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Bauhaus

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Índice

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2 Contexto histórico. 4 Surgimento. 6 Pré-história da Bauhaus. 8 Biografia Walter Gropius. 10 Ensino em Weimar. 11 Bauhaus de Weimar na vertente política. 12 Ensino Dessau. 13 Bauhaus de Dessau na vertente política. 14 Ensino em Berlim. 15 Bauhaus de Berlim na vertente política. 16 Diversidade nas aulas. 17 Oficinas da Bauhaus. 21 Principais artistas. 24 Mulheres na Bauhaus. 26 Influências na sociedade de hoje. 34 Bibliografia. 1


Contexto hi A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 quando a Europa estava a viver o período da Belle Époque: período caracterizado pelo grande otimismo, pelo desenvolvimento científico, económico e social, bem como pela euforia que se vivia com a evolução da tecnologia, a qual, supostamente, iria resolver todos os problemas da sociedade. Foi a época do automóvel, da fotografia, do cinema, do avião, entre outros. Apesar da aparente calma e prosperidade que se vivia na Europa, havia

conflitos que viriam a desencadear a Primeira Guerra: as disputas imperialistas por territórios da Ásia e da África e a unificação da Alemanha, que passaria a ser vista como uma grande ameaça para as outras potências mundiais (nomeadamente Inglaterra que, desde a Revolução Industrial, se tinha desenvolvido e tornado a mais forte) e o nacionalismo exacerbado vivido na Península Balcânica que era composta por vários povos que queriam a independência dos impérios a que pertenciam. As inimizades entre potências

levaram à criação de alianças entre países que se desenvolviam a nível militar para defesa em caso de ataque. Estava criado um clima de hostilidade camuflada.

O assassinato do herdeiro do tronodo Império Áustro- Húgaro, Franz Ferdinand, pelo nacionalista sérvio Gravilo Princip, foi o pretexto para o início da Primeira Guerra Mundial.

Esta terminou oficialmente em 1918 com o tratado de Versalhes e com a humilhação da Alemanha, à qual foi

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i stórico imposto um conjunto de medidas como o pagamento de exorbitantes indemnizações, a restrição do tamanho do exército e a perda de território que deixou o país debilitado económica e socialmente.

É a partir desta conjuntura pós-guerra que a Alemanha se vem a erguer novamente e onde se desenvolve como uma grande potência mundial.Foi neste clima marcado pela inquietude económica, caos político e necessidade de criar uma nova ordem social após a queda da monar-

quia por consequência da derrota na Primeira Guerra Mundial que surge aquela que é considerada a primeira escola de design, em 1919.

1.Foto da Primeira Guerra Mundial. 2.Contrato de Versalhes, fim da guerra.

Teve como fundador Walter Gropius e resultou da fusão entre a Escola de Artes e Ofícios e a Escola Superior de Belas Artes, associadas às artes aplicadas e às artes puras, respetivamente.

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Surgimento Ao longo da sua existência, a Bauhaus teve três sedes e três diretores: uma primeira em Weimar com Walter Gropius no cargo de diretor, outra em Dessau e uma última em Berlim onde, em 1933, foi fechada pelo regime nazi. Nela foram aplicadas, combinadas e exploradas ideologias dos vários movimentos de vanguarda das primeiras décadas do século XX.

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foram enunciados a filosofia, princípios e objetivos, o programa pedagógico e os requisitos de admissão nesta escola. O programa moderno e vanguardista foi o que atraiu os alunos, ou aprendizes, como passariam a ser designados, alguns que vinham diretamente da Guerra.

Esta foi uma escola em que os alunos, artistas e artesãos trabalhavam lado a lado sem qualquer tipo de Os diretores foram Walter Gropius, barreira distintiva entre eles. Todos na primeira fase, Hannes Meyer na aprendiam e evoluíam em conjunto, segunda até 1930, ano em que tomou visando a construção da nova ‘’estruposse Mies van der Rohe, que contitura’’ do futuro, apoiados da unidade nuou na terceira até o encerramento das artes e técnica por meio do artedefinitivo da Escola. sanato. Gropius acreditava na possibilidade de obter benefícios sociais No seu manifesto publicado em através da indústria ao resolver os jornais alemães no início de 1919, problemas de design por ela criados

e, portanto, aplicou esse princípio na Staatliches Bauhaus (Casa Estatal da Construção). Os seus aprendizes nutriam um papel essencial na resolução destes problemas na medida em que, nas oficinas da escola, desenvolviam as suas habilidades do “saber fazer” ao lidar com os materiais, alguns dos quais: madeira, aço, vidro, tecido e cerâmica. De facto, a produção em massa decorrente da industrialização, permitiria fazer chegar ao cidadão comum as suas criações, caracterizadas pela pureza formal e simplicidade com estrita atenção à funcionalidade, aos materiais de construção e à qualidade, características desta escola/ movimento. Note-se que, tal como Gropius acre-


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ditava, só as boas criações eram reproduzidas.

Esta escola foi pioneira no ensino de técnicas e recursos inovadores que, mais tarde se tornaram elementos básicos da cultura visual, alguns dos quais: fotomontagem, colagem, arte vanguardista e tipografia. Além disto, o plano pedagógico oferecia uma grande panóplia de áreas, envolvendo quer o conhecimento técnico quer artístico, humano e social (o qual, mais tarde, representa uma das razões de serem perseguidos pelo regime). As oficinas eram o pilar da Bauhaus, onde os aprendizes desenvolviam as suas habilidades do “saber fazer” ao lidar com os materiais, alguns dos

quais já explorados há muito tempo, outros completamente inovadores para a indústria.

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3.Bauhaus Weimar. 4.“Catedral”, capa do primeiro manifesto da Bauhaus, por Lyonel Feininger.

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Pré-história da Bauhaus Duas das várias influências que tiveram impacto na filosofia da Bauhaus foram o movimento Arts and Crafts, de William Morris, ea Deutscher Werkbund.

De um modo sucinto, o movimento Arts and Crafts de Morris, criado no século XIX, defendia o artesanato como alternativa à indústria e a produção em massa marcada pelo mau gosto e a desumanização crescente das condições laborais e ambientais.

