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Triênio 2011/2013

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as duas últimas edições escrevemos sobre os números bastante favoráveis de 2011, para a raça e a nossa Associação. Agora, fechando o assunto, tivemos a prestação de contas recém-aprovada em Assembleia Geral Ordinária, que após ser auditada por profissional qualificado e independente, passar pelo crivo do Conselho Fiscal, teve também a apreciação e análise dos associados que estiveram presentes, no dia 13 de março, em nossa sede. A posição da Entidade em termos econômicos financeiros é confortável e só foi possível a partir de uma postura gerencial de muita austeridade, inclusive conseguindo a manutenção de custos das taxas de filiação e manutenção de associados, bem como os de prestação de serviços relativamente mais favoráveis dos que os praticados nos últimos anos. Já em termos de presente e futuro, que acreditamos não serão uma mera continuação do passado, temos razões para estarmos responsavelmente confiantes. A MEGALEITE, evento consagrado e símbolo da Girolando na interação das raças leiteiras, defesa e visibilidade do agronegócio do leite, já está merecendo toda nossa atenção e trabalho para a edição de 2012. Nesta ocasião, outra prioridade ímpar da atual Administração, o Programa de Melhoramento Genético, viverá dois momentos especiais: 1) A divulgação do Teste de Progênie – 8º Grupo de Touros; 2) A avaliação e mostra de toda evolução genética, materializada pela 23ª Exposição Nacional da Raça Girolando. Vale ressaltar que, como ocorrido em 2011, a presença dos 10 Parceiros Masters, o apoio de muitos e a participação efetiva de nossos associados, nos impulsionam e estimulam a manter a escalada vitoriosa da MEGALEITE, a ser realizada de 1º a 08 de julho de 2012. Da mesma forma, intensificamos contatos e negociações junto ao Governo Federal, em particular ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no firme propósito de conseguirmos recursos e iniciarmos as obras, ainda em 2012, do Centro de Capacitação Girolando (CCG). Depois de um período de desconforto e até insatisfações com a qualidade e o tempo para atendimento aos nossos associados, conseguimos bons avanços, respondendo ao desafio do crescimento pelo qual passa a Girolando. Foram incorporadas mudanças de tecnologias, equipamentos novos, a profissionalização e participação mais efetiva de nossos Escritórios Técnicos Regionais e até remanejamento e/ou substituição de pessoas. Tudo foi realizado visando atender ao novo cenário, representado pelo crescimento vigoroso do número de associados e a demanda por serviços e presença da Girolando. Com os ganhos de produtividade que já vêm ocorrendo, acreditamos que fecharemos o primeiro semestre com uma nova realidade em termos de prestação de serviços e agilidade de atendimento. Com o nosso abraço fraterno, renovamos o compromisso de manter nossa Associação na trajetória que a raça merece e que todos desejamos. Uberaba, abril de 2012.

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Editorial

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em dúvida, um dos caminhos para a sustentabilidade na pecuária é a genética. Somente com o uso de animais melhoradores será possível aumentar a produção sem precisar abrir novas áreas de pastagem. Além de proporcionar aos criadores uma pecuária ambientalmente correta, a genética pode levar a outro pilar da sustentabilidade, que é o fato de ser economicamente viável. No caso específico do leite, a genética de touros melhoradores garante um produto com maior índice de proteína e gordura, o que agrega valor ao leite e possibilita melhor remuneração aos produtores rurais. A genética também permite a pecuária ser socialmente justa, pois, com rebanhos mais produtivos, os pequenos e médios produtores têm mais acesso ao mercado de leite. Um bom exemplo da inclusão proporcionada pela genética é o Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG). Em sua maior parte, as fazendas que participam como rebanhos colaboradores não teriam condições de investir em melhoramento genético. Como recebem gratuitamente sêmen dos touros inscritos no PMGG e assistência técnica, essas propriedades estão conseguindo aumentar a produtividade de seus rebanhos, sem gastar nada por isso. E mais fazendas podem ser beneficiadas no país. O desafio da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando é ampliar o número de rebanhos colaboradores para que mais reprodutores possam ser avaliados. Este é o tema central desta edição da revista O Girolando. A capa traz, ainda, os preparativos para a MEGALEITE 2012. A feira promete ter a maior de todas as suas edições e vai reunir oito raças leiteiras para disputas de torneio leiteiro e julgamento, além dos leilões. Aliás, o calendário de exposições deste ano indica ser ainda mais cheio que o de 2011. Nosso entrevistado do mês é o ministro de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro. Entre os temas abordados, estão: sustentabilidade, os excessos na importação de leite, a conferência da ONU Rio + 20. Ainda trazemos nesta edição reportagens e artigos sobre sanidade, pastagem, mercado do leite, homeopatia, a pecuária em Manaus e muito mais. Larissa Vieira Editora

Anuário do Controle Leiteiro A Girolando lançará em junho o primeiro Anuário de Lactações Encerradas da raça. Os dados são referentes ao desempenho das fêmeas em Controle Leiteiro em 2011. Só constarão lactações válidas. Em decorrência dessa nova publicação da entidade, não publicamos este ano na revista O Girolando o relatório do Controle Leiteiro, como sempre foi feito. As lactações encerradas voltarão a ser publicadas na revista a partir do segundo semestre.

EXPEDIENTE: Revista O Girolando - Órgão Oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando - Editora: Larissa Vieira - lamoc1@gmail.com - Depto. Comercial: Mundo Rural (34) 3336-8888, Míriam Borges (34) 9972-0808 e Walkiria Souza (35) 9133-0808 - ogirolando@mundorural.org Design gráfico: Jamilton Souza, Yuri Silveira - Fotos: Jadir Bison - Revisão: Maria Rita Trindade Hoyler - Conselho editorial: Leandro Paiva, Fernando Brasileiro, Milton Magalhães, Jônadan Ma, José Donato Dias Filho, Maria Inez Cruvinel, Mauricio Silveira Coelho, Miriam Borges - Impressão CTP: Gráfica 3 Pinti (34) 3326-8000 - Distribuição gratuita e dirigida aos associados da Girolando, ABCGIL e órgãos de interesse ligados à cadeia produtiva de leite. - Redação: Rua Orlando Vieira do Nascimento, 74 - CEP: 38040-280 - Uberaba/MG - Telefax: (34) 3331-6000 - Assinaturas: ogirolando@mundorural.org - Telefax (34) 3336-8888 - Walkiria Souza

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bhzbeto

10 LEILÃO ANUAL

e convidados

12 0 2 S O I A A R O M H E D 0 -1 06 O S E G Õ N I IÇ POS DOM X E G E M D . PQ ÁSSIA C

ALTO VALOR GENÉTICO Vacas jovens em início de lactação. Bezerras e novilhas. Girolando 5/8, 3/4 e 1/2 sangue.

Patrocínio master

Apoio

Assessoria Informações: (35) 9137-6096 / 9191-4920 girolandorbc@terra.com.br

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imprensa@girolando.com.br

Tenho uma vaca, creio que é 3/8. Ela pariu uma bezerra, que deve ser 1/4. Tenho vontade de fazer um gado de qualidade. O que eu preciso para registrá-las? José Neimar de Seixa Otoni Para enquadrar corretamente os animais dentro do grau de sangue é necessário que um técnico da Girolando faça uma visita à sua propriedade, para realizar a inspeção dos animais. É difícil dizer qual a composição racial da bezerra sem saber a raça ou grau de sangue do pai, bem como a correta fração de sangue da mãe. Para que você possa iniciar um trabalho de seleção em gado Girolando, em seu rebanho, você poderá entrar em contato com o Escritório Técnico mais próximo ou diretamente com a sede da Girolando, em Uberaba, pelo telefone (34) 3331-6000. Gostaria de saber qual tipo sanguíneo é melhor para a produção de leite: o 1/2, 3/4 ou 7/8? Johanthan Ferreira O melhor grau de sangue vai depender do tipo de sistema de produção e manejo utilizado, pois as características dos animais mudam de acordo com a composição racial. Animais entre 50 a 75% de sangue holandês, ou seja, 1/2, 5/8 e 3/4, se adaptam mais facilmente às diversidades de manejo e nutricionais, além de possuírem uma excelente produtividade leiteira e longevidade, fazendo com que sejam extremamente competitivos nos diversos tipos de sistemas de criação e produção.

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Comecei a fazer parte da Girolando recentemente. Foram feitos , inclusive, os registros dos animais adquiridos em Minas Gerais e alguns referentes ao rebanho de fundação. Gostaria de saber o seguinte: como devo proceder com relação às filhas desses animais e também quanto às inseminações já realizadas. Welliton de Oliveira Almeida Prezado Welliton, Para dar continuidade no registro e no controle de genealogia dos animais que adquiriu, você deverá realizar todas as comunicações de cobrição e de nascimernto dos animais. Quanto às inseminações já realizadas, você poderá fazer as comunicações retroativas, desde que respeitadas as normas do regulamento do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando. Para melhor orientá-lo, estou solicitando que o técnico mais próximo de você entre em contato, para lhe explicar com detalhes como estas comunicações devem ser feitas e até mesmo agendar uma possível visita em sua propriedade rural. Prezado José Donato: Tenho o prazer de cumprimentá-lo e agradecer a Vossa Senhoria e à diretoria da Girolando pela oportunidade de ter participado do último número da revista O Girolando, editada por essa entidade. Destaco ainda a qualidade gráfica e editorial da publicação. Reinhold Stephanes Deputado Federal Dúvidas respondidas pelo superintendente técnico do SRGRG, Leandro Paiva


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Entrevista - Ministro Jorge Alberto P. M. Ribeiro Filho - 16

Matéria de Capa - Rebanhos colaboradores - 20

Importancia das avaliações visuais na seleção - 30

Pastagem: intensiva, extensiva ou irrigada? - 40

Mensagem da diretoria Editorial Cartas Novos associados Superintendencia Técnica Seleção genomica na pecuária avança Marcadores moleculares: uma ferramenta para a melhoria na qualidade do leite Reprodução de bovinos leiteiros: desafios e soluções Produção de leite a pasto: potencialidades e limitações Suplementação melhora índices reprodutivos Dermatofilose: tratamento, prevenção e controle Homeopatia populacional: contribuição brasileira para um mundo mais limpo e sustentável Otimizando o uso do tempo em propriedades rurais Agenda de exposições Megaleite 2012 - palco da melhor genética leiteira Colostro Transparência Girolando pelo Brasil Giro Lácteo Lançamentos e inovações Telefones e e-mails

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE GIROLANDO TRIÊNIO 2011/2013 ESTES SÃO OS NOVOS CRIADORES, E ENTIDADES DE CLASSE QUE PASSARAM A INTEGRAR O QUADRO SOCIAL DA GIROLANDO NOS MESES DE JANEIRO, FEVEREIRO E MARÇO DE 2012.

PROP. Nº 6877 6874 6880 6925 6870 6901 6834 6878 6909 6930 6907 6898 6902 6928 6929 6873 6914 6866 6897 6919 6922 6936 6904 6879 6924 3264 6899 6896 6920 6921 6900 6858 6932 6913 6894 6892 6631 6888 6939 6935 6889 6934 6887 6905 6903 6865 6857 6908 6931 6844 6937 6917 6890 6918 6923 6807 6933 6938 6910 6912 6885 6893 6883 6819 6891 6906 6926 6881 6882 6783 6915 6911 6895 6886 6884

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CRIADOR Antônio dos Anjos Rios Antônio Francisco de Miranda Antônio Santana Cardoso Ângela Aparecida Gonçalves Rodrigues Alonso Willian Ott Benedito Honório de Paiva Barroso Bruno Anderson Tannous Pires Carlos Eduardo Braga Bittencourt Cláudio Marques Braga Araújo Cristiano Vasques Nunes Cristiano Zago Deoclesio P. de Souza Júnior do Kezio Douglas Eugênio da Fonseca Evaldo Gonçalves da Silva Euberlândio Guimarães dos Santos Edmundo S. de Oliveira/José R.Hilarino Felipe Gimenes G.Raunheitti Gomes Fernando Antônio Lemos Flávio Eduardo Buainain Gir Terras de Montanhas Ltda Gabriel Marinho Villa Verde de Carvalho Geraldo Bazilio Filho Gerson José Lopes da Silva Izabel Cristina Lima Guimarães Ivan Deus de Oliveira Ivan Adhemar de Carvalho Filho Jovani Batista da Silva João Jazbik Neto José Jaime Cançado José Carlos Aquino Moirão José Geraldo Lara José Wagner Monti José Lourenço de Castro Klaus Bannwart Leonardo augusto Moreira Pessoa Luzia Sônia Trota Levati Laucir Bernardino Rigoni Lúcio Diniz Araújo Martelo Lúcio Flávio Teles de Freitas Lúcio Mendes Vale Luiz Cláudio Tolentino Juliani Luiz Francisco de Assis Salgado Maria Luiza Borges Maria Tereza Lemos Costa Calil Maria Regina Fornari Puttini Paixão Miguel Dualibi Neto Maisa de Paula Pires Ferreira Marcia Oliveira de Carvalho Romano Marcio Rogerio Cogo Marcio Café Cardoso Pinto Marco Paulo Quirino Costa e Outros Cond. Marcos Vinicius Galvão Manoel Moreira Magalhães Manoel Francisco de Carvalho Filho Norberto Antônio de Assis Nelson Mancini Nicolau Olavo Gliorio Gozzano Omar José Amazonas Ferreira Pedro Márcio Pedreira dos Santos Paulo César Missiatto Paulo Sérgio de Melo Ponciano Mateus da Silva / Outros Raimundo Ferreira Rios Raimundo Cerqueira Costa Ricardo Biancovilli Oliveira Renis César de Oliveira Ronaldo Barbosa Pereira Raul Scardua Filho Rômulo Augusto De Almeida Frederico Sérgio de Almeida Pacheco Sergio Reis Peixoto/Verônica A. R. F. Peixoto Sebastião de Araújo Pinto Wilson Mendes Ruas Welliton de Oliveira Almeida Winston Frederico Almeida Drumond

MUNCÍPIO Mairi – BA Belo Horizonte – MG Salvador – BA Conquista – MG Aimorés – MG Pouso Alegre – MG Goiânia – GO Lauro de Freitas – BA Araxá – MG Macapá – AP Uberaba – MG Paranaíba – MS Brasópolis - MG Belo Horizonte – MG Salvador – BA Uberaba – MG Nova Iguaçu – RJ Nova Andradina MS Campo Grande – MS Guanhães – MG Brasília – DF Luz – MG Paraisópolis MG Salvador – BA Rio de Janeiro – RJ Rio de Janeiro – RJ Campo Grande – MS Campo Grande – MS Bom Despacho – MG Santana – SP Pedro Leopoldo – MG Pedralva – MG Birigui – SP Pirajuí - SP Curvelo – MG Muriaé – MG Jaru – RO São Gonçalo – RJ Natércia – MG Juiz de Fora – MG Nova Lima – MG São Paulo – SP Uberlândia – MG Ribeirão Preto – SP Jundiaí – SP Campo Grande – MS Conc. das Alagoas – MG Alfenas – MG Barra do Garças – MT Salvador – BA Bom Despacho – MG Taubaté – SP Três Lagoas - MS Belo Horizonte – MG Montes Claros – MG São João da Boa Vista – SP Itu – SP Paraíso do Tocantins – TO Queimadas – BA Sta. Rita do P. Quatro – SP Guidoval – MG Igarapava – SP Serrôlandia – BA Pé de Serra – BA Juiz de Fora – MG Itajá – GO Abel Figueiredo - BA Salvador – BA Salvador – BA Rio de Janeiro – RJ Eugenópolis – MG Jarú – RO Belo Horizonte – MG Antônio Gonçalves – BA Ituiutaba – MG

Presidente: José Donato Dias Filho 1º Vice-presidente: Fernando Antonio Brasileiro Miranda 2º Vice-presidente: Maurício Silveira Coelho 3º Vice-presidente: Jônadan Hsuan Mim Ma 4º Vice-presidente: Ivan Adhemar de Carvalho Filho 1º Diretor-administrativo: Milton de Almeida Magalhães Júnior 2º Diretor-administrativo: Adolfo José Leite Nunes 1º Diretor-financeiro: Maria Inez Cruvinel Rezende 2º Diretor-financeiro: Eugênio Deliberato Filho Relações Institucionais e Comerciais: João Domingos Gomes dos Santos

Conselho Fiscal Jeronimo Gomes Ferreira Silvio de Castro Cunha Júnior Marcelo Machado Borges Suplentes Conselho Fiscal Eduardo Jorge Milagre José Alberto Paiffer Menk Luiz Carlos Rodrigues Conselho Consultivo Antônio José Junqueira Villela Joaquim Luiz Lima Filho Nelson Ariza Roberto Antônio Pinto de Melo Carvalho Rodrigo Sant’anna Alvim Suplentes Conselho Consultivo Geraldo Antônio de Oliveira Marques Guilherme Marquez de Rezende Leonardo Moura Vilela Rubens Stacciarini Tomaz Sérgio Andrade de Oliveira Júnior

Membros Conselho Deliberativo Técnico 2011/2013 Membros Natos Alisson Luis Lima Leandro de Carvalho Paiva

Representante do MAPA Superintendente Técnico

Membros Efetivos

Membros Suplentes

Limírio Cezar Bizinotto Marcello A. R. Cembranelli Milton de Almeida Magalhães Neto Valério Machado Guimarães

Juscelino Alves Ferreira Walter Roriz de Queiroz Tiago Moraes Ferreira Daniella Martins da Silva

CONSELHO DE REPRESENTANTES ESTADUAIS: AL – Paulo Emílio Rodrigues do Amaral AM – Raimundo Garcias de Souza BA – José Geraldo Vaz de Almeida BA – Luiz Tarquinio Duarte Pontes BA – Jorge Luiz Mendonça Sampaio CE – Cristiano Walter Moraes Rola DF – Dilson Cordeiro de Menezes DF – Erotides Alves de Castro DF – Ismael Ferreira da Silva ES – Rodrigo José Gonçalves Monteiro GO – Elmirio Monteiro Marques Júnior GO – José Mário Miranda Abdo GO – Léo Machado Ferreira GO – Itamir Antônio Fernandes Vale MG – Anna Maria Borges Cunha Campos MG – Carlos Eduardo Fajardo de Freitas MG – Horácio Moreira Dias MG – José Ricardo Fiuza Horta MG – Júlio Cesar Brescia Murta MG – Paulo Henrique Machado Porto MG – Salvador Markowicz Neto MS – Aurora Trefzger Cinato Real MS – Ronan Rinaldi de Souza Salgueiro

MS – Rubens Belchior da Cunha PA – Zacarias Pereira de Almeida Neto PB – Antônio Dimas Cabral PB – Yvon Luiz Barreto Rabelo PE – Cristiano Nobrega Malta PE – Eriberto de Queiroz Marques PR – Antônio Francisco Chaves Neto PR – Bernardo Garcia de Araújo Jorge PR – João Sala RJ – Filipe Alves Gomes RJ – Herbert Siqueira da Silva RJ – Jaime Carvalho de Oliveira RJ – Luciano Ferreira Guimarães RO – José Vidal Hilgert SE – Lafayette Franco Sobral SE – Ricardo Andrade Dantas SP – Adriano Ribeiro de Oliveira SP – Braulio Conti Júnior SP – Decio de Almeida Boteon SP – Eduardo Falcão de Carvalho SP – Pedro Luiz Dias SP – Roberto Almeida Oliveira SP – Virgilio Pitton TO – Eli José Araújo


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Entrevista Por Larissa Vieira

Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Driblando os desafios

do agronegócio

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Fabio Rodrigues PozzebomABr

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ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho, não acredita que medidas restritivas à importação de leite sejam a saída para proteger o mercado nacional. Ele defende a construção de acordos comerciais no sentido de disciplinar o acesso ao mercado brasileiro. Em entrevista à revista O Girolando, Mendes Ribeiro garante que vem promovendo condições para que os produtores rurais e as cooperativas tenham uma conduta mais consciente em relação a suas atividades. Advogado e deputado federal pelo PMDB, o ministro declara-se o 12º jogador no trabalho de articulação política em prol do agronegócio.


