Revista Controle & Instrumentação nº297

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Ano 26 - nº297 - 2025

MATRIZES ENERGÉTICAS

Integração digital e o desafio de operar um sistema multifontes interligado

Os próximos passos para o Brasil produzir hidrogênio verde como indústria global

A crescente importância do armazenamento de energia

A instrumentação industrial e o seu papel na transição energética global

INOVAÇÃO DE PONTA À PONTA

A ABB é sua parceira para elevar eficiência operacional e preparar a sua indústria para atender às demandas do mercado por sustentabilidade. Inteligente, confiável e sustentável.

ENGINEERED TO OUTRUN

talking about Fiat Lux!

O setor elétrico vem passando por uma profunda transformação estrutural impulsionada pelos “3Ds” da transição energética - descarbonização, digitalização e descentralização - que remodelam o planejamento, a operação e as estruturas de mercado, exigindo estratégias regulatórias e operacionais inovadoras para garantir a confiabilidade do sistema, a eficiência econômica e a sustentabilidade ambiental. A digitalização envolve a integração de sistemas, medição avançada e análises em tempo real, otimizando a previsão de demanda, a automação e a eficiência da rede. Ao mesmo tempo, a descentralização acelera a expansão da geração distribuída (GD), do armazenamento de energia e das microrredes.

Nesse movimento – que é global - o Brasil se destaca pela matriz predominantemente renovável, onde hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassa representam quase 90% da geração. E, ainda que isso seja uma vantagem em sustentabilidade, impõe desafios operacionais e regulatórios mesmo que nosso sistema integrado e com despacho centralizado equilibre a oferta e a demanda.

A matéria de capa traz um pouco desse momento em que o Sistema vai se adaptando a despachos de diversas fontes e discutindo a necessidade de maior integração e monitoramento para garantir entrega de energia 24/7 – com foco nos data centers. O texto é uma esclarecedora conversa de atores desse mercado.

Artigos e notícias completam nossa conversa, leitor – nossa conversa diária pelas mídias sociais, aprofundadas pelas duas newsletters semanais. Vale lembrar que em tempos de tarifaços, crises climáticas e bandeira vermelha nas contas de energia, tudo pode mudar muito rapidamente. E que seja para melhor!

Boa leitura!

O editor.

Colaboraram com informações e imagens as assessorias de imprensa. Agradecimentos especiais para Linda Loyola, Secretária Executiva/GESEL/IE/UFRJ

ISSN 0101-0794

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REDAÇÃO redacao@editoravalete.com.br

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de operar um sistema multifontes

pág.04

pág.22

22. Questão de escala: os próximos passos para o Brasil produzir hidrogênio verde como indústria global

30. A crescente importância do armazenamento de energia

33. A instrumentação industrial e o seu papel na transição energética global

pág.52

pág.63

pág.72

pág.99 CIBERSEGURANÇA pág.13

pág.92 pág.57

e Redes

Skanska usa Hexagon na construção do túnel rodoviário mais ambicioso do mundo

A Hexagon, líder global em tecnologias de medição, está apoiando um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos do mundo, equipando a Skanska com as soluções de topografia necessárias para a construção do Projeto Rogfast, um túnel submarino de 27 km que será o mais longo e profundo de seu tipo.

Correndo 392 metros abaixo do nível do mar, o túnel conectará as cidades de Stavanger, Haugesund e Bergen, ajudando a reduzir o tempo de viagem em 50% e fortalecendo os laços econômicos no setor de petróleo e gás. A Skanska integra as soluções geoespaciais e de construção da Hexagon para entregar o projeto com precisão, segurança e sustentabilidade.

O Projeto Rogfast apresenta desafios extraordinários de engenharia, incluindo a construção de túneis em ambas as extremidades para atender a uma margem de erro de 5 centímetros. Mesmo um pequeno desalinhamento pode causar retrabalho e desperdício massivos. O portfólio de soluções Leica Geosystems da Hexagon garante que cada topógrafo, escavadeira e perfuratriz opere com alta precisão e confiança, permitindo que o projeto prossiga sem interrupções.

As tecnologias da Hexagon estão gerando impacto mensurável em todo o projeto permitindo alinhamento preciso com estações totais, GPS, multiestações e scanners a laser, com redução de retrabalho, emissões e custos por meio da captura e validação de dados em tempo real e impulsionando operações seguras em condições extremas, 392 metros abaixo do nível do mar.

@Hexagon

“Em um projeto como este, até mesmo um milímetro de desalinhamento pode desen cadear riscos em cascata. A tecnologia da Hexagon dá às nossas equipes a confiança para avançar com precisão, eficiência e segurança. Essa precisão e nossa motivação compartilhada para ultrapas sar limites são o que torna esta parceria tão poderosa.”

Trond Valleur, vice-presidente da Skanska.

“Este projeto é um marco para a infraestrutura e uma pro va de como as tecnologias de medição estão remode lando o que é possível”, dis se Burkhard Boeckem, CTO da Hexagon. “Temos orgulho de apoiar a Skanska com so luções que permitem que suas equipes tra balhem de forma mais inteligente, segura e precisa.”

Burkhard Boeckem, CTO da Hexagon.

As equipes da Skanska utilizam uma ampla gama de ferramentas Hexagon, incluindo a Leica RTC360, a Leica MS60 MultiStation, a Leica AP20 AutoPole e a Leica TS60, a estação total mais precisa do mundo.

Juntas, a Skanska e a Hexagon estão moldando o futuro da infraestrutura, combinando excelência digital e experiência em construção submarina.

Fermi e Hyundai se unem para produzir reatores

Assinatura do memorando de entendimento pelo cofundador da Fermi America, Toby Neugebauer (à esquerda), e pelo CEO da Hyundai E&C, Hanwoo Lee

A construtora privada de energia dos EUA, Fermi America, assinou um memorando de entendimento com a sul coreana Hyundai Engineering & Construction para planejar e desenvolver o componente nuclear da que foi projetado para ser a maior e primeira rede privada do mundo para alimentar uma IA de última geração.

A Fermi America anunciou planos para o maior complexo de inteligência artificial do mundo, movido a energia. Localizado em Amarillo, Texas, em parceria com o Sistema Universitário Texas Tech, o projeto deve ser o primeiro campus HyperGrid do tipo, com capacidade de geração de energia por medidor, que “integrará o maior complexo de energia nuclear dos Estados Unidos, o maior projeto de gás natural de ciclo combinado

do país, energia da rede elétrica, energia solar e armazenamento de energia em baterias para fornecer inteligência artificial de última geração”.

A empresa – cofundada pelo ex-Secretário de Energia dos EUA, Rick Perry – afirmou que as obras geotécnicas já haviam começado no campus, que deverá fornecer um gigawatt de energia on-line até o final de 2026.

A Fermi America apresentou em junho seu Pedido de Licença de Operação Combinada para construir quatro reatores Westinghouse AP1000 como parte do projeto – a empresa observou que o pedido foi aceito para análise em tempo recorde. A Fermi planeja iniciar a construção do complexo nuclear no próximo ano e espera ter o primeiro reator em operação até 2032.

Sonepar finaliza compra do Grupo Jav

A Sonepar, empresa global de distribuição B2B de materiais elétricos, soluções e serviços relacionados, anuncia a conclusão da aquisição do Grupo JAV, uma das principais distribuidoras autorizadas Rockwell Automation no país, com mais de 35 anos de atuação no mercado de automação industrial. A operação representa um movimento estratégico da Sonepar para ampliar sua presença no Brasil e fortalecer sua atuação no segmento de automação, um dos mais relevantes e dinâmicos para o futuro da indústria nacional. Com sede em Joinville (SC), a JAV tem pre -

sença consolidada em regiões industriais estratégicas, com unidades em Santa Catarina, São Paulo, Bahia, Pará, Maranhão e Amazonas. A empresa é reconhecida pela excelência técnica, proximidade no atendimento e sólida base de clientes industriais, atuando em setores como papel e celulose, alimentos e bebidas, energia, mineração, automotivo e manufatura. Com essa aquisição, a Sonepar reforça seu compromisso com o desenvolvimento da indústria brasileira e dá mais um passo sólido rumo à liderança em soluções de automação na América do Sul.

“Gostaria de dar as boas-vindas a todos os colaboradores da JAV ao Grupo Sonepar. A JAV traz consigo uma equipe técnica altamente qualificada, sólida presença regional e excelência operacional nas soluções trazidas para seus clientes industriais — atributos que estão totalmente alinhados aos valores da Sonepar. Seguimos apostando no enorme potencial do Brasil e queremos continuar contribuindo ativamente para o desenvolvimento da indústria nacional, conectando nossos clientes às melhores tecnologias e aos serviços mais inovadores do mercado. A chegada da JAV representa mais um passo estratégico em nosso crescimento sustentável e na construção de uma Sonepar ainda mais preparada para liderar o futuro da automação industrial na América do Sul, guiada pelo nosso propósito de impulsionar o progresso para as futuras gerações”,

Yannick Laporte,

Sul.

“Acreditamos que essa união com a Sonepar marca um novo ciclo de oportunidades para nossos colaboradores, clientes e parceiros. Compartilhamos valores em comum, como o respeito às pessoas, o foco técnico e a busca constante por evolução. Temos orgulho da nossa trajetória como parceiros da indústria e estamos entusiasmados com o que vamos construir daqui para frente”,

Tadeu Torres

A união com a JAV fortalece a capacidade da Sonepar de entregar soluções cada vez mais completas, mantendo o foco na proximidade com os clientes e na construção de parcerias duradouras. Essa nova etapa representa mais do que uma expansão: é a continuidade de uma jornada conjunta para impulsionar o progresso, a inovação e o futuro das indústrias brasileiras.

Baker Hughes compra a Chart Industries

A Baker Hughes e a Chart Industries anunciaram um acordo definitivo segundo o qual a Baker Hughes compra todas as ações ordinárias em circulação da Chart por $ 210 por ação em dinheiro, equivalente a um valor total da empresa de US$ 13,6 bilhões.

A Chart é uma empresa global de projeto, engenharia e fabricação de tecnologias de processo e equipamentos para manuseio de moléculas de gás e líquidos em uma ampla gama de mercados industriais e de energia. Os produtos e soluções diferenciados da Chart são utilizados em todas as fases da cadeia de suprimentos de gás líquido, desde a engenharia e projeto até a instalação, da manutenção preventiva ao reparo e serviço, bem como o monitoramento digital contínuo. A Chart gerou US$ 4,2 bilhões em receita e US$ 1,0

bilhão EBITDA ajustado em 2024; ela opera 65 unidades de fabricação com mais de 50 centros de serviço em todo o mundo.

“Esta aquisição é um marco para Baker Hughes e uma prova de nossa forte execução financeira e foco estratégico à medida que continuamos a definir nossa posição como uma empresa líder em energia e tecnologia industrial”, disse o presidente e CEO da Baker Hughes, Lorenzo Simonelli.

“A aquisição também proporciona retornos financeiros expressivos para nossos acionistas. Adicionar este negócio de alto crescimento e alta margem ao nosso segmento de Tecnologia Industrial e de Energia proporcionará forte acréscimo de lucros e retornos, contribuindo para um perfil de crescimento e margem aprimorados”, disse Simonelli.

“Esta transação totalmente em dinheiro com a Baker Hughes oferece valor imediato aos acionistas da Chart.Graças ao excelente trabalho da nossa equipe global OneChart, construímos com sucesso um portfólio de produtos e soluções que abrange desde o projeto de engenharia front-end até os serviços de pós-venda. A equipe da Baker compartilha nossa cultura focada em engenharia e nosso compromisso com a excelência operacional. Nossas soluções complementares se encaixam perfeitamente no segmento de Tecnologia Industrial e Energética da Baker Hughes e, juntos, podemos ajudar nossos clientes a solucionar as necessidades mais críticas de acesso à energia e sustentabilidade. Nosso Conselho tem orgulho de entregar este resultado aos nossos acionistas.”

Jill Evanko, CEO da Chart.

De acordo com os termos do acordo, os acionistas da Chart receberão$ 210 por ação ordinária em dinheiro. O preço de compra representa um valor empresarial de US$ 13,6 bilhões, e um múltiplo de ~9x EBITDA do Chart Consensus 2025 em uma base totalmente sinérgica.

Goldman Sachs & Co. LLC, Centerview

Partners LLC, e Morgan Stanley & Co. LLC atuam como consultores financeiros para a Baker Hughes, e Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, e WilmerHale atuam como consultores jurídicos. O Wells Fargo está atuando como consultor financeiro da Chart, e Winston e Strawn atua como consultor jurídico.

Grupo Potencial investirá R$2 BI em etanol de milho

O Grupo Potencial anunciou um investimento de R$ 2 bilhões na construção de uma usina de etanol de milho em Lapa (PR).

A previsão de início de operação é 2028, com uma capacidade de produção de 3 mil t/dia.

O grupo é controlado pela família Hammerschmidt (foto) e divulgou através de nota que a iniciativa é a tradução do compromisso da companhia com a transição energética e o fortalecimento da cadeia de biocombustíveis no Brasil.

A nova fábrica será instalada em complexo já existente, onde funciona uma fábrica de biodiesel e uma outra de processamento de soja, em fase de construção.

A nova usina de etanol de milho será uma das mais modernas do país. Além do biocombustível, o processamento do cereal vai gerar subprodutos, como farelo, usado

na alimentação animal, e óleo, destinado à produção de biodiesel.

O Grupo Potencial também vai construir dois pipelines, um para etanol e outro para biodiesel, que ligarão a cidade de Araucária (PR) ao complexo industrial da empresa, com possibilidade de atender outras cidades. O aporte estimado da empresa para esta obra será de R$ 200 milhões.

“O Grupo Potencial acredita no papel do Brasil como líder global em biocombustíveis. Estamos assim contribuindo para consolidar a imagem do país como referência em sustentabilidade, agroindustrialização e protagonismo climático. Somado a isso, o avanço desse tipo de combustível é estratégico para a segurança energética nacional, especialmente diante de instabilidades geopolíticas recentes”, acrescentou Carlos Eduardo Hammerschmidt, VP do Grupo Potencial.

Vulnerabilidade do OpenAI permite roubo de dados sem interação do usuário

Pesquisadores de segurança do LabsZenity descobriram uma vulnerabilidade nos Conectores OpenAI que permite a extração de informações confidenciais de contas do Google Drive - sem interação do usuário; apenas com o endereço de e-mail: os modelos generativos de IA mais recentes são facilmente conectados a dados pessoais e essas conexões podem ser exploradas com um documento “infectado”. A história foi relatada na conferência de hackers Black Hat, em Las Vegas.

Uma vulnerabilidade que diz respeito a nuances nos Conectores, que permitem conectar o ChatGPT a outros serviços havia sido descoberta no OpenAI; isso permitia que um documento infectado pudesse vazar dados ‘secretos’ através do ChatGPT, segundo os pesquisadores do LabsZenity, Michael Bargury e Tamir Ishaya Sharbat. Numa

demonstração do ataque, chamada AgentFlayer, Bargury mostrou como os segredos de um desenvolvedor, na forma de chaves de API, armazenadas em uma conta de demonstração do Drive, podem ser extraídos. O mais preocupante é que os dados podem ser extraídos do Google Drive sem qualquer interação do usuário. “O usuário não precisa fazer nada para que seus dados sejam comprometidos, e não precisa fazer nada para que os dados sejam roubados. Demonstramos que isso acontece sem a necessidade de cliques; só precisamos do seu endereço de e-mail, compartilhamos um documento com você e pronto. Então, sim, é muito, muito ruim “, disse Bargury, ressaltando que após a vulnerabilidade ser reportada, a empresa rapidamente tomou medidas para impedir o uso da técnica utilizada pelo pesquisador ele para extrair dados através dos Conectores.

CONFIRA O ESTUDO

A Zenity mostrou vulnerabilidades generalizadas em importantes agentes de IA empresarial, incluindo o ChatGPT da OpenAI, o Microsoft Copilot Studio, o Salesforce Einstein e outros – a apresentação demonstrou cadeias de exploração de 0 cliques que permitem que invasores comprometam silenciosamente esses agentes, extraiam dados, manipulem fluxos de trabalho e atuem de forma autônoma em sistemas corporativos sem interação do usuário. As descobertas representam uma mudança fundamental no cenário de segurança de IA para ataques totalmente automatizados: o ChatGPT da OpenAI foi comprometido por meio de injeção de prompt acionada por e-mail, concedendo aos invasores acesso a contas conectadas do Google Drive e a capacidade de implantar memórias maliciosas, comprometer sessões futuras e transformar o ChatGPT em um agente malicioso; o Microsoft Copilot Studio vazou bancos de dados inteiros de CRM; e o Salesforce Einstein foi manipulado por meio da criação de casos maliciosos para redirecionar

todas as comunicações do cliente para endereços de e-mail controlados pelo invasor. O Google Gemini e o Microsoft 365 Copilot foram transformados em insiders maliciosos, usuários de engenharia social e exfiltrando conversas confidenciais por meio de e-mails com armadilhas e convites de calendário. O Cursor com Jira MCP foi explorado para coletar credenciais de desenvolvedor por meio de fluxos de trabalho de tickets armados.

Alguns fornecedores, incluindo OpenAI e Microsoft Copilot Studio, emitiram patches após divulgação responsável, vários fornecedores se recusaram a abordar as vulnerabilidades, citando-as como funcionalidade pretendida. Essa resposta mista ressalta uma lacuna crítica na forma como o setor aborda a segurança de agentes de IA.

As descobertas do Zenity Labs sugerem que as empresas que dependem exclusivamente de mitigações de fornecedores ou de ferramentas de segurança tradicionais estão se expondo a uma classe inteiramente nova de ataques.

Otimize a eficiência no controle de parques eólicos

Com PC aberto e tecnologia de controle baseado em EtherCAT

Referência AREVA Wind Alemanha

Tecnologia de controle baseado em PC e EtherCAT para turbinas eólicas: usado em mais de 100.000 turbinas eólicas em todo o mundo integração de todas as funções, como gerenciamento de operações, controle de inclinação, conversor, caixa de engrenagens e controle de freio, visualização, rede de parques eólicos, tecnologia de segurança e monitoramento de condições portfólio de componentes altamente escalonável:

PC industrial, sistema de E/S, software de automação TwinCAT sistema de comunicação EtherCAT rápido e integrado

Tecnologia de controle escalonável

Intervalo modular de terminais de barramento de E/S

Bibliotecas de software modulares

© AREVA Wind; Jan
Oelker

Ransomware ganha novas táticas de extorsão

Novo relatório da Akamai analisa as táticas utilizadas pelos cibercriminosos e explica sobre os danos para as organizações e como se proteger

Ransomware Double Extortion Triple Extortion

Abyss Locker

Black Basta

FunkSec

HellCat

Interlock

Lynx

Morpheus

Nnice

RansomHub

XELERA

Akira

Medusa

ALPHV/BlackCat

CLOP

LockBit 3.0

Em 2024, 29% das empresas da América Latina foram vítimas de ataques de ransomware, com um aumento significativo entre pequenas e médias empresas, segundo dados da Thales Group. No novo relatório State of the Internet (SOTI), a Akamai Technologies, empresa especializada em cibersegurança e soluções em nuvem, aponta que a extorsão dupla, que combina sequestro e ameaça de vazamento de dados, segue como a tática mais comum, mas alerta para o avanço da extorsão quádrupla, uma nova

Quadruple Extortion

abordagem que torna os ataques ainda mais complexos.

A tendência emergente da extorsão quádrupla inclui o uso de ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) para interromper as operações comerciais e assediar terceiros, como clientes, parceiros e mídia, para aumentar a pressão sobre a vítima. Ele se baseia em um tipo de ransomware de extorsão dupla, no qual os invasores criptografam os dados de uma vítima e ameaçam divulgá-los publicamente caso o resgate não seja pago.

Ransomware Group Regions Targeted

Anubis Global, especially U.S. and Europe

Industries Targeted Regulatory Exposure (Laws/Regulations Threatened)

Healthcare, government

Where Threatening to Report

HIPAA (U.S.), GDPR and Data Protection Act 2018 (U.K.), and GDPR (EU)

RansomHub Global, especially Europe, China, and Saudi Arabia

WereWolves Russia, Europe, North America, and Africa

Spread widely across industries with concentration in IT and critical infrastructure

Spread widely across industries with concentration in IT, financial services, and hospitality

GDPR (EU), PIPL (China), and PDPL (Saudi Arabia)

U.S. Department of Health and Human Services (HHS), U.K. Information Commissioner’s Office (ICO), and European Data Protection Board (EDPB)

EDPB, Cyberspace Administration of China (CAC), and the Saudi Data and Artificial Intelligence Authority (SDAIA)

ALPHV (ceased operations in 2024) Global, especially U.S.

High technology and healthcare

Not specific but likely to threaten:

GDPR (EU), ePrivacy (EU), GLBA (U.S.), SEC rules (U.S.), Federal Law 152-FZ (Russia), Data Protection Act, 2012 (Act 843; Ghana)

SEC (U.S.) disclosure rules and HIPAA (U.S.)

Not specific but likely to threaten: National Data Protection Authorities (DPAs), SEC, Roskomnadzor, and Data Protection Commission

SEC and HHS (U.S.)

“Atualmente, as ameaças de ransomware não se resumem apenas à criptografia”, comenta Steve Winterfeld, diretor consultivo de segurança da informação (CISO) da Akamai. “Os invasores estão usando dados roubados, exposição pública e interrupções de serviço para aumentar a pressão sobre as vítimas. Esses métodos estão transformando os ataques cibernéticos em crises comerciais completas e estão forçando as empresas a repensarem sua preparação e resposta.”

CIBERSEGURANÇA

Em relação a organizações criminosas, na América Latina, os grupos RansomHub, FunkSec, Akira e Medusa têm se destacado entre os mais ativos em ataques de ransomware. Em apenas um mês, o Akira liderou as divulgações de extorsão na região, com seis vítimas no Brasil, duas na Argentina e duas na Colômbia. Já o grupo Medusa foi identificado em um ataque a um provedor de soluções financeiras no Brasil, ampliando o alcance dessas ameaças a setores estratégicos.

Além da atuação de criminosos de alto nível, a IA generativa e os grandes modelos de linguagem (LLMs) têm ajudado a aumentar a frequência e a escala dos ataques de ransomware, pois facilitam o lançamento de

campanhas sofisticadas, mesmo para pessoas com pouco conhecimento técnico. Esses indivíduos e grupos utilizam LLMs para escrever códigos de ransomware e aprimorar suas táticas de engenharia social.

O relatório também analisa o cenário legal e regulatório que influencia a resposta das organizações ao ransomware. A rápida digitalização da América Latina, combinada à maior conectividade e vulnerabilidades sistêmicas, tem tornado a região um alvo atrativo para cibercriminosos. No entanto, a aplicação desigual de políticas de cibersegurança e a falta de regulamentações robustas em muitos países ainda limitam o impacto de extorsões ligadas à exposição regulatória.

