávio Almeida Costa Júnior, 53 anos, é integrante da Federação Brasiliense de Peteca. Ele explica que, atualmente, o esporte possui um total de nove federações. Além do Distrito Federal, a Peteca tem federações em Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Espirito Santo, Paraná, Minas Gerais e Rondônia. Em setembro, será realizado o Campeonato Brasiliense de Peteca, organizado pela Confederação Brasileira de Peteca. E, como em todos os anos, selecionará os jogadores que representarão o Distrito Federal, em novembro, no Campeonato Brasileiro de Peteca.

Onde praticar Parques - Nas quadras de areia do Parque da Cidade Clubes - Nas quadras de areia e cimento do Iate Clube, do Minas Tênis Clube, do Vizinhança, do Country Club e da Asbac

Conheça as regras

- A quadra deve ter a dimensão de 15 x 5 metros para jogo individual. Já para o jogo em duplas, a dimensão é de 15 x 7,50 metros - A peteca deve ter de 40 a 42 gramas. Sendo que a base precisa ser construída com discos de borracha, com diâmetro de 5 cm. E as penas brancas devem somar quatro, montadas paralelamente duas a duas - A rede deve ter 7,80 metros de comprimento por 60 cm de largura. Já a altura depende da categoria a ser disputada - A peteca entra em cena com um saque, no qual o atleta golpeia com a mão, com a finalidade de que ela passe por cima da rede - Ao receber a peteca, a equipe adversária deve, em um único movimento, devolver o item. Caso não consiga, perde ponto - A partida é definida em melhor de três sets, quem conquistar dois sets vence - Os dois primeiros sets podem ser ganhos ao longo de dezesseis minutos ou pela equipe que fizer doze pontos - Caso seja necessário o terceiro set, ou tie break, a partida é competida por ponto corrido. Ganha a equipe que fizer primeiro 12 pontos, sendo necessário dois pontos de diferença do adversário - As equipes são montadas de acordo com a faixa etária dos jogadores


AVENTURA

Flyboard, uma nova modalidade praticada no Lago Paranoรก, faz o atleta voar sobre uma prancha com botas

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AVENTURA

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Por Marina Macêdo Fotos Celso Junior

J

á imaginou voar até dez metros sobre mares e lagos? Ou, com o mesmo equipamento, dar mergulhos sequenciais? Ter a sensação de liberdade e pura adrenalina? Pois uma nova modalidade tem invadido as águas do Lago Paranoá. Chama-se Flyboard. O inventor do esporte aquático é o francês Franky Zapata. Campeão mundial de jet ski, Zapata desenvolveu ao longo de oito meses o apetrecho e o lançou em 2012. Em outubro do mesmo ano, o esporte já somava centenas de atletas e reuniu 60 esportistas, de 20 países, no campeonato mundial em Doha, no Qatar. O kit completo conta com prancha com botas fixas, par de manetes, mangueira de 15 metros e dutos. Para a prática é necessário ainda alugar ou possuir um jet ski. A turbina da moto aquática funciona como bomba d’água, que impulsiona o atleta para cima. Do alto, o praticante tem a opção de criar e executar as mais variadas manobras em um raio de 15 metros do jet ski, dirigido por um instrutor. Já os veteranos não precisam de piloto na moto aquática. Eles aceleram o veículo por meio de controle remoto. Quanto mais o acelerador do jet ski for acionado, mais alto o flyboardista voa. A direção é tomada pelos pés do atleta. Já a estabilidade, pelas mãos atadas às mangueiras. Edson Moreira, 34 anos, é


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atleta profissional de jet ski freestyle. Desde os 13 anos, desbrava-se no esporte. Já participou de campeonatos nos Estados Unidos, Itália, Japão, Austrália e Tailândia. Ele é responsável por ministrar cursos e vender o equipamento de Flyboard na Capital Federal. O brasiliense começou a comercializar a novidade em Santa Catarina e resolveu trazer a modalidade para sua terra natal. “Identifiquei na cidade um potencial para receber o esporte. Sempre tive a certeza de que seria um sucesso”, conta Edson Moreira. O equipamento custa R$ 30 mil no Brasil. Para adquiri-lo, é obrigatório fazer um curso de uma semana, com aulas teórica e prática. “Quem o adquire ganha um curso gratuito. Já para quem deseja praticar sem comprar, o kit do Flyboard tem um custo de R$ 300 por 30 minutos de aula”, diz o atleta. Edson revela que já foram vendidos centenas de kits no Brasil. O esporte tem adeptos em Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Brasília. Em menos de dois meses no Cerrado, a prática tem fascinado brasilienses e candangos. Até o momento, três equipamentos foram vendidos na cidade. Mas a expectativa é de que, até o final do ano, a venda chegue a 20 kits. Quando o assunto é segurança, Edson ressalta que, ao praticar o esporte, é necessário se manter a cem metros de distância de embarcações, decks e banhistas. “Aos iniciantes é indispensável o uso de

capacete e colete salva-vidas”, acrescenta. Aluno de Flyboard, o empresário Phillipe Oliveira Vilela, 24 anos, é adepto de esportes radicais. Ao lado de Edson, ele revela que após quatro aulas já consegue voar com estabilidade. Mas ainda não se arrisca nas manobras ousadas. “Como já praticava Wakeboard, tive certa facilidade com o esporte, mas confesso que na primeira aula dá um frio na barriga”, comenta. Phillipe destaca que é impressionante a curiosidade. Sempre que pratica, chama muita atenção. “Por onde a gente passa, as pessoas ficam encantadas pelo esporte. Elas tiram fotos e querem entender como funciona todo o processo”, diz o novo adepto da modalidade. “Já pratiquei vários esportes no Lago Paranoá, mas nenhum se compara ao Flyboard. A sensação de voar é maravilhosa”, complementa. O catarinense Alessander Lenzi foi o único brasileiro a participar do mundial de Flyboard, realizado no Qatar, no ano passado. Recordista nas categorias freestyle e free rider no jet ski, Alessander Lenzi é o representante do produto no Brasil. Ele revela que planeja que o País sedie um campeonato da modalidade. “Ainda não temos data marcada. Mas pretendemos realizar, no segundo semestre, um campeonato de Flyboard em Santa Catarina”, finaliza. Onde praticar Curso com Edson Moreira (61) 9361-3030


OLIMPÍADAS

A TODA

PROVA O trabalho é árduo. Exige experiência, bom relacionamento e, sobretudo, inteligência e estratégia. O eleito para assumir essa jornada é o diplomata Marcio Fortes, que já trabalha freneticamente a três anos dos Jogos Olímpicos

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016. É o ano dos Jogos Olímpicos no Brasil. O Rio de Janeiro se prepara desde já. Falta pouco mais de três anos, mas o trabalho é intenso. Para tal, um consórcio interfederativo foi criado com um time de peso e estrutura radicada no Rio de Janeiro. Chama-se Autoridade Pública Olímpica (APO) e reúne, ao mesmo tempo, os governos Federal, Estadual e Municipal. No comando, o advogado e diplomata Marcio Fortes. Sua principal atribuição é coordenar as ações dos três níveis de governo na preparação das Olimpíadas e Paraolimpíadas. Como ele sempre diz: “Se algo der errado a culpa é minha. Se der tudo certo – o que vai acontecer – o mérito é de todos.” Fortes tem ampla expe-

riência no serviço público. Foi ministro das Cidades, secretário executivo dos ministérios das Minas e Energia, da Integração Nacional e da Agricultura; e presidiu conselhos de estatais, vinte no total. O trânsito no setor privado é outro ingrediente indispensável para tratar das obras de infraestrutura. Os serviços formam uma lista extensa que compreende telecomunicações, energia, sustentabilidade, transporte, segurança, acessibilidade, até regras sanitárias e alfandegárias. As edificações devem comportar os jogos, hospedar autoridades, atletas, treinadores, jornalistas, turistas e voluntários. As transmissões de televisão alcançarão 4,8 bilhões de pessoas no mundo e o público nas arenas no Rio deve


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se aproximar de dez milhões de pessoas. “A preocupação é a entrega de tudo a tempo e na hora”, diz o presidente da APO. O que deve acontecer já nos eventos-teste de 2015, quando se realizam as provas nos locais de competição. Marcio Fortes, em entrevista exclusiva para a GPS|Brasília, contou um pouco dos preparativos para o mais que aguardado evento esportivo. O crescimento econômico no Brasil ajudou a alavancar os preparativos para os jogos? Desde 2007, o Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), tem feito investimentos pesados em saneamento, moradias populares, infraestrutura portuária, aeroportuária e viária. O desempenho econômico do País aumentou a capacidade de investimento também do setor privado. Tudo isso contribui. Quais são as mudanças práticas no Rio de Janeiro na área de transporte urbano? Teremos o BRT inicialmente com quatro corredores. O objetivo da construção desse modal é criar eixos de transportes que estejam integrados à rede de corredores existentes. Transcarioca: será uma das ligações entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim e a Barra da Tijuca e atenderá a outros bairros como Madureira e Penha, importantes regiões da cidade.

Transbrasil: será uma conexão da Baixada Fluminense e o centro do Rio de Janeiro. Fazem ainda parte do projeto o alargamento das pistas laterais da Avenida Brasil entre e Irajá e Guadalupe e a construção de um mergulhão de acesso ao Aeroporto Santos Dumont, preservando o patrimônio paisagístico do Aterro do Flamengo. Transoeste: é a principal conexão entre a região Oeste do Rio de Janeiro e alguns bairros da Zona Norte, próximos à Avenida Brasil. O sistema foi inaugurado em junho de 2012 com 40km de extensão e 35 terminais de paradas para ônibus articulado, chamado de “Ligeirão”. Transolímpica: ligará a Barra da Tijuca a Deodoro, dois bairros da Zona Oeste. Ela será integrada aos trens da Supervia em Deodoro e Magalhães Bastos, criando uma opção hoje inexistente entre esses meios de transporte. Outro ponto de integração será no trevo entre a Estrada dos Bandeirantes e a Avenida Salvador Allende, por onde passará o BRT Transcarioca. No Recreio dos Bandeirantes, o corredor também será interligado ao BRT Transoeste. No metrô, teremos a abertura de mais uma estação na linha 1, no bairro da Tijuca em 2014. A linha 4 tem previsão de entrega em 2016, deverá ter sete estações, conectando a atual estação General Osório até a Barra, passando por Leblon, Gávea e São Conrado.

Fotos Alexandre Guimarães/APO

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OLIMPÍADAS

Qual a diferença entre Rio de Janeiro e Londres? Londres recuperou um bairro industrial degradado, Stratford, para abrigar o Parque Olímpico e outras arenas esportivas. O Rio de Janeiro concentrará o evento num bairro já urbanizado, que é a Barra da Tijuca. E que necessita das obras viárias em curso, mas com outros serviços importantes de infraestrutura urbana. Qual o impacto das Olimpíadas na criação de empregos? As atividades com maior potencial são a indústria da construção, o transporte aéreo, a infraestrutura aeroportuária, o turismo, a hotelaria e o lazer. Destacam-se obras de instalações esportivas, habitações e ampliação da rede hoteleira. Cerca de 6,5 mil pessoas trabalharam na modernização do estádio do Maracanã. E na Linha 4 do Metrô – extensão que ligará a Zona Sul à Barra da Tijuca – são 3,5 mil operários em atividade. Dados do IBGE afirmam que neste ano estão sendo ge-

rados cerca de 200 mil empregos formais no Estado. O número é superior às 165 mil vagas criadas de janeiro a novembro de 2012. Como o Estado está se organizando na área de segurança? Haverá a integração entre as polícias, como aconteceu na Rio+20 e nos Jogos Militares em 2011. O Rio de Janeiro vive um novo momento, resultado da pacificação das favelas combinada com ações de governo, que levam infraestrutura urbana e serviços a essas comunidades. Isso significa a presença do Estado e o resgate da cidadania para os seus moradores. Como aproveitar a oportunidade como ferramenta para o turismo após os jogos? Para colhermos resultados, devemos nos destacar pela organização primorosa do evento. E, ao mesmo tempo, aproveitamos para vender o País. Uma campanha deverá revelar o Brasil ao mundo inteiro, ampliando o espaço na

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mídia internacional. O próprio Carnaval é um grande evento e impressionou positivamente os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), que estavam no Rio de Janeiro. Que recomendação o senhor daria a uma cidade que pretende sediar um grande evento? É importante que o projeto se alinhe com os interesses e com as necessidades do País no momento. No Brasil, por exemplo, o fato de termos o PAC, com muitas obras em andamento, cria condições favoráveis para sediar os Jogos. O que fizemos foi aproveitar o evento para apressar prazos. Também vamos estimular o envolvimento dos jovens com as diversas atividades esportivas, um hábito indiscutivelmente saudável e com vistas a melhorar nosso desempenho nas competições mundiais. Qual será o legado dos Jogos Olímpicos para o Rio? Encurtamos prazos para tocar projetos viários importantes, que melhorarão o trânsito

do Rio. A instalação das Vilas de Mídia e dos Árbitros, além da construção do novo Píer, foi um grande estímulo para finalmente revitalizar a região portuária. Nem falo das reformas dos aeroportos, que eram necessárias independentemente de realizarmos a Copa e as Olimpíadas. E na área do meio ambiente? Há um assunto que trato com o maior carinho, pois tem a ver com minha época no Ministério das Cidades, que é o saneamento da Baía da Guanabara e do complexo lagunar de Jacarepaguá. Essa despoluição é um compromisso olímpico que traz benefício a toda população. Teremos uma cidade ainda melhor. Qual a sua expectativa? O que espero mesmo é que a imagem do Brasil no exterior se consolide como a de uma nação feliz, receptiva, que trilha o caminho do crescimento econômico sustentável. E, claro, dar um destino adequado às instalações olímpicas para conquistar cada vez mais medalhas nos jogos.


SOCIAL

Tテグ LINDO

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Luiz Felipe Leal e Maria Camilla Coelho

Famテュlias Coelho e Leal casam seus filhos em sofisticada noite a cテゥu aberto

FOTOS: CELSO JUNIOR


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Os pais da noiva: Cristina Arnez e Ricardo Coelho

Os pais do noivo: Luiz Fernando e PatrĂ­cia Leal


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AndrĂŠ Coelho e Francisca Ayres

Gabriela Constantino e Luiz Paulo Leal

As daminhas Valentina e Maria Tereza Coelho

Momento do buquĂŞ


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O noivo ferve na pista de dança

Thomas Ayres

Manuella Maranhão

Jerusa Vasconcelos

Raíssa Araújo


SOCIAL

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Mariana, Marcelo e Glaucia Ferrer

Cleucy Oliveira e Luiz Estevão

Paulo Renato Roriz e Valéria Bittar

Família Cascão: João Felipe, Luisa, Anna Luisa, Elsinho e Maria Clara

Julia Piquet e André Bontempo

Umberto Minuzzi e Bela Lima

Eunício Oliveira abraça a filha Manuella Mata Pires


Belo Horizonte BrasĂ­lia Iguatemi Oscar Freire Recife RibeirĂŁo Preto Rio de Janeiro

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SOCIAL

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Os anfitriões Paulo Cavazzoti, Diomedio Santos, Bob Lima e Julio Sato

COM CLASSE

Sob o comando de Diomédio Santos, joalheria Grifith promove encontro da Panerai na casa de Bob Lima

FOTOS: CELSO JUNIOR


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Flรกvio Mendonรงa

Eduardo Lira

Glauco Santana e Rodrigo Nogueira

Marcos Miranda, Daniel Pirajรก e Felipe Antoneli


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Mรกrcio Salomรฃo

In Loon Lim

O grupo brinda o sucesso do encontro

Felipe Lima e Gustavo Mendonรงa


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SOCIAL

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Nicole Rodopoulos vestida de Marilyn Monroe

DE CINEMA

Victor Gabriel

Com direito a tapete vermelho, Nicole Rodopoulos celebra seus 13 anos

Marina Fac贸 e Tiago Kuppens

FOTOS: CELSO JUNIOR


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Catarina Henrriques e Eduarda Cruz

Antonis Rodopoulos

Dário Fontana, Felipe Costa e Thiago Costa

Mirella Novaes

Antonio Beck, Lucas de Oliveira e João Pedro Rossetti

Nicole com o pai Christo e a mãe Paula


CONCERTO

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ÔÔÔÔ, ÔÔÔ,

ÔÔÔ

ROCK

IN RIO


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Programe-se para a nova edição do maior festival de música do mundo, criado há 28 anos por um brasileiro megalomaníaco, destemido e visionário. Em treze edições, quase mil músicos subiram ao palco Por Raquel Jones

“T

odos numa direção. Uma só voz, uma canção”. Falta pouco para esses versos serem entoados mais uma vez na 13.ª edição do Rock in Rio. Será em setembro, 28 anos depois do lendário espetáculo em Jacarepaguá, que contou com Queen, Ozzy Osbourne e Cazuza. Neste ano, o festival terá nomes inéditos, como Beyoncè, Justin Timberlake, Alicia Keys e Bon Jovi. A expectativa é reunir 595 mil pessoas nos sete dias de shows. A primeira edição do festival se realizou em 1985, mas a história do Rock in Rio começou cinco anos antes. O ano era 1980. Chovia muito no Rio de Janeiro, que estava inundado há dias. A cidade receberia um dos maiores nomes da música internacional, Frank Sinatra. Por causa do mau tempo, ele cantaria poucos minutos, mas, momentos As bandas Queen e Guns N' Roses fizeram apresentações históricas nos festivais. Em 2013 será a vez de Bon Jovi e Florence and The Machine


CONCERTO

Cassia Eller em 2001

antes do show, a chuva parou e Sinatra subiu ao palco para cantar para 140 mil pessoas por 1 hora e 40 minutos. Sinatra disse emocionado: “Este é o dia mais importante da minha carreira”. Poucas pessoas sabem, mas Frank Sinatra contribuiu muito para a realização do Rock in Rio no Brasil. A façanha de trazer o cantor ao Rio deu ao destemido publicitário Roberto Medina a convicção de que era possível fazer espetáculos internacionais no Brasil. O início da empreitada para o Rock in Rio não foi fácil, mas o ídolo norte-americano foi uma figura fundamental no processo. Com dinheiro de alguns patrocinadores, Medina foi para Nova York contatar artistas. Ficou 70 dias por lá, mas nenhuma banda se interessava. Sinatra disponibilizou então o seu produtor, Lee Solters, para ajudar Medina a contratar os músicos. Em pouco tempo, Queen, James Taylor e Ozzy Osbourne estavam confirmados

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Alicia Keys vai se apresentar no Palco Mundo

para o grande evento. O show de 1985 foi épico e trouxe ao Brasil a oportunidade de ser rota dos grandes shows mundiais. Desde então, o Rock in Rio é pioneiro em muitas coisas. É o maior festival de música do mundo, superando outros grandes festivais como Glastonbury (Reino Unido), Lollapalooza (EUA), Coachella (EUA). São cerca de 160 atrações e quase 100 horas de show por edição. Gera cerca de dez mil empregos direta e indiretamente. De acordo com a Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, o Rock in Rio movimenta mais de R$ 880 milhões na economia da capital fluminense por edição. O festival já reuniu 6.511.300 espectadores, que aplaudiram ao vivo os 968 artistas que passaram por todas as edições. Foram mais de 980 horas de música, com transmissão para mais de um bilhão de telespectadores, em 200 países, pela TV e pela internet. Ao todo, foram

12 edições realizadas no Brasil, em Portugal e na Espanha. Desde o início, o encontro foi planejado para receber milhares de pessoas. “O Rock in Rio não era para ser megalomaníaco, mas nasceu megalomaníaco, porque, se não tivesse público suficiente, ele não se pagava”, explica Medina no livro A História do Maior Festival de Música do Mundo.

Rock in Rio 2013 Em setembro, começa uma nova festa para entrar na história dos festivais. A 13.ª edição do Rock in Rio promete bater recordes, com mais de 100 bandas, que vão movimentar a Cidade do Rock, numa área de 150 mil metros quadrados. “Meu sonho é que o Rock in Rio esteja para a música como a Copa do Mundo está para o futebol”, afirma Roberto Medina. Para atender melhor o público, o festival terá capacidade máxima reduzida para 85 mil pessoas por dia, em

vez de cem mil. O objetivo é que as pessoas transitem com mais conforto, causando menos impacto no trânsito e no abastecimento de comida. Outra novidade são os artistas internacionais que vão se apresentar pela primeira vez no Palco Mundo. Bon Jovi fará sua estreia no Rock in Rio Brasil. O cantor já havia se apresentado no festival de Lisboa. Também tocam pela primeira vez Beyoncé, Justin Timberlake, John Mayer e Florence and The Machine. O Palco Sunset também será remodelado. Em 2013, o objetivo da organização do Rock in Rio é atrair todas as atenções para o espaço que agora vai contar com 44 metros de largura e 22 metros de altura. Serão 26 artistas internacionais e 28 encontros entre nacionalidades. Os shows começam a partir das 14h40. Nomes como The Offspring, Living Colour, Ben Harper, George Benson e Marky vão representar os Estados Unidos na tenda. O Sunset


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ainda recebe a neozelandesa Kimbra, a diva africana Angeliqué Kidjo e as portuguesas Orelha Negra e Aurea. O Brasil também terá destaque com Lenine, Mallu Magalhães, BNegão e Nando Reis. Em 2013, o Rock in Rio por um Mundo Melhor lança o projeto Lixo no Lixo. Rio no Coração. E pede para as pessoas serem responsáveis pelo seu lixo, uma demonstração de amor à sua cidade.

História “Quem foi nunca esqueceu e quem não foi já ouviu inúmeras histórias”, conta o jornalista Luiz Felipe Carneiro, autor do livro A história do Maior Festival de Música do Mundo. Os espetáculos que passaram pelo Rock in Rio simbolizaram o grito da juventude que ora era romântica, ora revolucionária. Em 1985, um coro de 250 mil pessoas acompanhava Freddy Mercury na canção Love of my life. A voz do Queen logo se calou perante a multidão que do início até o fim entoou a música. Foi também neste dia que uma mul-

tidão cantou I want break free, do Queen, embalados pelos ideais de liberdade da época, que incluía a independência feminina e a redemocratização do País pós-Ditadura Militar. No dia da eleição de Tancredo Neves, Cazuza pediu ao público para que “o dia nascesse feliz” para o Brasil. A vaia para Britney Spears ao mostrar a bandeira dos Estados Unidos foi inevitável no Rock in Rio 2001, dois dias antes da posse de George W. Bush. Também em 2001, Axl Rose berrou “Welcome to the jungle” e fez o delírio da galera na selva tropical. A cantora Cassia Eller mostrou os mamilos em um show histórico, cantando Nirvana. Em 1991, o espetáculo do Prince deixou a plateia extasiada com uma mistura de funk, soul e rock. George Michael uniu todas as orientações sexuais numa só canção: Freedom. Stevie Wonder surpreendeu o mundo cantando, em 2011, Garota de Ipanema e Você abusou. E conquistou os brasileiros. Em 2001, foi lançado o slogan Por um Mundo Melhor,

para chamar a atenção do mundo para questões sociais. O resultado foi o País em silêncio, por três minutos, numa mobilização jamais vista, que envolveu rádios e emissoras de TV. Desde então, parte da renda do festival passou a ser destinada a projetos sociais. Cerca de R$ 40 milhões já foram investidos em ações como a plantação de mais de cem mil árvores, a construção de uma escola na Tanzânia e de um centro de saúde no Maranhão, e a educação de 3.200 jovens no ensino fundamental no Rio de Janeiro. O projeto Por um Mundo Melhor inclui a doação de mais de 2.200 instrumentos para cerca de 150 instituições sem fins lucrativos de todo o Brasil, a construção de dez salas de música em escolas públicas do Rio de Janeiro, a formação de 40 jovens em assistentes de luthier, profissionais especializados na confecção e manutenção de instrumentos musicais.

Curiosidades - O Rock in Rio é uma das

Stevie Wonder surpreendeu o mundo cantando, em 2011, Garota de Ipanema e Você Abusou

marcas mais famosas do mundo. Em Portugal é mais forte que a Copa do Mundo. Na Espanha, mais famosa que a Fórmula 1 - Em 1985, Roberto Medina chegou a desistir de fazer o Rock in Rio. Aterrar o terreno descampado em Jacarepaguá era um grande problema. Foi quando três jovens pararam Medina no Rio de Janeiro e fizeram a maior algazarra com o empresário, agradecendo o grande evento que estava por acontecer. Medina encontrou nos rapazes um incentivo para continuar e não desistir - O Rock in Rio foi um dos primeiros shows a iluminar a plateia. Antes, artistas preferiam dar destaque ao palco. O show do Queen, em 1985, mostrou a importância do público, quando 250 mil pessoas viraram a atração, quando cantaram a música Love of my Life - Em 2001, Medina ligou para o então presidente Fernando Henrique Cardoso para pedir

Rita Lee foi uma das representantes da MPB no show de rock


CONCERTO

que todas as rádios ficassem três minutos em silêncio em homenagem ao projeto Por um Mundo Melhor - Em 1985, a performance do cantor Ivan Lins foi uma das melhores entre os shows nacionais. Foi o primeiro brasileiro a ser chamado para um bis - Em 1985, o tremendão Erasmo Carlos, escalado na noite Heavy Metal, foi vaiado pela multidão, que atirou latas, copos de plástico e pilhas no palco. O músico admitiu que foi um dos momentos mais difíceis da sua carreira - Recentemente soube-se que o vocalista do Led Zepelin, Robert Plant, cancelou a vinda ao festival de 1991 devido à insegurança pela qual o mundo passava naquele momento: a Guerra do Golfo. Na época, ele havia alegado faringite - No Rock in Rio II, em 1991, Axl Rose dividiu sua refeição pósshow com faxineiros, camareiros e seguranças do Maracanã - Em 1991, o Rock in Rio virou palco de protestos contra a Guerra no Golfo. O cantor Jimmy Cliff bradou gritos de ordem, durante a apresentação, como “Não queremos um novo Vietnã” e “Viva Nelson Mandela” - Em 1991, o cantor Supla

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ficou nacionalmente conhecido pela sua extravagante performance. Ele pilotou uma moto no palco, chegou a simular gestos de masturbação e mostrou uma garota em trajes sensuais - Misturar axé com Oasis e Guns N´ Roses deu problema. Carlinhos Brown não agradou o público, no Rock in Rio III, 2001, que lançou garrafas plásticas em direção ao palco. Brown revidou: “Podem jogar o que quiserem, eu sou da paz” - Contrariando a expectativa, no Rock in Rio III, 2001, o show do Oasis não empolgou a plateia. O vocalista Liam ficou sentado nas caixas de retorno com olhar blasé, sem comunicação com o público - No Rock in Rio III, 2001, Britney Spears cantou em playback e foi bastante criticada. O ápice da insatisfação aconteceu quando a loira mostrou a bandeira dos Estados Unidos - Em 2011, Elton John frustrou os fãs e não cantou Your Song em seu show. A música estava no setlist divulgado para a imprensa - Em 2011, a frase da atriz Christiane Torloni “Hoje é dia de Rock, bebê” serviu para fazer piada com quase tudo relacionado ao Rock in Rio

Acima, Beyoncé, atração de 2013. Abaixo, Frank Sinatra, que incentivou a realizaçao do festival

Programação Rock in Rio 2013 Atrações Palco Mundo Dia 13 - Beyoncé - David Guetta - Ivete - Homenagem para Cazuza Dia 14 - Muse - Florence and The Machine - 30 Seconds To Mars - Capital Inicial Dia 15 - Justin Timberlake - Jota Quest - Alicia Keys - Jessie J Dia 19 - Metallica - Alice in Chains

- Ghost B. C. - Sepultura e Tambour du Bronx Dia 20 - Bon Jovi - Nickelback - Matchbox Twenty - Frejat Dia 21 - Bruce Springsteen - John Mayer - Philip Philips - Skank Dia 22 - Iron Maiden - Avenged Sevenfold - Slayer - Kiara Rocks

Serviço Programação completa e mais informações: Rock in Rio – rockinrio.com/rio/


Foto: CĂ­cero Mafra.

A l uz trA n sFo rMA . w w w. i l u m i n a r. c o m . b r

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MEMÓRIA

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Por Marcella Oliveira Fotos Celso Junior

Q

DIREITO Uma das figuras mais emblemáticas nos anos 80 e 90, Paulo César Cascão, fundador da banda Detrito Federal é hoje conceituado advogado empresarial. Roqueiro nas horas vagas, tem sido a memória e a voz atuantes dessa época áurea do rock em Brasília

AND

uem frequentou a noite brasiliense nos anos 80 e 90 deve ter assistido a pelo menos um show da banda de punk rock Detrito Federal. Ou se divertido na pista de dança ao som do DJ PC Cascão. Líder de um dos grupos mais famosos da geração coca-cola de Renato Russo, além da fama de mau, Cascão, como era conhecido, ainda era gato. De cabelos raspados, vivos olhos azuis, corpo magro atlético e o visual londrino, o jovem rapaz cantava e pulava, entoando o famoso refrão “Só come a Beth quem tem Chevette Hatch” nos palcos undergrounds da Capital, enquanto as mocinhas poli-

ROLL


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tizadas estudantes da UnB desmaiavam de paixão pelo astro da cidade, que nas horas vagas cursava Direito no UniCeub. O visual era despojado. Calça jeans rasgada, coturno ou tênis, camiseta branca ou preta e um casaco amarrado na cintura. Óculos escuros e suspensórios. Nada parecido com o advogado Paulo César Cascão, que atualmente circula pela cidade de terno com gravata e semblante sereno. Hoje, o rock´n´roll está em sua memória e em sua alma. Aos 47 anos, nascido em Brasília, Cascão se orgulha de fazer parte dessa história. “Sou de uma geração formada por Cazuza e Renato Russo. Foi uma época expressiva, de composições emblemáticas e vozes transgressoras que cantavam o que a juventude precisava ouvir de uma maneira pouco acadêmica, mas muito certeira. Essa fase marcou a história musical do País”, lembra Cascão, que rabiscou seus primeiros versos em 1983, época em que fundou a banda e tocava como baterista. E Cascão estava onde queria. Desde adolescente curtia música. Era técnico de som do saudoso Teatro de Bolso Rolla Pedra, local onde dezenas de bandas se apresentavam, em Taguatinga. Fundador do Detrito Federal, a banda teve várias formações. Entre desentendimentos e bons momentos juntos, reações tí-

picas dos roqueiros idealistas da época, ele esteve na formação original até 1998. Nesse tempo, fez de sua música um protesto antimilitarista. Falou de política e de injustiça social, principalmente. Nessa década, chamada de Rock Brasília - a era do ouro, Cascão esteve em inúmeros projetos. Asas do Rock, Rock Cerrado, Rock Verão. Gravou o lendário disco Rumores, compilação das bandas locais idealizada pelo selo Sebo do Disco. E viu florescer de Aborto Elétrico a Raimundos. Esteve ao lado de Finnis Africae, Escola de Escândalo, Elite Sofisticada, Arte no Escuro, Peter Perfeito, 5 Generais. “Eram mais de 40 grupos. A cidade exalava música”, conta. “Éramos, na verdade, uns românticos. Queríamos derrubar tudo. E as bandas daqui não se pareciam entre si, mesmo saindo do mesmo núcleo”, lembra, dizendo que para fazer um som, na época, era preciso apenas um instrumento, uma tomada. “Galpões, garagens, em cima de caminhão... Tudo era viável. Em Brasília, boa parte dos roqueiros tinha informação e poder aquisitivo. Viviam do ócio, tinham espaço e tempo de sobra para protestar”. E nessa fase, ele viveu a fama. Com a banda, se apresentou nos principais programas de televisão. De Xuxa a Jô Soares. Levava a cara da capital para o Brasil. Fez

shows por todo o País. Deu autógrafos, foi assediado. Mas depois de quase 20 anos envolvido na música, resolveu dedicar-se ao Direito. Há 13 anos, abriu seu escritório e mudou de vida. “Não diria que foi uma mudança. Foi um amadurecimento”, afirma. “Na vida, tudo tem o seu tempo. Eu aproveitei o meu. Tirei proveito disso e hoje estou onde devo estar. A minha nostalgia é boa”, complementa. Hoje, leva uma vida tranquila se comparada ao frenesi de um astro de rock. Sua energia está concentrada nas dezenas de clientes que atende em seu escritório. E sua voz é ouvida nos tribunais, defendendo os seus. Ao contrário de outrora, Cascão trocou o Sky’s por uma alimentação balanceada. Bebida somente em compromissos sociais. Dorme cedo, pratica atividades físicas, estuda seus processos e prefere a baguncinha em casa, na companhia de amigos, numa cobertura no Sudoeste, onde mora com a mulher, a juíza Silvana Chaves. Segundo os amigos, a pessoa que o colocou “nos trilhos”. E tem Beatriz, a filha de 15 anos, fruto de seu primeiro casamento. Da época de músico, ficaram as boas histórias e o amor pela arte. Também bons amigos desse cenário. Em casa, entre os densos livros de Direito, guarda mais de quatro mil discos, além de guitarras autografadas que ganhou nas diversas turnês que rea-

lizou com outras bandas. Nos lugares aonde transita, no Lago Sul, especialmente no Gilberto Salomão, local que abriga o seu escritório, Cascão é sempre reconhecido. Por adoradores do rock garagem. Por antigos fãs. E por amigos de juventude que, com suas vidas profissionais consolidadas, acabaram tornando-se clientes. Conheça um pouco mais desse adorado roqueiro e advogado. Como foi o início da trajetória da banda Detrito Federal? A banda surgiu em 1983. Eu tinha 17 anos. Tocávamos na UnB e nas quadras em cima de um caminhão, que carregava toda a parafernália. À medida que íamos cantando, as pessoas vinham chegando. E batíamos ponto no Teatro de Bolso Rolla Pedra. Gravamos o nosso primeiro disco independente em 1985. Em 1987, fizemos um disco pela Polygram. Tivemos Charles Gavin, do Titãs, como produtor. Assim como as bandas da época, o Detrito Federal fazia críticas ao governo? O próprio nome era um trocadilho com Distrito Federal. Nossa crítica era à ditadura militar. Em Brasília especialmente. As nossas letras eram proibidas pela censura. Mas isso não nos intimidava, a gente continuava fazendo shows pela cidade. Para o governo militar, nós éramos um bando de doidos.


MEMÓRIA

Você conviveu com Renato Russo? Éramos do mesmo núcleo cultural, chamado A Turma, com umas cem pessoas, que tinham o mesmo gosto e afinidade cultural. Brasília era pequena naquela época, frequentávamos o Gilbertinho, no Lago Sul, a Adega e o Beirute, na Asa Sul, e o Radicals, na Asa Norte. Qual show marcou sua carreira? O mais memorável foi em 1986, no aniversário de Brasília. Tocamos na Esplanada dos Ministérios, na época para um público muito expressivo, cerca de 40 mil pessoas.

cinco paqueras me esperando no término do show. Meu empresário, vendo a situação, não deixou nenhuma entrar no camarim. Eu tive que sair correndo pelos fundos. Até quando ficou na banda? Foram 17 anos. Deixei no ano 2000, mas naquela época só tocava eventualmente em situações particulares. A onda do punk rock havia passado, a dinâmica do mercado já não nos comportava mais. Hoje o Detrito Federal existe, mas com outra formação.

Você fez shows pelo Brasil? Foram muitos. Viajávamos a todo instante. Eram de três a quatro shows por semana. Tocamos em vários festivais, como o Abril Pro Rock, em Recife. Participamos de um grande evento também, o programa Mixto Quente, da Rede Globo, com Tim Maia e Cazuza, na Praia do Pepino, no Rio de Janeiro. Tínhamos uma plateia de 60 mil pessoas. Foi lindo. Nessa época ganhamos projeção nacional.

Depois veio a experiência como DJ. Como foi? Após a banda, nos anos 90, fui representante artístico da Warner Music do Brasil no Centro-Oeste. Paralelamente, comecei a me apresentar como DJ. Estive nas principais casas noturnas de Brasília, como o Gates, Fashion Club e Capital Club. E também nas melhores festas da cidade. Tinha noite em que eu tocava em três lugares. Foi outro período muito empolgante. Me mantive profissionalmente envolvido com a música, mas num outro contexto.

