Page 1

#118

ALGARVE INFORMATIVO 29 de julho, 2017

UMA VIAGEM AO PASSADO CHAMADA «SALIR DO TEMPO» 1 ALGARVIO | FEIRA DA SERRA | FESTIVAL AL-BUHERA | SUNSET ALGARVE ETIC_ALGARVE INFORMATIVO #118 CREPE


ALGARVE INFORMATIVO #118

2


3

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

4


5

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

6


7

ALGARVE INFORMATIVO #118


CONTEÚDOS ARTIGOS 14 - Atualidade 34 - Feira da Serra 46 - Festival Al-Buhera 56 - Crepe Algarvio 66 - Salir do Tempo 88 - Atualidade 66

OPINIÃO 76 - Paulo Cunha 78 - Adília César 80 - Antónia Correia 82 - Fábio Jesuíno 84 - Carlos Gouveia Martins 85 - Diogo Agostinho

46 34

56

14 ALGARVE INFORMATIVO #118

8


9

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

10


11

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

12


13

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

FESTIVAL F COM MAIS UM DIA E UM CARTAZ DE LUXO Texto:

F

oi apresentado, no dia 25 de julho, no Roof Top do Hotel Mundial, em Lisboa, a quarta edição do Festival F, que terá lugar nos dias 31 de agosto e 1 e 2 de setembro, afirmando-se no roteiro dos festivais de música como o último grande festival de Verão. Serão três noites de programação, em vez das habituais duas, e a lotação do espaço também aumentou em 20 por cento, saindo pela primeira vez para fora da muralha, mas mantendo a Vila Adentro como o coração do festival. Rui Veloso, Carminho, Miguel Araújo, AGIR, Salvador Sobral, Dengaz, Mão Morta, Jorge Palma e Xutos & Pontapés são alguns dos destaques do alinhamento. A par da programação musical, dividida por sete palcos, o Festival F abrange outras áreas culturais como as artes plásticas, literatura, cinema, tertúlias, artesanato de autor, stand up comedy e ainda várias áreas de street food. Ao longo de três edições, o Festival F tem promovido Faro como local privilegiado para a realização de um festival de música, valorizando o património através da escolha da zona histórica de Vila Adentro, e a cultura, com uma programação de referência, dinâmico e abrangente. Em 2017, o evento consolida-se definitivamente no panorama dos grandes festivais de música em Portugal, sendo incluído no projeto «Portuguese Music Festivals», promovido pelo Turismo de Portugal. O Festival F é uma iniciativa do Município de Faro, do Teatro Municipal de Faro, S.M., da Ambifaro e da produtora «Sons em Trânsito», sendo reconhecido pela «Europe Festivals Association» que, após um processo de avaliação, o distinguiu com o selo EFFE Europe for Festivals, Festivals for Europe, por dois anos consecutivos, em 2016 e 2017. Também nestes últimos dois anos foi eleito enquanto «Escolha do Consumidor» .

ALGARVE INFORMATIVO #118

14


Rui Veloso

Xutos15& Pontapés

ALGARVE INFORMATIVO #118


Carminho

SamuelALGARVE Uria INFORMATIVO #118

Jorge Palma

16


Cuca Roseta

AGIR 17

Salvador Sobral

HMB

ALGARVE INFORMATIVO #118


Miguel Araújo

ALGARVE INFORMATIVO #118 Frankie Chavez

18


Dillaz

Beetbombers 19

Dengaz

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

FESTIVAL DO MARISCO DE OLHÃO EM CONTAGEM DECRESCENTE Texto:

T

eve lugar, no dia 28 de julho, a apresentação à comunicação social do 32.º Festival do Marisco de Olhão, que decorrerá de 10 a 15 de agosto. A iniciativa da Câmara Municipal de Olhão, organizada pela Empresa Municipal Fesnima, volta a ter um cartaz musical de eleição, mas a grande novidade é o Bilhete Festival, que permite a entrada em todos ALGARVE INFORMATIVO #118

Fotografia: os dias do evento a um preço mais convidativo. O Festival abre a 10 de agosto com Tony Carreira, seguindo-se Richie Campbell (11 de agosto), D.A.M.A (12 de agosto), Diogo Piçarra convida Jimmy P (13 de agosto), Nelson Freitas (14 de agosto) e termina em beleza com o sotaque do outro lado do Atlântico de 20


Seu Jorge (15 de agosto). À exceção dos dias 10 e 15 de agosto, em que os ingressos custam 9 euros, os preços das entradas nos restantes dias ficam-se pelos 6 euros. As crianças até aos seis anos não pagam entrada e, para jovens entre os sete e os 12 anos, o bilhete tem 50 por cento de desconto. O Bilhete Festival, disponível apenas através da Ticketline e rede de distribuição, que vale para os seis dias do evento, pode ser adquirido a um preço mais económico, já que custa 36 euros para adultos e 18 euros para as crianças. Assumindo-se como um dos principais cartazes turísticos de Olhão e do Algarve, o Festival do Marisco é já um compromisso obrigatório, quer para os algarvios, quer para os muitos turistas que em agosto se encontram na região, com o objetivo de se deliciarem com o marisco mais fresco, confecionado no momento e como só os olhanenses sabem, com o maravilhoso cenário da Ria Formosa como pano de fundo. Os camarões grelhados, as sapateiras, o arroz de marisco, as paellas, as lagostas, os lavagantes, as amêijoas ou as ostras continuam a fazer crescer água na boca aos visitantes do Festival. Todos estes sabores podem ser degustados num espaço com milhares de lugares sentados. Olhando para o elenco de artistas, o certame não podia começar de melhor forma, com Tony Carreira a prometer trazer consigo milhares de fãs incondicionais. «Sempre Mais» é o título do novo álbum do cantor português, que inclui duetos com Ricky Martin, Lara Fabian, Chico & The Gypsies, Duo Calema e o filho David Carreira. Com mais de três décadas de carreira, o artista soma já 28 discos de originais. 21

A segunda noite do evento fica marcada pelo regresso de Richie Campbell, acompanhado, como sempre, pela «911 Band». A voz de «Blame It On Me», «Best Friend» ou «Do You No Wrong» traz o melhor reggae que se faz em Portugal. 2016 marcou uma aposta de Richie Campbell na reinvenção da música que sempre o acompanhou: N.º 1 do Top do iTunes em apenas duas horas, o lançamento surpresa do álbum «In The 876» foi um enorme sucesso e deu o mote para mais um ano imparável do cantor. O cartaz musical da 32.ª edição do Festival do Marisco de Olhão oferece, no sábado, 12 de agosto, uma noite com uma das melhores bandas portuguesas de pop e hip-hop da atualidade, os D.A.M.A.. O disco de estreia da formação de Francisco Maria Pereira, Miguel Coimbra e Miguel Cristovinho, «Por uma Questão de Princípio», conquistou a dupla platina e manteve-se nos três primeiros lugares do top de vendas nacional durante 48 semanas consecutivas. O álbum de originais «Dáme um Segundo», lançado em 2015, incluiu temas como «Não Dá», «Agora é Tarde», «Não faço Questão» e «Tempo para Quê?», casos sérios de popularidade, com milhões de visualizações no Youtube. Também este disco chegou à dupla platina. Diogo Piçarra é, atualmente, um dos artistas mais queridos do público nacional, tendo sido o vencedor do programa «Ídolos», da SIC, em 2012. Desde então, a carreira do cantor farense não parou de crescer, assim ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE como o número de fãs incondicionais, que terão oportunidade de ver o seu ídolo ao vivo no dia 13 de agosto, domingo, no Festival do Marisco de Olhão. 2017 é, de resto, um ano marcante na carreira de Diogo Piçarra pois, em março, lançou «do=s», o segundo álbum de estúdio. Em Olhão, Diogo Piçarra cantará, certamente, temas como «Tu e Eu», «Dialeto», «Verdadeiro», «Entre as Estrelas», «Wall of Love» e o novo single «História». O senhor que se segue é Nelson Freitas. «A Beautiful Lie Tour» passa pelo Festival do Marisco de Olhão, no dia 14 de agosto, segunda-feira, prometendo levar o público apreciador de kizomba ao rubro. Neto de uma geração de cabo-verdianos que partiu em direção à Holanda, Nelson Freitas começou a sua carreira em 1997, fazendo parte de uma banda que abraçava uma sonoridade nova, a meio caminho entre o

ALGARVE INFORMATIVO #118

zouk e a kizomba, com influências de R&B e hip-hop. Os seus três álbuns, lançados ao longo de sete anos, trouxeram-lhe um enorme sucesso em países como Cabo Verde, Angola, Moçambique e, naturalmente, Portugal. Para encerrar com chave de ouro, no último dia do evento, terça-feira, dia 15 de agosto, canta-se em português do outro lado do Atlântico, com o sambarocker brasileiro de «Seu Jorge», um dos nomes mais fortes da música popular brasileira, com temas como «Burguesinha», «Amiga da Minha Mulher» ou «É Isso Aí». O artista multifacetado conta já no seu palmarés com sete álbuns de estúdio, cinco trabalhos ao vivo, bem como mais de 20 participações em discos de outros artistas. Enquanto ator, são cerca de 20 as suas participações em filmes .

