__MAIN_TEXT__
feature-image

Page 1


LIVRO

500 Anos do Correio em Portugal

PVP: 40,00€ Da autoria de Fernando Moura, surge com o propósito de comemorar os 500 anos de história do Correio em Portugal revelando a forma como os serviços postais responderam às mais diversas solicitações que a sociedade colocava em cada momento histórico. Edição numerada e autenticada, com uma tiragem limitada a 4500 exemplares, contém 22 selos e 4 blocos das emissões 500 Anos do Correio em Portugal (2016-2020), com o valor facial de 23,08€.

2


DIRECTOR António Cunha Vaz D I R E C TO R A E X E C U T I VA Sofia Arnaud

S U M Á R I O CONTENTS

DIRECTOR DE ARTE Miguel Mascarenhas COL ABORAM NESTA EDIÇÃO André Pipa, António Costa, Arturo Arriagada Castro, Daniel Traça, David Azevedo Lopes, Diego Arvizu, Diogo Belford Henriques, Duarte Marques, Helena Silva, João Fernandes, João Vacas, José M. García Villardefrancos, José Tavares de Almeida, Luis Avellaneda Ulloa, Manuel Lemos, Maria José Argaña Mateu, Marlene Fernández F., Miguel Braga, Paula Gomes Freire, Pedro Duarte, Pedro Filipe, Raúl Moreira, Sarah James, Sebastião Bugalho, Sofia Rainho e Vasco Rato TRADUÇÃO Outernational, Unipessoal Lda. PUBLICIDADE Telf.: 210 120 600 IMPRESSÃO Soartes Artes Gráficas, Lda. Rua A. Cavaco - Carregado Park, Fracção J Lugar da Torre, 2580-512 Carregado PROPRIETÁRIO E EDITOR Cunha Vaz & Associados – Consultores em Comunicação, SA NIF 506 567 559 CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO António Cunha Vaz (Presidente) António Estrela Ribeiro (Vice-Presidente) Francisco de Mendia (Vogal) Ricardo Salvo (Vogal) DETENTORES DE 5% OU MAIS DO CAPITAL DA EMPRESA António Cunha Vaz SEDE DO EDITOR E DE REDACÇÃO Av. dos Combatentes, n.º 43, 12º 1600-042 Lisboa CRC LISBOA 13538-01 REGISTO ERC 124 353 DEPÓSITO LEGAL 320943/10 PERIODICIDADE Trimestral TIRAGEM 3500 Exemplares

ESTATUTO EDITORIAL

8 OPINIÃO | OPINION António Costa, Jornalista no ECO | Journalist at ECO 10 ENTREVISTA | INTERVIEW Eduardo Jesus, Secretário Regional de Turismo da Madeira | Regional Secretary for Tourism of Madeira 26 ACTUALIDADE | NEWS Eleições Presidenciais Estados Unidos 2020 | US Presidential Elections 2020 30 PRESIDÊNCIA PORTUGUESA UE | PORTUGUESE PRESIDENCY EU João Vacas, Consultor Abreu Advogados | Consultant at Abreu Advogados 32 NACIONAL | NATIONAL Eleições Presidenciais 2021 | Presidential Elections 2021 36 ADVOCACIA | LAW Paula Gomes Freire, Sócia VdA-Vieira de Almeida | Partner at VdA-Vieira de Almeida 38 NACIONAL | NATIONAL Duarte Marques, Deputado PSD | PSD Member of Parliament 40 ENSINO | EDUCATION Daniel Traça, Director da Nova School of Business and Economics | Director of Nova School of Business and Economics 44 TERCEIRO SECTOR | TERTIARY SECTOR Manuel Lemos, Presidente da União das Misericórdias Portuguesas | President of União das Misericórdias Portuguesas 46 RETALHO | RETAIL David Azevedo Lopes, Presidente da AEON Japão | President of AEON Japan 48 TECNOLOGIA | TECHNOLOGY Pedro Duarte, Presidente do Conselho Estratégico para a Economia Digital da CIP | Quadro dirigente da Microsoft | President of the Strategic Council for the Digital Economy of the Portuguese Industry Confederation (CIP) | Top manager at Microsoft 50 AUTOMÓVEL | AUTOMOBILE Helena Silva e Miguel Braga, Direcção do CEiiA | CEiiA Board

52 TURISMO | TOURISM João Fernandes, Presidente da Região de Turismo do Algarve | President of the Algarve Tourism Region 54 DESPORTO | SPORTS Futuro do Jornalismo Desportivo | The Future of Sports Journalism 58 EMPRESA EM DESTAQUE | FEATURED COMPANY CTT, 500 Anos do Correio em Portugal | 500 Years of Postal Services in Portugal 70 INTERNACIONAL | INTERNATIONAL • Angola | Angola Pedro Filipe, Secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social | Secretary of State for Labor and Social Security • Guiné-Bissau | Guinea Bissau José Tavares de Almeida, Senior Manager CV&A • Moçambique | Mozambique Sarah James, Responsável de Comunicação da Fundação Aga Khan | Head of Communications at Aga Khan Foundation 80 DIPLOMACIA | DIPLOMACY Maria José Argaña Mateu, Embaixadora do Paraguai em Portugal | Paraguayan Ambassador in Portugal 84 IBERO-AMÉRICA | IBERO-AMERICA • Chile Arturo Arriagada Castro, Sócio da Latinmedia Comunicaciones | Partner at Latinmedia Comunicaciones • México | Mexico Diego Arvizu, CEO da Arvizu Comunicación Corporativa | CEO of Arvizu Corporate Communication • Espanha | Spain José M. García Villardefrancos, Director Grupo Albión | Director at Grupo Albión • Costa Rica Marlene Fernández F., Directora Geral da Agência Interamericana de Comunicación | General Director of the Inter-American Communication Agency • Peru Luis Avellaneda Ulloa, Director Gerente Realidades Comunicaciones-PR | Managing Director of Realidades Comunicaciones-PR

R EV I ST A C O R P O R AT IV A D A CV & A

www.revistapremio.pt/estatuto

3


EDITORIAL

ANTÓNIO CUNHA VAZ, PRESIDENTE DA CV&A CHAIRMAN AT CV&A

A VÉSPERA THE EVE

O

dia anterior a algo, desejado ou não, acontecer é sempre relevante. E este número da Prémio é o último deste ano sendo, pois, também, o de véspera de ano novo. E que ano se avizinha. A CV&A, proprietária da Prémio, cumpre dezoito anos de vida. Um percurso como todos. Com percalços, que nos reforçaram, com profissionalismo, dentro e fora do país de origem, com dedicação, sempre com um objectivo: Servir Melhor! E este número da Prémio é, também, o de uma certa véspera de vários acontecimentos importantes para o mundo. As eleições presidenciais nos Estados Unidos da América avizinham-se, as Presidenciais portuguesas, também, as pré-campanhas autárquicas estão a aquecer motores – e a escolha de candidatos dá que falar dentro dos partidos políticos. Na sociedade civil as vésperas são várias. A mais importante, até pelo tempo que se vive no momento em que escrevo este texto, é a da “vacina para o COVID 19”. Mas há as vésperas do fim das moratórias, as vésperas de mais um fim do ano escolar presencial e do regresso às aulas online, de mais desemprego e mais encerramento de empresas. Pelo Mundo fora as vésperas também se fazem sentir, empresarial, política e socialmente. Do Reino Unido aos Estados Unidos, do Líbano a Israel – com os recentes acordos mediados por Trump a darem alento aos que 4

T

he day before something we wish for, or not, is always relevant. This issue of Prémio is the last of the year and so, therefore, the new year’s eve issue. And what a year that lies ahead! CV&A, the owner of Prémio, celebrates eighteen years of age. A journey like many others. With mishaps, that only makes us stronger, with professionalism, inside and outside the country of origin, with dedication, always with a purpose in mind: to serve better! And this issue of Prémio represents also the issue of a certain eve of many important events in the world. The presidential elections in the United States of America are approaching as well as the Portuguese presidential elections, the pre-campaigns for the local elections are heating the engines - and the choice of candidates is generating a big fuss inside the political parties. In civil society, there are also many eves to factor in. The most important, considering the times we are going through and as I write this text, is that of the “vaccine for COVID 19” whose eve we hope will be here soon. But we will have other eves such as the end of the moratoriums, the eve of the end of another school year with face-to-face teaching and the return to online classes, the eve of more unemployment and more company closures. Around the world, there are also many eves in business and in the political and social spheres: From the United Kingdom to the United States, from Lebanon to Israel - with


EDITORIAL acreditam na Paz -, da Índia ao Brasil - com o COVID 19 como pano de fundo -, passando pelos problemas com o estado islâmico em Moçambique, com a crise mundial do petróleo, com os refugiados e migrantes ilegais e a impotência do mundo ocidental, dito desenvolvido, para lidar com situações cada vez mais imprevisíveis, culminando na União Europeia que tenta sê-lo mas se fica por aí e na Organização das Nações Unidas que, manietada pelo seu sistema interno que remonta ao tempo da sua criação, não tem os meios e a força necessários para construir um mundo melhor. No meio de todas estas importantes realidades a vida vai continuando e a esperança assenta em outros amanhãs que cantem e que o façam de forma mais alegre do que as vésperas anunciam. Os negócios das empresas vão-se fazendo. Lentamente, titubeantemente, uns empresários vão lutando para sobreviver, outros, com um sentido de responsabilidade social mais apurado e com empresas mais sãs, fazem um esforço hercúleo para garantir postos de trabalho, prescindindo de dividendos e de bónus, não recorrendo a moratórias para pagamento de impostos e prestações à segurança social – porque mais tarde irão ter que pagá-las, a globalização funciona em plataformas electrónicas, as viagens reduziram-se ao mínimo obrigatório e estes três meses de véspera de final de 2020 ditarão muito do que serão as contas empresariais com que se entrará em 2021. 2019 terminou tarde, do ponto de vista de apresentação de contas – pois houve um prazo alargado para as depositar – mas terminou bem para a CV&A. De entre as empresas do sector que apresentam contas, como dita a lei, a CV&A destaca-se na liderança. Quem dúvidas tiver só tem que pedir os dados a fonte oficial e compará-los. Sabe bem liderar um sector. Mas traz muita responsabilidade. Liderar o crescimento um sector durante três anos consecutivos é obra, mas liderar absolutamente um sector é uma responsabilidade. Quando se lidera parece que se está na véspera de se deixar de liderar. Por esta razão transmito sempre aos trabalhadores, em nome o Conselho de Administração da empresa, a verdade de La Palisse: quem está em primeiro só pode perder. Quem está atrás pode chegar a primeiro. É, pois, necessário que 2020 seja um ano em que continuemos focados até ao fim para que não se torne na véspera da perda da liderança. E esta foi particularmente saborosa em 2019. A CV&A só tem uma marca. Outros operam com várias marcas por razões que apenas aos mesmos dizem respeito. No mercado português, a CV&A é líder, mesmo comparada com concorrentes que têm várias marcas e que podem, legitimamente, somar as facturações de todas elas. Falo, claro, daquelas empresas que cumprem a lei e apresentam contas. Mas há mais: para grande orgulho nosso o peso de verbas oriundas do Estado (Central, Regional ou Local) na facturação da CV&A não ultrapassa 1% do total da facturação. Isto apenas quer dizer que há muito mercado por onde crescer.

the recent agreements mediated by Trump encouraging those who believe in Peace -, from India to Brazil - with COVID 19 as the backdrop -, through problems with the Islamic state in Mozambique, the world oil crisis, refugees and illegal migrants and the helplessness of the western world, the said developed world, to deal with increasingly unpredictable situations, all the way to the European Union, that tries to stand for union but ends right there, and the United Nations, which, hampered by its internal system that dates back to the time of its creation, does not have the necessary means and strength to build a better world. Amid all these important realities, life goes on and hope rests on other tomorrows that may bring more joy than each of the coming eves. Companies keep doing business. Slowly, hesitantly, some entrepreneurs are struggling to survive, while others, with a more refined sense of social responsibility and with healthier companies, engage in a herculean effort to secure jobs, giving up dividends and bonuses, without resorting to moratoriums to pay both taxes and social security contributions - as they will have to pay them later. Globalization works on electronic platforms, travel is reduced to the utmost necessary and these three months on the eve of the end of 2020 will dictate to a great extent how the corporate accounts will be when we enter 2021. 2019 ended late, from the point of view of financial statements - as there was an extended deadline to submit them - but it ended well for CV&A. Among the companies in the sector that submit their legally required financial statements, CV&A is in the leading position. Should you have any doubts just check the data next to the relevant official source and compare them. It feels good to be in the leading position in a sector. But it brings a lot of responsibility with it. Leading growth in a sector for three consecutive years is remarkable, but being the absolute leader in a particular sector is a responsibility. When we lead we feel we might be on the eve of stop leading. That is why I always tell my workers, on behalf of the company’s Board of Directors, the following La Palisse truth: whoever is in first place is poised to lose. Whoever lags behind can reach first place. It is therefore necessary that we remain focused in 2020 until the end in order to prevent this year from becoming the eve of the loss of leadership. And such leadership was particularly pleasant in 2019. CV&A has only one brand. Others operate with several brands for reasons that only concern them. In the Portuguese market, CV&A is a leader, even compared to competitors that have several brands and are able, in their own right, to add up the revenue of all combined. I mean, of course, companies that comply with the law and submit their financial statements to the relevant authorities. But there is more: we pride ourselves for having a percentage of Government funds (Central, Regional or Local Government) in CV&A’s revenue that does not exceed 1% of the total revenue. This means that there is a big market out allowing companies to grow. The international market in which we operate has 5


EDITORIAL

“OS NOSSOS CLIENTES, COM EXCEPÇÃO DE UM, T I V E R A M PA R A C O N N O S C O U M A AT I T U D E E X C E P C I O N A L . CREIO QUE RETRIBUÍMOS N A E X A C TA M E D I DA E A S S I M C O N T I N U A R E M O S A F A Z E R .”

O mercado internacional em que operamos voltou a reactivar-se, tendo representado cerca de 35% da facturação de 2019 e estamos crentes que esse número foi apenas a véspera de melhores números em 2020 e nos anos que se seguem. Angola, Brasil, Guiné-Bissau e Moçambique têm sido apostas interessantes e alguns passos foram dados em mercados latino-americanos. Espanha e Colômbia continuam com um crescimento sustentado e a actividade no país vizinho e a experiência de trabalho com os nossos colegas do Grupo Albion têm sido sempre inspiradoras. Na véspera de se iniciar 2020 e ainda sem saber da pandemia tínhamos planos que revimos em Março. A véspera da pandemia era promissora. O período pandémico que ainda vivemos está a ser uma lição. Contamos manter números bons neste 2020 atípico e, mais que tudo, servir cada vez melhor os nossos clientes. Os boletins que divulgámos durante o primeiro período crítico da pandemia foram apreciados por todos os destinatários, a inovação ao nível dos serviços aprofundou o nosso sentido digital, o teletrabalho tornou-se uma realidade e as equipas espelho uma forma normal – se assim se pode dizer – de estar na vida laboral. O que se pede nesta véspera de último trimestre é dedicação, profissionalismo, continuar a semear novos mercados e projectos para que 2021 reflicta o que tenhamos feito em 2020. Está nas nossas mãos. Os nosso Clientes, com excepção de um, tiveram para connosco uma atitude excepcional. Creio que retribuímos na exacta medida e assim continuaremos a fazer. Por último e porque é muito importante, é bom que todos se recordem que estamos na véspera da Presidência Portuguesa da União Europeia. Portugal já ocupa, na “Troika”, o seu lugar de presidência seguinte – a recente vinda a Lisboa, para uma reunião no Conselho de Estado, da Presidente da Comissão Europeia mostra bem a importância que a União dá ao momento que vivemos. A CV&A tem vindo a desenvolver uma série de acções de ‘public affairs’, em Lisboa e em Bruxelas, com Clientes nacionais e internacionais e assim continuará até 30 de Junho de 2021. E agora, por favor, leiam a Prémio e considerem que a CV&A está aqui para servir as empresas e Portugal, ficando, como sempre, ao V. inteiro dispor. Como sempre tem feito! l 6

rebounded, having accounted for around 35% of 2019 turnover, and we believe that this figure was just the eve of better figures in 2020 and in the years to come. Angola, Brazil, Guinea-Bissau and Mozambique have been interesting bets and some steps have been taken in Latin American markets. Spain and Colombia keep offering sustained growth and the operations in our neighbouring country and the experience of working together with our colleagues in the Albion Group has always been inspiring. On the eve of 2020 and still unaware of the pandemic, we had plans that we had to review in March. Things were promising on the eve of the pandemic. The pandemic period we are still experiencing is becoming a true lesson. We expect to maintain good figures in this atypical 2020 and, more than anything, to serve our customers better and better. The newsletters we released during the first critical period of the pandemic were appreciated by all recipients, service innovation increased our digital presence, teleworking became a reality and mirror teams became commonplace - if you can say that - in our working life. As regards this eve and last quarter all we ask is dedication and professionalism to keep sowing the seeds in new markets and projects, so that 2021 may reflect what we did in 2020. This is within our grasp. Our Customers, with the exception of one, had an exceptional attitude towards us. I believe that we gave back in the exact measure and we will continue to do so. Finally and this is particularly important we should all bear in mind that we are on the eve of the Portuguese Presidency of the European Union. Portugal takes up already a prominent place in the “Troika” - the recent trip to Lisbon of the President of the European Commission for a meeting of the Portuguese Council of State is a good sign of the importance that the Union ascribes to the moment we are going through. CV&A is developing a number of public affairs actions, in Lisbon and Brussels, with national and international Customers and will continue to do so until 30 June 2021. And now, please read Prémio and remember that CV&A is here to serve companies and Portugal and is entirely at your service. As always as! l

“OUR CUSTOMERS, WITH THE EXCEPTION OF ONE, HAD AN EXCEPTIONAL AT T I T U D E T O WA R D S U S . I B E L I E V E T H AT W E G AV E B A C K I N T H E E X A C T MEASURE AND WE WILL C O N T I N U E T O D O S O .”


7


OPINIÃO

ANTÓNIO COSTA, JORNALISTA DO ECO JOURNALIST AT ECO

A S S A Í DA S PA R A O

JORNALISMO A WAY O U T F O R J O U R N A L I S M

I

f we want to sell journalism, we have to do journalism’, é uma proposição que se lê no jornalismo anglo-saxónico, é óbvia, mas, por vezes, são as próprias empresas de comunicação social a esquecerem-na. Hoje, neste contexto, já não basta fazer jornalismo, é preciso mais, e é por isso que devemos dar prioridade às saídas, às soluções (e há várias, não há uma bala de prata que resolva tudo). Comecemos por uma evidência: As empresas de comunicação social estão a atravessar uma crise profunda, que se acentuou com a pandemia, mas o jornalismo e os jornalistas nunca foram tão necessários como agora. É um paradoxo, que tem de ter uma solução, ou várias, para garantir uma sociedade informada e uma democracia substantiva e não apenas formal, com votação em eleições e pouco mais. A crise das empresas de comunicação social e do próprio jornalismo não é de hoje, não é da pandemia, e resulta também de erros próprios, e não apenas das malfadadas redes sociais ou da mudança de perfil de consumo de informação. A tudo isto, a estagnação do país na última década e a pandemia agravaram o quadro geral de dificuldade. Neste contexto, há pelo menos duas condições essenciais para salvar o jornalismo (não gosto muito deste tipo de dramatismo, mas usemos esta formulação para sublinhar um ponto): As fusões e aquisições, por um lado, e a inovação e a tecnologia, por outro, são condições necessárias para 8

I

f we want to sell journalism, we have to do journalism’, it is an assertion that can be read in Anglo-Saxon journalism. It is quite obvious, but media companies tend to forget it quite often. Today, and in light of the current events, doing journalism is not enough, we need more, which is why we must prioritize other ways out, e.g. solutions (and there are many, there is no silver bullet to solve everything). Let’s start with an evidence: Media companies are going through a deep crisis, which intensified with the current pandemic, but journalism and journalists have never been so necessary like today. It’s a paradox that requires a solution, or several, to make sure we have an informed society and a substantive and not just formal democracy with voting and elections and little else. The crisis of media companies and journalism itself is not new, it’s not a pandemic, and is also the result of its own mistakes and not only of the ill-fated social media or the result of changes in the information consumption profiles. The country’s stagnation in the last decade and the pandemic have further aggravated the general situation of difficulty. And there are at least two essential preconditions to save journalism (I don’t like this kind of drama very much, but let us use this formulation to (Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


OPINION

“A S E M P R E S A S D E COMUNICAÇÃO SOCIAL E S TÃ O A AT R AV E S S A R UMA CRISE PROFUNDA, QUE SE ACENTUOU C O M A PA N D E M I A , M A S O JORNALISMO E OS J O R N A L I S TA S N U N C A F O R A M TÃ O N E C E S S Á R I O S C O M O A G O R A .”

garantir um jornalismo independente e capaz de desempenhar o seu papel. Sem capital, será tudo muito mais difícil, mais doloroso, mas o capital só chegará se estas condições forem cumpridas. Em primeiro lugar, as fusões e aquisições. Há demasiadas empresas jornalísticas e há demasiados meios de comunicação social, por isso, vai ter de haver um processo de consolidação do setor, como houve noutros nos últimos 20 anos. Poderá haver fusões e aquisições de empresas com a manutenção dos mesmos títulos, mas alguma coisa terá de suceder aqui. Porque é preciso escala. Não há mercado publicitário para tantos meios, a estratégia tem sido sempre a mesma, cortar custos, e isso também significa fazer menos jornalismo, ou o mesmo com muito menos qualidade. E os leitores não são apenas inteligentes, são também exigentes. Em segundo lugar, as empresas de comunicação social têm também de assumir a sua condição de empresas tecnológicas. A forma como os meios chegam aos leitores, a sua usabilidade, é um ponto crítico e quase sempre menosprezado no processo de decisão empresarial e jornalístico. Estamos, todos, habituados a pensar nas notícias e a desvalorizar a forma como elas chegam aos leitores, e isso tem de mudar. Os meios de comunicação social não competem apenas entre si, e isso já seria difícil, competem pela atenção dos leitores em concorrência com plataformas como o Netflix, o Spotify ou a HBO. E estas plataformas têm conteúdos, mas têm também tecnologia, e servem de referência na comparação do desenvolvimento tecnológico das aplicações e dos sites de informação. Os leitores estão aí, e querem jornalismo. A responsabilidade está do nosso lado. l

highlight one aspect): Mergers and acquisitions, on the one hand, and innovation and technology, on the other, are necessary conditions to guarantee independent journalism that will be able to perform its role. Without capital, everything will be much more difficult, more painful, but capital will only be there if these conditions are met. First, mergers and acquisitions. There are too many newspaper companies and too many media, hence the sector has to go through a process of consolidation, just like in the last 20 years. There may be mergers and acquisitions of companies preserving the same publications, but something will have to happen here. Because we need scale. There is no advertising market for so many media. The strategy has always been the same, cutting costs, and this also means doing less journalism or the same with much less quality. And readers are not only smart, but they are also demanding. Secondly, media companies must also live to their status of technological companies. The way media reach readers, their usability is a critical point and almost always overlooked in the business and journalistic decision-making process. We are all used to thinking about news and undervalue the way it reaches readers, and this has to change. The media are not competing only with each other, which in itself is already difficult. They compete to grab the readers’ attention and with platforms such as Netflix, Spotify or HBO. These platforms offer content but they also have technology and they serve as a true benchmark when comparing the technological development of applications and information sites. Readers are there and they want journalism. Now it’s up to us. l

“ M E D I A C O M PA N I E S ARE GOING THROUGH A DEEP CRISIS, WHICH INTENSIFIED WITH THE C U R R E N T PA N D E M I C , BUT JOURNALISM AND JOURNALISTS H AV E N E V E R B E E N SO NECESSARY L I K E T O D A Y.”

9


E N T R E V I S TA

“SE TODOS TIVESSEM TOMADO AS MEDIDAS QUE A MADEIRA TOMOU NO COMBATE À PANDEMIA, O MUNDO ESTARIA BEM MELHOR” “IF EVERYONE HAD TA K E N T H E M E A S U R E S TA K E N B Y M A D E I R A T O F I G H T T H E PA N D E M I C , THE WORLD WOULD BE

ASPRESS/HELDER SANTOS

MUCH BETTER NOW”

EDUARDO JESUS, SECRETÁRIO REGIONAL DE T U R I S M O E C U LT U R A REGIONAL SECRETARY OF MADEIRA TOURISM

10


INTERVIEW

SOFIA RAINHO

E M E N T R E V I S TA À P R É M I O , E D U A R D O J E S U S S U B L I N H A Q U E “ P E L A E U R O PA F O R A S Ã O C A D A V E Z M A I S O S PA Í S E S Q U E A P O N TA M A M A D E I R A C O M O U M E X E M P L O A S E G U I R ”. O S E C R E TÁ R I O R E G I O N A L D O T U R I S M O D A M A D E I R A C O N G R AT U L A - S E C O M A S M E D I D A S P I O N E I R A S Q U E A R E G I Ã O A D O P T O U N O C O M B AT E À PA N D E M I A E Q U E L H E P E R M I T I R A M A F I R M A R - S E C O M O U M D E S T I N O S E G U R O , D E S D E L O G O O C O N T R O L O A P E R TA D O N A S C H E G A D A S A O S A E R O P O R T O S M A D E I R E N S E S , A E X I G Ê N C I A D E R E A L I Z A Ç Ã O D E T E S T E S E A O B R I G AT O R I E D A D E D E U S O D E M Á S C A R A S A O A R L I V R E . EDUARD O JESUS REVEL A QUE NOS TRÊS MESES EM QUE A ACTIVIDADE D O TURISMO ESTEVE REDUZIDA A Z E R O H O U V E U M A C O N T R A Ç Ã O D E 6 , 6 % D O P I B R E G I O N A L E A D M I T E Q U E “ VÃ O S E R P R E C I S O S M U I T O S A N O S ” PA R A A E C O N O M I A R E C U P E R A R . M A S A C R E D I TA Q U E V O LTA R E M O S À N O R M A L I D A D E D E P O I S D E E N C O N T R A D A A VA C I N A PA R A A C O V I D 1 9 . E F O I C O M S AT I S FA Ç Ã O Q U E O S E C R E TÁ R I O R E G I O N A L V I U C R E S C E R O T U R I S M O N A C I O N A L N E S T E V E R Ã O N A M A D E I R A , T E N D O C H E G A D O A U LT R A PA S S A R O S M E R C A D O S A L E M Ã O E B R I TÂ N I C O . “ Q U A N D O REABRIMOS EM JULHO, MAIS DE 46% DAS D ORMIDAS NO ALOJAMENTO TURÍSTICO DA REGIÃO DA MADEIR A E R A P O R T U G U Ê S ” A D I A N TA . E D U A R D O J E S U S R E C O N H E C E Q U E U M A S E G U N D A VA G A “ S E R I A FATA L” E AV I S A Q U E “ E S TA É U M A G U E R R A S E M T R É G U A S Q U E R E Q U E R O F O R T E E M P E N H O D E T O D O S ” E “ N Ã O H Á M A R G E M PA R A FA L H A R ”. I N A N I N T E R V I E W W I T H P R É M I O M A G A Z I N E , E D U A R D O J E S U S S TAT E S T H AT “ T H R O U G H O U T E U R O P E , M O R E A N D M O R E C O U N T R I E S A R E L O O K I N G AT M A D E I R A A S A N E X A M P L E T O B E F O L L O W E D ”. T H E R E G I O N A L S E C R E TA R Y F O R T O U R I S M O F M A D E I R A W E L C O M E S T H E P I O N E E R I N G M E A S U R E S TA K E N B Y T H I S R E G I O N T O F I G H T T H E PA N D E M I C A N D W H I C H H AV E A L L O W E D I T T O E S TA B L I S H I T S E L F A S A S A F E D E S T I N AT I O N , F I R S T A N D F O R E M O S T T H A N K S T O T H E T I G H T C O N T R O L U P O N A R R I VA L AT M A D E I R A N A I R P O R T S , T H E R E Q U I R E M E N T T O C A R R Y O U T T E S T I N G A N D M A N D AT O R Y U S E O F M A S K S O U T D O O R S . E D U A R D O J E S U S R E P O R T S T H AT I N T H E T H R E E M O N T H S O F T O U R I S M A C T I V I T Y R E D U C T I O N T O Z E R O , T H E R E W A S A C O N T R A C T I O N O F 6 . 6 % O F T H E R E G I O N A L G D P A N D C O N C E D E D T H AT “ I T W I L L TA K E M A N Y Y E A R S ” F O R T H E E C O N O M Y T O R E C O V E R . B U T H E B E L I E V E S T H AT T H I N G S W I L L G O B A C K T O NORMAL WHEN THE COVID 19 IS DEVELOPED. T H E R E G I O N A L S E C R E TA R Y W A S P L E A S E D T O W I T N E S S T H E G R O W T H O F N AT I O N A L T O U R I S M T H I S S U M M E R I N M A D E I R A , W H I C H E V E N P O S T E D B E T T E R R E S U LT S T H A N T H E G E R M A N A N D B R I T I S H M A R K E T S . “ W H E N W E R E O P E N E D I N J U L Y, M O R E T H A N 4 6 % O F T O U R I S M - R E L AT E D O V E R N I G H T S TAY S I N T H E M A D E I R A R E G I O N W E R E P O RT U G U E S E ”, H E A D D S . E D U A R D O J E S U S A G R E E S T H AT A S E C O N D W AV E “ W O U L D B E F ATA L” A N D W A R N S T H AT “ T H I S I S A W A R W I T H O U T T R U C E T H AT R E Q U I R E S T H E S T R O N G C O M M I T M E N T O F A L L” A N D “ W E A R E N O T A L L O W E D T O FA I L”.

Há quem diga que o mundo não voltará a ser o mesmo depois da covid-19. Concorda? E Portugal e a Madeira? Concordo e, naturalmente, Portugal e a Madeira não serão excepção. Acredito que voltaremos à normalidade, sobretudo depois de encontrada a vacina e do acesso da população à mesma. No entanto, as debilidades que a pandemia infligiu na economia global requerem muitos anos até que as mesmas sejam vencidas. O Turismo foi o sector mais afectado e é daqueles que tem maior potencial de recuperação. Situação que só será possível depois de recuperada a confiança que se perdeu com a ameaça da contaminação. Acredito que depois de vencido o medo e do acreditar na segurança para viajar, que os fluxos turísticos tenderão a voltar à normalidade.

Some say that the world will not be the same after covid-19. Do you agree? And what about Portugal and Madeira? I agree and, of course, Portugal and Madeira are in this together. I believe that we will return to normal, especially after the vaccine is developed and the population has access to it. However, the weaknesses that the pandemic has inflicted on the global economy means it will take many years to solve them. Tourism was the most affected sector but is also that with the greatest potential for recovery. This situation will only be possible when we recover the confidence that was lost with the threat of contagion. I believe that once we overcome the fear and the belief in safety to travel is restored, tourist flows will tend to return to normal.

11


E N T R E V I S TA Qual foi o impacto em termos globais da pandemia na economia Regional? O impacto da pandemia que travou fortemente a economia foi enorme, com a actividade a ficar reduzida quase a zero numa primeira fase e a recuperar depois aos poucos em função da evolução dos mercados emissores, uma vez que a Região Autónoma da Madeira se constituiu como verdadeiro destino seguro.

What was the global impact of the pandemic on the Regional economy? The impact of this pandemic that severely restrained the economy was huge and activity was reduced almost to zero in the first stage and recovered gradually due to the evolution of the markets most our tourists come from as the Autonomous Region of Madeira did become a true safe destination.

Como foi afectado o sector do turismo em concreto? Qual a dimensão dos prejuízos? O Turismo da Madeira representa mais de 26% do PIB regional e é responsável por mais de 20.000 postos de trabalho. Em cada mês que a actividade esteve reduzida a zero, o PIB da Região Autónoma da Madeira contraiu cerca de 2,2%, com consequências para as empresas, para colaboradores das mesmas e em toda a dinâmica directa e indirecta que o sector produz. Este valor percentual traduziuse em cerca de 110 milhões de euros mensalmente. Três meses de inactividade geram uma quebra directa no PIB Regional de mais de 6,6 por cento. Porém, no início deste ano, tínhamos conseguido inverter a tendência do ano passado e regressamos aos crescimentos no alojamento turístico na Região. Em Fevereiro, tivemos 112,5 mil hóspedes e 586,8 dormidas, o que traduz uma evolução positiva de 7,8% e de 8,4%, respectivamente, em comparação com o mês homólogo do ano anterior. Nos dois primeiros meses de 2020, o acumulado foi de 211,3 mil hóspedes e de 1.117,4 mil dormidas, com um crescimento médio de 5,3% e de 4,6%, respectivamente.

How was the tourism sector affected specifically? What’s the amount of damage? Madeira Tourism represents more than 26% of the regional GDP and employs more than 20,000 people. Each month the activity was reduced to zero, the GDP of the Autonomous Region of Madeira contracted around 2.2%, with dire consequences for companies, their employees and the whole direct and indirect dynamics generated by this sector. This percentage amount translated into 110 million euros monthly. Three months of inactivity generated a direct drop in Regional GDP of more than 6.6 per cent. However, at the beginning of this year, we had managed to reverse last year’s trend and returned to growth in tourist accommodation in the Region. In February, we had 112,500 guests and 586.8 overnight stays, which translates into a positive evolution of 7.8% and 8.4%, respectively, compared to the same month of the previous year. In the first two months of 2020, the accumulated total was 211.3 thousand guests and 1,117.4 thousand overnight stays, with an average growth of 5.3% and 4.6%, respectively.

E comparativamente com o turismo no continente, o prejuízo na Madeira foi idêntico ou superior? O continente tem várias regiões de turismo. Admito que tenham tido os mesmos problemas que a Madeira, sendo que o Algarve, com uma grande carga sazonal, foi o mais penalizado do território continental português. Isto apesar de beneficiar da particularidade do mercado

And compared to tourism on the continent, was the loss in Madeira similar or higher? Continental Portugal has several tourism regions. I admit that they had the same problems as Madeira. And the Algarve, with a big seasonal load, was the most penalized on

ASPRESS/HELDER SANTOS

“O TURISMO DA MADEIR A R E P R E S E N TA M A I S D E 2 6 % D O P I B R E G I O N A L E É R E S P O N S ÁV E L POR MAIS DE 20.000 P O S T O S D E T R A B A L H O .”

“MADEIRA TOURISM REPRESENTS MORE THAN 26% OF THE REGIONAL GDP AND EMPLOYS M O R E T H A N 2 0 , 0 0 0 P E O P L E .”

