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AGENDA C U LT U R A L

Agosto Setembro 2017


C O N F E R Ê N C I A S U F R G S 2 017

Educação Superior e a Reforma de Córdoba A realização da Conferência Regional de Educação Superior em junho de 2018 no marco dos 100 anos da Reforma de Córdoba enseja um grande debate em nossa comunidade universitária. Entendemos como tarefa da UFRGS incentivar o debate, a exemplo do que fez com outros temas, no eixo de reflexão denominado “Conferências UFRGS” que conta sempre com um conferencista da própria Universidade para apontar um olhar dentro da temática sugerida. A proposta é realizar um conjunto de dez conferências sempre com um convidado e um mediador. Educação Superior é bem público, direito humano e responsabilidade social do Estado. Elemento fundamental para a conquista da cidadania, motor do desenvolvimento humano sustentável e elemento de integração regional e internacional, as instituições de Ensino Superior vem atuando na ampliação do acesso, da diversidade e da inter-relação com os outros níveis de ensino para atender aos enormes desafios sociais presentes nos países da América Latina e Caribe. A Conferência Regional de Educação Superior na América Latina e no Caribe 2018, CRES 2018, organizada pelo Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe (IESALC) UNESCO, pela Universidade Nacional de Córdoba (Argentina), pelo Conselho Interuniversitário Nacional da Argentina e pela Secretaria de Políticas

Legenda título / fonte

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Universitárias do Ministério da Educação e do Esporte da Argentina, reunirá reitores, dirigentes, acadêmicos, estudantes e representantes da sociedade com o objetivo de refletir sobre a Educação Superior na região e de traçar um plano de ação para a próxima década. Será realizada entre os dias 11 a 15 de junho de 2018 na Universidade Nacional de Córdoba, berço da Reforma do ano 1918, movimento que influenciou de forma decisiva o desenvolvimento do ensino superior na região. A presente edição do ciclo “Conferências UFRGS” irá refletir sobre os sete eixos temáticos definidos para a CRES2018, com o propósito de levar a discussão ao seio da comunidade universitária e de elaborar uma contribuição institucional para a construção da agenda preparatória dos países da América latina e do Caribe para a próxima Conferência Mundial sobre o Ensino Superior, a ser realizada pela UNESCO.

Carlos Alexandre Neto Curador Conferências UFRGS 2017

CONFERÊNCIAS UFRGS 2017 | EDUCAÇÃO SUPERIOR E A REFORMA DE CÓRDOBA Horário: das 19h às 20:30 Local: Salão de Festas - 2º Andar Reitoria


Papel Estratégico da Educação Superior no Desenvolvimento Sustentável da América Latina e Caribe

Educação Superior como parte do Sistema Educativo na América Latina e Caribe

Palestrante: Rui Vicente Oppermann Data: 16 de agosto, quarta-feira

Palestrante: Maria Beatriz Luce Data: 22 de novembro, quarta-feira

A Comunidade Universitária e a Educação Superior na América Latina e Caribe

A Pedagogia da Reforma de Córdoba e a Integração Regional em América Latina e Caribe

Palestrante: Eduardo Rolim Data: 30 de agosto, quarta-feira

Palestrante: Denise Leite Data: 29 de novembro, quarta-feira

Educação Superior Face aos Desafios Sociais na América Latina e Caribe

Direito à Educação Superior na América Latina e Caribe

Palestrante: José Vicente Tavares dos Santos Data: 13 de setembro, quarta-feira

Palestrante: Marília Morosini Data: 06 de dezembro, quarta-feira

Autonomia Universitária na América Latina e Caribe

Ensino Superior, Diversidade Cultural e Interculturalidade na América Latina e Caribe

Palestrante: Wrana Pannizzi Data: 11 de outubro, quarta-feira

Palestrante: Sandra de Deus Data: 13 de dezembro, quarta-feira

Ciência, Tecnologia e Inovação como Motor de Desenvolvimento na América Latina e Caribe

Cem Anos da Reforma de Córdoba – Um Novo Manifesto

Palestrante: Lívio Amaral Data: 25 de outubro, quarta-feira

Palestrante: Carlos Alexandre Netto Data: 17 de janeiro de 2018, quarta-feira

Integração Acadêmica Latinoamericana Palestrante: Hélgio Trindade Data: 08 de novembro, quarta-feira

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música

INTERLÚDIO

Entre a época das primeiras partituras impressas – no distante século 16 -, da instituição dos primeiros concertos públicos pagos – já no século seguinte -, e o nosso tempo de agora, em que a experiência cotidiana da escuta da música depende sobretudo dos meios de reprodução sonora, muita coisa mudou. Instrumentos foram criados e aprimorados; compositores foram reabilitados ou esquecidos; práticas caíram em desuso, enquanto outras, como a difusão e a audição online recentes, ganharam espaço (até mesmo as mais prestigiadas salas de música se renderam). Contudo, o acontecimento de uma apresentação ao vivo – aquilo que se passa de forma quase enigmática entre quem toca e quem escuta – persiste como um momento privilegiado da música. O fato de, como aqui no Interlúdio, os músicos estarem nas etapas finais de sua formação, os espaços serem quase alternativos e o público estar se constituindo a cada edição, torna tudo ainda mais vivo. Assim como vivos e plenos de sentido são os repertórios escolhidos pelos instrumentistas para compor seus programas. Os projetos selecionados neste ano estarão em cena para nos lembrar que a música, como diz Daniel Baremboim, talvez seja “a melhor escola de vida”.

AGOSTO

Quinteto Austro: quinteto de sopros A banda de sopro Quinteto Austro surge da ideia de cinco músicos, colegas de orquestra, com um desejo em comum de produzir recitais de música de câmara, procurando valorizar as obras de compositores brasileiros do século XX, com instrumentos como oboé, clarinete, flauta, fagote e trompa. No repertório, estão artistas como Radamés Gnattali, Dimitri Cervo, Alexandre Schubert, Liduino Pitombeira e Willames S. Costa. Data: 29 de agosto, terça-feira Horário: 12h30 Local: Salão de Festas - 2º andar da Reitoria (Rua Paulo Gama, 110)

Coral da UFRGS: concerto com peças para coro O Coral da UFRGS é composto por alunos, funcionários e professores da universidade, bem como por membros da comunidade em geral. Seu repertório abrange peças de todas as épocas e estilos musicais: renascentista, barroco, contemporâneo, popular, folclore nacional e internacional, sendo executadas em sua maioria, a capella. Nesses 55 anos de atividades ininterruptas, o Coral participou de inúmeros encontros de coros e festivais nacionais e internacionais. No ano de 2016, participou do Festival Internacional de Corais de Curitiba (Cantoritiba), onde recebeu os prêmios de melhor Coro de Música Erudita e mehor Coro Misto. Atualmente, o coral é formado por mais de 80 vozes, sendo regido pelo Maestro Lucas Alves e tendo como Preparador Vocal, Guilherme Roman. Data: 29 de agosto, terça-feira Horário: 12h30 Local: Hospital de Clínicas - Saguão do 2º andar (Rua Ramiro Barcelos, 2350)

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SETEMBRO

Wendel Rodrigues e Louise Nunes: Duo Contrabaixo e Piano

Coral Viva la Vida: concerto com peças para coro e arranjos corais variados

Wendell Rodrigues da Rosa iniciou seus estudos de contrabaixo acústico em 2014 na Casa de Cultura de Esteio, ingressando na orquestra Jovem de Esteio, na orquestra jovem da Ospa e na Orquestra Jovem do RS em 2015 e atualmente cursa Bacharelado em Contrabaixo Acústico no Instituto de Artes da UFRGS. Louise Nunes é bacharel em piano pela Universidade Federal de Santa Maria, tendo atuado como professora do curso de Extensão em Música da UFSM e como pianista da Orquestra Sinfônica de Santa Maria. Atualmente é integrante do Coro Sinfônico da OSPA e cursa mestrado em Práticas Interpretativas na UFRGS. Com repertório para piano e contrabaixo, a dupla interpretará Eccles, Ditersdorf e Dragonetti.

O Coral Viva La Vida foi criado em 2015, para compartilhar a música “Viva la Vida” (Coldplay) numa apresentação com o grupo dinamarquês Vocal Line. Desde então, mantém a característica de ser composto por cantores experientes, que atuam também em outros coros da região. O repertório variado tem músicas e arranjos inéditos, no intuito de difundir a nossa cultura do canto coral dentro e fora do Rio Grande do Sul, bem como a música vocal a cappella nacional e internacional, com nomes como Fito Paez, Gilberto Gil e Steve Wonder. Data: 26 de setembro, terça-feira Horário: 12h30 Local: Hospital de Clínicas - Saguão do 2º andar (R. Ramiro Barcelos, 2350)

Data: 05 de setembro, terça-feira Horário: 12h30 Local: Salão de Atos da UFRGS (Rua Paulo Gama, 110)

Rafael Iravedra: violão solo, música de compositores argentinos Nascido na Argentina, Rafael Iravedra é mestre em Música – Práticas Interpretativas (violão) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem Especialização Superior em Violão pelo Conservatório Luis Gianeo, na cidade de Mar del Plata. Atualmente é doutorando em Práticas Interpretativas pela UFRGS e professor substituto de violão e Prática de Conjunto no Curso Técnico em Instrumento Musical no Instituto Federal do Rio Grande do Sul. No repertório para violão solo, Rafael interpretará nomes como Astor Piazzola, Gustavo Leguizamón, Carlos Aguirre e Alberto Ginastera. Data: 26 de setembro, terça-feira Horário: 12h30 Local: Salão de Festas - 2º andar da Reitoria (Rua Paulo Gama, 110)

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música

SOM NO SAL ÃO Há sete edições, o Som no Salão tem possibilitado a aproximação de novas manifestações artísticas musicas com o público de Porto Alegre, a partir de espetáculos que tem como um de seus pilares a formação de plateia, uma vez que os projetos selecionados apresentam uma diversidade de estilos musicais. São trabalhos cuja originalidade, singularidade e qualidade possibilitam uma experiência sonora para além do entretenimento. Desenvolvido e coordenado pela administração do Salão de Atos, o Som no Salão tem o objetivo de promover o acesso e firmar uma ação cultural para este espaço, de acordo com a política cultural da Universidade. Nos dias dos espetáculos, os artistas contemplados terão seu show gravado pela UFRGS TV, parceira do projeto.

