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FORMANDO PAIS Você já parou para pensar no impacto que seus pais tiveram na sua vida? Talvez, hoje você veja o quanto é parecido com a sua mãe, ou o quanto fala como o seu pai. Talvez, você tenha atitudes que, propositalmente, são completamente o oposto das atitudes que seus pais tinham. Talvez, nós só percebamos o impacto dos nossos pais nas nossas vidas quando temos filhos. E é exatamente aí que vemos o quanto estamos suscetíveis a errar e como podemos ser diferentes daquilo que imaginamos que seríamos. O Senhor nos chamou para a responsabilidade de gerarmos filhos e os criarmos para a Sua glória, e essa não é uma tarefa fácil. Mas, como em tudo o que Ele nos pede, não estamos sozinhos. A Palavra nos dá uma direção de como agir, do tipo de pais que devemos ser, de como devemos educar, instruir, corrigir. E o Espírito Santo nos capacita a fazer todas essas coisas.

#101 | JULHO | 2018

DIREÇÃO GERAL:

Carlos Alberto de Quadros Bezerra CONSELHO GESTOR:

Carlos Bezerra Jr, Osmar Dias, Aguinaldo Fernandes, Valmir Ventura, Lair de Matos, Cézar Rosaneli, Fernando Diniz, Gustavo Rosaneli, Ronaldo Bezerra COORDENAÇÃO EDITORIAL:

A questão é que, mesmo assim, muitas dúvidas ainda surgem. Muitas vezes, ainda nos sentimos inseguros com a nossa missão de ser pais, com a grande responsabilidade que é educar e formar nossos filhos. E aí, diversas perguntas nos atingem: “O que é mais importante na educação?”, “qual é a minha função como pai ou mãe?”, “quais os limites para o cuidado?”, e muitas outras. Nesta edição da Revista Comuna, nosso desejo é ajudar a trazer luz a alguns desses questionamentos, mostrando o que a Bíblia diz sobre educação de filhos e sobre o que significa ser bons pais. Vamos falar também sobre autoridade, liderança e sobre a construção de uma família bem estruturada. O maior desejo do coração de Deus é ter uma família com muitos filhos semelhantes a Jesus. E isso começa em nossas casas, com os nossos filhos. Eles são seus primeiros discípulos e seu rebanho. Boa leitura, Gustavo Rosaneli, Pela equipe editorial

COORDENAÇÃO DO PROJETO:

Gustavo Rosaneli JORNALISTA RESPONSÁVEL:

César Stagno - MTB 58740 REVISÃO:

Mayra Bondança COLABORADORES:

Mayra Bondança, Enrico Guerrero, Mariana Martins Equipe de Fotografia da Comunidade da Graça DIREÇÃO DE ARTE E PROJETO GRÁFICO:

Salsa Comunicação CIRCULAÇÃO:

Use o leitor de QR Code em seu celular e acesse o site da Revista Comuna 4

Carlos Bezerra Jr. Gustavo Rosaneli

No Estado de São Paulo: São Paulo Capital; Arujá; Atibaia; Balsa; Bragança; Campinas; Caraguatatuba; Guarulhos; Mauá; Mogi das Cruzes; Registro; Santos; São Bernardo do Campo; Socorro; Sorocaba; Tatuí; Taubaté; Ubatuba. Rio de Janeiro: Macaé. Minas Gerais: Governador Valadares; Belo Horizonte; São Sebastião de Vargem Alegre; Visconde do Rio Branco. Paraná: Foz do Iguaçu; Londrina; Maringá; Paranaguá; Rolândia. Pernambuco: Barreiros; Caruaru; Catende; Itapissuma; João Pessoa; Recife; Sta. Maria da Boa Vista. Bahia: Salvador; Vitória da Conquista IMPRESSÃO:

Gráfica MaisType DISTRIBUIÇÃO:

11.500 exemplares


AMOR COM OU SEM LIMITES?

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IMPROVÁVEL

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TEMPO DE VERDADE

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A AUTORIDADE CONQUISTADA PELO AMOR

JESUS É A RESPOSTA Criando filhos para a glória de Deus

Exercida com humildade, compaixão e misericórdia

RECOMENDO

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MIRELLE

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FERREIROS, ARQUEIROS E FLECHAS: TRABALHO EM PARCERIA

A CONSTRUÇÃO DE UMA FAMÍLIA Uma semeadura diária para uma colheita certa

COMO AMAR SEUS FILHOS INCONDICIONALMENTE? 5


PALAVRA DO PRESIDENTE

A AUTORIDADE CONQUISTADA PELO AMOR EXERCIDA COM HUMILDADE, COMPAIXÃO E MISERICÓRDIA

á uma crise de autoridade no mundo, desde o cimo da pirâmide até sua base. Dos governantes aos governados. A crise mais aguda que presenciamos é a de integridade. Há líderes fortes em influência, mas fracos em ética. Têm muito poder nas mãos, mas nenhuma consistência moral. Líderes que se servem do povo em vez de servi-lo. Líderes que se abastecem do poder em vez de usá-lo para promover o bem dos liderados. Essa caricatura de autoridade está se aninhando também dentro das igrejas. Há líderes que têm muito poder e pouco compromisso com a ética cristã. Governam o povo com rigor desmesurado e assentam-se na cadeira dos privilégios, esquecendo-se de que o maior de todos os líderes, Jesus Cristo, não veio para ser servido, mas para servir. Sob a perspectiva bíblica, a autoridade delegada por Deus é exercida com humildade para o bem dos liderados. No Reino de Deus, o conceito de autoridade muda profundamente. Maior é o que serve. Aquele que quiser ser o maior de todos, deve servir a todos. Isso não significa confusão ou anarquia. Não significa que o líder vai deixar de lado suas prerrogativas e suas funções. Significa que, ao usar a bacia e a toalha como símbolos de sua autoridade, vai impactar seus liderados não pela força, mas pelo exemplo. Jesus era um líder nato. Todo Seu ser atraia multidões. “Quando Ele terminou estas palavras, as multidões ficaram admiradas com o Seu ensinamento. De fato, Ele as ensinava como quem tem autoridade, não como os escribas” (Mt. 7.28-29). Nosso Senhor conquistava as pessoas. Ele não impunha uma doutrina como faziam os escribas e fariseus. Seu ensinamento vinha do testemunho de amor que Ele não só discursava, mas que demonstrava em toda Sua vida. O amor incondicional era o Seu principal atrativo, e continua sendo ainda hoje. Ao estar à frente de pessoas, antes de tudo, Ele observava o que cada uma tinha de melhor, sem deixar de corrigir o que era preciso. As pessoas se deixavam conduzir, porque encontravam alguém que acreditava nelas. A autoridade vem da conquista de corações! 6