12


INTERVIEW interno ter mais facilidade na deslocação, sem necessidade das pessoas recorrerem ao meio aéreo para chegarem ao sul do país. A Região do Centro tem razões para ter registado um bom desempenho no Verão. Foi um destino muito procurado pelo mercado interno. A Região Autónoma da Madeira, pese embora se tenha afirmado como Destino Seguro - sendo a única que registou um efectivo domínio sobre a pandemia desde o início, a primeira a desenvolver um Manual de Boas Práticas para o Sector do Turismo e a única a optar pela certificação internacional contra os risco biológicos – tem a desvantagem da necessidade do transporte aéreo. Na afirmação como destino seguro contou muito a exemplar acção que foi montada nos aeroportos da Madeira e do Porto Santo para fazer a triagem e a realização dos testes à chegada. Fizemo-lo porque as autoridades nacionais e europeias se demitiram da orientação de um procedimento comum que deveria ter sido, sem qualquer margem para dúvida, a realização obrigatória de teste antes de qualquer viagem. Se assim tivesse acontecido, o mundo estaria diferente para bem melhor. Portugal ficou mais exposto ao sector e às actividades associadas ao Turismo nos últimos anos, mas a Madeira já tem décadas de investimento no sector. Não está, por isso, também mais vulnerável às consequências económicas e sociais da pandemia? A Madeira tem mais de 200 anos de história ao serviço do Turismo. Tem sido este o sector que nos tem permitido afirmação externa, e que tem dado um grande contributo para a economia e notoriedade internacional. Nenhum como este contribuiu para o desenvolvimento da Região. Nós não temos turismo a mais, os outros sectores é que devem seguir o exemplo deste e ganhar outro peso, maior expressão. Nunca à custa do Turismo, mas por mérito próprio. Considero um profundo erro quando se entende que o país está numa dependência excessiva do Turismo. Isso é uma anormalidade, uma consideração impensada e imatura. E Porto Santo, onde a oferta turística é menor e mais concentrada, o problema não é de maior gravidade ainda? O Porto Santo beneficiou este ano fortemente da aposta do mercado nacional, com uma operação de Verão que envolveu 4 importantes operadores turísticos. Foi uma realidade que resultou de um trabalho conjunto que iniciamos muito antes da pandemia com aqueles parceiros da Região, e que resultou na concretização da operação que transportou cerca de três mil e quinhentos passageiros até à ilha do Porto Santo. Além disso, o mercado madeirense também foi expressivo no Porto Santo. É verdade que, tradicionalmente, os madeirenses procuram muito a “Ilha Dourada” para as suas férias de Verão, mas este ano, com o receio ou impedimento de viajarem para outros destinos, optaram mais pela ilha vizinha. Naturalmente que o Inverno será mais exigente na dependência de operações que só se concretizarão se a situação epidemiológica dos países de origem evoluir positivamente. Existe uma forte pressão sazonal na época que agora se inicia. Que balanço faz desde que se registou a reabertura do Turismo na região, em Julho? O movimento de viajantes nos aeroportos da Madeira e do Porto Santo acompanham a tendência crescente de frequências das várias companhias de aviação. De uma média semanal superior a 60, em Julho, num só sentido, passamos para 135 voos por semana, em Agosto.

the Portuguese mainland. But that region benefits from the particular nature of the internal market and it’s easier to reach the south of the country without the need for people to use air travel. The Central Region has reasons for having performed well in the summer. It was a highly sought after destination in the domestic market. The Autonomous Region of Madeira, despite having established itself as a Safe Destination - as it was the only that witnessed an effective control over the pandemic since the beginning, the first to develop a Manual of Good Practices for the Tourism Sector and the only to choose international certification against biological risks - has the disadvantage of needing for air travel. As for the efforts to establish this a safe destination, the remarkable means put in place at the airports of Madeira and Porto Santo to screen and perform the tests on arrival were of utmost importance. We did it because the national and European authorities resigned from offering guidance on a common procedure which should have been, without any doubt, implementing mandatory testing before any trip. If that had been the case the world would be different and better off now. Portugal has been more exposed to the sector and activities associated with tourism in recent years, but Madeira has been investing in this sector for decades. Is it, therefore, also more vulnerable to the economic and social consequences of the pandemic? Madeira has over 200 years of history at the service of Tourism. This particular sector has allowed us to establish ourselves itself externally, thus assisting both the economy and granting international notoriety. No other sector has assisted so much the development of the Region. We don’t have too much tourism. The remaining sectors should follow the example of this sector which has increased its weight and notoriety. Never at the expense of tourism, but on their own. I consider it a profound mistake to claim that the country is over-dependent on Tourism. This is an abnormality, a thoughtless and immature consideration. And Porto Santo, where the tourist offer is smaller and more concentrated, isn’t this problem even more serious? This year Porto Santo benefited strongly from the bet of the national market, with a summer operation that involved 4 important tour operators. This was the result of the joint work we began even before the pandemic with our partners in this region and which resulted in an operation that enabled us to fly around three thousand and five hundred passengers to the island of Porto Santo.|||UNTRANSLATED_CONTENT_END||| Furthermore, the Madeiran market was also significant in Porto Santo. It is true that, traditionally, that the “Golden Island” is in great demand for Madeirans for their summer holidays, but this year, with the fear or impediment to travel to other destinations, they opted even more for the neighbouring island. Naturally, winter will be more demanding and will depend on operations that will only materialize if the epidemiological situation in the countries of origin evolves positively. There is strong seasonal pressure in the season that is now beginning. 13


A N D R É C A R VA L H O

E N T R E V I S TA

A evolução para Setembro foi na média dos 142 por semana. Com a chegada de cada vez mais aviões, as ocupações nas unidades hoteleiras da Madeira conheceram também um aumento. Em meados de Setembro, aquando da realização da Festa da Flor, a ocupação era na ordem dos 33%, referentes às cerca de 68% das unidades hoteleiras abertas. Por isso, atendendo à conjuntura em que nos encontramos, aos constrangimentos, à situação nos mercados de origem da Madeira, com algumas dificuldades de controlo da pandemia, ter esta ocupação não é um mau desempenho. É o possível e é o resultado de muito esforço de todos. O sector esteve bem, a promoção trabalhou sem parar, o Governo Regional esteve sempre muito activo e conseguiu alcançar-se aquele resultado. Quantos turistas já passaram pela ilha desde então? Em Julho, desembarcaram cerca de 31 mil passageiros na Madeira. Em Agosto esse número duplicou ao passar para cerca de 59 mil passageiros. E, em Setembro, chegaram cerca de 53 mil passageiros oriundos de vários países europeus e de cidades portuguesas. Em relação ao Aeroporto do Porto Santo, em Julho, desembarcaram cerca de 3 mil passageiros, aumentando para cerca de 5.500 mil desembarcados em Agosto. E, em Setembro, o número chegou aos 4.000. É relevante o aumento do número de passageiros nos aeroportos da Madeira e constitui um estímulo para continuarmos a trabalhar em prol do sector, das pessoas e da economia da ilha. Foram em maior número os turistas estrangeiros ou os turistas oriundos do continente que visitaram a Madeira? Os últimos dados da Direção Regional de Estatísticas da Madeira, referentes ao mês de Julho, quando reabrimos ao Turismo, evidenciam um forte pendor do mercado nacional, com mais de 46% das dormidas no alojamento turístico da Região Autónoma da Madeira. O segundo maior mercado foi o alemão, com 23,3%. 14

What is your assessment since the reopening of tourism in the region in July? The movement of travellers at the airports of Madeira and Porto Santo follows the growing trend of frequent flights by the various airlines. From a weekly average of more than 60, in July, one way, we moved to 135 flights a week in August. The evolution for September averaged 142 per week. With the arrival of more and more planes, occupancy rates in hotel units in Madeira witnessed also an increase. In mid-September, when the Flower Festival took place, the occupancy was in the order of 33%, corresponding to about 68% of the hotel units in operation. Hence, in light of the current situation, the constraints, the situation in the markets of origin in Madeira and some difficulties in controlling the pandemic, having such an occupancy rate is not a bad performance. It is possible and it is the result of much effort by everyone involved. The sector fared well, the promotion worked non-stop, the Regional Government was always very active and that result was thus achieved. How many tourists have travelled to the island since then? In July, about 31 thousand passengers disembarked in Madeira. In August, that number doubled to around 59 thousand passengers. And in September, about 53 thousand passengers arrived from various European countries and Portuguese cities. Regarding Porto Santo Airport, in July, approximately 3 thousand passengers disembarked there, increasing to approximately 5,500 thousand disembarked in August. And in September, the number reached 4,000. The increase in the number of passengers at Madeira airports is relevant and is an incentive for us to continue working for the benefit of the sector, the people and the economy of the island.


INTERVIEW Were there more foreign tourists or tourists from the continent visiting Madeira? The latest data from the Regional Directorate for Statistics of Madeira pertaining to the month of July, when we reopened to Tourism, point to a visitors mostly from the national market, representing more than 46% of overnight stays in tourist accommodation in the Autonomous Region of Madeira. The Houve, então, um aumento significativo do turismo nacional second-largest market was the German market, with 23.3%. The (mais turistas portugueses) na Madeira neste Verão. English market took longer to resume and therefore this market O mercado nacional tem uma ligação umbilical com a Madeira e which is among our three largest markets stood at 4.1%, behind é muito importante para a Região. Há muitos anos que escolhe o France whose percentage of overnight stays was 5.8%. The reality destino Madeira para as suas férias. Este ano, em particular, houve uma maior tendência para os mercados de proximidade. Mas saliento is different today. The national market is no longer leading and Germany and the United Kingdom now account for the highest o facto de que já tínhamos começado a trabalhar com o mercado português muito antes de aparecer a pandemia, ao sermos indicados number of visitors. como o “Destino Preferido” em 2020 pela Associação Portuguesa de There was indeed a significant increase in national tourism Agências de Viagens e Turismo. Constituiu uma grande vantagem (more Portuguese tourists) in Madeira this summer. que nos permitiu estar ainda mais junto dos operadores nacionais e construir uma série de operações que já estavam consolidadas para o The national market has an umbilical connection with Madeira and is very important for the Region. The Portuguese have Verão deste ano e que foram retomadas ou reformuladas. been choosing Madeira for their holidays for many years. This Já no decorrer do processo de reabertura, a política seguida year, in particular, there was a greater tendency for proximity pelo Governo Regional foi determinante para que se atingisse a markets to fly to Madeira. But I should highlight the fact that performance conseguida no mercado nacional. A Região Autónoma we had been working with the Portuguese market before the da Madeira contratou vários laboratórios que facultaram a pandemic and we were awarded “Preferred Destination” in 2020 possibilidade da realização dos testes - tipo PCR - a qualquer pessoa by the Portuguese Association of Travel and Tourism Agencies. que tivesse em sua posse um bilhete para a Região. Essa medida It was a great advantage that allowed us to become closer to the que envolve um expressivo investimento do Orçamento Regional, national operators and build a series of operations that were permitiu outra confiança que motivou a sustentação das operações already consolidated for this summer and which were resumed or montadas. reworked. In the course of the reopening process, the policy followed by Quais são as principais nacionalidades dos turistas que the Regional Government was crucial to secure the performance habitualmente visitam a Madeira? achieved in the national market. The Autonomous Region of São os ingleses, os alemães e os portugueses que mais visitam a Madeira hired several laboratories that allowed us to carry out Madeira. the testing - type PCR - to anyone with a ticket to the Region. This measure, which involves a significant investment from the Qual é a imagem de marca do Turismo na Madeira? Regional Budget, added a new layer of confidence that motivated A simbiose perfeita entre a natureza (montanha e mar) e a cultura. the sustainability of the operations put in place. O que procuram aqueles que escolhem a Madeira como destino de What are the main nationalities of the tourists who usually férias? O que de melhor tem a Região da Madeira para oferecer? visit Madeira? Tudo começa com a arte de bem receber dos madeirenses e It is the English, Germans and the Portuguese who visit Madeira portossantenses, passando pela sua cultura e o degustar das suas most. maravilhosas iguarias - aliadas a uma gastronomia tradicional que, ao mesmo tempo, acompanha os tempos actuais - e ainda as What is the hallmark of Tourism in Madeira? espectaculares paisagens que o arquipélago tem para oferecer. The perfect symbiosis between nature (mountain and sea) and Quem visita a Madeira leva a alma cheia, querendo sempre voltar culture. a uma ilha repleta de história e paisagens de cortar a respiração, de experiências únicas, num ambiente idílico de cor, beleza e What do these tourists look for when they choose Madeira as a tranquilidade. holiday destination? What is the best the Madeira Region has E, para os mais activos, tem igualmente muito para oferecer, to offer? com actividades que põem à prova os mais aventureiros, criando situações de pura adrenalina, mas sempre com segurança. Somos It all starts with the manner how the people from Madeira and Porto Santo welcome visitors, their culture and the taste of their um destino de experiências, um destino activo. wonderful delicacies - combined with traditional cuisine that, at A Madeira e o Porto Santo, no conjunto, permitem, a quem nos the same time, follows current trends - and also the spectacular visita, o contacto com realidades diferentes e únicas num só território e com uma proximidade de 1,5 horas de voo da capital de landscapes the archipelago has to offer. Anyone visiting Madeira goes back with full heat, always wanting Portugal. to return to an island full of history and breath-taking landscapes, O inglês demorou mais a retomar e, por isso, aquele que é um dos três maiores mercados emissores para a Madeira, ficou-se pelos 4,1%, atrás da França, com 5,8% das dormidas. Hoje a realidade é diferente. O mercado nacional já não lidera, encontrando-se à frente, em número de visitantes, a Alemanha e o Reino Unido.

15


E N T R E V I S TA

ASPRESS/HELDER SANTOS

“O MERCADO NACIONAL TEM UMA LIGAÇÃO UMBILICAL COM A MADEIRA E É MUITO I M P O R T A N T E P A R A A R E G I Ã O .”

“ T H E N AT I O N A L M A R K E T H A S AN UMBILICAL CONNECTION WITH MADEIRA AND IS VERY I M P O R T A N T F O R T H E R E G I O N .”

A par do Carro de cestos do Monte, quais são os outros ‘ex-líbris’ da Madeira? Temos muitos como a Floresta Laurissilva, as Levadas, os Eventos que se realizam durante todo o ano, a oferta cultural, o Vinho Madeira, a Gastronomia, o Bordado Madeira, a Zona Velha, os Parques e Jardins, o Mercado dos Lavradores, os Deportos radicais, como o canyoning, o rapel e mountain bike, os Carros de cestos, a Observação de cetáceos, as Casas de Santana, as flores e a oferta hoteleira de qualidade. Qual é o ponto de situação do ‘lay-off’ nas empresas de turismo da Madeira? O ‘lay-off’ simplificado foi muito adequado à realidade que vivemos. A decisão da sua alteração foi incorrecta para o sector, sabendo que será dos últimos a ter oportunidade de inverter a tendência. As recentes notícias indicam que o Governo da República recuou e percebeu essa mesma circunstância, o que significa que as empresas terão, novamente, um apoio adequado. Defendeu a necessidade de prolongar os apoios ao sector da hotelaria para não haver desemprego em massa. Isso está a acontecer? Sim, a Região foi a primeira do país a considerar apoios a fundo perdido para o sector, na condição da manutenção dos postos de trabalho. Sempre defendemos que uma ajuda nunca pode passar por substituir receita por dívida. Isso será o fim, a prazo, de uma economia. Aquilo que o sector precisa é de apoio a fundo perdido. Uma ajuda que corresponda à singular realidade que vivemos. Ou ajudamos as empresas a manterem os seus postos de trabalho ou gastaremos mais em subsídio de desemprego, com a agravante da destruição do tecido empresarial e do desaparecimento da dinâmica económica que o mesmo gera. Sucedem-se esses apoios e estão a ser preparados outros para permitir minimizar o impacto da pandemia nos longos meses que temos pela frente. Como responde às acusações de insensibilidade para com pessoas despedidas e outras em ‘lay off’, feitas pelo líder socialista, Paulo Cafôfo? 16

unique experiences, in an idyllic environment of colour, beauty and tranquillity. And, for the more active, it has also a lot to offer, with activities that test the most adventurous, creating situations of pure adrenaline, but always safe. We are a destination of experiences, an active destination. Madeira and Porto Santo, as a whole, allow those who visit us to have contact with different and unique realities in a single territory and within a 1.5-hour flight from the capital of Portugal. In addition to the Monte basket car, what are the other ‘exlibris’ of Madeira? We have many such as the Laurissilva Forest, the Irrigation Channels, the Events that take place throughout the year, the cultural offer, Madeira Wine, Gastronomy, Madeira Embroidery, the Old Town, Parks and Gardens, the Farmers’ Market, the Radical sports, such as cannoning, abseiling and mountain biking, basket cars, whale watching, the Santana Houses, flowers and a quality hotel offer. What is the state of lay-off in Madeira’s tourism companies? The simplified lay-off was very adequate to the reality we live in. The decision to change this was not right for the sector, knowing that this will be one of the last to have the chance to change this trend. The recent news report that the Government of the Republic stepped back and realized this same circumstance, which means that companies will again have adequate support. It stated the need to extend support to the hospitality sector to avoid mass unemployment. Is that happening? Yes, the Region was the first in the country to consider nonrepayable support for the sector, provided work posts would be retained. We have always argued that aid can never imply


Assumimos o compromisso de ajudar a preservar a liquidez, o investimento na economia e o emprego em Portugal.

www.edp.com 17


E N T R E V I S TA O trabalho desenvolvido pelo Governo Regional é reconhecido a nível nacional e tido como referência a nível internacional. Naturalmente que esse reconhecimento incomoda aqueles que nunca estão do lado dos madeirenses e dos portossantenses. Toda a população da Região já se habituou a um comportamento do partido socialista de colagem ao governo da República para prejudicar a Região e assim procurar tirar dividendos. É um truque antigo, batido e vulgar. A resposta foi dada pela secretária de Estado do Turismo que, na sua intervenção no congresso do PS Madeira, elogiou o Governo Regional e afirmou que a Madeira constitui um exemplo para o todo nacional. Quais são as ilhas que são as principais concorrentes da Madeira? As Canárias, as Baleares ou outras mais distantes como as da Polinésia Francesa? Na actualidade, a concorrência opera-se de forma global. Já não existem destinos concorrentes directos. Tanto concorremos com um que esteja aqui mais perto como com outro longínquo, por força da facilidade de transporte, da comunicação que usa, dos atributos que se relevam, das oportunidades comerciais que se criam. Se atendermos à dependência dos operadores turísticos, essa análise pode ser mais circunscrita considerando as Canárias, Grécia, Croácia, Malta, Ilhas Baleares, entre outros. Em que níveis está actualmente a ocupação hoteleira? Qual a percentagem de unidades hoteleiras a funcionar neste momento? Neste momento estamos com cerca de 68% das unidades hoteleiras abertas sendo que, nestas, a ocupação é de aproximadamente 30%.

A N D R É C A R VA L H O

Já se registaram muitos despedimentos na sequência da pandemia? Temos conhecimento da não renovação de contratos de trabalho que terminaram durante este período pandémico e de um processo de despedimento colectivo levado a efeito pelo Belmond Reid’s Hotel que envolve 63 pessoas.

18

replacing revenue for debt. This will be the end, in the long run, of an economy. What the sector needs is non-repayable support. A type of assistance that would meet the unique reality we live in. Either we help companies to keep their jobs or we will spend more on unemployment benefits and run the risk of destroying the business fabric and losing the economic dynamics that it generates. This support is being provided on an ongoing basis and others are being prepared to minimize the impact of the pandemic in the long months ahead. How do you respond to the accusations of carelessness towards the people who were fired or under lay-off voiced by the regional socialist leader Paulo Cafôfo? The work carried out by the Regional Government is acknowledged at the national level and considered an international reference. Naturally, this recognition bothers those who are never on the side of the people of Madeira and Porto Santo. The entire population of the Region has already become accustomed to the behaviour of the socialist party bonding to the government of the Republic to harm the Region gain importance. It is an old, beaten and common trick. The answer was voiced by the Secretary of State for Tourism, who, in her speech at the PS Madeira Congress, praised the Regional Government and stated that Madeira is a national example. Which islands are Madeira’s main competitors? The Canaries, the Balearics or other more distant like the islands in French Polynesia? At present, competition is global. There are no longer any direct competing destinations. We both compete with close and distant destinations given the availability of means of transportation, communication, the features that stand out and the commercial opportunities that are created. If we take into account the dependence of tour operators, this analysis can be the focus on a smaller number of destinations like the Canaries, Greece, Croatia, Malta, Balearic Islands, among others.


INTERVIEW Quantos voos chegam actualmente por semana à ilha da Madeira? Começaram por ser 40 na reabertura… No mês de Setembro, a média por semana rondou 142 voos, num único sentido. Em Agosto a média foi de 135 voos por semana e, em Julho, a média semanal foi superior a 60. Os números da pandemia nunca foram tão graves na Madeira como foram no continente. O que mais podia ou devia ter sido feito para que a Madeira não fosse tão prejudicada em termos internacionais? Fomos interventivos desde a primeira hora para estarmos na linha da frente no momento da reabertura dos mercados. Existiram os cuidados do Governo Regional com a saúde pública, com os resultados positivos que todos reconhecem. E, paralelamente, contamos com os apoios criados e com os projectos que desenvolvemos como a criação do Manual de Boas Práticas e a Certificação do destino. Juntando a tudo isto os contactos permanentes com o sector, nomeadamente com os operadores turísticos, com as companhias de aviação, e com organismos como o Turismo de Portugal, e o trabalho persistente junto de várias entidades governativas e diplomáticas nacionais e internacionais, assim como junto de diversas instituições para reforçar e atalhar caminhos para a retoma do turismo na Região. Iniciámos ainda durante o período pandémico um conjunto de insistentes comunicações que vieram a definir este percurso. Hoje totalizamos mais de cem comunicações feitas da nossa parte que clarificaram a nossa situação epidemiológica, defendendo, sempre, que é a realidade regional que deve ser atendida, tanto mais que a grande maioria das operações se faz através de voos directos, o que minimiza o risco de contágio, por não haver escalas nem troca de aparelhos. Acha que os turistas hoje já olham para a Madeira como um destino seguro? Não tenho a menor dúvida disso. Além dos turistas procurarem o nosso destino para as suas férias pela segurança secular que nos reconhecem, essa escolha foi reforçada por conhecerem o controlo sanitário que empreendemos. Recebemos reconhecimento dos que aqui chegam logo a começar pela recepção no Aeroporto da Madeira onde temos um controlo exemplar na forma como lidamos com os passageiros que aterram. O turismo britânico é um dos principais clientes da região da Madeira. Mas este Verão a Madeira ficou de fora. Quais são as suas expectativas após a introdução dos corredores de viagens regionais, que permitem fazer a distinção entre a Madeira ou os Açores e Portugal continental? A Madeira ficou de fora numa primeira fase, como o todo nacional. Apesar do destino ser reconhecido como destino seguro, a exigência de quarentena era igual a todo o território nacional. Posteriormente, o Reino Unido abriu os corredores aéreos a Portugal. No entanto, foi desde cedo que demonstramos ao Governo britânico que a nossa realidade epidemiológica era distinta do país pelo que deveríamos ter um tratamento diferenciado. Felizmente, fez-se justiça, embora tardiamente. O princípio que defendemos, da necessidade de haver um tratamento diferenciado entre regiões de um mesmo país, acabou

What are the current hotel occupancy rates? What is the percentage of hotel units currently operating? At the moment, we have about 68% of hotel units open, with an occupancy rate of approximately 30%. Have there been many redundancies since the pandemic? We are aware of the non-renewal of employment agreements that ended during this pandemic period and of a collective redundancy process carried out by Belmond Reid’s Hotel involving 63 people. How many flights currently arrive in Madeira each week? The number was initially 40 when we reopened... In September, the average per week was around 142 flights, in a single direction. In August, the average was 135 flights per week, and in July, the weekly average was over 60. The pandemic figures have never been as high in Madeira as they were on the continent. What else could or should have been done to prevent Madeira from being so harmed internationally? We were proactive right from the start and we were at the forefront when the markets reopened. There was the work of the Regional Government as regards to public health, with the positive results that everyone acknowledges. And, at the same time, we have the support created and the projects we developed, such as the creation of the Manual of Good Practices and the Certification of the destination. And we should further add the permanent contacts with the sector, namely with tour operators, with airlines, and with organizations like Tourism of Portugal, and the persistent work with several national and international government and diplomatic entities, as well as with various institutions to reinforce and cut short paths for the resumption of tourism in the Region. During the pandemic period, we started a series of constant communication that helped us define this path. Today, we total more than one hundred communications made by us clarifying our epidemiological situation, stating that we should factor in the regional reality and considering that the vast majority of operations are done through direct flights, which minimizes the risk of contagion, as there are no stopovers or equipment changes. Do you think tourists today consider Madeira a safe destination? Of that I am certain. In addition to tourists looking at this destination for their holidays due to the secular security that they recognize, this choice was reinforced because they are aware of the health controls we undertake. We received recognition from those who arrive here, upon their arrival at Madeira Airport, where we have remarkable control in the manner how we deal with passengers landing here. British tourism is one of the main customers in the Madeira region. But this summer Madeira was left out. What are your expectations after the introduction of regional travel corridors, which allows establishing a difference between Madeira or the Azores and mainland Portugal? 19


E N T R E V I S TA

ASPRESS/HELDER SANTOS

“O T R A B A L H O D E S E N V O LV I D O PELO GOVERNO REGIONAL É RECONHECIDO A NÍVEL NACIONAL E TIDO COMO REFERÊNCIA A N Í V E L I N T E R N A C I O N A L .”

“THE WORK CARRIED OUT BY THE REGIONAL GOVERNMENT IS A C K N O W L E D G E D AT T H E N AT I O N A L LEVEL AND CONSIDERED AN I N T E R N A T I O N A L R E F E R E N C E .” Madeira was left out on a first stage, as part of the national whole. Although the destination was recognized as a safe destination, the quarantine requirements were the same for the whole of the national territory. Subsequently, the United Kingdom opened air corridors to Portugal. However, we soon were able to prove the British Considera acertada ou arriscada a estratégia das autoridades de saúde regionais de apostar em medidas mais drásticas como o uso Government that our epidemiological reality was different from the country and should therefore have a different status. obrigatório de máscara mesmo ao ar livre? Consideramos, evidentemente, que se trata de uma medida acertada Fortunately, justice was done, albeit belatedly. The principle we defend, of the need to establish differences pois temos de preservar a herança de segurança que construímos. between regions in the same country, ended up being recognized Há que proteger a nossa e a saúde dos outros. A afirmação da by Wales and Scotland, which, despite requiring quarantine from Região como destino seguro só é possível porque houve a coragem those arriving from mainland Portugal, created an exception for de implementar medidas. Desde a primeira hora, a atitude do Madeira whereas passengers don’t have to quarantine when they nosso Presidente foi determinante. Nunca existiram dúvidas nem return from this region. hesitações e isso foi fulcral. Se no princípio surgiram vozes de descontentamento face ao uso obrigatório das máscaras, agora só Do you consider the strategy of regional health authorities to se ouve a defesa da medida. Os madeirenses e os portossantenses bet on more drastic measures such as the mandatory use of a constituem um exemplo no combate à pandemia, respeitando as mask, even outdoors, right or risky? orientações da Autoridade de Saúde Regional. We believe, of course, that this is the right measure because we have to preserve the safety heritage that we have built. We have A Madeira foi a primeira região a introduzir o uso obrigatório de to protect ours and the health of others. The affirmation of the máscaras nos espaços públicos. Esta é uma garantia adicional de Region as a safe destination is only possible because there was the maior segurança ou pode ser dissuasora para alguns turistas? courage to implement measures. Our President’s attitude was key O cuidado de Saúde Pública que o Governo Regional teve desde a right from the start. There were never doubts or hesitations and primeira hora com a pandemia levou a que tenhamos os poucos that was crucial. If in the beginning there were voices of discontent casos conhecidos de pessoas contaminadas com a Covid-19. as regards the mandatory use of masks, now everybody stands Essa questão de o uso de máscara ser dissuasor não se coloca for such measure. The people of Madeira and Porto Santo are an porque os turistas não deixam de vir para um destino que example in the fight against the pandemic, always mindful of the determina o uso obrigatório de máscaras. Antes pelo contrário, acaba por ser mais um contributo para evidenciar maior segurança guidelines of the Regional Health Authority. no destino. Hoje recebemos estações de televisão de diferentes Madeira was the first region to introduce the mandatory use países que cá vêm para cobrir toda a operação de rastreio e of masks in public spaces. Is this an additional guarantee of realização de testes nos aeroportos. Na semana passada, Canárias greater security or can this be a deterrent for some tourists? exigia a implementação de um modelo igual ao nosso. Pela Europa fora são, cada vez mais, os países que se referem a este modelo como The Public Health care that the Regional Government has had exemplar. A Madeira e o Porto Santo estão a dar o bom exemplo, mas since the first hour with the pandemic has meant that we have few known cases of people infected with Covid-19. isso não chega. Se não existirem mais regiões ou países a fazê-lo, The issue of the use of masks being a deterrent does not arise tudo pode ser em vão porque estamos na dependência directa do por ser reconhecido pelo País de Gales e pela Escócia, que, apesar de exigir quarentena do território continental, criou uma excepção para a Madeira, sendo que os passageiros não têm de fazer quarentena quando regressam.

20


INTERVIEW estado epidemiológico dos mercados de origem. Não sente que, depois de uma primeira reacção, até de medo, que levou ao confinamento, está a voltar a haver alguma bonomia e alguma menor sensibilidade para as medidas de prevenção? No caso concreto da Madeira isso não acontece. Nunca baixamos a guarda para segurança das pessoas que aqui residem, dos que trabalham no sector do Turismo e as suas famílias e dos que viajam para cá. Uma segunda vaga pode ser fatal para a economia internacional, nacional e regional? Evidentemente que seria. Tudo tenderá a ser diferente. Já aprendemos muito com o primeiro episódio desta pandemia. Hoje temos um histórico, mesmo que recente, que já nos dá outra leitura dos acontecimentos. Aquilo que desejo é que haja acção, determinação, decisão e vontade de agir no combate à pandemia. A Região tem sido um bom exemplo, mas outras regiões não. Não se pode combater a pandemia com excepções, com lógicas do politicamente correto, com a tentativa de agradar a todos. Este não é um jogo político-partidário, não é uma discussão parlamentar por um interesse específico, nem um confronto eleitoral tendo em vista maiorias negativas. Esta é uma guerra sem tréguas que requer forte empenho de todos. Não há margem para falhar.

because tourists don’t stop coming to a destination that applies the mandatory use of masks. On the contrary, it ends up being a further contribution to the feeling of safety in this destination. Today we receive television stations from different countries that come here to cover the entire screening and testing operation at airports. Last week, the Canaries demanded the implementation of a model similar to ours. Across Europe, there is a growing number of countries that refer to this model as an example. Madeira and Porto Santo are setting a good example, but that is not enough. If other regions or countries don’t do it, everything can be in vain because we are directly dependent on the epidemiological state of the markets of origin. Don’t you feel that, after a first reaction, even out of fear, which led to lockdown, there is some bonhomie and people are now less sensible to preventive measures? In the specific case of Madeira, this does not happen. We never let our guard down for the safety of the people who live here, those who work in the tourism sector and their families, and those who travel here.

Can a second wave be fatal for the international, national and regional economy? Obviously. Everything will tend to be different. We have already learned a lot from the first episode of this pandemic. Today we have a history, albeit recent, that allows us to see the current events Disse recentemente que esperava que a Festa da Flor fosse um under a new light. What I want is for there to be action, resolve, momento de viragem na Madeira. Isso está a acontecer? decision and willingness to act in the fight against the pandemic. A Festa da Flor e do Vinho Madeira de 2020 constituiu um marco The Region has been a good example, but other regions have not. importante no Turismo da região e na vida dos madeirenses. The pandemic cannot be fought with exceptions, with the logic of Quisemos que assim fosse e por isso adiamos a sua realização the politically correct, with the attempt to please everyone. This is que, normalmente, acontece em Maio. O fundamental é encontrar alternativa, inovar e adaptar. Nunca desistir, nem nunca dar espaço à not a political party game, it is not a parliamentary discussion for a specific interest, nor an electoral confrontation to achieve negative pandemia. Apesar de estarmos sempre condicionados pelos mercados de origem majorities. This is a war without truce that requires a strong e das suas realidades epidemiológicas, consideramos que este evento commitment from everyone. There is no room for failure. foi marcante. Foi um momento de libertação, de concretização e de manifestação de grande responsabilidade por todos os intervenientes. You said recently that you hoped the Flower Festival would be a turning point in Madeira. Is that happening? The Madeira Flower and Wine Festival of 2020 was an important A retoma já está a ser alcançada com um nível satisfatório? milestone in tourism in the region and the lives of Madeirans. We Os números, se compararmos com os anos anteriores, não são, wanted this to be the case and that is why we postponed this event evidentemente, os desejados. Mas são crescentes e mostram que o destino está a saber passar uma mensagem de segurança e a acolher which takes place usually in May. The key is to find alternatives, innovate and adapt. Never give up and make no room for the bem os viajantes. Temos unidades com excelente desempenho, pandemic to kick in. mas não podemos esquecer que parte do sector continua encerrado. Although we are always conditioned by the markets of origin A ausência dos níveis de mercado a que estamos habituados é and their epidemiological realities, we believe that this event determinante na vida de muitos empresários dos vários ramos do was remarkable. It was a moment of liberation, realization and a sector do turismo. Existem dificuldades e é por isso mesmo que o display of great accountability from all stakeholders. Governo tem sempre agido prontamente na implementação das medidas mais adequadas. Is the recovery already being achieved at a satisfactory rate? The figures, if compared with previous years, are not what we Tem alguma perspectiva sobre se, como e quando será possível would like. But they are growing and show that the destination recuperar os indicadores que tínhamos no Turismo antes do knows how to send a message of safety when it comes to welcome primeiro surto? travellers. We have units with excellent performance, but we must Ninguém sabe. Agora posso garantir que trabalhamos todos os dias not forget that part of the sector remains closed. The absence of para que essa realidade aconteça o mais rapidamente possível. Se the market levels we are used to is a relevant factor in the lives of tudo dependesse da Madeira e do Porto Santo, diria que seria já. many entrepreneurs in the many branches of the tourism sector. A nossa evolução não é outra porque, como destino turístico que 21


E N T R E V I S TA somos, estamos na dependência da evolução dos mercados de origem.

There are difficulties and that is why the Government has always acted promptly in implementing the right measures.

Crê que esta pandemia pode levar os principais decisores - políticos e económicos - a reorientar as suas estratégias, desviando investimentos do Turismo para outras actividades ou sectores menos condicionados por fenómenos como o novo coronavírus? O sector do turismo contribui com 26% do PIB regional. Não se trata de um sector que se possa colocar a possibilidade de deixar de ser prioritário. Ninguém, de bom juízo, o faria. A estratégia passa pelo apoio aos vários sectores que evidenciam potencial de competitividade internacional. Outros podem e devem crescer em função das oportunidades e a sua afirmação será um contributo para a economia regional. Conforme referi, nunca à custa do Turismo, mas num processo de crescimento próprio e que no conjunto resulte numa economia mais forte e robusta.

Do you have any perspective on whether, how and when will it be possible to recover the indicators we had in Tourism before the first outbreak? Nobody knows. Now I can guarantee that we work every day to make this happen as quickly as possible. If everything depended on Madeira and Porto Santo, I would say the time is now. Our evolution is no different because, as a tourist destination we depend on the evolution of the markets of origin.

O mundo demorou tempo de mais a reagir ao novo coronavírus? Tenho de admitir que sim. Não se valorizou muito o problema que surgiu na cidade de Wuhan, na China. Na Madeira, tivemos uma preocupação atempada, elegendo a nossa porta de entrada como o principal ponto de controlo e preparamo-nos para diminuir o seu impacto, o que acabou por acontecer com sucesso. Como e por onde pode crescer o turismo na Madeira? Passa por uma aposta em que tipo de actividades? Estamos no caminho certo para crescermos. A Região tem um desempenho notável no controlo da Covid-19, naturalmente que depende da procura dos mercados externos e das realidades a nível de pandemia de cada um deles, assim como do desenvolvimento de Portugal igualmente neste domínio. A nossa estratégia está definida, os nossos activos estão intactos, as nossas vantagens competitivas resultam acrescidas. Temos tudo para crescer. Aguardamos que o mercado internacional se encontre em condições para corresponder à nossa oferta. Que trabalho tem sido feito com os operadores turísticos? Além dos cuidados que o Governo Regional teve desde a primeira hora a nível da saúde pública, dos apoios que foram criados, e dos projectos que desenvolvemos como a criação do Manual de Boas Práticas e a Certificação do destino, fomos interventivos junto dos mercados emissores para que, quando chegasse o momento, estivéssemos na linha da frente. O trabalho junto dos operadores turísticos tem sido intenso e permanente. Foi determinante a nossa disponibilidade, deste a primeira hora, para informar, esclarecer, apoiar as operações e acompanhar toda a evolução. A realidade actual é nova, nada tem a ver com aquilo a que estávamos habituados. O risco tomou conta de qualquer operação e minimizá-lo tem sido a prioridade da Região e dos operadores envolvidos. A juntar aos contactos permanentes com o sector, nomeadamente com os operadores turísticos, o trabalho tem sido diário com as companhias de aviação e com organismos como o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado do Turismo, com que temos mantido um nível de entendimento exemplar. 22

Do you believe that this pandemic can lead the main decisionmakers - political and economic - to refocus their strategies, diverting investments from Tourism to other activities or sectors less conditioned by phenomena such as the new coronavirus? The tourism sector represents 26% of the regional GDP. This sector can never lose its priority status. No one, in their right mind, would remove such status. The strategy involves supporting the various sectors that show potential for international competitiveness. Others can and should grow according to the opportunities and their affirmation will be a contribution to the regional economy. As I said, never at the expense of tourism, but under a process of growth of its own and which, as a whole result in a stronger and more robust economy. Did the world take too long to react to the new coronavirus? I have to admit, yes. The problem that arose in the city of Wuhan, China, was not duly taken into account. In Madeira, we acted promptly, choosing our gateway as the main control point and we prepared to reduce its impact and this proved the right to do. How and where can tourism grow in Madeira? What kind of activities does it involve? We are on the right path to grow. The Region has a remarkable performance in the control of Covid-19 which naturally depends on the demand of the external markets and the realities as regards the pandemic situation in each market as well as on the development of Portugal in this area. Our strategy is defined, our assets are intact, our competitive advantages increased. We have everything to grow. We expect the international market to be in a position to match our offer. What work has been done with tour operators? In addition to the care put into this by the Regional Government right from the start in terms of public health, the means of support that were created, and the projects that we developed such as the creation of the Manual of Good Practices and the Certification of the destination, we were also active next to our main markets so that, when the time came, we would be ready on the front line. The work with tour operators has been intense and permanent. Our availability since the beginning was paramount to inform, clarify, support operations and monitor all developments. The current reality is new, it has nothing to do with what we were used to. The risk took over any operation and minimizing it has been a


INTERVIEW

ASPRESS/HELDER SANTOS

“ N U N C A B A I X A M O S A G UA R DA PA R A SEGUR ANÇA DAS PESSOAS QUE AQUI RESIDEM, DOS QUE TRABALHAM NO SECTOR DO TURISMO E AS SUAS F A M Í L I A S E D O S Q U E V I A J A M P A R A C Á .”

