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CTRL GEEK CRONOLOGIA STAR WARS Você se perdeu na história? A Ctrl Geek vai te ajudar

9 ANOS DE FUNKO POP: \Confira o ensaio com alguns colecionadores dos bonecos

GAMES BRASILEIROS ANO 1 18,00 EDIÇÃO #1

Fique por dentro das produções nacionais e seus criadores


Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Reitor: Prof. Dr. Sandro Valentini Vice-reitor: Prof. Dr. Sergio Nobre Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação - FAAC Diretor: Prof. Assoc. Marcelo Carbone Vice: Profª. Drª. Fernanda Henriques Departamento de Comunicação Social - DCSO Chefe: Profª Drª. Roseane Andrelo Vice-chefe: Prof. Dr. Antonio Magnoni

“Continue faminto. Continue tolo”, dizia Steve Jobs. A incansável busca por conhecimento é uma das características básicas de todo geek, viciado em descobrir novos mundos através de livros, games, filmes, HQs e outras produções. É com o objetivo de ajudar nesse desbravamento, que a Revista Ctrl Geek preparou esta edição, recheada de conteúdos intergalácticos, mas também de matérias que têm muito a dizer sobre a realidade atual, afinal ser geek também é estar muito mais antenado do que alienado. De um bando de geeks para outro, Equipe Ctrl Geek.

Curso: Jornalismo Coordenadora: Profª. Drª. Angela Grossi Vice-coordenador: Prof. Dr. Maximiliano Martin Vicente Disciplina de Jornalismo Impresso III Professor: Dr. Mauro Ventura Disciplina de Planejamento Gráfico Editorial em Jornalismo III Professora: Dr. Vivianne Lindsay Cardoso Reportagem, redação, revisão e edição: Anne Hernandes Caroline Doms Felipe Lamellas Fellipe Gualberto Giovana Orsari Jessica Ferreira Leticia Alves Letícia Ferreira Milena Almeida Rafaela Thimoteo Ilustração da Capa: Feliphe Chevtchuk Avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, nº14-01 Bairro Vargem Limpa Bauru - SP CEP: 17.033-360 Fone: (14) 3103-6063


conheรงa nossos repรณrteres


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Games

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Jogos brasileiros

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Star Wars Cronologia

34

Star Wars IX

38 40

E-sports

22

Batman

Loot box

24

Interestellar

42

26

Tarantino

46

The Sims Reconstruindo Notre Dame Torneios de E-sports

28 30

IT

48

Filmes de terror

50

Pixar

56

SÉRIES

FILMES

GAMES

SUMĂ RIO

RPG

Marvel

60

Disney +

64

Ficcoes Netflix

68

Black Mirror

72

Cancelamentos Netflix Doctor Who Seriados com Familias Negras Kyoto animation Desenhos brasileiros Plot Twists

74 78 82 84 86 90


Sandman John Green

94 98 100

Masculinidade em B99 102

Colecionadores de Por que amamos psicopatas? 106 Funkos 108

GEEK-SE

ENSAIO

Adaptando livros

92

SE LIGA

LIVROS Tormenta

Canais Youtube Cheats de jogos Loja online Podcast 114


RPG DE MESA: CONHEÇA A GERAÇÃO DE PESSOAS as Partidas podem durar horas e algumas das Caroline Doms

grandes demais para o bom e velho RPG. O único que insiste em iniciar novas aventuras é Will (Noah Schnapp), pois acredita que esse é um Role-playing Game, popularmente co- momento de muita diversão com seus amigos. nhecido como RPG de mesa, surgiu na déDiferente do que os personagens da série cada de 1970 com o lançamento de Dun- pensam, muitas pessoas acreditam que o RPG geons & Dragons (D&D) pelos estadunidenses não é um jogo de criança, que pode ser abandoGary Gygax e Dave Arneson. O jogo é mostrado nado quando se tornam adultos. No podcast do na série Stranger Things em diversos momentos site Jovem Nerd, por exemplo, os convidados, nos quais os garotos se reúnem no porão da casa que têm em média 40 anos, se reúnem para jode Mike (Finn Wolfhard) para se imergirem na gar longas partidas de terror, cyberpunk, etc. aventura. Entretanto, na terceira temporada o Eles compartilham com o público longos episóD&D é deixado de lado, pois quase todos os garo- dios de suas aventuras e esses são os episódios tos começam a namorar e acreditam que já estão mais aguardados pelos amantes do Nerdcast.

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Imagem: Pixabay/Reprodução

QUE SE AVENTURAM EM HISTÓRIAS FICCIONAIS aventuras chegam a ser jogadas por semanas qualquer ambiente que eu participe”, relembra sorrindo. Durante esses 27 anos no RPG, Filipe conta que já jogou muito com seus amigos do A história não é diferente com o policial civil bairro e do colégio. Ele também já participou de 37 anos, Filipe Coutinho. Ele joga RPG desde de partidas em lojas de board games, que co1992, quando tinha apenas 11 anos, e seu tio ma- bram pelo mestre, mas diz que essa experiência terno apresentou a ele, ao seu irmão mais velho durou menos de um mês. Hoje, Filipe joga pree a um de seus primos um livro-jogo chamado sencialmente uma vez por semana e nos conta Tagmar. O tio também lhes mostrou o que era que há mais ou menos um mês começou a jogar o RPG, como jogar e como interpretar os perso- online. Além disso, o policial civil compartilha nagens. Filipe conta que essa primeira experi- que, sempre que pode, brinca usando os elemenência foi um fracasso: “entramos em um buraco tos do RPG com seus filhos de sete e dez anos. para salvar umas pessoas presas e não tínhamos Desde 1992 Filipe também é mestre de diuma corda para voltar. Nunca mais deixei de le- versas aventuras. Ele compartilha que já usou var uma corda comigo em qualquer aventura de muito os sistemas prontos de aventura, como

27 ANOS JOGANDO

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Desafio dos Bandeirantes, D&D, GURPS e muitos outros. Entretanto, “sentia nos sistemas um excesso de regras que impediam as pessoas, principalmente as iniciantes, de se divertirem sem ter que ler um livro enorme com centenas de páginas”. Por conta disso, ele criou o seu próprio sistema, unindo tudo o que ele já leu de RPG. “Você poderia fazer tudo que quisesse fazer e ser quem quisesse ser, desde que passasse no teste para fazer aquilo”, nos conta sobre o sistema aberto que criou.

RPG ALÉM DAS PARTIDAS Já Stephanie Kohler, analista de marketing de 29 anos, compartilha que começou a jogar RPG quando tinha 12 anos. Ela era obcecada pela personagem de Naruto, Sakura, e quando começou a passar na televisão, a revista de RPG Dragão Brasil lançou um especial de Cartas Clow. Stephanie não tinha ideia do que era o role-playing game, mas descobriu a partir da revista e obrigou seus amigos a jogarem com ela no intervalo da escola, enquanto ela mestrava sem nem ter muita noção do que estava fazendo. Entretanto, ela conta que somente em 2009 começou a jogar sério em um grupo de D&D que seu namorado participava. Stephanie nos conta que o RPG mudou completamente a sua vida. “Ano passado, quando eu voltei a jogar, foi também quando eu comecei a tratar a minha depressão e ansiedade. Os remédios me ajudaram, mas eu tenho certeza que as amizades que eu fiz, e que eu mantive pelos jogos e as comunidades às quais eu

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me juntei pelos streams de RPG, foram as coisas que mais me ajudaram”, completa. Além disso, a analista de marketing afirma que a sua criatividade foi muito estimulada pelas partidas do jogo de mesa e que hoje ela ama desenhar seus personagens de RPG. Além de jogar, atualmente ela também é mestre da aventura Curse of Strahd, que tem uma temática mais sombria. “O que eu mais gosto é fazer ‘props’ para o jogo: imprimir mapas, anúncios, cartas, arrumar a mesa com velas e fazer vidrinhos de poções”. Ela conta que já tentou jogar online, mas que nada se compara à experiência de estar face a face com os outros jogadores, observando as reações de todos. Segundo ela, as mesas de RPG vão muito além do jogo, acabam se tornando uma social em que se joga videogame, assiste filme, etc. Jogadora assídua com diversos grupos, Stephanie conta que se organiza para jogar pelo menos a cada duas semanas, mas que isso nem sempre é possível. Ela compartilha que a maioria dos jogadores ainda é formada por homens. “A minha mesa regular tem eu e seis caras. Tenho duas amigas que também são obcecadas, mas uma mora no Recreio e outra em São Paulo. Quando elas aparecem no Rio, a gente sempre tenta descolar uma partida, nem que seja uma aventura one-shot”.

FÃS DE D&D O estudante de Ciência da Computação de 22 anos, Rodrigo Kurten, começou a jogar em 2017 com alguns colegas da faculdade. Ele conta que sempre jogou entre os amigos e que as experiências são sempre divertidas. “Há muitas coisas a se levar para a vida de uma mesa, experiências, histórias e memórias”, afirma. Entretanto,

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Rodrigo já passou por situações desgastantes e chegou a reiniciar uma campanha por conta disso. Rodrigo afirma que ao mínimo uma vez a cada duas semanas se reúne para as aventuras de RPG. Ele nos conta que utiliza as edições antigas de D&D, mas que atualmente vem jogando a quinta edição do sistema e que não pretende abandoná-la tão cedo. “É um sistema simples e fácil de entender, mas difícil de dominar, e o meu preferido”, completa. O amor pelo board game vai além de ser personagem nas mesas: Rodrigo é narrador de uma campanha e co-mestre de outra, na qual ele ajuda a escrever as sessões e a montar os encontros. Já Iago Zaniolo, estudante de Engenharia Mecânica de 22 anos, foi apresentado ao RPG em 2012 e desde então participa das aventuras. Entretanto, ele conta que a mesa da qual participava era muito tóxica e isso fez com que ele desistisse do jogo por um tempo. O interesse pelo RPG só voltou quando começou a assistir o canal Formação Fireball, no YouTube, e aprendeu um pouco mais das regras. Iago compartilha que apenas dois meses do lançamento da quinta edição de D&D, comprou o livro do jogador e vem se aprofundando no hobby. Duas vezes por semana, Iago se reúne com os amigos, seja online ou presencialmente, para jogar RPG. Entretanto, ele conta que muitas vezes se aventurou em partidas com desconhecidos em lojas de board games. “Em uma mesa, cada um é de uma cidade diferente, e na outra um amigo teve de mudar de cidade. Jogamos físico quando podemos e online nos outros momentos”, explica. Ele conta que seu papel principal nas aventuras é o de mestre e que esses momentos trazem satisfação. “É sempre muito bom, con-

fuso no começo, mas se você se dedica a melhorar e criar um ambiente em que todos se envolvem, mesas longas e gratificantes são feitas”, compartilha.

DICAS PARA NOVOS JOGADORES Rodrigo diz que, para quem está começando, ter paciência e vontade de aprender é fundamental. “Se você nunca jogou, vai parecer que é um mundo de coisas para se lembrar, mas com o tempo fica bem fácil. Outra dica essencial é não ter medo de ler os livros: eles existem para passar as regras do sistema adiante, e tentar ignorá-los só vai deixar o aprendizado mais difícil”, afirma. Já Iago indica jogar entre amigos, se possível, para que esse tempo seja proveitoso e para que o iniciante se sinta à vontade. “Não tenha medo de conversar com o mestre sobre expectativas. Se você for mestrar pela primeira vez, relaxe: ninguém começa perfeito. Só se aprende de verdade mestrando”, indica. Além disso, ele diz que alguns canais no YouTube também ajudam bastante quem está começando tanto a jogar quando a mestrar. Rodrigo diz que a principal indicação é não ser tímido. A comunidade de jogadores recebe os novatos de braços abertos, desde que tenha vontade de aprender e interesse em ler as dicas. Além disso, ele afirma que “a internet trouxe para a nova geração algo que a minha não possuía: a possibilidade de trocar informações com pessoas de todo o país e até de outros países”. Vá atrás, procure grupos em fóruns e você não se arrependerá disso”, finaliza.

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Mercado de Games no Brasil Anne Hernandes

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ogar videogame é uma das formas de entretenimento mais buscadas hoje em dia no Brasil por crianças, jovens e adultos. Uma pesquisa do NDB Group revelou que 82% da população em nosso país consome jogos em seus mais variados formatos. Para complementar esse dado, um estudo da empresa de mídia e marketing InsideComm, realizado entre 30 de março e 31 de maio de 2019, indica que se somássemos as horas que todos os brasileiros passam jogando por ano o resultado ultrapassaria 40 bilhões de horas. Essas estatísticas, como o esperado, acabaram refletindo-se no mercado de games, que atualmente apresenta um forte crescimento no país. “A demanda por jogos novos têm crescido muito nos últimos anos, com tecnologias saindo cada vez mais rápido e o público consumindo cada vez mais. O Brasil tem uma das maiores taxas de adesão ao smartphone do mundo, o que colabora com o boom do mercado de jogos mobile aqui”, explica Michelle Bonorino, estudante de Jogos Digitais da Anhembi Morumbi. Como consequência desse cenário, o Brasil já é o 13º colocado no ranking mundial de mercado de games, sendo líder entre os países latino-americanos, segundo a empresa Newzoo, responsável por analisar dados de mercado da área de jogos. O QUE FALTA PARA ALAVANCAR ESSE MERCADO? Com todo esse crescimento, o que falta ainda para esse ramo se expandir mais em nosso país a ponto de alcançar potências como Estados Unidos e Canadá? A falta de produção é um dos fatores que dificultam a difusão, segundo Álvaro Rodrigues, ex-coorde-

nador da faculdade de Jogos Digitais da Fatec e diretor de criação da Ortiz Games. “A gente tem profissionais excelentes, inclusive que exportamos para fora, então em termos de qualidade e de nível de produção, falta simplesmente produzir mais jogos. Não é que a gente não produz porque não quer, não produzimos porque ainda não teve a oportunidade de produzir”, ressalta Álvaro. O incentivo governamental é uma das principais razões para que haja essa lacuna de produção, já que no Brasil não há tantas políticas de fomento para esse ramo do mercado e a criação de jogos costuma ser algo que requer muito dinheiro. Segundo Álvaro, a raíz do problema está no fato de que o governo ainda não compreende a definição do que é um game. “O governo deveria entender um game como um software muito específico, porque ainda existe a dúvida se ele é um software ou produto audiovisual. Ele é um produto audiovisual com uma parte software ou é um software com uma parte audiovisual, por isso não tem como encaixar em um ou outro”, explica. Por não conseguir encaixar os jogos em uma dessas categorias, valores de impostos podem vir a ser um fator complicante quando se trata de verba. “O problema é que a carga tributária incidida em software é menor e em audiovisual é maior, por outro lado se tirar do audiovisual a gente perde todo esse caminho que já foi feito com a Ancine”, completa. Além disso, segundo a estudante Michelle Bonorino, a situação econômica atual do país não favorece que grandes estúdios se estabeleçam no Brasil, seja pelo exagero de taxas e impostos ou pela burocracia que esse processo requer.

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Portanto, para o mercado brasileiro ter a possibilidade de se expandir, seriam necessárias grandes mudanças, tanto na legislação, quanto na mentalidade do brasileiro. “Para que esse mercado consiga se expandir de fato, seria necessária uma grande mudança na legislação brasileira e na mentalidade que grande parte da população tem de que o estrangeiro é sempre melhor, pois muitas vezes é o próprio brasileiro que atrapalha o crescimento deste mercado”, explica Michelle. OPORTUNIDADES DE TRABALHO Quando perguntado sobre qual a melhor forma de se inserir nesse mercado, Álvaro responde que é realizando uma graduação na área e construindo um portfólio de qualidade. “Tem que aproveitar o momento da faculdade para construir um portfólio para na hora que você for sair para o mercado tenha alguma coisa para apresentar. O grande dilema de quem vai para o mercado é a experiência e ter desenvolvido algo. Não importa se você se formou numa faculdade aqui no Brasil, ou do exterior, o que importa é que você já tenha desenvolvido.

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O currículo é menos importante que o portfólio nessa área”, explica. Depois da faculdade, entra-se no dilema: fazer meu próprio estúdio, ou tentar me inserir no mercado já existente? A alternativa de criar um estúdio próprio envolve todas as dificuldades já citadas anteriormente: falta de incentivo, escassez de verba, entre outros fatores. Pelo outro lado, quando falamos de inserimento no mercado, há o fato de que maioria das alternativas de emprego dessa área, ainda estão concentradas em grandes centros nas re giões Sul e Sudeste, como indica a pesquisa feita pelo 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, realizado em 2018 pelo Ministério da Cultura e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). “Apesar de toda a evolução, o mercado de games no Brasil ainda é um nicho, com a maioria das vagas concentradas em um só lugar. Há, sim, muitas vagas para os diversos setores da indústria de jogos, porém somente em grandes centros urbanos e, muitas vezes, como freelancer ou estúdios terceirizados para estúdios maiores do exterior”, finaliza Michelle.


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TRES GAMES MADE IN BRAZIL Descubra l a nçamentos de qual i dade do mercado nacional

A

pesar do mercado enfrentar problemas como falta de produção, falta de incentivo estatal e altos impostos, criadores brasileiros conseguem encontrar maneiras, com muita criatividade, para produzir games dos mais diversos estilos e gêneros

Fellipe Gualberto EDUCAÇÃO E DIVERSÃO

deveria se encaixar dentro de iogo Pavan é formado alguns parâmetros estabeleciem Design Gráfico e tem dos pelo edital, no caso do Caespecialização em Jo- çadores de Lendas, optamos gos Digitais, ele trabalhou jun- pelo tema da cultura no fortamente com o programador mato educativo”, conta Diogo. Leonardo Medeiros para criar Este edital previa que o jogo o jogo Caçadores de Lendas. deveria ser desenvolvido em Neste game para celulares um quatro meses, o mesmo preinvestigador percorre diversas miou as melhores propostas regiões do Brasil, desvendando com um valor que possibilimistérios que envolvem criatu- tou a produção do jogo e a sua disponibilização gratuita. ras do folclore nacional. Para realizar esse projeto, O jogo foi desenvolvido com a ajuda de um edital do Diogo e Leandro não abriram Ministério das Comunicações, um estúdio, ambos trabalhao InovApps. “O jogo proposto ram remotamente: “aliás, nós

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nem nos conhecemos fisicamente ainda, já que ele reside em Goiás e eu em São Paulo”, conta Diogo. Ele brinca afirmando que este foi um projeto totalmente “indie”. Jogos indies são aqueles caracterizados por serem feitos fora de grandes estúdios. Segundo o designer, no jogo o folclore brasileiro é explorado usando “algumas mecânicas de jogos de Hidden Objects, para que fosse possível criar uma narrativa agradável onde o conteúdo fosse apresentado no decorrer do game”.


Imagens: Diogo Pavan/Reprodução

DIFERENTES GÊNEROS

O roteirista diz que decidiu fazer jogos por ser uma paixão Insania é um jogo brasileiro de infância e por ver o constande suspense, a história acompa- te crescimento da indústria no nha David: “um jovem cuja mãe Brasil. Marcelo explica as técestá desaparecida. Ao receber nicas de Insania para criar o uma misteriosa ligação, ele tem ambiente game: “além de jogos pistas de que sua mãe está em clássicos como Amnesia, Silent um hotel abandonado: o Hotel Hill e Resident Evil, também São Pedro. Dentro deste local, utilizamos como inspiração de ele questionará as coisas ao seu filmes como Hannibal e The redor e sobre seu próprio pas- Devil’s Teardrop”. sado”. Quem dá essa sinopse é A proposta do jogo é se diMarcelo Augusto, formado em ferenciar no mercado e oferecer Administração, ele atua como algo novo: “um dos principais o roteirista do jogo e também problemas da indústria é queé responsável pela parte admi- rer agradar a todos. Algumas nistrativa do estúdio. pessoas gostam de um game de

terror que lhes dá susto a todo momento, já outras, preferem a sensação de medo do incerto”. Atualmente, Insania está em fase de produção, a Alecfu Studio é a empresa responsável pelo jogo e conta com apenas três funcionários, Marcelo relata que existem dificuldades financeiras, assim como a falta de profissionais com qualidades específicas em certos pontos. Ele explica que existem outros problemas: “os altos custos de produção tornam o mercado mais caro, mas também existe um preconceito nacional com os games brasileiros”.

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EXPERIÊNCIAS COM FINANCIAMENTO COLETIVO

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arcos e Matheus Castro têm um canal no Youtube que se chama Castro Brothers. Em Janeiro de 2012 os irmãos começaram a produzir uma série animada que em sua estética simulava os antigos jogos de 8 bits, a história acompanhava um herói partindo em resgate de sua princesa. O sucesso foi instantâneo e em pouco tempo A Lenda do Herói estava com 4 milhões de visualizações. A pedido dos fãs os youtubers começaram a trabalhar para que a animação se transformasse em um jogo. Para isso, os irmãos Castro contaram com a ajuda do estúdio Dumativa, Pedro Bastos, co-criador da empresa, conta que começou a fazer um jogo chamado Dragon Festival com

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outro grupo. “O projeto deu super errado, mas aprendemos bastante e já depois dele fizemos o Lenda do Herói, que colocou a gente em uma posição muito boa na indústria e viabilizou tudo que temos hoje”, explica o designer. A Lenda do Herói é uma homenagem aos clássicos dos anos 90, com “plataformas que voam a inimigos que ‘dropam’ moedas ao serem mortos”, como define Pedro. A grande novidade é que o jogo utiliza canções que interagem tanto com as ações do jogador, quando com o cenário em si, fazendo piadas sobre situações típicas do universo dos games. Por exemplo, na primeira fase do jogo, quando os comandos ainda estão sendo ensinados ao jogador, o Herói - personagem principal - assim canta ao encontrar o primeiro inimigo e derrotá-lo:


Terei que usar minha espada, Pois não vejo mais opções Queria fugir pelo fundo, Mas só ando em duas dimensões. Morra, vil criatura, Eu vou arrancar o seu couro Isso é para você aprender, o que é isso? Uma moeda de ouro?

Ao longo das oito fases foi tomado um cuidado especial para que a música acompanhe a movimentação no jogo, sendo assim quando o herói ficar agachado por muito tempo ele diz:

Imagens: Drumativa/Reprodução

Tenho que achar a princesa Essa é minha missão Mas uma coisa é certa Não irei encontrá-la no chão

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xiste um fluxograma com possíveis saídas para que o Herói não repita a mesma frase duas vezes seguidas. Apenas na primeira fase foram compostas 50 melodias, todas cantadas por Marcos Castro, do canal Castro Brothers. Durante a produção, a equipe enfrentou diversos desafios para que as canções e o jogo estivessem coerentes. Pedro Bastos conta que junto com a equipe: “criamos uma lógica de produção que envolvia todas as áreas, a narrativa e composição, arte, game design, programação e música. Todos se envolveram para que o jogo tivesse lógica com a música e ela pudesse ser criada e implementada”. Sobre a estética, a equipe sofreu duras críticas por produzir em pixel art na época em que o 4K saiu pro mercado.

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“Mas muitos desses jogos inovaram pouco ou não eram tão divertidos. Isso abriu espaço para inovação”, o produtor afirma. A inovação presente em A Lenda do Herói, que foi citado por Pedro, trata da maneira como o jogo foi desenvolvido e também financiado. Utilizando uma plataforma de financiamento coletivo, A Lenda do Herói arrecadou no Catarse R$ 258.487,00, o dobro do que era necessário para o lançamento do jogo. Os Castro Brothers faziam vídeos com feedbacks para seus seguidores, mostrando o desenvolvimento do jogo e engajando novos contribuintes. No final a própria produção se tornou propaganda e maneira de negócio, utilizando a criatividade para vencer as barreiras.

