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Triênio 2011/2013

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ois mil e doze foi um ano pouco favorável para a pecuária leiteira, de elevados custos, sobretudo com mão de obra e alimentação. No início de 2013, os números confirmaram as dificuldades que penalizaram as raças leiteiras como um todo. Na edição anterior já tratamos deste tema, mostrando que o Girolando conseguiu números positivos, tanto em termos de mercado quanto em registros e venda de sêmen, embora neste último item, tivéssemos crescido 22,38% e não os 28% que esperávamos e que, por erro de digitação, saiu como 38%. O fato é que, já no início de abril, ao redigirmos esta mensagem, o cenário é outro. A falta de leite no mundo, elevando as cotações do leite em pó, e a queda dos preços dos grãos, bases de alimentação do gado, são indicativos de possíveis melhorias para a nossa pecuária. Por outro lado, começou a temporada 2013 de Exposições e Torneios Leiteiros da raça Girolando. O que tem sido constatado é o melhoramento crescente da qualidade dos animais apresentados, que refletem a confiança, determinação e crença inabalável no potencial e pujança da raça que os criadores apontam como a grande opção para a pecuária leiteira do mundo tropical. Com esta expectativa estamos trabalhando intensivamente para fazermos, juntos com todas as raças leiteiras, uma grande MEGALEITE, que além de atingir a marca de sua 10ª edição de uma trajetória vitoriosa, possa ser realizada numa época bastante favorável para a nossa atividade. Conclamamos nossos associados e criadores, que apostem também nesta tendência. Não deixem de participar deste evento, que é o nosso evento! Preparem-se, tragam seus animais! Se isso não for possível, estejam presentes! Afinal, de 30 de junho a 07 de julho, Uberaba será a capital Brasileira do Leite. Será uma grande oportunidade de todos conhecerem a nova Associação, com sua parte de Informática; a Ouvidoria, o Pré-teste de touros. Conhecerão todas as inovações do mundo do leite, através de nossos parceiros e, principalmente, a evolução da raça Girolando, que chega a sua 24ª Exposição Nacional, de forma ininterrupta. E também poderão ver o melhor das outras raças leiteiras. Além do prazer da sua presença, traga a sua contribuição, através de suas críticas, sugestões e a certeza de que, juntos, todos podemos e faremos uma Associação muito maior e melhor. Um abraço fraterno. Abril de 2013

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Editorial

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om as pistas cheias em grande parte do Brasil, a raça Girolando viverá uma data histórica este ano: os 10 anos da MEGALEITE. Na última década, a seleção da raça ocorreu em um ritmo forte que levou à expansão dos rebanhos por todo o país. Para esta edição comemorativa, a expectativa é de se ver o melhor da genética leiteira, não só do Girolando, mas também das outras raças que, juntas, fazem do Brasil um grande produtor de leite. Os preparativos para a feira já começaram e as novidades ilustram a matéria principal desta edição da revista O Girolando. Falando em genética de qualidade, a Préseleção de Touros, que vai avaliar os animais candidatos a uma vaga no Teste de Progênie, começará em maio. A expectativa é de que as avaliações genéticas dos reprodutores contribuíam para a seleção de touros de alta qualidade genética da raça. O mercado de genética está aquecido e a procura por touros provados é grande, o que torna o Teste de Progênie peça fundamental na consolidação do uso de animais com avaliação genética positiva. Os cuidados com a sanidade do rebanho são grandes aliados de uma genética de ponta. Os especialistas alertam para os cuidados coma leptospirose. A doença é responsável por perdas econômicas expressivas. Nos bovinos influenciam negativamente o potencial reprodutivo e produtivo, causando aborto, natimortos, nascimento de animais debilitados e infertilidade. Também é preciso evitar a doença digital bovina, que é um conjunto de enfermidades que acomete a extremidade dos membros dos bovinos. Os cuidados na pastagem é outro destaque desta edição. O especialista em pastagem Adilson Aguiar aborda a viabilidade econômica da correção e adubação do solo da pastagem para a produção de leite. O nosso entrevistado especial desta edição é o novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Antônio Andrade. Criador de Girolando, ele assumiu o cargo com o compromisso de dar maior atenção à pecuária leiteira. Espero que gostem. Larissa Vieira Editora

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EXPEDIENTE: Revista O Girolando - Órgão Oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando Editora: Larissa Vieira - lamoc1@gmail.com Depto. Comercial: Mundo Rural (34) 3336-8888, Míriam Borges (34) 9972-0808 e Walkiria Souza (35) 9133-0808 - ogirolando@ mundorural.org Design gráfico, ilustrações e arte: Jamilton Souza (34) 91870365, Yuri Silveira Fotos: Jadir Bison Revisão: Maria Rita Trindade Hoyler Conselho editorial: Leandro Paiva, Fernando Brasileiro, Milton Magalhães, Jônadan Ma, José Donato Dias Filho, Maria Inez Cruvinel, Mauricio Silveira Coelho, Miriam Borges Impressão CTP: Gráfica 3 Pinti (34) 3326-8000 - Distribuição gratuita e dirigida aos associados da Girolando, ABCGIL e órgãos de interesse ligados à cadeia produtiva de leite. Redação: Rua Orlando Vieira do Nascimento, 74 - CEP: 38040280 - Uberaba/MG - Telefax: (34) 3331-6000 Assinaturas: ogirolando@mundorural.org - Telefax (34) 33368888 - Walkiria Souza

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Entrevista - Ministro Antônio Eustáquio Andrade Ferreira - 14

MEGALEITE - 10 anos de sucesso - 16

Mais um pouco de matemática e computação como recursos de pesquisa e desenvolvimento da pecuária - 24

Impactos da doença digital bovina na produção e a Homeopatia como solução - 36 Mensagem da diretoria Editorial Novos associados Número de RGDs, de animais com genealogia conhecida (GC), apresentou crescimento de 91,5% nos últimos cinco anos Mais um mês de alta no mercado do leite Analisando a viabilidade econômica da correção e adubação do solo da pastagem para a produção de leite Leptospirose bovina - Um problema de saúde pública Desenvolvimento de pessoas - Capacitação de mão de obra Girolando viabiliza produção leiteira no Sul Eu uso, eu confio, eu recomendo!!! Pré-seleção de touros começa em maio Você sabia? Exposições Colostro Ouvidoria Transparência Girolando pelo Brasil Lançamentos e Inovações Giro Lácteo Agenda Telefones e e-mails

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06 08 12 20 22 28 32 38 40 44 46 48 50 54 56 58 60 64 68 69 70


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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE GIROLANDO TRIÊNIO 2011/2013 ESTES SÃO OS NOVOS CRIADORES, E ENTIDADES DE CLASSE QUE PASSARAM A INTEGRAR O QUADRO SOCIAL DA GIROLANDO NOS MESES DE FEVEREIRO E MARÇO DE 2013.

PROP. Nº CRIADOR

MUNCÍPIO

7292

Ademir Hilário de Souza

B. Jesus do Itabapoana - RJ

7284

Amilzon Alcides de Souza Lima

Recife - PE

7269

Ana Cordeiro Lucena

Formosa - GO

7266

Baldomero Girbal Cortada Neto

Campo Grande - MS

7265

Carlos Adalberto Rodrigues

São José do Rio Preto - SP

7271

Carlos Rosa R. Alves / Elbio R. Alves Filho

Franca - SP

7274

Cleiton Gonzaga Castilho

Uberaba - MG

7240

Carlos Antônio de Carvalho Fernandes

Alfenas - MG

7270

Carlos Hernani Ribeiro Xavier

Belo Horizonte - MG

7257

Edson Gaudêncio Filho

Brasília - DF

7268

Emerson Soares Silva

Rio de Janeiro - RJ

7298

Elson Batista Fernandes

Paiva - MG

7248

FH Fazenda Hermínia Prod. Agrop. Ltda.

Brasília - DF

7283

Fazendas Reunidas 4ª

Guarani - MG

7297

Hélio Alves de Souza

São Paulo - SP

7293

João Paulo Machado Lacerda

Muriaé - MG

7275

João Hermeto Neto / Francisco T. Sabino

Santana do Acaraú - CE

7279

José Elci Marques Araújo

São Paulo - SP

7260

José Ilton Lima Moreira

Fortaleza - CE

7289

José Marajó Neto

Uberaba - MG

7280

Lauro Sérgio Belchior

Goiânia - GO

7277

Lael Vieira Varella Filho

Muriaé - MG

7261

Luciano Biassutti Delecave

Ituiutaba - MG

7288

Lumiar Agropecuária Ltda

Brasília - DF

7294

Luciano Vieira Vallim

Uberaba - MG

7267

Marcio Eugênio Leite de Castro

Oliveira - MG

7278

Maria Cristina de Oliveira Almeida

Salvador - BA

7272

Otávio Batista Oliveira Vilas Boas

Uberaba - MG

7252

Pedro Soares Molina

Ribeirão Preto - SP

7263

Paulo Ferolla da Silva

Uberlândia - MG

7295

Paulo Eduardo da Silva Faria

Alpinópolis - MG

7251

Ronaldo Lemos Aguiar

Brasília - DF

7258

Ronaldo Correa

Campo Belo - MG

7255

Sandoval Bailão Fonseca Filho

Rio Verde - GO

7256

Serra Branca Agropecuária Ltda

Belo Horizonte - MG

7276

Thiago Jacob Casaroti

Penápolis - SP

7291

Thiago Ribeiro Machado

Serra da Saudade - MG

7202

Vicente da Silva Nogueira Netto

Uberlândia - MG

7259

Webert de Souza Carreiro

São Fidélis - RJ

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Presidente: José Donato Dias Filho 1º Vice-presidente: Fernando Antonio Brasileiro Miranda 2º Vice-presidente: Maurício Silveira Coelho 3º Vice-presidente: Jônadan Hsuan Mim Ma 4º Vice-presidente: Ivan Adhemar de Carvalho Filho 1º Diretor-administrativo: Milton de Almeida Magalhães Júnior 2º Diretor-administrativo: Adolfo José Leite Nunes 1º Diretor-financeiro: Maria Inez Cruvinel Rezende 2º Diretor-financeiro: Eugênio Deliberato Filho Relações Institucionais e Comerciais: João Domingos Gomes dos Santos

Conselho Fiscal Jeronimo Gomes Ferreira Silvio de Castro Cunha Júnior Marcelo Machado Borges Suplentes Conselho Fiscal Eduardo Jorge Milagre José Alberto Paiffer Menk Luiz Carlos Rodrigues Conselho Consultivo Antônio José Junqueira Villela Joaquim Luiz Lima Filho Nelson Ariza Roberto Antônio Pinto de Melo Carvalho Rodrigo Sant’anna Alvim Suplentes Conselho Consultivo Geraldo Antônio de Oliveira Marques Guilherme Marquez de Rezende Leonardo Moura Vilela Rubens Stacciarini Tomaz Sérgio Andrade de Oliveira Júnior

Membros Conselho Deliberativo Técnico 2011/2013 Membros Natos Alisson Luis Lima Leandro de Carvalho Paiva

Representante do MAPA Superintendente Técnico

Membros Efetivos

Membros Suplentes

Limírio Cezar Bizinotto Marcello A. R. Cembranelli Milton de Almeida Magalhães Neto Valério Machado Guimarães

Juscelino Alves Ferreira Walter Roriz de Queiroz Tiago Moraes Ferreira Daniella Martins da Silva

CONSELHO DE REPRESENTANTES ESTADUAIS: AL – Paulo Emílio Rodrigues do Amaral AM – Raimundo Garcias de Souza BA – José Geraldo Vaz de Almeida BA – Luiz Tarquinio Duarte Pontes BA – Jorge Luiz Mendonça Sampaio CE – Cristiano Walter Moraes Rola DF – Dilson Cordeiro de Menezes DF – Erotides Alves de Castro DF – Ismael Ferreira da Silva ES – Rodrigo José Gonçalves Monteiro GO – Elmirio Monteiro Marques Júnior GO – José Mário Miranda Abdo GO – Léo Machado Ferreira GO – Itamir Antônio Fernandes Vale MG – Anna Maria Borges Cunha Campos MG – Carlos Eduardo Fajardo de Freitas MG – Horácio Moreira Dias MG – José Ricardo Fiuza Horta MG – Júlio Cesar Brescia Murta MG – Paulo Henrique Machado Porto MG – Salvador Markowicz Neto MS – Aurora Trefzger Cinato Real MS – Ronan Rinaldi de Souza Salgueiro

MS – Rubens Belchior da Cunha PA – Zacarias Pereira de Almeida Neto PB – Antônio Dimas Cabral PB – Yvon Luiz Barreto Rabelo PE – Cristiano Nobrega Malta PE – Eriberto de Queiroz Marques PR – Antônio Francisco Chaves Neto PR – Bernardo Garcia de Araújo Jorge PR – João Sala RJ – Filipe Alves Gomes RJ – Herbert Siqueira da Silva RJ – Jaime Carvalho de Oliveira RJ – Luciano Ferreira Guimarães RO – José Vidal Hilgert SE – Lafayette Franco Sobral SE – Ricardo Andrade Dantas SP – Adriano Ribeiro de Oliveira SP – Braulio Conti Júnior SP – Decio de Almeida Boteon SP – Eduardo Falcão de Carvalho SP – Pedro Luiz Dias SP – Roberto Almeida Oliveira SP – Virgilio Pitton TO – Eli José Araújo


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Larissa Vieira

Um produtor de leite na Esplanada dos Ministérios

O Girolando - A Subcomissão do Leite realizou várias audiências pelo Brasil, para ouvir os produtores e elaborar a Política Nacional do Leite. Como criador de raças leiteiras, quais reivindicações o senhor gostaria que fossem contempladas? Antônio Andrade - Pretendo fomentar a cadeia leiteira a partir de aperfeiçoamentos na política de crédito voltada para o segmento, além de medidas

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Foto: Carlos Silva - MAPA

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uando a presidente Dilma Rousseff anunciou a troca de comando no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os produtores rurais comemoraram o fato de o novo titular da pasta ser um representante do setor. O deputado federal e agora ministro, Antônio Eustáquio Andrade Ferreira (PMDB), começou na pecuária há mais de 27 anos, criando a raça Girolando na Fazenda Saloba, em Vazante (MG). Hoje, também é selecionador de Gir Leiteiro. Formado em Engenharia Civil, Andrade entrou para a política em 1987 e está no segundo mandato como deputado federal. Criou e presidiu a Frente Parlamentar da Cadeia Produtiva do Leite, foi titular da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e ocupava, até o início de março, a presidência da Comissão de Finanças e Tributação, cargo do qual se licenciou para comandar o Mapa. Mineiro de Patos de Minas, uma região de forte vocação agrícola, Antônio Andrade tem alguns desafios pela frente, como ajudar na reconstrução dos rebanhos assolados pela seca no Nordeste, coibir a cartelização na pecuária e evitar que importações de lácteos prejudiquem o mercado interno. Em entrevista à revista O Girolando, o ministro Antônio Andrade garante que o setor leiteiro necessita de políticas efetivas para aumentar a produção nacional em bases sustentáveis.