“WE NEVER LET OUR GUARD DOWN FOR THE SAFETY OF THE PEOPLE WHO LIVE HERE, THOSE WHO WORK IN THE TO U R I S M S E C TO R A N D T H E I R FA M I L I E S , A N D T H O S E W H O T R AV E L H E R E .” Qual tem sido o ‘feedback’ da aposta no mercado nórdico? O mercado nórdico está fortemente condicionado pelas restrições impostas pelo próprio. Existe a tendência de não considerar a situação epidemiológica regional, preferindose considerar a Região integrada no espaço continental. Essa realidade tem-nos penalizado fortemente e fez estragos objectivos em operações que são importantes para nós e, em especial para o Porto Santo. A nossa insistência é grande para que se faça justiça e se reconheça o estado em que nos encontramos. Enquanto isso não acontece, perdemos todos, perde a Região e perde o país. Por esta razão, a nossa insistência junto do ministério dos negócios estrangeiros é permanente. Quais são os principais objectivos da linha de apoio de 20 milhões de euros ao sector empresarial, lançada recentemente? E qual é o balanço até agora? A nova linha de crédito “Apoiar Madeira 2020” é mais um instrumento de apoio às empresas afectadas pela Covid-19, que possibilita às empresas da Região candidatarem-se a operações de financiamento com vista à cobertura de despesas de tesouraria e manutenção dos postos de trabalho. A nova linha de crédito, no montante de 20 milhões de euros, vem apoiar pequenas, médias e grandes empresas e as condições de acesso são, em quase tudo, semelhantes às da linha Investe RAM Covid-19. Nesta linha, que surge depois de uma primeira com a dotação de 100 milhões e que já contempla apoio a fundo perdido, não será exigido às empresas, nem pelas instituições bancárias nem pela SGM, qualquer tipo de aval ou garantia complementar pessoal ou patrimonial. Por outro lado, todas as empresas, sejam pequenas, médias ou grandes poderão obter financiamento até ao limite de 800 mil euros. Além disso, o valor do empréstimo poderá ser convertido em fundo perdido caso as empresas comprovem uma quebra de 40% no volume de facturação, entre os meses de Março e Maio, na Madeira, e de 15% para as empresas com

priority for the Region and the operators involved. In addition to the permanent contacts with the sector, namely with tour operators, we have been working daily with the airlines and with organizations such as Tourism of Portugal and the Secretary of State for Tourism and we have been able to establish a remarkable level of understanding with these entities. What has been the feedback from your bet on the Nordic market? The Nordic market is strongly conditioned by the restrictions imposed by the market itself. There is a tendency to disregard the regional epidemiological situation, preferring to consider the Region integrated into the continental space. This reality has severely penalized us and has done objective damage to operations that are important to us and, especially to Porto Santo. We have been insisting on fair treatment and on the need to acknowledge our current situation in this regard. Otherwise, we all lose, the Region loses and the country loses. Hence our permanent awareness next to the Ministry of Foreign Affairs. What are the main objectives of the recently launched €20 million aid package for the business sector? And what is the balance so far? The new credit line “Support Madeira 2020” is a further tool to support companies affected by Covid-19, which will enable companies in the region to apply for funding operations to cover current expenditure and maintain jobs. The new credit line, amounting to of 20 million is here to support small, medium and large companies and the access conditions are, as in almost everything, similar to those of the Investe RAM Covid-19 line. Under this scheme, which comes after a first scheme whereby € 100 million were made available and which already includes support for non-repayable funds, companies are required, either by banking institutions or by 23


A N D R É C A R VA L H O

E N T R E V I S TA

sede na ilha do Porto Santo. Para converter o montante do financiamento em valor não reembolsável, as empresas terão ainda de comprovar a manutenção dos postos de trabalho permanentes ao fim do período de carência de 18 meses. Trata-se, naturalmente, de um reforço significativo dos apoios ao tecido empresarial. A tónica é a mesma da linha anterior: apoiar para que se mantenham os postos de trabalho. Vivemos tempos incertos e importa ter a certeza de que o Governo Regional está atento e será sempre intervertido na defesa do tecido empresarial e da manutenção do emprego. Já admitiu que não será possível salvaguardar todos os postos de trabalho. E que o mercado faz muita falta. O que podemos esperar? O nosso grande propósito visa apoiarmos as empresas e os empresários, também em nome individual, no sentido de evitar desemprego. Sabemos que o mais difícil é manter a dinâmica empresarial, pelo que estamos a suportar a ausência de actividade económica para que as empresas continuem e mantenham os postos de trabalho. É por demais evidente que nos falta mercado. É a grande consequência da pandemia. Ninguém dirá o contrário. Também é preciso ser sério e não embarcar em tendência demagógicas, toda a crise tem consequências e a pressão sobre o emprego é muito significativa. O esforço que está a ser feito vai no sentido de minimizar os danos. Tudo faremos para o conseguir. Espero que a evolução da ciência possa trazer tranquilidade às pessoas e que, dessa forma, se recuperem os níveis de confiança que foram destruídos pelo medo que se instalou em todo o lado. Construindo confiança, estaremos a construir soluções e a relançar a economia global. l 24

SGM, to provide any type of personal or patrimonial guarantee or asset. On the other hand, all companies, whether small, medium or large, will be able to obtain funding up to the limit of €800 thousand. Furthermore, the loan amount can be converted into a non-repayable fund if companies prove a 40% drop in turnover between March and May in Madeira and 15% for companies based on the island of Porto Santo. To convert the funding amount into a non-repayable amount, companies still have to prove the maintenance of permanent work at the end of the 18-month grace period. This is naturally a significant reinforcement of the assistance provided to the corporate fabric as the emphasis is the same as in the previous scheme: assisting to preserve jobs. We live in uncertain times and we need to be sure that the Regional Government is attentive and will always be involved in defending the business fabric and preserving jobs. You have already conceded that it will not be possible to safeguard all jobs. And that the market is sorely missed. What can we expect? Our major purpose is to support companies and entrepreneurs, also on an individual basis, to avoid unemployment. We know that the most difficult thing to do is to maintain the business dynamics. That is why we are supporting the absence of economic activity so that companies may continue operating and maintain jobs. It is all too evident that we lack a market. It’s the major consequence of the pandemic. It’s perfectly clear. We have to be serious and not embark on demagogic trends. All crises have consequences and the pressure on employment is very significant. We doing everything to minimize the damage. We shall do everything in our power to avoid such damage. I hope that the evolution of science can bring peace of mind to people and that the levels of trust that have been destroyed by the fear that has been installed everywhere will be restored. In building trust, we will be building solutions and relaunching the global economy. l


Caixa. Para todos e para cada um.

25


ACTUALIDADE E L E I Ç Õ E S P R E S I D E N C I A I S E S TA D O S U N I D O S 2 0 2 0 US PRESIDENTIAL ELECTIONS 2020

O Q U E E S TÁ P A R A V I R ? W H AT ’ S N E X T ? A E L E I Ç ÃO P R E S I D E N C I A L N O S E S TA D O S U N I D O S E M 2 0 2 0 S E R Á R E A L I Z A DA N O P R Ó X I M O D I A 3 D E N O V E M B R O . B I D E N E T R U M P S ÃO O S C A N D I DATO S P R E S I D E N C I A I S N A 5 9 ª E L E I Ç ÃO P R E S I D E N C I A L D O PA Í S . T H E U S P R E S I D E N T I A L E L E C T I O N I N 2 0 2 0 W I L L TA K E P L AC E O N 3 R D N O V E M B E R . B I D E N A N D T R U M P A R E T H E P R E S I D E N T I A L C A N D I D AT E S I N T H E C O U N T R Y ’ S 5 9 TH P R E S I D E N T I A L ELECTION.

26


NEWS

VASCO R ATO, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO UNIVERSITY TEACHER

A

s eleições presidenciais americanas despertam invariavelmente grande parte das atenções em todo o mundo. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos da América foram catapultados para um papel proeminente nas questões internacionais, as orientações da política externa do país tiveram amplas consequências noutros países. As eleições presidenciais de 2020 não são, obviamente, uma excepção a essa regra, sobretudo se tivermos em conta que os Estados Unidos da América enfrentam actualmente desafios mais prementes do que em qualquer outro período da sua história desde finais da década de 1940. Até há bem pouco tempo, o consenso interno e bipartidário em matéria de política externa fazia com que a estratégia global dos Estados Unidos fosse bastante previsível. A ameaça existencial representada pela União Soviética fazia com que a preservação das alianças militares dos EUA e os amplos compromissos internacionais simplesmente não fossem compatíveis com mudanças políticas radicais. As diferenças nos estilos de liderança presidencial e nas agendas internas eram constantes e, por vezes, profundas. No entanto, os contornos das orientações em matéria de política externa dos Estados Unidos da América foram moldados pelas exigências estruturais da Guerra Fria. Após a dissolução da União Soviética e a consolidação da “reforma e abertura” de Deng Xiaoping, um novo consenso bipartidário ganharia forma durante a presidência de Bill Clinton. Desde então, os EUA empenharam-se no sentido da expansão da ordem liberal por via da promoção do mercado livre e da democracia política. Como corolário disso, a China transformar-se-ia num actor responsável por via da sua adesão à Organização Mundial do Comércio e plena incorporação na economia mundial. A interdependência gerada pelo comércio global baseado em cadeias de abastecimento interligadas empurraria, conquanto o consenso em matéria de política externa se mantivesse, Pequim para mais reformas e democratização política. O resultado seria um sistema internacional mais pacífico e a preservação da ordem liberal internacional liderada pelos americanos. No entanto, com os democratas e republicanos a perseguirem agendas políticas cada vez mais divergentes, tanto a nível interno como externo, o consenso bipartidário desgastar-se-ia e os EUA assistiram assim ao início de uma polarização política acentuada e de conflito partidário. Mas seria errado sugerir que Trump é a causa da radicalização política do país. Na verdade, a vitória de Trump sobre Hillary Clinton em 2016 foi em si uma consequência da tribalização da política dos EUA,

A

merican presidential elections invariably spawn a substantial amount of attention throughout much of the rest of the world. Since the end of World War II, when the United States was catapulted to a preeminent role in international affairs, the direction of the country’s foreign policy produced far-ranging consequences in other states. Obviously, the 2020 presidential election is no exception to this rule, particularly since the United States presently faces challenges more pressing than at any other time since the late 1940s. Until quite recently, the existing domestic, bipartisan consensus on foreign policy meant that the United States’ overall grand strategy remained quite predictable. The existential threat posed by the Soviet Union meant that the preservation of US military alliances and broad international commitments was simply not compatible with radical policy shifts. Differences in presidential leadership styles and domestic agendas were a constant and, at times, profound. Yet, the general outlines of America’s foreign policy orientation were molded by the structural exigencies of the Cold War. In the aftermath of the breakup of the Soviet Union, and the consolidation of Deng Xiaoping’s “reform and opening”, a new bipartisan consensus took form during the Bill Clinton presidency. From that point forward, the US committed itself to the enlargement of the liberal order through the promotion of free markets and political democracy. As a corollary, China was to be transformed into a responsible stakeholder by way of its accession to the World Trade Organization and full incorporation into the world economy. The interdependence generated by global trade resting upon intertwined supply chains would, so the foreign policy consensus maintained, nudge Beijing towards further reform and political democratization. The result would be a more pacific international system and the preservation of the American-led international liberal order. However, as Democrats and Republicans pursued increasingly divergent policy agendas both at home and abroad, the bipartisan consensus frayed and the US witnessed the onset of accentuated political polarization and partisan conflict. Yet, it would be erroneous to suggest that Trump is the cause of the 27


ACTUALIDADE gerada pelos efeitos da globalização. Grandes sectores da sociedade americana viveram a globalização sob a forma de desindustrialização, com o desemprego e o esvaziamento das comunidades daí resultante. Como seria de esperar, o resultado foi uma reacção contra o comércio livre e, em particular, contra as práticas comerciais chinesas. Ao mesmo tempo, o predomínio das redes sociais e a concomitante erosão da influência dos media tradicionais radicalizaram ainda mais o discurso político e aumentaram a distância entre os dois principais partidos do país. Todos esses factores levaram a uma rejeição das elites políticas e culturais do país. O populismo de Donald Trump mobilizaria sectores do eleitorado que chegaram à conclusão de que o “pântano”, o ‘establishment’, falhou para com o trabalhador americano comum. A vitória de Donald Trump em 2016 deitou por terra o consenso em matéria de política externa e colocou o país num novo rumo em matéria de questões internacionais. De notar, contudo que não foi Trump que provocou essa mudança; Trump respondeu sim às mudanças estruturais que estavam a ocorrer no sistema internacional. Durante a campanha de 2016, o candidato republicano foi claro ao sugerir que o ‘establishment’ da política externa falhara com o país. O papel dos Estados Unidos no mundo teve, portanto, de sofrer mudanças profundas por forma a ser mais sensível aos interesses e preocupações do país profundo. A classe trabalhadora norte-americana, os deploráveis de Hillary Clinton, foram os principais perdedores do processo de globalização e da emergência da China como grande potência. Como resultado lógico, tornou-se necessário formular uma nova política que colocasse o interesse nacional dos Estados Unidos no centro das prioridades do país. Para reverter o declínio dos EUA, a agenda política da “América em Primeiro Lugar” visava assim renovar o relacionamento com a China e, também, com os aliados tradicionais de Washington, incluindo a Europa. Em 2020, o sistema internacional está em profunda mutação numa altura em que a ordem liberal enfrenta o desafio aberto da Rússia e da China, duas potências revisionistas determinadas a porem fim à proeminência americana. Administrar a nova correlação internacional de forças e desenvolver uma grande estratégia capaz de assegurar a manutenção dos interesses nacionais dos Estados Unidos será uma tarefa fundamental do próximo presidente. No entanto, e independentemente do vencedor das eleições de Novembro de 2020, Washington não pode regressar às amplas preferências políticas das últimas décadas. Essas soluções já não são viáveis. Em termos gerais, a política externa de Trump, especialmente no que toca ao comércio e à China, será continuada pelo próximo presidente. A visão europeia que postula um “regresso à normalidade” quando Trump abandonar a Casa Branca não é sustentável, portanto. O populismo, que prevalece agora tanto na esquerda como na direita americana, é uma resposta ao fracasso das políticas e às incertezas quanto ao papel do país no mundo. Em suma, não se antevê um regresso ao amplo consenso que sustentou a política americana, interna e externa durante a segunda metade do século XX. Trump não é uma anomalia; é o sinal do que está para vir. l 28

country’s radicalized politics. Indeed, Trump’s defeat of Hillary Clinton in 2016 was itself a consequence of the tribalization of US politics generated by the effects wrought by globalization. Large sectors of American society experienced globalization in the form of deindustrialization, as joblessness and a hollowing out of communities. Not unexpectedly, the result was a backlash against free trade and, in particular, Chinese trade practices. At the same time, the dominance of social media and the concomitant erosion of traditional media influence radicalized political discourse further and widened the gap between the country’s two main parties. All of these factors led to the rejection of the country’s political and cultural elites. Donald Trump’s populism merely mobilized sectors of the electorate that had reached the conclusion that the “swamp”, the establishment, had failed the average, blue-collar American. Donald Trump’s 2016 victory overturned the foreign policy consensus and set the country on a new course in international affairs. It is, however, crucial to note that Trump did not cause the shift; rather, he responded to the structural changes occurring in the international system. During the 2016 campaign, the Republican candidate was clear in suggesting that the foreign policy establishment had failed the country. The United States’ role in the world had, therefore, to undergo profound modification so as to become more responsive to the interests and concerns of the American heartland. America’s working class, Hillary Clinton’s deplorables, were the primary losers of the globalization process and of China’s emergence as a great power. As a logical result, it was necessary to fashion a new policy placing the US national interest at the center of the country’s priorities. To revert US decline, the “America First” policy agenda aimed to refashion the relationship with China and, also, with Washington’s traditional allies, including Europe. In 2020, the international system is in profound mutation as the liberal order confronts overt challenge by Russia and China, two revisionist powers determined to upend American preeminence. Managing the new international correlation of power, and developing a grand strategy capable of assuring the maintenance of US national interests, will be the fundamental task of the next president. Still, and irrespective of the winner of the November 2020 elections, Washington cannot return to the broad policy preferences of past decades. Those solutions are no longer workable. In broad terms, Trump’s foreign policy, particularly regarding trade and China, will be continued by the next president. The European view positing a “return to normality” when Trump abandons the White House is therefore not tenable. Populism, now prevalent on both the American left and right, is a response to perceived policy failing and the uncertainties of the country’s role in the world. In short, there is no going back to the broad consensus that underpinned American politics, domestic and external, during the latter half of the twentieth century. Trump is not an anomaly; he is the sign of things to come. l


QUANDO O PAÍS MAIS PRECISA, A FIDELIDADE CONTINUA. Quando o país mais precisa, a Fidelidade continua, ativando novas tecnologias e avançando com novas soluções. Há mais de 200 anos que continuamos juntos, na proteção, na assistência e na saúde. Para que todos possam estar em casa em segurança, a Fidelidade continua com as famílias e as empresas. E se a tecnologia nos leva mais longe, é com o coração que chegamos mais perto. Em qualquer lugar, em todos os momentos, a Fidelidade continua.

PARA QUE A VIDA NÃO PARE

fidelidade.pt Fidelidade - Companhia de Seguros, S.A. ∙ NIPC e Matrícula 500 918 880, na CRC Lisboa ∙ Sede: Largo do Calhariz, 30, 1249-001 Lisboa - Portugal ∙ Capital Social 457 380 000€ www.fidelidade.pt ∙ Linha de Apoio ao Cliente: T. 808 29 39 49 ∙ E. apoiocliente@fidelidade.pt ∙ Atendimento telefónico personalizado nos dias úteis das 8h às 23h e sábados das 8h às 20h.

29


PRESIDÊNCIA UE

JOÃO VACAS, CO N S U LTO R A B R E U A DV O G A D O S CO N S U LTA N T AT A B R E U A DV O G A D O S

2021: ANO DA ADESÃO DE PORTUGAL À UNIÃO EUROPEIA? 2 0 2 1 : T H E Y E A R O F P O R T U G A L’ S A C C E S S I O N TO THE EUROPEAN UNION?

N

o dia 1 de Janeiro de 2021 começa a próxima Presidência portuguesa do Conselho da União Europeia. Será a quarta vez que o nosso país dirigirá os trabalhos do Conselho. É uma boa oportunidade para Portugal aderir à União Europeia. Os mais informados dirão que a adesão se deu em 1986, que Portugal é membro de pleno direito das Comunidades /União Europeia desde essa data e que, por isso, nada mais há a que aderir. Apesar de não ignorar esse facto, discordo da conclusão. A univocidade da via europeia, assumida pela III República, teve como consequência a separação entre aqueles que a compreenderam e integraram e a maioria da população que se manteve à margem. Essa clivagem ainda subsiste. Salvo algumas vozes minoritárias, tendencialmente à extrema-esquerda no espectro partidário emergente, o caminho europeu não sofreu contestação de relevo e tornou-se uma garantia de que o Portugal pós-abrilino permaneceria fiel aos princípios e práticas da democracia liberal de matriz ocidental; mas esta ausência não pode confundir-se com adesão social ou mesmo compreensão efectiva do funcionamento do bloco político-económico de que pretendíamos fazer parte. O país e os seus cidadãos revelam fragilidades flagrantes na interacção com a União Europeia e, muitas vezes, adoptam uma perspectiva de curto prazo face aos eventuais proventos que dela emanem. Dito de outro modo, a União é entendida por muitos como uma mera fonte de financiamentos, um “mealheiro” mais ou menos generoso, a que se pode recorrer não importando por que razão. O momento excepcional que vivemos não o é a esse título.

30

T

he 1st of January 2021 marks the start of the next Portuguese Presidency of the Council of the European Union begins. It will be the fourth time that our country will direct the work of the Council. It is a good opportunity for Portugal to join the European Union. The most informed will say that the accession took place in 1986 that Portugal has been a full member of the Communities/European Union since that date and, therefore, there is nothing else to join. Although I don’t ignore that fact, I disagree with the conclusion. The single voice of the European path, assumed by the Third Republic, resulted in the separation between those who understood and integrated it and the majority of the population that remained on the side-line. This cleavage is still here today. Except for some minority voices, particularly on the extreme left in the emerging party spectrum, the European path didn’t suffer any major challenge and became a guarantee that post-April Portugal would remain faithful to the principles and practices of liberal democracy with a western matrix; but this absence cannot be mistaken with social accession or even with an effective understanding of the workings of the political-economic bloc we intended to be part of. The country and its citizens show glaring weaknesses in their interaction with the European Union and often adopt a short-term perspective in light of the possible proceeds that emerge from it. In other words, the Union is seen by many as a mere source of funding, a more or less generous “piggy bank”, which can be used no matter why. The exceptional moment we are experiencing has however nothing to do with it. In addition to this uncritical and instrumental


EU PRESIDENCY

“A P R E S I D Ê N C I A PORTUGUESA APROXIMARÁ A POLÍTICA EUROPEIA DO NOSSO DIA-A-DIA DENTRO DE POUCO TEMPO E DA R Á AO PA Í S A P OSSIBILIDADE DE A C O N H E C E R M E L H O R .”

A essa visão acrítica e instrumental da UE, acresce a incompreensão quanto ao seu modo de operar, às competências de que dispõe e ao que fazem as suas instituições. O desconhecimento contribui para alimentar equívocos, para limitar a participação e para alijar responsabilidades: falar de “Bruxelas” como algo que nos é externo significa iludir-nos quanto ao que efectivamente se passa no contexto europeu. É inquietante que tantos anos tenham passado e que persista o sentimento de que acabámos de entrar. Já deveríamos ter percebido o modo como funcionam e como se influenciam as instituições europeias, de que formas podemos posicionar-nos melhor no seu seio e por que razão a política nacional não é dissociável deste nível supranacional. A sensação de recomeço permanente dificulta a afirmação nacional no quadro europeu. E fá-la depender do brio, da boa vontade e da dedicação, quase sobre-humanas, de algumas pessoas. A montante de tudo isto talvez esteja o facto de nunca ter sido perguntado directamente aos portugueses se concordam com a participação nacional no projecto europeu. Por muitos defeitos que a opção referendária tenha, e tem, é um facto que a realização de referendos promove e potencia o debate em torno de questões julgadas essenciais ou basilares para as sociedades. De um modo assumidamente caricatural, podemos afirmar que a nossa opção europeia não foi opção, que a nossa pertença europeia está por entender, que a nossa capacidade de intervenção está por melhorar e que a nossa efectiva compreensão da União está por acontecer. A Presidência portuguesa aproximará a política europeia do nosso dia-a-dia dentro de pouco tempo e dará ao país a possibilidade de a conhecer melhor. Não teremos melhor oportunidade para aderir à União Europeia. l

vision of the EU, there is some misunderstanding about the way it operates, the skills it has and what its institutions do. Ignorance feeds misunderstandings, to limit participation and to remove responsibilities: speaking of “Brussels” as something external to us means deluding ourselves as to what is happening in the European context. It is disturbing that so many years have passed and that the feeling that we have just joined remains. We should have already realized how the European institutions work and how they influence each other, how we can better position ourselves within them and why the national policy is not dissociable from this supranational level. The feeling of a permanent restart makes it difficult to make a national statement within the European framework. And it makes it depend on the commitment, goodwill and dedication, almost superhuman, of some people. Upstream of all this, perhaps, is the fact that the Portuguese were never asked directly whether they agree with national participation in the European project. Despite the many faults the referendum option may have, and it has some, it is a fact that holding referendums promotes and strengthens the debate around issues deemed essential or fundamental for societies. In an admittedly caricatural way, we can say that our European option was not an option, that our European allegiance is yet to be understood, that our capacity of intervention is about to improve and that our effective understanding of the Union is still to happen. The Portuguese Presidency will bring European policy closer to our daily lives in a short time and will give the country the chance to get to know it better. We will have no better opportunity to join the European Union. l

“PORTUGUESE PRESIDENCY WILL BRING EUROPEAN POLICY CLOSER TO O U R DA I LY L I V E S I N A SHORT TIME AND WILL GIVE THE COUNTRY THE CHANCE TO GET T O K N O W I T B E T T E R .”

31


NACIONAL ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS PORTUGUESAS DE 2021 PORTUGUESE PRESIDENTIAL ELECTIONS 2021

AS PRESIDENCIAIS INORGÂNICAS THE INORGANIC PRESIDENTIAL ELECTIONS AS

DÉCIMAS

ELEIÇÕES

PRESIDENCIAIS

DA

III

REPÚBLICA

SERÃO

DIFERENTES

DAS

A N T E R I O R E S . O R E S U LTA D O P O D E R Á A L E R TA R Q U E H Á A L G O U R G E N T E Q U E P R E C I S A D E C U I DA D O : O PA Í S . T H E T E N T H P R E S I D E N T I A L E L E C T I O N S O F T H E T H I R D R E P U B L I C W I L L B E D I F F E R E N T. T H E E L E C T I O N S R E S U LT S M AY S E N D S I G N S O F WA R N I N G T H AT T H E R E I S S O M E T H I N G U R G E N T T H A T N E E D S T O B E L O O K E D A F T E R : T H E C O U N T R Y.

32

(Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


N AT I O N A L

SEBASTIÃO BUGALHO

A

décima eleição presidencial da III República será diferente de todas as outras. A jovem democracia portuguesa, a uma legislatura do seu cinquentenário, alcançou na última década a plenitude das suas possibilidades políticas. A representação parlamentar abrange atualmente conservadores, liberais, sociais-democratas, ecologistas, comunistas e populistas de direita e esquerda – todos, com a pulverização recente e posterior à crise financeira, crescentemente vocais no que concerne à sua ideologia. A governação, por seu turno, foi também testada num largo leque de modelos nos últimos 46 anos: em iniciativa presidencial, em coligação de direita, em Bloco Central, em maioria absoluta de um lado, em maioria absoluta do outro, em governos minoritários e, também depois da última crise, em acordos de incidência parlamentar. Os consensos entre quem governa, ainda que pouco falados, são tácitos: Estado social europeu, rigor orçamental, abertura a investimento estrangeiro, direitos humanos, alterações climáticas. As alianças para chegar ao poder, pelo contrário, são menos consensuais, mais imprevisíveis e, por isso, tão mais discutidas. Para descortinar o significado das próximas presidenciais é necessário localizar o eleitorado português no tempo histórico que o país vive, isto é, na vivência que o regime democrático acumulou até aos dias de hoje. É um regime novo, mas vivido. Com erros por assumir e oportunidades por aproveitar; com fracassos e festejos em igual ocorrência e desigual importância. As eleições para a chefia de Estado agendadas para o próximo ano acontecerão num contexto altamente improvável, imprevisível, de vitorioso pré-determinado mas resultado determinante. A unidade institucional que a presidência de Marcelo Rebelo de Sousa cultivou no seu primeiro mandato – da estabilidade política que ofereceu à ‘geringonça’ de António Costa à quase fusão entre órgãos de soberania durante a pandemia – foi tanto uma consequência dos eventos que a Presidência enfrentou (a saída de um procedimento por défice excessivo, a tragédia dos incêndios, a entrada numa crise sanitária) como será um catalisador da futura vida política do país, do Presidente e da sua reeleição. Houve, de 2016 a 2020, um alinhamento claro entre a Assembleia da República (em posse de uma maioria de esquerda), o Governo (sustentado nessa maioria) e o Palácio de Belém. Tal não se trata de um juízo de valor, mas de

T

he tenth presidential election of the Third Republic will be different from the preceding. The young Portuguese democracy, one legislature away from celebrating its fiftieth anniversary, reached the plenitude of its political possibilities in the last decade. Parliamentary representation currently includes conservatives, liberals, social-democrats, ecologists, communists and right wing and left wing populists - all of them, in light of the recent and subsequent dispersion of the financial crisis, now increasingly vocal as regards their ideology. Governance, in turn, was also a wide range of models in the past 46 years to the test on: president-appointed government, right-wing coalition, central bloc, right-wing absolute majority and left-wing majority, minority governments and, after the last crisis, governments that resulted from parliamentary agreements. The consensus among those in power, although not widely spoken, is tacit: European welfare state, budgetary discipline, openness to foreign investment, human rights, climate change. Alliances to reach power, on the contrary, are less consensual, more unpredictable and, therefore, the focus of greater discussion. In order to better understand the meaning of the next presidential elections we need to focus on both the Portuguese electorate and the country’s history, that is, the experience the democratic regime has accumulated until now. The regime may be new but it has lived a full life. With mistakes yet to acknowledge and future opportunities; with failures and celebrations in equal amount and unequal importance. The elections for the head of State scheduled for next year will take place in a highly unlikely and unpredictable context, with a predetermined winner and decisive result. The institutional unity that the presidency of Marcelo Rebelo de Sousa cultivated in his first term - from the political stability he offered to António Costa’s ‘contraption’ to the near merger between sovereign bodies during the pandemic - was a consequence of the events faced by his Presidency (the exit from an excessive deficit procedure, the forest fires tragedy, the start of a health crisis) and will be a catalyst for the future of the country, of the President and of his re-election. From 2016 to 2020, there was a clear alignment between the Parliament (with a left-wing majority), the Government (sustained by that majority) and the president’s Belém Palace. This is not passing judgment but rather a fait accompli: the endorsements of the 33


NACIONAL um facto consumado: os ‘endorsements’ do Presidente da Assembleia da República e do Primeiro-Ministro a uma recandidatura de Marcelo sobram como prova. O problema de concentrar esse triângulo de instituições num só vértice, numa só ideia – e, nas presidenciais, numa só personalidade – é que as instituições, se unidas, deixam de o ser. Essa junção, independentemente da nobreza ou do taticismo que a tenha motivado, contribuirá para umas presidenciais invulgarmente inorgânicas. Dito de outro modo: se Marcelo é todo o regime, será atacado por todos os insatisfeitos com o regime – representados, respetivamente, pelas candidaturas de André Ventura e de Ana Gomes. É olhar, por exemplo, para a diferença entre candidatos. Em 2016, Marcelo venceu um académico (Sampaio da Nóvoa), uma eurodeputada relativamente moderada (Marisa Matias), um comunista que havia sido padre (Edgar Silva) e uma ex-presidente do PS (Maria de Belém). Em 2021, Marcelo enfrentará um populista de direita (André Ventura) e uma ‘outsider’ do Partido Socialista (Ana Gomes) numa corrida que promete menorizar os demais candidatos, igualmente dependentes de polarizações e provas de vida partidárias (BE, PCP, IL). O Presidente defende-se da colagem ao Partido Socialista como pode, sendo originário (e património) da direita democrática. Por um lado, com o já referido argumento da estabilidade política (num país que acabava de sair de uma crise profunda); por outro, com a constatação de que não há uma alternativa concreta ao PS, visivelmente beneficiado pela divisão da direita em cisões do partido que Marcelo fundou: numa dissidência populista (o Chega), numa dissidência idealista (a Iniciativa Liberal) e numa dissidência pessoal (o Aliança). Marcelo Rebelo de Sousa chegará então às Presidenciais envolvido numa soma de paradoxos. Apostou numa Presidência informal e de proximidade, mas reúne o apoio das principais instituições do regime. É uma figura com percurso feito na direita, mas é olhado com distanciamento e desconfiança pela área política que ajudou a inaugurar. Foi formado, esculpido e batizado pelo regime anterior, mas será o porta-estandarte do atual. E passou cinco anos a ser acusado de adição à popularidade para enfrentar agora uma concorrência genericamente populista. As décimas eleições presidenciais da III República serão diferentes das anteriores por tudo isto. O regime alcançou um tempo de vida que permite uma avaliação às suas instituições e protagonistas, o incumbente representa uma coligação dessas instituições, sujeitando-as inevitavelmente a um escrutínio conjunto, e os seus adversários simbolizam tudo aquilo que as coloca em causa – no caso de André Ventura, empunhando mesmo a mudança de regime como bandeira. Ironicamente ou não, o voto em Marcelo Rebelo de Sousa em 2021 tornar-se-á assim um voto na República que saiu de Abril, e as presidenciais num referendo ao regime que, com os seus vícios e virtudes, de Abril veio. O resultado não se consumará numa mudança em si, imediata ou revolucionária, mas poderá alertar, como que uma sirene ao fundo da rua, que há algo urgente que precisa de cuidado. O país. l 34

President of the Parliament and the Prime Minister to a re-election of Marcelo are not there yet to prove this. The problem of concentrating this triangle of institutions on a single vertex, on a single idea - and in presidential elections on a single personality - is that institutions, if united, will cease to be so. This combination, as noble or tactic as it may have been and which motivated this will contribute to unusually inorganic presidential elections. In other words: if Marcelo is the whole regime, he will be attacked by all those not happy with the regime - represented, respectively, by the candidacies of André Ventura and Ana Gomes. Just look, for example, at the difference between candidates. In 2016, Marcelo beat an academic (Sampaio da Nóvoa), a relatively moderate MEP (Marisa Matias), a communist and former priest (Edgar Silva) and a former Socialist Party president (Maria de Belém). In 2021, Marcelo will face a right-wing populist (André Ventura) and an outsider from the Socialist Party (Ana Gomes) in a race that promises to reduce the weight of the remaining candidates, who are also dependent on party polarizations and party proof-of-life tests (BE, PCP, IL). The President refutes the accusations of sticking to the Socialist Party as best as he can, being as he is a native (and heritage) of the democratic right wing. On the one hand, there is the aforementioned argument of political stability (in a country that has just emerged from a deep crisis); and on the other, the realization that there is no concrete alternative to the PS, in light of a political landscape marked by the divisions within the right wing party Marcelo was also a founder of; populist dissent (Chega); idealist dissent (Liberal Initiative); and personal dissent (Aliança). Marcelo Rebelo de Sousa will then arrive at the Presidential elections involved in a sum of paradoxes. He bets on an informal and proximity Presidency, but he relies also on the support of the main institutions of the regime. He is someone with a right wing history, but he is viewed with estrangement and mistrust by the political area that he helped establish. He was formed, carved and baptized by the previous regime, but he will be the standard-bearer of the current regime. He spent five years being accused of being addicted to popularity and now faces a generically populist competition. The tenth presidential elections of the Third Republic will be different from the preceding for all this. The regime is now ripe enough to allow for its institutions and protagonists to be assessed and the incumbent represents a coalition of these institutions, inevitably subjecting them to joint scrutiny while his opponents symbolize everything that questions them - in the case of André Ventura, he even wields regime change as a flag. Ironically or not, voting Marcelo Rebelo de Sousa in 2021 will thus become a vote in the Republic that came out of the April revolution, and the presidential elections will be like voting in a referendum on a regime that, with its vices and virtues, is a direct result of the April revolution. The elections results will not result in immediate or revolutionary changes, but may send signs, like a siren down the street, warning that there is something urgent that needs to be looked after. The country. l


UMA REINVENÇÃO SUSTENTÁVEL A S U S TA I N A B L E R E I N V E N T I O N

O

ANO

DE

2020

FICARÁ

MARCADO

COMO

O

ANO

DA

PA N D E M I A ,

COM

C O N S E Q U Ê N C I A S S O C I A I S E E C O N Ó M I C A S C ATA S T R Ó F I C A S , S E M P R E C E D E N T E S NA NOSSA HISTÓRIA RECENTE. É P R E C I S O O L H A R P A R A T U D O I S T O E P E N S A R D E U M A F O R M A P O S I T I VA C O M O R E C O M E Ç A R , M A S R E C O M E Ç A R B E M , U M R E C O M E Ç O S U S T E N TÁV E L E M U I T O L I G A D O À I N O VA Ç Ã O . É S O B R E I S T O Q U E E S P E C I A L I S TA S E M VÁ R I O S S E C T O R E S N O S V Ê M F A L A R N A S P R Ó X I M A S P Á G I N A S D A P R É M I O : C O M O E S TÃ O A D A R A V O LTA P O R C I M A E C O M O S E E S TÃ O A R E I N V E N TA R . T H E Y E A R 2 0 2 0 W I L L G O D O W N I N H I S T O RY A S T H E Y E A R O F T H E PA N D E M I C , W I T H C ATA S T R O P H I C S O C I A L A N D E C O N O M I C C O N S E Q U E N C E S , U N P R E C E D E N T E D I N O U R R E C E N T H I S T O R Y. W E N E E D T O L O O K AT T H I S A N D C O M E U P W I T H A P O S I T I V E W A Y T O R E S TA R T, B U T T O R E S TA R T W E L L , I N A S U S TA I N A B L E M A N N E R A N D W I T H S T R O N G L I N K S T O I N N O VAT I O N . S P E C I A L I S T S F R O M A N U M B E R O F S E C T O R S TA L K S P R E C I S E LY A B O U T T H I S I N T H E N E X T PAG E S O F P R É M I O : H O W T H E Y A R E M E N D I N G T H I N G S A N D H O W T H E Y A R E R E I N V E N T I N G T H E M S E LV E S . 35


ADVOCACIA

PAULA GOMES FREIRE, SÓCIA VDA-VIEIRA DE ALMEIDA PARTNER AT VDA-VIEIR A DE ALMEIDA

REINVENTEMO-NOS, POIS! L E T U S R E I N V E N T O U R S E LV E S !

M

arço de 2020. De lá para cá o mundo mudou. Great Reset, New Normal, Next Normal são expressões que passámos a ouvir com frequência e que nos dão uma ideia da magnitude e alcance desta experiência coletiva e transformadora a que a pandemia nos submeteu. Lidar com as mudanças radicais e os níveis de incerteza que o novo vírus nos impõe requer, por parte de quem lidera uma organização, três coisas essenciais: REAGIR - uma enorme coragem para tomar decisões rápidas e eficazes. De forma súbita, um pouco por todo o lado, vimos organizações inteiras passar a trabalhar de forma inédita. Fazê-lo, sem impactar a continuidade das operações, requer esta capacidade de reação ágil e atempada; RESPONDER - uma noção brutalmente clara das prioridades. Mobilizar tudo e todos em torno do que é verdadeiramente importante: os Colaboradores e os Clientes, sempre, e, com particular enfoque nestes tempos de crise, a saúde de Todos, a gestão da Tesouraria e a transparência da Comunicação; REINVENTAR-SE - uma vontade inabalável de sair mais forte da crise. Olhar para lá do imediato, identificar as oportunidades extraordinárias que qualquer crise sempre traz, imaginar o futuro e acelerar. Reagir e Responder são exercícios muito exigentes mas, neste ponto da pandemia em que se torna mais ou menos evidente que a recuperação não será rápida ou imediata e que viveremos por algum tempo num contexto económico recessivo global, o verdadeiro desafio é Reinventar-se e antecipar as mudanças necessárias.

36

M

arch 2020. Since then the world has changed. Great Reset, New Normal, Next Normal are expressions that we often hear and give us an idea of the size and scope of this collective and transformative experience that the pandemic has subjected us to. Dealing with the radical changes and the levels of uncertainty that the new virus imposes on us requires, on the part of those who lead an organization, three essential things: REACT - enormous courage to make quick and effective decisions. Suddenly, there and everywhere, we saw entire organizations working in an unprecedented way. Doing so, without impacting the continuity of operations, requires this ability to react quickly and in time; RESPOND - a brutally clear notion of priorities. Mobilize everything and everyone around what is truly important: Employees and Customers, always, and with a particular focus in these times of crisis, on the health of Everyone, the management of the Treasury and the transparency of Communication; REINVENTING OURSELVES - an unwavering desire to come out of the crisis stronger. Look beyond the immediate, identify the extraordinary opportunities that any crisis always brings, imagine the future and accelerate. Reacting and Responding are very demanding exercises, but at this point in the pandemic where it becomes more or less evident that recovery will not be quick or immediate and that we will live for some time in a global economic recession, the real challenge is to Reinvent and anticipate the necessary changes.


LAW

“A S N O VA S F O R M A S D E TRABALHO - REMOTO, A U T O M AT I Z A D O - E N O V O S MODELOS DE COLABORAÇÃO INTERDISCIPLINAR EXIGEM R E S P O S TA S I N O VA D O R A S , C A PA Z E S D E AT R A I R E R E T E R O S M E L H O R E S T A L E N T O S .”