Imagens: Drumativa/Reprodução

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Praticar jogos eletrônicos e competir profissionalmente é considerado por muitos uma nova modalidade de esporte

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e-sport é uma modalidade de competição profissional de jogos eletrônicos que vem crescendo e ganhando mais adeptos a cada ano. Jogos como League of Legends, DotA, StarCraft, Counter Strike, Overwatch, Fortnite, entre outros, são grandes sucessos e seus torneios conquistam mundialmente milhares de espectadores e jogadores. No Brasil, segundo dados da Newzoo, agência internacional especializada em pesquisas no setor de games, houve um crescimento de 20% na audiência de e-sports em relação ao ano anterior. A Brasil Game Show que acontece em São Paulo é, por exemplo, a maior feira de games da América Latina. Gabriel Koki, 24, formado em Relações Públicas na Unesp de Bauru, é jogador de League of Legends e já foi capitão do time da universidade, o Texugods. Ele conta que a paixão por jogos eletrônicos começou desde criança. Para ele, o e-sport é a aproximação dos conceitos esportivos com os jogos eletrônicos, envolvendo organizações esportivas, treinamentos psicológicos e de desempenho, torcidas presenciais em disputas ao vivo, em locais físicos, criando um cenário competitivo, profissional e de alto nível.

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Para Robert Yudi Barboza, 22, presidente da Atlética da Unesp de Bauru, o e-sport envolve os jogos eletrônicos, explorados tanto em campeonatos brasileiros, mundiais e no Inter, jogos universitários da Unesp. “Todos os jogos eletrônicos estão englobados desde que se tenham times que se preparem, que treinem e dediquem um tempo da vida para ter uma boa performance em campeonatos”. A cultura geek influenciou muito na popularização dessa modalidade e há uma convergência de interesses entre os e-sports e essa cultura. “O público nerd e geek é o que tem mais afinidade com jogos eletrônicos e são a maior parte da audiência. As próprias desenvolvedoras de jogos acabam trazendo referências do universo geek para agradar a comunidade”, comenta Gabriel. Por outro lado, Robert acredita que hoje em dia a modalidade não se restringe somente a pessoas que seguem esse universo. “Todo o impacto que o e-sport tem atualmente é por conta dessa cultura, de festivais e eventos que eram dessa cultura e foram ‘abre alas’ para a categoria crescer do mundo”, explica.

Reprodução

Rafaela Thimoteo

Imagem: Fórum Brasileiro de LoL/

Imagem: Purepng/Reprodução

CAMPEONATOS DE E-SPORT


CAMPEONATOS UNIVERSITÁRIOS Gabriel já competiu em torneios por dois anos pelo time de LOL da Unesp de Bauru, os Texugods. Os campeonatos universitários consistem em selecionar os melhores jogadores de cada faculdade para formar times e disputar entre si. O torneio da Unesp contempla todas as atléticas participantes do Inter, enquanto a Liga Universitária de e-Sports e o Torneio Universitário de E-Sports abrangem todas as atléticas nacionais. O formato clássico é de uma peneira através de um campeonato de qualificação, em que apenas os com o melhor desempenho disputam as fases de grupos e play-offs. Ele conta que os Texugods treinam “diferentes estratégias em jogos amistosos contra outros times semi-profissionais”. Eles pesquisam os perfis dos oponentes para se adaptar ao estilo de jogo e identificar as suas tendências estratégicas. COMOSE TORNAR UM JOGADOR Gabriel aconselha quem pretende ser um jogador profissional a sempre buscar conhecimento e treinar muito. “Os melhores jogadores que conheço no meu círculo estão sempre acompanhando especialistas nos conceitos competitivos e tentando aplicá-los no seu jogos”. Para ele, a vantagem desses esportes em relação aos tradicionais, é que existem muitos conteúdos de qualidade gratuitos (e pagos também) online, então a curva de crescimento tende a ser muito maior e mais rápida. “Treinar é importante devido aos reflexos e sabedoria na tomada de decisões, que são pontos essenciais para os jogadores do cenário competitivo, e que só são

aprimorados com a experiência e tempo de jogo investido”, completa. Caio Regal, 24, atual capitão dos Texugods comenta que os e-sports ocupam o mesmo lugar que o esporte tradicional na sociedade, tendo jogadores profissionais, times, jogadores casuais, torcida, campeonatos, a interação, etc. Ele explica que na preparação para competições de LOL: “existe a preparação individual, que varia de jogador para jogador, ele treina campeões novos ou tenta melhorar o que eles já sabe, e existe a preparação do time, que é totalmente diferente do treino individual, onde a gente treina comunicação e jogadas sincronizadas”. VISIBILIDADE E RECONHECIMENTO Gabriel trabalha em uma organização que observa que os números relacionados a visibilidade e lucratividade do e-sport cresceram exponencialmente na última década. “Pelo fluxo de investimento, a tendência é que esse número só melhore. Já existem jogadores e streamers com contratos milionários no mercado, e existem grandes marcas associando seus nomes com os cenários de jogos eletrônicos, como Redbull, Coca-cola, etc”. Para Caio, a visibilidade do e-sport ainda precisa melhorar. “Acredito que ainda falta um pouco pra sociedade aceitar e apoiar mesmo”, diz. Ele também aconselha aos aspirantes a jogadores profissionais muito estudo. “Se você não joga nenhum dos e-sports e não os conhece, eu recomendo procurar no Youtube videos explicando como o jogo funciona. Para quem já joga, o melhor jeito de participar é assistindo os campeonatos, seguir os jogadores e jogar”. Para quem tem interesse em entrar no e-sport, ele indica estudar muito os jogos, pois requer estratégia. Sobre a aceitação dessa modalidade, Robert comenta que ainda existe um tabu, pois “a geração antiga não consegue enxergar isso como um esporte, pois falam que um esporte tem que ser físico”. Ele reitera que esse preconceito é falta de conhecimento, pois esse esporte precisa de muita dedicação e trabalha a questão de esforço mental, reação cognitiva por conta dos movimentos que com o teclado e mouse. “Na minha opinião, o e-sport ainda vai chegar num patamar muito bacana e vai ser reconhecido como esporte”.

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As loot boxes e vício em

Felipe Lamellas

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ocê provavelmente já ouviu falar na prática de microtransações em games, ou seja, quando o player coloca dinheiro real no jogo para comprar algo que melhore seu personagem ou o próprio game, por exemplo. Mas você sabe o que é loot box? Como elas funcionam? O termo criado pela indústria dos jogos eletrônicos, na tradução literal, possui o significado de caixa de recompensa, ou seja, o nome designa geralmente uma caixa ou baú que guarda um melhoramento do jogo ou do avatar e pode ser adquirida através dos processos de microtransações. A característica principal das loot boxes, entretanto, é que tudo isso é uma grande surpresa, ou seja, você só fica sabendo do item que recebeu depois de já tê-lo comprado. A ferramenta é uma das formas de monetização de um jogo e pode aparecer em games pagos ou gratuitos. Além disso, a loot box funciona também como uma estratégia para receitas contínuas e como uma forma de fazer com que os gamers mantenham o interesse pelo jogo. O estudante César Collino, 26, explica que “os jogadores costumam dividir a ferramenta em dois tipos, a loot box para cosméticos e a que influencia a progressão, ou seja, o primeiro é alguma coisa que vai mudar a aparência do seu jogo ou do seu personagem, mas não vai influenciar o game, já o segundo sim, influencia”. Para ele o grande problema disso e

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uma das grandes críticas, é a de que quando “você faz com que os que gastem mais dinheiro ganhem e não os melhores jogadores, propriamente”. O gamer e estudante Leandro Gomes Zavan, 17, conta que já jogou jogos que tinham loot box, um exemplo que ele cita é o do game Overwatch, lançado em 2016 pela Blizzard Entertainment, ele também explica que já comprou a ferramenta para “fins estéticos”, ou seja, para melhorar seu personagem. “Abrir loot box no OW é algo legal, já que é gratuito, você ganha uma toda vez que sobe de nível, mas com o tempo vai se tornando algo simbólico, já que chega um ponto em que você já tem quase todas as skins do jogo”, comenta. As loot boxes, no entanto, estão gerando bastante polêmica no universo dos jogos. Isso por que quando um jogador adquire uma dessas caixas, ele não está comprando o produto que deseja em si, e sim uma chance de ganhar algo. Além disso, uma outra questão é que muitas vezes as loot boxes aparecem em games que já são pagos, forçando os jogadores a pagarem mais de uma vez pelo jogo. Sobre isso, César comenta que a prática além de ser uma exploração ao consumidor, também prejudica a qualidade do jogo. “Minha opinião é que quando falamos de jogos pagos, nós já pagamos um valor para adquirir o jogo e além disso, você tem que pagar mais dinheiro para jogar, isso é

Entenda como as podem ser com jogos


sua atuação no games microtransações comparadas de azar

péssimo”. Leandro concorda, mas lembra que em jogos gratuitos essa pode ser uma estratégia de arrecadação para as empresas produtoras. “Acho algo ridículo em jogos com preço cheio, tipo Battlefield e Fifa por exemplo, porém entendo que é algo necessário em jogos free to play, já que os cosméticos são a única coisa que fazem a proprietária do jogo lucrar”. Uma outra questão levantada sobre as loot boxes é em que medida essa prática de se vender ao consumidor uma incerteza, uma possibilidade de ganho, se aproxima da ideia de jogos de azar? Sobre isso, César comenta que “eles usam estratégias para você continuar comprando. Essas estratégias se aproximam muito dos cassinos, então são luzes que piscam bastante, muita cor, e dependendo do jogo que você pegar, dá pra ver uma semelhança direta com o caça níquel”. Para ele o grande problema é que isso pode facilitar o acesso a mecânica que se assemelha muito aos cassinos, expondo aos jovens e às crianças essa prática. “Um cassino é regulado pelo estado e proíbe a entrada a partir de certa idade, e isso faz sentido, mas agora nós temos, uma outra plataforma que é muito mais acessível, no caso um celular, que tem a mesma dinâmica”, explica. Leandro vê com preocupação essa questão. Para ele essa é uma problemática que se aplica especialmente em jogos mobile, porque “a criança acaba gastando o dinheiro do pai pelo

celular sem saber que é dinheiro de verdade que ela está usando. Eu mesmo, por exemplo, conheço pessoas que gastam com frequência muito dinheiro com loot box, mas algumas vezes, é verdade, elas usam o dinheiro que conseguiram com a venda dos itens repetidos que ganharam”, afirma. Essa discussão acende uma outra preocupação que é a questão dos vícios em jogos e games. Recentemente a Organização Mundial de Saúde (OMS), agência da ONU, incluiu pela primeira vez em seu relatório de doenças, o vicío em games como distúrbio mental. Segundo o documento publicado em 2018, embora os casos registrados sejam raros, representando cerca de 3% dos gamers, alguns países já estão tratando esse tipo de vício como uma questão de saúde pública. O estudante César Collino defende a ideia de que haja uma regulamentação dessa atividade, especialmente em relação ao uso dessa ferramenta, capaz de restringir públicos e idades. Ainda segundo ele, uma estratégia recente que vem sendo muito utilizadas por empresas desenvolvedoras desses games é alterar o nome de loot box para o termo “mecânica de surpresa”, devido a carga negativa que a primeira ganhou com as recentes polêmicas que assemelhavam a prática aos jogos de azar. Ele observa de forma positiva também uma diminuição do número de games com a presença dessa ferramenta.

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Accio, magia! Giovana Orsari

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arinhas mágicas, familiares e vassouras voadoras farão parte do novo pacote de jogo do The Sims 4 anunciado no começo do mês de agosto por sua idealizadora: EA Games. A nova expansão chamada Reino da Magia promete uma nova experiência com feitiços, poções, portais encantados e batalhas com varinhas mágicas; e vem com as tradicionais adições de novas roupas e objetos, também foi anunciado uma nova vizinhança que poderá ser acessada através de um portal, conjuração de um feitiço na pedra mágica ou com simples um voo de vassoura. Os rumores dessa nova expansão foram fomentados por um jogador online influente que posta vídeos semanais em seu canal no Youtube, o Simmer Steve Storm. Ele notou dicas de um possível spoiler quando analisava os objetos adicionados na expansão “Dia de lavar roupa”. Dá uma olhada no que ele se baseou para fundamentar sua hipótese: (1) O Tapete simoleano: os anéis e círculos desse tapete na verdade são marcadores do antigo calendário simoleano. A data é o dia 16 agosto de 2032. Que futuro os nossos ancestrais previam? Que calamidade espera por nós? Só o tempo dirá. (2) Detergente cadabra: diga a palavra mágica “abracadabra” e sua roupa ficará macia como o pelo de um filhote de urso. Detergente cadabra garante!

Ilustração: Isabela Lugli

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(3) Coroa de espinhos vivos: item mágico de história, sem despojo (praga da natureza; efeito: dissipa proteções místicas permitindo que feitiços causem mais danos / silêncio de cobra; efeito: faz os sims detestarem menos os feitiços de cura ou de dano lançados); (4) Vaso de planta do Barry Potter: venham para o empório de plantas do Barry Potter. Quando pegar a caixa, lembre-se de dizer as palavras mágicas: “Hocus Ficus”. Os teasers que a EA Games publicou em sua página não apresentam muitos detalhes sobre a expansão, o item que mais chama atenção é a introdução de um ser mágico que paira sob a cabeça dos Sims, o familiar; uma criatura etérea que será responsável por guiar o Sim pela sua jornada no mundo da magia, segundo especulações de fãs no Twitter, eles poderiam ter o formato de animais domésticos, dragões ou, até mesmo, fadas. Ana Carolina Millan de 23 anos (Diadema/SP) joga The Sims desde seu lançamento original e espera inovações que fujam do


básico, “não só roupas e acessórios novos, em quase toda nova expansão eles prometem algo grande e no fim temos quase nada e isso dá um certo desânimo. Tenho saudades de quando o Sim virava um bruxo (de magia negra ou branca, dependendo da sua escolha) e você podia brincar, perturbar e provocar outros Sims, podia transformar plantas ou objetos e pra mim esse é o legal. Talvez alguma cidade temática também? Onde os Sims podem ir passar a ‘folga’ ou as ‘férias’, uma lojinha de feitiçaria na cidade para poder comprar suas poções, e talvez ingredientes para as mesmas, seria perfeito também”. Qualquer rumor de novas expansões do The Sims deixa os fãs sedentos por spoilers! Rodolfo Stival Melegari de 22 anos (Araras/ SP), diz que a novidade “dá dinâmica à série, renovando as experiências que se pode ter com o jogo. E cada expansão é uma caixa de surpresas cada vez mais eles expandem a gama de conteúdos e de gráficos. As expansões e o próprio jogo base tomam

muitas inspirações da cultura pop. A expansão de seres sobrenaturais do The Sims 3, por exemplo, teve muita inspiração dos filmes do Crepúsculo, é comum você perceber referências pelos jogos.” A EXPANSÃO DA MAGIA! A franquia já tem histórico com expansões mágicas desde sua versão original, na qual foi adicionado o pacote Making Magic; e no The Sims 3, com Supernatural; porém pelo teor dos anúncios, a expansão do The Sims 4 contará com interações mais intensas, podendo ocorrer entre Sims mágicos ou entre Sims mágicos e Sims comuns pelo fato de que os poderes serão mais potentes, e os personagens poderão aprender vários tipos de feitiçaria como se fossem as especializações da carreira médica. Será que teremos um livro com todos os feitiços aprendidos? A coletânea de jogos que formam a nova versão da franquia está repleta de criaturas fantásticas e sobrenaturais, como: vampiros, fantasmas e sereias. Reino da magia já tem suas datas de estreia: dia 10 de setembro para PC e versões para PlayStation 4 e XboxOne a partir do dia 15. O preço estimado é de cerca de 79,90 reais, o mesmo valor das expansões anteriores. Fique atento: para jogar esse novo pacote de expansão é necessário ter o jogo base.

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ealidade virtual e a preservação do patrimônio histórico

O jogo Assassin’s Creed: Unity ajudará na reconstrução da Catedral de Paris Felipe Lamellas

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uem gosta de história e de videogame com certeza já jogou Assassins Creed. O jogo possui várias narrativas que envolvem espaços, personagens e tramas de fatos históricos reais, como as Cruzadas, o Renascimento e a Revolução Industrial. Embora essas histórias não sejam retratadas com exatidão, elas inspiram o jogo e seu enredo, que se desenvolve em cenários muito próximos aqueles em que se passaram esses acontecimentos. Uma dessas histórias, apresentada em Assassin’s Creed: Unity, lançado em 2014, é a da Revolução Francesa de 1789. A trama se passa na Paris do final século XVIII e retrata os conflitos que vão levar a Revolução Burguesa daquele ano. Um dos gráficos principais do jogo é justamente um dos pontos mais importantes da capital francesa: a Catedral de Notre Dame. A igreja que começou a ser construída em 1163, inspirou diversas lendas, contos, e obras, ao longo de seus mais de 800 anos de história. Além do conflito de 1789, que marcou a história da França a Catedral foi palco também de inúmeros episódios da história mundial, como a coroação de Napoleão Bonaparte em fins de 1804 e as duas Guerras Mundiais, em 1914 e 1939. Entretanto, em abril deste ano, a igreja sofreu a maior tragédia de sua história. Um incêndio de grandes proporções

destruiu boa parte do prédio da catedral parisiense. Entretanto, onde exatamente Assassins Creed entra nessa história? A versão digital da Catedral desenvolvida por Caroline Miousse e usada no jogo pode ser usada como base para o projeto de restauração do monumento histórico. A empresa Ubisoft, proprietária do game, conta que a versão que demorou 14 meses para ficar pronta, foi baseada em estudos, mas não é 100% precisa. A estudante Maria Eduarda Mendes, 17, acredita na importância do uso da tecnologia para a reconstrução da Catedral de Notre Dame. “Eu acho muito legal eles conseguirem usar o jogo para restaurar a igreja, porque ela tem uma grande importância, não só para a França, mas para o mundo também”, explica ela. Diante dessa catástrofe, centenas de milhares de pessoas, instituições, governos e empresas, começaram a oferecer ajuda financeira para a recons-

trução do patrimônio histórico. Até hoje, calcula-se que a igreja já tenha recebido cerca de 922 milhões de euros, de acordo com o Ministério da Cultura francês. A Ubisoft, proprietária de Assassins Creed, doou 500 mil euros, cerca de 2,2 milhões de reais, para as obras de reconstrução da Catedral e, além disso, disponibilizou uma versão gratuita para PC do jogo Assassin’s Creed: Unity. O estudante do ensimo médio Thiago Rodrigues, 18, começou a jogar Assassin’s Creed: Unity em 2016 e comenta que o jogo é um dos que ele mais gosta, por conta do cenário e das personagens, que são para ele o ponto forte do jogo. “A Proposta do jogo é fazer uma leitura de um evento histórico e associá-lo aos assassinos, assim o grau de realidade transmitido prende você naquele acontecimento”, explica. Já Maria Eduarda, conta que embora não goste muito de videogame e se interessou pelo jogo quando assistiu um filme sobre o jogo, lançado em 2016. Para a estudante “o gráfico do jogo é muito bom. Acho que se você colocasse aqueles óculos de realidade virtual iria parecer que você estava nesse cenário realmente”. Caio Ranzani, 19, concorda e adverte que “o jogo é graficamente bom, o que deixa ele com um grau de realidade bem grande, mas isso não faz com que a história que está sendo contada ali seja real”.

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Esportes virtuais: principais campeonatos Jessica Ferreira

O

e-sport ou esporte eletrônico é uma modalidade de competição on-line, através de uma plataforma, são realizadas batalhas que podem disputada de maneira individual ou em grupo. O esporte online possui diversos estilos, atualmente o preferido do público é o Moba (Multiplayer Online Battle Arena) que significa “arena de batalha online para múltiplos jogadores”, o jogo é dividido em equipes com número máximo de jogadores, que competem na mesma arena e apenas uma é vitoriosa. O ilustrador Lucas Richardson é fã da categoria e explica: “o e-sport é uma maneira de

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se praticar jogos competitivos on-line, quando jogo, eu posso ter contato com pessoas de todos os lugares do planeta”. Assim como os esportes fora do mundo virtual, os e-sports também tem campeonatos e uma legião de fãs para acompanhar. Lucas conta que não perde os principais campeonatos “sempre que têm competições nacionais ou mundiais eu acompanho como posso, as vezes em casa com os amigos, no trabalho ou no cinema”. Ao longo do ano ocorrem vários campeonatos virtuais, direcionado a diferentes jogos, localidades e proporção. Conheça na próxima página os principais deles:


League of Legends

O

game LOL (League Of Legends) é um jogo categorizado como MOBA no qual, cada partida é disputada entre duas equipes, de cinco integrantes cada. Elas se enfrentam em um campo de batalha chamado Summoner’s Rift, que fica no mundo Runeterra. Os personagens são os “Campeões”, cada jogador pode escolher um personagem por batalha que tem emoções e características próprias. O objetivo é que a equipe chegue até a base do adversário, mas durante o trajeto existem outros desafios, como derrotar monstros, eliminar torres e combater o inimigo. O jogo funciona como uma espécie de “pega bandeira” on-line. O campeonato mundial de League of Legends é chamado

Imagem: Farofa Geek/Reprodução

s

de World’s. O torneio é dividido em três partes, a fase de entrada, fase de grupos e playoffs. A fase inicial é disputada pelos times de regiões emergentes e os times que disputaram a última vaga de sua região, conhecidos como terceiro seed.

Dessa fase, participam 12 times, os grupo são compostos por três equipes que concorrem no melhor de um. Os dois

melhores times de cada grupo continuam na disputa em cinco batalhas. Assim, as quatro equipes mais bem pontuadas seguirão para a fase de grupo junto a outros times que não concorrem a entrada. A partir da fase de grupos, 16 equipes se enfrentam no formato melhor de um, as duas equipes mais bem pontuadas avançam para a fase mata-mata no formato melhor de cinco, até chegarem á grande final. Esse ano, o Brasil será representado pela equipe Flamengo, a vencedora do Cblol (Campeonato brasileiro de LOL), na fase de entrada nossa equipe disputará a vaga com o DAMWON Gaming da Coreia do Sul e Royal Youth da Turquia. O primeiro lugar leva a Taça de Invocadores e um prêmio avaliado em R$ 9,2 milhões.

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DOTA

D

Imagem: Farofa Geek/Reprodução

otA (Defense of the Ancients) é um jogo MOBA baseado em partidas on e off-line. O objetivo é derrotar o adversário, através da destruição do Ancestral (Ancient), uma construção localizada no centro da base inimiga. Cada base é defendida por torres e criaturas que fazem os principais trajetos do mapa (trilhas). Existem três caminhos, a trilha de cima, a trilha do meio e trilha de baixo. O mapa do jogo é dividido em duas áreas, sendo que cada uma delas pertence a uma equipe, os jogadores do sudoeste são os Iluminados e os do nordeste os Temidos.

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Ao atravessar a floresta para entrar no território adversário, os personagens encontram criaturas que podem prejudicá-los e, se derrotadas, geram recompensas, que são vantagens para serem usadas ao longo do jogo. O The International é o campeonato mais importante de DOTA, dividido em duas partes, a fase inicial é disputada em dois grupos de nove, elas lutam entre si no estilo melhor de dois jogos. Os quatro primeiros colocados são classificados para a chave superior, o último é eliminado e o restante para a chave inferior.

A partir daí começam os playoffs, os jogos da chave superior são disputados em melhor de três, os da inferior em melhor de um. A grande final é feita em cinco partidas. A Valve, empresa proprietária de DOTA, disponibiliza vantagens para serem compradas pelos usuários, 25% do valor é convertido na premiação do The International. Em 2019, a equipe vencedora foi a OG, formada por países europeus, os vencedores faturaram 62 milhões de reais, e em segundo lugar a Team Liquid, dos Paíse Baixos, faturando 17,6 milhões de reais.