Como foi o sucesso? Era uma época boa. Muitos fãs. Eu era assediado. Uma vez uma menina me pediu um autógrafo e levantou a blusa, para eu assinar no peito dela. É um magnetismo que se cria com quem está em um púlpito. Tive uma situação engraçada, na boate Zoom, no Gilberto Salomão. Havia

Qual tipo de som você fazia? É engraçado lembrar como discotecar era, sobretudo, uma paixão. Eu chegava aos lugares com duas caixas enormes, cheias de discos de vinil. Tocava pop rock e house music. Não admito axé, sertanejo nem funk. Mas hoje é fácil ser DJ. Basta levar um computador com o set bem programado.

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Quando foi a última vez que você subiu em um palco? Tem uns quatro anos, durante a inauguração de um pub aqui em Brasília. O Bi Ribeiro e o João Baroni (do grupo Paralamas do Sucesso) iam se apresentar e cantei três músicas com eles. Foi muito bacana. Mas não consigo me imaginar nessa vida hoje. Como um roqueiro foi parar no Direito? Eu passei no vestibular em 1983, mas não estava preocupado com o Direito. Viajava muito, tocando pelo Brasil, perdia muitas aulas. Quando a gravadora demitiu a gente, em 1989, meu pai deu a dura e me mandou voltar para a faculdade. Foi o que fiz. Me formei em 1992. Mas continuei com a música. Estava na Warner, era DJ e ainda comandei uma das mais famosas lojas de discos de Brasília, a Redley Records. Quando assumiu o Direito? Só comecei a advogar quando deixei de trabalhar com música, em 2000. Para iniciar a nova profissão, fiz cursos de qualificação, me especializei. Voltei a estudar. E me apaixonei pela advocacia. Qual ramo do Direito você escolheu? Na verdade, não escolhi. O Direito empresarial que me elegeu. Quando decidi abrir o escritório, alguns amigos empresários confiaram em mim e passei a trabalhar para eles. Resolvia seus problemas

jurídicos e acabei me especializando no ramo. Estou há 13 anos nessa área. O que a música e o Direito têm em comum? Acho que o ponto em comum é que os dois pregam a justiça social e a igualdade. Desde a época de músico, eu queria, de alguma maneira, colocar uma poção de ética no mundo. São atividades diferentes, mas com um objetivo similar. Como foi mudar de vida? Foi uma reinvenção. Brinco que tenho três vidas: uma de rock´n´roll, uma de DJ e uma da advocacia. Não consigo me imaginar naquele batidão, com aquela quantidade de shows e viagens. Levo uma vida muito tranquila. Antigamente eu era da noite, hoje eu aproveito o dia. Ainda te abordam nas ruas? Muitas vezes. Quem é da minha idade lembra da época em que eu era cantor. Já fui reconhecido até em tribunal. Uma vez, antes de uma audiência começar, o juiz comentou que curtia a minha banda e cantarolou uma música nossa. Você tem saudades da época? Eu vivo o agora. Tenho ótimas recordações, sou grato por ter vivido com intensidade essa época áurea de Brasília, talvez a mais expressiva até hoje. Mas não curto o passado. Já fui o vocalista Cascão. O DJ PCCascão. Hoje, sou o doutor Paulo César Cascão, advogado. Muito prazer.


DIGITALIZE

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POR GIAN MARCO UCCELLO gian.uccello@gmail.com

Daft Punk

E o Daft Punk dominou o mundo! Em todos os países, em todas as rádios e pistas de dança, a trilha sonora comum é o Daft Punk. O primeiro single Get Lucky já anunciava que o disco seria uma obra-prima e o duo francês não decepcionou. O estouro teve a uma mão dos anos 70. Nile Rodgers, o guitarrista e leader da banda Chic, colabora com um riff de guitarra irresistível. Agora, os franceses vão ajudar Nile a colocar novo disco no mercado. Vem coisa boa por aí! E nesse mundo pequeno a banda Caraivana, que começou com a reunião de músicos no paraíso de Caraíva, em Porto Seguro, na Bahia, tem sua ligação com o duo francês. O pai de um Daft é o empresário e produtor da banda, que toca um chorinho de alta qualidade e já lançou dois CDs! E tudo isso se conecta com Brasília, pois dois músicos são brasilienses, Dudu Maia e o vocalista Alex Souza.

Kayne West e Jay-Z

Dois dos maiores egos da música lançaram seus discos esse ano. Um se autodenomina Jesus e colocou o nome da filha de Noroeste. O outro considera o seu disco a própria escritura bíblica, mas pelo menos é casado com uma deusa (Beyoncè)! Bem, a dupla Kayne West e Jay-Z lançaram seus álbuns, no mercado brasileiro não devem alcançar grandes voos, mas com certeza marcarão o cenário americano com várias músicas nas paradas. Jay-z, por exemplo, já é o rapper com mais discos no Top 10 da Billboard americana.

Vinil

Brasiliense

O disco da Ellen Oléria demorou, mas saiu! E saiu com toda a pompa e circunstância, arrancando elogios da crítica e da classe musical em geral! Portas abertas para o mundo, e Ellen com certeza vai dominá-lo!

Holograma Independente

E tem mais holograma à vista! Depois de 2Pac e Renato Russo, estão previstos Cazuza e John Boham (baterista do Led Zeppelin). A do John foi um pedido do filho Jason, que integrou a banda no lugar do pai no último concerto na Arena O2, em Londres. Será que precisa?

A internet e toda a revolução que provocou na indústria da música começa a mostrar seus resultados. No maior mercado do mundo, o americano, as indies, como são chamadas as gravadoras que não pertencem a nenhum grande conglomerado empresarial, já têm 34,4% de participação em vendas em 2013. Artistas como Taylor Swift, Vampire Weekend, Queens of The Stone Age, Mumford & Sons juntos somavam mais de 3 milhões de discos vendidos esse ano. No Brasil, o movimento também é percebido, Charlie Brown Jr., Restart, Banda Calypso e outros nomes de importância no mercado já trilham o caminho independente.

Agora que você já comprou o seu toca discos novamente... Ainda não?!?! Como assim?!?! O vinil foi “O” assunto do verão passado!!! Vários lançamentos importantes, brasileiros e internacionais já começam a sair simultaneamente nos formatos CD, vinil e digital. Exemplos não faltam: Queens of the Stone Age, Maria Rita, Jay-Z. E não para por aí! Agora, O assunto desse verão na Inglaterra é a volta dos cassetes!!! Sim, ele, o velho e bom k7! E não somente para o álbum completo, estão de volta os cassesingles, cassetes com somente uma música. Na Inglaterra, a venda desses cassesingles triplicou em 2012, atingindo a marca de 604 unidades! E os cassetes de álbuns venderam 3.823 unidades. Mas o lance não são os números absolutos, até porque grande parte da venda não é reportada dentro dos números oficiais, mas sim o movimento pelo formato, que tem sido adorado e perseguido principalmente por colecionadores e aficionados em geral. Com certeza nunca vai ocupar lugar de destaque nas vendas populares.


OBRAS

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ARTE

QUE MIGRA Num novo conceito de galeria, marchand mineiro circula pelo País, levando aos colecionadores o que há de belo e valioso nesse universo. Brasília é um dos pontos de desembarque da Home Art Gallery

Esculturas As Virgens, de seu acervo pessoal

Escultura de Sonia Ebling e obra de Sonia Medrado

Instalação de Rogério Rauber


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Por Raquel Jones Fotos Celso Junior

A

os 13 anos, ele já era colecionador de arte. Irmão de um artista plástico e de uma bailarina clássica, o marchand Marcus Vieira não conseguiu fugir das suas origens. Nascido em Belo Horizonte (MG), morou em Paris, Nova York, Buenos Aires. Trabalhou com confecção, fez gastronomia. Mas foi na arte que encontrou, ou reencontrou, o seu mundo. Há nove anos, Vieira comanda a Home Art Gallery (HAG) com obras de colecionadores e do seu acervo pessoal. No segundo semestre, traz um pouco da sua arte para a Capital Federal em uma exposição itinerante. As palavras do escritor alemão Johann Goethe parecem descrever a sua vida: “Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte”. Quando questionado sobre qual sua formação, Marcus Vieira responde: “Não sei, a vida”. Sua noção de arte não foi moldada, formada em faculdade de Belas Artes. É algo genuíno, natural, que foi se ampliando com as experiências da vida. Em 1986, tinha uma fábrica de roupa masculina chamada Vaticano. Fabricava camisas de alfaiataria, cujas estampas eram feitas por artistas expressivos da cena cultural de Belo Horizonte. Formado na conceituada escola de gastronomia Le Cordon Bleu, em Paris, Vieira foi proprietário de

importantes restaurantes da capital mineira, como a Casa Vieira, na Avenida Alagoas, e o Santa Fé, na agitada Savassi. No Santa Fé, organizou uma exposição de arte histórica com 16 obras de colecionadores do artista Pablo Picasso. “Foi a primeira exposição de obras do pintor no Brasil. O cardápio foi inspirado nas comidas prediletas do artista espanhol”, lembra Vieira. Em 1999, deixou de lado a gastronomia para ser proprietário de sua própria galeria em Belo Horizonte, a Marcus Vieira Galeria de Arte. Lá, já reunia obras de importantes modernistas e contemporâneos. No mesmo ano, realizou a sua primeira exposição itinerante no Teatro Nacional, em Brasília, com acervo da escultora modernista Sônia Ebling. “Na época, não conhecia ninguém. Decidi vir para Brasília porque sempre gostei da arquitetura de Oscar Niemeyer e da arte de Athos Bulcão. A exposição foi um sucesso, tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas como o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay; Conceição Pinheiro, uma das mulheres mais elegantes que já conheci; e o casal Luís Carlos e Beth Bettiol”, conta Vieira. Em 2001, o marchand voltou à Capital Federal com a exposição do escultor ítalo-brasileiro Vitor Brecheret. A mostra foi aberta dois dias depois do ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, e a

exposição de arte não teve o destaque merecido. “Fiquei 12 anos sem vir a Brasília, depois do ocorrido”, lembra Vieira. Durante esse tempo, muitas mudanças em sua carreira. Dentre elas, a mudança para São Paulo. Na cidade paulista há nove anos, o marchand não quis abrir uma galeria de arte tradicional e criou um conceito diferente. Ele mantém dois parceiros – as lojas Ana Maria Vieira Santos e Staten – que disponibilizam seus espaços. E ainda faz exposições temporárias em todo o Brasil e também fora do País, com obras do seu acervo pessoal e de colecionadores. O conceito inspirou o nome do novo projeto: Home Art Gallery, o HAG. “Sempre uso peças do meu acervo pessoal, incluindo o mobiliário, para dar um aconchego de casa”, explica Vieira. Na mais recente exposição que se realizou em Brasília, no mês de julho, intitulada Memórias, Vieira trouxe de sua casa, no bairro Jardins, em São Paulo, poltronas rococó do século XVIII, uma cadeira chinesa antiga e duas esculturas que parecem marionetes, chamadas As Virgens, peças antigas da Espanha. Sempre ao lado da amiga a artista plástica Sônia Medrado, que é quem organiza as exposições, Marcus Vieira tem o cuidado de contar um pouco da sua trajetória nas peças expostas. Em quase todas as suas mostras há obras de Sonia Ebling, que foi sua amiga pessoal. “Da

escola de Alfredo Ceschiatti e de Bruno Giorgi, Sônia foi a última modernista do Brasil. Uma das artistas mais conhecidas internacionalmente”, diz. Não faltam obras de Victor Brecheret e peças dos artistas mineiros Amilcar de Castro e Lygia Clark, além de trabalhos de grandes colecionadores, como o paulista Élcio Mocó e a mineira Adriana Queiroz. Nota-se que a maioria das peças é esculturas, verdadeira paixão do marchand.

Na capital Em setembro, Marcus Vieira volta a Brasília para uma mostra no Comércio Local da QI 11, no Lago Sul. São 1,3 mil metros quadrados que vão contar a história dos bichos dentro da escultura, começando com três panteras do escultor italiano Rembrandt Bugatti, de 1980, até Sônia Ebling, a maior artista brasileira no segmento. A mostra ainda vai contar com obras de Amilcar de Castro, pinturas do artista carioca Eduardo Sued e instalações do artista visual Rogério Rauber. Todas as exposições são feitas por Marcus Vieira sem patrocínio. Segundo ele, o que o motiva é dar oportunidade para as pessoas estarem em contato com a arte. Uma tarde na exposição é uma aula de arte e prazer estético. Serviço HAG - Home Art Gallery (11) 98744-6097 markuelo@yahoo.com.br


ARTE

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POR MAURICIO LIMA mauricio@artdivision.com.br

ENRICO BIANCO – O CAMINHO DA LUZ Este texto é uma merecida homenagem ao amigo que nos deixou no dia 8 de março

E

m 1918, na cidade de Roma, na Itália, nasce um importante “brasileiro”. Mesmo não nascido no nosso continente e mesmo não tendo pais brasileiros, depois de 76 anos vivendo no nosso país, por tudo que fez e foi, mereceu ser chamado de brasileiro. Sua proximidade com o Brasil começou no nome. No dia em que veio ao mundo, seu pai estava longe, em uma viagem de trabalho à cidade de São Paulo e, em homenagem à capital paulista, coloca no filho o nome de Enrico Paulo Vitória Romano Bianco. Essa seria apenas a primeira influência do Brasil na vida desse brilhante artista. Segundo o artista, os principais amigos da família eram Cristo, óleo sobre tela, 2009

brasileiros que moravam na Itália e alguns dos nossos costumes e gastronomia fizeram parte de sua infância, como aproveitar o sabor de uma goiabada no lanche da tarde. A grande maioria dos artistas já nascem com um dom especial para as artes. Muitos, no entanto, têm de esperar a própria maioridade para realmente abraçar o seu ofício, pois não têm o apoio de seus pais enquanto mais jovens. Na família Bianco foi diferente, com apenas seis anos de idade ele já aprendia técnicas de desenho com o professor Deoclécio Redig de Campo, um brasileiro que havia conseguido chegar ao cargo de diretor do importante Museu do Vaticano.

Além do cargo burocrático, Deoclécio também era artista, foi ele que restaurou a Pietá de Michelangelo, após a escultura ser atacada por um louco que, com golpes de martelo, mutila uma das mais belas esculturas da renascença italiana. Aos sete anos, o pequeno Bianco já começa a ganhar alguns trocados produzindo desenhos de uniformes militares que eram encomendados e vendidos por um comerciante judeu. Dos oito aos dez, aprende a técnica de aquarela com Dante Ricci, um importante artista a que a família teve acesso. Passa, então, para um aprendizado mais formal e começa a estudar na renomada Academia

Lipinsky. Em uma entrevista dada por Bianco para o desenvolvimento do livro “Enrico Bianco – Coleção Fernando e Christina Queiroz”, o artista afirma que foi nessa época que aprendeu desenho de figuras, com tratamento exclusivamente realista, a partir de modelos vivos. Também começou a estudar pintura a óleo. Durante esse período passava horas e horas estudando e pintando, inclusive durante as férias. Sua família começa a ser perseguida pelo regime totalitário de Benito Mussolini, o Fascismo. Antes que fosse tarde demais e devido ao prestigio que tinha, conseguem do próprio Mussolini uma permissão para abandonar o país


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e resolvem, todos, exilar-se no Brasil. Bianco havia perdido a mãe e agora perde sua casa, mas mal imaginava ele o que lhe aguardava. Em 1937, já no Rio de Janeiro e com apenas 18 anos, Bianco é levado por um amigo da família ao prédio do Ministério da Educação, onde Portinari preparava a pintura de um afresco. Lá se depara com alguns assistentes do pintor, entre eles Burle Marx, que tentavam fazer a mão de um garimpeiro. Nesse momento duas coisas muito importantes na carreira do jovem estavam prestes a acontecer. Depois de observar as inúmeras tentativas frustradas de obter um desenho correto da mão, Bianco se oferece para fazer os traços e tem seu trabalho aprovado por Portinari, que o convida para retornar no dia seguinte. Outro fato importante foi o contato com o Modernismo, que lhe traria novas ideias e mudaria a sua forma puramente acadêmica de pintar. No ateliê de Portinari, Bianco convive com os grandes nomes desse movimento artístico, entre eles Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Heitor Villa-Lobos e muitos outros.

A Segunda Guerra Um importante papel da arte é a denúncia social. Através da história é possível acompanhar os acontecimentos da humanidade nas telas dos grandes mestres: protes-

Cangaceiros, óleo sobre tela, 1949

tos, críticas, apoio, oposição, resistência, tudo está lá. No início da década de 40, o italiano sentia duramente o terror dos acontecimentos que assombravam toda sua pátria, horrores da Grande Guerra horrorizaram e influenciaram a pintura de Bianco. Alguns fatores pré-guerra também contribuíram para essa fase, segundo Bianco: “Fui criado por uma mãe que era um ser de vivacidade extraordinária, uma pianista que dava concertos internacionais, executando peças do barroco italiano, Monteverdi e Vivaldi, uma música italiana aristocrática. Em contraste com meu pai, que, por ser antifascista, atuou como jornalista do maior jornal de Nápoles, mas foi castrado intelectualmente, foi anulado com a ascensão de Mussolini ao poder. Devo ter vivido

inconscientemente nesse clima contrastante, entre a alegria criativa de minha mãe e o peso do drama político e existencial do meu pai. Senti esse contraste emocional em profundidade, mais do que ter vivido uma vida alegre.” Todo esse terror pré e durante a guerra trouxe um drama e um peso grande às telas do pintor, que já sofria também uma influência do modernismo que pregava uma ruptura com a pintura acadêmica, pedindo que fosse criado algo de novo. Nesse período, a temática foi bastante variada, mas o foco estava na cultura e nos costumes brasileiros, tudo com o drama e peso que a época impunha. Alguns temas, como os quadros dos retirantes e temas sociais regionais, o cangaço e seus moradores, tiveram mais destaques.

As obras-primas Originalmente, o termo obra-prima referia-se a uma peça de arte manufaturada, produzida por um artesão que pretendesse ascender à posição de mestre, Bianco sem dúvida alcançou esse status. Em um vídeo em que conversa com o amigo e marchand Maurício Lima, o artista fala sobre os quadros que considera suas duas obras-primas. Coincidentemente ambas versam sobre temas bíblicos: uma relata a Anunciação, o momento antes da “concepção” do filho de Maria, e o outro mostra o exato momento após a morte de Jesus, o Cristo Morto. O processo de criação de uma obra-prima se difere de outras, por existir o desenvolvimento de uma ideia às suas últimas consequências e, no ato de execução, o artista encontrar-se em um momen-


ARTE

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Anunciação, óleo sobre tela, 2010

to único de iluminação. O quadro Anunciação (2010) começou com o pedido de um colecionador, que chegou ao seu ateliê em São Conrado, no Rio de Janeiro, com algumas imagens impressas dentro de uma pasta. Depois de alguns minutos de conversa, o colecionador fala: “Gostaria de encomendar uma madona para mim, mas essa será diferente, será especial”. Em seguida, ele abre a pasta e lhe entrega uma serie de reproduções de quadros dos maiores mestres do renascimento e diz: “Todo grande mestre pintou uma Anunciação, aqui estão algumas delas, gostaria que o Sr. pintasse a sua”. Bianco olha as imagens que mostram uma cena quase igual em todos os quadros e pergunta: “Você quer que eu pinte igual a eles?”; o colecionador responde: “Não falo mais nada, pinte como dese-

jar, o Sr. é o artista”. Bianco olha mais uma vez as imagens e aceita o desafio. As imagens mostravam os quadros de Fra Angélico, Leonardo da Vinci e Botticelli – nesse último, Maria ao escutar do anjo Gabriel a notícia de que ela seria a mãe do filho de Deus, parece se desviar. Nos outros quadros, Maria se apresenta meio apática, em uma pose de ser divino, enquanto o anjo se ajoelha, mostrando respeito à futura santa. Algumas semanas depois, o colecionador liga para Paulo Bianco, filho do pintor, e pergunta sobre o andamento do quadro. Paulo prontamente rebate: “O que você fez com meu Pai?”. Segundo ele, no dia seguinte ao da encomenda, Bianco altera totalmente sua rotina, já não dormia depois do almoço, acordava mais cedo e se deitava tarde da noite, passava

o dia inteiro andando de um lado para o outro tentando resolver o quadro ainda em sua mente. Paulo diz: “Meu pai rejuvenesceu 20 anos”. Nos dias seguintes, começaram os primeiros desenhos do que seria uma obra-prima desse mestre. Mais uma semana depois, o colecionador recebe uma ligação de Bianco, que fala: “Venha ao Rio ver o estudo do seu quadro”. No dia seguinte, ao ver o pequeno quadro, o colecionador chora emocionado e abraça o artista. Seriam mais três semanas de trabalho para que a tela grande ficasse pronta, ela retratava uma cena totalmente diferente. Maria foi pintada como uma pessoa normal e não como uma santa, pois até aquele momento ela era apenas uma camponesa, com todos os desejos, vontades, vaidades e ambições

do ser humano. Enquanto no quadro de Botticelli Maria se desviava, na Anunciação de Bianco, ela se ajoelha perante

A Anunciação, por Fra Angelico

A Anunciação, por Boticelli


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Enrico Bianco (ao centro), Fernando e Christina Queiroz

Jangadeiro, óleo sobre tela, 2013

a imagem sagrada do anjo e, ao lhe ser oferecida a dádiva de ser a mãe do filho de Deus, ela se estica para receber tal benção, mostrando toda a sua vontade, como se dissesse “claro que aceito”. Essa humanidade trazida pelo pincel do artista diferencia por completo essa Anunciação das demais, fazendo-a ainda mais especial. Conceitualmente o quadro estava maravilhoso e Bianco sabia disso, então colocou em suas mãos toda a força que merece uma obra-prima e o resultado final foi de uma beleza sem igual. A luz, as cores, a textura e detalhes da asa do anjo são emocionantes.

cilmente se encantavam pela pessoa por trás do pincel. Em Brasília, encontra-se o casal que, sem dúvida, é um dos maiores entusiastas do artista. Além de grandes amigos, Fernando e Christina Queiroz são os maiores colecionadores da obra de Bianco. Por ocasião do desenvolvimento de um lindo livro que mostra parte da sua coleção, Fernando Queiroz descreve seu envolvimento nesse maravilhoso mundo: “Sempre fui autêntico na escolha das obras que compro, sem atentar para modismos ou tendências. Embora tenha sido um constante admirador do pintor Bianco, minha primeira obra dele foi adquirida devido a um pedido de minha esposa Christina, que queria uma Madona. Segundo ela, a Madona assemelhava-se a uma santa em todo seu esplendor, sua

Amigos em Brasília As lindas criações de Bianco conquistaram admiradores em todo país, muitos deles tiveram o privilegio de conhecê-lo pessoalmente e fa-

beleza e sua aura. Meu respeito por Bianco não se restringe somente ao artista, mas ao homem, ao filósofo, ao cientista político e ao grande ser humano que ele é. Seus quadros e sua diversidade de temas, com sua riqueza de cores e nuances nos fazem ver e sentir a força de um grande criador.” Christina começou seu encanto após ver uma Madona, mas se apaixonou por toda a obra: “Bianco nos mostra que pintura não é decoração... Pintura tem vida, tem status, tem ação. Além da beleza, tem emoção... Posso dizer que, diante de uma obra de Bianco, todos os nossos sentidos se exaltam. E isto ocorre porque é um ser diferenciado, que soube construir uma trajetória única, digna de grandes mestres... Por isso e por tudo mais

me reverencio diante desse homem, desse pintor, desse Mestre das cores e das formas...”

O futuro da obra Diferentemente de muitos artistas que ao partirem desse mundo deixam a obra órfã, a família do artista abraçou o trabalho de manter o legado do já saudoso Bianco. Já há alguns anos Paulo Bianco inicia o trabalho para abrir o instituto Bianco, que, com a ajuda de um certificado emitido pela Casa da Moeda, reduz dramaticamente o número de quadros falsos sendo vendidos no mercado de arte, o que garantiu uma boa valorização da obra e garantirá o investimento de quem escolheu o artista.

Maurício Lima é marchand e consultor de investimento em arte


PORCELANA

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A artista Tereza Penna em seu ateliê

NO MUNDO C

Por Marina Macêdo Fotos Celso Junior

DE TEREZA Ao seu modo despretensioso e ao mesmo tempo repleto de minúcias e dedicação, Tereza Penna cria e amplia suas linhas de porcelana, que se tornam desejo para aqueles que amam a arte decorativa

haleiras, xícaras, taças, pratos e travessas de porcelana são materiais de trabalho para a artista plástica Tereza Penna. Aos 50 anos, Tereza adorna requintadas casas brasilienses com suas delicadas obras feitas à mão. Traz cor e vida para as peças em seu charmoso espaço no Lago Sul. “Acredito que não há nada mais especial que tomar café com uma xícara toda mimosa feita exclusivamente para você”, diz. Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, Tereza sempre gostou de dar frescor às situações rotineiras. Desde pequena, quando a mãe, Dona Terezinha Vargas, montava a mesa do jantar, Tereza dava


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seu toque especial. Decorava com arranjos, enfeites e louças diferentes. “Esse meu jeito fez com que meu pai, Paulo Camillo, me apelidasse de Sofis, de sofisticada”, conta Tereza. Aos 14 anos, resolveu fazer um curso de porcelana com Marinice Pentagna, artista da região. Desde então, pincelou os mais variados modelos de louças. Mas pintar era apenas um hobby. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), formou-se em Publicidade e Propaganda e especializou-se em Marketing. Mesmo estudante, jamais deixou de estar próxima do universo artístico, visitando constantemente museus e galerias. Em 1992, Tereza casou-se com José Luiz, executivo de telecomunicações, e se mudou para a Capital Federal. Ela é mãe de José Luiz, 17 anos, e madrasta de Marina e Felipe Simão, respectivamente, 32 e 31 anos. A agenda atarefada e repleta de viagens do marido fez com que Tereza não tivesse um emprego fixo na área de Comunicação. Foi quando resolveu resgatar seu antigo hábito pintar e o consolidar como profissão. Deu certo. Especializou-se em painéis decorativos. Começou pintando painéis para as amigas mais próximas e as encomendas foram aumentando gradativamente. Com apenas seis meses de casada, totalmente envolvida com o universo das artes plásticas, desembarcou em Bruxelas, capital da Bélgica, para cursar pintura deco-

rativa na Ecole Superieur de Peinture Van Der Kelen Logelain. “Na época, como éramos recém-casados, não contamos para ninguém que eu passaria um ano em Bruxelas. Falávamos apenas que eu tinha ido para fazer um curso e assim pude ficar mais tempo”, lembra a artista. O período foi um divisor de águas para a carreira da mineira. Sempre com o apoio do marido, Tereza adquiriu o conhecimento necessário, e aplicou as técnicas aprendidas em tecidos, painéis decorativos e até altares de igrejas, cujas matérias-primas eram folhas de ouro. Atualmente, dedica-

-se à pintura em porcelana. “É muito enriquecedor. Me sinto envolvida e realizada quando estou em meu ateliê”, diz. O material é outro diferencial da artista. Sempre que viaja, traz novos modelos garimpados nos quatro cantos do mundo. “A maioria das minhas porcelanas é importada. Sempre que embarco para um novo destino, vou em lojas procurar as novidades daquela região”, conta Tereza. O resultado são peças únicas, limitadas e que ainda trazem os valores e a cultura de cada lugar por onde passa. O processo de criação começa com os primeiros traços na

porcelana. Trabalho minucioso. Após o desenho ganhar forma, Tereza entra com a tinta e pinta os mínimos detalhes. Hora da concentração absoluta. Dependendo da complexidade do desenho, o procedimento pode durar horas. Em seguida, é levado até quatro vezes ao forno, com temperatura de até 750 ºC, para fixá-lo. Quando o assunto é inspiração, Tereza conta que tira ideias de viagens, passeios, jardins, livros, revistas e até de objetos do dia a dia. Sobre a cópia, Tereza diz não temer. “Não tenho medo de ser copiada. Pois estou sempre inovando com minhas peças e traços”, diz. Ela acredita que todo tipo de arte seja referência para seu trabalho. Mas se pudesse escolher apenas um local para passar horas mergulhada nesse universo, ela elegeria o Museu das Artes Decorativas, situado no prédio do Louvre, em Paris. “Ali, é o meu lugar de inspiração. Me deixaria perder no tempo para estar próxima do que mais admiro. E poder extrair tudo o que um artista busca a todo instante que respira: inspiração”, conclui a artista, que com sua postura discreta, seu gesto elegante e seu olhar apurado, passa horas do seu dia envolvida em seu ateliê, dando vida às inúmeras encomendas que não cessam de chegar. Serviço Ateliê Tereza Penna Comércio Local da QI 13, Bloco E, sala 12, Lago Sul (61) 8131-9500


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Por Marina Macêdo Fotos Celso Junior

Eles fazem sucesso, despertam curiosidade e são objetos de estudo entre cientistas. Os gêmeos aumentam a cada década e tornamse peculiares por se diferenciarem na semelhança, sem perder a forte conexão que os une

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ualquer semelhança não é mera coincidência. Eles são realmente parecidos, ou até mesmo iguais. Muitos dizem que são abençoados, pois já nascem com o seu melhor amigo. O cúmplice para toda a vida. Para os pais, o trabalho é em dobro. O amor também. E a alegria, assim como as descobertas e as experiências únicas, vem multiplicada. Eles possuem uma sintonia que nem mesmo a ciência é capaz de precisar. Eles são irmãos gêmeos.

Os vizinhos de útero podem ser univitelinos ou bivitelinos. Para entender melhor, os univitelinos são provenientes de um único óvulo fecundado por um único espermatozoide, que se divide. São conhecidos também como gêmeos idênticos e são do mesmo sexo. Já os gêmeos bivitelinos são formados por dois óvulos, fecundados por espermatozoides diferentes, formando dois embriões. São identificados como irmãos de gestação. Eles podem ser ou não do mesmo sexo.

“Em gestações gemelares espontâneas, 85% correspondem a gêmeos bivitelinos e 15% a univitelinos”, aponta o obstetra Valdecir Gonçalves Bueno, do Centro de Medicina Fetal (Cemefe), lembrando que a cada mil gestações espontâneas há, em média, 12 gravidezes múltiplas. E detalhe: o número de gêmeos tende a crescer com o volume de tratamentos de fertilização. “Esses pacientes têm 50% de chance de ter gestações gemelares”, ressalta o obstetra. Mas se os gêmeos, atual-


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A VIDA

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mente, são motivo de curiosidade e sucesso, no passado eles eram considerados nada menos que sobrenaturais. Sem dados científicos, o que um homem primitivo poderia imaginar ao ver nascer duas ou mais crianças ao mesmo tempo? Dependendo da época, colheita ou enchente e seca, eles eram louvados ou amaldiçoados. O fato é que a humanidade tem fascínio por eles, e a partir daí tecem os mais distintos estudos e histórias, em que eles são vistos como paradigmas tanto do

igual quanto do diferente. A começar pela mitologia, no qual eles surgem como metade de um todo que se completa e que se opõe. É o caso de Castor e Pólux, lendários personagens gregos, filhos de Leda, mulher do rei de Esparta. Embora idênticos, seus pais eram diferentes: o de Castor era rei, portanto mortal; o de Pólux era Zeus, imortal habitante do Olimpo. Quando Castor morre numa batalha, o irmão pede ao pai para compartilhar o seu destino. E assim Zeus os transforma na

Taís e Taiana Miotto

constelação de Gêmeos. No Egito, o deus da terra Geb e a deusa dos céus Nut eram gêmeos, e também amantes. Da união, nasceram Ísis e Osíris, os mais populares deuses egípcios. Há também Rômulo e Remo, fundadores de Roma. E ainda os bíblicos do Antigo Testamento Caim e Abel, filhos de Adão e Eva. Na verdade, o poder que os gêmeos exerciam nascia não somente da sua semelhança, mas, principalmente, das suas diferenças. Por isso, ainda são símbolos vivos da dualidade:

iguais e diferentes, o mesmo e o outro. O psicólogo francês René Zazzo (1910-1995) classifica esse comportamento como “paradoxo gemelar”, referindo-se ao fato de indivíduos tão próximos e cúmplices desenvolverem, ao mesmo tempo, personalidades distintas e, muitas vezes, conflitantes. O fato é que gêmeos já nascem sabendo que existe o outro. A terapeuta francesa Christiane Charlemaine, autora do livro Guide des Jumeaux, diz em sua análise que “nascer em um mundo de únicos que não compreendem o que é ser múltiplos não é nada fácil”. E é aí que entram pais, educadores, psicólogos e estudiosos do comportamento humano, tentando decifrar esse curioso universo. Especialistas dizem mesmo no caso de gêmeos univitelinos, na maioria das vezes eles costumam ter diferenças de temperamento. Além disso é natural que exista um relativo nível de rivalidade. Até por que cada um precisa encontrar um espaço para si e ter uma réplica nem sempre ajuda muito. Mas não é regra. As diferenças de postura mais os une que os separa. Estudos recentes da Universidade de Turim alertam para o fato de que a afinidade e a sincronicidade estabelecidas entre os gêmeos podem tornar a convivência entre eles tão exclusiva a ponto de distanciá-los de outros relacionamentos, em especial na infância.


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Muitas crianças gêmeas adotam a criptofasia, isto é, criam códigos de comunicação exclusivos. “Essa linguagem é expressa por meio de gestos, silêncios, palavras inventadas, olhares. São expressões comuns que só fazem sentido entre eles”, explica Fátima Silva, psicoterapeuta, reforçando que tal postura valoriza o que estudiosos chamam de simbiose gemelar. Outra curiosidade é que numa dupla de gêmeos é comum haver o dominante e o passivo. “Em geral, o primeiro faz o social, o contato com as pessoas. Já o outro cuida da sanidade da relação da dupla, revelando-se mais tolerante”, diz Fátima. Essa diferenciação parece menos evidente entre bivitelinos, capazes de construir vínculos mais equilibrados, menos hierárquicos. No dia a dia, o mais comum é que um dos gêmeos seja mais tímido, e o outro mais Ana Maria e Ana Cecília

extrovertido. “Imagine que um é o reflexo do outro. Por mais diferentes que sejam, eles possuem um tipo de união e cumplicidade que dificilmente se vê entre os irmãos comuns”, frisa. A ciência também se interessa, particularmente, pelo caso dos gêmeos, separados na infância. Há estudiosos frisando que a distância os deixa ainda mais iguais, uma vez que não foram influenciados pelo meio e podem deixar a genética aflorar. “Ainda não existe clareza sobre isso, tampouco comprovação científica de sensações e coincidências que ocorram entre eles, apesar de sabermos de inúmeros relatos expressivos. O que não há como negar é a existência de uma conexão muito forte”, finaliza. A revista GPS|Brasília apresenta vivências de gêmeos que cresceram na cidade e guardam boas histórias.

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Ana Maria e Ana Cecília Uma é agitada, comunicativa, divertida, alegre e emotiva. A outra é quieta, tímida, observadora, persistente e racional. Essas são Ana Maria e Ana Cecília Gontijo Oliveira, filhas de Melissa Gontijo e Eduardo Nina de Oliveira Filho. Aos 13 anos, as gêmeas bivitelinas têm em comum o amor pela arte. Adoram teatro, cinema e música. Compartilham também a paixão pelos livros e o sonho de serem escritoras. Cada uma com seu gênero literário, claro. Companheiras inseparáveis, num único olhar elas se entendem. A cumplicidade aliada à afinidade faz com que as duas se complementem e se bastem. A mãe Melissa Gontijo conta que as filhas têm perfis diferentes, mas compartilham de muitas semelhanças quanto à postura. O fato de

serem caseiras as torna melhores amigas. Tanto que o quarto de ambas não tem parede, dividindo o espaço. Existe apenas uma divisória, usada quando uma ou outra precisa de privacidade. Extremamente inteligentes, uma se deleita no passado, pesquisando fatos da história. A outra, projetada no futuro, sabe tudo sobre tecnologia e como fazer vídeos e filmes. Ana Maria e Ana Cecília fogem à regra das adolescentes de sua idade. Avessas a marcas e rótulos, ambas passam longe do materialismo. Prezam por uma boa conversa com amigas que saibam falar de coisas que não sejam apenas meninos, roupas e celebridades. Quando se sentem sozinhas, não hesitam: instintivamente se amparam mutuamente. Ana Cecília conta que, quando menores, eram fisicamente mais parecidas. Na época, adoravam confundir os professores no primeiro dia de aula. “Quando íamos nos apresentar, eu fingia ser ela e Ana Maria ser eu. Quando o professor me chamava de Ana Maria, eu dizia ser Ana Cecília. E vice-versa. Era muito engraçado. Eles ficavam confusos”, diverte-se. Já Ana Maria conta que certa vez aprontou na escola e para se livrar da bronca, deu o nome da irmã. Quando a direção ligou para a mãe e contou o ocorrido, Melissa perguntou se eles não tinham errado de filha. Ana Cecília jamais faria aquilo. Já Ana Maria... Quando chegou à escola, teve a comprovação: Ana Maria era a autora do fato.


