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Revista da Editora UFSM ∙ Edição n. 4 ∙ Novembro 2017 ∙ ISSN 2359-4713

GESTÃO Professor Daniel Coronel analisa trabalho desenvolvido na direção da Editora UFSM nos últimos quatro anos

MERCADO DE TRABALHO Graduandos da UFSM têm oportunidade de aprendizado na Editora UFSM

Economia e Conhecimento

Análise do reflexo da economia na expansão do conhecimento no cenário mundial


Orgulho de ser

UFSM

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Avenida Roraima, nº 2 Conjunto Comercial – Sala 12 Campus Universitário – Camobi Santa Maria-RS – 97105-900

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(55) 3220-8115


Editorial É com grande satisfação que chegamos à quarta edição da Revista Estilo Editorial, a qual tem como focos a produção e o mercado editorial, bem como se destina a ser um canal de comunicação da Editora UFSM com a comunidade universitária. Nesta edição os leitores encontrarão pertinentes matérias, tais como uma análise com acuidade da crise econômica brasileira, em que vários economistas de diferentes conotações e ideologias políticas analisam suas causas e possibilidades de recuperação. Ainda nessa perspectiva, a Revista também conta com uma matéria sobre os efeitos da crise no mercado editorial. Um tema que merece destaque nesta Estilo Editorial é o Patrimonialismo, o qual foi objeto de uma ampla análise do jurista Raymundo Faoro, na obra Os Donos do Poder - formação do patronato político brasileiro. O patrimonialismo é uma ‘espécie’ de praga que corrói as instituições, levando-as à ineficiência, à ineficácia e a uma burocratização desnecessária, que tem como caraterística a perpetuação dos vícios públicos e privados, do jeitinho e do clientelismo. Essa matéria conta com a participação de renomados economistas e sociólogos, propiciando um debate de alto nível sobre como mitigar os efeitos dessa chaga. Nesta quarta edição os leitores também contarão com dois artigos: um do presidente da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU), Marcelo Di Renzo, no qual ele faz uma análise do mercado editorial brasileiro e das perspectivas para as editoras universitárias, e outro do ex-presidente da ABEU e ex-diretor da Editora da Unesp, José Castilho Marques Neto, em que ele faz uma síntese sobre sua experiência administrativa à frente da Editora da Unesp e da ABEU. Os leitores poderão ainda ler nesta edição uma reportagem sobre a forte relação de sinergia da Editora com o curso de Produção Editorial; sobre os eventos que foram realizados neste ano; uma sinopse dos livros que foram lançados em 2017; acerca dos novos produtos que foram lançados pela Grife UFSM; e a respeito das editoras que têm seus livros comercializados pela Livraria UFSM. Por fim, nesta Estilo Editorial, concedi uma entrevista avaliando os meus quatro anos como diretor da Editora UFSM, à frente da qual, embora a tenha assumido num contexto de forte restrição econômica, com redução permanente do orçamento, foram feitas importante ações que mudaram a cara e o perfil da Editora. Temos vários desafios pela frente, tais como aprimorar ainda mais os e-books, agilizar a produção editorial, estar mais perto da comunidade, buscar um melhor espaço para a Editora, visando atender melhor e com mais aconchego nossa comunidade. Enfim, apesar dos desafios, o que fizemos até aqui nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Para isso foram fundamentais o apoio, a dedicação e o entusiasmo de nossa abnegada equipe de servidores, a qual não mediu esforços para fazer acontecer. Agradecimentos que estendo a todos os bolsistas, estagiários, autores, pareceristas, conselheiros editoriais, à jornalista Luciane Treulibe e sua equipe, e à Administração Central da UFSM. A todos, o meu muito obrigado e uma boa leitura!

Prof. Dr. Daniel Arruda Coronel Diretor da Editora UFSM


ISSN 2359-4713

Universidade Federal de Santa Maria Reitor Paulo Afonso Burmann

Vice-Reitor Paulo Bayard Dias Gonçalves

Diretor da Editora UFSM Daniel Arruda Coronel

Expediente Jornalista responsável Luciane Treulieb

Projeto gráfico Gustavo de Souza Carvalho

Reportagem Felipe Backes, Gabriela Pagel, Paola Dias, Luan Romero, Tainara Liesenfeld, Sabrina Cáceres, Tanise Arruda, Júlia Goulart e Claudine Friedrich (acadêmicos de Jornalismo)

Publicidade Gustavo de Souza Carvalho

Ilustrações especiais e de capa Douglas Mastella (bolsista)

Fotografias Arquivo Editora e Livraria UFSM e Rafael Happke

Artigos de convidados José Castilho Marques Neto e Marcelo Luciano Martins Di Renzo

Apoio Laboratório de Experimentação em Jornalismo (LEx)

Revisão Maicon Antonio Paim e Matheus Von Ende Schwertner (bolsista)

Editora da Universidade Federal de Santa Maria Av. Roraima, 1000 – Prédio da Reitoria, 2º andar Campus Universitário – Camobi Santa Maria-RS – 97105-900 Telefone: (55) 3220-8610 E-mail: editufsm@gmail.com Site: www.editoraufsm.com.br Distribuição gratuita Impressão: Gráfica e Editora Copiart Tiragem: 1.000 exemplares


NESTA EDIÇÃO

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07

Marolinha virou ressaca

Diretor da Editora UFSM reflete sobre a gestão

Trabalho em equipe e publicações em meio digital são os destaques da conversa com o professor Daniel Coronel

Causas e consequências da crise econômica brasileira

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A praga do patrimonialismo

Entenda como a confusão entre público e privado influencia há séculos a política e a economia brasileiras

17

27

Formação e mercado de trabalho

Editora UFSM oportuniza que alunos do curso de Produção Editorial da UFSM, único da região Sul do Brasil, apliquem o conhecimento na prática

Crise econômica brasileira afeta a venda de livros no país

Conheça alternativas para um mercado editorial em retração

19

Mercado editorial brasileiro para as editoras universitárias: desafios, dificuldades e perspectivas

Marcelo Luciano Martins Di Renzo analisa o contexto atual das editoras universitárias brasileiras

29

Ações para alcançar o público

Editora promoveu e participou de eventos para a difusão de conhecimento e integração dos estudantes e da comunidade


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Dos romances aos manuais técnicos

Livraria UFSM comercializa obras de diversos gêneros e editoras

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Qualidade dos produtos e bom atendimento

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Nos trilhos do trem [há muita história para contar]

Trens na Memória conta a história das ferrovias do Sul do Brasil e de Santa Maria através de relatos e documentos

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Virologia Veterinária

Livro apresenta um dos estudos mais completos da área e é referência na academia

Grife UFSM é bem avaliada pela comunidade acadêmica e segue investindo em novidades

39

Diversidade e relevância nos lançamentos do ano

Editora UFSM manteve publicações de qualidade em ano de forte crise econômica

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Despertando o gosto pela leitura

Livro O Que Precisamos Saber sobre a Aprendizagem da Leitura discute formas para tornar a leitura uma prática cotidiana na vida de crianças e jovens

50

O livro universitário e suas editoras: experiências e perspectivas de um editor

José Castilho Marques Neto trata dos seus 27 anos à frente da Editora Unesp

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Conselho Editorial

Integrantes da UFSM compõem o órgão consultivo e deliberativo da Editora

$

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Pareceristas

$

Os pesquisadores, externos à UFSM, que dão o aval para que um livro seja publicado pela Editora

61

Distribuidores

Os diversos locais, em todo o país, onde podem ser comprados os livros da Editora UFSM


Marolinha virou ressaca

Marolinha virou ressaca

Causas e consequências da crise econômica brasileira Quando a crise mundial de 2008 se alastrou a partir dos Estados Unidos para as demais partes do mundo, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu o cenário de instabilidade econômica como uma ‘marolinha’, que chegaria ao Brasil na forma de uma simples onda pequena, sem muita força. Quase dez anos depois, o que se tem no país é um ‘mar’ agitado em âmbito político, econômico e social. O economista Adriano José Pereira, professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM, explica que as previsões são de que a recuperação da economia seja lenta e de que os impactos da crise continuem fazendo parte da realidade brasileira por quase uma década. “Esta é uma perspectiva pessimista, mas não está descartada. [Serão] três anos sucessivos produzindo bem menos riqueza, por isso precisamos de taxas de crescimento bem mais altas do que as

previstas para 2017-2018”, explica Pereira. Para o pesquisador, a recuperação do investimento – seja público ou privado e de investidores internos e externos – e a necessidade de manter a estabilidade de preços devem manter as taxas de crescimento do PIB baixas, mas positivas nos próximos anos. Existem várias teorias que buscam explicar o porquê da crise econômica atual, mas a multiplicidade de fatores que atua no processo de formação de uma crise dificulta que possamos reconhecer qual dessas teorias é definitiva.

A causa externa

Em um primeiro momento, é importante compreender que a economia está diretamente ligada a políticas de governo e de Estado que, por sua vez, estão relacionadas às relações de um país em meio internacional. O economista e pró-reitor

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de Planejamento da UFSM entre 1994 e 1997, José Maria Dias Pereira, lembra que, na sociedade em que vivemos, as crises capitalistas são sistêmicas e previamente anunciadas. Dias Pereira recupera o trabalho de Ignácio Rangel, considerado como um dos pensadores econômicos mais originais do Brasil, para explicar essa ideia. “Após uma fase ascendente, a economia entra em crise, [que] induz algumas mudanças institucionais, em especial no mercado financeiro, estimulando novos investimentos em segmentos econômicos não modernizados. Os efeitos dessa ‘onda de investimentos’ tendem a se propagar por todo o sistema econômico, o qual entra novamente numa fase ascendente”, explica o economista. Três grandes crises mundiais podem ser consideradas relevantes na história econômica mundial: em 1873 (crise de superprodução), 1929 (quebra da Bolsa de Valores de Nova York) e 1973 (crise do petróleo). Para alguns pesquisadores, essas crises sinalizam que o que ocorre hoje a nível global ocupará a posição de ‘quarta grande crise’ nos livros de história de um futuro não muito distante. “Há uma discussão se seria quarta ou terceira. Penso que isso não é relevante. O fato é de que se trata de uma crise sistêmica, a exemplo do que ocorreu em 1929. Portanto, afeta todas as economias, ainda que de maneiras diferentes”, explica o professor Adriano Pereira. A atual crise mundial nasceu em 2008, nos Estados Unidos, como possível consequência de hipotecas concedidas sem garantia a milhares de cidadãos. Na época, o Brasil vivia o ‘boom’ das commodities – com destaque para a exportação de soja, café, minério de ferro e petróleo. Além disso, por manter boas relações de comércio exterior – principalmente com a China –, foi um dos últimos países a sentir o grave efeito da crise.

Políticas ‘anticíclicas’ de governo

Embora a recessão interna tenha demorado alguns anos para ser realmente percebida pela população, o primeiro impacto da crise econômica mundial foi sentido em território nacional ainda em 2009, quando, segundo dados do Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro sofreu uma

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retração de 0,13%. Frente a isso, o governo adotou, naquela época, várias políticas chamadas ‘anticíclicas’, com o objetivo de distorcer esse fenômeno e impulsionar a atividade econômica. O consumo foi incentivado a partir de medidas como a redução das taxas de juros, o corte de alguns impostos, a concessão de desonerações fiscais a alguns setores e o incentivo à liberação de créditos pelos bancos públicos para financiar o desenvolvimento. O professor do Departamento de Ciência Sociais da UFSM, José Carlos Martinez Belieiro Júnior, defende que outras políticas de incentivo ao consumo adotadas pelo governo do Partido dos Trabalhadores na época estão ligadas à valorização do salário mínimo e a programas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família. “Quando se tem este ciclo, o dinheiro do consumo vai para o empresário, que vai para o transporte, que vai depois para energia, e assim se tem um ciclo virtuoso de crescimento que vai expandindo continuamente. O ideal seria que essa expansão continuasse sempre, mas as crises vêm como um ajuste disso, como uma forma de recuo”, ressalta o pesquisador. O professor de Economia da UNB e ex-presidente da Associação Keynesiana Brasileira, José Luiz Oreiro, explica que as medidas adotadas naquele momento pelo governo brasileiro geraram resultado excelente em termos de administração do nível de atividade econômica. “O problema é que essa combinação de políticas é para ser usada apenas em situações de colapso da demanda privada, mas foi continuada mesmo quando esse não era mais o caso”, salienta Oreiro. O resultado foi que o país vivenciou, em 2010, a maior taxa de crescimento econômico dos últimos 30 anos, “gerando pressões inflacionárias agudas”, lembra o pesquisador. “A indexação do salário mínimo à inflação passada e ao crescimento do PIB real produziu uma elevação dos salários num ritmo muito acima da produtividade do trabalho a partir de 2012, gerando uma contração muito forte nas margens de lucro das empresas não financeiras”, explica Oreiro. O estímulo ao consumo, como política de governo, e a consequente demanda crescente por produtos não foram acompanhados de um aumento


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de produtividade da indústria, o que causou desequilíbrio nas contas públicas. Ainda que a política adotada tenha representado uma melhora em relação à distribuição de renda, a situação não é sustentável a longo prazo. Assim, apesar de a crise daqui estar inserida no contexto mundial e não ter sido ocasionada por dívida externa (como já havia acontecido em outros períodos), grande parte dos analistas econômicos afirma que a recessão que enfrentamos possui causas internas preponderantes. “Ocorreu um ‘esmagamento de lucros’ que deprimiu o incentivo ao investimento, [que] entra em colapso em 2014, agravado ainda pelo problema de sobre-endividamento da Petrobrás e dos efeitos da operação Lava-Jato. O desequilíbrio fiscal crescente observado a partir de 2014 foi mais a consequência do que a causa da crise que vivemos hoje”, sustenta Oreiro.

Ajuste fiscal

Em 2014, os reflexos da crise econômica foram fortemente sentidos: a dívida pública tinha crescido de 51,3% para 57,2% do PIB, e alguns economistas afirmam que a situação só não foi pior por coincidir com a Copa do Mundo sediada no país, que fomentou geração de renda, principalmente com o turismo. O professor Adriano Pereira analisa que “além de um ambiente mais otimista, o governo gastou bastante em 2014 com as obras do PAC, que foram voltadas para a infraestrutura (da Copa também). Além disso, o governo conteve o preço dos combustíveis e da energia elétrica, ajudando a demanda a não ter caído ainda mais. Mesmo assim, já estávamos em recessão; crescemos apenas 0,5%”. Com a economia em recessão e o crescente aumento das taxas inflacionárias frente à concessão de créditos, a partir de 2015, o governo adota uma severa política fiscal. As taxas de juros neste ano subiram para mais de 12%, somadas aos cortes no orçamento, restrição de benefícios e aumento de impostos e tributos. A política de implementação dos juros, na maioria dos casos, segue a lógica da inflação com o objetivo de diminuir suas consequências. No caso do governo Rousseff, especialmente a partir de 2014, para conter a elevação dos preços, o Banco Central aumentou progressivamente a taxa básica de ju-

ros (Selic) – ação que faz com que o consumo seja menor. Considerado um dos mais renomados economistas brasileiros, ministro da Fazenda no Brasil em 1987, Luiz Carlos Bresser-Pereira sustenta que “a política de crescimento com endividamento externo e a política de controle de inflação por meio da apreciação da moeda nacional envolvem o populismo cambial, que eleva artificialmente os salários e reduz a inflação. Com isso, facilita a reeleição dos políticos, mas às custas do país”. A avaliação de Bresser-Pereira integra as discussões sobre a contribuição desse economista para a teoria econômica, no livro A Teoria Econômica na Obra de Bresser-Pereira, da Editora UFSM, publicado em 2015. Em um cenário econômico recessivo, o aumento dos juros é um agravante da situação. Nesse caso, fica mais caro para empresas e pessoas fazerem empréstimos bancários para investimentos ou compras. Além da nova tributação, nesse período o orçamento público passa a sofrer drásticos cortes. Quando o governo reduz seus investimentos em obras de infraestrutura, atingindo setores de energia, transporte e telecomunicações, por exemplo, essas mudanças atingem distintos setores produtivos da economia que entram em decadência. O cientista político José Carlos Balieiro explica que durante o governo Lula houve um “investimento muito grande em construção de rodovias, pontes, usinas hidrelétricas – algumas em parcerias com empresas privadas, mas tudo com recurso público. E para onde vai esse recurso? Para ferro, cimento, contratar operários, engenheiros, o que gera um impacto muito grande na economia”. Posteriormente, com a crise, a falta de recurso público para investimento no setor de infraestrutura teve como um dos principais reflexos o fenômeno de desemprego, que teve a taxa nacional ampliada de 6,2% ao final de 2013 para 6,9% ao final do ano seguinte, e para 8,1% já no segundo trimestre de 2015. Além disso, esses fatores estão diretamente ligados ao desempenho do PIB, que passa a apresentar queda brusca a partir de 2014. Se as pessoas gastam menos com produtos e serviços, se o governo gasta menos no setor público, se as empresas deixam de investir em melhorias na produtividade – se tudo isso acontece, o PIB não é capaz de crescer.

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Desempenho do do PIB Desempenho PIBbrasileiro brasileiro 10,0% 7,5%

8,0% 6,0%

5,1%

4,0%

4,0%

3,0% 1,9%

2,0%

0,1%

0,0%

-0,1%

-2,0% -4,0%

-3,8%

-3,5%

2015

2016

-6,0% 2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Risco-Brasil e indústria

Após a deflagração dos escândalos de corrupção, de um impeachment presidencial e da eclosão de diversas manifestações sociais, a instabilidade política tem influência direta sobre aquilo que, em linguagem de economistas, se denomina de ‘risco-Brasil’. Trata-se de um índice que mede o grau de ‘perigo’ que o país representa para o investidor estrangeiro, ou seja, quanto mais conturbado for o cenário, menos investimento estrangeiro será creditado no país, pois não há garantias concretas de lucros futuros. Além disso, um dos principais componentes que vai afetar diretamente, nesse período, a atividade de exportações nacional é a rápida valorização do dólar. O professor Oreiro lembra que a indústria brasileira é castigada por um cenário macroeconômico hostil e uma escassez crônica de infraestrutura. No contexto macroeconômico, a valorização da moeda estrangeira impacta a competitividade externa da indústria nacional. Além disso, o custo de capital (empréstimos, por exemplo), no país, é considerado pelo economista como ‘proibitivo’ para investimento na modernização e ampliação do parque industrial brasileiro. “O Brasil é um país onde o trabalho está ficando cada vez mais caro devido ao aumento dos salários, mas onde se vê muito pouco esforço dos

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empresários no sentido de realizar investimentos que substituam trabalho por capital. A razão é muito simples: o capital também é muito caro. Nesse contexto, os investimentos em automação, que levariam ao aumento de produtividade que a economia brasileira precisa desesperadamente, simplesmente não são viáveis economicamente. O problema do Brasil hoje é que o trabalho e o capital são muito caros”, sustenta Oreiro. Considerando esse cenário, os discursos políticos atuais, em sua maioria, demonstram séria preocupação com os efeitos daquilo que se via no início como uma simples ‘marolinha’. A resposta encontrada pelo atual governo de Michel Temer, e que vem sendo amplamente debatida no Congresso Nacional, é a implementação de uma série de reformas políticas, econômicas e sociais. Depois de aprovar medidas de reforma aos direitos trabalhistas, o governo agora defende propostas de alteração também no sistema previdenciário como solução para colocar as contas públicas em ordem e estimular a economia. Os críticos das mudanças, porém, dizem que todas essas alterações podem levar à perda de direitos dos trabalhadores. Para além de uma crise econômica, a sociedade brasileira vive uma crise de representatividade. O Brasil acorda de ressaca, e as previsões de maré baixa, segundo economistas, não são tão próximas.