C

ounter Strike: Global Offensive ou CS:GO, lançado em 2012 é uma nova versão de um dos games mais jogados dos anos 2000. O game é baseado em partidas nas quais existem duas equipes, os terroristas e os antiterroristas, o objetivo é plantar e desarmar bombas, sequestrar ou libertar reféns até a eliminação completa de um dos times. O principal campeonato de CS:GO é o Major, o torneio é patrocinado pela Valve, a desenvolvedora do jogo, e costuma ocorrer duas vezes por ano. A competição conta com 16 equipes, oito classificadas pelas principais competições regionais e oito pela fase classificatório do Major. Na primeira rodada, os times são divididos em quatro grupos, em que há sorteio de times, no estilo grupo 1X4 e grupo 2X3. As oito

equipes mais bem pontuadas seguem para a fase seguinte. Os playoffs são disputados no estilo melhor de três, começando pelas quarta de final e seguindo até a decisão do campeonato. O Major do segundo semestre de 2019 foi chamado de StarLadder Berlin Major 2019, a equipe vencedora foi a Astralis, os dinamarqueses voltaram para casa com um prêmio de cerca de R$ 2 milhões de reais.

Imagem: Farofa Geek/Reprodução

Counter Strike

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dA república à resistência: como chegamos até aqui? Milena Almeida

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no de 1977. Nas telas dos cinemas norte-americanos, tem início com uma perseguição em um cenário intergaláctico. Uma nave de grande porte troca tiros laser com outra que não tem 1/10 de seu tamanho. Atingida, a nave menor entra em turbulência e seu interior preenche o vídeo. Acompanhando a trepidação interna da nave, surgem três robôs e, junto deles, a promessa de inovação do cinema hollywoodiano. Assim começa a história que se estendeu pelos últimos 42 anos, Star Wars. A partir disso, mais sete filmes foram lançados na saga principal e dois em spin offs, arrecadando mais de 9 bilhões de dólares em bilheterias do mundo todo, de acordo com o site estadunidense de estatísticas econômicas Statista.com. Porém, a promessa da Disney, proprietária dos direitos de produção da saga desde 2012, é ir além e produzir mais filmes e séries relacionados a Star Wars. Frente a esse panorama de desenvolvimento da Força, você tem conseguido acompanhar o que aconteceu e o que está acontecendo no Universo Jedi? Precisa relembrar alguma coisa antes de assistir a Ascensão Skywalker, que chega aos cinemas brasileiros em 19 de dezembro? A Ctrl Geek te ajuda com um mapa sobre a história que se passou há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...

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TRiLoGiA REPÚBLiCA A história começa na Trilogia República. Os filmes dessa sequência foram lançados 16 anos após o término da trilogia original, que na ficção se passa em um tempo futuro. Por ter sido lançada posteriormente, essa tríade ficou conhecida como prequela. Neste contexto, a Galáxia é regida por um Senado, em que todos os planetas são representados. A manutenção da ordem na República Galáctica se dá a partir da ação dos Jedi, organizados pelo Conselho Jedi. A Federação do Comércio, instituição de representantes de associações financeiras, tem protagonismo no Senado..

Episódio i - A Ameaça Fantasma (1999)

Episódio ii - Ataque do Clones (2002)

Episódio iii - A vingança dos Sith (2005)

- A Federação do Comércio ataca o planeta Naboo e a rainha do planeta, Padmé Amidala (Natalie Portman), é sequestrada. O Jedi Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) e seu Padawan Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) têm a missão de restaurar a paz. - Qui-Gon e Obi-Wan resgatam a rainha, mas são atacados e caem no planeta Tatooine, onde conhecem o garoto Anakin Skywalker (Jake Lloyd) e, com a ajuda dele, conseguem restaurar a nave. - Qui-Gon acredita que Anakin seja o prometido para restaurar o equilíbrio da Força e o leva para ser treinado pelos Jedi. A rainha retoma seu planeta. Anakin se torna o Padawan de Obi-Wan. Darth Maul mata Qui-Gon. - Os Jedi reconhecem que o poder responsável pela queda da nave, pertence aos Sith, uma Ordem extinta por fazer uso do Lado Negro da Força. Os Jedi acreditam que ainda resta descobrir quem é o mestre de Darth Maul (Ray Park), nomeado Lorde Darth Sidious.

- A trama se passa dez anos após o primeiro episódio. Nela, há um movimento separatista na República, liderado pelos membros da Federação do Comércio. - O Jedi Obi-Wan Kenobi e seu Padawan Anakin Skywalker (Hayden Christensen) são encarregados da proteção da senadora Padmé, após ela sofrer duas tentativas seguidas de assassinato. - Um exército de clones é construído pela República, enquanto os separatistas produzem soldados droides. - Uma Guerra Civil tem início na Galáxia, após a captura de Obi-Wan, Anakin e Padmé. De um lado os clones e os Jedi, de outro os droides. - Anakin e Obi Wan lutam contra o líder separatista Conde Dooku (Christopher Lee). O Conde escapa e leva a Lorde Sidious, as técnicas para a formulação de uma poderosa arma. Anakin e Padmé se casam em segredo.

- Anakin descobre que Padmé está grávida e teme perdê-la. O Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid) se aproveita desse medo, aproxima Anakin do Lado Negro Força, se revela como Lorde Sidious e garante que apenas ele pode proteger Padmé da morte. - Os Jedi tentam capturar Lorde Sidious, mas Anakin os impede, traindo a Ordem e tornando-se Darth Vader. - Os clones, sob ordens de Sidious, matam todos os líderes separatistas e os Jedi, com a exceção de Obi-Wan e de Yoda. - Darth Vader tenta matar Padmé e Obi-Wan., mas o Jedi joga o ex-aprendiz na lava. - Padmé dá a luz à Leia e a Luke, mas morre de tristeza em seguida. A sobrevivência dos gêmeos é mantida em segredo. Leia é adotada pelo senador Organa de Alderaan (Jimmy Smits) e Luke pelo irmão postiço de Anakin. - Darth Vader é resgatado por Lorde Sidious.

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TRiLoGiA REBELião Episódio iv- - uma Nova Esperança (1977) - A Princesa Leia (Carrie Fisher) rouba o projeto de uma arma de Guerra pertencente ao Império, mas é capturada por Darth Vader (David Charles Prowse) e levada para a nave Estrela da Morte. - A Princesa envia um pedido de ajuda ao planeta Tatooine, através de seus droides C3-PO e R2-D2. A súplica é recolhida pelo jovem Luke Skywalker (Mark Hamill), que a leva até o destino descrito por Leia, o jedi Obi-Wan Kenobi (Alec Guinness).

- Luke e Obi-Wan partem em missão para resgatar a Princesa e, no caminho, recrutam Han Solo (Harrison Ford) e o wookie Chewbacca (Peter Mayhew), pilotos que aceitam a missão de enfrentar o Império, por dinheiro. - Luke, Han Solo e Chewbacca conseguem resgatar a Princesa Leia e entram para o movimento de rebelião liderado por ela, a Aliança Rebelde.Obi-Wan morre em batalha contra Darth Vader e a Estrela da Morte é destruída.

Episódio v - o império contra-ataca (1980) - Três anos após a destruição da Estrela da Morte, o esconderijo da Aliança Rebelde é encontrado e atacado pelo Império. Os rebeldes conseguem fugir. - Han Solo, Leia, Chewbacca, C3-PO e R2-D2 são perseguidos e capturados por Darth Vader com a ajuda de Lando Calrissian (Billy Dee Williams), amigo de Han que o trai para salvar seu planeta. - Luke vai a Dagobah para ser treinado por Yoda, mas ao pressentir que os seus corriam perigo, ele abandona seu treinamento.

- Darth Vader entrega Han Solo, petrificado em carbonite, a Jabba Hutt, gangster a quem o piloto devia dinheiro. Leia, Chewbacca, C3-PO e R2-D2 são resgatados por Lando Calrissian, que se torna parte da rebelião. - Luke e Darth Vader se enfrentam. Darth Vader tenta convencer Luke a aderir ao Lado Negro da força, contando-lhe que é seu pai. Com a descoberta, Luke desiste da batalha e se joga em um fosso. Luke é resgatado por Leia.

Episódio vi - o retorno do jedi (1983) - Uma nova Estrela da Morte é construída. Leia, C3-PO, R2-D2 e Chewbacca são capturados por Jabba Hutt, ao tentarem resgatar Han Solo. Luke e Lando resgatam seus amigos. - Luke retorna a Dagobah, encontra Yoda à beira da morte e este o diz que seu treinamento foi concluído com sucesso. Yoda conta a Luke que Leia é sua irmã e que a vitória dos rebeldes depende dele.

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- Luke se entrega a Vader e inicia uma luta, em frente ao Imperador Palpatine (Clive Revill). Darth Vader é tocado pela tortura de seu filho e mata o Imperador para protegê-lo, cumprindo a profecia de que Anakin seria o “prometido” para restaurar o equilíbrio da força. Gravemente ferido durante a batalha, Darth Vader morre. - A Aliança consegue destruir a Estrela da Morte e vencer o Império. Leia e Solo se casam.

Trilogia original, responsável pela popularização da saga Star Wars no final dos anos 70/início dos 80, devido, entre outros motivos, à inovação empregada nos efeitos especiais. No contexto em que se passa essa trilogia, a República se tornou Império Galáctico e é comandado pelos Sith, representados pelo Imperador Palpatine, com o auxílio e proteção de Darth Vader. O republicanos que restam tentam restaurar o regime através do movimento Aliança Rebelde, comandado pela Princesa Leia.


TRiLoGiA RESiSTÊNCiA

Episódio vii- o Despertar da Força (2015) - A General Leia envia o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac) à procura de um mapa que indicaria a localização de Luke Skywalker, que havia se exilado. - Kylo Ren (Adam Driver), aprendiz do Líder Supremo Snoke (Andy Serkis), mestre da Primeira Ordem, comanda uma missão para tentar roubar o mapa. Kylo captura Poe Dameron, mas não antes que este colocasse o mapa no droide BB-8, que foge. - BB-8 é encontrado por uma catadora de lixo, chamada Rey (Daisy Ridley), em quem a presença da Força é intensa. Rey se une ao stormtrooper desertado, Finn (John Boyega), e tenta levar BB-8 até a princesa Leia. - Rey, Finn e BB-8 se unem a Han Solo e Chewbacca, numa missão para tentar destruir a arma de guerra da Primeir Starkiller, capaz de dizimar planetas. Kylo Ren captura Rey e tenta ver telepaticamente o mapa de Skywalker que ela viu, mas a garota revela a presença da força em si e o impede. É revelado que Kylo Ren é filho de Leia e Han. Ele fora treinado para ser Jedi, mas optou pelo Lado Negro da Força, causando a separação de seus pais. - Kylo Ren mata Han Solo. Rey e Kylo lutam, mas antes que um dos dois pudesse vencer, eles são impedidos pela destruição da Starkiller. Rey encontra Luke Skywalker.

Imagem: Wallpapers For Tech/Reprodução

A mais recente das trilogias Star Wars, começou a ser produzida após a compra da produtora Lucas Filmes - responsável pelos filmes anteriores - pela Disney. Também chamada de série sequela, essa sequência tem como plano de fundo a realidade da Galáxia trinta anos após a morte de Darth Vader. A República Galáctica foi restaurada, mas alguns membros do antigo Império continuam a batalha por poder, formando a Primeira Ordem, comandada pelo Líder Supremo Snoke com a ajuda de Kylo Ren. Os republicanos reagem às investidas da Primeira Ordem com o movimento de Resistência, comandado pela General Leia Organa.

Episódio viii: os Últimos Jedi (2017) - As naves da Resistência são perseguidas pela Primeira Ordem, que faz uso de um rastreador para alcançá-las. Poe Dameron lidera um motim dentro da Resistência para tomar o poder e iniciar uma estratégia mais violenta contra o inimigo. - Luke Skywalker se recusa a treinar Rey como Jedi. Rey permanece na ilha em que Luke está exilado e lá inicia contato telepático com Kylo Ren, na tentativa de convencê-lo a mudar de lado. Percebendo que Luke não a treinará, nem ajudará a transformar Kylo Ren. - Com Poe no comando, Finn, Rose Tico (Kelly Marie Tran) e BB-8 vão em busca de um profissional que os auxiliem a decodificar o rastreador e impedí-lo de continuar mostrando a localização da Resistência. Os três encontram DJ (Benicio Del Toro) que oferece seus serviços em troca de dinheiro, mas depois os trai, entregando-os a Kylo Ren. Os resistentes conseguem fugir, mas Rose Tico morre no processo. - Leia combate o motim dentro da Resistência. Kylo Ren mata Snoke, com a ajuda de Rey e se declara o novo Líder Supremo da Primeira Ordem. Luke, em forma de projeção, luta contra Kylo Ren para permitir que a Resistência escape da perseguição. Luke morre devido ao esforço que teve para se projetar.

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o que esperar de

ix 4

Confira as teorias dos fãs sobre a Ascensão de Skywalker

S Imagem: Disney/Reprodução

e os fãs de Star Wars já estavam fazendo milhares de teorias depois de ouvirem a gargalhada de Palpatine no final do trailer lançado em abril, agora a situação ficou mais séria! O vilão das sagas anteriores, que todos pensavam estar morto, aparece ao fundo do poster lançado no dia 24 de agosto. Mas as surpresas não pararam por aí, dois dias depois foi lançado um trailer de A Ascensão de Skywalker, a conclusão da nova trilogia. Nos últimos segundos do vídeo os fãs foram surpreendidos pela Rey usando um manto negro e carregando um sabre de luz vermelho com duas lâminas, arma típica de um Siths. A Ctrl Geek conversou com fãs da saga e juntou as melhores teorias pra vocês. Acompanhe qual o destino que os fãs imaginam para o final dessa trilogia e para o episódio IX de Star Wars.

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Fellipe Gualberto


Sobre as expectativas para a conclusão da saga, confira o que os fãs disseram:

Quando perguntados sobre a Denis Pontes: Acho que vai possibilidade da Rey sucumbir rolar um super confronto entre ao Lado Negro, os fãs se mosa Rey, o Kylo e o Palpatine. traram otimistas com a saga: Jorge Guilherme: Acho que o Kylo vai vir pra luz, a Rey terá um teste tipo o do Luke no Episódio 6, mas vai continuar no lado bom da Força.

Daniel Nyari: Por um lado acho que pode ser uma visão do Kylo Ren. Por outro, acho que o JJ (diretor do filme) não ia jogar algo tão óbvio! A Rey poderia estar sendo controlada Marcio Campos: Depois do pelo Palpatine. Episódio 8 eu espero qualquer coisa, literalmente qualquer Fiuz Aqua: Disney? Se prepacoisa, até o retorno miraculoso rem, eles são mestres em engado Palpatine, que por um bom nar nos teasers do pré-filme. tempo se mostrou improvável Eles sempre mostram algo que aconteceu, então realmente es- não é realidade! pero QUALQUER COISA. Daniel Feitosa: Isso é um sonho, ou melhor dizendo: um pesadelo da Rey.

Por fim, entre as diversas teorias sobre o retorno de Palpatine os fãs disseram: Eri Santos: Ele podia voltar como fantasma, como o Yoda fez com Luke. Porém,até hoje nunca vimos pessoas tomadas pelo lado negro da força. em tais aparições.

Natália Hyde: Palpatine contou para Anakin sobre o primeiro lorde Sith que conseguiu enganar a morte de sua esposa, Darth Plagueis. Mas nem mesmo Darth Plagueis tinha ressuscitado, o Palpatine pode ter Gabriel Batista: Uma visão encontrado um meio. criada pelo Palpatine. Lucas Henrique: Quem Vinícius Ferreira: Acho que acompanha o universo estenisso pode ser só o novo estilo dido (livros da série) sabe que de luta dela. Ela vai ser meio existem clones do Palpatine que um usuário nos dois lados que são ativados após a morda força. te do antecessor com um fragmento de memória dos últimos momentos para que o próximo não cometa o mesmo erro. É possível que esse Palpatine do Episódio 9 seja um clone. Para saber se as teorias estão certas ou não só esperando até o final do ano e conferindo no cinema A ascensão de Skywalker no 19 de dezembro deste ano. Até lá os fãs podem imaginar mais histórias.

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Imagem: Abstract Wallpapers/Reprodução

80 anos de trevas Milena Almeida

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Fonte: www.imdb.com

Fonte: History day/ reprodução

Estreia do Batman nas Histórias em Quadrinhos (1939)

as idades. Para o semiologista Osvando Morais, o sucesso das histórias do Batman está no uso de signos sombrios pelo personagem, os quais “projetam uma espécie de máscara social onde a gente vai tentar se esconder de alguma forma e mesmo assim, enquanto nos escondemos, nos mostramos. Essa brincadeira de me vê e não me vê, baseada nos signos, é o que o sustenta”. Em 1966, observando o êxito das HQs, a produtora norte-americana Filmation criou a série Batman and Robin, cujos protagonistas eram interpretados, respectivamente, por Adam West e Burt Ward. No programa, os heróis lutavam contra os vilões idealizados pelas histórias impressas. No entanto, o caráter pastelão do seriado foi responsável pelo fracasso de audiência, e o descontentamento da DC com o produto fez com ele fosse cancelado após duas temporadas.

Série Batman e Robin, estreia do super-herói na TV (1966)

Fonte: Itunes/reprodução

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á oitenta anos, a história do Cavaleiro das Trevas era publicada pela primeira vez na revista em quadrinhos norte-americana Detective Comics, ilustrada por Bob Kane e roteirizada por Bob Finger. De lá pra cá, Bruce Wayne, o playboy justiceiro, se tornou protagonista de séries, de filmes, de jogos e de desenhos animados, além de se consagrar como um dos super-heróis mais importantes do universo DC. Inspirado pelas aventuras de outros justiceiros, como o Zorro e D’Artagnan, Bob Kane assumiu o papel de criar um super-herói para a editora National Periodical (atual DC), o qual pudesse fazer tanto sucesso quanto o Super-Homem, o menino de ouro da época. Um anos depois da estréia, o homem-morcego ganhou sua própria HQ, a Batman, que hoje possui mais de 700 edições e atrai públicos de todas

Primeiro desenho animado As Aventuras de Batman (1968)


Imagem: Fortnite Insider/Reprodução

Gotham, cidade fictícia de Batman, é uma alegoria a Chicago

Primeiro video game Batman lançado pelo empresa Sunsoft (1989)

O personagem da DC também faz parte de uma série de jogos, como o Lego Batman e a sequência Batman Arkham, que recriam e complementam a história nas plataformas de video games. Bruno Navarini, destaca que a expansão de determinadas histórias para outras plataformas funcionam como um movimento cíclico “uma vez que tais narrativas lançadas acabam por alimentar legiões de fãs, independente da plataforma que se é utilizada, há a criação de uma espécie de zona de conforto para o lançamento de mais dessas narrativas e fica fácil para o mercado se expandir”. O aniversário do super-herói foi comemorado com o lançamento da Detective Comics: 80 Years of Batman - The Deluxe Edition. Além disso, a DC organizou uma série de eventos para os fãs, entre eles uma corrida de cosplayers e a emissão de bat-sinais direcionados para a lua. Ambos eventos serão realizados nas principais metrópoles do mundo, em 21 de setembro, data conhecida como “o dia do Batman”.

Fonte: Plano Crítico/reprodução

Fonte: Batman Fandom/reprodução

Com a frustração da série, a trama do justiceiro mascarado chegou às telas de cinema só em 1989, com o filme Batman, dirigido por Tim Burton. A partir do seu sucesso do longa, Bruce Wayne foi interpretado mais seis vezes em filmes que tratam exclusivamente de sua história, por quatro atores diferentes, mas nem todos tiveram a mesma sorte. De acordo com Bruno Navarini, autor do artigo A Relação entre Quadrinhos e Cinema: reflexões sobre a adaptação de Batman por Tim Burton, o insucesso de algumas produções cinematográficas se deve menos a expectativa frustrada dos fãs e mais à questão mercadológica. “O grande problema, é a necessidade de se lançar um número cada vez maior de filmes no menor tempo possível. Assim, questões que poderiam fazer a diferença para um bom filme ser lançado, como roteiro bem elaborado, contratação de atores adequados e a composição de um universo que mexesse com os fãs, acaba prejudicada por questões orçamentárias ou de prazos de produção e lançamento”, destaca o autor.

Filme Batman, estreia do super-herói no Cinema (1989)

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DESVENDANDO DE INTERS

Filme reúne arte e que discute o futur Rafaela Thimoteo

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filme Interstellar, dirigido por Christopher Nolan, apresenta uma sociedade em colapso na qual o clima não é mais favorável. Não há comida o suficiente, a escassez é tanta que a ciência e inovação são deixadas de lado pela maioria das pessoas, professores incentivam alunos a serem fazendeiros ao invés de cientistas e alguns fatos históricos são manipulados e retirados dos livros, como a ida do homem à Lua. A NASA inclusive, passa a agir secretamente para não despertar revolta da população. Nesse contexto, um grupo de cientistas começa uma expedição intergalática em busca de um novo planeta que seja habitável, pois a vida na Terra está se tornando cada vez mais insustentável para os humanos. Interstellar tem como um dos produtores o físico teórico Kip Thorne, que recebeu o Nobel de Física em 2017 pelo seu trabalho relativo a ondas gravitacionais. Thorne supervisionou de perto a elaboração do roteiro para que as leis da física não fossem desrespeitadas, portanto quase tudo que é mos-

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trado no filme ou é fato científico confirmado ou está no campo da física teórica, que se utiliza de conceitos da física, modelos matemáticos e dedução lógica para elaborar hipóteses. A ciência foi tão minuciosamente retratada no filme que há um livro escrito pelo próprio Kip Thorne, chamado A Física de Interstellar. Umas das exceções, segundo ele, são as nuvens sólidas que aparecem em um dos planetas. No entanto, o cinema é uma forma de arte e, como tal, não tem obrigação de retratar a realidade científica de maneira 100% fiel, por isso liberdades artísticas acontecem. Mariella Patti, bióloga, mestre em Educação para a Ciência pela Unesp de Bauru e artista plástica, diz que Interstellar é um dos seus filmes preferidos. “O legal do filme é a união de questões científicas, como os efeitos práticos da relatividade, as questões sociais, como o colapso ambiental e social, o negacionismo científico sistêmico, e as questões humanas: a inevitabilidade da morte, as desconexões e separações, o amor como algo inexplicável e que

ainda assim parece afetar fisicamente nossa realidade”, afirma. Para ela, o filme consegue trazer inúmeras questões importantes à tona e gerar discussões muito ricas, além de “unir a arte e a ciência, resultando não apenas em um ótimo filme, mas também uma ferramenta muito útil para estimular o interesse científico das pessoas”. Mariella destaca que uma das cenas mais marcantes é na qual Cooper, astronauta interpretado pelo ator Matthew Mcconaughey, conversa com o sogro na varanda de sua casa sobre deixar tudo para trás, incluindo a família, em busca de uma salvação para a humanidade, ao mesmo tempo em que quer cumprir o que ele acha que é seu destino. Ele diz que “a humanidade nasceu na Terra, mas não foi feita pra morrer aqui”. Para Mariella, essa frase se conecta com os trailers do filme que falam sempre sobre nos definirmos pela capacidade de superar o impossível e momentos em que nos atrevemos a mirar mais alto, quebrar as barreiras, alcançar as estrelas e tornar o desconhecido conhecido.