Como se conquistam corações? Simples, com humildade! O líder precisa ser uma pessoa humilde. Por ser um servo de Deus, não se melindra com as críticas nem depende dos elogios para fazer a obra. O líder cristão tem coragem de pedir desculpas quando erra, tem a humildade de aprender com a experiência dos outros e tem a disposição de valorizar mais os outros do que a si mesmo. A igreja não pode ser uma feira de vaidades – e há muitos conflitos oriundos de vaidade pessoal. A igreja não pode ser uma passarela onde os líderes expõem sua mania de grandeza. O Senhor da igreja cingiu-se com uma toalha e lavou os pés dos discípulos numa bacia. A humildade é a porta da honra. Um líder nunca é tão grande como quando se cobre com as vestes da humildade. O filho obedece verdadeiramente ao pai quando se sente amado, pois acredita que o pai lhe quer bem, ainda que custe sacrifício. Assim também acontece na relação de professores e alunos, patrões e empregados, líderes e liderados. O amor impulsiona atitudes dignas de confiança recíproca. Ao contrário desse ensinamento, os escribas e fariseus praticavam uma autoridade que os colocava em lugar privilegiado para serem chamados de mestres e vistos por todos. “Amarram fardos pesados e insuportáveis e os põem nos ombros dos outros, mas eles mesmos não querem movê-los, nem sequer com um dedo” (Mt. 23.4). O sociólogo alemão Eric Fromm disse que há dois tipos de autoridade: a imposta e a adquirida. Autoridade imposta é autoritarismo. A verdadeira autoridade é adquirida; conquistada pelo exemplo e não pela força. A autoridade é legítima, natural e agradável; o autoritarismo é imposto, é ameaçador, produz tensão e medo. O verdadeiro líder não precisa ocupar um cargo ou posto, mesmo sendo o último de uma hierarquia, ele age como Jesus, acreditando no potencial das pessoas e tirando de dentro delas o melhor que cada um pode ser. Ou seja, o que forma o outro são os sentidos mais nobres dentro de nós: a misericórdia, o acreditar nas pessoas e, principalmente, o amor do coração de Jesus. Ninguém perde em ser humilde. Quando nos humilhamos, Deus nos exalta. Quando honramos a Deus e valorizamos as pessoas que trabalham conosco, a obra fica mais leve e o trabalho alcança resultados mais promissores. Que possamos viver essa verdade, cada dia da nossa vida, inspirando, conquistando corações com o amor de Jesus, exercendo a autoridade servindo uns aos outros, sendo cheios do Espírito Santo e conduzidos pela graça do nosso amoroso Pai.

CARLOS ALBERTO BEZERRA Carlos Alberto Bezerra é fundador da Comunidade da Graça. Um homem apaixonado por pessoas. Pastor há 52 anos e casado com Suely pelo mesmo tempo. Tem seis filhos e 16 netos. O amor, o serviço e a valorização da família são suas ênfases ministeriais. Pregador apaixonado, escritor inspirador.

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TRANS FORMAÇÃO

JESUS É A RESPOSTA CRIANDO FILHOS PARA A GLÓRIA DE DEUS

erta vez, quando eu era bem pequena, minha mãe ficou muito doente. Eu me lembro de pensar que ela ia morrer, fiquei tão triste. Ao me ver triste, ela pediu que eu orasse por ela, para que fosse curada. Eu comecei a fazer isso e, a partir daquele momento, nunca mais pensei que Deus levaria a minha mãe. Passei a crer que Ele teria misericórdia de mim e a curaria. E foi o que aconteceu. Minha mãe viveu até os 96 anos e hoje está com o Senhor. Mas aquilo deixou uma marca na minha vida. O amor da minha mãe por Jesus marcou a minha vida profundamente. Deus nos chama para ter filhos e para causar um impacto positivo em suas vidas, assim como minha mãe fez comigo. Quando, em Gênesis, Ele disse a Adão e Eva “sejam férteis e multipliquem-se” (1.28), estava os chamando para gerarem e educarem filhos para a Sua glória. Não filhos que suprissem as suas necessidades ou perpetuassem o seu nome, mas filhos criados para a glória de Deus. Esse chamado se estende a nós também, como pais. Temos uma grande responsabilidade e precisamos investir, acima de tudo, na vida espiritual de nossos filhos. É a partir daí que as demais coisas vão acontecer. Eles podem ser intelectuais, bem-sucedidos, ter uma boa família, ocupar os melhores cargos, mas se não tiverem o Senhor como Deus da sua vida, vai haver muito fracasso. Hoje em dia, muitos pais têm se desesperado por causa de seus filhos, têm se sentido perdidos e desamparados, sem saber o que fazer. A Bíblia conta a história de uma mãe que se sentia assim, sem esperanças (Lc. 7.11-16). Ela era viúva e acabara de perder o seu único filho. Todas as suas esperanças e sonhos se foram junto com aquele menino. Ao mesmo tempo em que saia aquele enterro, acompanhado por uma grande multidão que compartilhava do sentimento de tristeza e luto daquela mãe, outra multidão vinha no sentido contrário, acompanhando Jesus e Seus discípulos. Eles haviam acabado de sair de Cafarnaum, onde Jesus curou o servo de um centurião. 8

Estavam animados, crendo que Deus estava entre eles. Ali em Naim, uma vila de agricultores, no finzinho da tarde, esses dois grupos se encontraram. Um contraste entre a tristeza e a alegria. E Jesus viu aquela mulher que chorava. Naquele tempo, as únicas opções que ela tinha eram voltar para a casa de seus pais ou viver na miséria, já que não tinha um marido e nem filhos. Ela, provavelmente, se sentia sozinha, sem amparo, mesmo rodeada por tantas pessoas. Ninguém poderia fazer nada por ela. Ninguém. Só Jesus. A Bíblia diz que Ele sentiu profunda compaixão quando a viu: “Não chore” (v. 13). E Suas palavras foram acompanhadas por uma atitude. Pediu que as pessoas que carregavam o caixão parassem e pediu para que aquele jovem se levantasse. Ele se sentou e começou a conversar. Jesus ressuscitou aquele menino e o devolveu à sua mãe. No momento de maior caos, de maior tristeza, de maior angústia, Jesus encontrou uma mãe que chorava e mudou completamente a sua história. Devolveu seus sonhos, seus planos.


O encontro com Jesus muda todas as coisas. Ele foi a resposta para aquela situação, e Ele é a resposta para tudo em nossas vidas. Não importa qual seja a situação da nossa vida como pais hoje. Não importa se choramos em uma cama de hospital, se choramos nas madrugadas esperando por nossos filhos, se choramos por filhos presos, perdidos. Jesus é a resposta. Lamentações 2.19 nos convida: “Derrame seu coração como água na presença do Senhor. Levante para ele as mãos em favor da vida de seus filhos, que desmaiam de fome nas esquinas de todas as ruas”. Não há nada mais importante do que colocarmos os nossos filhos, a nossa descendência diante de Deus. Por isso, não importa a situação, ore por seus filhos, se coloque na brecha, peça que o Senhor realize um milagre na sua casa.

Nossos filhos podem ser intelectuais, bemsucedidos, ter uma boa família, ocupar os melhores cargos, mas se não tiverem o Senhor como Deus da sua vida, vai haver muito fracasso

Somos chamados por Deus para encher esta terra e para criar filhos para a Sua glória. Mas Ele não nos deixa desamparados neste trabalho. Ele não só nos capacita, nos dá sabedoria, como está sempre conosco, cuidando de nós e cuidando, principalmente, dos nossos filhos.

SUELY BEZERRA

O Senhor quer operar grandes maravilhas no meio de nós, quer nos dar filhos vivos, salvos e restaurados. Ele é a solução. Jesus é a resposta, Ele é sempre a resposta.

Fundadora e líder do Ministério Mulheres Intercessoras, Suely Bezerra tem uma vida marcada pela oração e intercessão. Tem mentoreado líderes e pastoras ao redor do país durante toda sua vida. É esposa do Pr. Carlos Alberto Bezerra. Eles são casados há 52 anos, têm seis filhos e 16 netos.