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Perguntas frequentes

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1) De que forma o aumento no preço dos combustíveis traz implicações sobre a capacidade de consumo da população? Como no Brasil o tipo de transporte predominante é rodoviário, o consumo de combustível não é uma opção, mas uma necessidade. Assim, quando acontece um aumento nas tarifas de combustíveis, a parte do orçamento destinado ao pagamento do transporte aumenta e diminuem as capacidades de consumo de outros produtos. O aumento no combustível funciona como uma espécie de ‘tributo disfarçado’, que também impacta, indiretamente, no preço de todos os demais produtos em circulação no mercado. Isso porque a indústria também vai gastar mais para transportar a matéria-prima utilizada na produção e, depois, para transportar as mercadorias até os pontos de venda ao consumidor final. Para compensar esse aumento nos gastos e manter sua margem de lucros, a indústria tende a repassar as sobretaxas ao preço final cobrado do consumidor. Dessa forma, o aumento no preço de produtos de necessidade básica, como é o caso do combustível, afeta de forma mais aprofundada a população assalariada e de menor poder aquisitivo; primeiro porque o salário mínimo não é reajustado de acordo com o aumento no combustível; segundo porque a população de menor poder aquisitivo costuma – e muitas vezes necessita – destinar toda ou grande parte da renda ao consumo de bens e serviços, que se tornam mais caros, e tem assim sua capacidade de consumo reduzida.

2) É comum ouvir que, na última década, milhares de brasileiros saíram da miséria através dos programas de redistribuição de renda e incrementaram a chamada ‘classe C’. Mas qual é o real poder aquisitivo da classe C atualmente? No Brasil, segundo critérios da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integram a classe C pessoas que possuem renda familiar entre R$ 2.005 e R$ 8.640. Dados disponíveis no Portal Brasil apontam que, em 2012, a maioria da população brasileira integrava a classe C (54%), enquanto que em 2005 a maioria (51%) era de classe D e E. O aumento da população de classe C no Brasil foi incentivado por fatores como a diminuição do desemprego, o aumento do salário mínimo, a valorização do Real, as transferências de renda por gasto público e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A camada social com renda baseada no salário mínimo passou a ter um poder de compra antes inexistente, principalmente de produtos duráveis, como eletrodomésticos e automóveis. A questão chave para compreender o poder de consumo da classe C atualmente é que a ascensão acelerada de classes mais baixas ao nicho de consumidores se deu, no Brasil, em um contexto de baixos juros e facilidade para empréstimos e parcelamentos. Com isso, o endividamento da população se tornou inerente ao consumo e desencadeou problemas sérios a partir de 2010, quando a crise mundial passou a surtir efeitos mais diretos sobre a economia brasileira. A alta na inflação, o aumento dos juros e do desemprego – que registrou nível recorde no primeiro trimestre de 2017, atingindo 13,7% da população, segundo dados do IBGE – resultaram diretamente no endividamento e, consequentemente, na perda de poder aquisitivo dessa classe social que agora estava acostumada a consumir.

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3) Qual a relação entre inflação e variação da taxa de juros?

4) Por que a deflação é um reflexo deste cenário de crise?

Tradicionalmente, afirma-se que a equação entre juros e inflação é uma relação inversa, ou seja, um aumento na taxa de juros faz reduzir a inflação, e vice-versa. O Comitê de Política Monetária (COPOM) é o órgão responsável pela política de juros no Brasil, que está centrada em aumentar ou diminuir a taxa de juros a cada vez que a inflação não está de acordo com o regime de metas traçado para um determinado período. Essa é a essência do mecanismo de funcionamento da política monetária, baseada na Teoria Geral de Keynes e utilizada pelos bancos centrais. A explicação para essa relação inversa entre juros e inflação seria a de que as taxas de juros mais altas reduzem a demanda efetiva, ou seja, o poder de consumo da população. Isso porque fazem com que mais dinheiro tenha que ser destinado ao pagamento de juros e menos seja direcionado ao consumo de bens e serviços. Se a população apresenta menor poder de compra, a economia passa por um período de recessão interna: a oferta de produtos no mercado é maior do que a demanda e isso resulta em uma diminuição na inflação. Ex-diretor do Banco Central, o economista brasileiro André Lara Resende defende que a relação inversa entre juros e inflação está equivocada. A solução seria a Teoria Fiscal do Nível de Preços (TFNP), que sustenta que o fator determinante da inflação não está baseado na taxa de juros, mas sim na política fiscal: “É, portanto, a política fiscal, o equilíbrio sustentável de longo prazo da dívida pública, que em última instância determina a taxa de inflação. Segundo a TFNP, as expectativas são, em última instância, determinadas pela credibilidade do equilíbrio fiscal de longo prazo, pois a inflação compatibiliza, no longo prazo, a dívida pública com o seu nível sustentável”, explicou Resende ao jornal Valor Econômico. O economista indica, através da hipótese neofisheriana, que o juro alto não só agrava o desequilíbrio fiscal como, no longo prazo, mantém também a inflação alta.

A palavra ‘deflação’ simboliza uma queda no preço geral dos produtos comercializados no mercado. Essa situação foi sentida recentemente no país, já que no mês de julho o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) registrou uma baixa de 0,23%, caracterizando uma situação contrária ao alto nível de inflação com o qual a economia brasileira estava acostumada. São diversos os aspectos que podem alterar o IPCA e causar uma deflação, entretanto, um dos fatores mais influentes para esse cenário estar predominando no Brasil é a atual recessão econômica, apontada por muitos como a pior já vista na história do país. O Produto Interno Bruto (PIB) apresentou crescimento negativo desde o segundo trimestre de 2014 até o primeiro trimestre de 2017. O desemprego atinge cerca de 14 milhões de brasileiros e indica um aumento de 27,8% em comparação aos dados divulgados pelo IBGE no mesmo período do ano passado. Com o consumo também em baixa, o cenário é cíclico: a população que antes havia entrado no mercado de consumo já não tem mais poder aquisitivo em razão da recessão interna e do alto nível de desemprego; se a demanda diminui, o preço dos produtos é reduzido a fim de facilitar a venda e, com isso, a inflação automaticamente se torna mais baixa. Especialistas apontam que não há motivos para comemorar, porque a deflação em situações como essa não costuma incentivar um retorno ao consumo, podendo até mesmo resultar em uma armadilha deflacionária – situação na qual as pessoas esperam os preços baixarem sempre mais para depois comprar e, então, o consumo fica estagnado. Também é um cenário prejudicial para os endividados, que terão nas dívidas um valor real maior a pagar.

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Economia editada

A Editora UFSM também te ajuda a conhecer mais as teorias econômicas A Teoria Econômica na Obra de Bresser-Pereira

José Luis Oreiro, Luiz Fernando de Paula e Nelson Marconi (organizadores) Editora UFSM, 2015 A publicação objetiva apresentar as principais contribuições teóricas de Bresser-Pereira, um renomado economista brasileiro que foi ministro da Fazenda em 1987, ministro da Reforma do Estado de 1995 a 1998 e ministro da Ciência e Tecnologia em 1999. Também professor titular da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, desde 1959, e editor da Revista de Economia Política. Apesar de abordar diversas teorias econômicas desenvolvidas pelo homenageado, o livro também analisa com detalhes o chamado ‘Novo-desenvolvimentismo’, voltado para o entendimento da realidade das economias em desenvolvimento no mundo e no Brasil.

Manual de Economia Brasileira – da formação econômica à economia contemporânea José Maria Dias Pereira Editora UFSM, 2016

O livro possui uma linguagem acessível – mas sem prejuízo da profundidade – e conta os principais fatos e marcos da economia brasileira desde o período colonial à atualidade, servindo como guia de estudo para o leitor que pretende se inserir na área. José Maria Dias Pereira é professor graduado em Ciências Econômicas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mestre em Economia Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco.

Análise Macroeconômica e Avaliação Governamental José Maria Alves da Silva Editora UFSM, 2015

Esta obra busca ir além do que habitualmente é oferecido nos manuais técnicos de macroeconomia e economia do setor público no sentido de estender e complementar a discussão conceitual e técnica com considerações filosóficas, históricas e institucionais no que diz respeito à realidade brasileira. O livro não trata apenas de questões que interessam para a avaliação de governos, mas também leva o leitor a questionar a forma de construção e apresentação de indicadores de avaliação e o que eles podem ou não significar para a vida dos cidadãos. O autor, José Maria Alves da Silva, é doutor em Economia pela Universidade de São Paulo e professor titular do Departamento de Economia Rural da Universidade Federal de Viçosa.

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Patrimonialismo

A praga do

patrimonialismo Entenda como a confusão entre público e privado influencia há séculos a política e a economia brasileiras Quando Pero Vaz de Caminha terminou sua tarefa de descrever ao rei sobre o que viu na nova colônia da América, decidiu interceder pelo genro, condenado a degredo na Ilha de São Tomé: “peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro”, dizia o narrador. O trecho da famosa Carta é frequentemente lembrado como o primeiro caso, no Brasil, de uso da influência pública para se obter um objetivo privado. É o fundamento do patrimonialismo, um fenômeno social que descreve a dificuldade de determinado agente em compreender a diferença entre o público e o privado e de respeitar esses limites. No processo histórico brasileiro, é possível pensar que o patrimonialismo se construiu junto com o desenvolvimento da sociedade. Como explica o professor na Universidade Federal de Viçosa e doutor em Economia pela Universidade de São Paulo, José Maria Alves da Silva, “na história da humanidade o patrimonialismo é tão antigo quanto a própria sociedade. No Egito Antigo, o faraó era o ‘dono’ do país. Nos feudos da Idade Média, o poder político estava na mão

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do senhor feudal, que, de fato, era o proprietário das terras. Nas monarquias absolutistas, o Estado patrimonial se revelava na vontade hegemônica do monarca. Na América Latina, herdamos o Estado patrimonial dos nossos colonizadores ibéricos (Portugal e Espanha), que se desenvolveu incorporando-se à cultura popular”. Essa herança do modo de administração português era típica dos estados absolutistas europeus e tinha como principal característica a falta de distinção entre o que era bem público e o que era bem privado. Na prática, o rei tinha poder sobre todos os recursos econômicos, era ele quem decidia como o dinheiro seria gasto – o que incluía seus gastos pessoais e da família. Além disso, o rei indicava os funcionários públicos que exerciam as funções do Estado (geralmente pessoas próximas, como amigos, parentes ou membros da nobreza). Esses funcionários eram os responsáveis pela justiça, pela elaboração de leis e pela manutenção da ordem, e por esse trabalho eram muito bem remunerados, recebiam honrarias aristocráticas (títulos de condes, viscondes, marqueses) e acesso ao luxo e à ostentação.


A PRAGA DO PATRIMONIALISMO

Tentáculos do patrimonialismo

Patronagem: apropriação do bem público por um indivíduo privado em função dos seus interesses particulares. Nessa situação, o agente utiliza um bem que pertence ao coletivo para ter algum tipo de ganho. É, por exemplo, o caso de um político que utilize seu poder para conseguir um cargo para amigo ou familiar. Atualmente, o uso desse tipo de influência para benefício de um parente é reconhecido por lei como crime, chamado de nepotismo. Clientelismo: relação desigual entre um ator que tem mais poder contra outro que tem menos poder. O clientelismo é um subsistema de relação política, com uma pessoa recebendo algo em troca do apoio político. Coronelismo: controle da política por um pequeno grupo de privilegiados, que definem os rumos políticos de uma cidade ou região se utilizando, muitas vezes, de meios ilegais. Esse tipo de atividade é amplamente reconhecido na história brasileira pela figura dos ‘coronéis’ – pessoas com grande poder econômico e político que recebiam esse nome pela influência que exerciam em suas comunidades e pela capacidade de impor sua própria ‘lei’. Os coronéis estabeleciam uma relação de dependência com as pessoas que, de alguma forma, precisavam deles para sobreviver – em geral, trabalhadores das fazendas que residiam nas propriedades ou, até mesmo, pessoas que trabalhavam para ‘afilhados’ políticos dos poderosos (os afilhados eram chamados assim porque tinham suas campanhas políticas financiadas pelos coronéis). A garantia do poder político vinha pelo chamado ‘voto de cabresto’, quando os coronéis obrigavam os eleitores a votarem em candidatos de seu interesse, se valendo de violência ou intimidação, como a perda do emprego, moradia ou outra situação que ameaçasse a sobrevivência.

Patrimonialismo e política

Para o cientista social e professor da Universidade Federal de Santa Maria, Eduardo Maia, enquanto existir esfera pública, haverá algum ator político com acesso e interesse em utilizá-la em benefício

próprio ou do partido. É a lógica do patrimonialismo. Para Maia, o patrimonialismo brasileiro é assimilado como um elemento cultural e se estabelece como o modus operandi do atual modelo político vigente no país, o chamado presidencialismo de coalizão.

Regime político brasileiro Pela Constituição de 1988, o Brasil é uma República Federativa Presidencialista. República porque o Chefe de Estado é eleito pelo povo, por um período de tempo determinado. Federativa porque os estados têm autonomia política. Presidencialista porque o presidente da República é Chefe de Estado e também Chefe de governo.

Isso porque no presidencialismo de coalizão o presidente, para governar, precisa fazer alianças com o maior número possível de partidos. Esse tipo de sistema caracteriza a realidade de um país presidencialista em que a fragmentação do poder parlamentar entre vários partidos obriga o poder executivo a uma prática que costuma ser mais associada ao parlamentarismo. Para governar, o presidente precisa ‘costurar’ uma ampla maioria, frequentemente contraditória em relação ao programa do partido no poder, difusa do ponto de vista ideológico e problemática no dia a dia – em razão do potencial de conflitos trazido por uma aliança formada por forças políticas muito distintas entre si e que, com frequência, travam uma forte competição interna. Porta aberta para que os interesses privados sejam sobrepostos aos interesses coletivos. E pode ser que o interesse individual de um parlamentar não seja, necessariamente, o enriquecimento pessoal. O uso das trocas políticas para angariar recursos públicos com vistas a garantir a reeleição também figura entre as ações patrimonialistas. Funciona assim:

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para conseguir apoio em votações de projetos de lei de seu interesse, o Executivo usa seu acesso ao bem público de forma a cooptar outros partidos e conseguir a maioria de votos. Pense no esforço que o governo do atual presidente, Michel Temer, empreendeu para garantir um resultado favorável na votação que iria decidir sobre a abertura de investigação criminal contra ele: nos últimos meses antes da votação foram antecipados recursos direcionados para emendas parlamentares – valores garantidos no orçamento anual do país, mas destinados aos temas de interesse dos parlamentares. Na prática, políticos se valem dessas emendas para ‘reservar’ recursos públicos que poderão ser destinados aos setores da sociedade que mais diretamente representam e onde pretendem angariar votos. No mês de maio, quando Temer foi denunciado pela Procuradoria Geral da República, o Executivo liberou cerca de R$ 768 milhões para emendas parlamentares, além de outros R$ 1,9 bilhão no mês de julho. Segundo o professor Maia, o grande problema é que, no Brasil, essa prática se tornou uma regra de funcionamento da política, e o presidente que tenta fugir da lógica acaba por não conseguir aprovar nada. A consequência disso é que o governante entra numa situação de ingovernabilidade.

E a economia?

No momento atual é fácil perceber como essa forma de atuação política, muito pautada pela lógica patrimonial, pode se tornar perversa para a sociedade. Maia lembra que o primeiro efeito dessa dinâmica é o de que os recursos públicos, em vez de estarem sendo investidos em infraestrutura, saúde ou educação, passam a ser utilizados para financiar um sistema político que se autorregula a partir do patrimonialismo. Outro problema é que, a partir do momento que a atuação política se orienta para esse tipo de lógica, desaparecem as chamadas garantias institucionais para a economia. O economista Alves da Silva lembra que os principais reflexos do patrimonialismo na economia nacional atual revelam-se “no inchaço da máquina estatal, na ineficiência alocativa do gasto governamental, no baixo nível do investimento relativo ao gasto total do governo [e] na ausência de planejamento no setor público”.

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Segurança institucional no capitalismo?

Todo investidor faz uma avaliação econômica para entender se o país em que ele pretende investir tem segurança institucional. O que ele busca saber é se existem regras bem estabelecidas, de uma forma que seja possível investir com segurança: se é possível produzir ou criar uma indústria no lugar, por exemplo. Quando os processos decisórios de um país se dão muito mais por uma lógica de apropriação do bem público do que por uma orientação ideológica sobre como o mercado deve ser definido, o investidor reconhece uma insegurança do ponto de vista institucional. Consequentemente, a redução do investimento econômico. A insegurança institucional reduz os investimentos no país. Os investidores externos avaliam a situação dos países e se distanciam quando reconhecem uma economia baseada na lógica patrimonialista, e não na meritocracia. De acordo com Alves da Silva, o que atrapalha os investimentos são as incertezas que sucedem da instabilidade política. “Quando os males do patrimonialismo, para o povo e a nação, se tornam muito evidentes, e difíceis de suportar, podem advir sérias convulsões sociais, ou mesmo revoluções sangrentas. É isso que afugenta o capital estrangeiro”, pondera Alves da Silva. O pesquisador explica também que uma reforma política poderia ajudar o país no controle da lógica patrimonialista, mas ressalta que não se trata de uma reforma política apenas no âmbito do que em língua inglesa se chama de politic (regras do jogo político), mas também no da polity (constituição e ordenamento jurídicos do Estado) e da policy (governança e administração pública). Essa reforma, para ser efetiva, deve partir do povo e ser capaz de submeter a classe política a seus legítimos interesses. Em resposta à pergunta sobre se o patrimonialismo um dia teria fim, o professor respondeu que “o patrimonialismo é como as pragas da agricultura, que podem ser controladas, mas não eliminadas por completo”. Para reduzir esse sistema é preciso mudar a cultura popular e fornecer uma educação política de qualidade, do ensino fundamental até o pós-doutorado.


Crise econômica

Crise econômica brasileira afeta a venda de livros no país Conheça alternativas para um mercado editorial em retração Segundo dados da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL), o mercado editorial brasileiro sofreu uma retração de mais de 17% entre 2015 e 2016. A boa notícia é que a queda do ano passado foi menor que a de 2015: apenas 5%, contra 12% do ano retrasado. O setor editorial não é isolado e, portanto, também sente a instabilidade da conjuntura nacional de forte crise política e econômica. O que chama atenção nesse contexto é que um dos únicos segmentos que obteve alta, tanto em faturamento quanto em número de exemplares, é o de vendas para o governo. E o setor responsável por esse aumento é o de livros didáticos, que segue em aumento constante e que teve, em 2016, quase 200 milhões de exemplares vendidos. Na contramão estão as vendas direcionadas ao mercado. A queda de 3,3% no faturamento do segmento representou um déficit de quase R$ 200 milhões em números absolutos. Isso ocorreu devido à queda do número de exemplares vendidos, que caiu 11% em relação aos anos anteriores. O subsetor de livros científicos, técnicos e profissionais foi o maior responsável pela queda na média. A redução das vendas da categoria foi de mais de 17%. Veja os números no gráfico e na tabela da página 18.

