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SUMÁRIO EXPEDIENTE

Entrevistas Matéria de Capa com escritor Tito Laraya.....................................................05

Revista Divulga Escritor Revista Literária da Lusofonia Ano I I Nº 07 Junho/Julho 2014 Publicação: Bimestral Editora Responsável: Shirley M. Cavalcante TRT: 2664 Projeto gráfico: EstampaPB Diagramação: Ilka Cristina N. Silva Para Anunciar: smccomunicacao@hotmail.com 55 – 83 – 9121-4094 Para ler edições anteriores acesse www.divulgaescritor.com

Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos colunistas que os assinam, não expressando necessariamente o pensamento da Divulga Escritor.

Brasil Entrevista escritora Ana Cristina Aguiar..........................................................09 Entrevista escritor Carlos Vargas.....................................................................14 Entrevista escritor Johnatan Souza e Catia Mourão.........................................19 Entrevista escritor Helton Lacerda..................................................................23 Entrevista escritor J. R. Digenio.......................................................................27 Entrevista escritora Ligia Beltrão......................................................................31 Entrevista escritor Pedro Irineu......................................................................36 Entrevista escritora Rô Mierling.......................................................................41 Entrevista escritor Rocivan Amaral..................................................................45 Entrevista escritor Tenente João Lúcio de Matos.............................................51 Portugal Entrevista escritora Paula Timóteo..................................................................60 Entrevista escritor Lurdes Maravilha.............................................................64 Colunas A Vida em Partes – Francisco Mellão Laraya....................................................08 Mercado Literário – Leo Vieira.........................................................................13 Entre Ideias&Atos – Patrícia Dantas..................................................................18 Pense Fora da Caixa – Pense Literatura............................................................29 Vício de Viagens – Adriana Gomes de Farias......................................................34 Literatura na Prática – Alexsander Pontes........................................................44 Na Boca do Povo com Ruby Redstone...............................................................53 Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa – Amy Dine.............................................57 Solar de Poetas – José Sepúlveda....................................................................63 Participação especial com: Fabiana Juvêncio.............................................................................................20 Mário de Méroe..............................................................................................39 Bernadete Bruto.............................................................................................49 Cassiane Santos...............................................................................................55 Alvaro Giesta...................................................................................................67 Momentos de poesia com: Adriana Freitas.................................................................................................69 Antônio Montes...............................................................................................70 Paulina Rodrigues.............................................................................................71 Regina Alonso..................................................................................................72 Rosa Fonseca...................................................................................................73


Apresentamos mais uma Edição da Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia, depois de 6 Edições conseguimos o nosso Registro ISSN, quero agradecer a cada um de vocês por esta conquista, alguns professores estavam a questionar sobre o Registro, agora os artigos/textos publicados contabilizam oficialmente pontos Curricular Acadêmico. Esta edição esta recheada de apresentações dos nossos escritores e textos acadêmicos. Muito obrigada a cada um pelo apoio e incentivo ao projeto. Aproveitem a leitura, compartilhem, o compartilhamento é importante para que mais pessoas possam conhecer e prestigiar o projeto que hoje caminha sem patrocínio público ou privado. Divulga Escritor: Revista Literária da Lusofonia, uma Revista elaborada por escritores, com distribuição gratuita para todo o mundo. Boa Leitura! Com carinho. Shirley M. Cavalcante (SMC) Editora Coordenadora do projeto Divulga Escritor www.divulgaescritor.com

Shirley M. Cavalcante,

é jornalista, radialista, editora, autora do livro: Manual Estratégico de Comunicação Empresarial/Organizacional, administradora do projeto Divulga Escritor, assessora e consultora de Comunicação Empresarial, diretora executiva da SMC Comunicação Humana.


Matéria exclusiva com o escritor Tito Laraya

EU E A MINHA OBRA Falar do que escrevo é também falar de mim, Freud já dizia “o melhor personagem de um escritor, é ele mesmo”! Sou um escritor impressionista, e se na pintura coloca-se duas cores, lado a lado, para se chegar a uma terceira, esta técnica uso com ideias, portanto o ler-me deixa de ser uma atividade ilustrativa, para também ser criativa. A forma com faço é colocar textos em prosa, misturados com poemas, crônicas, estórias, e vai por aí. A maneira mais fácil de entender a técnica é imaginar, pois se trata de um diário, que ao invés de existirem confissões a um papel, existem textos esparsos, que podem ser lidos separadamente, mas na sequencia forma uma estória. Como escrevo sobre o quotidiano, mais forte é esta imagem, e no dia a dia escrevo as bases filosóficas da vida. Este também sou eu que uso a sinceridade como forma de esclarecer e iludir, não sente a necessidade de escrever o que não existe para argumentas sobre o que é! A minha obra editada, se divide em dois, uma no Brasil, onde se tem: “Textos Barrocos”, “Exames”, “O Grão de Areia”, Tito e o pé de

sonho”, e” A Descoberta: o não tempo”, e a em Portugal, onde se tem todos, com exceção de “Textos Barrocos” e “Grão de Areia”, acrescentando-se “Um sonho dentro de um sonho”. Além disto, participei de várias Antologias; “Palavra é Arte” e “Palavras de Cristal”, entre outras, a primeira no Brasil e a segunda em Portugal. Em Portugal uso o nome Tito Mellão Laraya, no Brasil sou Francisco Mellão Laraya, meu verdadeiro nome e na Itália Tito Laraya. Meu primeiro livro português é Tito e o Pé de sonho, que fala sobre a crise, uma crise em proporção universal. É como se o mundo inteiro estivesse em um hospício, onde os valores do mundo à volta pouco valem, a mentira para obtermos ganhos não tem valor, aí se reescreve a vida, pois para sair deste inferno e voltar à vida tem que se falar a verdade. Antes disto editei “Textos Barrocos” no Brasil, que se divide em duas partes, a primeira escrita na terceira pessoa do singular de crônicas autobiográficas, e por fim um resumo de um trabalho acadêmi-

co” O Julgamento de Cristo”, uma análise sobre a ótica fria do Direito Romano, do maior julgamento da história. Este livro foi tirado de distribuição sem sentença judicial! “Exames” tratam da estória de um relacionamento atípico, entre um homem e uma lésbica, tudo para provar que existe mais sinceridade em um relacionamento desonesto, do que em um obrigatoriamente honesto. “O Grão de Areia” retrata que o mesmo conflito gerado por um relacionamento impossível, é a mola que leva a escrever sobre ele. “A Descoberta: O não Tempo” encara o encontro com a divindade em coisas simples do quotidiano, afinal não se precisa de grandes obras para se estar em comunhão com Deus. E desta comunhão entre o criador e a criatura, chega-se a forma divina com explicação do que é a santíssima trindade. Nas Antologias, primeiro; “Palavra é Arte”, trata-se de versos escritos para serem distribuídos graciosamente aos alunos de escola pública de meu país, e em Portugal, “Palavras de Cristal”, retrata a importância de minimizar o “Ego” para alcançar a felicidade plena! Finalmente, “Um sonho dentro de um sonho”, conta a estória vivida a mais de trinta anos atrás, onde se mistura a realidade, com as impressões e a fantasia, aonde se chega à conclusão que quando o privado torna-se público, soluções diversas das pretendias acontecem. A minha obra sou eu, filosofia, poética, idealista, a síntese das contradições do ser humano! Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Por Francisco Mellão Laraya Francisco Mellão Laraya é advogado, músico e escritor larayaescritor@hotmail.com

COLUNA: A VIDA EM PARTES

O ESCREVER

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oltei a escrever, escrevo sobre a dúvida de não saber dizer a real necessidade de escrever. Escolhi há muito tempo entre a certeza e a dúvida, o eterno interrogar sobre tudo. Procurei razões aonde não existem porquês, e a única razão que me foi permitida ver, graças a minha inteligência, é que a certeza é a negação da dúvida, não por tê-la resolvido, mas por medo de encará-la de frente. Talvez falando das possibilidades, do dever ser, sempre em contraposição com o ser, tão real, mas inexoravelmente mutável. Isto nos leva a esta grande e eterna dúvida, aonde a única certeza, é a noção exata do existir, apesar de efêmero, e a existência de Deus.

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Muitas vezes pergunto-me: Será isto correto? Ou equilibrado? A única resposta que tenho as duas perguntas é que correto ou não, não tende a um equilíbrio estático, mas a um andar constante no mundo da razão, aonde a única pergunta respondida é a razão de existir. A razão da existência é a comunhão com o todo, com o Divino, e procurar nesta entrega como parte de um todo, Deus. Uma forma que o desempenho de si, melhorando a si, a razão do ser e a própria existência da criatura, engrandecer o criador. Quanto ao resto, é quanto à forma, e a forma cada um tem a sua, e as diferenças quanto aos caminhos, quanto às maneiras de ser, é um espelho perfeito do que se é!


Entrevista escritora Ana Cristina Aguiar Nascida em Fortaleza, no Ceará, licenciada em História, a autora, Cristina Aguiar, escreve desde criança. Suas primeiras tentativas consistiam em tentar recriar diálogos de filmes que gostava. Depois, passou a criar histórias próprias tentando dar continuidade a esses filmes. Aos dezessete anos já se aventurava a fazer esboços na procura de uma história ideal. Acumulou vários cadernos com fragmentos de textos que nunca foram para frente. Viajantes foi o primeiro livro que conseguiu terminar, mas acabou encostando-o na gaveta, apesar da opinião favorável daqueles que o leram. Aconteceu o mesmo com A Tenda Peregrina, um romance juvenil sobre um grupo de jovens arqueólogos que parte em busca de um artefato bíblico. Quanto ao livro A Profecia de Hedhen, foi um sonho realizado. Ele é a soma de várias experiências que deram certo e o início de uma saga cujo terceiro volume já está sendo escrito. O segundo volume, As Árvores Sagradas de Nod já foi lançado em e-book e o livro físico sairá este ano. A autora participa atualmente de eventos literários organizados por grupos de escritores e blogueiros de Fortaleza, o Sábado Literário é um deles, assim como de campanhas a nível nacional como o Mochila Literária, o Eu Leio Brasil e a Semana do Livro Nacional. “Que o nosso país, aquela parcela que gosta de ler, não fique receosa de adquirir livros nacionais, achando que a qualidade é inferior. Existem muitos livros bons sendo lançados, e eu falo isso com conhecimento de causa, pois trabalho também como revisora. Se o nosso país começar a nos valorizar, o caminho começará a ser menos árduo. Compre e apoie a literatura nacional. Um beijo para todos.” Boa Leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Ana Cristina Aguiar é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que a motivou a ter gosto pela escrita? Ana Cristina - O gosto pela leitura me acompanha desde pequena. Cresci lendo gibis e depois, então, passei para livros. Adorava ler autores de aventura como Julio Verne e praticamente devorava todos os livros da Coleção Vagalume que caía em minhas mãos. Desse fascínio pela leitura, pular para para a escrita não foi difícil. Eu gostava de inventar histórias que completassem filmes que eu havia gostado, criava enredos alternativos para eles, até que comecei a criar minhas próprias histórias, com personagens criados por mim. Passei a aprimorar minha escrita nas redações que fazia para o colégio e isso acabou virando um hobby. Escrever é algo sublime que me causa um imenso prazer. Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Em que momento você começou a escrever o seu livro ”A Profecia de Hedhen”? Ana Cristina - Durante a faculdade de História, eu iniciei por conta própria uma pesquisa tendo por base o matriarcado, ou o que se entendia sobre o assunto. O papel da mulher na história, na religião e na literatura me motivaram a começar uma história onde eu pudesse tratar a mulher em todos os seus aspectos, não apenas o emocional e sensível, como geralmente é retratada, mas o seu lado guerreiro, lógico e instintivo. Para trabalhar isso, resolvi me aventurar no mundo da fantasia e acabei por me identificar com esse gênero. Eu já havia escrito dois livros antes da Profecia, e nenhum dos dois fazem parte do fantástico (pretendo publicá-los em breve). Como foi a construção do enredo e dos personagens desta obra? Ana Cristina - Fui muito influenciada pelos livros de Tolkien e pela Bíblia no seu aspecto histórico e fantástico, cheio de eventos sobrenaturais. Essa união não foi sem sentido, já que o próprio Tolkien foi influenciado pela Bíblia. Eu queria falar de dois opostos: luz e trevas. E queria criar personagens que caracterizassem esses dois lados. A honra, a lealdade, a coragem e a fé em uns; a ganância, a inveja, a ambição e a opressão em outros. A visão é maniqueísta com ênfase na mulher, que é retratada como guerreira, rainha, sacerdotisa, e luta lado a lado com os homens, assumindo um papel maior do que ser a mocinha indefesa que precisa ser protegida pelo herói. 10

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Soube que estas escrevendo um novo livro, podes nos falar um pouco sobre ele? Ana Cristina - Estou empenhada em terminar a saga de quatro livros. O livro 2, As Árvores Sagradas de Nod será lançado por esses dias, e o terceiro livro já está nos capítulos finais. Posso dizer que o segundo livro vai trazer os elementos principais que vão dar prosseguimento à série, partindo da introdução dada pela Profecia de Hedhen. Novas questões são abordadas, novas revelações e novos personagens. Há mais cenas detalhadas de batalha, mais magia e aventura que o primeiro. A Profecia de Hedhen abriu o leque para um mundo com muitas possibilidades, e eu pude trabalhar mais os personagens que se destacaram no primeiro livro, além de me aprofundar na história antiga daquele mundo fantástico. A quem você indica a leitura de suas obras? Ana Cristina - Existe um público específico para quem gosta de fantasia que pode estar na faixa etária de 14 a 70 anos. As mulheres amam a história, os homens estranham um pouco, alguns querem algo mais detalhado, mas no geral o aceitam. Eu costumo palestrar em feiras de cultura pop, onde sei que vou encontrar pessoas que curtem rpg e histórias de fantasia. É muito importante que o autor consiga definir o seu público, mas a verdade é que isso não é uma regra, não pode ser uma regra. A fantasia é para qualquer um que goste de abrir as páginas de um livro e se

teletransportar para um mundo novo, cheio de aventuras e possibilidades. Você escreve em outros gêneros literários? Ana Cristina - Como citei anteriormente, escrevi dois livros que não fazem parte desse gênero. Um deles é um romance sobre um homem e uma mulher que viajam sem rumo pelas estradas do país e acabam se encontrando e decidindo seguir juntos, ambos


fugindo de um passado traumático. A estrada vai trazer situações inusitadas, aventura e suspense. O outro livro é uma aventura estilo Indiana Jones, com um grupo de jovens arqueólogos na çaça de um artefato sagrado e místico. Acho que foi esse livro que me ajudou a aprimorar as cenas de aventura que vou criando em meus livros. Gosto de ação e de fazer com que as coisas aconteçam. Gosto de romances, mas não penso que os relacionamentos devem vir à frente do enredo de uma história. Eles devem fazer parte, mas não tomar o foco. Onde podemos comprar os seus livros? Ana Cristina - Virtualmente, nos sites da MODO Editora, Livraria Cultura, Saraiva, Siciliano e o e-book está à venda na Amazon, inclusive o segundo livro já está disponível, também em e-book. Em livrarias físicas, ele está na Saraiva de Fortaleza e também pode ser adquirido diretamente comigo. Fale-nos sobre o sábado literário, quem desejar como deve fazer para participar? Ana Cristina - O Sábado Literário é uma maravilhosa iniciativa da Neyara Furtado em parceria com o Shopping Benfica, aqui em For-

taleza, para reunir a cada terceiro sábado do mês, os autores, blogueiros, leitores e interessados, em eventos literários cuja meta é discutir temas atuais que fazem parte da nossa realidade, como métodos de publicação, criação de personagens, mercado editorial, oficinas de criação literária, e por aí vai. Tem sido um sucesso e o público tem comparecido bastante, o que é raro em eventos desse tipo, infelizmente. Como é um evento local, para participar, basta estar na cidade e se comunicar conosco. Tem um grupo no facebook com o nome Sábado Literário – Benfica. De que forma você divulga o seu trabalho? Ana Cristina - A maneira mais comum é através das redes sociais, com os book-trailers, o blog (http://terradehedhen.blogspot. com/), e principalmente através de participações em eventos literários e palestras. Costumo participar e também iniciar book tours dos meus livros, pois as resenhas são sempre necessárias para se divulgar um livro. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil? Ana Cristina - Mais abertura para o que é nacional, em primeiro lugar. Existe uma grande quantidade de títulos estrangeiros nas prateleiras e uma tão grande quantidade de títulos nacionais brigando por um lugar. Quer comparar? Já li péssimos livros estrangeiros e maravilhosos livros nacionais, então, acho que isso é algo que deve mudar e as

livrarias precisam dar o primeiro passo, abrindo as portas e dando mais espaço para o que é nosso. Em segundo lugar, uma divulgação maior da mídia, mostrando que existe um mercado literário nacional em expansão, pois o que se vê é o destaque dado apenas a certos autores que alcançam um volume maior de vendas. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Ana Cristina Aguiar, que mensagem você deixa para nossos leitores? Ana Cristina - Eu é que agradeço a oportunidade e para finalizar, apenas uma palavrinha. Que o nosso país, aquela parcela que gosta de ler, não fique receosa de adquirir livros nacionais, achando que a qualidade é inferior. Existem muitos livros bons sendo lançados, e eu falo isso com conhecimento de causa, pois trabalho também como revisora. Se o nosso país começar a nos valorizar, o caminho começará a ser menos árduo. Compre e apoie a literatura nacional. Um beijo para todos.

Participe do projeto Divulga Escritor https://www.facebook.com/DivulgaEscritor Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Por Leo Vieira Leo Vieira é escritor acadêmico em várias Academias e Associações Literárias; ator; professor; Comendador; Capelão e Doutor em Teologia e Literatura. leovieirasilva@gmail.com

COLUNA: MERCADO LITERÁRIO

O Contador de Histórias

O

escritor que se desenvolve descobre sempre que não há limites para desbravar o mercado literário e editorial. Tudo passa a ser um bom motivo para apresentar e divulgar novas ideias. Há um novo mercado que está aumentando e também desenvolvendo muitos autores que é o mercado infantil. Alguns podem até ter um pouco de preconceito, vendo isso como bobagem e que não desenvolve tanto a carreira do autor. Aí que ele se engana. O mercado literário infantil é muito delicado e altamente filtrado para a conquista do espaço. Não é qualquer escritor que pode desenvolver um bom livro infantil. Vamos ao assunto. Um escritor precisa ter a habilidade de contar a história que tem em mente para o seu público. Não é qualquer ideia que pode ser transformada em história. Na verdade, se o autor for bom, ele pode desenvolver e adaptar sua história para qualquer alvo. Mas como estamos falando do público infantil, vamos ficar mais nisso.