A emergência climática, a aceleração digital, a centralidade do modelo de negócio sustentável são tendências globais e transversais que a pandemia veio acelerar e que exigem novas respostas e um novo posicionamento por parte das organizações. Foco inabalável na qualidade e níveis de serviço, eficiência e previsibilidade dos custos, soluções integradas e de genuíno valor acrescentado para os seus Clientes são exigências que qualquer prestador de serviços profissionais terá que endereçar de forma renovada. As novas formas de trabalho remoto, automatizado - e novos modelos de colaboração interdisciplinar exigem respostas inovadoras, capazes de atrair e reter os melhores talentos. As preocupações ambientais, societais e de ‘governance’ que a pandemia veio exacerbar exigem um novo compromisso com impacto nos modelos de negócio mais tradicionais. Neste contexto de hiper incerteza, Reinventar-se obriga também a uma atenção redobrada aos sinais e há uma métrica que se tem destacado na definição das estratégias de combate à COVID19 que pode servir de inspiração. Trata-se do índice “Rt”, ou seja, o número médio de casos secundários que resultam de um caso infetado e que deve manter-se inferior a 1 sob pena de o contágio deixar de estar sob controlo. Uma vez que, entre o incremento do índice “Rt” e o aumento do número de pessoas hospitalizadas, há um desfasamento temporal, a monitorização do “Rt” acaba por funcionar como um sinal de alerta que permite a adoção de medidas antes que seja demasiado tarde. Neste tempo em que somos chamados a reinventarmo-nos vale a pena estar alerta, vale a pena identificar aqueles sinais que, em cada negócio ou organização, devem ser cuidadosamente monitorizados para assim antecipar as mudanças necessárias. As organizações que o fizerem e agirem atempadamente sairão reforçadas desta crise. De olhos postos no futuro e com a absoluta confiança de que também esta crise passará – Reinventemo-nos, pois! l

The climate emergency, the digital acceleration, the centrality of the sustainable business model are global and wide-ranging trends that the pandemic has accelerated and which require new responses and a new positioning from organizations. Unwavering focus on quality and service levels, efficiency and cost predictability, integrated solutions and genuine added value for its customers are requirements that any professional service provider will have to address in a new way. The new forms of work remote, automated - and new models of interdisciplinary collaboration require innovative responses, capable of attracting and retaining the best talents. The environmental, societal and governance concerns that the pandemic has exacerbated require a new commitment with an impact on more traditional business models. In this context of hyper uncertainty, Reinventing ourselves requires also great focus on the signs and there is a metric which stands out in the definition of practices to fight COVID19 and which may be a source of inspiration, e.g. the “Rt” index, that is, the average number of secondary cases resulting from an infected case and which must remain below 1, under the risk of contagion being no longer under control. Given that, between the increase in the “Rt” index and the increase in the number of patientes admitted in hospitals there is a time lapse monitoring of the “Rt” ends up working as a warning sign allowing the adoption of measures before it’s too late. Now that we are called to reinvent ourselves, we should heed the warnings and identify those signs that, in each business or organization, must be carefully monitored in order to anticipate the necessary changes. Organizations that do so and act in time will come out stronger out of this crisis. With eyes set on the future and with the absolute confidence that this crisis will also be over - Let us reinvent ourselves, then! l

“THE NEW FORMS OF WORK - REMOTE, A U T O M AT E D - A N D NEW MODELS OF INTERDISCIPLINARY C O L L A B O R AT I O N R E Q U I R E I N N O VA T I V E R E S P O N S E S , C A PA B L E O F AT T R A C T I N G A N D R E TA I N I N G T H E B E S T T A L E N T S .”

37


NACIONAL

DUARTE MARQUES, DEPUTADO PSD PSD MEMBER OF PARLIAMENT

PLANO DE RECUPERAÇÃO DO

ESTADO E NÃO DA ECONOMIA A R E C O V E R Y P L A N T H AT I S T H E R E T O A S S I S T T H E S TAT E , N O T E C O N O M Y

O

combate à pandemia causada pelo Covid19 obrigou a um conjunto de medidas que deram cabo de várias economias europeias. A pedido dos governos, as empresas viram-se forçadas a suspender a sua atividade e os Estados viram-se obrigados a socorrer as pessoas e as empresas num cenário de menos receitas (menos impostos) e mais despesas. Tudo isto levou a Europa a agir e a aprovar um pacote de ajuda sem precedentes - a bazuca europeia - a que se soma o próximo Orçamento Europeu. O Plano português deveria responder a três premissas que considero fundamentais para a utilização de fundos europeus: não financiar despesa corrente; não substituir verbas que competem ao Orçamento de Estado; fazer investimento reprodutivo, que remova barreiras e aumente a competitividade da nossa economia. A opção já anunciada pelo Governo dá, no entanto, clara prioridade ao Estado. Por um lado aposta em infraestruturas há muito necessárias, como a reforma da ferrovia que aproveita o chapéu da descarbonização, e por outro, face ao fracasso de políticas públicas na habitação nos últimos 5 anos a bazuca servirá também para recuperar e construir habitação social ou a custos controlados nos concelhos da área metropolitana de Lisboa, reforçar a fraca rede de cuidados continuados e reequipar o obsoleto parque tecnológico das escolas. Já a Administração Pública receberá 3 mil milhões de euros de um total de 12 mil milhões. Às empresas, o Plano do Governo apresentado a Bruxelas destina apenas, diretamente, mil milhões de euros. Ora, se era expectável que o Governo aproveitasse o plano para financiar parte do aumento de despesa que teve com a resposta ao COVID19, António Costa aproveitou a

38

T

he fight against the pandemic caused by Covid19 forced the adoption of a set of measures that destroyed many European economies. At the request of governments, companies were forced to suspend their activity and States were forced to help people and companies in a scenario of less revenue (less tax) and more expenditure. All of this has led Europe to take action and to approve an unprecedented aid package European bazooka – adding up to the European Budget. The Portuguese Plan should respond to three assumptions that I consider fundamental for the use of European funds: not to finance current expenditure; not to substitute funds that are part of the State Budget; make reproductive investment that removes barriers and increases the competitiveness of our economy. The option already announced by the Government, however, gives the State a clear priority. On the one hand, it bets on long-needed infrastructures, such as the reform of the railway that takes advantage of decarbonisation, and on the other, given the failure of public policies on housing in the last 5 years, the bazooka will also be there to recover and build social housing at controlled costs in the municipalities of the metropolitan area of Lisbon, reinforce the weak network of continuous care and re-equip the schools’ obsolete technological equipment. The Public Administration will receive € 3 billion out of a total of € 12 billion. As for the corporate sector, the Government Plan submitted to Brussels only allocates directly one billion euros to companies. Now, it was expected that the Government would take advantage of the plan to finance part of the increase in expenditure as a result of the need to respond to COVID19, (Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


N AT I O N A L

“ E S T E P L A N O PA R E C E S E R MAIS UMA OP ORTUNIDADE PERDIDA P ORQUE OBRIGA A MAIS DESPESA PERMANENTE, N Ã O R E S O LV E O S AT R A S O S E S T R U T U R A I S E V O LT A A C E D E R À S T E N TA Ç Õ E S E L E I T O R A L I S T A S .”

oportunidade para fazer os investimentos que prometeu em 2015 e que, apesar do continuo crescimento da economia logo a partir de 2014, preferiu congelar. Isto significa que a bazuca não vai servir para Portugal recuperar dos efeitos COVID, mas sim para recuperar do desinvestimento em sectores chave que António Costa, Centeno, Jerónimo e Catarina nos impuseram desde 2015. Se é verdade que muitos dos investimentos anunciados fazem sentido e coincidem com as propostas que o PSD apresentou como alternativa a 5 de outubro, a principal diferença reside na prioridade que se dá à economia e ao sector empresarial. Enquanto a proposta que o Governo apresentou destina apenas mil milhões de euros (menos de 10%) às empresas, o PSD defendeu que dos 12.5 mil milhões de euros disponíveis, pelo menos 4 mil milhões se deviam destinar às empresas e à economia. Não é uma pequena diferença, é quatro vezes mais. São diferenças cruciais e que no futuro podem muito bem significar um país mais dependente do Estado e das suas rendas sociais, ou um Portugal com uma economia mais pujante, com mais riqueza e onde as pessoas dependem menos do apoio do Estado porque simplesmente não precisam, porque têm emprego, porque o salário médio subiu e a economia recupera tranquilamente do confinamento. Este plano parece ser mais uma oportunidade perdida porque obriga a mais despesa permanente, não resolve os atrasos estruturais e volta a ceder às tentações eleitoralistas. Com este plano, nem o país fica mais forte nem o Estado mais capaz: fica sim um Estado mais pesado, com mais potenciais elefantes brancos e com mais despesas em salários para assegurar. Esta ajuda de Bruxelas será a nossa última oportunidade para fazer as reformas estruturais que o país tem adiado. Compete-nos também por isso garantir a boa utilização destas verbas e aqui o Parlamento deverá ter um papel central, obrigando o Governo a uma prestação de contas constante. l

but António Costa took the opportunity to make the investments he promised in 2015 and which, despite the continued growth of the economy soon after 2014, he preferred to freeze. This means that the bazooka will not be used for Portugal to recover from the COVID effects, but rather to recover from the divestment in key sectors that António Costa, Centeno, Jerónimo and Catarina imposed on us since 2015. If it is true that many of the announced investments make sense and match the proposals the PSD presented as an alternative on October 5, the main difference lies in the priority given to the economy and the business sector. While the proposal submitted by the Government allocated only one billion euros (less than 10%) to companies, the PSD advocated that of the € 12.5 billion available, at least € 4 billion should be intended for companies and the economy. It’s not a small difference, it’s four times more. These are crucial differences and which in the future may well imply a country more dependent on the State and its social income, or Portugal with a more vigorous economy, with more wealth and where people depend less on State support because they simply don’t need it, as they have jobs, the average salary has gone up and the economy is recovering smoothly from lockdown. This plan seems to be yet another missed opportunity because it requires more permanent spending, does not solve structural delays and gives in again to electoral temptations. With this plan, neither the country grows stronger nor the State becomes more capable: it remains a heavier state, with more potential white elephants and more expenditure to pay wages. This aid from Brussels will be our last opportunity to implement the structural reforms the country has postponed. It is also up to us, therefore, to ensure the proper use of these funds and the Parliament should play a central role here, forcing the Government to be constantly accountable. l

“THIS PLAN SEEMS TO BE YET ANOTHER MISSED OPPORTUNITY BECAUSE IT REQUIRES MORE PERMANENT SPENDING, DOES NOT S O LV E S T R U C T U R A L D E L AY S A N D G I V E S I N AGAIN TO ELECTORAL T E M P T A T I O N S .”

39


ENSINO

DANIEL TRAÇA, DIRECTOR DA NOVA AND ECONOMICS (N DIRECTOR OF NOVA AND ECONOMICS (N

SCHOOL OF BUSINESS OVA SBE ) SCHOOL OF BUSINESS OVA SBE )

A U N I V E R S I DA D E PA R A O F U T U R O THE UNIVERSITY FOR THE FUTURE

A

relevância de uma educação universitária de acesso generalizado no desenvolvimento económico e social das nações é comumente aceite desde há quase um século. Faz parte do processo de crescimento económico moderno o aumento das taxas de frequência de instituições universitárias, inclusivamente para aqueles que cuja idade já ultrapassou o tempo normal de frequência das mesmas. Em Portugal, as décadas recentes foram de enorme progresso nesse sentido. Com um esforço crescente do estado e das famílias, a frequência universitária subiu em flecha. De acordo com a Pordata, a percentagem de jovens entre os trinta e os trinta e quatro anos com o ensino superior completo cresceu de 11,1% em 2000 para 36,2% em 2019. Se olharmos para a população entre os 15 e os 64 anos, o crescimento é de 7,5% para 22,8%, no mesmo período. O número de doutoramentos por cem mil habitantes subiu de 8,3 em 2000 para 28,7 em 2015. Portugal está, portanto, num caminho de sucesso no ensino superior. A expetativa é que, desbloqueadas outras condicionantes ao desenvolvimento económico do país, o investimento feito na educação universitária produza na economia os efeitos multiplicadores que tardam em surgir. No entanto, como em quase tudo o que vivemos neste século XXI, a imagem de sucesso é efémera e a disrupção criada pelos choques na tecnologia, na globalização e na sustentabilidade exigem um ajustamento rápido do sistema e das instituições de ensino superior. A dificuldade em responder a uma geração simbiótica com tecnologia e redes sociais, e de desenvolver as suas competências para carreiras em empresas que enfrentam desafios competitivos de enorme magnitude, complexidade, incerteza e volatilidade, são novidades que exigem renovação e inovação às universidades portuguesas. Os desafios são vastos. Porém, deixem-me apresentar cinco pistas para essa renovação: Em primeiro lugar, o foco no impacto. A ciência que predomina na universidade desde há muitos anos focou-se no purismo e na busca da verdade. O espaço de rigor metodológico

40

T

he relevance of university education with widespread access for the economic and social development of nations has been taken for granted for almost a century. The increase in the number of people taking degrees in university institutions, including those whose age has already exceeded their normal education time is part of the process of modern economic growth. In Portugal, the most recent decades witnessed huge progress in this regard. Thanks to the growing efforts by both the state and families, university attendance has thus skyrocketed. According to Pordata, the percentage of young people between the ages of thirty and thirty-four with complete higher education increased from 11.1% in 2000 to 36.2% in 2019. If we look at the population between 15 and 64 years old, such growth is 7.5% to 22.8%, in the same period. The number of PhDs per hundred thousand inhabitants rose from 8.3 in 2000 to 28.7 in 2015. Portugal is therefore on a path to success in higher education. The expectation is that, after unlocking other factors hindering the economic development of the country, the investment made in university education will generate multiplier effects in the economy that will take their time to materialise. However, as in almost everything we are going through in this 21st century, the image of success is ephemeral and the disruption created by shocks in technology, globalization and sustainability requires a quick adjustment from both the system and higher education institutions. The difficulty in responding to a symbiotic generation with technology and social media, and in developing their skills for a career in companies facing huge challenges of huge size, complexity, uncertainty and volatility, is something new and requires renovation and innovation from Portuguese universities. The challenges are huge. However, let me present five clues to this renovation: First, the focus on impact. Science that has been predominant in university for many years has focused on purism and on the search for truth. The space of methodological (Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


E D U C AT I O N que se exige para o progresso científico tornou-se com o tempo numa torre de marfim onde o investigador se protege da realidade. Este modelo está hoje em cheque. O financiamento que se impõe e a urgência dos desafios que carecem de solução exigem que a investigação e a educação que se desenvolvem na universidade estejam cada vez mais próximas da mudança e do progresso nas sociedade humanas para que podem contribuir. Em segundo lugar, a abertura à sociedade. A mudança que definirá o nosso futuro surgirá a uma velocidade estonteante. Talvez seja esta a grande diferença do nosso tempo. O desafio digital não é mais complexo e transformador do que o da eletrificação, por exemplo, mas os seus efeitos disruptivos sentem-se, e sentir-se-ão, de forma muito menos gradual. Para responder a esta mudança rápida, as sociedades têm que trabalhar em conjunto, de forma harmonizada e com a humildade para aprender uns com os outros. Uma maior proximidade das universidades aos seus ‘stakeholders’ externos (empresas, associações, fundações, entidades públicas), no sentido de entender as suas necessidades e ouvir a suas sugestões, permitir-lhes-á uma maior capacidade de intervenção e impacto. Em terceiro lugar, a interdisciplinaridade. Um dos efeitos nefastos do desenvolvimento da ciência foi a criação de silos de saber. Com o passar do tempo e o aprofundar do saber, cada investigador, cada professor passou a saber da sua área e a ignorar, e por vezes a negar, áreas científicas adjacentes. É hoje claro que tamanha especialização é contraproducente e que a resposta aos grandes desafios do nosso século exige um esforço de colaboração entre diferentes áreas de saber. Essa colaboração é hoje dificultada por disparidades de linguagem e de abordagem e, sobretudo, pela indisponibilidade

rigour that is necessary to achieve scientific progress became an ivory tower where researchers protect themselves from reality. This model is being challenged. The funding that is required and the urgency of the challenges that need to be solved require that research and education developed in universities become increasingly closer to the changes and progress in the human societies they are there to contribute to. Second, opening up to society. The change that will define our future will come at a dizzying speed. This is perhaps the big difference in current times. The digital challenge is not more complex and transformative than that of electrification, for example, but its disruptive effects are felt, and will be felt much less gradually. In order to respond to this rapid change, societies have to work together, harmoniously and with humility, so they may learn from each other. Universities should be closer to their external stakeholders (companies, associations, foundations, public entities), in order to understand their needs and listen to their suggestions, thus being granted greater capacity for both intervention and impact. Third, interdisciplinarity. One of the harmful effects to the development of science was the creation of knowledge silos. As time went by and knowledge was deepened, each researcher, each professor came to know about his area and ignored, and sometimes denied adjacent scientific areas. It is now clear that such specialization is counterproductive and that responding to the great challenges of our century requires a collaborative effort between different areas of knowledge. Today, this collaboration is hampered by disparities in language and approach and, above all, by the unavailability and inability to work using different approaches. In Portugal, for example, sixteen-year-olds are asked to make choices that will mark their lives forever, taking them

N O VA S B E N O VA S B E

41


ENSINO e incapacidade para trabalhar com abordagens diferentes. Em Portugal, por exemplo, pede-se aos jovens com dezasseis anos para fazerem opções que marcam para sempre as suas vidas, levando-os por uma ou por outra área, sem oportunidade para manter uma abertura à diversidade. É fundamental desenvolver nos jovens - e nos menos jovens - a capacidade se de abrirem aos desafios e cooperarem entre áreas diferentes e de reconhecerem o potencial desta abordagem para endereçarem grandes desafios. Em quarto lugar, as competências do futuro. Para a quase totalidade dos empregadores, as competências em maior procura estão a alterar-se. Por um lado, de um ponto de vista técnico uma abordagem mais tecnológica é hoje exigida em todas as áreas, da medicina à linguística, passando pelo direito ou pela economia. Esta é uma tendência que remonta ao grande desenvolvimento computacional da década de 90, e que se deverá aprofundar no médio prazo. Estou, no entanto, convicto que rapidamente assistiremos ao desenvolvimento de sistemas com interfaces menos técnicos, como tivemos quando a Microsoft e a Apple tornaram o computador acessível mesmo a quem não sabe programar, e que as competências computacionais e tecnológicas que farão a diferença serão a capacidade de tirar partido desses interfaces. Talvez por isso, o rigor técnico-científico, resultado de trabalho dos alunos e de exposições professorais, é hoje menos relevante para muitas empresas que a colaboração em equipas diversas, a comunicação individual e em grupo, a criatividade para soluções originais e a coragem para tomar decisões executivas - o que chamo os quatro C´s: colaboração, comunicação, criatividade e coragem. Aqui surge o desafio maior para as universidades, tradicionalmente formatadas para pôr alunos na sala, entregar conhecimento e testar a sua aquisição: como desenvolver os quatros C´s e outras competências semelhantes? Inovar nas metodologias para desenvolver e certificar tais competências é um enorme desafio que se exige à universidade do futuro. Em quinto e último lugar, a responsabilidade social da universidade. Está hoje patente para todos a incapacidade da nossa sociedade e das suas instituições para fazer face aos desafios que a tecnologia, a globalização e a sustentabilidade estão a gerar na nossa vida comum. Em virtualmente todas as democracias liberais, o cisma entre os diferentes setores da sociedade é crescente. O risco de desabamento da democracia é real. A necessidade de pensar novas políticas, novas instituições, novas soluções por forma a restabelecer a harmonia necessária para o funcionamento de uma sociedade liberal é urgente. E cabe às elites intelectuais, muitas delas residentes nas universidades do mundo, e todas elas formadas nessas mesmas universidades, a responsabilidade para responder a esta urgência. Sem ideias novas, o risco é o cenário negro que já conhecemos antes na nossa história. Com um mundo em fase de disrupção acelerada, o risco de uma desadequação entre as pessoas e o seu contexto natural e tecnológico é crescente - seja a nível individual, nas nossas competências e bem-estar mental, seja a nível organizacional, na eficiência e eficácia das nossas estruturas, seja a nível social, na harmonia e estabilidade das nossas comunidades. A universidade como espaço de desenvolvimento de talento e ideias para o futuro tem um papel fundamental para recuperar esse ‘gap’. Para isso, a universidade terá de se transformar de um modelo que que perdura há séculos e que é resistente à mudança. O processo não será fácil, mas a alternativa … nem a queremos imaginar. l 42

through one area or another, with no opportunity to open up to diversity. It is essential to develop in young people - and less young people - the ability to open up to challenges and to cooperate between different areas and to acknowledge the potential of this approach to address major challenges. Fourth, the skills of the future. For almost all employers, the skills in great demand are changing. On the one hand, from a technical point of view, a more technological approach is now required in all areas, from medicine to linguistics, through law or economics. This trend goes back to the great computational development of the 90s and should be deepened in the medium term. I am, however, convinced that we will quickly witness the development of systems with less technical interfaces, just like we had when Microsoft and Apple made the computer accessible even to those who don’t know how to program, and that the computational and technological skills that will make the difference will be precisely the ability to take advantage of these interfaces. Perhaps because of this, technical-scientific rigour, resulting from students’ work and teaching lectures is today less relevant for many companies than working together in different teams, individual and group communication, creativity to find original solutions and the courage to make executive decisions - what I call the four C’s: collaboration, communication, creativity and courage. The biggest challenge for universities lies here, traditionally designed as they are to put students in the classroom, deliver knowledge and test their acquisition: how to develop the four C’s and other similar skills? Innovating in the methodologies to develop and certify such competencies is a huge challenge that is required of the university of the future. Fifth and last, the university’s social responsibility. Today, the inability of our society and its institutions to face the challenges that technology, globalization and sustainability are generating in our common life is clear to all. In virtually all liberal democracies, the schism between different sectors of society is growing. The risk of democracy falling apart is real. The need to think about new policies, new institutions, and new solutions in order to restore the necessary harmony for the functioning of a liberal society is urgent. And it is up to the intellectual elites, many of them residing in the universities of the world, and all of them trained in these same universities, the responsibility to respond to this urgency. Without new ideas, risk is the black scenario that we have experienced before in our history. With a world undergoing accelerated disruption, the risk of a mismatch between people and their natural and technological context is growing - be it at the individual level, in our skills and mental well-being, or at the organizational level, in the efficiency and effectiveness of our structures, whether on a social level, in the harmony and stability of our communities. The university as a space for the development of talent and ideas for the future has a fundamental role in bridging this gap. The university will have thus to transform itself from a model that has been there as it is for centuries and resists change. The process will not be easy, but as for the alternative... we don’t even want to think about it. l


43


TERCEIRO SECTOR

MANUEL DE LEMOS, PRESIDENTE DA UNIÃO DAS MISERICÓRDIAS PORTUGUESAS PRESIDENT OF UNIÃO DAS MISERICÓRDIAS PORTUGUESAS

“FAZENDO ENGANAMO-NOS ALGUMAS VEZES; NÃO FAZENDO, ENGANAMO-NOS SEMPRE” ALAIN ROMAIN

“ W H E N W E A C T, W E S O M E T I M E S G E T T H I N G S WRONG, BUT WE WILL GET THINGS WRONG A LWAY S I F W E FA I L T O A C T ”

E

screver sobre esta pandemia e o papel que as Misericórdias e todo o setor social está a desempenhar, é escrever sobre algo que a tradição dos europeus e dos portugueses reconhece, mas que julgava ter sido arrumada num qualquer escaninho mais profundo da memória para eventual utilização de historiadores e outros investigadores. De facto, a “peste”, as “pestes”, condicionaram a evolução das sociedades, da religião, das artes, das guerras, das políticas europeias e portuguesas desde a Peste de Justiniano à Pneumónica e até mais recentemente à gripe asiática, à poliomielite e à SIDA. Mas a sociedade de consumo deste primeiro quartel do século XXI ajustada a questão da SIDA, de alguma forma considerou que esta questão estava arrumada ( o Ebola, o Zika, o Dengue, a gripe das aves, eram apenas episódios para países subdesenvolvidos e pobres da África, América Latina e de algumas regiões da Ásia longínqua) e logo como sempre acontece, baixou a guarda. Logo quando este vírus aliás de uma estirpe conhecida pela comunidade científica, os coronavírus, apareceu, ninguém estava preparado a nível mundial desde logo pela sua rapidíssima propagação (que a globalização favorece) e pela sua agressividade que o torna particularmente letal em pessoas com fragilidades. Desde logo, os mais idosos, mas também pessoas mais jovens com várias doenças crónicas e subnutridos, a viver em condições onde falta de todo a higiene, a água potável e outras condições mínimas como na Índia e no Brasil. Portugal, neste contexto também não estava de todo preparado para enfrentar a pandemia E por isso apesar de todo o alarido, a primeira prioridade foi (e será) evitar a rutura do SNS, o que pela mão da Ministra Marta Temido, com a cumplicidade ativa do Presidente da República e do Primeiro Ministro tem sido conseguido, apesar de tudo, num mar de dificuldades, que de um momento para o outro se podem complicar. 44

W

ALAIN ROMAIN

riting about this pandemic and the role the Misericórdias (Mercy institutions) and the whole social sector have been playing recently is to write about something that the European and Portuguese tradition acknowledges but which was thought to have been left behind in a deep corner of memory, to be eventually used by historians and other researchers in the future. The “plague”, the “pests”, affected the evolution of societies, religion, the arts, wars, European and Portuguese policies, from the Justinian’s Plague to Pneumonic Plague and up to the more recent Asian flu, polio and AIDS. But the consumer society of this first quarter of the 21st century, after coming more or less to terms with the issue of AIDS, somehow considered this issue to be fixed (Ebola, Zika, Dengue and bird flu were just episodes for underdeveloped and poor countries in Africa, Latin America and in some regions of distant Asia) and soon, as usual, lowered its guard. When this virus appeared, a very well known strain to the scientific community, the coronaviruses, no one was prepared worldwide, first and foremost given its very rapid spread (thanks to globalisation) and the seriousness that makes it particularly lethal in people with vulnerabilities. First of all, the elderly, but also younger people with various chronic and malnourished diseases, living in conditions marked by lack of hygiene, drinking water and other minimum conditions in countries like India and Brazil. Portugal was not fully prepared to face the pandemic either. And for that reason and despite all the fuss, the priority was (and will be) to avoid the rupture of the NHS, something which, headed by the Minister Marta Temido, with the active complicity of the President of the Republic and the Prime Minister, has (Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


TERTIARY SECTOR Essa preocupação que, a meu ver, é legítima, conduziu inevitavelmente a que, pelos motivos acima aduzidos, os idosos e as Instituições (sobretudo do setor solidário onde as Misericórdias se integram) que deles cuidam e acolhem, se transformassem no “bombo da festa” dos interesses, de políticos pouco ou nada esclarecidos ou com uma agenda demasiadamente evidente e de certa comunicação social sedenta de sangue, de tragédia e de horror ( as imagens dos lares italianos onde os trabalhadores desertaram e as equipas de salvamento encontraram lado a lado pessoas mortas e outras agonizantes, mas vivas, não mais saíram das nossas cabeças). As Misericórdias de Portugal depois do choque inicial, cientes da sua identidade, dos seus valores, da sua natureza e da sua História reagruparam-se à volta da sua União e iniciaram um processo notável de proteção aos mais frágeis que têm a cargo; não na base do “coitadinho” e da menorização, mas do respeito, da cidadania e da dignidade sobretudo dos mais velhos que tanto nos deram e continuam a dar. O Estado muito cedo percebeu este caminho e por isso o Presidente da República, o Primeiro Ministro, e vários membros do Governo entre eles a Ministra Ana Godinho ( que tem sido incansável de dedicação, apoio e energia positiva) alinharam connosco e com o restante setor solidário, para reduzir o prejuízo, até que chegue a desejada vacina e ou os medicamentos que reduzam os efeitos da doença No momento em que escrevo estas linhas despretensiosas encerra-se um ciclo de 5 semanas em que não registamos qualquer óbito nas nossas mais de 700 unidades, embora neste período, o número de infeções se tenha agudizado de novo. Todos concordarão que é um resultado notável que honra todos os portugueses (mesmo aos críticos da crítica crítica!) no contexto europeu e mundial. Mas evite-se todo o tipo de triunfalismo a este respeito, porque infelizmente mais dia menos dia, vão acontecer óbitos. Este resultado, deve apenas servir para demonstrar que é possível, se não baixarmos a guarda, mantivermos a responsabilidade, cuidado e o rigor. Por isso, também é legítimo exigirmos dos poderes públicos, nacionais e comunitários recursos para equiparmos as equipas e os utentes, requalificação de equipamentos e custeio do funcionamento. Na verdade, se o fundo social europeu paga há vários anos despesas correntes do Ministério da Educação, porque não pagar também despesas correntes do MTSSS e do MS, que se destinam a salvar vidas e a reforçar a coesão social, o emprego sustentável, o desenvolvimento local sobretudo em territórios de baixa densidade, o consumo e a retoma económica? Temos ouvido dizer que depois deste vírus nada ficará como antes. Acredito que sim, se quisermos mesmo. E para materializar o querer, vai ser necessário fazer acontecer. Neste quadro, penso ser absolutamente necessário que os quadros comunitários (incluindo a bazuca) tenham previsto um ‘voucher’ financeiro exclusivo para a Economia Social e para o setor solidário, que defina objetivos claros, regras precisas e controle a sério, mas gerido por uma comissão prestigiada indicada pelo setor ( p.e. Silva Peneda, Vieira da Silva, Mota Soares, Correia de Campos será qualquer deles um excelente presidente de uma Comissão desse tipo) capaz de negociar regulamentos em Bruxelas, de acrescentar outros fundos comunitários, e sobretudo executar esses fundos. Término citando Alain Romain: “Fazendo enganamo-nos algumas vezes; não fazendo, enganamo-nos sempre”. l

been achieved so far, despite everything, in a sea of difficulties and considering that this can worsen from one moment to the next. This concern, which, in my view, is legitimate, inevitably turned the elderly and the Institutions (especially in the solidarity sector the Mercy Homes are part of) who care for and welcome them, into the “punching bag” of little or zero informed politicians or with an overly clear agenda and of certain media thirsty for blood, tragedy and horror (images of Italian homes where workers deserted and rescue workers found dead people and agonising people, but alive, next to each other, remain in our memory forever). Misericórdias de Portugal after the initial shock and well aware of their identity, their values, their nature and their history, regrouped around their Union and started a remarkable process of protection of the most fragile they were in charge of; not on a “poor thing” basis, but out of respect, citizenship and dignity, especially for the elderly who gave us so much and continue to give. The State soon realized this path and that is why the President of the Republic, the Prime Minister, and several members of the Government, including Minister Ana Godinho (who has been tireless with her dedication, support and positive energy) aligned with us and with the rest of the solidarity sector to reduce the damage, until the desired vaccine and/ or drugs that reduce the effects of the disease arrive As I write these unpretentious lines, a 5-week cycle ends in which no deaths were reported in our more than 700 units, despite the increase in the number of infections during this period. Everyone will agree that this is a remarkable result that honours all Portuguese (even the hardcore critics!) in the European and worldwide context. But we should avoid all sorts of triumphant attitude in this regard, considering that unfortunately, deaths will sooner or later occur again. This results should only be there to show that this is possible if we do not lower our guard if we keep acting with responsibility, care and rigour. Hence, it is also legitimate to require resources from public, national and community authorities to equip teams and users, requalify material and support operating costs. The European Social Fund has been paying current expenses of the Ministry of Education for many years. Hence why not paying also the current expenses of the Ministry of Labour and Social Security and of the Ministry of Health, which are there to save lives and strengthen social cohesion, sustainable employment and development, especially in low-density territories, consumption and economic recovery? We are told that nothing will be the same again after this virus. I believe so, if we really want to. And to materialize this will we will need to make things happen. In this context, I believe the EC frameworks (including the bazooka) should consider an exclusive financial ‘voucher’ for the Social Economy and the solidarity sector, setting clear objectives, precise rules and serious control, but managed by a prestigious commission appointed by the sector (e.g. Silva Peneda, Vieira da Silva, Mota Soares or Correia de Campos would be excellent presidents of such a Commission) able to negotiate regulations in Brussels, adding other community funds, and above all implementing those funds. I finish quoting Alain Romain: “When we act, we sometimes get things wrong, but we will get things wrong always if we fail to act”. l 45


R E TA L H O

DAVID AZEVEDO LOPES, PRESIDENTE DA AEON JAPÃO PRESIDENT OF AEON JAPAN

“C” DE CANSADO NÃO DE COVID “C” AS IN CONSUMED, NOT COVID

É

com um enorme esforço que escrevo as primeiras palavras deste artigo. E a razão, acredito que seja partilhada com quem o lê. Continuar a falar do Covid e do seu impacto na vida de todos nós. Da mesma forma que alguém elege a “palavra do ano”, alguém um dia destes usará um algoritmo e a inteligência artificial para nos confirmar que as palavras “Covid” e “Pandemia” foram, já neste ano de 2020, as palavras mais repetidas na história da humanidade. Nada parece existir para além do vírus e das suas consequências e isso é, na minha opinião, preocupante e mesmo perigoso. Não por subestimar a taxa de contágio e de mortalidade do vírus e os seus efeitos colaterais, mas pelo facto desta pandemia ter as costas tão largas que permite mesmo que direitos, liberdades e garantias possam ser obliteradas e que um pouco por todo o mundo políticos e dirigentes medíocres possam ver ilibada a sua fraca contribuição, para o bem comum e para o desenvolvimento económico. A perda de vidas é e será sempre a consequência mais dramática e terrível desta pandemia global, mas aquela que mais perdurará será a devastação de milhões de postos de trabalho e a consequência para a maioria dos cidadãos do mundo de uma perda de rendimentos que atingirá sempre e em primeiro lugar os desqualificados e os mais frágeis. A pobreza na infância e na terceira idade sempre existiu em Portugal, e apesar de uma evolução positiva nos últimos 30 anos, somos um país que não se conseguiu livrar de uma pobreza crónica, de uma dependência enorme em relação ao Estado e às prestações sociais. Perante isto continuamos a usar sempre a mesma fórmula. Carregar nos impostos. Transformar a política fiscal numa punição, num castigo ao sucesso em vez de uma ferramenta de solidariedade e equidade. Restará uma vez mais algum outro caminho? Não resta. Pelo simples facto de uma vez mais, um novo ciclo político, que até coincidiu com um período de crescimento económico na Europa, não nos ter trazido absolutamente nenhuma reforma. Nem no Estado nem nas condições que este deveria criar posicionando-se como um agente de mudança e de apoio à inovação e ao empreendedorismo. Ao

46

I

t was not easy to the first words of this article. And I believe those who read it share this too. We keep talking about Covid and its impact on our lives. Just like someone will choose it as the “word of the year”, someone one of these days will use also an algorithm and artificial intelligence to confirm that the words “Covid” and “Pandemic” were, already in the year 2020, the most repeated words in the history of humanity. There seems to be nothing but the virus and its consequences and this is, in my opinion, worrying and even dangerous. Not because we may be underestimating the rate of contagion and mortality of the virus and its side effects, but because this pandemic has gone to such an extent that is even allowing rights, freedoms and guarantees to be obliterated along with the fact that mediocre politicians and leaders may find here a good excuse for their weak contribution for the common good and for the economic development. The lives lost are and will always be the most dramatic and terrible consequences of this global pandemic, but also the devastation of millions of jobs that is affecting most citizens of the world, a loss of income that will always hit first and foremost the unskilled and the most fragile. Poverty in childhood and in old age has always been there in Portugal, and despite a positive evolution in the last 30 years Portugal has not been able to eradicate chronic poverty and the huge dependence on the State and social benefits. In view of this, we continue to use the same formula. Increase the tax burden, turning fiscal policy into a punishment, punishing success instead of making it a tool of solidarity and equity. Is there another path? No. The answer is no given that, once again, the new political cycle, which even matched a period of economic growth in Europe, has brought absolutely no reforms with it. Neither in the State