AS DIMENSÕES STELLAR

Imagem: Interstellar/Wallpaperplay/Reprodução

ciência em ficção ro da humanidade

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DESDOBRAMENTOS DO FILME NA SOCIEDADE

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m fato importante, ressalta Mariella, é que o filme apresenta um buraco negro, o Gargantua, e as imagens mostradas são grandiosas, visualmente impressionantes, e poderiam ter sido escolhidas apenas por questões artísticas, para causar impacto. Entretanto, sob a orientação de Kip Thorne e fazendo uso de modelos matemáticos, o filme trouxe ao público possivelmente uma das representações mais fiéis de um buraco negro. Em abril de 2019 um grupo de cientistas do projeto Event Horizon Telescope Collaboration divulgou a primeira imagem já produzida de um buraco negro real, que fica no centro da galáxia Messier 87, a 54 milhões de anos-luz do Sistema Solar, e as semelhanças são impressionantes. “Ou seja, modelos de física teórica foram usados para criar uma imagem de buraco negro para o filme e cinco anos depois temos uma imagem real estruturalmente igual”, explica Mariella. Para Izabela Machado, 22, estudante de jornalismo, Interstellar desperta a curiosidade sobre nosso universo. “A representação do buraco negro e as possíveis alterações que podem ocorrer ao entrar nele faz com que eu pense sobre o quanto o universo é incrível e quão pouco sabemos desses fenômenos”. Ela também destaca o importante papel da trilha sonora feita por Hans Zimmer: “a

música casa perfeitamente com a sensação de solidão e medo do homem em meio a universo tão vasto e desconhecido”. Mariella participava do Projeto AstroCine, do Observatório de Astronomia “Lionel José Andriatto”, que discutia astronomia através de obras culturais. Ela afirma que livros e filmes cujo enredo envolve temas astronômicos e de exploração espacial são muito populares e despertam fortemente o interesse das pessoas, não só pela Astronomia, mas por questões científicas em geral. “São ferramentas poderosas para educadores e divulgadores científicos, quando bem trabalhados”. Ela comenta que a exibição de Interstellar nesse projeto foi natural: “o filme é o boa parte dos amantes de Astronomia e muita gente adora, mas tem dúvidas sobre alguns pontos principalmente o que acontece no último ato do filme”. Ela afirma que que o bate-papo com o público que foi assistir à sessão deu um resultado bem positivo. Daniel Marconi, 21, estudante de Engenharia Elétrica, relata que o filme chamou sua atenção pela proximidade com a realidade devido a contribuição de especialistas em física em sua produção. Isso somado à uma abordagem de crise mundial e esgotamento do ecossistema terrestre, tornam a narrativa, na visão dele, um dos possíveis futuros que nos aguardam como espécie.


Mariella compartilha dessa visão e diz que apesar de retratar um futuro distópico, é possível identificar semelhanças com a nossa realidade. “Não soa absurdo. Nossos campos de cultivo não estão sendo dizimados por pragas globais e levando a população à fome e morte, mas é algo que a gente pode facilmente visualizar acontecendo”, explica. Além disso, “o negacionismo histórico e científico é ainda mais familiar, pois estamos vendo esse movimento avançar lentamente por todo o mundo”. Segundo ela, em uma das cenas o próprio Cooper diz: “Nós costumávamos olhar para o céu e imaginar o nosso lugar entre as estrelas, e agora olhamos para baixo e nos preocupamos com o nosso lugar na poeira.” Daniel acredita que a necessidade de sobrevivência como espécie é priorizada em detrimento às inovações e avanços no campo da ciência. “Contudo, como o próprio filme mostra, foi extremamente válido investir em ciência e inspirar as seguintes gerações à persegui-la para poder encontrar uma solução para um dos principais problemas apresentados no filme”, explica. Para ele, a ciência, com todas as suas formas e vertentes, é algo benéfico, mesmo quando parece que não há solução alguma para nossa realidade. Gustavo Lustosa, 23, ou-

tro admirador do filme, também relaciona algumas abordagens de Interstellar com a nossa realidade: “criou-se um descrédito para com a ciência como um todo. No Brasil, isso se reflete através dos cortes de verbas para a educação, por exemplo”. Já a nível mundial, ele cita o movimento terraplanista, pois mesmo havendo provas científicas muitos duvidam que a Terra é esférica. Uma das grandes problemáticas observadas por Gustavo é a falta de divulgação da ciência produzida. “Os pesquisadores precisam encontrar métodos para mostrar para a população onde está sendo investido o dinheiro dela, pois só assim talvez as pessoas entendam a importância da ciência. Ele enxerga o jornalismo científico como uma das soluções para esse processo. Mariella acredita que a sociedade está vivendo uma onda de negação e desvalorização do conhecimento que pode sair do controle, caso nada seja feito. Entretanto, o movimento contrário, de valorização do conhecimento, está reagindo. “É esse o papel de professores e divulgadores científicos nesse momento: mostrar o valor inestimável do conhecimento e a importância de jamais deixar de buscá-lo, pois é isso que nos faz humanos”. Para ela, não investir em Ciência é condenar a sociedade à estagnação em todos os sentidos, buscando apenas “seu lugar na poeira.”

Imagem: Interstellar/ Legendary Pictures/ Getwallpapers

RELEVÂNCIA DA CIÊNCIA PARA O FUTURO DA HUMANIDADE

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ERA UMA VEZ… O QUE DEU NO TARANTINO? Milena Almeida

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sa nova abordagem, o crítico de cinema Álvaro André Zeini Cruz destaca que o filme combina uma série de continuidades que interessam ao Tarantino, “por exemplo o clímax do filme que é um momento tarantinesco esperado e que causa comoção, mas acaba sendo uma cena que não surpreendeu tanto”, exemplifica. Com um histórico de irreverência e criatividade, Quentin Tarantino se consagrou no cenário hollywoodiano por suas técnicas de produção diferenciadas, com roteiro não linear dividido em episódios onde os gaps produzidos são completados gradualmente dentro do filme. Além disso, o uso da violência nas tramas se tornou uma marca registrada do diretor. Para o professor da Unesp, Marcos Américo, doutor em produções audiovisuais, Tarantino faz um uso estético de cenas violentas que têm influência de um antigo diretor de cinema, chamado Sam Peckinpah. “Isso faz com que haja uso de câmera lenta, de música apoteóti-

ca durante a sequência de cenas de luta e de cenários de fruição estética. Mas essa violência não é empregada à toa, ela tem um propósito na história, principalmente nos momentos de explosão dos filmes”, explica.

Tarantino, Pitt e DiCaprio no set de filmagem

Imagem: Esquire /Reprodução

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filme Era uma Vez em Hollywood estreou nos cinemas brasileiros no último dia 15 e trouxe consigo uma série de opiniões controversas sobre as inovações de roteiro promovidas pelo diretor estadunidense Quentin Tarantino. Em cartaz nos cinemas norte-americanos desde o fim do mês de julho, a obra é baseada na história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), Cliff Booth (Brad Pitt) e Sharon Tate (Margot Robbie), personagens envolvidas com a indústria cinematográfica hollywoodiana do final dos anos 60, quando tem início a série de assassinatos executados pelo grupo hippie conhecido como Família Manson. Ao contrário do que grande parte dos fãs de Tarantino sempre esperam – diálogos elaborados e ação constante – em seu nono longa metragem, o cineasta desenvolve, durante 2h40, a exploração da rotina de suas personagens, até a chegada de um desfecho catártico. Às vistas des-


Imagem: Rought Trade/Reprodução

Segundo o professor Marcos Américo, “Tarantino sempre foi um cara que alterou a ordem das coisas, como um liquidificador de conteúdos, e ele recria as histórias através da ideia de como ele imagina que aconteceu. Eu acho que o que choca um pouco a audiência é esperar esse compromisso com a realidade, que o cinema não tem. Então ele usa isso como uma estratégia para quebrar um pouco a expectativa do público”. De acordo com o cineasta norte-americano, esse é o penúltimo filme que produzirá, o que justificaria seu afastamento dos princípios anteriormente instaurados, em favor de uma produção que fosse mais ligada

a seus interesses pessoais. “Por muito tempo eu queria fazer algo não necessariamente sobre 1969, mas um filme sobre fazer filmes, e algo que fosse na Los Angeles da minha juventude” confessou o diretor em entrevista à Revista Galileu. O longa chega à plataforma Telecine Play em outubro. Imagem: Openspace/Reprodução

Era uma Vez em Hollywood segue a tendência tarantinesca explorada em Bastardos Inglórios (2009), em que o final da obra explora uma realidade alternativa ao que realmente aconteceu. No longa de 2009, a protagonista do filme, a judia Shosanna Dreyfuss (Mélanie Laurent) mata Adolph Hitler e toda alta cúpula nazista, bem antes do final da Segunda Guerra Mundial. Já na obra mais recente de Tarantino, ao contrário do que aconteceu na realidade, a atriz Sharon Tate não é assassinada pelo grupo integrante da Família Manson, mas eles é que acabam sendo mortos pelo dublê Cliff Booth e pelo ator Rick Dalton.

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STEPHEN

KING

O MESTRE DO TERROR “Crianças, a ficção é a verdade dentro da mentira, e a verdade desta ficção é bem simples: a magia existe.” — IT: A Coisa, Stephen King

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filme IT - Parte 2 chega aos cinemas no próximo mês e os fãs de um dos palhaços mais assustadores do cinema estão prontos para conferir o resultado do segundo trabalho cinematográfico baseado na obra de Stephen King. A primeira versão foi lançada em 1990 e carimbou o estereótipo do palhaço assassino sob a imagem de Pennywise, entidade que assombra a pequena cada curiosos 27 anos. O livro de mais de mil páginas foi adaptado em duas partes para trazer mais fidelidade - a primeira, lançada em 2017, superou O Exorcista em termos de arrecadação e já é considerado o maior filme de terror da história do cinema neste quesito. O próprio autor elogiou o remake dirigido por Andy Muschietti em seu Twitter pessoal.

MESTRE DO TERROR Stephen King nasceu em Portland, no Maine, em 21 de

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setembro de 1947. Em 1970, se formou em licenciatura em inglês, para dar aulas para o ensino médio. Nessa época, já escrevia alguns contos e histórias mais curtas. Atualmente, quase 50 anos depois, King é um dos autores mais traduzidos do mundo, ocupando o nono lugar, e também um dos mais adaptados para o cinema. São 54 livros publicados, sendo sete deles sob o pseudônimo de Richard Bachman e cinco livros de não-ficção. Entre os mais famosos estão Carrie, a Estranha (1973) seu primeiro livro, que rendeu três adaptações diferentes para as telonas -, IT - A Coisa (1986), O Iluminado (1977) - cujo filme foi dirigido por Stanley Kubrick - e À Espera de um Milagre (1996) - que traz Tom Hanks no elenco principal. Para outubro deste ano, está prometido também o filme Campo do Medo, um original Netflix que trará para o streaming um conto de King e Joe Hill, seu filho.

Imagem: New Line Cinema/Reprodução

Letícia Pinho


os personagens rasos demais”. O estudante de física Felipe Hencklain começou a ler Stephen King há seis anos, mas já coleciona quarenta títulos lidos na estante: “Comecei por À Espera de um Milagre, o que é curioso já que não se trata de uma obra de terror”, comenta. “Pra mim, as melhores adaptações dele são as de drama. Se NO BRA A SIL for pra escolher só uma preferida, com certeza fico com Um Stephen King é aclamado Sonho de Liberdade. Também por muitas gerações e no Brasil existem muitas adaptações não é diferente. O grupo “Ste- ruins, e A Torre Negra, foi phen King Brasil”, no Facebook uma decepção não só pra mim, conta com quase 15 mil mem- mas para muitos fãs”, lamenta. bros, que conversam sobre assuntos relacionados às obras do autor. A Ctrl Geek conversou com alguns fãs para entender a relação deles com os livros. A paulistana Priscila Cavalcante acompanha o escritor há 14 anos. “Desde pequena assistia as adaptações mais leves e tinha curiosidade de ler os livros, até ler o meu primeiro, O Cemitério, em 2006”, conta. “À Espera de um Milagre é a minha adaptação preferida, e também gostaria muito de ver Duma Key e Revival sendo produzidos. O primeiro em formato de série e o segundo, em filme. Por outro lado, apesar de gostar muito de A Criatura do Cemitério (conto) e Celular (livro), acho que essas são as duas piores adaptações”, completa Priscila. Com mais de 400 milhões Jonathan D’Urbano também de cópias vendidas e inúmeros começou nos filmes: “meu pri- prêmios, Stephen King conmeiro livro foi Carrie, porque sagra-se como um verdadeiro eu já havia visto o filme. Isso mestre das páginas. Seu livro já faz 8 anos”, relata. Ele tam- Sobre a Escrita (2015), que bém comentou as suas prefe- traz as memórias do autor e sua rências: “Na minha opinião, a paixão pela profissão, ilustra melhor adaptação foi Misery, muito bem este título, e deixaKathy Bates ficou perfeita como ao leitor a expectativa das próAnne Wilkes. Mas a série de ximas histórias e a esperança Under The Dome, por exem- de que sua criatividade e sua plo, deixou a história fraca e inspiração nunca se esgotem.

Crédito: Internet/Reprodução)

Um atropelamento em 1999 desacelerou King: ele sofreu traumatismo craniano e outras fraturas pelo corpo, enquanto caminhava próximo à sua casa. Em 2002, as sequelas do acontecimento levaram o autor a considerar de parar de escrever, mas ele repensou a decisão e continuou trabalhando.

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Linha do tempo do terror: A história do medo no cinema Jessica Ferreira

A

s histórias de terror há muito tempo fazem parte do cotidiano humano. Elas eram contadas através de desenhos, musicas, literatura, etc. Até que em 1896 é lançado o primeiro filme de terror. O vídeo feito pelo cineasta francês George Melier, intitulado O Castelo do Demônio, conta a história de um homem que se tranforma em morcego perseguido dentro de seu castelo. O filme se tornou a principal referência do gênero, junto a O Gabinete do Dr. Caligari (1919) e Nosferatus (1922) que foram grande influências nas produções de terror do século XX. O consumo e produção de filmes de terror foi se alterando com o passar das décadas. Junto com a mudança de gerações, que constuma ocorrer de dez em dez anos, vem também a alteração nas tendências de terror e horror. Mas por quê isso ocorre? As modas da geração são influenciadas por muitos fatores, em especial os sociais e econômicos. O cinema é um registro da época. Podemos ver como exemplo o expressionismo alemão que veio após a Primeira Guerra Mundial ou a produção massiva de cenas de tortura e sangue, explorando a vulnerabilidade do corpo após o 11 de setembro.

Os filmes de terror são produzidos com o objetivo de causar medo e tensão. O que acaba por deixar a sociedade assustada. Esse medo se altera ao longo do tempo. Um exemplo é o filme A Hora do Pesadelo, no qual em 1980 o personagem Freddy Cruger era para ser um pedófilo, mas os diretores optaram por transformá-lo em um assassino de crianças, já que na época os casos de pedofilia deixaram os Estados Unidos aterrorizados. Isso era algo tão assustador que poderia causar algum tipo de boicote ao filme. Já em 2011, foi lançado um remake de A Hora do Pesadelo, a sociedade já tinha um debate mais avançado sobre o tema, então, a idéia de um personagem pedófilo retornou. A autora do blog de terror Final Girl, Maitê Mendonça explica como se consolidam essas ‘modas’. Para ela, “o principal motivo de haver uma tendência é a questão financeira, tudo o que dá muito dinheiro é produzido até a exaustão”. Geralmente há um filme pioneiro que faz muito sucesso, em seguida, os outros são produzidos em cima dele, “quando a indústria do cinema descobre uma fórmula de sucesso, explora era de todas as maneiras possíveis para encher os bolsos das produtoras”.

Escaneie e veja o primeiro filme de terror da história

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1950

Imagem: A Lenda/Reprodução

A década de 50 marcou a retomada do terror no cinema, havia uma pausa nas produções do gênero devido a segunda guerra mundial. A produtora britânica Hammer foi a primeira a voltar para terror, o recurso de cores era uma novidade e foi explorado ao máximo e também eram filmes com toque sensuais. O Drácula (1958) foi o maior sucesso.  Outro estilo explorado era o terror científico, a era atômica influenciou para o desenvolvimento de histórias com criaturas do pântano, monstros atômicos, bolhas assassinas, aranhas gigantes e criaturas meio humanas .

Imagem: Linha no Tempo/Reprodução

1960 Os anos 60 foram uma época de grandes produções, a era dos clássicos contou com os surpreendentes Psicose (1960) e Os Pássaros (1963), de Alfred Hitchcock. Outro grande nome foi o diretor George Romero, que em 1968 produziu A Noite dos Mortos-Vivos, os zumbis se tornaram assustadores no imaginário humano e o filme rendeu diversos remakes e até plágios. Paralelamente, o polonês Roman Polanski dirige o aclamado O Bebê de Rosemary, a obra foi uma das primeiras a retratar ‘o filho do diabo’, que serviu de inspiração para vários outros filmes como O Anticristo (1976).

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Imagem: Adoro Cinema/Reprodução

1970 Os filmes de possessão foram o hit, o pioneiro O Exorcista (1973) foi sucesso de bilheteria, seguido de A Profecia (1976), Terror Em Amityville (1979) e Carrie, A Estranha (1976), de Brian De Palma, que foi a primeira adaptação de obras do escritor Stephen King.  Os anos 70 também foram a ascensão dos filmes de horror, Steven Spielberg estreia com o filme Encurralado (1972), e lança o traumático Tubarão (1975). Os slashers tiveram sua estréia, os pioneiros da tendência foram O Massacre da Serra Elétrica (1974) e Halloween (1978), além de entrar para a história do cinema, esses filmes foram explorados, com continuações, paródias, remakes e inspirações.

1980 Essa década crivou o sucesso dos slashers com Sexta Feira 13 (1980) e A Hora do Pesadelo (1984), onde os inesquecíveis vilões Jason e Freddy Krueger não poupam a vida de jovens pecadores. Em 1982, o filme independente A Morte do Demônio trouxe uma possibilidade para as criações de terror, o estilo de “possessão em todos os lugares” foi seguido por Poltergeist  (1982).

Foto/reprodução: FInal Girl

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1990

Imagem: Boca do Inferno/Reprodução

Com os anos 90, os filmes de terror se aproximaram da realidade, o filme referência dessa geração foi Pânico (1997), o longa sobre um assassino mascarado também teve sua fórmula reultilizada, com quatro filmes na sequência e ainda Eu Sei o Que vocês Fizeram No Verão Passado (1997), Lenda Urbana (1998) e Dia do Terror (2000) que seguiam um roteiro semelhante e previsível.  Na mesma década houve um resgate das criaturas dos anos 50 com lançamento de  Drácula de Bram Stoker (1992), Entrevista Com O Vampiro (1994) e o Frankenstein de Mary Shelley (1994).

Imagem: Faroga Geek/Reprodução

2000 Foi nos anos 2000 que o gênero terror ganhou infinitas possibilidades, a moda da época fica dispersa visto que os maiores sucessos de bilheteria tem construções totalmente distintas, mas a tendência mais usada foram as casas mal assombradas, como vemos nos filmes A Casa Amaldiçoada (1999), Os Outros (2001), O Grito (2002) e Chave Mestra (2005). As maiores marcas são o filme “O Chamado” (2002),  “Jogos Mortais” (2005) e “Evocando Espíritos” (2009), que foram responsáveis por abrir o leque do terror e mostrar outras maneiras de se trabalhar o medo. Imagem: Boca do Inferno/Reprodução

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Imagem: Ingresso.com /Reprodução

2010 Desde 2010 o sobrenatural está presente nos maiores sucessos do terror. Filmes sobre possessão, fantasmas e poltergeists são lançados com altas bilheterias, como os filmes Sobrenatural (2011), Anabelle (2011), Invocação do Mal (2013), e A Freira (2018). 

O "Novo Terror"

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Os filmes lançados na última década, costumam possuir narrativas mais densas, roteiros bem trabalhados, exploração das reações fisiológicas e até militância política. Essa geração está sendo chamada de pós terror. Segundo Maitê o termo é equivocado, “isso ocorre pois o terror não era muito bem visto por alguns e esnobado em premiações de renome”. Na última década, o gênero ganhou maior receptividade junto com a modernização das produções. “Quando as películas começaram a ganhar prêmios tradicionais, as pessoas passaram a acreditar que só agora estariam surgindo filmes de terror com roteiros ‘inteligentes’” finaliza. 

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S

uas criações conquistaram o mundo. Gerações acompanham seus lançamentos nos cinemas. Bilhões de reais arrecadados ao longo dos seus 33 anos de existência. Estamos falando dos Estúdios de Animação Pixar, a empresa estadunidense que cativa milhares de pessoas através de suas histórias envolventes e qualidade visual altíssima durante as últimas três décadas. A empresa surgiu como uma divisão da Lucas Films, uma companhia que era responsável pelos efeitos especiais das produções de George Lucas, como por exemplo, Star Wars. Sempre um passo à frente da concorrência e fazendo produções consideradas revolucionárias pra época, um de seus membros de animação

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do estúdio, John Lasseter, ex-funcionário da Disney, lança em 1984 a primeira animação utilizando o efeito 3D da empresa, o curta André e Wally B. Dois anos depois do lançamento do curta, Steve Jobs compra a divisão e funda a Pixar Animation Studios, com investimento de 10 milhões de reais. Hoje, a Pixar é um dos maiores estúdios de animação do mundo, tendo em seu hall de reconhecimentos: 19 prêmios do Oscar, oito Globos de Ouro, 11 Grammys e receita anual de milhões de dólares. O nome Pixar, é derivado da junção de pixels e art, sendo esses os elementos básicos utilizados pelo estúdio, nas quais a arte vem através de pixels.


Créditos:Instagram Pixar/reprodução

Pixar: história dE sucessos Giovana Orsari

O primeiro curta do novo estúdio foi lançado em 1986 e tem cerca de dois minutos de duração: Luxo Jr., que foi o responsável por ganhar o primeiro Oscar da Pixar como melhor curta metragem animado. O filme se passa em cima de uma mesa de madeira parecida com as de escritório. Em cena aparecem duas luminárias com tamanhos diferentes que aparentam ser pai e filho, Luxo e Luxo Jr., daí resulta o nome do curta metragem. O pequeno personagem encontra uma bola de borracha e está rolando ela até que resolve pular em cima dela, estourando-a. Junior faz cara de desapontado e seu pai o consola, mas logo o pequeno volta com outra bola e começa tudo de

novo. Assim nasceu o mascote e parte integrante do logo da Pixar Animation Studios. Em 1995, a empresa lançou seu primeiro longa metragem, Toy Story. A história na qual os brinquedos ganharam vida foi um dos projetos pilotos para todas as animações que viriam. O grande sucesso de bilheteria mostrou a Steve Jobs e ao estúdio de animação qual caminho seguir para o triunfo. De lá pra cá, gerações cresceram assistindo suas animações. Como é o caso de Rodrigo Sandoval, 22, que revela a dificuldade de “dizer o motivo dos filmes da Pixar se destacarem tanto em um período da vida onde tudo é mágico, mas certamente tem a ver com seus personagens

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icônicos e carismáticos, seus gráficos espetaculares de animação 3D e um universo onde é possível desde brinquedos terem vida própria até ratos serem chefes de cozinha. Mais difícil ainda é dizer qual meu filme favorito, fica uma dúvida cruel entre Toy Story e Ratatouille”. Vittória de Campos, 22, é fã das animações desde pequena e nos diz que além de histórias divertidas, os filmes da Pixar “sempre passam uma lição de moral que servem para toda e qualquer idade. Não importa quantos anos você tem, sempre dá para aprender algo com as animações. Seja rindo ou chorando”. De fato, a marca construiu um império de longas que foram feitas para marcar gerações devido a presença de um “traço de desenho muito característico, isso faz a gente reconhecer a identidade de longe! Eu amo como cada filme tem sua essência”, afirma Isabela Lugli, 20.

