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S ANSÃO

E A

SEDUÇÃO

DA

CULTURA

Fé para Hoje Fé para Hoje é um ministério da Editora FIEL. Como outros projetos da FIEL — as conferências e os livros — este novo passo de fé tem como propósito semear o glorioso Evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para a salvação de almas perdidas. O conteúdo desta revista representa uma cuidadosa seleção de artigos, escritos por homens que têm mantido a fé que foi entregue aos santos. Nestas páginas, o leitor receberá encorajamento a fim de pregar fielmente a Palavra da cruz. Ainda que esta mensagem continue sendo loucura para este mundo, as páginas da história comprovam que ela é o poder de Deus para a salvação das ovelhas perdidas — “Minhas ovelhas ouvem a minha voz e me seguem”. Aquele que tem entrado na onda pragmática que procura fazer do evangelho algo desejável aos olhos do mundo, precisa ser lembrado que nem Paulo, nem o próprio Cristo, tentou popularizar a mensagem salvadora. Fé para Hoje é oferecida gratuitamente aos pastores e seminaristas.

Editora Fiel Caixa Postal 1601 12233-300 - São José dos Campos, SP www.editorafiel.com.br

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CONTEÚDO ESCOLHIDOS DESDE John MacArthur

A REALIDADE

DA

Erroll Hulse

A

IRA

ETERNIDADE .................... DE

1

DEUS ......................... 10

JONATHAN EDWARDS ..................................... 18 Gilson Santos

NOSSO LUGAR

DE

Jonathan Edwards

REFÚGIO .............................. 19

SUBMISSÃO

À

O

PERSEVERANÇA

Arthur Pink QUE É A

DISCIPLINA

Richard Belcher

A UTILIDADE Wayne Mack

Fé 15 0 -índice.p65

DAS

1

DE

DEUS ..................... 23

DOS

SANTOS? .............. 27

ESCRITURAS ........................... 30

10/24/02, 5:22 PM


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ESCOLHIDOS DESDE A ETERNIDADE

ESCOLHIDOS DESDE A

SOBERANIA DE

DEUS

A

ETERNIDADE

NA

SALVAÇÃO

John MacArthur

Efésios 1.3-14

INTRODUÇÃO Efésios 1.3-14 é um hino de adoração proveniente do coração do apóstolo Paulo. Não é um argumento teológico monótono, e sim o transbordar de sentimentos ardentes do coração agradecido do apóstolo. No grego, esta passagem constitui uma grande sentença. O Espírito de Deus inspirou o apóstolo Paulo a proferir esta profusa adoração ao Deus que o havia salvado. A.

A PASSAGEM

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predes-

tinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência, desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra; nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; em quem também vós, de-


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Fé para Hoje

pois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” B.

AS PESSOAS

1. O PAI Governando estes versículos, encontra-se a idéia de que Deus realizou a salvação por sua própria vontade, propósito e desígnio. A salvação não resulta da vontade ou do mérito de uma pessoa. A salvação não é obtida por meio de sacrifícios religiosos ou de boas intenções. O crédito da salvação pertence apenas a Deus, e somente Ele pode ser louvado e glorificado. 2. O FILHO A salvação é a obra de Deus mediada por Cristo. A salvação tanto se realiza em Cristo (vv. 4, 7, 1013) como por meio dEle (v. 5). A salvação se encontra no Amado, que é Cristo (v. 6). Foi proposta nEle (v. 9). Enquanto a salvação é uma obra exclusiva do Pai, ela se realiza por intermédio de Cristo. 3. O ESPÍRITO A salvação é selada pelo Espírito Santo (v. 13). Ele é o Espírito Santo da promessa, que nos foi dado como penhor de nossa herança — a garantia de nossa completa e futura redenção como propriedade de Deus mesmo. Deus, o Pai, Deus, o Filho, e Deus, o Espírito Santo, recebem todo o crédito da salvação.

E NSINOS I. DEUS NOS ESCOLHEU ( vv. 3-4) “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele.” A.

A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO

Paulo inicia esta passagem afirmando que Deus recebe todo o louvor na salvação. O verbo traduzido “escolheu” (no grego, eklegomai) foi empregado na forma reflexiva, significando “selecionar para si mesmo”. Isso significa que a ação do verbo retorna à pessoa que a pratica. Paulo estava dizendo que Deus nos escolheu tendo em vista o seu próprio interesse — para Si mesmo, pessoalmente. A escolha divina foi realizada antes que o mundo existisse. B.

A

RAS

CONFIRMAÇÃO DAS

ESCRITU-

A Bíblia afirma a verdade da escolha redentora feita por Deus. 1) Mateus 25.34 - Jesus disse: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. O Senhor planejou tanto o reino quanto os habitantes do reino, antes que o mundo começasse a existir. Você e eu somos salvos e conhecemos o Senhor Jesus por que Deus nos escolheu. 2) Lucas 12.32 - Jesus disse a


ESCOLHIDOS DESDE A ETERNIDADE

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seus discípulos: “Não temais, ó pe- deu graças porque os crentes de quenino rebanho, porque vosso Pai Tessalônica haviam decidido se torse agradou em dar-vos o seu reino”. nar pessoas salvas. Eles não eram 3) João 6.44 - Jesus proclamou muitíssimo inteligentes, espertos, espara uma grande multidão: “Ninguém pirituais, perspicazes e, por isso, espode vir a mim, se o Pai, que me colheram a Deus; pelo contrário, enviou, não o trouxer [compelir]”. Deus os escolheu desde o princípio. 4) João 15.16 - Jesus disse a seus A salvação exige que tenhamos fé, discípulos: “Não fostes vós que me mas a fé é o resultado da escolha de escolhestes a mim; pelo contrário, eu Deus. vos escolhi a vós outros e vos desig8) 2 Timóteo 1.8,9 - “Deus... nei para que vades e deis fruto”. Nós nos salvou e nos chamou com santa não escolhemos a Jesus; Ele nos es- vocação; não segundo as nossas colheu. Não decidimos por Cristo no obras, mas conforme a sua própria mais verdadeiro sentido — Ele deci- determinação e graça que nos foi diu por nós. dada em Cristo Jesus, antes dos tem5) Atos 9.15 - O Senhor disse a pos eternos”. respeito do apóstolo Paulo: “Este é 9) 1 Pedro 1.2 - afirma que os para mim um instrumento escolhido”. crentes são “eleitos, segundo a presA conversão de Pauciência de Deus g lo aconteceu abrupPai, em santificatamente — ele estação do Espírito, Efésios 1.3-14 é... o va a caminho de para a obediência e transbordar de sentiDamasco para pera aspersão do sanmentos ardentes do seguir os crentes. gue de Jesus CrisMas ele foi conver- coração agradecido do to”. tido, transformado e 10) Apocalipse apóstolo. chamado para ser 13.8; 20.15 - infere g um apóstolo, porque os nomes dos que Deus o escolhera antes da funda- crentes foram escritos no Livro da ção do mundo. Vida do Cordeiro antes da fundação 6) Atos 13.48 - afirma sobre do mundo. aquelas pessoas que ouviram a preC. A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA gação de Paulo e Barnabé: “Creram Somente Deus pode receber o todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”. Deus outorga o crédito por nossa salvação. A doudom da fé somente para aqueles que trina da eleição é a mais humilhante estão predestinados por meio da es- de todas as doutrinas ensinadas nas Escrituras. Deus escolheu um povo colha dEle mesmo. 7) 2 Tessalonicenses 2.13 - “De- para torná-lo santo, a fim de que vemos sempre dar graças a Deus por estejam com Ele para sempre. A vós, irmãos amados pelo Senhor, nossa fé vem de Deus. Um poeta porque Deus vos escolheu desde o anônimo apresentou esta verdade nas princípio para a salvação”. Paulo não seguintes palavras do hino Vida In-


