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Coordenação: Equipa Ligações Elsa Almeida Rui Alberto Sofia Fonseca

Ficha técnica: © Edições Salesianas, 2018 Rua Duque de Palmela, 11 4000-373 Porto Tel. 225 365 750 edisal@edicoes.salesianos.pt www.edisal.salesianos.pt Publicado julho 2018 Capa: Paulo Santos Paginação: João Cerqueira Impressão: Printhaus ISBN: 978-989-8850-72-0 Depósito Legal: 442413/18

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Apresentação Ligações. Itinerário de educação à fé é a resposta dos Salesianos em Portugal aos desafios colocados hoje à catequese de crianças e adolescentes. Com este projeto de catequese, queremos oferecer ƒƒaos catequistas, ƒƒaos catequizandos, ƒƒàs famílias, ƒƒàs paróquias, um conjunto de materiais catequéticos de elevada qualidade, simples e profundos, flexíveis e atraentes. Nas tuas mãos, caro leitor está o Livro Zero. É um nome estranho, mas quer significar o ponto de arranque de todo este projeto. Aqui, apresentamos as razões que nos levaram a desenvolver este itinerário de fé. Aqui. explicitamos as nossas opções educativas e pastorais, o que queremos com esta coleção de materiais catequéticos. Para uma proposta de catequese que se quer prática pode parecer estranho usar todo um livro com “teorias”. É que não há nada mais prático do que uma boa teoria! Saber o que queremos, saber porque queremos, tomar consciência das dificuldades que enfrentamos, darmo-nos conta dos recursos de que dispomos… é sempre coisa boa. É “teoria” que ajuda a fazer melhor “prática”.

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Roteiro de viagem Ao longo destes dez capítulos, queremos dar aos párocos, aos coordenadores de catequese e aos catequistas as “linhas com que nos cosemos”. Começamos por apresentar Um novo

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itinerário de educação à fé. No capítulo 1, apresentamos este projeto no contexto daquilo que a Igreja tem feito: como é que a Igreja tem convidado à fé ao longo dos séculos, que uso fazer da educação na evangelização, quais as principais coordenadas deste projeto. No capítulo 2, O que está dentro do Ligações?, apresentamos os conteúdos que oferecemos aos catequizandos e as nossas motivações para essa escolha. Explicamos o caminho que queremos fazer ao longo dos 12 anos e quais os recursos que oferecemos.

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Seguem-se dois capítulos que nos ajudam a conhecer melhor a realidade de hoje. O capítulo 3, Desafios e oportunidades, descreve algumas marcas da cultura que nos rodeia, sublinhando tanto os problemas como os recursos que trazem a quem quer fazer catequese hoje. No capítulo 4, A experiência religiosa das crianças e adolescentes, apresentamos de forma sucinta alguns indicadores de desenvolvimento de cada idade e o seu impacto nos processos de crescimento na fé. Os capítulos 5 a 9 descrevem as características do projeto Ligações. No capítulo 5, Finalidade do projeto: Ser adulto crente na Igreja e no mundo, explicitamos a finalidade última deste projeto. No capítulo 6, Mentalidade de itinerário, aprofundamos o que é isso de “itinerário”, o que é programar e avaliar. No capítulo 7, As opções deste itinerário, apresentamos três opções fundantes: pela evangelização, pela educação e pela animação. No capítulo 8, Modelo catequético, explicamos o porquê de favorecermos o modelo “clássico” (experiência humana, anúncio da Palavra, expressão de fé) e como é que ele pode ser bem implementado. No capítulo 9. identificamos os Lugares e momentos de intervenção. Além

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da habitual reunião semanal, o processo catequético pode e deve acontecer em outros lugares e momentos. No capítulo 10, A comunidade e o catequista, falamos de pessoas importantes: a comunidade cristã e dentro dela destacamos estes heróis que são os catequistas. Com realismo mas com ambição convidamos os catequistas a assumir um certo perfil e damos indicações para a formação da equipa de catequistas.

Uma meta O leitor partilha connosco, certamente, a experiência feliz da fé. Acreditar no Deus que Jesus nos revelou em plenitude dá liberdade interior e um sabor melhor aos nossos dias. Partilhamos ainda esta vontade de evangelizar sob a urgência do Reino que vem. Escutamos apaixonados os apelos de tantas famílias e catequizandos que, aos gritos, balbuciando ou em silêncio, pedem um sentido para a vida e razões de esperança.

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Estamos empenhados em oferecer uma catequese que possibilite um feliz encontro com Cristo vivo. Sabemos, com boas garantias, que esse Jesus está fortemente empenhado em dar-Se, em aproximar-Se da vida e dos corações de todos. E estamos convencidos de que esse encontro pode acontecer através da presença próxima e credível dos catequistas, através de escolhas educativas e catequéticas sábias.

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Uma coleção de materiais catequéticos 283. Ao lado dos instrumentos dedicados a orientar e programar o conjunto da ação catequética (análise da situação, programa de ação e Diretório Catequético) existem outros instrumentos de trabalho de uso imediato, que são utilizados no cumprimento da própria ação catequética. Devemos elencar, em primeiro lugar, os textos didáticos, que são colocados diretamente nas mãos dos catecúmenos e catequizandos. Úteis subsídios são, além disso, os Guias para os catequistas, no caso da catequese para crianças e para os genitores. São igualmente importantes os meios audiovisuais que se utilizam na catequese e em relação aos quais, se deve exercitar um oportuno discernimento. 6

O critério inspirador destes instrumentos de trabalho deve ser o da dúplice fidelidade, a Deus e ao homem, que é uma lei fundamental para toda a vida da Igreja. Tratase, de facto, de saber conjugar uma perfeita fidelidade doutrinal com uma profunda adaptação ao homem, levando em consideração a psicologia da idade e o contexto sociocultural em que ele vive. Em resumo, é preciso dizer que estes instrumentos catequéticos devem: – ser «realmente ligados à vida concreta da geração para a qual são destinados, tendo bem presentes as suas inquietudes e interrogações, assim como as suas lutas e esperanças»; – esforçar-se para «encontrar a linguagem compreensível a esta geração»;

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– visar «verdadeiramente, provocar um maior conhecimento dos mistérios de Cristo naqueles que deles se servirem, em vista de uma autêntica conversão e de uma vida sempre mais conforme à vontade de Deus». (Diretório Geral de Catequese) O Ligações. Itinerário de educação à fé oferece-se à Igreja que está em Portugal como um conjunto articulado de materiais catequéticos. O texto que citámos acima do Diretório Geral de Catequese foi, para nós, um estímulo e uma inspiração. Não nos substituímos à função de ensino e governo do Magistério. Numa atitude de comunhão e fidelidade, queremos oferecer esta coleção de materiais catequéticos para fazer a ligação entre o Evangelho e a vida concreta das novas gerações hoje, com uma linguagem desafiante e compreensível, em ordem a ajudar tantas crianças e jovens a fazer a experiência do encontro com Cristo.

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Capítulo

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LIGAÇÕES. Um novo itinerário de educação à fé Desde o dia de Pentecostes até hoje, a Igreja faz grandes esforços para partilhar com mais gente a experiência feliz da fé. É uma tarefa sempre difícil. As condições de vida das pessoas estão sempre a mudar, os modos de pensar e de sentir alteram-se constantemente. Aquilo que “ontem” ajudava a formar novas gerações de cristãos, “hoje” já não funciona tão bem. Nem por isso, a Igreja desiste de inventar novos caminhos para ajudar as pessoas a descobrirem a alegria do Evangelho.

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É dentro deste esforço de criatividade generosa que surge este projecto Ligações. Itinerário de educação à fé. Ele é a proposta dos Salesianos em Portugal aos desafios que se colocam a quem, hoje, quer fazer catequese com crianças e adolescentes. Na coragem de sentir com a Igreja, em diálogo com os desafios postos pela sociedade e cultura contemporâneas, herdeiros de uma tradição pastoral, educativa e espiritual consolidada, desenvolvemos um conjunto de materiais para que catequizandos, catequistas, famílias e paróquias possam fazer uma catequese com mais qualidade, capaz de acompanhar os mais novos rumo a uma fé adulta e feliz.

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O que é um itinerário de educação à fé?