José Francisco Machado e Lívia Biasotto Administração Salão de Atos

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Lá Vai Maria Lá Vai Maria narra a trajetória de uma mulher afro-indígena, que se reconhece e auto-declara como tal a partir do momento em que se permite viver as tradições que de alguma forma lhe pertencem, mas que por muito tempo não acessou pela falta de representatividade e silenciamento da sua própria história familiar. Maria passa por várias situações que lhe provocam e permitem se deparar com sua ancestralidade. Seguindo sua caminhada, Maria se vê imersa num universo de cantos, fazeres e danças dessa terra, que contam a história de seus bisavós, que ensinam os nomes dos pássaros, das árvores, que ensinam a plantar e cultivar, e que mais que tudo, ensinam a ouvir. Maria, somos diversas. O show Lá Vai Maria apresenta ao público a produção musical de um grupo de mulheres musicistas que mergulharam no universo da musicalidade popular brasileira, através da vivência e troca com mestras e mestres parceiros, enquanto um movimento de reencontro consigo mesmas, de resistência e fortalecimento. O grupo conta com a parceria e conselho de mestres e mestras como a Mestra Martinha do Coco(PE), Mestre Paraquedas(RS), Mestre Tião Carvalho(MA) e do babalaô Ìdòwú Akínrúlí (Nigéria).

O repertório apresenta o trabalho autoral do grupo com algumas parcerias e passeia por tradições como capoeira angola, jongo, forró de rabeca, bumba meu boi, samba, afoxé e samba de coco. A sonoridade do grupo é composta por vozes, percussões e cordas. O grupo é integrado por Andressa Ferreira, Gutcha Ramil, Thayan Martins, Pâmela Amaro e Tamiris Duarte. Participações especiais no show: Inajara, Nina Fola, Gil, Mariana, Magnólia, Idòwú Akínrúlí, Iara Deodoro e grupo Afrosul, Camila Camargo, Rita Lendê, mestre Paraquedas, Diih Neques, Loua Pacom Oulai.

lá vai maria Data: 13 de setembro, quarta-feira Horário: 20h Local: Salão de Atos da UFRGS Av. Paulo Gama, 110 Serão aceitas doações de 1kg de alimento nos dias da apresentação.

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música

10 º F E S T I VA L D A C A N Ç Ã O F R A N C E S A

Inscrições abertas para o 10° Festival da Canção Francesa Criado em Porto Alegre em 2008, evento tornou-se referência em música contemporânea francesa. Final nacional também acontece na capital gaúcha em novembro. O Festival da Canção Francesa da Aliança Francesa de Porto Alegre chega a sua 10ª edição. As inscrições estão abertas até 15 de setembro de 2017. Regulamento e ficha de inscrição estão disponíveis em www.afpoa.com.br. O concurso é gratuito e aberto a cantores amadores e profissionais, que falem ou não francês. Não é preciso desistir se não dominar o idioma: o essencial é caprichar na interpretação e na pronúncia. O vencedor da etapa de Porto Alegre, que acontecerá no Salão de Atos da UFRGS no dia 27 de outubro, ganhará uma viagem a Paris, além da participação na final nacional, em 25 de novembro de 2017, também na capital gaúcha. Nesta edição, os candidatos poderão escolher qualquer título da música francesa, incluindo repertório francófono. No site da Aliança Francesa de Porto Alegre é possível encontrar também uma playlist para se inspirar e eleger a chanson favorita para interpretar. O dossiê de inscrição deverá ser entregue na sede da Aliança Francesa (Rua Dr. Timóteo, 752 - Moinhos de Vento - POA), presencialmente ou por Correio, ou enviado para festival@afpoa.com.br até a data limite, 15 de setembro de 2017. O Festival da Canção Francesa procura revelar novos talentos e divulgar as diversas facetas da canção francesa, valorizando a sua diversidade. Além da França, existem 56 países onde se fala francês.

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O Festival Criado em Porto Alegre em 2008, o evento tornou-se uma referência em música contemporânea francesa e adquiriu uma dimensão nacional. Em 2016, o vencedor da etapa de Porto Alegre foi o cantor Ricardo Seffner. O artista gaúcho interpretou a canção Je m’voyais déjà, de Charles Aznavour, e representou o Rio Grande do Sul na final nacional, no Rio de Janeiro. Na fanpage da Aliança Francesa no Facebook (www.facebook.com/afportoalegre) é possível descobrir a cada semana o melhor da música francesa e informações exclusivas, como biografias de artistas, letras de músicas e muito mais. Em sua etapa regional de Porto Alegre, o Festival da Canção Francesa é realizado pela Aliança Francesa de Porto Alegre, com o patrocínio da Timac Agro, o financiamento da Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul, coprodução do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, e apoio da Biarritz Turismo, Chandon, Alban Rossollin Café e Boulangerie e Estúdio Musitek.

10º FESTIVAL DA CANÇÃO FRANCESA Inscrições: até 15 de setembro Local: Sala Redenção – Cinema Universitário da UFRGS (Rua Luis Englert, s/n., Campus Central UFRGS) Ingressos: Entrada Franca


A rtes v isuais

unifoto Trindade e Martim Vaz | Pesquisa e Conservação em Águas Oceânicas As fotografias que serão expostas nesta exposição foram obtidas durante as sete expedições realizadas à Ilha da Trindade por pesquisadores e alunos do projeto “A Fauna de Odontocetos do Brasil, Biogeografia e Taxonomia: Subsídios para Conservação”, financiado pelo CNPq e pela Marinha do Brasil no escopo do Programa de Ilhas Oceânicas. A Ilha da Trindade se localiza a mais de 1.200km da costa e para chegar lá é necessário navegar ininterruptamente por quatro dias e quatro noites. O projeto, desenvolvido pelo Laboratório de Sistemática e Ecologia de Aves e Mamíferos Marinhos (LABSMAR), do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da UFRGS, teve início em 2010, trazendo, desde então, importantes achados para a ciência brasileira e a colaboração com pesquisadores da Nova Zelândia, Portugal e Estados Unidos. Ao promover a exposição como forma alternativa dos resultados das expedições, destacamos o grande envolvimento de alunos de graduação e pós graduação que, além das suas pesquisas, estão trazendo agora olhares sobre este patrimônio natural da humanidade, ainda tão desconhecido pela população brasileira.

Trindade e Martim Vaz | Pesquisa e Conservação em Águas Oceânicas Data: de 08 de agosto a 02 de setembro Horário: de segunda a sexta das 08h às 18h Local: Saguão da Reitoria | Av. Paulo Gama, 110

Ignacio Benites Moreno Depto. Interdisciplinar do Campus Litoral Norte da UFRGS

Foto: Ignacio Moreno

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A rtes v isuais

A Cara da Rua | Entre utopias e distopias urbanas Quando escreveu Utopia, o inglês Thomas Morus (1480-1535) imaginou uma forma de governo ideal, que proporcionava as melhores condições de vida a um povo equilibrado e feliz. O livro chamava a atenção para a atualidade política de seu tempo, que há quinhentos anos, o era como hoje, cheia de desigualdade e pobreza. A utopia nascia então como um retrato negativo. A distopia seria o termo usado atualmente como seu espelho, para se referir ao nosso quotidiano. A primeira representaria o ideal, a felicidade, enquanto que a segunda, a realidade e a sua sombra, ou seja, uma ameaça constante. O problema era, e ainda é, que o conceito de utopia é lido como algo inatingível, distante, um desejo impossível de alcançar. Ou alcançável somente através da imaginação. Seria esta a função utópica da arte? A Cara da Rua é um projeto de extensão universitária da UFRGS que trabalha com a arte, e vem sendo desenvolvido com moradores em situação de rua em Porto Alegre. Ele trata destas questões antagônicas e complementares, entre utopias e distopias. Através de suas ações, percebe-se onde e quando o ensino da arte e estética pode sair de sua postura egocêntrica e individual e de usufruto solitário, para se transformar em um gesto ético, de generosidade em nome da cidadania, buscando uma sociedade com oportunidades iguais. Ele atua neste momento crítico, onde a harmonia da vida na cidade exige que se conceda prioridade à ética. A Cara da Rua comprova, em seus resultados, como na exposição que aqui apresentamos, que a estética não é necessariamente excludente nesta relação de trocas e de intersecções.

No projeto, vinculado ao Programa Universidade na Rua, que recebeu apoio do Edital PROEXT/MEC-SESu2015-2016, são distribuídas câmeras fotográficas para alunos sem domicílio fixo, que frequentam a Escola EPA – EMEF de Porto Alegre, voltada para a educação de jovens adultos. O objetivo é a confecção de cartões postais que são vendidos pelos próprios autores, como uma forma alternativa de geração de renda. O resultado é surpreendente. As fotos obtidas pelo grupo nos fazem pensar onde e quando, em uma fotografia, há sinais de uma perda, assim como também há uma denúncia destas ausências e destas faltas, e a esperança da integração pela hospitalidade. São estes sinais que nos fazem pensar sobre o tempo, sobre o grupo, sobre a cidadania, entre ética e estética, e sobre a atualidade dos conceitos de utopia e de distopia em nossa cidade nos dias de hoje. Eduardo Vieira da Cunha Curador da exposição

A Cara da Rua | Entre utopias e distopias urbanas Data: de 20 de maio a 31 de agosto Horário: de segunda a sexta das 07h às 22h30min sábado das 07h às 12h Local: Pátio do Campus Centro da UFRGS Av. Osvaldo Aranha, 277

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TE ATRO

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AGOSTO

Os Dragões Não Conhecem o Paraíso Os Dragões não Conhecem o Paraíso é um monólogo que parte das inquietações resultantes do turbulento ano de 2016, que também marca os 20 anos da morte de Caio Fernando Abreu. O espetáculo utiliza este e outros contos do autor gaúcho para estabelecer paralelos com a atualidade. A peça que foi estágio de conclusão de curso do ator Guilherme Conrad é resultado também da pesquisa “As técnicas corporais do gaúcho e sua relação com performance do ator-bailarino”, orientada pela profª Inês Marocco, no Departamento de Arte Dramática da UFRGS.