O Girolando - O setor leiteiro reclama da importação excessiva de leite e derivados por parte do Brasil, principalmente de países do Mercosul. Que alternativas existem para solucionar este problema? Mendes Ribeiro – Essa competitividade não seria possível sem os investimentos da indústria nacional e a qualidade de seus produtos. Este Ministério tem ciência de que, atualmente, os dois maiores concorrentes do leite brasileiro no mercado nacional são a Argentina e o Uruguai, países com os quais o Brasil tem estreita relação comercial e de integração econômica e política. Por conta desta integração, não cabe, por parte do Brasil, a adoção de medidas restritivas à importação de leite. O Ministério tem se empenhado, sim, para ampliar as discussões do setor privado de lácteos com os seus correspondentes dos demais países do Mercosul, com o objetivo de firmar acordos comerciais no sentido de disciplinar o acesso ao mercado brasileiro, de forma a não afetar o crescimento e o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional. Até o presente momento, só foi possível um acordo de limitação de volume de leite em pó, com a Argentina. Contudo, o Ministério continuará insistindo no sentido das negociações mencionadas, em especial com o Uruguai, além de incentivar o crescimento do setor brasileiro de lácteos. O Girolando - O Mapa prepara um documento sobre o agronegócio brasileiro para apresentar na Rio + 20. Quais devem ser os principais pontos mencionados sobre o setor? Mendes Ribeiro – O Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento procura contribuir para uma reflexão ativa sobre a agricultura, para a dinamização da economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza. Assim, de forma amplamente participativa, o Ministério está construindo um documento de posicionamento que destaca os avanços alcançados pela agropecuária e também as perspectivas para a agricultura brasileira e sua contribuição ao desenvolvimento sustentável mundial. Reconhecendo os avanços

da agricultura por um mundo mais sustentável, o Ministério destaca aspectos marcantes como, por exemplo, o papel do cooperativismo para a organização dos produtores em bases sustentáveis, o desenvolvimento da biotecnologia, a agricultura orgânica e a agroecologia, a ampliação da agricultura de precisão, o papel da pesquisa e da extensão rural e o programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC). O Girolando - O senhor afirmou que a sustentabilidade é uma das prioridades do Mapa. Que medidas serão tomadas para garantir a sustentabilidade do agronegócio? Mendes Ribeiro – A sustentabilidade da agricultura, sem dúvida nenhuma, é prioridade da minha gestão à frente do Mapa. Desde junho de 2010, por meio do programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), o governo federal vem promovendo condições para que os produtores rurais e as cooperativas tenham uma conduta mais consciente em relação a suas atividades. O programa incentiva a adoção de tecnologias sustentáveis, visando à diminuição das emissões de gases de efeito estufa oriundas das atividades agropecuárias; a redução do desmatamento; o aumento da produção agropecuária em bases sustentáveis; a adequação das propriedades rurais à legislação ambiental; a ampliação da área de florestas cultivadas; e a recuperação de áreas degradadas. Cerca de R$ 3,15 bilhões foram disponibilizados para o financiamento de seis técnicas sustentáveis: plantio direto, recuperação de áreas degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, plantio de florestas comerciais, fixação biológica de nitrogênio e tratamento de resíduos animais. São práticas já adotadas por muitos produtores brasileiros e que, com o programa ABC, serão disseminadas no país todo, preservando o meio ambiente para as gerações futuras.

O Mapa acompanha e incentiva o desenvolvimento da cadeia de lácteos brasileira, que vem adquirindo consistência competitiva, colocando-se em condições de igualdade com a concorrência mundial.

O Girolando - O Brasil voltou a ter seu sistema sanitário ameaçado com o caso de aftosa no Paraguai. A regionalização da área de sanidade agropecuária seria uma das alternativas para evitar problemas como este e também para ampliar as

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Fabio Rodrigues PozzebomABr

áreas livres com vacinação dentro do Brasil? Mendes Ribeiro - As estratégias e ações de sanidade animal já ocorrem de forma diferenciada nas distintas regiões do País, mas a regionalização prevista pelo Ministério contribuirá para um melhor acompanhamento e avaliação técnica das atividades, visando garantir a qualidade dos serviços veterinários e a sanidade dos rebanhos em todo o Brasil. Nosso país tem dimensões continentais e as mais diversas condições ambientais, culturais, socioeconômicas e de sistemas produtivos pecuários que constituem verdadeiros desafios aos técnicos e gestores de programas sanitários. É necessário um profundo conhecimento das particularidades e dos interesses e costumes das comunidades de cada região, bem como da dinâmica da produção e comercialização de animais e produtos para se definir ações e estratégias que atendam aos interesses locais, regionais e do país como um todo. Neste sentido, a regionalização possibilitará maior aproximação e acompanhamento, por parte do Mapa, na busca de seus objetivos. Exemplo clássico é a região de fronteira internacional, onde o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento deve realizar atendimento diferenciado, investindo mais recursos, tanto físicos quanto financeiros, para minimizar a possibilidade de entrada de agentes infecciosos, além de realizar um trabalho de inteligência em parceria com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), visando antecipar possíveis problemas na região, que possam impactar o agronegócio brasileiro.

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O Girolando - Quais os maiores desafios que o Brasil deve enfrentar neste ano, no mercado internacional?

Mendes Ribeiro - Ainda que o Brasil tenha um pujante mercado interno, o mercado externo é uma possibilidade de crescermos e ampliarmos nossos negócios. A crise internacional, que tem seu epicentro na Europa, limita nossa capacidade de expansão, mas não impede que tenhamos um desempenho satisfatório, puxado por mercados emergentes, que têm ampliado seu poder aquisitivo e melhorado suas condições de vida. A crise instalada poderá estimular que nações venham a adotar medidas protecionistas, que dificultarão o acesso a estes mercados. Entretanto, como nossa pauta exportadora está focada, em boa parcela, em alimentos, estas ações serão minoradas ou terão durabilidade limitada. Estamos certos de que o século XXI terá na fonte de alimentos e na disponibilidade de água potável uma de suas maiores preocupações. E o Brasil prosseguirá ampliando sua produção de alimentos, melhorando o índice de produtividade, evoluindo em sua legislação ambiental e produzindo dentro dos mais criteriosos e corretos parâmetros de sustentabilidade. O Brasil honrará o seu compromisso de bem alimentar a sua população com qualidade e preços adequados e, ainda, gerar excedentes que venham, de igual forma, a alimentar populações carentes e necessitadas das nações amigas demandantes de nutrientes. O Girolando - O senhor vem de um estado de forte vocação agrícola, mas teve uma trajetória mais ligada a outros setores da economia. Como o senhor incorporou suas experiências anteriores à gestão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento? Mendes Ribeiro - Como ministro, quero ser um facilitador entre a sociedade e o governo. A presidenta Dilma Rousseff me pediu muito trabalho, muito diálogo e paciência. Não é porque não sou um homem do campo, que não possa compreender e entender e saber sobre agricultura. Sou de um Estado eminentemente agrícola e o conheço de uma ponta a outra. Há muitos desafios pela frente. Vou fazer um esforço muito grande para estar do lado de quem sabe e fazer aquilo que a agricultura precisa. A articulação política é um trabalho de equipe e serei o 12º jogador.


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Larissa Vieira

Girolando busca novos rebanhos colaboradores Fundamentais para a existência do Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG), mais de 400 fazendas recebem gratuitamente sêmen dos touros inscritos no Programa. Para que novos reprodutores possam ser avaliados, a Girolando precisa aumentar esse número de rebanhos colaboradores em todo o país.

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do Projeto Nova Geração. Os 19 produtores rurais que fazem parte do projeto estão recebendo gratuitamente sêmen de touros que participam do PMGG ou que já são provados. Serão inseminadas 240 matrizes: nas azebuadas será utilizado sêmen de touro 3/4 e nas Girolando puras sêmen de reprodutores 5/8. No total, 710 doses serão distribuídas gratuitamente aos criadores. A doação foi viabilizada por meio do convênio entre a Prefeitura de Córrego Danta e a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, firmado em 2011. Enquanto a entidade doou 70% das doses, o Município contribuiu com 30%, forneceu o botijão e a assistência técnica. As fazendas selecionadas pela prefeitura são agora integrantes do PMGG, na categoria Rebanho Colaborador. Com isso, passam a receber sêmen gratuitamente, sempre que tiverem fêmeas disponíveis. Rubio Marra

Brasil tem uma produção anual de leite em torno de 32,2 milhões de litros. São mais de 23,5 milhões de vacas ordenhadas e 1.374 litros por vaca/ano. Apesar de sermos o quinto maior produtor do mundo, essa produtividade está bem abaixo de diversos países e da média mundial, que era de 2.266 kg/vaca/ano, em 2010. O fato de muitas propriedades não possuírem sistemas tecnificados de produção e rebanhos de baixa qualidade genética explica, em parte, a situação. É o que acontece na cidade de Córrego Danta, no Centro-oeste mineiro. A produção diária é de 15 mil litros/dia, volume gerado por 7.500 matrizes. Para reverter a situação, a Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento está apostando no melhoramento genético do rebanho local. Nos próximos três anos, a meta é aumentar em 70% a produção nas propriedades participantes

Colaboradores recebem, além das doses de sêmen, a assistência de técnicos da Girolando e de entidades parceiras do PMGG

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Rubio Marra

Em contrapartida, precisam reter as filhas dos touros em avaliação até o final da primeira lactação, fazer o controle leiteiro mensal e realizar a pesagem das bezerras e dos bezerros ao nascer. “Não há como realizar o Teste de Progênie sem a colaboração de alguns rebanhos, pois precisamos de um grande número de matrizes para serem inseminadas com sêmen de touros inscritos no Teste”, informou Marcello Cembranelli, coordenador operacional do Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG). Como apenas as fêmeas são utilizadas para a avaliação dos touros, os machos poderão ter outras finalidades, de acordo com as necessidades e disponibilidades dos criadores. Segundo Cembranelli, todas as fêmeas são identificadas por brinco específico (Brinco TP), exceto as que possuem ou que irão ser inspecionadas para receber o Controle Genealógico de Nascimento (CGN). O brinco TP possui o número do animal no Teste de Progênie e a identificação da Girolando. Os dados de identificação estão presentes tanto na frente quanto no verso do brinco. Geralmente, o brinco é colocado na orelha esquerda do animal. O rebanho colaborador pode ser constituído de animais de outros cruzamentos ou raças e não precisa pertencer a propriedade associada à Girolando. O tamanho da fazenda não é um fator limitador para participar do projeto. Em Córrego Danta, a maioria dos rebanhos colaboradores é de agricultura familiar, porém há também médias e grandes propriedades. “Para a agricultura familiar, fornecemos gratuitamente assistência técnica, botijão e as doses de sêmen. Além disso, o Instituto Mineiro de Agropecuária realiza os exames de brucelose e tuberculose, também sem custo para o pequeno produtor. Já a inseminação é feita por um técnico da prefeitura. São produtores que não teriam condições de investir em melhoramento genético com recursos próprios. Agora, como rebanhos colaboradores, eles estão conseguindo esse ganho genético”, afirmou o secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Córrego Danta, Wanderson Ricardo Maia. Nas propriedades maiores, apenas os sêmen é doado. A bezerrada oriunda das primeiras inseminações com sêmen de touros em teste começará a nascer entre maio e junho, no município. A prefeitura ainda está investindo na nutrição das matrizes para garantir o aumento de produtividade local. Típica cidade de economia “café com leite”, Córrego Danta já começa a atrair novos investidores interessados no aumen-

Técnicos da Girolando distribuirão sêmen até junho

to da produção leiteira. Um laticínio está se instalando no município. A Girolando também mantém convênio com outras prefeituras e instituições para ampliação dos rebanhos colaboradores, dentre elas o Instituto de Agronegócios do Maranhão (Inagro) Ampliação dos rebanhos colaboradores Além de Minas Gerais, outros oito Estados concentram rebanhos colaboradores do Teste de Progênie. São eles: Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Espírito Santo. No ano passado, 155 rebanhos receberam 8.592 doses de sêmen de 19 touros do 12º grupo do Teste de Progênie, sendo 12 touros 5/8 e 7 touros 3/4. Em 2012, o programa cresceu quase 30% em número de doses coletadas em decorrência de uma quantidade maior de touros em teste. O 13º grupo conta com 28 reprodutores. Até junho, serão distribuídas 11 mil doses de sêmen. Para cada fêmea do rebanho, o produtor recebe duas doses. A estimativa é de que, para utilizar todo esse material genético, serão necessárias 5.500 matrizes. “A melhor forma de conhecer o valor genético de um reprodutor para produção de leite é o Teste de Progênie, através da avaliação da produção de leite de suas filhas. Esses reprodutores são responsáveis por mais da metade do melhoramento

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Técnico da prefeitura de Córrego Danta entrega sêmen do PMGG em fazenda colaboradora

genético do rebanho”, explicou Marcello Cembranelli. Atualmente, 57 reprodutores estão em teste, integrantes do 8º ao 12º grupo, além dos 28 animais que começarão ser avaliados neste ano. O resultado geral do Teste de Progênie 2011 apresentou dados de 48 touros, sendo 18 positivos e 30 negativos para PTA leite. A Girolando tem 483 fazendas colaboradoras ativas, mas precisa ampliar esta quantidade para que um número maior de touros possa ser testado. Para testar

apenas um touro, são necessárias 220 fêmeas. A raça já vem apresentando bom desempenho na venda de sêmen no país, com crescimento de 107,02% nos últimos três anos. A expectativa é de que, com um volume maior de animais avaliados, este índice seja ainda maior. Para a avaliação genética dos touros são utilizados os registros da primeira lactação encerrada de suas filhas e companheiras contemporâneas de rebanho, isto é, filhas de mesma idade, de outros touros, paridas no mesmo ano e estação. A metodologia adotada é a do “Modelo Animal”, o valor é expresso em PTA leite ou capacidade prevista de transmissão dos pais para seus filhos, sendo a metade do valor genético estimado. Além da produção de leite das filhas, as informações de pedigree, conhecida também como “chave de parentesco”, são utilizadas para a avaliação dos touros e têm pequena influência na confiabilidade da prova. A confiabilidade fornece indicação da acurácia do Teste e, quanto mais alta, menor a possibilidade do valor da PTA variar para mais ou menos. O valor da confiabilidade depende do número de filhas por rebanho e do número de rebanhos participantes. Quanto maior for o número de filhas e rebanhos, maior será a confiabilidade da prova. Os dados de produção das matrizes dos rebanhos colaboradores são cadastrados no banco de dados da Girolando e, posteriormente, enviados à

Seleção dos touros Apesar do número de reprodutores em teste aumentar a cada ano, nem todos os animais inscritos passam pelos rigorosos critérios de seleção do programa. “O criador interessado em testar touros, deve primeiramente realizar um bom trabalho de seleção na propriedade, com o objetivo de identificar as vacas superiores para que sejam acasaladas com excelentes reprodutores, com a finalidade de produzir bons touros para o Teste de Progênie. Com certeza a genealogia é um dos fatores mais importantes para a produção de animais geneticamente superiores”, ressaltou o coordenador operacional do PMGG, Marcello Cembranelli.

Algumas das exigências são: • Apenas touros 5/8 Hol + 3/8 Gir, 3/4 Hol + 1/4 Gir e Puro Sintético (PS) podem participar. • As mães dos touros deverão ser de livro fechado; os touros deverão ser filhos de pais provados positivos para leite ou em fase de Teste de Progênie; preferencialmente, idade máxima de 36 meses. • Mães 1/4 Hol + 3/4 Gir deverão possuir lactação acima de 5.000kg de leite, e mães com composição racial de 1/2 Hol + 1/2 Gir acima, deverão possuir lactação acima de 7.500kg de leite no controle leiteiro. • Apresentar o laudo de exame andrológico do touro. • Participar de uma pré-avaliação de fertilidade, em que serão avaliados diariamente pelos pesquisadores quanto à fertilidade, temperamento e resistência a endo e ectoparasitos. Este processo não será obrigatório, mas será classificatório. • O touro deverá ser inspecionado por uma comissão técnica.

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Luciene Franklin

Embrapa Gado de Leite para a realização das avaliações genéticas dos touros. As lactações são padronizadas em 305 dias e ajustadas para a idade adulta. Através de estatísticas, é feita a eliminação dos efeitos ambientes. Em média, o tempo gasto para avaliar um animal pelo Teste de Progênie é de seis anos. O sumário, divulgado anualmente com o resultado de cada grupo finalizado, traz, entre outros dados, sete marcadores moleculares, quatro associados à produção de sólidos no leite (gordura e proteína) e três associados à doença hereditária.

Coordenador Operacional do PMGG Marcello Cembranelli, presidente da Girolando José Donato e secretário de Agricultura Córrego Danta Wanderson Ricardo Maia firmaram convênio no ano passado para ampliação dos rebanhos colaboradores

Seja um rebanho colaborador

As propriedades interessadas em participar do Teste de Progênie, na categoria Rebanho Colaborador, devem procurar a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. Informações: www.girolando.com.br (34) 3331-6000 mcembranelli@girolando.com.br

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Eventos técnicos marcam o início da modernização na identificação do serviço de registro genealógico e nos critérios de julgamento da raça Girolando

A

raça Girolando vem passando por importantes mudanças nos últimos anos. Uma delas é em relação ao julgamento de animais em exposições oficiais, o que exige uma constante atualização e revisão dos critérios de avaliação, realizada pelos jurados efetivos em pista. Para padronizar cada vez mais estes critérios a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando organiza, a cada dois anos, o Seminário de Revisão, Atualização e Harmonização dos Critérios de Julgamento, sendo realizada neste ano sua terceira edição, nos dias 13 e 14 de março. Promovido em parceria com as Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), que cederam toda a estrutura necessária para as atividades, o Seminário apresentou, em seu primeiro dia, com programação repleta de palestras técnicas, ministradas por renomados técnicos e jurados da Girolando, contando, também, com a colaboração de técnicos de outras entidades e com a participação institucional das empresas que são Parceiros Masters Girolando. Já em seu segundo dia, as atividades foram todas práticas, desempenhadas também no campus da Fazu, nos currais de manejo.

Leandro de Carvalho Paiva Superintendente do SRGRG

ais, principalmente quanto ao novo regulamento do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando (SRGRG), responsável por direcionar os critérios de seleção e padronização da raça. O tema desta edição foi “Julgamento: Uma Consequência do Melhoramento Genético”. Para melhor desempenho dos participantes e obter maior padronização nos critérios de julgamento foi realizado um novo modelo de avaliação prática individual de animais, sendo feita, outra avaliação, horas depois, no mesmo modelo, em outra sequência aleatória de distribuição de animais, de forma a obter uma avaliação comparativa em relação à primeira prática. Utilizando esta metodologia, foi possível avaliar, de forma precisa, o desempenho dos jurados, bem como criar discussões e debates em cima de características de grande importância zootécnica para a raça. Antes dessas atividades práticas, o colégio de jurados passou por uma revisão de todos os critérios, visando harmonizar mais ainda as avaliações. Após o 3º Seminário do Colégio de Jurados,

Foto 2 – Avaliação prática individual de animais para comparação de resultados. Foto 1 – Jurados durante revisão dos critérios de julgamento da raça Girolando.