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SONHOS POSSÍVEIS

FERREIRO, ARQUEIROS E FLECHA: TRABALHO EM PARCERIA e o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono. Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão. Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, mas falarão com os seus inimigos à porta” (Sl. 127.1-5). Vivemos numa sociedade tomada por uma pressa sem precedentes. Esperar dois minutos e meio para a pipoca estourar durante o jogo do Brasil na Copa (tenhamos fé) parece uma eternidade. O que a gente diria então a respeito de esperar a construção de uma casa, ou o crescimento da muda de carvalho até se transformar numa árvore adulta? A nossa ansiedade por ver a coisa pronta, finalizada e ter aquela sensação de ‘dever cumprido’ ou ‘me livrei!’ pode nos fazer cometer falhas desnecessárias. Um filho é uma obra de Deus na nossa vida. Uma dádiva! Mas ele não eclode no micro-ondas em dois minutos e meio, ele não será construído em um ano como uma casa. Ele será formado, moldado, trabalhado por longos anos, como o carvalho. ‘Semear’ filhos não se faz sozinho, mas em parceria com Deus. Porque se Ele não edificar o caráter de cada um deles, poderemos perder muitas noites em claro e não terá nenhum efeito a não ser o cansaço. O fato de ser trabalhoso, despender energia e exigir de nós abnegação, resiliência e dedicação nunca foi aleatório, pois quando se trata de nossos filhos, tudo o que os envolve nos afeta diretamente e era essa a intenção de Deus: usar-nos para construir os nossos filhos e os filhos para (des)construir os pais. À medida em que “afiamos” as nossas flechas, nós também somos afiados e afinados, pois esse contato, muitas vezes cheio de atritos e faíscas, nos molda tanto quanto moldamos os nossos filhos. Polir uma flecha é um trabalho artesanal e unitário. Não se faz no varejo. Existiram diversos tipos de pontas de flechas ao longo da história. As primeiras pontas eram feitas de madeira, muitas vezes uma mera extensão da haste da flecha, cortada para se tornar afiada. Depois, surgiram pontas de osso, pedra e, finalmente, ferro e aço. Cada material tem 10

Não tenha pressa, filhos são uma obra-prima! Exigem de nós dedicação, entrega e paciência, a mesma que Deus tem sempre conosco uma característica diferente e é de tempos distintos. Quem forjou uma flecha de madeira usou técnicas e instrumentos totalmente distintos de quem forja uma flecha de aço. Cada tempo exige uma habilidade na forja. Não posso tratar o aço como a madeira e, no tempo da madeira, as características do artesão também eram outras. Formar filhos hoje não é a mesma “atividade” diante da realidade histórica,


social e humana da década de 1950 ou 1970, ou mesmo de 1990. Nossos filhos têm demandas absolutamente diferentes. São uma geração digital, conectada com o mundo e seus dialetos. Desse modo, os instrumentos de preparação também devem ser distintos. Há outros tipos de necessidades emocionais, físicas e espirituais. Quando me refiro a usar outras estratégias ou ferramentas não estou, de modo algum, sugerindo a mudança de princípios ou valores, mas sim a aplicação dos mesmos numa outra abordagem. Esse desafio que nos é colocado seria desesperador não fosse a parceria com o nosso Pai na edificação dos nossos filhos. Por alguns momentos podemos nos angustiar por acharmos que seria melhor forjar madeira do que aço, que o tempo de trabalho seria menor, ficaria pronto mais rápido, acertar o alvo seria mais fácil. Mas lembre-se: Deus está forjando aço! Terá altíssima precisão, irá acertar o alvo (que nunca será um semelhante, e sim objetivos) em alta velocidade e irá muito além de você! Mas flechas não voam sozinhas, não são deixadas no meio do caminho. Quando falham, elas voltam para o ferreiro e o trabalho recomeça. Elas estão sempre perto do arqueiro e do ferreiro, no seu lugar de segurança, pois são caras, têm valor inestimável! Só saem do alforge para atingir o alvo. Não existem flechas ruins, existem arqueiros que desistiram, não foram hábeis ou não tiveram total interesse. Não tenha pressa, filhos são uma obra-prima! Exigem de nós dedicação, entrega e paciência, a mesma que Deus tem sempre conosco. Deixe Deus forjar os seus filhos para que você não seja confundido em nenhum momento complexo e para que os tenha como aliados no futuro. Para glória dele, amém!

PATRÍCIA BEZERRA Patrícia Bezerra é pastora, psicóloga, vereadora da cidade de São Paulo e autora da lei que institui o “Parto sem Dor”. É casada com Carlos Bezerra Jr. e mãe da Giovanna e da Giulianna. Acredita que o protagonismo feminino - defendido por Jesus - é capaz de quebrar paradigmas.

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FAMÍLIA

A construção de uma família UMA SEMEADURA DIÁRIA PARA UMA COLHEITA CERTA odos nós enfrentamos dificuldades no convívio familiar, por isso é muito comum ouvirmos as pessoas dizendo: “Eu vim de um lar desajustado”, “meu pai era um alcoólatra”, “minha mãe abandonou a casa”, “havia violência dentro da minha casa”. Muitos enfrentam problemas sérios na família, com os pais ou irmãos, com o cônjuge ou com os parentes. A família é um projeto de Deus, mas a sua construção é humana. O quê? Sim, a construção de um bom relacionamento familiar, sólido, leva tempo e precisa de uma semeadura diária. Não podemos pensar que num passe de mágica as coisas irão acontecer em nosso lar, pois a vida não é assim. Os textos de Gênesis 29.31-35 e 30.1-24 mostram claramente que a casa de Jacó era uma bagunça. Havia uma concorrência feroz naquela família, havia divisão, inveja. Essa é a história dos pais das tribos de Israel. Assim começou a história do povo judeu. E, acredite, isso serve de esperança para aqueles que cresceram num lar desajustado. Deus tem um plano, Ele quer lhe dar uma vida nova e fazer coisas grandes a partir disso. Veja o que aqueles textos nos ensinam:

NÃO EXISTEM FAMÍLIAS PERFEITAS Às vezes, temos uma visão romântica e idealizada de que aquele que anda com Deus tem a vida toda “redondinha”, mas a verdade é que não é assim. Quando olhamos para a história de famílias como a de Davi, Abraão, Moisés e outros, vemos que todos eles tinham dificuldades em seu lar. Da mesma forma, a Bíblia mostra bons reis que nasceram de péssimos pais, e bons pais que tinham péssimos filhos. Então, não fique desesperado, mas olhe com esperança o amanhã. Este não é um convite a deixar sua casa uma bagunça. Nada disso! É um chamado a acreditar que Deus vai derramar Sua maravilhosa graça no meio da desordem que, por vezes, está a nossa família, porque “onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Rm. 5.20-21). Como Deus visitou a casa de Jacó em meio à bagunça, Ele também visitará o seu lar. Deus tem uma aliança com a nossa casa (2Sm. 23.5). 12

QUANDO DEUS TRABALHA NUMA FAMÍLIA É PARA REPARAR O MAL Deus quer trazer equilíbrio e não acirrar o mal. Lia era pouco amada, mas Deus a fez muito fértil (Gn. 29.31). A atuação de Deus na vida de algumas pessoas que cresceram num lar disfuncional é de torná-las mais sensíveis, amorosas, humanas.