Este movimento destacou-se pela busca do “autêntico” e “significativo” ao destruir as barreiras entre o artesão e artista que então passariam a projetar e executar criações de elevados padrões de qualidade, tal como a Bauhaus defendia. Ao reunir teóricos e artistas, o movimento recupera a dimensão estética dos objetos produzidos industrialmente para uso quotidiano. O que faltou, no entanto, ao movimento de William Morris e a Bauhaus conseguiu, foi o elo entre a arte e a indústria que usava a máqui-

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na em benefício do Homem e tornava possível a democratização da arte. A Deutscher Werkbund era uma associação fundada por um grupo de 12 personalidades alemãs das mais diferentes áreas (arquitetura, design e empresários) que tinham estado, de alguma maneira, ligados ao Jugendstil, ou “Arte Nova Alemã”. Trabalhava com o intuito de encontrar talentos que ajudariam a diminuir os custos e elevar os padrões estéticos e funcionais da produção em massa ao reunir artistas e artesãos com a indústria. Este trabalho, marcado pela beleza da produção mecânica, melhoraria o gosto do público. Comum com o movimento Bauhaus.

5.Arts and Crafts e a defesa do tradicional. 6. “Pavilhão de vidro”, projetado por Bruno Taut para a primeira Exposição da Deutscher Werkbund, em Colônia, 1914.


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Biografia de Walter Gropius Gropius nasceu em Berlim e foi o sonhador que fundou a Bauhaus.

Em 1908, após estudar arquitetura durante 4 semestres, Gropius integrou o estúdio do famoso arquiteto e designer industrial Peter Behrens - consultor artístico da AEG- por onde Ludwig Mies van der Rohe e Le Corbusier, também passaram. No ano de 1910, tornou-se membro da Deutscher Werkbund e usou alguns dos princípios aí adquiridos na escola que mais tarde viria a fundar. Um dos seus principais projetos pré-Guerra foi a Fábrica de Fagus em parceria com Adolf Meyer e com uma notória influência de Peter Behrens. É durante a 1ª Guerra mundial que Gropius sonha com uma escola de arte e design que viria mudar o mundo.

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A 12 de abril de 1919 funda a escola (que só abandona em 1928) com o financiamento da República de Weimar. A Bauhaus resultou da fusão entre a Escola de Artes e Ofícios e a Escola Superior de Belas Artes. O objetivo original desta nova escola era ser uma escola de arquitetura, artesanato e academia de artes. Gropius, o pintor suíço Johannes Itten, o pintor germânico-americano Lyonel Feininger e o escultor alemão Gerhard Marcks formaram a faculdade da Bauhaus.

No ano de 1920, juntou-se o pintor, escultor e designer alemão Oskar Schlemmer, e o pintor suiço Paul Klee em 1922.

Em 1923 Gropius afirmou que, após a Grande Guerra, uma nova era tinha surgido e tencionava criar um novo estilo de arquitetura que retratasse essa nova era, que, tal como os bens de consumo, fosse barato, funcional e adaptado à produção em massa. Para esse fim eram necessários designers e um novo tipo de educação, e também porque a República de Weimar tinha acesso a muito menos matéria prima do que os Estados Unidos ou a Inglaterra, o que obrigava a Bauhaus a exportar bens inovadores de alta qualidade. Assim surge a famosa filosofia da Bauhaus, que declara que o artista deve ser treinado para trabalhar com a indústria. Foi mestre da Forma no atelier de Carpintaria e, entre 1925 e 1926, projeta o novo edifício da Bauhaus em Dessau.

Em 1927, cria o “Teatro Total” para Erwin Piscator e iniciou a construção de vários bairros entre 1926 e 1930. Após se demitir da Bauhaus para se dedicar ao seu atelier, Gropius aprofunda-se como arquiteto em Berlim e realiza seminários frequentes sobre aspetos da “Nova Construção” e da Bauhaus. De 1934 a 1937, partilhou com Maxwell Fry um atelier e,


em 1937, foi nomeado para o Graduate School of Design em Harvard onde mais tarde veio a ser chefe do departamento de arquitetura.

Em 1938, organizou em Nova Iorque a exposição “Bauhaus 1919-1928” e construiu a sua casa em Lincoln/ Mass. Deste mesmo ano a 1941, partilhou um atelier com Marcel Breuer. Fundou a “ The Architects Collaborative”, em Cambridge e, mais tarde, fez o projeto da Bauhaus Archive para Darmstand que acabou por ser construído em Berlim. Faleceu em 1969, em Boston. Apesar da distância cronológica, Walter Gropius continua, ainda, a ser considerado um dos maiores arquitetos dos tempos modernos. Tanto a fábrica Fagus, tanto os edifícios Bauhaus são grandes exemplos do seu trabalho, e continuou a desenvolver a filosofia da Bauhaus, mesmo após a Escola ter sido encerrada definitivamente.

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O ensino em Weimar Como desejava reformar a formação artística, Walter Gropius decidiu fundir a fase de idealização e realização dentro de um processo produtivo que gera o desejo de um novo ideal da arte técnica. Uma primeira contribuição pedagógica extremamente significativa para o ensino de design foi a institucionalização do curso preliminar. A partir de então surgiu também como medida corretiva para aproximar artistas técnicos e é considerada um elemento de estabilidade.

O curso preliminar permitia ao estudante atingir o autoconhecimento e assegurar-lhe a compreensão das bases fundamentais da criação. Era bastante intuitivo e estimulava a auto experimentação, incentivando a exploração das capacidades cognitivas de cada aluno.

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Após aprovado o curso básico inicial, o aluno optava por oficinas ou labo-

ratórios especiais nas áreas: gráficas, metalurgia, pintura mural, pintura em vidro, marcenaria, teatro, têxtil, encadernação, escultura em madeira, entre outras. As oficinas eram lideradas por um artista e um artesão. O objetivo era desenvolver uma harmonia entre as aptidões artísticas e manuais.

Foram gerados muitos conflitos na escola que acabaram por caracterizar a primeira fase como uma fase de ajustes e instabilidade estrutural. O pensamento conservador e a diversidade dos docentes criou um obstáculo que Gropius teve de enfrentar. A dualidade criou conflitos e tensões sociais e a hierarquia das posições dentro da estrutura não estava bem definida. O mestre Johannes Itten gerou um confronto com os ideais de Gropius, embora tenha sido uma figura essencial para a sua estabilização através da implantação do curso básico preliminar.