O evento, restrito e obrigatório aos membros efetivos do Colégio de Jurados da Raça Girolando (CJRG), contou com a participação de 40 jurados efetivos, que foram submetidos a uma série de avaliações práticas, além de se atualizarem em relação às normas, regulamentos e conceitos atu-

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foi promovido pela Girolando, entre os dias 15 e 17 de março, também em parceria com a Fazu, a Atualização Técnica Nacional 2012 do SRGRG. Desta vez, restrito e obrigatório a todos os técnicos inspetores de animais para controle e registro genealógico. Participaram 28 técnicos de todo o Brasil, desta atualização nacional que teve como objetivo primordial orientar e capacitar a equipe para executar as mu-


execução do novo sistema de identificação, que terá como novidades o bóton de identificação particular, contendo a série única do rebanho e a utilização da fotografia como identificação permanente oficial, que será impressa no certificado.

Foto 3 – Participantes do 3º Seminário do Colégio de Jurados da Raça Girolando.

danças previstas na nova versão do regulamento de registro, dando ênfase ao novo sistema de identificação da raça, chamado de SIU (Sistema de Identificação Unificado), que começou a ser implantado no início de 2011.

Foto 4 – Técnicos durante a avaliação do padrão racial de animais para enquadramento no SRGRG.

O atendimento e orientação ao criador também foi um dos principais assuntos da atualização, que teve como tema principal a “Certificação de Qualidade”. Os técnicos receberam informações sobre os conceitos e procedimentos da nova versão do regulamento, bem como foram orientados a estreitar cada vez mais o contato com os criadores, auxiliando-os na resolução de pendências e tirando dúvidas que são frequentes, como por exemplo, os cruzamentos e procedimentos para comunicação de animais e registros. Os participantes também puderam conhecer de perto como serão os procedimentos para identificação dos animais no SIU, recebendo treinamento adequado e os equipamentos necessários para a

Foto 5 – Cinderela da Fazu, bóton FAZU 0038, Registro Unificado Nº 0380-G, primeiro animal Girolando identificado oficialmente através do SIU, com fotografia.

Foto 6 – Participantes da Atualização Técnica nacional 2012 do SRGRG.

Foto 7 – Bezerra recebendo o brinco de Registro Unificado, na orelha direita, válido para o nascimento e definitivo.

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Mercado do leite:

Rafael Ribeiro de Lima Filho Zootecnista - Scot Consultoria

alta de preços para o produtor

O

mercado ganhou força diante da menor oferta de leite e demanda aquecida. Passado o pico de produção, verificado em dezembro, no Centro-Oeste e Sudeste, ela está diminuindo gradualmente. A falta de chuvas em algumas regiões colabora, já que reflete diretamente nas condições das pastagens. Considerando a média nacional ponderada, o preço do leite subiu 2,0% no pagamento de março, na comparação com o pagamento anterior. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o produtor recebeu, em média, R$0,811 por litro. Na comparação com o mesmo período do ano passado o preço do leite ao produtor subiu 7,7%, em valores nominais. Veja a Figura 1. A menor oferta para os laticínios e o bom volume de vendas refletiram em alta de preços dos produtos lácteos no atacado. Alta também no mercado spot. Considerando a média de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, os negócios ocorreram em R$0,91 por litro, em março. Para o próximo pagamento, a ser realizado em meados de abril, aproximadamente 59,0% dos laticínios pesquisados falam em manutenção dos preços aos produtores, enquanto 34,0% apontam para alta dos preços.

Mercado em Minas Gerais Em Minas Gerais o preço do leite subiu 1,9% no pagamento de março. O produtor recebeu, em média, R$0,843 por litro. Este valor é 10,0% maior na comparação com o mesmo período de 2011. Além da curva de produção em queda (pico de produção no Estado foi em dezembro), a falta de chuvas prejudicou a produção de leite em algumas regiões. Anuncio Revista Girolando_210x70_2.pdf 1 29/03/2012 10:25:55 No mercado spot, o litro de leite foi negociado,

em média, por R$0,90, posto na fábrica. Alta de 6,0% em relação a fevereiro. Foram verificados negócios em até R$0,95 por litro, em março. Para o pagamento de abril, referente ao leite entregue em março, 48% das empresas pesquisadas em Minas Gerais acreditam em manutenção dos preços, enquanto 52% dos laticínios falam em alta para o produtor. Custo de produção da pecuária de leite O Índice Scot para o custo de produção de leite teve redução de 0,2% em março, em relação a fevereiro. Já na comparação com o índice de março do ano passado, os custos da pecuária de leite diminuíram 9,3%. A redução foi em função da queda de preço do milho (ligeira) e outros alimentos energéticos. Fertilizantes e suplementos também ficaram mais baratos. Por outro lado, o preço do farelo de soja subiu. Figura 1. Preço do leite ao produtor, média nacional ponderada, em valores nominais - em R$/litro.

Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br

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Seleção genômica na pecuária avança Polo de Excelência em Genética Bovina

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grande interesse, tem uma perspectiva de mercado bastante grande e empresa nenhuma entraria num projeto dessa natureza se não tivesse feito uma prospecção de mercado e vislumbrasse que o futuro, na verdade, está em conduzir ferramentas genômicas para dentro do rebanho”, disse o pesquisador. Outro tema abordado foi a formação de um banco de DNA de bovinos no Brasil. “O uso da genômica é um caminho sem volta. Acho que para fazermos o uso devido desta tecnologia é fundamental que tenhamos um banco de DNA e que trabalhemos intensivamente para termos um bom e grande, em termos de quantidade e qualidade, um banco de dados fenotípicos, para que possamos fazer todos esses estudos de associação e, com isso, implementar a avaliação genética genômica, tanto em gado de corte quanto em gado de leite”, ressaltou o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Rui Verneque. O 2º Workshop Internacional Genômica Aplicada à Pecuária foi uma realização da Unesp de Araçatuba e da Conexão Delta G, uma associação de pecuaristas que desenvolve um programa de melhoramento genético para a pecuária de corte. Divulgação

O

s profissionais mais conceituados na área de melhoramento genético bovino no Brasil e no mundo apresentaram os avanços da seleção genômica durante o 2º Workshop Internacional Genômica Aplicada à Pecuária. O evento, realizado entre os dias 26 e 27 de fevereiro, em Araçatuba (SP), contou com a presença do superintendente Técnico da Girolando, Leandro Paiva, e do coordenador operacional do PMGG, Marcello Cembranelli. Um time de 12 pesquisadores vindos da Áustria, Nova Zelândia, Estados Unidos e Brasil, discutiu os desdobramentos do que foi apresentado no ano passado, quando os projetos de aplicação da seleção genômica e seleção assistida por marcadores estavam em pleno andamento no exterior. O grupo de estrangeiros mostrou que a tecnologia para seleção genômica tem sido crescentemente ampliada em seus países e que vários desafios devem ser encarados de maneira conjunta por toda comunidade científica da área. Questões que envolvem superestimação de valores, a união de dados de sequência, QTL (loci de características quantitativas) e pedigree, bem como validação de painéis comerciais e estratégias adequadas para uma análise fidedigna dos resultados que integram fenótipo e genótipo, foram alguns dos tópicos discutidos durante as palestras. Os pesquisadores brasileiros Marcos Vinícius Silva (Embrapa Gado de Leite), Fernando Flores Cardoso (Embrapa Pecuária Sul) e Roberto Carvalheiro (Gensys) apresentaram o andamento das pesquisas genômicas no Brasil, já com resultados preliminares e satisfatórios. O sequenciamento do genoma da raça Girolando foi um dos temas abordados pelo pesquisador Marcos Vinícius. “Posso usar como exemplo o projeto que nós temos em seleção genômica em andamento no gado de leite e o interesse de várias empresas comerciais em participarem do processo. Isso mostra que a área é de Workshop Unesp 2012


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Léo Fernando de Faria Salgado Graduando em Medicina Veterinária da Esc. Sup. Batista do Amazonas (Esbam)

Ana Paula Miranda Mundim Orientadora e Professora na Esbam

Marcello de Aguiar Rodrigues Cembranelli Coordenador Operacional PMGG, da Girolando

Importância das avaliações visuais na seleção Estudo identifica diferentes graus de sangue e caracterização fenotípica do genótipo F1 da raça Girolando em sistemas de produção tradicionais na região metropolitana de Manaus

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C

omo a produção de leite em ambiente tropical não se pode basear somente nas raças zebuínas puras (de baixa produção), nem nas raças especializadas (muito exigentes), adotar um esquema prático e viável de cruzamentos entre elas é uma necessidade. Nos rebanhos leiteiros do Estado do Amazonas prevalece um processo produtivo bastante


tradicional, sustentado principalmente em animais mestiços, na maioria produtos de cruzamentos entre o Holandês e o Gir. A raça Girolando, conhecida por sua versatilidade e diversidade de graus de sangue, proporciona ao criador fazer escolhas de acordo com o seu sistema de produção. Entretanto, a maioria desses sistemas de produção tradicionais apresenta baixos índices zootécnicos. Tal ineficiência se dá pela ausência de manejos nutricional, reprodutivo e sanitário adequados e tecnicamente recomendados para as exigências dos genótipos utilizados, que, aliados à baixa qualidade genética dos animais, comprometem o resultado econômico da atividade. Pesquisas demonstram que o genótipo do Girolando F1 (1/2 Holandês + 1/2 Gir) é mais rentável nos sistemas de produção utilizados na região metropolitana de Manaus (AM). Contudo, os sistemas de produção praticados ainda não contemplam um caminho capaz de manter os rebanhos F1. Rebanhos que iniciam com fêmeas F1 perdem essa condição logo na geração subsequente. A estratégia da reposição contínua com novilhas F1 presta-se também para sobrepor a essa dificuldade. No entanto, devido à escassez desses animais no Estado do Amazonas, o produtor procura buscálos em outras regiões, principalmente, em fazendas multiplicadoras no Estado de Minas Gerais, através de intermediários que nem sempre usam de critérios éticos no processo de escolha dos genótipos e de suas características morfológicas relacionadas à ordem produtiva e funcional. Diante dessa realidade, existe uma necessidade da utilização de técnicas para identificação dos padrões morfológicos dos genótipos Girolando e seus graus de sangue, no sentido de adequar o manejo e a nutrição dos animais de acordo com o nível tecnológico do sistema de produção, e sensibilizar quanto à importância de se efetuar avaliações fenotípicas que orientam na obtenção, seleção e cruzamentos, gerando subsídios no processo de implantação de programas de melhoramento genético dos animais, principalmente o genótipo F1, que possui características funcionais para um modelo susten-

tável ao encontro com a realidade regional, contribuindo para um avanço importante no caminho do processo produtivo e, consequentemente, possibilitando o aumento da renda dos produtores. Este trabalho teve como objetivos identificar a frequência dos diferentes graus de sangue e caracterizar o fenótipo do genótipo F1 da raça Girolando em sistemas de produção tradicionais com rebanhos não certificados, realizando análises comparativas em relação aos rebanhos certificados pela Girolando, na região metropolitana de Manaus, durante o período de agosto a novembro de 2011. A pesquisa foi realizada em doze propriedades com sistemas de produção de leite escolhidos aleatoriamente, sendo seis identificados como Rebanhos Não Certificados (RNC) e os outros seis como Rebanhos Certificados (RC). Os animais que participaram da pesquisa foram 936 fêmeas adultas, que estavam em lactação ou com características leiteiras definidas. Primeiramente, para diferenciação dos genótipos foram utilizadas observações visuais conforme os padrões morfológicos para cada grau de sangue segundo o Regulamento do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando. Paralelamente, para estimar a adaptação dos genótipos aos sistemas de produção dos Rebanhos Não Certificados (RNC) foram feitas observações visuais quanto à ausência de tetas, presença de afecções nos cascos, nível de infestação de carrapatos (baixo, médio, alto) e a condição corporal dos animais determinada pela observação visual da cobertura muscular e de gordura da garupa da vaca, através de escores corporais de 1 a 5 (1- vaca muito magra; 2- vaca magra; 3- vaca regular; 4- vaca boa; 5-vaca gorda). Os seis sistemas de produção dos Rebanhos Não Certificados (RNC) foram enquadrados de acordo com o nível tecnológico do manejo: baixo e médio, sendo os grupos compostos por quatro e dois rebanhos, respectivamente. Os critérios usados para o enquadramento foram: nível tecnológico alto (sistemas de produção

...devido à escassez desses animais no Estado do Amazonas, o produtor procura buscá-los em outras regiões, principalmente, em fazendas multiplicadoras no Estado de Minas Gerais...

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que possuam ordenhadeira mecânica do tipo leite canalizado), altos investimentos em máquinas e implementos agrícolas, e instalações sofisticadas. No nível tecnológico médio, são sistemas de produção que possuam ordenhadeira mecânica do tipo balde ao pé e com médio investimento em máquinas, implementos agrícolas e instalações. No nível tecnológico baixo, são sistemas de produção que não possuam máquinas, implementos agrícolas e ordenhadeira mecânica e com pequeno investimento em instalações. Para avaliação fenotípica do genótipo F1 foram contempladas, na coleta de dados, variáveis referentes às seguintes características fenotípicas: Aparência Geral (AG); Capacidade Corporal (CC); Características Leiteiras (CL); Aparelho Reprodutor e Aprumos (AR/A) para o enquadramento no padrão da Categoria de Cruzamentos sob Controle de Genealogia (CCG), com exigência mínima de 65 pontos, em que foi utilizada uma tabela de pontos para classificação de tipo da raça Girolando. Resultados Foram analisados 698 relatórios de genealogia dos Rebanhos Certificados (RC) para a verificação da distribuição da frequência dos graus de sangue de acordo com os seguintes grupos genéticos: 41 (5,86%) do grupo genético 1/4; 126 (18,05%) do grupo genético 3/8; 190 (27,23%) do grupo genético 1/2; 31 (4,44%) do grupo genético 5/8; 235 (33,67%) do grupo genético 3/4, e 75 (10,75%) do grupo genético 7/8. Do total de 238 genótipos identificados nos Rebanhos Não Certificados (RNC) verificou-se a distribuição da frequência de acordo com os seguintes grupos genéticos: 20 (8,40%) foram identificados do grupo genético 1/4; 14 (5,88%) do grupo

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genético 3/8; 111 (46,64%) do grupo genético 1/2; 32 (13,45%) do grupo genético 5/8; 57 (23,95%) do grupo genético 3/4 e 04 (1,68%) do grupo genético 7/8. Esses resultados da frequência dos genótipos dos Rebanhos Certificados (RC) e dos Rebanhos Não Certificados (RNC) estão em consonância com Lemos et al. (1992), quando afirmam que existe uma multiplicidade de graus de sangue dificultando a adequação do manejo e a nutrição dos rebanhos. Nos Rebanhos Certificados (RC) foi observada maior ocorrência dos genótipos 3/4 e 7/8, com 235 (33,67%); e 75 (10,75%), respectivamente, em relação aos Rebanhos Não Certificados (RNC), em que se observou uma frequência de 57 (23,95%) do grupo genético 3/4; e 04 (1,68%) do grupo genético 7/8. Em síntese, são grupos genéticos com maiores dificuldades de adaptação ao clima tropical e condições adversas presentes nos sistemas de produção tradicionais. É possível que a maior ocorrência desses genótipos, 3/4 e 7/8, se justifique pelo fato de os sistemas de produção dos Rebanhos Certificados (RC) manterem modelos produtivistas, proporcionando uma zona de conforto e, consequentemente, melhorando o bem estar dos genótipos com maior percentual de sangue da raça holandesa, proporcionando maior resposta na produção. Matos (2000) afirma que sistemas de produção que criam artificialmente uma zona de conforto para animais não adaptados ao ambiente tropical são relativamente comuns no Brasil. No entanto, esta prática é questionável sob a ótica econômica, pois parece mais razoável produzir leite a partir de genótipos mais adaptados ao ambiente tropical, do que mudar o ambiente para tentar preservar os animais de maior potencial produtivo, mas não adaptados. Nos Rebanhos Não Certificados (RNC) foi observado um percentual maior, 46,64%, do grupo genético 1/2, em relação ao percentual de 27,23% nos Rebanhos Certificados (RC). Este percentual maior do grupo genético 1/2 consiste na melhor adaptação deste genótipo ao ambiente tropical e aos sistemas de produção enquadrados nos níveis tecnológicos baixo e médio, sistemas considerados tradicionais na pecuária leiteira. Não foram feitas observações para estimar a


adaptação dos genótipos aos sistemas de produção dos Rebanhos Certificados (RC), pelo fato de estes rebanhos manterem sistemas produtivistas que poderiam distorcer os resultados, não refletindo a realidade dos sistemas tradicionais. Conclusões Com base nos resultados deste estudo, podese concluir que: • Foram identificados os genótipos 1,4, 3/8, 1/2, 5/8, 3/4 e 7/8 da raça Girolando nos Rebanhos Não Certificados (RNC); • A diversidade de genótipos dificulta adequar práticas sanitárias e nutricionais nos sistemas de produção tradicionais; • Nos Rebanhos Certificados (RC) verificou-se uma frequência maior dos genótipos 3/4 e 7/8 em relação aos Rebanhos Não Certificados; • Nos Rebanhos Não Certificados (RNC) o grupo genético 1/2 foi o mais freqüente; • Os genótipos F1 dos Rebanhos Certificados (RC) foram melhores caracterizados quanto à sua conformação racial, produtiva e funcional

em relação aos genótipos F1 dos Rebanhos Não Certificados (RNC); • Em sua maioria, as fêmeas F1 dos Rebanhos Certificados (RC) foram melhores classificadas no tipo da raça Girolando. A comprovação da diversidade de genótipos da raça Girolando nos Rebanhos Controlados e Não Controlados demonstra a falta de direcionamento de genótipo mais adaptado ao clima tropical e ao tipo de manejo implantado no sistema de produção, devendo este ser compatível com o nível de exigência dos animais, para que, assim, possa expressar todo o potencial genético, reduzindo os custos de produção e melhorando a produtividade do rebanho. Os resultados da caracterização do fenótipo no genótipo F1 dos rebanhos estudados permitiram reafirmar a importância do uso das avaliações visuais fenotípicas como um instrumento a mais para auxiliar nas tomadas de decisão nos processos de obtenção, seleção e cruzamentos, pois possibilitam estimar a eficiência biológica e econômica da fêmea F1.