Até o momento, a Akamai não identificou evidências de que esse tipo de tática esteja sendo explorado na América Latina ou em partes da Ásia-Pacífico (APAC), embora agentes maliciosos sejam ágeis em adaptar suas estratégias a novos contextos. James A. Casey, vice-presidente e diretor de privacidade da Akamai, observa que, embora as leis de segurança cibernética existentes se apliquem ao ransomware, as regulamentações específicas se concentram em desencorajar o pagamento de resgates.

Como se proteger de ataques de ransomware

Casey ainda enfatiza a importância de as organizações se manterem atualizadas e adaptáveis frente às ameaças emergentes. Como formas de fortalecer a segurança digital, o executivo destaca a importância de criar relatórios sempre que ocorrer um incidente, identificar e gerenciar possíveis riscos. Além

disso, adotar estratégias modernas como o modelo Zero Trust, que parte do princípio de que ninguém deve ser automaticamente confiável, mesmo dentro da empresa, e a microssegmentação, que consiste em dividir a rede da empresa em partes menores para dificultar o avanço de invasores. Essas medidas ajudam a tornar os sistemas mais resistentes contra ameaças de ransomware em evolução.

SoCo404 e Koske Malwares que estão redefinindo a segurança em nuvem

LINKEDIN

Guilherme Neves é CISO da Doutornet, Coordenador do MBA de Cibersegurança Estratégica OT IT e Pesquisador do IME. Especialista em estratégias de segurança avançadas para ambientes híbridos, Guilherme tem trabalhado na conscientização e proteção das organizações contra ameaças modernas.

A nova geração de malwares: SoCo404 e Koske

Os ataques cibernéticos vêm se tornando cada vez mais sofisticados, e os malwares SoCo404 e Koske são exemplos disso, destacando-se pelo foco em serviços de nuvem e pela exploração de configurações mal-feitas.

Os malwares SoCo404 e Koske estão redesenhando o cenário das ameaças cibernéticas para serviços na nuvem. Como CISO da Doutornet, Coordenador do MBA de Cibersegurança Estratégica OT IT e Pesquisador do IME, Guilherme Neves convida a conhecer como essas ameaças operam, os impactos para as organizações e as melhores estratégias de mitigação.

Confira suas características principais:

SoCo404: Ataca imagens de contêiner públicas mal configuradas em plataformas como Docker e Kubernetes; usa credenciais expostas e APIs abertas para invadir ambientes na nuvem; é cross-platform, ou seja, tem capacidade de atingir serviços Windows, Linux e

CIBERSEGURANÇA

ambientes de contêiner.

Koske: Explora buckets de armazenamento em nuvem não protegidos, como AWS S3 e Google Cloud Storage; insere e esconde cargas úteis em sistemas, garantindo persistência a longo prazo; leva vantagem de arquivos

Como esses malwares atacam serviços de nuvem

Os vetores de ataque de SoCo404 e Koske exploram principalmente erros de configuração e vulnerabilidades humanas:

1. Imagens de contêiner abertas ou inseguras: muitas organizações usam repositórios públicos de contêineres que podem conter configurações inapropriadas ou vulnerabilidades não corrigidas.

2. Falhas de segurança em buckets de armazenamento: Koske explora buckets com configurações públicas por padrão, acessan-

Os impactos para organizações de nuvem

Empresas que utilizam ambientes na nuvem enfrentam riscos crescentes, e os impactos dos malwares SoCo404 e Koske incluem:

- Aumento de custos operacionais: máquinas infectadas são sequestradas para minerar criptomoedas, drenando recursos computacionais.

- Comprometimento de dados sensíveis: buckets de armazenamento abertos ou APIs

Estratégias de mitigação:

Como se proteger

Organizações podem adotar medidas proativas de cibersegurança para mitigar o impacto de malwares como SoCo404 e Koske. Abaixo estão algumas recomendações importantes:

1. Configure adequadamente seus ambientes de nuvem - Feche buckets públicos

aparentemente legítimos para camuflar ataques e estabelecer backdoors persistentes.

Esses malwares representam um novo patamar de ameaças por combinar persistência inteligente, exploração de credenciais expostas e uma abordagem híbrida de ataque.

do dados sigilosos ou plantando arquivos maliciosos.

3. API e credenciais vazadas: credenciais expostas em repositórios, como GitHub, representam um grande risco. Malwares como SoCo404 podem usá-las para escalar seus privilégios.

4. Movimentação lateral: após comprometer um sistema, o malware pode se espalhar lateralmente pela rede ou cluster, explorando a conectividade entre instâncias.

comprometidas podem expor segredos corporativos.

- Degradação da reputação: violações de segurança podem afetar seriamente a imagem da organização perante clientes e parceiros.

- Sanções regulatórias: vazamentos de dados armazenados em buckets mal protegidos podem levar a multas devido ao não cumprimento da LGPD e GDPR.

de armazenamento e limite permissões com base no princípio do menor privilégio.

Escaneie imagens de contêiner regularmente por vulnerabilidades antes de usá-las em produção.

2. Implemente boas práticas de identidade e acesso - Use Autenticação Multifator

(MFA) para proteger contas de usuários privilegiados; inspecione logs de acesso e comandos usados em API, identificando ações suspeitas.

3. Invista em tecnologias de monitoramento contínuo - Adote soluções como SIEM (Security Information and Event Management) e XDR (Extended Detection and Response) para monitorar anomalias e identificar movimentações laterais.

Comparação com outros ataques na nuvem

Embora malwares como TeamTNT e Kinsing também tenham como alvo os serviços de nuvem, SoCo404 e Koske diferem ao priorizar uma abordagem mais persistente e cross-platform, com uma maior capacidade de comprometimento de sistemas híbridos (Linux, Windows e contêineres).

Malware Foco Principal Métodos Diferen-

4. Automatize a segurança - Utilize ferramentas automatizadas que validam configurações em contêineres e buckets de nuvem, garantindo que estejam dentro dos padrões de políticas de segurança.

5. Conscientize sua equipe - Promova treinamentos periódicos e realize simulações de ataques para educar os funcionários sobre a importância de manter boas práticas de segurança.

ças TeamTNT Mineração em Docker e Kubernetes Roubo de credenciais e API não protegidas Impacto limitado à mineração Kinsing Serviços Linux Explora vulnerabilidades específicas; Não tem suporte híbrido SoCo404/ Koske Contêineres, buckets e API Persistência avançada e movimentação lateral Suporte cross-platform e camuflagem sofisticada.

Conclusão

Os malwares SoCo404 e Koske demonstram que a segurança em nuvem exige medidas cada vez mais refinadas e estratégicas. Esses ataques reforçam a importância de políticas preventivas, higiene cibernética e ferramentas inteligentes de detecção.

Para proteger-se contra essas ameaças:

Invista em visibilidade e controle de sua infraestrutura de nuvem.

Reforce a educação da força de trabalho sobre vulnerabilidades frequentes, como APIs abertas e credenciais expostas.

Mantenha uma estratégia de defesa em profundidade, protegendo cada camada do seu ambiente.

Questão de escala: os

próximos

passos para o Brasil

produzir

hidrogênio verde como indústria global

O Brasil tem o seu assento garantido na mesa global de discussões sobre fontes de energia renováveis. É assim graças não só ao seu histórico de energia renovável, cerca de 90% da matriz elétrica nacional, mas também ao seu potencial como produtor e exportador de combustíveis sustentáveis como hidrogênio verde.

Esse tema hidrogênio verde no Brasil já vem circulando há algum tempo em reuniões, eventos, setores e até governos. E com o passar dos anos tem ganhado cada vez mais destaque no campo das discussões de ideias e visões. Uma rápida pesquisa por notícias relacionadas a

este assunto mostra que os planos estão colocados e uma parte importante deles diz respeito à atração de investimentos para produção em regiões do nordeste, por exemplo, além de ampliação do portfólio em plantas de geração já existentes no país.Órgãos governamentais têm investido em pesquisas significativas juntamente com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia (CIMATEC) do SENAI para acelerar o processo de produção de combustíveis renováveis como o hidrogênio verde.

As ambições são altas e os planos, claros. Mas a questão de como escalar a produção e comercialização ainda paira no ar. E essa não é só uma percepção de um profissional da área, mas é um dado da Agência Internacional de Energia (AIE). Segundo o órgão, cerca de 30% das reduções de emissões necessárias até 2050 dependerão de tecnologias que ainda não atingiram escala comercial. Com isso fica um pouco mais fácil responder quais os próximos passos para o Brasil produzir hidrogênio verde como indústria global e assumir de vez o seu posto de player internacional. A resposta é: tecnologia.

Inovação a passos largos e firmes

A tecnologia como resposta para destravar a produção soa um tanto repetitiva, mas ainda é pertinente uma vez que ainda estamos avançando de forma tímida na produção em escala do hidrogênio verde. Na atual conjuntura, eu diria que trazer a inovação para a prática se tornou algo inadiável se o Brasil não quiser perder o trem do H2.

A situação é, como tantas outras, urgente. Em análise, o seguinte cenário: segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), já existem investimentos da ordem de R$ 188 bilhões programados para projetos de hidrogênio verde no Brasil. Mas tanto o aporte quanto os projetos deram com a cara na falta de capacidade dos sistemas de transmissão de energia para comportar plantas de hidrogênio. Uma reportagem da Folha de S. Paulo apurou que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) negou os oito primeiros pedidos justificando que o sistema não tem capacidade de receber plantas de hidrogênio. Parque eólicos e solares do Brasil, fornecedores fundamentais da energia renovável para o hidrogênio verde, precisam trabalhar com mais eficiência para garantir os altos volumes de energia necessários para essa produção. Estudos apontam que

um projeto médio demanda cerca 1,5 GW médios, quase a capacidade da usina nuclear Angra 2.

Para além da ampliação dos parques, é claro, outra medida fundamental para solucionar este caso é o investimento na modernização das redes de transmissão com soluções digitais que otimizem os fluxos de energia. Para escalar a produção hidrogênio verde são necessárias tecnologias como o OPTIMAX EMOS, uma plataforma ABB de gerenciamento de energia que dispõe de várias soluções de controle, inclusive para administrações mais complexas com diversas fontes de energia e de consumo. Esta solução inclui algoritmos de otimizações na produção de hidrogênio verde.

A plataforma OPTIMAX leva em conta diversos aspectos do processo de produção de hidrogênio e isso inclui a curva de eficiência de cada eletrolisador individual, o que permite otimização completa e em tempo real. A tecnologia vem sendo usada em uma planta de hidrogênio verde na França.

A Hynamics, subsidiária do grupo EDF para produção do combustível, contratou a solução da ABB para gerenciar o consumo de energia e otimizar os custos em 16%. A estação de hidrogênio a 170

quilômetros de Paris busca abastecer com o combustível ônibus da rede de transporte Transdev, além de veículos leves e caminhões. Isso significa menos de 2,2 toneladas de C02 emitidos por veículos de transporte ao ano.

A ABB está colaborando com outros projetos de hidrogênio verde pelo mundo.

Um deles é a Hydrogen City, uma iniciativa para produção do combustível no Texas, liderada pela Green Hydrogen International (GHI). A ABB entra no projeto como provedora de automação, eletrificação e digitalização para a instalação Power-to-X, que vai usar energia solar e eólica para alimentar uma planta de eletrólise de 2,2 GW, com capacidade para produzir 280 mil toneladas de hidrogênio verde por ano.

De volta ao Brasil, o espaço para sua atuação como indústria global de hidrogênio é inegável, e agora é hora de ocupá-lo. Este ano o país sedia a COP30 e uma das três prioridades centrais apresentadas pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, é justamente a mobilização da capacidade científica tecnológica mundial para tornar a transição energética mais inclusiva e eficiente. Nesse sentido, vocação, visão e tecnologia o Brasil tem. Então, que a intenção saia do papel.

O padrão dos padrões

Nos últimos anos a tecnologia de informação (TI) produziu grandes avanços tecnológicos na área de segurança cibernética, internet das coisas industrial (IIOT), computação nas nuvens (Cloud), realidade aumentada, processamento e análise de grandes volumes de dados (Big Data).

No setor de produção de software a tendência é a expansão da disponibilização

de softwares livres suportado por um número cada vez maior de colaboradores espalhados pelo mundo. Estamos vivendo a era do mundo virtual. O software tem emulado as funções que antes eram desempenhadas por hardware, que simula toda a operação de uma planta real, utilizando somente um computador que pode estar remoto e rodando nas nuvens computacionais.

A incorporação destas tecnologias no setor industrial é conhecida no mercado como a transformação digital das empresas em direção a Indústria 4.0. Naturalmente o grande requisito do setor é a segurança cibernética. O O-PAS definiu uma nova arquitetura para os sistemas de automação baseada em padrões, aberta, segura e interoperável.

Por que os usuários finais desejam sistemas abertos?

Redução dos custos dos negócios;

Liberdade de escolha devida ao maior número de fornecedores;

Interoperabilidade;

Permite a integração dos melhores componentes de cada categoria;

Ambiente Comum de Computação;

Aplica-se a vários setores;

Inserção econômica de novos recursos pelo uso de interfaces de software/hardware padrões;

Liberdade para trabalhar com parceiros locais para desenvolver ferramentas comuns;

Robustez e agilidade pela reutilização de componentes de software e hardware;

Reduz os impactos de obsolescência a longo prazo;

Permite que requisitos para os futuros ambientes operacionais sejam atendidos.

Papel da SMAR no desenvolvimento da tecnologia O-PAS.

O elemento principal desta arquitetura é o DCN (Distributed Control Node), unidade de controle distribuído, que provê a aquisição das entradas/saídas do processo de forma configurável, bem como atua no controle regulatório básico e digitaliza os sinais e os comunica aos computadores por um protocolo padrão da indústria. A associação dos sinais é feita via software (TAGS) e não por conexão física (Endereços/Tabelas).

A Nova Smar S/A está participando ativamente das atividades de definição e validação da Tecnologia O-PAS. A arquitetura do System302, fornecida pela marca Smar desde 2002, coincide com a arquitetura proposta pelo O-PAS e a empresa está comprometida em incorporar os novos requisitos de softwares definidos pela tecnologia. A Smar está comprometida no desenvolvimento da norma e está fornecendo os blocos funcionais de configuração para uso na Tecnologia

O-PAS

O System302 é o primeiro sistema de automação de controle híbrido utilizando redes digitais, tecnologias abertas e padronizadas. Cada componente de hardware é visualizado como um elemento de controle podendo participar da estratégia de controle distribuído da planta industrial.

O elemento central da arquitetura do System302 é o DFI (Distributed Field Interface), que perfaz todas as funções definidas pelo DCN da arquitetura O-PAS. A

Nova Smar disponibiliza estes dispositivos de controle distribuídos nas tecnologias da Fieldbus Foundation, Profibus PA, Profibus DP, Modbus, HART, WirelessHART, sinais convencionais. Como nos celulares baixamos aplicativos para rodar nos mesmos; nos controladores Smar, podemos baixar aplicativos (Blocos Funcionais) produzidos pelos usuários através do conceito de blocos flexíveis

Com o avanço no desenvolvimento da Tecnologia O-PAS, a Smar disponibiliza

inicialmente para o desenvolvimento de sistemas de automação industrial, novos

produtos de integração com a Tecnologia O-PAS, como descrito a seguir.

NovaDCN – Nó de controle distribuído;

NovaENGINE – Aplicação rodando em ambientes variados;

NovaCSB – Configurador do controle estratégico;

NovaFB – Blocos funcionais interoperáveis.

Controlador DF127 preparado para atuar com a Tecnologia O-PAS.

NovaDCN, além de ser controladores, também atuam como um gateway para outras redes ou sistemas, como sistemas legados, gateways sem fio, redes de campo digital, E/S e contro -

ladores de sistemas DCS ou PLC.

NOVA ENGINE, utilizam containers que são unidades de software que empacotam aplicações e suas dependências em um único pacote, simplificando a criação, implantação e execução de aplicações em diferentes ambientes. As NovaENGINEs Smar são capazes de executar a lógica de controle em plataformas Dockers. Além disso, as NovaENGINEs são independentes e podem ser executadas em qualquer hardware compatível com o O-PAS, sendo a configuração feita utilizando arquivo XML.

NovaCSB, com uma interface gráfica prática e intuitiva, o NovaCSB (Nova Control Strategy Builder) permite a execução da estratégia de controle utili-

zando diagramas de blocos. Por ser uma aplicação Web, não é dependente de sistema operacional e hardware, sendo compatível com todo e qualquer dispositivo, seja qual for o fabricante e sistema operacional.

NovaFB, Tecnologias abertas tornam possível, que componentes de hardware e software de diferentes fabricantes possam ser utilizados em conjunto, em uma mesma aplicação ou subsistema. As estruturas de dados e comunicações utilizadas pelos blocos de função são padronizadas para garantir a interoperabilidade. E a completa descrição de recursos permite que diferentes softwares de configuração de diferentes fabricantes realizem a configuração, de maneira padronizada.

O Brasil através da Nova Smar e apoiado por outras empresas globais tais como: ExxonMobil, Shell, Iel, Cplane, CSI, R-STHAL, ARC, entre outras, vem liderando a disseminação deste novo padrão no mundo.

Análise de Assinatura Elétrica e Inteligência Artificial: o caminho para escalar a manutenção preditiva com menos sensores

Desafios da manutenção preditiva

Na indústria, as atividades de manutenção visam evitar falhas e garantir a continuidade dos processos produtivos, o que tem levado muitos setores a adotarem estratégias estruturadas como a manutenção centrada em confiabilidade (MCC), que combina ações preventivas, preditivas e o combate a falhas ocultas. No contexto da Indústria 4.0, a manutenção preditiva se destaca por utilizar grandes volumes de dados históricos e em tempo real para antecipar falhas ainda em estágios iniciais, permitindo intervenções mais precisas, redução de custos e maior confiabilidade dos ativos.

De acordo com estudos da McKinsey & Company, empresas que adotam estratégias de manutenção preditiva podem aumentar a disponibilidade de ativos entre 5% e 15% e reduzir os custos de manutenção em 18% a 25%. Já uma pes -

quisa da PwC aponta que a adoção de tecnologias de manutenção preditiva pode aumentar a vida útil dos equipamentos em até 20% e reduzir riscos relacionados à segurança, saúde, meio ambiente e qualidade em aproximadamente 14%.

Apesar dos benefícios evidentes, a adoção de tecnologias de manutenção preditiva enfrenta obstáculos importantes. Um dos principais desafios está relacionado à qualidade e à disponibilidade dos dados. Muitos ativos industriais não possuem sensores adequados ou histórico suficiente, o que dificulta a coleta de dados relevantes para alimentar algoritmos de diagnóstico. Além disso, os dados disponíveis podem apresentar ruídos, lacunas ou inconsistências que comprometem a eficácia das análises.

Outro ponto crítico é a necessidade de instalação de sensores físicos direta-

mente nas máquinas. Técnicas tradicionais como a análise de vibração e temperatura requerem múltiplos sensores distribuídos ao longo do motor e de todo o conjunto acionado, o que aumenta a complexidade da instalação, demanda paradas programadas e eleva os custos operacionais. Essa abordagem também impõe desafios e inviabilidades logísticos e técnicos em equipamentos de difícil acesso ou instalados em ambientes hostis, como áreas classificadas, locais com altas temperaturas ou presença de umidade e poeira, além de bombas submersas.

A ausência de sensores em muitos equipamentos industriais, somada à dificuldade de instalação e manutenção desses dispositivos, limita a escalabilidade das soluções convencionais de manutenção preditiva. Essa limitação abre espaço para o avanço de tecnologias que

oferecem formas mais simples e eficazes de coleta de dados e diagnóstico. É nesse

contexto que se destaca a Análise de Assinatura Elétrica (ESA, do inglês Electrical

Signature Analysis) potencializada por Inteligência Artificial (IA).

Análise de assinatura elétrica otimizada por inteligência artificial

A ESA é uma técnica não invasiva que utiliza os sinais de corrente e tensão do motor elétrico para identificar alterações no funcionamento de máquinas rotativas. A ESA avalia como falhas mecânicas no motor ou no conjunto acionado provocam perturbações no campo magnético do motor, refletindo-se em alterações nos sinais de corrente e tensão monitorados. Assim, é possível identificar assinaturas específicas correspondentes a falhas mecânicas e elétricas iminentes ou em desenvolvimento, como problemas em rolamentos, acoplamentos,

redutores, correias, polias, desalinhamentos, desbalanceamentos e falhas elétricas.

A Inteligência Artificial (IA) surge como um poderoso potencializador da ESA ao ampliar significativamente sua capacidade de detecção precoce de falhas. Enquanto a ESA já permite identificar alterações eletromecânicas a partir da análise dos sinais de corrente e tensão, a aplicação de algoritmos de IA possibilita a extração e correlação de padrões complexos que seriam imperceptíveis por análises convencionais.

Com a IA, é possível au-

Ultronline: inovação brasileira baseada em ESA e IA

O Ultronline, desenvolvido pela 2Neuron, representa a consolidação prática da técnica de ESA potencializada por IA. Projetado para monitorar motores elétricos e máquinas rotativas de forma contínua, remota e não intrusiva, o sistema realiza a aquisição de dados diretamente dos painéis elétricos dos equipamentos, sem a necessidade de instalação de sensores nas máquinas. Essa abordagem simplifica significativamente a implantação da solução, viabilizando seu

uso em ambientes industriais hostis e em ativos de difícil acesso, como bombas submersíveis, esteiras transportadoras enclausuradas ou máquinas em áreas classificadas.

Cada módulo Ultronline atua como uma unidade de aquisição de dados elétricos trifásicos (corrente e tensão), sendo instalado de forma rápida e segura com o uso de TCs bipartidos e conexões protegidas. Os dados coletados são enviados via Wi-Fi local próprio ao gateway

tomatizar a interpretação de grandes volumes de dados, detectar desvios sutis no comportamento dos ativos e adaptar os modelos de diagnóstico ao longo do tempo, aprendendo continuamente com os dados históricos e operacionais. Isso não apenas aumenta a precisão na identificação de falhas incipientes, como também reduz significativamente a taxa de falsos positivos e melhora a confiabilidade dos alertas. Em suma, a IA transforma a ESA de uma ferramenta diagnóstica em um sistema inteligente de monitoramento contínuo e preditivo.

Ultronlink, que executa cálculos iniciais e transmite as informações para a nuvem, onde algoritmos de IA analisam tendências, extraem atributos espectrais e identificam anomalias em tempo real. O sistema é capaz de reconhecer padrões associados a falhas incipientes em componentes como rolamentos, acoplamentos, redutores, entre outros, com alta sensibilidade e confiabilidade.