O escritor de livro infantil precisa ser um bom contador de história. Ele também precisa aprender e desenvolver uma linguagem simples, contando da forma mais prática possível e jamais usando linguagem rebuscada. Deve ser um livro em que a criança possa ler sozinha. Um exemplo são os contadores de histórias. Já notou em momentos recreativos e festas infantis como que elas ficam para ouvir? Elas se sentam em círculo e ficam atentas para o que a tia vai contar. O livro infantil precisa ser essa tia “encadernada”. O texto precisa ser o mais atraente e convidativo possível. Outra questão é a praticidade. Um livro infantil precisa ter personagens fáceis de descrever, tanto em suas características quanto em personalidade. Se o público for mais velho, de oito a doze anos, o humor precisa estar reforçado. O mais importante é o texto. Em seguida virá a questão da construção e rumo editorial, que será pautado em postagens futuras.

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Entrevista escritor Carlos Vargas É Mestre em Filosofia, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, e doutorando pela mesma instituição. Casado, tem dois filhos e reside em Curitiba, onde atua como analista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Foi professor em cursos das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba. Autor do livro “Félix em busca do ser humano” (Chiado Editora), é colunista do Projeto Divulga Escritor. É acadêmico da Litteraria Academiae Lima Barreto e da Academia de Letras e Arte de Valparaíso (Chile), tendo recebido a comenda Castro Alves (Literarte). Publicou artigos em revistas especializadas em filosofia, sendo coautor de antologias de poesias e contos das seguintes editoras: Grupo Editorial Scortecci, Editora Delicatta, Grupo Editorial Beco dos Poetas e Escritores, Editora Celeiro de Escritores e Câmara Brasileira de Jovens Escritores. “Essa é a lição do “Félix em Busca do Ser Humano”. Nesses contos filosóficos encontramos um instrumento para aperfeiçoar nossa capacidade de diálogo reflexivo. Esse livro é valioso, pois oferece critérios filosóficos para enfrentar problemas que nos afetam diariamente. “ Boa Leitura! 14

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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Carlos Vargas é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos em que momento pensou em escrever o seu livro “Félix em Busca do Ser Humano: Contos Filosóficos”? Carlos Vargas - Esse livro surgiu da inspiração que tive ao ler “Félix e as Maravilhas do Mundo”, obra escrita pelo filósofo e teólogo Raimundo Lúlio. Neste livro, identifiquei o ideal socrático, expresso em diálogos filosóficos, em uma perspectiva cristã. Foi uma experiência fascinante, na qual identifiquei o modelo do meu personagem. Eu queria uma espécie de “Sócrates cristão” que pensasse em problemas contemporâneos, naquelas questões que passam despercebidas em nosso cotidiano: “a maravilha nem sempre está no mundo, mas nos olhos de quem se maravilha ao ver o mundo”.


Que temas você aborda nesta obra? Carlos Vargas - Os temas são variados, mas dizem respeito ao conjunto da vida humana, desde a gravidez até a morte, passando pelas escolhas profissionais e pelo casamento. Os temas surgem em função do desenvolvimento da personalidade de Félix, mas também dependem das influências dos seus interlocutores. Nos diálogos, Félix é desafiado com questões amplas sobre a consciência, a felicidade, a vocação, ética, virtude, política e o próprio Estado. Mais do que respostas prontas, ele apresenta um modelo de atitude filosófica que serve de contraponto reflexivo a determinados modismos culturais. Cada tema é apresentado a partir de alguma referência filosófica, literária ou teólogica que se mostra importante naquele momento. Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através dos seus textos literários nesta obra? Carlos Vargas - “Félix em busca do Ser humano” é um livro que expressa a importância da amizade e do diálogo na pesquisa filosófica. Mais do que um conteúdo específico, o livro mostra o valor da dimensão humana aberta à transcendência. O protagonista está em busca do ser humano, pois acredita que nós podemos ser melhores do que ainda somos. Para encontrar o ser humano ele usa a luz da razão e da fé. Entretanto, ele não vai sozinho, mas acredita que é fundamental utilizar a linguagem na companhia amiga dos outros que também estão nessa busca. A amizade que

Félix tanto busca não é simplesmente desinteressada, mas pretende construir os fundamentos do bem comum, que vai brotando devagar, indo além das motivações iniciais. A quem você indica a leitura? Carlos Vargas - Eu indico a leitura desse livro a todas as pessoas que acreditam no valor do ser humano. É indicado para todos aqueles que acreditam no poder do diálogo e da amizade. Também é um livro bom para aqueles que gostam de contos, isto é, de estórias curtas. O livro vai interessar aqueles que estudam a filosofia como a busca fundamental pela sabedoria. A Chiado Editora incluiu o livro na coleção “Viagem Filosófica”, sendo que o livro pode ser utilizado como recurso paradidático em cursos de filosofia para ilustrar assuntos relacionados à ética, antropologia filosófica, introdução à filosofia, política, filosofia da religião, etc. Mas enfatizo que não é um livro difícil! Minha motivação é que seja uma porta aberta para o desenvolvimento filosófico de cada leitor, seja iniciante ou experiente. Onde podemos comprar o seu livro? Carlos Vargas - O livro está sendo vendido no site e nas lojas da Chiado Editora (www.chiadoeditora.com), cuja sede é em Lisboa, Portugal. Também está sendo vendido no site e nas lojas curitibanas da Livrarias Curitiba (www.livrariascuritiba.com. br/). Eu estou vendendo alguns exemplares que são solicitados pessoalmente, em eventos, por

e-mail (sammler@gmail.com) ou pelo facebook (http://facebook. com/carloseduardo.vargas.395 ). A Chiado Editora está enviando o livro para ser vendido nas Livrarias Saraiva e Cultura. Em Portugal, o livro estará disponível nas livrarias portuguesas Fnac Online, Wook, Bertrand Online e Sítio do livro. O Instituto de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio também pretende vender o livro no Brasil, em Portugal e na Espanha. Quais os seus principais objetivos como escritor, pensas em publicar um novo livro? Carlos Vargas - Quero continuar publicando poesias, contos e artigos em antologias, revistas acadêmicas e no Projeto Divulga Escritor. “Félix em Busca do Ser Humano” é meu primeiro livro solo, mas pretendo publicar outros. Já estou revisando um livro de poesias que pretendo publicar até o próximo ano. Até 2016, pretendo completar o meu próximo livro de contos, narrando as aventuras rurais de Zezinho, um personagem que criei inspirado nos meus filhos. Como estou fazendo doutorado em filosofia, pretendo publicar um ou mais livros com os resultados da minha tese e dos meus artigos filosóficos. Outro projeto é começar a publicar em inglês, o que deve acontecer após a minha participação no encontro anual do Husserl Circle, que, neste ano, será sediado no Dartmouth College (Hanover, NH, EUA). De que forma você divulga o seu trabalho literário? Carlos Vargas - Eu ainda estou aprendendo a divulgar minhas Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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obras literárias, mas tenho utilizado principalmente a internet e o contato pessoal. Penso em criar um blog, mas utilizo principalmente o Facebook. A Chiado Editora também divulga o meu livro na Internet e nos catálogos para as livrarias. Quando ocorreu o lançamento, fiz pequenos panfletos para distribuir. Também divulguei nos jornais, portais e revistas que possuem agenda cultural e tive uma boa resposta. Depois da Copa do Mundo, pretendo investir mais em eventos culturais, incluindo doações para bibliotecas, onde meu livro ficará à disposição dos leitores. Como meu livro pode ser usado como paradidático, será essencial divulgá-los em faculdades e nas escolas para que os professores comecem a adotá-lo.

nos encontros e nas feiras literárias, que devem ser incentivadas.

Como você vê o mercado literário brasileiro? Carlos Vargas - Há dificuldades, inclusive nos aspectos da economia como um todo, mas é possível encontrar muitas portas abertas, como eu sou testemunha. A concorrência é muito grande entre editoras, livrarias e autores, mas percebo que há muita diversidade em nosso panorama literário. Há grupos grandes, mas há espaço para pequenas editoras e para a autopublicação. Uma novidade interessante está vindo com os livros digitais, mas talvez ainda seja cedo para avaliar o impacto deles no mercado editorial. Um exemplo de ajuda da tecnologia é a Internet, que facilita a comunicação entre leitores, autores e editoras, além de ajudar a encontrar os livros e fazer as compras. Também tenho muita expectativa

Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil? Carlos Vargas - Penso que a principal ajuda para o mercado literário está na melhoria do nível cultural. O mercado editorial brasileiro é um dos maiores do mundo, mas poderia ser maior se os brasileiros lessem mais. A melhoria da cultura passa pela formação das pessoas, o que exige um esforço individual, mas também é possível pensar em uma política continuada, que valorize tudo aquilo que é relacionado com a educação: professores, livros, tradutores, revisores, editores, livrarias, bibliotecas, etc. O mercado editorial não pode depender apenas do governo e também não pode pensar apenas em retorno financeiro. Eugen Rosenstock-Huessy mostrou a relação entre a lingua-

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gem e as crises na sociedade. É preciso reconhecer que o escritor tem um papel fundamental na manutenção da linguagem em uma sociedade. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor Carlos Vargas, que mensagem você deixa para nossos leitores? Carlos Vargas - Minha mensagem é de gratidão pelo apoio que tenho recebido de diversos segmentos da sociedade. Também deixo uma mensagem de incentivo: nunca é tarde para aprender mais. Confiem na capacidade humana: podemos nos desenvolver e sermos melhores do que somos, pois temos a dimensão da transcendência. A cada passo que damos na direção do crescimento cultural, podemos encontrar novos amigos que podem nos ajudar, na medida em que enfrentamos problemas parecidos. Não nos deixemos desanimar pelas dificuldades. Essa é a lição do “Félix em Busca do Ser Humano”. Nesses contos filosóficos encontramos um instrumento para aperfeiçoar nossa capacidade de diálogo reflexivo. Esse livro é valioso, pois oferece critérios filosóficos para enfrentar problemas que nos afetam diariamente.

Participe do projeto Divulga Escritor https://www.facebook.com/DivulgaEscritor


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Por Patrícia Dantas Licenciada em História e Pós Graduação em Turismo de Base Local (UFPB), blogueira, poetisa, colunista de alguns portais e revistas eletrônicas pathdantas2012@gmail.com

COLUNA: ENTRE IDEIAS & ATOS

O encantamento dos deuses pelos mortais

I

ntocáveis no mundo, sim, é como algumas pessoas são. Assim, costumo olhar e observar com meu olhar um tanto mais profundo que o normal, algumas situações que fazem algumas pessoas se destacarem e parecerem que guardam uma infinitude no ser, um quê a mais do que possuem os outros - os que chamamos de apenas mortais - porque são tão finitos como o fim de um dia de chuva – daqueles que molham, esfriam, umedecem, e quando menos esperamos logo aparece aquele dia cheio de raios quentes e dourados, com um rei esbelto lá no alto. Há quem prefira os dias mais frios para acalentar e cuidar da alma, e há também os que preferem os dias mais quentes para voar no horizonte. Todos têm o direito de escolher, somos livres para isso. Tenho esse jeito meio clínico em relação às pessoas, olho e vejo a forma de estarem no mundo, como se portam, como são vistas, e muitas vezes até como gostariam que fossem. Não, não cursei Psicologia, a minha psicologia maior é a da vida – a que tenho e perscruto todos os dias, sem meios-termos e com intensa vontade de desvendá-la por inteira, mas perderia toda a graça, já que o mistério todo consiste em não saber. Mas algumas situações parecem que não casam, não se ajustam à nossa mais aguda percepção. Como as pessoas simplesmente se vão? Como, de um dia para o outro, não estão mais aqui entre a gente? Como resolvem nos deixar, assim, sem ao menos uma carta de despedida? E sua família, seus amigos, seus conhecidos, seus desafetos? Sim, todos se interessam e gostariam de uma explicação convincente antes da pessoa pegar as malas e partir para bem lon-

ge, para nunca mais voltar. Sorte para quem acredita em outras formas de vida, para estes, existe o alento e a compaixão (e talvez até uma despedida secreta) para os que choram sem acreditar nessas viagens tão bruscas, sem avisos prévios, como uma surpresa para os desavisados e uma mudança de vida. É assim, não temos noção das horas que passam! Seria muito entediante pararmos para olhar as horas, ter a cruel consciência da sua passagem minuciosa e acompanhar seus passos desajeitados em nossa pele, marcando sons, batidas e sabores para todos os momentos, como uma infindável feira com tudo misturado, sem nos oferecer a melhor opção. É meio confuso e difícil de nos encantar com horas tão curiosas, aleatórias e loucas, que se intrometem sempre na vida da gente, sem pedir permissão. Digo sempre que não preciso saber para onde elas vão, não me interessa seus planos tão bem arquitetados, como quem está sempre tramando algo e traz sempre a melhor carta na manga, prestes ao grande truque. Na mitologia grega existem dois personagens que nos comovem e revelam o encantamento e fascinação que os deuses podem ter pelos mortais. Eros e Psiquê, um deus e uma mortal. O amor e a alma. Uma atração fatal. Uma simbiose. Uma história de luta, poder, inveja, encontros, descaminhos, transformação, amor, vida, união e eternidade. Poderia ser a história de qualquer homem que vive e deseja ir além do que está escrito, buscar a liberdade da alma diante do amor; a história do homem que morre para passar por uma metamorfose e viver agora com outras asas que alçarão voos mais altos, mais leves, mais belos e sublimes.


Entrevista escritores Catia Mourão e Johnatan Souza “Catia Mourão é apaixonada pelo mundo da literatura desde menina, quando aos sete anos sua tia, que é educadora e poetisa, lhe presenteou com exemplares de Ilíada e da Odisseia de Homero. Johnatan Souza é um jovem profissional do mercado literário de São Paulo e tem como maior paixão a literatura fantástica. “Ambos tinham um sonho em comum: escrever um romance fantástico de sucesso, em que a história fosse ambientada principalmente em nosso país. Com esse objetivo em mente, a dupla de autores se uniu e juntos criaram a saga Mais Além da Escuridão.” Boa Leitura a todos!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Primeiramente, é um prazer contarmos com a participação de vocês no projeto Divulga Escritor. Catia, conte-nos em que momento você e o Johnatan iniciaram a escrita de “Mais Além da Escuridão”? Autores - Iniciamos o projeto há aproximadamente um ano e meio. A princípio a ideia era escrever um único livro, mas durante o processo de criação a trama tomou outra proporção, então optamos pela série. Que metodologia está sendo utilizada para a escrita do livro a dois? Autores - Muita gente nos faz essa pergunta. A maioria imagina que cada um escreve um capítulo ou fica responsável por um determinado personagem, mas não é assim que acontece. Na verdade escrevemos juntos, revisando e trocando ideias a cada trecho. Não poderia ser de outra maneira ou não conseguiríamos passar para aos leitores a sensação de homogeneidade na íntegra da obra. Como foi a escolha do enredo e personagens? Autores - Somos dois apaixonados por literatura fantástica e o tema era uma ideia antiga, então quando a oportunidade surgiu, tivemos apenas que partir para a criação dos personagens. Os personagens centrais apresentam alguns traços e características de nós mesmos e os personagens secundários, assim como muitas situações representadas na trama, foram inspirados em pessoas com quem nos relacionamos e também em experiências vividas ou observadas no dia a dia, sempre em levando em conta à própria evolução Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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e o amadurecimento dos personagens ao longo da história. Talvez por isso os leitores se emocionem e se identifiquem tanto com nossos personagens, já que muitos deles se veem em situações que vão de encontro a suas próprias experiências e anseios. A obra está dividida em quantos volumes? Autores - Mais Além da Escuridão terá seis volumes. “Entre Nós” foi o primeiro e o segundo volume será “Revelações”, que já está quase pronto. O pré-lançamento será dia 31/08 na 23ª Bienal do livro em São Paulo. Conte-nos sobre o conjunto da obra, de que forma está contextualizada? Autores - Os três primeiros volumes da série narram à história dos personagens centrais, desde o momento que seus caminhos se cruzam até o final da trama, com a batalha épica entre anjos e os vampiros. Os volumes seguintes (4, 5 e 6) contarão a história de vida pessoal de cada um dos três personagens centrais. Assim teremos um livro que conta a história da Carlie antes e depois de ser convertida, até conhecer o anjo. Um livro que vai contar a história do anjo, antes e depois de sua queda e a busca pela redenção. E um livro que contará a trajetória de Donovan, desde seu “nascimento” até sua paixão por Carlie, motivo pelo qual ele renegou seu clã de origem. Onde podemos comprar o livro? Autores - Por enquanto no Clube de Autores através do link www.clubedeautores.com.br/book/158582-20

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Mais_Alem_da_Escuridao. Em breve estará disponível também nas grandes livrarias on line, como a Amazon, a Kobo, a IBA e outras. O que os leitores podem esperar em “Revelações”? Autores - Muitos segredos que ficaram ocultos em “Entre Nós” serão revelados no segundo livro e também surgirão novas situações que os leitores nem imaginam. Vários personagens novos entraram na história e alguns deles terão papel fundamental no final da trama. De que forma vocês divulgam o seu trabalho? Autores - Iniciamos o trabalho de divulgação da obra principalmente através das redes sociais e das páginas especializadas em literatura. Com isso, começamos a ser descobertos pelos Blogs literários e surgiram os primeiros eventos e agora a oportunidade para participar da Bienal.

Quais as mudanças que vocês consideram necessárias para o mercado literário no Brasil? Autores - A principal dificuldade para os autores brasileiros e ter a oportunidade real de apresentar sua obra para as grandes editoras, que em geral, só se interessam por obras de autores estrangeiros ou depois que o autor consegue alguma notoriedade. O trabalho árduo de divulgação inicial para ganhar espaço e reconhecimento acaba recaindo sobre os próprios autores. Longe de nós a intenção de criticar as editoras. Entendemos que existem questões financeiras e comerciais, que envolvem a publicação de um livro. Mas acho que os leitores já mostraram que gostam e estão abertos a obras de autores nacionais e as editoras deveriam repensar suas estratégias de seleção, na hora de definir o que vão ou não publicar. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Agradecemos pela participação no projeto Divulga Escritor. Foi muito bom conhecer melhor a dupla Catia Mourão e Johnatan Souza. Que mensagem vocês deixariam para nossos leitores? Autores - Que continuem valorizando os autores nacionais porque só vocês podem mudar a realidade do mercado literário em nosso país e para aqueles que são pais, incentivem seus filhos a ler. Não existe maior estimulante para o desenvolvimento do ser humano do que uma boa leitura.