Desde o início, a Igreja, o grupo dos companheiros de Jesus, levou sempre a sério a tarefa de evangelizar, de trazer, a todos os lugares e condições, a boa e alegre notícia que Jesus nos deixou. Sempre acreditámos que a experiência de sermos libertados por Jesus e iluminados pelo seu Evangelho é essencial para vivermos de forma digna e plena a nossa humanidade. Por isso, a Igreja se entende como Mãe, que procura gerar novos filhos para a fé, para esta relação de comunhão com Deus. Nesta procura, a Igreja foi aprofundando a sua pedagogia, foi tentando formas cada vez melhores de cumprir a missão que o seu Senhor lhe deu. Desde o princípio, a Igreja, que «é em Cristo como que um sacramento», tem vivido a sua missão como prosseguimento visível e atual da pedagogia do Pai e do Filho. Ela, «sendo nossa Mãe, é também educadora da nossa fé». (…) A Igreja produziu, ao longo dos séculos, um incomparável tesouro de pedagogia da fé: antes de mais nada, o testemunho de catequistas e de santos. Uma variedade de vias e formas originais de comunicação religiosa, como o catecumenato, os catecismos, os itinerários de vida cristã; um precioso património de ensinamentos catequéticos, de cultura da fé, de instituições e de serviços da catequese. Todos estes aspectos fazem a história da catequese e entram, a pleno título, na memória da comunidade e na praxe do catequista. (DGC 141)

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Em Igreja, sentimos um profundo desejo que um maior número de pessoas faça a experiência profunda da alegria do Evangelho. E para isso percebemos que é positiva a exis-

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tência de caminhos diferentes para ajudar tantos a chegar a essa meta comum: É preciso encontrar o método pedagógico mais apropriado às circunstâncias que caracterizam a comunidade eclesial ou os destinatários concretos aos quais se dirige a catequese. Daí a necessidade de pesquisar cuidadosamente e de encontrar as vias e modos que melhor respondam às diversas situações. (DGC 118) Chamamos Itinerário de educação à fé aos processos educativos globais, na lógica da iniciação cristã, que prestam atenção à realidade da pessoa humana na sua integridade, e ajudam crianças, jovens e adultos a crescer na fé até se tornarem adultos crentes, capazes de viver e testemunhar a fé no mundo de hoje. Acreditamos que um bom itinerário de educação à fé deve ser integral, isto é, deve promover a identidade humana e a identidade cristã; deve assumir todas as tarefas tradicionais da catequese: iniciar à fé, à vida moral, à celebração dos sacramentos, à oração, à pertença eclesial, bem como ao sentido de missão.

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Para que este processo seja autêntico, partimos da situação cultural, social e psicológica de cada criança ou adolescente. A meta final será a de sempre: o encontro confiado com Deus Pai, por Jesus Cristo, na graça do Espírito Santo, dentro da Igreja. Para lá chegar, propomos fazer um caminho de amadurecimento gradual, integral e equilibrado. Para atingir a meta, este Itinerário ƒƒoferece materiais, percursos e objetivos parcelares, ƒƒindica opções de qualidade para um percurso progressivo e adequado,

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ƒƒpromove um acompanhamento pedagógico e pastoral, pessoal e comunitário. Um bom itinerário deve ser também gradual. Só se consegue levar o Evangelho ao coração da cultura e das pessoas com itinerários que apresentam a mensagem cristã na sua integridade através de processos graduais. A dupla fidelidade à mensagem, de que somos servidores, e às crianças e jovens, a que somos enviados, e ­ ntusiasma-nos a fazer uma comunicação do Evangelho intacto e vivo (EN 4). Querendo ser fiéis a Deus e à pessoa dos catequizandos, este itinerário preocupa-se por oferecer a mensagem do Evangelho e todos os conteúdos de fé; e procura acertar com a linguagem adequada e com as necessárias mediações pedagógicas. Para o conseguir, devemos: 12

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ƒƒabrir o coração dos mais novos à compaixão e à solidariedade; ƒƒencorajá-los a procurar o sentido da vida; ƒƒsensibilizá-los à transcendência; ƒƒeducá-los na experiência da fé em Deus; ƒƒacompanhá-los rumo à decisão pessoal e livre de seguir Jesus; ƒƒformá-los nos valores do Evangelho e nos conteúdos da fé; ƒƒajudá-los a adquirir sólidas convicções de fé; ƒƒapoiá-los no discernimento da vontade de Deus; ƒƒeducá-los na compreensão da linguagem simbólica e ritual; ƒƒpropor-lhes a participação ativa na liturgia da Igreja; ƒƒpromover neles dinamismos de interiorização, personalização e socialização.

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A educação à fé ao longo da História da Igreja

Desde o início, a Igreja sempre se sentiu enviada por Jesus Ressuscitado a anunciar o Evangelho a todos os povos. A Igreja vive sempre em estado de missão e a evangelização é a sua razão de ser (EN 14). As comunidades cristãs, nos mais variados contextos sociais e culturais, estão convocadas pelo Espírito a fazer esta evangelização. Fazem-na, no meio de possibilidades e limitações, de muitas formas: através do anúncio e da catequese, do compromisso e do serviço… São muitas as ações evangelizadoras da Igreja, sempre atentas às condições dos grupos e das pessoas, adaptando a proposta da fé às diferentes situações, inspirando-se na pedagogia de Deus que a Escritura nos testemunha.

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Catecumenado

Nos primeiros séculos, a Igreja criou um modelo interessante de pedagogia da fé. O catecumenado era o caminho que as pessoas faziam para se converter a Deus, e ­ ncontrar-se com Jesus Cristo e o seu Evangelho, e começar a fazer parte da comunidade cristã. Era um caminho exigente porque o cristianismo era algo “novo”, estranho para a sociedade daquele tempo. Ser discípulo de Jesus obrigava a deixar de lado hábitos e tradições; muitas vezes, as famílias rejeitavam os seus membros que aderiam à fé. Este caminho acontecia em três “campos de jogo” ao mesmo tempo. Fazia-se ƒƒatravés da aprendizagem dos conteúdos da fé, ƒƒatravés da iniciação à celebração dos mistérios da fé ƒƒe através da gradual inserção na comunidade cristã.

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Este processo conduzia à iniciação cristã. A maioria dos catecúmenos era gente adulta que se dispunha a dar uma grande volta na sua vida, a construir uma nova identidade, deixando de lado a sua vida antiga: valores, tradições, relações. O catecumenado era uma tarefa séria. E envolvia toda a comunidade. Havia um “garante”, uma pessoa que apresentava o catecúmeno à comunidade e que atestava a vontade da pessoa em aderir à fé e se inserir na comunidade. Mas toda a comunidade se sentia envolvida no processo com a oração e os pequenos e grande gestos de acolhimento e de encorajamento.

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A força da sociedade

Com o fim do império romano no ocidente europeu, o catecumenado entra em crise. Diminuiu o número de habitantes das cidades e a Igreja teve de migrar das cidades para o campo. É um tempo de fortes migrações, de crise, de insegurança generalizada, de choques culturais. A Igreja sente-se desafiada a fazer uma ponte entre a cultura clássica e o paganismo dos povos bárbaros que iam entrando pela Europa. Não era tarefa fácil. Sem renunciar ao mandato de evangelizar a todos, a Igreja procura anunciar a partir das estruturas sociais. Instaura-se um regime de cristandade, em que Igreja e sociedade deveriam (pelo menos na teoria, nem tanto na prática) identificar-se. As pessoas tornavam-se cristãs quase por osmose, aprendendo a fé a partir das leis e normas sociais, pelos rituais públicos, pela pressão social.

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O papel da instrução e os catecismos

O final da Idade Média põe em evidência os limites do modelo de cristandade. ƒƒSobrevivem muitos restos de paganismo; ƒƒuma fé imposta pela força da sociedade dá pouco espaço à liberdade e à experiência pessoal; ƒƒera cada vez mais confuso distinguir conflitos políticos e pertença religiosa. Para contrariar isso, apostou-se numa formação cognitiva mais forte do povo e das crianças. Em ambiente católico e protestante, começa a idade dos catecismos. Estes eram livros com uma síntese da fé que as pessoas deveriam conhecer. Corresponde à exigência de uma fé mais pessoal, mais iluminada. Esta catequese assente nos catecismos não nega, mas complementa o regime de cristandade, em que a fé está muito dependente da norma social. A Idade Moderna traz à catequese e à evangelização as vantagens de uma maior instrução religiosa.

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Os séculos XIX e XX melhoram esta intuição renovando os aspetos didáticos.

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Em tempos recentes

O Concílio Vaticano II, olhando para o mundo e para a Igreja, sublinhou o papel primordial da catequese na vida cristã. A reflexão do Concílio foi sendo enriquecida por outros ­documentos: Directório Catequético Geral (1971), Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (1972), Evangelii Nuntiandi (1975), Catechesi Tradendae (1979), Christifideles Laici (1988), Redemptoris

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Missio (1990), Catecismo da Igreja Católica (1992), Directório Geral de Catequese (1997), Evangelii Gaudium (2013). Hoje está bastante claro que a comunhão com Jesus é a meta da catequese. E a partir dessa convicção conseguimos perceber melhor a relação entre catequese e evangelização, entre Palavra de Deus e liturgia, entre Tradição e Doutrina Social da Igreja. O caminho das últimas décadas mostrou a importância para a catequese da igreja particular e da família (igreja doméstica). Nestes anos, ficou mais clara a relação ƒƒentre conteúdo e método, ƒƒentre teologia e ciências humanas, ƒƒentre educação da fé e inculturação, ƒƒentre diálogo com o mundo e anúncio do Evangelho. 16

Mas é verdade que as últimas décadas mostraram os limites de uma catequese baseada na instrução, mesmo quando enriquecida com didáticas modernas e sofisticadas. O mundo tornou-se mais complexo; a cultura científica retirou espaço à religiosidade espontânea; a fé resulta cada vez mais de uma opção pessoal, com pouco ou nenhum suporte social. Descobrimos que não é possível ser cristão apenas como consequência de uma tradição social ou de hábitos familiares. A catequese deste início do século XXI quer ser capaz de oferecer propostas de sentido e de vida capazes de superar as alternativas do consumo, do fascínio tecnológico, da sedução enganadora dos governos e dos media.