R E TA I L invés continuamos a olhar o turismo (muito lhe devemos) e os serviços de baixo valor acrescentado, como o gerador de mudança e de modernidade. A mesma falsa ideia de modernidade e de inovação trazida por eventos como o Websummit, pago por todo nós, e que para quem conhece o mundo da tecnologia, sabe que estamos perante uma espécie de “exponoivas” do digital, e por isso com um potencial transformador muito limitado. Não foi o Covid que nos trouxe aqui. Foi e continua a ser uma falta de ideia para o país. A incapacidade de empregar doutorandos nas pequenas e médias empresas. A dificuldade de fazer do mérito o denominador comum da igualdade de oportunidades. A impossibilidade de ver crescer significativamente a componente tecnológica e de inovação nos nossos produtos e serviços. A inação, quase total, de um país perante o seu maior recurso: o Ambiente e o Oceano. O desespero de um sector cultural que quase sucumbe hoje, não por que o Covid lhe tira o palco, mas porque Portugal nunca o elegeu como uma das suas maiores riquezas e um dos seus mais importantes pilares de diferenciação. Mas sempre, e sobretudo, uma grande falta de exigência com aqueles que nos representam e uma ausência de avaliação técnica e isenta em relação às políticas e aos investimentos públicos. Apesar de só cerca de 50% da população portuguesa ter terminado o ensino secundário, temos os mais qualificados portugueses de sempre, universidades de grande qualidade e uma visão do mundo informada e integradora. Um filósofo polaco disse um dia que trocava a sua gloriosa história por uma melhor geografia. Atrevo-me a dizer que nós não trocaríamos, por nada deste mundo, nem a nossa história nem a nossa geografia. Tenho aprendido com os meus colegas japoneses lições de vida que são dádivas diárias. Os sucessos atingem-se e celebram-se em grupo. Nunca são obras de uma pessoa só. As crises, essas antecipam-se e planeiam-se, tal como devemos fazer obras no telhado antes da época das chuvas. Regresso por isso a um texto que escrevi um ano depois do terramoto e do Tsunami de 11 de Março de 2011, onde desapareceram mais de 20 mil pessoas e que me ajuda a perceber a força da inteligência coletiva, que nos falta. “A área de impacto do tsunami, que ultrapassou dez quilómetros da linha de costa, está praticamente reconstruída, mas os seus efeitos tornaram-se globais, pois geraram uma das mais profundas reflexões, superior a Chernobyl, sobre a segurança de instalações nucleares, com a Alemanha e os Estados Unidos, a introduzirem alterações significativas na sua política regulatória que poderão contribuir para tornar o mundo um lugar mais seguro no futuro. Entretanto no grande Tóquio, a maior aglomeração urbana do mundo, com 35 milhões de habitantes, e um pouco por todo o país, foi dia de homenagear os que perderam a vida e os que continuam a trabalhar continuamente, com uma resiliência que nos faz entender profundamente que existe uma energia interior, muito superior à energia atómica e a qualquer cataclismo. Termino o dia numa cerimónia de chá. Aqui neste país que tem os portugueses como amigos, conto aos japoneses com quem estou, que na Europa existe um único local onde é possível plantar e colher chá. Exprimem uma surpresa genuína quando lhes conto que a ilha de São Miguel nos Açores é esse local. Também é essa uma pequena história de resistência e de determinação. Ao contá-la recebo em troca o significado do chá e da sua cerimónia. Que bom é ouvir falar de coisas que eu não sabia.” l

nor as regards the conditions that it should have created in order to position itself as an agent of change and supporting innovation and entrepreneurship. Instead we keep look at tourism (we owe this sector a lot, that’s true) and services with low added value as the main generators of change and modernity. The same false idea of modernity and innovation brought by events such as Websummit, paid for by us all, as those who are familiar with the world of technology know that this is something like an “expo-bride event” of the digital sector with a very limited transformation potential. It was not Covid that brought us here. It was and still is the lack of an idea for the country; The inability to employ Ph.D. students in small and medium-sized enterprises; The difficulty in establishing merit as the common denominator of equal opportunities; The failure to see the technological and innovation component of our products and services grow significantly; The almost total inaction of a country before its greatest resource: the Environment and the Ocean; The despair of a cultural sector that almost succumbs today, not because Covid is stealing the show, but because Portugal never saw it as one of its greatest riches and one of its most important pillars of differentiation. But always, and above all; the failure to demand greater accountability from those who represent us along with the total absence of technical and impartial scrutiny of public policies and investment. Although only about 50% of the Portuguese population has completed secondary education, we have the most qualified Portuguese ever, high quality universities and an informed and integrated worldview. A Polish philosopher once said that he would exchange his glorious history for a better geography. I dare say that we would not exchange, for anything in this world, neither our history nor our geography. I have learned from my Japanese colleagues life lessons that are true daily gifts. Success is achieved and celebrated collectively. It is never the work of one person alone. Crises are anticipated and planned, just as we should repair the roof before the rainy season. I go back therefore to a text I wrote one year after the earthquake and Tsunami of 11 March 2011, where more than 20 thousand people disappeared and which helps me understand the strength of collective intelligence, which we lack. “The impact area of the tsunami, which exceeded ten kilometres from the coastline, is almost fully rebuilt, but its effects have gone global, as they have generated one of the most profound reflections, more than Chernobyl, on the safety of nuclear installations and Germany and the United States have introduced significant changes in their regulatory policy that may help making the world a safer place in the future. Meanwhile in Greater Tokyo, the largest urban agglomeration in the world, with 35 million inhabitants, and all over the country, it was time to pay tribute to those who lost their lives and those who continue to work continuously, with a resilience that makes us realise that there is an inner energy, far bigger than atomic energy or any cataclysm. I finish the day at a tea ceremony. In this country that holds the Portuguese as friends I tell the Japanese round me that there is only one place in Europe where we can plant and harvest tea. They express a genuine surprise when I tell them that place is the island of São Miguel in the Azores. This is also a short story of resistance and resolve. Whenever I tell it I get the meaning of both tea and its ceremony in return. How good it is to hear about things I didn’t know.” l 47


TECNOLOGIA

PEDRO DUARTE, PRESIDENTE DO CONSELHO ESTR ATÉGICO PAR A A ECONOMIA DIGITAL DA CIP | QUADRO DIRIGENTE DA MICROSOFT PRESIDENT OF THE STR ATEGIC COUNCIL FOR THE DIGITAL ECONOMY OF THE PORTUGUESE INDUSTRY CONFEDERATION (CIP). TOP MANAGER AT MICROSOFT

A GRANDE OPORTUNIDADE A MAJOR OPPORTUNITY

O

ano 2020 ficará marcado pela pandemia que temos vivido. O seu impacto na economia e no nosso bem-estar ainda não é totalmente evidente, mas não será arriscar muito afirmar que, desde já, está a ter um efeito devastador no desemprego, no crescimento económico, nas desigualdades sociais e até no equilíbrio individual e familiar de cada um. Proponho, contudo, que olhemos para estes tempos com uma diferente abordagem, mais positiva. Winston Churchill terá afirmado um dia que “nunca se deve desperdiçar uma boa crise…”. É nesse espírito que deveremos enfrentar estes tempos desafiantes. O ano 2020 é também um ano que ficará marcado pela chamada “aceleração digital”, em que o processo, que já todos sentíamos, de transformação tecnológica (a Quarta Revolução Industrial) sofreu um impulso gigantesco. A generalidade dos estudos publicados mostra-nos que a adoção tecnológica foi massiva, por organizações e indivíduos, nos últimos meses, assim como nos diz que a maioria das empresas está convencida que esta “aceleração digital” será permanente, veio para ficar e não abrandará com o desejável desaparecimento da pandemia. Há, assim, uma força imparável e irreversível que está a transformar a nossa economia e alguns dos dogmas que tínhamos por adquiridos. É uma mudança estrutural! Se olharmos para a recente história económica portuguesa, facilmente se conclui que alguns problemas de base têm bloqueado um crescimento sólido e sustentável. Os números são cristalinos: desde o início do século, ou seja, desde a plena adesão à moeda única, Portugal vive algo muito próximo do que poderemos qualificar como uma longa e profunda estagnação. Todos os anseios e esperanças de que a Europa nos ajudaria a impulsionar o País para o seu pelotão da frente foram-se dissipando ano após ano. Pelo contrário, somos recorrentemente ultrapassados pelos Países de Leste que, apesar das décadas destrutivas atrás da cortina de ferro, souberam encontrar o seu trilho de crescimento. Ao contrário de Portugal. Temos o dever de reconhecer que o nosso modelo de desenvolvimento está a condenar-nos a não crescer e a acumular

48

T

he year 2020 will be marked by the pandemic we all have been experiencing. Its impact on the economy and on our well-being is not yet fully clear, but we may say that is already having a devastating effect on unemployment, economic growth, social inequalities and even on the individual, social and family balance of each and everyone of us. I propose, however, that we adopt a different, more positive approach when looking at these current times. Winston Churchill once said: “a good crisis should never be wasted...” And we should bear this in mind to face these challenging times. The year 2020 will also be marked by the so-called “digital acceleration”, whereby the process of technological transformation (the Fourth Industrial Revolution), which was already there, took a gigantic leap forward. Most of the published studies point to a massive technological adoption by both organisations and individuals in the last months, further adding that most companies are now convinced that this “digital acceleration” will be permanent, is here to stay and will not slow down after the expected disappearance of the pandemic. Thus, there is an unstoppable and irreversible force that is changing our economy and some of the tenets we took for granted. It’s a structural change! If we look at the recent Portuguese economic history we may conclude that some basic problems have hindered solid and sustainable growth. The numbers are crystal clear: since the beginning of the century, that is, since the full accession to the single currency, Portugal has experienced something very close to what we can qualify as a long and deep stagnation. All the aspirations and hopes that Europe would be there to help us propel the country and enable it to join the forerunners dissipated year after year. On the contrary, we are repeatedly overtaken by Eastern countries, which, despite the destructive decades behind the iron curtain, have managed to find their path to growth. Unlike Portugal. (Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


TECNOLOGY uma dívida que hipoteca o futuro das próximas gerações, que afasta o capital e o investimento e degrada o ambiente de negócios e as condições de vida dos cidadãos. Este modelo assente em bens não transacionáveis, em infraestruturas de regime e em grandes (e pequenas) obras públicas terá tido o seu mérito na modernização do País e na dinamização conjuntural de alguns setores económicos. Mas é hoje um modelo esgotado. Trouxe consigo estagnação, endividamento e um peso do Estado que sobrecarrega os portugueses com impostos. Assim, para podermos inverter esta realidade, temos de começar por reconhecer a necessidade de mudança do paradigma económico. Portugal não vingará se não encontrar a ousadia e a ambição de querer expor-se à concorrência externa. Mesmo que tal signifique prejudicar, no curto prazo, aqueles que vivem sistematicamente de rendas protegidas. Ora, o atual momento de disrupção é uma excelente oportunidade para esta transformação estrutural. É a hora do foco estratégico do País se concentrar nas empresas inovadoras com capacidade de concorrer no mercado global e com capacidade de integrar as grandes cadeias de valor à escala internacional. A economia digital, verde e circular é uma economia que assenta em novos conceitos e em novos equilíbrios. Que desafia o ‘status quo’, as rotinas, as tradições… Que tem na inovação o seu farol. A massificação de novas tecnológicas, como a inteligência artificial, a conectividade 5G, a computação “cloud” ou “quantum”, o “Big Data”, o “blockchain” ou a “Internet of Things”, é uma realidade que se está a afirmar rapidamente. E tudo isto trará como inevitável consequência a necessidade de fazer diferente, fazer melhor todos os dias. Os modelos estáticos com cadeias de valor estáveis e perenes no tempo não serão mais competitivos. Este é o tempo da inovação, do desafio ao desconhecido e da criatividade que aporta valor. Para Portugal conseguir dar este salto estruturante precisa de uma mudança cultural, de vontade política e de sentido de liderança. E precisa de estratégia e execução. Como primeiro passo, urge perceber onde está a base para a construção deste novo modelo económico adaptado à nova realidade emergente. Perceber quais os pilares onde as empresas, organizações e pessoas desenvolverão as suas ideias e os seus negócios. Há dois eixos onde assentará o sucesso futuro da nossa economia. Em primeiro lugar, na infraestrutura tecnológica. As redes de conetividade, a utilização de plataformas “cloud” e o acesso a dados abertos serão absolutamente críticos para gerar dinâmicas económicas que favoreçam o investimento, a atração de capital, a competitividade e o crescimento. E em segundo lugar, não menos importante, o capital humano. O nosso País tem hoje das populações menos qualificadas da Europa. Tal é uma gigantesca desvantagem competitiva. Contudo, se olharmos para esta crise como uma oportunidade, poderemos interiorizar que este é o momento certo para requalificarmos as pessoas (no seu sentido mais amplo: na língua inglesa, diríamos ‘skilling’, ‘reskilling’ e ‘upskilling’), seja os desempregados mais estruturais, as vítimas do ‘lockdown’ trazido pela Covid-19, aqueles que ainda estão a formar-se ou ainda aqueles que, estando no ativo, devem renovar competências e aptidões. Saibamos aproveitar esta oportunidade em prol do nosso futuro. l

We have the duty to admit that our development model is condemning us not to grow and to accumulate a debt that mortgages the future of the coming generations, driving away capital and investment and degrading the business environment and living conditions of citizens. This model based on non-tradable goods, regime infrastructures and large (and small) public works probably had its merit as regards the modernisation of the country and the economic dynamism of some economic sectors. But this model has had its day. It brought with it stagnation, indebtedness and a weight of the State that overburdens the Portuguese with taxes. Thus, in order to reverse this reality, we must start by acknowledging the need to change the economic paradigm. Portugal will not succeed if it does not find the boldness and ambition to expose itself to foreign competition. Even if this means harming, in the short term, those who systematically live on protected income. But the current moment of disruption is an excellent opportunity for this structural transformation to take place. It is time for the country’s strategic focus to shift to innovative companies with the capacity to compete in the global market and to integrate the large value chains on an international scale. The digital, green and circular economy is an economy based on new concepts and new balances that challenges the status quo, the routines, the traditions... That has innovation as its major beacon. The massification of new technologies, such as artificial intelligence, 5G connectivity, cloud or quantum computing, Big Data, blockchain or the Internet of Things is quickly making inroads. And all this will inevitably result in the need to do things differently, to do better every day. Static models with value chains both stable and perennial in time will no longer be competitive. This is the time for innovation, to challenge the unknown and for creativity that adds value. In order for Portugal to be able to take this structural leap it needs cultural change, political will and a sense of leadership. And this requires both strategy and implementation. As a first step, there is an urgent need to understand where the basis for the creation of this new economic model lies, adapted to the new emerging reality; and the need to understand the pillars where companies, organizations and people will develop their ideas and business. The future success of our economy will rest on two axes. First, on the technological infrastructure. Connectivity networks, the use of cloud platforms and access to open data will be absolutely critical to generate economic dynamics that favour investment, attract capital, competitiveness and growth. And second, but not least, human capital. Our country has one of the least qualified populations in Europe. This is a huge competitive disadvantage. However, if we look at this crisis as an opportunity we may realise that this is the right time to reskill people (in its broadest sense: in English, we use the words skilling, reskilling and upskilling), the structural unemployed, the victims of lockdown brought by Covid-19, those who are still graduating, or those who, being employed, must renew skills and aptitudes. Let us all learn how to take this opportunity for the sake of our future. l 49


AUTOMÓVEL

HELENA SILVA, DIRECÇÃO DO CEIIA CEIIA BOARD

MIGUEL BRAGA, DIRECÇÃO DO CEIIA CEIIA BOARD

DONOS DO NOSSO D E S T I N O OWNERS OF OUR OWN DESTINY

A

atual pandemia evidenciou as fragilidades de um país dependente do exterior para obter equipamentos e meios críticos no combate ao coronavírus. Esta crise pandémica desencadeou uma crise económica e social a nível global e veio alterar, substancialmente, as estruturas industriais. As alterações nos paradigmas são, em simultâneo, ameaças às atuais estruturas industriais, mas também oportunidades para novos posicionamentos. Portugal deve aproveitar estas oportunidades e passar a ser dono do seu destino. Já na crise económica vivida em 2008, Portugal soube reagir, tornando-se pioneiro na mobilidade elétrica ao ser o primeiro a construir uma rede de carregamento interoperável de norte a sul do país. Daqui, resultou uma liderança no carregamento rápido preconizada pela EFACEC, mas também nos sistemas de gestão de mobilidade, onde se destaca o mobi.me desenvolvido pelo CEiiA, que foi reconhecido pela ONU como um exemplo a seguir na gestão da mobilidade das cidades e que, mais tarde, deu origem à parceria entre o CEiiA e a Galp da qual resultou a empresa Gowithflow, líder nacional na gestão da mobilidade elétrica. Na atual crise, Portugal está mais preparado para enfrentar novos desafios. O nosso país está hoje na linha da frente, sendo considerado “fortemente inovador” e o 12.º mais inovador da União Europeia, segundo o “European Innovation Scoreboard” de 2020. Com a ambição de atingir 3% do PIB em despesa de I&D até 2030, a abordagem deverá passar por programas de industrialização que agreguem ciência e indústria em torno do desenvolvimento de novos produtos e serviços em áreas como a mobilidade, a aeroespacial, a energia, o mar, a agroalimentar e as ciências da vida. Para se atingir este objetivo é necessário desenvolver “agendas para a inovação” que promovam a valorização da ciência em novos produtos e serviços com forte impacto e com potencial de internacionalização. Assim, não basta ter como ambição 3% do PIB em de despesa de I&D até 2030, é necessário que pelo menos 2/3 deste investimento seja valorizável em novos produtos e serviços. É nesse sentido que o CEiiA tem trabalhado nos últimos anos, no sentido de criar esta capacidade para a valorização da ciência e a sua integração com a indústria, interpretando

50

T

he current pandemic has highlighted the weaknesses of a country highly dependent on foreign countries to procure equipment and other critical means to fight the current coronavirus. This pandemic triggered a global economic and social crisis and changed industrial structures substantially. Changes in paradigms pose a threat to the current industrial structures but offer also opportunities for a new positioning. Portugal must take advantage of such opportunities and become the owner of its destiny. In the economic crisis experienced in 2008, Portugal was able to react and became a pioneer in electric mobility. It was the first country to build an interoperable charging network extending from the north to the south of the country. This resulted in a leadership position in fast charging as it has been foreboded by EFACEC, but also in mobility management systems with particular emphasis on mobi.me, developed by CEiiA which stands out and was recognized by the UN as a leading example as regards managing mobility in cities and which later resulted in a partnership agreement signed between CEiiA and Galp and the resulting creation of the Gowithflow company, a national leader in the management of electric mobility. In the current crisis, Portugal is better prepared to face new challenges. Our country is now at the forefront, is considered “strongly innovative” and takes the 12th position as the most innovative in the European Union, according to the “2020 European Innovation Scoreboard”. Considering the ambition to reach 3% of GDP allocated to R&D expenditure by 2030, this approach should include industrialization programs putting together science and industry for the development of new products and services in areas such as mobility, aerospace, energy, the sea, agri-food and life sciences. To achieve this objective we must develop “innovation agendas” to promote the contribution of science for the development of new products and services with a strong impact and with internationalization potential. Thus, it’s not enough to have the ambition to reach 3% of GDP in R&D expenditure by 2030. At least 2/3 of this investment (Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


AUTOMOBILE

tendências e induzindo novas oportunidades para o desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços. O CEiiA começou por prestar serviços de engenharia, promovendo o aumento da competitividade e complexidade da oferta das empresas nacionais para entrar em cadeias de fornecimento globais, na área automóvel e aeronáutica como é o caso dos projetos com a Leonardo Helicopters e o KC390 da Embraer. O KC-390 é o maior avião da EMBRAER e foi também o maior programa de engenharia desenvolvido em Portugal. O CEiiA liderou a participação nacional com a OGMA, tendo sido responsável pelo desenvolvimento e certificação por três grandes módulos que correspondem a 2/3 da estrutura do avião. O CEiiA realizou mais de 600 mil horas de engenharia, envolvendo 170 engenheiros de 9 nacionalidades. Com este programa foi criada capacidade nacional para abordar qualquer programa aeronáutico a nível internacional, desde as fases preliminares de desenvolvimento, passando pela certificação e industrialização aeronáutica. Mais recentemente, o CEiiA evoluiu para o desenvolvimento de produtos “próprios”, induzindo a criação de novos integradores e operadores nacionais a partir dos quais se criam novas cadeias de valor associadas ao produto e à operação, gerando novas oportunidades para as empresas portuguesas, como é o caso do programa de desenvolvimento e industrialização da aeronave ATL-100. A atração para Portugal do Programa ATL-100, resulta da capacidade criada nos últimos anos em programas como o KC-390. O ATL-100 é uma aeronave ligeira, multifuncional de nova geração para curtas distâncias e a primeira a ser pensada a partir da operação e de forma integrada com o desenvolvimento/industrialização. A capacidade criada no desenvolvimento de produtos próprios, com base na integração de diferentes competências, desde a mecânica, o software, a eletrónica, a aeroespacial, o design de produto, a engenharia de processo, entre outras, permitiu responder ao desafio da pandemia e desenvolver e produtizar a partir de Portugal o ventilador invasivo Atena. Um exemplo da capacidade de mobilizar e integrar competências de várias entidades na resposta à urgência do atual contexto, contribuindo para uma maior independência do nosso país em situações de crise como a provocada pela COVID-19. Assim, num contexto de recuperação e resiliência do país, o desafio passa por, para além do Ventilador Atena na área dos dispositivos médicos ou do ATL-100 na área da aeronáutica, desenvolver e industrializar produtos e serviços indutores de cadeias de valor associadas ao ciclo de produto e ao ciclo de operação que permitam induzir efeitos multiplicadores do investimento público, nomeadamente em I&D, à semelhança do que aconteceu com a Volkswagem Autoeuropa na década de 90. A evolução do CEiiA e o seu posicionamento como entidade com capacidade para induzir, desenvolver e industrializar novos produtos e serviços, contribui para que Portugal possa, cada vez mais, ser dono do seu destino. l

should be allocated to design new products and services. To that end CEiiA has been working in recent years to create this capacity and increase the role of science and its integration with industry, interpreting trends and inducing new opportunities for the development of new technologies, products and services. CEiiA started providing engineering services, promoting an increase in the competitiveness and complexity of the offer of national companies to enter the global supply chains in the automotive and aeronautics areas with projects, as it is the case of the Leonardo Helicopters and Embraer’s KC390. The KC-390 is the largest aircraft by EMBRAER and was also the largest engineering program developed in Portugal. CEiiA led the national participation together with OGMA and was in charge of the development and certification of three large modules that correspond to 2/3 of the plane’s structure. CEiiA carried out more than 600 thousand hours of engineering work involving 170 engineers from 9 nationalities. With this program, a national capacity was created to work on any aeronautical program at international level, from the preliminary stages of development through certification and aeronautical industrialization. More recently, CEiiA moved to the development of “proprietary” products, fostering the creation of new national integrators and operators from which new value chains associated with the product and operation are created, thereby generating new opportunities for Portuguese companies, such as the ATL100 aircraft development and industrialization program. The appeal of Portugal for the ATL-100 Program is the direct result of the capacity generated in recent years in programs such as the KC-390. The ATL-100 is a light, multifunctional new generation aircraft for short distances and the first to be designed from operations and integrated with development/industrialization. The capacity built with the development of proprietary products, based on the integration of different skills, from mechanics, software, electronics, aerospace, product design, process engineering, among others, made it possible to respond to the challenges of this pandemic and for the development and production of the invasive Atena ventilator from Portugal. This a clear example of the ability to mobilize and integrate the skills of different entities in order to respond to the urgency of the current context, thereby contributing to greater independence of Portugal in crisis situations such as this caused by COVID-19. Thus, in a context of recovery and resilience in the country, the challenge involves, in addition to the Athena Ventilator in the area of medical devices or the ATL-100 in the area of aeronautics, the capacity to develop and industrialise products and services that induce value chains associated with the product cycle and the cycle of operation that may induce multiplier effects of public investment, namely in R&D, similar to what happened with Volkswagem Autoeuropa in the 90s. The evolution of CEiiA and its position as an entity with the capacity to induce, develop and industrialize new products and services is allowing Portugal to become more and more the owner of its own destiny. l 51


TURISMO

JOÃO FERNANDES, PRESIDENTE DA REGIÃO DE TURISMO DO ALGARVE PRESIDENT OF THE ALGARVE TOURISM REGION

C O M P E T I R PA R A N ÃO PERDER O P Ó D I O ! COMPETING IN ORDER NOT TO MISS THE PODIUM!

N

o Algarve, estamos a postos! Recuperámos a prova rainha do automobilismo para Portugal, a Fórmula 1, e vamos acolher também a derradeira prova do Mundial de Moto GP. O sentimento é de orgulho pela realização destes eventos na região e é com expectativa que entramos em contagem decrescente para a realização de ambos os circuitos, agora com novos métodos e processos! Sabemos bem o que significa, a nível regional e nacional, organizarmos eventos desportivos de escala global… que têm uma capacidade única de dar a conhecer o Algarve a milhões de pessoas em todo o mundo. Os movimentos dos participantes, das suas equipas e dos espectadores traduzem-se em impactos económicos imediatos, como também é expectável que gerem um efeito positivo num futuro próximo, pois durante o período da competição beneficiamos por todas as câmaras apontarem no mesmo sentido: o destino anfitrião. Devemos utilizar o tempo em que “estamos em jogo” - ou neste caso… em pista! -, como uma oportunidade única para continuarmos no pódio, nos próximos anos.

52

I

n the Algarve, we are ready to go! We have recovered the major motorsport event for Portugal, Formula 1, and we will also be hosting the last race of the Moto GP World Championship. The feeling is of pride for hosting such events in the region and it is with great expectation that we start the countdown up to the date when both circuits will take place, now with new methods and processes! We know well what it means, at a regional and national level, to host world-class sporting events... which have the unique capacity to publicise the Algarve next to millions of people around the world. The movements of the participants, their teams and the audience translate into immediate economic impacts and it is also expected that they generate a positive effect in the near future, considering that during the competition period all cameras will be pointing in the same direction: the host destination. We must use the time when we are on the game - or in this case... on the track! - as a unique opportunity to remain on the podium for years to come. The Algarve has been, for 40 years in a row, the main


TOURISM

“É NOSSA AMBIÇÃO FA Z E R C O M Q U E A C A P TA Ç Ã O D E E V E N T O S DESPORTIVOS SE TRANSFORME NUMA A P O S TA R E G U L A R E C O N S O L I D A D A .”

O Algarve é, há 40 anos seguidos, o principal destino turístico para portugueses e estrangeiros, e repetidamente reconhecido como melhor destino europeu de praia (distinguido por 6 vezes) e melhor destino do mundo (classificação que obtém desde há 3 anos!). Também foi, desde 2006, várias vezes reconhecido por diversas entidades, como melhor destino de golfe. Do ponto de vista turístico, os eventos desportivos devem ser percepcionados como âncoras estratégicas que nos permitem gerar mais notoriedade ao destino, ajudando à sua promoção, internacional, antes, durante e após as provas. Sendo uma região que tem apostado na diversificação da oferta turística, o Algarve dispõe hoje de um vasto leque de actividades que tornam a experiência da visita mais autêntica e de qualidade inigualável, em produtos e serviços, mas também em infraestruturas favoráveis à organização das mais variadas iniciativas. É nossa ambição fazer com que a captação de eventos desportivos se transforme numa aposta regular e consolidada, o que nos permitirá ser ainda mais competitivos e ajudar a ter épocas turísticas mais equilibradas ao longo do ano. Se consideramos o efeito multiplicador da realização das etapas da Fórmula 1 e do Moto GP no Algarve, que decorrem já em época baixa e num ano claramente atípico, a estimativa económica situa-se em cerca de 80 milhões de euros, somando as receitas diretas e indiretas. São dados do Autódromo Internacional do Algarve (AIA), que vai albergar ambas as provas, mas que deixam bem claro o contributo significativo que eventos desta natureza podem trazer à região e aos seus residentes. O Algarve tem sabido reinventar-se ao longo dos anos e vai continuar a fazê-lo! l

tourist destination for Portuguese and foreigners, and repeatedly recognized as the best European beach destination (awarded 6 times as such) and the best destination in the world (a rating that it has been obtaining in the last 3 years!). Since 2006, it has also been recognized several times by various entities as the best golf destination. From the tourist point of view, sporting events should be perceived as strategic anchors that allow us to generate more notoriety for this destination, helping its promotion, internationally, before, during and after the events. As a region that has been betting on the diversification of the tourist offer, the Algarve today has a wide range of activities that make the experience of a visit to this region more authentic and of unparalleled quality, as regards products and services, but also infrastructure favourable to host assorted initiatives. It is our ambition to attract even more sporting events and make this a regular and consolidated bet, which will allow us to be even more competitive and help us have more balanced tourist seasons throughout the year. If we consider the multiplier effect of the hosting of the Formula 1 and Moto GP competitions in the Algarve, which are already taking place in low season and in such a clearly atypical year, the economic estimate is around 80 million euros, adding up direct and indirect revenues. These are data from the Autódromo Internacional do Algarve (AIA), which will host both events, but also make clear the significant contribution that events of this nature can bring to the region and its residents. The Algarve has been able to reinvent itself over the years and will continue to do so! l

“IT IS OUR AMBITION T O AT T R A C T E V E N MORE SPORTING EVENTS AND MAKE THIS A REGULAR AND C O N S O L I D A T E D B E T.”

53


DESPORTO

FUTURO DO JORNALISMO DESPORTIVO CONTRA A ESPUMA DOS DIAS THE FUTURE OF SPORTS JOURNALISM AV O I D T H E F R O T H O N T H E DAY D R E A M

V E J O U M A S A Í DA : N I C H O S D E J O R N A L I S M O D E Q UA L I DA D E PA R A O S C O N S U M I D O R E S Q U E N Ã O S E R E V É M N O T I P O D E I N F O R M A Ç Ã O R Á P I DA , B A R ATA E P O U C O E X I G E N T E Q U E H O J E FA Z E S C O L A U M P O U C O P O R TO D O O L A D O. I S E E A WAY O U T: N I C H E S O F Q U A L I T Y J O U R N A L I S M F O R C O N S U M E R S W H O D O N ’ T I D E N T I F Y W I T H T H E K I N D O F F A S T, C H E A P A N D U N D E M A N D I N G I N F O R M A T I O N T H A T I S B E C O M I N G CURRENT PRACTICE ALMOST EVERYWHERE. 54


SPORTS

ANDRÉ PIPA

F

UTURO do jornalismo desportivo é o tema deste artigo. Hesitei antes de escolher a abordagem. Poderia escrever uma peça pomposa, cheia de palavras caras e verdades de La Palisse dificilmente refutáveis por alguém com um mínimo de bom senso e atenção ao mundo que o rodeia. Ou podia escolher outra via. Mais directa, mais emocional, certamente muito mais franca. Escolhi a segunda. Por duas razões. Primeiro. Não fiz nenhum curso de Jornalismo - venho do mundo do Direito e tudo o que sei sobre esta profissão não foi aprendido nem na Universidade nem nos tratados sobre Comunicação Social. Aprendi pela prática, quer dizer, por aquilo que me foi ensinado nas redacções, por aquilo que vivi no terreno e pela observação e intuição, naturalmente. Sempre fui muito curioso e isso ajuda numa profissão em que se deve questionar tudo, sobretudo as verdades que parecem “absolutas”. Sou jornalista há mais de três décadas; quando comecei não havia computadores, internet, telemóveis e redes sociais. Na primeira vez que cobri um evento no estrangeiro como enviado-especial levei comigo uma máquina de escrever de ferro pesadíssima (Remington) e enviei o serviço (dizia-se assim: serviço) por telex. Os meus filhos não sabem o que isso é. O muro de Berlim ainda não tinha caído, mas Mikhail Gorbachev começava a preparar a queda - do muro, da URSS, do comunismo - com duas palavras que fizeram furor no Ocidente: ‘glasnost’ e ‘perestroika’. Vivi todo esse tempo de profunda e acelerada mudança com a sofreguidão de quem sabe estar a viver História. Há trinta anos o Jornalismo desportivo cobria o que cobre hoje –basicamente futebol, com cobertura noticiosa exaustiva dos três grandes: Benfica, FC Porto, Sporting; deve dizer-se, para não haver dúvidas, que Portugal não tem cultura desportiva porque não é um país de desporto –como são a Espanha, a França, a Inglaterra e a Alemanha, só para não sair da Europa. Portugal é sobretudo um país de futebol que, por sua vez, é dominado por [leia-se: pela rivalidade entre] três grandes clubes que representam a esmagadora maioria dos adeptos e a quase totalidade do negócio. Os atletas das outras modalidades só tem destaque nos media quando conseguem triunfos e medalhas em competições internacionais de relevo. O que, tirando o fenómeno da canoagem (onde se investiu de forma séria, rigorosa e sustentada), acontece muito esporadicamente. Voltando atrás. A forma como as partes se relacionavam é que era muito diferente. Não havia um único canal de televisão especializado em desporto (hoje há uma série deles: Sport TV,

T

HE FUTURE of sports journalism is the subject of this article. I hesitated before choosing this approach. I could have written a pompous article, full of expensive words and La Palisse truths that are difficult to refute by someone with a minimum of common sense and aware of the world around him. Or I could go the other way. Be more straightforward, more emotional and certainly much more frank. I chose the second. For two reasons. To begin with, I didn’t take any Journalism course - I come from the world of law and everything I know about this profession was not learned either at the University or in the Media treaties. I learned with practice, that is, from what I was taught in newsrooms, my experience on the ground and through observation and intuition, of course. I have always been very curious and this helps a lot in a profession where everything must be questioned, especially the seemingly “absolute” truths. I have been a journalist for more than three decades; when I started there were no computers, Internet, mobile phones and social media. The first time I covered an event abroad as a special envoy, I took a very heavy iron typewriter (Remington) with me and sent the service (that’s how it was called back then: service) by telex. My children don’t know what that is. The Berlin wall was still standing, but Mikhail Gorbachev was preparing the fall - of the wall, of the USSR, of communism with two words that caused furore in the West: ‘glasnost’ and ‘perestroika’. I shared during these times of profound and fast change the eagerness of those who know they are living History. Thirty years ago, sports journalism covered the same issues just like today - basically football, with exhaustive news coverage of the big three: Benfica, FC Porto, Sporting; it is worth mentioning, to avoid any doubts, that Portugal does not have a sports culture as this is not a country of sports - unlike Spain, France, England and Germany, just to mention European countries. Portugal is above all a football country that, in turn, is dominated by [read: the rivalry between] three major clubs that represent the overwhelming majority of fans and almost the entire sports business. Athletes from other sports only receive media coverage when they achieve triumphs and medals in important international competitions, which, apart from the phenomenon of canoeing (where serious, rigorous and sustained investment was made), is very sporadic. But coming back to the beginning, the way parties related with each other was indeed very different. There was not a single television channel specialized in sports (today there 55


DESPORTO Bola TV, Eleven, Canal 11, Benfica TV, Sporting TV, Porto Canal…) e o futebol não ocupava parte substancial da programação dos canais generalistas. Os jornais desportivos (eram quatro: Bola, Record, Gazeta dos Desportos, Jogo) saiam três vezes por semana. A pressão era menor. Muito menor. As noticias não aconteciam ao segundo. Havia tempo para respirar. E havia uma grande proximidade entre jornalistas, dirigentes, atletas e treinadores. Era uma relação aberta (por vezes promíscua e interesseira) sem os espartilhos e as condicionantes de hoje. Julgo que, de um modo geral, o Jornalismo que se fazia, comparado com o que temos hoje, era de melhor qualidade – e isto vale para todas as áreas. Era um Jornalismo mais profundo. Mais cuidado. Mais reflexivo. Menos contaminado. Não que todos os jornalistas dessa altura fossem luminárias – longe disso!: esta geração, em minha opinião, está tecnicamente muito melhor preparada do que a minha para as exigências da profissão. Os tempos e as circunstâncias é que eram diferentes. O futebol não era uma indústria, mas um jogo e, muito importante, não movimentava os interesses e os larguíssimos milhões que movimenta hoje. Os media tinham mais tempo para preparar os temas e os jornais, rádios e televisões ainda não sofriam a concorrência fulminante da internet. Dos sites. Das redes sociais. Todos grátis. Acessíveis à distância de click. Grátis. Repito: grátis. E também não existia, como hoje, um público mais esclarecido e exigente com meios quase ilimitados para se fazer ler / ouvir e chegar a milhares de consumidores. Isso viria a fazer toda a diferença e a modificar profundamente a relação entre Jornalismo (pago) e público consumidor. Como bem sabem os administradores das empresas de Comunicação. O jornalismo desportivo vive um momento delicado que a pandemia só veio acentuar. Os jornais, como é público, já vendiam pouco em banca. Agora vendem menos. As tiragens e vendas d’ A Bola e do Record (trabalhei nos dois) são uma esquálida recordação do tempo em que era possível fazer uma edição apontando para os 200 mil em banca – e acreditem que vendiam mesmo. O noticiário é semelhante em todos os meios e plataformas. As “cachas” são iguais n’ A Bola, no Record, no Jogo, na SIC, na TVI, na RTP, nos sites, no facebook. São iguais porque vêm todas das mesmas fontes. As notícias são propriedade pública em segundos, sendo difícil apurar quem a deu em “primeira mão” - um conceito quase arcaico. Nos jornais, o tratamento noticioso aproxima-se perigosamente do formato web - títulos curtos e chamativos, se possível sensacionalistas, textos pequenos recheados de destaques e pontos de leitura. Eu cresci a ler jornais de referência nacionais e estrangeiros (com textos maiores que dois parágrafos e peças de jornalismo de investigação com duas, três e quatro páginas) e não me conformo com a progressiva “infantilização” da informação, que é formatada e servida como se se partisse do principio que o cérebro da maioria dos consumidores não suporta mais que dois minutos de leitura. Talvez as televisões ainda consigam maquilhar essa tendência para a informação minimalista, despachada e pouco sumarenta, mas também aqui creio que o grau de exigência já foi muito maior. Lembro que até há bem pouco tempo os canais generalistas de maior audiência alimentavam programas de discussão futebolística que mais não eram que um ruidoso exercício de clubite exarcebada – alguns ao nível 56

are a number of them: Sport TV, Bola TV, Eleven, Canal 11, Benfica TV, Sporting TV, Porto Canal…) and football did not fill a substantial part of the agenda and programs of generalinterest channels. Sports newspapers (there used to be four: Bola, Record, Gazeta dos Desportos, Jogo) came out three times a week. There was less pressure. Far less. There were not news every second. There was time to breathe. And journalists, officials, athletes and coaches were closer to each other. It was an open relationship (sometimes promiscuous and selfserving) without today’s corsets and constraints. I think that, in general, Journalism back then, compared to what we have today, was of better quality - and this holds true in all areas. It was a more in-depth journalism. There was greater care. It was more reflective. Less contaminated. I don’t mean that all journalists back in the day were luminaries - far from it! This generation, in my opinion, is technically far better prepared than mine for the demands of the profession. But times and circumstances were different. Football was not an industry, but a game and, very importantly, it didn’t involve the interests and the very large million sums that it involves today. The media had more time to prepare the topics and newspapers, radios and televisions still did not suffer the fierce competition from the Internet. From sites. From social media. All free of charge. Accessible with just one click. Free of charge. I repeat: free of charge. Nor was there, like today, a more enlightened and demanding public with almost unlimited means to make themselves read/heard and reach thousands of consumers. This makes a huge difference and has led to profound change in the relationship between (paid) journalism and the consuming public. As the heads of the Media companies are well aware of. Sports journalism is going through difficult times and the pandemic did aggravate this. Newspapers, as is well known, witnessed already a decline in newsstand sales. Now they sell even less. The print runs and sales of A Bola and Record (I worked on both) are a scant memory of the time when it was possible to prepare an issue aiming at 200 thousand newsstand sales - and believe me, they were able to sell such number of copies. The same goes for the services across all media and platforms. The “scoops” are the same in A Bola, Record and Jogo newspapers, on SIC, TVI, RTP TV channels on websites, on Facebook. They are the same because they all come from the same sources. News become public property in seconds, making it difficult to ascertain who reported it “first hand” - an almost archaic concept. In newspapers, the way news are approached is dangerously close to the web format - short and flashy titles, sensationalist if possible, small texts filled with highlights and reading points. I grew up reading national and foreign reference newspapers (with texts longer than two paragraphs and articles of investigative journalism with two, three and four pages) and I am not happy with the progressive “infantilisation” of information, which is formatted and served as if the brain of most consumers does could not stand more than two minutes of reading. Televisions channels may be able to curtail this minimalist information trend, fast paced and not very juicy, but here, too, I believe that the requirements are not that high anymore. I remember that until recently, the general-interest channels with the largest