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Participação Especial

Escritora Fabiana Juvêncio

Abuso Sexual e Direitos Humanos

O

abuso sexual tem sido considerado um enorme agravo à saúde pública, e a literatura especializada demonstra a existência, em diversos países, de programas de desenvolvimento para estudo, prevenção e tratamento. No Brasil, apesar do crescimento de pesquisas que investigam os efeitos desta forma de violência, aponta-se a necessidade de estudos para verificar a capacitação, formação do educador e sua atuação com a vítima de abuso sexual. A opção pela temática do abuso sexual, como objeto de pesquisa, foi estimulada pela grandeza impactante causado na essência do ser humano. Esta escolha foi dada pela elevada estimativa do abuso sexual em crianças e adolescentes como um dos monstruosos conflitos enfrentados na sociedade atual. O objetivo deste estudo é analisar a estratégia da escola diante dos casos de abuso sexual sob o olhar dos seus educadores. O presente livro surge a partir das anotações e do locus de pesquisa realizada por ocasião do Mestrado em Ciências da Educação efetivado na Universidade

Lusófona de Humanidades e Tecnologia – Lisboa/ PT, cuja pesquisa foi realizada numa Instituição escolar da rede pública municipal da cidade de Cabedelo, no estado da Paraíba/Brasil entre os meses de agosto a março, dos respectivos, anos de 2009 e 2010. A presente pesquisa de mestrado tem como objetivo analisar a estratégia do âmbito educacional diante dos casos de abuso sexual, adequadamente, em casos de suspeita de abuso sexual entre seus alunos. Estudo com este objetivo pode contribuir para qualificar o funcionamento da escola a crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, o qual no Brasil ainda apresenta sérias dificuldades para desempenho e aplicação das leis definidas pelo ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990). A Introdução apresenta o problema do abuso sexual contra crianças e adolescentes.Seu objetivo é definir o objeto de estudo, apresentado seus malefícios para o desenvolvimento psicossocial de suas vítimas, bem como, o meio utilizado pelo professor e a Escola em casos de ocorrência de abuso sexual.

Quanto à organização, este livro está estruturado em quatro capítulos conforme o que se coloca abaixo além das partes que tratam da Introdução, Referências. Uma vez que o fenômeno do abuso sexual foi tomado como categoria teórico-empírica central desta pesquisa, foram transcritos os relatos sobre o conhecimento deste tipo de violência de professores que são profissionais e atuantes da Educação. A pesquisa também tem uma vertente quantitativa, à medida em que no texto foi acrescentado estudos estatísticos sobre a temática, efetuados a nível internacional e no Brasil e se procurou estabelecer o confronto entre os resultados obtidos e os dados recolhidos e detalhadamente apresentados no seu quadro teórico. O sujeito da pesquisa foi composto por professores da Educação Infantil, Ensino Fundamental I e II. Todos os colaboradores do estudo são adultos e têm idades entre 25 e 50 anos. O Capítulo 1 foca o abuso sexual e a escola, o enquadramento jurídico quanto aos direitos e garantias e os artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente, como também, as consequências desRevista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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sa violência para o menor vitimado. A literatura pesquisada ofereceu subsídios para promover uma discussão a partir dos aspectos reflexivos sobre o abuso sexual e os males gerados por essa agravância. Ressaltamos os elementos de ordem conceitual relativos ao aprofundamento

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da temática escolhida, seguidos de uma retrospectiva sobre a origem e condições de implantação de formação continuada, sua institucionalização, os avanços e as limitações. No Capítulo 2, sob essa perspectiva de contextualização, foi definido o tipo de pesquisa, o universo estudado e os sujeitos que participaram da mesma, além dos instrumentos de construção dos dados, os procedimentos utilizados para tal construção e os instrumentos e técnicas utilizados na análise e interpretação dos dados construídos. O terceiro capítulo apresenta a análise e os resultados dos dados construídos ao longo desta investigação, a partir do levantamento de informações sobre o abuso sexual, observações e entrevistas. Com a utilização da técnica de análise de conteúdo, elucidamos os dados qualitativos e quantitativos que deram margem a inferências significativas para o estudo do abuso sexual. Nas considerações finais, comentamos o abuso sexual como gerador efetivo de grandes conflitos para a vítima e para o seu desenvolvimento mental e cognitivo. O Agravante tema necessita, na sua essência, estar contido no processo reflexivo dos profissionais da Educação; e, no entanto, em sua trajetória, tem contribuído pouco para a inovação da estratégia diante de casos de abuso sexual sofrido pelos alunos, devido a diferentes fatores, tais como: as raízes históricas; a ausência de informação/qualificação e, principalmente, de uma cultura de participação.


Entrevista escritor Helton Lacerda Helton Lacerda Dantas, 38 anos. Carioca. Formado em Cinema e Vídeo pela Universidade Federal Fluminense. As salas de aula marcaram de modo profundo a visão do autor quanto a relacionamentos. Tal vivência imprimiu um olhar sombrio capaz de detectar a ameaça por trás de cada sorriso, desde a época em que os colegas de turma eram apenas uma figuração que ensaiava às pressas essa grande tragédia que é a estrutura ácida e claustrofóbica da sociedade brasileira. “Por isso, “ler” continua a ser uma ação mágica. E é a solidão, que às vezes me incomoda, a única capaz de impor essa magia, primeiro pela disciplina, depois pelo prazer.” Boa Leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Helton Lacerda é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos o que o motivou a escrever o seu primeiro livro “Assim Falou Dona Creuza”? Helton Lacerda - Dona Creusa é inspirado numa tia. Ela morava no bairro Mallet, no Rio de Janeiro, e faleceu. Mas enquanto viveu, Tia Ivete foi a Dercy Gonçalves da família, falava alto, chamava as coisas pelos seus nomes, não importava que outros parentes mais sérios estivessem presentes. Mas, convenhamos, churrasco de sábado à tarde não é lugar pra gente séria demais. Essa maneira agressiva dela de falar causou forte impacto na minha infância, porque minha tia era desbocada, mas os gritos de meu pai, cobrando bons modos à mesa, também impressionavam. No meio desse festival de aspereza, havia esses encontros familiares onde quase sempre saia uma fofoca, e o clima pesava por meses. Dona Creusa representa isso - ser responsável por educar alguém, sem ter tido educação para isso. O resultado foi um livro longo. O poema nem está dividido em partes, o que facilitaria. Ficou algo pesado de ler, porque a ideia era transmitir a chatice, benéfica e torturante, de uma mãe infeliz que tenta forjar valores morais - da periferia - para que a filha se torne feliz. Tudo isso em versos quebrados e irregulares, como a vida de tudo o que é narrado em tom homérico de fofoca. Lembro que cheguei a enviar um exemplar deste livro à senadora Benedita da Silva. Outro, para o deputado Jair Bolsonaro. Que temas você aborda nesta obra? Helton Lacerda - Os temas são família, relações amorosas, convívio com a vizinhança e fatos cotidianos. Parte deste livro foi escrita nas horas vagas em que eu trabalhava como atendente comercial em uma agência dos correios, num bairro tido como violento. Gardênia Azul. Cenas de execuções sumárias que ouvi em conversas regadas a muita cerveja foram parar naquelas páginas. Assim como a cena do pai que foi buscar Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Porque mostra, além da indiferença, o quanto é ruim a diferença de tratamento, quando o conceito de amizade se torna refratário ao que é considerado não-militante, não-coletivista. Personalidade e intimidade se tornaram barreiras numa juventude tão insegura que, sem autonomia para agir ou reagir, recorre à lei para se defender contra o assédio. “Porte de Arma para Poetas” é uma ferramenta para afiar os punhais do nosso olhar para estas e várias outras humilhações - que não são apenas por centavos, no caso dos ônibus; nem apenas por transtornos psiquiátricos, no caso de qualquer escola invadida a tiros.

o filho preso na delegacia e, ao saber que o motivo da prisão foi por causa de maconha, criticou a polícia por falta de pulso dizendo “ué? Mata!” Sem dúvida, um livro que eu concebi para ser adotado nas escolas. Quando você escreveu o seu primeiro livro já tinha planos para publicar o segundo? Em que momento você começou a escrever o seu livro “Porte de Arma para Poetas”? Helton Lacerda - “Assim falou Dona Creusa” foi meu primeiro livro com formato e propósito definido. Antes dele, a minha produção foi caótica e movida apenas pelo ódio. Tentativas experimentais e sem relevo que não geram interesse justificável. Eu penso que quando o escritor encontrou, dentro de si, aquela área onde existe um cordão de isolamento emocional, é dali que partirá o estímulo necessário para a grande insatisfação que nos faz desconfiar quando algo ficou por dizer. No meu caso, das experiências que acumulei - e que me servem de base para criação - a sala de aula foi a mais enriquecedora, por causa do seu lado degradante. Mas por que não falar de coisas boas? Todos nós sabemos o que há de bom no tal convívio - se é que isso ainda existe - na sala de aula. O problema é que essas coisas boas dão trabalho, e muito, para serem vistas. E mais ainda, para serem vividas. Já o que há de pior é considerado normal. Coisa da idade. E da modernidade. “Porte de Arma para Poetas” foi escrito contra a falta de autonomia para lidar com as agressões 24

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vindas daqueles que pensam que estão ajudando. Contra os pais que não conhecem seus filhos. Contra a famigerada década de 1990, com a morte da predisposição à amizade. Como foi a construção do seu livro “Porte de Arma para Poetas”? Helton Lacerda - “Porte de Arma para Poetas” foi concebido para guiar o leitor por um percurso de revoltas. Uma vez eu vi o comentário de uma ex-colega de turma (a quem eu já não dirijo a palavra há anos, por estupidez dela). Pois a estúpida comparou a internet a um pátio de hospício, com as pessoas falando sozinhas. Eu penso que o pátio do hospício ainda pode ter mais valor moral do que certas famílias onde o coronelismo casamenteiro impera. Este é um livro que julga e que acusa.

De forma geral qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus textos literários? Helton Lacerda - A mensagem que eu procuro passar é a de que sempre é possível ir de um extremo ao outro, para ser respeitado. Ou seja, se na véspera o cara era avo de chacota, o sujeito é zuado até os ossos, rebaixado, de fazerem o coitado chorar; e, no dia seguinte, ele paralisa pelo medo, com a própria existência. Onde podemos comprar os seus livros? Helton Lacerda - “Assim falou D. Creusa” está no site da LP-Books Livraria. Já o “Porte de Arma para Poetas” está no Clube de Autores(www.clubedeautores. com.br), onde também há um terceiro livro meu chamado “Seu Esteves - a Saga do Machão-Con-


versinha, Teoria e Prática da Safadeza”, sobre uma figura folclórica, morador de Bangu e conhecido pela grosseria e falta de tato nas relações familiares. Quais os seus principais objetivos como escritor? Pensas em publicar um novo livro? Helton Lacerda - Meu objetivo é denunciar coisas que são inaceitáveis, porém vistas como rotineiras, e até tradicionais. E isto para muito além de um mero conflito de gerações num país onde nem precisa mais ser idoso pra ser desqualificado como velho. Basta ter nascido uns cinco anos atrás para ser chamado de “bad option”, na terminologia sofisticalóide de Fernando Henrique Cardoso. Edgar Morin escreveu que o não-político é comportado pela política. E todas as relações afetivas são, por uma desgraça secular, politizáveis. Por isso, eu vou revisitar a década de 1990 em meu próximo trabalho. Será sofrido porque vou trazer à baila muito do que aconteceu comigo. Se na época dos hippies, os professores eram vistos como inimigos. Nos anos 90, o inimigo eram as famílias dos colegas de turma. Hoje, são os próprios colegas. Quais os principais hobbies do escritor Helton Lacerda? Helton Lacerda - Se fazer provas de concurso público puder ser considerado um hobbie, eu agradeço à iniciativa privada que perdeu credibilidade, num mercado nada confiável, e que fez com que se criasse um funcionário público mais proativo, decidido a não mais se submeter a nada além

de uma simples e austera cadeia de comando, sem bajulação de qualquer espécie. Trabalho também pode ser um hobbie. Amo o que faço, mas já não faço tanta questão que me amem. Quando um hobbie é solitário, elimina-se o que mais poderia trazer problemas: a convivência. Por isso, “ler” continua a ser uma ação mágica. E é a solidão, que às vezes me incomoda, a única capaz de impor essa magia, primeiro pela disciplina, depois pelo prazer. Como você vê o mercado Literário no Brasil? Helton Lacerda - Poucas pessoas falam sobre a necessidade de se reconhecer o ofício de escritor como profissão. Propostas semelhantes já foram rechaçadas em debates no Congresso Nacional. E não há mesmo um consenso. Não há mesmo sequer o que eu possa chamar de categoria organizada de forma sistêmica, abrangente e inclusiva. No momento em que concedo esta entrevista, há um movimento reivindicatório coletivo de paralisação das atividades dos agentes públicos ligados ao Ministério da Cultura. A Fundação Biblioteca Nacional está em greve por direitos a acordos trabalhistas que foram assinados e não foram cumpridos. Querem melhores condições de serviço, verbas, e tratamento digno aos aposentados . Pergunto: qual foi o escritor de renome nacional a se solidarizar conosco, indo pessoalmente aos locais públicos em que os trabalhadores se reúnem para debater os rumos do movimento? Hoje é 12/05. Primeiro dia de greve. O mercado edito-

rial tem a ver com isso porque o número ISBN, no cadastro internacional, é feito pela Fundação Biblioteca Nacional. O serviço vai ficar parado enquanto as instâncias decisórias governamentais não olharem para todas as possibilidades técnicas dos servidores com a seriedade necessária. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil? Helton Lacerda - Falando especificamente sobre a questão dos autores independentes, é candente a falta de acesso a uma estrutura logística de distribuição e de divulgação à altura de tornar vendável um produto, que não foi concebido para ficar encaixotado. Por mais mal escrito que esteja, ele tem valor. Se não pelo próprio livro, que se invista na pessoa, na figura, na persona midiática do autor. Mas isso eu deixo para os publicitários. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor Helton Lacerda, que mensagem você deixa para nossos leitores? Helton Lacerda - Numa sala de aula, só abaixe a cabeça se for pra escrever contra quem te agride.

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Entrevista escritor J. R. Digenio J.R. Digenio nasceu e foi criado na cidade de São Paulo. Formou-se em Administração de Empresas, é empresário e inventor por natureza, tendo exercido diversas outras atividades antes de dedicarse a este mágico e delicioso mundo da escrita, onde a realidade e a fantasia se encontram. Apaixonado pelo sobrenatural, “A Casa da Cristaleira” é seu romance de estreia e “1,2,3... Contos do Além”, seu primeiro e-book de contos. “Nunca deixem de ler e se informar, pois só assim estarão realmente preparados para ter uma opinião própria e não aceitarão que outros digam o que fazer e para onde ir.”

Boa Leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor J.R. Digenio é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos como começou o seu gosto pela paranormalidade? J.R. Digenio - Acredito que isso já tenha nascido comigo, o gosto e a curiosidade sobre tudo aquilo que não conseguimos explicar, mas, que, com um pouco de sintonia, podemos presenciar ou, pelo menos, achamos que sim. Em que momento pensou e começou a escrever o seu livro “A Casa da Cristaleira”? J.R. Digenio - Há aproximadamente 2 anos, não conseguia mais segurar o ímpeto de minha mente para escrever sobre um suspense com requintes de paranormalidade. Lembrei-me, então, de um fato curioso que acontecia na minha antiga residência. Na sala de televisão, havia uma cristaleira que separava a sala de jantar e, quando assistíamos alguns programas à noite com a luz apagada, toda vez que me dirigia para a cozinha, ainda no escuro (gosto muito de vagar pela casa no escuro, coisa de louco, kkkk), me via contemplando os reflexos azuis em movimento, formados pela luz da tv que passava nos cristais e, assim, surgiu a ideia para o livro. Como foi a construção do enredo e personagens? J.R. Digenio - Como a livro começa aqui no Brasil e logo vai para uma

linda e pitoresca cidade nos E.U.A., Englewood, tive de pesquisar muito sobre o local e adjacências, costumes e fatos históricos, tanto recentes, como da fundação da região de Wall Street. Os personagens foram aparecendo a medida que ia desenvolvendo o enredo e, quando me deparei, eles já haviam ganho vida própria, às vezes tendo muito mais importância do que eu imaginava. Você gosta de escrever textos paranormais, conte-nos qual a mensagem que quer transmitir ao leitor através de seus textos literários? J.R. Digenio - Na verdade, o que eu mais gosto de fazer é entreter os leiRevista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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tores, com histórias que poderiam ou não ser reais e, lógico, deixá-los com um pouquinho de medo e receio, já que se trata de um assunto ainda considerado tabu. O que mais quero transmitir, na verdade, é que esses fenômenos paranormais existem sim, mas que não devemos ter medo, pois na maioria das vezes são inofensivos e, quem confia em Deus, não precisa temer. Onde podemos comprar o seu livro? J.R. Digenio - Pela internet, é possível comprá-lo na maioria das grandes livrarias, inclusive na versão e-book. Passarei o site da editora, onde o frete é grátis e o preço é o menor de todos: http:// www.editorabarauna.com.br/a-casa-da-cristaleira.html De que forma você divulga o seu trabalho? J.R. Digenio - Principalmente pela internet, com a ajuda de blogs literários parceiros, twitter e facebook. Também comparecerei a alguns eventos literários principais; já estou confirmado na Flipoços, em Poços de Caldas, MG e na Bienal de SP, por enquanto. Quais os seus principais objetivos como escritor? Pensas em publicar um novo livro? J.R. Digenio - Na verdade, meu principal objetivo é ser um escritor em tempo integral, podendo dar andamento aos meus próximos 7 livros, já com nome, resumo e sinopse, sempre de suspense paranormal. Gostaria também de divulgar meu e-book de contos, lançado pela Amazon. É uma leitura rápida e bem diferente do 28

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usual, chamada “1,2,3... Contos do Além”. O link do site é: http://www.amazon.com.br/ Contos-Al%C3%A9m-J-J.R. Digênio - Digenio-ebook/dp/B00JH1AWG0/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1 397046253&sr=8-2&keywords=c ontos+do+al%C3%A9m Quais os seus principais hobbies? J.R. Digenio - Gosto muito de filmes, seja no cinema, tv a cabo ou blu-ray, mas adoro viajar e conhecer lugares e culturas diferentes. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil? J.R. Digenio - O mercado editorial brasileiro é muito fechado para autores nacionais, preferindo os estrangeiros, mesmo que as suas obras sejam duvidosas. Sem incentivo, não há como “surgir” novos talentos, pois na prática, as editoras preferem pegar um livro pronto que já vendeu em outros países e publicar sem riscos aqui, a apostar em boas histórias vindas da própria nação.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor J. R. Digenio, que mensagem você deixa para nossos leitores? J.R. Digenio - Nunca deixem de ler e se informar, pois só assim estarão realmente preparados para ter uma opinião própria e não aceitarão que outros digam o que fazer e para onde ir. Lembrem-se de que o nosso futuro só depende de nós mesmos e não abdiquemos de nosso posto de protagonistas do futuro, mudando o hoje. Gostaria de agradecer a Shirley M. Cavalcante e o Divulga Escritor pela oportunidade de passar um pouco do meu mundo para essas pessoas lindas que amam a leitura. Para mais conhecimentos sobre minhas obras e/ou sobre mim e também interações e sorteios de livros, passo alguns links: www.jrdigenio.com.br Participe do projeto Divulga Escritor https://www.facebook.com/DivulgaEscritor