22


23

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

Sérgio Faias e Teresa Coelho, respetivamente Vogal e Presidente do Conselho de Administração da Docapesca, Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, José Azeredo Lopes, Ministro da Defesa Nacional e António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão

MINISTRO DA DEFESA E MINISTRA DO MAR ASSINARAM PROTOCOLOS EM OLHÃO Texto:

O

Ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, e a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, estiveram em Olhão, no dia 26 de julho, para a assinatura do Protocolo entre a APS - Administração dos Portos de Sines e do Algarve e a Direção Geral da Autoridade Marítima Nacional para cedência da antiga casa dos pilotos da Ilha ALGARVE INFORMATIVO #118

Fotografia: de Farol para instalação de um posto marítimo. Em contrapartida, a Autoridade Marítima Nacional disponibilizou-se para apoiar a APS na fiscalização dos usos e atividades na área de segurança portuária, assim como na deteção de construções ilegais, de obras realizadas durante a época balnear, de deposição ilegal de resíduos e de utilização abusiva do espaço. 24


Procedeu-se também à assinatura do Protocolo entre a Docapesca e a Câmara Municipal de Olhão relativo à requalificação e valorização das três rampas de acesso a embarcações situadas no Porto de Olhão, com o intuito de melhorar as condições de trabalho e segurança para os armadores, pescadores e demais utilizadores da infraestrutura. “Na Ilha da Culatra há uma aldeia de pescadores onde vivem 500 pessoas. Na Ilha da Armona temos 900 casas e, no Verão, estão lá cinco mil pessoas. Nos Hangares e no Farol podem estar mais duas ou três mil pessoas no Verão. Há municípios do nosso país que não têm uma população tão numerosa, e qual é o ponto de acesso para as ilhas? Como é que estas pessoas vivem assim há tantos anos, carregando e descarregando por umas rampas perigosas? Este pequeno investimento tem uma importância extraordinária no dia-a-dia destas populações”, afirmou António Miguel Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão, após a assinatura dos protocolos. Exigindo maior atenção e respeito para estes homens e mulheres, o autarca reconhece que, há uns anos, foi realizado um grande investimento na Ilha da Culatra, nomeadamente a construção de um Porto de Pesca e de Abrigo. Contudo, nada foi feito deste lado da Ria Formosa, no Porto de Olhão, lembrou António Miguel Pina, que apelou ainda ao reforço de policiamento na Ilha do Farol. “As outras forças de segurança reforçam os seus efetivos no Algarve durante o Verão e, na Ria Formosa, temos cerca de 10 mil pessoas nesta altura do ano e o Ministro 25

da Defesa Nacional e a Direção Geral da Autoridade Marítima Nacional reconhecem esta nossa preocupação. Olhão assume-se cada vez mais como a capital da Ria Formosa e somos nós que procuramos soluções para os seus problemas junto dos governantes, porque estamos próximos das pessoas e compreendemos as suas necessidades”, reforçou o edil olhanense. No uso da palavra, o Ministro da Defesa Nacional salientou a forma como se tem conseguido otimizar recursos e disponibilidades em proveito do bem comum. “É pouco habitual ver ministérios que sejam capazes de falar uns com os outros, pois há uma tendência para cada um considerar uma «coutada» aquilo que tem como sua área de governação. Aqui, damos o exemplo de uma questão patrimonial bem resolvida e que tem o efeito útil de aproximar fisicamente a Polícia Marítima da população da Ilha do Farol”, destacou José Azeredo Lopes. “Está demonstrado que, quando se trabalha com seriedade e há empenho, as questões patrimoniais passam a ser questões de relação, as questões de jurisdição passam a ser questões de articulação e, no fim, o que mais interessa é o bem-estar das populações e a prossecução do interesse público”. Para Ana Paula Vitorino, os dois protocolos assinados primam por ser muito simples, mas bastante significativos. “A Autoridade Marítima Nacional, através da Capitania de Olhão, vai prestar alguns serviços acrescidos que, em tese, são da ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

O Vice-Almirante Luís Sousa Pereira, Presidente da Direção Geral da Autoridade Marítima Nacional, Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar, José Azeredo Lopes, Ministro da Defesa Nacional e Luís Cacho, Presidente da APS

competência da Administração dos Portos de Sines e do Algarve. Do mesmo modo, assegura-se uma vigilância acrescida que a APS não tem possibilidade de realizar. É uma parceria em que cada um disponibiliza os recursos que possui e aos quais podem ser dados uma maior utilização. É isto que queremos que aconteça em toda a Administração Pública”, salientou a Ministra do Mar. Sobre o segundo protocolo assinado, referente à requalificação das três rampas de acesso às Ilhas Barreiras, a governante recorda os benefícios diretos para a população e para as atividades que desenvolvem. “Não estando em condições, as rampas colocam em causa a segurança das pessoas e bens, levam a que a economia local seja menos competitiva e prejudicam as relações sociais entre as Ilhas Barreiras e Olhão. Haverá um financiamento através do ALGARVE INFORMATIVO #118

programa Mar 2020, mas não estamos aqui a anunciar obras de milhões. São intervenções pouco expressivas do ponto de vista financeiro, mas importantíssimas do ponto de vista social, económico e humano”, enalteceu Ana Paula Vitorino. Antes disso, os dois governantes já tinham estado em Portimão, para presidirem às cerimónias de inauguração do módulo de radar do Sistema «Costa Segura», que permitirá, em tempo real, monitorizar as embarcações na costa do Algarve, ao largo de Portimão. Na ocasião, foi igualmente assinado o Auto de Consignação da empreitada de reabilitação de escadas e defensas nos Portos de Pesca do Arade, na bacia portuária de Lagoa e Portimão, de Lagos e de Sagres, e houve lugar ao anúncio da Reabilitação das redes de água e de energia elétrica . 26


ETIC_ALGARVE APRESENTOU TRABALHOS DOS ALUNOS NUM SUNSET NO TEATRO DAS FIGURAS Texto:

A

Fotografia:

rampa e o foyer do Teatro das Figuras, em Faro, acolheram, no dia 25 de julho, um sunset especial onde os alunos do polo algarvio da Etic – Escola de Tecnologias, Inovação e Criação exibiram alguns dos trabalhos que desenvolveram ao longo do ano letivo 2017/2018, e de onde se destacaram o projeto musical T.R.I.P., os videoclips para as bandas Epiphany e Black Teddys, os documentários «Ser de Faro é ser Farense»

27

e «Navegando nas Águas do Lethes» e as ficções «CIGMA» e «Follow Me». “Na rampa temos apresentações ao vivo dos alunos de Produção e Criação Musical e são os alunos de Técnica de Som que estão a preparar essa atuação. No Foyer do Teatro encontram-se trabalhos de fotografia, concept art, design, para além dos videoclips e documentários. É uma festa de final de ano e o culminar do trabalho árduo de alunos, formadores e de toda a equipa”,

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE acontecer no ano seguinte, sendo as surpresas uma constante. “Este ano foi muito positivo e o trabalho não termina quando se encerra um período letivo. Os nossos alunos vão estar em ação em diversos eventos durante o Verão, seja em reportagens fotográficas ou de vídeo. Esta escola tem um forte cariz de se conceber, criar e projetar os trabalhos numa perspetiva de portfólio real e de ligação próxima com o mercado, as empresas e as instituições. Os alunos têm logo essa vivência do mundo real, dos horários a cumprir, dos equipamentos a utilizar, dos constrangimentos colocados pelos diferentes clientes”, notou Nuno Ribeiro.

descreveu Nuno Ribeiro, diretor da Etic_Algarve. De acordo com o responsável, a experiência em Faro tem sido bastante agradável e proveitosa e a única certeza é que nunca se consegue prever o que vai ALGARVE INFORMATIVO #118

Não admira, por isso, os bons resultados alcançados pelos alunos da Etic_Algarve, como sejam os dois videoclips realizados para bandas da região, mas também os documentários sobre o Sporting Clube Farense e o Teatro Lethes, dois ícones da capital algarvia. “Foram os jovens que tiveram essas ideias, que contataram com as 28


pessoas a entrevistar em cada instituição. O «Follow Me» também é um projeto bastante interessante, produzido por seis alunos de Fotografia, Vídeo, Design e Música, que estiveram a fazer Erasmus em Málaga e montaram uma equipa multidisciplinar para conceber essa curtametragem”, indicou Nuno Ribeiro, adiantando que essa película vai ser colocada a concurso em festivais nacionais e internacionais. “Os trabalhos são propriedade da escola, mas também dos seus autores, dos alunos, e nunca ficam na gaveta, há uma divulgação permanente. Às vezes, os alunos já terminaram a sua formação na Etic há dois ou três anos e,

29

de repente, recebem uma menção honrosa num festival em Pequim ou em Freixo de Espada à Cinta”. Uma qualidade que não surpreende, de todo, Nuno Ribeiro, que se encontra em Faro há sete anos. “É preciso que as pessoas percebam que o Algarve tem

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE muito para dar, que há bastantes coisas para se fazer ao longo de todo o ano, e essa postura é absolutamente obrigatória numa escola com as nossas áreas pedagógicas. Aliás, no nosso caso, a procura do mercado é maior do que a nossa capacidade de oferta. Na Programação e Marketing Digital, por exemplo, se tivéssemos mais alunos, mais eram colocados de imediato”, garante o Diretor, apressandose a lembrar, contudo, que estas profissões não têm o habitual horário das 9h às 18h. “Nestas áreas trabalha-se a qualquer hora, ao fim-de-semana, à noite. O que se verifica é uma enorme falta de vontade de trabalhar, porque muitos jovens estão habituados a lidar com a sazonalidade, com o emprego de junho a setembro. É uma mentalidade que não é nenhum lisboeta, armado em São Francisco de Assis, que vai conseguir alterar, têm que ser Nuno Ribeiro é o diretor da Etic_Algarve os próprios residentes a compreender que o Algarve, hoje, é mar. “Um programador, um designer, mesmo alguém ligado à fotografia ou diferente do que era há 20 ou 30 anos. ao vídeo, pode fazer o seu trabalho em Tem condições, estrutura, possibilidades e trabalho não falta, o problema é que as qualquer parte do mundo, sem estar no pessoas não querem sair da zona de local, porque depois envia o material todo pela internet. O «novo» escritório conforto da hotelaria, restauração, do pode ser onde nós quisermos e temos turismo”, lamenta. apostado nesse conceito para atrair alunos e profissionais do norte da O que não gera qualquer dúvida para Europa”, concluiu o Diretor da Nuno Ribeiro é que é bem mais aliciante, e Etic_Algarve, uma vez que ia começar a agradável, criar-se conteúdos, produzir-se, exibição dos documentários no Foyer do quando o escritório pode ser uma esplanada num centro histórico ou à beiraTeatro das Figuras . ALGARVE INFORMATIVO #118

30


O DJ Gijoe foi um dos artistas convidados para abrilhantar o Sunset da Etic_Algarve

O Foyer do Teatro das Figuras acolheu uma numerosa plateia para assistir aos videoclips, documentรกrios e curtasmetragens produzidas pelos alunos da Etic_Algarve

31

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

32


33

ALGARVE INFORMATIVO #118


REPORTAGEM

O MELHOR DA SERRA DO CALDEIRÃO EM EXPOSIÇÃO NA FEIRA DA SERRA A Feira da Serra 2017 abriu portas, no dia 27 de julho, para quatro dias de intensa animação, atraindo a São Brás de Alportel milhares de visitantes, entre algarvios e turistas, portugueses e estrangeiros, de férias no Algarve. O convite é fácil de aceitar, pois ali se encontra o que melhor a Serra do Caldeirão tem para oferecer, desde a gastronomia ao artesanato, mas também das experiências, das tradições e dos saberes serranos. E, para juntar a tudo isto, um cartaz musical de eleição. Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #118