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Fé para Hoje

terior: “Eu procurava o Senhor e descobri que Ele, buscando-me, inclinou minha alma a procurá-Lo. Não fui eu quem Te encontrou, ó verdadeiro Salvador; não, eu fui encontrado por Ti”.

II. DEUS NOS PREDESTINOU (V. 5) “Em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade.” A.

A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO

Por meio da escolha divina previamente determinada, fomos predestinados para a adoção como filhos de Deus. Realmente somos filhos de Deus. B. A CONFIRMAÇÃO DAS ESCRITURAS

1) João 1.12 - “A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”. 2) Romanos 8.15 - “Recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai”. 3) Gálatas 3.26 - “Todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus”. 4) Gálatas 4.6-7 - “Porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”. 5) 1 João 3.1 - “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus”.

C.

A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA

A escolha predeterminada de Deus não dependeu do que Ele viu em nós. Ele a fez “segundo o beneplácito de sua vontade” (v.5). Deus não nos escolheu porque Ele tinha de fazer isso, e sim porque Ele quis — trouxe-Lhe prazer. Deus mesmo disse: “O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Is 46.10).

III. DEUS NOS CONCEDEU SUA GRAÇA

(v. 6)

“Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado.” A.

A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO

A escolha de Deus e a nossa predestinação se tornaram uma realidade em nossas vidas por intermédio da graça de Deus. Graça significa favor imerecido, bênção pela qual não trabalhamos, bondade não resultante de méritos. Somos salvos pela graça de Deus. B. A CONFIRMAÇÃO DAS RAS

ESCRITU-

1) Efésios 2.8-9 - “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. A graça de Deus não admite qualquer mérito da parte do homem. 2) Atos 15.11 - “Cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus”. 3) Atos 18.27 - “Tendo [Apolo]


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ESCOLHIDOS DESDE A ETERNIDADE

chegado, auxiliou muito aqueles que, mediante a graça, haviam crido”. 4) Romanos 3.24 - Somos “justificados gratuitamente, por sua graça”.

ço fácil de ser pago. Ele teve de assumir a forma humana, vir ao mundo e morrer na cruz, vertendo seu sangue em sacrifício por nós. O sangue de Cristo é realmente precioso.

C.

B. A CONFIRMAÇÃO DAS RAS

A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA

A expressão, no versículo 6, pode ser traduzida literalmente por “mediante a graça temos sido agraciados”. Deus nos concedeu graça em Cristo, o Amado, trazendo à realidade a sua escolha e predestinação por nos tornar seus filhos.

IV. DEUS NOS REDIMIU (v. 7a) “No qual temos a redenção, pelo seu sangue.” A. A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO

1) Do que Deus nos redimiu? Deus nos resgatou da escravidão ao pecado, à morte, ao inferno, a Satanás, aos demônios, à carne pecaminosa e ao mundo. Não tendo qualquer dignidade e esperança, com nossa mente em trevas e coração inclinado para o mal, éramos escravos miseráveis; apesar disso, Deus veio ao nosso encontro e nos comprou da escravidão. Fomos comprados porque fomos predestinados; predestinados, porque fomos escolhidos; escolhidos, porque fomos amados; e amados, porque o beneplácito de Deus assim o quis. 2) Por meio do quê? Romanos 6.23 declara: “O salário do pecado é a morte”. Cristo nos redimiu por meio do derramamento de seu sangue. Esse não foi um pre-

ESCRITU-

1) 1 Pedro 1.18-19 - “Não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”. 2) Apocalipse 5.9 - diz a respeito de Cristo: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”.

V. DEUS NOS PERDOOU (v. 7b, 8a) “A remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós.” A.

A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO

Deus não somente nos resgatou, mas também perdoou os nossos pecados — passados, presentes e futuros. B. A CONFIRMAÇÃO DAS ESCRITURAS

1) Mateus 26.28 - Jesus disse: “Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”. Quando Deus perdoa (no gre-


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Fé para Hoje

go, aphiemi, “mandar embora para nossa salvação ao Deus que desejou nunca mais retornar”), Ele remove nos ter como sua propriedade peculios nossos pecados para tão distante ar. Somos perdoados independentequanto o Oriente está do Ocidente (Sl mente de nossa indignidade. 103.12), lança-os nas profundezas do mar (Mq 7.19) e nunca mais se lemVI. DEUS NOS ILUMINOU (vv. 8bbra deles (Is 43.25). 10) 2) Miquéias 7.18 - “Quem, ó “Em toda a sabedoria e prudênDeus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da trans- cia, desvendando-nos o mistério da gressão do restante da tua herança?” sua vontade, segundo o seu beneplá3) Romanos 8.1 - “Agora, pois, cito que propusera em Cristo, de fajá nenhuma condenação há para os zer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coique estão em Cristo Jesus”. 4) Efésios 4.32 - “Sede uns para sas, tanto as do céu como as da terra.” com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos A. A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO Quando somos salvos, somos perdoou”. 5) Colossenses 2.13 - “E a vós também iluminados. Deus nos apreoutros, que estáveis mortos pelas senta um retrato de como todas as vossas transgressões e pela incir- coisas, do céu e da terra, serão colocuncisão da vossa carne, vos deu vida cadas em sujeição a Cristo, para o juntamente com ele, perdoando to- seu louvor. Ele nos iluminou com sabedoria nas coisas dos os nossos delieternas e com prutos”. g dência nas coisas 6) 1 João 2.12 Deus realizou a terrenas. O apóstolo João dissalvação por sua se: “Filhinhos, eu B. A CONFIRMAÇÃO vos escrevo, porque própria vontade, DAS ESCRITURAS os vossos pecados propósito e desígnio. 1) 1 Coríntios 2. são perdoados, g 12 - “Não temos repor causa do seu cebido o espírito do nome”. mundo, e sim o Espírito que vem de C. A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA Deus, para que conheçamos o que por O perdão de Deus foi derramado Deus nos foi dado gratuitamente”. abundantemente sobre nós por meio 2) 1 Coríntios 2.16 - “Quem codas riquezas de sua graça. O perdão nheceu a mente do Senhor, que o exigiu abundância de graça porque possa instruir? Nós, porém, temos a tínhamos muitos pecados. A parábo- mente de Cristo”. la do credor incompassivo (Mt 18.213) 2 Coríntios 4.3-4 - “Se o nos35) afirma que temos um dívida so evangelho ainda está encoberto, é impagável e indescritível. Devemos para os que se perdem que está enco-


