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sta edição tem um caráter muito importante para todos nós. Embora esteja repleta de notícias e assuntos relevantes, estamos enfatizando de forma especial o 1º Congresso Brasileiro da Raça Girolando, realizado em Araxá, entre os dias 23 e 24 de setembro. Afinal, já se passaram 22 anos do início do Programa Girolando, precedido por outros dez anos do Procruza, e pela primeira vez paramos para discutir, de forma técnica e profissional, as diretrizes e o futuro da raça Girolando. Começamos fazendo uma análise superficial do contexto da produção leiteira no Brasil e como a raça Girolando está inserida nele. Em 1989, o rebanho leiteiro nacional tinha 18,6 milhões de cabeças e produzia 14,5 bilhões de quilos de leite. Já em 2010, o rebanho leiteiro atingiu 23 milhões de cabeças, representando um crescimento de 24%, enquanto a produção brasileira atingiu 30,5 bilhões de litros de leite, com crescimento de 110% e ganho de produtividade de 86%. Neste mesmo período, a produção do rebanho Girolando saiu de 1.990 kg/ano (1989), para 4.781 kg/ano (2010), correspondendo a um ganho de produtividade de 239%, avaliando 49.420 lactações encerradas até dezembro de 2010. Analisando os valores, podemos afirmar que o número de cabeças do rebanho leiteiro cresceu 24%, a produção nacional cresceu 110%, enquanto a produção do rebanho Girolando cresceu 239%, bem acima da média nacional, ficando evidente a grande contribuição do trabalho de todos nós, girolandistas. Vejamos outros aspectos na vertente do mercado: O Teste de Progênie da raça Girolando teve seu início em 1997 e, analisando os dados de vendas de sêmen das raças leiteiras no período 2006/2010, apresentados anualmente pela Asbia, podemos observar um salto de 109 mil doses vendidas, para 291 mil doses, com um aumento de 164,74%, enquanto o crescimento verificado no conjunto de todas as raças leiteiras foi de apenas 50,84%, ou seja, crescemos 114% acima do mercado de sêmen das raças leiteiras. Segundo o Anuário DBO 2011, podemos observar a venda em 2010 de 34.876 lotes entre todas as raças leiteiras, dos quais 25.059 ou 72% foram Girolando. Já os valores globais atingiram R$168.326.700,00, sendo que R$75.552.885,00 correspondem ao Girolando, ou seja, 45% do total. Estes números demonstram a preferência inconteste do mercado pelo nosso produto, oferecido a um preço altamente competitivo para o produtor de leite. Outro dado importante, é que as raças leiteiras puras representam apenas 9% do total de animais, enquanto os cruzamentos representam 91% e, deste total, mais de 50% são oriundos do cruzamento das raças Gir x Holandês. Do relatório TOP 100, apresentado pelo Milkpoint, podemos observar que a raça Girolando está presente em 34% dos 100 maiores produtores de leite do Brasil, demonstrando claramente sua versatilidade para atender pequenos, médios e grandes criadores. Com relação a nossa Associação, temos muito o que comemorar. Em 30/08/2011 completamos 2.407 associados ativos e atingimos a marca recorde de 1.125.151 animais certificados entre os diversos graus de sangue que contemplam o Girolando. Estamos cientes das dificuldades que enfrentamos para suportar este crescimento, pois saímos de 54.000, para 95.000 animais registrados mensalmente, e isso tem acarretado algum atraso nas entregas dos certificados. Para solucionar este problema e oferecer um serviço de melhor qualidade ao associado, estamos na fase final de implantação de um sistema totalmente informatizado de comunicação de dados entre o criador e a Associação, e certamente colheremos bons frutos deste investimento. Estes dados apresentados acima nos dão uma ideia da grandiosidade da raça Girolando, mas também dos inúmeros desafios que temos pela frente. Saímos do 1º Congresso Brasileiro da Raça Girolando conscientes desta responsabilidade, porém com a satisfação de que teremos ao nosso lado toda a comunidade científica disposta a nos ajudar a enfrentar esses desafios. Ficou o compromisso de termos ao nosso lado as principais instituições brasileiras de pesquisa desenvolvendo trabalhos específicos com a raça, que nos permitirão conhecer melhor seus problemas e suas potencialidades. Foi sugerido criar um Comitê Técnico Independente, composto por pesquisadores das principais universidades e centros de pesquisa brasileiros interessados em contribuir com este arrojado Projeto de Construção e Consolidação da Raça Girolando, assumindo conosco a responsabilidade de fazermos a primeira Raça Leiteira Brasileira dentro dos padrões técnicos internacionais. O futuro, em face dos avanços da ciência e do envolvimento de técnicos, pesquisadores, produtores e parceiros comerciais, coloca o Girolando em uma condição privilegiada, reforçando nossa crença inabalável de que juntos podemos e faremos muito mais por este patrimônio brasileiro: A Raça Girolando. Nosso abraço fraterno. Uberaba, setembro de 2011

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Editorial

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novar tornou-se uma palavra de ordem para quem está no mercado pecuário. Não há como negar que os avanços tecnológicos da atualidade conferiram ao sistema de produção maior segura, qualidade e agilidade. Os resultados das pesquisas desenvolvidas por universidades e outros centros de estudos estão chegando ao campo com uma velocidade maior, permitindo aos produtores rurais atenderem as novas demandas de mercado. O Congresso Brasileiro da Raça Girolando mostrou esse atual momento do setor. Criadores de várias partes do Brasil participaram do evento e puderam assistir as novidades da Ciência. E elas são muitas: estamos bem perto da conclusão do seqüenciamento do genoma do Girolando, cujas informações do DNA tornarão o processo seleção animal muito mais rápido e eficiente; Nas mídias sociais (twitter, blog e facebook) da Girolando também fica claro esse novo perfil do produtor. A procura por informações sobre a raça é grande, inclusive de criadores de outros países. Muitos querem saber como realizar de melhor forma os cruzamentos, onde encontrar informações sobre as avaliações genéticas dos touros da raça, a melhor forma de manejar o rebanho, etc. Para tentar levar ainda mais informações aos produtores, preparamos cada edição da revista O Girolando com reportagens e artigos técnicos sobre temas bem variados: nutrição, manejo, mercado, genética, gestão, eventos, etc. Com isso, o criador pode acompanhar os avanços do setor e aplicá-los em sua propriedade na medida do possível. Nesta edição, em especial, destacamos tudo que aconteceu no Congresso de Girolando, nas exposições e dezenas de artigos interessantes escritos por respeitados especialistas do setor. Então, depois de ler a revista, repasse-a para seus funcionários, amigos e familiares. Faça a revista circular, pois é tornando a informação acessível a todos que teremos uma pecuária leiteira de sucesso. Boa leitura! Larissa Vieira

EXPEDIENTE: Revista O Girolando - Órgão Oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando - Editora: Larissa Vieira - lamoc1@gmail.com - Depto. Comercial: Mundo Rural (34) 3336-8888, Míriam Borges (34) 9972-0808 e Walkiria Souza (35) 9133-0808 - ogirolando@mundorural.org Design gráfico: Jamilton Souza, Yuri Silveira - Fotos: Jadir Bison - Revisão: Maria Rita Trindade Hoyler - Conselho editorial: Leandro Paiva, Fernando Brasileiro, Milton Magalhães, Jônadan Ma, José Donato Dias Filho, Maria Inez Cruvinel, Mauricio Silveira Coelho, Miriam Borges - Impressão CTP: Gráfica 3 Pinti (34) 3326-8000 - Distribuição gratuita e dirigida aos associados da Girolando, ABCGIL e órgãos de interesse ligados à cadeia produtiva de leite. - Redação: Rua Orlando Vieira do Nascimento, 74 - CEP: 38040-280 - Uberaba/MG - Telefax: (34) 3331-6000 - Assinaturas: ogirolando@mundorural.org - Telefax (34) 3336-8888 - Walkiria Souza

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imprensa@girolando.com.br

Sou estudante de medicina veterinária, do segundo semestre. Gostaria de saber se já posso fazer o curso para ser juiz e quais são os procedimentos a tomar? Matheus Maia Matheus, Para se tornar um jurado efetivo da raça Girolando e poder atuar em julgamento de exposições oficiais, é necessário participar do Curso Intensivo de Julgamento, promovido pela Associação, uma vez ao ano, durante a MEGALEITE. Os participantes do curso que preencherem os requisitos necessários para atuar como jurados auxiliares deverão atuar em, no mínimo, 10 exposições oficiais, com pelo menos sete pareceres favoráveis de, no mínimo, cinco jurados efetivos diferentes. Após obter parecer favorável, os candidatos a jurados efetivos serão submetidos a uma série de avaliações. Caso sejam aprovados após todas as avaliações, lhes será concedido o título de jurado efetivo da raça Girolando, na classe B. Para que seja um jurado auxiliar é necessário ter formação superior completa em Zootecnia, Agronomia ou Medicina Veterinária, ou ter cursado, no mínimo, o 5º período de algum dos cursos citados. Para mais informações, acesse o site www.girolando.com.br e consulte normas e regulamentos. Leandro Paiva superintendente técnico da Girolando Se eu cruzar Gir Leiteiro com Girolando 1/2 sangue, nascerá 1/4? Wagner José de Magalhães Wagner, Sobre a dúvida do cruzamento, você está certo: quando se cruza matriz 1/2 Hol + 1/2 Gir com um touro Gir Leiteiro o produto obtido será um animal 1/4 Hol + 3/4 Gir. Leandro Paiva superintendente técnico da Girolando Sou da cidade de Jacareí e pretendo iniciar uma criação de gado Girolando, porém não sei onde adquirir bezerras ou novilhas de boa qualidade na região do vale do Paraíba. Se puderem me ajudar, eu agradeço. Leandro de Souza Diniz

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Leandro, A Girolando conta com um Escritório Técnico Regional (ETR) na cidade de Jacareí, localizado nas dependências da Escola Agrícola, que atende criadores de toda a região. Nossos técnicos podem auxiliá-lo a iniciar sua criação e a se tornar associado da Girolando. Os contatos são: etr_jacarei@girolando.com.br – telefone: (12) 3959-7292. Associação Brasileira dos Criadores de Griolando Sou de Barra Mansa-RJ. Como faço para me tornar associado da Girolando Luiz Gustavo Campbell Moreira Luiz, Você pode preencher sua proposta de associado pelo site da Girolando, no link http://www.girolando.com.br/site/ogirolando/propostasocio.php ou ligando para a associação no número: (34) 3331-6000. Associação Brasileira dos Criadores de Girolando Como é possível o cruzamento de um Bos Indicus com um Bos Taurus resultar em um descendende fértil e por quê? Shinnuos Marlle Caro Marlle, Os bovinos, tanto Bos Taurus quanto Bos Indicus, possuem 30 pares de cromossomos. Quando se faz o cruzamento entre esses indivíduos, o animal (híbrido) obtido terá o mesmo número de pares de cromossomos de seus pais, o que não irá afetar a fertilidade do animal. Já no cruzamento entre Equinos e Asininos é bem diferente, devido aos pares de cromossomos de cada um deles, sendo que o produto terá um número intermediário de cromossomos, gerando um animal (híbrido) infértil. Para mais esclarecimentos, consulte artigos ou livros que falam especificamente sobre esse assunto. Atenciosamente, Leandro Paiva Superintentendente Técnico da Girolando

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Entrevista - Deputado federal Aelton José de Freitas

Matéria de Capa - Congresso aponta novos caminhos para o Girlando

Genética e Melhoramento - Endogamia da raça Girolando

Nutrição - Silagem de colostro, sucedâneo de qualidade para os bezerros

Conhecendo os prejuízos do tratamento preferencial e do Controle Leiteiro Seletivo Mercado do Leite - Mudanças de tendência em curto prazo Genética e Melhoramento - Realidade indiscutível Eficiência reprodutiva: Cistos foliculares Cana-de açúcar na alimentação de vacas leiteiras O inimigo invisível - Micotoxinas A tecnologia e o suporte técnico na pecuária de leite Papilomatose Bovina - Prejuízos com queda da produção e desconforto dos animais acometidos Cama de frango - Fiscalização coíbe o uso Compostagem de carcaças de grandes animais Tecnologias para a produção de leite orgânico 10

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Manejo de pastagem com ênfase 66 em gado leiteiro Desaleitamento de bezerras 70 Comunicação interpessoal 72 Girolando conquista o Pará 74 Bottons de identificação começam 76 a ser distribuídos Pecuária leiteira invade o Mato Grosso do Sul 78 Exposições 80 Agenda 88 Transparência 89 Colostro 90 Girolando pelo Brasil 92 Giro Lácteo 94 Controle leiteiro 145 Lançamentos e Inovações 161 Contatos - E-mails e telefones 162

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE GIROLANDO TRIÊNIO 2011/2013 ESTES SÃO OS NOVOS CRIADORES, E ENTIDADES DE CLASSE QUE PASSARAM A INTEGRAR O QUADRO SOCIAL DA GIROLANDO NOS MESES DE JULHO, AGOSTO E SETEMBRO DE 2011. PROP. Nº 6462 6678 6681 6630 6642 6667 6684 6656 6181 6619 6714 6651 6652 6628 6638 6696 6694 6682 6672 6649 6635 6719 6639 6665 6626 6707 6697 6718 6706 6699 6670 6664 6605 6636 6648 6688 6675 6687 6666 6640 6645 6704 6691 6661 6702 6650 6716 6674 6679 6657 6705 6641 6673 6676 6659 6634 6660 6658 6662 6712 6624 6570 6632 6669 6715 6709 6631 6701 6713 6693 6680 6653 6647 6643 6720 6683 6633 6677 6625 6646 6655 6644 6613 6581 6629 6612 6698 6654 6690 6686 6585 6627 6711 6700 6685 6708 6637 6692 6671 6601 6703 6717 6695 6668 6663

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CRIADOR Alexandre Pontes Dal Bello Alexandre Matheus Vieira / Francisco A.M.Vieira Antônio Carlos Lopes Pinto Antônio de Toledo Furtado Assoc.dos Prod. Rurais de Ribeirao de Sto Antônio Assoc.dos Agric.Familiares da Comunidade do Limoeiro Adriana Ferreira BertholdoBarreto Aldo Luis Teixeira Doro Aparecida Ferreira de Castro Alta Genetics Inc. Bernardo Souza Lima Mattos de Paiva Célia Maria Domingos Rangel Cipó Agropecuária Ltda Calimerio Pinto de Carvalho Cristiano Humberto Ribeiro Fontes Celso Fernando Rimoli Ferro Clorides Primo Carnevalli Claret Rodrigues da Cunha Carlos Cesar Vieira Epp Dora Norremose Vieira Marques Erick Figueiredo Piassi / Atila Figueiredo Piassi Eduardo de Angeli Junqueira Eduardo José Broch Evandro Ferreira Cardoso Evandro César Ferreira de Oliveira Hely Alves de Souza Euclides Soler de Ângelo Everardo de Barros Vieira Edilson José de Oliveira Ebenezer Salum dos Reis Edeires de Lima Assunção Etec Cônego José Bento Edimar Mamedes de Lima Filipe Jorge de Carvalho Gustavo Lourenço Valadares Gontijo Gustavo Faitanin Vaccari Gerson Barreto de Miranda Gilson X.C.de Oliveira / Gilmar X.C.de Oliveira Geovane Teixeira Xavier Hélio Luiz Braga Heleno Henrique Silva Henrique Manhães Alves Hamilton Gaspar Borges Ivan Leão França Jaime Antônio Vargas Júlio Cezar Amorim Sena Joacyr Azevedo de Oliveira Joaquim Pereira de Carvalho Jesus da Silva Limirio João Carrijo da Cunha José Adilson da Silva José Patrício da Silveira Neto José Carlos Rosa José Maria de Araújo José Roberto Martini Meirelles Josias Dias Costa Luciano Lopes de Souza Luciano de Oliveira Ferreira Luiz Eduardo de Alcântara Bernardes Luiz Fernando Rodrigues da Silva Condomínio Girolando Boa fé, Nova Terra Primícias Luiz Carlos Sanvitto Filho Luiz Fernando Pinto Monteiro de Barros Linoel Ferreira Andrade Lucio Antônio Xavier Machado Lidia das Chagas Sobral Laucir Bernardino Rigoni Maria Carolina Pereira Ferreira Maria Helena Antunes Parreira Moisés Fernandes Campos Matheus Custódio Galloro Maria Tereza Milazzo S.Guimarães Marcos Vinicius Soriano Marcos Reinaldo dias Moreira Mucio Túlio Teixeira Alvim Martinho Estevão Domingos Mário da Motta Marcelo Mendonça Guelber Marcelo Cardoso Valente Marcelo Eduardo Guandalini MBR Serviços Agropecuários Ltda Nacib Saib Abi Habib Orestes Cardoso Netto / Olinto Cardoso Netto Paulo Maximiano de Souza / Alexandre M.de Souza Paulo Maximiano de Souza Neto Ronnie Von Cardoso Pereira Rafael Lucas Parão Rubens Balieiro de Souza Rogério Paiva Romualdo Eustáquio Cardoso Ronald Dias Troccoli Sindicato Rural de Goianésia Sérgio Paulo Borba Sílvio Queiroz Pinheiro Silas Espirito Santo Amaral Furtado Takao Massuda União Brasiliense de Eduacação e Cultura Vinicius Hizbek Monti Valtunir José Pereira Valterson Balduino Romes Weverton Machado Bastos Walter Waltenberg Silva Júnior Wagner Cambrava Paiva Wilson Kendi Minami Wagner Luiz Santos Araújo

MUNCÍPIO Coroados – SP Piraúba – SP Juiz de Fora – MG Guarani – MG Coronel Pacheco – MG Ipanema – MG Valentim Gentil – SP Uberlândia – MG Raul Soares – MG Uberaba – MG Belo Horizonte – MG Brasília – DF Sacramento – MG Botucatu – SP Perdizes – MG Mococa – SP Ariquemes – RO Passatempo – MG Passos – MG Cruzília – MG Passos – MG Maringá – PR Martinho Campos – MG Taparuba – MG Juiz de Fora – MG Ibiá – MG Neves Paulista – SP Belo Horizonte – MG Park Way – DF Divinópolis – MG Gama – DF Jacareí – SP São Miguel do Passa Quatro - GO Alegre - ES Belo Horizonte – MG Inhapim – MG Jaboatão dos Guararapes – PE Guarani – MG Mutum – MG Pitangui – MG Belo Horizonte – MG Cataguases – MG Íbiá – MG Sete Lagoas – MG Miraí – MG Belo Horizonte – MG Itaperuna – RJ Barão de Monte Alto – MG Santo Antônio do Monte – MG Franca – SP Limoeiro – PE Pirapora – MG Muriaé – MG Rio Pomba – MG Barra Mansa – RJ Novo Mundo – MT Barra Mansa – RJ Muriaé – MG Belo Horizonte – MG Teofilo Otoni – MG Conquista – MG Sorocaba – SP Juiz de Fora – MG Manaus – AM Cassilândia – MS Ibiá – MG Jaru – RO Miraí – MG Formiga – MG Inhaúma – MG Ribeirão Preto – SP Uberlândia – MG Presidente Venceslau – SP Brasília – DF Pedro Leopoldo – MG Taquarituba – SP Rio Pomba – MG Guarani – MG Goianésia – GO Uberaba – MG Mandaguari – PR Mutum – MG Santo Inácio – PR Sapopema – PR Sapopema – PR Luziânia – GO Ribeirão Preto – SP Governador Valadares – MG Ibiá – MG Belo Horizonte – MG Guarani – MG Goianésia – GO Coroados – SP Uberaba – MG Belo Horizonte – MG Ibia – MG Palmas – TO Cajuru – SP Paracatu – MG Jataí – GO Muniz Freire – ES Porto Velho – RO Juiz de Fora – MG Paracatu – MG Santa Luzia – MG

Presidente: José Donato Dias Filho 1º Vice-presidente: Fernando Antonio Brasileiro Miranda 2º Vice-presidente: Maurício Silveira Coelho 3º Vice-presidente: Jônadan Hsuan Mim Ma 4º Vice-presidente: Ivan Adhemar de Carvalho Filho 1º Diretor-administrativo: Milton de Almeida Magalhães Júnior 2º Diretor-administrativo: Adolfo José Leite Nunes 1º Diretor-financeiro: Maria Inez Cruvinel Rezende 2º Diretor-financeiro: Eugênio Deliberato Filho Relações Institucionais e Comerciais: João Domingos Gomes dos Santos

Conselho Fiscal Jeronimo Gomes Ferreira Silvio de Castro Cunha Júnior Marcelo Machado Borges Suplentes Conselho Fiscal Eduardo Jorge Milagre José Alberto Paiffer Menk Luiz Carlos Rodrigues Conselho Consultivo Antônio José Junqueira Villela Joaquim Luiz Lima Filho Nelson Ariza Roberto Antônio Pinto de Melo Carvalho Rodrigo Sant’anna Alvim Suplentes Conselho Consultivo Geraldo Antônio de Oliveira Marques Guilherme Marquez de Rezende Leonardo Moura Vilela Rubens Stacciarini Tomaz Sérgio Andrade de Oliveira Júnior

Membros Conselho Deliberativo Técnico 2011/2013 Membros Natos Alisson Luis Lima Leandro de Carvalho Paiva

Representante do MAPA Superintendente Técnico

Membros Efetivos

Membros Suplentes

Limírio Cezar Bizinotto Marcello A. R. Cembranelli Milton de Almeida Magalhães Neto Valério Machado Guimarães

Juscelino Alves Ferreira Walter Roriz de Queiroz Tiago Moraes Ferreira Daniella Martins da Silva

CONSELHO DE REPRESENTANTES ESTADUAIS: AL – Paulo Emílio Rodrigues do Amaral AM – Raimundo Garcias de Souza BA – José Geraldo Vaz de Almeida BA – Luiz Tarquinio Duarte Pontes BA – Jorge Luiz Mendonça Sampaio CE – Cristiano Walter Moraes Rola DF – Dilson Cordeiro de Menezes DF – Erotides Alves de Castro DF – Ismael Ferreira da Silva ES – Rodrigo José Gonçalves Monteiro GO – Elmirio Monteiro Marques Júnior GO – José Mário Miranda Abdo GO – Léo Machado Ferreira GO – Itamir Antônio Fernandes Vale MG – Anna Maria Borges Cunha Campos MG – Carlos Eduardo Fajardo de Freitas MG – Horácio Moreira Dias MG – José Ricardo Fiuza Horta MG – Júlio Cesar Brescia Murta MG – Paulo Henrique Machado Porto MG – Salvador Markowicz Neto MS – Aurora Trefzger Cinato Real MS – Ronan Rinaldi de Souza Salgueiro MS – Rubens Belchior da Cunha

PA – Zacarias Pereira de Almeida Neto PB – Antônio Dimas Cabral PB – Yvon Luiz Barreto Rabelo PE – Cristiano Nobrega Malta PE – Eriberto de Queiroz Marques PR – Antônio Francisco Chaves Neto PR – Bernardo Garcia de Araújo Jorge PR – João Sala RJ – Filipe Alves Gomes RJ – Herbert Siqueira da Silva RJ – Jaime Carvalho de Oliveira RJ – Luciano Ferreira Guimarães RO – José Vidal Hilgert SE – Lafayette Franco Sobral SE – Ricardo Andrade Dantas SP – Adriano Ribeiro de Oliveira SP – Braulio Conti Júnior SP – Decio de Almeida Boteon SP – Eduardo Falcão de Carvalho SP – Pedro Luiz Dias SP – Roberto Almeida Oliveira SP – Virgilio Pitton TO – Eli José Araújo

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Entrevista Por Larissa Vieira

Aelton José de Freitas - Deputado Federal (PR-MG)

De volta ao universo do leite

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ilho de produtor rural, o deputado federal Aelton José de Freitas (PR-MG) está aproveitando o bom momento vivido pela pecuária leiteira para voltar a investir no setor. Criador de gado de corte, agora ele também cria Girolando. Segundo Aelton, foi graças à produção de queijo e os demais derivados do leite na fazenda da família que seus pais puderam custear seus estudos na faculdade de agronomia. Aos 49 anos, ele tem outras experiências no agronegócio, como a presidência da Emater/MG e garante que o alicerce da sua vida política é a cadeia de produção do leite. Já foi senador e está em seu segundo mandato como deputado federal por Minas Gerais. Em entrevista à revista O Girolando, ele fala sobre reforma tributária, Código Florestal, necessidade de mais recursos para as pesquisas e porque está apostando na raça Girolando em seu novo projeto de produção de leite.

O Girolando - Caso a atualização do Código Florestal seja aprovada no Senado, garantirá a manutenção de 61% dos biomas preservados e a continuidade das atividades agropecuárias nas áreas ocupadas, que correspondem a 27,7% do território nacional. O senhor acredita que o Senado também aprovará as mudanças que os produtores rurais defendem como fez o Congresso? Aelton de Freitas - O Governo Federal possui uma bancada no Senado que lhe proporciona maioria e isso se traduz em um maior poder de negociação, haja vista a Casa à qual me refiro ser composta por um número de membros menor (81 Senadores) que a Câmara dos Deputados (513 Deputados federais). Da mesma forma que na Câmara, esse debate deve ser aprofundado de forma a conceder o desenvolvimento sustentável da produção, alijando benefícios a quem produz sem degradação ambiental. O progresso é salutar, todavia como todo remédio, produz efeitos colaterais. Nesse sentido deduzo que tem que se proteger o setor produtivo de forma dar-lhe condições de continuar produzindo, continuar gerando emprego e renda, continuar gerando índices satisfatórios para o superávit da nossa balança comercial e dessa forma contribuindo para o desenvolvimento do país. O Girolando - No Brasil 19% do preço dos alimentos são de impostos, nos EUA esse valor é de 0,7% e na Inglaterra não há incidência de imposto nos produtos alimentícios. O senhor acredita que a reforma tributária vai resolver esse problema? Aelton Freitas - A reforma tributária em discussão no Congresso Nacional é bastante ampla, abrange todos os setores e tributos em geral, fato esse impeditivo para que o seu trâmite se dê de forma mais célere. Para que haja a reforma, algumas áreas têm que ceder e isso pode representar diminuição no montante de recursos a ela destinado. A União, maior arrecadadora de tributos no sistema federativo, regula com mão de ferro o repasse de recursos aos demais entes federados como forma de manter recursos para custear as suas despesas correntes e em face disso os Estados e Municípios convivem com um constante despreparo orçamentário. Essa obstinação em arrecadar, por parte da União onera o setor produtivo de forma a inviabilizá-lo, fato esse que nós estamos objetivando com afinco para que seja diminuída a carga tributária que incide sobre quem produz que é a verdadeira força motriz dessa nação. O Girolando - O governo federal lançou o Programa ABC para financiar práticas que reduzam a emissão de gases de efeito estufa e anunciou mais recursos para o Plano Safra 2011/2012. Em anos anteriores os recursos anunciados não foram disponibilizados totalmente. O senhor acredita que continuará sofrendo com a falta de recursos em 2012? Aelton Freitas - A redução da emissão de gases que produzem o efeito estufa é uma tendência mundial, já vem sendo discutida há vários anos e se torna uma prioridade no mundo industrializado como forma de sobrevivência das gerações futuras e da qualidade de vida de todos; o Brasil, na posição que

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ocupa no cenário mundial, não poderia se abster do debate e da assunção de medidas nesse sentido. O Plano Safra 2011/2012 possui um montante de recursos superior aos anos anteriores e por causa de vieses estritamente orçamentários, não teve a totalidade da destinação de recursos alocada, todavia, com os índices de produtividade crescendo de forma exponencial, sinto ser impossível a não disponibilização dos mesmos aos seus devidos fins. O Girolando - Os especialistas apontam que o melhoramento genético e a recuperação de pastagem são fundamentais para desenvolver uma pecuária sustentável. Como garantir que todos os produtores brasileiros tenham acesso às tecnologias necessárias para produzir de forma sustentável? Aelton Freitas - A produção sustentável, da mesma forma da redução na emissão de gases, é algo que passa a ser obrigatório para quem quer se manter no mercado produtivo em condições de competir. A cada vez mais essas exigências passam a ser requisitos obrigatórios para quem quer colocar os frutos da sua produção no mercado e o Governo Federal, possui várias linhas de crédito no sentido de conceder acesso a quem se propõe a acompanhar os ditames do desenvolvimento sustentável. O Girolando - A Associação de Girolando tem como meta para os próximos anos construir o Centro de Capacitação Girolando (CCG), espaço que será dedicado à capacitação, pesquisas e outras ações. O senhor acredita que o Brasil necessita de mais projetos como esse para garantir maior competitividade ao país no mercado global?