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Felipe e Fernando Ewerton

Fernando e Felipe Eles chamam atenção por onde passam. Beleza em dose dupla. Fernando e Felipe Ewerton, 25 anos, são empresários e pilotos da Mitsubishi Cup. Gêmeos idênticos, eles têm o mesmo jeito de se vestir e se comportar. Mesmo tentando mudar o corte de cabelo e o comprimento da barba, poucas pessoas os conseguem diferenciar. São parecidos até no jeito de falar e andar. “Nossos amigos mais próximos sabem quem é quem. Mas a maioria sempre confunde. Várias vezes me chamam de Fernando. E, para a pessoa não ficar sem graça, eu finjo ser meu irmão”, conta Felipe. Enquanto Felipe era quieto, Fernando adorava aprontar. Na época de colégio, Fernando vivia pregando peças.

Certa vez, quando já estava no Ensino Médio, soltou uma bombinha que causou mau cheiro na escola. Quando o assunto chegou à diretoria, logo foi expulso do colégio. Como Felipe estava sempre por perto, sobrou para ele também o convite para se retirar junto com o irmão. Adeptos das pistas de dança mais fervidas no País, os empresários contam que ter um irmão gêmeo tem suas vantagens. “Várias vezes fui para balada. Quando minhas ex-namoradas vinham brigar por eu ter saído, eu dizia se tratar de um equívoco... era meu irmão”, lembra Fernando. Já Felipe complementa: “Inúmeras vezes acordei e quando olhava meu celular tinha uma mensagem do Fernando, dizendo: Olha, ontem você foi para a ba-

lada tal com tais amigos, ok?”. Já quando o assunto é ligação, eles contam que é impressionante essa conexão entre gêmeos. Quando Felipe morava em Londres, na Inglaterra, Fernando residia em Dublin, na Irlanda. “Uma vez fui assaltado em Londres. Sem documento, dinheiro e celular, dei um jeito de ligar para meus pais no Brasil. Na mesma hora, Fernando sentiu algo estranho e ligou da Irlanda perguntando se algo tinha acontecido comigo”, lembra Felipe.

Taís e Taiana Nascidas em Cascavel, na região oeste do Paraná, as gêmeas univitelinas Taís e Taiana Miotto, 26 anos, são radicadas em Brasília. São iguais fisicamente, mas têm um perfil diferente. Taís é casada,

clássica, realista e intensa. Taiana é solteira, fashionista, sonhadora e calma. Em comum, a ligação com a família, a simpatia e a beleza. Taís é adepta de uma vida sólida. Cursou Administração e fez especialização em Finanças e Contabilidade. Trabalha como analista de contas a receber na Inframerica, empresa que administra o Aeroporto de Brasília. Já Taiana fez carreira internacional como modelo. Morou na França, Espanha, Turquia, Malásia, China, Coreia do Sul, Tailândia, Singapura e Nova Zelândia. Atualmente, estuda Design de Moda, no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB). Cúmplices, elas seguem a regra dos pais, Agostinho e Eunice, de nunca emprestar roupa para outra. Caso con-


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trário, é briga na certa. Juntas viveram vários casos, como a vez em que Taiana foi para uma festa e deixou a identidade com um amigo. No dia seguinte, o rapaz embarcou para o exterior e esqueceu de devolver o documento. “Foi quando surgiu um convite para uma campanha publicitária em São Paulo. Sem identidade, comprei uma passagem no nome da minha irmã, peguei o documento dela e embarquei”, narra Taiana. Taís lembra a vez em que a irmã morava na Tailândia e pediu para que os pais abrissem uma conta internacional para ela. Para tal, Taiana precisava estar presente. Mas ela já estava há quilômetros do País. Num rompante, Taís resolveu assumir o papel de Taiana. “Fui ao banco fingindo ser ela, abrimos a conta e conseguimos enviar o dinheiro”, lembra.

Beatriz e Luciana Elas são idênticas. Além da bela aparência, também são semelhantes quando o assunto é personalidade. Inteligentes, sinceras e divertidas. Essas são as gêmeas Beatriz e Luciana Medeiros. Elas malham na mesma academia, frequentam o mesmo salão, possuem o mesmo ciclo de amizade e têm o mesmo gosto para se vestir. De diferente, a profissão. Beatriz é dermatologista e a Luciana, advogada. Casadas, respectivamente, com Renault Ribeiro Junior e Vitor Rezende, combinaram até engravidar juntas para terem filhos da mesma idade.

Luciana e Beatriz Medeiros

Mineiras de Belo Horizonte, somam boas historias. Beatriz conta que, quando ainda eram solteiras, Luciana vivia na casa do namorado Vitor. Renault Junior era amigo de infância do rapaz e morava no mesmo prédio. “Assim que Vitor se mudou, eu comecei a namorar Renault. Quando o pai de Vitor foi visitar o prédio onde morou, o porteiro nos confundiu e disse: Dr. Rezende, não quero fazer fofo-

ca, mas a namorada do Vitor vive na casa do Renault. Foi quando ele explicou que nós éramos gêmeas”, lembra. Luciana lembra que o pai tinha marcação cerrada. Certa vez, viajou para a Bahia com Vitor sem avisar à família. Quando o burburinho chegou ao ouvido do patriarca, logo ele ligou para a casa das gêmeas. “Beatriz atendeu o telefonema e se passou por mim, livrando assim minha

pele”, diz Luciana. Outra vez, Beatriz foi para um show de axé music e apareceu no jornal local em cima de um trio elétrico. “Na época, eu fazia residência médica. Quando cheguei ao hospital, todos meus colegas falaram que me viram na televisão dançando e em cima do trio. Morrendo de vergonha, falei que aquela não era eu. E sim minha irmã gêmea”, finaliza a dermatologista.


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SOCIAL

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O aniversariante entre as dançarinas

LE CABARET

Márcio Salomão abre as portas de sua mansão à beira lago para celebrar seu aniversário em incrível noite FOTOS: CELSO JUNIOR

Maria Victoria e Gilbertinho Salomão

DJ Joelle Atkins e Claudia Salomão


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Paula Santana, Gustavo Glauz e Marília Salomão

Gilberto Salomão, Angela e Dácio Vieira

Catarina Henriques, Maria Valentina Salomão e Sofia Lima

Adriana Chaves


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Ilca Oliveira e Luisca Carvalho

Amilcar Ribeiro e Jussara Sophia

Beatriz e Renault Ribeiro Jr.

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Agenor Neto e Hugo Caetano

Renata Hanones e Erick Carpaneda

Maria Fernanda Angeloni e Bruno Pinto

Thomaz Cardoso, Kika Cardoso e Gabriel


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Os noivos Fernando Monteiro e Isabelle Jabour

EM RECIFE O inesquecível casamento de Fernando Monteiro e Isabelle Jabour movimenta a capital pernambucana no castelo Brennand O vestido assinado pelo estilista Paulo Araújo

FOTOS: CELSO JUNIOR E UESLEI MARCELINO


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Mayra Perin e Marcos Joaquim

Ricardo Petrilli e Bruna Constantino

S么nia e In Loon Lim

M么nica Azambuja

Margot Albuquerque e Diom茅dio Santos

Daniel Guimar茫es e Gabriela Jabour


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Antonio e Iza Matias

Geiza e Duda Alckmin

Luciano Albuquerque, Marcia Monteiro, Isabelle, Fernando, Paulo Valverde Morais e Diana Morais

Phelipe e Daniela Lyra


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Flávia Andrade, Angela Brito e Rafael Andrade

DESSINE EM ALTA Loja lança conceito de iluminação em grande noite para inaugurar seu espaço na 116 Sul FOTOS: RÔMULO JURACY E PABLO VALADARES

Flávia, Luiz Andrade, Paulo, Denise Zuba e Ronaldo Mafra, diretor da Iluminar


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Moema Leão, Caroline Mendonça e Celso Martins

A anfitriã com Juliana Zuba

Roberto e Beta Pollis com Rafael e Flávia Andrade

Rafael Andrade com sua mulher Vanessa Silva

Flávia Andrade e Francisco Terroba


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FILIPPE & MARIANA FOTOS: CELSO JUNIOR

Em noite mais que alegre, casal comemora sua união com show da banda Blitz

O casal Filippe Antonelli Santana e Mariana Souza Alves

Silvia Campos e João Padilha

Carla Monteiro de Souza

Erlan Ramos, Amanda Veloso, Rafaela Espíndola e Julia Zema

Cynthia e Geovani Meireles Filho


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Evandro Mesquita cantou para os convidados

Ana Monteiro

Rafaella Carvalho, Natacha Lucena e Erika Dornas

Juliana Le達o


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ORTOPEDIA DE GRIFE

Brasília tem um centro ortopédico de excelência, que além de ser o segundo mais estruturado na América Latina no tratamento do sistema locomotor, ainda leva o certificado de hospital credenciado da Fifa

Por Andressa Furtado Fotos Celso Junior

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lém do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, outro lugar da cidade poderá receber atletas brasileiros. O Hospital Ortopédico de Medicina Especializada, conhecido como Home, é o segundo do País credenciado pela Federação Internacional de Futebol Associados (Fifa) como Centro Médico de Excelência, para atendimento de atletas. Com quatro anos de existência, o hospital, localizado na 613

Sul, acaba de ganhar o certificado para cinco anos. O título é concedido independentemente da Copa do Mundo e se concretizou sincronizado com os eventos esportivos. “Em pouco tempo de existência, o hospital cresceu muito, mas não poderíamos imaginar que, em tão pouco tempo, teríamos esse certificado”, diz o diretor do hospital, Paulo Lobo. Fundado em 2009 para oferecer tratamento às do-


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enças do sistema locomotor, o hospital possui um laboratório de análises clínicas, um grande centro de imagem e um dos maiores espaços de reabilitação do Brasil. O Home é o segundo da América Latina a obter esse título. Para carregar o nome da Fifa, a administração deverá fazer relatórios anuais das atividades, que serão monitoradas pela federação e por outros centros credenciados. Conseguir o título não foi uma tarefa fácil. O diretor decidiu inscrever o hospital e contou com a ajuda do corpo de medicina, em especial do médico Gustavo Orrico e do fisioterapeuta Márcio Oliveira. A equipe precisou preencher um cadastro bilíngue, com dados técnicos, currículo dos envolvidos no projeto e cartas de referência de entidades médicas nacionais e interna-

cionais. E ainda a referência de dirigentes das Federação Brasiliense de Futebol e Confederação Brasileira de Futebol. A resposta veio apenas seis meses depois. Para habilitação como Centro de Excelência da Fifa é necessário que o local ofereça serviços de ortopedia, traumatologia e centros de imagens, cirúrgico, cardiologia e de reabilitação. É preciso contribuir para a educação continuada na Medicina Esportiva e prestar atendimento médico ao atleta, em especial, o de futebol, seja no tratamento ou na prevenção de lesões. Apenas um único serviço pode ser credenciado por cidade. Para Paulo Lobo, o título coloca a capital federal no centro do mundo na medicina esportiva. “Uma cidade tão jovem, que pode se orgulhar de ter infraestrutura e profissionais

de gabarito no mesmo nível de grandes países. Quem ganha com isso é o paciente e o atleta”, afirma. Durante a Copa das Confederações, o hospital foi referência para jogadores, árbitros e todos envolvidos no evento esportivo. “Tive a felicidade de contar, por várias vezes, com a estrutura do Home e o profissionalismo de sua equipe para me recuperar rapidamente das lesões sofridas ao longo da minha carreira”, conta o árbitro da Fifa, Sandro Meire Ricci. Um dos atletas que precisou de assistência do hospital foi o jogador da Seleção Brasileira e do Fluminense, Fred Guedes, que estava com fratura incompleta na parte posterior da costela. Os médicos do Home também estão presentes nos eventos esportivos nacionais

e internacionais realizados na cidade durante o ano. Em campeonatos de Mixed Martial Arts (MMA), como o Capital Fight, em competições de golfe, vôlei, basquete, futebol e ginástica olímpica. “Recebemos diariamente atletas de todas as cidades do País. Hoje, tenho certeza que atingimos o nosso objetivo. Nos tornamos uma referência na área de ortopedia do Brasil”, afirma Lobo.

Clínicas especializadas O Home conta com várias clínicas dentro de sua estrutura. Uma delas é o Centro de Medicina Esportiva Preventiva e Esportiva (Cempre), que oferece tratamento e prevenção de lesões para pacientes, atletas recreacionais e para os de auto rendimento. A clínica


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possui programas de orientação à prática esportiva para idosos, gestantes, cardiopatas, hipertensos e diabéticos. É a única clínica do País que desenvolve uma metodologia criada pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, para identificar alterações cerebrais geradas pela concussão, um problema comum em esportes de contato, como futebol e basquete. Especialista em tratamentos de joelho, o diretor do hospital dá nome a uma das clínicas, o Instituto Paulo Lobo. Nos últimos 15 anos, o médico realizou média de 400 cirurgias de joelho por ano, sendo que 40% delas foram de reconstrução dos ligamentos cruzados anterior, além de operações nas lesões de tendões e ligamentos em outras articulações. O instituto é focado na Medicina de joelho e traumatologia no esporte, e oferece procedimentos médicos na recuperação de tais lesões. Há ainda a Medfisio, que conta com 24 profissionais e tem o objetivo de auxiliar no

tratamento de doenças nas áreas de neurologia, neurocirurgia, ortopedia, traumatologia, reumatologia e cirurgias bariátricas, de cabeça e pescoço. O destaque fica para a prancha ortostática, que auxilia os internos da UTI na melhoria das condições dos sistemas respiratório e circulatório. Anualmente, a clínica organiza o Simpósio de Fisioterapia em UTI. A Sportfisio é focada no tratamento de atletas e é a única clínica privada do DF que possui o aparelho isocinético, fundamental no tratamento de atletas profissionais, pois avalia a força e a potência dos movimentos dos que estão em trabalho de recuperação de lesões. A clínica funciona em uma área de 1,2 mil m² e conta com academia, equipamentos de última geração, piscina aquecida, caixa de areia, boxes com ar-condicionado para eletro e termoterapia, vestiários e uma pista para treinamento proprioceptivo e corrida. O trabalho nessas duas

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últimas clínicas, Medfisio e Sportfisio, conta com uma parceria com o UniCeub, na área de fisioterapia esportiva, no qual alunos da pós graduação estagiam no Home e acompanham, na prática, o trabalho das clínicas. Em breve, o convênio será ampliado para outras áreas. “Estamos contribuindo para a educação continuada dos fisioterapeutas, agregando valores importantes e ensinando de maneira prática, procedimentos que eles aprendem dentro da sala de aula”, enfatiza Lobo. Além do reconhecimento no Brasil, o hospital é bem conceituado no exterior. “O Home é um centro de excelência, que oferece atendimento de qualidade ao paciente. Ao mesmo tempo em que foca em educação e pesquisa. Em particular, o Centro de Reabilitação oferece uma variedade de programas de terapia especializados, com profissionais experientes que oferecem a melhor qualidade de tratamento do povo brasileiro”, disse o professor e presidente do departamento de Cirurgia Ortopédica da Faculdade de Medicina na Universidade de Pittsburgh, especialista em Medicina

Esportiva e chefe da equipe médica do departamento de Atletismo da Universidade de Pittsburgh, Freddie Fu.

Expansão O hospital conta com um bloco de nove mil metros quadrados com ambulatório, pronto-socorro, centro cirúrgico, UTI, laboratório de análise clínicas, centro de imagens e um dos maiores centros de reabilitação do País. No fim do ano, será inaugurado o outro bloco, com sete mil metros quadrados, e capacidade para mais 40 leitos, além de um dos mais modernos centros cirúrgicos do País, especializado em cirurgia cardiovascular e hemodinâmica e cirurgias complexas na área de ortopedia e neuro. Serão três salas para operação. A nova estrutura contará também com mais leitos de UTI , atualmente são 14 leitos, um novo Laboratório Diagnóstico de Análises Clínicas e um heliponto para receber aeronaves de grande porte. Serviço Home - Hospital Ortopédico e Medicina Especializada www.homehospital.com.br SGAS Quadra 613 - Conjunto C (61) 3878-2878 / (61) 3878-2600


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ODONTOLOGIA

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SORRIA, MEU BEM,

SORRIA

As chamadas lentes de contato são o método mais eficaz na procura por dentes brancos. Quem realiza o procedimento é Claudio Pinho, um dos brasileiros que viaja o mundo palestrando sobre a técnica


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Por Marcella Oliveira Foto Celso Junior

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ssim como a pele e o corpo, a busca pela beleza dos dentes vai além da vaidade. A famosa frase “sorriso amarelo” faz sentido. O tempo desgasta, cria colorações nada atraentes e quebra o forte apelo de beleza que um sorriso com dentes brancos traz à aparência. E é em busca de uma bela dentição que pacientes batem na porta dos consultórios odontológicos. Oito em cada dez procuram por um tratamento estético. Dentre os procedimentos queridinhos do momento está a lente de contato. Ela é feita de porcelana superfina – tem entre 0,2 mm e 0,4 mm – colada no dente que, diferentemente das facetas comuns, preserva mais o esmalte natural. “É uma modificação no sorriso de forma segura, que não estraga o dente”, explica Cláudio Pinho, odontologista especializado em dentística restauradora pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araçatuba (SP), onde se formou. O processo para confecção das lentes de contato é artesanal. São feitas individualmente a partir de um molde do paciente. Após o teste para aprovação, a definitiva é aplicada de forma indolor e não necessita de anestesia. Para se comparar, facetas normais têm, em média, 1 mm. A lente de contato pode ser feita para um ou mais dentes, para aumentar o tamanho, escon-

nato no chão. É um material que quebra fácil, mas a partir do momento que está colado à uma base, torna-se muito resistente”, diz o dentista. Não é preciso deixar de comer nada, pois as características da porcelana são parecidas com a do esmalte natural. Fica igual a um dente normal. Mas alguns cuidados precisam ser tomados após a aplicação. Um paciente que tem bruxismo ou range os dentes pode fraturar um pedaço. “Nesses casos, ele deve usar uma placa para dormir”, sugere.

Congressos

der manchas ou fraturas, por exemplo. “É um trabalho artesanal e personalizado”, explica Pinho. A técnica não é novidade, mas sua eficácia tem rendido mais adeptos e por isso está se tornado a mais procurada. Custa cerca de R$ 3,5 mil por dente e é usada em procedimentos que antigamente eram realizados com resina. Com o diferen-

cial: é mais fina, firme e segura. Elas são chamadas de lentes de contato pela espessura extrafina, mas ao contrário das usadas nos olhos, não são removíveis. Uma pessoa pode ficar anos com a lente. Ela é colada ao dente com cimento adesivo, após um condicionamento ácido no dente e na cerâmica. “É muito seguro. Tem o princípio do porcela-

Claudio Pinho explica que a lente de contato é hoje a técnica mais celebrada. Inclusive, discutida em congressos de Odontologia do mundo, dos quais o dentista palestra. Ele já participou dos maiores eventos de Odontologia estética dos Estados Unidos, como a American Academy of Esthetic Dentistry (AAED), American Academy of Restorative Dentistry (AARD) e o Congresso da Quintessense – Ceramics. No início desse semestre, Cláudio Pinho foi indicado e aprovado para fazer parte da Academy of Esthetic Dentistry (AAED). É o terceiro brasileiro a integrar a academia. Em setembro, Claudio Pinho vai representar o Brasil no Congresso Mundial de Estética (IFED, International Federation Esthetic Dentistry), em Munique, na Alemanha. “Só tem eu e mais um brasi-


ODONTOLOGIA

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leiro. É um reconhecimento. Sempre quis buscar o melhor da odontologia. Sempre procuro investir muito na profissão, fiz os melhores cursos e estudo muito”, conta. Quando participa dos congressos, Claudio apresenta casos que tratou em sua clínica. “Gosto de revelar a longevidade dos tratamentos. Mostrar a realidade do meu dia a dia no consultório. Tanto trabalhos que deram certo, como aqueles em que precisamos interferir depois”, conta. O gosto por falar do seu trabalho e ensinar o levou a montar a Integrado Ensino Especializado, do qual é sócio-proprietário. A escola, que oferece cursos de atualização em todas as áreas, inclusive o de gestão de Odontologia, é referência no Brasil e no exterior. “Procuro passar um pouco do meu conhecimento nesses 18 anos de profissão. Eu amo ensinar, as aulas quebram um pouco a rotina do consultório e também promovem uma grande troca de conhecimentos com os alunos”, diz Pinho. Fundada em novembro de 2007, por lá já passaram mais de 400 alunos-dentistas.

Estética Manter os dentes branquinhos também é uma forma de rejuvenescê-los. Para Claudio Pinho, o tratamento caseiro, aquele com a moldeira e o gel, é o mais eficaz. “Ele é mais lento, mas também tem uma longevidade maior. Um

clareamento rápido, como o laser, deixa o dente muito mais sensível e a cor volta em pouco tempo”, opina. Durante o clareamento, ele orienta evitar as substâncias que têm poder de fixação sobre os dentes, como vinho tinto, coca-cola (por conta da acidez), beterraba, café, suco de uva, açafrão, chás coloridos e qualquer alimento com corante. “Durante o clareamento, os dentes se desidratam e é nestas horas que devemos evitar mais os corantes”, diz. Para Pinho, a preocupação com o sorriso se dá pela ligação direta com a autoestima. “A odontologia do passado era só para tapar buraco, colocar uma massinha. Hoje, o sorriso se tornou algo importante para as pessoas. Os materiais e técnicas evoluíram bastante. Temos a chance de marcar a vida de alguém com um tratamento que proporciona um sorriso harmônico e total naturalidade. Alguns casos emocionam, pois a vida da pessoa muda”, revela o dentista. Assim como a indústria da beleza, que busca sempre uma maneira de manter a pessoa mais jovem, a odontologia estética trabalha em conjunto com a saúde e o bem-estar. “Sorriso não é vaidade, é necessidade e qualidade de vida”, conclui Claudio Pinho. Serviço Cláudio Pinho Odontologia Estética www.integrato.com.br (61) 3443-9555


ESTÉTICA

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Homens procuram cirurgiões plásticos, sem cerimônia, para pequenos retoques no rosto. Dentre eles, suaves mudanças no nariz, queixo, boca e olhos. Entre as técnicas, desde o simples botox até a bioplastia. Saiba quais os procedimentos mais procurados

UMA MEXIDINHA Por Marina Macêdo

D

epois de esculpir os corpos nas academias, buscar nutricionistas para terem alimentação balanceada e se entregar aos cremes anti-idade, os homens entram na fila dos consultórios de cirurgiões plásticos. E sem vergonha. Eles estão atentos às diferenças provocadas pela idade e decidiram que não há mal em rejuvenescer o visual. Agora, a procura é por intervenções no rosto. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas do Distrito Federal mostram que os homens da Capital Federal lideram a procura por cirurgias plásticas estéticas

NÃO DÓI

no País. É um novo comportamento da sociedade. A quebra de um paradigma. Afinal, em outras épocas, nunca tivemos homens tão vaidosos. Como complemento, no mercado de beleza nacional, cujo movimento é de R$ 15 bilhões, os homens representam 37% dessas vendas. Para a médica Elódia Ávila, membro da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica, essa busca vai além da vaidade. “Atualmente, a boa aparência é uma exigência do mercado de trabalho”, acredita. A demanda aumentou e ela hoje tem, em sua maioria, clientes do sexo masculino. “Quando

comecei a carreira, há 20 anos, fazia mais cirurgias plásticas em mulheres. Os maridos viam o resultado natural e me procuravam”, lembra a cirurgiã, que divide sua agenda entre os pacientes de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Ao procurarem o consultório, muitos homens não conhecem os procedimentos e o que poderiam mudar no rosto, em especial. “Muitas vezes eles querem fazer uma cirurgia no nariz, quando na verdade a mudança deveria ser no queixo. É quando explicamos sobre as técnicas e harmonização do rosto”, conta a médica. Segundo Elódia, a área dos

olhos está entre as mais procuradas. Afinal, ela denuncia a idade, devido à formação de bolsas, olheiras e rugas. No caso dos pés de galinha e rugas entre sobrancelhas, usa-se a toxina botulínica, o botox. Ele pode suavizar ou até eliminar rugas e linhas de expressão. Um procedimento que dura, no máximo, trinta minutos e não exige recuperação. Para o caso de olheiras, o procedimento é a bioplastia. Considerada a cirurgia plástica do milênio, a intervenção não tem cortes e é um procedimento permanente. Antes da aplicação, é preciso de uma anestesia local. Por


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A médica Elódia Ávila

meio de uma pequena incisão na pele feita com microcânulas, espécie de agulha com a ponta arredondada, é transportado o polimetilmetacrilato, substância derivada do plástico, mais conhecida como PMMA, que preenche a região. “O procedimento permite que o paciente volte às suas atividades normais no mesmo dia”, conta Elódia. Há também a blefaroplastia, mais conhecida como cirurgia plástica das pálpebras, que corrige o excesso de pele, gordura e flacidez muscular em volta delas. Com duração de até 90 minutos, a maioria dos casos é realizada com anestesia local. As cicatrizes tendem a ficar praticamente disfarçadas nos sulcos da pele. “O pós-operatório exige cuidados, como compressas frias várias vezes ao dia e uso de óculos escuros caso queira se expor à luz natural e ao vento”, diz. O nariz perfeito também está na mira dos homens. Para ele, há duas possibilida-

des: bioplastia ou rinoplastia, cirurgia estética e funcional do nariz. No primeiro caso, a técnica pode ser feita para suavizar imperfeições no dorso do nariz. Com preenchimento de um espaço que vai da projeção até a glabela, deixando-o mais retilíneo. Há também a possibilidade de arrebitá-lo com o procedimento. O paciente volta as suas atividades no mesmo dia. Já a rinoplastia, além de tornar o nariz mais gracioso, busca corrigir desvio de septo, hipertrofia de cornetos, inclusive com a associação de alguma outra correção facial, como no caso da região do queixo. Com duração de até duas horas, o procedimento é feito com anestesia geral ou local, dependendo do caso. O pós-operatório é delicado. Além de inchaço na região e manchas arroxeadas, nos primeiros dias, o paciente fica com um curativo com micropore e gesso ao longo de uma semana. A região da boca denuncia a idade. “Com o tempo, os lábios tendem a ficar mais finos”, explica a cirurgiã. Para tentar driblar as marcas do tempo, o indicado é a bioplastia. A técnica exige anestesia local e deixa os lábios mais volumosos. O procedimento é rápido e não exige repouso. Nessa área, a maior procura é o “bigode chinês”, ruga que começa na base do nariz e segue até a região lateral do lábio, onde é possível realizar preenchimento temporário ou definitivo. Realizado

no máximo em trinta minutos, o paciente é liberado na mesma hora e já aparenta rosto rejuvenescido. Para um formato de rosto mais quadrado e másculo, a técnica de remodelação é a bioplastia. Com anestesia local, o procedimento traz o volume esperado. Após a aplicação, o paciente retoma suas atividades normais. As gordurinhas do pescoço podem ser eliminadas com a lipoaspiração de gordura submentoniana, popularmente chamada de lipo da papada. Recomendada para pessoas depois dos 25 anos, após uma hora de cirurgia o excesso de gordura é retirado. A cicatriz

é discreta, mas a recuperação exige cuidados, são de 15 a vinte dias de repouso. Sobre a frequência com o qual os procedimentos devem ser retomados, Elódia Ávila explica: “Cada organismo funciona de uma maneira. Não é possível precisar em quanto tempo o paciente deve voltar a fazer novas intervenções”. Mas antes de realizá-los, a médica alerta: “É preciso estar atento à saúde. Nos casos citados, há contraindicação para pessoas com doenças autoimunes”, diz. Serviço Clinica Lovit – Ed. Vital Brasília, 710/910 Sul, lote A, sala 303 (61) 3526-3909

Bioplastia – Preenchimento de regiões na face, como nariz, queixo e olheiras. Procedimento dura 30 minutos, com anestesia local. Não tem cortes Blefaroplastia – Correção do excesso de pele, gordura e flacidez muscular das pálpebras. Anestesia local e duração de 1h a 1h30min. A cicatriz é discreta, nos sulcos da pele. Exige cuidados nos três primeiros dias Botox – Suaviza os populares pés de galinha e rugas entre as sobrancelhas. Sem anestesia e cortes, o procedimento dura 30 minutos Lipoaspiração da papada – Elimina gordura do pescoço. A anestesia é local e a cicatriz é discreta, sob o queixo. Procedimento dura, em média, uma hora, e a recuperação é de 15 a 20 dias Rinoplastia – Cirurgia estética ou funcional do nariz, que pode ter anestesia local ou geral. Dura de uma a duas horas. A cicatriz é dentro do nariz e a recuperação exige gesso por sete dias


SAÚDE

INSISTE E PERSISTE Dor na coluna é resultado de uma série de problemas cotidianos ou de saúde e afeta 80% da população. Cuidados frequentes podem fazer a diferença na qualidade de vida. Entenda a sua dor e saiba como tratá-la

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Por Raquel Jones

O

ito em cada dez pessoas no mundo sofrem de dor nas costas ou vão sofrer em algum momento da vida. Os dados são da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, a situação requer atenção. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), problema na coluna está entre as principais causas de aposentadoria por invalidez no País. Especialistas alertam que esse sintoma pode indicar a ocorrência de várias doenças. Saiba quando a dor na coluna passa a ser um sintoma preocupante. São 33 vértebras, 24 costelas e alguns discos intervertebrais. Ossos, músculos e terminações nervosas constituem a coluna vertebral do ser humano. Como é uma estrutura sensível, a dor nas costas é um sintoma muito comum. De acordo com o coordenador do Comitê de Coluna da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Alexandre Podgaeti, a dor nas costas pode sinalizar diversas enfermidades. “Existem ainda

Principais Causas

- Má postura, obesidade, sedentarismo, estresse, hérnia de disco, artrose e deformidades em geral


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doenças que causam dor na coluna, mas que não estão relacionadas diretamente com ela, como problemas nos rins, pedra na vesícula e aneurisma da aorta”, explica o médico. A automedicação é prejudicial porque dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento correto. Analgésicos podem mascarar a dor nas costas. “Algumas dores merecem mais atenção: aquelas que duram mais de três dias; que não melhoram com uso de analgésicos; que aparecem sem estar relacionadas a algum acontecimento; que irradiam para outras partes do corpo, como braços e pernas; que causam formigamento; e as dores noturnas”, alerta Podgaeti.

Quando o problema é de saúde Deformidades em geral, como curvas ou desvios na coluna, alteram a simetria e causam as dores, como a escoliose e a lordose. E ainda doenças como osteoporose, doenças degenerativas, cifose torácica, hérnia de disco e artrose. A hérnia de disco ocorre quando há um desgaste dos discos intervertebrais, por causa do tempo e do uso repetitivo. As dores podem ser variadas, mais frequente nas regiões lombar e cervical. Já a artrose ou osteoartrite é uma doença da articulação.

Há uma degeneração da cartilagem e alterações das estruturas ósseas vizinhas. Causa dor, espasmos, atrofias musculares e limitação de movimentos. Os locais mais acometidos são a coluna cervical baixa e as últimas vértebras lombares. O médico explica que é difícil generalizar o local da dor e o problema que a pessoa tem. Por exemplo, uma dor no pescoço pode ser desde uma hérnia de disco ou um tumor até algo simples, como uma postura errada. “O indivíduo tem que prestar atenção em como é essa dor, e não onde ela está. Se ela irradia, se dura muitos dias, se surge à noite”, analisa Podgaeti. Os tratamentos também variam de acordo com o diagnóstico. “Tudo depende do paciente, da sua idade, do estágio da doença. Os casos cirúrgicos da hérnia de disco são quando há uma perturbação da função urinária e um distúrbio da função de evacuação, por exemplo. Mas é uma avaliação muito individual”, explica o médico.

Quando a causa é o hábito Há ainda os casos que estão relacionados com os hábitos de cada um, como má postura, obesidade e sedentarismo. Segundo a fisioterapeuta Ariana de Fátima, nas situa-

Dicas para evitar a dor

- Evitar posturas repetitivas e com sustentação de carga prolongada - Fazer atividades aeróbicas - Fazer exercícios específicos, com foco nos músculos abdominais - Não fumar. Fumar pode contribuir para a ocorrência da hérnia de disco e discopatias em geral. A fumaça diminui a circulação sanguínea nos platôs, sob o disco, prejudicando a chegada dos nutrientes no local - Evite ficar mais de 20 minutos na mesma posição - Mantenha as costas eretas e os pés apoiados quando estiver sentado - Cuidado com óculos bifocais, eles contribuem para que a pessoa use o pescoço na hora de ler. Para quem tem problemas na coluna, essa é uma prática ruim - No trabalho, procure ajustar a tela do computador na altura dos olhos e mantenha os braços num ângulo de 90º

ções de má postura, o RPG e Pilates são os mais indicados. “Eles realizam um trabalho de reequilíbrio e fortalecimento de cadeias musculares, melhorando a dor”, explica. Já para os pacientes sedentários, o tratamento seria a fisioterapia. “Primeiro, buscamos a melhora da força, tônus e elasticidade muscular. Em seguida, encaminhamos para o pilates, que dá continuidade ao trabalho”, avalia a fisioterapeuta. Nos casos de obesidade, a fisioterapia melhora o quadro de dor. Já a acupuntura pode aliviar tensões e a ansiedade, que levam muitas pessoas a comer exageradamente.

Quando a dor é muscular Dor na coluna pode ainda ser resultado de tensões musculares causadas, em grande parte, pelo estresse contínuo. É preciso ficar atento quando a dor nas costas surge após cargas intensas de trabalho, excessos de responsabilidade e crises pessoais. O estresse libera hormônios que aumentam a percepção de dor e a tensão muscular, que, por sua vez, prejudicará a circulação sanguínea dos tecidos, diminuindo aporte de oxigênio e nutrientes. A fisioterapeuta Luara Baeta utiliza a massagem terapêu-


SAÚDE

tica para aliviar a tensão em seus pacientes. “As massagens podem ser aplicadas por meio de inúmeras técnicas como o shiatsu, tuiná, reflexologia e ayurvédica. Durante o processo, são manipulados tecidos moles do corpo com movimentos que vão melhorar a circulação sanguínea, elevar o fluxo de nutrientes no tecido e ajudar a liberar analgésicos naturais, trazendo inúmeros benefícios físicos e psicológicos”, afirma Luara.

O colchão Outro vilão da coluna pode ser o colchão. Uma noite mal dormida pode gerar dor na coluna. Dormir de barriga para baixo contribui para a dor nas costas. Caso seu colchão esteja afundando, isso pode significar que ele não

Tratamentos (o tipo depende do diagnóstico)

- Cirurgia - Medicamentos - Fisioterapia - Dieta - RPG - Pilates - Acupuntura - Exercícios físicos em geral - Massagens terapêuticas

está adequado para você. Os médicos indicam os semiortopédicos. “Neles, há uma etiqueta que fala a densidade de acordo com altura e peso da pessoa. Isso ajuda o cliente a decidir sem ter que recorrer ao médico. Já para pessoas obesas, recomendamos o colchão ortopédico. Ele é mais duro e não vai afundar com facilidade”, orienta o médico Alexandre Podgaeti.