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Marta Fonseca Martins

Pesquisadora – Embrapa Gado de Leite – Juiz de Fora – MG

Ítala Iara Medeiros de Araújo

Mestranda em Zootecnia – Universidade Federal Rural de Pernambuco – Recife – PE

Isabela Fonseca

Doutoranda em Genética e Melhoramento – Universidade Federal de Viçosa –Viçosa – MG

Wagner Antônio Arbex

Analista – Embrapa Gado de Leite – Juiz de Fora – MG

Marcos Vinícius Gualberto Barbosa da Silva

Pesquisador – Embrapa Gado de Leite – Juiz de Fora – MG

Marcadores moleculares:

uma ferramenta para a melhoria da qualidade do leite

A

seus derivados. A tendência de pagamento do leite praticado pelas indústrias brasileiras será, no futuro, remunerar pelos seus constituintes, o que dará ânimo aos produtores para que ofereçam aos laticínios um produto de qualidade e que não ofereça risco ao consumidor. Sendo assim, os produtores devem, a cada dia, se preocupar mais em como melhorar a qualidade do seu produto, dos pontos de vista nutricional e microbiológico. Duas alternativas válidas para se aumentar os elementos sólidos do leite, especialmente a proteína e a gordura, são: a utilização de reprodutores com valor genético alto e positivo para esses ingredientes e/ou por meio do balanceamento mais adequado da dieta fornecida aos animais. Pensando na primeira alternativa, a Embrapa Gado de Leite, em parceria com a Girolando vem, desde o ano de 1997, realizando teste de progênie da raça, que é a prova zootécnica mais segura para identificar os valores genéticos preditos dos touros. Esses resultados são divulgados nos sumários de touros, anualmente, desde 2004. A partir de 2008, foram incluídos,

Fotos: Divulgação

bovinocultura leiteira tem, cada vez mais, desempenhado relevante papel no suprimento de alimentos e na geração de emprego e renda para a população brasileira, além de se destacar com um dos principais componentes do agronegócio do país. Atualmente, a tendência mundial na criação de rebanhos comerciais se projeta para incrementar a produção e estabelecer sistemas de melhorias na composição e na qualidade do leite, visto que o destaque é sempre em relação à produção de maior qualidade nutricional para o consumidor e que tenha maior rendimento para a produção de derivados pela indústria. Tendo em vista que a competitividade no mercado de laticínios vem crescendo a cada dia, a qualidade e a quantidade dos constituintes do leite passam a ser o grande diferencial para as indústrias. Para os laticínios, os constituintes que representam maior valor econômico são, principalmente, a gordura e a proteína, pois são responsáveis pelas características físicas (estrutura, cor e sabor) e de rendimento do leite e de

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Divulgação

no sumário de touros, os resultados das genotipagens para os genes da Kappa-caseína (k-CN) e a ß-lactoglobulina (ß-LG), responsáveis pela codificação de duas importantes proteínas do leite. No meio científico existe expressivo número de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas com relação ao estudo dos genes que codificam as principais frações protéicas do leite, tais como a k-CN e a ß-LG. Os polimorfismos dessas proteínas, isto é, as diferentes formas sob as quais elas podem se apresentar, têm sido associados às diferenças na composição, no processamento e na qualidade do leite, visto que fornecem excelente compreensão do comportamento da matéria prima láctea durante o seu processamento industrial. Essa diversidade de pesquisas referentes aos marcadores genéticos das proteínas lácteas vem dando destaque para a influência desses marcadores no comportamento dos constituintes do leite de maior interesse econômico para a indústria de queijos. Para o gene da k-CN, os estudos moleculares, utilizando a raça Holandesa, Gir, Pardo Suíço e Jersey, demonstraram que suas variantes possuíam forte associação com maior rendimento para a produção de queijo. Animais com genótipo BB apresentaram maior produção de proteínas no leite quando comparados com animais com genótipos AA. O genótipo BB está associado a características de processamento superior para a produção de queijo, com menor tempo de coagulação e formação de coágulo com maior densidade, resultando, assim, em maior produção. Animais BB apresentam rendimento 12% superior de queijo muçarela e 8% de queijo tipo Cheddar em relação aos animais com o genótipo AA. Animais AB apresentam rendimento intermediário entre os genótipos BB e AA. Animais AA possuem o genótipo menos favorável para produção de queijo. Muitos trabalhos foram descritos para esse gene em várias raças, tanto zebuínas quanto taurinas, sendo demonstrado que o alelo A prevalece em zebuínos, como por exemplo, na raça Gir, e em taurinos, como na Holandesa. O contrário ocorre em animais taurinos, como os da raça Jersey. Em relação ao gene da ß-LG, já foram identificados 12 alelos, sendo os A e B os mais frequentes nos rebanhos comerciais. O alelo A é o mais favorável para produção de leite, enquanto o alelo B está relacionado à maior taxa de gordura e proteína. O leite proveniente de animais com genótipo AA é recomendado para ser comercializado in natura e o proveniente de animais com genótipo BB é mais indicado para produção de derivados lácteos, como o queijo. Em uma pesquisa, com a raça Holandesa, animais com genótipo BB apresentaram rendimentos menores para proteína e produziram 93 quilos de leite a menos que os AA. En-

quanto que em outra, com a mesma raça, demonstrou que animais BB são superiores em produção de leite e rendimento de proteína que os AA. Os resultados de associação entre alelo e produção de leite encontrados na literatura são conflitantes e parecem estar relacionados a diferenças no tamanho da população, diferença de raças e o mais importante, ao rigor da análise estatística para ajustar outros fatores como: idade da vaca, número de partos, estágio de lactação e efeitos de outras variáveis genéticas. Atualmente, há uma pesquisa em andamento na Embrapa Gado de Leite com os genes da k-CN e da ß-LG, com o objetivo de estudar a associação dos genótipos de vacas e touros Girolando, participantes do programa de Teste de Progênie com a produção de leite, a fim de se conhecer quais genótipos seriam superiores para essa característica, já que os estudos apresentados na literatura são referentes a outras raças bovinas, principalmente raças taurinas como a Holandesa. Sendo assim, as técnicas de genética molecular, aliadas aos procedimentos tradicionais de melhoramento, poderão proporcionar maior ganho genético para características de importância econômica, pois é possível obter indicações do potencial do animal antes mesmo que este expresse o seu fenótipo. De acordo com indicações da literatura, os genes da k-CN e da ß-LG possuem alelos e genótipos correlacionados favoravelmente para maiores volumes de produção de leite, bem como conteúdos de proteína, e vê-se nestes genes potenciais marcadores para o estudo da diversidade genética em bovinos e, assim, usá-los como genes candidatos para seleção de fenótipos e de genótipos superiores. Diante de tais informações, o produtor tem em mãos a ferramenta que possibilita a identificação dos indivíduos geneticamente superiores para as características desejáveis em seu rebanho, visando à melhoria da qualidade e produtividade dos constituintes do leite que seus animais produzem.

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Foto: Jadir Bison

Najara Alves Médica veterinária, pós-graduanda em Reprodução de Bovinos Leiteiros, equipe ReHAgro

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Reprodução de bovinos leiteiros:

Desafios e Soluções 38

cada ano a produção de leite no país aumenta, sendo de 5,6% o crescimento da produção nacional entre 2010 e 2011. Dentre os fatores relacionados a esse aumento o desempenho reprodutivo é fundamental, uma vez que a produção de leite começa a partir do parto. A fertilidade das vacas leiteiras em todo o mundo sempre foi um problema, caindo gradativamente há décadas, principalmente porque durante muitos anos a seleção genética esteve ligada à produção do leite e seus componentes. Vacas de alta produção eram muito desejadas, pois os produtores de leite eram remunerados somente com base na quantidade de leite produzido. Essa seleção, infelizmente promoveu baixa fertilidade e se tornou uma das principais características de descarte dos animais e indesejada nas propriedades. Entretanto, há alguns anos o foco se alterou e a maior seleção está voltada para características de fertilidade e longevidade. O produtor passou a incrementar a receita com a venda de genética, e não só do leite. Mas, se a fertilidade está melhorando, a reprodução ainda é um grande problema nas propriedades? Apesar de a resposta parecer óbvia, ela não é. Em vacas de alta produção a anormalidade da função


Tabela 1. Relação do intervalo entre partos com a eficiência de produção

Fonte: FARIA (1991). Estrutura atual de produção de leite no Brasil. In: NESTLÉ. 4º Curso de Pecuária Leiteira. ESALQ. Piracicaba, 1991a. 121p., p.19-22.

ovariana, anovulação e anestro comportamental, a baixa qualidade dos gametas e do embrião pré-implantação e as disfunções do útero e placenta são os principais problemas. De modo geral, os problemas sanitários na identificação do cio vão promover atraso no retorno da atividade ovariana pós-parto, maior período de serviço e intervalo entre parto, redução no período de lactação e menor produção de bezerros por ano e, consequentemente, perda na eficiência e aumento nos custos de produção. Um bom manejo reprodutivo visa numerar, entender e contornar todas as adversidades, passando por coletar e identificar os índices zootécnicos, saber avaliar a nutrição animal no período crítico da reprodução, ter maior eficiência na detecção do cio, saber utilizar as tecnologias como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), e transferência de embrião (TE), dentre outras. A eficiência na detecção do cio é um dos fatores mais importantes que afeta a taxa de prenhez dentro

da propriedade. Com um cio perdido, o intervalo entre partos por animal aumenta no mínimo 21 dias (Tabela 1). Quando o intervalo entre partos passa de 12 para 18 meses, pode ocorrer perda de até 3,2kg de leite por dia, por animal. Em uma propriedade com 100 vacas leiteiras, a perda diária é de 320 quilos de leite, o que corresponderia a um prejuízo anual de 115.200 kg de leite, além disso, se considerarmos o preço do leite R$ 0,70 a perda por ano seria de R$ 80.640,00. No entanto, essa perda é muitas vezes invisível na maior parte das propriedades. O intervalo entre partos no ciclo do animal requer controle, dedicação, eficiência e conhecimento no manejo reprodutivo. É pensando nos desafios da reprodução e nos impactos do seu manejo para toda propriedade que o mercado cada vez mais busca profissionais diferenciados, que além de especialistas no assunto sejam capazes de enxergar e manejar toda a propriedade. Para ser um profissional requisitado e se destacar só existe um caminho: o estudo e a atualização constante.

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Adilson de Paula Almeida Aguiar

Professor da FAZU, consultor de projetos de produção de carne e leite e sócio da CONSUPEC-Consultoria e Planejamento Pecuário.

Pastagem: intensiva, extensiva ou irrigada?

Resultados comparativos entre sistemas de produção de leite em pastejos intensivos irrigados, intensivos não irrigados e extensivos

O

s dados apresentados neste artigo, do potencial de produção de forragem e da produção de leite em pasto, foram coletados a partir da adoção das técnicas de medição. As medições tiveram início em meados da década de 90, principalmente nos Estados de MG, SP e MS, de onde se estabeleceram os potenciais para as pastagens extensivas dos capins Braquiarão e Braquiária decumbens; nos Estados de MG e SP, para pastagens intensivas sem irrigação dos capins Braquiarão, Mombaça, Tanzânia e Tifton 85; e nos Estados

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de MG, GO, MS e BA, para pastagens intensivas irrigadas dos capins Braquiarão, Mombaça, Tanzânia, Tifton 85 e Xaraés (ou MG-5). As medições foram conduzidas em fazendas de pesquisas e fazendas comerciais. No caso destas últimas, procurou-se selecionar fazendas onde os proprietários aceitaram a proposta de treinamento de sua equipe para a prática da medição, da coleta e digitação dos dados em planilhas fornecidas, e a emissão dos relatórios para avaliação, tudo isso seguindo procedimentos padrões recomendados.


Foto: Jadir Bison

Os dados coletados foram agrupados para apresentação dentro do contexto de produção animal em pasto, preconizado por Hodgson (1990). Este autor ressaltou pela primeira vez a importância do conhecimento dos processos envolvidos nas três etapas de produção – crescimento, utilização e conversão da forragem. 1. Primeira Etapa – o crescimento da pastagem e a produção de forragem Nesta etapa utilizou-se como parâmetro a taxa de acúmulo de forragem, em kg de MS/ha/dia, nas quatro estações do ano, e a forragem acumulada,

TABELA 1 - Taxa de acúmulo de forragem (média) e forragem acumulada (total) medidas nas unidades monitoradas

1Estações do ano: P = primavera; V = verão; O = outono; I = inverno. Fonte: AGUIAR, 2011.

em kg de MS/ha/ano (TAB. 1). Nas pastagens extensivas a forragem acumulada variou entre 4.088kg de MS/ha/ano a 4.484,5 kg MS/ha/ano, com média de 4.337kg de MS/ha/ ano. Nas pastagens intensivas sem irrigação os valores variaram entre 14.336kg de MS/ha/ano a até 30.998kg de MS/ha/ano, com média de 28.552kg de MS/ha/ano, enquanto nas pastagens intensivas irrigadas o menor acúmulo medido foi 13.514kg MS/ ha/ano e o maior foi de 67.000kg MS/ha/ano, resultando em média de 38.132kg de MS/ha/ano. Esta média foi 8,79 vezes mais alta que o acúmulo medido nas pastagens extensivas, e 1,33 vezes mais alta que o acúmulo medido nas pastagens intensivas sem irrigação. Na pastagem extensiva o potencial de produção de forragem é limitado, na quase totalidade das regiões brasileiras, pela baixa fertilidade natural dos solos, associado à competição entre plantas forrageiras e plantas invasoras, por fatores de crescimento, tais como: luz, água, nutrientes e espaço, como também pelo ataque de pragas (cigarrinhada-pastagem, percevejo-castanho-das-raizes, etc) e

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doenças; pelos erros de manejo do TABELA 3 - Capacidade de suporte (CS) e taxa de lotação (TL), calculadas nas unidades pastejo (subpastejo e superpastejo). monitoradas Nas pastagens intensivas sem irrigação, uma vez eliminadas aquelas limitações, o potencial de produção de forragem passa a ser estabelecido pelo volume e distribuição das chuvas na região e pelas doses de adubação, principalmente pelo nível de nitrogênio (N) aplicado. 1Estações do ano: P = primavera; V = verão; O = outono; I = inverno. Uma vez sendo viável irrigar Fonte: AGUIAR, 2011. a pastagem, o potencial de produda pastagem seguida da pesagem do rebanho, com ção de forragem passa a ser limitado pela disponifrequência entre mensal e trimestral, para cálculo da bilidade dos elementos climáticos, temperatura e taxa de lotação (TL) e ajustes necessários, buscando luz; pelo potencial genético da planta forrageira e a pressão de pastejo ótima (taxa de lotação na capatambém pelo nível de adubação (kg de nutrientes/ cidade de suporte). Na Tabela 3 está o resumo dos ha/ano). dados coletados. A dinâmica de interação de todos aqueles faNas pastagens extensivas, a CS variou entre tores explica a grande amplitude de variação na pro1,07 UA/ha a 1,15 UA/ha, com média de 1,11 UA/ dução de forragens naqueles diferentes sistemas de ha, enquanto a TL variou entre 0,85 UA/ha a 1,19 exploração da pastagem. UA/ha, com média de 1,02 UA/ha. Em média, a CS TABELA 2 - Eficiência de conversão de água (mm) e nitrogênio (N) em matéria seca (MS) – metas e amplitudes calculadas nas unidades monitoradas

Fonte: AGUIAR, 2011.

foi 8,8% acima da TL, condição que pode ser classificada como pressão de pastejo ótima. Nas pastagens intensivas sem irrigação, a CS variou entre 3,1 UA/ ha a 5,9 UA/ha, com média de 4,9 UA/ha, enquanto a TL variou entre 4,2 UA/ha a 6,2 UA/ha, com média exatamente igual à CS, ou seja, 4,9

UA/ha. Ao final desta etapa calculou-se a eficiência Por fim, nas pastagens intensivas irrigadas, a de conversão de dois importantes fatores de produCS variou entre 2,9 UA/ha a 15 UA/ha, com média ção de forragem: água e N, para pastagens intenside 8,5 UA/ha, enquanto a TL variou entre 5,9 UA/ha vas sem e com irrigação (TAB. 2) a 13,5 UA/ha, com média de 8,7 UA/ha. Observa-se que a amplitude encontrada nas Nos três níveis tecnológicos monitorados, os localidades monitoradas variou de 14 a 20kg de MS/ produtores conseguiram, na média, ajustar a TL à mm de água, já considerando as TABELA 4 - Eficiência de utilização da forragem disponível e da forragem acumulada – metas perdas de água por evaporação, e amplitudes calculadas nas unidades monitoradas escorrimento superficial e percolação no solo, e entre 36kg a 70kg de MS/kg de N. Entretanto, nas pastagens extensivas, para a produção a eficiência de conversão de água foi de apenas 4,2kg de MS/mm de água, considerando as perdas. 2. Segunda Etapa – a utilização da forragem acumulada e da forragem disponível Nesta etapa, primeiro calculou-se a capacidade suporte (CS)

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Fonte: AGUIAR, 2011.


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nível. A produtividade média por animal levantada ficou em 12 l/vaca/dia, com amplitude de 8,5 l/vaca/ dia até 17,3 l/vaca/dia. Em todas as fazendas monitoradas as vacas receberam alguma suplementação concentrada. Na Tabela 6 encontram-se algumas determinações relacionadas à composição química média da forragem coletada nos sistemas monitorados, usando a técnica do pastejo simulado. Estas diferenças na composição química refletem as diferenças nas quantidades de insumos e fatores usados nos dois sistemas avaliados, principalmente os níveis de adubação, que na pastagem irrigada chegaram a ser 50% a 100% mais altos que na pastagem NÃO irrigada, além da adubação ter sido distribuída ao longo de todo o ano e não apenas na estação chuvosa. No caso da pastagem intensiva NÃO irrigada ainda há que se considerar 3. Terceira Etapa – a conversão da forragem a influência do déficit hídrico influenciando a absorconsumida em produto animal ção e a assimilação de nutrientes, TABELA 5 - Consumo de matéria seca (CMS) e conversão alimentar na atividade de produção durante o período da seca. CS, indicando que a adoção dos procedimentos recomendados permitiu a tomada de decisão na condução do manejo da pastagem, buscando as metas pré-estabelecidas. Por fim, calculou-se a eficiência da utilização da forragem acumulada e disponível, como também se estabeleceu as metas a serem alcançadas para estes parâmetros (Tabela 4). O cálculo das eficiências de utilização de forragem permitiu a conclusão de que os processos e os procedimentos na condução do manejo do pastejo ainda têm que ser aprimorados para que as metas estabelecidas sejam alcançadas, principalmente nos sistemas intensivos não irrigados e irrigados, nos quais os custos de produção da MS de forragem são significativamente mais altos que nos sistemas extensivos.

de leite – metas e amplitudes calculadas nas localidades monitoradas

4. Produtividade da terra dos sistemas monitorados

Fonte: AGUIAR, 2011.

Na Tabela 7 observa-se a produtividade média, dada em litros de leite/ha/ano. A produtividade da terra das fazendas leiteiras variou entre TABELA 7 - Produtividade (litros/ha/ano) nas unidades monitoradas

Nesta terceira e última etapa calculou-se o consumo de MS (CMS), em kg/animal/ dia, e em porcentagem de peso vivo (% do PV), e o desempenho animal, em litros de leite/vaca/dia. Com base 1Diagnóstico da Pecuária Leiteira de Minas Gerais - SEBRAE, MG, 2005 (GOMES, 2005). 2Fornecedores de uma indústria de laticínios participantes de um programa de consultoria. nestes valores foi possível cal- Fonte: AGUIAR, 2011. cular a conversão alimentar 11.395 l/ha/ano, na pastagem intensiva sem irriga(CA) (Tabela 5). ção, a até 47.000 l/ha/ano, na pastagem intensiva Nas fazendas leiteiras não se avaliou a pastairrigada. gem extensiva, já que todas as propriedades monitoradas já intensificavam suas pastagens em algum 5. Indicadores econômiTABELA 6 - Composição química da forragem (%) colhida simulando o pastejo nas unidades mo- cos dos sistemas monitorados nitoradas

Como indicador econômico selecionou-se o lucro operacional (LO), calculado conforme a fórmula seguinte: Fonte: AGUIAR, 2011.

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Lucro Operacional = Receita – (custos variáveis + despesas administrativas + custos fixos).

TABELA 8 - Lucro operacional (R$/ha/ano) em sistemas de pastagens exploradas em diferentes níveis tecnológicos de intensificação

Na Tabela 8 encontramse os resultados do lucro operacional alcançado nas atividades de produção de carne e leite em pastagens exploradas da Pecuária Leiteira de Minas Gerais - SEBRAE, MG, 2005 (GOMES, 2006). nos níveis tecnológicos abor- 1Diagnóstico 2Fornecedores de uma indústria de laticínios participantes de um programa de consultoria. Fonte: AGUIAR, 2011. dados neste capítulo. A base para calcular a receita foi o ano 2010, em que o valor médio do litro de leite foi R$ 0,70. A associação de maiores prooperacional por área de forma impactante, posiciodutividades de forragem (kg MS/ha/ano) com maior nando a atividade da pecuária leiteira mais competidesempenho animal, refletiram no indicador lucro tiva com outras alternativas de uso da terra. REFERÊNCIAS AGUIAR, A. P. A. Manual do manejador da pastagem: um guia para o monitoramento da produção de forragem e da produção animal em sistemas de pastejo. Uberaba: CONSUPEC, 2011. 90 p. GOMES, S. T. Diagnóstico da pecuária leiteira em Minas Gerais e no Brasil. Revista Balde Branco, São Paulo, n. 500, p. 43-58, jun. 2006. HODGSON, J. Grazing Management: science into practice. New York: LONGMAN, 1990. 203 p.