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Aelton Freitas - Os rumos da economia mundial nos remetem a um patamar de investimento obrigatório em pesquisa e tecnologia, como sendo a única forma de aumento da produtividade com o mínimo de desgaste ambiental. A própria raça Girolando é uma prova premente dessa incursão tecnológica. As pesquisas realizadas pelos geneticistas e pelos conhecedores do mercado do leite deram ao Brasil uma raça que une rusticidade e produção leiteira de modo que possa manter altos índices de produtividade em todo o território nacional. Essas ações e investimentos em pesquisa e convergem para o único modelo viável de obtenção de capacidade técnica para termos uma produção competitiva em todos os setores. O Girolando - Como resolver o problema da falta de recursos para os órgãos de pesquisa, como a Embrapa? Aelton Freitas - A Embrapa é um centro de excelência mundial em tecnologia agropecuária e vem obtendo destaque em todos os setores que fazem parte dessa cadeia produtiva. Os recursos a ela destinados são de certa forma, insuficientes para que ela mantenha os seus padrões de excelência no que se propõe a fazer. Todavia, sinto que somente a união da classe do agronegócio como um todo e a sua mobilização junto aos setores decisórios em prol do aumento de atenção ao setor produtivo poderá render bônus orçamentários ao setor.

A União, maior arrecadadora de tributos no sistema federativo, regula com mão de ferro o repasse de recursos aos demais entes federados como forma de manter recursos para custear as suas despesas correntes e em face disso os Estados e Municípios convivem com um constante despreparo orçamentário.

O Girolando - O senhor afirmou durante o Congresso de Girolando que já foi produtor de leite e agora pretende voltar a criar raças leiteiras. Como começou sua história com a pecuária e o que levou o senhor a voltar a investir no leite? Aelton Freitas - Bem, essa é uma questão que me remonta aos tempos da infância no Interior de Minas Gerais. Sou filho de produtor rural e apesar de ter somente 49 anos, sou oriundo de um tempo em que se nascia de parteira, na fazenda mesmo, fato esse que muito me orgulha. Cresci na propriedade rural da família e sempre fomos produtores de leite. A produção familiar de queijo e os demais derivados do leite se constituíram como a principal fonte de receitas para a sustentação dos estudos de todos nós. Como citado anteriormente, devo a minha formação acadêmica – Engenheiro Agrônomo – e o alicerce da minha vida política à cadeia de produção do leite, em face dela construí muitos amigos. Como um investidor do agronegócio, aproveitarei o momento que a produção leiteira, por intermédio do Girolando, está atravessando e enxergo nisso uma oportunidade de ímpar de alavancar os conceitos relativos à produção leiteira. Externo o meu cordial abraço a todos os meus companheiros criadores de Girolando.

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Fotos: Luciene Franklin

Congresso aponta novos caminhos para o Girolando

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ma série de inovações tecnológicas na pecuária leiteira foi apresentada durante o 1º Congresso Brasileiro da Raça Girolando. O evento, realizado entre os dias 22 e 24 de setembro, reuniu mais de 400 produtores rurais e pesquisadores no Tauá Grande Hotel e Termas de Araxá, em Minas Gerais. Várias autoridades participaram da solenidade de abertura do Congresso, entre elas: o secretário de Agricultura de Minas Gerais, Elmiro Nascimento, o secretário de Ciência e Tecnologia de Minas, Narcio Rodrigues, os deputados federais Paulo Piau e Aelton de Freitas, o deputado estadual Bosco, o prefeito de Araxá Jeová Moreira da Costa, o Chefe-geral da Embrapa Gado de Leite Duarte Vilela, o presidente da Comissão de Leite da CNA, Rodrigo Alvim, e o presidente da Fepale (Federação Pan-americana do Leite), Vicente Nogueira. De acordo com o secretário Narcio Rodrigues, a raça Girolando é uma obra genética extraordinária. “O zebu foi importado da Índia. O Holandês e outras raças taurinas vieram da Europa. Já o Girolando foi uma raça criada aqui no Brasil e, por isso, traz a identidade da nossa pecuária. Temos interesse em investir em novas tecnologias para garantir um avanço ainda maior da raça. Vários investimentos já estão sendo feitos

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nas instituições de pesquisa de Minas Gerais para proporcionar essa evolução”, disse Narcio. O secretário de Agricultura, Elmiro Nascimento, disse que o leite é o produto mais democrático que temos no Brasil. “Todo município tem produção de leite, o que permite uma renda extra para a maioria das propriedades rurais brasileiras. Temos capacidade de ampliar a produção, pois há recursos disponíveis para ao agronegócio”, destacou o secretário, que declarou ser produtor de leite e criador de Girolando. Os números da Embrapa Gado Leite mostram como os investimentos em melhoramento genético levam ao aumento de produção significativa. De 1989 a 2010, a produção de leite por vaca Girolando em lactação subiu 239% no período. “A produção que antes era de 1990 kg/leite por lactação saltou para 4781 kg/leite. A raça é responsável hoje por 80% da produção de leite do país”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, José Donato Dias Filho. O Brasil produz cerca de 30 bilhões de litros de leite/ano. Já Duarte Vilela ressaltou que há uma grande demanda pela genética da raça Girolando no mercado internacional. “A China tem potencial para importar 50 mil matrizes por ano, pois precisa suprir sua grande demanda por lácteos”, afirmou o Chefe-gerale da

Fotos: Luciene Franklin

Larissa Vieira

Embrapa Gado de Leite. A programação do Congresso incluiu uma série de palestras técnicas. O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Marcos Vinícius Barbosa da Silva, falou sobre os avanços genéticos que a raça vem alcançando e os projetos de seleção genômica. “Vamos iniciar a mensuração de novas características da raça, como termotolerância e de ordenha com/sem bezerro. Para o próximo ano, vamos publicar a conclusão do sequenciamento do genoma do Girolando, o que nos permitirá identificar marcadores específicos para características que o mercado deseja”, explicou Silva. As pesquisas com o genoma estão sendo desenvolvidas em parceria com a Universidade de Guelph, do Canadá, e o USDA. A pesquisadora da Embrapa Gado de Diversas autoridades prestigiaram a abertura do Congresso de Girolando Leite, Marta Martins, falou sobre a formação do Banco de DNA da raça Girolando, que já conta com 1.063 amostras coletadas dos touros e de filhas dos reprodutores do Teste de Progênie da Girolando. Os estudos com genoma bovino também foram abordados pelo professor da UNESP, José Fernando Garcia. “Com o desenvolvimento de ferramentas genômicas (especificamente os painéis de marcadores SNP de alta densidade), passa a ser possível realizar o ajuste fino dos cruzamentos e pré-determinar os tipos animais exigidos para cada sistema de produção. É necessário, entretanto, aproveitar a organização e os avanços conquistados pelo programa de melhoramento genético hoje existente no Girolando para desenvolver as pesquisas necessárias para criar testes de DNA preditivos para determinar a melhor combinação cromossômica para cada sistema”, explica Garcia. Outro assunto do dia no Congresso foi a Secretário Nárcio Rodrigues recebe homenagem da Girolando pelo apoio ao projeto de construção do Centro de estratégia de cruzamentos na pecuária de leite Capacitação Girolando no Brasil. O consultor e ex-professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Fernando Enrique Madalena, destacou a evolução dos cruzamentos a partir da década de 70. “De 1977 a1992, a Embrapa e a FAO realizaram o projeto ‘Desenvolvimento do mestiço leiteiro brasileiro’ onde avaliamos vacas de elite de várias raças que pertenciam a 14 rebanhos mestiços. O projeto tinha critérios de seleção focados em produção, reprodução e adaptação”, destacou Madalena. O mapeamento de regiões no DNA e a seleção assistida por marcadores podem ser usados para acelerar o melhoramento genético e oferecer novas ferramentas de controle e tratamento de doenças infecciosas e parasitárias para os sistemas de produção. De acordo com a pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, Elizângela Guedes, a atividade agrícola evoluída e com boa rentabilidade é baseada em três pilares: manejo nutricional, melhoramento genético e saúde animal. “Se houver um desbalanço entre esses três itens, o sistema de produção deixa de ser atrativo e lucrativo para o produtor. Com relação à saúde animal, as doenças infecciosas como mastite, brucelose e tuberculose, e as doenças parasitárias causadas por vermes e carrapatos, são importantes por causarem queda na produtividade do rebanho e prejuízos

“O Girolando foi uma raça criada aqui no Brasil e, por isso, traz a identidade da nossa pecuária.”

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centou. As novidades na área de produção, fertilidade e termotolerância na raça Girolando foram apresentadas pelo professor da UNESP, José Luiz Moraes de Vasconcelos. Já o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ronaldo Braga Reis, abordou os desafios na ordenha de vacas Girolando F1. O professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Marcos Neves Pereira, encerrou a rodada de palestras apresentando o potencial do Girolando para alta produção de leite e sólidos. Ele também foi moderador da mesa redonda que encerrou o Congresso. A formação de um Comitê Técnico Independente, composto por pesquisadores das principais universidades e centros de pesquisa brasileiros interessados em contribuir com a consolidação da raça Girolando, foi uma das sugestões apresentadas durante o debate.

Teste de Progênie em expansão

Flashes Congresso de Girolando Fotos: Luciene Franklin

econômicos provenientes, principalmente, do gasto com medicamentos (antibióticos, vacinas, vermífugos e carrapaticidas)”, informou Elizângela. A pesquisadora lembra que novas alternativas de controle e tratamento baseadas no material genético, ou seja, no DNA dos animais estão sendo pesquisadas. “Uma delas é a seleção genômica de animais resistentes a vermes e carrapatos, através dos estudos de associação. Seguindo por esse caminho, pretendemos obter os fenótipos (contagens de ovos de vermes nas fezes e contagem de carrapatos) e os genótipos que são indispensáveis para a realização de um estudo genômico, a partir dos animais inscritos no Teste de Progênie da Girolando. A análise desses dados permitirá a identificação de regiões que contenham genes responsáveis pela resistência ou susceptibilidade desses animais a vermes e carrapatos”, acres-

Autoridades na abertura do Congresso

Diretoria da Girolando

Mais de 400 pessoas participaram do Congresso

Mesa redonda encerrou o Congresso

Secretário de Agricultura Elmiro Nascimento

Secretário Narcio, João Domingos, Donato e deputado Piau

Técnicos da Girolando

João Eduardo Benini e Adriano T. Lourenço

Paulo Mello e Daniela Silva

Rodrigo Longo e Sérgio Luiz

Daniela e Magnólia Silva, Mila Carvalho e Ilza Helena

Presidente da Girolando Donato e palestrante Marcos Neves

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ropriedades rurais da cidade de Córrego Dantas (MG) serão beneficiadas com a doação de doses de sêmen de touros da raça Girolando. Durante o 1º Congresso Brasileiro da Raça Girolando, foi assinado um termo de cooperação técnica entre a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e a Prefeitura Municipal de Córrego Dantas. O acordo prevê a doação de 700 doses de sêmen de animais do Teste de Progênie da raça para a prefeitura. O documento foi assinado pelo presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, pelo secretário de Agricultura de Córrego Dantas, Wanderson Ricardo Maia, e pelo coordenador operacional do Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando, Marcello Cembranelli. A prefeitura irá repassar as doses a 30 propriedades rurais, que passam a atuar como Rebanho Colaborador do Teste de Progênie. Além das 700 doses doadas pela associação, a prefeitura adquiriu mais 300 doses para distribuir entre as fazendas cadastradas. A capacitação do técnico que fará a inseminação dos rebanhos colaboradores foi feita gratuitamente pela empresa CRV Lagoa. A prefeitura mantém um programa de incentivo à pecuária leiteira. Os criadores da cidade foram cadastrados, receberam assistência técnica na parte de gestão, sanidade e reprodução. Eles também contarão com a assistência dos técnicos da Girolando, que farão o cadastramento e mensuração das bezerras, filhas dos touros do Teste de Progênie. Os dados coletados nas propriedades pelos técnicos serão utilizados nas avaliações genéticas realizadas pela Embrapa Gado de Leite e publicadas, ao final do Teste, no Sumário de Touros da raça. O material genético, entregue aos produtores de Cór-

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rego Dantas em agosto, pertence aos touros participantes do 12º Grupo do Teste de Progênie Girolando. Outras cidades também devem firmar este ano termo de cooperação técnica com a associação para facilitar o acesso dos produtores a uma genética de qualidade. Entre elas, estão: Mirassol (MS), Pains (MG) e São Luís (MA). O Teste de Progênie tem como objetivo selecionar animais de genética superior, capazes de transmitir aos descendentes características que venham a melhorar a produção de leite, morfologia e características de manejo. Para que um rebanho seja colaborador do Teste de Progênie é necessário atender a alguns pré-requisitos, dentre eles: fornecer os dados das progênies dos touros em teste aos técnicos do programa durante as visitas técnicas; realizar a pesagem das bezerras e bezerros ao nascer; realizar o controle leiteiro das filhas dos touros na sua primeira lactação e suas companheiras contemporâneas de rebanho.

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Casal Renato e Ilza e prefeito de Araxá Jeová Moreira da Costa

Palestrante Marcos Vinicius e diretor da Girolando Milton Magalhães

Palestrante Fernando Madalena e vice-presidente da Girolando Fernando Brasileiro

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Público conhece as novidades das empresas

Diretor da Girolando João Domingos e palestrante Marta Martins

Palestrante Fernando Garcia e diretor da Girolando Adolfo Nunes

Fotos: Luciene Franklin

Fotos: Luciene Franklin

Estande GEA

Presidente da Grolando e deputado Bosco

Equipe Tropical Genética e Cássio Paiva Leilões

Estande da Arap

Equipe CRV Lagoa

Equipe Abs Pecplan

Equipe Kera

Equipe In Vitro

Equipe LinkGen

Equipe MSD Saúde Animal

Equipe Pfizer

Equipe Real H

Equipe Semex

Equipe Elanco

Equipe Embrio Sêmen

Equipe Nutron

Equipe Alta Genetics

Diretor da Girolando Ivan e palestrante Ronaldo Braga

Associação Mineira de Holandês e Primo Pedigree e Potencial

Vice-presidente da Girolando Jônadan e Elizângela Guedes

Palestrante José Vasconcelos e vice-presidente da Girolando Maurício Silveira

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Leandro de Carvalho Paiva Superintendente Técnico

Conhecendo os Prejuízos do Tratamento Preferencial e do Controle Leiteiro Seletivo

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urante o debate final do 1º Congresso Brasileiro da Raça Girolando, observamos que ainda existem muitas dúvidas quanto à prática do controle leiteiro nos rebanhos, principalmente sobre sua verdadeira finalidade. Desta forma, achamos importante abordarmos este assunto mais uma vez na revista “O Girolando”, para que os criadores possam entender melhor sobre os benefícios desta importante ferramenta e sobre os prejuízos que ela pode causar se for utilizada incorretamente. Nos dias de hoje o controle leiteiro é uma prática comum em boa parte dos rebanhos leiteiros do país, principalmente naqueles em que trabalham com muita tecnologia e são extremamente profissionais. Mas, infelizmente alguns produtores de leite ainda têm certa resistência ao controle leiteiro: a maioria deles alega que sua utilização exige muita mão-de-obra e trabalho; em alguns casos também dizem que é perda de tempo, e sabemos que isso não é verdade. A utilização do controle leiteiro é inquestionável, pois sabemos da grande importância desta excelente ferramenta que tem como principais finalidades: alimentar corretamente os animais com base na produção diária de leite; auxiliar na seleção do rebanho; descartar animais de menor desempenho; avaliar corretamente as lactações de acordo com os dados obtidos; divulgar dados de produção do rebanho a outros criadores e realizar avaliações genéticas. Dessa forma, podemos dizer que sua utilização está diretamente ligada à rentabilidade do rebanho. O controle leiteiro é realizado por boa parte dos produtores de leite em nível de fazenda, sendo as informações para uso interno da propriedade. Já os produtores de leite ou criadores que participam de programas de melhoramento genético e fazem o registro genealógico dos animais, participam do controle leiteiro oficial executado pelas associações de criadores e reconhecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esses criadores, além de utilizar as informações nas propriedades, contribuem com os programas de melhoramento genético, e agregam valor aos animais e ao trabalho realizado no rebanho. Alguns criadores que participam do controle leiteiro oficial realizam algumas práticas que são alta-

mente prejudiciais aos rebanhos, sendo o controle leiteiro seletivo e o tratamento preferencial as duas de maior impacto. O criador acha ou tem a ilusão de que essas práticas irão proporcionar alguns benefícios, ficando somente no “achismo”. Quando se fala em melhoramento genético e seleção de animais não podemos ficar achando que é ou que não é, temos que ter certeza do que estamos fazendo e, para isso, a correta utilização do controle leiteiro é de fundamental importância, pois não existe melhoramento ou seleção sem um bom controle leiteiro. O controle leiteiro seletivo é caracterizado pela seleção de alguns animais do rebanho, geralmente somente os melhores, que serão submetidos ao controle leiteiro oficial. Quando o criador realiza essa prática geralmente o que ele quer é não divulgar oficialmente as lactações dos animais que ele considera serem de pior desempenho produtivo ou, às vezes, não divulgar a média de produção real do rebanho, realizando o controle leiteiro apenas de um pequeno grupo de vacas que são consideradas as melhores do rebanho. Porém, quando o controle é limitado a um número muito pequeno de animais a avaliação do desempenho produtivo fica estimada de forma errada, fazendo com que animais positivos passem a ser negativos, e vice-versa. As tabelas a seguir mostram o que o controle leiteiro seletivo pode causar aos rebanhos. Na tabela 1, podemos observar as lactações encerradas, padronizadas em 305 dias, de um rebanho

simulado com 10 vacas em controle leiteiro, com os respectivos desvios de produção em relação à média do rebanho. 100% dos animais do rebanho foram submetidos ao controle leiteiro. Fazendo uma análise da simulação anterior, podemos observar que as vacas L, I, E, G e F tiveram desempenho superior em relação ao restante do rebanho, obtendo desvio positivo para produção de leite em relação à média, que foi de 5.095 kg. Esse exemplo é de um rebanho que realiza o controle leiteiro de todos os animais, não tendo prejuízos com o controle leiteiro seletivo. Na tabela abaixo (tabela 2) podemos observar outro exemplo do mesmo rebanho citado na tabela 1. Porém, nessa nova simulação, em que foi realizado o controle leiteiro seletivo, somente quatro vacas foram submetidas ao controle, ou seja, 40% do total de vacas da simulação anterior.

para 6.362,50 kg de leite. Comparando as duas simulações podemos concluir que, apesar da média do grupo de vacas controladas ter aumentado para 6.362,50 kg de leite, os prejuízos foram muitos. As vacas E e G, que possuíam desempenho positivo no primeiro exemplo, passaram a ter desempenho negativo na segunda simulação. As vacas L e I tiveram uma redução do desvio de produção de leite em relação à média do rebanho. Dessa forma, todos os quatro animais seriam prejudicados em uma avaliação do seu mérito genético, pois os quatro tiveram redução de desempenho em relação à média, sendo que as vacas E e G seriam as mais prejudicadas por passarem a ter desempenho negativo. Além do prejuízo nas avaliações genéticas, se fosse realizado um descarte de animais de acordo com os dados de produção do controle leiteiro, as vacas que obtiveram desempenho negativo (E e G) seriam descartadas, sendo que quando analisados os dados de todos os animais, como demonstrado na tabela 1, estas tiveram desempenho positivo e permaneceriam no rebanho. Sem contar que do total de dez animais, seis não tiveram a produção de leite controlada, impossibilitando qualquer tipo de avaliação e análise do Tabela 2 – Produção de leite em 305 dias e desvio em relação à média, de um rebanho simulado com 10 vacas, quando somente 4 foram desempenho produtivo. submetidas ao controle leiteiro. Além de prejudicar a correta seleção e descarte, essa prática causaria grandes prejuízos ao programa de melhoramento genético do qual o rebanho Nesta segunda simulação, as vacas L e I tiveram desempeparticipa, pois o modelo animal e metodologia de análise utilizada nho superior em relação às vacas E e G, e a média do rebanho subiu

Tabela 1 – Produção de leite em 305 dias e desvio em relação à média, de um rebanho simulado com 10 vacas.

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Fotos: Divulgação

não conseguem eliminar esses efeitos. Outra prática altamente prejudicial aos rebanhos participantes do controle leiteiro é o tratamento preferencial dos animais. O criador fornece para alguns animais uma condição especial de manejo e nutrição, não levando em consideração somente a produção de leite, mas também a genealogia, características morfológicas, valor comercial do animal e, até mesmo, valor sentimental. O correto é alimentar adequadamente o rebanho de acordo com a produção de leite e, caso seja necessário adotar determinado Tabela 3 – Produção de leite em 305 dias e desvio em relação à média, de uma simulação em um rebanho com 7 vacas, submetidas ao manejo ou procedimento, que isso seja feito mesmo manejo e nutrição. com todos os animais em produção. Sabe-se que a média da herdabilidade genética para a característica da produção de leite é baixa, próxima de 30%, sendo o restante da produção de leite resultado da nutrição e do manejo oferecidos aos animais. Vale lembrar que os animais somente corresponderão, ou mais ou menos, à nutrição e ao manejo se possuírem aptidão para a produção de leite. Sendo assim, qualquer que seja o tratamento que está sendo direcionado a um determinado grupo de animais, pode- Tabela 4 – Produção de leite em 305 dias e desvio em relação à média, de uma simulação em um rebanho com 7 vacas submetidas ao tratamento preferencial. rá afetar de forma significativa a avaliação genética dos rebanhos; consequentemente nos programas de melhoramento genético e seleção, afetando dirente, para que essa excelente ferramenta de seleção seja aproveiretamente o teste de progênie de touros e avaliação genética de tada da melhor forma possível. matrizes. A seguir, podemos observar os prejuízos causados pelo tratamento preferencial, comparando as tabelas 3 e 4. Nesse exemplo nenhuma vaca recebeu qualquer tipo de benefício em relação às demais. Sendo assim, as vacas A, B e C obtiveram desempenho favorável em relação à média do rebanho. Na tabela 4, simulamos uma situação de tratamento preferencial para quatro animais do exemplo anterior. As vacas B, A, D e E receberam alimentação e manejo diferenciados e cada um desses animais respondeu de forma diferente aos benefícios concedidos. Podemos observar que houve grande diferença nos desvios de produção de leite de cada animal em relação aos desvios obtidos na tabela 3. Algumas vacas foram muito prejudicadas e outras beneficiadas, o que pode ocasionar sérios erros na seleção dos animais e avaliação do rebanho. Todas essas práticas são altamente prejudiciais aos rebanhos. Cabe aos técnicos e criadores a conscientização de realizar o controle leiteiro de forma correta e transpa-

Controle Leiteiro, principal ferramenta de seleção e orientação ao manejo de animais em rebanhos leiteiros

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Rafael Ribeiro de Lima Filho

Zootecnista - Scot Consultoria

Mercado do leite:

mudança de tendência em curto prazo

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egundo levantamento da Scot Consultoria, no pagamento de setembro, que remunera a produção de agosto, a média nacional ficou em R$0,846 por litro. O aumento foi menor que 1% em relação ao pagamento de agosto.

Figura 1. Preço médio do leite ao produtor, média nacional, em R$/litro.

Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br

A produção de leite mostrou recuperação nas últimas semanas, no Sul do país, mas no Centro-Oeste e Sudeste a pastagem ruim segue limitando a oferta de matéria-prima para as indústrias. Nestas duas últimas regiões, apesar de o volume de leite captado ter aumentado em alguns laticínios, em boa parte das empresas (aproximadamente 60% do volume da pesquisa) a captação ficou estável ou apresentou ligeira queda. Em São Paulo, o preço médio ao produtor subiu 0,6% no pagamento de setembro. Mercado praticamente estável em relação a agosto. O produtor paulista recebeu, em média, R$0,910 por litro. Para o leite de qualidade, os valores ultrapassaram R$1,05/ litro nas regiões de Avaré, Campinas e São Carlos. Em Minas Gerais o produtor recebeu, em média, R$0,885 por litro de leite, em setembro. Um aumento de 0,9% em relação ao pagamento anterior. O Estado ainda sofre com a falta de chuva em algumas regiões, como é o caso do Triângulo Mineiro.

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Em muitos casos a queda no volume chegou a mais de 5,0% frente ao mês anterior. No Nordeste a situação é mais complicada. A produção caiu entre 5% e 10% em agosto, nas bacias pesquisadas. No mercado spot, considerando a média de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, o preço do leite caiu 2,9% em setembro, na comparação com agosto. Os recuos ocorreram na segunda quinzena do mês e o preço médio ficou em R$0,99 por litro, com negócios em até R$1,07 em Minas Gerais. Para o próximo pagamento, a ser realizado em meados de outubro, a expectativa é de estabilidade de preços para o produtor. Quedas nas cotações são esperadas a partir de novembro, com a rebrota do capim e consequente aumento da produção, em especial no Sudeste e Centro-Oeste. E o leite longa vida... O preço do leite longa vida caiu 2,5% no atacado, em setembro, na comparação com agosto. Mesmo com a indústria pagando mais pela matéria prima, o UHT parece ter encontrado um pico neste patamar de preço. Existe dificuldade de repasse das altas para os produtos no atacado. Os laticínios sinalizam estoques elevados do produto. É importante destacar, também, que o varejo diminuiu as compras diante das expectativas de quedas no preço do leite (safra) em curto e médio prazos. Já no varejo, o preço do leite longa vida subiu 1,4% em relação a agosto. Na ponta final, o valor médio atual, de R$2,40 por litro, está bem próximo dos patamares recordes verificados na entressafra de 2009. Os maiores valores verificados em setembro ultrapassaram R$3,00 por litro no varejo, em São Paulo. O consumo de lácteos está aquecido, ao mesmo tempo em que a captação é pequena. O limitante para novas altas será a demanda. Fica também a expectativa com relação à retomada da produção, no país, com a safra.