SINOPSE: Os dragões são invisíveis. Eles trafegam impunes, deliciados, no limiar entre a zona oculta e a mais mundana. Quem só acredita no visível tem um mundo muito pequeno. Os dragões não cabem nesses pequenos mundos fechados para o que não é visível. Os dragões fogem do paraíso que nós, as pessoas banais, inventamos. “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso” conta, através de quadros independentes, histórias de repressão presentes nos recortes da vida e sociedade contemporânea preconizados nos contos de Caio Fernando Abreu.

O Espetáculo será apresentado todas as quartas-feiras do mês de AGOSTO na sala Qorpo Santo (campus central da UFRGS – Paulo Gama s/n) com sessões gratuitas sempre às 12:30 e 19:30. As senhas começam a serem distribuídas uma hora antes das apresentações, no local.

FICHA TÉCNICA Elenco: Guilherme Conrad Orientação: professora Inês Alcaraz Marocco Textos: Caio Fernando Abreu Trilha Sonora: Gaspar Caon Iluminação: Virginia Cigolini Foto: Amanda Gatti Duração: 35 minutos Classificação indicativa: 14 anos

OS DRAGÕES NÃO CONHECEM O PARAÍSO Data: todas as quartas de agosto Horário: 12:30 e 19:30 Local: Sala Qorpo Santo – Campus Central da UFRGS Rua Paulo Gama s/n

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cinema

agosto Ouvindo Filmes: Trilhas e Tramas no Cinema Hitchcock é um ícone do universo cinematográfico que personificou o estereótipo, no melhor sentido, do diretor. Ele também é responsável, em larga medida, pela qualificação da transição do cinema mudo para o falado. A mulher do fazendeiro (Farmer’s wife) é bom exemplo desse processo, com trilha sonora assinada por Xavier Berthelot. Hitchcock trabalhou com compositores de muita expressão, como John Williams, em Trama macabra (Family Plot). Alguns dos seus maiores clássicos têm como destaque a trilha sonora, como A sombra de uma dúvida (Shadow of a doubt), com a música de Dimitri Tiomkin, Janela indiscreta (Rear window), que conta com Franz Waxman, e Topázio (Topaz), com música de Maurice Jarre. Cortina rasgada (Torn curtain) é outro exemplo de uma trilha sonora importante, composta por John Addison, que leva o espectador a momentos de tensão, uma característica do “Mestre do Suspense”. Psicose (Psycho), contudo, uma de suas obras-primas, é provavelmente o filme em que a música (composta por Bernard Herrmann) mais se destacou. “Hitch” acompanhou de perto essa produção musical. De acordo com Rebello (2013, p.153), “não importa o quanto o diretor confiasse em seu compositor e em seu montador de som, sempre fazia anotações detalhadas para a inserção dos efeitos sonoros e da música”. É como se ele compusesse sua própria “partitura musical”.

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Os filmes de suspense, assim como os filmes de terror, são fundamentais para a afirmação da música como linguagem fílmica. Por isso priorizamos, nessa Mostra, parte da filmografia de Hitchcock, de modo a possibilitar ao público a reflexão sobre a importância da música no Cinema. Segundo Berchmans (2016, p.17), “o poder da música é pouco compreendido até por grandes diretores”. Nesse sentido, Hitchcock deu um passo à frente no diálogo com os compositores, ao procurar compreender a feitura das canções nos contextos dos seus filmes. Contemplamos, também, filmes de outros gêneros, cujas trilhas foram compostas por músicos históricos. Henry Mancini se faz presente no filme A bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany’s), um clássico dirigido por Blake Edwards. Ennio Morricone está aqui com o filme Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds), dirigido por Quentin Tarantino. John Barry compôs a trilha de 007 contra o homem contra a pistola de ouro (The man with the golden gun), que conta com a direção de Guy Hamilton e com a participação especial de Christopher Lee como o vilão de James Bond. Ryuichi Sakamoto, por sua vez, em companhia de David Byrne e Cong Su, assina a trilha de O último imperador (The last emperor), de Bernardo Bertolucci. A musicalidade de Philip Glass está em As horas (The hours, direção de Stephen Daldry) e a de Wojciech Kilar em Drácula de Bram Stoker (Bram Stoker’s Dracula), dirigido por Francis Ford Coppola, possivelmente a melhor adaptação do célebre livro do escritor irlandês. Dany Elfman musicou Tim Burton em Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (Big Fish), e Vangelis compôs um dos


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temas mais famosos da história do Cinema em Carruagens de fogo (Chariots of fire), de Hugh Hudson. Betty Blue (Betty Blue: 37º2 Le Matin) e Thelma & Louise (Thelma & Louise), clássicos dos anos 80 e 90, respectivamente, tiveram suas trilhas compostas por Gabriel Yared e Hanz Zimmer, dois dos mais significativos compositores contemporâneos, especialistas em canções instrumentais.

Sobre música e a “Sétima Arte”, é preciso observar que, segundo Carrière (1995, p.35), “ o cinema nasceu silencioso e continua a amar o silêncio”, o que não implica, obviamente, o desprezo pelas canções e pelos sons. Ao contrário, é crescente a significação da música como elemento fílmico, o que exige o conhecimento deste campo por parte dos diretores e demais produtores dos filmes.

Duas trilhas foram compostas por bateristas. O selvagem da motocicleta (Rumble Fish), dirigido por Coppola, foi musicado por Stewart Copeland, um dos mais renomados ritmistas do universo rock-pop, dono das baquetas do grupo The Police. Nessa obra, bolas de bilhar, máquina de escrever e outros objetos foram utilizados como instrumentos alternativos, em busca de novas sonoridades. Antonio Sanches, baterista de jazz, compôs uma trilha diferenciada para Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância) [Birdman: or (The unexpected virtue of ignorance)]. O sucesso dessa produção fez com que o músico se apresentasse em diferentes países, usando imagens do filme em meio aos shows. Já Justin Hurwitz ambientou Whiplash: em busca da perfeição (Whiplash), um filme que trata diretamente de música, a partir de uma personagem que tem o sonho de ser um ritmista virtuoso. Nessa obra, muitas referências ao baterista Buddy Rich, ícone do instrumento. Direção de Damien Chazelle.

Orquestradas, batucadas, cantadas, assobiadas, as trilhas sonoras possibilitam aos espectadores ouvirem os filmes, por meio de suas melodias, harmonias e ritmos. Através dos compassos, somos convidados pelos compositores a transitar pelos roteiros, em busca de vozes e sentidos diversos, alimentando ainda mais o rico imaginário cinematográfico.

Por fim, temos Alberto Iglesias, compositor presente com frequência no trabalho do diretor espanhol Pedro Almodóvar, aqui representado na obra Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos), um drama bastante sensível acerca de perdas e mudanças de identidade.

Marcelo Pizarro Noronha Doutor em Ciências Sociais, mestre em educação, músico e pesquisador de cinema

Ouvindo Filmes: Trilhas e Tramas no Cinema Data: de 1º a 30 de agosto Local: Sala Redenção – Cinema Universitário da UFRGS (Rua Luis Englert, s/n., Campus Central UFRGS) Ingressos: Entrada Franca

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cinema

agosto Ouvindo Filmes: Trilhas e Tramas no Cinema

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Bonequinha de luxo

01 de agosto | terça-feira | 16h 10 de agosto | quinta-feira | 16h (Breakfast at Tiffany’s, EUA, 1961, 115 min) Direção: Blake Edwards Música: Henry Mancini Holly Golightly é uma moça boêmia que sobrevive de presentes de admiradores. No mesmo edifício onde reside vive o escritor Paul, que luta para demonstrar seu talento e também se mantém graças à ajuda de uma rica benfeitora, com quem tem um caso. O equilíbrio delicado dos dois personagens é posto em xeque quando Paul se apaixona por sua vizinha linda e um tanto exasperante.

Carruagens de fogo

Betty Blue

02 de agosto | quarta-feira | 19h 03 de agosto | quinta-feira | 16h (Chariots of fire, EUA, 1981, 123 min) Direção: Hugh Hudson Música: Vangelis Os melhores atletas da Inglaterra iniciam sua busca de glória nos Jogos Olímpicos de 1924. O sucesso honra sua pátria. Para dois corredores, a honra em questão é pessoal... e o desafio vem de dentro de cada um deles.

04 de agosto | sexta-feira | 19h 07 de agosto | segunda-feira | 16h (Betty Blue: 37º2 Le matin, França, 1986, 185 min) Direção: Jean-Jacques Beineix Música: Gabriel Yared Zorg é um faz-tudo que cuida de bangalôs numa praia na França. Em meio ao trabalho ele escreve. Um dia, Betty apareceu em sua vida, uma jovem tão linda quanto imprevisível. Inesperadamente a sua irreverência começa a fugir do controle, ameaçando a relação de ambos e suas próprias vidas.

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007 contra o homem com a pistola de ouro 01 de agosto | terça-feira | 19h 02 de agosto | quarta-feira | 16h (The man with the golden gun, EUA, 1974, 125 min) Direção: Guy Hamilton Música: John Barry James Bond foi marcado para morrer e precisará de seus instintos mais letais aliados a seu charme irresistível para sobreviver. Roger Moore assume o papel de Agente 007 e participa de um jogo de gato-e-rato como o assassino Franciso Scaramanga.

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O selvagem da motocicleta

O último imperador

03 de agosto | quinta-feira | 19h 04 de agosto | sexta-feira | 16h (Rumble Fish, EUA, 1983, 94 min) Direção: Francis Ford Coppola Música: Stewart Copeland Descontente e inquieta, Rusty James foi abandonado por sua mãe e vive com seu pai alcoólatra. Ele se diverte saindo com sua namorada e com alguns amigos. Quando seu irmão, o Motoqueiro, retorna à cidade, Rusty tem esperança de ter encontrado um guia em sua vida.

07 de agosto | segunda-feira | 19h 08 de agosto | terça-feira | 16h (The last emperor, Reino Unido, Itália, França e China, 1987, 162 min) Direção: Bernardo Bertolucci Música: Ryuichi Sakamoto, David Byrne e Cong Su Nomeado Imperador aos três anos de idade, Pu Yi viveu enclausurado na Cidade Proibida até os 24 anos, quando foi forçado a abandonar o luxo e a segurança da realeza. Tendo como pano de fundo as transformações políticas e sociais que atingiram a China entre o final do século XIX e a instituição do governo socialista de Mao Tse Tung em 1949, o filme ganhou vários prêmios.