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A relação entre educação e evangelização

Como superar os desafios causados por este mundo novo e sempre em crise em que habitamos? Há muitas respostas. Uma é repetir o mesmo de sempre e esquecer que essas propostas só funcionam com um número cada vez mais restrito de pessoas. Outra é fechar-se num certo elitismo e fazer uma catequese para aqueles especialmente motivados ou que tiveram a bênção de nascer e crescer dentro de famílias altamente motivadas para a transmissão da fé. Uma terceira resposta é recuar para posições fundamentalistas, fechando os olhos e ouvidos ao que nos rodeia, repetindo sínteses antigas de fé e rejeitando o diálogo com o mundo real onde a maioria das pessoas vive. Felizmente, há alternativas mais válidas, mais saudáveis e mais arejadas. Revemo-nos de forma especial na aliança entre a educação e a evangelização.

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Amplos sectores da Igreja afirmam uma estreita relação entre educação e evangelização: “Inspirando-se continuamente na pedagogia da fé, o catequista configura o seu serviço como qualificado caminho educativo, ou seja, de um lado ajuda a pessoa a se abrir à dimensão religiosa da vida, e, por outro lado, propõe o Evangelho a essa mesma pessoa, de tal maneira que ele penetre e transforme os processos de inteligência, de consciência, de liberdade e de ação, de modo a fazer da existência um dom de si a exemplo de Jesus Cristo.” (DGC 147) A evangelização propõe à educação um modelo de humanismo inspirado no Evangelho; e a educação, abrindo o ­coração dos catequizandos à verdade, à beleza, à compaixão,

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ao sentido da vida, ampara e acompanha o processo de evangelização. Sem educação não há evangelização duradoura e profunda, não há crescimento e amadurecimento; não é possível uma mudança de mentalidade e cultura. (Bento XVI, discurso aos Salesianos no CG 26). Vivemos numa sociedade e numa cultura marcadas pela secularização, pela irrelevância pública da fé, pela explosão de opiniões e comunicações na internet. Isso leva-nos a apostar na educação como horizonte adequado para alimentar a disponibilidade à fé. Ao sublinhar a dimensão educativa, reconhecemos a centralidade do sujeito, acolhemos as suas inquietações, sofrimentos e desejos. 18

A dimensão educativa leva-nos a estar atentos aos seus desejos de autenticidade, de verdade, de liberdade, de generosidade, de solidariedade. É a educação que possibilita um acolhimento do Evangelho capaz de penetrar e transformar toda a existência. Ao apoiarmos a ponte entre educação e evangelização, esperamos conseguir: ƒƒpromover o diálogo entre fé e razão, fé e cultura, Evangelho e vida; ƒƒelaborar um olhar atento sobre o nosso ambiente para propor com sabedoria as experiências da fé segundo os diferentes contextos, de acordo com as idades dos catequizandos, com uma atenção personalizada que se serve de processos diversificados; ƒƒapreciar a relação educativa como “encontro de liberdades”, no respeito pela singularidade de cada catequizando, que exige personalização e acompanhamento;

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ƒƒdefinir bem a relação entre conteúdo e método, ou seja, saber oferecer o núcleo da fé com a linguagem apropriada e com as mediações pedagógicas ­necessárias.

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Educar à fé num tempo de mudança

Estamos num momento da História marcado pela mudança. O mundo está em transformação e a maneira como anunciamos o Evangelho está atenta a esta situação. Algumas pessoas consideram que Deus é inimigo da liberdade e felicidade do ser humano. Outros recusam o Evangelho de Jesus por o considerarem estranho e obsoleto. Uma grande multidão opta pela indiferença religiosa. Para muita gente, a Igreja perdeu a credibilidade. Atento a estes problemas, o Papa Francisco, citando Paulo VI, convida a uma conversão pastoral:

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A Igreja deve aprofundar a consciência de si mesma, meditar sobre o seu próprio mistério (...). Desta consciência esclarecida e operante deriva espontaneamente um desejo de comparar a imagem ideal da Igreja, tal como Cristo a viu, quis e amou, ou seja, como sua Esposa santa e imaculada (Ef 5, 27), com o rosto real que a Igreja apresenta hoje. (…) Em consequência disso, surge uma necessidade generosa e quase impaciente de renovação, isto é, de emenda dos defeitos, que aquela consciência denuncia e rejeita, como se fosse um exame interior ao espelho do modelo que Cristo nos deixou de Si mesmo. (EG 26)

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Está bem claro como é importante a relação entre fé e cultura, entre fé e razão. A evangelização das culturas (também desta portuguesa, no século XXI) continua a ser um desafio para a Igreja. E são atuais ainda as palavras de Paulo VI: A ruptura entre o Evangelho e a cultura é sem dúvida o drama da nossa época, como o foi também de outras épocas. Assim, importa envidar todos os esforços no sentido de uma generosa evangelização da cultura, ou mais exactamente das culturas. (EN 20)

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Da modernidade à pós-modernidade

Nos anos 70 e 80 do século XX, na catequese e na pastoral juvenil, surgiram propostas de itinerários de fé que tentavam um diálogo entre a fé e a modernidade. Desde o iluminismo, a cultura ocidental insistia nos valores do progresso científico e tecnológico, da liberdade individual acima das ­ ­autoridades tradicionais, do reconhecimento dos direitos humanos, do desejo de construir novas sociedades emancipadas. O final dos anos 80 trouxe a queda do Muro de Berlim mas também o desmantelamento deste projeto moderno. Fomos evoluindo para uma nova cultura pós-moderna. O que é isso? É uma “nova” postura cultural profundamente desencantada com a modernidade. Perde-se o sentido da História. Deixa-se de acreditar nas utopias. Há um forte ceticismo em relação à capacidade da razão humana e à capacidade de transformar a sociedade. As correntes pós-modernas propõem o pensamento débil e o pluralismo como antídotos contra a arrogância da uniformidade moderna. Muito se tem discutido sobre estes fenómenos e também a Igreja ficou algo desconcertada diante destas novas tendências.

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Em busca de novos paradigmas

Para que a semente do Evangelho possa germinar na boa terra, temos de saber dialogar com estas novas culturas. E, ao mesmo tempo, discernir sobre os caminhos mais adequados para oferecer hoje, a todos, a alegre notícia de Jesus. As mudanças do nosso mundo pedem uma mudança de paradigma. Não basta melhorar alguns detalhes na maneira como antes fazíamos catequese. Para propor hoje a fé, muita coisa tem de mudar. Que novo paradigma é esse? Em rigor, ninguém o consegue descrever muito bem. Mas há algumas convicções e boas práticas que têm dado bons resultados: ƒƒestar presentes com solicitude aí onde a vida é mais frágil; ƒƒapostar pela dignidade humana; ƒƒescutar, acolher, dialogar e propor a vida da fé; ƒƒsublinhar o valor da comunidade cristã que convida a entrar num processo de fé viva; ƒƒcuidar da qualidade das relações fraternas na comunidade cristã; ƒƒcolocar no centro do compromisso pastoral a Palavra de Deus; ƒƒajudar a entender e a viver a liturgia; ƒƒreconhecer a riqueza dos diversos carismas presentes na Igreja e na comunidade; ƒƒpropor itinerários diversificados e personalizados; ƒƒpreocupar-se com a identidade cristã dos evangelizadores, dedicando energias à sua formação e acompanhamento; ƒƒdar importância ao discernimento; ƒƒtomar consciência da presença de Deus na catequese.

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Chamados a evangelizar

Não faz sentido uma catequese sem proposta e acolhimento do Evangelho. Não nos interessa uma catequese que leva a perder a fé, a vivê-la como uma rotina, a existir sem nunca abrir o coração a Jesus ou que conduz a uma fé irrelevante para a vida quotidiana. Não é mais possível um cristianismo feito de pressão social ou familiar. Para o melhor e o pior, hoje, a fé vive-se num ambiente pluralista, crítico, difuso e complexo.