O que gerou conflito entre estas duas figuras foi o envolvimento das práticas didáticas e religiosas. Gropius temia que os objetivos centrais fossem desviados do objetivo principal: tomar a arte e a técnica como uma só unidade(ideia oposta a que Itten defendia). Com a saida deste professor inicia-se um período de consolidação com o fim das divisões sectárias.


Vertente política 1919-1924 Desde a sua inauguração, a Escola esteve sob o olhar dos partidos políticos. Tanto a ala direita, que a considerou bolchevista e utópica, tanto a esquerda, reagiram à Bauhaus. Inicialmente, o governo do estado aprovou e promoveu os planos de Gropius.

Em 1923, os conflitos existentes entre o estado e a escola levaram a que esta montasse uma exposição em que apresentasse as realizações nela feitas até então. Esta exposição foi visitada por 15 mil pessoas e deu bastante visibilidade quer a nível nacional quer internacional.

Quando foi realizada, foi notória a passagem do medievalismo romântico, do expressionismo e do espiritualismo característicos da Bauhaus até então, para uma vertente mais tecnológica, o que levou a que Walter Gropius alterasse o slogan “Uma Unidade entre Arte e Habilidade Manual” para “Arte e Tecnologia, uma

Nova Unidade”.

Nas eleições de 1924, o partido da ala direita ganhou a maioria dos votos e cortou, de imediato, o orçamento da Bauhaus em metade e cancelou os contratos com os professores em 1925.

Esta reação do governo fez com que Walter Gropius e os mestres da Escola renunciassem os seus cargos e quisessem transferir a Escola para outra cidade. Os alunos não ficaram atrás e, duas semanas depois das demissões dos professores, dirigiram uma carta ao governo a informar que iriam seguir os mestres.

Foram várias as cidades que manifestaram interesse em alojar a Bauhaus, porém, a escolhida foi Dessau, em 1925.

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O ensino em Dessau Com a mudança para Dessau em 1925 a Bauhaus atinge a sua maturidade quer em termos pedagógicos e estruturais. Nesta fase são contratados não só artistas prestigiados estrangeiros mas também novos profissionais formados nos próprios cursos da escola.

O estilo de ensino em Dessau foi influenciado pelo interesse em dirigir a produção em massa associando os aprendizes com a prática por meio do desenvolvimento de protótipos. Só aqui é que este objetivo se converte numa realidade. Isto faz com que os cursos se focassem em compreender a normalização para o fabrico em série e outros aspetos como a racionalização em busca de custos.

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Hans Meyer preocupou-se em desenvolver um sistema de educação sistemático e científico, com uma atenção à funcionalidade e a estudos acerca das necessidades da sociedade. Meyer expôs claramente as suas

ideias sobre o que a Bauhaus podia dar à sociedade e foi com isto que se abandonou a ideia da Bauhaus como uma escola de arte tornando-a mais cuidadosa com a satisfação de necessidades da população.

O curso preliminar permitia explorar e experimentar, o que estimulava a capacidade cognitiva, enquanto que a teoria do desenho permitia análises e discussões acerca dessas experiências.


Vertente política 1925-1931 O município de Dessau apresentou a oportunidade à Bauhaus de continuar o seu percurso e de se tornar na Bauhaus que tanto influência os dias de hoje. Dessau foi a cidade escolhida por ter uma crescente modernidade, influência industrial e recursos para as oficinas da Escola. Em 1925, parte dos equipamentos foram transferidos, a par com os mestres e aprendizes, para instalações temporárias, dando continuidade ao trabalho. As instalações temporárias foram resididas até à finalização da construção do edifício que Walter Gropius pôde projetar. Distinguia-se por ser composto por oficinas, habitação para estudantes e corpo docente, entre outros edifícios ligados ao principal, que passaria a ser um símbolo da escola que inaugurou em 1926, bem como do modernismo. Esta mudança levou à reestruturação do currículo, que começou a abranger mais áreas,

algumas das quais: ciências da engenharia e psicologia, e à mudança da filosofia da Bauhaus, que passaria a ser mais voltada para a indústria.

Eram notórias as influências do De Stijl e do construtivismo que não eram copiados, mas sim desenvolvidos e aplicados de forma inteligente de modo a responderem às questões que surgiam do design. Deste modo, a Bauhaus voltou a atrair jovens de todo o mundo.

Contudo, a Bauhaus era considerada comunista pelo regime Nazi crescente e, por isso, é mandada encerrar mesmo antes dos nazis receberem a vitória eleitoral: “Eliminação imediata de todos os subsídios à Bauhaus. Os professores estrangeiros deveriam ser despedidos sem aviso prévio, pois não era conciliável com a responsabilidade de uma boa liderança municipal para com os seus concidadãos que camaradas alemães passassem fome enquan-

to estrangeiros recebiam elevados salários provenientes dos impostos de uma nação esfomeada.” (Wähler und Wählerinnen Dessaus! Prospecto eleitoral do grupo local NSDAP de Dessau de 1932. Em: bauhaus berlim 1985 (nota 129), p.41).

Após a vitória eleitoral, os nazis propuseram uma série de moções à Bauhaus, sem que nenhuma delas fosse aprovada pela maioria. Pouco tempo depois, o primeiro ministro-presidente nacional-socialista, Freyberg, visitou a Escola acompanhado de Schultze- Naumburg, que, mais tarde, veio a elaborar um relatório detalhado negativista da Escola. Foi em 1932 que o regime nazi conseguiu fechar a Bauhaus Dessau, com a abstenção dos sociais democratas que afirmaram que o seu apoio à Escola lhes tinha custado votos populares, e com somente Hesse e quatro comunistas a votarem contra a moção.

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O ensino em Berlim Em Berlim foi respeitada a determinação de objetivos em relação à organização do ensino. Ao longo do tempo foi se perdendo o conceito de escola unificada de arte sofrendo uma reprogramação.