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Felipe Leite de Andrade Zootecnista UFV

Marcos Inácio Marcondes

Prof. Efetivo de Bov. de Leite da UFV

Tadeu Éder da Silva

Produção de leite a pasto: potencialidades e limitações

A

pecuária leiteira nacional baseia-se na produção de leite a pasto, porém grande parte dos 220 milhões de hectares de pastagens encontra-se em algum estágio de degradação. O manejo adequado de pastagensa visa manter uma oferta mais equilibrada de forragem, em quantidade e qualidade, ao longo do ano, a fim de torná-las produtivas e sustentáveis e, assim, permitir ocupação e produção animal satisfatórias, de modo a atender a demanda populacional de leite e reduzir efeitos de sazonalidade de oferta do produto. A produção sustentável é fundamental para que a atividade leiteira seja cada vez mais competitiva e promissora. Buscando-se integrar à filosofia e práticas sustentáveis, têm-se na produção de leite a pasto atributos para reduzir a produção de resíduos orgânicos com potencial de poluição ambiental; melhorar condições de bem estar animal; aumentar a produtividade (quilo de leite/ha) quando o sistema apresentar equilíbrio; produzir leite orgânico; e obter produto de qualidade e com atributos específicos (como maior teor de ácido linoléico conjugado – CLA). Além do CLA, o

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Jadir Bison

Estudante de Zootecnia UFV

leite produzido a pasto é mais rico em vitamina E do que o leite de vacas alimentadas com grãos e possui, também, teores mais elevados de Beta-Caroteno (pró vitamina A) e Ômega-3. O equilíbrio entre utilização e conservação do solo torna-se fundamental dentro desse sistema de produção, onde objetiva-se maximizar o uso de forrageiras tropicais, seja como fonte exclusiva de alimento; base da alimentação dos animais ou, ainda, como fonte exclusiva de volumoso. A utilização de pastos de boa qualidade tende a ser favorável economicamente, não só pela economia de concentrado, mas também pela redução da mão de obra, ao evitar etapas de corte, transporte e fornecimento de alimento volumoso, já que o processo de colheita é realizado pelos animais. O sistema de pastejo a ser adotado pode variar desde o contínuo até as diferentes aplicações do pastejo rotacionado. Entretanto, a escolha do sistema de pastejo a ser adotado deve estar de acordo com a capacidade de controle da qualidade e quantidade da pastagem, estando diretamente relacionado à disponi-


Limitações nutricionais e potencial produtivo Indiscutivelmente, maximizar o consumo de forragem é o grande desafio que se apresenta em sistemas de produção em pastagens tropicais. O consumo de forragem é determinado por vários fatores, como: capacidade de ingestão pelo animal; oferta de forragem; concentração de nutrientes, taxa de degradação e de passagem ruminal, composição morfológica e estrutura do pasto pré e pós pastejo. Além desses fatores mencionados, aspectos de bem estar animal, incluindo conforto térmico, pro-

Tabela 1: Produção de leite em pastagens tropicais sem suplementação*

*Em todos os experimentos foram utilizados animais mestiços H:Z Fonte: Adaptado de Teixeira e Oliveira (2009)

blemas de casco, competição entre animais, distância percorrida pelo animal, afetam o consumo de forragem. Todavia, o desempenho individual de vacas alimentadas com forrageiras de clima tropical sem o Jadir Bison

bilidade de mão de obra, número de animais, área disponível e fatores utilizados para suportar maior taxa de lotação (U.A./ha), como a suplementação volumosa ou concentrada. O melhor sistema de pastejo é, portanto, aquele que se adéqua ao potencial produtivo da propriedade rural e às condições de investimento do produtor. Gomide (1998) verificou que o nível de oferta que permite maximizar a produção por vacas está entre 5 a 7,5 kg de matéria seca (MS) por 100 kg de peso animal sob pastejo rotacionado e entre 1.500 e 2.500 kg de MS/ha sob pastejo contínuo.

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Divulgação

tropicais não é o teor de energia ou proteína dessas incremento de suplemento fica aquém dos valores plantas (Santos et al., 2005). A limitação na capacidaapresentados em condições de pastagens de clima temperado (Tabela 1). Alguns fatores de manejo, como: adu- Tabela 3: Resposta produtiva (kg de leite por kg de concentrado) da suplementação concentrada em pastagens de gramíneas tropicais em diferentes trabalhos bação, frequência de pastejo e resíduo pós pastejo, quando inadequadamente conduzidos, contribuem de forma decisiva para baixo valor nutritivo da forragem tropical e podem, em parte, explicar o conceito generalizado de que a planta tropical é de baixa Adaptado de Teixeira e Oliveira (2009) PL = Produção de leite qualidade. de de ingestão de MS de forragem parece ser o fator Porém, em função do elevado rendimento forpreponderante. Os altos conteúdos de fibra, especialrageiro, o potencial de produção de leite por área, das mente a sua fração indigestível, e os baixos valores de gramíneas tropicais, é muito superior ao potencial de gramíneas temperadas (Tabela 2), constituindo em proteína e digestibilidade das gramíneas tropicais limiuma vantagem a produção de leite em sistemas a pastam o consumo voluntário dos bovinos em pastejo, to no Brasil. aumentam a defasagem nutricional e comprometem o nível de resposta animal (Paulino et al., 2008). O fator determinante que limita a produção de O aumento da oferta de forragem de qualidade leite de vacas mantidas exclusivamente em pastagens propicia aumento no consumo pelos animais e eviTabela 2: Potencial de rendimento forrageiro, produção de leite dencia uma característica muito importante, que é a por vaca e produção de leite por área, em pastagens de gramíneas temperadas e tropicais capacidade do animal selecionar um material de melhor qualidade em relação à média da pastagem, fato que determina grandemente sua efetividade na promoção de desempenho animal.

1- Considerando 50% de utilização da pastagem Fonte: Adaptado de Teixeira e Oliveira (2009)

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Suplementação Volumoso Dentre as maiores limitações para exploração


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de bovinos leiteiros nos trópicos, aponta-se a estacionalidade de produção das forrageiras. As principais opções de suplementação volumosa para a seca, para vacas em lactação, são: a cana-de-açúcar, silagem de milho, capineira e silagem de sorgo. A escolha do volumoso a ser utilizado deve ser de acordo sua disponibilidade, características agronômicas da propriedade e produção leiteira esperada. Concentrado A resposta à suplementação concentrada por vacas leiteiras depende do potencial de produção dos animais (mérito genético); estágio de lactação; resposta produtiva do suplemento (dependente da qualidade e natureza do suplemento), expresso em quilo de leite produzido por quilo de suplemento consumido; relação de troca entre o preço do leite e o preço do suplemento e da qualidade da forragem consumida. Em grande parte dos sistemas brasileiros de produção de leite a pasto não é adotada a prática de suplementação concentrada como rotina, sendo esta utilizada em períodos de melhor preço pago pelo litro de leite ou baixo custo do concentrado. A utilização de suplementação concentrada para vacas lactantes a pasto tem por objetivo principal suprir a demanda de nutrientes do animal para atingir um determinado nível de produção, o qual não é possível de se alcançar com o consumo exclusivo de pasto (Santos, 2001). Além disso, possibilita reduzir o intervalo de partos, aumentar a taxa de lotação das pastagens, prolongar o período de lactação e incrementar a produção de proteína no leite (Bargo et al., 2003). Ajustes nas dietas do rebanho ao longo do ano auxiliam na determinação da eficiência do processo produtivo ao fornecer suplementos adequados, juntamente com o manejo para quantidade e qualidade de pastagens e eficiente controle sanitário. Ao se incluir concentrado nas dietas é de se esperar a interação entre os alimentos, ou seja, efeitos associativos. Em sistemas que visam a otimização do uso de pasto, o ideal seria que os animais consumissem concentrado e mantivessem o consumo de forragem ou ainda aumentassem o consumo de forragem estimulado pelo consumo de concentrado, sendo estes os efeitos associativos de adição e adição com estímulo, respectivamente. Porém, devido a questões de manejo e suplementação inadequada, ocorre com frequência o efeito associativo substitutivo. O efeito substitutivo é aquele em que há subs-

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tituição de parte do consumo de pasto pelo consumo de suplemento (Tabela 4). Este efeito é influenciado pela oferta de pasto, nível de suplementação, frequência de suplementação e, ainda, pelo tipo de suplemento, estágio de lactação, potencial genético, período de fornecimento do suplemento e da qualidade do pasto. Tabela 4: Taxa de substituição de forragem por suplementação concentrada

* Taxa de substituição de kg de MS de forragem por kg de MS de concentrado 1 Suplemento fornecido uma vez ao dia; 2 suplemento fornecido duas vezes ao dia; 3 forragem de alto valor nutritivo; 4 forragem de baixo valor nutritivo; 5 dados compilados.

Quanto maior a taxa de substituição, menor a resposta produtiva. A taxa de substituição é maior em condições de maior oferta e qualidade da forragem (Bargo et al, 2003). Apesar de altas taxas de substituição reduzirem a resposta em produção extra de leite por quilo de suplemento fornecido, a produção de leite por área pode ser aumentada de forma expressiva em função do aumento na taxa de lotação dos pastos (Santos et al., 2011). Efeitos da suplementação na produção e composição do leite A composição do leite é um importante parâmetro a ser avaliado e sofre influência do sistema de produção no qual os animais estão inseridos. Basicamente tratando do teor proteína e gordura, a composição do leite assume importância tanto como índice de qualidade nutricional quanto econômico, uma vez que o pagamento por sólidos vem recentemente sendo adotado por indústrias do setor lácteo. Mesmo as forragens sendo alimentos favoráveis para manter teores elevados de gordura no leite, não é raro encontrar baixos teores de gordura no leite de vacas mantidas em pastagens tropicais. A queda no teor de gordura, provavelmente ocasionada pela insuficiente ingestão de energia, pode ser contornada se a suplementação for empregada corretamente. Suplementação adequada refere-se à boa qualidade de ingredientes que compõem o suplemento, frequência de suplementação, atendimento às exigências nutricio-


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nais dos animais e uso estratégico de alguns alimentos. A estratégia do uso de suplementos concentrados para vacas leiteiras criadas a pasto tem promovido incremento na produção e aumento nos teores de proteína do leite. Por outro lado, dependendo do nível de consumo e natureza do suplemento (com alto teor de amido) e alteração nos padrões fermentativos em nível ruminal, pode ser verificada redução no teor de gordura do leite. Como é sabido, milho e soja são os principais ingredientes que compõem os concentrados utilizados no Brasil. A substituição do milho por ingredientes energéticos alternativos pode ocorrer devido à tentativa de redução do custo da dieta e manipulação do teor de sólidos do leite (destaca-se a gordura) e redução do teor de amido da dieta. Esta última geralmente é observada em condições de alta ingestão de concentrado pelos animais. Para vacas no terço médio de lactação, mantidas em pastagens tropicais, a substituição em até 75% do milho, por polpa cítrica, farelo de trigo ou casca de soja, não afetou a produção e composição do leite (Santos et al., 2011). A inclusão de elevado nível de caroço de algodão (acima de 14% na MS total da dieta) prejudicou o desempenho das vacas. Em trabalhos com gramíneas tropicais e gramíneas de clima temperado, têm sido observadas maiores respostas em produção de leite quando a suplementação energética é feita via fontes ricas em carboidratos não fibrosos (CNF) – cereais – comparadas com fontes ricas em gordura, como o caroço de algodão (Ehrlich et al., 1993). Entretanto, a combinação de fontes ricas em CNF com fontes ricas em gordura, tem mostrado resultados superiores ao fornecimento exclusivo de fontes ricas em CNF, principalmente em

termos de produção de leite corrigido para gordura (King et al., 1990). Adequação do tipo de animal e efeito de ambiente Em sistemas de produção em pastagens tropicais o aumento do volume de produção se dá principalmente pelo aumento da produtividade (quilo de leite/ha). Vacas de menor porte são mais adaptadas a condições impostas pelo sistema a pasto e têm melhor capacidade de manter uma condição corporal adequada. A menor exigência de mantença desses animais e consequente menor consumo de pasto para atender as atividades básicas permitem maior taxa de lotação e maior produção de leite por área. Mesmo animais cruzados, os quais são considerados mais tolerantes às condições ambientais tropicais, estão sujeitos à redução na eficiência produtiva e reprodutiva devido ao estresse por calor. Áreas de descanso cobertas artificialmente ou sob árvores ajudam a evitar o estresse por calor, reduzem riscos de reabsorção embrionária e abortos e consequente melhora da taxa de concepção. Considerações finais O sucesso na atividade leiteira com animais criados a pasto independe do método de pastejo. O sistema de produção de leite a pasto nos trópicos permite alcançar de 8 a 13 quilos de leite/vaca/dia e ainda obter maior produtividade (quilo de leite/ha) devido a maior taxa de lotação. Para níveis de produção acima destes, estratégias de suplementação concentrada ou ainda volumosa, em época crítica de oferta de forragem no pasto, são fundamentais.

Bibliografia BARGO, F. et al. Invited Review: Production and digestion of supplemented dairy cows on pasture. Journal of Dairy Science, v. 86, p. 1-42, 2003. EHRLICH, W.K. et al. Use of whole cotton seed as dietary supplement for grazing dairy cows. Australian Journal of Experimental Agriculture, v. 33, p. 283-286, 1993. GOMIDE, J.A. Fatores da produção de leite a pasto. In: CONGRESSO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE ZOOTECNIA – CONEZ-98, 1998, Viçosa, MG. Anais... Viçosa: UFV, 1998, p. 1-32. KING, K.R. et al. Influence of high energy supplements containing fatty acids on the productivity of pasture-fed dairy cows. Australian Journal of Experimental Agriculture, v. 30, p. 11-16, 1990. PAULINO, M.F.; DETMANN, E.; VALENTE, E.E.L.; BARROS, L.V. Nutrição de bovinos em pastejo. Anais do IV SIMFOR. Viçosa, 2008, p. 131-169. SANTOS, F.A.P. Manejo dos sistemas de produção de leite a pasto. In: Sustentabilidade de sistemas de produção de leite a pasto e em confinamento. Juiz de Fora: EMBRAPA Gado de Leite, 2001. Trabalhos apresentados ao 3º Minas Leite, Juiz de Fora, 2001, p. 07. SANTOS, F.A.P.; DANÉS, M.A.C.; MACEDO, F.L.; CHAGAS, L.J. Manejo alimentar de vacas em lactação em pasto. In: Simpósio sobre nutrição de bovinos, 9, 2011, Piracicaba, SP. Anais... Piracicaba:FEAL, 2011, p. 119-158. SANTOS, F.A.P.; PEDROSO, A.M.; MARTINEZ, J.C.; PENATTI, M.A. Utilização da suplementação com concentrados para vacas em lactação mantidas em pastagens tropicais. In: Simpósio sobre bovinocultura leiteira, 5. Piracicaba. Anais... Piracicaba: FEALQ, 2005. p. 219-294. TEIXEIRA, R.M.A.; OLIVEIRA, A.S. Manejo de vacas leiteiras em pastejo. In: Manejo e administração na bovinocultura leiteira. Suprema Gráfica e Editora, Viçosa – MG, 2009.

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Juscelino Alves Ferreira

Rúbio Marra

Zootecnista – Técnico da Girolando

Suplementação

melhora índices reprodutivos

C

om o melhoramento genético da raça Girolando houve um aumento na produção de leite e, com isso, os animais se tornaram de alta exigência nutricional, dentro das condições de manejo e sistema de produção de cada fazenda, pelo fato de produzirem grandes quantidades de leite, além da necessidade de manutenção corporal,

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crescimento e reprodução. (Fazu) e consultor técnico A principal condição ...experimentos em fazendas da Agrogado, experimentos para uma vaca Girolando em fazendas no Triânguno Triângulo Mineiro manter-se produtiva é dar lo Mineiro mostraram que mostraram que o uso de um o uso de um suplemento uma cria todo ano, pois a lactação se inicia sempre após suplemento dessa natureza dessa natureza (energético o parto. Qualquer deficiência leite), aumentou em 3kg de (energético leite), aumentou nutricional implica em falhas leite/vaca/dia, além de meem 3kg de leite/vaca/dia... no processo reprodutivo, o lhorar índices reprodutivos. que reduz a produtividade Nestes experimentos foram do rebanho, a ponto de inutilizadas rações com 24% viabilizar a atividade da exPB, 80% NDT, com compoploração leiteira. Em uma avaliação geral, podemos nentes, leveduras e probióticos, para vacas de alta dizer que rebanhos com índices de parições abaixo produção (acima de 20kg leite/dia). Quanto maior a de 70% ao ano, são totalmente ineficientes e antieprodução de leite da vaca, maior deverá ser a conconômicos. centração de proteínas e energia na ração. A evolução genética da raça Girolando trouxe O professor Gilmar ressalta, ainda, a imporconsigo um aumento das exigências nutricionais e tância de o produtor estar sempre atento com relaproporcional ao nível de produção, o que torna sua ção à quantidade que as vacas consomem (quilo de alimentação dependente de suplementos capazes ração) e não à porcentagem de PB e NDT, ou seja, de suprir as deficiências das pastagens e outros alinão adianta usar uma ração com alta de PB e NDT, mentos volumosos. em quantidades insuficientes. A importância das pastagens na produção A pastagem constitui a principal fonte de alimentos das vacas leiteiras, mas nem sempre seu manejo é feito de forma adequada, devido a falta de conhecimento de suas condições fisiológicas, de crescimento e composição nutricional. Manejar adequadamente uma pastagem significa produzir alimentos em grandes quantidades, além de procurar o máximo do valor nutritivo. Maior produção de massa das pastagens significa maior número de animais por área. Durante o período chuvoso, as pastagens chegam a apresentar níveis satisfatórios de proteína, energia e vitaminas, enquanto os minerais estão deficientes, impedindo o produtor de obter índices máximos de produtividade. Suplementação do rebanho leiteiro No período de chuvas, torna-se importante a suplementação mineral, com uma mistura contendo 90g a 100g de fósforo por quilo de produto. Quando se deseja melhorar os resultados é recomendada a suplementação mineral proteica energética. De acordo com o professor Gilmar Ferreira Prado, das Faculdades Associadas de Uberaba

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Poliana de Castro Melo

Jurada Efetiva Girolando Doutora em Medicina Veterinária Preventiva policame@yahoo.com.br

Dermatofilose

Tratamento, prevenção e controle

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dermatofilose ou “estreptotricose” é uma enfermidade infectocontagiosa, de caráter zoonótico, aguda ou crônica, de distribuição mundial, que acomete diversas espécies de mamíferos, principalmente bovinos, equinos e ovinos, além de caprinos e suínos, causada por Dermatophilus congolensis (D. congolensis), bactéria Grampositiva, filamentosa, aeróbia facultativa, do grupo dos actinomicetos (CUNHA et al, 2010).