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ESCOLHIDOS DESDE A ETERNIDADE

berto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. 4) 1 João 2.27 - “A unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine”. C.

A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA

Deus nos iluminou porque Ele mesmo o quis. Se não fosse por causa de seu beneplácito, permaneceríamos nas trevas, incapazes de participar do seu plano.

VII. DEUS NOS PROMETEU (vv. 1112)

“Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo.” A.

A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO

Deus nos predestinou para sermos seus filhos, e seus filhos receberão a herança dEle. B. A CONFIRMAÇÃO DAS RAS

ESCRITU-

1) Romanos 8.18 - “Os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”. 2) 1 João 3.2 - “Ainda não se manifestou o que haveremos de ser.

Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”. 3) 1 Pedro 1.4 - O apóstolo Pedro afirmou que temos “uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus”. 4) 2 Coríntios 1.20 - “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim”. C.

A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA

Todas as promessas de Deus — paz, amor, sabedoria, vida eterna, alegria e vitória — são nossas de acordo com a promessa de Deus. Elas nos foram asseguradas não por direito, e sim pela graça de Deus. Ele recebe toda a glória.

VIII. DEUS NOS SELOU (vv. 13-14) “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” A.

A AFIRMAÇÃO DO APÓSTOLO

Ele declarou que nossa herança está assegurada porque Deus nos selou. B.

A CONFIRMAÇÃO DA TEOLOGIA

Selar, nos tempos antigos, era um sinal de possessão, segurança, autenticidade e término de uma


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Fé para Hoje

transação. A habitação do Espírito Santo nos crentes significa que eles são possuídos, seguros, autenticados e completos por Deus. Esperamos pela redenção completa e somos habitados pelo Espírito como um selo e garantia da nossa herança (Rm 8.23-24).

ser: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef 1.3).

CONCLUSÃO

1) A nossa época proclama altissonantemente a auto-importância do homem. Os comerciais nos dizem que merecemos uma folga, um carro melhor, comida melhor, roupas melhores — merecemos mais da “boa vida”. Os problemas da humanidade freqüentemente são diagnosticados como falta de auto-estima. No entanto, a Bíblia diz que “todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.12). Ao invés de afirmar a boa estimativa que o homem faz de si mesmo, as Escrituras colocam as seguintes palavras na boca dos que têm discernimento: “Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como um vento, nos arrebatam” (Is 64.6). Para que Deus seja corretamente honrado e glorificado, todo crente tem de compreender que a salvação é uma obra exclusiva da graça divina. 2) A obra de Deus na salvação tanto reflete a natureza de Deus quanto a natureza do homem. Quando o apóstolo João escreveu: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1 Jo 3.1), ele estava fazendo um comentário sobre o gran-

Somente Deus merece o crédito por nossa salvação. Ele nos salva por sua própria e espontânea vontade; todavia, de nosso ponto de vista, precisamos fazer duas coisas: a) esperar em Cristo (v. 12); b) crer nEle (v. 13). Isso também acontece para o louvor e glória de Deus mesmo (v. 12). Ele nos dá o poder para esperarmos em Cristo. Nossa fé vem de Deus (Ef 2.8-9). Ele abre nossos ouvidos para atendermos à mensagem da verdade e nos capacita a crer. Todo o processo de salvação é realizado pelo Espírito Santo; sem Ele, ninguém poderia esperar ou crer em Cristo. Jesus disse que todos os que não crêem no Filho de Deus estão condenados (Jo 3.18). Deus, em sua graça soberana, decidiu salvar aqueles que Ele mesmo amou (Rm 9.8-13). Tais pessoas são resgatadas da correnteza de homens e mulheres sem esperança que flui em direção ao inferno. Essa é uma verdade humilhante e deve resultar em imensa gratidão de nossa parte. Por que Deus nos escolheu e não outras pessoas? Ele não o fez porque merecíamos a salvação, e sim para demonstrar “as riquezas da sua glória” (Rm 9.14-23). Portanto, nossa única reação tem de

PONDERANDO OS PRINCÍPIOS


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ESCOLHIDOS DESDE A ETERNIDADE

de amor de Deus e sobre a corrupção do homem. Thomas Watson escreveu: “Para que você seja uma pessoa agradecida, Deus o chamou exatamente quando você O ofendia; Ele o chamou sem precisar de você e mesmo tendo milhares de santos glorificados e de anjos a adorá-Lo. Pen-

VOCÊ

SE

REGOZIJA

NA

se naquilo que você era antes de ter sido chamado por Deus” (A Body of Divinity). A doutrina da eleição soberana, entendida corretamente, produz gratidão profunda para com Deus nos corações dos crentes. De que maneira isso tem afetado a sua vida?

SOBERANIA

DE

DEUS?

Horatius Bonar Se eu admito que a vontade de Deus regula os grandes movimentos do universo, tenho de admitir que ela regula de maneira semelhante os pequenos. Tenho de fazer isso, porque os grandes movimentos do universo dependem dos pequenos. O menor movimento de minha vontade é regulado pela vontade Deus. E nisto eu me regozijo. Ai de mim, se não fosse assim! Se eu fujo de tão ilimitada orientação e controle, é evidente que não gosto da idéia de estar completamente à disposição de Deus. Em parte, desejo viver à minha própria disposição. Tenho a ambição de regular os menores impulsos de minha vontade, enquanto entrego os grandes ao controle de Deus. Disso resulta que eu desejo ser um deus para mim mesmo. Não gosto do pensamento de que Deus tenha toda a disposição de meu destino. Se Ele faz a sua vontade, eu tenho receio de que não farei a minha. Além disso, há outra implicação: o Deus cujo amor tenho prazer em falar é um Deus a quem não posso confiar a mim mesmo no que diz respeito à eternidade. Sim, esta é a verdade. O desgosto do homem para com a soberania de Deus surge da suspeita que o homem nutre para com o amor divino. Apesar disso, os homens de nossos dias, que negam a absoluta soberania de Deus, são os mesmos que professam regozijar-se no amor dEle, os mesmos que falam sobre esse amor, como se Deus não possuísse qualquer outra virtude, exceto o amor. Quanto mais eu entender o caráter de Deus, de conformidade com sua revelação nas Escrituras, tanto mais perceberei que Ele tem de ser soberano e tanto mais eu me regozijarei, em meu íntimo, com o fato de que Ele é soberano.