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Evangelizar é, hoje, uma prioridade. Foi prioridade no tempo dos Apóstolos e é prioridade hoje. Relê a Evangelii Gaudium do Papa Francisco, se dúvidas houver. A palavra “evangelização” pode ter muitos significados. Mas algo há em comum: evangelizar é anunciar o Evangelho de Jesus Cristo como salvação de Deus. Só há evangelização quando o Evangelho é anunciado de forma credível como boa notícia da misericórdia infinita de Deus. Diz o Papa Francisco, citando João Paulo II: «não pode haver verdadeira evangelização sem o anúncio explícito de Jesus como Senhor» e sem existir uma «primazia do anúncio de Jesus Cristo em qualquer trabalho de evangelização» (EG 110). Para o Papa, a evangelização é tarefa de todos na Igreja porque todos somos discípulos missionários. “Em todos os baptizados, desde o primeiro ao último, actua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar.” (EG 119). Ele fala de uma maneira de evangelizar, pessoa a pessoa, afirmando que “é cada um levar o Evangelho às pessoas com

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quem se encontra, tanto aos mais íntimos como aos desconhecidos.” (EG 127) Para isso, há que voltar ao coração do Evangelho, tendo uma boa hierarquia das verdades. “O anúncio concentra-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário. A proposta acaba simplificada, sem com isso perder profundidade e verdade, e assim se torna mais convincente e radiosa.” (EG 35) Para fazer uma evangelização assim, precisamos de discípulos missionários, com uma atitude respeitosa e amável, humilde e capaz de testemunho, com capacidade de diálogo pessoal, onde a outra pessoa pode exprimir as suas alegrias, esperanças e medos. Só depois apresentamos a Palavra, sempre sublinhando o anúncio fundamental: o amor de Deus que Se fez homem, Se entregou por nós e está vivo oferecendo a sua salvação e a sua amizade.

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Itinerários de educação à fé e pastoral da Igreja

Este projeto de catequese quer incorporar as melhores intuições da tradição pastoral da Igreja e também assumir os desafios da complexa situação social e cultural de hoje.

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Quem e onde

Ligações. Itinerário de educação à fé quer ajudar a comunidade e o catequista a anunciar o Evangelho de Jesus a uns destinatários concretos, neste lugar que é Portugal e neste tempo. Sabemos que é um instrumento limitado, porque a resposta pessoal ao Evangelho não é controlável nem é auto-

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mática. Não somos donos do Evangelho nem pretendemos manipular a liberdade pessoal. Sabemos que o acolhimento da fé resulta sempre de um diálogo pessoal entre Deus, que toma a iniciativa, e cada um dos nossos catequizandos. A Igreja local, presidida pelo bispo, que tem a missão eclesial de evangelizar, é o sujeito primeiro da ação pastoral, como sacramento universal da salvação de Jesus no território da diocese.

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Dentro desta igreja local, habitam diferentes dons e carismas, diferentes intuições espirituais e pastorais, diversas sensibilidades catequéticas e pastorais. Já em 2009, os nossos bispos, a propósito do Ano Paulino convidavam a refletir “sobre a verdade da Igreja e a maneira de construir a unidade da comunhão, na imensa variedade de carismas que voltaram a enriquecer a Igreja do nosso tempo.” (CEP, Ano Paulino. Uma proposta pastoral nº6). Nesta saudável riqueza, surge este projeto Ligações.

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Um caminho de iniciação cristã

Uma boa catequese sonha acompanhar os catequizandos até à fé adulta. Para atingir esta meta, os bispos portugueses, citando Paulo VI, descreveram um caminho interessante (CEP, Para que acreditem e tenham vida nº 3b). Vale a pena reler essa proposta: 1. Presença e acolhimento. Para que os destinatários possam escutar a Boa Nova, precisam de ter o coração bem disposto, atento e acolhedor. Nesse sentido, o primeiro passo e a atitude constante para evangelizar é “captar a benevolência” dos destinatários, tornando-se, no meio deles, uma presença amiga, acolhedora e solidária. À semelhança de Jesus que pela

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Sua Encarnação se situou no meio de nós para nos anunciar o Evangelho. (Cf EN 21; AG 10). 2. Primeiro anúncio. Não podemos permanecer na presença solidária e no acolhimento. É indispensável o anúncio explícito de Jesus como Salvador do homem (EN 22), que conduza ao despertar da fé e da conversão. “Em várias partes da Europa há necessidade do primeiro anúncio do Evangelho aos não baptizados” (E in E 46). “ Por toda a parte há necessidade de um renovado anúncio, mesmo para quem está baptizado... Muitos baptizados vivem como se Cristo não exis­ tisse... o desafio não consiste tanto em baptizar os novos convertidos, mas em levar os baptizados a converterem-se a Cristo e ao seu evangelho” (E in E 47). 3. Depois do primeiro anúncio é o momento da catequese que solidifica e faz amadurecer o primeiro anúncio. “O momento da catequese é aquele que corresponde ao período em que se estrutura a conversão a Jesus Cristo, oferecendo as bases para essa primeira adesão. Os convertidos, mediante um ensinamento de toda a vida cristã e uma aprendizagem devidamente prolongada no tempo, são iniciados no mistério da salvação e num estilo de vida evangélico” (DGC 63). A catequese é, assim, o momento “fundamental” e “prioritário” de evangelização pois lança as bases que podem dar solidez à vida cristã futura (Cf DGC 63-64). A “Catechesi Tradendae” caracteriza-a como: “iniciação ordenada e sistemática à revelação que Deus fez de si mesmo ao homem, em Jesus Cristo. Esta revelação está conservada na memória profunda da Igreja e das Sagradas Escrituras, e é constantemente comuni-

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cada, por uma “traditio” viva e activa, de uma geração a outra” (CT 22). 4. Comunidade cristã e sacramentos. A catequese conduz à integração e à participação activa na comunidade cristã que celebra a presença e a acção de Deus nos sacramentos, sobretudo na Eucaristia, vértice e fonte de vida cristã (Cf SC 10). Este elemento constitui um indicador fundamental da boa realização da catequese. Na verdade, não há vida cristã sem participação na comunidade. Esta tem a raiz e o centro na celebração da Eucaristia (PO 6), principal escola de vida cristã que, após a catequese sistemática, garante a formação permanente e o crescimento espiritual dos fiéis. 5. Comunidade cristã e testemunho. A vida cristã é como os talentos do evangelho que são dados a cada um para pôr a render através do testemunho da caridade e do serviço ao Reino de Deus. A vida cristã é como a luz que deve irradiar à sua volta. O testemunho, por sua vez, fortalece e aprofunda a fé dos fiéis. Estes momentos não são compartimentos autónomos e separados. Estão em comunicação uns com os outros. Por isso a catequese não pode preocupar-se apenas em esclarecer e solidificar a fé mas também em despertá-la e avivá-la continuamente, retomando o primeiro anúncio e orientando na conversão ao Senhor (Cf CT 19). Precisa igualmente de orientar para a celebração e para o testemunho da fé.

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A catequese não é o começo deste caminho de fé. Ela pressupõe o primeiro anúncio. Em muitas crianças, este primeiro anúncio é feito pelas famílias. Mas em tantas outras ele

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nunca aconteceu e tem de ser a catequese a convidar a uma fé inicial. Com umas e com outras, uma boa catequese tem sempre claro que todos os conteúdos, todas as experiências, devem ser reconduzidas ao essencial da fé: Deus é bom e é bom acreditar em Deus.

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Uma espiritualidade para o século XXI

Dentro da Igreja sempre coexistiram diferentes estilos de espiritualidade. A nível pessoal ou comunitário faz-se experiência do Deus Trindade de formas diferentes. O decisivo é viver da graça e da luz do mistério de Deus, revelado em Jesus, pela força do Espírito, que com a sua presença faz de nós filhos do Pai e irmãos numa humanidade que procura sentido e salvação na História. A vida espiritual tem em Deus, mistério de amor, a sua fonte, o seu centro e a sua meta. Podemos entender a espiritualidade como o viver do amor de Deus, fazer experiência da sua amizade e proximidade, sendo enviados por Ele a anunciar o seu Reino, já realizado em Jesus Ressuscitado. Deus é o centro unificador da nossa pessoa, a experiência fundante que sustenta a nossa complexidade interior, a fonte da nossa comunhão fraterna, a força que inspira e impulsiona o nosso agir.

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O coração da vida espiritual é o encontro com Jesus Cristo. Enraizar-se em Cristo e conformar-se com Ele é dom do Espírito e, ao mesmo tempo, decisão da nossa liberdade. Por isso, a tarefa número um da catequese é levar ao encontro com Cristo. Acreditamos que esse encontro acontece na escuta da Palavra, na celebração dos sacramentos, na oração pessoal e comunitária. O acompanhamento de outros cristãos mais velhos é um recurso precioso para esse encontro.

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A vida espiritual é vida no Espírito, que cria, na fragilidade e no provisório da vida, dinamismos de crescimento pessoal. O decisivo é a Graça que vem de Deus mas ela acontece na complexidade do ser humano. É na força do Espírito que nos abrimos ao horizonte infinito do amor de Deus. No Ligações. Itinerário de educação à fé propomo-nos formar um crente marcado por algumas opções: 1) Consideramos que a vida quotidiana é o lugar do encontro com Deus. Nisto, seguimos o critério da Encarnação: em toda a realidade humana, Deus está presente como oferta de salvação. Assim se facilita e consolida a unidade entre a fé e a vida.