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Por Jonatan de Souza Santos

COLUNA: PENSE LITERATURA PENSAMENTO: BREVES IMPRESSÕES DA RESISTÊNCIA “El corazón de los sabios está en la casa del luto” Eclesiastés 7:4

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essa curiosa epígrafe percebo o sábio como a persona resistente, aquele que escapa-se do costume tangente. O desacostumado é considerado descontextualizado, o que está fora do meio, profano, fora do templo, o templo da bonança alienante. O mundo conformista é calcado na alegria, é no conforto do espírito enganado que se faz o tolo, o sossegado, distante de insistir numa vida digna, pois não há nele nem a capacidade de reconhecer um mundo tão desrespeitoso, tão injusto, tão negligente. Percebo o sábio na luta pela defesa do que se acredita, o sábio resistente põe-se contrário ao meio passivo, tornando-se ativo, e a situação para isso é tornar-se consciente. O que o sábio resistente acredita nunca é o que o povo na esfera tangencial acredita, e nesse impasse há de se determinar algumas impressões. O sábio resistente ocupará a posição marginal, assim como ocupa Antônio Conselheiro na luta por Canudos, numa atitude messiânica; esteve longe dos perímetros regionais do poder

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dominante, atuando com a força resistente no sertão onde tudo é ermo, mas forte. O sábio resistente é visto como um louco, assim como é visto Policarpo Quaresma na defesa de uma originalidade identitária, tomando um papel de visionário, protetor do sonho patriótico, mas que no fundo era mesmo a proteção de uma pátria mais solidária, mais justa. Assim “en la casa del luto” o sábio resistente possui a força maior, é nesse momento difícil cujo coração se molda; o povo tangencial não se interessa pelo luto, não gosta de ver a morte, porém é ali que se vê o destino de todo homem, que se reconhece o verdadeiro trajeto da existência. A palavra existência veio à tona, e é nessa palavra que repousa o sentido implicado ao resistente de espírito, o existencialismo se caracteriza por estar numa posição de distanciamento a si mesmo, propício para enxergar a próprio condição vital. No momento da morte percebemos a fraqueza mais acentuada dos néscios, e menos acentuada dos sábios resistentes, pois estes já estão acostumados com essa percepção. A percepção de que a vida pode ser mais digna fora de uma rotina miserável. Trata-se pois na vida do sábio resistente vida consciente, à luz das verdadeiras faces por trás da carnavalesca máscara. A vida resistente é uma vida filosófica, um caminho de observação à própria vereda, sendo atrativos as especulações, questões e pensamentos da vida e da morte. Diria pois que “el corazón de los sabios está en la casa de la conciencia”.


Entrevista escritora Lígia Beltrão Nasci em Tupã-SP em 12/03/1957. Filha de pais pernambucanos, viemos embora fixando residência em Garanhuns, de onde sai quando casei, aos dezessete anos. Depois, vim morar em Recife, onde estou até hoje. Escrevo desde muito cedo, com preferência para a poesia, mas gosto também de contos e crônicas. Tive poesias premiadas em alguns concursos nacionais, tendo um poema figurando na Antologia Valores Literários do Brasil de 1987. Fiz uma pausa na vida literária por imposição do marido. Hoje, viúva, mãe de um casal de filhos e avó de quatro netos, retomei minhas escritas e estou com livros prontos e produzindo outros, esperando publicá-los em breve. Estou me preparando para cursar Jornalismo ou ciências sociais. Escrevendo sempre. Terei dois poemas figurando na Coletânea Confissões, da Editora Darda do Rio de Janeiro, que sairá neste próximo mês. “Fui convidada a ingressar como colunista do Divulga Escritor em Fevereiro de 2014. Desde então, minha vida literária tem avançado bastante com a divulgação do meu trabalho, vendo-o muito bem aceito no país e fora dele, visto o número crescente de visitas em minha página e os pedidos de amizade e de interação, incluindo, ai, escritores que têm me enviado mensagens elogiosas, nascendo assim, grandes e harmoniosas amizades.” Boa Leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Lígia Beltrão é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que a motivou a ter gosto pela escrita? Lígia Beltrão - O prazer é todo meu por estar aqui, falando um pouquinho da minha vida. Era bastante tímida, foi quando descobri que poderia “falar” tudo o que sentia ao papel. Estava certa. Com quatorze anos já me destacava no grupo jovem do teatro da cidade, do qual fazia parte, inclusive escrevendo uma peça: A Órfã, que foi encenada com sucesso e o teatro lotado aplaudiu de pé. Na época, não dei muito valor a isso, não tinha consciência da importância das artes. Era muito boba. No colégio, já adolescente, era reconhecida por gostar de escrever e destacava-me nas redações tirando notas altas. O segredo para a facilidade com a escrita vinha da leitura constante de jornais, revistas e principalmente bons livros. Sonhava alto em ser uma grande jornalista e uma escritora reconhecida. Viajava mesmo pelo mundo das letras. Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Que tipos de textos gostas de escrever? Lígia Beltrão - Gosto de escrever, mas sei que preciso aprender muito para elaborar um bom romance, o que espero conseguir um dia. Escrevo porque tenho a sensação de extravasar todos os sentimentos de dentro de mim. Gosto de contos e caminho pela crônica, com a mesma paixão dos poemas, mas como sou muito romântica a poesia me seduz completamente. Algumas pessoas leem um texto meu em prosa e elogiam como se fosse um poema. É interessante isso. Que temas você aborda em seus textos literários? Lígia Beltrão - O amor. Principalmente o amor, com todas as suas caras, características e dores, exaltando os sentimentos circunstanciais que imperam no dia a dia da vida. Tanto na minha, quanto na dos outros. Observando acontecimentos, passeando pelo romantismo, pela sensualidade, sexualidade, religiosidade, a morte e todas as coisas e dores “agoniosas” do ser humano. Mas gosto também de descontrair, passar alegria e esperança. Tenho leitores que dizem aprender muito com o que digo. Às vezes, servem como autoajuda. Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus escritos? Lígia Beltrão - Tenho uma ânsia grande de mostrar os meus eus acumulados, que são muitos e aflorados, como também a necessidade de passar para o leitor, além da magia das palavras, uma 32

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reflexão a respeito da vida e dos sentimentos que habitam em nós, criaturas. Muitas pessoas me dizem que eu escrevo para elas. Há uma identificação grande, talvez porque eu escrevo as dores e os amores que todos sentem e não sabem como mostrar ou como falar. Na verdade, acordo o leitor para os sentimentos que vivemos no dia a dia, quase sem percebermos. Isso é muito bom. Como se fosse um espelho: eu escrevo e o leitor se vê naquele texto. Há reflexo. Pensas em publicar um livro? Lígia Beltrão - Sim. Claro! Penso em publicar muitos livros, se Deus quiser. Tenho uns de poesias prontos para serem editados. Estou procurando uma boa editora. Estou organizando outro de crônicas e estou juntando alguns contos também. E em breve, quem sabe, surgirá um romance. Para isso, continuo aprendendo a escrever. Recebi alguns convites para publicar meus textos, há algum tempo, o que infelizmente, por conta de problemas pessoais, não foi possível. Acabei dando “um tempo” na minha relação com a escrita. Recomeço agora, com objetivos bem definidos, pois escrever é como respirar, ou seja, não posso parar, porque escrevendo, desnudo-me e encontro-me com o mundo e comigo mesma. De que forma divulgas os seus textos literários? Lígia Beltrão - Eu nunca divulguei meus escritos, guardava só para mim. Meus papeis eram meus confidentes imaginários, que me

ouviam e continuavam ali, mudos e confiáveis. Uma pessoa que muito amei, antes de morrer, pediu-me que eu escrevesse bastante e mostrasse ao mundo, pois iria fazer-me bem. Atendendo a esse pedido, comecei a postar nas redes sociais. Divulgo em páginas e grupos ligados à literatura, na internet. Tendo uma página no Facebook (www.facebook.com/ligiabeltrao) comecei a publicar poesias, crônicas e micro contos, surgindo dos leitores elogios e cobranças por um livro. Desde Fevereiro sou colunista do site Divulga Escritor (http://www. divulgaescritor.com/products/ ligia-beltrao-colunista ) e através deste, meus escritos estão atravessando o Atlântico, trazendo-me amigos, escritores e poetas, além de grande visibilidade aos meus textos. Conte-nos sobre sua experiência como colunista Divulga Escritor. Lígia Beltrão - Fui convidada a ingressar como colunista do Divulga Escritor em Fevereiro de 2014. Desde então, minha vida literária tem avançado bastante com a divulgação do meu trabalho, vendo-o muito bem aceito no país e fora dele, visto o número crescente de visitas em minha página e os pedidos de amizade e de interação, incluindo, ai, escritores que têm me enviado mensagens elogiosas, nascendo assim, grandes e harmoniosas amizades. Quero agradecer e parabenizar a todos os que fazem esse site, ressaltando sua importância, para nós, que mexemos com as palavras e, especialmente, para mim. É um orgulho fazer parte deste elenco.


Quais os principais hobbies da escritora Lígia Beltrão? Lígia Beltrão - Gosto de cinema, teatro, boa música, palestras, encontros com amigos para um gostoso papo e, claro, ler. Por falta de tempo, não estou lendo o tanto quanto gostaria, mas sempre tenho um bom livro à mão. E escrever, é para mim o maior de todos os hobbies, pois só me enche de prazer. Quando me sinto triste, gosto de olhar o mar e “conversar” com ele. Refaço-me. Como você vê o mercado literário brasileiro? Lígia Beltrão - Infelizmente, ainda anda devagar. Está melhorando, mas os passos são curtos. Nós damos muito valor aos escritores de outros países, quando temos espetaculares nomes, que inclusive estão se projetando lá fora. As editoras têm medo de investir nos autores pela insegurança do retorno, o que é compreensível, mas não deveria ser regra. Há muita gente boa por ai precisando de uma oportunidade. As magnificas Bienais e as feiras literárias, que temos hoje pelo país, estão levando o povo a viver e conviver mais próximo a autores e livros. Isso é bom e nos acena para um engrandecimento na arte literária, como um todo. É importante lembrar que as escolas têm o dever de estimular seus alunos a lerem. As coisas funcionam quando há interação. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil? Lígia Beltrão - É extremamente necessário que se criem bibliote-

cas, se estimulem os jovens a lerem e a conhecerem este universo espetacular dos livros. Quem lê aprende a falar, a escrever, a ouvir, a pensar... A universidade nos dá o diploma, mas não o conhecimento. A internet está se tornando um veículo propagador da literatura com editoras virtuais e a facilidade de livros e revistas. Os preços dos livros deveriam ser menores, visto que a grande maioria do povo sem um melhor poder aquisitivo fica fora desse universo. As editoras, por sua vez, deveriam ousar mais, dando oportunidade para os autores mostrarem suas obras. Certamente, surpreender-se-iam com o que poderiam ganhar, não só financeiramente. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Lígia Beltrão, que mensagem você deixa para nossos leitores? Lígia Beltrão - Que leiam. Leiam cada vez mais e sempre. Valorizem o autor nacional porque é ele que conta a nossa história e a da nossa terra com as emoções de quem as vive. Invistam no conhecimento, porque esta é uma riqueza única, que ninguém a pode tomar. Quanto mais nosso povo souber, mais ricos seremos, o povo e a nação. Eu não poderia terminar essa entrevista sem pedir licença a você, Shirley, para cumprimenta-la pelo excelente trabalho que vem prestando ao mundo literário. Parabéns! Quero agradecer imensamente por essa oportunidade de abrir a mi-

nha vida para os leitores, através desta magnífica revista Divulga Escritor e dizer que o site foi um divisor de águas na minha vida, transformando-a, engrandecendo-a e dando-me prestigio de Escritora e Poeta, quando eu sou só uma mulher de sentimentos exacerbados e apaixonada pela vida, que está aprendendo a escrever. Obrigada, mesmo! Querida Ligia, fico sem palavras, parabéns a você por ser tão especial, o Divulga Escritor é nosso. Você é uma de nossas Estrelas. Parabéns, muito obrigada por fazer parte da nossa Família.

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COLUNA: VÍCIO DE VIAGENS

15 dias pela Itália Não poderia escolher melhor destino para uma lua de mel como a viagem que fizemos de 15 dias pela Itália. Um destino completamente apaixonante, pela beleza, pela história, pela cultura, pelas pessoas, pelo idioma e claro, pela gastronomia. Enfim, uma viagem tão cheia de detalhes que seria impossível descrevê-los em um só texto. Por isso, vamos por partes e pelo inicio da viagem que foi na cidade de Milão.

Milão - 2 dias Ahhhhhh Milão....o que dizer da capital da moda mundial???....Cidade moderna, agitada, que dá a impressão de que não pára um minuto, é uma mistura de São Paulo com monumentos históricos muito antigos e enormes. Sim, porque quando você se depara com aquelas construções milenares, você fica parado contemplando e tentando imaginar como aquilo foi feito há tantos anos sem a ajuda das tecnologias modernas, e se hoje seriam capazes de reproduzir tais belezas. Eu fiquei realmente deslumbrada, porque mesmo pesquisando na net coisas que estudei nos livros de história do colégio e vendo fotos, nada se compara a grandiosidade de se ver ao vivo e a cores. Chegamos a Milão a noite e só deu para achar o hotel e jantar nossa primeira pizza originalmente italiana. Meu professor de italiano

Duomo

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sempre me disse que as pizzas de lá não tem nada a ver com as do Brasil, e ele tinha razão. Primeiro: toda esquina tem uma pizzaria, ou um restaurante que tem pizza no cardápio. Segundo: existem poucos sabores de pizza lá e os mais tradicionais possíveis; o lugar que tinha mais sabores de pizza no cardápio, na viagem toda, só tinha oito sabores. As melhores que comi foram Marguerita, Napolitana e uma de salame picante que lembra nossa peperoni. Terceiro: realmente o sabor é diferente, é mais leve e mais adocicado, acho que o tomate deles é mais doce, e os queijos e frios tem outro sabor, tudo muito suave, não pesa na barriga, e a massa é bem fininha. Na manhã seguinte fomos ao Duomo de Milão, símbolo da cidade, que é a segunda maior catedral do mundo, mas o que impressiona mesmo é sua arquitetura gótica, achei estonteante. Você pode entrar na catedral e subir em seu telhado para apreciar a vista da cidade. Ao lado do Duomo está a Galleria Vittorio Emanuele, que foi o primeiro shopping do mundo. A galeria abriga lojas famosas da moda mundial, qualquer mulher enlouquece com aquelas vitrines. Stefanel, Prada, Chanel, Louis Vuitton, e muito mais! Os detalhes de arquitetura, no chão e no teto, tudo muito trabalhado e de uma riqueza sem igual.


Por Adriana Gomes de Farias Mais detalhes e sugestões você encontra no blog viciodeviagens.blogspot.com.br no instagram @viciodeviagens

Galleria Vittorio Emanuele

Atrás a Galeria tem uma pequena praça com a estátua de Leonardo da Vinci, e em frente a ela fica o Teatro Alla Scala que é um ponto turístico, mas estava fechado. Lá tem apresentações de peças e óperas, e uma pequena coleção de roupas, cenários, mascaras de época. Andando pelas ruas da cidade, chegamos ao Parco Sempione para ver o Castello Sforzesco. É fácil andar nas cidades da Itália, até nas grandes como Milão, a maioria dos pontos turísticos ficam próximos uns aos outros. Só pegamos o metrô do hotel até o Duomo. Então o esquema é mapa na mão e muita disposição. O castelo tem um pátio grande, alguns jardins, uma área com um museu, mas nós só caminhamos por ele e atravessamos até o parque que se localiza atrás do castelo. O Parco Sempione é enorme e lindo, uma mistura de cores nas folhas das árvores, a grana verdinha, pequenos lagos e pontes. Havia muitas famílias, crianças, turistas com suas mochilas e malas, ciclistas, cachorros. Adorei passear por dentro do parque, eu particularmente adoro parques. Arco della Pace e Porta Garibaldi

Castello Sforzesco e Parco Sempione

Terminamos o passeio no Arco della Pace, monumento de 25m de altura do período napoleônico. É um edifício em forma de um portão monumental com arco, geralmente construído em mármore com o objetivo de celebrar a vitória na guerra na era antiga. De noite pegamos um taxi para a Corso Como, uma avenida bem conhecida e recomendada aos turistas, cheia de bares, restaurantes e boates, onde a galera jovem frequenta. A rua termina no arco chamado Porta Garibaldi. Por ali jantamos e encerramos nossa visita a Milão. Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Entrevista escritor Pedro Irineu Pedro Irineu Neto nasceu em Recife, em 21 de Setembro de 1988. É advogado, formado em Direito pela UFPE em 2012. Leitor assíduo de grandes clássicos da literatura brasileira e universal, como Baudelaire, Guimarães Rosa e Machado de Assis, estreou na cena literária com o romance Pelas Mãos das Suas Amadas, pelo qual concorreu ao Prêmio Machado de Assis de Literatura, no ano de 2013, além de obter boa crítica por parte do público pernambucano, com apenas 6 meses de publicação. No mês de maio de 2014, há previsão de lançamento do seu segundo livro: Mulheres de A à Z – Ou Fragmentos de Casos que poderiam ter sido Romances. Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

“Eu honestamente não vejo nada demais em best-sellers como o Código da Vinci, Um Dia... Com todo os respeitos aos leitores desses livros, mas a literatura nacional ainda produz obras de igual ou superior qualidade, a ponto de estarmos nos rendendo a outros mercados...”

Escritor Pedro Irineu é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos o que o motivou a ter gosto pela escrita? Pedro Irineu - Aos doze anos eu fui presenteado pela minha Tia Mônica com o romance Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. A versão adulta mesmo, original. De início, não foi uma leitura fácil e eu quase desisti, mas persistente, terminei me admirando pela aventuras do cavaleiro andante. Com muita imaginação, me perguntei se não poderia inventar as minhas próprias estórias. Dez anos depois, mais ou menos, publiquei meu primeiro livro.

Boa Leitura!