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Antônio Eustáquio Andrade Ferreira (PMDB)


Foto: Carlos Silva - MAPA

específicas no âmbito da Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. Como criador de raças leiteiras, reconheço a legitimidade da proposta de política nacional do leite e quero a sua efetiva implementação com o apoio do Mapa em tudo aquilo que lhe compete. O setor leiteiro necessita de políticas efetivas para aumentarmos nossa produção em bases sustentáveis, pela importância social e econômica da atividade para o País. O Girolando - Há uma preocupação da Subcomissão e dos produtores com a importação de leite do Uruguai. O senhor acredita que é possível solucionar esse problema que já se arrasta há um bom tempo? Antônio Andrade - Acredito que sim. Estou avaliando questões pendentes quanto ao comércio internacional agropecuário, entre elas a do leite importado. Conseguimos resolver com a Argentina, país com o qual definimos a cota para importação de leite em pó, de 3,6 mil toneladas anuais. O Girolando - A cartelização no setor é outro problema apontado nas audiências da Subcomissão. Dentro do atual modelo econômico brasileiro, como tornar todos os elos da cadeia produtiva do leite igualmente rentáveis? Antônio Andrade - É algo que pretendo discutir com o setor. Sobre as frentes em que poderei atuar como ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para auxiliar para pôr fim a essa situação. A cartelização é um problema grave e que tenho interesse de auxiliar na resolução. Os preços devem ser justos não apenas para o consumidor final, mas também para o produtor. O Girolando - A presidente Dilma anunciou que fará um plano de recuperação dos rebanhos dizimados pela seca no Nordeste. Quais devem ser as principais medidas adotadas? Antônio Andrade - Ainda estudo junto com os técnicos do Ministério a melhor forma de recuperar o rebanho da região, expressivo na bovinocultura e com importantes bacias leiteiras, além da atividade de corte. Uma primeira medida é a continuidade da remoção de milho para alimentação animal, ação esta que está em curso dentro do governo. A seca diminui muito a oferta de alimentos para os animais e a iniciativa contribuirá para amenizar esta situação. O Girolando - O senhor começou na pecuária leiteira criando Girolando. Como avalia o desempenho da raça hoje, que foi a raça leiteira com maior crescimento na venda de sêmen em 2012? Antônio Andrade - A raça Girolando reúne características genéticas importantes para a produção de leite na grande maioria das regiões brasileiras, tais como: adaptação às condições climáticas, boa apti-

"A cartelização é um problema grave e que tenho interesse de auxiliar na resolução." dão para produção de leite a pasto, boa resistência aos parasitos, dentre outras. Aliado a este fato, a Associação do Girolando possui um programa de melhoramento genético consolidado em parceria com a Embrapa, que consegue disponibilizar aos criadores, sêmen de touros avaliados. Todos estes fatores têm impulsionado o crescimento da raça e, consequentemente, aumentado a demanda de sêmen. O Girolando - A sua escolha para assumir o Mapa foi bem recebida pelos produtores e entidades do setor. Que ações o senhor julga serem mais urgentes para atender neste primeiro momento? Antônio Andrade - Darei continuidade aos trabalhos já em andamento, mas também ênfase em questões como implementar ações de incentivo ao setor agropecuário, visando o aumento da produtividade – como a elevação de recursos para linhas de financiamento – e a queda dos preços dos produtos da cesta básica. Outro importante foco será voltado para os pequenos produtores, especialmente os ligados ao setor lácteo.

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última década confirmou a evolução da genética bovina leiteira no Brasil. Em 2002, as vendas de sêmen de raças leiteiras eram de 2.372.476 doses, sendo que a raça Girolando correspondia por 48.959 do total comercializado. Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial, o volume vendido saltou para 4.897.734 doses em 2012, sendo 501.199 de Girolando, o que representa crescimento de mais de 100% nos últimos 10 anos. As pistas de julgamento e torneio leiteiros também refletiram esse aprimoramento genético das raças leiteiras. Os recordes de produção vêm sendo batidos a cada ano nos concursos e o número de animais disputando os grandes campeonatos cresce na mesma velocidade do aperfeiçoamento genético. É dentro dessa realidade que a MEGALEITE está comemorando 10 anos de existência. A feira firmou-se como importante evento do setor leiteiro, concentrando as disputas nacionais, interestaduais, estaduais e mostras das principais raças do país. Em 2013, a raça Jersey volta a participar do evento, que ainda terá exposições de: Girolando, Gir Lei-

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Foto: Jadir Bison

MEGALEITE: 10 anos de sucesso

teiro, Holandês, Guzerá leiteiro, Indubrasil leiteiro, Pardo-Suíço, Simental leiteiro, Sindi e bubalinos. O calendário de inscrições de animais e das competições será divulgado por cada associação. No caso da raça Girolando, as inscrições começam no dia 29 de abril e encerrarão em 16 de junho. Para aqueles que fizerem inscrição até o dia 31 de maio, o valor por argola será de R$140,00. Após esta data, o valor passa para R$160,00. O Torneiro Leiteiro distribuirá R$ 30 mil em dinheiro. Serão disponibilizadas 50 vagas para a raça Girolando. A inscrição será de R$ 700,00 por animal. Cada expositor pode inscrever três fêmeas. Na raça Simental, o calendário definido pela Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental e Simbrasil conta com Torneio Leiteiro, leilão e mostras de animais. A feira será realizada de 30 de junho a 7 de julho, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG). Além das disputas nos torneios leiteiros e julgamento, a programação contará com leilões, shoppings de animais, palestras e fórum de debates. No ano passado, as vendas de bovinos em leilões e shoppings


Foto: Pitty

Jornada Técnica Girolando tem aulas práticas no Parque Fernando Costa

somaram R$ 11.407.092,00. Criadores de todo o Brasil e de outros países são aguardados para a MEGALEITE. Os visitantes conhecerão os lançamentos e inovações da pecuária leiteira. Mais de 50 mil pessoas são esperadas no evento. Empresas de vários segmentos mostrarão seus produtos e serviços. A feira conta com o apoio dos Parceiros Master da Girolando: Nutron, Forcegen, Elanco, Semex, Intervet, CRV Lagoa, RealH, ABS Pecplan, Alta Genetics e CRI Genética. Jornada Técnica Pelo segundo ano consecutivo, a MEGALEITE

sediará a “Jornada Técnica Girolando”. Voltada para criadores e profissionais do setor pecuário que buscam ampliar seus conhecimentos sobre a raça, a Jornada Técnica conta com aulas práticas e teóricas. O curso permite ao participante conhecer a formação e a história da raça, sua produtividade, rusticidade, além de aprender a selecionar os melhores exemplares da raça com base nas tendências do mercado. Para os profissionais da área é uma forma de ampliar seus conhecimentos a respeito do Girolando. A Jornada Técnica antecederá a programação da MEGALEITE, ocorrendo na última semana de junho, em Uberaba.

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Número de RGDs, de animais com genealogia conhecida (GC), apresentou crescimento de 91,5% nos últimos cinco anos

Leandro de Carvalho Paiva Superintendente Técnico da Girolando

Leandro de Carvalho Paiva Superintendente Técnico

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ando continuidade à sequência de artigos do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando (SRGRG), nos quais estamos abordando a evolução dos registros nos últimos anos, nesta edição apresentamos os números que demonstram a evolução do Registro Genealógico Definitivo (RGD), de animais com genealogia conhecida, conhecidos como “livro fechado”. Esta modalidade de registro é de fundamental importância para que as progênies destes animais possam ter toda sua ascendência (pedigree) oficialmente conhecida pelo SRGRG. O RGD de animais com genealogia conhecida é concedido aos animais portadores de RGN, desde que devidamente enquadrados no padrão racial do Girolando, de acordo com cada grau de sangue, a partir do momento em que estiver apto à reprodução, independente da sua idade. Em 2012 foram realizados 10.614 registros definitivos de animais com genealogia conhecida, um crescimento de 91,5% em relação a 2008, quando foram efetuados 5.542 registros nesta modalidade. Com o objetivo de agilizar cada vez mais o RGD de animais com genealogia conhecida, foram realizadas algumas modificações no SRGRG, com a implantação do Sistema de Identificação Unificado (SIU). Neste novo sistema, o técnico fará uso de um selo para conceder o definitivo ao animal, que será aplicado no certificado de RGN e devolvido no ato da inspeção ao criador, sem

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a necessidade de impressão de um novo certificado. O aumento do número de RGNs efetuados nos últimos anos, já apresentado na edição anterior da revista O Girolando, bem como o aumento de RGDs que estamos apresentando agora, afirma o que já estamos observando há muito tempo: que o criador está cada vez mais valorizando as informações zootécnicas do seu rebanho, motivado pela grande procura destes animais no mercado e pelo ganho genético que o aumento da pressão de seleção proporciona ao seu rebanho. Consequentemente, devido à maior valorização dos animais com genealogia conhecida, houve redução no número de RGDs de animais com genealogia desconhecida (GD), conhecidos como “livro aberto – LA”. Podemos atribuir esta redução aos próprios criadores, que passaram por um processo de reestruturação dos rebanhos, visando obter animais com um número maior de informações zootécnicas (dados de produção, de genealogia


e etc.), que auxiliam muito na hora de tomar algumas decisões, principalmente quando estas decisões estão ligadas à seleção dos animais. É natural que, com o passar dos anos, a quantidade de animais com genealogia desconhecida (LA) seja cada vez menor, processo que geralmente acontece com qualquer espécie animal que visa à exploração econômica, pois a evolução dos processos e da seleção nos leva a isso. Estes animais ainda são indispensáveis para a evolução da raça Girolando, pois foram a base do processo de seleção dos rebanhos que já há algum tempo fazem parte do Programa Girolando e, em muitos casos, serão a base dos rebanhos que estão iniciando este mesmo processo, principalmente para aqueles que já fazem um trabalho de seleção em nível de fazenda, baseado principalmente no fenótipo dos animais (produção e

conformação). Na próxima edição, iremos falar sobre as duas modalidades de registro existentes na raça Girolando, CCG (Cruzamento Sob Controle de Genealogia) e PS (Puro Sintético) e sobre o cadastro auxiliar de rebanho de fundação (RF).

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Rafael Ribeiro de Lima Filho Zootecnista - Scot Consultoria

Mais um mês de alta no mercado do leite

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o pagamento de março, referente ao leite entregue em fevereiro, o preço pago ao produtor subiu 1,7% em relação ao pagamento anterior, considerando a média nacional. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o produtor recebeu, em média, R$0,855 por litro. O preço atual está 5,4% mais alto na comparação com o mesmo período de 2012, considerando os valores nominais. Além da menor disponibilidade de leite, pontualmente outros fatores colaboram com a firmeza do mercado: grandes laticínios estão entrando fortes no mercado; maior demanda por leite em fevereiro e março, pelas indústrias que fabricam ovos

de chocolate; reação dos preços dos lácteos no atacado; reação dos preços dos lácteos no mercado internacional e redução das importações em janeiro e fevereiro de 2013. No mercado spot, os preços estão em alta desde janeiro. Foram verificados negócios acima de R$1,10 por litro em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Para o pagamento realizado em abril, 63,0% dos laticínios pesquisados acreditam em aumento dos preços pagos aos produtores e 32,0% acreditam em manutenção. A reação dos preços dos lácteos colabora com os reajustes para o produtor. No atacado, considerando todos os produtos pesquisados pela Scot Consultoria, Figura 1. Preço do leite ao produtor (média nacional ponderada) em R$/litro. houve aumento de 0,9% nos preços dos lácteos na segunda quinzena de março, em relação à primeira quinzena desse mês. No varejo a alta foi de 2,1% neste período. O leite longa vida subiu 5,1% no atacado e 5,5% no varejo. Outra boa noticia para o produtor de leite é que, além do mercado firme, os custos caíram em março. A redução mensal do Índice Scot de Custo de Produção da Pecuária Leiteira foi de 1,8% na comparação com fevereiro. Os alimentos concentrados foram os principais responsáveis pela queda dos custos em março. Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

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Mais um pouco de matemática e computação como recursos de pesquisa e desenvolvimento da pecuária

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essa “altura do campeonato”, o leitor da revista O Girolando já sabe que um programa de melhoramento genético não se faz só com animais, produção de leite, controle leiteiro, cruzamento, avaliação e seleção de animais, genética e genômica. Basta ter visto alguns artigos1 em edições anteriores para perceber quanta matemática e computação são necessárias por trás de um programa de melhoramento genético ou, de modo geral, como essas ciências podem ser utilizadas em estudos para a melhoria da pecuária.

Wagner Arbex

Analista da Embrapa Gado de Leite

Katia Cristina Lage dos Santos Analista da Embrapa Gado de Leite

Fernanda Nascimento Almeida Bolsista da Embrapa Gado de Leite (FAPEMIG)

Elizângela Guedes Bolsista da Embrapa Gado de Leite (FAPEMIG)

Marta Fonseca Martins Pesquisador(a) da Embrapa Gado de Leite

Marcos Vinícius Gualberto Barbosa da Silva Pesquisador(a) da Embrapa Gado de Leite

Quem atravessou as pontes de Königsberg? Provavelmente, na sua infância, alguém já deve ter proposto a você que solucionasse o problema de atravessar todas as pontes de Königsberg (Figura 1), passando por todas as sete pontes uma única vez. Como “dever de casa”, faça um percurso para resolver este problema. Isto é, tente fazer um 1 - Alguns artigos recentes que mostram a matemática e a computação como recursos para desenvolvimento da pecuária: “A matemática do boi... ou por que meu touro ficou negativo nessa avaliação genética?” (O Girolando, 81); “ABC = DE: Aquecimento global, Bovinos e Carbono = Desafios e Estudos.” (O Girolando, 84) e “- Tá quente? - Muito! Essa fornada de aquecimento global está quase pronta.” (O Girolando, 86).

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Figura 1: Representação das setes pontes, interligando as ilhas que formam a cidade de Königsberg.

oria dos grafos foi utilizada para criar um modelo do problema e, assim, é possível utilizar-se das operações sobre grafos para tentar resolvê-lo. Na Figura 3, vê-se um mapa mostrando cidades interligadas por estradas, o que também pode ser representado por um grafo onde as cidades seriam os vértices e as estradas seriam as arestas. Isto é, cada cidade que faz parte do mapa, representada por um ponto, é um vértice do grafo e a ligação entre cada uma das cidades, ou seja, uma estrada é uma aresta.

caminho para atravessar todas as sete pontes, sem que nenhuma seja atravessada mais de uma vez... simples, não é? Este problema era uma “lenda urbana” em Königsberg – que, atualmente, é a cidade de Kaliningrado, na Rússia – e foi resolvido, em 1736, pelo matemático Leonhard (Paul) Euler. Seus estudos para traçar o percurso que solucionaria a questão, foram a origem da teoria dos grafos, uma das áreFigura 2: Um grafo representando as pontes e as ilhas de Königsberg. as da matemática mais utilizadas para a representação de problemas. Entre as formas de uso da matemática e Nesse caso, o grafo consiste no conjunto forda computação nos diversos campos de estudos mado por todas as cidades e as estradas que as licientíficos, encontra-se a possibilidade de criação gam entre si e, de maneira geral, um grafo consiste e aplicação de modelos2, que são representações no conjunto de vértices e suas arestas. de problemas do mundo real com o uso de técniO mapa apresentado na Figura 3 foi elabocas matemáticas e/ou computacionais. Neste sentirado a partir de dados coletados pelos técnicos do do podem ser usados diferentes recursos e teorias PMGG e que estão sendo utilizados na realização que venham a facilitar o desenvolvimento de estude estudos que estabeleçam rotas otimizadas, vidos e pesquisas onde a modelagem for aplicada. sando maximizar o tempo dos técnicos e minimiUm recurso muito utilizado em problemas zar os custos do programa. de diferentes naturezas é a modelagem por meio de grafos e, então, poder-se-ia aplicar a teoria dos grafos e suas operações3 para a solução do problema que foi modelado. Por exemplo, pode-se representar um mapa de estradas ou a rota de coleta de leite como um grafo e utilizarse da teoria dos grafos para definir a melhor ou a menor rota para a coleta do leite. Neste caso a definição de boas rotas deve permitir vantagens econômicas para o produtor com a diminuição de distâncias a serem cumpridas, de gastos com combustíveis e, ainda, com a melhor forma de distribuição dos produtos. Mas, “o que é um grafo?”. Um grafo é a representação de pontos – chamados de vértices – e possíveis “linhas” ligando estes vértices, que são chamadas de arestas. Por exemplo, a Figura 2 apresenta um grafo onde os vértices representam as quatro ilhas que devem ser visitadas e as arestas representam Figura 3: Locais de coleta de dados para o Programa de Melhoramento Genésuas sete pontes de Königsberg. Ou seja, a te- tico da Raça Girolando (PMGG)4. 2 - Para o leitor interessado em conhecer um pouco mais sobre modelagem matemática e/ou computacional, sugere-se a leitura do artigo “- Tá quente? - Muito! Essa fornada de aquecimento global está quase pronta.” (O Girolando, 86). 3 - As operações “sobre grafos” ou “em grafos” serão explicadas mais adiante. 4 - Mapa elaborado pelo pesquisador Marcos Hott e a bolsista Franciele Pimentel da Embrapa Gado de Leite com base em dados coletados via GPS pelos técnicos do PMGG.