Uma das principais vantagens do Ultronline é a capacidade de monitorar, com

um único dispositivo instalado no painel elétrico, tanto o motor elétrico quanto todo o conjunto mecânico acionado, como redutores, acoplamentos, mancais e elementos finais. Isso elimina a necessidade de múltiplos sensores distribuídos ao longo da máquina, simplifica drasticamente a instalação e permite um monitoramento abrangente a partir de um

único ponto de coleta, com alta eficiência e precisão diagnóstica.

Além de identificar falhas mecânicas no conjunto acionado, a ESA pode realizar o diagnóstico de falhas no próprio motor elétrico, como problemas nas barras do rotor, curto-circuitos entre espiras do estator e falhas de isolamento, por meio da análise espectral da corren-

te elétrica. Adicionalmente, a abordagem baseada em sinais elétricos permite uma análise completa da qualidade de energia, monitorando parâmetros como harmônicas, distorção harmônica total (THD), desequilíbrios de tensão e corrente, entre outros indicadores essenciais para garantir o desempenho e a longevidade dos ativos elétricos.

Descomplicando a manutenção com inteligência e simplicidade

Atualmente, o Ultronline já está em operação em empresas de diferentes segmentos industriais, como siderurgia, mineração, painéis de madeira e saneamento, com resultados expressivos. Casos documentados demonstram a eficácia do sistema na detecção antecipada de falhas, permitindo intervenções simples, como relubrificação, antes da evolução para danos severos. Os diagnósticos são comunicados automaticamente via plataforma web, e alertas críticos são enviados por e-mail ou mensagens instantâneas, promovendo uma atuação proativa das equipes de manutenção e evitando paradas inesperadas.

Um sistema preditivo abrangente, capaz de monitorar simultaneamente falhas mecânicas, elétricas e a qualidade da energia, proporciona uma visão integrada da saúde dos ativos industriais, permitindo intervenções precisas, maior desempenho das máquinas e ganhos diretos em eficiência energética. Quando se reduzem falhas inesperadas e aumenta-se a confiabilidade operacional, também se minimizam riscos de segurança e possíveis impactos ambientais. Com a crescente exigência por ESG, eficiência energética e confiabilidade operacional, soluções preditivas inteligentes como o Ultronline têm ganhado destaque como alia-

das na transformação digital da indústria.

A união da ESA com IA representa uma evolução natural na manutenção preditiva, tornando-a mais acessível, escalável e precisa. Ao eliminar a necessidade de sensores distribuídos nas máquinas e concentrar o monitoramento diretamente no painel elétrico, o Ultronline inaugura uma nova era no diagnóstico industrial: mais simples na instalação, mais abrangente na análise e mais eficaz na prevenção de falhas. Essa abordagem inteligente e descomplicada aponta o caminho para escalar a manutenção preditiva com menos sensores e muito mais resultados.

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A crescente importância do armazenamento de energia

de Castro,

Sidnei

As cadeias de produção de bens, serviços e consumo de energia elétrica são um indicador estratégico para o país, na medida em que expressam o seu grau de desenvolvimento econômico e social. Historicamente, a geração de energia elétrica se iniciou com pequenos aproveitamentos hidráulicos e unidades geradoras térmicas, próximas aos locais de consumo. Era

comum naquela época, nos primórdios do Século XX, as cidades menores disporem da energia elétrica somente em alguns horários do dia, em um mix de demanda de pequenas manufaturas e iluminação pública, convergindo gradativamente para as residências.

Com o veloz crescimento industrial, da prestação de serviços e do contingente populacional, observou-

-se uma aceleração da demanda de energia elétrica, principalmente a partir da segunda metade do Século XX, exigindo a construção de novas unidades geradoras, com prioridade para as usinas hidrelétricas, e de linhas de transmissão com maior capacidade de conexão e escoamento de energia. Além disso, a qualidade da energia elétrica passou a ser um requisito importante. Não bas -

Artigo publicado no Valor Econômico. Disponível AQUI. Acesso em: 11 de ago. de 2025.

tava mais dispor da energia, era necessário que ela fosse estável e não interrompida. Nesse contexto, se desenvolveu o Sistema Interligado Nacional, cuja operação é, atualmente, responsabilidade do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), criado em 1998, herdando da Eletrobras essa tarefa.

Assegurar o fornecimento de energia na quantidade demandada, ao menor custo e com a qualidade, a regularidade e a confiabilidade exigidas é uma tarefa complexa, que depende: i) da existência de equipamentos em boas condições de uso; ii) da sua correta manutenção; iii) do conhecimento de como operá-los e, acima de tudo; iv) da administração da entrega da energia elétrica onde, quando e na quantidade exigida pelos consumidores, cuidando para que não faltem os insumos necessários para a sua geração.

O modus operandi, até o início do Século XXI, era do fluxo da energia elétrica ocorrer de maneira unidirecional, ou seja, das unidades de geração para as unidades de consumo, fluindo por uma malha de linhas de transmissão, em alta tensão, e de redes de distribuição nas cidades, em baixa tensão.

A partir de 2000, as tecnologias de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica passaram a ser impactadas por inovações

tecnológicas disruptivas, associadas diretamente ao processo de transição energética, envolvendo questões como a valorização da sustentabilidade ambiental, que dificultaram a construção de usinas hidrelétricas com grandes reservatórios e restrições ao uso de combustíveis fósseis nas usinas térmicas, emissoras de gases de efeito estufa. Assim, abriu-se caminho para novas formas de geração de energia, com enorme destaque e crescente prioridade para as fontes eólica e solar, por serem renováveis, não emissoras de gases de efeito estufa e a custos decrescentes.

Essas novas formas de geração apresentam, contudo, a característica técnica de não serem despacháveis a qualquer momento, como as usinas térmicas e hidrelétrica, mas somente quando há disponibilidade de luz solar e de vento. Assim, a energia elétrica gerada pelas fontes solar e eólica somente é aproveitável quando há, por um lado vento e sol, e por outro, demanda para consumo imediato.

Ademais, com os avanços tecnológicos conquistados, pequenos geradores de energia solar passaram a ser disponíveis e viáveis para consumidores, que puderam gerar a própria energia através de painéis solares, em complemento à energia disponibilizada pelas redes de distribuição, com a pos -

sibilidade de injeção na rede do excedente gerado. A essa nova categoria de geradores deu-se o nome de micro e minigeração distribuída (MMGD).

Como resultado, a operação do sistema elétrico passou a conviver com um número crescente de pequenos geradores, conectados às redes de baixa tensão, sob a responsabilidade das distribuidoras, que, consequentemente, tiveram que realizar investimentos e operá-las de maneiras distintas às quais foram projetadas. Deste modo, ao atingirem situações limites de painéis solares, as redes se desligam por proteção para que não se danifiquem. Destaca-se que essas redes são conectadas aos sistemas de transmissão, que estão interligados conectando praticamente o país todo.

O resultado geral, sob o ponto de vista do sistema interligado, é que a administração das flutuações da demanda sistêmica de energia elétrica ficou mais complexa e com incertezas que, ao fim e ao cabo, resultam em riscos para o equilíbrio do suprimento de energia. Por exemplo, diariamente, quando o sol se põe, a produção de energia solar desaparece em muito pouco tempo, mas a demanda real se mantém e deve ser suprida por outras fontes através da rede elétrica. Essa necessidade de acréscimo de ofer-

ta ocorre em intervalo de tempo muito curto, ao anoitecer, e a energia solicitada da rede deve ser suprida rapidamente por geradores de outras fontes.

Outro fator muito relevante foram os subsídios dados para as energias eólica e solar, na lógica de estimular uma indústria nascente. Como os subsídios não foram, de fato, eliminados, mesmo após o amadurecimento dessas indústrias, se verifica uma verdadeira “corrida ao ouro” que resulta em um descolamento entre a oferta, bem superior tanto centralizada quanto distribuída, e a demanda de energia elétrica.

O único controle possível para manter o equilíbrio entre demanda e oferta que o ONS dispõe para operar o sistema de alta tensão é desligar unidades geradoras, configurando o que se denomina por curtailment. Com o corte dessa geração, do ponto de vista técnico, uma ação correta, há uma redução do faturamento das geradoras, impondo desequilíbrio financeiro dos geradores, problema que tende a se agravar com o crescimento da oferta impulsionada pelos subsídios, sem qualquer relação com a demanda.

Para resolver a principal causa do curtailment, que é o excesso de oferta, a solução técnica e agora estrutural é a utilização de sistemas

de armazenamento de dois tipos. O primeiro e mais rápido de ser instalado são os bancos de baterias instalados em pontos estratégicos da rede. Uma experiência piloto exitosa foi a instalação de baterias pelo grupo Isa Energia Brasil, na cidade de Registro, em São Paulo.

Dessa forma, o armazenamento de energia elétrica, que anteriormente era realizado somente com o represamento de água nos reservatórios para geração nas usinas hidrelétricas ou através do estoque de gás, diesel, biomassa ou outros combustíveis para usinas térmicas, sempre junto à geração, passa a ser demandado de maneira distribuída, conectado às redes elétricas de transmissão e distribuição. Por outro lado, destaca-se que os sistemas de baterias têm uma característica econômica que é a capacidade limitada de armazenamento por poucas horas.

O segundo tipo de armazenamento, considerado uma solução sistêmica, de maior porte, são as usinas hidrelétricas reversíveis, consideradas como a melhor solução. Essas usinas geram energia elétrica descarregando água para seu reservatório inferior, nos momentos de maior demanda, e se recarregam bombeando a mesma água para um reservatório superior, nos momentos de disponibilidade elétrica e de

menor demanda, executando, assim, uma função de armazenamento de água reutilizável na geração elétrica.

A título de conclusão, a busca de armazenamento para solucionar um problema real e urgente de uso de energias renováveis, expresso de forma crescente e custosa através dos curtailments, expõe dois aspectos importantes.

O primeiro é que os estudos de cenários, desenvolvidos pela Empresa de Pesquisa Energética, são essenciais para orientar decisões de investimentos dos agentes econômicos do Setor Elétrico Brasileiro, inclusive induzindo projetos piloto, no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica, que permitem que as empresas do setor foquem nas oportunidades e nos problemas potenciais.

O segundo, e não menos importante, é a construção de um arcabouço regulatório que garanta segurança jurídica para os investimentos nas tecnologias de armazenamento, que são os recursos capazes de garantir a convergência do equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda de energia, absorvendo o excesso de energia elétrica em momento de alta oferta para consumo posterior. E, mais importante, mantendo o equilíbrio financeiro os investimentos já realizados.

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A instrumentação industrial e o seu papel na transição energética global

Vivemos uma era de transformações profundas e aceleradas. A transição energética global, impulsionada por metas de descarbonização, sustentabilidade, eficiência e segurança, representa uma das mudanças mais significativas desde a Revolução Industrial. O mundo busca substituir progressivamente os combustíveis fósseis por fontes limpas, redesenhar cadeias produtivas e adotar tecnologias mais inteligentes, resilientes e integradas.

Neste cenário desafiador e promissor, a instrumentação industrial inteligente surge como uma base indispensável. É ela que garante o controle preciso, a segurança operacional e a otimização contínua de processos em usinas de energia renovável, indústrias sustentáveis, parques de biocombustíveis e plantas altamente digitalizadas. A Vivace Process Instruments, empresa 100% nacional, está na vanguarda dessa transformação.

A Transição Energética em Números e Tendências

Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), as fontes renováveis devem representar 90% do crescimento da capacidade global de geração elétrica até 2030, alavancadas por políticas climáticas mais rígidas e metas de carbono zero. Já a BloombergNEF projeta que

os investimentos globais em transição energética ultrapassem US$ 2 trilhões por ano até 2030.

No Brasil, o panorama é ainda mais promissor. Com mais de 80% da matriz elétrica proveniente de fontes renováveis, o país lidera projetos em energia solar, eólica,

Desafios Estratégicos da Nova Era Energética

Mesmo com os avanços, a transição energética exige superar obstáculos cruciais:

biomassa, biocombustíveis e hidrogênio verde. Mas o desafio não é apenas gerar energia limpa, e sim fazê-lo com eficiência, rastreabilidade e inteligência operacional. A digitalização, a confiabilidade dos sistemas e o uso eficiente dos recursos tornam-se exigências fundamentais.

• Garantir eficiência operacional em plantas modernas e legadas

• Viabilizar a digitalização de infraestruturas existentes

• Ampliar o monitoramento em tempo real e o controle automatizado

• Promover a interoperabilidade entre dispositivos e plataformas

• Reduzir consumo energético e emissões de carbono

A resposta a esses desafios está no coração da instrumentação industrial inteligente

É nesse contexto que a instrumentação industrial inteligente se torna um pilar essencial para garantir controle, segurança, rastreabilidade e eficiência energética. E é nesse papel que a Vivace Process Instruments atua com excelência, desenvolvendo e fabricando soluções brasileiras de alta tecnologia para medição e automação de processos.

Os produtos da Vivace, não apenas garantem a operação estável e segura de plantas, mas também permitem que sistemas complexos

operem de forma mais eficiente e com menor pegada de carbono. Além disso, a integração com plataformas digitais, redes industriais e sistemas de supervisão em tempo real são fundamentais para viabilizar o conceito de indústrias sustentáveis e inteligentes.

Vivace: Tecnologia Brasileira para um Futuro Global Sustentável

Com mais de uma década de atuação, a Vivace Process Instruments é uma empresa 100% nacional que desenvolve e fabrica soluções de instrumentação industrial voltadas para os mais diversos segmentos: energia renovável, óleo e gás, biocombustíveis, saneamento, alimentos e bebidas, papel e celulose, mineração, siderurgia, química e farmacêutica etc.

1. Transmissores de Pressão e Temperatura de Alta Precisão

A Vivace projeta transmissores robustos e inteligentes que atuam no monitoramento de processos críticos, desde plantas solares e parques eólicos até unidades de hidrogênio verde e biogás. Com comunicação digital (HART, Profibus-PA) e algoritmos embarcados, os equipamentos oferecem dados em tempo real para otimização energética e redução de perdas.

2. Posicionadores de Válvula Inteligentes

Com controle avançado, autodiagnóstico e autoajuste, os posicionadores da Vivace garantem a atuação precisa das válvulas em processos dinâmicos, reduzindo consumo de ar comprimido, minimizando desvios e prolongando a vida útil dos ativos. Esse nível de controle é crucial em plantas que operam com energias alternativas e requerem alta flexibilidade.

3. Instrumentação Conectada e Segura

A Vivace aposta em conectividade industrial e integração com sistemas de gestão de energia e manutenção preditiva. Suas soluções são preparadas para a Indústria 4.0.

4. Sustentabilidade na Gênese

A própria Vivace, enquanto fabricante, adota práticas sustentáveis em seus processos, desde o design ecológico de seus produtos até a escolha de fornecedores e políticas de descarte. Seu compromisso com a sustentabilidade é refletido também no suporte técnico contínuo, no desenvolvimento de soluções customizadas e na capacitação de seus clientes.

Transformando Energia com Inteligência

A transição energética não é apenas uma troca de fontes de energia, é uma transformação de cultura, tecnologia e paradigmas. Empresas que atuam como facilitadoras tecnológicas, como a Vivace, têm papel essencial nesse processo. Seus instrumentos tornam possível uma produção mais limpa, inteligente e eficiente. E, o mais importante: permitem que a indústria brasileira participe ativamente dessa revolução energética, com protagonismo e autonomia tecnológica.

A Instrumentação como Alicerce da Nova Era Energética

A transição energética exige visibilidade total dos processos. Instrumentos como transmissores de pressão e temperatura, posicionadores de válvulas inteligentes e interfaces de comunicação digital são essenciais para garantir:

• Operação eficiente de sistemas térmicos e hidrotérmicos

• Otimização de geração e distribuição de energia

• Detecção precoce de falhas e desvios

• Redução do consumo energético

• Conformidade com normas ambientais e operacionais

A Vivace Process Instruments atua com um portfólio de equipamentos robustos, inteligentes e adaptáveis, fabricados no Brasil, com tecnologia própria e voltados para aplicações críticas nos setores mais estratégicos da transição energética.

Exemplos de Aplicações Reais dos Equipamentos Vivace na Transição Energética

1. Transmissores de Pressão e Temperatura (VPT10, VTT10)

Plantas de Biogás e Biodiesel

Na produção de biogás, os transmissores VPT10 da Vivace monitoram com precisão a pressão de digestores anaeróbicos, assegurando estabilidade do processo e evitando sobre pressões. Em unidades de biodiesel, os transmissores de temperatura VTT10 garantem o controle térmico das reações de transesterificação.

Usinas solares térmicas

Controle da pressão em coletores e reservatórios de fluido térmico.

Biodigestores de biogás

Medição da pressão e temperatura em reatores anaeróbicos.

Indústria química verde

Controle de variáveis em processos de etanol de segunda geração e produção de H2V.

Benefício

Maior eficiência energética e segurança operacional em processos críticos de energia renovável.

2. Posicionadores de Válvulas (VVP10)

Parques Termossolares

O VVP10 é amplamente utilizado em válvulas de controle de vapor e óleo térmico em sistemas termossolares, onde o controle fino da posição da válvula é crucial para estabilidade térmica.

Plantas de cogeração e biomassa

Otimizam o uso de vapor para geração elétrica e calor simultaneamente.

Sistemas de utilidades em fábricas sustentáveis

Ajuste dinâmico de válvulas em redes de ar comprimido e vapor

Benefício

Redução do consumo de ar comprimido, tempo de resposta mais rápido e menor emissão de gases de efeito estufa.

3. Transmissores com indicador Remoto (VPT10R)

Usinas Fotovoltaicas e Eólicas

Em fazendas solares e torres eólicas, o VPT10R permite visualização local e digital de medição de pressão. Com isso, técnicos de manutenção podem realizar verificações rápidas e decisões mais precisas, mesmo em locais remotos.

Hidrelétricas modernizadas

Transmissores de pressão em injeção em túneis e turbinas.

Benefício

Redução de tempo de parada, melhor gestão de ativos e aumento da confiabilidade operacional.

4. Protetores de Rede PROFIBUS-PA (VBP10)

Redes Industriais em Ambientes de Alta Umidade e Poeira

Na indústria de etanol, por exemplo, onde a presença de umidade, vapor e poeira é constante, o VBP10 protege a rede de comunicação contra curtos e falhas de isolamento, garantindo continuidade na instrumentação e evitando perdas de produção.

Benefício

Aumento da disponibilidade da planta e proteção dos instrumentos mesmo em condições severas.

Integração com Sustentabilidade e Indústria 4.0

A Vivace desenvolve firmwares inteligentes que incluem:

• Autoajuste e autodiagnóstico

• Cálculos embarcados para medição multivariável

• Detecção precoce de falhas em sensores

• Edge computing e integração com plataformas de IoT industrial

Além disso, todos os produtos são desenvolvidos com foco em baixo consumo energético, longevidade, e fácil manutenção, alinhando tecnologia de ponta com responsabilidade ambiental.

Uma Empresa Brasileira Protagonista na Energia do Futuro

A Vivace se diferencia não apenas por sua tecnologia,

mas por ser uma empresa nacional que investe em en-

genharia local, atendimento técnico especializado e cus -

tomização de soluções para a realidade das indústrias brasileiras, da energia eólica no Nordeste à bioenergia no Centro-Sul. Seu compromisso é claro: impulsionar a transformação energética com inteligência e autonomia. E tudo isso com tecnologia 100% nacional, que permite maior autonomia, menor dependência de importações e melhor custo-benefício.

Estatísticas sobre Instrumentação Inteligente e Eficiência Industrial

1. Otimização de processos com instrumentação inteligente:

Plantas industriais que utilizam instrumentação inteligente e redes digitais conseguem melhorar sua eficiência energética em até 15%.

2. Redução de falhas operacionais:

A implementação de sistemas com diagnóstico embarcado e manutenção preditiva pode reduzir paradas não planejadas em até 50%.

3. Economia de energia com posicionadores inteligentes:

Posicionadores de válvula com autoajuste e controle digital podem reduzir o consumo de ar comprimido em até 30%, impactando diretamente os custos operacionais.

4. Tempo de resposta em manutenção:

Equipamentos com indicador local e conectividade digital reduzem o tempo médio de manutenção corretiva em até 40%.

5. Ganho em rastreabilidade e controle ambiental:

Instrumentação digital facilita a conformidade com normas ambientais (ISO 14001, ANVISA, EPA) e permite auditorias com rastreabilidade de dados de 99,9% de acurácia, segundo dados da ISA (International Society of Automation).

Conclusão: Instrumentação é Energia com Inteligência

A transição energética exige novas respostas, novas soluções e uma nova forma de pensar a indústria. A Vivace Process Instruments entrega exatamente isso: instrumentação conectada,

inteligente e sustentável, preparada para os desafios atuais e futuros.

Em um mundo que busca descarbonizar, digitalizar e descentralizar a geração de energia, a Vivace contribui

com inovação genuinamente brasileira, tecnologia de ponta e um compromisso firme com a construção de um futuro mais limpo, seguro e eficiente.

INTEGRAÇÃO DIGITAL

E O DESAFIO DE OPERAR UM SISTEMA MULTIFONTES INTERLIGADO

INTEGRAÇÃO

DIGITAL

E O DESAFIO DE OPERAR UM SISTEMA MULTIFONTES INTERLIGADO

No centro da operação elétrica brasileira, o ONS Operador Nacional do Sistema Elétrico vive um mo mento de transformação que une tecnologia, regu lação e pressão operacional. O SIN -Sistema Interli gado Nacional opera hoje sob novas regras impostas pelo crescimento acelerado da geração renovável distribuída, pela digitalização dos processos e pela urgência de integrar sistemas que até pouco tempo funcionavam de forma mais separada.

O SIN conecta usinas e agentes de transmissão por meio de uma rede de mais de 180.000 km de linhas de alta tensão, numa estrutura que precisa responder em segundos – não mais horas ou dias. E sua escala continental aumenta o desafio técnico e humano: a operação em tempo real exige coordenação, comu nicação redundante e sistemas capazes de processar volumes massivos de informação.

“A grande transformação dos últimos anos foi o boom da MMGD. De 2020 para cá, tivemos um acréscimo de capacidade instalada que transformou a curva de geração. A cada manhã, em muitos pontos do país, há excesso de produção fotovoltaica que precisamos administrar. Essa constatação traduz a nova realidade: a energia que antes fluía predominantemente de grandes centrais (hidro, térmicas) para a ponta hoje é muito mais difusa, com milhões de pequenos geradores residenciais e comerciais injetando potência na rede”

Adel Oliveira, especialista de estudos elétricos do ONS

SINAPSE: MENSAGEM DIGITAL PARA UM SIN EM TEMPO REAL

Os números oficiais corroboram: a MMGD (micro e minigeração distribuída) no Brasil ultrapassou dezenas de gigawatts nos últimos anos — com registros recentes mostrando a marca de cerca de 37–41 GW de capacidade instalada em 2024–2025 e crescimento contínuo no primeiro semestre de 2025. Só em 2025, até maio, foram instalados centenas de sistemas, somando vários gigawatts. A consequência prática é que janelas curtas do dia (manhã e final da tarde) passaram a concentrar variações abruptas de geração e de carga — o que obriga o ONS a coordenar respostas rápidas, muitas vezes envolvendo centenas de agentes simultaneamente.