O NOSSO LAR SERÁ A EXPRESSÃO DA NOSSA SEMEADURA A casa de Jacó era uma expressão daquilo que ele semeava. Jacó era enganador e enrolado, por isso gerou dentro do seu lar o que ele era fora de casa: competição, enganação, rivalidade, ciúmes, uma mulher querendo “puxar o tapete” da outra, etc. Mais à frente, os filhos de Jacó repetiram as atitudes do pai quando trapacearam, enganaram e venderam o irmão José. Que tipo de


A construção de um bom relacionamento familiar, sólido,leva tempo e precisa de uma semeadura diária tudo respondem com um “sim”. Não percebem o mal que fazem a seus filhos, que, ao darem de cara com um “não”, não sabem como reagir e acabam pensando até em tirar suas próprias vidas. Tem também aqueles pais que exigem de seus filhos uma vida espiritual e santa que eles mesmos não têm! Será que esse é o caminho? Precisamos do equilíbrio de uma vida sábia, alicerçada na Palavra e na comunhão com o Espírito Santo. Que expressa amor e compaixão com palavras e atitudes, e que fortalece a identidade dos filhos em Cristo!

O TEMPO NÃO RESOLVE NOSSOS PROBLEMAS

lar estamos gerando? Que tipos de sementes estamos semeando em casa? Essas perguntas podem tornar você um José, aquele que é usado por Deus para começar a mudar a história da sua casa!

NÃO COLOQUE PRESSÃO SOBRE OS FILHOS Os filhos de Jacó nasceram para compensar as desvantagens e não por uma proposta bonita de um pai e uma mãe desejando uma descendência. Lia queria ter filhos para compensar a sua desvantagem, pois não tinha o amor do seu marido. E é nessa loucura toda que passou a valer tudo, até as escravas entraram no meio da relação. Os filhos nasceram e cresceram em um ambiente de pressão e confusão. Alguns pais são frustrados na sua profissão e jogam nos filhos a pressão para serem o que eles gostariam de ser. Logo dizem: “Você tem que ter sucesso”, “tem que ser rico”. No outro extremo estão os que não exigem nada e a

Lia pensou: “Quando eu tiver mais filhos, Jacó se apaixonará por mim” (Gn. 30.20). Muitos casais pensam que para se resolver uma crise conjugal será necessário ter um filho, fazer uma viagem, comprar roupas, trocar de casa ou carro. A verdade é que isso não resolve nada! O que resolve é tomar uma atitude, orar, conversar e acertar as diferenças. Deixar as coisas rolarem para “ver como vai ficar” trará um resultado desastroso! Mas procurar enfrentar e resolver o problema será o caminho da graça do Senhor em nossas vidas (Hb. 3.13). Consagre a sua família e coloque o seu lar debaixo do sangue de Jesus e sob a proteção do Senhor. Entreguem seus caminhos ao Senhor e Ele tudo fará! “Pois vejam! Criarei novos céus e nova terra, e as coisas passadas não serão lembradas. Jamais virão à mente! Alegrem-se, porém, e regozijem-se para sempre no que vou criar, porque vou criar Jerusalém para regozijo, e seu povo para alegria. Por Jerusalém me regozijarei e em meu povo terei prazer; nunca mais se ouvirão nela voz de pranto e choro de tristeza” (Is. 65.17-19).

RONALDO BEZERRA Ronaldo Bezerra é cantor, compositor e pastor da Comunidade da Graça Sede. É casado com Simone Bezerra e tem dois filhos, Ronaldo e Sophia.

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LIDERANÇA

IMPROVÁVEL DEUS EXTRAI O POTENCIAL ESCONDIDO DE CADA UM

nalisando a história antiga de Israel, desde a morte de Josué até a ascensão de Samuel passaram-se mais de 150 anos. Durante esse tempo, Israel não teve um governo, pelo que Deus instituiu juízes para julgar e orientar o povo. Até a ascensão da monarquia, foram 12 juízes ao todo. Naquela época, Israel viveu uma degradação moral e espiritual. Os israelitas tinham ignorado as ordens de Josué para destruir os povos da região, instalaram-se no meio dos moradores pagãos e logo começaram a agir como eles. Rejeitar a soberania de Deus em suas vidas lhes trouxe sofrimento nas mãos de povos opressores, como por exemplo os midianitas. Quando Gideão surge na narrativa bíblica (Jz. 6), Israel estava sofrendo na mão daquele povo havia já sete anos. Eles roubavam os produtos produzidos nos campos pelos hebreus, assassinavam os animais e destruíam tudo a seu passo. Para sobreviver, os israelitas escondiam os alimentos em cavernas. Em meio a esse sofrimento, o Senhor escolhe Gideão para livrar Israel dos seus inimigos. Fazendo um paralelo com os nossos dias, vemos uma apostasia espiritual em inúmeras coisas. As pessoas estão cegas espiritualmente. Não há mais bom senso, não há mais moral, as famílias estão devastadas, as mulheres exibem seus corpos como objetos, as crianças não têm pais presentes. O mundo está muito mais preocupado com o estético do que com o ético. E para mudar isso, assim como fez ontem, Deus conta com homens e mulheres valorosos. Pessoas chamadas por Ele para interceder e fazer a diferença diante destes dias maus. Gideão nos ensina quatro lições:

OUVIR E CONFIAR: Ao longo de toda a Bíblia Deus utiliza material improvável. A improvável seleção de Gideão, para não mencionar sua surpreendente vitória, é apenas um de muitos casos. Deus 14

Não subestime o poder e a graça de Deus que existe sobre sua vida. Entregue-se por completo como oferta a Ele


não busca as pessoas mais capazes exteriormente, nem os mais naturalmente “bons”. A partir de material improvável Deus realiza grandes coisas, para que o mundo veja que a glória pertence somente a Ele. Gideão questionou seu chamado dizendo que ele era “o último da casa de seu pai” (Jz. 6.15). Talvez você pense isso de você mesmo e diga: “Sou tão pequeno, sem experiência, tímido, eu não consigo cuidar de outros.” Não olhe para essas coisas. Olhe para o fato de que Deus é contigo. É Ele que capacita. Essa frase parece clichê, mas é uma grande verdade: “Deus não chama os capacitados segundo os homens, mas capacita os escolhidos”.

OFERTAR A VIDA Gideão preparou o melhor que tinha - um cabrito e pães sem fermento (Jz. 6.19) - e o entregou como oferta. O fogo do Senhor consumiu a carne e os pães, o que levou este improvável herói a exclamar: “Senhor Soberano!” (v. 22). Ele entendeu ali que Deus está sobre todas as coisas. Até sobre nossas próprias limitações. Por isso, oferte a Deus seus dons e talentos, seu potencial, e Ele consumirá isso com o fogo do Espírito Santo. Não subestime o poder e a graça de Deus que existe sobre sua vida. Entregue-se por completo como oferta a Ele.

PREPARAR OUTROS LÍDERES: Seguindo as ordens, Gideão reduziu o tamanho da sua tropa: de 32 mil homens para míseros 300. Se um exército com tamanha desvantagem numérica prevalecesse, a vitória totalmente inesperada provaria sem sombra de dúvidas que Deus está no controle e é digno de confiança. Sabendo o potencial de Gideão, Deus trabalhou com paciência para lhe conceder a coragem necessária; o encorajou, direcionou e, finalmente, transformou. E Gideão fez a mesma coisa com aqueles 300 homens! Seja ousado! Deixe que o Senhor use sua vida para encher outros com o Espírito Santo.