O ensino então foi dividido em três fases: na primeira procurava-se uma orientação unitária de estudo; na segunda eram transmitidos conhecimentos teóricos relacionados com conhecimentos teóricos interligados com trabalhos práticos, em que os alunos eram orientados segundo as próprias aptidões (arquitetura e decoração, publicidade, fotografia, tecidos e belas artes. Na terceira, com o conhecimento adquirido, tinham escolha livre para elaborar um projeto.

Mies acaba com a divisão hierárquica no curso preliminar, levando os estudantes diretamente para o estudo de arquitetura, sem a necessidade de serem aprovados em cursos artesanais. Mas ainda eram condicionados a trabalhar numa oficina de escolha livre, para adquirirem habilidades manuais essenciais.

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O currículo também sofre alterações no ponto de vista de conteúdo e do

tempo de duração dos cursos. A duração máxima dos cursos passou de nove semestres para seis, principalmente pela posição contrária ao ‘estudo generalista’ e à especialização promissora, promovida pela Escola.

Mies van der Rohe substituiu a noção de qualidade absoluta, restringiu as atividades produtivas e aumentou as atividades pedagógicas clássicas dos ateliers. Estabelece-se também um programa rígido com um ritmo de trabalho intenso e com uma seleção cada vez mais rigorosa. Aboliu-se o caráter obrigatório do curso preliminar e as oficinas de produtividade voltaram a ser oficinas de aprendizagem, tendo de se fazer provas de aptidão em forma de trabalhos práticos individuais como pré-requisito para o semestre seguinte. Ao contrário de Walter Gropius e Hannes Meyer, Mies Van der Rohe não possuía um programa pedagógico formulado segundo uma filosofia educacional. Negava as premissas de Meyer, assim como falava negativamente acerca de Gropius como

arquiteto.

Sob a direção de Mies, o ponto central do trabalho na Bauhaus eram as questões formais e as suas soluções estéticas. Hubert Hoffmann, estudante na Bauhaus, considerava Mies um mau pedagogo que não se interessava pelas possibilidades que os estudantes traziam consigo e não permitia que os alunos se auto-explorassem. Muitas vezes obrigava-os a desenhar e/ou projetar, baseado nos próprios esboços.

As tentativas de Mies de salvar a Bauhaus não obtiveram sucesso e a escola foi oficialmente fechada em 19 de julho de 1933. Os seus profissionais acabaram por se espalhar pelo mundo, difundindo o método de ensino da Bauhaus.


Vertente política 1931- 1933 Após o encerramento da Bauhaus em Dessau, houve duas cidades a oferecerem-se para alojar a Escola: Leipzig e Magdeburg. Contudo, Mies van der Rohe (último diretor da Bauhaus) já tinha decidido transformar a Bauhaus numa escola privada, em Berlim e, após encontrar o local ideal, os mestres e estudantes da Bauhaus deram continuidade aos trabalhos numa fábrica de telefones abandonada em Birkbuschstrasse, Steglitz. O programa passaria a ser formado por cursos com uma duração de seis semestres, e as propinas foram aumentadas. Esta reformulação de estatutos, obrigou a que todos os alunos fizessem um exame de readmissão, de modo a excluir todos os estudantes que contestassem.

Mies anunciou as suas intenções pragmáticas: «É nosso objetivo formar arquitetos que dominem todas as áreas de arquitetura, de pequenos apartamentos a planeamento urbano- não meramente a construção em si, mas do “design” de interiores até aos tecidos». O curso de publicidade ficou sem professor, uma vez que Mies van der

Rohe não levou consigo os mestres Alfred Arndt e Joost Schmidt.

Nesta nova fase da Escola, Mies, teve dois pilares financeiros: as taxas das licenças de produtos no valor de aproximadamente 30 000 marcos e os salários dos professores que Dessau tinha aceitado pagar até 1935.

Mais uma vez, a política interferiu com os planos da Bauhaus. O gabinete do Ministério Público de Dessau indicou uma comissão de investigação para juntar provas incriminatórias contra Fritz Hesse por ter fomentado a Bauhaus. Este acabou por receber cortes na pensão e salário após ser-se provado que a Escola era comunista através da vistoria. A GESTAPO (polícia secreta do Estado) selou o local de ensino após uma rusga que tinha sido notoriamente encenada a partir de Dessau, visto que foram tiradas inúmeras fotografias do momento. Quer Mies van der Rohe, quer os estudantes, contactaram inúmeras vezes as autoridades estatais para que a Escola fosse reaberta. Houve várias soluções propostas para que isso acontecesse, sendo duas delas:

a recomendada por Lilly Reich e Kandinsky que propuseram a adesão ao “Kampfbund” e outra foi que um comissário estatal aceite pelo governo fosse nomeado como diretor. Entretanto, entrou em vigor uma nova lei que colocava todas as escolas privadas sob a alçada do Conselho Provincial Escolar à qual Mies van der Rohe pediu permissão para abrir uma escola de arte privada.

Semanas mais tarde, recebe a confirmação de que a GESTAPO estaria de acordo com a reabertura da Bauhaus sob algumas condições: Kandinsky e Hilberseimer não podiam continuar a lecionar na Bauhaus, o corpo docente não podia ter judeus, recomendava que alguns professores se juntassem ao partido nazi e a GESTAPO exigia um plano com orientação nacional-socialista.

Antes destas condições terem chegado à Bauhaus, uma nova lei, que dava às autoridades de Dessau o pretexto para pôr fim ao pagamento de salários até então prometidos. Várias empresas já tinham cortado laços com a Bauhaus. Quando as condições chegarem à Bauhaus, os mestres juntaram-se no atelier de Lilly Rei-

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ch e, após a divulgação da situação económica e política e da proposta de encerramento por Mies van der Rohe, decidiu-se pôr fim à Bauhaus.

Apesar de ter durado apenas 14 anos, a ‘’Casa de Construção’’ (significado da palavra Bauhaus) marcou o design e arte europeia bem como,

mais tarde depois da 2ª Guerra Mundial, a que se veio a desenvolver nos Estados Unidos, devido à migração de muitos dos seus artistas (perseguidos pelo nazismo) para este país. Além de ser reconhecida como escola, a Bauhaus era, e ainda é, tida como um movimento artístico e social.