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Ali William Canaza Cayo Aluno de Doutorado em Genética e Melhoramento - UFV - Viçosa - MG

Paulo Sávio Lopes Professor do Departamento de Zootecnia - UFV - Viçosa - MG

Wagner A. Arbex Pesquisador da Embrapa Gado de Leite - Juiz de Fora - MG

Marta F. Martins Pesquisador da Embrapa Gado de Leite - Juiz de Fora - MG

Marcos Vinicius G. Barbosa da Silva Pesquisador da Embrapa Gado de Leite - Juiz de Fora - MG

Endogamia na raça Girolando

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urante os últimos anos, a pressão de seleção e o uso de novas tecnologias reprodutivas (i.e., inseminação artificial, transferência de embriões e fecundação in vitro) têm sido intensificados nos rebanhos da raça Girolando. Essas estratégias, que resultam no uso de poucos animais selecionados como progenitores da próxima geração, contribuíram para que os programas de melhoramento genético convencionais não apenas acelerassem o progresso genético, mas, também, reduzissem a diversidade genética. Além disso, a possibilidade de co-selecionar animais mais aparentados, provocando o aumento da endogamia, é também potencializada pelo uso de métodos estatísticos avançados, tais como a metodologia BLUP, por meio do modelo animal, que geram os valores genéticos ou PTAs (sigla em inglês para Predicted Transmiting Ability, ou habilidade predita de transmissão). (Weigel, 2001).

O coeficiente de endogamia pode ser definido como a gamia médio) e o CR na população total foram 0,11 e 0,13 %, porcentagem de genes com alelos similares que são herdados respectivamente. Do total de animais analisados (26.969), 818 de um ancestral comum. O efeito da endogamia sobre caracterísapresentaram valores positivos de endogamia (634 fêmeas e ticas de importância econômica é conhecido como a depressão 184 machos), apresentando um F médio de 3,69% Esses vaendogâmica, definida como o declínio no desempenho de anilores médios de endogamia, tanto da população total quanto mais endogâmicos. da população que incluía somente os animais endogâmicos, Estudos conduzidos, no Brasil, sobre avaliação da endosão considerados baixos e são próximos aos valores encongamia em gado leiteiro, são ainda, escassos. Paiva (2006), estutrados na raça Holandesa, no Brasil (Zambianchi et al., 2002; dando um rebanho de bovinos leiteiros da raça Holandesa, relaPaiva, 2006); entretanto, são menores do que os valores de 0,9 tou coeficiente de endogamia (F) médio de 0,38% e verificou que e 2,82% relatados nas raças Guzerá (Peixoto et al., 2010) e Gir apenas 16,65% dos animais da população eram endogâmicos. Leiteiro (Reis Filho et al., 2010), respectivamente. O baixo grau Reis Filho et al. (2010), com registros de animais da raça Gir Leide endogamia observado no presente estudo estaria associado teiro, relataram valores de F e coeficiente de relação médio (CR) com os esquemas de registro aberto da Associação Brasileira da população de 2,82 e 2,10%, respectivamente. No entanto, não dos Criadores de Girolando, a fim de manter elevados níveis foram encontrados, na literatura, estudos de endogamia na raça de variabilidade e reter níveis máximos possíveis de heteroses Girolando. Portanto, o objetivo do presente estudo foi avaliar a entre as raças Holandesa e Gir. Além disso, os produtores, proendogamia nesta raça. vavelmente, procuraram evitar acasalamentos entre indivíduos Neste estudo, foram utilizados dados de pedigree de 26.969 animais, Tabela 1. Coeficiente de endogamia médio (F), coeficiente de relação médio (CR) e tamanho efetivo da população ( ), por geração completa traçada. provenientes do Arquivo Zootécnico Nacional de Gado de Leite, fornecidos pelo Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando, sob coordenação da Embrapa Gado de Leite e Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. O F médio (coeficiente de endo-

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Figura 1. Tendência da endogamia por ano de nascimento na raça Girolando.

aparentados, já que o grau de parentesco entre os indivíduos não é, em média, elevado, uma vez que apenas 1,63% do total de animais são endogâmicos. O valor do CR relatado neste estudo foi considerado baixo, especialmente quando comparado aos valores de 1,1 e 2,10%, relatados nas raças Guzerá (Peixoto et al., 2010) e Gir Leiteiro (Verneque et al., 2006; Reis Filho et al., 2010). Essa diferença pode refletir o esforço dos criadores em evitar a endogamia por meio de distintas estratégias de acasalamento. Portanto, o CR calculado para a raça Girolando indica que pode ter havido significativo intercâmbio de material genético entre rebanhos, evidenciando esse baixo nível de endogamia na população. Na Figura 1, mostra-se o coeficiente médio de endogamia dos animais nascidos entre 1989 e 2008. Em 1993 o coeficiente de endogamia chegou ao valor de 15,6%, caindo abruptamente para 0,8% em 1996, com novo aumento para 6,1% em 1998 e, em seguida, houve diminuição paulatina até 1% em 2008, ou seja, queda de 93,59% em 15 anos. Esses resultados podem ter sido encontrados em função da introdução de touros de outros rebanhos por meio de inseminação artificial em vez do uso de touros do mesmo rebanho, além da prática de acasalamento planejado, realizado na maioria dos rebanhos. Na Tabela 1 são apresentadas as médias dos valores F, CR e do tamanho efetivo da população (Ne), por geração completa traçada, considerando todos os animais analisados. Os resultados indicam evidente aumento da F e CR, e tendência

flutuante do Ne ao longo das gerações. O Ne apresentou, nas quatro gerações, valores bem acima do mínimo recomendado por Goddard e Smith (1990), os quais sugeriram Ne mínimo de 40 por geração, de modo a maximizar o ganho genético em população selecionada para produção de leite. Similares oscilações do Ne foram obtidas por Peixoto et al., (2010), em que Ne variou de 100,8 a 16,1 para a raça Gir. Os maiores valores do Ne podem ter sido encontrados em razão da política de registros abertos por parte dos criadores da raça Girolando. Portanto, pode-se indicar que a variabilidade genética da população Girolando encontra-se nos níveis aceitáveis. A média do intervalo de gerações, ou seja, a média da idade dos pais ao nascimento de sua prole, foi igual a 5,26 anos. Esse valor é inferior aos relatados nas raças Guzerá e Gir Leiteiro (Peixto et al., 2010; Reis Filho et al., 2010). Essa diferença pode ser explicada pela rápida substituição dos reprodutores na população do Girolando. Portanto, na população do Girolando, espera-se progresso genético significativo nas próximas gerações. Conclui-se que a porcentagem de animais endogâmicos e as estimativas das médias de endogamia, nos rebanhos da raça Girolando, foram de pequena magnitude. Além disso, o Ne foi maior que os níveis permitidos. No entanto, é importante continuar com o monitoramento do Ne, a fim de prevenir problemas de endogamia e redução na variabilidade genética.

Bibliografia Goddard, M.G., Smith, C. 1990. Optimum number of bull sires in dairy cattle breeding. Journal of Dairy Science, 73: 1113-1122. Paiva, A.L.C., 2006. Endogamia na raça Holandesa no Brasil. Tese Magister Scientiae, Universidade Federal de Viçosa, M.G. Peixoto, M.G.C.D., Poggian, C.F., Verneque, R.S., Egito, A.A., Carvalho, M.R.S., Penna, V.M., Bergmann, J.A.G., Viccini, L.F., Machado, M.A. 2010. Genetic basis and inbreeding in the Brazilian Guzerat (Bos indicus) subpopulation selected for milk production. Livestock Science, 131: 168–174. Reis Filho, J.C., Lopes, P.S., Verneque, R.S., Torres, R.A., Teodoro, R.L., Carneiro, P.L.S. 2010. Population structure of Brazilian Gyr dairy cattle. Revista Brasileira de Zootecnia, 39: 2640-2645. Verneque, R.S., Torres Filho, J.C., Reis Filho, J.C., Martinez, M.L., Lopes, P.S., Teodoro, R.L., Machado, M.A., Peixoto, M.G.C.D., 2006. Population Genetic Structure of Brazilian Gyr Dairy Cattle. Proceedings of the 8th World Congress on Genetic Applied to Livestock Production, Belo Horizonte, Brazil. CD-ROM. Weigel, K. A. 2001. Controlling inbreeding in modern breeding programs. Journal of Dairy Science, 84 (E. Suppl.):E177–E184. Zambianchi A.R., Freitas M.A.R., Costa C.N., Vieira H.C.M. 2002. Genetic parameters of milk yield and inbreeding rate in Brazilain holstein herds . 7º World Congress on Genetics Applied to livestock production. Nº 01/87 - 2002.

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Foto: Jadir Bison

Realidade Indiscutível

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ostaria de expor minha visão técnica sobre o trabalho delegado à Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na coordenação da sustentabilidade do maior rebanho leiteiro nacional. Conforme dados de 2010 do IBGE, são 30,486 bilhões de litros de leite oriundos de 22.997 milhões de vacas ordenhadas, mestiças, na sua esmagadora maioria.

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Limírio Cezar Bizonotto

Técnico da Girolando

Participo deste projeto audacioso há 20 anos; nele, pude fazer parte de várias etapas conquistadas graças à designação e comprometimento das diretorias, funcionários, criadores e parceiros que sempre acreditaram e promoveram o Programa Girolando como uma possibilidade real no universo da pecuária leiteira. Vender projetos e conceitos prontos é muito fácil; porém, vislumbrar uma nova realidade na contramão de modelos tradicionais, principalmente de países mais desenvolvidos, não é tarefa

simples. Contudo, quando se tem um bom produto bastam persistência e critérios técnicos bem elaborados para que o mercado assimile os resultados e se envolva na proposta. Mudar alguns conceitos e procedimentos técnicos na produção de alimentos de origens animal e vegetal, somente é possível com trabalho, pesquisa e programas de melhoramento genético. Hoje, na agricultura moderna, trabalha-se com sementes híbridas, melhoradas e até modificadas geneticamente. Para criação e produção de pequenos animais, como aves e suínos, responsáveis por grande parcela do mercado consumidor, também se buscam produtos híbridos para a fase de terminação, como abate e postura de ovos. Tudo isso, com o intuito de agregar vigor, saúde, precocidade e produção, o que viabiliza economicamente o negócio, além de oferecer produtos de qualidade ao mercado. Entendo, com isso, que cruzamentos e mestiçagens, desde que trabalhadas com critérios e responsabilidade, constituem uma técnica extremamente aplicável e viável. A grande massa do rebanho mestiço responsável por 80% da produção leiteira nacional compreende uma composição racial entre 50% a 75% de sangue Holandês e 25% a 50% de sangue Zebu, na sua grande maioria, da raça Gir (1/2, 5/8 e 3/4). É necessário apenas trabalharmos para o melhoramento e a sustentabilidade desta riqueza genética, que tanta competência produtiva tem apresentado, em um modelo cada vez mais aplicável, que busca produção com saúde e vigor, viabilizando efetivamente o custo-benefício da atividade. Eu afirmo que o Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando é o coração que dá vida a esta proposta, através de suas ferramentas, como o Controle Leiteiro na seleção de matrizes, e o Teste de Progênie com a avaliação linear de touros são responsáveis pela consolidação e perpetuação do Girolando no mercado leiteiro mundial. O Brasil é uma nação geograficamente grande e com diferenças culturais, climáticas e de relevo, onde às vezes se discute qual a melhor fração sanguínea para cada característica de manejo. Eu acredito que devemos respeitar as diferentes realidades de rebanhos, pois é o que viabiliza a produção de leite nos vários perfis e torna o Brasil mais competitivo no mercado internacional. Porém, devemos focar o desenvolvimento de trabalhos que venham atender principalmente àqueles rebanhos que representam a grande massa populacional que indica nossa maior aptidão, que é a composição entre 50% a 75% de sangue Holandês (1/2, 5/8 e 3/4). Para isso, devemos continuar priorizando e aprimorando o Teste de Progênie que trabalha com touros PS, 5/8 (62,8% HOL) e 3/4 (75% HOL), proporcionando, assim, independentemente das variadas bases genéticas que existem neste Brasilzão, a possibilidade, através dos touros Girolando provados, convergir e/ou estabilizar os rebanhos para o ideal, ou seja, o que atende a grande maioria sustentável que representa efetivamente a realidade econômica do setor. Machos melhoradores garantem a perpetuação de qualquer espécie viva, por serem responsáveis pelo maior número de descendentes, lembrando que um bom macho tem 50% de uma boa mãe. Digo isso para afirmar que a evolução das espécies vivas no mundo aconteceu de acordo com a necessidade de adaptação ao ambiente, e o Girolando é uma destas espécies do mundo atual. Cabe a nós compreendê-la e ajudá-la a povoar solidamente parte deste planeta. Esta é uma realidade indiscutível!

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Médico Veterinário

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Rafael Tavares Ribeiro

racterizados pela persistência de um ou mais folículos ovarianos, por mais de 10 dias, apresentando tamanho variável, em geral superior a 2,5cm (figura 1), associado à ausência de corpo lúteo em ambos os ovários. Vários autores relatam maior predisposição em vacas que apresentam partos auxiliados, retenção de placenta e distúrbios metabólicos no período pós-parto, sendo que todas as situações que levam ao estresse representam fatores de risco para a ocorrência de cistos em vacas pela liberação de hormônios que inibem a secreção do LH (hormônio responsável pela ovulação). Outro motivo predisponente ao desenvolvimento de cistos é o estresse metabólico sofrido por vacas leiteiras de alta produção, pois no período pós-parto geralmente são submetidas a uma dieta de alta densidade e pobre em forragem verde, sendo mais comum a

Fig. 2 - Cistos foliculares, imagem ultrassonográfica.

Eficiência Reprodutiva:

Cistos Foliculares

ocorrência nos dois primeiros meses de lactação, podendo ocorrer associada à pododermatite asséptica difusa, mais conhecida como laminite. No início da formação cística, devido à grande produção de estrógeno, a vaca apresenta geralmente sintomas de ninfomania (figura 2), com manifestações de cio em intervalos irregulares e inferiores a 21 dias. Com o passar do tempo, com a modificação

das células inicia-se a produção de hormônios que bloqueiam a secreção do GnRH (responsável pelo pico de LH), levando à ausência de cio (anestro) como se o animal possuísse um corpo lúteo. Cistos foliculares por períodos prolongados podem desencadear casos de acúmulo de muco ou líquido no útero, sendo este muitas vezes cristalino, dando a falsa impressão de um cio limpo. Com o emprego, cada vez mais difundido da ultra-sonografia na reprodução de campo, a detecção dos problemas reprodutivos se torna ainda mais eficiente, evitando diagnósticos errados, o que potencializa o tratamento e aumenta a eficiência reprodutiva, diminuindo o intervalo entre partos com intervenções pontuais. O tratamento mais comum, recomendado para resolver o problema de cistos ovarianos, consiste na aplicação de hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) ou de preparações hormonais que possuam atividade semelhante ou parecida ao hormônio luteinizante (LH), tais como o próprio LH ou a gonadotrofina coriônica humana (hCG). Entretanto, todo tratamento de patologias reprodutivas inicia-se com a prevenção e o diagnóstico precoce das mesmas, sendo que para isso é indicado que a propriedade tenha o acompanhamento de um médico veterinário responsável pela elaboração de um planejamento reprodutivo, bem como da implantação das diversas estratégias de tratamento das anomalias encontradas. Bibliografia ALVAREZ, R.H. Problemas Reprodutivos no Pós-Parto de vacas leiteiras. Disponível em: http://www.infobibos.com/Artigos/2009_3/Problemas Reprodutivos/index.htm ANDREWS, A.H. Medicina Bovina: Doenças e Criação de Bovinos. Editora Roca, 2. Ed. São Paulo, 2008. CUNNUNCGHAM, J.G. Tratado de Fisiologia Veterinária. Guanabara Koogan, Terceira edição. Rio de Janeiro, 2004. PALHANO, H.B. Reprodução em Bovinos: Fisiopatologia, Terapêutica, Manejo e Biotecnologia. L.F. Livros, 2. Ed. Rio de Janeiro, 2008.

A

eficiência produtiva de um rebanho leiteiro depende diretamente da reprodutiva, sendo determinada pela capacidade das vacas em produzir uma cria por ano. Para que isso aconteça é necessário que a concepção aconteça no máximo até o 85º dia pós-parto, o que implica na necessidade do retorno rápido das matrizes à atividade reprodutiva. Em condições de manejo adequado, aproximadamente 90% das vacas em lactação ovulam no período de 60 dias após o parto, sendo que nesses casos a melhor ferramenta para um bom aproveitamento está relacionada a um bom sistema de observação de cio. Os outros 10% são as consideradas “vacas problema”, que por algum motivo não apresentam sinais de cio. No presente artigo abordaremos um problema específico que acomete principalmente as vacas de leite, animais de raças geneticamente melhoradas para melhor eficiência produtiva: os cistos foliculares. Estes são ca-

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Fig. 1 - Ovários policísticos.

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MSc Mara Helena Saalfeld

Médica Veterinária Emater-RS/Ascar Doutoranda em Biotecnologia pela UFPel, Pelotas-RS

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Constituição do colostro, conforme ordenhas:

Fonte: Foley e Otterby, 1978, J. of Dairy Science 61:1033

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Atualmente, 245 milhões de vacas produzem leite no mundo. Para alimentar as crias destas vacas, considerando só fêmeas, são necessários cerca de 31 bilhões de litros de leite. Para cada ser humano é recomendado pelo Guia Brasileiro de Alimentação Humana o consumo médio de 200 litros de leite por ano. Assim sendo, com o consumo do leite anteriormente destinado aos bezerros, pode-se alimentar 155 milhões de pessoas anualmente. Com este volume, podemos suprir o déficit estimado pela FAO, para 2014, de 34 bilhões de litros de leite que serão necessários para alimentar uma população estimada em 7,7 bilhões de habitantes.

Para termos leite de qualidade e quantidade será preciso criar bem as bezerras, e há muitos anos se sabe que o segundo maior gasto dentro da atividade leiteira é com a criação dos bezerros, sendo o gasto maior apenas com as vacas em lactação. Fisiologicamente a bezerra precisa consumir leite, pelo menos por até 45 dias, período em que seu sistema digestivo não consegue digerir e aproveitar proteínas que não sejam do leite. Para obter maiores ganhos os produtores substituem o leite na alimentação dos bezerros por produtos comerciais. Entretanto, muitos fornecedores colocam no mercado substitutos para o leite nem sempre confiáveis, tendo na sua constituição produtos de difícil absorção ao recém-nascido, causando problemas no desenvolvimento dos animais. E outro fato importante é o custo desses sucedâneos, muitas vezes mais caro que o lucro do litro de leite vendido. Outro fator limitante é a qualidade da água usada na diluição do sucedâneo, muitas vezes de qualidade questionável. A melhor opção para os bezerros é o leite. Entretanto, o lucro obtido pela venda do leite é interessante ao produtor. Assim, para diminuir custos, criar corretamente os animais e dar novo destino ao colostro excedente nas propriedades, desenvolvemos a silagem de colostro. Assim, evita-se a contaminação do ambiente com o excedente de colostro. Os órgãos ambientais exigem o tratamento do produto descartado, por se tratar de efluente com grande capacidade de desenvolvimento de microorganismos e insetos, quando jogado na natureza. É de conhecimento geral que o colostro não tem valor comercial e é descartado na maioria das propriedades. Mas pode ser aproveitado e gerar renda aos produtores. A silagem de colostro é um sucedâneo natural ao leite, fornecendo aos animais todos os constituintes necessários ao correto desenvolvimento dos bezerros. Além de anticorpos e nutrientes, o colostro possui substâncias bioativas e fatores de crescimento. O melhor desenvolvimento de bezerras tratadas com silagem de colostro deve-se a estes fatores de crescimento e a constituintes em maior proporção da existente no leite.

Silagem de colostro,

sucedâneo de qualidade para bezerros

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É um alimento fácil de produzir A silagem de colostro produzida no primeiro dia de lactação tem maior percentual de constituintes que nos dias sucessivos, e isso o próprio produtor pode constatar visualmente nas garrafas (Veja foto).

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produtor pode utilizar uma técnica de aleitamento simples, de fácil apropriação, que cria corretamente os bezerros e, o mais importante, não requer investimentos em insumos, instalações ou maquinaria. Isto é possível utilizando a silagem de colostro. O colostro é o primeiro leite produzido pelas vacas, em média até seis dias após o parto e, por não ter valor comercial, é rejeitado pelos produtores e pela indústria. Em comparação ao leite maduro, ele pode ter até cinco vezes mais proteínas do que o leite, no dia do parto, e ir decrescendo até o dia em que fica com a constituição do leite maduro, em média com 3% de proteína. Usar o colostro congelado ou resfriado já é comum em algumas propriedades rurais, mas gera custos com energia elétrica e encarece o produto final.

Mara Helena Saalfeld, médica veterinária da EMATER-RS/ASCAR

Em alguns Estados do Brasil se utiliza a venda do leite após cinco dias da produção de colostro e, em outros, esta espera vai até

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Para produzir a silagem de colostro Deve-se utilizar garrafas de plástico lavadas e esterilizadas com álcool a 70% ou água sanitária, e secas. Encher completamente as garrafas, sem deixar ar. Identificar com etiquetas, colocando o dia do engarrafamento. Guardar no local mais fresco da propriedade. Para utilizar é só diluir a silagem de colostro em igual quantidade de água a 50ºC. Homogeneizar bem e fornecer aos animais. O ideal é passar do colostro da mãe direto para a silagem de colostro. Se beber leite antes de beber a silagem, o animal vai estranhar o gosto e precisará de adaptação. O colostro in natura é amargo e salgado, o leite bastante doce, e a silagem de colostro é ácida e salgada, lembrando um iogurte natural. Usa-se a silagem de colostro até o desmame. Nossa orientação é diluir o colostro em igual parte de água a 50ºC. Orientamos dar silagem de colostro de 1º e 2º dias para bezerras com até 30 dias e, depois disso, utilizar colostro de 3º e 4º dias. O cálculo de consumo é de acordo com o peso da bezerra. Deve-se fornecer 10% do peso da bezerra em colostro. Esta quanti-

dade deve ser dividida em duas mamadas. Em nosso curso de Criação de Bovinos de leite, no Cetac, em Canguçu (RS), recomendamos começar a fornecer concentrado e pastagem a partir dos sete dias de vida da bezerra. Com este manejo com 30 dias a bezerra já está ruminando e poderá ser desmamada aos dois meses de vida. O tempo de fermentação estabiliza com sete dias. Se o produtor tem bons hábitos de higiene na ordenha pode abrir as garrafas após sete dias de fermentação. Entretanto, se houver dúvidas quanto a contaminantes ambientais no colostro a ser ensilado, recomendamos esperar um dia de fermentação. O pH da silagem de colostro fica em torno de 4, e neste pH a grande maioria das bactérias é eliminada, ficando um produto com qualidade superior ao colostro in natura que foi ensilado. Nós observamos que, após a fermentação, apenas lactobacilos vivos permanecem. Em nossos 13 anos de trabalho, já guardamos silagens de colostro com mais de cinco anos de armazenamento e estas permaneceram perfeitas para utilização. Os animais aceitam facilmente o novo alimento que se assemelha a um iogurte salgado. E o desenvolvimento dos animais em propriedades rurais tem ficado acima de ganhos de peso obtidos com leite integral ou sucedâneos. Em um trabalho publicado em 2006, observamos uma diferença de 250 gramas a mais nos animais criados com silagem de colostro. Todavia, se o ganho for semelhante ao ganho obtido com leite, já é um bom negócio ao produtor. Atualmente, temos produtores do Brasil inteiro utilizando a tecnologia e precisamos divulgar ainda mais. Sempre lembrando que em meses mais quentes do ano as garrafas devem ser guardadas em lugares mais frescos dentro da propriedade. Muitos produtores questionam sobre o procedimento em Estados mais quentes do país. Atualmente, temos produtores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil utilizando essa tecnologia com êxito. E mesmo no Rio Grande do Sul, onde desenvolvemos a tecnologia, no período de dezembro a fevereiro temos temperaturas bem elevadas. Nossa recomendação é que se use a silagem de colostro. Além de alimentar as fêmeas corretamente, com o uso da silagem de colostro, os produtores podem criar os machos e ter uma nova fonte de rendimento. Este animal pode ser abatido para consumo da família ou vendido a matadouros. A cada dois litros utilizados na alimentação de bezerros são quatro litros que sobram para alimentação de crianças e pessoas da terceira idade, que são os mais necessitados.

Adriano Henrique do Nascimento Rangel

Professor da UFRN/EAJ

Dorgival Morais de Lima Júnior

Professor da UFRPE

Cana-de-açúcar

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dez dias. Durante todo este período é possível armazenar o colostro e fazer a silagem de colostro.

na alimentação de vacas leiteiras

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leite é considerado o mais nobre dos alimentos; por sua composição rica em proteína, gordura, carboidratos, sais minerais e vitaminas, proporciona nutrientes e proteção imunológica para o neonato. Além de suas propriedades nutricionais, o leite oferece elementos anti-carcinogênicos, presentes na gordura, como o ácido linoléico conjugado, esfingomielina, ácido butírico, ß-caroteno, vitaminas A e D. A qualidade do leite in natura é influenciada por muitas variáveis, entre as quais se destacam fatores zootécnico associados ao manejo, alimentação, potencial genético dos rebanhos e fatores relacionados à obtenção e armazenagem do leite. A nutrição e as práticas de alimentação são os fatores que mais afetam a composição do leite e, dentre esses fatores, a quantidade e a qualidade do volumoso são os que mais alteram os teores de gordura e proteína do leite. Dentre as opções de volumosos suplementares, a cana-deaçúcar tem posição consolidada. Poucas plantas forrageiras receberam atenção especial como a cana, que foi estudada amplamente,

havendo grande investimento em pesquisa direcionada à cultura e à nutrição de animais com vistas à formulação de rações contendo essa forragem (Schimidt & Nussio, 2005). Assim, o reconhecimento das limitações nutricionais da cana-de-açúcar e a forma de corrigi-las favorecem sua utilização na alimentação animal. Um exemplo clássico é a correção do teor de proteína bruta da cana com adição de uma fonte de nitrogênio (Lima Júnior et al. 2010). A utilização da ureia para corrigir o teor de PB da canade-açúcar tem sido recomendada desde a década de 1980, pela Embrapa-CNPGL. A ureia é uma fonte de nitrogênio não protéico de larga utilização. Considerando-se o preço do quilo de proteína bruta da ureia em relação ao farelo de soja ou de qualquer outro concentrado protéico de origem animal ou vegetal, a relação será, por muito tempo ainda, favorável à ureia (Rangel, 2005). Todavia, a utilização da ureia deve obedecer a parâmetros como nível de adição, estádio de maturação da cana, e grau Brix da cana, que poderão influenciar o aproveitamento dos nutrientes pelos micro-organismos ruminais acarretando alterações fisiológicas

Informações: msaalfeld@emater.tche.br.

Os animais aceitam facilmente a silagem de colostro, pois se assemelha a um iogurte salgado

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A concentração de NUS é um indicativo do status protéico e energético da dieta de ruminantes, apresentando alta correlação positiva com os teores protéicos da dieta e proteína degradável no rúmen (Broderick & Clayton, 1997). Os valores de NUS não apresentaram diferenças entre as dietas com cana-de-açúcar suplementada com níveis diferentes de ureia. O valor médio de NUS do presente trabalho de 12,16 mg/dl está abaixo do proposto por Oliveira et al. (2001), para vacas leiteiras (19 a 20mg/dl), como limite acima dos quais passaria a ocorrer perdas de nitrogênio dietético, estando positivamente relacionado à excreção de ureia no leite. Diante do exposto, não se recomenda a inclusão de ureia em dietas à base de cana-deaçúcar corrigida com concentrado à base de farelo de soja, para vacas de leite. Para a correção protéica, no caso de concentrados sem farelo de soja, se recomenda a mistura ureia mais sulfato de amônia (9:1) ao nível de 1,2%.