Fotografia:

34


35

ALGARVE INFORMATIVO #118


A

26.ª edição da Feira da Serra arrancou no dia 27 de julho e prolonga-se até domingo, dia 30, voltando a colocar São Brás de Alportel no mapa dos principais eventos do Verão Algarvio. Com a promessa de continuar a reinventar-se e a surpreender os visitantes, o certame surgiu com novos espaços e iniciativas, piscando o olho a pessoas de todas as idades, sobretudo às famílias, e mantendo como ingredientes principais a diversidade, qualidade e genuinidade. À semelhança do que é habitual, cada edição é pautada por um tema especial, sendo este ano o vinho o convidado de honra. Quanto aos objetivos do certame, permanecem inalterados desde que a Feira da Serra nasceu, já lá vai um quarto de século, ou seja: valorizar, proteger e promover as tradições e costumes da Serra

ALGARVE INFORMATIVO #118

do Caldeirão e do Algarve; promover e preservar os saberes ancestrais associados ao artesanato local e à confeção de produtos agroalimentares, enquanto impulsionadores da atividade económica da serra e barrocal; proporcionar o contacto direto com a fauna e flora, no sentido de sensibilizar para a biodiversidade local e respetiva importância; divulgar apostas inovadoras de empreendedorismo local e regional; promover a gastronomia tradicional assente nos valores da Dieta Mediterrânica; valorizar o Comércio Local; apresentar a oferta turística do território são-brasense nas mais diversas áreas. O recinto é o mesmo de há uns anos a esta parte, o Recinto da Escola Poeta Bernardo de Passos e a organização está a cargo da Câmara Municipal de São 36


37

ALGARVE INFORMATIVO #118


recinto com 15 espaços temáticos espalhados por 20 mil metros quadrados e 100 por cento acessíveis para todos, independentemente de quaisquer limitações ao nível da mobilidade.

Brás de Alportel, com a colaboração imprescindível da comunidade local e o apoio de um diversas entidades locais, regionais e nacionais. A grande novidade da 26.ª edição é mesmo o alargamento do número de dias, que subiram de três para quatro, respondendo a um desejo dos participantes e da população local. Por isso mesmo, a Feira da Serra ainda pode ser visitada até domingo, dia 30 de julho, num ALGARVE INFORMATIVO #118

Um dos espaços em destaque é o Palco Sabores, onde têm lugar degustações e provas dos melhores vinhos do Algarve, mas há que realçar, igualmente, a Expo Turismo São Brás, onde mais de uma dezena de agentes turísticos são-brasenses dão a conhecer um território cheio de potencialidades e atividades emocionantes, ligadas à natureza e ao desporto ao ar livre. “Existem, no concelho, 208 quartos com capacidade para 436 pessoas; temos 58 alojamento locais; 30 restaurantes; 18 operadores de diversos eventos turísticos. São números que nos deixam felizes, assim como a frequência do nosso Posto de Informação Turística, o que denota uma 38


maior atratividade deste território”, frisou a vereadora Marlene Guerreiro, durante a visita ao recinto. Na Feira da Serra foi apresentado, igualmente, no dia da abertura, o novo site turístico de São Brás de Alportel, um portal especialmente criado para dar a conhecer as melhores experiências que o município tem para lhe oferecer, desde a sua história, cultura e património aos trilhos que serpenteiam pela densa vegetação da Serra do Caldeirão ou pelos tons vermelhos do barrocal. Mas também é realçada a doçaria típica feita à base dos produtos locais, a amêndoa, o figo, a alfarroba, salpicada com aromas de água-ardente de medronho, imagens de sonho que compõem o Vídeo Promocional do município, que revela, de forma peculiar, 39

algumas das potencialidades turísticas deste concelho localizado entre a serra e o mar. A animação é uma constante na Feira da Serra e um dos pontos fortes é o «São Brás Fashion», que acontece na noite de 29 de julho, tendo como tema inspirador o vinho. Será um desfile onde reinará a beleza e a juventude são-brasenses, ALGARVE INFORMATIVO #118


dando a conhecer a qualidade e diversidade da oferta do comércio local, nos setores de vestuário, calçado e acessórios. Pelo palco principal já passaram também David Carreira (27) e Cuca Roseta (28), sendo os dois derradeiros dias preenchidos por João Pedro Pais (29) e Roberto Leal (30). Mas a animação não se fica por aqui, pois existem ainda o Palco Sonoridades, para outros projetos musicais, e o Palco Radical, mais vocacionado para as atividades desportivas. Como se tudo isto não bastasse, os visitantes podem ainda desfrutar do Sítio dos Ofícios, onde se pode assistir ao moer do trigo, ao fiar do linho, ao trabalhar a palma e o esparto, ao conserto do calçado; na Aldeia Serrana podemse adquirir as peças do mais genuíno artesanato, feitas com os materiais da região, por mãos que conhecem a mestria do tempo, assim como apreciar os bons produtos da Serra do ALGARVE INFORMATIVO #118

40


Caldeirão, como os doces regionais, o mel, a aguardente, os licores, os gelados caseiros, o pão de noz, de cebola ou de sementes, um infindável mundo de aromas, sabores e texturas; no Encontro de Sabores estão concentrados seis espaços de restauração e três tasquinhas à portuguesa, onde é possível saborear os aromas e paladares da cozinha tradicional; o novo Espaço Terra apresenta empresas e projetos na área da agricultura, da energia, da silvicultura, da pedra e de todo um conjunto de equipamentos amigos do ambiente e desta casa que é de todos Outros espaços habituais da Feira da Serra são: o Encontro de Saberes, onde se dá lugar ao associativismo, uma força viva da comunidade sãobrasense; o Mercado revela os sabores da agricultura tradicional; o Picadeiro assume-se como o espaço para os apaixonados pela arte equestre; os animais típicos da Serra mostram-se no Sítio dos 41

ALGARVE INFORMATIVO #118


Animais, com burros, uma égua, uma mula, cabras, ovelhas, codornizes, perdizes, galinhas, coelhos, fracas, póneis, porcos, patos, gansos, entre muitas outras espécies autóctones; finalmente, o Sítio dos Curiosos é um espaço de animação infantil, preparado para receber os visitantes mais jovens, com um mundo de brincadeiras e atividades à sua espera. “São Brás de Alportel é um concelho muito rico por causa das suas pessoas e a Feira da Serra é um evento de excelência para divulgar toda essa mais-valia. É um pilar estratégico no desenvolvimento económico do município, para promover tudo aquilo que é feito pelos são-brasenses”, frisou o presidente da Câmara Municipal Vítor Guerreiro. “São quatro dias de feira que depois se repercutem por todo o ano, porque os visitantes ficam a conhecer os nossos produtos e a nossa oferta turística e depois regressam para gozar novos períodos de férias e comprar bens que não encontram em mais lado nenhum. E é um certame feito com a prata da casa, com as associações, as coletividades, as instituições, os artesãos e comerciantes e, claro, os funcionários da autarquia”, reforçou o edil. ALGARVE INFORMATIVO #118

42


43

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

44


45

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

46


REPORTAGEM

MÚSICA, GASTRONOMIA E ARTESANATO NO CENÁRIO PARADISÍACO DA PRAÇA DOS PESCADORES O cenário idílico da Praça dos Pescadores, na Baixa de Albufeira, recebeu mais uma edição do Festival Al-Buhera, certame que combina o melhor do artesanato, street-food e animação musical. Ao longo de cinco dias, milhares de algarvios e visitantes, nacionais e internacionais, levaram para casa uma recordação especial da capital do turismo e divertiram-se ao ritmo de um cartaz musical de grande gabarito. Texto:

47

Fotografia:

ALGARVE INFORMATIVO #118


Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira e Paulo Freita, presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, entregaram certificados de participação a todos os artesãos e comerciantes envolvidos no Festival Al-Buhera

A

té 30 de julho, das 19h à 1h, o Festival Al-Buhera está de regresso a Albufeira, mais concretamente à Praça dos Pescadores, um dos espaços mais bonitos e emblemáticos da cidade. São cinco noites inteiramente dedicadas ao artesanato, à gastronomia e à música, com um programa que coloca os músicos da terra a dividir o palco com os melhores artistas nacionais. Entre tendas e bancas coloridas encontram-se mais de meia centena de artesãos com peças genuínas, produzidas a partir de materiais tradicionais como o cobre, madeira, cortiça, pedras e conchas da praia, artigos em couro, bijutaria, têxteis, pintura e objetos de decoração, passando pelo artesanato marroquino, do

ALGARVE INFORMATIVO #118

Equador e sandálias produzidas em Goa. Uma das atrações do Festival é, de facto, ver alguns destes artesãos a trabalhar ao vivo, artes consideradas milenares. Para além do artesanato, também aqui se encontram excelentes produtos gastronómicos, nomeadamente frutos secos, compotas, mel, licores, conservas, doçaria regional e criativa, produtos alimentares e bebidas da Ilha da Madeira. Este ano, introduziu-se igualmente uma componente de street food, com algumas roulottes, estrategicamente distribuídas pelo espaço, a oferecerem ao visitante gelados artesanais, tostas gourmet, cerveja artesanal, Doner Kebab e o tradicional Porco no Espeto.