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PIXAR E SEUS FILMES: Você conhece todas os longas lançados pela Pixar ao longo de seus 33 anos? Não? Prepara a pipoca que a sessão vai começar: Toy Story (1995); Vida de Inseto (1998); Toy Story 2 (1999); Monstros S.A. (2001); Procurando Nemo (2003); Os incríveis (2004); Carros (2006); Ratatuille (2007); Wall-E (2008); Up - Altas Aventuras (2009); Toy Story 3 (2010); Carros 2 (2011); Valente (2012); Universidade Monstros (2013); Divertidamente (2015); O bom dinossauro (2015); Procurando Dory (2016); Carros 3 (2017); A vida é uma festa (2017); Os Incríveis 2 (2018); e, Toy Story 4 (2019). VEM POR AÍ: Dois irmãos: uma jornada fantástica (2020) e Soul (2020).


Imagens: divulgação Marvel Studios/Reprodução

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E

ste, sem dúvida, foi um ano cheio de emoções para os fãs da Marvel. O filme Vingadores: Ultimato, lançado em abril, encerrou a fase três do universo cheio de personagens que nos marcaram e que nos envolveram em suas histórias durante anos. Quando achamos que não teríamos mais emoções neste ano, a Marvel vem e lança mais uma fase completa do seu Universo Cinematográfico (MCU). O filme Homem Aranha: longe de casa iniciou essa nova fase do mundo de super heróis e botou ponto final em personagens importantes, como Tony Stark e Steve Rogers. Contudo, não deixa muitas pistas sobre as tramas e nem dá spoilers sobre personagens que serão adicionados futuramente. Apesar do suspense deixado no filme, a Marvel não demorou muito para anunciar quais serão as novidades adicionadas a fase 4; no painel da empresa na Comic Con San Diego 2019, o estúdio anunciou 10 de seus novos empreendimentos, e na D23 Expo, mais quatro! Um dos fatores mais interessantes que intrigaram os fãs após esses anúncios é que a maior parte de seus produtos será lançado na nova plataforma de streaming,

MARVETES, ASSEMBLE! Giovana Orsari

a Disney+, o que acrescenta a curiosidade sobre como o enredo será entrelaçado. Os produtos anunciados para estreia nos próximos dois anos são seguintes as obras: Os Eternos; Shang-Chi e a lenda dos 10 anéis; Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura; Thor: amor e trovão; Viúva Negra; e, Pantera Negra 2; e as séries: Falcão e Soldado Invernal; Visão da Wanda; Loki; E se…?; Gavião Arqueiro (Hawkeye); Ms. Marvel; Moon Knight; e, She Hulk. O aumento da conexão entre cinema e televisão é outra inovação implementada pela empresa. Nas fases dos universos anteriores, o diálogo entre filmes e séries era feito em “via de mão única”, ou seja, as séries apenas faziam menção aos filmes. Porém, houve uma mudança na liderança dos novos shows com o surgimento da Disney+, agora eles serão dirigidos pela Marvel Studios e não mais pela Marvel Television, traduzindo, os filmes e as séries serão complementares.

Ficou com vontade de saber detalhes sobre os anúncios? Se liga nesses resumos: Os Eternos: Angelina Jolie estará presente no MCU. Ela atuará como uma super-humana criada por alienígenas! Os Celestiais criaram os Eternos em sua visita à Terra, porém nem tudo sai perfeito e surgem os Deviantes, um efeito colateral que tentará corromper a criação alienígena. O filme chega aos cinemas em 6 novembro de 2020. Shang-Chi e a lenda dos 10 anéis: Estreia em 12 de fevereiro de 2021, no elenco estarão: Simu Liu no papel do protagonista, Tony Leung como Mandarim e Awkafina em um papel misterioso. Shang-Chi foi apresentado nos quadrinhos em 1973 como o filho do vilão Fu Manchu. Sem super-poderes,

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e teremos a presença de Kate Bishop , a Gaviã Arqueira. A estreia está para final de 2021.

no final de 2020. Anthony Mackie (Falcão) e Sebastian Stan (Bucky Barnes) reprisam seus papéis no MCU, assim como Daniel Brühl, que retorna como o vilão Barão Zemo cujo traje será próximo ao das HQs. foi considerado o maior lutador da Marvel e desempenhou um papel importante no arco “Terra das Sombras”. Doutor Estranho e o Multiverso da Loucura: Benedict Cumberbatch voltará a interpretar o Mago Supremo, estreando dia 7 de maio de 2021. Esse filme tem influências de acontecimentos da nova série WandaVision. Thor: amor e trovão: Adivinha quem está de volta ao MCU… Natalie Portman! Ela atuará como Jane Foster e roubará o lugar do Deus do Trovão! A estreia nos cinemas será 5 de novembro de 2021. Viúva Negra: Scarlett Johansson volta ao papel da heroína, que ganhará enredo temporalmente situado entre Capitão América 2 e Vingadores 3. O longa contará com a presença de uma “irmã” de Natasha e o vilão Treinador. O lançamento: 1 de maio de 2020. Falcão e Soldado Invernal: Com apenas seis episódios a série será lançada no Disney+

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WandaVision: Tem previsão de estreia para o começo de 2021 na Disney+. Além da Feiticeira Escarlate e o Visão, interpretados novamente por Elizabeth Olsen e Paul Bettany, a série terá relação com o novo Doutor Estranho e com personagens apresentados em Capitã Marvel.

Ms. Marvel, Moon Knight , She Hulk e Pantera Negra: Nenhuma sinopse foi lançada ainda pela Marvel Studios, temos apenas as referências dos quadrinhos feita pela Marvel Comics! Porém já temos uma data de esreia para Pantera Negra, dia 6 de maio de 2022! Aguenta coração! O que os fãs acham sobre o fim da fase 3 e os anúncios da fase 4 ?

“Na fase 4, eu acho que a Marvel vai arriscar novos personagens que não são tão consolidados quanto os carros chefes das 3 primeiras fases (Steve e Tony) até encontrarem quem possa assumir essa função, isso vai levar um tempo. Acho que Loki: Sabemos que nosso rei das os primeiros filmes serão testes trapaças morreu em Guerra In- pra explorar a ideia do multifinita, porém ganhamos uma verso e suas possibilidades,” série no Disney+ que acompa- Luccas Paschoalini, 25 nhará o Loki que escapou com São Paulo/SP o Tesseract em Vingadores: Ultimato. Estreia prevista para o “Estou muito ansiosa para a fase 4, porque a fase 3 acabou começo de 2021! de uma forma muito agradável, porém, ao mesmo tempo ela E se…?: Baseada nos quadrinhos, deixou alguns ‘x’s, que não conessa obra explorará histórias segui identificar se eram uma hipotéticas que poderiam ter saída para algum outro filme, mudado o rumo do universo ou se foi um erro que será corricinematográfico da Marvel que gido posteriormente em algum filme da nova fase. Por exemplo conhecemos pelas telonas. a viagem no tempo que o Steve fez no final do Ultimato, ele viaHawkeye Não sabemos muitas coisas jou com outros heróis, porém sobre essa série, o que pode- só ele volta ‘envelhecido’.” mos afirmar é que Jeremy Ren- Bruna Santana, 21 ner retorna como Clint Barton Barretos/SP


SAIBA COMO ASSITIR OS FILMES DA MARVEL NA ORDEM CRONOLOGICA Capitão América (1945)

Thor 2 (2013)

Doutor Estranho (2017)

Capitã Marvel (1990)

Capitão América 2 (2014)

Pantera Negra (2017)

Homem de Ferro (2010)

Guardiões das Galáxias (2014)

Thor 3 (2017)

O Incrível Hulk (2011)

Guardiões das Galáxias 2 (2014)

Homem Formiga (2017)

Homem de Ferro 2 (2011)

Vingadores: Era de Ultron (2015)

Vingadores Guerra Infinita (2017)

Thor (2011)

Homem Formiga (2015)

Vingadores Ultimato (?)

Os Vingadores (2012)

Capitão America 3 (2016)

Homem Aranha 2 (?)

Homem de Ferro 3 (2012)

Homem Aranha (2016)

Imagens: divulgação Marvel Studios/Reprodução

Prepara muita pipoca e boa maratona!

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Disney+:

O que nos espera?

Milena Almeida

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destacar que ela pertence aos estúdios do Mickey, certo? A Disney tem feito história em Hollywood desde os anos de 1930 e, com a compra de empresas concorrentes como por exemplo: LucasFilm, Marvel e 21st Century Fox, ela se destaca na indústria audiovisual como uma holding poderosa. Agora, o sonho de Walt vai mais longe.

No final deste ano, chegará aos EUA, pelo preço de US$ 6.99, uma plataforma de streaming contendo todos os produtos da Disney e das empresas integrantes da holding. Na América Latina, esse aglomerado só estará disponível no final de 2020 e o preço mínimo do produto ainda não foi divulgado.

Imagem: Games Radar/ Reprodução

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arregando. Essa é uma palavra que millennials não gostam muito de ler ou ouvir. Razão pela qual o serviço de streaming tem se popularizado em diversos níveis do ambiente digital, inclusive no consumo de produções cinematográficas. A chance de não precisar ir à locadora, ao cinema ou passar horas aguardando um download carregar para assistir determinado filme, tem agradado cerca de 139 milhões de pessoas do mundo todo, que assinaram a plataforma Netflix até o início deste ano, de acordo com a Folha de S.Paulo. A Netflix nasceu no estado da Califórnia (EUA) em 1997 e se consolidou quase 20 anos depois, disponibilizando filmes e séries por US$ 8,99 nos Estados Unidos e R$21,90 no Brasil, ambos planos básicos. Mas a partir de novembro de 2019, essa indústria cultural enfrentará uma veterana do mercado cinematográfico, que promete entrar no jogo pra fazer a diferença através de sua própria plataforma, a Disney+. Lendo o nome, nem é preciso

Interface da plataforma Disney+ que disponibiliza aos usuários a possibilidade de continuar assistindo aos programas e a recomendação de produtos de acordo com o perfil do espectador.


Na prática, a Netflix perderá todos os títulos de filmes, animações e séries pertencentes aos Studios Disney. Celbi Pegoraro, doutor em Ciência da Comunicação pela USP com tese sobre “Animação e Quadrinhos Disney”, acredita que os efeitos do surgimento de novas plataformas de streaming sobre a Netflix serão inevitáveis. “Quando estes [estúdios de Hollywood] perceberam que estavam entregando o ouro à Netflix, decidiram se mexer e estão investindo em suas próprias plataformas de streaming. Temos o caso do Peacock da Universal/NBC, Apple TV+ e do próprio Disney+. A Netflix foi obrigada a investir bilhões em produções próprias e a adquirir conteúdo de estúdios menores e/ou de fora dos Estados Unidos”, diz. No que diz respeito à plataforma Disney+, Pegoraro acrescenta que grande diferencial da mesma é que ela já será lançado com um grande catálogo de produções consagradas do cinema e da TV. “Não só as produções puramente Disney, mas estará lá tudo

de Star Wars, Marvel, Pixar, documentários da National Geographic, todo o conteúdo da FOX e da ESPN+. E a Disney ainda tem grande participação acionária na plataforma Hulu, que talvez concentrará o conteúdo mais pesado (adulto)” ele complementa. No Brasil, a chegada da Disney+, além de pluralidade de conteúdo, também representa mais gasto financeiros aos consumidores. A professora Letícia Affini, do curso de Rádio, TV e Internet da Unesp, destaca que a Disney+ ainda não chegou no Brasil pela desigualdade econômica do país, “com toda força que tem a Netflix, ela tem só cerca de 12% da população com assinatura, porque não é só a plataforma de streaming, é o streaming mais a banda larga e a banda larga é cara”. Ela explica ainda que “a vinda da Disney só agrava isso, porque você vai escolher o que você vai assinar. Mas, o que é mais legal de tudo isso, é que a gente passa a ter mais possibilidade de escolha, é isso que nos espera”.

Caroline Hodel, 37 anos Consumo audiovisual: Séries asiáticas, latinas e europeias para público adulto e adolescente desde fantasia, históricas e contemporâneas. Filmes históricos e documentários para desenvolvimento pessoal; O surgimento da Disney+: Ainda não me interessei em assinar a Disney+, caso eu veja que possua mais variedade e qualidade eu posso assinar futuramente; Assinatura Disney +: Ainda não;

Isabela Soldá Righetto, 20 anos Consumo audiovisual: animações e dramas asiáticos; O surgimento da Disney+:Considero uma plataforma interessante e que atende meu perfil de consumo, porém que não me causará muito impacto ou curiosidade; Assinatura Disney+: Não;

Expectativas dos fãs

Gabriel Ferreira Lopes, 22 anos Consumo audiovisual: filmes de aventura, ação e ficção científica; O surgimento da Disney+: Dependo do valor que a Disney+ chegar ao Brasil, eu continuarei assinando Netflix, junto com ela. Mas caso seja muito cara, é provável que eu mantenha apenas o Netflix, ou faça um esquema de migrar de Streaming de mês a mês; Assinatura Disney +: Sim;

Joaquim Souza Costa, 10 anos Consumo audiovisual: Filmes animados, séries infantis,programas de culinária; O surgimento da Disney+: Se todos os filmes da Disney fossem para outra plataforma, eu assinaria ela, mesmo que fosse paga; Assinatura Disney +: Sim; Geovanna Elias, 15 anos Consumo audiovisual: documentários e filmes de romance, comédia e ação; O surgimento da Disney+: Não afetaria em nada o surgimento da Disney+, porque nos dias de hoje eu assisto muito pouco filmes e séries da Disney; Assinatura Disney +: Não;

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Ficções da netflix Conheça um pouco das produções que estão em alta na plataforma! Anne Hernandes

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uem curte maratonar séries da Netflix deve sempre estar atualizado em relação aos maiores sucessos da plataforma. Pensando nisso, a Revista Ctrl Geek reuniu cinco séries que estão dando o que falar e acumulando cada vez mais fãs com o passar de suas temporadas.

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produção realizada pela Netflix alemã aborda um dos temas que envolvem mais fascínio e curiosidade na cultura pop e na ficção científica: a viagem no tempo! A série se passa em Winden (Alemanha) uma cidade que tem sua energia fornecida por uma usina nuclear. Por ser pequena e isolada, Winden tem poucos habitantes e todas as famílias perduram por gerações e se conhecem entre si, tornando-se um ambiente propício para o surgimento de uma grande teia de segredos. Tais segredos começam a ser revelados quando uma série de acontecimentos perturba a cidade. O desaparecimento de Erik Robendorf e Mikkel Nielsen, seguido pelo suicídio de Michael Kanhwald, que deixa uma carta misteriosa para sua mãe. Com esses acontecimentos o jovem Jonas Kahnwald busca entender os motivos para o suicídio de seu pai (Michael Kanwald) enquanto Ulrich Nielsen, delegado da cidade, busca desesperadamente respostas para o desaparecimento de seu filho Mikkel. Com isso, acaba-se descobrindo que Winden é um cenário que interliga passado, presente e futuro num ciclo imutável de acontecimentos que conecta os todos personagens da série. Caio Scarabel, editor da maior página de facebook de divulgação de conteúdo e

Imagens: Netflix/Reprodução

DARK curiosidades da série no Brasil “Dark Br”, conta que a série faz sucesso por aqui porque os fãs curtem os elementos narrativos e audiovisuais que fazem parte dela. “Tenho certeza que os fãs gostam da fotografia da série, a trilha sonora que dá aflição de escutar algumas vezes, os personagens como Jonas, Noah e Ulrich, pelos quais você sente empatia, o modo como a história se desenvolve (você percebe que algumas coisas realmente precisam acontecer para a história continua)”, afirma. Como se trata de uma narrativa que envolve passado, presente e futuro a história se passa basicamente em três principais ciclos que tem diferença de 33 anos entre si: 1953,1986 e 2019. Repleta de suspenses, reviravoltas e plot-twists a série é um prato cheio para quem gosta de uma história com um enredo que prende o expectador. Apesar de poder ser um pouco complexa de entender e ter bastante conteúdo simultâneo para assimilar (como, por exemplo, decorar o nome dos personagens de cada época) a série se apresenta como uma ótima opção para quem gosta da temática que ela aborda. “Dark” já tem sua primeira e segunda temporadas prontas e disponíveis na plataforma de streaming; sua terceira temporada, que será responsável por encerrar o terceiro ciclo, em produção.

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Imagens: Netflix/Reprodução

STRANGER THINGS

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om uma mistura contagiante entre mistério, aventura e romance, a série conquistou a todos com seu enredo que traz a nostalgia dos anos 80. Com diversas referências ligadas a jogos, músicas, filmes e outros fatores culturais da época, a série foi muito bem aceita pelo público, tornando-se uma das produções originais da Netflix mais famosas. A história se passa na cidade de Hawkins, Indiana, e gira em torno de desaparecimentos que começam a acontecer no local. Um dos desaparecidos é o filho de Joyce Byers: Will Byers, garoto de 11 anos, que pertence a um grupo de amigos composto por Lucas, Mike e Justin. Abalados pelo seu desaparecimento, a família e os amigos de Will se unem com o objetivo de procurá-lo, contando com a ajuda de Jim Hopper, xerife da cidade. Nesse processo de busca, acaba aparecendo na cidade uma garota misteriosa com poderes psíquicos chamada Eleven, que vai ajudar o grupo a descobrir que Hawkins tem muito mais segredos do que eles imaginam. Em uma época em que ocorria a Guerra Fria, são retratadas ficcionalmente na série conspirações governamentais dos Estados Unidos contra a União Soviética e vice-versa. A maquiadora Maria Fernanda Ferreira conheceu a série no ano de seu lan-

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çamento, em 2016, pela divulgação feita pela Netflix e acredita que o combo entre mais de um gênero ficcional é o que a fez se tornar tão fã da produção. “A série cativa as pessoas que gostam da combinação de aventura com fantasia, coisas irreais, que ninguém nunca explorou, isso é muito legal!”, diz. Além disso, segundo a maquiadora, a qualidade e o carisma dos atores são elementos que envolvem os expectadores. “Eu aprendi a amar os atores. Só tem praticamente uma conhecida no elenco, que é a Winona Rider, o resto a gente conhece ao longo da série e até crescemos com eles ao longo das três temporadas. Você se apaixona por aquelas crianças, tanto como personagens, quanto como atores. Para mim a atuação deles é excelente”, afirma. Maria também conta que fatores técnicos como trilha sonora, efeitos gráficos e figurinos são executados com qualidade, e isso faz com que a série se destaque em meio a outras produções. Ao mesmo tempo, a imersão em outra época é interessante para quem está assistindo. “É ótimo você conhecer outros tempos. A cenografia e fotografia também são ótimos, pois as vezes você nem percebe que são efeitos”, ressalta a maquiadora.


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série é produzida pela Netflix espanhola. A história é narrada por Tokyo, uma das assaltantes convidadas para um grupo de criminosos renomados convocado por Sergio Marquina, a fim de realizar um assalto na Casa da Moeda da Espanha. Os oito criminosos são apresentados com o codinome de cidades, para que ninguém descubra seus nomes verdadeiros e cada um tem uma especialidade necessária para que o plano dê certo. Sergio Marquina, que usa o heterônimo de “Professor”, conta com um plano metódico, regrado e extremamente detalhado que prevê cada eventualidade que possa ocorrer durante o assalto. Vestidos de macacões vermelhos e máscaras do pintor espanhol Salvador Dalí (um símbolo da série), o grupo faz 67 reféns dentro da Casa da Moeda como parte do plano de imprimir e escapar com 2,4 bilhões de euros através de um túnel de fuga. Do lado de fora, a polícia faz diversas investidas com o objetivo de negociar com os assaltantes a liberação dos reféns, possibilitando assim, a entrada no banco para prender os criminosos. A série conta com fortes emoções e reviravoltas e já conquistou diversos fãs em suas duas primeiras temporadas. “Eu gosto muito de séries que tem a ver com crimes e ação, que tenham uma his-

Imagens: Netflix/Reprodução

LA CASA DE PAPEL tória por trás. Me chamou a atenção todo o plano do sequestro, entender porque o Professor escolheu essas pessoas, porque elas eram mascaradas”, explica a estudante de publicidade Carolina Santos, fã da série. Com o sucesso das duas primeiras temporadas, a Netflix apostou na parte três e quatro da produção. A parte três, lançada esse ano, possui a mesma temática e proposta, trazendo outro plano de assalto, dessa vez mais complicado por se tratar do Banco da Espanha. A quarta temporada será responsável por dar continuidade a anterior e responder algumas questões que ficaram em aberto.

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Imagens: Netflix/Reprodução

O mundo sombrio de sabrina

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o completar 16 anos, a metade mortal, metade bruxa Sabrina Spellman tem que enfrentar o dilema: seguir o caminho da luz ou das trevas? Indo para as trevas, Sabrina teria que realizar seu batismo sombrio e assinar o Livro da Besta, tornando-se inteiramente bruxa e abandonando de vez seu lado mortal e os amigos e namorado que fazem parte dele.Por outro lado, se optasse por deixar de lado o ritual, ela continuaria mortal, abrindo mão de seus poderes de bruxa. Sempre dividida entre suas duas naturezas, Sabrina é uma personagem impulsiva e idealista, e por isso, acaba se envolvendo em situações perigosas que muitas vezes contrariam as regras do mundo da bruxaria, o que deixa os espectadores presos à série para saber quais serão os desfechos dos acontecimentos. Com o apoio de suas duas tias e primo bruxos, com os quais mora, Sabrina vai se aproximando cada vez mais da feitiçaria, fazendo amizades e também inimizades no Coven (como é cham a comunidade bruxa). Passando uma impressão de destino traçado para a personagem, a série traz toda essa curiosidade sobre quem verdadeiramente é Sabrina Spellman e porque o Senhor das Trevas quer tanto que ela vá para o lado sombrio.

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A produção é baseada na série de quadrinhos “The Chilling Adventures of Sabrina” da Archie Comics de 2014 que faz uma releitura mais sombria da personagem Sabrina Spellman, que já existia na série de quadrinhos antiga da mesma editora “Sabrina, The Teenager Witch”, responsável pela criação dos filmes icônicos da bruxa nos anos 90, que você deve conhecer. Por ser uma adaptação de uma história mais macabra, a série conta com feitiços em latim, referências ao satanismo, demônios e seres sobrenaturais, e acaba agradando aos fãs que curtem a temática de terror misturada à fantasia. Giulia Hilário, professora na escola Red Ballon e fã da produção, já gostava da série e dos filmes antigos e conheceu essa nova adaptação pela Netflix.“Gosto muito da série porque sou apaixonada pelo tema e de tudo que está relacionado, por exemplo, profecias, tudo relacionado ao Satanismo, bruxaria e etc…”, conta. Além disso, ela ressalta que a produção traz a temática dark com um pouco mais de glamour e tem uma abordagem diferente de outras séries.“O enredo não é tão clichê e comum, não têm muitas outras séries que possam ser facilmente assimiladas”, explica. Com o sucesso da série, a Netflix já a confirmou até a quarta temporada.


A série, baseada em fatos reais, conta a história de dois investigadores do FBI que criam um projeto de entrevistas com os criminosos mais temidos e famosos dos Estados Unidos. O objetivo dos investigadores é achar um padrão que conecte os assassinos e “modos operandis”, para conseguir prevenir o surgimento de novos casos. Explorando também a vida pessoal dos policiais, a série aborda as consequências psicológicas de lidar com assassinos. Com uma fotografia excepcional e um enredo que prende pela curiosidade, a série está atualmente em sua segunda temporada e já conquistou diversos fãs. Rafaela Mônaco é estudante de direito e fã da série desde seu lançamento em 2017. Ela conta que o que a prendeu à série foi justamente a ligação com as histórias reais que ela possui. “Adorei que retrataram a história desses dois agentes que realmente existiram e buscaram um método para solucionar os casos. Mas o que mais me prendeu foi o fato deles irem atrás de pessoas que realmente cometeram os crimes e perguntar fato a fato o que aconteceu. Isso inclusive fez com que eu procurasse sobre esses crimes na vida real”, diz.