UMA ALIANÇA, UM MESMO OBJETIVO: Praticamente da noite para o dia, Gideão se torna um enérgico general. Usando ruídos e luzes como táticas de intimidação, sua pequena tropa põe o inimigo para correr. Ele não estava sozinho! Montou uma equipe e aplicou uma estratégia. E na hora “H”, todos gritaram “Pelo Senhor e por Gideão!” (Jz. 7.18) e começaram a batalha. Eles tinham uma aliança. O triunfo inaugurou uma era de liberdade e a terra teve paz por 40 anos (Jz. 8.28). Diante do improvável, talvez ninguém se sentiu tão surpreso quanto o próprio Gideão. E você também pode se surpreender com o que Deus quer fazer através da sua vida. Então, prepare-se, coloque a sua vida à disposição do Senhor e deixe Ele te usar.

JOSÉ DINIZ José Diniz é pastor da Comunidade da Graça de Guarulhos, é casado com a pastora Zuleide e pai de quatro filhos, Fernando, Samuel, Fabiana e Simone.

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CAPA

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O CHAMADO PARA EDUCAR ALESSANDRA BEZERRA

uem nunca, depois de levar uma bronca ou ter um pedido negado pelos pais, foi para o seu quarto e passou um bom tempo resmungando e dizendo que eles não sabem de nada, que você sabe o que é melhor? Quem nunca achou que os pais proibiam certas coisas só para nos provocar? Ou correu para a mãe quando fez algum machucado, teve alguma decepção? É, parece que todos nós nascemos sabendo como ser filhos. Mas, será que isso também é verdade quando nos tornamos pais? É um processo tão natural quanto ser filho? A verdade é que não, não é. É preciso esforço e humildade para errar e aprender. Tentar uma vez, tentar duas vezes, tentar 10 vezes. É ter o segundo filho e enxergar com mais clareza todos os erros que acabou cometendo com o primeiro. É ter medo, não saber se vai conseguir, depender de Deus. Precisamos aprender a ser pais. Isso fica ainda mais evidente quando olhamos para a educação das crianças nos nossos dias. Altos níveis de superproteção ou negligência acabam criando pessoas que não estão preparadas para a vida e que têm a sua identidade profundamente abalada.

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Altos níveis de superproteção ou negligência acabam criando pessoas que não estão preparadas para a vida e que têm a sua identidade profundamente abalada

Uma pesquisa realizada pela ONG britânica Varkey Foundation acompanhou 27 mil pais de estudantes de quatro a 18 anos em 29 países para ter uma visão mais ampla de qual é o seu nível de comprometimento com a vida escolar dos filhos. No Brasil, 46% dos entrevistados disse não dedicar tempo suficiente para a educação dos filhos, 41% acreditam reservar uma quantidade de tempo adequada e 9% sentem que dispõem de muito tempo para essa função. Além disso, outras pesquisas mostram que o acompanhamento dos pais é fundamental na vida escolar das crianças e no seu desenvolvimento como seres humanos. Um relatório chamado de “O estado dos pais no mundo” (em tradução livre), afirma que os filhos se tornam bem-sucedidos e mais felizes quando seus pais participam de forma ativa em sua educação. Num tempo em que acabamos nos preocupando mais com aquilo que é urgente, temos deixado o importante de lado e delegado a educação dos nossos filhos, nos esquecendo da nossa função como pais. O profeta Malaquias, ao falar do final dos tempos, cita o relacionamento familiar: “Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais” (Ml. 4.5-6). Como nos comportamos diante da nossa tarefa de criar filhos é importante para Deus, afinal, Ele nos chamou também para esse propósito. “Educa a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele”, disse o rei Salomão em Provérbios 22.6. E o instituto de pesquisas Barna, nos Estados Unidos, comprovou essa verdade. Um estudo mostrou que adultos que frequentavam a igreja quando crianças, são muito mais propensos ao envolvimento na igreja local do que aqueles que não frequentavam. A maioria das pessoas que frequentavam a igreja quando eram mais novas continuam a frequentá-la ainda hoje. O contrário também provou ser verdade. Isso mostra a importância do nosso comprometimento, como pais, não só com a vida escolar de nossos filhos, mas com sua educação nos caminhos do Senhor. Deus deu aos pais a responsabilidade de educar os filhos. E essa responsabilidade não poder ser transferida a nada e a ninguém, não importam os avanços tecnológicos ou oportunidades que tenhamos. Nada substitui os pais na educação e na formação dos filhos.

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MISSÃO: PAIS Amy Carmichael, cristã que deu a sua vida trabalhando como missionária na Índia, costumava citar um famoso provérbio indiano sobre maternidade: “Os filhos amarram os pés das mães”. E, sejamos sinceros, que atirem a primeira pedra as mães que nunca pensaram isso. Todos os casais concordam que tudo muda quando os bebês vêm, nada mais é do jeito que era, nunca mais vai ser. Mas, será que isso nos impede de sermos aqueles que o Senhor nos criou para ser? Com certeza, não. Deus nos chamou para uma missão especial, talvez a mais importante: criar filhos semelhantes a Cristo. O avivamento na família vem antes do avivamento na igreja e na sociedade. Nossa maior missão, o maior trabalho missionário que podemos fazer como cristãos é sermos pais comprometidos a ensinar a nossos filhos o caminho em que devem andar. É darmos o exemplo de como se vive como cidadão do Reino de Deus nesta terra. Ana, esposa de Elcana, entendeu muito bem esse chamado. A Palavra conta no livro de 1 Samuel que ela vivia entristecida por não poder ter filhos. Quando a família ia à cidade de Siló oferecer sacrifícios ao Senhor, Ana chorava muito e passava dias sem comer (1.1-8). Ela, então, orou a Deus e pediu um filho. Junto de seu pedido, fez um voto: “Ó Senhor dos Exércitos, se tu deres atenção à humilhação de tua serva, te lembrares de mim e não te esqueceres de tua serva, mas lhe deres um filho, então eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias de sua vida, e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados” (v. 11). E, assim, sua súplica foi ouvida e Ana engravidou. Quando Samuel ainda era pequeno, ela o levou a Eli, o sacerdote, e o dedicou ao Senhor. Ana sabia da importância de o seu filho, aquele a quem ela tanto desejou, servir ao Senhor. E ela fez tudo o que pôde para que isso acontecesse. Samuel se tornou um homem de Deus, conduziu Israel à vitória e ungiu Davi como rei. Imagine só se Ana não tivesse cumprido o seu voto, não tivesse ensinado ao seu filho quem Deus é e a importância de servi-lo. Ou, imagine se José tivesse abandonado Maria quando soube que ela estava grávida de Jesus? Como teria sido a realidade do Filho de Deus? Eles entenderam qual era o seu papel como pais. E nós? Temos entendido qual é o nosso papel? Como podemos seguir o exemplo de Ana, José e Maria, e criar filhos que vão servir a Deus por toda a vida?

É importante nos lembrarmos de que educação tem a ver com relacionamento. É impossível sermos exemplo e autoridade sobre a vida dos nossos filhos se não nos relacionamos com eles, se não investimos tempo, se não nos preocupamos com seus pensamentos, com seus gostos e com suas necessidades. E isso mostra as nossas prioridades. Quando elas estão fora do lugar, tudo em nossa vida é afetado. Por isso, primeiro deve vir sempre o nosso relacionamento com Deus. Se não tivermos a nossa identidade firmada nele, não conseguiremos ser pais comprometidos. Afinal, é o Espírito Santo quem nos ensina e nos capacita (Jo. 14.26). Depois, vem o cônjuge, essa é a segunda prioridade na vida do cristão. Em terceiro lugar estão os filhos, 19


depois vem o trabalho e, em último lugar, o ministério. Quando essas prioridades estão no lugar certo, nossos relacionamentos são saudáveis e caminham diretamente para o propósito de Deus. Já sabemos, então, qual é o olhar de Deus para os pais, qual é a nossa função e como devem estar as nossas prioridades para que sejamos bem-sucedidos. Precisamos também estar plenamente conscientes de quais devem ser as nossas tarefas como pais. Elas são quatro e exigem todo o nosso esforço, já que ser pai e mãe são funções de tempo integral.