Frente a esse cenário, o ONS implementou soluções que mudaram a rotina da sala de controle. O SINapse, plataforma de mensagem estruturada, desenhada para emitir comandos e receber confirmações automatizadas de centenas de plantas em segundos, reduzindo o tempo médio de resposta de 85 segundos (em 2023) para cerca de 31 segundos (em 2025) e acumulando mais de 1 milhão de solicitações trocadas. “Sem tecnologia, não teríamos como operar o sistema como ele é hoje”, disse Adel.

Além de reduzir o tempo na comunicação, o SINapse funciona como camada de automação que permite ao ONS desdobrar instruções de controle como por exemplo, solicitações de redução/curtailment para agregados de agentes com latência mínima. A solução vem sendo apresentada como caso de integração cloud + operação crítica, com parceiros tecnológicos que viabilizaram o processamento e entrega das mensagens em escala nacional.

CONFIRA O PAINEL FEITO PELA ANEEL: GERAÇÃO DISTRIBUIDA

CONFIRA A ARQUITETURA DO SINAPSE NA AWS

TIAGO: IA ESPECIALIZADA PARA OPERADORES

Paralelamente ao SINapse, o ONS investe em ferramentas cognitivas. O projeto conhecido internamente como Tiago é uma IA generativa especializada, um “chat setorial”, treinada nos milhares de documentos do Manual de Procedimentos da Operação. A proposta é oferecer respostas rápidas, seguras e contextualizadas aos operadores sobre recomposição de sistemas, procedimentos e instruções, reduzindo tempo de busca em documentos extensos e auxiliando a tomada de decisão. Ter sua própria ferramenta de IA torna seu uso mais confiável já que uma IA generativa pode alucinar e isso não pode acontecer na sala de controle.

VOZ, DADOS E

AUTOMAÇÃO: O STT E A

ESTRUTURAÇÃO DO NÃO-ESTRUTURADO

Enquanto o ONS atua no macro, gerenciando fluxos e priorizando estabilidade, distribuidoras e geradoras adotam soluções que transformam o que antes era informação ‘presa’ em valor acessível. O projeto STT (Speech-to-Text), co-criado por CPFL, Engie e Radix, converte gravações de operações — milhões de chamadas e comunicações por mês — em texto indexável, permitindo busca por palavra-chave, categorização e avaliações automatizadas de conformidade.

“O tempo de resposta aumentou em seis vezes com o STT”

Reginaldo Junior, gerente de projeto da Engie

“O projeto de pesquisa desenvolveu uma ferramenta inovadora que associa informações contidas nos registros das gravações dos Centros de Operações, obtidas através das transcrições das conversas telefônicas tratadas entre os operadores dos centros, equipes operacionais de campo e equipes de outros agentes, integrando esses dados com informações técnicas e estruturadas das demais bases operacionais da empresa. O relacionamento dessas informações possibilitou a redução de até 6 vezes no tempo de pesquisa e avaliação de eventos operacionais, aumento da qualidade e produtividade nos processos de auditorias técnicas e medição de desempenho e performance das equipes de operação. Tais facilidades permitem o uso de ferramentas de inteligência artificial, indexando informações, ampliando buscas e aumentando o valor agregado das informações disponíveis para engenheiros, analistas e equipes de gestão dos referidos Centros de Operações”, conta Rodrigo Mazo, gerente de Operação da Transmissão da CPFL. O Assistente Virtual para Centros de Operação é, em resumo, uma ferramenta de análise operacional da comunicação a partir da correlação inteligente de dados e comandos por voz. A solução é composta por diferentes módulos para os operadores (CO) das distribuidoras, transmissoras e geradoras: linha do tempo que apresenta a transcrição do diálogo entre os operadores e os eventos envolvidos (pessoal do campo); mecanismo

de busca com filtros inteligentes sobre comunicação e eventos; identificador de palavras indevidas; registro e resultado de mudanças de estado; o resumo de ocorrências da operação em registro de mudança de turno; e a avaliação do operador. Foi um projeto que se iniciou em abril de 2020 e conseguiu finalizar em abril deste ano (2025), envolvendo CPFL Energia (proponente), a ENGIE (cooperada) e Radix (executora).

“Nosso

maior desafio é garantir conformidade operativa e regulatória com ferramentas que não aumentem a carga cognitiva do operador.”

Mazo, da CPFL

Rodrigo

INTEGRAÇÃO TSO–DSO:

UMA PRIORIDADE ESTRATÉGICA E REGULATÓRIA

Um dos pontos técnicos centrais do setor elétrico é a urgência de integração entre os centros de operação de transmissão (TSO) e os centros de distribuição (DSO). Historicamente, as ações de transmissão e distribuição seguiram modelos operacionais e protocolos distintos, o que hoje é impraticável diante do empoderamento do consumidor e do número de produtores distribuídos.

“Com o avanço da geração distribuída, a separação entre TSO e DSO já não se sustenta”, alertou Rodrigo Mazo. Adel reforçou: “A distribuição não pode mais ficar isolada. Precisamos integrar TSO e DSO com urgência.”

A Aneel já vem trabalhando em propostas regulatórias para permitir o compartilhamento de dados de MMGD em tempo quase real e harmonizar as interfaces entre agentes, mas há um caminho regulatório e tecnológico a percorrer.

E a integração exige ainda modelos de governança de dados e autorizações de uso; padronização de protocolos e formatos; infraestrutura de telemetria escala (smart meters, terminais sincronizados); e ca madas de segurança cibernética robustas — temas que Israel Guratti, gerente do departamento de tecnologia da Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétri ca e Eletrônica destaca como gargalos e oportunidades.

“Os principais gargalos para a nacionalização e escalabilidade da automação elétrica voltada à rastreabilidade da energia e controle energético em tempo real no Brasil incluem a necessidade de investimentos em infraestrutura e tecnologia, a garantia de segurança cibernética, a gestão de dados complexos e a necessidade de adaptação da matriz energética para compensar as intermitências e indisponibilidades das fontes renováveis, notadamente fotovoltaica e eólica. Embora a geração de energia no Brasil principalmente de fontes renováveis, atualmente apresente excedente, existem gargalos principalmente na transmissão e distribuição resilientes que tornam necessários investimentos e representam oportunidade para a indústria”

Israel Guratti, gerente do departamento de tecnologia da Abinee

GURATTI

APONTA ALGUMAS

AÇÕES

PARA MITIGAÇÃO NA:

INFRAESTRUTURA E TECNOLOGIA

· Rede elétrica antiga e vulnerável: A rede elétrica brasileira, em muitos casos, é antiga e carece de modernização, o que dificulta a implementação de sistemas de automação e controle. Isto representa oportunidades para a indústria fornecedora de soluções.

· Investimento inicial elevado: A implementação de soluções de automação e rastreabilidade energética pode exigir um investimento inicial significativo, o que pode ser um obstáculo para algumas empresas.

· Falta de padronização e interoperabilidade: A falta de padronização nos protocolos de comunicação e equipamentos dificulta a integração de diferentes sistemas e a escalabilidade das soluções. No fórum internacional de normalização IEC estão sendo estabelecidos trabalhos no comitê técnico sentido de atualizar o arcabouço normativo internacional sobre os aspectos gerais do sistema de fornecimento de eletricidade e no equilíbrio aceitável entre custo e qualidade para os usuários de energia elétrica.

SEGURANÇA CIBERNÉTICA

· Ameaças crescentes: A automação elétrica e o controle energético envolvem o uso de sistemas digitais interconectados, o que os torna vulneráveis a ataques cibernéticos. Isso demonstra a importância crescente dos meios de mitigar ameaças virtuais, como recursos de inteligência artificial e aprendizado de máquina. Os fabricantes locais, além de estarem aderentes ao desenvolvimento dos padrões internacionais, reforçam a importância das agências reguladoras como entes de discussão da regulação junto à sociedade.

· Necessidade de proteção de dados: A coleta e o armazenamento de dados de consumo e produção de energia exigem medidas robustas de segurança cibernética para evitar vazamentos e manipulações.

GESTÃO E ANÁLISE DE DADOS

· Volume e complexidade dos dados: A automação gera grandes volumes de dados, que precisam ser coletados, armazenados e analisados para otimizar o controle energético e a rastreabilidade.

· Falta de ferramentas e expertise: É necessário desenvolver ferramentas e capacitar profissionais para lidar com a análise de dados complexos e a tomada de decisões baseada em informações em tempo real.

MATRIZ ENERGÉTICA

· Crescimento da geração distribuída: A crescente adoção de fontes de energia renovável, como a solar, introduz novas complexidades para a automação e controle da rede elétrica, exigindo soluções que lidem com a intermitência e a descentralização.

· Necessidade de flexibilidade e resiliência: A rede elétrica precisa se adaptar para garantir a estabilidade e a qualidade do fornecimento de energia em um cenário de crescente geração distribuída e de eventos climáticos extremos.

Guratti ainda ressalta que “a indústria representada pela Abinee está pronta a avaliar as necessidades dos diversos cenários e complexidades do sistema brasileiro para entregar soluções confiáveis e de custo adequado. A participação nos fóruns internacionais, como a IEC, é fundamental para soluções integradas e que aproveitem ganhos de escala ao passo que atendem às especificidades do mercado

local. E a colaboração entre diferentes atores do ecossistema de inovação, como os fabricantes associados à Abinee e os institutos associados ao IPD Eletron, contribui para a implementação de soluções mais eficientes e sustentáveis, impulsionando a transição para uma economia de baixo carbono com a utilização de sistemas cada vez mais eletrificados, digitalizados e conectados”.

Evolução de equipamentos credenciados pelo INMETRO

Fonte: INMETRO, 2025

Baterias Inversores hibridos

TECNOLOGIA DE FORNECEDORES:

O CASO BECKHOFF E A RASTREABILIDADE 24/7

A interoperabilidade que se busca no SIN e entre TSO/DSO passa inevitavelmente por fornecedores tecnológicos que entreguem precisão de medição, sincronização temporal e protocolos abertos. Marcos Giorjiani , diretor geral da Beckhoff no Brasil, enfatiza soluções de controle baseado em PC, terminais de medição via EtherCAT e o software TwinCAT. “Em ambientes energéticos críticos, como subestações, parques solares e eólicos, essas soluções são aplicadas para monitoramento contínuo de energia, controle de processos e integração de dados em tempo real”, afirma.

A tecnologia da Beckhoff já está presente em mais de 130.000 turbinas eólicas por todo o mundo, viabilizando funções como

controle de pitch, monitoramento de vibração e integração com sistemas de supervisão. Além disso, seus terminais de medição EL3443, EL3446 e EL3783, combinados com transformadores de corrente SCT, oferecem uma solução escalável para medição distribuída, ideal para subestações e redes descentralizadas — inclusive em níveis de

baixa e média tensão.

O executivo ressalta ainda que a presença de digital twins e machine learning embarcado em plataformas de automação permite otimização preditiva de ativos (turbinas, inversores, transformadores) e aumenta a visibilidade operacional, reduzindo custos de manutenção e otimizando disponibilidade.

“A arquitetura de controle baseado em PC, aliada ao protocolo EtherCAT com Distributed Clocks, permite uma coleta de dados altamente sincronizada, o que é essencial para rastreabilidade 24/7, algo imprescindível para data centers por exemplo. Ferramentas como TwinCAT Power Monitoring e terminais EL6688/ EL6689 (PTP/GNSS) são elementos chave para medição distribuída e integração com nuvem e plataformas analíticas. A Beckhoff integra Analytics, Condition Monitoring e Inference Engine na plataforma TwinCAT, possibilitando aplicações concretas de digital twin e inferência de redes neurais para otimização em tempo real. Isso é aplicado, por exemplo, no monitoramento de turbinas eólicas, onde sensores e algoritmos embarcados ajudam a prever falhas em rolamentos e motores, otimizando o desempenho e reduzindo custos de manutenção.”

Marcos Giorjiani, diretor geral da Beckhoff no Brasil

A IMPORTÂNCIA DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA — TECNOLOGIAS,

DEBATES E CONTROVÉRSIAS

A geração distribuída (GD) — sobretudo a micro e mini (MMGD) — é, hoje, um dos vetores que mais impactam as políticas e a operação do SIN. E é preciso entendê-la em três dimensões: tecnologia, benefícios e resistências.

As tecnologias utilizadas na GD já são dominadas: Painéis fotovoltaicos (strings residenciais, inversores string e microinversores); Inversores inteligentes com capacidades de comunicação (Modbus, SunSpec, IEC 61850 em aplicações maiores) e recursos de grid support (VVV, ride-through, curtailment); Baterias (BESS) e sistemas híbridos (fonte +

storage) que permitem dessazonalização e serviços de reserva na ponta; Soluções de agregação / virtual power plants (VPPs) que coordenam portfólios de GD para oferecer serviços ao mercado; Medidores inteligentes e gateways de comunicação para telemetria e faturamento em tempo quase real. A elas estão sendo agregadas as tecnologias ditas disruptivas como machine learning e IA.

Utilizar bem todas as tecnologias gera benefícios claros como a redução de perdas na distribuição e melhora da resiliência local; a democratização do acesso à geração; aumenta o potencial redução de custos de energia

Projeção da capacidade instalada de MMGD em 2035(GW) por UF

Fonte: EPE

Estima-se que a região Sudeste seja líder na expansão, com destaque para São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Projeção da capacidade adicionada de 2025 à 2035 por região(GW)

Fonte: EPE

Potência

Crescimento entre 2025 e 2035

172%

para consumidores com comportamento e dimensionamento adequados; aumenta a possibilidade de prestar serviços ao sistema (reserva, resposta à demanda) quando integrados e gerenciados adequadamente.

Mas há quem seja contra a Geração Distribuída por conta do impacto na Operacionalidade e estabilidade - injeções massivas e não coordenadas podem provocar sobretensões, variações de frequência locais e complicar a operação de proteção (relés e coordenação). Na ponta, a gestão de fluxos reversos exige adaptações técnicas que nem todas as redes estão preparadas para suportar. Esses efeitos já levaram a episódios de curtailment (limitação da geração renovável) em 2023–2024, afetando a remuneração de projetos e gerando reclamações do setor. Também há discordância sobre quem arca com os custos de infraestrutura (reinforços de rede, smart meters) — todos os consumidores ou apenas os prósumidores? Reguladores e utilities batem cabeça sobre

modelos de tarifação e crédito. Preocupa ainda que em momentos de excesso de renováveis, a necessidade de despachar térmicas para garantir confiabilidade reduz as horas úteis para remuneração dessas térmicas, complicando contratos e investimentos marginalizados. E claro, a ampliação de pontos de conexão e IoT aumenta a superfície de ataque, o que requer padrões de segurança e governança de dados - tema que Israel Guratti pontua como central.

Então, a GD é tecnologia habilitadora e empoderadora, mas exige uma arquitetura de integração (telemetria, protocolos, agregadores, mercados de flexibilidade) e regulação clara para que seus benefícios sejam plenamente realizados sem transferir riscos indevidos ao sistema ou a consumidores vulneráveis - EPE – Empresa de Pesquisa Energética e Aneel enfatizam a necessidade de planejamento coordenado e de instrumentos de mercado que permitam monetizar serviços de flexibilidade na ponta.

DESAFIOS E SOLUÇÕES NA INTEGRAÇÃO DE RENOVÁVEIS E TÉRMICAS

Os últimos três anos foram um laboratório intenso para o SIN. Eventos climáticos - secas, enchentes, ondas de calor - e a expansão acelerada de renováveis levaram a ajustes operacionais e tecnológicos. Em regiões com grande concentração de parques eólicos e solares (Nordeste), a limitação de capacidade de transmissão gerou curtailment (redução forçada de injeção), degradando a receita dos projetos e limitando o aproveitamento da resiliência renovável. As soluções encontradas – implantadas ou em curso – foram os leilões e projetos de expansão de rede (linhas de transmissão e reforços de subestações) para aliviar gargalos; políticas de despacho e flexibilização para uso coor-

denado de baterias e termoelétricas durante picos; mecanismos de mercado para incentivar flexibilidade e redispatch local.

A intermitência de solar e vento exige previsões de carga e geração cada vez mais finas e confiáveis para minimizar sobrecargas e oscilações. Eventos de baixa frequência (oscilações) que causaram apagões significativos mundo afora reforçaram a necessidade

de monitoramento em alta resolução. Isso tem sido encaminhado com a adoção de fasores(*) e medição de alta velocidade para detectar oscilações em tempo real; modelos avançados de previsão de vento e irradiância (ML/AI) integrados ao despacho; maior uso de simulações em tempo real e gêmeos digitais para testar cenários operacionais antes de operar medidas críticas.

(*) representação matemática de uma grandeza senoidal como tensão ou corrente usando um número complexo para simplificar a análise de circuitos de corrente alternada, permitindo o uso de técnicas semelhantes às utilizadas em circuitos de corrente contínua.

Outro desafio para a GD é, mesmo na presença de alta penetração renovável, manter reservas de inércia e gerenciar rampas de carga ficou mais complexo: hidrelétricas precisam estar aptas a rampas rápidas quando a solar cai no fim do dia; térmicas precisam operar de modo mais flexível. O Brasil enfrentou períodos em que a seca reduziu hidrelétricas e aumentou a demanda por carvão e gás. As soluções que se apresentam são a flexibilização do despacho térmico e contratos que remunerem capacidade de resposta rápida; manter a operação coordenada de armazenamento (baterias atrás do medidor e em centrais) para amortecer rampas; aumentar os investimentos em digitalização de usinas para reduzir tempos de partida e aumentar flexibilidade operacional.

Sempre ter em mente que o aumento dos pontos de conexão (GD, smart meters, gateways) elevou a exposição a riscos cibernéticos e de privacidade de dados e a automação sem padrões seguros pode introduzir vulnerabilidades em sistemas críticos. Então, é preciso estabelecer programas de hardening, segmentação de redes e implementação de padrões internacionais de segurança; desenvolver políticas de governança de dados e consentimento para uso de telemetria dos consumidores; estimular a colaboração entre fabricantes, utilities e órgãos regulatórios para definir normas de interoperabi-

lidade com segurança. Ainda nesse campo tecnológico, a falta de interoperabilidade e protocolos unificados impede respostas coordenadas entre níveis de sistema e isso impõe maior utilização de plataformas como o SINapse e orquestração de ações programadas e automáticas; mecanismos tarifários que remunerem recursos distribuídos; pilotos de integração com agregadores que consolidam portfólios de GD para oferecer serviços ao mercado de curto prazo.

Essas frentes combinadas refletem uma agenda tecnológica e regulatória intensa — com acertos e lições aprendidas nos últimos três anos. A chave tem sido testar, padronizar e escalar soluções que provem confiabilidade antes de uso massivo.

O HUMANO NO CENTRO: OPERADORES, SAÚDE E CAPACITAÇÃO

Entre as múltiplas tecnologias, há um reconhecimento necessário: o operador humano, que continua sendo peça-chave. “Estamos consumindo energia agora porque há um ser humano operando esse sistema neste exato momento”, disse Adel, lembrando que automação sem governança humana pode ser perigosa. IA e automação são assistentes — não substitutos — e que o foco deve ser reduzir carga cognitiva, garantir formação

contínua e cuidar da saúde mental dos profissionais. Então, em paralelo aos investimentos em tecnologia e estruturas, as empresas investem em capacitação, simulações com realidade aumentada e gêmeos digitais e em redefinição de procedimentos para que novos operadores, acostumados a fluxos digitais, possam operar com segurança uma rede muito mais complexa.

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IA e desafios energéticos: ISO 50001 pode ser diferencial estratégico

A rápida ascensão da inteligência artificial generativa –exemplificada por sistemas como GPT-4 e outros modelos de grande porte – está redefinindo setores inteiros da economia digital. Entretanto, esse crescimento vertiginoso vem acompanhado de um apetite considerável por recursos, particularmente eletricidade e água, o que levanta preocupações ambientais no mundo todo.

Estimativas recentes apontam que o treinamento e a operação de modelos de IA generativa demandam volumes alarmantes de energia e, indiretamente, de água –usada para resfriar os servidores em data centers. Para se ter uma ideia, a cada 20 a 50 interações com um modelo de IA como o ChatGPT, cerca de meio litro de água pode ser consumido apenas

para manter os sistemas resfriados.

Parece pouco? Multiplique isso por bilhões de interações diárias e o impacto se torna chocante: estudos sugerem que, se cada pessoa nos Estados Unidos der “bom dia” à IA uma vez por dia, o consumo total de água associado seria de milhões de litros por dia. Em um cenário de crise climática e escassez hídrica em diversas regiões do mundo, esse tipo de pegada ambiental invisível se torna cada vez mais difícil de ignorar.

Além da água, modelos com bilhões de parâmetros demandam quantidades impressionantes de energia elétrica para serem treinados, aumentando as emissões de dióxido de carbono e pressionando redes elétricas que já operam no limite.

Projeções de consumo de energia no Brasil

De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2034, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estima-se que até 2037, o consumo de energia dos data centers no Brasil será equivalente ao de 25 mi-

lhões de pessoas. Atualmente, o país conta com 181 data centers, e a previsão é que esse número aumente para entre 400 e 500 até 2034.

Para contextualizar, um data center de grande porte, com capacidade de 10 megawatts, consome, por hora, a mesma quantidade de energia que uma cidade de 100 mil habitantes. Com a expansão prevista, a soma do consumo de todos os data centers no território nacional poderá atingir 2.500 MW, o que corresponde ao

consumo de 25 milhões de pessoas. Ou seja, os data centers poderão demandar tanta energia quanto toda a população da região metropolitana de São Paulo, que abriga cerca de 22,4 milhões de habitantes. Para enfrentar esses desafios, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou o Programa

de Sustentabilidade e Energias Renováveis para IA, em fevereiro deste ano, com um investimento previsto de R$ 500 milhões. O programa visa financiar projetos que promovam a implementação de data centers verdes no Brasil, priorizando o uso de fontes de energia renováveis e tecnologias de resfriamento inovadoras.