Diversidade de aulas A Bauhaus tinha uma filosofia moderna de design e o seu objetivo era difundi-la pelas diversas áreas do mundo artístico, prezando ao máximo o conceito de funcionalismo e para isso a sua gama de áreas de ensino abrangia todas as artes.

De entre os cursos da Bauhaus, destacam-se: arquitetura, decoração, pintura, escultura, fotografia, cinema, teatro, balé, design industrial, cerâmica, trabalhos em metal, criações têxteis, publicidade e tipografia. O conceito de que a máquina é um instrumento do artista tornou o projeto

da Bauhaus numa ideia pioneira, o que se pode confirmar logo desde o início, com a junção da Escola de Belas Artes e a de Artes e Ofícios.

A Bauhaus enfrentou o problema da produção em massa com design de qualidade e para alcançar esse objetivo reuniu uma série de artistas das mais diversas áreas.

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Oficinas da Bauhaus A Bauhaus possuiu diversas oficinas para abranger todas as áreas artísticas e de design, várias delas tendo grande importância para a criação de obras que se viriam a tornar icónicas e símbolos deste movimento. Dirigida por Marcel Breuer, de 1924 a 1928, a oficina de carpintaria esteve entre as mais populares da Bauhaus e revolucionou o próprio conceito de mobiliário, tentando afastar-se das formas convencionais dos objetos para realçar a sua essência. As peças de mobiliário projetados na Bauhaus são consideradas clássicos do mobiliário moderno e fonte do design atual até hoje. São objetos funcionais, com formas simples e geométricas, destinados a fazer parte da vida quotidiana das pessoas comuns.

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7. Marcel Breuer na sua cadeira Wassily. 8. “Unknown woman in tubular steel chair”. Todos os objectos nesta fotografia, como a cadeira, as roupas e a máscara de teatro foram produzidas na Bauhaus. Esta fotografia tirada por Erich Consemüller em 1926 tornou-se famosa e num símbolo da Bauhaus, tendo até sido usada para propaganda da escola.

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A oficina de tecelagem foi uma das mais produtivas e bem sucedidas da Bauhaus. Os alunos estudavam a teoria da cor e design, assim como os aspetos técnicos da tecelagem. Gunta Stölzl, a designer dirigente desta oficina, incentivou a experimentação de materiais não convencionais, como por exemplo celofane, fibra de vidro e metal. Os tecidos aí criados, juntamente com a pintura de parede arquitetónica, decoravam os interiores dos edifícios da Escola.

dantes. A partir de 1923 os protótipos começaram a ser produzidos em massa em vez de apenas peças individuais, como por exemplo o candeeiro de mesa de Karl Jacob Jucker e Wilhelm Wagenfeld, o infusor de chá de Wolfgang Tümpel e os cinzeiros de Marianne Brandt, a primeira mulher a fazer parte da oficina de metalurgia. Um exemplo dos seus trabalhos é a sua famosa chaleira projetada com especial atenção para a funcionalidade e facilidade de uso, desde o bico anti-gotejamento até à alça de ébano resistente ao calor. Este é um dos vários projetos seus que se tornaram ícones da estética da Bauhaus.

junto com as oficinas de impressão e encadernação publicou portfólios de arte gráfica da autoria de estudantes e mestres. No entanto as vendas destes portfólios não atingiram os valores esperados, e esta oficina não foi restabelecida após a mudança da Bauhaus para Dessau. Em 1925, Gropius nomeou Herbert Bayer como mestre junior da recém-estabelecida oficina de impressão e publicidade. Bayer dedicou-se ao uso de formas geométricas simples com o objetivo de criar uma presença tipográfica uniforme, simples e pura para a Bauhaus. Esta tipografia utilizava o tipo sem serifas, acreditando que a sua forma geométrica simples era mais apelativa e útil do que os tipos normais usados na Alemanha na época. O estilo tipográfico da Bauhaus tem um layout equilibrado baseado em formas geométricas harmoniosas, letras sans-serif, maiúsculas ou minúsculas, que são simples mas fortes, tendo assim o impacto

A oficina de metalurgia, que teve origem em 1919, trabalhou inicialmente com ouro, prata e cobre, e os seus projetos foram liderados pelo mestre e pintor Johannes Itten, que foi substituído em 1922 por Christian Dell. Foram criados objetos belos e modernos, entre os quais equipamentos de iluminação e louça. Alguns destes objetos eram ocasionalmente utilizados na Bauhaus tanto no edifício como em algumas moradias de estu-

A oficina de tipografia ganhou importância graças a Moholy-Nagy e ao designer gráfico Herbert Bayer, influenciando significativamente o design gráfico futuro. Entre 1919 e 1925 existiu na Bauhaus uma oficina de impressão gráfica, que em con-


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pretendido. O layout não era apenas vertical e horizontal, mas também angular, e as cores limitavam-se às primárias, especialmente o vermelho e o preto. A conjugação de todos estes aspetos transmite a mensagem do design de forma eficaz. A inovação na organização e inclinação do texto perdura até aos dias de hoje, mostrando-se uma forte influência nos cartazes e posters, por exemplo.

em Weimar e ficou profundamente impressionado. Figuras importantes na tipografia da Bauhaus, como László Moholy-Nagy, El Lissitzky e Kurt Schwitters influenciaram a sua maneira de pensar e Tschichold aderiu ao movimento radical e revolucionário contra a tipografia convencional.

Este homem esteve entre os imensos visitantes da exposição da Bauhaus

Mas mesmo assim não deixa de ser um dos tipógrafos mais importantes

Encontramos assim mais uma prova da importância e impacto da Bauhaus no design atual, podendo comprovar isso com as influências nas mais diversas áreas artísticas e de design. A Bauhaus e vários dos tipógrafos que a frequentaram influenciaram aquele que viria a ser um dos tipógrafos e designers mais importantes do século XX, Jan Tschichold.

do século XX, que foi influenciado e impulsionado pelos ideais inovadores da Bauhaus.

Acabou por criar “A Nova Tipografia”, defendendo o objetivo funcional do design. Ornamentos e decorações eram inúteis, e a clássica estrutura simétrica e rígida dificultava a transmissão da mensagem pretendida, e o uso de tipos sem serifa e a organização do espaço assimétrica e prática tornaram-se princípios do modernismo tipográfico. Apesar destes desenvolvimentos, Tschichold traiu esta filosofia radical enquanto viveu na Suíça, onde passou a idealizar estruturas tipográficas conservativas.