AMAR Jesus sabia quem era e sabia que era amado, porque o Pai disse a Ele. Como no dia do seu batismo: “Então uma voz dos céus disse: ‘Este é o meu Filho amado, de quem me agrado’” (Mt. 3.17). Amar é uma tarefa que os pais desempenham desde que a criança está no ventre. Muitas pessoas carregam marcas profundas ainda na vida adulta, porque não foram aceitas e nem amadas por seus pais. Isso influencia diretamente a sua identidade, traz insegurança, ansiedade e baixa autoestima. O amor envolve não só sentimento, mas é evidenciado por nossas atitudes. E aqui entram as linguagens de amor. É importante termos relacionamento com nossos filhos para que saibamos como eles se sentem amados, e, assim, demonstrarmos o nosso amor. Essa demonstração pode vir através de elogios e encorajamento, de serviço, de presentes, de tempo de qualidade ou de proximidade.

CUIDAR Cuidar é proteger, estar atento, zelar pelo bem-estar. E essa tarefa exige equilíbrio, porque não pode se tornar superproteção ou falta de confiança. Uma das melhores maneiras de cuidar dos filhos é observar se há alguma alteração no seu comportamento. Prestar atenção em suas amizades, no que assistem e quais sites acessam, em suas conversas, seu desempenho na escola, sua saúde, sua vida devocional. Isso não significa ser um detetive que fica fuçando nas coisas escondido, mas é estar atento, prestar atenção. E, o mais importante, cuidar é interceder. Somente o Senhor conhece profundamente os nossos filhos e pode guardar suas mentes e corações.

DISCIPULAR Crianças são esponjas, elas absorvem tudo o que veem e ouvem, e replicam. É uma conta simples: o que dissermos e fizermos, nossos filhos vão dizer e fazer. Eles estão atentos a cada movimento nosso. 20

É impossível sermos exemplo e autoridade sobre a vida dos nossos filhos se não nos relacionamos com eles Por isso, precisamos ser discípulos de Cristo, para que os nossos filhos, vendo a nossa maneira de viver, também o sejam. A Palavra de Deus deve estar em nosso coração para que possamos ministrá-la. O discipulado também começa com relacionamento, proximidade, intimidade. O que mais devemos desejar para os nossos filhos, assim como Ana, é que eles tenham um relacionamento profundo com o seu Salvador.

DISCIPLINAR Disciplinar é instruir, preparar através do ensino de princípios e hábitos corretos, dar limites, corrigir. Esta é uma tarefa que também exige equilíbrio. Hoje em dia, vemos muitos extremos, pais que são muito severos na disciplina dos filhos ou pais negligentes, que querem só ser amigos. Toda criança precisa de limites, e a disciplina a orienta a andar dentro deles. Ela envolve três passos: instruir – deixar claro quais são os limites e quais as consequências de ultrapassá-los –, advertir – admoestar, aconselhar a não repetir a falta, lembrar dos limites e das consequências – e corrigir – aplicar a correção de acordo com a instrução e a advertência. Essa, talvez, seja uma das tarefas mais difíceis para os pais. Mas é ela que desenvolve nos filhos a capacidade de governarem a si mesmos. A missão de educar os filhos é de grande importância e exige muito esforço e dedicação. Como citou Amy Carmichael, realmente amarra os pés dos pais. Mas, isso não é algo ruim. Os filhos amarram os nossos pés onde devemos estar, enraizados na dependência do Espírito Santo, Ele nos ensina e nos ensinará a como termos êxito nessa missão que Deus nos confiou.


Pai e mãe, fiquem atentos! Só podemos ensinar aquilo que praticamos! Os filhos aprendem muito mais com aquilo que veem (observação) do que com o que ouvem, sendo assim, nossas atitudes precisam falar mais alto do que as nossas palavras. Existem três fundamentos essenciais para um lar estruturado. São eles: •

O marido ama a esposa como Cristo amou a igreja (Ef. 5.25-33);

A esposa respeita o marido como a igreja respeita a Cristo (Ef. 5.22-24, 32-33);

Os filhos obedecem e honram os pais (Ef. 6.1-3).

Quando esses fundamentos são praticados dentro de casa, o Reino de Deus começa a se estabelecer

nos relacionamentos diários e podemos ver a presença do Espírito Santo transformando a vida do nosso cônjuge e dos nossos filhos. Já a inversão desses valores ou a prática de apenas um deles pode causar confusão e desordem. Faça uma análise em sua casa com relação aos textos de Efésios. Depois, convoque um culto familiar, para que você, seu cônjuge e seus filhos possam orar juntos e compartilhar verdades que irão transformar a sua família.

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FATO

TEMPO DE VERDADE

O IMPACTO DO RELACIONAMENTO COM OS PAIS NA VIDA DOS FILHOS ão é nenhuma novidade que criar filhos é um grande desafio, principalmente para aqueles que são “pais de primeira viagem”. São tantas perguntas e tanta preocupação com a formação e o futuro dos pequenos. Afinal, o que é mais importante no papel dos pais? Entre tantas coisas, uma é essencial para o desenvolvimento das crianças: tempo de qualidade. É verdade que cada um tem a sua linguagem de amor, mas o tempo com a família faz a diferença para todos – crianças, adolescentes, jovens e adultos. É isso que define a segurança no futuro e impede que a ansiedade seja protagonista na vida dos adultos que nossos filhos vão se tornar. E é importante ressaltar que não é só a quantidade de tempo que importa, mas a sua qualidade. Não adianta levar seus filhos ao parque e ficar mexendo no celular. Uma pesquisa realizada pelo grupo norte-americano Barna apontou que um dos maiores desafios das famílias hoje é encontrar tempo para estarem juntos sem tecnologia. E isso não é por causa do uso exacerbado por parte de crianças e adolescentes, mas, principalmente, pelos pais. A instituição mostrou que os pais são tão dependentes da tecnologia quanto seus filhos de 11 a 17 anos. Isso não faz dos smartphones, televisões e videogames os grandes vilões da vida em família, eles acabam apenas sendo os coadjuvantes de uma questão muito mais profunda. A doutora Kathy Koch, psicóloga especializada em educação, perguntou a alguns de seus pacientes adolescentes por que eles não têm o hábito de recorrer aos seus pais quando se sentem estressados, sozinhos e entediados. As respostas mais frequentes foram: “meus pais são muito ocupados”, “minha mãe está sempre no telefone”, “sempre que falo com meus pais, somos interrompidos por mensagens ou telefonemas” e “meu pai não parece se importar, ele até pergunta como eu estou, mas não espera por uma resposta”. Isso mostra a importância de criar momentos em que o telefone esteja fora de cena e a atenção se volte completamente para o 22

Procure descobrir do que seus filhos gostam e como se sentem amados, invista tempo de qualidade com eles e mostre o quanto são importantes para você relacionamento familiar. Não é preciso escolher um dia da semana em que não haja nenhum contato com a tecnologia, mas esse pode ser um valor criado na hora das refeições, por exemplo.