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Talvez você não soubesse, mas muitos problemas do dia a dia podem ser modelados e resolvidos por grafos Grafos podem ser aplicados, entre outros, em estudos de redes de distribuição de energia elétrica, de redes para captação de águas, de malhas de transporte rodoviário, marítimo ou aéreo e, uma das aplicações de grafos mais conhecidas, como já lembrado, é na definição de rotas. Por exemplo, é possível aplicar um modelo de grafo para determinar o percurso de coleta de leite, considerando várias localidades. Dessa forma, cada local de coleta corresponderia a um vértice nesse grafo e os caminhos entre os locais de coletas seriam as arestas. Outro exemplo similar seria a definição de percursos para distribuição de sêmen, registro de animais e/ou para a coleta de dados para o Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG). Nesse caso, para que a coleta de dados e a distribuição do sêmen sejam realizadas de forma eficaz, seria necessário estabelecer um percurso de forma a, por exemplo, reduzir os custos em termos do deslocamento e do tempo de viagem, além da possibilidade de acompanhar a visita do técnico remotamente, sendo possível saber em qual localidade o técnico deve estar em uma determinada data. Para atingir essas metas, existe uma área da matemática e da computação que estuda meios de obter o menor ou o melhor percurso possível, o que torna o procedimento de coleta eficiente e menos custoso. Para esses e outros casos, a teoria dos grafos e suas aplicações apresentam-se como uma aliada na busca de soluções para a pecuária e agricultura e, como já exemplificado, para problemas de diversas áreas. Grafos e algoritmos para caminhar e passear. Certas características de grafos podem ser identificadas por meio de operações definidas pela teoria dos grafos. Por exemplo, existem operações – na verdade, sequências de passos, que são chamadas de algoritmos – que permitem procurar e identificar a existência ou a inexistência de caminhos, percursos, passeios e ciclos. Caminhos, percursos e passeios, em muitos casos podem ser vistos como sinônimos e quando se fala que existe um caminho entre duas cidades (vértices), significa dizer que existe uma ligação entre esses vértices, mesmo que esse caminho seja um percurso que passe por diversos vértices até que seja possível alcançar o destino. Ciclos são casos especiais de caminhos, percursos ou passeios em que os vértices inicial e final coincidem e nenhum vértice é visitado mais

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de uma vez. Ou seja, um ciclo corresponde a um conjunto de vértices, onde o vértice de origem e o de destino coincidem e durante o percurso entre a origem e o destino todos os vértices são alcançados apenas uma vez. Uma aplicação direta de percursos e ciclos pode ser exemplificada a partir da ideia de rota de distribuição. Por exemplo, em uma rota de distribuição de sêmen, seria interessante identificar caminhos que possivelmente deveriam ser evitados, sob o risco de se aumentar o custo do processo. Em termos práticos, deseja-se evitar caminhos que seriam redundantes ou múltiplas visitas ao mesmo local de distribuição e, ainda, permitir a escolha de melhores estradas, a redução de gastos com a manutenção do veículo etc..

O “dever de casa” e mais dois centavos. Mas, você conseguiu fazer a “lição de casa”? Conseguiu traçar um caminho para cruzar todas as pontes de Königsberg, atravessando cada uma delas apenas uma vez? Simplificando a solução proposta por Euler, diz-se que esse caminho é possível se existir um número par de pontes interligando as ilhas, duas a duas. Ou seja, se sempre existir um número par de pontes, então por uma ponte pode-se ter acesso à ilha e, pelo seu par, é possível deixar a ilha. Apesar de comumente a história registrar o trabalho de Euler como a origem da teoria dos grafos em 1736, sabese que esta teoria somente foi conhecida e utilizada por matemáticos de todo o mundo um século depois. A explicação para este atraso na “descoberta” dos grafos, em geral, é dividida em dois motivos: em primeiro lugar, o problema das pontes de Königsberg era uma “brincadeira” e não tinha uma aplicação prática, o que não suscitou interesse por parte de outros estudiosos. O segundo motivo foi a vasta produção de trabalhos de Leonhard Euler. Como foi um grande e estudioso matemático, sua produção intelectual foi intensa, com muitos textos e estudos inéditos, o que acabou por “esconder” a teoria dos grafos. No Brasil, existem registros de trabalhos inéditos de teoria dos grafos e suas aplicações de pesquisadores brasileiros a partir do fim da década de 60, sendo que os primeiros livros nacionais escritos pelos pioneiros dessas áreas foram publicados na década seguinte. Em 1984, o pesquisador e professor J. L. Szwarcfiter publicou o livro “Grafos e Algoritmos Computacionais”, uma das primeiras obras nacionais que tratavam de algoritmos em grafos. Estranhamente, em todo o livro a palavra “digrafo” – do inglês digraph, um acrônimo para directed graph, que significa grafo direcionado – foi grafada com acento agudo e, então, escrita como “dígrafo”. O motivo para essa troca, como “discutido” nas salas de aulas de muitas universidades brasileiras, foi o responsável pela revisão ortográfica do livro. Por não ter conhecimento do assunto, o revisor “corrigiu” todas as palavras, acreditando que a mesma tratava-se da palavra “dígrafo”, que, na língua portuguesa, ocorre quando duas letras são usadas para representar um único fonema.


Essa situação é comumente representada na matemática e na computação como o Problema do Caixeiro Viajante, que é o caso de um “mascate” passando de porta em porta em um conjunto de casas. Para fazer isso, ele deve definir um caminho de forma a gastar menos tempo. Da mesma forma, a solução para o Problema do Caixeiro Viajante deve determinar o menor – em alguns casos, o melhor – percurso para percorrer uma série de cidades, visitando cada uma o menor número de vezes – se possível, apenas uma vez – e retornando à cidade de origem. Entre outras aplicações, o Problema do Caixeiro Viajante também é utilizado para determinação de rotas para coleta de lixo, de distribuição de produtos ou entregas a partir de um depósito etc.. A máquina do tempo e a relação entre pais e filhos É possível perceber que uma aresta, ao interligar dois vértices, representa a existência de uma relação entre esses vértices. Novamente, tomando como exemplo a ideia de caminho, uma aresta entre dois vértices A e B indica uma “possibilidade de acesso”. Ou seja, partindo do vértice A, é possível acessar o vértice B, sem a necessidade de se caminhar por nenhum outro vértice intermediário. Entretanto, a relação entre vértices também pode representar diferentes conceitos e não apenas o relacionado a caminhos. Portanto, uma aresta entre dois vértices A e B pode representar a relação de dependência entre A e B, de hierarquia entre A e B ou de paternidade entre A e B. Mais uma vez é possível perceber a aplicação de grafos no cotidiano, pois o próprio “desenho” de uma árvore genealógica, que representa o pedigree de um animal, tem a sua apresentação gráfica como um grafo. A partir dessa constatação, pode-se indagar: “Se o pedigree de um animal pode ser representado por um grafo, é possível lançar mão da teoria dos grafos e suas operações para estudos relacionados à genealogia?”. Para a alegria de todos a resposta a tal questionamento é afirmativa. Realmente, é possível fazer a modelagem de certas relações entre indivíduos, utilizando-se de grafos e, então, utilizar suas aplicações para estudos e investigações. Por exemplo, a relação de paternidade entre animais pode ser facilmente representada por grafos, a partir dos cadastros dos indivíduos, e, desta forma, pode-se “desenhar” o seu pedigree, por meio de sua genealogia. Com o “grafo do pedigree” montado, uma das operações que podem ser feitas é a identificação de ciclos. Mas, um ciclo, como já visto, nada

mais é do que um tipo especial de caminho ou percurso. Assim, fica a pergunta: como a identificação de ciclos pode ser utilizada para estudos em pedigree? Nesse caso, se a partir do indivíduo (vértice) forem traçadas arestas para seus pais (que também seriam vértices), então, se tudo estiver certo, nunca poderia ser encontrado um ciclo no grafo do pedigree desse animal. Se um ciclo for encontrado, existem duas opções: ou “alguma coisa está errada” ou a máquina do tempo já foi inventada. Pois, um ciclo no grafo do pedigree vai informar que um animal deve ser, por exemplo, seu próprio pai, ou seu próprio avô, ou bisavô dele mesmo etc.. Supondo que a máquina do tempo ainda não tenha sido inventada, então a identificação de ciclo no grafo do pedigree mostra que existe alguma falha no cadastro de, pelo menos, um dos animais que estão representados como vértices desse grafo. Essa é a natureza do desenvolvimento de modelos matemáticos. Toma-se um problema, aparentemente não relacionado com algum recurso prático, mas cuja aplicação transcende a especificidade do problema.

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Adilson de Paula Almeida Aguiar Zootecnista da Fazu

ANALISANDO A VIABILIDADE ECONÔMICA DA CORREÇÃO E ADUBAÇÃO DO SOLO DA PASTAGEM PARA A PRODUÇAO DE LEITE

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correção e adubação de solos de pastagens ainda é inexpressiva. Na TABELA 1 encontra-se uma comparação prática das respostas ou ganhos alcançados em pastagens cujos solos são corrigidos e adubados em comparação a uma pastagem explorada de forma extrativista. Foto: Jadir Bison

D

o total de fertilizantes comercializados no Brasil, algo próximo a 28 milhões de toneladas em 2011, menos de 2% foram comercializados para a aplicação em pastagens. Daquele total, 80% foram comercializados para somente cinco culturas, em ordem decrescente: soja, milho, cana, café e algodão. Esse maior uso de fertilizantes nestas culturas (exploração intensiva do solo) explica em parte porque a pecuária tem cedido áreas de pastagens degradadas para a agricultura. No ultimo Censo Agropecuário (IBGE, 2006) em apenas 1,6% dos estabelecimentos pecuários se aplicava algum tipo de adubação em pastagens. Apesar dos ganhos alcançados com a correção e adubação de solos de pastagens serem de conhecimento da comunidade científica e por parte de consultores, e de serem, frequentemente divulgados por pesquisadores e técnicos, a adoção de programas de


Entretanto, o crescimento no consumo de fertilizantes em sistemas de pastagens tem aumentado a taxas muito acima das outras culturas, apesar deste crescimento significativo partir de uma base de consumo inexpressiva. As razões da baixa adoção de fertilizantes em pastagens são muitas e a avaliação das causas é complexa, pois envolve desde questões culturais (cultura extrativista), falta de conhecimento das respostas potenciais da pastagem e dos animais à correção e adubação do solo da pastagem e suas relações de benefício: custo; baixa adoção de assessoria técnica por parte dos produtores; dificuldades em manejar pastagens com elevado nível de fertilidade do solo, representados pelo manejo do pastejo (frequência, intensidade, duração do pastejo etc.), pela programação das adubações no tempo e horas adequadas para a melhor resposta desse insumo e, principalmente, pela falta do planejamento para equilibrar a produção de forragem com a demanda do rebanho; falta de projeto

com visão estratégica (de longo prazo), burocracia para contratação de financiamento por causa do excesso de exigências, falta de garantias para contrair financiamentos; termos de trocas desfavoráveis entre os valores dos fertilizantes e do produto animal (arroba, leite); impossibilidade de o produtor utilizar capital próprio para investir no segmento produtivo, em virtude de a atividade pecuária operar com margens estreitas ou até mesmo negativas porque o nível de exploração é do tipo extensivo, na maioria das propriedades. Deve-se considerar também que o aumento na taxa de lotação resultante do uso de fertilizantes implica em custos adicionais com compra de mais animais, suplementos, vacinas, etc. Em determinadas situações são necessários investimentos em infraestrutura para permitir o manejo eficiente da pastagem. Devido ao maior tempo de retorno do capital investido, é comum observar fluxos de caixa pouco positivos ou até mesmo negativos nos primeiros anos depois da implantação do projeto. É preciso também levar em consideração que a idade média dos pecuaristas brasileiros está avançando e eles não têm, na maioria, sucessores interessados em continuar a atividade, o que limita a adoção de sistemas mais intensivos e, portanto, mais complexos. Quando as causas citadas acima não estão presentes, ainda assim fica o questionamento: é mesmo viável corrigir e adubar solos de pastagens? Numa análise da viabilidade econômica da correção e adubação de solo da pastagem é importante ter uma visão estratégica, ou seja, de longo prazo, pois o efeito residual dos corretivos e adubos precisa ser contemplado na análise. Veja um estudo de caso: Esta propriedade está localizada na Latitude 14°30’ Sul, a 750 m de altitude, sob um regime de clima tropical de savana, com precipitação média de 1.473 mm, e temperatura média de 23,3°C. Os solos estão classificados nas classes de solos dos tipos Neossolo Quartzarênico e Latossolo Vermelho Amarelo Distrófico arenoso. A propriedade em questão vem intensificando a produção de leite bovino através da adoção de tecnologias de proces-

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sos e de insumos, tais como a irrigação da pastagem e a correção e adubação intensiva do solo. Na TABELA 2 encontram-se as quantidades de corretivos e adubos recomendadas no primeiro ano de intensificação, em 2004, e para o ano 2011 para uma produção de forragem suficiente para suportar 8,00 UA/ha na média do ano, em 2004, e 10,4 UA/ha na média do ano, em 2011. Observa-se redução significativa para todos os nutrientes, tanto em termos absolutos (kg/ha) quanto relativos (kg/UA). Era de se esperar algum questionamento quanto à fertilidade do solo desta área, ou seja, se não houve redução da mesma devido à redução dos níveis de adubação. Entretanto, os resultados das análises feitas em 2004 e 2011, revelam aumento significativo em todas as determinações (TABELA 3). Por outro lado, se a fertilidade do solo não foi reduzida com a diminuição nos níveis de adubação era então prudente o questionamento se a produtividade não fora reduzida. Entretanto, os dados coletados na propriedade revelam que nos últimos quatro anos aquela pastagem produziu 130.000 litros de leite/ ha ou média de 32.500 litros/ha/ano, com redução significativa na relação dose de corretivos e adubos por litro de leite produzido. Na TABELA 4 alguns indicadores técnicos e

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econômicos das 500 propriedades leiteiras que participaram do diagnóstico da cadeia do leite do Estado de Goiás (GOMES, 2009), que exploram sistemas extensivos de produção, com propriedades que exploram o solo e outros fatores de produção de forma intensiva. Para se ter uma ideia de como os produtores exploram os solos do Estado de Goiás, no último Censo Agropecuário publicado em 2006, apenas 5,54% das propriedades de pecuária, incluindo aqui as de bovinos de corte, usavam fertilizantes, enquanto o uso de calcário era adotado por apenas 11% das propriedades, incluídas aqui também as de agricultura (IBGE, 2006). Observa-se que os indicadores técnicos médios (produção por fazenda por dia e por hectare ano) das 500 propriedades leiteiras que participaram do diagnóstico da cadeia do leite em Goiás são significativamente mais baixos que os das fazendas comerciais e de pesquisa que exploram a terra num modelo intensivo, o que leva a resultados econômicos pouco atrativos, mesmo com margens brutas por litro mais altas que as alcançadas nos sistemas intensivos, que são mais competitivos porque alcançam escalas de produção bem mais altas. As margens alcançadas por hectare nas fazendas intensivas tornam a atividade leiteira mais competitiva que as alternativas de uso da terra que tem competido por este recurso com as atividades pecuárias, tais como: grãos, cana, reflorestamento, seringueira etc. Chama-se a atenção que aquelas margens são provenientes apenas da venda do leite, não estando aí a receita alcançada com animais de descarte e para reprodução. Naquelas propriedades que exploram sistemas intensivos os custos com correção e adubação dos solos representam menos de 20% da receita do leite. No início do programa de correção e adubação nos solos típicos do Brasil, que são classificados como de fertilidade muito baixa, o custo com correção e adubação representa em torno de 2 litros de leite/ vaca/dia, mas com o passar dos anos, devido aos efeitos residuais dos corretivos e adubos aplicados em anos anteriores, aquele custo passa a representar menos de 1 litro de leite/vaca/dia, em sistemas com vacas produzindo entre 10 e 15 litros de leite/dia.