Em que momento pensou em escrever o romance “Pelas Mãos das Suas Amadas”? Pedro Irineu - Eu comecei a escrevê-lo em Setembro de 2011, pouco antes ou pouco depois do meu aniversário. Estava no escritório de uma

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do nesse mote, também está a construção da personalidade personagem principal, o detetive Maia, alguém tendente ao drama e à luxúria, embora se ache racional e com elevada virtudes morais. A investigação sobre os crimes também será uma forma de autodescobrimento da personalidade do detetive. Há também alguns motes paralelos, como o misticismo e as crendices latentes na cultura nordestina de uma forma geral. Retratando esse misticismo e essas crendices, está a construção da cidade onde passa boa parte da trama, a cidade de Ouricuri. das empresas do meu pai, e então tive a ideia de que escrever um conto de assassinato, lá mesmo. O romance começou como um conto, pois. Mas aí eu tive outras ideias que se acoplaram ao conto e comecei a desenvolver o romance, que escrevi em mais ou menos um ano, enquanto cursava os últimos períodos da faculdade, estagiava, e preparava o meu trabalho de conclusão de curso. Como foi a construção do enredo e personagens? Pedro Irineu - O enredo gira em torno de uma investigação policial, mas o mote do livro é transmitir a ideia central sobre como é difícil, na maioria das vezes, você se desapegar sentimentalmente de determinada pessoa. Centra-

Soube que vem vindo um novo livro, podes nos contar um pouco sobre sua nova obra literária? Pedro Irineu - Sim. Será um livro de Contos, Crônicas e Poesias, e abordará o relacionamento do Eu Lírico com as Mulheres. Um pequeno livro de casos amorosos fragmentados, ou fragmentos de casos, retratados ora de maneira carinhosa, contemplativa, até piegas, ora apresentado de maneira erótica, lasciva, depravada mesmo. Esses casos poderiam ter se tornado romances, tanto no sentindo vulgar do termo (uma relação mais profunda, mais significativa) quanto no sentido literário mesmo, de estórias que deixam pontas e motivações para possíveis romances.

Onde podemos comprar o seu livro? Pedro Irineu - Na rede de livrarias Saraiva e Cultura. Em Recife, há exemplares nas lojas. Para outras cidades, é possível a encomenda. Também podem adquirir junto a mim, contatando-me por facebook ou pela fan page do livro. A depender do que for acertado, é possível até a aquisição autografada do exemplar. Você não gosta de livros de “Autoajuda”, estes tipos de livros costumam ser bestsellers, o que leva você a ter esta aversão ao tema? Pedro Irineu - A minha implicância já começa com o título de alguns deles... “10 maneiras de ser feliz...”; “Como conquista um homem em...”; “A arte de influenciar pessoas...”. Eles querem transmitir um determinado conhecimento de forma pronta e acabada, e alguns deles até com uma abordagem pseudocientífica, como se viver fosse algo a seu pautado por um simples manual. Para um leitor descuidado, desatento, eu considero isso alienante e ilusório, que pode até fazê-lo se sentir feliz e motivado naquele momento específico, em que ele está lendo o livro, mas que dificilmente será algo duradouro, porque viver é um exercício diário no qual é até sábio e aconselhável ter algumas regras práticas - típicas de um livro de autoajuda - mas depositar a esperança da solução dos seus problemas nessas regras, e acreditar que elas perfeitas e cem por cento eficazes, isso já é outra estória... Não é que a literatura não possa servir de “autoajuda”. Os Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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melhores romances geralmente são aqueles que trazem lições valiosíssimas sobre a humanidade, mas eles geralmente vem com um enredo fascinante também, ao contrário da pobreza literária franciscana de certos tipos de livros de autoajuda. Quais os seus principais hobbies? Pedro Irineu - Gosto muito de música, conversar com os amigos, conhecer novas pessoas e novos lugares, jogar tênis e futebol e experimentar alguns esportes radicais que não envolvam altura... Mas não sou muito excêntrico não. Quais os seus principais objetivos como escritor? Pedro Irineu - Sou um rapaz um pouco ambicioso, e como nenhum brasileiro ainda logrou atingir esse feito, espero consegui-lo: Quero ganhar o Prêmio Nobel de Literatura e ser sucesso de público e crítica, mas eu não deixo que essas expectativas me tirem o prazer de digitar cada palavra de uma estória, tal qual eu fazia quando era criança, despretensiosamente, embora eu goste de planejamentos. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil? Pedro Irineu - Parar de importar autores estrangeiros de qualidade duvidosa, e divulga-los como se eles fossem o supro sumo da literatura mundial, só por causa de uma nota do New York Times dizendo em letras garrafais “Excelente! Fenomenal!”. Mas por que excelente?! Por que fenomenal?! Eu honestamente não vejo nada demais em best-sellers como o Código da Vinci, Um Dia... Com todo os respeitos aos leitores desses livros, mas a literatura nacional ainda produz obras de igual ou superior qualidade, a ponto de estarmos nos rendendo a outros mercados... Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor Pedro Irineu, que mensagem você deixa para os nossos leitores? 38

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Pedro Irineu - Espero ter despertado o interesse para aquisição e leitura do meu romance, assim como pela minha figura como escritor. Agradeço também a oportunidade concedida pela Projeto Divulga Escritor, e gostaria de lembrar que todo escritor, começou, permaneceu e terminou como um assíduo leitor.

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Participação Especial

Escritoror Mário de Méroe

A carta nobiliária como bem imaterial transmissível Fragmentos do livro Tradições Nobiliárias Internacionais e sua integração ao Direito Civil Brasileiro, de Mário de Méroe.

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acelerado processo de incorporação e assimilação de culturas entre os povos trouxe crescentes transformações às sociedades humanas. Das consequências da saga globalizante, destacamos a transmigração de costumes nobiliários, que emolduravam apenas os cenários socioculturais de nações com tradição monárquica, mas que sobreviveram integrados à nova e grandiosa comunidade mundial. Nesse contexto, ao lado da preservação de direitos humanos fundamentais, manifesta-se também a possibilidade de cidadãos, nacionais ou estrangeiros, aqui radicados, ostentarem títulos nobiliárquicos hereditários, e eventuais querelas sobre sua sucessão, se aqui ocorrida, serem submetidas a deslinde perante as autoridades judiciárias locais. É sabido que a nobreza estrangeira, com investimentos de capital financeiro e tecnologia, esteve presente desde os primór-

dios da industrialização, e imprimiu sua marca na história pátria. Não há como desconhecer a alavancagem econômica e cultural que aportou com os Scarpa, Gomes da Costa, Matarazzo, Rossi di Montelera, Johan-Faber e muitos outros, que moldaram a realidade social da época. O legado patrimonial daquelas famílias foi incorporado ao panorama econômico nacional. Mas o status nobiliário e, especialmente, sua sequência, nunca foram objeto de maiores indagações, pela ausência de regulamentação dessa modalidade de sucessão hereditária no Brasil. Entretanto, ao lado do patrimônio tangível, concretamente inventariável, poderá haver uma carta nobiliária, representativa de uma riqueza imaterial transmissível e indivisível, enriquecendo os ativos patrimoniais do de cujus. O título nobiliárquico possui seu lastro em valores imateriais, representativos de padrões culturais e das tradições da sociedade à qual pertence a estirpe

do agraciado, constituindo-se em um bem de família, apreciável lato sensu. Se gravado de hereditariedade, integra o patrimônio histórico e moral do titular e gera expectativa de sucessão mortis causa, na conformidade do regramento originário da escritura de outorga. Cabe uma observação: os bens patrimonialmente avaliáveis são partilhados entre todos os herdeiros, cabendo a cada um o seu quinhão. A sucessão nobiliária, porém, contempla somente um herdeiro, pois o título de nobreza deve ser apanágio de um titular único e exclusivo, em cada geração. A herança civil é partilhada e transposta, do espólio do autor, diretamente para os herdeiros, sem outras formalidades que o ato legal de partilha, com os registros pertinentes, e recolhimentos dos tributos devidos. Já a herança nobiliária, como um bem moral transmissível, porém indivisível, mantém-se intacta quando da sucessão, pois haverá sempre um único beneficiário em cada geração. Nos países monárquicos, esse rito é previsto em lei, que prescreve todos os atos necessários à continuação do uso Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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do título pelo sucessor indicado no ato de constituição do título de nobreza. Se a Coroa concedente não mais existir como poder estatal no país de origem, a Casa Real remanescente, em exílio dinástico, poderá, validamente, dirimir eventuais controvérsias ou adotar providências, e avaliar pedidos sobre as sucessões nobiliárias de sua jurisdição. A sucessão nobiliária não segue a ordem de vocação hereditária, prevista na lei civil. A sucessão nas honras heráldicas segue estritamente a ordem estabelecida na carta de instituição, a qual pode não coincidir com a sucessão civil. Em outro artigo, mencionaremos algumas notas sobre os filhos adotivos, no tocante à sucessão nobiliária. O possuidor de título nobiliário não pode, moto proprio, cedê-lo, transferi-lo, aliená-lo ou alterar a ordem sucessória, em razão de não possuir o ius honorum, que se conceitua como o direito de conferir, validar e reconhecer honrarias, no caso, privativo de autoridades dinásticas. Eventual manifestação judicial sobre as condições sucessórias poderá emprestar-lhes aplicabilidade consentânea com o modus vivendi atual; não terá, porém, o condão de estabelecer, negar, confirmar, nem reconhecer as qualidades nobiliárquicas das partes, o que é atributo exclusivo e seara privativa das autoridades dinásticas. Importante ressaltar, também, que toda e qualquer orientação que for adotada em razão do pleito, tenha origem em decisão 40

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judicial ou em consenso familiar, terá, mutatis mutandis, efeitos peculiares semelhantes ao “direito de Pasárgada”, conceituado por Santos, Boaventura de Souza, limitando sua efetividade apenas às relações intrafamiliares.

NOTA: O livro Tradições Nobiliárias Internacionais e sua integração ao Direito Civil Brasileiro, de Mário de Méroe, encontra-se disponível na Livraria do site Divulga Escritor: http://www.divulgaescritor.

com/products/livro-tradicoes-nobiliarias-internacionais-autor-mario-de-meroe/


Entrevista escritora Rô Mierling Rô Mierling, gaúcha, escritora, ghost writer, revisora literária, assessora editorial há de dez anos. Já revisou e colaborou na finalização de muitos livros, atualmente está lançando seu livro Contos e Crônicas do Absurdo e organizando a 1ª Antologia Amor e Morte. A autora dirige dois blogs literários, duas fans pages, participando ainda como produtora de conteúdo do site Divulga Escritor, Varal do Brasil, Recanto das Letras, Portal da Literatura e Arca Literária, filiada da REBRA. Rô Mierling foi eleita como uma das cronistas premiadas pela Câmara Brasileira de Jovens Autores com o conto Desencontros. “A impressão que eu tinha era que, para todo lado que olhava, cenas inusitadas se descortinavam e todos os fatos podiam se tornar um conto. E como autora independente, vi a possibilidade da publicação dos contos adicionados a diversas crônicas com base em eventos sociais igualmente absurdos.” Boa Leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Rô Mierling é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que a motivou a ter gosto por contos e crônicas? Rô Mierling - Olá Shirley, é uma alegria estar aqui e ter a honra de ser entrevistada por você. De antemão lhe parabenizo pelo seu projeto e esforços voltados a divulgação de novos autores e Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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incentivo real e concreto à literatura. Eu tenho interesse por contos e crônicas desde que li, aos 13 anos, um livro de Carlos Eduardo Novaes. O livro me foi dado de presente, vindo pelo correio, de um amigo no Japão. Olha que coisa não é mesmo? Ele havia visitado o Brasil, comprado essa obra, leu, amou, percebeu que a obra foi editada no ano do meu nascimento (?? Rsrs) e me enviou pelo correio. Eu li, me apaixonei pelo estilo rápido, irônico e dinâmico da leitura e escrita dos contos e eis-me aqui: uma contista. Você escreveu um livro, onde os textos apresentados são baseados em fatos reais, como foi a escrita desta obra? Rô Mierling - Começou com o conto Despreocupada, eu presenciei o fato que descrevo nesse conto e achei um verdadeiro absurdo. Em seguida veio o fato que originou o conto Predadora, outro absurdo que eu presenciei. Fui tomando notas e quando percebi já tinha mais de 10 fatos ímpares desses anotados em menos de uma semana. A impressão que eu tinha era que, para todo lado que olhava, cenas inusitadas se descortinavam e todos os fatos podiam se tornar um conto. E como autora independente, vi a possibilidade da publicação dos contos adicionados a diversas crônicas com base em eventos sociais igualmente absurdos. Como foi a escolha do Título “Contos e Crônicas do Absurdo”? Rô Mierling - Exatamente pelo lado atípico de cada fato que originou cada conto descrito, são histó42

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rias que não podem ser tidas como normais ou corriqueiras apesar de acontecerem de forma mais frequente do que imaginamos. Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus textos literários? Rô Mierling - A mensagem é: Olhe para o lado. Espante-se. Indague. Critique. Debata assuntos que te espantam. Precisamos parar de olhar, virar a cabeça e ficar calados. O mundo é nosso lugar de convívio social, temos por obrigação dar alertas para violência, descasos, desrespeitos e fatos absurdos que nos assolam diariamente para os quais às vezes, não damos importância. Rô, onde podemos comprar o seu livro? Rô Mierling - Lanço: Contos e Crônicas do Absurdo dia 15 de junho E Antologia Amor e Morte dia 30 de junho Meus livros vão estar sempre à venda nos seguintes sites: http://www.romierling. recantodasletras.com.br – aba livros a venda http://clubedeautores.com.br/ - colocando na procura meu nome, aparecem meus livros. Para quem gosta de e-book, meus livros também estarão sempre disponíveis em formato digital, a venda nas livrarias abaixo: www.livrariasaraiva.com. br http://www.livrariacultura. com.br www.amazon.com Quais os seus principais objetivos como escritora? Rô Mierling - Meu objetivo é expor claramente sentimentos, revoltas, dramas, fatos. Colocar para fora aquilo que muita gen-


te sente e se cala. Mostrar a influencia e o impacto da literatura na minha vida. Mostrar que todo mundo pode fazer tudo, tanto coisas boas quanto coisas más. O mundo é maravilhoso, mas também é perigoso. Pensas em publicar um novo livro? Rô Mierling - Em dezembro vou lançar o livro Contos Confidenciais: o que existe por trás da sua porta? Dessa vez vou mais além. Não será um livro de crônicas, mas somente de contos mais profundos em verdades e sentimentos, todos inspirados em fatos e pessoas reais. Estou coletando depoimentos, histórias e fatos e já desenvolvi boa parte da nova obra. Quais os principais hobbies da escritora Rô Mierling? Rô Mierling - Ler, ler ler. Escrever e viajar. Como você vê o mercado literário brasileiro? Rô Mierling - Capitalista e mercenário. Mas com uma nova porta que foi aberta para autores desconhecidos publicarem sozinhos ou sob pequena demanda, vejo uma luta sendo travada e batalhas sendo ganhas. Nos últimos dez anos jovens de 14 anos estão lançando livros no Brasil. Todos que tinham escritos aprisionados sem oportunidade editorial, hoje se libertam-se através da publicação virtual ou independente. Estamos sendo sábios e fazendo nosso espaço, mesmo tendo que lutar de forma ferrenha com algumas grandes editoras.

taria para o mercado literário no Brasil? Rô Mierling - Acho que devemos apostar mais em nosso povo brasileiro. Mais concursos literários, mais cursos de redação e de formação de escritores, mais chances aos pequenos escritores que, por muitas vezes, possuem enredos ótimos, faltando apenas aquela pequena oportunidade. E temos que parar de achar que oferecendo chance aos pequenos escritores dando a eles 5% ou 10% do preço da capa do livro e lucrando 90%, estamos estimulando e ajudando a esses escritores. Vamos ser mais parceiros na disseminação literária e cultural. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Rô Mierling, que mensagem você deixa para nossos leitores? Rô Mierling - Você lê? Meus parabéns, você é um guerreiro, sua chance de se dar bem na vida, de ter um bom emprego, uma faculdade, de conseguir bens materiais através de seu próprio esforço é infinitamente maior do que as chances de quem não lê. A leitura abre portas imaginarias, mas também concretas, ler desenvolve a lógica, o pensamento crítico, a imaginação nos tira da apatia social em que o Brasil está inserido. Leia mais e ajude a quem não sabe ler. Através da leitura podemos mudar o mundo. Participe do projeto Divulga Escritor

Quais as melhorias que você ci-

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Por Alexsander Pontes Alexsander Pontes é brasileiro nascido em Curitiba Paraná, formado em Letras e pós-graduado em Produção e Recepção de Textos alexsander.pontes@gmail.com

COLUNA: LITERATURA NA PRÁTICA Olá colegas leitores, antes de iniciar o assunto de hoje, gostaria de humildemente pedir desculpas pelo texto que escrevi na última edição. Nele eu dava algumas dicas sobre soneto, porém como eu tentei escrever de maneira simples, acabei me esquecendo de tratar de algumas coisas que são essenciais para que um poema seja, de fato, um soneto. Por isso, farei agora um pequeno complemento sobre esse tema. Primeiramente devo frisar que para um poema ser considerado um soneto verdadeiro, é necessário que ele contenha algumas características que são imutáveis, como a metrificação dos versos, que devem ser alexandrinos (com doze sílabas poéticas) ou decassílabos (com dez sílabas poéticas). Outro item que deve ser considerado é o esquema de rimas que, se tratando de soneto regular ou petrarquiano, deve ser: ABBA ABBA CDC DCD ou ainda ABBA ABBA CDE CDE. Mas há ainda algumas variações aceitas. Feitas essas considerações, informo que o poema que enviei na última edição não possui especificações técnicas suficientes para torná-lo um soneto. Após esse pedido de desculpas, finalmente entrarei no conteúdo desta edição, o poema minimalista. O poema minimalista, como o próprio nome sugere é aquele que faz uso do mínimo de palavras possível em sua composição. Não foi a toa que escolhi esse tema para tratar com vocês, o

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verdadeiro motivo é que desde 10 de abril até o próximo dia 15 de agosto de 2014, estão abertas as inscrições para o Sexto Concurso Internacional Poetizar o Mundo na modalidade minimalista. Todavia essa modalidade difere do haicai (forma poética de origem japonesa composta por três versos e 17 sílabas poéticas, cinco no primeiro, sete no segundo e cinco no terceiro verso). No caso da modalidade Minimalista há uma liberdade para a métrica, mas deve conter no máximo cinco versos, de acordo com as regras do concurso que é organizado pela escritora e poeta Isabel F. Furini. O tema é livre e as inscrições são gratuitas. Como de costume, encaminho abaixo um exemplo de poema minimalista: Quadra Modernista Queria ser eu E não alguém Queria ser tudo Mas sou ninguém Espero que vocês se inspirem e façam suas inscrições. Quero também aproveitar o momento e me despedir de todos aqueles que acompanharam meus textos nos últimos meses e agradecê-los imensamente. Mando um agradecimento especial à Shirley Cavalcante pelo espaço que me foi gentilmente cedido na revista. Um abraço especial e boa sorte a todos.