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2) Propomos uma espiritualidade marcada pela alegria e pelo otimismo. Esta intuição brota da Páscoa de Jesus. Com a vitória de Jesus sobre a morte e todo o mal, faz sentido para todos vivermos em alegria e festa, apostar a nossa liberdade nas bem-aventuranças e na esperança. 3) No centro da nossa proposta, está a relação de amizade e confiança que podemos estabelecer com Jesus. Esta relação cresce, torna-se profunda, de forma especial nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, alimenta-se na oração pessoal e comunitária. Esta relação com Jesus pode e deve ser vivida enraizada na vida de cada dia, num compromisso apostólico, numa atmosfera de simplicidade e alegria. 4) O crente que nos propomos formar habita dentro da Igreja. Manifesta e fomenta a comunhão em Igreja com relações fraternas e colaborações práticas. S ­ entimo-nos bem, em casa, dentro desta rede de relações que é a

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Igreja convocada por Jesus. Maria, a mãe de Jesus, é modelo desta pertença eclesial. Ela é a crente fiel que se coloca nas mãos de Deus, que se deixa guiar pelo Espírito, que participa na história da salvação. 5) Por fim, valorizamos um perfil que aponta ao serviço de forma estável. Queremos ajudar cada catequizando a descobrir, diante de Deus e diante dos outros, a verdade do seu ser pessoal, promovendo caminhos vocacionais e atitudes de serviço. Promovemos a dignidade da pessoa e os seus direitos, a generosidade e a solidariedade, a honra e a competência, o compromisso pela paz e pela justiça, o fomento do bem comum e da cultura, o respeito pela Criação.

6 A

Nome, imagem e referências

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Um nome: Ligações

Demos a este Itinerário de educação à fé o nome de Ligações, porque esta proposta quer estabelecer ligação entre várias realidades: ƒƒentre Deus que Se revelou plenamente em Jesus de Nazaré e cada um dos catequizandos; ƒƒentre a comunidade cristã, tornada presente pelos seus catequistas, que encontram no Evangelho a sua fonte e força, e os desafios colocados pela vida real dos catequizandos, das suas famílias, do seu contexto; ƒƒentre os vários catequizandos que são convidados a experimentar já o que é ser Igreja, comunidade dos que querem seguir Jesus e o seu Evangelho;

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ƒƒentre a situação atual de cada catequizando e o crente maduro e feliz que Deus está a chamar; ƒƒentre a Igreja e as famílias que pedem para os seus filhos uma boa educação na fé.

B

Uma imagem

O logótipo deste Itinerário de educação à fé tem a forma de uma cruz. O Ligações está convicto que só o Evangelho de Jesus pode oferecer esperança e vida abundante às pessoas de todos os tempos e também de hoje.

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Os dois braços da cruz representam o duplo movimento que configura a nossa proposta. Há um braço vertical que nos remete para a ponte entre Deus e a nossa humanidade. Mas há também um braço horizontal que nos recorda que a ação evangelizadora, sempre nascida da graça, acontece no concreto do nosso chão, através de mediações relacionais e educativas. A forma como ambos os braços da cruz estão desenhados inspira-se na dupla hélice da molécula de ADN. Significa a vontade de oferecer um processo catequético que transforma e reconfigura a identidade profunda das pessoas envolvidas. A pluralidade das cores explicita a atenção à diferenciação de propostas, ao empenho por procurar linguagens e estratégias inculturadas, atentas aos desafios postos pelo mundo contemporâneo e pelas fases de desenvolvimento dos destinatários.

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Referências

Prestamos grande atenção a várias referências. Em primeiro lugar, à Igreja. Ela tem-nos oferecido marcos que assumimos:

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ƒƒa síntese doutrinal oferecida pelo Catecismo da Igreja Católica e pelo Compêndio; ƒƒo entendimento de catequese proposto pelo Diretório Geral de Catequese; ƒƒa sensibilidade ao contexto português trazida pelos documentos da CEP; ƒƒa visão pastoral corajosa trazida pelos últimos pontífices (TMI, EG…) A tradição salesiana tem ajudado muitos educadores a “fazer santos” das crianças e jovens. Algumas das suas intuições são, parece-nos, bastante relevantes para toda a Igreja: ƒƒrevemo-nos numa séria aliança entre educação e evangelização que encontra na animação uma expressão pedagógica e espiritual; ƒƒacreditamos que o grupo pode ser, em paralelo com as famílias, um lugar de humanização, de apropriação da fé e de experimentação eclesial. É um espaço onde os adultos crentes e os mais jovens se podem encontrar num processo de crescimento humano e cristão enriquecedor;

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ƒƒa qualidade relacional que o catequista estabelece com catequizandos e famílias gera abertura de coração, ajuda a superar preconceitos e desconfianças e é sinal credível da verdade do Evangelho. Estamos atentos à realidade dos destinatários, especialmente a alguns fenómenos: ƒƒo alongamento da adolescência e dos processos de definição da identidade; ƒƒas alterações e a corrosão que a família em Portugal tem sofrido;

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ƒƒa presença da cultura digital e o seu impacto nas socializações e nas aprendizagens.

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Capítulo

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O que está dentro do Ligações?

1

Conteúdos

Em linha com as boas práticas pedagógicas, chamamos conteúdos a tudo aquilo que desejamos que o catequizando apreenda. Estes conteúdos podem ser cognitivos (conceitos), práticos (procedimentos) ou atitudinais (valores). Um exemplo simples com o sinal da cruz: podem aprender a dizer as palavras com que se faz o sinal da cruz (conceitos); podem aprender a fazer os gestos (procedimentos); podem aprender a fazer o sinal da cruz com devoção e confiança em Deus (atitudes).

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Num processo catequético nos dias de hoje, os conteúdos são-nos dados pela Sagrada Escritura e pelo Catecismo da Igreja Católica, enquanto mediação qualificada. As seis tarefas que o Directório Geral de Catequese atribui à catequese ajudam-nos a estruturar melhor os conteúdos: Favorecer o conhecimento da fé; A educação litúrgica; A formação moral; Ensinar a rezar; A educação para a vida comunitária; A iniciação à missão (Cf. DGC 85. 86). “As tarefas da catequese correspondem à educação das diversas dimensões da fé, uma vez que a catequese é uma formação cristã integral, aberta a todas as outras componentes da vida cristã. (…) A catequese deve cultivar cada uma dessas dimensões.” (DGC 84)

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É importante recordar que, para cada uma destas tarefas, os conteúdos se apresentam numa dupla perspetiva: objetiva e subjetiva. Nos conteúdos relativos à fé, ficamos a conhecer melhor como Deus é; mas também como podemos confiar mais n’Ele. Na liturgia, aprendemos o que são os sacramentos e aproveitamos para ganhar o gosto de nos encontrarmos com Ele. Na moral, descobrimos os caminhos que Deus nos aponta para vivermos segundo a sua vontade e construirmos uma vida mais feliz; mas aprendemos também a acolher o dom de Deus em nós para podermos moldar a nossa liberdade ao coração de Deus. Na oração, descobrimos o que é a oração e fazemos efetivamente experiência de oração. Aprendemos o que é a Igreja e exercitamo-nos a fazer parte dela. Na missão, interessa-nos saber que Deus nos chama e nos envia, mas interessa-nos também desenvolver as competências para o conseguirmos pôr em prática. Além disso, queremos dar um espaço adequado à Doutrina Social da Igreja. Aceitamos o desafio lançado pelo Directório: “O estudo da doutrina social da Igreja é indispensável, visto que «sua finalidade principal é interpretar estas ­realidades (as complexas realidades da existência do homem, na sociedade e no contexto internacional), examinando a sua conformidade ou desconformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho»” (DGC 71). Felizmente, na catequese de adultos, este esquecimento da Doutrina Social da Igreja vai diminuindo. Mas, na catequese de crianças e adolescentes, ela é vista ainda como um conteúdo demasiado difícil para gente tão nova. E o ambiente de individualismo que nos rodeia ainda torna mais difícil a sua proposta. Apesar disso, sempre tendo presente o grau de desenvolvimento dos catequizandos e a relevância existencial dos conteúdos, queremos dar-lhe um lugar digno.

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Algumas atenções

Na escolha dos conteúdos, não nos limitamos a prestar atenção às fontes da revelação. Sentimos os desafios da cultura de hoje, dos caminhos pastorais que a Igreja quer percorrer, bem como da condição juvenil.

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Um maior equilíbrio entre traditio e reditio

Desde os primeiros séculos, a Igreja usa, na sua catequese, um duplo movimento de transmissão (traditio) e receção (reditio) dos documentos da fé. Um exemplo que hoje ainda continua: a Igreja “entrega” aos catequizandos o Credo; estes assimilam-no em profundidade, fazem-no seu e depois são capazes de fazer a sua profissão de fé. A catequese sempre teve cuidado na “transmissão da fé”, a primeira parte do processo. Este cuidado manifesta-se na escolha fiel dos conteúdos e até na atenção pedagógica para os tornar significativos para os catequizandos. Mas houve um certo esquecimento da reditio, dos processos pelos quais os catequizandos ativamente se apropriam desses conteúdos. Suponha-se um modelo de comunicação em que o catequizando era visto como um recetor passivo. Só que a comunicação humana nunca funciona assim. Pode haver alguém (neste caso, a Igreja e os catequistas) que tomam a iniciativa de comunicar algo de belo e precioso. Mas a comunicação só acontece realmente quando os catequizandos fazem seu este conteúdo. Este “sim”, que se diz à Palavra de Deus anunciada por mediação da Igreja e da catequese, é uma “digestão lenta”, em que o ouvinte escuta a mensagem, a confronta com as suas experiências, a testa para verificar se ela é

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mesmo capaz de melhorar a vida, a compara com as visões das pessoas que o rodeiam Sabemos que o catequizando é sempre parte ativa no processo de comunicação. E por isso queremos apoiar o catequizando na tarefa de se apropriar da fé proposta pela comunidade eclesial.