48


49

ALGARVE INFORMATIVO #118


O programa arranca com a animação de rua e prossegue, depois, no palco, com músicos da região a fazerem a primeira parte do espetáculo. Assim, houve oportunidade de assistir ao grupo «Banda Alhada», Vítor Bacalhau, AlBuhera & Raquel Peters, José Praia & Aquaviva e Bem & The Pirates, antes das estrelas nacionais Matias Damásio, The Black Mamba, Resistência, Miguel Araújo e HMB. “É um evento que tem tido sempre uma excelente recetividade, não só da parte de quem nos visita, mas dos próprios artesãos, dos locais e daqueles que chegam de outros pontos de Portugal. É uma festa que demonstra a nossa forma de estar na vida e estamos sempre abertos a quem deseja mostrar os seus produtos neste concelho. Aqui, a base é o artesanato e, se há quem venha todos os anos de outras regiões, é porque conseguem obter bons resultados”, analisa Carlos Silva e Sousa, presidente da Câmara Municipal de Albufeira. Os bons resultados económicos são fáceis de compreender, basta olhar para a multidão de pessoas que percorre o recinto, sejam aqueles que se deslocam de propósito para o Festival Al-Buhera, sejam aqueles que circulam normalmente por um dos principais cartões-devisita da cidade. E para isso contribui um cartaz de luxo, sem nunca esquecer a prata-da-casa. “A ideia é acompanhar a festa com grandes espetáculos musicais, onde está também patenteada a nossa cultura. Numa zona balnear, as pessoas querem, essencialmente, divertir-se e o nosso objetivo é que saiam felizes de Albufeira e com vontade de regressar. E dificilmente se consegue encontrar um cenário melhor do que este”, ALGARVE INFORMATIVO #118

50


51

ALGARVE INFORMATIVO #118


confirma o edil. “Apostamos forte na animação como concelho iminentemente turístico que somos e temos que manter sempre o município na vanguarda, para satisfazer a população local e quem nos visita. O nosso «negócio» é deixar as pessoas bem-dispostas”, sublinhou Carlos Silva e Sousa. A acompanhar o primeiro dia do Festival Al-Buhera estava Desidério Silva, presidente da Região de Turismo do Algarve, mostrando-se satisfeito pela forma como o certame tem evoluído com o decorrer dos anos. “Depois de aproveitar a praia e o sol, as pessoas gostam de usufruir de outras atividades à noite e aqui observam o que de bom se faz em Albufeira e no Algarve, em termos de gastronomia e artesanato, e com boa música a acompanhar”, referiu o antigo presidente da Câmara Municipal de Albufeira, acrescentando que o ALGARVE INFORMATIVO #118

Festival Al-Buhera sempre foi um espaço multicultural e uma mais-valia para a oferta turística do Algarve. “Há uma enorme diversidade de iniciativas culturais a acontecer nestes meses e que somam pontos para a mais importante região turística do país. Somos um destino fantástico e vemos aqui centenas de crianças com os pais e os avós, como acontece em todos os concelhos do Algarve, com uma dinâmica muito forte e uma oferta para as famílias e para as comunidades. O grande objetivo é fidelizar quem nos visita pela primeira vez, para que, quando voltem aos seus países de origem, sejam embaixadores desta terra fabulosa. E experimentem vir entre outubro e maio porque, se calhar, até veem coisas que, durante o Verão, com esta enchente de pessoas, não conseguem apreciar devidamente”, aconselhou Desidério Silva .

52


53

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

54


55

ALGARVE INFORMATIVO #118


REPORTAGEM

CREPES FEITOS COM MUITA PAIXÃO E À BASE DOS MELHORES PRODUTOS ALGARVIOS A Quinta Pedagógica do Peral, em São Brás de Alportel, foi o local escolhido por António Cruz, ou Tony Cruz, para dar a conhecer os seus crepes algarvios. Feitos com muito amor e dedicação à sua terra e confecionados unicamente com ingredientes locais e regionais, estes crepes combinam o melhor dos conceitos da «Street Food» e «Slow Food» e podem ser apreciados na caravana ambulante de Tony Cruz, que se estreou na edição deste ano da Feira da Serra e vai agora marcar presença nos principais festivais gastronómicos do Verão Algarvio. Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #118

Fotografia:

56


57

ALGARVE INFORMATIVO #118


A

Quinta Pedagógica da Quinta do Peral, em São Brás de Alportel, acolheu, no dia 22 de julho, o que seria um almoço de apresentação dos crepes algarvios de António Cruz, mas a degustação acabou por se prolongar pela tarde adentro, tal a quantidade, diversidade e, acima de tudo, a qualidade sensorial destes produtos confecionados unicamente com ingredientes algarvios. A massa é de trigo-sarraceno, os sabores, são os melhores dos produtores locais, das hortas e pomares, dos enchidos, das carnes de vaca, galinha, coelho. Uma massa especial para os crepes salgados, outra vocacionada para os crepes doces, funcionam como invólucros de combinações que fizeram as delícias dos convidados para esta degustação em tom informal, porque António Cruz, ou Tony Cruz, como é conhecido pelos amigos, não é homem de ligar muito às convenções, aos discursos de fato e gravata, aos eventos com demasiada pompa e circunstância. Aqui, o que marca pontos é a carne aromatizada de poejo ou orégãos, a chouricinha aloirada, a sardinha, o tomate,

ALGARVE INFORMATIVO #118

o tomilho cabeçudo, o queijo de cabra, as ervas aromáticas que recheiam os crepes salgados. Para os adocicados estão reservadas a laranja, o limão, o figo, a alfarroba e a amêndoa, o mel, o medronho e a amarguinha. Não admira, por isso, a hora avançada a que os participantes neste almoço abandonaram a Quinta Pedagógica da Quinta do Peral, de barriga cheia, de paladar satisfeito, mas a pedir por mais, porque estes crepes algarvios são, passe a redundância, de pedir por mais. O mais incrível disto tudo é que Tony da Cruz não é nenhum chef conceituado, aliás, o próprio confessou que, de cozinha, pouco ou nada percebia antes de embarcar nesta aventura. “Tinha um grupo de empresas em França ligadas ao ramo da construção civil e toda a minha vida trabalhei com as mãos. Infelizmente, ao fim de muitos anos de intensa carga, as mãos falharam-me, deixaram de conseguir responder às exigências da minha atividade profissional”, relatou o empresário de 43 anos, que nasceu em França, veio para São Brás de Alportel aos cinco anos

58


de idade, regressou a França por volta dos 21 e por lá ficou mais duas décadas, até este problema de saúde lhe ter alterado os planos. De cabeça almareada, a regressar a casa depois da consulta do médico, pensava no que fazer à vida à entrada dos 40 anos, a

59

tal idade simbólica onde muitos homens têm a chamada «crise da meia-idade». A «crise», neste caso, não era psicológica, era mesmo por questões de saúde. Ao deambular por uma grande superfície comercial, perdido por entre os corredores, saltaram-lhe à vista duas crepeiras, como que a brilhar. “Fui para

ALGARVE INFORMATIVO #118


casa e comecei a cozinhar crepes, sem ter a mínima noção do que estava a fazer. Com o tempo fui aprendendo os segredos do ofício e tive a sorte de estar próximo da Bretanha, que dizem ser a região fetiche dos crepes. Contudo, o crepe é milenar e dificilmente um país pode reivindicar a sua invenção”, explicou, perante o olhar atento dos participantes na degustação, cativados pela forma descontraída, e «algarvia», com que Tony Cruz se dirigia à plateia que tinha pela frente. “Parecia um biscateiro de domingo, umas massinhas à esquerda, outras massinhas à direita, e fui inovando, um perfeito autodidata. Li muitos livros e telefonei a vários amigos que tinha no ramo hoteleiro que me foram dando algumas dicas, mas aquilo era uma autêntica proeza para mim. Eu estava habituado a trabalhar nas obras, portanto, chegar a casa, pegar num naco de massa e fazer um crepe, deixava-me todo contente”, lembrou. Como homem do mundo que se considera ser, ia partilhando as suas experiências nas redes sociais e a reação foi imediata, mas não deu demasiada

ALGARVE INFORMATIVO #118

importância à situação. “As pessoas, agora, curtem uma coisa e, quando aparece outra mais bonita, mudam logo de frequência. O certo é que comecei a receber várias mensagens privadas daqueles que compunham o meu universo pessoal e tive uma conversa séria com a minha esposa para decidirmos qual o rumo a seguir”, indica Tony Cruz, e a decisão até foi fácil de tomar, regressar a Portugal, a São Brás de Alportel, à Serra do Caldeirão onde cresceu.

O PRIVILÉGIO DE SE COMER À «ALGARVIO» Ao invés de montar um restaurante, a ideia de Tony Cruz foi conceber uma caravana para o «Crepe Algarvio», porque a «Street Food» está, de facto, na moda e o objetivo é levar estes produtos ao maior número de pessoas possível. “Voltei a pegar na sacola com os pregos e os martelos e fiz uma caravana ao meu feitio. O Algarve tem uma riqueza gastronómica que ainda não está devidamente explorada,

60


porque caímos todos no facilitismo, na tentação do industrial, na estética e na ostentação. Acabamos por nos esquecer do que é artesanal, do que é sentimental, das emoções puras. Quando vamos ao supermercado, encontramos 20 ou 30 variedades de molhos, mas os jovens, hoje, não sabem sequer o que é um

61

refugado. Perdeu-se a noção da simplicidade e eu, como quarentão, tive o privilégio de viver os anos 80, a época das couves da horta, da laranjinha do pomar”, observa o empresário. Tony Cruz confessa que ele próprio foi uma vítima do facilitismo característico

ALGARVE INFORMATIVO #118


do século XXI, porque as 24 horas do dia não lhe chegavam para tudo e, como tal, preferia comprar e consumir comidas processadas industrialmente. O regresso à terra veio, porém, modificar isso, sobressaindo a vontade de utilizar os produtos que a mãe natureza nos dá e, ao mesmo tempo, valorizar o comércio local, que continua a sofrer tremendamente com a implantação das grandes superfícies. “Tenho o privilégio de trabalhar com amigos de infância que fornecem a maioria dos ingredientes para os meus crepes algarvios. Em nenhum lado se encontram hamburgers de manjericão ou poejo, quando somos tão ricos em ervas aromáticas. Se contatar um fornecedor de natureza industrial e disser que quero comer «algarvio», acham que sou um extraterrestre”, desabafa. Criticando a forma como o sistema «empurra» os consumidores para adquirirem apenas o que o tal «sistema» lhes quer vender, Tony Cruz faz questão de usar apenas ingredientes locais, do concelho de São Brás de Alportel ou de outros pontos do Algarve e assegura que aquilo que faz não exige grandes conhecimentos culinários. “O mais