Entrevista escritor Rocivan Amaral Rocivan Amaral, Nascido em 15 de Dezembro de 1976, na cidade de Brasília, cresceu entre os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e sua terra natal, onde se converteu ao cristianismo aos 14 anos de idade e foi chamado ao ministério pastoral aos 15 anos, quando deu início ao ministério de pregação. Graduou-se em Teologia pela Faculdade Central do Brasil de Minas Gerais (1993 a 1998). É pastor, em Cidade Ocidental, Góias (Entorno de Brasília), onde mora atualmente. É escritor, conferencista internacional, mestre e professor de teologia em diversas disciplinas. Casado com a pastora Wania Leal, que exerce um ministério de restauração emocional de mulheres, os dois servem ao Reino de Deus, com fervor, viajando pelo Brasil e exterior. “Com toda a sinceridade, estamos no caminho certo. É apenas continuar fazendo, o que está sendo feito com excelência e sem perder o foco que as melhoras irão aumentar cada vez mais. O Brasil já é uma referência literária mundial, isto é lindo.” Boa Leitura!

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor Rocivan, é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos em que momento pensou em publicar um livro? Rocivan Amaral - É todo meu o prazer e a honra de ser parte deste nobre projeto, que divulga a cultura e promove o talento de pessoas dotadas a escrita. Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Bom, desde a minha adolescência penso em escrever, em ter livros publicados, pois, a paixão por leitura veio desde cedo e por isso consequentemente sonha-se em publicar obras. Como cristão e estudante de teologia desejava seguir esta linha, e ainda garoto escondia-me no meu quarto para ler a Biblia e livros teológicos e destes momentos, elaborava alguns estudos, apostilas, mensagens e nisto a minha mente visualizava um dia ter aqueles escritos e muitos outros que eu sabia que ia produzir, transformados em livros.

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Como foi a escolha do Titulo “Totalmente Consagrado”? Rocivan Amaral - De todos os assuntos que a Teologia aborda, o que mais me fascina é o que trata do relacionamento que nós humanos, podemos ter com Deus, inclusive, por toda a Bíblia percebemos que o mais profundo desejo de Deus é poder relacionar-se com os seres humanos, de forma íntima, e isso que venho buscando em toda a minha vida. Por isso, por ser um tema que me impulsiona tanto, e tão difícil de praticar, resolvi escrever sobre o assunto entendendo que aquele

que busca a Deus deve ser Totalmente Consagrado, ou seja, entregar tudo que tem e é para o Senhor e nesta obra digo como isso é possível. Este seu livro ele é composto por textos em prosa? Conte-nos sobre a construção do enredo desta obra. Rocivan Amaral - Não. Esta obra é instrutiva, mas não técnica. Ela é prática, mas não metódica. Escrevi de minhas próprias experiências e percepções bíblicas de como podemos ter uma vida mais próxima de Deus e convidá-Lo


a uma amizade pessoal. A obra foi inspirada em mais de 320 referências do Livro Sagrado e nas histórias de seus personagens que andaram com Deus. A quem você indica a leitura? Rocivan Amaral - As pessoas que sinceramente desejam conhecer a Deus e encontrá-lo em suas vidas, não importa a idade e nem segmento religioso. Rocivan, onde podemos comprar o seu livro? Rocivan Amaral - No Brasil: nas redes de livrarias Saraiva e Cultura por meio de pedidos. Em Portugal: na Livraria Desassossego da Chiado Editora, segue o link: https://www.facebook.com/desa ssossegochiadoeditora?fref=ts e na rede de livrarias FNAC. E ainda internet no site da editora: www. chiadoeditora.com Quais os seus principais objetivos como escritor, pensas em publicar um novo livro? Rocivan Amaral - Os meus objetivos são continuar escrevendo sobre espiritualidade e teologia, tenho muitas obras guardadas sobre estes matérias e o contrato que tenho com a editora irá me proporcionar a não parar mais, porém, tenciono escrever ficção, na verdade, meu maior sonho é esse, inclinado a tramas policiais. Quais os principais hobbies do escritor Rocivan Amaral? Rocivan Amaral - Além de lê e visitar livrarias, invisto muito tempo em assistir bons filmes, ouvir boas músicas e passear no Shopping, é uma terapia para mim.

De que forma você divulga o seu trabalho literário? Rocivan Amaral - O meu atual projeto divulgo por meio destes links:Conta do Face: https://www. facebook.com/prRocivan Page Pessoal: https:// www.facebook.com/ RocivanDoAmaral?fref=ts Site do Livro: www.totalmenteconsagrado.com Site da Editora: www.chiadoeditora.com entrando no site é só procurar meu livro na categoria Sentido Oculto que é a categoria Religião da Editora. Como você vê o mercado literário no Brasil? Rocivan Amaral - Em um considerável progresso, principalmente, como nunca antes, este mercado tem dado espaço considerável a novos escritores, isso é fantástico. Todo grande escritor (a) um dia foi desconhecido e este apoio que vemos hoje irá com certeza erguer na nação brasileira futuros tubarões da literatura. (espero ser um deles, rsrs). Todas as editoras (porque nem todas são) deveriam ser mais sensíveis a novas gerações de escritores, mais as que são tem meu respeito e aplauso. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário brasileiro? Rocivan Amaral - Com toda a sinceridade, estamos no caminho certo. É apenas continuar fazendo, o que está sendo feito com excelência e sem perder o foco que as melhoras irão aumentar cada vez mais. O Brasil já é uma referência literária mundial, isto é lindo.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor o Escritor Rocivan Amaral, que mensagem você deixa para nossos leitores? Rocivan Amaral - Não há nada mais importante na vida do que lê, a leitura é a chave que destrava a mente, que estabelece caminhos planos, que forma as decisões sólidas no caráter e nos permite ter uma vida mais segura e empolgante. Por isso, faça da leitura um estilo de vida e você naturalmente perceberá a diferença. Eu que agradeço de coração a oportunidade. Obrigado!

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Participação Especial Grande Lixeira Lixo jogado por todo lado Resto do progresso do mundo urbano sobras do acúmulo Lixo classificado (marcas da evolução do universo humano....) espalhado pela cidade! Querido diário peregrino Bernadete Bruto 65 Feliz cidade Que dia mais bonito! No fundo azul desenham-se nuvens brancas de soberba alvura Mais parece uma pintura! Feliz é quem consegue ver beleza até dentro da cidade aproveitar aquele momento além de você e de mim entregar-se a natureza e viver assim! Querido diário peregrino Bernadete Bruto 109

A SORRIR Sorriso mutos pelas ruas alegria espontânea simples Indicando a forma adequada de levar a vida cotidiana sempre sorrindo! pag.21 querido diário peregrino

Simplesmente Pelo mundo a flor nasce ao léu a abelha colhe o seu mel a formiga segue sua trilha a borboleta voa pelo céu sem grandes causas nem ideologias Apenas cumprem seu papel ensinando com sua sina - grande ou pequenina que cada um é fundamental sem fazer nada especial. Querido diário peregrino Bernadete Bruto PAG.110 RESTA AMOR Quando mais nada resta nesta dura realidade nem mesmo a dor... O que sobra de verdade se não o amor? pág. 20 querido diario peregrino

Escritorora Bernadete Bruto

QUERIDO DIÁRIO PEREGRINO é o mais recente lançamento da Poeta Bernadete Bruto, feito em parceria com o fotógrafo Wagner Okasaki, produzido pela Editora Novoestilo. Trata-se de uma coletânea de poesias organizadas de forma a contar a história de uma pessoa que anda pelo mundo investigando sua verdadeira natureza. O livro foi elaborado de maneira a lembrar um diário pessoal, constando assim o local, data e ao final da poesia o nome da autora. Cada poesia vem acompanhada de uma fotografia, de modo que amplia a visão desses questionamentos diários e que, desta forma, acrescentam graça e beleza ao livro. O livro foi lançado no dia 23 de abril, no Forte de Cinco Pontas, Bairro de São José na cidade do Recife, Pernambuco, Brasil , com um recital poético musical interativo, e vem tendo boa aceitação do público. Os livros estão sendo comercializados na Livraria Jaqueira ( fone: 32659455) e na Cultura Nordestina, Letras e Artes (fone: 32453927) Contatos com o autora e/ ou fotografo: bernadete.bruto@ gmail.com e Wagner_okasaki@ yahoo.com.br

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Entrevista escritor Tenente João Lúcio de Matos João Lúcio de Matos, 1º Tenente/ Reformado da PMMG, 65 anos de idade. Ingressou na PMMG em 1968, na condição de Recruta. Em outubro daquele ano foi promovido à categoria de Soldado de 1ª Classe; Em janeiro de 1969 foi aprovado na Seleção para o Curso de Formação de Sargentos, tendo sido graduado como 3º Sargento PM; Em janeiro de 1970 foi aprovado na Seleção para o Curso de Formação de Oficiais. Em 1973 declarado Aspirante a Oficial PM. Em outubro de 1974, foi promovido ao posto de 2º Tenente PM. Em abril de 1981, promovido ao posto de 1º Tenente PM. Em agosto de 1982 foi reformado (ilegalmente) por problemas de saúde (erromédico). Em agosto de 2008, tendo conseguido os documentos que provavam a irregularidade da reforma na PMMG, escreveu o livro “MINHA VIDA NA PMMG – CRIME E COVARDIA / ERRO MÉDICO – RACISMO E ABUSO DE PODER”. Boa Leitura! 50

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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritor João Lúcio de Matos é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor. Conte-nos em que momento pensou em escrever seu livro “ Minha vida na PMMG – Crime e covardia? Tenente João Lúcio - Sempre pensei que tivesse tido algo de errado na minha prematura reforma. Contudo naquela época da ditatura militar, a PMMG também seguia as normas do militarismo. Não tínhamos acesso a qualquer documento nosso, em fim, não sabíamos nada de nada dos assentamos em nossa ficha funcional. Com o encerramento do período da ditadura militar, em 2008 consegui todos os documentos e ali tomei conhecimento de toda covardia praticada contra minha pessoa. Então escrevi o meu livro numa forma de desabafo e resgate de minha dignidade, pois era chamado de simulador de doenças e preguiçoso. Hoje estou mostrando e provando, com farta documentação, quem enrolou quem! Nem sempre é fácil escrever sobre nós mesmos. Como foi a construção da obra? Tenente João Lúcio - Sei que não é fácil. Mas não escrevi falando de mim e sim mostrando o que acontecia naquela época. Então, falei

de outras pessoas que por maldade ou para proteger o Estado cometeram as maiores atrocidades. Por exemplo: proibiram os médicos de me darem atestado médico para que eu não descobrisse que o diagnóstico de Escoliose, proferido por um Major Médico, estava errado. Eu tinha uma hérnia de disco e, por indicação do major, me tratavam como sendo portador de escoliose. Se tivessem me operado quando a hérnia surgiu, teria continuado na ativa da PM e conseguido realizar o meu sonho de ser Coronel PM. A quem você indica a leitura do seu livro? Tenente João Lúcio - A leitura do meu livro, indico a todas as pes-


soas, tanto militares como civis, principalmente aquelas que tem cargos de chefia e tem pessoas sob seu comando, alertando a todos o que é Bíblico: “ O PLANTIO É LIVRE, MAS A COLHEITA É OBRIGATÓRIA”. Digo isto porque todos os que me prejudicaram já estão no segundo andar (morreram) e, segundo pesquisei, foram com muito sofrimento. Portanto, não devemos desafiar o poder de Deus pois: Deus é tão bom que nos permite plantarmos o que quisermos e também, Deus é tão justo que nos permite colhermos tudo aquilo que plantamos. Portanto vamos plantar bons frutos para termos boas colheitas. Onde podemos comprar o seu livro? Tenente João Lúcio - Com vocês, através do Facebook, pelo meu e-mail: joaoluciodematos@gmail. com ou através dos meus telefones: (34) 9113-8359 (TIM) / (38) 9816-9007 (VIVO) . Para concretizar a venda o futuro cliente deverá depositar R$25,00 na minha conta – João Lúcio de Matos Banco do Brasil - Agência: 1001-4 - C/Corrente: 37.610-8, confirmar o depósito através do meu e-mail e enviar-me o endereço completo. O livro será entregue pelos Correios. O tempo para entrega vai depender da distância. Obs: Fineza guardar o comprovante de depósito. João, que tipo de textos gostas de escrever? Tenente João Lúcio - Gosto de escrever textos que levem o ser humano a refletir sobre o TER e o SER. Hoje, para TER: casa bonita,

carro e moto importados, dinheiro em Bancos, etc, se esquecem do SER: humano, justo, leal e, principalmente, temente a Deus. Basta observarmos que quando morremos daqui nada levamos e muito menos, CAIXÃO NÃO TEM GAVETA. Qual a principal mensagem que você quer levar aos leitores através dos seus textos literários? Tenente João Lúcio - Convido as pessoas a fazerem suas viagens interiores, observarem onde tem errado, se arrependerem e começarem a escrever um novo final para suas vidas. Pensas em escrever um novo livro? Tenente João Lúcio - Sim, com certeza. Já estou preparando o meu próximo livro. Vai demorar um pouco pois tenho que pesquisar muito. O título será: EM BUSCA DO AMOR”. Não este amor desenfreado que leva as pessoas a praticarem os maiores absurdos. Quero falar do amor fraterno entre irmão, do amor perdão e amor que nos leva a Cristo, nosso Salvador. Você é hoje Presidente da Academia Januarense de Letras – Secc ALB/MG. Quais as principais atividades desenvolvidas na Academia? Tenente João Lúcio - Já estamos em fase de instalação. Vamos seguir o que preconiza o Estatuto da ALB/MG. Além de procurarmos atender aos mais carentes, a nossa principal atividade será divulgar a cultura regional, motivar os jovens a lerem mais, escreverem

mais, levar a efeito a Gincana Cultural que colocará nossos estudantes num confronto literário de alto nível, uma escola enfrentando a outra na busca do melhor texto, da melhor poesia, assim por diante. Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário no Brasil? Tenente João Lúcio - O que vocês estão fazendo é um dos pontos positivos que cito nesta oportunidade. Que as Editoras se dediquem mais na busca de valores literários, dando oportunidade a quem realmente quer e sabe escrever. Promover mais encontros pelo Brasil a fora. Que a Bienal do Livro não seja tão somente em São Paulo. Que os custos sejam mais em conta para se divulgar um livro, etc. Que mensagem você deixa para nossos leitores? Tenente João Lúcio - Nesta oportunidade quero deixar uma mensagem de fé aos nossos leitores. Que nunca desistam dos seus sonhos e, lembrando o que disse o Martin Luther King : “ Se você não pode voar, corra; se você não pode correr, ande; se você não pode andar, rasteje. O que você não pode é DESISTIR DOS SEUS SONHOS. Muito obrigado pela oportunidade.

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Por Ruby Redstone Ruby Redstone é escritor e jornalista graduado com honras pela conceituada California State University (Universidade Estadual da Califórnia), com especialidade em Comunicação Intercultural e língua Inglesa rubyredstone1@hotmail.com

COLUNA: NA BOCA DO POVO “Amigo é aquele que chega, quando todos saíram.” Original: “É na hora da crise que o verdadeiro amigo se revela.” Manter a amizade quando tudo está bem, quando o vento sopra a favor, é fácil. É na hora da crise que o verdadeiro amigo se revela. É dessa maneira que nasce um irmão, cujos laços serão mais fortes que o de família ou de sangue. Na clássica parábola do Filho Pródigo, enquanto o filho mais novo – aquele mesmo que abandonou a casa paterna – estava abonado, contou com muitos companheiros que o ajudaram a torrar rapidamente sua herança. Tão logo a fonte dos prazeres se esgotou, esses ‘amigos’ se debandaram todos, escorrendo pelo ralo [do esgoto]. Mas afinal, quem precisa de tais amigos? – Quando nem os porcos compartilham consigo da comida deles, quando a lama do fundo do poço parece ser sua única cama oferecida, e que o ‘irmão’ mais velho lhe despreza, é que o Pai chega e cobre-nos com Seu manto de justiça, nos chama de filhos, e faz a maior festa. Sim, a chegada de alguém numa hora tão crítica, só torna essa amizade e o amigo ainda mais especial, fazendo-nos superar a despedida do pelotão de traíras.

“Um bom advogado pode ser um mau vizinho.” Original: “... Bom advogado pode ser...” Por mais que adotemos a política da boa vizinhança, é possível que haja conflitos de quando em quando. Coisas do tipo: sapos do seu jardim pulando [a cerca] para o jardim do vizinho; mosquitos [da dengue] imigrando dos seus vasos inundados para a impoluta residência dele; bolas [do seu filho] estrategicamente chutadas contra suas enormes vidraças; música [cafona & barulhenta] da filha que não respeita os limites do terreno; isso tudo sem contar quando seu cachorro resolve fazer da passarela dele latrina predileta, e das rodas do carro dele mira de dardos [traduzido: jorros] de ureia. A propósito, cães podem servir de bons instrumentos para unir vizinhos, mas geralmente ocorre o oposto. Que tal quando eles resolvem fazer uma serenata de uivos em plena madrugada, ecoando bem em frente a janela dele? – Nada agradável né? Se esses incidentes ocorrerem esporadicamente, tudo poderá ser passado numa boa. Entretanto, se a frequência aumentar – encrenca à vista! Saiba que existem ‘cricris’ (não me refiro a grilos) que estão dispostos a fazer tempestade em copo d’água por muito menos. Quando isso acontecer (encrencas com o vizinho) ore para que ele não seja um advogado. Se ele for um bom profissional nessa área, pior será a sua dor de cabeça e grande o seu prejuízo. [Provérbio extraído do livro: “PROVESSAS: Provérbios Populares às Avessas...” de Ruby Redstone – rubyredstone1@hotmail.com © 2014]

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Participação Especial

Escritorora Cassiane Santos

As dificuldades do jovem escritor! Quando pensei em escrever meu primeiro livro , confesso que não imaginava que passaria por tantas provações , passei um mês me dedicando para poder dar o melhor neste livro , quando terminei , eu parei e pensei , como faria para publica-lo ? Então resolvi arregaçar as mangas e pesquisar, durante dias pesquisei na internet mil formas de se publicar um livro , eu na minha ignorância, tive a pretensão em sonhar em ver meu livro sendo publicado por uma grande editora , tipo aquelas editoras que meu escritores favoritos publicaram seus livros, então resolvi enviar meu livro , esperei, esperei, esperei e quando chegou a resposta do email , dizia assim : que eles não tinham interresse no meu livro naquele momento. minha cara ficou no chão, eu imaginava nos meus sonhos ser uma J.K. Rowling, ( risos ) somos tão sonhadores, pelo menos nos sonhos alguém lê o que escrevo, foi uma tristeza me sentia péssima como eles recusaram meu livro? Um dia eu recebi um email de uma editora de são paulo , nossa até hoje eu guardo este email , fiz questão de imprimir , achei lindo todas aquelas palavras sobre meu livro , como dizem os cariocas eles me deram a maior moral, bom, conversa vem e conversa vai eles me fizeram uma ótima proposta , eles fariam publicidade na imprensa , nos jornais, fariam um grande lançamento do livro , confesso que fiquei muito feliz mais como diz um ditado popular alegria de pobre dura pouco, tudo isso custaria um preço que seria 16 mil reais , quando eu vi que era isso cai

na gargalhada literalmente, por favor gente eu sou uma escritora iniciante, traduzindo eu estou mais dura do que um côco ( risos ) Depois deste triste episodio eu resolvi , procurar uma editora por demanda , é claro que antes procurei saber se aquela editora era confiável , mais graças a Deus caminhou tudo bem, eles fizeram um kit completo , que custou 1100 reias , ainda estava salgado naquele momento então resolvi esperar ate juntar este valor , 4 meses depois saiu o meu pis e com o dinheiro eu paguei a entrada depois paguei o restante com o décimo terceiro ,ufa não foi nada fácíl, quando foi em janeiro deste ano meu livro chegou, fiquei muito feliz , então eu resolvi fazer um coquetel de lançamento , mais como fazer um evento desses sem dinheiro ? A minha sorte, meus amigos, é que eu tinha férias para receber , então eu usei o dinheiro e para a minha alegria meu patrão além de me dar as férias ele comprou, continuei trabalhando mais foi por um bom motivo então eu comprei tudo o que precisava. Para fazer o lançamento, correu tudo bem , não foi umas 100 pessoas , na verdade foi 20 pessoas (risos ) com os 30 livros que foram publicados eu consegui 600 reais nada comparado ao que eu gastei , mais como sou brasileira , eu não desisto nunca Livro lançado, agora vem um novo desafio, como divulgar o livro nas lojas ? Mais este assunto eu deixo para depois, um abraço meu amigo leitor.