B

Uma Palavra que salva

Quando recitamos o Credo, antes de narrar as coisas maravilhosas que Deus fez em Jesus, dizemos “por nós homens e por nossa salvação”. Os conteúdos que a memória viva da Igreja conserva e propõe às novas gerações não são apenas verdadeiros: são verdades que nos fazem bem. Que mudam a nossa vida para melhor. 36

Por vezes, a respeito de algum conteúdo que estamos a propor na catequese, ouvimos uma pergunta algo insolente: “O que é que isso contribui para a minha felicidade?” É uma pergunta, mas quem a faz está, muitas vezes, a sugerir uma resposta: que a catequese é inútil para a vida e para a sua qualidade. Mas, em bom rigor, aquela pergunta, insolente ou não, é uma pergunta essencial para a fé. Este texto bíblico, esta verdade da fé, esta opção ética, esta prática de oração… serve para alguma coisa? Têm realmente força para dar mais sabor e qualidade à vida? Trazem salvação? Um catequista apressado dirá logo que sim. Mas esse nosso entusiasmo pela fé torna difícil perceber que os catequizandos podem não entender como fonte de alegria os conteúdos e as experiências que, para nós, são centrais. Já Paulo dizia: «Trazemos este tesouro em vasos de barro» (2 Cor 4, 7). Esta verdade geradora de vida nova e de esperança apresenta-se, para quem ainda não a experimentou, em vasos de barro:

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frágeis, banais, pouco atraentes. Na nossa forma de fazer catequese, queremos ajudar os catequizandos a descobrir que o Evangelho é resposta aos seus desejos mais profundos de felicidade.

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Um Deus família: a Trindade

Segundo os últimos inquéritos, cerca de 90% dos portugueses diz acreditar em Deus. Para quem repara na q ­ uantidade de pessoas que vai (ou não vai) à missa ao Domingo, este dado pode surpreender. Os números são verdadeiros. A questão é que o “deus” em que tanta gente diz acreditar tem significados muito diferentes. É urgente afirmar a imagem cristã de Deus. No meio de tantas opiniões, fazemos uma catequese que apresenta Jesus como a imagem perfeita de Deus. Respeitamos quem diz “eu cá acho que deus é isto ou aquilo”. Mas, neste diálogo, oferecemos a nossa convicção que na vida, nas palavras, nos gestos, na morte e ressurreição de Jesus está a melhor imagem possível de Deus. Desse Deus a quem Jesus chamava Pai e de Quem Ele Se sentia Filho amado. E aceitamos que esse Deus é acessível na nossa história de vida através da presença do Espírito Santo.

D

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Aprender a acreditar

A expressão “fé” resume bem a totalidade do ideal cristão. Acreditamos que Deus é bom, tal como Jesus O mostrou e que estamos n’Ele por dom do seu Espírito. Acreditamos em tudo o que Ele nos disse. Confiamos n’Ele. Uma boa parte dos nossos catequizandos está disposta a assumir esta atitude de fé entusiasmada. Mas todos eles vivem num ambiente em que esta atitude da fé é pouco aceite.

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Há pais e parentes que não praticam ou “fazem pouco” da fé. Há colegas com outras religiões ou com religião nenhuma. Há o currículo da escola que se esforça por apresentar a fé como uma superstição primitiva. Há os media que propõem trocar a fé em Deus pela nova religião do prazer e do consumo. É importante, de acordo com as idades, incluir uma reflexão de segundo grau sobre a fé com que se acredita. Isso permitirá aos catequizandos enquadrar melhor a sua experiência de fé e de dúvida, lidar com a falta de fé de familiares e amigos.

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Fé e oração

Há um velho adágio na Igreja: Lex orandi, Lex credendi. Quer dizer que aquilo que se reza e celebra é aquilo em que se acredita. Há a convicção que na oração e na celebração dos sacramentos podemos experimentar em primeira pessoa as maravilhas que Deus fez na história da salvação. Queremos reforçar a atenção dada à celebração proveitosa dos sacramentos. Para isso, oferecemos catequeses que sublinham, para cada idade, a força transformadora dos sacramentos. Oferecemos propostas de oração pessoal a partir das leituras do Domingo, adaptadas à idade (mormente, queremos recuperar a antiga prática da Lectio Divina). Favorecemos a ligação entre a liturgia e a vida. A oração em grupo é um dos momentos que queremos cuidar mais. Vamos criar espaços de profundidade, onde se possam encontrar a Palavra de Deus, as diferentes linguagens e os desafios da vida real dos catequizandos. Apoiamos os catequizandos e as famílias numa prática de oração quotidiana alegre e profunda.

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A distribuição dos conteúdos

Ligações. Itinerário de educação à fé oferece materiais para a catequese dos 6 aos 18 anos. Dividimos estes 12 anos de catequese em 4 fases de três anos. Estas fases têm metas e abordagens diferentes. No seu conjunto, elas pavimentam o caminho para avançarmos rumo ao crente adulto. Nos últimos 25 anos, a maioria das paróquias tem oferecido 10 anos de catequese. Mas catequistas mais atentos aos desafios que os adolescentes enfrentam dão-se conta que os tempos de maturação estão cada vez mais longos. Por isso, tem alguma lógica aumentar a oferta. Se a meta da catequese é formar um cristão “adulto”, uma catequese que termina no meio da adolescência, como até agora, não parece ter muito sentido. Há um forte debate entre aqueles que desejam uma catequese que acompanhe os catequizandos até à maturidade (humana e de fé) e aqueles que desejam uma catequese mais concentrada no tempo. Estes últimos inspiram-se muito nas boas práticas da catequese de adultos que tenta formar um cristão num prazo de 3 a 5 anos. Mas esquecem que aplicar os mesmos tempos e pedagogias a crianças e adolescentes não dá os mesmos resultados.

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Fase 1: Descobrir a fé

1º, 2º e 3º anos. Esta fase acompanha os catequizandos (e, muitas vezes, as suas famílias) num primeiro contacto com a fé. Um bom número de catequizandos começou a sua iniciação cristã em ambiente familiar; mas muitos outros não o fizeram. Para uns e para outros, queremos, nesta fase, fazer um caminho de descoberta e entusiasmo pela fé. Com os catequizandos e com as suas famílias, na medida em

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que estiverem disponíveis. Poderão descobrir Jesus, os traços essenciais da sua vida, a sua presença nos sacramentos (especialmente a Reconciliação e a Eucaristia), a sua relação especial com o Pai e o Espírito. Cultivamos o sentimento de proximidade face a Jesus. Cada catequese prevê dois encontros com atividades e um terceiro encontro de tipo mais celebrativo, com a presença das famílias. Propomos dar alguma solenidade à festa do acolhimento no 1º ano, à entrega do Pai Nosso, no 2º ano, e à iniciação à reconciliação e à Eucaristia, no 3º ano.

B

Fase 2: Assumir uma primeira síntese da fé

4º, 5º e 6º anos. Esta fase ajuda o catequizando a e ­ laborar uma primeira síntese de fé. Para isso, facilita o acesso às fontes da fé, mormente a Sagrada Escritura e o Credo. 40

No 4º ano, faz-se a descoberta da vida de Jesus, como ­consignada pelos evangelhos. Culmina na festa da Palavra. No 5º ano, a descoberta da Bíblia prossegue com o estudo do Antigo Testamento e dos Atos dos Apóstolos. Este estudo está atento à sensibilidade pré-adolescente, com a sua valorização do “fazer”. Culmina com a entrega do Credo (traditio credi). O 6º ano está dividido em duas partes. Na primeira, os sete sacramentos são apresentados como memória e atualização da história de salvação que descobriram nos dois anos anteriores. Na segunda parte, estuda-se o credo de forma sistemática. Privilegia-se o enfoque cristológico e bíblico. Culmina com a profissão de fé (reditio credi). Nesta fase, cada catequese ocupa um encontro semanal.

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Fase 3: Crescer e mudar amparado pela fé

7º, 8º e 9º anos. Esta fase corresponde à entrada na adolescência, com todos os desafios que se colocam à construção da identidade. Propomo-nos, nesta fase, ajudar o catequizando a viver todas as mudanças amparado pela fé. No 7º ano, depois de “lermos” com fé as mudanças que se ­avizinham, detemo-nos a assimilar as bem-aventuranças. Elas são propostas como estilo de vida alternativo ao dominante, capaz de assegurar uma vida feliz e cheia de alegria. Este ano culmina com a entrega das bem-aventuranças. No 8º ano, damos especial atenção à qualidade de relação: o estilo das relações interpessoais, a maneira como Jesus se relacionava com os outros e, quase como integração, o estilo de vida dentro da Igreja. Este ano culmina com a festa da vida. No 9º ano, retomamos a questão da identidade, colocamo-la em diálogo com a moral cristã (sistematizada nos mandamentos) e abrimo-nos ao tema da esperança e dos “novíssimos”. Culmina na festa do compromisso. Nesta fase, cada catequese ocupa dois encontros semanais.