Assassinos na vida real vs na série

Imagens: Netflix/Reprodução

Imagens: Canaltech/reprodução

Mindhunter

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Quebrando a quarta parede: A realidade virtual de Black Mirror Saiba como essa tecnologia é usada dentro e fora da ficção para divertir jovens e adultos Letícia Alves

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uem nunca se deparou com uma nova tecnologia e soltou aquele bom e velho “Isso é muito Black Mirror!” ? Pois é,

a série que estreou em 2011 se tornou uma das queridinhas do catálogo da Netflix, ao apresentar uma mistura de crítica social, ficção cientí-

fica e obscuridade. Além disso explora questões tecnológicas chocando e impressionando o público. Pensando nisso, a CTRL Geek resolveu explorar um curioso tema que têm se expandido e alcançado cada vez mais público dentro e fora da série: a realidade virtual.

REALIDADE VIRTUAL ATRAVÉS DO TEMPO

Foto: AR/VR Journey

Essa tecnologia saiu da ficção há algum tempo e ela não para de se reinventar. O VR (virtual reality em inglês) como é conhecida, surgiu nos anos 50, como um simulador de voo para testes da Força Aérea norte americana. Já nos anos 90 o conceito de realidade virtual chegou ao mundo dos jogos com a desenvolvedora Sega que anunciou o Sega VR (imagem à direita) para jogos arcade e o console Mega Drive, que foi cancelado por volta de 1993/1994.

Em 2011 a Apple pegou carona na tecnologia VR e desenvolveu um Iphone que o permitia se acoplar a um dispositivo e criava experiências de visualização tridimensionais e imersivas (foto à esquerda). Foram criados os óculos VR. Hoje, os sistemas de realidades virtuais já possibilitam simulação, projeção e realidade aumentada, o que garante uma experiência completa para o usuário. Foto: BGR/reprodução

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Foto: Voyager/reprodução foto: IGN Brasil/reprodução

Na série, durante os episódios USS Callister (Temporada 4, ep. 01) e Striking Vipers (Temporada 5, ep.01) vemos uma trama que explora a imersão do jogador em um jogo, que é praticamente completa, o que gera certas problemáticas na vida dos personagens de formas positivas e negativas (sem spoiler!). O primeiro deles mostra um jogo virtual parecido com a temática de Jornada nas Estrelas (imagem ao lado), e o segundo um jogo de luta, semelhante ao clássicos de fliperama, Mortal Kombat. Fora das telas, a realidade virtual também já está presente no Brasil, onde algumas empresas têm buscado novas implementações no mercado. Nós conversamos com a Danielle Almeida, assistente comercial

Em ambiente inovador, a Voyager oferece uma experiência única ao público.

foto: Netflix.

TAMBÉM É REALIDADE NO BRASIL

da Voyager, um espaço de entretenimento em Realidade Virtual que conta com 3 unidades, duas em São Paulo e uma em Curitiba. Danielle explicou que a Voyager foi criada por três empreendedores que buscavam expandir essa tecnologia no Brasil e torná-la mais acessível. Em seu site oficial a Voyager garante a diversão através de vários jogos, que envolvem música, esportes, aventura, ação, simulação e diversos outros Ao ser perguntada sobre como funciona a realidade virtual Danielle afirma que “só existe uma forma de explicar realidade virtual: colocando os óculos e vivenciando as experiências imersivas. A Realidade Virtual é um meio de comunicação novo, uma plataforma de

computação nova e uma nova forma de entretenimento para toda a família”. Em relação ao participante ela acrescenta: “Você tem experiências virtuais com sensações reais, permitindo as pessoas viajarem para outros universos e dimensões sem sair de um ambiente seguro”, assim como os episódios, o que mostra que com a realidade virtual, o futuro já chegou e que a vida real tende a continuar sendo “muito Black Mirror”!

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Fellipe Gualberto Rafaela Thimoteo

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Netflix atualmente não é só uma empresa de streaming, mas também uma produtora de conteúdo audiovisual, em 2018, foram lançadas aproximadamente 86 séries originais. Dentre as produções da empresa existem muitas que foram canceladas antes do término e os motivos são os mais diversos. Entre as séries canceladas pela Netflix, duas das mais citadas pelos fãs são Sense8 e One day at time, primeira destas conta a história de um grupo de oito pessoas espalhadas pelo mundo que estão pessoas ligadas mentalmente, conseguindo compartilhar pensamentos, conhecimentos e emoções. A segunda acompanha o dia a dia

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de uma família de imigrantes cubanos e trata de diversos temas políticos e sociais, como alcoolismo, direitos LGBT e migração por exemplo. Alan Tomaz de Andrade, por exemplo, era fã de Sense8 pela abordagem política e social que obra apresentava. Ele acredita que a série tenha sido cancelada por falta de recursos para arcar com o custeio das filmagens, que eram realizadas em diversos países. Alan soube da notícia por meio de páginas e sites especializados em cinema. “O cancelamento foi inesperado”, ele diz. Após pressão dos fãs da série, a Netflix produziu um último episódio com longa duração para finalizar o enredo da série.

Gabriel Oliveira, fã de One day at time, comenta que a série tinha uma ótima qualidade em todos seus aspectos técnicos, mas que mesmo assim a Netflix recorreu ao cancelamento. “Os showrunners da série já haviam se pronunciado nas redes sociais, dizendo que a série precisava de mais espectadores, o que já indicava a relutância da Netflix”, diz. Ele explica que soube da notícia através de um post no Twitter de um dos showrunners, que era uma carta aos fãs agradecendo por todo o apoio ao longo dos anos. Após meses de muita insatisfação, a produção foi comprada e “resgatada” pelo Canal PopTV, que produzirá as próximas temporadas. A Netflix


Imagens: Netflix/Reprodução

impôs diversas restrições, mas para a alegria e alívio dos fãs a série continuará. Outras produções não tiveram um final tão feliz e permaneceram canceladas, como Everything Sucks e The OA, os motivos também envolvem falta de audiência ou altos custos. Ana Luiza Otrente, estudante de jornalismo, aponta algumas contradições nessa alegação acerca de Everything Sucks. “A justificativa foi devido ao baixo público e a Netflix alegou que muita gente não chegou nem a terminar o primeiro episódio, mas 13 Reasons Why, uma série altamente irresponsável, também sofreu com isso nas temporadas seguintes e a Netflix segue produzindo”.

ENTENDENDO O MODELO DE NEGÓCIOS

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enrique Silva Pereira é doutorando em Comunicação Social pela Unesp de Bauru e faz comparações para explicar o motivo de diversas séries serem canceladas: “a Netflix, assim como um canal ou emissora de televisão, cancela algum produto a partir do momento em que este não dá o retorno financeiro esperado”. Henrique explica que a diferença está no fato em que canais de televisão costumam a mirar em um público alvo mais genérico nas suas produções, enquanto a Netflix atende a demanda de públicos de nichos mais específicos.

A falta de audiência, uma das principais alegações da empresa de streaming Netflix para cancelar séries, não é um dado acessível para o público. “A questão da transparência da Netflix é algo bem questionado tanto pelos usuários da plataforma como também pelos produtores de conteúdo que atuam diretamente com a empresa”, explica o doutorando. Diferentemente dos canais de televisão tradicionais nos quais institutos de pesquisa medem a audiência e divulgam os resultados, a Netflix tem acesso direto e em tempo real ao que seus telespectadores assistem, isso permite que dados sejam escondidos ou usados em interesses próprios da empresa.

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POR DENTRO DA NETFLIX

“Lá é super legal, o teto é cheio de telas de televisão que atheus Dias, estudan- ficam passando trailers de séte de jornalismo da ries da Netflix. O prédio é muito Unesp, teve a opor- bonito, todas as salas de reunião tunidade de visitar a Netflix têm o nome de alguma série, há Brasil em um estágio de férias uma de Stranger Things, por com um recorte étnico-racial exemplo”. Matheus conta que chamado Melhor Estágio do haviam prateleiras com muitas Mundo. “Neste estágio éramos comidas e doces que as pessoas em sete pessoas negras e fazía- podiam pegar à vontade, além mos programas de inclusão nas de terem recebido produtos organizações”. Ele conta que fi- como copos da Netflix, cartão zeram visitas a algumas empre- da marca, entre outras coisas. “Nós perguntamos sobre as sas e startups famosas, sendo a Netflix uma delas. “A visita foi séries que eles produzem e uma das diretoras de arte da Netflix, surreal”, comenta.

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que inclusive estava à frente da série 3%, explicou muita coisa”. Matheus perguntou para ela sobre o processo de quando a Netflix decide fazer alguma série. Segundo o estudante, a diretora de arte comentou que quando uma série é produzida pela empresa ela possui três temporadas já programadas desde o começo. Geralmente, a primeira temporada é escrita completamente e já são programados ganchos para as outras duas possíveis temporadas. Muitas das séries produzidas pela empresa de streaming


Imagens: Netflix/Reprodução

vão até a terceira temporada, só é produzida uma quarta temporada para as séries que conquistaram muito sucesso, como é o caso de Stranger Things.

Pereira ressalta que “é importante para a Netflix criar novas séries e mantê-las em novas temporadas, ela precisa pensar em estratégias para se destacar entre essas outras empresas”. DESAFIOS NO Em meio ao aumento da HORIZONTE competição a Netflix está adquirindo empréstimos supemazon, Disney, HBO, riores a 18 bilhões de dólares, Apple e até mesmo a para que assim possa sustentar Rede Globo lançaram a criação de novas produções e suas próprias plataformas manter as sequências das que já de streaming, tornando este foram lançadas. mercado antes dominado pela Seja qual for a sua série Netflix cada vez mais compe- favorita, mais uma mudança titivo. Neste sentido Henrique está para acontecer no merca-

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do de streaming: o lançamento da plataforma Disney+ irá remover diversos conteúdos da Netflix, incluindo filmes da Marvel e animações da Disney, neste mercado com múltiplas plataformas as empresas devem se tornar mais agressivas para cativar clientes. A consequência dessa maior concorrência entre as plataformas de streaming é uma fragmentação dos mercado e o aumento do custo para o consumidor final, que passa a ter que pagar assinaturas de várias marcas para ver tudo que gosta.

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Doctor Who: um universo Letícia Alves e Rafaela Thimoteo A primeira grande explosão da série

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Imagem: The Gear Page e New Evolution

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lienígenas, viagem no tempo e espaço, ficção científica, robôs, vilões, mitos, mistérios, drama e até humor. Doctor Who é uma série britânica transmitida pela BBC que reúne todas essas características e muito mais. Lançada originalmente em 1963, a série conta as histórias vividas pelo personagem Doctor* (em português Doutor), um Time Lord* (Senhor do Tempo) vindo do planeta Gallifrey, e seus companions, humanos que ele convida para viajar no tempo com ele a bordo de sua nave TARDIS*. Desde o lançamento da série clássica, como é conhecida a versão dos anos 60 até 1996, Doctor Who foi um grande sucesso no Reino Unido, e rendeu décadas de temporadas, um filme, e até hoje conquista fãs mundialmente. A série atual, (de 2005) continua contando as aventuras do Doctor e seus companheiros pelo universo utilizando tecnologias e enredo mais moderno, porém mantendo a essência do seriado. Com décadas de transmissão, Doctor Who possui episódios dos mais variados, inclusive fazendo referências históricas a 2ª Guerra Mundial, por exemplo, e também encontros com figuras importantes da nossa cultura como William Shakespeare, Agatha Christie e Vincent Van Gogh.


~ em constante expansAo A fórmula perfeita de Doctor Who Além da história cativante, uma das peculiaridades de Doctor Who é que o personagem principal “não morre”. Ele não é imortal, mas os timelords se regeneram, ou seja, quando a vida dele está em grande risco ele modifica seu corpo e personalidade por inteiros, mantendo sua essência interior. Isso possibilita que o ator responsável pelo papel principal seja “substituído” quando necessário. O Doctor, estreou com o ator William Hartnell no papel principal, e hoje está em sua 13ª regeneração sendo protagonizado por Jodie Foster, a primeira mulher em 56 anos de série. Para Isabela Calanca, 20, fã da série, “a regeneração do Doctor contribuiu para duração da série. Mesmo que um determinado ator não possa continuar no papel, a série ainda pode continuar. Além disso, cada Doctor e cada companion tem uma personalidade diferente, então a série sempre se renova, mas mantém elementos que os fãs já conhecem e gostam”. André Magalhães, 23, também é muito fã e diz que a série encontrou uma fórmula bastante inteligente. “São aventuras e histórias para todo tipo de público e o Doctor é um personagem muito icônico, não importa quem esteja interpretando”. Na opinião de Angela Spadari, 20, por ser do gênero sci-fi e envolver viagem no tempo é “quase impossível para série se esgotar, o limite é a imaginação dos roteiristas”. Para ela, o que realmente possibilita a longevidade da série é também o fato de poder mudar toda a equipe de tempos em tempos. “A regeneração abriu espaço para série nunca acabar, já que dá uma desculpa para trocar o ator, mas manter o personagem principal”.

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E NÃO PARA POR AÍ: SPIN OFF’S, LIVROS E PRODUTOS

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Imagens: Amazon/Reprodução

m das características do universo de Doctor Who é o de que ele não se restringe apenas aos episódios clássicos e atuais. Muitos personagens marcantes ganharam seus próprios espaços em spin offs, seja séries derivadas do universo central, como As aventuras de Sarah Jane(2006) que narrava episódios de uma antiga companion, Torchwood(2006) que segue as aventuras de um pequeno grupo de caçadores de extraterrestres e a mais recente Class(2016) que acompanhou quatro alunos de uma escola muito citada em Doctor Who, a Coal Hill Academy. Muitos fãs como a Kivya Marin, 22 e o André Magalhães, 23, acompanharam Torchwood, que trouxe revelações e referências do universo do senhor do tempo. Já Ana Massa, 26, conta que mesmo fã da série, não teve muita paciência pra ver spin offs. “Eu acho meio chato, não me atrai” ela conta. Isabela Calanca, 20, que conheceu a série ainda no ensino médio conta que assistiu apenas Class, série que por baixa audiência acabou sendo cancelada.

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O universo expandido de Doctor Who é imenso, ele conta com histórias em áudio e centenas de livros de diversas coleções. No Brasil, 7 títulos foram lançados e a Angela Spadari e a Isabela Calanca possuem alguns títulos. Os produtos da série também estão disponíveis em diversas lojas no país: A Kyvia possui camisa, miniaturas, livros, quadros, assim como André, que além de tatuar uma TARDIS no braço, possui miniaturas, calendários, Funkos e livros. Já Ana possui uma mochila da TARDIS e conta que adquiriu um item famoso na série: “Tenho uma chave de fenda sônica* do Peter Capaldi (12º Doctor), se bem que ele quase não usou, usou mais os óculos. Na época ainda era super novidade e tive a oportunidade de comprar”. Além desses, o universo expandido ainda possui games, comics e várias histórias animadas em webcasts que você pode encontrar em diversas fanbases online.


DE FÃ PARA FÃ: QUAL SEU DOCTOR E COMPANION FAVORITO(S)? “David Tennant (10º Doctor) porque tem uma postura leve, brincalhona mas ainda tem sua seriedade sobre seus ideais. Companion seria a Amy com o Rory, pois sinto que eram a família do Doctor e essa ligação foi a que mais me tocou”. Kivya Marin, 22, Estudante de Design.

“Eu não tenho um Doctor favorito. Gosto do Matt Smith (11º Doctor) porque ele foi o primeiro que gostei, do Peter Capaldi (12º Doctor) pois ele é “diferentão” e gosto muito da Jodie (13º Doctor), porque ela é a primeira mulher e é muito caris“É difícil escolher um favorito, porque desde o mática”. 10º, eu sempre acabo gostando dos detalhes, dos Ana Massa, 26, Designer. discursos, da personalidade de todos os Doctors. Se eu tiver que escolher um, eu diria o 11º, interpretado pelo Matt Smith. Já a companion, tenho um carinho especial pela Rose, Amy e pela Clara, “A resposta sempre varia, mas mas, eu diria Amy Pond. Adoro a dinâmica dela no momento o 12º é meu Doccom o Doctor e adoro quando o Rory começa a tor favorito, me identifico muito com ele e foi o primeiro viajar com eles”. Isabela Calanca, 20, Estudante de Jorna- Doutor que acompanhei desde a escolha do ator até a regelismo. neração. Das companions gosto Gosto de todo mundo, mas meu Doctor favorito muito da Romana, por conta de é o 10º, do David Tennant. A personalidade dele seu arco narrativo que desconsfoi o que prendeu a minha atenção na série, era trói o que seria um Senhor do um personagem fantástico. Minha companion Tempo, além dela ter o mesmo favorita é a Clara, ela também é uma personagem background que o Doctor e ser muito bem desenvolvida e foi muito importante melhor que ele quando se trata nos arcos das temporadas em que participou. de pensar racionalmente”. André Magalhães, 23, Jornalista. Angela Spadari, 20, estudante de Rádio, TV e Int.

*GLOSSÁRIO: Doctor: Personagem principal da série, seu nome nunca é revelado, portanto sempre o chamam de Doctor, que dá nome à série. Suas principais características são: possui dois corações, pode se regenerar e viajar pelo tempo e espaço. TARDIS: Abreviação de Time and Relative Dimensions in Space (Tempo e Dimensões Relativas no Espaço), é a nave espacial utilizada pelo Doctor para suas viagens. Ela possui a aparência de uma cabine de polícia londrina dos anos 60 devido ao seu “sistema camaleão” que a camufla para o público. Pequena por fora, mas por dentro é imensa. Companheiros (geralmente humanos) que o Doctor encontra e convida para viajar com ele ao longo da série. Chave de fenda sônica: Ferramenta muito utilizada pelo Doctor que possui infinitas utilidades.

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A IMPORTÂNCIA DO PROTAGONISMO NEGRO NA TELEVISÃO Letícia Pinho

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uem nunca deu boas gargalhadas com “Um Maluco no Pedaço”, “Eu, a Patroa e as Crianças” ou “Todo Mundo Odeia o Chris”? Essas são apenas alguma das séries americanas de protagonismo negro dos anos 1990/2000 que abordam, cada uma à sua maneira, as vivências pessoais e coletivas de pessoas negras em diferentes classes sociais e, por vezes, sobre como o racismo se

manifesta na vida de cada uma delas. O fotógrafo e integrante do movimento negro Matheus Henrique Santos diz que considera de extrema importância a visibilidade que essas séries dão aos seus personagens, “humanizando as pessoas negras, mostrando que elas tem sentimentos, dores, sonhos, medos e humor”, explica. “A diferença entre séries cômicas com protagonistas brancos e negros é

bem explícita”, destaca o estudante de engenharia e membro do Coletivo Negro Kimpa, Pedro Afonso. “E antes, o preto que morria primeiro no filme de terror ou que só estava na série para ser engraçado, é o protagonista! Existem filmes com elenco todo preto, e isso é muito importante”, completa Pedro. A Ctrl Geek trouxe um pouco das séries mais famosas da TV que abordam o tema:

Imagem: Internet/Reprodução

UM MALUCO NO PEDAÇO

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“The Fresh Prince of Bel-Air” ou “Um Maluco no Pedaço” (1990-1996) conta a história de Will (Will Smith), que é mandado por sua mãe para morar com seus tios Phillip (James Avery) e Vivian (Janet Hubert-Whitten) numa mansão em Bel-Air, para que possa ter uma educação de alto nível. Na casa também moram suas primas Hillary (Karyn Parsons) e Ashley (Tatyana Ali) e seu primo Carlton (Alfonso Ribeiro), além do mordomo Geoffrey (Joseph Marcell). A adaptação de Will é complicada, já que ele é um garoto do subúrbio vivendo em meio à classe alta. Com o tempo, ele aprende que precisa se adaptar à nova vida e aos costumes da família, e vai procurando se entender com os parentes apesar de suas diferenças.


EU, A PATROA E AS CRIANÇAS

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“My Wife and Kids” ou “Eu, a Patroa e as Crianças” (2001-2005) explora a vida da família Kyle, composta por Michael (Damon Wayans), Jay (Tisha Campbell-Martin) e seus filhos Junior (George O. Gore II), Claire (Jennifer Nicole Freeman) e Kady (Parker McKenna Posey). Com personagens de características marcantes e diálogos recheados de sarcasmo e ironia, a série explora de forma leve e engraçada assuntos como gravidez não planejada e crises no casamento. Os Kyle são o retrato da ascensão social: o primeiro filho, Junior, nasceu quando Jay tinha 17 anos e ela e Michael ainda estavam na escola. Ambos conseguem organizar suas vidas, se casam e se tornam donos de uma empresa de transportes em Connecticut, alcançando estabilidade financeira.

Imagem: Internet/Reprodução

TODO MUNDO ODEIA O CHRIS

É num apartamento em Bed-Stuy (só doido vai!), no Brooklyn, que o comediante Chris Rock ambientaliza suas memórias. Interpretado por Tyler James Williams, Chris vive com sua mãe Rochelle (Tichina Arnold), seu pai Julius (Terry Crews) - que tem dois empregos - e seus irmãos Drew (Tequan Richmond) e Tonya (Imani Hakim). Em “Everybody Hates Chris” ou “Todo Mundo Odeia o Chris” (2005-2009), o protagonista conta sobre sua vida no bairro em que mora e também na escola, onde é o único aluno negro e diariamente atormentado por Caruso (Travis T. Flory), de quem tenta fugir ao lado do melhor amigo Greg (Vincent Martella).

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A sensibilidade na animação

Conheça o estúdio Kyoto Animation e saiba porque ele que se destacou no mercado de animes Letícia Alves

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róximo de completar 40 anos de história, o estúdio de animação Kyoto Animation que foi responsável pela produção de diversos animes que causaram impacto pelo mundo, foi palco de um incêndio criminoso que matou 35 pessoas e feriu 33 no mês de julho de 2019. A notícia causou grande repercussão, pois trata-se de um estúdio conhecido entre as pessoas que gostam de animações japonesas. Mas você sabe porque o Kyoto Animation gera tanto impacto dentro e fora do Japão? A resposta parte não apenas de suas produções, mas também da forma como ele se estrutura como empresa. Este estúdio foi criado no ano de 1981, pelo casal Yoko Hatta e Hideaki Hatta. Juntos fundaram a Kyoto Animation como uma companhia limitada que se tornou uma corporação no ano de 1999. É um estúdio conhecido por contratar mais mulheres para a produção em relação aos outros, o que acaba refletindo em suas produções que são mais sensíveis e possuem personagens femininas fortes e não objetificadas. Dentre suas produções KyoAni como é conhecido, colaborou com outros estúdios em grandes nomes no cenário dos animes como o clássico cyberpunk Akira (1988), a série InuYasha (2000) e na ilustração de diversos outros nomes, como por exemplo o anime clássico Neon Genesis Evangelion (1995) e animações do Estúdio Ghibli.