Por Amy Dine

COLUNA: POETA POVEIROS E AMIGOS DA POVOA

Nova Antologia dos Poetas Póveiros Em primeiro lugar para aqueles que ainda não conhecem o grupo dos Poetas Póveiros e amigos da Póvoa gostaria de explicar que este grupo surgiu em Junho de 2011 quando alguns amigos amantes da poesia resolveram unir-se para em conjunto começarem a promover a poesia através de tertúlias e saraus. Pouco tempo depois foi criado no facebook uma página com o mesmo nome da qual faziam então só parte os oito fundadores do grupo que aos poucos foram introduzindo alietóriamente pessoas amigas de perto,de longe e até de alem mar. Como tínhamos dificuldade em pessoas que dessem assistência a esta página este ano transacto propus-me encabeçar o mesmo dando-lhe uma nova dinâmica: Assim reformulámos o grupo. Retirámos alguns elementos que viviam no estrangeiro ou em zonas do País que não lhes permitia uma inter-acção aquando de eventos levados a cabo entre nós. Temos tido muita adesão ao grupo atualmente e o mesmo que dantes era composto não chegava a uma centena de elementos conta agora com mais de 300 membros todos da zona Norte do País.

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Assim só fazem parte deste grupo pessoas que vivem desde Aveiro até Bragança o que lhes permite deslocações , presença e colaboração aquando das actividades do mesmo. Em Agosto de 2012 os oito poetas que dirigem este grupo lançaram a primeira antologia só com poemas seus. Uma vez mais os Poetas Póveiros e amigos da Póvoa irão lançar uma nova Antologia desta vez num âmbito mais alargado.Pensamos fazê-lo em inicio de Agosto ou Setembro,dependendo da disponibilidade da sala. Nesta Antologia irão participar 42 poetas o que consideramos excelente dado o numero de membros que compõem o grupo. Com esta acção esperamos corresponder ao anseio de muitos dos poetas que já há algum tempo vinham mostrando interesse em que fosse editada uma nova antologia num âmbito mais alargado dado que a primeira se destinou apenas aos oito poetas que dirigem o grupo. Para todos vós as minhas saudações poéticas Amy Dine


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Entrevista escritora Paula Timóteo Nasci a 25 de Setembro em Lisboa e com a minha mãe habituei-me a partilhar os sonhos que a noite nos tinha trazido. Mais tarde, quando andava já na escola, era delicioso ver o seu olhar atento e orgulhoso enquanto eu lia as minhas redacções que na aula haviam sido lidas para a turma pela professora. Cresci numa casa com um quintal cheio de árvores e onde havia sempre muitos gatos que me entretinha a domesticar. Foi uma infância de liberdade e ar puro, de jogos e muitos amigos imaginários e histórias inventadas. Estudei piano quando consegui pagar as minhas aulas, conclui na Universidade Nova de Lisboa a licenciatura em História e sou professora de História e sobretudo sou educadora. Colaborei redactorialmente durante 10 anos com uma revista de arte e moda, tive contos publicados no jornal Diário de Notícias e participei na colectânea de poesia Palavras de Cristal. Sou sobretudo a soma do tempo, meu e dos outros. Um tempo feito de gente, de palavras, de vento e sol e chuva e sonho. “E o que somos é a soma das memórias que o tempo constrói. São ainda contos onde o fantástico e o surprendente surgem de forma mais evidente em algumas histórias como “O Poço” a “ A Parede” ou a “Rosa Maria” e uma paixão pelos animais se torna evidente.” Boa Leitura!

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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Paula Timóteo é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos em que momento pensou em escrever o seu livro “Um dia... o dia não se repete”? Paula Timóteo - O prazer é certamente meu e agradeço o interesse manifestado bem como a oportunidade de conversar convosco. Respondendo à pergunta, devo dizer que, tal como a maioria dos que gostam de escrever, a publicação de um livro é sempre um sonho a cumprir. Confesso que tenho alguma dificuldade em entender quando ouço alguém dizer que escreve só para si. O que se passa é que muitas vezes não temos a confiança suficiente que nos permita publicar. Por isso, este livro surgiu como resultado de dois factores essenciais: o facto de ter uma série de contos escritos e porque me consegui libertar de uma postura de autocrítica feroz que acabava


por ser inibidora. O dar a ler um conto e a seguir outro e outro, a alguém que não fosse eu própria, foi uma conquista e uma etapa fundamental. Rapidamente a Modocromia insistiu na publicação, os amigos que leram encorajaram a ideia e quase se zangaram diante a minha hesitação. Depois veio a fase da selecção dos contos e da prórpia definição da estrutura e conceito do livro. Surgiu então o convite a uma ilustradora excepcional, a Susana Matos, que se encantou, no verdadeiro sentido da palavra, pelas histórias e que criou ilustrações surpreendentes. Ds melhores que eu alguma vez vi. Hoje o livro é verdadeiramente um motivo de orgulho para todos.

rias como “O Poço” a “ A Parede” ou a “Rosa Maria” e uma paixão pelos animais se torna evidente. Este é um livro aonde, espero, apetece regressar porque, tal como diz João Lima no seu prefácio “...com elas (as personagens) nos apetece continuar a conversar. Porque elas sentam-se ao nosso lado e fazem parte da nossa vida. Um dia, algures, nos cruzámos com uma delas. São pessoas que conseguimos ver. Tudo isso torna este livro num objecto de memórias. Como se fosse um baú. Uma caixa atada com cordel do tempo das mercearias e do papel canelado para levar para casa quase como sendo o mais precioso dos embrulhos”

Que temas você aborda nesta obra? Paula Timóteo - Diria que cada conto é uma história de vida observada com minúcia e atenção . A dada altura da minha vida apercebi-me que retemos muito pouco de tudo o que vivemos. Existem pormenores, pessoas que se cruzaram connosco, acontecimentos, conversas, olhares que se perderam definitivamente pelas esquinas da memória. Outras vezes passamos pela vida sem a olharmos. Nessa altura ela torna-se transparente e o tanto que nos rodeia passa a ser“inexistente”. Por isso diria que estes contos conciliam uma escrita sobre a atenção ou até a contemplação do que somos. E o que somos é a soma das memórias que o tempo constrói. São ainda contos onde o fantástico e o surprendente surgem de forma mais evidente em algumas histó-

Qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor através de seus textos literários? Paula Timóteo - Julgo que em parte já terei respondido, no entanto gostaria de dizer que entendo que quando produzimos alguma coisa, seja ela mais ou menos criativa, ela deixa de nos pertencer a partir do momento que a libertamos no mundo. Sei o que senti quando escrevi as minhas histórias, mas cada leitura é uma leitura singular. As ilustrações da Susana são extraordinárias porque são a sua visualização dos contos e em simultãneo podem ser elas mesmas histórias que se contam autonomamente. Cada leitor pode assim encontrar em cada conto e cada ilustração uma possibilidade de leitura que o transportará, se assim o entender a um desenvolvimento da história ou até a recriar uma outra. É este apelo e incentivo à criatividade de

cada um que julgo estar presente no livro. Tal como diz João Lima acerca do livro A quem você indica a leitura do seu livro? Paula Timóteo - Por vezes perguntam-me para que idade ele está pensado e confesso que tenho alguma dificuldade em “arrumá-lo” de alguma forma. Julgo que este é um livro que pode ser lido dos 9 aos 109 anos ( eu costumava dizer dos 9 aos 99 mas depois a Susana lembrou-me, e bem, que o nosso realizador Manuel de Oliveira está ao activo ao 105 anos...). Cada história terá leituras diversas em conformidade não apenas com a idade mas igualmente com as experiências de vida. Bom, afinal penso que isso acaba por acontecer com todos. De qualquer forma devo confessar que quando escrevo as histórias não o faço com um objectivo definido relativamente a quem vai ler. Assim talvez possa adiantar que, exceptuando a questão do escalão etário, o livro terá interesse a quem se identificar com o que eu disse anteriormente. Penso que será sobretudo um livro para o qual “:::é preciso um tempo de descanso. De repouso. De sossego. De ler em pausa. Para ser lido em modo lento. Como se fosse uma conversa que vamos começar”como o João Lima escreveu no prefácio. Onde podemos comprar o seu livro? Paula Timóteo - O livro pode ser pedido directamente a mim através do endereço: anapaulatimoteo@sapo.pt ou através da editora Modocromia Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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é evidente que a leitura é sempre a sobremesa do dia. E neste campo é para mim impossível falar em escritores preferidos porque cada um é único e muito especial nos universos que cria, na linguagem que constrói. E alguns são uma surpresa como foi para mim o Chico Buarque de quem já era admiradora no campo musical. O “Leite derramado” é intensamente lindo. Como você vê o mercado literário em Portugal? Paula Timóteo - Bom a produção literária em Portugal sofre dos mesmos males que a produção em outras áreas da cultura. Portugal está a viver um dos piores períodos da sua história já que o primado está colocado no mundo financeiro, nos jogos de especulação, nas redes de corrupção a que tudo se subalterniza. A questão é complexa, mas vivo num país onde o poder executivo desrespeita a educação e a cultura e penso que está tudo dito.

Quais os seus principais objetivos como escritora? Pensas em publicar um novo livro? Paula Timóteo - Irei participar na próxima colectânea de poesia “Palavras de Cristal”. É a segunda vez que sou lisongeada com o convite que aceito com imenso prazer porque a poesia faz parte da maior parte do trajecto da minha vida. Para além desse livro eu e a ilustradora estamos a trabalhar num projecto de reescrita das lendas das constelações. O desafio desta vez partiu da ilustradora e por isso o trabalho dela está mais adiantado. Para além desse projecto há mais contos a aguardar o momento e a maturação suficientes para se emanciparem. Quais os principais hobbies da escritora Paula Timóteo? Paula Timóteo - Não sobra muito tempo para hobbies, mas em todo o caso este ano estou a descobrir com o apoio e incentivo do Alfredo, o meu marido, a magia dos trails e estou a adorar. Este fim de semana ele irá cumprir 100kms em Portalegre e eu 42km. Haverá certamente muito estímulo visual inspirador para muitos contos. E 62

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Quais as melhorias que você citaria para o mercado Português? Paula Timóteo - Eu desejaria melhorias na política cultural e educativa. Com um país melhor formado e mais dignificado e exigente, o mercado corresponderia com outra postura. Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a Escritora Paula Timóteo, que mensagem você deixa para nossos leitores? Paula Timóteo - Começo por desejar todo o sucesso que o projecto “Divulga Escritor” tão bem merece e espero que cada leitor continue a descobrir nos livros o portal que nos transporta para a dimensão da felicidade e do sonho. Que cada momento possa ser vivido com a intensidade e a loucura que as coisas únicas nos fazem sentir.

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Por José Sepúlveda

COLUNA: SOLAR DE POETAS

AICEM – A Lusofonia vive Foi com grato prazer que o Solar de Poetas, na pessoa do seu Administrador José Sepúlveda, participou no decorrer do mês de Maio no evento Dia de Damão, organizado pela AICEM – Associação do Idioma e Culturas em Português. Transcrevemos o relato gentilmente cedido pela poeta Maria Mamede, a quem desde já agradecemos. “A AICEM – Associação do Idioma e Culturas em Português, votada à divulgação da Lusofonia e à expansão da nossa Língua Mátria, levou a efeito nos dias 8, 9 e 10 de Maio em curso, no Café Concerto do Fórum da Maia, o evento a que deu o título de “Dia de DAMÃO”. Durante esses três dias foi-nos dada a oportunidade de termos connosco vários Amigos de Damão, bem como alguns Amigos e Amigas de Goa, que se deslocaram a Portugal propositadamente para este evento, o que muito nos alegrou e honrou.

No nosso mui diversificado programa tivemos palestras, música erudita, fado, poesia, musica tradicional Damanense e Portuguesa, e uma Tuna para além de vários testemunhos, emocionados e muito sentidos dos alguns dos nossos convidados. Tivemos ainda, no último dia do evento, um passeio pedestre pela Cidade da Maia, que culminou com a subida à torre do edifício da Câmara donde se abarca uma paisagem urbana magnífica, bem como alguns dos confins do município, com relevância para poente, com vistas de mar. À despedida, muito emotiva aliás, foram feitos os agradecimentos à edilidade, na pessoa do seu Presidente Eng.º Bragança Fernandes, representado pelo Dr. Rui Rodrigues, bem como aos nossos colaboradores neste evento, quase todos nossos associados fundadores, bem como outros simpatizantes, cujos nomes vou mencionar, com o meu abraço. Maria Mamede” P.S.Agradeço ao Prof. Milton Madeira e à poetisa Maria Mamede o gentil convite para participar neste evento, por cuja organização os felicito.

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Entrevista escritora Lurdes Maravilha Maria de Lurdes Silva Maravilha, natural de Castro Daire - Viseu. Diplomou-se em Educadora de Infância, pela Escola do Magistério Primário de Lamego, posteriormente a licenciatura em Administração Escolar, pela Escola superior de Educação de Viseu, especializou-se em Administração e Organização Escolar, adquiriu o grau de Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Católica. Foi designada como avaliadora no atual processo de avaliação de desempenho docente. Realizou um estudo de investigação sobre a necessidade da implementação educação pré escolar itinerante, a qual foi implementada no Agrupamento de Castro Daire. Exerceu a função de formadora durante vários anos, no Instituto de Assuntos Culturais, dando formação às famílias e jovens. Participa como apresentadora de programas relacionados com a temática sobre o papel da família, na Rádio Limite de Castro Daire e na Rádio Alive FM 89.9 de Viseu. Escreve poesia desde os dez anos. Publicou alguns artigos em jornais. Publicou o livro de poesia que se intitula de “CINZAS VIVAS”, pela editora Oz. “A leitura converte-se numa das mais importantes atividades humanas, já que influencia e assegura o processo de maturação, através da autonomia intelectual, sendo igualmente factor de liberddae interior daquele que lê.” Boa Leitura! 64

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Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Escritora Lurdes Maravilha é um prazer contarmos com a sua participação no projeto Divulga Escritor, conte-nos o que a motivou a ter gosto pela poesia? Lurdes Maravilha - O meu gosto pela poesia vem desde criança, desde o meu primeiro contacto com as letras. Recordo-me que gostava imenso de escrever composições na escola primária. A professora colocava algumas imagens no quadro e dizia para elaborarmos um texto tendo como referência essas imagens. Era uma atividade que me dava imenso prazer e desenvovia muito a criatividdae. Tive muitas vezes o privilégio de as minhas composições estarem expostas na parede da sala ou penduradas num cordel que se estendia pela sala. Qualquer pedaço de papel servia para escrever, mas escrevi muita vez numa lousa de pedra, que se usava nessa altura na escola. No meu percurso da escola primária, havia uma grande escassez de livros. Nessa época, tinha apenas os livros didáticos da escola e sempre que podia, lia os livros dos meus colegas mais velhos. A minha falecida irmã, a qual foi também minha professora na escola primária, quando podia oferecia-me um livro. Em 1974, veio pela primeira vez uma biblioteca itinerante à minha aldeia. Foi um dia muito feliz e que jamais esqueço. Uma verdadeira emoção ao ver tanto livro e poder levar alguns para ler era uma benção de Deus. Durante o periodo da minha infancia escrevi muitas canções, as quais imaginava serem cantadas no festival da canção. Um sonhoguardado na gaveta,porque as asas deste sonho não puderam voar. Porém, no meu percurso escolar desde o 5ºano até ao 12ºano, recebi vários prémios de distinção,nos concursos de poesia,assim como em outro génoro de textos. A escrita é uma parte muito importante da minha vida, a qual me dá imenso prazer.


Em que momento pensou em publicar o seu livro “Cinzas Vivas”? Lurdes Maravilha - A ideia de publicar o livro, dormia há muito tempo comigo. Neste contexto, muitos amigos também me incentivaram a fazê-lo. Este meu livro de poesia foi escrito e publicado numa fase de uma maior maturidade da própria vida.. Um livro de poesia, com alguns textos de prosa poética, o qual revela um estado de alma sobre as questões existenciais entre a vida e a morte. Neste sentido, o livro leva-nos a fazer uma viagem reflexiva sobre o conceito da própria existencia humana, e o misticismo na eterniddae. Como foi a escolha do Título? Lurdes Maravilha - A escolha do titulo refere-se à memóra da pessoa a quem o dedico (a minha irmã), assim como está também muito relacionado com o teor do seu conteudo. Cinzas Vivas é algo que morreu,mas está sempre vivo dentro de mim. Onde podemos comprar o seu livro? Lurdes Maravilha - Neste momento o livro encontra-se esgotado. Estou a preparar a 2ª edição e será colocado à venda nas livrarias Bulhosa e Fnac. Que outro tipo de textos, além de poesias, gostas de escrever? Lurdes Maravilha - Gosto de escrever artigos relacionados com as politicas educativas e relatos históricos vivenciados por mim ou por outros. De forma geral, qual a mensagem que você quer transmitir ao leitor

Quais as melhorias que você citaria para o mercado literário em Portugal? Lurdes Maravilha - Um aspeto muito importante seria proporcinar uma melhor divulgação do trabalho do escritor e o apoio económico para a própria edição.

através de seus textos literários? Lurdes Maravilha - O meu primeiro desejo é levar algo aprazivel no momento de leitura ao leitor. Tenho como objetivo levar sempre alguma informação e reflexão sobre os temas apresentados. No que concerne à poesia, quero transmitir algo com um cunho reflexivo sobre a propria vida e a morte, incluindo no meio desta ponte o verdadeiro sentido sobre o sentimento do amor. Quais os seus principais objetivos como escritora, pensas em publicar um novo livro? Lurdes Maravilha - Todos os dias escrevo poesia. Porem, estou a escrever um livro num contexto bem diferente. Um livro moroso porque me requer muita investigação.Neste sentido, gostaria muito de um dia o poder publicar. Quais os principais hobbies da escritora/poeta Lurdes Maravilha? Lurdes Maravilha - Os meus principais hobbies são escrita ,a dança, a natação, a musica, a fotografia e correr ao ar livre.