D

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Fase 4: Fazer escolhas e comprometer-se com a fé

10º, 11º e 12º anos. Esta quarta fase ajuda o adolescente a fazer uma segunda síntese de fé. Procura revisitar os 4 pilares da existência cristã, tendo em conta a maior ­autonomia decisional de que dispõem os adolescentes nesta idade. A celebração do crisma deve suceder durante esta fase. A idade exata pode variar com o discernimento dos catequizandos, dos catequistas e as normativas emanadas por cada diocese. Esta fase reduz o número de catequeses a 7 por ano, aumenta o número de encontros por catequese (4) e o tempo disponível em cada uma delas (90 minutos). Este tempo extra

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disponível permite mais atenção à expressão de fé e à tarefa de apropriação pessoal e existencial dos conteúdos por parte do adolescente. No 10º ano, as catequeses centram-se em Jesus, nos traços da sua vida e na relação que Ele mantém com o Pai e o Espírito. No 11º e no 12º ano, com acentuações diferentes, trabalham-se as consequências da adesão a Jesus e à sua causa: a pertença eclesial e as diferentes formas que ela pode assumir e o estilo de vida renovado a que Jesus nos convida e que o Espírito torna possível e desejável.

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Indicadores de avaliação

Para cada fase, identificamos indicadores de sucesso a partir das 6 tarefas da catequese. 42 Fase 2:

Fase 3:

Descobrir a fé

Elaborar uma primeira síntese orgânica de fé

Viver o desafio de mudar amparado pela fé

O catequizando conhece a atitude de fé confiante que Jesus tinha face ao Pai e experimenta uma atitude semelhante à de Jesus.

O catequizando conhece os principais personagens, episódios e atitudes da história da salvação e sente-se parte dessa história.

O catequizando sente e está consciente que a relação com Deus o ampara neste tempo de mudança.

Fase 1:

Favorecer o conhecimento da fé

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O catequizando articula a sua experiência de fé com outras fontes de saber.

Fase 4: Fazer escolhas e comprometer-se com a fé O catequizando vive a fé e a relação com Deus como estruturante para a elaboração e vivência do seu projeto de vida.

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Fase 1: Descobrir a fé

O catequizando celebra com proveito os sacramentos da Eucaristia e da reconciliação. A educação litúrgica

Fase 2:

Fase 3:

Elaborar uma primeira síntese orgânica de fé

Viver o desafio de mudar amparado pela fé

Fazer escolhas e comprometer-se com a fé

O catequizando celebra regularmente, com autonomia motivacional, os sacramentos da reconciliação e da Eucaristia.

O catequizando vive os desafios de construir a sua identidade amparado pela força do batismo, da eucaristia e da reconciliação.

O catequizando celebra o sacramento do crisma e encontra nele a força para um compromisso com a causa de Jesus em Igreja.

Fase 4:

O catequizando acompanha a comunidade na vivência dos diferentes tempos litúrgicos.

A formação moral

O catequizando acolhe as indicações morais de Jesus em favor do altruísmo e da bondade..

O catequizando reconhece em Jesus o modelo na relação com Deus e com os outros e uma fonte para a alegria e o serviço.

O catequizando avalia criticamente a sua vida e o ambiente que o rodeia, a partir dos valores do Evangelho e da relação com Jesus.

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O catequizando viva a sua liberdade e as suas escolhas como resposta generosa ao chamamento de Deus..

Aqui encontra as forças para a ­construção da sua ­personalidade.

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Fase 2:

Fase 3:

Elaborar uma primeira síntese orgânica de fé

Viver o desafio de mudar amparado pela fé

O catequizando vive a oração como diálogo com Deus através de fórmulas existentes e de orações espontâneas.

O catequizando relaciona-se com Deus a partir da categoria de amizade, onde Ele está perto dos problemas do quotidiano.

O catequizando assume um ritmo diário de oração, e articula com autonomia a Palavra de Deus e as suas vivências pessoais.

O catequizando vive a oração como ocasião de discernimento do seu projeto de vida.

A educação para a vida comunitária

O catequizando sente-se parte do grupo dos amigos e companheiros de Jesus.

O catequizando assume o seu protagonismo no grupo de catequese e na família como experiências de Igreja.

O catequizando empenha-se numa relação positiva, num diálogo sincero, na partilha de valores, no grupo e em família.

O catequizando sente-se pertença da paróquia, da diocese e da Igreja universal e cultiva uma participação construtiva.

A iniciação à missão

O catequizando cultiva atitudes de bondade e respeito para com todos.

O catequizando dá testemunho dos seus valores cristãos na escola e no seu círculo de amigos.

O catequizando, inserido em grupo, participa com empenho nas ações de solidariedade propostas.

O catequizando empenha-se de forma estável em ações de serviço e cultiva o discernimento vocacional.

Fase 1: Descobrir a fé

Ensinar a rezar

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Fase 4: Fazer escolhas e comprometer-se com a fé

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Os recursos disponíveis e como os usar

Ligações. Itinerário de educação à fé apresenta-se como um conjunto de materiais que podem ser usados em várias combinações. São estes os nomes dados às propostas de cada ano: ƒƒ1: Nos passos de Jesus ƒƒ2: No abraço de Jesus ƒƒ3: No coração de Jesus ƒƒ4: A aventura de escutar ƒƒ5: A aventura de caminhar ƒƒ6: A aventura de acreditar ƒƒ7: Arriscar a mudança 45

ƒƒ8: Arriscar com os outros ƒƒ9: Arriscar mais ƒƒ10: Caminho para amadurecer ƒƒ11: Caminho para amar ƒƒ12: Caminho para comprometer-se

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Livro Zero

Corresponde a este livro que tens em mãos. Apresentamos o projeto na sua globalidade, as suas opções. Para catequistas e, especialmente, para quem tem responsabilidades de coordenação. Permite perceber a lógica do projeto e o porquê das opções tomadas.

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Guia do catequista

Um título para cada ano. Inclui as indicações para orientar os encontros semanais. No início de cada catequese, há uma breve síntese de conteúdos, um convite a envolver-se espiritualmente com o tema dessa catequese. As propostas de desenvolvimento são ágeis, atentas às dimensões médias dos grupos de catequese.

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Cada catequista deve ter o seu exemplar. Recomendamos que o grupo de catequistas que trabalha com o mesmo ano se junte periodicamente para preparar as catequeses. Esta preparação deve ser um momento de fraternidade, de procura, de partilha. Alguns guias incluem laboratórios para os catequistas. São propostas para a formação permanente dos catequistas. Na primeira fase, é sugerido um laboratório para cada catequese; nas outras fases, há um em cada trimestre.

C

Livro do catequizando

Inclui os materiais necessários para o desenvolvimento proposto no guia e também um conjunto de outros recursos para a reflexão, a oração e a síntese de fé. Têm um design atraente. Queremos que estes livros sejam um companheiro de viagem para os catequizandos, usados com gosto e utilidade. São necessários aos encontros, mas podem também ser lidos e usados ao longo da semana. A partir do 4º ano, optámos por não incluir aqui os textos bíblicos. Eles devem ser consultados na bíblia pessoal ou familiar que cada catequizando deve trazer para os encontros de catequese e ter à mão no seu quarto. No Livro do Catequizando, estão sempre vários desafios complementares, que os catequizandos podem/devem fazer

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em casa. Unss são individuais, outros pedem a interação com as famílias. O catequista deve motivá-los a usar com proveito estas propostas e deve pedir o feedback. Elas não são nenhum tipo de TPC; os catequizandos devem fazê-las porque os enriquecem, porque os divertem, porque lhes abrem novos horizontes. O catequista estimula o grupo a colocar em comum o que descobriram.

D

Pasta de apoio com cartazes e imagens

“Uma imagem vale por mil palavras”, diz o provérbio. Cientes dessa sabedoria popular e atentos à sensibilidade das novas gerações às imagens, recorremos com frequência ao uso de fotos, esquemas e cartazes. Eles estão disponíveis nesta pasta de apoio. Os cartazes devem ser afixados em lugar visível a todos. Muitas vezes, as fotos servem para as dinâmicas e/ou jogos propostos e devem ser manuseadas pelos catequizandos. Fotos e cartazes são frágeis e o catequista deve ter alguma atenção à sua conservação.

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Estas imagens comunicam, acima de tudo, memórias e sentimentos. O catequista convida a olhar, a ver, a sentir o que “dizem” as imagens.

E

CD áudio

Inclui as canções recomendadas bem como outros elementos áudio recomendados pelo guia (música de fundo, gravações de textos…). Algumas das canções devem ser cantadas por todos. A gravação em CD é uma ajuda preciosa para o catequista menos dotado. Especialmente durante a adolescência, o uso das canções tem as suas dificuldades. Por causa da insegurança pessoal, muitos catequizandos evitam

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cantar alto. Cantando bem ou mal, alto ou baixo, para dentro ou para fora, o importante é que catequistas e catequizandos percebam as canções como documentos de trabalho, portadores de conteúdos e de emoções.