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A doença se manifesta quando ocorre uma redução ou alteração das barreiras naturais existentes na pele. Estas alterações estão relacionadas a fatores ambientais (chuva, umidade e altas temperaturas) que influenciam o desenvolvimento, prevalência, incidência sazonal e transmissão da dermatofilose. Fatores estressantes, como: desmama, carência alimentar ou traumatismos por manejo inadequado, associados com períodos chuvosos e quentes, podem desencadear a doença, por quebrarem a integridade da pele. A forma de surtos ocorre principalmente na época chuvosa e geralmente está associada a pastagens de Brachiaria decumbens ou Brachiaria brizantha, as quais, através de suas folhas ásperas, provocam microlesões na pele dos animais. Acomete bovinos de todas as idades, mas os mais jovens são mais propensos. Os reservatórios são os próprios animais enfermos e a transmissão pode ocorrer por contatos direto, indireto e através de vetores mecânicos e biológicos. Apresenta distribuição mundial, sendo mais frequentemente observada em áreas tropicais e subtropicais, particularmente após períodos intensos de chuva, quando pode atingir proporções epizoóticas, resultando em perdas econômicas consideráveis. A sua ocorrência em climas secos é descrita como esporádica ou rara. No Rio Grande do Sul observa-se a enfermidade com frequência em bovinos, equinos e ovinos, durante os meses de inverno e primavera, quando há maior precipitação pluviométrica.

pequena, muitas vezes só detectável por palpação. A ocorrência de exsudação serosa envolvendo grupos de pelos causa a aglomeração dos mesmos em tufos eretos, que evoluem para crostas elevadas, arredondadas, espessas, de aparência circunscrita e bem delimitadas, cinzento-acastanhadas ou ama-

Lesões As lesões tendem a desenvolver-se após o comprometimento da integridade da epiderme, causada por traumatismo, maceração da pele, ectoparasitas, inflamação ou infecção, o que determina o desequilíbrio das barreiras superficiais de defesa, permitindo a invasão do tegumento por Dermatophilus congolensis. Os reservatórios são os próprios animais enfermos e a transmissão pode ocorrer por contatos direto e indireto e através de vetores mecânicos e biológicos. Em áreas endêmicas, mais de 50% dos bovinos aparentemente saudáveis podem ser portadores da bactéria. As lesões clínicas iniciam comumente no lombo, estendendo-se da cernelha à região posterior do animal. Inicialmente a lesão consiste numa pápula

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Diferenciando as dermatofitoses As dermatofitoses, conhecidas como “tinhas”, são micoses cutâneas causadas por um grupo de fungos taxonomicamente relacionados, chamados dermatófitos. Deste grupo, dois gêneros, Microsporum e Trichophyton, determinam doença em animais domésticos. São fungos filamentosos e queratinofílicos, o que limita a infecção ao estrato córneo da pele e anexos. Infectam várias espécies animais, inclusive o homem. Nos bovinos, o dermatófito mais importante e de maior ocorrência é o Trichophyton verrucosum. Também são enfermidades de distribuição mundial, sendo frequentes em regiões de clima tropical e temperado, particularmente em áreas quentes e úmidas, embora os surtos em bovinos,

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na sua maioria, sejam observados nos meses de outono e inverno. Nestas estações, há o aumento do crescimento dos pelos dos animais, que associado às trocas metabólicas com desprendimento de calor, proporcionam um microclima de temperatura e umidade, ideal para a germinação do T. verrucosum. Embora apresente baixas taxas de mortalidade, constitui-se em grave problema pelas perdas que ocasionam à bovinocultura, devido aos custos de tratamento e, em casos de doença generalizada, pela diminuição do peso corporal. Devido a fatores imunitários, os animais jovens são mais suscetíveis que os adultos e a introdução de animais portadores, associada a fatores estressantes, como alta lotação, carência alimentar, desmama e mudança de alimentação, predispõem ao surgimento da doença. T. verrucosum é transmitido aos hospedeiros suscetíveis através do contato direto com um hospedeiro contaminado ou indiretamente, por fômites ou ambiente, onde os conídeos podem manter-se viáveis por vários anos. Lesões por D. congolensis Divulgação

reladas, duras e quebradiças, que podem ser facilmente destacáveis com os dedos da mão. As lesões podem ocorrer em qualquer parte do corpo, mais particularmente na cabeça, pescoço, dorso e laterais do animal e, também, na porção posterior do úbere. Em bezerros, as lesões geralmente começam no focinho e espalham-se pela cabeça e pescoço (BLOOD & HENDERSON, 1978; BELSCHNER & MARSHALL, 1984). As lesões características são pequenas crostas que se formam na base do pelo e o envolvem, com presença de tecido granuloso, exsudato e material purulento. Sinais sistêmicos da infecção estão ausentes ou limitados a uma resposta febril nos casos moderados (RISTIC & MCINTYRE, 1981). Em estágios mais avançados a dermatite cicatriza-se e as crostas separam-se da pele, ficando presas nos pelos, sendo facilmente removidas na forma de crostas com tufos de pelos. Nos estágios finais, há perda intensa de pelos, com formação de casca acentuada e pregueamento da pele (BLOOD & HENDERSON, 1978). Alguns animais com lesões generalizadas aparentam estar embarrados, pois as crostas se assemelham a barro seco, sendo estes animais mais propensos a infecções e perda de peso (ALVAREZ, 1994). O destacamento das crostas revela uma superfície inferior côncava, deixando a descoberto a epiderme úmida e eritematosa. Como as lesões podem, muitas vezes, ser semelhantes as dermatofitoses, sempre se faz necessário realizar o diagnóstico diferencial. É necessário, também, diferenciá-la da papilomatose e das sarnas.

Figura 1. Lesões crostosas, espessas, de coloração acastanhada, localizadas na orelha e chanfro de bezerro da raça Nelore (CUNHA et al, 2010).


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Figura 2. Crostas com superfície inferior côncava, atravessadas por tufos de pelos, caracterizando aspecto de escova (CUNHA et al, 2010).

Figura 3. Coloração de Giemsa do sobrenadante das crostas maceradas, revelando estruturas filamentosas basofílicas associadas com células mesenquimais e material amorfo. Objetiva 100x (CUNHA et al, 2010). Diagnóstico O diagnóstico é realizado levando-se em consideração, em primeiro lugar, a epidemiologia

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e sinais clínicos observados. Confirma-se o diagnóstico pelo exame laboratorial. A confirmação é feita quando há a visualização da bactéria na forma filamentosa, em esfregaços corados. Portanto, no caso de suspeita desta enfermidade, torna-se importante enviar ao laboratório crostas frescas, acondicionadas em recipientes limpos. Devem ser realizadas culturas microbiológicas em Ágar Sangue e MacConkey a 37ºC em condições de aerobiose e microaerofilia (5 a 10% de CO2), durante 72 horas. Logo após, devem ser feitas colorações de Gram, que também podem ser feitas juntamente com as colorações de Giemsa, quando se tem macerado do órgão com solução salina 0,9% estéril. Podem, também, ser realizadas biópsia dos tecidos, incluídos em parafina, cortados e fixados em lâminas para coloração com HematoxilinaEosina (HE). Tratamento Como a dematofilose é uma doença bacteriana, usualmente para o tratamento individual, recomenda-se aplicações parenterais de tetraciclina na dose de 5mg/kg de peso vivo, repetidas semanalmente, ou tetraciclina de longa ação, na dose única de 20mg/kg. A melhora clínica foi observada em animais submetidos ao tratamento com oxitetraciclina, por Nunes et al. (1977), que obtiveram índice de cura de 100% em 10 bovinos tratados com administração intramuscular de cloridrato de tetraciclina (6,6 mg/kg de peso vivo) durante três dias consecutivos. Podem também ser utilizadas penicilina ou estreptomicina (5.000 UI/kg PV ou 5mg/kg Peso Vivo, respectivamente), durante cinco dias. Quando um grande número de animais é afetado podem ser recomendados banhos de imersão ou aspersão com sulfato de zinco ou de cobre, na concentração de 0,2%-0,5%. Prevenção e controle Deve-se realizar o isolamento e tra-


tamento imediato dos animais afetados, assim que forem observadas as primeiras lesões, juntamente com a desinfecção do local e dos utensílios utiliza-

dos no manejo destes animais. Manter os animais em bom estado corporal auxilia na resistência imunológica e na prevenção das doenças.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVAREZ, J. Estreptotricosis cutânea de los bovinos. Voces y Ecos, Santa Fé, v.10, n.6, p.20-22, 1994. BELSCHNER, H.G.; MARSHALL, E.F. Cattle diseases. 5.ed. Sydney : Angus & Robertson, 1984. 378p. BLOOD, D.C.; HENDERSON, J.A. Medicina veterinária. 4.ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 1978. 871p. CUNHA, P.H.J etal. 2010. DERMATOFILOSE EM BOVINOS CRIADOS EM REGIME DE CONFINAMENTO. Veterinária e Zootecnia, 17(2): 224-228. NUNES LP, SILVA PRF, MACHADO OP, LAIR J. Observações clínicas sobre quatro diferentes tratamentos da dermatofilose bovina. Pesqui Agropecu Trop. 1977; 7: 78-87. RADOSTITIS OM, GAY CC, HINCHCLIFF KW, CONSTABLE PD. Veterinary medicine: a textbook of the disease of cattle, horses, sheep, pigs and goats. 10th ed. USA: Saunders Elsevier; 2007. RISTIC, M.; McINTYRE, I. Diseases of cattle in the tropics. The Hague : Martinus Nijhoff, 1981. 662p.

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Denise Zamboni Telles

Médica Veterinária / Depto. Técnico Real H

Homeopatia Populacional

Contribuição brasileira para um mundo mais limpo e sustentável

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Foto: Rubio Marra

o final do século XVIII, o médico Samuel Hahnemann apresentou ao mundo um novo e revolucionário método de tratamento, batizado por ele de Homeopatia. Este método, inicialmente voltado apenas para seres humanos, se baseava e reportava em conhecimentos de um período anterior, muito mais antigo. Quatro séculos antes de Cristo, na Grécia, berço do conhecimento ocidental, a cultura helênica florescia com Sócrates e Platão, que tiveram a pre-

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1.“Natura Medicatrix”- “A natureza é o médico das doenças. A natureza sem instrução e Bezerra tratada com homeopatia sem saber faz aquilo que é mais conveniente”. 2.“Contraria Contraribus Curantur”- “Se conhecemos a causa da doença estaremos em condição de administrar o que é útil, tomando nos contrários a indicação dos remédios”. Em outras palavras, os contrários são os remédios dos contrários, pois os tratamentos são supressão ou suplementação: supressão do que está em excesso e suplementação do que está em falta. 3.“Similia Similibus Curantur”- “A doença é produzida pelos semelhantes e pelos semelhantes que se administra; o paciente volta da doença à saúde. A febre é suprimida por aquilo que a produz e é produzida por aquilo que a suprime. O que produz a estrangúria que não existe, cura a estrangúria que existe”. HAHNEMANN (1755-1843), alemão nascido em Meissen, teve o indiscutível mérito de redescobrir e trazer novamente à tona, a Lei dos Semelhantes, sobre a qual se baseia a Homeopatia. Em decorrência desta releitura, entende-se que determinada doença é curada pela substância capaz de reproduzir os mesmos sintomas da doença. Não se trata de um princípio criado ou forjado para justificar uma determinada forma terapêutica; trata-se de uma Lei Natural, que teve sua existência reconhecida e comprovada pelo homem desde a

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ocupação de lançar suas ideias sobre o Homem e sobre Filosofia. Naquele ambiente extraordinário, de grandes pensadores, viveu Hipócrates, hoje denominado o Pai da Medicina. Hipócrates é reconhecido por ter se preocupado em registrar (escritos) todos os conhecimentos médicos de sua época. Segundo ele, seriam três os grandes princípios ou leis de cura das doenças, a saber:

mais remota antiguidade. Como terapêutica individual no sentido curativo, a HOMEOPATIA vem sendo utilizada com grande sucesso, não só por médicos, como também por médicos veterinários e odontólogos no dia a dia do exercício profissional. Outro expoente alemão, o veterinário WILHEM LUX (1777-1849), contemporâneo de HAHNEMANN, foi o primeiro a adotar o novo tratamento em animais, tendo-o ampliado ao tratar epidemias em rebanhos (tratamento coletivo do carbúnculo e do mormo). Para tal, utilizou, além dos medicamentos de HAHNEMANN, de outra categoria de medicamentos chamados de isoterápicos, isto é, medicamentos preparados (conforme as técnicas específicas da Homeopatia) a partir de excreções, fluidos e outros produtos patológicos dos doentes. Nascia a Isopatia, legítima contribuição da Medicina Veterinária ao mundo. Estas terapêuticas vêm sendo utilizadas no mundo inteiro ao longo destes mais de 200 anos, com resultados e alta eficácia, destarte às já históricas posições contrárias. Estas oposições decorrem quase sempre do total desconhecimento. Em 1954, no Brasil e na França é publicado o primeiro estudo científico, relatando o sucesso


na Clínica Médica Veterinária com o uso da Homeopatia em animais. O trabalho “A propôs d´cas de Èczeme du Chien” – publicado pelo jovem Prof. Dr. Claudio Martins Real (1954). No final da década de 1980, estudos de campo, com o fornecimento de produtos homeopáticos para grupos de porcos e aves, não com intenção curativa, mas com intuito zootécnico, publicados no Chile (MV Flávio Briones), relataram sucessos. Entretanto, foi no Brasil, a partir da década de 80, que começou a se expandir o uso em rebanhos de produção, tendo se tornado mais uma ferramenta tecnológica para o aumento da produtividade dos rebanhos. Este foi o nascimento do método chamado de Homeopatia Populacional, batizado por seu idealizador, o Prof. Dr. Claudio Martins Real. Àquela época a região Centro-Oeste do Brasil era a fronteira pecuária. A conquista do Cerrado significou a intensificação da produção com a implantação de novas gramíneas importadas. Estas “novidades” (maior lotação e novas espécies de pastagens) logo mostraram-se também problemá-

ticas. Os rebanhos passaram a apresentar diversas patologias “novas”, como a Cara Inchada e as Mortes Súbitas. Visando evitar estes problemas, após longo período de estudo, necropsias e análises bioquímicas, iniciou-se, em 1987, a utilização de produtos homeopáticos incorporados às misturas minerais fornecidas aos rebanhos. Esta ideia, ao mesmo tempo original e simples, permitiria que, ao lamberem o suplemento mineral, pelo menos uma vez ao dia, recebessem a dose medicamentosa e a Homeopatia poderia agir. O método não invasivo e de baixo custo, revelou-se um sucesso imediato. O primeiro experimento de fôlego durou 552 dias e foi realizado na “Fazenda Oriente”, em Água Clara/MS. Um lote homogêneo de 550 vacas Nelore foi dividido em três. A lotação foi de uma UA por hectare. Cada lote passou a dispor de dois pastos limítrofes, de Brachiaria decumbens de mesma época de formação e mesma aguada. A única diferença foram os suplementos minerais utilizados.

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O Lote 1 recebeu o suplemento usual da fazenda com 43g p/kg, denominado Sal Oriente. O Lote 2 recebeu mistura mineral amplamente consumida no país, com 87g p/kg adquirido no comércio, e que se denominou de Sal do Comércio. O Lote 3 recebeu o sal mineral com produtos homeopáticos, com 43g p/kg, denominado Sal Real. Ao final do segundo período de monta, no encerramento do experimento, as vacas do Lote 3 apresentaram um ganho de carcaça de 73 quilos contra 33 quilos nos outros dois. O melhor estado corporal das vacas do Lote 3, com produtos homeopáticos, se refletiu na fertilidade do segundo ano, tendo as vacas deste lote concebido mais cedo, com diferença estatística muito significativa sobre os outros dois lotes. O lote de bezerros tratados com o Sal Real também se beneficiou com o tratamento; isso se comprovou na pesagem total dos lotes de bezerros. Assim, com um bezerro a menos que o lote do Sal do Comércio, pesou mais 1.284 quilos (+ 9,37%) em 21/12/90 e mais 3.181 kg (+12,99%) em 15/05/91, mostrando não só que os bezerros gerados, gestados e amamentados com sal aditivado com produtos homeopáticos, tiveram melhor desempenho, como também que este desempenho apresenta tendência a aumentar com o transcurso do tempo. Além das vacas do Lote 3 ganharem mais peso, produzirem a desmama mais pesada e emprenharem mais cedo, os funcionários da Fazenda Oriente perceberam que os animais do Lote 3 eram

Como terapêutica individual no sentido curativo, a HOMEOPATIA vem sendo utilizada com grande sucesso, não só por médicos, como também por médicos veterinários e odontólogos no dia a dia do exercício profissional.

mais calmos quando manejados e que havia sobra de pasto nos piquetes. Esta nova forma de utilizar a Homeopatia, tratando rebanhos inteiros, significou dentro da Doutrina Homeopática uma ruptura de paradigma. A Homeopatia, sob esta nova ótica, deixa de ser INDIVIDUAL e CURATIVA, ampliando-se para o uso POPULACIONAL e ESTIMULATÓRIO, além de também ser

CURATIVA. A Homeopatia Populacional por se utilizar de princípios medicamentosos altamente diluídos e dinamizados, não causa qualquer dano nem deixa resíduos no organismo animal. Esta condição se revelou uma solução ideal. A ausência de resíduos, na carne ou no leite, o fato de não ser invasiva (uso de injeções), que implica em movimentar e estressar os animais, e por sua praticidade de implantação, entre outras vantagens, vem lhe dando maior espaço nas propriedades rurais. A Homeopatia Populacional vem vencendo o tradicional uso de produtos convencionais, que produzem, via de regra, toxicidade, resistência microbiana e parasitária, com custos elevados. 0Seu uso está conforme as tendências do mercado nacional e internacional. Os medicamentos homeopáticos, devidamente estudados, experimentados e cadastrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), trazem benefícios aos produtores, aos peões, ao meio ambiente e aos consumidores em geral.

Bibliografia - HAHNEMANN, C.F.S. Organon da Arte de Curar. Trad. 6 ed. Organon de Hahnemann. São Paulo: Associação Paulista de Homeopatia. 1981.236 p. - REAL, C. M.- A propôs d´un Eczème du Chien - Comunicação feita ao XII Congresso do Centro Homeopático da França, em 1954,- L´Homeopathie Française (9): 559-565, 1954. - REAL, C.M.- Anais do XV PANVET - Lei dos Semelhantes. Campo Grande. 1996.

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Nós encontramos na genética Monte Alverne “fertilidade”, “longevidade”, “força leiteira”, associados a “lactações” e “qualidade fenotípica” excepcionais. A BASE GENÉTICA perfeita para atender nossos objetivos.

Fico feliz em participar do sucesso da Monte Alverne. É um criatório com evolução sustentável com DÉCADAS DE TRABALHO resultando em um Girolando moderno, de alta produção e com muita funcionalidade.

A Monte Alverne é um exemplo de “gente que faz”, uma história de várias gerações dedicadas a produção de leite e genética. “UM VERDADEIRO PRESENTE PARA A RAÇA GIROLANDO”.