COMO, ENTÃO, CRIAR ESSE VALOR EM CASA? Não é preciso criar grandes eventos, mas adaptar a vida diária. Conversas olho no olho para falar sobre o dia, os sentimentos e a escola, por exemplo, já fazem muita diferença. Elas podem ser combinadas com refeições em família, reuniões caseiras com amigos para assistir a filmes e brincar, viagens, visitas aos avós e familiares, leituras em conjunto, idas ao cinema, passeios de bicicleta. Há muitas maneiras de se conectar mais com os seus filhos e impactar positivamente a sua identidade e o seu futuro, mas isso começa com interesse. Procure descobrir do que eles gostam e como se sentem amados, invista tempo de qualidade com eles e mostre o quanto são importantes para você. Isso faz a diferença. Jesus, que é o nosso maior exemplo, gastava muito tempo com Seu Pai e com Seus discípulos. Ele já nos ensinou a maneira de agir, precisamos só colocar em prática e criar filhos para a glória de Deus.


O que você vai fazer nestas férias? As férias escolares do meio do ano são um ótimo momento para planejar momentos diferentes, criar lembranças e estreitar os laços com os filhos. Há muitas dicas de programas para fazer em família nesta época do ano, sem gastar muito dinheiro. Para os que gostam de futebol, assistir a um jogo da Copa do Mundo juntos em casa ou em um restaurante pode ser bem legal. Se escolher fazer isso em casa, garanta algumas comidinhas para beliscar;

mentos em conjunto para conversar. Muitas cidades contam com parques enormes para esse tipo de passeio. Esses lugares também são uma ótima pedida para um piquenique à tarde;

O cinema é sempre uma boa pedida. É só checar o que está em exibição e perguntar aos filhos o que eles gostariam de assistir. A maioria das redes de cinema conta com ingressos promocionais para matinês e dias de semana;

Procure criar projetos junto com seus filhos, como montar um quebra-cabeças, assistir a uma série, ler algum livro ou até tentar um “do it yourself” (“faça você mesmo”);

Um passeio no shopping também pode ser um tempo proveitoso entre família. E aqui vai uma dica importante aos pais de meninas: levá-las a um passeio como este, deixar que experimentem algumas roupas e dar a sua opinião ajuda muito em sua autoestima e cria um padrão do valor que devem receber, principalmente dos homens; Andar de bicicleta nunca deixa de ser uma boa ideia. Combina exercício físico e moVocê pode encontrar mais ideias em sites como o bora.aí, do “Estadão”, que reúne dicas de programas em cidades como São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Campinas e Rio de Janeiro. Vale a pena conferir!

Muitas cidades contam com organizações como o SESC (São Paulo), que oferecem diversos programas diferentes para crianças, jovens, adultos e idosos em suas unidades. Vale a pena procurar por iniciativas como essa em sua cidade; Pequenas viagens também criam memórias incríveis. Um final de semana em uma pousada ou um hotel-fazenda proporciona momentos em família e um bom tempo de descanso.

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RECOMENDO

LIVRO

Brasil Polifônico DAVI LAGO | MUNDO CRISTÃO

Ao alcançar quase um terço da população brasileira, os evangélicos têm hoje grande peso no cenário nacional. Por isso, sua voz não pode deixar de ser considerada nas principais discussões da nação. Da mesma forma, esse grupo precisa saber ouvir vozes dissonantes, mas igualmente relevantes no contexto de uma sociedade plural. Em “Brasil polifônico: Os evangélicos e as estruturas de poder”, Davi Lago resgata os marcos civilizatórios da sociedade moderna e os princípios da teologia política, aplicando-os à complexa realidade brasileira. O autor apresenta um manifesto pela lucidez no debate político do país, estimulando o heterogêneo segmento evangélico e os setores não evangélicos da sociedade a contribuírem para um ambiente de respeito e tolerância. Apostando no caminho do diálogo e da mútua consideração, e sem deixar de lado a necessária autocrítica, o pastor batista, escritor e mestre em Teoria do Direito, organiza os fundamentos que inspiram a busca de uma convivência democrática, para o bem da nação.

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LIVRO

Superando Limites FLAVIO VALVASSOURA | MUNDO CRISTÃO

O pastor da Igreja do Nazareno Central de Campinas (SP), que por diversas vezes ministrou na CG Sede, lança este novo livro de sua autoria, no qual destaca que para que os planos e sonhos se concretizem, é fundamental que cada ser humano identifique os sabotadores que impedem o sucesso, e, assim, dê passos certos rumo a um futuro de realizações. Altamente desafiador, o livro estimula a caminhada ousada pela fé e o rompimento de barreiras que nos impedem de viver dias melhores, entendendo que Cristo está presente em todas as etapas da jornada. Use o leitor de QR Code em seu celular e saiba mais sobre o livro

MÚSICA

APP

Reckless Love CORY ASBURY

É o segundo álbum solo do cantor americano Cory Asbury, da Bethel, e fez sua estreia já no primeiro lugar do ranking musical da Billboard. O trabalho foi descrito pelo autor como “um relato sincero da história essencial do Evangelho: o desejo de um Pai por conexão com aqueles que Ele criou, conhece e ama incondicionalmente”. Ao longo das músicas, melodias serenas se misturam com harmonias estonteantes em um álbum que convida o ouvinte a sentar e, simplesmente, receber o amor interminável de Deus. Use o leitor de QR Code em seu celular ouça as músicas

Be my eyes – Ajudando deficientes visuais BE MY EYES

Empreste os seus olhos para uma pessoa cega em necessidade através de uma conexão de vídeo ao vivo. Usuários com deficiência visual podem solicitar ajuda de um voluntário com visão para saber, por exemplo, o prazo de validade do leite que estão prestes a comprar ou se as roupas que estão usando combinam. Assim que o primeiro usuário com visão aceitar a solicitação de ajuda, uma conexão de áudio e vídeo ao vivo será configurada entre as duas partes. A maioria das chamadas é respondida dentro de 60 segundos. Cadastre-se como voluntário!

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AMOR QUE TRANSFORMA

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s primeiros dias na escola são cheios de emoção para as crianças. Algumas choram desesperadamente por se separarem dos pais, outras, mesmo quietinhas, se sentem nervosas por conta da nova rotina, do ambiente diferente e das pessoas que agora as rodeiam. Já outras descobrem tantas coisas novas que se enchem de alegria e ficam bem agitadas. No começo do ano letivo de 2018, tudo parecia normal no CEI Indireto – Espaço da Comunidade VI, creche administrada pela Fundação Comunidade da Graça. Muitas crianças tinham suas primeiras experiências e as professoras já esperavam todas as reações possíveis. Mas, uma daquelas crianças tinha algo diferente. Ao pegar Mirella no colo, um bebê de pouco mais de um ano, a professora Débora percebeu que ela não era como as outras crianças. O coração da menina batia mais forte do que o normal. A princípio, a professora pensou que poderia ser o nervosismo por conta do novo ambiente. A coordenadora do CEI, Ana Paula, também percebeu os fortes batimentos ao pegar Mirelle no colo: “Na primeira vez, eu até brinquei que ela estava tão nervosa que seu coraçãozinho estava pulando. Mas mesmo tentando acalmá-la, a situação não normalizava”. Foi aí que decidiu entrar em contato com os pais, Jocelice e Nailton.