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Dra. Poliana de Castro Melo Médica Veterinária Jurada Efetiva Girolando e ABCZ policame@yahoo.com.br

LEPTOSPIROSE BOVINA Um problema de saúde pública

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o setor pecuário as leptospiroses são responsáveis por perdas econômicas expressivas. Nos bovinos influenciam negativamente o potencial reprodutivo e produtivo, causando aborto, natimortos, nascimento de animais debilitados e infertilidade. Pode ocorrer mastite clínica ou subclínica, com alterações nas características macroscópicas do leite, com estrias de sangue, ocasionando redução na produção de leite do rebanho (Higginset al., 1980). A leptospirose, zoonose bacteriana naturalmente transmissível entre animais vertebrados e o homem, com vasta distribuição geográfica, está presente em todo o mundo. É particularmente prevalente em países de clima tropical a subtropical, principalmente nos períodos de altos níveis pluviométricos (Bloodet al., 1983), devido à grande sobrevivência do gênero Leptospira em ambientes úmidos, o que aumenta o risco de exposição e contaminação de animais susceptíveis (Acha &Szyfres, 1986).. Os bovinos são infectados pelos sorovares Hardjo, Pomona, Grippotyphosa e Icterohaemorrhagiae. O sorovar Hardjo tem sido considerado como o mais adaptado à espécie bovina (Costa et al., 1998; Ellis, 1994). Uma vez introduzido em um rebanho, este sorovar estabelece níveis variáveis de infecção, podendo persistir por longos períodos. A infecção pelo sorovar Hardjo independe de estações chuvosas e sistema de criações (Ellis, 1994). Bovinos são considerados hospedeiros de manutenção da sorovariedade Hardjo, pois possuem elevada suscetibilidade à infecção. A transmissão é endêmica entre os animais dessa espécie, apresentando a


doença na forma crônica, caracterizada por problemas reprodutivos. Essa sorovariedade possui dois genótipos: Hardjobovis e Hardjoprajitno. O genótipo Hardjobovis pertence à espécie Leptospira borgpetersenii e o genótipo Hardjoprajitno à espécie L. interrogans. Ambos são importantes causadoras de problemas reprodutivos nos rebanhos bovinos do mundo e possuem diferenças nas suas manifestações clínicas. A infecção causada pelo Hardjobovis é amplamente encontrada em bovinos de diversos países do mundo e é frequentemente caracterizada pela forma subclínica, ocasionando aborto, enquanto que o hardjoprajitno, isolado em poucos países, caracteriza-se por ser maispatogênico, levando à queda da produção de leite e também a problemas reprodutivos (Ellis, 1994).

tose na corrente sanguínea, possivelmente por induzir a apoptose dos macrófagos. Em animais susceptíveis, danos nas membranas das hemácias e das células endoteliais, junto com a lesão hepatocelular, produzem anemia hemolítica, icterícia, hemoglobinúria e hemorragia associada à leptospirose aguda. DIAGNÓSTICO A prova de soroaglutinação microscópica (SAM) é o teste sorológico mais utilizado para o diagnóstico da leptospirose bovina (Bolinet al., 1989) no Brasil e em todo o mundo (Oliveira, 1999). Thiermann (1984) ressalta que, apesar da padronização deste teste, há dificuldade de obter resultados concordantes entre os diferentes laboratórios. É uma técnica laboriosa e exige o uso de leptospiras vivas como antígenos (Chappelet al., 1998). Atualmente, utilizam-se as técnicas de biologia molecular nas pesquisas de leptospiras em sêmen e em outros materiais. Heinemannet al. (1999) utilizaram

PATOGENICIDADE A patogenicidade das leptospiras está relacionada à virulência da sorovariedade infectante e à susceptibilidade das espécies de hospedeiros. Estas bactérias invadem os tecidos através da pele macia e úmida ou através das membranas mucosas; a motilidade pode auxiliar a invasão tecidual. Espalham-se pelo organismo pela circulação sanguínea, mas são eliminadas da circulação após dez dias de infecção, quando aparecem os anticorpos. Alguns microrganismos podem evadir a resposta imunológica e persistir no organismo, principalmente nos túbulos renais, mas também no útero, nos olhos e nas meninges. As leptospiras podem evadir a fagoci-

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a reação em cadeia da polimerase (PCR) para detectar leptospiras em sêmen, encontrando DNA deste agente em amostras provenientes de animais soropositivos e soronegativos. Outras técnicas de detecção de leptospiras muito utilizadas são as de coloração, como a Levaditi e a imunoistoquímica. Brandespimet al. (2004) utilizaram as duas técnicas para detecção de Leptospira interrogans sorovar Pomona em órgãos do aparelho reprodutor de hamsters experimentalmente infectados e concluíram que, embora as duas sejam técnicas recomendadas, a Levaditi apresentou melhores resultados. TRATAMENTO Hafez (1995) descreveu que uma combinação de penicilina entre 50 e 100 UI/mL e estreptomicina entre 500 e 1.000 UI/mL proporciona largo espectro de atividade antibacteriana. Miraglia (2001), comparando a capacidade de quatro antibióticos, acrescidos ao diluidor de sêmen gema-citrato, concluiu que a associação penicilina-estreptomicina apresentou os melhores resultados na capacidade de destruir leptospiras, mas houve 2,0% (7/348) de cultivos positivos para leptospiras. Amoxicilina,ceftiofur sódico e a combinação de ambos, nas concentrações de 1.000 mg/mL, nãoforam efetivos para inativar as leptospiras. CONTROLE O controle da doença no rebanho deve partir do diagnóstico laboratorial da sorovariedade circulante na propriedade. Conhecida a amostra circulante, podem ser aplicadas duas estratégias de controle. A primeira delas baseia-se no tratamento dos animais doentes, no sentido de controlar a eliminação de leptospiras na urina e consequente contaminação ambiental. O anti-

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biótico mais frequentemente utilizado no tratamento da leptospirose é a estreptomicina, alcançando resultados bastante satisfatórios. Outra estratégia a ser aplicada é a vacinação do rebanho. Atualmente estão disponíveis vacinas comerciais que, de uma forma geral, têm em sua composição as sorovariedades: grippotyphosa, pomona, canícola, hardjo, wolffi e icterohaemorrhagiae. Estas vacinas buscam a característica de amplo espectro de atuação, utilizando-se do artifício de possivelmente induzir a produção de anticorpos que determinem reação cruzada com outras sorovariedades do gênero ampliando a eficiência desta estratégia de controle. É importante destacar que quando a sorovariedade presente no rebanho não faz parte da composição das vacinas comerciais, ou quando o responsável pelo rebanho opta por fazer um controle direcionado às sorovariedades circulantes na região, é possível ser realizada, em alguns laboratórios do país, a produção de vacinas com bacterinas específicas para a situação epidemiológica do rebanho. Preventivamente a vacinação deve-se iniciar em bezerros com 4 a 6 meses, seguidas por revacinações anuais ou semestrais. Também é relevante a realização de testes sorológicos regulares, mantendose vigilância constante do rebanho, na possibilidade da entrada de novos sorotipos. Além da vacinação, medidas de higiene, como: identificação da fonte de infecção (lamaçais, lugares úmidos, áreas alagadiças, presença de roedores) e diminuição do contato dos animais com essts áreas podem ser de grande eficácia no controle da leptospirose bovina. Com estas medidas também evitamos que a doença possa atingir o homem, impedindo, assim, um problema de saúde pública.

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Denise Telles

Médica Veterinária Real H

Impactos da DOENÇA DIGITAL BOVINA na produção e a Homeopatia como solução

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doença digital bovina (DDB) é um conjunto de enfermidades que acomete a extremidade dos membros dos bovinos, abrangendo: pele, tecido subcutâneo e córneo, ossos, articulações e ligamentos. A DDB engloba um grande número de doenças, como: dermatite digital, dermatite interdigital, flegma interdigital, hiperplasia interdigital (gabarro), doença da linha branca, erosão do talão, pododermatite asséptica difusa (laminite), pododermatite asséptica localizada, pododermatite circunscrita, pododermatite do paradígito e pododermatite asséptica. Em especial, destacamos a pododermatite, uma das principais causas de grandes prejuízos na atividade leiteira.

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As afecções podais dos bovinos apresentam grande variação clínica e resultam em perdas econômicas significativas para os criatórios. As principais perdas econômicas causadas pelas afecções do casco são atribuídas ao descarte prematuro dos animais acometidos, à perda na produtividade, com diminuição da produção de leite e carne, à redução da fertilidade e aos altos custos dos tratamentos. Os problemas podais dos bovinos causam grandes perdas, muitas vezes imperceptíveis, tendo em vista que elas ocorrem de forma gradativa e podem comprometer até 20% da produção leiteira e 25% da produção de carne. Sabemos que diversos são os fatores que levam aos problemas de cascos nos animais (manejo,


barro, pedras, nutrição etc.). Conhecida como enfermidade de natureza infecciosa e contagiosa, a pododermatite ou pododermite afeta os cascos principalmente de bovinos, ovinos e caprinos. O primeiro sintoma é a claudicação (manqueira), acompanhada da inflamação. O casco apresentase dolorido, edemaciado e quente na região afetada. Sinais como febre, falta de apetite e emagrecimento progressivo também ocorrem, dependendo da gravidade. A intensificação das técnicas produtivas, com a especialização de vacas por raças e o moderno manejo na produção leiteira ocasionaram um aumento do número de claudicações, já que os bovinos experimentaram alimentações ricas em fatores predisponentes para que estas ocorram. Algumas repercussões nas claudicações dos bovinos situam-se na produção, condição corporal, fertilidade, mamites, longevidade, sacrifícios dos animais (abate), melhoria genética e mão de obra. Alguns fatores de risco para a claudicação estão relacionados com a alimentação, a hereditariedade, as instalações, o pastoreio, a produção, a correção de cascos, a concentração de gado, o homem, a fase da lactação, o clima, a umidade, a idade, os traumatismos e a época do ano. É de grande importância conhecer estes fatores de risco, já que podem influenciar a estrutura e a função do casco, e assim conduzir a medidas que possam colocar em prática métodos profiláticos para uma melhoria da sanidade dos bovinos. Segundo informações de um médico veterinário, o gasto anual de um animal doente dos cascos gira em torno de R$ 150,00/ano (não estão calculados descartes e outras perdas), o que onera os custos de produção de uma propriedade. Ocorre com maior frequência em períodos chuvosos, em aglomerações de animais e pisos que não favorecem a integridade dos cascos. Qual o impacto das lesões podais no sistema de produção? As perdas de produtividade relacionadas aos problemas de casco são representadas por baixa

produção leiteira, diminuição do peso corporal, baixo desempenho reprodutivo, tratamento dos animais doentes e descarte, que estão ocorrendo com animais cada vez mais jovens. Desta forma, alguns cuidados se tornam essenciais para a vida produtiva de um animal: •Realizar casqueamento preventivo e curativo; •Minimizar mudanças abruptas na dieta das vacas; •Evitar superlotações em locais com excesso de umidade e barro; •Minimizar o estresse térmico; •Providenciar um local limpo, seco e sombreado para as vacas deitarem; •Em caso de feridas expostas, lavar o local evita bicheira e agravamento do problema. Para tal desafio, que muitas vezes passa despercebido ou não tem a devida atenção, a Homeopatia surge como opção de tratamento para a redução das claudicações. Os medicamentos homeopáticos estão se tornando essenciais para a pecuária leiteira, pelos seus diferenciais, principalmente pela ausência de resíduos, redução do estresse, facilidade de manejo, garantia de resultados e preocupação com o bem estar animal. No tratamento da pododermatite, a homeopatia reduz as claudicações e auxilia na cicatrização, eliminando mais rapidamente o sofrimento dos animais, sem prejudicar a qualidade do leite produzido. Em animais em produção, o indicado é fornecer a dose correta dos medicamentos para prevenção em rações e suplementos proteicos, conforme orientação do médico veterinário. Para a cura da doença, devem-se separar os animais afetados em um piquete e fornecer doses diárias dos medicamentos. Estes processos diminuem o manejo e não causam estresse, benefícios que refletem no aumento da produção. Ter a disponibilidade de fornecer medicamentos com função de prevenção durante toda a vida produtiva de um animal garante total desempenho do potencial genético de um rebanho, e principalmente lucratividade nos investimentos.

REFERÊNCIAS GARCIA, M.; BORGES, J. R. J. Doença Digital Bovina. In: RIET-CORREA, F.; SCHILD, A. L.; MÉNDEZ, M. C.; LEMOS, R. A. A. Doenças de Ruminantes e Equinos. 2.ed. São Paulo: Varela, 2001, v.2, p.507-516. SILVA, L. A. F.; SILVA, L. M.; ROMANI, A. F.; RABELO, R. E.; FIORAVANTI, M. C.S.; SOUZA, T. M.; SILVA, C. A. Características clínicas e epidemiológicas das enfermidades podais em vacas lactantes do município de Orizona – GO. Ciência Animal Brasileira, v. 2, n. 2, p. 119-126, jul./dez. 2001. FERREIRA, P.M.; CARVALHO, A.U.; FILHO, E.J.F.; COELHO, S.G.; FERREIRA, M.G.; FERREIRA, R.G. (2005). Afecções do Sistema Locomotor dos Bovinos. In: II Simpósio Mineiro de Buiatria, Brasil.