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Gabriel Cantuária acompanhou algumas produções do estúdio, os animes Lucky Star (2007) e K-on (2009). Para ele, “A principal diferença entre esse estúdio e outros, é que ele foca em animes sobre a vida cotidiana, sem aquela coisa de poderes, lutas, etc e também em protagonistas femininas”. De fato, as produções autorais do estúdio conseguem priorizar suas personagens, e também a qualidade gráfica da animação, trazendo consigo histórias com uma pegada mais dramática e mais humana. A voz do silêncio por exemplo, foi um filme lançado em 2016, e trata de assuntos como o bullying e o suicídio, com uma personagem principal deficiente auditiva. Já o anime Violet Evergarden (2018), que está disponível na plataforma Netflix, conta a história de uma menina que busca em um cenário pós-guerra, o significado da palavra amor. O estúdio conta com diversos animes e vale a pena conferir! Até o momento, a Kyoto busca se recuperar da tragédia recente para voltar às suas atividades e levar para o público mais animações com ótimas produções.

Violet Evergarden (2018)


Anima b

Conheça mais sobre os nacionais e seu Fellipe Gualberto

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animação brasileira está mais viva do que nunca. Esse mercado que ganhou fôlego após a indicação de O menino e o mundo ao Oscar (em 2016) hoje em dia conta com séries veiculadas em canais internacionais, como Gloob e Cartoon Network, por exemplo. Apesar de ainda ser uma área instável e muito dependente do incentivo estatal, os profissionais estão encontrando formas de cativar o público e criar uma base consumidora para manter o mercado. Lena Franzz é diretora de animação de Irmão do Jorel - maior destaque da animação nacional - desenho que já foi exportado para toda a América Latina e os Estados Unidos. A animadora fala sobre como tornar as produções nacionais mais atraentes: “acho que temos diversas formas e para mim a principal é através de uma comédia que o público se identifique”. Ela acrescenta a importância de inovar: “devemos parar um pouco de seguir os moldes de tudo que foi feito, usar personagens reais e não estereotipados. Pensar

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qual o diferencial do teu produto, por que alguém gostaria de assisti-lo”. Além de trabalhar em Irmão do Jorel, Lena também dá aulas na EEC (Escola Estúdio de Animação), esta é uma iniciativa do Ministério da Cidadania e da Prefeitura do Rio de Janeiro criada para oferecer gratuitamente cursos a jovens de 15 a 24 anos, capacitando-os a produzir animações. Para os interessados em trabalhar na área ela explica que conta muito conhecer o software usado pelas empresas, na maioria dos casos o Toon Boom Harmony. “Repito para meus alunos praticarem os exercícios de princípios, de caminhadas, corridas, saltos... Apresentar esses exercícios bem feitos a uma empresa é um ótimo começo e é a base do nosso trabalho” diz. A animadora por último também explica que, além de ter uma boa formação, é essencial determinação para entrar na área: “talvez a dica principal é não se desanimar por um não, continuar sempre estudando e continuar sempre tentando entrar no mercado”.

Imagens: Cartoon Network/Reprodução


brasil

desenhos animados us criadores

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ena traçou seu próprio caminho para dentro do mundo da animação. Depois de se mudar para o Rio de Janeiro em 2011, a artista que sempre tinha gostado de desenhar teve contato com as publicações do estúdio 2dLab nas redes sociais, prestou um processo seletivo, e foi contratada. Antonio Linhares, de outra maneira, cursou Audiovisual na USP e fez especialização em animação pelo curso Animation Mentor, atualmente ele trabalha como co-diretor da animação Oswaldo, do Cartoon Network. Antônio conta que desde pequeno gostava de desenhar, mas que a real motivação para trabalhar na área veio depois de comparecer ao festival Anima Mundi no ano 2000: “A variedade de estilos e histórias que vi no festival explodiu minha cabeça e me despertou a vontade de estudar animação”.

Quando perguntado sobre qual a saída para se atrair mais público o animador respondeu: “acho que é essencial os autores e diretores se colocarem nas histórias, não tentarem cumprir fórmulas de sucesso. Ter visão comercial é importante, mas é preciso ser autêntico”. Antônio acredita que a questão financeira é um problema nesse mercado: “A animação no Brasil ainda é carente de formação e de investimento, público e privado. O surgimento do desenho Oswaldo e tantos outros foi resultado de incentivos como o do Fundo Setorial da Ancine e também o interesse dos canais por desenhos brasileiros”. Por fim o desenhista diz sobre o tratamento que deve ser dado aos telespectadores: “acho que as séries feitas para crianças não podem subestimar quem assiste, precisam explorar temas além dos convencionais”.

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HISTÓRIAS QUE ESSAS ANIMAÇÕES CONTAM Irmão do Jorel: o desenho acompanha um protagonista sem nome, conhecido apenas como Irmão do Jorel, em referência ao seu irmão mais velho que arrasa em tudo que faz além de ser bonito e ter um cabelo que chama a atenção de todas as garotas. Com um humor cativante e abusando de referências a cultura brasileira, Irmão do Jorel é uma animação na qual você pode acompanhar um episódio que se passa em uma festa junina, ou a aventura de quando uma avó leva seu neto para a escola. As narrativas são típicas de uma família brasileira dos anos 80 e com certeza você vai se identificar em algum ponto. Oswaldo: Pedro Eboli, o criador da série, se inspirou na sua infância no Rio de Janeiro para criar o pinguim que é o protagonista do desenho. A ideia de usar esse animal para o papel é de passar a personalidade nerd, desajeitada e deslocada do personagem, assim como um pinguim se sentiria em um país tropical. Enquanto se assiste esse desenho pode-se ver Oswaldo alugando fitas em uma locadora, acompanhando seus amigos na escola, jogando RPG, e várias outras referências a jogos e filmes dos anos 90.

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Imagens: Cartoon Network/Reprodução


GRANDES

PLOT TWISTS do cineMA Letícia Pinho Você já assistiu algum filme com uma reviravolta tão impressionante que deixou seu cérebro prestes a explodir? Essa reviravolta, que nós conhecemos como plot twist, está presente em vários filmes e é um formato de narrativa muito querido dos cinéfilos. Então nós separamos uma lista com 10 filmes que trazem grandes plot twists do cinema, pra você assistir e ficar várias noites sem dormir! Se liga:

PSICOSE (Alfred Hitchcock, 1961): Durante a fuga

após roubar 40 mil dólares para se casar, Marion Crane (Janet Leigh) enfrenta uma forte tempestade que a obriga a passar a noite no hotel de Norman Bates (Anthony Perkins). O que era pra ser apenas uma estadia tranquila se transforma numa noite de horror.

CLUBE DA LUTA (David Fincher, 1999): Jack

(Edward Norton) é um jovem executivo que está insatisfeito com sua vida e, para piorar, está sofrendo com uma crise terrível de insônia. Ele então conhece Tyler Durden (Brad Pitt), que acredita que a adrenalina é um ótimo remédio para tudo. Juntos, os dois criam o Clube da Luta, um grupo que promove brigas violentas.

O SEXTO SENTIDO (M. Night Shyamalan,

1999): Cole Sear (Haley Joel Osment) é um garoto de 8 anos que vê o espírito de pessoas mortas e acaba contando isso para seu psicólogo, Malcolm Crowe (Bruce Willis). O profissional tenta, então, ajudar Cole a descobrir o que está por trás de seus distúrbios.

AMNeSIA (Christopher Nolan, 2000): Leonard Shelby

(Guy Pearce) está atrás do estuprador e assassino da sua esposa e promete vingar o crime, mas ele sofre de uma forma rara de amnésia que o impede de adquirir novas memórias. Isso o leva a adotar formas particulares de gravar e relacionar as informações que tem.

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OLDBOY (Park Chan-wook, 2003): Oh Dae-su (Choi Minsik) é raptado e mantido em cativeiro por 15 anos num quarto que tem apenas uma televisão, onde ele descobre que está sendo acusado de matar a própria esposa. Quando finalmente é libertado, ele quer apenas vingança.

ILHA DO MEDO (Martin Scorsese, 2010): O de-

CISNE NEGRO (Darren Aronofsky, 2010): Nina

(Natalie Portman) é uma bailarina obcecada pela dança que é cotada para substituir a primeira bailarina da companhia, que está para se aposentar. Pressionada pelo diretor, Nina vê em suas colegas uma concorrência desleal e, para superá-las, torna-se uma bailarina assustadoramente perfeita.

A PELE QUE HABITO (Pedro Almodóvar,

Imagens: AdoroCinema/Reprodução

tetive Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) vai até um hospital psiquiátrico investigar o desaparecimento de uma assassina. Teddy até tenta buscar mais informações, mas os médicos resistem em lhe fornecer os arquivos necessários. Em meio a tudo isso, uma rebelião se inicia.

2011): O cirurgião Roberto Ledgard (Antonio Banderas) vive numa mansão de luxo com uma mulher misteriosa. Um evento traumático põe em cheque o estranho relacionamento que os dois mantêm, revelando um personagem marcado por obsessão e vingança.

GAROTA EXEMPLAR (David Fincher, 2014): Amy Dunne (Rosamund Pike) desaparece no dia de seu quinto aniversário de casamento com Nick (Ben Affleck). Sendo o principal suspeito da polícia, Nick procura o apoio de sua irmã gêmea Margo (Carrie Coon), enquanto tenta provar sua inocência e descobrir o que aconteceu com a esposa.

NoS (Jordan Peele, 2019): Adelaide (Lupita Nyong’o) e Gabe

(Winston Duke) viajam com a família para um passeio na praia e ficam numa casa de veraneio. No entanto, durante a noite, quatro figuras cercam o local e os quatro se tornam reféns de seres com aparências iguais às deles.

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SUCESSO NO BRASIL, TORMENTA ARRECADA A meta inicial era 80 mil reais e foi atingida em uma Caroline Doms

gadores brasileiros e hoje possui quadrinhos, romance e os jogos de RPG, é claro. Neste ano a série completa 20 anos. Para comemorar as s livros-jogos, também conhecidos como duas décadas de publicação, a Jambô Editora aventura solo, são elementos funda- lançou uma campanha de financiamento colementais para as partidas de RPG (Role- tivo com o objetivo de arrecadar 80 mil reais. -playing Game). O contexto de cada história e Entretanto, os organizadores foram surpreenas regras são descritos nesses livros e, a partir didos e o valor arrecadado no site Catarse chedeles, os jogadores conseguem se inserir na fic- gou a 1,9 milhão. O projeto foi apoiado por mais ção, se tornam os personagens e decidem qual de 6 mil pessoas de diferentes idades e gêneros. caminho a narrativa deve seguir. Esse gênero de O editor-chefe da Jambô, Guilherme Dei livro surgiu entre os anos de 1960 e 1970, mas só Svaldi, conta que a editora não precisava do fise tornou sucesso na década de 80, com o lan- nanciamento para publicar o novo livro. Entreçamento da série inglesa Aventuras Fantásticas. tanto, “o financiamento coletivo de Tormenta20 No Brasil, a Jambô Editora possui diversas não era sobre o valor, mas sim sobre fazer algo publicações para os jogadores de RPG. Dentre diferente” para os fãs. Ele explica que a editora delas está Tormenta, uma série de livros-jo- percebeu que “Tormenta só tinha chegado onde gos produzidos para guiar os participantes nas estava por causa dos fãs, que sempre apoiaram o partidas e levá-los a um universo cheio de fan- material e que era justo que eles pudessem partitasia. A série foi criada em 1999 e inicialmente cipar da produção do livro”, completa. Guilherme era apenas um cenário para os jogos de RPG, afirma que a ideia do crowdfunding foi mais pelo mas com o tempo ganhou espaço dentre os jo- lado do coletivo do que pelo financiamento em si.

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Imagem: Jambô Editora/Reprodução

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MAIS DE UM MILHAO DE REAIS EM FINANCIAMENTO hora. Ao todo, mais de seis mil pessoas contribuiram Além disso, os fãs que apoiaram o projeto vão participar da produção do livro e receberão algumas recompensas de acordo com o valor da contribuição. O nível inicial, cuja ajuda é de 10 reais, proporciona ao apoiador poder de voto nas enquetes. A partir de 50 reais, o fã recebe a versão digital da publicação, o nome nos créditos e também pode opinar nas enquetes. Dei Svaldi conta que a editora se preocupou em “oferecer algo para todos, desde os que procuram um material luxuoso, até os que buscam algo mais simples”. Ele também afirma que os apoiadores participarão da construção do Tormenta20 de várias formas: os principais elementos do livro serão decididos por meio de votação nas enquetes e as regras vão ser definidas a partir do feedback do público. Guilherme nos conta que “diversos personagens do livro serão batizados de acordo com o nome de personagens dos apoiadores”, e essa é outra maneira dos apoiadores participarem do livro. O financiamento no Catarse era tudo-ou-nada: ou eles arrecadavam o valor da meta, ou não

continuariam com o Tormenta20. Para a surpresa dos produtores dos livros, o crowdfunding ultrapassou a meta e arrecadou mais de 2000% do que foi estipulado. Guilherme conta que “foi uma alegria muito grande confirmar o quanto o público brasileiro está disposto a apoiar um material feito por brasileiros, desde que produzido com profissionalismo e qualidade”. Como o financiamento foi bem-sucedido, o editor afirma que os leitores receberão alguns benefícios, como a Iniciativa T20 – uma plataforma online que permite a publicação do material dos fãs – e um curta-metragem em live action sobre o Tormenta. Embora o novo livro contenha muitas novidades, Guilherme Dei Svaldi afirma que as regras básicas do jogo continuarão as mesmas. O jogo é novo, mas a essência é desses 20 anos será mantida. O lançamento do Tormenta20 está programado para o início de 2020 e, enquanto isso, os fãs podem acompanhar as novidades na hashtag #Tormenata20 e nos perfis da editora e dos escritores nas redes sociais.

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Adaptando Anne Hernandes

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o mundo do cinema várias obras são adaptadas da literatura. Por conta disso, só de pensar nessa temática já vêm a cabeça algumas das adaptações mais famosas: Harry Potter, Senhor dos Anéis, O iluminado, A lista de Schindler, O Poderoso Chefão, dentre muitas outras. Tratando do ponto de vista da produção do roteiro de obras com esse formato, entramos numa questão muito recorrente: a expectativa dos fãs pela similaridade entre sua obra literária favorita e a produção de cinema que surgirá dela. Afinal, quem nunca se pegou elogiando ou criticando um filme ou série por ter ou não aspectos da obra em que se inspirou? Bianca Araujo ama ler e possui um Instagram de divulgação de livros com mais de 6 mil seguidores. Dentre as suas leituras, várias foram adaptadas e por isso, ela já teve diversas experiências com esse tipo de produção cinematográfica. “Quando se trata de passar bem a mensagem e história dos livros, creio que depende da adaptação. Acredito que a ideia central consegue ser passada, mas os detalhes e sentimentos que o livro traz ao leitor são únicos. Infelizmente alguns filmes acabam distorcendo muito as mensagens e história dos livros, e outros acabam deixando a desejar”, opina. Sob o aspecto da produção de um roteiro, o ideal é que a

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mensagem central da história seja transmitida, e apenas partes que não prejudiquem a trajetória da narrativa sejam cortadas, de acordo com o universitário Gabriel Oliveira, responsável por roteirizar, junto com Letícia Bonatelli, o conto A marca na parede de Virginia Woolf para a disciplina de Rádio,Tv e Internet da Unesp.

“Quando se traduz algo de uma mídia para outra você não está apenas traduzindo o diálogo ou a descrição do ambiente, mas a própria importância que aquela cena tem que ter na história. Você tem que traduzir o caminho pelo qual a história vai seguir para que a audiência também possa segui-lo”, diz. O estudante ainda afirma que o roteirista deve ter autoridade para realizar uma seleção, quando se trata das cenas. “O roteiro, como um guia da expressão da cena, tem que trabalhar exatamente isso: o que o espectador vai sentir ao ver determinada cena. Se o roteirista sentir que não precisa de uma cena que há na obra original ou que não há uma razão narrativa ou emocional para ela existir, é dever dele saber cortá-la”, ele ressalta CRIAÇÃO LIVRE A liberdade criativa dentro de uma produção que será baseada em uma obra literária é um fator muito importante. É necessário lembrar que uma adaptação, como o próprio nome diz, não tem que ser uma cópia do original. Isso acontece porque nem sempre é possível passar todos os elementos das páginas para as telas, já que o tempo é um fator limitante no cinema. Às vezes, os cortes também são necessários para dar ao produto audiovisual uma narrativa


livros mais fluida.“Uma obra literária longa pode ser adaptada para série de TV com várias temporadas ou mesmo em franquia cinematográfica. O complicado é visualizar todas as partes da obra literária como um produto audiovisual, eventualmente algo poderá ser cortado ou uma cena adicionada para favorecer o ritmo narrativo que se quer passar na TV, cinema, internet”, explica Letícia Bonatelli. Um exemplo nítido disso, foi a trilogia O Senhor dos Anéis que teve a produção de versões estendidas de seus três filmes (que somam quase 10 horas) para que os fãs pudessem apreciar detalhes do livro que antes foram cortados para no cinema. Outro fator é que o roteirista, apesar de estar de certa forma “limitado”, tem liberdade para interpretar a obra do jeito que achar mais coerente. “A principal diferença entre trabalhar com roteiros baseados em obras literárias e outros tipos de roteiro é você trabalhar dentro de um conjunto já estabelecido de temas e acontecimentos. Ao mesmo que isso restringe a sua liberdade criativa, estimula diferentes interpretações e leituras de uma única obra”, afirma Gabriel. BOA ADAPTAÇÃO Mas depois de tanto lenga lenga, o que uma adaptação deve ter para ser boa? Essa é uma pergunta bem subjetiva,

já que irá variar de fã para fã e de roteirista para roteirista. Enquanto os fãs quase sempre prezam por uma obra fiel à original e sem mudanças radicais, os roteiristas têm diferentes maneiras de trabalhar podendo fazer suas próprias interpretações, ou somente cortar

detalhes que não fazem tanta diferença na narrativa. E nesse processo nem sempre é possível agradar a todos. “De certa forma a expectativa dos fãs pode dificultar, porque você fica preso entre a forma que você achar que vai funcionar melhor a adaptação e entregar um fanservice. Às vezes essas duas coisas podem coincidir e o resultado ser incrível. Esse dilema se torna um desafio e um incentivo a mais para você fazer um bom trabalho. Óbvio que você nunca vai agradar todos os fãs, uma obra literária, seja a narrativa ficcional que for, está sujeita a diferentes interpretações”, afirma Letícia Bonatelli. É importante entender que tanto livros, quanto produções cinematográficas são obras de arte diferentes que não devemos ter preconceito de apreciar, mesmo quando existem diferenças. Bianca diz que não deixa de apreciar filmes por medo de não ter suas expectativas correspondidas. “Acho adaptações literárias para o cinema fantásticas. Adoro ver como foram planejadas as cenas, os personagens e tudo mais. Quando leio imagino como seria o filme da história e ao assistir à adaptação cinematográfica vejo se algo coincidiu com o que imaginei. Às vezes acontecer de me decepcionar, mas sempre corro esse risco e não deixo de assistir aos filmes”, conta Bianca.

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30 Letícia Alves

ANOS DE SANDMAN, O SENHOR DOS SONHOS A HQ transcendeu o gênero e rompeu barreiras, mesclando diversas mitologias, sendo considerada ambiciosa e inovadora

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ocê já ouviu falar sobre Sandman, Morpheu ou Sonho? Criado na mitologia européia, o senhor do sono está no imaginário de milhares pessoas ao redor do mundo e se tornou o personagem central da clássica HQ criada por Neil Gaiman em 1989. Ao longo de seus 30 anos, Sandman conquistou incontáveis seguidores. Durante esse período, teve seus quadrinhos lançados aqui no Brasil, e agora após tentativas falhas do passado, se tornou inspiração para adaptações seriadas da Netflix.

Imagens: Vertigo/Reprodução

Mr. Sandman, bring me a dream!

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O ano é 1986 e a DC Comics publica a série Crise nas Infinitas Terras com 12 histórias de crossovers de personagens pertencentes às Terras Paralelas do Multiverso. Esse projeto incluiu heróis que foram adquiridos de outras editoras e os uniu em um único universo. Em meio à esse cenário, o autor britânico Neil Gaiman (foto abaixo) foi o responsável por reviver sob o selo da Vertigo, o personagem The Sandman criado por Joe Simon e Jack Kirby em 1974. Com um estilo completamente novo e autoral em relação ao antigo personagem, que originalmente usava máscara de gás, uniforme e capa, Gaiman trouxe em sua obra um personagem de pele pálida, cabelos pretos esvoaçantes, corpo esguio e orbes negras com pequenos pontos de luz ao centro. Gaiman incluiu em seu enredo uma mesclagem de mitologia nórdica, grega e também figuras da crença cristã, como Caim, Abel e o próprio Lúcifer, personagem que ganhou destaque entre outros personagens. A primeira edição de Sandman foi lançada oficialmente em 28 de novembro de 1989 e sua última edição foi lançada em 23 de janeiro de 1996 contabilizando 75 volumes.


Enter Sandman Sandman foi introduzido no Brasil pela primeira vez com a editora Globo, que lançou as edições entre os anos de 1989 até 1998 e em 2009 a editora Panini comprou os direitos de publicação da Vertigo. Mayara Alvim de Almeida que teve Sandman como tema de sua dissertação de mestrado, acredita que as publicações no Brasil desempenharam um papel na mudança do perfil dos leitores e das vendas de quadrinhos. Para ela a “publicação de obras como Sandman auxiliaram, também, que se entendesse que há um nicho de mercado para quadrinhos mais “sérios” (muitas aspas aqui) que poderia - e é - ocupado por produções nacionais, inclusive”.

Sweet Dreams are Made of this Recentemente, a atual editora Panini, anunciou a edição especial de 30 anos. Os fãs criaram grandes expectativas, mas algumas versões foram entregues com erros de diagramação. O próprio autor Neil Gaiman lamentou o caso e a editora se comprometeu a corrigir os erros. Kalyl, que comprou uma destas versões com erros disse que “Eu relevei. Acho complicado uma edição que não tem preço acessível ser vendida como edição de luxo vir com esses problemas”, já Bruno Mael que faz Design, configurou como um erro bobo e meio amador. Entretanto ele afirma que “ter erros é algo mais comum do que a polêmica sugere”.

Bruno Mael que é estudante de Design Gráfico, conta que se interessou pelos quadrinhos ainda na adolescência, enquanto ouvia bons comentários de leitores e amigos. “Acho o conceito central da história (os Perpétuos) excelente, e me atrai como o Neil Gaiman faz algo muitas vezes íntimo e humano com personagens fantásticos” ele conta. A internet também contribuiu para que Sandman tenha se popularizado ao longo dos anos: Bruno possui algumas edições, mas leu todas pelo formato PDF. Já Kalyl Farias que é moderador do grupo Sandman Brasil no facebook que conta com quase 4 mil membros, revela que leu pela primeira vez online, pois não haviam edições no mercado brasileiro. Se-

gundo Kalyl “o que me agrada, além de falar sobre mitologia, é que eu vejo verdade no que ele escreve. As histórias dos personagens, suas vitórias e derrotas, falam muito da vida”. Já Mayara sempre foi fã de quadrinhos. Em sua tese de mestrado em Letras ela conta que viu “a possibilidade de estabelecer diálogos entre quadrinhos e literatura, outra velha paixão a qual eu vinha me dedicando com afinco extra durante a graduação”, ela conta. Sua tese aborda Sandman e a sua consolidação e validação cultural dos quadrinhos, além de demonstrar como a obra se constitui como um hipertexto em suas relações intertextuais, e como o enredo constrói uma paródia do cânone literário, como as peças de Shakespeare.