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista, agradecemos sua participação no projeto Divulga Escritor, muito bom conhecer melhor a escritora Lurdes Maravilha, que mensagem você deixa para nossos leitores? Lurdes Maravilha - Eu é que agradeço esta oportunidade, assim como toda a divulgaçao do meu trabalho através do Divulga escritor e para finalizar apenas esta breve mensagem. A promoção da leitura é da responsabilidade de toda a sociedade. A leitura converte-se numa das mais importantes atividades humanas, já que influencia e assegura o processo de maturação, através da autonomia intelectual, sendo igualmente factor de liberddae interior daquele que lê. A leitura é uma das atividades que melhor contribuem para o desenvolvimento dos diferentes aspetos da personalidade. Assim, o livro é sempre um magnifico instrumento de permanente formação intelectual, moral, afeciva e estética do leitor. A leitura é uma arte misteriosa e profunda; é talvez a mais eficaz, influente e universal de todas as manifestações artisticas, ao ultrapassar as fronteiras espaciais e temporais e deste modo poder atingir facilmente qualquer ponto do planeta. Participe do projeto Divulga Escritor https://www.facebook.com/DivulgaEscritor

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Participação Especial

Escritoror Alvaro Giesta

Mário de Sá-Carneiro, Dispersão “E sinto que a minha morte Minha dispersão total Existe lá longe, ao norte, Numa grande capital.” Assim escreveu no seu primeiro título de versos - Dispersão - o autor duma obra em que a morte - quer em verso quer em prosa - ia ser o seu único mote de desenvolvimento. Fundamenta-se a poética do modernista Mário de Sá-Carneiro, reflectindo-a com base no pensamento de dois célebres pensadores acerca da tragédia e da psique: ARISTÓTELES, filósofo, que dividiu a poesia em lírica, elegíaca, épica e dramática e FREUD, o criador da Psicanálise, quando nos diz que a paixão narcisista se arrisca à infelicidade, porquanto, fascinar-se demais com a imagem de si próprio é condenar-se a uma futura auto-repulsa. Assim ocorre com o eu lírico do poeta da Dispersão. Mário de Sá- Carneiro manteve, durante a vida, uma dupla luta: “consigo e contra si”. E o fio condutor dessa luta foi sempre “a persistência no erro, no engano fatal”: “Eu fui alguém que se enganou/E achou mais belo ter errado...” e, ainda, laconicamente suspira “Ó grande Hotel universal/Dos meus frenéticos enganos,/ Com que aquecimento-central,/Escrocs, cocottes, tziganos”,

em “Elegia”. Se em “Dispersão” erra: “Se me olho a um espelho, erro-/Não me acho no projecto.”, em “Quase” “De tudo houve um começo... e tudo errou”, e em “Rodopio” há “Ruínas de melodias,/Vertigens, erros e falhas”, também em “Pied-de-nez” a persistência do erro: “O Erro sempre a rir-me em destrambelho/Falso mistério, mas que não se abrange...”. Mesmo quando se refugia no abrigo de Paris, sempre o erro a bater-lhe à porta e a martelar-lhe a consciência: “Paris: derradeiro escudo,/Silêncio dos enganos”, em “Abrigo”. E agora, regressando ao pensador ARISTÓTELES, sabemos que o erro (hamartia) desempenha papel importante na sua poética da tragédia - parece haver incidências da concepção aristotélica da poética da tragédia grega na lírica de Sá-Carneiro. Para o filósofo, uma boa tragédia teria como objecto da sua mimese (=simulação de...) a acção de homens superiores, os quais, em virtude de algum decisivo erro de julgamento, passariam da fortuna para o infortúnio. É o revés da sorte: a transformação dos sucessos dos protagonistas no seu contrário que deve dar-se pela passagem do desconhecer ao conhecer, acrescentando-se-lhe a catástrofe. Depois desta re-

viravolta das principais personagens, suscita o terror e a piedade dos espectadores que assistem ao drama com a finalidade de purificar essas emoções - é o efeito catártico, depurativo. Tal a lírica de Sá-Carneiro. De início, o sujeito-poético vê-se como superior - medita em nada menos do que “coisas geniais”, em “Partida”; é “chama genial que tudo ousa”, em “Escavação”, em “dor genial” se eteriza, em “Álcool . É megalómano. Vê-se como ser superior, mesmo na “poesia da dor”: “O grande sonho - ó dor! - quase vivido...”, em “Álcool”. É um presumido. Em “Partida”, a sua excessiva autoconfiança em toda a sua lírica: “A minha alma nostálgica do Além,/Cheia de orgulho, ensombra-se entretanto./ (...)/Doido de esfinges o horizonte arde,/Mas fico ileso entre clarões e gumes!.../(...)/Alastro, venço, chego e ultrapasso;/(...)/O meu destino é outro - é alto e é raro.”. Pretende, exageradamente, o eu-poético de Sá-Carneiro, “entregar-se ao delírio com facilidade” e felicidade, desde “Partida”: “É suscitar cores endoidecidas,/Ser garra imperial enclavinhada,/E numa extrema-unção de alma ampliada,/Viajar outros sentidos outras vidas”. Em “Dispersão” é onde mais se assiste ao êxtase, ao arrebatamento do sujeito que Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Participação Especial vive imerso em sensações alucinadas. Em “Álcool”: “Batem asas de auréola aos meus ouvidos,/ Grifam-me sons de cor e de perfumes,/Ferem-me os olhos turbilhões de gumes,/ Desce-me a alma, sangram-me os sentidos”. É com o recurso a um processo de associações diversas dos sentidos (audição+visão+olfacto), chamado sinestesia - tão próprio do Sensacionalismo do Orpheu de que Sá-Carneiro é congênere, que o poeta pretende exagerar, exacerbar as suas obsessões: “Nem ópio nem morfina. O que me ardeu,/Foi álcool mais raro e penetrante:/É só de mim que ando delirante-/Manhã tão forte que me anoiteceu.” (em “Álcool). O eu-poético tem pleno conhecimento do processo de degradação a que está exposto, a que se expôs com as suas práticas negativas. E delira quando se “revisita” como em “Indícios de Ouro” se vê: “Oh! Regressar a mim profundamente/E ser o que já fui no meu delírio...”. Foi o engano funesto em pretender-se superior ao mesmo tempo que se é frágil; foi o terrível equívoco de entregar-se em excesso às suas próprias obsessões sem nunca equacionar as suas fragilidades; foi o entusiasmo e o delírio de entregar-se aos seus excessos de vida sem nunca medir consequências; foi o exaltar-se em demasia e o confundir-se com a própria divindade que o fez cair do pedestal quando reconheceu o erro. A ousadia trouxe, como con68

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sequência, a frustração no eu-poético e nele, em pessoa, e “se dá o movimento de ascensão e queda análogo à tentativa insensata de o herói mítico alcançar o sol.” (MOURÃO-FERREIRA). “Vêm-me saudades de ter sido Deus...”, “(...) fui-me Deus/No grande rastro fulvo que me ardia”. Eis aqui o homem que se desejava superior, admitindo depois não se encontrar à altura daquilo que almejava em vida para si e a infelicidade que daí resultou e o fim com a tragédia do suicídio. No poeta existiu esta dupla tendência: amar-se a si mesmo (o culto do eu) e odiar-se e desprezar-se ao mesmo tempo (autoaniquilamento). Toda a paixão narcisista se arrisca à infelicidade. É da psicanálise e bem explícito no conhecido dualismo da concepção freudiana. A nossa pendular existência, segundo FREUD, explica-se pelas “pulsões sexuais”, com base no princípio do prazer, comandadas pela libido e pelas “pulsões do eu” ou “pulsões de autoconservação”, indutoras das diversas atitudes de autodefesa do indivíduo. E, nestas, em oposição às pulsões da vida existem as pulsões da morte, designada pelo sombrio vocábulo de Thanatos. Para Freud, as de destruição são as pulsões por excelência, pois elas buscam a eliminação total das nossas tensões - assim, a tendência do aparelho psíquico é a de reduzir ao máximo as excitações do organismo embora seja impossível tal redução por completo e, daí, o impulso ao retorno, a um modo não-orgânico da exis-

Escritoror Alvaro Giesta

tência (a “dispersão total” de que fala Sá-Carneiro. Mas outro pormenor decisivo de Thanatos é a “compulsão à repetição” que, num mecanismo mental movido por forças que se localizam “para além do princípio do prazer” se liga à pulsão da morte. Logo, repete-se o que é doloroso num trauma porque se busca, em vão, anulá-lo. Torna-se num fracasso a tentativa de lidar com o que é doloroso, o que nos conduzirá à morte através da autodestruição. Narcisismo, Thanatos erotizado e compulsão à repetição, são formas íntimas do eu-poético de Sá-Carneiro. O indivíduo narcisista pode passar do amor-a-si-próprio ao seu-autodesprezo - é o segundo estágio - até se deixar atrair pela ideia de morrer, vendo na sua própria morte as cores sedutoras da libido que voltara, do início, para a sua própria pessoa - é o último estágio. No trágico da obra de Sá-Carneiro, desde “Dispersão”, o eu-poético sabe que o seu destino não é dos melhores mas não consegue escapar-lhe, autodestruindo-se um sem número de vezes até que o assina com o seu próprio suicídio. © Alvaro Giesta, 07/Maio/2014 não escrevo segundo as regras do novo acordo ortográfico


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DE REPENTE Eu me apaixonei por um diferente a cada final de semana. Nunca tive apego. Mas te pedi pra ficar. De repente o teu cheiro era melhor. De repente o teu beijo tinha outro sabor. De repente os outros eram apenas outros. Não tiveram valor. Não me fizeram sentido. E então percebi semana após semana Que era só você. De repente tudo fez sentido. De repente o teu sorriso me fez perceber. Não era que o meu coração fosse inconstante. Ele só estava esperando você aparecer.

Adriana Freitas

MAIS DO MESMO Eu não quero que o novo se perca de novo Mais uma vez. Eu não quero gostar de um novo sabor a cada estação. Eu não quero ter que precisar Esquecer o passado. Eu quero viver o presente. Eu quero a rotina que tanto entedia. Eu quero enjoar do mesmo sabor. Poder sossegar. Não ter mais que procurar E nem ser encontrada. Eu quero o sossego dos teus braços. O som do teu sorriso. Eu quero ter um filho contigo. Eu quero o mais do mesmo. É só o que preciso. É do teu aconchego.

REINVENÇÕES Eu estou te reinventando. Para se transformar naquilo que me agrada. Eu estou te recriando. Para eu me tornar a tua namorada. Eu te refiz inteiro. No meio dos meus sonhos. Refiz todo o enredo. Te inclui nos meus planos. Tudo para te ter aqui. Tudo para te sentir perto de mim. Nem que seja nos meus pensamentos. Nem que seja na hora de dormir.

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MÃE

NÃO CHORE POR MIM

Mãe, não tenho tido tempo de solicitar os teus zelos. Não porque o tempo tenha preenchido a minha vida Pois a parte de ti mãe... Tu sabes nada preencherá! O que acontece é que: A correria do dia a dia e os sentimentos ladros... Roubam-me o tempo... e em muitas das vezes as palavras se encolhem, ou se esconde no canto obscuro da serenidade tímida que assola o meu ser. Mais quando de ti sinto lembranças mãe... A minha alma chora com vontade de estar à teu lado. Eu sei que a minha existência sem a sua esperança essa luta... seria hoje, um fragmento do nada... E é por isso mãe... Que quando paro em meio à turbulência, Do dia a dia eu recordo você. E ao lembrar-me de ti mãe... Espero que nunca se esqueça, desse filho que: Nunca te esquece. Mãe... Os meus desejos para você são de saúde e paz E que o nosso Deus... Encha e ilumine os teus caminhos.

Não chore por que morri! Pois não poderei te ouvir Nem tão pouco te confortar Não chore porque já morto Não poderei lhe abraçar E nunca mais te dar conforto Nem você me visualizar.

A.Montes 18/01/14

Fique também sabendo Que perderá seu tempo Se comigo vim sonhar. Não chore porque teu choro Não vai mais me comover Não poderei ter dor, nem dó. Nem sentir pena de você. Não chore porque já morto Não terei mais sentimento Não posso enxugar a sua lágrima Nem ser mais o teu alento. Não chore, pois em teu choro. Não poderei te acompanhar Também não sentirei mais pena Nem nunca mais! Poderei Chorar. Não chore nem tenha dó De quem morreu te lembrando Passe o tempo que passar Saiba que morri te amando. Não chore, pois nem toda lágrima. Fará um dia eu voltar Me, tenha apenas em lembranças. E me guarde em teu sonhar. Antonio Montes

Antonio Montes É AQUI O mundo é aqui Os fantasmas as manobras as armas mortais Estão todas, todas aí A falta de amor exposto nas ruas à dignidade nua O roubo descontrolados o enguiço Os bebes os fetos jogados nas latas de lixos O surrupio da infância... Os desaparecimentos das crianças A covardia imposta sem pudor À falta de consideração entre as classes sociais... Uns com bem pouco Outros com muito, muito! Mas muito mais! A vontade parada nos semáforos das fantasias O mal sono da noite, o sonho do dia Ah que bom que fosse?! Será? Quem sabe?! Essas abrangentes mentiras As camuflagens das verdades. O mundo é aqui... Pessoas sem ter o que fazer Vida... Vida, viver sem saber aonde ir O desfeito feito ao pequeno, as correntes Que aplica o veneno Ah mundo!... O mundo é bem aqui?! Antonio Montes

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A VIDA ( todo lugar) A vida está em todo lugar No ancião, no peregrino, no violento A vida encontra-se na modelo, no gari! A vida presente está nas crianças de rua No jardim, nos moradores das favelas Há vida nos riachos, há vidas de montão Nas mãos dos médicos A vida desperdiçada é cometer ignorância! A vida já está contida desde os primeiros Dias de gravidez A vida está interligada a nós Como uma mamadeira umbilical Existe a vida no excepcional Há vida na escrita da poeta No que espera na fila a sua vez! A vida encharca de alegrias a juventude Sem medo ou covardia de ser feliz A vida empreguina de amor a primavera A vida insiste em está no doente mental A vida permite a saudade... A lembrança na viuvez! Paulina Rodrigues

A ESPERANÇA (eternizada) A esperança está eternizada em todos os que sonham e lutam para seus sonhos se tornarem realidade. A esperança é o suporte para o sonhador jamais desistir e receber a realização de seu sonho com toda dignidade! A esperança é parceira da maternidade, da mãe estéril. Que ansiava há muito tempo em ser mãe, não demorou e engravidou teve seu filho no mês de Abril! A esperança não decepciona a estudante que estudou e esperava passar no vestibular. Anos depois a esperança estava lá, vendo a for manda se formar! A esperança abriu as portas a um belo jovem, que sonhava em ser da Marinha um Militar. Fez todos os treinamentos, passou em todos e hoje se veste como uma floresta e com a charmosa cor da garça! Paulina Rodrigues

Paulina Rodrigues CELEBRAÇÃO Eu preciso muito mais que só respirar Eu preciso ser feliz, eu preciso viver Para meus sonhos realizar Eu necessito muito mais que tocar Eu preciso sentir com a alma a Alegria de ser amada! Eu quero fazer muito mais que ler e escrever Eu quero ter a sensibilidade para também absolver! Eu quero muito mais que um simples olhar Eu quero ter a percepção de tudo observar! Eu quero muito mais que só escutar Eu quero ter o Dom de ouvir e compreender Deus comigo falar! Eu não quero só viver uma comemoração Eu quero sim, fazer da minha vida uma constante celebração! Paulina Rodrigues Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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Celebração

Também sou

Do silêncio à palavra assim começa a canção, que abre janelas e portas e faz a comunicação.

Querer ter o tempo é apenas um desejo: não vou retê-lo só para mim. O azul há de me inundar as veias e na pele, manto de estrelas, cheiro de mirra e jasmim.

O canto espalha-se ao longe e chega a terras distantes... aos ouvidos dos poetas faz-se em versos num instante... E deste lado do Atlântico, não me faço de rogada... em meu barco-poesia navego nessa empreitada: As ondas levam meus versos cheios de amor e carinho ao “Divulga Escritor”, que me abriu este caminho!

Tuaregues sempre somos, mesmo sem saber: em nossa pele tatuados o dia e o anoitecer. Na areia, pegadas, em nossas mãos outras mãos... pele curtida de sol calor queimando a fogueira aquecendo o coração. Tantos somos e ainda somamos tantos quantos o vento traz... O deserto é a morada onde floresce a paz. Paz que não é privilégio de um, de dois ou de três, mas que é o sortilégio de um povo livre entre dunas... pés descalços, corpo envolto em panos simples, na leveza do algodão. Nessa trama de pureza abrigamos tanto irmão!

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Regina Alonso


Para mim, a poesia é a alma em ebulição e o corpo a segurar -se no presente em total liberdade… 1 Agitam se as margens da tua demora… Invento os teus braços no silêncio da minha pele E nas ruelas das velhas cidades Prendo o rio que corre desalmado… 2 Sinto-me sempre embriagada no momento em que me dizes - Amo-te como se fosse sempre novidade Como a amendoeira a florir em agosto… Se não te bebo a vida distrai-se e os dias ventam nos traços sensíveis do meu rosto… Se não te ouço desenho no silêncio todas as cores feitas terra Espalham-se raízes em tua procura… Amo-te Dizes de um só trago Assim bem junto a mim… Soletras… Amo-te Embriagamo-nos desta presença que ateia o vício do encontro…

Rosa Fonseca

3 Soletra baixinho todo o meu corpo Da tua saliva agridoce Percorre todas as esquinas Demora-te nos labirintos coralinos Antes de te lançares nos braços Deste amante imenso Que por ti espera… Agita o teu corpo Como cordas de viola Gemendo em surdina o nosso fado Renasce-me nos braços, amor Serpenteia os dedos No meu colo quente E fica, permanece assim Neste arfar estonteante entre as minhas margens As minhas margens que se derramam em ti… ROSA FONSECA Revista Divulgar Escritor • junho/julho de 2014

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