As professoras e a coordenadora do Espaço da Comunidade foram muito sensíveis e atentas à nossa filha, não sabemos o que teria acontecido se não fosse por elas

Preocupados com o desenvolvimento da filha, eles também já haviam percebido que algo não estava normal, mas quando procuraram um médico, foram avisados de que aquela era uma condição comum para bebês e que tudo estava bem. Por isso, acabaram deixando a situação de lado. Ana Paula, então, aconselhou-os a buscar outro profissional e fazer os devidos exames na menina. Foi aí que veio a notícia: Mirelle sofria com um forte sopro – ou seja, uma de suas válvulas cardíacas estava com o orifício de passagem do sangue reduzido – e seu coração já estava inchado, afetando outros órgãos. Naquele momento, muitas coisas começaram a fazer sentido para os pais. Ela costumava ser bem quieta, não muito agitada, como se estivesse sempre cansada, e seu coração parecia sempre acelerado. A condição era tão complicada, que os médicos disseram que ela precisava ser operada com urgência. Se o problema não fosse tratado logo, ela poderia não chegar aos quatro anos de idade. “A gente não tinha condições de fazer muitas coisas, mas demos um jeito. Pedimos a ajuda de Deus e fomos em frente”, conta Nailton. A mãe, a princípio, não aceitava bem a situação: “Eu fiquei muito desesperada. Não queria que ela operasse o coração, é algo muito sério, muito grave. Mas percebi que era necessário, que aquilo seria o melhor para ela”. Depois de um mês daquela triste descoberta, chegou o dia da operação de Mirelle, 23 de abril. Foram cinco horas esperando pelas boas notícias. E elas, enfim, chegaram. A cirurgia da menina foi um sucesso e, hoje, ela já se desenvolve normalmente e toma remédios para que seu coração volte ao tamanho normal. Os pais já percebem diferenças enormes na filha. “Olha como hoje ela brinca, antes ela não fazia nada disso”, lembra o pai. Eles também se sentem muito gratos por toda a ajuda que receberam da creche e da FCG. Se lembram, inclusive, de que Mirelle já havia passado por outra instituição antes, onde ninguém havia percebido seu problema. “As professoras e a coordenadora do Espaço da Comunidade foram muito sensíveis e atentas à nossa filha, não sabemos o que teria acontecido se não fosse por elas. Graças a Deus, a Mirelle está aqui, ela é o nosso maior presente”. 27


REFLEXÃO

Como amar seus filhos incondicionalmente? ma das coisas mais importantes que podemos fazer por nossos filhos é ensiná-los que Deus os ama incondicionalmente. É extremamente importante que ensinemos às crianças que elas são amadas, não porque fizeram alguma coisa para merecer esse amor ou porque são boas o suficiente, mas sim porque Deus as colocou em uma família para serem amadas. Isso pode ser difícil para muitos de nós, porque, pessoalmente, tivemos muita dificuldade em receber o amor incondicional de Deus. O Senhor quer que passemos tempo com Ele deixando que Ele nos ame e, como resposta, demonstrando esse amor incondicional aos nossos filhos. Como, então, podemos mostrar o amor incondicional de Deus à nossa família?

PERDOE SEUS FILHOS COMO DEUS PERDOA VOCÊ Efésios 4.32 diz: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo”. Eu amo o fato de que Deus me perdoa, mas não estou sempre disposto a dar o mesmo tipo de perdão para as outras pessoas. Ser pais exige doses massivas de perdão. Estamos em todo o tempo na posição de perdoar os nossos filhos pelas coisas que eles fazem.

NUNCA DESISTA DOS SEUS FILHOS Somos ensinados em 1 Coríntios 13.7 que “quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência” (NTLH). Em uma outra tradução (“Phillips Translation”, disponível apenas em inglês), o mesmo versículo diz: “O amor não conhece limites para o que consegue supor28

tar, sua confiança nunca acaba, sua esperança nunca desaparece; pode suportar qualquer coisa”. Podemos enfrentar praticamente qualquer coisa se sabemos que alguém acredita em nós. E as famílias, supostamente, deveriam fazer isso, dar esse tipo de amor. Nada pode nos separar do amor de Deus. É incondicional e dura para sempre. Nenhum erro, nenhuma decisão impensada, nenhum período de rebeldia, nenhuma dúvida que nos consuma – nada, absolutamente nada, pode nos separar do laço eterno que temos com Deus, o nosso Pai.


Deus quer que tratemos nossos filhos da mesma maneira como Ele nos trata

No minuto seguinte, nos sentimos tão frustrados e cansados de seu comportamento. Você pode se preocupar com seus filhos. Pode estar frustrado com eles. Pode estar com medo das escolhas que eles têm feito. Pode se sentir desencorajado. Talvez, você sinta uma dor profunda quando pensa neles. Sente até vontade de desistir às vezes, mas não pode renunciar à paternidade. Você trabalha com a vida! Se tentarmos ser pais com as nossas próprias forças, falharemos. Precisamos do amor de Deus, porque o amor do homem acaba. Há um limite no quanto conseguimos aguentar, na distância que podemos alcançar. Há dias e noites em que não temos mais nada para oferecer, e sabemos disso. Por isso, precisamos estar conectados com Deus, Ele é a fonte de todo o amor. Quando nos achegamos a Ele, recebemos o poder, a energia e o amor que não sabíamos que tínhamos. Deus também nos dá a sabedoria de que precisamos. Então, não importa como nos sentimos com relação aos nossos filhos hoje, Jesus está pronto para nos ajudar. A chave para ser um ótimo pai ou mãe é se tornar uma pessoa comprometida com Deus. Como? Primeiro, precisamos convidar Jesus Cristo para controlar a nossa vida: “Senhor, quero que Tu sejas o dono do meu coração”. Depois, oramos dizendo: “Deus, eu preciso da Sua ajuda todos os dias. Preciso de sabedoria, amor e paciência para ser um bom pai”. E, por último, pedimos que os nossos filhos orem por nós. Eu oro pelos meus filhos e, então, peço que eles orem por mim. Podemos dizer: “Quero que você ore para que eu seja um bom pai”. Talvez, isso tudo tenha que começar com um pedido de perdão. Pode ser que uma reconciliação seja necessária. Pode ser que precisemos entrar em contato com os nossos filhos, dizendo: “Eu não fui sempre o pai ou mãe que deveria ter sido. Me arrependo disso, quero que as coisas sejam diferentes. Quero ser a pessoa que Deus quer que eu seja e de que você precisa. Por isso, eu peço que você me perdoe”.

Como pais, precisamos desenvolver o mesmo tipo de amor pelos nossos filhos. Não importa o que eles façam e nem quantas vezes cometam os mesmos erros, precisamos acreditar neles. Deus quer que tratemos nossos filhos da mesma maneira como Ele nos trata. Ter filhos é como estar em uma montanha-russa de emoções. Em um momento, sentimos tanto orgulho deles que queremos apertá-los.

Nunca é tarde para começar a mostrar o amor incondicional de Deus e o Seu perdão aos nossos filhos. O Senhor nunca desiste de você, por isso nunca desista dos seus filhos!

RICK WARREN Autor do best-seller “Uma vida com propósitos”, Rick Warren é também pastor, conferencista e fundador da igreja Saddleback, na Califórnia, EUA. Ele é casado com Kay Warren há 43 anos. 29


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Revista Comuna 101  

Amor com ou sem limites? - Fortalecendo o relacionamento entre pais e filhos. Palavra do presidente - Autoridade conquistada pelo amor. Famí...

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