ALGARVE INFORMATIVO #118

importante é ter alma, paixão, sentimento pela região e honestidade. Detesto quando as pessoas caem na tentação de dizer que algo é «artesanal» e o hambúrguer foi feito há três dias e vai ser descongelado uma hora antes do cliente o comer. Eu vou ao talho, logo pela manhã, escolher as peças de carne e, se for preciso, levo as ervas aromáticas que desejo colocar nos hamburgers. Não estou preso a lobbies ou influências menos boas, faço o que quero e de acordo com o que os meus clientes desejam”, afirma. E como ainda é relativamente novato nestas andanças, Tony Cruz não tem a ambição de fazer mil e uma variedades de crepes, o objetivo é fazer pouco, mas com classe, honestidade, qualidade e excelência. “Claro que, no início, é difícil alcançar-se a perfeição, mas quero descartar, ao máximo, os processos mecânicos, os molhos industriais, os legumes enlatados. Quero fazer as nossas carnes, os nossos molhos, as nossas massas, os nossos caramelos, os nossos casamentos de mel e medronho. Trabalhamos com aquilo que é nosso, porque temos comércio e fornecedores

62


Acácio Martins, Tony Cruz, Vítor Guerreiro e Marlene Guerreiro

suficientes para não irmos buscar comida aos espanhóis”, dispara, sem rodeios. “O «Crepe Algarvio» não pretende ser mais ou melhor do que os outros, apenas quer apresentar o que é algarvio e de forma simples. Não andamos aqui em nenhuma competição, o meu projeto é do coração, das emoções. Temos a Francesinha do Porto, a Feijoada à Transmontana, as

63

Tortas do Azeitão, o Leitão da Bairrada, agora, temos o Crepe Algarvio”, acrescenta, com um sorriso. Um «Crepe Algarvio» que vai sofrer mudanças também de acordo com o calendário porque vive dos produtos naturais, da época, frescos, nada de «invenções» congeladas. Por isso, a

ALGARVE INFORMATIVO #118


ementa do Verão vai ser, certamente, diferente daquela do Inverno, assim como poderão haver crepes especiais em consonância com o tema dos festivais onde Tony Cruz instalar a sua caravana. A ALGARVE INFORMATIVO #118

solução para os apreciadores de crepes, portanto, é estar com muita atenção e de olhos bem abertos, com a vantagem de que a figura catita de Tony Cruz até é bem fácil de vislumbrar à distância . 64


65

ALGARVE INFORMATIVO #118


REPORTAGEM

Milhares de visitantes reviveram passado histรณrico de Salir Texto:

ALGARVE INFORMATIVO #118

Fotografia:

66


67

ALGARVE INFORMATIVO #118


D

. Afonso III foi a figura central da edição deste ano do «Salir do Tempo», evento que durante três dias (21, 22 e 23 de julho) animou a vila de Salir com uma recriação histórica do momento em que o Algarve foi conquistado aos mouros. As ruas estreitas e íngremes que levam às ruínas do Castelo de Salir encheram-se de figuras de outros tempos, desde o monarca e a família real, aos cavaleiros e escudeiros, passando pelos nobres, clero, cortesãs, pela gente do povo e por um sem números de animadores, bobos da corte e bailarinas de dança do ventre. O resultado foi um ambiente social, político e militar da Idade Média bastante ALGARVE INFORMATIVO #118

fidedigno e que deixou de olhos arregalados os muitos turistas curiosos por ver, «ao vivo e a cores», um pedaço da História de Portugal. À sua espera estava um programa de animação repleto de torneios militares a pé e a cavalo e exposições de armas e falcoaria, a que se somavam dromedários, passeios de póneis, concertos de música medieval e recriações teatrais como «Cortejo Mourisco de Ibn Mahfuz», «Juízo de Alá», «Família de Mohamed Pão Duro Invade as Tabernas», «A Pedra da Moura Encantada», «Lavadeiras D’el Rei procuram Cavaleiros», «Cortejo da vitória de D. Afonso III e D. Paio Peres Correia» ou «Cortejo das Tochas pela alma dos guerreiros».

68


69

ALGARVE INFORMATIVO #118


O recinto estava bem definido por zonas: de um lado o acampamento militar de D. Paio Peres Correia, com uma exposição de máquinas de guerra; do outro lado, o acampamento militar mouro e harém de Ibn Mahfuz. Houve ainda o Castelo dos Infantes e Petizes (área infantil com o carrossel), ruas e vielas de artesãos e mercadores, a Praça dos Artistas e o Pátio dos Casamentos Clandestinos e Alguns Acasalamentos. Já nas Praças das Beberagens e do Sustento, a gastronomia, enquanto herança cultural, foi outro dos atrativos desta ALGARVE INFORMATIVO #118

70


71

ALGARVE INFORMATIVO #118


recriação e, para além das ementas, até mesmo os pratos ou copos foram apresentados em materiais da época. Os visitantes puderam encarnar o espírito da Idade Média através do aluguer de vestuário da época e o mercado medieval trouxe um realismo acrescido a uma vivência longínqua, com muitos produtos árabes – da bijuteria, vestuário e cabedais às decorações – mas também com a venda de produtos que eram a base alimentar da Idade Média. Realce ainda para a decoração do recinto e para a atuação de dezenas de performers que, em constante interação com o público, trouxeram momentos bem-humorados a um cenário que recuou vários séculos no tempo. ALGARVE INFORMATIVO #118

Em jeito de balanço, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, entidade organizadora deste evento, sublinhou o interesse da parte dos muitos visitantes que por aqui passaram na História e no património material e imaterial desta vila do Concelho de Loulé, fielmente recriada no «Salir do Tempo». Por outro lado, o autarca realçou o contributo de eventos como este para a dinamização desta vila do interior nestes dias, atraindo mais turistas para uma zona marcada pelos problemas de desertificação e envelhecimento da população .

72


73

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

74


75

ALGARVE INFORMATIVO #118


OPINIÃO

Pai, envia-me uma carta! Paulo Cunha (Professor)

“O

h pai, já tenho dez anos e nunca recebi uma carta!”, disse-me, um destes dias, a minha filha ao ver-me recolher as várias cartas (principalmente com faturas por pagar) que enchiam a caixa do correio. Obviamente, tal afirmação proferida em tom de desabafo, pôs-me a pensar sobre tudo aquilo que, já com a sua idade, eu sentia quando trocava cartas ou postais com os meus amigos e/ou familiares. Em si, todo o ato, composto pelo ritual de comprar os selos, os postais, o papel de carta, os envelopes e de seguida escrever as cartas de uma forma sentida, clara, sintética e correta, constituía um processo de aprendizagem e crescimento intelectual. Ao pincelarmos com palavras as folhas brancas, onde só as linhas delimitavam a cor das mensagens, cada um de nós via em cada carta recebida, por si só, um objeto que, pelo seu conteúdo, valia a pena guardar. Depois de escritas, obrigávamo-nos a lê-las e relê-las, por forma a descobrir se as mesmas chegariam ao destino redigidas num português escorreito e correto, e teriam, assim, a interpretação devida. Para além do conteúdo, a forma também interessava, e por isso apurávamos a caligrafia da letra e a sintaxe do texto. No fundo, através da correspondência escrita entre nós, exercitávamos muito do que aprendíamos então na escola. A comunicação digital e a transferência de dados entre diferentes sistemas computacionais veio agilizar, facilitar e tornar menos moroso e oneroso o processo de correspondência entre pessoas, retirando-lhe - por consequência - o charme e o encanto de todos os passos que compunham o procedimento de escrever e receber uma carta ou um postal. Em situações especiais podíamos complementar a escrita com desenhos nossos, com colagens, com postais perfumados, enfim… ALGARVE INFORMATIVO #118

podíamos, através do cheiro, da textura do papel e da forma da letra, perceber o estado de espírito do nosso correspondente. À volta de toda esta dinâmica comunicacional entre emissor e recetor, arrumávamos as cartas que, maço a maço, nos mostravam o grau de importância que certas pessoas tinham para nós. Retirávamos com todo o cuidado, em água tépida, os selos que, vindos de «fora», iriam aumentar e engradecer as nossas coleções filatélicas. Trocávamos postais ilustrados, onde as suas fotografias nos faziam imaginar e sonhar com os locais de proveniência dos mesmos. Hoje, sei que muitos educadores e professores, valorizando toda esta envolvência afetiva e relacional, continuam a estimular junto dos mais novos o gosto pela escrita de cartas em suporte físico (papel), pois dessa forma asseguram e acrescentam mais uma ferramenta promocional para a descoberta do prazer de escrever e de ler. Por isso mesmo, há duas semanas, escrevi a primeira carta à minha filha. Chegou à mesma morada de onde saiu e colocou nos dois (pai e filha) um sorriso pleno de emoção que se estendeu de orelha a orelha. A alegria foi tão grande que ela até pulou. Pudera, era a primeira carta que recebia numa década de existência! “Foi a minha primeira carta, pai… E agora?”. Com toda a naturalidade do mundo respondi-lhe: “Para haver correspondência tem que haver dois correspondentes que se correspondam (o que envia e o que recebe, e vice-versa). Portanto… penso que está tudo dito!”. Tendo-lhe dado todas as dicas para cumprir todos os passos estabelecidos, espero, um destes dias, receber uma carta para juntar às muitas que guardei ao longo da minha vida. E vós?... Também estão à espera de uma carta?. 76


77

ALGARVE INFORMATIVO #118


OPINIÃO Tanto livro para ler Da importância da crítica literária para o leitor comum Adília César (Escritora) “A crítica? Bem vê: nas circunstâncias em que me encontro, a crítica não me poderia ajudar. Ela de resto nunca ajuda um autor. Tende a fazer de mediadora entre uma linguagem e um entendimento. Ajudará o leitor”. (Herberto Helder, in Jornal de Letras e Artes, 17 de maio de 1964)