Corte nos investimentos nas editoras universitárias

A situação nas editoras universitárias não é diferente: o corte de gastos previsto para as universi-

dades federais em 2017 chega a 15% para funcionamento e a 40% para despesas com obras. “Com a contingência orçamentária das universidades, as editoras foram atingidas diretamente. Houve uma redução em todos os aspectos, tanto na participação das editoras em eventos quanto na quantidade de publicações das editoras”, explica o secretário executivo da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU), Rubens Mandelli. A redução na quantidade de exemplares produzidos de obras científicas, técnicas e profissionais, que, em geral, são o foco das editoras universitárias, chegou a 7,5% de 2015 para 2016. Na mesma tendência, o faturamento caiu 11,5% no mesmo período. Uma das saídas mais comuns adotadas até agora pelas editoras universitárias é apostar no livro digital. “Essa é uma saída bem interessante, pois a publicação do livro digital acaba sendo menos custosa do que o livro impresso. Isso tem ajudado bastante algumas editoras a manter as suas publicações e inserção dentro do mercado”, explica Rubens. Em média, uma edição digital custa 30% a menos que o livro físico, e, em tempos de crise, essa diferença assume um caráter ainda mais importante. Ainda não há um resultado definitivo sobre os dados de vendas de livros digitais no Brasil, mas estima-se que eles representam algo em torno de 4% do mercado editorial brasileiro.

Editora UFSM frente ao mercado digital

O diretor da Editora UFSM, professor Daniel Arruda Coronel, aponta que para enfrentar essa crise “é fundamental ter um amplo processo de

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planejamento, com definição de objetivos, estratégias, ações, definição de mercado alvo, de prioridades, buscar divulgar melhor os produtos com estratégias de marketing de baixo custo. Enfim, tornar os recursos como emuladores de suas atividades.” Além disso, ressalta que é um desafio trabalhar com baixo orçamento e arrecadação. E complementa: “Duas coisas nós definimos como prioridades: manter a qualidade e a produção; e manter a capacitação e a qualificação de nossos servidores”. Em 2017, o orçamento permanece indefinido devido às contingências orçamentárias e à atual crise econômica. Estabelecendo uma comparação entre os últimos anos, houve uma queda de 16% nas vendas de 2014 em relação às de 2015. Já no ano de 2016, houve uma redução de 39%, ainda comparado a 2014. Caso as vendas de 2017 sigam o ritmo do primeiro semestre, não há projeção de aumento no faturamento. Em 2015 houve uma redução de 32% em relação ao ano de 2014 no orçamento da União para a Editora, mas em 2016 o orçamento igualou-se ao de 2014. A Editora UFSM também segue a tendência apontada por Rubens Mandelli: em relação aos livros digitais, a quantidade de publicações tem ampliado gradativamente desde 2014, quando houve as primeiras publicações em e-pub, quatro no total. De lá pra cá, já somam 39 livros digitais no catálogo da Editora, editorados conforme a disponibilidade dos servidores da área capacitada para tal.

Livro impresso Ñ livro digital

A versão física do livro nitidamente ainda possui um apelo maior que os livros digitais. “O livro digital não anula o livro físico, mas tem sido uma boa ferramenta de divulgação inicial. As editoras estão adotando a política de lançar o livro digital antes para atingir o público de uma forma mais ampla, o que depois gera a compra do livro físico”, explica Rubens Mandelli. A situação do mercado editorial em geral é complicada, mas já se apontam alguns leves sinais de melhora. As quedas nas estatísticas ainda são visíveis, mas já são menos acentuadas do que

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em anos anteriores, e isso se deve ao trabalho das editoras e à busca por alternativas para o mercado. Essa postura fica explícita nas palavras do diretor da Editora UFSM: “Nós temos uma visão de que a comunidade universitária é sujeito da mudança, é a razão de a Editora existir, ou seja, é essa comunidade que nos dá ânimo, nos dá garra para seguir em frente”.

Vendas de livros para o Governo

2015

134.594.394 exemplares

2016

156.794.917 exemplares

16,5%

Vendas de livros para o Mercado

2015

254.680.102 exemplares

2016

226.621.534 exemplares

11,0%

Exemplares vendidos Ú Subgrupo TÍTULOS SUBSETOR

2015

2016

VAR. % 2015/2016

DIDÁTICOS

50.772.492

47.962.585

-5,5

OBRAS GERAIS

109.104.528 97.096.535

-11,01

RELIGIOSOS

68.416.938

59.710.648

-12,3

CTP*

26.386.144

21.851.765

-17,2

* Livros Científicos, Técnicos e Profissionais

No total, o faturamento do subsetor de livros didáticos somou R$ 1,4 bilhão, o que representa um aumento de 13,8% em relação aos anos anteriores. O número de exemplares vendidos para o governo subiu 16,5%, somando um total de 156,8 milhões de exemplares. As vendas para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) aumentaram 12% em relação a 2015 e chegaram ao total de 148 milhões de exemplares. Nesse contexto, os livros didáticos representam uma participação de 48% no total de produtos editoriais vendidos no Brasil.


Artigo

Mercado editorial brasileiro para as editoras universitárias: desafios, dificuldades e perspectivas

Por Marcelo Luciano Martins Di Renzo Jornalista, mestre em Educação, professor da Universidade Católica de Santos, coordenador da Editora Universitária Leopoldianum e presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias.

Comemorar três décadas de atuação associativa em defesa da produção editorial universitária brasileira equivale também a festejar ruidosamente a contribuição efetiva deste segmento laboral à Educação, por meio da difusão do conhecimento científico que atesta a maturidade acadêmica das instituições de ensino, públicas e privadas, permanentemente evoluindo em contextos de mudanças severas locais e globais decorrentes de questões políticas, agruras econômicas, avanços tecnológicos e revoluções sociais (DI RENZO, 2016b, p. 29).

Sirvo-me da licença autoral ao resgatar a loa supra para com ela dimensionar o contexto e o espírito que balizam e norteiam a presente proposta de alinhavar as dificuldades, os desafios e as perspectivas do mercado editorial brasileiro para as editoras universitárias. As variáveis tempo e produção justificam-me. A massificação gráfica tem no avanço tecnológico do final do século XV, atribuído à invenção dos tipos móveis de impressão, sua pedra angular. Universitária ou não, a produção editorial no Brasil é ainda mais jovem. Aqui tanto as gráficas quanto o ensino superior começaram a funcionar legalmente

após a transferência da família real de Portugal para a Colônia, em 1808. Nesse curto espaço de tempo de 21 décadas de construção do mercado editorial brasileiro, desenvolveu-se, em apenas seis, o segmento mercadológico de editoração pela instituição superior de ensino de sua própria produção científica. E em três, organizando sua associação, esse nicho evoluiu como negócio cultural e logrou constituir-se protagonista nas políticas do livro e da leitura. Neste mercado editorial nacional ainda iniciante e muito dependente do Estado, sensível aos baixos índices de leitura e de hábitos de consumo de livros registrados entre os 200 milhões de habitantes, a produção das editoras universitárias tem bons indicadores, na categoria livro científico, técnico e profissional. Em 2016, essa categoria foi a mais afetada pela crise econômica, apresentando desempenho inferior ao último ano. Em 2015, assinalou novos 7.586 ISBNs convertidos em 11,6 milhões de exemplares.1 Em 2016, foram 7.614 novos ISBNs e foram impressos 10,2 milhões de exemplares. 1 Produção e vendas do setor editorial brasileiro. Pesquisa FIPE. Ressalve-se que somente 18 associadas da ABEU manifestaram interesse em receber o formulário.

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Comparando-se, a produção projetada das afiliadas da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), 118 editoras na época, registrou 2.000 títulos novos por ano, uma média de 16 títulos cada, com tiragem próxima de um milhão de exemplares. As variáveis apresentam indicadores promissores. Temos muita disposição, energia e criatividade associadas à disciplina necessária ao desenvolvimento da pesquisa científica. Temos centros de excelência na produção de novos conhecimentos e pesquisadores nas diversas áreas do conhecimento. São condições vitais ao nosso tipo de negócio. Há espaço vasto a ser ocupado pelas editoras universitárias no mercado editorial nacional, sem dúvida. Indicam, por outro lado, peculiaridades que retardam o crescimento no nível almejado. O noviciado no planejamento editorial é um. A substituição frequente de dirigentes traz uma instabilidade incômoda. A pequena tiragem quase sempre evidencia a dificuldade de distribuição e comercialização dos títulos em um prazo razoável ao retorno do investimento.

Memória

Abro um espaço para resgatar parte de nossa trajetória enquanto editoras e associação por entender que, ao nos conhecermos melhor, intentamos atingir o desejado ao texto proposto. O registro do surgimento dos primeiros setores de editoração e publicação organizados no âmbito das instituições de ensino data de 1955, em Pernambuco. Com a denominação específica de editoras, as primeiras datam dos anos 1960, sendo respectivamente a da Universidade de Brasília e da Universidade de São Paulo. Grande incentivo à criação de editoras ocorreu a partir de 1964. Dois fatores concorreram para essa expansão: a realização de encontros periódicos de diretores das gráficas de universidades federais, após 1976, e a criação de um programa federal de estímulo à publicação da produção científica e intelectual das Instituições de Ensino Superior (IES). A partir de 1983, foram realizados seminários nacionais reunindo os setores de editoração existentes, independente das denominações. Na reu-

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nião de 1985, em Salvador, foi aprovada a criação de uma associação nacional, o que ocorreu dois anos depois, em 1987, no seminário de Goiânia, ano da criação da ABEU. Neste mesmo ano, a nova associação estreou na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. A ABEU cresceu. É a representante formal da editoração universitária brasileira junto a todas as instâncias de governo, e, em 2014, atuou na criação do fórum das entidades do livro reunindo os principais segmentos do setor, com o objetivo comum de fortalecer a atuação política conjunta. Com sede própria em São Paulo, a ABEU reúne 123 editoras distribuídas nas cinco regiões. Investe na participação em eventos literários no Brasil e no exterior, favorecendo a difusão e a comercialização da produção editorial. Apoia a realização de cursos e programas que possibilitem a profissionalização do setor. Mantém programas de comunicação social. A Associação organizou, em 2016, um ciclo de exposições das produções de suas associadas em seis centros culturais do Brasil do Exterior, a convite do Itamaraty. Criou o Prêmio ABEU, em 2015, que valoriza a produção acadêmica com uma láurea especifica. E ainda a Comenda de Mérito, atribuída aos profissionais do setor acadêmico que se destacaram. Participa ativamente da Associação das Editoras Universitárias da América Latina, México e Caribe. Nos últimos dois anos, firmou termos de cooperação técnica com a rede das editoras públicas da argentina, a REUN, e com a Rede Al Texto, do México. E prepara-se para assinar igual proposta com a Associação Portuguesa de Editoras do Ensino Superior.

Perfil

O fator juventude permite compreender a diversidade de interpretações acerca do que pode ou deve ser a editora universitária. Nos primeiros tempos, a criação e a inserção das editoras no organograma das instituições de ensino não seguiam regramentos específicos. Reportavam-se ao gabinete do reitor, ou a uma pró-reitoria, ou ao setor de extensão, ou ao setor de comunicação institucional, ou


ARTIGO

As pesquisas registram também as manifesa uma coordenadoria de órgão suplementar. Eram quase sempre dirigidas por pessoal da área acadê- tações de problemas comuns de administração, tais como distribuição inadequada; falta de aumica. Passados 30 anos, essa variedade de modelos tonomia administrativa; divulgação inadequada; administrativos ainda persiste. recursos humanos; restrições orçamentárias e Contabilizam-se quatro estudos exploratórios sobre a atividade da editoração universitária re- financeiras; custos elevados; infraestrutura em geral; regulação fiscal; falta de experiência de dializados pela associação ou por editoras, além de artigos, dissertações e teses, algumas publi- retores e funcionários. Castilho pontuou, na apresentação do estudo cadas. Em 2001, o professor José Castilho Marde 2003, que, já naquela época, por meio da ABEU, ques Neto, então presidente da Fundação Editora os editores universitários empreendiam “um debaUnesp, coordenou estudo exploratório que visou caracterizar as editoras universitárias brasileiras, te de reposicionamento de suas editoras e linhas editoriais no mercado do livro brasileiro sem fugir bem como avaliar o seu desempenho naquele de suas responsabilidades enquanto editoras acaano. A professora Flávia Rosa, diretora da Editora dêmicas vinculadas às instituições de ensino e pesda Universidade Federal da Bahia, coordenou os quisa” (MARQUES NETO, 2003, p. 7). Os resultados mais recentes, de 2012 e 2015. Os estudos internos apurados na pesquisa mais recente (ROSA, 2016), permitem a elaboração de um perfil das editoras relatados acima, evidenciam o amadurecimento do universitárias associadas, que são 68% públicas e segmento, conforme vislumbrado, inclusive face ao 32% privadas (ROSA, 2016). desenvolvimento tecnológico que acarretou em noDe modo resumido, hoje temos que 50% das vas formas de produção e comercialização. editoras são vinculadas ao gabinete do reitor; Essa temática é sistematicamente tratada pela 95% contam com conselho editorial, presidido, em pelo menos 50% dos casos, pelo diretor da edito- ABEU em suas reuniões anuais, que incluem não só as reflexões de especialistas, mas a proveitosa ra. Em cerca de 60% dos casos há autonomia dos conselhos. O forte relacionamento com os progra- troca de informações sobre experimentos exitosos mas de pós-graduação da instituição é uma carac- das associadas e sobre projetos do mercado. terística comum, e 80% das editoras têm política editorial definida. Uma marca a ser observada: Movimentos 50% imprimem 500 exemplares por título novo na O segmento de negócios sobre o qual tratamos primeira edição. A prática da coedição é utiliza- tem peculiaridades distintivas dos demais setores da por 87%; 50% já publicam e-books; e 73% não que constituem o mercado editorial, de um modo possuem gráfica própria. significativo, as quais podem, eventualmente, conOs recursos para publicação têm a seguinte verter-se em entraves, desafios e oportunidades ao origem: 78% próprio; 49,5% do autor; 42% de pro- desenvolvimento da editora, conforme sugerimos gramas de pós-graduação; 36,5% da Fundação ainda no início. A mais complexa é ser parte constide Amparo à Pesquisa; 38% de apoios externos. tutiva de uma instituição de ensino, subordinandoUma preocupação em ampliar a promoção dos -se a ela e dela dependendo em todos os sentidos. títulos produzidos e desse modo ter maior visibi- Ambientada no mundo da pesquisa científica, a lidade perante o público consumidor reflete-se editora universitária tem como missão assegurar a no fato de 32% das associadas já contarem com publicação e difusão dos resultados com rigor técassessorias de imprensa. Há investimentos em nico editorial. Desse modo, tem acesso privilegiaoutros canais de distribuição: PIDL, 53%; distri- do aos produtores de conteúdos acadêmicos, hoje buição própria, 48%; site próprio de comerciali- muito cobiçados pelas editoras comerciais. zação, 57%; livraria própria, 60%. A participação Derivam disso questões muito pontuais, tais em eventos organizados pela ABEU atrai cerca de como a formatação de um catálogo destinado 50% das associadas. a um público-alvo diferenciado e formado por

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estudiosos do assunto; a obediência às regras de qualificação da informação tecnológica, propostas pelos órgãos de controle da qualidade educacional; a falta de regulação fiscal, impedindo a obtenção de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica e interferindo nos procedimentos usuais de comercialização; a limitação na obtenção de recursos e no reaproveitamento daqueles auferidos com a venda de exemplares; a necessidade de disponibilizar a produção por meio de acesso aberto; e a limitação política, que dificulta a formação de quadros diretivos, retardando ou mesmo impedindo o amadurecimento de uma política editorial de longa projeção. Neste contexto, entende-se de longa data a necessidade de que a editora seja requalificada na estrutura organizacional das instituições de ensino superior, atribuindo-lhe a legitimidade jurídica adequada ao que dela se espera produzir. Para tanto, há cinco anos, a associação investe em um projeto de lei nesse sentido, já tendo obtido apoio parlamentar à proposta. E na XXX Reunião Anual da ABEU, realizada em maio de 2017, na cidade de Foz de Iguaçu, manifestando a preocupação da ABEU com as dificuldades impostas às instituições públicas e privadas – como as universidades e os institutos de ciências e tecnologia, os quais passam por significativas reduções nos seus investimentos e por cortes de pessoal –, a assembleia aprovou como meta institucional2 o fortalecimento do relacionamento e do diálogo com o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e com as instituições de fomento, objetivando a construção de

uma agenda comum de enfrentamento aos desafios apontados e a outros. É desejável que dentre os desafios se observe o de entender a editora como uma empresa cultural, e não como um setor de editoração, dotando-a do ferramental necessário aos novos tempos. “Uma proposta/ideia: transformar as editoras acadêmicas em empresas culturais, instrumentos sólidos de crescimento e sobrevivência da editoração universitária brasileira no Brasil do século XXI” (MARQUES NETO, 2003, p. 8). Os tempos são outros e o mercado editorial também enfrenta suas crises. A queda nas vendas se acumula nos últimos 10 anos. O principal canal de vendas continua sendo o das livrarias (52%), mas o setor está fragilizado com o fechamento de pequenas lojas. As megalivrarias, mesmo diversificando o mix de produtos oferecidos, enfrentam dificuldades por conta da diversidade do público consumidor, que varia conforme a localização. A internet abriu novos modos de comercialização, que trouxeram as “arrasa-quarteirão”, empresas que almejam sem cerimônias o controle desse espaço de vendas. Este é um cenário somente rascunhado para estimular a reflexão em seu início. A sobrevivência das universitárias deve considerar este cenário que se modifica com a velocidade da cultura-mundo. Não é razoável evitar a modernidade e rejeitar as novas tecnologias digitais para a produção, difusão e comercialização de títulos. No entanto, é necessário entender o novo leitor.

2 “Aprofundar o diálogo com o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB) para que fortaleçam a relação das universidades com suas casas editoriais e que seus órgãos controladores reconheçam e autorizem a adoção de procedimentos que possibilitem o bom funcionamento e a sustentabilidade das editoras; com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CONIF) para que apoie suas editoras do ponto de vista físico, tecnológico e de recursos humanos; assim como com as instituições de fomento, com vistas a investir no fortalecimento das universitárias.” Carta de Foz de Iguaçu, aprovada em 26 de maio de 2017, na assembleia da XXX Reunião Anual da ABEU.

diversidade de dispositivos de leitura e novas mí-

A edição impressa tem se tornado mais desafiadora devido não somente ao aumento da produção científica estimulado pelas exigências dos órgãos de fomento e a abertura de editais de programas regulares de apoio à publicação, mas também pela

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dias interferindo na forma como as pessoas leem e aprendem os conteúdos (SANTAELLA, 2013 apud ROSA, BARROS, MEIRELLES, 2015).