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nos ruminantes. seja, a utilização do farelo de soja como única fonte de proteína que A ureia plasmática pode ser usada para monitorar a ingespode substituir a ureia em dietas à base de cana-de-açúcar para tão de proteína bruta pelos animais; onde o excesso de N circulante vacas produzindo 20 kg de leite/dia. Este resultado corrobora com a aumenta as excretas deste elemento pelo animal, resultando em proposta de Pereira & Collao-Saenz (2004) quando afirmam não ser um metabolismo nitrogenado ineficiente. O excesso de N também necessária a utilização de ureia em dietas à base de cana-de-açúcar interfere no desempenho reprodutivo dos animais, além de ser o suplementadas com farelo de soja. Entretanto, deve-se levar em nutriente mais oneroso nas rações. A grande quantidade de N exconsideração a relação custo:beneficio da suplementação protéica cretada gera impacto ambiental negativo. do farelo de soja quando comparada à mistura ureia e sulfato de Estudos mostraram que vacas leiteiras entre 40 e 100 dias amônio (9:1). após o parto apresentaram valor médio de 13,4mg/dL para nitrogêO teor de proteína no leite não variou significativamente nio uréico do plasma (NUP) (Rowlands et al., 1977). Outros valores entre as dietas experimentais, tendo como média entre tratamenforam encontrados para vacas leiteiras com escore corporal e protos, de 3,40%, estando dentro da faixa estabelecida de 2,5 a 3,5% dução de leite distintos em média entre 7 e 23,5mg/dL de NUP. de proteína verdadeira para raças grandes, de acordo com o NRC O objetivo do trabalho foi avaliar dietas à base de cana-de(2001). A lactose não diferiu de forma significativa nos diversos açúcar, cujos teores de PB foram corrigidos com concentrado à tratamentos. A baixa amplitude de variação se deve ao fato de a base de farelo de soja ou três níveis de ureia mais sulfato de amônio lactose estar relacionada à regulação da pressão osmótica da glânno volumoso (0,4; 0,8 e 1,2%, matéria natural) sobre a produção, dula mamária. composição do leite e concentração de nitrogênio uréico no soro Quanto às composições percentuais médias do leite, ex(NUS). presso em extrato seco total e extrato seco desengordurado, não foForam utilizadas doze vacas Holandesas malhadas de preto, ram observadas diferenças significativas nos diversos tratamentos. puras e mestiças, mantidas em baias individuais tipo tie stall. Os Quando se compararam os níveis de inclusão da ureia, não animais foram distribuídos em três quadrados latinos, 4 x 4, de acorse evidenciou efeito na composição do leite. Os constituintes do leido com o período de lactação. O experimento foi composto de quate encontram-se na faixa normal de teores preconizados para a raça tro tratamentos que utilizaram como volumoso, na dieta, cana-deholandesa e vacas mestiças holandês/zebu (Fonseca & Santos, açúcar, e com concentrado, fubá de milho, farelo de trigo, farelo de 2001). Também Mendonça et al. (2004), não encontraram efeito na soja, farelo de algodão e três outros com 0,4; 0,8 e 1,2% da mistura composição do leite, quando aumentaram o nível de ureia de 0,35% ureia mais sulfato de amônio (9:1), com base na matéria natural. para 1%, na base natural, em dietas à base de cana-de-açúcar, utiOs animais receberam alimentação ad libitum fornecida às lizada na relação volumoso:concentrado de 60:40. Entretanto, Pires 8 e às 17 horas. As vacas foram ordenhadas mecanicamente, duas et al. (1999), encontraram maiores teores de gordura, para o tratavezes ao dia, obtendo-se o registro da produção de leite. Através de mento com 100% de substituição de silagem de milho por cana-dedispositivo acoplado à ordenhadeira, foi coletada amostra de leite, açúcar corrigida com ureia. aproximadamente 300ml, no 16o dia, na ordenha da manhã e da tarde, fazendo-se amostras Tabela 1. Produções médias diárias de leite (PL) sem e com correção para 3,5% de gordura (PLC), composição média compostas proporcionais às respectivas produ- do leite e concentração de nitrogênio uréico no soro (NUS) de vacas recebendo concentrado à base de Farelo de Soja ções, que foram acondicionadas em fracos plás- (FS) ou diferentes níveis de ureia e coeficiente de variação (CV). ticos com conservante (Bronopol®), mantidas entre 2º e 6oC, e encaminhadas ao laboratório, para fins de análise dos teores de proteína bruta, gordura, lactose e extrato seco total. Para análise do nitrogênio uréico foram coletadas amostras de sangue de todas as vacas no 16o dia de cada período experimental, quatro horas após a alimentação matinal, utilizando seringas e agulhas descartáveis e tubo com acelerador de coagulação. Logo após a coleta, as amostras foram centrifugadas (5.000rpm por 15 minutos) e o soro sanguíneo acondicionado em recipientes de vidro e congelado -15oC para posteriores análises de ureia. Os resultados das médias obtidas para produção de leite (PL), produção de leite corrigido para 3,5% de gordura (PLC), teores de gordura, proteína bruta, lactose, extrato seco total, extrato seco desengordurado do leite e concentração de nitrogênio uréico no soro (NUS) são a/ FS vs U, L e Q = contrastes referentes à comparação entre farelo de soja e diferentes níveis de ureia e aos efeitos apresentados na Tabela 1. linear e quadrático associados ao nível de ureia, respectivamente. Não houve diferença para a produção de ns não-significativo. leite quando se comparou a fonte protéica, ou ** P<0,05.

Referências bibliográficas BRODERIK, A.G.; CLAYTON, M.K. A statistical evaluation of animal and nutrition factors influencing concentrations of milk urea nitrogen. Journal of Dairy Science, v.80, n.11, p.2964-2971, 1997. FONSECA, L.F.L.; SANTOS, M.V. Qualidade do leite e controle de mastite. São Paulo: Lemos, 2000. 175p. LIMA JÚNIOR, D. M.; MONTEIRO, P. B. S.; RANGEL, A. H. N. et al. Cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. Revista Verde, v.5, n.2, p.13–20, 2010. MENDONÇA, S. S.; CAMPOS, J. M. S.; VALADARES FILHO, S. C. et al. Consumo, produção e composição de leite, variáveis ruminais de vacas leiteiras alimentadas com dietas à base de cana-de-açúcar. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 33, n. 2, p. 481-492, 2004. NATIONAL RESEARCH COUNCIL (NRC). Nutrient requirements of dairy cattle, 2001, Washington, D.C.: National academy of sciences, 7 ed., 381p. OLIVEIRA, A. S.; VALADARES, R. F. D.; VALADARES FILHO, S. C. et al. Produção de proteína microbiana e estimativas das excreções de derivados de purinas e de uréia em vacas lactantes alimentadas com rações contendo diferentes níveis de compostos nitrogenados não-protéicos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 30, n. 5, p. 1621-1629, 2001. PEREIRA, M. N.; COLLAO-SAENZ, E. A. Algumas considerações sobre a velha cana com uréia. Disponível em: <http://www.milkpoint.com.br>. Acesso em: maio de 2004. PIRES, A.V.; SIMAS, J.M.C.; ROCHA, M.H.M. et al. Efeito da substituição da silagem de milho pela cana-de-açúcar no consumo de matéria seca, parâmetros ruminais, produção e composição do leite de vacas holandesas. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 36, 1999, Porto Alegre. Anais... São Paulo: SBZ/Gmosis, (1999), 17par. CD-ROM. Nutrição de Ruminantes. RANGEL, A. H. N. Cana-de-açúcar na alimentação de vacas e novilhas leiteiras em crescimento. 2005. 84f. Dissertação (Doutorado em Zootecnia) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2005. ROWLANDS, G.J.; LITTLE, W.; KITCHENHAM, B.A. Relationships between blood composition and fertility indairy cows – a fields study. Journal of Dairy Research, v.44, n.1, p.1-7, 1977. SCHIMIDT, P.; NUSSIO, L.G. Produção e utilização de cana-de-açúcar para bovinos leiteiros: novas demandas. Anais... Bovinocultura de Leite: Nutrição, Reprodução e Fertilidade em Bovinos, 2005, p.70-84.

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Tabela 1 – Principais micotoxinas, alimentos encontrados e limites seguros Rodrigo de Souza Costa

Médico Veterinário - CRMV-MG 5126 Gerente Técnico Gado de Leite - Tortuga

O inimigo invisível

Cuidados na cobertura do silo forrageiro ajudam a evitar a contaminação do alimento

Introdução Um dos problemas mais recorrentes atualmente, na produção animal, é o efeito das micotoxinas contidas nos alimentos dos animais de alto potencial de produção. Existe uma interação entre a maior suscetibilidade imunológica desse tipo de animal e o efeito deletério dessas micotoxinas. Origem das micotoxinas A produção de micotoxinas ocorre em decorrência do desenvolvimento de colônias de fungos nos alimentos. Essa produção pode ocorrer no campo, durante o desenvolvimento da planta; pode ocorrer durante a estocagem, quando existe alguma falha no processo; e pode ocorrer durante o período de alimentação, quando não existe limpeza de cocho. As condições que permitem o desenvolvimento de fungos e a consequente produção de micotoxinas são: • Ambientais – estresse hídrico ou excesso de chuvas que provocam estresse na planta são condições predisponentes para o desenvolvimento de fungos; • Danos na cobertura do silo forrageiro, permitindo a entrada de oxigênio e contaminação no volumoso conservado; • Falha na estrutura de silos graneleiros, impedindo a circulação de ar e permitindo a fermentação; • Quebra de grãos; • Contaminação e danos de grãos causados por insetos; • Contaminação do alimento por esporos. Todas as condições acima são fatores que predispõem ao crescimento e estão relacionadas com as seguintes características:

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• Temperatura ambiente entre 10°C e 40°C; • 70% de umidade; • Presença de oxigênio; • pH variando entre 5 e 8; • Substrato orgânico. Efeito nos animais As micotoxinas afetam o desempenho animal, diminuindo a eficiência de produção por meio dos seguintes mecanismos: • Alteração no valor nutritivo do alimento – os fungos requerem nutrientes para o crescimento. Assim, em caso de contaminação, o alimento se torna mais pobre; • Alteração na absorção de alimentos por danos na mucosa intestinal; • Supressão do sistema imune, levando o animal a ficar mais suscetível à ocorrência de doenças; • Alteração na função endócrina – a micotoxina zearalenona tem efeito estrogênico, alterando o desempenho reprodutivo em fêmeas bovinas. Para efeito de diagnóstico, os sintomas são muito inespecíficos e normalmente estão associados com outras ocorrências. No caso de vacas em lactação, a contaminação pode estar relacionada a: • Menor ingestão de alimentos e, consequentemente, menor produção; • Presença de cistos ovarianos; • Baixa taxa de concepção; • Cios silenciosos e irregulares;

Procedimentos para o controle da contaminação 1- Prevenção Neste caso, trabalha-se minimizando o nível e o risco de contaminação. Isso pode ser feito por meio do controle de fornecedores e do estabelecimento de padrões para as commodities adquiridas. No caso de problemas de armazenamento, o alimento pode ser descartado ou diluído em alimento seguro. A decisão depende do contexto. Existem alguns alimentos que merecem especial atenção, como: farelo de amendoim, caroço de algodão e milho grão. Em determinadas propriedades em que o uso de resíduos é constante, devem ser tomados alguns cuidados. Alguns resíduos de matériasprimas contaminadas têm os níveis de micotoxinas aumentados. Alimentos como o farelo de glúten e glutenose devem ser avaliados com cuidado. 2 - Direcionamento Quando o uso do alimento contaminado é inevitável, ele deve ser direcionado a categorias animais menos exigentes, como animais em recria, por exemplo. Deve ser evitado o uso desses alimentos em vacas no pré-parto, início de lactação ou bezerros préruminantes.

3- Evitando interações Em alguns casos, a interação entre micotoxinas e agentes estressantes na produção causa maiores danos às vacas. Assim, quando o uso de alimentos de alto risco de contaminação for inevitável para categorias sensíveis, como o período de transição, algumas práticas de manejo devem ser observadas: • Disponibilização de áreas de sombreamento; • Aumento de área de cocho, para evitar competição; • Manutenção de ambiente seco e limpo; • Alimentação com antioxidantes, como zinco, cobre e selênio. 4 – Uso do adsorvente O papel do adsorvente é evitar toxicidade ao animal por alimentos contaminados. Atualmente, nenhum produto tem todas as características adequadas para um adsorvente, e não é efetivo se não estiver associado com outros nutrientes como um antioxidante. Entre os adsorventes mais usados estão as bentonitas. Conclusão Embora ocorra dificuldade no diagnóstico, a presença das micotoxinas deve ser considerada em casos de desempenho reprodutivo e produtivo inferior. O controle das matérias-primas, do ambiente e do status imunológico das vacas é determinante para que esse inimigo não afete a lucratividade da propriedade. Foto: Jadir Bison

Foto: Maurício Farias

• Aumento da ocorrência de abortos e maior mortalidade embrionária.

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Eric Almeida

Médico Veterinário e Gerente de Produtos da GEA Farm Technologies

A tecnologia e o suporte técnico na pecuária de leite

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uito se fala sobre a necessidade de os pecuaristas de leite, principalmente os pequenos e médios, tecnificarem suas propriedades. Sem dúvida nenhuma, a adoção de novos equipamentos é fundamental para o bom funcionamento de uma fazenda, pois eles otimizam as operações, proporcionam bemestar aos animais e colaboram com a qualidade do leite produzido. Mas só a tecnificaçäo do processo de ordenha não é suficiente para garantir 100% da saúde dos animais e a qualidade do leite produzido. Uma vez que o produtor tenha se conscientizado da necessidade de estar em dia com as mais novas tecnologias, contatou a empresa de equipamentos e tomou a melhor decisão de acordo com a sua realidade, adquiriu um equipamento balde ao pé ou mesmo automatizou seu equipamento canalizado e buscou a melhor opção para conforto térmico do animal, isso não significa que a busca pela eficiência produtiva tenha acabado.

Na verdade, essa foi uma etapa vencida, muito importante, de todo o processo. Agora, vem o dia a dia: ordenhar, limpar, manter, melhorar, aumentar, cuidar. É aí que entram os responsáveis pela execução de tais ações; dentre eles citamos o proprietário ou gerente, os ordenhadores e os técnicos que prestam serviço, treinamento e assessoria. Entre as principais ações dentro da sala de ordenha, que são parte das melhores práticas de ordenha e, consequentemente, da boa qualidade do leite, estão a rotina de ordenha, a limpeza do equipamento e a sua manutenção periódica e preventiva. A rotina de ordenha, bem executada e permanente, é condição ímpar para a obtenção dos melhores resultados. Todos sabem que a vaca é um animal que vive e produz muito bem desde que seja seguida a mesma rotina diária. Assim, temos que tentar manter ao máximo os melhores padrões, sempre e todos os dias, sem desvios excessivos. Desde sua entrada até sua saída da sala, temos que seguir regras básicas que garantam tanto a regularidade nos procedimentos quanto o respeito ao tempo de cada passo e, consequentemente, do tempo total que a vaca permanece no ambiente de ordenha. São os passos principais da rotina: (1) Entrada da vaca; (2) Preparação do ordenhador; (3) Aplicação e ação de produto pré-dipping; (4) Eliminação dos três primeiros jatos; (5) Secar bem os tetos; (6) Colocação do conjunto de ordenha; (7) Retirada do conjunto de ordenha; (8) Aplicação do pós-dipping; (9) Saída da vaca; (10) Remoção das fezes do local de ordenha. O leite em temperatura ambiente é altamente suscetível à contaminação. Assim, após o término da ordenha - por onde quer que o leite tenha passado no interior do equipamento - deve haver um processo de limpeza rígido, utilizando-se produtos de boa qualidade, na dosagem, tempo e temperatura recomendados por um técnico qualificado. Não podemos nos esquecer de que os componentes do leite são ótimo alimento para proliferação das bactérias. Esse é o processo que elimina essa variante da reprodução dos microrganismos. Os detalhes que devem ser observados vão desde a higienização das instalações, após a ordenha, até à limpeza do tanque refrigerador. Mas, para garantir que todos esses cuidados sejam realmente colocados em prática e dêem o resultado esperado, o pecuarista precisa cercarse de profissionais qualificados, além de uma equipe de médicos veterinários e técnicos bem preparados, responsáveis por visitas regulares, oferecendo cuidado permanente aos animais e o perfeito funcionamento de todos os equipamentos da propriedade. Ou seja, o investimento em novas tecnologias é apenas o primeiro passo. Pouco vale a aquisição de equipamentos de ponta se o produtor não cuidar da saúde do rebanho, da higienização desse sistema e se não investir, também, em assistência técnica preventiva. Apenas com essa prática preventiva o produtor terá a certeza de que os componentes serão utilizados dentro do período correto de validade e do limite indicado de desgaste. Caso contrário, o baixo desempenho do sistema poderá reduzir a velocidade da ordenha ou até mesmo interromper seu funcionamento. Com esses cuidados, o produtor evita custos de reparos, aumento no gasto de energia e visitas técnicas emergenciais. Assim, sem tirar o foco da tecnificaçäo e dos investimentos em equipamentos de alta tecnologia, que auxilie nas operações e no gerenciamento do rebanho, os produtores precisam se conscientizar sobre a importância de contar com um suporte técnico especializado que zele pelo bom funcionamento de toda a estrutura produtiva de sua propriedade e, principalmente, do maior ativo de uma fazenda: o rebanho.

Entre as principais ações dentro da sala de ordenha, que são parte das melhores práticas de ordenha e, consequentemente, da boa qualidade do leite, estão a rotina de ordenha, a limpeza do equipamento e a sua manutenção periódica e preventiva.

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Poliana de Castro Melo

Jurada Efetiva Girolando Doutoranda em Medicina Veterinária Preventiva Unesp Jaboticabal policame@yahoo.com.br

Papilomatose Bovina Prejuízos com queda da produção e desconforto dos animais acometidos

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papilomatose bovina é uma enfermidade constante, principalmente em rebanhos bovinos leiteiros; entretanto, na maioria das vezes a sua importância não é verificada por muitos criadores e veterinários mal esclarecidos. Não é possível estimar, com precisão, o impacto econômico da papilomatose no rebanho brasileiro. Se as verrugas forem em pequena quantidade e isso não afetar o produtor, o problema não é considerado prioritário e o custo do tratamento não compensa. A doença só é tratada se provoca quebra na produção de leite ou de carne (BIRGEL-JUNIOR, 2009). INTRODUÇÃO A papilomatose bovina, conhecida também como verruga, figueira, verrucose, fibropapilomatose e epitelioma contagioso, é uma enfermidade infecto-contagiosa, crônica, de caráter tumoral benigna, de natureza fibroepitelial e origem viral, caracterizando-se por apresentar tumores que se localizam na pele e mucosa. É uma doença importante economicamente, por causar desvalorização dos animais a serem comercializados, piorando a aparência devido a depreciação do couro dos animais afetados. Dependendo da intensidade das lesões, poderá ocorrer debilitação, assim como alterações funcionais orgânicas podem ser ocasiona-

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das pelos tumores. A presença das verrugas no úbere de vacas em lactação desvaloriza os animais e torna o úbere suscetível às infecções secundárias, resultando em mastites (WADHWA et al., 1996). Os vírus da papilomatose bovina (VPB) causam lesões específicas distintas.VPB 1: Fibropapilomas no pênis, tetas e pele. VPB 2: Fibropapilomas cutâneo, ruminal, esofageano. Estão associados ao câncer da bexiga urinária (carcinoma do epitélio de transição, haemangiossarcoma e haemangioendoteliomas). VPB 3: Papiloma cutâneo epitelial.VPB 4: Agente etiológico responsável pelo papiloma da mucosa do trato alimentar. VPB 5: Fibropapilomas nas tetas e úbere (tipo grão de arroz). VPB 6: Papiloma epitelial nas tetas e úbere (CAMPO, 1995). A papilomatose em bovinos leiteiros apresenta certa predileção por áreas do úbere e tetas, em animais adultos e novilhas. Nas bezerras, o pescoço, barbela, mufla, orelhas, chanfro, regiões periocular e peri-labial são os locais mais atingidos. Para a transmissão da forma cutânea, exige-se solução de continuidade na pele e a infecção pode ocorrer por contato direto (animal-animal) ou contato indireto (cercas, bebedouros, comedouros, cordas, moscas e carrapatos, máquinas de marcar e ordenhadeira) (HAMA et al.1988). Em condições naturais, a infecção é unida às lesões primárias, e chega até a camada basal da pele ou derme. Os vírus da papilomatose bovina estão subdivididos em dois subgrupos mostrados a seguir. Subgrupo A (fibropapilomas): Estágio 1 (fibroma) – Nesse estágio desenvolve-se uma ativa proliferação dos fibroblastos epiteliais. Estágio 2 – Observa-se fibroma com acantose (hiperplasia difusa e acometimento da camada celular primordial). Existe proliferação da camada basal do epitélio e penetração de tecido fibromatoso. Estágio 3 – Ocorre o fibropapiloma verdadeiro: há presença de queratinócitos formando massas que têm um núcleo central de tecido conectivo. Estágio 4 – Regressão do tumor: é nesta fase que há o ataque de linfócitos e macrófagos, primeiro ao fibroma e depois à porção papilomatosa do tumor.

Subgrupo B (papilomas escamosos):

Estágio 1 (Placa) – Aparece cerca de quatro semanas após a inoculação e consiste de tubos de queratinócitos, que irão formar a massa do futuro papiloma. Já é detectada a replicação viral nesse estágio. Estágio 2 (típico papiloma epitelial) – É composto por massas epiteliais que contêm grandes quantidades de DNA epissomal viral e em replicação nas áreas queratinizadas. Estágio 3 – Após cerca de oito meses, a formação tumoral entra no estágio 3, que é histologicamente similar ao estágio dois e não suporta a produção viral por muito tempo. Estágio 4 – A formação tumoral entra no último estágio, de regressão. Quando os papilomas evoluem para o câncer, o DNA viral não pode ser mais encontrado (CAMPO et al. 1994).

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SINAIS CLÍNICOS Os papilomas são tumores epiteliais benignos, mas podem evoluir para carcinomas. Classificam-se em: 1. Escamosos: acometem a pele ou qualquer parte do corpo. Ocorrem principalmente na cabeça, especialmente ao redor dos olhos, pescoço, ombros e podem se espalhar para outras partes do corpo (RADOSTITS et al, 1994). 2. Mucosos: Localizam-se em tecidos mucosos. Apresentam-se como nódulos encapsulados e circunscritos (HAMADA et al.1989). 3. Planos: Promovem engrossamento da epiderme com queratinização forte nas camadas superficiais, e nos animais aparecem como nodulações arredondadas na superfície da pele e desprovidas de pelo (WADHWA et al., 1996). 4. Pedunculares: São muito comuns nas tetas e úbere; são de difícil tratamento e as verrugas nas tetas causam dor durante a ordenha. A cor dos papilomas pode variar do branco acinzentado ao negro ou cinza. O crescimento dos animais jovens afetados pode ser retardado, mas geralmente o animal se mantém normal, sem alterar o apetite, temperatura, pulso ou respiração. Os papilomas de teta tendem a aparecer com a primeira lactação, durante o período seco e recorrem com a próxima lactação (WADHWA et al., 1996). TRATAMENTOS 1) Retirada cirúrgica e cauterização dos sítios das lesões: a retirada de algumas verrugas pode estimular o sistema imune humoral e provocar a queda das outras formações semelhantes. Em rebanhos de alta incidência da doença, mostra-se de difícil execução. A cauterização é importante porque permite a reabsorção de tecido (HAMA et al., 1988). 2) Vacina autógena: deve-se levar em conta a importância do estágio de desenvolvimento do tumor para a colheita de amostras para a fabricação da vacina, bem como na fase de regressão. Esta vacina tem caráter curativo e deve-se evitar o tratamento preventivo com esse produto biológico (HAMA et al., 1988). 3) Autohemoterapia: retira-se 10ml de sangue venoso e imediatamente aplica-se, por via intramuscular profunda, provocando um estímulo imunológico inespecífico que pode levar à queda

das verrugas. (WILLIAM et al., 1996). 4) Papilomaxâ: produto químico, em forma de pasta, atua matando o vírus, evitando, dessa forma, novos casos da doença no rebanho, secando-as (WILLIAM et al., 1996). SILVA et al, 2004, avaliaram o efeito da repetição de diferentes protocolos de tratamento, na recuperação clínica de 259 bovinos portadores de papilomas planos e pedunculados, utilizando autovacina; autohemoterapia; diaceturato do diaminodiazoaminobenzeno; clorobutanol; autovacina eautohemoterapia; autovacina e diaceturato; autovacina e clorobutanol; autohemoterapia e diaceturato; autohemoterapia e clorobutanol; autovacina, autohemoterapia, clorobutanol e diaceturato e avaliaram os custos de cada protocolo. A porcentagem de recuperação variou de 15 a 50%, sendo que a autovacina apresentou melhor resultado. A avaliação dos tratamentos empregados no controle da papilomatose cutânea bovina em rebanhos leiteiros, foi realizada utilizando-se 120 animais, de diferentes propriedades, próximas ao município de Goiânia, Goiás. Os animais foram divididos em seis grupos de 20 bovinos, e cinco grupos deles submetidos a diferentes tratamentos, com um grupo controle, portanto. Utilizaram-se como tratamentos: a autohemoterapia, o clorobutanol, a diaminazina, o levamisole e a autovacina, e todos os grupos foram tratados com intervalo de sete dias entre as aplicações, consecutivamente, durante quatro semanas. Procedeu-se à avaliação pela análise de variância, pelos testes Qui-quadrado e de Fisher. Os tratamentos não apresentaram diferença significativa quando usados em papilomas do tipo pedunculado; já o clorobutanol e a diaminazina foram os mais eficazes no tratamento de animais com papilomas do tipo plano (SANTINI & BRITO, 2004). CONCLUSÃO Medidas profiláticas, tais como: não inserir animais doentes no rebanho junto com animais sadios; esterilização de agulhas, seringas e materiais cirúrgicos; utilização de materiais descartáveis; controle de moscas e carrapatos, e seguimento da linha de manejo, na qual os animais doentes sejam sempre manejados por último, são importantes para evitar a disseminação da papilomatose nos rebanhos bovinos, principalmente entre os de aptidão leiteira.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAMPO, M.S. Infection by bovine papillomavirus and prospects for vaccination. Trends in Microbiology, London, v. 3, n. 3, 1995. HAMA, C.; MATSUMOTO, T.; FRANCESCHINI, P.H. Papilomatose bovina: Avaliação clínica de diferentes produtos utilizados no controle e tratamento. Ciência Veterinária, Jaboticabal, v.2, n.2, p.14, 1988. HAMADA, M.; OYAMADA, T.; YOSHIKAWA, H. et al. Morfological studies of esophageal papilloma naturally ocurring in cattle. Japanese Journal of Veterinary Science, v.51, n.2, p. 345-351, 1989. RADOSTITS, O M.; BLOOD, D.C.; GAY, C.C. Veterinary Medicine; a textbook of the diseases of cattle, sheep, pigs goats and horses . 8.ed. London: Bailliere Tindall, 1994. cap.21: Diseases caused by viruses and chlamydia – I, p.1028-1033. SANTINI, A. P. I.; BRITO, L.A.B. Estudo da papilomatose cutânea em bovinos leiteiros:comparação de diferentes tratamentos. Revista Ciência Animal Brasileira, v. 5, n. 1, p. 39-45, jan./mar. 2004. SILVA, L.A.F et al. 2004. Eficiência da repetição de diferentes protocolos de tratamentos para papilomatose bovina. Revista da FZVA, Uruguaiana, v.11, n.1, p. 153-165. 2004. WILLIAM, J.B.; KIRUBAHARAN, J.J.;UTHUMAN, K.M. et al. Survey on incidence and complications of bovine cutaneous papillomatosis. Indian Veterinary Journal, Chennai, v.69,p.842-844, 1996. WADHWA, D.R.; PRASAD, B.; RAO, V.N. et al. Clinic-therapeutic and histopatologic studies on bovine cutaneous papillomatosis. Indian Journal of Dairy Science, v. 49, n.3, p.206-208, 1996.