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Marcelo Cabral

Médico veterinário, Pós-graduado em Engenharia Econômica, MBA em Liderança e Gestão de Pessoas, Consultor do SEBRAE-MG, EMBRATEC e Rehagro

Desenvolvimento de Pessoas Capacitação de mão de obra

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uanto pode custar a imaturidade, a falta de competência e o despreparo das pessoas que participam direta e indiretamente dos resultados dentro de uma propriedade leiteira? Quanto dinheiro tem se desperdiçado e perdido nos vários componentes do custo de produção de um litro de leite, por questões relacionadas ao desempenho humano? Diversas são as posições e funções que as pessoas ocupam e desempenham numa propriedade leiteira, variando desde aquelas relacionadas a tarefas mais operacionais, como limpeza de instalações e alimentação de animais, até aquelas em que os profissionais envolvidos precisam utilizar suas capacidades cognitivas (intelectuais) em níveis mais profundos e amplos de compreensão do contexto em que elas e suas tarefas e responsabilidades estão inseridas. A este patamar de compreensão denominamos “Capacidade de Abstração” dos indivíduos, que é o quanto uma pessoa consegue estabelecer e perceber a relação entre as variáveis existentes no seu dia-a-dia, os impactos que determinadas ações e/ou situações podem ter sobre outras áreas, funções ou setores. Segundo estudos desenvolvidos por especialistas em gestão de pessoas de universidades e empresas do exterior e também do Brasil, ao longo dos anos, as necessidades de desenvolvimento das pessoas estão relacionadas e são diretamente proporcionais aos diferentes níveis de complexidade, característicos de cada cargo e ocupação que esses profissionais ocupam durante suas carreiras profissionais. Chamamos de “Nível de complexidade” as habilidades, as estratégias de gestão do tempo e o amadurecimento dos “valores profissionais”, necessários para o cumprimento das tarefas e responsabilidades inerentes àquela posição hierárquica numa trajetória de carreira de um profissional. A experiência vivenciada tanto diretamente den-

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tro de propriedades leiteiras, quanto nas salas de aula e em participações de encontros com produtores em diversas regiões e estados do País, tem nos mostrado detalhes de uma situação preocupante, e até certo ponto, alarmante, com relação aos absurdos níveis de amadorismo percebidos nos trabalhos de gestão de propriedades rurais, principalmente aquelas envolvidas com a atividade leiteira. Essa preocupação fica ainda mais grave quando se trata dos níveis de consciência e das ações voltadas para o desenvolvimento de pessoas nessas propriedades. Desenvolver e capacitar pessoas custa caro? A “ignorância” (o ignorar, o não saber) de uma equipe custa caro? Quanto pode custar? Num estudo que fizemos, avaliando os componentes do custo de produção do litro de leite, num universo de sete propriedades de Minas Gerais, que apresentavam características de viável e possível comparação, foram impressionantes os resultados obtidos. Foi calculado o custo médio de produção de um litro de leite destas propriedades e, posteriormente, foram identificados os melhores valores dentro de cada item do custo de produção, possibilitando-nos simular a criação de uma “Fazenda Ideal”, considerando o conjunto dos melhores valores do grupo. Quando comparados os valores obtidos por propriedade, em cada item (por exemplo: gastos com medicamentos, alimentação dos animais, energia elétrica, gastos com reprodução, etc.), com os valores da tal “Fazenda Ideal”, foi possível perceber uma distância considerável. Chegamos a um somatório impressionante dessas diferenças, que mostrou um “desperdício” ou “custo mais alto” de cerca de R$0,19 (dezenove centavos) por litro de leite produzido, quando comparamos o custo médio de produção das sete propriedades com o custo de produção da “Fazenda Ideal”.


Quando consideramos essa diferença de custo de produção nas diversas fazendas, com seus diferentes volumes de produção de leite diária, chegamos a valores impressionantes de capital “desperdiçados” por essas propriedades nos últimos 12 meses (período de análise dos dados considerados nos cálculos acima citados). Por exemplo, em uma das propriedades avaliadas, que trabalhava com um volume de produção de 1.500 litros/dia, os valores desembolsados acumulados (acima daqueles possíveis na “Fazenda Ideal”), no exercício dos últimos 12 meses, superou a marca de R$80.000,00. Discutindo com os produtores, foi possível entender que esse valor foi “gasto“ (“perdido”) no último ano de trabalho, numa situação em que praticamente qualquer um dos produtores presentes naquele momento de troca de ideias alegaria não ter condições de investir nem dinheiro nem tempo no desenvolvimento de pessoas em seus negócios. Vale lembrar que no momento das análises apresentadas acima foi considerado quanto cada item do custo de produção era “dependente ou sensível” ao desempenho humano; e, considerando apenas os itens do custo altamente sensíveis ao desempenho humano, o valor do custo anual da ineficiência ultrapassou R$42.000,00. Quando alertamos aos produtores presentes nesse determinado evento, sobre o risco de correrem os próximos 12 meses com o mesmo fato acontecendo novamente, deixamos claro que eles tinham a opção de “gastar” os mesmos R$42.000,00 ou, até mesmo R$80.000, perdendo alguns centavos em cada item do custo de um litro de leite produzido, ou tinham a opção de planejar um volume determinado desse valor (que potencialmente já será “gasto” caso tudo continue como até agora), para investimento e estruturação de trabalhos de desenvolvimento de pessoas em suas propriedades. Na atividade leiteira, já percebemos diversas pessoas sensibilizadas com a importância de haverem mais iniciativas voltadas para o desenvolvimento de pessoas dentro de suas propriedades. Porém, um erro comum e recorrente é o fato de estas iniciativas de busca de capacitação serem baseadas apenas na tentativa de soluções de problemas. Numa visão bem prática de abordagem da questão, o fato é que os problemas têm sido os maiores sinalizadores das necessidades de desenvolvimento dentro das empresas. Esse fato justifica parte dos resultados alcançados até o momento, mas é preciso ter uma visão mais estratégica da situação e

não apenas um conjunto de ações baseado na solução de problemas. Essa abordagem mais estratégica propõe um nível mais profundo de maturidade e propósito para definir o conjunto de competências a serem desenvolvidas pela empresa e, por conseguinte, as competências a serem desenvolvidas pelas pessoas dentro do negócio da empresa. Quando conversamos com produtores por todo o País, já temos a alegria de ouvir sobre suas iniciativas de encaminhar seus colaboradores para cursos e treinamentos nos seus segmentos de negócio. Porém, quando analisamos as iniciativas de empresas de outros segmentos de negócio, principalmente nos casos de indústrias e prestação de serviço, fica gritante a distância entre a visão e maturidade destas últimas com relação ao tema aqui abordado. Como exemplo, citamos o caso de uma empresa do segmento de mercado financeiro, que dispõe de um portfólio de cerca de 1.700 opções de cursos e treinamentos, entre outras ações de desenvolvimento ofertadas para sua equipe de colaboradores. Estamos no ano 2013 e precisamos acordar rápido para a necessidade de mudanças significativas, palpáveis e práticas no que se refere às verdadeiras necessidades de ações de desenvolvimento para as pessoas relacionadas ao agronegócio leite. Ações conjuntas entre política privada e política pública precisam ser revistas. As entidades de classe precisam assumir seu papel e fomentar a estruturação dessas iniciativas de desenvolvimento das pessoas. Assistir calados, ou melhor, reclamar ao mundo nossas dificuldades com mão de obra não irá resolver uma questão de tamanha complexidade. O amadurecimento dos gestores (produtores, gerentes) é parte fundamental dessa estruturação dos trabalhos de gestão de pessoas. O entendimento estratégico, com definições de retaguarda que constituirão o pano de fundo para todas as demais definições, é parte fundamental também desta estruturação. Alguém terá de assumir um papel dentro de cada propriedade, de cada comunidade, de cada município do nosso país. Buscar apoio profissional para otimizar tais iniciativas é parte do processo. Qual é a sua parcela de responsabilidade? O convite para que “corram o risco” de investir nas pessoas é fundamentado, viável, plausível e, acima de tudo, necessário para o alcance dos ganhos que o produtor tanto almeja e espera de sua atividade.

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Girolando viabiliza produção leiteira no Sul

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uem for à Expointer 2013 terá a oportunidade de conhecer um pouco da história da raça Girolando no Rio Grande do Sul. Dezenove anos depois de registrada pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento da época, Sinval Guazzelli, na Expointer, a vaca Kaneg estará entre os animais Girolando que serão expostos na feira. Esse registro aconteceu em 1994, uma época em que apenas raças taurinas puras eram aceitas na exposição. “Mesmo sendo o primeiro animal Girolando registrado no Estado, Kaneg foi convidada a deixar o recinto após receber a marcação do ministro”, lembrou Jaime Francisco da Conceição, proprietário da fêmea. Alguns anos depois pôde voltar à feira, mas a última participação ocorreu em 2003. Em 1989, o criador decidiu criar a raça Gir para fazer o Girolando, mas somente quatro anos após colocou seu projeto em prática. Assim nasceram a histórica Kaneg e vários outros animais. Tempos depois, Jaime decidiu vender todo o rebanho Girolando, menos Kaneg. Longeva e de alta fertilidade, ela teve o primeiro cio aos 13 meses, e no segundo cio teve gêmeos. Já são mais de 14 crias. “Em 2013, decidi retomar a criação de Girolando. Estou inseminando fêmeas Gir Leiteiro com sêmen Holandês para fazer o meio sangue. A rusticidade do Girolando permite

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manutenção mais barata, melhorando a margem de lucro do criador gaúcho, pois o Estado tem variação climática grande. A temperatura vai de 2 graus negativos a 45 graus no verão. Isso exige animais rústicos e produtivos, mesmo nessas condições”, explicou Jaime, que pretende também ter um rebanho 5/8. O foco da fazenda Nossa Senhora de Lourdes, localizada em Novo Hamburgo, é a produção de genética leiteira e o criador investe no sêmen sexado de fêmea para produzir doadoras. A versatilidade do Girolando é o que atrai os criadores gaúchos. A junção entre a alta produtividade, herdada do Holandês, e a rusticidade, advinda do Gir Leiteiro, culmina em exemplares de eficiente conversão alimentar e, consequentemente, excelente produção de leite a pasto, maior resistência parasitária, rusticidade e longevidade. “Essas virtudes fazem com que a raça se projete como uma opção fantástica para redução de custos de produção, sem perder o rendimento produtivo a campo. O produto meio sangue traz a força do vigor híbrido, nos proporcionando um animal altamente capaz de potencializar a atividade leiteira, inclusive agregando valor, já que os machinhos Girolando podem ser utilizados para o abate e possuem bom valor comercial”, informou o presidente da Associação Gaúcha dos Criadores de


Zebu, José Adalmir Ribeiro do Amaral. Segundo ele, essa versatilidade da raça permite fácil adaptação ao Estado, pois, no geral, a região tem clima que se caracteriza por verões secos e muito quentes e invernos rigorosos e chuvosos. O Rio Grande do Sul é o segundo maior Estado produtor de leite do Brasil. Segundo dados do Anualpec 2012, a produção é de 3.317.782 litros (dados referentes a 2011), com média por vaca/dia de 10,8 litros, a segunda maior média nacional. O rebanho leiteiro é constituído basicamente por animais puros e mestiços de raças taurinas, como Holandês, Jersey e, em menor escala, Pardo-Suíço. “O Gir Leiteiro tem sido utilizado há muitos anos, através de inseminação artificial em cruzamentos e agora com o crescimento na comercialização de tourinhos com genética provada para leite da raça por aqui. Isso nos faz estimar uma população consistente e crescente de animais Girolando, que devem impulsionar a produção láctea do Estado ainda mais”, ressaltou Amaral. Carlos Jacob Wallauer é criador de Girolando nos municípios de Triunfo e Salvador do Sul. A criação foi iniciada há dez anos, na fazenda Belas Artes, localizada no município de Rio Brilhante (MS). “Como conseguimos resultados satisfatórios com a raça, resolvemos introduzir um plantel de Girolando no Rio Grande do Sul. Temos um plantel em torno de 200 animais. Com base em alguns resultados já obtidos no Estado, quanto à rusticidade, e incremento de produtividade na fazenda, podemos dizer, com certeza, que o Girolando vai contribuir muito, e tem amplo espaço na pecuária leiteira gaúcha”, destacou Wallauer, proprietário da Agropecuária Fortaleza. Expointer – Depois de dez anos sem participar da Expointer, a raça estará de volta no evento. O retorno está sendo planejado pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e pelo Núcleo Gaúcho de Gir Leiteiro. O objetivo é realizar uma mostra oficial com cerca de 30 animais, sendo metade deles jovens registrados dos criadores gaúchos e a outra parte de animais adultos de expositores de outros Estados.

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“Temos a expectativa de que, com essa mostra, um número maior de produtores, utilizadores da genética Girolando ou não, conhecerá a evolução zootécnica que resultou no moderno, eficiente e produtivo Girolando. E, assim, impulsionaremos sua expansão. Acreditamos que muitas outras ações conjuntas, como encontros técnicos, palestras e exposições ainda serão promovidas em prol da raça no Rio Grande do Sul”, afirmou Amaral. A Expointer será de 24 de agosto a 1º de setembro. Encontro Técnico no RS No dia 9 de março foi realizado um encontro técnico no Estado, com o tema “Girolando, produtividade e versatilidade a toda prova”. O encontro aconteceu na Agropecuária Fortaleza, em Triunfo, de propriedade do criador Carlos Jacob Wallauer. O evento contou com a participação de aproximadamente 30 criadores de todo o Estado, que tiveram a oportunidade de conhecer melhor a raça Girolando e todo seu potencial. A palestra foi ministrada pelo superintendente do Serviço de Registro Genealógico da raça Girolando, Leandro Paiva. Após a palestra, os criadores conheceram, na prática, algumas das principais características raciais e econômicas do Girolando. O encontro técnico teve o apoio do Núcleo Gaúcho dos Criadores de Gir Leiteiro e da Associação Gaúcha dos Criadores de Zebu. Entre os dias 9 e 12 de março, Paiva visitou várias fazendas do Estado para orientar os criadores e realizar registros de animais. A maioria dos animais registrados é de origem conhecida (livro fechado),

Participantes do Encontro Técnico no RS

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com composição racial 1/2 Holandês + 1/2 Gir, filhos de matrizes Gir Leiteiro com touros Holandeses e viceversa. De acordo com o superintendente Técnico da Girolando, os criadores gaúchos estão usufruindo da qualidade genética do rebanho local para produção de animais Girolando, pois a região possui excelentes rebanhos de Holandês e de Gir Leiteiro, que estão contribuindo de forma significativa para a formação e evolução da raça Girolando.


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Eu uso, eu confio, eu recomendo!!!

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partir desta edição promoveremos a divulgação dos touros Girolando, com sêmen disponível e provados pelo Sumário de Touros Girolando/Embrapa Gado de Leite, procurando, de uma forma simples e didática, auxiliar nossos criadores sobre a utilização do touro Girolando em seu rebanho. A ordem de divulgação será de acordo com o Sumário de Touros. Esta iniciativa tem o apoio do Fundo de Investimento do Teste de Progênie. Para iniciarmos, ressaltamos, ao lado, alguns dos cruzamentos mais utilizados com touros Girolando e seus respectivos produtos.