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Thelma & Louise

As horas

Bastardos inglórios

08 de agosto | terça-feira | 19h 09 de agosto | quarta-feira | 16h (Thelma & Louise, EUA, 1991, 129 min) Direção: Ridley Scott Música: Hans Zimmer No Arkansas, garçonete e jovem dona de casa entediadas resolvem fazer pequena viagem para fugir da rotina. Quando param num bar, matam um estuprador e fogem, com destino ao México, mas são perseguidas pela polícia.

11 de agosto | sexta-feira | 19h 14 de agosto | segunda-feira| 16h (The hours, EUA, 2002, 115 min) Direção: Stephen Daldry Três épocas, três mulheres e três histórias se mesclam e se transformam pela influência de uma grande obra literária.

15 de agosto | terça-feira | 19h 16 de agosto | quarta-feira | 16h (Inglorious Basterds, EUA, 2009, 153 min) Direção: Quentin Tarantino Música: Ennio Morricone Durante a Segunda Guerra Mundial, na França invadida pelos nazistas, um grupo de soldados americanos de sangue judeu, conhecidos como Os Bastardos, é selecionado para espalhar medo naqueles que impuseram as duras regras do Terceiro Reich. A missão do grupo é exterminar os nazistas, sem medir consequências.

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Peixe Grande e suas histórias maravilhosas Foto: Divulgação

Drácula de Bram Stoker 11 de agosto | sexta-feira | 16h (Bram Stoker’s Dracula, EUA, 1992, 130 min) Direção: Francis Ford Coppola Música: Wojciech Kilar O filme marca o retorno à fonte original do mito de Drácula e, partindo do romance gótico, cria uma moderna obra de arte.

14 de agosto | segunda-feira | 19h 15 de agosto | terça-feira | 16h (Big fish, EUA, 2003, 125 min) Direção: Tim Burton Música: Dany Elfman Durante toda a sua vida, Edward Bloom tem sido um homem de grandes sonhos, paixões e histórias inesquecíveis. Em seus últimos anos de vida, ele continua sendo um grande mistério para seu filho. Agora, na tentativa de conhecer o seu pai de verdade, ele começa a juntar as peças para montar uma ideia real de seu pai através de flashbacks de suas histórias maravilhosas.

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Birdman ou (A inesperada virtude da ignorância) 17 de agosto | quinta-feira | 16h (Birdman: or the unexpected virtue of ignorance, EUA, 2014, 119 min) Direção: Alejandro G. Iñárritu Música: Antonio Sanches Determinado a provar suas qualidades como ator, depois de estrelar um filme de super-herói, Riggan arrisca todas as suas reservas para produzir uma peça para a Broadway. Agora ele tem de lidar com os críticos, um perturbado alter ego, sua filha distante e o temperamento nada comum do ator principal de sua peça.

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Whiplash:em buscadaperfeição

A mulher do fazendeiro

Janela indiscreta

17 de agosto | quinta-feira | 19h 18 de agosto | sexta-feira | 16h (Whiplash, EUA, 2014, 107 min) Direção: Damien Chazelle Música: Justin Hurwitz Andrew Neiman é um baterista de jazz jovem e ambicioso, que deseja chegar ao topo. Terence Fletcher, professor famosos por seus métodos aterrorizantes, descobre o jovem e o coloca na melhor banda de jazz, mudando para sempre a vida do músico. Mas a paixão de Andrew em alcançar a perfeição logo se torna obsessão, enquanto seu professor implacável o pressiona até o limite de sua habilidade e sanidade.

21 de agosto | segunda-feira | 19h 22 de agosto | terça-feira | 16h (Farmer’s wife, EUA, 1927, 100min) Direção: Alfred Hitchcock Música: Xavier Berthelot Baseado numa peça de mesmo nome, essa obra conta a história de um velho e solitário viúvo que resolve se casar de novo. Sua empregada tem por ele uma paixão secreta e o ajuda a procurar uma esposa entre as mulheres locais. Todas, no entanto, o rejeitam, até ele perceber que a perfeita esposa vive sobre o seu próprio teto.

24 de agosto | quinta-feira | 16h (Rear window, EUA, 1954, 114 min) Direção: Alfred Hitchcock Música: Franz Waxman Quando o fotógrafo profissional J.B. se vê obrigado a permanecer numa cadeira de rodas com uma perna quebrada, nasce nele uma obsessão pela observação dos dramas privados dos seus vizinhos. Quando suspeita que um vendedor possa ter assassinado a sua esposa, ele pede ajuda a namorada para investigar a cadeia de acontecimentos altamente suspeitos.

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Abraços partidos

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18 de agosto | sexta-feira | 19h 21 de agosto | segunda-feira | 16h (Los abrazos rotos, Espanha, 127 min) Direção: Pedro Almodóvar Música: Alberto Iglesias Em um trágico acidente de carro, um cineasta perde a visão e a sua amada. Já que não pode mais exercer sua profissão, ele passa a sobreviver com a ideia de que morreu ao lado de sua paixão e troca a sua identidade, transformando-se num homem cuja força de trabalho está envolvida no universo literário.

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A sombra de uma dúvida

22 de agosto | terça-feira | 19h 23 de agosto | quarta-feira | 16h (Shadow of a doubt, EUA, 1942, 108 min) Direção: Alfred Hitchcock Música: Dimitri Tiomkin Joseph Cotten faz o papel do sedutor tio Charlie, um assassino ludibriante que viaja da Filadélfia para a Califórnia apenas um passo à frente da lei. Logo a sua sobrinha homônima, a “jovem Charlie”, começa a suspeitar que o seu tio é o assassino da Viúva Alegrea, tendo início um jogo mortal de gato e rato.

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Psicose 24 de agosto | quinta-feira | 19h 25 de agosto | sexta-feira | 16h (Psycho, EUA ,1960, 109 min) Direção: Alfred Hitchcock Música: Bernard Herrmann Obra-prima estrelada por Anthony Perkins como o atormentado Norman Bates, cuja velha e misteriosa casa abriga um motel onde não se pode passar uma noite tranquila. E ninguém sabe melhor do que Marion Crane, a infeliz viajante cuja jornada acaba na famosa cena do chuveiro. Primeiro um detetive particular, depois a irmã de Marion a procurá-la são as bases para a montagem do horror e do suspense.


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Cortina rasgada

Trama macabra

25 de agosto | sexta-feira | 19h 28 de agosto | segunda-feira | 16h (Torn curtain, EUA, 1966, 128 min) Direção: Alfred Hitchcock Música: John Addison Paul Newman e Julie Andrews estrelam essa clássica história de espionagem. Ele é o famoso cientista que vai a um congresso internacional de Física com sua assistente. Durante a estada no evento, ela pega por um engano uma mensagem endereçada a ele, descobrindo que o mesmo está desertando para Berlim Oriental, onde pretende conseguir fundos para seu projeto. Ou não estará?

29 de agosto | terça-feira | 19h 30 de agosto | quarta-feira | 16h (Family Plot, EUA, 1976, 120 min) Direção: Alfred Hitchcock Música: John Williams Quando uma mulher rica contrata um motorista de táxi e um psicopata falso para achar seu herdeiro desaparecido o resultado é diabolicamente engraçado. Raptos, tentativas de assassinato, risadas e uma série de pequenas tramas recheia a história desse filme inesquecível.

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Topázio 28 de agosto | segunda-feira | 19h 29 de agosto | terça-feira | 16h (Topaz, EUA, 1969, 126 min) Direção: Alfred Hitchcock Música: Maurice Jarre Um agente americano da CIA contrata um francês para ir a Cuba checar rumores de mísseis russos e um espião da OTAN chamado Topázio. Em Havana, a investigação se torna perigosa, envolvendo políticos, traição e assassinato.

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Foto: Loucura Americana

parceiros da sala redenção CineDHebate em Direitos Humanos O documentário, uma das vias escolhidas para denunciar situações de violação a direitos humanos, não é apenas o registro da realidade. Articula-se como uma série de afirmações sobre ela, que podem ser verdadeiras ou falsas. Imagens e sons não são apenas o veículo da transmissão dessas afirmações, pois lhes dão poder de convencimento. Ora, a capacidade de fazer afirmações sobre a realidade não é exclusividade do cinema documentário — o cinema narrativo ficcional também é capaz de fazê-lo. O Cinedhebate selecionou sete filmes excepcionais que tem muito a dizer à nossa conturbada época. Seu fio condutor é o espectro da distopia que assombra a atual forma de vida líquida e consumista. O cinema ficcional contribui muito para aguçar a reflexão crítica sobre os direitos humanos — como condição básica para a sobrevivência da sociedade e suas instituições, e sobretudo como caminho para sua (re)humanização. O cinema também contribui para atentarmos ao nosso papel enquanto indivíduos para melhorarmos nossas vidas e dos demais à nossa volta. Feitiço do Tempo apresenta uma nota de otimismo em meio ao inferno que pode ser nossas vidas muito, muito ordinárias.

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Loucura Americana 09 de agosto | quarta-feira | 19h (American Madness, EUA, 1932, 75 min) Dir. Frank Capra Durante a era da grande depressão americana, homem toma uma posição corajosa diante do imenso poder das corporações, ao passo que os Estados Unidos passam por sua maior catástrofe econômica. Ele é Tom Dickson, que por 25 anos tem sido um leal e dedicado presidente de banco. Quando a bolsa de valores sofre um colapso, o comitê da diretoria abusa do seu poder pedindo empréstimos, forçando Dickinson a lutar por seu emprego. Até que um executivo do banco sem escrúpulos e um suposto roubo de 5 milhões de dólares leva sua carreira e seu casamento à beira da destruição.

Feitiço do Tempo 13 de setembro | quarta-feira | 19h (Groundhog Day, EUA, 1993, 101min) Direção: Harold Ramis Um repórter de televisão que faz previsões de meteorologia vai a uma pequena cidade fazer uma matéria especial sobre o celebrado “Dia da marmota”. Pretendendo ir embora o mais rapidamente possível, ele inexplicavelmente fica preso no tempo, condenado a vivenciar para sempre os eventos daquele dia.