É preciso, ainda, atentar aos direitos do autor e, na mesma medida, encontrar mecanismos ao livre trânsito das ideias acadêmicas, frutos que são da pesquisa e do estudo em favor da evolução da


ARTIGO

humanidade, sem serem estabelecidas dificuldades derivadas de entraves comerciais. Tudo isso não é exclusividade brasileira. As editoras universitárias na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, estão sistematicamente se reunindo e tratando dessas questões, de acordo com suas regionalidades. A ideia que permeia as discussões, o pano de fundo como se diz, é a construção de uma rede global, planetária, que integre a todos em busca da sobrevivência. O que significa trazer para si, de algum modo mais efetivo, o controle de seu destino. Ser protagonista, assim, corresponde a verdadeiras batalhas à frente. Internacionalizar por meio de parcerias e da flexibilização alfandegária que

REFERÊNCIAS

DI RENZO, M. L. M. ABEU 30 anos: por uma edição universitária sem fronteiras. In: EULAC. De libros, conocimiento y otras adicciones: la edición universitaria en América Latina. México: Editorial Universidad de Guadalajara. 2016a. p.172-175. ______. ABEU 30 anos: uma jornada de todos nós. Revista Tendência Editorial, n. 10. Bogotá, Editorial Universidad del Rosário, p. 28-31, 2016b. MARQUES NETO, J. C. A editora universitária e o mundo do livro brasileiro. In: MARQUES NETO, J. C. As editoras universitárias brasileiras em tempos de globalização: estudo exploratório. IESALC/ UNESCO. 2003.p.5-17

estimule a livre circulação da produção acadêmica, facilitando as negociações dos títulos. Internamente, superar a insegurança fiscal. Investir tanto nas bases digitais para circulação de sua

ROSA, F. G. M. G. Pesquisa ABEU 2015: avanços e conquistas. Revista VERBO, São Paulo, n. 12, p. 2022, 2016.

produção quanto ainda mais na compreensão e estímulo às novas formas de leituras, no entendimento das novas formas pedagógicas. Devem as editoras das universidades acolher esse mundo novo e contraditório, propondo às suas casas novas linhas de pesquisas e debates, buscando novas formas de relacionamento com seus públicos (DI RENZO, 2016b, p. 30).

ROSA, F. G. M. G.; BARROS, S.; MEIRELLES, R. Do livro impresso ao digital: trajetória de uma editora universitária. GT História da Mídia Impressa. ALCAR 2015: 10° Encontro Nacional de História da Mídia. UFRGS - Porto Alegre. Disponível em: < https:// repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/17861/1/ALCAR2015_gthistoriadamidiaimpressa%20%281%29. pdf>. Acesso em: 28 jun.2017.

Ao firmar acordos com outras associações editoriais universitárias no exterior, ao buscar o intenso diálogo político, ao promover a participação em eventos literários no exterior, ao promover o projeto Libros del Brasil, elaborado pela publisher Beth Oliva, ora em desenvolvimento junto com as editoras acadêmicas da Argentina, a ABEU deixa claro acreditar que internacionalização da produção científica não é mais um desejo, um sonho, uma perspectiva, e sim o caminho de afirmação. E a união, a forma de trilhá-lo: Juntos podemos ir mais longe. E isso é possível, pois para além de nossas diferenças, devemos ter em mente que falamos a mesma língua, a língua do livro, e uma língua cada vez mais sem barreiras e fronteiras (DI RENZO, 2016a, p. 175).

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Reflexão sobre a gestão

Diretor da Editora UFSM

reflete sobre a gestão

Trabalho em equipe e publicações em meio digital são os destaques da conversa com o professor Daniel Coronel 24 Estilo Editorial | Edição 4 | 2017


REFLEXÃO SOBRE A GESTÃO

A Editora UFSM foi criada com o intuito de implementar e executar as políticas editoriais da Universidade, e, em 2017, comemora 36 anos de existência. Para o atual diretor da Editora e professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM, Daniel Arruda Coronel, a disponibilização de e-books – um dos maiores desejos da comunidade acadêmica – é um de seus legados. Neste ano, foram publicados sete livros em versão digital e, desde 2014, ano em que a Editora começou a publicar os e-books, já somam 39 publicações nesse formato. O trabalho em equipe é uma marca que perpassa as falas dos servidores da Editora UFSM. Para a coordenadora de comunicação, Denise Bortolotto, o ambiente de trabalho é acolhedor. “Temos espaço para colocar nossas ideias e opiniões, bem como oportunidades de nos qualificarmos através de cursos e treinamentos”, destaca Denise. Assim como aponta a coordenadora de distribuição, Zélide Baier: “Temos autonomia para realizarmos nosso trabalho e com isso liberdade de criar e propor medidas visando ao fortalecimento da imagem da Editora UFSM”. A qualificação dos servidores também é prioridade. “Nós temos uma equipe altamente qualificada, todos têm especialização ou mestrado em suas áreas”, se orgulha o professor Daniel. Para a coordenadora administrativa da Livraria e Grife, Daiane Frigo, que começou na Editora como bolsista e, depois, ao ser aprovada no concurso público, ingressou no quadro de servidores, “o professor Daniel auxilia a todos, buscando o melhor desempenho de nossas atividades, bem como nosso desenvolvimento profissional, por meio do apoio à realização de cursos”. Acompanhe a seguir a entrevista com o professor Daniel Coronel sobre sua atuação como diretor da Editora UFSM durante seus quatro anos de gestão.

Ressalto que não fiz nada sozinho, tudo que realizei foi com apoio da equipe, a qual me orgulho muito de ter tido a oportunidade de liderar por quatro anos.

Revista Estilo Editorial – Como surgiu o convite para o senhor ser diretor da Editora UFSM? Professor Daniel Coronel – Quando o professor Burmann foi eleito reitor em 2013, fui convidado para participar da administração. Já tinha uma experiência administrativa como coordenador substituto do curso de Administração, experiências como editor de área da revista Ciência Rural e como editor adjunto da Revista de Administração da UFSM. Além disso, também já tinha participado de alguns órgãos ligados à cultura. Então acho que esse conjunto de experiências me ajudou a ter um conhecimento sobre esse mercado editorial.

EE – Quais são os legados que o senhor considera ter deixado nesses últimos quatro anos? Prof. D. C. – Nesses quatro anos fizemos ações muito importantes. Primeiro, reestruturamos a equipe da Editora, passamos de três para dez servidores. Eles têm especialização ou mestrado, ou seja, uma equipe altamente qualificada. Implantamos os livros eletrônicos, e-books, antiga demanda da comunidade universitária, e vamos chegar ao final do ano com 40 livros publicados nesse formato. Aperfeiçoamos os mecanismos de logística de circulação de livros, os quais são fundamentais para a distribuição. Além disso, reestruturamos o setor de comunicação e deixamos a Editora, a Livraria e a Grife mais próximas da comunidade. Bem como reestruturamos o design e toda a estrutura que visa a Editora, a Livraria e a Grife. Em suma, foi o maior desafio que tive, e, com o apoio de toda equipe e dos colegas, cumprimos esses desafios.

EE – Como funciona a circulação dos livros? Prof. D. C. – A Editora está aperfeiçoando junto com a equipe os mecanismos de distribuição e circulação dos livros. Atualmente estamos presentes em praticamente todos os estados da federação. A Editora tem uma boa circulação e consegue cobrir vários pontos do território nacional. Precisamos aperfeiçoar mais, mas o que foi feito nos dá alento para seguir em frente.

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EE – Qual foi o seu maior desafio durante a gestão? Prof. D. C. – A maior dificuldade que enfrentamos foi que, nesse período, ocorreu uma queda significativa de investimentos na Universidade em função da crise econômica. Isso deixou vários objetivos que tínhamos em segundo plano. Então, esse desafio em algum momento será superado com a retomada desses investimentos.

EE – Como o senhor gostaria de ser reconhecido? Prof. D. C. – Gostaria de ser reconhecido como uma pessoa que respeita a individualidade de cada membro dessa equipe, as diferenças de cada um. Alguém que deu oportunidade de qualificação a todos da equipe. Pois, essa qualificação beneficia a comunidade acadêmica como um todo, através de profissionais mais aptos para desenvolverem suas funções.

EE – Quais são seus planos para o futuro? Prof. D. C. – Sou professor universitário e, quando minhas atividades aqui na Editora acabarem, retornarei para meu Departamento. Vou continuar atuando na graduação, na pós-graduação e na extensão e torcendo sempre para que a Editora continue galgando novos postos e novos desafios e que tenha cada vez mais reconhecimento pela comunidade nacional.

EE – Qual sua mensagem para a comunidade acadêmica? Prof. D. C. – Quero agradecer a oportunidade de estar à frente da Editora nesses quatro anos. Ressalto que não fiz nada sozinho, tudo que realizei foi com apoio da equipe, a qual me orgulho muito de ter tido a oportunidade de liderar por quatro anos. Também me orgulho do que fizemos e me dá satisfação dizer que a Editora UFSM cresceu muito nesse período. Espero que continue crescendo e que seja esse importante cartão de visita da nossa Instituição.

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Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e em Administração pela Universidade do Vale do Rio Sinos (Unisinos), mestre em Agronegócios pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atua como professor adjunto do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM bem como nos Programas de Pós-Graduação em Gestão de Organizações Públicas e em Agronegócios. Além disso, é bolsista de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), editor associado da Revista Ciência Rural e da Revista Práticas em Administração Pública, acadêmico da Academia Santa-Mariense de Letras (ASL); membro do Comitê Assessor da área de Economia e Administração da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS); membro do Conselho Científico Permanente da Editora CRV; membro do Conselho Fiscal da Câmara do Livro de Santa Maria; parecerista de periódicos internacionais e nacionais. Já atuou como coordenador substituto do Curso de Administração da UFSM (2011-2012); diretor da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (2013-2015) e secretário do Conselho Municipal de Cultura de Santa Maria (2016). Suas pesquisas e orientações são na área de Economia Internacional e Administração Pública, atuando principalmente nos seguintes temas: Análise Econômica Brasileira; Política Industrial e de Comércio Internacional e Métodos Quantitativos.


Formação e mercado de trabalho

Formação e

mercado de trabalho Editora UFSM oportuniza que alunos do Curso de Produção Editorial da UFSM, único da região Sul do Brasil, apliquem o conhecimento na prática Quando a linguagem se desenvolveu e foram estabelecidos símbolos, que conhecemos como letras e números, nasceram os textos e os livros. Com esses, era necessário alguém para organizar, selecionar e revisar o caminho desde o texto inicial até a obra final. Esse é o papel do editor. Desde então, as funções dos editores foram se diversificando junto com as mudanças da comunicação e da tecnologia. Hoje, estão presentes em diversas plataformas, atuando desde a formulação de

um projeto editorial (de produtos midiáticos digitais, audiovisuais e impressos) até estratégias de marketing para promover esses produtos. O primeiro curso de graduação em Produção Editorial do Brasil foi inaugurado em 1971 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1972, a Universidade de São Paulo (USP) fundou seu curso de Editoração, e a Universidade Anhembi Morumbi foi a primeira universidade particular a criar o curso de Produção Editorial. Além desses, apenas outros

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três cursos superiores foram criados, entre eles o curso de Comunicação Social – Produção Editorial na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na UFSM, a primeira turma do curso ingressou no segundo semestre de 2010. A professora Marília Barcellos, professora do curso da UFSM desde 2011 e com experiência no mercado editorial desde 1989, explica que “o curso permite que os alunos abordem as áreas distintas, de forma equilibrada. O aluno tende a desenvolver mais uma ou mais outra competência conforme seus interesses. Nesse sentido, procurará focar atividades de ensino, pesquisa e extensão que corroborem para essa aprendizagem”. A estudante do curso e ex-bolsista da Editora UFSM, Sara Gonzalez, conta que gosta da área de diagramação e direção de arte, em que pode “trabalhar o conteúdo em conjunto com as ideias do autor e transformá-las em algo em que os leitores se sintam interessados em investir alguns minutos de sua vida pelo menos lendo a sinopse do livro”.

Isso foi um desafio que consegui vencer e recentemente meu trabalho foi adaptar livros que já foram publicados na mídia impressa para a sua publicação em e-book”.

Trabalhar o conteúdo em conjunto com as ideias do autor e transformá-las em algo em que os leitores se sintam interessados em investir alguns minutos de sua vida pelo menos lendo a sinopse do livro Mercado de trabalho

Com o desenvolvimento das tecnologias e o avanço da Internet, a forma de fazer comunicação vem se modificando. Assim, é possível que os formados em Produção Editorial encontrem um mercado de trabalho amplo. Para a professora do Departamento de Comunicação, Sandra Depexe, os graduados em Produção Editorial podem atuar em áreas que remetem à criação e à produção gráfica, trabalhando em editoras, por exemplo, como também em produção audiovisual. “Um campo que tem se mostrado promissor é o de produção de conteúdos e o de gerenciamento de mídias sociais”, ressalta Sandra. O produtor editorial Edimar Oliveira é formado pela UFSM e trabalha, atualmente, na Assessoria de Comunicação e Marketing da Corrieri Alimentos. Ele conta que sempre gostou muito do audiovisual, mas outro setor que lhe chamou atenção foi a gestão de mídias sociais e do markeSara Gonzalez, produtora editorial e ex-bolsista da Editora UFSM. ting, áreas em que atua. Apesar do amplo mercado para produtores A Editora UFSM se apresenta como uma das editoriais, Edimar acredita que seja uma exceção, maneiras de aplicar o conhecimento adquirido na graduação através de bolsas que são oferecidas “no período em que estava buscando por oportupara alunos de Produção Editorial e Desenho In- nidades de trabalho, quase todas as vagas ofertadas eram para estágio, ou para um cargo efetivo, dustrial. Sara Gonzalez: “Na Editora UFSM eu me encarreguei de criar projetos gráficos, isto envol- mas com salário de estágio, o que não é justo com quem se dedica por quatro anos em uma faculve a concepção da ideia da capa, a disposição do dade. Posso dizer que tive ‘sorte’ com o mercado conteúdo no miolo do livro, a execução do projeto e o contato com o autor. Eventualmente fiz algu- de trabalho, pois, após me formar, fiquei somente mas ilustrações e comecei a diagramar e-books. dois meses desempregado”, ressalta.

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Eventos

Ações para

alcançar o público Editora promoveu e participou de eventos para a difusão de conhecimento e integração dos estudantes e da comunidade Todos os anos a Editora UFSM busca participar e promover diversos eventos, visando difundir o conhecimento científico e cultural, dar visibilidade para seu trabalho e se aproximar da comunidade. De acordo com o diretor da Editora, Daniel Arruda Coronel, os eventos estão aumentando a sinergia da Editora com a comunidade universitária, pois auxiliam a crescer o sentimento de pertencimento da comunidade em relação à Editora.

Conforme a coordenadora de comunicação da Editora, Denise Bortolotto, no ano de 2017, os eventos em que a Editora promoveu foram exitosos, apesar de as vendas dos livros terem sido afetadas pela crise econômica em que o país se encontra: “Sentimos certo impacto com relação à crise, principalmente na parte das vendas, inclusive nas feiras em que participamos”. Confira a seguir os principais eventos deste ano.

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Semana da Calourada A Semana da Calourada, evento organizado pela UFSM, no período de 6 a 10 de março, promoveu a integração e a convivência entre os estudantes da Universidade por meio da arte, da dança, da música e das manifestações populares. A Editora, a Livraria e a Grife UFSM marcaram presença expondo livros e produtos, além de realizar atividades lúdicas e sorteio de brindes com os visitantes do estande.

Oratória Solidária No dia 30 de março, promovemos a palestra ‘Oratória Solidária: a comunicação faz a diferença’, com a fonoaudióloga Carla Viegas. O evento que abordou aspectos da boa comunicação, importantes para uma boa performance em apresentações orais e entrevistas, foi organizado em parceria com o Centro de Comunicação e Voz.

Promoção Caça aos Ovos Em abril foi realizada a 2ª edição da Caça aos Ovos,

a Academia Santa-mariense de Letras e a Papelaria

que movimentou os estudantes em uma busca pelos

Rótula, doaram brindes e realizaram atividades lú-

ovos de papel premiados, que foram espalhados pe-

dicas com as crianças do Centro de Tratamento de

los centros da Universidade.

Criança com Câncer do Hospital Universitário de

Para a realização desse evento, contou-se com o apoio de vários empreendimentos da cidade, como Beleza Ville Salão e Estética, Billig Acessórios, Nação Verde, Derli Joalheria e Ótica, Angela Cabeleireira, Tok d’Classe Acessórios e Bijouterias, Copiart, Instituto Embeleze, Eny, Cuias Fracari, Churrascaria Camobi, N Fashion Hair, Livraria da Mente, Rótula Papelaria, Sebo Camobi, SuperAuto, Original Doces e Festas, Pitadella Bar e Restaurante, Tatty Modas, Sempre Bela Cabeleireiros e Estética Unissex. Além disso, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), a Grife UFSM e a Livraria UFSM também forneceram inúmeros brindes. As premiações ocorreram na sede da Livraria e da Grife UFSM. Além disso, neste ano, uma atividade diferente foi realizada na Páscoa: a Editora UFSM, junto com

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Santa Maria (HUSM).


EVENTOS

44ª Feira do Livro de Santa Maria

De 29 de abril a 14 de maio, a Editora e a Livraria UFSM

Discursos do Corpo na Arte – volume II, organizado

estiveram presentes na 44ª edição da Feira do Livro

por Enéias Farias Tavares, Gisela Reis Biancalana e

de Santa Maria. Durante o evento, foi realizada uma

Mariane Magno;

promoção on-line no estande da Editora, na qual o visitante poderia tirar uma foto com o marcador de

Ética e Compreensão: a Psicologia, a Hermenêutica e

página com a hashtag #promoeditoraufsm e postá-la

a Ética de Wilhelm Dilthey, de Ricardo Bins di Napoli;

no Facebook, assim ganhando descontos na próxima compra e concorrendo a um dos lançamentos. Em 11 de maio, ocorreu o lançamento de 14 obras publicadas pela Editora UFSM. A cerimônia e a sessão

Manual de Economia Brasileira: da formação econômica à economia contemporânea, de José Maria Dias Pereira;

de autógrafos foram abertas à comunidade e contaram com a presença de autoridades, autores, organi-

O Modelo ABACC: um marco no desenvolvimento das

zadores e equipe da Editora UFSM.

relações entre Brasil e Argentina, organizado por Odilon Antonio Marcuzzo do Canto;

Lançamentos:

A Psicologia Jurídica e as suas Interfaces: um panora-

O Que Precisamos Saber sobre a Aprendizagem da

ma atual, organizado por Silvio José Lemos Vascon-

Leitura: contribuições interdisciplinares, organizado

cellos e Vivian de Medeiros Lago;

por Onici Claro Flôres e Rosângela Gabriel;

Agricultores Familiares em Migrações Internacionais,

Pesquisa Narrativa: interfaces entre histórias de vida,

organizado por Joel Orlando Bevilaqua Marin;

arte e educação, organizado por Raimundo Martins, Irene Tourinho e Eliseu Clementino de Souza;

Áreas Protegidas: discussões e desafios a partir da região central do Rio Grande do Sul, organizado por

Trens na Memória: num longo tempo, entre trajetórias

Eliane Maria Foleto e Dalvana Brasil do Nascimento;

público-privadas, fatos da História Ferroviária Brasi-

Casa do Estudante Universitário: jovens mães/pais e

dolpho Amaral Flôres;

leira e Sul-Rio-Grandense, organizado por João Rosuas crianças, de Sueli Salva, Neusa Maria Roveda Stimamiglio, Keila de Oliveira Urrutia e Camila Espelocin

Um Corpo-sem-órgãos, Sobrejustaposições: quem a

da Silva;

pesquisa [em educação] pensa que é?, de Cristian Poletti Mossi;

Culturas das Imagens: desafios para a arte e para a educação – 2ª edição, organizado por Raimundo Martins e Irene Tourinho;

Virologia Veterinária: virologia geral e doenças víricas – 3ª edição, organizado por Eduardo Furtado Flores.

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Feira da Grife UFSM A primeira edição de 2017 da Feira da Grife UFSM foi realizada de 3 de maio a 9 de junho. Um estande percorreu vários pontos da UFSM e os campi de Cachoeira do Sul, Frederico Westphalen e Palmeira das Missões, nos quais foram expostos e comercializados artigos de vestuário e materiais de escritório, entre outros produtos com a marca UFSM, todos com 20% de desconto. A edição do segundo semestre ocorreu entre os dias 28 de agosto e 06 de novembro de 2017.