ISO 50001: base para um futuro sustentável

A ISO 50001 é a norma internacional de gestão de energia, concebida para ajudar organizações a estabelecerem sistemas eficazes de monitoramento e melhoria de desempenho energético. Publicada originalmente há mais de uma década, a regulação teve uma atualização em 2018 e, em 2024, houve uma nova mudança para alinhar a ISO aos compromissos globais de ação climática. Essa atualização adicionou requisitos específicos para que as organizações avaliem a relevância das mudanças climáticas em seu contexto de negócios e considerem expectativas e obrigações de partes interessadas relacio -

nadas ao clima Em termos práticos, aderir à ISO 50001 significa adotar melhores práticas de eficiência energética em toda a empresa, seguindo o ciclo contínuo de planejar, executar, verificar e agir para otimizar o uso de energia. A norma orienta as empresas a desenvolverem uma política energética clara, identificar as áreas de uso mais intensivo, e estabelecer metas e planos de ação para redução do consumo e melhoria da eficiência. Tudo isso apoiado por medições, dados e análise de desempenho, criando uma cultura de decisão baseada em evidências no gerenciamento da energia.

Aplicando a ISO 50001 em ambientes de IA generativa

Em empresas e setores que utilizam intensamente IA generativa, a implementação da ISO 50001 torna-se mui-

to importante. Esses ambientes tipicamente envolvem grandes data centers, locais onde o consumo de energia

é concentrado e contínuo. Por exemplo, um data center moderno abriga milhares de servidores e sistemas de climatização industrial; e o resfriamento (HVAC) sozinho pode representar até 50% do consumo energético.

Diante disso, um Sistema de Gestão de Energia baseado na ISO 50001 ajuda a direcionar foco e recursos exatamente para onde reside o maior gasto. Otimizar a climatização – seja aprimorando a eficiência de chillers, ajustando a temperatura ambiente ou aproveitando téc-

nicas de resfriamento natural – é uma das ações possíveis sob a ótica da norma.

Da mesma forma, a empresa pode identificar ineficiências em servidores – como equipamentos obsoletos ou ociosos consumindo energia – e planejar upgrades tecnológicos ou consolidação de cargas de trabalho para reduzir desperdícios. A ISO também fornece as ferramentas gerenciais para que essas melhorias ocorram de forma sistemática e mensurável. Organizações intensivas em IA podem estabelecer in-

dicadores-chave de desempenho energético relevantes ao seu negócio – por exemplo, o consumo em kWh por treinamento de modelo ou a eficácia do uso de energia do data center – e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.

A norma incentiva também a inovação em gestão de energia: algumas empresas têm aplicado inteligência artificial para gerenciar em tempo real a distribuição de carga e resfriamento, colhendo reduções adicionais no uso de energia.

Benefícios corporativos em eficiência, ESG e sustentabilidade

A adoção da ISO 50001 nesse cenário de alta demanda tecnológica traz diversos benefícios corporativos. Em primeiro lugar, há um ganho direto de eficiência e redução de custos: ao otimizar o uso de energia, eliminando desperdícios e melhorando processos, as organizações cortam despesas operacionais com eletricidade.

Essa redução no consumo também diminui a exposição da empresa à volatilidade de preços de energia e a possíveis crises de abastecimento – em outras palavras, gera resiliência financeira e operacional ao negócio. Do ponto de vista de sustentabilidade e ESG, os ganhos são igualmente evidentes. Menor consumo de energia implica menores emissões de gases de efeito estufa, auxiliando

a empresa a cumprir metas climáticas e a melhorar sua pegada ambiental.

Em uma época de crescente escrutínio por parte de investidores, clientes e reguladores, demonstrar compromisso com a eficiência energética reforça a imagem corporativa e o alinhamento a critérios ESG. E a ISO 50001 fornece evidências concretas desse compromisso, uma vez que exige documentação e acompanhamento das melhorias – algo valioso em auditorias e relatórios de sustentabilidade.

Além disso, a norma facilita conformidade com legislações e incentivos governamentais: em alguns mercados, contar com um sistema certificado ISO 50001 pode isentar a empresa de auditorias energéticas

obrigatórias ou qualificá-la a incentivos fiscais por redução de consumo. Pensando a longo prazo, ao integrar as melhores práticas globais, a empresa também se antecipa a futuras regulações mais restritivas sobre uso de energia e carbono.

Em resumo, ao adotar essa abordagem, as empresas não apenas mitigam os impactos ambientais da IA – em termos de carbono, água e biodiversidade – como também colhem benefícios tangíveis em eficiência, compliance e reputação. Isso nos mostra que é possível, sim, inovar com responsabilidade e crescer de forma sustentável, conciliando progresso tecnológico com o cuidado pelo planeta e pelas futuras gerações.

5G avança no Brasil e já transforma processos em indústrias, agro e varejo

A tecnologia 5G completa três anos no Brasil em 2025 com metas superadas e expansão acelerada. De acordo com a Conexis Brasil Digital, mais de 1.025 municípios já têm acesso à nova geração de conectividade, beneficiando cerca de 47,2 milhões de usuários. Segundo a Anatel, as operadoras instalaram 73% do número de antenas previstas até 2030 e avançaram 60% nas

metas originalmente projetadas para 2026. Com alta velocidade, baixa latência e maior capacidade de conexão simultânea, o 5G está viabilizando transformações significativas em setores como indústria, logística e agronegócio.

Empresas que adotam o 5G têm ganhado eficiência operacional, confiabilidade e novas possibilidades de automação. Estamos falan-

do de velocidades até 100 vezes maiores que o 4G, menor latência e capacidade de conectar milhares de dispositivos ao mesmo tempo. Isso tem permitido, por exemplo, o controle remoto de máquinas, monitoramento em tempo real e maior precisão em operações críticas.

Em clientes do setor industrial, ele destaca o aumento de produtividade

com a automação via IoT e inteligência artificial, consolidando o conceito de “fábrica conectada”. Na prática, os setores que mais têm se beneficiado da nova tecnologia são os que lidam com grandes volumes de dados e dependem de decisões em tempo real. É o caso do agronegócio, com sensores no campo e tratores autônomos; da logística, com centros de distribuição operando com veículos automatizados, drones e rastreamento inteligente; e da indústria 4.0, com robôs colaborativos, sistemas ciberfísicos e aplicações de realidade aumentada

Segundo o Relatório de Redes 4G e 5G no Brasil 2025, elaborado pela Teleco, a indústria lidera com 29% das redes privativas no país, com destaque para segmentos como alimentício, metalúrgico, automobilístico e de saúde. Em seguida, aparece o agronegócio, com 16%, usando a tecnologia principalmente para automação e coleta de dados no campo. Óleo e gás, energia, mineração, transporte e saúde também avançam na implementação de soluções baseadas em conectividade dedicada.

Apesar dos avanços, a implantação do 5G ainda enfrenta barreiras. Segundo Aroeira, as principais dificuldades para as empresas estão na infraestrutura de rede, nos altos custos de

implementação, na burocracia e na integração com sistemas legados. Muitas operações precisam atualizar a base tecnológica para suportar o 5G. Além disso, a falta de leis municipais específicas dificulta a instalação de antenas, o que limita a cobertura em várias regiões. E aqui destaco referindo-me à Lei Geral das Antenas. Dados da Anatel mostram que 849 municípios ainda operam sem legislação adequada, o que prejudica a ampliação do sinal e da qualidade do serviço.

Uma alternativa que vem crescendo é a adoção de redes privadas 5G. Nesse modelo, as empresas criam redes exclusivas, com performance dedicada, latência previsível e maior segurança. Elas são ideais para portos, fábricas, aeroportos e operações remotas no agro. A empresa ganha total controle sobre sua conectividade, essencial para aplicações sensíveis como veículos autônomos, realidade aumentada e analytics em tempo real.

A Dot a Dot já apoia empresas nessa jornada com projetos concretos. Um dos casos recentes envolveu um sistema de gerenciamento e rastreamento de baterias, com monitoramento de localização e saúde do equipamento em tempo real. Outro exemplo é a utilização do 5G como re -

CONFIRA O RELATÓRIO: REDES 4G E 5G NO BRASIL 2025

dundância para redes de fibra óptica em operações de varejo, garantindo que mesmo em caso de falha da internet principal, as lojas continuem funcionando e emitindo notas fiscais

Com a previsão de cobertura 5G universal até 2029, segundo a Anatel, as empresas que se anteciparem sairão na frente. O primeiro passo é revisar a estratégia digital com foco em conec- tividade. É hora de mapear processos que podem ser otimizados, avaliar a infraestrutura atual e planejar uma migração escalável. As que se prepararem agora terão mais competitividade, inovação e eficiência nos próximos anos.

Porto Digital, Governo de Pernambuco e Finep investem para criar novo centro de empreendedorismo no Bairro do Recife

@Divulgação/Porto Digital

O Porto Digital, em parceria com o Governo do Estado de Pernambuco e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), anunciou oficialmente o início das obras do NERD Núcleo de Empreendedorismo e Residência Digital. O projeto, que receberá um investimento total de R$ 18.540.145,30, transformará um imóvel histórico no coração do Bairro do Recife em um motor de crescimento do distrito de inovação, com um centro moderno dedicado à formação de pessoas e negócios, além aceleração e conexão de empresas e talentos da área de tecnologia.

A iniciativa vai reabilitar e devolver à cidade um patrimônio edificado: um imóvel histórico de 1.807m² distribuídos em três pavimentos, localizado na Rua Dona Maria Cé-

Representação do projeto em 3D

sar, nº 70. O lançamento marca o início das obras, que começam ainda em agosto com previsão de conclusão para maio de 2026. O investimento é viabilizado por um aporte de R$ 13.795.806,77 da Finep e uma contrapartida de R$ 4.744.338,53 do Governo do Estado, que também cedeu o imóvel.

@Divulgação/Porto Digital

“O NERD materializa nossa visão de futuro: um ecossistema que não apenas atrai empresas, mas que forma, qualifica e retém seus próprios talentos desde a base. Este não é apenas um investimento em um prédio, mas sim um investimento estratégico nas pessoas. Vamos conectar a criatividade dos pernambucanos com as oportunidades reais do mercado de tecnologia, garantindo um ciclo virtuoso de crescimento e inovação.”

Pierre Lucena, presidente do Porto Digital.

O NERD será o ponto de encontro dos diversos públicos do ecossistema de inovação: de estudantes a interessados em trabalhar na

área de tecnologia, a empreendedores, empresários e executivos.

“O NERD é mais do que um edifício. É um símbolo de como a política pública pode ressignificar o passado para construir o futuro. Em um só espaço, vamos reunir ações voltadas à educação empreendedora, ao nascimento de novos negócios e à formação tecnológica de jovens e profissionais experientes”

Mauricélia Montenegro, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco.

O NERD funcionará como o hub operacional da estratégia de desenvolvimento de

empresas do Porto Digital, que foram divididas em um framework de quatro estágios:

Educação Empreendedora: Foco na base da pirâmide de talentos. A principal entrega será a Residência Empreendedora, um programa imersivo para jovens.

Early Stage: Para startups em estágio inicial. A entrega será um programa de incubação contínua, oferecendo suporte constante para transformar ideias em negócios viáveis.

Tração: Para empresas prontas para escalar. O foco será na geração de negócios, promovendo a participação em feiras setoriais, atraindo investidores, ampliando conexões e fortalecendo o branding do Porto Digital em nível nacional e internacional.

Consolidadas: Para as grandes empresas do parque. O objetivo é o fortalecimento de todo o ecossistema e fomentar um ambiente propício para o crescimento dos negócios, tanto do ponto de vista urbano quanto de contexto empresarial.

Viasoft lança Eugenius, novo agente de IA

A Viasoft lançou o Eugenius, um agente de inteligência artificial treinado com base no legado e na curadoria ativa de Eugenio Mussak, um dos maiores especialistas do Brasil em liderança, desenvolvimento humano e cultura organizacional. A novidade chega para democratizar o acesso a conteúdo de gestão com profundidade e simplicidade, falando a língua de quem empreende, lidera e forma pessoas, seja no campo, no varejo ou na presidência de uma grande empresa. Com mais de 40 anos de trajetória, Mussak é autor de mais de 10 livros e 1.000 crônicas sobre comportamento, liderança e relações

“O agente de IA Eugenius surgiu de uma dor real. O Eugenio Mussak é muito requisitado, mas não consegue estar presente em todas as empresas ao mesmo tempo. Então unimos a tecnologia à sabedoria e criamos um agente treinado com tudo que já publicou, com curado- ria contínua e direta dele. É como ter acesso ao Eugenio, com seu jeito simples e profundo, a qualquer hora do dia”

Edmar Ranieri Guerro, líder do projeto na Viasoft

humanas no trabalho. Palestrante requisitado por grandes empresas brasileiras e grupos de diversos setores, ele agora tem sua voz e repertório organizados em uma ferramenta que responde, orienta e inspira, de forma prática, personalizada e ética.

O Eugenius pode ser utilizado por em-

“No início, confesso que achei que não fazia muito sentido criar um agente de IA com base no meu conhecimento. A inteligência artificial já está aí, com acesso a tudo, pensei. Mas, à medida que fui entendendo melhor a proposta, percebi o valor da curadoria, da experiência vivida. É como visitar uma biblioteca com um professor ao lado, alguém que conhece os caminhos, que pode interpretar e contextualizar. Isso faz toda a diferença”

presas para apoiar programas internos de liderança e desenvolvimento humano; oferecer orientação para gestores, líderes e times operacionais; complementar programas de onboarding, treinamentos e feedbacks; e inspirar reflexões diárias sobre propósito, trabalho e relações interpessoais.

Para o especialista, o Eugenius representa uma forma de democratizar o conhecimento que construiu ao longo dos anos. “É um copiloto que ajuda o usuário a tomar decisões, refletir, agir. E mais do que isso, é um convite à autotransformação. A tecnologia não deve nos moldar, mas sim nos servir como ferramenta para sermos melhores”, complementa.

Mussak também compartilha o impacto pessoal de se ver traduzido por uma inteligência artificial. “Fiquei honrado com a escolha. Com tantos nomes brilhantes disponíveis, saber que a Viasoft quis construir um agente com base na minha trajetória me tocou profundamente. Isso só reforça o propósito de usar a tecnologia a favor da sabedoria e do desenvolvimento humano”, afirma.

Diferente de agentes genéricos ou robôs de busca, o Eugenius não é apenas uma coletânea de frases. Ele foi desenvolvido com base em materiais originais de Eugenio Mussak, com atualização constante e critérios rigorosos sobre o que deve ou não ser respondido. A curadoria ativa garante que o conteúdo mantenha o tom humano, respeitoso e reflexivo, que são marcas do educador que se tornou referência em comportamento organizacional.

O nome Eugenius segue a pronúncia natural e brasileira, valorizando a comunicação simples, sem anglicismos ou termos rebuscados, para atingir todos os públicos e poder se tornar referência, possibilitando a criação de um legado. “Nosso público vai de CEOs a produtores rurais. A linguagem do Eugenius é acessível, direta e acolhedora. A inteligência dele é sofisticada, mas a forma de falar é simples e com conteúdo que gera ação”, completa Guerro.

Brasil lidera investimentos em TI na América Latina

A ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software, que tem como propósito a construção de um Brasil mais digital e menos desigual, apresentou a segunda parte do Estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2025. De acordo com dados da International Data Corporation (IDC) analisados pela ABES, o investimento total em Tecnologia da Informação (TI) no Brasil atingiu US$ 58,6 bilhões em 2024, colocando o país na 10ª posição do ranking mundial de gastos em Software, Hardware e Serviços. Com crescimento de 13,9% em relação a 2023 – acima da média global de 10,8% –, o resultado demonstra a intensidade da digitalização no setor público e privado brasileiros.

Segundo Andriei Gutierrez, presidente da ABES, o Brasil demonstrou, mais uma vez, sua capacidade de acelerar a digitalização das empresas e das instituições públicas, impulsionada pelo fortalecimento de infraestruturas de nuvem, segurança cibernética e pela crescente adoção de inteligência artificial. “Esses números refletem o esforço conjunto das empresas brasileiras de software, que atuam em todas as regiões do país e vêm promovendo inovação e competitividade em mercados maduros e emergentes”, afirma.

No detalhamento dos investimentos de 2024, quase metade dos recursos foi dedicada a Hardware (47,6%, ou US$ 27,9 bilhões), enquanto Software representou 30,8% (US$ 18,0 bilhões) e Serviços de TI responderam por 21,6% do total (US$ 12,7 bilhões). A distribuição regional manteve o Sudeste como protagonista, com 60,8% dos aportes, seguido pelo Sul (13,9%), Nordeste (11,8%), Centro Oeste (9,5%) e Norte (3,9%). No segmento de Software + Serviços, o Brasil movimentou US$ 31,0 bilhões — cerca de 1,5% do total global, contra 48,0% dos EUA, 5,4% do Reino Unido e 4,4% do Japão — em um mercado composto por 41.732 empresas, das quais 61,0% são microempresas, 33,5% pequenas, 3,3% médias e 2,3% grandes. Do lado comprador, o setor financeiro liderou com 23,2% dos gastos, seguido por Serviços e Telecom (17,1%), Indústria (13,9%), Varejo (9,8%), setor público (8,9%) e Óleo & Gás (5,1%). Na América Latina, o Brasil concentrou 34,7% dos US$ 169 bilhões investidos em TI e, ao combinar TI e Telecom, totalizou US$ 90 bilhões, garantindo ao país a 9ª colocação global em ICT.

Para 2025, a expectativa é de que o mercado de TI continue crescendo: prevê se um aumento de 9,5% nos investimentos em Software, Hardware e Serviços, superando a média global estimada em 8,9%. “Projetamos um crescimento de 9,5% para o setor de TI em 2025, com investimentos em nuvem pública chegando a US$ 3,5 bilhões — um avanço de 20% em relação a 2024 —, projetos de IA generativa na casa de US$ 2,4 bilhões (alta de 30%) e soluções de ERP em US$ 4,9 bilhões (crescimento de 11%), das quais 30% deverão vir na forma de SaaS na nuvem”, destaca Jorge Sukarie Neto, membro do Conselho da ABES e responsável pelo estudo. Os gastos com ICT (TI + Telecom) devem crescer 7,2% em 2025, mantendo o Brasil na 9ª posição mundial com US$ 90 bilhões.

O segmento de Business IT — que exclui dispositivos de consumo — deverá saltar

13% no próximo ano, refletindo a prioridade dada pelas organizações a iniciativas como produtividade e automação habilitadas por IA, melhoria de produtos e serviços digitais, controle e otimização de custos e fortalecimento da atração e retenção de clientes. A adoção de ambientes híbridos de TI deixou de ser opcional e se consolidou como padrão, com previsão de US$ 3,5 bilhões em nuvem pública e US$ 1,3 bilhões em serviços de data center. Os projetos de inteligência artificial, incluindo infraestrutura, software e serviços, ultrapassarão US$ 2,4 bilhões em 2025, um incremento de 30% sobre 2024. Entre as demais tendências de destaque, o estudo aponta a massificação de Agentes de IA e IA generativa em data centers, a expansão de soluções de segurança para ambientes multicloud, o crescimento de assinantes de serviços LEO (Low Earth Orbit) em mais de 40%, a retomada do mercado de PCs, estimado em US$ 6,2 bilhões (alta de 11,2%), e um mercado de smartphones previsto em US$ 10,3 bilhões, avançando para 2025 com queda de 7,1% após a redução do trânsito ilegal de dispositivos em 2024.

Fórum em SP reforça papel do crédito no avanço sustentável do Brasil e fortalecimento da indústria

Com matriz energética limpa, políticas industriais voltadas à descarbonização e potencial em setores como hidrogênio verde e bioeconomia, o Brasil desponta como um dos principais candidatos a liderar a transição energética global. Esse protagonismo, bem como o papel do crédito nesse contexto, foi tema central do “10º Fórum de Desenvolvimento - Sustentabilidade: oportunidades e desafios para o Brasil,” promovido pela ABDE Associação Brasileira de Desenvolvimento, em São Paulo. O evento reuniu autoridades, especialistas e representantes do setor produtivo para debater caminhos que conciliem crescimento econômico, redução das desigualdades e uma transição justa, com destaque para o papel da indústria nacional na construção de uma economia verde, inovadora e inclusiva.

Realizado no Espaço Nobre da Fiesp, na Avenida Paulista, o evento evidenciou o papel do Sistema Nacional de Fomento (SNF) na promoção de um modelo de desenvolvimento inclusivo, verde e inovador. Durante a abertura, Maria Fernanda Coelho, presidenta da ABDE e diretora de Crédito Digital para MPMEs do BNDES, destacou a necessidade de respostas concretas frente à crise climática, geopolítica e social.

“Nas adversidades, o povo brasileiro demonstra sua resiliência, capacidade empreendedora e solidariedade. Precisamos consolidar um modelo de desenvolvimento democrático, socialmente inclusivo e ambientalmente sustentável”, afirmou.

@Divulgação

Maria Fernanda Coelho defendeu ainda que é necessário oferecer respostas concretas aos desafios econômicos, sociais, ambientais, políticos e geopolíticos. “Superaremos os desafios e consolidaremos um modelo de desenvolvimento democrático, multilateral, socialmente inclusivo, ambientalmente sustentável e que garanta a nossa

soberania enquanto nação independente”, ressaltou.

Apontadas como peças-chave para impulsionar o crédito sustentável, as instituições financeiras de desenvolvimento foram consideradas fundamentais para ampliar a inclusão produtiva e estimular tecnologias limpas.

“Mais do que oferecer crédito, essas instituições têm o papel de induzir investimentos transformadores”, defendeu Pedro Wongtschowski, presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp.

A representante do BID no Brasil, Annette Killmer, reforçou o protagonismo do país. “Qual país reúne, ao mesmo tempo, uma biodiversidade tão expressiva, um setor produtivo arrojado e um sistema de fomento tão desenvolvido como o Brasil?

Só o Brasil é o Brasil”, disse.

Ela destacou iniciativas como o Laboratório de Inovação Financeira e os investimentos em parceria com o BNB e o BRDE, especialmente na Amazônia e no Nordeste, que são fundamentais nesse momento em que o Brasil busca o desenvolvimento econômico sustentável. O presidente do Banco do Nordeste Paulo Câmara apresentou dados que reforçam o dinamismo da região, que é considerada a que possui maior potencial para produção de energia limpa. Em 2024, as iniciativas do banco para os programas de microcrédito orien-

tado e às micro e pequenas empresas resultaram em uma aplicação de R$ 26,7 bilhões, alta de 49% em relação a 2022. Somente para a indústria e agroindústria, em 2023 e 2024, o banco aplicou o valor de R$ 7 bilhões. Esse resultado foi 40% maior que a média anual do período do período 2019/2022, o qual resultou em pouco mais de R$2,5 bilhões. O valor previsto para 2025 é de R$ 5,6 bilhões — um aumento de 126% frente à média de 2019/2022 voltado exclusivamente para a indústria.