Fausto Polo Itaúna- RGD nº 0717 - Touro 5/8 Hol + 3/8 Gir, provado, pertencente ao 4º grupo do Teste de Progênie, filho de B-Hiddenhills Mark-O-Polo, touro Holandês provado. Sua mãe, Bolacha Oásis Itaúna, vaca 1/4 Hol + 3/4 Gir, possui lactação de 5.965 Kg de leite em 365 dias, é filha de Santa Cruz Oasis Hábil, touro Gir Leiteiro provado pelo Sumário ABCGIL/Embrapa Gado de Leite. Fausto produz filhas com grande capacidade corporal e torácica, garupas compridas e largas e com úbere posterior alto e tetos curtos. Fausto Polo Itaúna possui PTA leite de 274 kg.

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Marcello A. R. Cembranelli

Coordenador Operacional do PMGG


Lion Império Itaúna- RGD nº 0931 - Touro 5/8 Hol + 3/8 Gir, provado, pertencente ao 6º grupo do Teste de Progênie, com PTA leite de 270 Kg. É filho de Império Paviljon Itaúna, portanto neto de Bolacha Oásis Itaúna, mãe de Fausto Polo Itaúna. Lion tem como mãe Gama TE Mason Itaúna, vaca 5/8 Hol + 3/8 Gir, possui lactação de 7.822 Kg em 365 dias e uma vida bastante produtiva, com 11 partos cadastrados com intervalo médio entre eles de 398 dias. Gama é filha de Shoremar Maison-ET, touro Holandês de grande expressão, com Mansinha Itaúna, pertencente a uma das mais importantes famílias do criatório Itaúna. As filhas de Lion apresentam excelentes garupas, altas, largas e compridas; apresentam, também, profundidade corporal e torácica.

Millenium Hortência Alf Boa Fé- RGD nº 0475Touro 3/4 Hol + 1/4 Gir, provado, pertencente ao 3º grupo do Teste de Progênie, com PTA leite de 254 Kg. Millenium é filho de Hortência Boa Fé, que possui lactação de 9.163 Kg de leite em 365 dias e avaliação genética positiva para produção de leite de 739 kg com 86% de confiabilidade. Seu pai, Alvoor Elton Alf, é um touro Holandês provado. As filhas de Millenium apresentam excelente capacidade respiratória, úbere posterior largo e tetos curtos. Na próxima edição iremos falar um pouco sobre as características dos touros Turbante Touch das Arábias, Florin Marker Dom Nato e Magical Mascot TE Rancho Alegre. Aguardem!

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Pré-seleção de touros começa em maio Pastagem já formada com capim MG5 na área da Pré-seleção

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Teste de Progênie da raça Girolando passa a exigir a partir de 2013 que os touros inscritos tenham qualidade reprodutiva comprovada. Os candidatos a uma vaga no Teste devem participar da Pré-Seleção de Touros, que será realizada de maio a novembro, em Uberaba (MG). Serão disponibilizadas 60 vagas. As inscrições para a prova foram encerradas no dia 15 de abril. A Pré-Seleção será conduzida na Fazenda Experimental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM), em Uberaba (MG). O local passou por reforma para o plantio da pastagem. A área é de 20 hectares.

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Os animais serão avaliados semanalmente em relação a várias características. Na parte reprodutiva, será verificada a capacidade de congelamento e descongelamento do sêmen, a quantidade de espermatozóide produzido e se algum apresenta defeito. Na parte de sanidade, será testado se o animal tem alguma doença reprodutiva. Além disso, serão observados: libido, desempenho do ganho médio diário, temperamento, aptidão reprodutiva termotolerância. Todos passarão por exames andrológicos e mensuração de Perímetro Escrotal. As avaliações genéticas dos animais serão feitas pela Embrapa Gado de Leite.


Parceria viabiliza Pré-seleção de Touros Toda a madeira utilizada na cerca e currais erguidos na área da Pré-seleção de Touros foi doada pela empresa Plantar, que em março firmou contrato de parceria com a Girolando. A empresa também doou matéria-prima para a construção de um auditório no local. Em entrevista à revista O Girolando, o proprietário da empresa Ricardo Moura fala sobre a parceria e sobe o mercado de madeira. Girolando- Qual a importância desta parceria entre Girolando e Plantar? Moura- O histórico de direcionamento dos produtos florestais da Plantar para o mercado rural não é recente, mas a parceria com a Associação Girolando nos oferece a oportunidade ímpar de demonstrar para esse setor da economia toda a tecnologia e o potencial construtivo, associados à madeira que a Plantar desenvolveu exclusivamente para aplicação em obras, o AMARU®. A confiança depositada pela Girolando no nosso produto nos honra e entendemos que muito irá contribuir para reforçar a credibilidade do AMARU® no mercado. Girolando- O que é o AMARU e qual sua utilidade no meio rural? Moura- AMARU é o nome da primeira madeira brasileira desenvolvida especialmente para a construção civil. É também um produto inovador obtido a partir de estudos genéticos produzidos pela Plantar, empresa que desenvolve produtos com base em pesquisas científicas e tecnológicas desde sua fundação, em fevereiro de 1967. O AMARU está no topo de um ciclo de desenvolvimentos tecnológicos iniciados pelo grupo há 46 anos e foi desenvolvido para atender as especificações do mercado da construção. Aliamos pesquisa, qualidade genética e processo industrial para criar e garantir a primeira madeira brasileira para fins construtivos. Ela tem estabilidade dimensional superior, baixa conicidade, que significa uniformidade no diâmetro do tronco, baixíssimos índices de fendilhamento e de rachaduras. No processo de tratamento industrial essa madeira tem alto poder de retenção do preservativo químico. O desempenho e alta resistência fazem de AMARU um produto versátil, que atende as necessidades da construção, por mais rigorosas que sejam, encarando os desafios de construir na cidade ou no campo. Sua proporção cerne/ alburno equilibrada permite boa tratabilidade e, com isso, alonga a vida da obra, seja ela urbana ou rural. Girolando- Como está o mercado para este tipo de madeira?

Moura - Estamos diante da necessidade evidente e urgente de reduzir radicalmente a demanda por soluções construtivas baseadas no consumo de madeira proveniente de florestas nativas. Constituindo um dos principais destinos de toda a madeira tropical serrada produzida no país, a construção civil brasileira sofre grande pressão para a adoção de práticas mais sustentáveis e nesse sentido vem se mobilizando. A resposta que se apresenta como definitiva e irreversível para esse impasse é o uso de madeira de reflorestamento certificada e preservada. O cultivo de árvores de rápido crescimento, como AMARU, para fins comerciais já é amplamente praticado em diversas regiões do Brasil, inclusive no estado de Minas Gerais. O crescente número de indústrias que se dedicam à preservação de madeiras no país também evidencia o aumento de demanda por esse material para uso em obras. As perspectivas da Plantar são muito otimistas para 2013, ano em que estamos focados em ampliar a área de comercialização do AMARU no território nacional e também aumentar a participação de alguns mercados já explorados. Hoje, além da forte atuação na região Sudeste, temos revendas distribuídas em estados do Nordeste, Centro-Oeste e Sul e ainda percebemos novos nichos com potenciais e grandes oportunidades de crescimento.

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Leandro de Carvalho Paiva

Superintendente Técnico da Girolando

A partir deste número da revista O Girolando, você que é criador e apaixonado pela raça, terá a oportunidade de, a cada edição, conhecer um pouco mais sobre touros Girolando através desta coluna, intitulada Você Sabia?. Utilização, evolução, história, progênies e curiosidades serão alguns dos assuntos abordados. Você também poderá fazer perguntas e relatar fatos curiosos. Este espaço, criado com o apoio do Fundo de Investimento do Teste de Progênie da Raça Girolando, tem como principal objetivo divulgar e fomentar cada vez mais a utilização de touros Girolando.

Você Sabia que a raça Girolando é a que apresentou maior evolução na venda de sêmen, entre todas as raças leiteiras no Brasil, nos últimos anos? Desde o início do teste de progênie dos touros Girolando, em 1997, nunca houve uma procura tão grande de sêmen de touros Girolando como está acontecendo agora. Só para se ter uma ideia, no ano de 1997 a venda de sêmen de touros Girolando foi de 13.949 doses. Somente no ano de 2003 este volume de doses comercializadas ultrapassou a marca das 60.000, quando foram comercializadas 64.810 doses de sêmen. Em 2007, pela primeira vez esta marca ultrapassou a casa das 150.000 doses.

De acordo com o último relatório divulgado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), em 2012 foram vendidas 501.199 doses de sêmen de touros Girolando, um crescimento de 22,38% em relação ao ano anterior, período em que o mercado de sêmen das raças leiteiras cresceu apenas 0,05%. Devido a este crescimento o número de touros inscritos no teste de progênie, prova zootécnica integrante do Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG), tem aumentando a cada ano, sendo disponibilizadas atualmente 30 novas vagas por grupo de touros. Veja o gráfico de evolução a seguir, de 1997 a 2012:

Fonte: Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA), 2013.

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50ª EXPASS De 14 a 24 de março, aconteceu a 50ª Exposição Agropecuária e Industrial de Passos (MG), que contou com julgamento e concurso leiteiro da raça Girolando. A grande campeã do Torneio Leiteiro Raça Girolando (Vaca 1/2 sangue, ¾ e 5/8), foi ‘Floresta’, que pertence a Paulo Roberto Batista e Fernando Siqueira, Fazenda HB, de Passos. Ela teve média diária de 49,565 kg, com produção total de 148,695 kg. Na categoria Novilha 1/2 sangue, ¾ e 5/8, a campeã foi ‘Fortaleza Santa Paulina’, de Júnior Soares, da Fazenda Antinha, de São Sebastião do Paraíso, com produção média diária de 41,687 e produção total de 125,060 kg de leite. Confira abaixo o resultado do julgamento: Melhor Criador/Expositor Geral: José Coelho Vitor Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Fantástica TE Aftershock Santa Luzia Expositor: Maurício Silveira Coelho Melhor Vaca Jovem: Belize Wildman FIV da Xapetuba Expositor: José Antônio da Silveira Grande campeã: Cisma Mattison Santa Luzia Expositor: Maurício Silveira Coelho Grande campeão: Galanteio XA Expositor: Maria Cristina Alves Garcia

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Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Paisagem FIV Morada Corinthiana Expositor: Pedro Vasconcelos Cunha Melhor Vaca Jovem: Amazônia Payday da Terra Sagrada Expositor: Luiz Carlos Medeiros Grande Campeã: Fortaleza Ribeirão Grande TE Expositor: Miller Cresta de Melo Silva Melhor Macho Jovem: Dom Juan Jayz FIV da Xapetuba Expositor: Thiago Bianchi Silveira Grande campeão: RBC Farol Paramount FIV Expositor: Roberto Antônio Pinto de Melo Carvalho Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Daslu Teatro FIV Mauá Expositor: Condomínio João Magalhães e Filhos Melhor Vaca Jovem: Alba FIV Dundee Santa Luzia Expositora: José Coelho Vitor Grande campeã: Alba FIV Dundee Santa Luzia Expositor: José Coelho Vitor


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39ª ExpoAraxá A 39ª edição da Exposição Agropecuária de Araxá aconteceu de 2 a 21 de abril. A aberta oficial da feira reuniu autoridades, associados, produtores e representantes de associações e órgãos agropecuários da região e do Brasil. O presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, participou da solenidade. O Torneio Leiteiro teve como Grande Campeã a vaca Dengosa, da Fazenda dos Machados, em Uberlândia (MG). O animal é de propriedade do produtor Délcio Tanus e terminou a competição com uma média de produção de 63,190 kg de leite por dia. O concurso é homologado pela associação da raça. Na classificação final, de novilhas, Bella Wildman Tannus ficou em primeiro, com 166, 884 quilos de leite, seguida por Fécia, com 81, 712 quilos. Nas vacas, a primeira posição ficou com Dengosa com 189, 570 quilos, que também ficou com a classificação geral da competição. Em seguida vem Cristal com 184, 306 quilos, Kalaça com 163, 104 quilos de leite e Geléia com 155, 632. Para Edivaldo, o torneio leiteiro do Girolando em Araxá foi muito positivo. Os trabalhos de julgamento foram conduzidos pelos jurados Fábio Nogueira Fogaça, Limírio Cesar Bizinotto e Raul Pimenta de Castro.

Expogrande 2013 De 11 a 21 de abril, acontece no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande (MS), a 75ª Expogrande MS. O evento sediará a 11ª Exposição com Julgamento da Raça Girolando. De 14 a 16 de abril, aconteceram as disputas do torneio leiteiro. Na pista, a competição a foi no dia 19 sob o comando do jurado Nívio Bispo dos Santos. A Expogrande também teve um dia de palestras. A “Hora do Leite” ocorreu no dia 17 de abril. O técnico da Girolando, Dagmar Ferreira, foi um dos palestrantes e falou sobre a evolução genética da raça Girolando. Os criadores do Mato Grosso do Sul tiveram a oportunidade de participar da Jornada Técnica da

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Raça Girolando, durante a EXPOGRANDE 2013. O curso ocorreu nos dias 17 e 18 de abril. O evento contou com o apoio do Núcleo dos Criadores de Girolando de Mato Grosso do Sul. Voltada para criadores e profissionais do setor pecuário que buscam ampliar seus conhecimentos sobre a raça Girolando, a Jornada Técnica conta com aulas práticas e teóricas sobre padrão racial, melhoramento genético, cruzamentos e sistema on line da associação, entre outros assuntos. A Girolando vem realizando a Jornada Técnica em várias regiões para permitir aos criadores um conhecimento mais amplo da raça. Depois da EXPOGRANDE, a próxima feira que sediará o curso será a MEGALEITE, em junho, na cidade de Uberaba (MG).


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Leandro de Carvalho Paiva Superintendente do SRGRG

COLOSTRO Informações importantes! Reposições dos brincos de registro Os brincos de registro da Girolando são indispensáveis para que possamos identificar corretamente os animais, principalmente quando realizadas atividades pertinentes ao registro genealógico. Estes brincos se desgastam devido à ação do sol, da chuva e de outros fatores, como por exemplo, o contato do animal com cercas, canzis, arbustos, etc., que podem provocar a perda ou o desgaste prematuro. Nos casos de perda, para amenizar falhas na identificação dos animais, bem como reduzir os gastos com a reposição imediata dos brincos, o criador poderá identificá-los, provisoriamente, com um brinco comum, escrevendo o número de registro na parte da frente do brinco, utilizando uma caneta apropriada, que pode ser adquirida em qualquer loja agropecuária. Feita esta identificação provisória, o criador poderá solicitar ao técnico a reposição do brinco no momento em que for realmente necessário (venda do animal, exposições, feiras, etc.). As reposições poderão ser realizadas na próxima visita do técnico na fazenda, na admissão dos animais em exposições ou em qualquer outro tipo de evento que tenha a presença de um técnico da Girolando autorizado a realizar as reposições. Caso o animal possua outro tipo de identificação de registro oficial (marca a fogo do nº de CGN na perna, fotografia, botton, etc.), desde que apresentado o certificado de registro e comprovadas as suas informações, esta identificação deverá prevalecer até que a reposição seja providenciada. As reposições devem ser solicitadas com antecedência. O valor cobrado pela reposição é utilizado para arcar com as despesas do material e da confecção dos brincos.