5º Workshop em Bovinos A Editora esteve presente no 5º Workshop em Bovinos e na 2ª Mostra de Buiatria da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em Uruguaiana/RS, expondo seus títulos publicados. O evento ocorreu nos dias 1º e 2 de junho.

Descubra UFSM A Editora, Livraria e Grife UFSM estiveram presentes no Descubra UFSM. O evento, que ocorreu de 14 a 16 de setembro, no Centro de Eventos da Universidade, é realizado anualmente com o objetivo de reunir experiências e proporcionar espaços multidisciplinares de interação entre a Instituição e a comunidade.

4ª edição da Mateada da Editora UFSM Em comemoração à Semana Farroupilha, a Editora UFSM promoveu, no dia 19 de setembro, a tradicional mateada no hall da Reitoria. Este ano, além da apresentação artística da invernada do DTG Noel Guarany, também foram expostos e comercializados os produtos da Grife UFSM. Os participantes que passaram pela Reitoria puderam aproveitar a água quente e a erva-mate à vontade, além de concorrerem a uma cesta com brindes.

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EVENTOS

Comemoração ao Dia das Crianças Em comemoração ao Dia das Crianças, a Editora UFSM realizou, no mês de outubro, uma semana de visitas a instituições infantis de Santa Maria. Foram desenvolvidas atividades de incentivo à leitura e de conscientização sobre a importância do cuidado com a higiene bucal desde criança. No cronograma, estiveram a creche Estação dos Ventos, a EMEI Nosso Lar, a Unidade de Educação Infantil Ipê Amarelo e a Turma do Ique. O livro Saúde Vira Brinquedo, publicado pela Editora em 2004, foi utilizado para o desenvolvimento de jogos e brincadeiras, e exemplares foram doados às crianças. Estiveram presentes, além da equipe da Editora, alunos do curso de Odontologia da UFSM.

63ª Feira do Livro de Porto Alegre A Editora e a Livraria UFSM também marcaram presen-

Farmacologia Aplicada à Aquicultura, organizado

ça na 63ª Feira do Livro de Porto Alegre, no período

por Bernardo Baldisserotto, Levy de Carvalho Gomes,

de 1º a 19 de novembro. A Editora lançou as seguintes

Berta Maria Heinzmann e Mauro Alves da Cunha;

obras no evento: Ética e Compreensão: a Psicologia, a Hermenêutica e Lançamentos:

a Ética de Wilhelm Dilthey, de Ricardo Bins di Napoli;

Agricultores Familiares em Migrações Internacionais, organizado por Joel Orlando Bevilaqua Marin;

Mamíferos Brasileiros em Extinção – 3 volumes, de Melânia Melo Casarin e Augusto Zambonato;

Áreas Protegidas: discussões e desafios a partir da região central do Rio Grande do Sul, organizado por Eliane Maria Foleto e Dalvana Brasil do Nascimento;

O Que Precisamos Saber sobre a Aprendizagem da Leitura: contribuições interdisciplinares, organizado por Onici Claro Flôres e Rosângela Gabriel;

Crítica e Dialogicidade em Psicologia Social: saúde, minorias sociais e comunicação, organizado por

Pesquisa Narrativa: interfaces entre histórias de vida,

Adriane Roso;

arte e educação, organizado por Raimundo Martins, Irene Tourinho e Eliseu Clementino de Souza;

Cunicultura: didática e prática na criação de coelhos, de Ana Carolina Kohlrausch Klinger e Geni Salete Pin-

Um Corpo-sem-órgãos, Sobrejustaposições: quem

to de Toledo;

a pesquisa [em educação] pensa que é? de Cristian Poletti Mossi.

Discursos do Corpo na Arte – volume II, organizado por Enéias Farias Tavares, Gisela Reis Biancalana e Mariane Magno;

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Livraria UFSM

Dos romances aos manuais técnicos Livraria UFSM comercializa obras de diversos gêneros e editoras Em uma ampla sala localizada no Centro Comercial na entrada do campus da UFSM em Santa Maria, a Livraria UFSM conta com prateleiras repletas de obras literárias e livros de diversos gêneros. Estão à disposição uma variedade de livros de literatura, manuais técnicos e reflexões teóricas de autores de diversos países do mundo. Criada em 1993, a Livraria UFSM busca desde o princípio oferecer aos leitores livros publica-

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dos tanto por editoras universitárias como por editoras comerciais. A motivação principal de sua criação foi a disponibilização das obras publicadas pela Editora UFSM, e hoje expandiu-se para mais de 60 editoras, dentre elas Artmed, LP&M, Oficina de Textos e Contexto. São aceitas, ainda, encomendas de publicações das editoras Campus, Companhia das Letras, Elsevier, Saraiva, Sextante e Zahar.


LIVRARIA UFSM

A Livraria UFSM está sempre aberta a ouvir seu público, para atendê-lo da melhor forma e ampliar a divulgação das obras que estão à venda. Daiane Frigo, coordenadora administrativa da Grife e Livraria UFSM, destaca que o foco da Livraria UFSM é na busca pelo que as pessoas estão interessadas em ler e explica que a escolha dos livros e editoras comercializados é feita com base nas sugestões e encomendas de clientes, em consulta nos sites das editoras e em pesquisas por lançamentos. “Há o interesse em ampliar o número de editoras parceiras e, consequentemente, livros à venda. Estamos abertos a sugestões de obras indicadas em sala de aula”, afirma Daiane. Além da venda de livros impressos, a Livraria UFSM comercializa produtos da Grife UFSM, como artigos escolares e de escritório com a marca própria da Universidade. A Livraria UFSM está presente nas redes sociais e mensalmente busca realizar promoções, lançamentos de livros e eventos que promovam o contato ainda maior com o público interessado em leitura.

Confira os campeões de venda

Publicações indicadas nas salas de aula e em provas de seleção costumam estar no topo da lista dos mais vendidos da Livraria UFSM. Entre os dez livros campeões de venda no período de janeiro de 2016 até julho de 2017 (confira os quadros da página 36), seis são publicações da Editora UFSM. Além desses, também se destacam publicações de outras editoras, como Alvenaria Estrutural, da Editora Blucher, e Fundamentos da Economia Rural, da Editora Argos. Saiba mais sobre esses dois livros a seguir: O livro Alvenaria Estrutural, da editora Blucher, dos autores Gihad Mohamad, Diego Willian Nascimento Machado e Ana Cláudia Akele Jantsch, está entre os dez mais vendidos da Livraria UFSM. Segundo o professor Mohamad, do Departamento de Estruturas e Construção Civil, do Curso de Engenharia Civil da Universidade, a motivação para escrever o livro foi a falta de material técnico na área de alvenaria estrutural direcionada ao desempenho do sistema construtivo. Segundo o professor, a procura pelo livro é tão grande porque atende a alunos de graduação e pós-graduação

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em Arquitetura e Engenharia Civil da UFSM e das universidades da região. Outra obra que também está na lista é o Fundamentos da Economia Rural, da Editora Argos, que tem como autor o professor Alessandro Porporatti Arbage, do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural da UFSM. De acordo com o profes-

sor, o que o motivou a escrever a obra foi a falta de um material didático específico para o interesse dos alunos das Ciências Agrárias. Para Arbage, a Livraria UFSM contribui para a comunidade acadêmica “no sentido de difundir o hábito da leitura e proporcionar um acesso mais facilitado às obras de interesse de todos”.

Os mais vendidos da Livraria da UFSM Editora UFSM Manual de Dissertações e Teses – MDT Bioquímica dos Ruminantes Experimentação Vegetal Conceitos Básicos de Clínica Cirúrgica Veterinária Direitos Emergentes na Sociedade Global Orientação Semiotécnica para o Exame Clínico

Outras editoras Alvenaria Estrutural Fundamentos de Economia Rural Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos Produção Textual na Universidade

Lista de Editoras com as quais trabalhamos diretamente – além da Editora UFSM: AGE, Agrolivros, Appris, Argos – Unochapecó, Artmed, Artes Médicas, Ateliê Editorial, Atheneu, Blucher, Bookman, Ceres, Contexto, Cortez, EDUC PUC-SP, Editus – UESC, Embrapa – Informação Tecnológica, FGV, Fiocruz, McGraw-Hill, Ideias & Letras, Insular, Interciência, Livraria da Física, L&PM, Martin Claret, Mauad, Mediação, Mercado de Letras, Odysseus, Paco Editorial, Palas Athena, Papirus, Parábola, Penso, Perspectiva, EdiPUCRS, Oficina de Textos, Sinopsys, Sociedade Brasileira de Genética, Technical Books, UCS, UEL, UEM, UEPG, UERJ, UESB, UFBA, UFJF, UFLA, UFMG, UFPE, UFPR, UFSC, UFSCAR, UFV, UNB, UNESP, UNICAMP, UNIFESP, UNIJUI, UNISINOS, UNIVALI, USP e Vozes.

Trabalhamos com outras editoras sob encomenda, por meio de uma distribuidora, entre elas: Atlas, Bertrand, Boitempo, Brasiliense, Cambridge, Cegage, Centauro, Civilização Brasileira, Companhia das Letras, Contraponto, Cultrix, Ediouro, Elsevier, EPU, Forense, FTD, Fundamento, Garamond, Gente, Globo, Graal, Guanabara Koogan, Intrínseca, Jorge Zahar, José Olympio, Juruá, Larousse, Loyola, LTC, Manole, Martins Fontes, Melhoramentos, Método, Moderna, Nobel, Nova Fronteira, Objetiva, Oxford, Paulus, Paz e Terra, Pearson, Pensamento, Pini, Planeta, Pontes, Porto, Publifolha, Record, Revista dos Tribunais, Roca, Rocco, Santillana, Saraiva, Senac, Sextante e Summus.

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Grife UFSM

Qualidade dos produtos e bom atendimento Grife UFSM é bem avaliada pela comunidade acadêmica e segue investindo em novidades Bolsas, mochilas, camisetas, estojos, camisetas e demais materiais de escritório e artigos de vestuário com a marca da Universidade podem ser encontrados na Grife UFSM. A loja se localiza logo após o arco de entrada da Universidade, junto à Livraria da instituição, e tem como principal finalidade divulgar a identidade da UFSM através de produtos que carregam a marca da Universidade. Além de vender seus produtos na loja física, a equipe da Grife também realiza algumas feiras itinerantes durante todo o ano. A apresentação dos produtos costuma acontecer no hall do Restaurante Universitário e nos outros campi da

UFSM. No ano de 2017, no entanto, foi diferente: a equipe passou um dia em cada centro do campus em Camobi para divulgar seus produtos e sua marca. Durante essas feiras, alunos da disciplina de Marketing do curso de Desenho Industrial desenvolveram uma pesquisa de opinião com alunos e servidores da Universidade sobre a Grife UFSM. Em geral, as pessoas avaliaram de forma positiva os produtos à venda e os consideraram com um padrão de qualidade adequado, além de ressaltarem o bom atendimento da loja. Apesar dos vários pontos positivos, na pesquisa também surgiram algumas críticas, sendo a

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principal delas o fato de os preços dos produtos não serem tão acessíveis. Daiane Frigo, coordenadora administrativa da Grife, explica que a Grife UFSM coloca à disposição dos clientes itens com materiais mais resistentes, o que reflete em um custo mais alto: “Buscamos produtos que tenham uma qualidade superior. Os produtos mais caros são as mochilas e pastas para notebook, que têm uma duração média grande – diferentemente de outras bolsas e mochilas disponíveis no mercado”, argumenta Daiane. Justicamos ainda que, considerando o fato de a Grife ser considerada uma empresa, tem impostos a serem pagos. Renata Rocha, estudante de Jornalismo, não fez parte da pesquisa, mas confirma as respostas obtidas. A futura jornalista adquiriu uma camisa polo da loja e elogia a qualidade. “O produto é muito bom, bem costurado e cortado. A linha de produtos é bastante ampla e completa”.

Novos produtos

A linha de produtos que está à venda na Grife UFSM é extensa, mas isso não impede que tenha novidades. De acordo com a demanda e sugestão dos clientes, todo o ano chegam novos produtos na loja. Em 2017, a comunidade universitário e a população em geral podem adquirir artigos como cadernos, portas-caneta com relógio digital, novos modelos de bolsas, mochilas e pasta. Outro diferencial é que camisetas e baby looks agora são feitas de algodão. Daiane diz que mais novidades estão por vir e infelizmente nem todas as sugestões podem ser atendidas. Com a abertura de uma licitação no mês de agosto de 2017, ela espera que algumas sugestões dos clientes sejam atendidas. Enfatizamos ainda que, para aquisição de todos os produtos, precisamos licitar e, em razão da legislação pertinente, muitas empresas não se encontram habilitadas para nos fornecer seus produtos, consequentemente a Grife fica sem a disponibilidade de alguns produtos. Os artigos de vestuário e materiais de escritório podem ser adquiridos tanto no site quanto na loja física.

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Lançamentos de 2017

Diversidade

e relevância nos

lançamentos do ano Editora UFSM manteve publicações de qualidade em ano de forte crise econômica Em 2017, o propósito de produção e divulgação de livros nas mais variadas áreas do conhecimento foi cumprido com êxito pela Editora UFSM. Dezoito livros, nos formatos impresso e eletrônico, foram produzidos pela Editora, seguindo o objetivo de publicar obras relevantes que democratizam o acesso à produção cultural, científica e tecnológica. Apesar de a crise econômica que atingiu o país ter impactado o mercado editorial, a gestão da

Editora UFSM conseguiu apresentar eficiência e qualidade durante o ano: “Mesmo num momento de forte retração econômica, a Editora não parou e nem atrasou suas publicações, e isso se deve a uma gestão moderna com foco no planejamento e na transparência”, enfatiza Daniel Coronel, diretor da Editora. A seguir, confira informações detalhadas sobre os lançamentos da Editora UFSM em 2017.

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Agricultores Familiares em Migrações Internacionais A coletânea apresenta estudos sobre um fenômeno social recorrente, mas pouco estudado: as migrações internacionais vivenciadas por familiares de agricultores. A partir de estudos realizados no estado de Goiás, os textos particularizam diferenciados aspectos das migrações internacionais, entendidas como um fenômeno que está transformando a realidade social em que vivemos e, de maneira particular, a realidade da agricultura familiar. As experiências migratórias registradas na coletânea pretendem ainda a tomada de consciência sobre a falta de melhores oportunidades de inserção social para os agricultores familiares, especialmente para as gerações juvenis rurais, e sobre todas as implicações sociais provocadas pelas sucessivas migrações nos espaços rurais brasileiros, cada vez mais marcados pelo empobrecimento, esvaziamento e envelhecimento das populações. Organizador: Joel Orlando Bevilaqua Marin Edição Impressa (2017): 978-85-7391-291-3 | 280 p. | R$ 45,00 E-book (2017): 978-85-7391-304-0 | R$ 31,00

Bioquímica dos Ruminantes

3ª edição – 1ª reimpressão

Este livro foi concebido como uma bibliografia atualizada sobre Bioquímica dos Ruminantes – assunto sobre o qual é raro encontrar publicações. Apresenta uma abordagem global e fisiologicamente integrada sobre o tema, preenchendo uma lacuna na área de Bioquímica. As afirmações feitas ao longo do texto derivam da análise de resultados experimentais e das revisões previamente publicadas em diversos periódicos internacionais, expostas de maneira simples e de fácil leitura. Autor: Gilberto Vilmar Kozloski Edição Impressa (2016): 978-85-7391-150-3 | 212 p. | R$ 40,00 E-book (2017): 978-85-7391-266-1 | R$ 28,00

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LANÇAMENTOS DE 2017

Casa do Estudante Universitário: jovens mães/pais e suas crianças A vida cotidiana de mães, pais e crianças no interior da Casa do Estudante Universitário (CEU) é tema deste livro. Aqui buscamos apresentar os meandros da vida cotidiana vivida por esses sujeitos que rompem com regras e criam novas formas de construir a vida cotidiana, especialmente através da presença de crianças em um lugar construído institucionalmente para abrigar jovens estudantes. Nos mobiliza a pensar no espaço/tempo de ser jovem, no espaço/tempo de ser criança, no espaço/ tempo da infância, no espaço/tempo de ser pai e mãe. Autoras: Sueli Salva | Neusa Maria Roveda Stimamiglio | Keila de Oliveira Urrutia | Camila Espelocin da Silva E-book (2017): 978-85-7391-274-6 | R$ 15,00

Crítica e Dialogicidade em Psicologia Social: saúde, minorias sociais e comunicação O livro é produto de encontros que têm seu ponto nodal no Grupo de Pesquisa ‘Saúde, Minorias Sociais e Comunicação’ (SMIC), do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). As contribuições, entretanto, não se reduzem aos membros deste grupo, agregam profissionais de diferentes regiões do Brasil e do exterior (Uruguai e Estados Unidos), sustentados em diversas abordagens teóricas (Teoria das Representações Sociais, Estudos da Cultura Material, Sociologia das Ausências, Estudos Feministas, entre outras) e diferentes áreas de trabalho (Psicologia Social, Comunicação Social, Antropologia, Ciências Sociais, Linguística). Diversidade que decorre do próprio ponto de partida da proposta editorial, pois se trata de um livro de Psicologia Social em sua vertente crítica que, por definição, acata a diversidade teórica e metodológica, abre-se à dialogicidade e problematiza as maneiras como os saberes-fazeres que circulam na sociedade fabricam subjetividades e constroem verdades. Organizadora: Adriane Roso E-book (2017): 978-85-7391-289-0 | R$ 42,00

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Culturas das Imagens: desafios para a arte e para a educação 2ª edição revista e ampliada

Esta segunda edição revisada e ampliada do livro Culturas das Imagens: desafios para a arte e a educação, publicado em 2012 e esgotado em 2014, propõe um debate sobre dimensões que dialogam com fenômenos e manifestações culturais e seus interatores, com as condições contemporâneas do trabalho pedagógico/educativo e seus impactos sobre as culturas das imagens, com visões que miram o futuro para analisar as complexas interações com visualidades nesta era globalizada/ hipermidiatizada, e, por fim, com reflexões oriundas de trabalhos que apresentam suas ideias circunscrevendo-as em focos históricos e poéticos do pensar/fazer e cultivar as culturas com as quais somos constituídos, aprendemos e, por vezes, nos contrapomos, reconfigurando-as. Novos autores abraçaram o projeto e outros revisaram seus textos ajustando-os ao desejo coletivo de buscar compreender as culturas das imagens de nosso tempo como espaços que podem abrir caminhos para entender a sociedade em que vivemos, suas contradições, seus conflitos, seus dilemas educacionais e, sobretudo, seus medos, esperanças e utopias. Organizadores: Raimundo Martins | Irene Tourinho Edição Impressa (2016): 978-85-7391-286-9 | 384 p. | R$ 63,00 E-book (2017): 978-85-7391-295-1 | R$ 44,00

Cunicultura: didática e prática na criação de coelhos O coelho sempre foi considerado um animal prolífico, dócil e de fácil manejo. Nesse sentido, a cunicultura constitui-se uma ciência de fácil aplicação, sobretudo em pequenas propriedades rurais. Se bem planejada, essa atividade proporciona aos criadores excelentes lucros com baixo investimento inicial. Escrito de forma simplificada, este livro propõe-se a auxiliar profissionais da área de produção animal, bem como produtores que pretendem iniciar uma criação de coelhos ou conhecer mais sobre cunicultura e sua aplicação prática. Desta forma, Cunicultura apresenta, clara e objetivamente, aos leitores de diversas áreas do conhecimento um tema significativo para a academia. Autoras: Ana Carolina Kohlrausch Klinger | Geni Salete Pinto de Toledo Edição Impressa (2018): Consulte Disponibilidade E-book (2017): 978-85-7391-296-8 | R$ 19,60