SPORTS da conversa de taberna. Óptimos para garantir audiências, mas impossíveis de ver em indústrias futebolísticas mais avançadas como a inglesa e a alemã. Por alguma razão. A informação, por outro lado, nunca foi tão controlada como agora. O acesso às fontes está severamente limitado pelos clubes que têm televisões e canais de comunicação próprios. Estes funcionam, antes demais (e compreensivelmente) como difusores de propaganda e marketing clubístico. Não esperem isenção e imparcialidade de uma televisão ou de um jornal de clube. Não é para isso que eles existem. O problema é que a matéria prima que vende (no nosso caso: Benfica, Porto, Sporting) deixou de estar ao alcance do jornalismo não engajado. É raríssimo ver-se hoje uma entrevista a um dirigente, treinador e atleta dos três grandes – repito: os que mais vendem - que não esteja condicionada à origem. Há excepções, claro, mas são poucas. Tudo é programado e formatado em função do momento e da ideia que se quer fazer passar. Não é essa função do jornalismo sem cor. Cumpre dizer que o jornalismo teoricamente independente tem alinhado vezes demais com interesses alheios à missão de informar, sendo que as audiências e as vendas em banca não podem justificar tudo. Compadrio e promiscuidade sempre existiram em todas as áreas e profissões – por alguma razão este é o país da cunha e do jeitinho! -, mas não posso deixar de lamentar que haja tantos exemplos, em tantas latitudes, de jornalismo acrítico, subserviente e comprometido. Basicamente, temos de nos refocar. Sendo certo que haverá sempre consumidores para o jornalismo de formato tablóide, seja escrito ou audiovisual – é assim em todo o lado, dos Estados Unidos e da Inglaterra ao Brasil e à Indonésia – convém não reduzir tudo ao denominador comum. Há quem não se contente com a espuma dos dias. Felizmente. A meu ver o futuro do jornalismo de qualidade – desportivo incluído, obviamente - passa obrigatoriamente por um ‘back to basics’. O regresso ao que mais nobre esta profissão tem. Informar. Esclarecer. Suscitar a dúvida e a discussão. Contar histórias, caramba, se o desporto fornece matéria para boas histórias! A questão é simples. A informação de qualidade tem custos. Quem quer ter bons repórteres, bons articulistas, bons jornalistas de investigação e ‘opinion makers’ respeitados, paga por eles. A qualidade nunca pode ser de graça. Só que, quem exige mais, paga por ela. Sempre foi assim. Por isso só vejo uma saída: assumir que haverá nichos de jornalismo de qualidade para os consumidores que não se revém no tipo de informação rápida, barata e pouco exigente que hoje faz escola um pouco por todo o lado. O caminho, tenho a certeza, só pode ser esse. Jornais vocacionados não para dar notícias – isso está instantaneamente assegurado pelas rádios, televisões e internet – mas para as comentar, escalpelizar e analisar doutros ângulos. ‘Fast food’ de um lado, refeição ‘gourmet’ do outro. Falo de informação mais completa, mais rigorosa, mais abrangente, numa palavra: mais estimulante. Aquela que, como um bom livro, nos cativa a atenção e nos obriga a pensar. Porque haverá sempre quem sinta necessidade de mais e melhor informação. Porque haverá sempre quem sinta necessidade de ir mais longe e mais fundo. Porque a espuma do dia leva-a o vento. Não fica. l

audience aired football debate programs that were nothing more than a noisy exercise of exacerbated clubite - some resembling rather pub talk. It’s great to secure audiences but it’s not there in more advanced football industries like the English and the German. There is surely a reason for that. Information, on the other hand, has never been more controlled than today. Access to sources is severely limited by clubs that have their own televisions and media channels. These work, above all (and understandably) as advertising and as a mean to sell club marketing. Do not expect exemption and impartiality from a television or a club newspaper. That is not what they are there for. The problem is that the raw material it sells (in our case: Benfica, Porto, Sporting) is no longer within the reach of non-engaged journalism. We seldom see today an interview with a manager, coach and athlete of the big three - I repeat: those who sell the most – that is not biased. There are exceptions, of course, but very little in number. Everything is programmed and formatted according to the moment and the idea to be conveyed. This is not the role of impartial journalism. It is worth mentioning that theoretically independent journalism has aligned too often with interests outside the mission of informing, and audiences and sales in newsstands cannot be the ultimate goal alone. Cronyism and promiscuity have always been there in all areas and professions - for some reason this is the country where putting on a nice word for someone and circumventing rules is common practice! - but I can’t help regretting the fact that there are so many examples, in so many latitudes, of uncritical, subservient and biased journalism. Basically, we have to refocus. There will always be consumers of tabloid format journalism, whether written or audio-visual – out there and everywhere, from the United States and England to Brazil and Indonesia – but we should avoid reducing everything to a common denominator. There are people who want more. Fortunately. In my view, the future of quality journalism - sports included, obviously - must engage e a true back to basics. The return to the noblest goal of this profession. To inform. Clarifying. Generating doubt and discussion. Telling stories - and sports does provide material for good stories! It’s as simple as that. Quality information has costs. Whoever wants to have good reporters, good writers, good investigative journalists and respected opinion makers will be willing to pay for it. Quality can never be free of charge. Those who want more will pay for it. It has always been like that. That is why I see only a way out: niches of quality journalism for consumers who identify with the kind of fast, cheap and undemanding information that today makes inroads everywhere. The path, I am sure, can only be this. Newspapers devoted not to breaking news - this is instantly ensured by radio, television and the Internet - but to comment, detail and analyse from different angles. Fast food on the one hand, gourmet meals on the other. I mean thorough information, more rigorous, more comprehensive, in a word: more stimulating, that, like a good book, captivates our attention and compels us to think. Because there will always be those who feel the need for more and better information. Because there will always be those who feel the need to go further and deeper, avoiding the temptation to froth on the daydream. l 57


FOTO: FUNDAÇÃO PORTUGUESA DAS COMUNICAÇÕES

E M P R E S A E M D E S TA Q U E

500 ANOS DO CORREIO EM PORTUGAL – HISTÓRIA, PRESENTE E FUTURO

FOTO: BANCO DE IMAGENS CTT

5 0 0 Y E A R S O F P O S TA L S E R V I C E S I N P O R T U G A L - H I S T O R Y, P R E S E N T A N D F U T U R E

58

(Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)


F E AT U R E D C O M P A N Y

RAÚL MOREIRA, DIRETOR DE FIL ATELIA DOS CTT P H I L AT E LY D I R E C TO R O F C T T

N

o dia 6 de novembro de 1520 o Rei D. Manuel I assinou, em Évora, a carta real que nomeava Luis Homem como o primeiro Correio-Mor de Portugal. Embora existam documentos anteriores onde o embaixador privado do rei já era tratado por “correio-mor”, datamos formalmente o início da aventura dos correios públicos no nosso país desse dia 6 de novembro e desse ano de 1520. 500 anos de atividade postal não são 500 anos dos CTT. A sigla CTT foi pela primeira vez criada em 1936 através da Portaria n.º 8:517 de 28 de agosto de 1936, promulgada pelo Ministro dos Transportes e Comunicações, Joaquim José Andrade e Silva Abranches. Todavia, mudando-se embora o regime político, a denominação, a propriedade pública ou privada, o escopo e a abrangência dos serviços postais ou de telecomunicações, ninguém poderá negar que a espinha dorsal desta atividade sempre foram os seus trabalhadores e dirigentes operacionais. Foram estes que ao longo dos séculos e através das modificações estruturais garantiram a permanência do conhecimento específico das operações postais, a proximidade aos portugueses e a concretização da missão nobre que lhes competia.

O

n November 6, 1520, King D. Manuel I signed in the city of Évora the royal letter appointing Luis Homem as the first postal officer in Portugal. Despite the existence of documents prior to that where the king’s private ambassador was already referred to as “postal officer” we formally date the beginning of the adventure of the public postal service in Portugal back to November 6 of that very same year of 1520. But 500 years of postal service don’t mean 500 years of CTT. The acronym CTT (Mail, Telegraph and Telephone) was first created in 1936 through Ordinance No. 8: 517 of August 28, 1936, enacted by the Minister of Transport and Communications, Joaquim José Andrade e Silva Abranches. However, despite the changes in political regime, name, public or private ownership and the scope and reach of postal or telecommunications services no one can deny that the backbone of this activity has always rested on its workers and operational managers. It was they who, over the centuries and following many structural changes ensured permanence of specific knowledge of postal operations, proximity to the Portuguese and the noble mission they were in charge of.

O C O R R E I O - M O R D O R E I N O E R A U M O F Í C I O P O S TA L C R I A D O P E L O R E I D . M A N U E L I D E P O R T U G A L A 6 D E N O V E M B R O D E 1 5 2 0 , AT R AV É S D U M A C A R TA R É G I A , A Q U A L E N T R E G O U A G E S TÃ O D E S S E S E R V I Ç O P E L A P R I M E I R A V E Z A L U Í S H O M E M

T H E M A I L O F F I C E R O F T H E K I N G D O M W A S A P O S TA L S E R V I C E C R E A T E D B Y K I N G D . M A N U E L I O F P O R T U G A L O N N O V E M B E R 6 , 1 5 2 0 , T H R O U G H R O YA L L E T T E R WHICH DELIVERED THE MANAGEMENT OF THIS SERVICE FOR THE FIRST TIME TO LUIS HOMEM

59


E M P R E S A E M D E S TA Q U E

SELO S CO M O S LO G O S HIS TÓ RICO S DA E MP RESA | S TAM PS W IT H H IS TO R IC LO G O S O F T H E CO M PANY

Desta forma não parece descabido, muito pelo contrário, que a atual empresa CTT Correios de Portugal S.A. se considere herdeira legítima do labor de Luis Homem, na extensa linha de correios-mores reais e de superintendentes de correio das Repúblicas ao longo destes 5 séculos. Assim aconteceu na Europa onde o legado do barão Thurn und Taxis na Baviera foi padrão da criação dos correios públicos. Efetivamente, são os Operadores Postais históricos que comemoraram ou se preparam para comemorar esta importante efeméride dos 500 anos do correio nos seus diferentes países. Se tivéssemos de escolher apenas cinco marcos essenciais para contar esta história portuguesa com 5 séculos, provavelmente seriam: - O momento da génese, 1520 com a carta real de D. Manuel I - A primeira privatização dos correios em 1606, por opção de D. Filipe II, entregando a exploração do serviço à família Gomes da Mata. - A reintegração no Estado dos serviços postais, por Dona Maria I, em 1798 - A criação do Código Postal, momento de viragem para modernidade, em 1978 - A segunda privatização dos correios, em 2013, abrindo ao capital público a propriedade da empresa CTT Correios de Portugal. O Banco CTT nasce da evolução natural dos serviços financeiros já prestados pelos CTT e traz consigo uma história e experiência com mais de 500 anos. Lançouse no mercado no dia 18 de março de 2016, com uma proposta que assenta em valores de confiança, solidez, proximidade, simplicidade e inovação. É a nossa aposta continuada na prestação e serviços financeiros de valor acrescentado. E, juntamente com o mercado do correio urgente e das encomendas, em contínua progressão em Portugal e em todo o mundo, constitui parte importante do triângulo de desenvolvimento estratégico da empresa. Um desenvolvimento sempre sustentável, respeitador do 60

Thus, it makes perfect sense for the current company CTT Correios de Portugal SA to consider itself a legitimate heir to the work of Luis Homem, in line with the work of both royal postal officers and postal superintendents of the Republics over these 5 centuries. The same happened in Europe where the legacy of Baron Thurn und Taxis in Bavaria set the standard for the creation of public postal services. These historic Postal Operators are now rightfully celebrating or preparing the celebrations of the important anniversary of 500 years of postal services in their different countries. If we had to choose only five essential milestones to tell this 5-centuries old Portuguese history these would probably be: - Its inception, in 1520, through the royal letter by D. Manuel I - The first privatisation of postal services in 1606, upon decision of D. Filipe II who handed over these services to the Gomes da Mata family. - Reintegration into the State of postal services, by Queen D. Maria I, in 1798 - The creation of the Postal Code, a turning point towards modernity, in 1978 - The second privatisation of the postal services, in 2013, opening up ownership of the company CTT Correios de Portugal to public capital. Banco CTT was the direct result and natural evolution of financial services already provided by CTT and shares 500 years of history and experience. It was launched on the market on March 18, 2016, with a proposal based on the values of trust, solidity, proximity, simplicity and innovation. This represent our ongoing focus on provision and value-added financial services. And, together with the market for urgent mail and parcels, which has been witnessing continuous growth in Portugal and around the world, this is an important part of the company’s strategic development triangle. Sustainable development, environmental friendly,


F E AT U R E D C O M P A N Y

LOGOTIPO ACTUAL | CURRENT LOGO

LOGOTIPO COMEMORATIVO DOS 500 ANOS | 500-ANNIVERSARY LOGO

meio ambiente, focado no Cliente e assente nos princípios da não discriminação de género, raça ou religião.

focused on the Customer and based on the principles of non-discrimination of gender, race or religion.

Sustentabilidade e Responsabilidade Social Inovação, tecnologia e sustentabilidade ambiental fazem parte do código genético da marca CTT e são uma prioridade para esta empresa, herdeira de uma atividade com quase 500 anos. No esteio dos desafios futuros sobre a sustentabilidade “lato sensum”, proclamada pela ONU como grande objetivo do século XXI, os CTT foram gradualmente estruturando a intervenção sustentável nas dimensões económica e de governação, ambiental e social. Entre inúmeras realizações, citam-se alguns destaques: - Estabelecimento duma grelha de objetivos de sustentabilidade, aplicável aos mais de 12 mil trabalhadores do grupo, desde a administração até aos atendedores e carteiros; - Implementação de uma ampla agenda ambiental,

Sustainability and Corporate Social Responsibility Innovation, technology and environmental sustainability are part of the genetic code of the CTT brand and are a priority for this company, heir to 500 years old activity. Within the context of future challenges as regards sustainability “lato sensum”, proclaimed by the UN as a major goal of the 21st century, CTT gradually structured the sustainable intervention in the economic, governance, environmental and social spheres. It is worth mentioning some highlights among so many accomplishments: - Establishment of a table of sustainability objectives, applicable to the more than 12 thousand workers in the group, from the management to front office clerks and postmen; - Implementation of a broad environmental agenda,

RECOLHA DE CORRESPONDÊNCIA DE MARCO DO CORREIO MAIL COLLECTION IN MAILBOX FOTO: FUNDAÇÃO PORTUGUESA DAS COMUNICAÇÕES

61


E M P R E S A E M D E S TA Q U E

S E R V I Ç O I N T E R N A C I O N A L N A E S TA Ç Ã O CENTR AL DE ENCOMENDAS I N T E R N AT I O N A L S E R V I C E AT T H E C E N T R A L P A R C E L S TA T I O N FOTO: FUNDAÇÃO PORTUGUESA DAS COMUNICAÇÕES

apoiada nos temas da conformidade legal, gestão carbónica e alterações climáticas, eficiência energética, gestão de resíduos, sistemas de gestão certificados, compras responsáveis, formação e sensibilização; - Certificação: mais de 700 unidades organizacionais dos CTT. É, de longe, o maior número de certificações de uma única empresa a nível nacional; - Mobilidade sustentável: com mais de 250 veículos menos poluentes (duas, três e quatro rodas), operamos a maior frota de viaturas alternativas do país; - Lançamento de “portfolio eco”: somos o único operador de correios a nível mundial com oferta de serviços ecológicos para empresas e particulares (Correio Verde e DM Eco); - Publicação de relatórios de sustentabilidade com o mais elevado nível de verificação externa, apresentando cerca de 50 compromissos públicos sustentáveis; - Constituição da bolsa de voluntários CTT e prática ativa de mecenato empresarial; - Solidariedade social: Projecto de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social dos CTT, que já promoveu a entrega gratuita de 15 mil encomendas a 45 instituições e mais de 500 toneladas de donativos enviados para as regiões mais carenciadas. Este desempenho na área da sustentabilidade tem obtido reconhecimentos externos. Em 2010 os CTT foram considerados líderes mundiais de proficiência carbónica do sector postal nas categorias “Gestão da cadeia de valor e divulgação e reporting” e obtiveram a 1.ª posição no Índice nacional de Responsabilidade Climática. Em 2012 ganhámos o “World Mail Awards” na categoria de “Corporate Social Responsability”, o mais prestigiado do sector. Produtos Inovadores para o Mercado Global Serviços inovadores na Atividade Postal, como o geoindex, mailmanager, e ViaCTT são a prova do investimento contínuo dos CTT em novas soluções tecnológicas, rentabilização de recursos, melhor organização e redução de custos. O geoindex possibilita – através da perceção geográfica e do conhecimento do território de atuação, fundamentados 62

supported by the themes of legal compliance, carbon management and climate change, energy efficiency, waste management, certified management systems, responsible procurement, training and awareness; - Certification: more than 700 organizational units within CTT. It is by far the largest number of certifications for a single company at national level; - Sustainable mobility: with more than 250 less polluting vehicles (two, three and four wheels), we operate the largest fleet of alternative vehicles in the country; - Launch of an ecoportfolio: we are the only postal operator worldwide offering ecological services for companies and individuals (Green Mail and DM Eco); - Publication of sustainability reports with the highest level of external scrutiny, presenting about 50 sustainable public goals; - Creation of the CTT volunteer scholarship and active business patronage; - Social solidarity: CTT’s Project to Fight Poverty and Social Exclusion, which has already promoted the free delivery of 15,000 parcels to 45 institutions and more than 500 tons of donations sent to the most deprived regions. This performance in the area of sustainability received external recognition. In 2010, CTT were considered world leaders in carbon proficiency in the postal sector in the “Value chain management and dissemination and reporting” categories, and ranked 1st in the National Climate Responsibility Index. In 2012 we won the “World Mail Awards” in the “Corporate Social Responsibility” category, the most prestigious in the sector. Innovative Products for the Global Market Innovative services in the Postal Activity, such as geoindex, mailmanager and ViaCTT are proof of CTT’s continuous investment in new technological solutions, resource improvement, better organisation and cost reduction. Geoindex enables - through geographic perception and


F E AT U R E D C O M P A N Y na organização e tratamento de diferentes fontes de informação, – a elaboração de estudos de ‘geomarketing’ que são fundamentais para tomadas de decisão estratégicas inerentes à gestão das empresas. O mailmanager efectua a gestão do correio empresarial, digitalizando, classificando, indexando e enviando em formato digital o correio físico rececionado pelo Cliente. A recolha da informação em formato digital relativa a faturas, correio devolvido, reclamações, avisos de receção e outros possibilita ao Cliente a otimização dos processos a jusante da receção do correio. E dado que nos nossos dias a comunicação instantânea decorre de um processo de evolução natural, os CTT disponibilizam um serviço de correio eletrónico, a ViaCTT, que permite às empresas expedidoras reduzir custos e usufruir de um canal de comunicação seguro que é, simultaneamente, um canal de cobrança. Os destinatários deste correio (empresas ou particulares) dispõem de uma caixa postal eletrónica para receber, organizar, efetuar pagamentos e arquivar em formato digital a sua correspondência, de uma forma segura, confidencial e gratuita. Atendimento e Recolha O valor da proximidade com os cidadãos sempre foi uma premissa dos CTT, enquanto empresa distribuidora de comunicações físicas e considerando a sua vasta representatividade em Estações de Correio (hoje Lojas CTT) por todo país. A Rede de Atendimento CTT, composta por lojas CTT e por postos de correio, garante a existência de pelo menos 1 estabelecimento postal em todos os concelhos do território nacional, de forma a que 95% da população nacional esteja situada a uma distância máxima de 6 km de um destes estabelecimentos. Trata-se de uma Rede de Atendimento que revela um bom nível de

knowledge of the territory in which it operates, based on the organisation and handling of different sources of information, - the development of geomarketing studies that are fundamental for strategic decision making inherent to the management of companies. Mailmanager manages the corporate mail, scanning, classifying, indexing and sending in digital format the physical mail received by the Customer. The collection of information in digital format related to invoices, returned mail, complaints, receipt notices and others allows the Customer to optimise the processes downstream of the receipt of mail. And given that nowadays instant communication results from a process of natural evolution, CTT provides an electronic mail service, ViaCTT, allowing companies to reduce costs and enjoy a secure communication channel that is simultaneously a billing channel. The recipients of this mail (companies or individuals) have an electronic mailbox to receive, organise, make payments and file their mail in digital format, in a secure, confidential and free manner. Service and Collection The value of proximity to citizens has always been a premise of CTT, as a company that distributes physical communications and considering the wide-ranging presence of Post Offices (today CTT Stores) throughout the country. The CTT Service Network, composed of CTT stores and post offices, guarantees the existence of at least 1 postal establishment in each municipality in the national territory and so therefore 95% of the national population is located at a maximum distance of 6 km from each of these establishments. This Service Network shows the good level of penetration of postal services with a density of postal coverage in line with the Community average. With around 98 thousand customers/day in CTT stores

E S TA Ç Ã O D O T E R R E I R O D O P A Ç O T E R R E I R O D O P A Ç O P O S TA L S TA T I O N FOTO: FUNDAÇÃO PORTUGUESA DAS COMUNICAÇÕES

63


E M P R E S A E M D E S TA Q U E penetração dos serviços postais, com uma densidade de cobertura postal idêntica à média comunitária. Com cerca de 98 mil clientes/dia nas lojas CTT e uma média diária de um objeto postal endereçado distribuído por agregado familiar, a acessibilidade é uma das suas marcas distintivas. A empresa disponibiliza a maior rede de contacto a nível nacional, atuando como um elemento estruturante e determinante para a coesão social do território nacional. Acompanhando as novas tendências do mercado e sendo a Rede CTT parte do “rosto humano” que se pretende atribuir à empresa, desenvolveu-se um novo conceito de Loja CTT. Este novo paradigma de “Rede de Atendimento do Futuro” combina vários processos de maximização de conveniência, proporcionando um equilíbrio entre o atendimento personalizado e o atendimento ‘self-service’ e permitindo uma maior flexibilidade nos fatores de atendimento, horário, acessibilidade e comunicação. Apesar do fortíssimo desenvolvimento das comunicações eletrónicas nos últimos anos, os CTT continuam a apostar na proximidade, através da rede de estabelecimentos postais com 9657 pontos de recolha de comunicações físicas – marcos e caixas de correio – numa vastíssima rede que cobre todo o território nacional de forma estruturada, assegurando elevados rácios de densidade e proximidade junto das populações e mantendo pelo menos um marco / caixa postal por freguesia. Mesmo nos locais mais recônditos, onde não se justifica a existência de uma caixa de correio, a recolha das correspondências pode ser feita, em mão, pelo carteiro que efetua a distribuição. Os CTT garantem a recolha diária das correspondências depositadas na totalidade da rede de forma a ser possível que o correio possa ser distribuído de acordo com os respetivos padrões de serviços em qualquer morada. Para o efeito, os CTT dispõem de uma rede de recolha dedicada que cobre, principalmente, as zonas urbanas e os marcos e caixas com maior volume de tráfego. As restantes caixas são recolhidas, na passagem do carteiro aquando da realização da distribuição.

and a daily average of one addressed postal item per household, accessibility is one of its distinguishing marks. The company offers the largest contact network at national level, acting as a pivotal element for the social cohesion of the national territory. Following the new market trends and considering that the CTT Network is part of the “human face” that is company is to be granted, a new CTT Store concept was thus developed. This new “Future Service Network” paradigm combines several convenience maximisation processes, providing a balance between personalized service and ‘selfservice’ and allowing greater flexibility in service, time, easy access and communication factors. Despite the very strong development of electronic communications in recent years, CTT continues to focus on proximity, through the network of postal establishments with 9657 points for the collection of physical communications – mailposts and mailboxes - in a vast network that covers the entire national territory in a structured manner, ensuring high ratios of density and proximity to the populations and maintaining at least one mailpost/mailbox per parish. Even in the most remote places, where there are no grounds for the existence of a mailbox, the collection of mail can be done, by hand, by the postman who distributed the mail. CTT guarantees the daily collection of mail deposited in the entire network in order to allow mail to be distributed to any address and following the respective service standards. To this end, CTT has a dedicated collection network that mainly covers urban areas and mailposts and mailboxes with the highest traffic volume. The remaining mailboxes are collected when the postman distributes the mail. Transportation The need to exchange messages has always led to the search for all kinds of solutions to fight distance.

SERVIÇO TELEGRÁFICO E TELEX, ANOS 40 TELEGRAPHIC AND TELEX SERVICE, 1940’S FOTO: FUNDAÇÃO PORTUGUESA DAS COMUNICAÇÕES

64


65


E M P R E S A E M D E S TA Q U E

E S TA F E TA D E M O TA FOTO: BANCO DE IMAGENS CTT

Transportes Desde sempre, a necessidade de troca de mensagens levou a que se procurassem todas as soluções possíveis para vencer a distância. No passado eram escudeiros, correios a cavalo, diligências de mala-posta e as denominadas “ambulâncias” ferroviárias. A morosidade e incerteza eram enormes; os percursos, hoje percorridos em poucas horas, demoravam mais de uma semana; o correio internacional dependia dos navios e das rotas marítimas. No presente, os CTT Correios de Portugal recorrem a todos os modernos meios de transporte – veículos pesados rodoviários, aviões, barcos – integrando uma Rede de Transportes Nacional estruturada em três níveis (rede primária, secundária e terciária) e uma Rede de Transportes Internacional e de / para as Regiões Autónomas. A Rede de Transportes Postais Nacionais assenta totalmente em percursos rodoviários, desde os anos 80, e percorre anualmente cerca de 14 milhões de quilómetros sendo continuamente monitorizada para assegurar um elevado desempenho (cumprimento dos horários) e um ajustamento real face às necessidades do tráfego e à otimização necessária. A frota utilizada é de cerca de 350 viaturas, a maioria veículos pesados, sendo objeto de um Plano de Racionalização de Consumos de forma a assegurar a redução dos mesmos. Está também em curso um plano de aquisição de viaturas elétricas com vista à sua utilização frequente nos CTT, tendo as primeiras unidades entrado ao serviço já em 2011. O correio internacional e o destinado às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira são maioritariamente transportados por via aérea. A atividade dos transportes postais está totalmente abrangida por sistemas de gestão de qualidade e ambiente (referenciais ISO 9001, ISO 14001 e o alargamento ao referencial OSHAS 18001). Existe ainda o plano de formação no âmbito da prevenção da sinistralidade e da reciclagem de condutores (condução ecológica e defensiva) que contribui para os reduzidos níveis de sinistralidade e para a diminuição dos consumos verificados. 66

BIKE COURRIER

In the past they were squires, couriers on horseback, mounted couriers and the so-called railway “ambulances”. The slowness and uncertainty were enormous; the routes, now covered in a few hours, took more than a week to cover; international mail depended on ships and sea routes. At present, CTT Correios de Portugal uses all kinds of modern means of transportation – lorries, airplanes, boats - integrating a National Transport Network structured around three levels (primary, secondary and tertiary network) and an International Transport Network and to / from the Autonomous Regions. The National Postal Transport Network has been based entirely on road routes since the 1980s, and travels approximately 14 million kilometres annually and is continuously monitored to ensure high performance (compliance with timetables) and a real adjustment to the needs of traffic and necessary optimization. The fleet used is about 350 vehicles, mostly lorries and is now undergoing a Consumption Rationalization Plan in order to ensure their reduction. An electric vehicle acquisition plan was also underway with a view to its frequent use at CTT and the first started operating in 2011. International mail and mail to the Autonomous Regions of the Azores and Madeira are mostly transported by air. The postal transport activity is fully covered by quality and environment management systems (ISO 9001, ISO 14001 standards and the extension to the OSHAS 18001 standard). There is also a training plan under way within the scope of road accident prevention and driver retraining (ecological and defensive driving) thereby reducing the accident rates and reducing consumption. Handling and Distribution The postal handling has the mission of ensuring the processing of postal objects in order to


F E AT U R E D C O M P A N Y Tratamento e Distribuição O tratamento postal tem como missão assegurar o processamento de objetos postais de forma a garantir os padrões de qualidade, a aplicação das normas em cada processo de trabalho e a maximização da exploração dos equipamentos utilizados. O tratamento está assim inserido numa posição intermédia na cadeia operativa dos Correios, dando um contributo extremamente positivo para que a empresa consiga atingir os seus objetivos. Para que os nossos milhões de clientes sejam mais bem servidos, onde quer que se encontrem, foi criada uma rede de encaminhamentos com o intuito de podermos chegar a toda a população com a maior rapidez possível. A rede de encaminhamento é constituída por 2 Centros de Produção e Logística a nível nacional (Cabo Ruivo e Maia) e por Centros Logísticos dispersos pelo país para maximizar o apoio prestado aos Centros de Distribuição Postal existentes. Nestes Centros de Produção e Logística ocorrem as atividades de carga e descarga de viaturas, triagem, preparação, divisão manual e divisão automatizada de correspondências, funcionando os Centros Logísticos fundamentalmente como plataformas de cross-docking de abastecimento aos Centros de Distribuição Postal. A automatização destas atividades e respetivos processos operacionais, bem como a sua conjugação com as necessidades específicas de determinados clientes, tem sido um os principais objetivos nos últimos anos. O parque de máquinas destes centros traduz os elevados investimentos que os CTT ao longo dos últimos aos fizeram com vista a melhorar os níveis de automatização, consistindo em máquinas para segregação e obliteração, máquinas para leitura e indexação, máquinas para divisão de “finos”, máquinas para divisão de “médios” e mais recentemente com uma inovadora máquina de divisão de volumosos, sistemas automatizados de transporte interno dos objetos e sistemas automatizados de localização de objetos, “Track and Trace”. São diariamente manipulados cerca de 3 milhões de objetos, dos quais mais de 80% são automatizados, e destes quase 60% são expedidos diretamente dos Centros de Produção para os respetivos circuitos de distribuição de todo o país. De igual modo, os processos e atividades de suporte à operação estão baseados em sistemas e tecnologias que permitem a sua monitorização de uma forma próxima, frequente e rigorosa, assegurando o cumprimento dos níveis de serviço definidos e disponibilizando informação sobre o desempenho de toda a rede operacional. O tratamento tem vindo a apostar cada vez mais na qualidade de serviço, na inovação e no desenvolvimento tecnológico. Tem também feito um enfoque especial na redução de custos, no incremento de competências técnicas ao nível dos recursos humanos e na certificação. Os muitos milhares de itinerários que os nossos carteiros percorrem diariamente logo pela manhã, mesmo sob condições atmosféricas adversas e com a mesma dedicação, há mais de cinco séculos, são um contributo fundamental para assegurar a transmissão segura e eficiente de mensagens entre todos os nossos clientes.

guarantee quality standards, the application of standards in each work process and the maximization of the use of the equipment used. The handling is thus in an intermediate position in the postal chain and offers an extremely positive contribution for the company to meet its objectives. In order to better serve our millions of customers, wherever they are, a network of routing has been created in order to be able to reach the entire population as quickly as possible. The routing network consists of 2 Production and Logistics Centres at the national level (Cabo Ruivo and Maia) and Logistics Centres scattered throughout the country to maximize the support provided to the existing Postal Distribution Centres. In these Production and Logistics Centres, vehicle loading and unloading, sorting, preparation, manual division and automated division of mail activities take place and Logistics Centres work essentially as cross-docking platforms supplying the Postal Distribution Centres. Automation of these activities and the respective operational processes, as well as their combination with the specific needs of certain customers, has become one of the main objectives in recent years. The existing machinery in these centres reflects the high investments made by CTT over the last few years with a view to improving automation levels, consisting of machines for segregation and obliteration, reading and indexing machines, machines for “fine” division, machines for “medium” division and more recently with an innovative bulk mail division, automated internal object transport systems and automated object location systems, Track and Trace. Approximately 3 million objects are handled daily, of which more than 80% are automated, and almost 60% of these are shipped directly from the Production Centres to the respective distribution circuits throughout the country. Likewise, the processes and activities supporting the operation are based on systems and technologies that allow them to be monitored in a close, frequent and rigorous manner, ensuring compliance with the defined service levels and providing information on the performance of the entire operational network. Handling has been increasingly focusing on the quality of service, innovation and technological development. There has been also particular focus on reducing costs, increasing technical skills in terms of human resources and certification. The many thousands of itineraries that our postmen travel every day early in the morning, even under adverse weather conditions and with the same dedication, for more than five centuries, are a fundamental contribution to ensure the safe and efficient transmission of messages between all our customers. This is postal distribution: ensuring that the last mile, the last task of postal operations, which consists of delivery to the recipient, is carried out in an effective 67


E M P R E S A E M D E S TA Q U E

SEDE DOS CTT HEAD OFFICE OF CTT FOTO: BANCO DE IMAGENS CTT

Isto é a distribuição postal: garantir que a “last mile”, a última tarefa das operações postais que consiste na entrega ao destinatário, se cumpra de uma forma eficaz e eficiente; trabalhar para assegurar a necessidade imperiosa de estabelecer uma ponte, de estar onde somos precisos, face a face, permanecendo perto do Cliente e do negócio a todo o momento. Para que este objetivo se concretize existem milhares de carteiros que percorrem diariamente cerca de 246 mil quilómetros, com recurso a veículos motorizados (viaturas e/ou motociclos), mas também a pé nos principais centros urbanos. E, como nos preocupamos com a “fragilidade” da Terra, desde há algum tempo que adotamos práticas sustentáveis nas deslocações. Foi esta inquietação, amplamente partilhada por todas as áreas dos CTT, que nos levou a incentivar a deslocação dos nossos carteiros distribuidores em diversos tipos de viaturas elétricas (veículos ligeiros, ciclomotores e mesmo bicicletas) para entregar objetos que, eles próprios, já começaram também a ser produzidos com materiais e processos amigos do ambiente. Um desenvolvimento sempre sustentável, respeitador do meio ambiente, focado no Cliente e assente nos princípios da não discriminação de género, raça ou religião. Ao longo dos anos construímos uma proposta de confiança e de proximidade para com os portugueses. Esta nossa marca centenária manteve alto perfil de reconhecimento público, tornando-se um símbolo de notoriedade, de imagem positiva, de confiança e um valor económico e financeiro de relevância notável. Inovando e renovando a sua oferta, são hoje os CTT – e serão sempre - uma das empresas preferidas de todos os portugueses. Em suma, ao longo dos séculos construímos uma proposta de confiança e de proximidade para com os portugueses. Esta nossa marca centenária manteve alto perfil de reconhecimento público, tornando-se um símbolo de notoriedade, de imagem positiva, de confiança e um valor económico e financeiro de relevância notável. Inovando e renovando a sua oferta, são hoje os CTT – e serão sempre - uma das empresas preferidas de todos os portugueses. Continuaremos a ligar pessoas e empresas, com entrega total. l 68

and efficient manner; working to ensure the urgent need to establish bridges, to be where we are needed, face to face, close to the Customer and the business at all times. In order to achieve this objective, there are thousands of postmen who travel around 246 thousand kilometres daily, using motor vehicles (vehicles and/or motorcycles), but also on foot in the main urban centres. In line with our concerns as regards the “fragility” of the Earth, we have been adopting sustainable practices as regards travel. It was this concern, widely shared by all areas of CTT that has led us to encourage our postmen to use different types of electric vehicles (light vehicles, mopeds and even bicycles) to deliver objects which are increasingly being produced with environmentally friendly materials and processes. Sustainable development, environmental friendly, focused on the Customer and based on the principles of non-discrimination of gender, race or religion. Over the years we have built a proposal of both trust and proximity to the Portuguese. This centennial brand of ours has maintained a high profile of public recognition, becoming a symbol of notoriety, a positive image, confidence and an economic and financial value of remarkable relevance. By innovating and renovating its offer CTT is today - and will always be - one of the preferred companies of all Portuguese. In short, over the centuries we have built a proposal of trust and proximity to the Portuguese. This centennial brand of ours has maintained a high profile of public recognition, becoming a symbol of notoriety, a positive image, confidence and an economic and financial value of remarkable relevance. By innovating and renovating its offer CTT is today - and will always be - one of the preferred companies of all Portuguese. We will continue to connect people and companies, delivering the most. l


Estamos abertos aos que acreditam e começam a reconstruir.

Linha de Apoio à Economia Covid-19 400 milhões de euros O NOVO BANCO associa-se ao Estado e ao Sistema Nacional de Garantia Mútua com o objetivo de ajudar as empresas no processo de retoma progressiva. A Linha de Apoio à Economia Covid-19 disponibiliza 400 milhões de euros às Médias Empresas, Small Mid Caps e Mid Caps. Se é o caso da sua empresa, fale connosco e saiba como podemos ajudá-lo a minimizar os efeitos da pandemia no seu negócio. A economia somos todos nós.