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Quando o sintoma passa a ser preocupante

- Dores que duram mais de três dias - Dores crônicas, que duram mais de 20 dias - Dores que não melhoram com o uso de analgésicos - Dores que aparecem do nada, sem estar relacionadas diretamente com algum acontecimento - Dor que vai e volta - Formigamento - Dores noturnas - Dores que irradiam para outras partes do corpo, como braços e pernas

E se não cuidar? Dores na coluna que não são tratadas podem trazer graves consequências para o indivíduo. Um simples problema de postura em decorrência do trabalho, do excesso de peso, pode resultar anos depois numa escoliose grave. Quem não se alimenta direito, por exemplo, pode futuramente sofrer de osteoporose por causa da falta de vitamina D, encontrada no leite e seus derivados. Muitos são os problemas futuros para pessoas que convivem com a dor na coluna e não procuram orientação médica. Um desconforto nas costas pode ser um sinal de discotomia, quando há um desgaste leve dos discos. Caso não seja tratado, pode ocorrer a degeneração dos discos invertebrais. Em resumo, relegar a importância da coluna e não cuidar dela é contribuir para o surgimento de dores agudas e problemas graves.

As “oses” mais comuns

- Lordose – quando há uma alteração na curvatura da coluna para “dentro”. Afeta principalmente a lombar, mas pode seguir o pescoço - Escoliose – desvio da coluna para a esquerda ou a direita. A coluna vista de frente ganha forma de S ou de C - Artrose – é uma doença da articulação. Há uma degeneração da cartilagem e alterações das estruturas ósseas vizinhas. Causa dor, espasmos, atrofias musculares e limitação de movimentos. Os locais mais acometidos são a coluna cervical baixa e as últimas vértebras lombares - Osteoporose – quando os ossos se tornam frágeis, suscetíveis a fraturas, principalmente nas vértebras da coluna. As principais causas são a idade avançada e a baixa ingestão de cálcio


NATURAL

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A PELE AGRADECE Maquiagens orgânicas entram no mercado dispostas a usar sua bandeira friendly para ganhar adeptos. Apesar da boa causa, ainda há algumas limitações no resultado estético

Por Raquel Jones

Q

uando a übermodel Gisele Bündchen revelou que makes orgânicos estão entre os seus segredinhos na manutenção da linda pele. Tais maquiagens passaram a ser o Santo Graal da beleza de muitas mulheres. A declaração de Gisele foi um start para quem valoriza o look natural e a bandeira do ecologicamente correto. Novas tecnologias voltadas para esses cosméticos têm tornado as maquiagens cada vez mais atrativas, mas é preciso atenção. A questão divide opiniões com relação à eficácia dos produtos. Essa onda verde tem ditado moda na arquitetura, no design e na culinária. Podemos dizer que as maquiagens orgânicas, também conhecidas como maquiagens eco-friendly, são gestos novos para assuntos tão discutidos. Elas têm na sua composição substratos de origem sustentável, não contêm aditivos químicos, como o conservante sintético parabeno, e não foram obtidas por meio de testes feitos com animais. Não há mulher que não queira saber o segredo de beleza de Gisele Bündchen. Em entrevista, a modelo disse que não usa muita maquiagem no dia a dia e que sua marca preferida leva o selo orgânico estampado na eti-

queta: “adoro os produtos da RMS make-up”, revelou. Em 2008, nos Estados Unidos, a maquiadora Rose-Marie Swift lançou a RMS, com a proposta de ser a primeira marca a usar ingredientes orgânicos no mundo. Hoje tem linha de corretivos, sombras, iluminadores, lip balms, com fórmulas livres de ingredientes tóxicos e metais. No mesmo ano, a marca norte-americana Ecotools lançou uma linha de pincéis com cabos de bambu, alumínio reciclado, cerdas sintéticas e embalagens biodegradáveis. Foi pioneira no mundo e hoje é mais vendida nos Estados Unidos. “Acredito que a linha de maquiagens e de produtos de beleza eco-friendly são uma tendência. Tecnologias voltadas para esse segmento são cada vez mais inovado-

ras e os produtos são de qualidade”, pondera o fundador da Ecotools no Brasil, Igor Costa, que trouxe a marca para o País há dois anos. A norte-americana Organic Wear, que garante ser a primeira certificada Ecocert, órgão de certificação para cosméticos naturais e orgânicos, lançou recentemente o primeiro rímel com 100% de fibras naturais, sem irritação. Marcas importadas, como Josie Maran Cosméticos, Al Verde, Nvey Eco, Cargo PlantLove, Alima Pure, estão dando o que falar com relação à diversidade de cores dos produtos e embalagens que respeitam a natureza.

No Brasil As maquiagens orgânicas ainda não podem ser comercializadas no País. De acordo com o Instituto Biodinâmico

no Brasil (IBD), a Lei 10.831, que trata do assunto, ainda não foi regulamentada. “O IBD somente pode rotular os produtos como natural. É proibido usar orgânicos como flash no rótulo. Apenas indicar origem orgânica na lista de ingredientes”, esclarece o diretor do instituto, Alexandre Harkaly. A questão divide opiniões entre os profissionais da beleza. De acordo com a maquiadora do salão brasiliense Helio Diff Instituto de Beleza, Vera Oliveira, as maquiagens orgânicas ainda não têm fixação na pele. “Elas não duram por muito tempo e as sombras são mais fáceis de borrar, porque não têm fixação. As bases são mais hidratantes do que corretoras, não escondem as imperfeições da pele. Indico para quem tem uma pele super bem tratada


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Maquiagem orgânica Composição

e para as mulheres que têm facilidade em retocar a maquiagem”, afirma. Outra questão importante a se ponderar é que não existem maquiagens 100% orgânicas. “Isso só é possível na manipulação”, garante Vera. Muitas brasileiras recorrem ao site Europa Verde (www. europaverde.webstorelw.com. br) para adquirir essas maquiagens. Uma dúvida frequente é quanto a maquiagens orgânicas e naturais, se a diferença está na quantidade de substratos orgânicos. De acordo com o IBD internacional, produtos orgânicos contém 95% de ingredientes dessa origem na sua formulação. Já os naturais contêm apenas 5% desses ingredientes. Já as maquiagens minerais usam componentes químicos artificiais.

- Na sua fórmula, há substratos de origem sustentável, não contém aditivos químicos, como o conservante sintético parabeno. E não foi obtida por meio de testes feitos com animais

Vantagens

- É ecologicamente correto - É hipoalergênico - Por não usar conservantes, ajuda a evitar o surgimento de acnes - Não resseca a pele - Por não ter componentes químicos artificiais, agride menos a pele de um modo geral - Os pincéis são de fácil higienização

Desvantagens

- Não tem muita fixação na pele. É preciso retocar a maquiagem várias vezes - Sombras têm mais facilidade de borrar - Ausência de gama de cores interessantes. As opções são tons nudes. Faltam cores quentes - O acabamento da pele não fica tão bom em comparação com as maquiagens convencionais - Por serem produtos importados, geralmente são caros

Produtos que valem a pena

- O batom tem sido bastante recomendado, porque não agride os lábios e já é um costume da mulher retocar o batom. Os da marca Al Verde têm cores fortes - Para quem tem a pele ressecada, bases orgânicas são boa pedida. Os da Organic Wear são bastante famosos Vale investir em cílios postiços, porque a cola não contém produtos químicos, como formaldeído, parabeno ou látex. Pode ser usado diariamente. A marca Ecotools lançou a novidade

Algumas marcas

- Josie Maran Cosméticos, Al Verde, Nvey Eco, Cargo PlantLove, Alima Pure, Ecotools, Organic Wear, RMS

Quem usa

- Gisele Bundchen declarou recentemente ser uma fã das makes orgânicas - A blogueira Julia Petit usa alguns produtos - A atriz Alicia Silverstone é adepta. Fez parceria com a Juice Beauty e lançou sua linha


BELEZA

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Batom Color Lip Last, Sephora - R$ 55

Batom Gloss FPS 8, Natura - R$ 15,80 Smoked Eyeshadow Palette, Urban Decay - R$ 235 Mineralize Moisture SPF 15 Foundation, MAC - R$ 103

Jumbo Liner 12 HR Waterproof, Sephora - R$ 50

PINTURA ÍNTIMA As corem vivem. E vencem a sobriedade. Em tempos de olhos marcados, bocas expressivas e peles opacas, vale viajar no visual que tenha o seu estilo

Mousse Foundation, Edward Bess Black Sea - preço sob consulta

Hypnôse Show by Alber Elbaz, Lancôme - R$ 129

Pó Iluminador Météorites Perles Illuminating Powder, Guerlain - R$ 230

Cosmetics line, Michael Kors - preço sob consulta

Pó Iluminador Silver Jewel, O Boticário - R$ 99

Butter London - preço sob consulta


Foto: Lorena Lopes


ACESSÓRIO

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Brinco Velour Clip, Swarovski - R$ 851 Lanvin - R$ 6.480

Bracelete Venetie Cuff, Swarovski R$ 1.229

APARECIDAS

Louis Vuitton - R$ 5.900

Elas estão cada vez mais imponentes. As bijus chegam nesta temporada bastante abusadas. Geométricas, orgânicas. O que vale é incrementar a roupa

Gucci - R$ 5.970 Fendi - R$ 3.270

Fendi - R$ 1.160

Louis Vuitton - R$ 5.250

Prada - R$ 4.150 Gucci - R$ 3.290


COR

Parmigiani Fleurier - R$ 168.300

LES BLEUS

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Hermès preço sob consulta

Miu Miu - R$ 3.550

Quem não ama o azul? Não só as passarelas, mas os tapis rouge das estrelas de cinema também estão in love com a cor. Anil, royal, celeste... Todas elas, juntas, harmonizadas

Arte Sacra para Ortiga

Valentino - preço sob consulta

Loopy - R$ 128

Adesivos by Marchesa, Revlon preço sob consulta

Hector Albertazzi R$ 503

Dior - preço sob consulta

Ermenegildo Zegna R$ 942


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Brinco em safira e brilhantes, Grifith preรงo sob consulta

Emilio Pucci R$ 1.030

Calรงa LZ Summer, Fato Vestimenta - R$ 598

Desfile Valentino 2013 Fillity - R$ 788

Christian Louboutin - R$ 4.800

Gucci - R$ 1.813

Ermenegildo Zegna preรงo sob consulta


TOM

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Michael Kors - R$ 610 Louis Vuitton - preço sob consulta

EM TERRA Sempre há um lugar reservado para os clássicos. Em especial quando eles se tornam eternos. Os tons que vêm da terra não sofrem com divisas de estação Gucci - R$ 3.390

Gucci - R$ 7.040

Louis Vuitton - R$ 11.400

Parnerai, Grifith R$ 112.850

Agiafatto - R$ 389

Anel em ouro 18K, diamante, safira laranja e escaravelho de opala, Silvia Furmanovich - R$ 39 mil

Goyard - R$ 21.530


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Tory Burch - R$ 1.425

Burberry - R$ 8.395

Gucci - R$ 2.800

Liziane Richter, Netas de Antonia - R$ 1.232

Burberry Topshop - R$ 499

Gucci - R$ 1.248

Arezzo - R$ 239

Gucci R$ 1.790

Hermès preço sob consulta

Diane Von Fustenberg - preço sob consulta


BRILHO

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Colar de pérolas da coleção Ziegfeld, Tiffany & Co. - R$ 4.720

Anel Panthère, brilhantes, ônix e esmeraldas, Cartier preço sob consulta

Pingente com diamantes e turmalina Paraíba, Carla Amorim - R$ 21.380 Aliança Dany, Antônio Bernardo - a partir de R$ 750 cada

VOCÊ MERECE

Anel Amago, Antonio Henrique R$ 7.200

Apesar de eternas, as joias surgem a cada temporada com suas pedras espetaculares e design arrojado que sempre carrega o DNA de seu criador

Brinco Mata, Carla Amorim - R$ 26.010

Brinco Gota em ouro branco 18k, água-marinha azul, rubi, ametista roxa e diamantes negros, Camila Guebur - R$ 18.990


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Brinco Vintage Alhambra, Van Cleef & Arpels preço sob consulta

Brinco de pérola da coleção Ziegfeld, Tiffany & Co. - R$ 1.925 Colar Magic Alhambra, Van Cleef & Arpels preço sob consulta

Brinco com ametista e brilhantes, Grifith - R$ 12.500

Brinco em ouro amarelo, jade negro, drusa negra e arraia negra estonada, Débora Ioschpe - R$ 9 mil

Anel em ouro amarelo com turquesa e diamantes chocolates e brancos, Ara Vartanian - R$ 27.800

Anel em ouro branco com rodio negro e esmeralda, Jack Vartanian - R$ 1.500

Pulseira em ouro 18k, diamante, tanzanita, turmalina Paraíba rosa, Silvia Furmanovich - R$ 250 mil

Anel em ouro rosa com diamante, Jack Vartanian - R$ 2.200

Brinco Klimt Spiral, Antonio Henrique - R$ 8.920

Anel em ouro branco com rodio negro e safira vermelha, Jack Vartanian - R$ 1.500


SOCIAL

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Os noivos Cecin Sarkis e Natália Trevizoli arrasam na pista

SUPER FELIZES FOTOS: CELSO JUNIOR

Cecin e Natália unem os laços em badalada cerimônia que movimentou a capital

Elisa Carvalho, José Eduardo Trevizoli, Natália, Cecin, Darc Ceomar e Cecin Sarkis

Adriana Samartini agita a galera


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Claudia e Marcia Bittar

Maria Alice Miranda e Juliana Marques

Padre Abdon

Fabio Ibiapina, Fernanda Weiler e Thiago Gonรงalves

Isadora Trevizoli, Natalia Trevizoli Sarkis e seu marido Cecin, Debora e Barbara Sarkis

Marino Colpo e Aldo Diniz


SOCIAL

NO PALÁCIO

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FOTOS: CELSO JUNIOR

Primeira-dama de Goiânia, Valéria Perillo, promove noite beneficente

Os anfitriões da noite: o governador de Goiás Marconi Perillo, Valéria Perillo e Guilherme Siqueira


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Mabel Muller e Fabrina Figueiredo

Isabella e Juliana Siqueira

Lorena Couto, Camila e Marcela Vilela

Diogo e Camilla D`Alcantara

Eduardo Campoli e Aline Pimenta

Ana e Isabella Perillo


SOCIAL

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Luciana Marsicano e Eliane Nasr

Hellen Martins

Amanda e Viviane Santos Vilela

Ciรงa Carvello e Rosangela Cardoso

Ana Flรกvia Navarrete e Telma Maia


Shopping Cidade Jardim â&#x20AC;˘ Shopping JK Iguatemi â&#x20AC;˘ silviafurmanovich.com.br


SOCIAL

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Os noivos Juliana Corrêa e Pedro Ivo Cordeiro

BEM CASADOS FOTOS: PABLO VALADARES

Em noite elegante e descontraída, os noivos reúnem amigos e familiares Daminhas e pajens encantaram os presentes

Os pais do noivo: Valeska e Oscar de Moraes Cordeiro Netto

Os pais da noiva: Domingos Juarez Corrêa Junior e Amália


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O presidente da OAB Paraná, Juliano Breda, e Letícia Breda

Camila Faro, Helena Gressler e Vanessa de Almeida Castro

Paulo Cesar Pereira, Caroline Barclay e Boni

Kakay e Valéria de Almeida Castro

Marcelo Turbay e Ticiano Figueiredo

Alexandre Kloh e Tatiana Costa


SOCIAL

Heráclito Fortes, Mariana, Heloísa e Flávio Marques

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Heloísa Fortes Marques e o filho Antônio

À ESPERA Heloísa e Flávio fazem festa para anunciar a chegada de João FOTOS: CELSO JUNIOR

Mariana Brennand Fortes registra a gravidez da irmã

Arthur e Carol Matias


SOCIAL

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O casal Raul Lycurgo Leite e Ana Paula

ENFIM, SÓS FOTOS: FERNANDA FERREIRA

Casal celebra união em cerimônia ao entardecer Os noivos entre seus pais, Heloiza e Pedro Guimarães e Ana Lúcia Leite e Lycurgo

Ana Clarissa, Roberta e Natália Pacini Cláudia Peralta e Ana Maria Torres

Patricia e Fabiano Farah

Geraldo e Barbara Piquet


Seu casamento, seu momento.

Foto: Tim Spíndola - Casamento de Marina e Fábio

O Brasília Palace é o cenário ideal para um casamento perfeito. As formas de Niemeyer, o jardim com vista para o lago e o por do sol deslumbrantes formam a magia que resiste ao tempo e o encanto que toca o coração. Seu casamento no Brasília Palace Hotel. Inesquecível como seu momento deve ser.

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MERCADO

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Investimento em tecnologia, design e segurança faz com que os novos modelos da Ford ganhem destaque, reposicionando a montadora no hall dos carros mais desejados, e acessíveis, do mundo

SEMPRE EM FRENTE

New Fiesta Sedan

Por Raquel Jones

D

e tempos em tempos o mercado automobilístico é pautado pelas feiras internacionais. O salão do automóvel de Detroit, nos Estados Unidos, é um dos mais importantes do mundo e abre a temporada de novidades, sinalizando os rumos que tal setor seguirá. No calendário anual, seguem as feiras de Frankfurt, Paris, Genebra e São Paulo, onde fabricantes de todo o mundo mostram seus protótipos, alinhando, especialmente, tecnologia e design. Nesses eventos, por exemplo, a cor branca foi lançada como tendência, os minis estilizados viraram novida-

de, assim como os híbridos, que reduzem emissão de gás carbônico e melhoram o consumo de combustível. Nesse contexto, a marca que mais tem se destacado é a Ford. Um dos motivos se dá pelo pioneirismo em tornar acessível ao mercado consumidor novas tecnologias. O esmero é tanto que em menos de dois anos, quatro novos veículos foram lançados, cultuando o mantra de unir preço, design e segurança. Há 94 anos, Henry Ford instalou a primeira montadora de automóveis no Brasil. Era o início de uma nova era de desenvolvimento econômico no

País. Henry foi o responsável por introduzir o automóvel no mercado de massa. Também foi pioneiro em baixar os custos numa época em que carros eram artigos de luxo, utilizados somente por ricos. O empenho do empresário em tornar carros mais baratos resultou em muitas inovações técnicas. O Modelo T, lançado em 1908, tinha o volante no lado esquerdo, o que foi logo copiado por todas as outras companhias. O motor e o câmbio tornaram-se totalmente fechados e o veículo foi considerado esteticamente mais bonito. Esse espírito de inovação

continua a orientar a Ford Motor Company. A indústria vive um dos momentos de maior renovação da sua linha desde a sua existência. Uma das estratégias é o lançamento de plataformas globais, ou seja, o veículo comercializado no Brasil é o mesmo vendido nos Estados Unidos ou qualquer outro país. Em 2012 e 2013, a Ford lançou o New Fiesta, o Novo EcoSport, a Nova Ranger e o Novo Fusion no Brasil, que são exemplos dessa fase de revitalização da empresa. “O Brasil é uma parte importante dessa estratégia global da marca, que prevê o lançamen-


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to de veículos com um intervalo máximo de seis meses entre os diversos mercados mundiais. A receptividade dos produtos já lançados, os prêmios e resultados positivos de vendas mostram que o espírito de inovação continua a motivar os passos da Ford”, diz Oswaldo Ramos, gerente geral de Marketing da Ford.

Entendendo o mercado A sustentabilidade é uma preocupação mundial. Tanto que o Novo Fusion é o primeiro do segmento com tecnologia biocombustível. O modelo tem ainda seu preço reduzido em relação à versão anterior, e custa R$ 124.990. “Nenhum outro veículo oferece um conjunto tão completo e avançado de equipamentos na mesma faixa de preço”, diz

Ranger

Oswaldo Ramos. Para o desenvolvimento do New Fiesta, houve uma preocupação com o design jovial. São seis cores supermodernas para todas as versões, com uma tecnologia global de pintura que garante alto brilho, resistência e profundidade: azul Califórnia, vermelho Arizona, vermelho Vermont, branco Ártico, preto Bristol e prata Dublin. A traseira é curta com aerofólio integrado na tampa do porta-malas e para-choque com elemento inferior em preto, que dão um toque de esportividade. A versão Titanium inclui bancos e volante revestidos em couro. A Ford é a única marca com três veículos classificados entre os melhores em segurança na lista do Latin NCAP, programa independente de avaliação de carros novos. O Ford EcoSport recebeu, no mais

recente teste do programa, quatro estrelas na proteção para adultos, o que comprova o avanço da engenharia e do design da marca e a eficiência das novas tecnologias de segurança aplicadas em seus veículos. O New Fiesta e o Focus são os outros dois carros da marca que estão na lista.

Os mais vendidos De acordo com a agência de informações Polk, o Focus foi o carro de passageiros mais vendido do mundo em 2012. Os dados também confirmaram o Ford Fiesta como o compacto mais vendido ano passado, com 723.130 unidades, e sexto colocado no ranking global. Focus e o Fiesta somaram 1.743.540 veículos. “Nossos produtos globais estão sendo bem aceitos pelos consumidores, com uma combinação de economia de

EcoSport

combustível, alta qualidade, equipamentos, o que proporciona o prazer em dirigir”, diz Jim Farley, vice-presidente executivo de Marketing, Vendas e Serviços da Ford e Lincoln. Outra pesquisa coloca a Ford no topo das montadoras. A empresa subiu para o primeiro lugar no ranking de marcas dos Estados Unidos. Dados foram divulgados pela YouGov BrandIndex, empresa global especializada em medição de imagem. Em 2012, a Ford ocupava o sexto lugar na lista, agora viu a sua participação de mercado nos Estados Unidos crescer de 15,2%, em 2012, para 15,9%, em 2013, em grande parte por conta das vendas desses novos carros que trazem grandes inovações aliando num mesmo modelo design, tecnologia e motorização.


CARRO

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LIFESTYLE

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MIAMI,

A NOVA MORADA Miami se revela para o brasiliense não só a cidade preferida para temporadas, como também um potencial local para investir em imóveis. Haja vista prédios que têm sido erguidos de acordo com o lifestyle dos brasileiros

Por Marcella Oliveira

A

Flórida sempre atraiu os brasileiros pelo consumo. Muitos vão em busca de boas compras e novos achados. Mas o estado norte-americano tem muito mais para oferecer e já há quem tenha descoberto isso. Além das comprinhas que não podem faltar, é claro, é o lifestyle de Miami que atrai brasileiros em busca de descanso, diversão e belas paisagens. O clima latino começa ao desembarcar no Aeroporto de Miami e dar de cara com trabalhos do artista brasileiro Romero Britto, que reside na cidade há décadas. Assim como ele, milhares de brasileiros vivem por lá, o que faz com que a língua portuguesa seja ouvida com frequência. Mas se é bom como moradia, imagina para veranear ou passar temporadas. Um carro de luxo conversível, para sen-

tir o clima praiano, pode ser alugado por valores a partir de USD 150 por dia. Os percursos entre as praias da região são feitos em asfalto perfeito. A estrutura da cidade é organizada e oferece muita segurança aos visitantes. As praias são paradisíacas. As baladas, repletas de gente bonita e música de qualidade. “Você tem lá tudo o que queria aqui no Brasil. Praia, conforto, noite boa e luxo. Miami é o melhor estado brasileiro”, compara o empresário Gustavo Mendonça, que, ao lado do irmão gêmeo Flávio, há dois anos, trocou São Paulo pela cidade norte-americana. De acordo com relatório do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, em 2012, o país recebeu 1,8 milhão de brasileiros, cerca de 300 mil a mais do que no ano anterior. A expectativa

para 2013 é atingir a marca de dois milhões. Destes, 690 mil estiveram em Miami, 9% a mais que em 2011. Hoje, os brasileiros são os estrangeiros que mais visitam a região, seguidos pelos ingleses. E o gasto por lá também é alto. A pesquisa do departamento mostrou que 95% dos brasileiros disseram ter feito compras em viagem aos EUA. No ano passado, gastamos cerca de USD 8 bilhões, valor 17% maior em relação a 2011, ficando atrás apenas dos chineses. Com tanto Real sendo investido por lá, o setor de serviços se preocupa cada vez mais em melhor atender e conquistar de vez o brasileiro. Lojas, restaurantes, bares e boates têm funcionários do Brasil, o que facilita a comunicação. “Eles valorizam a nossa mão de obra”, analisa Gustavo.

Operadoras de telefonia têm pacotes especiais para ligações para o Brasil. E a nossa língua também está por todo lado. Além do inglês e do espanhol, o português é visto em anúncios de lojas, cartões de desconto, menus de restaurantes e em pontos turísticos.

Estilo de vida E neste grupo de fãs de Miami estão os brasilienses, que não escondem a sintonia com a cidade. Muitos ficam na ponte aérea Brasília-Miami durante o ano. O voo direto da Capital, que sai diariamente, e preços de passagens às vezes mais baratas que para alguns destinos brasileiros, facilitam essa conexão. E muitos vivem a vida de Miami. Deixam o Lago Paranoá para se aventurar pelo mar da Flórida, azul como o


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do Caribe. Diferentemente do Brasil, a praia de Miami não tem barracas. Os serviços são dos prédios ou dos hotéis e é tudo muito organizado fisicamente. Não há bagunça, tampouco sujeira e vendedores ambulantes. A água é quente e transparente. O visual é encantador. E há muitas opções de diversão na água. Passeios de barco, jet ski, wakeboard e mergulho são algumas das atrações. “Os brasilienses nunca tiveram uma praia preferida no litoral do Brasil. E Miami conquistou esse espaço”, analisa Flávio. A noite também é um dos atrativos da cidade. Miami oferece as melhores baladas, com festas que reúnem grandes DJs internacionais. “Uma coisa legal é que tem restaurantes que viram boate depois de uma cerca hora. Começa com o jantar, toma um vinho e quando a música aumenta, é só curtir”, sugere o gêmeo Flávio.

Segunda casa Para curtir Miami além do turismo, a hospedagem também deixa de ser em hotéis. É cada vez maior o interesse de brasileiros por imóveis em Miami. De acordo com dados de maio da Associação de Corretores de Miami, os brasileiros estão em primeiro lugar na lista de estrangeiros que compram imóveis na região, seguidos dos venezuelanos, canadenses e argentinos. “Os brasileiros sentem-se em casa e são atraídos pelo estilo de vida local, cultura e mercado

Foto Felipe Menezes

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Marcelo Araújo entre Gustavo e Flávio Mendonça à frente deste novo conceito

imobiliário próspero”, declarou a presidente da associação, Natascha Tello. Hoje, cerca de 300 mil brasileiros moram em Miami e região. Mas a grande maioria dos compradores são aqueles que querem um segundo imóvel, para passar temporadas durante o ano. A procura dos brasileiros por imóveis em Miami e região começou a aumentar em 2010, principalmente nas regiões de Sunny Isles, Bal Harbour, Miami Beach, Brickell e Downtown Miami. Após a crise econômica do país em 2008, os preços dos imóveis caíram muito, processo inverso ao que aconteceu no Brasil. O mercado

se recuperou e o interesse dos brasileiros aumentou. Mesmo com a valorização, o metro quadrado ainda é mais em conta do que em muitas cidades brasileiras. Em Brasília, por exemplo, o metro quadrado de um apartamento no Plano Piloto custa, em média, R$ 11 mil. Em Miami, é possível encontrar imóveis em condomínios de luxo com metro quadrado em torno de R$ 8 mil ou R$ 9 mil.

Sob medida O interesse tem sido tão grande que as construtoras já começam a pensar os projetos voltados para os brasileiros. Uma das maiores dos EUA e com 20 anos

de mercado, a empreendedora J.Milton, por exemplo, incluiu em seu novo empreendimento, o Parque Towers, lavabo e duchas higiênicas, que não são comuns em imóveis norte-americanos, após pesquisa de mercado com o público brasileiro. Aliás, o Parque Towers é uma das grandes apostas da construtora para o Brasil. Localizado entre Bal Harbour e Aventura, o pré-lançamento já vendeu 80 dos 329 apartamentos, metade deles para brasileiros. Os imóveis custam a partir de UDS 710 mil, com metragens a partir de 167 m2, o que dá, em média, R$ 9 mil, o metro quadrado. “Nossa expectativa é que 20% das vendas sejam para brasileiros”, espera Marcelo Araújo. Antes dele, o condomínio St. Tropez, na mesma região, teve 70% dos seus 229 apartamentos vendidos para brasileiros, dentre eles o jogador de futebol Kaká e o apresentador Rodrigo Faro. Os apartamentos terão vista privilegiada para a praia de Sunny Isles. O Parque Towers tem padrão seis estrelas, com serviços de hotelaria, refeições, atendimento na praia, a área de lazer com três piscinas, uma adega privada para os moradores, um espaço de recreação para as crianças, serviço de lavagem de carro e manobrista. Sem falar no acabamento dos apartamentos, com o que há de mais elegante e moderno no mercado, com eletrodomésticos sub-zero.


LIFESTYLE

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Em Brasília De olho nos brasileiros, a construtora J.Milton abriu em maio um escritório em Brasília, na Asa Sul. Um levantamento mostrou que 60% dos clientes brasileiros da construtora eram do Centro-Oeste. Os gêmeos Gustavo e Flávio, que moram em Miami, se associaram ao empresário brasiliense Marcelo Araújo. “O interesse do brasiliense por Miami é muito grande. É o movimento dos sem praia, a nossa fuga. O brasiliense está deixando de ser turista em Miami para viver a vida que a cidade está proporcionando”, afirma Araújo. O empreendimento, que fica pronto em 2016, tem ainda um diferencial: 25 apartamentos serão de aluguel, em que somente proprietários de um imóvel no prédio podem reservar para receber seus hóspedes. “Essa é uma das melhores ideias que já vi. Você recebe um amigo ou parente, mas não perde a sua privacidade”, destaca Araújo. O empresário ressalta as facilidades de pagamento, com financiamento direto com a construtora e em até 30 anos, e taxas de juros mais atrativas que as brasileiras. “Está valendo muito a pena investir nos Estados Unidos. Os preços dos imóveis são melhores que os de Brasília, por exemplo, e ainda há a valorização do mercado, que está em ascensão”, conclui Marcelo Araújo. Serviço Construtora J. Milton & Associates 303 Sul, bloco B, loja 1 (61) 3224-2370 www.jmiltonbrasil.com.br

- Miami é a segunda cidade do exterior mais procurada pelos brasileiros - Em 2012, a cidade recebeu 690 mil turistas brasileiros, atualmente os estrangeiros que mais visitam a região - Os brasileiros estão em primeiro lugar na lista dos que compram imóveis na região, seguidos de venezuelanos, canadenses e argentinos - A maioria dos brasileiros que compram imóveis em Miami adquirem o segundo imóvel, uma casa para passar temporadas durante o ano - Aproximadamente 300 mil brasileiros moram em Miami e região - Há voos diretos, todos os dias. São quase oito horas de viagem - Compras ainda é o grande atrativo. A taxa de imposto é de 7%, uma das menores dos EUA - 95% dos brasileiros que visitam os EUA fazem compras

As projeções do condomínio Parque Towers, adaptado para os brasileiros


VIAGEM

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SAFÁRI NO ÁRTICO

Aventurar-se no Polo Norte tem sido solicitação cada vez maior de turistas que querem explorar belezas naturais e distantes do planeta. Estar próximo de ursos polares, dormir em barracas de neve e vislumbrar a aurora boreal são experiências inesquecíveis


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Por Raquel Jones

O

silêncio da Terra e longe da civilização. Uma viagem até geleiras que se abrem para um céu amplo com mar azul. Estar sob o olhar do temido Nanuq, o urso polar na língua dos esquimós. Desvendar o Polo Norte já não é uma expedição exclusiva de pesquisadores científicos. É opção para quem gosta do turismo de aventura. Explorar essas imensas calotas de gelo – que escondem vasta fauna e habitantes de cultura milenar – parecia inacessível para muitos curiosos ao redor do mundo, principalmente pelo difícil acesso. Hoje já é possível viajar com conforto e luxo. Empresas de países no Hemisfério Norte, como as do Canadá, já realizam safáris no Ártico há alguns anos. Na Finlândia, a aventura na neve acontece na Lapônia. O roteiro geralmente dura uma semana e inclui passeios a pé, de caiaques e com snowmobile, uma moto adaptada para a neve, que tem tração traseira por esteira com cravas e pás na parte dianteira. Os turistas ficam hospedados nas tradicionais tendas yurts, usadas pelos nômades da região. Elas são formadas por uma estrutura interna de madeira, coberta por feltro ou lã, que fornece boa proteção contra o frio. Só a hospedagem já é uma experiência cultural. Elas são redondas, relativamente espaçosas. É uma barraca que fornece mui-

to conforto, se levar em conta as condições da região. Os safáris no Ártico ocorrem nas épocas mais quentes do ano nesse local do globo. No inverno, em janeiro, a maioria dos animais da neve hiberna e não é possível observá-los. Em meados de maio, as temperaturas oscilam entre -8°C e 1°C, com bastante umidade. Mas é em agosto que os termômetros sobem, ficando entre 5°C e 20°C, a época mais agradável aos turistas de países de clima tropical. Engana-se quem pensa que vai congelar nas calotas de gelo do Polo Norte. O frio é um atrativo para a expedição. O dress code da viagem inclui indumentária de escoteiros, com itens propícios para uma grande aventura, como lanternas e binóculos, roupas impermeáveis e adequadas para a neve, além de equipamentos de fotografia e filmagem para garantir o registro da expedição. O empresário brasileiro Tomas Perez desbravou recentemente a região, junto com um grupo de estrangeiros, para trazer o programa de viagem ao Brasil. “Foi uma experiência incrível, de interação total com a natureza e os animais. E tornou-se ainda mais intensa por termos ficado desconectados por quatro dias inteiros, sem celular ou internet. Pude desbravar plenamente o ambiente, percorrendo geleiras, icebergs e até uma inusitada praia ártica”, conta Perez.

