Revista Petro & Química n°387

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@PaulinaCFMG

Química é parte da solução A COP26 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, de 2021 – completou um conjunto de regras do Acordo de Paris, então, todos os 198 países que participaram do evento estão obrigados a informar, detalhadamente, as emissões de gases de efeito estufa (GEE), até 2024, permitindo elaborar planos de redução mais efetivos. Ficou decidido que os países desenvolvidos devem dobrar, em 2025, os recursos destinados para a adaptação às mudanças climáticas. Uma série de tratados paralelos sobre florestas, carvão, transporte e metano aconteceram para tentar reduzir as emissões em 2,2 milhões de toneladas de CO2. Esta COP tornou possível a criação de um regime de comércio estruturado entre países, regulamentando a compra de “autorizações” de emissão de carbono, para ajudar a alcançar as metas climáticas: a comercialização entre os países não será taxada, mas os créditos entre projetos do setor privado ou de organizações não governamentais (ONG) terão cobrança de 5%, destinada a fundos para financiar as nações mais pobres a se adaptarem às mudanças climáticas. Porém, o texto final recuou em relação ao uso do carvão: o termo “eliminação progressiva do uso desenfreado” da fonte energética, presente nos primeiros rascunhos, foi trocado por “redução”, abrindo a possibilidade da utilização do produto poluente. António Gutierres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas, declarou que os avanços “são passos importantes, mas não suficientes”. A COP-27 acontecerá no Egito, em 2022, e terá como foco principal a criação de um

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mecanismo de financiamento de perdas e danos. As mudanças climáticas estão causando perturbações perigosas e generalizadas na natureza, e afetando a vida de bilhões de pessoas, em todo o mundo, apesar dos muitos esforços. Pessoas e ecossistemas menos capazes de lidar com isso estão sendo os mais atingidos, afirmam os cientistas no último Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em fevereiro. “Este relatório é um alerta terrível sobre as consequências da inação. Isso mostra que a mudança climática é uma ameaça grave e crescente, ao nosso bem-estar e uma vida saudável. Nossas ações, hoje, moldarão como as pessoas se adaptam, e a natureza responde,” disse Hoesung Lee, presidente do IPCC. O mundo enfrenta vários riscos climáticos inevitáveis nas próximas duas décadas, com aquecimento de 1,5°C, com impactos severos, alguns dos quais irreversíveis. Os riscos para a sociedade aumentarão, inclusive para infraestrutura e assentamentos costeiros de baixa altitude. O aumento das ondas de calor, secas e inundações já está excedendo a tolerância de plantas e animais, levando à mortalidade em massa de espécies, como árvores e corais. Esses extremos climáticos estão ocorrendo simultaneamente, causando impactos em cascata cada vez mais difíceis de gerenciar, e que estão expondo milhões de pessoas à insegurança alimentar e hídrica aguda, especialmente na África, Ásia, América Central e do Sul, em Pequenas Ilhas e no Ártico. Para evitar maiores perdas, ações ambiciosas são necessárias, e cortes rápidos e mais profundos nas emissões de