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Anotações de campo (obrigatórias) Orientamos a todos os criadores para aperfeiçoarem cada vez mais os cadernos e anotações de campo de suas fazendas. Estas informações são de extrema importância para que possamos corrigir possíveis falhas, erros, enganos ou conferir os dados dos animais na origem. Algumas pendências e solicitações de correção somente poderão ser baixadas e realizadas mediante a apresentação de cópia das anotações de campo (cobrição e nascimento). A realização e o arquivamento dos documentos de campo são obrigatórios para todos os rebanhos, conforme orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). As anotações de campo devem ser feitas manualmente pelo responsável da execução ou da observação do evento ou da atividade realizada (inseminação, cobrição, nascimento, etc.) e poderão ser transferidas para planilhas e relatórios eletrônicos, desde que feitos na origem. Arquivo permanente de DNA de reprodutores de monta natural e de matrizes doadoras de embriões Todo reprodutor utilizado em monta natural ou submetido à coleta particular de sêmen para uso no rebanho de seu proprietário, deverá possuir arquivo permanente de DNA, para que possa ser utilizado em eventuais casos de verificação de parentesco de seus descendentes. Esta mesma regra vale para as matrizes doadoras de embriões que são submetidas aos procedimentos de FIV ou TE, pois é obrigatória a verificação de parentesco de seus descendentes, com qualificação de pai e mãe. Desta forma, pedimos aos criadores que providenciem a tempo os arquivos permanentes de DNA


destes animais, para que possamos evitar transtornos futuros e cumprir as normas previstas no regulamento do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando. Auditorias no controle leiteiro oficial Em 2013 serão intensificadas as auditorias nos rebanhos participantes do Serviço de Controle Leiteiro da Girolando, com o objetivo de averiguar a qualidade das informações de produção dos animais e orientar criadores e técnicos quanto aos procedimentos corretos para realização do controle leiteiro, bem como combater a prática do controle leiteiro seletivo e do tratamento preferencial, que podem influenciar negativamente no desempenho dos rebanhos. As auditorias serão realizadas pelos técnicos do PMGG em vários rebanhos, localizados em diversas regiões do Brasil. Auditorias do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando Foram iniciadas as auditorias dos rebanhos inscritos no Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando. Durante as auditorias serão realizadas atividades como: verificação das anotações de

campo, verificação das identificações dos animais, coleta de material para verificação de parentesco (DNA), consultas à documentação complementar do rebanho, além de outros procedimentos pertinentes ao serviço de registro genealógico. Serão auditados, ao todo, 38 rebanhos em 2013. Transferência consignada de animais Encontra-se disponível desde outubro de 2012 a autorização de transferência consignada de animais (ADT-C). Este serviço está disponível tanto pela Web Girolando quanto em formulário impresso. A ADT-C pode ser realizada por qualquer criador, desde que respeitadas as normas estabelecidas no regulamento do SRGRG. Com a transferência consignada o vendedor tem a segurança de transferir definitivamente um animal somente após o prazo final para o pagamento, estipulado por ele em comum acordo com o comprador. Durante o período de consignação o comprador poderá usufruir do animal normalmente, podendo participar de exposições e fazer as comunicações de cobrição e nascimento. Porém, o animal poderá ser transferido para outro criador somente quando for disponibilizada a ADT definitiva pelo vendedor.

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Girolando consolida

Camille Bilharinho

Ouvidoria C

riada em 2012, a Ouvidoria da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando visa estabelecer um relacionamento ágil e eficaz entre a entidade e criadores de Girolando, com atribuições de ouvir, encaminhar e acompanhar manifestações sobre os serviços prestados pela associação, até sua efetiva conclusão. A qualidade dos serviços prestados pelos diversos setores envolvidos se aperfeiçoa com a atuação da Ouvidoria, uma vez que ela auxilia na identificação de pontos a serem aprimorados e contribui, dessa forma, para a melhoria dos procedimentos e dos processos técnicos administrativos. Dentre as competências da Ouvidoria e as atribuições do ouvidor, estão: Receber, examinar e encaminhar reclamações, sugestões, elogios, informações e/ou críticas; responder ao interessado acerca das manifestações apresentadas; acompanhar as providências adotadas até a obtenção da solução que o caso requer; sugerir a adoção de medidas visando o aperfeiçoamento na prestação do serviço. A responsável pela Ouvidoria Girolando, Camille Fane Bilharinho, é médica veterinária e zootecnista, tendo conhecimento do ramo em que atua, com vistas a promover a melhoria da qualidade dos serviços prestados pela Associação, tornando mais próxima sua relação com os criadores em geral. O ano de 2012 foi de aprendizagem e de esforço na implantação dessa nova ferramenta de gestão participativa em nossa instituição. Já 2013 será dedicado à consolidação e aperfeiçoamento desse espaço de cidadania, junto às demandas que resultam no fortalecimento das relações Criador/Associação com ganhos importantes para ambas as partes. O público poderá realizar suas manifestações junto à Ouvidoria através de várias formas de contato disponibilizadas: • E-mail: ouvidoria@girolando.com.br • Telefone: (34) 3331 6060/ 3331 6000 • Carta ou pessoalmente: Rua Orlando Vieira

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do Nascimento, 74. Vila São Cristóvão. CEP 38040280. Uberaba, MG. • Sistema WEB Girolando: Os criadores que possuem acesso ao sistema Web Girolando, basta entrar no site. Ao acessar a página da Ouvidoria, abrirá uma tela (imagem abaixo), e digitar o mesmo usuário e senha de acesso ao sistema Web.

Esse Programa On line de Ouvidoria foi desenvolvido para tornar o acesso mais ágil e eficaz, onde o criador poderá acompanhar sua demanda através do número de protocolo que é gerado automaticamente pelo sistema. Além de ter acesso a qualquer momento às suas interações pelo programa, o criador as receberá também em seu e-mail cadastrado no nosso banco de dados. Caso seja necessário, maiores informações estão apresentadas no site ou fale direto com nossa Ouvidora.


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Gestão 2011 – 2013

A média mensal da movimentação de dados do sistema WEB Girolando, por categoria, é a seguinte: Dados dos Associados Associados ativos em 01/01/2011 Novos associados no período Associados que retornaram ao quadro Desligamento de associados Associados ativos em 31/03/2013

2.138 887 66 349 2.742

Pré-seleção de Touros Após convênio com Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), o qual cedeu uma área de 20 ha para realização da Prova de Avaliação Reprodutiva dos touros Girolando, uma importante empresa veio fortalecer a parceria e viabilizar a realização desse projeto. Trata-se do GRUPO PLANTAR, empresa do setor florestal e de siderurgia a carvão vegetal, que produz o AMARU, madeira imunizada, preservada para durar. A Plantar, sempre preocupada com a sustentabilidade, tem como foco do seu negócio a Gestão de Florestas, incluindo todas as práticas silviculturais, desde a administração do viveiro, passando pelo plantio e manutenção das árvores, até a formação completa da floresta, seja ela de eucalipto ou de pinus, atua ainda na geração e comercialização de créditos de carbono, e o desenvolvimento de estratégias, metodologias, arranjos financeiros e institucionais para a valoração de ativos de carbono, em nível nacional e internacional. A Plantar acreditando no potencial da raça Girolando como produtora de leite tropical para o Brasil e o mundo doou todo o projeto e a madeira para confecção das cercas, curral de manejo, armazém de insumos, além de um auditório para 50 pessoas, tudo construído com AMARU. A pecuária nacional e a Girolando agradecem as parcerias. Adesão ao sistema WEB O número de associados com acesso ao sistema WEB vem crescendo significativamente. Hoje, contamos com 2.742 associados ativos, dos quais 1.434 já acessam o sistema WEB, o que nos dá 53% de associados ativos utilizando o sistema WEB para realizar todas as suas comunicações. Os dados referentes ao Controle Leiteiro estão disponíveis para consulta. Todo animal que participa ou participou do Controle Leiteiro Oficial da Girolando tem seus dados de partos e controles disponíveis na WEB para consulta e impressão.

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Comunicações de cobrição Comunicações de nascimento Cruzamentos informados Novos animais inseridos

2.913 1.335 12.107 7.641

Contas de 2012 – Aprovadas Cumprindo o estabelecido no Estatuto Social da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, foi convocada e realizada no último dia 15 de março, a Assembleia Geral Ordinária para apresentação de gestão 2012 e deliberar sobre a prestação de contas da Entidade. O material passou pela análise de uma auditoria externa e também do Conselho Fiscal. Com o parecer favorável nas duas instâncias, o plenário referendou a aprovação das contas, após constatar a regularidade dos números, que mesmo inferiores à 2011, mantiveram a situação equilibrada e saudável da nossa Associação. Presidiram a Assembleia: José Donato Dias Filho, Jerônimo Gomes Ferreira e como Secretário: o associado Rafael Tadeu Simões. Principais números de 2012: Total das Receitas Total das Despesas Resultado do Exercício

R$ 5.509.960,86 R$ 5.524.210,07 R$ (14.249,21)

Destaque-se que dois itens oneraram bastante as despesas: 1) As referentes a salários e encargos (devido à adequação dos salários, baseado em pesquisa salarial em Uberaba e abertura de novos Escritórios Técnicos Regionais – ETR 2) Despesas administrativas, referente à instalação de novos ETRs, e no item “brincos”, com a implantação de utilização de bottons. Ressalva-se que este aumento ocorrido em 2012, vai gerar redução de custos já em 2013. O “Ativo Imobilizado” passou de R$ 732.892,94 em 2011, para R$ 923.355,34 em 2012 destacando-se a aquisição de novos servidores para modernização da parte informática. Os custos com a Diretoria Executiva, que é voluntária e recebe apenas reembolso de despesas decorrentes do cumprimento do mandato, caíram de 3,30% (2011) para 3,27% (2012) em relação ao total de receitas.


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MAPA A raça Girolando foi tema de reunião na sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília (DF), esta semana.  O encontro ocorreu no dia 21 de março e contou com a participação do superintendente do Serviço de Registro Genealógico de Girolando, Leandro Paiva, do pesquisador da Embrapa Gado de Leite e Coordenador Geral do Programa de Melhoramento Genético de Girolando, Marcos Vinícius Barbosa da Silva, e dos fiscais agropecuários federais, Raquel Pereira Caputo e Luiz Felipe Carvalho. Durante a reunião, foram discutidos assuntos relacionados ao Controle Leiteiro Oficial da raça Girolando, Pré-seleção de touros, Serviço de Registro Genealógico, Seleção Genômica, coleta de amostras de leite, entre outros temas.

Expansão no Centro-Oeste O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, José Donato Dias Filho, recebeu, no dia 18 de março, na sede da entidade, em Uberaba (MG), a visita de criadores do Mato Grosso. Acompanhado do associado Miller Cresta, o grupo debateu com o presidente a necessidade do Estado em contar com um núcleo de criadores de Girolando para ajudar no fomento da raça na região. Nos últimos anos, a pecuária leiteira vem crescendo no Centro-Oeste. A Girolando conta com um escritório técnico regional em Campo Grande (MS) para prestar atendimento a criadores do Centro-Oeste. Minas Gerais O Sindicato Rural de Carneirinho pretende ampliar os rebanhos de Girolando na região mineira para alavancar a produção leiteira. A proposta foi apresentada no dia 22 de março, durante encontro entre o superintendente do Serviço de Registro Genealógico da raça Girolando, Leandro Paiva e representantes do Sindicato e da Emater-MG.

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A reunião aconteceu na sede da Girolando, em Uberaba (MG). O principal assunto foi a realização de uma feira do Pró-Genética no mês de abril, em Carneirinho, para a venda de touros a pequenos e médios produtores rurais. Foi discutida, também, a possibilidade de realizar outros eventos no município, com o apoio da Girolando, objetivando a promoção do fomento da raça na região. França O melhoramento genético da raça Girolando foi um dos temas do encontro entre o presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, e os gerentes do grupo francês Genes Diffusion, Olivier Duterte e Lieven Carron. A reunião aconteceu no dia 13 de março, na sede da Associação. O presidente da Girolando apresentou as ações da entidade para promover o melhoramento genético e expansão da raça no Brasil e em outros países. Já o coordenador Operacional do Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG), Marcello Cembranelli, mostrou como funciona o programa e a nova prova de préseleção de touros para o Teste de Progênie que a Associação implantará neste ano. A reunião contou, também, com a presença do diretor comercial da Forcegen, João Batista da Silva. A Forcegen, que integra o grupo de Parceiros Master da Girolando, é uma distribuidora do grupo Genes Diffusion para várias regiões brasileiras.

Pesagro-Rio A Pesagro-Rio promoveu, no dia 6 de março, com auxílio da empresa de gerenciamento genético Alta Genética, treinamento em acasalamento dirigido de bovinos. O evento foi realizado em Seropédica, no Centro de Pesquisa da Pesagro-Rio, e na Universidade Rural. Cerca de 100 estudantes, produtores e técnicos aprenderam sobre a formação da raça Girolando,


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responsável por 80% da produção de leite no país. Na primeira parte do evento, o técnico da Alta Genética, Reginaldo Santos, realizou palestra sobre a prática do acasalamento e apresentou o trabalho da empresa, no auditório da Universidade Rural. Em seguida, os participantes dirigiram-se ao estábulo do Centro de Pesquisa da Pesagro, onde acompanharam o processo prático do acasalamento, orientados pelo pesquisador Pedro Afonso Moreira Alves, da Pesagro e pelo técnico Samuel Bastos, da Girolando. O presidente da Associação, José Donato Dias Filho, presente ao treinamento, falou das vantagens da raça: “a Girolando é uma raça brasileira, que nasceu da combinação da raça que mais produz leite no mundo, a Holandesa, com a rusticidade da raça Gir. Como a Holandesa não se adapta bem ao clima tropical, a ideia foi trazer a rusticidade da Gir, em uma combinação perfeita para as condições do Brasil”.

Aumento do rebanho Durante o treinamento na Peagro, o pesquisador Pedro Afonso lembrou o início do convênio da Pesagro com a Girolando e falou do registro do rebanho de Seropédica: “há 3 anos, três técnicos da Girolando vieram aqui na Pesagro, fizeram análises no nosso rebanho e detectaram as condições necessárias para o trabalho com a Girolando. Hoje nós temos 220 cabeças de gado, todas registradas na Girolando”, disse Pedro. Também estiveram presentes a Diretora Técnica da Pesagro-Rio, Leda Maria Silva Kimura e a Assessora Raquel Müller Soares, bem como o coordenador do programa Rio Genética, da Secretaria de Agricultura e Pecuária, Luiz Altamiro Nogueira. Capacitação de tratadores para as feiras O Núcleo dos Criadores de Girolando de Mato

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Grosso do Sul realizou entre os dias 1 e 3 de março o Curso de Preparação de Tosquia de Animais para Exposição. O evento, ocorrido em Campo Grande, na propriedade Fazendão, do criador Ronan Salgueiro, foram utilizadas nas aulas novilhas, vacas e bezerras. O instrutor do Marcos Alves de Sousa, que ministra curso em todo o Brasil, mostrou aos participantes a forma correta de tosquia do gado leiteiro e como conduzir o animal na pista e escolher os melhores animais com características leiteiras para as exposições. A correta preparação e apresentação dos animais nas exposições são essenciais para que suas qualidades fenotípicas sejam evidenciadas, contribuindo, desta forma, para a obtenção de melhores resultados. O mercado de animais elite é extremamente competitivo e a busca pela valorização destes animais é fundamental para que estes sejam, posteriormente, comercializados a um alto valor. Preparativos O trabalho de preparação dos animais é iniciado anteriormente à data de realização dos eventos e leva em consideração: logística da propriedade, identificação de indivíduos potenciais, instalações e infraestrutura, categorias animais, preparação dos animais, doma racional, mão-de-obra, manejo alimentar, manejo reprodutivo e estudo de mercado. Por isso, neste curso foi discutido sobre mercado, manejo e apartação direcionados para a exposição, bem como as etapas para preparação e apresentação dos animais. Foram demonstradas as características morfológicas desejáveis nos animais que compõem um time de pista.