A aurora boreal A viagem inclui observar animais em seu habitat natural. Focas árticas, belugas, morsas, bois-almiscarados e, principalmente, ursos polares – os mamíferos mais temidos do Hemisfério Norte – são observados de perto, assim como os big five dos famosos safáris africanos, ou seja, os cinco principais animais da região: leão, rinoceronte, leopardo, elefante e búfalo. “Um dos animais mais interessantes que vi foi o narwhal, um

tipo de baleia pequena, com um chifre enorme, que vive apenas nessa região de águas gélidas. Também foi uma emoção enorme ver de perto, pela primeira vez, o urso polar. Há uma adrenalina em estar perto de um animal tão grande e temido”, revela o empresário. Por ser uma região exótica e misteriosa, o Polo Norte é um dos lugares mais cobiçados do mundo. É também uma região rica em gás natural e petróleo. E proporciona cenas


VIAGEM

“Foi uma experiência incrível, de interação total com a natureza e os animais. E tornou-se ainda mais intensa por termos ficado desconectados por quatro dias inteiros, sem celular ou internet. Pude desbravar plenamente o ambiente, percorrendo geleiras, icebergs e até uma inusitada praia ártica.” – Tomas Perez

inesquecíveis como a aurora boreal, fenômeno visual que ocorre nas regiões polares do nosso planeta. O céu vira um cenário repleto de luzes coloridas e brilhantes. O efeito ocorre em função do contato dos ventos solares com o polo magnético da terra. A aurora boreal pode aparecer em vários formatos: pontos luminosos, faixas no sentido horizontal ou circular. Geralmente, as cores do céu variam muito e chegam a vermelho, laranja, azul, verde e amarelo. Os safáris no Ártico são realizados em pequenos grupos e podem ser feitos em família, com crianças a partir de cinco

anos. Esquimós e guias com experiência em expedições acompanham os turistas e dão tranquilidade a eles para observarem os animais com segurança. As viagens geralmente partem de avião de Ottawa, no Canadá, até a selvagem ilha de Qikiqtarjuaq, situada ao Leste da ilha de Baffin, no extremo norte do Canadá. Do Brasil, há voos de São Paulo para Toronto (duração de cerca de 10h35) e de lá até Ottawa (mais uma hora de voo). O pacote que chega ao Brasil por meio da agência paulista Teresa Perez Tours e custa, em média, R$ 40 mil por pessoa para uma viagem de oito dias. Inclui serviços diferenciados, como banheiros com chuveiro quente nas tendas e um experiente chef de cozinha no acampamento, que serve pratos exclusivos

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como sashimis feitos, com peixe pescado na hora e servido no próprio gelo, e churrasco de cordeiro. Durante o dia, a comida é transportada e servida no local. Não faltam lanches, sopas, bebidas quentes e alimentos ideais para o clima frio. Mas esses serviços são apenas um detalhe em meio à experiência cultural e exótica. “Nada se iguala à paz e à tranquilidade que o isolamento das geleiras e icebergs proporcionam. A proximidade com o oceano, a iluminação do sol – que nessa época do ano não se põe – na neve, além dos animais que ali vivem, têm uma beleza especial”, finaliza Perez. Serviço Teresa Perez Tours www.teresaperez.com.br (11) 3799-4000 / (11) 3390-9000 info@teresaperez.com.br

Turistas ficam hospedados nas tradicionais tendas yurts usadas pelos nômades

Tomas Perez desbravou a região para trazer o programa de viagem ao Brasil


VINHEDOS

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OS VINHEDOS

DE VIENA Por Raquel Jones

As plantações de vinho da Áustria estão entre as mais clássicas da Europa. Por terem produção artesanal e em pouca escala, elas não chegam até a América Latina com frequência. Mesmo assim, vale uma visita às tabernas, preferencialmente durante os festivais regionais

R

epleta de palácios onde Mozart tocava para a aristocracia europeia, Viena é a porta de entrada para o velho mundo. É conhecida por sua arquitetura. Clássica, rica, tradicional, a capital da Áustria se destaca também por seus vinhedos em grande produção. Da mesma forma que preserva o seu patrimônio arquitetônico e cultural, Viena é uma cidade que resguarda há mais de 2 mil anos a cultura do vinho. “Há 500 anos a.C., os celtas e os ilírios já

produziam na região. Tempos depois, os romanos introduziram o cultivo crescente da bebida na cidade, utilizando as técnicas de plantio usadas na Itália”, explica o jornalista e escritor da Wine & Cuisine, Klaus Egle. Desde então, a metrópole do Danúbio floresce como uma região crescente nesse segmento. Com uma superfície de cerca de 700 hectares e produção anual média de 2,4 milhões de litros de vinho, cerca de 80% da área cultiva-


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da é coberta com vinhas para o vinho branco. O vinho vienense é influenciado pelo clima da região, que contribui para a sua maturidade. Os ventos suaves do Norte deixam notas frescas e frutadas. Tradicionalmente, a bebida é servida no heuriger, que são tabernas de vinicultores que funcionam desde o império de Josef II, no ano de 1784. “Tipos como Riesling, Weissburgunder, Grüner Veltliner, Sauvignon Blanc e Gelber Muskateller são vinhos elegantes, têm um paladar distinto, levemente frutados. Mas um número crescente de vinicultores vienenses está produzindo vinhos tintos, em particular Zweigelt e St. Laurent. Esses são tão bons quanto os tipos internacionais da moda, como Merlot, Pinot Noir e Syrah”, exemplifica Egle.

Nova era

Taberna Christ com mais de 400 anos de tradição

Taberna Kierlinger é uma das casas mais antigas Nos meses de junho e julho se realizam importantes festivais nas ruas da cidade

Nos últimos anos, a cidade passou por uma rápida modernização. Segundo Egle, um sinal visível disso são as construções de adegas arquitetonicamente sofisticadas e heuriger erguidas em um novo estilo contemporâneo. “Algumas tabernas substituíram a madeira escura e os elementos barrocos por linhas simples e claras. Efeitos de iluminação sofisticados criam um ambiente acolhedor”, comenta Egle. Cada vinho vienense tem sido o foco central de inúmeros eventos e tornou-se um desafio em muitos bares, lojas de vinho e pousadas da cidade. Em quase todos os meses do ano, há eventos de escala internacional, como o Viennese Wine Prize, que acontece em junho, e o Weinkultur Festival, em julho. Apesar de estarmos falando de um país tradicional, com vinhos de excelente qualidade, rótulos vienenses são pouco conhecidos na América Latina. São raras as importadoras que trazem a bebida para o Brasil. Em Brasília, a única empresa que vende vinhos da Áustria é a Mistral. Segundo o sommelier e proprietário da loja Art Du Vin, Marcos Augusto Rachelle, vinhos austríacos são bem cotados, mas a grande parte não chega até nós. “Por ser um país pequeno, a produção é em menor escala e naturalmente a bebida é mais consumida pelas regiões mais próximas”, justifica.


VINHEDOS

Ainda segundo Rachelle, no Brasil são poucos os conhecedores de vinho branco e as pessoas acabam optando por rótulos como os franceses da Borgonha, de Alsácia ou do Vale do Loire. “Nosso País abriu a cultura para o vinho há 25 anos. Somos um embrião comparados à Europa, que tem tradição milenar. As pessoas acabam optando pela certeza do que pela experiência. Na Europa, o vinho austríaco já é consolidado”, afirma. No livro 1001 Vinhos Para se Beber Antes de Morrer, há pelo menos 12 rótulos de vinhos austríacos brancos.

A revista Wine Espectator, uma das mais conhecidas no mundo, já premiou vários vinhos austríacos com pontuação acima de 90, assim como Robert Parker da revista Wine Advocated. “Experimentar um vinho austríaco é comprovar o néctar especial que a região oferece, é saborear, no estilo velho mundo, que tem na sua composição mais minerais. Costumo dizer que o vinho não é uma bebida, é um contexto que envolve história e tradição. Por meio do vinho se consegue entender a cultura de um povo”, conclui Rachelle.

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Conheça as tabernas heuriger

Christ Heuriger com mais de 400 anos de tradição. Os vinhos estão entre os melhores da cidade. Amtsstraße 10-14, 1210 Viena www.weingut-christ.at Edlmoser O selvagem vinicultor de Mauer ganhou vários concursos de amostragem influenciados pelo estilo novo mundo. Maurer-Lange-Gasse 123, 1230 Viena www.edlmoser.at Göbel Ambiente moderno com vinhos tintos de alto calibre. Stammersdorfer Kellergasse 131, 1210 Viena www.weinbaugoebel.at Hengl-Haselbrunner Vinhos brancos e tintos, que são excelentes parceiros na gastronomia. Iglaseegasse 10, 1190 Viena www.hengl-haselbrunner.at Kierlinger Heuriger tradicional, num ambiente histórico – o queijo Liptauer é o melhor de Viena. Kahlenberger Strasse 20, 1190 Viena www.kierlinger.at Winzerhof Leopold Ambiente acolhedor. Os vinhos tintos, em particular, são altamente recomendados. Stammersdorfer Strasse 18, 1210 Viena www.winzerhof-leopold.at Wiltschko Heuriger da nova geração. Cozinha leve e vinhos finos. Wittgensteinstrasse 143, 1230 Viena www.weinbau-wiltschko.at

O vinho vienense é influenciado pelo clima da região às margens do Danúbio

Zahel Heuriger com bom restaurante e excelente vinho tinto de Mauer e vinhos brancos das melhores localizações da Nussberg. Maurer Hauptstrasse 9, 1230 Viena www.zahel.at


DESTINO

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LÁ EM BELÉM DO PARÁ A charmosa cidade de influências europeias e indígenas oferece muito mais que a festa católica Círio de Nazaré. Gastronomia típica e saborosa, passeios históricos e ainda a proximidade com a natureza despertam a curiosidade de turistas que têm interesse em desbravar as raízes brasileiras

Mercado Ver-o-Peso


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Por Marina Macêdo

E

la é popularmente conhecida como Cidade das Mangueiras, por causa da quantidade de árvores frutíferas que embelezam suas ruas. Ou por Cidade Morena, em consequência da miscigenação do povo português com os índios Tupinambás. Situada na região Norte, Belém, a capital do Pará, é um dos destinos mais fascinantes do País. A capital paraense foi fundada em 12 de janeiro de 1616, quando portugueses aportaram na Baía de Guajará. O pequeno lugarejo habitado inicialmente pelos índios xucurus na foz do rio Amazonas, chamou-se Santa Maria do Grão Pará; Santa Maria de Belém do Grão Pará até a atual Belém, que foi a primeira capital da Amazônia. Durante o ciclo da borracha, ao longo do século XIX e início do XX, o município foi considerado o mais desenvolvido do Brasil. Chegou a abrigar diversas famílias europeias, que influenciaram a arquitetura da região. Isso se deu não só por sua posição estratégica às margens do litoral, mas também porque sediava um maior número de residências de seringalistas, casas bancárias e outras importantes instituições. Atualmente, com quase 400 anos, Belém soma 1,4 milhão de habitantes. De acordo com estudo genético de 2011, a população de Belém é 69,70% europeia, 10,90% africana e 19,40% ameríndia.

Estação das Docas

O agente de viagens Yanko Lima, proprietário da Mix Travel, ressalta: “Diferentemente de outros destinos, que têm alta temporada em janeiro ou julho, Belém tem sua alta temporada em outubro, por causa do Círio de Nazaré”. Realizada há mais de dois séculos, a procissão começa na Catedral da Sé e segue até a Praça Santuário de Nazaré, onde a imagem da Virgem fica exposta durante 15 dias. Além de percorrer o trajeto de 3,6 quilômetros, os fieis colorem ainda ruas e casas para celebrar a padroeira do Estado. Tamanho é o evento que foi registrado, em 2004, como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial pelo Iphan. O evento movimenta ainda a economia local. Em 2010, foram cerca de R$ 715 milhões. Afinal, o Círio de Nazaré reúne, em média, dois milhões de pessoas. Este ano, a abertura oficial do evento está marcada para o dia 8 de outubro. Belém é ainda a terra de grandes nomes do cenário musical nacional. Todos eles, fervorosos divulgadores

de sua terra natal. É o caso de Fafá de Belém, a Banda Calypso e a rainha do Tecnobrega, Gaby Amarantos. Quando o assunto é dança, só tem espaço para o Carimbó.

Culinária Belém oferece ainda uma culinária envolvente. Os restaurantes concentram-se no Centro e nos bairros próximos, como Umarizal, Nazaré e Cidade Velha. Alguns pontos turísticos, como a Estação das Docas, o Mangal das Garças e a Casa das Onze Janelas também abrigam excelentes estabelecimentos. O Mercado Ver-o-Peso é parada obrigatória às margens da Baía do Guarajá, onde é possível degustar desde frutas exóticas até delicias da região, como tucupi, tacacá e açaí com peixe. Aos que preferem o requinte de restaurantes a dica é degustar a saborosa cozinha amazônica no Remanso do Peixe, do chef Thiago Castanho, ou o Lá Em Casa, da chef Daniela Martins. O Manjar das Garças é uma cabana romântica. Instalado

no meio do belo parque, é suspenso por troncos de ipê com vista para a Baía do Guajará. Há ainda o Boteco das Onze, restaurante instalado na histórica Casa das Onze. É lá o happy hour mais concorrido de Belém. Para quem gosta de tapioca, o Tapioquinha de Mosteiro oferece 70 opções da iguaria. Os famosos sorvetes de frutas regionais estão na sorveteria Cairu. Dois sabores merecem destaque: o Pavê de Cupuaçu e o Paraense, uma mistura de açaí com tapioca. É bom dar uma passadinha na barraca de tacacá Dona Maria do Carmo, a mais famosa da cidade. É ela quem comanda o preparo das cuias há mais de 40 anos.

Cultura O bairro da Cidade Velha reúne boa parte do significativo e restaurado conjunto arquitetônico de Belém. Entre eles, obras de arte modernistas, artesanato marajoara e até mesmo peças referentes ao Círio de Nazaré. As igrejas, aliás, também fazem parte do rico patrimônio belenense. Na


DESTINO

Acima, Catedral da Sé. Abaixo, Theatro da Paz

parte cultural, ganha destaque o belíssimo Theatro da Paz, palco de grandes concertos e festivais de música. Além do Museu de Arte Sacra e do Museu do Círio. Theatro da Paz Inaugurado em 1878 pelos barões da borracha que lá assistiram a espetáculos de companhias europeias. Os espaços eram ornamentados com ferro inglês banhado a ouro, lustres de cristal francês e mármores italianos. Basílica de Nazaré A igreja foi inaugurada em 1909 e guarda a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Pará. Ponto final do Círio de Nazaré, a procissão que reúne milhões de fiéis no mês de outubro, o templo passou por muitas reformas. Catedral da Sé Ponto de partida da procissão do Círio de Nazaré, a igreja de 1748 reúne os estilos barroco (fachada) e neoclássico (interior). Chamam a

atenção os 11 altares e a nave central, iluminada por candelabros de cobre. Casa das Onze Janelas A bonita construção do século 18 foi erguida para abrigar o hospital militar. Hoje, funciona como museu, com obras de artistas modernistas e contemporâneos, como Lasar Segall, Cícero Dias e Tarsila do Amaral. Forte do Presépio A fortaleza de 1616 foi transformada em museu. Merecem destaque as mostras das cerâmicas marajoara e tapajônica, além dos canhões originais espalhados pelo pátio interno.

Compras O belo e primitivo artesanato em cerâmicas marajoara e tapajônica é encontrado em abundância em Belém. Em forma de jarros, vasos e utilitários, a obra de arte ocupa as prateleiras das lojinhas da avenida Presidente Vargas. Por lá, há ainda bombons de frutas típicas e peças indígenas, como

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Praça Frei Caetano

colares, arco, flecha e cestos. Outra boa compra pode estar no Polo Joalheiro. O prédio, que até 2001 era um presídio, abriga hoje um polo cultural que engloba o Museu das Gemas e a Casa do Artesão, com lojas para a venda de pedras.

Passeios

Estação das Docas O complexo de lazer - uma versão amazônica do Puerto Madero de Buenos Aires - fica na beira da Baía do Guajará, repleta de restaurantes, bares, lojas e teatro. O processo de restauração do antigo armazém manteve intocado a bela estrutura. Na área externa, um calçadão com 500 metros de extensão ao longo da baía, que oferece apresentações de carimbó. Rio Guamá É um dos passeios mais tradicionais da capital. O tour é longo e inclui paradas para conhecer comunidades ribeirinhas e observação de

seringueiras, andirobeiras e palmeiras. As embarcações partem diariamente da Estação das Docas. Jardim Botânico Inaugurado em 1883, o espaço permite um íntimo contato com natureza, oferecendo trilhas emolduradas por mais de duas mil espécies de plantas da Amazônia. Orquidário e lagos com peixes da região completam o bucólico cenário. Parque Emilio Goeldi O parque é uma miniatura da floresta e imperdível para quem viaja com crianças. Enquanto cutias e lagartos circulam pelo bosque, os bichos-preguiça dominam as árvores. Já o jacaré-açu, a onça-pintada e o peixe-boi são apreciados à distância. O espaço reúne dois mil animais e três mil plantas de 500 espécies. Serviço Mix Travel SHN QD2, Bloco E, loja 51 Telefone: (61)3328-7060 www.mixtravel.com.br


ROTEIRO

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UMA QUADRA

GOURMET

Decoração do Bendito Suco

Por Sarah Campo Dall’Orto Fotos Felipe Menezes

Candidata a tornarse a nova rua da gastronomia no Plano Piloto, as comerciais 412/413 da Asa Norte estão repletas de casas cheias de bossa, identidade e sabor. Boa parte delas, comandadas por jovens empreendedores e inventivos

A

efervescência urbana de uma área que começa a ser ocupada ou revitalizada é uma realidade em cidades de perfis diversos como São Paulo, Paris e Nova York. E Brasília também. Por que não? Apesar de ser planejada, nossa Capital tem hábitos próprios. Após anos focados na 209/210 Sul, é na Asa Norte, precisamente nas quadras 412/413, que a comunidade gourmet tem se instalado atualmente. Hamburguerias, cafés, pizzarias, padarias-boutique, restaurantes especializados em carnes argentinas ou comida natural têm aberto as portas na área que já é vista como futuro polo gastronômico de maior potencial do Plano Piloto.

Não é exagero dizer que todo mês um novo empreendimento surge por lá. A GPS|Brasília foi investigar toda essa movimentação em torno da quadra e fez algumas descobertas de dar água na boca. Para começar fora da cozinha, uma das condições que mais têm agradado os frequentadores é a leitura diferente que a rua apresenta sem a tradicional sequência de blocos. Há dois terrenos na quadra que estão sob disputa judicial e um terceiro que também continua sem construção. Apuramos com os lojistas e é consenso entre o grupo que esses espaços vazios são vistos como “áreas sagradas”, que contribuem para uma menor

poluição visual. A parte boa: o cardápio de opções disponível na área vizinha ao Parque Olhos D’Água é dos mais variados e não para de crescer. Hoje, são 15 estabelecimentos. E mais três casas devem inaugurar nesse segundo semestre.

La Boutique É uma das últimas novidades da quadra. O novo empreendimento de Marco Túlio Pena Costa (dono do bar Chopin, na Asa Sul) com os sócios Marcelo Isaias Rocha e o francês Benoit Rataboul pode atender cerca de 30 pessoas na varanda. Dentre as opções vendidas pela padaria fina estão: Le Pain de


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La Boutique

Campagne (pão rústico com 10% de farinha de centeio); o delicioso Pain au chocolat; o tradicional Croissant; Le Saucipain (pão feito com vinho tinto, calabresa e pistaches); La Tropezienne (um brioche com creme mousseline impossível de resistir) e La Tresse Cachaça (criação de Benoit). É inclusive o próprio que explica a preferência pelo pão bem crocante que serve. “Aprendemos na França, onde comemos com os ouvidos. Ao ouvir o barulho da mastigação, nosso cérebro entende melhor as diferenças de texturas. Isso desperta nosso apetite e estimula a degustação”.

Dona Lenha Babbo Giovanni

Foto Gustavo Fronner

Acima, El Negro; abaixo, picadinho do Santé13

As franqueadas Carol Gomide e Liana Macedo começaram o “namoro” com a quadra em 2009. Assim que souberam do ponto, correram para contar a novidade ao criador da marca, o chef Paulo Mello. Os três caíram de amores pelas particularidades do endereço colado ao Parque Olhos D’água. Dentre os privilégios que a quadra oferece, Paulo aponta a falta de “fila tripla de carros” como uma das principais. Já Liana e Carol adoram a energia diversificada das propostas gastronômicas que se estabeleceram ali. O carinho pela 413 Norte é tanto, que a dupla se prepara para inaugurar um novo café batizado de Clandestino, no mesmo bloco da Dona Lenha. “Nosso foco será o café gourmet e a previsão de abertura

é para outubro. Teremos blends próprios e vamos oferecer degustações e harmonizações especiais”, adianta Liana.

Chá das Três Virada para a quadra residencial, a casa de chás é mais uma opção para quem busca um lanchinho. Cupcakes, cheese cakes, biscoitos e minitortas podem ser degustados. A ideia é que o cliente se delicie com algum dos 20 sabores de cupcake (incluindo Caipirinha, Cosmopolitan e o clássico Red Velvet); ou os cinco estilos de cheese cake. Os apaixonados por açúcar podem ainda experimentar os levíssimos biscoitinhos de lavanda.

Cookers Café Os sócios Fernando Abdalla e Thaísa Pacheco abriram o café bistrô, a segunda etapa de um projeto que envolve workshops de bar e cozinha. Fernando é um apaixonado por cafés, enquanto a jovem Thaísa foca suas experiências na confeitaria. Com espaço para atender 40 pessoas, o Cookers carrega em seu cardápio seis pratos principais, seis entradinhas, deliciosas geleias, azeites aromatizados e é uma ótima opção para um brunch de domingo. A estética retrô do espaço vai de encontro à comida oferecida, que segue a linha modernista. O resultado é um casamento de texturas e cores bem criativo. Os empresários ainda pretendem lançar uma confraria de chás.


ROTEIRO

Santé13

Cheesecake do La Boutique

Dona Lenha

Café do Cookers Café Bistrô

Inicialmente, o casal Oswaldo Scafuto e Fernanda Rocha pretendia abrir o restaurante no Pontão do Lago Sul, mas mudou de ideia. Frequentador do Bendito Suco, o jovem empresário apostou na quadra por adorar o clima descontraído e diferenciado do local. “Existe um aconchego bucólico aqui, não há aquela muvuca de prédios como nas outras quadras e o movimento gourmet foi impulsionado em boa parte pelo estouro do El Negro”, acredita. “A quadra tem potencial para se tornar referência como zona gastronômica da cidade”, aposta Oswaldo. O pratodesejo da casa é o saboroso Carré de cordeiro. Uma carta de drinks assinada pelo expert Genaro Macedo faz a alegria dos clientes que buscam a casa para fazer animados esquentas e happy hours, especialmente nas sextasfeiras e sábados.

El Negro Fábio Gregol, João Clerot e Floriano Dutra, os sócios por trás da casa especializada em parrillas argentinas, não poderiam estar mais satisfeitos com a repercussão que a abertura do restaurante teve na Capital. Inaugurado em fevereiro de 2012, o El Negro já é um endereço requisitado por famílias e grupos de amigos, especialmente aos finais de semana, quando a fila de espera é de, no mínimo, uma hora. O cardápio da casa, que

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oferece 15 opções de cortes de carne, embutidos com receita própria e carta de vinhos com 200 rótulos, conta com preços saudáveis. O ambiente também merece ser comentado, já que o projeto arquitetônico assinado por Isabel Veiga é dos mais confortáveis.

Bendito Suco Primeiro ponto gourmet a eleger a quadra como QG, o Bendito já acumula sete anos na esquina do último bloco comercial. Pedro, Manuela e Regina Parreira comandam o bistrô adorado por grupos fitness, naturebas e fãs dos sucos da casa. Recentemente, o Bendito cresceu e ocupou a loja da esquerda. Lá, Pedro tem servido caipiroscas orgânicas de autoria própria. O DJ Barata é habitué da área, já teve um escritório no mesmo bloco E e hoje frequenta o local como cliente. É fã dos sanduíches e sucos vendidos no Bendito Suco e sempre que pode dá um pulo no “vizinho” Café com Vinil. “O finado Cabíria Cine Café também ocupou um espaço importante na história recente da quadra”, lembra o boêmio.

Houston Original Hamburgers O ponto do casal Luis Ricardo Bonfim e Maria José oferece cinco opções de hambúrguer. O pedido que tem maior saída é a fraldinha pura (Classic). Já o público masculino fica satisfeito com o Angus, de 200 gramas.

Todas as carnes são salgadas na própria lanchonete. Shakes, hot dogs e batatas fritas completam o cardápio.

Babbo Giovanni A pizzaria abriu as portas em abril desse ano com capacidade para atender cem pessoas. O clã de imigrantes italianos, os Tussatos, iniciou sua história em solo brasileiro, trabalhando com café, em Ribeirão Preto, São Paulo. Em 1917, Giovanni Tussato se consagrou como o primeiro pizzaiolo oficial do País. É assim que a franquia vende seu legado na cozinha atualmente. No cardápio, o cliente encontrará oito pizzas doces, três sabores lights e 48 opções salgadas.

In the Garden Creperia e bar O francês Clément Wetzel abre as portas de seu estabelecimento de terça-feira a domingo. As massas dos crepes, feitos à moda da Bretanha francesa, são produzidas com o nutritivo trigo sarraceno e não possuem glúten. Aberto há dois anos, o In the Garden oferece 40 opções de sabores. A galette de queijo de cabra, salmão defumado e shimeji é uma delícia.

Outros pontos de charme da quadra - Café com Vinil - Sanfelice (Officina di Pasta) - Palato Sorveteria - Ômega 3 Bistrô - Three Burgers


À MESA

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POR MÁRCIO VIEIRA COM LUIZA LEITE marciovieira55@gmail.com

principais, de alta gastronomia, são selecionados por dia. Imperdível é a feijoada que traz a criativa mistura de feijão manteiga, carioca e vermelho, com tofu defumado e abóbora,

Foto Luiza Leite

Essa cidade que amo sempre me surpreende! E por isso, apresento um restaurante orgânico – a mais nova onda dos apaixonados por gastronomia aqui na cidade maravilhosa. No auge dos naturebas, o descolado bistrô vegetariano .ORG, na Barra da Tijuca (Telefone: (21) 2493-1791). O lugar tem como chef Tatiana Lund, de 25 anos, formada em gastronomia na UFRJ, além de ter feito o Curso Natural Gourmet Institute, em Nova York, um dos the best dos Estados Unidos. O restaurante é aconchegante em todos os aspectos. Vamos ao menu. Dentre as opções de entrada, é oferecido um bolinho de quinoa com queijo de cabra e molho de damasco (hummmm!!). Além dos antepastos, dois pratos

Foto Luiza Leite

Rio de Janeiro

acompanhado com arroz integral com linhaça, couve refogada e farofa de beterraba. Vamos às sobremesas. Sorvete de doce de leite de amêndoa com chocolate, além de

A vida é doce

brownies de quinoa com calda de cacau sem lactose, tortas de limão, entre outras. Imperdível! Claro, é cheio de gente bonita e de bem como a vida, assim como eu e Luiza.

Luiza Leite curte, e muito, doces elaborados. E vem dela esta dica que me enlouqueceu. A loja começou com pequenas vendas, mas ganhou uma enorme proporção. Maria Isabel Carvalho, 41 anos, é dona de uma charmosíssima doceria localizada em um dos pontos mais quentes e cogitados daqui: a rua Dias Ferreira, no Leblon. Bel, como os amigos a chamam, vendia ovos de Páscoa enquanto cursava administração. Com o sucesso, passou a fazer trufas e vendê-las em caixas forradas para presente. Depois de 22 anos no mercado, surgiu a oportunidade de abrir a loja no lugar de um antigo armarinho. A casa Bel Trufas é uma perdição, doces de diferentes estilos e apresentações atraem os clientes que diariamente voltam e se tornam seguidores. Além das trufas, produtos como o bolo mole (um bolo quente com calda), o do dia (bolo caseiro com diferentes recheios coberto com ganache), a delícia (pequeno pote com biscoito, nutella e chocolate branco) e muitos outros.


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Simplesmente, único

Trabalho no centro do Rio e descobrir novos lugares para almoçar é um deleite, principalmente porque tenho que fazer esta refeição fora de casa todos os dias. O melhor de tudo é que sempre posso contar com a companhia da minha mais do que amada amiga Regina Pires. Ela é vegetariana, mas somos civilizados e sempre conseguimos que ambos saiam satisfeitos. O restaurante Uniko foi um achado e a casa tem o prazer de unir o jeito descolado do carioca no atendimento, no público lindo e na decoração e ainda dá para escolher entre a parte externa ou a interna. À frente do empreendimento estão os sócios Nicola Giorgio, Dionísio Chaves, e Fabrizio Giuliodori. Adorei tudo o que degustei. Agora os pratos a base de carne são bárbaros! Amei o sirloin grelhado com rúcula e tomates verdes fritos. No menu, sugiro ainda polvo à siciliana, ravióli de vitela com fondue de queijo e tagliata de filé com foie gras. O endereço é um charme. Fica no histórico edifício Galeria SulAmérica, na rua da Quitanda, 86 – 105. Tel.: (21) 3806-6334. www.unikorestaurante.com.br

Bela Itália

Os amigos são imprescindíveis por inúmeras razões, que não tenho espaço para contar. Contudo, acrescento mais uma. Amo todos os meus amigos – e sou muito amado por eles, graças a Deus –, mas quando, além de tudo de bom que nós fazemos uns aos outros, eles curtem gastronomia, aí enlouqueço!! Myrthes Ferreira, que já citei aqui na coluna, é uma delas e nossa amizade foi gastronômica – à primeira vista – e hoje já está mais do que estabelecida. Ela acaba de voltar da Itália, mas me enviou um e-mail que me fascinou. “Itália. Toscana. Siena. Anoitecendo na Piazza Del Campo. Na Antica Pizzicheria, uma salumeria quase medieval, onde se pode achar queijos, presuntos, cogumelos, vinhos, tudo. O proprietário Antonio de Miccoli, com seus vastos bigodes e ares de muito segredo, indica, para o jantar, a Osteria Le Logge. Para ele, uma “trattoria elegante”.

Ótima viagem!

Basta descer a praça (que desce, literalmente) e pegar a última rua do lado esquerdo. Mas tem que correr. Fica muito cheia. E vale a pena. O restaurante conquista de cara. Cheio de charme, cozinha frenética à vista da clientela, donos no balcão. A família de Laura e Gianni Brunelli, além do restaurante, produz vinhos, azeites e grappa na região de Montalcino. Pane, olio e vino: a Santíssima Trindade. No salão, sente-se como se estivesse em casa. Estantes de madeira envidraçadas, muitos livros. Uma parada no tempo. Dentre várias, uma bela mesa comunitária. Comida que conforta, atendimento fraterno, vasta carta de vinhos. Sem dúvida, uma trattoria elegante: corra para ir, mas com bastante tempo para ficar!”. Amiga, já reservei mesa para outubro. LPG, puro! Osteria Le Logge - Via Del Porrione 33, 53100, Siena 0577 48013 – 0577 224797 www.osterialelogge.it

Está de passagem marcada para o Peru? Então vale a pena já começar a viagem pelo paladar. Se você for embarcar do Rio, vá ao Lima Restobar (21-2527-9662), em Botafogo. De entrada, peça o tiradito tataki, petisco para a entrada, feito de atum marinado e levemente grelhado com sementes de gergelim, molho teriyaki de maracujá e salada de lichia, pepino cebola. Tudo de bom! Como prato principal, peça, sem medo de errar, o polvo confitado com batata, cogumelos, alcaparra, cebola e rabanete doce, guarnecido de arroz cítrico. As criações são do chef Marco Espinoza. Estupendo!!! www.limarestobar.com.br


SOCIAL

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A aniversariante Giovanna Adriano

O MUNDO DE GIOVANNA FOTOS: PABLO VALADARES

A GrĂŠcia nos 15 anos da bela jovem


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Fernanda Adriano e Maria Ara煤jo

Carolina Adriano e Lucas Foresti

Giovanna durante a valsa com o pai Fernando

Os贸rio Neto e Cristiane Adriano

Davi Haidamus e Fernando Adriano


SOCIAL

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Luiza Bittar, Rogério Reisman, Fernanda Carvalho e Georgia Pantazis

Marcela Oliveira e Luiz Eduardo Estevão

Victória Henriques e Caio Sebba

Carlos André Silva e Daniel Dutra Badra

Isadora Barros, Maria Araújo, Luiza Nogueira, Carolina May, Isabela Lim e Catharina Hoff

Pedro Piquet, Gabriel Fonseca e Luiz Fernando Assad


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NOITE DO ORIENTE As famílias Carvalhido e Debs celebram a união de seus filhos FOTOS: PABLO VALADARES Os noivos Omar Debs e Deborah Carvalhido

Yasmin, Fábio, Deborah, Omar, Soraia e Kamila Debs com Afaf Majzoub

Os noivos entre Hamilton e Eunice Carvalhido


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Felipe Leรฃo e Carol Oliveira

Camila Velasco e Bruno Braga

Luiz Felipe Nasr e Giulia Maria Testoni

Junia Souto e Georgia De Luca

A noiva baila ao som รกrabe


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Koka Mantovani recebe amigos em noite de degustação de Dom Pérignon

FOTOS: FELIPE MENEZES

UM BRINDE EXCLUSIVO

O embaixador da marca Romain Jessoulin e a anfitriã Koka Mantovani

Dorothea e Rômulo Mendonça

Juliana Sabino e Benedito Oliveira

Duda e Valdir Piran


SOCIAL

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O sócio local Guilherme Cunha Costa, Gisela e Bruno Filippelli

FESTA NA VARANDA Restaurante Baby Beef Rubaiyat abre as portas na capital federal com muito estilo FOTOS: PABLO VALADARES

Liana Bettiol, Fernanda Barreto e Cristina Aires

Os anfitriões Ana e Belarmino Iglesias Filho

Cristiane, Victor e Gabriela Foresti

Cristiano Araújo e Mariana Lovis


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Carlos Alberto Guimarães e Julia Cabral

COM AMOR Julia Cabral e Carlos Alberto Guimarães casam-se em tarde elegante e descontraída FOTOS: FERNANDA FERREIRA

Família Cabral: Afonso, Julia, Margarett e André

Aline Guimarães, Carlos Alberto Guimarães, Julia, Carlos Alberto e Vera Lúcia Nunes


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Por Paula Santana Fotos Celso Junior Styling Fabrício Viana

SUL

E

la é local, mas mora no mundo. Fez de Paris a sua base, mas circula por toda a Europa trabalhando. E curtindo, claro. Bonita, solteira e rica. Não poderia ser diferente. Larissa Borges é modelo. Há uma década deixou Brasília para estudar, enquanto consolidava a sua profissão. Semanas de moda, estúdios fotográficos, showrooms. Uma correria deliciosa. Mas de tempos em

tempos, ela volta à terra de origem para ver a família e os amigos. Nessa temporada de relax, Larissa incorporou o clima Cruise que o Lago Paranoá proporciona e navegou nas águas do Cerrado. O figurino haute resort tem a atmosfera da Capital. Looks elaborados, joias a bordo, brilhos na medida. Alegria com champanhe. Natureza com diversão. Em Brasília, navegar é festejar.