Para mais informações contacte o NOVO BANCO através do seu gestor ou consulte o site: novobanco.pt/empresas

69


INTERNACIONAL ANGOLA

PEDRO FILIPE, SECRETÁRIO DE ESTADO PAR A O TR ABALHO E SEGUR ANÇA SOCIAL SECRETARY OF STATE FOR L ABOR AND SOCIAL SECURIT Y

E C O N O M I A PA R A L E L A :

DESAFIOS E OPORTUNIDADES G R E Y E C O N O M Y: C H A L L E N G E S A N D O P P O R T U N I T I E S

O

ano de 2020 é, sem dúvidas, um sério candidato aos óscares do pessimismo e da especulação. Não tenho memória de um período tão rico e fecundo em previsões apocalípticas como este que felizmente caminha a passos largos para o fim. Sobre África, em geral, e Angola, em particular, as previsões são verdadeiramente estarrecedoras. Desenhava-se no horizonte uma catástrofe humanitária, com consequências económicas e sociais incalculáveis. Preparamo-nos para o pior e recorremos ao que nos restava do estoque da resiliência e da solidariedade, para enfrentar a mais democrática das enfermidades, a famigerada COVID 19. Seis meses se passaram desde a notificação do primeiro caso em Angola e, até ao momento, tem havido, da parte das autoridades nacionais, uma grande capacidade de resposta. Os dados estatísticos que diariamente se apresentam contrariam de forma ostensiva, e com algum estoicismo, o cenário da crise humanitária, que alguns analistas nacionais e internacionais davam como certa. Infelizmente, o mesmo não se pode dizer em relação aos indicadores macroeconómicos. O relatório de desempenho da economia do primeiro trimestre de 2020 é assaz preocupante. A economia angolana teve um crescimento negativo na ordem 70

T

he year 2020 is undoubtedly a serious candidate to win the Oscar of pessimism and speculation. I don’t recall a period so rich and fertile in apocalyptic predictions like the current year which is fortunately fast approaching the end. As for Africa in general, and Angola in particular, the forecasts are truly appalling. A humanitarian catastrophe was looming on the horizon, with immeasurable economic and social consequences. We prepared for the worst and used what was left of our resilience and solidarity stock to face the most democratic of diseases, the infamous COVID 19. Six months have elapsed since the first case was reported in Angola and the national authorities have shown so far a great capacity to respond to this. The statistical data that are produced every day clearly contradict, and with some stoicism, the humanitarian crisis scenario some national and international analysts saw as almost certain. Unfortunately, the same cannot be said for macroeconomic indicators. The economy performance reports pertaining to the first quarter of 2020 are quite worrying. The Angolan economy witnessed a negative growth


I N T E R N AT I O N A L A N G O L A

de -1.8% o que representa um rude golpe para as aspirações nacionais, num ano que tinha tudo para ser o marco da retoma do crescimento. Todavia, nem tudo são más notícias. Um olhar mais atento às contas nacionais revela, de forma cristalina, as imensas oportunidades e o grande potencial de crescimento da economia angolana. Dados resultantes do Inquérito Sobre o Emprego, recentemente publicado pelo Instituto Nacional de Estatística, apontam que mais de 72% da população activa se encontra empregada no sector informal. Este número pode ser encarado como uma praga para a economia nacional, ou antes como uma verdadeira oportunidade de crescimento, tudo dependendo das lentes de que nos servimos. De minha parte, acredito piamente que a solução de muitos dos nossos crónicos problemas passa pela urgente transposição da forte e resiliente economia paralela para o espectro formal. Acredito que uma abordagem inteligente aos numerosos e criativos actores do sector informal inverteriam, consideravelmente, o quadro dos indicadores económicos. Isto passa pelo auxílio da formalização das respectivas actividades, pela facilitação do acesso ao crédito e aos serviços sociais básicos. Pela capacitação e formação profissional, deste exército de trabalhadores cuja força e capacidade empreendedora é objectivamente verificável à vista desarmada. l

of around -1.8%, which represents a severe blow for national aspirations, in a year that had everything to mark the upturn in growth. But it’s not all bad news. A closer look at the national accounts points clearly to the existence of huge opportunities and the great growth potential of the Angolan economy. Data from the Employment Survey, recently published by the National Statistics Institute, show that more than 72% of the working population is employed in the informal or grey sector. This number can be seen either as a plague for the national economy or rather as a real opportunity for growth, depending on how we look at it. For my part, I firmly believe that the solution for many of our chronic problems is the urgent transfer of the strong and resilient grey economy to the formal spectrum. I believe that an intelligent approach to the many and creative players in the grey sector would considerably change the picture as regards economic indicators. This includes helping formalise their respective activities, granting them easier access to credit and basic social services and reskilling and professional training of this army of workers whose strength and entrepreneurial capacity is objectively visible to the naked eye. l 71


INTERNACIONAL GUINÉ-BISSAU

JOSÉ TAVARES DE ALMEIDA, SENIOR MANAGER CV&A

NO CAMINHO DO FUTURO T H E WAY F O R WA R D

O

Presidente eleito da República da Guiné-Bissau abriu o seu discurso em Belém com um expressivo “Eu trago-vos mantenhas”. Para os menos conhecedores daquele país irmão, o que o General Umaro Sissoco Embaló trouxe ao Povo Português, em nome do Povo Guineense, foram cumprimentos de amizade. A pretensão de iniciarmos, juntos, um novo caminho na nossa história comum de 500 anos expressa bem que as novas autoridades da Guiné-Bissau assumem sem complexos o nosso passado comum. Já na Presidência anterior, de José Mário Vaz, e apesar da instabilidade governativa se havia conseguido um feito único: pela primeira vez, em liberdade, um presidente da república havia terminado um mandato sem ser destituído. Mas a instabilidade política não permitiria uma vivência que conduzisse ao progresso. Um Povo recentemente libertado das grilhetas de um partido único que se permitiu parar no tempo quer construir um futuro em conjunto com outros Povos da CPLP, futuro esse que assenta a sua base na educação, na saúde e na infraestruturação do país para que o mesmo possa com os seus irmãos de história, de cultura e de língua aceder ao que o Presidente Embaló chama, com propriedade, de uma prosperidade partilhada. Uma nova Guiné-Bissau que vive hoje em absoluta normalidade democrática, que terminou a era da instabilidade política e que acolhe todos os seus filhos que querem contribuir para o desenvolvimento sustentado do país pode agora receber, também, investidores estrangeiros que, respeitando a identidade do País, queiram encontrar novas oportunidades de negócio mas, também, contribuir para o desenvolvimento económico e social do Povo Irmão. E se, por vezes, no mundo ocidental quer analisar-se a

72

T

he President-elect of the Republic of Guinea-Bissau opened his speech in Belém with an expressive “I bring you greetings from the people of Guinea”. Using a common Guinean expression General Umaro Sissoco Embaló thus conveyed greetings of friendship to the Portuguese. The intention to start a new path together in our common 500-years old history expresses clearly expresses that the new authorities of Guinea-Bissau have no problems assuming our common past. In the previous presidency, headed by José Mário Vaz, and despite the governmental instability, a single feat had been achieved: for the first time, in times of freedom, a president of the republic ended a term without being removed from office. But political instability would not allow an experience leading to progress. A People recently freed from the shackles of a single party that allowed itself to stop time for a while now wants to build a future together with other Peoples of the Community of Portuguese Speaking Countries (CPLP), a future based on education, health and on the country’s infrastructure to achieve with his brothers in history, culture and language what President Embaló rightly calls shared prosperity. A new Guinea-Bissau living today in absolute democratic normality, that ended the era of political instability and welcomes all its children who want to contribute to the sustainable development of the country and now welcomes also foreign investors who, respecting the identity of the country, want to find new business opportunities but contribute also to the economic and social development of this Fellow nation. And if at times, the Western world tends to analyze the


I N T E R N AT I O N A L G U I N E A - B I S S A U

evolução das democracias noutros continentes com os mesmos parâmetros que se aplicam por exemplo à Europa, é preciso respeitar a história, aceitar que há períodos que são de transição e que, nestes, é necessária alguma firmeza para restaurar a autoridade do Estado e o respeito pelas instituições democráticas e pelas escolhas legítimas de cada povo. Há partidos únicos ou hegemónicos que não aceitam as mudanças e não olham a meios para boicotar o progresso do seu Povo em nome de interesses instalados. Repostas a legalidade democrática e a autoridade do Estado, a Guiné-Bissau vive hoje um momento de perfeita sintonia entre o Presidente da República, o Governo da Nova Maioria e o Parlamento. E todos trabalham com o objectivo de engrandecer a Guiné-Bissau e construir a felicidade dos guineenses. Eleito pela vontade do Povo, Umaro Sissoco Embaló, tem como missão impulsionar a refundação dos alicerces do Estado, assegurando a manutenção da estabilidade política conquistada, para que se possam, finalmente, criar as condições para a implementação de políticas de redução significativa da pobreza, nas suas múltiplas dimensões, criando mais oportunidades de emprego, de rendimento e de bem-estar para todos os guineenses, num Estado de Direito reforçado, com mais rigor, disciplina, justiça e igualdade. O objectivo do mandato é transformar a Guiné-Bissau num país mais moderno, justo, próspero e respeitado. Portugal pode ser o parceiro a que os guineenses querem chamar a porta de entrada na Europa e, nesta parceria especial, a Guiné-Bissau pretende ser a porta de entrada de Portugal para a Africa Ocidental e a plataforma das exportações portuguesas na sub-região oeste-africana. A manutenção e expansão da língua portuguesa na Guiné-Bissau e na sub-região, a valorização do capital humano, através da implementação de profundas reformas na educação e na saúde, a consolidação do Estado, através de reformas profundas na Administração Pública e na Justiça, o combate firme ao crime organizado transnacional, para a restauração da segurança interna e do bom nome e dignidade dos guineenses, a fim de credibilizar a imagem externa do país, fazendo da Guiné-Bissau um parceiro respeitado na Comunidade das Nações são as batalhas imediatas a travar. A Guiné-Bissau pretende que Portugal seja um parceiro presente em todos os sectores do desenvolvimento através do investimento, aportando ‘know-how’ e experiência no sector pesqueiro, no sector mineiro – que ainda está a iniciar-se -, nas infraestruturas, na agricultura biológica, na economia marinha e florestal e na indústria transformadora. A partir de agora, disse o Presidente da República da Guiné-Bissau, aquele país abriu fraternalmente a Portugal o seu próprio mercado interno e o vasto mercado da CEDEAO, onde irão encontrar 380 milhões de consumidores. Saibamos aproveitar e ajudar, simultaneamente, a Guiné-Bissau a desenvolver-se harmoniosamente. l

evolution of democracies in other continents with the same parameters that apply, for example, to Europe, we must nonetheless respect history, accept that there are periods of transition when firm resolve is necessary to restore the authority of the State and the respect for democratic institutions and the legitimate choices of each people. There are single or hegemonic parties that don’t accept changes and don’t look for ways to boycott the progress of their People in the name of vested interests. With democratic legality and state authority now restored, Guinea-Bissau is currently experiencing a moment of perfect harmony between the President of the Republic, the Government of the New Majority and Parliament. And they all work towards making Guinea-Bissau bigger and to build the happiness of Guineans. Elected by the will of the People, Umaro Sissoco Embaló, has the mission of promoting the renovation of the State’s foundations, ensuring the maintenance of the political stability achieved so far to finally create the conditions for the implementation of significant poverty reduction policies, in its multiple dimensions, creating more opportunities for employment, income and well-being for all Guineans, in a reinforced rule of law, with more rigour, discipline, justice and equality. This mandate aims to transform Guinea-Bissau into a more modern, fair, prosperous and respected country. Portugal can be the partner Guineans would like to call the gateway to Europe and, under this special partnership, Guinea-Bissau aims to be Portugal’s gateway to West Africa and the platform for Portuguese exports in the African western sub-region. The maintenance and expansion of the Portuguese language in Guinea-Bissau and the sub-region, the enhancement of human capital, through the implementation of deep reforms in education and health, the consolidation of the State, through deep reforms in Public Administration and Justice, the firm fight against transnational organized crime, for the restoration of internal security and the good name and dignity of Guineans, to give credibility to the country’s external image, making Guinea-Bissau a respected partner in the Community of Nations are the immediate battles to fight. Guinea-Bissau wants Portugal to be a partner with a firm presence in all sectors of development through investment, providing know-how and experience in the fishing sector, in the mining sector - which is still in its inception stage - in infrastructure, organic farming, marine and forest economy and in the manufacturing industry. As of now, said the President of the Republic of Guinea-Bissau, the country fraternally opens its internal market to Portugal and the vast ECOWAS market with 380 million consumers. It’s up to us to take advantage and help, simultaneously, Guinea-Bissau to develop harmoniously. l 73


INTERNACIONAL MOÇAMBIQUE

REFORÇAR O PAPEL DA SOCIEDADE CIVIL E A SUA CAPACIDADE DE CONTRIBUIR PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA EM MOÇAMBIQUE

CRÉDITOS TEXTO E FOTOS: AGA KHAN FOUNDATION

S T R E N G T H E N I N G C I V I L S O C I E T Y A N D I T S C A PAC I T Y TO IMPROVE QUALITY OF LIFE IN MOZAMBIQUE

A FUNDAÇÃO AGA KHAN (AKF ) VÊ NUMA SOCIEDADE CIVIL EFICAZ - CADA VEZ MAIS F I N A N C I A DA P O R F O N T E S I N T E R N A S - U M E L E M E N T O C R U C I A L PA R A M E L H O R A R A Q UA L I DA D E D E V I DA E M G E R A L N O S PA Í S E S E M D E S E N V O LV I M E N T O E D E S E N V O LV I D O S . É P O R I S S O Q U E A A K F, J U N TA M E N T E C O M A F U N DA Ç Ã O L A C A I X A , T E M V I N D O A I N V E S T I R N A S O C I E DA D E C I V I L M O Ç A M B I C A N A D E S D E 2 0 1 3 A T R AV É S D A P L A T A F O R M A J U N T O S ! T H E A G A K H A N F O U N DAT I O N ( A K F ) S E E S A N E F F E C T I V E C I V I L S O C I E T Y – I N C R E A S I N G LY FUNDED BY INDIGENOUS SOURCES – AS KEY TO IMPROVING THE OVERALL QUALITY OF LIFE, B O T H I N D E V E L O P I N G A N D D E V E L O P E D C O U N T R I E S . T H AT I S W H Y A K F, A L O N G S I D E T H E L A C A I X A F O U N DAT I O N , H A S B E E N I N V E S T I N G I N M O Z A M B I C A N C I V I L S O C I E T Y S I N C E 2 0 1 3 THROUGH JUNTOS! 74


I N T E R N AT I O N A L M O Z A M B I Q U E

SARAH JAMES

A

ssentes na ética e nos valores que impulsionam o progresso inclusivo e mudanças positivas, as instituições da sociedade civil - da educação e saúde às artes e cultura - são organizações concebidas com vista a aproveitar as energias individuais de cidadãos comprometidos em prol do bem comum. Em Moçambique, este tipo de instituições vai da Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Família e a Associação de Empresários Contra o VIH e SIDA à Rede Nacional Contra a Droga, para referir apenas algumas. Por mais diversas que sejam, partilham do mesmo impulso e compromisso com vista à melhoria da sociedade em que se inserem, sendo que a Juntos! foi concebida para ampliar esses esforços de várias maneiras. O objectivo inicial da Juntos! consistiu em permitir que essas organizações da sociedade civil (OSC) acedessem, criassem e ministrassem cursos de formação abrangentes e com boa relação custo-benefício por forma a ajudar essas mesmas organizações a colmatarem lacunas ao nível do conhecimento e a desenvolverem as suas aptidões. Isso consegue-se sobretudo através de uma abordagem de aprendizagem combinada, que incorpora meios electrónicos e ‘online’, bem como ensino presencial tradicional, ajudando

F

ounded on the ethics and values that drive inclusive progress and positive change, civil society institutions – from education and healthcare, to the arts and culture – are organisations designed to harness the private energies of citizens committed to the public good. In Mozambique, these range from the Mozambican Association for Family Development and the Business Association for Combating HIV and AIDS, to the National Network Against Drugs, to name but a few. As diverse as they are, what they share is a drive and a commitment to improve the society that they live in, and Juntos! was designed to strengthen these efforts in a variety of ways. The initial purpose of Juntos! was to enable these civil society organisations (CSOs) to access, create and deliver cost-effective and engaging training courses to help them address gaps in knowledge and build their skills. This is done primarily through a blended learning approach, which incorporates electronic and online media as well as traditional face-to-face teaching, as this helps to sustain this type of training far into the future. Juntos! represents the development sector’s community agenda in action. Partners on the ground drive the vision,

GRUP OS DA SOCIEDADE CIVIL EM ACÇÃO EM MOÇAMBIQUE CIVIL SOCIETY GROUPS IN ACTION IN MOZAMBIQUE

75


INTERNACIONAL MOÇAMBIQUE

CURSOS DE FORMAÇÃO PERMITEM UMA A M P L A PA R T I L H A D E C O N H E C I M E N T O TRAINING COURSES ENABLE K N O W L E D G E T O B E S H A R E D W I D E LY

assim a sustentar esse tipo de formação no futuro. Foto3: Cursos de formação permitem uma ampla partilha de conhecimento A Juntos! representa a agenda comunitária do sector do desenvolvimento em acção. Os parceiros no terreno implementam a visão, missão e actividades da plataforma; decidem quais as prioridades em matéria de formação e de capacitação; e concebem e filmam os seus próprios cursos de aprendizagem combinada que são posteriormente adaptados aos contextos e culturas locais. “Os parceiros no terreno implementam a visão, missão e actividades da plataforma.” Desde 2013, foram criados e usados 20 cursos localizados de aprendizagem combinada com vista a aumentar a capacidade e a sustentabilidade das OSC moçambicanas de pequena e grande dimensão e para chegar aos seus beneficiários de forma mais eficaz e eficiente. Os nossos cursos incluem: • Comunicação para a Saúde: Malária • Estágios de Desenvolvimento Infantil • Higiene na Primeira Infância: Boca e Dentes • Processo de Ensino e Aprendizagem no 3º no do ensino básico: Leitura e Escrita • Angariação de Fundos junto de Particulares • Angariação de Fundos junto de Empresas • Desenvolvimento de Propostas • Mobilização de Recursos • Acompanhamento e Avaliação • Gestão Financeira • Apresentações Eficazes • Técnicas de Facilitação • Envolvimento da Comunidade • Comunicação e Colaboração com Equipas Distribuídas • Plano de Comunicação • Como Escrever Guiões para Aulas por Vídeo • Como Estimular o Desenvolvimento na Primeira Infância • Desnutrição em Moçambique • Gravidez Precoce • Legislação em matéria de Saúde Sexual e Reprodutiva Passados quase seis anos, o grande impacto da Juntos! 76

mission, and activities of the platform; decide what their training and skills-building priorities are; and write and film their own blended learning courses that are tailored to local contexts and cultures. “Partners on the ground drive the vision, mission, and activities of the platform” Since 2013, 20 localised blended learning courses have been created and used to increase the capacity and sustainability of Mozambican CSOs small and large, as well as to reach their beneficiaries more effectively and efficiently. Courses include: • Communication for Health: Malaria • Child Development Stages • Hygiene in Early Childhood: Mouth and Teeth • Teaching and Learning Process in the 3rd Grade: Reading and Writing • Individual Fundraising • Corporate Fundraising • Proposal Development • Resource Mobilisation • Monitoring and Evaluation • Financial Management • Effective Presentations • Facilitation Techniques • Community Involvement • Communication and Collaboration with Distributed Teams • Communication Plan • How to Write Scripts for Video Lessons • How to Stimulate Early Childhood Development • Malnutrition in Mozambique • Early Pregnancy • Sexual and Reproductive Health Law After nearly six years, the large impact of Juntos! on Mozambican civil society can be seen clearly. Observed improvements for CSOs include streamlined administrative procedures, improved project and programme management, greater linkages with academia and the private sector, improved skills as trainers, and enhanced


77


INTERNACIONAL MOÇAMBIQUE

CURSOS DE APRENDIZAGEM COMBINADA PERMITEM A PA R T I L H A E F I C A Z D E E N S I N A M E N T O S D E D E S E N V O LV I M E N TO DA P R I M E I R A I N FÂ N C I A BLENDED LEARNING COURSES ALLOW FOR THE EFFECTIVE S H A R E O F E A R LY C H I L D H O O D D E V E L O P M E N T T E A C H I N G S

na sociedade civil moçambicana é bem visível. As melhorias observadas para as OSC incluem procedimentos administrativos simplificados, melhor gestão de projectos e programas, maiores vínculos com a academia e com o sector privado, melhores aptidões como formadores e maior compreensão da necessidade de criação de soluções por medida adaptadas a grupos-alvo. Através da formação de parceiros e OSC locais, maior capacidade parceiros na identificação de grupos de risco, bem como através dos diversos eventos que têm reunido actores de todos os sectores de Moçambique, a Juntos! chegou até agora a 5 milhões de moçambicanos indirectamente e a 18.954 directamente. Para além desses números promissores, a Juntos! contribuiu para uma mudança fundamental na sociedade civil moçambicana, passando-se de esforços desarticulados com pouco impacto, para um sector onde as OSC confiam umas nas outras e colaboram no sentido de introduzirem mudanças sistémicas em toda as áreas da sociedade. Os seus membros estão agora a estabelecer parcerias entre si fora da Juntos! por forma a abordarem alguns dos maiores desafios que Moçambique enfrenta hoje, munidos de novas aptidões e recursos e uma base de apoio contínua. l

G R U P O S DA S O C I E DA D E C I V I L R E Ú N E M - S E PA R A MELHOR AR AS INFR AESTRUTUR AS DA ALDEIA CIVIL SOCIETY GROUPS COME TOGETHER TO IMPROVE VILLAGE INFRASTRUCTURE

78

understanding of the need to create tailored solutions adapted to target groups. Through the training of partners and local CSOs, the increased reach of these partners when targeting at-risk groups, as well as the many events that have brought together stakeholders from all sectors of Mozambique, Juntos! has to date reached 5 million Mozambicans indirectly and 18,954 directly. Beyond these promising numbers, Juntos! has contributed to a fundamental shift in Mozambican civil society from disjointed efforts with little impact, to a sector where CSOs trust each other and collaborate to bring about systemic changes in all aspects of society. Members are now partnering with one another outside of Juntos! to tackle some of the biggest challenges facing Mozambique today, equipped with new skills and resources, and a foundation of ongoing support. l


A NOSSA APOSTA NOS MERCADOS IBERO-AMERICANOS OUR BET ON THE IBERIAN-AMERICAN MARKETS

A C V & A E O S S E U S PA R C E I R O S D E N E G Ó C I O T Ê M U M A F O R T E P R E S E N Ç A N O MERCADO IBERO-AMERICANO. N E S TA E D I Ç Ã O D A P R É M I O D E D I C A M O S A L G U M A S P Á G I N A S A E S T E S M E R C A D O S , Q U E R AT R AV É S D E U M A R T I G O D A S E N H O R A E M B A I X A D O R A D O P A R A G U A I , M A R I A J O S É A R G A Ñ A M AT E U , Q U E R AT R AV É S D A S N O S S A S C O N G É N E R E S E M E S P A N H A , N O C H I L E , N A C O S TA R I C A , N O M É X I C O E N O P E R U . E S T E S A R T I G O S E S TÃ O N U M A V E R S Ã O B I L I N G U E , M A S E M E S P A N H O L , L Í N G U A ORIGINAL DOS AUTORES DOS TEXTOS, E EM INGLÊS. C V & A A N D I T S P A R T N E R S H AV E A S T R O N G P R E S E N C E I N T H E I B E R I A N - A M E R I C A N M A R K E T. I N T H I S I S S U E O F P R É M I O W E H AV E S O M E D E D I C AT E D P A G E S O N T H I S M A R K E T, W I T H A N A R T I C L E B Y T H E P A R A G U A Y A M B A S S A D O R , M A R I A J O S É A R G A Ñ A M AT E U , A N D F U R T H E R T E X T S B Y O U R C O U N T E R P A R T S I N S P A I N , C H I L E , C O S TA R I C A , MEXICO AND PERU. T H E S E A R T I C L E S A R E AVA I L A B L E I N T W O L A N G U A G E S , I N S P A N I S H , T H E N AT I V E L ANGUAGE OF THE WRITERS OF THESE TE XTS, AND IN ENGLISH.

79


DIPLOMACIA

MARÍA JOSÉ ARGAÑA MATEU, EMBAIXADORA DO PARAGUAI EM PORTUGAL PARAGUAYAN AMBASSADOR IN PORTUGAL

PA R A G U AY: I N T E G R A R P A R A A V A N Z A R PA R A G U AY: I N T E G R AT E T O M O V E O N

FOTOS: SENATUR - SECRETARÍA NACIONAL DE TURISMO DEL PARAGUAY

E

l 2020 nos ha colocado un desafío global y cada país ha tenido que encarar todas las condicionantes impuestas por la pandemia del Covid-19 a fin de resguardar la salud de sus ciudadanos, minimizar el impacto económico-social y, en simultáneo, buscar soluciones integrales para un futuro incierto. Con tantas incógnitas aún por resolver, y con un problema en común, cada país está viviendo un proceso interno dinámico de contención y reactivación. Al mismo tiempo, surge una necesidad inevitable de unir esfuerzos con otras naciones para intercambiar y generar conocimientos que ayuden a mitigar el impacto de la pandemia. En ese sentido, la cooperación internacional ha sido determinante para brindar asistencia inmediata a los países que lo necesitaban. La cooperación técnica se ha desarrollado sustancialmente a través del intercambio de experiencias y buenas prácticas entre los países en lo que se refiere a la implementación de medidas en materia de salud pública, educación, economía, tecnología, entre otros. En el primer semestre de este año, Paraguay ejerció la presidencia pro tempore del MERCOSUR. La agenda de trabajos prevista tuvo que ser adaptada a las circunstancias y, de forma a avanzar, fueron llevadas a cabo cerca de 150 reuniones por videoconferencias. El 2 de julio se realizó, de manera virtual, la Cumbre de Presidentes de Estados Partes y Estados Asociados en la cual se presentó una síntesis de las gestiones y en dicha oportunidad el ministro de Relaciones Exteriores de Paraguay, embajador Antonio Rivas Palacios resaltó “La pandemia no detuvo al MERCOSUR”. Durante la presidencia paraguaya del MERCOSUR, uno de los trabajos fue el de priorizar la conclusión de las tareas pendientes para posibilitar el avance del MERCOSUR de manera a suscribir los acuerdos con la Unión Europea (UE) y la Asociación Europea de Libre Comercio (EFTA) aún este año. Cabe señalar que en enero pasado, los ministros

80

2

020 placed a global challenge on us and each country had to face the constraints imposed by the Covid-19 pandemic in order to protect the health of its citizens and minimize the economic-social impact while searching for comprehensive solutions for an uncertain future. With so many great unknowns yet to be solved, and sharing a common problem, each country is now going through a dynamic internal process of both containment and reactivation. And, at the same time, there is also an inevitable need to join forces with other nations in order to exchange and generate knowledge to help mitigating the impact of this pandemic. To this end, international cooperation has been crucial in providing immediate assistance to countries in need. Technical cooperation was there and developed substantially through the exchange of experiences and good practices between countries in order to implement measures in the areas of public health, education, economy and technology, among others. In the first half of this year, Paraguay held the pro tempore presidency of MERCOSUR. The planned work agenda had to be adapted to the circumstances and, in order to move on, about 150 videoconference meetings were held. On July 2, the Summit of Presidents of Member States and Associated States was held, in virtual mode and a summary of the efforts made was presented. On this very same occasion the Minister of Foreign Relations of Paraguay, Ambassador Antonio Rivas Palacios highlighted that “The pandemic did not stop MERCOSUR”. During the Paraguayan presidency of MERCOSUR, one of the tasks was to prioritise the completion of pending tasks in order to enable MERCOSUR to move on and to sign agreements with the European Union (EU) and the European Free Trade Association (EFTA) this year still. It is worth highlighting that last January, the Foreign Ministers of Portugal and Paraguay held a meeting in


DIPLOMACY

de Relaciones Exteriores de Portugal y Paraguay mantuvieron una reunión en la ciudad de Bruselas, ocasión en la cual ambos reafirmaron el apoyo decidido relativamente al acuerdo entre el MERCOSUR y la Unión Europea, alcanzado en junio de 2019. A finales de julio de 2020, Paraguay presentó el pedido de adhesión como observador asociado de la Comunidad de Países de Lengua Portuguesa (CPLP) con la intención de aumentar y profundizar la cooperación con los países miembros de la CPLP en diversas áreas; contribuir a reforzar el multilateralismo y el trabajo colectivo a favor de los intereses y necesidades comunes; incentivar el acercamiento y el intercambio cultural con los países lusófonos; y promover la valoración de la lengua portuguesa, la tercera más hablada en Paraguay, después del español y el guaraní. El 24 de setiembre, la candidatura paraguaya recibió la “luz verde” de los embajadores de los nueve Estados miembros, quienes apreciaron favorablemente el pedido de Paraguay, que puede así avanzar y seguir los pasos necesarios para luego ser aprobado en Cumbre de Jefes de Estado y de Gobierno. Teniendo en cuenta lo mencionado, importa destacar que estas acciones fortalecen a su vez el relacionamiento bilateral existente entre los países, tal como el de Paraguay y Portugal, como miembros de los bloques MERCOSUR -UE respectivamente, y ante la posibilidad de adhesión de Paraguay como observador asociado en la CPLP, se reforzarán los lazos ya existentes. Se destaca igualmente que, durante este el primer semestre de este año, Paraguay y Portugal avanzaron con la firma de un protocolo de cooperación técnica, para el desarrollo del Programa portugués Simplex, siendo así el primer país de la región de América Latina y el Caribe (ALC), a implementar con el apoyo del Banco Interamericano de Desarrollo (BID). Asimismo, en junio y julio, se llevaron a cabo dos cursos de capacitación, por videoconferencia, sobre turismo

the city of Brussels where both restated their strong support to the agreement between MERCOSUR and the European Union, reached in June 2019. At the end of July 2020, Paraguay submitted the accession application as associate observer of the Community of Portuguese Speaking Countries (CPLP) aimed at increasing and deepening cooperation with the CPLP member countries in a number of areas; help strengthening multilateralism and collective work in favour of common interests and needs; encourage the rapprochement and cultural exchange with Portuguese-speaking countries; and promote the Portuguese language, the third most widely spoken in Paraguay, after Spanish and Guaraní. On September 24, the Paraguayan candidacy received the “green light” from the ambassadors of the nine member states, who favourably approved Paraguay’s request. The country may thus move on and follow the necessary steps in order for this to be approved at the Summit of Heads of State and Government. In light of the above, it is worth highlighting that these actions in turn strengthen the existing bilateral relationship between countries, such as Paraguay and Portugal, as members of the MERCOSUR-EU blocks respectively, and in view of the possibility of accession of Paraguay as associate observer in the CPLP existing ties will thus be strengthened. It is also worth highlighting the fact that, during the first semester of this year, Paraguay and Portugal signed a technical cooperation protocol for the development of the Portuguese Simplex Program, a program to streamline administrative procedures, thus becoming the first country in Latin American and the Caribbean (LAC) where this will be implemented with the support of the Inter-American Development Bank (IDB). Likewise, in June and July, two training courses were held by videoconference on religious and gastronomic tourism within the framework of the 2nd phase of the action plan signed between Paraguay and Portugal on tourism. 81


religioso y gastronómico en el marco de la 2ª fase del plan de acción suscripto entre Paraguay y Portugal, en materia de turismo. En la actual coyuntura del comercio global, Paraguay desea posicionarse a través de la diversificación de los mercados a los cuales exporta, reforzando también su potencial como destino de inversiones en sectores en que ofrece amplio potencial; fortaleciendo la atracción de inversiones en sectores específicos; mejorando la generación de empleo, transferencia de tecnología, ingreso de capital extranjero y nacional a sectores de alto potencial. En este sentido, la diplomacia es una herramienta fundamental para proseguir con el trabajo iniciado en el 2019 por el Ministerio de Relaciones Exteriores del Paraguay que, bajo el lema “Diplomacia Económica para el Desarrollo”, viene implementando una serie de acciones a través de su red de embajadas y consulados, con el propósito de divulgar la oferta de productos de exportación, ampliando el alcance en el mercado internacional, impulsando una dinámica comercial globalmente benéfica. Paraguay ha reafirmado que la integración de los países es el camino para la reactivación de las economías y sistemas productivos. Unir esfuerzos y encontrar soluciones conjuntas permitirán la puesta en marcha de acciones para revitalizar todos los sectores de una forma dinámica, favorable y sustentable. l

82

Under the current global trade conjuncture Paraguay wishes to position itself through the diversification of the markets it exports to, reinforcing also its potential as an investment destination in sectors where this country offers a great potential; strengthening the appeal of investments in specific sectors; improving job creation, technology transfer and foreign and national capital inflows to high potential sectors. Diplomacy plays here a fundamental tool to continue the work started in 2019 by the Ministry of Foreign Affairs of Paraguay, which, under the motto “Economic Diplomacy for Development” has been implementing a number of actions through its network of embassies and consulates with the aim of disseminating the supply of export products, expanding its reach in the international market and promoting a globally beneficial commercial dynamics. Paraguay restated that integration of countries is the best way to revive economies and productive systems. Joining efforts and finding joint solutions enables the implementation of actions to revitalize all sectors in a dynamic, favourable and sustainable manner. l


As tendências do mundo da gestão

Tiragem 17.000 exemplares  3.500 Milhões de pageviews médias mensais

83


IBERO-AMÉRICA CHILE

ARTURO ARRIAGADA CASTRO, SÓCIO DA L ATINMEDIA COMUNICACIONES PARTNER AT L ATINMEDIA COMUNICACIONES

P R I M AV E R A E N C H I L E SPRING IN CHILE

E

l Covid 19 ha traído al mundo, a la region de América Latina y, en este caso particular, a Chile, la peor pandemia que nuestra generación haya presenciado y experimentado jamás. Los útimos datos proporcionados por la Universidad Johns Hopkins a comienzos de esta semana indican que el planeta ya ha superado el millón de muertes a causa del virus y se han producido más 33 millones de contagios a nivel global, de los cuales, cerca del 50% se han desarrollado en el continente americano según los últimos reportes de la Organización Mundial de la Salud (OMS). La realidad que vive América Latina es, por decir lo menos, difícil y compleja. Porque a la crisis sanitaria y las restricciones de movilidad impuestas por la mayor parte de sus gobiernos, se une el deterioiro del escenario económico. Ha sido el caso de Chile, reconocida como la economía más estable y próspera de la región, pero que desde marzo de este año y por alrededor de siete meses ha debido guardar una cuarentena sin precedentes en practicamente todo el territorio nacional. Si a lo anterior sumamos el estallido social ocurrido el pasado 18 de octubre de 2019 - lo que desencadenó la realización de un plebiscito el próximo 25 de octubre para aprobar o rechazar la creación de una nueva Carta Constitucional -, que produjo efectos coyunturales en la actividad económica y social del país, nos encontramos con un cocktail explosivo donde la aparición del Covid 19 agravó aún más el escenario. Caída en el Producto Interno Bruto e intercambio comercial; fuerte baja en los indicadores de actividad económica, cierre del comercio, del turismo, nula operación de vuelos comerciales internacionales y pérdida de puestos de trabajo, entre muchos otros. El país, que hasta comienzos de año gozaba de una baja tasa de desempleo, de un dígito, pasó rápidamente a los dos dígitos en el trimestre abril- junio 2020, con un 12,2%. Estamos hablando de la cifra más alta en una década. En este complejo escenario, hay que mencionar las medidas 84

C

ovid 19 has brought to the world, to the Latin American region and, in this particular case, to Chile, the worst pandemic our generation has ever witnessed and experienced. The latest data provided by Johns Hopkins University at the beginning of this week show that the planet has already exceeded one million deaths caused by the virus and more than 33 million infections globally, of which about 50% alone was reported in the American continent according to the latest reports from the World Health Organization (WHO). The reality Latin America is currently experiencing is, to say the least, difficult and complex. Because the health crisis and the mobility restrictions imposed by most governments in the region are compounded by the deterioration of the economic scenario. This has been the case of Chile, acknowledged as the most stable and prosperous economy in the region but which, since March of this year and for around seven months, had to implement an unprecedented quarantine in practically the entire national territory. And if to the above we add the social outbreak that occurred on October 18, 2019 - which triggered the scheduling of a plebiscite to be held on October 25 this year to approve or reject the creation of a new Constitutional Charter-, which produced temporary effects on the activity economic and social of the country, we see ourselves before an explosive cocktail whereby the appearance of Covid 19 further aggravated the scenario: Drop in Gross Domestic Product and trade exchange; sharp decline in the economic activity indicators, trade and tourism in standstill, zero operation of international commercial flights and job loss, among many others.