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Fé para Hoje

A REALIDADE

DA

IRA

DE

DEUS

Erroll Hulse Preletor da XVIII Conferência Fiel no Brasil - Outubro de 2002

O

que, exatamente, devemos entender como a ira de Deus? É um atributo de Deus? E, se assim for, ela age fundamentada em quê? Como respostas a estas perguntas não há declaração mais definitiva do que a do apóstolo Paulo na sua introdução ao principal tema de sua epístola aos Romanos: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Rm 1.18). Resumidos nesta declaração estão os pontos salientes de nosso artigo. Esta ira é a ira de Deus. Revela-se do céu. Note o tempo presente “revela-se”. Os julgamentos de Deus na história testemunham a respeito de sua ira. Além disso, esta ira é dirigida contra os homens – especificamente, contra os homens ímpios e perversos; e, ainda mais especificamente, contra os homens que detêm a verdade pela injustiça. Mais adiante no contexto, o apóstolo explica que é possível escapar da ira de Deus, mediante a fé em

fe 15 - 2 A Realidade da Ira de Deus.p65

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Cristo, o único que tem propiciado essa ira (Rm 3.21-26). Com esta conclusão, exponho Romanos 1:18 da seguinte maneira. 1. A provocação da ira de Deus – “...contra toda impiedade e perversão dos homens...” 2. A natureza da ira de Deus – “A ira de Deus se revela do céu”. A ira procede do ser ou da pessoa de Deus; é sua contínua e imutável reação ao mal. 3. A ira de Deus manifestada – “A ira de Deus se revela” (continuamente). Apokaluptetai, “se revela”, é um verbo que está no presente contínuo. As manifestações do desagrado divino acontecem ao longo da História, e um estudo destas manifestações nos ajuda a compreender a realidade da ira de Deus. 4. A propiciação da ira de Deus – “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé” (Rm 3.25). Somente o sangue expiatório de Cristo propicia a ira de Deus, e a justiça de Cristo, atribuída

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A REALIDADE DA IRA DE DEUS

a nós, assegura-nos proteção permanentemente contra essa ira.

1. A PROVOCAÇÃO DA IRA DE D EUS “...contra toda impiedade e perversão dos homens...” A impiedade é, na verdade, a ação de ser “antiDeus” e refere-se à inimizade e à perversidade, as quais abrem caminho para a injustiça (ilegalidade). A piedade age poderosamente como incentivo para a justiça de coração e de vida. Sua ausência deixa um vácuo que é facilmente preenchido pela injustiça. Onde não há temor a Deus, os desejos sensuais logo conduzem os homens a entregarem-se livremente a toda forma de perversão. A impiedade manifesta-se geralmente na forma de idolatria. No mundo pagão esta idolatria é expressa no serviço a ídolos e na escravidão a demônios associados a esses ídolos. Na sociedade ocidental, a idolatria manifesta-se na forma de mundanismo (servir ao mundo, ao invés de servir a Deus), ou seja, no satisfazer “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 Jo 2.16). Visto que a impiedade afeta o próprio ser e caráter de Deus, ela provoca sua ira. Paulo declara que a ira de Deus se revela continuamente contra toda impiedade e perversão dos homens “que detêm a verdade pela injustiça”. Isso implica que os homens conhecem a verdade. Eles são convencidos pela verdade mas a abafam, restringindo-a ou empurrando-a para trás. Isto é verdade em relação a todos aqueles que praticam a impie-

fe 15 - 2 A Realidade da Ira de Deus.p65

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dade, mas é verdade especialmente em relação aos judeus a quem Paulo se refere em Romanos 2 e 3. Os judeus tinham orgulho do seu conhecimento da verdade (Rm 2.20) mas desprezaram-na de tal maneira que provocaram nosso Senhor a proferir palavras de feroz indignação: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!” (Mt 23.13) Todo pecado tem sua origem na apostasia do homem para com Deus. O pecado, então, aumenta e se multiplica à medida que as restrições de Deus sobre os pecadores diminuem. Finalmente, todo pecado tem sua consumação no fogo da ira de Deus. Todos os atos de ira e indignação neste mundo são apenas um prelúdio do estado final de ira que será revelado no “dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus” (Rm 2.5). O que ocorre não é que a ira cai sobre o pecado abstrato. A maioria das referências na Bíblia mostram explicitamente que a ira de Deus cai sobre os pecadores. “Aborreces a todos os que praticam a iniqüidade” (Sl 5.5). Há aproximadamente 26 passagens bíblicas declarando que Deus odeia pecados como divórcio, roubo, idolatria, etc. Destas, pelo menos 12 referem-se ao fato de que Deus odeia os próprios pecadores. Devemos observar também que toda expressão de ira na história deste mundo tem uma realidade escatológica (move-se em direção ao julgamento final). Tudo está se movendo para aquele grande dia sobre o qual a Bíblia fala constantemente (Mt

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Fé para Hoje

25.31; Rm 2.5, 5.9; Ef 5.6; Hb 9.27; Ap 20.11). Naquele dia, tudo será revelado, e o lago de fogo se tornará um monumento permanente à justiça de Deus. Uma tremenda expressão de ódio para com Deus – ódio que tem como resultado a ira de Deus – é revelado em Apocalipse 20.8,9. Todos os exércitos e poderes do Anticristo se organizam contra o acampamento do povo de Deus. Os poderes da impiedade unidos avançam para atacar a noiva de Cristo. Ao examinarmos a batalha, vemos que, enquanto gloriosa santidade caracteriza a Divindade, ódio e feiúra são as marcas do inimigo. A ira de Deus se manifesta contra a impiedade – aquilo que guerreia contra Ele.