H

á quem diga que a «má literatura» não existe mas, de vez em quando, acontece ser um sacrifício ler certas «obras» até ao fim, por evidenciarem tão fraca qualidade. Existindo uma relação de respeito para com todos os intervenientes no processo de publicação do livro, desde a sua criação por parte do autor até à revisão, edição e distribuição, não sei, contudo, o que fazer com ele. Oferecê-lo? Deitá-lo fora? Ou escondê-lo dentro do Baú da Vergonha? E surge o velho problema: a ineficácia da crítica literária. De facto, escreve-se, publica-se, lê-se, comenta-se. Grandes editoras, pequenas editoras, edições de autor. Um boom literário. Tantos autores, tantas publicações, tantas editoras, redes sociais, jornais e revistas de referência… Já que não posso confiar nas editoras como instrumentos de rastreio de qualidade, onde estão as críticas pertinentes? Quem tem responsabilidade em relação à formação dos leitores? Faço as perguntas porque já sei as respostas. Existem alguns críticos e conhecedores, mas trabalham isoladamente. Não há movimentos de crítica literária que organizem os estudiosos e que aprofundem os fundamentos de estilos dos processos de crítica. Os leitores são atirados às feras de cada vez que lêem um livro. E dizer “gosto/não gosto” não chega, é preciso ir mais além no impacto do que se publica e na apreciação do que se lê. Vai longe o tempo da lucidez de António Sérgio, quando se esforçou por implementar um novo panorama para a crítica literária em Portugal, nos princípios do século XX. Outras circunstâncias mereceram destaque, pela agitação intelectual provocada: a «Renascença Portuguesa», a revista «A Águia», o «Inquérito à Vida Literária Portuguesa», por Boavida Portugal, as manifestações do Grupo Orpheu, diversos ensaios sobre o homem «português», como os estudos de José Leite de Vasconcelos, «A Arte de ser Português», de Teixeira ALGARVE INFORMATIVO #118

de Pascoaes e «Porque me orgulho de ser Português», de Albino Forjaz de Sampaio. E ainda os críticos: Fidelino de Figueiredo, o primeiro historiador da crítica literária em Portugal, primeiro crítico da crítica portuguesa e primeiro propugnador de uma «crítica científica» e o poeta Fernando Pessoa, que iniciou a sua carreira como crítico, além de Hernâni Cidade e Carolina Michaëlis. Mais tarde, outros nomes mereceram destaque: David Mourão Ferreira, Jorge de Sena, Mário Sacramento, Óscar Lopes, Eduardo Lourenço, Vergílio Ferreira. Nos anos 60, era urgente a discussão de métodos e teorias e a divulgação de nomes importantes da crítica literária, tendo surgido entretanto o incontornável Eduardo Prado Coelho. Longe vai esse tempo. Hoje, muitos estudiosos debruçam-se sobre as obras literárias, como historiadores, ensaístas, professores, filólogos, sociólogos, psicólogos, psicanalistas, arqueólogos, eruditos e curiosos. Um boom opinativo. Mas não são críticos literários, os quais devem preocupar-se com as características literárias da obra, com o repositório de significados que sobressaem da mesma, com um enfoque no texto propriamente dito, mais do que nos contextos, ou seja, considerar o texto como “um universo em si, contra a tendência (velha de séculos) para o considerar como um fim para” (in «O espaço crítico – do simbolismo à vanguarda», Ana Hatherly), tendo em conta o trabalho dos formalistas e estruturalistas. Como leitora que deseja apreciar uma obra dita literária, é natural que procure críticas nos jornais e revistas de referência. E a decepção é grande: opiniões sem fundamentos teóricos, exposições meramente biográficas, mais ou menos bem escritas, com extensas transcrições dos próprios textos do autor e que não acrescentam nada ao valor literário, à «voz» que as ditas obras possam evidenciar. É que se eu, enquanto leitora, não tiver acesso a boas críticas literárias, qualquer dia já nem sei o que é a Literatura . 78


79

ALGARVE INFORMATIVO #118


OPINIÃO Em férias desconectem-se se conseguirem! Antónia Correia (Professora)

A

s férias e os eventos de hospitalidade são tempos importantes onde é suposto quebrar as rotinas diárias e proporcionar a oportunidade de construir ou fortalecer relações humanizadas onde as tecnologias deixam de ser protagonistas, ou deveriam deixar de ser. No entanto, quando nos preparamos para ir de férias, nunca esquecemos de colocar na mala todos os devices que possuímos, manter a ligação ao mundo e entretenimento são as razões mais evocadas para carregar o quotidiano. O que acontece verdadeiramente se não utilizarmos este tipo de dispositivos durante as nossas férias? Conseguimos sobreviver? Claro que sim! Um pouco por todo o mundo surgem espaços que oferecem a desconectividade como um produto turístico. Este produto designado como «digital detox» é um período de tempo durante o qual uma pessoa se abstém da utilização de smartphones ou computadores, considerado como uma oportunidade de reduzir o stress ou focar na interação social e física. Nestes espaços, oferece-se o verdadeiro escape de rotinas diárias e a busca pela novidade. Os indivíduos capazes de abraçar estas experiências cruzam o limiar da sua vida doméstica para este momento especial que os desliga e desconecta das suas rotinas quotidianas, num espaço gratificante e às vezes desafiador.

ALGARVE INFORMATIVO #118

Alguns turistas começam agora a optar pela desconexão enquanto viajam, procurando um escape da constante conectividade, podendo este período ser visto como uma reabilitação terapêutica. Um estudo realizado sobre a propensão dos turistas portugueses abraçarem esta experiência mostra claramente que estamos muito longe de assumir esta elasticidade digital. Ansiedade, tensões, sentimento de insubstitubilidade e, sobretudo, a necessidade de fazermos das redes sociais o nosso diário de bordo, justificam a necessidade de nos mantermos ligados durante todas as férias. Por outro lado, as redes sociais assumem-se hoje como os principais veículos de promoção dos destinos, dificultando a promoção de «digital detox» tão indispensável para manter o nosso equilíbrio emocional. Os conflitos eminentes dificultam a comercialização de espaços turísticos «digital detox», mas esta reflexão espera-se que promova uma utilização dos devices durante as férias limitado, controlado e, sobretudo, para entretenimento. DIVIRTAM-SE E DESCONECTEM-SE! . Artigo desenvolvido com base na dissertação de mestrado de Bruno Sousa, Digital Detox.

80


81

ALGARVE INFORMATIVO #118


OPINIÃO A magia da atitude empreendedora Fábio Jesuíno (Empresário)

U

ma atitude empreendedora faz toda a diferença, transforma dificuldades em oportunidades e sonhos em realidades. Transformar o mundo ao nosso redor e realizar sonhos são duas características fantásticas do ser humano, sendo importante agir com um objetivo definido e sempre em busca da inovação. Os empreendedores bem-sucedidos veem, na maioria das vezes, atribuído o seu êxito à sorte ou a golpes de magia mas, na verdade, é consequência de várias posturas que os levam a tomar decisões e a escolher caminhos de sucesso. Partilho um exemplo de uma atitude empreendedora que tive em 2014 de uma situação menos boa que me aconteceu quando estava a ler um jornal. Depois de um dia de trabalho desafiante, tentei descontrair ao ler um jornal e, ao folhear as primeiras páginas, deparo-me com algo intrigante, uma publicidade sobre uma herdade que me pareceu familiar. Ao ver com mais atenção, verifiquei que a foto utilizada era da minha autoria e que tinha sido usada sem a minha autorização. Verifiquei que essa herdade pertencia a um dos principais grupos turísticos de Portugal, questionei para mim mesmo como um grupo daquela dimensão podia usar uma foto retirada na internet sem verificarem os direitos de autor, que neste caso estavam protegidos. A minha primeira reação foi de revolta, como é que um grupo hoteleiro, que fatura milhões de euros, tem procedimentos sem verificarem a legalidade do que estão a usar para comunicar? No dia a seguir, rapidamente montei uma estratégia. A primeira coisa que fiz foi entrar em contacto com o diretor da herdade e marcar uma reunião. No telefonema, deixei o meu interlocutor preocupado pelo erro que tinha acontecido. No dia da reunião, o diretor já estava à minha espera e

ALGARVE INFORMATIVO #118

visivelmente incomodado com a situação, esperava que eu iria pedir uma indemnização pelo sucedido. A reunião começou e, depois de uma breve apresentação, o diretor pediu desculpas, eu alerteio para o facto de que tinham feito algo ilegal e que dessa forma tinha de haver consequências. Prossegui, e mencionei que deviam ter mais cuidado com essas situações que claramente são pouco profissionais e que podem trazer aspetos negativos para a comunicação da organização. De seguida, mencionei que não tinha marcado a reunião para pedir nenhum proveito financeiro imediato e disse que, entre milhões de imagens disponíveis na internet, vi com agrado terem escolhido a minha, tendo nesse facto um bom gosto. Como queria nessa altura lançar um projeto ligado ao turismo, achei que aquela situação era uma oportunidade única para conseguir um parceiro estratégico. Foi nesse sentido que prossegui a minha reunião. Com o diretor a ouvir com atenção, propus uma parceria, que o surpreendeu, ficando muito agradado pela minha postura em desenvolver um projeto de colaboração a médio e longo prazo do que ter proveitos imediatos. Reza a história que esta atitude empreendedora permitiu criar oportunidades que tiveram proveitos para ambas as partes. Vejo com agrado que a atitude empreendedora está a crescer em Portugal, de acordo com o estudo realizado em 45 países, AGER 2016, da Amway Global Entrepreneurship Report, os portugueses tiveram um crescimento de 10 por cento, com 67 por cento dos inquiridos a mostrarem uma atitude positiva perante as temáticas do empreendedorismo. O desenvolvimento da atitude empreendedora é algo fundamental para uma sociedade desenvolvida e de sucesso . 82


83

ALGARVE INFORMATIVO #118


OPINIÃO

Não percam o farol do bom senso Carlos Gouveia Martins (Portimonense)

A

senhora Ministra do Mar e o Ministro da Defesa Nacional inovaram no Algarve. Numa altura em que o País e os portugueses, mas principalmente a democracia, pedem e necessitam de reformas, a Ministra Ana Paula Vitorino «reformou» a geografia nacional. O núcleo do Farol, na ilha da Culatra, é do Concelho de Faro mas, para o gabinete dos Governantes da Defesa e do Mar, passou para os vizinhos de Olhão. Foi nesta semana, dia 26 de julho, que a Ministra Ana Paula Vitorino e o Ministro José Azeredo Lopes erraram e envergonharam a seriedade e a ética do que deve ser e fazer um Governante. Quis a «partidarite», de ambos os Ministros do PS, que a assinatura do protocolo para a instalação do posto marítimo na Ilha do Farol (concelho de Faro!) fosse assinada, por cunho ou cunha, em Olhão e não no seu município. Não irei entrar em questões de bairrismo, rivalidades históricas que são conhecidas entre estes dois concelhos do sotavento algarvio, que tanto têm de bonito pela paixão que incorporam, como se perdem de razão por irracionais pensamentos dignos de alguns exemplos (dos maus!) das claques desportivas. Estas decisões e embirrações só podem ser aceites para fanáticos. Nunca poderá ser aceite para um Ministro de um Governo de Portugal. Faro é Faro e a Olhão o que é de Olhão. O orgulho algarvio é algo que só nós, os que nasceram ou escolheram ter o privilégio de viver sendo algarvios, sentem. Sabemos isso. Sentimos isso. Sabemos que uma assinatura de um protocolo feito em território regional é sentida