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Cinemas em Rede

Cinemas em Rede é um projeto inovador de compartilhamento e difusão de conteúdos audiovisuais, pela internet de alta capacidade, via CiPê, coordenado pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa- RNP em parceria com os Ministérios da Cultura (MinC) e Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 12 Instituições participam do Projeto: Cinemateca Brasileira (SP), a UFRGS (Sala Redenção - Cinema Universitário); USP (CINUSP e Escola de Comunicação e Artes-ECA); UFBA (Saladearte Cinema da UFBA); a Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ, em Recife; a UFG (Cinema da UFG); a UFES (Cine Metrópolis); a UFSCAR (CineUFSCar); a UFPB (Cinema da UFPB); a UFPel (Cinema UFPel); a UFOP (Cine Vila Rica) e a UFF (Cinema da UFF). A Sala Redenção – Cinema Universitário convida para a exibição do fime Seu Carlito, do diretor Eduardo Moreira, filmado em 2016, documentário que conta a história do seu falecido avô, seu Carlos Moreira.

Seu Carlito 10 de agosto | quinta-feira | 19h (Brasil, 2016, 70min) Dir. Eduardo Moreira Carlos Moreira foi comerciante e fazendeiro no Manja Léguas, um subdistrito do município de Piranga. Filho de imigrante Sírio que veio fugido para o Brasil, conseguiu crescer na vida com seu talento

nato para os negócios da roça. Entre as décadas de 40 e 50 ele ia constantemente a Belo Horizonte tratar de um problema físico que o deixou cego de um olho. Nas suas idas e vindas à capital mineira, fascinado pelas novidades da vida urbana, ele marcou a história do pequeno vilarejo rural onde vivia ao trazer as inovações da cidade para sua comunidade. Também é lembrado pela grande disposição em ajudar os moradores da localidade. Nesse documentário seu 30º neto, Eduardo, que não conheceu Carlos em vida, decide refazer o trajeto que seu avô percorreu e registrar os “causos” que seu filhos e netos ainda guardam. O filme é uma busca pela memória de Carlos Moreira.

Abaixando a Máquina 2 - No Limite da Linha 14 de setembro | quinta-feira | 19h (Brasil, 2016, 90min, documentário) Direção: Guillermo Planel Filme discute o impacto dos protestos de 2013 no jornalismo. Com o crescimento do movimento ativista nas ruas, que teve grande participação dos jovens, e com o aumento da utilização de redes sociais e mídias alternativas, a grande mídia e o jornalismo tradicional, dois conceitos anteriormente sólidos, tornaram-se alvos de dúvidas, críticas e de metamorfoses. Após a sessão, debate com o diretor do filme Guillermo Planel. Foto: Divulgação

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Sessão Especial Entre os dias 26 de junho e 01 de julho ocorreu na Sala Redenção a mostra Questões de Espaço: Releituras do Real, produzida pela Tokyo Filmes. A programação previu uma seleção de filmes contemporâneos que habitam uma zona entre o experimento, o documento etnográfico e a ficção, a fim de propor novos olhares sobre territórios, demarcados ou não, nos quais habitam ou transitam indivíduos e grupos. O conjunto de filmes trabalhou também com aquilo que compõe tais lugares como territórios, tanto física, quanto simbolicamente – das rochas às memórias. A opção por discutir o “espaço” surge da percepção de que esse tema, cujos desdobramentos são diversos, perpassa questões contemporâneas cruciais. O espaço como uma medida infinita, de presença constante, índice da globalização, é posto em questão sob a luz de uma força cada vez mais renovada do local, da medida restrita onde ocorrem fatos, vidas, mortes, em todas as suas multiplicidades de esferas. As ações e as relações, sejam elas humanas ou não-humanas, desdobram-se em um espaço/tempo, tornado espaço-memória, ligado a uma condição geográfica específica, da qual não só é definidor, mas pela qual é também definido. Assim, entram em pauta as identidades e as memórias coletivas engendradas na geografia; os olhares sobre

as migrações (forçadas ou voluntárias) e sobre o movimento das pessoas em um planeta que cada vez mais parece ser unificado e transitável, mas cujas manifestações de elementos naturais trazem à tona a fragilidade do humano; o questionamento sobre a vigência de fronteiras (entre países, entre pessoas e a natureza); e, finalmente, uma renovada atenção dada a realidades específicas, até então escondidas do escrutínio público. El Mar la Mar, com direção de Joshua Bonnetta e J.P. Sniadecki terá uma sessão especial para aqueles que não puderam assistir no momento da mostra. Um debate sobre o filme se estabeleceu e teremos uma nova oportunidade para aqueles que não o conferiram poder participar.

EL MAR LA MAR 23 de agosto | quarta-feira | 19h (EUA, 2017, 94 min) Dir. Joshua Bonnetta e J.P. Sniadecki O deserto do Sonora, na fronteira entre o México e os Estados Unidos, com sua paisagem inóspita, é o cenário que todo o ano recebe milhares de imigrantes mexicanos ilegais. Essas pessoas deixam no local vestígios de sua passagem, mas nunca são vistas ou ouvidas. A sua história só pode ser contada através das impressões que causam.

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CURSO CINEFILIA E CRÍTICA DE CINEMA NO RIO GR ANDE DO SUL

O curso Cinefilia e Crítica de Cinema no Rio Grande do Sul aborda aspectos da recepção do cinema a partir dos debates ocorridos na França da metade do século XX. Em torno da mítica revista Cahiers du Cinéma, e do crítico André Bazin, desdobrou-se a experiência apaixonada de assistir, debater e escrever sobre filmes. Essa paixão, que repercutiu em várias partes do mundo, aconteceu também em Porto Alegre, como atividade cineclubista e em torno da figura catalisadora do crítico P. F. Gastal. Do movimento cineclubista surgiram as salas alternativas de cinema, nos anos 80, incluindo a Sala Redenção. O curso aborda como a cinefilia segue viva e está hoje revigorada pelas facilidades das novas tecnologias de acesso e exibição de filmes de todas as épocas e gêneros. O Curso será ministrado por Fatimarlei Lunardelli, jornalista, escritora, professora e crítica de cinema. Lunardelli foi, de 1989 a 2002, programadora da Sala Redenção Cinema Universitário. Foi também professora do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos, responsável pelas disciplinas de Teorias do Cinema, Crítica Cinematográfica e Análise Fílmica. Atuou como jornalista na UFRGS, participando, com Miriam Rossini, do Núcleo de Cinema e Comunicação. É sócia fundadora da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, da qual é editora do site e integra a ABRACCINE, entidade representativa da crítica de cinema no Brasil.

31 de agosto | quinta-feira | 16h às 19h

Abordagem histórica da cinefilia - Origem do cineclubista e da crítica cinematográfica na França do início do século XX - Cinefilia e a revista Cahiers du Cinéma nos anos 1950 - O cineclubista no Brasil e o Clube de Cinema de Porto Alegre

01 de setembro | sexta-feira | 16h às 19h

Cinefilia e crítica cinematográfica no Rio Grande do Sul - História da crítica e os embates dos anos 60 - Do cineclubismo surgem as salas alternativas - As transformações tecnológicas e a renovação da cinefilia

curso cinefilia e crítica de cinema Data: 31 de agosto e 01 de setembro Horário: das 16h às 19h Local: Sala Redenção – Cinema Universitário da UFRGS Rua Luis Englert, s/n., Campus Central UFRGS Inscrições: gratuitas

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Singularidades

A Sala Redenção – Cinema Universitário exibirá uma seleção de filmes e curtas/médias-metragens brasileiros. A mostra será exibida mensalmente e começará no dia 27 de julho. Em cada encontro será debatido sobre uma temática. Singularidades será composta por 04 (quatro) filmes, 03 (três) curtas-metragens e 01 (um) média metragem, como: Dromedário no asfalto (2015), de Gilson Vargas, Menos que nada (2012), de Carlos Gerbase, Ainda Orangotangos (2007), de Gustavo Spolidoro e Verdes anos (1984), de Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil; curtas-metragens com direção de Emiliano Cunha Sob águas claras e inocentes (2016), Tomou café e esperou (2013); curta-metragem Domingo de Marta (2014) e o média-metragem Som sem sentido (2016), os dois com direção de Gabriela Bervian. A proposta da mostra é falar de cinema brasileiro proporcionando escuta ao outro. Podendo dialogar, sob diferentes perspectivas e olhares de diretores e profissionais, sobre as singularidades dos sujeitos nos filmes, nos curtas e média-metragens e de que forma o cinema as representa. Proporcionar também um olhar atento ao cinema brasileiro. Debatendo sobre a sociedade e a cultura em que estão expostos, usando as obras cinematográficas brasileiras como meio de escuta e representação dos sujeitos. No dia 30/08, às 19h, será exibido o filme Menos que nada (2012), que conta a história de Dante, doente mental que está internado num hospital psiquiátrico, sendo tratado por uma jovem médica que decide ir mais a fundo no tratamento do paciente, procurando entender suas relações sociais.

Menos que nada

30 de agosto | quarta-feira | 19h (Brasil, 2012, 105 min) Dir. Carlos Gerbase Dante é um doente mental que está internado em um hospital psiquiátrico. Ele foi diagnosticado com esquizofrenia e não fala com ninguém ou recebe visitas. O sujeito desperta a atenção da dra. Paula, uma jovem residente que decide tratar dele após acompanhar um de seus surtos no pátio do hospital. Procurando desvendar as relações sociais do paciente, a médica decide colher uma série de depoimentos de pessoas que conviviam com Dante antes do tratamento. Após a sessão, debate com Carlos Gerbase, diretor e Laura Corso, psicóloga.

Ainda Orangotangos

27 de setembro | quarta-feira | 19h (Brasil, 2007, 81 min) Dir. Gustavo Spolidoro Porto Alegre, no dia mais quente do verão. Um casal de imigrantes chineses cruza a cidade em um vagão de metrô. Doentes e cansados, eles tentam ajudar um ao outro, ao mesmo tempo em que enfrentam a desconfiança dos demais passageiros e a incompreensão de sua língua. O chinês vagueia pelos corredores da estação de metrô e pelo mercado público da cidade, em busca de ajuda. É o início de uma série de situações-limite vividas por diversos habitantes da cidade.