“O Nordeste é uma região que ainda tem muitos desafios. Possui 27% da população do país e apenas 14% do PIB brasileiro. No entanto, tem uma economia diversificada, criativa. Se o Brasil almeja realizar uma transição para a economia limpa e justa, tem que aproveitar as vantagens competitivas regionais, pois de todas as políticas sociais, a mais eficaz e eficiente é a política que fortalece a atividade produtiva”, destacou. Paulo Câmara ressaltou ainda que o Nordeste exporta parte da energia limpa que produz e já se posiciona como polo de produção de hidrogênio verde. “Estamos prontos para liderar a economia de baixo carbono”, afirmou Câmara. Ele também lembrou da importância da Chamada Nordeste, que prevê até R$ 10 bilhões em projetos de industrialização verde.

Rafael Cervone, presidente do CIESP, alertou para os entraves da indústria nacional, como o alto custo do crédito, tributação excessiva e burocracia. Segundo estudo da Fiesp e Ciesp, entre 2008 e 2022 o chamado “Custo Brasil” representou um diferencial de 24,1% frente aos concorrentes internacionais. “Mas temos uma agenda de modernização viável. Precisamos de juros compatíveis, apoio tecnológico, crédito de carbono estável e mão de obra qualificada”, defendeu.

Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp, destacou o papel do sistema de fomento e a importância de resgatar o protagonismo da indústria de transformação. Além disso, ressaltou a importância pela jornada pela digitalização e pela descarbonização da indústria de São Paulo. Segundo ele, a meta que pelo menos 40 mil empresas passem pelo processo, sendo que a digitalização já ocorre em 20 mil delas.

“No estado de São Paulo, há 52 mil empresas ativas enquadradas no como indústria, sendo 47 mil de micro e pequeno porte. E é desta forma, aumentando a produtividade, que vem obviamente com o investimento, au-

mentando a inovação, aumentando a digitalização e a descarbonizando os processos que a indústria brasileira vai voltar a ser a locomotiva que puxa no crescimento nacional e com inclusão social”, ressaltou.

Ele também apontou o déficit de US$ 4 a US$5 bilhões na balança de serviços com o processamento de dados no exterior. “Se trouxermos essa atividade para o país, podemos atrair até US$ 75 bilhões em investimentos em infraestrutura digital e inteligência artificial.”

Elias Ramos, diretor de Inovação da Finep, apontou que dados de uma pesquisa dos anos de 2014 até 2023 mostram que o investimento empresarial no Brasil é de apenas 0,6% do PIB. Enquanto isso, na Coreia são da ordem de 3,9% do PIB e os investimentos governamentais da ordem de 0,5% do PIB. Na China 2% mais 0,36%; nos Estados Unidos 2,7% mais 0,27% dos investimentos públicos. “A inovação é estratégica para a competitividade global. É preciso aumentar o investimento privado com políticas públicas que compartilhem o risco da inovação”, afirmou.

Nesse contexto, Ramos ressaltou avanços como a recente sanção do PL 847/2025, que libera R$ 22 bilhões do FNDCT para projetos inovadores e a Nova Indústria Brasil (NIB), lançada pelo governo federal em janeiro de 2024. A política prevê cerca de R$ 500 bilhões em investimentos até 2033, com foco em cadeias produtivas de baixo carbono, bioeconomia e tecnologias limpas. As metas da NIB estão diretamente alinhadas à transição ecológica e ao fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas — temas centrais do Fórum da ABDE. “A NIB reforça o nosso compromisso com uma política industrial moderna, que valoriza a sustentabilidade e a inovação”, pontuou Tadeu Alencar, ao lembrar o papel estratégico das MPMEs na transformação da economia nacional.

Representando o Ministério do Empreendedorismo, Tadeu Alencar lembrou que as MPMEs respondem por 70% dos empregos formais, mas menos de 1% das exportações. “Se não atuarmos para resolver os obs -

táculos ao crédito e à qualificação técnica, corremos o risco de ver a transição verde concentrada apenas em grandes empresas”, alertou. Ele defendeu maior articulação entre governo, academia e setor privado para alinhar inovação, inclusão e sustentabilidade.

Instituições que compõem o Sistema Nacional de Fomento (SNF).

Robótica, IA e pintura em 58 mil m² de inovação na Fimma Brasil

Espaço de negociações, lançamentos e networking, a Fimma Brasil foi palco de tecnologias que trazem novas soluções para as atuais demandas da indústria moveleira. O evento aconteceu em Bento Gonçalves e deve movimentar R$ 1,74 bilhão em negócios e atingir a marca de 15 mil visitantes profissionais.

A Koria levou ao público uma experiência inédita e interativa: a empresa apresenta ao vivo as etapas do processo de pintura moveleira, incluindo a operação da cabine pressurizada. A proposta é mostrar, de forma didática e aplicada, a cabine ideal para cada tipo de pintura, associada ao equipamento de aplicação mais indicado para o processo. Além disso, é possível conhecer o ecossistema completo que envolve uma pintura eficiente e segura, como sistemas de exaustão, filtragem, EPIs e acessórios que tornam o ambiente mais produtivo e sustentável.

Na Praça de Inovação, o visitante foi re-

cebido por um recepcionista diferente: um dos robôs da Dalca Brasil, empresa de Bento Gonçalves. Se programado para tal, o equipamento pode conduzir o visitante até determinados estandes, além de carregar itens simples.

@Divulgação

Outra novidade da Praça de Inovação foi a tecnologia Orya, uma ferramenta de inteligência artificial que faz a transcrição e resumo em tempo real das palestras. O conteúdo fica disponível após a apresentação e o visitante pode, inclusive, interagir com a inteligência artificial, enviando dúvidas ou solicitando resumos e publicações sobre o tema. A tecnologia pode ser replicada em indústrias, eventos e outras formas de uso pessoal.

Outra inovação apresentada na Fimma foi o torno CNC com lixador integrado, uma solução que visa reduzir etapas do processo produtivo e aumentar a produtividade das indústrias moveleiras. O equipamento, desenvolvido pela marca italiana Bacci e representado no Brasil pela Unimac, permite

entregar peças usinadas e já lixadas em um único processo automatizado. Além de ganhos em qualidade e padronização, a novidade elimina o risco de erro manual no acabamento, reduz a dependência de mão de obra e melhora o custo-benefício da operação.

Aveva Day 2025

Márcio Razera, Head de vendas e desenvolvimento de negócios da Aveva apresentou o Aveva Day 2025, estruturado para mostrar como integrar ativos, processos e pessoas em uma única fonte de dados confiável criando operações mais inteligentes, resilientes e sustentáveis. A indústria conectada não apenas contribui para a performance operacional, ela também é a chave para uma indústria mais sustentável: as apresentações conduziam os presentes por experiências que mos -

travam o valor do Connect, uma plataforma SaaS cloud industrial que faz a interconexão de ferramentas através da Inteligência Artificial. “Essa conexão pode ser da nuvem da Aveva ou uma híbrida, com sistemas e equipamentos de quaisquer marcas. Isso fica claro quando se observa a construção do Mercado de Gás /Brazil Gas Portal, semelhante ao SIN – Sistema Integrado Nacional, realizada pelas transportadoras de gás NTS, TAG e TBG”, contou Razera.

A Braskem falou sobre a transformação digital que está em curso na empresa, destacando a aplicação do Digital Twin com BIM 4D. Contou que existem muitos ganhos visíveis ainda não mensurados, mas que merecem destaque, como a redução de riscos e aumento da segurança, a eficiência operacional e da produtividade em diversas tarefas no dia a dia, a possibilidade de explorar cenários virtuais para treinamentos e capacitação. Os resultados merecem expansão para outras unidades da companhia, novas integrações entre bases de dados – com inteligência Artificial.

“Integrando a engenharia unificada e IA da Aveva para projetos multidisciplinares” foi o tema da AP Consultoria e Projetos que contou como lidou com os desafios da implementação de um novo ponto de escoamento de gás natural no Amazonas que devia reduzir custos com hardware e infraestrutura, facilitar a integração entre as disciplinas do projeto e a visibilidade dos projetos em tempo real, com qualidade e agilidade do projeto. A AP integrou a engenharia com a IA da Aveva no Aveva UE para otimização do suporte de tubulações, alcançando

Nesse projeto piloto de implementação de um novo ponto de escoamento de gás natural no Amazonas, ficaram evidentes os ganhos de eficiência.

“O grande diferencial está em trazer inteligência para processos que antes dependiam unicamente da experiência manual do projetista. Com a IA integrada ao E3D, con-

53% de economia no tempo de conversão para PCM e 56% de redução no custo de hardware; conseguiu 60% de agilidade na documentação e 20% menos retrabalho na correção de documentos na Simulação de Processos; também reduziu em 34% o custo de investimento em hardware e obteve 53% de economia de tempo na conversão para E3D; +99% de redução no tempo gasto na análise do tipo e posição do suporte, além de 60% de redução no tempo de revisão da análise de flexibilidade e 20% de redução no tempo de modelagem do suporte.

seguimos otimizar a definição de suportes, minimizar interferências entre disciplinas e garantir entregas mais rápidas e assertivas”, afirmou Thomaz Americano da AP – que atua em setores como petróleo e gás, energia, mineração, infraestrutura e indústria de base e que mantém uma parceria com a Aveva há mais de 13 anos.

Washington Souza, Pedro di Marco e Nicolau Branco contaram como o sistema de cada uma das transportadoras de gás pode ser conectado para integrar o mercado de gás no país.

A Acelen mostrou como utilizar a tecnologia com o tema “Inteligência Catalítica em Tempo Real para um Refino Sustentável”. A EDP, “Arquitetura de Dados Operacionais na Geração Hídrica: Do PI System ao Centro de Predição”; a Suzano, “Como modelos preditivos transformam a estratégia de controle do consumo de químicos & Do Dado à Decisão: Otimização Energética em Tempo Real com Thor e PI System”; a Vale, “Migração do PI System na VALE: estratégia e desafios na implantação da nova arquitetura”; a Stefanini IHM e a Nexa, “Otimização de Processos e Paradas com o AVEVA PI System”; a Radiz e a Hydro, “Sistema de Gestão Ambiental 4.0 – Inteligência de dados em prol da sustentabilidade”; a CBA, “Projeto Manutenção Digital – Centro de Monitoramento de Ativos. O caminho para a transformação da nossa manutenção”.

Entre as dezenas de apresentações, ainda se destacou a feita por Yuri Claudionor da Luz, da Petrobras, que mostrou a “Integração de Sistemas e Interoperabilidade BIM em Projetos de Engenharia na Indústria de Óleo e Gás: Estudo de Caso na Replan e Reduc”; a Unipar e a Promon falaram sobre a “Transformação Digital em Plantas Industriais: desafios de modernização tecnológica”; a Corbion mostrou “como as soluções AVEVA tornam seus processos mais ágeis e reduzem a complexidade do supervisório”; a Sabesp com a Stefanini mostraram os “avanços na Gestão de Recursos Hídricos com o AVEVA PI System”; a São Martinho falou sobre a “Unificação do PI System na Nuvem”.

Em paralelo às apresentações, uma exposição facilitava um hands on das tecnologias e um tira dúvidas de aplicações.

Brasil Acelera Expansão da Rede de Transmissão

O Brasil vive um momento decisivo na evolução de sua matriz elétrica. Com o crescimento exponencial das fontes solar e eólica, principalmente nas regiões Nordeste e Norte, a expansão da rede de transmissão passou a ocupar posição central no planejamento energético nacional. A crescente distância entre onde a energia é gerada e onde ela é consumida exige uma nova lógica de integração territorial, baseada em infraestrutura robusta, previsibilidade regulatória e inteligência de mercado.

A nova fase de expansão da transmissão prevê investimentos bilionários e leilões recorrentes até 2027, com foco em aumentar a capacidade de escoamento da geração renovável, melhorar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e viabilizar projetos de geração que hoje enfrentam restrições físicas e operacionais. Essa estratégia responde à urgência de reduzir o curtailment, melhorar o acesso ao mercado livre e alinhar o Brasil aos compromissos internacionais de descarbonização.

Transmissão como elo entre potencial renovável e segurança energética

Estudos e projeções indicam que a malha de transmissão brasileira deverá dobrar de tamanho até 2040 para acompanhar o avanço das renováveis, sobretudo nos polos de geração solar e eólica localizados em áreas distantes dos grandes centros de consumo. Estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará já concentram grande parte da capacidade outorgada nessas fontes variáveis, exigindo conexões mais robustas com os mercados consumidores do Sudeste e Sul. O Governo Federal, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vem estruturando leilões mais frequentes, com foco em projetos de conexão Norte-Sul e Nordeste-Sudeste. A recente aprovação de editais e a previsão de mais cinco leilões de transmissão até 2027 indicam um movimento de aceleração regulatória e financeira para responder às necessidades da matriz.

Esse esforço também busca dar previsibilidade ao mercado, permitindo que investidores e desenvolvedores planejem projetos com base em expectativas mais claras de escoamento. Sem a infraestrutura adequada, projetos competitivos ficam parados ou operam com restrição, o que representa prejuízo não apenas para os agentes, mas para todo o sistema elétrico.

Ferramenta para decisões mais seguras e eficazes

Diante do cenário de expansão da transmissão, a inteligência de mercado se torna essencial para mitigar riscos, identificar janelas de oportunidade e direcionar investimentos com maior precisão. A plataforma ePowerBay foi desenvolvida para atender a essa demanda com um conjunto de ferramentas integradas e atualizadas continuamente. Veja como a plataforma apoia decisões estratégicas em transmissão e geração centralizada:

1. Mapa Interativo de Linhas e Subestações:

Visualize a infraestrutura de transmissão existente e planejada em todo o país. Avalie regiões com gargalos ou potencial de expansão e conectividade com ativos de geração.

2. Painel de Curtailment por Estado e Fonte:

Analise os efeitos da sobreoferta nas diferentes regiões e a relação entre infraestrutura limitada e perdas econômicas em projetos renováveis.

3. Análise de Viabilidade Locacional para GC:

Identifique áreas com maior atratividade técnica para novos projetos, considerando fatores como capacidade de conexão, presença de ativos vizinhos e indicadores regulatórios.

1. Mapa Interativo de Linhas e Subestações
2. Painel de Curtailment por Estado e Fonte
3. Análise de Viabilidade Locacional para GC

Westinghouse anuncia construção de 10 reatores nucleares nos EUA

A Westinghouse anunciou planos para construir 10 reatores nucleares AP1000 nos Estados Unidos até 2030. O projeto, apresentado pelo CEO interino Dan Sumner durante uma reunião com o presidente Donald Trump em Pittsburgh, deve gerar um impacto econômico de US$75 bilhões em todo o país, US$6 bilhões apenas na Pensilvânia.

Os reatores AP1000 têm capacidade para fornecer eletricidade a mais de 750 mil residências. A proposta foi discutida em um evento sobre energia e inteligência artificial na Universidade Carnegie Mellon, onde líderes do setor anunciaram investimentos superiores a US$90 bilhões em infraestrutura de energia e centros de dados.

Trump expressou apoio à construção das novas usinas nucleares e solicitou uma revisão abrangente das normas da Comissão Reguladora Nuclear, visando facilitar o avanço do setor.

Os últimos dois novos reatores construídos há 30 anos, são ambos da Westinghouse. O projeto anterior, na Plant Vogtle, ficou US$18 bilhões acima do orçamento e atra-

sado em sete anos, contribuindo para a falência da empresa. Desde então, a Westinghouse, agora sob a propriedade da Cameco e Brookfield Asset Management, se reestruturou e está pronta para um novo começo.

Além disso, a Westinghouse Electric Company e o Google Cloud anunciaram que estão colaborando para usar ferramentas de inteligência artificial (IA) para transformar a construção de reatores nucleares avançados da Westinghouse em um processo eficiente e repetível, além de aprimorar as operações de usinas nucleares existentes usando insights baseados em dados. Juntas, as empresas combinarão as soluções de IA nuclear HiVE™ e bertha™ da Westinghouse com as tecnologias e a expertise do Google Cloud para agilizar a construção de novas usinas nucleares. As ferramentas de IA também aprimorarão a frota nuclear atual com insights de IA baseados em dados.

Visão da planta AP300
@Westinghouse

Usina Nuclear de Vogtle em Waynesboro

“Como o único reator modular totalmente licenciado e pronto para construção disponível atualmente, nossa tecnologia AP1000® é a maneira mais rápida de adicionar novas fontes de energia nuclear acessível e abundante à rede elétrica dos EUA. Ao firmar parceria com o Google Cloud para aprimorar nossa tecnologia HiVE e Bertha, e com o respaldo de 75 anos de nossos dados nucleares proprietários, podemos acelerar a implantação de novas unidades AP1000, implementando simultaneamente tecnologias de IA poderosas que otimizarão a construção e a operação de usinas nucleares”, afirma Dan Sumner, CEO interino da Westinghouse.

“Esta parceria com a Westinghouse combina as tecnologias e a expertise em IA do Google Cloud com a expertise centenária da Westinghouse em inovação nuclear para traçar um novo caminho rumo a um futuro mais inteligente e seguro”, disse Kyle Jessen, Diretor Geral de Indústrias Comerciais do Google Cloud. “A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta; ela pode proporcionar às empresas uma vantagem competitiva crucial. A Westinghouse está demonstrando o que é possível.”

As empresas já alcançaram com sucesso uma prova de conceito inédita, aproveitando a plataforma de projeto de planta digital WNEXUS da Westinghouse e a inteligência artificial HiVE aprimorada pelas tecnologias do Google Cloud, incluindo Vertex AI, Gemini e BigQuery, para gerar e otimizar de forma autônoma os pacotes de trabalho de construção modular AP1000.

CEO da Origem Energia defende otimização de recursos para segurança energética

Guilherme Vinhas (Sócio do Vinhas e Redenschi Advogados), Verônica Coelho (Senior Vice President e Country Manager Brazil da Equinor) e Luiz Felipe Coutinho (CEO da Origem Energia).

Durante o evento “Energia 360 Alagoas: Caminhos para a Segurança Energética”, o CEO da Origem Energia, Luiz Felipe Coutinho, defendeu a necessidade de um planejamento energético integrado e otimização de soluções de que o país já dispõe para garantir a segurança energética e solucionar desafios como o da pobreza energética e da expansão da oferta de energia, em tempos de demanda crescente por energia, impulsionada pela expansão dos data centers, num mundo que usa cada vez mais recursos de Inteligência Artificial (IA).

“Hoje, precisamos pensar em soberania energética. Na Origem, acreditamos muito no desenvolvimento dos recursos que já temos e no gás natural como a bateria para dar segurança ao sistema”, disse Coutinho,

durante o painel Evento em Perspectiva: Cenários Energéticos, que dividiu com a Senior Vice President e Country Manager Brazil da Equinor, Verônica Coelho.

A executiva destacou o papel do gás natural em substituição a fontes com maior emissão de carbono ainda muito utilizadas no Brasil, como o carvão e o diesel. “Elas podem ser convertidas para geração a gás, que tem um impacto ambiental menor. Outro fator importante é a flexibilidade que o gás oferece em um sistema elétrico que conta com as fontes renováveis e suas intermitências. As térmicas a gás podem ser esta solução entregando energia de forma rápida”, avaliou.

A gerente de Estocagem da Origem, Danielle Carmo, apresentou o projeto de Estocagem Subterrânea de Gás Natural da Origem

Energia, realizada pela, e de oportunidades relacionadas. “Acreditamos muito na estocagem como âncora para a segurança energética do Brasil. Temos uma produção que é inflexível e uma demanda que é flexível. A estocagem não compete com as energias renováveis, ao contrário, incentivam seu uso.

Luiz Felipe Coutinho encerrou o evento falando sobre a necessidade de um planejamento energético integrado para o país e o desenvolvimento do mercado de gás natural para o fornecimento de energia firme e despachável, garantindo a diversificação da matriz.

ISA Energia Brasil renova linha de transmissão que abastece o polo ceramista da região de Araras

A ISA Energia Brasil, empresa de transmissão de energia, concluiu a modernização da linha de transmissão de 138 kV Araras –Baldin – Porto Ferreira, que representa um importante avanço estrutural no sistema elétrico do interior paulista. Com investimento estimado em cerca de R$ 100 milhões (Capex ANEEL), o empreendimento quase triplicou a capacidade de escoamento em um dos principais corredores de transporte de energia do Estado de São Paulo, que possibilita a expansão nas atividades industriais, especialmente do polo ceramista na região de Araras.

A obra contribuirá também para o escoamento de energia renovável gerada a partir

da biomassa de cana de açúcar, reforçando o abastecimento de quatro municípios (Araras, Leme, Pirassununga e Porto Ferreira, no interior do Estado), com benefício direto a cerca de 355 mil pessoas. Além disso, permite operar em uma potência até 2,6 vezes maior do que a anterior, sendo essencial para a transição energética do país.

O projeto envolveu a recapacitação de 56,7 km de linhas de transmissão, com renovação de 46 torres e substituição de cabos para-raios convencionais por cabos especiais (Optical Ground Wire). O escopo do empreendimento ainda englobou a renovação de equipamentos e cabos na Subestação Porto Ferreira.

“O destaque técnico ficou por conta da substituição do cabo condutor existente por um cabo especial com núcleo interno de carbono e alta capacidade de condução de corrente, que suporta temperaturas mais elevadas com menor perda de eficiência e é mais leve que os condutores convencionais”, comenta Rayane Neves, gestora de obras responsável pelo projeto.

Além disso, foram utilizados cabos que contam com núcleo formado por quatro fibras ópticas, o que possibilita verificar sua integridade, sendo uma aplicação inédita na América do Sul.

Durante execução do projeto, não houve necessidade de supressão de vegetação e todas as etapas do projeto seguiram critérios rigorosos de gestão de resíduos e controle de emissões, como replantio de grama, coleta seletiva no canteiro de obras, destinação de dejetos químicos a empresa licenciada e controle de CO2 nos caminhões para evitar o consumo desnecessário de combustível.

Além disso, o empreendimento contou com boas práticas ambientais, como plantio de araucárias em área de preservação no município de Santa Cruz da Conceição (SP), além de doação de mudas para a comunidade local e de óleo vegetal e madeira para a Associação Socioambiental Sementes do Amanhã (ASA2), da cidade de Pirassununga (SP).

Cerca de 170 empregos diretos e indiretos foram gerados durante as obras. Com a energização, o empreendimento habilita o recebimento de Receita Anual Permitida (RAP) de cerca de R$ 8,8 milhões.

“Com a entrega, o sistema elétrico do interior paulista está mais preparado para as demandas de energia do presente e do futuro, ampliando o escoamento de fontes renováveis, impulsionando a produtividade das indústrias locais e contribuindo para a transição energética no país”, conclui Dayron Urrego, diretor-executivo de Projetos da ISA Energia Brasil.