JORGE LUÍS PEREIRA DE SOUZA OÁSIS DA DIVISA - MIRACEMA - RJ

SERGINHO SV ASSESSORIA

FILIPE ALVES GOMES VOLTA FRIA - RAPOSO - RJ

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Ciro Lemos B. Conte

Graduando em Agronomia Estagiário – Equipe ReHAgro

Otimizando o uso do tempo em propriedades rurais

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ocê já percebeu quantas fazendas enfrentam problemas com tarefas não finalizadas? Esta prática pode gerar grandes impactos em índices técnicos, motivação das pessoas e até mesmo nos resultados financeiros das propriedades. É neste contexto que a ferramenta de gestão “Rotina de Trabalho” surge, como boa opção para evitar a perda de foco dos colaboradores em tarefas que precisam ser realizadas no dia a dia. Esta ferramenta auxilia na otimização do uso do tempo nas propriedades rurais. O que é a “Rotina de Trabalho”? É um documento que busca formalizar a organização das atividades diárias, onde são listadas todas as atividades que o funcionário deve fazer no dia, com horário para execução e com o tempo de duração previsto para a realização da mesma. A rotina pode ser fixada em um mural de recados ou entregue para os responsáveis pelas tarefas. O mais importante é que os funcionários não deixem de usar seus documentos de rotina. Com isso, cada pessoa poderá assumir a responsabilidade no cumprimento das suas obrigações. Com a rotina em mãos, os colaboradores têm ciência de todas as atividades a serem executadas durante os dias da semana, evitando desvios de foco e perda de tempo. Além disso, fica mais fácil argumentar com cada um o porquê do não cumprimento das tarefas, uma vez que os próprios funcionários devem auxiliar na elaboração do documento. Como montá-la? É desejável escolher um cargo mais operacional, por ter suas tarefas usuais mais rotineiras. Em uma fazenda de gado leiteiro, como exemplo, é possível montar a rotina de trabalho de um ordenhador, auxiliar de ordenha, tratador, sanitarista, etc. Para montar a rotina de trabalho, deve-se especificar qual é o cargo do funcionário em questão. Em

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seguida, descrever todas as tarefas exercidas por ele na fazenda, anotando qual é a frequência e o dia de realização das mesmas. O próximo passo é adequar a distribuição das tarefas nos dias da semana, conforme sua frequência. Tarefas diárias devem ser citadas todos os dias, especificando os horários para sua execução, juntamente com o tempo que será gasto para a sua realização. Deve-se lembrar que muitas tarefas dependem de dados, relatórios, informações e materiais que outros colegas de trabalho precisam fornecer. Por isso, é interessante montar a rotina de trabalho com auxilio do funcionário em questão, para juntos estabelecerem o melhor horário de realização dos serviços, sem desencontros. Isso fará com que a energia do responsável pelo cargo fique elevada, gerando maior comprometimento com a realização das tarefas. Abaixo, segue exemplo da rotina de trabalho de um sanitarista.

A rotina mostrada acima permite ao sanitarista enxergar a organização das atividades diárias e evita desvios de foco na execução de suas tarefas. É válido lembrar que alguns imprevistos continuarão a acontecer. Assim, deve estar claro ao ocupante do cargo que a rotina não é “engessada” e que nesses momentos as urgências devem ser atendidas. No entanto, com a utilização da rotina de trabalho, quando o funcionário voltar para suas atividades rotineiras poderá enxergar com mais clareza quais tarefas foram deixadas para


Possíveis ganhos observados com a utilização da rotina de trabalho: • Ganho de eficácia: uma pessoa eficaz é aquela que faz aquilo que deve ser feito, no tempo determinado, de maneira correta. Com a melhor organização do tempo, as pessoas tendem a obter melhores resultados na execução de simples atividades. • Formalização e otimização das relações gerente-funcionário: o simples fato de ter um documento em mãos formaliza o “combinado” das tarefas entre gerente-funcionário. Partindo do pressuposto de que todas as tarefas descritas foram entendidas e validadas pelo funcionário, estas serão executadas dentro do seu tempo previsto. • Facilidade no treinamento de novos funcionários e retenção dos conhecimentos da empresa: caso seja necessário que o ocupante do cargo se ausente, as tarefas relativas a este não deixarão de ser cumpridas, uma vez que o novo ocupante terá conhecimento das mesmas, através deste documento. • Maior facilidade nas redistribuições de tarefas: com o documento em mãos fica fácil realocar as atividades de determinado cargo aos demais funcionários da fazenda. Para o bom aproveitamento desta ferramenta, lembre-se de que ela é dinâmica e necessita de revisões e adequações. Sempre que houver alterações no cargo, deve-se fazer uma revisão e adequar as ro-

Rubio Marra

Todos os serviços devem constar na Rotina de Trabalho Rubio Marra

trás e por onde deve recomeçar. Geralmente, quando designados para atuar em imprevistos, como, por exemplo, uma vaca no buraco, uma cerca arrebentada, dentre outros, os colaboradores tendem a se perder quando voltam às suas atividades corriqueiras. Vale ainda ressaltar que muitos imprevistos podem ter, na verdade, certa “previsibilidade” e, por não haver planejamento do tempo, passam a ser frequentes. Como exemplos, entre tantos outros podem-se citar a cerca do piquete arrebentado e o trator que quebrou. Muitas vezes, por não organizar o tempo, as empresas deixam de prever acontecimentos que na verdade são inerentes às suas atividades. Assim, se houvesse tempo planejado para a manutenção da cerca e mecânica preventiva do trator, provavelmente seriam caracterizados como imprevistos somente aquelas atividades que realmente não têm previsibilidade. Existem exemplos reais de funcionários que, embora inicialmente sejam resistentes às rotinas, com seu uso, pedem para incluir novas atividades, pois aprendem a utilizar a rotina de trabalho, não desviando o foco em suas atividades, otimizando o uso do tempo.

Organizar a rotina de trabalho é essencial para obter melhores resultados nos negócios

tinas às novas atividades executadas. Profissionalizar a gestão das fazendas passa por mudanças de atitudes. Muitas vezes, a somatória de pequenos detalhes gera grandes soluções para o dia a dia. Gerenciar com ferramentas adequadas pode ser decisivo para o alcance do sucesso. Deve-se sempre lembrar que esta ferramenta é um dos instrumentos que facilitam o serviço, mas não trabalha sozinha!

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epois de ano de pista cheia em 2011, a raça Girolando deve crescer ainda mais sua presença nas pistas de todo o Brasil este ano. Em 2011, a raça teve 7.266 animais julgados em 47 exposições realizadas em todo o país. Uma das novidades este ano será a 1ª Exposição de Gado Jovem da Raça Girolando, que ocorrerá na cidade de Guaratinguetá (SP), entre os dias 23 e 27 de maio. O evento faz parte da programação da ExpoGuará. A entrada de animais será nos dias 23 e 24. Já o julgamento nos dias 26 e 27 de maio. Entrarão em pista, animais dos três graus de sangue (1/2, ¾ e 5/8), até 24 meses, sendo fêmeas, machos e progênies. A organização da 1ª Exposição de Gado Jovem da Raça Girolando é do Escritório Técnico Regional da Girolan-

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Começa temporada 2012 de exposições

do em Jacareí (SP). Os vencedores das três melhores fêmeas da ExpoGuará participarão do sorteio de uma moto o km. A temporada de exposições começou em março, com a 49ª EXPASS (Exposição Agropecuária e Industrial de Passos/MG). O evento ocorreu de 20 de março a 1º de abril, no Parque de Exposição Adolpho Coelho Lemos. Nos dias 30 e 31 de março, a jurada Tatiane Tetzner conduziu os trabalhos para a escolha dos grandes campeões e campeãs da feira. Como até o fechamento desta edição da revista os resultados ainda não haviam sido publicados, a lista de grandes campões estará disponível no site da Girolando (www. girolando.com.br).


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DATA

73ª ExpoGrande - Campo Grande/MS XXXIV Exp. Feira Agrop. de Monte Alegre de Minas/MG 43ª Expo Agro de Itapetininga/SP INTERCALU – Uberlândia/MG EXPOBM – Barra Mansa/RJ 25ª Exposição Agropecuária de Pará de Minas/MG Cooprata 42ª Divinaexpo – Divinópolis/MG 32ª Exposição Agropecuária de Atibaia/SP 1ª Exposição de Gado Jovem da Raça Girolando – Guaratinguetá/SP 1ª FENALEITE – Patos de Minas/MG 42ª EXPOAGRO/ 6ª Exposição Interestadual do Gado Girolando de Franca – SP 67ª Exposição do Estado de Goiás – Goiânia/GO 30ª Exposição Agropecuária de Itajubá/MG Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos/SP SuperAgro 2012 – Belo Horizonte/MG 2º FECIAGRO – Ituiutaba/MG 38ª EXPOMORRINHOS – Morrinhos/GO XIV Exposição Interestadual Girolando – Carmo de Minas/MG 6ª Exposição Interestadual Girolando - XXVII EXFANA – Natividade/RJ 4º Julgamento da Raça Girolando - Paranaíba/MS 40ª ExpoAgro de Goianésia/GO MEGALEITE 2012 – Uberaba/MG 10ª EXPO GIROLANDO DO VALE DO PARAÍBA - 30ª FAPIJA – Jacareí/SP 39ª EXPAJA E 2ª EXPOSIÇÃO RANQUEADA DO GIROLANDO – Jataí/GO 39ª Exposição Agropecuária de São João da Boa Vista/SP 3ª EXPO LEITE - SUPERLEITE 2012 – EXPOMPEU – Pompéu/MG 54ª Expoagro Rio Verde/GO 43ª Expoagro de Governador Valadares/MG 15ª EXPOITA – Itarumã/GO 70ª EXPOCORDEIRO – Cordeiro/RJ 42ª EXPOCENTER – 6º Julgamento da Raça Girolando – Cassilândia/MT 63ª Exposição Agropecuária de Carangola/RJ

De 12 e 22 de abril De 18 a 19 de abril De 26 a 27 de abril De 05 a 09 de maio De 11 a 12 de maio De 11 a 12 de maio De 18 a 19 de maio De 25 a 26 de maio De 25 a 26 de maio De 26 a 27 de maio De 27 a 29 de maio De 25 a 26 de maio De 30 de maio a 3 de junho De 02 a 03 de junho De 31 de maio a 10 de junho De 03 a 04 de junho De 08 a 09 de junho De 08 a 09 de junho De 08 a 09 de junho 14 ou 21 de junho De 27 de junho a 04 de julho De 22 de junho a 1º de julho De 01º a 08 de julho De 12 a 13 de julho De 13 a 14 de julho De 13 a 14 de julho De 11 a 14 de julho De 13 e 23 de julho De 13 a 22 de julho De 19 a 22 de julho De 18 a 21 de julho De 25 a 28 de julho De 22 a 29 de julho Divulgação

EXPOSIÇÕES

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Jadir Bison

Palco da melhor genética leiteira

P

rincipal exposição de animais leiteiros do país, a MEGALEITE contará, em 2012, com um número maior de raças leiteiras. Pela pista da feira passarão sete raças bovinas e animais bubalinos. A novidade deste ano é a presença do Holandês, que realizará sua 3ª Exposição Interestadual. Além disso, a feira sediará as exposições nacionais de Girolando, de Gir Leiteiro e de Pardo-Suíço, além

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das mostras de Guzerá, Indubrasil, Simental e Sindi. Representantes das associações promocionais das raças reuniram-se em março, em Uberaba (MG), na sede da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, para tratar dos preparativos da feira. Ficou definido que Girolando, Gir Leiteiro, Guzerá, Pardo-Suíço e Simental terão julgamento e concurso leiteiro.


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Jadir Bison

A Associação Brasileira dos Criadores de Indubrasil informou que realizará uma mostra e um torneio leiteiro. Já a raça Sindi deve contar com uma mostra especial de animais. Quanto aos búfalos, terão torneio leiteiro. O calendário de inscrições de animais e das competições será divulgado por suas associações. No caso da raça Girolando, as inscrições terão início no final de abril e término em junho. O período será divulgado no site da entidade (www.girolando.com. br). As fêmeas inscritas para o Torneiro Leiteiro vão competir de 1º a 4 de julho. Os trabalhos de pista estão agendados para 3 a 7 de julho. Neste ano, a feira será realizada de 1º a 8 de junho, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG). O número de leilões também deve ser ampliado, principalmente os das raças Girolando e Gir Leiteiro. Até o fechamento desta edição, dezesseis leilões estavam programados, sendo quatorze das raças Girolando e Gir Leiteiro. A novidade para 2012 será a realização de leilões de Pardo-Suíço e de Ho-

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landês. Haverá, ainda, shoppings de animais. Alguns já confirmados são: Minas de Ouro, Monte Verde e Tropical Genética. Outros estão em fase de confirmação, como Copervale e Uniube. No ano passado, foram realizados 13 leilões e cinco shoppings de animais, gerando faturamento de R$8.992.225,16, com a comercialização. Criadores de todo o Brasil e de outros países são aguardados para a MEGALEITE. Os visitantes conhecerão os lançamentos e inovações da pecuária leiteira. A expectativa é de que empresas de vários segmentos exponham seus produtos e serviços para um público de mais de 50 mil pessoas. Entre as empresas que já confirmaram presença, estão: Nutron, Sersia France, Elanco, Pfizer, Semex, Intervet, CRV Lagoa, RealH, ABS Pecplan e Alta Genetics. Todas estas empresas são Parceiros Master da Girolando. A MEGALEITE terá, ainda, em sua programação fórum de debates, cursos, palestras e o Projeto Giroleite, que mostra a estudantes de várias idades como funciona a cadeia produtiva do leite.


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AQUI A QUALIDADE É TÃO GRANDE QUANTO A SATISFAÇÃO DOS COMPRADORES.

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Leandro de Carvalho Paiva Superintendente do SRGRG

COLOSTRO A coluna Colostro, desta edição da revista “O Girolando”, é totalmente dedicada às principais mudanças no regulamento do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando. NOTA FISCAL DE AQUISIÇÃO DE SÊMEN Conforme a nova versão do regulamento do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando (SRGRG), válida a partir de 1º de abril de 2012, não haverá mais necessidade de os criadores enviarem cópias de todas as notas fiscais de sêmen. O controle do estoque de sêmen será de responsabilidade do criador, devendo manter, nos arquivos da fazenda, todas as notas fiscais ou cópias legíveis, juntamente com os arquivos de anotações de campo, para eventuais consultas dos técnicos e auditores do SRGRG. Entretanto, a Girolando poderá solicitar cópias das notas fiscais a qualquer momento, para complemento de documentação, principalmente quando houver dificuldade na correta identificação de algum reprodutor que está sendo utilizado em comunicações, gerando, dessa forma, uma pendência chamada de FIS (Falta de Identificação do Sêmen). ATESTADO DE VACINAÇÃO E EXAME DE BRUCELOSE Também a partir da nova versão do regulamento, não será mais exigida apresentação do atestado de vaci-

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nação ou exame de brucelose dos animais, no ato da inspeção para controle ou registro genealógico da Girolando. Os criadores são responsáveis por zelar da sanidade de seus animais, observando todas as orientações e normas sanitárias dos órgãos de defesa animal, estaduais e federais, responsabilizando-se por manter nos arquivos da fazenda resultados dos exames, atestados e demais documentos necessários, para consultas posteriores. ENTREGA DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES A TERCEIROS Qualquer certificado de registro, certificado de controle ou outro tipo de documento, bem como informações de animais, serão fornecidos apenas aos proprietários ou seus prepostos, devidamente identificados. Somente serão fornecidas informações ou serão entregues documentos a terceiros mediante autorização formal antecipada, avaliada pelo superintendente do SRGRG. No caso de informações de reprodutores utilizados através de inseminação artificial, estas poderão ser disponibilizadas, desde que se refiram a registro ou genealogia do reprodutor, devendo o solicitante justificar sua solicitação. CONTROLE LEITEIRO PARA REGISTRO E CONTROLE DE MACHOS Para que os machos possam receber o controle de ge-


nealogia ou registro genealógico de nascimento (CGN/ RGN), as matrizes, mães destes machos, deverão preencher alguns requisitos de produção informados na nova versão do regulamento. O objetivo desta nova norma é assegurar, cada vez mais, a qualidade dos machos controlados e registrados, não somente através das informações de pedigree e provas de produção e tipo dos pais, mas, também, através das informações de controle leiteiro das mães. As regras para o controle ou registro definitivo dos machos devem obedecer aos valores mínimos de produção em controle leiteiro oficial, estabelecidos no regulamento. AUDITORIAS EM REBANHOS INSCRITOS NO PROGRAMA GIROLANDO Serão iniciadas, no segundo semestre de 2012, as auditorias nos rebanhos ativos da Girolando, conforme orientações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Serão auditados no mínimo 5% dos rebanhos ativos que receberam atendimentos no ano anterior. Durante as auditorias serão realizadas atividades como: verificação das anotações de campo, verificação das identificações dos animais, coleta de material para verificação de parentesco (DNA), consultas à documentação complementar do rebanho, além de outras atividades pertinentes ao serviço de registro genealógico. A escolha dos rebanhos a serem auditados será feita aleatoriamente e nenhum técnico poderá auditar um rebanho que preste serviços de inspeção de animais para controle ou registro genealógico ou provas zootécnicas. As auditorias serão realizadas pelo superintendente do SRGRG ou por técnico indicado por ele, devidamente credenciado e habilitado para

esta finalidade. AUDITORIAS EM ETR, TÉCNICOS E EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS Continuarão sendo realizadas as auditorias nos Escritórios Técnicos Regionais (ETR), nos técnicos do SRGRG e nas empresas prestadoras de serviços, conforme já ocorre desde 2010. Estas auditorias visam à averiguação da qualidade do serviço prestado, bem como padronizar os critérios de avaliação de animais e cumprimento do regulamento do SRGRG. Além de auditar o campo, a Seção Técnica Administrativa (STA), responsável pelo protocolo de comunicações, recebimento de documentos, arquivamento da documentação, impressão de certificados e liberação de material, também começará a ser auditada pela Superintendência do SRGRG, visando maior qualidade, maior segurança das informações e melhor padronização dos processos internos da Girolando. NOVAS REGRAS PARA ANÁLISE DE DNA (VERIFICAÇÃO DE PARENTESCO) Começarão a ser aplicadas novas regras para solicitação de verificação de parentesco dos produtos a serem inspecionados pela Girolando para efeito de controle ou registro de nascimento, independente do tipo de procedimento para reprodução, seja FIV, TE, inseminação artificial ou monta natural. Serão solicitados, a cada liberação de material para inspeção de nascimento, no mínimo 10% de coleta de material para verificação de parentesco do total de animais a serem inspecionados. Este percentual poderá au-

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mentar gradativamente, conforme consta no regulamento. Todo e qualquer animal inscrito ou a ser inscrito no SRGRG poderá ser submetido à verificação de parentesco, independente da condição e data das comunicações e assentamentos enviados para a Girolando. Quando o material for solicitado pela Girolando somente um técnico do SRGRG poderá fazer a coleta do material do produto. O material será enviado pela Girolando e as despesas pagas pelo criador. ARQUIVO PERMANENTE DE DNA DE REPRODUTORES E MATRIZES Todo reprodutor utilizado em monta natural ou submetido à coleta particular de sêmen para utilização no rebanho de seu proprietário, deverá possuir arquivo permanente de DNA, para que possa ser utilizado em eventuais casos de verificação de parentesco de seus descendentes. Esta mesma regra vale para as matrizes doadoras de embriões que são submetidas aos procedimentos de FIV ou TE, pois é obrigatória a verificação de parentesco de seus descendentes, com qualificação de pai e mãe. DNA DE PRODUTOS DE FIV E TE Como já citado em edições anteriores, todos os produtos oriundos de FIV ou TE para que sejam liberados e inspecionados para efeito de controle ou registro genealógico de nascimento (CGN/RGN), devem possuir, obrigatoriamente, resultado de DNA com verificação de parentesco, com qualificação de pai e mãe. A responsabilidade da coleta deste material é do criador, bem como o envio das amostras ao laboratório, e dos resultados ao setor responsável na Girolando. As amostras devem ser identificadas corretamente e nos laudos com os resultados devem constar as informações do produto que está sendo testado (nome e número de registro ou controle), além de outras informações complementares que são disponibilizadas pelos laboratórios. Não serão liberados para inspeção animais oriundos de FIV ou TE sem a apresentação do DNA qualificando pai e mãe. SISTEMA DE IDENTIFICAÇÃO UNIFICADO - SIU O novo sistema de identificação do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando entra em vigor a partir de abril deste ano. Todos os criadores irão receber um exemplar do novo regulamento, onde estão disponíveis as informações deste novo modelo de identificação. Os criadores passarão a receber dos técnicos, nas próximas visitas, de forma gradativa, os bottons de

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identificação particular dos animais, que deverão ser aplicados, pelos criadores, na orelha esquerda do animal, até 30 dias após o nascimento. Junto com os bottons serão enviadas instruções de aplicação do produto e instruções para solicitação de mais bottons, quando estes estiverem com estoque abaixo de 10%. ESTRUTURA E APOIO DURANTE A INSPEÇÃO DOS ANIMAIS Com o novo sistema de identificação, a inspeção dos animais será mais dinâmica, pois não haverá marcação a fogo na perna do animal, apenas na face direita (G “baldinho”). No ato da inspeção os técnicos tirarão uma fotografia do animal, seja na inspeção de nascimento ou no definitivo, do lado direito, de corpo inteiro. Para a correta identificação do animal e melhor avaliação do técnico, bem como garantir a segurança das pessoas que estão participando das atividades e prevenir acidentes com o animal, aconselhamos aos criadores que façam as adequações necessárias em seus currais ou que disponibilizem mais divisões de currais para uma melhor apartação, feita pelo técnico durante o registro. VERSÃO 2012 DO REGULAMENTO Esta nova versão já se encontra disponível no site www.girolando.com.br ou poderá ser solicitada junto à Associação. Todos os criadores ativos receberão um exemplar desta nova versão em seu endereço de correspondência. Recomendamos aos criadores que façam uso constante deste regulamento. Mais informações ou dúvidas poderão ser obtidas ou esclarecidas diretamente com os técnicos da Girolando ou entrando em contato com a Superintendência do SRGRG. ZONEAMENTO DOS ATENDIMENTOS TÉCNICOS Para dar mais agilidade aos atendimentos técnicos e auxiliar os criadores no agendamento das visitas, a Girolando implantará no segundo semestre de 2012 o zoneamento técnico nacional. Os rebanhos serão divididos em diversas microrregiões, que serão atendidas pelos técnicos mais próximos ou por técnicos designados pela Superintendência do SRGRG. Isso facilitará o agendamento das visitas e reduzirá os custos com deslocamento, alimentação e hospedagem. A princípio o zoneamento será oferecido uma vez ao ano. Os criadores também poderão optar pelo atendimento individual, agendado diretamente com o técnico, modalidade utilizada atualmente pela Girolando em todo o Brasil.