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Sustentabilidade Um rebanho com animais que vivem por mais tempo é mais saudável e também produz leite e carne de uma forma ambientalmente segura: este é o ambicioso objetivo da CRV, que publicou sua visão sobre a sustentabilidade no dia 21 de março. Na sua visão sobre sustentabilidade, a CRV deixa claro que o desempenho de um rebanho só pode ser descrito como sustentável se fatores como a saúde animal, bemestar, produção e o ambiente se complementarem. Ate Lindeboom, diretor da CRV, comenta que “isso, muitas vezes, é apresentado em lados opostos. Mas a produção sustentável realmente significa alcançar um equilíbrio harmonioso entre estes fatores”. Como exemplo, ele menciona o objetivo da empresa em oferecer touros em 2020 que os fazendeiros possam usar para produzir um rebanho que o animal viva um ano a mais. "Isso é bom para a vaca, porque ela terá uma produção mais eficiente, beneficiando a economia e o meio ambiente. Queremos ser capazes de melhorar a eficiência da alimentação dos rebanhos leiteiros em 10% e, ao mesmo tempo, reduzir a emissão de CO2 em 10% por kg de leite.", explica. Você pode baixar a visão através do seguinte link: http://www.crv4all. com/eng/sustainability/index.htm MAST 100 melhora a qualidade do leite O Homeo Bovis Mast 100 é um medicamento homeopático da Real H que teve sua embalagem reformulada para facilitar o acesso às informações do produto, pelo pecuarista. O Mast 100 previne mastites clínicas e subclínicas, reduzindo a contagem de células somáticas (CCS). O resultado é o aumento da qualidade do leite sem prejuízos com o descarte, já que o produto não deixa resíduo. É vendido em embalagens de 20,600kg, e pode ser administrado diretamente no chocho, junto com a alimentação do rebanho, diminuindo o estresse com manejo. Outras informações no telefone da Real H: (67) 3028-9000, ou no site www.realh.com.br.

Novo Catálogo de Leite Semex 2013 Em abril a Semex Brasil lança seu novo Catálogo Holandês que chega com a nova identidade visual da

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campanha ‘Genética Para Vida’. O catálogo é composto pelas raças Holandês, Guzerá, Girolando e Gir Leiteiro. São mais de 80 reprodutores; destes, mais de 15 animais fazem parte do novo programa oferecido exclusivamente pela Semex: o Immunity+, que produz animais mais resistentes a doenças. No mesmo catálogo também são apresentados outros 24 touros integrantes do programa Genomax, que fornece genética de ponta através de touros mais novos. O novo catálogo de leite traz informações atualizadas das provas canadenses de abril de 2013. Todos os touros que fazem parte do catálogo estão disponíveis no site da Semex Brasil.

Controle de Mastite e Treinamento para Ordenhadores A Rehagro conta com serviço de consultoria em Controle da Qualidade do Leite, que envolve: o diagnóstico da situação da qualidade do leite e controle de mastite da propriedade; identificação dos problemas que estão limitando a obtenção de leite com qualidade e treinamento da equipe para implantar as soluções propostas. Ao final de cada consultoria e treinamento é enviado um relatório com todas as atividades desenvolvidas, dados levantados e orientações. Informações: (31) 3343-3800/ www.rehagro.com.br. Doação O Grupo Guabi esteve presente, entre os dias 15 e 16 de março, em Pernambuco nas cidades de Cabobró e Serrita, para orientar os pecuaristas sobre o manejo alimentar correto. Participaram cerca de 60 criadores, que acompanharam o zootecnista e supervisor da Guabi, Durval Soares, em visita as fazendas Baixa Verde e Minador. Na ocasião, a Guabi fez a doação de 14 toneladas de ração Supripasto 12P para moradores da região, que possuem rebanho em estado crítico. “A Guabi fica satisfeita em poder colaborar com os criadores da região neste período difícil. A ausência de chuva prejudica o desenvolvimento destes animais e


a informação é uma ferramenta importante para estes pecuaristas”, ressalta Durval.

Formulação de dietas A alimentação representa de 45 a 55% dos custos totais da produção de leite e a utilização de ingredientes de boa qualidade, principalmente a forragem, ajuda a reduzir estes valores em decorrência da maior produtividade que pode ser obtida. A combinação de ração e volumoso com elevado valor nutricional reflete na produção de leite. Alguns aditivos, como as leveduras vivas, podem maximizar o funcionamento do rúmen, trazendo benefícios como a multiplicação das bactérias ruminais, maior fluxo de proteínas microbianas ao intestino, melhor digestibilidade dos alimentos in-

geridos e, principalmente, incremento da produtividade devido ao maior aproveitamento dos alimentos. “Quando um ruminante é alimentado, na verdade estamos alimentando as bactérias ruminais que são responsáveis por nutrir o animal; por isso, é importante obter a menor variação possível na oferta de alimentos para melhorar a produtividade. Em rebanhos comerciais recomenda-se pelo menos dois ou três tratos diários; já para os animais que participam de torneio leiteiro, os tratos variam entre cinco ou seis”, informou Winston Giardini, gerente técnico de ruminantes da Alltech no Brasil. Intercalu A Cooperativa Agropecuária Ltda. de Uberlândia – Calu – recebe, até o dia 30 de abril, as inscrições de produtores que queiram levar animais para participar do julgamento e exposição - ranqueada pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (livro fechado) - do 13º Intercalu. A exposição agropecuária da Calu será realizada entre os dias 14 e 18 de maio, no Camaru, em Uberlândia. Para facilitar os cadastros, a partir do dia 15 de abril, a Calu disponibilizará uma ficha para download no site www.calu.com.br/agenda. São esperados mais de 400 animais no evento. Além da exposição e julgamento de animais da raça Girolando, o 13º Intercalu contará também com a 5ª Feira

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de Negócios. Na ocasião, vários fornecedores da Cooperativa participarão do evento com estandes para comercializar produtos agropecuários e veterinários com preços e prazos para pagamento especiais. Cursos de IA A Alta oferece cursos de inseminação artificial de bovinos em diversos estados brasileiros nos meses de maio e junho de 2013. As aulas serão ministradas com conteúdo prático e teórico e carga horária entre 32 e 48 horas. Após o término, todos os participantes que estiverem aptos receberão certificado. O programa inclui: coleta e industrialização de sêmen; anatomia e fisiologia do aparelho reprodutor da fêmea bovina; passo a passo da inseminação artificial; observação de cio em gado de leite e corte; manejo do botijão de sêmen; montagem do aplicador; descongelamento do sêmen, passagem pela cérvix, dentre outros.

Cuidados no periparto A Bayer Saúde Animal – Unidade Bovinos – realizou uma palestra, no dia 6 de março, sobre “Cuidados no período de periparto de vacas leiteiras” ministrada pelo professor da UFPEL, Vinícius Coitinho Tabeleão, durante o IX Fórum Estadual do Leite (EXPODIRETO), em Não-Me-Toque (RS). A palestra da Bayer atraiu cerca de 300 pessoas, entre líderes do setor leiteiro e do agronegócio, e produtores de destaque na pecuária do Rio Grande do Sul. A apresentação do professor Vinícius Tabeleão abordou a importância de se fazer um bom manejo no periparto de vacas leiteiras e mostrou técnicas avançadas para amenizar o impacto deste período na vida produtiva da vaca durante a lactação. Segundo ele, além de medidas nutricionais, o uso de medicamentos a base de butafosfan é indicado para melhorar a performance das vacas. “Este princípio ativo é um acelerador do metabolismo e favorece para todas as reações enzimáticas para que as vacas tenham um desempenho melhor”, afirmou o palestrante. Sanidade Para auxiliar o pecuarista no tratamento da mastite em vacas lactantes, a Zoetis – antiga unidade de negócios de Saúde Animal da Pfizer –, traz o antimastítico Flu-

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mast novamente ao mercado. O medicamento, que agora será conservado na forma refrigerada, apresenta em sua fórmula dois antibióticos (espiramicina e neomicina) e um anti-inflamatório (flumetasona), combinando amplo espectro de ação e eficácia na cura clínica e bacteriológica. Como vem pronto para uso, há menor risco de contaminação por manipulação do produto. Flumast é o antimastítico que garante maior lucratividade ao produtor, pois o leite deve ser descartado por apenas 96 horas após a última aplicação, dois dias a menos que os produtos já disponíveis no mercado. Cada frasco (100ml) é suficiente para a aplicação de dez doses do medicamento. Portanto, com apenas dois frascos é possível tratar até cinco vacas.

Leite em São Paulo Estudo do agrônomo André Novo, analista da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), realizado na Universidade de Wageningen, na Holanda, traz alternativas à produção de leite em São Paulo. Novo pesquisou os diferentes impactos da crescente área de cana-de-açúcar sobre produtores familiares de leite no Estado de São Paulo. De acordo com o estudo, a alternativa é intensificar a produção de leite. Dados do programa Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste, mostram que vários produtores participantes do projeto atingiram alta produtividade, equivalente às obtidas em países desenvolvidos. Por meio de técnicas simples, é possível duplicar a produção, utilizando metade da área. O segredo é explorar o alto potencial de produção de matéria seca das gramíneas tropicais, uma das principais estratégias do Balde Cheio. A alta produtividade da terra foi obtida não apenas pela maior produção de pastagens, mas também pela combinação de mais vacas em lactação por hectare (média de 31%), maior produtividade por vaca (24%), melhor desempenho do trabalho (37%), enquanto se utiliza menos terra (- 7%). Os sistemas intensificados de produção de leite baseados em pastagens renderam em média R$ 3 mil por hectare, valor bastante competitivo quando comparado aos R$ 600 por hectare do arrendamento para cana-de-açúcar e R$ 700 por hectare da produção de soja (números obtidos em 2010). Os valores médios de renda por membro ativo da família foram também muito competitivos quando comparados à média dos salários dos empregos urbanos.


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Subcomissão do Leite O deputado federal Alceu Moreira (PMDB/RS) foi eleito, por unanimidade, como presidente da Subcomissão do Leite na Câmara, após dois anos de trabalho como relator do projeto. A Subleite responde pela política nacional do leite, desde a produção, passando pelo processamento, industrialização, até chegar no comércio. Uma das conquistas do grupo foi o empenho que resultou na prorrogação do acordo que limita as exportações de leite em pó da Argentina, em 3,6 mil toneladas por mês. O relator será o expresidente, deputado Domingos Sávio (PSDB/MG).

Gases de efeito estufa Um dos temas mais debatidos na Rede de Pesquisa e Inovação em Leite da Embrapa (Repileite) é a produção de gases de efeito estufa na atividade leiteira. O tópico “Pecuária e Emissões de Gases de Efeito Estufa – Mitos e Realidades”, postado pelo pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, já atingiu mais de quatro mil exibições. O pesquisador defende a importância do fórum, afirmando que a mídia tem abordado o assunto rotulando os bovinos como grandes vilões. “Na maioria das vezes, estas críticas são infundadas tecnicamente, já que as pesquisas têm apontado a necessidade do desenvolvimento de metodologias acuradas e da geração de bancos de dados específicos para os sistemas de produção de cada região”, afirmou Pereira. Segundo o pesquisador, os ruminantes são responsáveis por aproximadamente 5% do total dos gases de efeito estufa produzido, mas da forma como o assunto vem sendo abordado, parece que a pecuária tem que pagar toda a conta do aquecimento global. Para participar dos debates, acesse o site www.repileite.com.br.

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Uso racional da água A Embrapa Pecuária Sudeste lançou um guia de boas práticas para orientar produtores, técnicos extensionistas e gestores a produzir leite, conservando os recursos hídricos em quantidade e qualidade. O comunicado técnico “Boas práticas hídricas na produção leiteira” possui apenas sete páginas e linguagem simples, com orientações para o manejo ambiental e hídrico da propriedade. Disponível na Internet (http://www.cppse.embrapa.br), a publicação tem como autores os pesquisadores da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Pedroso, Júlio Cesar Palhares e Luiz Francisco Zafalon; além do professor da Esalq/USP, Fernando Campos Mendonça. A utilização de boas práticas hídricas é o caminho para um produto que considere os valores de segurança dos alimentos e respeito ao meio ambiente, bem como a saúde de humanos e animais. Também permite ao produtor entender a água em suas três dimensões: alimento, insumo produtivo e recurso natural. Alternativas para reduzir custos A redução no preço do leite pago ao produtor e o aumento do salário mínimo, em janeiro, reduziram a receita de produtores de quase todos os Estados analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O aumento do salário mínimo comprometeu parte da receita bruta de produtores de São Paulo (cerca de 23%), de Minas Gerais (18,6%), de Goiás (16,2%) e da Bahia (28,15%), neste mês. Nos Estados do Sul, o comprometimento foi em torno de 10%, em função da elevada participação da mão de obra familiar. Segundo o boletim “Ativos da Pecuária de Leite”, os produtores devem aumentar a eficiência na utilização da mão de obra para continuarem competitivos no mercado. Algumas soluções possíveis para aumentar esta eficiência seriam a capacitação dos empregados, a mecanização da ordenha e o aumento da produtividade. Porém, todo e qualquer investimento deverá ser analisado com cuidado e prévio planejamento.


11 a 21 de abril 23 a 26 de abril 24 de abril 24 de abril 14 a 18 de maio 15 de maio 16 a 18 de maio 21 de maio 21 a 25 de maio 22 a 24 de maio 26 de maio a 1º de junho 27 de maio 3 de junho 5 a 14 de julho

75ª EXPOGRANDE - Campo Grande/MS 44ª Exposição Agropecuária e Industrial Itapetininga - Itapetininga/SP Mostra de Gado Girolando - Maripa de Minas/MG 35ª Exposição Agropecuária de Monte Alegre de Minas - Monte Alegre de Minas/MG 13º INTERCALU - Uberlândia/MG 32ª Exposição Agropecuária de Itajubá - Itajubá/MG 25ª Exposição Agropecuária e Industrial de Oliveira - Oliveira/MG 44ª EXPOAGRO - Franca/SP 2ª FENALEITE - Feira Nacional do Leite - Patos de Minas/MG 7ª Feira de Agronegócios da COOPRATA - Prata/MG 33ª EXPOSANTA - Santa Vitória/MG 1ª Exposição Ranqueada do Gado Girolando de Sta. Rita do Sapucaí - Sta. Rita do Sapucaí/MG 39ª EXPOMORRINHOS - Morrinhos/GO 40ª EAPIC - Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial - São João da Boa Vista/SP

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(12) 8120-0879

Márcia Keli

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etr_jacarei@girolando.com.br

(12) 3959-7292

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Wanessa Silva

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etr_goiania@girolando.com.br

(62) 3203-5813

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(67) 9679-3440

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etr_campogrande@girolando.com.br

(67) 3342-9287

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pmedeiros@girolando.com.br

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Secretária

etr_recife@girolando.com.br

(81) 3032-3981

Telefone: (34) 3331-6000 Site: www.girolando.com.br E-mail: girolando@girolando.com.br

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O Girolando 89  

Órgão Oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando

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