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LANÇAMENTOS DE 2017

Dança Contempop: corpos, afetos e imagens se (mo)vendo Neste livro, Odailso Berté descreve seus modos de (mo)ver-se pelos cenários das pedagogias culturais e apresenta uma instigante proposição de dança refletindo sobre como o fenômeno da estetização da cultura interpela o status das artes. Dessas fricções emerge a dança contempop, um entrecruzamento de dança contemporânea e cultura pop que enfatiza relações de afeto e prazer com diferentes artefatos culturais e articula procedimentos pedagógicos e criativos a partir da relação corpo–imagem. Ao narrar trechos de sua trajetória, o autor evidencia suas afeições por imagens de Frida Kahlo, Pina Bausch e Madonna relacionando-as com compreensões vindas da filosofia, das ciências cognitivas, dos estudos culturais, das artes, da cultura visual e da educação. Uma compreensão contemporânea e multidisciplinar que busca estimular posicionamentos críticos, criativos e performativos nos campos da dança, das artes em geral e da educação. Autor: Odailso Berté Edição Impressa (2015) : 978-85-7391-240-1 | 200 p. | R$ 35,00 E-book (2017): 978-85-7391-239-5 | R$ 24,50

Discursos do Corpo na Arte – volume II O corpo e suas metáforas têm perpassado a história do Ocidente a partir de um olhar nem sempre dignificante ou elogioso. Para além da arte, o corpo tem sido também o espaço do tabu, da proibição, da condenação. No século XX, a retomada, ou a própria criação – ainda não o sabemos –, dos estudos dedicados ao corpo recebeu a atenção de artistas e pesquisadores, tendo por único elemento comum a leitura multidisciplinar. Neste segundo volume de Discursos do Corpo na Arte, os autores refletem sobre tudo aquilo que o corpo – seja ele artístico, histórico, pedagógico ou lúdico – tem a dizer. Organizadores: Enéias Farias Tavares | Gisela Reis Biancalana | Mariane Magno Edição Impressa (2017): 978-85-7391-275-3 | 344 p. | R$ 45,00 E-book (2018): Consulte Disponibilidade

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Ética e Compreensão: a Psicologia, a Hermenêutica e a Ética de Wilhelm Dilthey Neste livro, Ricardo Bins di Napoli analisa o pensamento do filósofo Wilhem Dilthey (1833-1911). O objetivo da obra é defender que a Ética de Dilthey parte da noção de vida e é hermenêutica. A filosofia da vida de Dilthey decorrente oferece sustentação ao projeto de embasar filosoficamente as Ciências Humanas. Tal pensamento propõe que a reflexão está limitada pela vida concreta. Para o autor, o nexo estrutural da vida anímica permite a Dilthey estabelecer sua Psicologia sem metafísica e, utilizando-se das investigações das ciências do século XIX e da metodologia hermenêutica, as novas bases para uma ética. A Ética pressuporia, por esse viés, a compreensão do outro. Autor: Ricardo Bins di Napoli Edição Impressa (2017) : 978-85-7391-288-3 | 256 p. | R$ 42,50 E-book (2017): 978-85-7391-303-3 | R$ 30,00

Farmacologia Aplicada à Aquicultura Este livro traz informações úteis para quem lida com aquicultura, pois aborda a legislação existente para a utilização de fármacos de diferentes classes em cultivos aquícolas. Os vários capítulos que compõem este livro abordam diferentes aspectos envolvidos na utilização de antibacterianos, antiparasitários, antifúngicos, antivirais, imunoestimulantes, vacinas, prebióticos, probióticos, estimuladores do crescimento, anestésicos, aditivos para o transporte, antioxidantes e promotores da reprodução e inversão sexual em aquicultura. Organizadores: Bernardo Baldisserotto | Levy de Carvalho Gomes | Berta Maria Heinzmann | Mauro Alves da Cunha Edição Impressa (2017): 978-85-7391-293-7 | 656 p. | R$ 100,00 E-book (2017): 978-85-7391-301-9 | R$ 70,00

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Formas de Escrever Região e Paisagem em Geografia: contribuições teóricas e práticas A ciência, como processo que é, vive de renovação de seus paradigmas, de suas teorias, de seus conceitos; enfim, de suas verdades. É essa permanente crise da ciência que se constitui no verdadeiro motor de sua constante evolução, pois, na tentativa de superá-la e de fornecer respostas adequadas às novas necessidades que se apresentam, buscam-se novas explicações. Nesse sentido, a preocupação central deste livro é rever, entre as categorias da Geografia, duas delas: a região e a paisagem. Com esse propósito, o livro Formas de escrever Região e Paisagem em Geografia: contribuições teóricas e práticas, retrata, em oito capítulos, temáticas envolvidas na complexidade teórico-conceitual da região e da paisagem que não ficam restritas à pesquisa geográfica, acentuando seu caráter multidisciplinar, o que mostra que não há fronteiras para a expansão do conhecimento. Organizadores: Benhur Pinós da Costa | Meri Lourdes Bezzi E-book (2017): 978-85-7391-305-7 | R$ 31,00

Mamíferos Brasileiros em Extinção – 3 volumes Na coleção Mamíferos Brasileiros em Extinção, procura-se narrar sobre a biodiversidade dos mamíferos silvestres brasileiros e alertar que esses são alguns animais que podem desaparecer do planeta. O Volume 1 apresenta o tamanduá-bandeira, o tatu-bola, o peixe-boi-da-amazônia e o cachorro-vinagre. O Volume 2 traz a preguiça-de-coleira, a onça-pintada, a baleia-azul e o uacari-branco. O Volume 3 narra sobre o bugio, o lobo-guará, o morcego e o veado-bororó-do-sul. Autores: Melânia Melo Casarin | Augusto Zambonato Edição Impressa (2017): Volume 1: 978-85-7391-298-2 | 32 p. | R$ 28,00 Volume 2: 978-85-7391-299-9 | 32 p. | R$ 28,00 Volume 3: 978-85-7391-300-2 | 32 p. | R$ 28,00

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O Que Precisamos Saber sobre a Aprendizagem da Leitura: contribuições interdisciplinares O gosto pela leitura é despertado, é estimulado, é motivado. Por isso é importante que pais e professores (com)partilhem o gosto pela atividade de ler com filhos e alunos. De acordo com o PISA 2012 (OCDE, 2014), que avaliou o desempenho em leitura em 65 países, metade dos estudantes brasileiros com idade de 15 anos situa-se no nível 2, em uma escala de 1 a 6. Por outro lado, apenas 0,5% dos estudantes encontra-se nos níveis 5 ou 6 e está apto a localizar e organizar informações entranhadas no texto, interpretar e refletir sobre pontos que exigem compreensão detalhada. Por que o Brasil exibe resultados tão pífios? Como pais e professores podem contribuir para que seus filhos e alunos se apropriem da leitura a fim de utilizá-la como ferramenta para novas aprendizagens? Foi com o objetivo de construir pontes, estabelecer contato mais próximo e criar maior cumplicidade entre pais, professores e pesquisadores que este livro foi concebido. Organizadoras: Onici Claro Flôres | Rosângela Gabriel Edição Impressa (2017): 978-85-7391-284-5 | 208 p. | R$ 38,00 E-book (2017): 978-85-7391-285-2 | R$ 26,00

Olericultura Geral 3ª edição

A obra inicia pela caracterização da evolução da Olericultura desde os primórdios da agricultura até o contexto socioeconômico atual e suas implicações agronômicas. São apresentados os critérios de qualidade nas etapas de produção e de comercialização. Os principais sistemas de cultivo representando diferentes níveis tecnológicos são descritos através de uma abordagem crítica. As potencialidades e as limitações dos sistemas convencional, protegido, sem solo e orgânico são discutidas dentro da perspectiva da sustentabilidade a médio e longo prazos. Autor: Jerônimo Luiz Andriolo Edição Impressa (2017): 978-85-7391-290-6 | 96 p. | R$ 28,00 E-book (2017): 978-85-7391-258-6 | R$ 20,00

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LANÇAMENTOS DE 2017

Pesquisa Narrativa: interfaces entre histórias de vida, arte e educação Este livro reúne textos que exploram e discutem as narrativas como espaços de pesquisa e de ‘acontecimentos’ pedagógicos. Pesquisadores de seis países examinam conceitos, práticas e processos que envolvem narrativas, a partir de diferentes perspectivas, configurando os modos como elas constituem a vida dos sujeitos, suas relações com a arte e a educação compartilhando investigações acerca do tema. Narrativas são construídas na experiência como atos de formação e transformação de episódios que, elaborados, produzem diversas temporalidades, novas significações e outras histórias de vida. Investindo na capacidade humana de olhar a arte e a educação de forma sensível e crítica, esta publicação prioriza encontros, aprendizagens e partilhas interpretados a partir do impacto afetivo e relacional de vivências cotidianas, que, por suas relações com as disposições humanas para narrar, se transformam em fontes privilegiadas para a pesquisa narrativa e o estudo das interfaces entre histórias de vida, arte e educação. Organizadores: Raimundo Martins | Irene Tourinho | Elizeu Clementino de Souza Edição Impressa (2017): 978-85-7391-283-8 | 374 p. | R$ 60,00 E-book (2017): 978-85-7391-294-4 | R$ 42,00

Trens na Memória: num longo tempo, entre trajetórias público-privadas, fatos da História Ferroviária Brasileira e Sul-Rio-Grandense Este livro presta-se a resgatar informações das origens e dos episódios importantes do passado ferroviário brasileiro, bem como da situação presente deste transporte, através de uma narrativa da evolução das atividades ferroviárias nos principais países do mundo, a partir de meados do século XIX. Em tal contexto, situa o devir ferroviário do Brasil, interpretado pelas ações políticas do viés estatal, em seus propósitos de estabelecer no Império uma rede de linhas férreas voltadas a integrar distintas regiões. Autor: João Rodolpho Amaral Flôres Edição Impressa (2017): 978-85-7391-292-0 | 320 p. | R$ 50,00 E-book (2017): 978-85-7391-302-6 | R$ 35,00

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Um Corpo-sem-órgãos, Sobrejustaposições: quem a pesquisa [em educação] pensa que é? Sobre a mesa, além de mim, estavam Deleuze & Guattari. Como em uma coreografia nefasta, havia sincronia dissonante entre nossos movimentos. Artaud e Spinoza contornavam a mesa e certificavam-se de que sobre ela nós não pararíamos de nos movimentar, de executar aquela orgia e de assim doar a quem quisesse nosso banquete desmedido. Também cuidavam para que a plateia oculta não se desanimasse, ou invadisse completamente a cena. Eles por vezes nos chicoteavam, sussurravam coisas em nossos ouvidos, adestravam alguns de nossos movimentos e, de sobressalto, se viravam para os muitos que nos assistiam na penumbra, os quais, na medida do possível, volta e meia interagiam conosco. Autor: Cristian Poletti Mossi Edição Impressa (2017): 978-85-7391-276-0 | 206 p. | R$ 40,00 E-book (2018): Consulte Disponibilidade

Virologia Veterinária: virologia geral e doenças víricas

3ª edição revista, atualizada e ampliada

A 3ª Edição de Virologia Veterinária apresenta os conteúdos revisados, ampliados e atualizados da segunda edição. O texto encontra-se dividido em duas partes: a parte inicial aborda os aspectos gerais da virologia e pode ser útil para estudantes e profissionais das áreas biomédicas. A segunda parte trata especificamente das famílias virais que possuem importância em Medicina Veterinária. Contempla também duas novas famílias virais (Anelloviridae e Pneumoviridae). Esta segunda parte discorre acerca da etiologia, epidemiologia, patogenia, sinais clínicos e patologia, diagnóstico, controle e profilaxia das principais doenças víricas dos animais de companhia e de interesse econômico. Por fim, foi incluído um capítulo que trata de doenças víricas emergentes, algumas de importância exclusiva em Medicina Veterinária e outras de importância em saúde pública. Organizador: Eduardo Furtado Flores Edição Impressa (2017): 978-85-7391-287-6 | 1136 p. | R$ 250,00

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Despertando o gosto pela leitura Livro O Que Precisamos Saber sobre a Aprendizagem da Leitura discute formas para tornar a leitura uma prática cotidiana na vida de crianças e jovens

Como a família e os professores podem incenti- “Um ambiente familiar leitor equilibrado incentiva var as crianças e os jovens brasileiros a se apro- processos cognitivos e afetivos que contribuem para a saudabilidade do funcionamento do cérepriarem da leitura e utilizá-la como ferramenta bro como um todo”, ressaltam as pesquisadoras. para novas aprendizagens? O Brasil avançou no desempenho em leitura nas avaliações do Pro- Como fruto de suas reflexões, elas organizaram o livro O Que Precisamos Saber sobre a Aprendizagrama Internacional de Avaliação de Estudantes gem da Leitura: contribuições interdisciplinares, (PISA), porém os dados ainda são alarmantes. Na avaliação de 2009, metade dos estudantes brasi- em que são apresentados pontos de diferentes pesquisadores sobre o tema. leiros com idade de 15 anos situava-se no nível “A conscientização tem de ser de todos os en2, em uma escala de 1 a 6 (sendo 1 o mais baixo). O ranking leva em conta a capacidade de locali- volvidos, sendo absolutamente dispensável cobrar apenas dos estudantes a falta de gosto pela leituzar e organizar informações no texto, interpretar e refletir sobre pontos que exigem compreensão. ra”, explica Flôres. Um dos métodos indicados para Além disso, o país atingiu a média de 412 pon- mudar essa realidade é o da leitura compartilhada – quando um adulto lê para a criança. Confortos, 16 a mais que em 2000, último ano em que se me o professor emérito da Universidade Livre de avaliou as habilidades de leitura e compreensão textual. Contudo, os jovens brasileiros ainda fi- Bruxelas, José Morais, e a organizadora Rosângela Gabriel, a prática desse tipo de leitura pode ser cam nas últimas posições do ranking, que conta vista como uma forma de impulsionar o desenvolcom mais 60 países. Para as professoras do Programa de Pós-Gra- vimento infantil. Isso se dá pela atenção conjunta, pois, quando o adulto e a criança prestam atenção duação em Letras da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Onici Claro Flôres e Rosângela Ga- simultaneamente no livro, a criança associa palavras e objetos com mais facilidade. briel, uma das possíveis soluções para o desafio Para Flôres, publicar pela Editora UFSM foi de melhorar os índices brasileiros em educação, mais do que um prazer momentâneo: “Minha forquando se fala em leitura, é a conscientização do papel da família nesse processo, pois o desinte- mação básica foi no Colégio Sant’Anna e no Manoel Ribas, e fiz meu curso de Letras na UFSM. Essa resse demonstrado pela leitura entre os jovens pode ter origem no descaso pelos livros eviden- publicação representa um reencontro com minhas origens, com meu curso, com meus colegas, com ciado entre os mais velhos, ou seja, pela pouca valia que estes atribuem à leitura no seu dia a dia. Santa Maria da Boca do Monte”.

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Artigo

O livro universitário e suas editoras: experiências e perspectivas de um editor Por José Castilho Marques Neto Doutor em Filosofia pela USP, professor aposentado na FCL-UNESP/Araraquara, pesquisador, conferencista, escritor, editor, publisher e gestor público. Atualmente é consultor na JCastilho – Gestão&Projetos – Livro-Leitura-Biblioteca (www.jcastilhoconsultoria.com.br). Dirigiu a Editora Unesp, a Biblioteca Pública Mário de Andrade (São Paulo) e foi secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (MinC e MEC). Presidiu em vários mandatos a ABEU e a EULAC, e é consultor de organismos nacionais e internacionais na área acadêmica, educacional e cultural.

Os editores me solicitaram um depoimento sobre meus 27 anos à frente da construção e consolidação da Editora Unesp e sobre as perspectivas que analiso para o futuro do mercado editorial. As linhas que se seguem nem sempre cumprem à risca o que me foi solicitado, mas serão pontos de reflexão para o eventual leitor que se interesse pela edição universitária e por suas editoras. A experiência de 32 anos na Universidade Estadual Paulista (Unesp), iniciada como docente e pesquisador e suplementada com longos anos à frente da sua Editora como editor executivo, presidente e publisher, foi antes de tudo uma reflexão permanente voltada para a educação, atividade essencial para a formação integral do ser humano. Enganam-se os que acham que o exercício da atividade editorial da universidade é função meramente administrativa e técnica. O bom editor universitário é sempre um bom educador, um profissional preocupado em formar o possível leitor com o que de melhor for produzido pelo mundo da pesquisa científica em todas as áreas do conhecimento. Com isso eu afirmo que, ao contrário do senso comum que domina as mentes da maioria dos altos dirigentes das universidades brasileiras e os gabinetes de ministérios e secretarias da área, a

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função da editora acadêmica é atividade finalística e se alinha às grandes missões da universidade. Se formos às origens das grandes universidades anglo-saxãs, aquelas que temos como modelos de ensino, pesquisa e extensão, nós certamente encontraremos a difusão do saber por intermédio de publicações como um dos eixos dessas universidades fundadas nos séculos XI e XII e que constituíram editoras no século XVI. A Cambridge University Press, por exemplo, foi fundada em 1534 e é a editora em atividade mais antiga do mundo. Não por acaso, mas por projeto editorial que se confunde com as missões institucionais e educacionais da Universidade que a sustenta intelectual e administrativamente, a CUP atua como uma verdadeira empresa profissionalizada que produz editorialmente as pesquisas realizadas em Cambridge e em outros centros de excelência científica. Tendo essas referências internacionais, o projeto editorial da Unesp avançou editorialmente de forma muito segura e administrativamente teve igual avanço no que hoje considero o limite possível na trama institucional da burocrática estrutura universitária brasileira. Conseguimos obter, em 1996, uma rara autonomia administrativa e de gerenciamento financeiro ao ter


ARTIGO

aprovado pelo Conselho Universitário a criação da Fundação Editora Unesp. Essa instituição, que se mostrou essencial para o sólido e sustentável crescimento da Editora da Universidade, neste ano de 2017 completa 21 anos e se soma aos nove primeiros anos nos quais a Editora esteve subordinada à fundação de apoio geral da Unesp. Nos nove primeiros anos, a Editora Unesp publicou apenas 156 títulos, e sua dependência econômica da Universidade era quase total. Os 21 anos de Fundação Editora Unesp elevaram o catálogo à casa dos 2.000 títulos, com sistema de produção e distribuição equiparável a de uma editora desse porte, além de com uma escola de cursos livres voltada para o setor – a Universidade do Livro – e três livrarias (Praça da Sé em São Paulo, a Livraria Unesp Virtual e a Livraria Unesp Móvel). Com todo esse percurso vitorioso e que elevou a Editora Unesp a um patamar de referência não apenas no Brasil, mas também na região ibero-americana, além do reconhecimento do mundo editorial internacional, posso afirmar que quando deixei minhas funções de presidente e publisher, saí com a agradável sensação de missão cumprida perante a Universidade que me acolheu e que me proporcionou essa oportunidade de estar à frente de um grande projeto educacional e cultural. Desde o princípio a Editora Unesp formulou e seguiu um projeto editorial acadêmico, mantra que sempre repito em minhas palestras aos que querem melhorar o desempenho ou criar suas editoras. Tenho orgulho de ter sido coerente com os objetivos do primeiro documento que redigi para o diretor da Editora em 1988, Marco Aurélio Nogueira, logo que lá cheguei como assessor: “... criar uma editora ágil, moderna e, ao mesmo tempo, compatível com sua função institucional de editora universitária”.