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MUNDO

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CACÁ DE SOUZA, UM EMBAIXADOR


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Por Paula Santana Foto Celso Junior

B

eleza, perspicácia, inteligência e bossa. Foi assim que Carlos de Souza, o Cacá, ganhou o mundo aos 18 anos. Paulista, mas com alma de carioca, seu mais recente reconhecimento é estampar, em setembro, matéria da revista norte-americana Vanity Fair, que o colocou na conceituada lista dos dez homens mais bem-vestidos do planeta. Impecável não só no figurino, mas também na postura, Cacá é figura expressiva na moda. Atualmente, ocupa o cargo de embaixador mundial da marca italiana Valentino. E ainda cuida da imagem do próprio estilista, nas redes sociais, que hoje vive em seu fascinante castelo Wideville nos arredores de Paris. A história de Cacá começou quando ele trocou o Brasil por Nova York para trabalhar como modelo. Nessa época, Valentino entraria em sua vida para nunca mais sair. O envolvimento profissional e sentimental iniciado quatro décadas atrás se transformou numa bela amizade, fazendo com que o estilista italiano apadrinhasse seus dois filhos, Sean e Anthony, fruto do casamento de uma década com Charlene Shorto de Ganay, a pernambucana que também foi musa de Valentino e que, atualmente, jet setter, divide-se entre o grand monde de Paris, Nova York e sua terra natal. A explosiva carreira de modelo não deixou Cacá realizar

Palácio do Itamaraty

Catedral Metropolitana

Lago Paranoá

Aeroporto Internacional

Hotel Royal Tulip

Memorial JK Reprodução Instagram

o sonho de estudar Relações Internacionais para tornar-se diplomata. Mais tarde, ele percebeu que isso era apenas um detalhe. Sua desenvoltura em relacionar-se e circular entre pessoas e lugares logo lhe consagraria a tal cargo, mesmo sem as credenciais oficiais do Itamaraty. Cacá, ao longo de sua história, foi um rotineiro representante do Brasil. Transita entre rainhas e princesas, astros da música, artistas importantes, magnatas, divas de cinema, modelos e estilistas, e jamais deixou transmutar sua conexão com o amado Brasil. “Aqui existe uma beleza natural, que é única no mundo. Além do mais, o brasileiro tem um coração quente e receptivo. E uma boa índole, com exceção daqueles que insistem em cultuar o ‘se dar bem’ sempre. Essa postura não faz mais sentido”, diz. E é aqui que Cacá se refugia com certa frequência. Atualmente entre Nova York, a morada; Roma, onde tem casa; Paris durante as semanas de moda; e Los Angeles nos red carpets, ele desembarca em seu sítio em Friburgo e por lá esquece do mundo. Reconecta-se com a natureza, faz detox alimentar, relaxa. Busca o equilíbrio entre corpo e mente. Imbuído dessa missão, e também a de visitar o filho Sean, que mora em Alto Paraíso, Goiás, Cacá passa temporada no Brasil. Antes dos dias de trabalho em São Paulo, na loja Valentino e no shopping

Cidade Jardim, onde é consultor, ele quis rever Brasília. E teve uma grata surpresa. “A minha primeira experiência quatro anos atrás foi ruim. Precisava mudar essa imagem da cidade de Oscar, que tanto acompanho e admiro”, explica, referindo-se à sua paixão por fotografia e arquitetura. Cacá passou dez dias na Capital. Reviu amigos, fez outros novos. Ganhou almoços e jantares. Esteve em petit comités. E se encantou com o lifestyle dos brasilienses. “Fico imaginando a loucura que foi criar tudo isso aqui 50 anos atrás. Quanta ousadia. E a harmonia entre as curvas e as retas? O espaço, a relação da cidade com tamanha área externa. E essa vegetação do Cerrado? Quanta riqueza. Nunca vi tanto futurismo integrado à natureza”, vibra, referindo-se ao contraste de outras belezas, como Veneza, Florença e São Petersburgo. E ele esmiuçou a cidade. Visitou todos os monumentos, fotografou, divulgou em suas redes sociais. “Ver em fotos é uma coisa. Ver de perto, entendendo a grandiosidade das obras, é uma sensação inexplicável. Eu me emocionei muito quando entrei na Catedral”. A relação de Cacá com a fotografia não é recente. Lá atrás, a função lhe ajudou muito a chegar onde está. Quando não modelava, experimentava tal arte. Foi numa festa, fazendo fotos sociais, que ele conheceu Andy Warhol. O artista logo se encantou com a comu-


MUNDO

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2

5 1 - Charlene de Ganay com Valentino 2 - Cacá com a modelo Olga Sorokina 3 - Os filhos Sean e Anthony de Souza 4 - A estilista Diane von Fustemberg e Cacá 5 - Cacá e a atriz Lindsay Lohan

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nicabilidade do belo rapaz e o contratou. Foram três anos convivendo com todos os intelectuais e modernos de Nova York, que, segundo ele, eram figuras divertidíssimas. Nessa época, Vanity Fair e Vogue Homem lhe requisitava para atuar durante as semanas de moda da Europa. Foi assim que teve a oportunidade de trabalhar com o prolífico escritor Bob Colacello, que escreve sobre personagens expressivos dos Estados Unidos. Mais tarde, esteve na Harper’s Bazaar e atuou com os emblemáticos fotógrafos, seus contemporâneos, Bruce Weber, Steve Meisel e Patrick Demarchelier. “Fiz muitos amigos nessa área. Em especial editores de moda, cuja ami-

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zade já passa dos trinta anos”. Em meio à vida de modelo, a experiência como fotógrafo, a formação de sua família e o relacionamento com Valentino, Cacá se consolidou como um exímio PR, public relations, desse universo. “Andy me ensinou que todos terão seus 15 minutos de fama. Com Valentino aprendi a ser constante, trabalhar duro. A acreditar nas ideias e perseverar”, comenta. Cacá conta que já formou ótimos profissionais nessa área. “Quem trabalha comigo sabe que sou generoso. Compartilho o que sei, incentivo as pessoas a fazerem o melhor. Mas sou muito exigente. Não é um trabalho fácil lidar com as pessoas”. No Brasil, ele esteve

no projeto Rio Summer, idealizado por Nizan Guanaes. Foi o responsável por convidar a imprensa internacional. Atualmente, Cacá vive em trânsito. No instagram, reporta aos seus seguidores os aeroportos por onde passa. “Está se tornando um vício preocupante. Não fico mais que uma semana em uma cidade. Mas eu amo”. Ele trabalha para o grupo de investidores do Qatar, que adquiriu a marca Valentino há 18 meses. Depois dos trâmites do negócio, foi convocado a retornar, pois havia acompanhado toda a trajetória do estilista e por isso sabia como manter o DNA da grife diante de tantas mudanças. Desse modo, Cacá cuida da imagem das lojas, acom-

panha as semanas de moda e os tapetes vermelhos. Além do árduo compromisso, é ele quem administra a mídia social do próprio Valentino. E ainda o seu museu virtual. Para breve, prepara um livro que Giancarlo Giammetti, sócio de Valentino, pediu, contando toda a trajetória dos 50 anos de moda do estilista italiano. “São cinco décadas de fotos, passarelas, festas, backstage”. Ninguém melhor que ele para avivar tanta história. Ah, nas horas vagas, Cacá se dedica à sua linha de joias, cujo design se remete à espiritualidade. Tamanho dinamismo não deixa dúvidas. Cacá de Souza é um grande embaixador. Sobretudo, da elegância e do bem-viver.


Foto de José Maria Palmieri

Uma homenagem do Brasília Shopping ao mês da fotografia

monumento a céu aberto Exposição fotográfica De 20 de agosto a 15 de setembro de 2013 Talk shows* no Teatro do Brasília Shopping, sempre às 19 horas 20/8, terça-feira

Rock x Moda Patrick Grosner e José Maria Palmieri

26/8, segunda-feira

Cultura x Jornalismo Daniela Cadena e Lula Lopes

03/9, terça-feira

Arquitetura x Arte Joana França e Diego Bresani

09/9, segunda-feira

Publicidade e Fine Art Vitor Schietti

(*) Entrada franca, sujeito à lotação do teatro.

Exposição 1o piso do Brasília Shopping Classificação etária: livre para todos os públicos Mais informações: www.brasiliashopping.com.br


VIZINHA

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CLUBE DAS

GOIANAS

Por Marina Macêdo Foto Celso Junior

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ituada a 210 km de Brasília, a capital goiana é o destino de muitos moradores da Capital aos finais de semana e feriados. Cidades novas, goianienses e brasilienses não escondem a afinidade mútua. Com a distância entre as capitais cada vez menor, o intercâmbio nas áreas de entretenimento, gastronomia e luxo se complementam. Em meio a isso, um espaço repaginado tem chamado a atenção: o centro de moda, casa e beleza chamado Club Ysalomeh. Segundo pesquisa realizada pelo banco americano Global Wealth Halliwell Bank, Goiânia teve, entre 2003 e 2012, um crescimento de 31% no número de ricos. Um dado que impõe lojas de alto padrão e novo comportamento do consumidor. Neste contexto, a multimarca Club Ysalomeh, situada no Setor Marista, é a referência do momento. Capitaneada por Flávia Te-

les, psicóloga por formação e empresária por vocação, a loja já conhecida pelas bem-nascidas goianienses ganhou novo fôlego e sofisticação desde que passou para seu comando. A exuberante jovem de 31, nascida em Piracanjuba, município de Goiás, desembarcou na capital goiana aos 13 anos para fazer sua vida. Aos 23 anos, casou-se e decidiu dedicar-se integralmente à filha Anna Liz. Passados sete anos, Flávia deu uma guinada em sua rotina. Investiu toda a sua energia em um desejo que a acompanha desde a infância. “Ainda pequena me interessava pelo universo da moda. Colecionava revistas, recortes e chamava atenção pelos meus figurinos elaborados”, lembra. Sua relação com a Club Ysalomeh veio de uma boa oportunidade. A amiga Rosangela Cardoso resolveu fechar as portas de sua tradicional loja, onde Flávia era cliente. Nesse

momento, a futura empresária viu a oportunidade de realizar o sonho de outrora e atuar no varejo de luxo. Ela não titubeou: comprou a maison. Nesse instante, arregaçou as mangas e iniciou uma nova fase em sua trajetória. Com negócio fechado em dezembro de 2012, Flávia mergulhou no projeto e buscou referências nas principais capitais da moda. Esteve em Milão, Paris e Nova York. Em março de 2013, a empresária reabriu a loja toda repaginada e com marcas inéditas na cidade. Estilistas nacionais e internacionais recheiam as araras da loja, como André Lima, Vanessa Montoro, Patrícia Viera, Giuliana Romano, Lolitta, Camilla Salles, Egrey, Jo/Dri e Diane von Furstenberg. Em um espaço clean e amplo, divididos em dois andares a maison traz ainda objetos para casa, das marcas Le Lis Blanc Casa e Versace, uma deliciosa varanda reple-

ta de plantas que abriga o beachwear, um lounge bar e uma charmosíssima sala de lingerie. “Nossas clientes primam por peças sofisticadas e fazem questão de atendimento personalizado”, afirma a empresária. Em maio, Flávia deu mais um passo rumo ao seu fadado sucesso. Inaugurou um espaço que reúne moda e beleza, o CY Beauté. Localizado no segundo andar da boutique, o estúdio de beleza é comandado por dois disputados profissionais da cidade. “Convidei Alex Godoy e Rafael Cruz, cabeleireiro e maquiador, respectivamente, para conduzir o salão. O sucesso foi tamanho que já estamos estudando a ampliação do espaço”, revela. Para o segundo semestre de 2013, Flávia desbravará um projeto ainda mais desafiador: lançará a sua label. Com o mesmo nome da maison, a marca seguirá o estilo


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No Setor Marista, uma sofisticada casa abriga o melhor do segmento do luxo, com multimarcas de moda, salão de beleza, lounge bar, objetos para casa. Sob comando de uma jovem empresária, Flávia Teles, a Club Ysalomeh faz sua história em Goiânia

clássico, com itens indispensáveis na rotina de uma mulher contemporânea, como uma boa alfaiataria e camisas de seda. A empresária estuda onde poderá fabricar os produtos nos padrões exigidos pelas clientes da casa. Além de aumentar o faturamento da loja, a expectativa é que o estilo da Club Ysalomeh chegue a outras multimarcas e estados. “Estou mergulhada no trabalho, investindo na possibilidade de trazer o que há de melhor no varejo de luxo para Goiânia. As mulheres daqui gostam de se vestir bem, estão atentas às referências de moda e não se importam em investir num produto que a valorize. É isso que buscamos. Excelência na moda”, finaliza.

Serviço Club Ysalomeh Rua 1126 Número 212 Setor Marista - Goiânia (62) 3242-2626 / 3242-2600


ENTRE NÓS

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POR PATRÍCIA JUSTINO pjustinovaz@gmail.com

Finger in the nose

Vitrine de loja infantil é o máximo, não é? Até para quem não tem filhos elas atraem os olhares, afinal, vez ou outra precisamos de presentinhos para um sobrinho, um afilhado... Enfim, vasculhando o mundinho dos pequenos, enlouqueci com a edição perfeita das lojas da grife francesa Finger in the nose, localizadas nos charmosos bairros Marrais e Saint Germain, em Paris. A marca é moderninha, super hypada e tem uma pegada rocker. Passando por lá, é impossível não parar para olhar. Tudo é bacana e cheio de atitude. Mas o maior sucesso são as descoladas t-shirts desenvolvidas por artistas pop e fotógrafos famosos, como Andrew Zuckerman's. A marca também oferece os melhores jeans infantis: confortáveis, cores incríveis e lavagens diferentes. Vale a pena conferir! www.fingerinthenose.com

O estilo The Berkeley

Esbanjando charme por mais de 100 anos, o icônico hotel cinco estrelas The Berkeley, em Londres, continua encantando seus hóspedes com mimos que garantem a sua excelência em serviços. Não é à toa que o hotel é o preferido do viajante internacional bem informado, que adora ser paparicado e dos amantes do design de vanguarda e de luxo. Além do seu famoso chá das cinco, denominado Prêt-à-Porter, por ter várias guloseimas, em formas inusitadas, inspiradas nas coleções dos principais designers de moda, seu último lançamento é o Fashion Trunk. A novidade é uma parceria com o Atelier Mayer, especialista em moda vintage, que disponibiliza aos hóspedes, acomodados nas suítes, um baú retrô recheado de acessórios de grifes famosas, entre elas Chanel, Lavin, e Dior, datados das décadas de 50, 60 e 70. É muito glamour! www.the-berkeley.co.uk

Lá vem eles... luz, câmera, ação!

Arquitetônicos, gráficos e modernos... Assim são os calçados mais fotografados nos últimos editoriais. O céu é o limite para a criatividade dos designers, que buscam misturas inusitadas de materiais, shapes diferenciados e muitas vezes inspirados em obras de arte, monumentos, construções. Cada vez mais esta peça, que faz a cabeça e os sonhos das mulheres, deixa de ser coadjuvante na montagem de um look e se torna o centro das atenções. A marca Fendi vem se destacando há várias coleções, fazendo essa brincadeira com cores e formas. Os seus sapatos mais desejados dos últimos tempos têm o salto alto mais larguinho, cravejado por minipirâmides e em um único modelo a marca faz um mix de cores fortes e diversos materiais como couro, pele, metal. O resultado agradou fashionistas do mundo inteiro. www.fendi.com


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Vai um Bellini aí?

Agora ficou mais fácil degustar o original drink Bellini. Acaba de ser inaugurada em Downtown Miami mais uma filial do tradicional restaurante italiano Cipriani, que a gente adora! Não é só o “special drink” da casa que é maravilhoso. Os pratos também são incríveis, como os verdadeiros italianos sabem fazer (atenção especial para o nhoque que é de comer e ajoelhar). O decór super fresh, no estilo al mare, com o leve toque cosmopolita que a cidade imprime, também surpreende. O local é novo, mas já é sucesso. Vive lotado de gente bonita. Maggio e Ignazio, filhos do restauranteur Giuseppe Cipriani, comandam a casa e irão oferecer com glamour tanto os pratos clássicos presentes em todas as unidades do Cipriani, como outras especialidades.

Uma noite mágica para Chanel

Especialmente para o badalado evento criado pela Vogue, que acontece todos os anos em setembro, a Fashion Night Out, a Chanel lançará uma pequena e especial coleção que inclui dois esmaltes e um delineador. O mimo terá edição limitada e o nome não poderia ser mais adequado: Nuit Magique (Noite Mágica). O evento acontece em datas diferentes em cada país. Na França, onde a coleção estará disponível exclusivamente nas lojas Chanel da Saint Honoré e rue Cambon, será em 17 de setembro de 2013. Os tons escolhidos para os esmaltes são azul, que se chama Magic, e o preto com reflexos prateados, que se chama Cosmic. O delineador Noir Scintillant é preto com toques de glitter prata. Já estão na minha wish list! www.chanel.com

465 Brickell Avenue CU1, Miami, Florida 33131 +1 786-329-4090 ciprianimia@cipriani.com

Festejando à moda antiga

Todo mundo adora encontrar ideias bacanas e acessíveis. Quando elas vêm de empresas sérias, que estão perto da gente, é melhor ainda. Assim foi a minha experiência com a loja de produtos para festas Tom e Sophie. Com espaço físico em Brasília, mais precisamente no bairro Sudoeste, a loja também possui um e-commerce que funciona super bem. Mas o que a loja Tom e Sophie tem de diferente? A maioria dos produtos tem a cara de antiguinho, mas repaginado. De canudos de papel retrô a saquinhos e embalagens estampadas, washi tapes (as coloridas fitas adesivas japonesas), pratinhos e copos descartáveis fofos, balões personalizados ou mesmo produtinhos para decoração, tudo é muito interessante! Está pensando em festejar? Não deixe de fazer uma visita! contato@tomesophie.com.br

London

O nome London é apenas uma homenagem à cidade onde a marca Tom Ford inaugura sua primeira loja na Sloane Street. Mas os holofotes são exclusivos para a nova fragrância unissex desenvolvida por Tom Ford para sua coleção Private Blend. Segundo o estilista, a chegada na capital da GrãBretanha faz parte de suas estratégias para consolidação da grife no cenário de luxo global. O designer batiza o perfume e garante que, nos próximos seis meses, a nova fórmula só será comercializada na loja de Londres. Com notas de pimenta preta, gerânio, jasmin e musk, entre outras, Tom Ford London promete agradar e encantar o exigente e elegante consumidor britânico. O mundo virá na sequência. www.tomford.com


PINK

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CANDY GIRL

Se for intenso... choque, chiclete. Se for suave... pétala, lavado. A força do rosa é determinante. As coleções de resort proclamam a adorada cor e suas variações como o tom unânime da temporada. Ela impera, predomina. E domina

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Ralph Lauren - preço sob consulta

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Lucidez para Santa Aquazzura para Ana Paula - preço sob consulta

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JOIA

À LUZ DO DIA

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alta-joalheria precisa sair do cofre mais vezes. Essa foi a mensagem dos joalheiros durante a Paris Couture Week, a semana de alta-costura francesa. Isso se deve ao fato de os new richies clients de marcas adorarem usar joias em situações rotineiras. Os joalheiros referem-

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Dior

Chanel

-se principalmente às russas, às chinesas e às brasileiras, que se contrapõem às clássicas europeias, que só se ornam para os grandes bailes. Uma aparente evolução que os fez criar joias portentosas, mas versáteis, leves e fáceis de usar, mesmo se mantendo preciosas e bastante caras. (PS)

Louis Vuitton

Van Cleef & Arpels

Bulgari

Van Cleef & Arpels Chanel Hermès Bulgari


PRÉ-ESTAÇÃO

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Gucci

RESORT

COLLECTION Por Paula Santana

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s coleções de resort 2014 do Hemisfério Norte, aquelas que ocorrem entre as grandes seasons de verão e inverno, são um pouco mais tímidas que as oficiais, mas não menos charmosas. As grandes maisons realizam seus desfiles em locais de veraneio. Outras organizam pequenos sets em suas próprias locações e convidam

apenas a imprensa especializada e clientes fidèles. Altuzarra trouxe uma atmosfera setentista, com suave senso de romance francês. Para a Balenciaga, de Alexander Wang, uma viagem aos arquivos do criador Cristobal Balenciaga. Tomas Maier, da Bottega Veneta, investiu no sportier style com prints e patchworks como referências

decorativas. A Burberry, de Christopher Bailey, mergulhou no universo do fotógrafo Helmut Newtone, nas nuances do corpo. Outra marca a se inspirar em fotografias foi Calvin Klein. O brasileiro Francisco Costa decodificou a estética lânguida inspirada nas séries vibrantes de Irving Penn. Já Carolina Herrera disse: “É sobre estam-


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Altuzarra

Balenciaga

Carolina Herrera


PRÉ-ESTAÇÃO

pas”, referindo-se à sua coleção ladylike repleta de cocktail dresses. Karl Lagerfeld levou Chanel para uma ilha asiática e mergulhou no colonialismo multiétnico britânico. A Dior renovou seu love affair com Mônaco, numa apresentação no porto, com o mar mediterrâneo ao fundo e roupas com ar erótico. O Brasil foi mais que homenageado por Frida Giannini na Gucci. O breezy style predominou em silhuetas relaxadas e estampas que se remetem ao universo tropical e sensual do Rio de Janeiro. A arte do casual dressing. Esse foi o tema de Marc Jacobs em seu glam statement, ao apresentar pijamas com lingeries effects. Oscar de la Renta e suas flores. “Mulheres não compram roupas para um momento específico. Se elas amam, simplesmente compram”, disse Alex Bolen. Ralph Lauren trouxe a primavera aflorada com flores e muito sol, inspirada nas janelas parisienses. Reed Krakoff investiu no expressionismo abstrato de Robert Motherwell, com um toque de feminilidade. A fresh Tory Burch também fez uma coleção escapista, cujas referências vieram do impressionismo. Donatella Versace incorporou a vibe maritime. Mixou estampas e listras com microflores. E Zac Posen trouxe sua dramaticidade em looks femininos e românticos, com borboletas e floral bouquets.

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Zac Posen Dior

Dior

Versace

Reed Krakoff


COUTURE

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SONHANDO...

Por Paula Santana

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as coleções de alta-costura continuam a impressionar o seleto público. Nesta temporada de outono 2013, 24 maisons apresentaram suas criações, respeitando a regra de que uma apresentação deve ter 35 looks. E mais: sede pró-

pria nas imediações de Paris e abrigar ao menos 15 costureiros que fazem o trabalho manual. É o que manda a Chambre Syndicale de la Couture Parisienne, que abriga 13 casas e convida as demais a desfilar. Elie Saab pensou em ru-

bis, safiras, esmeraldas para transpor para suas sedas e musselines os mais ricos bordados geométricos, priorizando os formatos diagonais. “Sublime” foi a palavra usada para definir o desfile de Valentino, criado por Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Pic-

cioli. Elegância romântica e renascentista. “É como se as modelos estivessem sonhando com algo misterioso”, disse Piccioli. Já Jean Paul Gaultier pensou em mulheres com uma inclinação para o perigo: Poison Ivy, Catwoman e Mata


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Chanel

Giambattista Valli


COUTURE

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Zuhair Murad

Hari. Uma sequência da temporada passada. Karl Lagerfeld apresentou a alta-costura da Chanel, com roupas que ressoam além do tapete vermelho e se apegam mais ao contexto da vida real. “Mas ela ainda é rica em tradição”, ele reforça. E Donatella Versace tem o lema de que “glamour nunca é superficial, tampouco acidental”. Para tal, usou as fotografias de Horst e Man Ray. Tomando um fôlego a partir de experiências futuristas e referências multiculturais, Giorgio Armani voltou para

terra firme, mas aterrissou nos anos 20. “Couture pode ser para o 0,001% da população, mas é para agradar a todas as mulheres”, disse. Belezas orvalhadas de Giambattista Valli vagavam em seu show romântico e ultrafeminino, com referência nas fábricas de porcelana Capodimonte da Itália; Sèvres da França; Meissen da Alemanha; e Wedgwood da Inglaterra. E ainda teve a floresta encantada do Zuhair Murad, com galhos bordados em vestidos de tule nus em formas de ampulheta.

Valentino


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Elie Saab


COUTURE

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Versace

Armani PrivĂŞ

Jean Paul Gaultier


SOCIAL

BELA & ALEX FOTOS: CELSO JUNIOR

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Isabela Gontijo e Alex Garcia casam-se em requintada cerim么nia que reproduziu os jardins de Monet e trouxe Preta Gil


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Ana Maria Gontijo se diverte na festa


SOCIAL

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Os pais da noiva: José Celso e Ana Maria Gontijo

Melissa Gontijo e Carlos Gurgulino

Família Rudge: José, Gisela, Sofia, José e Tamara

Guilherme Siqueira entre Ana Maria e Ana Cecília


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Os noivos entre Areozilda Garcia de Souza e Antonio Fernando de Souza

Sandinha e Bebel Dias

Luiz Estevรฃo e Cleucy Oliveira

Doris Hoff e Pedro Gontijo

Anna Christina Kubitschek e Paulo Octรกvio


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Patricia e Bruno Bontempo

Rogério Rosso e André Motta

Ana Paula Gontijo e Paula Santana

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Giovanna Adriano e André Kubitschek

Sabrina Estrela e Ricardo Queiroz

Rejane Innecco, Márcia Bittar e Elma Cascão

Adriana Brito e Maria Eduarda Almeida


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Rodrigo e Susan Neves com Cacá de Souza

DOLCE VITA

Cacá de Souza, embaixador mundial de Valentino, visita Brasília e ganha jantar da família Neves

Guilherme Siqueira

FOTOS: FELIPE MENEZES


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Bruno e Laudiene Ladeira

Lilian Lima e Ana Paula Gonçalves

Bruno Mello, Kelly Piquet e Felipe Cardoso

Mônica Oliveira, Tatiana Lacerda e Tereza Neves

Carla Amorim e Fábio Andrade

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SOCIAL

BELOS

Os pais da noiva: Silvio e Lucia Carminati

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Os noivos Rafael Roda e Luciana Carminati

Em noite animada, jovem casal oficializa o matrimônio

FOTOS: CELSO JUNIOR E UESLEI MARCELINO

Daniele Campelo, João Marcelo, a mãe do noivo Vera Barbosa e Naiara Roda


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O embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima em família

FOTOS: FELIPE MENEZES

PAULO TARSO, 80 Luís Inácio Lucena, Gustavo Loyola e ministro Ayres Britto

Família Flecha de Lima celebra 80 anos do patriarca em clima julino

Embaixador Ruy Nogueira, embaixador de Portugal Francisco Ribeiro Telles e Synesio Sampaio Goes

Ministro Carlos Átila,Tânia Alvares, embaixador Celso Marcos e Ana Lúcia Vieira


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Os noivos entre os pais: Telma e Nasser Sarkis, Rejane e José Araujo

JUST MARRIED

FOTOS: BRUNO STUCKERT

Luana Sarkis e Thiago do Valle unem os laços em cerimônia no Recanto das Águas


Foto Acervo Fundathos

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PARA SEMPRE

ATHOS BULCÃO Dos 90 anos vividos, cinquenta foram dedicados a Brasília. O artista que deu cor e movimento para a Capital da República com seus painéis em azulejo, criou 261 obras e deixou uma fundação que luta para se estabelecer e conservar um dos mais preciosos acervos da história recente do Brasil

Por Marcella Oliveira

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s cubos do Teatro Nacional, os azulejos da Igrejinha, o painel do Brasília Palace Hotel. Ou ainda os banheiros do Parque da Cidade, a parede na Escola Classe da 316 Sul ou na portaria do bloco I da 107 Norte. Arte que dá vida a Brasília. Está ali, por todo lado, integrada à arquitetura da cidade. Um pouco de cor ao concreto da Capital Federal. E um só responsável: o artista plástico Athos Bulcão. Ao lado do urbanista Lúcio Costa, do arquiteto Oscar Niemeyer e do paisagista Burle Marx, Athos Bulcão ajudou a construir a nova Capital. A convite do arquiteto, veio para Brasília. Chegou em 1958 para realizar seu primeiro projeto: a Igrejinha, na 307/308 Sul. “Foi amor à primeira vista”, dizia. Foi aqui que viveu

por quase 50 anos. E deu a Brasília a sua identidade. O carioca-brasiliense morreu em 31 de julho de 2008, aos 90 anos. Mas sua marca está por todos cantos. Diariamente, os brasilienses passam por suas obras para ir à escola, ao trabalho, ao teatro ou até mesmo ao hospital. São 261 obras espalhadas pela cidade, revelando que arte e arquitetura caminham juntas. Athos Bulcão está inserido no dia a dia da comunidade, mesmo sem que muitos sequer percebam. Essa era a ideia de Athos: criar uma arte que se misturasse com os traços da cidade. Com simplicidade e sofisticação, imprimiu a sua identidade numa linguagem poética. “Ele integrava tão bem a arte com o projeto que, em muitos casos, a gen-

te acha que é tudo obra do arquiteto”, analisa a secretária executiva da Fundação Athos Bulcão, Valéria Cabral. Com esse conceito, Athos tornou-se um democrata. Um artista ao qual não precisa ir a um museu ou galeria para apreciar seu talento. Ele está por toda parte. A céu aberto. “Ele deu cor e vivacidade. Brasília seria preta e branca sem Athos Bulcão”, enfatiza Valéria, amiga e fiel escudeira do artista. Há, no entanto, quem não o conheça, ou não associe o nome aos trabalhos. Mas, certamente, não há quem nunca tenha passado por um trabalho dele na Capital. Um colorido que sabe ser discreto, mas que é muito valioso. Não há como imaginar Brasília sem Athos. Nem Athos sem Brasília.


MESTRE Fotos Acervo Fundathos

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Athos com os arquitetos e parceiros Oscar Niemeyer e João Filgueiras Lima

Por conta dos anos em que lecionou na Universidade de Brasília (UnB), é chamado por muitos de professor Athos. Amigos contam que ele era um homem muito inteligente. Crítico e com ótimo senso de humor. Tinha um jeito manso de falar e era encantador. Por isso, fez inúmeras parcerias e deixou amigos. Em nove décadas de vida, foram quase 70 anos dedicados à arte. Entre desenhos, azulejos, pinturas e gravuras, construiu sua trajetória. Era louco por cinema, gostava de ver bons filmes. Estava sempre ouvindo música e adorava o Carnaval. A paixão pela arte veio de cedo. Perdeu a mãe aos quatro anos e foi criado pelo pai e pelas irmãs, já adultas. Como naquela época mulheres não podiam sair sozinhas, ele as acompanhava ao teatro e circulava por salões de arte. Assistia a óperas e concertos, participava de exposições. E, assim, despertou o interesse pela cultura. Apesar de já rabiscar alguns trabalhos na arte, entrou para a faculdade de Medicina. Mas abandonou o curso no terceiro ano, em 1939, para seguir sua vocação. No mesmo ano, foi

assistente de Cândido Portinari no mural de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte. “Ele contava que aprendeu fazendo. E que Portinari foi um grande mestre. Inclusive, Athos morou com ele por sete meses para aprender”, revela Valéria. E foram muitos amigos modernistas, como Carlos Scliar, Ceschiatti, Pancetti, Dacosta, Terrero, Enrico Bianco. Aliás, foi na casa do paisagista Burle Marx que conheceu Oscar Niemeyer, uma das amizades mais importantes para sua carreira. “Oscar foi um grande amigo de Athos. Por onde ele trabalhou, inseriu o trabalho dele”, conta a secretária executiva da fundação. O primeiro convite foi em 1943, quando o arquiteto encomendou um projeto para os azulejos externos do Teatro Municipal de Belo Horizonte – uma obra que não foi concluída, nem o painel executado. Era a primeira vez que Athos pintava azulejos. Foi também a pedido de Niemeyer que Athos fez a primeira exposição de seus desenhos, em 1944, no Instituto dos Arquitetos do Brasil, no Rio de Janeiro.

Nesse tempo de formação de sua jornada profissional, passou uma temporada na França, porque ganhou uma bolsa de estudos na Escola de Belas Artes de Paris. Também trabalhou no Executivo, precisamente no Ministério da Educação e Cultura, onde realizava obras como desenhista e artista gráfico. Mas foi em Brasília que Bulcão se consolidou nas artes plásticas. Mudou-se definitivamente para a Capital em agosto de 1958. “Athos dizia que teve a oportunidade que poucos tiveram: uma cidade para construir. Isso que o fez ficar em Brasília”, lembra Valéria. Fotos Acervo Fundathos

Na história

Na Capital Federal, morou em uma casa na W3 Sul, depois na 714 Sul e, por fim, em um apartamento na 315 Sul. Nesta mesma quadra, tinha outro imóvel, onde ficava seu ateliê. Um de seus prazeres era dividir seu conhecimento em sala de aula com jovens estudantes dessa escola modernista. Integrou o Departamento de Desenho do Instituto Central de Artes da UnB entre 1963 e 1965. Em um protesto coletivo contra a repressão da ditadura militar, pediu demissão junto com 200 docentes. Somente em 1988, voltou a lecionar no instituto. Diagnosticado com Mal de Parkinson no início dos anos 2000, manteve a arte viva. Primeiro, trocou a tinta pela canetinha e ainda esboçou alguns desenhos. Mas um ano antes da sua morte, já não produzia. “As ideias de novos desenhos e traços já não vinham à sua mente, mas ele morreu lúcido”, lembra Valéria.

O médico Aloysio Campos da Paz Jr., fundador da Rede Sarah de Hospitais

Athos na infância


Mestre dos Azulejos Athos Bulcão foi o mestre dos azulejos. Começou a trabalhar com o material por ser barato, com durabilidade e de rápida instalação. Concentrou-se nas cores azul, branco, verde, amarelo e laranja. Pintava um a um e, na hora da instalação, vinha a surpresa. Ele entregava para os pedreiros e dizia: “Coloquem como quiser. Só não fechem o desenho”. Mas por quê? Era a pergunta que todos faziam. Dispostos aleatoriamente dão a ideia de movimento, formando painéis únicos e de formas variadas. Dentre os trabalhos em azulejo, o preferido do artista era o azul e branco localizado no andar de vidro, na Torre de TV. “Ele adorava aquela torre”, revela Valéria Cabral. O mais famoso, e o mais reproduzido, é o da Igrejinha da 307/308 Sul, sua primeira obra em Brasília. E também o único figurativo, já que os outros têm formas geométricas. São dois tipos de desenho, que representam a estrela da Natividade e a pomba do Espírito Santo. E tantos outros painéis de azulejos estão espalhados pela cidade: no batistério da Catedral; nos banheiros do Parque da Cidade; na sala de embarque do Aeroporto JK; no Mercado das Flores, na Asa Sul. No Palácio do Itamaraty. Nos monumentos dos três poderes. E até em residências particulares e prédios comerciais. Para ele, a arte podia estar em qualquer lugar.

Foto Guillermo Arévalo Aucahuasi

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Instituto de Artes da Universidade de Brasília Foto Tuca Reinés/Acervo Fundathos

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Sambódromo do Rio de Janeiro, na Praça da Apoteose


MESTRE Fotos Edgard Cesar

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Outras obras Apesar de ser conhecido pelo seu trabalho em azulejaria, ele foi um artista de diferentes talentos. Fez desenho, pintura, escultura, fotomontagens e criação de relevos. Também se aventurou pelo teatro, criando cenários para espetáculos e máscaras. Nesse contexto, Athos criou os cubos do Teatro Nacional, a seu ver, a mais interessante de suas obras. Eles foram batizados de O sol faz a festa. Oscar Niemeyer pediu algo que fosse leve e pesado ao mesmo tempo. Foi quando surgiu a ideia de trabalhar com sombra. São três tamanhos de cubos (30 x 30, 60x60 e 90x90) e dois de retângulos (30x60 e 60x90). A instalação não foi aleatória. À medida que o sol fosse mudando de posição, uma sombra diferente seria criada. “Desta forma, você tem vários painéis ao longo do dia”, explica Valéria. No interior do teatro, mais Athos. Além dos azulejos, a Sala Martins Penna tem um painel acústico de madeira e a Sala Villa Lobos, outro painel com função acústica,

além de um relevo em mármore branco. No Cine Brasília, um trabalho em relevo em madeira e laminado, em vermelho e amarelo, decora o interior da sala de cinema. Atualmente em reforma, a obra foi retirada para restauração e será recolocada para a data de inauguração. Tem mais. O salão do Brasília Palace Hotel tem um afresco em azul, branco e preto. Um clássico traço do artista são os relevos em mármore branco da Câmara Mortuária do Memorial JK. Um dos lugares onde há maior concentração é no Congresso Nacional. Há ainda a famosa treliça do Palácio do Itamaraty e o relevo em mármore do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). E até na hora de ficar doente é possível cruzar com o trabalho do artista. A Rede Sarah Kubitschek tem diversos trabalhos. Eles dão cor e criam um ambiente leve em Brasília, em Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza e São Luís, numa parceria com o arquiteto João Filgueiras Lima. Fora da cidade, coleciona

alguns trabalhos, especialmente no Rio de Janeiro, como o painel de azulejos na Praça da Apoteose, no Sambódromo, e na Fundação Getúlio Vargas. Pelo Brasil, trabalhos na Estação de Transbordo em Salvador, no Memorial da América Latina, em São Paulo, e ainda edifícios e sedes de jornais. Athos também realizou trabalhos pelo mundo. Tem obras nas embaixadas do Brasil em Buenos Aires, na Argentina; em Praia, no Cabo Verde; Lagos, na Nigéria; e em Nova Délhi, na Índia. No papel, Athos também desenvolveu seu talento. Quando descobriu o Mal de Parkinson e que seus movimentos estariam, em algum tempo, comprometidos, começou a desenhar desenfreadamente. Foi o que produziu nos últimos dez anos de vida. Nessa fase, deixou de lado as cores. Os traços retos e precisos deram lugar às curvas. Na maioria deles, linhas pretas em papéis brancos e registros de pessoas, uma referência à sua infância e aos carnavais no Rio de Janeiro.

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1 - Afresco no Brasília Palace Hotel 2 - Afresco na capela do Palácio da Alvorada 3 - Relevo do Teatro Pedro Calmon 4 - Painel em mármore branco e granito preto no Memorial JK 5 - Treliça em madeira e ferro pintado no Palácio do Itamaraty 6 - Desenhos e máscara em relevo policromado 5

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MESTRE

Foto Edgard Cesar Relevo em madeira da sala do Cine Brasília foi restaurado e recolocado Foto Edgard Cesar

Como muitas de suas obras estão em edifícios públicos e pelas ruas, não é difícil encontrar painéis sujos e azulejos quebrados ou mal cuidados. Atualmente, quatro trabalhos de Athos Bulcão estão em processo de restauração, uma parceria da Fundação com o Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (CFDD), do Ministério da Justiça. Dois deles na Escola Classe da 407 Norte: o painel de azulejos e a pintura dos 21 módulos em concreto pré-moldados. Os outros dois restaurados serão no Instituto de Saúde Mental, no Riacho Fundo, e o painel de azulejos do Mercado das Flores, no final da Asa Sul, perto do Cemitério Campo da Esperança. No aeroporto de Brasília há um painel metálico, no segundo piso, com 130 metros de comprimento. Ele está parcialmente tampado por conta das obras de expansão do local. Depois de uma discussão, um acordo firmado entre a Inframérica, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e a Fundação Athos Bulcão, ficou decidido que, após a reforma, o painel será transferido, integralmente, para um local onde tenha visibilidade. Quando foi procurada pela administração do aeroporto

para mudar o painel de lugar, a Fundação não ficou satisfeita. “Ele foi pensado para estar onde está. Mas entre deixá-lo parcialmente coberto ou colocar em um espaço onde mais pessoas possam ver, optamos pela segunda alternativa”, justifica Valéria. Já sobre os painéis de azulejos, Valéria espera que eles sejam cuidadosamente manuseados durante as obras do aeroporto. O promotor Roberto Carlos Batista, da primeira Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema), do MPDFT, revelou que, junto com a Fundathos, vai visitar todos os prédios públicos que têm obras do Athos. “O objetivo é sensibilizar o gestor do local para a conservação. Fizemos um inventário dos problemas. O primeiro será o Palácio do Itamaraty, que tem obras completamente fora do estado de conservação ideal. Em um dos andares, por exemplo, um painel do Athos foi furado para colocação de prateleiras”, lamenta. “O Athos faz parte do de um grupo de profissionais e artistas seletos que deram a Brasília o título de Patrimônio Histórico da Humanidade, concedido pela Unesco. É fundamental que a cidade estabeleça um vínculo de valor com esse artista, porque ele dá identidade aos monumentos”, analisa Batista.