ALGARVE INFORMATIVO #118

com orgulho pelo meio milhão de todos nós. Tudo bem, senhora Ministra, aí acertou! Mas, resvalar ao ponto de roçar a falta de respeito para com um município, por acaso nossa capital de distrito, é lamentável e constitui um exemplo de como «Não fazer em Política». Há algo que todos os tiffosi deste Governo, os únicos que conseguem, plenos de cegueira partidária, defender esta atitude errática que revestiu esta assinatura de protocolo em Olhão, terão que ouvir e aceitar: Foi uma decisão facciosa deste Governo e porventura uma escolha com tendência partidária. Que ninguém coloque em causa a boa vontade do Presidente da Câmara Municipal de Olhão, como improvisado anfitrião do que não é. Como também acho que ninguém deve criticar a ausência do verdadeiro anfitrião, o Presidente da Câmara Municipal de Faro, cujo convite feito seria para assinar algo do seu município fora dele. São, de todos os intervenientes, aqueles dois que menos culpa têm no cartório. Mas, como algarvios que somos, sejamos positivos: Afinal, Faro esteve representado nesta sessão! O farense, e Secretário de Estado das Pescas da Ministra do Mar, José Apolinário, atual Presidente da Assembleia Municipal de Faro, esteve presente. Talvez tenha sido esta a reserva de pensamento de quem escolheu este local para assinatura do protocolo. Enfim… O Farol, de Faro e o do bom senso, esses dois, ficaram definitivamente longe desta decisão do Governo de Portugal. Geograficamente e eticamente… foi mesmo ao lado .

84


Do Barlavento ao Sotavento

Não percam o farol do bom senso Diogo Agostinho (Farense)

G

osto pouco da intrigalhada partidária. Não acrescenta nada e as pessoas estão cansadas da clubite. A lógica de ver tudo com óculos rosa ou laranja não pode vingar. Não pode mesmo, se quisermos a construção de um país mais coeso e mais plural. É que não estamos a falar da bola entrar na baliza ou do árbitro não assinalar um penalty ou fora de jogo. Fora de jogo andam os políticos que olham para a política desta forma. Ver essa lógica aplicada a quem nos governa então é de lamentar. Neste país, tão pródigo em cerimónias, (é incrível o que gastamos em festas e discursos de treta), agenda-se mais uma cerimónia para a respetiva assinatura do protocolo para a instalação do posto marítimo na Ilha do Farol. Até aqui tudo bem. Tema importante, com a receita de sempre. Mais umas rubricas e uns discursos. Todos aprumados e prontos para uma enorme seca. Portanto, mais do mesmo. Acontece que a assinatura para a instalação do posto marítimo na ilha do Farol, pertencente ao Concelho de Faro, foi em… Olhão. Eu já nem vou pela questão da rivalidade Faro e Olhão. Eu vou pela questão da lógica. Mas faz algum sentido isto? Assinar um protocolo em Olhão sobre uma questão de Faro? E depois não querem que as pessoas não digam que tirando Lisboa o resto é paisagem. Mas é que é mesmo. Temos um protocolo para assinar, então tanto faz entre Olhão e Faro. Também, é tudo lá para os Algarves, agora estar a pensar muito em lógicas e respeito pelo Concelho devido dá muito trabalho. Lamento.

85

Não me interessa a teoria de que o Governo favorece Olhão por ser do Partido Socialista. Não quero acreditar nessa teoria. Não quero mesmo. O Governo de Portugal não pode ter preferências. E não acredito nesta teoria pois a Ministra em causa, Ana Paula Vitorino, conta com um Secretário de Estado, José Apolinário, que tem a obrigação de explicar onde fica Faro, ou pelo menos conhecer o seu território. Infelizmente observamos que a política é feita hoje para o show-off e com pouco rigor. É tudo assim. Feito no joelho, sem critério, nem respeito. O que conta é fazer um boneco giro, com os mais próximos e dar um bom momento na TV. E depois não querem que as pessoas deixem de acreditar na política e nos políticos? É difícil. Isto não é um tema de enorme gravidade. É o que é, relativo. Mas, cada vez mais relativizamos tudo. E ao relativizarmos tudo perdemos a noção do senso. Do bom senso. Na vida, como na política, não vale tudo. Não há eleições que nos façam perder a noção e o respeito pelos cidadãos. Mas que fique bem claro: a ilha do Farol (fantástica por sinal, recomendo a quem não conheça que visite) é de Faro. E vai continuar a ser. Não há protocolo, Ministra ou farol que nos mude cada metro quadrado no concelho. E não se esqueçam que Faro é Faro .

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

86


87

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

FESTIVAL DO CONTRABANDO JÁ TEM DATAS PARA 2018

O

Festival do Contrabando conseguiu, logo na primeira edição, registar a afluência de milhares de visitantes, as ruas encheramse de pessoas e a animação foi muita, com a oportunidade única de realizar a travessia pedonal do Rio Guadiana. As datas da segunda edição já foram, entretanto, anunciadas pela Câmara Municipal de Alcoutim, com o evento a acontecer nos dias 23, 24 e 25 de março de 2018. A realização deste festival integra-se numa estratégia de desenvolvimento turístico do concelho, assente na promoção do património natural, histórico, gastronómico e cultural, onde as vilas de Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana se «vestem» a rigor e ALGARVE INFORMATIVO #118

proporcionam aos visitantes um variado cartaz de eventos culturais, espetáculos de música, teatro, artes e ofícios tradicionais, arte circense, animação musical, personagens como os contrabandistas e guardas-fiscais a passear pelas ruas, workshops de ofícios tradicionais, Jornadas do Contrabando, Concurso de Fotografia. A tudo isto soma-se a visita a monumentos da história da região e do contrabando e muita mais animação, tendo sempre presente a beleza e imponência do Rio Guadiana. Os Sabores da Serra e do Rio são mais uma das propostas deste festival, apreciar a diversidade que a gastronomia local oferece nesta época do ano e encontrar os doces tradicionais, sabores autênticos e inconfundíveis .

88


ALUNOS DE MEDICINA DA UALG FIXAM-SE COMO MÉDICOS NO ALGARVE

O

ito alunos que terminaram o Mestrado Integrado em Medicina, na Universidade do Algarve, no ano letivo 2015/2016 e que realizaram, em novembro do ano transato, a prova que garante o acesso à especialidade, encontram-se neste momento a exercer funções em unidades hospitalares espalhadas por todo o Algarve. Com especialidades que vão da Anestesiologia à Radiologia, passando pela Medicina Geral e Familiar e pela Urologia, são cada vez mais os que escolhem a região algarvia para desenvolver a sua carreira profissional. Para Bruno Morgado, antigo aluno do curso de Medicina da UAlg, atualmente a desenvolver funções no Centro Hospitalar do Algarve, as razões da escolha são evidentes: “É do conhecimento de todos que os hospitais dos grandes centros estão saturados de internos. Em determinadas especialidades cirúrgicas, os internos chegam ao fim dos seis anos de especialidade sem o número mínimo de cirurgias para a concluírem. Os hospitais distritais têm menos internos e proporcionam melhores oportunidades de aprendizagem, além de oferecerem a possibilidade de realizar estágios noutros locais de modo a aprimorar a técnica e aprofundar conhecimentos”. No entanto, também o sol do Algarve e as suas belas praias parecem constituir um indiscutível argumento no momento 89

da escolha. Como confirma o médico, a especializar-se em urologia, a qualidade de vida proporcionada pela região é também um dos fatores a pesar na balança. “O Algarve em geral, e Faro em particular, tem praticamente tudo o que uma capital tem, com uma maior proximidade, o que liberta mais tempo para estudar ou para atividades de lazer”, salienta, destacando ainda a possibilidade de se associar com a Universidade, aliando-se a “um projeto de elevada qualidade, extremamente bem orquestrado e único na esfera da educação médica portuguesa”. O médico também não poupa elogios ao Curso de Medicina da Universidade do Algarve, por ter uma “formação sólida, sem par em Portugal” e uma “excelente formação básica proporcionada por um método inovador”. A Bruno Morgado juntam-se mais sete médicos que garantem que, se as pessoas conhecessem a fundo este projeto já sedimentado e com provas dadas, não teriam problema em relocalizarse para o Algarve . ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

O MELHOR FESTIVAL INTERNACIONAL DO CARACOL DE SEMPRE

A

X edição do Festival Internacional do Caracol registou o maior sucesso de sempre e, durante três dias, de 21 a 23 de julho, milhares de pessoas passaram pelo Revelim de Santo António, consolidando a nova data do Festival, que antes acontecia no mês de maio. Respondendo ao que já nos habitou noutras edições, neste Festival estiveram os melhores aromas e sabores do afamado petisco do caracol, trazidos pela mão dos talentosos cozinheiros das associações e clubes aderentes e dos chefs de cozinha de Espanha, França e Marrocos, que fizeram equipa, no balcão internacional, com o chef Abílio Guerreiro, formador da Escola de ALGARVE INFORMATIVO #118

Hotelaria e Turismo do Algarve, num trabalho de fusão de paladares. A internacionalidade do cartaz cultural também marcou esta edição, com espaço para a música portuguesa, francesa, espanhola e marroquina. De Portugal, o grupo popular «Os Vocalistas», o projeto «Amar Guitarra», de Pedro Mendes, João Cuña e Luís Fialho, num deslumbrante diálogo entras as suas guitarras em diversos estilos musicais, e «Sangre Ibérico», banda portuguesa que funde a tradição musical lusa ao flamenco. A destacar ainda o concerto da Banda Musical Castromarinense, a representação de Castro Marim em palco. A França foi apresentada pela atuação do professor e bailarino Michel 90


Sapateado, também considerado por muitos como o pai do sapateado em Portugal. O grande concerto de sábado foi de Raúl Rodriguez, produtor, compositor, cantor e guitarrista espanhol, filho da reconhecida cantora Martirio. De Marrocos, o som e a dança do grupo grupo Al-Bashirah, com música árabe e oriental, composto também por músicos da Síria, que reúnem as diferentes escolas de música andalusí e as diferentes culturas musicais do mundo árabe.