As perspectivas

Ligado à indústria editorial desde 1978, quando fundei junto com dois sócios a Kayrós Livraria e Editora Ltda. em São Paulo, tive também a oportunidade de acompanhar e refletir sobre as transformações do fazer editorial e de toda a tecnologia

envolvida desde a criação até a produção do livro e sua distribuição. Na Kayrós estive de 1978 a 1982, e de 1988 até 2015 na Editora Unesp. Aposentado em 2016, tornei-me consultor da área e estou, portanto, há 39 anos pensando e elaborando sobre o tema. Será desse patamar e com esse olhar que se iniciou produzindo livros nas antigas máquinas de linotipos e que hoje debate e trabalha com a textualidade eletrônica que farei uma breve exposição do que compreendo sejam questões importantes quando analisamos o mundo da edição e o mercado editorial contemporâneo. A quase inação das nossas universidades sobre a potencialidade de suas editoras segue paralelamente às grandes transformações no mundo das edições e no próprio ato de escrever, publicar e distribuir – fenômeno que atinge o mundo todo. Desde o ano 2000, quando participei de um muito concorrido Congresso Mundial de Editores em Buenos Aires, e quando pela primeira vez participei de uma discussão aprofundada sobre o que Roger Chartier chama de “textualidade eletrônica” e sobre as possibilidades de sua revolução sobre o mundo do livro e da leitura, nós podemos afirmar que algumas certezas se afirmaram e a maior parte do que virá no futuro da edição continua ainda como objeto de especulação. Para o mundo da edição, principalmente a universitária, é importante partir de alguns conceitos já consolidados internacionalmente, como, por exemplo, a irreversibilidade da escrita e da leitura digital, que produz aparatos e suportes para sua produção e distribuição. Junto a essa irreversibilidade dos suportes digitais, há uma razoável compreensão de que eles terão uma longa convivência com os formatos tradicionais e a impressão em papel. Mais uma vez a atenção dos mercados e produtores mais experientes volta-se para a preferência do leitor que indica não querer abandonar ambas as possibilidades de leitura na contemporaneidade. Pesquisas em vários mercados mostram sazonalmente crescimento e redução em ambos os formatos. O que quero afirmar é que minha convicção atual sobre as perspectivas de um mercado editorial

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em permanente crise nos últimos 30 anos tem um contexto mais complexo e vai além da falsa competição entre as tecnologias tradicionais e as contemporâneas. Na verdade os jogos da competição no mundo das letras são também vorazes, e é preciso uma percepção mais acurada do que se está enfrentando nesses anos de transformação da escrita, da leitura e do seu consumo. Os argumentos e contra-argumentos são muito extensos para os limites deste artigo, mas vou apontar dois caminhos que considero estratégicos para o setor editorial universitário: O primeiro deles é certa visão muito presente no mundo editorial de hoje que é estritamente mercadológica, ou seja, se produz tudo que possa ser consumido rapidamente, independentemente de sua qualidade, sem atentar minimamente para a formação de novos leitores. O segundo está mais afeito à concepção do trabalho editorial que foi se aprimorando no decorrer de 500 anos de edição com ampla distribuição, qual seja, o entendimento de que a sustentabilidade econômica da casa editorial deve ser combinada com um tratamento do texto que seja adequado para o que ele quer vir a ser, um livro editado, objeto e conteúdo com carga transformadora para o potencial leitor. Ora, em um mundo competitivo marcado pela formação de grandes conglomerados e corporações que respondem a investidores alheios ao mundo editorial e que produzem para uma sociedade mais afeita ao espetáculo e à fofoca do que à reflexão e à racionalidade dos argumentos, o que acaba preponderando nas escolhas editoriais é muito mais o resultado dessa pressão dos números que buscam resultados quantitativos e índices de competitividade do que a qualidade editorial que o segundo caminho aponta. Nesse cenário genérico do mundo editorial pouco importa o suporte da escrita, mas é cada vez mais visível, principalmente nas edições de cunho científico e de pesquisa, marcadas também por listas de produtividade à medida das listas de rentabilidade das bolsas de valores, uma enorme confusão conceitual e de uso das possibilidades da edição em meios eletrônicos.

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Entendo que as perspectivas de um trabalho editorial que preserve a difusão do saber e da ciência produzida pela universidade não podem prescindir de compreender e utilizar o desenvolvimento tecnológico do setor, mas também têm que avançar para além dos conceitos e pressões exclusivamente mercadológicas ou escravas de índices de produtividade. E, entre muitas armadilhas, aponto uma que Roger Chartier demonstra com precisão: a disseminada e indiferenciada percepção entre comunicação eletrônica e edição eletrônica. Ao dissecar a profunda diferença entre ambas, Chartier resgata a centralidade do trabalho editorial e o papel preponderante dos especialistas pesquisadores dos assuntos editados. Em entrevista publicada na revista Verbo, da ABEU, em 2016, Chartier nos diz: [...] devem estar claramente diferenciadas a comunicação eletrônica, livre e gratuita, e a edição eletrônica, que implica um trabalho editorial, custos de produção e um controle científico. [...] Assim, o livro digital deve definir-se em oposição à comunicação eletrônica espontânea que autoriza cada um a por em circulação na rede suas ideias, opiniões e crenças.

Optar por esse caminho mais difícil, porém irrefutável quando se trata da qualidade da produção científica das nossas editoras universitárias, é um dos grandes desafios que os pesquisadores/autores, os editores acadêmicos e suas instituições têm que enfrentar. Para que isso tudo tenha um final feliz é preciso investir em conselhos editoriais e profissionais de edição competentes que garantam qualidade, pluralidade e projetos editoriais respeitosos para com os autores que produzem ciência e tecnologia nas nossas universidades e institutos de pesquisa. Garantir políticas e projetos editoriais seguros intelectualmente e engajados em justa medida nas inovações tecnológicas que hoje temos à disposição é a garantia de uma perspectiva promissora e adequada ao desenvolvimento do setor editorial universitário.


TRENS NA MEMÓRIA

Nos trilhos do trem

[há muita história para contar]

Trens na Memória conta a história das ferrovias do Sul do Brasil e de Santa Maria através de relatos e documentos A história das ferrovias brasileiras tem aproximadamente um século e meio. Entre 1870 e 1920, o país teve um crescimento médio de seis mil quilômetros de extensão por década, na chamada ‘Era das ferrovias’. No Rio Grande do Sul, os primeiros trilhos de trem que ligavam Porto Alegre a Novo Hamburgo foram construídos em 1871, e a expansão das ferrovias chegou ao centro do estado entre 1884 e 1885, fazendo parte da construção da história econômica e cultural de cidades como Santa Maria. “Difícil seria imaginar Santa Maria na atualidade, localizada no ‘coração’ do Rio Grande do Sul, sem o seu passado da história ferroviária. História marcada pelos trens”, afirma o historiador João Rodolpho Amaral Flôres. O pesquisador é docente do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria. Desde a graduação em História, Flôres se dedicou a pesquisar história política. Suas investigações priorizam as vivências dos trabalhadores nas “ instituições”, como os empregados das companhias ferroviárias, por exemplo. Os trens, as ferrovias e o trabalho ferroviário ficaram marcados na história contemporânea do Brasil. Para o pesquisador, o trem pode ser considerado o maior símbolo de modernidade tecnológica nos últimos dois séculos – já que, depois dele, surgiram os outros meios de transporte. O sistema ferroviário e a atuação dos trabalhadores do setor permitiram ao país sair de um estágio de vivência escravista, monocultor e latifundiário para alcançar a modernidade com a urbanização, o comércio e a industrialização. “A partir

da década de 1980, [os ferroviários] passaram a ser vistos como uma categoria profissional em declínio no país. Mas eles tiveram e têm muita história de contribuições para a sociedade brasileira”, relata.

Trens na Memória

Parte das pesquisas de Flôres foram reunidas no livro Trens na Memória, publicado pela Editora UFSM em 2017. O livro, que integra o trabalho do Núcleo de Estudos Ferroviários do Rio Grande do Sul, conta fatos da história ferroviária brasileira e sul-rio-grandense, a partir das relações entre o público e o privado. Para a realização da pesquisa, Flôres realizou uma busca contínua por documentos e informações na Câmara de Vereadores de Santa Maria, no Museu do Trem de São Leopoldo, em jornais, revistas, sites e documentos inéditos. O pesquisador defende que é fundamental entender os contextos da história e o que acarretou as condições de progresso, no âmbito econômico, social e cultural de um país, povo ou nação. Por isso, é necessário estudar as ferrovias. “Basta ver o crescimento da cidade de Santa Maria. Sem os trens e as vivências dos trabalhadores ferroviários, não teríamos sido caracterizados como ‘cidade cultura’, porque muitas das excelentes escolas que dispomos hoje foram aqui implantadas graças ao sistema ferroviário. Deve-se também à ferrovia a cidade ter se tornado um polo de grande importância”. Por isso, João Rodolpho ressalta que é preciso que cada cidadão priorize conhecer a história da sua cidade, da sua região e do seu país. E saber sobre os trens e as ferrovias é um bom começo.

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Virologia Veterinária Livro apresenta um dos estudos mais completos da área e é referência na academia

Os vírus são estruturas minúsculas que povoam muitos ambientes e, por mais estranho que possa parecer, são importantes para a manutenção da diversidade genética da vida e para o equilíbrio do meio ambiente. “Fora das células vivas, os vírus são estruturas químicas biologicamente inertes. A sua atividade biológica só é adquirida no interior de células vivas, por isso são parasitas intracelulares obrigatórios”, explica o médico veterinário e professor do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da UFSM Eduardo Furtado Flores. Vírus são estruturas tão pequenas que não possuem células; os mais simples podem ser

constituídos apenas pelo genoma recoberto por uma camada de proteínas. O professor Flores conta que os vírions – nome científico de um indivíduo viral – da grande maioria das famílias virais possuem dimensões ultramicroscópicas, com diâmetros que variam entre 15 e 22 nanômetros em algumas famílias, e entre 200 e 450 nanômetros em outras. Só para termos uma ideia, o olho humano consegue visualizar objetos com tamanhos a partir de aproximadamente 100 micrômetros, ou seja, 100 mil vezes maior que um nanômetro. Por isso, só conseguimos observar os vírus em microscópios eletrônicos.

Dimensões dos vírus: o universo das nanoestruturas nanotubos de carbono

vírus

hemácias

átomos e moléculas

fio de cabelo

0,1

1 10 nanômetro (nm)

100

1

10 mícron (µm)

100

1 milímetro (mm)

Explicação: As nanoestruturas são da ordem de grandeza do nanômetro, ou seja, 10−9 micrômetros (10-6 metros). 1 nanômetro é 1.000 vezes menor que 1 micrômetro. Um nanotubo de carbono é dez mil vezes mais fino do que um fio de cabelo, porém, pode abrigar várias moléculas em seu interior. Os maiores vírus têm entre 200 e 450 nanômetros Para comparar: uma célula tem de 10 a 50 micrômetros

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VIROLOGIA VETERINÁRIA

Para estudar esses pequenos e numerosos agentes infecciosos, os cientistas classificam os vírus em categorias como ordem, família, subfamília, gênero e espécie. Os virologistas Mario Celso Brum, da Universidade Federal do Pampa, e Rudi Weiblen, da UFSM, destacam que as técnicas de detecção viral foram desenvolvidas para pesquisar vírus em amostras de laboratório, em busca de diagnósticos para tratamentos de saúde. Os resultados, no entanto, devem ser analisados com prudência: “A simples detecção dos agentes virais em uma amostra clínica deve ser considerada com cautela, pois a sua presença pode não ser um indicativo seguro da etiologia [causa] da doença”, alertam os pesquisadores. Por isso, o estudo da virologia tem avançado no cultivo de vírus em laboratório – que viabiliza o diagnóstico –, nos estudos bioquímicos e moleculares e na produção de vacinas em ambientes livres de contaminações. Para apresentar aos estudantes das áreas de saúde esse complexo universo, Flores tem dedicado seu tempo de pesquisa na organização e atualização de um dos mais importantes textos sobre virologia no Brasil. Virologia Veterinária: virologia geral e doenças víricas já está em sua terceira edição; resultado de uma larga pesquisa bibliográfica sobre o tema. “O livro tem se revelado um marco no ensino da Virologia no Brasil, tanto na área veterinária quanto humana, pois é o único texto abrangente e atualizado em português”, ressalta o professor. Nessa nova edição, publicada pela Editora UFSM em 2017, o livro recebeu atualizações em

todos os seus capítulos, além de um novo – que aborda uma discussão atual e importante para o campo: as doenças que surgiram ou reapareceram recentemente, chamadas de doenças víricas emergentes. Essas doenças assumiram grande importância nos últimos anos, seja pelo seu impacto em saúde pública ou pela repercussão econômica na produção pecuária, por exemplo. Os pesquisadores destacam, entre seus agentes, vírus como Senecavírus A, o vírus de Schmallengerg, o vírus da Hepatite E, além dos conhecidos vírus da Zika e Chikungunya. Dentre os autores que colaboram com a produção do livro estão pesquisadores com grande experiência em seus respectivos campos de atuação, de diferentes partes do mundo, como Fernando Osorio, renomado virologista e pesquisador da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, Luis Rodrigues, pesquisador do Centro de Pesquisa do Ministério de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e Julia Ridpath, uma das mais importantes pesquisadoras em virologia do mundo, que também atua no USDA. O livro é referência para diferentes áreas de atuação em saúde, tanto humana quanto animal. Isso porque, como explica Flores, “muitas doenças víricas de animais são transmissíveis a pessoas”, como a raiva, influenza, hantavirose e febre amarela. O estudo de doenças animais tem impacto em um campo maior do que apenas na saúde veterinária, o que o torna importante também para a saúde pública.

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Conselho Editorial

Conselho Editorial O Conselho Editorial é o órgão consultivo e deliberativo da Editora UFSM, responsável, por exemplo, por definir a política editorial da Universidade, analisar e aprovar o plano anual de atividades da Editora e o relatório anual do Diretor. O Conselho Editorial é composto por um representante docente de cada centro de ensino, além de representantes dos campi da UFSM de Frederico

Westphalen, de Palmeira das Missões e de Silveira Martins; um representante dos servidores técnico-administrativos e um representante estudantil. Os membros do Conselho Editorial são indicados pelos diretores de Centro e assumem essa função, inicialmente, por dois anos, sendo possíveis duas reconduções. Os atuais conselheiros da Editora UFSM podem ser conhecidos a seguir.

Presidente do Conselho: Daniel Arruda Coronel Professor adjunto do Departamento de Economia e Relações Internacionais e dos programas de Pós-Graduação em Gestão das Organizações Públicas e em Agronegócios da Universidade Federal de Santa Maria. Atualmente é Diretor da Editora UFSM. Representante da Associação dos Servidores da UFSM: Adão Antonio Pillar Damasceno Assistente de aluno no Colégio Politécnico de Santa Maria/CTISM. Representante do Centro de Artes e Letras: Gil Roberto Costa Negreiros Professor adjunto do Departamento de Letras Vernáculas da UFSM. Representante do Centro de Educação: Marilda Oliveira de Oliveira Professora associada do Departamento de Metodologia do Ensino da UFSM.

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CONSELHO EDITORIAL

Representante do Centro de Educação Física: Antonio Guilherme Schmitz Filho Professor associado do Departamento de Desportos Coletivos do Centro de Educação Física e Desportos da UFSM. Representante do Centro de Ciências Naturais e Exatas: Adriano Mendonça Souza Professor titular do Departamento de Estatística da UFSM. Representante do Centro de Ciências da Saúde: Rosmari Horner Professora associada do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da UFSM. Representante do Centro de Ciências Rurais: Alisson Vicente Zarnott Professor adjunto do Departamento de Educação Agrícola e Extensão Rural da UFSM. Representante do Centro de Ciências Sociais e Humanas: Rogério Ferrer Koff Professor associado do Departamento de Ciências da Comunicação da UFSM. Representante do Centro de Tecnologia: Marcelo Battesini Professor adjunto do Departamento de Engenharia de Produção da UFSM. Representante do Campus de Cachoeira do Sul/RS: Marcus Vinícius Tres Professor adjunto, Pesquisador e Coordenador de Pesquisa e Extensão na UFSM. Representante do Cesnors – Frederico Westphalen/RS: Marluza Terezinha da Rosa Professora adjunta no Centro de Educação Superior Norte (Cesnors) da UFSM. Representante do Cesnors – Palmeira das Missões/RS: Fabiano Geremia Professor adjunto e Coordenador de Tutoria do Curso de Bacharelado em Administração Pública, modalidade EAD da UFSM. Representante do Diretório Central dos Estudantes: Fernanda de Lima Laureano Acadêmica do Curso de Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, da UFSM.

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Pareceristas

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Pareceristas Responsáveis por darem o aval para que a Editora UFSM publique ou não uma obra, os consultores ad hoc – também chamados pareceristas externos – são pesquisadores com notável conhecimento sobre a temática tratada no livro. O trabalho deles se inicia depois que a obra é analisada e considerada adequada pelo Conselho Editorial. Para essa tarefa, são selecionados dois consultores, a partir do tema específico de cada livro. Eles realizam uma minuciosa análise de aspectos, como

a relevância e a qualidade do conteúdo, a atualidade do tema, o potencial mercadológico e o público-alvo. No caso de autores vinculados à UFSM, os pareceristas devem ser externos à Instituição. Quando os autores são externos, os consultores podem ser da própria Universidade. Para todos os casos, os consultores devem possuir título de doutor. A seguir, são apresentados os pesquisadores que colaboraram com a Editora UFSM como pareceristas externos em 2017.

André Luiz Lopes de Faria Possui doutorado em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor adjunto do Departamento de Geografia da UFV. Andrea Aparecida Zacharias Possui doutorado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Atualmente é professora do curso de graduação em Geografia da Unesp/Campus de Ourinhos-SP e professora do Programa de Pós-Graduação em Geografia do IGCE-Unesp/Campus de Rio Claro-SP. Carolina Rosa Gioda Possui doutorado em Ciências e pós-doutorado em Bioquímica e Imunologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente é professora adjunta no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Claudia Regina Castellanos Pfeiffer Possui doutorado em Linguística pela Unicamp. É docente credenciada como professor pleno na área da História das Ideias Linguísticas do Programa de Pós-Graduação em Linguística no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp. Eleandro José Brun Possui doutorado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atua como professor da UTFPR Câmpus Dois Vizinhos/PR, nos cursos de Engenharia Florestal, Educação do Campo, Agronomia e Zootecnia.