Painel no Mercado das Flores: em restauração depois de anos abandonado Foto Acervo Fundathos

Restaurar e conservar

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Módulos em concreto da Escola Classe 407 Norte serão pintados


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Fonte de inspiração Os traços de Athos Bulcão já serviram de inspiração para muitos trabalhos no Brasil. É possível levar para casa produtos com a obra do artista. A Fundathos detém os direitos autorais do trabalho. E também é quem pode reproduzir e comercializar os produtos licenciados. A própria fundação tem uma loja on line e também vende os produtos no seu escritório. Uma prateleira pequena, encostada em uma parede, abriga produtos com reproduções de trabalhos do artista. Os azulejos estão entre os itens mais procurados. É pos-

sível comprá-los individualmente ou já emoldurados. Dá para encomendar seu painel com até 44 azulejos. Os modelos que mais fazem sucesso são os que reproduzem os desenhos da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, a pomba e a estrela da Natividade. Foi um quadro com os dois azulejos que a presidente Dilma Rousseff presenteou o Papa Francisco. Além dos azulejos, as canecas e xícaras de café estão entre os produtos mais vendidos. Mas ainda é possível comprar chinelos, guarda-chuva, lápis, colar e brinco com o símbolo da igrejinha, pratos e relógio. A vida e a obra de Athos

Bulcão é encontrada em um livro de 404 páginas. A publicação bilíngue apresenta 101 espaços que receberam obras do artista no Brasil e no mundo. As 235 fotos mostram 187 obras, os cliques são do fotógrafo Edgard Cesar. Além disso, há a reprodução de 32 fotomontagens, 26 desenhos, 27 pinturas, 12 máscaras e 15 miniesculturas. É uma forma de conhecer o que Athos Bulcão deixou por ai.

Entre artistas Na moda, Athos foi inspiração para o estilista Ronaldo Fraga. A coleção Athos Bulcão, do início ao fim, de 2011, trouxe os traços do artista em peças nas cores

azul, branco, laranja e preto. Ao criar a coleção, Fraga disse que queria reproduzir o “olhar de criança que Athos imprime no concreto modernista”. Ele construiu peças com figuras geométricas. Levou para as passarelas os azulejos do artista. Também em 2011, a marca Maria Bonita homenageou o artista com a sua coleção outono/inverno. Peças leves e saias longas foram inspiradas na leveza e no movimento do trabalho de Athos. Já a marca Água de Coco lançou um biquíni com os azulejos da Igrejinha. Este ano, a marca FIT lançou uma coleção inspirada em Oscar Niemeyer e Athos Bulcão.

Fotos dos produtos: Fundathos


MESTRE Foto Celso Junior

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A Fundação Os direitos autorais dos trabalhos do artista são administrados pela Fundação Athos Bulcão (Fundathos), que foi criada há 20 anos por um grupo de amigos, com o intuito de preservar as obras do artista. “Eles achavam que o trabalho do Athos deveria ser divulgado e, sobretudo, preservado. Na época, eles conversaram com o professor, que topou na hora e doou o acervo”, explica Valéria. A fundação desenvolve vários projetos. Como o Jornal Radcal, o Fórum de Artes Visuais e Exposições Itinerantes em escolas nacionais e pelo mundo. Um deles tem atenção especial: o Festival de Teatro na Escola, que já tem 11 edições. “Quando Athos começou a trabalhar, ele desenhava figurinos e cenários para teatro. Ele sempre deu muita importância à cultura e ao acesso de crianças e jovens à arte. Por isso desenvolvemos”, conta Valéria. Por edição, são envolvidas cerca de 12 escolas, 15 professores e 35 alunos. “Cada escola faz uma montagem de um espetáculo de autores brasileiros, para valorizar a cultura do Brasil. Eles recebem orientação e capacitação para executar a ideia. Depois dos ensaios, as apresentações são no Centro Cultural Banco do Brasil, nosso parceiro”, revela. Valéria Cabral, secretária executiva da Fundathos: esforço para preservação do acervo


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Projeto do arquiteto João Filgueiras Lima para a nova sede da Fundação, no Setor de Difusão Cultural

A sede Desde 2010, a Fundação Athos Bulcão funciona em um conjunto de salas comerciais na quadra 208 Norte. Não há muito espaço, as obras ficam amontoadas. São cerca de cem obras do artista, entre serigrafias, telas, projetos para painéis de azulejos, máscaras, fotomontagens. “Tem um pouco de cada segmento por onde transitou”, revela. A grande expectativa é a construção da sede definitiva, que ainda não saiu do papel. Em julho de 2009, o então vice-governador Paulo Octávio lançou a Pedra Fundamental da Fundathos em um terreno no Setor de Difusão Cultural, na área central de Brasília, perto da Funarte, um espaço de 1200 metros quadrados. O projeto arquitetônico foi feito e a fundação começou a arrecadar dinheiro para a construção. Mas com a mudança de governo, o projeto ficou para-

do, porque dependia de um processo na Justiça que só foi resolvido em agosto de 2013. Desde quando foi criada, em 1993, a fundação funcionou no Centro de Dança, em um espaço cedido pela Secretaria de Cultura, de onde saiu em 2010. O GDF entrou com uma ação possessória para a desocupação do imóvel, alegando danos ao prédio. Enquanto o processo esteve na Justiça, o terreno não pode ser destinado à fundação. “Mas como o GDF não comprovou a existência de nenhum dano, no último dia 14 de agosto, convocamos a Secretaria de Cultura para comunicar que o processo foi extinto. Ou seja, o governo pode dar andamento ao processo de cessão do terreno”, explicou o promotor Roberto Carlos Batista, da primeira Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema) do MPDFT.

Agora, o processo vai seguir no GDF e, em breve, o terreno poderá ser liberado. Na sequência, a luta da Fundathos será para conseguir os recursos necessários para execução do projeto. De acordo com o subsecretário do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secretaria de Cultura, José Delvinei, a edificação é importante. “É uma questão de justiça. É uma dívida que o GDF tem com o professor, que fez parte dessa equipe de homens geniais que criaram Brasília”, afirma o subsecretário. Na nova sede, projeto do arquiteto João Filgueiras Lima, haverá um museu permanente para expor o acervo da fundação para os visitantes, uma sala de exposições temporárias, um auditório que também tem palco e camarim e poderá ser usado para apresentações de espetáculos, uma sala multiuso para realização de oficinas,

escritórios, loja com os produtos personalizados e um café.

Desavença familiar De tudo que construiu durante seus 90 anos, além de seu trabalho, Athos Bulcão deixou obras de arte e três apartamentos na Asa Sul. Mas nada pode ser mexido. O problema está no testamento. Ao contemplar a sua empregada Cândida Xavier da Costa, que trabalhou com ele por 34 anos, com o imóvel da 714 Sul, Athos a chamou de “companheira”. Desta forma, para a Justiça, Cândida passou a ser reconhecida como mulher de Athos. Logo, dona de metade de seu patrimônio e ainda com direito à pensão do governo. Mas os quatro sobrinhos de Athos, herdeiros do artista, entraram na Justiça para pedir a correção do documento. Enquanto isso, o que ele tem está embargado.


OBRA

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Por Marcella Oliveira Fotos Celso Junior

J

á imaginou entrar em uma obra artística? Fazer parte dela não só de alma, mas também de corpo? Este é o conceito do projeto Habitathos, idealizado pela make up artist brasiliense Ana Siqueira. Usando como cenário painéis de azulejos do artista Athos Bulcão, sua proposta é mostrar que maquiagem é uma forma de arte. Para tal, ela pensou em superdimensionar o processo, pintando corpos que reproduzem o desenho ao artista. Ana utiliza a técnica living art, que é a pintura em telas vivas. “Misturar pessoas com obra de arte é um processo que já existe e que sempre admirei. Então pensei que o trabalho do Athos seria perfeito, ele tem um conceito estético maravilhoso”, conta a maquiadora. Ao longo de 12 meses, nos painéis públicos do artista, ela pintará cerca de 30 pessoas, entre adoradores de Athos, artistas, músicos, figuras emblemáticas da sociedade e formadores de opinião. Após escolher o painel e o personagem, começa o processo de produção. Ela busca imagens dos azulejos para

analisar os detalhes dos traços de Athos. Quando está em Brasília, vai ver de perto. Analisa e fotografa. Mede azulejos e todas as suas nuances. E define como a pessoa ficará. “Escolher a posição é um processo intuitivo de achar o que fica bom naquela hora. Às vezes escolho antes, muitas vezes na hora. Então, faço a etapa de design gráfico e a fabricação de máscaras e stencils, que funcionam como um molde”, explica. No dia do trabalho e com todo o material em mãos, começa o detalhado roteiro. A duração depende da complexidade do desenho, mas, em média, seis horas de produção. “É um processo muito longo e cheio de detalhes”, afirma. No corpo do personagem, primeiro é feita uma camada com uma tinta específica à base de silicone. Ela ajuda na fixação da cobertura. Em seguida, tem início a maquiagem à base de água. Os produtos são da marca canadense MAC, patrocinadora da artista. “Eu testei várias possibilidades. A MAC reuniu cakes muito bons e uma linha completa de airbrushes Jade Augusto Gola no painel do Brasília Palace Hotel

Projeto original criado por uma maquiadora brasiliense ganha proporções artísticas e a adesão dos intelectuais locais. Chamado de Habitathos, Ana Siqueira pinta corpos em painéis de Athos Bulcão. Depois de fotografados, serão eternizados em livros e exposições


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EMPAREDADOS


OBRA

Laura Rodrigues no painel do Parque da Cidade

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com cores mais próximas dos tons básicos que o Athos usava insistentemente, como azul, laranja, verde e amarelo. Depois de testar os produtos e ver que o da MAC era o melhor, eu apresentei o conceito e eles me deram o patrocínio. Eles têm um time de apoio ao artista muito bacana”, conta Ana. Na maleta, dezenas de pincéis de tamanhos diferentes para ajudar a definir os traços e reproduzir no corpo e rosto os desenhos de Athos Bulcão. “No Brasil, ainda se vê a maquiagem apenas como um incremento da beleza. Mas mundo afora ela tem o conceito artístico. Mostrar essa conexão é um dos objetivos desse projeto”, explica Ana Siqueira, que nasceu em Brasília, e atualmente vive e trabalha em Nova York, onde aperfeiçoou os conhecimentos em maquiagem na escola Make-up Designory (MUD). A ideia do projeto Habitathos veio ainda da vontade de apresentar ao mundo o artista. Ana Siqueira cresceu em Brasília, visualizando diaria-

mente os trabalhos de Athos Bulcão. “Muita gente, até mesmo da cidade, não sabe quem é Athos Bulcão”, observa. E não foi difícil escolher os personagens. “As pessoas têm vontade de virar uma obra de arte”, brinca. Ela optou por brasilienses ou quem tem alguma ligação com o artista. “Vou contando a história dos personagens e a relação deles com o painel”, diz. O poeta Nicolas Behr, por exemplo, foi pintado em frente ao painel do Mercado das Flores, na Asa Sul, que esteve por muitos anos em más condições e agora será reformado. “Nesse painel, ele segura flores velhas. É um painel protesto, que encaixa com Nicolas, que fez poemas-protestos”, explica Ana. Além do painel do poeta, outras pessoas também já passaram pelo processo. Um casal de arquitetos alucinados pelo artista foi pintado na Igrejinha; um jornalista de São Paulo que tem tatuagem do painel do Brasília Palace elegeu o local; integrantes da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju na UnB, já


OBRA

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Patrícia Herzog no Aeroporto Internacional de Brasília

que surgiram na cena universitária; e a repórter Poliana Abritta no Museu das Gemas, na Torre de TV. A primeira fase de execução foi em abril deste ano, quando passou alguns dias na cidade e pintou oito painéis iniciais. Em julho, retornou à cidade e foram feitos mais dois. “As pessoas gostam da ideia de

serem emparedadas nesse formato. O amor à arte dá vontade de estar dentro dela. Por isso o nome Habitathos”, explica. A próxima etapa será feita em outubro. O registro do trabalho é feito por outro artista, o fotógrafo Celso Junior. Ele acompanha a produção desde o início, registrando o making of.

E, ao final, faz a foto que será usada no projeto. “A ideia me encantou demais, a fotografia fica linda. A foto final, que vai virar tela e ser usada no livro, é feita à noite, para que todas elas tenham o mesmo padrão de luz”, explica. No total, Ana e Celso vão produzir 30 painéis. “O projeto ainda está em andamento,

é longo”, diz a maquiadora. Quando finalizado, em 2014, eles vão ser reunidos em um livro bilíngue, que será levado para o mundo. “O Habitathos é uma forma de divulgar o artista e Brasília. Athos Bulcão é um patrimônio de valor inestimável para o Brasil. Mais pessoas precisam conhecê-lo”, finaliza Ana Siqueira.


2 ANOS o veículo que vive a cidade

Brasília se transforma e o portal também. Nesta data comemorativa, o www.gpsbrasilia.com.br vai ficar diferente. Mais ágil, ele chega com novo design e melhor conteúdo ões

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CAPA

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POLIANA ABRITTA Ela estampa a capa da revista, incorporando uma das obras de arte que Athos Bulcão mais apreciava: o painel do andar de vidro da Torre de TV. Com a carreira em ascensão, a bela jornalista é a cara de Brasília na televisão

Por Marina Macêdo Foto Celso Junior

V

ê-la todos os dias na televisão é um prazer. O belo rosto é moldado com a farta madeixa ruiva. Os olhos vibrantes e azuis ficam fixos na tela. A voz postada traz a informação precisa. Ao fundo, o cenário político de Brasília, os estúdios de jornalismo ou o oceano Atlântico. Ela é Poliana Abritta, repórter e âncora da TV Globo, nascida e criada em Brasília. Ela mesma costuma brincar: “O meu nome já diz. Eu sou poli. Faço muitas coisas ao mesmo tempo. Topo tudo o que pode ser uma boa possibilidade de conhecimento”, conta, referindo-se às multifacetas que tem e assume ao conciliar o árduo trabalho, a vida pessoal, o lazer, e o papel de mãe de trigêmeos. “Eu sou muito dedicada. Se for para eu fazer, vai ser bem executado. Farei o melhor possível”, pontua, explicando o porquê de ter tido distintas oportunidades numa das maiores emissoras do mundo. E foi com essa pontualidade que Poliana aceitou o convite da GPS|Brasília para ilustrar a capa desta edição. A ideia de tê-la surgiu de uma sincronia de fatores. Ela é adoradora da arte de Athos Bulcão, o homenageado da revista, que, por sua vez, tem

entre as mais apreciadas obras o seu painel na Torre de TV. Além do mais, é culta, bonita, inteligente e com sua postura ascendente projeta Brasília toda vez em que aparece na tela. Ou seja: não poderia ser ninguém mais que ela mesma. Pois foi numa acalorada tarde de domingo, o único dia que Poliana tinha disponível, que o projeto se concretizou. Numa reviravolta da produção da revista para ter acesso ao local, atualmente interditado e desativado, começava uma das mais exóticas experiências da jornalista: ter seu corpo parcialmente pintado e inserido numa obra de arte, criando um efeito 3D. Poliana é uma das 30 convidadas a integrar o projeto Habitathos, criado pela maquiadora Ana Siqueira. Pois foi imbuída dessa missão de ampliar a obra de Athos que ela se esmerou numa maratona de pintura que duraria sete horas entre as primeiras pinceladas até o momento de fotografar o resultado. “Eu adoro desafio”, provoca. Filha do comerciante José Martins Ferreira e da psicóloga Stela Dalva Abritta, Poliana teve uma infância que se dividiu entre entrequadras da Asa Norte e a fazenda da


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família em Minas Gerais. Estudou no Colégio Marista, formou-se no UniCeub. Frequentou o Parque da Cidade. “Eu fui criada ao lado de gente muito simples. E vi meus pais lutarem para obter as suas conquistas. E foi assim que meu mundo se cristalizou: aprecio a simplicidade e batalho pelo que eu quero. As coisas nunca vieram fáceis para mim”. E a jornada por um lugar na telinha da Globo começou em 1997, aos 21 anos. Poliana foi contratada para cobrir as férias de um repórter. A sua intimidade com o universo do jornalismo de tevê foi tanta que dois meses depois surgiu uma vaga e ela foi contratada. Sua estreia foi como repórter do telejornal local, o DFTV. Com a experiência aliada à vocação e o padrão que a emissora exige para a subida dos sonhados degraus, Poliana ganhou destaque nacional. Atualmente, com 16 anos de casa, é repórter política do Jornal Nacional. “A reportagem de rua exige uma corrida contra o tempo. E reportar no JN demanda mais. Precisamos informar além dos outros veículos. É necessária muita apuração e boas fontes. Não podemos falhar”, revela Poliana. Aos sábados, Poliana assu-

me o cargo de apresentadora, na bancada do Jornal Hoje. É ainda a substituta de Christiane Pelajo no Jornal da Globo. “Na bancada, tem aquela adrenalina de entrar ao vivo e ler com convicção as cabeças das matérias. Mas quando olho para a câmera, é como se eu estivesse olhando apenas para a pessoa”, explica. Desde abril de 2012, a jornalista vive uma das mais prazerosas experiências de sua carreira. Ela se aventura no programa Globo Mar. “Foi um presente e grande desafio na minha vida. Tive que desaprender todo o formato dos jornais. Postura, entonação... Ali, sou a Poliana. Eu converso, sorrio, me mexo, e sou daquele jeito”, diz. Poliana conta que as mudanças foram também pessoais “Tive de aprender a ser menos ansiosa. Afinal, a navegação pode levar horas. Além da espera pelo peixe. O Globo Mar me proporcionou ainda o convívio com pessoas encantadoras, como um senhor que passa dez horas no mar e, às vezes, só volta com o peixe do jantar. Conheci seres com fé na vida”, conta. E estar frequentemente no vídeo requer cuidados especiais, como exercícios diários de fonoaudiologia, madeixas cui-

dadas pelos cabeleireiros Tânia de Souza e Ricardo Maia, e zelo extremo com a pele. “Do ponto de vista estético, eu nunca tive exigência para aparecer no jornal. Faço o que toda mulher da minha idade faz, com um pouco mais de atenção”, revela. Quando o assunto é a vida pessoal, Poliana é discreta e evita o circuito social. “Eu realmente não curto”. Casada com Glenio Carvalho, adora brincar com os filhos José, Guido e Manuela, de quatro anos, e acompanhar a juventude do enteado Pedro Faral. “Igual a todas as mães que trabalham, tento transformar meu dia de 24 horas para 48 horas”, brinca. Sobre a gravidez múltipla, Poliana pensa que os filhos aprendem desde a gestação a dividir. “Acredito que ter trigêmeos seja mais fácil do que ter três filhos em idades diferentes. Mas tem horas que cada um quer brincar de uma coisa. É quando explico que sou apenas uma. E inventamos uma brincadeira que envolva todos”, relata, pacientemente, a virginiana. A jornalista conta que defende com unhas e dentes sua cidade natal. Certa vez um rapaz veio falar que na Capital Federal só tinha corrupção. “Fui indelicada e respondi na mesma hora, lembrando-o de

que é o Brasil que elege os que cá estão. E que o estado dele também havia mandado representantes para o Congresso Nacional”, lembra. Ao levar as notícias para todo o Brasil, Poliana não esconde que se sente representando Brasília, de certa maneira. “Na rua, não é incomum ser abordada. A situação, de modo geral, é sempre surpreendente, porque as pessoas se esquecem de que você é tão normal quanto elas. Costumo dizer que me sinto uma atleta indo para as Olimpíadas. Recebo carinho de pessoas que nunca vi na vida”, diz. Sobre o futuro profissional, Poliana diz que não faz planos, apesar de ter metas. E lembra que as coisas surgem, muitas vezes, do inesperado. “Alguns momentos senti ter realizado trabalhos que fizeram a diferença para mim na emissora: a cobertura do mensalão, em 2005, a minha ida ao Irã para encontro do ex-presidente Lula com Ahmadinejad, e a última cobertura presidencial”, diz, lembrando o quanto se empenhou para conseguir realizar as matérias destinadas a ela. “Mas o que gosto mesmo é de novidade. Eu adoro abrir portas. De onde menos espero, vêm possibilidades maravilhosas”.


ARQUITETURA

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O SÉRGIO

É UMA PARADA


Por Marcella Oliveira Fotos Celso Junior

O

s traços desse paranaense se encaixaram com Brasília. Modernidade, simplicidade e arte marcam a trajetória do arquiteto Sérgio Parada. Em Brasília desde 1978, quando se encantou pelas curvas de Oscar Niemeyer, coleciona muitos projetos. Foi aqui que construiu sua história e sua carreira. “Sou apaixonado por Brasília”. Sérgio Parada descobriu a Arquitetura em 1966, quando ainda se falava pouco sobre o trabalho de arquiteto no Brasil. Após ouvir de um professor de desenho a definição: um “arquiteto é quem cria a cidade e seus espaços”. Pesquisou e se deparou com os projetos de Niemeyer, que recentemente havia inaugurado a nova Capital. “Quando vi as obras do Oscar, fiquei entusiasmado. Foi ele quem me dirigiu para a Arquitetura. Se não fosse ele, talvez eu não tivesse abraçado a profissão”, revela. E foi pelas ruas de Brasília que Sérgio Parada desenvolveu seu trabalho. Quando desembarcou na Capital tinha 27 anos. Formado, veio após ser convidado para trabalhar no projeto da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. “Eu tinha meu escritório em Curitiba e dava aula em universidades. Abandonei tudo e vim para ficar apenas seis meses e estou até hoje”, lembra. E a Capital conquistou o coração de Parada. “A cidade me atraiu. Ela me mostrava na

Foto Haruo Mikami

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Projeto de residência no Lago Sul

Um dos mais conceituados arquitetos do País fala de suas obras premiadas, do amor por Brasília e a paixão por seus idealizadores. E questiona tamanha desordem urbana, além da falta de comprometimento com projetos originais na hora de reorganizar a Capital da República Foto Haruo Mikami

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O antigo saguão do aeroporto

prática o que para mim ainda era teoria”, conta. Morou aqui por um tempo e depois foi fazer mestrado no México. Quando voltou ao Brasil, em 1983, não pensou em outro lugar. “Tinha que ficar em Brasília, era a minha cidade”, conta. O horizonte de Brasília tornou-se, então, a sua residência. Além do emprego em uma empresa do ramo, Sérgio Parada exercitava seu talento, realizando projetos particu-

lares fora do seu horário de trabalho. E começou a participar de concursos públicos. Um deles e importante foi em 1990, para o projeto do Pavilhão do Brasil na Feira Internacional de Sevilha, na Espanha. “Foi um dos mais concorridos e tiramos o segundo lugar”, lembra. Mais tarde, também ganhou o concurso internacional para o projeto do Aeroporto de Wuxi, na China, entre outros.

Com a demanda, oficializou o escritório Sérgio Roberto Parada Arquitetos Associados, em 1997. “Antes eu fazia meus projetos, mas como profissional liberal. Tinha outro emprego em uma empresa de consultoria. A partir desta data passei a me dedicar exclusivamente ao escritório”, conta. Parada assina muitas casas espalhadas por Brasília. “Projeto de residências foi o que mais fiz até hoje”, revela. Mas ele também adora projetar edifícios públicos. Em Brasília, alguns projetos de destaque construídos, como o Aeroporto JK e os Postos Comunitários de Segurança. Ele também tem projetos pelo Brasil e pelo mundo, alguns construídos, outros não, como aeroportos em várias cidades brasileiras, a catedral de Palmas, no Paraná, a Biblioteca Nacional do México, o Aeroporto de Wuxi na China, dentre outros. Os projetos de Sérgio Parada envolvem arte em sua concepção. Ele conta que aprendeu com Athos Bulcão que a arte e a arquitetura precisam estar em sintonia. “Esse é o grande mérito do artista. Ele não foi só mais um que pinta um quadro para ser colocado na sala. Ele insere a arte na obra arquitetônica”, lembra. Para o arquiteto, não há como desvincular ambas. “Tem como imaginar o Teatro Nacional sem os cubos do Athos?”, analisa.


ARQUITETURA

Paixão por Brasília A primeira vez que Sérgio Parada esteve em Brasília foi antes de ser arquiteto. Com um grupo de colegas da Escola Técnica, onde estudava edificações, veio conhecer a nova Capital em 1968. Ficou impactado com a dimensão dos lugares. “Eram muitos espaços vazios, davam uma sensação maior porque quase não tinha gente”, lembra. O Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal chamaram a atenção do então estudante. “Eu ainda não era formado, mas tinha uma sensibilidade natural”, conta. A organização da cidade também o atraiu. “Venho de uma origem europeia e essa questão da organização faz parte de mim”, explica. “E me deparar com aquela novidade organizada espacialmente não era uma coisa qualquer. Era incrível”, revela. Há 35 anos morando em Brasília, Parada acompanha atentamente a cidade se transformar e ganhar formas distintas. “Lúcio Costa,

se vivo, choraria por muitas coisas novas que estão sendo feitas. Por exemplo, ele planejou prédios delicados para as superquadras, com pilotis. Os novos são desproporcionais, cheios de coisas embaixo, como salões de festa, quartos de depósitos, paredes, que impedem a livre circulação. Lúcio pensou no andar térreo como um espaço mais aberto, como nos prédios da 107 e 108 Sul”, comenta. E, para o arquiteto, assim como as grandes cidades brasileiras, em Brasília as diferenças sociais são grandes. “São correções que temos que ter no País urgentemente. Precisamos nos preocupar com novas necessidades, como a mobilidade urbana. Mas não é só responsabilidade do governo, também é da população. Temos que exercitar o respeito ao próximo e a cidadania. Afinal, a cidade é nossa”, afirma.

A vida com amigos A profissão o levou a conhecer muitos de seus amigos. “Na minha vida, nada se justifica se eu não estiver entre eles”,

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afirma. É em sua moderna casa no Lago Norte, onde mora desde 2001, que Parada organiza encontros informais que acabam se tornando um programa cult, uma vez que vive cercado de intelectuais. “Adoro receber em casa”, revela. A casa planejada por ele é ampla, e encanta. Já foi fotografada inúmeras vezes por publicações especializadas. Em uma das paredes, um painel do Athos Bulcão, presente do próprio artista. Repleta de obras de arte, integradas com o projeto. O mobiliário é de grandes designers, como Sérgio Rodrigues, Mackintoch, Mies, Le Corbusier, Charles & Eames e Bertóia. É clara e harmonizada com o jardim. Lá dentro, tudo organizado. Não há nada jogado, nem desarrumado. Até o guarda-roupa, onde separa suas peças por cor e tipo. “Se estou no mezanino e vejo algo fora do lugar, desço e arrumo“, revela. Sua casa parece mesmo de revista. E já foi até cenário de filme. O diretor brasiliense Renato Barbieri filmou o longa As Vidas de Maria na casa

de Parada, em 2005. Tudo se manteve do jeito dele: cama, móveis, objetos. “A casa se transformou num set real. Ficou alguns dias cheia de gente, umas 40 pessoas. Acompanhei algumas das gravações, e foi engraçado ver meu canto no cinema”, conta. “Gosto de filmes de arte. Adorei ambos sobre Renato Russo (Somos tão Jovens e Faroeste Caboclo). Me faz lembrar de quando eu me mudei para Brasília”. De viagem marcada para Paris e Lisboa no segundo semestre, o arquiteto conta que viajar, além de arte e teatro, é uma das coisas que ama.

O aeroporto e sua reforma Um dos principais projetos de Sérgio Parada é o do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubistchek, elaborado nos anos 90. Na época, a concorrência foi ganha pela construtora Camargo Correa, que contratou a empresa de consultoria da qual Parada fazia parte. Autor de vários projetos, Fotos Haruo Mikami

Posto Comunitário de Segurança

A capela extinta no aeroporto

O painel do Athos Bulcão no aeroporto


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Sérgio Parada à frente do painel do amigo Athos Bulcão

como os dos aeroportos de Wuxi, na China, e em várias cidades no Brasil, Parada ganhou muitos prêmios no Brasil e no exterior com o Terminal de Passageiros do Aeroporto JK, em Brasília. “É uma obra que marcou pela concepção em si. Mas o projeto total nunca foi concluído, pois ainda incluía o satélite sul e dois edifícios, um hotel e outro de Centro Empresarial mais um Centro Comercial, garagem, Museu da Aeronáutica. Isto não será concluído”, diz o arquiteto, referindo-se ao novo projeto que está sendo executado a todo vapor, e que, segundo ele, em desacordo com a proposta original. O clima de natureza no desembarque, com jardim e espelhos d´água, deixou de existir. A capela que ficava no terraço também foi extinta. Os bancos de concreto foram substituídos. “Está havendo uma descaracterização. Mudaram os jardins, a iluminação e

arte de lugar. Tudo foi planejado em conjunto, e não individualmente”, brada Parada. Quando foi idealizado, o planejamento era para ter oito milhões de passageiros por ano em 2008. Em 2012, foram quase 16 milhões. “Claro que precisa das readequações exigidas pelo tempo, a conclusão do projeto e a expansão viriam normalmente, mas essa reforma invadiu o desenho do prédio e não respeitou minha obra”, lamenta. O arquiteto questiona com veemência a forma como a intervenção está sendo feita e afirma não ter sido consultado. “Eu me coloquei à disposição, principalmente nas interferências que seriam feitas no Terminal de Passageiros, que é de nossa autoria. Acho falta de ética mexer em um projeto que tem um autor vivo e em plena atividade”, opina. O Consórcio Inframérica, que administra o aeroporto desde fevereiro deste ano, disse que não houve alteração

na concepção básica do projeto. E que as obras internas são melhorias para atender as necessidades demandadas pelo crescimento do fluxo de passageiros e bagagens. “Estamos à disposição do arquiteto e, recentemente, tivemos uma conversa. Estamos sempre abertos para escutá-lo e, se for o caso, contar com a sua cooperação”, disse, em nota, a Inframérica. Outro ponto questionado pelo arquiteto é o painel de 130 metros do artista Athos Bulcão. Atualmente, ele está parcialmente tampado por causa de reforma. O Consórcio Inframérica informou que a proteção se dá pelo fato de ele se localizar em uma área em obras, onde será a futura sala vip. Ele será restaurado até a relocação no Píer Norte, que deve ficar pronto somente em 2014. A mudança do local foi uma decisão da Inframérica com a Fundação Athos Bulcão, para que o painel tenha maior visibilidade

por aqueles que passarem pelo aeroporto.

Segurança Outro projeto recente faz parte do currículo de Sérgio Parada. Em 2007, a pedido do então governador José Roberto Arruda, criou os Postos Comunitários de Segurança. Seriam implantados 300 em todo o DF, mas com as mudanças de governo, pouco mais de cem saíram do papel. “É uma frustração, pois a ideia não foi concluída”, lamenta. Parada explica que eles não foram implementados como o planejado. “O projeto previa a instalação em áreas verdes, solto do chão para o ar circular, o que não aconteceu em todos. Era um sistema de comunicação entre a natureza, os policias e a população. Levar a segurança para perto da comunidade, como se fosse um trailer. O projeto não foi implementado em seu todo e ficou capenga. Foi uma ideia abandonada”, conclui o arquiteto.


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TEATRO

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OS MELHORES (E MAIS AMADOS)


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DO MUNDO

Prestes a iniciar as filmagens de um longametragem em parceria com a Fox Filmes, o sexteto se prepara para celebrar duas décadas de sucesso ininterrupto, que lhes rendeu reconhecimento, dinheiro e também projeção para Brasília


TEATRO

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Por Marina Macêdo Fotos Celso Junior

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á 18 anos eles se apresentam nos principais palcos do País. Arrancam gargalhadas por onde passam. Atraem todas as gerações. Mantêm-se acessíveis aos fãs e se apresentam com casa cheia em quase todas as circunstâncias. Tem média de seis mil espectadores por final de semana. Realizam espetáculos com enredo e ritmo bem elaborados e piadas absolutamente atualizadas. Eles são Os Melhores do Mundo. A principal companhia de teatro da Capital Federal. O embrião do grupo foi a

companhia A Culpa é da Mãe, que também teve sua importância na cidade no início dos anos 1990, mas que chegou ao fim em 1995. Desta primeira formação, vieram três integrantes da trupe: Adriana Nunes, Welder Rodrigues e Ricardo Pipo. Na cena artística da cidade, os jovens conheceram os talentosos Jovane Nunes, Victor Leal e Adriano Siri e resolveram fechar um sexteto. Foi quando surgiu a pergunta: “Qual nome lançaria esse novo time de humoristas?”. Só havia uma certeza. Deveria ser algo que tivesse uma

pitada de humor. “O nome surgiu como uma piada. Afinal, quem são os melhores do mundo? No início, uns nos achavam pretensiosos e outros entendiam como uma piada. Deu certo e as pessoas acabaram se acostumando”, lembra Jovane. Juntos, eles formam uma equipe compacta. Jovane Nunes e Victor Leal ficam a cargo dos textos. Adriana Nunes cuida do cenário e do figurino. Welder Rodrigues, da programação visual e ensaios. Pipo integra a equipe da sonoplastia. E Adriano, da produção.

Uma organização que ocorreu de maneira espontânea e por afinidades. Sem vaidade, aceitam sugestões dos parceiros e sobem todos nos tablados como protagonistas da noite. A semana do sexteto é atarefada. Participam de reuniões no escritório da companhia, situado no Setor Comercial Norte, e cada um ordena seus afazeres. “Ao longo da semana, organizo os figurinos da peça que será apresenta no final de semana. E separo os elementos que vão compor o cenário. Enquanto os meninos cuidam de suas


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respectivas partes”, diz Adriana, a única integrante do sexo feminino do grupo. Já aos finais de semana, o grupo embarca para os mais variados destinos do Brasil para apresentar suas montagens. Além dos seis integrantes, viajam também o produtor Carlos Henrique, o diretor técnico Marcello Linhos, o sonoplasta Luiz Pires e o contrarregra Edézio Silva. A peça que estreou a companhia foi Rumo ao Planeta Boing, no dia 21 de abril de 1995, na Casa do Teatro Amador, o atual Teatro Funarte Plínio Marcos. Após a saga da primeira missão brasileira no espaço, o grupo não parou e, hoje, soma 29 espetáculos autorais. Segundo Adriana, entre eles, os mais encenados são: Hermanoteu na Terra de Godah (1995), Sexo - A Comédia (1996), Misticismo (1996), Notícias Populares (1997), DingouBéus (1998) e Os Melhores do Mundo Futebol Clube (2002). Adriana revela ainda que os anos de bagagem aliados à afinidade dão certos privilégios ao gru-

Adriana Nunes Nascida no dia 17 de setembro de 1969, Adriana é brasiliense e formada pela Faculdade Dulcina de Moraes. Casada com Adriano Siri, também da companhia, é mãe de três filhos: Ana, Théo e Liz.

po. “Nós não temos ensaios. Sabemos exatamente o faremos em cena. Só ensaiamos quando resolvemos resgatar um espetáculo que não encenamos há anos”, diz. A cada temporada, as peças passam por uma repaginada. Victor Leal ressalta que é preciso reciclar sempre as piadas. “Elementos do cotidiano dão frescor ao texto. Como um fato político, um personagem da novela ou mesmo as manifestações que estão ocorrendo atualmente no Brasil”, conta. Outro diferencial do grupo é a identificação com a platéia. “Na peça Hermanoteu na Terra de Godah temos 32 momentos em que se encaixam piadas que envolvem a cidade onde estamos apresentando. É praticamente um espetáculo personalizado. No texto, citamos faculdades, boates, bares e políticos do cotidiano daquele público. E, quando a plateia vê nosso esforço, ganhamos sua empatia”, diz Leal.