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Na Bauhaus de Dessau a fotografia era usada para documentar de forma criativa os produtos, a arquitetura e a vida na Bauhaus, e era promovida principalmente por Lucia Moholy e Erich Consemüller, até à intervenção de László Moholy-Nagy.

tre luz e sombra sobre papel fotossensível e objetos com boas propriedades de modulação de luz para criar peças com novas formas de expressão, mais criativas e funcionais que a fotografia.

10.Tapeçaria de Gunta Stölzl, de 1927-1928. 11.Candeereiro de mesa Wilhelm Wangenfeld, projetado em 1924. 12.O cinzeiro com apoio de cigarro de Marianne Brandt,, desenhados em 1924. 13.Icónico cartaz da exposição Bauhaus de 1923, desenhado por Joost Schmidt. 14.Fonte universal desenhado por Herbert Bayer, de 1925. 15.Fotograma de Moholy-Nagy. 16.Cartaz para uma marca de pneus, desenhado por Moholy-Nagy, combinando de forma inovadora a imagem com a tipografia. 17.Fotograma de Moholy-Nagy.

Este construtivista húngaro inovou o conceito de fotografia e integrou-a nos cursos da Bauhaus, vendo-a como um meio artístico independente, e criou na Escola um interesse pela junção da fotografia com a tipografia. Acreditava que o design gráfico, principalmente de cartazes, iria evoluir a partir da comunhão da fotografia e da tipografia, resultando na tipofoto, e que a junção de palavra e imagem comunica de forma imediata com as pessoas.

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Chamou a essa interação de “A nova literatura visual”. Moholy-Nagy trabalhou também em colagens criando fotoplastias, usando a interação en-

Após a partida de Moholy-Nagy, em 1928, a fotografia na Bauhaus passou a ser principalmente usada na publicidade, e em 1929 Hannes Meyer, o segundo diretor da Bauhaus, criou a oficina de fotografia com Walter Peterhans como mestre. Aí foi ensinada fotografia de produtos, com especial atenção para a estética e capacidades técnicas. A Bauhaus revolucionou o design de forma permanente, incentivando os seus alunos a levar em consideração os aspectos psicológicos, linguísticos, económicos e visuais dos seus projetos.


Principais artistas

Wassily Kandinsky Nasceu em Moscovo em 1886, onde se formou em Direito e Economia, vindo a ser assistente destas cadeiras na Universidade de Moscovo. Em 1896 inicia os estudos em pintura na Escola de Arte AZBÈ, em Munique. Inicialmente foi recusado pela Academia de Munique, na qual acaba por ingressar em 1900. Para além de ter tido um período com uma nítida influência do impressionismo, ao representar paisagens ao ar livre, foi o pioneiro do abstracionismo com a sua obra ‘’Aquarela abstrata’’. Nesta sua nova vertente artística, Kandinsky não procurava representar a natureza, mas sim os seus sentimentos.

De 1922 a 1933, tornou-se mestre da Bauhaus, foi chefe do atelier de pintura até outubro de 1925 e deu cursos de desenho analítico e Elementos de Forma Abstrata para estudantes do primeiro semestre e aulas de pintura livre a partir de abril de 1927. Com o fecho da Bauhaus (1933), mudou-se para Paris onde vem a falecer em 1944. As suas teorias sobre a cor e a forma influenciaram o design realizado a partir de 1923 e as aulas de pintura que deu a partir de 1927, foram uma das maiores atrações da fase posterior da Bauhaus.

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Johannes Itten Nasceu em 1888 na Suíça e após ter formação como professor em Berna (de 1904 a 1908), e curto período como professor primário, estudou Matemática e Ciências Naturais (de 1910 a 1912).

Em 1913, ingressou na Academia de Estugarda. Teve a sua primeira exposição individual em 1916 em Berlim e, nesse mesmo ano, abre, em Viena, uma escola de arte onde manifesta um grande interesse em filosofias orientais. Em 1919, iniciou o seu percurso como mestre na Bauhaus, seguido por um número considerável de estudantes da sua escola de Viena.

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Até 1923, exerceu atividade na Bauhaus, tornando-se uma figura dominante da fase de Weimar. Nesta fase desenvolveu e dinamizou o Vorkurs (curso preliminar), base fundamental de toda a filosofia pedagógica da Escola. O curso iniciava-se

com exercícios de respiração que ajudavam a criar um clima introspetivo em que a atenção se focava no aluno, desenvolvendo neste a capacidade criativa. Nas suas aulas, os alunos aprendiam sobre a natureza dos materiais e respetivas aplicações. Itten também desenvolveu estudos sobre a cor, dinamizou aulas de Teoria da Forma e, em colaboração de Georg Muche, dirigiu vários ateliers. a título individual, dirigiu os ateliers de metal, pintura mural e vitrais. A partir de 1920, Itten tornou-se seguidor do Masdeísmo e aplicou esta filosofia na Bauhaus.

Após a sua saída da Escola, em 1923, ingressou num centro masdeísta na Suíça e, em 1926, fundou uma escola de arte moderna em Berlim, a “Ittlenschule”, que durou até 1934. De 1932 a 1938 foi diretor de uma academia de téxteis em Krefeld. Posteriormente, e até 1953, foi diretor

do museu e escola de Artes e Ofícios de Zurique, e construiu ainda o museu Rietberg para a Arte Não Europeia, em Zurique, onde vem a falecer em 1967. 18.Aula de Johannes Itten. 19. Johannes Itten.


Gunta Stölzl Nasceu em 1987, em Munique e foi a única mestre da Bauhaus.

Estudou na Escola de Artes e Ofícios de Munique de 1914 a 1916, interrompendo os estudos até 1918, período durante o qual trabalhou num hospital de campo, e regressa à Escola de Artes e Ofícios em 1919 e, neste mesmo ano, ingressou na Bauhaus. Frequentou o Vorkurs e aulas de Klee estudou no atelier de tecelagem. Stölzl terminou os estudos em 1925 e, nesse mesmo ano iniciou a sua carreira como professora na Bauhaus. Até 1931 foi professora na Bauhaus de Dessau onde teve um papel predominante no atelier de tecelagem, primeiramente com Georg Muche e mais tarde totalmente sozinha. É considerada uma tecedeira muito importante da Bauhaus, devido à influência que teve na transição de peças individuais pictóricas para designs industriais modernos.