O sonho dos fãs Resta agora esperarmos Um dos grandes desejos dos fãs sempre foi o da adap- por essa adaptação que protação cinematográfica. Tentati- mete tirar o sono dos fãs! vas já haviam sido feitas como a do ator Joseph Gordon-Levitt que iria dirigir e estrelar um filme das HQ’s. O projeto não foi para frente assim como outras tentativas, mas finalmente os fãs terão seu sonhos realizados! A Netflix anunciou em julho de 2019 que Sandman irá se tornar uma série. Para Bruno com a presença do autor na produção e o formato divulgado, a obra pode dar muito certo, e ele espera algo criativo. Kalyl concorda: “Sempre achei que o melhor formato para Sandman seria o de série e com o Neil Gaiman envolvido eu fico Os Perpétuos: irmãos do Sandman com uma expectativa positiva” aspectos do universo na série

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Por onde anda John Green? Jessica Ferreira

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okay?

okay.

uem já era adolescente em 2014 certamente lembra de um escritor de romances chamados John Green, que ficou mundialmente famoso após o lançamento do livro A Culpa é das Estrelas em 2012 e o filme inspirado na obra em 2014. A história conquistou não só os jovens corações apaixonados mas também pessoas de todas as idades e levou multidões aos cinemas do mundo inteiro. Antes do lançamento de A Culpa é das Estrelas, John também publicou best sellers de circulação nacional como Quem é você Alasca? e O Teorema de Katherine, que voltaram ao topo dos rankings

de vendas e obtiveram reconhecimento internacional após o sucesso repentino de Green. Depois disso ele foi premiado e considerado uma das 100 pessoas mais influentes pela Revista Time. Também houve uma febre dos romances ficcionais para adolescentes encabeçada por Green, que foi responsável por incentivar a leitura nos jovens dessa geração. Após o hype que foi A Culpa é das Estrelas, o autor não emplacou mais nenhum sucesso à altura, os fãs foram crescendo e deixando de lado as incríveis histórias de amor e John Green no final acabou ‘saindo de cena’.

Mas afinal... Green ainda escreve? Alguns Infinitos são M a i o r es que outros

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N

o auge dos 42 anos, o autor vive com sua família em Indianópolis, nos Estados Unidos. Junto com o irmão Hanck Green, tem um canal no Youtube que fala sobre diversos assuntos como história, filosofia, política … E fundou a ONG World Suck, que arrecada recursos financeiros e destina para outras organizações sem fins lucrativos. John Green continua fazendo o que faz de melhor, escrever! Embora seus livros não sejam mais uma febre como os primeiros lançamentos, em 2017 foram lançados mais

dois: “Mil vezes Adeus” e “Tartarugas até lá Embaixo”. Apesar de não ser mais o queridinho dos corações adolescentes, com certeza marcou a vida de muitas pessoas da geração Z. A fotógrafa Julia Bernardi, foi uma grande fãs dos livros de Green e explica que encontrou um “certo conforto” nos livros do autor pelo fato deles trazerem parte de uma realidade que a maioria dos jovens não estava acostumada a ver. “Sinto que ter lido algumas das obras dele me fez enxergar e aceitar alguns acontecimentos que eu tive na vida”, diz.


Novos modelos e conceitos de masculinidade Séries como Brooklyn 99 apresentam transformações e quebra estereótipos Felipe Lamellas e Rafaela Thimoteo

Foto: Fandom Transparents

A

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delegacia de polícia mais famosa de Nova York, esconde também uma discussão sobre a questão da masculinidade. Brooklyn 99 é uma série de comédia policial que se passa em uma delegacia da cidade de Nova York e tem como protagonistas seus próprios policiais e funcionários, que a cada episódio desvendam crimes de forma bem humorada e criativa. Para aqueles que já tiveram contato com a série, não é novidade falar que Jake Peralta, personagem central da trama, é um homem diferenciado. Essa afirmação pode soar exagero de fãs mais fanáticos, mas o fato é que a figura de Jake revela um comportamento alternativo a um determinado conceito de masculinidade, que se estende por todos os outros personagens do elenco. Mas vamos por parte. O que seria essa ideia de masculinidade? É difícil encontrar uma única definição para esse conceito, uma vez que se trata de algo bastante subjetivo. Mesmo as-

sim, conseguimos estabelecer uma diferença entre masculinidade e sexo. Podemos dizer que a primeira se restringe mais aos aspectos culturais do indivíduo, já o segundo às características biológicas. O CONCEITO DAS MASCULINIDADES Para Larissa Pelúcio, Livre-Docente em Estudos de Gênero, Sexualidade e Teorias Feministas e professora de Antropologia na Unesp de Bauru, existem várias masculinidades, ou seja, o termo não se caracteriza apenas pelo gênero. “Estão implicados nessa definição questões relativas ao pertencimento de classe, marcadores geracionais (se a pessoa é mais velha ou jovem) e também históricos, pois o que era masculinidade nos anos 40, por exemplo, é diferente do que é hoje”, comenta. Para ela, a masculinidade é construída para ser um lugar de poder, de controle, dominação, que organiza de maneira hierárquica as relações sociais, levando em consideração as sociedades ocidentais. Esse tema chamou a atenção do estudante de relações públicas, César Collino, que está desenvolvendo o seu Projeto de Conclusão de Curso (TCC) sobre essa questão. César procura realizar uma análise do


Foto: Diário de Seriador/Reprodução

do eu comecei a estudar gênero eu tinha uma visão muito crítica sobre isso, de que não tinha solução, mas na hora desse TCC eu quis fazer alguma coisa positiva e a série me deu uma janela para isso”, completa ele. Sobre Brooklyn 99, Larissa Pelúcio elogia e a caracteriza como exceção, já que ainda existem muitos outros seriados que reiteram o modelo violento de masculinidade, aquele que não fala das suas emoções e sentimentos, como se isso não fosse próprio do ser humano, como se fosse só função das mulheres. Modelos assim ainda são a maioria, são mais procurados e muito mais vendáveis. CONTRA A Para a ela, a iniciativa da MASCULINIDADE série é boa, entretanto não é o TÓXICA suficiente para transformar a estrutura patriarcal, pois para César conta que Brooklyn isso é preciso haver um pro99 pode ajudar nessa escolha, cesso coletivo que questiona uma vez que a série possui uma a problemática, e demanda visão positiva sobre uma nova a ação de políticas públiforma de masculinidade hege- cas que envolvam tanto o mônica, que preza muito pela Estado, a escola, família e igualdade de gênero, mostran- instituições como a mídia, do assim outras possibilidades que exerce um papel imde masculinidade, que não a portante na construção patriarcal, por exemplo. “Quan- da masculinidade.

Foto: Fandom Transparents/Reprodução

discurso da masculinidade em Brooklyn 99, utilizando em sua pesquisa duas grandes teorias: a de análise do discurso e a de gênero. Para ele estamos vivendo atualmente uma crise desse conceito de masculinidade até então hegemônico, que começou a ser questionado com os estudos de gênero e movimentos sociais, como o Feminismo. “A pergunta é qual a próxima masculinidade vai ser a hegemônica? Como nós homens vamos nos definir? Eu acredito que a gente precisa como homem, discutir e decidir, qual vai ser essa próxima definição de masculinidade”, explica ele.

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homens quanto mulheres são afetados, pela violência doméstica e urbana, abusos de poder, encarceramento masculino, genocídio da juventude negra, prevenção da saúde entre homens, etc. Segundo ela, pequenos comportamentos convencionais, como exemplo, a maneira de um menino se vestir ou de uma menina brincar, podem influenciar atitudes de violência e discriminação. Por fim, a professora diz que é interessante a forma com que PREJUDICIAL PARA os produtos culturais traduzem TODOS questões que estão circulando A pesquisadora questiona o por movimentos coletivo no conceito de masculinidade tóxi- campo das artes, criando hisca, pois acredita que a respon- tórias envolventes, que possam sabilidade vai muito além do criar outras perspectivas sobre sujeito, a toxicidade é constitu- a figura do homem. Larissa ída pelo coletivo. Além disso, ainda ressalta que só isso não ela afirma que esse modelo de basta, “é preciso também fazer masculinidade tem se mostra- enfrentamentos políticos, consdo muito danoso socialmente truir pontes para o diálogo e para ambos os gêneros, tanto sair das polarizações”. Pelúcio afirma que “o entretenimento tem poder muito grande de pedagogizar, porque ele faz isso de maneira agradável, em momentos de descontração em que você busca por espontaneamente, por qual caminho você se abre para o aprendizado e a reiteração de determinadas imagens e modelos, seja de feminilidade, masculinidade, sociedade, consumo, beleza, corpo, etc”.

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Por que amamos os psicopatas? Jessica Ferreira

Q

uando falamos de psicopatas, a primeira visão que temos é a dos articulosos Hannibal Lecter ou Amy Dunne de Garota Exemplar, mas reais costumam ser bem diferentes. A psicopatia é um transtorno de personalidade que tem como principal característica à ausência ou alta redução de sentimentos que formam a base moral humana, como culpa e pena. O transtorno atinge cerca de 1% a 3% da população mundial, a mesma quantidade de pessoas com vitiligo, então se você já viu uma pessoa com vitiligo, muito provavelmente já viu um psicopata. A insensibilidade dos psicopatas é o fator mais chamativo nos personagens, que muitas vezes são representados como pessoas super inteligentes ou a beira da loucura, sendo que na realidade podem ser comuns a nós e muitas vezes apresentam desvios de conduta. Mas, por

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quê gostamos tanto de ver esse tipo de personagen nas telonas dos cinemas? A universitária Isabela Almeida é fã desse estilo Ela explica que eles são atraentes e intrigantes. “Assim como em Psicose (1960) e Garota Exemplar (2014) é comum nesse tipo de filmes haver plot twists. “Eu acho fascinante a carga dramática e a complexidade de cada personagem, pois psicopatas existem e são difíceis de serem identificados”, explica. Um dos psicopatas mais famosos do cinema é o Dr. Hannibal Lecter, um psiquiatra que devido ao transtorno matava e comia suas vítimas, sendo um homem extremamente convincente, capaz de cometer atrocidades apenas manipulando pessoas. Segundo a psicóloga Jaqueline Arruda os psicopatas são incapazes de se compadecer com a dor do outro. “As pessoas com esse transtorno não tem

empatia ou remorso, não costumam ser maldosos como os dos filmes, mas não se sensibilizam com os outros, não se importa com quem está ao seu redor”. Nos produtos audiovisuais vemos esses personagens criado de maneira que são como um anti-herói divino. O Coringa, por exemplo, inimigo do Batman, vilão dos quadrinhos, conhecido por diversas maldades, abusa psicologicamente de sua namorada Alerquina, sempre foi ovacionado pelo público, a ponto de ganhar quadrinhos e filmes exclusivos para contar a sua história. O cotidiano de um psicopata e a manifestação do transtorno, pode variar de acordo com diversos fatores. Jaqueline explica que, “assim como outros transtornos, existem graus de intensidade e diferença de como cada pessoa vai reagir perante essa condição”. Mas, da mesma maneira que os psicopatas da vida real po-


Foto: FinalGirl/Reprodução

dem ser pessoas comuns a nós, eles também se mostram assassinos perversos. Em alguns casos, diferenciando-se do cinema pela falta de inteligência e alto poder de sedução. Casos já foram vistos algumas vezes no Brasil, como o bandido Roberto Cardoso, conhecido como Champinha, chocou o país por matar friamente o jovem Felipe Caffé e sequestrar a adolescente Liana Friedenbach, matando-a após 5 dias de abusos. O encantamento por esses personagens vem do heroísmo pregado pela indústria do cinema nessa categoria de produção. Avenda ocorre com a ideia de que psicopatas são pessoas absurdamente inteligentes e interessantes, além de algumas personas se mostrarem com um capital cultural gigantesco, também tem a parte da sedução e dominação, itens perfeitos para compor um herói. Segundo pesquisadores da Universidade de St. Louis, nos

Estados Unidos, essa visão de super inteligência foi criada pela manipulação e sedução que se mostra presente nos personagens. A pesquisa mostrou que psicopatas são pessoas impulsivas; também houve um baixo desempenho nos testes de inteligência, mostrando que o transtorno não cria pessoas super articuladas, pelo contrário, ainda há o fator nocivo dessa glamourização dos assassinos. Segundo Jaqueline o heroísmo de tais práticas não é algo positivo para a sociedade. Esse tipo de situação ocorre não somente com os criminosos da ficção, mas quando temos algum crime com características de psicopatia de repercussão, ele também é fruto de exploração ao máximo não só pela mídia, mas também pelo cinema, como podemos ver nos casos do Charles Manson e no Brasil da Suzane Von Richtofen, que protagonizam documentários.

“As pessoas acompanham essas produções e acabam por perder a noção de como são ruins esses comportamentos, normatizando o que é um transtorno de personalidade, não só falta de moral e caráter”

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Nove anos de

colecionadores compartilham Caroline Doms

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Image:ns: Caroline Doms

m 2010 a empresa norte-americana Funko lançava os primeiros bonecos da coleção Pop! Vinyl, na New York Comic Com, e inovava o mercado de produtos geeks. No início, eles eram baseados apenas em personagens do cinema como Batman, Batgirl, Lanterna Verde e Coringa. Hoje, a empresa já soma mais de 18 mil bonecos ins-

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pirados em personagens de filmes, séries, games, programas de televisão, esportes e outros que estão presentes no catálogo de produtos. Os Funkos Pop, como são conhecidos no mercado, são vendidos a partir de 70 reais em lojas oficiais da internet. Entretanto, alguns exemplares dos bonecos são encontrados por mais de 100 reais. O preço dos bonecos varia de acordo


e Funko Pop

m o seu amor pelos bonecos com as especificações de cada um deles: tamanho, quantidade de vendas, lançamento, etc. Muitas pessoas colecionam os Pos de seus personagens preferidos, como é o caso da estudante de jornalismo Gabriela Gomes, 21 anos, que até o momento possui 14 Funkos. Ela conta que comprou o seu primeiro boneco no começo deste ano, quando começou a trabalhar: “eu

sempre gostei, mas é uma coisa um pouco cara e acaba sendo pouco acessível”. Ela também conta que pretende aumentar a coleção com personagens de séries e filmes, mas que tem um limite: não paga mais de 100 reais em um Funko, porque considera que esse dinheiro vai lhe fazer falta. Além disso, a estudante nos conta que já gastou quase 600 reais nos Funkos até o momento.

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Imagem: Caroline Doms

w

Gabriela gomes possui 14 funkos Para ela, os bonecos representam uma forma de materializar as coisas que gosta muito: filmes, séries e jogos, por isso vale a pena colecioná-los. Já a médica veterinária Flora Assumpção, de 32 anos, possui 33 Funkos e conta que está esperando chegar os últimos dois que comprou na internet. Seus três primeiros Pops foram dados por seu marido como presente de Natal. Entretanto, Flora comprou seu primeiro Funko há aproximadamente seis anos. Desde então a coleção só cresce. Ela destaca que já gastou bastante com os bonecos, mas que não tanto como algumas pessoas que usam todo o salário para colecionar os personagens. Mesmo com mais

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de 30 Pops, Flora nos conta que o seu preferido é o uma personagem de Evangelion: “meu preferido é a Asuka, porque eu já tinha uma coleção dela antes de colecionar os Funkos”. O redator Érik Rodrigues, 28 anos, começou sua coleção há quatro anos e já possui 315 Funkos. Ele comenta que ganhou seu primeiro Pop em 2015, mas nessa época ainda não se simpatizava com os bonecos. Em 2016 ele comprou o Funko do Raiva, personagem do filme Divertidamente, e conta que se identifica com ele pois muitas vezes também é irritado assim. Érik diz que já gastou muito com a coleção, mas que considera um dinheiro bem investido. Para ele,


Imagem: Vanderlei Jr./Arquivo Pessoal

Tio da barba branca coleciona mais de 600 “colecionar vai muito além de ter vários bonecos ‘cabeçudos’ em casa. Cada um deles tem um significado importante. Sou cinéfilo e amante da sétima arte, portanto, cada Funko de minha coleção é referente a filmes ou personagens de filmes que amo. É uma forma de ter as histórias que amo por perto”. Para o apaixonado pelos bonecos, sua coleção está em constante mudança, por isso ele sempre pretende aumentar o número de Funkos. Vanderlei Junior, 44 anos, é designer instrucional e adquiriu seus primeiros Pops em 2017. Hoje ele soma mais de 600 Funkos em sua coleção. “Levaria para o túmulo o do Rocky Balboa”, diz. Ele explica que é muito difícil escolher só um

para chamar de preferido. Vanderlei considera que colecionar os Funkos “é um hobby que custa dinheiro, mas que é um investimento”, pois os bonecos podem ser vendidos pelo mesmo preço e até mesmo com lucro para outros colecionadores. Apaixonado pelos Pops, Vanderlei possui o canal Tio da Barba Branca, criado em fevereiro deste ano e que já conta com quase 600 inscritos. Nele, o colecionador mostra tudo sobre o universo dos Funkos e nos conta que o canal surgiu quando ele recebeu novos Pops e teve a ideia de gravar o momento em que abria a caixa. Ele finaliza dizendo que nunca pretende aumentar a coleção, mas quando a Funko lança novos Pops, não resiste.

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Imagens: Érik Rodrigues/Arquivo Pessoal

´ costuma montar cenas para os seus pops erik

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GEEK-SE Caroline Doms Fellipe Gualberto Giovana Orsari

Nerdcast Os geeks que são amantes da podosfera já devem conhecer o NerdCast. Criado em 2006, o podcast é uma extensão do site Jovem Nerd e aborda diversos assuntos: história, filmes, séries, tecnologia, games, RPG e um pouco das experiências vividas pelos mediadores do programa. É possível escutar os episódios no site do Jovem Nerd, nas principais plataformas de música e no aplicativo do NerdCast, que permite ao ouvinte ver as imagens citadas nos programas. Toda sexta-feira Alexandre Ottoni (Jovem Nerd) e Deive Pazos (Azaghal) liberam novos episódios do programa e trazem convidados para debater elementos do mundo nerd. Uma dica para os novos ouvintes que gostam de um bom role-playing game, é começar pelos episódios do último especial de RPG: Call of Cthulu, que até o momento tem três programas publicados. Nessa série, os convidados se envolvem na história e fazem o público imaginar toda a aventura vivida nas partidas.

“Game series” de The Sims

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Você sabia que existem canais no youtube que produzem diversas séries utilizando o jogo? Se não conhece, atenção! Tem canais no Youtube que estão alcançando 10 milhões de seguidores e são especializados em “game series”, como, por exemplo, o canal do BuzzFeed Multiplayer. A séries mais famosas de The Sims desse canal, são: The 100 Baby Challenge (e seus spin offs) feita pela youtuber Kelsey Impicciche. A série já tem 38 episódios que são lançados semanalmente aos sábados e conta a história de uma matriarca que deve ter cem filhos de sims diferentes; não é válido o uso de “cheats”, nem a contratação de babás; os bebês, as crianças e adolescentes tem pré requisitos para envelhecer; e a matricialidade é hereditária, ou seja, quando a matriarca não puder mais ter filhos por conta de idade, a sua filha mais nova passa a ser a nova matriarca.


Infinity Train A primeira dica é Infinity Train, a nova minissérie animada do Cartoon Network. A história acompanha Tulip, uma garota que devido alguns problemas com a família foge de casa e embarca em um trem infinito, agora com a ajuda de um robô chamado One-one e de um cachorro falante chamado Articus ela precisa encontrar o maquinista e descobrir como voltar para casa enquanto enfrenta uma jornada de autoconhecimento. Prazerosa e rápida de assistir, apenas 10 episódios, essa é a primeira animação dirigida por Owen Dennis, que já havia trabalhado em Apenas um Show.

Meteoro Brasil O que O incrível mundo de Gumball tem a ver com o behaviorismo? Ou como que Naruto utiliza conceitos da filosofia de Platão? No Meteoro Brasil você pode descobrir as resposta para essas perguntas! Basta procurar por esse canal no Youtube e assistir aos vídeos nos quais são explicados temas da filosofia ou da atualidade através da cultura pop.

Mundo Freak Se você gosta de ouvir histórias de terror essa dica é perfeita para você! O Mundo Freak é um podcast onde três convidados conversam sobre casos paranormais, teorias da conspiração, crimes misteriosos, enfim, tudo que esteja relacionado com o mundo do horror. Por ser um podcast o formato é ótimo para se ouvir enquanto se realiza outras atividades, perfeito para pessoas ocupadas. Mas cuidado para não ficar com medo e ter que dormir com a luz acesa!

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Nerd Stickers Se você é uma daquelas pessoas que adora adesivos personalizados, vai curtir bastante esta dica. Na loja online Nerd Stickers, você encontra diversos adesivos temáticos dos principais filmes e séries nogeeks por um preço bem acessível. Você pode personalizar o seu los tebook – ou o que desejar– com adesivos do Darth Vader, símbo s. do Harry Potter e até mesmo com a Eleven, da série Stranger Thing Além disso, também estão disponíveis imagens de games e s. animações, como Mario, Pokémon, Scooby-Doo, Simpsons e outro s algun a Para quem deseja comprar vários adesivos, a loja disponibiliz packs prontos com 43 ou 36 figurinhas. O pagamento pode ser reasite lizado via boleto bancário, cartão de crédito e PayPal. Acesse o nerdstickers.com.br para conferir os adesivos disponíveis.

Matando Robôs Gigantes Uma outra dica para os que vivem na podosfera é o Matando Rocriado bôs Gigantes, chamado carinhosamente de MRG. O podcast foi de em 2008 por Affonso Solano (autor da série de livros O Espadachim aprogr Carvão), Beto Estrada e Diogo Braga. No MRG, os anfitriões do , ma convidam diversas pessoas para falar de cinema, quadrinhos, games toda literatura e cultura pop. Os episódios são lançados ao meio-dia de MRG. do sexta-feira nas principais plataformas de música e no site no Além disso, o Matando Robôs Gigantes também possui um canal episóYouTube, no qual são abordados em vídeos temas diferentes dos a, dios de podcast, mas que seguem a mesma linha, abordando o cinem de 15 séries e o mundo geek em geral. Os vídeos, que possuem em torno novias a Confir minutos, são lançados ao meio-dia das segundas-feiras. dades no site: matandorobosgigantes.com.

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Apple Arcade Aqui vai uma dica para os amantes de jogos e donos de produtos apple: A Apple anunciou em março deste ano um novo serviço de assinatura de games que será disponível para computadores, celulares, tablets e AppleTV, prometendo um catálogo especial com mais de 100 jogos para o público assinante. Entre os jogos previamente anunciados, encontramos: Oceanhorn 2, Sayonara Wild Hearts, Hot Lava, Frogger in Toy Town, Where Cards Fall e Shinsekai Into the Depths. O anúncio de todos os detalhes está marcado para o mesmo dia do lançamento do IOS 13, em 19 de setembro! Fica ligado em nossas redes sociais, vamos cobrir o evento e contaremos tudo!

Lista de Cheats de The Sims The Sims 4 é o jogo perfeito para você simular a vida dos seus sonhos, principalmente porque podemos utilizar alguns “cheats” milagrosos, tipo o que faz você nunca envelhecer ou precisar dormir. Para dar aquele up no seu jogo, separamos alguns deles aqui! Para usá-los é só pressionar: Ctrl + Shift + C e digitar o comando “testingcheats on” na linha branca que aparecerá no canto direito superior, e escolher o cheat que você quer usar! A lista completa estará em nosso website! * motherlode (ganha $50,000) * death.toggle true/false (desativa a morte) * household.autopay_bills true/false (desativa as contas) * pregnancy.force_offspring_count ID (permite escolher a quantidade de bebês na gravidez) * traits.equip_trait trait_OccultVampire (transforma o Sim em vampiro) * traits.equip_trait trait_OccultMermaid (transforma o Sim em Sereia) * traits.equip_trait trait_OccultWitch (transforma o Sim em Bruxo)

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Revista desenvolvida para a disciplina de Jornalismo Impresso III

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