Cinema e TV A primeira experiência fora dos tablados foi em 2004,

quando o grupo rodou o curta-metragem À Espera da Morte, que trazia a história de um submarino russo, que ficava preso no fundo do mar. Para tal, os artistas cursaram, ao longo de dois meses, aulas do idioma de Dostoievski. Com direção de André Luís da Cunha, a obra de 16 minutos teve participação do comediante Chico Anysio e foi lançada no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2005. “Na ocasião, o filme foi bem recebido pelo público. Tanto que resolvemos colocar o curta como extra do DVD Hermanoteu na Terra de Godah”, diz Adriana Nunes. Contudo foi em 2006 que o grupo deu passos largos. Após uma entrevista no programa Jô Soares, da TV Globo, um esquete do personagem Joseph Klimber, vivido no espetáculo Notícias Populares pelo ator Welder Rodrigues, foi parar na internet. A história do rapaz que não desiste por nada ganhou compartilhamentos, curtidas, acessos e conquistou os brasileiros. “A repercussão foi algo absurdo.

Adriano de Assis Mais conhecido como Adriano Siri, é carioca. Nascido em 26 de julho de 1968, formou em Arquitetura na Universidade de Brasília. Foi o último a ingressar nOs Melhores do Mundo, em 1995.

O vídeo chegou a ser o terceiro mais acessado do Youtube naquele ano”, lembra Jovane. A ferramenta trouxe ainda a projeção internacional ao grupo. “Como a internet não tem fronteiras, ficamos conhecidos em Portugal. Já fizemos quatro temporadas lá por conta desse sucesso”, comemora Victor Leal. No mesmo ano, o grupo assinou um contrato com a Rede Globo. Na emissora, participaram do humorístico Zorra Total, onde estrelaram os quadros: Nave Brasil, Os Risadas e a dupla Jajá e Juju, vivido por Welder Rodrigues e Adriana Nunes. “Integrar o elenco da Globo foi uma experiência maravilhosa e que abriu muitas portas para o grupo, como entrevistas para grandes veículos de Comunicação e divulgação do nosso nome”, aponta Adriana. Em 2009, a rotina intensa de gravações durante a semana no Rio de Janeiro e turnê com peças aos finais de semana fez com que o grupo não renovasse o contrato. “Com esse ritmo acelerado de

Jovane Nunes Nascido no dia 12 de outubro de 1969, é de Ceres, município do estado de Goiás. Cursou Artes Cênicas na Universidade de Brasília. Entrou para a companhia em 1994, escrevendo e atuando.


TEATRO

trabalho, tivemos de optar se seguiríamos na televisão ou no teatro. Pois estava inviável continuar nos dois, afinal, temos nossa vida pessoal também”, lembra Adriana. Foi quando resolveram divulgar a companhia por meio de gravações de espetáculos. A primeira montagem a virar DVD foi Notícias Populares, gravado no Canecão, no Rio de Janeiro. Foram vendidas 50 mil cópias. Depois foi a vez Hermanoteu na Terra de Godah, gravado no Citibank Hall, em São Paulo, que atingiu o mesmo número de vendas do anterior. O terceiro, Sexo – A Comédia, foi gravado em maio deste ano, no Centro Cultural da New World Stage (Off Broadway), em Nova York. “Foi uma experiência maravilhosa. Fomos bem recebidos na cidade e tivemos as três sessões apresentadas com casa cheia. A previsão de lançamento é para novembro”, adianta Adriana. E Os Melhores do Mundo não escaparam da pirataria. Victor Leal conta que assim que são lançados, os DVDs viram febre

Ricardo Pipo Ricardo nasceu em 24 de fevereiro de 1973, em Brasília. Fez sua estreia nos tablados no famoso Jogo de Cena, onde conheceu Welder Rodrigues, também do grupo. Pipo integra desde o início a trupe.

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e logo são pirateados. “Acredito que mesmo na ilegalidade isso deu para o grupo a popularidade. Ajudou a levar mais gente para o teatro. O que é nosso objetivo-fim. De um modo politicamente incorreto, nos serviu como divulgação”, analisa o humorista.

Amizade Sobre os anos de trajetória da companhia, o integrante Victor revela o segredo: “Somos seis sócios e temos o mesmo peso no grupo. Acredito que o sucesso se deve à afinidade e ao respeito que são muito grandes. Além da química, que deu muito certo”. Com convívio diário e viagens marcadas quase todos os finais de semana do ano, Adriana compara a relação de quase duas décadas a um casamento. “É como um casamento de 18 anos, nos vemos sempre. Mas não fazemos sexo”, brinca. Mas a relação ultrapassa o profissionalismo. No sexteto, há grandes amizades, como a de Welder Rodrigues e Ricardo Pipo. Eles se conheceram

no Jogo de Cena, há 25 anos, seguiram juntos nas companhias A Culpa é da Mãe e Os Melhores do Mundo. E deu até casamento entre Adriana Nunes e Adriano Siri, que se conheceram na companhia, e já somam 15 anos de casados e dois filhos: Théo e Liz. A agenda, controlada pelo produtor Carlos Henrique, mais conhecido como Zizica, é concorrida. E o cachê é mantido sob sigilo. Para Marina Falcão, assessoria de imprensa do grupo desde 2001, trabalhar com o grupo é levar a vida com bom humor. “É uma escola. Para Os Melhores do Mundo até um puxão de orelha vira piada”, comenta. Fora de cena, eles levam a vida como qualquer outra pessoa. Moram em Brasília e não é difícil encontrá-los pela cidade. Gostam de passar o tempo livre cercados de familiares e amigos. Frequentam a cena cultural da Capital, e dialogam com os fãs com a mesma bossa do palco. Estrelismo não há. “Nem combina com a gente”, diz Jovane. Para 2014, o grupo brasilien-

Victor Leal Nascido no dia 4 de maio de 1971, é carioca. Graduado em Administração de Empresas pela Universidade de Brasília. Entrou para a equipe de Os Melhores do Mundo em 1994, escrevendo e atuando.

se promete entrar no clima da Copa do Mundo e prepara uma turnê nacional com a peça Os Melhores do Mundo Futebol Clube. Também para o próximo ano, terá início um projeto ainda maior: a produção do primeiro longa-metragem da trupe. Intitulado Hermanoteu, o filme traz um elo entre Os Melhores do Mundo e a Fox Filmes. A novidade levará às telas de cinema trechos da peça de nome homônimo e uma história maior em torno da trama. Uma obra cujo investimento soma R$ 10 milhões. O sexteto integrará o elenco do longa. Já o roteiro fica a cargo de Mauro Wilson, que trabalhou com o grupo Os Trapalhões. “A previsão é que o filme esteja em cartaz em 2015”, finaliza Victor Leal. Nós somos trabalhadores, vivemos da arte bem-humorada e somos fruto de mais uma boa leva de artistas gerados em Brasília. Disciplina, respeito e integração nos levaram onde estamos agora. Ainda temos muito o que realizar. E melhor, sem deixar a nossa cidade”, finaliza Jovane.

Welder Rodrigues Do dia 11 de maio de 1970, Welder é brasiliense. Fez sua estreia no teatro no Jogo de Cena. E logo integrou a companhia A Culpa É da Mãe, considerada embrião do grupo Os Melhores do Mundo.


CINEMA

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Por Marcella Oliveira Foto Celso Junior

A

s poltronas são os bancos do carro. Ou uma cadeira do lado de fora. E, se preferir, pode ficar em pé ou sentado no capô. Pode andar, conversar, atender o celular, fazer barulho. E ainda tem o ar puro, o céu, as estrelas e a lua. Um tipo diferente de cinema, que existe aqui, no meio do Cerrado, o último do Brasil. O Cine Drive-in de Brasília completa

40 anos e mostra que com amor ao cinema é possível resistir ao tempo e à modernidade. Localizado no Autódromo Nelson Piquet, na Asa Norte, ir ao Cine Drive-in tornou-se um programa inusitado. A tela é enorme, são 312 metros quadrados de concreto puro, com projeção moderna de uma lanterna Xenon. O som é sintonizado no rádio do carro, na fre-

quência 88,7 FM. Se a bateria acabar, a administração tem o cabo para fazê-la funcionar. Quem não tem rádio no carro, pode solicitar o antigo recurso da caixinha de som colocada ao lado do veículo. O local tem 15 mil metros quadrados de asfalto, que cabem até 500 carros. Como fica dentro de uma área do autódromo, está cercado e é

seguro. O banheiro foi reformado recentemente e, para os dias chuvosos, tem uma garagem especial para o cliente não se molhar. Durante a semana, são duas sessões por dia. Sábados, domingos e feriados, três. Você pode entrar para assistir a um filme e ficar para as outras sessões. Não tem que enfrentar fila para comprar o lanche,


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Ponto de encontro nas décadas de 70 e 80, o cinema é ainda se mantém aberto graças ao amor de sua dona, que cresceu no local. Na tentativa de se manter vivo, ele é cenário e história de dois filmes, que prometem botá-lo de novo na cena cultural de Brasília

O ÚLTIMO DRIVE-IN

basta acender o farolete e fazer o pedido ao garçom, que ele vem até o seu carro. “Todos os lanches são preparados na hora do pedido. Como sou nutricionista, faço o controle de qualidade de perto”, garante a proprietária do Drive-in, Marta Fagundes. Personalizar uma sessão de cinema dentro do seu próprio carro é o grande atrativo do

Drive-in. Amigos se divertem. Famílias conversam naturalmente. Casais namoram. Os mais modernos podem acessar e-mails ou mandar mensagens via celular. Pessoas com necessidades especiais e obesos sentem-se mais à vontade. Pode levar o bebê sem se preocupar se o choro vai atrapalhar alguém. Tem quem leve seu bicho de estimação,

para não deixá-lo sozinho em casa. Os fumantes adoram. Pode ir até de pijamas e chinelo. Cine Drive-in é sinônimo de liberdade.

Experiência Sábado à noite. A primeira sessão começa às 19h, é preciso estar escuro. Os carros entram no local com crianças, que levam cobertor, travessei-

ro e estão com roupas confortáveis. Famílias se divertem à moda antiga, alguns assistem ao filme deitados no porta-malas aberto. “Eles têm uma liberdade aqui que não podem ter em uma sala de cinema, de falar alto e correr. Eles adoram”, conta Carolina Soares, que levou seus dois filhos. Terminado o desenho, começa o segundo filme, naque-


CINEMA

le dia um hollywoodiano. As famílias vão embora, chegam grupos de amigos e casais. O servidor público Henrique Dias, 40 anos, levou três amigas mineiras, de passagem pela Capital, para conhecer o cinema. Os quatro estavam do lado de fora, rindo, tirando fotos e assistindo ao filme. “Eu frequentei muito quando criança e achei que seria um programa diferente para fazer com elas. O que mais gosto é o fato de poder sair do carro, andar e comentar o filme sem incomodar ninguém”, diz. Apesar de muito popular entre as crianças, o Drive-in ainda é pouco conhecido pela nova geração. E quem frequentou nos anos 1970 e 1980, geralmente, nem sabe

que ele ainda está aberto. “Hoje, os pais levam os filhos ao cinema nos shoppings, por isso é uma geração que não conhece o Drive-in. Mas estamos, aos poucos, conquistando esse público”, afirma a proprietária. A maioria é de crianças e o maior movimento é de sexta-feira a domingo. Durante a semana, são poucos carros. O cinema convive ainda com o preconceito em relação à utilização do espaço para namorar. “As pessoas confundem muito. Ligam, perguntando se tem cama, se o filme é pornográfico. Fico feliz em esclarecer que não tem nada disso e que passamos filmes como outro cinema qualquer”, enfatiza Marta Fagundes.

Foto Rose May Carneiro

Uma das cenas do filme com o veterano Othon Bastos

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História O formato do Cine Drive-in ganhou popularidade nos Estados Unidos, nos anos 1940, com o crescimento do número de automóveis. O modo de diversão também passou a ser visto em filmes, com aqueles carros conversíveis e a tela ao ar livre. Conquistou os brasileiros na década de 1970, mas foi desaparecendo com o crescimento das salas de cinema em shoppings. O de Brasília foi inaugurado dia 25 de agosto de 1973, com exibição do filme Receita: violência, de Blake Edwards. Surgiu quando não existiam nem dez salas de cinema por aqui. E resistiu, mesmo com as dezenas de salas espalhadas no Distrito Federal atualmente.

O projeto do Drive-in é de um engenheiro chamado Ricardo Koury, que se inspirou nos traços do arquiteto Oscar Niemeyer. A tela tem 26 metros de largura por 12 de altura, e uma espessura de 8 cm de puro concreto. Ela tem duas lascas, feitas por uma queda de raio. O Drive-in foi uma aposta do jovem Paulo Renato Figueiredo, filho do militar João Figueiredo, depois que se tornou presidente da República. O pai da atual proprietária do cinema também era militar e começou a gerenciar o local em 1975. “Eu ajudava meu pai nos fins de semana e assisti muitos filmes aqui”, lembra Marta Fagundes. Em 1978, ela começou a faculdade de


www.gpsbrasilia.com.br Foto Rose May Carneiro

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Set de filmagens do longa O Último Cine Drive-in, do diretor brasiliense Iberê Carvalho

Nutrição na Universidade de Brasília (UnB) e assumiu a gerência do local. Estudava de dia e trabalhava de noite. Até os anos 1980, o Drive-in foi um sucesso. Mas com o surgimento das salas de cinema em shoppings, o público diminuiu e o proprietário decidiu fechá-lo em 1988. “Eu estava há mais de dez anos envolvida com o Drive-in e não poderia deixar isso acontecer. Juntei todas as minhas economias, vendi meu carro e assumi o negócio”, lembra Marta. Mas como um dos sócios levou os equipamentos de projeção, o local ficou fechado por um ano até que a proprietária conseguisse organizar as finanças e reabri-lo em 1989. Desde então, a luta pela sobrevivência do Drive-in é sustentada pelo amor de

Marta ao local. “Já tive altos e baixos. Pensei em fechá-lo algumas vezes. Como tenho um trabalho de nutricionista, consigo sustentar. Eu sempre acreditei no cinema”, revela Marta, que hoje administra o local em parceria com os filhos, Bruna e Diego. O cinema é privado, mas está em um espaço público. Fica em uma área dentro do autódromo, administrado pela Secretaria de Esportes, mas não tem ajuda do governo. E ainda conta com alguns problemas quando há corridas noturnas no kartódromo, pois o barulho e a iluminação são ruins para o funcionamento do cinema. “Eu gostaria que o governo desse mais atenção ao espaço. Não podemos deixá-lo virar um depósito ou boxes de kart. É uma tradição que precisa ser mantida”, desabafa a

proprietária. Há quatro anos, ela pensou em fechar as portas. Mas resolveu participar das promoções de sites de compra coletiva e o movimento aumentou. “Temos hoje uma média de duas mil pessoas por mês, o que é bom”, avalia a proprietária. Recentemente, a exibição do filme Faroeste Caboclo, do cineasta brasiliense René Sampaio e ambientado em Brasília, lotou o cinema. “As pessoas precisam vir conhecer antes de formar sua opinião. É um programa fantástico, diferente. Eu investi e acreditei muito. E tem tudo para continuar e crescer”, espera Marta Fagundes.

Set de filmagem A resistência do Cine Drive-in o transformou em set de

filmagem. Coincidentemente, dois projetos de diretores brasilienses envolvem o Drive-in. Iberê Carvalho e Cláudio Moraes levarão para as telas um pouco da história do cinema ao ar livre. O diretor e historiador Cláudio Moraes, 44 anos, produz um documentário sobre o Cine Drive-in, ainda sem título. A ideia surgiu em 2010, quando ele passou em frente ao cinema e não sabia que ainda funcionava. Resolveu assistir a um filme, era a primeira vez que vivia aquela experiência. “Então, comecei a esboçar um roteiro”, conta. No ano passado, decidiu inscrever o projeto no Fundo de Apoio à Cultura (FAC), do Governo do Distrito Federal e conseguiu a verba de R$ 120 mil para a produção. Este é o segundo trabalho de Moraes,


CINEMA

que estreou no cinema em 2010, com o curta O Golpe de Mestre. O trabalho de pesquisa foi grande. Cerca de 20 pessoas estão envolvidas na produção do filme. “A ideia é contar toda a história do Drive-in, o sucesso, a decadência e o retorno. Ele tem suas curiosidades”, conta. As filmagens começaram no dia 27 de junho deste ano e devem se estender até dezembro. A previsão de lançamento é para 2015. “Já prometi para a Marta que vou lança-lo lá”, adianta. Entrevistas com funcionários e frequentadores estarão no documentário. “Tudo que rola ali dentro, desde uma festa de criança que filmei esses dias no local até as próprias filmagens do filme de ficção do Iberê Carvalho”, diz. Além de contar a história do Drive-in, Moraes quer que as pessoas conheçam o espaço. “Brasília precisa descobrir que aquilo ainda existe, é parte da cidade, não podemos deixar nunca ele acabar. Se as pessoas conhecerem e curtirem, vão unir forças para mantê-lo vivo”, espera o diretor.

Ficção Já Iberê Carvalho, 37 anos, usou o local como cenário do filme de ficção O Último Cine Drive-in, filmado em julho e agosto, com previsão de lançamento em festivais de 2014. Depois de nove curtas-metragens e 13 anos de carreira, essa é a estreia do diretor brasiliense em longa-metragem.

Iberê trabalhava uma ideia de fazer um filme sobre o reencontro entre um pai e um filho. Inicialmente, o pai seria dono de uma lanchonete. Mas ao assistir um filme no Drive-in com um amigo, em 2010, veio a ideia de que esse reencontro poderia acontecer dentro do cinema. O roteiro, assinado por Carvalho, em parceria com Zepedro Gollo, conta a história de um jovem chamado Marlombrando, que mora em Anápolis (GO) e, quando a mãe fica doente, os dois vêm para Brasília fazer alguns exames. Ele acaba se vendo obrigado a pedir ajuda ao pai, que não vê há 15 anos, proprietário do Drive-in. “Eles vão reconstruir essa relação embaixo de uma tela de cinema”, adianta o diretor. O orçamento do filme é de R$ 1,4 milhão, produzido com recursos do FAC e também patrocínio da Petrobras Cultural. Duas cenas foram gravadas em Anápolis, todas as outras são ambientadas na Capital. “Trouxe uma abordagem local ao usar o Drive-in e Brasília como cenário. Mas não é feito só para quem é de Brasília. Escolhi um tema que considero universal, que são as relações familiares, e gente do mundo inteiro vai se identificar”, afirma Carvalho. Foram quatro meses de pré-produção e as filmagens foram feitas em seis semanas. O elenco conta com o veterano Othon Bastos no papel de Almeida, o dono do Drive-in. Ele batizou o filho de Mar-

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lombrando por causa de uma paixão pelo cinema. “Não conhecia o Iberê quando recebi o roteiro. Quando li, achei maravilhoso. Acho incrível o paralelismo que ele faz entre a decadência da saúde pública e a destruição da cultura no País, que está em uma maca no hospital”, comenta. O filho de Almeida é interpretado pelo ator maranhense Breno Nina. “Morei sete anos em Brasília e nunca soube que existia um drive-in. É uma experiência cultural que mercadologicamente não é rentável, por isso está fadada a ser extinta, mas se manteve pelo amor de quem cuida. É bonito isso”, opina. A grande aposta do diretor está no roteiro. “É um drama bem-humorado, uma história capaz de emocionar sem ser piegas, sem ser melodramática”, adianta Carvalho. Foi o roteiro que conquistou a atriz baiana Rita Assemay, que interpreta Fátima, mãe de

Marlombrando. “A gente está vivendo um momento mundial de desencontro, o filme é o oposto disso”, diz Rita. Para Iberê é um desafio produzir um longa-metragem. “O curta demanda muito tempo de preparação, mas depois que começa já tem tudo organizado. O maior tempo que levei para filmar um curta foi dez dias. O longa é uma maratona, que você precisa reorganizar no meio do caminho, sem perder a essência, e um trabalho de filmagem que dura semanas”, compara o diretor. A expectativa é percorrer festivais de cinema no primeiro ano de lançamento, em 2014, e fazer o lançamento comercial em 2015. Serviço Cine Drive-in Área Especial do Autódromo Nelson Piquet, Asa Norte. Programação: www.cinedrivein.com Ingressos: de segunda a quinta-feira, R$ 14 (inteira). De sexta a domingo e feriados, R$ 16 (inteira). Estudantes, idosos e crianças até dez anos pagam meia-entrada

Como funciona o Drive-in

- Sintonize o rádio do carro na frequência 88,7 FM para ouvir o som do filme - O cardápio é distribuído na entrada do cinema. Para chamar o garçom, acenda o farolete - Junto com um lanche, você recebe um saquinho de lixo, que pode ser colocado no tonel na saída do cinema - Se estiver em perigo, ligue o pisca-alerta - O local é seguro. Não se assuste se vir um vulto passando, pois é um dos funcionários do local - Se quiser ir embora antes do filme acabar, deixe para acender o farol quando sair do cinema

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TENDÊNCIA

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DUELO Listras e florados nunca abandonaram as passarelas. Ora aparecem mais tímidos, ora surgem cheios de importância. Mas estão sempre presentes. A padronagem caiu nas graças dos fashionistas há três temporadas, proclamada pela Prada, e nunca mais saiu da cena. As flores, por sua vez, protagonizaram belos desfiles de Dolce&Gabbana e Valentino. Agora, ambas, juntas ou separadas, desfilam pelas avant premierès carregadas por atrizes e mulheres de classe (PS) Marie Amiere e Esther Seibt

Princesa Charlene de Mônaco

Jeina Ristic Vieves Alvarez

Chanel Iman

Daisy Lowe

Charlotte Dellal Polina Sikorskaya

Ashley Rickards


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DAS BELAS Holland Roden e Crystal Reed

Miranda Otto Diem Brown

Cynthia Preston Tennille Houston

Maia Mitchell Willie Chiv

Jennifer Aniston Heidi Klum


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UMA

NOITE NO

TEATRO Em breve passagem pela Capital, a atriz brasiliense Gabrielle Lopez participa de ensaio cênico na Sala Villa-Lobos, local onde atuou até a adolescência, antes de partir em busca de sua carreira. Ao longo da sessão fotográfica, ela conta sua história e fala do amor ao teatro, à família e a Brasília


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Por Marcella Oliveira Fotos Celso Junior Styling Marcus Barozzi

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oi no palco da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, que a atriz Gabrielle Lopez falou sua primeira frase em um espetáculo. Era uma apresentação de fim de ano da escola de ballet. Ela tinha apenas nove anos e nem imaginava que faria dos palcos o seu trabalho. Nascida e criada na Capital Federal até seus 17 anos, Gabrielle iniciava ali seu envolvimento com a arte, que passou pelo jazz, piano, até chegar ao teatro. Em quase 22 anos de carreira, a atriz transitou do teatro infantil aos filmes e séries de TV. As aulas de teatro na escola renderam frutos e foi onde ela descobriu sua vocação. Aos 14 anos, fez um teste com uma equipe do Rio de Janeiro, que estava montando uma peça em Brasília, e ganhou o papel de uma das irmãs patas no espetáculo O Patinho Feio. Ficou um ano em cartaz no Teatro Sesc Garagem, na 913 sul. “Foi minha primeira peça profissional. Certo dia, a atriz que fazia o patinho feio quebrou o pé. Como eu sempre ficava atenta nas coxias, sabia as falas dela e me deram o papel principal. Ficamos mais dois anos em cartaz”, lembra. A experiência em peças in-

fantis a levou ao grupo Neia e Nando. “Eu fazia parte da equipe de animação de festas e depois fui promovida para o teatro”, conta. Seguiu com a dupla até deixar a cidade para estudar Artes Cênicas, Teatro e Cinema nos Estados Unidos. De volta ao Brasil em 2001, hoje mora em São Paulo. Mas não é difícil vê-la pelas ruas da cidade, uma vez que vem sempre visitar sua família, que ainda mora em Brasília. “Não existe lugar no mundo melhor que a nossa casa”, diz a atriz. “Tenho uma ligação muito forte com a cidade, lugar onde mora meus amores, sou brasiliense mesmo”, completa. Em uma das passagens pela Capital Federal, Gabrielle aceitou o convite da revista GPS|Brasília para este editorial. Vestiu-se de diferentes personagens e usou o Teatro Nacional como cenário. Foi uma camaleoa. Mudou o visual e a expressão a cada clique. Trocou de roupa, sapato, cabelo e maquiagem. Simpática, ficou horas com a nossa equipe. Estava muito concentrada no trabalho. E, entre um figurino e outro, ela nos revelou um pouco mais sobre sua vida profissional, pessoal e sua relação com a cidade que tanto preza.

Quem é a Gabrielle? Neta de dona Isabel e seu Antônio. Filha de Iris e Juracy. Terceira filha de seis irmãos, tia de cinco crianças lindas e madrinha do Arthur. Sou muito sonhadora e amorosa, acho que o mundo tinha que ter sempre muito amor. E sou tímida, muito tímida. Idade? Das minhas personagens. Quando você deixou Brasília? Eu tinha 17 anos e decidi fazer intercâmbio nos Estados Unidos. Sempre achei que para avançar na carreira de atriz precisava aprender inglês. Resolvi fazer a faculdade de Artes Cênicas em Michigan. Como foi a experiência no exterior? Estudei e trabalhei. Me apresentava com grupos de teatro à noite, após a faculdade. Depois de formada em Artes Cênicas, fui realizar meu sonho, que era estudar no Actors Studio, em Nova York. Fiz os cursos de TV e cinema. Mas nunca deixei o Brasil. Nas férias, vinha para Brasília trabalhar com o grupo Neia e Nando.

Como foi o retorno ao Brasil? Voltei em 2001. Passei um tempo em Brasília e surgiu a oportunidade de fazer um teste. Consegui um papel no filme Subterrâneos, primeiro longa do diretor brasiliense José Eduardo Belmonte. Era um papel pequeno. Mas a parceria foi tão boa que ele escreveu a Ariane, do filme A Concepção, para mim, que filmamos em 2004. Depois do filme, veio a estreia em novelas. Como foi? Ainda em Nova York, em 2000, soube que o SBT produziria novelas numa parceria com a Televisa. Dos Estados Unidos, telefonei para a direção e pedi um teste. De volta ao Brasil e depois de fazer um longa em Brasília, fiz o teste em São Paulo. Peguei um papel na novela e durante noves meses trabalhei com carteira assinada e à disposição da obra. Senti timidez e medo no início, por causa das câmeras. Adorei a experiência e desejo mais. A dinâmica da novela é instigante e motivadora. A prontidão exigida é desafiadora. Depois dessa experiência, vivi personagens em séries na TV Cultura, HBO, Globo, Record e GNT.


Na televisão, um dos seus personagens de destaque foi a Marcela, do seriado Alice, da HBO? Ela era a melhor amiga da Alice. Uma ex-modelo bem-sucedida, artista e livre. Foram oito meses de trabalho intenso, vivendo e respirando a Marcela. Até hoje, ouço gente na rua gritando: Marcela! Parece que ela conquistou muitos corações por aí. E me rendeu um reconhecimento profissional maravilhoso. Foi incrível ter tido a possibilidade de criar uma personagem, brincando com minhas próprias características físicas. Por exemplo, num dos ensaios, eu e o Karim (Ainouiz, diretor) colocamos meu cabelo cacheado todo pra cima. Ao entrar no ensaio, de surpresa, um dos atores diz “Ei, Marcela, o que aconteceu com você? Veio de bug?”. Passamos a usar meu cabelo em cena. E ainda usava shorts, exibindo a pele branca. Eu, Gabrielle, jamais coloco as pernas de fora. Na verdade, depois da Marcela, até me arrisco um pouco por aí. Foi uma experiência maravilhosa; uma direção primorosa, somada a uma equipe inspiradora e uma produção original da HBO. Me considerado uma pessoa de muita sorte por ter feito parte desse trabalho. Recentemente você participou de outro seriado

da GNT, o Sessão de Terapia, quando foi dirigida pelo Selton Mello. Como surgiu essa parceria? O Selton Mello conheceu meu trabalho há anos, acredito que no filme A Concepção. Desde então, quando nos encontrávamos, mencionávamos nosso desejo de trabalhar juntos. Só não imaginava que seria com ele na condição de diretor. Fiz a Isabel, uma mãe insegura, abandonada pelo marido e responsável pela criação da Nina, uma filha adolescente e problemática. O Selton me ajudou a alcançar os lugares mais íntimos dos conflitos dessa personagem. Foi uma experiência muito rica. Me senti evoluindo artisticamente. Na Globo, você fez Por Toda Minha Vida, em 2011, sobre as Frenéticas. Foi difícil interpretar um personagem real? Eu interpretei a Lidoka. Tivemos aulas de canto, dança e improvisações. Pude me beneficiar da generosidade da própria Lidoka, que não hesitou em me receber para um bate-papo e pude pesquisar mais sobre ela e seu universo. Nesse trabalho, me tornei uma frenética. Depois de feito, veio o receio de ela, “minha personagem viva”, gostar ou não. Assistimos ao programa juntas e, naquele momento, soube que consegui convencer a pró-

pria Lidoka de que eu era ela. Ela se emocionou bastante. Ela disse que, ao assistir o programa, questionou quando era ela ou quando era eu interpretando. Imagina minha alegria. Eu e a Lidoka gostamos de brincar que eu sou ela ontem e ela sou eu amanhã. Lidoka é apaixonante e foi um enorme prazer vivenciá-la. Trabalhei e me diverti. E, além desses trabalhos em TV, nunca deixou de fazer teatro? Sempre estou no teatro. De um jeito ou de outro, volto para o teatro para reciclar, resgatar meus princípios, compreender porque escolhi essa profissão. Mas as pessoas me conhecem pelo cinema, o que acho bacana, afinal um filme chega em lugares inimagináveis e para um maior número de pessoas. Acabei de saber que A Concepção está no Youtube. Ainda fica nervosa antes de uma estreia no teatro? O teatro me trouxe o “ao vivo” de não ter uma segunda possibilidade com aquele público. Exige mais. Dá muito frio na barriga. Prefere teatro, cinema ou TV? Cada um tem a sua importância, sua necessidade e seu modo de trabalho. Televisão foi o que menos fiz, tenho vontade de fazer mais. Eu

brinco que o teatro é o marido, o cinema é o amante e a televisão é o namorado. Mas, na essência, é igual. É fato que o cinema e a TV permitem um segundo take, já no teatro, não. Nesses 22 anos de carreira, algum personagem especial? Eu me entrego para todos os trabalhos. Me apego ao personagem, ao texto, à direção, ao processo. Se eu falar de um, vou ser injusta. Tenho um carinho especial pela Ariane, do longa A Concepção. Foi minha primeira personagem consistente no cinema. Uma menina maltratada pela vida, angustiada, à beira do suicídio. Por causa dela algumas portas se abriram. Toda vez que vivo uma personagem, me transformo a partir dela e um pedaço de mim continua pulsando esse ser. Tem algum personagem que queira fazer? Um sonho de adolescência é interpretar Ofélia. Mas, sem dúvida, sonho representar Nora, da Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen. É uma personagem forte, solitária. Uma menina em processo de crescimento. Tenho um carinho muito especial por essa história por causa da minha época de faculdade. No mais, sonho em desafiar os limites da ficção. O que sei é que com esse ofício posso brincar de ser vá-


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rias pessoas e emprestar meu corpo e minha voz para que a personagem conte sua estória. No início da carreira, você fez teatro infantil. Como é sua relação hoje com esse gênero? Tenho interpretado personagens mais realistas, mais próximas de mim. No momento, mato um pouco da saudade, dirigindo As Notas de Luiza, peça infantil em cartaz em São Paulo. Como é sua vida em São Paulo? Moro em uma casa com meu gato, gosto de estar perto da natureza. Tenho um belo jardim e uma horta. É uma cidade muito grande e rica culturalmente. Quando não estou trabalhando, aproveito para estudar e isso é uma das coisas que São Paulo tem de melhor. Tenho ótimas amizades e, hoje, com GPS, não me perco tanto. Mas se meu trabalho me levar pra outro lugar, eu vou. Não tenho apego com a cidade. E, atualmente, moro mais no avião, por causa dos trabalhos. Quando não está trabalhando, o que gosta de fazer? Engraçado, gosto de fazer coisas ligadas ao trabalho,

como ir ao cinema e ao teatro. Em casa, cuido do meu jardim, leio, faço minhas aulas de jazz, ouço música. Atualmente minha trilha sonora é Renato Russo (tudo dele, mas uma das músicas que está no meu iPod é Tempo Perdido) e Paulinho da Viola (como Dança da Solidão). Também adoro passear no Youtube para assistir piadas e encontrar meus amigos. Como é hoje sua relação com Brasília? Aqui é minha base, onde mantenho meu eixo. Toda a minha família mora aqui, sempre venho no Natal e em alguns feriados. Sou apegada à família, tenho um anjo da guarda, que é a minha irmã Danielle, que sempre me deu muita força e me aconselha. Tento marcar presença no Festival de Cinema na Cidade, pois adoro o evento. Do que você mais sente falta por não morar aqui? Da família, do céu deslumbrante, de ser mimada e, claro, dos meus parceiros artísticos, que, se Deus quiser, ainda vamos contar muitas histórias juntos. O que você gosta de fazer quando vem a Brasília? Saborear a comida da mamãe, tomar vinho com o pa-

pai, comer doces com irmãos e sobrinhos, encontrar amigos no Beirute (comer aquele quibe delicioso de lá). Adoro o Parque da Cidade, velho Parque Pithon Farias, lembra minha infância. Vou ao salão da minha tia Elza. E gosto de ir ao teatro, para saber o que tem sido feito por aqui, ver onde a cultura local está evoluindo, para aonde os artistas estão levando nosso teatro. E o que você tem achado do cenário artístico do DF? Há excelentes artistas em Brasília. Muitos até aprimoram fora e voltam para desenvolver na cidade. Conheço profissionais que têm crescido e elevado a cidade culturalmente. Hoje, uma produção do Nando e da Neia tem aulas de canto, dança, teatro. Os Melhores do Mundo são ótimos e influenciaram muitos grupos da cidade. Torço para que os brasilienses percebam e valorizem esses trabalhadores que, na maior parte, exercem o ofício por paixão. O cinema é muito forte e me agrada o reconhecimento nesse setor pelos brasilienses. A cidade vira uma festa, a casa fica cheia e uma plateia maravilhosamente reativa. Toda vez que participo me emociono. Quando o público de Brasília

poderá te prestigiar no palco? Estou no projeto da peça O Prestigitador, trabalho em que participei do processo criativo e colaborei na direção cênica. Esse espetáculo faz parte do projeto Teatro Express, um coletivo de artistas brasilienses. No fim do ano devo estar pelos palcos daqui ao lado do ator Similião Aurélio. Nossa intenção é fomentar o teatro local. E o que a Gabrielle espera do futuro? Prefiro não fazer planos, porque nada acontece como a gente quer. Gosto de viver o hoje. Escolhi o trabalho de atriz por amor. Meu sonho é sempre ter trabalho, ser uma profissional apaixonada e apaixonante, ter por perto profissionais que me inspiram a dar o meu melhor. Desejo sabedoria para lidar com minha profissão e, consequentemente, minha vida. Sonho em realizar meus sonhos. E espero que a vida me conceda saúde, alegria e, quem sabe, um dia, filhos. Me considero uma privilegiada, pois consegui me tornar atriz profissional e ainda acreditar nesse caminho. Sou feliz assim – amando, atuando, criando e sonhando. Espero nunca parar de sonhar.


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