F

Vídeos

Em algumas das catequeses, propomos o uso de pequenos vídeos. Não se trata de nenhum tipo de “oferta” aos catequizandos para os “entreter”, nem para os “recompensar”. Estes vídeos são documentos de trabalho, para estimular a reflexão pessoal e a partilha em grupo; para dar forma visual à Palavra de Deus; para dar suporte à expressão de fé e à oração. Em alguns dos anos, eles estão disponíveis em DVD; em outros, estarão disponíveis no site de apoio (https://ligacoes.net).

G

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Site de apoio: https://ligacoes.net

Este site, disponível na sua integridade apenas para utentes registados, tem duas secções: catequistas e catequizandos. A secção dos catequistas contém algumas propostas alternativas ao guia, recursos para a formação do catequista, recursos para a oração. A secção dos catequizandos oferece recursos não incluídos no Livro do Catequizando. Nos guias dos catequistas, estão incluídas as credenciais para que o catequista se registe e possa gerir estes recursos, acompanhando o seu grupo.

H

Extra

Estes livros oferecem recursos para orientar e dinamizar outros momentos de intervenção para além dos encontros semanais. A partir da pré-adolescência, há um livro Extra para cada ano.

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Conteúdo Apresentação..................................................................................................................................3 Roteiro de viagem...........................................................................................................................3 Uma meta..............................................................................................................................................5 Uma coleção de materiais catequéticos.......................................................................6 LIGAÇÕES.Um novo itinerário de educação à fé........................................................9 1. O que é um itinerário de educação à fé?............................................................ 10 2. A educação à fé ao longo da História da Igreja............................................. 13 A - Catecumenado............................................................................................................ 13 B - A força da sociedade.............................................................................................. 14 C - O papel da instrução e os catecismos...................................................... 15 D - Em tempos recentes.............................................................................................. 15 3. A relação entre educação e evangelização....................................................... 17 4. Educar à fé num tempo de mudança..................................................................... 19 A - Da modernidade à pós-modernidade......................................................... 20 B - Em busca de novos paradigmas.................................................................... 21 C - Chamados a evangelizar...................................................................................... 22 5. Itinerários de educação à fé e pastoral da Igreja......................................... 23 A - Quem e onde................................................................................................................ 23 B - Um caminho de iniciação cristã..................................................................... 24 C - Uma espiritualidade para o século XXI..................................................... 27 6. Nome, imagem e referências........................................................................................ 29 A - Um nome: Ligações.................................................................................................. 29 B - Uma imagem................................................................................................................. 30 C - Referências.................................................................................................................... 30

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2. O que está dentro do Ligações?.................................................................................33 1. Conteúdos................................................................................................................................... 33 2 Algumas atenções.................................................................................................................. 35 A Um maior equilíbrio entre traditio e reditio ............................................... 35 B - Uma Palavra que salva......................................................................................... 36 C - Um Deus família: a Trindade............................................................................. 37 D - Aprender a acreditar.............................................................................................. 37 E - Fé e oração.................................................................................................................... 38

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3. A distribuição dos conteúdos....................................................................................... 39 A - Fase 1: Descobrir a fé............................................................................................ 39 B - Fase 2: Assumir uma primeira síntese da fé........................................ 40 C - Fase 3: Crescer e mudar amparado pela fé.......................................... 41 D - Fase 4: Fazer escolhas e comprometer-se com a fé.................... 41 4. Indicadores de avaliação.................................................................................................. 42 5. Os recursos disponíveis e como os usar.............................................................. 45 A - Livro Zero........................................................................................................................ 45 B - Guia do catequista................................................................................................... 46 C - Livro do catequizando........................................................................................... 46 D - Pasta de apoio com cartazes e imagens................................................ 47 E - CD áudio........................................................................................................................... 47 F - Vídeos................................................................................................................................. 48 G - Site de apoio: https://ligacoes.net................................................................ 48 H- Extra..................................................................................................................................... 48

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3. Desafios e oportunidades da cultura atual.........................................................49 1. Mudanças socioculturais.................................................................................................. 49 2. Desafios à proposta e acolhimento da fé........................................................... 51 A - Nihilismo........................................................................................................................... 51 B - Superficialidade.......................................................................................................... 51 C - Relativismo e indiferença................................................................................... 51 D - Individualismo hedonista..................................................................................... 52 E - Crise de pertença às instituições.................................................................. 52 F - Diminuição do compromisso social e político...................................... 53 3. Oportunidades de crescimento para a fé........................................................... 53 A - Experiência direta..................................................................................................... 53 B - Fim do preconceito contra os símbolos.................................................. 54 C - Falar de Deus com humildade......................................................................... 54 D - Uma saudável redescoberta do prazer.................................................... 54 E - Atenção aos frágeis................................................................................................ 55 F - Emergência da interioridade............................................................................. 55 G - Relações de qualidade.......................................................................................... 55 H - Uma comunicação melhor................................................................................. 55 I - Um pluralismo honesto.......................................................................................... 56 J - Cultura digital............................................................................................................... 56 L - Testemunhos coerentes....................................................................................... 56

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4. A experiência religiosa das crianças e adolescentes.....................................57 1. A fé em Deus........................................................................................................................... 57 2. Processos de crescimento na fé.............................................................................. 58 A - Dos 6 aos 9 anos....................................................................................................... 59 B - Dos 9 aos 12 anos................................................................................................... 61 C - Dos 12 aos 14 anos................................................................................................ 64 D - Dos 14 aos 16 anos................................................................................................ 66 E - Dos 16 aos 18 anos................................................................................................ 67 5. Finalidade do projeto: ser adulto crente na Igreja e no mundo..............71 1. Desenvolvimento global de todas as dimensões da pessoa................ 72 2. Cristão que acolhe, lê, interpreta e vive a realidade a partir de Jesus e do Evangelho............................................................................. 73 3. Cristão dentro da comunidade eclesial................................................................ 74 4. Cristão comprometido na transformação evangélica da realidade.................................................................................................... 75 6. Mentalidade de Itinerário................................................................................................77 1. Um caminho de fé................................................................................................................. 78 2. Método e conteúdo.............................................................................................................. 80 3. Três tarefas................................................................................................................................ 84 A - Para programar.......................................................................................................... 84 B - Para realizar................................................................................................................. 87 C - Para avaliar.................................................................................................................... 88

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7. As opções deste Itinerário..............................................................................................91 1. Opção pela evangelização.............................................................................................. 91 2. Opção pela educação......................................................................................................... 93 3. Opção pela animação......................................................................................................... 94 8. Modelo catequético............................................................................................................97 1. Bases psicopedagógicas................................................................................................... 97 2. Princípios pedagógicos...................................................................................................... 98 3. O ato catequético.............................................................................................................. 100 A - Experiência humana............................................................................................. 100 B - Anúncio da Palavra............................................................................................... 103 C - Expressão de fé....................................................................................................... 105 4. Critérios metodológicos................................................................................................ 107 A - Experiencial................................................................................................................. 107 B - Grupal.............................................................................................................................. 108 C - Metodologia ativa, participativa e criativa ........................................ 109

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9. Lugares e momentos de intervenção...................................................................111 1. Lugares de intervenção................................................................................................. 111 A - O ambiente.................................................................................................................. 111 B - O grupo.......................................................................................................................... 112 C - Acompanhamento pessoal.............................................................................. 113 D - Família............................................................................................................................ 114 E - Liturgia........................................................................................................................... 115 F - Digital.............................................................................................................................. 117 2. Momentos de intervenção........................................................................................... 117 A - Reunião semanal.................................................................................................... 117 B - Os encontros e jornadas de grupo........................................................... 118 C - Festas da catequese........................................................................................... 119 D - Experiências de serviço................................................................................... 121

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10. A comunidade e o catequista.................................................................................123 1. Uma comunidade de referência............................................................................... 123 2. Uma comunidade capaz de pontes entre a catequese e as famílias....................................................................................... 3. A equipa de catequistas................................................................................................ 126 4. O perfil do catequista..................................................................................................... 127 A -. Maturidade humana e experiência de fé............................................. 127 B - Vivência de uma fé feliz.................................................................................... 129 C - Com o estilo do bom pastor.......................................................................... 130 D - Com formação e recursos............................................................................... 131 E - Animação: Um estilo de comunicação e de relação.................... 132 5. A formação do catequista........................................................................................... 134 A - O Ser do catequista............................................................................................. 135 B - O Saber do catequista....................................................................................... 135 D - O Saber Fazer do catequista........................................................................ 136 E - Critérios para a formação................................................................................ 136 Em jeito de conclusão................................................................................................. 138

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Ligações - Livro Zero  

Um livro de formação sobre o projeto Ligações. Aqui encontram-se as opções educativas e pastorais deste itinerário de catequese para que o c...

Ligações - Livro Zero  

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