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Estendemos o tapete da produtividade para receber de volta

a nata da pecuária leiteira. Hélvio Queiróz dos Santos

Fiscal Federal Agropecuário SSA/SFA/GO

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Cama de frango

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assunto já é bastante conhecido pela população brasileira, especialmente pela classe pecuarista: alimentar ruminantes com cama de frango, proteínas e gorduras de origem animal pode causar o mal da Vaca Louca. A proibição sobre o uso da cama de frango para a alimentação de ruminantes justifica-se pela permissão do uso de proteína de origem animal como ingrediente na formulação de ração para aves e suínos, visto que estas espécies animais são refratárias à doença. No manejo da avicultura intensiva, as aves são criadas confinadas em galpões, sobre substratos (normalmente palha de arroz), para evitar o contato com o solo. Durante a alimentação, parte da ração cai ao chão e, ao final do ciclo de produção, quando o lote de aves for retirado, o conjunto formado por substrato, restos de ração, fezes, urina e penas é chamado de “cama de frango ou de aviário”. A proibição do uso deste resíduo da avicultura na alimentação de ruminantes ocorre pela presença, em sua composição, de proteína de origem animal (um miligrama do material contaminado é suficiente para transmitir a moléstia) e do risco da transmissão da doença aos ruminantes. Em outubro de 2009, com publicação da Instrução Normativa nº 41, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa) houve um grande avanço nos resultados da fiscalização. Desde então, os ruminantes flagrados alimentando-se com a cama de aviário deverão ser abatidos em até 30 dias após a confirmação laboratorial e notificação do produtor, em estabelecimento com inspeção oficial; caso contrário, os animais serão sacrificados na propriedade de origem, sem nenhum tipo de indenização. Essa não é uma penalidade imposta pelo Mapa e, sim, uma medida sanitária preventiva, baseada no princípio da precaução, para evitar a introdução da enfermidade no país. As penalidades para cada caso em particular serão propostas pelo Ministério Público Federal, com aplicação de multas, conforme a situação financeira do produtor, e até reclusão, que pode chegar a cinco anos, com base no artigo 10 do Código do Consumidor, e nos artigos 259 e 268 do Código Penal Brasileiro. É imperativo destacar que a intensificação da fiscalização do uso de cama de aviário para alimentação de ruminantes no ano de 2010, em Goiás, foi precedida por ampla campanha de esclareci-

Divulgação MAPA

Fiscalização coíbe uso

mento dos produtores rurais, através da realização de mais de setenta eventos no Estado: palestras; matérias veiculadas em revistas e jornais especializados, assim como entrevistas em diversas emissoras de rádio e televisão, cujo conteúdo abordava tópicos da doença e suas consequências caso fosse introduzida no país; as penalidades a que os produtores estariam sujeitos, caso insistissem na prática do uso indevido da cama de aviário, assim como as alternativas para o uso do resíduo. Entretanto, alguns pecuaristas goianos ainda não entenderam bem o recado. No ano de 2010, no Estado de Goiás, somandose as fiscalizações ativas e passivas (denúncias), 55 fazendas foram vistoriadas por fiscais federais agropecuários, das quais em 14 havia bovinos consumindo cama de aviário. Durante as fiscalizações, foram identificados 669 bovinos que estavam expostos ao resíduo proibido, dos quais 332 já foram abatidos em matadouros ou sacrificados nas propriedades, seguindo o que determina a Instrução Normativa 41. Os dados parciais no Brasil, da fiscalização de 2010, apontam que 5.042 ruminantes tiveram acesso ao alimento proibido, dos quais 3.569 foram abatidos em frigoríficos com inspeção oficial e 82 foram destruídos nas propriedades rurais. A fiscalização em 2011 já foi intensificada em função do período da entressafra, quando a infração é mais comum. No corrente ano, 27 propriedades já foram fiscalizadas em Goiás, sendo que em duas o problema foi detectado. A cama de aviário pode ser utilizada para fins agrícolas, com excelentes resultados e várias vantagens, quando comparada com adubação química. Fica o alerta de que este é o momento para se preparar para o período das secas. Existem várias técnicas que os pecuaristas podem adotar para garantir o alimento para os animais na entressafra: pastagem diferida, fenação, ensilagem, cana de açúcar, resíduos de indústrias, etc. As denúncias podem ser encaminhadas de forma anônima e gratuita para o número 0800 704 1995 ou ao site do Mapa.

Belur é 10º colocado no ranking Embrapa ABCGIL.

Proprietário: Luiz Ronaldo de Oliveira Paula Criador: Angelus Cruz Figueira RGD: ACFG 231 Nascimento: 29/09/2000

www.abspecplan.com.br 56

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Marcelo Henrique Otenio

Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

Compostagem de carcaças de grandes animais

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produtor rural, considerando a conscientização ambiental e preocupação com o destino adequado dos resíduos da pecuária, tem buscado alternativas para conciliar a produção à preservação ambiental. Uma solução para o destino das carcaças de animais mortos e outros resíduos biológicos como fetos e restos de parição, considerada economicamente e ambientalmente viável é a compostagem, um processo biológico de decomposição da matéria orgânica realizado por bactérias e fungos que reciclam estes resíduos produzindo o biocomposto. Este método surge como alternativa às práticas mais comuns de destinação destas carcaças, que são o aterramento enterramento, a deposição em fossas ou valas, a queima, e até mesmo o abandono ao ar livre. Práticas que podem requerer custos com mão de obra e ainda a possibilidade de causar problemas com contaminação no solo e lençol freático e transmissão de doenças. O método de compostagem oferece inúmeras vantagens para o produtor; além de não causar poluição no solo ou no ar, é economicamente viável, evita a formação de odores, destrói os agentes causadores de doenças, não contamina o lençol freático, pode ser empregado em qualquer época do ano e disponibiliza ao

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solo nutriente que pode ser usado em manejos de adubação. A compostagem deve ser feita em uma área do terreno afastada de nascentes e cursos de água, e o tempo previsto para a decomposição de um animal adulto varia de dois a seis meses.

Escolha do local e materiais necessários: • Local adequado do terreno para a montagem da pilha de compostagem: afastado de cursos de água, área plana e visível; • Material aerador (fonte de carbono/vegetal), podendo ser usadas cama de aviário, maravalha, serragem de grânulos grossos, aparas de madeira, palhadas de feijão e outras culturas como a soja, casca de arroz e, também, o esterco seco. A serragem (fina) não deve ser usada sozinha; embora seja uma boa fonte de carbono, não permite aeração adequada e deve-se misturá-la a outro resíduo aerador. A quantidade deste material (vegetal) para a decomposição de um bovino adulto é 6 m3 (aproximadamente dois caminhões caçamba), que podem ser utilizados mais de uma vez, na montagem posterior de outras pilhas de compostagem. • Disponibilidade de água suficiente para manter a compostagem úmida. As quantidades de água recomendadas, em litros, devem equivaler à metade do peso das carcaças, ou mais, dependendo da umidade relativa do ar de cada região. A pilha de compostagem nunca deve ficar encharcada de água. Preparando a compostagem passo a passo 1º- Escolha um local que seja bem drenado, com distância de pelo menos 61 metros de cursos de água ou quaisquer mananciais; 2º- Montagem da cama: na base, podem ser usadas aparas de madeira grossa. Para um gado adulto, a base deve ter no mínimo 60cm de altura, com 3,5 metros de comprimento. A largura deve ser suficiente para garantir 60cm de área livre em torno da carcaça; 3º- Coloque o animal morto no centro da cama. Perfure o rúmen para evitar inchaço e possível explosão, que se vier a ocorrer acarretará liberação de odores e desestruturação da cobertura do material de compostagem; 4º- A carcaça deve ser coberta com material seco, de alto teor de carbono, sendo possível a utilização de silagem velha, serragem ou esterco seco; 5º- Para animais jovens e partes de animais (placentas, etc.), utilize a montagem das camadas com aproximadamente 30cm de material seco entre estas; 6º- Aguarde entre 4-6 meses e verifique se a carcaça está totalmente degradada; 7º- Pode-se reutilizar o material de compostagem para montar outra pilha ou remover ossos grandes e juntar em uma carcaça para a próxima pilha; 8º- Manter o local limpo é o aspecto mais importante da compostagem, pois desencoraja os possíveis predadores e/ou ani-

mais silvestres, ajuda a controlar odores e mantém relações de boa vizinhança. Considerações finais Durante o processo de decomposição da matéria orgânica nas pilhas de compostagem há elevação da temperatura, o que permite a destruição de agentes patogênicos, evitando o risco de contaminação por doenças. O manejo da compostagem é de fácil execução, no entanto, para uma boa eficiência são necessárias condições especiais de temperatura, umidade e aeração, sendo necessário seguir criteriosamente os passos da operação, pois se feita de maneira incorreta, poderá resultar na produção de odores desagradáveis e atração de moscas. O destino ambientalmente correto destas carcaças de animais e demais resíduos da pecuária é uma tendência crescente, que representa alternativa prática, barata e segura do ponto de vista da biossegurança, além de preservar o meio ambiente e contribuir para a redução dos custos finais de produção. O biocomposto produzido pode ser classificado como fertilizante orgânico simples classe A. Sua utilização, no Brasil, é regulamentada pela Instrução Normativa SDA n° 25, de 23 de julho de 2009, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura. Devem ser realizadas análises químicas, físicas e microbiológicas para seu registro para comercialização. Este composto poderá ser utilizado para adubação do solo, complementando o uso de fertilizantes químicos convencionais, em adubação de fruteiras e/ou reflorestamento, por exemplo. Há restrições de uso no cultivo de hortaliças e na aplicação em pastagens e capineiras por questão de biossegurança, por ter sido produzido com carcaças de animais.

Bibliografia BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Instrução Normativa n° 25, de 23 de julho de 2009. Aprova normas sobre as especificações e as garantias, as tolerâncias, o registro, a embalagem e a rotulagem dos fertilizantes orgânicos simples, mistos, compostos, organominerais e biofertilizantes destinados à agricultura. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Seção 1, p. 20, 28 jul. 2009. BONHOTAL, J.; HARRISON, E. Z.; SCHWARZ, M. Composting Road Kill. New York: Cornell Waste Management Institute, Center for the Environment, 2007. 13 p. PAIVA, D. P. Compostagem: destino correto para animais mortos e restos de parição. Embrapa Suínos e Aves, Concórdia, 2004. Disponível em: <http:// www. cnpsa.embrapa.br/pnma/pdf_doc/4-Doracompostagem.pdf>. Acesso em: 05 out. 2010. WILLIAMS, J. C. Natural Rendering: Composting Livestock Mortality and Butcher Waste. New York: Cornell Waste Management Institute, Center for the Environment, 2002.

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Luiz Januário Magalhães Aroeira

Larissa Vieira

Tecnologias para a produção de

leite orgânico P

Fotos: Luiz Januário Magalhães Aroeira

ara quem pretende ganhar espaço no mercado de lácteos, aliando produção sustentável e bons negócios, a produção de leite orgânico pode ser o caminho. É o que constatou uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa. Comparado ao sistema convencional, o orgânico teve uma remuneração do capital 3% maior, mesmo com a redução de produtividade por vaca (33%), da terra (63%), do aumento da mão de obra (47%) e do custo total por litro de leite (50%). Isso ocorre porque o valor agregado do produto variou entre 50% e 70% a mais do que o valor do leite convencional. Segundo a pesquisa, a produção orgânica de leite torna-se economicamente viável quando o preço pago ao produtor é 70% superior ao praticado para o leite convencional. A produção orgânica de leite é uma demanda atual da sociedade. Os consumidores têm buscado um produto de qualidade, com preço justo, livre de doenças e de resíduos químicos, oriundo de propriedade ecologicamente correta e com manejo racional do rebanho. Essa demanda refletiu no aumento da produção no Brasil. Em 2005, a produção de leite orgânico no país era em torno de 0,01% do total produzido. Em 2010, esse volume foi duplicado, passando para seis milhões de litros, dos 30 bilhões de litros produzidos no país, de acordo com dados preliminares dos levantamentos feitos pelo Projeto “Sistemas Orgânicos de Produção Animal”, em 2011, junto a produtores e cooperativas em diferentes Estados. “Mesmo com a saída de alguns produtores isolados no Rio de Janeiro e Minas Gerais, este pequeno crescimento se deu em função do estabelecimento de projetos de algumas cooperativas e ampliação de outras, sobretudo no Sul do Brasil e no Triangulo Mineiro, respectivamente, sendo

implantadas com vários produtores que, em parte, estão em transição e outros que já receberam a certificação”, informou o pesquisador da Embrapa Cerrados, João Paulo Guimarães Soares. Regulamentação - A Lei dos Orgânicos (Lei 10.831/03) foi regulamentada pelo Decreto no 6.323, de 27 de dezembro de 2007 e, após consulta pública nos últimos anos, de suas instruções normativas (IN), sendo a principal a IN 64 (Brasil 2008), que orienta as práticas e processos de manejo das produções animal e vegetal no Brasil. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) conta com o programa Pró-Orgânico, com comissões estaduais de produção orgânica e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Agricultura Orgânica. O Pró-Orgânico tem como objetivo incentivar, estruturar e desenvolver a cadeia de produção e a comercialização de produtos orgânicos no Brasil. Só pode ser comercializado e exportado como orgânico o produto certificado por alguma agência certificadora credenciada junto ao Colegiado Nacional para a Produção Orgânica (CNPOrg). O “Selo de Qualidade” é a garantia, para o consumidor, de que foram cumpridas todas as normas de produção orgânica no estabelecimento rural ou na indústria processadora. Perfil dos produtores de orgânicos O Projeto “Sistemas Orgânicos de Produção Animal”, liderado pela Embrapa Cerrados e Suínos e Aves, que faz parte do projeto em rede de agricultura orgânica no Brasil, tem como objetivo a geração de conhecimentos, adaptação e inovação de tecnologias apropriadas para melhorar as questões relacionadas ao ajuste de sistemas de produção orgânica. A primeira fase ocorreu de 2003 a 2007 e a segunda vai de 2007 a 2011. O projeto pioneiro dentro da Embrapa, que conta com a participação de diversos centros de pesquisa, envolve também outros produtos, além do leite bovino, dentre eles: carne bovina, suína, caprina, ovina e de frangos, leite caprino e ovos. De acordo com o estudo, o leite orgânico é co-

Manejo de bezerros na fazenda Nata da Serra - Serra Negra (SP)

mercializado em pequena escala em padarias, pequenos mercados, feiras-livres, lojas e cestas em domicílio, principalmente os derivados devido às exigências de legislação sanitária e logística para serem colocados em um grande canal varejista. Já a produção em larga escala vem crescendo em cooperativas da região oeste de Santa Catarina e no Triângulo Mineiro e que já atingem os supermercados. João Paulo Guimarães Soares afirma que os maiores limitações para o desenvolvimento da produção orgânica de leite referem-se à produção de forragem e grãos para a alimentação animal e ao controle de doenças para o manejo da sanidade animal. “Para a alimentação, a limitação se dá em face do pequeno tamanho das propriedades, da escassez de rações orgânicas para suplementação alimentar durante o período de estiagem, da baixa fertilidade do solo nas áreas de pastagens, da baixa adoção da prática da adubação verde e incorporação de matéria orgânica, além do clima desfavorável em determinadas épocas do ano, em algumas regiões, que no caso destes últimos também limitam os sistemas convencionais”, disse. Na parte sanitária, o desafio maior apontado pelo estudo é controlar ecto e endoparasitas sem a utilização de medicamentos químicos, além da busca por tratamentos alternativos. O pesquisador lembra que o objetivo principal das práticas orgânicas de criação é a prevenção de doenças. “Saúde não é apenas ausência de doença, mas habilidade de resistir a infecções, ataques de parasitas e perturbações metabólicas. Desta forma, o tratamento veterinário é considerado um complemento e nunca um substituto às práticas de manejo. O princípio da prevenção deve ser sempre priorizado e, quando houver necessidade de intervenções, deve-se considerar que o importante é procurar as causas e não somente combater os

efeitos. Por isso, o foco deve ser a busca de métodos naturais para tratamento veterinário, como medicamentos homeopáticos, fitoterápicos e alimentação equilibrada para manter a saúde animal. Neste sentido, existe uma série de alimentos alternativos, não convencionais com características orgânicas que podem ser produzidos nas propriedades rurais orgânicas com objetivo de diversificação/rotação de culturas, fixação biológica de nitrogênio, gestão do nitrogênio e do carbono, melhoria da estrutura do solo, sendo combinados para produção de rações de ruminantes, entre eles a mandioca, os feijões silvestres, a cana-de-açúcar, o farelo de arroz, o farelo de trigo, subprodutos da indústria e as pastagens consorciadas (gramíneas e leguminosas)”, ressaltou o pesquisador. O perfil das propriedades com produção orgânica de leite, traçado pelo estudo, revela que elas possuem em média 325ha de área total, sendo destas, 138ha dedicados à atividade leiteira. O rebanho é, em média, constituído de 41 vacas em lactação e 64 animais em outras categorias (vacas secas, novilhas e bezerras). Cerca de 60% dos animais são mestiços (Europeu x Zebu) e 40% Zebu. A média da produção por vaca oscila em torno dos 9,2kg/dia, durante a época das chuvas, e cai para 8,2kg/dia, na seca. Estes valores se apresentaram mais elevados do que o esperado para a área das propriedades e na produção média de leite, uma vez que foram consideradas, na pesquisa, regiões como Centro-Oeste/Norte e Sudeste/Sul, respectivamente. Apesar da produtividade menor em comparação ao sistema convencional, quando o produto é vendido diretamente ao consumidor o preço é três vezes maior que o valor do litro convencional. Quando vendido a cooperativas/laticínios, o produto foi comercializado com 50% de acréscimo. Estudo com consumidores em

Manejo de vacas e novilhas em Porto Velho (RO)

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Manejo para sistemas orgânicos Dentro de um sistema orgânico, o manejo nutricional e sanitário dos animais deve levar em conta uma série de práticas. “Como em qualquer sistema de produção animal, na produção de leite orgânico recomenda-se que a nutrição e alimentação animal sejam equilibradas e supram todas as exigências dos animais. Os suplementos devem ser isentos de antibióticos, hormônios e vermífugos, sendo proibidos aditivos promotores de crescimento, estimulante de apetite e ureia, bem como suplementos ou alimentos derivados ou obtidos de organismos geneticamente modificados ou mesmo vacinas fabricadas com a tecnologia da transgenia. É recomendada a produção de forragem (volumosos e concentrados) por meio da formação e manejo das pastagens, capineiras, silagem e feno. Neste aspecto, é importante que a maior parte da alimentação seja proveniente da própria propriedade e que 85% e 80% da matéria seca consumida por ruminantes e monogástricos, respectivamente, sejam de origem orgânica. No manejo e adubação de pastagens o consórcio de gramíneas e leguminosas é recomendado para a gestão do nitrogênio no sistema, sendo exigida a diversificação de espécies vegetais.

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Fotos: Luiz Januário Magalhães Aroeira

Minas Gerais mostrou que há disposição para se pagar até 60% de sobrepreço para o leite e seus derivados produzidos de forma orgânica, porém o mesmo estudo mostrou que este valor não é suficiente. O Brasil tem 239 produtores que mantêm a produção nacional em torno de seis milhões de litros por ano, produto de 2.070 vacas ordenhadas com produção de 3.313 litros/vaca/ano e média de 11 litros/vaca/dia. O número total de vacas ordenhadas no Brasil pode ser distribuído, sendo: no Sul, 1.010 vacas; no Sudeste, 630 vacas; no Centro-Oeste, 130 vacas; no Nordeste, 200 vacas, e no Norte, nenhuma. Considerando os dados obtidos na pesquisa para a porcentagem de vacas em lactação em relação ao rebanho no sistema orgânico serem de 64%, o número do rebanho na atividade é de 3.234 cabeças. As propriedades estão concentradas na Região Sul, sobretudo nos Estados do Paraná e Santa Catarina; e no Sudeste, em Minas Gerais (sul de Minas e Triângulo Mineiro), São Paulo e Rio de Janeiro. O Brasil é o quinto país com maior área com produção orgânica, do mundo: 1,77 milhões de hectares até 2007 e a venda dos produtos no mundo movimentou 53 bilhões de dólares, segundo dados da IFOAM 2011. No Brasil, estima-se que o comércio anual seja de R$ 500 milhões, sendo 30% para o mercado interno e 70% para exportação. O setor cresce de 20% a 30% ao ano. “Com base nestes dados, podemos tranquilamente dizer que a produção orgânica de leite não atende somente um nicho de mercado; tem produção, tem rentabilidade com sustentabilidade, sendo um mercado à espera de produção”, destacou o pesquisador. Mas, para haver maior regularidade de produção e os preços se tornarem mais acessíveis às diferentes classes e ocorrer aumento da venda, será preciso resolver os problemas de logística e comercialização. “A maioria dos produtores de leite orgânico, não ligados a cooperativas, faz a industrialização e empacotamento na própria unidade produtiva, também tendo que distribuir o produto, o que onera o custo de produção. Ainda há limitação, sobretudo na difusão e transferência de tecnologias; o treinamento da extensão é necessário para tornar as diferentes tecnologias disponíveis, chegando aos produtores que podem estar com problemas e não ter soluções disponíveis, por desconhecimento”, acrescentou Soares.

Manejo de capineiras orgânicas Fazendinha agroecológica KM 47 - Seropédica (RJ)

Manejo de pastagem

Propõem-se a implantação de sistemas agroflorestais, como os silvipastoris, nos quais as árvores e arbustos fixadores de nitrogênio (leguminosas) possam se associar a cultivos agrícolas e com pastagens ou ser mantidos alternadamente com pastejos e cultivos, assim como bancos de proteínas ou cercas vivas. Na adubação dessas áreas, em função da extensão, aconselham-se o chorume e a compostagem como alternativas, sendo permitido o uso de calcário para a correção da acidez dos solos. Como fontes de fósforo e potássio são permitidos os usos de termofosfato, fosfato de rocha natural, termopotássio, pó de rocha e o restrito de sulfato de potássio, respectivamente. Quanto ao manejo sanitário dos rebanhos, o tratamento veterinário é considerado um complemento e nunca um substituto às boas práticas de manejo; entretanto, se necessário, recomenda-se o uso de fitoterápicos e da homeopatia. São obrigatórias todas as vacinas estabelecidas por lei e recomendadas vacinações e exames para as doenças mais comuns a cada região. Como medida preven-

tiva contra ecto e endoparasitas, recomendam-se a rotação de pastagens e o uso de compostos de ervas medicinais, juntamente com a ração ou o sal mineral. Na prevenção de bernes e carrapatos, as pesquisas têm avaliado o controle biológico, com resultados satisfatórios, além do que dentre as medidas preventivas aconselhadas para controle de parasitas está a manutenção das esterqueiras cobertas e protegidas de moscas. No caso da seleção e melhoramento animal, assim como na sua aquisição, é sugerido o uso de genótipos adaptados com o uso de zebuínos leiteiros e seus cruzamentos, com menores exigências nutricionais para evitar as doenças carenciais; mais rústicos e capazes de produzir satisfatoriamente em condições naturais de criação sem o uso preventivo de antibióticos, promotores de crescimento e hormônios, substâncias que não são permitidas no sistema orgânico. Para o manejo reprodutivo somente a monta natural e a inseminação artificial (IA) são permitidas. Não são permitidas a transferência de embriões (TE) e a fertilização in vitro (FIV). No que diz respeito ao bem-estar animal, as instalações devem ser adequadas ao conforto e à saúde dos animais. Também deve ser facilitado o acesso à água, alimentos e pastagens. Além disso, as instalações devem possuir espaço adequado à movimentação, o número de animais por área não deve afetar os padrões de comportamento, assim como o confinamento total de animais adultos e o isolamento e reclusão de animais jovens não devem ser efetuados. “Os sistemas silvipastoris se apresentam como modelos para o manejo e bem estar animal, pois permitem sombra das árvores, aumento da fertilidade das pastagens e a combinação com cultivos, o que diversifica a renda do produtor”, ensinou Soares.

tagens, uso de leguminosas fixadoras de nitrogênio em consórcio ou em faixa nas pastagens, além de fungos micorrízicos para aumento da absorção de nutrientes pelo sistema radicular das pastagens. O resultado de todas as tecnologias citadas pode ser acessado, na íntegra, no site da Girolando (www.girolando.com.br), Embrapa Cerrados (www.cpac.embrapa.br) e Embrapa Agrobiologia (www.cnpab.embrapa.br).