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PARECERISTAS

Eliane Pinheiro de Sousa Possui doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (2010) e pós-doutorado em Economia Aplicada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP). É professora associada do Departamento de Economia da Universidade Regional do Cariri (URCA). Fabricio Jose Missio Possui doutorado em Economia pelo Cedeplar/UFMG. Atualmente é professor do curso de Economia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor permanente do Programa de PósGraduação (mestrado) em Desenvolvimento Regional e de Sistemas Produtivos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (PPGDRS/UEMS) e professor colaborador do Programa de PósGraduação em Economia (mestrado) da Universidade Federal de Goiás (PPE/FACE/UFG). Fernanda Maria de Almeida Possui doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atualmente é professora adjunta do Departamento de Administração e Contabilidade da mesma instituição. Gilda Sabas de Souza Possui doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atua como professora titular da disciplina de Arte na rede estadual de ensino de São Paulo e como professora nos cursos de Pedagogia e Letras da Faculdade de Diadema (FAD/Diadema/ São Paulo). Flavia Medeiros Alvaro Machado Possui doutorado em Letras pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Atualmente é coordenadora e docente do Programa de Libras (PLIBRAS) da UCS. Helena Cristina da Silva de Assis Possui doutorado em Ciências Naturais-Ecotoxicologia pela Universidade Técnica de Berlim (1998) e pós-doutorado em Genômica Ambiental pela Universidade de Ottawa. É professora titular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde atua nas disciplinas de Princípios de Toxicologia e Toxicologia Ambiental em dois programas de pós-graduação: Farmacologia e Ecologia e Conservação. Ministra também aulas de toxicologia para o curso de Biologia, Medicina e Engenharia de Bioprocessos. Helena Emília Cavalcanti da Costa Cordeiro Manso Possui doutorado sanduíche em Ciência Animal pela The State University of New Jersey (RUTGERS) e pela Universidade Federal do Ceará (2006). Atua como professora associada da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Ivar Wendling Possui doutorado em Ciências Florestais pela Universidade Federal de Viçosa e pós-doutorado pela University of the Sunshine Coast, QLD, Austrália. É membro do corpo editorial das Revistas Scientia Forestalis, Cerne, Advances in Forestry Science e Pesquisa Florestal Brasileira e revisor científico de 30 periódicos indexados.

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Jarlee Oliveira Silva Salviano Possui doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) com estágio doutoral na AlbertLudwigs-Universität de Freiburg-Alemanha. Atua como professor adjunto da Universidade Federal da Bahia (UFBA). João Luiz Becker Possui doutorado em Management Science pela Universidade da Califórnia. Atualmente é professor titular do Departamento de Ciências Administrativas da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Liz Cristiane Dias Possui doutorado em Geografia (Ensino de Geografia) pela Unesp. É professora adjunta III do Instituto de Ciências Humanas/Departamento de Geografia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e professora coordenadora dos estágios do curso de Licenciatura em Geografia. Maisa Melo Heker Possui doutorado em Ciência Animal pela Unesp de Araçatuba. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase em produção animal nas áreas de cunicultura, ranicultura, suinocultura, comportamento, bem-estar animal, biologia molecular e coccidioses. Maria da Penha Casado Alves Possui doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pós-doutorado em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é professora associada na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem na área de Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Maurício Meurer Possui doutorado em Geografia pela Universidade Lumière Lyon 2. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e professor no Programa de Pós-Graduação em Geografia nessa mesma universidade. Olga Ferreira Coelho Sansone Possui doutorado em Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (USP). Atua como professora do Departamento de Linguística da USP, onde desenvolve projetos de pesquisa na área de Historiografia Linguística. Suze de Oliveira Piza Possui doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É professora de Filosofia na UFABC nos cursos de Filosofia, bacharelado em Ciências Humanas e no Programa de Pós-Graduação em Filosofia.

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Distribuidores

LIVROS

Distribuidores A Editora UFSM está inserida no mercado editorial, distribuindo os livros disponibilizados em seu catálogo em todas as regiões do Brasil, por meio de sua participação no Programa Interuniversitário para Distribuição de Livros (PIDL), promovido pela Associação Brasileira de Editoras Universitárias (ABEU). A Editora UFSM é também associada à Associação Nacional de Livrarias (ANL), sendo de suma importância para seu crescimento, fortalecendo e am-

pliando suas relações comerciais e buscando uma inserção no panorama editorial brasileiro. A Editora UFSM busca, ainda, o contato com novas livrarias comerciais e distribuidoras, a fim de viabilizar uma maior divulgação e comercialização dos seus livros. Os livros da Editora UFSM encontram-se distribuídos em parceiros de todas as regiões do Brasil, concentrados na sua maior parte nas regiões Sul e Sudeste.

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Nordeste

BOOKPARTNERS DISTRIBUIDORA

LIVRARIA UFRN

Endereço: Rua Vitor Ângelo Fortunato, 439

Endereço: Campus Universitário S/N.

Bairro Jardim Alvorada – CEP: 06612-800

Bairro Lagoa Nova

Jandira – SP

CEP: 59072-970

Telefone: (11) 4772-0000 | (11) 4772-0024

Natal – RN

Site: www.bookpartners.com.br

Telefone: (84) 3215-3261

CORUJET IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA PONTUAL DISTRIBUIDORA LTDA

Endereço: Rua Prof. Rocca Dordal, 12

Endereço: Praça de casa forte, 426

Bairro Vila Pompeia – CEP 05026-030

Bairro Casa Forte

São Paulo – SP

CEP: 50061-420

Telefone: (11) 2776-7658

Recife – PE

E-mail: compras2@corujet.com.b

Telefone: (81) 3241-6985

Site: www.corujet.com.br

E-mail: pontualdistribuidora@live.com

DE OLHO NO LIVRO DISTRIBUIDORA

Centro-Oeste

Endereço: Rua Dr Augusto Miranda, 1322

ADEPTUS

Bairro Vila Pompeia

Endereço: Rua General Neves, 177

São Paulo – SP – CEP: 05026-001

Bairro Duque de Caxias – CEP: 78043-256

Telefone: (11) 3729-3550

Cuiabá – MT

E-mail: compras@deolhonolivro.com

Telefone: (65) 3627-6666

Site: www.deolhonolivro.com

E-mail: adeptus@bol.com.br

EDITORA DA UFSCAR

Sudeste

Endereço: Rodovia Washington Luis, 235 - Km 235

ACD LIVROS DIGITAIS LTDA

Setor de Eventos – CEP: 13565-905

Endereço: Av. José Maria de Faria, 470 - Complemento: SL 110

São Carlos – SP

Bairro Lapa de Baixo – CEP: 05038-190

Telefone: (16) 3351-9622

São Paulo – SP

E-mail: eventos-edufscar@ufscar.br

Telefone: (11) 2102-9825 E-mail: nfedigital@acaiaca.com.br

ÊXITO DISTRIBUIDORA Endereço: Rua Conselheiro Ramalho,713-71

ARC LIVRARIA E IMPORTADORA LTDA

Bairro Bela Vista

Endereço: Rua Clóvis Amaral, 300A

CEP: 01325-001

Bairro Liberdade – CEP: 35502-638

São Paulo – SP

Divinópolis – MG

Telefone: (11) 3101-6701 | (11) 3101-5816

Telefone: (37) 3215-9246

Site: www.exitolivros.com.br

E-mail: adriano@livrariamais.com.br

FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS - FGV ATLANTIS LIVROS LTDA

Endereço: Rua Jornalista Orlando Dantas, 44

Endereço: Rua Joaquim Guarani, 322

Bairro Botafogo – CEP: 22231-010

Bairro Jardim das Acácias – CEP: 04707-061

Rio de Janeiro – RJ

São Paulo – SP

Telefone: (21) 3799-4426 | (21) 3799-4427 | (21) 3799-4428

Telefone: (11) 5183-5377 | (11) 5183-8205

E-mail: marcelo.pontes@fgv.br

E-mail: atlantis@8415.com.br

Site: www.portal.fgv.br

62 Estilo Editorial | Edição 4 | 2017


DISTRIBUIDORES

FUNEP

LIVRARIA DA UNESP

Endereço: Via de acesso Prof. Paulo Donato Castellane, S/N.

Endereço: Praça da Sé, 10

Bairro Rural – CEP: 14884-900

Bairro Centro – CEP: 01001-900

Jaboticabal – SP

São Paulo – SP

Telefone: (16) 3209-1300 | (16) 3209-7100

Telefone: (11) 6604-5816

Site: www.funep.org.br/index_livraria.php

E-mail: fabio.igaki@editora.unesp.br

GD DISTRIBUIDORA

LIVRARIA E DISTRIBUIDORA MENTE SANTA LTDA

Endereço: Avenida Clara Nunes, 25 - Complemento: Loja B

Endereço: Av. Afonso Pena, 952 – conj 311/313

Bairro Renascença – CEP: 31130-680

Bairro Centro

Belo Horizonte – MG

CEP: 30130-003

Telefone: (31) 3421-9693 | (31) 3423-1736

Belo Horizonte – MG

E-mail: comprasgddistribuidora@gmail.com

Telefone: (31) 3347-7861

Site: www.gdlivros.com.br

Site: www.mentesana.com.br

IMPRENSA OFICIAL

LIVRARIA INTERCIENCIA

Endereço: Rua XV De Novembro, 318

Endereço: Rua Hermengarda, 560

Bairro Centro

Bairro Meier – CEP: 20710-010

CEP: 01013-000

Rio de Janeiro – RJ

São Paulo – SP

Telefone: (21) 2242-9095 | (21) 3242-7787

Telefone: (11) 3105-6781 | (11) 3101-6473 | (11) 2799-9673

E-mail: inter@home.cybernet.com.br

INOVAÇÃO

LIVRARIA UFLA

Endereço: Rua Conselheiro Ramalho, 719

Endereço: Campus Histórico da UFLA S/N.

Bairro Bela Vista

Bairro Campus Histórico da UFLA

CEP: 01325-001

CEP: 37200-000

São Paulo – SP

Lavras – MG

Telefone: (11) 3262-1380

Telefone: (35) 3829-1532

Site: www.inovacaodistribuidora.com.br/site

Site: www.livraria.editora.ufla.br

JULIANI COM. DE LIVROS EIRELI

LIVRARIA UFV

Endereço: Rua Alice Alem Saadi, 855

Endereço: Edif. Francisco São Jose, S/N

Bairro Nova Ribeirânia

Campus universitário

CEP: 14056-570

CEP: 36570-900

Ribeirao Preto – SP

Viçosa – MG

Telefone: (16) 3975-6409

Telefone: (31) 3899-2143

E-mail: compras02@julianilivros.com.br

Site: www.editoraufv.com.br E-mail: editoraconsignacao@ufv.br

LIVRARIA DA FÍSICA Endereço: Rua Enéas Luis Carlos Barbanti, 193

LIVRARIA UNIVERSO AGRÍCOLA

Bairro Freguesia do Ó

Endereço: Rua Sofia Bernardes, 126A

CEP: 02911-000

Bairro Santa Clara

São Paulo – SP

CEP: 36570-000

Telefone: (11) 3936-3413 | (11) 3459-4323

Viçosa – MG

Site: www.livrariadafisica.com.br

Telefone: (31) 3892-2113 Site: www.universoagricola.com.br

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PLD LIVROS

AGROLIVROS

Endereço: Rua José Pires De Godoy, 40

Endereço: Av. Ivo Lessa Silveira, 562

Bairro Jardim Santa Rosa – CEP: 13414-124

Bairro Chácara das Paineiras

Piracicaba – SP

CEP: 92500-000

Telefone: (19) 3421-7436 | (19) 3423-3961

Guaíba – RS

Site: www.pldlivros.com.br

Telefone: (51) 3403-1155 Site: www.agrolivros.com.br

SUL AMÉRICA Endereço: Rua Cinco de Julho, 59 – 2º andar – Sala 1

ANATERRA

Bairro Vila Nair – CEP: 04281-000

Endereço: Rua Dr. Bozano, 329 – Sala 02

São Paulo – SP

Bairro Centro

Telefone: (41) 3330-5039

CEP: 97015-001

Site: www.livrariascuritiba.com.br

Santa Maria – RS Telefone: (55) 3226-4016

SUSAN BACH COMERCIO DE LIVROS

Site: anaterralivros.livronauta.com.br

Endereço: Rua Visconde de Caravelas, 17 Bairro Botafogo – CEP: 22271-021

ATHENA

Rio de Janeiro – RJ

Endereço: Rua Marechal Floriano Peixoto, 1112

Telefone: (21) 2539-3590

Bairro Centro – CEP: 97015-370

Site: www.sbachbooks.com.br

Santa Maria – RS Telefone: (55) 3307-4000

TECHNICAL BOOKS

Site: blog.athenalivraria.com.br

Endereço: Rua Gonçalves Dias, 89 – Sala 207 Bairro Centro

CAMPUS LIVRARIA - MOURA E HEINEN

CEP: 20050-030

Endereço: Av. Independência, 2293

Rio de Janeiro – RJ

Centro de Convivência – Unisc – CEP: 96815-900

Telefone: (21) 2224-3177 | (21) 2252-9299

Santa Cruz do Sul – RS

Site: www.tblivraria.com.br

Telefone: (51) 3717-7433 | (51) 3717-7432 E-mail: campus.livraria@compusat.com.br

TERRA SAPIENS COMÉRCIO DE LIVROS LTDA Endereço: Rua José Salvador Cozer, 103

CESMA

Bairro Jaguaribe

Endereço: Rua Professor Braga, 55

CEP: 06065-240

Bairro Centro

Osasco – SP

CEP: 97015-530

Telefone: (11) 3609-0942

Santa Maria – RS

E-mail: vendas@terrasapiens.net

Telefone: (55) 3221-9165

Site: www.terrasapiens.net

Site: www.cesma.com.br

Sul

DISTRIBUIDORA CURITIBA

A PÁGINA DISTRIBUIDORA DE LIVROS

Endereço: Mal Floriano Peixoto, 1762

Endereço: Rodovia BR 116, 14056

Bairro: Rebouças

Bairro Fanny

CEP 80230-110

CEP: 81690-200

Curitiba – PR

Curitiba – PR

Telefone: (41)3330-5191

Telefone: (41) 3213-5600

E-mail: compras17@livrariascuritiba.com.br

Site: www.apaginadistribuidora.com.br

Site: www.livrariascuritiba.com.br

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DISTRIBUIDORES

LIVRARIA ACADEMICA

SEBO CAMOBI

Endereço: Rua Marechal Deodoro, 74 – Sala 301

Endereço: Rua Dezessete de Maio, 128 - Loja 2

Ibiza Trade & Financial Center – CEP: 89036-239

Bairro Camobi – CEP: 97105-070

Blumenau – SC

Santa Maria – RS

Telefone: (47) 9613-0240

Telefone: (55) 9979-0110

E-mail: marcelo@academicalivraria.com.br

E-mail: sebocamobi@gmail.com

LIVRARIA CULTURAL

SEBO CAPITU

Endereço: Av. Unisinos, 950

Endereço: Rua Acampamento 239

Bairro Cristo Rei

Bairro Centro

CEP: 93022-000

CEP: 97050-003

São Leopoldo – RS

Santa Maria – RS

Telefone: (51) 3590-4888 | (51) 3509-8850

Telefone: (55) 3029-2485

Site: www.culturalstore.com.br

Site: www.estantevirtual.com.br/sebobancadolivro

LIVRARIA LIVROS E LIVROS LTDA

SEBO TERRA LIVROS - ESPAÇO CULTURAL

Endereço: Centro Cultural e Eventos, S/N/

Endereço: Rua Sete de Setembro, 282, Apto. 02

Campus universitário – Caixa Postal 5167

Bairro Centro – CEP: 97400-000

CEP: 88040-535

São Pedro do Sul – RS

Florianópolis – SC

Telefone: (55) 3276-1083

Telefone: (48) 3222-1244

E-mail: seboterralivros@gmail.com

E-mail: marcelo@livroselivros.com.br

Site: www.estantevirtual.com.br/seboterra

Site: www.livroselivros.com.br

SORVIL LIVROS LIVRARIA UEL

Endereço: Rua Londrina, 145

Endereço: Rua Fernando de Noronha, 1426 – Bairro Centro

Bairro da Velha – CEP: 89036-610

CEP: 86060-410

Blumenau – SC

Londrina – PR

Telefone: (47) 3325-2992 | (19) 3531-5700

Telefone: (43)3371-4691

E-mail: sorvil@terra.com.br

Site: www.eduel.com.br/livraria-eduel

Site: www.sorvillivros.blogspot.com.br

LIVRARIA UFPR

TERRITÓRIO DO LIVRO COMÉRCIO DE LIVROS LTDA

Endereço: Rua Dr. Faivre, 405 – Bairro Centro

Rua São Lucas, 115 – Sagrada Familia

CEP: 80060-140

CEP: 94198-253

Curitiba – PR

Gravataí – RS

Telefone: (41) 3360-5214

Telefone: (51) 3085-0461

Site: www.editora.ufpr.br/portal/livrarias

E-mail: territoriodolivro@terra.com.br

LIVRARIA UFSM

USEB – JAILTON GONÇALVES FERNANDES

Endereço: Av. Roraima – Conjunto Comercial, 12

Endereço: Rua Tancredo Neves, 156

Bairro Campus Universitário

Bairro: Areal

CEP: 97105-900

CEP: 96085-520

Santa Maria – RS

Pelotas – RS

Telefone: (55) 3220-8115

Telefone: (53) 9954-1371

Site: www.livrariaufsm.com.br

E-mail: useb.brasil@hotmail.com

Estilo Editorial | Edição 4 | 2017 65


NOSSA POLÍTICA DE VENDAS

A Editora UFSM conta com uma política de vendas definida e adequada para diferentes perfis de clientes – Somente à vista;

Clientes físicos

Preço de capa

– 20%: acima de 10 exemplares; – Outros descontos poderão ser concedidos em promoções eventuais; – Frete por conta do cliente.*

Bibliotecas

20% ou 30% (condicional)

Professores

Autores

30% 40%

– Oferecemos desconto de 20%; no entanto, para aquisições acima de 10 exemplares – títulos iguais ou diferentes –, concedemos 30% de desconto; – Frete por conta do cliente.*

– Apresentar documento que comprove vínculo com instituição de ensino e que leciona disciplina afim com o livro solicitado; – Para a concessão do desconto, é permitida somente a venda de (1) um exemplar de cada título por professor; – Frete por conta do cliente.*

– Desconto somente para os títulos publicados pelo autor; – Aceitamos a remessa em consignação com acerto posterior; – Frete por conta do cliente.*


A Editora UFSM é uma das editoras universitárias que mais publica livros técnico-científicos.

São cerca de 300 títulos que atendem as mais diversas áreas do conhecimento.

Livrarias comerciais

Livrarias e editoras universitárias associadas à ABEU

Distribuidores

40% 50% 50%

Como proceder para adquirir os livros da Editora UFSM: – No e-mail de pedido, informe os títulos, o número de exemplares e, ao menos, o CEP para cotação do frete. – Caso deseje efetuar a compra, é necessário informar os seguintes dados: razão social; nome fantasia; CNPJ; inscrição estadual; telefone; endereço completo (rua, nº, complemento, bairro, cidade, estado, CEP). – Frete: o modo de envio dos livros é conforme o cliente deseja. Enviamos normalmente via Correios PAC, Sedex ou via transportadora (esta categoria normalmente se aplica se o número de títulos for elevado). O frete é sempre pago pelo cliente.* – Pagamento: trabalhamos com as 3 primeiras compras mediante pagamento prévio e envio do comprovante. Nas próximas compras podemos oferecer 30 dias de prazo. – Despacho de mercadorias: após o pagamento (caso seja pré-pago), despachamos o pedido no mesmo dia, exceto se o horário não for condizente com o dos Correios. – O cliente, a qualquer momento, pode solicitar a relação de obras/capas da nossa editora, assim como informações detalhadas sobre quaisquer títulos. Se preferir, pode adquirir informações diretamente através do nosso site: www.editoraufsm.com.br.

* Consulte descontos promocionais com relação ao frete.

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Revista Estilo Editorial Edição n. 4  

Nesta edição os leitores encontrarão matérias, como uma análise da crise econômica brasileira e outra sobre os efeitos da crise no mercado e...

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