2. A NATUREZA DA IRA DE DEUS “A ira de Deus se revela do céu.” O castigo humano difere do castigo divino por sua natureza variável e inexata. Ao lidarmos com crime e castigo, pensamos geralmente em termos de reforma dos culpados e de proteção dos inocentes. A idéia de retribuição não é popular. No julgamento final, a ira divina será expressa somente em termos de retribuição. O inferno não será uma penitenciária, isto é, um lugar para correção. Dureza incorrigível caracterizará os ímpios. O castigo naquele dia será retribuição justa. Os magistrados são autorizados por Deus a punir (Rm 13.1-4), mas, em última instância, a retribuição, de acordo com a Bíblia, é função somente da Divindade. “A mim pertence a vingança; eu é que retribui-

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rei, diz o Senhor” (Rm 12.19; Hb 10.30). O papel da consciência é importante. Não há arrependimento no inferno (Ap 16.11); e a ira de Deus, na forma de castigo sem fim, será apoiada pela consciência humana que prestará testemunho e a aprovará na sentença condenadora. A realidade da ira de Deus levanta a questão de impassibilidade: encontramos em nossas declarações de fé a afirmação de que “Deus não tem partes ou paixões corporais”. Isto estabelece uma verdade importante designada a evitar qualquer idéia de que Deus seja instável ou sujeito às disposições ou distúrbios que nós mortais conhecemos. No entanto, seria desastroso concluir, por isso, que Deus é uma máquina sem sentimentos. Ele é eternamente santo e é perfeito no seu amor triúno. Vemos seus sentimentos expressos em Cristo, mas não é possível sabermos, de maneira prática, como Deus sente. Se a declaração “Deus é amor” tem algum significado, então, concluímos que Deus sente emoções à sua própria maneira infinita e imutável. Em nossa própria experiência, sentimos o amor de Deus de forma tangível, à medida que esse amor é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado (Rm 5.5). A língua bíblica principal é o hebraico. A palavra aph denota raiva, estremecimento, (210 vezes); e chemah significa calor, ira, fúria (115 vezes). Vistas nos seus contextos, estas palavras demonstram claramente a mensagem de que Deus tem sentimentos fortíssimos em relação à maldade. O assunto obviamente precisa de exposição sepa-

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A REALIDADE DA IRA DE DEUS

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rada, na qual o maior cuidado é ne- perfeita repugnância, mas teve pracessário para resguardar nosso ponto zer na vindicação da justiça e no de vista da imutabilidade de Deus, e cumprimento da justiça representao nosso entendimento dEle como um da na vitória de seu Filho. “A dor Deus (sempre santo em Si mesmo) do Cordeiro em corpo e alma era tão que é amor e ira. imensa, que somente os poderes de Sobre o assunto de ira e amor, uma pessoa divina poderiam suportáShedd comenta: “Estas duas emoções la.”2 “Como sua alma fervia debaixo são reais e essenciais em Deus: uma do fogo da ira, e seu sangue vazava é despertada pela justiça e a outra através de todos os poros, por causa pelo pecado. A existência de uma do extremo calor da chama.”3 necessita da exisPor causa destes tência da outra; asinteresses esseng sim, se não houver Não há arrependimen- ciais pela justiça, a amor pela justiça, ira de Deus veio soto no inferno (Ap não haverá ódio bre o Cordeiro, e pelo pecado; e, repodemos apenas 16.11); e a ira de ciprocamente, se concluir que essa Deus, na forma de não houver ódio ira é uma terrível pelo pecado, não castigo sem fim, será realidade. haverá justiça. A apoiada pela conscicoexistência neces3. A IRA DE DEUS ência humana que sária destes sentiMANIFESTADA mentos é continua- prestará testemunho e mente ensinada na a aprovará na senten- “A ira de Deus se revela (continuaBíblia: ‘Vós que ça condenadora. mente)...” amais o S ENHOR , g detestai o mal’ (Sl Enquanto es97.10)”.1 crevo sobre essa ira, A perfeita compatibilidade entre a mídia está trabalhando para expor a ira e o amor é vista na prova ao mundo atrocidades que ocorrem substitutiva de Cristo. Somente Ele em várias partes do mundo. A opipoderia cumprir os requisitos da jus- nião mundial tem sido despertada tiça. As ofertas queimadas de Le- rapidamente, exigindo que tome-se vítico 1.1-9 eram completamente uma posição contra o grande númeconsumidas pelo fogo. Produziam ro de mortes. A Bíblia fala claraum “aroma agradável ao SENHOR”. mente sobre acontecimentos desse O “agradável” é uma referência à tipo e sobre calamidades como guertotal satisfação de justiça e não sig- ras, fomes, enchentes, furacões e nifica, nem por um momento, que vulcões. A Bíblia avisa claramente Deus teve prazer nos sofrimentos de sobre os fatos do julgamento de Deus Cristo. Ele repugnava isto (lembre- na História. mos a prova de Abraão, ao ser chaA queda de Adão e Eva. A primado para sacrificar Isaque) com meira manifestação da ira de Deus é

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aquilo que veio como inexorável seqüência da Queda tem seu próprio cumprimento de suas palavras: “No comentário na observação feita por dia em que dela comeres, certamen- Jeová, ao reclamar que a inclinação te morrerás” (Gn 2.17). Os pri- do pensamento do coração do homem meiros pecadores receberam sobre si era somente maldade em todo o temmesmos uma maldição; a mulher foi po! O pecado sempre traz consigo a amaldiçoada na principal órbita de reação da ira. O Senhor declarou: sua vida e, de maneira semelhante, “Farei desaparecer da face da terra o o homem. A terra também foi amal- homem que criei” (Gn 6.7). Os madiçoada. Todos os descendentes de les da indiferença e do pecado caAdão e Eva, por causa da Queda, são racterizaram a geração de Noé. A nascidos “na iniqüidade” (Sl 51.5). busca de atividades legais – comer, Toda pessoa que nasce neste mundo beber, construir, casar – se for seé culpada do pecado de Adão, ou guida sem motivos teocêntricos provoca a ira seja, falta-lhe de Deus. O auaquela justiça g mento da crina qual Adão A Bíblia avisa claramente minalidade foi criado, e a também foi um pessoa é cor- sobre os fatos do julgamento precursor do rupta por natude Deus na História. dilúvio. A terreza (Rm 5.12ra estava cor21). Isto sigg rompida à visnifica que toda ta de Deus e pessoa nasce neste mundo como pecador e, con- cheia de violência; então, Deus disseqüentemente, a culpa clama por se a Noé: “Resolvi dar cabo de toda ira, devido aos pecados que ela co- carne” (Gn 6.11-13). Referindo-se mete cada vez mais. A demora na ao pecado de mundocentrismo nos aplicação do castigo, expresso em dias de Noé, nosso Senhor declarou Gênesis 2.17, é vista de várias ma- claramente que um estado semeneiras. Adão não morreu fisicamente lhante de mundanismo precederá sua de imediato. O castigo de Caim pelo segunda vinda (Lc 17.26). Sodoma e Gomorra. De acordo assassinato de Abel foi adiado, apesar de ser evidente que ele era um com Calvino, o caso de Sodoma foi homem perverso. “A civilização trazido à atenção de Abraão, a fim caimita, descrita em Gênesis 4.16- de ensiná-lo que os sodomitas mere24, foi ricamente abençoada com os ciam, com justiça, a sua destruição. benefícios da graça comum e se ex- “Ao dizer que ‘o clamor tem se mulcedeu nos avanços tecnológicos e tiplicado’, Deus indica quão doloroso culturais. Ao mesmo tempo, essa ci- são os pecados dos ímpios porque, vilização era protótipo de humanismo apesar de prometerem impunidade para si mesmos, escondendo suas e impiedade.”4 O dilúvio nos dias de Noé. A de- maldades, os seus pecados soarão nos cadência da humanidade, como con- ouvidos de Deus”.5