Nim para controle estratégico de carrapatos-mosca de chifres e berne-Fazendinha AgroecológicaKM 47-Seropédica-RJ

Tecnologias para a produção sustentável O projeto levou ao desenvolvimento de uma série de tecnologias. “Diferentes pesquisas desenvolvidas ao longo de oito anos de estudo do Projeto “Sistemas Orgânicos de Produção Animal”, da Embrapa, mostram que é possível produzir leite orgânico através de diferentes tecnologias desenvolvidas, adaptadas e validadas em diferentes biomas. Essa produção pode ser com base na redução de insumos externos à propriedade, não utilizando agrotóxicos, transgênicos, nem biotecnologias que impactam o meio ambiente e oneram os custos de produção”, finalizou Soares. Entre as tecnologias desenvolvidas estão: o manejo orgânico de bovinos leiteiros em pastagens de capim-tanzânia consorciado com calopogônio; a produção de capim-elefante em consórcio com siratro para alimentação suplementar de bovinos leiteiros; o balanço de proteína bruta na alimentação de vacas em lactação em sistema orgânico de produção; o controle sanitário alternativo na produção orgânica de leite; a eficácia do óleo de Nim a 1 e 2% no controle de ectoparasitos em bovinos infestados naturalmente, além da combinação do manejo de pastagens, alimentação equilibrada, uso de genótipos adaptados no monitoramento e controle de endoparasitas em sistema orgânico de produção de leite. Novas pesquisas também foram iniciadas com a aprovação do projeto em rede Leite Agroecológico, em 2010, no CNPq-Editalrepensa pela UFSC em parceria com a Embrapa Cerrados. Estão sendo avaliadas diferentes alternativas para manejo e adubação de pastagens, podendo ser relacionados o uso de pó de rocha e o fosfato de rocha como fontes de potássio e fósforo, respectivamente. A pesquisa incluiu ainda: adubação verde no estabelecimento de pas-

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Flávia Maria de Andrade Gimenes

Manejo de pastagens com ênfase em gado leiteiro

O

s sistemas de produção animal baseados no uso de pastagens reduzem o custo de produção, pois são alimentos mais baratos, uma vez que o próprio animal faz a colheita da forragem, evitando custos com maquinário de colheita, transporte e armazenamento. Por muito tempo pensou-se que pastos formados por gramíneas tropicais, como as dos gêneros Pennisetum (capimelefante), Panicum (capins colonião, mombaça, tanzânia) e Brachiaria (capins marandu, decumbens, humidícola) não poderiam ser utilizadas para vacas leiteiras em pastejo. Atualmente, os conceitos mudaram e as pesquisas já demonstraram que plantas forrageiras tropicais, se bem fertilizadas e manejadas, podem ter ótimos resultados, elevando a produção de leite por unidade de área, como será mostrado mais à frente deste texto. O sistema de produção animal em pastagens deve encontrar um balanço entre crescimento da planta, consumo e desempenho animal, de modo a manter estável seu nível de produtividade. Caso contrário, reduções em produtividade animal e crescimento das plantas forrageiras, bem como ocorrência de erosão e plantas invasoras, levarão as pastagens à degradação. Para tanto, os limites de utilização de cada planta forrageira devem ser respeitados, pois cada uma tem uma faixa ideal de utilização onde a produção de forragem é mantida; essa faixa pode ser determinada pela altura do pasto, massa de forragem, área foliar e outros parâmetros (Figura 1); pela facilidade de aplicação no campo utiliza-se mais frequente-

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Foto: Divulgação

Pesquisadora Científica do Instituto de Zootecnia, Nova Odessa, SP – Produção animal em sistemas de pastagens – flavia@iz.sp.gov.br

mente a altura do pasto. Inserida nessa faixa, há ainda condições de pasto que maximizam a produção animal. O importante é que os parâmetros utilizados sejam características das plantas ou da comunidade de plantas da pastagem, e não baseados em tempo cronológico ou número de animais (taxa de lotação). Para encontrar essas condições de pasto para cada planta forrageira, diversas pesquisas são desenvolvidas em Instituições que avaliam os resultados obtidos, bem como suas causas e implicações na perenidade das pastagens. Isto significa, além de resultados (se houve produção maior ou menor de carne ou leite), que são estudados e descritos os processos que levam as pastagens a esses resultados. Dessa forma, entendendo o que realmente é causa e efeito em sistemas de pastagens, podem-se estabelecer critérios para intervir buscando aumentar a produtividade e sustentabilidade do sistema. O manejo dos pastos pode ser realizado de forma eficiente, independentemente do método de pastejo adotado: lotação contínua (quando os animais ficam permanentemente no pasto) ou lotação rotacionada (quando os animais permanecem nos piquetes durante um período de ocupação e depois saem do pasto para um período de descanso). Porém, tem ocorrido grande confusão entre o entendimento do que é um método de lotação contínua e um método sem qualquer estratégia de manejo ou fertilização dos pastos, adotado por muitos produtores. Na lotação contínua, a carga de animais (taxa de lotação) deve ser variável, onde se devem colocar mais animais quando o pasto está crescendo muito e ultrapassando a faixa de utilização recomendada para este pasto e tirar animais quando o crescimento do pasto não consegue mantê-lo dentro das metas de altura do pasto e massa de forragem estabelecidas pela pesquisa, para aquele capim. Nesse método de pastejo, pastos grandes também devem ser piqueteados de forma a diminuir as distâncias a ser percorridas pelo animal e evitar que áreas de forragem sejam subpastejadas ou superpastejadas, além da necessida-

de ser da mesma espécie do capim-marandu,apresenta particularidades na forma e estrutura do pasto, com hábito de crescimento mais ereto e com maior formação de touceiras em relação ao capim-marandu. Isso explica porque deve ser manejado com alturas superiores ao primeiro. Sob lotação contínua não suporta pastejos muito baixos e sua faixa de utilização ideal está entre 30 a 40cm, tendo produção animal maximizada quando manejado a 40cm de altura (Flores et al., 2008). Por outro lado, a Brachiaria decumbens (braquiarinha) tem sua forma diferenciada dos capins marandu e xaraés, com hábito de crescimento mais prostrado, praticamente sem a formação de touceiras. Para este capim a faixa ideal de altura situa-se em torno de 20cm e se o pasto ficar mais alto que o recomendado (ex: 30-40 cm) haverá redução de valor nutritivo com consequente queda no desempenho animal. Já sob lotação rotacionada, deve-se trabalhar com duas condições de pasto: momento da entrada dos Figura 1 – Representação da faixa de utilização em pastos sob lotação contínua (Bircham e Hodgson, 1983). animais (condição pré-pastejo) e saída dos animais (condição pós-pastejo). Para essa situação a pesquisa estabeleceu em capim-marandu que alturas menores de entrada dos animais, se comparadas ao que é praticado e pregado em todo de de reposição de nutrientes no solo. Portanto, tanto o método de Brasil, causam aumento do tamanho das touceiras de capim, colotação contínua quanto rotacionada podem ser utilizados para gado brindo melhor a área e evitando erosão e entrada de plantas danileiteiro, desde que bem implantados e acompanhados. No entanto, nhas, bem como maior frequência de pastejo com maior renovação há maior facilidade em utilizar o capim, respeitando seus limites em de plantas e tecidos. Com pastos mais densos há incremento do um método ou outro. Normalmente capins de porte cespitoso (que consumo animal e o desempenho individual e a produtividade aniformam touceiras) adaptam-se melhor à lotação rotacionada, enmal por área são elevados, sem prejudicar a perenidade e sustentaquanto capins de hábito prostrado são mais facilmente manejados bilidade do sistema de pastagens. No Brasil, a altura pré-pastejo reem pastos sob lotação contínua. comendada para o capim-marandu era de 40 a 60cm, porém dados O capim-marandu (Brachiaria brizantha cv. Marandu) ou de pesquisa mostram que entrada com 25cm de altura e saída com “braquiarão” é a planta forrageira que ocupa maior área no Brasil, 15 a 20cm seriam a melhor condição para este cultivar (Gimenes chegando a 60% das áreas destinadas a pastagens. No entanto, et al., 2011). Nas as áreas que já utilizam sistema rotacionado para apesar de sua rusticidade, em várias regiões apresenta elevado grau este capim, a redução da altura de entrada deve ser feita gradualde degradação, principalmente por falta de reposição de nutrientes mente (em dois ou três pastejos). Depois disso haverá um período e manejo do pastejo inadequado. Sob lotação contínua trabalhos de de adaptação do pasto a essa condição, com maior “fechamento” pesquisa realizados estabeleceram que sua faixa de utilização situada área pelo capim. se entre 20 e 40cm de altura do pasto, sendo que em 20cm o pasto Para o capim-tanzânia (Panicum maximum cv. Tanzânia) suporta maior taxa de lotação com menor desempenho individual Rodrigo Barbosa e colaboradores (Barbosa et al.,2007) estabelece(produção de carne ou leite por animal), enquanto com 40cm apreram altura de entrada de 70cm e saída de 25 a 50cm. Sila Carneiro senta maior desempenho individual, porém com menor número de da Silva e equipe (Da Silva et al., 2009), trabalhando com capimanimais por área. Quando manejada com alturas abaixo desta faixa mombaça sob lotação rotacionada, demonstraram que a maior pro(ex:10cm) sinais de degradação aparecem rapidamente. dutividade e valor nutritivo de forragem seriam alcançados se os Já o capim-xaráes (Brachiaria brizantha cv. Xaraés), apesar

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Foto: Divulgação

animais entrassem nos piquetes com o capim-mombaça a 90cm de altura e saíssem com o capim de 30 a 50cm de altura. Quando os animais entravam nos pastos com capim-mombaça muito maduro, “passado”, por volta de 110cm, a proporção de colmos em relação a folhas aumentava e, consequentemente, o valor nutritivo era reduzido e as perdas de pastejo aumentadas. Ou seja, 20cm acima do recomendado para esse capim causavam redução na produtividade de forragem do sistema. Para comparar essas condições de pasto em relação à produção de leite, Elaine Hack e colaboradores (Hack et al., 2007) em Curitiba, PR, compararam dois tratamentos em capim-mombaça: Tratamento 1 - Altura da pastagem baixa: altura de entrada 90cm e altura de saída 40cm; e Tratamento 2 - Altura da pastagem alta: altura de entrada com 140cm e altura de saída 90cm. Como resultados, as vacas da pastagem baixa produziram 14,0 kg/dia de leite, enquanto as vacas da pastagem alta produziram 10,8 kg/dia. Esse resultado favorável para pastos mais baixos ocorreu em decorrência de maior proporção de folhas, que possuem maior valor nutritivo, em relação aos colmos. Além disso, as características estruturais do pasto podem ter afetado o consumo, uma vez que nos pastos mais altos as folhas eram maiores, o que aumentava o tempo de manipulação do capim no bocado, reduzindo a ingestão de forragem. Voltolini (2006) também avaliou a produção de leite em experimento conduzido em Piracicaba, SP, utilizando pastejo rotacionado de capim-elefante (Pennisetum purpureum cv. Cameroon), comparando dois períodos de descanso dos pastos: Tratamento 1 - entrar com os animais quando o pasto apresentava 95% de interceptação de luz (condição correspondente a 100cm de altura), ou seja, conforme a condição do pasto; e Tratamento 2 - entrar a cada 27 dias (período de descanso fixo), conforme período cronológico. O período de ocupação pelos animais foi de um dia pela vacas em lactação e um dia com grupo de animais de repasse. O Tratamento 1, em que os períodos de descanso foram variáveis, apresentou média de 19 dias de descanso, contra 27 dias do outro tratamento. Como resultados obtidos, as vacas que pastejaram o Tratamento 1 produziram média de 16,72 kg/dia de leite, enquanto as do Tratamento 2 produziram 14,09 kg/dia, consumindo a mesma quantidade de concentrado, mostrando tendência de aumento da produção quando o pasto foi colhido pelas vacas na condição mais adequada.

Pesquisadora do IZ Flávia Gimenes

Considerações finais Em sistemas de produção de leite em pastagens: 1. Plantas forrageiras tropicais são adequadas ao pastejo de bovinos de leite 2. O uso eficiente dos pastos reduz custos de produção 3. Respeito aos limites de utilização das plantas aumenta produtividade e sustentabilidade 4. Os métodos de pastejo contínuo e rotacionado podem ser utilizados com sucesso 5. O manejo do pasto deve ser baseado nas condições do capim e não em tempo cronológico ou número de animais determinado 6. Altura dos pastos abaixo ou acima da condição recomendada é prejudicial

Referências Bibliográficas BIRCHAM, J.S.; HODGSON, J. The influence of swards conditions on rates of herbage growth and senescence in mixed swards under continuous grazing management. Grass and Forage Science, v. 38, p. 323-331, 1983. Da SILVA, S.C.; BUENO, A.A.O.; CARNEVALLI, R.A.; UEBELE, M.C.; BUENO, F.O.; HODGSON, J.; MATTHEW, C.; ARNOLD, G.C..; MORAES, J.P. Sward structural characteristics and herbage accumulation of Panicum maximum cv. subject to rotational stocking management. Scientia Agricola, Piracicaba, v. 66, n.3, p. 8-19, 2009. FLORES, R.S.; EUCLIDES, V.P.B.; ABRÃO, M.P.C.; GALBEIRO, S.; DIFANTE, G.S.; BARBOSA, R.A. Desempenho animal, produção de forragem e características estruturais dos capins marandu e xaraés submetidos a intensidades de pastejo. Revista Brasileira de Zootecnia, v.37, n.8, p.1355-1365, 2008. GIMENES, F.M.A.; Da SILVA, S.C.; FIALHO, C.A.; GOMES, M.B.; BERNDT, A.; GERDES, L.; COLOZZA, M.T. Ganho de peso e produtividade animal em capimmarandu sob pastejo rotativo e adubação nitrogenada. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 46, n.7, 751-759, 2011. HACK, E.C.; BONA FILHO, A.; MORAES, A.; CARVALHO, P.C.F.; MARTINICHEN, D.; PEREIRA, T.N. Características estruturais e produção de leite em pastos de capim-mombaça (Panicum maximum Jacq.) submetido a diferentes alturas de pastejo. Ciência Rural, v. 37, n.1, p.218-222, 2007. VOLTOLINI, T.V. Adequação protéica de rações com pastagens ou cana-de-açúcar e efeito de diferentes intervalos entre desfolhas da pastagem de capim Elefante sobre o desempenho lactacional de vacas leiteiras. 2006.167 p. Tese (Doutorado em Ciência Animal e Pastagens) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2006.

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Talita Silva

Desaleitamento de bezerras

Médica Veterinária, mestre em clínica de ruminantes, especialista em educação a distância, autora do curso pela internet “Criação de bezerras” - Equipe ReHAgro

Animais que iniciam o consumo de alimentos sólidos mais cedo podem ser desmamados mais precocemente

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té o 28º ou 30º dia de idade, o melhor alimento para os bezerros é o leite, com alto valor nutricional e alta digestibilidade. Após essa idade, teoricamente os bezerros já poderiam ser desmamados; no entanto, é preciso lembrar que, com um mês de vida, eles ainda apresentam baixo consumo de alimentos sólidos. Bezerros que iniciam o consumo de alimentos sólidos mais cedo podem ser desmamados mais precocemente do que aqueles cujo consumo é muito baixo devido a falhas de manejo ou ocorrência de problemas sanitários. A desmama precoce traz como vantagens a redução do período de dieta líquida que, por sua vez, minimiza problemas de diarréia, diminui o tempo gasto com mão de obra para o fornecimento de leite aos bezerros e diminui os custos com a alimentação destes animais, já que o leite é mais caro do que os alimentos sólidos. O desaleitamento pode ocorrer entre quatro a oito semanas de idade ou quando os bezerros apresentarem uma ingestão de 600 a 800g de concentrado/dia. Em geral, o consumo de alimento sólido e idade têm uma relação próxima, porém, alguns estudiosos recomendam que se faça a desmama em função da ingestão de alimentos sólidos exclusivamente. Segundo eles, alguns bezerros podem não estar consu-

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mindo suficientes quantidades de alimentos que os permitam obter dos alimentos sólidos os nutrientes necessários após desmame. O desaleitamento pode ser feito de forma abrupta ou gradual. A primeira forma evita que o bezerro fique esperando pelo leite sem consumir o concentrado, aumentando, assim, seu consumo. A forma gradual consiste em reduzir o fornecimento de leite por um determinado período, até que se faça a desmama total. Acredita-se que tal procedimento estimule o consumo de concentrado, somando-se a isso a probabilidade de os bezerros ainda poderem obter nutrientes da dieta líquida, possivelmente reduzindo o estresse associado ao desaleitamento abrupto. Em geral, se o rúmen está bem desenvolvido antes da restrição (ou da remoção) da dieta líquida, ambos os métodos são satisfatórios. A desmama é um fator de estresse para os bezerros e geralmente ocorre em um período crítico, de transição, em que a imunidade passiva transmitida pela ingestão de colostro materno está em queda, ao mesmo tempo em que a imunidade ativa do bezerro ainda não se desenvolveu totalmente. Deve-se, portanto, evitar que maiores fatores de estresse atuem junto ao evento da desmama e favoreçam a debilitação do bezerro recém-desmamado. Por isso é fortemente recomendado que não se realizem outras práticas de manejo (descorna, troca de dieta, remoção de tetas extra-numerá-

rias, etc) ao mesmo tempo da desmama, e que os bezerros desmamados permaneçam no mesmo local ao qual estão habituados, por um período de, pelo menos, dez dias. Também é recomendável que bezerros doentes (ou que tiveram diarreia, pneumonia, etc) à época da desmama, permaneçam com a dieta líquida até se recuperarem. Introdução e estímulo do consumo de dieta sólida Várias práticas podem estimular o consumo de concentrado com a finalidade de obtenção de altas taxas de desenvolvimento dos pré-estômagos e desaleitamento precoce, dentre elas: fornecimento de leite uma vez ao dia; oferecimento de quantidade diária restrita de leite; e oferecimento de concentrado ad libitum ao bezerro, a partir do terceiro dia de vida. Colocar o concentrado no fundo do balde logo após o aleitamento ou colocá-lo diretamente na boca do bezerro, na mesma ocasião, também estimula o consumo deste alimento. As características do concentrado oferecido ao bezerro são muito importantes para que se otimize este processo. Um bom concentrado deve ser palatável (ter sabor adocicado: adição de 4 a 5% de concentrado); deve ter textura grosseira (concentrado finamente moído não estimula a ruminação, reduz consumo, aumenta perdas e ainda predispõe ao aparecimento de pneumonia por aspiração); deve ter no mínimo 18% de proteína de boa qualidade (sem adição de ureia até pelo menos 90 dias de idade); 80% de NDT, baixo nível de fibra (de 7 a 9%); além de suprir as necessidades de vitaminas desta categoria, de acordo com o NRC 2001. É importante que os alimentos que compõem o concentrado sejam de boa qualidade, garantindo a digestibilidade de seus nutrientes, a eficiência da dieta na nutrição e o desenvolvimento do bezerro. Como exemplo de ingredientes, temos: milho, farelo de soja, farelo de algodão e leite em pó. Caso o concentrado possua níveis adequados de fibra, não é preciso incluir forragem ou alimento volumoso até os 60 dias de idade dos bezerros. No entanto, se necessário para atingir os 7 a 9% de fibra, pode-se acrescentar até 5% de feno de boa qualidade ao concentrado de bezerros. O feno ajuda a conferir textura gros-

seira a este alimento, estimula a ruminação e deve ser a primeira forrageira a ser oferecida aos bezerros. O consumo médio desta forrageira é menor do que 50g/dia até a 8ª semana. Após este período, o consumo tende a crescer rapidamente. O ganho de peso é pequeno quando somente feno é oferecido. O concentrado deve ser oferecido à vontade até o terceiro mês de idade, assegurando-se que esteja disponível, limpo e fresco durante o tempo todo. O ganho de peso deve girar em torno de 700g/dia; e ao final do período de 16 semanas o concentrado deve ser limitado a 2,0kg/dia mais forragem de alta qualidade. A partir dos 90 dias de idade a silagem de milho pode ser fornecida como principal alimento volumoso, sem haver redução no consumo de matéria seca. A cana de açúcar, por sua vez, pode ser utilizada a partir de 60 dias de idade, mas, assim como a silagem de milho fornecida nesta fase, ela também provoca queda no consumo de matéria seca, sendo aconselhável que sua utilização seja feita apenas com animais mais velhos. A cana de açúcar possui baixo teor de proteína bruta, devendo a dieta ser corrigida; e uma fibra de difícil degradação, que permanece no rúmen, ocupando seu espaço, por mais tempo do que o feno ou silagem de milho, por exemplo. Passados os dez dias do desmame, os bezerros podem ser realocados para seu primeiro lote coletivo – o piquete de transição. Este piquete deve ter no máximo 15 animais, permitindo bom controle individual dos mesmos; de 15 a 45m2 de área/animal, 30cm lineares de cocho/animal e 1m2 de sombra/animal. Deve-se fornecer o mesmo concentrado utilizado no bezerreiro e introduzir alimentos volumosos à dieta, sendo em ordem decrescente, de preferência: feno de boa qualidade, gramíneas verdes, silagem ou cana de açúcar bem picada, se possível triturada. Água limpa e fresca e sal mineral devem sempre ser oferecidos a vontade. Conclusão Em sistemas produtores de leite, é extremamente interessante que os bezerros se tornem ruminantes o mais rápido possível, tanto do ponto de vista econômico quanto do ponto de vista nutricional do animal.

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Vitoriano Dornas Neto

Graduando em Medicina Veterinária Equipe ReHAgro

Comunicação interpessoal

E

m todo e qualquer negócio a comunicação é parte fundamental e muitas vezes limitante na obtenção de bons resultados. O mercado moderno é altamente competitivo e também instável. As margens de lucro de muitas atividades, principalmente no agronegócio, são cada vez menores; fazendo com que os empresários, os técnicos e os funcionários relacionados a esse setor, precisem trabalhar, cada vez mais, com alta eficiência. A comunicação demanda muita atenção, paciência, e muitas vezes é possível observar vários erros relacionados diretamente a falhas neste sentido. Para comunicar-se bem é necessário estar atento a alguns detalhes: 1. Comunico melhor quando olho no olho; 2. Mandar recado aumenta a chance de erro na execução de uma tarefa; 3. O “ouvinte” deve sempre mostrar aquilo que entendeu, repetindo a tarefa passada pelo “falante”; 4. O “falante” deve sempre checar o que o ouvinte entendeu. E perguntar: “O que você entendeu?” ao invés de: “Entendeu?”. Parece ser uma questão pouco importante, mas esse simples fato pode evitar altas taxas de retrabalho, aumentando a produtividade das pessoas em seu ambiente de trabalho, seja ele qual for, e também evitar erros graves na execução de tarefas; 5. Gritos à distância devem ser evitados; 6. Comunicação escrita, acompanhada da verbal, ajuda muito para o entendimento pleno, evitando falhas. Para implantar este processo é preciso explicar à equipe como será feita a checagem do entendimento, pois, caso contrário, pode-se gerar um sentimento de desconfiança e rejeição ao novo modelo. Muitas vezes, para facilitar a implantação, é interessante dar como exemplo alguma tarefa passada, quando a execução foi falha devido à não checagem da comunicação. Assim, as pessoas entendem que o objetivo é a melhoria na comunicação. É importante que a comunicação não seja excessiva (evitar falar demais) ou insuficiente (evitar falar de menos). Deve-se buscar o equilíbrio para evitar situações adversas e falar com o máximo de clareza possível, sempre adequando seu vocabulário ao das pessoas com quem você se comunica, facilitando o entendimento. Em empresas rurais de grande porte é fundamental que se crie uma estrutura para comunicação interna (celular, rádio, alto-falante, etc),

pois a falta de comunicação pode se tornar um grande problema e custar muito mais caro do que o investimento em meios de comunicação. Passando, agora, ao receptor: “Quais são as características ideais para um bom ouvinte?” Muitas pessoas não conseguem ouvir com atenção, ou passam essa impressão para o falante. Desta forma, podem gerar sensação de indiferença e, a partir daí, abalar a comunicação dentro do ambiente, comprometendo os resultados do setor relacionado a estas pessoas. Devese, sempre, como ouvinte, estar disposto a realmente ouvir, mostrando ao falante que o que ele tem a dizer é importante. Este é o papel do “ouvinte ativo”, que questiona o que está ouvindo e checa seu entendimento. Além da comunicação verbal, existe também a não-verbal. Esta pode chegar a representar 85 a 90% da comunicação. Empatia é o processo de entendimento do que uma pessoa está sentindo (percebendo) sobre o outro naquele momento, sem que o mesmo diga uma palavra. Este pode ser o grande diferencial na comunicação, pois quando se consegue “ler” as pessoas, pode-se adequar a determinados momentos e saber, assim, a melhor forma de se comunicar com essas pessoas especificamente. Pode ser que a partir dessa leitura, seja melhor deixar para um próximo momento determinada comunicação. Deve-se ir além da empatia, simplesmente, e tentar “ler” todo um ambiente, com suas cadeias de relacionamentos. É importante identificar os líderes dentro da equipe e os sentimentos que as pessoas têm sobre este, para, assim, poder obter sucesso nas atividades propostas.

“O verdadeiro sábio é aquele capaz de avaliar as coisas de acordo com as circunstâncias em que elas acontecem e não aquele que pretende expressar verdades absolutas. ”Adaptado Protágoras – Grécia 427 a.C.

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Divulgação

Vice-presidente da Girolando, Maurício Silveira (segundo da esq.), e Limirio (dir.) com criadores da região

Girolando conquista o Pará evento pelo Sindicato Rural daquele município. “O objetivo principal da viagem foi fomentar a raça, mas conseguimos também a inclusão de 14 novos associados para a Girolando”, destaca Limirio. Ele também visitou uma série de propriedades leiteiras. Limirio conta que ficou surpreso com a união e determinação de vários elos da cadeia produtiva do leite em torno de um bem comum que é a expansão e profissionalização do setor leiteiro. Produtores, Sindicato Rural (que deu todo suporte para a atuação da Girolando durante o evento), empresas de laticínios, prestadores de serviços, como In Vitro e Apoio Consultoria, mostraram-se interessados no apoio técnico que a associação pode dar para que a pecuária leiteira se expanda no Pará. “Fui muito bem recebido e selei o compromisso de suporte ao atendimento técnico a estes criadores”, finaliza Limirio, que aposta, em curto prazo de tempo, no crescimento do número de associados no Pará.

Cavalgada foi uma das atrações do evento em Xinguara

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Fotos: Divulgação

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e olho no potencial para produção de leite da raça Girolando em regiões de clima tropical, criadores do Pará querem promover o melhoramento genético do rebanho para consolidar o estado como principal bacia leiteira do Norte do país. Depois de conhecerem a qualidade genética dos animais expostos na MEGALEITE 2011, criadores do sul do Pará, liderados por Jordan Carvalho e José Dantas, voltaram entusiasmados para casa com o objetivo de criar um movimento em prol do melhoramento genético da raça Girolando naquela região. “O sul do Pará já se mostra com uma pujante bacia leiteira, onde indústrias de laticínios e empresas do setor estão ocupando espaço e se estruturando para participarem deste mercado”, destaca o técnico da Girolando, Limirio Cezar Bizinotto, que esteve em Xinguara (PA) entre os dias 15 e 21 de setembro, para divulgar a raça. Ele esteve acompanhado do vice-presidente da Girolando, Maurício Silveira, que tem propriedade na região. Xinguara destaca-se como um dos principais polos de investimentos do agronegócio no sul do Pará. Durante o período em que o técnico da Girolando esteve no município, ocorreu um dos eventos agropecuários de maior destaque. O técnico Limirio Bizinotto esclareceu dúvidas de criadores e divulgou a raça no estande da Girolando, que foi montado no recinto do

Público confere a exposição de animais Girolando no Pará

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Comunicações on-line podem ser feitas pelo

Portal Web Associado

A

Bottons

de identificação começam a ser distribuídos

O

registro genealógico da raça Girolando passará a contar com um novo e moderno sistema para identificar os animais registrados pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando. A marcação a fogo do número do Registro Genealógico de Nascimento (RGN) na perna do bovino será abolida. Os exemplares passarão a usar na orelha um botton de identificação, que conterá a Série Única do criador e a Numeração Particular do rebanho. Essa fase, iniciada em setembro, está sendo implantada de forma gradual. A troca da marcação a fogo pelo botton é uma das etapas de implantação do Sistema de Identificação Unificado (SIU) que a Girolando vem realizando. O método permitirá maior segurança e eficiência no armazenamento de informações dos registros efetuados pela Girolando, cujo banco de dados contém mais de um milhão de registros genealógicos. “Nesta etapa inicial, ao visitarem os rebanhos, os técnicos efetuarão os controles ou registros de nascimento dos animais e ficarão encarregados de passar todas as informações sobre o novo sistema aos criadores, explicando a forma correta de aplicar o botton e como realizar as futuras solicitações”, informa o superintendente técnico da Girolando, Leandro Paiva. Segundo ele, os associados não terão qualquer custo com o uso do novo sistema já que o equipamento será fornecido pela associação. Os bottons deverão ser aplicados pelos criadores nos animais cujos nascimentos foram informados à Girolando, sempre obedecendo a sequência numérica atual do rebanho (RGN atual). Vale ressaltar que, após a implantação dos bottons, apenas a marcação do “G Baldinho”, símbolo da Girolando, na face direita

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do animal, será mantida. A marcação a fogo na perna será substituída pela fotografia do bovino, o que ocorrerá na última fase da implantação do SIU. “É de fundamental importância que os criadores tenham a Série Única cadastrada na entidade, pois, sem ela, não será possível inserir o SIU nos rebanhos”, esclarece Paiva. Os criadores que ainda não realizaram o cadastro da Série única devem entrar em contato com a Superintendência Técnica da associação.