A iniciativa faz parte do Plano de Renovação de Ativos da ISA Energia Brasil para a modernização do parque instalado, que engloba projetos de reforços e melhorias, com execução de obras para aumentar a capacidade e confiabilidade do sistema elétrico. No primeiro trimestre, a empresa investiu R$ 306 milhões para modernizar a rede existente no Estado de São Paulo, volume 26% superior ao registrado no mesmo período de 2024, com a substituição de 268 equipamentos entre transformadores, disjuntores, chaves seccionadoras, sistemas de proteção e linhas de transmissão.

Entre 2025 e 2029, a companhia investirá aproximadamente R$ 5,5 bilhões em projetos de reforços e melhorias já autorizados pela Aneel Agência Nacional de Energia Elétrica. Os investimentos nos projetos são realizados com a colaboração do BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Congresso promulga trechos restabelecidos na lei das eólicas offshore

A norma define os seguintes volumes de contratação: Regras por região e tipo de energia

Centro-Oeste

Sul e Sudeste

Norte e Nordeste

Nordeste

Sul

3.000 MW de hidrelétricas de até 50

1.500 MW de hidrelétricas de até 50 MW

400 MW de hidrelétricas de até 50 MW

250 MW de hidrogênio líquido do etanol

300 MW de energia eólica

O Congresso Nacional promulgou (07/07) a Lei 15.097/2025, que estabelece novas diretrizes para a contratação de energia renovável, especialmente a partir de pequenas centrais hidrelétricas, eólicas e de hidrogênio líquido obtido do etanol. A norma foi publicada no Diário Oficial da União após o Congresso rejeitar parte de um veto presidencial.

A nova lei interessa ao setor energético porque define metas específicas de contratação de megawatts por região e prazos de entrega da energia. Também autoriza a prorrogação por 20 anos dos contratos atuais de geração de energia por fontes renováveis, desde que cumpridas determinadas condições. O Governo Lula não promulgou a der-

rubada de vetos na Lei das Eólicas Offshore. Com isso, a tarefa ficou para o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP).

Caso os volumes não sejam contratados a tempo, a entrega poderá ser adiada proporcionalmente.

A lei também permite prorrogação de contratos atuais de PCHs, usinas de biomassa e eólicas por mais 20 anos; atualização de preços com base no teto do Leilão A-6 de 2019; manutenção das outorgas por igual período; fim de benefícios fiscais para quem aderir à prorrogação.

A publicação revoga ainda um dispositivo da Lei 14.182/2021 que limitava essas prorrogações.

Ao lado de Lula, Silveira inaugura a maior usina termelétrica a gás do Brasil

UTE GNA II, no Porto do Açu (RJ), fortalece a segurança energética nacional com geração de 1,7 GW e financiamento de R$ 3,9 bilhões pelo BNDES

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, inauguraram nesta segunda-feira (28/07), no Porto do Açu, no Rio de Janeiro, a UTE GNA II — a maior usina termelétrica a gás natural do Brasil. Com 1,7 gigawatts (GW) de capacidade instalada, a planta é capaz de abastecer 8 milhões de residências, reforçando a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico nacional.

A construção da usina contou com R$ 7 bilhões em investimentos, sendo R$ 3,9 bilhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e está enquadrada no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

Durante a cerimônia, o presidente Lula destacou o compromisso do governo com a

justiça social e a valorização da renda das famílias mais vulneráveis por meio de programas criados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), como o Luz do Povo e o Gás para Todos.

“A partir de agora, neste país, quem consumir até 80 kWh de energia não pagará mais nada de energia elétrica. E quem consumir até 120 kWh vai pagar pela diferença. Vamos garantir que 17 milhões de famílias mais pobres o gás de graça para poder cozinhar o seu feijão, o seu arroz. Ele vai comprar o que comer. E quando ele compra o que come, quem vai ganhar é quem produz”, disse Lula. Na ocasião, o ministro Alexandre Silveira destacou que o empreendimento impulsiona o desenvolvimento regional e promove inclusão social. “Dez mil empregos diretos fo-

@Tauan Alencar/MME

ram gerados só na construção da dessa nova usina. Isso sem falar nos dois programas de qualificação profissional oferecidos: 750 trabalhadores já capacitados, e 25% das vagas do último programa foram destinadas para mulheres. Isso é equidade de gênero no setor elétrico”, afirmou.

O ministro ressaltou ainda o impacto estratégico da usina para o sistema elétrico nacional. “Teremos ainda mais musculatura ao Sistema Interligado Nacional. Energia firme, capaz de atender a demanda dos estados do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Espírito Santo. Isso representa 10% de toda a geração termelétrica a gás do país”, finalizou.

Durante o evento, Silveira e o diretor-presidente da GNA, Emmanuel Delfonse, assinaram uma Carta de Intenções da empresa para investir no desenvolvimento de projetos estruturantes nas áreas de energia e gás natural, com potencial de atrair até R$ 20 bilhões. A iniciativa é parte do Plano Nacional Integra-

do das Infraestruturas de Gás Natural, criado pelo programa Gás Para Empregar, e reforça a estratégia do Governo Federal para a transição energética. A medida contribui ainda para a consolidação do Porto do Açu como um dos principais hubs de gás e energia do país.

A UTE GNA II opera com tecnologia de ciclo combinado — três turbinas a gás e uma a vapor — o que proporciona eficiência energética recorde de 62%, a maior do mercado brasileiro. Além disso, a planta já está preparada para utilizar até 50% de hidrogênio em sua operação, o que a posiciona como referência para a transição energética justa e sustentável.

Integrada ao terminal de regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) do Porto do Açu, a usina se soma à UTE GNA I, já em operação, elevando a capacidade instalada do complexo para 3 GW — o maior da América Latina no segmento de termelétricas a gás natural.

MME e EPE apresentam metodologia para seleção de áreas de geração eólica offshore

O Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), realizou (18/07), o webinar “Eólicas Offshore: Proposta de Metodologia de Seleção de Áreas para Oferta” que teve como objetivo apresentar os principais pontos da metodologia da Consulta Pública nº 191/2025 e detalhar os próximos passos do processo vão guiar o desenvolvimento da geração eólica offshore no Brasil. A consulta está aberta até o dia 4 de agosto para contribuições da sociedade, do setor produtivo e das instituições.

“Estamos todos diante de um grande potencial para a transição energética por meio do aproveitamento do potencial eólico offshore no Brasil. Quero destacar também que com a inserção do tema na Política Energética Nacional, a partir da Lei nº 15.097, temos a oportunidade de contribuir com a diversificação da matriz e a continuidade da trajetória de baixa emissão da geração de energia elétrica no país. No MME, discutiremos sobre os procedimentos relativos à regulamentação da lei, seguindo diretrizes do CNPE em relação às responsabilidades das instituições, prazos e condições”, disse Gustavo Cerqueira, secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento.

Desenvolvida pela EPE após a solicitação do MME, a metodologia busca estabelecer critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos para identificação de áreas aptas para instalação de projetos de geração eólica offshore. O documento propõe um processo transparente, coordenado e alinhado com as melhores práticas internacionais e com as diretrizes do Planejamento Espacial Marinho (PEM), conforme previsto na Lei nº 15.097/2025.

O MME destacou o papel estratégico desempenhado na coordenação federal do marco regulatório do setor. Desde 2018, a Pasta tem atuado na estruturação de instrumentos que viabilizem os projetos offshore, incluindo o Decreto nº 10.946/2022 que definiu etapas de acesso aos prismas marítimos, a instituição do Grupo de Trabalho (GT) das Eólicas Offshore e o estabelecimento do

marco legal robusto no início desse ano com a sanção da Lei nº 15.097/2025, responsável por articular iniciativas com diferentes instituições.

A metodologia está organizada em três etapas que buscam promover uma ocupação ordenada do espaço marinho:

Etapa 1 - visa identificar regiões viáveis com base em critérios legais e tecnológicos;

Etapa 2 - foca na seleção de áreas de interesse, avaliando restrições energéticas, ambientais e socioeconômicas; e

Etapa 3 - prioriza essas áreas, gerando os setores que poderão ser ofertados em futuros leilões.

A iniciativa é resultado de um esforço conjunto entre MME e EPE para garantir o uso eficiente do espaço marinho, reduzir impactos socioambientais e promover a geração de energia limpa de forma planejada e segura.

CONFIRA O VÍDEO

Setor eletroeletrônico projeta R$ 4,9 bi de investimentos e lidera transformação digital

A indústria eletroeletrônica brasileira segue avançando com força em 2025, consolidando seu protagonismo na transformação digital do país. De acordo com o boletim de conjuntura divulgado pela Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica em junho, o setor projeta investimento de R$ 4,9 bilhões até o fim do ano, impulsionado pelo crescimento de segmentos como automação industrial, conectividade, energia inteligente e dispositivos eletrônicos com maior valor agregado.

Com faturamento previsto de R$ 286 bilhões em 2025, a indústria deve encerrar o ano com crescimento nominal de 14% em

“O setor eletroeletrônico tem se posicionado como motor da digitalização da economia brasileira, com forte capacidade de inovação, geração de empregos qualificados e compromisso com o desenvolvimento sustentável”, afirma Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee. “Esses resultados refletem a confiança da indústria no futuro e o papel estratégico que o setor exerce nas cadeias produtivas do país”, completa.

relação a 2024. Quando descontada a inflação específica do setor, estimada em 6%, o avanço real será de 8%, sinalizando uma expansão consistente. A produção física - que mede o volume de itens fabricados - também deve crescer 3,5%, acompanhada de leve aumento na utilização da capacidade instalada, que passa de 78% para 79%.

Outro destaque é a elevação do valor médio dos produtos vendidos, reflexo da preferência dos consumidores por soluções mais tecnológicas e sofisticadas, que agregam valor mesmo sem crescimento expressivo no número de unidades comercializadas.

Instituto Hidráulico dos EUA e Consórcio para Eficiência Energética promovem eficiência energética em sistemas de bombeamento

O Instituto Hidráulico (HI) dos EUA e o Consórcio para Eficiência Energética (CEE) também dos EUA, assinaram um Memorando de Entendimento (MOU) para formalizar sua colaboração no avanço da eficiência energética em sistemas de bombeamento comerciais e industriais.

Sob este acordo, a HI e a CEE colaborarão para apoiar a implementação da Iniciativa de Sistemas de Bombeamento Comercial e Industrial (C&I) da CEE e do Programa de Classificação Energética da HI. As duas organizações alavancarão suas respectivas expertises – a liderança da HI em padrões de bombas e classificações energéticas e o papel da CEE na concepção de programas de eficiência energética e na transformação do mercado –

para aprimorar o acesso a informações críticas sobre eficiência e promover as melhores práticas em todo o setor.

Os principais elementos da colaboração incluem: a manutenção e aprimoramento do Banco de Dados de Classificação de Energia HI como a Lista de Produtos Qualificados (QPL) da Iniciativa de Sistemas de Bombas C&I da CEE; a incorporação de especificações de eficiência CEE no banco de dados de produtos da HI e garantir atualizações oportunas; a promoção conjunta de soluções e recursos de eficiência energética para promover a conscientização e a adoção pública; a proteção de dados proprietários e confidenciais compartilhados durante esta colaboração.

@Divulgação

“Por meio desta parceria, garantimos que a indústria e os administradores de programas de eficiência tenham uma fonte clara e unificada de dados confiáveis sobre o desempenho dos produtos. Temos orgulho de trabalhar com a CEE na construção de uma base sólida para a eficiência energética de bombas, na qual concessionárias e consumidores dos Estados Unidos e Canadá podem confiar”, disse Michael Michaud, Diretor Executivo do Instituto Hidráulico.

“Programas de eficiência nos Estados Unidos e Canadá contam com dados consistentes e independentes de terceiros como base para as Listas de Produtos Qualificados que os membros da CEE consultam ao implementar e administrar programas”, disse John Taylor , Diretor Executivo da CEE. “Esta colaboração com a HI fortalecerá a infraestrutura que apoia investimentos em economia de energia em sistemas de bombeamento.”

Carros elétricos podem dominar as estradas

O Brasil elevou a obrigatoriedade de mistura de etanol à gasolina para o maior nível da história como parte dos esforços do governo para fortalecer o uso de biocombustíveis no setor de transportes do país. Embora os motores de combustão ainda dominem o mercado automotivo brasileiro atualmente, o futuro pode ser elétrico a bateria.

A chamada “Lei do Combustível do Futuro” — Lei nº 14.993/2024 — representa o esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tornar os biocombustíveis parte central da estratégia de descarbonização do Brasil. Pela nova regra, que entrou em vigor em 1º de agosto, o etanol deve representar 30% da composição da gasolina comum vendida

@Divulgação

no mercado, ante os 27% anteriores.

A mudança pode aumentar a demanda por etanol em 1,6 bilhão de litros (423 milhões de galões) em 2026. A legislação também prevê um possível aumento do mandato para 35%, condicionado à validação de sua viabilidade técnica. E, além da mistura de etanol à gasolina, a lei estabelece um marco para o aumento do uso de biodiesel, combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês) e biometano no país.

A indústria de etanol no Brasil é grande e sofisticada. A expansão da frota de veículos de passeio flex, combinada com mandatos elevados de mistura de etanol, tem impulsionado o consumo do biocombustível e moldado a política energética do país ao longo dos anos.

O crescimento do etanol no país começou com um programa nacional lançado em 1975, após o primeiro choque do petróleo, em 1973. Cinquenta anos depois, o Brasil

ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos. Quase 80% dos veículos de passeio vendidos no Brasil em 2024 foram modelos flex, capazes de rodar com qualquer mistura de gasolina e etanol.

Dado o contínuo apoio das políticas públicas, o etanol provavelmente continuará sendo parte central da transição para um transporte limpo no Brasil. No entanto, os veículos elétricos estão registrando forte crescimento no país, com as vendas praticamente dobrando de 2023 para 2024. Segundo o Cenário de Transição Econômica da BloombergNEF, os carros elétricos superarão os veículos com motor a combustão nas vendas no Brasil até 2038.

As alavancas de descarbonização — eletrificação e biocombustíveis — estão sendo consideradas pelas montadoras com presença no Brasil. Toyota Motor Corp lançou o primeiro veículo híbrido flex do país em 2019.

Indústria aposta em inversores de frequência para reduzir consumo de energia e ampliar controle dos processos

Cada vez mais presentes no chão de fábrica, os inversores de frequência vêm se consolidando como uma das principais tecnologias para aumentar a eficiência energética na indústria. Com a capacidade de ajustar a velocidade dos motores elétricos de acordo com a demanda real de operação, esses dispositivos têm se tornado aliados estratégicos em setores como manufatura, refrigeração, automação e saneamento.

Conhecidos também como VFDs (Variable Frequency Drives), os inversores atuam diretamente sobre a frequência e a tensão que alimentam o motor, proporcionando

partidas suaves, frenagens controladas e operação contínua com o mínimo necessário de energia elétrica. O resultado é uma combinação poderosa entre redução no consumo de energia, menor desgaste mecânico e mais controle sobre os processos

industriais.

Além da economia energética, os inversores oferecem maior segurança operacional, ao eliminar a necessidade de componentes adicionais para o controle de velocidade e ao reduzir choques mecânicos no sistema.

“O inversor permite que o motor funcione apenas com a energia necessária para a operação. Isso evita picos de consumo, reduz o estresse sobre engrenagens e componentes, e ainda contribui para prolongar a vida útil do equipamento”, explica Drauzio Menezes , diretor da Hercules Energia em Movimento, empresa especializada em soluções elétricas industriais tecnologia tem sido aplicada com sucesso em equipamentos como ventiladores, compressores, esteiras, sistemas de bombeamento e climatização industrial.

Segundo Menezes, o investimento em inversores de frequência se mostra especialmente vantajoso em linhas de produção com alta variabilidade de carga ou que operam em regime contínuo. “É uma solução que vai

além da economia. Ela traz controle fino dos processos, ajuda a prevenir falhas e representa um avanço importante no caminho da automação e da sustentabilidade industrial”, afirma.

Adiada regulamentação de armazenamento de energia

A Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica adiou a conclusão da regulamentação para sistemas de armazenamento de energia elétrica (SAE) no Brasil, após pedido de vista do diretor Fernando Mosna, que questionou o modelo tarifário proposto. A decisão interrompeu a reta final de um processo aguardado por todo o setor, especialmente por empresas interessadas no primeiro leilão de contratação de armazenamento, anunciado pelo governo federal, mas ainda sem data definida.

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A regulamentação é vista como chave para viabilizar empreendimentos como baterias em larga escala e usinas hidrelétricas reversíveis, tecnologias capazes de ampliar a flexibilidade e a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) em meio à rápida expansão das fontes renováveis variáveis, como a solar e a eólica.

Na proposta em análise, a Aneel prevê a criação de duas modalidades de sistemas de armazenamento: SAE autônomo – conectado diretamente à rede e abastecido por ela; SAE colocalizado – instalado junto a uma usina geradora, podendo absorver energia tanto diretamente da planta quanto da rede elétrica.

Essas soluções podem reduzir desperdícios hoje recorrentes na geração renovável. Atualmente, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é obrigado a cortar a produção de usinas solares e eólicas em momentos de excesso de oferta ou gargalos na transmissão. Com o armazenamento, essa energia poderia ser preservada e utilizada em horários de maior demanda.

O relator do processo, diretor Daniel Danna, propôs que os SAEs sejam tarifados tanto como geradores quanto como consumidores, já que atuam nas duas funções, usando o princípio universal: geração paga geração, carga paga carga. Mas Mosna argumentou que o modelo merece mais discussão e não deveria ser enquadrado automaticamente nas regras atuais porque, segundo ele, os sis-

temas de armazenamento são um novo tipo de agente do setor e, portanto, merecem um tratamento regulatório diferenciado.

A definição das regras é aguardada com expectativa por investidores interessados no primeiro leilão de contratação de armazenamento no Brasil. O certame, previsto pelo Ministério de Minas e Energia (MME), deve incentivar projetos que possam melhorar a estabilidade do sistema e otimizar o uso das fontes renováveis.

No entanto, a ausência de um marco regulatório claro ainda é vista como barreira. Sem a regulamentação, empreendedores não conseguem estruturar modelos de negócio nem garantir retorno financeiro para projetos de alta intensidade de capital.

Após a aprovação das regras para o uso dos SAEs na geração, a Aneel pretende abrir uma nova frente de debate para regulamentar o armazenamento como ativo dos segmentos de distribuição e transmissão. Isso permitiria que empresas dessas áreas também utilizassem a tecnologia para otimizar a operação e reduzir custos.

Para o setor, o atraso traz apreensão, mas também a esperança de que um debate mais aprofundado possa evitar distorções e garantir competitividade à tecnologia no país. Enquanto isso, o relógio corre para que o Brasil não perca espaço na corrida internacional pelo armazenamento de energia — um dos pilares para a transição energética global.

@Aneel/MichelJesus

Omnigen Energy/Appian entrega de 8° parque solar em MG

A Omnigen Energy, subsidiária da Appian Capital Advisory para o mercado global de energia, dá novo importante passo na estratégia de negócios no Brasil com a entrega dos parques solares de Igarapé 02 e 04, em Minas Gerais. Os novos projetos fotovoltaicos recém implantados pelo fundo britânico na cidade mineira de mesmo nome, acabaram de receber a autorização para conexão de 100% de sua capacidade total à rede elétrica. Com a entrega dos novos projetos fotovoltaicos, que, juntos, têm capacidade de geração projetada de 12,48GWh de energia por ano, a Omnigen Energy / Appian contribui para o avanço de uma matriz energética limpa no estado e reforça a presença no mercado de Geração Distribuída.

Os novos parques têm potencial de geração de energia suficiente para abastecer uma cidade com 19.050 habitantes, com capacidade total de produção de 1039,8 MWh/mês.

Até o final do ano de 2025, a Omnigen

“Este é mais um avanço significativo para a consolidação dos parques solares da Omnigen Energy, reforçando nosso compromisso com a diversificação da matriz energética e a oferta de soluções renováveis para um planeta mais sustentável. Temos orgulho do trabalho realizado e acreditamos que nossos projetos de energia limpa são fundamentais para ampliar o acesso democrático a fontes de energia renovável”, comemora Milson Mundim, Country Manager da Appian Capital Brazil.

Energy prevê a inauguração de mais 12 parques solares totalizando 20 usinas com capacidade total de 62,4 MWp. Ao todo, a subsidiária de energia da Appian Capital Advisory, investiu R$ 387 milhões.

Em menos de um ano e com oito parques entregues, a Appian/Ominigen Energy já tem acordo firmado com a CMU Energia e ECOM Energia Renováveis para a distribuição da energia gerada em 14 dos 20 parques solares. Os acordos abrangerão a entrega de 114,88 GWh por ano, suficiente para atender à demanda energética de 62.900 residências, oferecida no formato de Geração Distribuída (GD). Neste primeiro momento, o objetivo da Omnigen é atender ao mercado regulado, abastecendo o consumidor residencial. Este tipo de negócio possibilita que o consumidor tenha um desconto expressivo na fatura de energia, garantindo que a energia consumida seja compensada por uma fonte de geração limpa.

Auditoria revela riscos à sustentabilidade financeira da Nuclep

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou uma auditoria detalhada na Nuclep - Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A., estatal vinculada ao Programa Nuclear Brasileiro (PNB), responsável por projetar, fabricar e fornecer equipamentos pesados para usinas nucleares e outros setores estratégicos de defesa. O levantamento teve como objetivo principal avaliar se a empresa apresenta condições de funcionamento sustentável e se cumpre o papel estratégico para o qual foi criada.

A Nuclep surgiu no contexto do PNB, criado em 1974 com base no Protocolo de Brasília, acordo firmado entre Brasil e Alemanha. O programa visava desenvolver a capacidade tecnológica nacional no setor nuclear, tornando o país menos dependente de

“A Nuclep foi concebida como pilar estratégico para o setor nuclear brasileiro; todavia, a auditoria realizada evidenciou um quadro preocupante de desalinhamento entre a estrutura organizacional e as reais demandas do setor, que resultam na baixa ocupação de sua capacidade produtiva e na dependência crônica de aportes do Tesouro Nacional”, afirmou o relator do processo, ministro Aroldo Cedraz.

@Divulgação

fornecedores externos.

Segundo o TCU, a Nuclep desempenha papel crucial na fabricação de peças de grande porte, essenciais para a operação de usinas nucleares, mas a auditoria aponta que a estatal apresenta desalinhamento entre sua estrutura e os objetivos estratégicos nacionais, o que compromete tanto sua eficiência quanto sua sustentabilidade financeira.