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Gestão 2011 – 2013

Dados dos Associados Associados ativos em 31/12/2010: 2.138 Novos associados no período: 553 Associados que retornaram no período: 36 Desligamento de associados*: 251 Associados ativos em 31/03/2012: 2.476 *135 desligamentos a pedido dos associados *116 desligamentos por inatividade Registros (janeiro/fevereiro – 2012) RGD RGN RF Total

8.387 2.873 260 11.520

Balanço Financeiro (janeiro/fevereiro – 2012) Receitas R$ 679.878,98 Despesas R$ 514.355,90 Resultado R$ 165.523,08 Contas de 2011 - Aprovadas Cumprindo-se o estabelecido no Estatuto Social da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, foi convocada e realizada, no dia 13 de março, Assembleia Geral Ordinária para tomar conhecimento do Relatório de Atividades e deliberar sobre as demonstrações contábeis e o balanço financeiro referente ao ano de 2011. O material passou pela análise de uma auditoria externa e também do Conselho Fiscal. Com o parecer favorável, nas duas instâncias, a Assembleia referendou a aprovação das contas, após constatar a situação equilibrada e saudável da nossa Associação. Girolando vai ao Paraná A Girolando visita as associações Paranaense e Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa, abrindo-se a possibilidade de intercâmbio e cooperação técnica entre as entidades representativas das duas raças. As tratativas prosseguirão em um novo encontro, em Uberaba, em nível de diretoria e também

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nos setores técnico e de informática. Aproveitando a estada em Curitiba, o presidente José Donato e o diretor Milton Magalhães se reuniram com o professor Newton Pohl Ribas, assessor especial do Ex-ministro Reinhold Stephanes, durante sua passagem pelo Mapa. Na oportunidade, analisando os planos futuros da Girolando, o professor Ribas, com sua competência e conhecimento, elencou uma série de possibilidades para o engrandecimento da nossa Associação. Atualização Técnica e Seminário de Jurados Entre os dias 13 e 17 de março, a Girolando mantendo o que vem sendo feito nos últimos quatro anos, promoveu dois encontros técnicos. Os objetivos passam pela modernização e aperfeiçoamento dos serviços prestados. Dentre os temas abordados durante a Atualização Técnica Nacional, para os profissionais de registro, foi dada ênfase especial no sentido de que haja interação mais intensa com o criador, visando melhor orientação e conhecimento em relação aos novos conceitos de seleção e atualização das normas de registro. Quanto ao seminário para jurados, o principal objetivo foi equalizar conceitos, harmonizar e revisar critérios utilizados na avaliação de animais em exposições oficiais, tendo em vista que a pista de julgamento é a consequência do melhoramento genético da raça. Sistema Web – Associado Mais de 900 usuários, dentre associados e veterinários (prestadores de serviços), já aderiram ao novo sistema para inserir dados de comunicação de cobrição e de nascimento diretamente ao banco de dados da Girolando. Em paralelo, a participação mais direta e a profissionalização dos Escritórios Técnicos têm proporcionado ganhos de produtividade e redução de prazos no atendimento. Estamos intensificando ações para facilitar o acesso e ampliar os serviços, com vantagens para todos. Informe-se, participe (http://webassociado. girolando.com.br).


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Associações de Holandês no Paraná Representantes da Girolando estiveram entre os dias 29 e 31 de março no Paraná para conhecer o sistema de gestão de fazendas e de tecnologia da informação de algumas entidades de classe. Na cidade de Castro, a comitiva conheceu fazendas de pequeno porte, com produção de leite até 600 litros/dia, e outras de grandes produções, com mais de 15.000 litros/dia. Na Cooperativa de Castrolanda, o grupo conheceu o Sistema WEB + Leite. Participaram da visita: o presidente José Donato Dias Filho, os vice-presidentes Maurício Silveira e Jônadan Ma, o diretor Milton Magalhões Filho, o superintendente Técnico Leandro Paiva, o gestor de Informática, Luís Fernando de Melo e o associado Adriano Camargo. Já em Curitiba foram visitadas a Associação Paranaense dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH) e a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH). Nas duas entidades, foram conhecidos os sistemas de gestão de fazendas e de controle informatizado. A comitiva da Girolando foi recebida pelo presidente da APCBRH e da ABCBRH, Hans Jan Groenwold, pelos diretores Ronald Rabbers e Lucas Rabbers, pelos técnicos Altair Antônio Valloto e Pedro G. Ribas Neto, pelo assessor especial da ABCBRH Altamir Marques e pelo conselheiro da APCBRH Newton Pohl Ribas.

Novos projetos O diretor da Girolando, Eugênio Deliberato Filho, participou, no dia 10 de março, de reunião no Escritório Técnico Regional da Associação, em Jacareí (SP), para

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definir novos projetos e ações que devem ser executados neste ano, na região. O encontro contou com a presença dos criadores e representantes da Girolando, no Estado, Adriano Ribeiro de Oliveira e Pedro Luiz Dias; do técnico da entidade, Samuel Silva Bastos; e da secretária do escritório, Márcia Geraldo. A reunião teve como objetivo agilizar o atendimento aos associados e solucionar dúvidas que possam surgir no registro dos animais, bem como oferecer oportunidades de contatos entre os criadores da região, para troca de experiências e boas práticas de manejo e criação. Os associados da região passarão, em breve, a receber informações sobre mostras, feiras e atividades do ETR. Palestras e Dias de Campo no ETR Jacareí O ETR Jacareí finalizou com a direção da Escola Agrícola de Jacareí “Cônego José Bento” a agenda de atividades extracurriculares e de treinamento para os alunos e associados da Girolando na região. Serão duas palestras e dois dias de campo, em cada semestre de 2012, na Fazenda da Escola Agrícola, sob a coordenação do professor Antônio Almeida Duarte, responsável pelo curso de agropecuária. A primeira palestra para os alunos será feita pelo diretor da Girolando Eugênio Deliberato Filho com o tema “Girolando – história, evolução e perspectivas”. Os dias de campo que acontecerão na Fazenda da Escola têm por objetivo demonstrar práticas de manejo e alimentação de gado leiteiro de modo a aproximar alunos e criadores de Girolando, em uma linguagem única e com experiências conjuntas. Outra decisão tomada com a diretoria da escola será a participação dos estudantes em eventos promovidos pela Girolando, como feiras e exposições onde a Escola poderá expor suas realizações e conhecimentos no campo da agropecuária. A primeira dessas participações ocorrerá na feira de Guaratinguetá, entre os dias 24 e 27 de maio, e terá a coordenação da diretora da Escola Agrícola, Tania Mara Moraes. Balde Cheio O presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, participou, no dia 6 de março, do 3º Encontro Nacional de Técnicos do Programa Balde Cheio. O evento, ocorrido em Rio das Ostras (RJ), teve como objetivo a difusão do programa, mostrando ações de transferência de tecnologia de pecuária leiteira para pequenos produtores rurais.


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Mauricio Farias

Mais qualidade A participação do leite industrializado vem crescendo em relação à produção total e registrou 70% em 2011, contra 66% em 2005, configurando queda do leite informal, segundo dados da Pesquisa Trimestral do Leite, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Um dos fatores que contribuiu para o aumento da produção total de leite é o profissionalismo do produtor que, mesmo convivendo com elevados custos de produção, competição de outras atividades, commodities e fatores climáticos adversos, investiu na compra de animais leiteiros”, afirmou Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil.

Sanidade Um termo de compromisso – proposto pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) – foi assinado por representantes de Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, para garantir o prosseguimento do projeto de ampliação da zona livre de febre aftosa do Brasil. O acordo foi firmado no dia 27 de março, durante reunião entre integrantes do Departamento de Saúde Animal (DSA), secretários estaduais de Agricultura e membros de agências de Defesa Agropecuária, em Brasília. Nele, os secretários estaduais de Agricultura comprometemse a executar integralmente as medidas acertadas nos

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Planos de Ação – e aquelas consideradas complementares – para correção das deficiências apontadas em auditorias do Mapa, realizadas em 2011 e no início de 2012. Luto A pecuária leiteira perdeu um importante representante. O pecuarista Vitor Sérgio de Andrade Acêdo faleceu no dia 7 de março, em Uberaba (MG). Ele tinha 62 anos e atuou como diretor da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando em várias gestões, contribuindo para o crescimento da entidade e da raça. De 1999 a 2001, ele foi 2º vice-presidente da Girolando. De 2003 a 2005, assumiu o cargo de 2º diretor financeiro e de 2005 a 2007 como 1º diretor financeiro.

Nanotecnologia A Embrapa Gado de Leite está desenvolvendo um produto veterinário para o tratamento da mastite bovina. Segundo o pesquisador Humberto de Mello Brandão, a entidade está na vanguarda em busca por produtos nanoestruturados para saúde de bovinos e esta é uma tecnologia com potencial de aceitação em todo o mundo. As pesquisas buscam novas características para os fármacos tradicionais. “Acreditamos que na próxima década, a nanotecnologia irá revolucionar os métodos terapêuticos para o tratamento da saúde dos rebanhos”, disse Brandão.


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Real H “Está na hora. Vamos fazer a diferença”. É com este slogan que a Real H – Nutrição e Saúde Animal realizou o TECNICOM 2012, maior evento direcionado à sua rede comercial. Durante três dias, mais de 50 profissionais de todo o Brasil estiveram reunidos na unidade industrial da empresa, em Campo Grande (MS), e participaram de treinamentos, conheceram as metas e o planejamento realizado pela empresa para 2012. Os treinamentos técnicos envolveram profissionais que trabalham com as duas linhas de produtos voltadas a grandes animais (Saúde e Nutrição), profissionais da Homeopet (específica para pets) e equipe de Televendas. O TECNICOM contou, ainda, com a participação do consultor e palestrante Marcelo Caetano, conhecido nacionalmente por trabalhar a motivação de equipes comerciais. Foram apresentadas, também, as parcerias da Real H, com destaque especial para o trabalho realizado com a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, que tem apresentado ótimos resultados. Na oportunidade, a empresa aproveitou para lançar o blog em parceria com a Associação, que pode ser visitado no endereço eletrônico www.realh.com.br/girolando.

de 42% em relação ao ano anterior. C.R.I. Genética Brasil O ponto alto da Convenção Anual da C.R.I. Genética Brasil, realizada em Águas de Lindóia, no interior de São Paulo, foi o lançamento da Coleção C.R.I. 2012, composta pelo Catálogo de Leite Europeu e pelo Catálogo de Leite Zebu, e a apresentação da primeira versão digital e interativa dos catálogos de 2012. “É totalmente interativa e está à disposição dos nossos clientes, no site da C.R.I., com fotos, filmes e comentários”, ressaltou o Gerente de Produto Leite, Henrique Rocha, ao apresentar a novidade. “A bateria de leite da (C.R.I.) cresceu, ficou maior e mais forte com a adesão de touros expressivos de várias raças leiteiras, tanto que decidimos lançar dois catálogos”, justificou. O Catálogo de Leite Zebu 2012 traz uma bateria de 27 touros das raças Gir Leiteiro (14), Guzerá (2) e Girolando (11). No Girolando, uma das novidades é Tufão Flora Toystory Itauna, primeiro filho 5/8 do Toystory da C.R.I.. De origem do Girolando Itaúna, com tradição em fazer touros líderes do ranking, descende de linhagem e família de animais premiados e de altas produções leiteiras. ABS Pecplan e Poitara Genética ABS Pecplan firmou uma parceria com a Poitara Genética. Neste trabalho conjunto foram realizados testes genômicos dos machos e fêmeas da fazenda com a intenção de selecionar touros holandeses para produção de sêmen na central ABS e identificar as futuras mães de touros Holandeses e Girolando. “Estamos um passo na frente para produção de futuros touros Girolando de destaque neste mercado que se torna cada vez mais exigente”, declara Klaus Hanser de Freitas, gerente de Produto Leite da ABS Pecplan.

Semex De 05 a 09 de março o presidente da Semex Brasil, Nelson Eduardo Ziehlsdorff, recebeu a visita do CEO da Semex Alliance, Paul Larmer, na sede da empresa situada em Blumenau/SC. Em sua vinda ao Brasil, Paul conheceu as futuras instalações da Semex, que está sendo construída na mesma cidade, e avaliou os projetos de crescimento do mercado para os próximos anos. Segundo Nelson, a Semex está desenvolvendo um projeto de expansão das vendas dos produtos tropicais em toda a América do Sul e Central. “Com as diretrizes em andamento as perspectivas de crescimento nas exportações desses produtos irão gerar grande demanda e crescimento das parcerias com os proprietários de touros das raças tropicais de corte e de leite”, comentou Nelson. Paul também analisou os resultados obtidos em 2011, oportunidade em que a Semex Brasil bateu recorde de vendas, com aumento

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SRC Supply A SRC Supply acaba de lançar mais uma novidade na sua linha de produtos com o objetivo de oferecer soluções aos produtores e profissionais ligados ao agronegócio. O Heat Wave 35 é um creme para massagem do úbere e será vendido pela SRC Supply através da sua loja de e-commerce e seus representantes espalhados por todo o Brasil. O creme melhora a textura da pele e a saúde do úbere de vacas leiteiras e possui 35% de puro óleo japonês de HortelãPimenta.


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Depto. Técnico Depto. Financeiro / ADM / MKT

Cargo e/ou Setor

Email

Telefone

Leandro Paiva

Zootecnista - Superintendente Técnico do SRGRG

lpaiva@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Euclides Prata

Zootecnista - Sup. Técnico Substituto e Técnico do SRGRG

eneto@girolando.com.br

(34) 9972-3965

Fernando Boaventura

Zootecnista - Técnico do SRGRG

fboaventura@girolando.com.br

(34) 9248-0302

Jesus Lopes Júnior

Zootecnista - Técnico do SRGRG

jlopes@girolando.com.br

(34) 9134-8666

José Renes

Zootecnista - Técnico do SRGRG

jsilva@girolando.com.br

(34) 9972-7882

Juscelino Ferreira

Zootecnista - Técnico do SRGRG

jferreira@girolando.com.br

(34) 9978-2237

Limírio Bizinotto

Zootecnista - Técnico do SRGRG

lbizinoto@girolando.com.br

(34) 9972-2820

Marcello Cembranelli

Méd. Veterinário - Coord. Operacional do PMGG e DPZ

mcembranelli@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Edivaldo Júnior

Técnico Agrícola - Técnico do PMGG e DPZ

ejunior@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Gustavo Oliveira

Técnico Agrícola – Técnico do PMGG e DPZ

goliveira@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Wewerton Rodrigues

Zootecnista - Técnico do PMGG e DPZ (Juiz de Fora/MG)

wrodrigues@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Sérgio Esteves

Eng. Agrônomo - Departamento de Exposições e Ranking

salmeida@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Hilton Nunes

Superintendente Geral

hnunes@girolando.com.br

(34) 3331-6000

José Mauad

Superintendente Administrativo/Financeiro

jfilho@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Edlaine Boaventura

Faturamento

eboaventura@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Noeli Calixto

Cobrança

ncalixto@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Renata Cristina

Contas a Pagar

rcarvalho@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Eva Custódio

Grife Girolando

ecustodio@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Nabor Paim

Contabilidade

npaim@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Carolina Castro

Secretária da Presidência e Diretoria

cteles@girolando.com.br / diretoria@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Tassiana Giselle

Secretária da Superintendência Técnica e Colégio de Jurados

tsilva@girolando.com.br / djrg@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Jean Carlos

Serviço de Controle Leiteiro

joliveira@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Nivaldo Faria

Expedição de Certificados

nfaria@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Luiz Fernando

Tecnologia da Informação

lmoura@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Larissa Vieira

Assessora de Imprensa

imprensa@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Consuelo Mansur

Comunicação e Marketing

cpereira@girolando.com.br

(34) 3331-6000

Jesus Lopes Júnior

Coordenador Técnico

jlopes@girolando.com.br

(34) 9134-8666

André Junqueira

Zootecnista - Técnico do SRGRG

ajunqueira@girolando.com.br

(37) 9964-8872

Nilo do Valle

Zootecnista - Técnico do SRGRG

nvale@girolando.com.br

(31) 9954-7789

Katislene Oliveira

Secretária

etrbh@girolando.com.br

(31) 3334-5480

Fernando Boaventura

Coordenador Técnico

fboaventura@girolando.com.br

(34) 9248-0302

Érico Ribeiro

Zootecnista - Técnico do SRGRG

eribeiro@girolando.com.br

(28) 9939-1501

Lucas Facury

Zootecnista - Técnico do SRGRG

lfacury@girolando.com.br

(22) 9862-8480

Ariane Fernandes

Secretária

etrrj@girolando.com.br

(22) 3822-3255

Euclides Prata

Coordenador Técnico

eneto@girolando.com.br

(34) 9972-3965

Samuel Bastos

Zootecnista - Técnico do SRGRG

sbastos@girolando.com.br

(12) 8120-0879

Márcia Keli

Secretária

etr_jacarei@girolando.com.br

(12) 3959-7292

Limírio Bizinotto

Coordenador Técnico

lbizinoto@girolando.com.br

(34) 9972-2820

Bruno Viana

Zootecnista - Técnico do SRGRG

bviana@girolando.com.br

(62) 8212-2984

Wanessa Silva

Secretária

etr_goiania@girolando.com.br

(62) 3203-5813

Pétros Medeiros

Méd. Veterinário - Técnico do SRGRG

pmedeiros@girolando.com.br

(81) 9938-0070

Janaina Santos

Secretária

etr_recife@girolando.com.br

(81) 3032-3981

ETR-BH (Belo Horizonte)

ETR-RJ/ES (Itaperuna)

Escritórios Técnicos Regionais (ETRs)

Associação Brasileira dos Criadores de Girolando

Nome

ETR-SP (Jacareí)

ETR-GO/DF (Goiânia)

ETR-NE (Recife)

Telefone: (34) 3331-6000 Site: www.girolando.com.br E-mail: girolando@girolando.com.br

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O Girolando 83  

Órgão Oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando

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