Neste dia, o debate terá como temática Saúde mental e contará com a participação do diretor do filme, Carlos Gerbase e da psicóloga Laura Corso. Mariele Peruzzi

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coordenadora

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setembro Cinema pelo Mundo Em setembro, a Sala Redenção – Cinema universitário, em parceria com Sesc/RS, apresenta mais uma edição de Cinema pelo Mundo. Serão exibidos nove filmes de diferentes gêneros e nacionalidades. Para abrir a programação, o premiado longa colombiano O abraço da Serpente (2016), filme de várias camadas, que nos oferece a possibilidade de diferentes viagens (todas deslocadas), dependendo do ângulo que se olha: etnográfica, sociológica, histórica, antropológica, mítica e temporal – apenas para citar algumas. O filme trata da viagem de um explorador e estudioso alemão pelo rio Amazonas para encontrar uma planta lendária que pode ser uma alternativa de cura. Ao mesmo tempo, relata a viagem, pelo mesmo rio, de outro explorador pesquisador que leva em mãos o livro do primeiro. O que assistimos é uma mistura de culturas, histórias – em tempos diferentes – do encontro com os povos indígenas da região. A tentativa de seguir o mesmo caminho, o mesmo percurso, com o mesmo Xamã, pelo mesmo rio, simbolicamente alude ao pensamento do filósofo grego Heráclito, de que o mundo é fluxo permanente em que nada permanece idêntico a si mesmo. A relação entre mundo selvagem e mundo civilizado, entre a sabedoria da natureza e da ciência são colocadas de forma esplêndida pelas lentes e direção de Ciro Guerra. Mais, ele nos leva a uma experiência contraditória a respeito do impacto das pesquisas antropológicas, e de colonização e de catequização, já que somos não apenas espectadores, mas herdeiros diretos dessa tradição. Um filme que exige olhos, pensamento e alma para poder ser compreendido em certa medida.

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A Ilha do Milharal (2015) é um filme de ciclos, de poucos personagens, de raros diálogos, de muito silêncio e de várias delicadezas. Ele se passa em uma pequena ilha, entre dois rios, na qual habitam uma neta e um avô. É mínimo, pequeno, mas dependendo do ponto de vista é grandioso e abundante, intenso e contemplativo. Para falar sobre o longa é impossível fugir dos adjetivos ou dos superlativos, pois há nele uma força imensa. Eis a contradição. Seja dos personagens ou da natureza – duas forças que ora se unem, ora lutam uma contra a outra. A natureza, o plantio, de forma alegórica nos falam de transformação. De uma menina, de um senhor, de um país. Pois há no meio disso tudo uma guerra. A Ilha do Milharal, direção de George Ovashvili, tem como pano de fundo (pouco citada, mas com consequências na vida dos personagens) a guerra da Abecásia contra a Geórgia, após o fim da União Soviética, entre 1992 e 1993. Um filme pequeno, mas ao mesmo tempo imenso. Frágil, porém de luta. De resignação e sabedoria. O realizador tailandês Apichatpong Weerasethakul é conhecido como um cineasta da contemplação e das sensações. É conhecido também por realizar filmes abordando sempre a cultura e as tradições de sua terra natal. Seus filmes, de forma simbólica, falam sobre a dificuldade do desapego da vida terrena, das difíceis e distantes relações familiares que as ditas regiões ocidentalizadas enfrentam até hoje. O realizador nos coloca frente a uma realidade dual, mas nela deus e natureza são um só, mito e verdade idem, e o fim apenas marca outro início (poderíamos pensar em seus


filmes como budistas?). Cemitério do Esplendor possui planos parados, movimento mínimo, buscando captar a sutileza de cada um desses movimentos. Mínimos. Aborda o cotidiano por meio de diálogos e situações aparentemente banais e de pouca importância para extrair deles uma sabedoria sutil. Do pequeno. Do singular. Do silêncio. Do comum. Dos movimentos não velozes. Uma crítica ao ritmo do mundo ocidental de civilização e à rapidez de uma sociedade fundada e sustentada na mercadoria, no lucro e no consumo como resposta às inquietações humanas. O que Cemitério do Esplendor nos propõe – com seus planos e enquadramentos – não é apenas uma experiência estética, que é vazia por si só. Ele nos propõe outro ritmo, outro olhar para deles surgir uma forma nova, ou melhor, um outro tempo de contemplação, ressignificando antigos hábitos que se perdem na vida corrida e frenética preconizada pela cultura ocidental. Há uma intenção de fundar, ou trazer de novo – através da construção de sua narrativa – a sabedoria do tempo dito morto, das coisas ditas desinteressantes que não valem ou não valem mais, mas que ficam ecoando por meio de imagens-fantasmas: eis o Cemitério do Esplendor. A passageira (2015) é o primeiro longa do realizador peruano Salvador Del Solar. O processo de escrita do roteiro – a partir do romance de Alonso Cuento, A pasagera – durou nove anos. O filme trata de um acerto

de contas. De forma bem diversa, também fala de fantasmas que atormentam a vida presente dos personagens. No filme, um ex-militar que trabalha como taxista tem a vida sacudida quando reencontra uma mulher que faz parte de seu passado, no tempo em que estava no exército em combate na guerra Ayacucho. A partir desse reencontro, o passado trágico dos envolvidos volta a atormentá-los. Agora o embate acontece entre aqueles que apenas querem esquecer, ou melhor, superar os acontecimentos para que possam viver uma vida em paz e aqueles que, ao contrário, não medem esforços para tentar se redimir e, assim, aliviar a culpa que carregam. Anistia (2011), premiado no Festival de Berlim, é uma rara produção albanesa, com colaboração da Grécia, de baixo orçamento, com pouca ação e efeitos especiais. O filme relata a visita íntima de dois casais na prisão e, sobretudo, trata do encontro de duas pessoas com uma vida banal, pobre, e que visitam seus parceiros em uma prisão sem nenhuma privacidade (e também sem mais intimidade alguma). O longa não é uma obra de denúncia, de julgamento. Alguns personagens não têm rosto, apenas corpo. Sabemos que um homem e uma mulher estão presos por cometerem pequenos delitos. Até que um dia eles recebem a anistia e podem voltar para casa. Como retomar uma vida, uma rotina e uma relação que não existem mais?

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Cinema pelo Mundo Paulina (2016), direção do argentino Santiago Mitre é outro filme perturbador. Porque fala de estupro. De estupro coletivo. E da decisão que a vítima toma após o estupro, após a enorme violência que sofre. O questionamento já começa pela sua escolha profissional. A personagem, filha de um renomado juiz, desiste de seguir carreira na área do Direito e resolve dar aulas em uma escola pública em uma cidadezinha fronteira entre Argentina e Paraguai. Mais questionada será ainda após a enorme violência que sofre. Pelo Estado. Pelo pai. Pelo Namorado. Sobretudo pela polícia da delegacia local. Machismo e violência. Premiado na Semana da Crítica em Cannes, o longa tem o diretor brasileiro Walter Salles na produção. Paulina é um filme corajoso, questionador, sem pegar leve ao abordar um problema grave desde sempre: o estupro, a violência contra a mulher. A forma, no entanto, que a personagem enfrenta a situação desencadeia uma série de questionamentos em cada um de nós. Sobre classe social, preconceito, e sobretudo sobre a violência expressiva em qualquer parte do mundo – ocidental ou não – contra a mulher. Paulina é o segundo longa de Santiago Mitre, roteirista de vários filmes de Pablo Trapero. De novo: sexo sem consentimento é estupro. Violência. Crime. Em qualquer parte do mundo. Assim que abro meus olhos (2015), primeiro longa da tunisiana Leyla Bouzid, é um filme corajoso por abordar, na ficção, a Primavera Árabe sem abrir mão do olhar documental. Sabemos que as margens entre ficção e documentário são cada vez mais refratadas e a realizadora faz uso disso – no bom sentido – para dar mais força ao abordar um tema tão atual e pungente. Uma adolescente, uma menina que participa como vocalista de uma banda, que tem em suas músicas versos de forte teor político a respeito da situação do país. Um país marcado por golpes e falsa democracia. A narrativa é naturalista, com ótima atuação da personagem principal. O filme por si só, por abordar um período incerto pré-revolucionário (e infelizmente pré-golpista também) em um outro continente, mexe com o espectador e o desacomoda da poltrona. Mais potente ele se torna quando lembramos que muitos dos acontecimentos (re)apresentados nele nos falam diretamente, arrancando o curativo de diversas feridas e cicatrizes que carregamos, aqui, desse lado do globo. Em seus últimos filmes, Hirokazu Kore-eda tem se tornado um cronista da vida em família no Japão – o que faz com maestria. Mas não se trata apenas disso. Seus filmes, sempre versando sobre as relações familiares, tornam-se cada vez mais filmes-haikais. Os primeiros filmes de Kore-eda – como o excelente Depois da Vida (2009) – tratavam sobre os mistérios da vida e da morte, ou melhor seria dizer, o sentido da vida que se viveu e a possibilidade de redenção para aquele que descobriu o sentido dela após a morte. A partir de Ninguém pode saber (2005) Kore-

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-eda mergulha fundo no universo familiar. Nesse longa, premiado em Cannes, o realizador coloca em xeque duas questões que dizem respeito à sociedade japonesa: uma mãe deve esconder os filhos no prédio onde mora já que nele não é permitido crianças. E os filhos devem esconder a ausência da mãe ausente por não poderem ficar sozinhos. Um jogo imbricado sem solução. Pelas temáticas, seus filmes poderiam parecer melodramáticos, mas não o são. São brutos. Delicados. Como a vida. Em Tal pai, tal filho (2013) ele questiona a força dos laços de sangue numa troca de bebês ainda na maternidade. Dor e perda estão sempre presente nos longas do diretor. Mas beleza e superação também. E sobretudo novos modelos de família são formados quando os personagens ousam pensar a tradição sem deixar de enfrentar os dilemas que surgem na vida moderna. Quatro irmãs, um pai, duas mães. Uma casa. Em Nossa irmã mais nova (2015) somos convidados justamente a refletir sobre tudo isso. Com delicadeza, afeto e com poesia. Um filme-haikai. De um dos realizadores mais premiados dos últimos anos. Garota Sombria caminha pela noite, escrito e dirigido pela iraniana Ana Lily Amirpour, mistura terror e faroeste. Filmado nos Estados Unidos, simula um cenário iraniano. A narrativa se passe na fictícia Bad City, uma cidade desolada, em meio a drogas e prostituição. Nela vagueia uma vampira que combate traficantes e viciados. O filme conquistou prêmios de revelação em alguns festivais, e Amirpour foi indicada ao Idependent Spirit Award de diretora revelação, fotografia. Foi indicada também no Festival Fantástico de Stiges Espanha por revelação e filme jovem. Uma mistura de cinema clássico, com cinema moderno, e pós-moderno também, por ter nele tantas referências díspares na sua construção. Um filme de poucos diálogos, com uma onda gótica e com uma trilha sonora bastante eclética. Pode-se dizer que é quase uma fábula feminista que prende a atenção do espectador do início ao fim. Uma curiosidade: de baixo orçamento, dizem que foi filmado em apenas 24 horas. Sala Redenção – Cinema Universitário, 30 anos – é cinema pelo mundo! Tânia Cardoso de Cardoso Coordenadora e curadora da Sala Redenção – Cinema Universitário.

cinema pelo mundo Data: de 04 a 18 de setembro Local: Sala Redenção – Cinema Universitário da UFRGS (Rua Luis Englert, s/n., Campus Central UFRGS) Ingressos: Entrada Franca


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setembro Cinema Pelo Mundo cenário de sangrentas lutas. Como soldados ainda surgem na região, o clima é de tensão. O rio cria e o rio destrói, em um ciclo eterno do qual ninguém pode escapar.