Associação Brasileira dos Criadores de Girolando está realizando uma importante reestruturação no Serviço de Registro Genealógico, que vai desde a identificação dos animais até o processamento das informações e impressão dos certificados de registros, visando dar mais agilidade e maior qualidade nos serviços prestados. Para que o associado tenha maior facilidade e comodidade para enviar as comunicações de cobertura e de nascimento dos animais a serem inscritos no Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando, foi desenvolvido um módulo web para realização das comunicações on-line. O sistema encontra-se disponível no site www.girolando.com.br e poderá ser utilizado por todos os associados. Para utilizar o sistema é necessário que o associado entre em contato com o Departamento de Tecnologia da Informação, através do e-mail: comunicacoesonline@girolando.com.br, ou pelo telefone (34) 3331-6000, durante o horário comercial, para solicitar Usuário e Senha. Para facilitar a utilização do sistema, disponibilizamos algumas informações importantes: O sistema estará disponível - 24 horas por dia, para o envio de comunicações de cobertura e de nascimento, além de realizar consultas de animais e pendências existentes; Somente será permitido cadastrar o nascimento de um animal (CDN) se a cobertura (CDC) que gerou o respectivo produto já estiver cadastrada na base de dados da Girolando; Antes de realizar um pré-cadastro de animal, verifique se o mesmo já se encontra cadastrado na base de dados; Após inserir os dados não se esqueça de salvar as comunicações. Depois de validadas, as comunicações não poderão ser excluídas; Certifique-se de que os dados estão sendo inseridos e salvos nos campos corretos; As comunicações de coberturas provenientes de FIV/TE serão informadas através do preenchimento da CDC-FIV ou CDC-TE, devendo posteriormente, ser preenchida a comunicação de implantação dos embriões nas receptoras, conhecida como Comunicação de Inovulação ou Implantação (CDI); • As pendências ativas no sistema deverão ser resolvidas pelos associados, que deverão enviar os documentos solicitados ao Setor de Controle de Genealogia, para que sejam realizadas as baixas; • Mais informações sobre a utilização do sistema deverão ser obtidas junto ao Departamento Técnico da Girolando. Sabendo da importância desta nova ferramenta disponibilizada aos associados da Girolando, nos colocamos à inteira disposição para quaisquer dúvidas e/ou mais esclarecimentos.

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INFORME PUBLICITÁRIO

Pecuária leiteira invade o Mato Grosso do Sul

O

Divulgação

Mato Grosso do Sul não vivia, desde sua fundação, em Expanleite, em Aquidauana, município que fica a 125km da capi1977, um momento tão promissor para a produção leiteital do Estado, além da exposição de animais, a programação do ra. Os criadores sul-mato-grossenses estão investindo na evento incluiu o shopping leiteiro, o torneio leiteiro do Pantanal e raça Girolando como forma de consolidar o Estado como imporo 3º Dia do Leite de Aquidauana. tante bacia leiteira do Centro-Oeste. O Núcleo dos Criadores de Outro importante passo dado pela entidade foi a realizaGirolando do Mato Grosso do Sul tem desenvolvido importantes ção do I Leilão Virtual. O evento transmitido pelo Agro Canal teve ações de valorização e divulgação da raça, com a finalidade de 70 animais inscritos. “O resultado do leilão foi fantástico; além da mostrar ao Brasil a qualidade do rebanho sul-mato-grossense e a excelente comercialização, após o evento muitos criadores nos aptidão dos animais para a produção leiteira. procuraram interessados em adquirir os animais registrados. No Entre as principais atividades desenvolvidas está a nova passado, vender um animal registrado era bem difícil, pois o prosede do Núcleo Girolando, inaugurada há quase um ano, e as dutor julgava o valor alto demais; hoje, ao contrário, ele vincula a participações nas principais feiras do Estado. De acordo com a questão do registro com a qualidade”, comentou Aurora. presidente do NCGMS, Aurora Trefzger Cinato Real, a criação de uma sede dentro do Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Novos tempos Campo Grande, capital do Estado, é um grande apoio da AssociaDe acordo com o vice-presidente do NCGMS, Ronan ção dos Criadores do Mato Grosso do Sul (Acrissul) à classe, e Salgueiro, além de todas essas ações estratégicas, em 2011 o contribui para a integração entre os produtores. trabalho do grupo ganhou mais força com o apoio do ConseleiteNos últimos meses, a raça teve uma ampla divulgação MS. “O Conseleite desenvolve um importante papel na busca nas exposições agropecuárias do Estado. No mês de abril, duranpela valorização do setor leiteiro do Mato Grosso do Sul, ou seja, te a Expogrande 2011 o número de animais e criadores inscritos agora temos o elo inteiro unido na tentativa de estabelecer o prefoi muito superior ao que aconteceu na edição anterior da feira, ço do leite”, mencionou. que é uma das mais importantes no cenário nacional. O encontro As atividades desenvolvidas pelo grupo resultam no que contou, ainda, com torneio leiteiro e julgamento ranqueado. está sendo denominando “o despertar do leite em Mato Grosso Na feira de Paranaíba, realizada em paralelo à 9ª Expoleido Sul”. Ronan afirma que o Girolando é a raça brasileira mais te, no mês de julho, a terceira edição de julgamento ranqueado popular do país, quando se trata de produção leiteira, e que esta do Girolando teve participação de animais e produtores de outros credibilidade está conseguindo ganhar o mundo. “O nome vem Estados, a exemplo de Goiás. Segundo a zootecnista e jurada apresentando um crescimento mundial e a Associação BrasiLilian Mara Borges Jacinto, o gado em exposição apresentou leira dos Criadores de Girolando está trabalhando muito forte excelente qualidade. “Foi de muito valor não só a qualidade dos para divulgar essas características favoráveis. Em Mato Grosso animais, mas também a competência do Núcleo dos Criadores do Sul não é diferente: os animais criados nas propriedades de Girolando de Mato Grosso do Sul, porque a equipe provou que do Estado passam a ter mais valor e a procura se torna ainda está sempre buscando a divulgação da raça com entusiasmo e maior”, enfatizou. convicção da relevância dela para a pecuária leiteira nacional”, salientou a zootecnista. As potencialidades da raça também foram destaques durante a 41ª Expocenter, realizada em agosto, na cidade de Cassilândia, também no interior do Mato Grosso do Sul, e que é considerada a maior exposição ranqueada do Girolando naquela região. Assim como na feira de Paranaíba, em Cassilândia, mais uma vez a participação de produtores de unidades da federação foi fundamental para o sucesso da empreitada. Para finalizar o semestre, no início do mês de agosto, durante a 3ª Criadores do Mato Grosso do Sul comemoram sucesso da raça Girolando no estado

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Natividade

4ª Interestadual de

Resende

tem mais uma Interestadual A 5ª Exposição Interestadual Girolando/XXVI EXFANA aconteceu na cidade de Natividade, no Rio de Janeiro, entre os dias 14 de 19 de julho.

De 27 de setembro a 2 de outubro, aconteceu a 44ª EXAPICOR 2011, na cidade de Resende (RJ). O evento sediou a 4ª Exposição Interestadual Top Girolando, ocorrida entre os dias 30 de setembro e 1º de outubro.

Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Hierarquia FIV Bradley Volta Fria Expositor: Filipe Alves Gomes Melhor Vaca Jovem: Folia JM Monte Alverne Expositor: Filipe Alves Gomes Grande Campeã: Folia JM Monte Alverne Expositor: Filipe Alves Gomes

Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Chilena Sansão FIV Mauá Expositor: Condomínio João Magalhães e Filhos Melhor Vaca Jovem: Atual Teatro Aliada FIV Expositor: Agenor Afonso do Amaral Grande Campeã: Idalina M Expositor: Heloísa Helena Junqueira Dos Santos

Melhor Fêmea Jovem: Vitrine FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Melhor Vaca Jovem: Portela FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Grande Campeã: Leopoldina FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Melhor Macho Jovem: Invicto FIV Goldwyn Volta Fria Expositor: Carlos Levate Grande Campeão: Dalmarve Tango Recado Expositor: José Hilton Prata Ribeiro

Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Iguaria Dundee Volta Fria Expositor: Luiz Paulo Levate Melhor Vaca Jovem: Gisele Diomede Volta Fria Expositor: Luiz Paulo Levate Grande Campeã: Itamarandiba FR Recreio Expositor: Wagner José Ferreira Campos

Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Ondina Babitonga Expositor: Otto de Souza Marques Júnior Melhor Vaca Jovem: Folha TE do R.Grande Expositor: José Carlos dos Reis Grande Campeã: Pércia Babitonga Expositor: Otto de Souza Marques Júnior

Melhor Criador/Expositor Geral: Mila de Carvalho Laurindo e Campos

Porciúncula:

Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Vitrine FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Melhor Vaca Jovem: Melodia 2 Jintx 5 Estrelas Expositor: Agenor Afonso do Amaral Grande Campeã: Melodia 2 Jintx 5 Estrelas Expositor: Agenor Afonso do Amaral Grande Campeão: King Frank Dom Nato Expositor: José Donato Dias Filho

2ª Ranqueada de Girolando De 17 a 21 de agosto, a cidade fluminense de Porciúncula recebeu criadores de todo o estado e de outras regiões para a 2ª Exposição Agropecuária de Porciúncula da Raça Girolando. Os julgamentos acontecerem nos dias 19 e 20 de agosto. Girolando 1/2

Melhor Criador/Expositor: José Donato Dias Filho

Melhor Fêmea Jovem: Patativa 3 FIV Wildman Volta Fria Expositor: Filipe Alves Gomes Melhor Vaca Jovem: Diva JM Monte Alverne Expositor: Filipe Alves Gomes Grande Campeã: Esmeralda Markowicz Expositor: Filipe Alves Gomes Girolando 3/4 Público assiste aos julgamentos em Resende (RJ)

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Girolando 5/8

Melhor Fêmea Jovem: Fabíola Bradley LHL Santa Helena Expositor: Luiz Paulo Levate Melhor Vaca Jovem: Babi LHL Santa Helena Expositor: Luiz Paulo Levate Grande Campeã: Babi LHL Santa Helena Expositor: Luiz Paulo Levate Melhor Macho Jovem: Balão Morty FB Rio Bonito

Expositor: Fábio José Biazon Dias Grande Campeão: Viúvo FIV Paramount Santa Luzia Expositor: José Coelho Victor Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Vitrine FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Melhor Vaca Jovem: Portela FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Grande Campeã: Portela FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Melhor Macho Jovem: Invicto FIV Goldwyn Volta Fria Expositor: Rodrigo José Gonçalves Monteiro Melhor Criador/Expositor Geral: Mila de Carvalho Laurindo e Campos

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Mato Grosso: palco da Ultraleite 2011

Pista concorrida em

Juiz de Fora Criadores da região da Zona da Mata mineira participaram da 59ª Expofeira Agropecuária de Juiz de Fora e puderam acompanhar os julgamentos da raça Girolando. O evento aconteceu de 24 a 28 de agosto. Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Henna FIV Eduard Volta Fria Expositor: Filipe Alves Gomes Melhor Vaca Jovem: Folia JM Monte Alverne Expositor: Filipe Alves Gomes Grande Campeã: Esmeralda Markowicz Expositor: Filipe Alves Gomes

Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Albos Karol Expositor: Alberto Oswaldo Continentino de Araújo Melhor Criador/Expositor: Alberto Osvaldo Continentino de Araújo

Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Iracema Diomede Volta Fria Expositor: Luciano Machado de Souza Lima Melhor Vaca Jovem: Babi LHL Santa Helena Expositor: Luiz Paulo Levate Grande Campeã: Babi LHL Santa Helena Expositor: Luiz Paulo Levate

O Girolando entra no circuito matogrossense para ficar. Pelo segundo ano consecutivo, aconteceu a Ultraleite, único evento estadual oficial da raça Girolando, com pista homologada. A feira ocorreu de 6 a 11 de setembro, na cidade de Mirassol D´oeste (MT), e foi organizada pela ASSERU-MT (Associação dos Empreendedores Rurais de Mato Grosso) em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e apoio do Sindicato Rural de Mirassol D´Oeste. “A raça Girolando está com bases sólidas no estado para uma longa e prospera caminhada, embora todos estejam cientes dos desafios já existentes e os que certamente virão”, garante o presidente da ASSERU-MT, Florindo Jose Gonçalves. Segundo ele, há um grande número de animais jovens, produzido em Mato Grosso a partir de genética importada de importantes criatórios de estados como Minas Gerais, São Paulo, Goiás, entre outros. Para 2012, a ASSERU-MT espera atrair mais criadores para o evento e concretizar a pista em outras cidades. Uma das metas é a realização do evento em Cuiabá, que será o primeiro na capital matogrossense. Os julgamentos foram comandados pelo jurado Jesus Lopes Júnior. Confira os campeões:

sedia mais uma ranqueada Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Inderci Astre Lagloria Misael Expositor: Sérgio Reis Peixoto Melhor Vaca Jovem: Pirâmide I Nobre da Origem Expositor: Luís José Marrichi Biazzo Grande Campeã: Arisca NR Expositor: Luís José Marrichi Biazzo Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Bela Morty FB Rio Bonito Expositor: Luiz Paulo Levate Melhor Vaca Jovem: Galeria Ellipsis Volta Fria Expositor: Luiz Paulo Levate Grande Campeã: Galeria Ellipsis Volta Fria Expositor: Luiz Paulo Levate

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Grande Campeã, Melhor Vaca e Úbere Jovem: Arauna FIV Homestead Expositor: Luciano Lacerda Nunes Girolando 3/4 Grande Campeã: Tampinha Recanto do Bacuri Expositor: Flávio Donizete de Freitas Girolando 5/8 Grande Campeã: Cadanga Boliver Expositor: Lázaro Borges

Perdizes realiza XX Expoper

Muriaé

A raça Girolando marcou presença em várias pistas mineiras. Na cidade de Muriaé, ocorreu a 56 ª Exposição de Muriaé e 3ª Exposição da Raça Girolando. O evento aconteceu de 2 a 7 de setembro.

Girolando 1/2

Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Vitrine FR Recreio Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos Melhor Vaca Jovem: Etílica do Basa Expositor: Élcio Faria Duarte Grande Campeã: Oncinha do Basa Expositor: José Carlos Rosa Melhor Criador/Expositor: Mila de Carvalho Laurindo e Campos

De 27 de agosto a 11 de setembro, ocorreu em Minas Gerais a XX Exposição Agropecuária, Comercial e Industrial de Perdizes no Parque de Exposições Olegário Coelho do Prado Perdizes. Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Catita Eduard da Tropical Expositor: Délcio Vieira Tannus Melhor Vaca Jovem: Lafe 148 Modest Expositor: Leandro de Aguiar Grande Campeã: Zamboa Nuclear Boa Vista Expositor: Ronan Afonso Borges Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Americana Narrador DB Ávila Expositor: Fabiano Cesar de Ávila Grande Campeã: Carícia Windstar TE Tannus Expositor: Délcio Vieira Tannus

Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Caneta Silvester Maria Santissima Expositor: Délcio Vieira Tannus Filho Melhor Vaca Jovem: Fada Vilao Tannus Expositor: Délcio Vieira Tannus Filho Grande Campeã: Vigota Bambino STT Expositor: Oswaldo Borges Carvalho Melhor Macho Jovem: Lafe 174 Marvel Expositor Leandro de Aguiar Melhor Criador/Expositor: Ronan Afonso Borges

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Ibiá

Camaru 2011

tem sua 1ª Exposição Oficial

De 28 de agosto a 7 de setembro, aconteceu a 48 Exposição Agropecuária de Uberlândia.

Melhor Fêmea Jovem: Hierarquia FIV Bradley Volta Fria Expositor: João Domingos Gomes dos Santos Melhor Vaca Jovem: Blu Astro Batgirl Expositor: Luiz Carlos Rodrigues Grande Campeã: Blu Astro Batgirl Expositor: Luiz Carlos Rodrigues

Melhor Criador/Expositor: Délcio Vieira Tannus

Fotos: Luciene Franklin

Girolando 1/2

Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Brasileira Wildman FIV da Xa Expositor: Paulo Melo / Daniella Martins Melhor Vaca Jovem: Penelope R.S. do Rancho Alegre Expositor: Enéas Rodrigues Brum Grande Campeã: Penelope R.S. do Rancho Alegre Expositor: Enéas Rodrigues Brum Girolando 5/8

Localizada na região do Alto Paranaíba, estado de Minas Gerais, a cidade Ibiá é conhecida há vários anos como a Capital Nacional do Leite, por estar entre os municípios que mais produzem leite no Brasil. A produção de leite é uma das principais atividades do município, sendo uma grande geradora de empregos e renda para a população. Visando agregar valor ao agronegócio da região, o Sindicato dos Produtores Rurais de Ibiá promoveu entre os dias 7 e 11 de setembro a Exposição Agropecuária 2011, que pela primeira vez teve uma exposição homologada da raça Girolando. O julgamento dos animais Girolando aconteceu no dia 09 de setembro, sendo realizado pelo jurado efetivo e técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Limírio Cezar Bizinotto. A exposição contou com a participação de 15 expositores e de 65 animais inscritos. Segundo Hilceu Nascimento Filho, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Ibiá, o objetivo é de realizar em 2012, a 1ª Exposição Ranqueada da Raça Girolando na cidade, passando o evento a contar com a participação de criadores de outras cidades da região. Veja os principais resultados:

Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Soberana R&O Expositor: Rodrigo Nunes de Assis Melhor Vaca Jovem: Meia Noite Expositor: Ênio Gomes Nogueira Grande Campeã: Luma Lincoln HF Expositor: João Bosco de Araújo Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Brasília Expositor: Walter Gaspar Borges Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Época Minister SI Expositor: José Tobias Ribeiro de Paiva e Filhos Melhor Criador/Expositor Geral Expositor: Ênio Gomes Nogueira

Maria Helena, João Domingos, Donato e Milton Magalhães

Melhor Fêmea Jovem: Taza Maia Correa Expositor: Solomon Jung Min Ma Melhor Vaca Jovem: Zita Frederick Morada Corinthiana Expositor: Jerônimo Gomes Ferreira Grande Campeã: Jaqueta Famoso Alado Expositor: João Domingos Gomes dos Santos Grande Campeão: Jucah Esnobe Dom Nato Expositor: Ildo Ferreira

João Bosco de Araújo e o presidente do Sindicato Rural Hilceu Nascimento Filho

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Rio Pomba

Feileite

estreia no circuito

terá 1º Torneio Leiteiro de Girolando Uma das feiras que encerra o calendário de competições de Girolando em 2011, a Feileite deve contar com uma participação expressiva da raça este ano. O evento está marcado para ocorrer entre 31 de outubro e 4 de novembro, no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo (SP). Com expectativa de reunir 400 animais na Feileite 2011, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando realizará pela primeira vez na Feileite o Torneio Leiteiro Oficial da Raça. Serão disponibilizadas 30 vagas para a disputa. Poderão participar do Torneio Leiteiro vacas e novilhas dos graus de sangue 1/4, 1/2, 3/4 e 5/8 ou PS. Serão premiadas as primeiras colocadas de cada categoria (Novilha e Vaca) em cada grau de sangue, além da Campeã e Reservada Campeã Geral na categoria Novilha e na categoria Vaca. As disputas do Torneio começam às 14h do dia 31 de outubro e vão até às 14h do dia 3 de novembro. A raça também marcará presença na pista de julgamento do Centro de Exposições Imigrantes. Com 370 vagas disponíveis, a disputa será conduzida pelo jurado Limírio Cezar Bizinotto. Os julgamentos acontecem nos dias 1º e 2 de novembro durante todo o dia. Podem participar animais Girolando 1/2, 3/4 e 5/8 ou PS, conforme o Regulamento Oficial da Associação. As inscrições para o preenchimento das 400 vagas disponíveis para julgamento e torneio leiteiro foram abertas no dia 26 de setembro. De acordo com o superintendente Técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando Leandro Paiva, o prazo vai até o dia 21 de outubro, porém, caso as vagas sejam preenchidas antes dessa data, as inscrições serão encerradas.

PROGRAMAÇÃO FEILEITE 2011 INSCRIÇÕES 26/09/11 (Segunda-Feira) • Abertura das Inscrições para Julgamento e Torneio Leiteiro do Girolando 21/10/11 (Sexta-Feira) • Encerramento das Inscrições para Julgamento e Torneio Leiteiro do Girolando ENTRADA DOS ANIMAIS 27/10/11 (Quinta-Feira) • Entrada dos animais Girolando (início) 30/10/11 (Domingo) • Entrada dos animais Girolando (término) JULGAMENTO 31/10/11 (Segunda-Feira) • 17:00h – Reunião do Código de Ética com os Apresentadores, Preparadores e Expositores de Animais 01/11/11 (Terça-Feira) • 07:00h – 13:00h – Julgamento de Machos Girolando 3/4, 5/8PS e de Fêmeas Jovens Girolando 3/4 • 14:00h – 18:00h – Julgamento de Fêmeas Jovens Girolando 1/2 e 5/8-PS 02/11/11 (Quarta-Feira) • 07:00h – 13:00h – Julgamento de Fêmeas Adultas e Progênies Girolando 3/4 e 1/2 • 14:00h – 18:00h – Julgamento de Fêmeas Adultas e Progênies Girolando 5/8-PS

A I Exposição Homologada de Gado Girolando da Zona da Mata Mineira aconteceu nos dias 9, 10 e 11 de setembro na cidade de Rio Pomba (MG). O evento foi realizado no Parque de Exposição Dr. Antônio da Mota Filho. Segundo os organizadores, a 1ª edição da Exposição de Girolando teve por finalidade incentivar os produtores no aprimoramento e manutenção da qualidade do rebanho, com o apuramento da raça, ressaltar a importância da genealogia conhecida para a valorização do leite, bem como fomentar o comércio do gado registrado na região. Além da disputa na pista, a exposição contou em sua programação com o I Leilão Elite de Gado Girolando da Zona da Mata Mineira. O pregão ocorreu no dia 11. A Exposição e o Leilão da raça Girolando foram uma realização da Secretaria de Agricultura da Prefeitura Municipal de Rio Pomba e contou com o apoio da Giromata (Núcleo de Criadores de Gado Girolando da Zona da Mata), da Associação Brasileira de Criadores de Girolando, da EMATER – MG, da APVARP (Associação dos Produtores do Vale do Rio Pomba), do Sindicato dos Produtores Rurais de Rio Pomba, do Projeto Curral Bonito, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET) – Campus Rio Pomba e da Leste Leilões.

Girolando 1/2 Melhor Fêmea Jovem: Artista Formi Expositor: José Alfredo Quintão Furtado Melhor Vaca Jovem: Princesa Guariba Expositor: José Pereira Duprat Grande Campeã: Carolina São Mathias Expositor: Antônio de Toledo Furtado Girolando 3/4 Melhor Fêmea Jovem: Mocinha GAP Paraíso Expositor: Geraldo Antônio de Paiva Melhor Vaca Jovem: Rainha da Vargem Rica Expositor: Mário da Motta Girolando 5/8 Melhor Fêmea Jovem: Roseira Sylvester GAP Paraíso Expositor: Geraldo Antônio de Paiva Criador/Expositor Geral: Mário da Mota

TORNEIO LEITEIRO 31/10/11 (Segunda-Feira) • 10:00h – Reunião da Comissão Organizadora e Comissão Técnica com os Participantes do Torneio Leiteiro • 14:00h – 1ª Ordenha do Girolando (início) • 22:00h – 2ª Ordenha do Girolando 01/11/11 (Terça-Feira) • 06:00h – 3ª Ordenha do Girolando • 14:00h – 4ª Ordenha do Girolando • 22:00h – 5ª Ordenha do Girolando 02/11/11 (Quarta-Feira) • 06:00h – 6ª Ordenha do Girolando • 14:00h – 7ª Ordenha do Girolando • 22:00h – 8ª Ordenha do Girolando 03/11/11 (Quinta-Feira) • 06:00h – 9ª Ordenha do Girolando • 14:00h – 10ª Ordenha do Girolando (encerramento) SAÍDA DOS ANIMAIS 04/11/11 (Sexta-Feira) • 23:30h – Saída dos Animais Girolando (início)

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Gestão 2011 – 2013

Eventos da Raça* Exposições 31/10 a 04/11 - Feileite 2011- Local: Centro de Exposições Emigrantes - São Paulo (SP) – Informações: www.feileite.com.br 06 a 13/11 - Exposição de Recife - Local: Recife (PE) 23 a 30/10 - Exposição de Alagoas - Local: Maceió (AL)

Leilões 28/10 - Mais Leite (Girolando e Gir Leiteiro) – Local: Maceió (AL) – Horário:20h 29/10 - Leilão Genética Girolando In Rio Fazenda Jardim - Fazenda Vilarejo & Convidados Especiais - Local: Hotel Fazenda Vilarejo - Conservatoria/RJ - Horário: 14h 31/10 - 1º Leilão Genética da Capital - Horário: 20h - Local: Durante a Feileite 2011 - Centro de Exposições Imigrantes - São Paulo/SP 02/11- 2º Leilão Nação Girolando - Horário: 21h - Local: Durante a Feileite 2011 - Centro de Exposições Imigrantes - São Paulo/SP 09/11 - 2º Leilão Virtual Genética C.A. (Gir Leiteiro e Girolando) – Horário: 21h - Local: www.embral.com.br em VIRTUAL/SP – Transmissão: Terraviva 12/11 - Top Girolando –– Local: Recife (PE) – Horário:20h 12/11 - Liquidação de Plantel Girolando e Implementos Agrícolas Agropecuária Da JPZ- Fazenda Santa Luccia -Horário: 14h – Local: Fazenda Santa Luccia - Inhaúma/MG. *As informações sobre os eventos são de responsabilidade de seus organizadores.

Dados dos Associados Associados ativos em 31/12/2010 Novos associados no período Associados que retornaram ao quadro Desligamento de associados Associados ativos em 27/09/2011

2.138 335 20 88 2.405

Balancete 01/01/2011 a 31/08/2011 Receitas Despesas Resultado

R$ 3.550.500,22 R$ 2.889.710,48 R$ 660.789,74

Resultados (Janeiro/Agosto – 2011) RGD RGN RF TOTAL

47.514 14.369 2.994 64.877

Exposições Recebemos algumas reclamações totalmente procedentes, quanto à presença de pessoas estranhas ao julgamento, dentro da pista. Ouvidas as partes técnicas, estamos tomando medidas para que tais fatos não mais ocorram. A princípio, sem prejuízo de outras providências, o ranqueamento do evento com este tipo de ocorrência será inviabilizado. Esperamos e desejamos que os promotores de exposições, nossos parceiros, colaborem para a manutenção da credibilidade dos eventos da raça. CCG Estamos em fase final da elaboração do projeto arquitetônico do nosso Centro de Capacitação Girolando (CCG). Nossos esforços continuam intensos na busca de recursos para o início das obras. As perspectivas políticas melhoraram e estamos otimistas que conseguiremos alguns avanços. Esperamos ter boas novidades até o final do ano.

possíveis, tanto em pessoal quanto em tecnologia, mas para alguns procedimentos, o tempo é absolutamente necessário. Constrangidos, agradecemos a paciência e compreensão e continuaremos trabalhando intensamente para superar esta etapa. Congresso O 1º Congresso Brasileiro da Raça Girolando foi trabalhado para ser autossustentável, a maioria dos palestrantes não cobraram honorários para suas contribuições e os membros da Diretoria arcaram com as suas despesas de participação. Registramos nossos agradecimentos pela colaboração de todos e, embora o balanço final não tenha sido concluído, a Associação não deverá aportar recursos no evento. Para concluir o tema, registramos a nossa satisfação pelos resultados alcançados em todos os sentidos: o prestígio político, o elevado nível das palestras e contribuições e, sobretudo, a audiência, tanto em quantidade como em qualidade dos associados e participantes de outras raças. Avaliação Congresso Pesquisa de satisfação realizada com os participantes do 1º Congresso Brasileiro da Raça Girolando teve resultado positivo. 64% de formulários respondidos 68% de aceitação em relação à perguntas gerais 86% de aceitação relativo ao Milk Break e Alimentação. 8,28 de avaliação geral (nota de 0 à 10) Até o fechamento desta edição, a consolidação dos comentários e do resultado financeiro não havia sido concluída.