Aos ingredientes do Festival Internacional do Caracol juntou-se a excelente localização do evento, na Colina do Revelim de Santo António, em Castro Marim, um miradouro privilegiado para o território, com visibilidade a 360º. Grande estímulo ao comércio local e coletividades locais, que se fazem representar nas tasquinhas do evento, o Festival Internacional do Caracol tem o propósito de afirmar Castro Marim como destino dos melhores caracóis do Algarve e potenciar os produtos tradicionais, a cozinha e a cultura mediterrânicas .

CONCLUÍDA REQUALIFICAÇÃO DO RECREIO DO CENTRO ESCOLAR DE ALTURA

A

Câmara Municipal de Castro Marim levou a cabo a requalificação do recreio do Centro Escolar de Altura, num investimento de cerca de 40 mil euros. A intervenção consistiu em diversos trabalhos, que resultam numa clara melhoria das condições de segurança, acessibilidade e conforto do parque, designadamente a ampliação da plataforma pavimentada, construção de rampas de acesso ao espaço, criação de uma estrutura de ensombramento maior, melhoria das condições de saída em caso de emergência O renovado recreio é também um espaço dotado de grande flexibilidade, constituindo uma estrutura que procura integrar diferentes lógicas de fruição, com zonas de estadia e áreas de jogo. 91

“Embora o Centro Escolar de Altura, inaugurado em 2009, se apresentasse arrojado na arquitetura e equipado com tecnologia de topo, executado segundo pareceres da Direção Regional de Educação, evidenciou desde logo a necessidade de zonas de sombreamento e a eliminação de alguns elementos construídos em betão. O compromisso assumido em 2013 por este executivo foi agora concretizado, depois de mais um longo calvário processual. Só esperamos agora uma maior alegria dos profissionais daquele estabelecimento e um convívio mais seguro e livre das crianças que por ali passam”, sublinhou a vice-presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Filomena Sintra .

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

CINE-TEATRO LOULETANO RECEBEU ESTREIA NACIONAL DE «THAT GOOD NIGHT»

«T

hat Good Night», a película protagonizada por John Hurt e que foi rodada na região algarvia, em particular no Concelho de Loulé, estreou no território nacional no passado sábado, no Cine-Teatro Louletano. Para além de um público entusiasta, o momento contou com figuras ligadas à sétima arte, entre as quais Alan Lathan, produtor desta película. «That Good Night», da GSP Studios, foi um dos últimos filmes do aclamado ator Sir John Hurt, falecido recentemente, e que irá mostrar Loulé em todo o mundo. Locais como a Zona Histórica da cidade de

ALGARVE INFORMATIVO #118

Loulé ou zonas rurais como a localidade do Monte Seco são alguns dos pontos que servem de cenário ao filme que retrata o reencontro entre pai e filho. Para além de Sir John Hurt, fazem parte do elenco Sophia Helin, Max Brown e Erin Richards, sob a realização de Eric Styles. Durante a edição deste ano do Festival de Cannes, «That Good Night» esteve em destaque no Cinema Olympia, no âmbito do Festival de Cannes. A produção contou com o apoio da Câmara Municipal de Loulé, através do Loulé Film Office, e contribuirá para a promoção do Concelho já que será exibido internacionalmente .

92


RECLUSOS DO ESTABELECIMENTO PRISIONAL DE OLHÃO PINTAM ESTÁDIO MUNICIPAL

U

m grupo de reclusos do Estabelecimento Prisional de Olhão está a proceder, até 4 de agosto, à pintura do Estádio Municipal de Olhão. Os trabalhos incidem na pintura externa do equipamento, com particular incidência na vedação. Esta atividade resulta de um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Olhão e a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, assinado em fevereiro passado. A colaboração entre as duas entidades, que se insere na política de reinserção social e gestão articulada dos sistemas tutelar educativo e prisional da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, concretiza-se, na prática, na disponibilidade por parte do Município 93

em colaborar na reintegração de cidadãos que se encontram a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Olhão. Nesta perspetiva, os reclusos têm oportunidade de executar tarefas ao serviço da Autarquia de Olhão, sejam de manutenção geral, limpeza, arranjos exteriores, ou outros trabalhos considerados necessários. Este é um modelo de cooperação já testado no passado com resultados animadores. De recordar que os trabalhos de pintura do Pavilhão Municipal que decorreram o ano passado foram executados por reclusos do Estabelecimento Prisional de Olhão, bem como uma ação de limpeza da Ilha da Armona, que ocorreu no final de maio .

ALGARVE INFORMATIVO #118


ATUALIDADE

MERCADO FORA D’HORAS PREPARA ÚLTIMA SESSÃO DEDICADA À VISÃO

A

última das três noites temáticas de 2017 do «Mercado Fora d’Horas» tem lugar, a 9 de agosto, maus uma vez no Mercado Municipal de Silves, desta feita sobre a Visão e com um programa dedicado à cultura visual. Depois de se terem sentido os cheiros e nuances das ervas aromáticas e ouvido o som dos legumes e da palavra, de se ter passeado por entre as bancas animadas e descoberto que o Mercado Municipal de Silves pode surpreender e converter-se num espaço de arte e cultura, mas também de confraternização, diversão e encontro, vai-se agora aprender a Olhar para a cultura através da comida e deliciar-se com belas iguarias. O «Mercado Fora d'Horas» é um evento gastronómico sobre cultura local e teve ALGARVE INFORMATIVO #118

origem num projeto de design comunitário, «Consumirlocal», que explora como o design pode auxiliar a comunidade a relacionar-se com os espaços de consumo. Foi concebido no âmbito do Mestrado Design Comunicação para Turismo e Cultura- UAlg-ESEC da Universidade do Algarve, de autoria de Alexandra Santos, sob a orientação de Joana Lessa, Phd. No decorrer do evento misturam-se valores tradicionais com criações contemporâneas, em ações de sensibilização sobre as tradições dos mercados municipais no contexto mediterrânico. O foco da mensagem que se pretendem passar aos visitantes são as tradições alimentares, a cultura local e os produtos de proximidade.

94


DOAÇÃO ENRIQUECEU ESPÓLIO DA CASA-MUSEU JOÃO DE DEUS

O

acervo da Casa-Museu João de Deus foi enriquecido com uma doação de bens culturais, peças de mobiliário, obras de arte e decorativas, pertencentes à Fundação Maria Guilhermina de Deus Ramos Soares Lopes, de Lisboa. O ato solene de entrega da doação teve lugar em junho e os objetos passam agora por um processo de triagem e tratamento, de modo a posteriormente serem musealizados e incorporados na exposição permanente deste equipamento cultural. As peças doadas pertenciam à Fundação Maria Guilhermina Ramos Soares Lopes, fundação criada em memória de uma das

95

netas do poeta e pedagogo João de Deus, que no início do ano de 2017 manifestou o seu interesse em doar à Casa-Museu da terra natal do autor diversos bens culturais, dos quais se destaca uma escrivaninha do séc. XIX, peça singular pertencente à família do poeta. Entre os bens doados encontramse ainda objetos de carácter decorativo e de arte, como um tinteiro e um desenho a carvão retratando as netas do poeta, as três filhas de João de Deus Ramos Júnior: Maria Guilhermina de Deus Ramos, Maria da Luz de Deus Ramos e Maria Joana de Deus Ramos. Desta doação fazem igualmente parte inúmeras primeiras edições de obras de João de Deus .

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

96


97

ALGARVE INFORMATIVO #118


DIRETOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina (danielpina@sapo.pt) CPJ 5852 Telefone: 919 266 930 EDITOR: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina SEDE DA REDAÇÃO: Rua Estrada de Faro, Vivenda Tomizé, N.º 12P, 8135-157 Almancil Email: algarveinformativo@sapo.pt Web: www.algarveinformativo.blogspot.pt PROPRIETÁRIO: Daniel Alexandre Tavares Curto dos Reis e Pina Contribuinte N.º 211192279 Registado na Entidade Reguladora para a Comunicação Social com o nº 126782 PERIODICIDADE: Semanal CONCEÇÃO GRÁFICA E PAGINAÇÃO: Daniel Pina FOTO DE CAPA: Vítor Pina

A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista regional generalista, pluralista, independente e vocacionada para a divulgação das boas práticas e histórias positivas que têm lugar na região do Algarve. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista independente de quaisquer poderes políticos, económicos, sociais, religiosos ou culturais, defendendo esse espírito de independência também em relação aos seus próprios anunciantes e colaboradores. A ALGARVE INFORMATIVO promove o acesso livre dos seus leitores à informação e defende ativamente a liberdade de expressão. A ALGARVE INFORMATIVO defende igualmente as causas da cidadania, das liberdades fundamentais e da democracia, de um ambiente saudável e sustentável, da língua portuguesa, do incitamento à participação da sociedade civil na resolução dos problemas da comunidade, concedendo voz a todas as correntes, nunca perdendo nem renunciando à capacidade de crítica. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelos princípios da deontologia dos jornalistas e da ética profissional, pelo que afirma que quaisquer leis limitadoras da liberdade de expressão terão sempre a firme oposição desta revista e dos seus profissionais. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista feita por jornalistas profissionais e não um simples recetáculo de notas de imprensa e informações oficiais, optando preferencialmente por entrevistas e reportagens da sua própria responsabilidade, mesmo que, para tal, incorra em custos acrescidos de produção dos seus conteúdos. A ALGARVE INFORMATIVO rege-se pelo princípio da objetividade e da independência no que diz respeito aos seus conteúdos noticiosos em todos os suportes. As suas notícias narram, relacionam e analisam os factos, para cujo apuramento serão ouvidas as diversas partes envolvidas. A ALGARVE INFORMATIVO é uma revista tolerante e aberta a todas as opiniões, embora se reserve o direito de não publicar opiniões que considere ofensivas. A opinião publicada será sempre assinada por quem a produz, sejam jornalistas da Algarve Informativo ou colunistas externos.

ALGARVE INFORMATIVO #118

98


99

ALGARVE INFORMATIVO #118


ALGARVE INFORMATIVO #118

100

ALGARVE INFORMATIVO #118  

Revista semanal de http://algarveinformativo.blogspot.pt/

ALGARVE INFORMATIVO #118  

Revista semanal de http://algarveinformativo.blogspot.pt/