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A Passageira

O Abraço da Serpente 04 de setembro | segunda-feira | 16h 08 de setembro | sexta-feira | 16h (El Abrazo de la Serpiente, Colômbia, Venezuela, Argentina, 2016, 124min) Direção: Ciro Guerra Théo é um explorador europeu que conta com a ajuda do xamã Karamakate para percorrer o rio Amazonas. Gravemente doente, ele busca uma lendária flor que pode curar sua enfermidade. Quarenta anos depois, a trilha de Théo é seguida por Evan, outro explorador que tenta convencer Karamakate a ajudá-lo.

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A Ilha do Milharal

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Cemitério de Esplendor 05 de setembro | terça-feira | 19h 06 de setembro | quarta-feira | 16h 22 de setembro | sexta-feira | 19h (Cemetery of Splendor, Tailândia, Reino Unido, França, Alemanha, Malásia, Coréia do Sul, México, EUA, Noruega, 2015, 122min) Direção: Apichatpong Weerasethakul Numa pequena cidade da Tailândia, vinte e sete soldados são vítimas de uma estranha doença do sono. Para tratá-los, uma escola abandonada serve como abrigo. Uma mulher tailandesa de meia-idade, casada com um soldado americano aposentado, trabalha como voluntária no tratamento dos pacientes. Ela cria um interesse especial por Itt, que nunca recebe visitas.

08 de setembro | sexta-feira | 19h 11 de setembro | segunda-feira | 16h (Magallanes, Peru, Argentina, Espanha, 2015, 109min) Direção: Salvador del Solar Lima, Peru. A rotina de Magallanes, um motorista de táxi, vira de cabeça pra baixo quando Celina, uma mulher de seu passado sombrio, entra, subitamente, em seu carro. Os dois se conheceram nos anos violentos em que Magallanes foi soldado do exército peruano. Agora, em busca de redenção, o homem vai participar de um arriscado plano para ajudar Celina a superar seus graves problemas financeiros.

04 de setembro | segunda-feira | 19h 05 de setembro | terça-feira | 16h 19 de setembro | terça-feira | 19h (Simindis kundzuli, Geórgia, França, Alemanha, Casaquistão, República Tcheca, 2015, 100min) Direção: George Ovashvili Um velho camponês se muda, com sua neta para uma pequena e deserta ilha no meio do rio Enguri, para plantar milho. O rio separa a Geórgia da Abkhazia e já foi

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Anistia

Assim que abro meus olhos

11 de setembro | segunda-feira | 19h 12 de setembro | terça-feira | 16h (Amnistia, Albânia, Grécia, França, 2011, 83min) Direção: Bujar Alimani A visita íntima é finalmente legalizada na capital da Albânia, Tirana, e uma vez por mês Elsa desloca-se por vários quilômetros para passar alguns momentos com o marido encarcerado. Por conta da jornada ela se aproxima de Shpetim, marido de uma detenta, mas uma anistia aos presidiários atrapalha o nascimento deste novo amor.

14 de setembro | quinta-feira | 16h 15 de setembro | sexta-feira | 19h 21 de setembro | quinta-feira | 19h (À peine j’ouvre les yeux, Tunísia, França, Bélgica, Emirados Árabes, 2015, 102min) Direção: Leyla Bouzid Verão de 2010 em Túnis, na Tunísia, alguns meses antes da Revolução de Jasmim. Enquanto o regime de Ben Ali cai, Farah, uma garota de 18 anos, se junta a uma banda de rock politizada e descobre o álcool, o amor e os protestos. Indo contra a vontade da mãe, Hayet, que conhece os tabus do país, Farah mergulha cada vez mais nesse mundo, sem suspeitar do perigo de um regime político que a observa e se infiltra na sua privacidade. Para proteger a filha, Hayet fará o que for preciso, inclusive, reviver as feridas da sua própria juventude.

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Paulina 12 de setembro | terça-feira | 19h 13 de setembro | quarta-feira | 16h 19 de setembro | terça-feira | 16h (Paulina, Argentina, 2016, 103min) Direção: Santiago Mitre Paulina, 28 anos, largou uma promissora carreira na advocacia para ser professora em uma região problemática da Argentina. Sacrificando o namoro e a confiança do pai, um poderoso juiz, ela sustenta as suas convicções de ensino e política. Entretanto, sua crença é colocada à prova ao ser estuprada por um grupo de alunos.

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Nossa Irmã mais Nova 15 de setembro | sexta-feira | 16h 18 de setembro | segunda-feira | 19h 22 de setembro | sexta-feira | 16h (Umimachi Diary, Japão, 2015, 128min) Direção: Hirokazu Koreeda Sachi, Yoshino e Chika são irmãs

e vivem juntas em uma casa que pertence à família há tempos. Apesar de não verem o pai há 15 anos, elas resolvem ir ao seu enterro. Lá conhecem a adolescente Suzu Asano, sua meia-irmã. Logo as três irmãs convidam Suzu para que more com elas. O convite é aceito e, a partir de então, elas passam a conviver juntas e aprendem os pontos sensíveis relacionados ao pai em comum.

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Garota Sombria Caminha Pela Noite 18 de setembro | segunda-feira | 16h 21 de setembro | quinta-feira | 16h (A Girl Walks Home Alone at Night, EUA, 2014, 101min) Direção: Ana Lily Amirpour Bad City é uma cidade iraniana abandonada e sem leis, onde vivem diversos traficantes e prostitutas. Enquanto Arash luta para sobreviver e para afastar o próprio pai do vício em drogas, a Garota perambula pelas noites, com um segredo: ela é uma vampira e mata seres solitários para saciar a sede de sangue. Quando os dois se encontram, as suas vidas se transformam.


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PA R C E I R O S D A S A L A R E D E N Ç Ã O

Sessão Mulher do Pai Em comemoração à Semana Estadual da Pessoa com Deficiência, constituiu-se uma parceria entre COEPEDE (Conselho Estadual de Direitos da Pessoa com Deficiência), INCLUIR (Núcleo de Inclusão e Acessibilidade da UFRGS), FACED (Faculdade de Educação) e Sala Redenção para a exibição do longa Mulher do Pai, com direção Cristiane Oliveira. O filme conta com audiodescrição, janela de libras e legenda e o debate contará com tradutores e intérprete de libras da UFRGS. As temáticas que envolvem a pessoa com deficiência configuram-se como discussão importante de ser tratada com a comunidade universitária, tendo em vista a crescente presença desse público na UFRGS e os desafios relacionados à acessibilidade atitudinal que precisam ser debatidos de forma transversal no cotidiano da Universidade. Ademais, há necessidade de promover o acesso à cultura, conforme prevê a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13146/2015) a esse público, e a disponibilização de recursos de acessibilidade nessa sessão de cinema indicam excelente oportunidade de dar visibilidade a esses recursos de acessibilidade, além da visibilidade desse público na universidade.

Mulher do Pai 06 de setembro | quarta-feira | 19h (Brasil, Uruguai, 2016, 94min) Direção: Cristiane Oliveira. A adolescente Nalu precisa cuidar do pai cego, após a morte da avó que os criou como irmãos. Quando Ruben percebe o amadurecimento da filha, surge uma desconcertante intimidade entre eles. Mas, com a chegada de Rosário, o ciúme ganhará espaço na vida de ambos.

Após sessão, debate com o Paulo Kroeff, professor, psicólogo e Conselheiro do COEPEDE.

Vera Lúcia Inácio de Souza Psicóloga do INCLUIR

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Mostra Sylvio Back 8.0 – Filmes Noutra Margem A Sala Redenção, orgulhosamente, se associa às comemorações nacionais pelos oitenta anos de vida do cineasta Sylvio Back, autor de 38 filmes e detentor de 76 prêmios nacionais e internacionais, exibindo entre os dias 25 e 29 de setembro, em dois horários, nove longas-metragens, a maioria com tudo a ver e a haver com a magnífica história remota e recente do Rio Grande do Sul. Chamado de “Cacique do sul” por Glauber Rocha, justamente por ter uma obra conectada à civilização do Extremo-Sul, o público assistirá desde aos clássicos, “Aleluia, Gretchen” (premiado em Gramado) e “A Guerra dos Pelados”, a “Revolução de 30”, “República Guarani”, “Guerra do Brasil”, “Rádio Auriverde” e “O Contestado – Restos Mortais”, além dos existenciais, “Lance Maior” (seu filme de estreia) e “Lost Zweig” (premiado em Brasília). Referindo-se à mostra, que leva o curioso e original título de “Sylvio Back 8.0 – Filmes Noutra Margem”, Back, também poeta e escritor (tem 24 livros publicados), sublinha que “nesse embalo de garimpo existencial é que topei dar passagem a esta inestimável retrospectiva fílmica aí em Porto Alegre para cravar minha nova idade. Que os filmes falem por mim, eles sempre foram melhores do que eu! Que o digam as dezenas de colaboradores com quem, prazerosamente, compartilho a honra e a obra que, se subsiste, é graças ao estro e à expertise deles”.