Registros Pedimos desculpas pelos transtornos no atendimento aos nossos associados para registros de animais. Estamos pagando tributo ao crescimento da demanda para serviços e, ao mesmo tempo, a implantação necessária da informatização de nossos sistemas. Fizemos todos os investimentos

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plantar, em 2011, o Sistema de Identificação Unificado, conhecido como SIU. Farão parte deste sistema: a identificação do animal através de um registro único, fotografia do animal e identificação particular do criador, além da marcação a fogo do “G baldinho” na face direita do animal nos casos de controle ou registro de nascimento. A identificação particular do criador será composta por Série Única, com três ou quatro letras e por numeração sequencial do rebanho (CGN ou RGN atual). Já está disponível o cadastro da Série Única do criador. Para mais informações o criador deve entrar em contato com a Superintendência Técnica da Girolando. ADT – Autorização de Transferência

COLOSTRO DNA – obrigatoriedade para FIV e TE Os criadores que utilizam as técnicas de FIV e TE para reprodução devem ficar atentos quanto à obrigatoriedade do exame de DNA com qualificação de parentesco dos genitores (pai e mãe) para que os produtos possam receber o controle ou registro de nascimento (CGN ou RGN). O material para controle genealógico de animais provenientes de TE ou FIV somente é liberado para os técnicos de registro, pelo Setor de Controle de Genealogia, após o recebimento do exame de DNA com qualificação dos pais (bilateral). Sendo assim, orientamos os criadores a providenciarem, após o nascimento dos animais, conforme orientações dos laboratórios, a coleta de material para ser enviado ao laboratório, com o intuito de agilizar a verificação de parentesco. É importante, também, que as doadoras, ao entrarem em programas de TE ou FIV, tenham seu material coletado e enviado ao laboratório, garantindo que os produtos poderão ser testados no futuro, evitando problemas em casos de morte ou venda das doadoras. Vale ressaltar que a escolha do local a realizar os exames é feita pelo criador, devendo ser um laboratório idôneo, que esteja devidamente credenciado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para esta finalidade.

no site da Girolando para todos os associados. Nesta fase inicial será permitida a realização de comunicações de cobertura e nascimento. Os interessados em iniciar o cadastro das comunicações, através do site, deverão entrar em contato com o Setor de Tecnologia da Informação para obter o cadastro no sistema. Controle de Genealogia e Registro Genealógico de Nascimento – CGN / RGN

A partir do Ranking Girolando 2011/2012, iniciado após a MEGALEITE 2011, 100% dos animais participantes de exposições ranqueadas deverão possuir genealogia conhecida, ou seja, livro fechado. As exposições que não cumprirem esta regra serão automaticamente excluídas do ranking. O regulamento de exposições encontra-se disponível no site www.girolando.com.br.

Todos os animais, ao receberem o controle ou registro de nascimento, deverão estar identificados pelo número de nascimento, através de marcação a fogo na perna esquerda ou através de tatuagem na orelha, também colocada do lado esquerdo do animal. A marcação e/ou a tatuagem deverão conter os quatro dígitos do número do CGN ou RGN, com boa visibilidade. A marcação ou tatuagem pode ser realizada por qualquer pessoa autorizada pelo criador (técnico responsável pelo rebanho, vaqueiro etc.) ou por ele próprio, desde que realizada antes da inspeção dos animais. Este procedimento permitirá ao técnico do Serviço de Registro Genealógico da Raça Girolando (SRGRG) uma dedicação maior de seu tempo durante a visita técnica na propriedade para o fornecimento de orientações e instruções quanto ao trabalho de seleção realizado pelo criador. Caso os animais não estejam corretamente identificados, o técnico deverá proceder à marcação do número de nascimento, utilizando boa parte de seu tempo, durante a visita, para a realização deste procedimento. ATENÇÃO: Quando for realizar a marcação a fogo ou tatuagem, pela primeira vez, entre em contato com o Departamento Técnico da Girolando ou com um técnico de sua preferência e solicite instruções.

Comunicações On-line (Web associado)

Sistema de Identificação Unificado - SIU

Exposições Ranqueadas 2011/2012

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O módulo de comunicações on-line já está disponível

Como já dito em edições anteriores, a Girolando irá im-

O certificado de controle de genealogia ou registro genealógico possui vários benefícios e vantagens, sendo uma delas a comprovação de propriedade do animal. Esta comprovação é muito importante em diversas situações, como por exemplo: participação do animal em exposições oficiais, transporte ou venda do animal para fora do estado, inscrição do animal no Serviço de Controle Leiteiro, entre outras situações. Ao adquirir um animal é importante que o comprador solicite ao vendedor a Autorização de Transferência (ADT) e o certificado original, para que a transferência possa ser concretizada. Somente com a apresentação destes documentos o criador conseguirá transferir o animal para seu nome, usufruindo de todos esses benefícios e vantagens. Para a realização da transferência, os documentos deverão ser enviados ao Setor de Expedição de Certificados da Girolando. Após os procedimentos internos, um novo certificado será enviado ao proprietário atual dos animais. Orientamos a todos que solicitem ou forneçam a ADT sempre que realizarem qualquer compra ou venda de animais registrados ou controlados, evitando, assim, possíveis transtornos. Vale lembrar que nos casos de venda parcelada ou venda a prazo o vendedor tem o direito de fornecer a ADT e o certificado original somente após a quitação da última parcela ou do valor total da dívida, conforme previsto em lei. Em alguns casos são realizados acordos entre as partes para a antecipação da transferência e liberação do certificado original. O formulário de ADT poderá ser solicitado a qualquer momento junto ao Departamento Administrativo da Girolando ou através do e-mail: girolando@girolando.com.br. Reposições de brincos de identificação Informamos que as reposições de brincos de registro ou controle, e de rebanho de fundação devem ser solicitadas junto ao Setor de Controle de Genealogia, para que possam ser confeccionados e, em seguida, repostos por um técnico do SRGRG. A Associação está trabalhando junto à empresa fornecedora do material um produto mais resistente e durável, que venha a minimizar a perda dos brincos de identificação. Devolução de comunicações e documentos Desde o ano passado, após auditoria do Mapa, o Setor de Controle de Genealogia da Girolando está devolvendo as comunicações de cobertura, nascimento ou qualquer outro tipo de documento referente ao Serviço de Registro Genealógico que não esteja devidamente preenchido. A falta de preenchimento dos campos de registro ou controle, nomes dos pais e falta de preenchimento do número da CDC na comunicação de nascimento (CDN) são as pendências que ocorrem com mais frequência. Pedimos a todos os associados que preencham devidamente os formulários para evitar a devolução dos mesmos.

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Homenagem As mulheres uberabenses que ajudaram a construir a história do zebu no Brasil foram homenageadas no dia 20 de setembro durante a inauguração da mostra “Mulheres de Uberaba na História do Zebu”, no Museu do Zebu, localizado no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG). A exposição traz fotos e uma breve biografia das 18 homenageadas. Entre as agraciadas, está a diretora da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Maria Inez Cruvinel Rezende. Outra criadora da raça homenageada foi Ilza Helena Kefallás Oliveira. O presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, participou da inauguração. A exposição integra a programação da Primavera dos Museus, evento promovido em todo o país pelo Instituto Brasileiro de Museus/Ministério da Cultura cujo tema central é “Mulheres, Museus e Memórias”. Everaldo Ferreira

ção Brasileira dos Criadores de Girolando, Leandro Paiva, e do responsável pelo setor de Marketing da entidade, João Marcos dos Santos. A competição reuniu propriedades rurais das regiões de Uberaba, Água Comprida, Conceição das Alagoas e Campo Florido e Rufinópolis. As pesagens aconteceram no período de 4 a 22 de julho. A entrega dos troféus aos ganhadores e certificados aos 52 participantes aconteceu, em Uberaba (MG), na sede da Copervale, cooperativa de leite organizadora do evento. A grande vencedora foi Neusa de Oliveira Borges. A segunda colocação ficou com Ricardo Miziara Jreige e o terceiro lugar com Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira.

Expanleite 2011 A fêmea Girolando 3/4 Juma Duplex, filha do reprodutor Mesland Duplex, conquistou o campeonato do Torneio Leiteiro da 3ª Expanleite - Exposição Pantaneira de Gado de Leite, realizada entre os dias 10 a 15 de agosto, em Aquidauana/MS. Juma produziu média diária de 43 kg/dia, com pico de 46 kg no terceiro dia. A fêmea pertence ao criatório Girolando DLS Pantanal, de Denilson Lima de Souza. A Expanleite teve como ápice o Dia do Leite, no dia 13 de agosto. Uma das palestras foi sobre a Raça Girolando e a importância do registro genealógico, ministrada pela presidente do Núcleo dos Criadores de Girolando de Mato Grosso do Sul, Aurora T. Cinato Real.

Novo ministro Os ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho (foto abaixo), e do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, receberam no dia 15 de setembro, em Brasília (DF), o presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, e o diretor de Relações Institucionais João Domingos. Entre os assuntos tratados nas audiências o Centro de Capacitação Girolando, o Congresso Brasileiro da Raça Girolando e a MEGALEITE. O ministro do Desenvolvimento Agrário declarou que considera a raça essencial para o avanço da produção leiteira nas pequenas propriedades rurais e nos projetos voltados para a agricultura familiar. O deputado federal Paulo Piau acompanhou a diretoria da Girolando na audiência.

Novo associado A Girolando passa a contar em seu quadro de associados com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGil), Silvio Queiroz. Ele esteve no dia 18 de agosto na sede da Girolando, em Uberaba (MG), onde anunciou aos diretores da entidade sua intenção de se tornar associado. A ABCGil é parceira da Girolando na realização da MEGALEITE. A raça Gir Leiteiro entra na formação da raça Girolando, a partir do cruzamento com o Holandês.

40 anos O presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, e os vicepresidentes Maurício Silveira Coelho e Jônadan Ma participaram da festa dos 40 anos da CRV Lagoa, em Sertãozinho (SP). O evento aconteceu no dia ??? e contou com a participação de criadores e representantes de empresas do setor pecuário.

Novas parcerias O presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, e o vicepresidente da entidade, Jônadan Ma, participaram no dia 23 de agosto, em Belo Horizonte (MG), de audiência com o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, Narcio Rodrigues. Entre os assuntos discutidos durante a reunião, está a construção do Centro de Capacitação Girolando (CCG). No mesmo dia, os representantes da Girolando estiveram reunidos com o presidente da Itambé, Jacques Gontijo, para discutir parcerias com empresa. Fórum do Leite Maior produtor de leite do país, o estado de Minas Gerais conta agora com o Fórum da Cadeia Produtiva do Leite de Minas Gerais – o Fórum do Leite, lançando no dia 17 de setembro pelo governador Antonio Anastasia. A iniciativa tem como objetivo discutir, em caráter permanente, os assuntos de interesse do setor, dando suporte à elaboração de políticas públicas e privadas voltadas para o segmento. O fórum será coordenado pelo governador e contará com a participação de representantes dos diversos segmentos ligados à cadeia leiteira. O presidente da Girolando, José Donato Dias Filho, participou do lançamento em Belo Horizonte (MG).

Copervale Os vencedores do 5º Torneio Leiteiro Copervale 2011 foram premiados em Uberaba (MG) no dia 29 de julho. O evento contou com a presença do superintendente Técnico da Associa-

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Mercado IA Relatório da ASBIA (Associação Brasileira de Inseminação Artificial) sobre as vendas do primeiro semestre de 2011 confirmaram a tendência de crescimento da raça Girolando. Segundo informações divulgadas no Twitter pelo diretor da ABS Pecplan Márcio Nery, foram comercializadas 204.259 doses da raça. Em relação ao mesmo período de 2010, a elevação foi de 45%. “Onde vai parar o Girolando com um Teste de Progênie eficiente e confiável? 1 milhão de doses em breve”, disse Nery via Twitter. O Leite cresceu 16,04% (2.430.584 doses). No total, foram comercializadas 4.495.925 doses, 600 mil doses a mais que o mesmo período de 2010. “A continuarmos este crescimento pelo ano, e é o que parece, finalizaremos 2011 com um recorde de 12 milhões de doses comercializadas. O índice de uso da IA, entretanto, ainda é baixo, menos de 12%. Portanto, este mercado deverá ser de 24 milhões de doses em 2020”, analisa Nery. Novo recorde Um novo recorde para produção de leite da raça Girolando ¼ de sangue foi registrado. Na Exposição de Uberlândia, a vaca Grenda Everest Barreto, de propriedade de Enéas Brum – Fazenda Monastério, Paraibuna (SP), produziu em três dias 173,280 kg, atingindo a média diária de 57,780 kg, superando a marca anterior. Grenda é filha de CA Everest e da vaca meio sangue Carnadura Santa Luzia. Estes resultados tornam-se mais significativos ainda por terem sido produzidos por um animal de quatro anos, na segunda cria.

terinários, zootecnistas, agrônomos, produtores, criadores e estudantes. Além de divulgar o perfil profissional, ampliando a rede de contatos e gerando oportunidades de negócio, a rede Conectagro propõe um conteúdo colaborativo através da seção ‘Perguntas & Respostas’, onde os profissionais trocam experiências. No Conectagro também há espaço para compartilhar fotos, vídeos, calendário de eventos, cursos e para criação de grupos segmentados, como os já formados reunindo confinadores, agricultores, criadores de raças de corte, leite ou interessados em assuntos específicos como reprodução, citrus, orgânicos, aquicultura, logística ou gestão de pessoas. Já existe inclusive uma comunidade específica sobre “Mulheres no Agronegócio”. Livro Integração lavoura-pecuária-floresta A Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) está lançando o livro “Integração lavoura-pecuária-floresta: alguns exemplos no Brasil Central”, organizado por Rogério Peres Soratto, Ciro Antonio Rosolem e Carlos Alexandre Costa Crusciol, professores do Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Unesp, campus de Botucatu. O livro resulta da Expedição Integração Lavoura-Pecuária e Sistema de Plantio Direto que, em 2009, levou um grupo de 40 alunos da FCA para visitar propriedades rurais, localizadas nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, que adotam os sistemas de integração lavoura-pecuária e plantio direto ou integração lavourapecuária-floresta. O livro custa R$20,00 e pode ser adquirido diretamente na sede da Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) na Fazenda Experimental Lageado, em Botucatu, ou através do e-mail publicacao@fepaf.org.br .

ReHAgro A ReHAgro – empresa voltada ao conhecimento e capacitação de pessoas no meio rural – lançou o Conectagro (www.conectagro. com.br). Trata-se de uma rede social voltada aos profissionais do agronegócio que já conta com 1,2 mil pessoas entre médicos ve-

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Recordista na ABS Lama Preta Opala Brilhante, Girolando ¼ filha de Brilhante da Silvânia, é a atual recordista de produção de leite vaca jovem com 10.751,42 kg de leite em 365 dias. Vaca com pedigree ABS Pecplan, é filha de Lama Preta Ideologia Paladino. “Opala se tornou uma das principais doadoras Girolando 1/4 do Brasil, animal com ótima estrutura corporal e belo composto de úbere. Seu pai Brilhante da Silvania tem se destacado como ótima opção para fazer animais Girolando 1/2 e 1/4. Parabéns aos proprietários Fazenda Medalha Milagrosa e Fazenda Pombo”, destaca Edgard R. da Cunha Neto, coordenador do Avaliadores de GMS da ABS Pecplan. Ordenha A Intermaq está lançando no mercado brasileiro a sua Unidade Final Móvel Econômica. O equipamento foi desenvolvido a partir de sugestões de produtores de leite que já se utilizaram de diferentes sistemas e equipamentos para este fim. O produto visa agilizar o processo de ordenha e diminuir a distância entre o úbere e o refrigerador do leite, com um preço extremamente competitivo. Uma vez conectado a uma unidade de vácuo, o equipamento tanto opera individualmente recolhendo o leite da glândula mamária direto para a Unidade final, e dai transferindo automaticamente para o refrigerador, como também permite ao produtor transformar a sua ordenhadeira balde ao pé num sistema de ordenha canalizado. Tem como um de seus principais diferenciais e vantagens as tubulações de leite e vácuo independentes, o que assegura ótima estabilidade ao funcionamento do sistema.

pet, bem como a linha de medicamentos para grandes e pequenos animais. Kit de ordenha A Embrapa Gado de Leite apresentou o Kit de Ordenha Manual Higiênica na 59ª Expofeira Agropecuária de Juiz de Fora. O Kit é composto de utensílios simples, associados a uma cartilha contendo orientações técnicas a respeito de ordenha manual. Trata-se de uma tecnologia social, ao alcance dos pequenos produtores. Esta tecnologia prova que se pode obter, na ordenha manual, leite com a mesma qualidade higiênica (ou até melhor) daquele obtido na ordenha mecânica. No Brasil, um grande número de produtores retira leite manualmente. A contagem bacteriana, um dos fatores que determinam a qualidade do produto, costuma ser bastante alta neste tipo de ordenha. Isto ocorre devido a procedimentos incorretos que levam a uma higiene deficiente tanto dos tetos da vaca quanto das mãos do ordenhador e dos utensílios utilizados. Estudos desenvolvidos pela Embrapa mostram que a utilização adequada do Kit pode reduzir o índice de contagem bacteriana entre 40% a 85%. SEMEX A Semex tem em seu catálogo de touros o reprodutor Falcon. Ele é filho de Morty, touro que vendeu mais de 1.000.000 de doses e tem mais de 70.000 filhas nos Estados Unidos e que é pai da Recordista Mundial de Leite – Ever-Green-View My 1326 EX-92, com 32.804 kg de leite em uma lactação de 365 dias. A mãe de Falcon é Laranja Santa Luzia 7260, considerada uma das mais importantes vacas ¼ da história. Falcon também é irmão inteiro da Recordista Brasileira 5/8 – Felícia Ribeirão Grande, que fechou sua 1ª lactação com 15.366 Kg de leite em 365 dias. TECSA Centro-Oeste Atuante há mais de 18 anos no mercado veterinário, o TECSA Laboratórios, o primeiro com certificado ISO 9001 da América Latina, acaba de inaugurar uma nova unidade na cidade de Goiânia. Esta Unidade conta com toda a capacitação técnica e operacional para dar o suporte necessário aos produtores e veterinários da região centro-oeste. Com mais esta unidade o TECSA Laboratórios amplia sua área de atuação, oferecendo uma série de serviços.

IMEVE A Imeve inicia a exportação da linha de aditivo probiótico para o Uruguai, ampliando o mercado internacional que inclui negócios com o Paraguai. Dentro do planejamento da indústria, até o final de 2012, as exportações devem abranger 5% do faturamento, mas a meta para os próximos três anos é alcançar entre 15 e 20% do faturamento total da empresa. No Paraguai, os trabalhos começaram com a linha de aditivos probióticos para bovinos e agora já envolvem também a linha de aditivos probióticos para aves, suínos e

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Depto. Técnico

Email lpaiva@girolando.com.br eneto@girolando.com.br fboaventura@girolando.com.br jlopes@girolando.com.br jsilva@girolando.com.br jferreira@girolando.com.br lbizinoto@girolando.com.br mcembranelli@girolando.com.br ejunior@girolando.com.br wrodrigues@girolando.com.br salmeida@girolando.com.br

Telefone (34) 3331-6000 (34) 9972-3965 (34) 8835-7019 (34) 9134-8666 (34) 9972-7882 (34) 9978-2237 (34) 9972-2820 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000

Depto. Financeiro / ADM / MKT

José Mauad Edlaine Boaventura Paula de Oliveira Renata Cristina Nabor Paim Carolina Castro Tassiana Giselle Jean Carlos Nivaldo Faria Jair Júnior Luiz Fernando João Marcos Larissa Vieira

Superintendente Administrativo/Financeiro Faturamento Cobrança Contas a Pagar e Grife Girolando Contabilidade Secretária da Presidência e Diretoria Secretária da Superintendência Técnica e Dep. de Julgamento Serviço de Controle Leiteiro Expedição de Certificados Controle de Genealogia Tecnologia da Informação Depto. de Comunicação e Marketing Assessora de Imprensa

jfilho@girolando.com.br eboaventura@girolando.com.br pgoncalves@girolando.com.br rcarvalho@girolando.com.br npaim@girolando.com.br cteles@girolando.com.br / diretoria@girolando.com.br tsilva@girolando.com.br / djrg@girolando.com.br joliveira@girolando.com.br nfaria@girolando.com.br jjunior@girolando.com.br lmoura@girolando.com.br jsantos@girolando.com.br imprensa@girolando.com.br

(34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000 (34) 3331-6000

ETR-BH (Belo Horizonte) Jesus Lopes Júnior André Junqueira Nilo do Valle Katislene Oliveira

Coordenador Técnico Zootecnista - Técnico do SRGRG Zootecnista - Técnico do SRGRG Secretária

jlopes@girolando.com.br ajunqueira@girolando.com.br nvale@girolando.com.br etrbh@girolando.com.br

(34) 9134-8666 (37) 9964-8872 (31) 9954-7789 (31) 3334-5480

ETR-RJ/ES (Itaperuna) Fernando Boaventura Érico Ribeiro Lucas Facury Ariane Fernandes

Coordenador Técnico Zootecnista - Técnico do SRGRG Zootecnista - Técnico do SRGRG Secretária

fboaventura@girolando.com.br eribeiro@girolando.com.br lfacury@girolando.com.br etrrj@girolando.com.br

(34) 8835-7019 (28) 9939-1501 (22) 9862-8480 (22) 3822-3255

ETR-SP (Jacareí) Euclides Prata Samuel Bastos Márcia Keli

Coordenador Técnico Zootecnista - Técnico do SRGRG Secretária

eneto@girolando.com.br sbastos@girolando.com.br etr_jacarei@girolando.com.br

(34) 9972-3965 (12) 3959-7292 (12) 3959-7292

ETR-GO/DF (Goiânia) Limírio Bizinotto Bruno Viana Wanessa Silva

Coordenador Técnico Zootecnista - Técnico do SRGRG Secretária

lbizinoto@girolando.com.br bviana@girolando.com.br etr_goiania@girolando.com.br

(34) 9972-2820 (34) 3331-6000 (62) 3203-5813

ETR-NE (Recife) Pétros Medeiros Janaina Santos

Méd. Veterinário - Técnico do SRGRG Secretária

pmedeiros@girolando.com.br etr_recife@girolando.com.br

(81) 9938-0070 (81) 3032-3981

Escritórios Técnicos Regionais (ETRs)

Cargo e/ou Setor Zootecnista - Superintendente Técnico do SRGRG Zootecnista - Sup. Técnico Substituto e Técnico do SRGRG Zootecnista - Técnico do SRGRG Zootecnista - Técnico do SRGRG Zootecnista - Técnico do SRGRG Zootecnista - Técnico do SRGRG Zootecnista - Técnico do SRGRG Méd. Veterinário - Coord. Operacional do PMGG e DPZ Técnico Agrícola - Técnico do PMGG e DPZ Zootecnista - Técnico do PMGG e DPZ (Juiz de Fora/MG) Eng. Agrônomo - Departamento de Exposições e Ranking

Relação de Núcleos

Representante

Empr. Prest. de Serviços

Associação Brasileira dos Criadores de Girolando

Nome Leandro Paiva Euclides Prata Fernando Boaventura Jesus Lopes Júnior José Renes Juscelino Ferreira Limírio Bizinotto Marcello Cembranelli Edivaldo Júnior Wewerton Rodrigues Sérgio Esteves

Campo Grande – MS Guarantã do Norte – MT Itarumã – GO Itabuna – BA Ji Paraná – RO Lajinha – MG Lins – SP Maceió – AL Paracatu – MG Salvador – BA

Contato Email Dagmar Ferreira dagmarezende@hotmail.com Heitor Corrêa heitor.cl@bol.com.br Jurandir Ribas ribas.mt@hotmail.com Rubens Assis plantarecolher@uol.com.br Jorge Miranda Guilherme Pereira ghpguilherme@gmail.com Antônio Carlos acarlosbrum@bol.com.br Marcelo Junqueira marcelo.medvet@ig.com.br Domicio Arruda domicioarrudasilva@superig.com.br Ironaldo Monteiro ironaldoam@hotmail.com João Batista joaobmelo@oi.com.br Marcelo Schettini macelovet2007@hotmail.com Nivio Bispo niviovet@hotmail.com

Telefones (67) 9231-7121 / 9679-3440 (67) 9997-8464 (66) 9991-1128 / 9967-5232 (64) 3659-1276 / 9244-2320 (73) 3212-5832 / 8822-4626 (69) 3421-5736 / 9981-6745 (33) 3331-1183 / 9905-6480 (14) 3522-5952 / 9785-1739 (82) 3358-5082 / 9997-0088 (82) 3235-1625 / 8816-9960 (82) 9981-9085 (38) 3671-5750 / 9962-1517 (71) 3115-2728 / 8879-2657

Aracaju – SE Arapongas – PR Brasília – DF Barra do Garças – MT Cacoal – RO Cuiabá – MT Goiânia – GO Gurupi – TO Jataí – GO Novo Mundo – MT Palmas – TO Terra Nova do Norte – MT Tomé Açu – PA

Ranilson Cavalcanti Gilmar Sartori Luiz Ricardo Adelino José Pedro Alves Luiz Henrique Ana Carolina Márcio Antônio Pedro da Silveira Loni Soares Luiz Solano Nicolau Muzzi Anderson Linares Rogério Barbosa

(79) 3247-3326 / 9971-1335 (43) 3275-1811 / 9972-7576 (61) 9676-7207 (66) 3401-5787 / 8114-9999 (69) 3225-2942 / 9225-7025 (65) 8138-041 (62) 3249-6343 / 8404-6136 (62) 8420-4540 / 9607-2078 (63) 3312-4591 / 8127-0080 (64) 8402-3918 / 9964-3465 (66) 3539-6103 / 9209-7898 (63) 3215-4178 / 9911-9872 (66) 9622-6622 (91) 3734-1558 / 9114-3400

ranilsonrego@yahoo.com.br gilmarsartori@yahoo.com.br lrdecastro@gmail.com adelino.robl@hotmail.com pedromariba@hotmail.com lhvargas@uol.com.br anakrolcabral@yahoo.com.br mutigor@uol.com.br iatogpi@bol.com.br lonifilho@yahoo.com.br solanoagro@bol.com.br topsemenn@yahoo.com.br sonalf@bol.com.br samvetilab@bol.com.br

www.girolando.com.br - (34) 3331-6000 (PABX) - Vanessa/Daniella

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Revista O Girolando 80  

Orgao oficial da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando

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