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A REALIDADE DA IRA DE DEUS

O horroroso mal que veio a ser chamado de “sodomia” foi revelado inteiramente na noite anterior ao dia em que Ló foi removido da cidade, quando “os homens daquela cidade cercaram a casa... assim os moços como os velhos” e exigiram abusar dos dois anjos (Gn 19.4). Romanos 1 mostra que este pecado em particular é um sinal de perversão, um sinal de que Deus tem entregado os homens à destruição. Paulo diz que é impossível para um homossexual herdar o reino de Deus, mas algumas pessoas em Corinto se arrependeram deste pecado e encontraram a salvação (1 Co 6.9-11). O caso de Sodoma nos ensina que os pecados que destroem a instituição da família e que tornam intolerável a vida de crianças exigem a ira de Deus. O alarmante abuso sexual de crianças, em nossos dias, certamente provoca a ira de Deus. O pecado dos amorreus se tornou insuportável, quando chegou ao seu auge, na época quando essa nação foi destruída por Israel. A invasão foi um ato de guerra mas também de justiça (Gn 15.16; 1 Rs 21.26; 2 Rs 21.11). A maneira pela qual as cidades da planície foram destruídas não é insignificante. Seus crimes exigiam um ato de indignação que foi manifestado por fogo do céu, não um fogo de aniquilação, e sim um fogo de tormento sem fim; este fato é apoiado por Judas 7: “Sodoma, e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregado à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição”.

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A ira caindo sobre os indivíduos. A ira de Deus é contínua na sua manifestação e universal na sua aplicação. Deus é um juiz justo, que manifesta sua ira todo o dia. Esta ira pode ser percebida na vida de pessoas como Acabe e Jezabel, no Antigo Testamento; e de Ananias e Safira, no Novo Testamento; e, mais tarde, na vida do Rei Herodes, que foi morto quando recebeu adoração que deveria ser prestada somente a Deus; e, na era moderna, na morte de ditadores como Hitler e os Ceaucescus. Nações e impérios. As nações e os impérios mundiais também são pesados na balança divina. Grandes trechos das mensagens proféticas são dedicados a este tema (Is 13-15; Jr 46-50; Ez 25-32 e Am 1-2). A obrigação de Naum era mostrar que a hora da ira de Deus havia chegado para Nínive, porque ela “vendia os povos com a sua prostituição e as gentes, com as suas feitiçarias” (Na 3.4). Por essas razões, “a sua cólera se derrama como fogo” (Na 1.6). Daniel 2 descreve o julgamento de Deus sobre quatro impérios orgulhosos que se sucederam, e todos foram totalmente destruídos. As setes taças da cólera de Deus. As taças de ouro de Apocalipse 16 são taças de ira. Alguns dos horrores dos julgamentos descritos de maneira simbólica no Apocalipse já estão, até certo ponto, presentes conosco. Seca, fome e poluição são terríveis realidades. Sempre pergunta-se porque Deus permite os terríveis desastres de guerras civis (no Sudão, durante 25 anos; em Moçambique, durante 16 anos; o conflito recente entre o Iraque e o Irã, etc.); fomes

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(como na Etiópia, no Sudão e na Somália); holocaustos (na Alemanha Nazista, na Rússia e, mais recentemente, no Camboja). Isaías 24.5-6a nos diz: “Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam estatutos, e quebram a aliança eterna. Por isso, a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados”. A ira de Deus revelada contra seu povo eleito. O privilégio traz consigo a responsabilidade. A aliança de Deus resumida em Deuteronômio coloca bastante ênfase na importância da fidelidade. A fidelidade seria recompensada com abundante prosperidade. Para o povo de Deus, a regra seria “emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado” (Dt 28.12). Por outro lado, a desobediência, especialmente se fosse no caso de servir a ídolos imprestáveis, provocaria o ciúme do Senhor e acenderia o fogo da sua ira (Dt 32.21-24). Talvez a alegoria da infiel Jerusalém, registrada em Ezequiel 16, forneça a mais marcante lição de ira. Esta foi provocada pela promiscuidade e prostituição de Israel. Tendo sido removida do campo onde havia sido lançada na sua infância, e onde revolvia-se no sangue sem ter sido cortado o seu cordão umbilical, Jerusalém foi embelecida pelo seu Salvador e amante. Mas ela tinha dormido com seus vizinhos lascivos de todos os lados. Por isso, Ele diz: “Te farei vítima de furor e de ciúme” (Ez 16.38). O paralelo no Novo Testamento encontra-se em Hebreus 6 e 10. A

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justiça de Deus é proporcional à responsabilidade humana. Aqueles que fazem profissão de fé, tornam-se membros da igreja, recebem a luz, o ensino e os benefícios do evangelho e depois rejeitam esses privilégios serão devidamente punidos: “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei’. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.29-31).

4. A PROPICIAÇÃO DA IRA DE DEUS “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé” (Rm 3.25). Nada é tão inescrutável ou tão maravilhosamente eficaz como o sacrifício vicário de Cristo, realizado de uma vez por todas, para propiciar a ira de Deus. Tão terrível foi essa ira que até mesmo Cristo, que conhecia todas as coisas, quando estava para tomar o cálice da ira, disse: “A minha alma está profundamente triste até à morte” (Mc 14.34). Na sua exposição de Isaías 53. 10: “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar”, Manton disse: “Então, aprenda: (a) a total impiedade do pecado, custou a Cristo uma vida de sofrimento, – uma dolorosa, vergonhosa, amaldiçoada morte e uma incrível compreensão da ira de Deus, a fim de reconciliar pecadores; (b) O temor

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JONATHAN EDWARDS (1703-1758)