A fiscalização do TCU evidenciou que a Nuclep possui capacidade produtiva maior do que a demanda do setor nuclear. Para compensar a ociosidade, a estatal ampliou a atuação em setores como defesa e óleo e gás, buscando reduzir a dependência de recursos da União.

O TCU ressaltou que a receita por tonelada de aço processada é significativamente mais elevada no setor nuclear: dez vezes maior que no setor de defesa e cem vezes maior que no setor de óleo e gás. O tribunal enfatiza que a estatal deve priorizar a atuação nuclear para gerar valor estratégico e

econômico para o país.

Outro ponto crítico identificado foi a falta de controle de custos eficiente, que limita a capacidade da gestão de tomar decisões estratégicas. Atualmente, a empresa utiliza planilhas simples para acompanhar contratos, sem sistemas informatizados que possibilitem integração com o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi).

Essa limitação compromete o cálculo correto dos custos por projeto, dificultando a análise de margens de lucro e a definição de recursos necessários do Tesouro. O TCU recomenda a implementação de software de gestão integrado para permitir monitoramento preciso de ativos, contratos e despesas, fortalecendo a governança e a transparência da estatal.

Como resultado da auditoria, o TCU estabeleceu prazos claros para correções dando 180 dias para que o Ministério de Minas e Energia apresente proposta motivada sobre a manutenção da atual estrutura da Nuclep ou sua reestruturação; e 360 dias para que a Nuclep reestruture seu modelo de apropriação de custos e implementar sistemas informatizados, conectados ao Siafi, garantindo dados confiáveis e tempestivos para tomada de decisão.

A fiscalização evidencia que, apesar da importância estratégica da Nuclep para o Programa Nuclear Brasileiro e para a defesa nacional, sua atual estrutura e gestão de custos comprometem a sustentabilidade financeira e operacional da empresa. O alinhamento da estatal com os objetivos estratégicos é essencial para assegurar independência tecnológica, eficiência produtiva e melhor retorno dos investimentos públicos.

Especialistas destacam que a implementação de sistemas informatizados e a reestruturação organizacional podem tornar a Nuclep mais eficiente, reduzir dependência de aportes do Tesouro e fortalecer o setor nuclear, um segmento crítico para a soberania e segurança energética do país.

Setor eletroeletrônico projeta R$ 4,9 bi de investimentos e lidera transformação digital

@DivulgaçãoFIEE

A indústria eletroeletrônica brasileira segue avançando com força em 2025, consolidando seu protagonismo na transformação digital do país. De acordo com o boletim (junho 2025) de conjuntura divulgado pela Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, o setor projeta investimento de R$ 4,9 bilhões até o fim do ano, impulsionado pelo crescimento de segmentos como automação industrial, conectividade, energia inteligente e dispositivos eletrônicos com maior valor agregado.

Com faturamento previsto de R$ 286 bilhões em 2025, a indústria deve encerrar o ano com crescimento nominal de 14% em

relação a 2024. Quando descontada a inflação específica do setor, estimada em 6%, o avanço real será de 8%, sinalizando uma expansão consistente. A produção física - que mede o volume de itens fabricados - também deve crescer 3,5%, acompanhada de leve aumento na utilização da capacidade instalada, que passa de 78% para 79%.

Outro destaque é a elevação do valor médio dos produtos vendidos, reflexo da preferência dos consumidores por soluções mais tecnológicas e sofisticadas, que agregam valor mesmo sem crescimento expressivo no número de unidades comercializadas.

“O setor eletroeletrônico tem se posicionado como motor da digitalização da economia brasileira, com forte capacidade de inovação, geração de empregos qualificados e compromisso com o desenvolvimento sustentável”, afirma Humberto Barbato, presidente executivo da Abinee. “Esses resultados refletem a confiança da indústria no futuro e o papel estratégico que o setor exerce nas cadeias produtivas do país”, completa.

Vibra avança em market share e projeta crescimento

Vibra encerrou o segundo trimestre com um cenário positivo no Market share, avançando 0,3 p.p versus o primeiro trimestre de 2025, puxado pela entrada de 43 novos postos em sua rede, totalizando um acréscimo de 92 unidades este ano. A notícia refletiu o dinamismo e a resiliência da ope -

ração frente aos desafios do período que foi complexo para o setor de combustíveis. Especialmente a volatilidade nos preços internacionais, reflexo direto de tensões geopolíticas e dos ajustes praticados internamente.

Entre os meses de abril a junho de 2025,

@Vibra

a companhia alcançou um EBITDA ajustado de R$ 1,5 bilhão e uma margem EBITDA ajustada de R$ 143/m³. Ao desconsiderar o impacto da perda de estoque, a margem da Companhia apresentou crescimento sequencial, refletindo o sucesso da estratégia de priorizar a rentabilidade mesmo em um cenário adverso. Essa performance de margens foi complementada por um crescimento estratégico na participação de mercado.

A Vibra encerrou o 2T25 com um market share consolidado de 23,7% em junho, o que representa um crescimento de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior, reforçando a trajetória de recuperação e a eficácia de sua atuação comercial. Esse avanço na participação de mercado foi sustentado pela disciplina na gestão de margens, com destaques para o market share de 30,6% na Rede Embandeirada e 6,5% na Bandeira Branca no 2T25.

A gestão disciplinada permitiu que a empresa encerrasse o trimestre com um fluxo de caixa operacional de R$ 0,8 bilhão. Por outro lado, motivado por efeitos financeiros pontuais, como a perda de estoques e maior liberação de capital de giro, a Companhia alcançou o seu maior patamar de alavancagem do ano, 1,8x ao considerar LCs e 2,9x sem considerar tal efeito.

“O ganho de 0,3 p.p. em market share no trimestre confirma nossa estratégia de fortalecer a revenda e os parceiros na ponta, com foco e sinergia”, afirma Ernesto Pousada, CEO da Vibra.

Apesar das pressões externas, a Vibra avançou em assuntos estratégicos para sua transformação e que fazem parte das avenidas de crescimento da companhia. Os lubrificantes atingiram o maior volume trimestral desde 2020, com crescimento de 6% contra o mesmo período do ano anterior, enquanto o segmento de renováveis registrou EBITDA @stake de R$ 274 milhões, um aumento de 21% ante o mesmo período de 2024. Avanços regulatórios, como a estratégia regionalizada para a monofasia do etanol — que resultou em ganho de 0,7 p.p. de market share desde o início da Monofasia — e os progressos no RenovaBio, reforçaram o posicionamento da Companhia em um mercado em transformação.

Para o segundo semestre de 2025, as perspectivas são positivas. A expectativa é de aumento na demanda por diesel, impulsionada pela sazonalidade e pela força do agronegócio, além da continuidade da captura de sinergias com a Comerc.

A Companhia segue confiante no seu modelo de gestão, garantindo ritmo e intensidade na execução dos nossos projetos transformacionais que reforçarão o seu compromisso com o crescimento de volume e rentabilidade, buscando excelência operacional e disciplina.

Pesquisadores da Unicamp desenvolvem IA para reduzir taxa de evasão em serviços e empresas

Pesquisadores do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC) e da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um método que usa a inteligência artificial (IA) para prevenir o churn – métrica que indica a taxa de rotatividade, também conhecida como taxa de evasão de usuários em um serviço ou de recursos humanos em uma empresa.

O know-how desenvolvido via comitê de máquinas para problemas de classes sobrepostas (CoMaCS) utiliza estratégias para compor um comitê específico para análise de dados. Assim, a escolha dos métodos e da arquitetura do comitê podem variar em função da natureza e dimensão do conjunto de dados de acordo com cada caso.

A Agência de Inovação Inova Unicamp apoiou tanto no processo de fornecimento não exclusivo do know-how à 4C Datalab Inteligência Artificial, quanto no desenvolvimento da empresa, uma spin-off acadêmica da Universidade, fundada pelos pesquisado -

res que desenvolveram o know-how a fim de levar a solução ao mercado: Henrique N. Sá Earp (IMECC Unicamp), Cristiano Torezzan e Leonardo Tomazeli Duarte (ambos da FCA Unicamp).

A abordagem via CoMaCS para evitar o churn nas empresas

Comitê de máquinas é um método dentro da área de aprendizado de máquina (machine learning) aplicado para melhorar a precisão de classificações ou previsões feitas por modelos computacionais. No caso do comitê, é aplicado um conjunto de vários modelos diferentes que analisam um conjunto de dados, e não apenas um único algoritmo.

Essa abordagem fornece um modelo de interação sustentado por técnicas de interpretabilidade para que os resultados possam ser utilizados mesmo por usuários que não conhecem sobre aprendizado de máquina, tornando-a aplicável a uma ampla gama de serviços.

“Já fizemos a aplicação do método via CoMaCS na área de Recursos Humanos de

@Inova Unicamp/Pedro Amatuzzi

uma empresa e entendemos que a tecnologia pode ser utilizada em vários tipos de negócios e situações, como prever o desligamento de um cliente de um serviço ou o desligamento de um aluno de uma escola ou academia”, explica Torezzan.

Para evitar um churn alto, que pode afetar diretamente a sustentabilidade de um negócio, um modelo de inteligência artificial treinado é capaz de analisar vastas quantidades de dados de forma rápida e eficaz, identificando padrões e tendências de comportamentos.

É comum que as análises e categorizações desses dados se deparem com problemas de classes sobrepostas, que ocorrem quando categorias ou grupos usados para classificar algo não são mutuamente exclusivos, ou seja, um elemento pode pertencer a mais de uma classe ao mesmo tempo.

“Quando olhamos para categorizações, as pessoas estão potencialmente em duas classes: as que querem continuar em uma empresa e as que não querem, mas no meio estão as que estão indecisas e essas seriam as classes sobrepostas”, explica Torezzan.

A abordagem via CoMaCS permite identificar as variáveis que influenciam no comportamento de um indivíduo, analisando tanto fatores coletivos quanto individuais, como, por exemplo, se o aumento de salário pode reduzir o risco de um funcionário deixar uma empresa. Uma vez treinado com dados gerais, o modelo aplicado pode ser ajustado com dados aderentes a outra situação para se chegar às variáveis específicas. “Por meio desse ajuste fino (fine-tuning), a análise é realizada de forma mais precisa e personalizada” destaca Duarte.

Como o know-how consiste em uma IA preditiva, se for integrada a uma IA generativa com interface amigável, pode permitir ajustes personalizados e gerar relatórios sob medida. A partir das previsões obtidas, o sistema pode simular cenários e sugerir ações preventivas adaptadas ao perfil de cada indivíduo analisado.

Os dados analisados podem ser forneci-

dos pelas próprias empresas ou obtidos por meio de bases públicas. Os pesquisadores destacam que todos os dados são anonimizados, alinhando o know-how aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), principalmente ao Objetivo 16, que, entre suas diretrizes, visa a proteção de liberdades individuais, como a privacidade individual.

As informações geradas pelo CoMaCS são valiosas para orientar decisões mais assertivas, conectando de forma prática a inteligência artificial (IA) à inteligência de negócio (business inteligence, BI).

“Poder identificar atributos gerais e prever, para cada indivíduo, qual seria a sua resposta a cada atributo com soluções customizadas gera inteligência de negócio e permite ao gestor saber qual ação tomar”, ressalta Earp. Uma vez treinada, a IA aponta quais intervenções a BI deve adotar para que gestores consigam reter funcionários, usuários ou clientes. Os pesquisadores empreendedores dão um exemplo prático da aplicação: “Testamos o modelo de predição e obtivemos índice de acerto próximo de 90% de pessoas que deixaram seus empregos. Com base nesses dados, a empresa conseguiu reduzir cerca de 50% da taxa de demissão”, diz Torezzan.

O know-how desenvolvido foi fornecido de forma não exclusiva para a empresa 4C Datalab Inteligência Artificial, fundada em janeiro de 2024, pelos autores da propriedade intelectual em parceria com Raul Mariano Cardoso, egresso da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp e atual CEO da empresa. O empreendimento é considerado uma empresa-filha da Unicamp e também uma spin-off acadêmica, pois foi criada para viabilizar que o know-how, desenvolvido na Universidade, se tornasse de fato uma solução no mercado. Um dos focos da 4C Datalab no momento é conseguir fomento junto ao programa de fomento Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) fase 2, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Fios e cabos irregulares

O Sindicel – Sindicato da indústria de Condutores Elétricos, Trefilação e Laminação de Metais Não-Ferrosos do Estado de São Paulo está intensificando a fiscalização de cabos elétricos de baixa tensão por meio da realização de testes de qualidade com base nas normas técnicas vigentes. Os resultados apontam um cenário preocupante: diversas marcas disponíveis no mercado foram reprovadas nos ensaios técnicos e apresentam não conformidades que colocam em risco a segurança de instalações e pessoas.

O alerta é direcionado especialmente aos consumidores e recomenda que as construtoras redobrem a atenção quanto aos produtos adquiridos, evitando itens de fabricantes que não atendem às exigências do InmetroInstituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia. Diante disso, o Sindicel solicita a colaboração de todos para divulgar estas informações, evitar a compra de materiais fora de conformidade e priorizar a aquisição de produtos de empresas idôneas.

Além disso, o Sindicel e a Qualifio Associação Brasileira pela Qualidade dos Fios e Cabos Elétricos estão à disposição para realizar gratuitamente testes de qualidade dos produtos adquiridos.

É essencial que toda a cadeia de consumo esteja atenta a esses desvios, a fim de garantir mais segurança, responsabilidade e integridade técnica nas instalações elétricas.

CONFIRA O RELATÓRIO

Tarifaço - principais equipamentos elétricos continuam sujeitos ao tarifaço

Na avaliação da Abinee - Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, a lista de exceção divulgada pelo governo dos EUA não inclui alguns dos principais equipamentos elétricos vendidos ao mercado norte-americano, que permanecem sujeitos às tarifas de 50% impostas pelos EUA sobre exportações industriais brasileiras.

Entre os equipamentos elétricos afetados estão os transformadores para rede elétrica, embora a lista de exceção traga alguns desses itens, mas com especificações e aplicações diferentes dos produtos exportados pelo Brasil.

“A continuidade das negociações pelo governo brasileiro é essencial para que possamos incluir esses produtos na lista”, afir-

ma o presidente da Abinee, Ao mesmo tempo, ele reforça a necessidade de adoção de medidas para compensar os impactos do tarifaço. A Abinee encaminhou propostas para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e para o governador do Estado de São Paulo, Tarcisio Freitas. Segundo a entidade, o tarifaço traz risco iminente de perda de competitividade das exportações nacionais para os EUA, podendo provocar paralisação de embarques e queda de encomendas. No primeiro semestre deste ano, os EUA representaram 29% do total exportado pelo setor eletroeletrônico brasileiro, sendo o principal destino das vendas externas.

A ABB lançou uma nova plataforma de motor de velocidade variável de titânio LV que, segundo ela, transformará as operações industriais no mundo todo ao oferecer uma solução inovadora que atende às necessidades atuais e antecipa as demandas futuras.

A plataforma promove eficiência e versatilidade e possui robustez e design compacto inovadores, oferecendo os benefícios de um motor de alta eficiência e tecnologia de acionamento de velocidade variável (VSD) em uma solução única, compacta, personalizável e plug-and-play que permite que clientes industriais minimizem o consumo de energia, economizem dinheiro e reduzam as emissões de carbono.

A ABB afirma que o LV Titanium oferece uma maneira simples e econômica de fornecer eficiência IE5 Ultra Premium para bombas, compressores e muitas outras aplicações. Como um substituto imediato para motores de indução de linha direta (DOL) existentes, o Motor de Velocidade Variável oferece um caminho fácil de atualização para um motor acionado por VSD com um rápido retorno do investimento.

É um conceito totalmente integrado, com um módulo de acionamento avançado, projetado desde o início para um desempenho ideal com um motor de ímã permanente (PM) de alta eficiência. O design aerodinâmico, com o acionamento axial montado na extremidade do motor, economiza espaço e torna o LV Titanium ideal para aplicações como bombas verticais. É silencioso em operação e pode operar em uma ampla faixa de requisitos de velocidade e torque, com capacidade de fornecer alto torque em baixas velocidades. A funcionalidade plug-and-play significa que o LV Titanium dispensa comissionamento, já que o motor e o acionamento totalmente integrados são comissionados e otimizados para funcionar em conjunto antes de saírem da fábrica. Isso torna a instalação rápida e fácil, sem a necessidade de gabinetes ou salas elétricas, e dispensa pessoal especialmente treinado.

O LV Titanium tem um painel de controle intuitivo com entradas e saídas analógicas e digitais (E/S) fáceis de usar, juntamente com um CLP integrado simples, enquanto seus recursos de conectividade incluem o protocolo de comunicação Modbus RTU para fácil integração com CLPs e outros dispositivos de controle.

Graças ao seu design compacto e alta densidade de potência, o Motor de Velocidade Variável é pelo menos dois tamanhos de quadro menor do que motores de indução comparáveis, tornando-o adequado para instalações onde o espaço é limitado, como na substituição de motores antigos e ineficientes.

O Motor de Velocidade Variável LV Titanium está atualmente disponível em tamanhos a partir de 1,5 kW, enquanto a plataforma será expandida para abranger aplicações de até 30 kW em uma ampla gama de setores industriais, desde tratamento de água e processamento químico até alimentos e bebidas. Além de estar disponível para pronta-entrega, o motor pode ser personalizado para atender às necessidades específicas do cliente.

A Sick lançou um encoder absoluto de última geração, o ANS/ANM58 PROFINET, que marca uma nova geração de encoders projetados especificamente para maior produtividade de máquinas e sistemas.

O compacto ANS/ANM58 está disponível em versões de volta única e multivolta e conta com o padrão global de barramento de campo Ethernet PROFINET para automação industrial. Ele proporciona comunicação rápida e bidirecional com CLPs para tempos de ciclo mais curtos, controle de movimento de alta precisão e integração rápida.

Em máquinas e sistemas automatizados, os encoders fornecem a base para o monitoramento eficiente e controlado do movimento de acionamentos e eixos por meio de sensores rotativos que medem posição, velocidade e deslocamento.

A nova linha atende à crescente demanda dos clientes por controle de movimento preciso e sincronizado, monitoramento de condições de máquinas e sistemas, tempos de ciclo curtos, design que economiza espaço e fácil instalação.

Com a série ANS/ANM58, os usuários podem configurar seu encoder ideal, escolhendo entre medições de volta única ou multivoltas com resoluções de 18 bits (262.144 passos/volta) ou 34 bits (262.144 passos/volta x 65.536 voltas) para se adequar à aplicação. Os novos encoders absolutos oferecem um design flexível e compacto, ideal para cenários de instalação apertados e exigentes, com a melhor compactação da categoria a partir de apenas 39 mm de comprimento. Oferece uma ampla variedade de opções de montagem, incluindo designs de caixa plana ou estreita, bem como variantes de plugue axial ou radial.

O ANS/ANM58 está disponível em opções de eixo sólido, eixo oco cego ou eixo oco passante para transmissão de informações de movimento rotacional, além de uma variedade de flanges para montagem flexível. Pode ser instalado diretamente em mecanismos mecânicos ou montado com um mecanismo de trefilação ou roda de medição rotativa para monitoramento de movimento linear.

O encoder ANS/ANM58 fornece dados de diagnóstico, incluindo temperatura, velocidade, diversas funções de contador e registros de tempo, que também podem ser usados para configurar valores-limite específicos da aplicação e criar limites de alerta para medidas de manutenção e reparo direcionadas.

O dispositivo “Tracker” da Wintriss para seu Software de Rastreamento de Produção ShopFloorConnect coleta dados importantes automaticamente sem exigir que informações de trabalho ou um motivo de tempo de inatividade sejam inseridos manualmente pelo operador.

Por exemplo: instalar Trackers em quatro compressores de ar usando as entradas digitais de funcionamento/ marcha lenta para obter um sinal quando cada compressor está funcionando e uma entrada analógica conectada a um transdutor de pressão para medir a pressão do ar. As informações de ciclo de trabalho e pressão fornecidas pelos Trackers através do ShopFloorConnect fornecem ao usuário os dados necessários para modificar o uso de ar para equilibrar a carga nos quatro compressores. O Tracker é habilitado para WiFi e pré-programado para ser integrado

a instalações ShopFloorConnect existentes e novas em praticamente qualquer tipo de máquina.

As entradas digitais do Tracker, como funcionamento/marcha lenta e contagem, podem ser exibidas no software ShopFloorConnect.

A Pepperl+Fuchs Group lançou o Tab-Ex 05, seu primeiro tablet Android de 8 polegadas com 5G adequado para uso em áreas industriais de risco. Ele possui certificação IP68, função wet touch e modo luva.

O dispositivo possui 6 GB de RAM e 128 GB de ROM, que podem ser expandidos via microSD para até 1 TB. O tablet também é equipado com uma câmera traseira de 13 MP e uma câmera frontal de 5 MP. Ele também possui um botão programável que pode ser usado para chamadas de emergência ou aplicativos PTT. Uma caneta stylus de alta qualidade permite a operação precisa da tela sensível ao toque e é compatível com o aplicativo Samsung Notes e o Air Command.

A ferramenta de software Nordcon da Nord Drivesystems fornece acesso a sistemas de acionamento eletrônico para gerenciamento simples de parâmetros, programação de acionamentos e diagnóstico abrangente.

O software está disponível como um aplicativo para Windows e também como um aplicativo móvel para iOS e Android. O Nordcon é aplicável a todos os acionamentos de frequência variável, partidas de motores e módulos de barramento Nord, e pode lidar com tarefas desde o desenvolvimento de aplicações, comissionamento e operação até a manutenção.

Com o Nordcon, vários acionamentos podem ser acessados simultaneamente por meio da interface integrada. Ele possui um painel multijanela que pode ser personalizado com diferentes tipos de blocos para exibir parâmetros importantes do sistema de acionamento para

O Energy Manager da Emerson combina hardware e software pré-projetados para simplificar o monitoramento de eletricidade industrial. Ele fornece medições de energia em tempo real, permitindo que os gerentes da planta visualizem rapidamente valores detalhados e oportunidades de economia, como consumo ocioso e picos de carga.

O painel do software fornece o uso de energia específico do ativo, os custos associados e as emissões de CO₂ para até 10 endpoints (expansível para 50 endpoints com uma licença). A maioria das instalações pode reduzir o desperdício de energia em até 1030% e as emissões de carbono em até 1530% com esta tecnologia.

O software está disponível pré-instalado em hardware de ponta ou como um aplicativo independente que pode ser instalado em um ambiente virtualizado. O Energy Manager também pode ser pareado com o Emerson Compressed Air Manager para fornecer uma visão simplificada dos custos de energia e do uso de ar comprimido em uma linha de produção, fábrica e local.

monitoramento rápido e diagnóstico de falhas. Ele também suporta importação/exportação rápida de configurações de painel específicas da aplicação entre colegas, bem como o aplicativo móvel Nordcon.

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