Obra aberta Neste relato exclusivo, Sylvio Back confessa que guarda “... ralas e rasas glórias do passado a festejar. Pelo contrário. Em quantas meu cinema foi omitido, esquecido, desqualificado, ridicularizado, vitima de incompreensões, ou surdamente, patrulhado à direita e à esquerda, só porque caminho com os próprios pés e não alimento espírito de horda. Jamais flertei com o público, a crítica ou a mídia”. E conclui: “São seis décadas circunavegando pela cultura brasileira a bordo de uma obra aberta, que não procura apascentar almas ou fundar verdades unívocas, nem levar o espectador pelas mãos. Adoro deixá-lo na maior orfandade, apenas com suas idiossincrasias, literalmente, consigo próprio. Ele cá e os filmes piscando incólumes nas telinhas e telonas pelos anos afora”.

Mostra SYLVIO BACK 8.0 – FILMES NOUTRA MARGEM Data: de 25 a 29 de setembro Local: Sala Redenção – Cinema Universitário da UFRGS (Rua Luis Englert, s/n., Campus Central UFRGS) Ingressos: Entrada Franca Foto: Divulgação

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setembro Sylvio Back 8.0 – Filmes Noutra Margem

Lance Maior

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25 de setembro | segunda-feira | 16h (1968. 35 mm., 100 min.) Roteiro com Oscar Milton Volpini; diálogos de Nelson Padrella; produção e direção. Mário, estudante universitário e bancário, através de uma ligação amorosa com Cristina, jovem rica, orgulhosa e emancipada, tenta ascender socialmente. Entre os dois coloca-se a sensual comerciária Neusa, inexperiente e revoltada com a condição humilde de sua família. Cada um buscando um lugar ao sol, enredam-se num diabólico jogo de sexo e amor. Prêmios: “Melhor Atriz” (Irene Stefânia) e “Melhor Cartaz” no 4º. Festival de Brasília.

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A Guerra dos Pelados 25 de setembro | segunda-feira | 19h (1971, 35 mm., 93 min.) Adaptação do romance “Geração do Deserto”, de Guido Wilmar Sassi; roteiro com Oscar Milton Volpini; produção e direção. Outono de 1913, interior de Santa Catarina. A concessão de terras a uma companhia da estrada de ferro estrangeira para explorar suas riquezas através de uma serraria subsidiária, e a ameaça de redutos messiânicos de posseiros expropriados, geram um sangrento conflito na região. Por exigência dos “coronéis”, forças militares regionais e o Exército nacional intervêm. Mas, os “pelados” (assim chamados por rasparem a cabeça) se revoltam, protagonizando uma resistência à semelhança de Canudos. Prêmios: “Prêmio de Qualidade”, do Instituto Nacional do Cinema-INC/71; “Melhor filme brasileiro exibido em São Paulo/71 (“Folha de S.Paulo”); Prêmio “Governador de São Paulo”/71; três prêmios para o elenco no I Festival de Cinema de Guarujá-SP/71; Menção especial na II Semana Internacional do Filme de Autor em Málaga (Espanha); selecionado para o Festival de Berlim (Al. Ocidental)/71.

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Aleluia, Gretchen 26 de setembro | terça-feira | 16h (1976, 35 mm., 115 min.) Argumento, roteiro com Manoel Carlos Karam e Oscar Milton Volpini; produção e direção. Saga de uma família de imigrantes alemães que, fugindo ao nazismo, vem se radicar numa cidade do Sul do Brasil, por volta de 1937. Às vésperas e durante a II Grande Guerra, membros da família se envolvem com a Quinta Coluna e o Integralismo. Na década de 50, graças a ligações perigosas com o rescaldo da guerra, os Kranz são visitados por ex-oficiais da SS em trânsito para o Cone Sul. A trama se estende aos dias de hoje. Prêmios: Em dois anos, 15 premiações nacionais (“Air France”, “Golfinho de Ouro”, “Governador de São Paulo”, “Coruja de Ouro”, Associação dos Críticos de Arte-APCA/SP); selecionado para os festivais de Brasília, Gramado, Chicago (EUA), Mannheim e Berlim (Alemanha).

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Revolução de 30

Guerra do Brasil

Lost Zweig

26 de setembro | terça-feira | 19h (1980, 35 mm., 120 min.) Pesquisa, roteiro, produção e direção. Filme-colagem de uma trintena de documentários e filmes de ficção dos anos 1920, culminando com cenas inéditas da Revolução de 1930. Todo em preto-e-branco, o principal tônus é a excelência restauração fotográfica de suas imagens, emoldurada por uma trilha sonora autêntica, de rara beleza e qualidade de emissão. Duas horas de estupefação, gargalhadas, esgares inesperados, achados anedóticos e ironias sorrateiras.

28 de setembro | quinta-feira | 16h (1987, 35 mm., 83 min.) Pesquisa, roteiro, texto, produção e direção. Entre 1864 e 1870, a América do Sul é palco do maior e mais sangrento conflito armado do século, conhecido como a “Guerra do Paraguai”, envolvendo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e que vitimou um milhão de pessoas. No filme entrelaçam-se a história oficial, o imaginário popular e a crítica de militares, cronistas e historiadores, articulado a um complexo painel iconográfico e musical, e a um resgate visual do teatro de operações no Paraguai.

29 de setembro | sexta-feira | 16h (2003, 35 mm., 114 min.). Argumento original e roteiro, baseado no livro, “Morte no Paraíso”, de Alberto Dines, com Nicholas O’Neill, produção e direção. Última semana de vida do escritor judeu austríaco Stefan Zweig, autor do livro “Brasil, País do Futuro” e de sua jovem mulher, Lotte que, num pacto cercado de mistério, se suicidam em Petrópolis (RJ) após o Carnaval de 1942, ao qual haviam assistido. Um gesto que ainda hoje, sessenta anos depois, desperta incógnitas e assombro pela sua premeditação e caráter emblemático.

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28 de setembro | quinta-feira | 19h (2003, 35 mm., 114 min.) Pesquisa, roteiro, textos, produção e direção. Com imagens e sons inéditos de Carmen Miranda e do Brasil na II Guerra Mundial, o filme penetra no desconhecido universo da guerra psicológica que conturbou a presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália (1944-45). Através das musicalmente alegres e debochadas transmissões de uma rádio clandestina, tema-tabu entre os pracinhas, o filme acaba também revelando as tragicômicas relações entre os Estados Unidos e o Brasil durante o conflito – cujas consequências jamais se esgotaram.

29 de setembro | sexta-feira | 19h (2010, Digital, 118 min.) Pesquisa histórica, iconográfica, musical, produção e direção. Com o testemunho de trinta médiuns em transe, articulado ao memorial sobrevivente e à polêmica com especialistas, “O Contestado – Restos Mortais”, é o resgate mítico da chamada Guerra do Contestado (1912-1916). Envolvendo milhares de civis e militares, o sangrento episódio conflagrou Paraná e Santa Catarina por questões de fronteira e disputa de terras, mesclado à eclosão de um surto messiânico de grandes proporções.

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República Guarani 27 de setembro | quarta-feira | 16h (1982, 35 mm., 100 min.) Pesquisa e roteiro com Deonísio da Silva; produção e direção. Entre 1610 e 1767, ano da expulsão dos jesuítas das Américas, numa vasta área dominada por índios Guarani e parcialidades linguísticas afins, e drenada pelos rios Uruguai, Paraná e Paraguai, vingou um discutido projeto religioso, social, econômico, político e arquitetônico, sem equivalência na história das relações conquistador-índio. Trezentos e cinquenta anos depois é possível identificar uma nostalgia daqueles tempos. Ante as similitudes com o passado, este filme é a retomada do debate.

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Rádio Auriverde

O Contestado – Restos Mortais


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CAMPUS CENTRAL A – Sala Qorpo Santo B – Sala Redenção – Cinema Universitário C – Salão de Festas D – Sala Fahrion E – Salão de Atos Entradas Principais Entradas Secundárias

endereços Sala Qorpo Santo / Sala Redenção – Cinema Universitário – Av. Eng. Luiz Englert, s/n°, Centro Histórico Salão de Festas / Sala Fahrion – Av. Paulo Gama, 110, 2° andar da Reitoria – Campus Central Salão de Atos – Av. Paulo Gama, 110

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CAMPUS do vale A – Parada de ônibus B – Praça Campus do Vale Caminho da parada até a Praça do Campus

informações gerais departamento de difusão cultural Endereço: Av. Paulo Gama, 110 – Mezanino do Salão de Atos – Campus Central Fone: (51) 3308 3933 ou (51) 3308 3034 E-mail: difusaocultural@ufrgs.br Website: www.difusaocultural.ufrgs.br Entrada e inscrição em eventos: agendamento pelo site ou no local Horário de Funcionamento: das 8h às 18h, aberto ao meio-dia

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Universidade Federal do Rio Grande do Sul Reitor Rui Vicente Oppermann Vice-Reitora e Pró-Reitora de Coordenação Acadêmica Jane Fraga Tutikian

LEIA E PASSE ADIANTE

Pró-Reitora de Extensão Sandra de Deus Vice-Pró-Reitora de Extensão Claudia Porcellis Aristimunha

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Diretora do Departamento de Difusão Cultural Claudia Mara Escovar Alfaro Boettcher

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Equipe do DDC Carla Bello – Coordenadora de Projetos Especiais Edgar Wolfram Heldwein – Administrador da Sala Redenção – Cinema Universitário Gerson Andrade – Coordenador Interlúdio Lígia Petrucci – Coordenadora e curadora do Projeto Unimúsica Rafael Derois – Coordenador do Projeto Unifoto Tânia Cardoso – Coordenadora e curadora da Sala Redenção – Cinema Universitário Bolsistas Ananda Zambi Camile Fortes Filipe Conde Laura Gruber Maria Lourdes Seadi Renan Sander

Parceria

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A rtes v isuais

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e xposição de l ançamento d a l o j a p o n t o U F RGS reflexos do espectro | eduardo vieira da cunha Data: outubro de 2017 Local: Saguão da Reitoria Av. Paulo Gama, 110

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Agenda Cultural - Agosto/Setembro 2017