Gilson Santos

Considerado o maior teólogo e filósofo americano,

Jonathan Edwards nasceu no Estado de Connecticut, no mesmo ano em que nasceu o inglês John Wesley. Seu pai, Timothy Edwards, foi pastor, e sua mãe, Esther, era filha do Rev. Solomon Stoddart. Jonathan foi o único filho com dez irmãs. Desde criança demonstrou impressionante inteligência, e ingressou no Yale College pouco antes dos treze anos. Depois de sua educação, ingressou no ministério congregacional em 1726 na Igreja em Northampton, Massachusetts. Poucos anos mais tarde, em 1734, um despertamento aconteceu em sua congregação. Em 1740, o Grande Despertamento irradiou-se pelas treze colônias norteamericanas, e estima-se que no mínimo 50.000 pessoas foram despertadas para Cristo e uniram-se às igrejas. Foi ele, portanto, o teólogo do chamado Primeiro Grande Despertamento. Mais tarde, Edwards serviu como missionário aos índios em Stockbridge, Massachusetts, entre 1751 e 1757. Edwards e sua esposa, Sarah, tiveram onze filhos. Sua vida familiar feliz foi um modelo para todos os que o visitaram. Edwards morreu durante uma epidemia de varíola, logo depois de haver mudado para Nova Jersey, no mesmo ano em que tornou-se presidente do College of New Jersey, mais tarde chamado Universidade de Princeton. Morreu vítima de uma vacina contra a varíola, por ter se oferecido como voluntário para o teste da mesma. Ele escreveu cerca de mil sermões, bem como várias obras importantes sobre a Bíblia e teologia. Foi também um grande metafísico, com importantes obras de filosofia. Aos treze anos escreveu um tratado sobre aranhas, e sempre mostrou interesse por questões científicas, não vendo qualquer conflito entre religião e ciência. Ele lia e apreciava as obras de Sir Isaac Newton, convicto de que a boa teologia e a boa ciência poderiam se apoiar e complementar mutuamente. Foi um dos mais profundos escritores calvinistas que se tem conhecimento.

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Cristo; é suficiente sentar-se à sombra dEle, a “grande rocha em terra sedenta” (Is 32.2). Cristo não exige dinheiro em troca de sua paz. Mas chama-nos para O buscarmos livremente e sem preço. Ainda que pobres e sem dinheiro, podemos ir a Ele. Cristo não se dá por aluguel; Ele deseja tão-somente outorgar-lhe esse descanso. Como Mediador, sua obra consiste em dar descanso aos exaustos. E nisso Ele se deleita. Há em Cristo descanso e doce refrigério para aqueles que estão cansados das perseguições. A maior parte do tempo, o povo de Deus tem sido perseguido neste mundo. Há intervalos ocasionais de paz e prosperidade, mas geralmente acontece ao contrário. Satanás tem usado de grande malícia contra o povo de Deus, na medida em que esse povo procura seguir a Deus. Assim, por muitas vezes, o povo de Deus tem sido extremamente perseguido, e milhares têm sido condenados à morte. Satanás está sempre pronto, “como leão que ruge procurando alguém para devorar” (I Pe 5.8). Cristo tem se dado a nós para ser tudo aquilo de que precisamos. Necessitamos de vestes, e Cristo não apenas nos dá vestes, mas também a Si mesmo, para ser a nossa vestimenta. “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes” (Gl 3.27). Em Cristo há provisão para satisfação e pleno contentamento das

almas sedentas e necessitadas. Cristo é “como ribeiros de águas em lugares secos” (Is 32.2 - ARC) ou em um deserto ressequido, onde há grande escassez de água e os viajantes morrem de sede. Cristo é um rio de águas, pois há nEle uma plenitude tal, uma provisão tão abundante, que satisfaz a alma mais necessitada e ansiosa. Cristo é suficiente não só para uma alma sedenta, mas também é a fonte que nunca seca, sem importar quantos venham a Ele. Um homem sedento não esgota esse rio, ao saciar nEle continuamente a sua sede. “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). Como somos felizes quando nossos corações ficam persuadidos a se achegarem a Jesus Cristo! Oh! Que sejamos persuadidos a nos ocultarmos nEle! Que maior segurança poderíamos desejar? Ele se comprometeu a defender-nos e salvar-nos. Nada temos a fazer, além de descansar nEle calmamente. Aquiete-se e veja o que o Senhor Jesus fará por você. Se tiver de haver sofrimento, esse será da parte do Senhor Jesus, por você; nada terá de sofrer. Se alguma coisa tiver de ser feita, Cristo há de fazê-la. Você nada terá de fazer, além de permanecer quieto e olhar. “Mas os que esperam no SENHOR, renovam as suas forças” (Is 40.31).

Aquele que procura ser feliz, precisa antes procurar ser santo. John Howe

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SUBMISSÃO À DISCIPLINA DE DEUS

SUBMISSÃO

À

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DISCIPLINA

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DEUS

Arthur Pink “Não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?”

Hebreus 12.9

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or natureza, não somos inclinados à submissão. Nascemos neste mundo possuídos por um espírito de insubordinação. Somos descendentes de nossos primeiros pais rebeldes e, por isso, herdamos a natureza deles. O homem nasce com uma natureza rebelde, semelhante à de um jumento selvagem (cf. Jó 11.12). Isto é muito desagradável e humilhante, mas é verdadeiro. Isaías 53.6 nos diz: “Cada um se desviava pelo caminho”, que é um caminho de oposição à vontade revelada de Deus. Mesmo na conversão, a nossa natureza rebelde e voluntariosa não é erradicada. Recebemos uma nova natureza, mas a velha natureza continua lutando contra a nova; por isso, necessitamos de disciplina e correção. E o grande propósito da disciplina e da correção é trazer-nos à sujeição ao Pai dos Espíritos. Procuraremos atingir dois objetivos: explicar o significado da expressão “estar em... submissão ao Pai” e enfatizar este fato com as razões apresentadas no texto bíblico

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onde a expressão se encontra (Hb 12.9).

1. A SUBMISSÃO IDEALIZADA Estar em “submissão ao Pai” é uma expressão de significado abrangente; portanto, convém que compreendamos suas várias conotações. 1. SIGNIFICA

UMA AQUIESCÊNCIA

AO SOBERANO DIREITO DE

DEUS EM LHE

FAZER CONOSCO AQUILO QUE AGRADA.

(Veja Salmo 39.9: “Emudeço, não abro os meus lábios porque tu fizeste isso” .) O crente tem o dever de ficar calado quando estiver sob a vara da disciplina e em silêncio quando estiver passando pelas mais intensas aflições. Todavia, isto é possível somente se pudermos ver a mão de Deus em tais aflições. Se a mão de Deus não for vista na aflição, o coração do crente não fará nada além de queixar-se e irritar-se. Leia 2 Samuel 16.10-11: “Que tenho eu

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O QUE É A PERSEVERANÇA DOS SANTOS?