85


IBERO-AMERICA CHILE

implementadas por el Gobierno para mitigar los efectos económicos de la pandemia y la caída del empleo. Hablamos de un presupuesto adicional de USD12.000 millones para afrontar esta crisis, iniciar la recuperación de la actividad económica y desarrollar programas -que están en plena ejecución- para el fomento y protección del empleo -con foco importante en la empleabilidad de la mujer-, subsidio a la clase media y entrega de créditos del Estado a tasa cero. Por ello la llegada de la Primavera ha traído mejores noticias y un brote verde de esperanza al país. Los indicadores de la pandemia se encuentran bajo un 6% de positividad, el 97% de la Región Metroplitana – Santiago y alrededores representan aproximadamente la mitad de la población nacional- se encuentra en fases de desconfinamiento 2 (Transición) y 3 (En preparación), lo que ha permitido una mayor movilidad para las personas y el transporte, la reapertura del comercio, retorno programado a los lugares de trabajo, viajes interregionales bajo ciertas condiciones, solicitud de reapertura de establecimientos educacionales escolares, técnicos y superiores para el retorno a clases, nuevas posibilidades de vuelos internacionales, tasas de interés para créditos comerciales en su valor mínimo y, algo muy importante para la percepción ciudadana y las expectativas reales de recuperación, una tendencia inesperada pero favorable para el empleo. En el trimestre junio- agosto la tasa de desempleo alcanzó el 12,9%, de acuerdo al informe entregado el miércoles 30 de septiembre por el Instituto Nacional de Estadísticas (INE). Si bien la cifra acumulada se mantiene al alza respecto del último reporte y evidencia más de un millón de desocupados, lo cierto es que el dato representa la primera caída trimestral desde noviembre de 2019 y se ubica por debajo de las expectativas de analistas del mercado, en torno al 13,6% (Fuente: Bloomberg). Probablemente la temporada estival permitirá al país continuar en esta senda y, potencialmente, mejorar sus indicadores sanitarios, por tanto también los económicos. Sin embargo, también debemos comprender que esta normalidad no es a la que estamos acoatumbrados; mientras la pandemia no desapareza y la o las vacunas en desarrollo no estén oficialmente autorizadas para su uso, seguiremos corriendo desde atrás en nuestra recuperación de la producción y actividad, sometidos a incertidumbres y escenarios no del todo controlables. Por tanto, un escenario sanitario de cierta estabilidad que propicie un ambiente favorable al desarrollo de actividades económicas y productivas seguirá dependiendo, en gran parte, de las medidas que el Gobierno y la autoridad sanitaria mantengan para contener un rebrote de contagios. Y, junto a ello, de la conciencia de las personas por mantener sin relajos la continuidad de conductas de auto cuidado y aislamiento responsables que eviten nuevos contagios, faciliten la movilidad y el retorno seguro al trabajo. Contamos con la experiencia en Europa, que tras el regreso del verano ha experimentado serios riesgos de rebrote de la pandemia, y aquellos países más afectados nuevamente comienzan a hablar de confinamiento. Disfrutemos esta Primavera. l 86

The country, which until the beginning of this year witnessed a low single-digit unemployment rate, quickly moved to double digits in the April-June 2020 quarter, to 12.2%. This represents the highest rate in a decade. Under this complex scenario, it is worth mentioning the measures implemented by the Government to mitigate the economic effects of the pandemic and the drop in employment. This represents an additional budget of USD 12,000 million to face this crisis, start the recovery of economic activity and develop programs - which are already in full swing - for the promotion and protection of employment - with an important focus on the employability of women -, subsidies to the middle class and Government credits at zero interest rate. That is why the arrival of Spring has brought better news and a green sprout of hope to the country. The indicators of the pandemic show a positivity rate below 6%, and 97% of the Metropolitan Region - Santiago and its surroundings represent approximately half of the national population - is under phase 2 (Transition) and 3 (In preparation), thus allowing greater mobility for people and transportation, reopening of trade, planned return to workplaces, interregional trips under certain conditions, requests for the reopening of classes in schools, technical and higher educational establishments, new possibilities for international flights, interest rates for commercial loans at minimum rates and, something very important for the public perception and the real expectations of recovery, an unexpected but favourable trend as regards employment. In the June-August quarter, the unemployment rate reached 12.9%, according to the report delivered on Wednesday, September 30 by the National Institute of Statistics (INE). Although the accumulated figure remains high compared to the last report and points to more than one million unemployed, the truth is that these data represent the first quarterly drop since November 2019 and is below the expectations of market analysts, around 13.6% (Source: Bloomberg). The summer season will probably allow the country to stay on this path and, potentially, improve its health indicators, and therefore its economic indicators too. However, we must also take into account that this normality is not what we are accustomed to; As long as the pandemic is there and the vaccine(s) being developed are not officially authorized for use, we will continue to lag behind as regards the recovery of our production and activity and faced with uncertainties and scenarios not entirely controllable. Therefore, a healthy scenario of certain stability fostering a favourable environment for the development of economic and productive activities will continue to depend, to a large extent, on the measures to be maintained by the Government and the health authorities to contain a re-outbreak of infections. And we should add to this the awareness of people as regards maintaining responsible self-care and isolation behaviours without relaxation to prevent new infections, thereby improving mobility and ensuring a safe return to work. We just have to look at Europe, which after the summer holidays experienced serious risks of a re-outbreak of the pandemic and where the countries most affected are considering again the possibility of imposing lockdowns. Enjoy this Spring. l


87


IBERO-AMÉRICA MÉXICO

DIEDO ARVIZU, CEO DA ARVIZU COMUNICACIÓN CORPOR ATIVA CEO OF ARVIZU CORPOR ATE COMMUNICATION

GENERACIÓN 2020, EL RETO DE LA COMUNICACIÓN G E N E R AT I O N 2 0 2 0 , T H E C H A L L E N G E O F C O M M U N I C AT I O N

S

in duda el año 2020 marca ya, un antes y un después en la historia, la pandemia es uno de esos eventos en la historia sobre el cual se seguirá leyendo y estudiando por decenios. Los cambios que provocará en el largo plazo en prácticamente todos los ámbitos de lo que se conocía como “normal” son un misterio, el término “nueva normalidad” no puede estar más lejos de la verdad, nada será normal por años. Sin embargo, algunos cambios con los que tendremos que aprender a vivir ya son una realidad; trabajo desde casa (para aquellos que han logrado conservarlo), uso de tapa bocas y múltiples sustancias sanitizantes. El misterio más grande posiblemente sea el saber cuántos medios de comunicación lograrán sobrevivir y aquellos que lo hagan ¿cuál será su formato? ¿logarán adaptarse a la nueva realidad? Sin duda, los medios “tradicionales” ya venían con una importante pérdida de anunciantes o una drástica disminución en los presupuestos asignados a publicidad. Muchos de ellos ya habían cerrado sus puertas antes de la crisis sanitaria y muchos más no las volverán a abrir después de esto. Los medios de comunicación que antes conocíamos como “no tradicionales”, se están convirtiendo a velocidad luz en los más utilizados por múltiples generaciones como

88

T

he year 2020 establishes undoubtedly a before and after in history and the current pandemic is will go down in history and its tale will be read and studied for decades to come. The changes it will bring about in the long term in almost all areas once known as “normal” are a mystery, the term “new normal” could not be further from the truth, and nothing will be normal for many years. However, some of the changes we will have to live with are already there; work from home (for those who have managed to keep it), use of face masks and multiple sanitizing substances. The biggest mystery will be probably to know how many media will survive and the type they will be using. Will they be able to adapt to the new reality? The “traditional” media were already witnessing a significant loss of advertisers or a drastic decrease in the budgets allocated to advertising. And many of them had already closed their doors before the current health crisis and many more will not reopen after this. The media formally known as “non-traditional” are now becoming the ones most used by many generations as sources of “reliable” information, despite the wide-ranging


IBERO-AMERICA MEXICO

“EL MISTERIO MÁS GRANDE POSIBLEMENTE SEA EL SABER CUÁNTOS MEDIOS DE COMUNICACIÓN LOGRARÁN SOBREVIVIR Y AQUELLOS QUE L O H A G A N .”

fuentes de información “fidedigna” aún cuando exista una amplia campaña en contra de y previniendo acerca de las “fake news”. A raíz del encierro mundial estos medios sociales han aumentado exponencialmente el número de usuarios únicos por día, los medios “tradicionales” que tuvieron la visión de adaptarse y apostarle a la digitalización de sus medios en caso de no haberlo tenido con anterioridad están acaparando no sólo los ojos de las audiencias sino también de los anunciantes. Es muy significativo el impacto mediático que recientemente ha tenido el récord de Instagram que hoy se coloca en 4 horas 44 minutos para lograr 1 millón de seguidores (32 minutos menos que el anterior). Lo sobresaliente es que el propietario de la cuenta es un reconocido ambientalista inglés de 94 años, que nunca había tenido una cuenta en ninguna red social, que decidió utilizar esa plataforma para hacer llegar un mensaje de alerta y esperanza sobre el daño que la humanidad ha causado al planeta. Hablamos, quizás, de la voz más famosa de los documentales dedicados a la vida silvestre y el planeta, Sir David Attenborough (@davidattenborough), notable es la respuesta que ha recibido por los usuarios de Instagram, considerando que la generación Z constituye el mayor porcentaje de usuarios seguido de la generación de los millenials. Como comunicadores tenemos que replantear las estrategias de comunicación para llegar a esas generaciones, que cada año que pasa se vuelven más relevantes para las grandes marcas. Necesariamente debemos innovar en los métodos que utilizamos para lograr sobrepasar las barreras comerciales que cada una de las distintas plataformas impone y que cada día son más estrictas. Eso sin considerar que los vehículos para llegar a las audiencias de esas redes son personas de carne y hueso (mal llamados Influencers) que ahora se han convertido en el “medio”, pero como cualquier otro medio necesitan de pauta publicitaria para sobrevivir pero que las reglas de las plataformas los obligan a declarar cuando un posteo es patrocinado, lo que lo convierte de facto en un publirreportaje versión siglo XXI. Ahora, más que nunca, los comunicadores tenemos crear nuevos trucos para lograr seguir creando magia para posicionar a nuestros clientes entre sus públicos objetivo. l

campaign against and preventing “fake news.”. As a result of the global lockdown these social media increased exponentially the number of single users per day and the “traditional” media who were wise enough to adapt and to bet on the digitization, thus filling that gap, are now not only in the eyes of the audiences but also of the advertisers. The media impact and record figures witnessed recently by Instagram is very significant and the record achieved is now 4 hours 44 minutes to reach 1 million followers (32 minutes less than the previous). The outstanding thing is that the owner of that account is a 94-year-old renowned English environmentalist, who had never had an account on any social media and decided to use that platform to send a message of both warning and hope on the damage humanity is causing the planet. We are talking, perhaps, of the most famous voice in documentaries dedicated to wildlife and the planet, Sir David Attenborough (@davidattenborough), and the response he got from Instagram users is remarkable, considering that generation Z is the biggest percentage of users followed by the millennials generation. As communicators we have to rethink communication strategies to reach those generations which are becoming more relevant to the major brands with each passing year. We have to innovate as regards the methods we use to overcome the commercial barriers imposed by each of the different platforms and which are stricter every day. We should also bear in mind that the means to reach the audiences of these media are people of flesh and blood (wrongly called Influencers) who have now become the “medium”; but like any other medium they need an advertising guide to survive and platform rules forces them to state if a certain post is sponsored, thus making it a de facto 21st century infomercial. Now, more than ever, communicators have to come up with new tricks to keep creating magic in order to position their customers among their target audiences. l

“ THE BIGGEST MYSTERY W I L L B E P R O B A B LY TO KNOW HOW MANY MEDIA WILL SURVIVE AND THE TYPE THEY WILL BE USING. ”

89


IBERO-AMÉRICA ESPANHA

JOSÉ M. GARCÍA VILLARDEFRANCOS, DIRECTOR GRUPO ALBIÓN DIRECTOR AT GRUPO ALBIÓN

R AZONES PAR A EL OP TIMISMO REASONS FOR OPTIMISM

R

ecién estrenado el nuevo curso escolar, España intenta entrar en una nueva normalidad tras los seis meses más convulsos que ha vivido el mundo en la historia reciente. Pero el camino hacia la nueva normalidad se está haciendo más difícil para Madrid. La capital y uno de los motores económicos del país, sigue batiendo en Europa el récord diario en número de contagios por COVID-19. La mejora de la situación no parece cercana. Los gobiernos de la región de Madrid y de la nación, de diferente color político y resultantes de coaliciones diametralmente opuestas, están tardando demasiado en poner en marcha estrategias de gestión claras y efectivas. Lo que está en juego son, en primer lugar, las vidas humanas, y en segundo, la recuperación económica. Si bien de forma menos aguda, el resto de España no está exenta de situaciones similares. En resumen, se está arriesgando el futuro a medio plazo de la sociedad de la quinta economía de Europa. Y mientras la crisis sanitaria avanza, la clase política intenta ponerse de acuerdo y gestionar de forma efectiva, el sector privado trabaja. Y lo hace de forma solidaria para reducir los efectos de la pandemia, para mantener el empleo y para que el tejido empresarial salga de esta situación con las menos bajas posibles. Desde el principio de la pandemia, dos han sido las vertientes en las que se han enfocado las empresas en España. Por una parte, la contribución – cada una en la medida de sus posibilidades – a la protección de los ciudadanos y mejora de la situación sanitaria. Fueron las empresas las que primero pusieron su logística, cadenas de suministro y capacidad de producción al servicio del sistema de salud; muchas las que se preocuparon por complementar los salarios de sus trabajadores hasta el 100% cuando se vieron obligados a presentar reducciones de empleo temporales bajo el mecanismo de los ERTES; otras las que hicieron donativos o permitieron a sus equipos ser voluntarios durante los momentos más duros de la pandemia. La segunda prioridad ha sido la protección de la liquidez y el negocio. Conscientes de las potenciales repercusiones económicas de la situación sanitaria y sus consecuencias en la actividad diaria. Saber reaccionar rápido, tomar decisiones de gestión eficaces e intentar, dentro de un entorno de incertidumbre generalizada y sin registros ni referencias pasadas, ser previsores para evitar males mayores. España se había recuperado con esfuerzo de la última crisis económica. Para ello hizo falta, además del gran talento de la clase empresarial local, que los inversores internacionales supieran ver y apostar por nuestra capacidad de superación, visión, liderazgo y competitividad. Tanto para los inversores y empresarios españoles, como para aquellos que 90

A

s the new school year gets underway, Spain is striving to find some semblance of normality after the most turbulent six months in recent global history. That road to a new normal is proving tougher for the Region of Madrid. Spain’s capital, and one of the country’s key economic drivers, Madrid continues to top the European tables in the number of daily COVID-19 infections. There is no immediate solution on the horizon. The Regional Government of Madrid and the central Spanish Government - held under different political colours by two diametrically-opposed political coalitions - are taking too long to roll out clear, effective management strategies. The stakes are high: human lives, first and foremost, and the country’s economic recovery. The rest of Spain has its fair share of similar situations, albeit not quite as acute. In short, the medium-term future of the society of Europe’s fifth largest economy is in jeopardy. As the health crisis tightens its grip and the political classes struggle to forge agreements and govern effectively, the private sector is working. It is working with unity and solidarity, seeking to mitigate the impact of the pandemic, protect jobs and ensure that the country’s business landscape emerges from the crisis with as few casualties as possible. Since the pandemic broke out, Spain’s companies have been focused on two priority lines of action. Firstly – each to the extent of its own ability – they have sought to help protect Spain’s citizens and tackle the public health emergency. Spain’s companies were the first to make their logistics, supply chains and production capacity available to the health system; many of them opted to top up wages to 100% when they were forced to furlough staff under temporary redundancy schemes (ERTEs), and many others made donations and allowed their teams to volunteer at the peak of the pandemic. Their second priority has been to safeguard liquidity and business activity. Companies have been acutely aware of the potential economic repercussions of the health crisis and its consequences for their everyday operations. They have had to react fast, make efficient management decisions and try, against a backdrop of


91


IBERO-AMÉRICA ESPANHA más allá de nuestras fronteras sepan ver las oportunidades que ofrece un mercado con más de 46 millones de habitantes y acceso directo a más de 400 millones de consumidores potenciales en Latinoamérica, las posibilidades que ofrece España en los próximos años son infinitas. Si no cambiamos las reglas de juego el país podrá ser competitivo a largo plazo. No quiero creer a quienes auguran un camino sin freno hacia el final del libre mercado. Confío plenamente en el marco mayor que nos rige como es la Unión Europea – y su ordenamiento jurídico – de quien además acabamos de recibir más de 140.000 millones de euros del fondo de recuperación, de los cuales algo más de la mitad son en ayudas directas. Fondos condicionados. Condiciones que han de cumplirse. No soy el único en confiar, como demuestran las operaciones de inversión protagonizadas antes y después del verano por fondos de capital riesgo e inversores internacionales en relevantes compañías españolas de diversos sectores, incluso en los considerados estratégicos para el país. Las proyecciones actuales indican que la actividad de M&A en España aumentará considerablemente de aquí a final de año, tras el parón de los meses más duros de la crisis del COVID-19. Un parón que diversas fuentes estiman representó descensos entorno al 25% en la actividad durante el segundo trimestre de 2020. Se podría pensar que el tipo de transacciones que veremos no son las deseadas, pero el mercado actual es muy diferente al de hace seis meses y las oportunidades son otras. Lo importante… que estas oportunidades existan y que los inversores sepan verlas. Veremos un incremento claro en transacciones ‘distressed’, en adquisiciones estratégicas o defensivas, y en reestructuraciones, entre otras. El sector energético, el turístico, el inmobiliario, el financiero, el de la sanidad privada o el tecnológico en el su más amplio espectro serán, entre otros, protagonistas de un entorno de altísima liquidez. Es quizá esta última variable la que marca una clara diferencia con el 2008. Si bien la crisis económica será más profunda, la posición financiera de las compañías, la predisposición a la financiación y la disponibilidad de liquidez nos presentan un escenario muy diferente. Uno más optimista. Tenemos pues un mercado con oportunidades y mucha liquidez. Nada podría ir mal si no fuera porque la agitación sociopolítica es tal que se hace complejo discernir entre realidad y propaganda. Ahora más que nunca en la toma de decisiones empresariales influyen variables más allá de los fundamentales económicos o del negocio. Ahora más que nunca se han de incorporar a la tesis de inversión análisis del marco político y regulatorio, mapas de sentimiento y ‘due dilligence’ reputacional de las compañías ‘target’ y los sectores en los que invertir. Información y análisis objetivo y de valor, realizado por equipos sobre el terreno que hablen el mismo lenguaje que los mercados internacionales y con conocimiento experto del mercado español y sus particularidades. España es un país seguro jurídicamente, en el que hay mucho talento y con capacidad de adaptación. Las oportunidades están ahí y hay que saber identificarlas. La vuelta a la verdadera normalidad tardará y no será fácil, los esfuerzos serán muchos pero habrá recompensas. Hay razones para el optimismo. l 92

large-scale uncertainty with no precedents to serve as a reference, to think ahead to avoid even greater woes down the line. Spain had, with immense effort, got back on its feet after the last economic crisis. One of the keys to that recovery was, coupled with the huge talent of local businesses, the fact that international investors were able to identify and invest in Spain’s ability to overcome adversity; in its vision, its leadership and its competitiveness. Both for Spanish investors and business leaders, and for global investors able to recognise the immense opportunities offered by a market with over 46 million inhabitants and direct access to over 400 million consumers in Latin America, the possibilities offered by Spain over the years to come are endless. If we ensure the rules of play remain unchanged, the country can remain competitive over the long term. I am loath to believe those who say we are careening towards the end of the free market. I am entirely confident in the broader framework that governs us: the European Union, and its legal order. The EU has just assigned Spain over 140 billion euros from the recovery fund, of which over half will be paid in non-repayable grants. These funds come with conditions attached; conditions that must be met. I am not the only one imbued with such confidence, as is evidenced by the investment transactions undertaken before and since the summer by private equity funds and global investors in major Spanish companies across a broad range of industries, including strategic sectors for the country. Current forecasts suggest that M&A activity in Spain will increase substantially by the end of the year, following a downturn during the bleakest months of the COVID-19 crisis. A downturn which, according to various sources, will likely have triggered a drop of around 25% in activity in the second quarter of 2020. It would be easy to assume that the kind of transactions we will see are not necessarily the kind we want, but the market has changed a great deal in six months and the opportunities to be found are not the same; what matters is that the opportunities are there, and investors are able to see them. We will see a marked increase in distressed deals, in strategic and defensive acquisitions and in restructurings, among others. Energy, tourism, real estate, finance, private healthcare, and technology in its broadest terms will be among the most active sectors, in a context where liquidity abounds. It is perhaps this final factor – liquidity – that sets the current situation apart from the 2008 financial crisis. The economic downturn will be steeper, but the financial position of Spain’s companies, access to financing and abundant liquidity all paint a very different picture; a far more optimistic one. We are faced, then, with a market that offers opportunities and a great deal of liquidity. There would be nothing to fear, were it not for the sociopolitical turbulence that makes it so difficult to discern between reality and propaganda. Now more than ever, business decision-making processes are informed by far more than just economic and business fundamentals. Today, any investment thesis must include an analysis of the political and regulatory framework, sentiment mapping and reputational due diligence on the target companies and sectors. Objective, valueadded information and analysis performed by teams on the ground who speak the same language as the global markets and have expert knowledge of the Spanish market and its idiosyncrasies. Spain offers legal security, a wealth of talent and an endless capacity to adapt. The opportunities are out there; the trick is knowing how to find them. The road to a new normal will be long and challenging; it will take great effort, but that effort will be rewarded. There are reasons for optimism. l


para quem gere pessoas

Tiragem 15.000 exemplares ď‚&#x; 925.000 de pageviews mĂŠdias mensais 154.262 seguidores no LinkedIn 93


I B E R O - A M É R I C A C O S TA R I C A

M A R L E N E F E R N Á N D E Z F. , DIRECTORA GERAL DA AGENCIA INTERAMERICANA DE COMUNICACIÓN GENERAL DIRECTOR OF THE INTER-AMERICAN COMMUNICATION AGENCY

EN MOMENTOS DE CRISIS, LA COMUNICACIÓN ES UN ALIADO ESTR ATÉGICO I N T I M E S O F C R I S I S , C O M M U N I C AT I O N I S A S T R AT E G I C A L LY

E

l aislamiento social al que nos ha obligado la pandemia de Covid-19 no es razón suficiente para que las relaciones establecidas entre las organizaciones y sus públicos se enfríen. Hoy, más que nunca, los valores asociados a las marcas deben mantenerse vigentes y presentes en la mente de sus colaboradores, sus clientes, las autoridades locales, nacionales y también con la comunidad en la cual conviven. Es cierto que las medidas adoptadas para preservar la salud de la población ante esta amenaza han generado un impacto no deseado en los negocios. Empresarios grandes o pequeños están recortando presupuestos y maximizando sus recursos. Y, con frecuencia, una de las primeras decisiones es reducir o prescindir de la comunicación. Sin embargo, las empresas deben tener presente que esta crisis pasará y que conviene mantener su marca en la mente de los clientes, para tratar de recuperarse lo más pronto posible de los efectos económicos de la crisis y contribuir de nuevo a la generación de empleo. La gran mayoría de las organizaciones, públicas o privadas, están sufriendo el golpe financiero que el virus ha traído consigo. La salud y la economía están en crisis, pero no se puede sumar a eso

94

T

he social isolation the Covid-19 pandemic has forced us into is not a reason enough for the established relationship between organisations and their audiences to cool down. Today, more than ever, the values associated with brands must be there in the minds of their employees, customers, local and national authorities and also in the manner how they engage with the community they live in. It is a fact that the measures adopted to preserve the health of the population in the face of this threat did generate an unwanted impact on business. Entrepreneurs, large or small, are cutting budgets and maximizing their resources. And often one of the first decisions is to cut down or give up communication. However, companies must bear in mind that this crisis will be over one day and they should therefore make sure their brands remain in the minds of customers, in order to recover from the economic effects of the crisis and contribute again to job creation when the time comes. The vast majority of organizations, public or private, are suffering the financial blow that the virus has brought with


I B E R O - A M E R I C A C O S TA R I C A una crisis de reputación en este complicado escenario mundial. Con el fin de que la reputación de las organizaciones supere las implicaciones de la pandemia se debe trabajar en atender la forma en cómo estas se proyectan, de igual manera que se atienden los aspectos económicos. La comunicación no puede salir del escenario en momentos en los que se puede perder lo que ha costado muchos años construir. Ante este panorama, las empresas y organizaciones deberían poner especial interés en los siguientes aspectos: - Sepa actuar y comunicar acorde con las expectativas de este contexto de crisis y las de sus públicos de interés. En momentos de crisis como este, el nivel de sensibilidad de los diferentes públicos de interés está unos grados por encima de lo normal. Todos verán con más atención cómo está respondiendo su empresa ante la emergencia: si está acatando, por ejemplo, las directrices de las autoridades; si muestra preocupación sincera -y actúa en consonancia- con sus colaboradores o proveedores; si desarrolla iniciativas que ayuden a los clientes a sobrellevar el aislamiento social, entre otros aspectos. - Evalúe el impacto que la crisis ha causado en su reputación. Analice si existe una situación particular que haya dañado o beneficiado su marca, en relación con la pandemia. Si su empresa es transnacional o forma parte de una franquicia, tome en cuenta si algún hecho externo ha generado un cambio en la percepción que anteriormente tenía. - Establezca un Comité de Crisis de Reputación. Posiblemente haya personas dentro de su empresa pensando cómo sobrellevar la situación económica, lo cual está bien, pero no deje de lado el manejo de su reputación. Para ello, apóyese en personas (ojalá expertas) que definan cuáles serán sus mensajes, quiénes serán sus voceros y por cuáles canales difundirá su información. - Realice comunicaciones particulares para cada uno de sus públicos. Aunque el mensaje que usted quiera transmitir sea uno solo, tome en cuenta que, en la actual coyuntura, pueden existir diferentes necesidades, según el público con el que se quiera comunicar. - Si es necesario, corrija. Muchas de las acciones que las empresas han realizado con normalidad durante años, pueden no ser percibidas de manera positiva en la coyuntura actual. Si su empresa realiza cambios para adaptarse a los nuevos requerimientos de los grupos de interés, comuníquelo sin alardear, pero con firmeza. - El aislamiento social implica estar atento. No pierda contacto con la sociedad, pues una vez que termine el aislamiento su negocio tendrá que operar en nuevas condiciones que usted debe conocer. El monitoreo de lo que está pasando le ayudará a tomar decisiones y ver si alguna situación o directriz puede afectar su reputación. - Aunque su negocio no esté operando, siga comunicándose con sus públicos. Esto no necesariamente debe implicar un costo pues actualmente existen formas gratuitas como las redes sociales para establecer contacto e incluso buscar nuevos caminos que generen empatía. Si alguno de sus colaboradores, por ejemplo, tiene alguna habilidad, podría grabar una clase y compartirla por medio de su página web o sus redes sociales. l

it. Health and economy are in crisis, but we cannot add a reputational crisis to it in this complicated world scenario. In order for the reputation of organizations to survive the implications of the pandemic, work must be done to address, for example as regards planning, addressing the economic aspects at the same time. Communication cannot leave the stage as it runs the risk of losing what took so many years to achieve. Against this background, companies and organizations should place particular focus on the following aspects: - Knowing how to act and communicate in accordance with the expectations and those of your target audiences in this crisis context. In times of crisis like this, the level of awareness of the different target audiences is a few degrees above normal. Everyone will see more clearly how your company is responding to the emergency: if it is following the guidelines of the authorities,, for example; if it showing sincere concern - and acts accordingly - with its employees or suppliers; if it developing initiatives to help customers cope with social isolation, among other aspects. - Assess the impact the crisis has had on your reputation. Analyse if there is a particular situation that has damaged or benefited your brand, in relation to the pandemic. If your company is transnational or part of a franchise, see if any external event generated changes in perception. - Establish a Reputation Crisis Committee. There may be people in your company coming up with ways to cope with this economic situation, which is fine, but don’t neglect managing your reputation. To do this, rely on people (hopefully experts) who will define what your messages should be, who will be your spokespersons and which channels will be used to disseminate your information. - Design particular communications for each of your audiences. Even if the message you want to convey is only one, take into account that, under the current situation, there may be different needs, depending on the audience you want to address. - If necessary, correct. Many of the actions that companies usually design may not be perceived in a positive manner under the current situation. If your company makes changes to accommodate new stakeholder requirements, communicate them firmly, without bragging. - Social isolation implies being vigilant. Do not lose contact with society, given that once the isolation is over your business will have to operate under new conditions that you should be aware of. Monitoring what is happening now will help you make decisions and see which situations or guidelines may affect your reputation. - Even if your business is not operating now, keep communicating with your audiences. This doesn’t have to be done at a cost considering that there are currently means, such as social media, to establish contact and even seek new paths that generate empathy without incurring costs. If one of your employees, for example, have a particular skills, record a masterclass and share it via your website or social media. l 95


IBERO-AMÉRICA PERU

LUIS AVELL ANEDA ULLOA, DIRECTOR GERENTE REALIDADES. COMUNICACIONES - PR MANAGING DIRECTOR OF REALIDADES. COMUNICACIONES - PR

UNA VISIÓN DEL MERCADO

DE LAS COMUNICACIONES EN EL PERÚ A N O V E R V I E W O F T H E C O M M U N I C AT I O N MARKET IN PERU

E

n el 2019, la economía peruana registró un crecimiento del 2%. La relevancia de esta estadística no solo le dio la proyección como la segunda economía que más se expandirá en América Latina, según el FMI, pero debido a la pandemia, la cifra retrocederá en un 20% luego de un crecimiento económico ininterrumpido por 20 años consecutivos. Estamos frente a una historia de progreso, con idas y vueltas a nivel regional que viene desnudando las falencias de los aparatos burocráticos y de los servicios esenciales para la población. Esta es una época de golpes, desarrollo y maduración de distintos sectores productivos y de un proceso evolutivo empresarial del país. Este incipiente desarrollo tampoco promovió propuestas de comunicación sostenidas y sólidas, pese a que en la década de los 90’ existía un auge en el comercio mundial, en donde la diversificación de servicios crecía y la mirada digital ya asomaba como una herramienta, que enfrentaría retos y rompería los paradigmas en las nuevas formas de comunicarse, en el contexto de esa llamada aldea global. Hoy el panorama es distinto. Nuestro Perú no es ajeno a las tendencias mundiales que señalan una mayor preferencia por una mejor calidad informativa. Los medios de comunicación, que surten otros retos económicos y sociales planteados en los 90`, articulan y desarrollan nuevas variables que van reconfigurando su quehacer: un libre acceso y la disponibilidad de contenidos, en estos tiempos si no es accesible la información no existe; la búsqueda de formatos digitales de información por perfiles de usuarios, que reta la vida de 96

I

n 2019, the Peruvian economy witnessed a 2% growth. This statistic proved relevant as it placed the country as the second economy that would expand most in Latin America, according to the IMF. But due to the pandemic, these figures will decline by 20% after an uninterrupted economic growth for 20 consecutive years. We face a history of progress, with twists and turns at regional level which has been laying bare the shortcomings of both the bureaucratic apparatus and essential services for the population. This is a time of shocks, development and maturity of different productive sectors and of evolution of the country’s corporate sector. This incipient development didn’t promote sustained and solid communication proposals, despite the fact that the 1990’s witnessed a boom in world trade marked by a growing diversification of services and the emergence of digital as a major tool, which, despite some challenges, would change the paradigms as regards new ways of communicating, within the context of the so-called global village. The picture is entirely different now. Peru is not alien to world trends that point to a greater preference for better information quality. The media, which brought about other economic and social challenges in the 1990’s, articulate and develop new variables that are now reshaping their work: free access and availability of content in current times whereby if information is not accessible it does not exist; the search for digital


IBERO-AMERICA PERU los formatos tradicionales e impresos; entre otros. La multiplicidad de canales de comunicación marca la necesidad de encontrar nuevas formas de informar y formar a la opinión pública. Estos son los cambios vigentes que exige la evolución de las comunicaciones en el Perú. Hoy, las empresas demandan servicios integrales que puedan lograr satisfacer las necesidades informativas de sus diversos públicos. Aquí se presentan ventajas competitivas y oportunidades para las empresas de comunicación de mayor envergadura, con relación a las que solo ofrecen una herramienta o a las que no cuentan con una mayor oferta de servicios.

information formats by user profiles, which challenges the life of traditional and printed formats; among others. The myriad of communication channels marks the need to find new ways to inform and shape public opinion. These are the changes communication in Peru has to undergo in order to evolve. Nowadays, companies demand comprehensive services to meet the information needs of their different audiences. This brings about competitive advantages and opportunities for large communication companies who can fare better than those offering only one tool or companies not offering a wide range of services.

¿Hacia dónde se orientan las prácticas de la comunicación corporativa? La vida empresarial en nuestro país se ha visto azotada por la corrupción de ciertos grupos de poder y hoy por una pandemia que viene golpeando sensiblemente las estructuras burocráticas del país. Muchos autores señalan que la corrupción personal e institucional es una pesada cadena que arrastra nuestro país desde su independencia hace ya casi 200 años; y que es un fenómeno popular en América Latina. Este contexto demanda un mejor nivel de comunicación que eleve los niveles de transparencia fuera de toda duda, del actuar empresarial, sin importar el rubro o el tamaño. La práctica de la comunicación requiere de formas más próximas y que generen credibilidad para que se forjen vínculos de confianza. Eso nos lleva a tener una nueva profesionalización de la comunicación; y en ese camino estamos. Podemos definir tres carácterísticas de las empresas de PR en el país: 1) las generalistas por la falta de especialización en el tratamiento informativo, en una praxis tradicional, inflexible y que no arriesga al trabajo de nicho; (2) las enfocadas en la incidencia más que en el proceso de construcción de reputación, de mirada de corto plazo y orientada a la efectividad por la efectividad y (3) las que tienen la necesidad de mayor y mejor talento, para que tenga como resultado un desarrollo profesional que articule elevar el conocimiento y, desde la comunicación, sumar valor en las diversas áreas de la gestión empresarial. En esa línea, debemos resaltar que ya vivimos una transición de un PR tradicional hacia uno transformacional; que convive con una voraz tecnología, que reclama un orden; que procura manejar entornos cambiantes y niveles de incertidumbre para mantener altos niveles informativos, en el comportamiento de lo pasa que hoy y de lo que podría ocurrir mañana. Reclama un mejor trabajo cualitativo que de sentido a la métrica analítica que aportan las Tecnologías de la Información y las redes sociales.

Where are media relations companies heading to? Business life in our country has been plagued by the corruption of certain power groups and currently by a pandemic that is hitting hard the country’s bureaucratic structures. Many authors point out that personal and institutional corruption is a heavy chain that has dragged in our country since its independence almost 200 years ago; and which is a popular phenomenon in Latin America. This context requires a better level of communication that raises the levels of transparency of business, regardless of the sector or size. Communication demands greater proximity in order to generate credibility so that bonds of trust may be forged. This has led to a new professionalization of communication; and that’s the path we are currently following. We may define three characteristics of PR companies in the country: 1) generalist lacking specialization in information processing, engaged in traditional, inflexible practices and therefore not risking niche work; (2) those focused on advocacy rather than on the reputation-building process, with a short-term perspective and oriented to effectiveness for effectiveness sake and (3) those experiencing the need for more and better talent in order to achieve a professional development that articulates with raising knowledge and, as regards communication, adds value in the different areas of corporate management. It is worth mentioning that we are already experiencing a transition from traditional PR to transformational PR; that coexists with a voracious technology and requires a stable framework; that seeks to manage changing environments and levels of uncertainty to maintain high levels of information, in light of current and future behaviours and events. This calls for a better qualitative work that gives meaning to the analytical metrics provided by Information Technologies and social media.

El reto del desarrollo centralista Lima concentra y administra casi el 60% de la economía del país. La gestión centralista peruana puede representar una diferencia dentro del espectro de Latinoamérica, ya que este es un caso singular y que vale la pena analizar pues es una agenda pendiente y exige una mayor atención y un mayor dinamismo en el desarrollo de las economías de las empresas en el interior del país. Ello traerá el desarrollo

The challenge of centrist development Lima concentrates and manages almost 60% of the country’s economy. Peruvian centrist management may represent a difference within the spectrum of Latin America, since this is a unique case and which is worth analysing, a pending issue requiring greater attention and greater dynamism for the development of the economies of companies inside the country. This will lead to the development of a better communication of its offer as regards regional products and services, that expose its value proposal, deploy more 97


IBERO-AMÉRICA PERU de una mejor comunicación de su oferta en sus productos y servicios regionales, que expongan su propuesta de valor, que desplieguen estrategias de PR más eficientes, y que permitan equilibrar y continuar con los procesos de descentralización en el país, también en las empresas de comunicación y de PR. El sector más relevante en nuestra economía es la minería y esta se desarrolla principalmente en el interior del país. Perú es un país muy joven con un 45% de la población que se encuentra entre los 13 y 39 años. Este panorama muestra oportunidades reales que podrían ir contribuyendo a la madurez del sector de las comunicaciones. La concentración de medios de comunicación en pocos grupos empresariales, que se ha dado en el Perú, configura un mapa de oportunidades y limitaciones. El Grupo El Comercio ostenta casi el 80% de la prensa escrita total del país, mantiene participación en los principales canales de televisión abierta y en el principal canal informativo por cable. En ese sentido, las tres empresas de medios que juntas dominan el 84 por ciento del mercado peruano son: Grupo El Comercio, ATV y Latina. El primero tiene más del 60 por ciento de ingresos estimados del mercado de medios según el Observatorio Ojo Público. Esta es una situación que se puede observar en diferentes países en Latinoamérica. El reto de la objetividad, la transparencia y una incidencia en la opinión pública son prácticas que merecen también un mejor ejercicio, pese a la independencia profesional periodística. El papel del DIRCOM, la Comunicación Directiva y el valor de la reputación son dimensiones profesionales en el PR en donde se vienen generando cambios iniciales, tanto en la oferta de servicios de las empresas de comunicación como en la forma de pensar de las organizaciones peruanas. No obstante, los problemas éticos y de corrupción que aún ostenta nuestro país nos depara un largo caminar en los procesos y sentencias judiciales y además de un sinfín de revelaciones y hallazgos que están por devenir. Resultados eficientes para las empresas de comunicación se deberían basar en los siguientes planos: a) una oferta integral en función de la demanda del mercado y en las necesidades de comunicación; b) generación de contenidos como un auténtico mecanismo de innovar en informaciones que otorguen valor a la opinión pública; y c) una plena transparencia en su comportamiento ético tanto en su ser como en su hacer. Finalmente, la situación económica del país -al margen de la problemática política y sanitaria - viene generando un mayor dinamismo que impulsa una mayor velocidad en el proceso de cambio de la actual etapa de transición. La ruta de la madurez es inevitable. Las empresas de PR no alcanzan los US70 millones de dólares de facturación al 2019, según diversas fuentes; y las quince primeras agencias de comunicación deben alcanzar el 50% de este monto en un mercado que no alcanza a las cincuenta empresas formales. La diferencia es notoria cuando se compara con la oferta de similares empresas en Chile, México, Colombia o Brasil. Claramente, nos queda aún mucho camino por transitar y construir. Las condiciones, hoy más que nunca, están dadas y se deben de seguir gestionando. l

98

efficient PR strategies, and allow for the balanced and ongoing decentralization processes in the country, and in communication and PR companies. The most relevant sector in our economy is mining whose operations are concentrated in the inner areas of the country. Peru is a very young country with 45% of the population between the ages of 13 and 39. This scenario shows real opportunities that may contribute to the maturity of the communications sector. The concentration of the media in few business groups, which has occurred in Peru, configures a map of opportunities and limitations. The El Comercio Group holds almost 80% of the total written press in the country, with holdings in the main open television channels and in the main cable news channel. The three media companies that together dominate 84 percent of the Peruvian market are: Grupo El Comercio, ATV and Latina. The first has more than 60 percent of estimated income from the media market according to the Ojo Público Observatory. This situation that can be witnessed in different countries in Latin America too. The challenge of objectivity, transparency and the impact on public opinion are practices that require greater focus, despite journalistic professional independence. The role of DIRCOM, Media Relations and the value of reputation are professional dimensions in PR and where small changes are being generated, both in the service offer of media companies and in the mindset of Peruvian organizations. However, the ethical and corruption problems still witnessed in our country are forcing us to engage in a long journey as regards court cases and sentences in addition to an endless number of revelations and findings that are yet to come. Efficient results for media companies should be based on the following plans: a) a comprehensive offer based on market demand and communication needs; b) generation of content as an authentic mechanism to innovate in information that gives value to public opinion; and c) full transparency in their ethical behaviour both as regards their structure and actions. Finally, the economic situation of the country apart from the political and health problems - has been generating greater dynamism and therefore greater speed in the process of change in the current transition stage. The path of maturity is inevitable. PR companies did not reach US $ 70 million in turnover in 2019, according to various sources; and the first fifteen media relation companies must reach 50% of this amount in a market where the number of formal companies is below fifty. The difference is striking when compared with countries like Chile, Mexico, Colombia or Brazil. Clearly, we still have a long way to go and a lot to build. The conditions, today more than ever, are in place and must continue to be duly managed. l


99


Profile for Cunha Vaz Associados

PRÉMIO | Edição Outubro 2020  

PRÉMIO | Edição Outubro 2020  

Profile for cunhavaz

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded

Recommendations could not be loaded