Da sua obra destacam-se as tapeçarias de parede nas quais se notam a influência das formas de Itten e Klee.

Esta artista conseguiu transformar a tecelagem, área das artes decorativas que, até então, não era devidamente respeitada com o design de têxteis industriais modernos, que fez com que ela alcançasse um nível de produção nunca antes visto na Bauhaus. Stözl tinha o talento de transformar composições complexas em trabalhos sofisticados e inovadores de tecelagem. Nas suas aulas, usava a improvisação e a experimentação como elementos base do ensino e motivava os alunos para que estes trabalhassem com a indústria com espírito de equipa e paixão. Após o período da Bauhaus e em conjunto com colegas fundou fábricas de tecelagem e trabalhou em tapeçarias de parede. Vem a falecer em 1983, na Suíça.

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Mulheres na Bauhaus Apesar de no seu primeiro orçamento, Gropius, ter apenas contado com 50 mulheres e 100 homens, a Bauhaus acabou por aceitar o mesmo número de mulheres e homens, uma vez que a Constituição de Weimar, que financiava a escola, dava total liberdade de aprendizagem às mulheres, o que levou a que muitas aproveitassem esta nova oportunidade.

Gropius, no entanto, fez questão de no seu primeiro discurso aos estudantes, se referir às mulheres e comunicar-lhes que não haveria ‘’nenhum tratamento especial para as mulheres, no trabalho todos são artesãos’’. Em 1920, Gropius sugeriu ao Conselho dos Mestres que o processo de seleção devia ser mais rigoroso, principalmente no que tocava à entrada de mulheres, «que já contava com um número excessivo». Aconselha também a encaminhar diretamente as mulheres para o atelier de tecelagem, logo após o ‘’Vorkurs’’ (curso preliminar), tendo cerâmica e encadernação como alternativas. Os ateliers de encadernação e olaria são fechados em 1922 e 1923, respetivamente. A maior parte da produção artística das mulheres era rejeitada

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pelos homens por a considerarem demasiado “feminina’’ ou ‘’artesanal’’ e recearem uma tendência mais decorativa que punha em risco o objetivo inicial da Bauhaus, a arquitetura. Apesar do trabalho de referência que realizaram nesta escola alemã, as mulheres têm sido referenciadas somente como companheiras dos homens artistas ou, pior, nem referenciadas.

Duas das mulheres da Bauhaus foram: Gunta Stölz e Annie Albers. A primeira começou o seu percurso na Bauhaus enquanto aluna e acabou por se tornar diretora da oficina de tecelagem entre 1926 e 1930-31. Entre outros projetos, Stölzl executou coberturas têxteis para alguns dos móveis projetados por Marcel Breuer, na Bauhaus Dessau.

Annie Albers tinha como objetivo inicial ser pintora mas acabou por descobrir a beleza do tear e a desenvolver obras de caráter maioritariamente abstrato. É mais um caso de uma aluna que se tornou chefe de uma oficina.


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Influências na sociedade de hoje A arquitectura moderna surge com as propostas de transformações estéticas pelas vanguardas artísticas como o cubismo, o abstraccionismo e o construtivismo. Ela é a designação pra um conjunto de movimentos e de escolas que vieram a transformar a arquitectura do século XX naquilo que é hoje. O modernismo da Bauhaus foi um movimento e um método que veio a rejeitar o ideal de estilo. Esta escola veio a propor pela primeira vez a contrução de casas simples e modestas para trabalhadores que seriam eficientes, acessíveis e bem projectadas em vez da construção de grandes palacetes para a realeza ou a monumentos para o estado. Por isso, com este novo conceito os arquitectos renovaram as suas prioridades ao realizar projectos. Em vez de se preocuparem com o visual e a estética, a prioridade torna-se a função, a acessibilidade e a praticidade. Assim ocorreu uma nova arquitectura com uma redução visual que está presente ainda hoje. Podemos verificar isso no uso de paredes lisas e simples, geralmente brancas, na construção de edifícios com janelas amplas ou fachadas de vidro e até na simplificação dos volumes e geometrização das formas como o uso de linhas retas.

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Em termos de construção, houve uma nova utilização de materiais pré-fabricados como a madeira, o betão e o vidro. Nem os telhados resistiram às inovações da Bauhaus, que popularizou as coberturas planas, transformadas em terraços e o uso de pilares em edifícios passando

a ideia de suspensão. Temos como exemplo o Pavilhão Barcelona , este edifício projectado pelo arquitéto Ludwig Mies van der Rohe, ficou um ponto importante na história da arquitectura morderna sendo conhecido pelas suas características geométricas,pelo uso de mármore e pelo uso de materiais industriais como o vidro e o aço. Algo que também é cada vez mais comum nos dias de hoje é o conceito de openspace, e o que é isso?

Nas casas open space as diferentes “divisões” são separadas pela organização dos respetivos móveis em vez de paredes. Nesta vertente existe de facto uma maior rentabilização do espaço, fazendo-o parecer maior e tudo se torna bastante funcional, como prático, para além de existir uma forte comunicação entre os vários espaço.Isto vem reforçar o conceito que Bauhaus defende de funcionalismo e praticidade.

20.Casa modernista projectada por Gregori Warchavchik , uma das obras mais importantes da arquitetura brasileira. 21.Pavilhão Barcelona, edifício projectado pelo arquiteto Ludwig Mies van der Rohe, ponto importante na história da arquitectura moderna.


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Em termos ligados á tecnologia podemos encontrar a Bauhaus relacionada com os electrónicos de hoje em dia, especialmente com a Apple. Steve Jobs visionava que os computadores pessoais pudessem ser tão comuns quanto os telefones. Para isso, ele percebeu que para tal acontecesse eles teriam de ser tão fáceis de usar como tais. Seguindo esse conceito, podemos verificar que tanto os computadores da Apple como o iPod, o iPhone ou o iPad seguem rigorosamente o princípio de que "design é função, e não forma", o que é um dos grandes pilares na escola Bauhaus.