O

QUE É A DOS

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PERSEVERANÇA SANTOS?

Richard Belcher Preletor da XVIII Conferência Fiel no Brasil - Outubro de 2002

1. A DOUTRINA DA PERSEVERANÇA É UMA CONCLUSÃO LÓGICA DOS QUATRO PONTOS ANTERIORES DO CALVINISMO. Se o homem é totalmente depravado e não pode fazer nada para ajudar a si mesmo no que diz respeito às coisas espirituais; se Deus é absolutamente soberano na questão da eleição, fundamentada tão-somente em sua própria vontade; se a morte de Cristo realizou-se em favor dos eleitos, assegurando-lhes a salvação; e se Deus chama os eleitos de maneira irresistível, conclui-se que Deus assegurará a salvação final destes eleitos, ou seja, eles perseverarão até o fim. Se os eleitos não perseverassem, a eleição eterna de Deus falharia, e isto o calvinista não pode admitir. Se Deus decretou a salvação dos

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eleitos, então, ela acontecerá, incluindo a salvação final dos eleitos. Se os eleitos não perseverassem, a morte de Cristo seria uma falha, porque o seu desígnio era garantir a salvação dos eleitos. Se os eleitos não perseverassem, a graça de Deus seria resistível pelos salvos (eles poderiam rejeitá-la de uma maneira final, depois de estarem salvos), embora a graça fosse irresistível antes de eles serem salvos.

2. A DOUTRINA DA PERSEVERANÇA É DEFINIDA NOS SEGUINTES TERMOS: A perseverança dos santos é a doutrina que afirma que os eleitos continuarão no caminho da salvação (por serem eles o objeto do eterno decreto da eleição e por serem eles o objeto da expiação realizada por

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Cristo), visto que o mesmo poder de Deus que os salvou os preservará e os santificará até o final.

3. A DOUTRINA DA PERSEVERANÇA NÃO DESCARTA O AFASTAR-SE DE DEUS POR PARTE DO CRENTE. Esta doutrina rejeita a possibilidade de alguém professar ser crente e viver em um suposto estado de afastamento de Deus por muitos anos, sem enfrentar a mão disciplinadora de Deus; mas esta doutrina não descarta o afastar-se de Deus. O afastamento de Deus pode ocorrer entre os crentes; todavia, a doutrina da perseverança diz que o verdadeiro crente não ficará permanentemente nesse estado. Se ele permanecer, tal crente deve colocar um grande ponto de interrogação ao lado de sua profissão de fé.

4. A DOUTRINA DA PERSEVERANÇA, DE ACORDO COM O CALVINISMO, NÃO INCLUI A IDÉIA DO “CRENTE CARNAL”. Um “crente carnal”, conforme muitos o definem, é um crente que foi verdadeiramente salvo, mas está vivendo como um perdido. O “crente carnal” fez uma confissão de fé e viveu por um tempo como verdadeiro crente; agora, porém, ele se voltou para o mundo, e aqueles que o cercam no mundo e os membros da igreja não sabem se ele é um verdadeiro crente ou não. Somente Deus conhece o coração do “crente carnal”. Ele pode passar todo o resto de sua vida nesta condição; mas, por causa de sua

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Fé para Hoje

experiência de salvação, ele estará com Cristo na eternidade. Ele é carnal, mas é um crente: ou, ele é um crente, mas é carnal. O calvinismo diria: não há salvação onde não há perseverança; e, onde há salvação, ali haverá perseverança.

5. A DOUTRINA DA PERSEVERANÇA INCLUI A SEGURANÇA DO CRENTE; MAS A SEGURANÇA É SOMENTE U M ASPECTO DESTA DOUTRINA ; A SEGURANÇA PODE DEIXAR EM SEU RASTRO UMA MANEIRA DE PENSAR E UM VIVER FALSOS. O ensino dos batistas de “uma vez salvo, salvo para sempre” é apenas um dos lados da moeda e, sendo apenas um dos lados da moeda, tal doutrina pode ser perigosa. A doutrina da perseverança dos crentes, de conformidade com o calvinismo, tem dois lados — segurança e perseverança. Um não pode existir sem o outro. A doutrina batista da eterna segurança (uma vez salvo, salvo para sempre) tende a desprezar e negligenciar a necessidade de perseverança como prova da verdadeira salvação. Deste modo, se ensinarmos a segurança de salvação para um crente e não lhe ensinarmos a realidade da perseverança como prova da salvação, poderemos produzir o mesmo resultado da doutrina do “crente carnal” — pessoas que pensam ser salvas, mas não o são. A doutrina da segurança eterna sem a outra metade da moeda torna-se uma permissão de pecar para aqueles que apenas professam ter fé em Cristo, mas que nunca foram verdadei-

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O QUE É A PERSEVERANÇA DOS SANTOS?

ramente salvos. A doutrina calvinista da perseverança dos santos tanto oferece conforto ao crente (ele está eternamente seguro) quanto propor-

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ciona realidade à sua confissão de fé em Cristo (o crente compreende que a perseverança na vida cristã é uma prova da salvação).

(Este artigo é parte de um capítulo do livro "Jornada na Graça uma novela teológica", que será lançado durante a XVIII Conferência Fiel para Pastores e Líderes, no Brasil, em outubro de 2002.)

DA PERSEVERANÇA DOS SANTOS “Cremos que só são crentes verdadeiros aqueles que perseveram até o fim; que a sua ligação perseverante com Cristo é o grande sinal que os distingue dos meramente professos; que uma Providência especial vela pelo seu bem-estar e que são guardados pelo poder de Deus, mediante a fé para a salvação”. [Artigo XI da Confissão de Fé de New Hampshire, 1833, adotada pelas primeiras igrejas Batistas organizadas no Brasil. Aqui, foi publicada pela primeira vez no livro “Origem e História dos Batistas”, de S. H. Ford, que foi traduzido para o português em 1886 pelo missionário Z. C. Taylor, o qual incluiu, como apêndice, a Confissão de Fé de New Hampshire que ele próprio traduziu sob o seguinte título: “DECLARAÇÃO DE FÉ DAS IGREJAS BATISTAS NO BRASIL. E comumente adotadas pelas Igrejas da mesma fé e ordem pelo mundo”. Foi adotada pela Convenção Batista Brasileira em 24 de junho de 1916, na décima assembléia anual, e ainda hoje é a Confissão de Fé constante em muitos estatutos de Igrejas Batistas no Brasil. A Confissão de Fé foi reafirmada e aceita por vários grupos batistas no século vinte. A Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares, por exemplo (assim como outros grupos fundamentalistas), adotou a Confissão com um adendo de interpretação premilenista ao último artigo].

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Revista Fé para Hoje Número 15, Ano 2002