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Por isso, os seus produtos não só inovaram no conteúdo como também no design de todos estes electrónicos que foram criados de forma absolutamente coerente com o que cada um dos aparelhos proporciona.

Esta influência é evidenciada na obra de Oscar Niemayer, que sempre privilegiou as formas geométricas e a cor branca, características bem presentes no movimento. E foi por isso que, assim como os produtos da Bauhaus, com seus famosos móveis de linhas simples e funcionais, os produtos da Apple se tornaram os grandes objetos da primeira década do século XXI. Um ponto em comum entre Jobs e a Bauhaus é não só a busca e uso de um aspeto visual “clean” como também o facto de ambos partilhar a mesma escolha de materiais. O uso de plástico policarbonato branco e cromado reluzentes para o iPod como os laptops em metais como titânio e alumínio.

Mas o mais relevante foi mesmo a importância que Jobs deu aos detalhes. A sofisticação das embalagens e até mesmo dos fios que conectam os

produtos à energia levaram a Apple a destacarem-se das outras empresa. Como sabemos, Bauhaus foi muito influente no mundo do design gráfico. Esse design tinha como características o uso as formas geométricas, como círculos, quadrados e triângulos, e o uso de muitas linhas retas, grande parte em posição diagonal. As cores utilizadas eram maioritariamente o azul, vermelho, amarelo, branco e o preto. O objectivo deste uso era chamar à atenção do público através do uso de grandes quantidades de elementos visuais. Isto impactou a história do design gráfico, e tornou-se um grande ponto a falar sobre o que conhecemos da evolução desta área. Na actualidade estas características da Bauhaus continuam a ser utlizadas como referencias. Temos por exemplo, um cartaz que foi usado para anunciar um discurso de Ba-


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rack Obama em Berlim chamou à atenção aos conhecedores da grande Bauhaus.

Com seu discurso, Obama estava se oferecendo como um líder que poderá reparar o dano que George Bush causou à amizade entre a Europa e os Estados Unidos e assim lembrar ao mundo a importância dessa aliança.

O ex-presidente dos E.U.A escolheu para promover tal discurso utilizar um design cheio de influências desta escola para homenagear o movimento Bauhaus da década de 1920. Ao empregar pistas gráficas inspiradas na Bauhaus, a campanha de Obama permitiu com que falasse com os alemães em uma linguagem de design que lhes é familiar. Com um texto definido num ângulo de 45 graus em vários tons de azul e com uma simples faixa vermelha, Obama

promove uma ideia de relação com o design gráfico de Bauhaus. O rosto de Obama é pouco explorado permitindo dar destaque aos restantes elementos como o uso de diagonais paralelas onde se inclui o texto a que apela o cartaz.

O design desta propaganda política não só foi notório em termos das suas referências como também foi um apelo para relembrar a importância do design gráfico e da sua origem.

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22.Steve Jobs,criador da Apple. 23.Cartaz de Obama para anunciar o seu discurso em Berlim.

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De móveis até utensílios para a casa, esses objetos mostram como a escola de Bauhaus influenciou nossa ideia de um bom design.

Para a maioria das pessoas, Bauhaus lembra um tipo específico de arquitetura moderna mas a Bauhaus foi muito mais que isso, desenvolveu uma nova maneira de pensar. Na questão do desenvolvimento do design de produto,Bauhaus produzia uma incrível variedade de peças desde candeeiros a tabuleiros de xadrez. O que os tornavam únicos era o seu design simples, funcional e elegante.

Este conceito revolucionou design e mantêm-se até hoje como referencia para artistas. O uso de linhas e formas geométricas são umas das características mais marcantes de Bauhaus, e como tal os seus produtos baseiam-se no mesmo princípio. No desenho e na a produção das cadeiras transmite-se uma preocupação com o conforto que uma pessoa toma ao sentar-se.

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O prático-funcional dos produtos da Bauhaus baseava-se na redução das formas tornando-as elementos básicos, o mesmo se aplica é escolha da cor. A paleta de cores utilizada pela escola alemã demonstra um cuidado pela estética através da utilização de cores básicas para contribuir a diminuição de elementos visuais.

É possível ver cada vez em maior quantidade, objectos no nosso dia a dia como cadeiras e sofás com as mesmas característica que Bauhaus apresentava. Temos como referência da famosa cadeira Wassily desenhada por Marcel Breuer. Através desta cadeira é nos possível retirar elementos que são comuns no presente, como o uso de uma estrutura em aço tubular cromado e o uso de couro para os acentos. Outro produto que permanece até hoje é a maçaneta Bauhaus. Esta peça desenhada por Walter Gropius, ficou conhecida pela sua forma geométrica e industrial e pelo uso de parafusos expostos. Isto veio substituir as maçanetas que antes eram utilizadas. Estas tinham como características serem complexas e portadoras de muita decoração, detalhes e pormenores. Hoje, o mais comum é seguir o estilo de Bauhaus. Podemos observar tanto em espaços públicos como em casas que as maçanetas que lhes constituem têm influencia de Bauhaus pois são simples, geométricas e têm aspeto industrial. Esta foi outra referencia em que Bauhaus demonstra continuar presente nas nossas vidas.


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24.Tabuleiro de xadrez da Bauhaus, peças desenhadas com os próprios movimentos do jogo. 25.Famosa cadeira Wassily desenhada por Marcel Breuer. 26.Maçaneta com design de Bauhaus.

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Apesar de ter durado apenas 14 anos, esta escola marcou o design e arte europeia e, mais tarde, depois da 2ª Guerra Mundial, também a que se veio a desenvolver nos Estados Unidos, devido à migração de muitos dos seus artistas (perseguidos pelo nazismo) para este país. Além de ser reconhecida como escola, a Bauhaus é tida como um movimento artístico e social que, mesmo que por vezes seja discretamente, tem uma influência enorme nos nossos dias, seja na arquitetura, no design de objetos no design gráfico ou em qualquer forma de arte ou design.

A Escola e os conceitos por ela criados e inspirados tornaram-se assim um sinónimo de qualidade e beleza, seguindo os princípios básicos da funcionalidade aplicada ao dia-a-dia.

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